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Como criar piso táteis mais acessíveis

Volume 7 das Recomendações do Núcleo de

Estudos e Investigação em Acessibilidade da

ACAPO
Índice

1. Introdução 3

2. Perfis 5

2.1. Piso de alerta 5

2.2. Piso direccional 6

2.3. Piso de cautela 7

3. Cores e materiais 9

4. Rigor na aplicação 9

5. Sinalização de passagens de peões de superfície 11

5.1. Perfis a aplicar 11

5.2. Aplicação 13

5.3. Separadores centrais 20

5.4. Tampas de utilidades 23

6. Introdução de linhas de orientação 24

6.1 Zonas pedonais 27

6.2 Cruzamentos 28

7. Sinalização de escadas 29

8. Sinalização de rampas 31

9. Sinalização de paragens de autocarro 32

1 0 . S i n a l i z a ç ã o d a e n t r a d a d e e d if í c i o s p ú b l i c o s 33

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1. Introdução

A legislação nacional, Decreto-Lei 163/2006 de


8 de Agosto, prevê o uso de material de
revestimento de textura diferente e cor
contrastante com o restante piso na via pública
para assinalar três situações – escadas,
r a m p a s e p a s s a g e n s d e p e õe s d e s u p e r f í c i e .
C o n t u d o , o d i p l o m a n ã o e s p e c i f ic a o t i p o d e
material a aplicar, nem as suas dimensões. A
ACAPO é da opinião que as soluções aplicadas
pelos gestores da via pública devem ser
harmonizadas e determinado tipo de pavimento
táctil deve ter o mesmo significado em todo o
país, ou pelo menos em todo o município. Este
d o c um e n t o p r e t e n d e c o n t r i b u i r p a r a u m a
normalização dos perfis a aplicar e sugerir a
disposição dos pavimentos tácteis nas diversas
situações.

C h a m a m o s a a t e nç ã o p a r a o f a c t o d a s N o r m a s
Técnicas do Decreto-Lei 163/2006 pretenderem
a s s e g u r a r c o n d i ç õ e s m í n im a s d e
acessibilidade. Naturalmente, as boas e
m e l h o r e s p r á t i c a s n o c am p o d a a c e s s i b i l i d a d e
v ã o a l é m d a s d i s p o s i ç õ e s le g a i s e e s t e
d o c um e n t o p r o p õ e a l g u m a s s o l u ç õ e s m a i s
ambiciosas, como o uso de pavimentos tácteis

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para orientar os peões na via pública e
identificar locais de interesse.

E s t a m o s c o n s c ie n t e s d e q u e a n a t u r e z a d a v i a
pública varia nos próprios municípios e as
nossas propostas pretendem responder às
diversas circunstâncias. Também estamos
c o n s c i e n t e s q u e o s p r o j e c t i s t a s ne c e s s i t a m d e
a l g u m a f l e x i b i l i d a d e p a r a c r i a r s o l u ç õe s q u e
r e s p e i t e m a s c o n d i ç õe s l oc a i s e o s r e c u r s o s
disponíveis. No entanto, pedimos aos
p r o j e c t i s t a s q u e e v it e m i n t r o d u z i r i n ov a ç õ e s
sem consultar a opinião dos utilizadores ou da
i n s t i t u i ç ã o q u e l e g i t im a m e n t e o s r e p r e s e n t a - a
ACAPO.

N a e l a b o r a ç ã o d e s t e d o c um e n t o s e g u i m o s a s
recomendações e práticas internacionais.

N o t a : N e n h u m a d a s f i g u r a s d e s t e d o c u m e nt o
está desenhada à escala.

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2. Perfis

2.1. Piso de alerta

O perfil a usar é o “pitonado”, composto por


s a l i ê n c i a s r e d o n d a s c o m um a a l t u r a d e 5 m m 
0,5mm e um diámetro na base de 25mm,
c o l o c a d a s n um p a d r ã o r e c t i l í ne o . N u m a p e ç a
de 400mm por 400mm a distância entre os
eixos das saliências deve ser de 66,8mm para
p r o d u z i r u m p a d r ã o d e 6 x 6 . De p r e f e r ê nc i a a s
saliências são achatadas. 

F i g u ra 1 – P l a n t a d o p i so d e a l e rt a n u m a
p e ç a d e 4 0 0 m m p o r 4 0 0 m m e p e rf i l d e
sa l i ê n c i a a c h a t a d a .
5
Nos produtos comercializados em Portugal
e nc o n t r a m o s a s s a l i ê n c i a s d i s p o s t a s e m d o i s
padrãos - parecidas com o “seis” e com o
“ c i nc o ” d a s p e ç a s d o d o m i n ó - e c o m p e q u e n a s
diferenças na distância entre eixos.
Consideramos que ambas as formas são
e nt e n d i d a s c o m o a v i s o d e a l e r t a p o r p e õ e s c om
d e f i c i ê nc i a v i s u a l .

F i g u ra 2 – P l a n t a s d e d u a s p e ç a s d e p i so
d e a l e rt a , m o st ra n d o o s p a d rõ e s d e “ se i s”
e “c i n c o ” .

2.2. Piso direccional

O Pe r f i l a u s a r é c om p o s t o p o r b a r r a s
achatadas, longintudinais (no sentido da
m a r c h a ) c o m um a l a r g u r a d e 3 5 m m e um a
altura de 5mm +/- 0,5mm. O intervalo entre as
barras é de 45mm. 

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Figura 3 – Planta do piso dirrecional numa
peça de 400mm por 400mm, mostrando as
seis barras achatadas.

2.3. Piso de cautela

O piso de cautela é composto por barras


a r r e d o n d a d a s , t r a n s v e r s a i s c om u m a l a r g u r a d e
2 0 m m . A s b a r r a s t ê m u m r a i o d e 1 0 m m e um a
altura de 6mm +/- 0,5mm. O intervalo entre as
barras é de 30mm. 

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Figura 4 – Planta do piso de cautela numa
peça de 400mm por 400mm, mostrando as
oito barras arredondadas, e o perfil da
barra. ●

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3. Cores e Mate riais

É essencial proporcionar um contraste cromático


forte com o passeio envolvente. Dado que os
materiais aplicados no passeio variam ao longo do
país, não recomendamos uma cor específica para
qualquer um dos pavimentos tácteis a aplicar na via
pública. Recomendamos, apenas, alguma
harmonização dentro de um município porque o
“código” de cores pode reforçar a informação
transmitida pelos perfis. No entanto, entendemos que
possam optar por usar cores diferentes nas zonas
históricas e novas.

Há que ter atenção com as cores e materiais claros


porque podem escurecer com o uso, diminuindo ao
longo do tempo o contraste cromático.

Existem diversos materiais no mercado, como por


exemplo: borracha, cerâmica, tijolo e betão pré-
fabricado. Consideramos que este leque de opções
vai ao encontro das necessidades das câmaras
municipais, fornecendo-lhes opções em termos
arquitectónicos, orçamentais e métodos de
construção.

Para a ACAPO o essencial são soluções uniformes,


aplicadas com rigor, que transmitam aos peões com
deficiência visual confiança na informação
transmitida.

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4. Rigor na aplicação

É essencial que os pavimentos tácteis não constituam


mais uma barreira na via pública. Os perfis aqui
propostos, baseados nas recomendações
internacionais, foram concebidos e avaliados em
termos do risco que representam para o público em
geral. Por si só não constituem um perigo, mas uma
aplicação defeitosa pode aumentar o risco de
acidentes no passeio. No caso dos pavimentos
embutidos, é essencial eliminar qualquer desnível
entre as juntas. No caso dos pavimentos em borracha
e semelhantes é essencial garantir que o material
seja colado em toda a sua extensão.

Por outro lado, nos pavimentos embutidos, é


essencial que os elementos salientes sejam elevados
em relação ao passeio envolvente, de acordo com as
alturas definidas nos perfis. Quando a face superior
do elemento está por baixo do nível do passeio
envolvente, cria-se um perfil em baixo relevo que
não será detectado facilmente pelos peões.

Tal como qualquer passeio, os pavimentos tácteis


necessitam de manutenção. Quando, pelo desgaste, a
altura dos elementos em relevo descer até aos

3,5mm, o pavimento deverá ser substituído. ●

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5. Sinalização de passagens de peões
de superfície
A legislação prevê o uso de sinalização táctil no piso
dos passeios no início e fim das passagens de peões
sujeitas a obras de construção, reconstrução ou
alteração. A ACAPO considera que todas as
passadeiras de peões deveriam ser assinaladas.

5.1. Perfis a aplicar

Melhor prática

A zona a sinalizar divide-se em duas partes.


Uma faixa de aproximação, junto ao limite do
passeio, que informa o peão da sua
a p r o x i m a ç ã o à e s t r a d a e um a f a i x a d e
presença, mais estreita, que atravessa o
p a s s e i o , i nf o r m a n d o o p e ã o q u e c i r c u l a
afastado do lancil da presença da passagem de
peões. Na faixa de aproximação aplica-se o
piso de alerta ou “pitonado” e na faixa da
presença aplica-se o piso direccional. 

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Figura 5 – Sinalização de uma passadeira,
utilizando a melhor prática, ou seja, uma
f a i x a e m p i s o d e a l e r t a , j u n t o a o l i m it e d o
passeio, e uma faixa de presença em piso
direccional, atravessando o passeio.

Boa prática

O piso de alerta ou “pitonado” é aplicado em


toda a zona sinalizada. 

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Figura 6 – Sinalização de uma passadeira,
utilizando a boa prática, ou seja, ambas as
f a i x a s s ã o c om p o s t a s d e p i s o d e a l e r t a .

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5.2. Aplicação

Largura - Junto à estrada, a largura do


pavimento táctil deve ser igual à largura da
passagem de peões, tanto quando a estrada
e s t á e l e v a d a c om o q u a n d o o p a s s e i o e s t á
rebaixado. 

Figura 7 – Sinalização de uma passadeira


quando a estrada está elevada (em cima) e
quando o passeio está rebaixado (em
baixo).

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Na figura 7 em baixo, os planos inclinados
l a t e r a i s s ã o r e v e s t i d o s c om o m a t e r i a l u s a d o
no passeio. No entanto, aceitamos que, por
razões técnicas ou arquitectónicas, o
pavimento táctil (piso de alerta) possa ser
aplicado também nestas áreas.

C o m p r i m e n t o m í n im o - 8 0 c m o u 1 2 0 c m ,
conforme o fluxo de peões. Quando a
p a s s a g e m d e p e õ e s e s t á l oc a l i z a d a
p e r p e n d i c u l a r m e n t e a o f l u x o d o s p e õe s , a f a i x a
d e a p r o x i m a ç ã o d e v e p r o j e c t a r - s e a um m í n im o
de 80 cm da estrada. Quando a passagem de
peões está localizada na continuação do fluxo
dos peões, a faixa de aproximação deve
projectar-se a um mínimo de 120 cm da
estrada. 

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Figura 8 – A dimensão da faixa de
a p r o x i m a ç ã o v á r i a d e a c o r d o c om o f l u x o
de peões.

A faixa de presença deve ter uma largura


suficiente para ser detectada pelos peões que
c i r c u l e m l o n g e d o l a n c i l ( l a r g u r a m í n im a
1 2 0 c m ) . Q u a n d o a p a s s a g e m d e p e õ e s t iv e r
sinais luminosos que possam ser activados
pelos peões, a faixa de presença deve
e nc a m i n h a r o p e ã o p a r a o s u p o r t e d o b o t ã o d o
comando.

Figura 9 – Junto a uma passadeira sem


s i n a i s l um i n o s o s p a r a p e õe s , a f a i x a d e
aproximação e a faixa de presença, formam
a letra T, enquanto junto a uma passadeira
sem sinais luminosos para peões, elas
formam a letra L.

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Q u a n d o o p a s s e i o f o r e s t r e it o ( m e n o s d e 2
metros de largura), deve-se rebaixar toda a
largura do passeio e aplicar-se apenas o piso
de alerta. 

Figura 10 – Num passeio estreito deve-se


rebaixar toda a largura do passeio e aplicar
apenas piso de alerta.

Q u a n d o o p a s s e i o f o r m u i t o l a r g o , c om o p o r
e xe m p l o n u m a p r a ç a , a f a i x a d e p r e s e n ç a n ã o
deve prolongar-se para além dos 5 metros.

Q u a n d o d u a s p a s s a g e n s d e p e õe s s e l oc a l i z a m
na esquina de um cruzamento, as faixas de
presença podem sobrepor-se, desde que não
induzam o peão em erro. Uma faixa de
p r e s e n ç a e s t á b e m c o l oc a d a q u a n d o o p e ã o
c o m d e f i c i ê nc i a v i s u a l p o d e d e t e c t a r a m e s m a ,

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virar-se na direcção da estrada e seguir a faixa
até à passagem de peões. 

Figura 11 – No cruzamento no lado direito


as duas faixas estão sobrepostas nos
extremos, mas não induzem o peão em
erro.

No exemplo a seguir, uma das faixas de


p r e s e n ç a n ã o f o i c o l oc a d a p a r a n ã o c r i a r
confusão. 

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Figura 12 – A faixa de presença não foi
aplicada no passeio do lado esquerdo
p o r q u e p o d e r i a s e r c o n f u n d i d a c om a f a i x a
de aproximação ou a faixa de presença da
passadeira na rua transversal.

É frequente encontrar-se na via pública


passagens de peões que não são
perpendiculares ao passeio. Nesta situação, o
peão com deficiência visual terá grandes
dificuldades em manter-se na passagem de
p e õ e s d u r a n t e t o d o o a t r a v e s s a m e n t o . Se m p r e
q u e p o s s í v e l a s p a s s a g e n s d e p e õe s o b l í q u a s
d e v e r i a m s e r e l im i n a d a s . Q u a n d o o s e u u s o é
inevitável, a faixa de aproximação e a faixa de
presença devem reflectir o sentido da marcha.
A dimensão mais pequena da faixa da
aproximação não deve ser inferior a 80cm ou
120cm, conforme o fluxo de peões.

A F i g u r a 1 3 m o s t r a a s p o s s í v e i s l oc a l i z a ç õ e s d a
faixa de presença quando uma passagem de
peões não está perpendicular ao passeio,
c o n f o r m e e s t á e q u i p a d o o u n ã o c om s i n a i s
l um i n o s o s p a r a p e õ e s . A f a i x a d e p r e s e n ç a d o
lado esquerdo não se prolonga até ao bordo do
passeio da rua transversal para não correr o
risco de induzir os peões em erro. (Poderiam

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pensar que há uma passadeira na rua
transversal.) 

Figura 13 – Possíveis localizações da faixa


de presença quando uma passagem de
peões não está perpendicular ao passeio, e
faixas de aproximação que respeitam as
m e d i d a s m í n im a s .

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5.3. Separadores centrais

Os separadores centrais das rodovias devem


ser assinalados com piso de alerta. Quando a
s u p e r f í c i e d o s e p a r a d o r c e nt r a l e s t i v e r a o n í v e l
da faixa de rodagem, a zona de pavimento
táctil deve terminar 15cm antes dos rebordos
exteriores do separador central. Quando o
separador central tiver menos de 250cm de
largura, o pavimento deve cobrir toda a zona
do separador onde podem permanecer peões.

Figura 14 – Separador central com largura


inferior a 2,50m, com toda a zona interior
assinalada com piso de alerta, excepto os
rebordos de 15cm.

Q u a n d o o s e p a r a d o r c e n t r a l t iv e r 2 5 0 c m ( o u
mais) de largura, deve-se aplicar duas tiras
com 80cm de largura.

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Figura 15 – Separador central com largura
s u p e r i o r a 2 , 5 0 m , c om d u a s t i r a s d e p i s o
de alerta com 80cm de largura e os
rebordos de 15cm.

N o s s e p a r a d o r e s c e nt r a i s e n t r e p a s s a g e n s d e
peões desfasadas, devem existir guardas
metálicas que possam servir de guia para os
p e õ e s c o m d e f i c i ê nc i a v i s u a l ( e d e b a r r e i r a
para qualquer peão distraido ou
i n d i s c i p l i n a d o ) . É im p o r t a n t e q u e o c o m a n d o
esteja perto da extremidade da guarda. É
igualmente importante que os sinais luminosos
ou o seu suporte não representem perigo para
quem segue a guarda. 

22
Figura 16 – Separador central com guardas
que podem guiar o peão até às passadeiras
desfasadas.

N o s s e p a r a d o r e s c e nt r a i s , q u a l q u e r q u e s e j a o
seu fo formato, não se colocam tiras de

presença.

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F i g u r a 1 7 – U m s e p a r a d o r c e nt r a l
t r i a n g u l a r , s e m f a i x a s d e p r e s e n ç a e c om
g u a r d a s e nt r e a s p a s s a g e n s d e p e õe s .

5.4. Tampas de utilidades

O piso táctil deve ser aplicado a tampas de


u t i l i d a d e s ( s e m c r i a r um d e s n í v e l ) q u a n d o
estas ocupam a zona a ser assinalada. ●

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6. Introdução de linhas de orie ntação

As linhas de orientação tácteis (piso


direccionais) deveriam ser aplicadas em poucas
circunstâncias na via pública. Regra geral,
basta que seja respeitado, rigorosamente, o
c o n c e i t o d e c a n a l l iv r e q u e c o n s t a n o D e c r e t o -
l e i 1 6 3 / 2 0 0 6 . C om e s t a c o n d i ç ã o , o s p e õ e s c om
d e f i c i ê nc i a v i s u a l n ã o t e r ã o g r a n d e d i f i c u l d a d e
em orientar-se nos passeios.

No caso de centrais de camionagem e estações


de comboio o uso de linhas de oreintação é
i n d i c a d o p o r q u e o s ut e n t e s p r e c i s a m d e
e nc o n t r a r , d e u m a m a n e i r a r á p i d a e s e g u r a , o s
p e r c u r s o s e n t r e a e nt r a d a / s a í d a d a e s t a ç ã o e o
transporte. E os pontos onde vão parar na sua
deslocação são previsíveis. Não é o caso da via
p ú b l i c a e m u i t a s v e ze s s e r i a d i f íc i l e s c o l he r
e nt r e o s d i v e r s o s p e r c u r s o s q u e o s p e õ e s
poderiam seguir.

No entanto, podem surgir situações na via


pública em que a zona de peões é muito ampla
e não existe uma linha natural de orientação
( f l u x o d o t r â n s i t o o u a s f ac h a d a s d o s p r é d i o s ,
p o r e x e m p l o ) . E s t a s i t u a ç ã o s u r g e q u a n d o um a
praça é ampla e os peões precisam de andar
em linha recta entre duas passagens de peões.

25
Nestas circunstãncias deve-se aplicar um piso
direccional com 80cm de largura e com pelo
m e n o s 8 0 c m d o e s p a ç o l iv r e d e c a d a l a d o . O
e s p a ç o l i v r e p e r m i t e u l t r a p a s s a r o u c r u z a r c om
outros peões em segurança e garante que o
p e ã o c o m d e f i c i ê n c i a v i s u a l n ã o s o f r e um
acidente se sair inadvertidamente do piso
direccional.

F i g u r a 1 8 – D u a s p r a ç a s c o m um a l i n h a d e
orientação na zona central ligando duas
passagens de peões.

H a v e r á s i t u a ç õ e s e m q u e a l oc a l i z a ç ã o d a s
passagens de peões a ligar por uma piso
d i r e c c i o n a l r e s u l t a n um e f e i t o v i s u a l p o u c o
apelativo. 

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F i g u r a 1 9 – U m a p r a ç a c om u m a l i n h a d e
o r i e n t a ç ã o n um e x t r e m o d a p r a ç a c e nt r a l .

Uma opção é introduzir outras linhas da mesma


cor mas sem o perfil táctil. Assim, as pessoas
c o m d e f i c i ê nc i a v i s u a l s a b e r ã o q u a l é a l i n h a a
s e g u i r e o p r o j e c t i s t a p o d e c r i a r um a s p e c t o
atraente.

Figura 20 – Possíveis soluções para o caso


anterior, onde apenas a linha vertical do
lado esquerdo tem o perfil de piso
direccional.

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6.1 Zonas pedonais

Em zonas da cidade onde a estrada foi


e l i m i n a d a d e v e - s e a p l i c a r um a p i s o d i r e c c i o n a l
com 80cm de largura e com pelo menos 80cm
d e e s p a ç o l i v r e d e c a d a l a d o . O e s p a ç o l iv r e
p e r m i t e u l t r a p a s s a r o u c r u z a r c om o u t r o s
peões em segurança e garante que o peão com
d e f i c i ê nc i a v i s u a l n ã o s o f r e u m a c i d e n t e s e s a i r
inadvertidamente do piso direccional. É
importante fiscalizar a zona pedonal para
garantir que este canal fica livre. 

Quando o espaço o permite, o piso direccional


deve ficar a dois metros da linha dos edifícios,
para evitar encontrões com pessoas a sair dos
m e s m o s . Q u a n d o um a r u a c o n t é m c a f é s c o m
esplanadas, a localização da piso direccional
deve garantir que os utentes possam passar a
aquela zona em segurança.

Dentro do possível, o piso direccional seguirá


um p e r c u r s o r e c t o . C o n t u d o , d e v e r e s p e i t a r o
f l u x o n o r m a l d o s p e õe s . P o r e x e m p l o , n ã o d e v e
s e g u i r um a d i a g o n a l n u m a p r a ç a c e n t r a l , s e o
h á b i t o d a m a i o r i a d e p e õe s é o d e c o n t o r n a r a
praça.

A l i n h a d e o r i e n t a ç ã o d e v e s e r l oc a l i z a d a f o r a
das zonas onde acumulam águas pluviais .

28
29
6.2 Cruzamentos

D e n t r o d o p o s s í v e l , um c r u z a m e n t o n um p i s o
direccional deve ser composto por ângulos
r e c t o s . P a r a i n d i c a r a p r e s e n ç a d e um
c r u z a m e n t o , o s e le m e n t o s d o p a v i m e n t o t á c t i l
d e v e m s e r c o l oc a d o s t r a n s v e r s a l m e n t e a
distância de 120cm imediatamente antes do
cruzamento. O ponto de intersecção das linhas
deve ser liso. Pode-se aplicar um elemento liso
ou utilizar o pavimento existente. 

F i g u r a 2 1 – P l a n t a d e u m c r u z a m e nt o e m
forma de T, mostrando a intersecção lisa e
o piso direccional colocado
t r a n s v e r s a l m e n t e d u r a n t e um a d i s t ã n c i a d e
120cm.

30
7. Sinalização de escadas

A s e s c a d a s d e v e m s e r a s s i n a l a d a s c om p i s o d e
cautela no topo e no fundo, em toda a largura
da escada. O comprimento desta faixa de
aproximação varia de acordo com o fluxo de
peões. Quando a escada se localiza
p e r p e n d i c u l a r m e n t e a o f l u x o d o s p e õe s , a f a i x a
d e a p r o x i m a ç ã o d e v e p r o j e c t a r - s e a um m í n im o
d e 8 0 c m d a e s c a d a . Q u a n d o a e s c a d a f ic a n a
continuação do fluxo dos peões, a faixa deve
projectar-se a um mínimo de 120 cm. 

Figura 22 – Planta de três corredores


ligados por escadas, mostrando como o
comprimento da faixa de aproximação varia
conforme a direcção do fluxo de peões.

31
No patamar superior, a faixa de aproximação
deve ser aplicada atrás do cobertor do
primeiro degrau. No patamar inferior o
pavimento táctil deve ser aplicado junto à
escada para ser detectado logo que o peão
chega ao fim da mesma. 

F i g u r a 2 3 – P e r f i l d e u m a e s c a d a , c om o
p i s o t á c t i l a p l i c a d o n o p i s o j u n t o a o ú lt i m o
degrau e atrás do cobertor do primeiro no
topo.

Não se deve colocar pavimento táctil nos


patamares intermédios porque pode ser
i n t e r p r e t a d o c o m o um a i n d i c a ç ã o d e q u e a
escada terminou. A ausência de pavimento
táctil no fim de um lanço informa o utente que
a e s c a d a c o nt i n u a , u m f ac t o q u e p o d e s e r
confirmado pela presença de corrimãos
contínuos ao longo dos vários lanços da
escada. ●

32
8. Sinalização de rampas

As rampas devem ser assinaladas com piso de


cautela no topo e no fundo, em toda a largura
da rampa. O comprimento desta faixa de
aproximação varia de acordo com o fluxo de
peões (ver Figura 22). ●

33
9. Sinalização de paragens de
autocarro

P o r v e ze s é f á c i l l o c a l i z a r a p a r a g e m d e
a u t o c a r r o , c o m o p o r e xe m p l o q u a n d o o p a s s e i o
é e s t r e i t o e a p a r a g e m e s t á e q u i p a d a c o m um
a b r i g o , s i t u a ç ã o c o m um m a s q u e n ã o d e v e r i a
acontecer, tendo em conta o cumprimento dos
120cm de largura livre dos passeios.

Em circunstâncias regulares, a presença da


paragem deveria ser indicada por uma tira com
um a l a r g u r a d e 1 2 0 c m q u e a t r a v e s s a o
p a s s e i o . E st a t i r a d e v e e n c a m i n h a r o p e ã o a o
local mais indicado para esperar pelo
t r a n s p o r t e . N o r m a l m e n t e e s t e l oc a l c o i n c i d e
com o local de abertura da porta do autocarro,
n o a b r i g o o u j u n t o a o s u p o r t e c om o s i n a l d a
p a r a g e m , m a s d e v e - s e t om a r e m c o n t a
p o t e nc i a i s p e r i g o s n o m e i o e n v o lv e n t e
(caldeiras de árvores, pilaretes, espaço
reduzido, etc).

E m t e r m o s d e p e r f i l , um a b o a s o l u ç ã o é a p l i c a r
o piso direccional em quase toda a tira da
sinalização e piso de alerta nos últimos 80cm,
para indicar a presença da estrada e o local
onde o passageiro deve parar. No entanto, o
município poderá desenvolver, em conjunto
c o m a s p e s s o a s c om m o b i l i d a d e r e d u z i d a , o
34
seu próprio perfil táctil para paragens de
autocarro, desde que respeitando estas
recomendações. ●

35
10. Sinaliza ção da entrada de
edifícios públicos

Dada a importância dos serviços públicos, as


autarquias poderiam desenvolver, em conjunto
c o m a s p e s s o a s c om m o b i l i d a d e r e d u z i d a ,
soluções tácteis para indicar a presença da
e nt r a d a d o s s e r v i ç o s p ú b l i c o s . O p e r f i l/ m a t e r i a l
escolhido deve ser usado em todo o município
e ter apenas um significado. Deve ter uma
largura de pelo menos 120cm e atravessar o
passeio.

Não recomendamos uma solução específica


porque acreditamos que os projectistas podem
conceber uma que responde às necessidades
d o s c i d a d ã o s c om d e f ic i ê n c i a v i s u a l e a o
m e s m o t e m p o c o n t r i b u a p a r a a im a g e m e
identidade da cidade.

O p a v i m e nt o t á c t i l d e v e e nc a m i n h a r o u t e nt e
a t é à e nt r a d a d o s e r v i ç o p ú b l i c o . Q u a n d o
existe mais do que uma porta, o pavimento
d e v e e nc a m i n h a r o u t e n t e a t é um a p o r t a q u e
está sempre em serviço e/ou à sinalética que
indica o nome e horário do serviço.

Quando é obrigatório subir escadas para entrar


no edifício, o pavimento deve encaminhar a
pessoa até ao corrimão. Quando existem

36
escadas e rampa o pavimento táctil deve
e nc a m i n h a r a p e s s o a a t é à r a m p a . 

Caso exista uma distância considerável entre o


topo da escada e a porta, o caminho a seguir
p o d e s e r a s s i n a l a d o c om p i s o d i r e c c i o n a l .

Também existem soluções sonoras que as


autarquias poderiam adoptar para indicar
locais de interesse, incluindo paragens de
autocarro e serviços públicos e assim reduzir o
investimento em pavimentos tácteis. ●

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