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ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

7. LAJES

7.1. INTRODUÇÃO

As placas de concreto são denominadas de lajes, e, como já foi dito, elas são elementos planos
que trabalham solicitadas, basicamente, à flexão e recebem cargas perpendiculares a seu plano
médio. Nas edificações usuais, a laje é o primeiro elemento a receber as cargas, e tem a
função de retransmiti-las às vigas ou diretamente aos pilares, no caso das lajes planas, por
exemplo. Nas estruturas de edifícios, as lajes exercem grande importância sobre o consumo de
concreto, pois chegam a ser responsáveis por 50% do volume total de concreto utilizado.

Segundo MacGregor (1984), as lajes armadas em cruz, que distribuem as cargas em duas
direções, são uma forma única de construção que só as estruturas de concreto armado
apresentam, entre todos os materiais de construção.

7.2. TIPOS DE LAJES

Segundo Rocha (1987), pode-se classificar as lajes em dois grandes grupos, de acordo com o
modo de dimensionamento:

a) Lajes armadas em uma só direção, ou laje corredor – quando a relação entre o maior e o
menor vão for maior do que 2 (Figura 7.1).

x
l
_____ >2 ly
ly

lx
Figura 7.1 – Laje corredor.

b) Lajes armadas em duas direções, ou lajes armadas em cruz - quando a relação entre o
maior e o menor vão for menor do que ou igual a 2 (Figura 7.2).

É importante ressaltar que, mesmo as lajes ditas armadas em uma única direção, têm
armaduras positivas nas duas direções principais, como será visto posteriormente, porém, elas
são calculadas levando-se em conta apenas a direção principal. Logo, a nomenclatura correta
deveria ser laje calculada em uma única direção.

As lajes apresentam, também, outras classificações que levam em conta outros parâmetros.
São elas:
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l
x
_____ <2 ly
ly

lx
Figura 7.2 – Laje armada em cruz.

• Quanto à fabricação, ou modo de execução: Pré-moldadas (Figuras 7.3 e 7.4)


Moldadas in loco (Figura 7.5)

Plana (Figuras 7.6a e 7.7)


• Quanto à forma: Maciça Cogumelo (Figuras 7.6b e 7.8)
Vigada (Figuras 7.6c e 7.9)
Nervurada (Figuras 7.6d e 7.10)

Figura 7.3 – Edifício de apartamento de 13 andares Figura 7.4 – Centro japonês Pagoda (São Francisco).
com todas as lajes pós-tensionadas no solo e depois Lajes circulares pré-moldadas e pós-tensionadas (LIN
içadas até a posição definitiva (São Francisco). Lajes & BURNS, 1981).
com 20cm de espessura, em concreto leve e 8,5m de
vão (LIN & BURNS, 1981).
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Figura 7.5 – Armaduras de laje in loco (ABCP et al, 2002).

(a) (b)

(c) (d)

Figura 7.6 – Tipos de laje: (a) laje plana; (b) laje cogumelo; (c) laje com vigas; (d) laje nervurada
(MACGREGOR, 1984).
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Figura 7.7 – Laje plana com viga chata nas extremidades (FERGUSON et al, 1988).

Figura 7.8 – Típica laje cogumelo com capitel (FERGUSON et al, 1988).

Figura 7.9 – Sistema reticulado de laje com viga.

Figura 7.10 – Laje nervurada.


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Segundo MacGregor (1984), as lajes planas e com vigas são recomendadas para vãos entre
4,5m e 6m. As lajes nervuradas para vãos entre 7,5m e 12m. E as lajes cogumelo para vãos
entre 6m e 9m com carregamento acima de 5kN/m2. Abaixo são indicadas as limitações,
vantagens e desvantagens em relação aos tipos de lajes, conforme BOTELHO (2011).

- Atende tecnicamente bem aos casos de vãos e cargas, em que a solução implique
em lajes com alturas menores ou iguais a 15cm de altura acabada;
- Possui consumo de concreto e peso próprio bastante elevados e indesejados, no
que diz respeito à relação custo-benefício da obra;
- É uma estrutura moldada in loco, e isso onera de maneira significativa os custos da
LAJE MACIÇA obra por conta do alto custo de madeira de fôrmas e escoramento, encargos sociais
bastante elevados, período de tempo de execução da obra bastante extenso,
diminuindo assim, a rentabilidade do empreendimento;
- O alto peso próprio das lajes maciças não permite racionalizar e otimizar as
definições técnicas e econômicas dos demais elementos estruturais, tais como: vigas,
colunas, fundações etc.
- Possui vocação técnica limitada pela ausência de ferragem transversal, e este fato
impossibilita a laje de combater elevadas tensões de cisalhamento;
- A necessidade de óleo desformante implica numa superfície das vigotas muito lisa,
e isso leva a uma condição de má aderência entre concreto da capa e vigotas,
aumentando, assim, as possibilidades de fissuras;
- Não é permitido aplicar cargas concentradas diretamente sobre a laje, isto deve-se
às limitações técnicas do sistema construtivo;
LAJE PRE-
- Não é permitido utilizar esta laje em obras verticais, pelo fato de que este sistema
MOLDADA COMUM
construtivo não garante a monoliticidade da estrutura;
- É incapaz de vencer grandes vãos livres e suportar grandes cargas acidentais;
- A necessidade de possuir vigamento de concreto armado sob cada parede divisória
eleva o valor da relação custo-benefício, diminuindo, assim, a eficiência do sistema
estrutural da edificação;
- Não permite a colocação nas vigotas de ferragens superiores a 8mm e a quantidade
máxima de até 3 fios positivos.
- É capaz de vencer grandes vãos livres e suportar grandes cargas, com alturas
relativamente baixas;
- É capaz de suportar paredes diretamente sobre a laje, fazendo-se previamente as
definições necessárias;
- É uma estrutura moldada in loco, e isso onera de maneira significativa os custos da
obra por conta do alto custo de madeira de fôrmas e escoramento, encargos sociais
LAJE NERVURADA
bastante elevados, período de tempo de execução da obra bastante extenso,
diminuindo assim, a rentabilidade do empreendimento;
- Embora seja um sistema construtivo tecnicamente forte, sua baixa produtividade
leva-o a ter uma pequena participação no mercado da construção civil no país;
- Não possui ferragem, para combater cisalhamento, com geometria espacial e solda
por eletrofusão.
- É capaz de vencer grandes vãos livres e suportar grandes cargas, com alturas
relativamente baixas;
- É capaz de suportar paredes diretamente sobre a laje, fazendo-se previamente as
definições necessárias;
- É de fácil manuseio e transporte horizontal e vertical e possui baixo peso próprio,
reduzindo, assim, as reações nos apoios, bem como aumentando a eficiência da laje;
- Possibilita reduzir a quantidade de colunas e vigas do sistema estrutural de uma
edificação;
LAJE TRELIÇADA
- Elimina a possibilidade de trincas e fissuras pela condição que oferece de total
aderência entre as vigotas e o concreto do capeamento;
- Reduz o custo final da obra em até 40%, entre economia de aço, concreto, madeira
e mão de obra;
- Apresenta perfeita condição de monoliticidade da estrutura, possibilitando executar
qualquer tipo de obra, quer seja horizontal e vertical com altura elevada;
- Há três alternativas de elementos intermediários: lajota cerâmica, bloco de
concreto leve e bloco de EPS (isopor).
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Neste curso, serão estudadas, apenas, as lajes maciças com vigas, ou seja, o sistema
estrutural dito convencional, em que as lajes se apoiam nas vigas, e essas nos pilares.

7.3. ANÁLISE DE ESFORÇOS NAS LAJES

Após a determinação do carregamento da laje, parte-se para o cálculo dos esforços nela
atuantes, ou seja, a determinação das solicitações. As lajes trabalham, basicamente, à flexão
simples, isso quer dizer que nela estarão atuando momentos fletores e esforços cortantes. Para
isso, existem alguns métodos para a análise de esforços nas lajes. Alguns são listados a seguir,
e serão descritos posteriormente.

• Teoria da Elasticidade;
• Teoria das Grelhas;
• Método das Linhas de Ruptura;
• Tabelas de dimensionamento.

Além da determinação dos momentos fletores e forças cortantes, determinam-se, também, as


reações das lajes, que irão carregar as vigas. Para as lajes maciças apoiadas sobre vigas (que é
o caso em estudo neste curso), despreza-se o esforço cortante atuante. Essa verificação está
apresentada no final deste capítulo. Logo, para o cálculo das lajes maciças só irá interessar a
determinação dos momentos fletores e das reações sobre as vigas.

Um outro aspecto fundamental na análise dos esforços das lajes, é a determinação das suas
condições de contorno. É necessário saber qual o tipo de apoio de cada um dos lados da laje.
Tem-se, basicamente, três tipos de apoio para as lajes maciças no sistema reticulado: lado
simplesmente apoiado; lado engastado; e lado livre. Quando um lado da laje é dito
simplesmente apoiado, ele se encontra sobre uma viga e não há continuidade com outra laje.
Quando um lado da laje é dito engastado, ele também se encontra sobre uma viga e há
continuidade com outra laje. Quando o lado não está apoiado sobre uma viga, ele é dito de
bordo livre, ou seja, sem apoio. A Figura 7.11 apresenta a representação gráfica para cada um
dos tipos de apoio.

Lado simplesmente Bordo livre


Lado engastado
apoiado

Figura 7.11 - Representação gráfica para os tipos de apoio das lajes.

Para as lajes retangulares, sem levar em conta as lajes com bordo livre, tem-se seis tipos
distintos de ocorrência, como mostra a Figura 7.12.

A laje com ocorrência 1 tem os quatro lados simplesmente apoiados. A com ocorrência 2, tem
um dos lados engastados e os outros três simplesmente apoiados. A de ocorrência 3 apresenta
dois lados consecutivos engastados, e a 4 dois lados opostos engastados. A com ocorrência 5
tem três lados engastados e a tipo 6 tem os quatros lados engastados. Perceba-se que não há a
preocupação em determinar-se se os engastes acontecem nos lados maiores ou nos menores.
Esse aspecto será levado em conta posteriormente.
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1 2 3

4 5 6

Figura 7.12 – Tipos de ocorrência de lajes retangulares.

A seguir serão descritos, sucintamente, os quatro métodos de análise de esforços nas lajes
citados anteriormente.

Teoria da Elasticidade

Segundo MacGregor (1984), a Teoria da Elasticidade (TE) demonstra não só a relação entre
os momentos internos e as cargas nas lajes, como também demostra a relação entre os
momentos e a curvatura das lajes.

A TE, que é uma teoria matemática, fornece resultados precisos quando o material se
comporta segundo as leis de Hooke e Navier, ou seja, de maneira elástico-linear. Como já foi
visto, o concreto armado apresenta um comportamento elasto-plástico, logo, o cálculo pela TE
fornece valores aproximados.

A análise de esforços pela TE se baseia na equação diferencial de 4a ordem de Lagrange, que


relaciona a deformada elástica da placa (w) com o seu carregamento (p), e está apresentada a
seguir, onde K é o coeficiente de rigidez da placa.

∂ 4ω ∂ 4ω ∂ 4ω p Ec . d3
+ 2 + = K=
∂x 4 ∂x 2 ∂y 2 ∂y 4 K 12 (1 − ν 2 )

Da TE resultam, também, as seguintes equações de equilíbrio para o cálculo das solicitações.

 ∂ 2ω ∂ 2ω   ∂ 2ω ∂ 2ω  ∂ 2ω
M x = − K 2 + ν 2  M y = − K 2 + ν 2  M xy = M yx = − K (1 − ν)
 ∂x ∂y   ∂y ∂x  ∂x∂y
∂  ∂ 2ω ∂ 2ω  ∂  ∂ 2ω ∂ 2ω 
Vx = − K  +  Vy = −K  + 
∂x  ∂x 2 ∂y 2  ∂y  ∂x 2 ∂y 2 

Teoria das Grelhas

Para as lajes retangulares sobre quatro apoios, com carga uniformemente distribuída, pode-se
utilizar a Teoria das Grelhas (TG) para o cálculo dos esforços, que é um processo rápido e
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simplificado. Ele consiste em dividir a carga total (p), que é por área, em duas cargas lineares
uma para cada direção da laje (px e py), como mostra a Figura 7.13.

p
x

p A
y
ly

lx

Figura 7.13 – Distribuição das cargas.

Para a distribuição das cargas, segundo Polillo (1981), “considerando que a carga p se divide
em duas componentes segundo as duas direções, uma px e outra py, imaginam-se faixas
ortogonais isoladas entrecruzando-se no centro da laje, sujeitas às px e py, respectivamente,
igualam-se as flechas no centro. Desta igualdade resulta o valor de px ou de py. Em seguida,
considerando-se sempre as faixas independentes, levando-se em conta o tipo de apoio
existente em cada borda, calculam-se os momentos Mx e My em cada faixa nas duas direções.
Procedendo-se deste modo, não se leva em conta a influência favorável dos momentos de
torção, que tendem a diminuir as solicitações à flexão”.

Portanto, se o valor da flecha, para cada condição de contorno, é conhecido, pode-se


determinar os valores de px e de py. A Tabela 7.1 apresenta os valores das flechas para as
condições de apoio mais utilizadas.

Tabela 7.1 – Valores para as flechas.

Apoios Flecha

Simplesmente apoiada (bi-apoiada) 5.p.l4


f=
384 EI
Mono-engastada 2.p.l4
f=
384 EI
Bi-engastada p.l4
f=
384 EI

A Tabela 7.2 apresenta os valores para os momentos e reações para as condições de contorno
mais utilizadas.
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Tabela 7.2 – Valores para os momentos e reações de apoio, admitindo-se carga uniformemente distribuída.

Apoios M+ M- R1 R2

Bi-apoiada p.l2 zero p.l p.l


8 2 2
Mono-engastada p.l2 p.l2 0,6 p . l 0,4 p . l
14,22 8
Bi-engastada p.l2 p.l2 p.l p.l
24 12 2 2
p . l2 p.l
Balanço zero zero
2

Considerando-se uma laje com os quatro bordos simplesmente apoiados (Figura 7.14), tem-se:

p As duas direções são bi-apoiadas, e no


x
ponto A: εx = εy, logo:

5 . p x . l 4x 5 . p y . l 4y
p fx = fy =
384EI 384EI
p A
y
ly
p = px + py

lx px = Kx . p px = Kx . p

Figura 7.14 – Laje com ocorrência 1.


K y =1− Kx

Fazendo fx = fy, no ponto A, tem-se:


4
5 . p x . l 4x 5 . p y . l y
= ∴ p x . l 4x = p y . l 4y
384EI 384EI
px py px + py p
= 4 = (por manipulação matematica) = 4 4 = 4 4
4
ly lx ly + lx ly + lx
px p l 4y l 4y
= 4 4 ∴ px = .p ∴ Kx =
ly ly + lx
4
l 4y + l 4x l 4y + l 4x
py p l 4x l 4x
= 4 4 ∴ py = 4 4 . p ∴ Kx = 4 4
lx ly + lx
4
ly + lx ly + lx

EXERCÍCIO 7.1:

Para a laje da Figura 7.15, determinar o carregamento nas duas direções principais.

l 4y 34 l 4x 44
Kx = = = 0,24 Ky = = = 0,76
l 4y + l 4x 34 + 4 4 l 4y + l 4x 34 + 4 4
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p x = 0,24 x 500 = 120kg / m p y = 0,76 x 500 = 380kg / m

p =120kg/m
x

2 l y =3,0m lx =4,0m
p=500kg/m

p =380kg/m
y

lx =4,0m

Figura 7.15 – Laje a ser carregada. l y =3,0m

EXERCÍCIO 7.2:

Para as lajes das Figuras 7.16 e 7.17, determine os coeficientes de carregamento.

p p
x x

p p

p A
p A ly
y
ly y

lx lx

Figura 7.16 – Laje 1. Figura 7.17 – Laje 2.

Método das Linhas de Ruptura

O método das linhas de ruptura, ou a teoria das charneiras plásticas, é uma análise estrutural
plástica, ou seja, as não linearidades dos materiais podem ser consideradas, desde que eles
tenham um comportamento rígido-plástico perfeito ou elasto-plástico perfeito, como o
concreto armado, por exemplo.

Segundo Rocha (1987), “A teoria de ruptura para cálculo das lajes consiste em admitir que,
sob a ação da carga de ruptura as lajes se dividem em painéis que giram em torno de linhas ao
longo das quais atua um momento igual ao que a laje resiste na ruptura, segundo a direção
normal a estas linhas. Conhecendo-se a posição das linhas de ruptura, a relação entre o
momento de ruptura e a carga pr que rompe a laje é obtida estabelecendo-se as condições de
equilíbrio estático nos painéis limitados pelas linhas de ruptura e pelo contorno da laje”.
Ainda segundo o mesmo autor, ”A aplicação das condições de equilíbrio pode ser feita através
do princípio dos trabalhos virtuais, estabelecendo a igualdade entre o trabalho da carga pr e o
trabalho dos momentos ao longo das linhas de ruptura para uma deformação atribuída à laje
na ruptura. Esta deformação se realiza como se houvessem rótulas ou charneiras ao longo das
linhas de ruptura. Na configuração de ruptura a laje forma um mecanismo ou cadeia
cinemática”.
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Logo, este método se baseia na configuração de ruína das lajes, ou seja, nas linhas de ruptura
que a laje apresenta, como mostra a Figura 7.18.

Figura 7.18 – Linhas de ruptura.

Tabelas de dimensionamento

Para facilitar a determinação das solicitações nas lajes, foram criadas várias tabelas com uma
série de coeficientes que levam em conta os diversos parâmetros utilizados no cálculo das
lajes. Algumas tabelas, por exemplo, se baseiam na Teoria das Grelhas e outras na Teoria da
Elasticidade. Algumas das tabelas mais utilizadas são:
• Czerny (TE);
• Erturk (TE);
• Barés (TE);
• Marcus (TG + TE), etc.

Hoje em dia, o uso das tabelas está sendo substituído pela utilização de softwares de análise
estrutural, que tanto podem trabalhar com as tabelas internamente, como com o cálculo
matemático mais preciso.

Para este curso serão utilizadas as Tabelas de Czerny, Tabela XIX que se encontra no Anexo
A, que se baseiam na Teoria da Elasticidade, para o cálculo dos esforços (momentos fletores e
reações) nas lajes.

7.4. DETERMINAÇÃO DA ALTURA DAS LAJES

Existem vários métodos para a determinação da altura (h) inicial das lajes, como o método
para o pré-dimensionamento citado no Capítulo 4. Independentemente de como será feita a
determinação da altura, ela deve obedecer aos limites mínimos exigidos pela NBR 6118
(2014), já citados no Capítulo 4, que para as lajes maciças são:
• 7 cm para lajes de cobertura não em balanço;
• 8 cm para lajes de piso não em balanço;
• 10 cm para lajes de piso em balanço;
• 10 cm para lajes que suportem veículos de peso total menor ou igual a 30kN;
• 12 cm para lajes que suportem veículos de peso total maior que 30kN;
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• 16 cm para lajes lisas;


• 14 cm para lajes em cogumelo.

A Figura 7.19 apresenta um esquema dos elementos que compõem a altura da laje.

d2 d1
h φ2a cam.
d'2 φ1a cam.
d'1 cob.

d'1 =cob.+(φ1a cam. /2) d1 =h-d'1

d'2 =cob.+(φ1a cam. + φ2a cam. /2) d2 =h-d'2


Figura 7.19 – Detalhe da altura da laje.

A NBR 6118 (2014) estabelece os cobrimentos mínimos para as lajes, que dependem das
condições de agressividade ambiental onde elas estão instaladas. As Tabelas V, VI e VII, no
Anexo A, apresentam as classificações ambientais e cobrimentos mínimos, respectivamente,
fornecidos pela Norma.

7.5. CARREGAMENTOS DAS LAJES PARA O PROJETO EM ESTUDO

Para a 2a opção de fôrma, já foram determinadas as alturas de pré-dimensionamento das lajes


no Capítulo 4. Para essas alturas, determinam-se os carregamentos de cada uma das lajes,
como está apresentado a seguir.
Carregamentos
L101=L102=L109=L111

432 pp = 0,13 x 25 = 3,25kN/m2

285
rev. = 1kN/m2
Par. = (0,15 x 2,57 x 6,67) x 15 / (4,32 x 5,6) = 1,6kN/m2
560
g = 5,85kN/m2
275
q = 1,50kN/m2
p = 7,35kN/m2

pp = 0,08 x 25 = 2,00kN/m2
L103=L110
rev. = 1kN/m2
276 Par. = (0,25 x 2,63 x 2,6) x 15 / (2,75 x 2,76) = 3,38kN/m2
g = 6,38kN/m2
275 q = 1,50kN/m2
p = 7,88kN/m2
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L104=L105=L107=L108
pp = 0,11 x 25 = 2,75kN/m2
570
rev. = 1kN/m2
Par. = (0,15 x 2,59 x 6,95) x 15 / (5,7 x 4,6)
Par. = 1,54kN/m2
460
g = 5,29kN/m2
q = 2,00kN/m2
p = 7,29kN/m2
463
107

L106

pp = 0,10 x 25 = 2,50kN/m2
rev. = 1kN/m2
Par. = (0,15 x 2,6 x 4,86) x 15 / (3,5 x 3,66) = 2,22kN/m2
366
g = 5,72kN/m2
q = 1,50kN/m2
p = 7,22kN/m2
350

De posse do carregamento e sistema estático das lajes, pode-se partir para o cálculo dos
esforços e o dimensionamento.

A Figura 7.20 apresenta um esquema das lajes do pavimento tipo para a 2a opção de fôrma,
indicando os seus carregamentos para as alturas calculadas utilizando o método de pré-
dimensionamento apresentado no capítulo 4.
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ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

L101 L102

p=7,35kN/m2 p=7,35kN/m2

h = 13cm L103 h = 13cm


p=7,88kN/m2
h = 8cm

L104 L105

p=7,29kN/m2 p=7,29kN/m2

h = 11cm h = 11cm

L106

p=7,22kN/m2
h = 10cm

L107 L108

p=7,29kN/m2 p=7,29kN/m2

h = 11cm h = 11cm

L109 L110 L111


p=7,88kN/m2
h = 8cm
p=7,35kN/m2 p=7,35kN/m2

h = 13cm h = 13cm

Figura 7.20 – Esquema das lajes do pavimento tipo para a 2a opção de fôrma com suas alturas e carregamentos.
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7.6. DIMENSIONAMENTO E DETALHAMENTO DE LAJES ARMADAS EM CRUZ

Antes de fazer-se o dimensionamento propriamente dito para as lajes da 2a opção de fôrma,


far-se-á o cálculo dos esforços nas lajes, utilizando as tabelas de Czerny.

7.6.1. Cálculo das reações e momentos atuantes

A Figura 7.21 apresenta os tipos de ocorrência, para as tabelas de Czerny, de cada uma das
lajes em estudo.

L101 L102

Tipo 2A Tipo 2A

7,35kN/m 2 L103 7,35kN/m 2


Tipo 5A
7,88kN/m 2

L104 L105

Tipo 3 Tipo 3

7,29kN/m 2 7,29kN/m 2

L106

Tipo 4A

7,22kN/m2

L107 L108

Tipo 3 Tipo 3

7,29kN/m 2 7,29kN/m 2

L109 L110 L111

Tipo 5A
Tipo 2A Tipo 2A
7,88kN/m 2

7,35kN/m 2 7,35kN/m 2

Figura 7.21 – Tipos de ocorrência e carregamento das lajes do pavimento tipo para a 2a opção de fôrma.

A seguir são apresentados os cálculos dos esforços para cada um dos grupos de laje.
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L101 = L102 = L109 = L111 ε = ly / lx = 5,60 / 4,32 = 1,30

L101
L101
7,86
ly =5,60m
Tipo 2A

ly =5,60m

7,59
7,59

4,62
7,35kN/m 2 6,32

-14,29
13,62
lx =4,32m lx =4,32m
p . l 2x 7,35 x 4,32 2
m x = 21,7 → M x = = = 6,32kN.m
mx 21,7
p . l 2x 7,35 x 4,32 2
m y = 29,7 → M y = = = 4,62kN.m
my 29,7
p . l 2x 7,35 x 4,32 2
n y = 9,6 → X y = − =− = −14,29kN.m
ny 9,6
Vx = 0,239 → R x = Vx . p . l x = 0,239 x 7,35 x 4,32 = 7,59kN/m
Vy1 = 0,331 → R y1 = Vy1 . p . l y = 0,331 x 7,35 x 5,60 = 13,62kN/m
Vy2 = 0,191 → R y2 = Vy2 . p . l y = 0,191 x 7,35 x 5,60 = 7,86kN/m

L103 = L110 ε = ly / lx = 2,76 / 2,75 = 1,00

L103 L103
L103 -3,27 -3,27 3,12
lx =2,75m

lx =2,75m
lx =2,75m

1,35

5,44
5,44

Tipo 5A
1,07
-3,68

7,88kN/m 2 6,57

ly =2,76m ly =2,76m ly =2,76m


Momentos Reações

p . l 2x 7,88 x 2,75 2
m x = 44,1 → M x = = = 1,35kN.m
mx 44,1
p . l 2x 7,88 x 2,75 2
m y = 55,9 → M y = = = 1,07kN.m
my 55,9
p . l 2x 7,88 x 2,75 2
n x = 16,2 → X x = − =− = −3,68kN.m
nx 16,2
p . l 2x 7,88 x 2,75 2
n y = 18,2 → X y = − =− = −3,27kN.m
ny 18,2
166
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Vx1 = 0,303 → R x1 = Vx1 . p . l x = 0,303 x 7,88 x 2,75 = 6,57kN/m


Vy = 0,250 → R y = Vy . p . l y = 0,250 x 7,88 x 2,76 = 5,44kN/m
Vx2 = 0,144 → R x2 = Vx2 . p . l x = 0,144 x 7,88 x 2,75 = 3,12kN/m

L104 = L105 = L107 = L108 ε = ly / lx = 5,70 / 4,60 = 1,24


L104
L104 12,78

-13,90
-11,96
lx =4,60m

Tipo 3

lx =4,60m

5,51

10,55
6,11
7,29kN/m 2 3,38

7,31
ly =5,70m ly =5,70m
p . l 2x 7,29 x 4,60 2
m x = 28,0 → M x = = = 5,51kN.m
mx 28
p . l 2x 7,29 x 4,60 2
m y = 45,6 → M y = = = 3,38kN.m
my 45,6
p . l 2x 7,29 x 4,60 2
n x = 11,1 → X x = − =− = −13,90kN.m
nx 11,1
p . l 2x 7,29 x 4,60 2
n y = 12,9 → X y = − =− = −11,96kN.m
ny 12,9

Vx1 = 0,381 → R x1 = Vx1 . p . l x = 0,381 x 7,29 x 4,60 = 12,78kN/m


Vy1 = 0,254 → R y1 = Vy1 . p . l y = 0,254 x 7,29 x 5,70 = 10,55kN/m
Vx2 = 0,218 → R x2 = Vx2 . p . l x = 0,218 x 7,29 x 4,60 = 7,31kN/m
Vy2 = 0,147 → R y2 = Vy2 . p . l y = 0,147 x 7,29 x 5,70 = 6,11kN/m

L106 ε = ly / lx = 3,66 / 3,50 = 1,05

L106
L106
-6,60

9,22
ly =3,66m

ly =3,66m

Tipo 4A
3,82
2,62
3,82

7,22kN/m2 1,69
-6,60

9,22
lx =3,50m
lx =3,50m
167
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

p . l x2 7,22 x 3,50 2
m x = 52,2 → M x = = = 1,69kN .m
mx 52,2
p . l x2 7,22 x 3,50 2
m y = 33,7 → M y = = = 2,62kN .m
my 33,7
p . l x2 7,22 x 3,50 2
n y = 13,4 → Xy =− =− = −6,60kN .m
ny 13,4
V x = 0,151 → R x = V x . p . l x = 0,151 x 7,22 x 3,50 = 3,81kN / m
V y = 0,349 → R y = V y . p . l y = 0,349 x 7,22 x 3,65 = 9,20kN / m

O esquema da Figura 7.22 apresenta a metade do pavimento tipo com todos os esforços
indicados.

L101 7,86 L102 7,86


5,44
5,44
7,59

7,59

4,62
4,62

L103
7,59

6,32

7,59
6,32
3,12
0 -3,27 -3,27 0
1,35
-13,90 -14,29

-13,90 -14,29
-3,68

1,07
13,62 6,57 13,62
-13,90

L104 12,78 L105 12,78

-11,96
6,11

-11,96
6,11

5,51

5,51
10,55

3,38
10,55

3,38

7,31
0

7,31
3,82 -6,60

9,22
L106
2,62
3,82

1,69
0 -6,60

9,22
L107 7,31 L108 7,31
10,55

6,11
10,55
6,11

Figura 7.22 – Momentos fletores e reações nas lajes da 2a opção de fôrma para o pavimento tipo
168
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

7.6.2. Cálculo dos momentos finais

Como pode ser observado na Figura 7.23, sobre as vigas de apoio entre duas lajes, tem-se dois
momentos diferentes, um de cada uma das lajes, pois elas foram calculadas individualmente.
É necessário, portanto, determinar-se qual o momento negativo final de cálculo (Mef), que é
baseado no equilíbrio entre os dois momentos existentes. Para tanto, utiliza-se o seguinte
procedimento:

 M 1e + M e2

M ef ≥  2
0,8 M e (M 1e > M e2 )
 1

A NBR 6118 (2014) permite que se utilize o maior entre os dois momentos em alguns casos.

Após o equilíbrio dos momentos negativos, é necessário se fazer a correção dos momentos
positivos nos vão onde ocorreu a redução do valor no engaste. Quando ocorre a diminuição do
momento fletor no apoio, há um acréscimo do momento fletor no meio do vão. Por outro lado,
quando há um aumento do momento de engaste, há uma redução do momento no meio do vão
(∆f), como indica a Figura 7.23.

a c
m1 e
m2
m3
b f2
d f3 f

f1 f4

∆f

l1 l2 l3 l4
Figura 7.23 – Correção do momento positivo em função da redução do momento negativo.

Para o cálculo dos momentos fletores positivos corrigidos, tem-se o seguinte:

( m 1 − b)
M 1F = M 1i −
2
(a − m 1 ) (c − m 2 )
M 2F = M i2 + +
2 2
( m 2 − d ) (e − m 3 ) Quando há a
M 3F = M 3i − + redução, esta é
2 2
desprezada a favor
(m 3 − f )
M 4F = M i4 −
2

A seguir estão apresentadas as correções para os momentos fletores da 2a opção de fôrma do


pavimento tipo em análise.
169
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Equilíbrio dos momentos negativos Correção dos momentos positivos


 0 + 3,27 L101:
 = 1,64
Entre L101 e L103: X f ≥  2  14,29 − 14,10 
0,8 x 3,27 = 2,62 M y = 4,62 +   = 4,72
 2 
13,90 + 14,29
 = 14,10 L103:
Entre L101 e L104: X f ≥  2
0,8 x 14,29 = 11,43  3,27 − 2,62 
M y = 1,07 +   x 2 = 1,72
 2 
13,90 + 3,68
 = 8,79
Entre L103 e L104: X f ≥  2 L104:
0,8 x 13,90 = 11,12  13,90 − 11,12 
M x = 5,51 +   = 6,90
 2 
 0 + 6,60
 = 3,30
Entre L104 e L106: X f ≥  2 L106:
0,8 x 6,60 = 5,28  6,60 − 5,28 
M y = 2,62 +   x 2 = 3,94
Entre L104 e L105: Já estão em equilíbrio  2 

A Figura 7.24 apresenta o esquema do pavimento tipo com os momentos que foram
modificados, e a Figura 7.25 os momentos finais para o pavimento.
170
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

L101 L102

4,62
4,62 6,32
6,32
L103
0 -3,27 -3,27 0

1,35
-13,90 -14,29

-13,90 -14,29
-3,68
1,07

L104
-13,90
L105

-11,96 -11,96
5,51

5,51
3,38 3,38
0
-6,60

L106
2,62

1,69
0 -6,60

L107 L108

Figura 7.24 – Momentos fletores a serem modificados para o pavimento tipo


171
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

L101 L102

4,72
4,72
6,32
6,32
-2,62 L103
-2,62

1,35
1,72

-14,10
-11,12
L104 L105
-14,10

-11,96
6,90

6,90
3,38 3,38

-5,28

L106
3,94

1,69
-5,28

L107 L108

Figura 7.25 – Momentos fletores finais, já equilibrados e corrigidos, para o pavimento tipo

7.6.3. Dimensionamento e detalhamento das armaduras

Após a determinação dos esforços solicitantes nas lajes, parte-se para o seu dimensionamento.
A partir dos momentos fletores encontrados, verifica-se a seção de concreto e determina-se a
área de aço necessária para atendê-lo.

Para o dimensionamento para o E.L.U., primeiro, precisa-se determinar qual é a altura útil (d)
da laje. Vale notar que, de maneira geral, as lajes possuem armaduras nas duas direções
principais, formando uma malha de duas camadas. Isso quer dizer que se tem duas alturas
úteis diferentes: uma para a 1a camada e outra para a 2a camada. Esse fato está apresentado na
Figura 7.26. Para evitar erros na execução, admite-se uma altura útil referente às barras da 2a
camada.

Além disso, é necessário calcular qual é a área de aço mínima que deverá ser colocada nas
lajes. Segundo a NBR 6118 (2014), para as lajes armadas em duas direções, tem-se:
• Para as armaduras negativas: ρs ≥ ρmín;
• Para as armaduras positivas: ρs ≥ 0,67 ρmín;
• Para as armaduras positivas principais de lajes armadas em uma direção: ρs ≥ ρmín;
172
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

• Para as armaduras positivas secundárias de lajes armadas em uma direção:


20% da armadura principal

As ,sec undária ≥ 0,9 cm 2 / m
 0,5 ρ min

onde os valores de ρmín dependem do valor do fck, e se encontram na Tabela XIII do Anexo A.

d2 d1
h φ2a cam.
d'2 φ1a cam.
d'1 cob.

d'1 =cob.+(φ1a cam. /2) d1 =h-d'1

d'2 =cob.+(φ1a cam. + φ2a cam. /2) d2 =h-d'2


Figura 7.26 – Corte na laje, indicando as duas camadas de armaduras.

Outro aspecto fundamental no dimensionamento das lajes é saber qual o diâmetro máximo da
armadura que pode ser usado. Segundo a NBR 6118 (2014), ele não pode ultrapassar o valor
de 1/8 da altura da laje, ou seja: φmáx ≤ h/8. A prática recomenda que o diâmetro mínimo a ser
usado nas armaduras para os momentos negativos seja de φmín ≥ 6,3mm.

Para o nosso projeto, serão adotados os seguintes dados: fck = 25MPa; aço CA 50 A;
cobrimento = 20mm (classe de agressividade I, considerando a observação da proteção); φmáx
= 10mm. Logo, admitindo a altura útil referente à segunda camada, tem-se que:

d’ = 2,0 + 1,0 + 0,5 = 3,5cm ⇒ d = h – 3,5

Para a verificação da seção de concreto e a determinação da área de aço necessária, será


utilizada a tabela para flexão simples em seção retangular apresentada em Pinheiro (1993),
que se encontra como Tabela XIV no Anexo A. A Tabela 7.3 apresenta os resultados do
dimensionamento para o E.L.U. das lajes da 2a opção de fôrma do projeto em estudo.

Tabela 7.3 – Dimensionamento para o E.L.U. das lajes em estudo.

Mk (kN.m) hinicial (cm) dinicial (cm) As,mín (cm2) Kc Ks As (cm2)


-14,10 11 7,5 1,95 2,85 0,027 7,11
-11,96 11 7,5 1,65 3,36 0,026 5,80
-11,12 8 4,5 1,65 1,30 (0,031) (10,72)
6,90 11 7,5 1,11 5,82 0,025 3,22
6,32 13 9,5 1,31 10,20 0,024 2,24
-5,28 10 6,5 1,65 5,72 0,025 2,84
4,72 13 9,5 1,31 13,66 0,024 1,67
3,94 10 6,5 1,01 7,66 0,024 2,04
3,38 11 7,5 1,11 11,89 0,024 1,51
173
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

-2,62 8 4,5 1,95 5,52 0,025 2,04


1,72 8 4,5 0,80 8,41 0,024 1,28
1,69 10 6,5 1,01 17,86 0,024 0,87
1,35 8 4,5 0,80 10,71 0,024 1,01

Percebe-se que para o momento negativo de Mk = -11,12kN.m, não foi encontrado um valor
satisfatório na Tabela XIV, que posicionasse a peça no domínio 3 ou no 2, logo temos que
aumentar a altura dessa laje. Note também que a única área de aço que ficou abaixo da
mínima foi a calculada para o momento de Mk = 1,69kN.m (As,mín=1,01cm2>As,calc=0,87cm2),
portanto, para esse esforço solicitante será utilizada a área de aço mínima.

Apesar de ter sido encontrada armadura suficiente para os momentos Mk = -14,10kN.m e Mk


= -11,96kN.m, os valores de x/d não atendem ao limite indicado na NBR 6118 (2014), que
limita em x/d = 0,25. Os valores encontrados foram respectivamente 0,33 e 0,28. Com isso,
além de termos que ajustar a dimensão das lajes L103 e L110, teremos que ajustar também a
dimensão das lajes L104, L105, L107 e L108.

Correção das alturas das lajes

Como foi verificado, a altura das lajes L103 e L110 é insuficiente para resistir ao momento
negativo no domínio ideal de cálculo e as L104, L105, L107 e L108 não atenderam ao y/d
limite definido na norma para lajes. Logo, vamos aumentar a altura dessas lajes. Por outro
lado, a altura das lajes L101, L102, L109 e L111 está sobrando, ou seja, pode-se reduzir para
h=12cm. Portanto, vamos otimizar o pavimento para h=12cm em todas as lajes. Vale lembrar
que com a redução da altura das lajes, torna-se imprescindível para elas a verificação da
flecha. A Figura 7.27 apresenta o pavimento otimizado.
174
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

L101 L102

p=7,10kN/m2
p=7,10kN/m2

h = 12cm L103 h = 12cm


p=8,88kN/m2
h = 12cm

L104 L105

p=7,54kN/m2 p=7,54kN/m2

h = 12cm h = 12cm

L106

p=7,72kN/m2
h = 12cm

L107 L108
2
p=7,54kN/m2 p=7,549kN/m

h = 12cm h = 12cm

L109 L110 L111


p=8,88kN/m2
h = 12cm
p=7,10kN/m2 p=7,10kN/m2

h = 12cm h = 12cm

Figura 7.27 – Pavimento tipo com a otimização das lajes.

Após a otimização, temos que fazer o seguinte:

1. Recorrigir os carregamentos das lajes:

• L101 = L102 = L109 = L111 ⇒ p = 7,10 kN/m2

• L103 = L110 ⇒ p = 8,88 kN/m2

• L104 = L105 = L107 = L108 ⇒ p = 7,54 kN/m2

• L106 ⇒ p = 7,72 kN/m2

2. Recalcular os esforços;
175
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

3. Refazer o equilíbrio dos momentos negativos e a correção dos momentos positivos;

4. Recalcular as armaduras;

5. Detalhar o pavimento.

A Figura 7.28 apresenta os novos esforços no pavimento e a Figura 7.29 apresenta os esforços
finais a serem dimensionados, após o equilíbrio dos momentos negativos e a respectiva
correção dos positivos.

L101 7,60 L102 7,60

6,13
6,13
7,33

7,33

4,46
4,46

L103
7,33

6,11

7,33
6,11
3,52
0 -3,69 -3,69 0
1,52
-14,37 -13,80

-14,37 -13,80
-4,15

1,20
13,16 7,40 13,16
-14,37

L104 13,21 L105 13,21

-12,37
6,32
-12,37
6,32

5,70

5,70
10,92

3,50
10,92

3,50

7,56
0

7,56
4,08 -7,06

9,83
L106
2,81
4,08

1,81
0 -7,06

9,83
L107 7,56 L108 7,56
10,92

6,32
10,92
6,32

Figura 7.28 – Esforços no pavimento otimizado


176
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

L101 L102

4,46
4,46
6,11
6,11
-2,95 L103
-2,95

1,52
1,94

-11,50

-14,09
L104

-11,50
-14,09 L105

-12,37
5,84

5,84
3,50 3,50

L106 -5,65
4,22

1,81
-5,65

L107 L108

-12,37

Figura 7.29 – Momentos fletores finais no pavimento otimizado

A Tabela 7.4 apresenta o dimensionamento e as armaduras finais para o pavimento. Para os


cálculos, todas as lajes têm h=12cm, d=8,5cm, φmáx=10mm e smáx=20cm.

Partindo-se das áreas de aço calculadas, temos que determinar qual o melhor arranjo de
armadura a ser utilizado na laje. Para isso a NBR 6118 (2014) define alguns critérios básicos
de detalhamento. São eles:

• As armaduras devem ser dispostas de forma que se possa garantir o seu posicionamento
durante a concretagem;
• Para as armaduras principais: smáx ≤ 2 h;
20cm;
• Para as armaduras secundárias: smáx ≤ 33cm;

Além dessas, a prática recomenda que o espaçamento das barras esteja dentro dos seguintes
limites: 10cm ≤ s ≤ 20cm. Porém, permite-se utilizar espaçamentos de até 7cm.

Baseado nas recomendações acima, vamos determinar o melhor arranjo para as áreas de aço
calculadas. A Tabela 7.6 apresenta os resultados.

Para uma mesma área de aço, pode-se ter diversas combinações de armadura. A escolha da
mais indicada é baseada no espaçamento mais adequado, ou seja, entre 7cm e o espaçamento
máximo para cada laje. Porém, preferencialmente, deve-se utilizar s ≥ 10cm.
177
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Tabela 7.4 – Armaduras finais para o pavimento otimizado.


Mk (kN.m) As,mín (cm2) Kc Ks As (cm2) Armadura
-14,09 1,80 3,66 0,026 6,03 φ10 c. 12
-12,37 1,80 4,17 0,025 5,09 φ10 c. 14
-11,50 1,80 4,49 0,025 4,74 φ10 c. 16
6,11 1,21 8,45 0,024 2,42 φ6,3 c. 12
5,84 1,21 8,84 0,024 2,31 φ6,3 c. 12
-5,65 1,80 9,13 0,024 2,23 φ6,3 c. 12
4,46 1,21 11,57 0,024 1,76 φ6,3 c. 16
4,22 1,21 12,23 0,024 1,67 φ6,3 c. 16
3,50 1,21 14,74 0,024 1,38 φ5 c. 12
-2,95 1,80 17,49 0,024 1,17 φ6,3 c. 16
1,94 1,21 26,60 0,023 0,73 φ5 c. 14
1,81 1,21 28,51 0,023 0,69 φ5 c. 14
1,52 1,21 33,95 0,023 0,58 φ5 c. 14

A Figura 7.30 apresenta o pavimento tipo com a posição das armaduras.


178
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

L101 L102

φ6,3c.16
φ6,3c.16
φ6,3c.12 φ6,3c.12

φ6,3c.16
L103

φ5c.14
φ5c.14
φ10c.12 φ6,3c.16

φ10c.12
φ10c.16

φ10c.16
L104 L105
φ6,3c.12

φ6,3c.12
φ5c.12 φ10c.14
φ6,3c.12 φ5c.12

L106
φ6,3c.16
φ6,3c.12

φ5c.14

L107 L108

φ10c.14

Figura 7.30 – Posicionamento das armaduras positivas e negativas do pavimento tipo.

Detalhamento das lajes

A partir das áreas de aço calculadas, e respectivos arranjos indicados na Figura 7.30, deve-se
detalhar as armaduras, ou seja, indicar o desenho de como essas armaduras ficarão
posicionadas no pavimento. Para isto, algumas regras devem ser atendidas. Elas são baseadas
tanto na NBR 6118 (2014) como na experiência dos projetistas. Segundo Giongo (1996), “A
distribuição das armaduras deve ser feita de modo a cobrir a superfície onde atuam os
momentos fletores”. Essa afirmação vale tanto para as armaduras positivas (colocadas
próximas à face inferior da laje) como para as negativas (colocadas próximas à face superior
da laje). Entretanto, o detalhamento das armaduras negativas seguem alguns critérios distintos
que visam simplificar o projeto.
179
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

lx

ly

Figura 7.31 - Detalhamento da armadura positiva direta.

Para as armaduras negativas sobre os apoios extremos e intermediários, a NBR 6118 (2014)
permitia que as armaduras levassem em conta um diagrama triangular de momentos fletores
sobre os apoios e que se estendesse de mais 10φ para cada lado, resultando no esquema da
Figura 7.33. Também para essas armaduras, pode-se usar o detalhamento alternado, como
indica a Figura 7.34b. Ou seja, para as armaduras negativas, o comprimento total, já levando
em conta a ancoragem, será de:

• Direta: l = 2 x 0,25 l2 + 2 x 10φ + 2 x r

• Alternada: l = 0,25 l2 + 0,125 l2 + 2 x 10φ + 2 x r

Onde r é o comprimento vertical indicado na Figura 7.35.


180
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

l1 l3

l2 l1 > l2 > l 3

0,125 l2
10φ
10φ 10φ

0,25 l2

l
(a) armadura direta r
r

l
r r
( (a) armadura alternada l
b r r

0,25 l2

Figura 7.32 – Distribuição das armaduras negativas (adaptada de GIONGO, 1996).

1a cam.

φ a cob.
φ2a cam.1 cam. 2a cam.
h
v
cob.

v=h-[2.cob.+ φ1a cam. + φ2a cam. ] r=v+ φ2a cam.


Figura 7.33 – Determinação do ramo vertical da armadura negativa.

Após a determinação dos comprimentos totais das armaduras, deve-se calcular a quantidade
de cada uma delas. Para isso, divide-se o vão interno da laje, na direção perpendicular à
armadura, e soma-se mais um para fazer o fechamento dos intervalos dos espaçamentos. A
Figura 7.35 apresenta um esquema do cálculo das quantidades de barras. Esse procedimento
vale para as armaduras positivas e negativas.
181
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

l1 l3
b

nx
l2 l2,int

ny
b

b
l1,int b l 3,int b

l1,int l2,int
ny =( )+1 nx =( s )+1
s

Figura 7.34 – Determinação da quantidade de barras da armadura das lajes.

Utilizando-se dos conceitos apresentados anteriormente, foram determinadas as armaduras


para o pavimento tipo em estudo, cujos cálculos se encontram a seguir.

As Figuras 7.35 e 7.36 apresentam os detalhamentos das armaduras positivas e negativas,


respectivamente, para o pavimento em estudo.

Após o detalhamento do pavimento, temos que calcular o quadro de armaduras (Tabela 7.5) e
o quadro resumo (Tabela 7.6) para o aço, assim como a taxa de armadura da laje. Esses
indicadores são de extrema importância para o construtor da edificação.

• Armaduras positivas:
L101=L102=L109=L111

l 1 = 432 l1 =4,32m
12
548 N1 - 47φ6,3c.12 - 432
n1 = + 1 = 47
12
N6 - 27φ6,3c.16 - 560

l 2 = 560cm
l2 =5,60m

420 548
n2 = + 1 = 27
16

12

420
12 12
182
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

L103=L110
l1 =2,76m
12
N2 - 20φ5c.14 - 276
l 1 = 276cm
263
n1 = + 1 = 20

l2 =2,75m

N8 - 20φ5c.14 - 275
14
l 2 = 275cm 263

264
n2 = + 1 = 20
14

12

264
12 12

L104=L105=L107=L108
l1 =5,70m
12
l 1 = 570cm N3 - 38Ø5c.12 - 570

448
n1 = + 1 = 38
N7 - 48φ6,3c.12 - 460
l2 =4,60m

12
l 2 = 460cm 448
558
n2 = + 1 = 48
12

12

558
12 12

L106
138
l1 =3,50m
l 1a = 350cm
(354 − 155) 12
n 1a = + 1 = 15 N4 - 11φ5c.14 - 204
14
155
l 1b = 338 − 138 + 6 − 2 = 204cm
N10 - 13φ6,3c.16 - 366

155
n 1b = = 11
N9 - 9φ6,3c.16 - 203

14 354
= 366cm
l2 =3,66m

l 2a
(338 − 138)
n 2a = + 1 = 13
16 N5 - 15φ5c.14 - 350
l 2b = 354 − 155 + 6 − 2 = 203cm
12
138
n 2b = =9
16 338
12 12
183
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

• Armaduras negativas:
L101 e L104

460 → 0,25 . 460 = 115cm


menores vãos = 
432
10φ = 10 . 1 = 10cm
0,25 . l + 10 φ = 125cm
r = 12 − 2 . 2,0 − 1 = 7cm
7

420
n= + 1 = 36
12
N12 - 36φ10c.12 - 264
7

L103 e L104

460 → 0,25 . 460 = 115cm


menores vãos = 
275
10φ = 10 . 1 = 10cm
7

0,25 . l + 10 φ = 125cm
r = 12 − 2 . 2,0 − 1 = 7cm
126
n= + 1 = 9 x 2 = 18
16
N12 - 18φ10c.16 - 264
250

125
7
184
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

L101 e L103

432 → 0,25 . 432 = 108cm


menores vãos = 
275
N11 - 17φ6,3c.16 - 244
7
17 N11 c.16 10φ = 10 . 0,63 = 6,3cm
7
230
0,25 . l + 10 φ = 114,05 → 115cm
115
r = 12 − 2 . 2,0 − 0,63 = 7,37 → ≈ 7 m
263
n= + 1 = 17
16

L104 e L105 460 → 0,25 . 460 = 115cm


menores vãos = 
460
10φ = 10 . 1 = 10cm
0,25 . l + 10 φ = 125cm
r = 12 − 2 . 2,0 − 1 = 7cm
448
N12 - 33φ10c.14 - 264 n= + 1 = 33
7 250 7 14

125

L104 e L106
460 → 0,25 . 460 = 115cm
menores vãos = 
350
10φ = 10 . 0,63 = 6,3cm
18 N13 c.12

0,25 . l + 10 φ = 121,30 → 125cm


r = 12 − 2 . 2,0 − 0,63 = 7,37 → ≈ 7cm
200
7

n1 = + 1 = 18
N13 - 29φ6,3c.12 - 264

12
338
n2 = + 1 = 29
250

12
125
7
185
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

N1 - 47φ6,3c.12 - 432 47 N1 c.12

N6 - 27φ6,3c.16 - 560

27 N6 c.16
N2 - 20φ5c.14 - 276

N8 - 20φ5c.14 - 275
N3 - 38φ5c.12 - 570 38 N3 c.12
N7 - 48φ6,3c.12 - 460

48 N7 c.12
N4 - 11φ5c.14 - 204
N10 - 13φ6,3c.16 - 366
N9 - 9 φ6,3c.16 - 203

N5 - 15φ5c.14 - 350
48 N7 c.12
48 N7 c.12

38 N3 c.12 38 N3 c.12
20 N8 c.14

47 N1 c.12 47 N1 c.12

20 N2 c.14
27 N6 c.16
27 N6 c.16

Figura 7.35 – Detalhamento da armadura positiva.


186
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

N11 - 17φ6,3c.16 - 244 17 N11 c.16


7 7
230

115
36 N12 c.12

18 N12 c.16

36 N12 c.12
125
N12 - 33φ10c.14 - 264
7 250 7

125
18 N13 c.12
7
N13 - 29φ6,3c.12 - 264
250

125
7

33 N12 c.14
18 N12 c.16

36 N12 c.12
36 N12 c.12

17 N11 c.16 17 N11 c.16

Figura 7.36 – Detalhamento da armadura negativa.


187
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Tabela 7.5 – Quadro de armaduras para as lajes do pavimento tipo.

Comprimento
N φ (mm) Quant.
Unit. (m) Total (m)
1 6,3 188 4,32 812,16
2 5 40 2,76 110,40
3 5 152 5,70 866,40
4 5 11 2,04 22,44
5 5 15 3,50 52,50
6 6,3 108 5,60 604,80
7 6,3 192 4,60 883,20
8 5 40 2,75 110,00
9 6,3 9 2,03 18,27
10 6,3 13 3,66 47,58
11 6,3 68 2,44 165,92
12 10 246 2,64 649,44
13 6,3 47 2,64 124,08

Tabela 7.6 – Quadro resumo de aço para as lajes do pavimento tipo.

φ (mm) Comp. (m) Peso (kg)


5 1161,70 186
6,3 2656,01 664
10 649,44 409
TOTAL 1259

Para o cálculo da taxa de armadura temos de dividir o peso total de aço pelo volume total de
concreto, como está indicado a seguir:

Peso de aço 1259 1259


Taxa de Armadura = = = = 50,32kg/m 3
Volume de concreto Vc 25,02
Vc = [4x4,32x5,60 + 2x2,75x2,76 + 4x4,6x5,70 + 3,66x3,5 − 1,38x1,55]x0,12 = 27,30m 3

7.7. DIMENSIONAMENTO E DETALHAMENTO DE LAJES CORREDOR

Para as lajes corredor, o cálculo dos esforços é feito admitindo-se uma viga na direção menor,
e determinam-se os valores para os momentos fletores e as reações a partir das expressões
apresentadas na Tabela 7.2. Uma vez calculados os esforços, as áreas de aço são encontradas
com a ajuda da Tabela XIV, do Anexo A. A Figura 7.37 apresenta os esquemas estáticos para
diversos tipos de laje corredor.
188
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Figura 7.37 – Esquemas estáticos de lajes corredor.

Para o detalhamento dessas lajes, a armadura mínima, segundo a NBR 6118 (2014), é dada
por:
• Para as armaduras negativas: ρs ≥ ρmín;
• Para as armaduras positivas principais (na direção menor): ρs ≥ ρmín;
• Para as armaduras positivas secundárias (na direção maior):
• ρs ≥ 0,5 ρmín;
• As/s≥ 20% da armadura principal;
• As/s≥ 0,9cm2/cm.

7.8. ARMADURA DE CANTO


Nos cantos simplesmente apoiados da estrutura torna-se necessária a colocação de uma
armadura a fim de resistir aos momentos volventes.
Esta armação deverá abranger um quadrado de lado igual a 1/5 do menor vão da laje, com
duas faixas de armadura. Uma superior, paralela à diagonal da laje, e outra inferior,
perpendicular a esta diagonal, conforme mostra a Figura 7.38.
Para efeito de facilitar a armação, estas armaduras diagonais podem ser substituídas por
armaduras ortogonais nos dois eixos, situadas nas duas faces da laje, conforme figura abaixo.
A área de aço para resistir a estes esforços deve ser igual à metade da maior área de aço
positiva do centro da laje.
Esta armadura só necessita ser utilizada quando Lx / 5 ≥ 60cm, sendo Lx a menor dimensão da
laje.
189
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

Figura 7.38 – Detalhe da armadura de canto

7.9. MAJORAÇÃO DO ESFORÇO NA LAJE EM BALANÇO


No dimensionamento das lajes em balanço, os esforços solicitantes de cálculo a serem
considerados devem ser multiplicados por um coeficiente gn, de acordo com o indicado
abaixo (NBR 6118: 2014).

b ≥ 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10
(cm)
γn 1,00 1,05 1,10 1,15 1,20 1,25 1,30 1,35 1,40 1,45

onde γn = 1,95 – 0,05h;


h é a altura da laje, expressa em centímetro (cm)
O coeficiente γn deve majorar os esforços solicitantes finais de cálculo nas lajes
em balanço, quando de seu dimensionamento.

7.10. VERIFICAÇÃO AO ESFORÇO CORTANTE

Segundo a NBR 6118 (2014), “as lajes maciças ou nervuradas, que atendem aos requisitos da
norma, podem prescindir de armadura transversal para resistir aos esforços de tração oriundos
da força cortante, quando a força cortante de cálculo obedecer à expressão”:

VSd ≤ VRd1

onde: VSd = força cortante solicitante de cálculo;

VRd1 = força cortante resistente de cálculo, relativa a elementos sem armadura para força
cortante.

“A resistência de projeto ao cisalhamento é dada por”:

VRd1 = [τRd . κ (1,2 + 40 ρ1) + 0,15 σcp ] bw . d

onde: τrd = 0,25 fctd


190
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

fctd = fctk,inf/ γc

A s1
ρ1 = , não maior que 0,02
bw . d

σcp = NSd/ Ac

κ é um coeficiente que tem os seguintes valores:


- para elementos onde 50% da armadura inferior não chega até o apoio: κ = |1|;
- para os demais casos: κ = |1,6 – d|, não menor que |1|, com d em metros;

onde: fctd é a resistência de cálculo do concreto ao cisalhamento;


τrd é a tensão resistente de cálculo do concreto ao cisalhamento;
As1 é a área da armadura de tração que se estende até não menos que (d + lb,nec)
além da seção considerada;
bw é a largura mínima da seção ao longo da altura útil d;
NSd é a força longitudinal na seção devida à protensão ou carregamento (a
compressão é considerada com sinal positivo).

EXERCÍCIO 7.7:

Detalhar as lajes para a 1ª opção de fôrma do projeto em estudo.

EXERCÍCIO 7.8:

Para as lajes da 2ª opção de fôrma, verificar o cisalhamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABCP; ABESC; IBRACON; IBTS (2002) – Tecnologia do concreto armado: em notícias.


Informativo Técnico, ano 5, n. 13, julho 2002.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118 (2014) – Projeto de


estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2014.

GIONGO, J. S. (1996) – Concreto armado: projeto estrutural de edifícios. São Carlos:


EESC-USP, 1996.

MACGREGOR, J. G. (1988) – Reinforced concrete: mechanics and design. Englewood


Cliffs, New Jersey, Prentice-Hall, 1988.

PINHEIRO, L. M. (1993). Concreto armado: tabelas e ábacos. São Carlos: EESC-USP,


1993.

POLILLO, A. (1981) – Dimensionamento de concreto armado. Vol. 2, 4a ed., Livraria


Nobel S. A., São Paulo, 1981.

ROCHA, A. M. (1987) – Concreto armado. São Paulo, Vol. 1, 1987.


191
ENG 118 – Estruturas de Concreto Armado I

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

ACI – American Concrete Institute. ACI-318 R-02 – Building code requirements for
reinforced concrete and commentary. Detroit, 2002.

CEB-FIP – Comité Euro-International du Béton. CEB-FIP Model Code 1990. Bulletin


d’Information, no 203-205, 1993.

FERGUSON, P. M.; BREEN, J. E.; JIRSA, J. O. (1988) – Reinforced concrete


fundamentals. John Wiley & Sons, 1988.

Fib – Fédération Internationale du Béton. Structural concrete: textbook on behaviour,


design and performance. Vols. I e II. Sprint-Druck, Suíça, 1999.

FUSCO, P. B. (1995) – Técnica de armar as estruturas de concreto. São Paulo, PINI,


1995.

SÜSSEKIND, J. C. (1981) – Curso de concreto (concreto armado). Vol. 1 e 2, 2a ed., Ed.


Globo, Rio de Janeiro, 1981.