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Período Barroco

(1600 – 1750)
Marcam início e fim do período:

1600: o surgimento de um novo gênero musical – a ópera

1750: a morte de J.S.Bach, o maior compositor do período

Barroco

Barroco é a palavra portuguesa usada pelos joalheiros para caracterizar uma


pérola com defeito, uma “pérola de formato irregular”. A princípio o nome foi dado
ao período de forma pejorativa. Uma pérola (preciosa), porém, “mal feita”.
Considerada no mínimo extravagante, exagerada.

Podemos dividir o Período Barroco em 3 subperíodos:

- Primeiro Barroco: Ópera foi criada, tessitura homofônica é a mais utilizada (a


mesma usada nas óperas).

- Barroco Central: Música Instrumental cresce em importância e passa a ser tão


valorizada quanto a Música Vocal (que reinava no período anterior, o Renascimento).

- Barroco Tardio: a tessitura mais utilizada é a polifônica, a Música Instrumental


está em maior destaque que a Música Vocal.

Arquitetura

De fato a arte barroca é dramática e grandiosa. As igrejas barrocas, por exemplo,


enormes em extensão e altura. Em seu interior, temos tetos completamente
ornamentados, uma profusão sem fim de detalhes (mão há nenhum centímetro vazio).
Assim também é a Música Barroca: ornamentada, dramática.

Basílica de São Pedro (Roma) Igreja de Sta. Catarina (Palermo)


Período Renascentista versus Período Barroco

Podemos ver a diferença entre a Renascença (período anterior) e o Período Barroco


também comparando a estátua de Davi feita por Michelangelo (Renascentista) e a
estátua de Davi feita por Bernini (Barroca). Enquanto a de Michelangelo tem linhas
alongadas, simetria e expressão tranquila (serenidade clássica), a de Bernini é
curvilínea, angulosa, e de expressão tensa (energia barroca).

Principais características da Música no período Barroco

- Baixo Contínuo e Baixo Cifrado: O baixo contínuo é a grande marca da música no


Período Barroco. Está presente em todas as músicas tocadas por mais de um
instrumento. Consiste numa estrutura harmônica (acordes) executada por um
instrumento - cravo, órgão, theorbo ou lute – sobre uma melodia de base no baixo,
executada pelo violoncelo, baixo ou viola da gamba. Era também chamado “Baixo
Cifrado” pois as harmonias (acordes) que acompanhariam a linha do baixo eram
indicados por números que o próprio instrumentista era treinado a transformar em
notas.

- Contraste: O contraste é outra característica importante do período barroco. Havia


o contraste de intensidade (pp em oposição a ff), de timbres (seções tocadas por
instrumentos de sopro contra outras tocadas por instrumentos de corda), entre grupos
de instrumentos (seções executadas somente pelos solistas intercaladas com outras por
toda a orquestra) e também de andamento (como nas Suítes, quando danças de
andamentos rápidos ou mais lentos eram intercaladas).

- Expressão do Afeto: No caso do afeto a música barroca não apresentava


contrastes. Do início ao fim de uma peça, era representado somente um afeto (ou só
alegria, ou só tristeza). A música era um meio para a expressão dos afetos humanos.

- Melodia e Dinâmica: A melodia era repetitiva e repleta de ornamentação. A


dinâmica era a chamada “Dinâmica de Patamares” (contrastando intensidades, ao
invés de fazer crescendos ou diminuendos, o que inclusive não era possível nos
instrumentos de tecla da época).
Instrumentos de tecla do Período Barroco

- Cravo, Espineta e Virginal (cordas pinçadas)

- Clavicórdio (cordas percutidas)

- Órgão (tubos sonoros)

Surgimento da Ópera

A ópera surge por volta de 1600 no Norte da Itália, na intenção que já estava sendo
buscada no Renascimento, de recriar o poder da música na Grécia Antiga, o poder da
Tragédia Grega (as tragédias gregas eram peças teatrais representadas na Grécia
Antiga, constituídas de passagens em versos recitados e outras em versos cantados).

Os próprios temas das primeiras óperas eram baseados em Tragédias Gregas, na


Mitologia Grega ou na História Romana.

A ópera, então, assim como a tragédia grega, era uma peça teatral cantada. Onde a
música e o drama - forma narrativa em que se figura a ação direta dos indivíduos, num
texto feito para ser encenado - andam juntos.

É chamado libreto o livro que contêm todo o texto da ópera, bem como a descrição
do que acontece em cena.

Abertura é o nome dado à peça somente instrumental (sem os cantores) que dá


início à ópera. A princípio era tocada para chamar a atenção das pessoas para irem
para seus lugares. Só mais tarde começou a ser tocada depois que as pessoas já estavam
em seus lugares no teatro.

A primeira grande ópera foi Orfeo, de Claudio Monteverdi. Composta em 1607. O


tema, como vemos, vem da mitologia grega.

O estilo de canto executado nas óperas era chamado Monodia Acompanhada:


Nome dado quando se tem uma única linha melódica (cantor), acompanhada por um
conjunto de músicos.

Dentro da ópera haviam dois tipos diferentes de monodia acompanhada:

- Os Recitativos: onde os fatos e acontecimentos eram narrados pelo


personagem. Com música simples, direta, silábica (para cada sílaba cantava-se no
máximo duas notas).

- E as Árias: onde o personagem falava sobre seus sentimentos em relação aos


fatos previamente narrados. Com música mais elaborada, ornamentada, melismática
(muito mais notas para cada sílaba cantada).
Pietro Domenico Oliviero: O Teatro Régio de Turim, c. 1750,

mostrando uma apresentação operística.

O trabalho do Músico no Período Barroco

No Período Barroco os músicos poderiam trabalhar como:

- Músicos da Corte (compositor, diretor ou instrumentista): Contratados da


Aristocracia - a música era uma das principais formas de entretenimento da
Nobreza. O diretor tinha o salário mais alto e muito prestígio.

- Músicos da Igreja: Ganhavam menos que os da corte e tinham menos


prestígio. Trabalhavam em todas as funções musicais dentro da igreja (culto ou
missa, casamentos e funerais).

- Músicos da Cidade: Contratados pelo município.

- Músicos das Casas de Ópera: empregados do próprio dono do teatro, para


compor/executar as óperas.

- Professores de Música: todos os músicos acima podiam exercer a função, mas


em geral aprender música era privilégio da Nobreza, da então Burguesia que
começava a ganhar seu espaço, ou das pessoas que vinham de Famílias de
Músicos (se passava o ofício adiante aos filhos).
O Grande J.S.Bach

J.S. Bach, maior compositor do período e um dos maiores de todos os tempos,


nasceu em Eisenach na Alemanha, numa tradicional família de músicos.

Aos 8 anos de idade ingressou na escola luterana, onde graças ao seu talento foi
aproveitado no coro. Mas sua educação musical acontecia mesmo em casa.

Além de compositor era brilhante organista e virtuose do cravo e violino.

Casou-se duas vezes. Primeiro com Maria Barbara Bach, prima distante (terceiro
grau), com quem teve sete filhos. E dezessete meses após seu falecimento com Anna
Magdalena Bach, com quem teve 13 filhos. Ambas eram cantoras.

Dos filhos de Bach, quatro tiveram carreira musical de destaque.

A música composta por Bach era principalmente polifônica (combinação de duas


ou mais linhas melódicas), diferente da ópera (gênero para o qual não contribuiu), que
como já vimos, era homofônica (uma única melodia é ouvida contra um
acompanhamento de acordes).

Sua música foi reconhecida principalmente após sua morte, posto que, discreto,
trabalhando dentro da igreja, em cidades alemãs de porte pequeno a médio, não
buscava fama ou reconhecimento. Tão somente a qualidade de suas composições,
sempre dedicadas a Deus.

O Ilustre J.F. Handel

Diferente de Bach, o outro grande compositor da época, também alemão, fora já


bem reconhecido em vida, trabalhando nos grandes teatros de Londres, a maior cidade
da Europa.

Seu pai, um homem da “medicina” prática da época (barbeiro-cirurgião), o


preveniu sobre tornar-se músico, mas acabou patrocinando sua educação musical até
seus 18 anos.

Sabendo que a Itália era o grande centro operístico da época, Handel para lá
viajou (e ficou por 4 anos) na intenção de assimilar a composição do grande gênero.

Aos 25 anos finalmente mudou-se para a grande Londres, para onde importou
a grande ópera italiana.

Jamais se casou ou teve filhos. E da sua privada tem-se muito pouca


informação.

Quando a ópera estava em crise nos teatros de Londres. Handel passou a


escrever oratórios.
Além dos temas exclusivamente religiosos (eventos do Velho e Novo
Testamento), nos oratórios não há cenário ou figurino e nem atuação (o ouvinte,
portanto, tem que imaginar as cenas). Mas também eram constituídos, como as óperas,
de abertura instrumental, recitativos e árias. Tudo igualmente descrito no chamado
Libreto.

Nos oratórios se destaca também a presença e importância do coro, que dentro


do contexto da obra faz o papel do povo, da consciência coletiva, ou da consciência de
um personagem em um momento específico da obra.

O oratório mais famoso de Handel é com certeza O Messias, que contêm o


famoso Hallelujah executado pelo coro.

Capa da primeira edição do libreto

da ópera Júlio César, de Handel


Outros compositores

Na Itália o nome que mais se destacou foi o de Antonio Vivaldi, autor


de numerosos concertos, óperas e oratórios. A ele é atribuída a composição da
série de concertos As Quatro Estações (que contêm a famosa “Primavera” de
Vivaldi), provavelmente a mais difundida de todas as peças desse período.

Johann Pachelbel, alemão como Bach e Handel, foi professor de muitos


músicos da época e responsável também por uma das peças mais executadas do
período até os dias de hoje, o famoso Canon em D.

Apostila Período Barroco, 2018, Profª Vanessa Bormann