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ANÁLISE CFD EM UM TROCADOR DE CALOR CASCO E

TUBO

Autores: A. R. L. de Souza , J. P. A. Junior, L. M. Pereira


Universidade Federal do Vale do São Francisco
RESUMO - Este trabalho tem como objetivo simular o escoamento dos fluídos em um trocador
de calor casco e tubo, utilizando o software Ansys-Fluent®, para que assim se possa obter um
campo de temperatura dos fluídos. Um modelo físico simplificado foi proposto para diminuir
o tempo computacional, dois casos foram simulados utilizado água em diferentes temperaturas.
Os resultados foram satisfatórios, pois foi possível observar os gradientes de temperatura nos
fluídos durante seu escoamento ao longo do trocador, sendo possível também observar a
influência da velocidade de entrada nesta distribuição de temperatura. As temperaturas de saída
obtidas a partir do ANSYS-FLUENT foram comparadas com o método de efetividade-NUT.

1. INTRODUÇÃO

O emprego de softwares para simulação de problemas de engenharia apresenta, atualmente,


um crescimento significativo por diversos fatores, como dificuldade de elaborar modelos físicos
contundentes e o crescente desenvolvimento de algoritmos de solução. Termodinâmica,
hidráulica, aerodinâmica e transferência de calor são exemplos de áreas que hoje usam bastante
softwares específicos para resolução de problemas práticos. O uso da dinâmica dos fluídos
computacional para análise do comportamento de equipamentos industriais, como um trocador
de calor, que é um equipamento que promove o aquecimento e resfriamento de fluidos promove
precisão, segurança e economia de energia na escolha do tipo mais adequada para cada situação.

2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Neste trabalho se dará ênfase aos trocadores de calor casco e tubo por serem bastante
utilizados em diversas condições operacionais, tais como elevadas pressões atmosferas
altamente corrosivas, fluidos muito viscosos, misturas de multicomponentes, etc. O presente
trabalho apresenta a simulação de um trocador de calor caso e tubo utilizando o software de
ANSYS-FLUENT para analisar o gradiente da temperatura dos fluidos dentro de um trocador
de calor casco e tubo.
Método Efetividade-NUT: Após a simulação computacional será utilizada uma série de
cálculos para determinar a semelhança dos resultados obtidos através do ANSYS Fluent ® com
um referencial teórico. Este referencial se trata do método da efetividade-NUT que utiliza uma
série de equações para descrever a quantidade de calor trocada pelos fluidos no interior do
trocador de calor permitindo que se obtenha os valores de temperatura média, do fluido quente
e frio, na saída do trocador. Após conhecer a natureza do escoamento, turbulento ou laminar,
usa-se a número de Nusselt para se obter o coeficiente global de transferência de calor do
trocador (U) (Incropera,2008).
𝑈𝐴
𝑁𝑈𝑇 = (1)
𝐶𝑀𝑖𝑛
Onde (𝐶𝑀𝑖𝑛 ) é a capacidade calorífica mínima entre os fluídos envolvidos, que
determina a quantidade de energia necessária que o corpo precisa obter para alterar sua
temperatura em uma unidade e a área de transferência de calor entres os dois fluídos é
representada por (A). Obtido o número de NUT através do gráfico () se determina a efetividade
do trocador de calor:

Logo utiliza-se a equação (2) a fim de saber qual a quantidade de energia envolvida na
troca térmica.

𝑞𝑟𝑒𝑎𝑙 = 𝜀𝐶𝑚𝑖𝑛 (𝑇𝑞,𝑒𝑛𝑡 − 𝑇𝑓,𝑒𝑛𝑡 ) (2)

Por fim a equação (3) nos dá o valor da temperatura de saída de cada fluído presente no
trocador de calor.
𝑞𝑟𝑒𝑎𝑙
𝑇𝑓,𝑠𝑎𝑖 = 𝑇𝑓,𝑒𝑛𝑡 + (3)
𝐶𝑓

3. RESULTADOS
O modelo foi construído no ANSYS CAD ®, que faz parte do pacote do ANSYS, contendo
todas as partes construtivas essenciais de um trocador de calor casco e tubo. Foram testados 5
tipos de malhas, sendo escolhida aquela que apresentou o menor número de elementos sem
apresentar oscilação de resultados em relação às demais. O trocador de calor possui um
comprimento de 307 mm, os tubos possuem um diâmetro de 20 mm e tanto a entrada do casco
como a região de entrada dos tubos possuem 30 mm. Este tamanho foi escolhido a fim de
reduzir o tempo de processamento.
Figura 1: Malha do modelo físico.

A tabela (1) nos mostra as temperaturas de saída e ∆T resultantes dos dois casos simulados.
Tabela 1 Condições de entrada e resultados na saída do trocador para diferentes casos.

Condições de Entrada Resultados de Saída

Vazão Mássica Temperatura de Temperatura de Diferença de


(kg/s) Entrada Saída Temperatura
(°C) (°C) ∆T (𝑻𝒔 − 𝑻𝒆 ) (°C)

Tubo Casco Tubo Casco Tubo Casco Tubo Casco

Caso 1 0,00686 0,0352 80 27 59,69 30,15 -20,31 3,15

Caso 2 0,0343 0,00704 80 27 68,45 49,78 -11,55 22,78

Os casos 1 e 2 apresentam a mesma temperatura de entrada, tanto no casco como nos


tubos, porém ouve uma mudança na vazão de entrada a fim de analisar como isto afeta na
distribuição de temperatura.

Figura 2: Campo de temperatura do caso 1 em corte longitudinal.


Figura 3: Campo da Temperatura do caso 2 em corte longitudinal

E possível perceber que tanto no caso 1 como no caso 2 a região que obteve uma melhor
distribuição de temperatura e ∆T expressivo foi nas regiões que possuíam uma vazão baixa.
Utilizando o método efetividade-NUT foi calculado os valores de temperatura de saída e estes
foram comparados com os obtidos através do CFD.
Tabela 2: Comparação dos resultados obtidos através do Fluent e método Efetividade-NUT.

Temperatura na Saída – Fluído Quente Temperatura na Saída – Fluído


Frio
Efetividade-NUT Fluent Efetividade-NUT Fluent
Caso 1 72,31 59,69 27,83 30,15
Caso 2 76,2 68,45 45,54 49,78

4. CONCLUSÃO
O objetivo principal do trabalho foi alcançado com a obtenção do campo de temperatura
no trocador de calor. Notou-se que a vazão de entrada do fluido no trocador influenciou
na análise de temperatura deste ao longo do escoamento, na região em que a vazão de
entrada é superior não foi possível observar o gradiente de temperatura tão bem como
na outra região com uma vazão mássica inferior. Os resultados obtidos através do
software Fluent foram comparados com os valores encontrados através do
dimensionamento feito a partir do método efetividade-NUT. Porém o método
efetividade-NUT nos dá apenas a temperatura média de saída dos fluídos e não deixa
claro a distribuição de temperatura nos tubos e no casco. Já na utilização da ferramenta
computacional foi possível observar a variação de temperatura ao longo de todo o
trocador de calor.

5. BILIOGRAFIA
Frank P. Incropera, D. P. (2008). Fundamentos da Transferência de Calor e Massa. Rio de
Janeiro: LTC.

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