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DIREITO PENAL

Substratos do Crime e Conduta Comissiva/Omissiva


Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

SUBSTRATOS DO CRIME E CONDUTA COMISSIVA/OMISSIVA

1. SUBSTRATOS DO CRIME

São os elementos que compõem a infração penal conforme o conceito analí-


tico de infração penal. São eles: fato típico, ilicitude e culpabilidade.
Para que se possa falar em crime é necessário que exista cada um desses
três substratos, ou seja, só existe crime quando estamos diante de um fato típico,
ilícito e culpável.
Para se constatar a existência de um crime, primeiro se analisa se trata-se
de um fato típico, depois se analise sua ilicitude para por fim analisar a culpabili-
dade. Constatado os três elementos, se tem o crime.

Crime/Delito
Fato Típico Ilicitude Culpabilidade
É o juízo de reprovação
É o comportamento
É o fato típico não social que recai sobre
humano voluntário
justificado. A ilicitude o agente que podendo
causador de um
espelha a contrariedade agir em conformidade
resultado que se amolda
entre o fato típico e o com o direito, optou
perfeitamente a um tipo
ordenamento jurídico. livremente por agir em
penal incriminador.
desconformidade.
Causas excludentes da
ilicitude (justificantes
Elementos de
ou descriminantes): (1)
culpabilidade: (1)
É composto por quatro estado de necessidade,
imputabilidade, (2)
elementos: (1) conduta, (2) legítima defesa, (3)
potencial consciência
(2) resultado, (3) nexo estrito cumprimento de
da ilicitude e (3)
causal e (4) tipicidade. dever legal, (4) exercício
exigibilidade de conduta
regular de direito e
diversa.
(5) consentimento do
ofendido (supralegal).
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2. CONDUTA

2.1. Conceito

É o comportamento humano voluntário psiquicamente/psicologicamente diri-


gido ao fim. Toda conduta criminosa possui uma finalidade.

2.2. Causas de Exclusão da Conduta

a) Caso fortuito ou de força maior: São fatos imprevisíveis e/ou inevitáveis,


não dominados pela vontade do homem (e por essa razão não caracterizam con-
duta criminosa). Há a vontade do indivíduo em ver um resultado criminoso sendo
produzido, porém não há a conduta.
Exemplo: Quando um indivíduo deseja que sua sogra morra, com a queda
do avião que ela está prestes a tomar, por exemplo, e em decorrência de
uma força maior o avião cai. Esse indivíduo irá ser indiciado por conduta cri-
minosa? Não, pois apesar de ter havido vontade, não houve conduta para a
realização do crime.

b) Atos involuntários: É a incapacidade de o agente dirigir sua conduta para


uma finalidade predeterminada. Esses atos se dividem em dois tipos:
Estado de Inconsciência Completa: Sonambulismo e hipnose.
Movimentos Reflexos: Reação muscular automática.

Atenção!
Movimentos reflexos são diferentes de ações em curto circuito. Ações de curto
circuito são aqueles atos impulsivos diante de uma situação de estresse. As
ações em curto circuito não afastam a conduta criminosa.

c) Coação física irresistível: É o caso em que o agente não consegue determi-


nar seus movimentos de acordo com sua vontade, por razões de forças externas.
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Exemplo: Uma pessoa de grande compleição física, pressionando o dedo do


coagido contra o gatilho do revólver, faz com que um disparo ocorra e mate um
terceiro.

Atenção!
A coação moral não afasta a conduta. Exemplo: Quando um indivíduo se vê
obrigado (é coagido moralmente) a matar um terceiro para salvar um parente.
Porém, é possível o afastamento da existência do crime, não por causa da
ausência de fato típico e sim em decorrência da ausência de culpabilidade.

3. Espécies de Conduta

As condutas podem ser classificadas quanto à forma de exteriorização da


vontade (comissiva ou omissiva) e quanto à voluntariedade (dolosa ou culposa).

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3.1. Quanto à Forma de Exteriorização da Vontade

a) Crime Comissivo: É a realização de uma conduta desvaliosa proibida


pelo tipo incriminador (ação que viola um tipo proibitivo). Exemplo: Homicídio,
furto, sequestro, etc.
b) Crime Omissivo: É a não realização de uma conduta valiosa que o agente
estava legalmente obrigado a realizar e cuja realização lhe era possível (ação
que viola um tipo mandamental).
b.1) Crimes Omissivos Próprios: A conduta omissiva está descrita no pró-
prio tipo penal incriminador. Para sua caracterização basta a não realização da
conduta valiosa descrita no tipo. O agente não tem obrigação de evitar o resul-
tado, devendo apenas agir conforme o mandamento legal determina. São tipos
compostos por elementos como “Deixar de...”. Exemplo: Omissão de socorro
(art. 135 do CP) e Omissão de notificação de doença (art. 269 do CP).

Omissão de Socorro

Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal,
à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo
ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Omissão de Notificação de Doença

Art. 269. Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notifica-
ção é compulsória:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

b.2) Crimes Omissivos Impróprios: A conduta omissiva não está descrita


no tipo legal. Nos crimes omissivos impróprios determinados agentes possuem
a obrigação de agir para evitar resultados lesivos em qualquer situação. Ou seja,
o agente responderá por tipo proibitivo (conduta comissiva desvaliosa), desde
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que não atue para evitar o resultado. Exemplo: Quando um bombeiro deixa de
socorrer uma vítima e a mesma morre, o bombeiro será indiciado por homicídio,
pois a morte foi resultado de sua omissão.
O rol que estabelece quem é obrigado a evitar o resultado se encontra no art.
13, § 2º do CP.

Art. 13: (...)


§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para
evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

Omissivos Próprios Omissivos Impróprios


Conduta omissiva descrita em tipo Qualquer omissão que cause
pena específico. resultado lesivo.
O tipo penal é dirigido a todas as Somente determinadas pessoas
pessoas. possuem o dever de agir.
Violação de um tipo proibitivo (por
Violação de um tipo mandamental.
omissão).
Qualquer pessoa deve agir para evitar Determinadas pessoas devem agir
determinados resultados. para evitar qualquer resultado lesivo.

 Obs.: Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online,
de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor Paulo Igor. ANOTAÇÕES

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