Você está na página 1de 19

RESTAURAÇÃO DA IGREJA DE SÃO LOURENÇO DOS ÍNDIOS

Identificação
Denominação:
Igreja de São Lourenço dos Índios.

Localização:
Outeiro de São Lourenço (antigo outeiro Araribóia).

Categoria:
Arquitetura religiosa de notável valor histórico e excepcional
valor artístico.

Proteção exstente:
Tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Proc.
163-T, inscrição nº 213, folhas 37 do Livro das Belas Artes, de
23/08/1938 e inscrição nº 247, folhas 41 do Livro Histórico, de
12/01/1948).
Tombado pelo Patrimônio Cultural de Niterói (Lei No
1.038/92).

Período:
Século XVI: Primitiva Igreja;

Século XVIII: Atual Igreja;

Final do Século XVI / Início do Século XVII: Retábulo.

Identificação
Cronologia Histórica
1570 – Referência de uma pequena capela em 1769 – Reconstrução da Igreja, mantendo a
taipa implantada em um outeiro. mesma fisionomia jesuítica, conforme data
na fachada.

1573 – Martim Afonso de Souza, o Araribóia, toma


posse de uma sesmaria doada pelo governador 1835 – Notícia de que a Igreja está
Mem de Sá, iniciando com os jesuítas o arruinada.
Aldeamento de São Lourenço dos Índios.

1841 – Demarcação de um cemitério lateral


1586 – Após a catequização dos índios, é à Igreja.
inaugurada uma nova capela com a representação
do Auto de São Lourenço.

1627 – A ermida em taipa é substituída por uma


igreja em pedra e cal.

1620 – 1670 – Período provável de realização do


retábulo pela oficina jesuítica que fez a Igreja de
Santo Ignácio do Colégio do Rio de Janeiro.

Reconstrução da capela, mantendo sua


fisionomia jesuítica conforme data inscrita na
fachada conservada até hoje

Cronologia Histórica
1890 – Em decorrência da Lei Imperial, os jesuítas são
expulsos, os indígenas passam a ser tutelados pelo
“Juizado de Órfãos” e a Igreja passa a pertencer à Mitra
de Niterói.

1915 – A Igreja foi desapropriada pelo prefeito Manoel


Otávio de Souza Carneiro por considerá-la monumento
histórico.

1934 – A Igreja é cedida à Prefeitura, passando por


obras de conservação; é realizada a desapropriação da
área do entorno.

1948 – Tombamento pelo IPHAN.

1992 – Tombamento pelo Município.

1999 – Início das obras de restauração pela Prefeitura


Municipal de Niterói.

Cronologia Histórica
Descrição Tipológica
Fachada Principal
Sua fachada singela, de composição austera e clássica, é constituída, no térreo,
por portada única de verga reta e cercadura em cantaria, dotada de esquadria de
madeira almofadada. Na altura do coro encontram-se três janelas de vergas retas
e também com cercaduras em cantaria. O seu coroamento se faz por um frontão
triangular, marcado por cimalha e frisos, no qual se encontra um óculo . A parede
sineira, disposta no lado esquerdo da fachada, apresenta duas aberturas em arco
pleno, contendo os sinos de fabricação do século XIX.

Fachadas
Fachada Lateral Oeste Fachada Lateral Leste

Fachadas
19.24
A Igreja possui nave única com paredes
despojadas sob telha vã. À esquerda da sua
entrada encontra-se uma pia batismal e, à
direita, uma pia de água benta. Sobre a
entrada, está o coro, de forma e
14.07

20.12
6.85 acabamento simples, contendo um guarda
corpo em balaustrada de madeira. O púlpito

8.44
é único, do lado do evangelho e, próximo a
entrada lateral, encontra-se outra pia de
3.43

11.85
16.47 CAPELA água benta. O espaço fronteiro ao arco
cruzeiro é ligeiramente alteado, contendo
uma teia com balaustrada de madeira. A
capela-mor, de largura e pé-direito menores
13.42 que os da nave, contém um vigoroso
3.36

retábulo aposto sobre a parede dos fundos.


Na sacristia ao lado da capela-mor existe
um lavabo em pedra de Lioz. Um outro
16.34
compartimento, mais delgado e,
possivelmente, de época posterior, está
locado à frente da sacristia, ladeando a
nave. Na parede sineira do lado esquerdo
da fachada principal da Igreja, há duas
fenestrações em arco pleno onde estão
localizados os sinos; seu acesso se dá
através de uma escada de madeira, por
onde se chega também ao coro.
Planta Baixa
01 - Nave: piso cerâmico de tonalidade
vermelha, em placas de 20 x 20 cm e
tabeira irregular em placas de 20 x 9 cm;
substituído por tábua corrida.
02 - Transepto (espaço que antecede o
arco cruzeiro): piso em tijoleira original
(placas de 235 x 235 cm) e dois arcos
metálicos de apoio ao portão da teia; o
piso foi restaurado e mantido.
03 - Presbitério: piso em tijoleira com
placas de 235 x 235 cm; o piso foi
restaurado e mantido.
04 - Capela: piso em tijoleira com placas
de 235 x 235 cm e 26 x 26 cm, com
desenhos de origem indígena; o piso foi
restaurado e mantido.
05 – Sacristia : piso em tijoleira com
placas de 235 x 235 cm; o piso foi
restaurado e mantido.
06 – Sacristia : piso em tijoleira irregular
com placas de 235 x 235 cm; substituído
por tábua corrida.

Pisos
Tijoleiras indígenas, com
marcas de fatura em
diferentes desenhos,
encontradas no
transepto, altar-mor e
sacristia.

Tijoleiras indígenas
Bens Integrados
Pias de água benta
Ambas de forma elíptica,
encontram-se próximas às
entradas principal e lateral da
nave.

Lavabo
Nas cores branca e verde, com
torneira de bronze (encontra- Pia Batismal
se na sacristia).
Localizada sob o coro, à esquerda da entrada
principal da nave.

As quatro peças, em pedra de Lioz de origem portuguesa, foram restauradas e suas partes faltantes foram
reintegradas com mármores da mesma natureza. Posteriormente, procedeu-se à limpeza e à proteção de
suas superfícies.

Elementos Remanescentes
Confessionário
Bens artísticos integrados em madeira
(canela), provavelmente
confeccionadas no século XVIII. No
processo de restauração foram
removidas as várias camadas de
verniz e as partes deterioradas foram
recuperadas e outras substituídas.
Posteriormente foram imunizadas e
receberam proteção final com cera.
Púlpito

Elementos Remanescentes
Antes da restauração
Os dois sinos fundidos
em bronze, apresentam
baixo relevo de brasão do
Segundo Império e
crucifixo. Encontravam-se
revestidos por várias
camadas de tinta na cor
azul.

Após a restauração

A tinta foi removida, conservando-se aparente o


bronze original, protegido por uma camada de
cera microcristalina.

Detalhe

Elementos Remanescentes
Pára-vento lateral Pára-vento principal

Elementos claramente não originais e de desenho


desarmonioso. Optou-se pela desmontagem e
retirada dos mesmos.

Elementos Retirados
Castiçais em prata

Palma e grelha de prata


Lampadário em prata

Algumas peças relacionadas em relatório como de propriedade da Igreja encontram-se


desaparecidas ou em local desconhecido, dentre elas, crucifixo, castiçais, lampadário,
palma e grelha, salvas de prata, relicários.

Elementos não encontrados


À época do levantamento de bens da Igreja, os dois tocheiros encontravam-se na
Matriz de São Lourenço; foram recuperados e reintegrados ao acervo de São
Lourenço dos Índios.

Em madeira, o par de tocheiros O trabalho de prospecção identificou


apresentava acabamento em camadas de pintura lisa e vestígios
pintura e douramento de policromia com douramento.
(purpurina).

Elementos Recuperados

Você também pode gostar