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UNIVERSIDADE TÉCNICA DE ANGOLA

FACULDADE DE ENGENHARIA - FAE


CURSO DE GEOLOGIA

Caracterização Geoquímica e Petrográfica das Rochas Vulcânicas da


Província Magmática de Etendeka da Bacia do Namibe - Angola.

Autor: Carlos Manuel da Costa Pimentel

Orientador: MsC. Paulo Aguiar

Luanda-2017
Carlos Manuel da Costa Pimentel

Caracterização Geoquímica e Petrográfica das Rochas Vulcânicas da


Província Magmática de Etendeka da Bacia do Namibe - Angola.

Trabalho de Fim de Curso


apresentado ao Departamento de
Ensino e Investigação de Ciências
da Terra, Faculdade de Engenharia,
da Universidade Técnica de Angola,
como um dos requisitos para
obtenção do grau de Licenciado em
Geologia, sob orientação do
Professor: MsC. Paulo Aguiar.

Luanda-2017
Dedicatória

Ao Délcio Pimentel, por ter acreditado


em mim e me apoiado de forma
especial para a conclusão do curso de
Geologia.
AGRADECIMENTOS

À Jeová Deus, o nosso amoroso pai celestial, que cuida de nós todos os dias, e me
permitiu chegar até este momento, dando-me saúde e força para superar as dificuldades.
À Universidade Técnica de Angola (UTANGA), por me ter dado várias ferramentas,
para que fosse possível concretizar este trabalho de investigação.
Ao Departamento de Ensino e Investigação de Ciências da Terra (DEICT), por
constantemente fornecer meios úteis para melhoria do nosso aprendizado em Geologia.
Ao meu orientador MsC. Paulo Aguiar, pelas explicações, correcções e incentivos,
pela amizade preciosa e orientação ao longo do desenvolvimento deste trabalho.
Ao Délcio Pimentel, por ter me apoiado de forma especial, nos momentos mais
difíceis da minha formação.
À Libânia Pimentel, pelo amor, incentivo e apoio incondicional.
À Aline Lopez, cuja amizade e força, têm sido fundamentais, nessa fase derradeira da
minha vida académica, e profissional.
Ao Vladimir Pimentel, que sempre me inspirou para não desistir de aprender, e buscar
conhecimentos práticos não apenas no que concerne a ciência, mas também no que diz
respeito a outros aspectos da vida, o seu exemplo me guiou até aqui.
À Nádia Mateus, por ter tido fé, de que eu conseguiria alcançar com êxito, o objectivo
de concluir o curso superior de geologia, e me ter encorajado ao longo deste processo.
Ao Rui Pimentel, por ser um exemplo de vida para mim.
Ao Cláudio Pimentel, por ter vencido barreiras que pareciam impossíveis de transpor
e que serve de inspiração para muitos jovens, quanto a perseguirem seus objectivos de
formação.
À Carla Pascoal, que tem sido uma amiga inestimável durante alguns anos, e cujo
desejo é que esta amizade perdure por muitos mais anos, até quiçá o resto de nossas vidas.
E à todos que de forma directa ou indirecta contribuíram para o sucesso da realização
deste trabalho.
“Penso noventa e nove vezes e nada descubro;
deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio, e
eis que a verdade se me revela”. (Albert Einstein)
RESUMO

Este trabalho, apresenta as características geoquímicas e petrográficas dos Vulcanitos da


Província Magmática de Etendeka, dando a conhecer a sua textura, mineralogia, e
composição química. Efectuou-se uma revisão bibliográfica, isto é, foram estudados
diferentes trabalhos já publicados sobre a Província Magmática de Etendeka. O trabalho de
campo permitiu analisar estruturas geológicas, colher e fazer análise macroscópica de
amostras de Vulcanitos em dois afloramentos, em nove coordenadas distintas, determinadas
com uso de um GPS. Procedeu-se a classificação química das rochas segundo os
diagramas: Streckeisen (QAP), TAS, Harker, Peccerillo e Taylor, AFM, e Pearce; com base
em dados químicos estabelecidos pelo Laboratório por análises de Fluorescência de Raios-
X, e espectrometria de Absorção Atómica. Para as análises petrográficas foram feitas
lâminas delgadas e as mesmas foram processadas através de microscópio óptico de luz
polarizada, e microscópio óptico de luz transmitida e reflectida. A área de estudo encontra-se
na província do Namibe, que se localiza no extremo sudoeste de Angola, concretamente na
Bacia do Namibe, entre a latitude 14°17'21.35" (S) longitude 13°16'22.14" (E), e latitude
15°36'15.39" (S) longitude 12° 8'59.87" (E). Os afloramentos têm forma de traps, e são de
cor vermelha acastanhada assim como as rochas que os constituem. As rochas têm textura
porfírica, a sua composição mineralógica é: plagioclase, feldspato alcalino, minerais opacos,
quartzo, piroxenas e anfíbolas. O tipo de magma foi andesítico. A rocha vulcânica estudada
é Riodacito.

Palavras-chave: Bacia, Etendeka, Geoquímica, Namibe, Petrografia, Vulcanitos, Riodacito.

vi
ABSTRACT

This paperwork showcases the Vulcanites of Etendeka Magmatic Province, geochemichal


and petrographic characteristics, in order to know their texture, mineralogy and chemical
composition. Was done a bibliographic revision, by studying several published works related
to the Etendeka Igneous Province. The Field work allowed to analyze the geological
structures, collect and perform macroscopic analysis of vulcanite samples on two different
outcrop, on nine different coordinates, determined using a GPS. The chemical classification
of the rocks was made using the following diagrams: Streckeisen (QAP), TAS, Harker,
Peccerillo and Taylor, AFM, and Pearce; based on the chemical data received from the
laboratory by X-Ray Fluorescence analysis, and Atomic Absorption Spectrometry. To the
petrographic analysis, were prepared thin blades, an those were processed using a polarized
light microscope, and a optical microscope of transmitted and reflected light. The area of
study is on the province of Namibe in the extreme southwest of Angola, specifically in
Namibe Basin, between the latitude 14°17'21.35" (S) and longitude 13°16'22.14" (E), and
latitude 15°36'15.39" (S) longitude 12° 8'59.87" (E). The outcrops, have the trap shape, and
are red-brown colored as the rocks which form it. The rocks have porphyry texture, its
mineral composition is: plagioclase, alkali feldspar, opaque minerals, quartz, pyroxenes and
amphiboles, the magma type was andesitic. The Volcanic rock studied is Rhyodacite.

Key-words: Basin, Etendeka, Geochemistry, Namibe, Petrography, Vulcanite, Rhyodacite

vii
Lista de Figuras Pág.

Figura 1.1 – Área de Trabalho. Modificado da carta topográfica de Moçâmedes 6


por AGUIAR, 2017.
Figura 1.2 – Localização geográfica dos afloramentos CP1 e CP2 6
Figura 1.3 A e B – Serra de corte de rocha com anel adiamantado 7
Figura 1.4 – Máquina de corte de precisão PetroThin 8
Figura 1.5 – Máquina de polimento das esquírolas 8
Figura 1.6 - Balança para pesar as amostras antes da britagem 9
Figura 1.7 – Britador 2 9
Figura 1.8 – Britador 3 9
Figura 1.9 – Quarteador 10
Figura 1.10 – Pulverizador 10
Figura 1.11 – Disco de pulverização e panela 10
Figura 1.12 – Utensílio para mistura da amostra com o WAX 10
Figura 1.13 - Compressor da amostra 10
Figura 1.14 - Pellet pronto 10
Figura 1.15 - Espectrómetro FRX 11
Figura 1.16 – Espectrómetro de Absorção Atómica 11
Figura 2.1 – Bacia do tipo rift 12
Figura 2.2 – Bacia Interior Simples 13
Figura 2.3 – Bacia do tipo Foreland 13
Figura 2.4 – Bacia Oceânica 14
Figura 2.5 – Bacia Intracratónica 14
Figura 2.6 - Figura 2.6 - Esquema representativo da fase “Pré-rift” 16
Figura 2.7 - Esquema representativo da fase “Sin-rift I” 18
Figura 2.8 - Esquema representativo da fase inicial (a) e final (b) do“Sin-rift II” 18
Figura 2.9 - Esquema representativo da fase inicial (a) e final (b) do“Pós-rift” 19
Figura 2.10 - Modelo teórico de um vulcão (fonte: PERONI, 2003) 23
Figura 2.11 - Classificação de rochas ígneas félsicas (M<90) por meio da 25
nomenclatura QAPF, segundo Streckeisen (1976).
Figura 2.12 - Classificação de rochas í g n e a s máficas de granulometria 27
grossa (rochas gabróicas) por meio das nomenclaturas segundo Streckeisen.
Figura 2.13 - Classificação de rochas ultramáficas, com índice de cor superior a 27
90, (M>90), por meio das nomenclaturas triangulares.
Figura 2.14 - Diagrama TAS. Fonte:LEBAS et. al. 1986. 28
Figura 2.15 - Projecção das rochas padrão da USGS (United States Geological 28
Survey) no diagrama de Harker. Fonte: International Union of Geological
Sciences (IUGS).
Figura 2.16 - Mapa esquemático mostrando localização dos platôs de rochas 32
ácidas da Província Magmática do Paraná - Etendeka.
Figura 3.1 - Mapa de localização da Área de Estudo, Modificado da Carta 34
Topográfica de Moçâmedes, Folha Nº 353 E: 1: 100.000.
Figura 3.2 - Mapa geológico da Bacia do Namibe. Modificado da Carta 36
geológica de Angola à Escala 1:1.000.000 (1988).
Figura 3.3 – Modelo de Elevação da Província do Namibe. Modificado do 38
Modelo de Elevação Digital de Angola.
Figura 3.4 - Localização das principais bacias hidrográficas da província 39
do Namibe, Modificado de PDIPN (2007).
Figura 4.1 – Mapa de amostras recolhidas por afloramento. 41
Figura 4.2 – Afloramento CP1. Rochas vulcânicas da Província Magmática de 41
Etendeka da Bacia do Namibe.
Figura 4.3 – Afloramento CP2. Rochas vulcânicas da Província Magmática de 42
Etendeka da Bacia do Namibe.
Figura 4.4. A à G - Amostras de rochas vulcânicas recolhidas nos afloramentos 43
CP1 e CP2.
Figura 4.5 - Diagrama TAS, segundo Le Bas 1986. 45
Figura 4.6 A à O – Diagramas de Harker Elementos Maiores das Rochas 46
Vulcânicas da Província Magmática de Etendeka.
Figura 4.7 – Diagrama de séries magmáticas das rochas vulcânicas da 48
província magmática de Etendeka com base no modelo de Peccerillo e Taylor.
Figura 4.8 - Diagrama AFM, das Rochas Vulcânicas da Província Magmática de 48
Etendeka, segundo Irvine Baragar.
Figura 4.9 – Diagrama discriminatório do tipo de magma, por análise de 49
elementos traços, Cr e Y, das Rochas Vulcânicas da Província Magmática de
Etendeka da Bacia do Namibe, através do modelo de Pearce 1982.
Figura 4.10 - Diagrama Streckeisen (QAP) das Rochas Vulcânicas da Província 51
Magmática de Etendeka da bacia do Namibe, com base na Norma.
Figura 4.11 A – Representação generalizada das características microscópicas 52
da amostra 082 estudada em nicóis cruzados – Campo I.
Figura 4.11 B – Representação generalizada das características microscópicas 52
da amostra 082 estudada em nicóis paralelos – Campo I.
Figura 4.12 A – Representação generalizada das características microscópicas 53
da amostra 086 estudada em nicóis cruzados – Campo I. Onde é possível
observar a composição mineralógica e a textura da rocha.
Figura 4.12 B – Representação generalizada das características microscópicas 53
da amostra 086 estudada em nicóis paralelos – Campo I.
Figura 4.14 - Diagrama QAP- das Amostras FAE/NB/17/082 e FAE/NB/17/086 53
com base na moda.
Lista de Quadros

Pág.

Tabela 2.1 - Características das rochas de acordo com o modo de ocorrência (fonte: 20

PERONI, 2003).

Tabela 3.1 – Limites geográficos da área de estudo. 34

Tabela 4.1 – Coordenadas geográficas dos afloramentos estudados. 40

Tabela 4.2. Pontos Observados. 42

Tabela 4.3 – Amostras recolhidas por afloramentos. 42

Tabela 4.4 – Óxidos das Amostras (Elementos Maiores). 44

Tabela 4.5 A – Elementos Menores e Traços. 44

Tabela 4.5 B – Elementos Menores e Traços 44

Tabela 4.5 C – Elementos Menores e Traços. 45

Tabela 4.6 – Minerais Normativos. 51

Tabela 4.7 - Resultados Obtidos no Diagrama Streckeisen Segundo a Norma. 52

Tabela 4.8 – Resultado Streckeisen da análise modal das amostras. 54

x
Lista de abreviaturas

AAS – Espectrómetro de Absorção Atómica

AFM – Alcalinos, Ferro e Magnésio

ATC – Ácidas Tipo Chapecó

ATi – Alto Titânio

ATP – Ácidas Tipo Palmas

BTi – Baixo Titânio

FBPC – Fluxo de Basaltos do Paraná Continental

FRX – Fluorescência de Raios-X

IUGS – International Union of Geological Sciences

LIPs – Large Igneous Provinces

Ma – Milhões de anos

MORB – Mid Ocean Ridge Basalt

NW – Noroeste

PM – Proporções Moleculares

PMP – Província Magmática do Paraná

SE - Sudeste

TAS – Total – Alcali vs Sílica

Xi
Índice

RESUMO vi

ABSTRACT vii

Lista de Figuras viii

Listas de Quadros x

Listas de Abreviaturas xi

CAPITULO I – INTRODUÇÃO .................................................................................. 15


1.1 – Problema ......................................................................................................... 16
1.2 – Objecto de estudo ........................................................................................... 16
1.3 – Objectivo Geral................................................................................................ 16
1.4 – Objectivos específicos ..................................................................................... 16
1.5 – Hipóteses ........................................................................................................ 16
1.6 – Justificativa...................................................................................................... 16
1.7 – Métodos e Materiais ........................................................................................ 17
CAPITULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................ 24
2.1 – Bacias Sedimentares ....................................................................................... 24
2.1.1 – Classificação das bacias sedimentares......................................................... 24
2.1.2 – Bacias Compressionais ................................................................................ 25
2.1.3 – Bacias Intracratónicas................................................................................... 26
2.2 – Formação do Oceano Atlântico........................................................................ 27
2.3 – Evolução das Margens Clivadas de Angola e Atlântico Sul ............................. 27
2.4 – Rochas Ígneas ................................................................................................. 32
2.4.1 – Rochas Vulcânicas ....................................................................................... 32
2.4.2 – Classificação das rochas ígneas pela IUGS ................................................. 36
2.4.3 – Diagrama TAS .............................................................................................. 40
2.4.4 – Diagrama de Harker...................................................................................... 40
2.4.5 – Cálculo de Normas CIPW ............................................................................ 41
2.5 – Província Magmática de Etendeka................................................................... 42
2.5.1 – Litotipos da Província Magmática de Etendeka............................................. 43
2.5.2 – Características Petrográficas das Rochas da Província Magmática Paraná – Etendeka
............................................................................................................................................ 43
2.5.3 – Características Geoquímicas das Rochas da Província Magmática do Paraná –
Etendeka ............................................................................................................................. 45
CAPITULO III – CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ................................. 47
3.1. Localização da Área de Estudo ......................................................................... 47
3.2. Geologia da Área de Estudo .............................................................................. 48
3.3. Aspectos Fisiográficos ....................................................................................... 50
3.3.1. Geomorfologia ................................................................................................ 50
3.3.2. Hidrografia ...................................................................................................... 51
CAPITULO IV – ANÁLISE E RESULTADOS ............................................................ 53
4.1. Resultados e discussões ................................................................................... 57
4.2. Conclusões ........................................................................................................ 66
4.3. Considerações Finais ........................................................................................ 70
CAPITULO I – INTRODUÇÃO

Grandes Províncias Ígneas – LIPs (Large Igneous Provinces) são definidas como um
agregado crustal maciço de rochas de composição básica, sendo intrusivas e extrusivas
ricas em Fe e Mg. São geradas pela ascensão de uma pluma mantélica e caracterizadas
pela geração de grandes volumes de magmas básicos e ultra-básicos.
As províncias magmáticas básicas, que ocorrem em áreas continentais, têm suas origens
frequentemente relacionadas a processos geodinâmicos que envolvem ruptura de placas
litosféricas. Essas províncias são, em maioria, representadas por derrames e intrusões
basálticas, e têm sido intensamente pesquisadas e debatidas na literatura internacional.
Como resultados dessas investigações foram propostos diversos modelos que procuram
explicar a origem dos derrames e das intrusões associadas. Dentre eles destaca-se o
modelo de RICHARDS et al. (1989), onde as províncias ígneas seriam o resultado da
actuação de plumas mantélicas, de modo que a geração do magma basáltico não estaria
necessariamente relacionada ao mecanismo de distensão da litosfera.
Segundo EWART et al. (2004 apud MACHADO 2005), existem características
petrológicas, geoquímicas e geodinâmicas evidentes na génese comum que envolve a
origem da Província Magmática do Etendeka, na costa oeste africana, composta por
derrames de lava e rochas intrusivas, localizadas ao Sul na Namíbia, e mais ao norte, já em
Angola, as bacias de Kwanza e Namibe.
No continente africano, o vulcanismo abrange uma área de 78.000 km². Além disso,
MULLER et al. (1993 apud MACHADO, 2005), mostraram que a idade da Província
Magmática do Etendeka é a mesma obtida para a parte norte da Província Magmática do
Paraná, com valores próximos a 132 Ma. Sendo assim, muitos trabalhos tratam este grande
complexo vulcânico como único, denominado de Província Magmática Paraná – Etendeka.
A Província Magmática do Paraná (PMP), também denominada de Vulcanismo Serra
Geral, já que a mesma é representada pela Formação Serra Geral na estratigrafia da Bacia
do Paraná, é a maior manifestação vulcânica, em área atingida, de caráter básico, em
continente do planeta, segundo MILANI (2004 apud MACHADO, 2005).
O grande volume de lava recobre grande parte do sul e sudeste do Brasil, envolvendo os
estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, sudoeste de Minas
Gerais, sudeste do Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, e sudeste do Mato Grosso, além da
parte ocidental do Uruguai, nordeste da Argentina e extremo leste do Paraguai.
A Bacia do Namibe, é a área de estudo. Ela formou-se através de processos geológicos,
ligados a separação de placas tectónicas, ou seja, a abertura do oceano Atlântico, fazendo
parte das zonas de depressão perioceânica de Angola. (ROSANTE, 2013).
1.1 – Problema

Quais são as características texturais, mineralógicas e geoquímicas da Província


vulcânica do Etendeka na Bacia do Namibe?

1.2 – Objecto de estudo

Província vulcânica do Etendeka da Bacia do Namibe.

1.3 – Objectivo Geral


Caracterizar os Vulcanitos da Bacia do Namibe, do ponto de vista petrográfico e
geoquímico.

1.4 – Objectivos específicos


a) Descrever as características mineralógicas dos Vulcanitos da Bacia do Namibe;
b) Analisar a textura dos Vulcanitos da Bacia do Namibe;
c) Caracterizar geoquimicamente os vulcanitos da Bacia do Namibe;
d) Determinar a petrogênese dos vulcanitos da Bacia do Namibe.

1.5 – Hipóteses
➢ Por meio da análise petrográfica poderemos determinar, tanto a textura como a
mineralogia das Rochas vulcânicas da Bacia do Namibe, e através de análise por
fluorescência de Raios-X, e espectrometria de absorção at será possível determinar a
composição química das mesmas, o que nos permitirá conhecer a característica
geoquimica dos Vulcanitos da Província Magmática de Etendeka.

1.6 – Justificativa

Este trabalho de investigação científica, ajudará a compreender melhor os


processos de evolução da crosta como um todo, e da geologia da região em estudo.
Embora já existam alguns trabalhos de investigação feitos nessa área, há ainda alguns
pormenores por se conhecer, pois tem sido dada maior atenção a Bacia do Kwanza, e
a Bacia do Namibe, tem ficado como que em segundo plano.
Pelo que com a execução deste trabalho, poder-se-á fornecer informações
úteis para posteriores pesquisas ligadas, a área em estudo, bem como servir de base
para se analisar, futuramente o potencial de exploração dos Vulcanitos.
Segundo SARTORI, et. al. (1978) apud SANTOS, (1990), o emprego do
Vulcanito presente na Bacia do Namibe provavelmente Riodacito, como pedra britada,
é muito vantajoso porque essa rocha é mais resistente aos processos de alteração pelo
intemperismo do que o basalto, razão pela qual deve-se estudar essa rocha pelo seu
potencial para aplicação em construção rodoviária.
Com este trabalho de investigação aumentarão significativamente os
conhecimentos sobre a geologia do Namibe como um todo, e especificamente da Bacia
sedimentar do Namibe, desta forma espera-se contribuir também com este estudo,
para o incremento de bibliografia geológica actualizada desta zona. É ainda relevante
esta proposta de pesquisa, pois este tipo de trabalhos aumentará significativamente a
colocação da Universidade Técnica de Angola em um patamar mais elevado no que
toca a investigação científica, dando reconhecimento a Universidade pela produção de
informação científica relevante não só a nível do país como internacionalmente.

1.7 – Métodos e Materiais


1º Revisão bibliográfica
Foi feito o levantamento de toda matéria relevante a temática e a área em estudo,
com base em mapas topográficos e geológicos, livros, artigos científicos, teses e
dissertações, bem como fascículos, a fim de contextualizar dados e informações
preexistentes, com os que foram obtidos com o desenvolvimento deste trabalho.

2º Trabalhos de campo
A área de trabalho, está constituída por: 3 perfis (1, 2 e 3), sendo 2 paralelos entre si (1 e
3) e transversais a linha de costa. Ao passo que um colocou-se longitudinal a linha de costa
e transversal aos perfis 1 e 3 (Figura 1.1).
Identificaram-se os afloramentos de rochas vulcânicas, com a altura dos mesmos
inferidas pelo uso de estudantes como escala vertical, na área de estudo, com as
coordenadas tendo sido marcadas com o uso de um GPS de marca Garmin modelo Etrex
(Figura 1.2), para orientação foi usada uma bússola de geólogo com inclinómetro de marca
Konustar, as amostras foram recolhidas, nestes afloramentos com o uso de uma marreta de
3kg, e o martelo de geólogo serviu para redução do tamanho das referidas amostras. Foram
feitas algumas fotografias, da área de estudo usando uma câmara fotográfica de marca
Canon. Foi feita análise petrográfica por avaliação macroscópica das rochas no campo, com
auxílio de uma lupa de bolso de ampliação 1x10 para melhor visualização das
características do material. Usamos saco de amostras de solos - plástico 17cmx20cm -
(1KG) para acondicionamento das amostras, as quais foram catalogadas com o uso de
marcador permanente (Figura 4.3 – A à G).
Figura 1.1 – Área de Trabalho. Modificada da carta topográfica de
Moçâmedes à escala 1:100000 por AGUIAR, 2017.

Figura 1.2 – Localização geográfica dos afloramentos CP1 e CP2.


3º Análise Petrográfica

Para obtenção dos resultados petrográficos, foram usados dois tipos de microscópios:
microscópio óptico de luz polarizada de marca Leica modelo EDM 2500p e microscópio de
luz reflectida e transmitida de marca ZEIS Imager AXIOZ4.
As rochas para serem observadas ao microscópio petrográfico foram sujeitas a uma
preparação prévia utilizando equipamentos próprios.

➢ Em primeiro lugar, as amostras foram reduzidas a uma dimensão adequada ao


manuseamento nos equipamentos utilizados. Cada amostra de rocha deve possuir
uma dimensão aproximada à do tamanho de uma mão fechada. Assim sendo, as
amostras foram cortadas com a serra representada na Figura 1.3 A e B;
➢ Depois das amostras possuirem a dimensão desejada, foi cortada uma esquírola. Isto
é, cortou-se uma "fatia" de rocha com cerca de 0.5 cm de espessura utilizando a serra
de marca PetroThin representada na Figura 1.4;
➢ Uma das superfícies da esquírola foi polida utilizando o equipamento
representado na Figura 1.5.
➢ Esta superfície polida da esquírola foi colada sobre uma lâmina de vidro. Este
conjunto de esquírola + lâmina de vidro sofreu um desgaste de modo a ser reduzida a
espessura da amostra, utilizando o equipamento da figura 1.5, até ter um aspecto
necessário para sua observação ao microscópio;
➢ A amostra foi ainda sujeita um último desgaste utilizando o disco da figura 1.5 até que
se obteve uma espessura de rocha da ordem dos 0.03 mm. Finalmente a preparação
foi coberta por uma lamela de vidro (designando-se por lâmina delgada).
➢ Foi efectuada a organização e documentação das fotos das lâminas delgadas,
efectuadas com o microscópio.

A A
A B

Figura 1.3 A e B - Serra de corte de rocha com anel adiamantado, para redução do
tamanho da amostra, utilizada pelo laboratório da Faculdade de Ciências da Universidade
Agostinho Neto.
Figura 1.4 – Máquina de corte de Figura 1.5 – Máquina de
precisão Petrothim para redução do polimento das esquírolas.
tamanho da esquírola.

4º Espectrometria de Fluorescência de Raios-X


Fez-se o estudo quantitativo e qualitativo da composição elementar dos Vulcanitos, pela
excitação dos átomos e detecção dos seus Raios-X característicos, utilizando espectrómetro
de fluorescência de Raios-X.

• Preparação das amostras


Para que as amostras estivessem em condições de serem analisadas no espectrómetro
de Raios-X elas passaram por alguns processos como:

1º As amostras foram organizadas e pesadas em uma balança (Figura1.6);

2º As amostras foram colocadas no britador primário (britador 2), que mede cerca de 1m
de altura por 50cm de largura, marca FLSmidth – ESSA, modelo Jaw Crusher JC2501, para
redução do tamanho dos grãos (Figura 1.7).

3º As amostras foram para o britador secundário (britador 3), da marca Rocklabs, modelo
JC2000, para redução a uma granulometria ainda mais fina, isto para obtenção de um
material mais homogéneo (Figura 1.8).

4º Efectuou-se a cortagem, ou quarteamento com quarteador rotativo da marca LABTECH


AFRICA, modelo RSD/MC-10, que consiste na repartição da amostra já moída em
recipientes todos de igual tamanho de modo a se obter quantidades representativas do
material (Figura 1.9).

5º Seguiu-se a pulverização da amostra, com pulverizador da marca FLSMIDTH – ESSA,


modelo LM2, cujo objectivo é reduzir a rocha a um tamanho inferior a 75 micra, pois na fase
de solução o reagente actua sobre a rocha de forma completa (Figura 1.10 e Figura 1.11).

Nota: Após realizar-se estas operações, a rocha agora em pó, foi submetida a um teste de
peneiramento com uma peneira de 75 micra, com mínimo de passagem requerido de 95%,
ou seja, 10g do material deve passar pela peneira. Se o teste for bem sucedido, coloca-se a
amostra em embalagem identificada e ela, está pronta para ir para o laboratório químico.
Antes e depois de cada britagem os britadores foram limpos com granito, para evitar a
contaminação das amostras que passaram pelos mesmos, por sua vez utilizou-se areia
branca para limpar o pulverizador.

• Laboratório Químico

Preparação dos Pellets (Figura 1.12), que foram lidos pela máquina de FRX:
Fez-se uma mistura como na imagem acima contendo 5g da rocha já pulverizada, e
adicionou-se 1g de WAX, o qual é um sólido que se mistura com a amostra para facilitar a
leitura na máquina, a seguir agitou-se por algum tempo para obter uma mistura bem
homogénea, em seguida colocou-se Boráx (tetraborato de sódio), por cima da amostra, para
servir de tampão evitando a perda da amostra. Em seguida, usou-se uma prensa de marca
MAUTHE, modelo PE - 010 (Figura 1.13) para se obter a Pellet (também chamada
vulgarmente de pastilha, Figura 1.14).
Fez-se também um ajuste na amostra (LOI, ou loss in ignition, em portugués, perda na
fusão), que consistiu na secagem de amostra no forno a 105ºC/2h, mediu-se a diferença de
peso da amostra antes e depois de sair do forno e em seguida colocou-se novamente em
forno até 1000ºC. Até aqui as Pellets estão prontas para serem lidas pelo Espectrómetro de
FRX da marca BRUKER, modelo S8 TIGER (Figura 1.15).
Para a detecção dos elementos menores e traços usou-se o Espectrómetro de Absorção
Atómica da marca PerkinElmer, modelo PinAAcle 900H (AAS, Figura 1.16), mas antes disso
as amostras foram submetidas ao processo de digestão ácida com água régia (água régia, é
uma mistura de ácido nítrico e ácido clorídrico, concentrados geralmente na proporção de
uma para três partes).

Figura 1.6 – Balança Figura 1.7 – Britador 2. Figura 1.8 – Britador 3.


para pesar as amostras
antes da britagem.
A A
A B

Figura 1.9 A e B - Quarteador.

Figura 1.10 - Pulverizador. Figura 1.11 – Disco de pulverização


e panela.

Figura 1.12 – Utensílio para Figura 1.13 – Compressor. Figura 1.14 – Pellet
mistura da amostra com o pronto.
WAX.
Figura 1.15 - Espectrómetro Figura 1.16 - Espectrómetro de
FRX. Absorção Atómica (AAS)
CAPITULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Neste capítulo apresentam-se informações relevantes para facilitar a


compreensão e ao mesmo tempo servir de base a pesquisa feita.

2.1 – Bacias Sedimentares

Segundo SUGUIO (2003), as bacias sedimentares são depressões na superfície que,


com o tempo, foram sendo preenchidas por sedimentos, de três tipos principais diferentes de
acordo com a origem: estruturas ou materiais de origem biológica como restos de animais,
fragmentos de conchas, ossos, ou recifes de coral; materiais depositados pelo efeito da
erosão de áreas adjacentes à bacia por acção do vento, água, glaciares ou rios; e materiais
precipitados em corpos d’água dentro da bacia.

2.1.1 – Classificação das bacias sedimentares

As bacias são classificadas em função de um contexto geotectónico. Elas podem se


formar nas margens ou no interior do continente. Podendo ser divididas em três grupos:

1. Bacias Extensionais

a) Bacias marginais do tipo Atlântico

Relacionada a divergência de placas (rifte): associam-se às zonas de divergência de


placas e formam-se à custa de falhamentos normais. Essas bacias são resultantes dos
processos que culminaram com a ruptura do Gondwana a partir do final do Jurássico, com a
formação do Oceano Atlântico Sul. A bacia do Namibe é deste tipo.

Figura 2.1 – Bacia do tipo rift. Fonte: Steven Earle, Malaspina University-College, June 2004.

b) Riftes interiores

Riftes abortados (aulacógenos), bacias distensionais que não evoluíram até a fase
oceânica. Apresentam somente as fases de pré-rifte e rifte. Sedimentos continentais
(fluviais, lacustres, eólicos) Bacias alongadas e estreitas, apresentando perfil transversal
assimétrico.

c) Bacias Transtensionais

Também chamadas de pull-apart, tem geometria alongada. A origem destas bacias está
relacionada à actividade de grandes sistemas de cisalhamento transcorrente ou seja, são
bacias formadas num regime transcorrente em que há predomínio da componente
distensiva, como nas bacias ligadas à Falha de Santo André.

Figura 2.2 – Bacia do tipo Pull-Apart. Fonte: Lagmay 2005.

2.1.2 – Bacias Compressionais

a) Bacias Foreland

Formadas pela subsidência mecânica regional induzida pelo peso de um empurrão. Em


ambiente compressivo são gerados grandes empurrões que após o falhamento cavalgam
para as áreas adjacentes. O peso destes nappes flexiona a litosfera, produzindo uma
depressão na borda da carga cavalgante.

Figura 2.3 – Bacia do tipo Foreland. Fonte: Steven Earle, Malaspina University-College, June 2004.
b) Bacias Oceânicas

São as bacias lineares de posição pericontinental (margem continental) ou intraoceânica.


Exs: Bacia de ante-arco (ou forearc), bacia de retro-arco (ou backarc). Bacia de ante-arco:
formadas na placa continental, na frente do arco magmático entre este e a fossa, uma vez
que o choque de placas produz uma elevação na borda da placa. Bacia de retro-arco:
formadas a partir de fenômenos distensivos que produzem o adelgaçamento da crosta atrás
do arco.

Figura 2.4 – Bacia oceânica. Fonte: http://incomciencia.blogspot.com/2013_01_01_archive.html

2.1.3 – Bacias Intracratónicas

Situam-se no interior de áreas mais estáveis tectonicamente (crátons). São bacias


formadas por subsidência (sinéclise). A génese dessas depressões a ciclos de desequilíbrio
térmico crustal.

Figura 2.5 – Bacia Intracratónica. Fonte: ADAS, Melhem. Panorama geográfico do Brasil. São Paulo:
Moderna, p. 331, 2004.
2.2 – Formação do Oceano Atlântico

Segundo GORDANI (2013) a formação do Oceano Atlântico está relacionada com o


fracturamento e dispersão da Pangea, o supercontinente que existia na superfície da Terra
há cerca de 250 Ma, no assim chamado Período Pérmico, e reunia todas as massas
continentais. A dispersão da Pangea se iniciou por volta de 200 Ma, começando com
grandes fracturas em sua parte setentrional, afastando a América do Norte da Europa e do
NW da África.
O Atlântico Sul formou-se mais tarde, por volta de 135 Ma, afastando a América do Sul do
SE africano. Não há uma explicação clara para a localização específica das fracturas
iniciais. Deve ter havido uma mudança radical no sistema de correntes de convecção no
manto, aliada possivelmente a uma acção de fluxos quentes e ascendentes no interior do
planeta, as chamadas plumas mantélicas, cuja origem se deve à existência de anomalias
térmicas de profundidade. Nos dois casos, do Atlântico Norte e Sul, o início do fracturamento
foi marcado por grandes eventos vulcânicos de natureza basáltica sobre os continentes
ainda unidos.
No primeiro caso trata-se de inúmeros corpos de rocha ligados à Província Magmática do
Atlântico Central e no segundo a uma enorme manifestação vulcânica nas bacias
sedimentares do Paraná, no Brasil, e Etendeka, em África. Margens passivas formaram-se
nos continentes voltados para o Atlântico, com a formação de muitas bacias sedimentares
nas áreas continentais afectadas e afundadas pelo fracturamento. O desenvolvimento de
todas essas bacias nas plataformas e taludes continentais recém-criados guarda
semelhanças significativas. Primeiramente, no início do rompimento, em ambientes ainda
continentais, o fracturamento se caracteriza por vales de afundamento, chamados riftes.
Mais tarde, com o afastamento apenas inicial dos continentes, o ambiente de sedimentação
é de águas rasas com muita evaporação.
Finalmente, com o oceano aberto, as margens continentais interagem com ambientes
marinhos mais profundos. Com o avanço da separação entre os continentes, crosta
oceânica é criada entre eles, preenchendo paulatinamente o espaço resultante, em
episódios vulcânicos sucessivos de adição de material basáltico. Por este processo, a crosta
oceânica apresenta idades cada vez mais novas, a partir das margens continentais até as
regiões da dorsal. Olhando os mapas de anomalias magnéticas que ocorrem no Atlântico,
que se dispõem paralelas à dorsal e se apresentam de modo simétrico dos dois lados desta,
é possível verificar a evolução do mecanismo de formação do fundo oceânico, característico
da tectónica de placas. As mencionadas anomalias referem-se à magnetização adquirida
pelas rochas basálticas na época de sua formação, que registram as diversas reversões de
polaridade do campo magnético terrestre, as quais ocorrem em média a cada milhão de
anos.

2.3 – Evolução das Margens Clivadas de Angola e Atlântico Sul

A vasta estrutura tectónica evolutiva, dentro da qual a costa Angolana pode ser
interpretada, deve ser subdividida em oito fases sequenciais. A sua caracterização assenta
na relação existente entre a natureza e o avanço da separação dos dois continentes, nas
diferenças do nível do mar e na geometria tectónica das costas continentais Brasileira e
Angolana. As fases I e II podem ser consideradas como Fases Pré-Rift, enquanto a África e
a América do Sul formaram uma massa continental única, a Fase III a fase de Rift, e da fase
IV à VIII o período Pós-Rift (SCHLUMBERGER, WEC 1991).
Para BRICE et al. (1982) apud NETO (2014) e, reconfirmado por KARNER et al. (1997),
apud NETO (2014), o modelo da evolução da margem Angolana foi subdividido em cinco (5)
episódios distintos (do mais antigo para o mais recente) nomeadamente:

• Pré-Rifte (durante o Jurássico), caracterizado por tectonismo suave;


• Synrifte I (Neocomiano a Barremiano inferior), marcado por forte tectonismo;
• Synrifte II (Barremiano a Aptiano), com tectonismo moderado;
• Pós-Rifte (do Albiano ao Eocénico), corresponde à fase da deriva continental,
com fraco tectonismo associado;
• A subsidência regional (do Oligocénico ao Holocénico), caracterizado
essencialmente por basculamento das bacias para Oeste (Ver Figura 2.4).

a) Fase I (Fase Pré-Rift)


A fase I acabou na última parte do Jurássico e resultou numa enorme planície
(planície de Gondwana), que se estendia pela maior parte da África central e sul, à costa
oriental da América do Sul. Ela indica um período do pós-Karoo extremamente calmo
vulcanicamente, e que coincidiu com uma altura em que o nível do mar era baixo
(SCHLUMBERGER, WEC 1991)

b) Fase II (Fase pré-Rift)


Durante esta fase, sobreelevações e correntes de basalto eruptivo estenderam-se ao
longo da separação dos dois continentes. Basaltos toleíticos brotavam de gigantescas
crateras litosféricas ou pontos quentes, centrados na Bacia do Paraná, no sul do Brasil, mas
que se estendiam até o Noroeste da Namíbia. Como o ponto quente ficava por cima do
manto, o ascender deste enfraqueceu a litosfera e ajudou a preparar o continente para a
fase III, a fase de Rift. O ponto quente do manto que ainda hoje permanece sob Tristão da
Cunha, foi o responsável pelo traçado das cordilheiras vulcânicas marinhas de Walvis e de
Rio Grande. Uma grande variedade de inclusões, associadas às sobreelevações da Fase II,
principalmente alcalinas médias no Brasil e em Angola, e de Kimberlito na maior parte do Sul
do continente Africano, estão provavelmente relacionadas com o precoce desvio da tensão
que acelerou a separação dos dois continentes na Fase III (SCHLUMBERGER, WEC 1991).

Figura 2.6 - Esquema representativo da fase “Pré-rift” (Brice et al., 1982)


c) Fase III (fase de Rift)
A fase III foi o período durante o qual a África e a América do Sul se começaram a
separar. As costas de Angola e do Brasil sofreram extensões continentais desde o início do
período Valanginiano até ao final do período Barremiano. Ao longo deste período, a norte da
cordilheira de Walvis, a crosta continental da litosfera distendeu e adelgaçou dando origem a
bacias de origem clivática.
Ao longo do litoral Brasileiro e Angolano, areias quartzíticas continentais do Neocomiano,
conglomerados e carvões com alguns vestígios de basaltos vulcânicos oriundos do manto
sub-litosférico que aflorava, foram-se depositando e preenchendo uma grande variedade de
fendas dessas bacias.
Os enormes relevos topográficos fissurados (até 2 km) e as profundas falhas (até 7 km)
que se foram sedimentando durante a Fase III são semelhantes às do vale do Leste
Africano, também da mesma origem. Com início no Neocomiano e durante o Barremiano, à
medida que os deslocamentos e o esforço aumentava, grandes distensões se produziram,
dando origem a lagos profundos (maiores que 1 km), tais como os actuais Lago Tanganika e
Lago Niassa. Esses lagos criaram as condições necessárias para a deposição de
sedimentos orgânicos que, com linhites e carvões, formam a principal rocha mãe de origem
continental das costas do Atlântico Sul, do pré-Apciano. Com o rápido alongamento do
princípio do Apciano, a camada da litosfera adelgaçou e enfraqueceu drasticamente
possibilitando a ruptura continental e o começo da abertura do Atlântico Sul. É o iniciar da
fase IV.
A estrutura do manto Precâmbrico determinou e influenciou, respectivamente, o local de
distensão e a geometria das bacias da Fase III. A cintura de Gariep, dos finais do
Precâmbrico (Pan-Africano), do litoral da Namíbia e sul de Angola, bem como a sua
continuação para Norte sob a forma de reestruturação do manto no noroeste de Angola,
Cabinda e Gabão, segue paralela e abraça mesmo por vezes a margem continental. Ao
longo das margens da Bacia de Santos no Brasil, a zona de reorganização do manto dos
finais do Precámbrico, faz parte não só daquela cintura, bem como da zona distensional do
Neocomiano que se formou ao longo dessa área debilitada e que foi continuamente
enfraquecida pelo ponto quente de Walvis. É normal os oceanos rasgarem-se ao longo de
sobreelevações recentes pois a sua crosta é mais espessa e as heterogeneidades
estruturais fazem com que o integral das forças verticais de abertura seja inferior ao do das
zonas vizinhas da litosfera.
Numa escala inferior, tanto as fracturas individuais como os conjuntos de fracturas das
bacias do Neocomiano seguem tendências precámbricas, normalmente ao longo das
fracturas do manto. O grau de influência destas fracturas pode ter levado à formação de dois
tipos distintos de bacias, ao longo do harmonioso litoral Angolano e Brasileiro. Nas bacias
como as do Kwanza, Cabinda e de Campos em que o alargamento da litosfera foi
verticalmente mais homogéneo, vêem-se pequenas sequências da Fase de Rift com
algumas rochas vulcânicas logo seguidas por uma importante fase térmica de sub-
mergência que normalmente repousa de forma discordante sobre a sequência de fractura.
Nessas bacias marinhas de grande extensão, as sequências de evaporitos do Apciano,
do início da Fase IV, importantes retentores de hidrocarbonetos, servem de cobertura à
sequência de fracturas do Neocomiano. Em contraste as bacias como as de Tucano e
Jatobá no brasil que têm uma sequência não vulcânica da fase III bastante espessa e uma
fase de submergência térmica do pós-rift praticamente inexistente, encontram-se totalmente
no mar. Este tipo de bacias, provavelmente presentes no grande afloramento Neocomiano
do Norte de Angola, não são interessantes do ponto de vista da exploração de
hidrocarbonetos pois a sua estrutura é demasiado complexa, não possui nenhuma cobertura
de sal e, não tendo sido subterrada, não foi portanto amadurecida pelas sequências do pós-
rift. Estas bacias tiveram na maior parte dos casos como origem o alongar da crosta terrestre
e o depositar sucessivo dos seus fragmentos em zonas de distensão ou sobreelevação do
manto (SCHLUMBERGER, WEC 1991).

Figura 2.7 - Esquema representativo da fase “Sin-rift I” (Brice et al., 1982)

Figura 2.8 - Esquema representativo da fase inicial (a) e final (b) do“Sin-rift II”
(Baptista C. 1991).

d) Fase IV (fase pós-rift)


A fase IV deu início a recuperação térmica da submergência da costa de Angola, à
medida que, para norte da Cordilheira de Walvis, a África e a América do Sul se separavam
com o crescimento das placas. As sequências de evaporitos do Apciano, do início da fase
IV, resultaram da propagação para norte destas fracturas. No final da fase III, a zona de
distensão a norte da Cordilheira de Walvis submergiu a un nível bem inferior ao nível médio
do mar. No final do Neocomiano, as águas do mar foram sendo progressivamente retiradas
das profundas bacias distensionais Angolanas localizadas junto daquela cordilheira. No
início do Apciano, a propagação para norte das fracturas originou grandes rupturas na
Cordilheira de Walvis que permitiram não só a passagem de sedimentos marinhos para o
continente, como também uma efémera invasão do mar que se propagou até a fronteira
norte do Gabão. Este mecanismo deposicional, que ocorreu quatro vezes, formou a
sequência de evaporitos do Apciano. Durante o Albiano, a Cordilheira de Walvis foi
constante alvo de fracturas, acabando por submergir. Esta situação aliada ao elevar do nível
geral das águas do mar permitiu que as condições marinhas atrás mencionadas se
estabelecessem definitivamente a norte da cordilheira. Como o nível do mar continuasse a
subir e a costa angolana continuasse a afundar-se progressivamente durante a fase IV, a
invasão do mar sobre as areias continentais depositou durante o período Santoniano, por
toda a plataforma Angolana, sequências de lamas ricas em urânio (SCHLUMBERGER, WEC
1991).

e) Fase V a VIII (fase pós-rift)


A fase V foi um período Campaniano/Maestrichtiano de acelerada separação das placas,
acompanhado da subida do nível do mar, durante o qual culminou a invasão marítima quer
em África quer na América do Sul.
Na fase VI a separação dos continentes diminuiu para cerca de metade da verificada na
fase V, o nível do mar baixou e uma camada de areias continentais avançou para oeste
recobrindo de novo os depósitos marinhos do Paleocénico e início do Eocénico.
A fase VII, do meio do Eocénico ao final do Miocénico, foi um período caracterizado por
uma grande descida do nível do mar e da ausência de depósitos na costa angolana. A
descida do nível do mar e a consequente exposição de grandes volumes que se foram
depositar na plataforma continental. A sobrecarga causada por estes, originou uma grande
sobreelevação e inclinação para o ocidente de toda a costa de Angola.
No Miocénico, durante o início da fase VIII, a subida do nível do mar provocou repetidas
invasões marítimas em toda a orla costeira angolana. No final do Miocénico, princípio do
Pliocénico, o nível do mar voltou a descer, e de novo a inclinação para o ocidente e a
sobreelevação da costa voltaram a aumentar. Com a contínua regressão marítima do
Cenozóico, as areias continentais dos finais do Pliocénico e de todo o Plistocénico voltaram
a depositar-se por toda a orla marítima (SCHLUMBERGER, WEC 1991).
Figura 2.9 - Esquema representativo da fase inicial (a) e final (b) do“Pós-rift”
(BAPTISTA, 1991).

2.4 – Rochas Ígneas

As rochas ígneas formam-se a partir do magma incandescente e viscoso do interior da


Terra. Quando os constituintes magmáticos se consolidam no interior da crosta terrestre,
formam-se as rochas plutónicas, de granulação grosseira. Quando o magma, em
decorrência da actividade vulcânica, chega à superfície da Terra ele se consolida como
rocha vulcânica, de granulação fina. As rochas intermediárias, ou de transição entre os dois
grupos, denominam-se rochas hipoabissais (PERONI, 2003).

2.4.1 – Rochas Vulcânicas

Segundo PERONI (2003), as rochas vulcânicas formam-se quando o magma quente e


fluido, com o auxílio de forças vulcânicas, ascende do interior da Terra até a superfície.
Quando a mistura magmática flui através de uma chaminé vulcânica, ou através de uma
fissura e se espalha sobre a superfície da Terra, é denominada lava. Porém quando o
magma, misturado com os restos do material que preenchia a chaminé e com rochas
vizinhas, é expelido antes de se depositar é denominado tufo.
A composição química e mineralógica, das rochas vulcânicas é parecida com a das
rochas plutónicas, pois magmas com composição semelhante podem originar dois tipos de
rochas. As rochas vulcânicas, do mesmo modo que as rochas plutónicas vão se tornando
mais escuras e densas à medida que a proporção em volume de sílica diminui.
Critérios Para Distinguir Rochas Plutónicas e Vulcânicas

Algumas características são definitivas para a determinação do modo de ocorrência das


rochas ígneas, a Tabela 2.1, apresenta alguns dos critérios utilizados na identificação
macroscópica de textura e estrutura, segundo o modo de ocorrência das rochas ígneas.

Tabela 2.1 - Características das rochas de acordo com o modo de ocorrência


(fonte: PERONI, 2003)
Vulcânica Plutónica
Topo vesicular ou amigdalóide Topo sem vesículas e amígdalas
Texturas afaníticas e/ou vítreas Texturas faneríticas
Brechas vulcânicas, piroclásticas e cinzas
vulcânicas freqüentes. Ausência de brechas
Características fluidais de derrame Sedimentares sobrepostas mostra apófises,
diques e sills
Base de sedimentares sobrepostas não Sedimentares sobrepostas mostram
mostra vestígios de acção térmica evidências de acção térmica
Estruturas acamadadas de derrame

Depósitos PirocIásticos e Tephra

Depósitos piroclásticos (consolidados) e tephra (pouco consolidado) ocorrem quando o


vulcanismo é riolítico ou andesítico, ácido e viscoso. Magmas com essa composição têm
muitos gases que explodem com a diminuição da pressão de confinamento ao chegar à
superfície. Essas explosões lançam fragmentos de magma consolidado a várias distâncias
gerando esses tipos de depósitos. Os materiais piroclásticos são constituídos por materiais
soltos ou misturas de cinzas vulcânicas, bombas, blocos e gases produzidos durante
erupções violentas de gases. Os depósitos de fluxo piroclástico são misturas de fragmentos,
partículas de rochas e gases quentes, que independentemente da granulação movem-se
pelo próprio peso, condicionadas à declividade do terreno.
Os fluxos piroclásticos caracterizam-se por maior densidade e baixa turbulência.
Confinam-se aos vales. Já os platôs ignimbríticos são os produtos que recobrem as áreas ao
redor do vulcão. O nome ignimbrito representa uma rocha ígnea formada por “soldagem” de
cinzas e brecha vulcânica, processo que ocorre em temperaturas menores devido à
distância em relação ao vulcão. Esses materiais se depositam ainda quentes tornando-se
fortemente soldados e assemelham-se a um cimento muito resistente. Em vários eventos
desse tipo observou-se que quanto maior o volume de água do magma maior é a violência
da explosão.
As brechas vulcânicas representam os produtos vulcânicos piroclásticos de granulação
mais grosseira, sendo constituídos por fragmentos de material pré-existente ou do próprio
derrame, cimentados também em uma matriz também grosseira. Os depósitos de queda
piroclástica recebem o nome de tufos vulcânicos.
Tephra – Corresponde a um depósito de rocha ígnea que pode ou não estar consolidado,
formado pela litificação de cinza vulcânica e brechas vulcânicas. Ignimbritos são produzidos
durante erupções explosivas (fluxos piroclásticos e queda de tefras). Com uma forma foliar,
muitos ignimbritos cobrem milhares de quilômetros quadrados. Possuem uma composição
química que atravessa toda a classe de rochas ígneas (basáltico a riolítico).

Estilos Eruptivos

As actividades vulcânicas podem ser classificadas como fissurais e centrais, em função


da sua localização em relação às placas litosféricas e ao tipo de seus produtos. As
características desses produtos, por sua vez, vinculam-se às propriedades da lava e
condições de ambiente de deposição.

Derrame Vulcânico Fissural

Segundo PERONI (2003), nesse tipo de vulcanismo, não há formação de um cone


vulcânico, onde a ascensão do magma se dá através de fissuras profundas na crosta
terrestre. Ocorre quando o magma chega à superfície e escoa sobre esta, sem ou com
pouca actividade explosiva e de modo calmo. Cada fluxo de lava é denominado de derrame
de lava e forma corpos rochosos tabulares. Ex. Basaltos da Bacia do Paraná (extensão: 1.2
milhões km2, espessura 10m a 1500m). A mobilidade da lava depende, principalmente, de
sua composição e temperatura; lavas básicas são mais quentes e fluidas e percorrem
distâncias maiores que as lavas ácidas, mais viscosas. A perda de gases também influi
favorecendo a solidificação da lava. As erupções fissurais representam o principal tipo de
actividade ígnea em termos de volume, considerando que 80% do vulcanismo actual se
concentra no oceano.
Sendo que o maior derrame desse tipo de ocorrência é a formação Serra Geral da Bacia
do Paraná, com uma área superior a 1.200.000 km², com idades em torno de 130 milhões de
anos, abrangendo regiões sul e centro-oeste do Brasil, além de Paraguai, Uruguai, Argentina
e também uma parte da África, hoje apartada pelo oceano Atlântico.

Estrutura de Um Derrame Típico

Com frequência, os derrames por vulcanismo fissural apresentam variações de textura e


estrutura da base para o topo. Essas variações permitem caracterizar diversas zonas dentro
de um mesmo derrame, assim para um derrame de cerca de 50m de espessura, pode se
observar as seguintes variações da base para o topo:
a) Zona vítrea: basalto preto, com brilho resinoso, muito alterado, juntas de contracção
mal definidas, encurvadas. Podem ocorrer algumas amígdalas e fenocristais de plagioclásio
e piroxéna. Essa base vítrea é resultante do resfriamento rápido da lava em contato com o
terreno. Espessura: 5 –10m.
b) Zona Tabular Inferior: a textura da base p/ o topo da zona passa a hipocristalina.
Juntas horizontais com pequeno espaçamento dando o aspecto tabular estratificado.
Espessura: 2 – 10m.
c) Zona colunar: textura holocristalina, fanerítica, juntas verticais, resultando em disjunção
colunar. Melhor zona para localização de pedreiras (brita), pois a rocha é menos alterada
nessa zona. Espessura: 20 – 50m.
d) Zona Tabular Superior: textura hipocristalina a porfirítica, juntas horizontais dando
aspecto tabular estratificado. Dessas zonas tabulares provém as “lajes” de basalto p/
aplicação na construção civil (pisos, revestimentos). Espessura: 2-10m.
e) Zona Amigdalóide-Vesicular: textura hipocristalina, vidro, juntas mal definidas, grande
presença de vesículas (vacúolo não preenchido) e amígdalas (geódos, ágatas, ametistas,
opalas, calcedônias). Espessura: 2-10m (PERONI, 2003)

Vulcanismo de Erupção Central

É caracterizado por uma erupção localizada, onde o magma ascende à superfície por um
conduto central denominado chaminé vulcânica e sua acumulação produz um cone
vulcânico, montanha gerada pelo acúmulo de material expelido.

Elementos de um vulcão

De acordo com PERONI (2003), vulcão é um conduto ou fissura na crosta terrestre com
comunicação com o manto. A partir do qual são expelidos fluxos de lava, cinza, fragmentos,
jatos incandescentes, podendo ocorrer explosões de gases.
Câmara magmática é a fonte do magma, situada em profundidade, comunica-se com a
superfície pela chaminé.
Cratera é a depressão externa afunilada dos vulcões, representa o local de
extravasamento do magma e demais produtos associados, está ligada à câmara magmática
pela chaminé (conduto magmático).
Caldeira é a depressão formada pelo colapso da cratera, devido à perda de apoio interno
pelo escape de gases ou pela ejeção de grandes volumes de lava.

Tipos de vulcões:

a) Vulcão de escudo (magma basáltico);


b) Tephra cone (magma riolítico e andesítico);
c) Estratovulcão (magma andesítico);
d) Domo vulcânico (magma félsico muito viscoso).
A Figura 2.7 apresenta o modelo teórico da morfologia de um vulcão. O reservatório
magmático pode estar situado na astenosfera ou na litosfera. O magma é periodicamente
expelido pela chaminé que liga o reservatório com a cratera. A lava difere do magma por não
conter alguns dos constituintes gasosos e/ou elementos químicos originais. A subida do
magma pode ocorrer em cones satélites ou pelo fracturamento do edifício vulcânico em
erupções de flanco. Dá-se o nome de neck ao realce topográfico de uma chaminé. A feição
decorre da erosão diferencial dos flancos de um vulcão. Estão também representados na
Figura 2.7, os produtos vulcânicos (PERONI 2003).
Figura 2.10 - Modelo teórico de um vulcão (fonte: PERONI, 2003)

2.4.2 – Classificação das rochas ígneas pela IUGS

Os nomes e definições de rochas ígneas foram desenvolvidos separadamente em cada


escola tradicional. Em consequência disso, ocorreu grande confusão de nomes de rochas
ígneas, incluindo vários sinónimos, homónimos e nomes desnecessários. Os critérios de
classificação também foram diversos.
A Subcomissão da International Union of Geological Sciences (IUGS) tentou a unificação
dos nomes de rochas ígneas durante décadas, e adotou a composição mineralógica
quantitativa e a granulometria semiquantitativa como únicos critérios de classificação de
rochas ígneas, não dependendo da génese, modo de ocorrência geológica e textura
específica, denominada classificação descritiva quantitativa. Desta forma, as rochas que
pertencem a uma categoria, de mesmo nome, podem ter mais de uma génese. Com este
conceito básico, a Subcomissão apresentou uma nomenclatura de classificação descritiva
de rochas ígneas (Streckeisen, 1976), conhecida popularmente como diagrama de
Streckeisen. Os nomes a serem adoptados foram definidos de acordo com aqueles
encontrados na literatura. Actualmente, a classificação da IUGS se tornou o método mais
utilizado do mundo, sobretudo para rochas félsicas.
O principal parámetro de classificação é a abundância volumétrica (moda) relativa dos
minerais félsicos, isto é, quartzo, feldspato alcalino e plagioclásio. Tal método foi utilizado
pelas escolas americanas, tais como JOHANNSEN (1931), sendo diferente da classificação
clássica da Europa, que adota o índice de cor ou composição do plagioclásio como principal
parámetro classificador. Apesar da diferença dos critérios, a classificação da IUGS se
correlaciona bem com as categorias definidas pela classificação clássica.
Segundo a classificação da IUGS, minerais constituintes de rochas ígneas são
subdivididos nos seguintes 5 tipos:

➢ Q - Minerais de sílica, SiO2; quartzo, tridimite e cristobalite;


➢ A - Feldspato alcalino, inclusive albite altamente sódica (0<An<5); ortoclásio,
microclina, albita pertítica, anortocláse, sanidina, etc;
➢ P - Plagiocláse não albítica (5 < An < 100); plagiocláse geral e escapolite;
➢ F - Feldspatóides (fóides): Nefelina, leucite, pseudoleucite, analcima, sodalite,
cancrinite, etc;
➢ M - Minerais máficos, opacos, e acessórios; biotite, anfíbolas, piroxénas,
olivina, etc.; magnetite, ilmenite, pirite, etc.; zircão, apatite, titanite, epidoto, allanite,
granada, melilite, carbonatos primários, etc.
O teor de cada grupo é apresentado em porcentagem modal. São utilizadas também as
seguintes abreviações. As proporções são expressas em porcentagem:

➢ P/A+P - Plagiocláse relativo a feldspato total em porcentagem;


➢ A/A+P - Feldspato alcalino relativo a feldspato total em percentagem;
➢ Pl - Plagiocláse não albítico;
➢ Bi - Biotite, inclusive flogopita;
➢ Gr – Granada;
➢ Hlb - Hornblenda (anfíbola comum)
➢ Cpx - Clinopiroxéna (representado por augita)
➢ Opx - Ortopiroxéna (representado por hipersténa)
➢ Px - Piroxéna, Cpx + Opx
➢ Ol - Olivina
➢ Opq - Minerais opacos.

Para representar a composição química do feldspato alcalino, utilizam-se as seguintes


abreviações:

➢ K/Na+K – 100 ´ K/(Na+K) moleculares


➢ Na/Na+K - 100 ´ Na/(Na+K) moleculares

As rochas ígneas com parámetro M, ou seja, de índice de cor inferior a 90 são


classificadas pelo diagrama QAPF. As rochas máficas, tais como gabro e monzogabro,
são subclassificadas pela composição de plagioclásio e abundância relativa de minerais
máficos por meio dos diagramas Pl-Px-Ol, Pl-Opx-Cpx e Pl-Px-Hbl. As rochas com
parámetro M superior a 90, denominadas de rochas ultramáficas, são classificadas pelos
diagramas Ol-Opx-Cpx e Ol-Px-Hbl.
O diagrama QAPF é constituído com base nos teores modais relativos dos principais
minerais incolores, e não, pela porcentagem modal absoluta destes minerais. Portanto, os
três parámetros utilizados para a Projecção , Q, F e P/A+P, devem ser recalculados,
excluindo os minerais máficos e opacos:
➢ Q novo = 100 ´ Q original / (Q original + A original + P original + F original);
➢ F novo = 100 ´ F original / (Q original + A original + P original + F original);
➢ P/A+P = 100 ´ P original / (A original + P original).

A maioria das rochas ígneas encontradas no campo possui M inferior a 90, e portanto,
é submetida à classificação desta nomenclatura. Entretanto, o presente diagrama, na
realidade, é adequado para a classificação de rochas ígneas félsicas, ou seja, rochas
originadas de magmas altamente fracionados, porém, não é muito próprio para rochas
máficas e intermediárias. Devido à incompatibilidade termodinâmica entre os minerais de
sílica e feldspatóides, o diagrama é dividido em dois triângulos, QAP (superior) e FAP
(inferior). O triângulo QAP é utilizado para
classificação das rochas não alcalinas e, o FAP, para as rochas alcalinas.
A partir do valor recalculado dos parámetros Q ou F, a rocha ígnea é classificada em um
dos seguintes grupos: I (Q>60); II (20<Q<60); III (5<Q<20); IV (0<Q<5). VI (0<F<10); VI
(10<F<60); VII (F>60). Em seguida, a rocha é classificada em cada categoria por meio da
proporção P/A+P (Fig. 3.19; Tabela 3.4A, 3.4B). A proporção P/A+P representa

Figura 2.11 - Classificação de rochas ígneas félsicas (M<90) por meio da nomenclatura QAPF, segundo
Streckeisen (1976). As rochas dioríticas e gabróicas, que se enquadram nos campos 9*, 10*, 9, 10, 9’ e 10’ são
subclassificadas de acordo com composição do plagiocláse incluído. No caso das rochas com feldspatóides, 6’,
7’, 8’, 9’, 10’, 11, 12, 13, 14 e 15, utiliza-se, também, o nome junto com o feldspatóide presente, tais como álcali
sienito com nefelina, álcali nefelina sienito, nefelina sienito, nefelina monzonito, nefelina monzogabro. As
rochas félsicas com hipersténa (rochas charnoquíticas) são normalmente rochas metamórficas de origem ígnea
granítica, portanto, muito pouco utilizada. Fonte: MACHADO, 2017.

Além dos diagramas para classificação de rochas ígneas comuns, a IUGS apresentou
uma nomenclatura para rochas félsicas com ortopiroxéna (hipersténa), isto é, rochas
charnoquíticas (Tabela 3.4C). Entretanto, hoje em dia, as rochas charnoquíticas não são
consideradas como rochas ígneas, mas sim, metamórficas de origem ígnea com alto grau
metamórfico, correspondentes à fácies de granulito. Desta forma, a nomenclatura é pouco
utilizada.
Conforme o texto anterior, o diagrama QAPF não é muito próprio para rochas
intermediárias e máficas, que se projetam nos campos 9*, 9, 9’, 10*, 10 e 10’. Para
classificação destas rochas, tipo dos minerais máficos e composição de plagioclásio são
mais importantes. As rochas ultramáficas (M superior a 90), que não podem ser classificadas
pelo diagrama QAPF, são classificadas exclusivamente pelo teor relativo dos minerais
máficos. Para essas rochas, a IUGS apresentou uma classificação por meio dos teores
relativos de plagioclásio, olivina, ortopiroxéna e clinopiroxéna. O plagioclásio é o mineral
félsico representativo das rochas máficas e ultramáficas, e a olivina, o ortopiroxéna e o
clinopiroxéna são os minerais máficos desidratados mais comuns. Certas rochas gabróicas
contêm considerável teor de hornblenda (anfibólio comum). Essas rochas são classificadas
por meio de 4 grupos de mineral, isto é, plagioclásio, hornblenda, piroxéna (Px = Cpx + Opx)
e olivina. As rochas que possuem a soma desses acima de 95 % são submetidas à
classificação pelos diagramas triangulares Pl-Px-Ol, Pl-Opx-Cpx e Pl-Px-Hlb (Fig. 2.9, 2.10).
Na Projecção ao respectivo diagrama triangular, o valor modal de cada parámetro
classificatório deve ser recalculado, como por exemplo, no caso do diagrama Pl-Px-Ol:
Pl novo = 100 x Pl original / (Pl original + Px original + Ol original) Px novo = 100 x Px
original / (Pl original + Px original + Ol original) Ol novo = 100 x Ol original / (Pl original + Px
original + Ol original)
O método de Projecção é igual aos diagramas triangulares convencionais. Embora a
IUGS tenha apresentado o diagrama para rochas máficas de granulometria grossa, ainda
não foi definida a nomenclatura para as rochas destes clãs de granulometria fina.
Quando as rochas máficas possuem considerável teor de minerais acessórios, tais como
biotite, granada, espinélio e minerais opacos, o nome do mineral é acrescentado da seguinte
forma:

➢ Gabro com menos de 5 % de granada - Gabro com granada


➢ Com mais de 5 % de granada - granada gabro
➢ Com menos de 5 % de magnetita - gabro com magnetita
➢ Com mais de 5 % de magnetita - magnetita gabro;

A B C
Pl Pl Pl
90 anortosito 90 anortosito 90 anortosito
5 5 5

gabronorito hornblenda
olivina gabro gabronorito
10
olivina gabronorito
10 10
rochas ultramáficas rochas ultramáficas rochas ultramáficas
Px 10 10 Ol Opx 10 10 Cpx Px 10 10
Hlb
piroxenito dunito ortopiroxenito clinopiroxenito

Figura 2.12 - Classificação de rochas í g n e a s máficas de granulometria grossa (rochas gabróicas) por
meio das nomenclaturas segundo Streckeisen (1976): A) Pl - Px - Ol; B) Pl - Opx - Cpx; C) Pl - Px - Hlb.
Fonte: MACHADO, 2017.
Figura 2.13 - Classificação de rochas ultramáficas, com índice de cor superior a 90, (M>90), por meio das
nomenclaturas triangulares F) Ol - Opx - Cpx e G) Ol - Px - Bi, segundo Streckeisen (1976). Fonte: MACHADO,
2017.

2.4.3 – Diagrama TAS

O diagrama TAS, por extenso diagrama Total-Alcali vs. Sílica, é um sistema de


classificação das rochas eruptivas utilizado para identificar muitos tipos comuns de rochas
vulcânicas, baseado na comparação do teor percentual (%) total dos óxidos de sódio e
potássio (os alcalis totais: Na2O + K2O) com o teor percentual (%) de sílica (SiO2). O
diagrama foi criado por Mike le Bas, sendo em geral construído sobre um gráfico ortogonal
de forma que a percentagem em peso de Na 2O + K2O apareça no eixo Y (vertical) e a de
SiO2 no eixo X (horizontal), (Ver Figura).

Figura 2.14 - Diagrama TAS. Fonte:LEBAS et. al. 1986.

2.4.4 – Diagrama de Harker

Com avanço da cristalização fraccionada, ocorre aumento de SiO2 , K2O, Na2O e


redução de MgO, FeO e CaO no líquido residual. A maioria dos minerais constituinte de
rochas está saturada em oxigénio, portanto, os elementos são expressos normalmente na
forma de óxidos. Harker apresentou esta tendência na forma de diagrama de variação
utilizando o teor percentual em peso de SiO2 para a abcissa (eixo horizontal) e o de outros
elementos para a coordenada (eixo vertical). Tal diagrama de variação química é
denominado diagrama de Harker (Figura 2.12). O diagrama de Harker mostra a
característica do processo de cristalização fraccionada do magma primário das rochas
ígneas da série Ca-alcalina. Entretanto, devido à utilização de SiO para a abcissa, não há
boa aplicabilidade para as rochas da série toleítica e alcalina.

Figura 2.15 - Projecção d a s rochas padrão da USGS (United States Geological Survey) no diagrama de
Harker. Fonte: International Union of Geological Sciences (IUGS).

2.4.5 – Cálculo de Normas CIPW

Os resultados de análises químicas são fornecidos como percentagens em peso dos


óxidos e ppm componentes das rochas. Os minerais normativos guardam a estequiometria
química exata; são considerados puros e para a combinação dos óxidos formadores desses
minerais segue-se o seguinte andamento:

1. Calcula-se o número de moles ou proporção molecular de cada óxido dividindo-se a


sua percentagem pelo seu respectivo peso molecular. Para facilidade de cálculo multiplica-
se o resultado por mil.
2. As proporções moleculares (PM) calculam-se conservando até a terceira casa decimal
(desprezam-se os resultados quando as PM são menores que 0,001) e multiplicam-se por
1000, para maior facilidade nos cálculos. As PM de MnO, CoO e NiO são adicionadas à do
FeO, as de Ba e Sr à de CaO.
3. Combina-se agora as PM para a formação dos minerais normativos na quantidade
adequada, respeitando as suas fórmulas químicas.
2.5 – Província Magmática de Etendeka

No Mesozoico, após a abertura do Oceano Atlântico e separação dos continentes


(africano e sul americano), iniciou-se o processo de formação da Bacia sedimentar do
Namibe, através do rifteamento decorrente dessa abertura. E do lado do continente sul
americano, isto é, no Brasil, formaram-se outras bacias sedimentares, tal como é o caso da
bacia sedimentar do Paraná, onde surgiu a Província Magmática Continental do Paraná-
Etendeka a qual foi gerada por um volumoso vulcanismo no Cretáceo inferior, fenômeno que
precedeu a fragmentação do supercontinente Gondwana. No Brasil estes litotipos estão
agrupados na Formação Serra Geral (NETO, 2006 apud ROSANTE, 2013).
Segundo NARDY e MACHADO (2015), a Formação Serra Geral ocupa a última unidade
geológica da Supersequência Gondwana III na Bacia do Paraná, é tida como uma das
maiores manifestações intracontinentais de lavas do planeta e, além disso, a maior
sequência de rochas continuamente expostas do território Brasileiro. De facto, o
magmatismo fissural não só apresenta-se associado aos estágios precoces da ruptura do
sul do Pangea e abertura do Oceano Atlântico Sul (subfase de Rifteamento II), como
também alterou substancialmente o modelado do relevo cenozoico de toda porção sudeste
da Plataforma Sul Americana.
O grande volume de magma sobretudo basáltico é superior a 600.000 km³ em uma área
próxima de 917.000 km² (FRANK et al.,2009 apud NARDY e MACHADO, 2015), atinge 75%
da Bacia do Paraná cobrindo áreas do sul e sudeste do Brasil, Paraguai, Argentina e
Uruguai. Para BRYAN e ERNST (2008) apud NARDY e MACHADO (2015) existem
características petrológicas, geoquímicas e geodinâmicas evidentes na gênese comum que
envolvem as actividades vulcânicas na América do Sul e aquelas no Etendeka na costa
Oeste africana que contempla a Bacia Huab, no noroeste da Namíbia, e mais ao norte já no
sudeste de Angola, as bacias de Kwanza e Namibe.
Neste mesmo contexto, já extrapolando os limites da Bacia do Paraná, o magmatismo
recebe o nome de Fluxo de Basaltos do Paraná Continental (FBPC) ou ainda Fluxo de
Basaltos do Paraná-Etendeka Continental. Menos usual também é denominada de Província
Magmática do Paraná.
Acompanhando o grande volume de lavas é comum a ocorrência de intrusões ígneas em
seus mais variados tipos, em absoluta maioria constituídas por rochas de composição
básica, são fenômenos comuns na região sudeste do Brasil, onde se observa um grande
número desses corpos. Dados geocronológicos de 40Ar/39Ar destas rochas fornecem
idades variando entre 129,9 ± 0,1 Ma e 131,9 ± 0,4 Ma (ERNESTO et al., 1999 apud NARDY
e MACHADO, 2015). Esse período de tempo é praticamente o mesmo obtido para a fase
principal de extrusão dos derrames de lava da Formação Serra Geral, ou seja, 133 - 132 Ma
(RENNE et al., 1996 apud NARDY e MACHADO, 2015), mostrando que estas rochas
intrusivas estão relacionadas ao vulcanismo extrusivo.
Diferente da porção sul e central do FBPC que foi fortemente afectada por processos
tectônicos de natureza distensiva (e.g. Sinclinal de Torres) e grandes desníveis topográficos
formando serras e escarpas, a região norte é totalmente carente de afloramentos.
Dificultando ainda mais exposição das rochas na região ocorre a Bacia Bauru sotoposto aos
basaltos (resultando de processos de soerguimento marginal no final do cretáceo).
No processo de ruptura do Pangea durante o cretáceo, a consequente geração do
Atlântico Sul está relacionada a províncias magmáticas: Paraná-Etendeka, além das
espessas elevações vulcânicas de Rio Grande e Walvis (WHITE & MCKENZIE 1989 apud
TOMBA, 2012).
A porção sul-americana da Provincia Paraná-Etendeka, Formação Serra Geral, constitui a
terceira maior provincia de basaltos continentais com uma área aflorante em torno de
1.200.000 km², um volume de magma da ordem dos 800.000 km³ e espessura máxima
preservada de 1.720 m junto ao depocentro da Bacia do Paraná.

2.5.1 – Litotipos da Província Magmática de Etendeka

A sucessão vulcânica da Formação Serra Geral da Bacia do Paraná é dominada por


basaltos e basaltos andesíticos de filiação toleítica, com porções subordinadas de Vulcanitos
e riolitos. Além desses litotipos, são comuns níveis de soleiras de diabásio e gabro e diques
de diabásio. São ainda conhecidas ocorrências de fácies magmáticas efusivas na forma de
depósitos piroclásticos em regiões restritas no sudoeste do Paraná. Do lado africano, na
região costeira da Namíbia, Angola, Congo e Gabão ocorrem derrames e enxames de
diques de rochas predominantemente basálticas relacionadas ao mesmo evento,
constituindo a porção africana da Província Magmática Paraná-Etendeka. No continente
africano, o vulcanismo basáltico (Grupo Etendeka, no sul e norte da Namíbia, além de
ocorrências isoladas na bacia do Kwanza), abrange uma área de aproximadamente 80.000
km² (PICCIRILLO et. al. 1990 apud TOMBA, 2012).

2.5.2 – Características Petrográficas das Rochas da Província


Magmática Paraná – Etendeka

Rochas Básicas Intermediárias

Os derrames de lava são na maioria constituídos por basaltos, andesi-basaltos e


andesitos de afinidade toleítica, tendo como mineralogia principal plagioclásio (43% em
média), augita (24% em média), pigeonita (11% em média), olivina (1% em média), quartzo
(0,5% em média), opacos (7% em média) e apatita (0,5% em média), além da própria
mesóstase com aspecto vítreo ou microgranular. A coloração é cinza-escura a negra,
maciço ou vesicular, subfanerítico, com granulação variando de média a vítrea, segundo
Nardy et al. (2002).
A textura das rochas é predominantemente intergranular, onde os cristais ripiformes de
plagioclásio constituem uma malha fechada, cujos interstícios são ocupados por cristais de
piroxéna e minerais opacos.
A mesóstase é muito comum, principalmente na forma vítrea, totalizando em muitos casos
quase 100% do volume da rocha. Neste caso, a amostra torna-se de coloração preta ou
levemente esverdeada. Além de vítrea, a mesóstase pode ser microgranular, com
microcristais de plagioclásio e piroxénas (micrólitos) e minerais opacos, normalmente com
hábito aciculado (cristalitos), em outros casos pode ser constituída por quartzo, plagioclásio
e feldspato alcalino, formando neste caso a textura micropegmatítica ou também
denominada de micrográfica.
Em cada limite de um pulso magmático, é possível identificar zonas vesiculares de
dimensões variadas. Na grande maioria dos casos estas vesículas são preenchidas por
material secundário, formando amigdalas de quartzo (em suas diversas variedades), calcita,
zeólita, fluorita e muito comumente argilas de coloração esverdeada, provavelmente do
grupo da celadonita.
Os diaclasamentos são mais comuns nas porções centrais dos derrames, com direções
verticais e formas hexagonais. Nesta região, a perda de calor é mais lenta do que nas
bordas, possibilitando o melhor desenvolvimento destas estruturas, de maior porte, pouco
fracturadas, e de rochas com granulação mais grosseira.

Rochas ácidas

As rochas ácidas do tipo Chapecó (ATC), são representadas por dacitos, Vulcanitos,
quartzo latitos e riolitos hipohialinos com até 90% de material vítreo, porfirítico a fortemente
profirítico, segundo NARDY (1995), NARDY et al. (2002) e MACHADO (2003). A mineralogia
principal é constituída por plagioclásio (14,4% em média), augita (4,5% em média), pigeonita
(2,1% em média), opacos (3,7% em média) e apatita (1,7% em média), completando o
volume da rocha com a presença da mesóstase vítrea.
Estratigraficamente, na região central de Santa Catarina, as ATC estão acima das rochas
ácidas do tipo Palmas (ATP), segundo Nardy et al. (2002), sendo limitada no topo pelos
basaltos finos e hipohialinos da unidade básica superior e na base pelos basaltos da
unidade inferior, ressaltando que no nordeste do Paraná as ATC estão diretamente
assentadas sobre os arenitos da Formação Botucatu.
Cabe ressaltar que ocorrem rochas com características petrográficas e geoquímicas
semelhantes àquelas do tipo ATC na Província Magmática do Etendeka, distribuídas pela
costa oeste da Namíbia (região de Sarusas), além de extensos afloramentos nas bacias do
Namibe e Kwanza, no oeste de Angola. Como mostra o mapa esquemático da Figura 2.16.
Figura 2.16 - Mapa esquemático mostrando localização dos platôs de rochas ácidas da Província
Magmática do Paraná - Etendeka. Legenda: 1 – derrames de lava; 2 – Ácidas do Tipo Chapecó (ATC); 3 -
Ácidas do Tipo Palmas (ATP); a – Ácidas da região de Tafelberg (equivalente ATP), b – Ácidas da região de
Sarusas (equivalente ATC); c - Ácidas da Bacia da Namibe (equivalente ATC); d - Ácidas da Bacia de Kwanza
(equivalente ATC). Fonte: MACHADO, 2005.

As rochas ácidas do tipo Palmas (ATP) são representadas por riolitos e Vulcanitos que,
diferentes de ATC, são tipicamente afíricas e com estrutura sal-e-pimenta. São limitadas na
base pelo basalto da unidade inferior, no topo pelo basalto da unidade superior, sendo que
nos platôs do centro do Estado de Santa Catarina o contato superior se faz diretamente com
os riolitos porfiríticos das ATC.
A mineralogia destas rochas, segundo NARDY et al. (2002) e MACHADO (2003) é
essencialmente plagioclásio (16,21% em média), augita (11% em média), pigeonita (3% em
média), opacos (5% em média) e apatita (1% em média), completando o volume da rocha
com a presença de mesóstase, sendo esta freqüentemente de aspecto microgranular com
microcristais de plagioclásio apresentando terminações em “cauda de andorinha”.
A localização dos platôs das ATP se concentra principalmente no centro-norte do Estado
do Rio Grande do Sul, conforme mostra a Figura IV.7. Segundo DUNCAN et al. (1989) as
rochas com características petrográficas e geoquímicas semelhantes às ATP, na Província
Magmática do Etendeka, ocorrem na costa oeste da Namíbia, e na parte sul da Bacia do
Etendeka (região de Tafelberg), como mostra o mapa esquemático da Figura 2.16.

2.5.3 – Características Geoquímicas das Rochas da Província


Magmática do Paraná – Etendeka

Os estudos geoquímicos sistemáticos da Província Magmática do Paraná (PMP), por


Bellieni et al. (1983, 1984ab, 1986ab), Mantovani et al. (1985), PICCIRILLO & Melfi (1988),
PICCIRILLO et al. (1987, 1988, 1989), Marques et al. (1989a) e Nardy (1995), revelaram a
existência de dois grupos (subprovíncias) quimicamente distintos baseadas na concentração
de TiO2, denominadas alto titânio (ATi, TiO2 ≥ 2%) e baixo titânio (BTi, TiO2 < 2%). As rochas
do primeiro grupo em relação às do segundo (ATi / BTi) mostram-se enriquecidas em Ba
(1,88), K2O (1,38), U (1,20), Sr (2,41) La (2,05), Ce (1,92), Ta (2,43), P 2O5 (2,54), Hf (1,70),
Zr (2,25), TiO2 (2,46) e empobrecidas em Cs (0,65) e Rb (0,8). De maneira geral, aquelas do
grupo ATi estão localizadas na parte norte da província, acima do Alinhamento do Rio
Piquiri, enquanto a BTi na parte sul, está abaixo do Alinhamento do Rio Uruguai.
De facto, os dados geoquímicos, principalmente os referentes aos isótopos e razões de
elementos traços incompatíveis publicados pelas referências citadas, conjugados aos
cálculos de balanço de massa de PETRINI et al. (1987) e PICCIRILLO et al. (1989), indicam
que as subprovíncias não possuem a mesma fonte mantélica, ou seja, as fontes magmáticas
são quimicamente distintas, não havendo possibilidade de uma ter sido gerada a partir da
outra.
Além disso, segundo PICCIRILLO et al. (1988), MARQUES et al. (1989a) e Peate et al.
(1992), na parte sul da província, onde estão as rochas BTi, foi identificado na região
sudeste a ocorrência de rochas ATi (ATi-S), com mais de 3% de TiO2, correspondendo a
apenas 7% de toda actividade ígnea básica. Também na subprovíncia ATi, foram
encontrados na região noroeste rochas do tipo BTi (BTi-N), representando 6% do volume
magmático. Contudo, segundo os mesmos autores, existem diferenças geoquímicas
significativas entre os basaltos BTi que ocorrem na subprovíncia norte e sul, bem como entre
as rochas ATi nessas duas regiões.
Quanto às rochas ácidas, segundo Bellieni et al. (1986b), PICCIRILLO et al. (1987) e
NARDY (1995), as ATC podem ser classificadas como do tipo ATi, visto que possuem
conteúdos relativamente elevados de TiO2, Na2O, K2O, P2O5 e elementos traços
incompatíveis (Sr, Ba, Zr, Hf, Ta e terras raras), em relação ás ácidas ATP, que podem ser
associadas as rochas BTi. Molina et al. (1988), descrevem indícios localizados, de que as
rochas ácidas, podem ter sido geradas por um processo de underplating, de material de
composição básica, corroborando a interpretação de que as rochas ATC e ATP foram
geradas a partir da refusão de rochas ATi e BTi respectivamente, cujos magmas ficaram
aprisionados na base da crosta durante as primeiras fases da actividade ígnea ocorrida na
PMP, contudo ressalta-se que, por ser uma observação local, esta definição não deve ser
tratado como generalista para todos os platôs ácidos.
O detalhamento geoquímico das subprovíncias ATi e BTi, permitiu que Peate et al. (1992)
dividissem os derrames basálticos da Província Magmática do Paraná em seis tipos de
magmas distintos, baseado principalmente nas concentrações de Ti e elementos
incompatíveis (Sr, Y e Zr). Na subprovíncia ATi, foram definidos os magmas-tipo Urubici
(TiO2 > 3,3%; Sr > 550 ppm; Ti/Y > 500; Zr/Y > 6,5), Pitanga (TiO2 > 2,9%; Sr > 350; Ti/Y >
350, Zr/Y > 5,5) e Paranapanema (1,7% < TiO2 < 3,2%; 200 ppm < Sr < 450 ppm; Ti/Y >
330; 4 < Zr/Y < 7). Já em BTi, os magmas definidos são Gramado (0,75% < TiO2 < 1,9%;
140 ppm < Sr < 400 ppm; Ti/Y < 300; 3,5 < Zr/Y < 6,5), Esmeralda (1,1% < TiO2 < 2,3%; Sr <
250 ppm; Ti/Y < 330; 2 < Zr/Y < 5) e Ribeira (1,5% < TiO2 < 2,3%; 200 ppm < Sr < 375 ppm;
Ti/Y > 300; 3,5 < Zr/Y < 7).
CAPITULO III – CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

A caracterização da área em estudo, apresentada neste capítulo, inicia-se com uma


descrição de sua localização, aspectos referentes à geologia da área, clima, geomorfologia,
hidrografia, bem como aspectos fisiográficos. Tais informações foram obtidas através do
ATLAS DE ANGOLA, e de trabalhos anteriores, relacionados à área em estudo.

3.1. Localização da Área de Estudo

A província do Namibe localiza-se no extremo sudoeste de Angola, é limitada a Norte pela


província de Benguela, a Sul pela fronteira com a Namíbia, a Leste pela província da Huíla e
a Oeste pelo Oceano Atlântico. Situa-se entre os paralelos 13° 30´ e 17° 15´ de latitude Sul e
11° 45´ e 13° 30´ de longitude Este (FERNANDES, 2014). A área de estudo (Figura3.1)
situa-se entre os limites geográficos descritos na Tabela 3.1.
Tabela 3.1 – Limites geográficos da área de estudo
Coordenadas
Limites da Área de Estudo Latitude (S) Longitude (E)
A 15°36'15.39" 12° 8'59.87"
B 15°37'33.72" 13°11'37.94"
C 14°16'46.87" 12°25'10.41"
D 14°17'21.35" 13°16'22.14"
Figura 3.1 -
Mapa de localização da Área de Estudo, Modificado da Carta Topográfica de Moçâmedes, Folha Nº 353 E: 1:
100.000. Instituto de Geodesia e Cartografia de Angola, 1982.

3.2. Geologia da Área de Estudo

Como supracitado, o surgimento da bacia sedimentar do Namibe, deu-se pela separação


dos continentes africano e sul-americano, tendo havido intenso vulcanismo, durante este
processo. Em virtude dos processos vulcânicos, ocorridos, surgiram rochas ígneas
extrusivas e intrusivas na região. As referidas rochas magmáticas ocorrem na zona periférica
Oeste do escudo de Angola e na Depressão Perioceânica. Anteriormente, foram
individualizadas como o complexo vulcânico da Jamba Calungo. A sua idade situa-se no
intervalo entre o Jurássico Tardio e o Miocénico e, possívelmente, Pliocénico.
Pela sua composição, são subdivididas em dois grupos:
— rochas efusivas e intrusivas básicas (fase precoce);
— rochas efusivas ácidas e alcalinas (fase tardia).
As rochas em consideração estão também acompanhadas por diques e filões de rochas
de composição ácida, média e básica.
As rochas efusivas e intrusivas de composição básica foram identificadas nos depósitos
sedimentares da Depressão Perioceânica, nas zonas de Moçâmedes (a 50 km para Norte
da cidade do Namibe) e Cuanza (nas proximidades da cidade do Sumbe). Assentam sobre
as rochas do Precâmbrico, sendo encobertas por depósitos do Cretácico Inferior (formações
Cuvo e Binga) ou aparecem alternando com conglomerados e grés do Cretácico Inferior.
Estão representadas por Vulcanitos, doleritos, espilitos, Vulcanitos traquiandesíticos, latitos,
traquitos, tefritos, basanitos e basanitóides.
A área de estudo possui rochas sedimentares com idades entre Cretácico Inferior a
Quartenário na série Plistocénica, com diversas litologias tais como: grés, conglomerados,
argilas, dolomites, calcários, areias, margas e gesso. Formação Cuvo constituída por: Grés,
conglomerados, argilas e dolomites (CARTA GEOLOGICA DE ANGOLA, 1988).
Geologia da Área de Estudo, Caraculo, Namibe, Bentiaba e Lucira

Figura 3.2 - Mapa geológico da Bacia do Namibe. Modificado da Carta geológica de Angola à Escala
1:1.000.000 (1988).
3.3. Aspectos Fisiográficos

A abordagem fisiográfica diz respeito a apresentação do território, tendo como base as


componentes física, geomorfológica, geológica, climática, hidrográfica, vegetação e clima,
fazendo uma contextualização que permitirá compreender as dinâmicas ocupacionais do
território em estudo (FERNANDES, 2014).

3.3.1. Geomorfologia

Do ponto de vista geomorfológico, segundo a Missão de Pedologia de Angola (1963) apud


FERNANDES (2014), para a província do Namibe, são consideradas cinco zonas distintas,
distribuídas no sentido interior-costa da seguinte forma:
a) Montanha marginal: corresponde ao maciço montanhoso;
conhecido por serra da Chela, situa-se no limite leste da província e estende-se entre a
região norte da Bibala até perto do rio Cunene, ocupando cerca de 7% do território;
b) Zona de transição: compreendida entre 700 e 1100 m, constitui um nível de aplanação
com poucos quilómetros de largura entre Bibala e Rio Curoca, mas apresenta-se bem
desenvolvido a Norte da Bibala e na parte Sul da província, entre os rios Curoca e Cunene;
c) Região central: de cotas compreendidas entre 250 e 700 m compreende uma vasta
zona constituída fundamentalmente por formações antigas, correspondendo cerca de 50-
60% do território. É caracterizada pela presença das chamadas «ilhas de rochas»,
originadas pelo rebaixamento da superfície, em resultado da erosão;
d) Zona planáltica costeira: constituída por formações sedimentares recentes que, em
certos casos prolonga-se até à costa;
e) Zona litoral, de cotas inferiores a 100 m aqui distingue-se dois terraços de abrasão
quaternários, com uma extensão variável (Figura 3.3).
Figura 3.3 – Modelo de Elevação da Província do Namibe. Modificado do Modelo de Elevação Digital de
Angola.

3.3.2. Hidrografia

Os principais rios que correm na província do Namibe segundo o PDIPN (2007) apud
FERNANDES (2014) são, indo do Sul ao Norte:

➢ Cunene, não correndo no interior do território da província, serve de limite Sul


da mesma, na fronteira com a República da Namíbia. Nasce no Huambo, atravessa a
Huíla, percorre a fronteira sul da província do Namibe e desagua no oceano Atlântico
a Sul do Tômbua;
➢ Curoca, nasce no planalto da Huíla, seu curso superior é conhecido por Pocolo
e o seu principal afluente é o Otchifengo. Desagua na baía do Pinda, município do
Tômbua;
➢ Rio Flamingos;
➢ Bero, nasce na província da Huíla e desagua na baía do Namibe;
➢ Giraúl, nasce na região da Bibala e desagua próximo a cidade do Namibe;
➢ Bentiaba, nasce na serra S-SW da comuna da Lola e desagua na localidade do
Bentiaba;
➢ Inamangandu, desagua a sul da Lucira. É também conhecido por Chingo, ao
longo dos seus cursos médio e inferior;
➢ Carunjamba, nasce na Quéria e desagua a sul da comuna da Lucira;
➢ Cangala e Catara, no limite Norte da província.
A excepção do rio Cunene, todos os restantes rios são de curso intermitente,
permanecendo secos na maior parte do ano. Seu sistema de vales denuncia paleoclimas
mais pluviosos do que o actual.

Figura 3.4 - Localização das principais bacias hidrográficas da província


do Namibe, Modificado de PDIPN (2007).
CAPITULO IV – ANÁLISE E RESULTADOS

Nesta parte são apresentados os dados recolhidos e toda interpretação dos mesmos.

Critérios para descrição dos afloramentos

1.Coordenadas geográficas
2.Dimensões do afloramento
3.Tonalidade do afloramento
4.Estruturas associadas
5.Número de pontos observados
6.Número de amostras retiradas
7.Tipos Litológicos
8.Composição mineralógica
9.Textura
10. Grau de alteração

Tabela 4.1 – Coordenadas geográficas dos afloramentos estudados

Coordenadas Altitude (m)


Afloramentos LATITUDE (S) LONGITUDE (E)
CP1 15⁰03’56,4’’ 12⁰17’59,0’’ 133
CP2 14⁰53’40,3’’ 12⁰24’59,1’’ 407

➢ O afloramento CP1 (Figura 4.1 e Figura 4.2) tem aproximadamente 7m


de altura, medidos com base na escala vertical (estudante com 1,68m de altura,
que na foto tem 2,4cm, o afloramento tem cerca de 9,8cm na foto);
Figura 4.1 – Mapa de amostras recolhidas por afloramento.

Figura 4.2 – Afloramento CP1. Rochas vulcânicas da Província


Magmática de Etendeka da Bacia do Namibe.
➢ afloramento CP2 (Figura 4.2) tem cerca de 22m de altura, medidos com base
na escala vertical (estudante com 1,67m de altura, que na foto tem cerca de
4mm, o afloramento tem cerca de 5,2cm na foto).

Figura 4.3 – Afloramento CP2. Rochas vulcânicas da Província


Magmática de Etendeka da Bacia do Namibe.

➢ Ambos afloramentos possuem tonalidade vermelha acastanhada.

➢ Os afloramentos têm a estrutura de trapps.

➢ Foram observados 4 pontos diferentes (Tabela 4.2).

Tabela 4.2. Pontos Observados


Pontos Coordenadas
Observados Latitude (S) Longitude (E)
Ponto 1 15° 3'45.15" 12°17'30.07"
Ponto 2 15° 3'58.06" 12°17'28.09"
Ponto 3 14°53'1.17" 12°23'10.50"
Ponto 4 14°54'12.08" 12°23'30.10"

➢ Retiraram-se 7 amostras de vulcanitos, nos dois afloramentos (Tabela


4.3).
Tabela 4.3 – Amostras recolhidas por afloramentos
Coordenadas
Afloramentos Amostras Recolhidas Latitude (S) Longitude (E)
FAE/NB/17/082 15° 3'50.03" 12°17'52.51"
CP1 FAE/NB/17/083 15° 3'58.95" 12°17'47.24"
FAE/NB/17/086 15° 3'45.35" 12°17'59.72"
FAE/NB/17/087 15° 4'9.13" 12°17'56.40"
FAE/NB/17/088 15° 4'4.27" 12°17'44.68"
FAE/NB/17/084 14°53'28.37" 12°24'59.65"
CP2 FAE/NB/17/085 14°53'51.99" 12°24'35.56"E
➢ Os afloramentos possuem o mesmo tipo de rocha, ao que pela
observação no campo percebeu-se que são rochas vulcânicas, devido a
estrutura característica deste grupo de rochas.

➢ Ambos afloramentos são compostos por rocha vulcânica, com uma


matriz rica em feldspato e alguns fenocristais.

➢ As rochas possuem uma textura porfírica.

➢ As rochas sofreram ligeira oxidação devido a humidade e a água de


precipitação.

Critérios de descrição das amostras

1.Textura
2.Mineralogia
3.Percentagem da matriz e fenocristais

➢ As amostras têm textura porfiríca, onde a matriz é afanítica, com


presença de fenocristais (Figura 4.4 A à G).
➢ Feldspatos e plagioclases.
➢ A matriz tem cerca de 75% e os fenocristais ocupam 25% da rocha.

Figura 4.4. A à G - Amostras de rochas vulcânicas


recolhidas nos afloramentos CP1 e CP2.
4.1. Resultados

Neste tópico são espelhados os resultados das análises feitas nos laboratórios as quais
foram obtidas através de ferramentas apropriadas.

Geoquímica

São apresentados a seguir os resultados das análises químicas efectuadas, e os


diagramas utilizados para determinação das características geoquímicas dos Vulcanitos da
Província Magmática de Etendeka.

Tabela 4.4 – Óxidos das Amostras (Elementos Maiores)


Amostras
Óxidos FAE/NB/1 FAE/NB/1 FAE/NB/17/ FAE/NB/1 FAE/NB/1 FAE/NB/1 FAE/NB/1
7/082 7/083 084 7/085 7/086 7/087 7/088
SiO2 58.00 60.90 61.40 60.00 59.10 60.70 60.10
%
CaO 5.08 2.65 2.63 3.69 2.82 2.93 3.57
%
Al2O3 12.70 13.30 13.00 13.40 13.30 13.40 13.30
%
Fe2O3 8.87 8.79 8.48 7.48 9.14 8.24 7.92
%
K2O 5.67 5.75 4.99 5.22 5.80 5.86 5.51
%
TiO2 1.41 1.53 1.32 1.47 1.83 1.54 1.70
%
SO3 0.09 0.05 0.20 0.12 0.06 0.12 0.15
%
Na2O % 2.64 2.75 3.32 3.20 2.03 2.74 3.05
MnO 0.17 0.09 0.13 0.12 0.07 0.06 0.15
%
MgO 1.28 0.98 1.93 1.28 1.26 0.97 1.17
%
P2O5 % 0.44 0.48 0.50 0.60 0.62 0.58 0.56
Total 100 100 100 100 100 100 100
%

Tabela 4.5 A – Elementos Menores e Traços


Amostra Ca Mg K Fe Ti Mn Na Al
% % % % % % % %
FAE-17-083 1.84 0.60 4.77 6.15 0.91 0.06 2.04 7.04
FAE-17-087 2.09 0.58 1.77 5.76 0.92 0.05 2.03 7.09

Tabela 4.5 B – Elementos Menores e Traços


Amostra Cu Cr Zn V Ni Cd Co Sc
mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg
FAE-17-083 11.20 299.3 125.3 35.05 7.76 2.94 18.60 8.292
FAE-17-087 2.45 178.25 49.77 19.61 2.13 <0.01 11.23 2.99

Tabela 4.5 C – Elementos Menores e Traços


Amostra La Hg As Pb Sb Th Li Y Nb
mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg mg/kg
FAE-17-083 103.76 <0.01 2.38 23.56 0.64 12.62 28.50 50.27 21.49
FAE-17-087 56.84 <0.01 <0.01 5.21 0.09 <0.01 11.81 28.15 12.34

- Diagrama TAS
Usou-se para classificar as rochas vulcânicas, e a série em que se enquadram através da
análise do magma comparando o conteúdo de sílica com o teor de alcalinos (K 2O e Na2O).
O resultado obtido foi traquiandesito e traquidacito.

Figura 4.5 - Diagrama TAS, segundo Le Bas 1986.

- Diagramas de Harker – Elementos Maiores

O diagrama de Harker Figuras 4.6 A à O, demonstra a tendência evolutiva do magma.


Portanto com o aumento da sílica observa-se a seguinte tendência:
1. CaO, Cr2O3, ZnO2, BaO, MgO, TiO2 diminuem em abundância;
2. Al2O3, aumenta em abundância;
3. Fe2O3, K2O, MnO, Na2O, P2O5, SO3, SrO, ZrO2 não exibem uma forte variação;
Figura 4.6 A à O – Diagramas de Harker Elementos Maiores das Rochas Vulcânicas da Província
Magmática de Etendeka elaborados por meio do software de geoquímica Petrograph.
- Diagrama Peccerillo e Taylor 1976

Este diagrama, (Figura 4.8) faz uma comparação entre os teores de SiO2 e de K2O, do
magma, sendo os resultados expressos em diferentes séries. No caso das amostras sujeitas
a análise, obtivemos um resultado situado na série Shoshonítica.

Figura 4.7 – Diagrama de séries magmáticas das rochas vulcânicas da província magmática de Etendeka
com base no modelo de Peccerillo e Taylor (1976), elaborado por meio do software de geoquímica Petrograph.

- Diagrama AFM

O diagrama AFM (Alcalinos, Ferro e Magnésio), faz uma análise na qual se observa as
tendências evolutivas nos magmas toleíticos e calco-alcalinos.
O diagrama (Figura 4.9), mostra um magma da série toleítica, mais alcalina.

Toleítica

Calc-Alcalina
Figura 4.8 - Diagrama AFM, das Rochas Vulcânicas da Província Magmática de Etendeka, segundo Irvine
Baragar (1971), elaborado por meio do software de geoquimica Petrograph.

- Diagrama Pearce 1982


Este diagrama foi utilizado para determinar o tipo de magma, o que possibilitou a
reconstrução dos eventos tectónicos ocorridos, através da comparação dos teores de Cr
(Crómio) e Y (Itrio), das amostras da área em estudo. Como se pode observar obteve-se
como resultado um magma do tipo MORB (Mid Ocean Ridge Basal, ou Basalto da Dorsal
Médio Oceânica em português).

Figura 4.9 – Diagrama discriminatório do tipo de magma, por análise de elementos traços, Cr e Y, das
Rochas Vulcânicas da Província Magmática de Etendeka da Bacia do Namibe, através do modelo de Pearce
1982.

Petrografia

Antes da análise petrográfica propriamente dita, foi elaborada a classificação das rochas
vulcânicas através do diagrama de Streckeisen (QAP), fazendo-se recurso aos minerais
normativos.

– Cálculo de Normas

O cálculo dos minerais normativos foi elaborado através da folha de cálculo de Kurt
Hollocher, lançando os resultados, isto é, os óxidos e elementos menores e traços obtidos
do laboratório (Tabela 4.4 e Tabelas 4.5 A à C), e o resultado é apresentado na tabela de
minerais normativos correspondente (Tabela 4.6 A e B).
Tabela 4.6 – Minerais Normativos

Amostras
Minerais FAE/NB FAE/NB FAE/NB/17/ FAE/NB/ FAE/NB FAE/NB FAE/NB
/17/082 /17/083 084 17/085 /17/086 /17/087 /17/088
Quartzo 14,59 19,37 18,81 16,70 21 18,88 16,96
Plagioclase 30,97 32,43 35,88 36,39 29,29 32,05 34,26
Ortoclase 38,22 37,95 32,83 34,68 39 38,64 36,44
Corindon - - - - 0,05 - -
Diópsido 6,24 - - 1,77 - - 1,30
Hiperstena - 2,17 4,27 2,04 2,89 2,15 2
Rutilo - 0,42 0,16 - 1,21 0,35 -
Wollastonite 1,23 - - - - - -
Ilmenite 0,22 0,09 0,17 0,16 0,09 0,06 0,19
Hematite 4,93 4,79 4,60 4,10 5,07 4,48 4,32
Apatite 0,93 0,99 1,03 1,25 1,27 1,20 1,16
Cromite - 0,03 - - - 0,02 -
Esfena 2,49 1,65 1,87 2,69 - 1,94 3,08
Na2SO4 0,17 0,09 0,38 0,23 0,12 0,23 0,28
Total 99,99 99,98 100 100 99,99 100 99,99

Diagrama Streckeisen (Normativo)

Foi usado este diagrama para classificar as rochas vulcânicas, em estudo, usando o
modelo (QAP), que é o ideal para rochas félsicas e intermédias como é o caso.
No diagrama (Figura 4.5), tem-se um Quartzo Latito e Riolito (Tabela 4.7).

Tabela 4.7 - Resultados Obtidos no Diagrama Streckeisen segundo a Norma.

Amostras Q A P Resultados
Quartzo Feldspatos Plagioclase (Campo e Tipo
Alcalinos de Rocha)
FAE/NB/17/082 18 45 37 J: Quartzo
Latito
FAE/NB/17/083 21 43 36 E: Riolito
FAE/NB/17/084 22 37 41 E: Riolito
FAE/NB/17/085 19 40 41 J: Quartzo
Latito
FAE/NB/17/086 24 44 32 E: Riolito
FAE/NB/17/087 21 43 36 E: Riolito
FAE/NB/17/088 20 41 39 J: Quartzo
Latito
Figura 4.10 - Diagrama Streckeisen (QAP) das Rochas Vulcânicas da Província
Magmática de Etendeka da bacia do Namibe, segundo os minerais normativos

❖ Além dos resultados obtidos por meio do cálculo da norma, fez-se a análise
petrográfica (modal), por esta fornecer informações mais precisas em relação a
norma, visto que nos minerais normativos não são consideradas algumas fases
minerais tal como é o caso dos minerais hidratados. Tendo-se obtido os seguintes
resultados para as amostras de vulcanitos (consideraram-se duas amostras por
serem representativas de todo o universo amostral conforme mostra a Tabela 4.8):

- Amostra FAE/NB/17/082 (Figura 4.11 A e B fotomicrografia)

Composição Mineralógica:

➢ Plagioclase representa cerca de 37 % da moda;


➢ Feldspatos Alcalinos (Ortoclase) representa 20 % da moda;
➢ Minerais Opacos representam 17 % da moda;
➢ Quartzo representa 15 % da moda;
➢ Piroxenas representa 5 % da moda;
➢ Anfíbolas representa 3 % da moda.

Índice de Coloração: a rocha é Leucocrata.


Textura: porfírica.
Tipo de rocha: vulcânica.
Nome da rocha: Riodacito (Figura 4.13)
Figura 4.11 A – Representação Figura 4.11 B – Representação
generalizada das características generalizada das características
microscópicas da amostra 082 em nicóis microscópicas da amostra 082 estudada
cruzados – Campo I. Onde é possível em nicóis paralelos – Campo I.
observar a composição mineralógica e a
textura da rocha.

- Amostra FAE/NB/17/086 (Figura 4.12 A e B fotomicrografia)

Composição Mineralógica:

➢ Plagioclase representam 36 % da moda;


➢ Feldspatos Alcalinos (Ortoclase) representa 20 % da moda;
➢ Minerais Opacos representam 18 % da moda;
➢ Quartzo representa 16 % da moda;
➢ Piroxenas representa 6 % da moda;
➢ Anfíbolas representa 4 % da moda.

Coloração: a rocha é Leucocrata.


Textura: porfírica.
Tipo de rocha: vulcânica.
Nome da rocha: Riodacito.
Figura 4.12 A – Representação Figura 4.12 B – Representação
generalizada das características generalizada das características
microscópicas da amostra 086 estudada microscópicas da amostra 086 estudada
em nicóis cruzados – Campo I. Onde é em nicóis paralelos – Campo I.
possível observar a composição
mineralógica e a textura da rocha.

Tabela 4.8 – Resultado Streckeisen da análise modal das amostras.

Q A P Resultado
Amostras Quartzo Feldspatos Plagioclase Campo e Tipo de
Alcalinos Rocha
FAE/NB/17/082 21 28 51 Campo E-F: Riodacito
FAE/NB/17/086 22 28 50 Campo E-F: Riodacito

Figura 4.13 - Diagrama QAP- das Amostras FAE/NB/17/082 e FAE/NB/17/086 com base na moda.
4.2 – Discussões

Neste tópico são apresentadas as explicações concernentes aos resultados das análises
feitas.

- Diagrama TAS
A maioria das amostras estão identificadas no diagrama TAS (Figura 4.6) como
traquiandesito, o qual é uma rocha ígnea extrusiva que resultou da diferenciação
de basaltos alcalinos, por mistura de magma basáltico com magma com composição
próxima do traquito ou do andesito. Porém algumas amostras, situam-se por cima da linha
entre o traquiandesito e o traquidacito.
O Traquidacito, é uma rocha vulcânica de composição semelhante ao do Traquito, o qual
é contituído essencialmente por feldspato alcalino (sanidina, ortoclase) e quantidades
menores de plagiocláse (oligoclase). Sendo a diferença fundamental entre o Traquito e o
Traquidacito, o facto de que o Traquidacito possui um teor de Quartzo inferior a 20% do total
de minerais félsicos normativos. Com a presença de albite em álcali traquitos, hornblenda,
quartzo, anfibólios sódicos e piroxênios em álcali-traquitos. De granulometria fina, e textura
porfírica.
- Diagramas de Harker – Elementos Maiores

O diagrama de Harker avalia o processo de cristalização fraccionada do magma primário


das rochas ígneas da série Ca-alcalina. Ao plotar os dados das amostras no diagrama
Harker conforme mostram as Figuras 4.7 A à O, consegue-se obter uma ideia da tendência
evolutiva do magma.
Este diagrama faz a comparação do teor de sílica com outros óxidos os quais compõem a
rocha em estudo. A distribuição dos elementos maiores mostram valores intermédios de
SiO2 num interválo entre 58% à 61,4%, caracterizando um magmatismo provavelmente
básico nos seus estágios iniciais e com um aumento da acidez por assimilação de material
silicoclástico da crusta, o que resultou num magma andesítico.

- Diagrama Peccerillo e Taylor 1976

O resultado obtido neste diagrama (Figura 4.8, série shoshonitica) deve ser tratado
minuciosamente, pois a natureza significado e origem do vulcanismo Shoshonítico suscita
opiniões diferentes por diversos autores.
Sendo porém comum aceitar alguns dos seguintes aspectos:

➢ Série rica em K ;
➢ Conteúdo elevado em K (razão K2O / Na2O cerca de 1);
➢ Conteúdo relativamente baixo en TiO2;
➢ Comportamento variável de Fe;
➢ Grau variável de saturação em sílica;
➢ Abundância de feldspato potássico em todos os membros;
➢ Fenocristais zoneados de plagioclase;
➢ Latitos (isto, é consistente com o quartzo latito obtido no diagrama QAP).

- Diagrama AFM

O diagrama (Figura 4.9), mostra um magma da série toleitica, mais alcalina (devido ao
elevado teor de Fe2O3, K2O e Na2O), o qual é típico das zonas de limites divergentes de
placas (com rochas alcalinas subordinadas, presentes de estádios iniciais de rifte
continental), o que no caso confirma o tipo de rocha Riodacito, apresentado no diagrama de
streckeisen, elaborado a partir dos minerais modais. Isto, apoia a teoria da deriva
continental, e neste caso a hipótese de separação das placas Africana e Sul Americana.

- Diagrama Pearce 1982


Este diagrama foi utilizado para determinar o tipo de magma, o que possibilitou a
reconstrução dos eventos tectónicos ocorridos, através da comparação dos teores de Cr
(Crómio) e Y (Itrio), das amostras da área em estudo. Como se pode observar obteve-se
como resultado um magma do tipo MORB (Mid Ocean Ridge Basal, ou Basalto da Dorsal
Médio Oceânica em português). O que significa que houve rifte e derrame de material
mantélico a superfície formando as rochas vulcânicas da área de estudo corroborando com
os resultados das análises anteriores.
O Magma foi andesítico pois tem em média 60% de sílica.
Embora o magma andesítico seja típico das zonas de colisão de placas, neste caso
tratando-se de uma zona onde se deu uma separação de placas ou rifte, provavelmente
houve uma pluma mantélica a qual durante o processo de separação das placas ao
ascender o magma assimilou a base da crusta, sendo que o magma anteriormente basáltico
tornou-se andesitico.
Houve vulcanismo fissural ou derrame: nesse tipo de vulcanismo, não há formação de um
cone vulcânico, onde a ascensão do magma se dá através de fissuras profundas na crosta
terrestre. Ocorre quando o magma chega à superfície e escoa sobre esta, sem ou com
pouca actividade explosiva e de modo calmo.
Tem textura porfírica, isto é, existem dois tamanhos distintos de grãos, com a presença de
fenocristais de plagioclase em uma matriz afanítica. A heterogeneidade granulométrica desta
rocha, indica que o resfriamento magmático não foi um processo regular, tendo ocorrido pelo
menos dois estágios. Os fenocristais foram cristalizados no primeiro estágio por meio do
resfriamento lento, que ocorreu provavelmente em uma câmara magmática dentro da crosta
terrestre. Durante a cristalização dos fenocristais, a parte correspondente à matriz ainda
estava em estado líquido. Posteriormente, aconteceu o evento de resfriamento rápido, isto é,
extravasamento de lava, que solidificou a matriz.

Diagrama Streckeisen (Normativo)

Foi usado este diagrama para classificar as rochas vulcânicas, em estudo, usando o
modelo (QAP), que é o ideal para rochas félsicas e intermédias como é o caso.
No diagrama (Figura 4.5), tem-se um Quartzo Latito (Tabela 4.7), o qual é uma rocha
vulcânica afanítica, contendo uma composição modal entre 5% à 20% de quartzo em que
estão presentes os elementos alcalinos dos feldspatos e plagioclases em quantidades
semelhantes.
Tem-se também Riolito (Tabela 4.7), que é uma rocha ígnea extrusiva com um índice de
sílica muito elevado. Pode ser cor-de-rosa ou cinzenta com os grãos tão pequenos que são
difíceis de observar sem uma lupa de bolso. Riolito é composto por quartzo, plagioclase e
sanidina, com pequenas quantidades de hornblenda e biotite.
Muitos Riolitos formam-se a partir de magma ácido que tem parcialmente resfriado na
subsuperfície. Quando este magma irrompe, uma rocha com dois tamanhos de grão pode
formar-se. Os grandes cristais que se formaram sob a superfície são chamados fenocristais,
e os pequenos cristais formados na superfície são chamados matriz.
4.3 – Conclusões

A rocha vulcânica estudada é Riodacito, que tem coloração vermelha acastanhada, e tem
textura porfírica.
Mineralogicamente está constituída por plagioclase, feldspatos alcalinos, minerais opacos,
quartzo, piroxenas e anfíbolas.
A rocha é da série shoshonítica, em virtude de ser rica em K, e quanto ao índice de
coloração é leucocrata.
O tipo de magma quanto a sua composição foi andesítico contendo em média cerca de
60% de SiO2. Quanto a origem por meio da análise dos elementos traços, tem-se um
magma do tipo MORB (Mid Ocean Ridge Basalt, típico de zonas de rift).
Esta pesquisa fornece mais fundamentos para a teoria da deriva continental.

4.3.1 – Considerações Finais

➢ Em trabalhos futuros seria bom realizarem-se análises isotópicas dos vulcanitos,


com base no decaimento dos elementos radioactivos que os compõem com vista a
determinar a idade absoluta dos Vulcanitos da Província Magmática de Etendeka;
➢ Recomenda-se efectuar a recolha de um número maior de amostras, para
possibilitar uma análise mais profunda, e mais precisa no que diz respeito a alguns
diagramas como é o caso dos diagramas de harker;
➢ Aconselha-se também realizar análise geoquimica de elementos menores para
um número superior de amostras;
➢ Recomenda-se a implementação de laboratórios para efectuar análise
petrográfica e geoquimica, na Universidade Técnica de Angola, de modos a garantir
mais rapidez na obtenção dos dados e redução dos custos monetários envolvidos
neste processo.
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Glossário

Afloramento - Qualquer exposição de rochas ou solos na superfície da Terra. Podem ser naturais
(escarpas, lajeados) ou artificiais (escavações).

Alcalina - (1) Solução resultante de dissolução de uma base em água com a formação de íões
hidróxido. (2) Rocha magmática caracterizada pela alta porcentagem de álcalis em relação à sílica e
à alumina.

Bascular – Levantar, erguer.

Clivada - 1. Que está fragmentada, segundo seus planos de clivagem. 2. Que está separada por
categorias, tipos.

Convecção - Movimento oscilatório que ocorre em um fluido que apresenta uma temperatura não
uniforme, produzindo uma variação de densidade, tornando-o menos denso ou mais denso,
propiciando dessa maneira a formação de fluxos ascendentes e descendentes.

Cráton - Parte da crosta terrestre que atingiu estabilidade e foi pouco deformada por períodos
prolongados. Em sua acepção mais moderna, os crátons restringem-se às áreas continentalizadas e
suas adjacências. Diz-se que um segmento crustal é cratonizado quando anexado, principalmente
por colisão, a núcleos estáveis mais antigos, o que ocorre com as partes mais maduras dos cinturões
orogênicos.

Espectrometria - Técnica de análise qualitativa e quantitativa baseada na obtenção e estudo do


espectro de emissão de substâncias.

Estequiometria - É o cálculo que permite relacionar a quantidade de reagentes a colocar numa


reacção química para determinar uma quantidade de produtos a ser obtido.

Esquírola - Lâmina ou fragmento de objecto duro.

Falha - Uma fractura ou uma zona fracturada ao longo da qual houve deslocamento reconhecível,
desde alguns centímetros até quilómetros. As paredes são normalmente estriadas e polidas (espelho
de falha), resultado dos deslocamentos cisalhantes. Freqüentemente a rocha em ambos os lados de
uma falha apresenta-se cisalhada, alterada ou intemperizada, resultando em preenchimentos. A
espessura de uma falha pode variar de alguns milímetros até dezenas ou centenas de metros.
Caracteriza-se por possuir linha de falha, plano de falha e rejeito.

Gondwana - Supercontinente que, até pelo menos o final da Era Paleozóica, reunia as terras
situadas no hemisfério sul. Juntamente com a Laurásia, que reunia as terras hemisfério norte,
compunha originalmente o Pangea.

Litosfera - Designação antiga referente à parte externa consolidada da Terra, com densidade média
de 3,4. A litosfera é constituída de sedimentos, rochas metamórficas e rochas ígneas, e cuja
espessura média é da ordem de 60 Km. A litosfera subdivide-se em dois envoltórios, um superior,
descontínuo, rico em sílica e alumina - Sial, que forma os continentes, e outro subjacente, contínuo,
rico em silicatos de magnésio - Sima, que assenta sobre o manto. A espessura da litosfera é maior
sob os continentes do que sob os oceanos, e maior sob as cordilheiras do que sob as plataformas
continentais.
Micra - Unidade de medida equivalente a milionésima parte do metro, (plural de micron).

Nappe - Unidade rochosa tabular deslocada, por grandes distâncias, sobre superfície
predominantemente horizontal, por esforços compressionais.

Pangea - Continente hipotético a partir do qual os actuais continentes se originaram pelo


movimento de placas tectónicas, desde a Era Mesozóica até o presente.

Petrografia - Ramo da ciência geológica que se ocupa da descrição e classificação das


rochas por meio de análise microscópica de secções delgadas.

Pluma mantélica - Coluna de material onde se concentra calor e que se eleva no interior do
manto, sendo que sua ascensão se dá como uma massa plástica (o mesmo que ponto
quente).

Rifte - (a) Fossa continental longa e estreita, bordejada por falhas normais; (b) Gráben de
extensão regional; (c) Grande falha transcorrente paralela às estruturas regionais. na crosta
terrestre. I: Rift.

Subsidência - (1) Afundamento de uma região na crosta terrestre em relação às áreas


vizinhas. (2) Deformação ou deslocamento de direção essencialmente vertical, decorrente
de afundamentos de terrenos. Podem ser causadas por: carstificação; acomodação de
camadas do substrato; pequenas movimentações segundo planos de falhas; pela ação
humana - bombeamento de águas subterrâneas, recalques por peso de estruturas, trabalhos
de mineração subterrânea e exploração de depósitos petrolíferos; combustão da turfa
presente no substrato; ou provocadas por solos colapsíveis.

Talude Continental - Porção integrante da margem continental, situado entre a plataforma


continental e o sopé continental. Nas costas onde não se configura, o talude passa
diretamente à planície abissal ou fundo oceânico. Sua inclinação é maior que as da
plataforma e do sopé.

Tectónica de Placas - Teoria de tectónica global pela qual a litosfera é dividida em placas
torsionalmente rígidas, cuja interação dá origem a zonas de atividade sísmica, tectónica e
vulcânica; por esta teoria, a Terra compor-se-ia de 12 placas principais e dezenas de outras
menores subordinadas. Processo pelo qual a Terra dissipa o calor gerado em seu interior.

Trap - Designação antiga dada na Suécia a rochas efusivas basálticas, que formam,
frequentemente, uma morfologia em escadas, como acontece nos derrames basálticos do
Brasil Meridional.

Vulcanito - Rocha ígnea originada pelo extravasamento do magma na superfície terrestre,


formando cones, derrames e piroclastos. Sinónimos.: extrusiva, efusiva, eruptiva.
Apêndice

Anexo
Zero values not shown
Zero values not shown
Zero values not shown
Zero values not shown
Zero values not shown
Zero values not shown
Zero values not shown

Tabela 2.2 - Classificação das rochas ígneas no diagrama QAPF segundo Streckeisen. Fonte: International
Union of Geological Sciences (IUGS)
Granulometria grossa Granulometria fina Rochas com
1 Quartzolito hipersténa
ª 1 quartzo granito
b 1 quartzo granodiorito
c 2 álcali granite álcali riolito álcali charnockito
3 granito (sienogranito) riolito charnockito
a 3 granito (monzogranito) Vulcanito charnockito
b 4 Granodiorito dacito opdalito
5 M > 10, tonalito, quartzo andesito enderbito
M < 10, trondhjemito
6 quartzo álcali sienito quartzo álcali traquito hipersténa álcali
* 7 quartzo sienito quartzo traquito sienito hipersténa sienito
* 8 quartzo monzonito quartzo latito hipersténa
* 9 monzonito
* An < 50, quartzo andesito jotunito
monzodiorito An > 50,
quartzo monzogabro
1 An < 50, basalto hipersténa diorito
0* quartzo diorito An >
50,
6 quartzo
álcaligabro
sienito com quartzo álcali traquito com
7 sienito com quartzo quartzotraquito com quartzo
8 monzonito com quartzo latito com quartzo
9 An < 50, monzodiorito com andesito com quartzo
quartzo An > 50, monzogabro
com
1 quartzo
An < 0, andesito, basalto
0 diorito An > 50,
gabro
6 álcali sienito com fóides álcali traquito com
’ 7 sienito com fóides fóides traquito com fóides
’ 8 monzonito com fóides latito com fóides
’ 9 An < 50, monzodiorito andesito traquítico com
’ com fóides An > 50, fóides
monzogabro
1 comdiorito
An < 50, fóidescom fóides basalto traquítico com
0’ An > 50, quartzo gabro com fóides
fóides
1 fóide sienito fonolito
1 1 fóide monzosienito fonolito tefrítico
2 1 An < 50, fóide basalto, fóide basalto
3 monzodiorito An > 50,
fóide
1 monzogabro
An < 50, basanito
4 fóide diorito An > 50,
fóide
1 gabro
foidito foiaítico foidito fonolítico
5a 1 foidito teralítico foidito tefrítico
5b 1 Foidito foidito extrusivo
5c
Rochas de granulometria grossa. No caso das rochas com feldspatóides, (6’), (7’), (8’), (9’),
(10’), (11), (12), (13), (14) e (15), utiliza-se, também, o nome junto com o feldspatóide
presente, tais como álcali sienito com nefelina, álcali nefelina sienito, nefelina sienito,
nefelina monzonito, nefelina monzogabro, etc.

Tabela 2.3 - Classificação de rochas ígneas de granulometria grossa com feldspatóides. Fonte: International
Union of Geological Sciences (IUGS)
I - Q > 60 de minerais incolores
Q > 90 (1a) quartzolito (silexito)
Q = 60 a 90, (1b) quartzo granito
P/A+P <Q65 = 60 a 90, (1c) quartzo granodiorito
P/A+P >II 65
- Q = 20 a 60 de minerais incolores
P/A+F = 0 a 10 (2) álcali feldspato granito (álcali granito)
P/A+F = 10 a 35 (3a) granito 3a (granito do sentido estreito da definição tradicional da
P/A+F = 35 a 65 Inglaterra)(3b) granito 3b (adamellito)
P/A+P = 65 a 90 (4) granodiorito
P/A+P = 90 a 100 (5) 1. M > 10 tonalito
2. M < 10 trondhjemito
III - Q = 5 a 20 de minerais incolores
P/A+P = 0 a 10 (6*) quartzo álcali feldspato sienito
P/A+P = 10 a 35 (7*) quartzo sienito
P/A+P = 35 a 65 (8*) quartzo monzonito
P/A+P = 65 a 90 (9*) 1. Composição do Pl - An>50 quartzo monzodiorito
2. Composição do Pl -An <50 quartzo monzogabro
P/A+P = 90 a 100 (10*)1. Composição do Pl -An>50 quartzo diorito, quartzo anortosito
2. Composição do Pl -An <50 quartzo gabro
IV - Q = 0 a 5 de minerais incolores
P/A+P = 0 a 10 (6) álcali feldspato sienito (álcali sienito com quartzo)
P/A+P = 10 a 35 (7) sienito (sienito com quartzo)
P/A+P = 35 a 65 (8) monzonito (monzonito com quartzo)
P/A+P = 65 a 90 (9) 1. Composição do Pl - An < 50 monzodiorito (monzodiorito com
quartzo)
P/A+P = 90 a 100 2. Composição
(10) do Pl - An >do
1. Composição 50Pl -monzogabro (monzogabro
An < 50 diorito (diorito com
com
quartzo) anortosito (anortosito com quartzo)
quartzo),
2. Composição do Pl - An > 50 gabro (gabro com quartzo)
V - F = 0 a 10 de minerais incolores
P/A+P = 0 a 10 (6’) álcali feldspato sienito com fóides
P/A+P = 10 a 35 (7’) sienito com fóides
P/A+P = 35 a 65 (8’) monzonito com fóides
P/A+P = 65 a 90 (9’) 1. Composição do Pl - An < 50 monzodiorito com fóides
2. Composição do Pl - An > 50 monzogabro com fóides
P/A+P = 90 a 100 (10’) 1. Composição do Pl - An < 50 diorito com fóides
2. Composição do Pl - An > 50 quartzo gabro com fóides
VI - F = 10 a 60 de minerais coloridos
P/A+P = 0 a 10 (11) fóide sienito
P/A+P = 10 a 50 (12) fóide monzosienito
P/A+P = 50 a 90 (13) 1. Composição do Pl - An < 50 fóide monzodiorito (essexito)
2. Composição do Pl - An > 50 fóide monzogabro
P/A+P = 90 a 100 (14) 1. Composição do Pl - An < 50 fóide diorito
2. Composição do Pl - An > 50 fóide gabro (teralito, teschenito)
VII - F = 60 a 100 de minerais incolores
F < 90, P/A+P < (15a) foidito foiaítico
50 F < 90, P/A+P > (15b) foidito teralítico
50 F > 90 (15c) foidito

Rochas de granulometria fina. No caso das rochas com feldspatóides, (6’), (7’), (8’), (9’), (10’), e (15), utiliza-se,
também, o nome junto com o feldspatóide presente, tais como álcali traquito com nefelina, nefelina latito,
nefelina andesito, nefelina basalto, etc. As rochas correspondentes a (11), (12), (13), (14) possuem próprios
nomes que justificam presença de feldspatóides.

Tabela 2.4 - Classificação de rochas ígneas de granulometria fina, com feldspatóides. Fonte: International
Union of Geological Sciences (IUGS)
I - Q > 60 de minerais incolores
Não há definição devido à inexistência das rochas desta categoria
II - Q = 20 a 60 de minerais incolores
P/A+F = 0 a (2) álcali feldspato riolito (álcali riolito, liparito)
10 P/A+F = 10 a (3) riolito
35 P/A+F = 35 a (3) Vulcanito
65 P/A+P = 65 a (4) dacito
90 P/A+P = 90 a (5) quartzo andesito
100 III - Q = 5 a 20 de minerais incolores
P/A+P = 0 a (6*) quartzo álcali feldspato traquito (quartzo álcali traquito)
10 P/A+P = 10 a (7*) quartzo traquito
35 P/A+P = 35 a (8*) quartzo latito
65 P/A+P = 65 a (9*) andesito
90 P/A+P = 90 a (10*) basalto
100 IV - Q = 0 a 5 de minerais incolores
P/A+P = 0 a (6) álcali feldspato traquito com quartzo (álcali traquito com
10 P/A+P = 10 a quartzo)(7) traquito (traquito com quartzo)
35 P/A+P = 35 a (8) latito (latito com quartzo)
65 P/A+P = 65 a (9) andesito
90 P/A+P = 90 a (10) andesito, basalto
100 V - F = 0 a 10 de minerais incolores
P/A+P = 0 a (6’) álcali feldspato traquito com fóides
10 P/A+P = 10 a (7’) traqui to com fóides
35 P/A+P = 35 a (8’) latito com fóides
65 P/A+P = 65 a (9’) andesito com fóides (andesito traquítico com fóides)
90 P/A+P = 90 a (10’) basalto com fóides (basalto traquítico com fóides)
100 VI - F = 10 a 60 de minerais coloridos
P/A+P = 0 a (11) fonolito
10 P/A+P = 10 a (12) fonolito tefrítico
50 P/A+P = 50 a (13) tefrito fonolítico (basalto, fóide basalto)
90 P/A+P = 90 a (14) tefrito, basanito
100 VII - F = 60 a 100 de minerais incolores
F < 90, P/A+P (15a) foidito fonolítico
< 50 F < 90, P/A+P (15b) foidito tefrítico
> 50 F > 90 (15c) foidito extrusivo
Tabela 2.5 - Rochas félsicas com ortopiroxéna (hipersténa), ou seja rochas charnoquíticas. fonte: International
Union of Geological Sciences (IUGS)

Tabela – Identificação das rochas no diagrama QAPF


Campo no diagrama Nome da rocha
QAPF 2 hipersténa álcali feldspato granito = álcali feldspato
3 charnockito
hipersténa granito = charnockito
4 hipersténa granodiorito = opdalito ou charnoenderbito
5 hipersténa tonalito = enderbito
6*, 6, 6’ hipersténa álcali feldspato sienito
7*, 7, 7’ hipersténa sienito
8*, 8, 8’ hipersténa monzonito
9*, 9, 9’ monzonorito, hipersténa monzodiorito = jotunito
10*, 9, 9’ norito, hipersténa diorito

FICHA DE ANÁLISE MICROSCÓPICA


Ref. da Secção Delgada: 082 – Carlos Pimentel

Composição Mineralógica
Forma Cristalina
Minerais Moda Percentual
Idiomórfico Hipidiomórfico Alotriomórfico
Plagioclase 37 %
Feldspatos Alcalinos 20 %
Minerais Opacos 17 %
Quartzo 15 %
Piroxenas 7%
Anfíbola (Hornblenda Castanha) 4%

Total 100 %

Índice de Coloração (M')


Leucocrata Mesocrata Melanocrata M’= M-Incolores(Apatite, Muscovite e Carbonatos
primários)
Justificação:

Caracterização Textural
Granular
Panidiomórfica Hipidiomórfica Alotriomórfica Equigranular Glomeroporfirítica Intergranular Intersertal Hialofítica Esferulítica

Mirmequítica Pertítica Rapaquítica Coronítica Traquítica Vesicular Granofírica Ofilítica Porfírica

Justificação:

Diagrama a Utilizar
Q-A-P F-A-P Ol - Cpx - Opx Ol - Px - Hbl Pl - Ol - Px TAS TAS + MgO Pl - Px - Hbl CaO - MgO - FeO+Fe2O3+MnO

Justificação:

Modo de Ocorrência
Plutônica Hipabissal Vulcânica

Justificação:

Designação: Riodacito
Justificação:
GRÁFICO TERNÁRIO DA AMOSTRA ESTUDADA

A + Q + P
S u b s t i t u i n d o :
A = 2 0 %
Q = 1 5 %
2 1 % + 3 5 % + 2 5 % = 7 2 %
P = 3 7 %

Q u a r t z o A l c a l i n o s

7 2 % - - - - - - - 1 0 0 % 7 2 % - - - - - - - 1 0 0 %
1 5 % - - - - - - - x % 2 0 % - - - - - - - x %
x = 2 0 , 8 % x = 2 7 , 7 %

P l a g i o c l a s e

7 2 % - - - - - - - 1 0 0 %
3 7 % - - - - - - - x %
x = 5 1 , 3 %
FICHA DE ANÁLISE MICROSCÓPICA
Ref. da Secção Delgada: 086 – Carlos Pimentel

Composição Mineralógica
Forma Cristalina
Minerais Moda Percentual
Idiomórfico Hipidiomórfico Alotriomórfico
Plagioclase 36 %
Feldspatos Alcalinos 20 %
Minerais Opacos 18 %
Quartzo 16 %
Piroxenas 6%
Anfíbola (Hornblenda Castanha) 4%
Total 100 %

Índice de Coloração (M')


Leucocrata Mesocrata Melanocrata M’= M-Incolores (Apatite, Muscovite e Carbonatos
primários)
Justificação:

Caracterização Textural
Granular
Panidiomórfica Hipidiomórfica Alotriomórfica Equigranular Glomeroporfirítica Intergranular Intersertal Hialofítica Esferulítica

Mirmequítica Pertítica Rapaquítica Coronítica Traquítica Vesicular Granofírica Ofilítica Porfírica

Justificação:

Diagrama a Utilizar
Q-A-P F-A-P Ol - Cpx - Opx Ol - Px - Hbl Pl - Ol - Px TAS TAS + MgO Pl - Px - Hbl CaO - MgO - FeO+Fe2O3+MnO

Justificação:

Modo de Ocorrência
Plutônica Hipabissal Vulcânica

Justificação:

Designação: Riodacito
Justificação:
GRÁFICO TERNÁRIO DA AMOSTRA ESTUDADA

A + Q + P
S u b s t i t u i n d o :
A = 2 0 %
2 0 % + 1 6 % + 3 6 % = 7 2 %
Q = 1 6 %
P = 3 6 %

Q u a r t z o A l c a l i n o s

7 2 % - - - - - - - 1 0 0 % 7 2 % - - - - - - - 1 0 0 %
1 6 % - - - - - - - x % 2 0 % - - - - - - - x %
x = 2 2 , 2 % x = 2 7 , 7 %

P l a g i o c l a s e

7 2 % - - - - - - - 1 0 0 %
3 6 % - - - - - - - x %
x = 5 0 %