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FAZENDA

LEGAL

Tributário

Versão Revisada e Atualizada


Terceira Impressão
2008
Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Faerj)
Av. Rio Branco 135 grupo 910
20040-006 Centro Rio de Janeiro RJ
Tel. (21) 3380-9500
www.faerj.com.br

Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro (Sebrae-RJ)


Rua Santa Luzia 685 / 6º, 7º e 9º andares
20030-040 Centro Rio de Janeiro RJ
Tel. (21) 2215-9200
www.sebraerj.com.br

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio de Janeiro (Senar-Rio)


Av. Rio Branco 135 grupos 901 a 907
20040-006 Centro Rio de Janeiro RJ
Tel. (21) 3380-9500
www.senar-rio.com.br

IDEALIZAÇÃO
Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Faerj)

ELABORAÇÃO
Bento Mario Lages Gonçalves - Economista

COORDENAÇÃO
Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Faerj)

REVISÃO E ATUALIZAÇÃO
Alessandra Seródio - Advogada

DIAGRAMAÇÃO E CAPA
Raquel Sacramento

IMPRESSÃO
Gráfica RIOFLORENSE
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO 5

1 Legislação Tributária 7

2 IR-Imposto DE RENDA 9

3 ICMs - imposto sobre circulação de mercadorias 27

4 ITR-Imposto sobre a propriedade Territorial Rural 41

5 Contribuição Sindical Rural 47


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APRESENTAÇÃO

Esta é a versão atualizada do conjunto de cartilhas do Programa Fazenda Legal, para o


ano-safra 2008/2009.

Os temas abordados foram escolhidos para facilitar o entendimento e convencimento do


produtor rural, quanto a dois importantes objetivos do agronégocio:

- Cumprimento da Função Social: trabalhista, previdenciário, ambiental e fundiário


- Produtividade: defesa agropecuária, crédito rural e tributário

O conhecimento destes temas é a base para a mais nobre missão do homem: produzir
alimentos e matérias-primas que permitem a vida na terra.

Nossa responsabilidade não se resume mais ao conceito de segurança alimentar. Temos


que nos preparar e organizar, para garantir aos novos 20 milhões de brasileiros, que
nascerão nos próximos 10 anos, o alimento e as riquezas que permitirão a continuidade
da construção de um Brasil justo e fraterno para seus filhos.

Aos nossos parceiros, e especialmente ao Sebrae-RJ, agradecemos a realização do


Programa Fazenda Legal.

Rodolfo Tavares
Presidente da Faerj

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1 LEGISLAÇÃOTRIBUTÁRIA

A tributação sempre foi uma questão crucial para a economia, em particular para os produtos
agropecuários e para o agronegócio. De forma similar a outros, os produtos agropecuários
sofrem diversas formas de tributação indireta, decorrentes do sistema tributário nacional,
onerando o seu preço final e influenciando as decisões de compra do mercado consumidor.

O governo federal é responsável pela arrecadação de alguns impostos, principalmente sobre


a renda, o comércio exterior, os de caráter regulatório e alguns impostos específicos. De um
modo geral, são impostos que requerem certo grau de centralização administrativa que
facilite a cobrança – caso do Imposto de Renda, por exemplo – ou que afetam as políticas
do país – caso dos impostos sobre o comércio exterior. Em contrapartida os governos locais
assumem a responsabilidade pela tributação do patrimônio físico – IPTU – e costumam
recolher diretamente certos impostos incidentes sobre a renda e serviços. Entre a esfera
maior de governo – a União – e o poder local, os estados em geral coletam impostos sobre o
consumo e a circulação de bens.

A Constituição Federal de 1988 estabelece que ao governo federal cabe arrecadar impostos
como o IR o ITR e os demais tributos e contribuições. Por sua vez, são da competência dos
estados e do Distrito Federal, o imposto sobre transmissão causa mortis e doação, o ICMS
– individualmente a maior fonte de receitas do país – e o Imposto sobre Propriedade de
Veículos Automotores (IPVA).

O IPTU, o Imposto sobre Transmissão de Bens Intervivos (ITBI), o Imposto sobre Vendas e
Varejo de Combustíveis Líquidos e Gasosos (IVVC) e o Imposto sobre Serviços (ISS) são de
competência dos municípios.

Finalmente o ITR (Imposto sobre a propriedade Territorial Rural), que era de competência
exclusiva da União, a partir da edição da Lei nº 11.250 de 27/12/2005, poderá ter o lançamento
dos créditos tributários e de cobrança delegados pela União ao Distrito Federal e aos
municípios através da celebração de convênios.

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2 IR - IMPOSTO DE RENDA
O Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IR, ou Imposto
de Renda) é um imposto federal, ou seja, somente a União tem competência
para instituí-lo (art. 153, III, da Constituição Federal).

O fato gerador do Imposto de Renda ocorre quando da aquisição da disponibilidade


econômica (ou seja, o recebimento) ou jurídica de renda (o crédito, no âmbito contábil).

Os contribuintes do Imposto de Renda são as pessoas físicas e jurídicas.

A alíquota utilizada depende do contribuinte e do valor de sua renda. Até um determinado


valor de renda anual, o contribuinte é isento. Ela é estabelecida pelo governo federal, ano a
ano. A alíquota de um determinado ano só pode ser definida até o dia 31 de dezembro do
ano anterior. A base de cálculo é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos
proventos tributáveis.

IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA

A)  FORMAS DE ARRECADAÇÃO


1- Retenção na fonte – Toda pessoa física, titular de proventos de qualquer natureza,
é contribuinte do Imposto de Renda, sendo o imposto devido na medida em que
os rendimentos forem recebidos. O imposto retido na fonte será compensado na
declaração anual. É permitido deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda na
fonte, os dependentes econômicos.
2- Carnê-Leão – A pessoa física residente no país que recebe rendimentos de pessoa
física ou do exterior, quando não tributados na fonte no Brasil, está obrigada a efetuar
o recolhimento mensal (carnê-leão) do Imposto de Renda. O carnê-leão está sujeito
a encargos caso seja pago em atraso. O pagamento a maior ou indevido pode ser
compensado em recolhimentos posteriores relativos ao carnê-leão do ano-calendário
ou na Declaração de Ajuste Anual (Instrução Normativa SRF no 460, de 2004).

FAZENDA LEGAL | Tributário 9


3- Recolhimento complementar (mensalão) – É facultativo e pode ser efetuado pelo
contribuinte para antecipar o pagamento do imposto devido na Declaração de Ajuste
Anual, no caso de recebimento de duas ou mais fontes pagadoras pessoa física e
jurídica, ou mais de uma pessoa jurídica. Esse recolhimento deve ser efetuado, no
curso do ano-calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. Não há data
para o vencimento do imposto. Assim, não há multa no recolhimento do mensalão,
por não se tratar de pagamento obrigatório. O imposto complementar pode ser
retido, mensalmente, por uma das fontes pagadoras, pessoa jurídica, desde que
haja concordância, por escrito, da pessoa física beneficiária, caso em que a pessoa
jurídica é solidariamente responsável com o contribuinte pelo pagamento do imposto
correspondente à obrigação assumida.

Atenção: Os rendimentos recebidos decorrentes de ganho de capital e renda


variável não estão sujeitos ao recolhimento através do carnê-leão e do mensalão
(Instrução Normativa SRF no 15, de 2001, arts. 21 e 25).

DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL

Está obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual o contribuinte, residente no Brasil,


que no último ano-calendário:
1. recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 15.764,28
tais como: rendimentos do trabalho assalariado, não-assalariado, proventos de
aposentadoria, pensões, aluguéis, atividade rural;
2. recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte,
cuja soma foi superior a R$ 40.000;
3. participou, em qualquer mês, no quadro societário de sociedade empresária ou
simples, inclusive inativa, como sócio ou acionista, ou de cooperativa, ou como titular
de empresa individual;
Atenção: Desde que não se enquadre em nenhuma das demais hipóteses de
obrigatoriedade, fica dispensada da apresentação da declaração a pessoa física
que teve participação em sociedade por ações de capital aberto ou cooperativa,
cujo valor de constituição ou de aquisição foi inferior a R$ 5.000,00.
4. realizou em qualquer mês do ano-calendário:
• alienação de bens ou direitos em que foi apurado ganho de capital, sujeito à
incidência do imposto (preencher o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de
Capital e Demonstrativo de Ganhos de Capital – Moeda Estrangeira); ou

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• operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas
(preencher o Demonstrativo de Apuração de Ganhos – Renda Variável);
5. teve a posse ou propriedade de bens ou direitos, em 31/12 do ano anterior, inclusive
terra nua, cujo valor total foi superior a R$ 80 mil;
6. passou à condição de residente no Brasil;
7. relativamente à atividade rural, com o preenchimento do Demonstrativo da Atividade
Rural:
• obteve receita bruta superior a R$ 78.821,40; ou
• pretenda compensar, no ano-calendário, resultado negativo (prejuízo) de
anos-calendário anteriores ou no ano-calendário corrente, ficando obrigada à
apresentação no modelo completo.
8. optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido
na venda de imóveis residenciais, cujo produto da venda seja destinado à aplicação na
aquisição de imóveis residenciais localizados no Brasil, no prazo de 180 dias, contados
da celebração do contrato de venda, nos temos do art. 39 da Lei 11.196, de novembro de
2005.

O contribuinte que se enquadrar em qualquer das situações anteriores e que tenha obtido
resultado positivo da atividade rural também deve preencher o Demonstrativo da Atividade
Rural.

B)  OPÇÕES DE DECLARAÇÃO


1- Declaração completa – Onde podem ser utilizadas todas as deduções legais, desde que
comprovadas.
2- Declaração simplificada – Na qual se utiliza o desconto de 20% dos rendimentos
tributáveis, limitado a R$ 11.669,72, em substituição a todas as deduções legais da
declaração completa, sem necessidade de comprovação. Qualquer contribuinte pode
optar pela declaração simplificada.
Contudo, o contribuinte deve entregar a declaração no modelo completo, se desejar:
• compensar imposto pago no exterior, ou
• compensar, no ano-calendário ou posteriores, resultados negativos (prejuízos)
da atividade rural de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário,
sendo vedada, neste caso, a apresentação da declaração em formulário.

FAZENDA LEGAL | Tributário 11


A pessoa física que explora atividade rural, após realizar a escrituração do livro caixa – se
obrigatório – deve importar o resultado líquido para o Demonstrativo de Atividade Rural.

C)  FORMAS DE DECLARAR


1- Declaração por meio de formulário impresso – O contribuinte pode preencher sua
declaração em formulário próprio.
Atenção: É vedada a apresentação da declaração em formulário pela pessoa física
que se enquadre em, pelo menos, uma das seguintes situações:
• recebeu rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual na declaração, cuja
soma foi superior a R$ 100.000,00;
• recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na
fonte, cuja soma foi superior a R$ 100.000,00;
• recebeu de pessoas físicas ou do exterior rendimentos tributáveis na declaração;
• incluiu dependentes na declaração que tenham recebidos quaisquer rendimentos,
tributáveis ou não, de pessoas físicas ou jurídicas ou do exterior;
• incorreu em uma das hipóteses previstas nos itens 3, 6, 7 e 8 de
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO;
• obteve resultado positivo da atividade rural;
• pretenda beneficiar-se da dedução de livro Caixa;
• pretenda beneficiar-se da dedução de contribuição patronal paga à Previdência
Social, na condição de empregador doméstico;
• efetuou doações a partidos políticos, comitês financeiros e candidatos a cargos
eletivos, cujas informações a serem prestadas na declaração ultrapassem o
número de linhas disponibilizadas nos respectivos quadros dos formulários.
2- Declaração por meio eletrônico – A Declaração de Ajuste Anual pode ser elaborada
com o uso de computador mediante a utilização do programa IRPF, ou pelo
sistema on-line, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. O programa IRPF
para preenchimento da declaração observa os limites legais das deduções, apura
automaticamente o imposto a pagar ou a restituir e informa ao contribuinte a opção
de declaração, completa ou simplificada, que lhe é mais favorável.

É também obrigatória a apresentação, com o uso de computador, por meio do PGD


de declaração:

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• original, após vencimento da data da entrega;
• retificadora, a qualquer tempo;
• relativa à espólio.

D)  RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL COMO BASE TRIBUTÁVEL NA DECLARAÇÃO


ANUAL

O legislador utilizou, para definir como base tributável da atividade rural na Declaração de
Ajuste Anual, o resultado positivo, assim entendido o lucro, o ganho, apurado pela pessoa
física na atividade rural, no ano-calendário.

Resultado, na linguagem comercial, é o lucro, o provento ou o ganho obtido em um negócio.


Sua determinação depende de apuração periódica, que pode ser favorável, quando há lucro,
ou desfavorável, quando se verifica prejuízo.

A apuração do resultado nada mais é do que o cotejo entre as receitas e as despesas de


determinada atividade ao longo de um período determinado.

Sendo assim, o somatório das receitas obtidas ao longo do período de apuração é o ponto de
partida para o preenchimento da Declaração.

E)  ATIVIDADES CONSIDERADAS DE NATUREZA RURAL

O art. 2o da Lei no 8.023/90 conceitua atividade rural, mantendo critérios vigentes de longa
data. Esse dispositivo está contemplado no art. 58 do Regulamento do Imposto de Renda de
1999 (aprovado pelo Decreto no 3.000 de 26/3/1999).

Considera-se atividade rural:


• a agricultura;
• a pecuária;
• a extração e a exploração vegetal e animal;
• a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura,
piscicultura e outras culturas animais;
• a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas
a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou
criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais,
utilizando exclusivamente matéria-prima produzida na área rural explorada, tais como

FAZENDA LEGAL | Tributário 13


a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja,
acondicionados em embalagem de apresentação;
• o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou
industrialização.

A Instrução Normativa SRF no 17/96, consolidou algumas atividades consideradas rurais.


Essas definições decorreram de manifestações, por meio de atos normativos ou decisões
proferidas pela Receita Federal, órgão que administra o tributo, e pelos Acórdãos do Conselho
de Contribuintes do Ministério da Fazenda.

Exemplos:
• beneficiamento de produtos agrícolas – descasque de arroz e de outros produtos
semelhantes; debulha de milho; conserva de frutas;
• transformação de produtos agrícolas – moagem de trigo e de milho; moagem de cana-
de-açúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura; grãos em farinha ou
farelo;
• transformação de produtos zootécnicos – produção de mel acondicionado em
embalagem de apresentação; laticínio (pasteurização e acondicionamento do leite;
transformação do leite em queijo, manteiga e requeijão); produção de suco de laranja
acondicionado em embalagem de apresentação; produção de adubos orgânicos;
• transformação de produtos florestais – produção de carvão vegetal; produção de lenha
com árvores da propriedade rural; venda de pinheiros e madeira de árvores plantadas
na propriedade rural;
• venda de sêmen de reprodutor e produção de embriões de rebanho em geral, alevinos
e girinos em propriedade rural, independentemente de sua destinação (reprodução
ou comercialização).

Não são consideradas atividade rural

A transformação de produtos agrícolas e pecuários não abrange produtos típicos do


setor secundário da economia, ainda que obtidos com matéria-prima exclusivamente da
propriedade rural.

Os atos normativos citados definiram algumas atividades como não sendo de natureza rural
para fins de Imposto de Renda, destacando-se:

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• a industrialização de produtos tais como bebidas alcoólicas em geral, óleos essenciais,
arroz beneficiado em máquinas industriais, fabricação de vinho com uvas e frutas;
• a comercialização de produtos rurais de terceiros e a compra e venda de rebanho com
permanência em poder do contribuinte em prazo inferior a 52 dias, quando em regime
de confinamento, ou 138 dias, nos demais casos;
• o beneficiamento ou a industrialização de pescado in natura;
• o ganho auferido por proprietário de rebanho, entregue mediante contrato por escrito
à outra parte contratante (simples possuidora do rebanho), para o fim específico de
procriação, ainda que o rendimento seja predeterminado em número de animais;
• as receitas provenientes do aluguel ou arrendamento de máquinas, equipamentos
agrícolas e pastagens e da prestação de serviços de transportes de produtos de
terceiros;
• as receitas decorrentes da venda de recursos minerais extraídos da propriedade rural,
tais como metal nobre, pedras preciosas, areia, aterro, pedreiras;
• as receitas de vendas de produtos agropecuários recebidos em herança ou doação
quando o herdeiro ou donatário não explore atividade rural;
• as receitas financeiras de aplicações de recursos no período compreendido entre dois
ciclos de produção;
• os valores dos prêmios ganhos a qualquer título pelos animais que participarem em
concursos, competições, feiras e exposições;
• os prêmios recebidos de entidades promotoras de competições hípicas pelos
proprietários, criadores e profissionais do turfe.

F)  CONTRATOS AGRÁRIOS

Disciplinarão a estrutura de produção quanto à propriedade da terra para obtenção das


receitas na atividade rural, pois obedecem a normas obrigatórias e imperativas, tendo em
vista o interesse coletivo.

Além disso, dependendo do tipo de contrato são também geradores de rendimentos para
os proprietários o que implica a incidência de Imposto de Renda, conforme a situação
individual.

Contrato agrário é o ato jurídico resultante do acordo de duas ou mais vontades, tendo por
objeto o uso ou posse temporária da terra, para exercer a atividade agrária.

FAZENDA LEGAL | Tributário 15


São partes em tal relação jurídica: de um lado, o proprietário ou a pessoa que detenha a posse
ou tenha a livre administração de um imóvel rural; do outro, aquele que exerça qualquer
atividade agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista (Lei no 4.504/64, art. 92; Lei no
4.947/66, art. 13; e Decreto no 59.566/66, art. 1o).

Características dos contratos agrários

São regidos pela supremacia da ordem jurídica, que se funda na intervenção do Estado na
liberdade de contratar com o fim de diminuir as dificuldades econômicas entre as partes
contratantes.

Liberdade formal, uma vez que admite expressamente a validade do contrato quer seja ele
tácito ou expresso (art. 92 do Estatuto da Terra), quer seja ele escrito ou verbal (art. 11 do
Decreto nº 59.566/66).

O quadro a seguir apresenta as principais modalidades de contratos agrários e a respectiva


incidência tributária.

Contratos agrários

Arrendamento Juridicamente, expressa o Arrendador-cedente O arrendador


Subarrenda- contrato pelo qual a pessoa, Carnê-leão ou recebe do
mento senhora de um imóvel, Imposto de Renda arrendatário uma
Art. 95 da transpassa e assegura a outrem, retido na fonte retribuição certa ou
Lei no 4.504/64 mediante contribuição fixa e aluguel.
Art. 3o do prazo certo, o uso e o gozo do
Decreto mesmo. Carnê-leão ou
no 59.566/66 Imposto de Renda
retido na fonte

Comodato É o empréstimo gratuito de Comodante-cedente- O comodante


Arts. 579 -585 coisas não-fungíveis, perfaz-se emprestador nada recebe do
do Código Civil com a tradição do objeto, prazo comodatário.
definido, o uso e o gozo do Comodatário- São contratos
mesmo. beneficiário semelhantes
Demonstrativo da quanto à natureza
Atividade Rural jurídica, pois em
todos eles existe
Parceiros É o contrato agrário pelo qual Parceiro-outorgante- a cessão do uso O parceiro-
Art. 96 da uma pessoa se obriga a ceder à cedente e gozo do imóvel outorgante partilha
Lei no 4.504/64 outra, por tempo determinado Demonstrativo da rural à pessoa ou com o parceiro-
Art. 4 o do Decreto ou não, imóvel, com ou sem Atividade Rural conjunto familiar. outorgado os riscos,
no 59.566/66 benfeitorias ou animais para cria, A diferença está na frutos, produtos e
engorda, recria, invernagem, Parceiro-outorgado remuneração. os lucros havidos
extração de matérias-primas Demonstrativo da nas proporções
de origem animal, mediante Atividade Rural estipuladas no
partilha dos riscos de caso contrato.
fortuito ou de força maior do
empreendimento rural, e dos Demonstrativo
frutos, produtos ou lucros da Atividade Rural
havidos nas proporções que
estipularem, observados os
limites percentuais da lei (art. 96,
IV – Lei no 4.504/64).

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Arrendamento ou subarrendamento

É o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado
ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros
bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de exercer atividade de exploração
agrícola, pecuária, extrativa ou mista, mediante certa retribuição ou aluguel (art. 95 da Lei no
4.504/64, art. 3o do Decreto no 59.566/66).

Arrendatário

A pessoa ou conjunto familiar representado por seu chefe, que recebe o imóvel ou o toma
em aluguel.

Arrendador ou cedente

A pessoa que dá em arrendamento o imóvel rural: pode ser proprietário, usufrutuário ou


possuidor do imóvel, devendo encontrar-se na posse do imóvel rural e dos bens, a qualquer
título, tendo o direito de exploração e da destinação aos fins contratuais.

Parceria

Parceria é o contrato pelo qual uma pessoa cede à outra um prédio rústico, para que cultive,
ou lhe entregue animais, para que os crie e trate, partilhando os frutos ou lucros (prejuízos)
respectivos.

O conceito de parceria agrícola pressupõe quanto à modalidade de participação, que os


frutos sejam repartidos “na proporção que estipularem as partes”.

Uma das características mais importantes que se observa no contrato de parceria rural que
difere de outros tipos de contrato é que não existe subordinação de um parceiro a outro,
qual­quer que seja a forma, com total autonomia quanto aos deveres e responsabilidades de
cada um.

Os intervenientes ou partes, na parceria rural, chamam-se, respectivamente, parceiro-


outorgado e parceiro-outorgante.

FAZENDA LEGAL | Tributário 17


Parceiro-outorgado:

a pessoa ou o conjunto familiar, representado por seu chefe, que recebe os bens para os fins
próprios das modalidades de parceria.

Parceiro-outorgante:

é a pessoa cedente, proprietário ou não, que entrega os bens, onde partilha com o parceiro-
outorgado os riscos, frutos, produtos ou lucros havidos, nas proporções estipuladas em
contrato.

Principais diferenças entre contratos de arrendamento e de parceria

Arrendamento rural Parceria

O preço é certo; é ajustado entre o arrendador e Ao contrário, não existe um preço certo.
o arrendatário numa quantia fixa em dinheiro As parcerias dividem os frutos de acordo com o que foi
(é o aluguel da gleba de terra ou pasto). convencionado no contrato.

O proprietário (o arrendador) não participa dos O proprietário participa, junto com o parceiro-outorgado,
riscos do negócio. Apenas está alugando as terras ou dos riscos do negócio, pois há uma sociedade entre o
pastos. parceiro-proprietário e o parceiro agricultor, os dois
assumem os lucros ou prejuízos.

O proprietário cede o uso e gozo do imóvel rural O proprietário cede, unicamente, o uso e parte do
arrendado. O arrendatário pode tirar todo o gozo, pois os frutos e produtos colhidos no imóvel são
proveito, todo o lucro é seu, apenas paga o valor repartidos, de acordo com o que foi convencionado no
convencionado pelo arrendamento. contrato.

Limita-se a terras e pastos, isto é, aluguel de terras É mais ampla, podendo abranger a entrega de animais
para plantação ou pasto para engorda de gado para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de
(ou criação). matérias-primas de origem animal.

Exige remuneração certa, in natura ou em espécie, O lucro é sempre representado por uma quota ou
pagamento alto ou módico, pouco importa, mas percentual.
que será sempre entregue pelo arrendatário, O proprietário pode receber muito, pouco e até nada
independente de êxito ou malogro da exploração ou receber, porque seu ganho se vincula às vantagens
das safras. conseguidas pela outra parte.

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Comodato

Comodato é o contrato gratuito pelo qual uma das partes cede por empréstimo à outra
parte, para que use determinada coisa, pelo tempo e nas condições preestabelecidas (arts.
579 a 585 do Código Civil). É a expressão para designar o empréstimo gratuito para uso, ou
simplesmente o empréstimo do uso.

O contribuinte pessoa física, nessa modalidade contratual, que se dá gratuitamente, nada


tem a declarar como rendimentos para fins de Imposto de Renda.
Entretanto, cabe assinalar que a cessão de bens de uma pessoa jurídica ao sócio ou acionista,
gratuitamente, caracteriza distribuição disfarçada de lucro, para fins de Imposto de Renda.

Condomínio

Condomínio é o contrato de exploração de propriedade rural em comum, onde os co-pro-


prietários ou condôminos partilham os riscos, prejuízos, frutos e produtos na proporção da
parte que lhes cabe no condomínio.

G)  FORMA DE APURAÇÃO DO RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL

Resultado é o lucro, o provento ou o ganho obtido na atividade rural. A apuração tanto pode
ser favorável, quando há lucro, como desfavorável, quando se verifica prejuízo.

Se o resultado da atividade rural for positivo deverá integrar a base de rendimentos tributáveis
do contribuinte. Se negativo, poderá ser compensado em exercício posterior desde que
fundamentado em escrituração idônea e comprovável.

Livro caixa
O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do livro
caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais
valores que integram a atividade. Essa forma de apuração independe do tipo de atividade
rural explorada e do tamanho do imóvel rural. Os produtores que tiverem auferido receita
bruta anual superior a R$ 56.000,00 estão obrigados a escriturar livro caixa.

Prova documental
A prova documental é estruturada por documentos nos quais fiquem comprovados e
demonstrados os valores das receitas recebidas, das despesas de custeio e os investimentos

FAZENDA LEGAL | Tributário 19


pagos no ano-calendário. A pessoa física pode apurar o resultado da exploração da atividade
rural mediante prova documental, dispensando o livro caixa, se tiver auferido receitas brutas
anuais até o valor de R$ 56.000,00.

Escrituração contábil
A pessoa física pode apurar o resultado pela forma contábil. Nesse caso, deverá efetuar os
lançamentos em livros próprios de contabilidade, necessários para cada tipo de atividade
(diário, caixa, razão etc.), de acordo com as normas contábeis, comerciais e fiscais pertinentes
a cada um dos livros de registros. Ressalte-se que somente será escriturada a parte da receita,
da despesa de custeio e dos investimentos correspondente ao produtor rural na(s) unidade(s)
rural(is) explorada(s).

Escrituração do livro caixa


Consiste no assentamento das receitas, despesas de custeio, investimentos e demais valores
que integram o resultado da atividade rural no livro caixa, não contendo intervalos em
branco, nem entrelinhas, rasuras, raspaduras ou emendas.

Deverá ser comprovada a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no livro caixa,
mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a
data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto
não ocorrer a decadência ou prescrição.

O livro caixa independe de registro em órgão da Receita Federal ou em qualquer repartição


pública, deve ser numerado seqüencialmente e conter, no início e no encerramento,
anotações em forma de “Termos” que identifiquem o contribuinte e a finalidade do livro.

A Secretaria da Receita Federal faculta aos produtores rurais pessoa física um programa de
livro caixa composto por quatro fichas. Esta rotina encontra-se para download na página
da Secretaria da Receita Federal, e seus dados podem ser importados para a Declaração de
Ajuste Anual (Declan) do contribuinte que registre atividades rurais.

Arbitramento da base de cálculo


A falta da escrituração de livro caixa pelos produtores rurais com obrigatoriedade, implicará
no arbitramento da base de cálculo de 20% da receita bruta do ano-calendário. Esse valor
será o resultado tributável da atividade rural.

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H)  RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE RURAL

É constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas
como rurais, exploradas pelo próprio produtor-vendedor.

A receita bruta, decorrente da venda dos produtos, deverá ser comprovada por documentos
usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota
promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos
pelas fiscalizações estaduais.
Quando a receita bruta da atividade rural for decorrente da alienação de bens utilizados na
exploração da atividade rural, a pessoa física poderá comprovar com documentação hábil e
idônea, onde necessariamente conste o nome, o CPF ou o CNPJ e o endereço do adquirente
ou do beneficiário, bem como a data e o valor da operação em moeda corrente nacional.

Despesas de custeio e investimentos

Despesas de custeio são necessárias à percepção dos rendimentos da atividade rural e


à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza das atividades rurais
exercidas.

Considera-se investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros,


durante o ano-calendário (exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua),
para o desenvolvimento da atividade com fins de expansão da produção ou melhoria da
produtividade e que seja realizada com:
• benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos e reparos;
• culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais;
• aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas,
motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da
atividade rural;
• animais de trabalho, de produção e de engorda;
• serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando elevar a eficiência
do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural;
• insumos que contribuam destacadamente para a elevação da produtividade, tais como
reprodutores e matrizes, girinos e alevinos, sementes e mudas selecionadas, corretivos
do solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais;

FAZENDA LEGAL | Tributário 21


• atividades que visem especificamente à elevação socioeconômica do trabalhador
rural, tais como casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas,
educacionais e de saúde;
• estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade;
• instalação de aparelhagem de comunicação e de energia elétrica;
• bolsas para formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de
estabelecimentos e contabilistas.

Comprovação destas despesas

Elas serão comprovadas com documentos idôneos, tais como nota fiscal, fatura, recibo,
contrato de prestação de serviços, laudo de vistoria de órgão financiador e folha de
pagamento de empregados, identificando adequadamente a destinação dos recursos.

A nota fiscal simplificada e o cupom de máquina registradora, desde que identifiquem o


adquirente, são documentos hábeis para comprovar despesas efetuadas pelas pessoas
físicas na apuração do resultado da atividade rural.

I)  GANHOS DE CAPITAL

Para efeitos tributários, considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de
alienação do imóvel e o respectivo custo de aquisição.

operações sujeitas à apuração do ganho de capital

“I –  alienação, a qualquer título, de imóvel rural ou direitos a sua aquisição, cessão


ou promessa de cessão de direitos a sua aquisição, tais como as realizadas por
compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento,
doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de
direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.”
“II –  transferência de propriedade de imóvel rural e direitos à sua aquisição, por
sucessão, a herdeiros, meeiro, legatários ou donatários como adiantamento
da legítima, bem assim a cada cônjuge, na hipótese de dissolução da sociedade
conjugal ou da unidade familiar, quando o sucessor optar pela inclusão dos referidos
bens e direitos, na sua declaração de rendimentos, por valor superior àquele pelo
qual constavam da declaração do de cujus, do doador ou do cônjuge declarante,
antes da dissolução da sociedade conjugal ou da unidade familiar.”

22
J)  TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL

Incidência
O ganho de capital sujeita-se à incidência do Imposto de Renda, sob a forma de tributação
definitiva, na alíquota de 15%.

O cálculo e o pagamento do imposto devido sobre o ganho de capital na alienação da terra


nua e direitos à sua aquisição devem ser efetuados em separado dos demais rendimentos
tributáveis recebidos no mês, quaisquer que sejam.

O imposto incidente sobre ganhos de capital não é compensável na Declaração de Ajuste


Anual.

Não-incidência

Não incide o imposto sobre o ganho de capital decorrente de indenização do valor da terra
nua na desapropriação para fins de reforma agrária.

Neste caso, a parcela da indenização correspondente às benfeitorias será computada como


receita da atividade rural quando estas tiverem sido deduzidas como custo ou despesa.

IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA

Empresa rural

O Estatuto da Terra (Lei no 4.504/64, art. 4o, VI) define empresa rural como o
empreendimento de pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que explore econômica
e racionalmente imóvel rural, dentro de condições de rendimento econômico (...) da
região em que se situe e que explore área mínima agricultável do imóvel, segundo
padrões fixados, pública e previamente, pelo Poder Executivo. Para esse fim, equiparam-
se às áreas cultivadas as pastagens, as matas naturais e artificiais e as áreas ocupadas com
benfeitorias.

Com efeito, a definição de empresa rural reconhece como empresário “pessoa física ou
pessoa jurídica privada”, advindo daí um primeiro rol de agentes capazes de exercer a
iniciativa da empresa.

FAZENDA LEGAL | Tributário 23


Já a legislação tributária, quando regula o pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica
e da Contribuição Social sobre o Lucro das pessoas jurídicas, determina que aquelas que
exploram atividade rural pagarão esses tributos da mesma forma que as demais pessoas
jurídicas.

A empresa rural como sociedade mercantil

A distinção entre sociedade civil e sociedade comercial está no objeto social, e não na sua
forma ou na intenção das partes. Não é o comerciante quem se declara assim, mas quem faz
da mercancia profissão habitual. Da mesma forma, não é a sociedade mercantil aquela a que
os sócios dão o nome e a forma de sociedade comercial, mas, unicamente, aquela cujo objeto
é qualquer das atividades consideradas mercancia pela lei comercial.

Assim, se a atividade de produção de uma empresa industrial não é comercial, a venda de


seus produtos é, desde que a produção seja realizada com a finalidade de ser vendida.

Do mesmo modo, deve ser considerada comercial a venda feita pelo produtor rural de sua
colheita; se o plantio e a colheita, em si, não são comerciais, a venda dos produtos deve ser
admitida como tal, e, nesse caso, as relações decorrentes dessa venda devem ser consideradas
mercantis.

Pessoa jurídica rural


O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica rural será devido à medida que os rendimentos,
ganhos e lucros forem sendo auferidos.

São contribuintes do Imposto de Renda as pessoas jurídicas que exploram atividades rurais
e terão seus lucros apurados de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas
jurídicas, observadas as disposições específicas.

A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data da ocorrência


do fato gerador, é o lucro real, presumido ou arbitrado correspondente ao período de
apuração.
  

24
Obrigações tributárias exclusivas da pessoa jurídica rural
• Contribuição Social sobre o Lucro (CSL);
• Contribuição Cofins e PIS/Pasep.

Pessoa física x pessoa jurídica

Um questionamento comum entre os produtores rurais diz respeito ao tipo de inscrição que
ele deve manter junto a Secretaria da Receita Federal: pessoa física (CIC) ou pessoa jurídica
(CNPJ)?

Para terminar com esta dúvida, basta observar o número de impostos e contribuições que
cabe a cada um. Enquanto a pessoa física paga imposto sobre o resultado da atividade rural
(em média com alíquota de 15%, dependendo da situação do produtor), uma pessoa jurídica
que recolha sobre o lucro presumido, prática mais comum no Brasil, pode alcançar uma
alíquota de 25% (dependendo também de cada situação).

A pessoa jurídica além do imposto sobre a atividade principal possui obrigações tributárias
específicas como a CSL (alíquota de 12% da receita bruta menos deduções), Cofins (alíquota
de 7,6%) e PIS/Pasep (alíquota de 0,65% + 1% da folha de salários).

A contribuição para a Previdência Social do produtor rural pessoa física é de 2,2% de sua
receita bruta, cabendo à pessoa jurídica o mesmo percentual de contribuição.

Mas e se o produtor rural optar pela inscrição como microempresa ou empresa de pequeno
porte submetida ao regime do Simples (Lei no 9.317/96)? A opção pelo Simples depende de
convênios com a prefeitura e governo estadual. Além disso, dependerá do enquadramento:
microempresa (ME) ou empresa de pequeno porte (EPP) para determinação da alíquota do
imposto.

A condição de pessoa física é a menos onerosa para o produtor rural.

FAZENDA LEGAL | Tributário 25


26
3 ICMS - Imposto sobre
circulação de mercadorIAS
O ICMS (Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a
prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações)
incide sobre as operações com mercadorias e sobre a prestação de serviços de
transporte e comunicações, ainda que elas se iniciem no exterior. É contribuinte do
ICMS o produtor rural pessoa física ou jurídica, uma vez que realize venda de seus
produtos agropecuários cultivados em sua propriedade rural. Isso porque revela
capacidade contributiva, tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o
respectivo fato gerador, e realiza operações relativas à circulação de produtos.

A)  INSCRIÇÃO DO PRODUTOR RURAL

O produtor não equiparado a comerciante ou industrial deverá, antes do início de suas


atividades, inscrever-se no Cadastro Geral de Contribuintes do Estado do Rio de Janeiro
(Caderj). Os procedimentos detalhados para sua inscrição encontram-se na Resolução SEF
no 2.861 de 28/10/97.

Para efetuar a inscrição no Cadastro Pessoa Física – Contribuinte do CAD – ICMS você deverá
adquirir, em qualquer papelaria, um formulário de solicitação de inscrição, o Docad, cujo
preenchimento é auto-explicativo.

O pedido de inscrição no Cadastro Pessoa Física – Contribuinte exigirá, além do Docad, cópia
dos seguintes documentos:
• documento de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda–
CPF;
• documento de identidade; e
• comprovante de propriedade do imóvel onde o requerente exercerá sua atividade ou
de instrumento que autorize sua ocupação, devidamente acompanhado do título de
propriedade do imóvel.

FAZENDA LEGAL | Tributário 27


A inscrição deverá ser feita na repartição fiscal do município em que se localiza a sede da
propriedade ou, em sua falta, na repartição do município em que se localiza a maior parte
de sua área no estado.

B)  LOCAL DO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE

Lugar, construído ou não, onde o produtor agropecuário exerce a sua atividade, em


caráter permanente ou temporário, bem como o local onde se encontram armazenados ou
depositados os produtos-objetos de sua atividade, ainda que pertença a terceiros.

C)  RESPONSABILIDADE

De modo geral, a legislação concorda que, na medida do possível, os impostos devem ser
exigidos do contribuinte, afinal, é o realizador do fato imponível. É ele que deve figurar no
pólo passivo da obrigação tributária.

Em circunstância especial, porém, admite-se que a carga tributária seja suportada, num
primeiro momento, por terceira pessoa, juridicamente relacionada com o contribuinte: o
substituto tributário.

É notável na legislação pertinente que, na substituição tributária, o contribuinte que


originalmente ficaria no pólo passivo da relação jurídico-tributária, em virtude da aplicação
da regra geral, tem excluída sua responsabilidade pelo pagamento do imposto. Em seu lugar,
entra o substituto tributário, este sim o único responsável pelo cumprimento da obrigação
tributária.

Também cabe observar que, caso o substituto – que sempre será um contribuinte – deixe de
recolher o imposto devido na operação, o estado credor não poderá cobrar o débito desse
contribuinte substituído. A lei não lhe atribui nenhuma responsabilidade, nem subsidiária.

A doutrina distingue, relativamente ao ICMS, duas espécies de substituição tributária:

• Substituição tributária para trás

Nesse caso, o adquirente dos produtos agropecuários substitui o alienante, que se


encontra, na cadeia de operações relativas aos produtos, antes dele. Essa espécie de
substituição resulta no recolhimento do imposto após a ocorrência do fato gerador do
imposto.

28
O ICMS incide na saída dos produtos agropecuários do estabelecimento do produtor
com destino à cooperativa de que faça parte.

Entretanto, o responsável pelo pagamento do tributo é a cooperativa, a qual recolherá o


ICMS junto com o relativo às operações próprias, desde que o produtor e a cooperativa
estejam situados no mesmo estado.

• Substituição tributária para frente

Aqui ocorre o oposto. O alienante (anterior na cadeia) substitui o adquirente, posicionado


após aquele, daí a expressão “para frente”. Nessa hipótese, há a antecipação do
recolhimento do imposto antes da ocorrência do fato gerador. A substituição para
frente é permitida pelo §7o do art. 150 da Constituição Federal, em virtude da Emenda
Constitucional no 3/93.

D)  BASE DE CÁLCULO

É sobre a base de cálculo que se aplica alíquota do imposto, sendo matéria indispensável
para o cálculo do imposto devido.

Como regra geral, a base de cálculo do ICMS nas saídas de produtos agropecuários é o valor
da operação da qual decorrem.

FAZENDA LEGAL | Tributário 29


E)  PAUTA DE VALORES

Com a finalidade de simplificar a fiscalização e a arrecadação do imposto, o Estado poderá


adotar a pauta de valores, fixando periodicamente os valores mínimos que incidirão nas
operações, com determinadas espécies de produtos.

É importante frisar o seguinte aspecto: se o valor da operação for superior à pauta, será
adotado o valor superior; em caso contrário, será o valor da pauta.

Pauta com presunção relativa

Nada impede que a autoridade competente estabeleça, em caráter normativo, o valor de


determinados produtos para o fim de serem estes considerados na cobrança do ICMS, nos
casos de ausência, ou de inidoneidade do documento legalmente exigível, para expressar o
valor da operação, sobre a qual incide o imposto.

30
Pauta com ficção ou com presunção legal absoluta

Embora produzam, em princípio, o mesmo efeito prático, ficção e presunção legal absoluta
não se confundem, e a distinção eventualmente pode ser relevante.

Na presunção legal absoluta, a lei determina que se tenha como ocorrido, ou existente, fato
que provavelmente ocorreu ou existe. Apenas elimina, por questão de ordem prática, a
disputa em torno da prova, fazendo-a desnecessária. Há presunção legal quando a imposição
legal de verdade diz respeito a algo que provavelmente é verdade, enquanto a ficção legal
diz respeito à imposição de verdade de algo que, provavelmente ou com toda a certeza não
é.

F)  BASE DE CÁLCULO REDUZIDA

Como regra, a legislação do ICMS dos estados contempla a redução da base de cálculo do
imposto de determinados produtos agropecuários como medida de estímulo à produção.

Alguns estados também fazem uso da base de cálculo reduzida para determinados insumos
agropecuários como medida de redução do custo final do produto.

A Lei Estadual no 4.177 de 29/9/03 concedeu incentivos fiscais a diversos produtos


agropecuários através da redução da base de cálculo. Quando o valor da base de cálculo
for diverso do valor da operação, o contribuinte deve mencionar essa circunstância no
documento fiscal, indicando o dispositivo pertinente à legislação, bem como o valor sobre o
qual tiver sido calculado o imposto.

G)  ALÍQUOTAS DO ICMS

Alíquota é um termo matemático. Em direito tributário, o termo é geralmente usado para


designar a relação entre o valor do imposto e o valor tributado. As alíquotas podem ser: ad
valorem e específicas.

A alíquota expressa em percentual, que se aplica sobre um valor determinado pela base de
cálculo, é ad valorem. Nos impostos em geral as alíquotas são ad valorem.

A alíquota expressa em unidade de quantificação, como peso ou medida, é específica. Essa


espécie de alíquota é especialmente adequada, e necessariamente utilizada nos impostos in
natura, ou in labore, que não existem no atual sistema tributário brasileiro.

Pode-se concluir que a alíquota do ICMS é um percentual que, incidindo sobre a base de
cálculo, resulta o imposto devido.

FAZENDA LEGAL | Tributário 31


Alíquotas do ICMS no Estado do Rio de Janeiro – Como o ICMS tem caráter seletivo, em função
da essencialidade dos produtos, o estabelecimento das alíquotas obedece ao critério político
do legislador estadual, no que concerne às operações internas e à importação do exterior,
e do Senado Federal, no que concerne a operações interestaduais. No Estado do Rio de
Janeiro, até a Lei no 4.177 de 29/9/03 os produtos agropecuários sofriam a incidência de duas
alíquotas:
• 7% para os produtos que constam da cesta básica estadual conforme Convênio Confaz
no 128 de 1994 (Lei nº 2.429/95);
• 18% para os demais produtos.

Produtos que compõem a Cesta Básica no Estado do Rio de Janeiro

Item Mercadoria
1 feijão

2 arroz

3 açúcar refinado e cristal

4 leite líquido ou em pó

5 café torrado ou moído

6 sal de cozinha

7 gado, frango e galinha, bem como os produtos comestíveis resultantes de sua matança, em
estado natural, resfriado ou congelado

8 pão francês de até 200g

9 óleo de soja

10 farinha de mandioca

11 farinha de trigo, inclusive pré-mistura destinada exclusivamente à fabricação de pães

12 massa de macarrão desidratada

13 sardinha em lata

14 salsicha, lingüiça e mortadela

15 charque

16 pescado, exceto crustáceo, salmão, hadoque, bacalhau e moluscos, exceto mexilhão

17 alho

18 margarina vegetal, exceto creme vegetal, acondicionada em embalagem de até 500g

19 fubá de milho

32
Benefícios fiscais para o agronegócio no Estado do Rio de Janeiro (contidos na Lei no
4.177/03 e legislação complementar)

Com o objetivo de estimular a produção agropecuária do Estado do Rio de Janeiro, o governo


estadual editou a Lei no 4.177/03 introduzindo benefícios fiscais para diversas operações
internas do setor. De forma resumida, as operações previstas são:

Beneficiário Benefício fiscal


Empresas cujos projetos venham a ser aprovados Diversos mecanismos de presunção de crédito do
pela Comissão de Avaliação a que se refere o art. 13 ICMS para operações interestaduais e redução na
da Lei nº 4.177/03. base de cálculo estão dispostos nos quatro incisos.

Agroindústrias artesanais. • Redução na base de cálculo do ICMS em 100%.


• Crédito presumido de 7% para o adquirente
comerciante.

Operação interna com flores, plantas, produtos • Redução na base de cálculo do ICMS em 100%.
orgânicos e artesanais realizada por agroindústria
não classificada como “agroindústria artesanal”.

Operação interna com produtos agrícolas • Redução em 1/3 na base de cálculo do ICMS.
semiprocessados realizada por unidade industrial
estabelecida no Estado do Rio de Janeiro.

Operação com produtos de origem animal, É vedado a este contribuinte o aproveitamento


exceto produtos lácteos, realizada por produtor dos créditos do imposto relativo aos insumos por
rural e agroindústrias não enquadrados nos itens ele adquiridos.
anteriores.

Operação interna, cujo destinatário seja indústria • Redução em 100% na base de cálculo do ICMS.
de processamento de produtos agropecuários
localizada no Estado do Rio de Janeiro.

Operação interna, realizada por cooperativa • Redução em 1/3 na base de cálculo do ICMS.
agropecuária, com mercadoria industrializada pela
mesma cooperativa.

A agroindústria artesanal foi a novidade implementada por esta legislação, sendo definida
como aquela que emprega até 20 empregados e apresenta faturamento bruto anual de até
110 mil UFIR-RJ.

FAZENDA LEGAL | Tributário 33


Diferimento do ICMS

Com o objetivo de facilitar a arrecadação do ICMS, a legislação tributária prevê o diferimento,


ou seja, o estado permite que o tributo devido em relação a uma operação seja recolhido em
etapa posterior.

Nas operações internas realizadas no Estado do Rio de Janeiro é dado um tratamento


especial às cooperativas de produtores, quanto ao recolhimento do ICMS, que só se verifica
na saída dos produtos da cooperativa para venda a terceiros. São também amparadas pelo
diferimento do ICMS:
• a saída de produtos agropecuários de produção própria, promovida por produtor
agropecuário para estabelecimento de cooperativa de que faça parte no mesmo
estado;
• a saída de produtos agropecuários de estabelecimento de cooperativa para
estabelecimento de outra cooperativa, de cooperativa central ou de federação de
cooperativas de que a cooperativa de produção remetente faça parte.

OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DO PRODUTOR RURAL

Nota fiscal de produtor

Toda vez que ocorre saída do estabelecimento produtor ou comercial de produtos ou


mercadorias é obrigatória a emissão da nota fiscal, documento impresso conforme modelo
disposto no Regulamento do ICMS do Estado do Rio de Janeiro, Livro VI, seção IV.

O Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico-Fiscais (Sinief) aprovou o Ajuste


no 09/97, normatizando a confecção da nota fiscal de produtor na seção II dos arts. 18 a 62,
procedimento convalidado pela Secretaria de Estado de Receita.

A seção V do convênio Sinief s/no, de 15/12/1970, trata da nota fiscal de produtor,


documento exigido pelo órgão de fiscalização estadual das pessoas físicas e jurídicas que
exploram a atividade rural, e que promovem saídas de produtos agropecuários de seus
estabelecimentos.

34
Hipóteses de emissão de nota fiscal de produtor

O estabelecimento de produtor agropecuário emitirá nota fiscal de produtor, modelo 4:


• sempre que promover a saída de mercadoria;
• na transmissão de propriedade de mercadoria;
• sempre que no estabelecimento entrarem mercadorias ou bens, real ou
simbolicamente;
• em outras hipóteses previstas na legislação tributária.

Obs: Sem prejuízo de outras hipóteses definidas em ato do Secretário de Estado de


Fazenda e Controle Geral, fica dispensada a emissão de nota fiscal de produtor
no transporte manual do produto primário da agricultura e da criação, excluída a
condução de rebanho.

Confecção, indicações e modelo

Todo contribuinte inscrito no Cadastro do ICMS (CAD-ICMS) tem o direito de solicitar a


confecção de documentos fiscais para dar amparo às suas operações.

Os documentos fiscais usuais, além dos aprovados por regime especial, somente podem ser
impressos mediante prévia autorização da repartição fiscal de circunscrição do contribuinte
requerente, mediante o preenchimento do formulário Autorização para Impressão de
Documentos Fiscais (AIDF).

A AIDF deve ser pedida com:


• layout, em três vias, do documento a ser impresso;
• comprovante de pagamento da taxa de serviços estaduais.

O documento fiscal deve ser numerado, por espécie, em todas as vias (no caso da nota
do produtor são quatro vias), em ordem crescente de 1 a 999.999, e enfeixados em blocos
uniformes de 20, no mínimo, ou de 50, no máximo.

O prazo de utilização da nota de produtor modelo 4, contado da data do deferimento da


AIDF é de 48 meses (RICMS livro VI, seção IX). A data-limite para emissão do documento fiscal
deverá estar impressa tipograficamente em todas as vias.

FAZENDA LEGAL | Tributário 35


Os documentos fiscais não podem conter emenda ou rasura, e serão emitidos por decalque a
carbono, em papel carbonado ou autocopiativo, devendo ser preenchidos datilograficamente
ou manuscritos a tinta, ou por sistema eletrônico de processamento de dados, ou por
equipamento de controle fiscal, com seus dizeres e indicações legíveis, em todas as vias.

Quando o documento fiscal for cancelado, conservar-se-ão no talonário, no formulário


contínuo ou nos jogos soltos, todas as suas vias, com declaração do motivo que houver
determinado o cancelamento, e referência, se for o caso, ao novo documento emitido.

O motivo do cancelamento do documento fiscal será anotado, também, no livro fiscal


próprio, na coluna “Observações”.

Não pode ser cancelado o documento fiscal que tiver sido escriturado no livro fiscal próprio,
ou que tiver dado trânsito à mercadoria.

Destinação das vias


A nota fiscal de produtor será emitida, no mínimo, em três vias ou, em se tratando de remessa
para outra unidade da Federação ou saída para o exterior, no mínimo, em quatro vias.

A destinação das vias, segundo o livro VI, art. 33, §2o do RICMS, é a seguinte:
1a via acompanhará a mercadoria e será entregue, pelo transportador, ao destinatário;
2a via ficará em poder do emitente, presa ao bloco ou, no caso de formulário contínuo
ou jogo solto, arquivada conforme dispuser a legislação específica, para controle
do Fisco;
3a via - nas operações internas: acompanhará a mercadoria e será entregue, pelo
transportador, ao destinatário, podendo o Fisco deste estado retê-la, visando
a 1a via, se interceptar a mercadoria correspondente em sua movimentação, ou
ainda arrecadá-la, se já em poder do destinatário, devendo ser conservada até
a escrituração do documento;
- nas operações interestaduais acompanhará a mercadoria para fins de controle
do Fisco na unidade da Federação de destino;
- nas saídas para o exterior em que o embarque se processar em outra unidade
da Federação: acompanhará a mercadoria para ser entregue ao Fisco estadual
do local de embarque;

36
4a via - nas operações internas, salvo disposição em contrário, fica dispensada sua
emissão;
- nas operações interestaduais e nas saídas para o exterior em que o embarque
se processar em outra unidade da Federação, acompanhará a mercadoria no
seu transporte, destinando-se ao controle do Fisco deste estado, que poderá
retê-la, visando a 1a via, se interceptar a mercadoria correspondente em sua
movimentação.

Declaração Anual para o IPM – Declan-IPM

Documento destinado a apurar o Valor Adicionado a ser utilizado no cálculo dos Índices de
Participação dos Municípios no Produto da Arrecadação do ICMS, nos termos do art. 3o da Lei
Complementar Federal no 63/90.

Anualmente, são calculados e publicados no Diário Oficial do Estado os Índices Provisórios


de Participação dos Municípios, que podem ser contestados, pelos municípios, no prazo de
30 dias após a sua publicação.

Concluída a análise dos recursos apresentados, são calculados e publicados os Índices


Definitivos de Participação dos Municípios, os quais são aplicados sobre o total de 25%
da arrecadação do ICMS do estado, para a distribuição prevista no inciso IV do art. 158 da
Constituição Federal de 1988.

O Índice de Participação dos Municípios (IPM) é calculado, para cada município, na proporção
de 3/4 em função do Valor Adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e
nas prestações de serviços realizadas em seu território, conforme apurado através da Declan-
IPM, e de 1/4, em função de critérios definidos na Lei Estadual no 2.664/96 e na Lei Estadual
nº 5.100/2007. A Declan-IPM informará os valores das mercadorias saídas, acrescido do valor
das prestações de serviços, no território do contribuinte, deduzido o valor das mercadorias
entradas, em cada ano civil, correspondendo, o resultado, ao Valor Adicionado.

FAZENDA LEGAL | Tributário 37


38
TRANSFERÊNCIA E UTILIZAÇÃO DE SALDO CREDOR DE ICMS
(Decreto nº 40.625 de 28/02/2007 e Resolução SEFAZ n.º 021/2007,
em substituição ao Decreto No. 38.233 de 14/09/2005)

Em benefício da cadeia produtiva leiteira fluminense, estabelecimentos industriais, produtores,


cooperativas e associações de produtores de laticínios poderão transferir os saldos credores do
ICMS, regularmente acumulados e devidamente reconhecidos e homologados pela Secretaria
de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro, para outro contribuinte estabelecido no território
fluminense, mediante pagamento em espécie.

Os saldos credores poderão ser utilizados em no mínimo 12 parcelas iguais, mensais e


sucessivas, para compensação com débitos do ICMS e para pagamento de crédito tributário
do ICMS, ambos do próprio adquirente, desde que não inscrito em dívida ativa, inclusive o
espontaneamente denunciado.

Para o apoio à atividade produtiva leiteira fluminense, 50% do valor de compra do crédito
escriturado, em qualquer data, deverá ser depositado pelo adquirente à conta PROGRAMA DE
DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA LEITEIRA - PDPL, mantida junto ao Banco do Brasil.

VEDAÇÃO DA APROPRIAÇÃO DE CREDITO DE ICMS NAS ENTRADAS


DECORRENTES DE OPERAÇÕES INTERESTADUAIS
(Decreto nº 39.855 de 05 de setembro de 2006)

O crédito de ICMS correspondente às entradas de mercadorias a qualquer título, decorrentes


de operações interestaduais, para estabelecimentos que se beneficiem de incentivos fiscais
concedidos em desacordo com a legislação de regência do imposto, será admitido na mesma
proporção em que o imposto venha sendo efetivamente recolhido à unidade da Federação de
origem dos remetentes.

FAZENDA LEGAL | Tributário 39


40
ITR - Imposto sobre A
4 Propriedade Territorial Rural
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR incide inclusive sobre o imóvel
declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a
propriedade, exceto se houver imissão prévia da posse.

Fato gerador

Propriedade, domínio útil ou posse a qualquer título de imóvel rural localizado fora da zona
urbana do município, em 1o de janeiro de cada ano.

Imóvel rural

Área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizadas na zona rural do
município.

Imunidade

Por disposição constitucional, o ITR não incide sobre pequenas glebas rurais, quando
exploradas, só ou com sua família, pelo proprietário que não possua outro imóvel.

Pequenas glebas rurais são os imóveis com área igual ou inferior a:


• 100ha, se localizado em município compreendido na Amazônia Ocidental ou no
Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense;
• 50ha, se localizado em município compreendido no Polígono das Secas ou na Amazônia
Oriental;
• 30ha, se localizado em qualquer outro município.

Isenção

São isentos do imposto, de acordo com o art. 3o da Lei no 9.393/96:

FAZENDA LEGAL | Tributário 41


1. O imóvel rural compreendido em programa oficial de reforma agrária, caracterizado
pelas autoridades competentes como assentamento, que, cumulativamente, atenda aos
seguintes requisitos:
• seja explorado por associação ou cooperativa de produção;
• a fração ideal por família assentada não ultrapasse os limites estabelecidos para as
pequenas glebas rurais;
• o assentado não possua outro imóvel rural ou urbano;
2. O conjunto de imóveis rurais de um mesmo proprietário, cuja área total observe
os limites fixados para as pequenas glebas rurais, desde que, cumulativamente, o
proprietário:
• o explore só ou com sua família, admitida ajuda eventual de terceiros;
• não possua imóvel urbano.

Ajuda eventual de terceiros é o trabalho, remunerado ou não, de natureza eventual ou


temporária, realizado nas épocas de maiores serviços. Por exemplo, o auxílio de camponeses
em determinados tipos de colheitas, que exigem aumento de mão-de-obra. Sujeitam-se,
entretanto, ao pagamento do ITR os imóveis que tenham áreas exploradas em parceria ou
arrendamento.

CONTRIBUINTE

Proprietário

Quem tem o direito de propriedade sobre determinada coisa, móvel ou imóvel. É o titular
desse direito.

Titular do domínio útil

Aquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento.

Enfiteuse ou aforamento

É o contrato pelo qual o proprietário ou senhorio de um imóvel atribui a outrem o seu domínio
útil, mediante o pagamento de uma pensão, ou foro anual, certa e invariável, para que o
senhorio útil possua e desfrute como próprio o mesmo imóvel.

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Possuidor por usufruto

Ou seja, o usufrutuário, é a pessoa em beneficio de quem se estabelece o usufruto. O


usufrutuário pode usar os bens dados em usufruto, perceber os frutos que produzam e gozar
dos objetos sobre que o usufruto se estabelece como se fora o proprietário.

Possuidor a qualquer título

Aquele que tem a posse do imóvel:


• com justo título e boa-fé;
• sem oposição, independentemente de justo título e boa-fé;
• por ocupação autorizada, ou não, pelo poder público;
• por promessa ou compromisso particular de compra e venda.

Nota: Não se considera contribuinte do ITR o parceiro ou arrendatário de imóvel explorado


por contrato de parceria ou arrendamento.

Responsável

É responsável pelo crédito tributário o sucessor, a qualquer título, nos termos dos arts. 130 a
132 da Lei no 5.172, de 25/10/1966 (CTN).

Declaração do ITR

Os contribuintes do ITR estão obrigados a apresentar, anualmente, a Declaração do Imposto


sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR).

A DITR compõe-se de dois documentos: o Documento de Informação e Atualização Cadastral


(DIAC) e o Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT).

Deve ser apresentada uma declaração do ITR para cada imóvel rural que o contribuinte
possuir.

Em relação ao imóvel rural pertencente a espólio, esse deve ser declarado pelo inventariante
e, se este ainda não tiver sido nomeado, a declaração deve ser apresentada por seu sucessor
natural.

FAZENDA LEGAL | Tributário 43


Não é exigida anexação de qualquer documento à DITR. O contribuinte deve guardar em seu
poder os documentos utilizados no preenchimento da declaração, visto que a Secretaria da
Receita Federal poderá solicitar a comprovação dos dados declarados durante 5 anos.

O imóvel rural que for titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deverá ser
declarado apenas por um dos titulares, na condição de condômino declarante. Se nenhum
dos condôminos apresentar a DITR, poderá ser exigido o crédito tributário de qualquer um
deles.

MEIOS DISPONÍVEIS PARA DECLARAR

• Formulário impresso com quatro páginas;


• Meio eletrônico: a declaração pode ser preenchida com uso de computador, mediante
a utilização do programa gerador da declaração do ITR.

Documento de Informação e Atualização Cadastral (DIAC)

Os contribuintes do ITR, inclusive os isentos e imunes, estão obrigados a cadastrar seus


imóveis rurais junto a unidade local da Secretaria da Receita Federal, por meio do Documento
de Informação e Atualização Cadastral do ITR (DIAC).

Ele destina-se a coletar informações cadastrais dos imóveis rurais e seus proprietários, bem
como qualquer alteração ocorrida.

É obrigatória, no prazo de sessenta dias, contado de sua ocorrência, a comunicação das


seguintes alterações:
• demembramento;
• anexação;
• transmissão, por alienação da propriedade ou dos direitos a ela inerentes, a qualquer
título;
• sucessão causa mortis;
• cessão de direitos;
• constituição de reservas ou usufruto.

A comunicação deverá ser realizada através dos formulários próprios, Cafir - Diac
Cancelamento, Cafir - Diac Comunicação de Alienação e Facir - Formulário de Atualização

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Cadastral do Imóvel Rural, disponibilizados pela Receita no site www.receita.fazenda.gov.
br/GuiaContribuinte/Formularios.htm.

A inscrição do imóvel rural no Cafir, e os efeitos decorrentes, não geram qualquer direito ao
proprietário, ao titular do domínio útil e ao possuidor a qualquer título.

Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT)

Destina-se à apuração do ITR para imóveis com imposto a pagar.

Nessa declaração, devem constar o Valor da Terra Nua (VTN) e as demais informações
necessárias à apuração do valor do imposto correspondente ao imóvel.

O Valor da Terra Nua deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1o de janeiro
do ano a que se referir a DITR, e será considerado auto-avaliação da terra nua a preço de
mercado.

O Valor da Terra Nua declarado servirá de base para:


• o depósito judicial na hipótese de desapropriação do imóvel para fins de reforma
agrária;
• a penhora ou arresto na lavratura do termo ou auto de penhora, na hipótese de
execução de dívida ativa;
• a apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do Imposto de Renda.

Apuração e pagamento do ITR

A apuração e o pagamento do ITR são efetuados pelo contribuinte, nos prazos e condições
estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se à homologação posterior

O valor do imposto será apurado de acordo com a declaração do proprietário, aplicando-se


sobre o Valor da Terra Nua Tributável (VTNT) a alíquota correspondente, prevista no Anexo
da Lei no 9.393 de 1996, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização (GU).
Quanto maior for o nível de utilização da terra, menor será a alíquota devida e, portanto, o
imposto a ser pago.

FAZENDA LEGAL | Tributário 45


Entrega da DITR fora do prazo

A entrega da DITR fora do prazo estabelecido sujeita o contribuinte à multa de:


• 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50, sem prejuízo da
multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou
quota, tratando-se de imóveis sujeitos à apuração do ITR;
• R$ 50, nos casos de imóveis imunes ou isentos do ITR.

Essa multa será objeto de lançamento.

Procedimentos de ofício

No caso de falta de entrega da DITR, bem como de subavaliação ou prestação de informações


inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação
e ao lançamento de ofício do imposto, considerando as informações sobre preços de terras
constantes de seu cadastro e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do
imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.
As multas cobradas em virtude do lançamento de ofício são as aplicáveis aos demais tributos
federais, ou seja:
• 75%, nos casos de falta de declaração e nos de declaração inexata;
• 150%, nos casos de evidente intuito de fraude.

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5 CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL
CSR - Contribuição Sindical Rural, é devida por todos aqueles que participam de
determinada categoria econômica ou profis­sional, ou ainda de profissão liberal, em
favor da mesma categoria ou profissão (arts. 578 a 591 da Consolidação das Leis do
Trabalho).
É livre a associação profissional ou sindical, com criação independente de autorização
estatal, sendo expressamente vedada a interferência e a intervenção do poder público,
nos termos do art. 5o, inciso XVIII, e 8o caput e inciso I da Constituição Federal.
Tem caráter tributário, de exigência compulsória, independentemente de o
contribuinte ser ou não filiado a sindicato, nos termos do dispositivo constitucional
previsto no art. 149.

CONTRIBUINTES

A Contribuição Sindical do Empresário ou Empregador Rural é devida por todos os produtores


rurais pessoas físicas ou jurídicas, que explorem atividades econômicas rurais, observado o
seguinte:
• a pessoa física ou jurídica que, tendo empregado, empreende, a qualquer título,
atividade econômica rural;
• proprietário ou não que mesmo sem empregado, em regime de economia familiar,
explore imóvel rural que absorva toda força de trabalho e lhe garanta subsistência e
progresso social e econômico em área superior a dois módulos da respectiva região;
• os proprietários de mais de um imóvel rural, desde que a soma de suas áreas seja
superior a dois módulos rurais da respectiva região.

COMPETÊNCIA PARA ADMINISTRAR A CONTRIBUIÇÃO

Com o advento da Lei no 8.020, de 12/4/1990, foi transferida para a Secretaria da Receita
Federal a competência de administração das receitas arrecadadas pelo Incra, e para a
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a competência para a apuração, inscrição e cobrança
da respectiva dívida ativa.

FAZENDA LEGAL | Tributário 47


A competência transferida à Secretaria da Receita Federal compreendia as atividades de
tributação, arrecadação, fiscalização e cadastramento rural.

A partir do exercício de 1997, por força do disposto no art. 24 da Lei no 8.847/94, a competência
para administrar o processo de lançamento, arrecadação e controle da Contribuição Sindical
do Empregador Rural passou a ser exercida pelo sistema sindical rural – confederação,
federações e sindicatos de produtores rurais, coordenada em todo o país pela Confederação
da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO

Determinada em relação a todos os imóveis rurais pertencentes a pessoa física e jurídica.

Pessoa física

O Valor da Terra Nua Tributável (VTNT) da propriedade. Essa base de cálculo corresponde à
soma do VTNT de todos os seus imóveis rurais no país.

Pessoa jurídica

O valor da Parcela do Capital Social (PCS) atribuída ao imóvel rural. Essa base de cálculo
corresponde à soma das parcelas do capital social da pessoa jurídica.

ALÍQUOTAS

São decrescentes em função do Valor da Terra Nua tributável (VTNT – pessoa física) ou da
Parcela do Capital Social (PCS – pessoa jurídica), variando entre 0,8% e 0,02%. Aplicada
sobre a base de cálculo da contribuição mais a parcela adicional, resultará o valor a ser
recolhido como Contribuição Sindical Rural. Os valores mínimo e máximo da contribuição
são estabelecidos por exercício.

Parceiros e arrendatários

Estão obrigados ao pagamento da Contribuição Sindical Rural os parceiros e arrendatários,


recolhendo-a em favor da respectiva entidade sindical, conforme se enquadrem nas
definições descritas nos incisos I e II, respectivamente, do art. 1o do Decreto-lei no 1.166/71.

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Pequeno proprietário

O pequeno proprietário, mesmo que titular de mais de um imóvel, cuja soma das áreas não
alcance dois módulos rurais, que não possua empregados, recolhe a contribuição sindical
(Contag), cobrada pela respectiva entidade sindical, na importância de 30% do maior valor
de referência vigente no país.

Vencimento

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) envia para o contribuinte uma guia
bancária, devidamente preenchida, com o valor devido da Contribuição Sindical Rural. O
contribuinte deve pagá-la até a data do vencimento, em qualquer agência bancária. Depois
dessa data, a contribuição deverá ser paga nas agências do Banco do Brasil S.A.

Pagamento

A Contribuição Sindical Rural não pode ser parcelada por força do art. 580 da CLT e será
recolhida, anualmente, de uma só vez.

Lançamento incorreto da contribuição

O contribuinte deverá procurar seu sindicato rural ou a federação da agricultura do estado


para formular o pedido de correção de informações, levando a documentação que comprove
a alteração pretendida – Certidão do Registro de Imóveis, cópia da Declaração do ITR, entre
outros.

Esse pedido de correção somente poderá ser solicitado dentro do prazo de vencimento da
contribuição.

Penalidades

As penalidades aplicáveis aos casos de não-pagamento da contribuição sindical estão


previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e são:
• pagamento com atraso – se o pagamento for feito após a data de vencimento, sofrerá
multa de 10% nos 30 primeiros dias, mais um adicional de 2% por mês subseqüente de
atraso; juros de mora de 1% ao mês;

FAZENDA LEGAL | Tributário 49


• não-pagamento da contribuição – o Sistema Sindical Rural promoverá a cobrança
judicial.

Sem o comprovante de pagamento da Contribuição Sindical Rural, o produtor rural pessoa


física ou jurídica:
• não poderá participar de processo licitatório;
• não obterá registro ou licença para funcionamento ou renovação de atividades para
estabelecimentos agropecuários.

A não-observância desses procedimentos pode, inclusive, acarretar, de pleno direito, a


nulidade dos atos praticados.

CONTRIBUIÇÃO SENAR

A contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) tem por objetivo a


obtenção de recursos para desenvolver as atividades de formação profissional e promoção
social, por meio de cursos, aulas e treinamentos, garantindo ao homem do campo as bases
para sua prosperidade e ascensão social.

A contribuição Senar incidente sobre o imóvel rural está prevista no artigo 5º do Decreto-
lei nº 1.146/70, combinado com o art. 1º do Decreto nº 1.989/82. Não se confunde com a
contribuição mensal compulsória, recolhida à Previdência Social, que tem como base de
cálculo o valor bruto da comercialização da produção ou a folha de pagamento recolhida pelo
produtor rural pessoa física – segurado especial, produtor rural pessoa física – contribuinte
individual, produtor rural pessoa jurídica, agroindústria, prestador de mão-de-obra rural
– pessoa jurídica, sindicatos, federações e confederação patronal rural.

Contribuintes

A contribuição Senar é devida apenas pelos produtores que exercem atividades rurais em
imóvel sujeito ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).
Somente é lançada para os proprietários titulares de domínio útil ou possuidores, a qualquer
título, de imóveis rurais:
• com área entre 1 e até 3 módulos fiscais, que apresentem Grau de Utilização da Terra
(GUT-ITR) inferior a 30%;

50
• com área superior a 3 módulos fiscais e Grau de Utilização da Terra (GUT-ITR) inferior a
80% e GEE inferior a 100%.

Competência para administrar a contribuição

O Senar é administrado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e


dirigido por um colegiado que tem representantes do Poder Executivo, da Organização
das Cooperativas Brasileiras (OCB), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da
Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Base de cálculo da Contribuição Senar

O valor da Contribuição Senar corresponde ao percentual de 21% do Valor de Referência


Regional (VRR), calculado para cada módulo fiscal atribuído ao imóvel, de acordo com o
disposto no art. 1o do Decreto-lei no 1.989/92.

O módulo fiscal, utilizado para o cálculo da Contribuição Senar, é fixado pelo Incra, por
município, com base nos critérios estabelecidos no art. 4o do Decreto no 84.685/80.

Módulo Fiscal

Significa unidade de medida expressa em hectares, fixada para cada município, considerando
os seguintes fatores:
• tipo de exploração predominante no município;
• renda obtida com a exploração predominante;
• outras explorações existentes no município que, embora não predominantes, sejam
signi­ficativas em função da renda da área utilizada; e
• conceito de propriedade familiar.

Pagamento

A contribuição Senar será recolhida com a Contribuição Sindical Rural, anualmente, de uma
só vez.

FAZENDA LEGAL | Tributário 51


BIBLIOGRAFIA
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revista e atualizada. São Paulo. Editora Atlas, 2002.

ANCELES, Pedro Einstein dos Santos. Tributação da renda e do patrimônio rural. ESAF
– Escola de Administração Fazendária. Distrito Federal, 1999.

CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO. Aprovado pela Lei nº 10.406, de 10/01/2002

CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Aprovado pela Lei nº 5.172, de 25/10/1966.

CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL. Cartilha da Contribuição


Sindical 2008.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL de 1988. Atualizada até a


Emenda Constitucional no 48 de 10/08/2005.

FRANÇA, Pedro Arruda. Contratos agrários. 3ª edição. Rio de Janeiro. Forense, 2000.

REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. Aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999.

RIO DE JANEIRO. Decreto nº 27.427/2000. Imposto sobre Operações Relativas á Circulação


de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e
Intermunicipal e de Comunicações (ICMS).

RIO DE JANEIRO. Resolução SEF nº 2.861/1997 (consolidada até a Resolução SER nº


178/2005) – Normatização do Cadastro de Contribuintes do ICMS do Estado do Rio
de Janeiro - CAD-ICMS (Resolução de Cadastro).

RIO DE JANEIRO. Instruções de Preenchimento da DECLAN – IPM (Disponibilizada pela


Portaria SUCIEF nº 003/2005).

SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Carga Tributária no Brasil 2000-2004 (Série Estudos


Tributários).

SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Imposto de Renda – Pessoa Física: Perguntas e


Respostas. Ministério da Fazenda, 2005.

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FAZENDA LEGAL | Tributário 53