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Exposição homenageia ex-funcionários da Panair do Brasil Formatted: No Spacing, Left, Line spacing: single,

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no Museu Histórico Nacional

A companhia faz 90 anos de fundação em 2019

Nas Asas da Panair é como ficou conhecida a canção, de 1974, de Milton


Nascimento e Fernando Brant, que tinha os títulos Saudade dos aviões da Panair
e Conversando no bar, interpretada por Elis Regina.

“Cerveja que tomo hoje é//Apenas em memória dos tempos da Panair//A


primeira Coca-cola foi//Me lembro bem agora, nas asas da Panair//A maior das
maravilhas foi//Voando sobre o mundo nas asas da Panair”.

Nas Asas da Panair é também o título da exposição que o Museu Histórico


Nacional [MHN], no Rio de Janeiro, inaugura em 11 de julho, às 11h30, sob
curadoria da historiadora Mariza Soares.

A mostra apresenta itens da coleção criada em 2017 como resultado de uma


parceira entre a empresa Panair do Brasil e a Família Panair, uma associação
que reúne antigos funcionários da companhia. Ao longo de um ano foram
coletados quase 700 peças, entre objetos e material de divulgação impresso.
Em 10 de fevereiro de 1965, a Panair do Brasil teve suspensas todas as suas
concessões de voo, por um despacho do Presidente da República Marechal
Castello Branco. A alegação, provadamente inverídica, foi a de que a situação
financeira da empresa era irrecuperável. Sem poder operar, a Panair companhia
dispensou os funcionários, mas a . Sua saúde financeira da companhia permitiu
que todos fossem indenizados.

No ano seguinte, foi criada a Família Panair ainda sob o choque do desmonte
da empresa,. foi criada a Família Panair. Desde 1966 esses ex-empregadoso
grupo se encontram uma vez por ano para preservar a memória da companhia
aérea e a amizade entre eles.

A ideia de criar uma coleção com itens que cada um guardava dos tempos dos
voos surgiu, em 2016, na celebração dos 50 anos da Família Panair.

Quase todos contribuíram com folhetos, medalhas comemorativas, uniformes,


adereços, louça, maletas de mão, brindes, fotografias, fitas e CDs com
entrevistas, outros tipos de documentos e pequenos luxos, como protetor de
caneta tinteiro, guardanapo de linho e talher de prata dos “tempos da Panair”.
Alguns objetos foram adquiridos nos leilões de liquidação da empresa.

A propósito dos leilões, Carlos Drummond de Andrade escreveu uma crônica,


publicada no Jornal do Brasil em outubro de 1969:

[…] E ninguém ali sentia nada de especial diante do corpo derrotado na Panair,
de seus intestinos à mostra. Quase todos teriam usado suas linhas, comido seus
jantares, lido seus jornais brasileiros em Paris, mas a hora era de liquidação, e
não de saudades. […]

Desde sua concepção inicial, foi prevista a doação da a coleção seria doada ao
Museu Histórico Nacional. Durante dois anos, Rodolfo da Rocha Miranda,
diretor-presidente da Panair do Brasil, coordenou a coleta da memorabilia que
foi, concomitantemente, . Ela foi, em seguida, organizada por historiadores e
museólogos.

Todos os colaboradores doadores tiveram os itens concedidos doados


cadastrados e fotografados. A Panair do Brasil financiou a construção da coleção
e esta exposição como uma homenagem a seus funcionários, familiares e todos
aqueles os que, ao longo dos últimos cinquenta anos, contribuíram para manter
viva a memória da empresa e daqueles que contribuíram com ela.

Exposição
A historiadora Mariza Soares explica sua curadoria: “Para esta mostra foram
selecionados os itens que atestam a modernidade da empresa e seu alto padrão
de funcionamento, então conhecido como ‘padrão Panair’. Mas mais que isso a
coleção atesta a determinação da Família Panair de preencher o vazio que o
fechamento da empresa deixou em suas vidas”.

“Os doadores, antigos funcionários e seus familiares, o fizeram na certeza de


que ao ceder suas relíquias pessoais a uma instituição como o Museu Histórico
Nacional abrem mão delas para criar uma coleção coletiva que irá sobreviver a
todos e prolongar a memória da empresa e de seus funcionários”, argumenta
Mariza Soares.

O conjunto da mostra ilustra o conceito curatorial de modernidade e alta


qualidade com cerca de 300 artigos: vestuário da tripulação – uniforme e
adereços, serviço de bordo – louça [porcelana Rosenthal], faqueiro de prata
[Eberle e Fracalanza], brindes – chaveiro, cinzeiro, baralho, caneta, estojos de
toalete, de costura e de correspondência, fotos pessoais e documentais
garimpadas na Biblioteca Nacional e no Arquivo Nacional, e matérias de jornal,
principalmente da época do fechamento da Panair. Há uma vasta seleção de
peças gráficas promocionais de roteiros nacionais e internacionais, folhinhas,
menus de bordo, encarte para passagens e outros materiais de folheteria.

Sobre a Panair
Há exatos 90 anos, em 1929, surgia no Brasil uma subsidiária da americana
Nyrba [Nova York–Rio-Buenos Aires] que, no ano seguinte, incorporada pela Pan
American, passou a se chamar Panair. Foi a principal companhia aérea do país.
Em 1961, com a entrada dos empresários Celso da Rocha Miranda [1917-1986]
e Mario Wallace Simonsen [1909-1965] a Panair teve seu longo processo de
nacionalização concluído. O carioca Rocha Miranda tinha a maior corretora de
seguros da América do Sul; o paulista Simonsen era o maior exportador de café
do país, dono da TV Excelsior e de mais dezenas de empresas.
Era a Panair que, nos anos 1930 atendia a Amazônia, promovendo a integração
da região com o resto do país. Com seus hidroaviões, levava carga e remédios e
transportava doentes.

A Panair do Brasil se tornou a segunda maior companhia aérea do mundo. Foi a


primeira estrangeira e pousar no aeroporto de Heathrow em Londres, quando a
pista ainda era de terra. Voava para capitais da América do Sul, Europa e
Beirute, Cairo, Istambul, Dacar, entre outras.

A excelência de atendimento nos voos e em terra mundo afora e do design de


suas peças gráficas, da louça de bordo, dos uniformes e brindes rendeu-lhe a
expressão “padrão Panair” para designar qualquer coisa que fosse de alta
qualidade fora do âmbito da aviação, tal como se usou décadas depois o Padrão
Globo de qualidade”.

A canção de Milton Nascimento e Fernando Brant tinha o título “Saudade dos


aviões da Panair”. A empresa fora fechada pelo governo militar e, por
precaução, os autores criaram um segundo título
“Conversando no bar”.

Em 2005, o jornalista paulista Daniel Leb Sasaki, então com 23 anos, publicou o
livro “Pouso forçado”, relançado em 2015 em edição muito ampliada, depois da
Lei de Acesso à Informação e da Comissão Nacional da Verdade, que
propiciaram ao autor acesso a material inédito. A primeira edição foi indicada ao
Prêmio Jabuti.

O cineasta Marco Altberg lançou, em 2007, o documentário “Nas Asas da Panair-


uma história de glamour e conspiração”
[https://www.youtube.com/watch?v=B2UYaEVRkzQ], que narra a história da
companhia através de depoimentos de ex-funcionários, dos familiares do seu
presidente, Paulo de Oliveira Sampaio, dos acionistas Rocha Miranda e Simonsen
e ex-passageiros como Eduardo Suplicy, Norma Benguell, Milton Nascimento e
Fernando Brant.

Foi em um voo da Panair que, conta Brant, ele tomou a primeira coca-cola da
sua vida e o menino Milton, segundo ele próprio, era convidado a visitar a cabine
de comando quando viajava com os pais.
As imagens de arquivo incluem um segmento do filme "Um só Pecado [La Peau
Douce]", de 1964, de François Truffaut, em que o editor interpretado por Jean
Desailly viaja pela Panair.

MHN e a Coleção Panair


Esta coleção é a primeira sobre uma empresa que o Museu Histórico Nacional
incorpora. A inovação decorre principalmente do fato de ela ser constituída por
doação e participação de ex-funcionários da empresa e familiares em
colaboração com a equipe do MHN.

“A companhia de aviação Panair é o símbolo de uma época do Brasil quando a


viagem de avião representava um ideal de vida moderna. O contato direto com
as peças da coleção aproxima todos da história de modo sensível”, fundamenta
o diretor do MHN Paulo Knauss.

Serviço
Exposição “Nas Asas da Panair”
Período 11 de julho a 29 de setembro de 2019
Museu Histórico Nacional – Praça Marechal Âncora S/N
Centro Rio de Janeiro, RJ
Visitação terça a sexta, 10h às 17h30; sábado, domingo e feriado, 13h às 17h
Ingressos R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Entrada gratuita aos domingos
Confira outras gratuidades em mhn.museus.gov.br
Informações (21) 3299 0324 (recepção)

Assessoria de imprensa de “Nas Asas da Panair”


Meise Halabi
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