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Resumão

2019
Geografia

2019
Geografia

Formação do Espaço e a Revolução Industrial

Resumo

A Geografia estuda os fenômenos que se manifestam no espaço geográfico e que possuem alguma
associação com o Homem (Relevo, Indústria, Política, Clima, População…) e este difere-se do espaço natural,
que é aquele não sofreu interferência humana.
Cabe aqui destacar que inicialmente o Homem vivia no que se chamava de Meio Natural, período em
que o Homem e a sociedade dependiam do tempo da natureza, porém as revoluções industriais
impulsionaram a modificação deste meio.
A definição de Revoluções Industriais é a ocorrência de sucessivas transformações profundas na
sociedade e no espaço, transformações essas impulsionadas pela atividade industrial que realiza
transformações de matéria.
Quando ocorre a Primeira Revolução Industrial esse meio natural é alterado, dando origem assim ao
Meio Técnico caracterizado pelo domínio do Homem sobre a natureza, essa utilizada em larga escala pelo
modelo Fordista. Com a evolução das técnicas chega-se ao Meio Técnico Científico Informacional.
Sobre as características das Revoluções Industriais pode-se citar o século XVIII, a Inglaterra como país
pioneiro, a predominância da indústria têxtil, carvão mineral como principal fonte de energia, exploração da
mão de obra e ausência de direitos trabalhistas como características da Primeira Revolução. Já a Segunda
Revolução Industrial ocorrida no século XIX tem como principais características o pioneirismo dos EUA,
Alemanha e Japão, destaque da indústria automobilística e o Petróleo como fonte de energia. A Terceira
Revolução Industrial, iniciada na década de 1970 com o destaque norte-americano. Neste momento do
desenvolvimento industrial destaca-se o surgimento de tecnopólos, novas áreas industriais que unem centros
de produção de tecnologias de ponta com centros de pesquisa científica (universidades).

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Geografia

Exercícios

1. Observe o mapa a seguir:

Com base no mapa e nos conhecimentos de Geografia, assinale a alternativa correta.

a) O mapa indica os centros políticos e econômicos das maiores potências militares e geopolíticas
do mundo.
b) Estão indicadas as maiores concentrações populacionais de cada uma das grandes civilizações
modernas: a americana, a europeia, a russa, a negra, a oriental e a austral.
c) A maioria das grandes concentrações urbanas do mundo se localiza no hemisfério Norte, devido
ao papel do clima temperado e dos grandes vales pluviais na origem da civilização.
d) As áreas indicadas mostram concentrações urbanas e industriais que vêm perdendo importância
relativa na economia mundial em função do crescimento demográfico e industrial da Índia.
e) As áreas indicadas são grandes concentrações industriais em termos de valor da produção, sem
considerar diferenças relacionadas à sofisticação dos produtos e da tecnologia.

2. A história da incorporação das técnicas no espaço geográfico passou por três etapas distintas: o meio
natural, o meio técnico e o meio técnico-científico-informacional. Este é um meio geográfico onde o
território inclui necessariamente ciência, tecnologia e informação.
Ainda sobre o meio técnico-científico-informacional, pode-se afirmar:
a) inicia-se antes da Segunda Guerra Mundial e apresenta uma divisão técnica e social do trabalho
baseada na utilização intensiva de energia e de matéria-prima.
b) começa após a Segunda Guerra Mundial e organiza o espaço sob a estruturação de redes,
integradas virtualmente por meio das tecnologias da informação.
c) surge no início do século XX e apresenta uma produção de objetos técnicos e culturais por meio
de uma interação no espaço da ciência e da técnica.
d) emerge nas últimas décadas do século XX e considera o espaço como produto exclusivo de
reprodução da técnica e do uso de tecnologias de bases virtuais e digitais.
e) surge no início do século XVIII a partir da Revolução Industrial e corresponde à capacidade do
homem alterar o meio natural a partir da técnica.

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3.

NEVES, E. Engraxate. Disponível em: www.grafar.blogspot.com. Acesso em: 15 fev. 2013.

Considerando-se a dinâmica entre tecnologia e organização do trabalho, a representação contida no


cartum é caracterizada pelo pessimismo em relação à
a) ideia de progresso.
b) concentração do capital.
c) noção de sustentabilidade.
d) organização dos sindicatos.
e) obsolescência dos equipamentos.

4. A linhagem dos primeiros críticos ambientais brasileiros não praticou o elogio laudatório da beleza e
da grandeza do meio natural brasileiro. O meio natural foi elogiado por sua riqueza e potencial
econômico, sendo sua destruição interpretada como um signo de atraso, ignorância e falta de cuidado.
PADUA, J. A. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (1786-1888). Rio de
Janeiro:Zahar, 2002.
Descrevendo a posição dos críticos ambientais brasileiros dos séculos XVIII e XIX, o autor demonstra
que, via de regra, eles viam o meio natural como
a) ferramenta essencial para o avanço da nação.
b) dádiva divina para o desenvolvimento industrial.
c) paisagem privilegiada para a valorização fundiária.
d) limitação topográfica para a promoção da urbanização.
e) obstáculo climático para o estabelecimento da civilização.

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Geografia

5. “A poluição e outras ofensas ambientais ainda não tinham esse nome, mas já eram largamente notadas
no século XIX, nas grandes cidades inglesas e continentais. E a própria chegada ao campo das estradas
de ferro suscitou protestos. A reação antimaquinista, protagonizada pelos diversos luddismos, antecipa
a batalha atual dos ambientalistas. Esse era, então, o combate social contra os miasmas urbanos.”
SANTOS M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2002 (adaptado).

O crescente desenvolvimento técnico-produtivo impõe modificações na paisagem e nos objetos


culturais vivenciados pelas sociedades. De acordo com o texto, pode-se dizer que tais movimentos
sociais emergiram e se expressaram por meio
a) das ideologias conservacionistas, com milhares de adeptos no meio urbano.
b) das políticas governamentais de preservação dos objetos naturais e culturais.
c) das teorias sobre a necessidade de harmonização entre técnica e natureza.
d) dos boicotes aos produtos das empresas exploradoras e poluentes.
e) da contestação à degradação do trabalho, das tradições e da natureza.

6. Até o século XVII, as paisagens rurais eram marcadas por atividades rudimentares e de baixa
produtividade. A partir da Revolução Industrial, porém, sobretudo com o advento da revolução
tecnológica, houve um desenvolvimento contínuo do setor agropecuário. São, portanto, observadas
consequências econômicas, sociais e ambientais inter-relacionadas no período posterior à Revolução
Industrial, as quais incluem
a) a erradicação da fome no mundo.
b) o aumento das áreas rurais e a diminuição das áreas urbanas.
c) a maior demanda por recursos naturais, entre os quais os recursos energéticos.
d) a menor necessidade de utilização de adubos e corretivos na agricultura.
e) o contínuo aumento da oferta de emprego no setor primário da economia, em face da
mecanização.

7. “O espaço geográfico é fruto de um processo que ocorre ao longo da história das diversas sociedades
humanas; dessa forma, representa interesses, técnicas e valores dessas mesmas sociedades, que o
constroem segundo suas necessidades. Então, é possível dizer que ele reflete o estágio de
desenvolvimento dos meios técnicos de cada sociedade”.
SILVA, A. C. et. al. Geografia contextos e redes 01. 1º ed. São Paulo: Moderna, 2013. p.19.

No trecho acima, observa a noção de espaço geográfico vinculada:


a) ao emprego aleatório de ferramentas desprovidas de seus contextos.
b) à ideia de que a sociedade é o reflexo do meio onde vive e que nele se reproduz.
c) à história da humanidade, limitando esse conceito às justaposições do passado.
d) aos interesses da sociedade, em uma perspectiva totalitária e sem subjetividades.
e) à utilização das técnicas para a produção da sociedade e suas espacialidades.

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8.

Com base na tabela, é correto afirmar:


a) A industrialização acelerada da Alemanha e dos Estados Unidos ocorreu durante a Primeira
Revolução Industrial, mantendo-se relativamente inalterada durante a Segunda Revolução
Industrial.
b) Os países do Sul e do Leste da Europa apresentaram níveis de industrialização equivalentes aos
dos países do Norte da Europa e dos Estados Unidos durante a Segunda Revolução Industrial.
c) A Primeira Revolução Industrial teve por epicentro o Reino Unido, acompanhado em menor grau
pela Bélgica, ambos mantendo níveis elevados durante a Segunda Revolução Industrial.
d) Os níveis de industrialização verificados na Ásia em meados do século XVIII acompanharam o
movimento geral de industrialização do Atlântico Norte ocorrido na segunda metade do século XIX.
e) O Japão se destacou como o país asiático de mais rápida industrialização no curso da Primeira
Revolução Industrial, perdendo força, no entanto, durante a Segunda Revolução Industrial.

9. A instalação de uma refinaria obedece a diversos fatores técnicos. Um dos mais importantes é a
localização, que deve ser próxima tanto dos centros de consumo como das áreas de produção. A
Petrobras possui refinarias estrategicamente distribuídas pelo país. Elas são responsáveis pelo
processamento de milhões de barris de petróleo por dia, suprindo o mercado com derivados que podem
ser obtidos a partir de petróleo nacional ou importado.
Murta, Energia: o vício da civilização, crise energética e alternativas sustentáveis. Rio de Janeiro Caramond 2011

A territorialização de uma unidade produtiva depende de diversos fatores locacionais. A partir da leitura
do texto, o fator determinante para a instalação das refinarias de petróleo é a proximidade a
a) sedes de empresas petroquímicas.
b) zonas de importação de derivados
c) polos de desenvolvimento tecnológico.
d) áreas de aglomerações de mão de obra
e) espaços com infraestrutura de circulação

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10. Ecossistema e meio geográfico são a mesma coisa? Não, e devemos ser enfáticos nisso a fim de
delimitar os diferentes campos de trabalho. A diferença substancial está no fato de que o homem,
vivendo em sociedade, não é um ser vivo a mais, nem se adapta à natureza de forma direta como os
animais. Sua relação com a natureza é demorada: primeiro, produz-se a adaptação com o meio social
e, através deste, ele se relaciona com o meio natural.
Adaptado de Wettstein, citado por Oliva e Giansanti

A leitura do texto nos permite afirmar que:


a) tanto as comunidades humanas como os animais relacionam-se do mesmo modo com a natureza.
b) os homens, individualmente, participam dos processos de adaptação e de transformação da
natureza.
c) os homens vivem independentemente da natureza.
d) os homens relacionam-se coletivamente com a natureza.
e) os homens não devem preocupar-se com a natureza, pois vivem independentemente dela.

Questão contexto

Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/-


T2uxr_gqbEE/VMlzJ9hkv0I/AAAAAAAAAAc/zc9iTo43eTA/s1600/ESPA%C3%87O%2BGEOGR%C3%81FICO.jpg> Acesso em: 16 de
Jan de 2017.

Com base na imagem, desenvolva um parágrafo sobre o tempo da natureza e o tempo das técnicas e
como a passagem de um para outro influenciou a evolução do espaço natural para o espaço geográfico.

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Gabarito

1. E
Para acertar a questão é necessário avaliar que os pontos demarcados estão em países não
necessariamente ricos, mas em centros de produção que se desenvolveram ao longo do tempo.

2. B
O meio técnico-científico-informacional representa a atual etapa do sistema capitalista de produção e
transformação do espaço geográfico, estando relacionado, sobretudo, à Terceira Revolução Industrial.
Surge após a Segunda Guerra Mundial e permite a organização do espaço e da produção a partir de uma
rede integrada pela tecnologia da informação.

3. A
Na charge podemos perceber que as máquinas estão sendo servidas pelos homens, tomando conta do
mundo. As indústrias provocaram essa sensação. O desenvolvimento industrial foi muito apoiado na
ideologia do desenvolvimento e do progresso.

4. A
No texto, é referenciado que o meio natural foi elogiado por sua riqueza e potencial econômico, o que
demonstra que esse meio era visto como uma ferramenta essencial para o avanço da nação.

5. E
As transformações nas formas de se produzir causam verdadeiros impactos as paisagens e aos espaços
sociais, alterando dinâmicas e ressignificando funções. Esses impactos vem justificados na modernidade,
no desenvolvimento e no progresso, a troco da qualidade de vida e dos recursos naturais da população.

6. C
As revoluções industriais intensificaram o uso dos recursos naturais e alteraram as formas de trabalhar.
O trabalhador não foi apenas substituído pela máquina, mas a máquina demanda um outro perfil de
profissional e de função. Mesmo com a excessiva produção de alimentos a fome no mundo parece ser
consequência do sistema que se baseia em exploração e desigualdades aquisitivas.

7. E
O espaço é construído pelas transformações materiais ao longo do tempo. Isso envolve as diferentes
técnicas produtivas desenvolvidas pelas sociedades que modificaram a realidade.

8. C
A questão trabalhou análise de gráficos e relacionamento com a revolução industrial. O pioneirismo
inglês é amplamente conhecido, contudo, o destaque da Bélgica também foi bastante importante, os
dados mostravam exatamente isso, não necessitando de prévios conhecimentos específicos.

9. E
A necessidade exposta no texto girava em torno de uma localização que facilitasse a busca por matéria-
prima, o abastecimento do mercado e a conexão com mercados de suprimento internacional e nacional.

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Geografia

Para tal, a existência de uma rede de transportes eficiente é fundamental para permitir que a empresa
desloque seus produtos e atenda a sua necessidade.

10. D
A capacidade do homem de alterar o meio natural se dá pela técnica, porém isso só ocorre a partir de
sua organização social, isto é, vivendo em sociedade. Nesse sentido, a sociedade produz o espaço e ao
mesmo tempo é reflexo desse.

Questão Contexto

No início da relação Homem-Meio o ritmo da produção do espaço era ditado pelo tempo da natureza,
ou seja, o Homem estava sujeito aos fenômenos naturais. Com as revoluções industriais a relação com
o tempo foi modificada pela criação de técnicas cada vez mais elaboradas que permitiram o Homem
ter domínio sobre a natureza, passando a reger o ritmo da produção do espaço, este ligado à produção
industrial, levando ao chamado meio técnico científico informacional.

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Primeira e Segunda Revoluções Industriais

Resumo

A primeira revolução industrial derivou de um momento caracterizado pela mudança dos processos
artesanais para as manufaturas e maquinofaturas. O início do processo de transformação de matéria-prima
em produtos foi um trabalho manual e muito concentrado na mão de poucas pessoas. A intenção de aumentar
a produção fez com que mais pessoas fossem envolvidas no processo e consequentemente aumentassem
a capacidade técnica das oficinas de produção.
Pode-se dizer que a chegada das grandes máquinas ao processo de transformação e matérias,
culminou no que chamamos de primeira revolução industrial. O processo se iniciou na Inglaterra, muito
motivada pela substituição da madeira pela matéria prima que motivou o desenvolvimento de máquinas a
vapor: o carvão. Outro ponto fundamental foi o período de estabilidade política e organização da burguesia.
A partir da Inglaterra, os países europeus e até os Estados Unidos tiveram suas revoluções industriais.
Por isso é comum ouvir que os países subdesenvolvidos tiveram um processo de industrialização tardio, e
também subordinado aos países que se desenvolveram primeiro.
A revolução industrial representou grandes mudanças nas estruturas sociais, nas paisagens, nas
formas de trabalhar e nas mudanças de significado e de função que os espaços passam assumir, regulado
pelas formas de se produzir.
A primeira revolução industrial evoluiu para a Segunda entre 1840 e 1870, quando a tecnologia e a
economia ganharam forças com o desenvolvimento crescente de novas formas de conectar os mercados. Os
barcos a vapor, navios, as ferrovias, a fabricação em larga escala e máquinas que usavam a energia a vapor
foram os marcos que puderam delimitar um rompimento entre a primeira e a segunda revolução industrial.
O modelo produtivo que orientou a segunda fase da revolução industrial ficou conhecido como
Fordismo, também chamado de Fordismo-Taylorismo ou modelo rígido. É o modelo produtivo, ou seja, o
pensamento de execução produtiva, a forma de organização industrial, que caracterizou a Segunda Revolução
Industrial e possuía o claro objetivo de criar um molde de produção em massa.

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Geografia

Exercícios

1. Dominar a luz implica tanto um avanço tecnológico quanto uma certa liberação dos ritmos cíclicos da
natureza, com a passagem das estações e as alternâncias de dia e noite. Com a iluminação noturna, a
escuridão vai cedendo lugar à claridade, e a percepção temporal começa a se pautar pela marcação do
relógio. Se a luz invade a noite, perde sentido a separação tradicional entre trabalho e descanso - todas
as partes do dia podem ser aproveitadas produtivamente.
SILVA FILHO. A. L. M. Fortaleza: imagens da cidade. Fortaleza: Museu do Ceará: Secult-CE. 2001 (adaptado).

Em relação ao mundo do trabalho, a transformação apontada no texto teve como consequência a


a) melhoria da qualidade da produção industrial.
b) redução da oferta de emprego nas zonas rurais.
c) permissão ao trabalhador para controlar seus próprios horários.
d) diminuição das exigências de esforço no trabalho com máquinas.
e) ampliação do período disponível para a jornada de trabalho.

2. “Segundo Braverman: O mais antigo princípio inovador do modo capitalista de produção foi a divisão
manufatureira do trabalho [...] A divisão do trabalho na indústria capitalista não é de modo algum
idêntica ao fenômeno da distribuição de tarefas, ofícios ou especialidades da produção [...].”
BRAVERMAN, H. Trabalho e capital monopolista. Tradução Nathanael C. Caixeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. p. 70.

O que difere a divisão do trabalho na indústria capitalista das formas de distribuição anteriores do
trabalho?
a) A formação de associações de ofício que criaram o trabalho assalariado e a padronização de
processos industriais.
b) A realização de atividades produtivas sob a forma de unidades de famílias e mestres, o que
aumenta a produtividade do trabalho e a independência individual de cada trabalhador.
c) O exercício de atividades produtivas por meio da divisão do trabalho por idade e gênero, o que leva
à exclusão das mulheres do mercado de trabalho.
d) O controle do ritmo e da distribuição da produção pelo trabalhador, o que resulta em mais riqueza
para essa parcela da sociedade.
e) A subdivisão do trabalho de cada especialidade produtiva em operações limitadas, o que conduz
ao aumento da produtividade e à alienação do trabalhador.

3. A tecelagem é numa sala com quatro janelas e 150 operários. O salário é por obra. No começo da
fábrica, os tecelões ganhavam em média 170$000 réis mensais. Mais tarde não conseguiam ganhar
mais do que 90$000; e pelo último rebaixamento, a média era de 75$000! E se a vida fosse barata! Mas
as casas que a fábrica aluga, com dois quartos e cozinha, são a 20$000 réis por mês; as outras são de
25$ a 30$000 réis. Quanto aos gêneros de primeira necessidade, em regra custam mais do que em São
Paulo.
CARONE, E. Movimento operário no Brasil. São Paulo: Difel, 1979.
Essas condições de trabalho, próprias de uma sociedade em processo de industrialização como a
brasileira do início do século XX, indicam a
a) exploração burguesa.
b) organização dos sindicatos.
c) ausência de especialização.
d) industrialização acelerada.
e) alta de preços.

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4.

Tendo como base de análise a figura e os aspectos que definiram a Primeira Revolução Industrial, a
alternativa correta é:
a) Inicia-se nas últimas décadas do século XVIII e estende-se até meados do século XIX. A invenção
da máquina a vapor e o uso do carvão como fonte de energia primária marcam o início das
mudanças nos processos produtivos.
b) O Reino Unido foi o primeiro país a reunir condições básicas para o início da industrialização devido
à intensa acumulação de capitais no decorrer do Capitalismo Financeiro
c) Os mais destacados segmentos fabris desta fase foram o têxtil, o metalúrgico e o automobilístico.
d) As transformações produtivas desta fase atingiram rapidamente outros países como a Alemanha,
França e Estados Unidos ainda no Século XVIII
e) Foi marcado pelo harmônico período entre indústria e meio ambiente, uma vez que os níveis de
poluição eram considerados de poucos danos em escala mundial.

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5. Leia os textos que seguem. O primeiro é de autoria do pensador alemão Karl Marx (1818-1883) e foi
publicado pela primeira vez em 1867. O segundo integra um caderno especial sobre trabalho infantil,
do jornal Folha de S. Paulo, publicado em 1997.

“(...) Tornando supérflua a força muscular, a maquinaria permite o emprego de trabalhadores sem força
muscular ou com desenvolvimento físico incompleto, mas com membros mais flexíveis. Por isso, a
primeira preocupação do capitalista, ao empregar a maquinaria, foi a de utilizar o trabalho das mulheres
e das crianças. (...) [Entretanto,] a queda surpreendente e vertical no número de meninos [empregados
nas fábricas] com menos de 13 anos [de idade], que freqüentemente aparece nas estatísticas inglesas
dos últimos 20 anos, foi, em grande parte, segundo o depoimento dos inspetores de fábrica, resultante
de atestados médicos que aumentavam a idade das crianças para satisfazer a ânsia de exploração do
capitalista e a necessidade de traficância dos pais.”
MARX, K. O Capital: crítica da economia política. 19. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. Livro I, v. 1, p. 451 e 454.
“A Constituição brasileira de 1988 proíbe qualquer tipo de trabalho para menores de 14 anos. (...)
Apesar da proibição constitucional, não existe até hoje uma punição criminal para quem desobedece à
legislação. O empregador que contrata menores de 14 anos está sujeito apenas a multas. ‘As multas
são, na maioria das vezes, irrisórias, permanecendo na casa dos R$ 500’, afirmou o Procurador do
Trabalho Lélio Bentes Corrêa. Além de não sofrer sanção penal, os empregadores muitas vezes se
livram das multas trabalhistas devido a uma brecha da própria Constituição. O artigo 7º, inciso XXXIII,
proíbe ‘qualquer trabalho’ a menores de 14 anos, mas abre uma exceção – ‘salvo na condição de
aprendiz’.”
Folha de S. Paulo, 1 maio 1997. Caderno Especial Infância Roubada – Trabalho Infantil.

Com base nos textos, é correto afirmar:

a) Graças às críticas e aos embates questionando o trabalho infantil durante o século XIX, na
Inglaterra, o Brasil pôde, no final do século XX, comemorar a erradicação do trabalho infantil.
b) Em decorrência do desenvolvimento da maquinaria, foi possível diminuir a quantidade de trabalho
humano, dificultando o emprego do trabalho infantil nas indústrias desde o século XIX, na
Inglaterra, e nos dias atuais, no Brasil.
c) A legislação proibindo o trabalho infantil na Inglaterra do século XIX e a legislação atual brasileira
são instrumentos suficientes para proteger as crianças contra a ambição de lucro do capitalista.
d) O trabalho infantil foi erradicado na Inglaterra, no século XIX, através das ações de fiscalização
dos inspetores nas fábricas, exemplo que foi seguido no Brasil do século XX.
e) O desenvolvimento da maquinaria na produção capitalista potencializou, no século XIX, o emprego
do trabalho infantil. Naquele contexto, a legislação de proteção à criança pôde ser burlada, o que
ainda se verifica, de certa maneira, no Brasil do final do século XX.

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6. “um mulatinho de doze anos, com cara de malandro e uma invencível predileção pelas roupas sujas e
pelas cambalhotas que se tornaram sua maneira habitual de andar; sua obrigação é a de espantar
moscas durante o almoço, junto à mesa, com uma bandeirola (que é agora marrom-cinza, seja lá o que
tenha sido antes). E me parece mais intolerável que as próprias moscas. Além disso, o menino deve
servir o café... bebida que se toma quatro vezes ao dia”
Maria Cristina Luz Pinheiro Adaptado de Das cambalhotas ao trabalho: a criança escrava em Salvador, 1850-1888.
Dissertação de Mestrado, UFBA, 2003.

No Rio de Janeiro, já houve 18 acidentes de trabalho registrados entre menores este ano. No ano
passado, foram 94. Os acidentes acontecem mais entre trabalhadores informais sem a ocupação
informada. Essas ocorrências respondem por 39% dos acidentes registrados no ano passado no estado.
Vêm a seguir atendentes de lanchonete, serventes de obra, repositores de mercadoria e pedreiros.
Adaptado de oglobo.globo.com, 19/05/2014.

Tanto o primeiro texto, com o relato de um estrangeiro na Bahia no século XIX, quanto o segundo, uma
notícia de jornal do século XXI, revelam a permanência do seguinte problema social:
a) adoção de baixos salários
b) utilização de pessoas cativas
c) exploração da mão de obra infantil
d) discriminação do empregado negro
e) luta pelos direitos trabalhistas adquiridos

7.

Sobre a Revolução Industrial, assinale a alternativa correta:


a) Ocorreu principalmente por causa do acúmulo de enormes capitais provenientes das atividades
mercantis.
b) Ocorreu principalmente na Inglaterra (Primeira Revolução Industrial) e mais tarde em alguns
países da América e Ásia (Segunda Revolução Industrial.
c) Trouxe como consequência imediata a abolição da escravidão em alguns países com objetivo de
ampliar os mercados consumidores mundiais.
d) Demandou uma qualificação da mão de obra, exigida pelas atividades exercidas nas unidades
produtivas.
e) Garantiu uma hegemonia industrial inglesa até o período que sucedeu a Segunda Guerra Mundial
e o início da disputa americana e soviética.

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8. A Primeira Revolução Industrial se desenvolveu principalmente na Inglaterra a partir do século XVIII.


Entretanto, a partir do século XIX, a industrialização se expandiu para outros locais que somados aos
novos desenvolvimentos tecnológicos caracterizaram a chamada Segunda Revolução Industrial. Quais
dos países abaixo não se industrializaram durante a Segunda Revolução Industrial, no século XIX?
a) Portugal.
b) EUA.
c) Alemanha.
d) França.
e) Japão.

9. A Segunda Revolução Industrial, no final do século XIX e inicio do século XX, nos EUA, período em que
a eletricidade passou gradativamente a fazer parte do cotidiano das cidades e a alimentar o motores
das fábricas, caracterizou-se pela administração cientifica do trabalho e pela produção em série.
MERLO, A. R. C.; LAPIS, N. L. A saúde e os processos de trabalho no capitalismo: reflexões na interface da psicodinâmica do
trabalho e da sociologia do trabalho. Psicologia e Sociedade, n. 1, abr. 2007.

De acordo com o texto, na primeira metade do século XX, o capitalismo produziu um novo espaço
geoeconômico e uma revolução que está relacionada com a
a) proliferação de pequenas e médias empresas, que se equiparam com as novas tecnologias e
aumentaram a produção, com aporte do grande capital.
b) técnica de produção fordista, que instituiu a divisão e a hierarquização do trabalho, em que cada
trabalhador realizava apenas uma etapa do processo produtivo.
c) passagem do sistema de produção artesanal para o sistema de produção fabril, concentrando-se,
principalmente, na produção têxtil destinada ao mercado interno.
d) independência política das nações colonizadas, que permitiu igualdade nas relações econômicas
entre os países produtores de matérias-primas e os países industrializados.
e) constituição de uma classe de assalariados, que possuíam como fonte de subsistência a venda
de sua força de trabalho e que lutava pela melhoria das condições de trabalho nas fábricas.

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10.

Caspar David Friedrich. Grandes pinturas. São Paulo: Publifolha, 2012.

Por meio da imagem presente na tela, é possível identificar uma das principais características da
sociedade liberal burguesa construída ao longo do século XIX. Essa característica pode ser definida
como:
a) obtenção do lucro
b) valorização do exotismo
c) preservação da natureza
d) exaltação do individualismo
e) aumento de tecnologia moderna

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Gabarito

1. E
Dominar a luz foi um passo fundamental para superar o tempo da natureza. Com o sucessivo avanço
das técnicas de iluminação noturna, foi possível “colonizar” a noite. Esse processo, concomitante ao
desenvolvimento capitalista, permitiu cada vez mais usar o período noturno para o trabalho humano,
aumentado a jornada de trabalho e a produtividade.

2. E
A divisão do trabalho tem como intencionalidade a desarticulação do conhecimento do trabalhador
acerca do produto. As operações limitadas compõem uma domesticação do corpo do trabalhador.

3. A
O processo de exploração por parte de quem detêm o capital inicial para montar uma mão de obra
assalariada é parte essencial do processo produtivo.

4. A
O advento da Revolução Industrial derivou de uma série de inovações tecnológicas (ex: motores à vapor),
responsáveis pelo aumento da produção e de uma consequente mudança em nível de organização da
sociedade.

5. E
Ainda na atualidade não conseguimos superar o trabalho infantil. Suas raízes vem da necessidade de
exploração do capital para compor a renda primitiva. Os textos mostram momentos diferentes da história
e locais diferentes que se utilizavam do trabalho infantil com brechas na legislação.

6. C
A utilização de crianças no trabalho era uma prática muito comum no processo de primeira revolução
industrial, contudo, a evolução das leis de proteção ao trabalhador e de direitos das crianças, visava
erradicar esse tipo de trabalho, fato que não se concretizou.

7. A
Muitos pontos colaboram para o desenvolvimento de um processo de industrialização, entre eles, a
disposição de capital é fundamental, no caso inglês, o acúmulo dos períodos mercantilistas garantiram
o recurso.

8. A
Somente após a Segunda Guerra Mundial, Portugal, ao contrário dos demais países que tiveram
industrialização precoce e hegemônica, pôde se aprofundar em sua industrialização, logo, não se
destacou ao longo do século XIX como os outros países mencionados nas questões.

9. B
O fordismo, modelo de produção traduzido pela divisão do trabalho dentro do ambiente fabril e pela linha
de montagem, é típico da Segunda Revolução Industrial.

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10. D
A imagem de um homem sozinho no topo da montanha pode ser associada a uma característica da
ideologia liberal burguesa que é o culto ao direito individual e individualismo.

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Crise de 29 e o Keynesianismo

Resumo

A crise de 29 ou Grande Depressão foi um momento de crise financeira das principais potências, que
acarretaram numa crise mundial. Depois da Primeira Guerra Mundial, as nações Europeias ficaram
enfraquecidas e os EUA ganharam destaque internacional, uma vez que a guerra ocorreu em solo europeu.
Essa situação passa a se tornar uma oportunidade produtiva para os norte-americanos, aumentando o
mercado consumidor disponível. O Fordismo naquele período também crescia muito a economia norte-
americana. Por ser um modelo produtivo que almejava a máxima produção, conseguia atender um mercado
consumidor abrangente, uma vez que, quanto maior a produção, menor o preço do produto. Nessa época as
ideologias do American Way of Life fortaleciam a cultura do consumismo enquanto qualidade de vida. Tal
modelo se baseava na exploração, no consumismo, e na produção em larga escala dependendo desse
mercado consumidor disponível europeu e norte-americano, se mostrando um sistema insustentável. Em
meados dos anos 20, a Europa mostrava sinais de recuperação, diminuindo a demanda de exportação e houve
uma estagnação do consumo americano pela saturação do mercado, com os grandes estoques fordistas.
Essa ideologia do consumismo e da máxima produção em larga escala em menos tempo ocasionaram a Crise
de Superprodução, no cenário de alta produção e estoque, e baixa demanda de mercado.
A desaceleração da produção industrial pela estagnação do consumo e demasiada produção provocou.
• A quebras dos especuladores financeiros e falência dos empresários da Bolsa de Valores de Nova York
• Alto índice de desemprego
• Fechamento de fábricas
• Aumento da violência policial.

Deste modo, o cenário mundial contou com a fragilidade econômica das duas principais potencias mundiais;
A Europa, que também sofreu com as crises da estrutura produtiva vigente, mas principalmente com a
Segunda Guerra Mundial, que devastou sua população e sua economia.
E os EUA que mantinham fortes relações comerciais com o resto do mundo, e passaram a demonstrar
um declínio, depois de um prospero e longo momento de crescimento econômico.
No Brasil, a economia do café passou a atingir os piores índices depois de décadas, o que
contextualizou a revolução de 30 de Getúlio Vargas.
Assim, em dado momento a produção em massa e a estagnação dos salários, aspectos que visavam
um aumento do lucro, geraram excesso de produtos e bens em estoque que não eram vendidos no mesmo
ritmo em que eram produzidos levando à um quadro de estoques lotados culminando na Crise de 29 ou crise
de superprodução.

1
Geografia

Keynesianismo

A solução encontrada para esta crise foi apresentada por Keynes, um economista britânico, que deu
origem ao Keynesianismo. Surge aí o Estado Keynesiano ou Estado de Bem-Estar Social (Welfare State).
Nesse contexto, o Estado passa a ter a responsabilidade e o poder central de assegurar os direitos básicos
de sua população, uma vez que os serviços empresariais estavam quebrados. Por isso é comum dizer que
nessa fase o estado era interventor, pois teve que intervir e controlar a economia. As formas de se produzir
também começaram a passar por modificações e adaptações, principalmente com a evolução dos meios
tecnológicos de comunicação e transporte. Afim de aumentar o poder de consumo da população, as
seguintes medidas foram tomadas

• O aumento dos salários.


• A estabilidade no emprego.
• A redução das jornadas de trabalho.
• Geração de empregos.
• Investimento do governo em obras públicas e previdência social.
Concessão de empréstimos públicos as empresas; a Bolsa de Nova York voltou a funcionar por meio de
auxílios estatais.

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2
Geografia

Exercícios

1. “A depressão econômica gerada pela Crise de 1929 teve no presidente americano Franklin Roosevelt
(1933 - 1945) um de seus vencedores. New Deal foi o nome dado à série de projetos federais
implantados nos Estados Unidos para recuperar o país, a partir da intensificação da prática da
intervenção e do planejamento estatal da economia. Juntamente com outros programas de ajuda
social, o New Deal ajudou a minimizar os efeitos da depressão a partir de 1933. Esses projetos federais
geraram milhões de empregos para os necessitados, embora parte da força de trabalho norte-
americana continuasse desempregada em 1940. A entrada do país na Segunda Guerra Mundial, no
entanto, provocou a queda das taxas de desemprego, e fez crescer radicalmente a produção industrial.
No final da guerra, o desemprego tinha sido drasticamente reduzido”.
EDSFORD, R. America’s response to the Great Depression. Blackwell Publishers, 2000 (tradução adaptada).
A partir do texto, conclui-se que:
a) o fundamento da política de recuperação do país foi a ingerência do Estado, em ampla escala, na
economia.
b) a crise de 1929 foi solucionada por Roosevelt, que criou medidas econômicas para diminuir a
produção e o consumo.
c) os programas de ajuda social implantados na administração de Roosevelt foram ineficazes no
combate à crise econômica.
d) o desenvolvimento da indústria bélica incentivou o intervencionismo de Roosevelt e gerou uma
corrida armamentista.
e) a intervenção de Roosevelt coincidiu com o início da Segunda Guerra Mundial e foi bem sucedida,
apoiando- se em suas necessidades.

2. Ante a grande depressão de 1929, o economista John M. Keynes defendia o déficit público como uma
forma de enfrentar a recessão. Nos Estados Unidos, o Presidente Franklin Roosevelt, a partir de 1930,
financiou obras públicas a fim de diminuir o desemprego. A partir desse período, as mudanças na
política econômica propiciaram:
a) a oposição do governo norte-americano ao desenvolvimento do intervencionismo na economia.
b) a intervenção do Estado na economia, como estratégia de ampliação do mercado de trabalho.
c) a consolidação dos grupos econômicos que impediam a intervenção estatal.
d) o fechamento do comércio europeu ao capital norte-americano.
e) a livre aplicação do capital pela iniciativa privada.

3. O New Deal visa restabelecer o equilíbrio entre o custo de produção e o preço, entre a cidade e o campo,
entre os preços agrícolas e os preços industriais, reativar o mercado interno – o único que é importante
–, pelo controle de preços e da produção, pela revalorização dos salários e do poder aquisitivo das
massas, isto é, dos lavradores e operários, e pela regulamentação das condições de emprego.
CROUZET,M. Os Estados perante a crise. In: História geral das civilizações.São Paulo: Difel, 1966(adaptado).
Tendo como referência os condicionantes históricos do entre guerras, as medidas governamentais
descritas objetivavam
a) flexibilizar as regras do mercado financeiro.
b) fortalecer o sistema de tributação regressiva.
c) introduzir os dispositivos de contenção creditícia.
d) racionalizar os custos da automação industrial mediante negociação sindical.
e) recompor os mecanismos de acumulação econômica por meio da intervenção estatal.

3
Geografia

4. O colapso deflagrado no mundo pela crise financeira dos anos 20 teve como principal ato o craque da
Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929. Como consequência dessa crise, podemos
destacar:
a) os preços e salários subiram, aumentando a oferta de empregos na área industrial europeia.
b) a Europa recuperou sua prosperidade com altos investimentos dos fundos particulares norte-
americanos.
c) o Brasil manteve-se fora da crise com contínuos aumentos das exportações do café.
d) o mundo todo foi afetado drasticamente, quando a Inglaterra abandonou o padrão-ouro,
permitindo a desvalorização da libra.
e) nos primeiros anos da década de 30, a indústria alemã duplicou a sua produção, acarretando o
crescimento do comércio mundial.

5. A grave crise econômico-financeira que atingiu o mundo capitalista, na década de 30, tem suas origens
nos Estados Unidos. A primeira medida governamental que procurou, internamente, solucionar essa
crise foi o "New Deal", adotado por Roosevelt, em 1933. Uma das medidas principais desse programa
foi o(a):
a) encerramento dos investimentos governamentais em obras de infraestrutura.
b) fim do planejamento e da intervenção do Estado na economia.
c) imediata suspensão da emissão monetária.
d) política de estímulo à criação de novos empregos.
e) redução dos incentivos à produção agrícola.

6. Uma pessoa que realiza as cinco fases necessárias na fabricação de um só produto só pode fabricar
uma unidade.

Cinco pessoas, cada uma delas especializada em uma das fases de fabricação, fabricam dez unidades
ao mesmo tempo.

A alteração na forma de organização do trabalho caracterizada na imagem está de acordo com um


determinado modelo de organização da produção.
Assinale a opção que identifica, respectivamente, esse modelo e uma característica dele.
a) Keynesianismo / concentração espacial da produção.
b) Volvismo / grandes aglomerações urbanas.
c) Fordismo / flexibilidade de localização industrial.
d) Taylorismo / grandes unidades fabris.
e) Toyotismo / rigidez da mão de obra.

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Geografia

7. No fim da década de 20, anos de prosperidade, uma grave crise econômica, conhecida como a Grande
Depressão, começou nos EUA e atingiu todos os países capitalistas. J. K. Galbraith, economista norte-
americano, afirma que “à medida que o tempo passava tornava-se evidente que aquela prosperidade
não duraria. Dentro dela estavam contidas as sementes de sua própria destruição.”
Dias de boom e de desastre in J.M. Roberts (org), História do Século XX.
A aparente prosperidade pode ser percebida nas seguintes características:
a) o aumento da produção automobilística, a expansão do mercado de trabalho e a falta de
investimentos em tecnologia.
b) a destruição dos grandes estoques de mercadorias, o aumento dos preços agrícolas e o aumento
dos salários.
c) a cultura de massa com a venda de milhões de discos, as dívidas de guerra dos EUA e o aumento
do número de empregos.
d) a crise de superprodução, a especulação desenfreada nas bolsas de valores e a queda da renda
dos trabalhadores.
e) o aumento do mercado externo, o mito do American way of life e a intervenção do Estado na
economia.

8.

A história em quadrinhos apresenta uma característica fundamental do modo de produção capitalista


na atualidade e uma política estatal em curso em muitos países desenvolvidos.
Essa característica e essa política estão indicadas em:
a) liberdade de comércio – ações afirmativas para grupos sociais menos favorecidos
b) sociedade de classe – sistemas de garantias trabalhistas para a mão de obra sindicalizada
c) economia de mercado – programas de apoio aos setores econômicos pouco competitivos
d) trabalho assalariado – campanhas de estímulo à responsabilidade social do empresariado
e) livre circulação de mercadorias – projetos que visam diminuir as barreiras fiscais entre os Estados

5
Geografia

9. TEXTO I
A Europa entrou em estado de exceção, personificado por obscuras forças econômicas sem rosto ou
localização física conhecida que não prestam contas a ninguém e se espalham pelo globo por meio de
milhões de transações diárias no ciberespaço.
ROSSI, C. Nem fim do mundo nem mundo novo. Folha de São Paulo, 11 dez. 2011 (adaptado).
TEXTO II
Estamos imersos numa crise financeira como nunca tínhamos visto desde a Grande Depressão iniciada
em 1929 nos Estados Unidos.
Entrevista de George Soros. Disponível em: www.nybooks.com. Acesso em: 17 ago. 2011 (adaptado).

A comparação entre os significados da atual crise econômica e do crash de 1929 oculta a principal
diferença entre essas duas crises, pois:
a) o crash da Bolsa em 1929 adveio do envolvimento dos EUA na I Guerra Mundial e a atual crise é o
resultado dos gastos militares desse país nas guerras do Afeganistão e Iraque.
b) a crise de 1929 ocorreu devido a um quadro de superprodução industrial nos EUA e a atual crise
resultou da especulação financeira e da expansão desmedida do crédito bancário.
c) a crise de 1929 foi o resultado da concorrência dos países europeus reconstruídos após a I Guerra
e a atual crise se associa à emergência dos BRICS como novos concorrentes econômicos.
d) o crash da Bolsa em 1929 resultou do excesso de proteções ao setor produtivo estadunidense e a
atual crise tem origem na internacionalização das empresas e no avanço da política de livre
mercado.
e) a crise de 1929 decorreu da política intervencionista norte-americana sobre o sistema de comércio
mundial e a atual crise resultou do excesso de regulação do governo desse país sobre o sistema
monetário.

10. "Para Keynes (...) para criar demanda, as pessoas deveriam obter meios para gastar. Uma conclusão
daí decorrente é que os salários de desemprego não deveriam ser considerados simplesmente como
débito do orçamento, um meio por intermédio do qual a demanda poderia aumentar e estimular a oferta.
Além do mais, uma demanda reduzida significava que não haveria investimento suficiente para produzir
a quantidade de mercadorias necessárias para assegurar o pleno emprego. Os governos deveriam,
portanto, encorajar mais investimentos, baixando as taxas de juros (...), bem como criar um extenso
programa de obras públicas, que proporcionaria emprego e geraria uma demanda maior de produtos
industriais."
O texto refere-se a uma teoria cujos princípios estiveram presentes
a) no "New Deal", planejamento econômico baseado na intervenção do Estado, elaborado devido à
crise de 1929.
b) na obra MEIN KAMPF, que desenvolveu os fundamentos do nazismo: ideia da existência da raça
ariana.
c) no Plano Marshall, cujo objetivo era recuperar a economia europeia através de maciços
investimentos.
d) na criação da Comunidade Econômica Europeia, organização que visa o livre comércio entre os
países.
e) no livro O CAPITAL, onde se encontram os princípios básicos que fundamentam o socialismo
marxista.

6
Geografia

Questão contexto

“A sociedade de consumo é um termo bastante utilizado para representar os avanços de produção do


sistema capitalista (...) Nesse sentido, o desenvolvimento econômico e social é pautado pelo aumento
do consumo, que resulta em lucro ao comércio e às grandes empresas, gerando mais empregos,
aumentando a renda, o que acarreta ainda mais consumo. Uma ruptura nesse modelo representaria uma
crise, pois a renda diminuiria, o desemprego elevar-se-ia e o acesso a elementos básicos seria mais
dificultado. (...) Suas raízes estão vinculadas ao processo de Revolução Industrial (...) A consequência
foi uma crise de superprodução das fábricas, que ficaram com grandes estoques de produtos sem um
mercado consumidor capaz de absorvê-los, gerando a crise de 1929.”
Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/o-capitalismo-sociedade-consumo.htm> Acesso em: 16 de
Jan de 2017.

Uma das características do Fordismo-Taylorismo é a produção em massa e esta deu início ao processo
de formação da chamada sociedade de consumo. Com base no texto, discorra sobre a associação que
pode ser feita entre sociedade de consumo e o modelo rígido e dê exemplo de setores industriais que
ainda hoje poderiam se utilizar desse modelo sem prejuízos econômicos que culminem em uma nova
crise.

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Geografia

Gabarito

1. A
A questão evidência a importância do Estado para recuperação da economia, retomando importante
conceito do intervencionismo keynesiano.

2. B
O New Deal marca o início de um estado interventor com objetivo de recuperar a economia norte
americana a partir do consumo. Para isso, o Estado buscou fazer grandes investimentos garantindo o
pleno emprego.

3. E
O New Deal (Novo Acordo) foi a política implementada por Delano Roosevelt, presidente dos EUA, para
solucionar a crise econômica que assolou os EUA após a quebra da bolsa de NY. Essa política representou
um rompimento com o modelo liberal vigente. Se baseando no Keynesianismo, o New Deal visava
solucionar a crise por meio da intervenção econômica do Estado.

4. D
Devido a forte junção entre capital financeiro e industrial a crise de 1929 afetou todo o mundo. A Inglaterra
era um dos poucos países que garantiam uma paridade entre sua moeda a um determinado peso em ouro.
Com o fim dessa paridade (padrão-ouro) e desvalorização da libra as referências monetárias se tornaram
artificial.

5. D
Entre as principais medidas propostas pelo New Deal, para resolução dos impactos da Crise de 1929,
podemos citar o aumento dos salários, a estabilidade no emprego, a redução das jornadas de trabalho e,
consecutivamente, a geração de novos empregos.

6. D
Pode-se perceber pela característica de divisão do trabalho e produção em série, que trata-se do modelo
Fordista-Taylorista. A flexibilização do trabalho é posterior ao fordismo, sendo característica do
Toyotismo. Assim, pode-se pressupor que precisa-se de grandes unidades fabris para aumentar a
produção.

7. D
As consequências da crise de superprodução das indústrias produziram efeitos desastrosos na economia
mundo.

8. C
Na tirinha, Calvin tenta vender seu produto dentro da lógica capitalista e obter maior lucro, mas isso se
mostra impossível pois não há procura que o dê o retorno desejado. A lei de oferta e procura tem
limitações que podem obrigar países a contrair dívidas externas e ao estado conceder incentivos fiscais.
No final da tirinha ele pede para ser subsidiado. Subsídio significa uma concessão de dinheiro que o

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Geografia

governo oferece para determinadas atividades, afim de manter acessível o preço do seu produto afim de
estimular as vendas, as exportações.

9. B
A diferença entre as duas crises refere-se às suas causas. A crise de 29 está relacionada à uma
superprodução industrial e à falta de mercado no período em que o modelo Fordista-Taylorista estava em
destaque. Já a crise de 2008 está relacionada à uma grande oferta de crédito bancário em que foi
desconsiderado o pagamento deste.

10. A
O "New Deal", adotado por Roosevelt, em 1933, foi um programa econômico de governo que adotava as
ideias de John M. Keynes com objetivo de recuperar a economia norte americana após a crise de 1929.

Questão Contexto

Uma das principais características do Fordismo é a produção em larga escala o que levou à um quadro
de estoque cheio. Para solucionar esta questão havia a necessidade da ampliação do mercado
consumidor, o consumo foi assim estimulado através da adoção do pleno emprego e diminuição da
carga horária de trabalho para que os trabalhadores-consumidores pudessem consumir. Destaca-se
ainda sobre o Fordismo que a sua característica de produção em massa ainda funciona para os setores
industriais que produzem bens que são consumidos largamente, tais como, o setor alimentício,
calçadista, entre outros.

9
Geografia

Fordismo e a produção em massa

Resumo

O Fordismo, também chamado de Fordismo-Taylorismo ou modelo rígido, é o modelo produtivo, ou seja,


o pensamento de execução produtiva, a forma de organização industrial, que caracterizou a Segunda
Revolução Industrial.
Para desenvolver sua indústria automobilística, Ford se inspirou nas ideias de Frederick Taylor, ou seja,
Taylor elaborou as teorias que visavam uma maior produtividade industrial baseada em uma racionalidade,
enquanto Ford colocou essas teorias em prática em sua indústria.
Este modelo não se restringiu às indústrias automobilísticas ou apenas às fábricas Ford, mas se
expandiu para outras fábricas e ainda hoje algumas seguem esse modelo. Vale destacar que o Fordismo se
estendeu ainda para o pensamento, serviços, obras literárias e outros.
Destacam-se dentre as características do Fordismo:

• A hierarquização da produção e a concentração industrial que correspondem, respectivamente, à posição


de cada trabalhador na organização industrial, seja de comando ou não, e a localização espacial de todas
as etapas da produção industrial em um mesmo espaço.
• A linha de montagem que ditava o tempo de produção fazendo com que as peças chegassem aos
trabalhadores sem que estes se deslocassem pela fábrica e reduzindo assim o tempo da produção.
• A mão de obra especializada, ou alienada, que se refere ao exercício de apenas uma função repetitiva
pelo trabalhador, o que o tornava um especialista naquela função, contudo o trabalhador era alienado, ou
seja, não sabia desenvolver outras atividades da cadeia produtiva.
• A padronização da produção, ou seja, a produção em série sem alteração do produto a exemplo dos carros
modelo Ford T.
• Produção em massa que consistia na produção máxima visando maximizar os lucros.

O Fordismo se relaciona ainda com a urbanização (crescimento populacional das cidades maior do que
o crescimento populacional no campo), isso porque as oportunidades de emprego cresciam nas cidades e no
campo diminuíam (cercamento dos campos e aumento da concentração fundiária).

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Geografia

Exercícios

1. A introdução da organização cientifica taylorista do trabalho e sua fusão com o fordismo acabaram por
representar a forma mais avançada da racionalização capitalista do processo de trabalho ao longo de
várias décadas do século XX.
ANTUNES. R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2009
(adaptado).

O objetivo desse modelo de organização do trabalho é o alcance da eficiência máxima no processo


produtivo industrial que, para tanto,
a) adota estruturas de produção horizontalizadas, privilegiando as terceirizações.
b) requer trabalhadores qualificados, polivalentes e aptos para as oscilações da demanda.
c) procede à produção em pequena escala, mantendo os estoques baixos e a demanda crescente.
d) decompõe a produção em tarefas fragmentadas e repetitivas, complementares na construção do
produto.
e) outorga aos trabalhadores a extensão da jornada de trabalho para que eles definam o ritmo de
execução de suas tarefas.

2. “No tempo em que os sindicatos eram fortes, os trabalhadores podiam se queixar do excesso de
velocidade na linha de produção e do índice de acidentes sem medo de serem despedidos. Agora,
apenas um terço dos funcionários da IBP [empresa alimentícia norte-americana] pertence a algum
sindicato. A maioria dos não sindicalizados é imigrante recente; vários estão no país ilegalmente; e no
geral podem ser despedidos sem aviso prévio por seja qual for o motivo. Não é um arranjo que encoraje
ninguém a fazer queixa. [...] A velocidade das linhas de produção e o baixo custo trabalhista das fábricas
não sindicalizadas da IBP são agora o padrão de toda indústria.”
SCHLOSSER, Eric. País Fast- Food. São Paulo: Ática, 2002. p. 221.

No texto, o autor aborda a universalização, no campo industrial, dos empregos do tipo Mcjobs
“McEmprego”, comuns em empresas fast-food. Assinale a alternativa que apresenta somente
características desse tipo de emprego.
a) Alta remuneração da força-de-trabalho adequada à especialização exigida pelo processo de
produção automatizado.
b) Alta informalidade relacionada a um ambiente de estabilidade e solidariedade no espaço da
empresa.
c) Baixa automatização num sistema de grande responsabilidade e de pequena divisão do trabalho.
d) Altas taxas de sindicalização entre os trabalhadores aliadas a grandes oportunidades de avanço
na carreira.
e) Baixa qualificação do trabalhador acompanhada de má remuneração do trabalho e alta
rotatividade.

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Geografia

3.

THAVES. Jornal do Brasil, 19 fev. 1997 (adaptado).

A forma de organização interna da indústria citada gera a seguinte consequência para a mão de obra
nela inserida:
a) Ampliação da jornada diária.
b) Melhoria da qualidade do trabalho.
c) Instabilidade nos cargos ocupados.
d) Eficiência na prevenção de acidentes.
e) Desconhecimento das etapas produtivas.

4. Nas primeiras décadas do século XX, o engenheiro Frederick Taylor desenvolveu os princípios de
administração científica, que consistiam, basicamente, no controle dos tempos e dos movimentos dos
trabalhadores para aumentar a eficiência do processo produtivo. Ao adotar estes princípios em sua
fábrica, Henry Ford criava um novo método de produção. A inovação mais importante do modelo
fordista de produção foi:
a) a fragmentação da produção.
b) o trabalho qualificado.
c) a linha de montagem.
d) a produção diferenciada.
e) a redução dos estoques.

5. Em seus Princípios de Administração Científica, Frederick Taylor desenvolvia um sistema de


organização dos processos de produção que poderia ser aplicado em todo o tipo de empresa, mesmo
que os experimentos tenham ocorrido em empresas industriais. Taylor apresentava algumas formas
de organização do trabalho que incluem várias características, menos:
a) O estímulo da produção através de compensações salariais.
b) A divisão do processo de fabricação em gestos elementares.
c) A medição e racionalidade no uso de matérias-primas e ferramentas de trabalho.
d) A liberdade para os trabalhadores escolherem a forma de trabalho.
e) O uso de cronômetros para medir o tempo necessário à execução das atividades.

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Geografia

6. Os trabalhadores que construíam seus carros Modelo N, predecessor do Modelo T, dispunham as peças
e partes numa fileira no chão, punham-nas em trilhos deslizadores e arrastavam-nas, ajustando umas
às outras. Mais tarde, o dinamismo do processo tornou-se mais sofisticado. Ford dividiu a montagem
do Modelo T em 84 passos discretos, por exemplo, treinando cada um de seus operários em executar
apenas um dos passos. Contratou também o especialista em estudos de movimento, Frederick Taylor,
para tornar a execução ainda mais eficiente. Nesse meio tempo, construiu máquinas que poderiam
estampar as partes automaticamente e muito mais rapidamente do que o mais ágil dos trabalhadores.
Com base no texto, a produção fordista tem por característica a
a) flexibilização da produção.
b) produção padronizada.
c) produção por demanda.
d) utilização de trabalho escravo.
e) valorização do trabalho artesanal.

7. Utilize as informações abaixo para responder a questão.


Taylorismo
- separação do trabalho por tarefas e níveis hierárquicos
- racionalização da produção
- controle do tempo
- estabelecimento de níveis mínimos de produtividade.

Fordismo
- produção e consumo em massa
- extrema especialização do trabalho
- rígida padronização da produção
- linha de montagem

Pós-fordismo
- estratégia de produção e consumo em escala planetária.
- valorização da pesquisa científica
- desenvolvimento de novas tecnologias
- flexibilização dos contratos de trabalho

Pelas características dos modelos produtivos do momento da Segunda Revolução Industrial, é possível
afirmar que o fordismo absorveu certos aspectos do taylorismo, incorporando novas características.
Essa afirmação se justifica, dentre outras razões, porque os objetivos do fordismo, principalmente,
pressupunham:
a) elevada qualificação intelectual do trabalhador ligada ao controle de tarefas sofisticadas.
b) altos ganhos de produtividade vinculada a estratégias flexíveis de divisão do trabalho na linha de
montagem.
c) redução do custo de produção associada às potencialidades de consumo dos próprios operários
das fábricas.
d) máxima utilização do tempo de trabalho do operário relacionada à despreocupação com os
contratos de trabalhos.
e) racionalização dos estoques, diminuindo a disponibilidade dos produtos e a possibilidade de
crises econômicas.

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Geografia

8. As inovações na organização do processo de produção, desenvolvidas a partir do fim do século XIX e


início do XX, ficaram conhecidas a partir da derivação dos nomes de seus principais expoentes,
Frederick Winslow Taylor e Henry Ford. Além disso, o taylorismo e o fordismo caracterizam,
respectivamente, dois princípios de organização do trabalho, denominados:
a) empirismo e produção artesanal.
b) administração científica e linhas de produção.
c) administração científica e células de produção.
d) administração empírica e linhas de produção.
e) administração emotiva e produção dispersa.

9. Da revolução industrial até o auge do fordismo, que pôde ser facilmente atingido com energias fósseis,
mas em cujo reverso se abre um abismo, passaram-se mais de 200 anos; um curto período de tempo,
em que se gastaram recursos naturais fósseis resultantes de milhões de anos terrestres.
ALTVATER, Elmar. O preço da riqueza. São Paulo: Unesp, 1995.

O texto acima expressa uma avaliação sobre a relação natureza/sociedade de grande importância para
o planejamento das atividades humanas. A característica da dinâmica capitalista que traduz o alerta
feito pelo autor está em:
a) A inovação da tecnologia determinou a disponibilidade de bens renováveis.
b) A mudança no padrão energético impediu a adoção de políticas de preservação ambiental.
c) O avanço da degradação ambiental conduziu à consciência do fim da sociedade industrial.
d) A utilização econômica dos recursos naturais superou o ritmo de renovação do meio físico.
e) A sociedade de consumo em massa é possível devido à rápida reposição dos recursos naturais.

10. Outro importante método de racionalização do trabalho industrial foi concebido graças aos estudos
desenvolvidos pelo engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor. Uma de suas preocupações
fundamentais era conceber meios para que a capacidade produtiva dos homens e das máquinas
atingisse seu patamar máximo. Para tanto, ele acreditava que estudos científicos minuciosos deveriam
combater os problemas que impediam o incremento da produção.
Taylorismo e Fordismo. Disponível em www.brasilescola.com. Acesso em: 28 fev. 2012.

O Taylorismo apresentou-se como um importante modelo produtivo ainda no início do século XX,
produzindo transformações na organização da produção e, também, na organização da vida social. A
inovação técnica trazida pelo seu método foi a
a) utilização de estoques mínimos em plantas industriais de pequeno porte.
b) cronometragem e controle rigoroso do trabalho para evitar desperdícios.
c) produção orientada pela demanda enxuta atendendo a específicos nichos de mercado.
d) flexibilização da hierarquia no interior da fábrica para estreitar a relação entre os empregados.
e) polivalência dos trabalhadores que passaram a realizar funções diversificadas numa mesma
jornada.

5
Geografia

Questão contexto

Disponível em: http://1.bp.blogspot.com/-o5ATcL36ejI/UfGa_VbxQRI/AAAAAAAAA6I/9B_Q0tgm5lU/


s1600/ford+T+henry+ford+marketing+de+massa.jpeg

“O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto" é a famosa frase utilizada por
Henry Ford, em sua autobiografia, sobre o modelo Ford de Montagem em Série (linha de montagem).
Essa foi uma das maiores inovações do início do século XX. Nesse sentido, explique a importância
dessa frase no contexto da produção em série popularizada por Henry Ford.

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Geografia

Gabarito

1. D
A racionalização da produção em larga escala levou à criação de uma modelo produtivo altamente
fragmentado, em que os trabalhadores executavam atividades repetitivas dentro de uma cadeia de
produção.

2. E
Os fast foods são um bom exemplo das heranças fordistas e demonstram como a sobreposição dos
tempos traz a historicidade nos novos modelos. A alta rotatividade, baixa qualificação e má remuneração
são características desse tipo de trabalho.

3. E
A organização interna da indústria e do trabalho fordista/taylorista é caracterizada pela adoação da linha
de montagem, produção em massa, grandes estoques e especialização do trabalho. Um dos impactos da
divisão e especialização do trabalho é que o operário não conhece a totalidade ou o conjunto das etapas
produtivas.

4. C
A linha de montagem foi a concretização material das ideias de Taylor que buscavam uma maior
produtividade sobre o trabalho e consecutivamente, lucratividade. Foi a partir da linha de montagem que
se definiu o recorte temporal do fordismo, sendo um componente fundamental desse modelo.

5. D
As ideias de Taylor tinham a intencionalidade de eliminar o controle dos trabalhadores sobre o processo
de produção. Alguns autores leem a linha de montagem como um processo de domesticação dos corpos,
a partir do momento que reduz os movimentos e tira deles o conhecimento desenvolvido.

6. B
O trabalho escravo fez parte dos processos produtivos mundiais durante muito tempo. Porém a principal
característica do fordismo é a produção padronizada.

7. C
A exploração do trabalhador assalariado presume aumentar a lucratividade, a mais valia que o patrão
lucra. Ao mesmo tempo, em um sistema que busca a máxima produção, é preciso que os trabalhadores
tenham dinheiro para consumir seu produto final afim de movimentar os estoques.

8. B
Os preceitos científicos de Taylor (administração científica) juntamente com a prática de Ford (linhas de
produção) fizeram um modelo eficiente de exploração e produção em massa.

9. D
Os combustíveis fósseis demoram mais para serem formados do que o seu nível de exploração. E é
nessas matérias-primas que se baseia as principais matrizes energéticas da industrialização.

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Geografia

10. B
O Taylorismo compreende um sistema de organização industrial desenvolvido no século XX com o
objetivo de maximizar a produção. Seus objetivos são: utilização de métodos de padronização da
produção para evitar o desperdício produtivo, adoção de métodos para evitar a fadiga dos trabalhadores
e disciplina da distribuição das tarefas.

Questão Contexto
A linha de montagem popularizada por Henry Ford definia que cada operário deveria ser altamente
especializado, cabendo-lhe uma única e específica tarefa. A prática seria capaz de aumentar sua
produtividade e a produção em massa seria possível. Com o objetivo de racionalizar a produção, a tinta
preta era aquela que secava mais rápido e tinha um menor custo, barateando a produção. Também foi
necessário construir uma sociedade de consumo em massa. O barateamento do custo de produção, o
maior número de produtos e o aumento salarial dos trabalhadores foram, assim, passos fundamentais
para a produção em massa.

8
Geografia

Crise do Fordismo

Resumo

A crise de superprodução de 29 pode ser considerada um primeiro sinal de esgotamento do Fordismo,


que até então era visto como a evolução do momento em termos produtivos. Após a Grande Depressão, o
fordismo voltou a dar bons resultados, atingindo seus ápices entre 1945 e 1968, pelas políticas de estimulo à
capacidade de consumo, no período que ficou conhecido como anos dourados. Porém, a demasiada rigidez
nas formas produtivas vinham impedir seu crescimento. Rigidez significa que as formas de produzir eram
ainda mais fixas e rígidas do que hoje. Jornadas de trabalho fechadas, de oito horas, no mesmo local de
trabalho, que não gosta de faltas e atrasos mesmo em situações excepcionais, por ser um sistema que conta
com a exploração extra para acumulação de capital. De maneira geral, pode-se dizer também que a
estabilidade e a duração do funcionário na empresa, assim como um plano de carreira apoiado em direitos
trabalhistas fixos e duradouros, eram mais presentes do que atualmente.
Outras empresas competitivas começaram a superar Ford no título de maior montadora do mundo com
suas inovações. A produção em massa passa a ser substituída por uma produção controlada, cada vez mais
de acordo com a demanda do cliente. A empresa Ford não se modernizou a tempo, enquanto a empresa
Toyota criava novas maneiras de organizar o trabalho mais alinhadas com o novo cenário contemporâneo,
criando soluções que superavam os problemas do modelo até então atual. A crise do Fordismo é então a
retirada de seu modelo produtivo do cenário competitivo, cedendo a vez para outros modelos mais rentáveis
e eficientes.
Muitas mudanças são reguladas pela competição das empresas que criam novas formas utilizando-se
das novas invenções e cenários contemporâneos. Se antes uma empresa como Ford conseguiu elaborar um
modelo produtivo-econômico que ditou uma nova forma de produzir, mais lucrativa em larga escala,
permanecendo como modelo principal por muito tempo, isto também tende a ser superado. Quem não
seguisse as dinâmicas da linhas de montagem dificilmente sobreviveria no cenário competitivo. Mas com o
tempo, os sinais de esgotamento e problemas desse sistema surgem e tendem a ser superados pelas
empresas que utilizavam esse modelo e estavam inseridas no cenário hegemônico e dinâmico de produção,
criando novos padrões que, quanto mais vão dando certo no cenário internacional, mais vão sendo também
reproduzidos. Assim, muitas características do fordismo ainda ficam presentes como heranças, mesmo
tendo um cenário cada vez mais moderno e inovador a frente. As ilhas de trabalho nas empresas por exemplo
simbolizam um distanciamento de certos trabalhadores da linha de montagem e da fábrica, permitindo que o
trabalhador comande mais funções, mas é fragmentado, conta com espaços de controle visual, o ritmo de
trabalho é submetido ao patrão, como no fordismo clássico. Daí é criado o conceito de Pós Fordismo, como
uma transição para outro modelo produtivo vigente.

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1
Geografia

Exercícios

1. Detroit foi símbolo mundial da indústria automotiva. Chegou a abrigar quase 2 milhões de habitantes
entre as décadas de 1960 e 1970. Em 2010, porém, havia perdido mais de um milhão de habitantes. O
espaço urbano entrou em colapso, com fábricas em ruínas, casas abandonadas, supressão de serviços
públicos essenciais, crescimento da pobreza e do desemprego. Em 2013, foi decretada a falência da
cidade.
Essa crise urbana vivida por Detroit resulta dos seguintes processos:
a) ascensão do taylorismo; protecionismo econômico e concorrência com capitais europeus;
deslocamento de indústrias para cidades vizinhas.
b) consolidação do regime de acumulação fordista; protecionismo econômico e concorrência com
capitais europeus; deslocamento de indústrias para outros países;
c) declínio do toyotismo; liberalização econômica e concorrência com capitais asiáticos;
deslocamento de indústrias para cidades vizinhas.
d) ascensão do regime de acumulação flexível; concorrência com capitais asiáticos; deslocamento
de indústrias para outros países.
e) crise de superprodução; ascensão do regime produtivo rígido; mudanças nas estruturas e
estratégias empresariais.

2. A expansão da produção capitalista, nos três primeiros quartos do século XX, esteve assentada
principalmente no modelo de organização fordista. A partir dos anos 1970, esse modelo sofreu
significativas alterações, decorrentes da dificuldade em enfrentar, através de ganhos de produtividade,
a crise que atingiu o sistema capitalista. Impôs-se ao universo da produção a necessidade de profunda
reestruturação econômica, expressa pela introdução de novas tecnologias, flexibilidade dos processos
de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e dos padrões de consumo. Tais mudanças foram
vistas por alguns como ruptura e, por outros, como continuidade do modelo fordista. De qualquer
maneira, o mundo do trabalho real do século XXI já não é mais o mesmo.
Sobre os impactos concretos que afetaram a produção e o trabalho no Brasil, no quadro das
transformações comentadas no texto, é correto afirmar que houve:
a) consolidação do assalariamento regulamentado, através da expansão do emprego com carteira
registrada para a totalidade dos trabalhadores.
b) fortalecimento do poder de negociação dos sindicatos e elevação contínua da renda dos
trabalhadores.
c) extinção por inteiro das formas antigas de divisão do trabalho baseada na separação entre
concepção e execução, em decorrência da alta qualificação intelectual dos trabalhadores.
d) expansão de formas alternativas de organização do trabalho (trabalho informal, doméstico,
temporário, por hora e subcontratação) em detrimento do assalariamento tradicional.
e) redução drástica das jornadas de trabalho e ampliação do tempo de lazer desfrutado pelos
trabalhadores.

2
Geografia

3. O século XX anuncia profundas mudanças na relação capital/trabalho, e consequentemente, nas


formas de acumulação de capital. Vamos observar um reestruturação dos modelos de produção. Tudo
isto em decorrência da crise do capital que começara a se esboçar nos anos 60, sobretudo a partir:
a) Do declínio do Estado de Bem Estar Social.
b) Do declínio da globalização.
c) Do declínio do império americano.
d) Do declínio do Toyotismo.
e) Do declínio do Fordismo.

4. Ao considerar o processo de reestruturação produtiva como uma resposta à crise de acumulação


capitalista, esse processo encerra uma estratégia de reorganização da produção e dos mercados.
Dessa forma, esse processo interfere diretamente no(a)(s)
a) Adoção de modelos de gerenciamento de recursos organizacionais e no sistema de inclusão
social das empresas.
b) Organização da sociedade e no conjunto das relações que se estabelecem entre o capital, o
trabalho e o Estado.
c) Modos de pensar e agir, cultural e socialmente, incentivando a organização coletiva e sindical dos
trabalhadores.
d) Formas produtivas alternativas oriundas do meio rural, como novas tecnologias artesanais de
trabalho.
e) Diagnóstico das relações sociais e na crise do Estado de Bem-Estar.

5. As transformações internacionais da década de 1970 significaram uma verdadeira revolução originária,


cujas consequências foram os desequilíbrios nas balanças de pagamento, choque do petróleo,
globalização do comércio, finanças e setor produtivo, crise do sistema fordista e substituição pela
especialização flexível. Essas rápidas transformações implicaram sérias dificuldades para os países
em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, devido à dependência tecnológica e as consequentes
dificuldades de competitividade no novo cenário. Nesse cenário, o Brasil reagiu, à época, de acordo
com as recomendações dos organismos internacionais, alinhados com a(s)
a) Lógica keynesiana de ampliar o papel do Estado de maneira a constituir um novo patamar de
proteção social.
b) Medidas protecionistas, que iniciaram o processo de desconcentração interna de renda.
c) Flexibilização do processo produtivo, que ampliou o mercado de trabalho interno devido ao
aumento das exportações.
d) Inovação tecnológica do parque industrial brasileiro visando superar a dependência externa e
qualificar a mão de obra.
e) Vertente neoliberal, que resultou, ao longo do tempo, na manutenção do processo de concentração
de renda.

3
Geografia

6. Transformações produtivas geram grandes consequências que vão além da lógica das indústrias. A
crise que assolou o modelo fordista nos anos 70 trouxe reflexos para a organização das cidades em
que as principais unidades fabris estavam localizadas.
Podemos apontar como consequência da crise mencionada no texto
a) A ampliação do número de sindicatos e o fortalecimento de sua capacidade de negociação e de
pressão.
b) A emergência de um mercado de trabalho sólido decorrente de uma produção em escalas
diferentes.
c) A elevação de postos de trabalho nos países ditos desenvolvidos.
d) A redução dos postos de trabalho e a ampliação dos níveis de proteção social dos empregados.
e) A elevação dos níveis de desemprego e a precarização do trabalho.

7. MODELOS PRODUTIVOS (da 2a Revolução Industrial à Revolução Técnico-científica)


TAYLORISMO
- separação do trabalho por tarefas e níveis hierárquicos
- racionalização da produção
- controle do tempo
- estabelecimento de níveis mínimos de produtividade

FORDISMO
- produção e consumo em massa
- extrema especialização do trabalho
- rígida padronização da produção
- linha de montagem

PÓS-FORDISMO
- estratégias de produção e consumo em escala planetária
- valorização da pesquisa científica
- desenvolvimento de novas tecnologias
- flexibilização dos contratos de trabalho

A posição central ocupada pela técnica é fundamental para explicar a atual fase do capitalismo em que
se insere o pós-fordismo. Essa nova forma de organização da produção promove o seguinte conjunto
de consequências:
a) Retração do setor de comércio e serviços; ampliação de um mercado consumidor seletivo,
diversificado e sofisticado.
b) Intensificação das estratégias de produção e consumo a nível internacional; redução do fluxo de
informação e dos veículos de propaganda.
c) Redução da distância dos estabelecimentos industriais e comerciais; acelerado ritmo de
inovações do produto com mercados pouco especializados.
d) Crescente terceirização das atividades de apoio à produção e distribuição; elevados níveis de
concentração de capitais com formação de conglomerados.
e) Crescente busca pela capacidade de produção, concentrando os esforços de desenvolvimento nos
processos fabris.

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Geografia

8. Leia o texto abaixo:


A eterna busca por reduzir custos pode levar o gestor a um dilema: centralizar os estoques e reduzi-los
ou manter estoques descentralizados privilegiando a velocidade da operação em detrimento dos
custos.
Para empresas que têm múltiplas unidades, fica o dilema, se estoque é custo e reduzir estoques
significa colocar mais dinheiro no caixa, o ideal é sempre reduzi-los, portanto, centralizar é melhor, mas
a centralização aumenta o risco de ruptura e pode até parar a operação, então, descentralizar é melhor,
porém esta ação pode aumentar os estoques e, consequentemente, os custos, o que fazer?
GRONSKI, Augusto. Estoques: centralizar ou descentralizar? Portal Administradores, 17 de abril de 2013. Disponível
em: Administradores.com

A prática mencionada no texto de reduzir os estoques é operacionalizada pelas indústrias, que


produzem apenas a quantidade de um dado produto de acordo com a demanda referente a ele. Tal
prática é denominada por:
a) Oferta pela demanda
b) Redução de estoque
c) Timely delivery
d) Just in Time
e) Entrega sob pedido

9. “Nos períodos mais recentes, o capitalismo vem passando por nova transformação. O capital, na sua
busca incessante de valorizar-se, e para fazer frente à profunda recessão que se agravou a partir de
1973, com a crise do petróleo, procurou novas formas de elevar a produtividade do trabalho e a
expansão dos lucros. Assim, a partir da década de 1970, desenvolve-se uma nova fase no processo
produtivo capitalista que poderíamos chamar de pós-fordismo ou a da acumulação flexível'.
Tomazi, Nelson Dácio (coordenador). Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 2000, p. 54.

Considerando o texto em questão, assinale a alternativa incorreta.


a) O processo produtivo capitalista chamado pós-fordismo se caracteriza pela flexibilização dos
processos de trabalho, incluindo a automação.
b) Com a automação, se assiste à eliminação do controle manual por parte do trabalhador que é
substituído por tecnologias eletrônicas.
c) No processo chamado pós-fordismo as atividades mecânicas são desenvolvidas por máquinas
automatizadas, programadas para agir sem a intervenção de um operador.
d) É preciso considerar que na era da automação os robôs não fazem greve, trabalham
incansavelmente, não exigem maiores salários e melhores condições de trabalho e vida.
e) Com os produtos e o consumo sendo flexibilizados os objetos se tornam menos descartáveis e a
propaganda não precisa estimular a sua troca por novos produtos.

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Geografia

Questão Contexto

A crise do fordismo propiciou outras formas competitivas de produção. Sobre um falso preceito de
crescimento populacional Malthusiano, ou seja, que cresceria a população até não haver a capacidade
de produção de alimentos suficiente, novas formas de produção em larga escala, como transgênicos e
agrotóxicos, começaram a ser desenvolvidos. Contudo, não houve um aumento nos salários e na
qualidade de vida, mas a persistência da fome pela dificuldade do acesso a renda. No final das contas
a estrutura continua dependente da desigualdade. Houve, na verdade, um aumento da concentração de
renda e do domínio dos espaços dos países subdesenvolvidos pelos desenvolvidos.

Explique como o desenvolvimento da tecnologia contribuiu para esse cenário acarretado pela crise do
fordismo.

6
Geografia

Gabarito

D
Detroit cresceu como grande centro industrial americano, com destaque para o setor automobilístico.
Assim como o crescimento da indústria gerou reflexos na cidade, o declínio do sistema gerou enorme
impacto no centro americano, o passar do tempo mostrou a fuga de população, o desemprego, os
altíssimos graus de violência e outros problemas urbanos.

D
Com o surgimento do Toyotismo as relações de trabalho que antes eram rígidas se tornaram mais
flexíveis para se adequar à demanda produtiva em um contexto em que a produção passou a ocorrer de
acordo com o gosto do consumidor, o que por um lado favorece o empresariado pois representa a
diminuição dos custos e maximização dos lucros.

E
Nos anos 60 o Fordismo começou a perder cenário devido sua estrutura rígida, para novas estratégias e
técnicas de produção mais eficientes.

B
A organização do espaço social e natural é extremamente regulado pelas relações produtivas e de poder
que se estabelecem no âmbito econômico.

E
Nessa época o Brasil estava passando pela ditadura militar, que fazia alianças direta com os chefes de
poder dos Estados Unidos. A ditadura seguiu a tendência das políticas neoliberais de desenvolvimentismo
e medidas que beneficiavam a burguesia. As consequências da crise no Brasil portanto foram no sentido
de tentar manter o desenvolvimento dos polos industriais, mas fracassar aumentando muito dívida
externa e execrando sua população.

E
O pós fordismo e o toyotismo contam com relações de trabalho mais líquidas, menos comprometidas. A
terceirização, trabalho temporário e a demanda por profissionais que se adequem a diversas mudanças
é alto. Isso indica um menor nível de permanência e crescimento nos empregos, permitindo também que
as formas de contratação economizem sendo mais positivas para a empresa do que para o trabalhador.

D
As terceirizações começam a ficar intensas no pós fordismo a partir do momento em que as partes da
indústria estão fragmentadas no espaço, complexificando a produção. Um só produto pode ter sido feito
em diversas indústrias em diferentes países, a ponto de ninguém saber de fato cada etapa produtiva para
realiza-lo. As formas flexíveis de contratação como terceirizados, free lancers, ou trabalhos temporários
são características dessa nova fase, assim como o aumento das multinacionais e oligopólios.

7
Geografia

D
O toyotismo busca oferecer uma produção de acordo com a demanda, afim de evitar estoques
desnecessários e possíveis gastos desnecessários. Just in time significa "em cima da hora" ou "no
momento certo". É o sistema de pronta entrega.

E
Hoje a capacidade produtiva é maior, porém os produtos estão se tornado cada vez mais descartáveis,
além de que a propaganda busca incansavelmente estimular o consumo a partir de necessidades criadas.

Questão Contexto

O aumento da tecnologia gerou a desconcentração industrial, de modo que os países desenvolvidos


ajudaram os subdesenvolvidos a se industrializar em troca de benefícios. Assim, eles evitam gastar com
mão de obra cara em seu país, exploram os recursos naturais dos outros países e controlam como a
industrialização dos países menos abastados irá ocorrer. Dessa forma, os países subdesenvolvidos
ficam muitas vezes reféns de sua posição comercial na produção de gêneros de exportação não tão
lucrativos no cenário competitivo mundial, enquanto os países que tiveram sua industrialização precoce
hoje desenvolvem tecnologia.

8
Geografia

Toyotismo

Resumo

O modelo de produção industrial Toyotista, idealizado por Eiji Toyoda (1913-2013) e Taiichi Ohno (1912-1990),
foi difundido pelo mundo a partir da década de 1970. O modelo, também chamado de sistema flexível ou pós-
fordista, surge na fábrica de automóveis da Toyota, no Japão, após a crise do modelo Fordista-Taylorista1,
visando solucionar os problemas criados por este modelo, tais como, estoques lotados, pressão sindical e
produtos muito duráveis e padronizados, através da adoção de estratégias opostas. Dentre as soluções
encontradas para estes problemas destacam-se:

• A polivalência e a alta qualificação dos trabalhadores. Não interessa mais trabalhadores que só saibam
desempenhar apenas uma função, como no Fordismo. A mão de obra toyotista deve ser qualificada e
conseguir realizar diversas funções. É importante destacar que com o Toyotismo ocorre a diminuição da
oferta de empregos, haja vista que o processo de trabalho também se flexibiliza e, ao longo do processo
produtivo, um mesmo trabalhador realiza diversas funções, diferentemente do fordismo, em que o
trabalho era mecânico e repetitivo. Isso serviu para ampliar o desemprego no setor secundário da
economia (indústrias) e transferir a mão de obra para o setor terciário (comércio e serviços), onde os
empregos se concentram mais na distribuição de mercadorias do que propriamente em sua produção
(Terciarização).
• O aumento dos salários dos trabalhadores qualificados com o objetivo de transformá-los em
consumidores e formar assim um mercado consumidor.

• Fim dos estoques máximos e a demanda regulando a oferta, pois assim, quando a procura por uma
determinada mercadoria é grande, a produção aumenta, mas quando essa procura é menor, a produção
diminui proporcionalmente, pequenos estoques de giro rápido.

Diferença do fluxo de produção industrial Fordista-Taylorista e Toyotista

Apesar de um cenário de aparente estabilidade após o surgimento do Keynesianismo (após a crise de 29), a
crise do modelo fordista na década de 1970 foi inevitável pois o Estado ficou “pesado” por conta dos gastos
sociais. Cabe destacar que a crise do Fordismo não significou o fim deste modelo de produção, mas sim que
ele deixou de ser o principal modelo utilizado, passando a exercer um papel secundário.

1
Geografia

• A produção flexível, ou seja, produção industrial que se adapta às demandas do mercado, ao gosto do
consumidor (Just in time), a ideia de “customização da produção” com o aumento de variedade de
produtos.
• Produtos não duráveis (obsolescência programada) para possibilitar a renovação dos estoques através
da compra regular de mercadorias pelos consumidores.
• A desconcentração industrial com o deslocamento das indústrias dos países ricos em direção aos
países mais pobres. Esse aspecto surgiu da necessidade de espaços para a produção, visto que o
território japonês, em grande maioria, é formado por montanhas e florestas.

Durante o predomínio do Fordismo-Taylorismo era correto afirmar que os países industrializados eram os
países ricos, pois eram os que tinham capital para investir na otimização da produção (maquinário, energia,
mão de obra...) e o faziam nas suas indústrias que até então estavam concentradas em seu território. Com o
Toyotismo e a desconcentração industrial, isto foi alterado pois as indústrias migraram para os países pobres
e emergentes e as apenas suas sedes se concentram nos países ricos.

São poucas as áreas industriais do Japão devido ao seu relevo

• Defeitos zero. Nenhum produto deve ser defeituoso para evitar os custos de reparos (tanto de recall’s
quanto de indenizações).
• Automação das máquinas, uma mescla de autonomia e automatização das máquinas. É a capacidade
de uma máquina parar assim que tiver um problema e apenas um único supervisor pode, portanto, gerir
todas as máquinas.

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2
Geografia

Exercícios

1. Os diferentes modelos produtivos de cada momento do sistema capitalista sempre foram o resultado
da busca por caminhos para manter o crescimento da produção e do consumo.

A crítica ao sistema econômico presente na letra da canção está relacionada à seguinte estratégia
própria do atual modelo produtivo toyotista:
a) aceleração do ciclo de renovação dos produtos
b) imposição do tempo de realização das tarefas fabris
c) restrição do crédito rápido para o consumo de mercadorias
d) padronização da produção dos bens industriais de alta tecnologia
e) ausência de preocupação com a vida humana

2.

A comparação entre modelos produtivos permite compreender a organização do modo de produção


capitalista a cada momento de sua história. Contudo, é comum verificar a coexistência de
características de modelos produtivos de épocas diferentes.
Na situação descrita na reportagem, identifica-se o seguinte par de características de modelos distintos
do capitalismo:
a) organização fabril do taylorismo - legislação social fordista
b) nível de tecnologia do neofordismo - perfil artesanal manchesteriano
c) estratégia empresarial do toyotismo - relação de trabalho pré-fordista
d) regulação estatal do pós-fordismo - padrão técnico sistêmico-flexível
e) estratégia comercial do machesterianismo – organização trabalhista rígida

3
Geografia

3. “Um trabalhador em tempo flexível controla o local do trabalho, mas não adquire maior controle sobre
o processo em si. A essa altura, vários estudos sugerem que a supervisão do trabalho é muitas vezes
maior para os ausentes do escritório do que para os presentes. O trabalho é fisicamente
descentralizado e o poder sobre o trabalhador, mais direto.”
SENNETT R. A corrosão do caráter, consequências pessoais do novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 1999 (adaptado).

Comparada à organização do trabalho característica do taylorismo e do fordismo, a concepção de


tempo analisada no texto pressupõe que
a) as tecnologias de informação sejam usadas para democratizar as relações laborais.
b) as estruturas burocráticas sejam transferidas da empresa para o espaço doméstico.
c) os procedimentos de terceirização sejam aprimorados pela qualificação profissional.
d) as organizações sindicais sejam fortalecidas com a valorização da especialização funcional.
e) os mecanismos de controle sejam deslocados dos processos para os resultados do trabalho.

4. A diversidade de atividades relacionadas ao setor terciário reforça a tendência mais geral de


desindustrialização de muitos dos países desenvolvidos sem que estes, contudo, percam o comando
da economia. Essa mudança implica nova divisão internacional do trabalho, que não é mais apoiada na
clara segmentação setorial das atividades econômicas.
RIO, G. A. P. A espacialidade da economia. In: CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L. (Org.). Olhares geográficos:
modos de ver e viver o espaço. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012 (adaptado).

Nesse contexto, o fenômeno descrito tem como um de seus resultados a


a) saturação do setor secundário.
b) ampliação dos direitos laborais.
c) bipolarização do poder geopolítico.
d) consolidação do domínio tecnológico.
e) primarização das exportações globais.

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Geografia

5. O capitalismo já conta com mais de dois séculos de história e, de acordo com alguns estudiosos, vive-
se hoje um modelo pós-fordista ou toyotista desse sistema econômico. Observe o anúncio publicitário:

Uma estratégia própria do capitalismo pós-fordista presente neste anúncio é:


a) concentração de capital, viabilizando a automação fabril
b) terceirização da produção, massificando o consumo de bens
c) flexibilização da indústria, permitindo a produção por demanda
d) formação de estoque, aumentando a lucratividade das empresas
e) terciarização do trabalho, com a ampliação do setor de comércio

6. “Em 1905, a Ford tinha 33 fábricas nos Estados Unidos e 19 no estrangeiro. Todas produziam o mesmo
carro negro, o Ford ‘T’ – o carro de ‘todo o mundo’ –, fabricando quinze milhões de exemplares de
maneira Padronizada”.

“A Nissan inventa o automóvel à la carte” “O sistema [...] já está operando em todas as concessionárias
da Nissan desde agosto de 1991. [...] é um sistema de informação de ponta que coordena a produção
e a venda, e [...] que permite dar ao cliente o prazo exato. [...] a fabricação se aproxima de uma produção
segundo a demanda”.
BECKOUCHE, Pierre. Indústria um só mundo. São Paulo: Ática, 1995. p. 28 e 31.

Os dois fragmentos de texto acima exemplificam as transformações dos métodos de produção e de


trabalho, com consequentes mudanças na forma de consumo da população mundial. Eles falam
respectivamente
a) da produção flexível e do pós-fordismo.
b) do fordismo e do taylorismo.
c) do socialismo e do capitalismo.
d) do fordismo e do método Just-in-time.
e) da indústria planificada e do toyotismo.

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Geografia

7. O mundo moderno, dominado pela sociedade de consumo, tem na indústria o mais importante dos
setores da sua economia: ela provoca o desenvolvimento de atividades que lhe são complementares,
como fornecedores de matérias-primas e de energia, fornecendo oportunidade de emprego à mão-de-
obra, forçando a sua qualificação, produzem capitais e estimulam o desenvolvimento do comércio, dos
transportes e dos serviços.
ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia econômica. 12. ed. São Paulo: Atlas, 1998.
A indústria é vital para colocar os países na vanguarda do processo de desenvolvimento econômico.
Sobre a evolução da indústria, é correto afirmar:
a) O artesanato que antecedeu à manufatura teve como principal característica um trabalhador
altamente especializado.
b) A invenção da máquina a vapor está vinculada à primeira fase da Revolução Industrial que teve
como principal base energética o petróleo.
c) A doutrina liberal predominou na segunda fase da Revolução Industrial, tendo sido implantada, na
Inglaterra, pelo seu criador Henry Ford.
d) Os Tigres Asiáticos, países de industrialização tardia, se desenvolveram a partir de uma política
agressiva, voltada para o mercado interno.
e) A reengenharia e o just in time são elementos da terceira fase da Revolução Industrial que teve
seu modelo derivado do Toyotismo.

8. No final do século XX e em razão dos avanços da ciência, produziu-se um sistema presidido pelas
técnicas da informação, que passaram a exercer um papel de elo entre as demais, unindo-as e
assegurando ao novo sistema uma presença planetária. Um mercado que utiliza esse sistema de
técnicas avançadas resulta nessa globalização perversa.
SANTOS, M. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro: Record, 2008 (adaptado).

Uma consequência para o setor produtivo e outra para o mundo do trabalho advindas das
transformações citadas no texto estão presentes, respectivamente, em:
a) Eliminação das vantagens locacionais e ampliação da legislação laboral.
b) Limitação dos fluxos logísticos e fortalecimento de associações sindicais.
c) Diminuição dos investimentos industriais e desvalorização dos postos qualificados.
d) Concentração das áreas manufatureiras e redução da jornada semanal.
e) Automatização dos processos fabris e aumento dos níveis de desemprego.

6
Geografia

9. Na imagem, estão representados dois modelos de produção. A possibilidade de uma crise de


superprodução é distinta entre eles em função do seguinte fator:

a) Origem da matéria-prima.
b) Qualificação da mão de obra.
c) Velocidade de processamento.
d) Necessidade de armazenamento.
e) Amplitude do mercado consumidor.

10. O chamado banco de horas é uma possibilidade admissível de compensação de horas, vigente a partir
da Lei nº 9.601/1998. Trata-se de um sistema de compensação de horas extras mais flexível, mas que
exige autorização por convenção ou acordo coletivo, possibilitando à empresa adequar a jornada de
trabalho dos empregados às suas necessidades de produção e demanda de serviços.

Esse sistema de banco de horas pode ser utilizado, por exemplo, nos momentos de pouca atividade da
empresa para reduzir a jornada normal dos empregados durante um período, sem redução do salário,
permanecendo um crédito de horas para utilização quando a produção crescer ou a atividade acelerar.
Se o sistema começar em um momento de grande atividade da empresa, a jornada de trabalho poderá
ser estendida além da jornada normal (até o limite máximo da décima hora diária) durante o período
em que o alto volume de atividade permanecer e deverá ser compensada posteriormente com a
redução da jornada de trabalho.
Disponível em: <http://www.guiatrabalhista.com.br/guia/banco_horas.htm>. Acesso em: 03 nov. 2015.

O banco de horas é uma inovação que surgiu no modelo de produção


a) fordista, buscando diminuir a formação de estoques.
b) toyotista, com o objetivo de adequar a produção à demanda.
c) taylorista, que tenta aumentar a produção sem aumentar os custos.
d) keynesiano, objetivando aumentar a influência do estado na economia.
e) socialista, buscando garantir os empregos e a continuidade da produção.

7
Geografia

Questão Contexto

Com base no trecho apresentado, desenvolva argumentos que relacionem de maneira coerente o
processo de Globalização e o sistema flexível.

“Na hierarquia herdada dos valores reconhecidos, a ‘síndrome consumista’ destronou a duração,
promoveu a transitoriedade e colocou o valor da novidade acima do valor da permanência.”
Trecho extraído do livro Vida Líquida de Zygmunt Bauman.

8
Geografia

Gabarito

A
É abordada na música a questão da obsolescência programada que consiste em tornar os produtos
ultrapassados através de lançamentos constantes, por exemplo, de modelos de celular, e na programada
defasagem técnica dos produtos em um curto espaço de tempo. Com isso, ocorre a renovação dos
estoques através da compra regular de mercadorias pelos consumidores.

C
Verifica-se no trecho apresentado a ocorrência de uma estratégia empresarial típica do toyotismo, a
terceirização de atividades produtivas (representado pela confecção de roupas). Ao mesmo tempo, as
condições de trabalho são precárias, marcadas pela exploração da mão de obra e pela ausência de
direitos trabalhistas, cenário parecido àquele verificado na era pré-fordista, correspondente ao modelo
produtivo manchesteriano.

E
O trecho de apoio aponta para a questão do trabalho em um contexto flexível, ou seja, o trabalho no
contexto Toyotista, em que o trabalhador muitas das vezes não necessita ir para a fábrica para trabalhar,
como em um contexto fordista-taylorista, pois era o local de produção e por sua vez de controle do ritmo
de produção através da linha de montagem. No Toyotismo o trabalhador pode exercer suas funções
remotamente, sendo assim, o empregador não mais exerce controle sobre o processo produtivo mas
sobre os resultados apresentados pelo trabalhador através de metas pré-estabelecidas.

D
Hoje, o desenvolvimento tecnológico é a principal vertente de crescimento econômico e está associado
aos tecnopolos, universidades e setores de pesquisa das empresas, onde se encontra a mão de obra
característica do modelo Toyotista, a mão de obra qualificada e polivalente. Nesse sentido, os países
desenvolvidos perdem as suas indústrias para países onde a mão de obra é mais barata, numerosa e
pouco qualificada, porém não deixam de desenvolver a tecnologia e, por isso, não perdem a posição de
centro de comando.

C
A imagem evidencia uma das características do modelo produtivo industrial Toyotista, a demanda
regulando a oferta, ou seja, a produção de bens de acordo com a procura, de acordo com as demandas
dos consumidores, evitando assim os desperdícios de investimentos e os estoques lotados.

D
Os trechos apresentados na questão apontam dois distintos modelos produtivos industriais, o primeiro,
o modelo Fordista, baseado na padronização produtiva e a produção em larga escala gerando estoques
cheios, e o segundo, o modelo Toyotista (ou flexível) em que a produção ocorre de acordo com a demanda,
just-in-time.

9
Geografia

E
A Terceira Revolução Industrial tinha como modelo produtivo industrial do período o Toyotismo, o qual
tem como duas de suas principais características a reestruturação das empresas, por força das novas
condições de mercado, aumento da competitividade e a produção enxuta, de acordo com a demanda do
mercado consumidor.

E
A questão fala do mundo globalizado inserido em um contexto de crescente aplicação tecnológica. A
mensagem do texto é de crítica em cima do modelo que, ao criar possibilidades de substituição de mão
de obra por máquinas, aumentou muito o nível de desemprego, o modelo Toyotista de produção industrial.

D
Observando as duas imagens, é possível observar que a diferença entre elas é a necessidade ou não de
estoque. No modelo 1 o armazenamento é originado pela produção em massa, característica do modelo
Fordista-Taylorista de produção, enquanto no modelo 2 a produção ocorre quando é requerida, eliminando
assim os estoques, característica essa que corresponde ao modelo Toyotista de produção (Just in time).

B
Com a demanda ordenando o momento da produção, a necessidade de flexibilização da carga de
trabalho surgiu, pois em um momento essa demanda pode estar baixa e em outro alta, e visando sempre
o lucro o empresariado busca uma mão de obra disponível e aberta a atender essa demanda trabalhando,
se necessário, por horas além do estabelecido. Essa flexibilização é característica do modelo Toyotista.

Questão Contexto
Dentre os aspectos mais representativos da Globalização destacam-se o avanço dos meios de
transporte e dos meios de comunicação, o que levou ao uso da expressão “aldeia global” para se referir
ao encurtamento das distâncias físicas, culturais e econômicas. Neste sentido, o sistema flexível,
Toyotismo, modelo produtivo industrial adotado no pós 1970, só foi considerado eficaz pois os
transportes e meios de comunicação possibilitaram a fragmentação e flexibilização da produção
industrial de acordo com a demanda e o alcance dos produtos industrializados às mais diversas partes
do mundo, o que consequentemente ampliou o apetite consumista na população que passou a adquirir
cada vez mais e mais rápido as novidades comercializadas.

10
Geografia

Terceira e Quarta Revoluções Industriais, e o futuro do trabalho

Resumo

A Terceira Revolução Industrial – também chamada de Revolução Técnico-Científica Informacional


(RTCI) – teve início em meados do século XX, após a Segunda Guerra Mundial, com o destaque do Japão e
dos EUA, e correspondeu ao processo de inovações tecnológicas e aplicações nos campos da produção e do
consumo. A Revolução Técnico-Científica-Informacional também foi responsável pela total integração entre
a ciência, a tecnologia e a informação.
Hoje, as descobertas científicas encontram-se, em grande parte, voltadas para o mercado. Quando uma
inovação é realizada, especula-se como aquilo poderá transformar o cotidiano das pessoas. Quando um novo
aparelho ou tecnologia são inventados, já se contam as horas para que ele esteja nas prateleiras para
consumo. As grandes realizações desse período são o desenvolvimento da chamada química fina, a
biotecnologia, a robótica, a genética, entre outros importantes avanços.
Cabe destacar que as Revoluções Industriais (Iª, IIª e IIIª) são processos, logo, não podem ser datadas
a partir de um fato pontual. De fato, por mais que ocorra uma intensa mudança de paradigmas
socioeconômicos e espaciais, as revoluções não são processos de ruptura imediata, mas sim de transição.
Logo, quando se refere à temporalidade dessas revoluções, é preferível a utilização de escalas de tempo
maiores, como décadas.
Uma das grandes características da RTCI é a ascensão do capital financeiro - capital bancário
(dinheiro) somado ao capital produtivo (investimentos, ações, força de trabalho e outros). A importância que
esse tipo de capital ganha a partir da segunda metade do século XX é imensurável. O capital financeiro ganha
importância devido às novas tecnologias de informação e de transporte, que permitem uma maior interação
entre as economias dos países. Essa maior conectividade e integração das regiões do mundo acelerou o
processo de Globalização, porém, não se deu de forma igualitária entre todos os países.

Dessa forma, dentre os principais desdobramentos da Terceira Revolução Industrial, destacam-se:


▪ A consolidação do sistema capitalista financeiro.
▪ O desenvolvimento dos setores de ciência, tecnologia e informação (Tecnopolos).
▪ A formação e expansão das transnacionais ou empresas globais.
▪ A descentralização industrial.
▪ Utilização de várias fontes de energia (antigas e novas): petróleo, energia hidrelétrica, nuclear, eólica,
entre outras. Surge também a preocupação com a diminuição do uso das fontes de energia poluidoras e
aumento da energia limpa.
▪ A terciarização da economia. O setor terciário (que envolve o comércio, os serviços, as administrações
públicas, a educação, a saúde, entre outros) oferece a maior parte dos empregos no contexto da RTCI,
que, em geral, disponibilizam benefícios salariais menores e dificultam a capacidade de organização dos
trabalhadores.

1
Geografia

▪ O Toyotismo e a flexibilização dos direitos trabalhistas.


▪ Mão de obra mecanizada (máquinas, sistemas automatizados, computadores e robôs industriais) e
mão de obra humana qualificada (técnicos e gestores).

O que se pode notar, dessa forma, é que as transformações tecnológicas não transformam somente
as indústrias e os meios de produção, mas também o próprio espaço geográfico e as relações humanas,
sejam em âmbito estrutural, sejam em âmbito cultural. Além do mais, pode-se dizer que a Revolução Técnico-
Científica Informacional é, sem dúvidas, o grande motor da Globalização na atualidade.
Mas a evolução industrial não parou por aí. A indústria 4.0, também conhecida como a Quarta
Revolução Industrial, tem início nos anos 2010, com o destaque principalmente da Alemanha, marcada pela
Internet da Coisas (IOT), impressão 3D, engenharia genética, inteligência artificial, veículos autônomos,
robótica e máquinas que aprendem. Ela tem início por conta da demanda crescente por produtos cada vez
mais personalizados e é marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas.
Outras características que podem ser destacadas são:

• A rastreabilidade dos produtos, o que permite que o consumidor tenha informações sobre o ciclo de
vida do produto;
• Visão artificial, utilizada no controle de qualidade da produção ou na assistência para a fabricação;
• Cloud computing, conhecido como armazenamento em nuvem (exemplo: Google Drive) que permite o
armazenamento de informações;
• Cyber security, medidas de segurança usadas para proteger a infraestrutura cibernética de ameaças,
como os hackers;
• Realidade aumentada, possibilita o fornecimento de informações adaptadas ao contexto mescladas ao
campo de visão;
• Manufatura aditiva, que recria cópias tridimensionais de peças e protótipos;
• Robô colaborativo, utilizado na produção no mesmo espaço que os operadores;

2
Geografia

Evolução das Revoluções Industriais

Acredita-se que essas e outras inovações trarão ganhos de produtividade, manufatura enxuta,
personalização em escala sem precedentes, redução de custos, aumento da segurança, redução de erros e
economia de energia.
Por outro lado, alguns estudiosos apontam que as repercussões impactarão as mais diversas esferas,
em como somos e como nos relacionamos, chegará até os lugares mais distantes do planeta, afetará o
mercado de trabalho, o futuro do trabalho, impactarão a segurança geopolítica e também o que é considerado
ético.
Esses mesmos estudiosos defendem que não se trata de uma revolução marcada pela emergência de
novas tecnologias, mas sim pela evolução dos sistemas digitais da revolução anterior, a qual ocasionará
mudanças tão profundas que é considerada uma nova revolução industrial, sendo a mais perceptível delas a
automatização total das fábricas cuja a consequência é o fim de muitas vagas de empregos nos mais
diversos países. Surge assim a preocupação de que seja criado um "darwinismo tecnológico", onde aqueles
que não se adaptam não conseguirão sobreviver, acarretando o aumento das desigualdades e dilemas na
segurança geopolítica.
Cabe destacar que no Fórum Econômico Mundial, realizado em 2016 na cidade de Davos (Suíça), a
Quarta Revolução Industrial foi muito debatida, especialmente a abordagem sobre o fato de que após a crise
de 2008 iniciada nos EUA, muitos países adotaram políticas protecionistas muito fortes, o que vem sendo
uma barreira para a expansão desta Quarta Revolução.

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3
Geografia

Exercícios

1. “Embora tenha suas origens mais imediatas na expansão econômica ocorrida após a segunda guerra
e na revolução técnico-cientifica ou informacional, a globalização é a continuidade do longo processo
histórico de mundialização capitalista.”
MOREIRA, João Carlos e SENE, Eustáquio de. Geografia para o ensino médio: Geografia Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione,
2002.p. 03

Com relação ao desenvolvimento do capitalismo, sua mundialização e globalização, é possível afirmar


que:
a) Os Tigres Asiáticos começaram a se constituir como potências econômicas a partir da aplicação
da política de bem-estar social e do taylorismo/fordismo como elementos dinamizadores de suas
economias.
b) A constituição do MERCOSUL foi uma resposta político-econômica dos países da América Latina
à perspectiva de constituição do NAFTA, uma vez que suas economias apresentam elevado grau
de complementaridade e integração entre os setores primário, secundário e terciário.
c) A chamada terceira revolução cientifica e tecnológica vem contribuindo intensamente com a
integração entre os mercados, uma vez que possibilita maior grau de flexibilidade aos capitais
internacionais, inclusive na perspectiva de substituição do dinheiro de papel pelo dinheiro de
plástico e virtual em tempo real.
d) Com a crise da economia americana, o valor das commodities agrícolas tem baixado
seguidamente, contribuindo para atenuar a fome no Chifre da África.
e) A crise que assola a economia-mundo tem contribuído para alterar e inverter as relações entre os
países na divisão internacional do trabalho, pois até a China passou a ser credora dos EUA.

2. A chamada Terceira Revolução Industrial ou Revolução Técnico-Científica fez surgir novos processos
de produção e grandes mudanças nas relações de trabalho dentro das empresas capitalistas. A esse
respeito, marque a alternativa correta.
a) As novas tecnologias favoreceram a informatização do processo produtivo e a ampliação do
emprego de modo geral.
b) Surgiu o fordismo: conjunto de métodos para a produção em série, com os quais o operário produz
mais em menos tempo.
c) O sistema de trabalho repetitivo foi ampliado e a especialização do operário torna-se fundamental.
d) Um método mais ágil e flexível, foi desenvolvido, adaptado ao mercado, que prioriza o controle de
qualidade, conhecido por just-in-time.
e) A habilidade do trabalhador está restrita a uma única tarefa, favorecendo o aumento da
produtividade, método conhecido como "taylorismo".

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Geografia

3. Nas últimas décadas do século XX, a intensificação do uso de alta tecnologia induziu uma nova lógica
de localização industrial. Os atuais espaços industriais caracterizam-se pela capacidade
organizacional e tecnológica de distribuir o processo produtivo em diferentes localidades. A
espacialização do processo produtivo revela que
a) os atuais espaços industriais, espalhados pelo globo, utilizam muita força de trabalho qualificada
e poucos trabalhadores semiqualificados.
b) as novas indústrias foram instaladas considerando-se a abundância de mão-de-obra e a
proximidade do mercado consumidor.
c) as empresas instalaram unidades produtivas em alguns países de industrialização tardia,
incentivadas pela política de substituição de importações.
d) a criação de espaços industriais, nos países do Terceiro Mundo, foi promovida pelas políticas
estatais de incentivo ao consumo dos países centrais.
e) os novos espaços industriais organizam-se em torno de fluxos de informação que reúnem e
distribuem, ao mesmo tempo, as fases da produção.

4. O mundo vem assistindo a uma revolução no setor produtivo que tem sido chamada de Terceira
Revolução Industrial ou Revolução Técnico-Científica (Revolução Tecnológica). A plena inserção
brasileira nesse contexto enfrenta um sério obstáculo, que é
a) a grande extensão do território nacional, encarecendo a produção tecnológica.
b) o distanciamento geográfico do Brasil em relação aos principais centros tecnológicos.
c) a incompetência tecnológica nacional no setor agrário - exportador.
d) o exagerado crescimento brasileiro no setor da indústria de consumo.
e) a limitada capacitação técnico-científica da produção nacional.

5. A Terceira Revolução Industrial, que se iniciou desde a década de 1970, vem impulsionando alterações
no que se refere à espacialização de áreas fabris. No atual ciclo de inovações, configuram-se novas
regiões industriais que primam pela localização nas proximidades de
a) grandes aglomerações de força de trabalho.
b) áreas com recursos naturais abundantes.
c) amplos mercados consumidores.
d) universidades e institutos de pesquisa.
e) rodovias e estradas federais.

6. Para produzir modernamente, essas indústrias convocam outros atores para participar de suas ações
hegemônicas, levados, desse modo, a agir segundo uma lógica subordinada à da firma global.[...] Nos
lugares escolhidos, tudo é permeado por um discurso sobre desenvolvimento.[...] Nada se fala sobre a
robotização do setor e a drenagem dos cofres públicos para essa implantação industrial.
Milton Santos & M. Laura Silveira. O Brasil: Território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.p.
112
O texto apresenta estratégias de descentralização das indústrias
a) mecânicas.
b) de vestuário.
c) siderúrgicas.
d) petroquímicas.
e) automobilísticas.

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Geografia

7. A Terceira Revolução Industrial promoveu o aumento da produtividade e a aceleração dos fluxos de


mercadorias, capitais, informações e pessoas. Também conhecida como Revolução Técnico-Científica
ou Revolução Informacional, caracterizou-se:
a) Pelo protecionismo alfandegário, pelo aumento da capacidade de transformação da natureza e
pelo desenvolvimento dos motores a combustão.
b) Por centros industriais de alta tecnologia, pela internacionalização da economia e pela ampliação
do setor financeiro.
c) Pelo desenvolvimento em torno das bacias carboníferas, por monopólios em muitos setores da
economia e por centro de decisões em nível supranacional.
d) Por relações não comerciais de produção, pela intervenção estatal nas relações comerciais e pela
expansão dos mercados consumidores.
e) Pela expansão das rotas marítimas de comércio, pelo uso intensivo do petróleo como fonte de
energia e pela produção em massa padronizada.

8. “A NISSAN INVENTA O AUTOMÓVEL Á LA CARTE”


“O sistema Answer, [...] é um sistema de informática de ponta que coordena a produção e a venda [...]
isso significa que a fábrica produz carros ‘já comprados’, e que a fabricação se aproxima de uma
produção segundo a demanda”.
La Courrier Internacional apud Becouche, 1995.
O texto sugere que
a) O modelo fordista trabalha sem estoques e com defeito zero.
b) O nosso modelo industrial está centrado nas indústrias petroquímicas e automobilísticas.
c) Entramos na terceira revolução industrial, centrada na produção flexível, modelo Just in time,
viabilizado pela ciência, a tecnologia e a informação.
d) A produção de carros nos países desenvolvidos se faz por encomendas.
e) A indústria automobilista japonesa baseada no just in time conquistou os mercados mundiais.

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Geografia

9.

Disponível em: http://autoentusiastas.blogspot.com.br/2012/10/industria-automobilistica-definido-o.html. Acesso em:


21/11/2012.

A imagem retrata um cenário presente na chamada Terceira Revolução Industrial ou Revolução


Técnico-Científica, a qual fez surgir novos processos de produção e grandes mudanças nas relações
de trabalho dentro das empresas capitalistas. Uma alteração significativa diz respeito à(ao)
a) informatização do processo produtivo e à ampliação do emprego de modo geral.
b) automação do processo produtivo e à necessidade de mão de obra reduzida, mas qualificada e
especializada.
c) surgimento do Fordismo, conjunto de métodos para a produção em série, com os quais vários
operários produzem mais em menos tempo.
d) ausência completa de trabalhadores em todas as fases da produção, visto que as máquinas
regulam todo o processo produtivo.
e) trabalho manual auxiliado por maquinário industrial apenas na etapa final da produção de
automóveis.

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Geografia

10. O mapa a seguir apresenta o mais antigo tecnopolo do mundo.

A respeito do surgimento das cidades tecnopolos, pode-se afirmar que


a) são regiões que concentram indústrias de alta tecnologia, centros de pesquisas e inovações
tecnológicas abrigando grandes universidades capazes de garantir a formação de novos
pesquisadores.
b) o Vale do Silício localiza-se na Costa Leste dos Estados Unidos no Estado de Nova Iorque. A
concentração industrial estrutura-se em torno dos Montes Apalaches onde foram instaladas
centenas de empresas dedicadas à produção metalúrgica.
c) a cidade de Boston, na Costa Leste dos Estados Unidos, representa um importante tecnopolo do
país. Nessa região além da indústria bélica encontram-se diversas montadoras de carro, empresas
siderúrgicas e de extração de minérios.
d) no Japão, a ilha de Hokkaido abriga os dois maiores tecnopolos do país, Sapporo e Kushiro,
especializados em alta tecnologia informacional.
e) na Índia, Bangalore representa uma das cidades menos desenvolvidas sendo classificada como
uma das dez cidades mais pobres do mundo.

Questão Contexto

“No final do século 17 foi a máquina a vapor. Desta vez, serão os robôs integrados em sistemas
ciberfísicos os responsáveis por uma transformação radical. E os economistas têm um nome para isso:
a quarta revolução industrial...”
Disponível em: http://www.bbc.com. Acesso em: 22 de jan 2018.

Aponte e discorra sobre uma possível consequência da chamada indústria 4.0 para a esfera do trabalho.

8
Geografia

Gabarito

C
O avanço tecnológico e científico foi possibilitado pelo avanço nos investimentos em centros de
pesquisas e qualificação associado ao avanço das comunicações e transportes. Isto por sua vez
favoreceu as relações comerciais e uma maior circulação de capitais e trocas econômicas.

D
Uma das características da Terceira Revolução Industrial foi a adoção do modelo Toyotista de produção,
também chamado de sistema flexível, cujas algumas das características estão destacadas na opção.

E
A localização das indústrias antes da Terceira Revolução Industrial priorizava a proximidade em relação
às fontes de energia e mercados consumidores, após a revolução a informação e a necessidade de uma
infraestrutura de comunicações passam a ocupar um papel importante.

E
A inserção do Brasil, assim como de muitos países emergentes e subdesenvolvidos, na Terceira
Revolução Industrial, se dá de maneira parcial, isso porque não são centros de produção de alta tecnologia,
pois estes são os países centrais, que historicamente possuem capacitação técnico-científica
(qualificação profissional e importantes centros de pesquisas).

D
Com a Terceira Revolução Industrial e avanço dos transportes e comunicações, as indústrias migraram
de áreas próximas aos mercados consumidores e fontes de energia para as áreas com boa infraestrutura
e próximas à centro de pesquisas (Tecnopolos).

E
A indústria automobilística foi o símbolo da Segunda e se aprimorou na Terceira Revoluções Industriais,
onde os modelos produtivos Fordista-Taylorista e Toyotista foram implementados visando uma
ampliação da produtividade industrial. O último modelo citado tinha como uma de suas características a
robotização do processo produtivo, com a substituição da mão de obra humana por maquinário de alta
tecnologia. Além disso o setor automobilístico recebeu grandes investimentos estatais visto a grande
movimentação econômica que poderiam gerar.

B
Dentre as características mais importantes da Terceira Revolução Industrial a formação de tecnopolos,
ampliação das relações e trocas econômicas e evolução para o capitalismo financeiro se destacam como
pontos fundamentais de sustentação.

C
O trecho citado na questão aponta para uma produção de acordo com a procura, ou seja, a demanda
definindo a oferta, isso é chamado de just in time, uma das características do modelo produtivo industrial
toyotista que surge em um contexto de Terceira Revolução Industrial.

B
Na Terceira Revolução Industrial surge a demanda por uma mão de obra qualificada, porém, em pequenas
quantidades, isso porque o trabalho manual em sua maioria para a ser exercido pelas máquinas e são
necessários apenas poucos técnicos para realizar a manutenção e poucos indivíduos para a concepção
de novas máquinas.

9
Geografia

A
São áreas de grande desenvolvimento tecnologico concentrando institutos de pesquisa e inovação
tecnológica. Geralmente, abrigam grandes universidades capazes de garantir a formação de novos
pesquisadores.

Questão Contexto
Esta revolução aponta para uma transformação profunda na esfera do trabalho, isso porque, na Terceira
Revolução já se observava a ocorrência do chamado desemprego estrutural, ou seja, fim de postos de
trabalho devido à substituição da mão de obra humana por máquinas, a exemplo a figura do trocador de
ônibus, que foi substituída por máquinas de Bilhete Único, um quadro dificilmente reversível. Neste novo
processo evolutivo, é possível identificar que com suas características acabará intensificando o fim de
postos de trabalho, com a substituição total da mão de obra humana por tecnologias e robôs cada vez
mais autônomos, e aumentando a demanda por qualificação profissional, pois os postos de trabalho
restantes serão muito disputados e exigirão um conhecimento profundo sobre a esfera tecnológica.

10
História

2019
Fevereiro
História

Conceitos Básicos de História

Resumo

Antes de iniciar o estudo dos acontecimentos históricos, temos que nos familiarizar com os conceitos básicos
do estudo da história, já que é fundamental a compreensão de conceitos como cultura, sociedade, economia
e política que são categorias que facilitam o entendimento dos assuntos que virão com o passar dos meses.

Cultura
A cultura dentro do estudo histórico ajuda a compreender tanto a vida dos operários, camponeses e artesão
como das elites já que este conceito abrange comportamentos de uma nação ou região do globo, com o
conceito de cultura podemos abordar os assuntos como religião, arte e gastronomia, em algumas sociedades
não seculares onde a religião era misturada com a política.

Política
Geralmente associamos o conceito de política aos governantes e seus atos em um passado recente, no
entanto, a política é tão antiga quanto a humanidade já que este conceito trata sobre o poder e a
administração das relações humanas em grupo, ou seja, desde que os homens começaram a viver em grupo
e tomaram a consciência de sua existência temos atos políticos.

Sociedade
Nesse ponto iremos ver sobre como nós nos organizamos ao longo dos anos, assim como a política a
organização social é tão antiga quanto o agrupamento dos homens, na verdade podemos dizer que a
sociedade é contemporânea ao surgimento da política, mesmo em sociedades pré-históricas onde os
humanos estavam sujeitos a um líder tribal e as funções dentro do grupo eram divididos por sexo e idade.

Economia
A economia é um conceito mais novo do que os três últimos, por exemplo, a economia depende de ações
como produção e trocas não podendo associar comunidades pré-históricas com esse conceito já que muitos
não conheciam a agricultura não tendo, portanto, excedentes de produção o que impossibilitava as trocas
entre tribos ou comunidades.

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1
História

Exercícios

1. Entre os eventos políticos e culturais que marcaram a década de 1960, podem-se citar:

a) a criação da Organização das Nações Unidas, a Revolução Húngara e o surgimento do rock.

b) a Primavera de Praga, a independência de Angola e Moçambique e o aparecimento da arte


concreta.

c) o processo de implantação do socialismo em Cuba, a Guerra do Vietnã e o movimento hippie.

d) o julgamento de Nuremberg, a Guerra da Coreia e o surgimento do jazz e do blues.

e) a independência da Índia e do Paquistão, o surgimento do peronismo e a pop art.

2. A divisão capitalista do trabalho – caracterizada pelo célebre exemplo da manufatura de alfinetes,


analisada por Adam Smith – foi adotada não pela sua superioridade tecnológica, mas porque garantia
ao empresário um papel essencial no processo de produção: o de coordenador que, combinando os
esforços separados dos seus operários, obtém um produto mercante.
Stephen Marglin. In: André Gorz (org.). Crítica da divisão do trabalho, 1980.

Ao analisar o surgimento do sistema de fábrica, o texto destaca

a) o maior equilíbrio social provocado pelas melhorias nos salários e nas condições de trabalho.
b) o melhor aproveitamento do tempo de trabalho e a autogestão da empresa pelos trabalhadores.
c) o desenvolvimento tecnológico como fator determinante para o aumento da capacidade produtiva.
d) a ampliação da capacidade produtiva como justificativa para a supressão de cargos diretivos na
organização do trabalho.
e) a importância do parcelamento de tarefas e o estabelecimento de uma hierarquia no processo
produtivo

2
História

3.

Cândido Portinari. Lavrador de Café. 1934. Óleo sobre tela.

É correto afirmar que a obra acima reproduzida:

a) faz menção a dois aspectos importantes da economia brasileira: a mão de obra negra na
agricultura e o café como produto de exportação.
b) expressa a visão política do artista, ao figurar um corpo numa proporcionalidade clássica como
forma de enaltecer a mão de obra negra na economia brasileira.
c) exalta o homem colonial e as riquezas da terra, considerando-se que o país possui uma economia
agrícola diversificada desde aquele período.
d) apresenta uma crítica à destruição da natureza, como se observa na derrubada de árvores, e uma
crítica à manutenção do trabalho escravo em regiões remotas do país.

4. No final do século XVIII, a Inglaterra mantinha relações comerciais regulares com várias regiões do
continente africano. O interesse de ingleses nesse comércio derivava, entre outras coisas, da
necessidade de:

a) mercado consumidor para os tecidos, produzidos em escala industrial nas fábricas inglesas e
francesas.
b) especiarias e sal, utilizados na conservação de alimentos consumidos nas grandes cidades
europeias.
c) petróleo, utilizado como fonte principal de energia nas fábricas instaladas em torno das grandes
cidades inglesas.
d) matérias-primas, como o algodão e os óleos vegetais, que eram utilizadas pelas fábricas inglesas.
e) mão de obra a ser empregada nas manufaturas e fábricas que proliferavam na Inglaterra e na
França.

3
História

5. A língua de que usam, por toda a costa, carece de três letras; convém a saber, não se acha nela F, nem
L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e dessa maneira vivem
desordenadamente, sem terem além disto conta, nem peso, nem medida.
GÂNDAVO, P. M. A primeira história do Brasil: história da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil. Rio de
Janeiro: Zahar, 2004 (adaptado).
A observação do cronista português Pero de Magalhães de Gândavo, em 1576, sobre a ausência das
letras F, L e R na língua mencionada, demonstra a:

a) simplicidade da organização social das tribos brasileiras.

b) dominação portuguesa imposta aos índios no início da colonização.

c) superioridade da sociedade europeia em relação à sociedade indígena.

d) incompreensão dos valores socioculturais indígenas pelos portugueses.

e) Dificuldade apresentada pelos portugueses no aprendizado da língua nativa.

6. Iniciou-se em 1903 a introdução de obras de arte com representações de bandeirantes no acervo do


Museu Paulista, mediante a aquisição de uma tela que homenageava o sertanista que comandara a
destruição do Quilombo de Palmares. Essa aquisição, viabilizada por verba estadual, foi simultânea à
emergência de uma interpretação histórica que apontava o fenômeno do sertanismo paulista como o
elo decisivo entre a trajetória territorial do Brasil e de São Paulo, concepção essa que se consolidaria
entre os historiadores ligados ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo ao longo das três
primeiras décadas do século XX.
MARINS, P. c. G. Nas matas com pose de reis: a representação de bandeirantes e a tradição da retratística monárquica
europeia. Revista do LEB, n. 44, tev. 2007.

A prática governamental descrita no texto, com a escolha dos temas das obras, tinha como propósito
a construção de uma memória que

a) afirmava a centralidade de um estado na política do país.

b) resgatava a importância da resistência escrava na história brasileira.

c) evidenciava a importância da produção artística no contexto regional.

d) valorizava a saga histórica do povo na afirmação de uma memória social.

e) destacava a presença do indígena no desbravamento do território colonial.

4
História

7. Em sociedade de origens tão nitidamente personalistas como a nossa, é compreensível que os simples
vínculos de pessoa a pessoa, independentes e até exclusivos de qualquer tendência para a cooperação
autêntica entre os indivíduos, tenham sido quase sempre os mais decisivos. As agregações e relações
pessoais, embora por vezes precárias, e, de outro lado, as lutas entre facções, entre famílias, entre
regionalismos, faziam dela um todo incoerente e amorfo. O peculiar da vida brasileira parece ter sido,
por essa época, uma acentuação singularmente enérgica do afetivo, do irracional, do passional e uma
estagnação ou antes uma atrofia correspondente das qualidades ordenadoras, disciplinadoras,
racionalizadoras.
HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

Um traço formador da vida pública brasileira expressa-se, segundo a análise do historiador, na

a) rigidez das normas jurídicas.

b) prevalência dos interesses privados.

c) solidez da organização institucional.

d) legitimidade das ações burocráticas.

e) estabilidade das estruturas políticas.

8. Na sociedade contemporânea, onde as relações sociais tendem a reger-se por imagens midiáticas, a
imagem de um indivíduo, principalmente na indústria do espetáculo, pode agregar valor econômico na
medida de seu incremento técnico: amplitude do espelhamento e da atenção pública. Aparecer é então
mais do que ser; o sujeito é famoso porque é falado. Nesse âmbito, a lógica circulatória do mercado,
ao mesmo tempo que acena democraticamente para as massas com os supostos “ganhos
distributivos” (a informação ilimitada, a quebra das supostas hierarquias culturais), afeta a velha cultura
disseminada na esfera pública. A participação nas redes sociais, a obsessão dos selfies, tanto falar e
ser falado quanto ser visto são índices do desejo de “espelhamento”.
SODRÉ, M. Disponível em: http://aulas.estadao.com.br. Acesso em: 9 fev. 2015 (adaptado).

A crítica contida no texto sobre a sociedade contemporânea enfatiza

a) a prática indenitária autorreferente.

b) a dinâmica política democratizante.

c) a produção instantânea de notícias.

d) os processos difusores de informações.

e) os mecanismos de convergência tecnológica.

5
História

9. A crescente intelectualização e racionalização não indicam um conhecimento maior e geral das


condições sob as quais vivemos. Significa a crença em que, se quiséssemos, poderíamos ter esse
conhecimento a qualquer momento. Não há forças misteriosas incalculáveis; podemos dominar todas
as coisas pelo cálculo. WEBER, M. A ciência como vocação.
GERTH, H., MILLS, W. (Org.). Max Weber: ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1979 (adaptado).

Tal como apresentada no texto, a proposição de Max Weber a respeito do processo de


desencantamento do mundo evidencia o(a)

a) progresso civilizatório como decorrência da expansão do industrialismo.

b) extinção do pensamento mítico como um desdobramento do capitalismo.

c) emancipação como consequência do processo de racionalização da vida.

d) afastamento de crenças tradicionais como uma característica da modernidade.

e) fim do monoteísmo como condição para a consolidação da ciência.

10. Diante de ameaças surgidas com a engenharia genética de alimentos, vários grupos da sociedade civil
conceberam o chamado “princípio da precaução”. O fundamento desse princípio é: quando uma
tecnologia ou produto comporta alguma ameaça à saúde ou ao ambiente, ainda que não se possa
avaliar a natureza precisa ou a magnitude do dano que venha a ser causado por eles, deve-se evitá-los
ou deixá-los de quarentena para maiores estudos e avaliações antes de sua liberação.
SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Cia. das Letras, 2001 (adaptado).

O texto expõe uma tendência representativa do pensamento social contemporâneo, na qual o


desenvolvimento de mecanismos de acautelamento ou administração de riscos tem como objetivo

a) priorizar os interesses econômicos em relação aos seres humanos e à natureza.

b) negar a perspectiva científica e suas conquistas por causa de riscos ecológicos.

c) instituir o diálogo público sobre mudanças tecnológicas e suas consequências.

d) combater a introdução de tecnologias para travar o curso das mudanças sociais.

e) romper o equilíbrio entre benefícios e riscos do avanço tecnológico e científico.

6
História

Gabarito

1. C
Tanto a Revolução Cubana, quanto a Guerra do Vietnã e o movimento hippie ocorrem nos anos de 1960,
no contexto da Guerra Fria, e promovem profundos impactos políticos e culturais.

2. E
O parcelamento das atividades e a hierarquia são vitais para o desenvolvimento do capitalismo
industrial, tal qual destaca o texto ao mencionar a “divisão capitalista do trabalho”.

3. A
A arte, enquanto parte formadora da cultura, reflete temas sociais, político e econômicos, como é o caso
da obra de Portinari.

4. D
Desde o século XVI o interesse britânico no continente africano se constituiu através do estabelecimento
de feitorias para participar do tráfico de escravos, em especial para as colônias caribenhas, Com o
advento da Revolução Industrial, a partir do século XVIII, o interesse dos capitalistas britânicos voltou-se
para a exploração dos ricos recursos naturais africanos que serviam de matéria-prima para as suas
indústrias. O óleo de palma, extraído na Nigéria, por exemplo, era um produto requisitado para o
funcionamento das máquinas têxteis, bem como o algodão, essencial para o barateamento dos custos
de produção. A alternativa "a" certamente fez muitos alunos se confundirem, uma vez que a gradual
transformação do africano em consumidor de produtos britânicos fez parte do processo colonial.
Contudo, no final daquela alternativa são citadas além das fábricas britânicas, as francesas. No entanto,
ingleses e franceses são concorrentes industriais na expansão neocolonialista e, deste modo, a ação
britânica era monopolista, buscando excluir os franceses dos benefícios desta colonização.

5. D
O trecho evidencia as diferenças culturais entre indígenas e portugueses, assim como a incompreensão
– e a perspectiva eurocêntrica - destes em relação as especificidades dos povos nativos.

6. A
Na busca pelo fortalecimento de identidade nacional, conveniente para a atuação da política no país, cria-
se a imagem do Herói Bandeirante, que desbravou as matas no Brasil, expandindo nosso território e
absorvendo novos conhecimentos. Atualmente sabemos que a atuação dos bandeirantes não caminhava
muito nesse sentido, pois foram eles responsáveis pela escravização de índios e geração de conflitos
internos.

7. B
Os interesses pessoais vêm a tona pela falta de ideais ordenadores e racionalizantes.

8. A
A sociedade na era das mídias se torna pessoas dependentes de atenção e de espelhamento das outras
pessoas.

9. D
O texto de Weber mostra a transição do pensamento antigo para o moderno diante das alterações
históricas ocorridas no período, como Revolução Industrial, surgimento do capitalismo, entre outros.
Assim, há um afastamento em relação às crenças mais antigas. A questão traz, ainda, o diálogo entre a
história e o pensamento sociológico.

7
História

10. C
Esse tipo de reflexão é comum às socialistas contemporâneas. A partir da questão podermos ressaltar a
importância de compreender as tendências do pensamento social dentro dos contextos históricos nos
quais se inserem.

8
História

O Mundo Antigo

Resumo

A História da Roma Antiga pode ser dividida cronologicamente em três fases: a Monarquia, a
República e o Império. A monarquia durou muitos anos sendo extinta com a queda de Tarquínio, o soberbo
por meio de uma revolta popular durante a ocupação etrusca de Roma.
No período republicano Roma conquistou toda a península itálica e iniciou sua expansão territorial,
foi onde começou a tomar forma o seu modelo econômico da escravidão relacionada às conquistas de novas
terras, os romanos nesse período eram governados por um Senado que decidia as principais questões,
seguindo a tradição grega o senado era composto de homens que detinham o cargo vitalício.
Em 27 a.C, Otávio Augusto se tornou imperador de Roma, dando início ao Império Romano, nessa
fase a vida política romana muda consideravelmente, temos agora um Imperador associado a uma figura
divina que tinha o cargo vitalício e governava praticamente de modo soberano, mesmo com a existência de
um senado.
O império foi um período de grandes mudanças na sociedade e cultura romana, sendo instalados os
famosos coliseus por todo o império fazendo um controle ideológico e social de sua população quando
mostrava sua força dispondo de diversos escravos. O mercado de escravos era uma grande fonte de renda
para Roma, já que a força de trabalho em grande parte era escrava principalmente no meio urbano.

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1
História

Exercícios

1. Preparando seu livro sobre o imperador Adriano, Marguerite Yourcenar encontrou numa carta de
Flaubert esta frase: "Quando os deuses tinham deixado de existir e o Cristo ainda não viera, houve um
momento único na história, entre Cícero e Marco Aurélio, em que o homem ficou sozinho". Os deuses
pagãos nunca deixaram de existir, mesmo com o triunfo cristão, e Roma não era o mundo, mas no breve
momento de solidão flagrado por Flaubert o homem ocidental se viu livre da metafísica - e não gostou,
claro. Quem quer ficar sozinho num mundo que não domina e mal compreende, sem o apoio e o consolo
de uma teologia, qualquer teologia?
Luiz Fernando Veríssimo. Banquete com os deuses.

A compreensão do mundo por meio da religião é uma disposição que traduz o pensamento medieval,
cujo pressuposto é
a) o antropocentrismo: a valorização do homem como centro do Universo e a crença no caráter divino
da natureza humana.
b) a escolástica: a busca da salvação através do conhecimento da filosofia clássica e da assimilação
do paganismo.
c) o panteísmo: a defesa da convivência harmônica de fé e razão, uma vez que o Universo, infinito, é
parte da substância divina.
d) o positivismo: submissão do homem aos dogmas instituídos pela Igreja e não questionamento
das leis divinas.
e) o teocentrismo: concepção predominante na produção intelectual e artística medieval, que
considera Deus o centro do Universo.

2. Durante a realeza, e nos primeiros anos republicanos, as leis eram transmitidas oralmente de uma
geração para outra. A ausência de uma legislação escrita permitia aos patrícios manipular a justiça
conforme seus interesses. Em 451 a.C., porém, os plebeus conseguiram eleger uma comissão de dez
pessoas – os decênviros – para escrever as leis. Dois deles viajaram a Atenas, na Grécia, para estudar
a legislação de Sólon.
COULANGES, F. A cidade antiga. São Paulo. Martins Fontes, 2000.

A superação da tradição jurídica oral no mundo antigo, descrita no texto, esteve relacionada à
a) adoção do sufrágio universal masculino.
b) extensão da cidadania aos homens livres.
c) afirmação de instituições democráticas.
d) implantação de direitos sociais.
e) tripartição dos poderes políticos.

2
História

3. O Império Romano expandiu-se pelo Mar Mediterrâneo durante o período republicano; isso gerou, no
decorrer do século II d.C., várias repercussões, entre as quais podemos destacar.
a) surgimento da classe média de pequenos proprietários rurais e desaparecimento dos
latifundiários.
b) aumento da população rural na Itália e consequente declínio da população urbana.
c) crescimento do número de escravos e grande fluxo de riquezas.
d) criação de grande número de pequenas propriedades e fortalecimento do sistema assalariado.
e) difusão do Cristianismo e proscrição das manifestações culturais de outras regiões.

4. Pois quem seria tão inútil ou indolente a ponto de não desejar saber como e sob que espécie de
constituição os romanos conseguiram em menos de cinquenta e três anos submeter quase todo o
mundo habitado ao seu governo exclusivo — fato nunca antes ocorrido? Ou, em outras palavras, quem
seria tão apaixonadamente devotado a outros espetáculos ou estudos a ponto de considerar qualquer
outro objetivo mais importante que a aquisição desse conhecimento?
POLÍBIO. História. Brasília: Editora UnB, 1985.

A experiência a que se refere o historiador Políbio, nesse texto escrito no século II a.C., é a
a) ampliação do contingente de camponeses livres.
b) consolidação do poder das falanges hoplitas.
c) concretização do desígnio imperialista.
d) adoção do monoteísmo cristão.
e) libertação do domínio etrusco.

5. O Mar Mediterrâneo foi a maior de todas as vias de circulação romanas e dele resultou a formação do
Império Romano (27 a.C. a 476 d.C.). A respeito dessa importante conquista para a civilização romana,
assinale a alternativa correta.
a) A eliminação da hegemonia cartaginesa sobre a região além de permitir que Roma passasse a
dominar o comércio mediterrâneo, possibilitou aumentar o dinamismo próprio da estrutura
escravista, que necessitava de mão de obra decorrentes das conquistas.

b) Após a derrota romana nas Guerras Púnicas, quando fenícios e cartagineses ocuparam o estreito
de Gibraltar, a única saída para dar continuidade ao processo de expansão foi a conquista do mar
Mediterrâneo.

c) A explosão demográfica e os conflitos internos com a plebe urbana exigiram medidas


expansionistas por parte do governo, para que se estabelecessem colônias romanas fora da
península itálica a fim de minimizar as tensões sociais.

d) A necessidade de expansão do cristianismo, que a partir do século IV, tornou-se a religião oficial
do império romano, implicou na divulgação dos princípios dessa nova doutrina para os povos
bárbaros.

e) A crescente produção de cereais, durante o império romano, especialmente, o trigo, levou à


expansão de suas fronteiras, uma vez que era necessário ser escoado e vendido para as demais
províncias romanas.

3
História

6. O termo “bárbaro” teve diferentes significados ao longo da história. Sobre os usos desse conceito,
podemos afirmar que:
a) Bárbaro foi uma denominação comum a muitas civilizações para qualificar os povos que não
compartilhavam dos valores destas mesmas civilizações.
b) Entre os gregos do período clássico o termo foi utilizado para qualificar povos que não falavam
grego e depois disso deixou de ser empregado no mundo mediterrâneo antigo.
c) Bárbaros eram os povos que os germanos classificavam como inadequados para a conquista,
como os vândalos, por exemplo.
d) Gregos e romanos classificavam de bárbaros povos que viviam da caça e da coleta, como os
persas, em oposição aos povos urbanos civilizados.

7. A expansão romana pelo Mar Mediterrâneo gerou importantes transformações políticas, econômicas
e sociais. Dentre elas temos:
a) fortalecimento da família; desenvolvimento das atividades agropastoris; grande afluxo de
riquezas, provenientes das conquistas.
b) aumento do trabalho livre; maior concentração populacional nos campos e enriquecimento da elite
patrícia. c) influência bastante grande da cultura grega; domínio político dos plebeus; grande
moralização dos costumes.
c) fim do trabalho escravo; concentração da plebe no campo; domínio político dos militares.
d) grande número de escravos; predomínio do comércio; êxodo rural, gerando o empobrecimento da
plebe.

8. A civilização romana exerceu uma grande influência sobre as civilizações posteriores, e dentre os
maiores legados deixados por ela temos:
a) o direito romano, que continua ainda hoje a ser a base da ciência jurídica, e o idioma.
b) a organização social e sua estrutura administrativa.
c) a cultura clássica, as ciências e as artes, além da religião politeísta e do idioma.
d) o sistema econômico e a religião dualista copiada dos persas.
e) a religião politeísta, bastante semelhante à grega, e a educação, que valoriza a escrita e a leitura.

9. "O Mediterrâneo tomou-se um lago romano: é o Mare Nostrum dos mapas antigos."
Aquino et al.
A situação-chave que consolidou a definitiva expansão romana foi:
a) a derrota da influente Cartago, possibilitando o controle sobre o Mediterrâneo ocidental e abrindo
as condições necessárias para a intervenção nos Estados Helenisticos vizinhos;
b) a vitória da. Sicília nas Guerras Púnicas, o que permitiu a tomada de Cartago pelos romanos;
c) a vitória da Sicília (cartaginesa) e a anexação desta a Roma;
d) a vitória da influente Cartago (colônia romana) sobre os Estados Helenísticos próximos;
e) a vitória da influente Cartago (colônia romana) sobre a Sicília (colônia grega), o que abriu
importante base no Mediterrâneo à expansão territorial.

4
História

10. Do ponto de vista cultural, na passagem da Antiguidade para a Idade Média, é correto afirmar que o
patrimônio greco-romano:
a) só não sofreu perda maior devido à ação esclarecida de muitos chefes bárbaros.
b) perdeu-se quase completamente porque, dado o seu caráter pagão, foi rejeitado pela Igreja.
c) foi rejeitado pelos bárbaros em razão do caráter cristão com que foi revestido pela Igreja.
d) não desapareceu com a antiguidade porque a Igreja serviu de conduto para sua sobrevivência.
e) escapou do desaparecimento graças à preservação fortuita de textos antigos.

5
História

Gabarito

1. E
O exercício invoca um passado romano a fim de explicar um pensamento medieval do teocentrismo.

2. B
A partir do século VIII a.C., a organização política passou a sofrer profundas mudanças em Atenas. Os
europátridas (donos das terras que monopolizavam o poder político) foram obrigados a fazer
concessões para outros setores da sociedade como artesãos e comerciantes. Nesse período, o
legislador Drácon foi responsável pela introdução do registro por escrito das leis. A partir desse momento,
a Cidade de Atenas passou a ser governada com base em uma legislação e não conforme o costume.
Tal quadro faz parte de um processo de extensão da cidadania que foi totalmente consolidada por
Clístenes, que estendeu a participação política a todos os homens livres.

3. C
Como a economia romana dependia de seus empreendimentos expansionistas, a conquista do
mediterrâneo e de seus territórios litorâneos aumentou as riquezas e a oferta de mão de obra escrava no
império.

4. C
O texto mostra como a visão dos romanos sobre as demais áreas era de superioridade. O Império
Romano em si começa apenas em 27 a.C. porém, a caminhada para tal feito já vinha sendo percorrida
há muito tempo antes, como podemos perceber no texto apresentado.

5. A
Cartago, localizada no Norte da África, foi a única que talvez pudesse ter contido o expansionismo
romano. Sua derrota e destruição nas Guerras Púnicas (264-146 a.C.) abriu caminho para que Roma
transformasse o Mediterrâneo no célebre Mare Nostrum (observe-se que a hegemonia cartaginesa
abrangia somente o Mediterrâneo Ocidental). As conquistas romanas que se seguiram ao conflito com
Cartago não só dinamizaram o comércio de Roma como consolidaram o modo de produção escravista,
provocando profundas alterações econômicas, sociais e políticas, responsáveis pela implantação do
Império.

6. A
O termo bárbaro é usado na história antiga de modo depreciativo e parcial. Pode ser considerado uma
denominação comum a muitas civilizações para qualificar povos que possuíam diferenças culturais,
atribuindo a eles um juízo de valor negativo.

7. E
A conquista do mar mediterrâneo aumentou o fluxo comercial e de escravos enriquecendo os
comerciantes e empobrecendo a plebe.

8. A
A estruturação do estado romano foi uma necessidade inerente ao tamanho dos territórios
administrados por Roma, sendo o direito um dos grandes legados até os dias atuais.

6
História

9. A
A derrota de Cartago transferiu a hegemonia do mediterrâneo para os romanos.

10. D
Com desmantelamento do Império Romano, a Igreja Católica herdou a estrutura administrativa do estado
de Roma.

7
História

Do Mundo Antigo ao Feudalismo

Resumo

Nesse resumo iremos ver os fatores para a queda do império romano e o estabelecimento da ordem
do feudalismo, que perdurou até a recuperação da razão pelo renascimento, vamos ver como de fato o império
romano se desmantelou.

O Cristianismo
O nascimento de Jesus Cristo ocorreu durante o Império Romano, na atual região da Palestina, dando
origem ao cristianismo, segunda grande religião monoteísta. No entanto, a relação de Roma com os cristãos
nem sempre foi amigável. Os cristãos sofreram uma série de perseguições por não crerem nos deuses
romanos e nem cultuarem o imperador.
Com a expansão do cristianismo, o imperador Constantino, em 313 d.C, concedeu a liberdade de culto
aos cristãos. Porém, o cristianismo só veio a se tornar religião oficial do Império Romano quase 70 anos
depois, com o imperador Teodósio.
O cristianismo não foi exatamente um fator de queda para o império romano, no entanto seu
crescimento e o lugar como religião oficial do império fizeram parte dos anos finais do grande estado romano,
ainda levando em conta que a igreja católica herdou a estrutura do Império.

Crise e queda de Roma

A partir do século III, o Império Romano passou por intensas crises, como econômicas devido aos altos
gastos para manter suas fronteiras protegidas, além de invasões de povos bárbaros, principalmente os
germânicos, que ajudaram a desestabilizar o Império.
Houve diversas tentativas de solucionar as crises, como a mudança da capital do Império para Bizâncio
(futura Constantinopla e atual Istambul), por Constantino, e a divisão do território em duas partes: Império
Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla,
visando melhorar a administração.
No entanto, em meio às invasões de povos bárbaros ao Império Romano do Ocidente, houve um intenso
processo de ruralização visando fugir e se proteger dessas invasões. Tal fato culminou na queda de Roma,
em 476, marcando o fim da Idade Antiga e o início da Idade Média.
Vale lembrar que estas invasões não foram todas agressivas, na verdade contemporâneo com as
invasões houve diversas migrações para dentro das fronteiras do império romano, que oferecia segurança
relativa aos seus moradores por causa de suas leis escritas e pela força do estado, isso provocou uma
pluralidade cultural no império que deu as bases para o feudalismo.

1
História

A Idade Média e o feudalismo

A Idade Média começou a se estruturar com a queda de Roma, quando começou a se desenvolver uma
nova estrutura social, política e econômica, caracterizada por uma sociedade rural, descentralizada e
estamental. A Idade Média durou mais de 1000 anos e pode ser dividida em Alta Idade Média, Idade Média
Central e Baixa Idade Média.
Durante a Idade Média Central se consolidou o que ficou conhecido como o feudalismo, que se
estruturou na Europa Ocidental conciliando elementos romanos e germânicos, como o teocentrismo, baseado
na grande influência ideológica da Igreja Católica Apostólica e na descentralização política que acontecia nos
últimos anos do império romano.
No feudalismo, as relações políticas entre nobres eram baseadas no princípio da suserania e da
vassalagem, no qual um nobre doava terras conquistadas por ele (suserano) a outro nobre (vassalo) em troca
de fidelidade nos compromissos militares do suserano. Apesar da existência da figura do rei, seus poderem
eram limitados, já que o poder deles estava descentralizado entre diversos senhores feudais, chegando ao
absurdo hierárquico do rei poder ser vassalo de um outro nobre.
A economia feudal também ocorria de forma descentralizada, dentro de estruturas chamadas feudos.
Os feudos se baseavam na atividade agrícola, realizada pelos servos, e no geral eram autossuficientes, ou
seja, produziam os principais produtos necessários à sobrevivência de seus habitantes tendo pouca
necessidade de troca entre os feudos, o que gerou um desaquecimento do comércio e da atividade urbana.
A sociedade feudal se caracterizou por uma estrutura estamental. Os estamentos eram divididos entre
os que guerreavam (nobreza), os que rezavam (clero) e os que trabalhavam (servos). A mobilidade social era
quase inexistente, e essa ideologia era defendida ferozmente pelos clérigos que se beneficiavam dessa
estrutura.

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2
História

Exercícios

1. A colisão catastrófica dos dois anteriores modos de produção em dissolução, o primitivo e o antigo,
veio a resultar na ordem feudal, que se difundiu por toda a Europa.
Anderson, P. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. Trad. Porto: Afrontamento, 1982, p. 140.

O autor refere-se a três tipos de formações econômico-sociais nesse pequeno trecho. A esse respeito
é correto afirmar:
a) A síntese descrita refere-se à articulação entre o escravismo romano em crise e as formações
sociais dos guerreiros germânicos.
b) O escravismo predominava entre os povos germânicos e tornou-se um ponto de intersecção com
a sociedade romana.
c) A economia romana, baseada na pequena propriedade familiar, foi transformada a partir das
invasões germânicas dos séculos IV a VI.
d) Os povos germânicos desenvolveram a propriedade privada e as relações servis que permitiram
a síntese social com os romanos.
e) A transição para o escravismo feudal foi proporcionada pelos conflitos constantes nas fronteiras
romanas devido à ofensiva dos magiares.

2. Em 24 de junho, dia de São João, os camponeses de Verson (na França) colhiam os frutos dos campos
de seu senhor e os levavam ao castelo. Depois, cuidavam dos fossos e, em agosto, faziam a colheita
do trigo, também entregue ao senhor. Eles próprios não podiam recolher o seu trigo, senão depois que
o senhor tivesse tirado antecipadamente a sua parte. No começo do inverno, trabalhavam sobre a terra
senhorial para prepará-la, passar o arado e semear. No dia 30 de novembro, dia de Santo André, pagava-
se uma espécie de bolo. Pelo Natal, “galinhas boas e finas”. Depois, uma certa quantidade de cevada e
de trigo. E mais ainda! No moinho, para moer o grão do camponês, cobrava-se uma parte dos grãos e
uma certa quantidade de farinha; no forno, era preciso pagar também, e o “forneiro” dizia que, se não
tivesse o seu pagamento, o pão do camponês ficaria malcozido e imprestável.
LUCHAIRE, La Société française au temps de Philippe Auguste. Adaptado

O texto nos revela as principais obrigações servis na idade medieval. Assinale a alternativa que associa
corretamente a obrigação ao trabalho realizado.
a) o servo pagava a talha quando ceifava os prados do senhor, levava os frutos ao castelo, cuidava
dos fossos e colhia o trigo.
b) o servo trabalhava apenas de 24 de junho a 30 de novembro em muitas atividades: dos cuidados
com os animais ao trabalho no campo.
c) o servo trabalhava e recebia salário, pois pagava no moinho pela moagem dos grãos e ao forneiro
pelo pão assado.
d) o servo devia a seu senhor a corveia, a talha e as banalidades pelo uso das instalações senhoriais
bem como presentes em datas festivas.
e) o trabalho servil era recompensado no Natal, quando o senhor dava aos servos bolos, finas e
gordas galinhas.

3
História

3. Igreja, em torno de 1030, proclamou que, segundo o plano divino, os homens dividiam-se em três
categorias: os que rezam, os que combatem, os que trabalham, e que a concórdia reside na troca de
auxílios entre eles. Os trabalhadores mantêm, com sua atividade, os guerreiros, que os defendem, e os
homens da Igreja, que os conduzem à salvação. Assim a Igreja defendia, de maneira lúcida, o sistema
político baseado na senhoria.
DUBY, Georges. Arte e sociedade na Idade Média, 1997. Adaptado.
Segundo essa definição do universo social, feita pela Igreja cristã da Idade Média, a sociedade
medieval era considerada
a) injusta e imperfeita, na medida em que as atividades dos servos os protegiam dos riscos a que
estavam submetidos os demais grupos sociais.
b) perfeita, porque era sustentada pelas atividades econômicas da agricultura, do comércio e da
indústria.
c) sagrada, contendo três grupos sociais que deveriam contribuir para o congraçamento dos homens.
d) dinâmica e mutável, na medida em que estava dividida entre três estamentos sociais distintos e
rivais.
e) guerreira, cabendo à Igreja e aos trabalhadores rurais a participação direta nas lutas e empreitadas
militares dos cavaleiros.

4. Analisando as condições de trabalho da Europa medieval, o historiador Marc Bloch afirmou:


O servo, em resumo, dependia tão estreitamente de um outro ser humano que, fosse ele para onde
fosse, esse laço o seguia e se imprimia à sua descendência. Essas pessoas, para com o senhor, não
estavam obrigadas apenas às múltiplas rendas ou prestações de serviços. Deviam-lhe também auxílio
e obediência, e contavam com a sua proteção.
BLOCH, Marc. A sociedade feudal. Lisboa: Edições 79, s/d., p. 294-295. Adaptado

De acordo com o texto, é correto afirmar que a servidão na Europa medieval


a) baseava-se na cobrança de taxas e no trabalho em troca de proteção e moradia.
b) organizava a produção monocultora de exportação que predominava no período.
c) proporcionava ampla mobilidade social para os servos e seus descendentes.
d) garantia aos servos a participação nas decisões políticas dentro dos feudos.
e) impedia a circulação dos trabalhadores nas lavouras dos territórios senhoriais.

4
História

5. Aquilo que dominava a mentalidade e a sensibilidade dos homens da Idade Média era o seu sentimento
de insegurança (…) que era, no fim das contas, a insegurança quanto à vida futura, que a ninguém estava
assegurada (…). Os riscos da danação, com o concurso do Diabo, eram tão grandes, e as probabilidades
de salvação, tão fracas que, forçosamente, o medo vencia a esperança.
Jacques Le Goff. A civilização do Ocidente medieval.

O mundo medieval configurou-se a partir do medo da insegurança, como retratado no texto acima.
Encontre a alternativa que melhor condiz com o assunto.
a) A crise econômica decorrente do final do Império Romano, a guerra constante, as invasões
bárbaras, a baixa demográfica, as pestes, tudo isso aliado a um forte conteúdo religioso de punição
divina aos pecados contribuiu para o clima de insegurança medieval.
b) A peste bubônica provocou redução drástica na demografia medieval, levando a crenças
milenaristas e apocalípticas, sufocadas, por sua vez, pela rápida ação da Igreja, disponibilizando
recursos médicos e financeiros para a erradicação das várias doenças que afetam seus fiéis.
c) O clima de insegurança que predominou em toda a Idade Média decorreu das guerras constantes
entre nobres – suseranos – e servos – vassalos, contribuindo para a emergência de teorias
milenaristas no continente.
d) As enfermidades que afetavam a população em geral contribuíram para a demonização de
algumas práticas sociais, como o hábito de usar talheres nas refeições, adquirido, por sua vez, no
contato com povos bizantinos.
e) A certeza da punição divina a pecados cometidos pelos humanos predominava na mentalidade
medieval; por isso, nos vários séculos do período, eram constantes os autos de fé da Inquisição,
incentivando a confissão em massa, sempre com tolerância e diálogo.

6. “Reconheço ter prendido mercadores de Langres que passavam pelo meu domínio. Arrebatei-lhes as
mercadorias e guardei-as até o dia em que o bispo de Langres e o abade de Cluny vieram procurar-me
para exigir reparações.”
Castelão do século XI.
O texto apresentado permite afirmar que, na Idade Média,
a) o poder da Igreja era, além de religioso, também temporal.
b) os senhores feudais eram mais poderosos do que a Igreja.
c) o clero era responsável pela distribuição das mercadorias.
d) o conflito entre Igrejas e nobreza aproximou o clero dos comerciantes.
e) o poder do papa era limitado pelos sacerdotes.

5
História

7. "...o desejo de dar uma forma e um estilo ao sentimento não é exclusivo da arte e da literatura;
desenvolve-se também na própria vida: nas conversas da corte, nos jogos, nos desportos... Se, por
conseguinte, a vida pede à literatura os motivos e as formas, a literatura, afinal, não faz mais do que
copiar a vida."
Johan Huizinga, O Declínio da Idade Média.

Na Idade Média essa relação entre literatura e vida foi exercida principalmente pela:
a) vassalagem
b) guilda
c) cavalaria
d) comuna
e) monarquia

8. A economia da Europa ocidental, durante o longo intervalo entre a crise do escravismo, no século III, e
a cristalização do feudalismo, no século IX, foi marcada pela:
a) depressão, que atingiu todos os setores, provocando escassez permanente e fomes intermitentes.
b) expansão, que ficou restrita à agricultura, por causa do desaparecimento das cidades e do
comércio.
c) estagnação, que só poupou a agricultura graças à existência de um numeroso campesinato livre.
d) prosperidade, que ficou restrita ao comércio e ao artesanato, insuficientes para resolver a crise
agrária.
e) continuidade, que preservou os antigos sistemas de produção, impedindo as inovações
tecnológicas.

9. O próprio Deus quis que entre os homens alguns fossem senhores e outros servos, de modo que os
senhores veneram e amam a Deus, e que os servos amam e veneram o seu senhor, seguindo a palavra
do apóstolo; servos, obedecei vossos senhores temporais com temor e apreensão; senhores, tratai
vossos servos de acordo com a justiça e a equidade.
Marvin Perry. Civilização Ocidental: Uma História Concisa.

A partir da leitura do texto é possível assinalar que a respeito da ordem social feudal, o clero:
a) propugnava por uma sociedade dinâmica e de camponeses questionadores;
b) afirmava que os direitos e deveres das pessoas não dependiam de sua posição na ordem social;
c) rebatia a avaliação de que a vontade de Deus tivesse qualquer relação com a ordem social;
d) considerava que a sociedade funcionava bem quando todos aceitavam sua condição e
desempenhavam o papel que lhes era atribuído;
e) era o maior interessado em questionar a ordem social injusta do feudalismo.

6
História

10. “A desagregação do Império no Ocidente e o caos trazido pelas invasões permitiram à Igreja não só
definir com maior clareza a sua doutrina, como especialmente ampliar e fortalecer as instituições já
criadas”.
ESPINOSA, Fernanda. Antologia de Textos Históricos Medievais. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1972

De acordo com o trecho acima, os fatores que contribuíram para o fortalecimento da Igreja foram o
caos trazido pelas invasões e a desagregação do Império do Ocidente, isto porque:
a) se estabeleceu na Europa uma crise política, que levou a Igreja a ter o controle sobre o Estado e
toda a sociedade.
b) a cada invasão o poder do imperador se fortalecia e dava segurança ao povo, que buscava na
Igreja apenas o apoio espiritual.
c) com a queda do império do Ocidente, a sociedade romana se urbanizou, facilitando o processo de
evangelização desenvolvido pela Igreja.
d) a situação política e social gerado pelo fim do império e as invasões criaram condições
psicológicas para o fortalecimento do poder da Igreja.
e) o caos que se instalou no império do Ocidente estimulou a criação de comunidades cristãs que
praticavam o comunismo primitivo, atraindo centenas de camponeses

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História

Gabarito

1. A
O feudalismo se iriginou da fusão das culturas romanas e germanicas, contato ocorrido no contexto de
crise do Império Romanado.

2. D
Os servos eram constantemente taxados por seus senhores que cobravam parte da produção pelo uso
da terra e dos equipamentos, em troca, o senhor lhes prometia proteção contra invasores.

3. C
Essa divisão defendida pelos religiosos, com base na fé (sagrada) favorecia as classes que batalhavam
e oravam, ou seja, a nobreza e o clero.

4. A
Os servos, presos a terra, deviam uma série de obrigações ao senhor, cobradas em forma de impostos.

5. A
Nesse contexto, a ideologia medieval altamente religiosa atribuía uma explicação punitiva aos eventos
como a peste e a guerras. Deste modo, mantinham a estrutura social com base no medo divino.

6. A
No contexto da Idade Média, a Igreja concentrava muitos poderes em suas mãos, garantindo grande
influência sobre a vida dos homens e mulheres.

7. C
As novelas de cavalaria eram populares nas cortes medievais, uma vez que os hábitos e costumes da
nobreza.

8. A
A crise fomentou o estabelecimento dos modelo modelo feudal, no qual aglutinou-se tradições
germânicas e latinas advindas dos romanos.

9. D
Em um mundo teocentrista, a igreja dominava o mundo das ideias, esta tinha a missão de manter o status
quo da servidão.

10. D
O clima de insegurança fortalecia a ideologia punitiva dos pecados junto com a promessa de remissão
no paraíso no caminho da igreja.

8
História

Formação dos Estados Nacionais

Resumo

Portugal foi pioneiro em seu processo de unificação, que se consolidou a partir da Revolução de Avis.
Os espanhóis, por outro lado, se consolidaram como Estados Nacionais posteriormente, por meio do
casamento entre os reis católicos Fernando de Bragança e Isabel de Aragão. Ambos os países ibéricos
formaram suas monarquias após a expulsão dos mouros de seus territórios, nas chamadas Guerras de
Reconquista.
A maioria dos Estados Nacionais que foram se construindo ao longo da Idade Moderna adotaram como
forma de organização política o absolutismo monárquico. Esse sistema de governo se caracteriza pela
concentração excessiva de poderes nas mãos do rei surgiu após a reunião de seus vassalos para superar os
efeitos da crise do feudalismo. No entanto, esse poder não era ilimitado e se pautava, dentre outros, na
manutenção de um exército forte e no apoio da nobreza e de grandes comerciantes.
Além disso, surgiram pensadores que foram muito importantes para garantir a legitimidade dos reis
absolutistas, como é o caso de Thomas Hobbes e Jacques Bossuet. Thomas Hobbes, famoso filósofo inglês,
por meio de sua obra Leviatã, defendeu a manutenção das monarquias a partir do princípio de que os homens
obedeciam a interesses particulares, o que geraria uma guerra constante. Nesse sentido, era necessário um
poder superior que controlasse os homens e impedisse esse estado caótico.
Jacques Bossuet ficou famoso por sua teoria do direito divino dos reis. Esse bispo francês defendia
que o poder do monarca emanava de Deus. Dessa forma, o rei enquanto representante de Deus na Terra era
infalível e inquestionável. Um dos maiores exemplos de reis absolutistas que temos é o de Luis XIV, rei francês
que ficou conhecido como o Rei Sol.
O Renascimento Artístico e Cultural e as Reformas Religiosas foram importantes movimentos que
ocorreram na passagem da Idade Média para a Idade Moderna. Os dois movimentos contribuíram para uma
grande transformação da mentalidade europeia ocidental, essa transformação mais tarde no século XVIII.

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História

Exercícios

1. ‘’O que chamamos de corte principesca era, essencialmente, o palácio do príncipe. Os músicos eram
tão indispensáveis nesses grandes palácios quanto os pasteleiros, os cozinheiros e os criados. Eles
eram o que se chamava, um tanto pejorativamente, de criados de libré. A maior parte dos músicos
ficava satisfeita quando tinha garantida a subsistência, como acontecia com as outras pessoas de
classe média na corte; entre os que não se satisfaziam, estava o pai de Mozart. Mas ele também se
curvou às circunstâncias a que não podia escapar. ’’
Norbert Elias. Mozart: sociologia de um gênio. Ed. Jorge Zahar, 1995, p. 18 (com adaptações).
Considerando-se que a sociedade do Antigo Regime dividia-se tradicionalmente em estamentos:
nobreza, clero e 3.° Estado, é correto afirmar que o autor do texto, ao fazer referência a “classe média”,
descreve a sociedade utilizando a noção posterior de classe social a fim de:
a) aproximar da nobreza cortesã a condição de classe dos músicos, que pertenciam ao 3.° Estado.
b) destacar a consciência de classe que possuíam os músicos, ao contrário dos demais
trabalhadores manuais.
c) indicar que os músicos se encontravam na mesma situação que os demais membros do 3.° Estado.
d) distinguir, dentro do 3.° Estado, as condições em que viviam os “criados de libré” e os camponeses.
e) comprovar a existência, no interior da corte, de uma luta de classes entre os trabalhadores
manuais.

2.

Charge anônima. BURKE, P. A fabricação do rei. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. (Foto: Enem)

Na França, o rei Luís XIV teve sua imagem fabricada por um conjunto de estratégias que visavam
sedimentar uma determinada noção de soberania. Neste sentido, a charge apresentada demonstra
a) a humanidade do rei, pois retrata um homem comum, sem os adornos próprios à vestimenta real.
b) a unidade entre o público e o privado, pois a figura do rei com a vestimenta real representa o
público e sem a vestimenta real, o privado.
c) o vínculo entre monarquia e povo, pois leva ao conhecimento do público a figura de um rei
despretensioso e distante do poder político.
d) o gosto estético refinado do rei, pois evidencia a elegância dos trajes reais em relação aos de
outros membros da corte.
e) a importância da vestimenta para a constituição simbólica do rei, pois o corpo político adornado
esconde os defeitos do corpo pessoal.

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História

3. ‘’O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o
povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros
que, por muita piedade, permitem os distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo. ’’
MAQUIAVEL, N. O Príncipe, São Paulo: Martin Claret, 2009.
No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, reflexão sobre a Monarquia e a função do governante.
A manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na:
a) inércia do julgamento de crimes polêmicos.
b) bondade em relação ao comportamento dos mercenários.
c) compaixão quanto à condenação de transgressões religiosas.
d) neutralidade diante da condenação dos servos.
e) conveniência entre o poder tirânico e a moral do príncipe.

4. Vou-me embora pra Pasárgada


Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
BANDEIRA, Manoel. "Vou-me embora pra Pasárgada". In: VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA E OUTROS POEMAS. Rio de
Janeiro, Ediouro, 1997.

O reino imaginário de Pasárgada e os privilégios dos amigos do rei podem ser comparados à situação
da nobreza europeia com a formação das Monarquias Nacionais Modernas. A razão fundamental do
apoio que esta nobreza forneceu ao rei, no intuito de manter-se "amiga" do mesmo, conservando
inúmeras regalias, pode ser explicada pela (o):
a) composição de um corpo burocrático que absorve a nobreza, tornando esse segmento autônomo
em relação às atividades agrícolas que são assumidas pelo capital mercantil.
b) subordinação dos negócios da burguesia emergente aos interesses da nobreza fundiária,
obstaculizando o desenvolvimento das atividades comerciais.
c) manutenção de forças militares locais que atuaram como verdadeiras milícias aristocráticas na
repressão aos levantes camponeses.
d) repressão que as monarquias empreenderiam às revoltas camponesas, restabelecendo a ordem
no meio rural em proveito da aristocracia agrária.
e) completo restabelecimento das relações feudo-vassálicas, freando temporariamente o processo
de assalariamento da mão-de-obra e de entrada do capital mercantil no campo.

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História

5. "É praticamente impossível treinar todos os súditos de um [Estado] nas artes da guerra e ao mesmo
tempo mantê-los obedientes às leis e aos magistrados."
Jean Bodin, teórico do absolutismo, em 1578.

Essa afirmação revela que a razão principal de as monarquias europeias recorrerem ao recrutamento
de mercenários estrangeiros, em grande escala, devia-se à necessidade de:
a) conseguir mais soldados provenientes da burguesia, a classe que apoiava o rei.
b) completar as fileiras dos exércitos com soldados profissionais mais eficientes.
c) desarmar a nobreza e impedir que esta liderasse as demais classes contra o rei.
d) manter desarmados camponeses e trabalhadores urbanos e evitar revoltas.
e) desarmar a burguesia e controlar a luta de classes entre esta e a nobreza.

6. O poder dos reis tinha, na época do absolutismo, respaldo em ideias de filósofos, como Hobbes, e
fortalecia a centralização de suas ações colonizadoras no tempo das navegações. Os reis do
absolutismo:
a) encontraram apoio dos papas da Igreja Católica que concordavam, sem problemas, com o
autoritarismo dos reis e a existência das riquezas vindas das colônias.
b) eram desfavoráveis ao crescimento político da burguesia, pois se aliavam com a nobreza
latifundiária e defensora da continuidade de princípios do feudalismo.
c) dominaram na Europa moderna, contribuindo para diminuir o poder do papa e reorganizar a
economia conforme princípios do mercantilismo.
d) fortaleceram as alianças políticas entre grupos da aristocracia europeia que queriam a
descentralização administrativa dos governos.
e) fizeram pactos com grupos da burguesia, embora fossem aliados da Igreja Católica e
concordassem com a teoria do ‘justo-preço’

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História

7. Leia o fragmento
(...) entre os séculos XVII e XVIII ocorreram fatos na França que é preciso recordar. Entre 1660-1680,
os poderes comunais são desmantelados; as prerrogativas militares, judiciais e fiscais são revogadas;
os privilégios provinciais reduzidos. Durante a época do Cardeal Richelieu (1585-1642) aparece a
expressão “razão de Estado”: o Estado tem suas razões próprias, seus objetivos, seus motivos
específicos. A monarquia francesa é absoluta, ou pretende sê-lo. Sua autoridade legislativa e executiva
e seus poderes impositivos, quase ilimitados, de uma forma geral são aceitos em todo o país. No
entanto... sempre há um “no entanto”. Na prática, a monarquia está limitada pelas imunidades, então
intocáveis, de que gozam certas classes, corporações e indivíduos; e pela falta de uma fiscalização
central dos amplos e heterogêneos corpos de funcionários. Leon Pomer, O surgimento das nações.
Apud Adhemar Marques et al, História Moderna através de textos.

No contexto apresentado, entre as “imunidades de que gozam certas classes”, é correto considerar
a) os camponeses e os pequenos proprietários urbanos eram isentos do pagamento de impostos em
épocas de secas ou de guerras de grande porte.
b) a burguesia ligada às transações financeiras com os espaços coloniais franceses não estava
sujeita ao controle do Estado francês, pois atuava fora da Europa.
c) a nobreza das províncias mais distantes de Paris estava desobrigada de defender militarmente a
França em conflitos fora do território nacional.
d) os grandes banqueiros e comerciantes não precisavam pagar os impostos devido a uma tradição
relacionada à formação do Estado francês.
e) o privilégio da nobreza que não pagava tributos ao Estado francês, condição que contribuiu para o
agravamento das finanças do país na segunda metade do século XVIII.

8. Sobre o absolutismo monárquico desenvolvido na França no Século XVI é correto dizer que:
a) conseguiu que o povo, através do voto garantisse a concentração de todo o poder nas mãos do
rei.
b) constituiu-se a partir dos senhores feudais, que haviam sempre jurado fidelidade ao rei.
c) recebeu da Igreja Católica uma veemente oposição.
d) dependeu basicamente da convergência parcial dos objetivos da realeza com os interesses da
burguesia.
e) impediu o desenvolvimento comercial dos países onde os reis tinham poderes ilimitados.

9. A formação dos Estados nas várias regiões da Europa reordenou as relações feudais originando os
chamados estados modernos, que constituíram mais um elemento da nova ordem que se articulava na
Europa ocidental, nos séculos XV-XVIII. Como características gerais destes estados modernos
podemos citar.
a) superação das relações feudais / eliminação do direito costumeiro / não-intervenção da economia.
b) fortalecimento do poder papal / fortalecimento dos reinos dinásticos / consolidação do localismo
político.
c) centralização e unificação administrativa / formação de uma burocracia / montagem de um
exército nacional.
d) consolidação da burguesia industrial no poder / liberalização da economia / descentralização
administrativa.
e) estímulo à produção urbano-industrial / eliminação dos entraves feudais / apoio à prática do
mecenato nas artes.

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História

10. "O homem é o lobo do homem". Com Thomas Hobbes (1588-1679) introduziu-se a teoria de que os
súditos deveriam delegar poderes ilimitados ao monarca, em troca da segurança oferecida por um
Estado forte, personificado na figura do rei.

Essa é uma das premissas da seguinte estrutura política:


a) parlamentarismo
b) imperialismo
c) absolutismo
d) anarquismo
e) liberalismo

6
História

Gabarito

1. C
Apesar de conviverem em relação de proximidade com a corte, os músicos pertenciam ao terceiro estado,
assim como a burguesia, os camponeses, etc.

2. E
O estado se confundia com a própria pessoa do rei. Devido a isso, o soberano tendia a adornar-se assim
fortalecia a imagem do estado.

3. E
Maquiavel aconselhava o soberano a balancear o uso da força, afim de passar a imagem de um
governante justo.

4. D
O Rei surge como uma figura capaz de conter às revoltas, aspecto fundamental para compreendermos
a centralização monárquica e a formação dos Estados Nacionais.

5. D
Os camponeses, constantemente reprimidos e explorados, não nutriam grande simpatia pelos monarcas.
Devido a isso, era mais interessante contratar mercenários do que utilizá-los na composição dos
exércitos.

6. C
O absolutismo foi a principal característica política das nações europeias durante a Idade Moderna,
caracterizado por forte centralização do poder e, nos Estados católicos, justificado como de origem
divina. Existe uma ideia comum de que, para os reis fortalecerem o seu poder, a nobreza e a Igreja tiveram
seu poder reduzido; essa interpretação é predominante nos livros didáticos, porém existem visões
diferentes, que reforçam o poder das velhas elites – nobreza e clero – no controle do Estado Moderno

7. E
Na França do Antigo Regime, entre os séculos XV e XVIII, a monarquia absolutista reconhecia privilégios
de alguns grupos sociais. Entre esses, a nobreza tinha imunidade fiscal e uma justiça particular. Tais
privilégios são anulados com a Revolução Francesa. O fragmento utilizado como apoio para a questão
mostra como a monarquia absolutista não foi exatamente absolutista, pois havia limitações ao seu poder.

8. D
Esse tipo de relação se fazia necessária, uma vez que a burguesia francesa já apresentava considerável
índice de crescimento.

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História

9. C
Os estados nacionais surgidos após a idade média se uniram em torno de aspectos culturais comuns.
Tinham, além disso, a necessidade de uma administração pública burocrática e de um exército
profissional que controlasse os camponeses.

10. C
Hobbes foi um dos pensadores do absolutismo europeu, este buscava defender a justificar a
necessidade do poder absoluto dos reis.

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História

A formação do Mundo Moderno: A Reforma

Resumo

Durante a Idade Média, a Igreja Católica tinha grande poder e era detentora de muitas riquezas. No
entanto, havia uma forte insatisfação de alguns grupos sociais em relação a isso. Dentre às críticas feitas à
Igreja estavam a corrupção do clero e a venda de indulgências. Os príncipes e reis também estavam
insatisfeitos com o grande fortalecimento da Igreja por diminuir o poder régio.
Diante desse contexto, eclodiu a reforma protestante que culminou no surgimento do luteranismo, do
calvinismo e do anglicanismo, dentre outros. Martinho Lutero foi o precursor da Reforma. Revoltado com a
venda de indulgências, afixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg suas 95 teses que contribuíram
para a consolidação do luteranismo, Lutero após isso foi perseguido pela igreja sendo abrigado pelos nobres
do norte da Alemanha que estavam cansados dos desmandos do papa.
João Calvino, fundador do luteranismo, foi mais um reformador do século XVI. Assim como Lutero,
defendia a tradução da Bíblia e a salvação pela fé. No entanto, a doutrina calvinista de predestinação divina
diferia da doutrina luterana, Calvino encontrou abrigo entre os burgueses da atual Suíça e da França que
ficaram particularmente felizes com uma religião que não condenava o lucro e dizia que o acumulo de capital
era um sinal da predestinação.
Na Inglaterra, tivemos o surgimento do Anglicanismo, sob liderança de Henrique VIII, que se tornou a
um só tempo chefe de Estado e da Igreja, o monarca inglês também estava cansado dos desmandos da igreja
na Inglaterra, ele queria romper com a igreja e quando o papa se recusou a anular seu casamento este rompeu
com a igreja e separou-se de sua mulher.
Em meio ao crescimento das reformas protestantes, a Igreja Católica se posicionou realizando a
chamada “Reforma Católica” ou “Contrarreforma”. Por meio dessa reforma, a Igreja realizou o Concílio de
Trento onde reafirmou e padronizou seus dogmas, no Concílio foram criados o Índice de Livros Proibidos,
para controlar a leitura dos fiéis foi criado o Tribunal do Santo Ofício para de fiscalizar os fiéis e os clérigos e
a Companhia de Jesus que pretendia buscar novos fiéis na América, Ásia e África.

1
História

Exercícios

1. Com relação à Reforma é correto dizer que:


a) foi apenas um movimento de contestação religiosa à Igreja Católica, não tendo nenhuma
implicação política ou econômica.
b) nada teve a ver com as condições geradas na Europa do século XVI pelo desenvolvimento do
comércio, pela ascensão da burguesia e pelo Renascimento.
c) foi o movimento que rompeu a unidade religiosa da Europa Ocidental, dando origem a novas
igrejas cristãs.
d) valorizava Deus, a fé e o desprezo pelas coisas terrenas, porque não era materialista, mas, sim,
pregadora do fanatismo de predestinação e da submissão do homem a Deus.
e) foi um movimento que reafirmou os dogmas católicos e que foi intransigente com relação aos
protestantes.

2. A Igreja foi uma poderosa instituição medieval. Porém, os conflitos e diferenças existentes, tornaram-
se tão intensos nos séculos XV e XVI, que acabaram gerando uma divisão na cristandade, por meio da
Reforma Protestante.
Dentre os fatores que contribuíram para a Reforma Protestante do século XVI, destaca-se:
a) a insatisfação de mercadores e comerciantes em relação à postura da Igreja, que condenava a
usura e a cobiça.
b) o apoio dos Estados Nacionais à Igreja, em virtude de sua influência política nas questões locais.
c) a condenação da exploração feudal praticada por nobres católicos sobre os camponeses.
d) a revolta da nobreza de Toga contra os abusos praticados pelo rei em relação à Igreja.
e) a criação do Tribunal da Santa Inquisição para reprimir crimes cometidos contra o Estado.

3. As transformações religiosas do século XVI, comumente conhecidas pelo nome de Reforma


Protestante, representaram no campo espiritual o que foi o Renascimento no plano cultural; um
ajustamento de ideias e valores às transformações sócio- econômicas da Europa. Dentre seus
principais reflexos, destacam-se:
a) a expansão da educação escolástica e do poder político do papado devido à extrema importância
atribuída à Bíblia.
b) o rompimento da unidade cristã, expansão das práticas capitalistas e fortalecimento do poder das
monarquias.
c) a diminuição da intolerância religiosa e fim das guerras provocadas por pretextos religiosos.
d) a proibição da venda de indulgências, término do índex e o fim do princípio da salvação pela fé e
boas obras na Europa.
e) a criação pela igreja protestante da Companhia de Jesus em moldes militares para monopolizar o
ensino na América do Norte.

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História

4. “O justo viverá pela fé”


São Paulo, Epístola aos Romanos

Essa frase serviu de ponto de partida para Martinho Lutero iniciar o movimento que resultou na divisão
da cristandade ocidental. Constitui uma das ideias significativas do movimento reformista:
a) a crença na liberdade do homem e na sua possibilidade de alcançar o bem por si mesmo, o que
fortalece o individualismo.
b) o universalismo, em nome do qual a igreja reformada exerce sua autoridade em detrimento dos
Estados Nacionais.
c) a condenação da usura, que, segundo os calvinistas, era promovida pela igreja Católica quando da
venda dos indulgências.
d) a predestinação, segundo a qual a fé depende da vontade divina e não das obras realizadas pelos
homens.
e) a defesa, pelos luteranos, de uma leitura única do Evangelho, o que provocou diversas cisões
dentro do movimento reformista, surgindo daí o Calvinismo e o Anabatismo.

5. Dentre os fatores que contribuíram para a difusão do Movimento Reformista Protestante, no início do
século XVI destaca-se:
a) o cerceamento da liberdade de crítica provocado pelo Renascimento Cultural.
b) o declínio do particularismo urbano que veio a favorecer o aparecimento das Universidades.
c) o abuso político cometido pela Companhia de Jesus.
d) o conflito político observado tanto na Alemanha como na França.
e) a inadequação das teorias religiosas católicas para com o progresso do capitalismo comercial.

6. “De pé, diante de Deus, o homem responderá por seus atos. E se a gente da Igreja invoca a obscuridade
dos dogmas, as dificuldades de interpretação de uma religião em que apenas o sacerdote é qualificado
para ensinar, responde-se que eles a complicaram intencionalmente, a fim de se tornarem
indispensáveis. Na verdade religião Deus fala ao homem e o homem fala a Deus em uma linguagem
clara, direta, e que todos compreendem.”
Guilherme (org.). Febvre. 2a ed São Paulo: Ática, 1978. p. 90.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a Reforma na Alemanha, é correto afirmar:
a) O monopólio da interpretação religiosa pela Igreja ficou assegurado a partir da reforma luterana.
b) O apoio de Martinho Lutero às revoltas camponesas na Alemanha foi decisivo para a derrota da
nobreza alemã.
c) A tradução da Bíblia latina para o alemão, realizada por Lutero, fortaleceu a tese de que a leitura
das Escrituras Sagradas estava ao alcance de todo homem motivado pela fé cristã.
d) A defesa das atividades comerciais pela ética religiosa luterana estimulou o desenvolvimento da
burguesia alemã.
e) Os princípios teológicos de Lutero enfatizavam o livre-arbítrio e a importância das ações para a
salvação humana.

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História

7. No decorrer dos séculos XVI e XVII, as lutas religiosas na Europa provocaram a separação entre os
cristãos, tendo como consequências muitos conflitos políticos e sociais. Está associada a esse
movimento religioso:
a) a colonização de parte do território do que são, atualmente, os Estados Unidos.
b) a independência das colônias americanas.
c) a instalação da Inquisição nas colônias espanholas.
d) a expulsão dos jesuítas das colônias portuguesas.
e) a ação dos missionários contra a escravidão indígena.

8. “Uma pobre mulher, enforcada em 1739 por ter roubado carvão, acreditava que não houvesse pecado
nos pobres roubarem os ricos e que, de qualquer forma, Cristo havia morrido para obter o perdão para
tais pecadores.”
Christopher Hill, A Bíblia Inglesa e as revoluções do século XVII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 608.
Considerando o trecho acima, podemos afirmar, quanto à sociedade inglesa dos séculos XVII e XVIII,
que:
a) A religião fornecia argumentos para diversos grupos sociais agirem de acordo com seus
interesses e necessidades.
b) Ainda dominava na sociedade inglesa a ideia da necessidade da confissão intermediada pela
Igreja para perdão dos pecados.
c) A reforma anglicana, ao atacar a propriedade privada, distanciou-se das elites inglesas e tornou-
se a religião dos pobres.
d) As revoluções Puritana e Gloriosa foram um obstáculo ao desenvolvimento burguês da Inglaterra
e contrapunham se à relação entre religião e política.

9. “Depois que a Bíblia foi traduzida para o inglês, todo homem, ou melhor, todo rapaz e toda rapariga,
capaz de ler o inglês, convenceram-se de que falavam com Deus onipotente e que entendiam o que Ele
dizia”.
Esse comentário de Thomas Hobbes (1588-1679)
a) ironiza uma das consequências da Reforma, que levou ao livre exame da Bíblia e à alfabetização
dos fiéis.
b) alude à atitude do papado, o qual, por causa da Reforma, instou os leigos a que não deixassem de
ler a Bíblia.
c) elogia a decisão dos reis Carlos I e Jaime I, ao permitir que seus súditos escolhessem entre as
várias igrejas.
d) ressalta o papel positivo da liberdade religiosa para o fortalecimento do absolutismo monárquico.
e) critica a diminuição da religiosidade, resultante do incentivo à leitura da Bíblia pelas igrejas
protestantes.

4
História

Gabarito

1. C
A insatisfação com certas práticas da Igreja Católica – como o nepotismo, a venda de simonia e
indulgências – impulsionaram o surgimento de novas religiões. Este movimento ficou conhecido como
Reforma Protestante.

2. A
As ideias humanismo e o individualismo do renascimento influenciaram o protestantismo nas posturas
da aceitação dos juros e do acumulo de capital. Deste modo, muitos comerciantes adeririam a Reforma,
se convertendo principalmente ao Calvinismo.

3. B
A reforma rompeu com a unidade uma vez que criou outras religiões cristã, incentivou o capitalismo pois
foi popular entre os burgueses, já que não condenava a usura, e fortaleceu as monarquias já que muitas
romperam com a Igreja católica, insatisfeitas com seu excesso de poder.

4. A
A ideia de que a salvação só viria através da fé vai reduzir a importância da igreja enquanto intermediária
e criar um novo tipo de individualismo, que vai se fortalecer nos séculos seguintes.

5. E
Para o desenvolvimento do capitalismo se fazia necessária a concessão de crédito, ou seja, dos
empréstimos a juros (a usura), então condenada pela igreja católica. Essa foi uma das razões
fundamentais para a adesão da burguesia ao protestantismo.

6. C
Ao contrário dos católicos , os protestantes defendiam a leitura das escrituras por qualquer pessoa, a
livre interpretação da bíblia e as missas rezadas em língua local.

7. E
A contrarreforma católica criou a Companhia de Jesus que tinha a missão de catequizar os índios na
América.

8. A
Dos operários aos burgueses, as classes sociais passaram a interpretar às escrituras a seu modo, como
exemplificado no texto da questão.
9. A
Naquele contexto, para muitos dos defensores do catolicismo a alfabetização e a leitura da Bíblia por
fiéis era visto como algo inapropriado, já que estes acreditavam na importância da intermediação das
autoridades eclesiásticas.

5
História

Formação do Mundo Moderno: O Renascimento

Resumo

O Renascimento Comercial

Antes do renascimento cultural houve um outro renascimento precedente que não poderia ser deixado
de lado, o renascimento comercial advento do ressurgimento de rotas comerciais com o oriente foi
fundamental para o renascimento artístico. As rotas reavivaram o comércio europeu, com isso as cidades
(onde localizavam-se as feiras) foram repovoadas e os burgueses que faziam o comércio tiveram renda para
patrocinar os artistas e cientistas.
A Itália se beneficiou especialmente deste renascimento comercial, já que a península ficava em uma
posição estratégica nas rotas para o oriente, e por ser no mediterrâneo central, favorecia a distribuição dos
produtos pelo resto da Europa.

O Renascimento Artístico e Cultural

Caracterizado pelo resgate dos valores clássicos, o Renascimento Artístico e Cultural tem como berço
as cidades italianas, como Florença. Essas atividades artísticas e culturais foram impulsionados pelo
financiamento dos mecenas, que eram grandes comerciantes burgueses. Grandes nomes das artes e das
ciências surgiram nesse momento, como Leonardo da Vinci, William Shakespeare e Galileu Galilei.
Ao resgatar o humanismo predominante na Antiguidade Clássicas renascentistas contribuíram para
consolidação de um novo lugar para o homem. Podemos dizer que o Renascimento é caracterizado pela
valorização do passado greco-romano, pelo antropocentrismo e pelo individualismo em detrimento da ordem
medieval, que era teocentrista e sempre prezava pelo coletivismo.
Além disso houve a introdução de inovações técnicas no âmbito das artes plásticas como o domínio
da perspectiva, o crescimento da produção de autorretratos (marca do individualismo e antropocentrismo) e
a valorização do realismo na representação do homem e das paisagens. No que se refere às ciências, Nicolau
Copérnico formulou a teoria heliocêntrica, posteriormente comprovada por Galileu, indo de encontro à teoria
geocêntrica defendida pela Igreja Católica.

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História

2
História

Exercícios

1. “Acompanhando a intenção da burguesia renascentista de ampliar seu domínio sobre a natureza e


sobre o espaço geográfico, através da pesquisa científica e da invenção tecnológica, os cientistas
também iriam se atirar nessa aventura, tentando conquistar a forma, o movimento, o espaço, a luz, a
cor e mesmo a expressão e o sentimento.”
SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.

O texto apresenta um espírito de época que afetou também a produção artística, marcada pela
constante relação entre:
a) fé e misticismo.
b) ciência e arte.
c) cultura e comércio.
d) política e economia.
e) astronomia e religião.

2. Leia este trecho, em que se faz referência à construção do mundo moderno:


“... os modernos são os primeiros a demonstrar que o conhecimento verdadeiro só pode nascer do
trabalho interior realizado pela razão, graças a seu próprio esforço, sem aceitar dogmas religiosos,
preconceitos sociais, censuras políticas e os dados imediatos fornecidos pelos sentidos”.
CHAUÍ, Marilena. "Primeira filosofia". 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 80.

A leitura do trecho nos permite identificar características do Renascimento. Assinale a afirmativa que
contém essas características.
a) nova postura com relação ao conhecimento, a qual transforma o modo de entendimento do mundo
e do próprio homem.
b) ruptura com as concepções antropocêntricas, a qual modifica as relações hierárquicas senhoriais.
c) ruptura com o mundo antigo, a qual caracteriza um distanciamento do homem face aos diversos
movimentos religiosos.
d) adaptações do pensamento contemplativo, as quais reafirmam a primazia do conhecimento da
natureza em relação ao homem.

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História

3. Na linha de uma tradição antiga, o astrônomo grego Ptolomeu (100-170 d.C.) afirmou a tese do
geocentrismo, segundo a qual a Terra seria o centro do universo, sendo que o Sol, a Lua e os planetas
girariam em seu redor em órbitas circulares. A teoria de Ptolomeu resolvia de modo razoável os
problemas astronômicos da sua época. Vários séculos mais tarde, o clérigo e astrônomo polonês
Nicolau Copérnico (1473-1543), ao encontrar inexatidões na teoria de Ptolomeu, formulou a teoria do
heliocentrismo, segundo a qual o Sol deveria ser considerado o centro do universo, com a Terra, a Lua
e os planetas girando circularmente em torno dele. Por fim, o astrônomo e matemático alemão
Johannes Kepler (1571- 1630), depois de estudar o planeta Marte por cerca de trinta anos, verificou que
a sua órbita é elíptica. Esse resultado generalizou-se para os demais planetas.

A respeito dos estudiosos citados no texto, é correto afirmar que

a) Ptolomeu apresentou as ideias mais valiosas, por serem mais antigas e tradicionais.
b) Copérnico desenvolveu a teoria do heliocentrismo inspirado no contexto político do Rei Sol.
c) Copérnico viveu em uma época em que a pesquisa científica era livre e amplamente incentivada
pelas autoridades.
d) Kepler estudou o planeta Marte para atender às necessidades de expansão econômica e científica
da Alemanha.
e) Kepler apresentou uma teoria científica que, graças aos métodos aplicados, pôde ser testada e
generalizada.

4. Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e
pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas,
e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar
inteiramente o nosso livre arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos
atos, mas [o livre arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).

Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor
demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao
a) valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo.
b) rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.
c) afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana.
d) romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.
e) redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão

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História

5. Depois de longas investigações, convenci-me por fim de que o Sol é uma estrela fixa rodeada de
planetas que giram em volta dela e de que ela é o centro e a chama. Que, além dos planetas principais,
há outros de segunda ordem que circulam primeiro como satélites em redor dos planetas principais e
com estes em redor do Sol. (...) Não duvido de que os matemáticos sejam da minha opinião, se
quiserem dar-se ao trabalho de tomar conhecimento, não superficialmente, mas duma maneira
aprofundada, das demonstrações que darei nesta obra. Se alguns homens ligeiros e ignorantes
quiserem cometer contra mim o abuso de invocar alguns passos da Escritura (sagrada), a que torçam
o sentido, desprezarei os seus ataques: as verdades matemáticas não devem ser julgadas senão por
matemáticos.
COPÉRNICO, N. De Revolutionibus orbium caelestium.

Aqueles que se entregam à prática sem ciência são como o navegador que embarca em um navio sem
leme nem bússola. Sempre a prática deve fundamentar-se em boa teoria. Antes de fazer de um caso
uma regra geral, experimente-o duas ou três vezes e verifique se as experiências produzem os mesmos
efeitos. Nenhuma investigação humana pode se considerar verdadeira ciência se não passa por
demonstrações matemáticas.
VINCI, Leonardo da. Carnets.
O aspecto a ser ressaltado em ambos os textos para exemplificar o racionalismo moderno é
a) a fé como guia das descobertas.
b) o senso crítico para se chegar a Deus.
c) a limitação da ciência pelos princípios bíblicos.
d) a importância da experiência e da observação.
e) o princípio da autoridade e da tradição.

6. Leia atentamente os relatos a seguir:

"O pintor que trabalha rotineira e apressadamente, sem compreender as coisas, é como o espelho que
absorve tudo o que encontra diante de si, sem tomar conhecimento".

“Experiência, mãe de toda a certeza”

“Só o pintor universal tem valor”

São trechos de Leonardo da Vinci, personagem destacada do Renascimento. Neles, o autor exalta
compreensão, experiência, universalismo, valores que marcaram o:

a) Teocentrismo, como princípio básico do pensamento moderno.


b) Epicurismo, em alusão aos princípios dominantes na Idade Média.
c) Humanismo, como postura ideológica que configurou a transição para a Idade Moderna.
d) Confucionismo, por sua marcada oposição ao conjunto dos conhecimentos orientais.
e) Escolasticismo, dado que admitia a fé como única fonte de conhecimento

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História

7. "Hoje não vemos em Petrarca senão o grande poeta italiano. Entre os seus contemporâneos, pelo
contrário, o seu principal título de glória estava em que de algum modo ele representava pessoalmente
a Antiguidade (...) acontece o mesmo com Bocácio (...) Antes do seu Decameron ser conhecido (...)
admiravam-no pelas suas compilações mitográficas, geográficas e biográficas em língua latina."
Jacob Burckardt, A CIVILIZAÇÃO DA RENASCENÇA ITALIANA.

Petrarca e Bocácio estão intimamente relacionados ao:


a) nascimento do humanismo.
b) declínio da literatura barroca.
c) triunfo do protestantismo.
d) apogeu da escolástica.
e) racionalismo clássico.

8. "Na verdade, Ciência e Razão eram apenas uma face de realidade bem mais complexa. Enquanto as
elites redescobriam Aristóteles ou discutiam Platão na Academia florentina, de Lourenço de Médicis, a
quase totalidade da população europeia continuava analfabeta. Praticamente alheia à matematização
do tempo, tinha seu trabalho regido ainda por galos e pelos sinos (...) a vida continuava pautada por
ritmos sazonais."
Laura de Mello e Souza.
A partir do texto acima, podemos afirmar que:
a) a transição, da transcendência à imanência, da verticalização à horizontalização, realizou-se
plenamente no Renascimento;
b) a experiência renascentista foi vivida por todos os povos da Europa simultaneamente;
c) a matematização do tempo, assim como as redescobertas de Aristóteles e Platão, foram
experiências vividas primeiramente pelas elites letradas;
d) a democratização do saber letrado foi a principal característica da primeira fase do Renascimento;
e) a Europa burguesa viu com temor a propagação do ideal renascentista.

9. No fim da Idade Média e início da Idade Moderna, o rompimento dos monopólios que os letrados
mantinham sobre a cultura escrita e os clérigos sobre a religião criou uma situação nova,
potencialmente explosiva.

Esse rompimento deveu-se


a) aos descobrimentos e invenções cientificas.
b) à invenção da imprensa e à Reforma.
c) ao Renascimento e ao Estado absolutista.
d) ao aparecimento do alfabeto e das heresias.
e) ao humanismo e à Inquisição.

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História

10. A Literatura apresenta, de imediato, uma novidade, que é a utilização das novas línguas nacionais,
derivadas do latim: o espanhol, o português, o italiano, o francês. Tendo como tema central o Homem,
os escritores, com profundo senso crítico, buscaram elaborar um novo conceito de vida e de homem.
A época medieval foi profundamente satirizada em seus valores essenciais: a cavalaria, a Igreja, a
nobreza.
FARIA et al, 1993, p. 51.

As características da literatura renascentista, descritas no texto, estão associadas a um contexto


histórico no qual se destacava
a) o poder da nobreza feudal, responsável pelo governo das cidades e pela cobrança dos impostos
das terras reais.
b) a desagregação da economia da Baixa Idade Média, como resultado da atuação das Cruzadas no
contato com o Oriente.
c) a permanência do escravismo, paralelamente ao trabalho dos servos, como base da produção da
riqueza na economia da Baixa Idade Média.
d) o processo de urbanização, de ascensão da burguesia e da revolução comercial, que marcou a
Baixa Idade Média e o início da Idade Moderna.
e) a formação do Sacro Império Romano Germânico e do Império Italiano, forças políticas
controladoras da Europa na Idade Moderna.

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História

Gabarito

1. B
O renascimento revolucionou não só a arte, mas também a mentalidade da época. Nesse contexto,
ocorreram muitas descobertas científicas, uma vez que muitos artistas eram também cientistas, como
Leonardo da Vinci.

2. A
Os novos paradigmas do método científico transformaram a visão de mundo do homem, ampliando a
importância da razão para compreender o mundo.

3. E
O método científico promoveu grande transformação no pensando da época, permitindo que as teorias
pudessem ser testadas.

4. C
Ao afirmar a confiança na razão, um dos pilares do Renascimento, Maquiavel Retoma esta tradição.

5. D
O experimento e a observação são colocados aqui como elementos indispensáveis para que um
argumento tenha base de sustentação lógica. Nesse aspecto, tanto Copérnico como Da Vinci, privilegiam
o uso de tais elementos.

6. C
Essas frases evidenciam a valorização da ação humana, oposto da tradição teocentrica do medievo.

7. A
Por centrarem-se em dramas humanas,obras como esta fortalecem o humanismo.

8. C
Muitas das inovações da época beneficiaram e foram usufruidas pelas elites que, naquela época, eram
a nobreza.

9. B
Os séculos XV e XVI marcam o início da modernidade, e esta é percebida por importantes
transformações que ocorrem na Europa, como as grandes navegações e o movimento Renascentista. É
neste quadro que encontramos a invenção da imprensa por Gutenberg em 1455, possibilitando maior
divulgação de obras escritas e o início da Reforma Religiosa (1517, com Lutero), quebrando o monopólio
que a Igreja Católica possuía sobre a cultura

10. D
As transformações socioeconômicas influenciaram na literatura renascentista, contexto em que
destacamos o crescente processo de urbanização e a ascensão da burguesia.

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História

A Conquista da América Espanhola

Resumo

Os espanhóis conquistaram uma grande porção de terra nas Américas, da Terra do Fogo até o Texas
(atual estado estadunidense) somente com a exceção do atual território brasileiro, Suriname e das Guianas,
sendo que os primeiros administradores eram os próprios chefes das expedições como o conquistador
Hernán Cortês, mais tarde a administração se oficializou e as possessões espanholas foram divididas em
Vice-Reinos e Capitanias Gerais.
Os Vice-Reinos espanhóis eram as regiões que detinham uma complexa cadeia administrativa que
começava nos cabildos, que eram como câmaras municipais, estas eram controladas pelas elites locais, os
criollos eram filhos de espanhóis nascidos na América, estes irão capitanear o processo de independência
mais tarde. As Capitanias Gerais eram áreas consideradas estratégicas para a segurança das colônias como
o Chile que era de vital para a segurança das minas do centro da América do Sul ou Cuba que ficava no centro
do mar do Caribe, sendo ponto de parada dos navios saídos do norte da América do Sul e da América Central.
A principal fonte de renda espanhola no novo mundo eram os metais preciosos extraídos nos Andes,
os espanhóis montavam fortes esquemas de segurança em torno dos navios que eram levados para a
metrópole em comboios, os carregamentos de metais e outros gêneros aportavam em um porto único na
Espanha, para evitar o contrabando. Além dos metais preciosos os espanhóis lucravam com outras fontes de
renda, como o açúcar e o tabaco em suas colônias caribenhas e a pecuária nas áreas da atual Argentina e
Uruguai.
A coroa espanhola não se utilizou de mão de obra escrava em grande escala como Portugal, os
escravos eram usados como fonte suplementar de mão de obra em suas colônias andinas, contudo estes se
utilizaram da forma de organização do trabalho dos povos pré-colombianos para explorar o trabalho de forma
compulsória nas minas de prata, a mita e a encomienda se tornaram famosos meios de exploração de mão
de obra dos povos nativos. Já nas colônias caribenhas como Santo Domingo e Cuba a mão de obra escrava
foi amplamente utilizada já que as populações nativas dessas localidades foram dizimadas pelos espanhóis
em batalhas, mas principalmente de doenças e fome provocada pelos porcos que, criados soltos pelos
espanhóis, comiam as plantações dos nativos.
Um fato horrendo, porém marcante dos espanhóis foi a grande destruição dos impérios andinos, em
sua luta de conquista além das mortes nos campos de batalhas houve uma grande mortandade indígena
pelas doenças transmitidas pelos espanhóis, os povos andinos e da América Central quase foram totalmente
dizimados, no entanto a dominação desses povos dependeu também de acordos e alianças com os indígenas,
mas o contato com os europeus foi sem dúvida muito danoso para os povos originários.

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História

Consequências

Podemos apontar como principal consequência da expansão marítima certa unificação dos mercados,
isso não foi uma consequência imediata, foi sendo construída ao longo dos séculos sendo que essa
unificação se torna consolidada somente no fim do século XX com a globalização, mas com certeza seu
começo foi durante o século XV e XVI.
Outra consequência que perdurou até o século XX foi a hegemonia europeia sobre o mundo, antes das
navegações os maiores impérios do mundo se localizavam na África e Ásia. Porém com as grandes
navegações os países europeus tomaram a frente na hegemonia mundial, pois estes dominaram a América
e a África tendo mais terras para gerar renda das mais variadas maneiras, essa hegemonia somente veio
terminar com o fim da guerra fria, onde começa a hegemonia estadunidense.
Essa dominação teve o sistema colonial por base, onde as colônias somente poderiam comerciar com
as suas metrópoles (países dominantes), gerando mais riquezas para o continente europeu e impedindo por
muito tempo sua independência. É infeliz ter que citar aqui a escravidão como consequência dessa expansão
marítima.
A escravidão e os outros tipos de trabalho compulsório foram uma das maiores vergonhas da
humanidade, destruindo a vida de milhões e deixando marcas na sociedade até hoje. É importante lembrar
que havia escravidão no mundo antigo europeu, africano e asiático, porém nunca antes em uma escala tão
grande e com um comércio que abrangia todos os países do atlântico (no caso dos negros), podemos dizer
que as descriminações raciais e a desvalorização dos trabalhos manuais no Brasil são consequência diretas
dos anos escravistas.

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História

Exercícios

1. Leia o texto a seguir:


Um dos períodos [da história do México] mais riscados, apagados e emendados com maior fúria tem
sido o da Nova Espanha. [...] A Nova Espanha não se parece com o México pré-colombiano nem com
ao atual. E muito menos com a Espanha, embora tenha sido um território submetido à coroa espanhola.
PAZ. O. Sóror Juana Inés de la Cruz: As artimanhas da fé. São Paulo: Mandarin, 1998.

Sobre a sociedade colonial construída em Nova Espanha, é correto afirmar:

a) se apoiava, como na sociedade colonial brasileira, em uma visão bipolar entre senhores europeus
de um lado e escravos africanos de outro, visto que os indígenas haviam sido quase
absolutamente exterminados no processo de conquista por doenças ou pela violência do
colonizador.

b) se distinguia de outras sociedades coloniais, pois as diferenças sociais presentes nela eram de
classe e não de cunho étnico: não importava a cor da pele para a determinação de um lugar social,
mas as posses de um indivíduo.

c) se tratava, como em outras sociedades coloniais, de uma sociedade de superiores e de inferiores


que, , entretanto, reconhecia os mestiços, filhos de senhores brancos com mulheres indígenas,
como fazendo parte da elite política local, sendo chamados criollos.

d) recaíam, exclusivamente, os privilégios da sociedade colonial sobre a minoria branca que


apresentava, contudo, uma divisão interna entre aqueles brancos nascidos na Europa, ocupantes
dos cargos de nível superior, e aqueles nascidos na América, ocupantes de posições claramente
secundárias na hierarquia social.

e) se constituía em uma sociedade com uma estrutura hierárquica bem clara, em cuja base se
encontravam os grupos desprovidos de quaisquer direitos sociais: índios e negros africanos,
ambos trabalhando como escravos e sendo tratados exclusivamente como mercadoria,
vendidos e comprados em grandes mercados nas principais cidades mexicanas.

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História

2. Leia o texto abaixo e responda posteriormente ao que é pedido.


“Nos anos 1575-1600, Potosí produziu talvez a metade de toda a prata hispano-americana. Tal profusão
de prata não teria vindo à tona sem a concomitante abundância de mercúrio de Huancavélica, que
naqueles mesmos anos estava também produzindo como nunca havia feito. Outro estimulante para
Potosí foi claramente a mão de obra barata fornecida através da mita de Toledo.”
BETHELL, Leslie (org.). História da América Latina. in: América Latina Colonial. v. 2. São Paulo: Edusp, 1999. p. 141.

Como indicado no texto, os espanhóis utilizaram um sistema de trabalho denominado mita, que
consistia:
a) no trabalho obrigatório e temporário, mobilizando mão de obra indígena geralmente escolhida por
sorteio entre as tribos, sendo deslocada para qualquer região da colônia.
b) no emprego de tribos inteiras de indígenas, dirigidas por seus chefes naturais, assegurando ainda
a instrução cristã dos envolvidos.
c) no trabalho compulsório e permanente de escravos que chegavam ao porto de Toledo.
d) em contratos de servidão realizados entre espanhóis e astecas.
e) em um sistema de servidão por dívidas, pois com a desintegração da economia tradicional
indígena, esses foram obrigados a adquirir produtos vindos da Europa.

3. Leia o texto abaixo:


“Aqueles que foram de Espanha para esses países (e se têm na conta de cristãos) usaram de duas
maneiras gerais e principais para extirpar da face da terra aquelas míseras nações. Uma foi a guerra
injusta, cruel, tirânica e sangrenta. Outra foi matar todos aqueles que podiam ainda respirar ou
suspirar e pensar em recobrar a liberdade ou subtrair-se aos tormentos que suportam, como
fazem todos os senhores naturais e os homens valorosos e fortes; pois comumente na guerra não
deixam viver senão mulheres e crianças: e depois oprimem-nos com a mais horrível e áspera servidão
a que jamais tenham submetido homens ou animais.”
LAS CASAS, Frei Bartolomeu de. O paraíso destruído. Brevíssima relação da destruição das Índias [1552]. Porto Alegra:
L&PM, 2001.

O trecho do texto de Las Casas aponta o processo de dizimação das populações indígenas americanas
por parte dos espanhóis. Além da guerra, os processos de trabalho e o controle disciplinar imposto
resultaram na morte de milhões de habitantes nativos da América. Dentre os processos de trabalho
impostos aos indígenas e que resultaram em sua mortandade, destaca-se:
a) a escravidão imposta a eles, semelhante a dos africanos levados à América para trabalhar na
extração de metais.
b) a encomienda, um processo de trabalho compulsório imposto a toda uma tribo para executar
serviços agrícolas e extrativistas.
c) o assalariamento, pago em valores muito baixos e geralmente em espécie.
d) a parceria, onde os indígenas eram obrigados a trabalhar na agricultura e nas minas, destinando
dois terços da produção aos espanhóis.

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História

4. Observe a imagem abaixo:

Gravura de Potosí, localizada no Vice-reino do Peru, durante a colonização espanhola

Potosí foi um dos principais locais de exploração de riquezas naturais utilizadas pela coroa espanhola
durante a colonização da América. Em Potosí, os espanhóis fizeram com que os indígenas extraíssem
cerca de metade:
a) do ouro explorado nas Américas.
b) do mercúrio necessário à obtenção da prata.
c) do sal comercializado na Europa.
d) dos diamantes que enriqueceram a coroa espanhola.
e) da prata conseguida pelos espanhóis na América.

5. Carlos III, rei da Espanha entre 1759 e 1788, implementou profundas reformas — conhecidas como
bourbônicas — que tiveram grandes repercussões sobre as colônias espanholas na América. Entre elas,
a) o estabelecimento de medidas econômicas e políticas, para maior controle da Coroa sobre as
colônias.

b) o redirecionamento da economia colonial, para valorizar a indústria em detrimento da agricultura


de exportação.

c) a promulgação de medidas políticas, levando à separação entre a Igreja Católica e a Coroa.

d) a reestruturação das tradicionais comunidades indígenas, visando instituir a propriedade privada.

e) a decretação de medidas excepcionais, permitindo a escravização dos africanos e, também, a dos


indígenas.

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História

6. Em 2001, Alejandro Toledo tornou-se o primeiro peruano com ascendência indígena a assumir a
presidência da república de seu país. A cerimônia de posse, em Machu Picchu, foi marcada por rituais
e símbolos do império incaico. A respeito dos incas, é correto afirmar:
a) Eram monoteístas antes da chegada dos espanhóis à América e chegaram a associá-los ao seu
deus Viracocha.
b) Na sociedade incaica, havia uma clara separação entre política e religião, de tal modo que a seu
governante, o Inca, não era atribuído nenhum caráter divino.
c) Cuzco, além do principal núcleo político do império fundado em torno do século XII, era
considerado pelos incas o Centro do Mundo, o lugar mais sagrado da Terra.
d) A metalurgia para a produção de armas, adornos e ferramentas era a base econômica do império.
e) Ao contrário do tratamento dispensado a outros povos da América, não tiveram suas estruturas
político-sociais profundamente alteradas e puderam preservar suas tradições religiosas até os
dias de hoje.

7. Organizada com base na exploração estabelecida pelo mercantilismo metropolitano espanhol, a


sociedade colonial apresentava, no topo da escala hierárquica,
a) os criollos, grandes proprietários e comerciantes que, por constituírem a elite colonial,
participavam das câmaras municipais.
b) os chapetones, que ocupavam altos postos militares e civis.
c) os calpulletes, que ocupavam altos cargos administrativos dos chamados ayuntamientos.
d) os mestiços, que, por serem fi lhos de espanhóis, podiam estar à frente dos cargos político
administrativos.
e) os curacas, donos de grande quantidade de terra, que administravam os cabildos.

8. (...) como puder, direi algumas coisas das que vi, que, ainda que mal ditas, bem sei que serão de tanta
admiração que não se poderão crer, porque os que cá com nossos próprios olhos as vemos não as
podemos com o entendimento compreender.
Hernán Cortés. Cartas de Relación de la Conquista de Mexico, escritas de 1519 a 1526.

O processo de conquista do México por Cortés estendeu-se de 1519 a 1521. A passagem acima
manifesta a reação de Hernán Cortés diante das maravilhas de Tenochtitlán, capital da Confederação
Mexica. A reação dos europeus face ao novo mundo teve, no entanto, muitos aspectos, compondo
admiração com estranhamento e repúdio. Tal fato decorre
a) do desinteresse dos conquistadores pelas riquezas dos Astecas.
b) do desconhecimento pelos europeus das línguas dos índios.
c) do encontro de padrões culturais diferentes.
d) das semelhanças culturais existentes entre os povos do mundo.
e) do espírito guerreiro e aventureiro das nações europeias.

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História

9. Entre as civilizações pré-colombianas dos maias e dos astecas, havia semelhanças culturais
significativas. No momento em que foram conquistadas,
a) os maias tiveram suas crenças religiosas e seus documentos escritos preservados e acatados
pelos espanhóis, enquanto que a civilização asteca foi destruída.
b) os astecas e os maias haviam pacificado as relações entre os diversos povos que habitavam as
atuais regiões do México e da Guatemala.
c) tiveram suas populações dizimadas pelos espanhóis, que se apossaram militarmente das cidades
de Palenque, Tikal e Copan.
d) os astecas dominavam um território que se estendia do oceano Atlântico ao Pacífico, mas os
maias já não contavam com as magníficas cidades, desaparecidas sob as florestas.
e) eram caçadores nômades, desconheciam a agricultura e utilizavam a roda e os metais para fins
militares.

10. “Podemos dar conta boa e certa que em quarenta anos, pela tirania e ações diabólicas dos espanhóis,
morreram injustamente mais de doze milhões de pessoas...”
Bartolomé de Las Casas, 1474 – 1566.

“A espada, a cruz e a fome iam dizimando a família selvagem.”


Pablo Neruda, 1904 – 1973.

As duas frases acima colocam como causa da dizimação das populações indígenas a ação violenta
dos espanhóis durante a Conquista da América. Pesquisas históricas recentes apontam outra causa,
além da já indicada, que foi
a) a incapacidade das populações indígenas em se adaptarem aos padrões culturais do colonizador.
b) o conflito entre populações indígenas rivais, estimulado pelos colonizadores.
c) a passividade completa das populações indígenas, decorrente de suas crenças religiosas.
d) a ausência de técnicas agrícolas por parte das populações indígenas, diante de novos problemas
ambientais.
e) a série de doenças trazidas pelos espanhóis (varíola, tifo e gripe), para as quais as populações
indígenas não possuíam anticorpos.

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História

Gabarito

1. D
Os espanhóis que detinham privilégios eram divididos em Criollos e Chapetones.

2. A
Além da mita, havia também a Encomienda, outra forma de trabalho compulsório ocorrido na América
Espanhola.

3. B
Esse sistema de trabalho obrigatório, tal qual a mita, trouxeram impactos às populações nativas, que
diveram sua organização política, social e cultural desrespeitada pelos colonizadores.

4. E
A extração de prata garantiu grande parte da lucratividade da colonização espanhola na América.

5. A
Reformas bourbônicas foram uma série de medidas administrativas e econômicas que tinham como
objetivo reformar o sistema colonial espanhol. O seu principal objetivo era fortalecer a Espanha.

6. C
Cuzco era o centro do mundo para os incas. Por isso, os espanhóis construíram outra cidade em cima da
suntuosa capital.

7. B
Os chapetones eram nascidos na Espanha, por isso adquiriam direito a ocupar cargos políticos de
burocracia, como o controle de embarcações e das políticas fiscais, reportando-se à Coroa Espanhola.

8. C
Esse “encontro”, gerou impactos distintos para colonizadores e colonizados.

9. D
Embora não se tenha conhecimento ao certo das razões pelas quais os Maias entraram em declínio, sabe-
se que, no contexto da chegada dos espanhóis a América, as cidades estados Maias já tinham
desaparecido.

10. E
Essas doenças, além das guerras, dizimaram milhares nativos.

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História

A Expansão Marítima

Resumo

Motivações

Com o monopólio italiano (mais precisamente de Gênova e Veneza) sobre o comércio mediterrâneo
com o oriente, o principal produto eram as especiarias como a canela e a pimenta que vinham da Índia e os
artigos de luxo como a seda chinesa. Sendo que a rota mais curta para o oriente era o mediterrâneo os
Genoveses e Venezianos estes controlavam os preços dos produtos vendidos nas feiras da Europa.
Outro motivo era a escassez dos metais preciosos nas minas europeias, isso além de ser um motivo
para que os europeus se lançassem ao mar incentivou o mercantilismo, pois como não havia ouro e prata em
abundância o comércio vendendo especiarias era um meio das coroas arrecadarem ouro para seus cofres.
A Igreja tem o seu papel nas motivações, o clero perdeu muitos fiéis (principalmente os ricos) para o
protestantismo, esta visando recuperar os fiéis incentivou as aventuras para o além-mar, tanto que o Concilio
de Trento havia criado a Companhia de Jesus onde os missionários (chamados de Jesuítas) iriam para as
novas terras catequizar os nativos. Essa companhia foi muito atuante no Brasil, um dos mais famosos
missionários era o Padre Anchieta.

Pioneirismo Português

Principalmente pela sua geografia e localização, Portugal foi uma das primeiras nações a se lançarem
ao atlântico, sua costa favorável e a posição na ponta da península ibérica Portugal era o país mais a oeste
da Europa continental. Houve um grande interesse da burguesia comercial em boa parte formada por cristãos
novos (judeus convertidos ao cristianismo), que era forte e influente no reino, para que se conseguissem
novos produtos e rotas para sua atividade.
Assim os burgueses e a coroa patrocinaram as empreitadas marítimas construiu-se a Escola de Sagres,
que era uma escola de navegação para os portugueses formarem novos navegantes e aprimorarem as
técnicas de navegação. Vale ressaltar que a criação da escola nos moldes acadêmicos é controversa, muitos
historiadores defendem que os navegadores apenas encontravam-se em determinado lugar para trocar
informações.
Outros fatores que valem ser citados é a grande tradição pesqueira do país o que confere certa
experiência na navegação, outro fator é a grande influência deixada pela invasão árabe que dominou durante
anos a península ibérica já que estes eram exímios navegadores. Podemos ainda citar o controverso “espírito
aventureiro” dos portugueses que é citado por alguns historiadores como um dos motivos para o pioneirismo,
sua controvérsia se constrói em não ter nenhum motivo concreto para esse espírito sendo que em qualquer
povo com tecnologia semelhante poderia surgir este espírito, sem contar que todos os povos que se lançaram
ao mar podem ser considerados aventureiros.

1
História

Consequências

Podemos apontar como principal consequência da expansão marítima certa unificação dos mercados,
isso não foi uma consequência imediata, foi sendo construída ao longo dos séculos sendo que essa
unificação se torna consolidada somente no fim do século XX com a globalização, mas com certeza seu
começo foi durante o século XV e XVI.
Outra consequência que perdurou até o século XX foi a hegemonia europeia sobre o mundo, antes das
navegações os maiores impérios do mundo se localizavam na África e Ásia. Porém com as grandes
navegações os países europeus tomaram a frente na hegemonia mundial, pois estes dominaram a América
e a África tendo mais terras para gerar renda das mais variadas maneiras, essa hegemonia somente veio
terminar com o fim da guerra fria, onde começa a hegemonia estadunidense.
Essa dominação teve o sistema colonial por base, onde as colônias somente poderiam comerciar com
as suas metrópoles (países dominantes), gerando mais riquezas para o continente europeu e impedindo por
muito tempo sua independência. É infeliz ter que citar aqui a escravidão como consequência dessa expansão
marítima.
A escravidão e os outros tipos de trabalho compulsório foram uma das maiores vergonhas da
humanidade, destruindo a vida de milhões e deixando marcas na sociedade até hoje. É importante lembrar
que havia escravidão no mundo antigo europeu, africano e asiático, porém nunca antes em uma escala tão
grande e com um comércio que abrangia todos os países do atlântico (no caso dos negros), podemos dizer
que as descriminações raciais e a desvalorização dos trabalhos manuais no Brasil são consequência diretas
dos anos escravistas.

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História

Exercícios

1. Dispostos a participar do lucrativo comércio de especiarias, realizado pelos portos do levante


mediterrâneo e controlado pelos venezianos, os portugueses buscaram um caminho alternativo. Em
1498, Vasco da Gama conseguiu chegar à Índia:
a) através dos portos do poente mediterrâneo.
b) utilizando as antigas rotas terrestres do Meio Oriente.
c) utilizando o canal do Panamá.
d) através do Estreito de Magalhães.
e) circunavegando a África.

2. A propósito da expansão marítima comercial europeia dos séculos XV e XVI pode-se afirmar que :
a) a igreja católica foi contrária à expansão e não participou da colonização das novas terras.
b) os altos custos das navegações empobreceram a burguesia mercantil dos países ibéricos.
c) a centralização política fortaleceu-se com o descobrimento das novas terras.
d) os europeus pretendiam absorver os princípios religiosos dos povos americanos.
e) os descobrimentos intensificaram o comércio de especiarias no mar Mediterrâneo

3. No extremo leste da Indonésia, na parte oriental de uma ilha, situa-se um dos membros da Comunidade
dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Timor Leste, cuja autonomia só recentemente foi
assegurada, graças à importante presença de forças da ONU.

A existência de um país de língua portuguesa nessa região deve-se


a) à Companhia de Jesus, que disseminou o catolicismo na região e contribuiu para que seu povo
adotasse o idioma de Camões.
b) ao imperialismo neocolonialista do final do século XIX, levou essa região do globo a ser partilhada
pelos países europeus.
c) à ação humanitária dos portugueses, que intervieram na região para impedir que sua população
cristã fosse subjugada pela maioria budista.
d) aos conflitos originados da Guerra Fria, quando os EUA apoiaram a presença portuguesa na região
para defender os interesses ocidentais.
e) à expansão comercial e marítima dos séculos XV e XVI, que levaram as naus portuguesas a essa
região, então, incorporada ao império de Lisboa.

3
História

4. “Os cosmógrafos e navegadores de Portugal e Espanha procuram situar estas costas e ilhas da
maneira mais conveniente aos seus propósitos. Os espanhóis situam-nas mais para o Oriente, de forma
a parecer que pertencem ao Imperador (Carlos V); os portugueses, por sua vez, situam-nas mais para
o Ocidente, pois deste modo entrariam em sua jurisdição.”
Carta de Robert Thorne, comerciante inglês, ao rei Henrique VIII, em 1527.
O texto remete diretamente
a) à competição entre os países europeus retardatários na corrida pelos descobrimentos.
b) aos esforços dos cartógrafos para mapear com precisão as novas descobertas.
c) ao duplo papel da marinha da Inglaterra, ao mesmo tempo mercantil e corsária.
d) às disputas entre países europeus, decorrentes do Tratado de Tordesilhas.
e) à aliança das duas Coroas ibéricas na exploração marítima

5. Referindo-se à expansão marítima dos séculos XV e XVI, o poeta português Fernando Pessoa escreveu,
em 1922, no poema “Padrão”:

“E ao imenso e possível oceano


Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.”
Fernando Pessoa, Mensagem – poemas esotéricos. Madri: ALLCA XX, 1997, p. 49.

Nestes versos identificamos uma comparação entre dois processos históricos. É válido afirmar que o
poema compara:

a) o sistema de colonização da Idade Moderna aos sistemas de colonização da Antiguidade Clássica:


a navegação oceânica tornou possível aos portugueses o tráfico de escravos para suas colônias,
enquanto gregos e romanos utilizavam servos presos à terra.
b) o alcance da expansão marítima portuguesa da Idade Moderna aos processos de colonização da
Antiguidade Clássica: enquanto o domínio grego e romano se limitava ao mar Mediterrâneo, o
domínio português expandiu-se pelos oceanos Atlântico e Índico.
c) a localização geográfica das possessões coloniais dos impérios antigos e modernos: as cidades-
estados gregas e depois o Império Romano se limitaram a expandir seus domínios pela Europa,
ao passo que Portugal fundou colônias na costa do norte da África.
d) a duração dos impérios antigos e modernos: enquanto o domínio de gregos e romanos sobre os
mares teve um fim com as guerras do Peloponeso e Púnicas, respectivamente, Portugal figurou
como a maior potência marítima até a independência de suas colônias.

4
História

6. O Tratado de Tordesilhas, assinado em 7 de junho de 1494 e confirmado nos seus termos pelo Papa
Júlio II em 1506, representou para o século XVI um marco importante nas dinâmicas europeias de
expansão marítima. O tratado visava:
a) demarcar os direitos de exploração dos países ibéricos, tendo como elemento propulsor o
desenvolvimento da expansão comercial marítima.
b) estimular a consolidação do reino português, por meio da exploração das especiarias africanas e
da formação do exército nacional.
c) impor a reserva de mercado metropolitano espanhol, por meio da criação de um sistema de
monopólio que atingia todas as riquezas coloniais.
d) reconhecer a transferência do eixo do comércio mundial do Mediterrâneo para o Atlântico, depois
das expedições de Vasco da Gama às Índias.
e) reconhecer a hegemonia anglo-francesa sobre a exploração colonial, após a destruição da
Invencível Armada de Filipe II, da Espanha.

7. Mar Português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena?
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa: Antologia poética / organizador Álvaro Cardoso Gomes. Sl: Moderna, 1994. Col. Travessias.

No poema acima citado, Fernando Pessoa refere-se à expansão do Império Português, no início da Era
Moderna. Se os resultados finais mais conhecidos dessas "Navegações Ultramarinas" foram a abertura
de novas rotas comerciais em direção à Índia; a conquista de novas terras e a difusão da cultura
europeia, outros elementos também compõem o panorama daquele contexto, como:
a) os relatos de viajantes medievais; a reconquista árabe em Portugal; o anseio de crescimento
mercantil.
b) a ânsia de expandir o cristianismo; a demanda de especiarias; a aliança com as cidades italianas.
c) a busca do enriquecimento rápido; o mito do abismo do mar; a desmonetarização da economia.
d) o desenvolvimento da matemática; a busca do ouro para as cruzadas; a descentralização
monárquica.
e) o avanço das técnicas de navegação; a busca do mítico paraíso terrestre; a percepção do universo,
segundo uma ordem racional.

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História

8. Acerca das pretensões iniciais da exploração e conquista do Brasil, assinale a alternativa correta.
a) Interesses antropológicos levaram os portugueses a fazer contato com outros povos, entre eles
os índios do Brasil.
b) O rei dom Manuel tinha-se proposto chegar às Índias navegando para o ocidente, antecipando-se,
assim, a Cristovão Colombo.
c) O interesse científico de descobrir e classificar novas espécies motivou cientistas portugueses
para lançarem-se à aventura marítima.
d) Os conquistadores estavam interessados em encontrar terras férteis para desenvolver a cultura
do trigo e, assim, dar solução às crises agrícolas que sofriam em Portugal.
e) Os portugueses estavam interessados nas riquezas que as novas terras descobertas podiam
conter, além de garantir a segurança da rota para as Índias.

9. “Porque uma das coisas principalmente requeridas para a prosperidade e felicidade de um reino, é ter
em si uma contínua e grande quantidade de moeda, e abundância de ouro e prata, que são em essência
todas as riquezas temporais desta vida, ou todas vêm resultar nelas... E o que destrói esta abundância
e causa pobreza é a sua saída, quando é permitida.”
Tomás de Mercado, séc. XVI. Apud Vilar, Pierre. Desenvolvimento econômico e análise histórica. Lisboa, Editorial Presença,
1982.

O documento explicita a seguinte prática econômica mercantilista:


a) monopólio comercial;
b) livre comércio;
c) industrialismo;
d) pacto colonial;
e) metalismo.

10. "Quem quer passar além do Bojador,


Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
"Fernando Pessoa, "Mar Português" in Obra poética. Ria de Janeiro, Editora José Aguilar, 1960, p 19

O trecho de Fernando Pessoa fala da expansão marítima portuguesa. Para entendê-lo, devemos saber
que:
a) "Bojador" é o ponto ao extremo sul da África e que atravessá-lo significava encontrar o caminho
para o Oriente.
b) a "dor" representa as doenças, desconhecidas dos europeus, mas existentes nas terras a serem
conquistadas pelas expedições.
c) o "abismo" refere-se à crença, então generalizada. de que a Terra era plana e que, num determinado
ponto, acabaria, fazendo caírem os navios.
d) menção a "Deus" indica a suposição, à época, e que o Criador era contrário ao desbravamento dos
mares e que puniria os navegadores.
e) o "mar" citado é o Oceano Índico, onde estão localizadas as Índias, objetivo principal dos
navegadores

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História

Gabarito

1. E
As rotas monopolizadas pelos comerciantes italianos através do mediterrâneo fizeram os países – como
Portugal - procurarem novas rotas até a Índia.

2. C
A centralização política foi fundamental para as grandes navegavações, já que o rei teve papel importente
na organização do empreendimento, assim como na articulação dos interesses das diversas camadas
sociais, como a burguesia, o clero e a nobreza.

3. E
O pioneirismo português nas Grandes Navegações levou os lusos para lugares bem distantes da
metrópole, como às índias, o litoral africana e o sul da américa. Neste contexto, formou-se o que
chamamos de Império Português.

4. D
O Tratado de Tordesilhas, assinado por Espanha e Portugal, era frequentemente disputado e
desrespeitado pelos Estados Nacionais que não se incluiam no acordo.

5. B
O porta compara a extensão das colonizações da antiguidade e da modernidade, fazendo menção as
conquistas greco-romanas no mediterrâneo.

6. A
O Tratado de Tordesilhas foi ratificado pela igreja e pretendia dividir o mundo entre as duas potências
marítima.

7. E
Com o renascimento, a ordem racional tomou a frante no que diz respeito às explicações sobre o mundo,
promovendo grandes transformações na mentalidade da época.

8. E
O monopólio das rotas pelo mediterrâneo pelos italianos impulsionou os portugueses á a buscarem novas
fontes de riqueza e rotas alternativas às ideias. Após a chegada na América, as terras “recém descobertas”
passaram a cumprir esse papel.

9. E
O metalismo defendia a acumulação de metais preciosos pelos reinos europeus. Esse princípio do
mercantilismo é um fatores que impulsiona às grandes navegações;

10. C
Havia a crença, defendida sobretudo pela Igreja Católica, de que a terra seria plana, fato que passar a ser
questionado a partor do contexto do Renascimento.

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Filosofia

2019
Fevereiro
Filosofia / Sociologia

Introdução à filosofia

Resumo

Introdução à Filosofia: A passagem do mito ao logos

A mitologia grega consiste na forma mais antiga de crença do homem ocidental, através da qual os
gregos buscavam explicar a realidade através de entes sobrenaturais e figuras mitológicas. Nesse sentido,
podemos dizer que a mitologia surge, na Grécia Antiga, a partir do espanto do ser humano com o mundo, ou
seja, a partir do estranhamento com tudo aquilo que o rodeava e que, naquele momento, ainda não possuía
uma explicação racional. A mitologia era narrada em forma de poesia e era cantada nas ruas pelos poetas,
dentre os quais o mais famoso foi Homero, que teria vivido por volta do século IX A.C. Assim, a mitologia era
passada de geração para geração através dos poetas, o que garantia a divulgação e manutenção dos valores,
hábitos, crenças e crenças do povo grego.
Num dado momento da cultura grega, as explicações mitológicas tornam-se insuficientes e o homem
sente a necessidade de buscar respostas mais racionais para as questões que o afligiam. Diversas
transformações no âmbito da cultura grega contribuíram para o surgimento do pensamento filosófico, tais
como: a redescoberta da escrita, o surgimento da moeda, a formulação da lei escrita, a consolidação da
democracia, entre outras. A partir dessas transformações puderam surgir no século VI A.C os primeiros
filósofos, que ficaram conhecidos como filósofos pré-socráticos. Esses primeiros pensadores se
interessavam em descrever a natureza (physis) sem apelar para seres sobrenaturais e para figuras
mitológicas. Sua grande tarefa era explicar a natureza a partir de elementos naturais.
A mitologia era tida como uma verdade absoluta, um conhecimento inquestionável no âmbito da
cultura grega antiga. Já a filosofia, enquanto tentativa de um pensamento mais racional, tem como
fundamento o questionamento, a interrogação, a dúvida, a suspeita, o que provoca uma ruptura na cultura

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Filosofia / Sociologia

grega. A passagem do mito para a filosofia não foi rápida, mas sim um lento processo de transformação, em
que a mitologia deixa de ser entendida como uma verdade absoluta, possibilitando o surgimento de
explicações mais racionais da realidade e da natureza.
Enquanto a mitologia explicava a origem das coisas da natureza apelando para seres divinos. Por
exemplo: A origem dos mares era explicada a partir da existência do Deus Poseidon. Já a filosofia buscará
uma explicação da origem das coisas a partir da própria natureza. Uma das questões principais desses
primeiros filósofos era a definição do princípio primeiro (arché) que rege toda a natureza (physis). Alguns
deles dirão que o princípio que rege a natureza é a água, outros dirão que é o fogo, outros dirão que é a
conjugação de fogo, água, terra e ar, entre outras concepções. O que é fundamental, entretanto, é a ruptura
que esses filósofos provocam na medida em que se recusam a explicar a natureza a partir de seres
sobrenaturais para tentarem, ainda que de maneira precária, a formulação de um pensamento mais
racional. Assim, observamos a lenta passagem do pensamento mitológico para o pensamento filosófico.

VEM QUE TEM MAIS...

Mapa mental

Mitologia Filosofia
• Explica as origens e a realidade a partir de alianças e • Explicação racional da realidade e da
desavenças entre divindades origem do mundo
• Narrada em forma de poesia • Filosofia da Physis
• Cosmogonias e teogonias • início da ciência antiga
• Mito • Cosmologias
• Crença • Lógos
• Arché - princípio originário
• Razão

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Filosofia / Sociologia

Exercícios

1. O homem sempre buscou explicações sobre os aspectos essenciais da realidade que o cerca e sobre
sua própria existência. Na Grécia antiga, antes de a filosofia surgir, essas explicações eram dadas pela
mitologia e tinham, portanto, um forte caráter religioso. Historicamente, considera-se que a filosofia
tem início com Tales de Mileto, em razão de ele ter afirmado que “a água é a origem e a matriz de todas
as coisas”. Nesse sentido, pode-se dizer que a frase de Tales tem caráter filosófico pelas seguintes
razões:

a) Porque destaca a importância da água para a vida; porque faz referência aos deuses como causa
da realidade e, porque nela, embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “tudo é
matéria”.

b) Porque enuncia algo sobre a origem das coisas; porque o faz sem imagem e fabulação e porque
nela, embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “tudo é um”.

c) Porque narra uma lenda; porque narra essa lenda através de imagens e fabulação e porque nela,
embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “tudo é movimento”.

d) Porque enuncia uma verdade revelada por Deus; porque o faz através da imaginação e, porque
nela, embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “o homem é a medida de todas
as coisas”.

e) Porque enuncia algo sobre a origem das coisas; porque o faz recorrendo a deuses e a imaginação
e, porque nela, embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “conhece-te a ti
mesmo”.

2. TEXTO I
Eis aqui, portanto, o princípio de quando se decidiu fazer o homem, e quando se buscou o que devia
entrar na carne do homem.
Havia alimentos de todos os tipos. Os animais ensinaram o caminho. E moendo então as espigas
amarelas e as espigas brancas, Ixmucaná fez nove bebidas, e destas provieram a força do homem. Isto
fizeram os progenitores, Tepeu e Gucumatz, assim chamados.
A seguir decidiram sobre a criação e formação de nossa primeira mãe e pai. De milho amarelo e de
milho branco foi feita sua carne; de massa de milho foram feitos seus braços e as pernas do homem.
Unicamente massa de milho entrou na carne de nossos pais.
SUESS, P. Popol Vuh: Mito dos Quiché da Guatemala sobre sua origem do milho e a criação do mundo. In: A conquista
espiritual da América Espanhola: 200 documentos – Século XVI. Petrópolis: Vozes, 1992, p. 32-33. Adaptado.

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Filosofia / Sociologia

TEXTO II
"Se você é o que você come, e consome comida industrializada, você é milho", escreveu Michael Pollan
no livro O Dilema do Onívoro, lançado este ano no Brasil. Ele estima que 25% da comida industrializada
nos EUA contenha milho de alguma forma: do refrigerante, passando pelo ketchup, até as batatas fritas
de uma importante cadeia de fast food – isso se não contarmos vacas e galinhas que são alimentadas
quase exclusivamente com o grão. O milho foi escolhido como bola da vez devido ao seu baixo preço
de mercado e também porque os EUA produzem mais da metade do milho distribuído no mundo.
BURGOS, P. Show do milhão: milho na comida agora vira combustível. Super Interessante. Edição 247. 15 dez. 2007, p.
33.Adaptado.

Com base nos textos I e II e nos conhecimentos sobre as relações entre organização social e mito, é
correto afirmar.
a) Os deuses maias criaram os homens dotados de livre arbítrio para, a partir dos princípios da razão
e da liberdade, ordenarem igualitariamente a sociedade.
b) A exemplo das narrativas que predominavam no período homérico da Grécia antiga, os mitos
expressam uma forma de conhecimento científico da realidade.
c) Na busca de um princípio fundante e ordenador de todas as coisas, como ocorre na mitologia
grega, a narrativa mítica justifica as bases de legitimação de organização política e de coesão
social.
d) Assim como nos povos Quiché da Guatemala, também os mitos gregos procuram explicar a arché,
a origem, a partir de um elemento originário onde está presente o milho.
e) Para certas tradições de pensamento, como a da escola de Frankfurt, o Iluminismo representa a
superação completa do mito.

3. A atitude filosófica inicia-se dirigindo indagações ao mundo que nos rodeia e às relações que
mantemos com ele. Pouco a pouco, porém, descobre que essas questões se referem, afinal, à nossa
capacidade de conhecer, à nossa capacidade de pensar.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, 1996. p. 14.
Sobre isso, é CORRETO afirmar que a filosofia
a) pode ser entendida como aspiração ao conhecimento sensível, lógico e assistemático da realidade
natural e humana.
b) é tão-somente uma forma consciente e acrítica de pensar e de agir.
c) é uma forma crítica e incoerente de pensar o mundo, produzindo um entendimento de seu
significado e formulando uma concepção específica desse mundo.
d) designava, desde a Grécia Antiga, a particularidade do conhecimento sensitivo, desenvolvido pelo
homem.
e) como forma consciente e crítica de compreender o mundo e a realidade não se confunde, de
maneira alguma, com o fato de estar "investida" inconscientemente de valores adquiridos com
base no "senso comum".

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Filosofia / Sociologia

4. Atente ao texto a seguir.


Sobre o pensamento mítico
Para nós, os mitos primitivos não passam de histórias fantasiosas que são contadas ao lado
das histórias da Branca de Neve ou da Bela Adormecida. O mito, porém, não é isso. Quando vira
uma história, uma lenda, ele perde a sua força de mito.
ARANHA, Maria Lúcia; MARTINS, Maria Helena. Temas de filosofia. 1992. p. 62. Adaptado.

Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar que:


a) O mito nasce da razão, com a força de dominar o mundo para a garantia da segurança do humano.
b) O mito está desligado do desejo, ausentes do querer que as coisas ocorram de uma
determinada forma.
c) O mito tem como característica singular o crivo da racionalidade, ou seja, a sua aceitação tem
de atender ao questionamento e à certeza.
d) A força do mito está atrelada às histórias fantasiosas cuja função principal é explicar a realidade
nas suas narrativas.
e) O pensamento mítico encontrou, na cultura grega, a forma privilegiada de se organizar e de se
estruturar.

5. A mente humana é naturalmente inquiridora: quer conhecer as razões das coisas; basta ver uma criança
fazendo perguntas aos pais. Mas às mesmas perguntas podem ser dadas diversas respostas: míticas,
científicas, filosóficas.
MONDIN, Batista. Curso de filosofia. São Paulo: Paulus, 1981. (Adaptado)

O pensamento mítico na atualidade reflete-se naquelas respostas que estão repletas de explicações
valorativas sobre a personalidade do super-herói, a exaltação do cientificismo, valorando o ‘desejo
desenfreado’ e dando primazia ao poder midiático. Sendo assim, assinale a alternativa CORRETA.
a) A verdadeira função do mito, na atualidade, é orientar a ação humana.
b) O papel atual do mito é dar sentido ao mundo humano.
c) O pensamento mítico, no mundo atual, identifica-se como uma resistência às invenções científicas
e tecnológicas.
d) Nos dias atuais, a função fabuladora presente nos contos e nas estórias populares remetem aos
valores arquetípicos.
e) O mito, na atualidade, promove o desenvolvimento do homem no seu cotidiano, pela eficácia na
linguagem das formas ideológicas.

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Filosofia / Sociologia

6. Atente ao texto a seguir:


Na história do pensamento ocidental, a filosofia nasce na Grécia, por volta do século VI (ou VII) a.C.
Por meio de longo processo histórico, surge promovendo a passagem do saber mítico ao
pensamento racional.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. São Paulo, 2002. p. 73.

Disponível em: <http://filosofia.uol.com.br>.

Sobre o texto, é correto afirmar que


a) os filósofos pré-socráticos são conhecidos, também, como os filósofos da natureza.
A investigação filosófica nesse período se dirige à natureza.
b) a filosofia grega nasceu procurando desenvolver o conhecimento mitológico em contraste com o
conhecimento racional.
c) na sua origem, o pensamento grego enfatiza o sentimento em contraposição à razão; o
saber mítico privilegia a busca da sabedoria.
d) a fase inaugural da filosofia grega é conhecida como pós-socrática. Esse período enfatiza o estudo
do homem como essencial.
e) na passagem do saber mitológico ao pensamento racional, o saber filosófico tem como fonte
criadora de sentidos a fantasia.

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Filosofia / Sociologia

7. Considere o texto a seguir.


O mito no mundo atual
O mito hoje, se ainda tem força para inflamar paixões, como no caso dos astros, dos políticos ou
mesmo de causas políticas ou religiosas, não se apresenta mais com o caráter existencial que tinha o
mito primitivo. Ou seja, os mitos modernos não abrangem mais a totalidade do real.
ARANHA, Maria Lúcia; MARTINS, Maria Helena. Temas de filosofia. 1992. p. 65. Adaptado.

No tocante a esse assunto, é CORRETO afirmar que:


a) O mito no mundo atual está diretamente relacionado a diversos fatores da globalização, e
sua abrangência explica as mais diversificadas formas de inflamar as paixões.
b) O pensamento mítico no mundo atual responde às questões diretamente voltadas à
condição humana, à origem do universo, fazendo uso do rigor metodológico.
c) Os mitos modernos não têm a força para inflamar paixões; são de natureza sobrenatural.
d) As narrativas míticas no mundo atual explicam a realidade no seu todo. Essas narrativas têm o
poder do domínio absoluto da exigência do sentido.
e) O mito hoje tem profunda relação com a natureza. Ou seja, tenta explicar o mundo e encontrar o
seu lugar entre os demais seres da natureza.

8. Considere o texto a seguir:


Sobre a gênese do pensamento filosófico
A filosofia, retomando as questões postas pelo mito, é uma explicação racional da origem e da
ordem do mundo. A origem e a ordem do mundo são, doravante, naturais.
CHAUÍ, Marilena. Introdução à história da filosofia. 1994. p. 32.
No tocante a esse assunto, é CORRETO afirmar que:

a) Os primeiros filósofos pretenderam explicar apenas a origem das coisas e da ordem do


mundo, sem valorizar as causas das mudanças e das repetições.

b) O nascimento da filosofia aparece solidário ao pensamento sobrenatural, com a tendência para


as limitações da experiência imediata no âmbito da fantasia mítica.

c) A gênese do pensar filosófico se preocupa com as explicações preestabelecidas, ou seja,


a ausência de investigar e responder aos problemas da natureza.

d) A dimensão racional é tomada como critério de verdade, sobrepondo-se às limitações


da experiência imediata e da fantasia mítica.

e) A gênese do pensamento filosófico quer ser explicação puramente sentimental da


particularidade que é seu objeto, ou seja, o que vale em filosofia é o argumento racional baseado
apenas nos sentidos.

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Filosofia / Sociologia

9. Sobre o conhecimento mitológico, atente ao texto a seguir:

Disponível emn: cultura.culturamix.com

Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como
verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada,
portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, 1996, p. 28.

Sobre esse aspecto do conhecimento mitológico, é CORRETO afirmar que

a) a função do mito é obscura, e o discurso a ele referente, pronunciado pela autoridade, está fundado
na realidade e não explica a existência.

b) o mito retrata um tipo de compreensão não significativa, possibilitando ao homem viver e lutar
contra tudo o que lhe é contraditório.

c) na narrativa mitológica, proferida para os ouvintes, está presente o puro delírio da fantasia e a
confiabilidade na pessoa do narrador.

d) a narrativa do mito é baseada na lógica da abstração e deixa, à margem, o desejo de dominação


do mundo.

e) o mito revela alguma coisa que é aceita sem contestação nem questionamento. Trata-se, portanto,
de uma primeira narrativa que atribui sentido ao mundo.

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Filosofia / Sociologia

10. Sobre o mito no mundo atual, considere o texto a seguir:

Os meios de comunicação (televisão, jornais etc.) utilizam a palavra Mito com um significado diferente,
quando se referem a artistas, que, num determinado momento, ganham destaque por causa de um
filme ou música de sucesso. Mas, mesmo nesse caso, os “Mitos” do mundo artístico são assim
chamados, porque atribuímos a eles qualidades que consideramos dignas de um deus.
CHALITA, Gabriel. Vivendo a filosofia. 2002, p. 23. Disponível em: <www.4hd.com.br>.

Assim, é correto afirmar que no mundo atual


a) o mito narra as habilidades divinas, transmitidas aos homens pelos deuses.
b) o mito retrata tanto a significância quanto a primeira atribuição de sentido ao mundo.
c) o mito tem importância pelo fato de ser a primeira forma de dar significado ao mundo.
d) o mito na totalidade do real, não apresenta mais abrangência nem o distintivo existencial que
havia na sua origem, isto é, no mito primitivo.
e) o mito possibilita ao homem lutar e viver criticamente contra tudo o que lhe é adverso.

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Filosofia / Sociologia

Gabarito

1. B
O surgimento da filosofia está atrelado ao momento em que os homens passam a investigar as origens
do mundo, dos seres, enfim, de tudo o que os cerca, sem ter de recorrer a explicações baseadas no divino
ou no mito. A frase de Tales de Mileto aponta justamente isso, porque atribui a origem das coisas a um
ente físico (a água) e não a um ente sobrenatural. Encaixa-se nas teorias monistas dos primórdios da
filosofia (uma única origem para tudo). Excetuando a questão B, todas as outras alternativas estão
erradas, porque referem-se a uma informação que não está presente na afirmação (a presença de deuses
ou fabulação para explicarem a realidade); e se esses elementos estivessem presentes, não estaríamos
falando de filosofia, mas de mitos.

2. C
a) Incorreta. Nas narrativas míticas dos maias, assim como nos demais mitos, aborda-se a criação do
homem e, pelo princípio do determinismo (destino), todas as vicissitudes humanas são submetidas
à vontade e responsabilidade divinas. A ordenação social segue as hierarquias míticas, as quais
justificam as diferenças sociais, a organização política, as relações de poder, etc.

b) Incorreta. As narrativas míticas, fundadas no princípio de responsabilidade derivada das entidades


divinas, não podem ser comparadas com as demonstrações científicas, fundadas no princípio de
determinação causal (e necessária) dos fenômenos entre si. São duas formas diversas de
conhecimento.

c) Correta. Da mesma forma que a mitologia grega, todas as narrativas míticas buscam explicar (e
legitimar) as formas de organização social e política a partir de um princípio fundante e ordenador.

d) Incorreta. As narrativas míticas dos povos Quiché e dos gregos no período homérico da Grécia antiga,
embora concordem com a busca de um princípio fundante e ordenador (no caso dos gregos, a arché),
diferem quanto à natureza do elemento originário. O elemento originário nas narrativas míticas
(como nas genealogias de Hesíodo) está na união dos deuses, dos quais derivam por
filiação/geração outros deuses e neste processo a constituição do Cosmos. De modo algum, os
mitos gregos têm no milho o seu elemento originário.

e) Incorreta. De modo algum, a escola de Frankfurt (e outras tradições do pensamento) concebem o


Iluminismo como a superação completa do mito. A compreensão mítica da realidade persiste, não
obstante o desenvolvimento das formas culturais nas sociedade complexas e avançadas. Aliás, por
exemplo, a massificação cultural nas sociedades de capitalismo avançado refletem várias
concepções míticas associadas à alienação. Para Adorno e Horkheimer, o mito já era esclarecimento
e este recai em uma nova mitologia.

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Filosofia / Sociologia

3. E
A afirmativa correta é a E, pois informa que a filosofia é uma disciplina consciente e crítica à
compreensão sem, contudo, negar que esteja investida também de valores que se originam do senso
comum, afinal, esse também é base para o raciocínio filosófico. A afirmativa A está incorreta porque a
filosofia não se vale somente do conhecimento sensível, mas também do racional, e é sistemática em
seus procedimentos. A afirmativa B está incorreta porque a ilosofia é crítica e não acrítica. A afirmativa
C está incorreta porque a filosofia é coerente e não incoerente. E a afirmativa D está incorreta porque a
filosofia não se restringe apenas a refletir sobre o conhecimento sensitivo, nem o indicava como
particular apenas aos homens, pois todas as criaturas sentem: o que diferencia o homem é justamente
a capacidade de pensar.

4. E
O pensamento mítico na cultura grega teve grande importância, pois foi por meio dele que o homem
grego explicou e compreendeu o mundo antes que se desenvolvessem os processos racionais para isso,
que só foi possível com o advento da filosofia. Com o desenvolvimento racional-científico, o mito passou
a ser visto de forma pejorativa, negando-se sua capacidade de meio possível para o conhecimento.
Portanto, a alternativa correta é a E.

5. E
O mito, na contemporaneidade, não tem mais a mesma função explicativa que teve no período pré
filosófico. Todavia, ainda está presente e exerce influência em vários aspectos da cultura e da vida. As
alternativa A e B estão incorretas porque o mito não tem mais a função de orientar a ação humana nem
de dar sentido a ela. A alternativa C está incorreta porque o mito na contemporaneidade, travestido na
cultura do entretenimento por exemplo, mistura-se à tecnologia, constituindo-se em um universo que a
engloba. A alternativa D está incorreta porque estes valores arquetípicos sempre estiveram presentes
nos contos e estórias, pois fazem parte da própria experiência humana sobre a terra. Alternativa E está
correta, porque a ideologia interfere em nossa época, nas construções míticas criadas.

6. A
A questão refere-se ao surgimento da filosofia na Grécia, momento no qual se passa do pensamento
mítico para o filosófico.
a) Correta. Os filósofos pré-socráticos debruçavam-se sobre a natureza para entender o mundo.
b) e c) Incorretas. Ao surgir, a filosofia substitui o pensamento mítico pelo racional e valoriza a razão.
c) Incorreta. Não existe uma fase conceituada como pós-socrática na história da filosofia.
d) Incorreta. Tanto no período mítico como no racional, a fantasia não era um elemento criador de
sentidos, mas sim a observação do mundo. Com a diferença de que no perído mítico o homem
ainda não ocupava a centralidade observadora.

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Filosofia / Sociologia

7. A
No mundo contemporâneo, o mito não tem mais a função de explicar o mundo e ajudar o ser humano a
compreender a realidade. Na modernidade, ele foi resignificado pelas relações sociais e, em vez de
referir-se a uma totalidade, normalmente atrela-se a algum objeto de paixão, como um político, um artista,
um time, entre outros. Podemos dizer que o mito está relacionado à extraordinariedade, que se atribui a
alguns indivíduos, construídos pelos modernos meios de comunicação e de propaganda, ao mesmo
tempo que não mais se aceita sua capacidade explicativa da realidade.

8. D
O surgimento da filosofia marca a passagem de uma visão de mundo sensorial, associada ao que os
sentidos podem conhecer, para uma visão de mundo racional, intermediada por um processo reflexivo.
No primeiro momento, a explicação do mundo era mítica, ao passo que no segundo prevalece o
pensamento filosófico. Isso marca também uma importante mudança de entendimento sobre a origem
e a ordem do mundo: se em um primeiro momento ela era divina, com a filosofia as respostas passam a
estar na natureza, no mundo concreto. Portanto, a alternativa que melhor corresponde a esse
entendimento é a D.

9. E
O Mito, na sociedade grega, desempenhou importante papel na compreensão do mundo, precedente ao
pensamento filosófico. A narrativa mitica procurava dar ordem ao mundo desconhecido pelo homem em
um momento em que ainda não haviam sido desenvolvidos os meios de análise que posteriormente a
fiosofia traria. As alternativas buscam misturar as visões que tem sobre os mitos. Assim, A está incorreta
porque a função do mito não é obscura, mas sim claramente definida como uma tentativa de explicação
do mundo. B está incorreta porque a compreensão do mito possui sim significados vários. C está
incorreta porque a narrativa mítica não é delirante, mas sim uma tentativa de explicação da realidade. D
está incorreta porque a narrativa mítica não é abstrata, mas concreta, fundamentando-se no visível e
sensorial para explicar a realidade do mundo. A alternativa E está correta.

10. D
A questão evoca o sentido da palavra "mito" na época contemporânea.
a) Incorreta. O mito é uma narrativa que procura dar forma ao mundo conhecido, sem o auxílio dos
pressupostos racionais, não necessariamente focando-se em falar de habilidades divinas, mas
valendo-se da apreensão de mundo de tipo sensorial.
b) Incorreta. O mito ainda não tinha capacidade de atribuir significados, o que viria a acontecer com a
filosofia.
c) Incorreta. Pelo mesmo motivo que a alternativa (b).
d) Correta. O alcance da explicação mítica na época atual é restrito.
e) Incorreta. A explicação mítica não possibilita a criticidade, pois se baseia na crença, ou seja, acredita-
se ou não.

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Filosofia / Sociologia

Pré-socráticos e os sofistas

Resumo

Pré-socráticos: Os primeiros filósofos


Os filósofos pré-socráticos são os primeiros filósofos da história, tendo vivido entre os séculos VII e VI
a.C., e contribuído decisivamente para a ruptura entre o pensamento mítico e o pensamento racional. Eles são
chamados de pré-socráticos por terem precedido o grande filósofo Sócrates, cuja importância é tão grande
que dividiu a história da filosofia entre os pensadores que lhe precederam, e os que lhe sucederam, como
Platão e Aristóteles. A maior parte da obra desses primeiros filósofos foi perdida, restando-nos fragmentos
e comentários feitos por filósofos posteriores, o que chamamos de doxografia. A grande genialidade desses
pioneiros foi ter, ao menos em parte, abandonado as explicações mitológicas sobre o mundo, para buscar
uma explicação mais lógica, mais racional, sem a presença de seres sobrenaturais.
Assim, os pré-socráticos irão buscar uma explicação do mundo através do Lógos (razão ou
explicação argumentativa) e não mais através do mito, abandonando o recurso tão usado pela poesia
homérica ao divino e ao transcendente. Dentre os filósofos pré-socráticos podemos destacar Heráclito de
Éfeso, Parmênides de Eleia, Demócrito de Abdera, Tales de Mileto, Empédocles de Agrigento, entre outros.
Uma das questões centrais do pensamento pré-socrático era: qual é o fundamento ou origem (arché) de todas
as coisas que existem? Ou seja, qual é a arché (princípio) que governa a existência de todas as coisas?
Segundo Heráclito, o primeiro princípio de tudo é o fogo; para Tales é a água; para Empédocles são os quatro
elementos: fogo, água, terra e ar; para Demócrito é o átomo. No entanto, em relação à questão do
conhecimento, destaca-se a discussão entre Heráclito e Parmênides.
Heráclito defende que tudo o que existe no mundo está em constante transformação, num fluxo
perpétuo, ou seja, nada permanece idêntico a si mesmo, “tudo flui”. Nesse sentido, o ser (tudo o que existe)
está sempre em movimento, por isso Heráclito é considerado um filósofo mobilista. A imagem que melhor
representa esse pensamento é a imagem do rio. Diz Heráclito que não podemos entrar duas vezes no mesmo
rio, pois, quando entramos pela segunda vez, as águas do rio não são as mesmas e, portanto, o rio não é o
mesmo. Além do mais, nós, quando entramos novamente no rio, não somos também os mesmos, já somos
diferentes do que éramos, pois estamos submetidos necessariamente à mudança. Se nada permanece igual,
o conhecimento está diante de um problema: como posso dizer que conheço algo de maneira objetiva dado
que essa coisa que digo conhecer, assim como tudo, está em constante transformação? Nesse sentido, o
conhecimento é justamente a percepção das transformações. Como o ser o móvel, o Lógos (razão) é
mudança e contradição.
Parmênides, por outro lado, não aceitará em seu método as contradições, sendo famoso justamente
por ter estabelecido o princípio de não contradição através da frase: “o ser é e o não ser não é”. Assim, se
para Heráclito a permanência é uma ilusão, já para Parmênides a mudança é que consiste numa ilusão, sendo
impossível a passagem do ser para o não ser ou do não ser para o ser. Evidentemente, Parmênides não quer
dizer com isso que não existe mudança no mundo, mas apenas que as mudanças estão restritas ao mundo
material, às coisas sensíveis, mas a essência de uma coisa nunca muda, é imóvel. Assim Parmênides é
considerado um filósofo imobilista, pois aquilo que existe não pode deixar de ser o que é, ou seja, não pode
perder a sua essência. O mundo do pensamento, portanto, é imóvel e o conhecimento objetivo sobre as coisas

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Filosofia / Sociologia

é possível graças à identidade que ele reconhece entre ser, pensar e dizer: as palavras refletem o pensamento,
e o pensamento tem a capacidade de exprimir a essência imutável das coisas.

Sofistas: os mestres da retórica


No período clássico (séc. V e IV a.C), o centro cultural deslocou-se das colônias gregas para a cidade
de Atenas. Nesse período, Atenas vivia uma intensa produção artística, filosófica, literária, além do
desenvolvimento da política. No campo da filosofia, embora ainda se discutisse temas cosmológicos, o
avanço em direção à política, moral e antropologia já era visível. Nesse contexto, surgem os sofistas, filósofos
que ficaram conhecidos como os mestres da retórica.
Os sofistas eram professores itinerantes, ou seja, não ensinavam em um único lugar. Uma das suas
características era cobrar pelos seus ensinamentos, recebendo assim duras críticas dos seguidores de
Sócrates, que os acusavam de mercenários do saber. Outra crítica que comumente era feita aos sofistas
dizia respeito à crença de que eles não se importavam com a verdade, mas apenas com a persuasão,
reduzindo seus argumentos a meras opiniões. É importante salientar, no entanto, que os sofistas, em sua
maioria, pertenciam à classe média e, por isso, necessitavam cobrar pelas suas aulas.
Durante séculos perdurou uma visão pejorativa dos sofistas, mas a partir do século XIX uma nova
historiografia surgiu reabilitando-os e realçando suas principais contribuições. Dentre elas sua contribuição
para a sistematização do ensino, elaborada a partir de um currículo de estudos dividido entre gramática (da
qual são os iniciadores), retórica e dialética. Além disso, eles contribuíram decisivamente para o
estabelecimento do sistema político democrático na Grécia.

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Filosofia / Sociologia

Exercícios

1. A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a
matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três
razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em
segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela embora
apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: Tudo é um.
NIETZSCHE. F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural. 1999

O que, de acordo com Nietzsche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos?


a) O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em verdades
racionais.
b) O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas.
c) A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes.
d) A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas.
e) A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real.

2. TEXTO I
Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcançar duas
vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne.
HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). São Paulo. Abril Cultural, 1996 (adaptado).

TEXTO II
Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável
e sem fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que
é perecer? Como poderia gerar-se?
PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).

Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das
a) investigações do pensamento sistemático.
b) preocupações do período mitológico.
c) discussões de base ontológica.
d) habilidades da retórica Sofistica.
e) verdades do mundo sensível.

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Filosofia / Sociologia

3. Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo
real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no
errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas
regras não passavam de invenções humanas.
RACHELS. J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.

O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a


correlação entre justiça e ética é resultado de
a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana.
b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.
c) mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.
d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes.
e) sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.

4. O homem sempre buscou explicações sobre os aspectos essenciais da realidade que o cerca e sobre
sua própria existência. Na Grécia antiga, antes de a filosofia surgir, essas explicações eram dadas pela
mitologia e tinham, portanto, um forte caráter religioso. Historicamente, considera-se que a filosofia
tem início com Tales de Mileto, em razão de ele ter afirmado que “a água é a origem e a matriz de todas
as coisas”. Nesse sentido, pode-se dizer que a frase de Tales tem caráter filosófico pelas seguintes
razões:

a) Porque destaca a importância da água para a vida; porque faz referência aos deuses como causa
da realidade e, porque nela, embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “tudo é
matéria”.

b) Porque enuncia algo sobre a origem das coisas; porque o faz sem imagem e fabulação e porque
nela, embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “tudo é um”.

c) Porque narra uma lenda; porque narra essa lenda através de imagens e fabulação e porque nela,
embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “tudo é movimento”.

d) Porque enuncia uma verdade revelada por Deus; porque o faz através da imaginação e, porque
nela, embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “o homem é a medida de todas
as coisas”.

e) Porque enuncia algo sobre a origem das coisas; porque o faz recorrendo a deuses e a imaginação
e, porque nela, embora apenas subentendido, está contido o pensamento: “conhece-te a ti
mesmo”.

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Filosofia / Sociologia

5. De acordo com o pensamento do filósofo Parmênides de Eleia, marque a alternativa correta.


a) A identidade é uma característica inerente ao domínio da opinião, uma vez que a pluralidade das
opiniões é o que atesta a identidade de cada indivíduo.
b) Segundo Parmênides, um mesmo homem não pode entrar duas vezes em um mesmo rio, posto
que a mutabilidade do mundo impede que o mesmo evento se repita.
c) Uma das leis lógicas, presente no pensamento de Parmênides, é o princípio de identidade, segundo
o qual todas as coisas podem ser e não ser ao mesmo tempo.
d) O caminho da verdade é também a via da identidade e da não contradição. Nesse sentido, somente
o Ser – por ser imóvel e idêntico – pode ser pensado e dito.

6. Heráclito nasceu na cidade de Éfeso, região da Jônia, e viveu aproximadamente entre 540 e 480 a.C.
Ficou conhecido como “o obscuro”, porque seus escritos eram, em geral, aforismos, isto é, frases
enigmáticas que condensam a ideia transmitida. Dentre suas ideias mais destacadas está a do “eterno
devir”.
A partir dessas informações, marque a alternativa que descreve corretamente o significado de “eterno
devir”.
a) O princípio de que tudo é água ou o elemento úmido.
b) A permanência do ser.
c) Transformação incessante das coisas.
d) O Mundo das Ideias.

7. A relação entre mito e filosofia é objeto de polêmica entre muitos estudiosos ainda hoje. Para alguns,
a filosofia nasceu da ruptura com o pensamento mítico (teoria do “milagre grego”); para outros, houve
uma continuidade entre mito e filosofia, ou seja, de alguma forma os mitos continuaram presentes –
seja como forma, seja como conteúdo – no pensamento filosófico.

A partir destas informações, assinale a alternativa que NÃO contenha um exemplo de pensamento
mítico no pensamento filosófico.

a) Parmênides afirma: “Em primeiro lugar, criou (a divindade do nascimento ou do amor) entre
todos os deuses, a Eros...”.

b) Platão propõe algumas teses como a teoria da reminiscência e a transmigração das almas.

c) Heráclito afirma: “As almas aspiram o aroma do Hades”.

d) Aristóteles divide a ciência em três ramos: o teorético, o prático e o poético.

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Filosofia / Sociologia

8. Leia o texto e as assertivas a seguir a respeito das relações entre o nascimento da filosofia e a
mitologia.
O nascimento da filosofia na Grécia é marcado pela passagem da cosmogonia para a cosmologia. A
cosmogonia, típica do pensamento mítico, é descritiva e explica como do caos surge o cosmos, a partir
da geração dos deuses, identificados às forças da natureza. Na cosmologia, as explicações rompem
com a religiosidade: a arché (princípio) não se encontra mais na ordem do tempo mítico, mas significa
princípio teórico, enquanto fundamento de todas as coisas. Daí a diversidade de escolas filosóficas,
dando origem a fundamentações conceituais (e portanto abstratas) muito diferentes entre si.
ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando. São Paulo: Moderna, 1993, p. 93.

I. Uma corrente de pensamento afirma que houve ruptura completa entre mito e filosofia, tal corrente
é a que defende a tese do milagre grego.

II. Outra corrente de pensamento afirma que não houve ruptura completa entre mito e filosofia, mas
certa continuidade, é a que defende a tese do mito noético.

Assinale a alternativa correta.


a) I é falsa e II verdadeira.
b) I é verdadeira e II falsa.
c) I e II são verdadeiras.
d) I e II são falsas.

9. Leia o texto abaixo:


“Afasta o pensamento desse caminho de busca e que o hábito nascido de muitas experiências
humanas não te force, nesse caminho, a usar o olho que não vê, o ouvido que retumba e a língua: mas,
com o pensamento, julga a prova que te foi fornecida com múltiplas refutações. Um só caminho resta
ao discurso: que o ser existe.”
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: filosofia pagã antiga. Tradução de Ivo Storniolo. São Paulo: Paulus,
2003. p. 35.
Com base no pensamento de Parmênides, assinale a alternativa correta.
a) Os sentidos atestam e conduzem à verdade absoluta do ser.
b) O ser é o eterno devir, mas o devir é de alguma maneira regido pelo Logos.
c) O discurso se move por teses e antíteses, pois essas são representações exatas do devir.
d) Quem afirma que “o ser não existe” anda pelo caminho do erro.

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Filosofia / Sociologia

Gabarito

1. C
Nietzsche faz referência ao surgimento da filosofia através dos pré-socráticos que buscavam na
natureza (physis) uma justificativa racional para a origem de tudo. Inicialmente, encontravam um
elemento essencial (arché) como solução primordial.

2. C
Foram um grupo de filósofos que especularam sobre a origem do mundo e observaram a natureza como
fonte de conhecimento. A teoria de Parmênides visava o imobilismo, enquanto a de Heráclito, o
mobilismo. daí, encontramos a contradição teórica. Ontologia é um estudo voltado para o “ser”, portanto,
cada um dos filósofos possui um posicionamento quanto ao papel do “ser” na natureza.

3. D
Para o pensamento platônico, as noções de justiça e ética estão voltadas para o ensinamento
transmitido através da vida em comunidade, já que cada indivíduo é responsável por suas ações para si
e para os demais.

4. B
O surgimento da filosofia está atrelado ao momento em que os homens passam a investigar as origens
do mundo, dos seres, enfim, de tudo o que os cerca, sem ter de recorrer a explicações baseadas no divino
ou no mito. A frase de Tales de Mileto aponta justamente isso, porque atribui a origem das coisas a um
ente físico (a água) e não a um ente sobrenatural. Encaixa-se nas teorias monistas dos primórdios da
filosofia (uma única origem para tudo). Excetuando a questão B, todas as outras alternativas estão
erradas, porque referem-se a uma informação que não está presente na afirmação (a presença de deuses
ou fabulação para explicarem a realidade); e se esses elementos estivessem presentes, não estaríamos
falando de filosofia, mas de mitos.

5. D
a) Incorreta. Segundo Parmênides, o ser é identidade, não há multiplicidade alguma.
b) Incorreta. Quem disse isso foi Heráclito de Éfeso, para quem o ser é devir constante.
c) Incorreta. Segundo Parmênides o ser é e o não ser não é.
d) Correta. Para Parmênides o que "é" é o que pode ser pensado e dito, e o que "não é" não pode nem
ser pensado nem dito. Ou seja, pluralidade ou multiplicidade, mudança ou movimento e oposições
são irreais, impensáveis e indizíveis. Assim, "não ser", "perceber" e "opinar" são o mesmo: nada,
diante do pensamento, que exige estabilidade, permanência e verdade.

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Filosofia / Sociologia

6. C
a) Incorreta. Para Tales de Mileto tudo era água ou o elemento úmido.
b) Incorreta. A permanência do ser é a definição de Parmênides para a arché.
c) Correta. Segundo Heráclito, um homem não entra duas vezes no mesmo rio, porque o homem não
será o mesmo, tampouco o rio.
d) Incorreta. O mundo das ideias faz parte da filosofia posterior, de Platão.

7. D
A única afirmativa que não apresenta referência a alguma ideia de origem mítica é a D, na qual está
indicada a divisão da ciência proposta por Aristóteles, em uma visão racionalista. A afirmativa A fala em
um Ser Criador não palpável que cria um deus, Eros; a afirmativa B fala em transmigração de almas e
reminiscências, compreensíveis apenas em um contexto mítico, já que não possuem comprovação
racional ou científica; e a afirmativa C fala novamente em almas e em Hades, o deus grego que governaria
o mundo para onde iriam as almas dos mortos, portanto, um entendimento mítico do mundo.

8. C
Sobre a origem da filosofia existem, de fato, duas correntes. A primeira diz que o fato de os gregos terem
conseguido sistematizar inicialmente o pensamento filosófico foi um milagre, dado seu ineditismo.
Porém, essa corrente tende a ignorar a contribuição dos povos do Oriente e a importância do
conhecimento do mundo pela perspectiva mítica, que contribuiu muito ao raciocínio filosófico.
A segunda entende que o conhecimento filosófico é uma continuidade do pensamento mítico que o
precedeu, e é mais coerente com a ideia de que o conhecimento é cumulativo e interpretativo.

9. D
A, B e C estão incorretas porque para Parmênides nada é fora do ser, ou seja, o ser é a única coisa
pensável e exprimível. Portanto, o Ser não tem passado, pois não seria mais, e não tem futuro (devir)
porque não seria ainda, mas é presente eterno. E mais, há neste princípio a primeira formulação de não
contradição, isto é, aquele principio que afirma a impossibilidade de os contraditórios existirem
simultaneamente.
D - Correta. Anda pelo caminho do erro aquele que afirma que o ser não existe porque, segundo
Parmênides, o ser é a única via do pensar, a ponto de podermos afirmar que pensar e ser coincidem, no
sentido de que não há pensamento que não exprima o ser.

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Filosofia / Sociologia

Sócrates e Teoria das ideias do Platão

Resumo

Sócrates e a Maiêutica
O filósofo ateniense Sócrates (469 – 399 a.C) foi um pensador do período clássico da filosofia grega
antiga e é considerado o pai da filosofia. Sócrates acreditava na superioridade da língua oral sobre a língua
escrita, ou seja, considerava que o conhecimento deveria ser construído sempre através do
diálogo. Diferentemente dos sofistas, Sócrates acreditava que era possível encontrar o conhecimento
verdadeiro, através da diferenciação entre a mera opinião (doxa) e a verdade (episteme).
A genialidade do seu pensamento pode ser compreendida, em linhas gerais, se atentarmos para o
método socrático, que é composto de dois momentos principais: A ironia e a maiêutica. A ironia pode ser
entendida como o momento destrutivo do diálogo, onde Sócrates procurava mostrar ao seu interlocutor que
aquilo que ele considerava ser uma verdade tratava-se apenas de uma opinião. Já no segundo momento do
diálogo – a maiêutica – Sócrates fazia o que chamava de parto das ideias, ou seja, levava o seu interlocutor
a buscar a verdade por si mesmo através do diálogo.

Platão e a teoria das ideias


Uma das teorias mais fundamentais para a compreensão do pensamento platônico é, sem dúvida, a
sua famosa teoria das ideias. Ela afirma que existem dois mundos, a saber: o mundo sensível e o mundo
inteligível. O mundo sensível é exatamente este mundo que nós habitamos, ou seja, o mundo terreno da
matéria, onde estão presentes todos os objetos materiais. Todas as coisas do mundo sensível, então, estão
sujeitas à geração e à corrupção, podendo deixar de ser o que são e se transformar em outra coisa, esse é o
mundo da variação, da mudança, da transformação. No entanto, por que Platão nomeia este mundo de
habitamos de mundo sensível? Exatamente porque nós apreendemos esse mundo através de nossos
sentidos, ou seja, nós percebemos as coisas desse mundo por intermédio dos cinco sentidos (visão, tato,
olfato, paladar, audição). Mas e o que é, então, o mundo inteligível para Platão?
O mundo inteligível ou mundo das ideias ou mundo das Formas é um mundo superior, apenas
acessível ao nosso Intelecto e não aos nossos sentidos, que nada mais é do que o mundo do conhecimento
ou da sabedoria. É contemplando as ideias do mundo inteligível através de nossa alma que podemos
conhecer as coisas. Assim, o mundo inteligível é composto de ideias perfeitas, eternas e imutáveis, que
podemos acessar através da nossa razão. Um exemplo: a Forma ou ideia de cadeira existe no mundo das
ideias como um conceito que temos acesso através de nosso Intelecto. É por isso que quando observamos
uma cadeira particular (material) no mundo sensível, nós a identificamos como cadeira, dado que acessamos
a ideia ou conceito de cadeira que existe no mundo inteligível.
Todas as coisas (materiais) que existem aqui no mundo sensível correspondem a uma ideia ou Forma
lá no mundo das ideias. No mundo inteligível estão as essências ou a origem de todas as coisas que
observamos no mundo sensível. Assim, a origem das cadeiras que existem no mundo sensível é a ideia de
cadeira. O que existe realmente é a ideia, enquanto que a coisa material só existe enquanto participa de ideia
dessa coisa. Essa é a teoria da participação em Platão: Uma coisa só existe na medida em que participa da

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Filosofia / Sociologia

ideia dessa mesma coisa. Portanto, segundo Platão, a ideia é anterior às próprias coisas. Seguindo o nosso
exemplo, a ideia de cadeira é anterior à existência das cadeiras particulares.
Uma teoria que deriva da teoria das ideias é a teoria platônica da reminiscência. Segundo Platão, o
ser humano é formado de uma parte mortal, a saber, o corpo; e uma parte imortal, a saber: a alma; antes de
habitarmos este mundo, nossa alma habitava o mundo das ideias. Lá ela possuía todo o conhecimento
possível, não era ignorante a respeito de nada. No entanto, quando nossa alma se junta ao corpo, ela acaba
se esquecendo de tudo aquilo que ela sabia lá no mundo das ideias. Assim, o conhecimento para Platão é
reminiscência (ou seja, lembrança) daquilo que nossa alma já viu quando habitava o mundo
inteligível. Conhecer é, portanto, nada mais do que lembrar, trazer de volta à memória aquilo que já vimos em
outro mundo.

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Filosofia / Sociologia

Exercícios

1.

No centro da imagem, o filósofo Platão é retratado apontando para o alto. Esse gesto significa que o
conhecimento se encontra em uma instância na qual o homem descobre a
a) suspensão do juízo como reveladora da verdade.
b) realidade inteligível por meio do método dialético.
c) salvação da condição mortal pelo poder de Deus.
d) essência das coisas sensíveis no intelecto divino.
e) ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.

2. Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto
de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto
sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas
irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua mente.
ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado).

O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias
de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?
a) Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas.
b) Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles.
c) Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.
d) Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.
e) Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.

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Filosofia / Sociologia

3. – Considera pois – continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das cadeias e curados da sua
ignorân-cia, a ver se, regressados à sua natureza, as coisas se passavam deste modo. Logo que alguém
soltasse um deles, e o forçasse a endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a
luz, a fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-Io-ia de fixar os objetos cujas sombras
via outrora. Que julgas tu que ele diria, se alguém lhe afirmasse que até então ele só vira coisas vãs, ao
passo que agora estava mais perto da realidade e via de verdade, voltado para objetos mais reais? E se
ainda, mostrando-lhe cada um desses objetos que passavam, o forçassem com perguntas a dizer o
que era? Não te parece que ele se veria em dificuldade e suporia que os objetos vistos outrora eram
mais reais do que os que agora lhe mostravam?
PLATÃO. A República. 7. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993. p. 318-319.

O texto é parte do livro VII da República, obra na qual Platão desenvolve o célebre Mito da Caverna.
Sobre o Mito da Caverna, é correto afirmar.
I. A caverna iluminada pelo Sol, cuja luz se projeta dentro dela, corresponde ao mundo inteligível, o
do conhecimento do verdadeiro ser.
II. Explicita como Platão concebe e estrutura o conhecimento.
III. Manifesta a forma como Platão pensa a política, na medida em que, ao voltar à caverna, aquele
que con-templou o bem quer libertar da contemplação das sombras os antigos companheiros.
IV. Apresenta uma concepção de conhecimento estruturada unicamente em fatores circunstanciais
e relativis-tas.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
b) Somente as afirmativas II e III são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.

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Filosofia / Sociologia

4. Leia o texto de Platão a seguir:


Logo, desde o nascimento, tanto os homens como os animais têm o poder de captar as impressões
que atingem a alma por intermédio do corpo. Porém relacioná-las com a essência e considerar a sua
utilidade, é o que só com tempo, trabalho e estudo conseguem os raros a quem é dada semelhante
faculdade. Naquelas impressões, por conseguinte, não é que reside o conhecimento, mas no raciocínio
a seu respeito; é o único caminho, ao que parece, para atingir a essência e a verdade; de outra forma é
impossível.
PLATÃO. Teeteto. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: Universidade Federal do Pará, 1973. p. 80.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria do conhecimento de Platão, considere as
afirmativas a seguir:
I. Homens e animais podem confiar nas impressões que recebem do mundo sensível, e assim
atingem a verdade.
II. As impressões são comuns a homens e animais, mas apenas os homens têm a capacidade de
formar, a partir delas, o conhecimento.
III. As impressões não constituem o conhecimento sensível, mas são consideradas como núcleo do
conhecimento inteligível.
IV. O raciocínio a respeito das impressões constitui a base para se chegar ao conhecimento
verdadeiro.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.

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Filosofia / Sociologia

5. Em um importante trecho da sua obra Metafísica, Aristóteles se refere a Sócrates nos seguintes termos:
Sócrates ocupava-se de questões éticas e não da natureza em sua totalidade, mas buscava o universal
no âmbito daquelas questões, tendo sido o primeiro a fixar a atenção nas definições.
ARISTÓTELES. Metafísica. Tradução Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 2002. A6, 987b 1-3.

Com base na filosofia de Sócrates e no trecho citado, assinale a alternativa correta.

a) O método utilizado por Sócrates consistia em um exercício dialético, cujo objetivo era livrar o seu
interlocutor do erro e do preconceito − com o prévio reconhecimento da própria ignorância −, e
levá-lo a formular conceitos de validade universal (definições).

b) Sócrates era, na verdade, um filósofo da natureza. Para ele, a investigação filosófica é a busca pela
“Arché”, pelo princípio supremo do Cosmos. Por isso, o método socrático era idêntico aos
utilizados pelos filósofos que o antecederam (Pré-socráticos).

c) O método socrático era empregado simplesmente para ridicularizar os homens, colocando-os


diante da própria ignorância. Para Sócrates, conceitos universais são inatingíveis para o homem;
por isso, para ele, as definições são sempre relativas e subjetivas, algo que ele confirmou com a
máxima “o Homem é a medida de todas as coisas”.

d) Sócrates desejava melhorar os seus concidadãos por meio da investigação filosófica. Para ele,
isso implica não buscar “o que é”, mas aperfeiçoar “o que parece ser”. Por isso, diz o filósofo, o
fundamento da vida moral é, em última instância, o egoísmo, ou seja, o que é o bem para o
indivíduo num dado momento de sua existência.

6. No pórtico da Academia de Platão, havia a seguinte frase: “não entre quem não souber geometria”.
Essa frase reflete sua concepção de conhecimento: quanto menos dependemos da realidade
empírica, mais puro e verdadeiro é o conhecimento tal como vemos descrito em sua Alegoria da
Caverna.

“A ideia de círculo, por exemplo, preexiste a toda a realização imperfeita do círculo na areia ou na tábula
recoberta de cera. Se traço um círculo na areia, a ideia que guia a minha mão é a do círculo perfeito.
Isso não impede que essa ideia também esteja presente no círculo imperfeito que eu tracei. É assim
que aparece a ideia ou a forma.”
JEANNIÈRE, Abel. Platão. Tradução de Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.

Com base nas informações, assinale a alternativa que interpreta corretamente o pensamento de Platão.
a) A Alegoria da Caverna demonstra, claramente, que o verdadeiro conhecimento não deriva do
“mundo inteligível”, mas do “mundo sensível”.
b) Todo conhecimento verdadeiro começa pela percepção, pois somente pelos sentidos podemos
conhecer as coisas tais quais são.
c) Quando traçamos um círculo imperfeito, isto demonstra que as ideias do “mundo inteligível” não
são perfeitas, tal qual o “mundo sensível”.
d) As ideias são as verdadeiras causas e princípio de identificação dos seres; o “mundo inteligível” é
onde se obtêm os conhecimentos verdadeiros.

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Filosofia / Sociologia

7. Leia o seguinte trecho da Alegoria da Caverna.


Agora imagine que por esse caminho as pessoas transportam sobre a cabeça objetos de todos os
tipos: por exemplo, estatuetas de figuras humanas e de animais. Numa situação como essa, a única
coisa que os prisioneiros poderiam ver e conhecer seriam as sombras projetadas na parede a sua
frente.
CHALITA, G. Vivendo a Filosofia. São Paulo: Ática, 2006, p. 50.

Com base na leitura do trecho e em seus conhecimentos sobre a obra de Platão (428 a.C. – 348 a.C.),
assinale a alternativa INCORRETA.
a) Platão distingue o mundo sensível ou das aparências, onde tudo o que se capta por meio dos
sentidos pode ser motivo de engano, e o mundo inteligível, onde se encontram as ideias a partir
das quais surgem os elementos do mundo sensível.
b) Platão tinha como principal objetivo o conhecimento das ideias: realidades existentes por si
mesmas, essências a partir das quais podem ser geradas suas cópias imperfeitas.
c) O pensamento de Platão deu origem aos fundamentos da ciência moderna graças ao seu método
de observação e experimentação para o conhecimento dos fenômenos naturais.
d) A obra de Platão está fundamentada em um método de investigação conhecido como dialética
cujo objetivo é superar a simples opinião (doxa) e atingir o conhecimento verdadeiro ou ciência
(episteme).

8. Leia o texto a seguir.


“SÓCRATES: Portanto, como poderia ser alguma coisa o que nunca permanece da mesma maneira?
Com efeito, se fica momentaneamente da mesma maneira, é evidente que, ao menos nesse tempo, não
vai embora; e se permanece sempre da mesma maneira e é ‘em si mesma’, como poderia mudar e
mover-se, não se afastando nunca da própria Ideia?
CRÁTILO: Jamais poderia fazê-lo.
SÓCRATES: Mas também de outro modo não poderia ser conhecida por ninguém. De fato, no próprio
momento em que quem quer conhecê-la chega perto dela, ela se torna outra e de outra espécie; e assim
não se poderia mais conhecer que coisa seja ela nem como seja. E certamente nenhum conhecimento
conhece o objeto que conhece se este não permanece de nenhum modo estável.
CRÁTILO: Assim é como dizes.”
PLATÃO, Crátilo, 439e-440a.
Assinale a alternativa correta, de acordo com o pensamento de Platão.
a) Para Platão, o que é “em si” e permanece sempre da mesma forma, propiciando o conhecimento,
é a Ideia, o ser verdadeiro e inteligível.
b) Platão afirma que o mundo das coisas sensíveis é o único que pode ser conhecido, na medida em
que é o único ao qual o homem realmente tem acesso.
c) As Ideias, diz Platão, estão submetidas a uma transformação contínua. Conhecê-las só é possível
porque são representações mentais, sem existência objetiva.
d) Platão sustenta que há uma realidade que sempre é da mesma maneira, que não nasce nem
perece e que não pode ser captada pelos sentidos e que, por isso mesmo, cabe apenas aos deuses
contemplá-la.

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Filosofia / Sociologia

9. Segundo Platão, na sequência de Sócrates, a sociedade nasce do homem, isto é, de sua condição
natural. O Bem e a Justiça se realizam no exercício da cidadania.
PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis, 2006. p. 31.

Sobre esse assunto, está CORRETO o que se afirma na alternativa:

a) Compreender o que são o bem e a justiça proporciona subsídios para julgar melhor a concepção
de cidadania.

b) O bem e a justiça são categorias indiferentes para o entendimento e a prática da cidadania.

c) O campo da justiça se configura como secundário para subsidiar o exercício da cidadania.

d) O homem é um animal social, apenas dotado de individualidade. Isso se constitui questão singular
no exercício da cidadania.

e) A sociedade é a base de toda forma de existência humana. Nela, o bem tem um coeficiente ínfimo
para o efetivo exercício da cidadania.

10. Leia o texto a seguir sobre a filosofia e a ética.

Disponível em: <www.joseferreira.com.br>.

Toda a obra de Platão tem um profundo sentido ético. Três poderiam ser os eixos centrais, que
comandam a ética platônica: primeiro, a justiça na ordem individual e social; segundo, a transcendência
do Bem; terceiro, as virtudes humanas e a ordem política presididas pela justiça.
PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis: Vozes, 2006, p. 25-26. Adaptado.

O autor mencionado demarca alguns pontos singulares dos temas centrais da ética de Platão. Sobre
esse assunto, é correto afirmar que
a) as virtudes humanas estão em conexão com a transcendência do bem e desvinculadas da ordem
política, presidida pela justiça.
b) o sentido ético-político na filosofia de Platão prioriza a ordem individual em detrimento do
plano social.
c) Platão defende um ideal ético, centrado na sabedoria, declinando da ordem política presidida pela
justiça.
d) a justiça e o bem se realizam na ordem individual, e a virtude, na ordem política.
e) na ética de Platão, a virtude é prática da justiça.

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Filosofia / Sociologia

Gabarito

1. Para Platão existem dois mundos – o inteligível e o sensível. No mundo inteligível ou das ideias, as coisas
são perfeitas, verdadeiras, eternas. Já no sensível – o mundo material, onde o homem habita-
convivemos com as cópias. Desta forma, para Platão o conhecimento verdadeiro se encontra no mundo
inteligível – em cima. Por isso, Platão aponta para o alto.

2. De acordo com Platão, a realidade e o conhecimento são formulados em mundos distintos: o inteligível
e o sensível. As ideias nascem em um mundo inteligível, real e imutável dominadas pela razão e pelos
conceitos sendo, portanto, perfeitos. Já o mundo das sensações seria uma mera cópia do mundo
inteligível o que as tornariam imperfeitas. Dessa maneira, para Platão as sensações podem nos confundir
e induzir ao erro, sendo somente a razão a responsável pela formação do conhecimento.

3. B
Para Platão, o governante deve ser um homem cujo conhecimento é verdadeiro. Por isso, o Mito da
Caverna representa não só o caminho rumo ao conhecimento, mas também nos motra como é visto o
homem que o alcançou. Apesar de querer tirar os demais da ignorância, ele corre o risco de morrer, tal
como aconteceu com Sócrates.

4. B
A, C, D e E – Incorretas.
A verdade ou o conhecimento não são acessíveis por meio da experiência, ou seja, das sensações e
impressões advindas dela. B – Correta. A partir das impressões e de determinado raciocínio a respeito
delas, os homens são capazes de chegar ao conhecimento e à verdade. É por essa afirmação que
Sócrates é considerado parteiro das ideias, quando demonstra que qualquer homem, senhor ou escravo,
quando exposto a determinada experiência e munido de certo raciocínio, chega ao conhecimento e à
verdade.

5. A
A afirmativa B está errada. Uma das divisões dos períodos da filosofia antiga em pré-socrático e
socrático se dá justamente devido a uma ruptura de entendimento e não por questões temporais.
Sócrates abandona o pensamento sofista. Desta forma, não há como dizer que o método socrático era
idêntico ao dos filósofos que o antecederam. A afirmativa C está errada, o objetivo de Sócrates não era
ridicularizar os homens, mas sim fornecer-lhes meios de conhecer realmente, sendo o conhecimento
uma virtude primeira. Por sua vez, a frase "o Homem é a medida de todas as coisas" é de Protágoras. A
afirmativa D está errada, Sócrates buscava o conhecimento real e não em sua aparência. E o egoísmo,
como conceito, só é criado no século XVIII (ainda que já se conhecessem suas características), não
podendo ser atribuído ao filósofo da antiguidade.

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Filosofia / Sociologia

6. D
A afirmativa A está incorreta, porque, para Platão, o verdadeiro conhecimento é o do "mundo inteligível",
das ideias. O conhecimento do mundo sensível é, portanto, falho, como fica demonstrado na Alegoria da
Caverna. A afirmativa B está incorreta, pois podemos entender percepção como sinônimo de
sensibilidade ou empirismo, o que para Platão não leva ao conhecimento verdadeiro. A afirmativa C está
incorreta, porque, ao traçar um círculo imperfeito, demonstramos que é impossível reproduzir no mundo
sensível a perfeição existente no mundo das ideias. Por fim, a alternativa D está correta, pois trata-se da
ideia platônica dos "conceitos" ou "universais".

7. C
A afirmativa C está incorreta porque se refere a Aristóteles. Foi ele o filósofo que se preocupou com
métodos para observação e experimentação dos fenômenos naturais, sendo um precursor do
desenvolvimento da ciência moderna. Como a filosofia de Platão era mais voltada ao conhecimento
idealístico do mundo, ele não teve a preocupação de pensar as coisas em sua realidade concreta,
sensível.

8. A
A - Correta. Para Platão as ideias são perfeitas e imutáveis, e somente elas trazem o verdadeiro
conhecimento a respeito das coisas, por isso, a teoria da dialética é a única maneira de sair da opinião,
indo de ideia em ideia até intuir a ideia Suprema. B, C e D - Incorretas. Para Platão o mundo das coisas
sensíveis é o mundo das aparências, das sombras, limitados à opinião, e por isso, não oferecem
conhecimento verdadeiro sobre as coisas. A única realidade imutável e que oferece, aos que a elas
chegam, um conhecimento sobre as coisas, é a realidade das ideias, que podem ser alcançadas por
todos aqueles que se submeterem à dialética, ou seja à busca incessante da verdade.

9. A
A questão trata das relações entre bem e justiça e seu papel na constituição da cidadania. O bem é um
conceito filosófico amplo que aparece no campo da ética, assim como na filosofia platônica, na qual é
visto metafisicamente como aquilo que confere verdade aos objetos cognoscíveis e ao homem o poder
de conhecê-los, tornando-se uma dádiva e um meio para o progresso humano. A justiça, por sua vez, em
termos filosóficos, pode ser vista como conformidade da conduta a uma norma ou como eficiência de
uma norma ou sistema de normas. Mas devemos lembrar que, assim como o bem, trata-se de um
conceito amplo. Normalmente, confunde-se justiça e bem, pois nem sempre o que leva ao bem pode ser
considerado justo e vice-versa. É nesse sentido que a alternativa A está correta, porque é a compreensão
desses dois conceitos que permitirão uma melhor consciência da cidadania, um espaço que visa ao bem
coletivo, mas que busca isso por meio de normas comuns a todos, um universo regrado pela justiça.

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Filosofia / Sociologia

10. E
a) Incorreta. Na política também deve haver presença das virtudes humanas, da busca do bem e não
apenas o crivo da dita justiça, que por ser impessoal pode levar ao prejuízo dos seres.
b) Incorreta. Platão priorizava o bem coletivo e não a vantagem individual.
c) Incorreta. Não existe essa separação entre sabedoria e justiça, sendo a primeira elemento necessário
ao exercício da segunda.
d) Incorreta. Essa separação não é aceitável, tanto a ordem individual quanto a política devem possuir
justiça, busca do bem e da virtude.

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Filosofia / Sociologia

Metafísica de Aristóteles

Resumo

Um dos maiores pensadores de todos os tempos, Aristóteles foi, durante a juventude, o mais brilhante
discípulo de Platão, pensador com o qual estudou durante o período de vinte anos. Sua filosofia, entretanto,
pode ser considerada essencialmente um anti-platonismo. De fato, não obstante manter até sua morte uma
profunda admiração pelo mestre, Aristóteles considerava que as bases do pensamento platônico, em especial
a Teoria das Ideias, estavam profundamente equivocadas. Daí, aliás, a célebre frase que lhe é atribuída: “Sou
amigo de Platão, mas sou mais amigo da verdade”
Como se sabe, para Platão, a realidade está dividida em dois níveis: o mundo das Ideias ou mundo
inteligível, onde se encontram as essências imutáveis das coisas; e o mundo sensível, onde se encontram as
coisas concretas e materiais, reflexos imperfeitos de suas essências. Em outras palavras, toda a filosofia de
Platão repousava sobre a separação entre, de um lado, as coisas, e, de outro, suas essências. Ora, para
Aristóteles, tal separação soava absurda, pois contraria o próprio significado da palavra “essência”. De fato,
essência é aquilo que faz com que uma coisa seja o que ela é e não outra. Ou seja, a essência de uma coisa
é a sua característica primordial, aquilo que a define, aquilo que a faz ser o que ela é e que, portanto, caso ela
perca, ela deixará de ser o que é. Pois bem, se as essências fossem separadas das coisas, isto significaria
que as características primordiais das coisas não estariam nas próprias coisas, mas fora delas. Isso faz
algum sentido? Segundo Aristóteles, não. Daí que o ponto de partida de seu pensamento não é a defesa da
separação da realidade em dois níveis, tal como propunha Platão, mas sim a afirmação da unidade
inseparável entre essência e coisa. Não há dois mundos, um de essências e outro de coisas. O que há é uma
única realidade, onde as coisas e suas essências se encontram juntas. Esta tese central da ontologia
aristotélica, conhecida como teoria da substância, é o ponto a partir do qual podemos compreender toda a
ontologia aristotélica.
Segundo Aristóteles, toda coisa é uma substância, ou seja, é uma realidade que subsiste em si
mesma. Isto, inclusive, é o que diferencia as coisas de suas características. Enquanto a característica subsiste
apenas na coisa, a coisa subsiste por si mesma. Por exemplo, Pedro subsiste em si mesmo, mas a sua cor
de pele só subsiste através dele e não em si mesma. Toda a filosofia de Aristóteles parte da análise que ele
faz dos elementos que constituem as substâncias.
Dentre as características que compõem uma substância, podemos distinguir dois tipos: a essência
(ou forma) e os acidentes. A essência de uma coisa, como vimos, é a sua característica primordial, aquilo que
a define, que a faz ser o que é. Por sua vez, os acidentes são todas as características de uma coisa que não
lhe são essenciais, ou seja, são as características secundárias, aquelas que a substância pode perder ou
ganhar sem deixar de ser o que é. Assim, por exemplo, na substância João, que é um ser humano, a essência
é racionalidade e os acidentes são todas as demais características de João, tais como sua altura, corte de
cabelo, cor de pele, etc.
Depois de analisar as partes componentes da substância, Aristóteles procura compreender como elas
se transformam. Aristóteles define a mudança como uma passagem da potência ao ato. No linguajar
aristotélico, potência é uma possibilidade de ser que a substância tem, mas que ela não está realizando em
dado momento. Por outro lado, ato é aquilo que a substância realmente é em dado momento. Por exemplo,

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Filosofia / Sociologia

quando Maria vai de casa para o colégio, ela realizou uma mudança, pois modificou o lugar onde estava
presente. Tal mudança se deu quando aquilo que era mera potência, possibilidade (estar no colégio) se tornou
ato, realidade. O ser em potência é aquele que é apenas enquanto possibilidade; o ser em ato é aquele que é
como realidade, efetivamente. Mudar é transferir algo do domínio do possível para o domínio do real. Com
sua teoria do ato e potência, Aristóteles procurou explicar que mudar não é simplesmente se tornar algo
diferente do que se é (tal como pensavam os pré-socráticos). Mais que isso, mudar é se tornar algo diferente
do que se é, mas que é possível, que é compatível com a própria natureza.
Por fim, para explicar como se dá a mudança das substâncias e como ela subsistem, é preciso saber
quais são os elementos que fazem com que algo passe de potência a ato. Os princípios responsáveis pela
existência das substâncias e que realizam suas mudanças são chamados por Aristóteles de causas. Segundo
o filósofo, há ao todo quatro causas:

• Causa formal: é a característica primordial da substância, a sua forma. Por exemplo, no caso de uma
cadeira, a causa formal é a essência da cadeira.

• Causa material: é a matéria da substância, aquilo que de que ela é feita. No caso da cadeira, por exemplo,
é a madeira.

• Causa eficiente: é aquilo que produz a substância, que a põe no ser, que a faz existir. No caso do exemplo
da cadeira, é o carpinteiro.

• Causa final: é a finalidade da substância, aquilo para que ela foi feita, o seu propósito. No caso da cadeira,
a causa final é servir como assento.

De modo didático, podemos dizer que as quatro causas respondem a quatro perguntas: O que é? De que foi
feito? Quem fez? Para que serve?

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Filosofia / Sociologia

Exercícios

1. "Todos os homens, por natureza, desejam conhecer. Sinal disso é o prazer que nos proporcionam os
nossos sentidos; pois, ainda que não levemos em conta a sua utilidade, são estimados por si mesmos;
e, acima de todos os outros, o sentido da visão". Mais adiante, Aristóteles afirma: "Por outro lado, não
identificamos nenhum dos sentidos com a Sabedoria, se bem que eles nos proporcionem o
conhecimento mais fidedigno do particular. Não nos dizem, contudo, o porquê de coisa alguma". Fonte:
ARISTÓTELES, Metafísica. Tradução de Leonel Vallandro. Porto Alegre: Globo, 1969, p. 36 e 38.

Com base nos textos acima e nos conhecimentos sobre a metafísica de Aristóteles, considere as
afirmativas a seguir.
I. Para Aristóteles, o desejo de conhecer é inato ao homem.
II. O desejo de adquirir sabedoria em sentido pleno representa a busca do conhecimento em mais
alto grau.
III. O grau mais alto de conhecimento manifesta-se no prazer que sentimos em utilizar nossos
sentidos.
IV. Para Aristóteles, a sabedoria é a ciência das causas particulares que produzem os eventos.

A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é:


a) I e II
b) II e IV
c) I, II e III
d) I, III e IV
e) II, III e IV

2. Aristóteles rejeitou a dicotomia estabelecida por Platão entre mundo sensível e mundo inteligível. No
entanto, acabou fundindo os dois conceitos em um só. Esse conceito é
a) a forma, aquilo que faz com que algo seja o que é. É o princípio de inteligibilidade das coisas.
b) a matéria, enquanto princípio indeterminado de que o mundo físico é composto, e aquilo de que
algo é feito.
c) a substância, enquanto aquilo que é em si mesmo e enquanto é suporte dos atributos.
d) o Ato Puro ou Primeiro Motor Imóvel, causa incausada e causa primeira e necessária de todas as
coisas.

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Filosofia / Sociologia

3. “A substância, no sentido o mais fundamental, primeiro e principal do termo, é o que não se afirma de
um sujeito, nem ocorre num sujeito; por exemplo, o homem individual ou o cavalo individual.”
ARISTÓTELES. Categorias, V.2 a, p. 11-14.

André é um homem branco, tem dois metros de altura, e hoje se encontra sentado na esquina, lendo
um romance que o emociona a cada página. Considerando os textos acima, é correto afirmar que

a) o conceito aristotélico de substância expressa uma crítica ao abstracionismo da ideia platônica e,


segundo Aristóteles, podemos afirmar que o essencial na descrição de “André” é o fato de que
hoje ele se emocionou na sua leitura.

b) o conceito aristotélico de substância é um outro nome para ideia platônica e, segundo Aristóteles,
podemos afirmar que “André” participa da ideia de homem.

c) o conceito aristotélico de substância expressa uma crítica à teoria das ideias de Platão e, segundo
Aristóteles, podemos considerar “André” como substância, homem como sua espécie e os outros
atributos da sua descrição como acidentais.

d) o conceito aristotélico de substância é uma ideia cuja existência encontramos em um mundo


inteligível diferente do sensível e, segundo Aristóteles, podemos considerar “André” como uma
ideia e os outros atributos da sua descrição como as imagens que o complementam.

4. “Em primeiro lugar, é claro que, com a expressão “ser segundo a potência e o ato”, indicam-se dois
modos de ser muito diferentes e, em certo sentido, opostos. Aristóteles, de fato, chama o ser da
potência até mesmo de não-ser, no sentido de que, com relação ao ser-em-ato, o ser-em-potência é
não-ser-em-ato.”
REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. Vol. II. Trad. de Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo:
Loyola, 1994, p. 349.

A partir da leitura do trecho acima e em conformidade com a Teoria do Ato e Potência de Aristóteles,
assinale a alternativa correta.

a) Para Aristóteles, ser-em-ato é o ser em sua capacidade de se transformar em algo diferente dele
mesmo, como, por exemplo, o mármore (ser-em-ato) em relação à estátua (ser-em-potência).

b) Segundo Aristóteles, a teoria do ato e potência explica o movimento percebido no mundo sensível.
Tudo o que possui matéria possui potencialidade (capacidade de assumir ou receber uma forma
diferente de si), que tende a se atualizar (assumindo ou recebendo aquela forma).

c) Para Aristóteles, a bem da verdade, existe apenas o ser-em-ato. Isto ocorre porque o movimento
verificado no mundo material é apenas ilusório, e o que existe é sempre imutável e imóvel.

d) Segundo Aristóteles, o ato é próprio do mundo sensível (das coisas materiais) e a potência se
encontra tão-somente no mundo inteligível, apreendido apenas com o intelecto.

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Filosofia / Sociologia

5. Leia o texto a seguir.


“É pois manifesto que a ciência a adquirir é a das causas primeiras (pois dizemos que conhecemos
cada coisa somente quando julgamos conhecer a sua primeira causa); ora, causa diz-se em quatro
sentidos: no primeiro, entendemos por causa a substância e a essência (o “porquê” reconduz-se pois à
noção última, e o primeiro “porquê” é causa e princípio); a segunda causa é a matéria e o sujeito; a
terceira é a de onde vem o início do movimento; a quarta causa, que se opõe à precedente, é o “fim para
que” e o bem (porque este é, com efeito, o fim de toda a geração e movimento).”
ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. De Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril S. A. Cultural, 1984. p.16. (Coleção Os Pensadores.).
Adaptado.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que indica, corretamente,
a ordem em que Aristóteles apresentou as causas primeiras.
a) Causa final, causa eficiente, causa material e causa formal.
b) Causa formal, causa material, causa final e causa eficiente.
c) Causa formal, causa material, causa eficiente e causa final.
d) Causa material, causa formal, causa eficiente e causa final.
e) Causa material, causa formal, causa final e causa eficiente

6. Elaborando a teoria das quatro causas e a distinção entre ato e potência, Aristóteles busca explicar a
realidade do devir e da mudança a que estão submetidas as coisas causadas. Assinale o que for correto.

(01) Para Aristóteles, a mudança implica uma passagem da potência ao ato; o ato é o estado de plena
realização de uma coisa; a potência, a capacidade que algo tem para assumir uma determinação.

(02) Segundo Aristóteles, tudo o que acontece tem suas causas, essas são a explicação ou o porquê
de certa coisa ser o que é.

(04) Causa material, causa formal, causa eficiente e causa final são os quatros sentidos que Aristóteles
distingue no termo causa.

(08) Segundo Aristóteles, a causa material e a causa formal de uma coisa são, respectivamente, aquilo
de que essa coisa é feita e aquilo que ela essencialmente é.

(16) Segundo Aristóteles, a causa eficiente e a causa final de uma coisa são, respectivamente, o agente
que atua sobre essa coisa e o fim a que ela se destina.
Soma: ( )

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Filosofia / Sociologia

7. “Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem querer justificá-las racionalmente, pode-se
desprezar as evidências empíricas. No entanto, depois de Platão e Aristóteles, nenhum homem honesto
pode ignorar que uma outra atitude intelectual foi experimentada, a de adotar crenças com base em
razões e evidências e questionar tudo o mais a fim de descobrir seu sentido último.”
ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2002.

Platão e Aristóteles marcaram profundamente a formação do pensamento Ocidental. No texto, é


ressaltado importante aspecto filosófico de ambos os autores que, em linhas gerais, refere-se à
a) adoção da experiência do senso comum como critério de verdade.
b) incapacidade de a razão confirmar o conhecimento resultante de evidências empíricas.
c) pretensão de a experiência legitimar por si mesma a verdade.
d) defesa de que a honestidade condiciona a possibilidade de se pensar a verdade.
e) compreensão de que a verdade deve ser justificada racionalmente.

8. A filosofia de Aristóteles representou uma nova interpretação sobre o problema do ser. Nesse sentido,
Aristóteles define a ciência como
a) conhecimento verdadeiro, isto é, conhecimento que se fundamenta apenas na compreensão do
mundo inteligível porque as idéias, enquanto entidades metafísicas, não mudam.
b) conhecimento verdadeiro, isto é, conhecimento pelas causas, capaz de compreender a natureza
do devir e superar os enganos da opinião.
c) conhecimento relativo porque o ser é mobilidade, eterno fluxo e a verdade não pode, portanto, ser
absoluta.
d) conhecimento relativo porque a ciência, enquanto produção do homem, é determinada pelo
desenvolvimento histórico.

9. “[...] após ter distinguido em quantos sentidos se diz cada um [destes objetos], deve-se mostrar, em
relação ao primeiro, como em cada predicação [o objeto] se diz em relação àquele.”
Aristóteles, Metafísica. Tradução de Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

De acordo com a ontologia aristotélica,

a) a metafísica é “filosofia primeira” porque é ciência do particular, do que não é nem princípio, nem
causa de nada.

b) o primeiro entre os modos de ser, ontologicamente, é o “por acidente”, isto é, diz respeito ao que
não é essencial.

c) a substância é princípio e causa de todas as categorias, ou seja, do ser enquanto ser

d) a substância é princípio metafísico, tal como exposto por Platão em sua doutrina

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Filosofia / Sociologia

10. Leia atentamente o texto abaixo.


"Logo, o que é primeiramente, isto é, não em sentido determinado, mas sem determinações, deve ser a
substância. Ora, em vários sentidos se diz que uma coisa é primeira, e em todos eles o é a substância:
na definição, na ordem de conhecimento, no tempo."
ARISTÓTELES. METAFÍSICA. (1028830-35). TRADUÇÃO DE LEONEL VALLANDRO. PORTO ALEGRE. GLOBO. 1969. P.147-148.

De acordo com o pensamento de Aristóteles, marque a alternativa INCORRETA.

a) Para Aristóteles, o conhecimento somente é possível tendo por objeto as substâncias, pois dos
acidentes não é possível se fazer ciência.

b) A substância, ao contrário do acidente, é a categoria por meio da qual sabemos o que uma coisa
é, pois é a partir da substância que definimos uma coisa.

c) Pode-se dizer que, para a metafísica aristotélica, a substância é a característica necessária de uma
coisa, uma vez que nos indica em que sentido uma coisa é.

d) Segundo a metafísica aristotélica, a definição de cada ser é apreendida pela ordenação e


classificação de suas características acidentais.

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Filosofia / Sociologia

Gabarito

1. A
Para Aristóteles, a busca pelo conhecimento é algo que faz parte da própria natureza humana, iniciando-
se e manifestando-se primeiramente através dos sentidos, que captam as substâncias, realidades
particulares. A partir desta captação inicial dos sentidos, degrau primeiro do conhecimento, o homem vai
então, mediante o poder de abstração do seu intelecto, obtendo sabedoria, isto é, apreendendo os
princípios universais que regem a realidade.

2. C
Aristóteles criticou durante a metafísica do seu mestre Platão pois considerava o dualismo da Teoria das
Ideias algo inaceitável. De fato, como pode a essência de uma coisa estar separada da própria coisa? Foi
então que, superando o dualismo, Aristóteles propôs uma nova metafísica, na qual se compreende que
o mundo é constituído pelas substâncias, realidades particulares e autossuficientes, no interior das quais
se encontram as respectivas essências.

3. C
Segundo Aristóteles, em crítica à teoria das Ideias de Platão, toda coisa (realidade que subsiste por si
mesma) é uma substância. Por sua vez, no interior de cada substância, podem-se distinguir dois tipos de
características: a essência, característica primordial da substância, que a define (no caso do homem, por
exemplo, a racionalidade) e os acidentes, características secundárias, que compõem a substância, mas
que ela pode perder ou adquirir sem deixar de ser o que é. No caso da questão, a substância André é da
espécie humana pois sua essência é humana. Entretanto, André não deixaria de ser André caso sua pele
mudasse de cor ou caso começasse a andar pela rua: essas são características acidentais.

4. B
Para Aristóteles, toda mudança é sempre uma passagem da potência (possibilidade de ser, o que não
existe, mas que não é contraditório que exista, que pode existir) ao ato (aquilo que existe efetivamente).
Em outras palavras, para que algo mude e se torne real, primeiro necessitava ser possível.

5. C
A causa formal ou forma é a essência da substância, a característica primordial que a define. A causa
material ou matéria é de que a substância é feita, o que a compõe. A causa eficiente é quem ou o que
fez, produziu a substância. A causa final é o propósito, objetivo da substância.

6. Todas as opções estão corretas e, no seu conjunto, sintetizam perfeitamente a teoria aristotélica das
quatro causas.

7. E
Aristóteles, tal como Platão, é acima de tudo um exemplo de vida dedicada à filosofia, isto é, de alguém
que dedicou-se radicalmente à busca do conhecimento por meio da razão.

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Filosofia / Sociologia

8. B
Assim como Platão, Aristóteles discordava dos sofistas e acreditava que é possível obter um
conhecimento objetivo e absolutamente seguro. Entretanto, diferente de seu mestre, Aristóteles não
pensava que para isso é necessário buscar alcançar uma realidade superior e inteligível, onde as
essências se encontram separadas das coisas. Ao contrário, na ontologia aristotélica, as essências se
encontram no interior das próprias coisas que participam do devir, isto é, da mudança.

9. C
Aristóteles criticou durante a metafísica do seu mestre Platão pois considerava o dualismo da Teoria das
Ideias algo inaceitável. De fato, como pode a essência de uma coisa estar separada da própria coisa? Foi
então que, superando o dualismo, Aristóteles propôs uma nova metafísica, ciência universal na qual se
compreende que o mundo é constituído pelas substâncias, realidades particulares e autossuficientes, no
interior das quais se encontram as respectivas essências.

10. D
Segundo Aristóteles, em crítica à teoria das Ideias de Platão, toda coisa (realidade que subsiste por si
mesma) é uma substância. Por sua vez, no interior de cada substância, podem-se distinguir dois tipos de
características: a essência, característica primordial da substância, que a define e que pode ser usada
como sinônima dela, e os acidentes, características secundárias, que compõem a substância, mas que
ela pode perder ou adquirir sem deixar de ser o que é, e que portanto não a definem.

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Sociologia

2019
Fevereiro
Filosofia / Sociologia

Surgimento da Sociologia

Resumo

A sociologia surgiu na Europa no século XIX, a partir de uma intensa busca do homem em interpretar a
sociedade contemporânea que passava por intensas mudanças sociais. Todas as transformações ocorridas
no século XIX, foram herdeiras de importantes revoluções ocorridas no século anterior, a saber: o Iluminismo,
a Revolução Francesa e a Revolução Industrial. Cada um desses fatores históricos representa a mudança de
um campo da experiência humana.
O Iluminismo, por exemplo, foi um movimento filosófico e representou a mudança no campo das ideias,
da mentalidade. Como seu próprio nome nos indica, o propósito do pensamento iluminista era iluminar a
realidade, trazer a luz. No entanto, que luz era essa? A luz da razão. O projeto comum dos iluministas era
racionalizar todos os aspectos da existência humana, do conhecimento à vida social, da política às práticas
religiosas.
Já a revolução francesa está mais relacionada com transformações políticas, certamente. Com efeito,
o que os revolucionários promoveram não foi apenas uma mudança de governo, a passagem de um rei para
outro. O que mudou foi a própria maneira como se enxergava o poder. Mais do que o ocupante de um cargo,
foi o próprio modo de fazer política que se transformou. Para o bem ou para o mal, o fim do absolutismo
representou o início de uma nova era na história da política, na qual esta passou a se ver cada vez mais
separada da religião e na qual se tornou predominante acreditar que o fundamento da autoridade do Estado
está na vontade do povo.
A revolução industrial foi o evento histórico mais importante do século XVIII europeu, a industrialização
mudou radicalmente a economia e consolidou definitivamente o capitalismo como sistema econômico
reinante. Pela primeira vez na história, a produção econômica deixava de ser manual, artesanal, passando a
ser baseada no uso de máquinas. Assim, naturalmente, não apenas a produção se tornou muito maior e mais
rápida, como a própria tecnologia passou a ter uma evolução muito mais intensa, que acompanhamos até
hoje. A própria organização social se modificou em função da indústria. Afinal, as fábricas funcionavam nas
cidades e para lá se dirigiram em massa os trabalhadores, ocasionando um grande inchaço populacional.
Em poucas décadas, a Europa mudou radicalmente suas ideias, seu modo de fazer política e sua vida
econômica. Era uma sociedade completamente diferente daquela que existia anteriormente. Diante de um
aparente caos tão generalizado, era natural que alguns homens procurassem construir uma ciência da
sociedade. Sua pergunta era: “Afinal, o que está acontecendo aqui? O que houve com nossa sociedade?”. A
sociologia surgiu no século XIX porque nunca antes uma sociedade havia passado por mudanças tão intensas.
Essas mudanças exigiam uma explicação. Não à toa, alguns autores dizem que a sociologia é a “ciência da
crise”. De fato, ela é filha da crise da sociedade europeia.
Vale lembrar da importância que teve para o surgimento da Sociologia, já no século XIX, a corrente de
pensamento criada por Augusto Comte (1798 - 1857) denominada de positivismo. Em linhas gerais, essa
corrente de pensamento defendia que a ciência era o único conhecimento útil a ser buscado pela humanidade,
ou seja, que o caminho do progresso dependia necessariamente da aplicação da metodologia
científica. Nesse sentido, os fenômenos sociais também deveriam ser analisados, segundo Comte, a partir
dos métodos rigorosos da ciência. Assim, teve surgimento a Sociologia com estudo científico acerca das
sociedades.

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Filosofia / Sociologia

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Filosofia / Sociologia

Exercícios

1. Leia o texto a seguir:


Enquanto resposta intelectual à “crise social” de seu tempo, os primeiros sociólogos irão revalorizar
determinadas instituições que, segundo eles, desempenham papéis fundamentais na integração e na
coesão da vida social. A jovem ciência assumia como tarefa intelectual repensar o problema da ordem
social, enfatizando a importância de instituições como a autoridade, a família, a hierarquia social e
destacando a sua importância teórica para o estudo da sociedade.
MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia. São Paulo: Brasiliense, 2006, p. 30.

Com base nele, o surgimento da sociologia foi motivado pelas transformações das relações sociais
ocorridas na sociedade europeia, nos séculos XVIII e XIX, contribuindo para

a) o aumento da desorganização social estabelecida pela Revolução Industrial.


b) a organização de vários movimentos sociais controlados por pensadores como Saint-Simon e
Comte.
c) a elaboração de um conceito de sociologia incluindo os fenômenos mentais como tema de
reflexão e investigação.
d) a criação da corrente positivista, que propôs uma transformação da sociedade com base na
reforma intelectual plena do ser humano.
e) o surgimento de uma “física social” preocupada com a construção de uma teoria social, separada
das ideias de ordem e desenvolvimento como chave para o conhecimento da realidade.

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Filosofia / Sociologia

2. O objeto de estudo da Sociologia é caracterizado como a compreensão do ser humano nas suas
relações sociais. No entanto, na história da sociologia, cada pensador elaborou uma maneira particular
de investigar os fenômenos sociais. A seguir, encontram-se imagens dos principais teóricos da
Sociologia

(1) (2) (3)


Karl Marx Émile Durkhein Max Weber
(1818-1883) (1858-1917) (1846-1920)

Sobre o objeto de estudo elaborado por esses teóricos, é CORRETO afirmar que

a) o primeiro teórico entende a sociedade como um conjunto de relações de poder, controladas por
luta entre classes sociais diferentes, caracterizando o objeto de estudo da Sociologia como fatos
sociais.

b) o sociólogo da imagem 2 entende a Sociologia como uma ciência preocupada em entender as


relações humanas significativas, ou seja, algum tipo de sentido entre as várias ações sociais.

c) as classes sociais são o objeto de estudo do sociólogo apresentado na imagem 2 que entende a
sociedade como um grupo de indivíduos, ocupando uma mesma posição nas relações de
produção.

d) o terceiro teórico elaborou o objeto de estudo da Sociologia, visando compreender as relações


sociais com base no modo de agir, pensar e sentir, exterior ao indivíduo e dotado de um poder
coercitivo.

e) a ação social é um conceito-chave utilizado pelo teórico apresentado na imagem 3. Esse conceito
se refere à ação que, quanto ao sentido visado pelo indivíduo, tem como referência o
comportamento de outros, orientando-se por estes em seu curso.

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Filosofia / Sociologia

3. A sociologia surgiu para suprir a necessidade de se entender os fenômenos sociais e as regras


fundamentais pelas quais se baseiam nossas relações. Entretanto, a sociologia contemporânea difere-
se da ideia original, na medida em que:

a) entende-se que as sociedades são como organismos vivos, com leis de funcionamento
estabelecidas e imutáveis.

b) é amplamente aceito que as diferenças raciais determinam características do convívio do sujeito,


uma vez que é a raça que estabelece o comportamento social.

c) entende-se que as sociedades e as relações sociais possuem infinitas variações, não sendo
possível traçar leis gerais que justifiquem ou expliquem, em termos absolutos, todas as formas de
interação humana no mundo social.

d) deixou de ser uma área do conhecimento válida, uma vez que não é possível estudar uma
sociedade em razão da enorme quantidade de diferenças entre os sujeitos que a compõem.

4. O autor considerado “pai” da sociologia, Augusto Comte, acreditava que a nova ciência das sociedades
deveria igualar-se às demais ciências da natureza que se pautavam pelos fenômenos observáveis e
mensuráveis para que assim fosse possível apreender as regras gerais que regem o mundo social do
indivíduo. Essa perspectiva ideológica é chamada de:
a) Iluminismo.
b) Darwinismo.
c) Dadaísmo.
d) Positivismo.

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Filosofia / Sociologia

5. Leia o texto a seguir:


[...] grandes mudanças que ocorreram na história da humanidade, aquelas que aconteceram no século
XVIII – e que se estenderam no século XIX – só foram superadas pelas grandes transformações do
final do século XX. As mudanças provocadas pela revolução científico-tecnológica, que denominamos
Revolução Industrial, marcaram profundamente a organização social, alterando-a por
completo, criando novas formas de organização e causando modificações culturais duradouras, que
perduram até os dias atuais.
DIAS, Reinaldo. Introdução à sociologia. São Paulo: Persons Prentice Hall, 2004. p. 124.

Percebe-se que as transformações ocorridas nas sociedades ocidentais permitiram a formação de


relações sociais complexas. Nesse sentido, a sociologia surgiu com o objetivo de compreender essas
relações, explicando suas origens e consequências. Sobre o surgimento da sociologia e das mudanças
históricas apontadas no texto, assinale a alternativa correta.

a) A grande mecanização das fábricas nas cidades possibilitou o desenvolvimento econômico da


população rural por meio do aumento de empregos.

b) A divisão social do trabalho foi minimizada com as novas tecnologias introduzidas


pelas revoluções do século XVIII.

c) A sociologia foi uma resposta intelectual aos problemas sociais, que surgiram com a Revolução
Industrial.

d) O controle teológico da sociedade foi possível com o emprego sistemático da razão e do livre
exame da realidade.

e) As atividades rurais do período histórico, tratado no texto, foram o objeto de estudo que deu
origem à sociologia como ciência.

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Filosofia / Sociologia

6. Observe as imagens a seguir:

Disponível em: http://blogdoseagal.blogspot.com.br/2010/10/o-triunfo-da-ciencia-e-o-nascimento-da.html.

Elas representam o momento histórico e os fatores que deram origem à sociologia como ciência da
sociedade.
Sobre esse assunto, assinale a alternativa correta.
a) A violência e o desemprego são fatores posteriores ao surgimento da sociologia.

b) A sociologia tinha como objetivo corrigir os problemas sociais causados pelas Revoluções
Industrial e Francesa.

c) A criação de máquinas que aceleravam a produção era considerada pela sociologia como um fator
positivo, pois elas possibilitavam mais horas de descanso para o trabalhador.

d) A Revolução Industrial é considerada pelos pensadores da época como um momento importante


para se entender como a sociedade se tornou mais igualitária.

e) As cidades se tornaram grandes centros industriais, oferecendo condições sociais igualitárias


para toda a população, permitindo, com isso, a divisão das riquezas produzidas com a atividade
industrial.

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Filosofia / Sociologia

7. Leia os textos 1 e 2.
TEXTO I
A sociologia nasce com a missão de oferecer condições aos homens para entender a sociedade em
que vivem de maneira racional e questionadora.
Disponível em: <http://dirleydossantos.blogspot.com.br/2010/10/condicoes-historicas-que-possibilitaram.html>. Adaptado.

TEXTO II
Nos dias de hoje, as ciências sociais não são muito valorizadas, pois seus resultados não geram lucro
rápido e fácil, e isso para o capitalismo de hoje é inaceitável.
OLIVEIRA, L. F.; COSTA, R. C. R. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2007. p. 29.
Adaptado.
Embora a sociologia seja uma ciência social pouco valorizada no campo profissional, ela surgiu
baseada na necessidade de o homem explicar o mundo e suas relações com outros homens e com
outras sociedades em diferentes contextos. Acerca do surgimento da sociologia como ciência da
sociedade, assinale a alternativa correta.
a) Sofreu forte influência da Revolução Francesa e dos movimentos operários das
mineradoras inglesas que transformaram a forma de ver as relações entre máquinas e humanos.

b) Apareceu no cenário científico, a partir do século XIX, fundamentada nas correntes do pensamento
positivista, socialista e funcionalista.

c) Representava, para seu precursor Jean-Jacques Rousseau, uma ciência preocupada em analisar
processos e estruturas sociais, que influenciam nas reformas das instituições.

d) Fez do capitalismo o tema principal de estudo, utilizando seus recursos de cientificidade para
justificar a exploração sociocultural desse sistema econômico.

e) Buscou explicação para o surgimento da sociedade feudal.

8. Sobre o surgimento da Sociologia e suas proposições acerca da explicação do mundo social, pode-se
afirmar:

a) a Sociologia é uma manifestação do pensamento moderno e uma forma de conhecimento do


mundo social, cujas explicações são fundadas nas descobertas das ciências naturais e físicas, por
pressupor uma unidade entre sociedade e natureza e rejeitar o uso de leis gerais no conhecimento.

b) os pensadores fundadores da Sociologia concentraram seus esforços em interesses políticos e,


portanto, práticos, face aos objetivos de contribuir para as transformações sociais e para a
consolidação de uma nova ordem social diversa das sociedades feudal e capitalista.

c) a desagregação da sociedade feudal e a consolidação da sociedade capitalista, com o


consequente processo de industrialização e urbanização em países da Europa, contribuíram para
o surgimento da Sociologia como forma de conhecimento das sociedades em extinção.

d) a Sociologia surgiu no século XIX, vinculada à sociedade moderna, no contexto das


transformações econômicas e sociais e no bojo das mudanças nas formas de pensamento,
influenciadas pelas revoluções burguesas do século, bem como pelos ideais iluministas.

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Filosofia / Sociologia

9. Uma série de mudanças políticas e econômicas ocorreu na Europa, a partir do fim da Idade Média. O
quadro “A liberdade guiando o povo” (1830), de Eugène Delacroix, alude a um dos mais importantes
acontecimentos decorrentes desse período na história europeia, a Revolução Francesa.

Sobre a ligação entre as mudanças referidas no texto e o surgimento da Sociologia, é correto afirmar:

a) O desenvolvimento da indústria se opunha à formação do processo de instalação da sociedade


moderna.

b) A credibilidade da vida social, nas cidades, passa a ser buscada na coerência dos textos sagrados
e na adoração religiosa.

c) A vida religiosa foi adquirindo cada vez mais importância, o que fez com que a história do cotidiano
fosse concebida por um olhar sagrado.

d) A arte renascentista, ao apresentar a forte ligação entre Deus e os homens, expressou as


transformações sociais de forma contundente.

e) O desenvolvimento tecnológico e a nova postura do homem ocidental decorrentes das


transformações desse período histórico propiciaram o interesse pelo entendimento da vida social.

10. Marque a alternativa que corresponde a um dos antecedentes intelectuais da Sociologia.


a) A crença na capacidade de a razão apreender a dinâmica do mundo material.

b) A valorização crescente dos princípios de autoridade, notadamente da Igreja Católica.

c) A descrença nas forças da modernidade, principalmente na ideia de progresso.

d) O fortalecimento da especulação metafísica como procedimento científico.

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Filosofia / Sociologia

Gabarito

1. D
A sociologia surge em um contexto de crise das sociedades europeias, advindo das Revoluções Industrial
e Francesa. A primeira muda a forma de produção, com a transformação de sociedades rurais em
sociedades urbanas. A segunda muda os padrões de poder e organização política, passando-se de um
contexto político de poder na mão da nobreza tradicional para um centrado na burguesia nascente. O
positivismo teve um importante papel na construção teórica da sociologia, ao propor a organização da
vida social por um viés científico-racional, tendente ao progresso e a ordem.

2. E
Durkheim, Weber e Marx são considerados os pensadores cujo trabalho levou ao estabelecimento da
sociologia como ciência, pois de seus estudos formou-se o arcabouço teórico necessário ao
desenvolvimento dela. A alternativa A está incorreta porque refere-se a Marx (luta de classes)
misturando-o com Durkheim (fatos sociais). A alternativa B está incorreta porque refere-se a Weber
(relações sociais) associando-o com a foto de Durkheim. A alternativa C está incorreta porque refere-se
ao pensamento de Marx (classes sociais), associando-o com a foto de Durkheim. A alternativa D está
incorreta porque associa o pensamento de Durkheim (coerção coletiva) à foto de Weber. A alternativa
correta é a E.

3. C
A alternativa “C” é a correta. A sociologia contemporânea perdeu seu intuito de buscar leis e regras gerais
para explicar os fenômenos sociais que estuda. Na busca pelo entendimento, a sociologia volta-se para
a observação de casos individuais ou em grande escala para entender as possíveis motivações e
consequências do fenômeno.

4. D
A alternativa “D” é a correta. Augusto Comte foi um dos principais autores do positivismo, que entendia
que o verdadeiro conhecimento só era construído por meio da experimentação sensível do objeto de
estudo. A utilização do método científico de mensuração, experimentação e observação tinha por
finalidade estabelecer leis e regras fundamentais para o funcionamento dos fenômenos observados.

5. C
Com as mudanças sociais oriundas das mudanças políticas e tecnológicas do século XVIII, chegou-se a
um período de instabilidade social, o que levou ao surgimento da sociologia.

6. B
As Revoluções Industrial e Francesa criaram grandes transformações sociais, em curto período de
tempo, trazendo vários problemas no âmbito do convívio social. A sociologia surge para investigar estes
problemas e propor soluções.

7. B
A sociologia utilizou-se das correntes de pensamento positivista, socialista e funcionalista em seu
desenvolvimento.

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Filosofia / Sociologia

8. D
Essa questão da Universidade Federal de Uberlândia é excelente para verificarmos nosso conhecimento
do contexto histórico de surgimento da sociologia. A única opção que representa perfeitamente esse
contexto, como sabemos, é a letra D, apontando a influência que a Revolução Francesa, o Iluminismo e
a Revolução Industrial tiveram na constituição dessa ciência. Todas as outras opções têm pegadinhas.
A letra A, por exemplo, para induzir o aluno a erro, se utiliza da influência da física na formação da
sociologia. O problema, entre outras coisas, é que ela diz que a sociologia pressupõe uma unidade entre
natureza e sociedade. Isso não faz sentido algum. Se alguém procura criar uma ciência específica da
sociedade, diferente das ciências naturais, é justamente porque acredita que natureza e sociedade são
diferentes. A letra B, por sua vez, faz pegadinha com o fato de que as mudanças sociais do século XVIII
influenciaram os primeiros sociólogos. O problema é que esses pensadores não queriam acima de tudo
realizar ou promover essas mudanças, mas sim compreendê-las. Seu objetivo não era prático, mas
teórico. Por fim, a letra C também faz referência ao papel que a nova ordem social, industrial e capitalista,
teve na formação da sociologia. Seu erro, porém, está em dizer que o foco dos primeiros sociólogos era
compreender sociedades em extinção. Não. Pelo contrário, seu objetivo imediato era entender
justamente aquela sociedade em que viviam.

9. E
O mundo, ao final do século XVIII e início do século XIX, encontrava-se em profundo processo de
transformação, não uma transformação de regime político ou de dominação religiosa, uma grande
mudança de mentalidade das pessoas acontecia com o advento da Revolução Industrial e principalmente
com a Revolução Francesa.

10. A
O antecedente intelectual do surgimento da sociologia é o iluminismo, que vai defender que a razão deve
coordenar as ações humanas.

11
Filosofia / Sociologia

Processo de Socialização

Resumo

Um dos fatores essenciais no âmbito da construção das sociedades é chamado de processo de


socialização. É justamente a partir desse processo que há a interação e integração dos indivíduos na
sociedade a qual pertencem, através do aprendizado de hábitos, regras e saberes vinculados a uma
determinada cultura. Assim, o processo de socialização permite a assimilação de hábitos culturais e guia o
aprendizado social dos indivíduos, que irão assimilar os valores e regras da sociedade específica da qual
fazem parte. A educação, por exemplo, é um componente fundamental do processo de socialização, a partir
do qual as crianças se reconhecem como parte de um todo social, geralmente pelo contato com a geração
adulta.
Todas as relações sociais estabelecidas pelos indivíduos ao longo de sua vida irão contribuir para o
processo de socialização. Pelo contato com as normas, valores e diferentes grupos sociais acontecerá a
socialização do indivíduo, numa teia complexa dentro da qual todas as pessoas moldarão seus hábitos e
condutas. É evidente que os processos de socialização são diferentes de acordo com a sociedade em
questão. Podemos dizer, nesse sentido, que o processo de socialização de uma criança educada num espaço
urbano será diferente, por exemplo, da socialização de uma criança que vive campo. Da mesma forma que
podemos perceber que o processo de socialização de uma criança numa determinada tribo indígena pode
apresentar muitas diferenças em relação ao mesmo processo numa outra tribo indígena.
Em geral, há dois tipos principais de socialização, a socialização primária e a socialização secundária.
A primeira diz respeito à socialização que ocorre através da família, quando a criança entrará em contato com
a linguagem e estabelecerá suas primeiras ralações sociais. Já aqui haverá a internalização de diversas
normas que serão fundamentais para o segundo estágio do processo de socialização. A socialização
secundária diz respeito ao estabelecimento de papéis sociais que surgirão da relação e interação com o
mundo e com outros atores sociais além da própria família. Como um exemplo de instituição que contribui
para o estabelecimento uma socialização primária, podemos citar a escola.

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Filosofia / Sociologia

Exercícios

1. Nenhum dos filmes que vi, e me divertiram tanto, me ajudou a compreender o labirinto da psicologia
humana como os romances de Dostoievski – ou os mecanismos da vida social como os livros de
Tolstói e de Balzac, ou os abismos e os pontos altos que podem coexistir no ser humano, como me
ensinaram as sagas literárias de um Thomas Mann, um Faulkner, um Kafka, um Joyce ou um Proust.
As ficções apresentadas nas telas são intensas por seu imediatismo e efêmeras por seus resultados.
Prendem-nos e nos desencarceram quase de imediato, mas das ficções literárias nos tornamos
prisioneiros pela vida toda. Ao menos é o que acontece comigo, porque, sem elas, para o bem ou para
o mal, eu não seria como sou, não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas e as certezas que
me fazem viver.
(Mario Vargas Llosa. “Dinossauros em tempos difíceis”. www.valinor.com.br. O Estado de S. Paulo, 1996. Adaptado.)

Segundo o autor, sobre cinema e literatura é correto afirmar que


a) a ficção literária é considerada qualitativamente superior devido a seu maior elitismo intelectual.
b) suas diferenças estão relacionadas, sobretudo, às modalidades de público que visam atingir.
c) as obras literárias desencadeiam processos intelectualmente e esteticamente formativos.
d) a escrita literária apresenta maior afinidade com os padrões da sociedade do espetáculo.
e) as duas formas de arte mobilizam processos mentais imediatos e limitados ao entretenimento.

2. Os seres humanos são formados socialmente. A sociologia aborda esse processo de constituição
social dos seres humanos com o termo “socialização”. Desde Marx e Durkheim, passando pela escola
funcionalista até chegar aos sociólogos contemporâneos, esse é um tema fundamental da sociologia,
mesmo sem usar esse termo. Alguns sociólogos atribuem um caráter repressivo e coercitivo ao
processo de socialização em determinadas épocas e sociedades. A socialização, na sociedade
moderna, seria diferente da que ocorre em outras sociedades. A letra da música a seguir apresenta
elementos desse processo de socialização moderna.

2
Filosofia / Sociologia

PRESSÃO SOCIAL
Plebe Rude

Há uma espada sobre a minha cabeça Há uma espada sobre a minha cabeça
É uma pressão social que não quer que É uma pressão social que não quer que
eu me esqueça eu me esqueça

Que tenho que estudar Que eu tenho que conformar


que eu tenho que trabalhar conformar é rebelar
que tenho que ser alguém que eu tenho que rebelar
não posso ser ninguém rebelar é conformar

Há uma espada sobre a minha cabeça E quem conforma o sistema engole


É uma pressão social que não quer que e quem rebela o sistema come
eu me esqueça
Disponível em:
<http://www.vagalume.com.br/plebe-
Que a minha vitória é a derrota de alguém
rude/pressao-social-original.html>.
e o meu lucro é a perda de alguém Acesso em: 16/03/2016
que eu tenho que competir
que eu tenho que destruir

A letra da música apresenta o processo de


a) socialização de grupos subalternos que são altamente competitivos e voltados para o lucro e a
vitória competitiva independente de qualquer consideração ética.
b) imposição dos valores dos pequenos comerciantes que precisam de educação escolar e aprendem
a ter o lucro como objetivo principal de sua empresa.
c) imposição de elementos da sociabilidade moderna, tais como escolarização e trabalho visando
ascender socialmente e vencer a competição social.
d) socialização nos países subdesenvolvidos, nos quais a falta de oportunidades e de riquezas gera
uma forte competição social.
e) imposição de uma socialização fundada na racionalização, marcada por uma valoração da razão e
dos sentimentos.

3. “Os sociólogos estabelecem distinção entre a socialização primária e a socialização secundária. A


socialização primária é o processo por meio do qual a criança se transforma num membro participante
da sociedade. A socialização secundária compreende todos os processos posteriores, por meio dos
quais o indivíduo é introduzido em um mundo específico. Qualquer treinamento profissional, por
exemplo, constitui um processo de socialização secundária.”
(BERGER, P. L. e BERGER, B., “Socialização: como ser membro da sociedade”. In FORACCHI, M. M. e MARTINS, J. S.,
Sociologia e Sociedade – Leituras de introdução à Sociologia.
Rio de Janeiro: LTC Editora, 1999. p. 213-4)

3
Filosofia / Sociologia

Considerando o texto acima reproduzido, é CORRETO afirmar que


a) a socialização é um fenômeno que ocorre apenas nos anos inciais da vida.
b) a socialização primária é aquela que ocorre no ambiente familiar e a secundária é aquela que ocorre
apenas nas escolas.
c) as pessoas nascidas em famílias bem estruturadas não precisam passar por processos de
socialização secundária.
d) apenas as sociedades industrializadas apresentam processos de socialização secundária.
e) a socialização é um processo que se inicia quando nascemos e nunca chega ao fim.

4. O que pode acontecer a um indivíduo caso ele não tenha possibilidade de se socializar com ninguém?
Assinale a alternativa correta sociologicamente.
a) Ele ficará sozinho e sem amigos, tornando-se uma pessoa violenta.
b) Ele provavelmente não sobreviverá em sociedade e terá grandes dificuldades para se comunicar.
c) Ele será encaminhado para uma instituição de caridade.
d) Ele não se reconhecerá como pessoa, uma vez que não terá conhecido o significado da palavra
“amor”.
e) Ele se tornará um empecilho para seus pais, um problema para a sociedade e não quererá viver.

5.

4
Filosofia / Sociologia

Os quadrinhos acima apresentam a construção de uma figura social, o monstro. Tendo em conta a
teoria sociológica, podemos dizer que:
a) O monstro surge a partir de um processo social que cria sujeitos rejeitados e desajustados.
b) O monstro é uma figura que já desde o nascimento se mostra desajustada em relação à sociedade.
c) Somente as crianças são monstruosas.
d) Os monstros correspondem a uma forma de classificação escolar dos seus estudantes.
e) Há, na sociedade contemporânea, uma grande preocupação em fazer com que a monstruosidade
seja apagada da personalidade das pessoas.

6. Leia.

Sei que os anos vão passando e eu amando mais você.


Dedicando sempre um amor sem fim,
bons momentos de paixão e de felicidade.
E eu sempre acreditei que o seu amor era verdade.

Você sempre jurou a mim eterno amor,


que um dia casaria comigo e seria feliz.
Mas você mentiu, e eu vi que estava errado.
Um dia vi você sair com o ex-namorado.

Eu vou te deletar, te excluir do meu Orkut.


Eu vou te bloquear no MSN.
Não me mande mais scraps, nem e-mails, PowerPoint.
Me exclua também e adicione ele.
Ewerton Assunção. Eu vou te excluir do meu Orkut.

A música, acima, acaba por apresentar um aspecto novo da socialização existente na sociedade
contemporânea. Que aspecto é esse?
a) O aumento da importância da internet como mediadora das relações sociais.
b) A relevância sociológica do amor para as relações amorosas.
c) A traição como fato social total.
d) A persistência da traição nas relações sociais.
e) O desejo pela posse de meios de comunicação.

7. Hoje em dia, muitos pais acreditam que, a partir de certa idade, devem delegar a educação de seus
filhos à escola, pois já cumpriram seu papel até ali, e nada podem acrescentar para o filho, não melhor
do que faria o colégio.
A questão é que estão enganados. Os pais são os melhores professores de seus filhos, e sempre serão.
Mas quando digo professores, não me refiro aos ensinamentos de matérias como o português ou a
matemática, e sim ao desenvolvimento de virtudes e capacidades relacionadas a todos os âmbitos de
seu ser, pois sabemos que o ser humano não é apenas composto por seu lado racional (aqui me refiro
aos aprendizados puramente escolares).
Fonte: <http://www.serfamilia.com.br/educacao/uma-parceria-ideal.html>. Acesso em 03 nov. 2012.

O discurso acima procura evidenciar a importância da família para a educação da criança. Do ponto de
vista sociológico, o que está ocorrendo é:
a) A democratização do ensino público.
b) A afirmação da autonomia individual em detrimento da sociedade.
c) A defesa da importância da família para a primeira socialização dos indivíduos.
d) A divisão da instituição educacional.
e) O aumento da anomia social.

5
Filosofia / Sociologia

8. “Socialização significa o processo pelo qual um indivíduo se torna um membro ativo da sociedade em
que nasceu, isto é, comporta-se de acordo com seus folkways e mores [...]. Há pouca dúvida de que a
sociedade, por suas exigências sobre os indivíduos determina, em grande parte, o tipo de personalidade
que predominará. Naturalmente, numa sociedade complexa como a nossa, com extrema
heterogeneidade de padrões, haverá consideráveis variações. Seria, portanto, exagerado dizer que a
cultura produz uma personalidade totalmente estereotipada. A sociedade proporciona, antes, os limites
dentro dos quais a personalidade se desenvolverá”.

Fonte: KOENIG, S. Elementos de Sociologia. Tradução de Vera Borda, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1967, p. 70-75.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar:


a) Existe uma interação entre a cultura e a personalidade, o que faz com que as individualidades sejam
influenciadas de diferentes modos e graus pelo ambiente social.
b) Apesar de os indivíduos se diferenciarem desde o nascimento por dotes físicos e mentais,
desenvolvem personalidades praticamente idênticas por conta da influência da sociedade em que
vivem.
c) A sociedade impõe, por suas exigências, aprovações e desaprovações, o tipo de personalidade que
o indivíduo terá.
d) O indivíduo já nasce com uma personalidade que dificilmente mudará por influência da sociedade
ou do meio ambiente.
e) São as tendências hereditárias e não a sociedade que determinam a personalidade do indivíduo.

9. “Pesquisadores das universidades britânicas de Glasgow e Bristol acompanharam os hábitos de 9.000


crianças nos últimos catorze anos. Concluíram que o ambiente no qual elas foram educadas teve tanta
influência nos casos de obesidade infantil quanto a herança genética. O estudo identificou oito fatores
que podem levar à obesidade a partir dos 7 anos, dos quais destacam-se, aqui, dois: crianças com mais
de 3 anos que permanecem diante da TV mais de oito horas por semana têm tendência ao
sedentarismo e à superalimentação; filhos de pais obesos podem, além de herdar características
genéticas de obesidade, imitar seu comportamento.”
(Veja, ano 38, n. 23, p. 37, 8 jun. 2005.)

Com base no texto, é correto afirmar:


a) O fato de filhos de pais obesos serem obesos indica que a causa da obesidade infantil é
necessariamente genética.
b) Escolarização e incidência de obesidade infantil são diretamente proporcionais, revelando o
equívoco dos conceitos sobre alimentação e saúde.
c) Fatores biológicos e a construção de hábitos alimentares no processo de socialização da criança
são determinantes na obesidade infantil.
d) A interdição das crianças à televisão é uma medida que elimina o risco da obesidade infantil.
e) O sedentarismo, a superalimentação e o ambiente no qual as crianças são educadas são fatores
de obesidade infantil circunscritos aos povos de origem anglo-saxã.

6
Filosofia / Sociologia

10. Se vamos ter mais tempo de lazer no futuro automatizado, o problema não é como as pessoas vão
consumir essas unidades adicionais de tempo de lazer, mas que capacidade para a experiência terão
as pessoas com esse tempo livre. Mas se a notação útil do emprego do tempo se torna menos
compulsiva, as pessoas talvez tenham de reaprender algumas das artes de viver que foram perdidas
na Revolução Industrial: como preencher os interstícios de seu dia com relações sociais e pessoais;
como derrubar mais uma vez as barreiras entre o trabalho e a vida.

THOMPSON, E. P. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional.


São Paulo: Cia. das Letras, 1998 (adaptado).

A partir da reflexão do historiador, um argumento contrário à transformação promovida pela Revolução


Industrial na relação dos homens com o uso do tempo livre é o(a)
a) intensificação da busca do lucro econômico.
b) flexibilização dos períodos de férias trabalhistas.
c) esquecimento das formas de sociabilidade tradicionais.
d) aumento das oportunidades de confraternização familiar.
e) multiplicação das possibilidades de entretenimento virtual.

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Filosofia / Sociologia

Gabarito

1. C
[Resposta do ponto de vista da disciplina de Português]
É correta a opção [C], pois, no último período do texto, Mario Vargas Llosa afirma que a literatura é
elemento fundamental para a sua formação: “sem elas, para o bem ou para o mal, eu não seria como sou,
não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas e as certezas que me fazem viver”.

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]


A análise sociológica possível de ser feita em consonância com o argumento do texto é considerar a
leitura de obras literárias um elemento de socialização. Assim, a única alternativa que está de acordo com
essa linha argumentativa é a [C], dado que todo processo de formação é também um processo de
socialização.

2. C
A letra da música faz referência à imposição de valores e comportamentos exteriores aos indivíduos. Tais
valores representam o ideal de sucesso individual e de competitividade, típicos da sociedade capitalista
contemporânea.

3. E
A socialização corresponde ao processo pelo qual um indivíduo passa a fazer parte de uma sociedade,
incorporando hábitos, gostos, normas e símbolos que são próprios dessa sociedade. Pelo fato de a
sociedade estar sempre em mudança, esse processo nunca termina, tal como afirma a alternativa [E].

4. B
A alternativa [B] é a única correta. Um indivíduo que não se socializa é um indivíduo que não aprende a
linguagem social. Um exemplo clássico é o chamado Victor de Aveyron, garoto que foi encontrado em
uma floresta francesa no século XVIII.

5. A
A alternativa [A] é a única correta. O processo que cria “sujeitos monstruosos” é social, pois depende da
interação dos indivíduos e da consequente rejeição de alguns deles.

6. A
A internet cria novos ambientes de socialização e novas regras sociais que devem ser seguidas. Ainda
que a música pareça uma simples paródia ou brincadeira, ela consegue evidenciar a importância da
internet para as relações sociais contemporâneas.

7. C
A família tem um papel importante na socialização das crianças e é por isso que ela também carrega a
função de educá-la. Isso significa não somente educar de maneira escolar, mas valorizando sempre o
tipo de ser humano que a sociedade considera ideal.

8. A
Segundo a corrente interacionista da sociologia, no processo de socialização ocorre uma relação dialética
entre a cultura e a personalidade. A sociedade (ou cultura), construída pelo sujeito, o condiciona e
determina qual a matriz sobre a qual o indivíduo pode construir sua personalidade pessoal. Nesse sentido,
podemos dizer que a individualidade é socialmente condicionada e, por isso, somente a alternativa [A] é
correta.

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Filosofia / Sociologia

9. C
Uma análise sociológica do problema proposto permite relacionar o processo de socialização das
crianças com a obesidade infantil, dado que os filhos de pais obesos tendem a se manter obesos. Nesse
sentido, fatores de ordem social apresentam praticamente o mesmo efeito que fatores de ordem
biológica.

10. C
Pelo argumento do texto, a transformação do tempo livre em tempo de trabalho e produção fez com que
as pessoas se desacostumassem a ocupar seu tempo com relações sociais e pessoais. Esse seria o
desafio contemporâneo, bem expresso na alternativa [C].

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Filosofia / Sociologia

Auguste Comte e o positivismo

Resumo

O surgimento da socioogia: Comte


O filósofo francês Augusto Comte (1798 – 1857) é considerado um dos fundadores da Sociologia e
o pai de uma corrente de pensamento denominada de positivismo. Essa corrente de pensamento defendia,
em grande medida, a aplicação de métodos científicos baseados na experimentação como única forma de
proporcionar um conhecimento verdadeiro sobre a sociedade. Assim, Comte se esforça por delimitar o
campo de estudo da Sociologia, tendo sido influenciado profundamente por acontecimentos históricos de
sua época, como a Revolução Francesa e a Revolução Industrial.
Comte observou esse processo de formação dos grandes centros urbanos, podendo refletir sobre
fenômenos sociais absolutamente novos que surgiram em razão das modificações ocorridas na sociedade
européia da época. De acordo com a teoria de Comte, o estudo da sociedade deve ser tão rigoroso quanto,
por exemplo, o estudo empreendido pelas ciências naturais. Assim, a ciência da sociedade deve ser rigorosa,
baseando-se sempre na experimentação a fim de explicar corretamente os fenômenos sociais.
Comte defende que a história do pensamento humano progredia em estágios. O espírito humano,
então, desenvolve-se através de três fases principais, a saber: a teológica, a metafísica e a positiva. No
estágio teológico, o espírito humano ainda está muito mais voltado para crenças do que propriamente para o
uso da ciência como forma de construção do conhecimento. A fase teológica, então, está relacionada com
uma tentativa de explicação do mundo a partir da imaginação, apelando comumente para deuses e entes
sobrenaturais a fim de explicar a realidade.
A fase metafísica, exemplificada pelo período histórico do Renascimento, está relacionada com uma
explicação da realidade não em termos imaginativos, como na fase teológica, mas em termos naturais. No
lugar da imaginação, surge a argumentação metafísica, que questiona as explicações que se baseiam em
entes sobrenaturais. Já o estado positivo, é marcado pela observação como forma de entendimento da
realidade, o que ocorre através da experimentação própria do método científico.

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Filosofia / Sociologia

Exercícios

1. Dentre os principais autores articuladores da Sociologia na sua fase inicial de desenvolvimento, é


CORRETO citar os nomes de
a) Marx e Foucault.
b) Comte e Durkheim.
c) Descartes e Marx.
d) Aristóteles e Comte.
e) Durkheim e Chartier.

2. O evolucionismo social do século XIX teve um papel fundamental na constituição da sociologia como
ramo científico. Sobre essa corrente de pensamento, que reunia autores como Augusto Comte e
Herbert Spencer, assinale o que for correto.
a) O evolucionismo define que as estruturas, naturais ou sociais, passam por processo de
diferenciação e integração que levam ao seu aprimoramento.
b) O evolucionismo propõe que a evolução das sociedades ocorre em estágios sucessivos de
racionalização.
c) O evolucionismo considera o Estado Militar como a forma mais evoluída de organização social,
fundamentada na cooperação interna e obrigatória.
d) O evolucionismo rejeita o modelo político e econômico liberal, baseado na livre iniciativa e no
laissez-faire, considerando-o uma orientação contrária à evolução social.
e) O evolucionismo defende a unidade biológica e cognitiva da espécie humana, independente de
variações particulares.

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Filosofia / Sociologia

3. Leia o texto a seguir.


Até o século XVIII, a maioria dos campos de conhecimento, hoje enquadrados sob o rótulo de ciências,
era ainda, como na Antiguidade Clássica, parte integral dos grandes sistemas filosóficos. A
constituição de saberes autônomos, organizados em disciplinas específicas, como a Biologia ou a
própria Sociologia, envolverá, de uma forma ou de outra, a progressiva reflexão filosófica, como a
liberdade e a razão.
QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, M. G. M. Um Toque de Clássicos: Marx, Durkheim e Weber. BH: UFMG, 2002.

Com base nos conhecimentos sobre o surgimento da Sociologia, assinale a alternativa que apresenta,
corretamente, a relação entre conhecimento sociológico de Auguste Comte e as ideias iluministas.
a) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Iluminismo, que influenciou o
Positivismo.
b) A crença na razão como promotora do progresso da sociedade foi compartilhada pelo Iluminismo
e pelo Positivismo.
c) O Iluminismo forneceu os princípios e as bases teóricas da luta de classes para a formulação do
Positivismo.
d) O reconhecimento da validade do conhecimento teológico para explicar a realidade social é um
ponto comum entre o Iluminismo e o Positivismo.
e) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo
Iluminismo e aceitos pelo Positivismo.

4. O positivismo foi uma das grandes correntes de pensamento social, destacando-se, entre seus
principais teóricos, Augusto Comte e Émile Durkheim.
Sobre a concepção de conhecimento científico, presente no positivismo do século XIX, é correto
afirmar:

a) A busca de leis universais só pode ser empreendida no interior das ciências naturais, razão pela
qual o conhecimento sobre o mundo dos homens não é científico.

b) Os fatos sociais fogem à possibilidade de constituírem objeto do conhecimento científico, haja


vista sua incompatibilidade com os princípios gerais de objetividade do conhecimento e a
neutralidade científica.

c) Apreender a sociedade como um grande organismo, a exemplo do que fazia o materialismo


histórico, é rejeitado como fonte de influência e orientação para as investigações empreendidas
no âmbito das ciências sociais.

d) A ciência social tem como função organizar e racionalizar a vida coletiva, o que demanda a
necessidade de entender suas regras de funcionamento e suas instituições forjadas
historicamente.

e) O papel do cientista social é intervir na construção do objeto, aportando à compreensão da


sociedade os valores por ele assimilados durante o processo de socialização obtido no seio
familiar.

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Filosofia / Sociologia

5. A sociologia surge em um período em que o fazer científico encontrava-se influenciado por algumas
teses desenvolvidas durante o século XIX. Herbert Spencer, Charles Darwin e Auguste Comte, por
exemplo, tiveram grande importância para o pensamento sociológico. O primeiro, por aplicar às
ciências humanas o evolucionismo, mesmo antes das teses revolucionárias sobre a seleção das
espécies do segundo. Com relação a Comte, houve a influência de seu “espírito positivo” na formação
dos muitos intelectuais do período.
Sobre as ideias de evolução e progresso e seu impacto no pensamento sociológico, podemos afirmar
que:
a) A ideia de progresso, apesar de ter grande influência na área das ciências naturais, não teve
impacto decisivo na constituição da sociologia.
b) A ideia de evolução foi uma das palavras de ordem do período, mas a sociologia rejeitou a sua
adoção, assim como qualquer comparação entre seus efeitos no reino natural e no mundo social.
c) A explicação sociológica procurou, desde o seu início, afastar-se de qualquer forma de
determinismos, fossem biológicos ou geográficos, pois se contrapunha fortemente às explicações
de cunho evolucionista.
d) Em sua busca por constituir-se como disciplina, a sociologia passou pela valorização e
incorporação dos métodos das ciências da natureza, utilizando metáforas organicistas, assim
como conferindo ênfase à noção de função.

6. Tanto Augusto Comte quanto Karl Marx identificam imperfeições na sociedade industrial capitalista,
embora cheguem a conclusões bem diferentes: para o positivismo de Comte, os conflitos entre
trabalhadores e empresários são fenômenos secundários, deficiências, cuja correção é relativamente
fácil, enquanto, para Karl Marx, os conflitos entre proletários e burgueses são o fato mais importante
das sociedades modernas.
A respeito das concepções teóricas desses autores, é CORRETO afirmar:

a) Comte pensava que a organização científica da sociedade industrial levaria a atribuir a cada
indivíduo um lugar proporcional à sua capacidade, realizando-se assim a justiça social.

b) Comte considera que a partir do momento em que os homens pensam cientificamente, a atividade
principal das coletividades passa a ser a luta de classes que leva necessariamente à resolução de
todos os conflitos.

c) Marx acredita que a história humana é feita de consensos e implica, por um lado, o antagonismo
entre opressores e oprimidos; por outro lado, tende a uma polarização em dois blocos: burgueses
e proletários.

d) Para Karl Marx, o caráter contraditório do capitalismo manifesta-se no fato de que o crescimento
dos meios de produção se traduz na elevação do nível de vida da maioria dos trabalhadores
embora não elimine as desigualdades sociais.

e) Tanto Augusto Comte quanto Karl Marx concordam que a sociedade capitalista industrial expressa
a predominância de um tipo de solidariedade, que classificam como orgânica, cujas
características se refletirão diretamente em suas instituições.

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Filosofia / Sociologia

7. O autor considerado “pai” da sociologia, Augusto Comte, acreditava que a nova ciência das sociedades
deveria igualar-se às demais ciências da natureza que se pautavam pelos fenômenos observáveis e
mensuráveis para que assim fosse possível apreender as regras gerais que regem o mundo social do
indivíduo.
Essa perspectiva ideológica é chamada de:
a) Iluminismo.
b) Darwinismo.
c) Dadaísmo.
d) Positivismo.

8. A sociologia nasce no séc. XIX após as revoluções burguesas sob o signo do positivismo elaborado
por Augusto Comte. As características do pensamento comtiano são:
a) a sociedade é regida por leis sociais tal como a natureza é regida por leis naturais; as ciências
humanas devem utilizar os mesmos métodos das ciências naturais e a ciência deve ser neutra.
b) a sociedade humana atravessa três estágios sucessivos de evolução: o metafísico, o empírico e o
teológico, no qual predomina a religião positivista.
c) a sociologia como ciência da sociedade, ao contrário das ciências naturais, não pode ser neutra
porque tanto o sujeito quanto o objeto são sociais e estão envolvidos reciprocamente.
d) o processo de evolução social ocorre por meio da unidade entre ordem e progresso, o que
necessariamente levaria a uma sociedade comunista.

9. A filosofia da História – o primeiro tema da filosofia de Augusto Comte – foi sistematizada pelo próprio
Comte na célebre “Lei dos Três Estados” e tinha o objetivo de mostrar porque o pensamento positivista
deve imperar entre os homens. Sobre a “Lei do Três Estados” formulada por Comte, é correto afirmar
que
a) Augusto Comte demonstra com essa lei que todas as ciências e o espírito humano desenvolvem-
se na seguinte ordem em três fases distintas ao longo da história: a positiva, a teológica e a
metafísica.
b) na “Lei dos Três Estados” a argumentação desempenha um papel de primeiro plano no estado
teológico. O estado teológico, na sua visão, corresponde a uma etapa posterior ao estado positivo.
c) o estado teológico, segundo está formulada na “Lei dos Três Estados”, não tem o poder de tornar
a sociedade mais coesa e nenhum papel na fundamentação da vida moral.
d) o estado positivista apresenta-se na “Lei dos Três Estados” como o momento em que a
observação prevalece sobre a imaginação e a argumentação, e na busca de leis imutáveis nos
fenômenos observáveis.
e) para Comte, o estado metafísico não tem contato com o estado teológico, pois somente o estado
metafísico procura soluções absolutas e universais para os problemas do homem.

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Filosofia / Sociologia

10. Para Augusto Comte, uma das funções da Sociologia ou Física Social era encontrar leis sociais que
conduzissem o progresso da humanidade. Sobre os estágios do progresso social discutidos pelo autor,
é correto afirmar:
a) O estágio teológico nega a existência de apenas uma explicação divina para os fenômenos
naturais e sociais.
b) O positivismo é o estágio superior do progresso social, porque se sustenta nos métodos
científicos.
c) O estágio mais simples é o mítico, seguido pelo teológico e pelo científico, que é o mais elaborado.
d) O primeiro estágio do conhecimento é o metafísico, em que conceitos abstratos explicam o
mundo.
e) A Europa exemplificava uma sociedade em estado de desenvolvimento teológico.

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Filosofia / Sociologia

Gabarito

1. B
O autor fundante da sociologia como ciência, apresentando método e pressupostos próprios para o
estudo científico da sociedade, é Durkheim. Por sua vez, suas ideias e maneiras de enxergar a análise
social derivam dos estudos de Auguste Comte e de sua filosofia positiva. São, portanto, esses dois
autores considerados primordiais no primeiro momento do estudo sociológico.

2. B
A alternativa “B” é a correta. O evolucionismo social define que os estágios anteriores de primitivismo
social só são superados mediante a racionalização do mundo e do ser humano, em uma lógica
eurocêntrica que via o restante do mundo como “bárbaros” ou “primitivos”.

3. E
Correta, pois, para Norbert Elias, a sociedade é formada por redes de funções que as pessoas
desempenham umas em relação às outras por meio de sucessivos elos. Elias contrapõe-se, assim, tanto
às teorias que estipulam a superioridade do social sobre o individual quanto às teorias que concebem
que os indivíduos formam livremente uma sociedade. Coloca-se, portanto, contra o estruturalismo e o
individualismo metodológico.

4. D
Alternativa “d”. Comte propunha uma ciência da sociedade, capaz de explicar e compreender todos os
fenômenos sociais da mesma forma que as ciências naturais buscavam interpelar seus objetos de
estudo.

5. D
A afirmativa A está errada. A sociologia surge justamente na busca de soluções para conciliar o
progresso humano (com sua consequente diferenciação) e sua efetiva harmonia social, junção
defendida inclusive pelo positivismo; A afirmativa B também está errada, pois as teorias evolucionistas
foram largamente adotadas nos primórdios da sociologia como meios de explicação de vários
fenômenos sociais; A afirmativa C está errada, pois o determinismo também foi usado para explicar as
ações sociais, especialmente o biológico e o geográfico. As ideias de meio, momento histórico e
antecedentes biológicos do individuo eram elementos definidores das ações destes para os primeiros
sociólogos. Dessa forma, a resposta correta é a letra D.

6. A
A alternativa A está correta. Segundo o pensamento positivista, cada indivíduo tem um papel na
sociedade e deve aceitá-lo para o bem comum. A alternativa B está incorreta, pois mistura conceitos
positivistas e marxistas. Para Comte, o pensamento científico levaria à harmonia e não ao conflito de
classes. A alternativa C está incorreta porque é contraditória (se a história humana é feita de "consensos",
porque há antagonismo e polarização?). Além disso, atribui a Comte pressupostos teóricos de Marx. A
afirmativa D está incorreta porque não há elevação do nível de vida dos trabalhadores no raciocínio

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Filosofia / Sociologia

marxista. Eles sempre seriam explorados pelos capitalistas o máximo possível. Por fim, a alternativa E
está incorreta porque Marx não acreditava em uma sociedade capitalista orgânica (na qual as partes se
completam em harmonia), mas sim em uma sociedade baseada no conflito dialético dos meios de
produção (desse conflito resultaria uma solução, que daria início a um novo conflito, sempre por motivos
econômico-produtivos).

7. D
A alternativa “D” é a correta. Augusto Comte foi um dos principais autores do positivismo, que entendia
que o verdadeiro conhecimento só era construído por meio da experimentação sensível do objeto de
estudo. A utilização do método científico de mensuração, experimentação e observação tinha por
finalidade estabelecer leis e regras fundamentais para o funcionamento dos fenômenos observados.

8. A
A alternativa [A] é a única que condiz totalmente com o positivismo. Vale ressaltar que, segundo essa
corrente de pensamento, os três estágios são o teológico, o metafísico e o positivo, a sociologia deve ser
neutra e a sociedade não caminha para o comunismo.

9. D
A afirmação correta é a da letra “D”. O estado positivo caracteriza-se, segundo Comte, pela subordinação
da imaginação e da argumentação à observação. Isso quer dizer que o processo de construção do
conhecimento humano ocorre a partir da experimentação própria do método científico.

10. B
Auguste Comte desenvolveu a sua teoria baseada em três estágios: teológico, metafísico e positivo. O
último seria marcado pelo apogeu dos anteriores. Seria sua característica a busca por conexões
regulares através da observação dos fenômenos com o objetivo final de estabelecer leis racionais sobre
eles, tendo como base a perspectiva científica das ciências exatas.

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Filosofia / Sociologia

Marx e o trabalho

Resumo

Filosofia de caráter revolucionário


Diferente da grande maioria dos filósofos que o precederam, Marx não acreditava que o principal
objetivo da filosofia era explicar a realidade, mas sim transformá-la. Por isso seu pensamento é chamado de
filosofia da práxis (“práxis”, em grego, significa “ação”). Um dos grandes teóricos do socialismo científico,
Marx acreditava que o objetivo supremo da autêntica filosofia é fornecer os conhecimentos necessários para
a realização da revolução social.
“Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo de maneiras diferentes. O que importa,
porém, é transformá-lo” (11ª Tese contra Feuerbach)

Materialismo histórico
Tese central de toda a filosofia marxista, o materialismo histórico consiste na afirmação de que todos
os elementos da vida de uma sociedade se reduzem, em última análise, às suas condições materiais. Em
outras palavras, para Marx, toda sociedade humana se explica, no fim das contas, por sua estrutura
econômica, pelo modo como é organizado seu sistema produtivo. Assim, todos os fenômenos sociais de uma
dada civilização, como a arte, a política, a religião, a cultura, a medicina, o direito, o vestuário, etc., seriam tão
somente reflexos, diretos ou indiretos, do modo de produção vigente em tal sociedade. Sendo o trabalho a
atividade mais fundamental do homem, já que ligada à sua própria sobrevivência, também a economia, que é
a organização do trabalho em sociedade, seria a atividade mais básica do corpo social. Não à toa, Marx é
tachado como um pensador economicista
“O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu de fio condutor aos meus estudos, pode
resumir-se assim: na produção social da sua vida, os homens contraem determinadas relações necessárias
e independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de
desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção forma a
estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta a superestrutura jurídica e política e à
qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material
condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é a consciência do homem que
determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência” (Prefácio para
a Crítica da Economia Política)

Luta de classes
Convencido de que o elemento central para a explicação da sociedade é a economia, Marx se dispôs a
passar um bom tempo estudando sistemas econômicos. Sua conclusão foi de que, ao longo da história, o
trabalho e os frutos do trabalho nunca foram divididos de modo igualitário. Em outras palavras, desde a pré-
história, todas as sociedades humanas sempre se estruturaram em termos de grupos econômicos diversos,
de classes sociais distintas. Assim, aos membros das classes superiores sempre coube o bônus; às classes
inferiores, o ônus; aos primeiros, o domínio; aos segundos, o serviço; a uns, o poder; a outros, a submissão.

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“A história de toda sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classes. Homem livre
e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, o opressor
e o oprimido permaneceram em constante oposição um ao outro, levada a efeito numa guerra ininterrupta,
ora disfarçada, ora aberta, que terminou, cada vez, ou pela reconstituição revolucionária de toda a sociedade
ou pela destruição das classes em conflito. Desde as épocas mais remotas da história, encontramos, em
praticamente toda parte, uma complexa divisão da sociedade em classes diferentes, uma gradação múltipla
das condições sociais. Na Roma Antiga, temos os patrícios, os guerreiros, os plebeus, os escravos; na Idade
Média, os senhores, os vassalos, os mestres, os companheiros, os aprendizes, os servos; e, em quase todas
essas classes, outras camadas subordinadas. A sociedade moderna burguesa, surgida das ruínas da
sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Apenas estabeleceu novas classes, novas
condições de opressão, novas formas de luta em lugar das velhas. No entanto, a nossa época, a época da
burguesia, possui uma característica: simplificou os antagonismos de classes. A sociedade global divide-se
cada vez mais em dois campos hostis, em duas grandes classes que se defrontam – a burguesia e o
proletariado” (Manifesto do Partido Comunista).
Como se sabe, para Marx, o elemento que propicia as transformações sociais, o motor da história é
a luta de classes. No sistema econômico em que vivemos, no chamado capitalismo, tal luta se dá entre duas
classes sociais opostas: a burguesia e o proletariado. De modo simples, podemos dizer que a grande
diferença entre essas duas classes sociais é que, enquanto a burguesia possui os meios de produção (ou
seja, todos os elementos não-humanos que são necessários para a produção, tais como o espaço físico, o
fornecimento de energia elétrica, os materiais de trabalho, etc.), por sua vez, o proletariado possui unicamente
sua força de trabalho, isto é, sua capacidade de exercer atividades produtivas, sejam mentais ou físicas. No
capitalismo, o que há é uma relação de troca entre essas duas classes. Os trabalhadores, os proletários,
precisando sobreviver, vendem aos burgueses uma parte da sua força de trabalho, em troca de uma quantia
em dinheiro, denominada salário. Por seu turno, ao pagar salários, os empresários, os burgueses põem suas
empresas em funcionamento, de onde obtém rendimentos para si.

Trabalho e Mais-valia
Do ponto de vista de Marx, o modelo de trabalho assalariado é injusto e promove uma exploração, pois,
segundo ele, na prática, quem realiza todo o trabalho são os proletários, quem produziu a riqueza foram os
trabalhadores, mas eles nunca ficam com todo o lucro. Dentre a quantia de riqueza que uma empresa lucra,
o burguês sempre tira uma quota de dinheiro para si. Esse valor a mais que o burguês toma do lucro é
chamado por Marx de mais-valia. Do ponto de vista marxista, a mais-valia é sempre um roubo, pois o burguês
está tomando algo que pertence aos trabalhadores. Vemos assim que as classes sociais no capitalismo são
interdependentes, uma não vive sem a outra, mas ambas ocupam posições diferentes. Uma é exploradora,
outra a explorada, uma é opressora e a outra oprimida.

Reificação
Explorado e roubado, para Marx, o operário sofre no capitalismo um processo de reificação
(“coisificação”). Seu salário, aquilo com que irá sustentar a si e aos seus, passa a ser definido simplesmente
pela lei da oferta e da procura, tal como se ele mesmo fosse um produto qualquer. No mesmo sentido, o
proletário vivencia no capitalismo uma experiência que Marx chama de alienação. Tal experiência consiste no
fato de que o trabalhador perde qualquer identificação com seu próprio trabalho, passando a ver no trabalho

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não a grande atividade de que o homem é capaz e que o torno superior aos animais, mas apenas um meio de
subsistência, do qual se tira um salário no fim do mês. Como, para Marx, o trabalho é a atividade humana
mais importante, ao alienar-se do trabalho, o homem acaba por alienar-se de si mesmo.

Alienação
“O que constitui a alienação do trabalho? Primeiramente, ser o trabalho externo ao trabalhador, não
fazer parte de sua natureza, e por conseguinte, ele não se realizar em seu trabalho mas negar a si mesmo, ter
um sentimento de sofrimento em vez de bem-estar, não desenvolver livremente suas energias mentais e
físicas mas ficar fisicamente exausto e mentalmente deprimido. O trabalhador, portanto, só se sente à
vontade em seu tempo de folga, enquanto no trabalho se sente contrafeito. Seu trabalho não é voluntário,
porém imposto, é trabalho forçado. Ele não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para
satisfazer outras necessidades. Seu caráter alienado é claramente atestado pelo fato, de logo que não haja
compulsão física ou outra qualquer, ser evitado como uma praga. O trabalho exteriorizado, trabalho em que
o homem se aliena a si mesmo, é um trabalho de sacrifício próprio, de mortificação. Por fim, o caráter
exteriorizado do trabalho para o trabalhador é demonstrado por não ser o trabalho dele meso mas trabalho
para outrem, por no trabalho ele não se pertencer a si mesmo mas sim a outra pessoa.” (Manuscritos
econômico-filosóficos)

Socialismo
O único meio de solução das contradições do capitalismo seria, de acordo com Marx, através de uma
revolução proletária que, destruindo o sistema econômico vigente, extinguisse com a propriedade privada dos
meios de produção e fizesse das empresas uma propriedade comum, de onde todos seriam operários, mas
de onde todos também seriam donos.

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Exercícios

1. Observe o trecho da música “Admirável Gado Novo”, de Zé Ramalho, e perceba que sua análise pode
nos levar a discutir o conceito de alienação.
O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonha com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela...
Espera nova possibilidade
De ver este mundo se acabar
A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar

Seguindo o pensamento de Karl Marx, veremos que a alienação se dá em uma situação determinada
que gera toda uma gama de desdobramentos e consequências. Tal situação ocorre na esfera
a) religiosa, por meio das concepções escatológicas.
b) cientifica, com a ampliação do conhecimento.
c) política, por meio da organização partidária.
d) cultural, com o avanço da cultura de massa.
e) produtiva, a partir das relações de produção.

2. O século XIX foi marcado pelo surgimento de correntes de pensamento que contestavam o modelo
capitalista de produção e propunham novas formas de organizar os meios de produção e a distribuição
de bens e riquezas, buscando uma sociedade que se caracterizasse pela igualdade de oportunidades.
No que diz respeito a essas correntes, assinale a afirmação verdadeira.

a) O socialismo cristão buscava aplicar os ensinamentos de Cristo sobre amor e respeito ao próximo
aos problemas sociais gerados pela industrialização, mas apesar de vários teóricos importantes
o defenderem, a Igreja o rejeitou através da Encíclica Rerum Novarum, lançada pelo Papa Leão XIII.

b) No socialismo utópico, a doutrina defendida por Robert Owen e Charles Fourrier, prevaleciam as
ideias de transformar a realidade por meio da luta de classes, da superação da mais valia e da
revolução socialista.

c) O socialismo científico proposto por Karl Marx e Friedrich Engels, através do manifesto Comunista
de 1848, defendia uma interpretação socioeconômica da história dos povos, denominada
materialismo histórico.

d) O anarquismo do russo Mikhail Bakunin defendia a formação de cooperativas, mas não negava a
importância e a necessidade do Estado para a eliminação das desigualdades.

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3. TEXTO I
Cidadão
Tá vendo aquele edifício, moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
“Tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?”
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer.
BARBOSA, L. ln: ZÊ RAMALHO. 20 Super Sucessos.Rio de Janeiro: Sony Music, 1999 (fragmento).

TEXTO II
O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e
extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. Esse
fato simplesmente subentende que o objeto produzido pelo trabalho, o seu produto, agora se lhe opõe
como um ser estranho, como uma força independente do produtor.
MARX, K. Manuscritos econômicos-filosóficos(Primeiro manuscrito).São Paulo: Boitempo Editorial, 2004 (adaptado).

Com base nos textos, a relação entre trabalho e modo de produção capitalista é
a) baseada na desvalorização do trabalho especializado e no aumento da demanda social por novos
postos de emprego.
b) fundada no crescimento proporcional entre o número de trabalhadores e o aumento da produção
de bens e serviços.
c) estruturada na distribuição equânime de renda e no declínio do capitalismo industrial e tecnocrata.
d) instaurada a partir do fortalecimento da luta de classes e da criação da economia solidária.
e) derivada do aumento da riqueza e da ampliação da exploração do trabalhador.

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4. “I. Burgueses e proletários. A história de todas as sociedades até hoje existente é a história das lutas de
classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e
companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra
ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação
revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das classes em conflito”
MARX, Karl. ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 2010, p. 40.

Assinale a alternativa CORRETA: para Karl Marx (1818-1883) como se originam as classes sociais?
a) As classes sociais se originam da divisão entre governantes e governados.
b) As classes sociais se originam da divisão entre os sexos.
c) As classes sociais se originam da divisão entre as gerações.
d) As classes sociais se originam da divisão do trabalho.
e) As classes sociais se originam da divisão das riquezas.

5. Algumas pessoas conseguem mais do que outras nas sociedades – mais dinheiro, mais prestígio, mais
poder, mais vida, e tudo aquilo que os homens valorizam. Tais desigualdades criam divisões na
sociedade – divisões com respeito a idade, sexo, riqueza, poder e outros recursos. Aqueles no topo
dessas divisões querem manter sua vantagem e seu privilégio; aqueles no nível inferior querem mais e
devem viver em um estado constante de raiva e frustração [...]. Assim, a desigualdade é uma máquina
que produz tensão nas sociedades humanas. É a fonte de energia por trás dos movimentos sociais,
protestos, tumultos e revoluções. As sociedades podem, por um período de tempo, abafar essas forças
separatistas, mas, se as severas desigualdades persistem, a tensão e o conflito pontuarão e, às vezes,
dominarão a vida social.
TURNER, Jonathan H. Sociologia: Conceitos e aplicações. São Paulo: Pearson, 2000. p. 111. (Adaptado).

A observação da figura e a leitura do texto permitem inferir:


a) no plano social, a igualdade humana está explícita em dois setores bem definidos: na Justiça,
segundo a qual todos são iguais perante a lei, e na educação, em que todos devem ter
oportunidades iguais; essas práticas são vivenciadas pela sociedade brasileira.
b) segundo Karl Marx, aqueles que possuem ou controlam os meios de produção têm poder, sendo
capazes de manipular os símbolos culturais através da criação de ideologias que justifiquem seu
poder e seus privilégios.
c) a estratificação de classes existe quando renda, poder e prestígio são dados igualmente aos
membros de uma sociedade, gerando, portanto, grupos culturais, comportamentais e
organizacionais semelhantes.
d) a estratificação, na visão de Karl Marx, mostra que a luta de classes não se polariza entre o ter e o
não ter e envolve mais do que a ordem econômica.

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6. Para Marx, diante da tentativa humana de explicar a realidade e dar regras de ação, é preciso considerar
as formas de conhecimento ilusório que mascaram os conflitos sociais. Nesse sentido, a ideologia
adquire um caráter negativo, torna-se um instrumento de dominação na medida em que naturaliza o
que deveria ser explicado como resultado da ação histórico-social dos homens, e universaliza os
interesses de uma classe como interesse de todos. A partir de tal concepção de ideologia, constata-se
que

a) a sociedade capitalista transforma todas as formas de consciência em representações ilusórias


da realidade conforme os interesses da classe dominante.

b) ao mesmo tempo que Marx critica a ideologia ele a considera um elemento fundamental no
processo de emancipação da classe trabalhadora.

c) a superação da cegueira coletiva imposta pela ideologia é um produto do esforço individual


principalmente dos indivíduos da classe dominante.

d) a frase “o trabalho dignifica o homem” parte de uma noção genérica e abstrata de trabalho,
mascarando as reais condições do trabalho alienado no modo de produção capitalista.

7. Marx e Engels, em seu Manifesto do Partido Comunista consideram que “a nossa época, a época da
burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes. A sociedade divide-se
cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a
burguesia e o proletariado.”
Disponível em: http://www.culturabrasil.org/manifestocomunista.htm
Em vista disso, assinale a alternativa que define corretamente a burguesia e o proletariado.
a) Os burgueses utilizam o trabalho escravo para a produção, e o proletariado é desprovido de
liberdade para vender sua força de trabalho.
b) Os burgueses são proprietários que utilizam da manufatura do proletariado para a produção de
mercadorias, e o proletariado impulsiona o desenvolvimento da manufatura.
c) Os burgueses são os grandes proprietários de terras, e o proletariado detém o poder social e
econômico.
d) Os burgueses são os detentores dos meios de produção, e o proletariado vende sua força de
trabalho.

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8. Para entender os conflitos sociais nas sociedades modernas, Karl Marx (1818-1883) defendeu a
importância de estudar como ocorrem as relações entre as diferentes classes sociais de uma
determinada sociedade. De acordo com o professor Everaldo Lorensetti, “Segundo Marx, a burguesia
tomou posse dos meios de produção, enriqueceu e também obteve o controle do Estado [...] criando
leis para proteger a propriedade privada (particular) e manter-se no poder; [...] Enquanto isso, a classe
assalariada (os proletários), sem os meios de produção e voz política na sociedade, transformava-se
em parte fundamental no enriquecimento da burguesia, pois ofereciam mão de obra para as fábricas”
LORENSETTI, E. Sociologia –Ensino Médio, Curitiba, SEED-PR, 2006, p. 44.
De acordo com o texto acima, é correto afirmar:

(01) As classes sociais são grupos humanos formados por pessoas pobres ou por pessoas ricas. A
existência dessas classes na história é determinada pela vontade divina.

(02) O conceito científico de “classes sociais” se refere à existência de grupos humanos compostos
por raças e etnias diferentes e que competem entre si pelo domínio da sociedade.

(04) O conceito de “classes sociais” utilizado por Karl Marx se baseia no estudo das relações sociais
entre proprietários dos meios de produção e trabalhadores assalariados sem a propriedade dos
mesmos meios.

(08) Segundo o enunciado da questão (caput), a classe assalariada ou proletariado pode economizar o
salário que recebe no final do mês e também se tornar proprietária dos meios de produção,
encerrando assim a luta entre as classes sociais.

(16) Segundo o enunciado da questão (caput), a classe assalariada é a responsável pelo


enriquecimento da burguesia, pois é ela que fornece a mão de obra que realiza o trabalho nas
fábricas.

Soma: ( )

9. Unimontes (2015) Para Karl Marx (1818-1883), no processo produtivo, o trabalhador gera o valor
equivalente a seu salário, que é o tempo de trabalho necessário, mas também cria valor com o tempo
de trabalho excedente, que é apropriado pelo proprietário do capital. Embora o processo de venda da
força de trabalho por um salário apareça como um intercâmbio entre equivalentes, o valor que o
trabalhador pode produzir durante o tempo em que trabalha para aquele que o contrata é um valor
superior àquele pelo qual vende suas capacidades.
Assinale a alternativa que define essa proposição.
a) Mais-valia.
b) Modo de produção.
c) Materialismo histórico.
d) Trabalho concreto

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10. Fundador do materialismo histórico, Karl Marx (1818-1883) defendia que a tendência do modo
capitalista de produção é separar cada vez mais o trabalhador e os meios de produção. Na perspectiva
teórica de Marx, é INCORRETO afirmar que

a) a sociedade capitalista é a fase final da história da humanidade, em que as classes sociais –


especialmente o proletariado – desenvolvem toda sua potencialidade por meio da revolução
tecnológica, assegurando mais liberdade aos indivíduos modernos.

b) o postulado básico do marxismo é o determinismo econômico, segundo o qual as condições


econômicas são fundamentais no desenvolvimento da sociedade.

c) a divisão social do trabalho reproduz modos de segmentação da sociedade, resultando em


desigualdades e exploração de uma classe social sobre a outra.

d) a procura do lucro é intrínseca ao capitalismo, cujo objetivo do capital não é apenas satisfazer
determinadas necessidades, mas produzir mais-valia.

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Gabarito

1. E
A alienação se dá na exclusão do trabalhar do processo produtivo.Ele não decide o que produzir, não
conhece todo processo e muitas vezes nem pode consumir o que produz. o trabalhar oferece apenas
sua força de trabalho, sendo assim reificado pelo sistema.

2. C
Marx pretendia interpretar a história do homem à luz do materialismo histórico ou seja, tratando a
economia como base da história de qualquer sociedade.

3. E
Como o trabalhador é alienado do processo produtivo, o aumento de riquezas produzidas não diminuem
a desigualdade social, o contrário, a produção de riqueza é fruto da exploração do trabalhador. Quanto
maior for a riqueza, maior será a exploração.

4. D
A divisão social é oriunda da divisão do trabalho. Há duas classes: burguesia (donos dos meios de
produção) e proletariado (trabalhadores que vendem sua força de trabalho)

5. B
Marx acredita que a desigualdade social é fruto da posse desigual dos meios de produção. Sendo assim,
os donos dos meios de produção são capazes de manipular os símbolos culturais por meio da ideologia.

6. D
Ideologia é o mascaramento da realidade. O homem pensa que está vendo a realidade tal como ela é,
mas na verdade está sendo enganado pela teia ideológica da classe dominante. A frase " o trabalho
dignifica o homem" dá ao proletária a falsa sensação de que o trabalho é uma coisa boa, quando na
verdade ele é explorado e alienado.

7. D
Embora sejamos muitas vezes confundidos, levados a achar que a diferença entre burgues e proletário
é a riqueza, não foi isso que Marx defendeu. Burguês é o dono do meio de produção; pode ser uma
padaria ou uma multinacional, os dois são burgueses. O proletário é todo indivíduo que vende sua força
de trabalho, seja ele caixa de supermercado ou diretor de uma multinacional. Provavelmente o diretor de
uma grande empresa possui muito mais bens do que o dono de uma padaria de bairro, mas mesmo
assim o primeiro é proletário e o segundo burguês.

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8. 04 e 16
O proletário é aquele não possui os meios de produção e o burguês o que possui. Se um proletário
conseguir comprar um meio de produção, automaticamente ele se torna burguês e a luta de classes
continua. Toda riqueza do Burguês é sempre produzida pelo proletariado que vende sua força de
trabalho.

9. A
Esse valor a mais que o burguês toma do lucro é chamado por Marx de mais-valia. Do ponto de vista
marxista, a mais-valia é sempre um roubo, pois o burguês está tomando algo que pertence aos
trabalhadores. Vemos assim que as classes sociais no capitalismo são interdependentes, uma não vive
sem a outra, mas ambas ocupam posições diferentes. Uma é exploradora, outra a explorada, uma é
opressora e a outra oprimida.

10. A
Para Marx, a história acontece em um movimento dialético. A burguesia é a tese, o proletariado a antítese
e o socialismo será a síntese. Por tanto o capitalismo não poderá ser a fase final da história da sociedade.

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