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PROCESSO Nº TST-ARR-1523-05.2015.5.09.

0662

A C Ó R D Ã O
(8ª Turma)
GMMEA/mvs 

I – AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO


DE REVISTA INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA
LEI Nº 13.015/14 – NULIDADE DO
ACÓRDÃO REGIONAL POR NEGATIVA DE
PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ARGUMENTAÇÃO
INOVATÓRIA. ART. 896, "C", DA CLT.
Nega-se provimento ao agravo de
instrumento que não logra
desconstituir os fundamentos da
decisão que denegou seguimento ao
recurso de revista. Agravo de
instrumento a que se nega provimento.
II - RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO
SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.015/2014 -
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. EXTENSÃO AOS
APOSENTADOS ADMITIDOS ATÉ 31/12/1982.
DIREITO ADQUIRIDO. PREVISÃO NO TERMO
DE RELAÇÃO CONTRATUAL ATÍPICA. O
empregado da TELEPAR (atual OI S.A.)
admitido até 21/12/1982 faz jus,
independentemente da natureza
jurídica da parcela, à percepção do
auxílio-alimentação nas mesmas
condições dos empregados em
atividade, na medida em que
expressamente reconhecida no Termo de
Relação Contratual Atípica (TRCA) a
incorporação, ao seu patrimônio
jurídico, dos benefícios previstos no
ACT/1969. Recurso de revista de que
se conhece e a que se dá provimento.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de


Recurso de Revista com Agravo n° TST-ARR-1523-05.2015.5.09.0662,
tendo por Agravante e Recorrente NILCE NOVAES COUVE e Agravada e
Recorrida OI S.A.

O TRT da 9ª Região, pelo acórdão de fls. 537/557,


e-SIJ, deu parcial provimento ao recurso ordinário da reclamante
para afastar a prescrição total pronunciada, reconhecendo-se a
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MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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incidência apenas da prescrição quinquenal, estando prescritas


unicamente as pretensões exigíveis anteriormente a 08/10/2010.
Os embargos de declaração opostos às fls. 559/565,
e-SIJ, pela reclamante foram rejeitados mediante acórdão às fls.
570/579, e-SIJ.
A reclamante interpôs recurso de revista às fls.
581/602, e-SIJ, o qual foi parcialmente admitido pelo despacho de
fls. 605/611, e-SIJ, apenas quanto ao tema "auxílio-alimentação".
Inconformada, a reclamante interpôs agravo de
instrumento às fls. 613/619, e-SIJ, quanto ao tema não admitido no
despacho de admissibilidade do recurso de revista.
Contraminuta e contrarrazões respectivamente
apresentadas às fls. 642/645 e 620/634, e-SIJ.
Não houve remessa dos autos ao Ministério Público
do Trabalho, nos termos do Regimento Interno do TST.
É o relatório.

V O T O

I – AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA

1 – CONHECIMENTO

Preenchidos os pressupostos extrínsecos de


admissibilidade do recurso, dentre os quais a tempestividade às fls.
612 e 613; a representação processual às fls. 16; e o preparo
dispensado.

2 – MÉRITO

NULIDADE DO ACÓRDÃO REGIONAL POR NEGATIVA DE


PRESTAÇÃO JURISDICIONAL

O Regional denegou seguimento ao apelo com fulcro


no art. 896, "c", da CLT.
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A reclamante sustenta que o Regional deixou de


considerar que o direito vindicado (complementação de aposentadoria)
decorreria de cláusula contratual consignada no TRCA e anotada na
CTPS, que teria aderido ao seu contrato de trabalho, o que afastaria
a incidência da prescrição total, já que se trataria de
descumprimento do pactuado. Afirma que o não pagamento do auxílio-
alimentação é violação que se renova mensalmente, em razão do
descumprimento sucessivo de normas coletivas e regulamentares por
parte da própria reclamada, e não de ato único do empregador, não
havendo falar em alteração unilateral do pactuado, e, por
conseguinte, em incidência da prescrição total. Indica violação dos
arts. 93, IX, da Constituição Federal, 832 da CLT e 458, II, do
CPC/73.
Não tem razão, contudo.
De plano, constata-se que a argumentação contida
nas razões de agravo de instrumento, relativamente aos motivos pelos
quais a parte entende que houve a negativa de prestação
jurisdicional, é inovatória e diversa daquela contida nas razões do
recurso de revista.
No agravo de instrumento a parte traz argumentos
para desconstituir a eventual incidência de prescrição total sobre o
direito pleiteado. No recurso de revista, o viés apresentado à
preliminar é relativo a aspectos relacionados ao mérito da demanda.
Nesse contexto, não é possível verificar o
desacerto da decisão regional e a afronta aos dispositivos legais e
constitucionais indicados.
Nego provimento.

II - RECURSO DE REVISTA

Preenchidos os pressupostos extrínsecos de


admissibilidade do recurso, dentre os quais a tempestividade às fls.
580 e 581; a representação processual às fls. 16; e o preparo
dispensado.

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a) Conhecimento

AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. EXTENSÃO AOS APOSENTADOS


ADMITIDOS ATÉ 31/12/1982. DIREITO ADQUIRIDO. PREVISÃO NO TERMO DE
RELAÇÃO CONTRATUAL ATÍPICA

A reclamante sustenta que o termo aditivo ao ACT


de 1969, firmado em 1970, previu, em sua cláusula 3ª, § 4º, o
direito dos aposentados regidos pelo TRCA ao recebimento de todos os
benefícios pagos aos empregados da ativa e previstos no ACT vigente,
de modo a incluir também o auxílio-alimentação. Alega que o TRCA
estabeleceu o direito à aposentadoria e se integrou ao patrimônio
jurídico da trabalhadora, sendo que não houve restrição ao pagamento
apenas de verbas de natureza salarial aos aposentados e
pensionistas. Afirma que sua aposentadoria deve ser regida pelo TRCA
e não pelo que consta dos acordos coletivos subsequentes, já que
teria se aposentado em 1993. Indica afronta aos artigos 5º, XXXVI,
da Constituição Federal, 444, caput, 458 e 468, caput, da CLT, além
de contrariedade às Súmulas 51, I, 241 e 288, I, do TST e à OJ 413
da SbDI-1 do TST. Transcreve aresto para demonstrar o dissenso de
teses.
Tem razão.
O Regional, quanto ao tema, assentou os seguintes
fundamentos:

"Trata-se de pleito relativo ao pagamento dos valores referentes ao


Auxilio Alimentação (Tíquete Refeição) a serem adimplidos pela ré. A
autora pleiteia a condenação da reclamada ao pagamento dos valores
referentes ao Auxilio-Alimentação (Tíquete Refeição), mês a mês,
relativamente aos anos de 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015.
A reclamante aduziu na inicial que, de acordo com o termo aditivo ao
ACT/1969, firmado em 1970, a Telepar (atual Oi S.A.) e o então sindicato
obreiro estabeleceram o direito dos aposentados a um abono de
aposentadoria (cláusula 3º, §4º). Esclareceu que o §7º da mesma cláusula
dispôs que ao aposentado nas condições da referida cláusula seriam
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assegurados, também, os benefícios previstos no acordo coletivo de


trabalho vigente, sendo que "todos os demais termos aditivos e Acordos
Coletivos, incluindo os vigentes para os anos em que a parte autora nesta
ação se aposentou mantiveram esta cláusula preservando assim os direitos
dos aposentados à percepção de todas as vantagens propiciadas aos
empregados da ativa, inclusive o Auxilio Alimentação" (fl. 4).
Em seguida, defendeu que por meio do ACT/87 foram consolidadas
todas as conquistas dos acordos e termos aditivos anteriores (cláusula 13º),
dispositivo que se repetiu em 1988, 1989 e 1990. Já no ano de 1991, "Para
sacramentar o direito em definitivo, [...] foi firmado e homologado o Termo
de Relação Contratual Atípica (TRCA, o conhecido 'carimbo' aposto na
CTPS), vigente desde 01.12.90, o qual mantinha as condições anteriores e
passou a constituir documento autônomo, registrado, de forma apartada,
em Cartório de Títulos e Documentos, disciplinando exclusivamente a
matéria da complementação de aposentadoria" (fl. 4). De acordo com o
TRCA, "A vantagem extensiva aos empregados da PRIMEIRA
ACORDANTE [TELEPAR] discriminadas na cláusula 16ª, do TERMO DE
ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, firmado em data de 15/12/89,
instituída, inicialmente, pelo TERMO DE ACORDO COLETIVO DE
TRABALHO de 26/06/70, alterado pelo TERMO DE ACORDO COLETIVO
DE TRABALHO datado de 31/12/82, entre a PRIMEIRA e a SEGUNDA
acordante, em razão de sua integração ao patrimônio de seus destinatários
e consequente caracterização como direito adquirido, passa, através deste
TERMO DE RELAÇÃO CONTRATUAL ATÍPICA, a constituir condição
individual de contrato de trabalho de todos os empregados da PRIMEIRA
ACORDANTE admitidos até 31 de dezembro de 1982" (fl. 4).
Acostou com a inicial o ACT/1969 (fls. 29/38) e termos aditivos
firmados em 1970 (fls. 39/44), 1971 (fls. 45/47), 1972 (fls. 48/51) e 1973
(fls. 52/55). Juntou também, dentre outros documentos, o ACT/1987 (fls.
68/71), ACT/1988 (fls. 72/82), ACT/1989 (fls. 83/94), bem como Termo de
Relação Contratual Atípica e adendos (fls. 109 e ss.). Às fls. 133/213, foram
colacionados os ACTs 2009/2010 (fls. 133/145), 2010/2012 e aditivo (fls.
163/177), 2012/2014 e aditivo (fls. 178/202) e 2014/2016 (fls. 203/213).
A ré aduziu em contestação que "Nunca recebeu a reclamante
enquanto aposentado tíquete refeição. Isso se estende a todos os
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aposentados" (fl. 225), e que o TRCA confere "paridade de salários em


relação aos ativos, não se confundindo com benefícios eventualmente
concedidos, a exemplo do auxílio alimentação" (fl. 226).
Defendeu que o pedido do reclamante não merece prosperar porque:
a) "vai de encontro ao disposto nos arts. 5º, inc. II e 7º, inc. XXVI da CF/88
e 611, parágrafo 1º, da CLT, já que pretende pagamento de verba que não
está prevista em lei, tampouco em instrumento coletivo" (fl. 226); b)
contraria as previsões das cláusulas 2.1.4 e 2.1.7 do TRCA, pois "a norma
prevê aos aposentados regidos pelo TERMO DE RELAÇÃO
CONTRATUAL ATÍPICA o recebimento de todas as verbas salariais
previstas nos instrumentos da categoria, como no caso da reclamante, o
que torna inviável sua pretensão quanto ao recebimento do auxílio
alimentação, haja vista o nítido caráter indenizatório da parcela" (fl. 226);
c) "não há que se cogitar de promessa de recompensa, não incidindo o
disposto no art. 854 do CCB", aplicando-se ao caso o art. 114 do CC (fl.
226); d) a reclamada é filiada ao PAT, sendo que "a própria legislação que
trata dos benefícios relativos à alimentação do trabalhador exclui o
suposto direito da reclamante" (fl. 227; 229); e) "a pretensão da
reclamante implica contrariedade à Orientação Jurisprudencial nº 133 da
C. SDI-1 do E. TST" (fl. 228); f) "a recente alteração da Súmula nº 277 do
TST em nada altera a situação, pois nunca houve disposição normativa
prevendo a parcela pretendida aos aposentados" (fl. 228); g) "toda relação
jurídica de natureza continuativa, modificada no estado de fato ou de
direito, está sujeita a novo enquadramento jurídico" (fl. 229); h)
"inaplicável ao caso o disposto nos arts. 444 e 468 da CLT e na Súmula nº
51 do C. TST, pois o benefício auxílio alimentação não foi instituído
quando da admissão da reclamante e, mesmo que assim não fosse, o item
2.1.4 do TRCA condicionou o benefício perseguido aos "termos do acordo
coletivo de trabalho desta data em diante para os integrantes da categoria
profissional" (fl. 230).
Em caso de acolhimento do pedido da autora, requereu o desconto da
"participação do empregado no valor do benefício, nos estritos termos dos
instrumentos coletivos que preveem o seu pagamento" (fl. 231) e "a
compensação com o benefício "cesta básica", que também tem natureza
alimentar e, conforme previsão nos acordos coletivos trazidos aos autos, só
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é recebido pelos aposentados. Caso contrário, chegaríamos à situação em


que os empregados ativos receberiam menos que os aposentados" (fl. 231).
A ré acostou, dentre outros documentos, o TRCT da obreira (fl. 257).
Não foi tomado o depoimento das partes ou ouvida testemunha (fl.
461).
Assim, no caso vertente, verifico que a reclamante demonstrou que
foi contratada pela ré em 01/09/1968 (antes, portanto, de 31/12/1982 -
conforme CTPS de fl. 22), tendo se aposentado em 09/1993.
Juntou aos autos o Termo Aditivo ao ACT 1969, firmado em
26/06/1970, cuja cláusula 3ª, § 4º, assim estabelece: (fl. 41)
"O Abono de Aposentadoria consistirá em uma
importância mensal que, adicionada aos proventos de
aposentadoria estabelecidos pelo I.N.P.S., corresponderá à igual
quantia que o empregado perceberia se estivesse trabalhando a
título de SALÁRIO PADRÃO, inclusive abono de permanência
e os demais acréscimos supervenientes de quaisquer vantagens
salariais que venham a ser estabelecidas em termos de acordos
coletivos de trabalho, desta data em diante, para os integrantes
da categoria profissional."
E o § 7º da mesma cláusula 3ª do referido Termo Aditivo assim
previa:
"Ao aposentado nas condições estabelecidas nesta
cláusula será assegurada a percepção à suplementação do 13º
salário, na eventualidade do I.N.P.S. conceder tal benefício ou,
de maneira integral, caso o I.N.P.S. não satisfaça tal condição,
bem como, ao Abono de Natal, instituído a título de
participação nos lucros da empresa, igual a um salário mínimo
vigorante à época, Bonificação de férias, benefícios previstos
no Acordo Coletivo de Trabalho vigente e, mais eventual
participação nos lucros da empresa na forma em que a lei ou
acordo entre as partes determinar."
Em 07/01/1991, a TELEPAR, o Sindicato dos Trabalhadores em
Empresas no Estado do Paraná (SINTTEL), o sindicato dos Engenheiros no
Estado do Paraná (SENGE) e o Sindicato dos Empregados Desenhistas,
Técnicos, Artísticos, Industriais, Copistas, Projetistas, Técnicos e Auxiliares
no Estado do Paraná (SINDESPAR), firmaram o Termo de Relação
Contratual Atípica (fls. 109 e ss.), que estabeleceu algumas diretrizes acerca
das vantagens asseguradas aos aposentados em normas coletivas anteriores:
"1 - A vantagem extensiva aos empregados da PRIMEIRA
ACORDANTE (TELEPAR) discriminadas na cláusula 16ª, do
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TERMO DE ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, firmado


em data de 15/12/89, instituída, inicialmente, pelo TERMO DE
ACORDO COLETIVO DE TRABALHO DE 26/06/70,
alterado pelo TERMO DE ACORDO COLETIVO DE
TRABALHO datado de 31/12/82, entre a PRIMEIRA e a
SEGUNDA ACORDANTE, em razão de sua integração ao
patrimônio de seus destinatários e consequente caracterização
como direito adquirido, passa, através deste TERMO DE
RELAÇÃO CONTRATUAL ATÍPICA, a constituir condição
individual de contrato de trabalho de todos os empregados da
PRIMEIRA ACORDANTE admitidos até 31 de dezembro de
1982.
2 - A vantagem aludida na cláusula anterior é assim
discriminada:
2.1 - Todos os empregados da Telecomunicações do
Paraná S.A. - TELEPAR, admitidos até 31 de dezembro de
1982, receberão uma complementação de aposentadoria
concedida pela Previdência Social. Aos admitidos após esta
data, serão assegurados os benefícios definidos no estatuto e
regulamentos da Fundação Telebrás de Seguridade Social -
SISTEL.
(...)
2.1.4 - A complementação de aposentadoria consistirá em
uma importância mensal que adicionada os proventos de
aposentadoria estabelecidos pelo INSS corresponderá a igual
quantia que o empregado perceberia se estivesse trabalhando a
título de salário padrão inclusive o abono de permanência e os
demais acréscimos supervenientes de quaisquer vantagens
salariais que venham a ser estabelecidas nos termos do acordo
coletivo do trabalho desta em diante para os integrantes da
categoria profissional.
(...)
2.1.7 - Ao aposentado nas condições estabelecidas nesta
cláusula será assegurada a percepção da complementação do 13
salário, bem como o Abono de Natal, os anuênios que percebia
na data da aposentadoria e demais benefícios previstos no
acordo coletivo de trabalho vigente e mais eventual participação
nos lucros da empresa, do exercício em que se aposentou na
forma em que lei ou acordo entre as partes determinar.
(...)
3 - A vigência da presente relação contratual subsistirá até
que o último dos empregados da PRIMEIRA ACORDANTE,
admitidos até 31 de dezembro de 1982, usufrua da vantagem
estabelecida neste TERMO DE RELAÇÃO CONTRATUAL
ATÍPICA.".
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Com efeito, a eficácia das disposições contidas no Termo Aditivo de


1970 não se limita apenas ao período de vigência do instrumento
normativo, de modo que todos os empregados admitidos até 31/12/1982
têm asseguradas as vantagens relativas à complementação de aposentadoria
previstas na referida norma quando se aposentarem. O próprio TRCA, em
sua cláusula 1ª, reconheceu de forma expressa que as vantagens previstas
no Termo Aditivo de 1970 já haviam integrado o patrimônio de seus
empregados, caracterizando direito adquirido, passando a constituir, a partir
de então, condição individual de contrato de trabalho de todos os
empregados admitidos até 31/12/1982, como é o caso da reclamante. A
norma convencional estabelecendo o direito à complementação de
aposentadoria, a qual inclui, além do salário padrão, demais acréscimos
supervenientes de quaisquer vantagens salariais que venham a ser
estabelecidas nos termos do acordo coletivo do trabalho para os integrantes
da categoria profissional, equipara-se a regulamento de empresa e, como
tal, não pode sofrer qualquer alteração que venha a acarretar prejuízo à
reclamante.
Porém, o benefício auxílio alimentação, postulado pela autora, não
detém natureza salarial. Consta da cláusula 7ª do ACT 2009/2010 (fls.
134/135), reproduzida nos ACTs seguintes, vigentes durante o período
imprescrito:
"AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO
CLÁUSULA SÉTIMA TÍQUETE
REFEIÇÃO/ALIMENTAÇÃO
A empresa distribuirá mensalmente para todos os seus
empregados, a partir 1º de setembro de 2009, inclusive àqueles
que estejam em gozo de férias, 23 (vinte e três) tíquetes
refeição/alimentação, quantidade equivalente aos dias úteis do
mês, considerando sempre a jornada de 2ª a 6ª feira.
Parágrafo Primeiro: Além dos empregados no efetivo
exercício de suas atividades, farão jus ao benefício os
empregados cuja licença por motivo de auxílio doença, ocorrer
na vigência do Acordo Coletivo de Trabalho 2009/2010, por
período de até 30 (trinta) dias e licença maternidade enquanto
perdurar a licença. Para os empregados afastados por Acidente
de Trabalho ocorrido na vigência do referido acordo coletivo
será mantido o benefício por até 90 dias.

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Parágrafo Segundo: A Empresa descontará do empregado


uma participação no valor do benefício, conforme tabela a
seguir:[...]
Parágrafo Terceiro: O valor facial unitário do Tíquete
Refeição/Alimentação será: R$18,75 (dezoito reais e setenta e
cinco centavos).
Parágrafo Quarto: O regime de concessão do Tíquete
Refeição/Alimentação está considerado no Programa de
Alimentação do Trabalhador - PAT e não constitui verba de
natureza salarial".
Quanto à matéria, dispõe o art. 458 da CLT: "Além do pagamento em
dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a
alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a
empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao
empregado". A Súmula nº 241 do C. TST, por sua vez, estabelece:
"SALÁRIO-UTILIDADE - ALIMENTAÇÃO - O vale para refeição,
fornecido por força do contrato, tem caráter salarial, integrando a
remuneração do empregado para todos os efeitos legais". Nessa linha, a
alimentação (vale refeição), em princípio, possui natureza salarial.
Contudo, consagrou-se nessa desta E. Turma o entendimento de que o
benefício alimentação, na sua integralidade, não se reveste de caráter
salarial nas hipóteses de existência de descontos nos salários do trabalhador,
previsão expressa em norma coletiva acerca da sua natureza indenizatória
ou filiação comprovada do empregador ao PAT. Neste sentido:
"INTEGRAÇÃO DO TÍQUETE-ALIMENTAÇÃO.
NORMA COLETIVA. A instituição de natureza indenizatória
do tíquete-alimentação por meio de norma coletiva deve ser
respeitada, em face da autonomia da vontade coletiva, garantida
pelo art. 7º, XXVI, da CF, o que impede o reconhecimento da
natureza jurídica salarial da parcela, bem como os reflexos dela
decorrentes. Recurso de revista conhecido e provido, no
particular. (Processo: ARR - 51500-45.2010.5.17.0006 Data de
Julgamento: 22/10/2014, Relatora Ministra: Dora Maria da
Costa, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 24/10/2014)."
Portanto, seja porque há expressa menção ao PAT na cláusula 7ª dos
ACTs (que expressamente afastaram a natureza salarial do auxilio
alimentação), seja porque há previsão de desconto no salário do empregado
a título de participação no valor do benefício, verifica-se que a verba
postulada pela reclamante não possui natureza salarial. Nessa linha, como o

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direito à complementação de aposentadoria da reclamante inclui, além do


salário padrão, acréscimos supervenientes de quaisquer vantagens
estabelecidas em acordo coletivo que tenham natureza salarial, necessário
concluir que o auxilio alimentação não deve ser computado para fins de
complementação de aposentadoria paga pela ré.
E não obstante a autora tenha aduzido na inicial que recebeu
pagamento habitual do auxílio alimentação que, portanto, corresponderia a
condição mais benéfica incorporada ao seu patrimônio jurídico (fl. 9), tal
alegação foi impugnada em contestação, oportunidade em que a ré registrou
que a autora "Nunca recebeu [...] enquanto aposentado tíquete refeição.
Isso se estende a todos os aposentados" (fl. 225). Não há prova nos autos
de que a autora efetivamente recebeu o benefício após a aposentadoria. Do
mesmo modo, não há falar em promessa de recompensa como argumento
em prol do pagamento do auxilio alimentação, pois, contrariamente ao
afirmado pela parte, não ficou demonstrado que a "reclamada antes de
passar pelo processo de privatização, beneficiava os aposentados regidos
pelo Termo de Relação Contratual Atípico, com o auxílio alimentação" (fl.
10).
Esclareço, ainda, que a previsão da Súmula 277 do C. TST não se
aplica no caso dos autos, tendo em vista não ter sido comprovada a
existência de cláusula normativa que determinasse o pagamento de auxilio
alimentação com natureza salarial aos empregados da ré.
Não vislumbro, em virtude do entendimento aqui adotado, qualquer
violação aos arts. 444 e 468 da CLT; art. 5º, XXXVI da CF ou Súmulas 51,
288 e 277 do C. TST.
Por fim, destaco que o Tribunal Pleno desta E. Corte já teve
oportunidade de apreciar a questão envolvendo o pedido de pagamento de
auxílio alimentação aos empregados aposentados da empresa OI S.A. em
sede de Incidente de Assunção de Competência (autos nº 20322-2015-651-
09-00-2, julgamento em 30/09/2016, relatoria da Exma. Des. Eneida
Cornel), prevalecendo o entendimento de que o pagamento da verba
pretendida pela reclamante na presente demanda é incabível.
Por todo o exposto, nego provimento." (fls. 544/554)

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PROCESSO Nº TST-ARR-1523-05.2015.5.09.0662

E no julgamento dos embargos de declaração, assim


se pronunciou:

"Como explicitado na decisão acima transcrita, as vantagens previstas


no Termo Aditivo de 1970 de fato integram o patrimônio da reclamante,
caracterizando direito adquirido. Compreendeu-se, porém, que tal direito à
complementação de aposentadoria inclui, além do salário padrão,
acréscimos supervenientes de quaisquer vantagens estabelecidas em acordo
coletivo que tenham natureza salarial.
Nesse sentido, como o benefício alimentação previsto nos ACTs
2009/2010 e ss. firmados pela OI S/A. não se reveste de caráter salarial (em
razão da previsão de descontos nos salários do trabalhador e menção ao
PAT), e não havendo provas nos autos de que a autora efetivamente recebeu
o benefício após a aposentadoria (o que poderia atrair a natureza salarial à
referida parcela), entendeu-se que o auxilio alimentação não deve ser
computado para fins de complementação de aposentadoria paga pela ré.
Não se cogita, portanto, em violação aos arts. 444 e 468 da CLT; art. 5º,
XXXVI e artigo 7º, VI da CF.
De todo modo, como mencionado, o Tribunal Pleno desta E. Corte já
apreciou a questão envolvendo o pedido de pagamento de auxílio
alimentação aos empregados aposentados da empresa OI S.A. em sede de
Incidente de Assunção de Competência, prevalecendo o entendimento de
que o pagamento da verba pretendida pela reclamante é incabível." (fls.
574/575)

Das premissas consignadas no acórdão regional é


possível concluir que o empregado da TELEPAR (atual OI S.A.)
admitido até 21/12/1982 faz jus, independentemente da natureza
jurídica da parcela, à percepção do auxílio-alimentação nas mesmas
condições dos empregados em atividade, na medida em que
expressamente reconhecida no Termo de Relação Contratual Atípica
(TRCA) a incorporação, ao seu patrimônio jurídico, dos benefícios
previstos no ACT/1969. O tema já foi apreciado por esta Corte,
conforme julgados que seguem transcritos:

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PROCESSO Nº TST-ARR-1523-05.2015.5.09.0662

"A) AGRAVO DE INSTRUMENTO DA RECLAMANTE.


RECURSO DE REVISTA. PROCESSO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº
13.014/15 E ANTERIOR À LEI Nº 13.467/17. (...) B) RECURSO DE
REVISTA DA RECLAMANTE. PROCESSO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº
13.014/15 E ANTERIOR À LEI Nº 13.467/17. 1. AUXÍLIO-
ALIMENTAÇÃO. EXTENSÃO AOS APOSENTADOS. PREVISÃO EM
NORMA REGULAMENTAR. TERMO DE RELAÇÃO CONTRATUAL
ATÍPICA. ART. 468 DA CLT. SÚMULA 51, I, TST. Incontroverso nos
autos que o Termo de Relação Contratual Atípica (TRCA) assegurou aos
empregados aposentados da TELEPAR (sucedida pela OI S.A.) tratamento
isonômico ao pessoal da ativa. E o Regional reconheceu que o conjunto de
normas sobre complementação de aposentadoria, previstas no Termo de
Relação Contratual Atípica, incorporou-se ao contrato de trabalho dos
empregados da Telepar admitidos até 31/12/1982. Nesse sentido, pontuou:
‘(...) O próprio TRCA, em sua cláusula 1ª, reconheceu de forma expressa
que as vantagens previstas no Termo Aditivo de 1970 já haviam integrado o
patrimônio de seus empregados, caracterizando direito adquirido, passando
a constituir, a partir de então, condição individual de contrato de trabalho de
todos os empregados admitidos até 31/12/1982, como é o caso da
reclamante. A norma convencional estabelecendo o direito à
complementação de aposentadoria, a qual inclui, além do salário padrão,
demais acréscimos supervenientes de quaisquer vantagens salariais que
venham a ser estabelecidas nos termos do acordo coletivo do trabalho para
os integrantes da categoria profissional, equipara-se a regulamento de
empresa e, como tal, não pode sofrer qualquer alteração que venha a
acarretar prejuízo à reclamante.’ Não obstante, indeferiu o pedido de
auxílio-alimentação formulado pela Autora, ao fundamento, em síntese, de
não haver prova nos autos de que a empregada tivesse recebido qualquer
valor a título de auxílio-alimentação após a aposentadoria, bem como que o
tratamento isonômico com os empregados da ativa se limitava a verbas
salariais, não tendo o auxílio-alimentação tal natureza, conforme normas
coletivas vigentes no período imprescrito. Ocorre que o auxílio-alimentação
foi concedido por norma coletiva anterior (ACT de 1969 e respectivos
aditivos), e o Termo de Relação Contratual Atípica (TRCA) garantiu que as
condições de aposentadoria dos empregados admitidos até 31/12/1982 - nas
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PROCESSO Nº TST-ARR-1523-05.2015.5.09.0662

quais se inclui o auxílio-alimentação, por se tratar de benefício previsto no


ACT vigente à época - constituem direito adquirido. Assim, tais condições
não poderiam ser revogadas após o término da vigência da norma coletiva
que as instituiu. Portanto, o recebimento do auxílio-alimentação tornou-se
direito adquirido desses aposentados, não podendo ser revogado por norma
coletiva posterior. Em suma: para os empregados admitidos até 31/12/1982,
foi garantido o auxílio-alimentação nas condições em que recebido pelos
empregados da ativa, em face do direito adquirido reconhecido pelo TRCA,
que transformou o pagamento desse benefício em cláusula contratual.
Consoante inteligência do art. 468, da CLT, e da OJ Súmula 51, I/TST, a
supressão do pagamento do auxílio-alimentação dos proventos de
aposentadoria não alcança os empregados que já recebiam a referida
parcela por força contratual. De igual forma, dispõe a OJ 413/SBDI-1/TST
que o auxílio-alimentação apresenta, em regra, natureza salarial, salvo na
hipótese de adesão ao PAT e de previsão expressa em norma coletiva em
sentido contrário, ressalvado o direito adquirido ‘daqueles empregados que,
habitualmente, já percebiam o benefício, a teor das Súmulas nºs 51, I, e 241
do TST’. Julgados desta Corte. Recurso de revista conhecido e provido no
aspecto. (...)" (TST-ARR-1546-88.2015.5.09.0002, Relator Ministro:
Mauricio Godinho Delgado, 3ª Turma, DEJT 10/08/2018-g.n.).

"(...) RECURSO DE REVISTA. TELEPAR (SUCEDIDA PELA OI


S.A.). EMPREGADOS ADMITIDOS ANTES DE 31/12/1982. TERMO
DE RELAÇÃO CONTRATUAL ATÍPICA - TRCA. ISONOMIA.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO 1. O Termo da
Relação Contratual Atípica - TRCA, fruto de negociação coletiva que se
converteu, por expressa disposição das partes, em norma interna
empresarial, atribuiu o caráter de direito adquirido ao auxílio-alimentação
pago aos empregados admitidos pela TELEPAR até o dia 31/12/1982. 2.
Consoante a diretriz perfilhada na Orientação Jurisprudencial nº 413 da
SbDI-1 do TST, o auxílio-alimentação apresenta, em regra, natureza
salarial, salvo na hipótese de adesão ao PAT e de previsão expressa em
norma coletiva em sentido contrário, ressalvado o direito adquirido
‘daqueles empregados que, habitualmente, já percebiam o benefício, a teor
das Súmulas nºs 51, I, e 241 do TST’. 3. Recurso de revista do Reclamante
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PROCESSO Nº TST-ARR-1523-05.2015.5.09.0662

de que se conhece e a que se dá provimento. 4. Recurso de revista adesivo


da Reclamada de que não se conhece." (TST-ARR-748-49.2015.5.09.0028,
Rel. Min. João Oreste Dalazen, 4ª Turma, DEJT de 2/6/2017).

"I - RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA


RECLAMANTE. RECURSO REGIDO PELA LEI 13.015/2014. (...) 2.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. EXTENSÃO AOS APOSENTADOS.
EMPREGADOS ADMITIDOS ANTES DE 31/12/1982 PELA TELEPAR
(SUCEDIDA PELA OI S.A.). TERMO DE RELAÇÃO CONTRATUAL
ATÍPICA - TRCA. ISONOMIA. DIREITO ADQUIRIDO. 1. O Tribunal
Regional procedeu à interpretação das normas coletivas aplicáveis à espécie
para concluir pela natureza indenizatória do auxílio-alimentação no caso
concreto e, assim, reputar indevida sua integração à suplementação de
aposentadoria da Autora. 2. Para tanto, assentou as seguintes premissas
fático-probatórias no caso concreto: a) que constou expressamente da
cláusula § 3ª, § 4º, do Termo Aditivo ao ACT 1969, firmado em
26/06/1970, que o abono de aposentadoria consistiria em uma importância
mensal acrescida aos proventos de aposentadoria que promoveria isonomia
com os proventos dos empregados em atividade; b) que as condições
implementadas na referida norma coletiva foram repetidas nos instrumentos
posteriormente firmados, até a constituição do chamado Termo de Relação
Contratual Atípica (TRCA); c) que em 07/01/1991 a TELEPAR (sucedida
pela Oi S/A) firmou com diversos sindicatos das categorias afins o
chamado Termo de Relação Contratual Atípica (TRCA), que estabeleceu,
dentre outras diretrizes, vantagens asseguradas aos aposentados em normas
coletivas anteriores, dentre as quais a complementação de aposentadoria,
cujas vantagens foram asseguradas a todos os empregados admitidos até
31/12/1982, além de reconhecer expressamente (cláusula 1ª) a integração
de tais vantagens previstas no Termo Aditivo de 1970 ao patrimônio de seus
empregados, caracterizando direito adquirido, e passando a constituir, a
partir de então, condição individual de contrato de trabalho de todos os
empregados admitidos até 31/12/1982; e d) que referida norma
convencional, a qual estabeleceu como base de cálculo da complementação
de aposentadoria não só o salário padrão, mas quaisquer vantagens salarias
que viessem a ser fixadas nos acordos coletivos de trabalho destinados aos
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PROCESSO Nº TST-ARR-1523-05.2015.5.09.0662

integrantes da categoria profissional, equipara-se a regulamento


empresarial, não podendo ser alterada em prejuízo da Autora. Constituem
fatos incontroversos, ainda, porquanto informados na inicial e não
impugnados na contestação, mas pelo contrário, admitidos às fls. 221 e 222
da defesa, que a Autora foi admitida em 01/05/1969 e aposentou-se em
03/02/1992. 3. Desse modo, o direito ao auxílio-alimentação aos
empregados aposentados admitidos anteriormente a 31/12/1982, situação na
qual a Reclamante se enquadra, foi assegurado não só nas normas coletivas,
mas também no TRCA, norma de natureza regulamentar, incorporando-se
ao patrimônio jurídico da Reclamante, por expressa previsão, e passando a
constituir direito adquirido, já que alçada à condição individual dos
contratos de trabalhos de todos os empregados da Reclamada, sendo vedada
sua supressão, por força dos artigos 5°, XXXVI, da Carta Magna e 468 da
CLT e da Súmula 51, I, deste Tribunal. Precedentes. Recurso de Revista
conhecido e provido. (...)" (TST-RR-1488-85.2015.5.09.0002, Relator
Ministro: Douglas Alencar Rodrigues, 5ª Turma, DEJT 01/06/2018-g.n.).

"AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DO


RECLAMANTE – (...) RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE -
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO PELA EMPREGADORA EM
FUNÇÃO DO ACT/1969 E DE TERMO DE RELAÇÃO CONTRATUAL
ATÍPICA - EXTENSÃO AOS INATIVOS. O ACT/1969 objetivava garantir
aos aposentados isonomia com os demais benefícios previstos no acordo
coletivo de trabalho vigente. Por outro lado, o Termo da Relação Contratual
Atípica - TRCA consolidou de forma expressa as vantagens previstas no
ACT/1969, como direito adquirido, para os empregados da Telepar (atual
Oi S.A) admitidos até 31/12/1982, o que incluiu o auxílio-alimentação,
independente da natureza jurídica da parcela. Estando o reclamante
enquadrado nessa condição, posteriores alterações normativas não podem
atingir seu contrato de trabalho. Precedentes desta Corte. Recurso de revista
conhecido e provido." (TST-ARR-1125-23.2015.5.09.0124, Relator
Ministro: Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, 7ª Turma, DEJT
29/06/2018).

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PROCESSO Nº TST-ARR-1523-05.2015.5.09.0662

"(...) B) RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO


RECLAMANTE. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. EXTENSÃO AOS
APOSENTADOS. NORMA COLETIVA. TERMO DE RELAÇÃO
CONTRATUAL ATÍPICA. CONDIÇÃO INDIVIDUAL DO CONTRATO
DE TRABALHO DE TODOS OS EMPREGADOS DA TELEPAR
ADMITIDOS ATÉ 31/12/1982. Cinge-se a controvérsia a definir se a
parcela ‘auxílio-alimentação’, devida pela reclamada aos empregados em
atividade, também é extensível ao reclamante, porque, embora aposentado,
passou a constituir condição individual de contrato de trabalho inicialmente
assegurada no ACT de 1969. É incontroverso que o reclamante foi admitido
pela Telepar em 22/2/1954, e aposentado em 4/9/1989, e postula o
pagamento da parcela denominada ‘auxílio-alimentação’ referente aos anos
de 2009 a 2015, nas mesmas condições alcançadas aos empregados da
ativa. Ora, do que se infere do acórdão regional, o Termo da Relação
Contratual Atípica - TRCA determinou, para os empregados admitidos até
31/12/1982, hipótese dos autos, a integração do auxílio-alimentação na
complementação de aposentadoria, na condição de direito adquirido.
Dentro deste contexto, o posicionamento desta Corte Superior segue no
sentido de que as vantagens advindas do ACT de 1969, mantidas
posteriormente e que passaram a constituir condição individual de contrato
de trabalho de todos os empregados da reclamada admitidos até 31 de
dezembro de 1982, em razão de sua integração ao patrimônio de seus
destinatários, não poderiam ser suprimidas ou sofrer qualquer limitação.
Logo, tem-se que o reclamante faz jus ao pagamento do auxílio-
alimentação na complementação de aposentadoria no período não prescrito
(2009 a 2015), por se tratar de direito adquirido pelos empregados
contratados até 31/12/1982, por força do Termo da Relação Contratual
Atípica – TRCA, sob pena de ofensa ao art. 5°, XXXVI, da CF. Recurso de
revista conhecido e provido. (...)" (TST-ARR-826-69.2015.5.09.0084, 8ª
Turma, Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, DEJT: 27/10/2017).

A reclamante, nos termos das premissas consignadas


no acórdão regional, foi admitido pela antiga TELEPAR (atual OI
S.A.) antes de 31/12/1982. Nesse contexto, faz jus ao percebimento,
na aposentadoria, do auxílio-alimentação.
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A decisão regional em sentido contrário afronta ao


direito adquirido da reclamante e viola o art. 5º, XXXVI, da
Constituição da República.
Conheço.

b) Mérito

O conhecimento do recurso de revista por violação


do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal tem por consequência
lógica o seu provimento para se julgar procedente a reclamação
trabalhista para declarar o direito da reclamante à percepção do
auxílio-alimentação nas mesmas condições dos empregados da ativa e
condenar a reclamada ao pagamento das parcelas vencidas do referido
benefício, apurados em liquidação, e observada a prescrição
quinquenal pronunciada.
Indevidos honorários advocatícios, na medida em
que a reclamante não foi assistida pelo sindicato da categoria
profissional.
Juros e correção monetária na forma da lei.
Custas de R$ 400,00 (quatrocentos reais), pela
reclamada, calculadas sobre R$ 20.000,00 (vinte mil reais), valor
provisoriamente arbitrado à condenação.

ISTO POSTO

ACORDAM  os   Ministros   da   Oitava   Turma   do   Tribunal


Superior   do   Trabalho,  por unanimidade: I – negar provimento ao
agravo de instrumento; II - conhecer do recurso de revista por
violação do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal e, no mérito,
dar-lhe provimento para julgar procedente a reclamação trabalhista
para declarar o direito da reclamante à percepção do auxílio-
alimentação nas mesmas condições dos empregados da ativa e condenar
a reclamada ao pagamento das parcelas vencidas do referido
benefício, apurados em liquidação, e observada a prescrição
quinquenal pronunciada. Indevidos honorários advocatícios, na medida
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PROCESSO Nº TST-ARR-1523-05.2015.5.09.0662

em que a reclamante não foi assistida pelo sindicato da categoria


profissional. Juros e correção monetária na forma da lei. Custas de
R$ 400,00 (quatrocentos reais), pela reclamada, calculadas sobre R$
20.000,00 (vinte mil reais), valor provisoriamente arbitrado à
condenação.
Brasília, 22 de maio de 2019.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)


MÁRCIO EURICO VITRAL AMARO
Ministro Relator

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