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Aula 00

Curso: Direito Constitucional p/ ICMS-SP


Professor: Jonathas de Oliveira
Curso: Direito Constitucional p/ ICMS-SP
Teoria, Jurisprudência e Questões comentadas
Prof. Jonathas de Oliveira - Aula 00

APRESENTAÇÃO

Caro(a) amigo(a) concurseiro(a),

É com enorme prazer que inicio este curso aqui no Exponencial


Concursos. Trata-se de um curso de Direito Constitucional de teoria e
questões comentadas para o cargo de Agente Fiscal de Rendas do
Estado de São Paulo.
Além disso, muito embora o último certame organizado pela Fundação
Carlos Chagas (FCC) não tenha exigido aprofundamento jurisprudencial,
buscaremos apresentar resumidamente o entendimento das nossas principais
cortes (Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça) sempre que
isso se fizer necessário à correta assimilação dos tópicos. Dito isso, passemos
às apresentações.
Meu nome é Jonathas de Oliveira e minha rápida história nos concursos
se inicia aos 23 anos, quando em 2012, sem maior pretensão, fui aprovado
para um concurso de nível municipal em Armação de Búzios (RJ). Alguns
meses depois, dei início à minha preparação, focado desde o começo para a
área fiscal. No início de 2013 fui aprovado para Oficial de Fazenda da
Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro e, em outubro daquele ano,
para Auditor Fiscal da Receita do Estado do Espírito Santo, em 3º
lugar, cargo que exerço atualmente, atuando como Parecerista na Gerência
Tributária da SEFAZ/ES.
Ao longo dos meus 11 meses de estudo, pude travar contato com
diferentes materiais e metodologias e constatar a dificuldade que os
candidatos (com as mais diversas formações – aqui, por exemplo, é um
Turismólogo que vos fala!) ao almejado cargo na administração pública
encontram para conciliar, resumir e esquematizar conteúdos vastos e muitas
vezes demasiadamente prolixos.
É nesse sentido que a formatação deste curso visa a ser não apenas um
instrumento de transmissão de informações com eficiência, eficácia e
efetividade, mas também uma ferramenta metodológica ao amigo e à amiga
concurseiros, contribuindo para que o estudo para concursos públicos seja
feito com a maior praticidade possível, obtendo os melhores
resultados, sem desperdício de tempo.
O curso apresenta mais de 200 mapas mentais (esquematizações,
quadros e diagramas), a fim de estimular a fixação, assim como mais de
450 questões comentadas, optando-se por aquelas que melhor
representam o estilo da banca, tanto em relação à forma, quanto ao
conteúdo.

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Histórico e análise das provas


Direito Constitucional

Tradicionalmente, o concurso para Agente Fiscal de Rendas do Estado


de São Paulo tem como banca organizadora a FCC.
Essa continuidade nos auxilia bastante e propicia um excelente
referencial do que podemos esperar das provas para o fisco paulistano!
A partir disso, podemos traçar uma estratégia clara para conquistar a
tão almejada vaga.
A disciplina Direito Constitucional faz parte da Prova 2 (P2), a qual é
composta também pelas disciplinas de Direito, Direito Tributário I, Legislação
Tributária do Estado de SP I, Contabilidade Geral, Auditoria.
A P2 tem um total de 80 questões com peso 1. Nesse conjunto, nossa
disciplina terá 10 questões.
Para ser aprovado, o candidato precisará pontuar um mínimo de 50%
por prova e não menos que 60% no total ponderado das P1 + P2 + P3.
Amigos, é de fundamental importância assegurar o maior número de
pontos possíveis nas chamadas “disciplinas-núcleo” dos concursos!
Sendo recorrente na maior parte dos programas da área fiscal, a
disciplina Direito Constitucional é um verdadeiro “pilar” que não pode ser
negligenciado. É dela e das demais disciplinas-chave que o candidato vai
extrair pontos que blindarão sua eliminação e o manterão na zona de
competitividade.
Com base no último edital (2013), Vejamos quais os tópicos que a
disciplina Direito Constitucional provavelmente vai englobar:
1. Conceitos de teoria do Estado. 2. Princípios do Estado Democrático de
Direito. 3. Conceito de Constituição. 4. Regras materialmente constitucionais e
formalmente constitucionais. 5. Tipos de Constituição. 6. Hermenêutica
constitucional. 7. O Direito Constitucional e os demais ramos do direito. 8.
Poder constituinte originário e derivado. 9. Controle de constitucionalidade.
10. Controle judiciário difuso e concentrado. 11. Ação declaratória de
constitucionalidade e Ação direta de inconstitucionalidade. 12. Constituição da
República Federativa do Brasil: a) Princípios fundamentais e Direitos e
Deveres individuais e coletivos. O habeas corpus. O mandado de segurança. O
direito de petição. O mandado de injunção. A ação popular. A ação civil
pública. O habeas data. b) Direitos sociais. Cidadania plena e participação
político-social. c) Direitos Humanos: Direito à vida, à liberdade, à igualdade,
dignidade humana e justiça. Nacionalidade. Direitos políticos. d) Organização
político-administrativa. O federalismo no Brasil. Repartição de rendas.
Repartição de competências. Competências constitucionais: União, Estados,

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Distrito Federal e Municípios. Intervenção nos estados e municípios.
Administração pública, disposições gerais e servidores públicos civis. e)
Separação de poderes. Sistemas de governo. Poder Legislativo, Poder
Executivo e Poder Judiciário. Ministério Público. f) Processo legislativo. g)
Defesa do Estado e das instituições democráticas. h) Princípios gerais da
atividade econômica e financeira. i) Sistema Tributário Nacional e do
Orçamento e Finanças Públicas. 13. Constituição do Estado de São Paulo: a)
Fundamentos do Estado. b) Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder
Judiciário. c) Funções essenciais à justiça. d) Administração Pública. e)
Servidores Públicos Civis. f) Segurança Pública.
Para facilitar o planejamento e a execução dos estudos, segue um Raio-
X de todo o Direito Constitucional cobrado na história recente (2005-2014) da
FCC, nas suas provas na área fiscal, jurídica, de gestão e de controle.
O levantamento foi feito com base nos bancos de dados de diversos
sites de questões comentadas.
Provas FCC 2005 – 2014 (Áreas: Fiscal, Jurídica, Gestão e Controle)
Tópico(s) Incidência*
1, 2 e 7 1%
3, 4, 5, 6 e 8 3%
9, 10 e 11 6%
12 – a, b, c 29%
12 – d 16%
12 – e 33%
12 – f 5%
12 – g 1%
12 – h 1%
12 – i 2%
13 N.A.
Outros (não exigidos no edital ICMS SP) 3%
* Excluídas as questões anuladas. Valores arredondados.

Podemos deduzir várias coisas a partir desse raio-x. Três delas mais nos
interessam.
Em primeiro lugar, temos que, no que diz respeito à doutrina
constitucional, a tradição da FCC é de não se adensar nesse aspecto.
Em segundo, a incidência do conteúdo dos 4 primeiros Títulos da
Constituição Federal é a mais expressiva. O Título IV se encerra no art.

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135. É sobre o recorte que vai do preâmbulo a este artigo que o candidato
deve concentrar boa parte de suas forças. Ao longo do curso, destacaremos os
pontos de maior relevância.
Em terceiro lugar, não se pode precisar com que recorrência a
Constituição do Estado de São Paulo será cobrada. Mas não se assustem!
Muito das Constituições dos Estados é deduzido por simetria. Além disso, os
trechos mais peculiares e passíveis de incidência serão destacados aqui.
Por prudência, e para facilitar a organização e contextualização dos
estudos, nenhum ponto será negligenciado. De todo modo, não nos
eximiremos de, vez ou outra, reforçar que alguns tópicos merecem,
consideravelmente, mais empenho que outros.

Aula Tópico Data


00 Introdução ao Direito Constitucional. O Direito Disponível
Constitucional e os demais ramos do direito. Estrutura
da Constituição Federal de 1988. Conceitos de teoria do
Estado. Princípios do Estado Democrático de Direito
01 Conceito de Constituição. Regras materialmente 23/01
constitucionais e formalmente constitucionais. Tipos de
Constituição. Hermenêutica constitucional. Poder
constituinte originário, derivado e difuso
02 Controle de constitucionalidade. Controle judiciário 30/01
difuso e concentrado. Ação direta de
inconstitucionalidade (genérica e por omissão) e Ação
declaratória de constitucionalidade
03 Constituição da República Federativa do Brasil: 06/02
Princípios fundamentais. Direitos e Deveres individuais e
coletivos. O direito de petição. O habeas corpus. O
mandado de segurança (individual e coletivo). O
mandado de injunção. O habeas data. A ação popular. A
ação civil pública
04 Constituição da República Federativa do Brasil: Direitos 13/02
sociais. Nacionalidade. Direitos Políticos.
05 Constituição da República Federativa do Brasil: 20/02
Organização político-administrativa. Repartição de
competências. Competências constitucionais: União,
Estados, Distrito Federal e Municípios. Outros aspectos:
Estados federados, Municípios, Distrito Federal e

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Territórios
06 Constituição da República Federativa do Brasil: 27/02
Intervenção nos estados e municípios. Administração
pública, disposições gerais e servidores públicos civis
07 Constituição da República Federativa do Brasil: 06/03
Separação de poderes: Poder Legislativo, Poder
Executivo
08 Constituição da República Federativa do Brasil: 13/03
Separação de Poderes: Poder Judiciário. O Ministério
Público
09 Constituição da República Federativa do Brasil: Processo 20/03
legislativo
10 Constituição da República Federativa do Brasil: Defesa 27/03
do Estado e das instituições democráticas. Princípios
gerais da atividade econômica e financeira.
11 Constituição da República Federativa do Brasil: Sistema 02/04
Tributário Nacional. Repartição de rendas.
12 Constituição da República Federativa do Brasil: 09/04
Orçamento e Finanças Públicas
13 Constituição do Estado de São Paulo: a) Fundamentos 16/04
do Estado. b) Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder
Judiciário. c) Funções essenciais à justiça.
14 Constituição do Estado de São Paulo: d) Administração 23/04
Pública. e) Servidores Públicos Civis. f) Segurança
Pública.
15 Lista de exercícios completa 25/04

Então, guerreiros e guerreiras... Seguindo a estrutura acima,


poderemos explorar, com o devido aprofundamento, todos os pontos da
disciplina, ponderando cada qual de acordo com sua incidência nos certames
passados e perspectiva para as próximas provas.

Mãos à obra!

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Aula 00 – Introdução ao Direito Constitucional. O Direito


Constitucional e os demais ramos do direito. Estrutura da
Constituição Federal de 1988. Conceitos de teoria do Estado.
Princípios do Estado Democrático de Direito

Assunto Página
1- Introdução ao Direito Constitucional 08
2- O Direito Constitucional e os demais ramos do Direito 10
3- Estrutura da Constituição Federal de 1988 11
4- Conceitos de teoria de Estado 14
4.1- Conceito e elementos de Estado 14
4.2- Poderes e funções do Estado 15
4.3- Formação e formas de Estado 18
4.4- Formas e regimes de governo 22
5- Princípios do Estado Democrático de Direito 26
5.1- Princípios e regras 26
5.2- Princípios do Estado democrático de direito na doutrina 27
6- Questões comentadas 30
7- Lista de exercícios 34
8- Gabarito 37
9- Referencial Bibliográfico 37

Olá concurseiros e concurseiras!


Tendo sido feita a devida apresentação, daremos largada ao nosso
curso de Direito Constitucional voltado para o concurso de Agente Fiscal de
Rendas do Estado de São Paulo (vulgo ICMS-SP).
Conforme previamente mencionado, os aspectos teórico-doutrinários de
Direito Constitucional não costumam ser cobrados com rigor elevado nas
provas para o fisco fluminense.
Ainda assim, faz-se necessária a abordagem prática do tema, tanto para
evitarmos surpresas desagradáveis no momento da prova (em último caso, a
banca tem discricionariedade para “inovar”) quanto para contextualizarmos os
próximos tópicos. Comecemos!

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1- Introdução ao Direito Constitucional

Conforme anota o grande jurista José Afonso da Silva, o Direito é um


sistema normativo, ou seja, do qual extraímos regras e princípios
imperativos de conduta. Este sistema é composto de unidades estruturais
(ramos) organicamente dispostas.
A doutrina majoritária compreende que a subdivisão da ciência jurídica
reveste-se de importância prática para seu ordenamento e estudo. Porém, em
última análise, o Direito é uno.
Assim é que, o Direito Administrativo, o Direito Tributário, o Direito
Financeiro, dentre outros ramos do denominado Direito Público, muito embora
apresentem especificidades quando comparados aos ramos do dito Direito
Privado – Civil e Empresarial, por exemplo –, abrigam-se sob um mesmo
arranjo lógico-normativo: “O” Direito.
É importante que se visualize tal unidade, por exemplo, para uma
melhor articulação e compreensão de regras e princípios (a distinção será
vista logo adiante) que dão sustentação aos “diferentes” ramos, dando-lhes a
adequada interpretação e harmonização.
E o que é o Direito Constitucional?
Direito Constitucional é o ramo do Direito Público que tem por
objeto a Constituição dos Estados nacionais.
No momento oportuno, apresentaremos os diferentes sentidos e
tipologias que a palavra “Constituição” pode assumir. No entanto, em sentido
jurídico – aquele a que devemos dar mais atenção – a Constituição é o
fundamento de validade normativa dos Estados nacionais.
No plano jurídico-positivo (o Direito vigente, que rege nosso dia a dia),
a nossa Constituição Federal de 1988, situa-se no topo da pirâmide normativa.
Essa pirâmide é um recurso visual consagrado por Hans Kelsen e que traduz o
princípio da supremacia da Constituição. Em última instância, é à
Constituição que todo o agir público se reporta, numa relação de
verticalidade hierárquica.
Por exemplo, imagine-se o seguinte caso. A Constituição Federal atribui
competência exclusiva aos Estados e ao Distrito Federal para a instituição do
Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Pois bem, todos os
atos subsequentes em relação ao ITCMD não podem afrontar, ativa ou
omissivamente, as diretrizes e limites dispostos pela Constituição, sob pena de
incorrerem em inconstitucionalidade. A Constituição é suprema!
Assim, não poderia lei municipal instituir o tributo. Tampouco poderia
resolução, estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões
contrárias aos seus dispositivos (o que exige lei em sentido estrito, conforme

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dispõe o Código Tributário Nacional, recepcionado em sua quase totalidade
pela CF/88, com status de lei complementar).
Perceba-se que todo o corpo legislativo (e o agir público é vinculado à
existência de lei prévia que o autorize) extrai seu fundamento de validade da
Lei Maior, a Constituição Federal. Visualizando a conexão entre os dois
extremos, teríamos, portanto, a seguinte relação de HIERARQUIA:

Norma Hipotética
É a ideia lógica Fundamental
que sustenta o
plano jurídico- Constituição Federal 1988
positivo

Constituição do Estado de
São Paulo

Lei do Estado do SP

Resolução do Secretário de
Estado de Fazenda

2- O Direito Constitucional e os demais ramos do Direito

A esquematização DIDÁTICA do Direito, assim como tudo o mais


nesta ciência, não é unânime entre os autores. De todo modo, numa
abordagem pragmática, podemos propor as seguintes especializações:
DIREITO

Direito
Direito Público Direito Privado
Difuso/Social

D. do Trabalho D. Civil
Direito Público Direito Público
D. Ambiental D. Empresarial
Interno Externo
D. Previdenciário D. Internacional
Privado
D. Constitucional
D. Administrativo
Direito
D. Tributário Internacional
D. Financeiro Público
D. Econômico
D. Processual
D. Penal
D. Urbanístico

* Não é necessário memorizar o diagrama acima. Vamos focar na


compreensão!

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O Direito Constitucional é, portanto, ramo do Direito Público. As
diferenças fundamentais entre o Direito Público e o Direito Privado podem ser
sintetizadas da seguinte forma:

DIREITO PÚBLICO DIREITO PRIVADO

• Supremacia do interesse • Equivalência dos interesses


público sobre o privado privados

• Eficácia vertical: a produção de • Eficácia horizontal: a produção


efeitos se dá no sentido Estado de efeitos se dá no sentido
x Particular Particular x Particular

• Indisponibilidade do • Disponibilidade do interesse


interesse público (não há privado (autonomia de vontade;
vontade livre do administrador, os particulares, desde que
este deve sempre agir em prol respeitada a legalidade, são
do bem comum) livres em seu agir)

• Normatização (relações • Contratualização (relações


jurídicas regidas por normas jurídicas regidas,
dotadas de generalidade e fundamentalmente, por contratos
abstração) estabelecidos entre as partes)

OBSERVAÇÃO: Alguns autores, como Pedro Lenza (2012), chamam a atenção


para a progressiva superação da supracitada dicotomia Direito Público vs
Direito Privado.
Fato é que, no atual Estado Democrático de Direito em que vivemos,
observa-se uma TENDÊNCIA de supremacia dos direitos fundamentais
sobre os direitos particulares estruturados pelo Direito Privado,
notadamente pelo Direito Civil.
Por exemplo, o Código Civil sofre um processo de descodificação tendo
como contrapartida a criação de microssistemas (como o Estatuto da Criança e
do Adolescente, o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do Idoso,
dentre outros). Estes, por sua vez, extraem seu fundamento de validade
diretamente dos direitos fundamentais expressos na Constituição.
Assim, mesmo as relações entre particulares, tradicionalmente regidas
pelo Direito Privado (como aquelas delineadas no Código Civil) e pela
supremacia do interesse dos particulares, não estariam, por exemplo, isentas
da força normativa dos direitos fundamentais assegurados pela Carta Magna.

3- Estrutura da Constituição Federal de 1988

A Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988,


compreende um preâmbulo, nove títulos (divididos em, respectivamente,

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capítulos, seções e subseções), além do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT).
OBSERVAÇÃO:
PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional
Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o
exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-
estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de
uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia
social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução
pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Importante notar que a doutrina majoritária entende que o preâmbulo


reflete um posicionamento político-ideológico do poder constituinte,
porém não jurídico.
E o que isso significa?
Por exemplo, sendo instado a examinar se a invocação da “proteção de
Deus” seria ou não norma de reprodução obrigatória pelas Constituições
Estaduais (CE) e Leis Orgânicas (LO) do Distrito Federal e dos Municípios, o
STF se manifestou contrário a um discutível caráter normativo do
preâmbulo da CF/88 (ADI 2.076/AC). Ou seja, as CE e LO não precisam
invocar a “proteção de Deus”. O preâmbulo não carrega regras e princípios.

(FCC / Promotor do Ministério Público-CE / 2011) A


invocação à proteção de Deus, constante do Preâmbulo da Constituição da
República vigente:
a) é inconstitucional.
b) é ilícita.
c) não tem força normativa.
d) não foi recepcionada pelo texto constitucional.
e) é expressão de reprodução obrigatória nas Constituições estaduais.
Resolução: Alternativa C. Questão simples de uma temática já pacificada
pelo STF, conforme exposto acima.

Esquematicamente, e desconsiderando as subdivisões dos Títulos,


temos a seguinte anatomia constitucional:

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PREÂMBULO Natureza
político-
ideológica
TÍTULO I – Dos Princípios Fundamentais (art. 1º a 4º)
TÍTULO II– Dos Direitos e Garantias Fundamentais (art. 5º a
17)
TÍTULO III – Da Organização do Estado (art. 18 a 43)
TÍTULO IV – Da Organização dos Poderes (art. 44 a 135)
Natureza
TÍTULO V – Da Defesa do Estado e das Instituições jurídica
Democráticas (art. 136 a 144)
TÍTULO VI – Da Tributação e Orçamento (art. 145 a 169)
TÍTULO VII – Da Ordem Econômica e Financeira (art. 170 a
192)
TÍTULO VIII – Da Ordem Social (art. 193 a 232)
TÍTULO IX – Das Disposições Constitucionais Gerais (art. 233
a 250)
ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS
TRANSITÓRIAS (art. 1º a 97)

Em provas da área fiscal, reveste-se de fundamental importância o


conteúdo que se estende do art. 1º ao art. 192. É sobre esse trecho do
corpo constitucional que o candidato deve focar a maior parte da sua
carga de leitura e de resolução de exercícios. Em toda história recente
desse certame, apenas 1 questão (de cunho não doutrinário) versou sobre
tema que não se encontrava nesse recorte.
Vale ainda notar que o texto constitucional sofreu diversas alterações
desde sua promulgação. Modificações estas, fruto dos poderes constituintes
derivados de revisão (esgotado) e de reforma, conceitos a serem abordados
mais adiante. Além disso, embora não promova mudança físico-formal da
Carta Magna, destaque-se o fenômeno da mutação constitucional,
conferindo-lhe novos sentidos interpretativos.
Por fim, podemos analisar a Constituição sob mais um aspecto.
Na lição de José Afonso da Silva, de acordo com sua finalidade, as
normas constitucionais podem ser agrupadas em cinco categorias de
elementos:

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Contidos nas normas que regulam a estrutura do


Estado e dos Poderes e o sistema de governo.
Na Constituição de 1988, concentram-se nos Títulos
Elementos orgânicos III (Da Organização do Estado), IV (Da Organização
dos Poderes e do Sistema de Governo), Capítulos II e
III do Título V (Das Forças Armadas e da Segurança
Pública) e VI (Da Tributação e do Orçamento)

Contidos nas normas relativas aos direitos e


garantias fundamentais: direitos e garantias
individuais, direitos de nacionalidade, direitos
Elementos limitativos políticos e democráticos. Concentram-se no Título II
(Dos Direitos e Garantias Fundamentais),
excetuando-se o Capítulo II (Direitos Sociais)
CONSTITUCIONAIS

Contidos nas normas que traduzem o


compromisso de cunho intervencionista do
Elementos sócio-
ELEMENTOS

Estado Social Democrático . Concentram-se no


ideológicos Capítulo II do Título II e nos Títulos VII (Da Ordem
Econômica e Financeira) e VIII (Da Ordem Social)

Contidos nas normas destinadas a garantir a


solução de conflitos constitucionais, a defesa da
Constituição, do Estado e das instituições
democráticas. Representam instrumentos de defesa
do Estado e da paz social. Concentram-se no art. 102,
Elementos de I, “a” (ação de inconstitucionalidade); arts. 34 a 36
estabilização (Da Intervenção); arts. 59, I, e 60 (Processos de
constitucional emendas à Constituição); arts. 102 e 103 (Jurisdição
constitucional); Título V (Da Defesa do Estado e das
Instituições Democráticas, especialmente o Capítulo I,
que trata do estado de defesa e do estado de sítio,
uma vez que os Capítulos II e III do Título V
tipificam-se como elementos orgânicos)

Contidos nas normas que traduzem regras de


aplicação da Constituição. Concentram-se no
Elementos formais de preâmbulo (embora este não tenha força normativa
aplicabilidade por si só), no ADCT e no art. 5º, § 1º, que estabelece
que as normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais têm aplicação imediata.

(FGV / Auditor Fiscal da Receita Estadual – RJ / 2008)


São elementos orgânicos da Constituição:
a) a estruturação do Estado e os direitos fundamentais.
b) a divisão dos poderes e o sistema de governo.
c) a tributação e o orçamento e os direitos sociais.
d) as forças armadas e a nacionalidade.
e) a segurança pública e a intervenção.
Resolução: Alternativa B. Fácil, não é pessoal? Basta recordar que os
elementos orgânicos são aqueles que compõem a regulação da organização e
funcionamento do Estado.

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4- Conceitos de teoria de Estado

Vamos brevemente elucidar alguns conceitos que, vez ou outra as


bancas colocam no nosso caminho.

4.1- Conceito e elementos de Estado

Seguindo a lição de Cicco e Gonzaga (2008), podemos conceituar


Estado como instituição organizada, política, social e juridicamente, a qual
ocupa um território definido e é regida por uma lei maior, usualmente na
forma de Constituição. Ademais, é dirigida por um governo soberano,
reconhecido interna e externamente ao território e responsável pela
organização e controle social, uma vez que detém a competência legítima do
uso da força e da coerção.
Destacam-se nessa definição três elementos: povo, território e
governo.

Elementos do
Estado

Povo Governo Território

(NCE-UFRJ / Agente Executivo da CVM / 2008) O


Estado constitui-se de três elementos originários e indissociáveis - Povo,
Território e Governo soberano - que se referem respectivamente:
a) ao componente humano do Estado; o elemento condutor do Estado; a base
física do Estado;
b) ao componente humano do Estado; a base física do Estado; o elemento
condutor do Estado;
c) à base física do Estado; o componente humano do Estado; o elemento
condutor do Estado;
d) ao elemento condutor do Estado; o componente humano do Estado; a base
física do Estado;
e) ao elemento condutor do Estado; a base física do Estado; o componente
humano do Estado.

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Resolução: Alternativa B. Advirta-se que povo não é sinônimo de população.
Povo é a parcela da população vinculada política e juridicamente ao Estado.

4.2- Poderes e funções do Estado

A finalidade maior do Estado é a promoção do bem comum.


Mas quem detém originariamente o poder no Estado? Segundo a
Constituição Federal, “todo o poder emana do povo” (CF/88, art. 1º,
parágrafo único). Tal poder é “dividido” (temos então, não mais um único
poder, mas Poderes1) e manifestado por meio de diferentes funções, ou seja,
“especializações” do agir do Estado.
Na maior parte das democracias contemporâneas prepondera a teoria
(abrandada) de Montesquieu, a denominada teoria da tripartição de
Poderes, tipicamente identificados como Poder Executivo, Poder Legislativo e
Poder Judiciário.

Poderes do Estado

Executivo Legislativo Judiciário

É o caso brasileiro, como podemos extrair da Constituição (e aplicar por


simetria aos demais entes subnacionais2):
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

No Brasil, o supracitado abrandamento é perfeitamente estabelecido,


dentre outros fatores, uma vez que cada Poder incorpora, além de uma ou
mais função típica, outras funções atípicas. Vejamos.

1
Para fins didáticos, entenda-se tal afirmação como integralmente correta. No
entanto, em última análise, advirta-se que o poder político é uno. A dita separação
de poderes nada mais é que uma abordagem de cunho funcional.
Além da unicidade, são tidas como características do poder político a
imprescritibilidade (a possibilidade de se exercê-lo não é extinta com o tempo) e a
indelegabilidade (o exercício do poder é delegável a representantes, mas sua
titularidade – o poder emana do povo – não).
2
A exceção parcial é o Judiciário. Inexiste organização de tal Poder em âmbito
estritamente municipal.

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Poder Funções típicas Funções atípicas
- Legislar: por exemplo, na edição de
medidas provisórias (art. 62) e leis
1- Provimento
delegadas (art. 68)
direto de bens e
Executivo
serviços públicos, - Julgar: por exemplo, instaurando,
atos de inquirindo e julgando processos
administração, administrativos disciplinares (em
chefia de Estado e âmbito federal, lei 8.112/90, art. 151)
de governo
- Executar: por exemplo, ao dispor
sobre sua organização,
1- Elaboração de
funcionamento, funções de serviços e
leis
criação de cargos (art. 51, IV e art.
2 - Fiscalização 52, XIII)
Legislativo
contábil,
financeira, - Julgar: por exemplo, a Câmara dos
orçamentária, Deputados autoriza (art. 51, I) e o
operacional e Senado Federal julga o Presidente e
patrimonial do outros agentes políticos nos crimes de
Poder Executivo
responsabilidade (art. 52, I)
- Executar: por exemplo, os tribunais
organizam suas secretarias e serviços
auxiliares, proveem cargos
1- Instituir a coisa necessários à administração da
julgada com base Justiça, concedem férias, licenças e
Judiciário
na aplicação da outros afastamentos a seus membros
legislação (art. 96, I)
- Legislar: por exemplo, os tribunais
elaboram seus regimentos internos
(art. 96, I, “a”).

Atente-se que o Poder Legislativo é o único que possui duas funções


típicas, quais sejam, legislar e fiscalizar diretamente (sem necessidade de
provocação) o Poder Executivo.
Além disso, outro fator nos permite visualizar que a tripartição de
Poderes não é algo estanque.
A nossa Constituição (assim como outras) estabelece mecanismos de
freios e contrapesos, de controle recíproco entre os Poderes, de modo
que há evidente interpenetração no agir do Estado, evitando a arbitrariedade e
proporcionando maior equilíbrio a este.
Deste modo, muito embora o art. 2º da Carta Maior assegure a
independência dos Poderes, mais correto é compreender nosso Estado

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como um sistema caracterizado pela interdependência dos Poderes. Um
exemplo prático é a possibilidade de veto conferida ao Presidente da República
nos processos legislativos que lhe são submetidos à deliberação (art. 66).

(CESPE / Polícia Rodoviária Federal / 2013) No que se


refere aos princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988 (CF) e à
aplicabilidade das normas constitucionais, julgue o item a seguir.
Decorre do princípio constitucional fundamental da independência e harmonia
entre os poderes a impossibilidade de que um poder exerça função típica de
outro, não podendo, por exemplo, o Poder Judiciário exercer a função
administrativa.
Resolução: Errado. A independência dos Poderes não se confunde com a
completa segregação destes. Muito pelo contrário. No Brasil, a separação
entre Executivo, Legislativo e Judiciário se dá de forma abrandada. Disso
deriva a possibilidade de que, além de suas funções típicas, cada qual exerça
funções atípicas correlatas aos demais.

(FCC / Técnico Judiciário do TRE SP / Área


Administrativa / 2012) O mecanismo pelo qual os Ministros do Supremo
Tribunal Federal são nomeados pelo Presidente da República, após aprovação
da escolha pelo Senado Federal, decorre do princípio constitucional da:
a) separação de poderes.
b) soberania.
c) cidadania.
d) inafastabilidade do Poder Judiciário.
e) solução pacífica dos conflitos.
Resolução: Alternativa A. Perceba-se que o mecanismo de freios e
contrapesos advém do princípio da separação de poderes expresso no art. 2º
da CF/88. Os demais itens caracterizam princípios fundamentais, coordenando
fundamentos (soberania e cidadania), princípios do Estado referentes a regras
processuais (inafastabilidade do Poder Judiciário) e princípios nas relações em
âmbito internacional (solução pacífica dos conflitos) e serão tratados
detidamente na aula 03.

(FCC / Auditor Fiscal Tributário Municipal - SP / 2007)


A separação de poderes é um critério funcional de limitação de poder:
a) incompatível com o Estado Democrático de Direito.
b) compatível com os Estados organizados como federações.
c) incompatível com os Estados regidos por constituições rígidas.

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d) compatível com as monarquias absolutistas.
e) incompatível com os Estados unitários descentralizados.
Resolução: Alternativa B. Basta ter em mente que o Brasil é um Estado
Democrático de Direito que se qualifica como federação (CF/88, art. 1º) e aqui
predomina a separação de poderes (CF/88, art. 2º).

IMPORTANTE!! Não se pode confundir a existência de funções atípicas com o


mecanismo de freios e contrapesos. A existência de funções atípicas implica
num maior dinamismo da atuação de cada um dos três poderes, os quais
exercem atribuições complementares às suas principais. Já o mecanismo
de freios e contrapesos cuida diretamente da articulação dos poderes
entre si em prol das finalidades do Estado.

(FCC / Auditor Fiscal Tributário Estadual – PB / 2006 /


Adaptada) Considera-se exemplo do mecanismo de freios e contrapesos, que
caracteriza a divisão de funções entre os órgãos do poder na Constituição
brasileira de 1988, a:
a) nomeação pelo Presidente da República, após aprovação pelo Senado
Federal, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.
b) possibilidade de adoção, pelo Presidente da República, de medidas
provisórias, com força de lei.
c) possibilidade de Deputado Federal ou Senador ser investido em cargo de
Ministro de Estado, sem perder o respectivo mandato.
d) autorização, concedida pelo Congresso Nacional ao Presidente da República
para exercer atribuição legislativa limitada no objeto e no tempo.
Resolução: Alternativa A. Em sua essência, nenhuma das alternativas
apresenta informações incorretas. Porém, esta é a única que aborda o
supracitado mecanismo.
A alternativa “B” trata de uma função atípica do Poder Executivo, não de
mecanismos de controle entre os Poderes. O item “C” versa sobre uma das
prerrogativas legais (art. 56, I) dos Deputados Federais e Senadores. O item
“D” versa sobre o instituto das leis delegadas (delegação legislativa ou
delegação receptícia) (art. 68).

4.3- Formação e formas do Estado

Os Estados são centros de poder soberano. Sumariamente, podem ser


classificados, sob esse aspecto, em Estados simples – nos quais há apenas um
centro, como o Brasil – e Estados compostos – nos quais há coexistência de
centros, como a commonwealth. Aqui, a análise é focada nos Estados simples.

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A formação de Estados se dá por basicamente três modos:

Ocorre por meio da conjunção inédita


dos elementos território, população e
ORIGINÁRIO governo. Não se verifica na idade
contemporânea.
Ex: Atenas

Ocorre por meio da desagregação ou


Formação de agregação de Estados previamente
Estados SECUNDÁRIO constituídos.
(modos) Ex: Estados Unidos da América

Se processa quando o novo Estado


surge mediante concessão de outro
DERIVADO Estado. O estado concedente continha
territorialmente o Estado derivado.
Ex: Israel

Em concursos públicos (das mais diversas áreas), as questões quase


sempre têm como ponto de partida o modelo secundário.
No que diz respeito à forma de Estado, encontramos dois modelos
fundamentais, quais sejam: o Estado unitário e a Federação.

Formas de Estado

Estado unitário Federação

O Estado unitário é caracterizado pela existência de uma única


organização política nacional. Muito embora existam variedades mais
flexíveis desse tipo, regra geral, não há aqui a existência de diferentes níveis
de governo (federal, estadual, distrital, metropolitano, municipal, etc.). Ou
seja, a organização político-administrativa não compreende esferas
autônomas.
Por sua vez, a federação resulta do vínculo indissolúvel3 (vide art. 1º
da CF/88) entre unidades autônomas (porém, não soberanas). Essa
organização político-administrativa compreende esferas de governo
distintas e descentralizadas, dotadas de competências muitas vezes
exclusivas ou privativas, no entanto, normatizadas por uma mesma
Constituição Federal. Trata-se do caso brasileiro.

3
CF/88, art. 60 [...] § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; [...]

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“Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa
do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. [...]”

(FCC / Técnico Judiciário do TRT da 3ª Região / Área


Judiciária / 2005) O Brasil, segundo dispõe a Constituição, adota a forma de
Estado:
a) federal, descentralizada por regiões e estados.
b) unitária centralizada.
c) unitária descentralizada.
d) confederada.
e) federal.
Resolução: Alternativa E. Questão tranquila. Como regra, as bancas tendem
a cobrar tais conceitos de forma bastante direta, sem muito rebuscamento.

Por fim, cumpre destacar a existência de diferentes tipologias de


federalismo, de acordo com a perspectiva assumida. Três grupos são de
maior relevância:

Federalismo

Simétrico vs Por agregação vs Por


Cooperativo vs Dual
Assimétrico desagregação

Formação do Estado
Configuração da
federado.
repartição de
Grau de competências entre os No federalismo por
compatibilidade entes federados e sua agregação, Estados antes
econômica, política, articulação. soberanos vinculam-se
social e cultural entre para formar um novo
Quanto mais rígida tal
os entes federados. Estado indissolúvel. Os
repartição, mais dual o
entes passam a ter
Quanto mais federalismo. Por outro
autonomia (a soberania é
homogêneos tais fatores lado, havendo maior
da União). Já no
se apresentam no interpenetração de
federalismo por
território e entre a atribuições, por meio de
desagregação, um Estado
população, mais competências
antes unitário reconfigura
simétrico o federalismo. concorrentes ou comuns,
sua estrutura político-
mais cooperativo será o
administrativa, tornando-a
federalismo.
descentralizada

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(CESPE / Administrador da SUFRAMA / 2014) Julgue o


item a seguir, acerca da organização político-administrativa do Estado, da
administração pública e dos servidores públicos.
De acordo com a CF, as atribuições dos entes federativos são de tal modo
separadas que caracterizam um federalismo dual, ou seja, cada ente da
Federação brasileira tem competências distintas, não se podendo falar em
cooperação entre eles.
Resolução: Errado. Questão bastante simples. O Brasil é caracterizado por
um modelo de repartição de competências entre os entes no qual, ao mesmo
tempo em que se visualizam competências exclusivas e privativas, existe um
leque de atribuições concorrentes e comuns que demandam expressamente
um esforço conjunto entre estes, pendente, pois, para um modelo
cooperativo.

(FCC / Notário e Registrador – TJ PE / Remoção /


2013) Em relação à possibilidade de aplicação do conceito de federação
assimétrica ao Brasil, é correto afirmar:
a) A concepção inclui a ideia de simetria de fato entre os componentes da
federação, como a criação de regiões de desenvolvimento.
b) O conceito compreende a noção da simetria de direito para corrigir e
compensar a estrutura da federação, v.g., a fixação de benefícios legais na
área tributária.
c) A diferença entre os entes federados no Brasil pode ocorrer tanto na área
social, como na econômica.
d) Os elementos da federação assimétrica não são aplicáveis à realidade
nacional diante da determinação constitucional que a federação é indissolúvel,
não há permissão a secessão.
e) A assimetria somente pode ser transitória e pressupõe um tratamento
desigual para corrigir desigualdades.
Resolução: Alternativa C. É o conceito de federalismo assimétrico. A própria
Constituição Federal reconhece a existência de discrepâncias entre as regiões.
Não por acaso, estatui, por exemplo:
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil: [...]
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades
sociais e regionais; [...]
e

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Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação
em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu
desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.

4.4- Formas e regimes de governo

Segundo Canotilho (1993), ao tratarmos das formas de governo,


estamos analisando a lógica da estruturação jurídico-constitucional dos
poderes, órgãos e agentes constitucionais de soberania. Abordamos uma
questão de cunho institucional, em que se deseja saber como o Estado se
organiza para a coordenação de Poderes e exercício de suas funções com
vistas à consecução do bem comum.
O Estado contém o governo, porém o contrário não é verdadeiro. O
governo é um dos elementos constitutivos do Estado e, enquanto governos
são arranjos temporários, Estados são, em tese, estruturas permanentes.
A classificação mais comum é a que compreende como formas
fundamentais a monarquia e a república.

Formas de Governo

Monarquia República

De acordo com Farias Neto (2011), podemos apontar como


características distintivas de cada qual:

MONARQUIA REPÚBLICA

• Vitaliciedade • Temporariedade
• Hereditariedade • Eletividade
• Irresponsabilidade política do • Responsabilidade política do
Chefe de Estado (não há Chefe de Estado (há prestação
prestação de contas das de contas das decisões e crime
decisões ou crime de de responsabilidade)
responsabilidade)

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O Brasil é uma República Federativa, de acordo com disposição
constitucional expressa.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como fundamentos: [...]

(FCC / Analista em Planejamento, Orçamento e


Finanças Públicas - SP / 2010) Considere:
I. O Brasil é uma República, adotada desde 15 de novembro de 1889,
consagrada na Constituição de 1891, e em todas as constituições
subsequentes.
II. O Brasil é uma federação composta pela União, Estados-membros, Distrito
Federal e Municípios.
Essas afirmações dizem respeito, técnica e respectivamente, às formas de:
a) regime político e governo.
b) estado e de governo.
c) governo e de estado.
d) separação de poderes e de governo.
e) estado e de regime político.
Resolução: Alternativa C. Viram, pessoal? Esse é o estilo FCC para esse
conteúdo.

Por sua vez, na análise relativa aos regimes de governo (ou sistemas
de governo), busca-se primordialmente identificar a forma de relacionamento
entre os Poderes Legislativo e Executivo. Desse exame, encontramos dois
regimes principais: o parlamentarismo e o presidencialismo.

Regimes/Sistemas de Governo

Parlamentarismo Presidencialismo

Temos como características centrais de ambos:

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PARLAMENTARISMO PRESIDENCIALISMO
• Poder Executivo dual: distinção • Poder Executivo uno: não há
entre Chefe de Estado e Chefe de distinção entre Chefe de Estado e
Governo Chefe de Governo

• Elevada interdependência dos • Relativa autonomia do Executivo


Poderes Executivo e Legislativo e do Legislativo na condução de suas
funções típicas
• Existência de um órgão executivo
(gabinete de Ministros) dirigido pelo • As funções executivas centrais
Primeiro Ministro (chefe de cabem à figura do Presidente da
governo), cujos atos são República, não havendo
referendados pelo Parlamento interferêcia direta do Parlamento.
Os Ministros de Estado podem ser
• Possibilidade permanente de nomeados e exonerados
dissolução do gabinete e do discricionariamente (ad nutum)
Parlamento
• Não há possibilidade de
•É compatível com a forma dissolução do Parlamento sem
monárquica e com a republicana eleições gerais

• Na prática, compatível apenas com


a forma republicana

(ESAF / Agente Executivo da CVM / 2010) Correlacione


as colunas abaixo e, ao final, selecione a opção que expresse a correlação
correta.
() República (1) Forma de Governo
() Estado Unitário (2) Sistema de Governo
() Parlamentarismo (3) Forma de Estado
() Federação
() Monarquia
() Presidencialismo
a) 1, 2, 3, 1, 2, 3
b) 1, 3, 2, 3, 1, 2
c) 3, 1, 2, 1, 2, 3
d) 2, 3, 1, 2, 3, 1
e) 3, 2, 1, 2, 1, 3
Resolução: Alternativa B. Questão ilustrativa que resume o que foi visto até
agora. Formas de Governo: República e Monarquia. Sistemas de Governo:
Parlamentarismo e Presidencialismo. Formas de Estado: Estado Unitário e
Federação.

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(ESAF / Auditor Fiscal do Tesouro Estadual – RN/


2005) Sobre Poderes do Estado e respectivas funções, formas de Estado e
formas e sistemas de governo, marque a única opção correta.
a) A adoção do princípio de separação de poderes, inspirado nas lições de
Montesquieu e materializado na atribuição das diferentes funções do poder
estatal a órgãos diferentes, afastou a concepção clássica de que a unidade
seria uma das características fundamentais do poder político.
b) O Estado unitário distingue-se do Estado federal em razão da inexistência
de repartição regional de poderes autônomos, o que não impede a existência,
no Estado unitário, de uma descentralização administrativa do tipo autárquico.
c) Em um Estado federal temos sempre presente uma entidade denominada
União, que possui personalidade jurídica de direito público internacional,
cabendo a ela a representação do Estado federal no plano internacional.
d) O presidencialismo é a forma de governo que tem por característica reunir,
em uma única autoridade, o Presidente da República, a Chefia do Estado e a
Chefia do Governo.
e) Sistema de governo pode ser definido como a maneira pela qual se dá a
instituição do poder na sociedade e como se dá a relação entre governantes e
governados.
Resolução: Alternativa B. O item “A” peca ao afirmar que a separação de
poderes (divisão funcional) afasta a unicidade do poder político. Conforme
observado previamente, o poder político é uno.
A respeito do item “C”, destaque-se que não é a União, pessoa jurídica
de direito público interno (Código Civil, art. 41, I), mas sim a República
Federativa do Brasil que representa a federação em âmbito internacional,
como se pode extrair da CF/88, art. 4º.
O item “D” contém uma pegadinha comum: o presidencialismo é
regime/sistema de governo, não forma!!! O mesmo ocorre com o item “E”, ao
apresentar a definição de forma de governo como sendo a de sistema.
ATENÇÃO!

(FCC / Auditor Fiscal de Controle Externo do TCE – PI /


2014) O art. 1º da Constituição Federal, ao afirmar que “a (I) República (II)
Federativa do Brasil (...) constitui-se em (III) Estado Democrático de Direito”,
definiu, respectivamente, os seguintes aspectos do Estado brasileiro:
a) sistema político, forma de Estado e forma de governo.
b) forma de governo, sistema político e sistema jurídico.
c) forma de governo, forma de Estado e regime de governo.
d) sistema político, forma de Estado e sistema jurídico.

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e) forma de governo, sistema jurídico e sistema político.
Resolução: Alternativa C. Questãozinha para fechar a temática. Vamos
relembrar: Formas de Governo: República e Monarquia. Formas de Estado:
Estado Unitário e Federação. Sistemas de Governo: Parlamentarismo e
Presidencialismo

5- Princípios do Estado Democrático de Direito

5.1- Princípios e regras

Previamente destacamos que, em seu sentido jurídico, a Constituição é


o fundamento de validade normativa dos Estados nacionais.
A doutrina contemporânea convencionou classificar o “gênero” normas
em “espécies”, quais sejam: princípios e regras.
Conforme expõem Mendes e Branco (2010), analisando especialmente
as contribuições teóricas de Ronald Dworkin e Robert Alexy, algumas
características distintivas entre tais espécies são:
NORMAS
PRINCÍPIOS REGRAS
- Ponderação; - Tudo ou nada;
- Dimensão de peso e valor; - Dimensãode especificidade;
- Instrumentos de otimização; - Instrumentos de definição;
- Havendo conflito aparente entre - Havendo conflito entre regras, a
princípios, a solução deverá se dará solução deverá ser buscada,
pelo prevalecimento de um sobre sucessivamente, pelos critérios:
o outro no caso concreto.
(i) Hierárquico;
(ii) de Especialidade; HEC
(iii) Cronológico.
ou pelo afastamento de uma delas
ou pela derrota (superação) de
uma delas ou pela declaração de
invalidade (total ou parcial) de
uma delas.

(FGV / Auditor Fiscal da Receita Estadual – RJ / 2008)


Havendo conflito aparente entre princípios, a situação será resolvida pela
dimensão:
a) de validade.

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b) de eficácia.
c) de vigência.
d) de valor.
e) política.
Resolução: Alternativa D. Observe-se que o conflito é meramente aparente,
conforme expõe o enunciado. Mais adiante veremos que isso decorre de um
princípio maior: o da unidade da Constituição.

Podemos apontar a primorosa conceituação elaborada por Celso Antônio


Bandeira de Mello (2000, 450-451), para o qual o princípio é [...]
“mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição
fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito
e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente
por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere
a tônica e lhe dá sentido harmônico”.
Por outro lado, pedimos vênia para conceituar regra como uma
disposição específica que estabelece parâmetros objetivos de
operacionalização num determinado sistema jurídico, visando a dotá-lo de
certos padrões práticos gerais.
Não há um conceito a ser memorizado. No entanto, ter tal distinção
em mente é importante na compreensão de diversos pontos da matéria. Por
exemplo, ao estudarmos a tarefa de hermenêutica (interpretação) das normas
constitucionais.

5.2- Princípios do Estado Democrático de Direito na doutrina

Fecharemos a aula com um tópico do edital que dificilmente é cobrado


por alguma banca.
Os referidos princípios encontram-se esparsos pelo texto constitucional.
Ressalte-se, ainda, a existência de outros princípios complementares (como
aqueles que regem mais especificamente a administração pública), presentes
não apenas na Carta Maior como na legislação infraconstitucional. Adotando a

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lição de José Afonso da Silva (2005, p. 122), temos:
exprime, em primeiro lugar, que o Estado
Democrático de Direito se funda na
legitimidade de uma Constituição rígida,
emanada da vontade popular, que, dotada de
constitucionalidade supremacia, vincule todos os poderes e os
atos deles provenientes, com as garantias de
atuação livre de regras da jurisdição
constitucional

nos termos da Constituição, há de constituir


(estado democrático de dirieto)

uma democracia representativa e


democrático participativa, pluralista, e que seja a
garantia geral da vigência e eficácia dos
direitos fundamentais (art. 10)
sistema de direitos
PRINCÍPIOS

fundamentais
compreende os direitos individuais, coletivos,
sociais e culturais (títulos II, VII e VIII)

justiça social

referido no art. 170, caput, e no art. 193,


igualdade como principio da ordem econômica e da
ordem social
divisão de poderes (art.
2º) e independência do
juiz (art. 95)

legalidade (art. 5º, II)

segurança jurídica (art.


5º, XXXVI a LXXIII)

(ESAF / Analista Tributário da Receita Federal do Brasil


/ Área Tributária e Aduaneira / 2006 / Adaptada) Sobre princípios
fundamentais na Constituição de 1988, marque a única opção correta.
a) Em função da forma de governo adotada na Constituição de 1988, existe a
obrigação de prestação de contas por parte da administração pública.
b) Por ser o Brasil uma federação, é reconhecida, na Constituição brasileira, a
autonomia de Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios.
c) Em razão da independência funcional, um dos elementos essenciais do
princípio de separação dos poderes, o exercício das funções que integram o
poder político da União é exclusivo.
d) Segundo a doutrina, não se constitui em um princípio do Estado
Democrático de Direito o princípio da constitucionalidade, o qual estaria ligado
apenas à noção de rigidez constitucional.
Resolução: Alternativa A.

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A Constituição Federal de 1988 adota a forma republicana de governo.
Uma das características fundamentais deste arranjo é a prestação de contas
por parte da administração pública.
A alternativa “B” incorre em erro por afirmar que os Territórios possuem
autonomia. Estes são costumeiramente tratados, sob o ponto de vista
doutrinário, como espécies de autarquias (pessoas jurídicas de direito público)
da União, o que será detalhado no momento oportuno.
O item “C” peca ao desconsiderar a existência de funções atípicas em
cada um dos Poderes, conferindo certa flexibilidade à atuação destes em todas
as esferas de governo. Já o item “D” erra ao ignorar um dos princípios centrais
da República Federativa do Brasil, conforme já destacado.

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6- Questões Comentadas

Vamos treinar mais um pouco. O repertório de questões da FCC é bem


pequeno para este conteúdo, portanto, aproveitemos questões de outras
bancas com estilo semelhante.
01. (CESPE / Auditor Federal de Controle Externo / Auditoria
Governamental / 2008) Com referência ao regime e à forma de governo do
Brasil, julgue o item abaixo.
A república e a forma federativa de Estado foram arroladas expressamente
como cláusulas pétreas pelo constituinte originário.
Resolução: Errado. Antecipando um pouco a matéria, veremos que apenas a
forma federativa é blindada como cláusula pétrea (art. 60, §4º, I). Não há
previsão EXPRESSA de que a república também o seja.

02. (ESAF / Auditor Fiscal de Receita Federal do Brasil / Auditoria /


2000) De uma Constituição que adota uma chefia dual do Executivo, com um
Chefe de Estado e um Chefe de Governo, em que a permanência deste no
cargo depende da confiança do Poder Legislativo, pode-se dizer que adota
característica típica do:
a) Bicameralismo
b) Estado unitário
c) Federalismo de equilíbrio
d) Presidencialismo
e) Parlamentarismo
Resolução: Letra E. Na alternativa “A”, bicameralismo diz respeito à
estruturação do Poder Legislativo, não do Executivo. A alternativa “B” trata de
uma das formas de Estado, mas não do sistema/regime de governo, conforme
solicita o enunciado. Idem para o item “C”. Por sua vez, o item “D” incorre
num erro simples: no presidencialismo, a chefia do Executivo é una e a
permanência do chefe de governo e de Estado (a mesma pessoa) no cargo –
ressalvadas situações extremas, como as de impeachment –, se dá pela via da
eleição.

03. (FAURGS / Agente Fiscal do Tesouro do Estado – RS / 2006) Sobre


os Poderes de Estado, assinale a alternativa correta.
a) São Poderes da União: Legislativo, Executivo, Judiciário e Ministério Público
Federal.
b) No âmbito estadual, o Ministério Público, apesar da autonomia
orçamentária, está vinculado ao Poder Executivo.

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c) No Brasil, a Constituição Federal não pode prever regras de composição de
Poderes Estaduais.
d) O Ministério Público não é um dos Poderes da República Federativa do
Brasil.
e) O Poder Executivo em nível de governo estadual é exercido pelos
governadores, prefeitos e seus secretários.
Resolução: Alternativa D. O Ministério Público é instituição (não Poder)
permanente e essencial à função jurisdicional do Estado (art. 127), sendo
autônomo e não vinculado a qualquer dos Poderes, o que já nos possibilita
descartar as alternativas “A” e “B”.
A alternativa “C” é incorreta uma vez que a Constituição Federal
estabelece diretrizes a serem sim aplicadas nos entes subnacionais (Estados,
DF e Municípios), seja por comando direto, seja por simetria de forma jurídica.
Por fim, a letra “E” peca ao inserir os prefeitos (chefes do Executivo no
âmbito municipal) no nível de governo estadual.

04. (CESPE / Analista de Infraestrutura – MPOG / Área I / 2012) Com


relação aos princípios do direito constitucional, julgue o item a seguir.
A Federação brasileira − formada, de acordo com o disposto na CF, pela união
indissolúvel da União, dos estados-membros, do Distrito Federal e dos
municípios − é um federalismo do tipo assimétrico, em razão da falta de
homogeneidade entre os entes federativos.
Resolução: Correta. O critério da simetria diz com a homogeneidade dos
fatores econômicos, políticos e socioculturais nos diferentes entes do Estado
brasileiro. A nossa federação se caracteriza por elevadas disparidades de
Produto Interno Bruto, renda per capita, oferta e prestação de serviços
públicos, dentre outros fatores.

05. (FEMPERJ / Analista de Controle Externo do TCE – RJ / Controle


Externo / 2012) A Constituição da República de 1988 consagrou no seu art.
2º a teoria da "tripartição dos Poderes" exposta por Montesquieu. Contudo, o
fez de forma abrandada, na medida em que essa separação não é pura e
absoluta. Assim sendo, cada poder exerce funções típicas e atípicas.
Sobre o tema, é correto afirmar que são funções:
a) típicas do Poder Judiciário julgar e administrar;
b) atípicas do Poder Legislativo administrar e fiscalizar;
c) típicas do Poder Executivo administrar e legislar;
d) típicas do Poder Executivo administrar e julgar;
e) típicas do Poder Legislativo fiscalizar e legislar.

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Resolução: Item E. Questão direta e sem pegadinhas. O único dos três
Poderes que detém duas funções típicas é o Poder Legislativo.

06. (FCC / Juiz do Trabalho do TRT da 1ª Região / 2012) Em 1993, o


eleitorado brasileiro participou de plebiscito para definição da forma e do
sistema de governo que deveriam vigorar no País. Se o resultado do plebiscito
houvesse modificado o sistema de governo brasileiro de presidencialista para
parlamentarista, mas mantido a forma republicana de governo, o texto da
Constituição Federal, necessariamente, deveria ser reformado para:
a) incluir a previsão de eleições indiretas, realizadas pelo Parlamento, para a
escolha do Chefe de Estado.
b) acrescentar a possibilidade de o Chefe de Estado ter mandato por tempo
indeterminado e escolher seu sucessor, a fim fiscalizar a atuação do Chefe de
Governo com imparcialidade.
c) modificar competências, no âmbito da União, tanto do Poder Executivo,
quanto do Poder Legislativo, para que fossem especificadas as atribuições a
serem exercidas pelo Chefe de Governo em conjunto com o Parlamento.
d) implantar uma monarquia constitucional, para que a chefia do Poder
Executivo fosse dividida entre o Primeiro Ministro, responsável pelas funções
do governo, e o Chefe de Estado, responsável pelas funções de representação
do Estado brasileiro.
e) alterar regras de competência do Congresso Nacional para que este
pudesse processar e julgar o Primeiro Ministro por crime de responsabilidade,
sendo proibido, em regimes democráticos, exonerá-lo do cargo apenas pela
perda do apoio parlamentar.
Resolução: Alternativa C. De antemão, observe-se que o enunciado usa o
termo “necessariamente”. O candidato deve estar atento à morfologia do texto
das questões, em especial aos advérbios e conjunções.
No parlamentarismo, o Chefe de Estado é o Monarca (poder obtido por
hereditariedade) ou o Presidente (poder obtido por eleições). Regra geral, é o
Chefe de Estado quem escolhe o Chefe de Governo, cuja permanência no
cargo dependerá do referendo dos seus atos pelo Parlamento. Assim,
descartamos a alternativa “A”.
Para a implantação do parlamentarismo não é necessário que o
mandato do chefe de Estado seja por tempo indeterminado. Podemos lembrar
que tal regime é compatível tanto com a forma republicana, caracterizada pela
eletividade, quanto com a forma monárquica. Erradas as letras “B” e “D”.
Finalmente, em relação ao item “E”, no parlamentarismo, não há
qualquer óbice à exoneração do Primeiro Ministro pela falta de apoio
parlamentar. Pelo contrário, a permanência deste depende, em regra, da
confiança do Parlamento.

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07. (CESPE / Assistente Técnico Administrativo do Ministério da
Integração Nacional / 2013 / Adaptada) No que concerne à
administração pública, julgue o item a seguir.
Os poderes do Estado são independentes e harmônicos entre si e a titularidade
de suas funções típicas é, reciprocamente, indelegável.
Resolução: Correto. Cada Poder exerce pelo menos uma função típica (o
Legislativo exerce duas...) que lhe foi conferida pelo poder constituinte. Muito
embora os demais Poderes possam exercê-la atipicamente, a titularidade
permanece com o Poder.
Um caso são as leis delegadas, espécie legislativa que pode ser editada
pelo Poder Executivo caso autorizado pelo Legislativo, dentro determinados
parâmetros. Muito embora exista tal possibilidade de exercício atípico de
função legiferante, a titularidade de comando do processo legislativo e de suas
etapas nucleares será sempre do Poder Legislativo!

08. (ESAF / Analista Técnico Administrativo do Ministério do Turismo


/ 2014) O Estado é pessoa jurídica territorial soberana formada por três
elementos indissociáveis e indispensáveis para a noção de um Estado
independente.
Assinale a opção que contenha os três elementos essenciais para a existência
do Estado.
a) Povo, Carta Constitucional e Território.
b) Autonomia, Governo e Povo.
c) Território, Povo e Governo.
d) Carta Constitucional, Povo e Governo.
e) Autonomia, Povo e Território.
Resolução: Alternativa C. Questão fácil, embasada na teoria tradicional do
Direito Constitucional. Alguns autores inserem um quarto elemento, qual seja,
a finalidade. No entanto, trata-se de ponto não sedimentado no mundo dos
concursos destacá-lo como elemento originário explícito.

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7- Lista de Exercícios

01. (CESPE / Auditor Federal de Controle Externo / Auditoria


Governamental / 2008) Com referência ao regime e à forma de governo do
Brasil, julgue o item abaixo.
A república e a forma federativa de Estado foram arroladas expressamente
como cláusulas pétreas pelo constituinte originário.

02. (ESAF / Auditor Fiscal de Receita Federal do Brasil / Auditoria /


2000) De uma Constituição que adota uma chefia dual do Executivo, com um
Chefe de Estado e um Chefe de Governo, em que a permanência deste no
cargo depende da confiança do Poder Legislativo, pode-se dizer que adota
característica típica do:
a) Bicameralismo
b) Estado unitário
c) Federalismo de equilíbrio
d) Presidencialismo
e) Parlamentarismo

03. (FAURGS / Agente Fiscal do Tesouro do Estado – RS /2006) Sobre


os Poderes de Estado, assinale a alternativa correta.
a) São Poderes da União: Legislativo, Executivo, Judiciário e Ministério Público
Federal.
b) No âmbito estadual, o Ministério Público, apesar da autonomia
orçamentária, está vinculado ao Poder Executivo.
c) No Brasil, a Constituição Federal não pode prever regras de composição de
Poderes Estaduais.
d) O Ministério Público não é um dos Poderes da República Federativa do
Brasil.
e) O Poder Executivo em nível de governo estadual é exercido pelos
governadores, prefeitos e seus secretários.

04. (CESPE / Analista de Infraestrutura do MPOG / Área I / 2012)


Com relação aos princípios do direito constitucional, julgue o item a seguir.
A Federação brasileira − formada, de acordo com o disposto na CF, pela união
indissolúvel da União, dos estados-membros, do Distrito Federal e dos
municípios − é um federalismo do tipo assimétrico, em razão da falta de
homogeneidade entre os entes federativos.

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05. (FEMPERJ / Analista de Controle Externo do TCE – RJ / Controle


Externo / 2012) A Constituição da República de 1988 consagrou no seu art.
2º a teoria da "tripartição dos Poderes" exposta por Montesquieu. Contudo, o
fez de forma abrandada, na medida em que essa separação não é pura e
absoluta. Assim sendo, cada poder exerce funções típicas e atípicas.
Sobre o tema, é correto afirmar que são funções:
a) típicas do Poder Judiciário julgar e administrar;
b) atípicas do Poder Legislativo administrar e fiscalizar;
c) típicas do Poder Executivo administrar e legislar;
d) típicas do Poder Executivo administrar e julgar;
e) típicas do Poder Legislativo fiscalizar e legislar.

06. (FCC / Juiz do Trabalho do TRT da 1ª Região / 2012) Em 1993, o


eleitorado brasileiro participou de plebiscito para definição da forma e do
sistema de governo que deveriam vigorar no País. Se o resultado do plebiscito
houvesse modificado o sistema de governo brasileiro de presidencialista para
parlamentarista, mas mantido a forma republicana de governo, o texto da
Constituição Federal, necessariamente, deveria ser reformado para:
a) incluir a previsão de eleições indiretas, realizadas pelo Parlamento, para a
escolha do Chefe de Estado.
b) acrescentar a possibilidade de o Chefe de Estado ter mandato por tempo
indeterminado e escolher seu sucessor, a fim fiscalizar a atuação do Chefe de
Governo com imparcialidade.
c) modificar competências, no âmbito da União, tanto do Poder Executivo,
quanto do Poder Legislativo, para que fossem especificadas as atribuições a
serem exercidas pelo Chefe de Governo em conjunto com o Parlamento.
d) implantar uma monarquia constitucional, para que a chefia do Poder
Executivo fosse dividida entre o Primeiro Ministro, responsável pelas funções
do governo, e o Chefe de Estado, responsável pelas funções de representação
do Estado brasileiro.
e) alterar regras de competência do Congresso Nacional para que este
pudesse processar e julgar o Primeiro Ministro por crime de responsabilidade,
sendo proibido, em regimes democráticos, exonerá-lo do cargo apenas pela
perda do apoio parlamentar.

07. (CESPE / Assistente Técnico Administrativo do Ministério da


Integração Nacional / 2013 / Adaptada) No que concerne à
administração pública, julgue o item a seguir.

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Os poderes do Estado são independentes e harmônicos entre si e a titularidade
de suas funções típicas é, reciprocamente, indelegável.

08. (ESAF / Analista Técnico Administrativo do Ministério do Turismo


/ 2014) O Estado é pessoa jurídica territorial soberana formada por três
elementos indissociáveis e indispensáveis para a noção de um Estado
independente.
Assinale a opção que contenha os três elementos essenciais para a existência
do Estado.
a) Povo, Carta Constitucional e Território.
b) Autonomia, Governo e Povo.
c) Território, Povo e Governo.
d) Carta Constitucional, Povo e Governo.
e) Autonomia, Povo e Território.

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8- Gabarito

1 Errado
2 E
3 D
4 Correto
5 E
6 C
7 Correto
8 C

9- Referencial Bibliográfico

CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da


Constituição. 6. ed. Coimbra: Almedina, 1993.
DE CICCO, Cláudio; GONZAGA, Álvaro de Azevedo. Teoria geral do estado e
ciência política. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008.
FARIAS NETO, Pedro Sabino de. Ciência política: Enfoque integral avançado.
São Paulo: Atlas, 2011.
KELSEN, Hans. Teoria pura do Direito. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes,
1998.
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 16. ed. São Paulo:
Saraiva, 2012.
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 12. ed.
São Paulo: Malheiros, 2000.
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito
Constitucional. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 25. ed.
São Paulo: Malheiros, 2005.

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