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COMANDO DA AERONÁUTICA

DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO


PRIMEIRO CENTRO INTEGRADO DE DEFESA AÉREA E CONTROLE DE TRÁFEGO AÉREO
DIVISÃO TÉCNICA
SEÇÃO DE INSTRUÇÃO E ATUALIZAÇÃO TÉCNICA - SIAT

(SEL010) MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA

CUBÍCULOS DE DISTRIBUIÇÃO E USCA

DTCEA-TNB

TURMA 3/2014

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

PREFÁCIO

Esta Apostila foi criada como material de apoio às disciplinas de Cubículos de


Distribuição e de USCA do Curso de Manutenção em Sistemas de Casas de Força do SISCEAB.
Destina-se, especificamente, aos discentes e ao uso técnico de consulta dos mantenedores
de sistemas de casas de força do SISCEAB.

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LISTA DE ABREVIATURAS

KF – CASA DE FORÇA
CM - CUBÍCULO MEDIA TENSÃO
PMT – PAINEL DE MÉDIA TENSÃO
TP - TRANSFORMADOR DE POTENCIAL
TC – TRANSFORMADOR DE CORRENTE
QM - CHAVE DE ATERRAMENTO
SBY – CIRCUITOS NÃO ESSENCIAIS (NÃO ALIMENTADOS PELA UPS)
TR – TRAFO - TRANSFORMADOR
CHF- CHAVE SECCIONADORA DE DISTRIBUIÇÃO
PBT – PAINEL DE BAIXA TENSÃO
QDMT – QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO DE MÉDIA TENSÃO
GMG - GRUGER – GRUPO GERADOR
USCA 1 – USCA G1 (UNIDADE SUPERVISORA DE CORRENTE
ALTERNADA)
USCA 2 – USCA G2
UPS – SISTEMA ININTERRUPTO DE ENERGIA
CARGAS BT SBY – BARRAMENTO DE CARGAS NÃO ESSENCIAIS
CARGAS BT UPS – BARRAMENTO DE CARGAS ALIMENTADAS PELA
UPS
PLC – CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL
RTF – RETIFICADOR
B – BATERIA
TQ – TANQUE DE COMBUSTÍVEL
SR – SUBESTAÇÃO REMOTA

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INTRODUÇÃO À SISTEMA ENERGIA

Todo sistema elétrico é construído com a finalidade de alimentar uma carga com
uma energia de qualidade, garantindo a continuidade da alimentação e respeitando o
critério de economicidade. A configuração desse sistema será montada conforme o tipo
de carga que se quer alimentar. Por exemplo, se a carga é mais robusta e não tem
necessidade de alimentação ininterrupta pode se usar apenas energia comercial
(concessionária local), porém, se for uma carga sensível (equipamentos eletrônicos),
haverá necessidade de estabilizadores ou até mesmo no-breaks.
As Unidades do SISCEAB tem como finalidade controle do espaço aéreo de modo
ininterrupto. Para atingir esse objetivo, os equipamentos ligados à área operacional
devem funcionar sem interrupção e com energia estabilizada, tendo portanto, um
sistema de energia com uma configuração adequada à sua finalidade.
A configuração de energia dos Destacamentos do SISCEAB consiste em uma fonte
principal de energia fornecida, normalmente, pela concessionária local e em duas fontes
de energia secundárias, a saber: dois grupos geradores. Como há cargas críticas no
Destacamento, faz-se necessário um barramento seguro de energia ininterrupta. Trata-se
do barramento prioritário alimentado por um UPS que supre as cargas essenciais na
transição da rede comercial para o gerador e vice-versa.

TIPOS DE CARGAS
As cargas existentes no SISCEAB são classificadas, quanto ao tipo, de acordo com o
barramento em que estão conectadas. Assim temos:
Cargas normais;
Cargas emergenciais; e
Cargas críticas ou essenciais

CARGAS NORMAIS:
São cargas alimentadas por um barramento que possui somente uma única fonte de
energia (geralmente energia comercial), ou seja, não possuem um sistema de energia
secundário para supri-las em caso de falta da energia primária.
Ex: ½ da Iluminação, ½ da Climatização, etc.

CARGAS EMERGENCIAIS:
São cargas conectadas a um barramento que é alimentado, normalmente, com energia
comercial, porém possui um sistema de energia emergencial (grupo gerador) para supri-
lo em caso de falta da sua energia primária.
Ex: Iluminação, Climatização, Tugs, Retificadores, etc.

CARGAS CRÍTICAS OU ESSENCIAIS:


São as cargas conectadas ao barramento prioritário, alimentadas por um Sistema de
Energia Ininterrupto (UPS). O UPS garante uma energia estável e ininterrupta através
de um sistema conversor (CA-CC-CA) conectado a um banco de baterias.Ex: Radar,
Telesat, VHF.

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Fig. Diagrama Unifilar do CINDACTA IV

Classificação das Carga Críticas


As cargas críticas ainda são classificadas, segundo a NSCA 66-1, quanto número de
entrada, em:
 Cargas simples e
 Cargas duais.
CARGAS SIMPLES:
São as cargas que permitem apenas uma entrada de fornecimento de energia.
CARGAS DUAIS:
São as cargas que permitem duas entradas de fornecimento de energia independentes.

Fundamentos de Eletricidade

Circuitos Elétricos
Um circuito elétrico é constituído essencialmente de componentes elétricos que
são combinados de tal maneira que atendam a uma determinada necessidade humana.
Os componentes elétricos podem ser classificados em ativos e passivos.
Os componentes ativos são aqueles que fornecem ao circuito elétrico energia elétrica.

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Os passivos são aqueles que transformam ou armazenam a energia elétrica oriunda dos
ativos em outra forma de energia.
Todo circuito elétrico deve ser representado através de diagramas ou esquemas
elétricos que possam refletir exatamente aquilo que está instalado na realidade. Cada
componente elétrico deve ter a sua representação gráfica, de rápida identificação pelo
leitor.

Componentes ativos
Os componentes ativos dos circuitos elétricos são fontes de energia elétrica.
As fontes de energia elétrica, ou simplesmente fontes, podem ser definidas como um
dispositivo que tem a capacidade de transformar uma energia qualquer disponível na
natureza em energia elétrica. São exemplos de fontes: pilhas, baterias e alternadores.
Veja abaixo a representação gráfica de algumas fontes:

Baterias ou pilhas:
Transformam energia química em elétrica. A energia elétrica produzida nas
baterias é chamada de corrente contínua (C.C.). Aplicações de baterias:
Automóveis, celulares, computadores.
Alternadores:
Transformam energia mecânica em elétrica. A energia elétrica produzida nos
alternadores é chamada de corrente alternada (C.A.). Aplicações de alternadores: grupos
geradores, usinas hidroelétricas e termelétricas.

Componentes passivos
Os componentes passivos são aqueles que recebem a energia elétrica e a
transformam ou num outro tipo de energia ou simplesmente armazenam energia
recebida. São exemplos de componentes passivos: resistor, indutor e capacitor. O
componente passivo qualquer de um determinado circuito é também chamado de carga.
Veja a representação gráfica dos componentes passivos:

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Resistor:
O resistor tem a capacidade de transformar energia elétrica em calor.
Determinados resistores, além de conseguirem transformá-la em calor, conseguem
também transformá-la em luz. São exemplos de equipamentos elétricos que possuem
resistores: chuveiro elétrico, ferro de passar roupa, fornos elétricos, aquecedores
elétricos e lâmpadas incandescentes.
Indutor:
O indutor tem a capacidade de armazenar energia elétrica através de um campo
eletromagnético. Campos eletromagnéticos são semelhantes a campos magnéticos
gerados por imãs, no entanto, são correntes elétricas que geram o campo
eletromagnético. São exemplos de equipamentos elétricos que possuem indutores:
motores e transformadores.
Capacitor
O capacitor tem a capacidade de armazenar energia elétrica através de um
campo elétrico. São exemplos de equipamentos elétricos que possuem capacitores:
computadores, motores de indução monofásicos.

Condutores:
Outro elemento indispensável ao circuito elétrico são os condutores. Eles são os
responsáveis pela conexão elétrica entre todos os componentes do circuito, permitindo a
fácil fluidez da energia elétrica, praticamente sem dar oposição a ela. Normalmente feito
de um metal, como cobre ou alumínio.

Isolantes:
Para garantir que a energia não seja desviada para outros fins que não seja o
caminho do circuito elétrico, os condutores e componentes são normalmente revestidos
de materiais que isolam eletricamente os mesmos do ambiente externo.
Assim, não há desperdício de energia e nem anomalias no circuito. São exemplos de
isolantes: mica, cerâmica, vidro, PVC.
Veja agora a representação gráfica de um circuito elétrico:

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Níveis de tensão:
Didaticamente, dividimos os equipamentos, painéis e quadros em níveis de
tensão. São eles:
a) Extra Baixa Tensão( EBT);
b) Baixa Tensão (BT);
c) Média Tensão (MT);
d) Alta Tensão (AT).
Os circuitos de Extra Baixa Tensão (BT) são aqueles cuja tensão nominal Un
(tensão de operação ou alimentação) não excede 36V. (Un <= 36V). São utilizados
como circuitos de comando, na alimentação dos dispositivos de manobra, medição e
proteção.
Os equipamentos, painéis e quadros de Baixa Tensão (BT) são aqueles cuja tensão
nominal Un (tensão de operação ou alimentação) não excede 1000V. (Un <= 1000V).
Os equipamentos, painéis e quadros de Média Tensão (MT) são aqueles cuja a
tensão nominal Un (tensão de operação ou alimentação) é maior do que 1000V e não
excede 34500V. (1000V < Un <= 34500V).
Os equipamentos, painéis e quadros de Alta Tensão (AT) são aqueles cuja a
tensão nominal Un (tensão de operação ou alimentação) excede 34500V (Un > 34500V).

Dispositivo de manobra:
O dispositivo de manobra é um componente que pode ser inserido no circuito
elétrico entre a fonte e a carga com finalidade de cessar a corrente elétrica. Assim, se o
dispositivo de manobra fechar, ele permite a passagem de corrente elétrica no circuito,
pondo a carga em funcionamento. Se o dispositivo de manobra abrir, ele interrompe a
corrente elétrica no circuito, desligando a carga. São exemplos de dispositivos de
manobra: interruptores, botoeiras, chaves, contatores etc...
A figura abaixo ilustra um caso de um circuito com a chave aberta e fechada:

No 1º caso a chave está aberta. Não há circulação de corrente, porém a d.d.p. da


fonte está presente no circuito e converge para os terminais da chave. A d.d.p. na carga
é nula.
No 2º caso a chave está fechada. Há circulação de corrente e a d.d.p. da fonte
converge para a carga. É comum chamar a d.d.p. na carga de queda de tensão.

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Comandos Elétricos
Contator
Contator é um dispositivo eletromagnético que liga e desliga o circuito de uma
carga de potência. Por definição, diz-se que o contator é um dispositivo de manobra.
São muito utilizados para acionamentos de motores elétricos. Usado de preferência para
comandos elétricos automáticos à distância. O contator é constituído basicamente de
bobina, núcleos fixo e móvel, molas e contatos fixos e móveis. Quando a bobina é
energizada, cria-se um campo magnético, cujo caminho percorre os núcleos fixo e
móvel, atraindo o móvel para o fixo, provocando o deslocamento dos contatos móveis.
Esse movimento fecha ou abre a conexão elétrica entre os contatos fixo e móvel,
dependendo do caso. Cessando alimentação da bobina, desaparece o campo magnético,
provocando o retorno do núcleo móvel através de molas, conforme as figuras abaixo
mostram.

Observe no caso acima que a chave de acionamento da bobina está aberta. Diz-se que o
contator está em repouso. Os contatos superiores estão fechados e os inferiores estão
abertos.

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Observe no caso acima que a chave de acionamento da bobina está fechada,


permitindo sua energização. As molas estão comprimidas, pois o ferro móvel foi
deslocado, por ação eletromagnética do campo produzido pela bobina. Diz-se que o
contator está acionado. Os contatos superiores estão abertos e os inferiores estão
fechados.
Contatos
No contator temos os contatos. Eles são formados por contatos fixos e móvel
como mostram as duas figuras acima. Assim um contato possui dois terminais
acessíveis externamente ao circuito que se queira ligá-lo. Normalmente, os terminais de
um contato são denominados por números e/ou por letras. Os contatos são classificados
do ponto de vista do repouso do contator em dois tipos:
a) Normalmente aberto (NA)
b) Normalmente fechado (NF)
Os contatos NA possuem as seguintes características: Se o contator estiver em
repouso, o contato estará aberto. Se o contator estiver acionado, o contato estará
fechado. Os contatos NA também são chamados de NO (Normally Open).
Os contatos NF possuem as seguintes características: Se o contator estiver em
repouso, o contato estará fechado. Se o contator estiver acionado, o contato estará
aberto. Os contatos NF também são chamados de NC (Normally Closed).
Os contatos também são classificados do ponto de vista da sua capacidade de
corrente em dois tipos:
a) Principais ou de Força;
b) Auxiliares ou de Comando;
Os contatos principais ou de força são mais robustos e suportam maiores correntes
que depende da carga que será acionada. Os contatos de comando ou auxiliares são
menos robustos e possuem baixa capacidade de corrente. São utilizados para
sinalização, comando, intertravamentos etc..
Veja abaixo a simbologia utilizada para contatores e contatos:

Os terminais da bobina são comumente denominados de A1 e A2. As simbologias


dos contatos NA e NF mostram os mesmos na posição de repouso. Assim, num
desenho de um circuito elétrico, o contato NA estará aberto e o contato NF
fechado.

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Observe na figura acima que existem duas maneiras distintas de simbolizar o


contato NF.
Existem alguns contatos que possuem 3 três terminais: comum, NA e NF. Eles
funcionam da mesma maneira que os contatos NA e NF ditos anteriormente, com a
diferença de possuírem um terminal em comum. Podemos fazer um contato NA e outro
NF com três terminais, basta curto-circuitar um terminal de cada contato. Este será o
terminal comum. Esse contato também é chamado de reversível. Veja a simbologia
empregada:

Relés auxiliares:
O princípio de funcionamento de um relé auxiliar é o mesmo de um contator. A
diferença está na finalidade de cada um. Enquanto o contator aciona cargas de potência,
o relé auxiliar é usado para sinalização, comando, intertravamentos etc...
Relés auxiliares possuem contatos NA e NF, porém são todos contatos auxiliares ou de
comando. Um relé não possui contato principal ou de força. Caso seja necessário,
sugere-se que graficamente sejam diferenciados contatores de relés.
Segue abaixo uma sugestão:

Relés temporizadores:
Relé temporizador com retardo na ligação
Este relé comuta seus contatos após um determinado tempo, regulável em escala
própria. O início da temporização ocorre quando energizamos os terminais
de alimentação do relé de tempo. Abaixo mostra um exemplo que explicita o seu

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funcionamento.

A chave S é uma botoeira com contato NA. Suponha que ela seja pressionada do
instante 10s até 40s. Suponha também que o relé temporizador esteja ajustado para 10s.
As tensões na lâmpada e na bobina do relé são nulas do instante 0s até
10s, pois a botoeira S e o contato NA do relé estão abertos. A partir do instante 10s a
tensão na bobina é 48Vcc, pois a botoeira foi pressionada e assim estará até o instante
40s. No entanto, a lâmpada não acende no instante 10s, pois o relé conta o tempo a
partir da energização da bobina para fechamento de seu contato. Após a contagem, a
lâmpada acende no instante 20s e ficará acesa até o instante 40s, quando a botoeira S é
solta.
Relé de tempo com retardo no desligamento
Este relé mantém os contatos comutados por um determinado tempo, regulável em
escala própria, após a desenergização dos terminais de alimentação.
A figura abaixo ilustra o seu funcionamento.

O circuito é idêntico ao anterior, com a diferença que o relé é com retardo no


desligamento. Suponha as mesmas hipóteses do problema anterior. Observe que o

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gráfico de tensão da bobina do relé não se altera. No entanto, o gráfico de tensão na


lâmpada é distinto. Ela acende no mesmo instante que a botoeira S é pressionada e só
apaga 10s após a desenergização da bobina.

Botoeiras
Botoeiras são utilizadas para o acionamento e desligamentos de contatores. São
colocadas em série com a bobina e seu funcionamento tem o mesmo princípio do botão
de campainha.
A botoeira é constituída de contatos fixos e móveis. Ao ser pressionada pela
atuação humana, provoca o deslocamento dos contatos móveis. Esse movimento fecha
ou abre a conexão elétrica entre os contatos fixo e móvel, dependendo do caso.
Cessando a pressão imposta na botoeira, a mola provoca o retorno dos contatos móveis
à condição inicial, conforme as figuras abaixo mostram.

No caso acima temos uma botoeira constituída de um contato NA e outro NF.

Veja a simbologia empregada em botoeiras

As botoeiras em circuito elétricos, dependendo da sua aplicação, podem ser


chamadas de liga ou desliga.

Dispositivos de proteção

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São elementos inseridos no circuito com o objetivo de interromper a passagem de


corrente elétrica sob condições anormais, como curto-circuitos ou sobrecargas. Os
dispositivos de proteção mais comuns são:
a) Fusível
b) disjuntores

Veja abaixo a simbologia utilizada para fusíveis:

O princípio de funcionamento do fusível baseia-se na fusão do filamento e


conseqüente abertura do filamento quando por este passa uma corrente elétrica superior
ao valor de sua especificação. Temos algumas fotos abaixo de fusíveis:

Fusível de vidro Fusível Diazed Fusível NH Fusível


automotivo

Temos uma enorme variedade de fusíveis, como fusível tipo cartucho, de vidro,
DIAZED, NH, automotivo etc..
Os fusíveis geralmente são dimensionados 20% acima da corrente nominal do
circuito. São classificados em retardados e rápidos. O fusível de ação retardada é usado
em circuitos nos quais a corrente de partida é muitas vezes superior à corrente nominal.
É o caso dos motores elétricos e cargas capacitivas. Já o fusível de ação rápida é
utilizado em cargas resistivas e na proteção de componentes semicondutores, como o
diodo e o tiristor em conversores estáticos de potência.

Relé de sobrecarga ou térmico


O relé térmico tem a função de proteger o circuito contra sobrecargas. O princípio
de funcionamento do relé de sobrecarga baseia-se na dilatação linear de duas lâminas
metálicas com coeficientes de dilatação térmicas diferentes, acopladas rigidamente
(bimetal). Quando ocorre uma falta de fase, num circuito de um motor de indução
trifásico, por exemplo, provoca o aumento de corrente, provocando um aquecimento
maior e, consequentemente, um acréscimo na dilatação do bimetal. Essa deformação
aciona a abertura de um contato auxiliar que interrompe a passagem da corrente para a
bobina do contator, desligando, com isso, a carga. Para ligar novamente a carga
devemos acionar manualmente o botão de rearme do relé térmico. A figura abaixo

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mostra um bimetal:

O relé térmico possui as seguintes partes principais:


Contato auxiliar (NA + NF) de comando da bobina do contator;
Botão de regulagem da corrente de desarme;
Botão de rearme de ação manual;
Três bimetais.

Onde:
1 – Ajuste de corrente de sobrecarga
2 – botão de reset manual ou automático
3 – botão de reset
4 – indicador visual de relé atuado
A abaixo mostra a simbologia do relé térmico e de seus contatos auxiliares

Simbologia:
No final da apostila, apêndice 2, existe uma tabela com a simbologia dos
componentes mais utilizados em comandos elétricos. A Tabela deve ser sempre
consultada.

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Acionamento de um motor de indução trifásico:


Suponha que se queira acionar um motor de indução trifásico. Assim, devemos
seguir a seguinte seqüência dos componentes elétricos para energização do motor:
Fonte → fusível →contator →relé térmico→motor

Segue abaixo o circuito de acionamento de um motor de indução trifásico,


chamado de partida direta.

Didaticamente podemos dividir um circuito em duas partes:


a) Principal ou Força;
b) Auxiliar ou comando;
O circuito Principal ou de Força é destinado ao acionamento da carga de potência,
ou seja, alimentará a carga principal do circuito.
O circuito auxiliar ou de comando é destinado ao acionamento dos dispositivos de
manobra que energizam carga de potência. No caso acima, o dispositivo de manobra é o
contator “C1”. O circuito de comando pode ser utilizado também para sinalização visual
do acionamento da carga de potência.
Os circuitos de força e comando podem ser mostrados num único desenho como
foi feito acima. Porém, pela complexidade de determinados circuitos, principalmente de
comando, é usual mostrá-los separadamente. Assim, é mostrado abaixo o circuito de
força do caso relatado acima:

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Observe acima que foram mostrados os contatos de força do contator “C1” separados de
sua bobina. A bobina de C1 será mostrada no circuito de comando também separada de
seus contatos. Este procedimento é muito usual em diagramas elétricos.
Agora mostramos o circuito de comando:

Observe que no circuito de comando é mostrado apenas o contato auxiliar do relé


térmico “RT1”. Existe um contato auxiliar de C1 em paralelo com a Botoeira Liga BL.

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Ele é chamado de contato de selo e explicaremos mais tarde o porquê desse nome. O
circuito é idêntico ao anterior, só é alterada a disposição física dos componentes para
simplificá-lo. Você deve concordar que o circuito ficou mais compreensível.

Diagramas multifilar e unifilar:


O diagrama de um circuito elétrico é a sua representação através de desenhos no
papel. O diagrama deve representar fielmente o circuito instalado. Os diagramas podem
ser classificados, do ponto de vista do número de fases em dois tipos:
a) Multifilar;
b) Unifilar;
O diagrama multifilar representa circuitos que possuem mais de uma fase. O
diagrama multifilar mostra todas as fases do circuito. Exemplo de diagrama multifilar é
o circuito de força mostrado na seção anterior. Neste caso, ele é chamado de diagrama
trifilar.
O diagrama unifilar representa circuitos que possuam uma fase ou mais de uma. O
diagrama unifilar mostra apenas uma fase do circuito. Circuitos polifásicos podem ser
representados por diagramas unifilares, desde que as fases possuam os mesmos
componentes dispostos na mesma seqüência. Neste caso não há prejuízo para
interpretação do leitor, pois sabendo que se trata o diagrama unifilar de uma
representação de um circuito polifásico, basta refletir para as outras fases, os mesmos
componentes, na mesma seqüência.
São mostrados abaixo os diagramas multifilar e unifilar do circuito de força de um
motor trifásico.

As informações da rede acima são suficientes para deduzir que o diagrama


unifilar representa um circuito trifásico. Porém, é usual representar as fases como numa

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planta baixa de uma instalação elétrica. Quando se trata de circuitos de uma instalação
extensa, é comum usar diagramas unifilares. Neste caso, o diagrama unifilar se torna
mais simples para compreensão do que um multifilar.

Interpretação do comando de partida direta:


Vamos começar pelo circuito de comando de um motor de indução trifásico,
partida direta, já visto anteriormente. Vamos acrescentar sinalizações para este
comando.
Para entendimento deste comando deve-se compreender o conceito de contato de
selo. O contato de selo é utilizado quando se quer curto-circuitar (jumpear) uma
determinada parte do circuito. No caso particular, se quer jumpear a botoeira liga após
seu acionamento manual.
Suponha o circuito em repouso, desde que não haja impedimento para seu
acionamento (fusível rompido, relé térmico atuado), assim que o operador pressionar a
botoeira liga “BL”, o contator será acionado. Conseqüentemente, o contato auxiliar NA,
que está em paralelo com BL, fecha. Depois que o operador soltar a botoeira, a bobina
permanece energizada, via contato de selo. O desligamento do circuito ocorre quando se
pressiona a botoeira desliga “BD” ou quando o relé térmico atua.
Observe que após a BD ou o relé térmico voltar ao repouso, o contator não será
acionado, pois o contato de selo está aberto. Veja o diagrama de comando abaixo.

Observe que também existem contatos auxiliares para acionar as lâmpadas de


sinalização. Todos os seus terminais foram numerados para deixar claro que eles são
distintos, ou seja, cada contato do contator e do relé térmico só pode ser utilizado para
um único fim.
Se o contator está em repouso, a lâmpada verde está acesa, sinalizando que o
motor está desligado. Se o contator está acionado, a lâmpada vermelha está acesa,

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sinalizando que o motor está ligado. Se o relé térmico está atuado, a lâmpada amarela
está acesa, sinalizando que o motor sofreu sobrecarga.

Multiplicação de contatos:
Relés auxiliares são utilizados para disponibilizar mais contatos ao circuito de
comando, quando um determinado componente não possui um nº de contatos auxiliares
suficientes para atender a uma determinada necessidade. Citamos um exemplo: suponha
que o contator “C1” do circuito de comando de um motor de indução trifásico relatado
acima possua apenas 1 contato NA. Existem várias soluções para o problema. Uma das
soluções que pode ser adotada é usar um relé auxiliar que será energizado pelo único
contato auxiliar NA de “C1”. Veja a figura abaixo:

Observe que o contato auxiliar NA de C1 aciona RA1. Assim, os contatos


auxiliares de RA1 substituíram os contatos auxiliares de C1. Desafio: faça uma solução
mais simples utilizando o relé auxiliar, com o contato auxiliar NA de C1 na função de
contato de selo de BL.

Associação de contatos:
É perfeitamente possível aplicar álgebra booleana ou lógica digital em comandos
elétricos. Ao se fazer uma associação de contatos NA e NF para energizar uma bobina
ou outra carga qualquer, podemos utilizar essas teorias para compreender o
comportamento do circuito.
Podemos comparar a associação de contatos e bobinas da seguinte maneira: as
entradas são os contatos e as saídas são as bobinas
O contato NA tem nível lógico 0 quando está em repouso e nível lógico 1 quando
está acionado. O contato NF é a negação do NA, ou seja, tem nível lógico 0 quando está
acionado e nível lógico 1 quando está em repouso. A bobina se comporta da mesma

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maneira do contato NA. Observe que o contato NF opera de maneira semelhante a uma
porta “NOT”.

Associação série:
Suponha três associações em série distintas com contatos NA e NF, como mostra
a figura abaixo:

Assim a associação em série da bobina C1 é uma porta “AND”, ou seja, para que
se tenha a saída com nível lógico 1 (bobina acionada), é necessário que todas as
entradas também estejam com nível lógico 1 (contatos X1 e X2 acionados).
A associação em série da bobina C2 é uma “AND” associada com a porta
“NOT” em suas duas entradas, ou seja, para que se tenha a saída com nível lógico
1 (bobina acionada), é necessário que todas as entradas estejam com nível lógico 0
(contatos X1 e X2 em repouso).
A associação em série da bobina C3 também é uma porta “AND”, cuja sua
entrada Z1 possui uma porta “NOT”. Para que se tenha a saída com nível lógico 1
(bobina acionada), é necessário que a entrada Z1 tenha nível lógico 0 e Z2 esteja com
nível lógico 1 (contato Z1 em repouso e contato Z2 acionado).
Segue abaixo a tabela verdade dos três circuitos:

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Faça a tabela verdade dos seguintes circuitos:

Faça o exercício nas tabelas abaixo:

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Associação paralela:
Suponha três associações em paralelo distintas com contatos NA e NF, como
mostra a figura abaixo:

Assim a associação em paralelo da bobina C1 é uma porta “OR”, ou seja, para que
se tenha a saída com nível lógico 1 (bobina acionada), é suficiente que uma entrada
esteja com nível lógico 1 (contatos X1 ou X2 acionados).
A associação em paralelo da bobina C2 é uma porta “OR” associada com a porta
“NOT” em suas duas entradas, ou seja, para que se tenha a saída com nível lógico 1
(bobina acionada), é suficiente que uma entrada esteja com nível lógico 0 (contatos X1
ou X2 repouso).
A associação em série da bobina C3 também é uma porta “OR”, cuja sua entrada
Z1 possui uma porta “NOT”. Para que se tenha a saída com nível lógico 1
(bobina acionada), é suficiente que a entrada Z1 tenha nível lógico 0 ou Z2 esteja com
nível lógico 1 (contato Z1 em repouso ou Z2 acionado).
Segue abaixo a tabela verdade dos três circuitos:

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Faça a tabela verdade dos seguintes circuitos:

Faça o exercício nas tabelas abaixo:

Associação mista:
Com as informações adquiridas acima é possível fazer a tabela verdade de uma
associação mista de contatos:

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Faça o exercício nas tabelas abaixo:

Comando de reversão de um motor trifásico:


Suponha que se queira acionar um motor de indução trifásico, cuja sua aplicação
requer a mudança do sentido de rotação. Sabe-se da teoria de motores de indução
trifásicos que para mudar o seu sentido de rotação, devem-se inverter duas fases de
alimentação do motor. Partindo deste princípio, construímos o seguinte circuito de
força:

Suponha apenas C1 acionado. Temos a seguinte conexão entre a rede e o motor: A


→U;B→V;C→W;
Suponha apenas C2 acionado. Temos a seguinte conexão entre a rede e o motor: A

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

→W;B→V;C→U;
O circuito de força acima atende a necessidade. Mas o que ocorre se C1 e C2
forem acionados ao mesmo tempo?´
Haverá um curto-circuito entre as fases “A” e “C”, que pode ser danoso aos
contatores. Para evitar tal problema, inserimos o conceito de intertravamento elétrico.
Sob hipótese alguma os contatores podem ser acionados ao mesmo tempo. Assim,
sugerimos o seguinte comando para evitar isto:

É fácil ver que o comando está incompleto e sugerimos que você o termine.
Acrescente ao circuito o relé térmico, a botoeira desliga e sinalizações. Lembre-se que o
relé térmico possui apenas um contato auxiliar NA e outro NF.
Para construção correta do comando das sinalizações chamamos atenção para o
seguinte fato: para que o motor esteja ligado é suficiente que um contator esteja
acionado. No entanto, para que o motor esteja desligado são necessários os dois
contatores em repouso.
Chamamos atenção para outro fato: após o acionamento de um contator qualquer,
seu contato NF, que está em séríe com a bobina do outro, estará aberto. Mesmo que seja
pressionada a Botoeira liga, a bobina não será energizada. Portanto, diz-se que os
contatores estão intertravados eletricamente.

CUBÍCULOS DE DISTRIBUIÇÃO
Como vimos na introdução, o sistema elétrico das unidades do SISCEAB
consiste em uma fonte de energia principal, geralmente fornecida em Média Tensão
(13,8 KV) pela concessionária de energia local, e de duas fontes emergenciais: dois
grupos de geradores, sendo um deles de funcionamento prioritário. Para que haja
energia ininterrupta nas Estações de Telecomunicação faz-se necessário, ainda, um
sistema que garanta o funcionamento dos equipamentos durante uma eventual falta de

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energia comercial até que o gerador assuma a carga. Esse sistema é chamado de UPS –
Sistema Ininterrupto de Energia. Trata-se de um sistema conversor (retificador/inversor)
que utiliza bancos de baterias para manter a continuidade do fornecimento de energia,
quando falta sua fonte principal de CA.
Esses equipamentos estão localizados na KF (casa de força) local onde se dá a
chegada da energia fornecida pela concessionária e de onde são distribuídos todos os
ramais de alimentação.
Na KF temos, portanto, cubículos e painéis responsáveis pela distribuição de
energia às diversas Estações (Clientes). Sua finalidade é fornecer energia de qualidade e
confiabilidade para todas as cargas do Destacamento. Para isso, temos equipamentos de
geração de energia, de medição, de controle, de transformação, de monitoramento, de
seccionamento e de proteção instalados na Casa de Força.
Estes equipamentos serão o objeto do nosso estudo, vamos conhecer todos os
equipamentos utilizados no processo de distribuição de energia, bem como sua operação
e manutenção.

CUBÍCULO DE MÉDIA TENSÃO

A maioria dos Destacamentos do DECEA tem seu fornecimento de energia


elétrica, pela concessionária local, em entrada única de rede de distribuição aérea em
média tensão (13,8 kV). Essa entrada se dá através de painéis denominados Cubículos
de Entrada ou Painel de Média Tensão (PMT), onde estão instalados os diversos
componentes do circuito como TCs, TPs, para-raios, seccionadora, relés de
sobrecorrente, relés de subtensão, aparelhos de medição e, por fim, o disjuntor geral de
MT. Sua finalidade é fornecer meios de medição, proteção e seccionamento no circuito.

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Tensões auxiliares do Cubículo de Média Tensão (tensão de comando):

Todos os cubículos de distribuição de energia possuem uma alimentação em


baixa tensão ou em extra baixa tensão, em corrente alternada ou em corrente contínua,
dependendo do projeto da instalação. Esta tensão tem como finalidade alimentar os
dispositivos de comando, proteção e sinalização presente no cubículo.
Os equipamentos internos aos cubículos do DTCEA-TNB recebem dois valores
de tensões auxiliares, a saber:
 48Vcc – proveniente do retificador URF e utilizada para alimentação dos relés
de proteção, bem como dos circuitos de comando e sinalização.
 220Vca- proveniente do painel de baixa tensão (PBT) e utilizada para alimentar
os circuitos de iluminação interna, aquecimento, tomada de serviço e supervisão
da tensão de comando 48Vcc.
O cubículo de Média Tensão está divido em duas partes:
 MT1- Responsável pela medição da Concessionária.
 MT2- Responsável pela medição, seccionamento e proteção do circuito de média
tensão.
MT1

Função do MT1
A função do MT1 é possibilitar uma estrutura para medição da energia elétrica
para faturamento pela Concessionária. Neste quadro estarão instalados os medidores de
energia elétrica (medidores de energia ativa, reativa e demanda), os Transformadores de
Potencial (TP’s) e os Transformadores de Corrente (TC’s). Estes equipamentos são de
propriedade da Concessionária.
Responsabilidades de Manutenção do MT1:
Normalmente este quadro é lacrado pela Concessionária para garantir que não
haja nenhum tipo de adulteração nos medidores. Por este motivo, o mantenedor não tem
acesso interno ao MT1. Apesar dos equipamentos instalados no MT1 serem de
propriedade da Concessionária, a responsabilidade pela limpeza externa do MT1 é do
mantenedor local.
A responsabilidade pela manutenção e ou substituição dos TP’s, TC’s ou até
mesmo dos medidores instalados no MT1 é da Concessionária.
Serviços auxiliares
Alguns cubículos possuem iluminação interna que é acionada pela abertura da
porta através de uma chave micro-switch. Possui também uma resistência de
aquecimento para evitar condensação de água nas paredes internas do painel em função
da umidade. Esta resistência é acionada através de um termostato. A manutenção dos
Serviços Auxiliares é do mantenedor local.
Alimentação
A alimentação do MT1 provém do cabo subterrâneo de média tensão (mufla)
que é conectado a um poste da linha aérea de energia elétrica, próxima a KF. A conexão
do cabo no poste é feita através de bucha, assim como a outra ponta do cabo, à barra de
alimentação do MT1. Essa linha aérea provém da Concessionária local.
MT2
Função do MT2:

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

A função do MT2 é possibilitar uma estrutura para medição, seccionamento e


proteção do circuito de entrada. Nele estão instalados o TP, TC, relé de sobrecorrente,
instrumentos de medição e o disjuntor de entrada de média tensão. É neste painel que se
realiza o desligamento da energia comercial de modo a possibilitar a manutenção no
transformador principal.
Responsabilidades de Manutenção do MT2:
Este quadro é de responsabilidade do Cliente (Aeronáutica), o mantenedor tem
acesso interno aos seus componentes e é o responsável pela sua manutenção.
QDMT (Quadro de distribuição de média tensão)
Vários equipamentos de proteção ao vôo e navegação aérea ficam na pista de
pouso ou em locais remotos, longe da Casa de Força. Para minimizar a perda por efeito
joule no cabos, resolveu-se elevar a tensão do PBT para transmiti-la até o equipamento.
Para isso são necessários quadros que abriguem seccionadoras, para-raios e
transformadores que energizem e protejam o circuito.
O QDMT é um quadro de distribuição que alimenta Subestações Remotas. Sua
tensão de trabalho é de, normalmente, 4160 Vac. É alimentado por um transformador
elevador que recebe energia do PBT ou do Barramento Seguro (saída da UPS) em 380V
e a transforma para 4160V.
Cada QDMT possui seccionadora NALF e para-raios. Veja a figura abaixo:

SR (Subestação Remota)

As Subestações Remotas são instaladas próximas do equipamento a ser


energizado e tem como função rebaixar a tensão proveniente do QDMT a valores
compatíveis com a carga. Para isso, toda SR possui: para-raio, seccionadora NALF,
Transformador abaixador e painel de distribuição de baixa tensão. Veja a figura abaixo:

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1 - EQUIPAMENTOS DE MÉDIA TENSÃO

1.1 - Disjuntor de Média Tensão:

O disjuntor é um dispositivo mecânico de manobra, capaz de estabelecer, conduzir


e interromper correntes nas condições normais do circuito, assim como estabelecer,
conduzir durante um tempo especificado e interromper correntes sob condições
anormais especificadas do circuito, tais como as de curto-circuito e sobrecarga.
Os disjuntores de média tensão são os principais elementos de segurança, bem como os
mais eficientes e complexos aparelhos de manobra em uso nos Sistemas Elétricos.
Possuem uma capacidade de fechamento e ruptura que deve atender a todos os
requisitos preestabelecidos de manobra sob todas as condições de operação. Um
disjuntor moderno está em condições de interromper a corrente, sob todas estas
condições, com um tempo de duração do arco voltaico de 5 a 20 ms.
Antes, porém, de prosseguirmos com o estudo dos disjuntores de MT vamos
relembrar o que é o arco elétrico.

Arco Elétrico
Arco elétrico é a passagem da corrente elétrica pelo ar ionizado e tem como
característica luz e calor intenso. Ele surge durante as manobras dos dispositivos de
seccionamento, sobretudo quando estes trabalham sob potência, ou seja, conduzindo
corrente elétrica. Os arcos elétricos produzidos em Sistemas de AT e MT possuem
temperaturas muito elevadas que danificam os contatos dos equipamentos. Para
minimizar os efeitos do arco elétricos, os disjuntores de MT e algumas chaves
seccionadoras possuem artifícios para extinção do arco elétrico, como veremos adiante.
Os disjuntores são classificados pelo artifício que utiliza para extinção do arco
elétrico como, por exemplo, o disjuntor a vácuo possui este nome porque utiliza o vácuo
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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

como meio de extinção do arco. Assim, temos disjuntor a óleo, a gás SF6, a ar
comprimido, entre outros. No DTCEA-TNB utilizamos o disjuntor a pequeno volume
de óleo – PVO, por esse motivo, ele será o objeto do nosso estudo.

1.1.1 - Disjuntor de média tensão a óleo

São aqueles cujos contatos principais operam imersos em óleo isolante, o qual
serve tanto para extinção de arco como para isolar as partes energizadas do contato com
o tanque.
A extinção do arco é devida à decomposição do óleo, provocada pela temperatura
do arco, que a decompõe nos seguintes gases: Hidrogênio (66%), acetileno (17%),
metano (9%), outros gases (8%). A proporção de cada gás depende de cada tipo de óleo
usado. O hidrogênio é o principal responsável pela extinção do arco, pois suas ótimas
propriedades refrigerantes retiram o calor do arco, facilitando a extinção.
Os gases produzidos pela decomposição do óleo são soprados transversalmente
ou ao longo do arco, dependendo do tipo da câmara do disjuntor (câmara axial ou
transversal). Nesse caso, a extinção é essencialmente um fenômeno termodinâmico onde
a quantidade de gás (responsável pelo sucesso de extinção) é proporcional à corrente de
interrupção. Logo, esse tipo de disjuntor tem mais facilidade em interromper altas
correntes que baixas correntes (15 a 150 A), devido a formação dos gases ser mais lenta
(principalmente correntes capacitivas) em valores menores de corrente.
Em geral, a extinção do arco ocorre na primeira passagem da corrente pelo zero,
caso não haja extinção, na segunda passagem pelo zero os contatos já estarão mais
afastados e haverá também maior quantidade de gases e conseqüentemente maior
probabilidade de extinção do arco. Também esse tipo de disjuntor tem sua capacidade
limitada para altas correntes de curto circuito, sendo mais adequadas para média
corrente.
Nos modernos disjuntores a óleo, os problemas de interrupção e baixas correntes
são solucionados pela injeção de jato de óleo ou pela pressurização da câmara de
extinção. A fim de prevenir o acúmulo de resíduos condutores à base de carbono,
formado pela decomposição do óleo pelo efeito do arco elétrico, as câmaras desse tipo
de disjuntor não devem ser instalados na posição horizontal.
Apesar da avançada tecnologia empregada na construção de modernos
disjuntores, o óleo desse tipo de disjuntor tem que ser recuperado após um pequeno
número de interrupções de corrente de curto (em média 5), afim de se manter as suas
características dielétricas. Este fato torna pouco recomendável a utilização desse tipo de
disjuntores para religamentos e circuitos com maiores probabilidades de faltas.
Abaixo a figura, em corte, de um disjuntor PVO:

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Em nosso Sistema de Energia a principal função desse disjuntor é possibilitar o


desligamento e a reernegização do circuito de média tensão, em especial, dos
transformadores de força. Essa manobra pode ser feita sob qualquer circunstância, em
situações normais para realização de um teste ou manutenção, ou em situações de
anomalia da energia comercial, como numa situação de sobrecarga ou curto-circuito.
OBS: A palavra “manobra” é utilizada neste texto com o sentido de fechamento ou
abertura.
É importante ressaltar que, como foi visto, o disjuntor foi projetado para ser
manobrado em situações severas, ou seja, em situações que não danifiquem seus
contatos principais para um determinado valor de grandeza elétrica (corrente elétrica-
KA) durante o intervalo de tempo (segundos – ms) em que ocorre a anomalia. Isso

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

implica dizer que, se o disjuntor estiver submetido a uma corrente de curto-circuito, ele
deverá ser manobrado (aberto) até o tempo que o fabricante garante que seus contatos
não serão danificados para aquele valor de corrente. O mesmo ocorre para seu
fechamento: o disjuntor pode ser fechado em situações de curto-circuito, porém, o
tempo de abertura tem que ser respeitado conforme projetado pelo fabricante. Por isso,
sua abertura e fechamento são realizados através de molas, o que lhe garante rapidez nas
manobras.
Apesar de o disjuntor ser o equipamento responsável pela desenergização dos
transformadores em situações de sobrecorrente, ele não tem autonomia sobre si próprio,
isto é, é necessário que um outro dispositivo perceba a anomalia e envie um sinal para
sua abertura. O equipamento responsável por isto é o relé de sobrecorrente. Conclui-se
daí que o relé de sobrecorrente precisa estar adequadamente configurado conforme as
características do disjuntor.

Condições de intertravamento do Disjuntor de Média Tensão do


DTCEA-TNB:
(Analisar diagrama de comando do disjuntor nos Anexos)

1 - Condições de intertravamento para o fechamento manual:

O disjuntor estará habilitado para fechamento se:


1º - Não houver subtensão de rede (13,8 kV) .
2°- O comando estiver energizado (48Vcc);
2º - O disjuntor estiver totalmente inserido ou na posição de teste;
3° - A chave seletora estiver na posição manual;
4º - A mola estiver carregada;
5° - A chave seccionadora estiver fechada;
6° - A chave de bloqueio não estiver acionada;

Satisfeitas as condições de intertravamento relatadas, é possível fechar o


disjuntor pela botoeira elétrica “liga” que fica no frontal do MT2 ou pelo sistema de
religamento automático do MT2 (relé F27)

2 - Condições de intertravamento para abertura:

O disjuntor está habilitado para abertura se:


1º - estiver fechado.
Satisfeita a condição de intertravamento relatada acima, é possível abrir o
disjuntor pela botoeira elétrica desliga que fica no frontal do MT2, pela botoeira
mecânica que fica no disjuntor, pelas atuações da proteção do relé de sobrecorrente, relé
de subtensão ou pela proteção do transformador.

Carregamento de mola
O carregamento ou tensionamento da mola pode ser feito mecanicamente ou
eletricamente. O carregamento elétrico é feito através de um motor universal de 48Vcc
que é ligado, automaticamente, sempre que a mola é descarregada. Já o carregamento

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

mecânico é feito através de uma alavanca que é encaixada num orifício do disjuntor
que, com movimento ascendente e descendente feito pelo operador, tensiona a mola.

Número de manobras da mola


Suponha que a mola esteja totalmente carregada, são possíveis:
3 manobras: se, inicialmente, o disjuntor estiver fechado.
2 manobras: se, inicialmente, o disjuntor estiver aberto.
Observe que, em qualquer uma das situações, quando se esgotar a energia da
mola o disjuntor estará aberto. Podemos concluir daí que estando o disjuntor fechado, a
mola sempre terá energia para abri-lo.
Componentes elétricos do disjuntor de média tensão:
O disjuntor de média tensão PVO possui vários componentes eletromecânicos no
seu comando. São eles: bobina de fechamento, bobina de abertura, bobina anti-pump,
bobina de mínima tensão, motor de carregamento de mola e contatos auxiliares.
Bobina de fechamento:
A função da bobina de fechamento é fechar o disjuntor e permitir o seu
intertravamento elétrico. O fechamento será realizado quando a bobina for energizada.
Ela será energizada pela botoeira elétrica liga que fica instalada no MT2, quando em
funcionamento em comando manual; ou pelo relé de subtensão, quando em
funcionamento em modo automático.
A bobina de fechamento tem baixa impedância e, durante a sua energização,
circulará por ela uma corrente alta, garantindo o torque suficiente para atuar no
mecanismo que libera a energia da mola para fechar o disjuntor.
Essas bobinas só são alimentadas no momento da manobra, após o fechamento do
disjuntor existe um contato de status do disjuntor que não permite mais a sua
energização, mesmo que o operador mantenha a botoeira elétrica “liga” pressionada.
Essa proteção existe para não queimar a bobina.
A botoeira mecânica de fechamento, situada no próprio disjuntor, atua no mesmo
mecanismo em que sua bobina de fechamento. Assim, ao pressioná-la o operador está
fazendo o trabalho da bobina.
Vale ressaltar que mesmo que o operador pressione a botoeira liga ou mecânica de
fechamento, o disjuntor só será fechado se forem satisfeitas as condições de
intertravamento . Veja o diagrama simplificado de uma bobina de fechamento:

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Bobina de abertura

A função da bobina de abertura é abrir o disjuntor. A abertura será realizada


quando a bobina for energizada. Ela pode ser energizada pela botoeira elétrica desliga
que fica instalada no MT2 ou pela atuação de alguma proteção do quadro como
sobrecorrente ou proteções dos transformadores (temperatura, nível e pressão do óleo).
A bobina de abertura tem resistência baixa, e durante a sua energização, circulará
uma corrente alta, garantindo o torque suficiente para atuar no mecanismo que libera a
energia da mola para abrir o disjuntor.
Essas bobinas só são alimentadas no momento da manobra, após o fechamento do
disjuntor existe um contato de status do disjuntor que não permite mais a sua
energização, mesmo que o operador mantenha a botoeira elétrica desliga pressionada.
Essa proteção existe para não queimar a bobina.
A botoeira mecânica de abertura que se situa no próprio disjuntor atua no mesmo
mecanismo da bobina de abertura. Assim, ao pressioná-la o operador está fazendo o
trabalho da bobina. Veja o diagrama simplificado da bobina de abertura:

OBS: Como nos DTCEAs existe apenas 1 transformador de entrada, as três


proteções do trafo alimentarão o relé K9, que por sua vez energizará a bobina de
abertura.

Bobina anti-pump

Suponha que o operador feche o disjuntor pela botoeira elétrica “liga” e mantenha-
a pressionada. Com o disjuntor fechado, o operador pressiona e mantêm também
pressionada a botoeira elétrica “desliga”. Assim o disjuntor ficaria, de maneira
ininterrupta, abrindo e fechando.

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Se o procedimento acima for feito com a bobina anti-pump instalada, haverá


apenas duas manobras: o fechamento do disjuntor após ser pressionada a botoeira liga e
a abertura do mesmo após ser pressionada a botoeira desliga. O disjuntor só será
fechado após o operador soltar a botoeira liga e voltar a pressioná-la. Veja abaixo a
ilustração da situação relatada:

Suponha comando energizado, disjuntor aberto, extraído, mola carregada e


botoeira liga pressionada pelo operador.

A bobina de fechamento será energizada, e o disjuntor será fechado. O contato NF


de status de disjuntor abre, desenergizando a bobina de fechamento, e o contato NA de

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

status de disjuntor fecha. Se o operador continuar pressionando a botoeira liga, a bobina


anti-pump é energizada, comutando o contato k0 do terminal 2 para 4 (k0 é selo do
contato NA).

Se o operador pressionar a botoeira desliga, o disjuntor abrirá, abrindo também


contato NA, porém a bobina anti-pump permanecerá energizada pelo contato de K0. A
bobina de fechamento não é energizada.

Enquanto a botoeira “liga” estiver pressionada, a bobina anti-pump estará


energizada, impedindo a energização da bobina de fechamento, mesmo com o disjuntor
aberto. Para fechar o disjuntor é preciso soltar a botoeira para desenergizar a bobina
anti-pump, comutanto k0 do terminal 4 para 2. Depois disso sim, se o operador
pressionar a botoeira liga o disjuntor será fechado.

Bobina de mínima tensão


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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

A bobina de mínima tensão permite que o disjuntor esteja fechado apenas com o
comando energizado.
A bobina não possui contatos elétricos, pois ela atua diretamente no mecanismo
do disjuntor. Isto significa que se o disjuntor estiver fechado e, se por algum motivo, for
desenergizada a bobina de mínima tensão, o disjuntor abre.
Por exemplo, se o disjuntor estiver fechado e o fusível que protege a bobina de
mínima tensão romper, o disjuntor abre. Ele só será fechado após a substituição do
fusível.
Com isso, se o disjuntor estiver aberto e for desenergizada a bobina de mínima
tensão, não será possível o seu fechamento.
É por esse motivo que uma das condições que devem ser satisfeitas para o
fechamento do disjuntor é o comando estar energizado.
É possível inibir mecanicamente a bobina de mínima tensão. Trava-se o seu eixo,
impedindo que o mecanismo seja acionado.
Estes disjuntores, apesar de tantos artifícios e acessórios não fazem a proteção do
circuito sem um dispositivo externo: o relé de sobrecorrente e o relé auxiliar de proteção
do transformador, ou seja, o disjuntor está preparado para abrir, mas não “sabe” quando
abrir. Por isso são instalados no circuito de MT relés de proteção que atuam na abertura
do disjuntor quando surgem anomalias.

1.2 Relés de sobrecorrente


Os relés de sobrecorrente têm a função de proteger circuitos elétricos contra
sobrecarga e curto-circuito.
As duas anomalias excedem o valor de corrente nominal da carga, que geram
aquecimento (efeito joule), podendo comprometer o isolamento do circuito e da carga.
Sobrecarga: Essas correntes são apenas um pouco acima da corrente nominal.
Exemplo: Um motor elétrico pode entrar em sobrecarga ao realizar um trabalho
mecânico acima da sua capacidade, estipulada pela potência em CV. Esse “excesso” de
trabalho implicará na elevação de corrente acima da nominal. Essa é a corrente de
sobrecarga.
Curto-circuito: Essas correntes são muito acima do valor de corrente nominal.
São causadas pela conexão acidental de baixa impedância entre as linhas de uma fonte
ou entre a linha e a terra ou pelo travamento mecânico de máquinas elétricas rotativas.
Exemplo: Um isolamento entre a linha e o poste se rompeu, implicando no contato do
cabo com o poste. Como o poste está aterrado, existirá uma conexão de baixa
impedância, implicando na elevação excessiva da corrente. O travamento do eixo de um
motor elétrico por quebra dos rolamentos provoca também uma corrente de curto-
circuito.
Proteção temporizada (Função 51):
Quando ocorre uma sobrecarga num circuito, não existe a necessidade imediata
de desligamento, pois o aquecimento gerado será gradativo. Se a sobrecarga persistir,
consequentemente a temperatura se eleva progressivamente, podendo chegar a um valor
comprometedor para o isolamento. Antes que isso ocorra, a proteção contra sobrecarga
deve atuar, desligando o circuito. A grande maioria dos relés de sobrecarga de baixa
tensão é sensibilizada pelo efeito térmico da corrente, o que leva um período de tempo
para serem atuados. Por essa razão, eles são chamados de relés térmicos. O tempo de

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

atuação de um relé térmico é inversamente proporcional ao valor da corrente de serviço.


Ela pode ser expressa através de um gráfico de uma função corrente x tempo,
decrescente. Essa proteção também chamada de proteção temporizada. É a função 51.

Proteção Instantânea (Função 50):


Quando ocorre um curto-circuito, existe a necessidade de desligamento imediato,
pois o aquecimento gerado será danoso se a anomalia persistir. Os relés de sobrecarga
não são tão eficientes nessas situações, pois o efeito térmico originado pelo curto leva
um tempo para sensibilizar essa proteção.
A proteção contra curto circuito deve ter atuação imediata. Devem-se calcular os
valores de curto-circuito do sistema elétrico a ser protegido. Assim que a corrente de
serviço tentar se aproximar desse valor, o relé deve atuar, desligando o circuito.
Existem dois tipos de curto-circuito: fase-fase e fase-terra. Com isso, devem
existir proteções de curto-circuito para as duas anomalias.
Essa proteção também chamada de proteção instantânea.

1.3 - Relé de mínima tensão


Os relés mínima tensão ou subtensão comparam a tensão medida com um valor
pré-ajustado que é função da tensão nominal do relé. Se qualquer uma das tensões de
fase medida for inferior ou superior ao valor pré-ajustado, serão comutados os contatos
auxiliares por meio de um relé auxiliar de saída. Para ajustar o valor de comutação
existe um potenciômetro no frontal do relé cuja sua graduação é percentual em relação à
tensão nominal .
No relé de subtensão a comutação é instantânea. A alimentação do circuito
eletrônico é feita em corrente contínua (48Vcc).
A sinalização de operação ou condição normal é feita através de um led.

Esquema de Ligação

Para modelos sem alimentação auxiliar e 2NAF


Obs: Este relé instalado no MT2 recebe informação da tensão de entrada através
do secundário dos TP´s instalados no circuito de média tensão.

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

1.4 -Transformadores
Transformadores são aparelhos de corrente alternada que operam segundo o
princípio da indução mútua entre dois enrolamentos ou bobinas, que são isolados
eletricamente e acoplados magneticamente.
O enrolamento ligado à fonte de corrente alternada é chamado de primário. O
primário recebe sua energia da fonte CA. Se os enrolamentos envolvem e ou são
envolvidos por um núcleo comum de ferro, eles estão fortemente acoplados. Neste caso,
quase toda a energia recebida da fonte, pelo primário, é transferida por ação
transformadora ao enrolamento secundário.
Todo transformador possui sua relação de transformação que está diretamente
ligada ao número de espiras dos seus enrolamentos. Segue pela teoria dos
transformadores que num transformador ideal vale:

N1 / N2 = V1 / V2

Onde:
N1 – número de espiras do enrolamento de alta tensão (AT)
N2 – número de espiras do enrolamento de baixa tensão (BT)
V1 – Tensão no enrolamento de alta tensão
V2 – Tensão no enrolamento de baixa tensão

Definimos o enrolamento de Alta Tensão como aquele que possui o maior número
de espiras. O enrolamento de Baixa Tensão é aquele que possui o menor número de
espiras. Evidentemente, o enrolamento de AT terá maior valor de tensão e o de BT o
menor valor de tensão.
A figura acima mostra o enrolamento secundário conectado a uma carga. Porém é
possível que o mesmo não conecte a componente elétrico algum. Neste caso, há tensão,
porém não há corrente no secundário. No primário circula apenas uma pequena corrente
que garanta apenas magnetização dos enrolamentos, chamada de corrente de
magnetização ou à vazio. Diz-se que o trafo funciona a vazio.
No exemplo acima o enrolamento primário é o de AT e o secundário é o de BT.
Exemplos:
Qual é a relação de transformação de um transformador monofásico cujo sua
tensão de AT é 220 V e de BT 110V?
Solução: R = V1 / V2 = 220 /110 = 2

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Qual é a relação de transformação de um transformador monofásico cujo sua


tensão de AT é 13,8 KV e de BT 220V?
Solução: R = V1 / V2 = 13800 /220 = 62,7
Num transformador ideal toda energia elétrica fornecida pela fonte CA ao
enrolamento primário deve ser transferida para o enrolamento secundário.
A sua relação de transformação também pode ser escrita da seguinte maneira:

N1 / N2 = V1 / V2 = I2 / I1

Onde:
I1 = Corrente que circula no enrolamento AT
I2 = Corrente que circula no enrolamento BT

1.4.1 Proteções do Transformador

Os transformadores possuem dispositivos para proteção da sua parte ativa. Estes


dispositivos, geralmente, atuam de forma indireta na abertura do disjuntor de média
tensão, utilizando para isso um relé auxiliar. Nos transformadores dos DTCEAs temos
como dispositivos de proteção: relé de pressão súbita (função 63), relé de temperatura
(função 49), relé de nível do óleo (função 71) e válvula de alívio de pressão.

Relé de Pressão súbita (63): está localizado na parte superior do tanque do


transformador, possui contatos que se fecham na ocorrência de curto-circuito interno no
transformador com conseqüente aumento súbito de pressão.

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Relé de nível do óleo (71): está localizado no tanque do transformador, possui dois
níveis de atuação: uma de alarme e outra de desligamento. Sua função é monitorar o
nível do óleo no transformador.

Relé de térmico: tem como função proteger o transformador contra sobrecarga


(sobreaquecimento). Possui dois níveis de atuação: um de alarme e outro de
desligamento.

Indicador local de temperatura


relé térmico TSHCO (função 49)
A - indicação da medição da temperatura
B - memorização da maior temperatura registrada
C - 1º estagio de alarme de temperatura alta TSACO
D - 2º estagio de alarme de temperatura alta com
desligamento TSHCO (função 49)

40
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Válvula de alívio de pressão: localizado na parte superior do tanque tem como função
impedir a deformação do tanque em caso de alta pressão interna. Não possui contatos
elétricos, sua atuação é mecânica e consiste na sua abertura para passagem do óleo,
aliviando a pressão interna.

1.5 - Transformadores de corrente (TC)

Os relés e medidores de grandezas elétricas, geralmente são conectados ao sistema


de potência através de transformadores de corrente (TCs) e/ou potencial (TPs).
Embora todos os TC’s tenham o mesmo princípio de funcionamento, há de se
considerar as características de projeto que diferenciam os TC’s de proteção dos de
medição. As diferenças básicas são:
TC’s de medição têm classe de exatidão 0,3 ; 0,6 e 1,2 %, onde são levados em
conta os erros de relação e fase;
TC’s de proteção têm classe de exatidão 10%, onde é levado em consideração
somente o erro de relação. De acordo com a ABNT, considera-se que um TC de
proteção está dentro de sua classe de exatidão, em condições especificadas, quando o
seu erro se mantém dentro dos 10% , para valores de corrente até 20 vezes a corrente
nominal do mesmo;
Os núcleos dos TCs de medição são feitos de materiais de alta permeabilidade
magnética (pequena corrente de magnetização, consequentemente pequenas perdas e
pequenos erros), entretanto entram em saturação rapidamente quando uma corrente no
enrolamento primário atinge um valor próximo de 4 vezes corrente nominal primária;
Os núcleos dos TC’s de proteção são feitos de materiais que não têm a mesma
permeabilidade magnética dos TC’s de medição, no entanto só irão saturar para

41
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

correntes primárias muito superiores ao seu valor nominal ( da ordem de 20 vezes),


refletindo consequentemente em seu secundário uma corrente cerca de 20 vezes o valor
nominal desta figura abaixo:

Características
Os enrolamentos primários têm geralmente poucas espiras, às vezes, uma única.
Os enrolamentos secundários, ao contrário, têm muitas espiras. A eles são ligados os
circuitos de corrente de medidores e/ou relés.
Veja abaixo alguns valores nominais que caracterizam os TCs:
a) Corrente nominal e relação nominal;
b) Classe de tensão de isolamento;
c) Freqüência nominal;
d) Carga nominal;
e) Classe de exatidão;
Curto-circuitar o secundário de um TC
Transformadores de corrente energizados não podem ficar com seus enrolamentos
secundários abertos. Caso isso ocorra, o seu isolamento não suportará a elevação de
tensão no secundário, queimando. Portanto, sempre que for necessário retirar os relés e
instrumentos alimentados pelos TC’s, deve se primeiro curto - circuitar o secundário.
Por isso, no secundário dos TCs são instaladas “borneiras de curto-circuito” que
possuem um dispositivo prático para o fechamento em curto-circuito.
O enrolamento primário fica em série com o circuito principal:
Veja a ilustração abaixo de um TC
monofásico:

42
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

A corrente I1 que circula no circuito principal é a mesma que atravessa o


enrolamento de alta (H1 – H2). A queda de tensão no enrolamento primário é
desprezível em relação às tensões do circuito principal. A corrente I2 que circula no
secundário atravessa o amperímetro. Com a informação da relação de transformação do
TC, o amperímetro consegue converter a corrente do secundário, medindo de maneira
indireta a corrente do circuito principal. Daí, vê-se claramente a necessidade de precisão
dos TC´s para que o amperímetro leia corretamente.
Veja outro exemplo onde se quer medir as correntes de um circuito trifásico
indiretamente, através de TC´s:

Observe que os enrolamentos secundários são ligados em estrela e o centro da


estrela é aterrado.

1.6 - Transformador de Potencial (TP)

O transformador de potencial - TP é um equipamento destinado a transformar as


tensões primárias, geralmente altas, para valores secundários, apropriados para uso dos
medidores de energia elétrica, ou em outros instrumentos de medida.
A Relação Nominal do Transformador de Potencial (RTP) é igual ao valor que se
obtém quando se divide a tensão primária (V1) pela tensão secundária (V2), ou igual ao
valor da relação entre o número de espiras do enrolamento primário (N1) e o número de
espiras do enrolamento secundário (N2) do TP.
A tensão secundária dos Transformadores de Potencial utilizados para medição de
energia é padronizada pela norma NBR 6855 da ABNT em 115 V para as ligações entre
fase e fase e, aproximadamente 115 V para as ligações entre fase e terra.

43
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Quando se utiliza transformador ligado entre fase e terra (medição com 3 TPs e 3 TCs),
a relação de transformação é arredondada na fabricação do equipamento, conforme a
norma NBR 6855 da ABNT. Neste caso divide-se a tensão primária por √3 = 1,732.
Veja abaixo a ligação de um TP num circuito de força:

Veja outro exemplo onde se quer medir as tensões de um circuito trifásico


indiretamente, através de TP´s:

Observe que os enrolamentos, tanto primário como secundário, estão ligados em


estrela. As relações de tensões Linha-Linha, Linha- neutro, são conforme as equações
acima.
1.7 - Chaves Seccionadoras

As chaves seccionadoras são equipamentos de manobra, as quais tem a finalidade


de auxiliar o processo de isolamento ou seccionamento de uma ou mais partes de uma
dada rede elétrica, a partir dos pontos onde elas se encontram instaladas.
Existem dois tipos básicos de chaves seccionadoras, ou seja, aquelas que podem e
as que não podem operar em processo de abertura sob carga, isto é, realizando
seccionamento da corrente elétrica por ela passante. Devemos lembrar que o
equipamento elétrico que se destina a realizar a interrupção da corrente elétrica é o
disjuntor e, portanto, é extremamente importante reconhecer através das características

44
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

técnicas da chave, se ela é apropriada ou não para realizar o processo da abertura sob
carga. Em caso negativo, ela deve ser provida de recursos que impeçam tal realização,
isto posto, face aos riscos de manuseio e de segurança operacional, que ela apresenta a
si própria e ao operador da mesma, quando manobrada sob tais condições.
Por se tratar de um equipamento de condução de corrente elétrica através de seus
contatos, as chaves seccionadoras devem ser dimensionadas levando-se em
consideração os níveis da Corrente Nominal passante, bem como, o nível da corrente de
curto-circuito trifásico e a corrente dinâmica, existente no ponto de sua instalação. Isto
se deve ao fato de o equipamento ser obrigado por Norma, a suportar os
esforços oriundos sob tais condições operativas, sem se danificar térmica- ou
mecanicamente.
Essas chaves seccionadoras quando para o uso em MT, podem também assumir
formas e composições especiais, em função da natureza de suas aplicações. Assim,
existem chaves seccionadoras portadoras de lâminas do tipo faca, para a realização das
operações de abrir e fechar, acompanhadas ainda, de um sistema porta-fusível, onde se
realiza a proteção do componente monitorado pela mesma.
No que se refere às suas especificações técnicas, é fundamental lembrar além dos
valores de correntes anteriormente mencionadas, os correspondentes valores de isolação
necessários, face aos níveis de tensão de trabalho da mesma. Deve-se ainda, verificar a
elevação de temperatura de seus contatos, face às condições da corrente de carga que
lhe será imposta, como também, os espaçamentos necessários à movimentação de suas
lâminas.

1.7.1 - Seccionadoras de abertura sem carga


Estas chaves não possuem meios de extinção do arco elétrico e sua abertura é
lenta (baseada no acionamento do operador). Este tipo de chave jamais deverá ser
manobrada sob carga, por esse motivo possui intertravamento com o disjuntor de média
tensão. Só se pode abrir ou fechar esta chave se o disjuntor de média tensão estiver
aberto. Na figura abaixo temos o exemplo de uma seccionadora tripolar para abertura
sem carga.

45
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

1.7.2 - Seccionadoras de abertura sob carga - NAL e NALF:

São seccionadoras que operam sob carga, ou seja, possuem artifícios para
minimizar os efeitos do arco elétrico e são acionadas por molas para realizar a manobra
no menor tempo possível, ou seja, sua velocidade de abertura ou fechamento
independem do operador.
Características da seccionadora NAL:
São seccionadoras tripolares que só podem ser manobradas pela atuação do
operador. Cada pólo possui dois contatos: um de principal outro de sacrifício. O contato
de principal é por onde atravessa a corrente durante o serviço. O contato de sacrifício,
também chamado de lâmina de sacrifício, é utilizado durante o fechamento e abertura.
No fechamento da chave, o contato de sacrifício fecha primeiro, alimentando
momentaneamente a carga, em seguida o contato principal é fechado.
Na abertura, o contato principal abre primeiro, alimentando momentaneamente a
carga pelo contato de sacrifício, em seguida ele é aberto.
Este procedimento operacional garante que haverá apenas arco voltaico nas
lâminas de sacrifício.
O tempo de fechamento e abertura da chave independe da velocidade de manuseio
do operador com a chave, pois ela possui uma mola que é responsável pela manobra.
Os contatos principais e sacrifício possuem contatos fixos e móveis. O contato
fixo da lâmina de sacrifício fica numa câmara de extinção de arco.
Veja as figuras abaixo:

46
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

1.2 – Lâmina de sacrifício móvel (posição fechada)


1.3 – Câmara de extinção de arco voltaico
1.4 - Contato principal móvel (nas duas posições)
Contatos auxiliares: A seccionadora possui contatos auxiliares de status.
Características da Seccionadora NALF:
Possui as mesmas características da seccionadora NAL. Porém, é munida de
fusíveis, um em cada pólo. O rompimento de um fusível dispara a seccionadora, abrindo
os três pólos.

47
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Os fusíveis possuem um espoleta que sobressalta quando rompem. Esta espoleta


aciona um mecanismo que faz abrir os três pólos da seccionadora. Portanto, ao se trocar
um fusível de uma seccionadora NALF, deve se atentar para posição correta do fusível,
com a espoleta virada para o lado do mecanismo de acionamento.
Fusível e dispositivo de acionamento Dispositivo de acionamento acoplado ao eixo

A figura à esquerda mostra o fusível na posição horizontal. A espoleta deve estar


virada para o lado esquerdo, para acionar o mecanismo, se o fusível vier a romper.
A figura à direita mostra o mecanismo de acionamento, um em cada pólo. Se um
fusível qualquer romper, o mecanismo gira o eixo da seccionadora, abrindo os três
pólos.
Na queima de um fusível recomenda-se a substituição dos três.
Contatos auxiliares:
A seccionadora possui contatos auxiliares de status.

1.8 - Para-raio

Sua função é proteger equipamentos contra sobretensões provenientes da linha,


causadas por uma descarga atmosférica ou por chaveamento de circuitos elétricos.
Uma extremidade do para-raio é conectada a linha e a outra ao aterramento.
Devem estar sempre próximos dos equipamentos a serem protegidos.
Durante o funcionamento normal do circuito a ser protegido, o para-raio possui
resistência elevada, tendo baixa corrente de fuga. Porém, se a tensão ultrapassar um
determinado valor especificado pelo fabricante, sua resistência cai bruscamente,
dissipando para terra boa parte energia da linha. Ao restabelecer os valores normais de
tensão da linha, ele volta a sua condição inicial. Assim, um para-raio pode operar várias
vezes antes de ficar inoperante.
Os para-raios de polímero têm grande vantagem em relação aos de cerâmica, pois
não correm o risco de estilhaçar quando são submetidos a correntes elevadas.

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Para-raios de polímero sem disparador

1-PAINEL BAIXA TENSÃO - PBT

1.1- Disjuntor de rede


O barramento do PBT é alimentado pela comercial através de um transformador
que, dependendo do Destacamento, pode ser de 225 ou 300KVA.
O transformador possui um disjuntor de saída no enrolamento de Baixa Tensão,
localizado no PBT chamado de disjuntor de rede (DJR). No funcionamento normal do
Destacamento, o disjuntor de rede estará fechado, alimentando a carga com energia
comercial. Em caso de falta da energia comercial, o Gerador prioritário assume a carga,
fechando o seu disjuntor. Desta forma, o barramento emergencial estará sempre
energizado, ou pela rede comercial ou pelo grupo gerador, após breve interrupção na
transição rede-gruger e vice-versa.

1.2- Disjuntores dos grupos geradores


O sistema de energia possui dois grupos geradores. Os disjuntores de cada grupo
ficam instalados na sua respectiva USCA ou no PBT, dependendo da configuração do
Destacamento. Eles operam a comando da USCA segundo o critério de gerador
prioritário, ou seja, durante a falta de energia comercial apenas um grupo gerador
assumirá a carga. Essa prioridade é selecionada no painel da USCA através da chave
seletora de gerador em prioridade .

49
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

2 - EQUIPAMENTOS DE BAIXA TENSÃO

2.1 - Instrumentos de Medição

São instrumentos instalados no circuito de entrada do Painel de Baixa Tensão,


antes do disjuntor de rede, com a finalidade de fornecer leituras de potência, corrente,
tensão e freqüência da energia fornecida pela concessionária. Atualmente, estes
aparelhos estão sendo substituídos por multimedidores digitais, configuráveis para
indicação e medição de até 40 variáveis elétricas: U; I; P; Q; S; fator de potência; f;
energia ativa e reativa; demanda de corrente e demanda de potência.

Controle dos disjuntores:


A USCA (Unidade de Supervisão de Corrente Alternada) é a responsável pelo
controle dos disjuntores de rede e grupo. Tanto em modo automático como em manual,
qualquer operação remota é feita através dela.
No local (PBT) é possível operar os disjuntores apenas mecanicamente, estando a
USCA em modo manual.
Em modo automático a energia comercial é a preferencial na alimentação do PBT.
Na falta de energia da concessionária, a USCA prioritária assume a carga, partindo o
grupo e fechando o seu respectivo disjuntor.

Monitoramento da Comercial:

Para monitoramento da comercial pelas USCAs, será enviado sinal de tensão


retirado antes do disjuntor de rede. A USCA faz a análise da tensão e freqüência
comercial através de sensores que monitoram a energia de entrada. Ela deve estar dentro
de limites pré-ajustados de ± 10% para tensão e de ± 5% para frequência em relação à
nominal. Se a tensão e freqüência comerciais estiverem dentro desta faixa, a preferência
é pela energização do PBT pela energia comercial. Porém, se a energia comercial
estiver fora desses limites, abre-se o disjuntor de rede e comuta-se a alimentação para o
grupo gerador. Da mesma forma há sensores que monitoram a qualidade da energia do
circuito do grupo gerador.

2. 3 - Disjuntores BT motorizados (Rede, G1, G2 e Acoplamento)

São disjuntores de baixa tensão capazes de interromper e fechar circuitos em


situações normais e de sobrecorrente. Possuem relé de sobrecorrente para proteção
contra sobrecarga e curto-circuito.
São acionados por mola, semelhante ao disjuntor de média tensão. Neles há um
motor responsável pelo carregamento da mola; caso haja falha neste motor, existe uma
alavanca no próprio disjuntor para carregamento manual da mola. Esses disjuntores
possuem duas posições: aberta e fechada e podem ser fixos ou extraíveis. No DTCEA-
TNB os disjuntores das USCAs são fixos e os disjuntores de rede e acoplamento são

50
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

extraíveis, ou seja, podem ser retirados do barramento (posição de teste) e mesmo do


Painel BT (posição extraído). É uma boa solução para realizar manutenção com
otimização e mais segurança, pois são fáceis de serem retirados dos quadros, bastando
para isso o uso de uma manivela. Possuem três posições de encaixe no quadro: inserida,
teste, extraída.
Posição inserida:
Tanto a parte de força como de comando está conectada ao quadro;
Posição Teste:
A parte de força está desconectada, porém de comando permanece energizada;
Posição extraída:
Tanto a parte de força como de comando está desconectada ao quadro;

Disjuntores extraíveis só podem ser retirados ou inseridos na posição aberta. Ele


possui uma proteção mecânica que impede o encaixe da manivela quando o disjuntor
estiver fechado. Esses disjuntores só podem ser manobrados na posição de teste ou
inseridos, posições estas em que seu comando está energizado.
Acessórios:
Os acessórios mais relevantes são: Bobinas de mínima tensão, fechamento,
abertura, antipump e motor de carregamento de mola.
Esses acessórios têm função e características muito semelhantes em relação aos
mesmos acessórios do Disjuntor de Média Tensão. A sua bobina de abertura é igual à
bobina de fechamento, a diferença entre as duas bobinas está na posição do suporte de
fixação no mecanismo do disjuntor.

.
2.4 - Relé de sobrecorrente de BT
Relé incorporado ao disjuntor de baixa tensão motorizado (REDE E GRUGER).
Tem a função de proteger o circuito contra sobrecarga e curto-circuito. Atuam
diretamente no mecanismo de abertura do disjuntor.
Este relé possui três proteções:
Proteção contra sobrecarga (Função L), proteção contra curto-circuito seletivo (Função
S) e proteção contra curto-circuito instantâneo (Função I).
A atuação de qualquer destas proteções do relé provoca o trip do disjuntor.

2.5 - Disjuntores parciais


São os disjuntores termomagnéticos conectados ao barramento PBT e tem como
função fazer a distribuição de energia aos circuitos e equipamentos do Destacamento.

51
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

USCAS
3 - UNIDADE DE SUPERVISÃO DE CORRENTE ALTERNADA

A USCA, acrônimo de Unidade de Supervisão de Corrente Alternada, tem como


função gerenciar a energia no Painel de Baixa Tensão e ainda fazer a supervisão
eletromecânica do seu Grupo Gerador. É a USCA que mantém a qualidade da energia
no PBT, ou seja, mantém a tensão em mais ou menos 10% e a frequência em mais ou
menos 5%.
O Grupo Gerador é composto por um conjunto formado por um motor diesel
perfeitamente acoplado a um alternador. Dessa forma, a USCA, como responsável pela
supervisão do motor, analisa continuamente os parâmetros de pressão do óleo e
temperatura da água do motor e também os parâmetros de tensão e frequência do
alternador.
Cada USCA trabalha com, pelo menos, duas fontes diferentes de energia: a rede
comercial e um grupo gerador. Por filosofia de funcionamento, a rede comercial será
sempre a rede preferencial para alimentar o PBT, desde que a qualidade da energia
fornecida esteja dentro da normalidade de mais ou menos 10% de tensão e mais ou
menos 5% de frequência. Caso esse energia comercial saia desse padrão, a USCA
aciona o seu grupo gerador e passa a alimentar o PBT por ele, até que a tensão
comercial se normalize.

3.1 - COMPOSIÇÃO DO SISTEMA GRUGER/ USCA


O conjunto de equipamento destinado a suprir o sistema de energia de emergência
tem como composição e função o descrito abaixo:

GRUGERs
O sistema é constituído de dois grupos geradores, compostos de dois motores diesel
e dois (02) geradores síncronos, acoplados através de luvas elásticas e dispostos sobre
base metálica.

USCAS
É constituída de dois quadros, cada qual contendo o sistema de comando,
supervisão, força e medição (USCA 1 e USCA 2). Cada USCA tem o seu respectivo
disjuntor sobre o qual exerce comando.

Controle dos disjuntores de rede e grupo

A USCA é a responsável pelo controle dos disjuntores de rede e grupo. Tanto em


modo automático como em manual, qualquer operação remota é feita através dela.
No local (corpo do disjuntor) é possível operar os disjuntores apenas
mecanicamente, estando a USCA em modo manual.

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MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Monitoramento da Energia Comercial

Para monitoramento da energia comercial pelas USCAs, será enviado sinal de


tensão retirado antes do disjuntor de rede. A USCA faz a análise da tensão e freqüência
comercial através de sensores que monitoram a energia de entrada. Ela deve estar dentro
de limites pré-ajustados de ± 10% para tensão e de ± 5% para frequência em relação à
nominal. Se a tensão e freqüência comerciais estiverem dentro desta faixa, a preferência
é pela energização do PBT pela energia comercial. Porém, se esta estiver fora desses
limites, abre-se o disjuntor de rede e comuta-se a alimentação para o grupo gerador. Da
mesma forma, há sensores que monitoram a qualidade da energia do circuito do grupo
gerador.

Medição e proteção do Grupo Gerador

As USCAs possuem entradas digitais e analógicas que recebem sinais vindos dos
dispositivos de medição e proteção instalados no grupo gerador. São eles:
1. Interruptor de temperatura (Termostato) – Dispositivo de proteção que
envia um sinal diretamente à USCA quando há aumento de temperatura no
grupo gerador.
2. Interruptor de pressão do óleo (Pressostato) – Sensor de proteção que
envia um sinal diretamente à USCA quando há subpressão do óleo no
grupo gerador.
3. Sensor de temperatura – Sensor que envia um sinal analógico
diretamente para USCA informando o valor instantâneo da temperatura do
grupo gerador.
4. Sensor de pressão do óleo – Sensor analógico que envia sinal à USCA
informando o valor instantâneo da pressão do óleo do grupo gerador.

Sistema de comando e supervisão

a) No Grupo Gerador, a USCA executa as funções de partida, parada e regulação da


tensão e freqüência através de sensores, relés e contatoras.
b) Na rede são executadas as funções de supervisão de tensão, freqüência e
sobrecorrente.

53
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

DESCRIÇÃO DO FUNCIONAMENTO DA USCA

OPERAÇÃO

Modo manual
1ª Condição: partida dos GRUGERs

A partida de um GRUGER deverá ser possível mesmo como disjuntor de rede (CRD)
fechado.

2ª Condição: Fechamento do disjuntor rede BT ou do disjuntor do GRUGER (supondo


um ou dois geradores operando)

O fechamento do disjuntor de um dos GRUGER só será possível se o disjuntor do outro


GMG e da rede estiverem abertos.

3ª Condição: fechamento do Disjuntor rede BT

O fechamento do disjuntor da rede BT só será possível se os disjuntores dos GRUGERs


(GRUGER1 e GRUGER2) estiverem abertos.

OBS: Tanto na alimentação do PBT pela rede comercial quanto na alimentação por um
dos grupos geradores, o disjuntor de acoplamento irá fechar após o fechamentos do
disjuntor de rede ou de grupo, conforme o caso. Dessa forma, os dois barrementos do
PBT do DTCEA-TNB ficarão energizados.

Modo Automático
1ª Condição: Quando a rede estiver dentro das condições normais (Vn_±10% e
Fn_±5%).

Nestas condições, o PBT manterá o sistema alimentado pela rede, isto é, todas as
cargas do Destacamento.

2ª Condição: Quando a rede estiver fora das condições normais (Vn_±10% e Fn_±5%)

Neste caso, considerando que a lógica funcional da USCA permite ao operador a


priorização dos GRUGERs, o GRUGER prioritário terá uma preferencial para assumir
as cargas, sendo esta escolha feita previamente pelo operador e, com possibilidade de
alteração. As USCAs deverão iniciar o procedimento de emergência, do qual deverão
constar as seguintes operações:

54
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

• Comandar a abertura do conjunto de rede .

•Temporização de confirmação da anormalidade.

•Comandar a partida do gerador prioritário e, quando o mesmo atingir os valores de


tensão e freqüência normais, fechar seu respectivo disjuntor, alimentado todas as cargas
do Destacamento. Neste intervalo, caso ocorra defeito no GRUGER em operação, o
respectivo disjuntor deverá abrir, permitindo o comando de operação do outro
GRUGER pela sua respectiva USCA( se estiver dentro das condições normais), que
passará a alimentar todas as cargas do sistema.

Nota: O tempo Máximo admissível entre a detecção da falta e a assunção da carga,


devera ser de 15s, desde que não haja, evidentemente, falha na partida dos dois
geradores .

3ª Condição: Quando a rede estiver fora das condições normais e ocorrer defeito no
GRUGER que estiver alimentando.

Nesta condição, o disjuntor do grupo deverá abrir e o GRUGER parar, permitindo


deste modo o início do ciclo de partida do outro gerador e o comando do fechamento do
respectivo disjuntor e do disjuntor de acoplamento, desde que esteja nas condições
normais (Vn ±10% Fn ± 5%).

4ª Condição: Quando a rede comercial retornar as condições normais.

Neste caso, a USCA deverá confirmar o retorno da fonte de energia principal e, caso
se confirme esta condição constar as seguintes operações:
•Comando de abertura do disjuntor do GRUGER que estiver alimentado.
•Comando do fechamento do disjuntor da rede e acoplamento.

5ª Condição: Quando ocorrer sobrecarga ou curto–circuito no barramento PBT

Caso qualquer um dos disjuntores principais de alimentação do barramento (GRUGER


1, GRUGER 2 , Rede e Acoplamento) sejam desligados por sobrecargas ou curto –
circuito, o sistema deverá abrir e impedir o fechamento de qualquer um dos disjuntores
de alimentação desse barramentos.

Nota: Tanto no modo normal, como no automático, os disjuntores GRUGER 1,


GRUGER 2 e Rede deverão ser intertravados entre si, de modo que estando um
fechado, qualquer um dos outros não consiga fechar, evitando dessa forma, o
paralelismo das fontes.

55
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

Modo de manutenção

Na posição de manutenção, a (s) mesmas deverá (ão) ficar desativada(s) para eventual
manutenção, não aceitando qualquer comando automático.

Nesta situação os GRUGERs só poderão ser ligados através do painel de motor, junto
ao mesmo (para verificação de operação após reparos), mas não deverá ser possível o
fechamento dos respectivos disjuntores.

Concluímos, aqui, o estudo do Sistema de Distribuição de Energia das


Casas de Força. Vimos o funcionamento do PMT/PBT/USCAs e os
respectivos equipamentos e aparelhos instalados em cada um desses
painéis.
O estudo foi feito de forma genérica para que os conhecimentos e
habilidades, aqui adquiridos, pudessem ser usados em quaisquer das
Unidades do SISCEAB. Sabemos que cada Organização tem suas
particularidades e equipamentos diversos, porém a filosofia de
funcionamento é a mesma. Cabe, agora, ao técnico fazer a correlação
entre os sistemas e o estudo dos diagramas e manuais do seu local de
trabalho, para que possa exercer plenamente suas atribuições na operação
e manutenção do sistema de energia das Casas de Força do SISCEAB.

Coordenação NAV030

56
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

ÍNDICE
INTRODUÇÃO À SISTEMA ENERGIA .................................................................... 1

CUBÍCULOS DE DISTRIBUIÇÃO ........................................................................... 24

CUBÍCULO DE MÉDIA TENSÃO ............................................................................ 25

TENSÕES AUXILIARES DO CUBÍCULO DE MÉDIA TENSÃO (TENSÃO DE


COMANDO): ................................................................................................................ 26

MT1 ................................................................................................................................ 26

MT2 ................................................................................................................................ 26

QDMT (QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO DE MÉDIA TENSÃO) .......................... 27

SR (SUBESTAÇÃO REMOTA) ................................................................................. 27

1 - EQUIPAMENTOS DE MÉDIA TENSÃO ...................................................... 28

1.1 - DISJUNTOR DE MÉDIA TENSÃO .................................................................. 28

1.1.1 - DISJUNTOR DE MÉDIA TENSÃO A ÓLEO .............................................. 29

1.2 RELÉS DE SOBRECORRENTE ................................................................... 36

1.3 - RELÉ DE MÍNIMA TENSÃO............................................................................ 37

1.4 -TRANSFORMADORES ...................................................................................... 38

1.4.1 PROTEÇÕES DO TRANSFORMADOR ......................................................... 39

1.5 - TRANSFORMADORES DE CORRENTE (TC) .............................................. 41

1.6 - TRANSFORMADOR DE POTENCIAL (TP) ................................................. 43

1.7 - CHAVES SECCIONADORAS ........................................................................... 44

1.7.1 - SECCIONADORAS DE ABERTURA SEM CARGA .................................. 45

1.7.2 - SECCIONADORAS DE ABERTURA SOB CARGA - NAL E NALF: ..... 46

57
MANUTENÇÃO EM SISTEMAS DE CASA DE FORÇA SET 2014

1.8 - PARA-RAIO ......................................................................................................... 48

1-PAINEL BAIXA TENSÃO - PBT ........................................................................... 49

1.1- DISJUNTOR DE REDE ....................................................................................... 49

1.2- DISJUNTORES DOS GRUPOS GERADORES................................................ 49

2 - EQUIPAMENTOS DE BAIXA TENSÃO ............................................................ 50

2.1 - INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO .................................................................... 50

2.4 - RELÉ DE SOBRECORRENTE ........................................................................ 51

2.5 - DISJUNTORES PARCIAIS ............................................................................... 51

3 - UNIDADE DE SUPERVISÃO DE CORRENTE ALTERNADA ...................... 52

3.1- FUNÇÕES DA USCA ............................. ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.

3.2 - COMPOSIÇÃO DO SISTEMA GRUGER X USCA ....................................... 52

DESCRIÇÃO DO FUNCIONAMENTO DA USCA ................................................. 54

OPERAÇÃO ................................................................................................................. 54

MODO MANUAL ........................................................................................................ 54

MODO AUTOMÁTICO .............................................................................................. 54

MODO DE MANUTENÇÃO ...................................................................................... 56

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