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Em paralelo à descoberta de veios auríferos por toda capitania, houve uma introdução

maciça de mão de obra Africana, consequentemente, como em outras capitanias, se


tem fugas e formação de quilombos.

Formação de quilombos em goiás

Durante o século XVII e início do XVIII, a região de Goiás é ainda uma ponte de
passagem para a capitania do Mato Grosso, para ocupação e mineração das
cercanias de Cuiabá e defesa da fronteira contra a expansão hispânica. ​REF. (Pág.
282)​. Nesse contexto, Goiás encontra-se em “isolamento geográfico”, tendo em vista
que apesar de relativamente conhecido o território, não haviam arraiais, “facilitando
assim a vinda de escravos fugitivos de outras regiões e a consequente formação de
quilombos” (SILVA, 1998, p. 282)

A formação de arraiais e exploração do ouro fomentaram a concentração de


escravos na capitania, como mão de obra para mineração, extração rural, serviços
domésticos e escravos de ganhos. ​REF. SILVA p 298 ​Essa exploração da força de
trabalho cativa, em condições desumanas resultava em fugas, como demonstra
Palacín, “A brutalidade dessa vida, cercando-o por todos os lados, é o que empurrava
o escravo a fugir para os quilombos.” (PALACIN, 1979). Na mineração, foco de
trabalho em Goiás no século XVIII observamos que “os maus-tratos e a brutalidade
nas minas e nos engenhos levavam os escravos à revolta e, se bem sucedidos, a
formar quilombos nas montanhas vizinhas” (SILVA, 1998).

Contrariando a visão de passividade do negro no cenário escravista, podemos


salientar formas de resistência do “dia-a-dia”, como “roubos, sarcasmos, sabotagens,
suicídios, abortos” ​REF SILVA p. 287​, etc. Mais radicalmente temos a formação dos
quilombos, onde se veem condicionados “a fugir para os matos onde fizeram roças de
subsistência, surgindo assim uma espécie de melhora, lenta mas progressiva no
“status” social.” ​REF SILVA, p 288. ​A fuga para territórios interiores da capitania fazia
com que esses negros acabassem por se deparar com indígenas, vezes resultando
em combates, vezes se aliando, geralmente quando os negros tinham superioridade
numérica.
Havia um clima de tensão na sociedade do século XVIII, a formação de
quilombos era, de fato um elemento que gerava um sentimento de medo na sociedade
branca, que se via literalmente ameaçada, diante de tantos escravos fugidos. Os
embates entre negros e brancos é melhor percebido ao analisarmos o caso de Pilar,
único quilombo com registro de destaque na historiografia brasileira, onde se houve
uma verdadeira “conjuração dos negros de Pilar”. Essa comunidade quilombola
chamou tanta atenção por seus ataques violentos que o próprio governador-general e
governador da capitania, Dom Marcos de Noronha, o conde dos arcos, foi ao local
para analisar a situação. Tanto que radicalizou a busca por escravos escravos fugidos,
ordenando

plena liberdade de ataque aos quilombos da região,


mandando mesmo que se matassem ‘todos os quilombolas
que acaso resistissem, como em Minas Gerais se praticava’,
restando aos assassinos trazer como prova da efetivação
do ato, os muitos pares de orelhas dos negros mortos,
como, aliás, se praticara no Sertão da Farinha Podre,
caminho entre São Paulo e Goiás. (SILVA, 1998)

A situação chegou a tal ponto que “o governo [...] não conseguia mais distinguir
o escravo quilombola do escravo de setor urbano, também revoltado e que mais das
vezes auxiliava os escravos aquilombados” ​REF p. 294. ​Esses fatores deram condição
para a conjuração de negros de Pilar, uma onda de revolta por parte dos negros
quilombolas:

aproveitavam-se até da festa religiosa na articulação contra


o impiedoso sistema escravista da Colônia. Por isso,
adquiriam pólvora e chumbo; aliavam-se os de setor rural
aos de setor urbano; assaltavam, de dia e de noite;
derrubavam mastros, aumentando a “síndrome do medo”
nas autoridades. (SILVA, 1998)

Como fator preponderante para essa situação estava a grande quantidade de


quilombos em Goiás, dizendo-se até que “não havia arraial sem a ‘sombra do seu
quilombo’” ​REF p. 299 . Nos serve de base para entender melhor o período colonial
goiano, a formação dos quilombos, os fatores para sua formação e os embates entre
as polícias e os fugitivos. Eis uma lista com os principais quilombos de Goiás:

● Quilombo do Ambrósio;
● Quilombo do arraial de Três Barras;
● Quilombos próximos da Vila Boa;
● Quilombo do Arraial de Tesouras;
● Quilombo do Vale do Paranã;
● Quilombo do arraial de Jaraguá;
● Quilombo do arraial de Pilar;
● Quilombo do Muquém;
● Quilombo do Papuão;
● Quilombo do “acaba vida”;
● Quilombo do Corumbá de Goiás;
● Quilombo do Mesquita;
● Quilombo do Meia Ponte;
● Quilombo do Santa Rita do Araguaia;
● Remanescente do Quilombo do Cedro;
● Remanescente do Quilombo de Calunga.

Referências:

- Palacin, Luís. O Século do Ouro em Goiás, Goiânia, 4a edição, Ed.UCG, 1994.


- SILVA, Martiniano José da. ​QUILOMBOS DO BRASIL CENTRAL: SÉCULOS
XVIII E XIX (1719 - 1888)​: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ESCRAVIDÃO.
1998. 461 p. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal de
Goiás, Goiânia, 1998. Disponível em:
<https://pos.historia.ufg.br/up/113/o/SILVA__Martiniano_Jos__da-1998.pdf>.
Acesso em: 05 out. 2018.

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