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INSTITUTO SUPERIOR DE TECNOLOGIAS E

GESTÃO

MÓDULO DE MÉTODOS DE ESTUDO

Curso de PST/MKT

Moçambique
FICHA TÉCNICA

Maputo, Julho de 2013

© Guia de Estudo da cadeira de Métodos de Estudos

Todos os direitos reservados ao Instituto Superior de Tecnologias e


Gestão
Título do módulo: Métodos de Estudo
Edição: 1ª

Organização e Edição
Instituto Superior de Tecnologias e Gestão
Autor: Josina Anjos, Etelvino Guila e Américo Buque
Revisor Linguístico: Helio ANDIFOI
Revisor Científico: Nobre dos Santos

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ÍNDICE

Unidade Didáctica nº 1: Planificação e Gestão do Tempo de Estudo 12

Introdução 12

Objectivos da Unidade 12

Desenvolvimento do Conteúdo 13

1. Planificação e Gestão de Tempo 13

1.2. Elaboração do Plano de Actividades e da Sessão de Estudo 16

1.2.1. Elaboração de Planos de Actividades 16

1.2.2. Elaboração de uma Sessão de Estudo 20

1.3. Condições que Influenciam uma Sessão de Estudo 21

Tarefas 22

Auto-avaliação 23

Resumo 24

Bibliografia 25

Unidade Didáctica nº 2: Directrizes para Leitura, Análise e Interpretação de Textos 26

Introdução 26

Objectivos da Unidade 26

Desenvolvimento do Conteúdo 27

1. Directrizes de Leitura 27

1.1. O Plano das Seis Etapas 27

1.1.1. 1ª Etapa: Examinar 27

1.2. 2ª Etapa: Descobrir 28

1.3. 3ª Etapa: Ler Por Alto 28

1.4. 4ª Etapa: Ler Intensivamente (skanning) 29

1.5. 5ª Etapa: Repetir e Verificar 29

1.6. 6ª Etapa: Integrar 29

2. A Leitura Dinâmica ou Activa 30

iii
2.1. Relação entre Velocidade e Compreensão/Rendimento 31

2.1.1. Vantagens do Leitor Rápido 32

2.1.2. O Leitor Lento 32

Tarefas 33

Auto-avaliação 34

Resumo 35

Bibliografia 35

Unidade Didáctica nº 3: Procura e Tratamento da Informação 36

Introdução 36

Objectivos da Unidade 36

Desenvolvimento do Conteúdo 37

1. Procura e tratamento de infromação 37

1.1. Procura de Informação 37

1.1.1. Bibliotecas Físicas 37

1.1.2. Como está Organizada uma Biblioteca? 37

1.1.3. Identificação das Fontes 38

1.2. Pesquisa Bibliográfica na Internet 39

2. Tratamento da Informação 40

2.1. Tomada de Notas/Apontamentos 40

2.1.1. Algumas das Razões que levam os Estudantes a Tomar Notas/Apontamentos 40

2.1.2. Procedimentos para a Tomada de Notas 41

2.1.3. Diferentes Estilos da Tomada de Notas/Apontamentos 41

2.2. Fichas 42

2.2.1 Para que fazer as Fichas? 43

2.2.2 Tipos de Fichas 43

Tarefas 47

Auto-avaliação 47

Resumo 48

iv
Bibliografia 49

Unidade Didáctica nº 4: O Resumo 50

Introdução 50

Objectivos da Unidade 50

Desenvolvimento do Conteúdo 50

1. O Resumo 50

1.1. Vantagens da Elaboração de Resumos 51

1.2 Principais Características de um Resumo 52

1.3 Fases da Actividade de Resumir 53

Tarefas 53

Auto-avaliação 54

Resumo 56

Bibliografia 56

Unidade Didáctica nº 5: Trabalho de Pesquisa 57

Introdução 57

Objectivos da Unidade 57

Desenvolvimento do Conteúdo 58

1. O Conceito de Pesquisa 58

2. Características da Pesquisa58

3. Tipos de Pesquisa 59

4. Fontes de Pesquisa59

5. Fases de elaboração de um trabalho de pesquisa 61

6. Estrutura de um Projecto de Pesquisa 61

7. Estrutura de Trabalhos Académicos (relatórios de pesquisa) 63

Tarefas 64

Auto-avaliação 65

Resumo 66

Bibliografia 67

v
vi
Apresentação

Caro(a) estudante

Está nas suas mãos o Guia de Estudo do manual de Métodos de Estudo que integra a grelha
curricular dos cursos de Licenciatura oferecido pelo Instituto Superior de Tecnologias e
Gestão.

Este guia tem por finalidade inseri-lo às exigências do ensino superior. Assim, o mesmo irá
dotá-lo de estratégias e técnicas de estudo, que serão o garante para o sucesso na sua carreira
estudantil.

Caro estudante lembre-se que ao estudar o manual de Métodos de Estudo, estará em contacto,
de forma indirecta, com todas as disciplinas do seu curso, pois irá encontrar nesta cadeira
instrumentos orientadores de como deverá estudar cada vez melhor em qualquer área do
saber.

Assim, a equipa de professores que se dedicou à elaboração, adaptação e organização deste


guia sente-se honrada em tê-lo como interlocutor(a) em constantes diálogos motivados por um
interesse comum, a educação de pessoas e o desenvolvimento do país, e compromete-se a
apoiá-lo durante os próximos anos da sua formação.

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Introdução ao Módulo

Caro estudante, está perante o manual de Métodos de Estudo, neste manual poderá ter os
pressupostos inerentes à dinâmica da vida académica bem como aceder a vários métodos para
enfrentar os obstáculos ligados à frequência do ensino superior.

O manual em questão tem como finalidade inserir o estudante às exigências do ensino


superior. Também constitui objectivo deste manual dotar o estudante de estratégias de estudo,
uma vez que estas representam o garante para o sucesso na carreira estudantil. Em outras
palavras, as técnicas de estudo são para qualquer estudante um instrumento útil para o sucesso
da sua aprendizagem. Assim sendo, é imprescindível um comprometimento e você deve saber
gerir o seu tempo.

Este manual está dividido em 5 unidades, nomeadamente:


 planificação e gestão do tempo de estudo;
 diretrizes para leitura e análise e interpretação de textos;
 procura e tratamento de informação;
 resumo e
 trabalho de pesquisa.

Os tópicos das unidades acima referidas serão desenvolvidas a seguir, sendo que nelas estarão
igualmente presentes várias actividades, para a auto-avaliação, que servirão de barómetro para
medir o grau de apreensão dos conteúdos abordados.

Objectivos do manual

Quando terminar o estudo deste manual, você deverá ser capaz de:

 Planificar actividades de estudo definindo objectivos, métodos e tempo;


1. Desenvolver técnicas de estudo com vista a exercitar as suas capacidades cognitivas
para processar, organizar e armazenar informação;
2. Desenvolver uma postura investigava na sua aprendizagem de modo que obtenha um
maior dinamismo na elaboração de trabalhos científicos, em geral, e na elaboração de
trabalho de fim de curso, em particular.

Recomendação para o Estudo

Prezado estudante, o alcance dos objectivos previamente estabelecidos no processo de ensino-


aprendizagem pressupõe não só uma boa planificação e gestão das suas actividades, mas
sobretudo, a entrega e a dedicação pessoal por sua parte. Portanto, para o estudo deste manual
é aconselhável que leia os textos recomendados. Para o nível de apreensão dos conteúdos
leccionados execute as tarefas e actividades.

Unidade Didáctica nº 1: Planificação e Gestão do Tempo de Estudo

Introdução

Caro estudante, a presente unidade procura trazer aspectos inerentes aos métodos e técnicas a
serem adoptados no processo de planificação e gestão do tempo, as estratégias de estudo para
alcançar, com êxito, as metas previamente estabelecidas.

Segundo Serafini (1996, p. 17) “os estudantes bem sucedidos são portanto aqueles que têm
uma noção clara do que devem fazer, não perdem tempo, conseguem uma boa colaboração
com os professores, assim como uma boa compreensão daquilo que estes esperam deles,
conseguindo ainda uma boa exposição dos resultados do seu trabalho”. A presente unidade
traz, portanto, uma abordagem de conteúdos que, se bem seguidos, poderão ajudá-lo a
melhorar o seu rendimento, organização, concentração, motivação e autonomia na vida
estudantil.

Constitui objecto de estudo desta unidade os seguintes temas: Organização do tempo de


estudo; Elaboração do plano de actividades e condições que influenciam uma sessão de
estudo.

Objectivos da Unidade

Ao terminar esta unidade, você deve ser capaz de:

1. Definir e planificar as actividades de estudo;

2. Identificar o melhor método ou estratégia de estudo e

3. Planificar com exactidão as actividades semestrais, mensais, semanais e diárias,


ponderando os vários factores que condicionam o estudo.

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Desenvolvimento do Conteúdo

1. Planificação e Gestão de Tempo

As capacidades intelectuais não são únicas responsáveis pelo sucesso ou insucesso dos
alunos. Estudar e obter um rendimento requer, para além da motivação e boas condições
pessoais e ambientais, uma adequada planificação (Carrilho, 2004, p. 28). A planificação
desempenha um papel fundamental na medida em que ela faz com que exista qualidade no
processo de estudo. Ela evita a improvisação, a pressão, o esforço desnecessário, os
contratempos de última hora e permite detectar, a tempo, eventuais problemas, bem como
superar as prováveis dificuldades.

Cada estudante é um ser individual diferente dos outros, por isso, ele tem de ser realista ao
fazer a planificação do seu estudo, observando as suas reais capacidades e o seu ritmo de
aprendizagem. Assim, torna-se fundamental que cada um encontre o seu método pessoal,
aprenda a distribuir o seu tempo de uma forma flexível e adaptada às necessidades,
permitindo que se efectuem alterações ou mudanças em função das tarefas que têm de ser
levadas a cabo e dos trabalhos que se espera que realize.

Segundo Ron (2000:30), pode-se estudar de forma inteligente, isto é, gastar menos tempo e
ter melhores resultados. Para este caso, é já sabido que o tempo escasseia, sendo um
estudante-trabalhador ou não. A vida cobra-nos um tempo para quase tudo. O que se deve
fazer é organizar o tempo em função das tarefas a executar desde as mais simples e
insignificante às mais complexas. Para este autor, referindo-se aos estudos, é necessário
disciplinar o seu empenho ao estudo. Por outras palavras, é necessário treinar a autodisciplina,
o que pressupõe gastar algum tempo, diariamente, se possível, a praticar a leitura. Isto quer
dizer que depois de um tempo a leitura passará a ser rotina, no bom sentido. Passará a ser algo
“obrigatório”. A título de exemplo, para quem gosta de se manter informado, sabe a que horas
deve estar atento à televisão para ver as notícias veiculadas diariamente. Nota-se que existe
um hábito: todos os dias, à mesma hora, há obrigação de estar em frente ao televisor, custe o
que custar. Deixa-se de lado tudo o que se estiver a fazer e vai-se ao encontro do televisor. É o
que se deve fazer com o estudo. Em determinado momento deve-se dedicar à leitura. Deve-se
manter as horas em que se inicia a leitura e, a repetição da mesma acção, regularmente cria o
hábito de leitura, de estudo.

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1.1. Elaboração do Plano de Actividades e da Sessão de Estudo

1.1.1. Elaboração de Planos de Actividades

Ao planificar as actividades, não deve estabelecer objectivos de estudo demasiado


ambiciosos, que se revelem inatingíveis. Se não planificar o tempo disponível de uma forma
realista nunca conseguirá cumprir com os objectivos, o que poderá ser objecto de
desmotivação.

Parte do nosso tempo diário dedicá-lo ao estudo que combinamos com o resto das actividades
da nossa vida pessoal, familiar e social.

Nem todas as pessoas têm as mesmas capacidades para assimilar e reter o que estudam. Daí
que, cada um deve determinar o tempo de que necessita diariamente para reter os conteúdos,
com alguma profundidade.

Lembre-se que um bom plano de estudos não resolve o problema. Várias pesquisas indicam
que boa parte dos estudantes, no ensino superior, não utiliza métodos eficientes em seus
estudos. Em geral, há deficiência de concentração, não são utilizados métodos proveitosos de
leitura, não são feitas anotações adequadas, as bibliotecas não são exploradas e mesmo a
pesquisa na Internet é ineficaz. A eficiência de seu estudo, dependerá directamente do método
que você utilizar. O E.S exige interesse, curiosidade, pró-atividade, atenção e concentração,
senso crítico, raciocínio lógico e persistência. Você deve estar disposto, em todos os
momentos, a relacionar o que estiver estudando, tanto com outras disciplinas do curso quanto
com situações fora do ambiente académico, principalmente profissional.

Observe que o dia tem 24 horas. Se dormir 8 horas e estudar 8 horas (faculdade + estudo
individual /grupo), sobram-lhe 8 horas para fazer aquilo que quiser. Ainda, tem os fins-de-
semana livres. Se estudar 40 horas e dormir 56 horas restam-lhe 72 horas por semana.

Observe o quadro abaixo:

Uma semana tem 168 horas

Estuda: 40 horas

Dorme: 56 horas

Sobram: 72 horas

São mais de 10 horas por dia para realizar outras actividades como lavar, cozinhar e fazer
outras actividades, ou então 8 horas por dia e tem o fim-de-semana totalmente livre.

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A seguir vamos apresentar as tabelas que o ajudarão a ter uma vida organizada, regrada:

Tabela A: Actividades diárias

Actividades diárias

Dia:

8:00 14:00 20:00 2:00

8:15 14:15 20:15 2:15

8:30 14:30 20:30 2:30

8:45 14:45 20:45 2:45

9:00 15:00 21:00 3:00

9:15 15:15 21:15 3:15

9:30 15:30 21:30 3:30

9:45 15:45 21:45 3:45

10:00 16:00 22:00 4:00

10:15 16:15 22:15 4:15

10:30 16:30 22:30 4:30

10:45 16:45 22:45 4:45

11:00 17:00 23:00 5:00

11:15 17:15 23:15 5:15

11:30 17:30 23:30 5:30

11:45 17:45 23:45 5:45

12:00 18:00 0:00 6:00

12:15 18:15 0:15 6:15

12:30 18:30 0:30 6:30

12:45 18:45 0:45 6:45

13:00 19:00 1:00 7:00

13:15 19:15 1:15 7:15

13:30 19:30 1:30 7:30

13:45 19:45 1:45 7:45

12
8:00 14:00 20:00 2:00

Cores: Branco = Dormir

Azul = Comer, compras, etc

Lilás = Trabalho

Amarelo = Actividades de lazer

Preto = Horas mortas

Verde = Realização dos trabalhos das cadeiras

Laranja = Deslocações

Vermelho = Estudo em casa

Tabela B - Horário de Actividades Semanais

SEG. TER. QUA. QUI. SEX. SAB. DOM.


8.00
9.00
10.00
11.00
12.00
13.00
14.00
15.00
16.00
17.00
18.00
19.00
20.00
21.00
22.00
23.00
0.00
1.00
2.00
3.00
4.00
5.00
6.00
7.00

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 Assinale o horário das aulas;

 Assinale o horário das actividades não escolares (obrigatórias, fixas e regulares);

 Assinale os períodos para o estudo;

 Dedicar, diariamente, algum tempo para fazer revisões da matéria dada no dia e os
trabalhos de casa dessas disciplinas. Nos dias em que tiver menos aulas e numa parte do
fim-de-semana dedique algumas horas a fazer revisões mais profundas, a estudar as
matérias em que tem mais dificuldades, a preparar testes, etc.

1.1.2. Elaboração de uma Sessão de Estudo

Conforme foi dito anteriormente, a planificação é o garante no processo de ensino-


aprendizagem. A planificação de uma sessão de estudo também se reveste de extrema
importância, uma vez que permite estabelecer um quadro de programação diária, sintético e
de fácil consulta.

Segundo Dias e Nunes (1998, p. 47) “para cada período de estudo, de acordo com as
avaliações e trabalhos que terão de ser realizados devem ser estabelecidos objectivos
realistas”. Assim, durante a programação da sessão de estudo é fundamental dedicar mais
tempo de estudo às disciplinas em que se tem mais dificuldades e prever o tempo para a
revisão das matérias antes dos testes. Assim, na elaboração da sessão de estudo é crucial
tomar em consideração as seguintes questões:
 O que tenho de fazer hoje? (Por exemplo: revisão da matéria; preparação dos testes;
etc)
 Como vou distribuir as actividades? (Por exemplo: dar mais tempo às disciplinas em
que tenho mais necessidades; começar com as mais difíceis; deixar as mais fáceis
para o fim; etc)
 De que material vou precisar? (Pensar no material necessário, tal como: manuais,
cadernos, dicionários, máquina de calcular, livros de especialidade, etc).
 O que vou fazer exactamente? (Que assuntos ou matérias vou estudar; em que
capítulos ou páginas do manual está a matéria; que actividades vou fazer para estudar:
ler manual ou outras fontes de informação, fazer resumos, resolver exercícios, etc)

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Tabela C: Exemplificação da Planificação de uma Sessão de Estudo

Sessão de estudo: dia 25 de Março de 2014, terça-feira


Hora Disciplina Conteúdo Material Actividades Observações

9.30 Matemática Equações Caderno de ▪fazer exercícios ▪Não


actividades e da pag. 38 e 39 compreendi o
máquina de exercício 2
calcular

10:35 Pausa
Planificação Texto de Fernanda Preencher a Percebi tudo
Métodos de e gestão de Carrilho tabela referente
estudo tempo Pag. 28-35 à planificação
10:45 semanal
12:10 Arrumar o material e almoçar

1.2. Condições que Influenciam uma Sessão de Estudo

O sucesso ou insucesso de uma sessão de estudo depende, em grande medida, das condições
ambientais e pessoais, pois estas podem condicionar a atenção e concentração. No dizer de
Dias Nunes (1998, p. 47), muitos estudantes queixam-se de falta de atenção ou concentração
durante os períodos de estudo em casa e nas aulas. Mas, são poucos os que se preocupam com
o ambiente do estudo e com os factores que contribuem para a sua distracção durante as aulas.

Carrilho (2004) apresenta como sendo condições ambientais de estudo as seguintes:

 Local de estudo - deve ser tranquilo, confortável, acolhedor e simples, não devendo
conter objectos que perturbem a concentração tais como o televisor, rádio, fotografias,
etc;

 Mobiliário indispensável – mesa com dimensões suficientes para dispor todo o material
necessário, uma cadeira que não seja demasiado rígida pois cria mal-estar, nem
demasiado cómoda porque pode convidar ao descanso: uma estante, se possível, perto da
mesa onde estarão dispostos os livros, os dicionários e todo o material cujo acesso seja
fácil e rápido;

 Iluminação – deve sempre recorrer à luz natural e em caso de luz artificial usar lâmpada
fosca (60 a 75 Watts) ou fluorescente (10 a 20 watts);

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 Temperatura – A temperatura adequada situa-se entre 17 e 21 graus;

 Ventilação – deve procurar estudar em locais arejados, evitando estudar em ambientes


fechados ou abafados; e

 Silêncio – o local de estudo deve estar o mais isolado possível do barulho, pois o ruído
tem sempre efeitos negativos.

Quanto às condições pessoais de estudo, a mesma autora, destaca as seguintes:

 Saúde mental – está directamente relacionada com ausência de preocupações e


sentimentos, tais como, revolta, insegurança, frustração, pressão, dependência, baixa
auto-estima. Quando isso acontece é aconselhável recorrer a amigos, professores, ou
até à ajuda de um especialista, descansar no mínimo oito horas diárias, e definir
objectivos concretos que imprimam entusiasmo e permitam destruir algumas barreiras
que se interponham no caminho;

 Alimentação – deve ser rica, variada e equilibrada, baseada em proteínas, vitaminas,


sais minerais, evitando recorrer aos chamados faz- food, álcool, drogas, tabacos, etc.

Tarefas

1. Tendo em conta a sessão de estudo por si realizada, proceda a auto-avaliação da mesma


preenchendo a tabela constante na página 38 do texto de Carrilho (2004).

2. Esboce um plano de estudo semanal, obedecendo aos pressupostos referidos nas páginas
anteriores, tomando em consideração que o mesmo deverá ser realista, ou seja, em função
da sua rotina.

3. Comente a seguinte afirmação: “A organização do tempo de estudo requere,


necessariamente, uma análise meticulosa das actividades diárias, bem como das
condições ambientais e pessoais”.

Auto-avaliação

1. Comente a afirmação

“Muitos estudantes do ensino superior queixam-se da exiguidade de tempo“.

2. Enumere e explique as características de uma sessão de estudo.

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3. Tomando em consideração 3 disciplinas à sua escolha, elabore uma sessão de estudo.

4. Tendo em conta a questão da planificação e gestão do tempo de estudo, defina as metas a


alcançar a médio e longo prazos. Passe essa questão para as tarefas.

Resumo

Na presente unidade, aprendemos que na vida estudantil a elaboração de um plano de estudo


constitui um processo simples que permite aproveitar melhor o tempo. O mesmo deve ser
pessoal, realista, equilibrado e flexível e que se ajuste às necessidades de cada estudante.
Saliente-se que embora a sua produção seja fundamental para o processo de ensino-
aprendizagem, às vezes, não é fácil elaborá-lo e muito menos cumpri-lo. Portanto, fica claro
que a planificação é um trabalho árduo que exige um exercício de autodisciplina, empenho,
dedicação e sobretudo, rigor no cumprimento das actividades, previamente estabelecidas.

Outro aspecto a reter na planificação e gestão do tempo de estudo está relacionado com os
factores ambientais e pessoais que podem influenciar, em grande medida, a nossa capacidade
de concentração e assimilação das matérias em estudo. Assim, as condições ambientais (local
de estudo, mobiliário, iluminação, temperatura, ventilação e silêncio) e pessoais (saúde
mental e alimentação) devem ser ponderadas aquando da planificação do estudo.

Em suma, o sucesso na vida académica no que concerne à planificação e gestão do tempo de


estudo pressupõe uma identificação clara dos objectivos de aprendizagem, organização do
tempo, identificação do seu estilo de aprendizagem e criação de condições apropriadas para a
aprendizagem.

Bibliografia
Carrilho, F. (2005). Métodos e técnicas de estudo. Lisboa: Editorial Presença

Dias, M. M., Nunes, M. M. (1998). Manual de métodos de estudo. Lisboa: Edições


Universitárias Lusófonas

Estanqueiro, A. (1998). Um Guia para o Sucesso na Escola. Lisboa: Texto Editora

Gonzalo, S. (1999). Como Estudar. Lisboa: Editorial Estampa

Serafini, M. T. (1996). Saber estudar e aprender. 2.ed. Lisboa: Editorial Presença

Ron, F. (2000). O guia do bom estudante. Lisboa: Presença

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Unidade Didáctica nº 2: Directrizes para Leitura, Análise e Interpretação de Textos

Introdução

Caro estudante, na nossa vida académica deparamo-nos, constantemente, com um acervo de


informação escrita que, para sua sistematização, pressupõe que façamos a leitura. Por vezes, a
leitura é vista como uma obrigação ou um acto penoso porque a pessoa não se encontra
motivada para o fazer. Ela não constitui uma capacidade inata, mas sim adquirida, que só o
treino contínuo e sistemático pode ajudar a aperfeiçoar. A presente unidade tem, por objectivo,
dotar o estudante de estratégias e capacidades para a leitura de textos académicos, uma vez
que a leitura é o veículo fundamental para a aquisição de novos conhecimentos, representa um
instrumento indispensável para o sucesso escolar e profissional.
Nesta unidade, serão objecto de estudo os aspectos relativos à decifração e interpretação do
material escrito, tais como as etapas de leitura e leitura dinâmica.

Objectivos da Unidade
Ao completar esta unidade, você deve ser capaz de:

4. Identificar as etapas e os tipos de leitura;

5. Aplicar melhor as estratégias de leitura no processo de ensino e aprendizagem;

6. Extrair e sintetizar informações pertinentes de diversas fontes textuais.

Desenvolvimento do Conteúdo

1. Directrizes de Leitura
Apesar de vivermos numa época audiovisual, os livros continuam a ser o principal
instrumento de estudo. Tudo indica que passarão muitos anos até que o livro possa ser
substituído. O livro é, neste momento, o material mais disponível e de mais fácil acesso.

A leitura obedece determinadas etapas, que passam pelo exame da obra, uma leitura ao alto,
uma leitura intensiva, uma leitura repetida e profunda. Todas as etapas da leitura são
sistematizadas a seguir.

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1.1. O Plano das Seis Etapas
Quando alguém pega num livro para estudar (sobretudo quando se trata do primeiro contacto)
um capítulo, ou a obra toda, não deve pretender fixar a matéria, logo à primeira. O processo
de leitura passa por diferentes etapas. Tal como acontece com os atletas antes do início de
uma competição, que passam por uma fase de aquecimento, para que a prova se realize sem
sobressaltos e permita o seu melhor rendimento possível. Na leitura acontece o mesmo, como
passamos a descrever.

1.1.1. 1ª Etapa: Examinar


Examinar antecede o estudo verdadeiro e tem por objectivo obter uma impressão global da
matéria. O estudante obtém uma ideia geral sobre os aspectos exteriores e os relativos ao
conteúdo e à estrutura do livro. Nesta fase, presta-se maior atenção ao título, prefácio,
introdução, índice, ilustrações, glossário, bibliografia usada e dados do autor. Por exemplo,
percorrendo o índice, é possível descortinar o essencial da matéria tratada. O índice mostra,
de forma esquemática, o conteúdo e a organização de um livro.

Muitos estudantes passam esta parte com o argumento de que isso não faz parte da matéria a
ser examinada. É verdade que o estudante ainda não está a estudar, mas está a construir uma
base para a matéria de estudo. 15 - 30 minutos poderá ser um tempo razoável para o estudante
poder obter uma impressão global do livro.

1.2. 2ª Etapa: Descobrir


A segunda, terceira, quarta e quintas etapas são aplicáveis aos parágrafos, capítulos ou a uma
quantidade de matéria delimitada que poderá ser assimilada dentro do tempo disponível.

Você pode iniciar esta etapa fazendo uma breve avaliação. Poderá colocar a si próprio as
seguintes perguntas: esta quantidade de matéria pode ser trabalhada dentro do tempo de que
disponho? Quantas páginas vou ler e qual o seu grau de dificuldades? É desejável que, antes
de o estudante começar a ler saiba o número de páginas que irá ler e em quanto tempo o fará.

A seguir, recomenda-se percorrer com a vista, mas de uma forma rápida, o capítulo para que
ele fique com uma impressão geral, assim como se faz com o jornal num em dia que se está
muito ocupado e com muito trabalho ou com a capa de uma revista numa loja. As seguintes
perguntas poderão ser colocadas: Do que se trata? Quais são os temas aqui abordados?
Também nesta fase olha (m) -se o (s) capítulo (s) anterior (es). Esta metodologia vai permitir

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situar o capítulo no conjunto, o que fará com que você estabeleça a conexão entre as
diferentes partes do conteúdo.

1.3. 3ª Etapa: Ler Por Alto

Ler por alto ou sobrevoar um capítulo é dar uma rápida passagem de olhos pelo seu conteúdo
(skimming). Aqui, você começa a debruçar-se sobre a estrutura do texto e a composição da
informação. Nesta fase, não se deve preocupar com assuntos que ainda desconhece nem com
pormenores.

Trata-se de uma leitura que serve para oferecer ao leitor uma visão panorâmica do terreno a
explorar, ou seja uma visão geral do assunto. Nesta etapa, aconselha-se a leitura de um ou
outro parágrafo do início, do meio e do fim do capítulo (leitura em diagonal). O mais
importante é você saber do que se trata e como é que os parágrafos e as alíneas se relacionam
e qual é o raciocínio desenvolvido no texto. Esta é a altura de pegar num caderno e uma
caneta para fazer algumas anotações.

1.4. 4ª Etapa: Ler Intensivamente (skanning)


Nesta etapa, o estudante deve fazer uma leitura intensiva com o objectivo de compreender e
armazenar um excerto do texto. Pode colocar as seguintes questões: Quais são os aspectos
principais e secundários? Que relação o capítulo/o parágrafo/a alínea tem com os anteriores?
Porque é que o autor dá mais ênfase a estes aspectos e não aqueles outros? Concordo com as
opiniões do autor? Que novidades surgem no texto? Que pretende transmitir o autor? As
explicações são fundamentadas? Os factos e os argumentos são esclarecedores?

Por conseguinte, deve, nesta fase, manifestar espírito crítico perante o que lê. Deve analisar,
compreender, interpretar, comparar e avaliar. Trata-se de uma leitura activa.

1.5. 5ª Etapa: Repetir e Verificar

Depois de você ler um parágrafo, uma página ou uma porção longa da matéria aconselha-se
que feche o livro para verificar se tem o domínio sobre o assunto em estudo. Existem casos de
estudantes que, dois minutos após a leitura, não conseguem repetir o que acabam de ler e,
muito menos, poderão evocar esses conhecimentos numa fase posterior. Quando assim
acontece, aconselha - se a realizarem mais uma leitura, até à compreensão do texto. Ganhar o
hábito de verificar o progresso durante o estudo é fundamental. Todos aqueles que não fazem
a verificação dos conhecimentos durante o estudo estão sujeitos ao fracasso.

20
1.6. 6ª Etapa: Integrar
A 6ª etapa, assim como a 1ª, aplicam-se à matéria, em geral. Nesta etapa, você visualiza as
relações existentes entre os capítulos, assim como as relações entre os pormenores. É nesta
fase que faz a avaliação, em termos de domínio dos conteúdos: se os domina ou ainda existem
algumas lacunas. Na etapa “integrar”, você deve ser capaz de determinar os principais pontos
do capítulo ou do livro, no seu todo, e como é que eles se inter-relacionam. Significa que
compreende a estrutura, desenhou na memória, os pontos focais e é capaz de evocar todo o
capítulo ou todos os capítulos do livro.

2. A Leitura Dinâmica ou Activa

Nem todos possuem técnicas de leitura adequadas. É uma das razões pelas quais nem todos
possuem o mesmo rendimento na aprendizagem. Se desejarmos saber se o ritmo da nossa
leitura e a compreensão que dela obtemos são os mais adequados, basta formularmos as
seguintes perguntas:

1. Leio com um bom ritmo?


2. Compreendo perfeitamente um texto, depois de acabar de o ler?
3. Utilizo dicionários ou algum outro material auxiliar que me possa facilitar a tarefa?
4. Pratico alguma técnica diária para aumentar a minha capacidade de leitura?
5. Tomo apontamentos, enquanto leio, para realçar as ideias fundamentais de cada
parágrafo?
6. Sublinho as ideias principais e secundárias de cada um dos temas de estudo?
7. Utilizo os apontamentos e sublinhados para elaborar resumos e esquemas sobre o que
li?
8. Resumo e esquematizo, de forma isolada cada um dos temas que li?
9. Se a resposta for negativa, em relação à maior parte das perguntas temos de admitir que
alguma coisa está a falhar na nossa técnica de leitura e essa deficiência, seguramente,
poderá ser a causa de baixo rendimento escolar.

Estanqueiro (1998) refere que uma leitura activa ou dinâmica implica os seguintes processos:
consultar o dicionário, sublinhar, fazer anotações e tirar apontamentos. Isso exige que o
estudante tenha à mão dicionários, cadernos, esferográficas, lápis, borracha. Exige ainda que
escolha locais apropriados e tenha posturas físicas correctas para ler e escrever. Desaconselha-
se, por isso, a opção daqueles que preferem estudar reclinados no sofá ou na cama.

21
A leitura dinâmica favorece igualmente a compreensão. Por isso pode ser chamada de leitura
compreensiva. Segundo Carrilho (2005) a leitura compreensiva é a leitura propriamente dita.
Significa percorrer o texto com a preocupação de encontrar as ideias principais e secundárias
contidas no texto; perceber o ponto de vista do autor; identificar conceitos; distinguir os factos
das opiniões; proceder à hierarquização das ideias; identificar os “pontos-chave” de cada
capítulo; formular questões; fazer anotações.

A compreensão dos textos depende, muitas das vezes, do ritmo que se empreende no acto da
leitura. A grande questão que se coloca quando se fala do ritmo de leitura, está relacionada
com o facto de se saber se a compreensão do texto é favorecida por uma leitura lenta ou por
uma leitura rápida. Em seguida passamos a descrever a relação entre a velocidade da leitura e
a compreensão.

2.1. Relação entre Velocidade e Compreensão/Rendimento


O ritmo da leitura terá de se adaptar sempre à natureza dos textos (mais complexos ou mais
acessíveis) à capacidade de assimilação do leitor e aos objectivos pretendidos.

À primeira vista, pode parecer que os textos lidos devagar deixam marcas mais profundas no
leitor. De facto assim não acontece. As experiências mostram que a velocidade de leitura,
desde que não excessiva, favorece o rendimento.

Para Carrilho (2005), o cálculo da velocidade e compreensão da leitura podem ser


averiguados, a título de exemplo, aplicando uma técnica simples que consiste em pegar num
relógio e ler durante 2 a 3 minutos um texto, previamente seleccionado e medido. Depois
poderá somar as palavras lidas e dividi-las pelo tempo para obter a média de palavras que
lemos por minuto. As pessoas que obtiverem um resultado entre 250 e 300 palavras por
minuto encontram-se dentro dos termos normais referidos em relação à velocidade de leitura.
Quem estiver abaixo desse resultado, terá de admitir que tem problemas importantes com as
suas técnicas de leitura e deve praticar, se quiser obter resultados mais satisfatórios.

2.1.1. Vantagens do Leitor Rápido

Distinguindo as características dos leitores lentos e dos leitores rápidos, pode-se concluir que
os rápidos alcançam maior rendimento e com menor esforço. Contudo, o leitor rápido
não pode ser confundido com o apressado, impaciente e superficial que “engole” textos a
uma velocidade perigosa. O rápido avança depressa, mas é cuidadoso nos textos mais
importantes. O rápido não se fixa em palavras isoladas. Procura ver, em cada paragem

22
do olhar, grupos de palavras ou frases com sentido. A sua preocupação centra-se nas
ideias e na visão de conjunto do texto, podendo perder um ou outro pormenor, mas
ganha mais na compreensão e assimilação.

2.1.2. O Leitor Lento

O leitor lento, por opção própria, ou por pobreza de vocabulário, inspecciona o texto,
palavra a palavra. Fixa o olhar e soletra as palavras como se receasse perder alguma
coisa. É meticuloso. Não distingue a natureza dos textos e, por vezes, gasta tempo a
“armazenar” pormenores e exemplos. No meio da sua lentidão, divaga e perde as ideias.
Não consegue, por isso, ter grande rendimento.

Conclui-se que o leitor rápido não só poupa tempo como tem mais possibilidades de
compreender o sentido daquilo que lê. Ganha, assim, no seu rendimento.

Quadro comparativo: Leitor lento/Leitor rápido segundo Estanqueiro (1998)

Leitor lento Leitor rápido

● Acompanha a leitura com o lápis, com o ● Mantém a cabeça fixa e apenas movimenta
dedo ou com o movimento da cabeça os olhos sobre as palavras

● Pronuncia (em voz alta, em voz baixa ou ● Olha as palavras, mas não as pronuncia
mentalmente) todas as palavras (nem sequer em silêncio). Faz uma leitura
“visual”
● Vê as palavras isoladas ou três palavras, em
cada fixação do olhar ● Consegue ver conjuntos de cinco a dez
palavras, cada vez que olha um texto
● Lê 150 a 300 palavras por minuto, em
textos de dificuldade média ● Lê, habitualmente, 400 a 600 palavras por
minuto. Em textos fáceis chega a 1000
● Não adapta o seu ritmo à natureza dos
palavras por minuto
textos. Lê sempre com reduzida velocidade
● Acelera o ritmo, em leituras simples.
● Dispersa-se com facilidade e nunca chega a
Demora-se naquilo que merece maior
sentir-se motivado. Depressa se aborrece
cuidado

Concentra-se na leitura. Sente pouca fadiga.


Chega a ler com entusiasmo

23
Tarefas
1. Explicite a relação existente entre as etapas da leitura com o sucesso na fruição do
conteúdo do texto.

2. A leitura activa ou dinâmica pressupõe a observância rigorosa de procedimentos, tais


como o uso do dicionário, quando preciso, sublinhar o texto, tomar notas, fazer esquemas,
dentre outros aspectos. Com base no texto de Estanqueiro (1998), em anexo, aplique a
leitura dinâmica.

3. Tomando em consideração o texto de Carrilho (2005) constante das páginas 68 a 70,


pratique o treino de leitura rápida através das formas indicadas nas páginas 66 e 67 da
mesma autora.

4. “Muitos estudantes quando lhes são colocadas questões que dizem respeito à relação
entre velocidade e rendimento muitas vezes respondem que a leitura lenta é que favorece
a assimilação e compreensão na leitura”. Comente a afirmação.

Auto-avaliação

1. Apresente as etapas do plano de leitura aprendido durante as aulas.


2. Descreva em que consistem as seguintes etapas: examinar, ler intensivamente e integrar.
3. Explique por que razão o leitor rápido é bem sucedido na fruição do conteúdo do texto.
4. Como podemos melhorar o rendimento de leitura?

Resumo

Caro estudante, nesta unidade aprendemos que, para a leitura de um texto (simples ou
complexo), temos que aplicar uma estratégia para a fruição do seu conteúdo. Assim sendo,
podemos usar o método de 6 etapas, que compreende examinar, descobrir, ler por alto, ler
intensivamente, repetir e verificar e, finalmente integrar.

A leitura sendo um acto complexo, é uma tarefa árdua e fundamental na nossa vida quotidiana
e estudantil. Desta feita, é necessário fazer da leitura um hábito. Para tal, temos que reservar
um tempo para a mesma, diariamente, procurando partir da leitura de textos simples e,
gradualmente, intensificar a leitura de textos com maior grau de dificuldade, adaptar sempre a
velocidade de leitura ao grau de dificuldade do texto que enfrentamos, procurar sempre
melhorá-lo. É importante sublinhar que o objectivo essencial não é aumentar a rapidez, mas
sim de aumentar o rendimento.

24
Bibliografia
Carrilho, F. (2005). Métodos e técnicas de estudo. Lisboa: Editorial Presença

Dias, M. M., Nunes, M. M. (1998). Manual de métodos de estudo. Lisboa: Edições


Universitárias Lusófonas

Estanqueiro, A. (1998). Um Guia para o Sucesso na Escola. Lisboa: Texto Editora

Gonzalo, S. (1999). Como Estudar. Lisboa: Editorial Estampa

Serafini, M. T. (1996). Saber estudar e aprender. 2.ed. Lisboa: Editorial Presença

Ron, F. (2000). O guia do bom estudante. Lisboa: Presença

Unidade Didáctica nº 3: Procura e Tratamento da Informação

Introdução

No dia-a-dia da sua vida estudantil constantemente estará diante de situações que o obrigam a
procurar informação para satisfazer as exigências da academia. Nesta unidade, procuraremos
abordar aspectos relacionados com a procura de informação, bem como com aspectos vários
que têm a ver com a manipulação da mesma.

Interessa-nos, nesta unidade, trazer aspectos que o ajudem a localizar a informação e fazer
bom uso dela. Constituirão temas a serem abordados na presenta unidade orientações para o
uso de bibliotecas quer físicas quer virtuais, tomada de notas, apontamentos e fichas.

Objectivos da Unidade
Ao completar esta unidade, você deve ser capaz de:

1. Usar adequadamente as bibliotecas físicas e virtuais;


2. Identificar as diversas fontes de informação e
3. Registar diversas informações através de tomada de notas, apontamentos e fichas de
leitura.

25
Desenvolvimento do Conteúdo

1. Procura e tratamento de infromação

1.1. Procura de Informação


É importante que você obtenha uma grande variedade de materiais de referência. Mas como é
que localiza as obras de referência escritas pelos especialistas no assunto? Geralmente, a
informação é obtida nas bibliotecas, que podem ser físicas ou virtuais.

1.1.1. Bibliotecas Físicas


As bibliotecas guardam o registo da breve estadia da humanidade no planeta terra. São uma
das melhores conquistas que a humanidade dispõe para o arquivo e divulgação de todo o
património cultural e científico, adquirido ao longo dos tempos.

Os regulamentos para o acesso e uso das bibliotecas podem variar de biblioteca para
biblioteca, públicas ou privadas, gerais ou especializadas, grandes ou pequenas. Os serviços
prestados por elas são grátis, sendo o cartão de leitor e o seu bilhete de identidade importantes
para a sua identificação de forma a ter acesso ao mundo do conhecimento que o vai manter
ocupado para o resto da vida.

1.1.2. Como está Organizada uma Biblioteca?


Existem vários sistemas de classificação dos assuntos, utilizados pelas bibliotecas. É o caso
do denominado Sistema de Classificação Dewey, também conhecido como Classificação
Decimal Universal (CDU). Existe, também, o Sistema de Classificação da Biblioteca do
Congresso. Ambos são muito utilizados, sobretudo, nos países de origem anglo - saxónica. A
maioria das bibliotecas em Moçambique usa o CDU, como sistema de classificação dos
documentos, o que lhe permite organizar o seu fundo, facilitando o acesso dos utilizadores e a
recuperação da informação.

A CDU é um dos sistemas de classificação mais usados no mundo. Divide o conhecimento


humano em 10 classes, de 0 a 9. Assim: 0-Generalidades; 1-Filosofia, Psicologia; 2-Religiao,
Teologia; 3-Ciências Sociais; 5-Matemática e Ciências Naturais; 6-Ciências Aplicadas; 7-
Arte, Desporto; 8-Linguística, Literatura e 9-Geografia, Biografia, História.

Como pode notar, a classe 4 está vazia prevendo a possibilidade do aparecimento de uma área
científica completamente nova.

26
1.1.3. Identificação das Fontes
Numa biblioteca, como identificar as fontes bibliográficas indispensáveis para a elaboração de
um trabalho? Procurando as fichas (de assuntos, de obras e de autores), nos catálogos gerais e
nos específicos.

A identificação das fontes bibliográficas pode ser iniciada pela consulta de obras que
propiciam informações gerais sobre o assunto: enciclopédias, manuais, dicionários
especializados, etc. Estas obras indicarão outras que abordam o assunto de maneira mais
específica e abrangente.

Segundo Gil (1998), as fontes bibliográficas classificam-se em:

a) Livros de leitura/corrente. Obras de literatura, nos seus diversos géneros (romance,


poesia, teatro); obras de divulgação que podem ser científicas, técnicas e de
vulgarização. As obras científicas e técnicas utilizam a linguagem própria da ciência e
destinam-se aos especialistas de cada área. As de vulgarização destinam-se ao público
não especializado na matéria.

b) Livros de referência. Dicionários, enciclopédias e anuários são as principais obras de


referência informativa. Os de referência remissiva são os catálogos das grandes
bibliotecas e editoras, os boletins e jornais especializados.

c) Periódicos. As principais publicações periódicas são os jornais e revistas de grande


utilidade para a actualização das informações. As revistas costumam publicar
resenhas, que representam uma forma de estar em dia com as publicações recentes de
cada área do conhecimento.

d) Impressos diversos. Além de livros, jornais e revistas, encontram-se nas bibliotecas,


publicações do governo, boletins informativos de empresas ou de institutos de
pesquisa e estatutos de entidades diversas.

1.2. Pesquisa Bibliográfica na Internet


A pesquisa em biblioteca, como foi visto, tem sido a maneira tradicional de recuperar
informações em qualquer das áreas do conhecimento humano. Recentemente, com o
aparecimento das facilidades dos recursos electrónicos da rede mundial de computadores –
Internet – essa outra forma de pesquisa tornou o acesso muito mais amplo e praticamente sem
fronteiras físicas.

Os conceitos de recuperação da informação electrónica, de um modo geral, estão presentes no


uso de Ferramentas de busca, também designados Web sites de busca ou motores de busca.

27
Trata-se de programas que ficam vinculados à própria rede e se encarregam de localizar os
sites a partir da indicação de palavras-chave, assuntos, nomes de pessoas, entidades, etc. Entre
os sites mais correntes e poderosos podemos encontrar o Google, Alta vista e o yahoo.

Em relação à pesquisa científica, uma nova categoria de serviços de busca, ainda não muito
divulgada, que está a proliferar, são os chamados Vortais ou Portais Verticais. Vortais são
mecanismos de busca especializados que se concentram numa única categoria como ciências
sociais, medicina, computação, entre outros. Por serem especializados, a probabilidade de
localizar a informação desejada é muito maior e em menor tempo.

O pesquisador poderá utilizar uma ferramenta de busca para aceder um Vortal, podendo
escrever apenas Portal de (colocar o assunto).

Exemplo de Portais: www.portaldecontabilidade.com.br e www.eusou.com/jurista/

Deve-se salientar que, quando se inicia uma pesquisa na Internet para fins científicos, é
necessário aplicar também o rigor científico (metodologia e técnicas correctas para a busca)
na execução da pesquisa, da mesma forma que o aplicamos nas publicações científicas em
papel. É imprescindível pesquisar em sites especializados com base científico, governamental
e institucional, e fazer uso do Tesauro específico para a área de conhecimento a ser
pesquisada.

2. Tratamento da Informação

2.1. Tomada de Notas/Apontamentos

Tirar apontamentos é um processo que facilita a captação e a retenção da matéria. Segundo


Serafini (1996, p.60) “estudos diversos têm mostrado que existe uma forte correlação entre a
capacidade de tirar apontamentos e a facilidade de aprender”. Escrevendo, aprende-se melhor
e guarda-se a informação por mais tempo. Cabe ao estudante saber interpretar a informação, o
que requer deste uma atitude activa, ou seja, de espírito crítico e atenção selectiva.

A atitude do estudante deverá estar dirigida para uma escrita activa e participativa,
questionando-se mentalmente e procurando as relações existentes, de modo a reconhecer o
objectivo e o desenvolvimento lógico da exposição do professor.

Os apontamentos constituem o material de estudo mais frequente para os estudantes de


qualquer parte do mundo (constitui a principal ocupação do estudante de hoje). O papel do
estudante deve cingir-se a entender os conteúdos e apresentar dúvidas, à medida que elas
forem surgindo.

28
2.1.1. Algumas das Razões que levam os Estudantes a Tomar Notas/Apontamentos

As notas ou apontamentos revestem-se de muita importância porque permitem:

1. Registar, por escrito, os ensinamentos do professor. O estudante pode determinar o


conteúdo da matéria do dia, o que torna mais fácil planificar uma sessão de estudo. Pode
completá-los através do trabalho na biblioteca

2. Facilitar ao estudante a tarefa de se concentrar nas explicações do professor. O tomar


notas implica que o estudante deve estar concentrado.

2.1.2. Procedimentos para a Tomada de Notas

Ao tomarmos notas ou apontamentos temos que ter em consideração os seguintes passos:


1. Tentar entender a matéria;
2. Quando tiver compreendido o que tenha sido escrito ou dito, deve tentar escrever o
conteúdo usando as suas próprias palavras;
3. Resumir tudo que for possível, tendo muito cuidado para não modificar o seu
significado;
4. Escrever os apontamentos com a melhor caligrafia possível e
5. Utilizar abreviaturas, pois, se pretende escrever as ideias com todas as palavras, não lhe
restará tempo.

Note que utilizar os apontamentos de outra pessoa é uma prática muito pouco recomendável,
porque cada um emprega regras próprias para entender e exprimir o seu conteúdo (evita
perguntar o significado deste ou daquele parágrafo ou sentido concreto de uma frase). Esta
posição é reforçada por Serafini (1996) quando diz que a utilidade dos apontamentos é tanto
maior quando estes forem personalizados, isto é, apresentem uma organização dada pelo seu
autor, que seja sensivelmente da do texto lido.

2.1.3. Diferentes Estilos da Tomada de Notas/Apontamentos


Gonzalo (1999) considera três diferentes Estilos para a Tomada de Notas ou Apontamentos
que são os seguintes: a narração, a lista e o esquema.

29
a) Narração

A narração consiste em transcrever, de forma pormenorizada, todo o conteúdo da lição


exposta pelo professor, sem os submeter a um processo de selecção, nem separar aquilo que é
realmente importante daquilo que não o é. O resultado deste método é ter apontamentos
excessivamente monótonos.

b) Lista

Este modelo visa estruturar, por listas, o conteúdo dos apontamentos. Consiste em registar as
ideias mais importantes da exposição à medida que elas vão aparecendo. Podem ser utilizados
símbolos em que se incluem letras, palavras e números.

c) Esquema

O estudante esforça -se por tomar os apontamentos numa sequência hierárquica de categorias
principais e subcategorias.

Este estilo de esquema alfabético/numérico é recomendável apenas para os estudantes com


elevada capacidade de análise e síntese capazes de estruturar de, forma gradual, o conteúdo
definitivo das suas notas.

2.2. Fichas
As fichas têm por objectivo registar todas as informações e/ou partes importantes de uma obra
ou texto assinalado ao longo das leituras feitas. Essa técnica facilita a compreensão do texto e
a organização do estudo.

É basicamente o arquivo do texto que você lê conteúdo a referência e o que você entendeu do
conteúdo do texto de uma obra, de um texto ou mesmo de um tema (Filho, S/A).

Segundo Severino (2000), o fichamento é constituído primeiramente pelas fichas de


documentação temática. Baseia-se nos conceitos fundamentais que estruturam determinada
área do saber. Cada estudante pode formar seu o ficheiro de documentação temática
relacionado ao curso que esta seguindo, a partir da estrutura curricular do mesmo.

Pode-se afirmar que a ficha é um recurso didáctico utilizado por estudantes/pesquisadores na


construção do seu próprio conhecimento. É a forma de colecta e registo de informações das
fontes bibliográficas tendo em vista à utilização para a construção de um novo texto.

30
2.2.1 Para quê fazer as Fichas?
O arquivo de leitura sobre um determinado tema compreende fichas, de preferência de
formato grande, dedicadas aos livros ou artigos que leu. Nelas você registará resumos,
opiniões, citações. Enfim, tudo o que puder referir-se ao livro lido.

Com o uso do computador, a confecção de fichas ficou mais simples. Sugerimos um modelo
básico, e que pode ser adaptado tanto para meios electrónicos, como para o uso tradicional
das fichas de cartolina.

2.2.2 Tipos de Fichas


As fichas de leitura podem ser de diversa tipologia dependendo do objectivo último da sua
confecção. Destacam-se dentre várias os seguintes tipos de fichas:

Bibliográfica (catalogação bibliográfica)

1. Citação (transcrição)
2. Resumo (de conteúdo)
3. Opinião (de comentário ou analítico)

a) Ficha Bibliográfica

Trata-se de uma ficha contendo a relação das obras que poderão servir de fontes para a
elaboração de um trabalho académico. Este tipo de fichas surge devido à dificuldade de se ter
uma biblioteca em casa.

O primeiro passo de uma pesquisa bibliográfica é fazer um levantamento bibliográfico nas


bibliotecas a que se tem acesso, montando para isso o seu próprio banco de dados
bibliográficos.

Exemplo de uma ficha bibliográfica

Assunto (TEMA): Antropologia Filosófica Ficha no


1

Referência Bibliográfica Completa:

Buber, M. (2004). EU e TU. Tradução de Newton Aquiles Von Zuben. 8ª Ed. São Paulo:
Centauro (1)

Galeffi, D. A. (2003). Filosofar e Educar: Inquietações Pensantes. Salvador: Quarteto

31
(2)

Oliveira, L. C. B. (2002). Os diversos sentidos da existência para o homem grego. 2ª Ed.


Brasília: Universa (3)

Tillich, P. (1967). A coragem do ser. Tradução de Egli Malheiros. Rio de Janeiro: Paz e
Terra (4)

Wojtyla, K. C. (1982). Amor e responsabilidade: Um estudo ético. São Paulo: Loyola


(5)

Biblioteca onde se encontram as obras:

● Biblioteca do Povo (ISTEG), Campus principal: Livros 1, 4 e 5

● Biblioteca pessoal: Livros 2, 3 e 4

b) Ficha de citação (transcrição)

É a ficha que consiste na reprodução fiel de parte da obra de interesse observando as


regras para esse fim.

Após leitura sistemática da obra, o estudante/pesquisador sublinha frases, parágrafos,


partes que expressam a ideia principal do autor, partes estas que podem ser transcritas
no seu trabalho de pesquisa (artigo, monografia, ensaio…).

Na produção deste tipo de ficha deve-se ter o cuidado de abrir e encerrar a citação com
aspas e indicar a página da qual se fez a transcrição. Quando se fizer supressão de
alguma parte da obra, deve-se indicar tal supressão com reticências entre colchetes […]

Vejamos alguns exemplos

Citação completa

SEVERINO, António Joaquim. (2003). Metodologia do trabalho científico. São Paulo:


Ed. Cortez

“Ao dar inicio a essa nova etapa de sua formação escolar; a etapa de ensino superior, o
estudante dar-se-á conta que se encontra diante de exigências específicas para a
continuidade de sua vida de estudos.” (Severino, 2003, p.23)

32
Citação com supressão

Assunto: (Tema): Vida e Cotidiano Ficha no 1

Referência Bibliográfica Completa:

HELLER, Agnes. (1992). O Cotidiano e a história. 4ª Ed.. São Paulo: Paz e Terra

Texto da Ficha:

``O adulto deve dominar, antes de mais nada a manipulação das coisas (…) Mas embora a
manipulação das coisas seja idêntica à assimilação das relações sociais, continua também
contendo inevitavelmente, de modo imanente, o domínio espontâneo das leis da natureza`` (p.
19)

Tipo de ficha: Citação

Biblioteca que se encontra a obra: Biblioteca do Povo (ISTEG). Campus Principal

Observações:

1. Quando a citação passar de uma página para outra, deve-se referir o número das duas
páginas (ex. p. 325 – 326)

2. Quando a supressão é de vários parágrafos deve-se usar uma linha pontilhada entre as
transcrições.

c) Ficha de resumo (de conteúdo)

É a captação da ideia central do texto através do registo, de forma resumida, das informações
mais importantes em ficha para consulta posterior. Trata-se de uma apresentação sintética,
clara e precisa do pensamento do autor. A apresentação das ideias principais, das teses
defendidas.

SOARES, Maria Almira. Como fazer um resumo. 2. ed. Lisboa, 2004

A aparência dos jornais mudou radicalmente no início do século: a existência de materiais de


impressão facilitadores, transformou um processo lento e pouco criativo e passando a permitir
a ilustração.

d) Ficha crítica (de comentário ou analítico)

33
É neste tipo de ficha que o estudante/pesquisador vai, além de descrever o conteúdo da obra
lida, ele interpreta, incluindo uma crítica pessoal às ideias expressas pelo autor da obra.

Lakatos e Marconi (2003) afirmam que o fichamento crítico pode apresentar um comentário
sobre a forma pela qual o autor desenvolve seu trabalho, no que se refere aos aspectos
metodológicos. Assim, fichamento crítico é:

 Uma análise crítica do conteúdo, tomando como referencial a própria obra;


 Uma interpretação de um texto obscuro para torná-lo mais claro;
 A comparação da obra com outros trabalhos sobre o mesmo tema;
 A explicitação da importância da obra para o estudo em pauta.

Tarefas
1. Visite uma biblioteca e faça um relatório dos aspectos observados.

2. Tomando em consideração o texto “O príncipe feliz” constante das páginas 68-70 da obra
de Carrilho (2005), retire as notas que achar relevantes e identifique os procedimentos por
si usados para o efeito.

3. Consulte os ficheiros de uma biblioteca próxima da região onde mora e elabore uma ficha
bibliográfica dos conteúdos da disciplina de métodos de Estudo.

Auto-avaliação

1. Imagine que lhe foi atribuido um tema de pesquisa numa das disciplinas curriculares do
seu curso. Apresente quais seriam os procedimentos que devia tomar para a efectivação
da procura de informação para realizar a pesquisa em causa.

2. Com base nas fontes onde obteve a informação para realizar a pesquisa acima referida,
elabore uma ficha bibliográfica.

3. Apresente a classificação das fontes bibliográficas de acordo com Gil (1998).

4. Refira-se aos tipos de fichas aprendidas.

5. Distinga a ficha de citação completa da citação com supressão e dê exemplos à sua


escolha.

Resumo

O estudante do ensino superior, para que tenha sucesso na vida académica, é imprescindível
que tenha noções básicas relativas à procura e tratamento da informação.

34
No que se refere à procura, a informação poderá ser adquirida nas bibliotecas quer físicas quer
virtuais (internet).

Quanto ao tratamento, procura da informação deverá ser feita através de notas ou


apontamentos e fichas. Para que os apontamentos ou notas sejam claros, breves e bem
organizados, é fundamental que não se escrevam as informações, sem antes estas terem sido
compreendidas. Entre o ouvir e o tirar apontamentos há vários passos intermédios. Assim , a
estrutura ideal de uma boa tomada de apontamentos é a seguinte: Escutar = Compreender =
Seleccionar = Resumir

No que diz respeito às fichas de leitura, é importante tomar em consideração que nelas
somente deve constar informação considerada relevante. Existem essencialmente 4 tipos de
fichas designadamente a ficha bibliográfica, de citação ou transcrição, de resumo e crítica ou
comentário.

Bibliografia
1. Carrilho, F. (2005). Métodos e técnicas de estudo. Lisboa: Editorial Presença

2. Dias, M. M., Nunes, M. M. (1998). Manual de métodos de estudo. Lisboa: Edições


Universitárias Lusófonas

3. Estanqueiro, A. (1998). Um Guia para o Sucesso na Escola. Lisboa: Texto Editora

4. Gonzalo, S. (1999). Como Estudar. Lisboa: Editorial Estampa

5. Serafini, M. T. (1996). Saber estudar e aprender. 2.ed. Lisboa: Editorial Presença

6. Ron, F. (2000). O guia do bom estudante. Lisboa: Presença

Unidade Didáctica nº 4: O Resumo


Introdução

Caro estudante, na unidade anterior aprendeu as técnicas relativas à tomada de notas, em que
ficou claro que é essencial reter as ideias principais de um determinado texto. Nesta unidade
irá estudar sobre as técnicas de elaboração de um resumo. Para melhor percepção desta
unidade didáctica é fundamental tomar em atenção os aspectos aprendidos na unidade 3.

Farão parte dos conteúdos a serem abordados, nesta unidade, os seguintes: conceito de
resumo, vantagens do resumo; características do resumo, tipos de resumo e fases para sua
elaboração.

35
Objectivos da Unidade
Ao completar esta unidade, você deve ser capaz de:

1. Definir o resumo;
2. Distinguir o essencial do acessório numa obra;
3. Identificar a relevância, as características e os tipos do resumo;
4. Produzir resumos.

Desenvolvimento do Conteúdo

1. O Resumo

Todos os estudantes fazem resumos de textos ou por necessidades pessoais ou por exigências
académicas. Esta actividade de resumir exige, em primeiro plano, que se tenha uma certa
competência de leitura e compreensão dos textos.

O conceito de resumo é apresentado por diversos autores sob diferentes perspectivas, como
passaremos a ver a seguir.

O resumo é uma redacção que consiste, de acordo com Bastos (1989), em “pegar num texto
pelos seus pontos principais, pelos seus dados de conjunto e transmiti-los, através de um outro
que é a redução do original”

Para Rei (2000), resumir um texto é condensar as ideias principais, respeitando o sentido, a
estrutura e o tipo de enunciação, isto é, os tempos e as pessoas, com a ajuda do vocabulário e
do estilo pessoal do estudante. Isto é, reter as linhas de um raciocínio, o essencial dos dados
de um problema, as características de uma situação, as conclusões de uma análise, sem o mais
pequeno comentário.

Por seu turno Jimenez Ortega e Gonzalez Torres (1998) afirmam que resumir é a técnica que
consiste em tirar e expor o que consideramos mais importante de um tema. Consiste em
reduzir o texto de forma que não falte nada de imprescindível para compreender o texto.

Carrilho (2005) aponta que resumir é condensar o essencial de um texto, reduzindo-o cerca de
25% (um quarto) da sua extensão, tendo o cuidado de não amputar nenhuma ideia
fundamental, nem alterar as características do texto original.

Fica claro, portanto, que o resumo é a criação de um texto a partir de um outro texto, já
existente, procurando sempre reter as ideias-chave, o essencial ou principais e a estrutura do
texto que dá origem ao novo texto que criamos.

É de referir que um bom resumo exige: concentração em relação ao que se está a


fazer/estudar; uma boa inteligência para distinguir o importante do acessório; capacidade de

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síntese e domínio da expressão oral e escrita. Visto o conceito passamos a apresentar as
vantagens da elaboração de resumos, características do resumo, tipos e fases de resumo.

1.1. Vantagens da Elaboração de Resumos


A elaboração de resumo é fundamental na medida em que permite:

1. Apresentar com fidelidade as ideias ou factos essenciais contidos num texto de forma
contraída;

2. Pôr em relevo as ideias básicas contidas num texto (expor, em poucas palavras, o que o
autor expressa de forma mais longa);

3. Entender o que é essencial (as ideias relevantes)

4. Distinguir o principal do secundário e relacionar as ideias entre si de forma sintética.

1.2 Principais Características de um Resumo

Um resumo bem elaborado deve apresentar as seguintes características:

a) Brevidade - Aconselha-se a não repetir 2 a 3 vezes a mesma ideia. Deve reduzir o


texto, mais ou menos a uns 20%.

b) Clareza - É fundamental entender o tema. Só assim é possível distinguir cada uma


das ideias do tema a ser estudado.

c) Hierarquia - Dar maior importância às ideias principais, em detrimento daquilo que


é menos importante, organizando-as na mesma ordem em que aparecem no texto
base.

d) Integridade – O resumo deve procurar ser fiel às ideias apresentadas no texto, isto é,
não pode desviar-se das ideias do texto base.

e) Linguagem pessoal – Deve usar sempre que possível vocabulário diferente do texto
base, ou seja, deve ser redigido por palavras próprias.

f) Imparcialidade – não pode ter marcas do autor do texto.

37
1.3 Fases da Actividade de Resumir
As fases do acto de resumir que a seguir se apresentam, irão permitir que você ao estudar
ganhe capacidades valiosas para fazer resumos de textos mais longos. No total são cinco
fases:

a) Primeiro observe o texto. Nesta fase decida que tipo de texto se trata (artigo de jornal,
ensaio, relatório burocrático, etc.); repare nos títulos e subtítulos; veja o aspecto
gráfico (parágrafos, caixas, colunas, pontuação, etc.).

b) Depois realize uma leitura esvoaçante (isto é explore o texto, faca um skimming).
Neste acto, decida que assuntos e tópicos tratam o texto; o que o estudante entendeu
em geral e quais são as ideias fundamentais.

c) Depois realize uma leitura profunda (lembre-se do skanning). No fim desta fase,
registe o MATERIAL LEXICAL, as palavras-chave, as palavras repetidas, as ideias e
factos que aparecem mais vezes, as expressões ou pensamentos equivalentes; também
veja bem os CONECTORES e tome atenção à PONTUACAO.

d) Faça uma reformulação metódica. A reformulação é uma etapa que antecede a


redacção final do resumo. Consiste no registo esquemático de todos os elementos que
vão fazer parte do resumo.

Tarefas

1. Suponha que o seu amigo do curso pretende produzir um resumo. Que conselhos práticos
o daria?
2. Ponderando os textos fornecidos na unidade, elabore os resumos dos respectivos textos.
3. Resuma um artigo de jornal ou revista cujo tema seja do seu interesse.
4. Leia o texto abaixo e faça o respectivo resumo:

A Reprodução dos seres vivos

Como sabes, a grande maioria dos animais provém de um ovo resultante da fecundação.

A fecundação é a união de duas células chamadas gâmetas, em geral, uma masculina (o


espermatozóide) e outra feminina ( o óvulo) da qual resulta um ovo.

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Do ovo forma-se um embrião que origina um ser.

Os animais ovíparos são aqueles cujo embrião se desenvolve fora do corpo materno e à custa
de reservas alimentares que o próprio ovo contém. Lembra-te da galinha que põe ovos cujas
reservas alimentares são a gema e a clara, à custa das quais o embrião se desenvolve. Além
da galinha, outros animais, como o cisne preto, o caracol, a rã, alguns peixes, a lagartixa, a
coruja das torres, a joaninha são também ovíparos.

Há, no entanto, animais cujos embriões se desenvolvem no interior do organismo materno e à


custa deste. Os seu ovos não contêm reservas alimentares abundantes. São chamados
vivíparos, como o Homem, a raposa, o cão, a cabra, o cavalo, a foca, a baleia, o morcego e
alguns peixes.

Existem ainda os ovovivíparos, como alguns peixes e víboras, cujos embriões se desenvolvem
também no organismo materno, mas à custa das reservas contidas no ovo.

Temas do mundo vivo

Auto-avaliação

1. Refira-se às vantagens de elaboração de um resumo.

2. Quais são os aspectos que devem ser respeitados na produção de um resumo.

3. Tomando como base o resumo elaborado sobre o texto “Reprodução dos seres vivos”,
faça a sua auto-avaliação preenchendo a tabela que se segue:

Auto-avaliação do resumo Sim Não

1. Dividi o texto em partes

2. Identifiquei as ideias principais contidas em cada uma delas

3. Reduzi o texto a ¼

4. Respeitei as ideias do autor

5. Utilizei palavras minhas

6. Exclui comentários e diálogos

7. Respeitei a sequência original

8. O texto produzido está claro

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Resumo
Resumir é criar um novo texto a partir de um texto já existente, sendo fiel em todos os
aspectos a este.

Um bom resumo não deve exceder 25 a 30% de extensão do texto original; deve procurar
reflectir somente no que diz respeito ao texto, mas expressado de forma pessoal, quer dizer
por suas próprias palavras. Nele fazem parte apenas ideias importantes que devem ser
interligadas de forma a ter uma unidade e pleno sentido.

É de salientar que um resumo não é uma simples colecção ou enumeração de ideias.

Bibliografia
Carrilho, F. (2005). Métodos e técnicas de estudo. Lisboa: Editorial Presença
Dias, M. M., Nunes, M. M. (1998). Manual de métodos de estudo. Lisboa: Edições
Universitárias Lusófonas
Estanqueiro, A. (1998). Um Guia para o Sucesso na Escola. Lisboa: Texto Editora
Jimenez, J. O. & Gonzalez, J. T. (1998). Técnicas de estudo para bachillerato e universidade.
S/l: Tébar
Rei, J. E. (2000). Curso de redacção II: o texto. Porto: Porto Editora
Romainville, M. & Gentile, C. (1995). Métodos para aprender. Porto: Porto Editora

Unidade Didáctica nº 5: Trabalho de Pesquisa

Introdução

A ciência enquanto conteúdo de conhecimento deve ser colocada como resultado da


articulação do lógico com o real e da teoria com a realidade. É neste âmbito que esta ciência
deve ser feita através de trabalho de pesquisa especializada que exige capacidade de
manipulação de um conjunto de métodos e técnicas específicas às várias ciências.

Nesta unidade serão objecto de análise os diversos pressupostos metodológicos referentes


aos trabalhos científicos, sendo que, para o efeito, serão apresentados temas relativos ao
conceito de pesquisa, tipos de pesquisa e elementos estruturais da pesquisa científica.

Objectivos da Unidade

Ao completar esta unidade, você será capaz de:

1. Definir a pesquisa;
2. Identificar os pressupostos básicos metodológicos referentes ao trabalho de pesquisa;

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3. Identificar os tipos e os elementos estruturais da pesquisa e
4. Produzir relatórios de pesquisa.

Desenvolvimento do Conteúdo

1. O Conceito de Pesquisa
Durante a sua vida académica na universidade ou durante o seu percurso como estudante,
várias foram as situações com que se deparou ou se irá deparar como por exemplo, os
trabalhos de pesquisa. “Estes servem para avaliar as capacidades de investigação, observação,
análise crítica, organização, criatividades, entre outras habilidades“ (Carrilho, 2005)

Segundo Lakatos e Marconi (2001) e Cervo e Bervian (1996) a pesquisa pode ser definida
como sendo uma actividade voltada para a busca de respostas e solução de problemas para
questões propostas, através da utilização de métodos científicos.

Importa referir que este conceito de pesquisa é também comungado por outros autores ao
definirem a pesquisa nos seguintes termos:

“Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada, desenvolvida e


redigida de acordo com as normas da metodologia consagradas pela ciência” (Ruiz, 1991);

“A pesquisa é uma actividade voltada para a solução de problemas, através do emprego de


processos científicos” (Silva e Menezes, 2001);

Deste modo, fica claro que a pesquisa científica é a realização de um estudo planificado,
sendo o método de abordagem do problema o que caracteriza o aspecto científico da
investigação. A sua finalidade é descobrir respostas para questões ou problemas que
preocupam sujeito que investiga ou a sociedade, de um modo geral, mediante a aplicação do
método científico.

2. Características da Pesquisa
Caro estudante, em termos gerais, pode-se considerar que a pesquisa é um:
1. Processo sistemático: existe uma regra de sistematização de todo o processo (problema
– hipótese – variáveis – dados – resultados – refª ao problema);
2. Processo lógico: o exame da metodologia permite avaliar as conclusões;
3. Processo empírico: os problemas são analisados com base em dados recolhidos;

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4. Processo redutor: embora se estude uma amostra pretende-se a generalização;
5. Processo replicável: toda a investigação deve ser integralmente reproduzida.

3. Tipos de Pesquisa
Os critérios para a classificação dos tipos de pesquisa variam de acordo com o enfoque dado.
A divisão obedece a critérios como finalidade, objectivos, métodos ou procedimentos, forma
de abordagem do problema, local da pesquisa, etc. Os principais tipos de pesquisa são:

4. Fontes de Pesquisa

A obtenção de dados para a pesquisa (observação dos factos e acontecimentos) pode ser feita
recorrendo a técnicas diversas, em função do tipo de pesquisa que se pretende, conforme se
indicou anteriormente. Destacam-se essencialmente duas fontes para a obtenção de dados para
a pesquisa: fontes documentais e fontes de observação directa.

a) Fontes documentais

Quando o processo de recolha de informação para a pesquisa é feito através de livros ou de


documentos escritos. Podem ser agrupados em duas categorias tendo em consideração dois
critérios: o conteúdo dos documentos e a origem desses documentos, sendo:

 Documentos directos ou fontes primárias: que são emitidos pelos intervenientes no


processo de produção dos assuntos estudados e, por isso, têm uma relação directa com

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os temas que constituem o objecto de estudo. São exemplos os dados históricos,
bibliográficos e estatísticos; informações, pesquisas e material cartográfico; arquivos
oficiais e particulares; registos em geral; documentação pessoal (diários, memórias,
autobiografias); correspondência pública ou privada, etc.

 Documentos indirectos ou fontes secundárias: aqueles que apesar de não terem uma
relação directa com esses assuntos, podem indicar ou permitir situar as bases das
questões estudadas. São emitidos por pessoas estranhas ao processo mas que
testemunham a produção desses fenómenos. A imprensa em geral e obras literárias são
exemplos deste tipo de fonte.

b) Fontes de observação directa

Quando o processo de recolha de informação para a pesquisa não se faz através de


livros ou documentos escritos, mas através de uma observação “no terreno”, “ao
vivo”, realizados com pessoas que podem fornecer dados ou sugerir possíveis fontes
de informação úteis. Chama-se pesquisa de campo, na qual o investigador assume o
papel de observador e explorador, colectando dados directamente no local (campo)
em que se deram ou surgiu o objecto de estudo os fenómenos. O trabalho de campo
caracteriza-se pelo contacto directo com o objecto de estudo. São utilizadas nesta
pesquisa técnicas de observação, inquéritos, entrevistas e questionários, buscando as
informações sobre o objecto do estudo. Este é um tipo de pesquisa muito utilizado em
Sociologia, Antropologia, Psicologia Social e no Direito.

A observação directa pode ser de dois tipos: a que se faz em grandes comunidades
analisadas através de amostragens significativas (observação directa extensiva), ou a
observação que se faz em pequenas comunidades e até em indivíduos, ganhando
profundidade ao invés da extensão (observação directa intensiva).

5. Fases de elaboração de um trabalho de pesquisa


De acordo com Silva e Menezes (2005) pesquisa é a construção do conhecimento original de
acordo com certas exigências científicas. Para que o seu estudo seja considerado científico
você deve obedecer aos critérios de coerência, consistência, originalidade e objectivação. Para
a realização de uma pesquisa científica, segundo Goldemberg (1999, p.106), é imprescindível:

a) A existência de uma pergunta a que se deseja responder;


b) A elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta;

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c) A indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida”.

A planificação de uma pesquisa dependerá basicamente de três fases:

1. Decisória: referente à escolha do tema, à definição e à delimitação do problema de


pesquisa;
2. Construtiva: referente à construção de um plano de pesquisa e à execução da pesquisa
propriamente dita;
3. Da redacção: referente à análise dos dados e informações obtidas na fase construtiva. É a
organização das ideias de forma sistematizada visando a elaboração do relatório final.
A apresentação do relatório de pesquisa deverá obedecer às formalidades requeridas pela
Academia.

6. Estrutura de um Projecto de Pesquisa

Para começar a pesquisar um determinado assunto, o pesquisador precisa de ter bem claro
alguns assuntos, principalmente o tema, o objectivo do estudo (o porquê da pesquisa) e a
metodologia de estudo (como pretende levar a cabo o estudo ou que passos irá seguir para
alcançar os objectivos a que se propôs).

Antes de começar com a pesquisa, é preciso elaborar um projecto de pesquisa onde aparecem,
claramente, os elementos indispensáveis para ter uma visão clara sobre todos os passos que
irá seguir.

Um projecto de pesquisa é, desta forma, um documento no qual se faz o desenho da pesquisa


a ser feita. Ele serve para:

1. Dar a conhecer aos outros sobre o tema da pesquisa;


2. Orientar sobre os passos a seguir na pesquisa;
3. Ajudar a prever possíveis dificuldades;
4. Ajuda a prever os custos da pesuisa;
5. Ajuda a obter fundos para a pesquisa, se o projecto dor relevante ao nível da comunidade
e da sociedade, no geral ou mesmo para alguns sectores económicos e sociais da
sociedade;
Assim, um projecto de pesquisa tem de ter os seguintes elementos:
Capa

Índice

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1. Introdução
2. Objectivos do estudo
2.3. Objectivo geral
2.4. Objectivos específicos
3. Justificação do estudo
4. Questão chave da pesquisa ou formulação da hipótese
5. Quadro teórico
6. Metodologia
7. Cronograma da pesquisa
8. Orçamento
8.1.Orçamento descritivo (opcional)
8.2.Orçamento numérico
9. Bibliografia
10. Anexos (caso haja)
11. Apêndices (caso haja)

Frise-se que o projecto de pesquisa é uma fase que antecede ao relatório de pesquisa, ou seja,
após a implementação do projecto de pesquisa o estudante deve produzir o relatório de
pesquisa.

7. Estrutura de Trabalhos Académicos (relatórios de pesquisa)


Depois de realizar a pesquisa, o estudante deve elaborar o relatório científico que é a
descrição dos factos verificados na pesquisa. O Relatório de pesquisa compreende um
historial sobre a execução da pesquisa, sobre os resultados da análise dos dados e as
conclusões dessa pesquisa ou estudo.

De um modo geral, um trabalho académico ou um relatório de pesquisa deve estar organizado


da seguinte maneira:

a) Elementos Pré-Textuais:

Elementos que precedem a introdução do trabalho:

 Folha de Capa
 Folha de Rosto
 Compromisso de Honra
 Agradecimentos

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 Dedicatória
 Epígrafe
 Errata
 Sumário
 Lista de Tabelas, Quadros e Figuras
 Lista de Abreviaturas
 Glossário
 Resumo

b) Elementos Textuais:

É a parte do trabalho em que o tema é apresentado e desenvolvido.

 Introdução
 Objectivos (geral e específicos)
 Problema de Estudo
 Hipóteses
 Justificativa
 Metodologia
 Revisão Bibliográfica
 Discussão
 Resultados
 Conclusões
 Recomendações

c) Elementos Pós-Textuais

São os elementos que sucedem a conclusão do trabalho:

 Referências Bibliográficas
 Anexos ou Apêndices
 Índice (pode também ser considerado um elemento pré-textual)

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Tarefas
1. “Ninguém pode pretender retirar do vácuo um projecto de pesquisa. Ele tem o seu
processo normal de nascimento”. Comente a afirmação.

2. Relacione a produção de fichas de leitura com um trabalho de pesquisa.

3. Identifique um tema à sua escolha, que faça parte das disciplinas do seu curso, e elabore um
draft de um projecto de pesquisa.

Auto-avaliação

1. No trabalho de pesquisa, de acordo com Serafini (2001) podemos


distinguir dois aspectos principais, muitas vezes relacionados e dificilmente separáveis
em termos de tempo. Refira-se aos tais aspectos.

2. Distinga fontes primárias das secundárias.

3. Qual dos seguintes temas considera ser mais viável para um trabalho em Administração?

a) A aplicação de projectos de gestão ambiental em empresas

b) A aplicação de projetos em empresas do ramo alimentício

c) Os benefícios, em termos de marketing, dos programas de responsabilidade social de


grandes empresas

d) Desempenho do gerente de vendas X em relação à companhia Y

3.1 Explicite o que lhe permitiu eliminar alguns temas e escolher outros mesmo sem ter
conhecimento da área acima.

4. Apresente as fases da pesquisa bibliográfica, segundo Ruiz (1996).

5. Um trabalho de pesquisa contém, regra geral, uma introdução, um corpo e uma conclusão.
Explicite as especificidades de cada parte.

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Resumo
O trabalho de pesquisa deve ser visto como um instrumento fundamental para o
desenvolvimento da ciência e, em geral, deve ser definido como a realização de um estudo
planificado, sendo o método de abordagem do problema, o que caracteriza o aspecto
científico da investigação. A sua finalidade é dar respostas à perguntas mediante a aplicação
de um método científico.

O trabalho de pesquisa pode contemplar duas fases essenciais, designadamente: o projecto e o


relatório de pesquisa, sendo que o primeiro antecede o segundo. É importante reter que, nos
trabalhos de pesquisa, o primeiro elemento a ser tomado em consideração deve ser o tema,
sendo que a escolha ou a delimitação deste deve deixar sempre margem para uma pesquisa
positiva, isto é, o tema deve ser problematizado.

Saliente-se igualmente que a pesquisa pode ser classificada tendo em contas os seguintes
critérios: finalidade (básica e aplicada); objectivos (exploratória, descritiva e
explicativa/causal); procedimentos (documental, bibliográfica, experimental e outros);
natureza ou forma de abordagem do problema (qualitativa e quantitativa) e quanto ao local da
pesquisa (de campo e de laboratório).

Bibliografia

1. do Amaral, W. (1999). Guia para apresentação de Teses, Dissertações, Trabalhos de


Graduação. 2ª edição. Maputo: Livraria Universitária
2. Gil, A. C. (1996). Como elaborar projectos de pesquisa. 3ª edição. São Paulo:Atlas
3. Marconi, M. & Lakatos, E. (1985). Técnicas de Pesquisa. São Paulo: Atlas Brasil
4. Ruiz, J. Á. (1996). Metodologia cientifica. Guia para eficiência nos estudos. 4ªed.
São Paulo: Atlas
5. Severino, A. J. (2005). Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez
6. Serafini, M. T. (1996). Saber estudar e aprender. 2.ed. Lisboa: Editorial Presença

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