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Introdução

Neste trabalho, buscaremos explicar a relação de liberdade e igualdade dentro de um regime


democrático. Para isso analisaremos os pensamentos de Alexis de Tocqueville, John Stuart Mill
e Ronald Dworkin, e o que eles pensavam sobre esse assunto. E explicaremos dentro desse
trabalho o pensamento de cada uma, detalhadamente.

Segundo Tocqueville é preciso conservar a liberdade, pois ela é parte essencial do mecanismo
que resulta em um aprimoramento das capacidades tanto dos homens quantos das
instituições democráticas, capacidades que influenciam no desenvolvimento de uma nação.
Porém dois grandes perigos ameaçam as instituições democráticas, de maneira a solapar a
liberdade existente dentro da sociedade civil: O despotismo do Estado, que é o fortalecimento
exacerbado do poder estatal. De outro lado há a tirania da maioria, que se vê representada
através dos hábitos e costumes da maioria que ameaçam as minorias e/ou os individuos que
vivem isolados do resto da sociedade.

Analisando o fenômeno da democratização que estava ocorrendo no mundo afora,


Tocqueville chegou à conclusão de que, o pressuposto de um regime democrático é muito
mais a igualdade do que a liberdade, ele delegou, a liberdade, o poder de remediar os perigos
representados por uma democracia predominantemente igualitária para a espécie humana,
visto que os seres humanos são desiguais por natureza, é um tanto incoerente tratá-los como
se fossem iguais aos outros em todas as situações.

Tocqueville cria uma solução para combater os males que a igualdade pode produzir. Segundo
ele a solução para esse problema seria a liberdade política. Pois, segundo ele, é somente por
meio da liberdade política de associarem-se entre si que os indivíduos podem se libertar tanto
da tirania da maioria quanto do despotismo do Estado. As associações livres fazem com que o
individuo saiam de sua realidade pessoal e adentrem dentro das questões publicas, formando,
assim, ideias sobre as ações que dizem respeito aos bens públicos.

Para chegar a essa conclusão, Tocqueville adotou como uma de suas premissas, uma situação
em que o corpo social estivesse estável, na qual existisse uma tênue linha entre as classes
sociais, que quase sempre fosse esquecida pelos seus integrantes, e os domínios assim o poder
estivesse ao alcance de todos. Dessa forma um regime democrático seria instaurado de forma
pacifica nas instituições socias e nos costumes predominantes na sociedade civil. As leis seriam
seguidas porque os cidadãos veriam nelas os frutos de sua própria vontade. A autoridade seria
visto como algo necessário para manter uma ordem civil saudável, ou seja, manter estável a
tranquilidade entre a sociedade civil e o Estado. E, portanto seria respeitada por todos.
De acordo com o pensamento desenvolvido por John Stuart Mill é necessário salvaguardar a
liberdade, pois ela nos fornece possibilidades de discutir os problemas levantados propiciando
o desenvolvimento de um senso crítico com relação às opiniões de massa que nos cercam.
Porém, para o autor, que neste quesito concorda com Tocqueville, essa liberdade é ameçada
de maneira mais forte pela tirania da maioria. No entanto discorda de Tocqueville sobre que
fundamentos podem levar a solução desse problema.

Segundo Mill a opinião individual de cada cidadão é mais do que o suficiente para que haja
um desenvolvimento coerente das noções morais, de gosto, ou de propriedade assim como
para a escolha de sua crença religiosa, de sua crença em algo que transcenda a humanidade.
Porém com a forte influência exercida pela sociedade sobre os cidadãos, as escolhas morais de
cada individuo, que deveria ser algo extremamente pessoal acaba se tornando algo que é
decidido socialmente, ou seja, acaba sendo a sociedade que escolhe os sentimentos morais
dos indivíduos que integram essa ordem social. Mill considera que esse costume, que esse
hábito que a sociedade tende a escolher a moralidade dos cidadãos, quais condutas serão
aceitas e quais serão repudiadas, é algo repudiável, algo que deveria acabar por ser
enquadrada dentro do conceito da tirania da maioria, idealizado por Mill e por Tocqueville.

Para Stuart Mill a questão principal era definir qual onde se encontra a linha que limita a
intervenção legitimada da opinião de massa em relação à independência pertencente ao
indivíduo. Portanto, até que ponto seria considerado legitimo exigir de uma igualização,
necessária para existir alguma coesão dentro de uma sociedade.

Apesar de adotar uma posição cética em relação à democracia, Mill é adepto do ideal
democrático: defendendo que esse regime político além de facilitar o povo a controlar o
governo, é também um meio para que os cidadãos se desenvolvam. Segundo ele, na medida
em que estes tomam parte da vida política pelo voto e pela participação ativa em funções
públicas, desenvolvem o seu caráter moral.1

Para o igualitarismo Liberal precisamos compreender a medida de Dworkin reinterpreta as


idéias principais do liberalismo, para isso é necessário reconstruir algumas criticas que Dworkin
fez a autores como Rawls e Nozick.

RAWLS cria uma forma de estabelecer princípios básicos de justiça, que ira servir para uma
sociedade democrática. Enfim Rawls tenta organizar uma sociedade perfeita, com direitos
iguais as liberdades básicas (liberdade de consciência, liberdade de falar sobre assuntos
políticos, liberdade de votar, entre varias outras); Ele diz que as liberdades são mais
importantes que as eventuais desigualdades sociais e econômicas.

Dwokin criticou algumas idéias de Rawls sobre as liberdades básicas que Rawls diz serem mais
importantes que as diferenças econômicas e sociais segundo Dworkin essa tese é falha.
Dworkin explica da seguinte maneira, que qualquer pessoa quer ter dinheiro e não liberdades
iguais, além disso, Rawls possuiria uma visão conservadora do caráter da pessoa, isso significa
que Dworkin pensa que mesmo sob o véu da ignorância as pessoas seriam competitivas e iriam
querer estar em melhor posição que os demais.

1
http://www.eaic.uel.br/artigos/CD/2791.pdf
“Com relação à teoria liberal defendida por Nozick, Dworkin concorda que os indivíduos
possuem direitos e que não podem ser revogados, mas discorda que existam esses direitos
independentemente do Estado civil”2. Para Nozick a liberdade é o que importa e a igualdade
não interessa e isso é totalmente ao contrario do que os dois filósofos pensam.

Para Dworkin “a idéia de que os direitos que asseguram as liberdades básicas estão em
conflito real com a igualdade num nível fundamental”3. Para ele os direitos individuais só tem
sentido se forem aceitos como necessários para aquilo que a igualdade requer, a sua questão
básica de filosofia política não é “quanta igualdade deve-se deixar de lado para respeitar um
direito?”. E sim “é este direito necessário para proteger a igualdade?”4. Dworkin ao inverter a
visão do liberalismo tradicional e da visão rawlsiana deste, “pretende defendê-lo da acusação
de que ele protege interesses individuais em detrimento do bem-estar social”5. Por isso
Dworkin considera a igualdade o motor do liberalismo (a igualdade que faz o liberalismo
funcionar).

Bem, agora irei falar minha opinião sobre o tema. Creio que liberdade e igualdade têm que
estar presentes em qualquer regime democrático estável. Porém nenhum cidadão deve ter
concedido a ele, nem total liberdade, nem total igualdade. Tem que existir uma divisão entre
eles, analisando a situação em que serão aplicadas. Em uma situação a melhor opção é a
liberdade, em outra a liberdade. Para exemplificar em quais situações, elas deverão ser
usadas, usarei situações concretas. A igualdade, acredito eu que deve ser aplicada na lei,
todos devem ser iguais perante a lei, ninguém deve ser favorecido ou desfavorecido por sua
condição financeira, orientação sexual, gostos, costumes etc. Porém em outros casos deve ser
reconhecido que as pessoas são diferentes, em muitas situações as pessoas não devem ser
tratadas igualitariamente, pois tem condição financeira, orientação sexual, gostos, costumes
etc, totalmente diferente dos outros. Nesses casos, o melhor é a liberdade. Por exemplo,
analisando a situação em uma escola, em que ascrianças, lá presentes, são totalmente
diferentes. Têm habilidades, vontades, gostos, personalidade, vocações, diferentes das outras.
“Uma dose de realismo nos lembra que os seres humanos são diferentes e que uma criança
pode fracassar em uma coisa e ser bem-sucedida em outra.”6. Com a liberdade servindo como
uma defesa contra a tirania da maioria usada por Tocqueville e Mill para explicarem seus
respectivos pensamentos

2
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2005000100005
3
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2005000100005
4
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2005000100005
5
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2005000100005
6
SCRUTON, Roger. Como ser um Conservador. 3. Ed. Rio de Janeiro: Record, 2015. p. 83.
Conclusão
Com este trabalho chegamos à conclusão de que, liberdade e igualdade são muito importantes
dentro de uma democracia, que deve existir uma saudável relação entre as duas. Analisando a
situação em questão, para decidir qual o melhor caminho a tomar. O caminho da liberdade ou
o caminho da igualdade.

Fontes e Referencias Bibliograficas


http://www.eaic.uel.br/artigos/CD/2791.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2005000100005

SCRUTON, Roger. Como ser um Conservador. 3. Ed. Rio de Janeiro: Record, 2015. p. 83.

http://publicadireito.com.br/artigos/?cod=7d2e114bb4f82968