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Aglomerado subnormal no interior da Amazônia: o perfil

sociodemográfico da Vila de Paricatuba (Iranduba-AM)

Resumo:

O Brasil tem sido foco de atenção para as preocupações da relação entre população
e meio ambiente e para os seus possíveis impactos. Essa pressão “população
versus espaço” é apresentada de uma forma pessimista quando relacionada à
região amazônica. Contudo, a ocupação da floresta não se resume a uma simples
equação, não há reprodução sistemática de cenários. Se em grandes centros
urbanos localizados na Amazônia, a ocupação do território resulta no desmatamento
e degradação de grandes áreas verdes, o mesmo não é visto com tanta frequência
nas médias e pequenas cidades do interior. Assim, objeto de estudo este trabalho é
a Vila de Paricatuba, um aglomerado subnormal localizado no Município de
Iranduba, distante 40,1 km da capital do Amazonas. Integrante da Região
Metropolitana de Manaus, Iranduba está ligada a Manaus pela Ponte Jornalista
Phelippe Daou, popularmente conhecida como Ponte Rio Negro. Essa proximidade
entre as cidades gera uma série de alterações na composição populacional, nas
formas de produção e consumo na Vila de Paricatuba. Com isso, questiona-se: Qual
o perfil demográfico e socioeconômico da Vila de Paricatuba (Iranduba-AM)? As
informações são provenientes do projeto Avaliação de preferências e alternativas
para valorizar uma comunidade com potencial turístico, ambiental e cultural no Rio
Negro, AM, coordenado pelo prof. Dr. Alexandre Rivas, da Universidade Federal do
Amazonas (UFAM) e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq).

Palavras-chave: Perfil sociodemográfico; aglomerado subnormal; produção;


consumo.
Aglomerado subnormal no interior da Amazônia: o perfil
sociodemográfico da Vila de Paricatuba (Iranduba-AM)

Introdução

O Brasil tem sido foco de atenção para as preocupações da relação entre


população e meio ambiente e para os seus possíveis impactos. Essa pressão
“população versus espaço” é apresentada de uma forma ainda mais pessimista
quando relacionada à região amazônica.

Contudo, a ocupação da floresta não se resume a uma simples equação, não há


reprodução sistemática de cenários. Se em grandes centros urbanos localizados na
Amazônia, a ocupação do território resulta no desmatamento e degradação de
grandes áreas verdes, o mesmo não é visto com tanta frequência nas médias e
pequenas cidades do interior. Isso porque o interior da Amazônia apresenta
estruturas sociais tão diversas que o crescimento da população, em várias cidades,
não se apresenta como o fator de maior impacto, mas sim o modelo de vida de seus
moradores, cada vez mais conectados a padrões globais de consumo, ao mesmo
tempo em que não possuem acesso à infraestrutura mínima.

Em relação as cidades amazônicas, há pouca discussão sobre o processo de


degradação ao longo da história em cada uma delas. A mais estudada ainda é a
cidade de Manaus e sua expansão urbana que ocorreu sob um modelo de
desenvolvimento urbano excludente, gerador de segregação sócio-espacial
(ARAÚJO, 2004).

Além disso, a naturalização da imagem da Amazônia, muito divulgada nos meios


de comunicação e, por vezes, defendida no meio acadêmico, leva ao entendimento
parcial de sua complexa estrutura que vai além das características da
biodiversidade. Negam a coexistência de “muitas” Amazônias, pela complexidade
geográfica, demográfica, etc., através dos discursos de região de ocupação
descontínua, de população rarefeita, de incipiente desenvolvimento, da falta de
modernidade, que aparentam se sustentar apenas em olhares de fora (TRINDADE
JÚNIOR, 2015), com um discurso de inexistência que a transformam em um verde
infinito.
Apesar dessa complexidade de entendimentos sobre a região, as cidades hoje
cumprem um papel importante nas estratégias da difusão do fenômeno urbano no
espaço amazônico. Há uma nova ordem imposta ao território em uma fase de rápida
ocupação definida pelas ações de infraestrutura, incentivos fiscais e creditícios
feitas, propositalmente, pelo Estado para intermediar a participação de
empreendedores, especuladores e migrantes (TRINDADE JÚNIOR, 2015)

É o que vemos com o dinamismo gerado pela proximidade entre cidades de


Manaus e Iranduba e as modificações causadas após a inauguração da ponte sobre
o Rio Negro. É visível principalmente na ocupação do território de Iranduba, que se
deparou com uma corrida mobiliária e especulatória que gerou, a remoção de
grupos populacionais mais vulneráveis que não possuíam ou acabaram por perder o
seu direito a cidade. Tal direito é entendido como o direito que todas as pessoas têm
em criar cidades que satisfaçam suas necessidades humanas e não apenas o direito
a usufruir da estrutura que já existe na cidade, mas o direito de poder transformá-la
em algo radicalmente diferente já que historicamente, as cidades foram regidas pelo
capital, mais do que pelas pessoas (HARVEY, 2009).

Contudo, de maneira diferenciada, as áreas que apresentam características


urbanizadas, mas que ao mesmo tempo ainda são classificadas ou apresentam
fortes características rurais, também exercem grandes pressões sobre o meio
ambiente, sejam negativas como a derrubada de áreas verdes para a construção de
moradias, aumento dos resíduos sólidos, etc. ou positivas, quando as comunidades
passam a preservar a área utilizando-a de forma sustentável.

Dentro dessas características/configurações complexas, apresenta-se a Vila de


Paricatuba. Localizada na área rural do Município de Iranduba, a comunidade é
classificada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como
aglomerado subnormal.

Com isso, questiona-se: Qual o perfil demográfico e socioeconômico da Vila de


Paricatuba (Iranduba-AM)?

A vila está localizado no município de Iranduba, distante 40,1 km da capital do


Amazonas. O município possui uma área de 2.216,817 km² e uma população
residente de 40.781 habitantes, composta, basicamente, por crianças e jovens
segundo o último censo demográfico realizado pelo IBGE (2010).
Integrante da Região Metropolitana de Manaus, Iranduba está ligada a Manaus
pela Ponte Jornalista Phelippe Daou, popularmente conhecida como Ponte Rio
Negro, porém a sede do município fica em lado oposto, as margens do Rio
Solimões. Assim, boa parte do seu território, principalmente a área rural, é cortado
por ramais, que ligam as comunidades a Rodovia Estadual AM-070 que atravessa
grande parte município e o conecta aos municípios vizinhos de Novo Airão,
Manacapuru e obviamente, Manaus. E em um destes ramais está localizado o objeto
de estudado desta pesquisa: a Vila de Paritcatuba, ou simplesmente, Paricatuba.

Métodos

As informações são provenientes do projeto Avaliação de preferências e


alternativas para valorizar uma comunidade com potencial turístico, ambiental e
cultural no Rio Negro, AM. Coordenado pelo prof. Dr. Alexandre Rivas, da
Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e financiado pelo Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) as informações levantadas estão
disponíveis em bases de dados (em SPSS).

O projeto realizou, entre os dias 17 e 21 de julho de 2013, um levantamento


sociodemográfico censitário da população residente em Paricatuba, através da
aplicação de dois questionários:

1. Domicílio/economia (unificados): com perguntas acerca da estrutura física


dos domicílios, composição familiar, bens de consumo, saneamento
básico e questões acerca do que é produzido pelo domicílio no quintal de
casa e em terras cultiváveis denominadas roças, onde se localizam essas
roças (várzea ou terra firme), o que é produzido ou criado nos locais de
produção, as relações de trabalho predominantes – como, por exemplo,
quantas pessoas do domicílio e de fora dele costumam a trabalhar na roça
e o destino da produção.
2. Indivíduo: perguntas sobre documentação, nível educacional, acesso a
serviços de educação e saúde, ocupação, renda e religião, entre outras
variáveis que permitem traçar o perfil socioeconômico do morador.

Esses dados permitirão traçar com razoável profundidade um quadro analítico


da situação da população residente em Paricatuba, pois possui uma matriz de
variáveis semelhantes à utilizada pelo IBGE em seu questionário básico e no de
amostra. A vantagem da utilização dos dados desta pesquisa consiste na aplicação
dos questionários a toda população e não apenas a 10%, como ocorreu no censo
nacional realizado pelo IBGE (TEIXEIRA, 2011).

Referências bibliográficas

ARAÚJO, L.M. de. Produção do espaço intra-urbano e ocupações irregulares no


conjunto habitacional de Mangabeira, João Pessoa - PB. Pesquisa em andamento
junto ao programa de Pós Graduação em Geografia da UFPB. Orientação Dra.
Doralice Sátyro Maia. 2005.

TRINDADE JÚNIOR, Saint-Clair Cordeiro Da. Cidades e centralidades urbanas na


Amazônia: dos diferentes ordenamentos territoriais ao processo de urbanização
difusa. Revista Cidades volume 12 número 21, 2015.

HARVEY, David. Alternativas ao neoliberalismo e o direito à cidade. Novos


Cadernos NAEA, v. 12, n. 2, p. 269-274, dez. 2009.

TEIXERA, Pery. Recenseamento sociodemográfico participativo da população


indígena da cidade de Tabatinga -AM. Edital N.021/2011 - UNIVERSAL
AMAZONAS.