Você está na página 1de 2

Universidade Federal de Sergipe

Componente curricular: Sociologia I

Professor: Marcelo Ennes

Aluno (a): Francisca Gilmária Bezerra de Souza

E-mail: Fgilmariabs@gmail.com

Curso: Fonoaudiologia

DURKHEIM, Émile. Educação como processo socializador: função homogeneizadora e função


diferenciadora. In:_____. Educação e sociologia. Trad. Lourenço Filho. 4º ed. São Paulo:
Editora Melhoramentos,1955. p. 1 – 14.

Ideia Geral

O autor traz em seu texto algumas definições sobre educação, pondera e critica tais definições,
bem como traz a sua própria definição. Para Durkheim, a educação é algo que é passado de
gerações adultas para gerações mais jovens, com finalidade de desenvolver nessas gerações
mais jovens atributos capazes de garantir um bom funcionamento da sociedade, atendendo as
exigências de cada contexto em que essa mesma sociedade se encontra. Diante disso,
Durkheim é capaz de definir o caráter social da educação: sua função homogeneizadora e
diferenciadora na sociedade.

P. 1-2

“O fim da educação é desenvolver em cada indivíduo, toda a perfeição de que ele seja capaz. ”
(KANT)

Durkheim questiona essa definição de Kant sobre a educação. Para ele não é possível alcançar
tal perfeição, pois há a necessidade de dedicarmos a uma tarefa restrita e especializada, uma
vez que temos nossas aptidões e diferentes funções a preencher dentro da sociedade. É essa
especialização que promove a coesão social através de um balanço de funções.

“Fazer do indivíduo um instrumento de felicidade, para si mesmo e para seus semelhantes. ”

Para James Mill esse é o objetivo da educação, mas para Durkheim a felicidade é algo muito
subjetiva, que cada um aprecia de determinada maneira. Logo, a finalidade da educação fica
indeterminada, entregue ao livre arbítrio individual.

p. 3

Diante disso, tais definições partem do pressuposto de que há uma educação ideal, apropriada
pra toda e qualquer pessoa, sem defeitos. No entanto, o autor desconstrói essa ideia
analisando cada momento da história em que a educação tinha finalidades totalmente
distintas. Podemos ver a diferença de como as crianças eram ensinadas em Atenas, Roma, na
Idade Média: em uma época, se valorizava a admiração pelo belo e pela retórica, em outra se
valorizava a glória militar, já em outra a educação era cristã.
p.8

Citado no parágrafo anterior, isso ocorre por que a sociedade precisa de certa homogeneidade
entre seus membros para permanecer coesa. A educação reforça essa homogeneidade,
fixando valores e ações essenciais para a vida coletiva.

p.4

Logo, diante do exposto que Durkheim faz da educação através da história, é impossível se
pensar em uma Escola sem Partido da maneira que diversos grupos políticos têm proposto. O
fenômeno “Escola sem Partido” prega uma neutralidade no ensino, contra uma “doutrinação
ideológica”. No entanto, não há essa ausência do pensar. No caso do Brasil, por exemplo, o
projeto de uma escola sem partido, livre de doutrinações, tem se mostrado íntimo à luta
contra a política de cotas, fim da autonomia universitária, negacionismo cientifico.

“Na verdade, cada sociedade considerada em momento determinado de seu desenvolvimento,


possui um sistema de educação que se impõe aos indivíduos de modo geralmente irresistível.
É uma ilusão acreditar que podemos educar nossos filhos como queremos. ”

Quanto a função diferenciadora da educação:

p. 2

Durkheim acredita que a educação tem importante papel nas diferentes funções que o ser
humano exerce no meio social. Isso é fundamental para que essa sociedade se mantenha
coesa, em bom funcionamento.

p.6

“Cada profissão constitui um meio sui generis, que reclama aptidões particulares e
conhecimentos especiais, meio que é regido por certas ideias, certos usos, certas maneiras de
ver as coisas; e, como a criança deve ser preparada em vista de certa função, a que será
chamada a preencher, a educação não pode ser a mesma, para todos os indivíduos. ”

Por fim, a definição dada por Durkheim para educação é esta:

“A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se
encontraram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na
criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade
política no seu conjunto e pelos meios especial a que a criança particularmente se destina.”