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Manual

8922 - Atividades recreativas e de lazer com idosos

Trabalho Social e Orientação

Área: 762

Formadora: Tânia Carvalho


Conteúdo
1. Metodologias de planificação de actividades ............................................................... 4
2. Principais objectivos a trabalhar a nível relacional e socio-ocupacional com a população
idosa ...................................................................................................................................... 9
3.Acompanhamento do idoso nas actividades ocupacionais e de lazer ............................. 11
4.Actividades recreativas e de lazer com idosos ................................................................. 13
5.Jogos Tradicionais ............................................................................................................ 29
6.Conclusão ......................................................................................................................... 31
Referências Bibliográficas ................................................................................................... 33

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Objectivos:
Preparar actividades recreativas e de lazer para idosos
Desenvolver actividades recreativas e de lazer segundo as necessidades dos
idosos, de acordo com as orientações da equipa técnica

Objectivos específicos:

Preparar uma ficha de actividade/plano de sessão, de acordo com as


necessidades do utente;
Preparar um registo/avaliação de actividade, de acordo com os conteúdos
ministrados;
Desenvolver actividades de animação socio cultural e socio recreativa, de acordo
com os conteúdos ministrados;
Construção de um exercício de animação, em grupo, de acordo com os
conteúdos ministrados.

Avaliação:
Sumativa: Teste de Avaliação de Conhecimentos (100%)

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1. Metodologias de planificação de actividades

“Cada sociedade tem os velhos que merece, como a história antiga e a meieval
amplamente demonstra cada tipo de organização socioeconómica e cultural é responsável pelo
papel e imagem dos seus velhos. Cada sociedade segrega um modelo de homem ideal e é desse
modelo que depende a imagem da velhice, a sua desvalorização ou valorização” (Minois,
1999).

Numa sociedade cada vez mais envelhecida os valores que têm vindo a ser
projectados ao longo dos anos, são cada vez mais aterradores do ponto de vista social e
económico, com grandes custos para o Estado e para o desenvolvimento das dinâmicas.
Segundo a Pordata (2016), desde 1970 o número de pessoas idosas quintuplicou,
sendo que em 1977 residiam em Portugal 836 058 pessoas com mais de 65 anos de
idade, em 2012 ultrapassamos a barreira do milhão e, dados referentes ao ano de 2016
dizem-nos que nesse mesmo ano o número de idosos era superior a dois milhões.
Esta tendência demográfica tende a manter-se ou mesmo agravar-se, dadas as
fracas políticas de natalidade, o aumento da esperança média de vida e ao novo papel da
mulher na sociedade que propiciam esta propensão.
Porém, este aumento progressivo da esperança média de vida desencadeia no
indivíduo muitas mudanças físicas, funcionais, psicológicas e socioeconómicas que
podem colocar o mesmo numa posição de desvantagem social, cultural e económica no
meio onde está inserido, comprometendo de igual forma a sua autonomia e
independência, o que, infelizmente, não significa que viver mais é sinónimo de melhor
qualidade de vida.
Outro dos graves problemas que tem vindo a agravar é a perda de
responsabilidade social por parte da família do idoso, o que nos leva ao frequente
abandono em hospitais, estruturas residenciais para idosos, ou mesmo, no próprio lar,
gerando sentimentos e efectiva solidão e isolamento, e em última instância ocorrem
problemas como depressão, perda de laços emocionais com esta importante parte da
nossa vida, questionando-se o sentido da vida e do seu propósito.
O termo “envelhecimento activo” foi
adoptado pela Organização Mundial de
Saúde, no final dos anos 90, e procura
transmitir uma mensagem mais abrangente

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do que a designação “envelhecimento saudável”, reconhecendo que, para além dos
cuidados com a saúde, existem outros factores que afectam o modo como os indivíduos
e as populações envelhecem. O conceito de envelhecimento activo aplica-se tanto a
indivíduos quanto a grupos populacionais e permite que as pessoas percebam o seu
potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida e inclui a
participação activa dos seniores nas questões económicas, culturais, espirituais, cívicas
e na definição das políticas sociais. O objectivo primordial do envelhecimento activo é
aumentar a expectativa de uma vida saudável e de qualidade de vida. Cinco classes
gerais, que podem servir de referência tanto para os mais velhos como para os
profissionais que os atendem (Fernandez, 1997):

bem-estar físico (comodidade em termos materiais, saúde, higiene e


segurança)
relações interpessoais (relações com familiares, amigos e participação na
comunidade)
desenvolvimento pessoal (oportunidades de desenvolvimento intelectual,
auto expressão e empowerment)
actividades recreativas (socialização, entretenimento passivo e activo)
actividades espirituais e transcendentais (actividade simbólica, religiosa e
o autoconhecimento).

Animação é “um ato ou efeito de animar,


uma vivacidade no falar, no olhar, nos
movimentos, uma alegria, ou seja, animar
significa: ‘dar animação a’ ou: ‘dar: vida: a’
(coragem, alento, força, estimular, encorajar)”
(Sequeira, 2013, p.60).
A animação sociocultutal é “conjunto de
técnicas e de práticas (socio) pedagógicas específicas destinadas a promover a
comunicação e a participação, exercido relacionalmente entre pessoas ou entre uma
mensagem e os seus receptores. Ou seja, pode-se entender como um sistema de
comunicação em que o animador é o comunicador e/ou mediador dessa comunicação”
(Sequeira, 2013, p.65).

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Com isto percebe-se que a animação é nada mais, nada menos, que um conjunto
de tempos livres que devem ser ocupados com actividades que trazer prazer a quem a
pratica, e não mais uma obrigação. Devem ser momentos que propiciem prazer,
satisfação, descontracção e relaxe.

Fases no processo de planificação de actividades:

Para se pôr em prática um programa de animação deve-se ter em conta uma série
de critérios, tais como (Martins 2013):

aptidão do pessoal para trabalhar nas relações motivacionais;


características da população idosa;
possibilidades de resposta material (meios);
tipo de relações a estabelecer com o exterior, caso sejam idosos
institucionalizados.

É importante definir e distinguir o grupo para o qual dirigimos as actividades,


admitindo que existem um conjunto de condicionantes que poderão pôr em causa a
realização da mesma.
Neste sentido distinguimos três tipos de população à qual se deve dar três tipos
de resposta:

idosos que não participam em nenhuma actividade proposta haverá que


questioná-los o motivo ou o porquê dessa não participação e analisar em que
medida as actividades não correspondem aos seus interesses.
Idosos que necessitam previamente de serem motivados, ouvidos e a sua
participação depende de fortes estímulos. Quando estes estímulos não se
manifestam, aceitam de bom agrado ficarem de espectadores, deixando os outros
actuarem como atores.
-Idosos que participam sempre em todas as actividades propostas. O seu
exemplo serve para estimular os restantes idosos.

Tal como já tem sido referido é igualmente necessário avaliar o grau de


dependência de cada utente, de forma a perceber se as actividades a ser
implementadas podem ou não ser dirigidas a todos os utentes. Não é grave fazer

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uma actividade apenas para um conjunto de utentes. O que realmente importa é que
todos os utentes tenham actividades direccionadas para as suas especificidades,
tendo em conta o seu grau de dependência.

Independentes;
Ligeiramente Dependentes;
Moderadamente Dependentes;
Dependência grave / Dependentes

Plano de Sessão/Ficha de Actividade

Este plano deve conter os dados mais importantes relacionados com a animação,
nomeadamente o público, os objectivos gerais e específicos, os materiais de apoio
necessários, o tempo que será despendido, os vários recursos, o nome da actividade,
entre outros (ANEXO 1).
É importante seleccionar o tipo de público-alvo ao qual se dirige a actividade,
desta forma, delinearemos objectivos mais concretos, tendo em conta o conjunto de
especificidades e dependências dos mesmos.
O plano de sessão/ficha de actividade deve ser incluído no plano de actividades
(anual e/ou semestral).
Os materiais já existentes devem ter tidos em conta, de forma a não despender de
recursos económicos de forma desnecessária.
A duração de cada actividade deve também ser tida em conta, não devendo
prolongar-se muito no tempo, e ao mesmo tempo, não ser muito curta. O ideal será entre
60 a 90 minutos, no entanto, devemos ter em conta as dependências de cada utente,
assim como as diversas limitações associadas. Em contexto institucional o ideal será
dinamizar sessões de actividades de animação três vezes por semana.

Avaliação

Estudos recentes demonstram que realizar actividades estimulantes de forma


coerente e consistente pode reduzir em 47% a possibilidade dos idosos desenvolverem
doenças.
No decorrer do planeamento, e numa fase prévia à mesma é importante auferir
uma avaliação psicológica social e física de cada utente, isto de forma multidisciplinar.

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Assim, entenderemos quais as motivações dos idosos, o que os estimula mais ou não e
quais são as suas expectativas em relação a essa parte, principalmente aquando ingressa
numa instituição.

Estratégias a utilizar para uma maior adesão:


Deixá-los propor actividades;
Permitir que participem nas actividades diárias da instituição, por
exemplo, fazer as camas, limpar o pó dos seus quartos, regar as
plantas etc;
Perguntar quais os gostos alimentares e de que forma a ementa
poderia ser mais do seu agrado.

O que se pretende é estabelecer uma relação de confiança com o idoso, fazendo


uso da comunicação verbal e não-verbal.
Cuidados a ter na comunicação:

Falar pausadamente;
Dar conta do que se vai fazer;
Não ser apressado;
Repetir quantas vezes as necessárias;
Valorizar os objectivos atingidos, mesmo que, em algum momento possam
ficar aquém das expectativas;
Ter uma atitude calma;
Ser paciente e compreensivo.

O facto de se realizar uma ou várias actividades não quer dizer que estas são
estanques, ou seja, devemos sempre proceder à avaliação das mesmas. E quando as
actividades são realizadas com outros organismos e/ou instituições, essa avaliação
deverá ser trocada entre si, de forma a melhorar os pontos negativos.
Uma das dificuldades ainda encontrada em contexto institucional é o facto de a
maioria dos utentes não se encontrar alfabetizado, o que poderá condicionar a forma
como se realiza a avaliação da actividade. No entanto, esta poderá ser feita de forma
oral, individual ou grupal, sendo ainda uma forma de estimulação cognitiva e de
exploração de habilidades que por vezes podem ser esquecidas.

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Posto a avaliação feita por utentes, outras instituições envolvidas e os próprios
funcionários que estiveram envolvidos na actividade é hora de realizar o Registo de
Actividade/Avaliação Actividade (ANEXO 2).

2. Principais objectivos a trabalhar a nível relacional e socio-ocupacional com a


população idosa

Uma das respostas sociais com mais procura por parte da população portuguesa,
principalmente quando as famílias não têm os mecanismos de resposta às necessidades
dos idosos é a Estrutura Residencial para Idosos, sendo também muito comum o Centro
de Dia e Centro de Convívio. Estes organismos, são de facto uma forma de assistir os
idosos aquando entrada na idade da reforma ou posteriormente, que se encontram
muitas vezes em risco de perda de independência e/ou autonomia. Espera-se que estas
estruturas tenham serviços de apoio social, psicológico e cultural, com o intuito de
promover a qualidade de vida e para a condução de um envelhecimento autónomo,
activo e plenamente integrado, de forma a prevenir algumas mudanças físicas,
psicológicas e cognitivas próprias do processo de envelhecimento, mas que se não
retardadas podem-se agravar de forma galopante.
Assim, todas as actividades a desenvolver neste tipo de contexto, ou mesmo em
domicílio devem ir de encontro às necessidades dos seus utentes, pois estes são o foco
de actuação dos diversos profissionais.
Objectivos:

Promover a qualidade de vida;


Proporcionar serviços permanentes e adequados às problemáticas que
advêm do envelhecimento, a nível social, cultural, económico, cognitivo,
biológico e psicológico;
Contribuir para a estabilização ou retardamento do processo de
envelhecimento;
Privilegiar a interacção com a família e/ou comunidade, promovendo a sua
participação social;
Promover estratégias de reforço de auto-estima, assim como a sua
valorização e autonomia pessoal e social;

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Assegurar as condições de estabilidade necessárias para o reforço da sua
capacidade social, assegurando as condições de estabilidade necessárias
para o reforço da sua capacidade autónoma na organização das actividades
da vida diária

Dentro das instituições voltadas para a área da terceira idade é cada vez mais
comum a existência de um/a animador/a sociocultural ou alguém interno com formação
na área, mas de certa forma, ainda existem lacunas no que concerne às práticas
realizadas.
Em linhas gerais a animação procura:

Desenvolver competências;
Recordar experiências e vivências;
Promover a participação em movimentos cívicos, sociais, associativos e/ou
económicos;
Promover a inserção e inclusão social;
Centrar-se nas necessidades, desejos e/ou problemas vivenciados por cada
utente;
Preservar ao máximo a autonomia dos utentes;
Retardar mudanças físicas e cognitivas associadas ao envelhecimento;
Criar um estado de espírito, uma dinâmica, dentro dos estabelecimentos
que permita uma associação pessoal ao projecto de animação
implementado;
Definição de modos de organização da animação, tendo sempre em conta a
promoção da motivação;
Promover a interacção com o meio;
Diversão dos utentes;
Promover a dinamização de eventos;
Partilhar conhecimentos;
Promover a comunicação oral;
Promover valores;
SATISFAÇÃO E FELICIDADE!

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A animação não deve ser encarada apenas como uma ocupação de tempos livres,
mas também uma fonte variada de estímulos intelectuais e físicos, que sejam atractivos
e de interesse dos destinatários, de modo a incentivá-los a participar.
Os destinatários da animação não devem tomar um papel de espectadores, pelo
contrário, devem ser os protagonistas, de forma a serem realmente estimulados para a
participação.
Se, por um lado, a estrutura residencial para idosos oferece serviços que
anteriormente tinham que levá-los para fora de sua casa, por outro lado, a localização e
normas da instituição dificulta as saídas. Para isto deve ser adicionado à organização
interna da instituição as condições físicas e mentais do residente, que tem uma
influência directa sobre as possibilidades de manter o contacto com o exterior.

3.Acompanhamento do idoso nas actividades ocupacionais e de lazer

Não podemos falar de animação sem falar do/a animador/a. O/A animador/a é
aquele que conduz a animação e trabalha para que esta siga no bom caminho. Para isso
ele tem que ser uma pessoa optimista, alegre, bem-disposta e tem que saber agir no
momento certo para conduzir o projecto e/ou as actividades da melhor forma.
Para Jacob (2008) “(…) o animador é aquele que realiza tarefas e actividades de
animação, que é capaz de estimular os outros para uma determinada acção”.
Logo, um: animador é:

Dinamizador
Mobilizador
Agente: social
Relacionador

O animador exerce animação não só com indivíduos isolados, mas com grupos ou
colectivos os quais tenta envolver numa acção conjunta, desde o mais elementar até ao
mais comprometido.
O que ele deve procurar é a mudança de atitudes nos sujeitos (da passividade à
actividade).
É um agente social, visto que exerce a sua actividade com grupos; é um
relacionador, capaz de estabelecer uma comunicação positiva entre pessoas, grupos.

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Para Jacob: (2007, p. 30): o: “Animador é um mediador, um intermediário, um
provocador, um gestor, um companheiro e um agente de ligação entre um objectivo e
um grupo alvo”.
Assim, tem: por base na sua intervenção o objectivo fundamental e global de
ajudar a desbloquear o mundo interno do idoso, a promover relações humanas, pessoais
e a descobrir dimensões novas da sua personalidade.
Daí ter em conta que a animação de idosos, de acordo com Jacob (2007, p. 32)
tem por objectivos:

Definir um modo de organização entre os diferentes actores de animação para


dar dinamismo à Instituição;
Criar um estado de espírito, clima, dinâmica, na Instituição que permita a cada
cliente e pessoal associarem-se numa caminhada global de animação;
Centrar-se nas necessidades, desejos e problemas vividos por cada cliente;
Estabelecer laços de confiança entre animador e grupo e dentro do grupo;
Favorecer a adesão de todos os objectivos de animação elaborados livremente;
Suscitar o interesse direccionado a outras pessoas com o intuito de viver em
harmonia aceitando e respeitando os valores, as crenças, o meio e a vivência de
cada um;
Promover ou fazer renascer gostos e desejos dando a cada um a oportunidade de
se redescobrir, de se situar no seio da Instituição, e de participar na vida do
grupo, favorecendo as relações e promovendo as trocas, criando uma nova arte
de viver baseada na relação/interacção;
Permitir aos idosos reintegrarem-se na sociedade como membros activos,
favorecendo os contactos e as trocas com o exterior da Instituição; Preservar ao
máximo a autonomia dos clientes assim como manter as relações dentro de uma
animação lúdica;
Programação de actividades e elaboração de planos globais;
Controlar e avaliar resultados

Características de um animador:

Dialogante;
Não autoritário;
Respeitosa para com os outros;
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Mentalidade aberta;
Tolerante;
Propícia a estabelecer relações;
Com uma visão global dos problemas sociais.

Dinis (2007) apresenta-nos uma forma peculiar de caracterizar um animador. Este


utiliza metáforas e aproxima assim o animador de um vidente, um terapeuta, um guia,
um técnico, e um mediador:

Vidente (…) Ler a vida mudar o destino. Aquele que vê o futuro, o antecipa, o torna tangível e
urgente; transforma a realidade. Traz a mensagem, a luta, o terramoto. Assume-se do lado da
vanguarda (…). Terapeuta (…) O que ajuda a nascer e acompanha o crescimento. O que cuida
dos distúrbios e sara as feridas. Acredita e faz acreditar que a esperança é o desenvolvimento.
O que integra e acompanha os processos de recuperação e reintegração (…). Guia (…) O que
introduz noutros mundos e olhares. Indica caminhos, desafiando para o que se esconde e
depois se revela e exprime. Guarda a memória, mas relaciona com o presente. Faz a ligação
com a cultura, a arte e os artistas para permitir a fruição e desafiar o que há de criador em
cada um e no colectivo (…).
Técnico (….) O que domina os equipamentos e as técnicas. Conhece os processos. Respeita
horários, hierarquias, instituições e compromissos. Lidera, coordena, gere. Integra, executa e
ensina. (…).
Mediador (…) O que põe em contacto, faz a rede. Liga os comentários e as distâncias.
Encontra parceiros. Promove encontro, na construção do coletivo até à comunidade. Soma
sinergias. Desafia os limites interiores. Faz iguais e maiores, únicos. Respeita diferenças.
Integra e autonomiza.” (pp.51-53).

Este técnico é muitas vezes alguém mais próximo do idoso do que a própria
família, e torna-se com facilidade no “confidente”, no “conselheiro”, e no “amigo”
deste. O animador tem normalmente mais tempo para se dedicar ao idoso, e pode-lhe
dar por isso mais atenção e carinho. Segundo Jacob (2007) é muito importante que um
animador que trabalhe com idosos goste muito daquilo que faz e tenha muita
disponibilidade. O trabalho destes técnicos é compensado não só através de um salário,
mas sobretudo a nível afectivo e emocional. Atrevemo-nos a dizer que, ou o animador
gosta muito do que faz, ou então não é capaz de exercer esta profissão.

4.Actividades recreativas e de lazer com idosos

A Terapia Ocupacional ou chamada de Animação é o tratamento de condições de


saúde que afectam o desempenho das pessoas em qualquer fase da vida através do
envolvimento em actividades significativas, com o objectivo de lhes proporcionar o seu

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máximo nível de funcionalidade e de independência nas ocupações em que desejam
participar.
Ora, é a avaliação, tratamento e habilitação de indivíduos com disfunção física,
mental, de desenvolvimento, social e outras, utilizando técnicas terapêuticas integradas
em actividades seleccionadas consoante o objectivo pretendido e enquadradas na
relação terapeuta/utente.
Pretende assim prevenir a incapacidade, através de estratégias adequadas com
vista a proporcionar ao indivíduo o máximo de desempenho e autonomia nas suas
funções pessoais, sociais e profissionais e, se necessário, o estudo e desenvolvimento
das respectivas ajudas técnicas, em ordem a contribuir para a melhoria da qualidade de
vida.

4.1Impacto nas dimensões do bem-estar humano

Segundo a Carta de Ottawa (1986, p.1) “A Promoção da Saúde é o processo que


visa aumentar a capacidade dos indivíduos e das comunidades para controlarem a sua
saúde, no sentido de a melhorar. Para atingir um estado de completo bem-estar físico,
mental e social, o indivíduo ou o grupo devem estar aptos a identificar e realizar as suas
aspirações, a satisfazer as suas necessidades e a modificar ou adaptar-se ao meio (…)

1. O facto de o idoso se manter ocupado contribui directamente para um


sentimento de que é útil, tem uma vida preenchida e assim, os níveis de auto-
estima serão superiores, tendo um sentimento de que pertence a alguma “coisa”;
2. Com estimulação e, se necessário, cuidados médicos, pode contornar-se a
depressão através do Promoção da Saúde Mental em Idosos com base na
Animação Sociocultural
3. As actividades de grupo revelam-se como uma fonte de estimulação muito
importante no combate à depressão.
4. Participar em actividades sociais mantém o idoso activo, ocupado e com
interesse na vida e, por esse motivo, todas deverão ser baseadas nos interesses e
necessidades do indivíduo ou do grupo.
5. As actividades contribuem para a qualidade de vida, são parte importante da
prestação de cuidados de qualidade e um veículo através do qual muitos
objectivos podem ser alcançados.

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4.2 Benefícios a nível da saúde

Tal como já se tem vindo a desenvolver, a animação sociocultural tem vários


benefícios a curto e médio prazo quando bem planeada e implementada.
No ponto anterior abordou-se o impacto da animação no bem-estar humano,
porém, associado ao bem-estar vem a saúde física, psicológica, mental e cognitiva, que
se deteriora com o passar dos anos, e associado à falta de estímulos pode efectivamente
desencadear processos de demência, perdas de autonomia e dependências físicas
(Pontes, 2004).
Principais benefícios da animação para os idosos ao nível da saúde:

Estímulo mental, físico e psicológico exercido no decorrer das actividades


implementadas;
Retardar de processos demenciais;
Retardar de processos de dependência física;
Menos susceptíveis de desenvolver depressão ou outro tipo de patologias
associadas;
Menor risco de isolamento e/ou solidão, intimamente ligado a várias fases
da depressão;
A curto e médio prazo, e consoante o tipo de actividades desenvolvidas,
podem deixar de tomar medicação associada a problemas originadas pelo
sedentarismo ou depressão;
Manutenção do alto metabolismo basal, devido à massa magra, evitando
assim obesidade e outras consequências;
Prevenção de doenças crónico-degenerativas, nomeadamente, a
osteoporose, muito associada às mulheres e desenvolvida de forma
acentuada a partir de uma certa idade;
Melhor desempenho psicomotor, com impacto no número de quedas e
possíveis consequências das mesmas, dado que, na maioria dos casos o
equilíbrio é preservado, e, em alguns casos pode ser melhorado;
Impede ou atrasa o desenvolvimento da apatia e/ou imobilidade

4.3As cinco componentes essenciais das actividades de recreação e lazer

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O ponto de partida da animação de idosos começa quando respeitamos os mais
elementares dos seus direitos, como sejam o direito à escolha, o direito à privacidade e
o direito à integração e à participação activa nos pormenores da sua vida.
A qualidade de vida do idoso numa instituição depende destes factores assim
como de um acompanhamento decente, cuidado e eficiente por parte dos trabalhadores
das instituições que os acolhem. Acompanhamento esse que só se consegue através de
uma formação cuidada e regular por parte das equipas técnicas.
A animação mais importante para o idoso numa instituição passa pela participação
activa deste na gestão corrente da instituição, na cooperação em actividades de rotina
diária (ajudar no jardim ou na cozinha) e pelo contacto com as ajudantes de lar, que
deve ser atencioso, cuidadoso e amável.
A qualidade de vida do idoso, institucionalizado depende em grande medida dos
seguintes factores:

Possuir autonomia para executar as actividades do dia-a-dia;


Manter uma relação familiar e/ou com o exterior regular;
Ter recursos económicos suficientes;
Realizar actividades lúdicas e recreativas constantemente

Uma das melhores formas de aumentar a qualidade de vida dos idosos é


respeitando os seus direitos, tais como:

Direito à privacidade e intimidade;


Direito à escolha do seu futuro;
Direito à satisfação das suas necessidades básicas;
Direito à individualidade e confidencialidade;
Direito a entrar ou sair de uma instituição.

Motivação

Para compreender a importância que a animação cultural tem para os idosos, há


que primeiro tomar consciência do que é que motiva o ser humano. A motivação é
aquilo que leva os indivíduos a fazer qualquer coisa com esforço, dedicação, energia e
prazer. A sua intensidade e natureza são diferentes em cada um de nós, de acordo com
diversas influências, em cada momento.

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Se forem dadas condições ao indivíduo para que ele tenha um bom desempenho
na execução de uma determinada tarefa ou actividade e ele tiver as competências
necessárias, o seu grau de eficácia depende apenas da sua motivação.
Uma das principais teorias existentes sobre a motivação humana é a Pirâmide das
Necessidades de Maslow, que diz que as necessidades estão ordenadas segundo o seu
valor, e que uma determinada necessidade só se manifesta quando as necessidades do
nível anterior estiverem satisfeitas.
Segundo esta teoria, o ser humano apresenta cinco níveis de necessidades:
fisiológicas, de segurança, de afecto, de estima e de auto-realização. As necessidades
fisiológicas e de segurança são primárias, enquanto as restantes são secundárias.

A teoria de Maslow assenta em dois princípios, que são o da dominância e o da


emergência. O primeiro diz que enquanto uma necessidade básica não estiver satisfeita,
as restantes não têm força para dirigir o comportamento. O segundo diz que quando
uma necessidade é satisfeita, imediatamente surge uma nova necessidade.

Os Cinco Princípios da Motivação

Ficamos motivados quando temos a possibilidade de realizar as nossas próprias


ideias;
Ficamos motivamos sempre que o nosso comportamento é avaliado por
apreciações (positivas ou negativas) merecidas;

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Para que um indivíduo se motive de forma durável, ele tem que ser estimulado
diversas vezes;
Uma apreciação negativa do indivíduo ou de um comportamento que ele não
pode ou não sabe como modificar faz com que ele perca a motivação (Respeitar
as limitações);
A maior fonte de motivação para o ser humano é o conseguir atingir, com
esforço, um objectivo que ele se fixou a si próprio.

Diferentes facetas da animação

I. Rotinas Diárias

O envelhecimento é acompanhado por um declínio funcional progressivo que está


associado a quadros de dependência responsáveis por cuidados específicos. A
dependência em si constitui o maior receio dos idosos. Deste modo, é pertinente a
realização de estudos que dêem a conhecer factores preditores do alcance das idades
mais longevas com independência funcional assim como delinear as condições de vida e
saúde dos idosos residentes no domicílio. A autonomia funcional também tem sido
designada de competência funcional, e definida como o nível de bem-estar com o qual
os indivíduos pensam, sentem, atuam, ou se comportam em congruência com o seu
meio envolvente (WHO, 2002).
Neste âmbito, a saúde e a capacidade funcional são cruciais para a qualidade de
vida social das pessoas. A capacidade funcional determina a área da comunidade na
qual o indivíduo se mantém independente, coopera e participa em eventos, visita outras
pessoas e utiliza os serviços existentes nas organizações da sociedade onde se integra,
contribuindo para o enriquecimento da sua vida e daqueles que lhe estão mais próximos.
A preferência por rotinas nas atividades e comportamentos dos idosos é um
fenómeno complexo de resposta à incapacidade e à vulnerabilidade/fragilidade. O
aumento das rotinas no seu quotidiano permite-lhes um aumento de sentimentos de
controlo e previsibilidade, especialmente quando confrontados com
vulnerabilidade/fragilidade quer física quer psicológica (Bouisson & Swendsen, 2003).
A diminuição na capacidade para o auto cuidado, que por sua vez dificulta a
realização das atividades diárias, revelou uma correlação negativa mais elevada com a
qualidade de vida do que a presença de doenças crónicas, diferenciando-se de acordo
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com o género. Assim, nos homens a necessidade de ajuda residia na preparação de
refeições e em atividades de tarefas domésticas como arrumar e limpar a casa, enquanto
nas mulheres as necessidades situavam-se na ajuda na mobilidade, como por exemplo,
na deslocação a espaços distantes de casa e fazer compras (Bowling & Windsor, 2001).
É, extremamente, importante propiciar situações em que o idoso aprenda a lidar
com as transformações que ocorrem no seu corpo, tirando proveito da sua condição,
conquistando a sua autonomia, sentindo-se sujeito da sua própria história. No entanto,
nem sempre a família está preparada ou em condições de desencadear esse processo,
tendo em vista que as obrigações diárias, às vezes, dificultam uma dedicação especial ao
idoso. Assim, há que manipular as ajudas aos idosos nas tarefas diárias, auxiliando
apenas em pequenos pormenores, falando em quatro tarefas principais, de forma a
que mantenha estes hábitos rotineiros:

Higiene;
Culinária;
Costura;
Jardinagem.

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No entanto, estas são maleáveis, dependendo muito de quais são as rotinas que o
idoso teve ao longo da sua vida, o que lhe dá prazer, e o que vê como necessidade e útil
para si.

II.Atividades Manuais

A animação através de trabalhos manuais visa proporcionar ao idoso a


possibilidade de se exprimir através das artes manuais. Neste tipo de animação
pretendemos que o idoso trabalhe a sua faceta artística e através da moldagem (de barro,
plasticina, pasta de papel ou outro material), bordados, pintura, desenho, colagem, etc.,
conseguia exprimir algumas das suas emoções.
A animação por actividades manuais é simultaneamente motora e cognitiva
também.

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III.Atividades Recreativas

A animação de idosos é uma forma de actuar em todos os campos do


desenvolvimento da qualidade de vida duma comunidade idosa. Representa um
conjunto de passos com vista a facilitar o aceso a uma vida mais activa e mais criadora,
à melhoria nas relações e comunicação com outros, a que se faz parte, incentivando o
desenvolvimento da personalidade do indivíduo e da sua autonomia.

Exemplos:

Artesanato (pintura, desenho, escultura ou decoração de objectos –


motricidade fina)
Oficinas de Culinária (incentivando os utentes a desenharem as suas
próprias receitas estamos a incentivar a avivar a memória)
Dança
Ioga
Ioga do Riso (repõe os níveis de serotonina, previne estados de apatia)
(https://www.youtube.com/watch?v=Mjtdyvn3DtA)
Jogos de cartas (promoção da actividade mental, da competitividade, o
raciocínio lógico e estratégico, mantendo a capacidade cognitiva)
Ginástica suave;
Danças populares de acordo com o gosto do idoso;
Passeios e caminhadas;

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Desportes como boccia (noção de espaço, motricidade fina, sentimentos
de pertença, melhoria da atenção)
(https://www.youtube.com/watch?v=Xm1SzjIy3lI);
Jogos com bola, ténis de mesa;
Excursões;
Colónias de inverno e verão;
Praia;
(…)

IV.Actividades Físicas

É aquela em pretendemos que o idoso faça algum tipo de movimento. A terceira


idade não é apenas o último período evolutivo, decadente e regressivo, da vida do
homem, mas antes uma outra fase de evolução, com formas diferentes de viver e de
existir, tanto no campo social como no pessoal.
O principal défice no idoso, no respeitante à realização de uma tarefa, incide sobre
o ritmo do seu trabalho. Uma certa lentidão nas respostas psicomotoras parece verificar-
se com o aumento progressivo da idade.
A psicomotricidade considera o movimento como uma acção relativa a um
sujeito, isto é, uma acção que só se pode compreender nas estruturas neuropsicológicas
que o integram, elaboram, regulam, controlam e executam. É um processo relacional
inteligível entre a situação e a acção, entre o estímulo e a resposta, entre o movimento
global e a motricidade fina.
A psicomotricidade visa essencialmente:
Mobilizar e reorganizar as funções mentais;
Aperfeiçoar a conduta consciente e o acto mental;
Elevar as sensações e percepções a níveis de consciencialização, simbolização e
conceptualização da acção aos símbolos, passando pela verbalização;
Maximizar o potencial motor, afectivo-relacional e cognitivo;
Fazer do corpo uma síntese integradora da personalidade.

22
O nosso corpo é um veículo de sensações. É através dele que vamos adquirindo a
sensibilidade proprioceptiva ou seja as noções de espaço que não são visíveis, (ex:
quando nos sentamos, sabemos sem olhar onde está a cadeira).
Com a idade estas capacidades vão-se perdendo, chegando ao ponto de se perder o
próprio esquema corporal.
É possível ajudar o idoso a adquirir estas noções com exercícios psicomotores.
A capacidade de realizar o movimento real, em caso de paralisia de um membro,
utiliza-se o membro são como auxiliar do movimento.
A massagem suave nos membros ou no tronco também são um bom suporte para a
consciencialização das diferentes partes do corpo, pois as nossas mãos são um estímulo
táctil e sensitivo.
Devemos ajudar o idoso aumentar as suas capacidades de representação mental do
corpo em movimento, mobilizando as extremidades (braços e pernas), perante o seu
olhar e referenciando os seus nomes, (ex: Sr.........., agora vou mexer no seu braço
direito e vou elevá-lo, e assim por diante.).
Alguns dos problemas do idoso relacionado com o seu corpo:
Desinteresse pelo arranjo exterior e por vezes com a própria higiene;
Dificuldades de adaptação, á imagem corporal;
Lentidão motora, movimentos pouco harmoniosos e de pequenas amplitudes;
Diminuição das sensações;
Medo das quedas e consequentemente as fracturas;
Hipertonia/rigidez muscular

Exemplo de jogos

1º jogo

Material:- Placa quadrada com várias filas de pregos, elásticos de várias cores e
grossuras diferentes.

Objectivo: - fortalecimento dos músculos das mãos

Modo de jogar: - esticar os elásticos ao longo dos pregos de modo a fazer


desenhos.

2º jogo

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Material: - Garrafas de plástico de 1\2 l, ou de 1,5l, cheias de areia, pintadas,
com um cordel atado no gargalo, por sua vez este cordel com um metro de fio
está atado a um pequeno pau.

Objectivo: -fortalecimento dos músculos dos braços

Modo de jogar: - puxar as garrafas, enrolando o cordel num pequeno pau.

3º jogo

Material: - cinco garrafas de plástico de 1\2 l, ou de 1,5l, cheias de areia e


pintadas, uma bola pequena.

Objectivo: - concentração e coordenação óculo-manual

Modo de jogar: - atirar a bola para derrubar os pinos (garrafas) que estão em pé,
a uma certa distância.

4º jogo

Material: - três arcos e três discos ou malhas

Objectivo: - coordenação óculo-manual

Modo de jogar: - tentar acertar com as malhas dentro dos arcos variáveis: - arcos
e malhas com as mesmas cores, alterar as distâncias entre os arcos

5º jogo

Material: - quadro com vários quadrados (tabela de dupla entrada), com


símbolos, formas ou cores, peças soltas com os mesmos elementos.

Objectivo: - estimular a memória e a concentração

Modo de jogar: - fazer a correspondência entre os vários elementos

V. Animação cognitiva

A animação de idosos é uma forma de actuar em todos os campos do


desenvolvimento da qualidade de vida duma comunidade idosa. Representa um
conjunto de passos com vista a facilitar o aceso a uma vida mais activa e mais criadora,
à melhoria nas relações e comunicação com outros, a que se faz parte, incentivando o
desenvolvimento da personalidade do indivíduo e da sua autonomia.

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Actividade Objectivos Materiais
- Eva
-Imagens
Jogos de Estimular a concentração, raciocínio e a observação imprimidas de
Memória objectos
Ou
- Baralho de
cartas
- Quadro
Palavra Abstracção do real -Giz/Marcador
Intrusa
Completar Estimular as capacidade intelectuais e culturais Valorização - Lista de
provérbios pessoal provérbios
Dominó Estimular o raciocínio Desenvolver e/ou manter a capacidade Dominó
intelectual e participativa e organizativa Convívio
Jogos de Estimular o raciocínio Desenvolver e/ou manter a capacidade
cartas intelectual e participativa e organizativa Convívio - Baralho de
cartas
Palavras Desenvolver e/ou manter a memória e a concentração
cruzadas Incentivar a comunicação e o trabalho de grupo - Palavras
Fomentar a realização destes jogos em grupo, de forma a cruzadas
integrar aqueles que não são alfabetizados ou que se
encontram com dificuldades de visão
Contar ------------
anedotas,
advinhas, Reavivar a memória
lengalengas,
ditos antigos
Palavras Estimular a imaginação e a criatividade Interacção de grupo - Lápis/Caneta
rimadas Comunicação - Papel
Jogo das Desenvolver e/ou manter a concentração e a observação - Jogo das
diferenças diferenças
puzzle Identificar as peças Associar a peça/figura ao orifício - Puzzle
correspondente
Tabuleiro de Identificar os números Associar os números aos orifícios - Jogo
números correspondentes Desenvolver o tacto Desenvolver o

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(para raciocínio
invisuais)
Exercícios - Latas numeradas - Latas
numéricos - Deve colocar o número de lápis nas latas correspondentes - Lápis/Caneta
- Identificação dos números
Desenvolvimento do raciocínio
Cubos de Desenvolver o tacto Estimular a capacidade intelectual - Jogo
encaixe
Identificar Desenvolver o olfacto e o paladar Estimular a capacidade - Ingredientes
sabores e intelectual Dar a conhecer o mundo de outra forma culinários
cheiros
Identificar Identificar sons do dia-a-dia Desenvolver a capacidade - Sons
sons intelectual e cognitiva Conhecer o mundo através da audição
Desenvolver a audição
Leitura Desenvolver a capacidade intelectual e cognitiva -Livros,
jornais…
Enfiar contas Desenvolver tacto e raciocínio - Fio,
missangas…
(…)

VI.Animação de comunicação

Neste tipo de animação queremos que os idosos comunicam com os outros e essa
comunicação pode ser feita pela música, pelo teatro, pela dramatização, pela dança,
pela poesia, prosa, fotografia, etc.
Na animação plástica, os animados exprimem-se através de objectos, na animação
expressiva de comunicação eles transmitem os seus sentimentos e emoções através da
voz, do comportamento, da postura e do movimento.

VII.Animação de desenvolvimento pessoal

Aqui queremos desenvolver o “eu” do idoso, as suas experiências de vida, as suas


emoções e sentimentos.
Esta animação tem por objectivo desenvolver as competências pessoais e sociais
da pessoa e, principalmente, da pessoa como elemento de um grupo.

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Com esta animação estimula-se o autoconhecimento, a interacção entre a pessoa e
o grupo e a dinâmica de grupo (Ex: Falar sobre a história de vida, profissões, sobre a
terra onde sempre viveu…).
Incluímos nesta animação toda a componente de religião, espiritualidade e
meditação.

VIII.Animação Lúdica

A animação lúdica, como o seu nome indica, é a animação que tem por objectivo
divertir as pessoas e o grupo, ocupar o tempo, promover o convívio e divulgar os
conhecimentos, artes e saberes. é vocacionada principalmente para a essência da
animação, do lazer, o entretenimento e a brincadeira.
Inclui-se o turismo sénior, os jogos, as idas aos museus, teatros, cinemas, o jornais
de paredes, as festas, a gastronomia, ver televisão, consultar a internet, etc.

IX. Animação comunitária

A animação comunitária é aquela em que o idoso participa activamente no seio da


comunidade como elemento válido, activo e útil. Esta animação destina-se
essencialmente a idosos autónomos que ainda querem e podem ter uma voz activa na
comunidade onde vivem.

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Nesta área o voluntariado assume um papel principal, visto que a grande maioria
das actividades executadas pelos idosos na comunidade é embutida de um espírito
voluntário.
Exemplos: Universidades Seniores, dirigentes de associações, voluntariado sénior,
consultores seniores, Programas Intergeracionais

Para os Programas Intergeracionais serem bem sucedidos nos seus objectivos,


devem ter um conjunto de características essenciais, nomeadamente:
Demonstrar benefícios mútuos para os participantes;
Estabelecer novos papéis sociais e /ou novas perspectivas para as crianças,
jovens e idosos implicados;
Envolver várias gerações, incluindo pelo menos duas gerações, não adjacentes e
sem laços familiares;
Promover maior conhecimento e compreensão entre as gerações mais jovens e
as mais idosas, bem como o aumento da auto-estima para ambas as gerações;
Ocupar-se dos problemas sociais e das políticas mais apropriadas para as
gerações implicadas;
Incluir os elementos necessários para uma boa planificação do programa;
Proporcionar o desenvolvimento de relações intergeracionais.

Estes programas devem ter em conta os ritmos e motivações dos idosos e dos
jovens, assim como a duração que não deve ultrapassar uma hora, caso contrário
uma boa experiência pode-se tornar numa má experiencia.

No entanto, surgem algumas barreiras à realização destas actividades por parte


dos idosos, por factores e externos, como:

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capacidades físicas (problemas de visão, de locomoção, doenças
cardiovasculares frequentes nesta faixa etária);
falta de segurança;
dificuldades económicas;
falta de integração social, e consequentemente, menor participação activa, deve-
se essencialmente à falta de poder económico;
tédio ou sentimento de inutilidade, consequente da entrada na reforma,
essencialmente na classe económica com rendimentos mais baixos.

5.Jogos Tradicionais

Tal como já tem sido desenvolvido a necessidade de ter animação e de nos


distrairmos no nosso dia-a-dia, ou em momentos de descanso é fundamental para o
nosso bem-estar, sendo que esses períodos são essenciais para o colmatar algumas
necessidades sociais e pessoais.
A animação deve ser realizada de uma forma interdisciplinar e intergeracional,
devendo actuar em diversas áreas, influenciando não só o indivíduo como todo um
grupo (Efeito borboleta).
Assim, o desempenho de actividades de animação pode especificar-se por quatro
modalidades (Jacob, 2007):

Cultural (criação, gestão de um produto cultural, artístico e criativo)


Educativa (motivação para a educação e formação, ao longo de toda a
vida)
Económica (actividade geradora de meios económicos e financeiros, como
por exemplo, a criação do próprio emprego ou sendo uma fonte de
receitas)
Social (animação como forma de superar desigualdades sociais e
promoção da pessoa e comunidade).

Uma componente importante da animação, no seu se sentido mais lúdico e puro, é


o jogo. Jogar, brincar, quando se é adulto, enquadra-se também naqueles mitos e
estereótipos que advogam que jogar, brincar é coisa de criança.
Grande erro, o desejo de brincar acompanha-nos toda a vida, mas os nossos
diferentes papéis sociais assumidos distraem-nos da prática regular de brincar, o que

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não eliminou, no entanto, o nosso desejo de fazê-lo. O jogo, quer em crianças, em
adultos ou em idosos é das melhores formas de transmitirmos uma mensagem e de nos
divertirmos.
Com o jogo conseguiremos (Lorda, 2001):
Canalizar a nossa criatividade;
Libertar tensões e emoções;
Orientar positivamente as angústias quotidianas;
Reflectir;
Aumentar o número de amizades e relações;
Divertir-nos;
Aumentar o grau cultural e o compromisso colectivo;
Ter predisposição para realizar outros compromissos;
Obter integração intergerações quando se possibilitam oportunidades, e quando
isso é uma vontade dos participantes.

O jogo concebe-se como um sistema fictício, com regras obrigatórias, porém


aceites livremente por todos. A sua prática traz ao participante múltiplos sentimentos e
experiências diferentes das que está acostumado no dia-a-dia, e com uma clara função
de utilidade.
Podemos defini-lo como uma utilidade:
Livre, sem obrigações para com ninguém;
Restrita, limitada no espaço e no tempo;
Incerta, dependendo tanto da sorte como das qualidades do participante;
Improdutiva, sem fins lucrativos;

30
Codificada, estando regulada de antemão por um conjunto de regras;
Fictícia, mais ou menos afastada da realidade;
Espontânea.
Segundo a sua função:
Estética: jogar significa, simultaneamente, construir, inventar, por conseguinte,
criar;
Cultural: jogar permite satisfazer os ideais de expressão e de socialização.
Social: jogar é sentir o prazer em compartilhar uma actividade comum que
conviria prolongar, além do espaço lúdico.
Psicológica: o jogo permite esta instância, combate o aborrecimento, estabelece
novos contactos no seio de uma equipe, incentiva o gosto pela acção e compensa
a falta de actividade profissional.

O ser humano nunca perde vontade de brincar, no entanto, a forma como


manifesta essa vontade pode alterar-se. Nos dias de hoje impõe-se determinadas
regras aos adultos que os inibem das suas vontades, dadas as circunstâncias da vida,
no entanto, a animação incentiva-o a empreender e a construir um projecto de vida
que o inclui em alguma coisa, principalmente aquando entrada na terceira idade.

6.Conclusão

A animação cultural deve actuar em todos os campos do desenvolvimento da


qualidade de vida de uma determinada comunidade, sendo este o seu principal
objectivo.
Representa um conjunto de passos com vista a facilitar o acesso a uma vida mais
activa e mais criativa, com melhoria das relações e comunicação com os outros, para
uma melhor participação na vida da comunidade de que se faz parte, desenvolvendo
determinadas competências inerentes ao indivíduo, mas que a certa altura foram inibida,
não esquecendo que esta área, e em específico no trabalho diário com idosos procura
também incentivar para a autonomia e independência.
A animação cultural apresenta-se assim, como uma perspectiva ampla de
mudança/transformação social e como um espaço novo de educação e de recreação
cultural.

31
Quanto à animação especificamente de idosos, esta define-se como um estímulo
da vida mental, física e afectiva da pessoa idosa. A animação incentiva-a a empreender
certas actividades que contribuem para o seu desenvolvimento, dando-lhe o sentimento
de pertença a uma lugar ou comunidade.
Contrariando a ideia que a maior parte dos idosos têm, de que já não servem para
nada, que não interessam à família, muito menos à sociedade.
Nesta questão da sociedade, ela exclui os idosos ou outras vezes são os próprios
idosos que se auto excluem, já devido as estas ideias pré-concebidas de que após idade
da reforma perderam a sua utilidade aos olhos dos outros. Por outro lado, a animação
pode também combater ideias pré concebidas pela sociedade, que excluem o idoso a
nível social, cultural e económico, desvalorizando a sua contribuição social ao longo da
sua vida, assim como, os seus ensinamentos.
É uma das funções do animador – no contexto da animação de idosos – fazer com
que estas ideias e preconceitos desapareçam ou noutros casos, que nunca surjam.
Para isso, ao animador compete-lhe criar movimento, vida e actividades. É
necessário que apresente propostas e sugestões, que seduza, que imagine, que desperte,
que suscite e que influencie o idoso, sem exercer qualquer tipo de obrigação ou
obrigatoriedade.
E este tipo de trabalho é ainda mais importante nas estruturas residenciais para
idosos, centros de convívio, centros de dia e outras respostas direccionadas para os
idosos. Vários estudos comprovam que os idosos utentes de lares têm uma auto-estima
mais baixa do que aqueles que vivem em casa própria. Uma das razões para esta
situação poderá ser a pouca actividade que têm nos lares, em comparação com os que
vivem em casa. Com a animação de idosos, a pessoa idosa pode enquadrar-se num
programa entre várias actividades recreativas, culturais e desportivas, permitindo um
estímulo constante às suas capacidades cognitivas e físicas.
A animação de idosos, esta deve estar incluída no conjunto de serviços prestados à
terceira idade. A animação de idosos deve estar em pé de igualdade com a alimentação,
cuidados de saúde e higiene, vestuário, conforto. Deverá ser considerada como um
serviço indispensável à qualidade de vida do idoso. E daqui a alguns anos teremos uma
nova geração de idosos. Menos depressivos, menos solitários, menos dependentes de
medicação e claro com uma velhice mais bem disposta e mais activa.
Desta forma quebram-se rotinas e hábitos dos idosos (comodismo), tornando-os
activos, dinâmicos e interventores (participação), recuperando-lhes a confiança e a
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valorização pessoal e relacional. Em diversas actividades os idosos têm a oportunidade
de dar largas à sua imaginação e à criatividade, através da pintura, colagem, escultura,
desenhos, recortes, rendas, etc., tendo como vantagens o desenvolvimento da
motricidade, a precisão manual, a coordenação psicomotora entre muitas outras.
Por fim, saliento que a animação tem em vista não só o bem geral, mas o bem
individual, pois cada indivíduo acarreta em si as mais diversas vivências, experiências,
dissabores e alegrias, que merecem ser respeitadas por quem intervém a nível social.
Assim, a intervenção deve ser individualizada logo à partida, no ingresso na instituição,
caso seja o caso, perguntando e observando o que para aquela pessoa é ou não
importante.

Referências Bibliográficas

Carta de Ottawa (1986). A promoção da saúde. Canadá

Fernandez, A. (1997). Velhice e sociedade. Oeiras: Celta Editora.

33
Jacob, L. (2007). Animação de idosos. Porto: Âmbar.

Who (2002). The world health report 2002 – reducing risks, promoting healthy life.

Lorda, R. (2001). Recreação na Terceira Idade. Editora Sprint. Brasil.

Martins, E. C. (2013). Gerontologia & Gerontagogia e Animação em Idosos. Lisboa: Cáritas


Portuguesa.

Pontes, S. (2004). Psicomotricidade na terceira idade (Monografia Pós-graduação). Rio de


Janeiro.

Pordata (2016). Índice de envelhecimento Humano.

Sequeira, S. (2013). Animar para melhor envelhecer, com satisfação. Instituto Politécnico de
Castelo Branco, Escola Superior de Educação.

Sousa, S (2013). Participação dos idosos nas actividades de desenvolvimento pessoal. Instituto
Superior de Serviço Social do Porto (Dissertação de Mestrado).

34
ANEXOS

ANEXO I
Plano de Sessão
Instituição: Nome da Actividade:

35
Local: Data:

Nome da Actividade:
Dinamizador:
Data:
Horário: Duração:
Público:

Objectivo geral da sessão:

Objetivos específicos da sessão:

Atividades:

Materiais e equipamentos:

Recursos Humanos:

Recursos Físicos:

Recursos Económicos:

Outras indicações:

Animador/a: Director/a Técnica:

36
ANEXO II
Avaliação de Actividade
Instituição: Nome da Actividade:
Local: Data:

Nome da Actividade:
Dinamizador:
Data:
Horário: Duração:
Público:

Facilitadores:

Pontos a melhorar:

Registos fotográficos:

Outras indicações:

Animador/a: Director/a Técnica:

37