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ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

-EMERJ-

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO PARA A


CARREIRA DA MAGISTRATURA

PROGRAMA DO CURSO

CPI C 2 2017 – TÉCNICA DE SENTENÇA

As aulas do módulo serão ministradas nas seguintes datas: 31/8, 22/9 e


25/10.

SESSÃO VI: Dia 25/10/2017 – 20h 10min às 22h


NÃO EXIGE
RELATÓRIO
Prof. Dr. Octavio Chagas de Araujo Teixeira

TEMA: Administrativo. Cargo em comissão. Gravidez e estabilidade no


serviço público.

CASO CONCRETO:

Helga Lana ajuizou ação de obrigação de fazer com pedido de


reparação por danos morais e materiais em face do município do Rio de Janeiro,
alegando que, em fevereiro de 2013, foi nomeada para ocupar cargo em
comissão, oportunidade em que passou a exercer as funções de administradora
de Posto de Saúde, recebendo por isso a remuneração mensal de R$ 1.800,00.
Aconteceu que, no dia 3 de março de 2015 - exatos cinco meses
anteriores ao nascimento de sua filha - a autora foi dispensada do trabalho, em
que pese tenha informado o seu estado de gravidez. Em seguida, protocolou um
requerimento na Secretaria de Administração do réu, no intuito de reverter o
panorama, mas não teve resposta favorável.
A autora aduz ter havido violação do direito social de proteção à
maternidade, cujo espeque pode ser encontrado no art. 6º da Constituição
Federal. Observa-se, ainda, a violação do princípio da dignidade da pessoa
humana. O correto seria o reconhecimento de sua estabilidade, porque, ainda
que o contrato fosse temporário, a dispensa somente ocorreu por causa da sua
gravidez.
Existe na conduta do réu, pois, uma tentativa de burlar o ordenamento
jurídico, haja vista que o verdadeiro motivo, a sua gravidez, não pode
fundamentar o ato de exoneração, independentemente de o vínculo com a
Administração ser precário ou não.
Por esses motivos, Helga Lana pede a condenação do réu ao
pagamento de indenização equivalente à remuneração que faria jus desde a sua
exoneração, no dia 3 de março de 2015, a condenação ao pagamento dos
reflexos da indenização sobre as verbas rescisórias, quais sejam, décimo terceiro
e décimo terceiro proporcional, férias e férias proporcionais, além de indenização
por danos morais, no valor de R$ 30.000,00.
Pede, ainda, que seja anulado o ato administrativo que ensejou a sua
exoneração, com a consequente volta às funções de administração que exercia
no Posto de Saúde e a condenação em honorários advocatícios.
O município do Rio de Janeiro ofereceu contestação, suscitando,
preliminarmente, a incompetência absoluta do juízo, por acreditar que é a Justiça
Trabalhista que detém a investidura necessária para a análise do assunto.
No mérito, o réu alega que, em se tratando de cargo comissionado,
não pode subsistir nenhum argumento favorável a uma possível estabilidade.
Nesses casos, é pacífico em nossa jurisprudência que toda exoneração é ad
nutum, quer dizer, independe de motivação, e, no caso, o fato de o período de
gravidez da autora ter coincidido com o ato administrativo em questão é
irrelevante. Logo, a autora não tem direito às indenizações e tampouco à
estabilidade que almeja. Dessa forma, o réu requer a total improcedência dos
pedidos.
A petição inicial, de fls. 02-15, veio instruída com os documentos de fls.
16-27.
A gratuidade de justiça foi deferida à autora, em decisão de fls. 31.
Vieram os autos conclusos.
Elabore a sentença.