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Universidade Federal do Acre

Centro de Filosofia e Ciências Humanas


Curso de Psicologia
Psicologia Social II
Docente: Rômulo Gomes Zanon
Discentes: Mayara Carvalho de Lima

Relatório do “Fórum Parentalidades: Direitos e Cidadania no séc.


XXI.”

Rio Branco, Acre


2018
“Fórum Parentalidades: Direitos e Cidadania no séc. XXI.”
A Universidade Federal do Acre (UFAC) acolheu nesta segunda feira
(21) vários palestrantes ligados a órgãos públicos para dialogar com a
comunidade acadêmica no mesmo espaço sobre os diferentes tipos de
parentalidades, sobre direitos fundamentais e respeito as diferenças, sobretudo
possibilitando o dialogo dentre as várias visões da temática abrindo aos demais
participantes expressar opiniões e discorrer sobre tal assunto que deve ser
problematizado.

Para iniciar a discussão, é necessário compreender a organização da


sociedade no mundo contemporâneo bem como as transformações que vem
ocorrendo. As mudanças sociais, tais como tecnologia, inserção da mulher no
âmbito do trabalho, controle da natalidade, entre outros, geraram alterações,
onde tais transformações devem nortear as visões sobre a concepção do que é
família. Ao longo de cada época, lançamos olhares diferentes sobre a
constituição familiar, anteriormente estruturada em uma família nuclear
tradicional, onde o poder era verticalizado e hierárquico sobre a figura do pai.
Tal concepção foi fortemente enraizada na sociedade, o que possibilitou a
reflexão crítica da necessidade de se pensar no conceito de família.

Vale também ressaltar que membros da estrutura familiar vem ao longo


da história exercendo papéis sociais diferentes. Tais papéis devem ser refletido
frente as mudanças que estão ocorrendo, tendo como consequência novos
papéis. Frente a estes novos papéis, fica inviável impor um modelo tradicional
de relação afetiva familiar, sem problematizar todo contexto histórico, social e
cultural dos indivíduos. Ou seja, se refletiu na importância da parentalidade,
onde os adultos de referencia da criança são aqueles que estão convivendo em
seu cotidiano e estabelecendo vínculos, sendo responsáveis pela criação,
afeto, cuidados e seu pleno desenvolvimento, indo além das fronteiras da
ligação puramente genética.

O fórum realizado enfatizou a importância do respeito as diferentes


formas de parentalidade, a intervenção do Estado como representante de
assegurar aos sujeitos a proteção social, onde enfatizaram os esforços para
garantir os direitos desses indivíduos. E através desse diálogo possibilitou aos
acadêmicos visualizar a postura dos demais órgãos frente a problemática no
âmbito do poder jurídico.

Em seguida, recebemos uma das debatedoras, a Militante Indígena e


Mestranda Soleane Manchineri nos trouxe a concepção e articulação de família
dentro da cultura indígena. Uma das falas da debatedora foi que na cultura
indígena eles tem a visão do se alimentar daquilo que desenvolva o homem e o
que desenvolva a mulher dentro de certo período. Sendo assim, é fundamental
compreender que família se dá por diferentes contextos, e esta modificação
decorre das mudanças sociais que estão ocorrendo e de cultura para outra
cultura.

Podemos refletir novamente a respeito dos papéis sociais que


configuram a nossa sociedade, como por exemplo, o papel social do pai ou de
uma mãe, tais papéis irão tecer formas de comportamentos esperados
socialmente. Porém, podemos pensar que tais papeis são uma forma
ideológica de preservação da organização da sociedade tradicional. Silva Lane
em seu livro “O que Psicologia Social?” (2006) afirma:

“Porém, se questionarmos o quanto a nossa história de


vida é determinada pelas condições históricas do nosso
grupo social, ou seja, como estes papéis que aprendemos
a desempenhar foram sendo definidos pela nossa
sociedade, poderemos constatar que, em maior ou menor
grau, eles foram sendo engendrados para garantir a
manutenção das relações sociais necessárias para que as
relações de produção da vida se reproduzam sem
grandes alterações na sociedade em que vivemos. Ou
seja, constataremos que nossos papéis e a nossa
identidade reproduzem, no nível ideológico (do que é
"idealizado", valorizado) e no da ação, as relações de
dominação, como maneiras "naturais e universais" de ser
social, relações de dominação necessárias para a
reprodução das condições materiais de vida e a
manutenção da sociedade de classes onde uns poucos
dominam e muitos são dominados através da exploração
da força de trabalho.”

Em um ponto de vista particular, o fórum deveria ter sido em um espaço


de debate que abrangesse toda comunidade acadêmica, sendo mais divulgada
para contar com maior participação. O espaço para dialogo frente as questões
sobre nossa realidade social necessitam da participação acadêmica por ser um
tema pertinente na sociedade. Quando nós assumimos enquanto sujeitos,
devemos incorporar a nossa prática o debate de questões, não somente deixa-
las serem imposta pela classe dominante.

Outro ponto pertinente foi a configuração a palestra, onde o discurso foi


o de incluir diálogo até mesmo com estudantes/comunidade, desta forma, seria
essencial estabelecer uma dinâmica onde possa incluir e integre todas as
opiniões, articulando o espaço de debate mais acessível, como por exemplo,
uma roda de debate. Do ponto de vista particular, a apresentação ficou
centralizada, unilateral, onde é imprescindível integrar todos em uma dinâmica
de debate para incorporar diferentes saberes.
Referência Bibliográfica

Lane, Silvia T. M. O que é Psicologia Social?. Coleção Primeiros Passos. Nova


Cultural: Brasilience, 1985.