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PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

M Ó D U L O

DIREITO PROCESSUAL PENAL

MILITAR

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SUMÁRIO

07 Justiça Militar da União

10 Lei de Organização Judiciária da JMU

18 Código de Processo Penal Militar

20 Inquérito Policial Militar

26 Teoria Geral da Prova

30 Classificação dos Atos Processuais

31 Ação Penal Militar

33 Denúncia

35 Jurisdição e Competência

45 Da Prisão

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SUMÁRIO
Da Prisão Provisória 46

Da Prisão em Flagrante 48

Da Prisão Preventiva 51

Menagem 52
Prisão decorrente de Sentença
condenatória 54

Aplicação Provisória de Medida


de Segurança
56

Rito Processual
Procedimento Ordinário
58

Do Procedimento Especial 60
Sumaríssimo
Deserção de Oficiais e Praças
68
(Comparação)

Deserção de Praças 69

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SUMÁRIO

70 Insubmissão

73 Das Nulidades

76 Dos Recursos

83 Da Execução da Sentença

89 Da Organização da Justiça Militar


em Tempo de Guerra

92 Artigo 9º do CPM

93 Quadro de postos e graduações


das Forças Armadas

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MATERIAL DIDÁTICO
MÓDULO DIREITO PENAL MILITAR
-

Designer Instrucional:
Isis Batista Ferreira

Capa:
Isis Batista Ferreira

Diagramação:
Isis Batista Ferreira

Revisão de Originais:
Claudio Miguel Amin
Efigênia Pereira Martins
Pedro Henrique Fonseca Pereira
Marcia Britto

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Justiça Militar da União
O site do Superior Tribunal Militar assim dispõe, verbis:

“O Superior Tribunal Militar e, por exten-


são, a Justiça Militar Brasileira, foi criado
em 1º de abril de 1808, por Alvará com
força de lei, assinado pelo Príncipe-Re-
gente D. João e com a denominação de
Conselho Supremo Militar e de Justiça.
É, portanto, o mais antigo tribunal supe-
rior do País; existindo há quase 200 anos”.

Evolução Histórica

Durante o Império e início da fase republicana o Tribunal foi presidido pelos Che-
fes de Estado: no império, pelo regente D. João VI e pelos imperadores D. Pedro I e D.
Pedro II e, na república, pelos presidentes Marechal Deodoro e Marechal Floriano. So-
mente em 18 de julho de 1893, por força de Decreto Legislativo, a Presidência do re-
cém criado Supremo Tribunal Militar, denominação que substituiu o imperial Conselho
Supremo Militar e de Justiça, passou a ser exercida por membros da própria Corte, elei-
tos por seus pares. Ressalte-se que apenas houve mudança no nome do Tribunal, pois
foram mantidos todos os componentes do antigo Conselho Supremo Militar e de Justi-
ça, despojados de seus títulos nobiliárquicos e denominados, genericamente, Ministros.
A Constituição de 1946 consagrou o nome atual: Superior Tribunal Militar - STM.
Desde sua fundação, à Justiça Militar da União cabem funções judiciais e administrativas,
embora só fosse introduzida, efetivamente, no Poder Judiciário, pela Constituição de 1934.

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A Justiça Militar da União é Justiça especializada na aplicação da lei à uma categoria


especial, a dos militares federais - Marinha, Exército e Aeronáutica, julgando apenas e tão
somente os crimes militares definidos em lei. Não se trata de um tribunal de exceção, já que
atua, ininterruptamente, há quase duzentos anos, possui magistrados nomeados segundo
normas legais permanentes e não é subordinado a nenhum outro Poder. É valido citar que,
em 1936, o então Supremo Tribunal Militar reformou sentenças proferidas pelo Tribunal de
Salvação Nacional, este sim um tribunal de exceção, e que, no período de regime militar de
1964 a 1984, levou juristas famosos na luta em defesa dos direitos humanos a tecerem canden-
tes elogios à independência, altivez e serenidade com que atuou o Superior Tribunal Militar
na interpretação da Lei de Segurança Nacional e na aplicação dos vários Atos Institucionais.
Conforme a Exposição de Motivos do Decreto-lei de 21 de outubro de 1969, tam-
bém se verifica: O processo penal militar tem sido até agora regido pelo Decreto-lei n° 925,
de 2 de dezembro de 1928 (Código da Justiça Militar), que engloba a organização judiciária
militar. As modificações que sofreu, no correr dos anos, não lhe atingiriam a substância.
Embora tenha sido instrumento útil à pratica da Justiça Militar, a cujas necessidades procu-
rou atender dentro de normas reputadas clássicas no processo penal brasileiro, podendo
até ser considerado, sob certos aspectos, mais liberal do que o Código de Processo Penal
comum, promulgado em 1941, impunha-se a sua reforma para atender a novas solicita-
ções assim de ordem jurídica como de ordem política, no âmbito processual militar.
Segundo a Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, são órgãos da
Justiça Militar o Superior Tribunal Militar e os Tribunais e Juízes Militares instituídos por lei.

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O Superior Tribunal Militar é composto por quinze Ministros vitalícios, no-
meados pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo
Senado Federal, sendo três dentre oficiais-generais da Marinha, quatro
dentre oficiais-generais do Exército, três dentre oficiais-generais da Aeronáu-
tica, todos da ativa e do posto mais elevado da carreira, e cinco dentre civis.
Os Ministros civis são escolhidos pelo Presidente da República
dentre brasileiros maiores de trinta e cinco anos, sendo três dentre ad-
vogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de dez
anos de efetiva atividade profissional, e dois, por escolha paritária, den-
tre juízes auditores e membros do Ministério Público da Justiça Militar.
Sua competência também encontra-se expressa no texto cons-
titucional: processar e julgar os crimes militares definidos em lei.

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Lei de Organização
Judiciária da JMU
nº 8.457, de 04/09/1992
Artigo 1º
Órgãos da JMU – O Superior Tribunal Militar é órgão de segunda instância da
JMU. Nas Justiças Militares Estaduais, os órgãos de segunda instância são os Tribu-
nais de Justiça Militares nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul;
nos demais, são os próprios Tribunais de Justiça. Naqueles três estados, os Magistra-
dos civis prestam concurso de provas e títulos específicos para atuação naquelas Jus-
tiças especializadas; nos demais, são Juízes designados pelos Tribunais de Justiça;

Artigo 2º
São doze circunscrições judiciárias militares; na Justiça Comum Estadual, chamamos
de Comarcas. As sedes de cada CJM estão especificadas no artigo 102 da LOJMU;

Artigo 3º
Composição do STM: 15 Ministros, sendo 10 militares ( 3 Oficiais-Generais da Ma-
rinha, 4 do Exército e 3 da Aeronáutica, todos do mais alto posto da carreira) e 5 civis:
3 advogados, 1 Juiz-Auditor e 1 membro do Ministério Público Militar. Trata-se de uma
composição injustificável, pois, sendo órgão do Poder Judiciário, não se pode admitir que
apenas um Magistrado de carreira faça parte dessa composição. O quinto constitucional
deveria ser calculado com base no número de civis, como ocorre para o Ministério Público
Militar. Assim, o correto seria a composição com três Magistrados da JMU, um advogado e
um membro do MPM;

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Artigo 6º
Competência do STM
Originária – processar e julgar oficiais-generais, na ativa ou na inatividade, nos crimes mi-
litares, definidos em lei;
habeas corpus – não deve a Defesa impetrar HC diretamente no STM, pois pode requerer
ao Juiz-auditor o relaxamento de prisão ou a liberdade provisória, quando a autoridade
coatora for militar, evitando “queimar” uma instância;
Representação para decretação de indignidade de oficial (artigo 42, par. 7º e 8º da CR).
Apenas o STM pode determinar a perda de posto e patente de oficiais, nos processos oriun-
dos do Conselho de Justificação ou por representação do Procurador-Geral da JMU, após o
trânsito em julgado de sentença condenatória com pena superior a dois anos;
Julgamento – recursos de decisões dos Juízes de 1º grau (Juizes-auditores e Conselhos
de Justiça), feitos originários dos Conselhos de Justificação (lei nº 5.836, de 05/12/1972),
conflitos de competência entre Juízes-Auditores, criação ou extinção de auditorias, aplicar
sanções aos Magistrados;
Parágrafo 2º – quorum de 2/3
Parágrafo 3º – quorum – maioria de votos. São necessários oito Ministros, sendo, no mí-
nimo quatro militares e dois civis, ou seja, se houver oito Ministros, sendo sete militares e
apenas um civil, não será realizada a sessão;

Artigo 11º
Circunscrição Judiciária Militar – na 1ª CJM, existem quatro auditorias, na 2ª e na
11ª, duas, na 3ª são três e nas demais apenas uma. Observem que na 3ª CJM as sedes se
localizam em Porto Alegre. Bagé e Santa Maria e, por essa razão, não se aplica o critério
da distribuição, como ocorre nas 1ª, 2ª e 11ª CJM’s, pois lá deverá ser verificado o local do
crime e aplicado o Decreto nº 69.102 que estabeleceu a divisão territorial no Rio Grande do
Sul;
Todas as auditorias são mistas, o que significa dizer que julgam militares de todas as
Forças, civis e qualquer outro sujeito que pratique crime de natureza militar, com exceção
dos que possuem prerrogativa de foro.

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Antes da Lei nº 8.457/92 entrar em vigor, havia auditorias especializadas para Mari-
nha, Exército e Aeronáutica na 1ª CJM, o que justificava o disposto na parte final do artigo
89 do Código de Processo Penal Militar;

Artigos 12º/14º
A Auditoria de Correição não possui função judicante, sendo órgão de fiscalização
e orientação judiciário-administrativa. Não atuam membros do Ministério Público Militar,
nem Defensores;
As principais competências são: realizar correições nas Auditorias, nos processos findos
e nos autos de IPM mandados arquivar pelo Juiz-auditor., embora os últimos Juízes-audi-
tores corregedores não tenham representado ao STM, respeitando as decisões dos Juízes-
-auditores e, principalmente, o disposto no artigo 25 do CPPM;

Artigo 15º
Existe uma divisão igualitária de procedimentos investigatórios distribuídos à Audi-
toria, sendo que o Juiz-auditor é o responsável pelo cartório e ordenador de despesas;

Artigo 16º
Espécies de Conselhos de Justiça: Conselho Especial (CEJ) e Conselho Permanente
(CPJ):
CEJ – processa e julga oficiais, exceto oficiais-generais; é constituído para cada pro-
cesso; não há suplentes. Praças e civis podem responder perante o CEJ, desde que reco-
nhecida a conexão ou continência com fato envolvendo oficiais, exceto oficiais-generais.
Na composição, deve-se observar o posto do acusado, devendo o Presidente ser um oficial
superior ou oficial-general;
CPJ – processa e julga acusados que não sejam oficiais; é constituído para cada tri-
mestre, não se vinculando ao processo. Na composição, o Presidente é um oficial-superior
e os demais são intermediários ou subalternos. Há suplente para o Presidente e outro para
os intermediários ou subalternos;

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Composição:

Conselho * Art. 16, a


* Juiz-Auditor e quatro militares, todos de postos mais
Especial
elevado ou mais antigos que o acusado, desde que haja
de Justiça
ao menos um Oficial-Superior ou General.

Duração: * Art. 27, I, e art. 28


* Processar e julgar oficiais, exceto Oficiais-Generais.

Composição:
* Art. 16, b
Conselho * Juiz-Auditor e quatro militares, sendo um oficial superior
Permanente e três oficiais de posto até Capitão-Tenente ou Capitão.
de Justiça
Duração: * Art. 24
* Constituído a cada trimestre.

Artigo 18º
Sorteio entre oficiais da sede da Auditoria;

Artigo 20º
Sorteio do CEJ – exige-se a presença do réu preso;

Artigo 21º
Sorteio do CPJ;

Artigo 23º
Leiam os comentários do artigo 16;

Artigo 24º
Duração do CPJ é de três meses, podendo ser prorrogada na hipótese prevista na
parte final do artigo 436 do CPPM;

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Artigo 25º
Funcionamento dos Conselhos e julgamento: durante a instrução, bastam três mem-
bros do Conselho de justiça, desde que presentes o Presidente, o Juiz-auditor e um oficial
intermediário ou subalterno. No caso do CEJ, se o Presidente não comparecer, por exem-
plo, a uma audiência de oitiva de testemunhas, se houver outro oficial-superior, deverá
atuar como presidente. No entanto, na audiência de julgamento, são necessários presença
e voto de todos os componentes do Conselho de Justiça;

Artigo 27º
Competência dos Conselhos de Justiça: comentários do artigo 16;

Artigo 28º
Competência dos Conselhos de Justiça: a partir do recebimento da denúncia, as de-
cisões passam a ser tomadas pelos Conselhos de Justiça, porém a marcha processual é
determinada pelo Juiz-auditor. Observem que o artigo se refere a acusados e processos.
Assim, por exemplo, a prisão preventiva do indiciado é competência do Juiz-auditor, mas
no curso do processo, essa mesma medida, será de competência do Conselho de Justiça.
Todos os membros do Conselho podem formular perguntas aos acusados, testemunhas
e ofendidos e cada voto possui o mesmo valor. Desse modo, se três oficiais subalternos
decidem pela decretação de prisão preventiva e o Juiz-auditor e o Presidente votam contra-
riamente, a decisão daqueles três prevalecerá. O mesmo acontece no momento de decidir
pela condenação ou absolvição, lembrando que primeiro vota o Juiz-auditor e, em seguida,
os militares por ordem inversa de hierarquia (artigo 435 do CPPM).
Se houver unanimidade quanto à condenação e divergência quanto à pena, aplica-se o
disposto no parágrafo único do artigo 435 do CPPM, salientando que no Tribunal do Júri,
ao contrário, os jurados não aplicam pena, o que é o correto, pois desconhecem o sistema
trifásico. Assim deveria ser na JMU, cabendo ao Juiz-auditor monocraticamente aplicar a
pena.

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Artigo 29º
A competência dos Presidentes dos Conselhos diz respeito à disciplina das sessões,
abertura e encerramento e nomeação de defensor.

Artigo 30º
Competência do Juiz-Auditor:

Recebimento de denúncia e eventual aditamento no curso do processo e arquiva-


mento de IPM;
Formular perguntas ao réu e testemunhas;
Redigir sentenças no prazo de oito dias, mesmo sendo voto vencido;
Decidir sobre recebimento de recursos;
Executar sentenças, inclusive de processo de competência originária do STM;
Remeter à Auditoria de Correição, no prazo de dez dias, os autos de IPM arquivados;
Cumprir carta precatória de interrogatório e oitiva de testemunhas e ofendidos;
Decidir sobre pedidos formulados no curso do IPM.
Decidir sobre revogação da suspensão condicional da pena, porém a concessão é de
competência do Conselho de Justiça.

Artigos 32º/66º
Magistrados: o ingresso se dá mediante concurso de provas e títulos como Juiz-audi-
tor substituto, podendo ser promovido a Juiz-auditor;

Artigos 69º/70º
Ministério Público Militar: em regra, junto à cada auditoria atuam um procurador e
dois Promotores, que ingressam na carreira, mediante concurso de provas e títulos. Vejam
a LC nº 75;

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Artigos 69º/70º
Defensoria Pública da União: os Defensores Públicos Federais atuam na defesa
daqueles que não pagar honorários, sem prejuízo do sustento próprio. Ao contrário dos
membros do MPM, podem atuar junto às Justiças Federal, Supremo Tribunal Federal, Su-
perior Tribunal de Justiça. A origem da DPU encontra-se na JMU, quando eram chamados
“advogados de ofício” e eram pelo próprio STM e somente atuavam junto à JMU;
Não há custas processuais.
Todas as sessões são públicas, podendo haver restrição por motivo especial, devida-
mente fundamentado;
Os militares ficam dispensados do serviço nos dias das sessões, embora isso quase
sempre não ocorra na prática;
Na Justiça Militar Estadual, o Presidente do Conselho é o Juiz togado que é chamado
de Juiz de Direito e não mais Juiz-auditor, desde a entrada em vigor da Emenda Constitucio-
nal nº 45. Outra diferença é o julgamento pelo Juiz de Direito, monocraticamente, quando
a vítima for civil.
A JME julga, além dos crimes militares cometidos por policiais militares e bombeiros
militares, as ações judiciais contra atos disciplinares. Em hipótese alguma, julga civis.

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Breves considerações sobre o processo penal militar

O Código de Processo Penal Militar, instituído pelo decreto-Lei nº 1.002, de


21/10/1969, apresenta suas peculiaridades, dando tratamento diferente a certos
institutos jurídicos, em relação ao Código de Processo Penal Comum. E é justa-
mente sobre tais peculiaridades que esta singela obra pretende abordar, pois os
institutos previstos de igual forma no CPP já estão muito bem tratados em vasta
doutrina.
Ao estudar o CPPM, deve-se ter cautela, visto que foi elaborado sob a égide
da Constituição da República de 1969, e, ainda, num momento de conturbação
pelo qual passava o país. Assim, alguns dispositivos legais devem ser adaptados
à nova realidade jurídica, observando-se os princípios inscritos na Lei maior.
Princípios do Processo Penal Militar
O processo penal militar, segundo João Mendes de Almeida Júnior, deve
ser entendido como instrumento que resguarda a liberdade do réu. Dentro des-
ta, ótica devem ser asseguradas a qualquer acusado todas as garantias inerentes
ao devido processo legal.
Alberto Silva Franco e Maurício Zanoide de Moraes argumentam:
O processo penal condenatório delineia-se nesses contextos como estru-
tura jurídico-penal em cujo âmbito o Estado desempenha a sua atividade perse-
cutória.
Nele antagonizam-se exigências contrastantes que exprimem uma situ-
ação de tensão dialética configurada pelo conflito entre a pretensão punitiva
deduzida pelo Estado e o desejo de preservação da liberdade individual manifes-
tado pelo réu.
Destacam-se os seguintes princípios:
Do devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF);
Do Juiz Natural, nulla poena sine judice (art. 5º, LIII e XXXVII, da CF) e Lei nº
8.457, de 04/09/1992, Lei de Organização Judiciária Militar da União;
Do estado de inocência, admitindo-se medidas cautelares privativas da
liberdade de natureza cautelar;
Do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV, da CF);
Da oralidade, sendo a necessidade de concentração e obrigação do juiz de
ficar em contato com as partes;
Da verdade real, com a possibilidade de o juiz determinar diligências de
ofício, para melhor esclarecimento dos fatos;
Da publicidade (art. 5º, LX; art. 93, IX, da CF);
Da oficialidade (art. 129, I, da CF) em que o Parquet é o exclusivo dono da
ação penal militar;
Da iniciativa das partes e do impulso oficial (art. 251, do CPP; art. 36, do
CPPM - Código de Processo Penal Militar);
Da inadmissibilidade das provas ilícitas (art. 5º, LVI, da CF);
Da razoável duração do processo e da garantia da celeridade de sua tra-
mitação (art. 5º, LVXXVIII, da CF).

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Código de Processo Penal


Militar
Da Lei Processual e da sua aplicação:
Artigo 1º
Prevalência de convenção e tratado em relação à legislação processual penal militar.
Encontra-se, ainda, rejeição à aplicação do Pacto de São José da Costa Rica na JMU;

Artigo 2º
A regra é a interpretação literal, com exceções previstas no par. 1º. Entretanto, essas
exceções sofrem restrições estabelecidas no par. 2º;

Artigo 3º
Casos omissos – até mesmo quando há norma expressa no CPPM, é possível aplicar
o CPP, como, por exemplo, o artigo 366 do CPP, apesar de não ser o entendimento do STM.
É preciso lembrar que o CPPM não sofre alterações significativas, desde sua entrada em
vigor, embora tenham ocorrido tantas transformações sociais.
Outra hipótese é a aplicação da inversão do rito processual, passando o interrogató-
rio a ser realizado, após a oitiva de testemunhas. O STM não admite. Uma solução, quando
o MPM discorda da inversão, é deferir a possibilidade da realização do interrogatório antes
e depois, cabendo à Defesa decidir se o acusado deve permanecer em silêncio no primeiro
ato, evitando possível alegação de nulidade junto ao STF;

Artigo 4º
Aplicação do CPPM dentro e fora do território nacional, observando-se o disposto
nos tratados e convenções;

Artigo 5º
Aplicação intertemporal;

Artigo 6º
Aplicação à Justiça Militar Estadual do CPPM, exceto em relação à organização da
Justiça, aos recursos e à execução da sentença;
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Da Polícia Judiciária Militar:

Artigo 7º
Exercício da polícia judiciária militar.
- par. 1º – delegação a oficiais da ativa
- par. 2º – delegação para instauração de IPM – o encarregado deve ser de posto superior
ao do indiciado.
- par. 3º – se não houver de posto superior, deverá ser do mesmo posto, mais antigo.
- par. 4º – se o indiciado for oficial da reserva ou reformado, poderá ser nomeado como
encarregado qualquer oficial da ativa do mesmo posto.
- par. 5º – designação de oficial da reserva de posto mais elevado, somente se não houver
oficial da ativa nas condições acima. O CPPM excluiu a possibilidade de o oficial reformado
ser encarregado de IPM.

Artigo 8º
Atribuições da polícia judiciária militar.
- Apurar crimes militares.
- Cumprir diligências em qualquer local.
- Cumprir mandados de prisão.
- Representar acerca de prisão preventiva e da insanidade mental.
- Solicitar de órgãos públicos estaduais a realização de exames.

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Inquérito Policial Militar


O inquérito policial militar constitui-se numa peça informativa que visa a apurar a
prática de fato que configure crime militar, e de sua autoria, a fim de fornecer os elementos
necessários à propositura da ação penal militar. Para tanto, o encarregado do IPM deverá
ouvir eventuais suspeitos da prática do delito, inquirir testemunhas, determinar a realiza-
ção de exames periciais, entre outras medidas. Essa colheita de provas visa justamente a
atingir a finalidade acima mencionada, ou seja, alucidar o fato e apontar o seu autor.
No que tange às disposições relativas ao interrogatório, inquirição de testemunhas,
bem como a elaboração de laudos periciais, os respectivos assuntos, serão tratados mais
adiante, quando estudarmos o processo, pois, de acordo com o artigo 301 do CPPM , as
normas referentes a esses serão observadas no inquérito. Assim, por exemplo, quando
explicarmos que o acusado tem o direito de ser alertado de que poderá permanecer em
silencia durante o interrogatório na fase processual, o mesmo será aplicado no curso do
IPM. Outros exemplos consiste na possibilidade de o encarregado determinar a condu-
ção coercitiva da testemunha que não comparecer, após ser devidamente notificada, para
prestar depoimento.

Além do IPM, destacam-se como peças informativas, no processo penal militar,


o auto de prisão em flagrante, as hipóteses do artigo 28 do CPPM, a instrução
provisória de deserção (IPD) e a instrução provisória de insubmissão (IPI).

O IPM possui as mesmas características do inquérito policial, ou seja, é escrito, sigi-


loso, inquisitivo e informal.

Identificação criminal – Lei do Crime Organizado (Lei nº 9.034/95) e Lei nº 10.054, de


07/12/2000;

Condução coercitiva do indiciado deve ser solicitada ao Juiz-auditor.

Valor probatório relativo – confissão extrajudicial. Não poderá ensejar decreto conde-
natório com base exclusivamente na confissão extrajudicial, pois não foi submetida ao
contraditório.
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Artigo 9º
Finalidade do IPM: apurar crime militar e sua autoria. Se houver indícios da prática
de crime de natureza comum conexo a um crime militar, deverá o encarregado encami-
nhar peças à auditoria, a fim de que seja concedida a oportunidade de o MPM se manifes-
tar sobre possível arguição de incompetência. Da mesma forma, não pode a autoridade
militar lavrar auto de prisão em flagrante quando se deparar com a prática de crime co-
mum ocorrido no interior do quartel. Nesse caso, o preso será encaminhado à Delegacia
daquela região. Se houver menor de 18 anos, será apreendido e encaminhado ao Juizado
da Infância e da Juventude ou a uma Delegacia especializada, observando-se as cautelas
em relação à condução, como por exemplo, a proibição da colocação dele na “caçamba” do
camburão, bem como o uso de algemas.

Par. Único – atos efetivamente instrutórios: são atos que, em regra, não serão repetidos
no curso da instrução criminal, tais como, perícias, exames e avaliações. Assim, na medida
do possível, é interessante conceder à defesa a possibilidade de formular quesitos nos
exames periciais, mesmo na fase inquisitorial.

Artigo 10º
início do IPM. Observem que o Juiz-auditor e o Conselho de Justiça não podem de-
terminar a instauração de IPM e, caso verifiquem a ocorrência de crime militar, deverão
encaminhar peças ao MPM. Nesse sentido, vejam o disposto no artigo 442 do CPPM;
- A autoridade militar tem a obrigação de instaurar o IPM quando houver indícios de crime
militar, mesmo que não haja qualquer indício de autoria, pois uma das finalidades do IPM
é justamente apurar a autoria.
- Instaurada a sindicância, poderá ser dispensado o IPM, se já houver indícios de crime e
autoria;

Par. 1º – delegação para instauração do IPM.


Par. 4º – atualmente ao Comandante da Força.

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Artigo 13º
Nos crimes não transeuntes, aqueles que deixam vestígios, é indispensável a realiza-
ção de exame de corpo de delito; nos crimes patrimoniais, a avaliação do bem; nos crimes
de entorpecentes, o laudo definitivo; quando ocorrer saque indevido em agência bancária,
solicitar, de imediato, o conteúdo das gravações das câmeras, pois são destruídas, em re-
gra, após 90 dias;

Artigo 14º
A assistência do Ministério Público Militar pode ser solicitada sempre que o encarre-
gado tiver dificuldade na apuração do fato. Independente de solicitação formal para acom-
panhamento de toda a investigação, sempre que houver dúvidas, o encarregado deverá
solicitar auxílio ao MPM e não ao Juiz-auditor que deve preservar sua imparcialidade;

Artigo 15º
Encarregado do IPM. Nada impede que um Tenente seja nomeado encarregado,
desde que não haja outro oficial de posto superior. De qualquer forma, a nomeação de um
Tenente não enseja a nulidade do IPM;

Artigo 16º
Essa questão encontra-se superada pelo teor da Súmula Vinculante nº14. Entretan-
to, o advogado não terá acesso às diligências não concluídas que necessitam de sigilo,
como por exemplo a interceptação telefônica, mas somente ao conteúdo da degravação.
Por essa razão, deve ser feita autuação em separado desses procedimentos. Vejam, ainda,
o disposto no artigo 7º, XIII a XV e par. 1º, Lei 8.906/94;

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Artigo 17º
Incomunicabilidade – artigo 136, par. 3º, IV, CR. A corrente majoritária é no sentido
de que, se no estado de anormalidade não é permitida a incomunicabilidade, muito menos
na normalidade;

Artigo 18º
Detenção pela autoridade: esse artigo gera controvérsias, mas certamente deve se
ajustar ao disposto no inciso LXI do artigo 5º da CR, ou seja, somente nos crimes propria-
mente militares. De qualquer forma, a prisão deverá ser comunicada ao Juiz-auditor ime-
diatamente a fim de que sejam analisados os aspectos relacionados à legalidade e conve-

Artigo 20º
Prazo para conclusão.
SOLTO – 40+20+critério do comandante
PRESO – 20 dias sem prorrogação

Artigo 22º
Relatório e solução (par. 1º). Apesar do disposto na parte final do artigo, não se jus-
tifica aquela manifestação do encarregado, pois se trata de mero relatório, lembrando que
cabe ao MPM formar a opinião sobre a existência ou não de indícios de crime militar;

Artigo 23º
Remessa dos autos à Auditoria.
Par. 1º – não existem mais auditorias especializadas.
Par. 2º – IPM instaurado fora do território nacional – remessa às auditorias da 11a CJM.

Artigo 24º
Arquivamento pelo encarregado – princípio da indisponibilidade. O encarregado do
IPM não pode determinar o arquivamento de IPM.

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PENAL MILITAR

Artigo 25º
Instauração de IPM após arquivamento, apenas se surgirem provas substancialmen-
te novas, devendo ser analisado pelo MPM a possibilidade desse desarquivamento. Cabe
lembrar que o IPM arquivado por inexistência de crime, impede a instauração de outro,
mesmo surgindo novas provas. Os efeitos da decisão equivalem, nesse caso, ao de trânsito
em julgado material;

Artigo 26º
A devolução dos autos de IPM à autoridade militar ocorrerá sempre que o MPM en-
tender que é necessária a realização de outras diligências. O Juiz-auditor não deve tomar
a iniciativa de investigar, como permite o inciso II, a fim evitar o comprometimento de sua
imparcialidade;

Artigo 27º
Auto de prisão em flagrante – se não houver necessidade de diligências, o APF servi-
rá de base para manifestação do MPM;

Artigo 28º
Dispensa do IPM – desacato a autoridade judiciária militar (art. 341 do CPM) e deso-
bediência a decisão judicial (art. 349 do CPM). O presente artigo reforça o entendimento de
que o IPM é dispensável, desde que, por outro modo, já tenham sido colhidos elementos
que apontem indícios de crime e de autoria.

Artigo 397º
Se o MPM formular pedido de arquivamento e o Juiz-auditor discordar, deverá re-
meter os autos ao Procurador-Geral da JMU; se concordar, os autos serão encaminhados
à Auditoria de Correição, podendo ocorrer a representação do Juiz-auditor Corregedor di-
rigida ao STM pelo desarquivamento. Ressalte-se que o STM deverá remeter os autos ao
Procurador-Geral da JMU que pode determinar – não requer- o arquivamento ou designar
outro membro do MPM para oferecimento da denúncia. Na JMU, não há previsão de o Pro-
curador-Geral oferecer a denúncia nas hipóteses acima.
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Questões Prejudiciais
Questões prévias:
- Preliminares – Direito Processual – Impede a decisão
- Prejudiciais – Direito Material – Condiciona a Decisão

Conceito:
Toda questão jurídica de direito penal ou extrapenal que verse elemento integrante do
crime e cuja solução, escapando à competência do Juiz criminal e provocando a suspensão
da ação penal, deve preceder a decisão da questão principal.

Classificação:
- Homogênea/Heterogênea – ramo do direito
- Total/Parcial – existência do crime/circunstância
- Obrigatórias/Facultativas

Sistemas de Solução:
1) Predomínio da Jurisdição Penal / Cognição Incidental
“quem conhece da ação também deve conhecer da exceção”
2) Separação Jurisdicional Absoluta / Prejudicialidade Obrigatória
- especialização
- Artigo 123 CPPM
3) Prejudicialidade Facultativa
4) Misto/Eclético

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Teoria Geral da Prova


Conceito
Tudo o que serve para tornar conhecido e verdadeiro para o julgador aquilo que é conhe-
cido e verdadeiro para as partes

Objeto da Prova
É a coisa, o fato, o acontecimento que deve ser conhecido pelo Juiz para que possa emitir
um juízo de valor.

Objeto de prova
É saber o que se precisa provar: o fato ou o direito? Fatos notórios não.

Meios de prova
Todos aqueles utilizados pelo Juiz para conhecer a verdade dos fatos, previstos ou não em
lei (provas inominadas). Ex.: confissão, perícia, depoimentos, etc.

Classificação da Prova
Objeto: diretas e indiretas; sujeito: pessoal e real; forma: testemunhal, documental e ma-
terial.

Natureza jurídica
Direito subjetivo de índole constitucional de estabelecer a verdade dos fatos.

Princípios da prova
Princípios são as verdades primeiras.

Princípio da comunhão da prova


Uma vez no processo, pertence a todos sujeitos processuais

Princípio da liberdade da prova


É um consectário lógico do princípio da verdade processual. Não é absoluta, pois há inte-
resses de maior valor do que a prova de um fato. Ex.: prova do estado civil, questões pre-
judiciais, segredo profissional.
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Princípio da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos
Artigo 5º, LVI, CRFB e artigo 187 do CPP. A verdade processual deve estar em harmonia
com a liberdade da prova que encontra limites. A testemunha não está obrigada a prestar
depoimento que possa incriminá-la; provas invasivas (intervenções corporais).

Prova ilícita
Ofensa ao direito material.

Prova ilegítima
Ofensa ao direito processual.

Prova irregular
Admitida pela norma processual mas colhida sem a observância das formalidades legais.

Prova ilícita por derivação


Teoria dos frutos da árvore envenenada (Suprema Corte norte americana). É vedada.

Teoria da prova absolutamente independente chamada de Fonte independente de


prova.

Teoria da exclusão de ilicitude


Afrânio Silva Jardim. Teoria da proporcionalidade (Alemanha) e Teoria da razoabilidade
(EUA).

Busca e apreensão
Mais de um morador – consentimento e abrangência da busca na ausência de um deles.
Conexão entre os fatos (receptação de bens diferentes).

Prova emprestada
É aquela que foi produzida em um processo e trasladada para outro.
Indício – indicar, apontar. É todo e qualquer fato, ou circunstância, certo e provado, que
tenha conexão com o fato, mais ou menos incerto, que se procura provar. Ver artigo 382
do CPPM.

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Presunção
Significa opinião ou juízo baseado nas aparências; suposição ou suspeita. Ver artigo 236
do CPM.

Ficção
Significa ato ou efeito de fingir. Considerar como verdadeiro um fato que realmente não
o é. Ex.: funcionário público por equiparação, militar inativo empregado na administração
militar, crime continuado.

Prova indiciária
Indício é um meio de prova (artigo 382 do CPPM). É possível a condenação, se a prova re-
colhida for suficiente para a condenação. Ver HC nº 8.928/SP.

Ônus da Prova
Significa encargo. Trata-se de obrigação para consigo mesmo e, se não cumprida, será ele
o único prejudicado. O STF decidiu que o ônus da prova é exclusivo do Ministério Público
(HC 84580/SP).

Ônus da Prova e o poder instrutório do juiz


artigo 156 do CPP. Imparcialidade e sistema acusatório.

Procedimento Probatório:
- Proposição das Provas (indicação pelas partes);
- Admissão das provas (cabe ao Juiz);
- Produção das provas (contradição feita pelas partes). Provas não renováveis – contradi-
tório diferido;
- Valoração das provas (apreciação pelo Juiz na sentença);

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Sistemas de avaliação das provas
É o critério utilizado pelo Juiz para valorar as provas dos autos, alcançando a verdade his-
tórica do processo.
- Da íntima convicção ou da certeza moral do juiz – Juízes militares quando votam;  Das
regras legais ou da certeza moral do legislador ou da prova tarifada – o Juiz não possui
liberdade na avaliação das provas para decidir. Há uma desconfiança do legislador em
relação ao Juiz. Ex.: Exame de corpo de delito, documento probatório da ciência da data e
local da incorporação (artigo 463, par. 2º do CPPM)

- Da livre convicção ou da persuasão racional – a fundamentação é um instrumento de


controle de que dispõe a sociedade sobre as decisões judiciais, evitando abusos por parte
dos órgãos estatais, limitando o exercício do poder (artigo 155 do CPP). O Juiz deve conde-
nar com base nas provas contraditadas. As decisões devem ser motivadas.

Provas antecipadas
São aquelas realizadas na fase do inquérito visando a preservar o objeto de prova que
seria colhido no curso do processo, mas que por algum motivo poderá não existir naquele
momento. Ex: testemunha idosa e doente.

Provas cautelares
Periculum in mora e fumus boni iuris.

Provas não repetíveis


São aquelas que não se renovam em juízo. O Juiz pode fundar sua decisão nessas provas.

Natureza das normas que tratam das provas


Pertencem ao ramo do direito processual.
Aplica-se o princípio da imediatidade.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Classificação dos
Atos Processuais
Despachos:
Atos de impulso processual/não há controvérsias;
São irrecorríveis;
Cabe correição parcial.

Decisões Interlocutórias:
Recurso em sentido estrito. Não julgam o mérito da pretensão penal.
- Simples: são, em regra, irrecorríveis. Cabe Habeas Corpus/Mandado de Segurança em
decisão de recebimento de denúncia. Quando submetidas ao prazo preclusivo, caberá re-
curso em sentido estrito. Não extinguem o processo.
- Mistas: encerram uma fase procedimental ou mesmo a própria relação processual sem
o julgamento do mérito. Exemplo: acolhimento das exceções de litispendência e coisa jul-
gada.

Decisões com força de definitivas


Apelação
Apreciam o mérito de questões/processos incidentes;
Restituição da coisa apreendida, cancelamento da inscrição de hipótese e o levantamento
do sequestro.

Sentenças propriamente ditas


Apelação
Julgam o mérito da pretensão punitiva;

Extensão da punibilidade:
a) não julgam a questão penal, mas apenas reconhecem a inexistência de interesse ou
pretensão punitiva.
Resolvem mas não apreciam o mérito
b) há decisão ou solução de mérito por que há preclusão da matéria como se tratasse de
coisa julgada.

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DIREITO PROCESSUAL
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Ação Penal Militar
Consiste no direito de se pedir ao Estado Juiz a aplicação do Direito Penal Militar ob-
jetivo.
É um direito público subjetivo, determinado, autônomo e abstrato, ou seja, possui as mes-
mas características da ação penal, e por essa razão não aprofundaremos o estudo nesse
ponto, pois esta matéria já está bem tratada pela doutrina e não é esse o propósito do
presente trabalho.

Importante é realçar que no processo penal militar não se admite nem a ação
penal privada, esceto a subsidiária da pública, por força de dispositivo constitu-
cional (artigo 5º, LIX) nem a pública condicionada à representação. Verifica-se
apenas a hipótese da ação penal pública incondicionada e a da condicionada à
requisição.

Entendeu o legislador que os bens jurídicos tutelados são indisponíveis, pois antes
de atingir o interesse de um particular, o delito afronta a Instituíção Militar, que seria o
sujeito passivo principal, implícita ou explicitamente. A finalidade maior do Código penal
Militar é a proteção às Instituições Militares, que apresentam nos seus pilares básicos, a
hierarquia e disciplina. Essa é a razão de uma Justiça Especializada e, consequentemente,
de uma legislação específica.

Artigo 29º
Princípio da oficialidade. Apenas o MPM pode promover ação penal junto à JMU,
com exceção da ação penal privada subsidiária da pública, quando houver inércia por par-
te do MPM;

Artigo 30º
Princípio da obrigatoriedade. A denúncia deverá ser promovida sempre que houver
prova de fato que, em tese, constitua crime militar e indícios de autoria. Entretanto, mesmo
presentes esses requisitos, nada impede que o MPM formule pedido de arquivamento dos
autos do IPM, sob algum fundamento, como, por exemplo, por ter ocorrido o ressarcimen-
to do prejuízo ou ainda por ausência de interesse processual;

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DIREITO PROCESSUAL
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Artigo 31º
Ação penal pública condicionada à requisição. Além dessa hipótese, encontramos
a requisição como condição especial para o regular exercício do direito de ação, no pará-
grafo único do artigo 95 da LOJMU (em tempo de guerra). Não há a chamada ação penal
condicionada à retratação. No entanto, cabe discutir a aplicação da Lei nº 9.099/95, na hi-
pótese de o indiciado/denunciado/acusado for civil, pois não estão sujeitos aos princípios
de hierarquia e disciplina que impedem a aplicação dos institutos previstos naquela legis-
lação aos militares;

Requisição
- ato político/qualquer tempo enquanto não extinta a punibilidade.
- irretratável/não vincula o Ministério Público.

Artigo 32º
Princípio da indisponibilidade. Do mesmo modo, o MPM não poderá desistir do re-
curso interposto, como dispõe o artigo 512 do CPPM. No entanto, o MPM poderá opinar
pela absolvição do acusado, ao término da instrução criminal, mas tal manifestação não
vincula o Conselho de Justiça, de acordo com o disposto na alínea b do artigo 437 do CPPM;

- Princípio da indivisibilidade.
Existe o entendimento que tal princípio deriva do princípio da obrigatoriedade;

- Princípio da intranscendência.
A pena não poderá passar da pessoa do condenado;

- Ação privada subsidiária da pública


Inércia do Ministério Público.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Denúncia
Consiste numa exposição, por escrito, de fatos que constituem em tese um ilícito
penal, ou seja, de fato subsumível em um tipo penal, com a manifestação expressa da von-
tade de que se aplique a lei penal a quem é presumivelmente o seu autor e a indicação das
provas em que se alicerça a pretensão punitiva.
Verifica-se, então, que a denúncia é uma peça escrita, na qual o Ministério Público
narra um fato, atribui esse fato a alguém e requer a condenação, em razão de ele ser con-
siderado um delito, de acordo com o Código Penal Militar.
A denúncia será oferecida quando houver prova de fato que em tese constitui crime
e indícios de autoria. No momento da propositura da ação penal não se exige a certeza,
apenas indícios, pois deve-se aplicar o in dubio pro sociedade. Pode ser proposta a ação
independente da instauração de inquérito policial militar, visto que, se for feita uma repre-
sentação dirigida ao Ministério Público Militar, na qual estejam bem delineados a autoria
e o fato, através de prova documental, este não precisará requisitar a instauração de IPM,
por ausência de finalidade deste.

Artigo 77º
Requisitos: não são indispensáveis, mas deve a denúncia ser narrada de modo que
permita ao eventual acusado o exercício pleno do princípio da ampla defesa;

Artigo 78º
Rejeição da denúncia.
Cuida o artigo 78 do Código de Processo Penal Militar das hipóteses de rejeição de de-
núncia, ou seja, quando o Juiz entender que a acusação não deve ser aceita por ausência
de requisitos previstos no artigo 77, por incompetência da Justiça Militar, por ausência de
condições para o regular exercício do direito de ação, etc., proferirá o que se domina de
despacho liminar negativo. Assim, no momento em que a denúncia é apresentada cabe ao
Juiz exercer o controle sobre a mesma sob três aspectos: regularidade formal da denúncia;
viabilidade da relação processual – analisa os pressupostos processuais; viabilidade do
direito de ação.
Distinção entre as alíneas b e d do artigo 78.

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Importante na peça exordial é que estejam bem especificados os requisitos


elencados no artigo 77 do Código de Processo Penal Militar, a fim de que seja
dada ampla possibilidade de dfesa do acusado.

Ver artigo 395 do CPP


Fato não constituir crime/ausência de condição da ação. Nessas hipóteses aplica-se o dis-
posto na alínea a do artigo 3º do CPPM;

Recurso contra rejeição de denúncia e seu aditamento – artigo 516, d do CPPM. Ob-
servem que o CPP não admite expressamente a interposição do recurso em sentido estrito
quando ocorrer rejeição ao aditamento à denúncia.

Artigo 79º
Prazo para manifestação do MPM. Observem que o CPPM se refere a acusado quan-
do deveria tratar como denunciado, visto que a denúncia ainda não foi recebida, contra-
riando o disposto no artigo 69 do CPPM:

- Denunciado preso – 05 dias.


- Denunciado solto – 15+15+15 dias.
- Prazo para manifestação do Juiz-Auditor – 15 dias, estando o denunciado solto ou preso.

Artigo 80º
Baixa para diligências. O MPM pode requerer a realização de novas diligências para
formar sua convicção sobre o fato apurado;

Artigo 81º
Extinção de punibilidade.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Jurisdição e Competência
Conceito de Jurisdição.
A palavra jurisdição vem do latim juris dictio, que significa “dizer o direito”, ou seja,
interpretar as leis para solucionar os casos concretos que são trazidos ao Poder Judiciário.
Trata-se de uma das funções do Estado, mediante a qual esse se substitui aos titula-
res dos interesses em contraposição para, imparcialmente, buscar a pacificação do conflito
que os envolve, com justiça, sendo que essa, por sua vez, é feita em razão da atuação da
vontade do direito objetivo que rege o caso apresentado em concreto, tudo isso por inter-
médio do processo.
Giuseppe Chiovenda define a jurisdição como sendo a “[...] função do Estado que tem
por escopo a atuação da vontade concreta da lei por meio da substituição, pela atividade de
órgãos públicos, da atividade de particulares ou de outros órgãos públicos, já no afirmar a
existência da vontade da lei, já no torná-la, praticamente, efetiva.”

Princípios:

Juiz Natural (art. 5º, LIII e XXXVII, CR), do devido processo legal (art. 5º, LIV), da correlação
ou da relatividade.
Diante dos chamados “princípios jurisdicionais”, o princípio do Juiz natural apresenta-se
como um dos mais relevantes no ordenamento pátrio.
Apresenta-se consagrado na Constituição Federal de 1988, como um dos Direitos e Garan-
tias Fundamentais: “Art. 5°, XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;” e “Art. 5°, LIII
- ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;” Assim,
havendo provocação da justiça e instaurada a lide, a prestação jurisdicional deverá ser feita
por juízes, tribunais e órgãos previstos na Constituição Federal, criados antes do cometi-
mento do fato, garantindo assim ao cidadão imparcialidade dos julgadores.
Por sua vez, o Princípio do devido processo legal é também apresenta-se como uma garan-
tias constitucionais de maior importância, pois dele decorrem todos os demais princípios
e garantias constitucionais. Desta forma, ele é serve de base legal para aplicação de todos
os demais princípios processuais, garantindo, assim, inúmeros outros postulados como
os princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação (apesar de autônomos e

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independentes entre si), integrando-se totalmente os incisos LIV e LV, ambos do artigo 5º
da Carta Magna de 1988. Tais princípios ajudam a garantir a tutela dos direitos e interesses
individuais, coletivos e difusos.

Já o princípio da correlação ou da relatividade, também chamado de princípio da


congruência da condenação com a imputação ou ainda da correspondência entre o objeto
da ação e o objeto da sentença, denota a necessidade da correspondência entre a conde-
nação e a imputação, ou seja, o fato descrito na peça inaugural de um processo – queixa
ou denúncia – deve guardar estrita relação com o fato constante na sentença pelo qual o
réu é condenado.
Desta forma, assegura ao réu a certeza de que não poderá ser condenado sem que
tenha tido oportunidade de, previa e pormenorizadamente, ter ciência dos fatos crimino-
sos que lhe são imputados, podendo, assim, defender-se amplamente da acusação.

Características: substitutividade e definitividade.

A característica da substitutividade consiste na substituição da vontade das partes,


pela “vontade” da norma jurídica aplicada no caso em concreto. O Estado, ao vedar a auto-
tutela, substitui as atividades daqueles que estão envolvidos no conflito trazido à aprecia-
ção, não cabendo a nenhuma das partes interessadas dizer se a razão está com ela ou com
a outra parte, nem pode, também, esta invadir esfera jurídica alheia para satisfazer-se,
salvo raríssimas exceções expressamente autorizadas por lei.
Já a característica da definitividade da jurisdição, refere-se a imunização dos efeitos
dos atos realizados. Traduz-se na coisa julgada. Trata-se de característica exclusiva de atos
do Poder Judiciário, pois conforme ensina Candido Rangel Dinamarco “os atos dos demais
Poderes do Estado, podem ser revistos pelos juízes no exercício da jurisdição, mas o con-
trário é absolutamente inadmissível”.

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DIREITO PROCESSUAL
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Conceito de competência

Conforme já visto, a Jurisdição é o poder estatal de aplicar o direito, sendo a com-


petência a medida e o limite da jurisdição, ou seja, a delimitação do poder jurisdicional. A
competência pode ser delimitada de forma material, funcional, pelo local da infração, pelo
domicílio ou residência do réu. A competência material é determinada em razão do local,
em razão da matéria em razão da pessoa.
Sem grandes divergências da legislação processual comum, a matéria acima deve
ser verificada, respectivamente, nos arts. 85 a 121; 122 a 127; 128 a 169; 170 a 276 da Lei
Adjetiva Castrense.
Cabe, por oportuno, destacar da exposição de motivos do Projeto que gerou o CPPM:
Na competência do foro militar, atendendo às peculiaridades a sua Justiça, bem
como à situação profissional dos militares e suas prerrogativas, o Projeto regula a maté-
ria de modo diferente do adotado na legislação processual comum, embora mantendo
a primazia da competência pelo lugar da infração. Seguindo ordem exclusiva, a começar
por esta competência, admite, de modo geral, a da residência ou domicílio do acusado e,
depois, a da prevenção, quando não conhecido ou incerto o lugar da infração, sendo que,
para o militar em situação de atividade, ou o assemelhado na mesma situação, e o fun-
cionário lotado em repartição militar, a competência do foro, quando não se puder deter-
minar o lugar da infração, será o da unidade, navio, força ou órgão onde estiver servindo,
não lhe sendo aplicável o critério da prevenção, salvo entre Auditorias da mesma sede e
atendida a respectiva especialização.
Ficou ainda estabelecida a competência dentro de cada Circunscrição Judiciária,
obedecendo, ordenadamente, à especialização das Auditorias (da Marinha de Guerra, do
Exército ou da Aeronáutica Militar, onde as houver), e à distribuição, onde existir mais de
uma.
Na parte relativa à competência pelo lugar da infração, foi prevista a relativa aos cri-
mes cometidos a bordo de navio, embarcação ou aeronave sob comando militar ou militar-
mente ocupados, bem como aos cometidos fora do território nacional, ou neste somente
em parte.
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DIREITO PROCESSUAL
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Quanto à prerrogativa de posto ou função, a respeito da qual não prevalecem as


regras de competência acima mencionadas, tal como acontece nos casos de contingência
e conexão e de desaforamento, o Projeto deixou explícito que a competência decorre da
natureza da mesma prerrogativa e não da natureza da infração, regulando-se, estritamen-
te pelas normas expressas no Código.
Regulou, em todas as particularidades, os casos de conexão e continência; e, em es-
pecial, a respeito de concurso da competência militar, prevendo as hipóteses de unidade e
de separação de processos e as de separação somente dos julgamentos. Da mesma forma
dispôs em relação ao desaforamento de processo.
“A mensagem, que é de tradição no processo penal militar, foi conservada nos mol-
des em vigor, atualmente”.
Assim a competência está intimamente ligada aos limites da jurisdição, função so-
berana do Estado. Seus princípios são os mesmos do foro comum, como indeclinabilidade,
indelegabilidade, improrrogabilidade (aderência) e relatividade (correlação); entretanto,
possui algumas peculiaridades, como o sorteio e compromisso na investidura dos juízes
militares que compõem os Conselhos de Justiça.
Espécies – ratione materiae (art. 124, CR) - a competência se dá em razão da maté-
ria. O juiz somente poderá apreciar determinadas causas. Essa competência é delimitada,
via de regra, pela legislação ordinária, exceto quando esta for fixada por preceito constitu-
cional. O art. 124 da Constituição federal determina que “à Justiça Militar compete proces-
sar e julgar os crimes militares definidos em lei.”
Ratione loci (art. 85, I, a, CPPM). A competência será, via de regra, determinada pelo
lugar da infraçao, e, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de
execução.
Ratione domiciliae (art. 85, I, b). Caso não seja conhecido o lugar da infração, a
competência se dará pela residência ou domicílio do acusado, excetuando-se o militar em
atividade, onde será o lugar de sua unidade, navio, força ou órgão onde servir, não sendo
aplicável o critério da prevenção.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Prevenção (art. 85, I, c). A competência firmar-se-á por prevenção, sempre que, con-
correndo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com competência cumulativa,
um deles tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a
este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia.
A competência pela prevenção pode ocorrer quando incerto o lugar da infração, por ter
sido praticado na divisa de duas ou mais jurisdições; quando incerto o limite territorial
entre duas ou mais jurisdições; quando se tratar de infração continuada ou permanente,
praticada em território de duas ou mais jurisdições; quando o acusado tiver mais de uma
residência ou não tiver nenhuma, ou forem vários os acusados e com diferentes residên-
cias.
Trata-se de um critério subsidiário de determinação da competência, que será utilizado
sempre que os demais critérios não forem suficientes para definir qual juiz será o compe-
tente.
Competência dentro de cada CJM (art. 86). Se dará pela distribuição nas Circuns-
crições Judiciárias Militares que possuírem mais de uma auditoria distribuição (1a, 2a ,11a
CJM). A especialização das auditorias não existe mais; e por disposição especial do Código.
Enquadra-se nessa Disposição Especial a hipótese prevista no artigo 91, crimes cometidos
fora do território nacional, cuja competência é carreada para a 11ª CJM, na Capital da União,
salvo se o agente tiver prerrogativa de foro, como é o caso do Oficial-general (prerrogativa
de posto) e do Comandante do Teatro de Operações (prerrogativa de função). Neste último
caso, a ação penal dependerá de requisição do Presidente da República, sendo exceção à
regra da ação pública incondicionada.
Hipóteses de modificação da competência – conexão, continência, prerrogativa
de posto ou função (ratione personae) e desaforamento.
A teoria adotada para definir o lugar do crime é a Teoria da Ubiquidade, pois o Có-
digo considera praticado o fato, no lugar em que se desenvolveu a atividade criminosa, no
todo ou em parte, e ainda que sob forma de participação, bem como onde se produziu ou
deveria produzir-se o resultado. Nos crimes omissivos, o fato considera-se praticado no
lugar em que deveria realizar-se a ação omitida.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Artigos 99º/107º
Conexão e continência.
Haverá conexão: se, ocorridas duas ou mais infrações, tiverem sido praticadas, ao
mesmo tempo, por várias pessoas reunidas ou por várias pessoas em concurso, embora
diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; se, no mesmo
caso, umas infrações tiverem sido praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para
conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; quando a prova de uma
infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infra-
ção.
Haverá continência: quando duas ou mais pessoas forem acusadas da mesma
infração; na hipótese de uma única pessoa praticar várias infrações em concurso.
A conexão, na Justiça Especializada, quanto aos seus conceitos e espécie, não difere da Jus-
tiça Comum. Assim, no artigo 99, alínea a do Código de Processo Penal Militar encontram-
-se as três espécies de Conexão intersubjetiva – por simultaneidade, por concurso e por re-
ciprocidade. Na alínea b do mencionado artigo 99, retratam-se as modalidades de conexão
teleológica – para facilitar, ocultar, conseguir impunidade ou conseguir vantagem – tudo
em relação a infrações e, finalmente, na alínea c a conexão probatória (instrumental).

Quanto à continência, o artigo 100 da mesma lei adjetiva castrense a deferência em:
continência por Cúmulo Subjetivo (alínea a) e por Cúmulo Objetivo (alínea b) conforme se
tratar de concurso de agentes ou concurso de crimes.

No caso de Conexão e Continência, os critérios de competência estabelecidos nos


artigos 85 e 86, por si sós não são suficientes para estabelecer o foro da lide, razão por
que o artigo 101 impõe normas específicas para a hipótese. Assim: a) no Concurso entre a
Jurisdição Especializada e a Cumulativa, prepondera a Especializada.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Ressalta-se que não mais existe auditoria especializada para a Marinha, Exér-
cito e Aeronáutica pelo fato de o agente pertencer a qualquer dessas Forças. A
única especialização existente é a prevista no artigo 86, alínea c, do CPPM – por
disposição especial do código – aliás, uma única hipótese prevista no artigo 91 –
crimes praticados fora do território nacional – cuja competência se desloca para
a 11ª CJM (Capital da União).

No concurso de jurisdições cumulativas (mistas) a competência se determina con-


forme as seguintes prevalências:
a) pena mais grave cominada;
b) maior número de infrações, se as penas forem da mesma gravidade;
c) prevenção, nos demais casos.

Se o concurso de jurisdição se der entre categorias diversas, v.g., STM e Auditorias,


predominará a de maior graduação, o STM, portanto.

Duas consequências imediatas decorrem da conexão e continência: a


primeira é a unidade de processo (artigo 102) excetuada aos concursos entre
a jurisdição militar e a comum ou do Juízo da Infância e da Juventude.
A separação do processo não quebra os efeitos da conexão ou conti-
nência, quer para o foro militar quer para o comum.
A segunda consequência da conexão ou continência é a prorrogação de
competência – prorrogatio fori (artigo 103) que se pode perpetuar (artigo 104)
– perpetuatio fori.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

O artigo 105 trata da separação de julgamento. Não há quebra da unidade proces-


sual exigida pela conexão ou continência, mas só do julgamento, quando ocorrerem as
hipóteses previstas, quais sejam: a) se, de vários acusados, alguém estiver foragido e não
puder ser julgado, à revelia; b) se os defensores de dos ou mais acusados não acordarem
na suspeição do juiz de Conselho e Justiça, superveniente para compô-lo, por ocasião do
julgamento.
Nas hipóteses da alínea a, a única previsão do CPPM em que o acusado não pode ser
julgado à revelia, em primeira instância, é na deserção, o que, porém, ali não se enquadra,
pois não pode haver vários acusados num mesmo processo de deserção. Na instância su-
perior pode ocorrer que o STM aprecie apelação e julgue co-réu, deixando de julgar outro
co-réu que não pode apelar, por ser revel.
A hipótese da alínea b, é a mais frequente, pois, sendo o conselho um colegiado,
pode haver superveniência de juiz na sua formação, ensejando a suspeição ou impedimen-
to desse juiz, em relação a um ou mais acusados.
O artigo 106 fala em separação de processos, devendo ser entendido como separa-
ção de atos processuais para facilitar coleta de provas e andamento do feito, pelas razões
ali expostas. O processo, na sua essêmcia, continua unificado, com uma única denúncia
abrangendo todos os acusados e um mesmo órgão julgador.
Prevê o legislador da lei Adjetiva castrense um recurso “suigeneris”, o denominado recurso
de ofício como forma de insurgimento à decisão do Juiz sobre a separação de processo.
Há outras três hipóteses de sua admissibilidade:
a) Reconhecimento da coisa julgada (art. 154, parágrafo único);
b) Concessão de reabilitação (art. 654);
c) sentenças em tempo de guerra, nas hipóteses das alíneas a e b do artigo 696.

Deve-se finalmente atentar para a hipótese de, não obstante a conexão e continên-
cia, serem instaurados processos diferentes, devendo o juiz prevalente avocar os proces-
sos em andamento, ressalvada a sentença definitiiva, hipótese em que a unidade do pro-
cesso se dará ulteriormente, para efeito de soma ou unificação de pena (art. 107).

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Artigo 108º
Prerrogativa de posto ou função. A competência, na hipótese de prerrogativa, decor-
re da própria natureza desta e não em decorrência da infração, regulando-se por normas
específicas.
O Código de Processo Penal Militar prevê no seu artigo 108 duas modalidades de
prerrogativa: a de posto e a de função.
A competência por prerrogativa de posto está prevista no artigo 6º, inciso, alínea a,
da Lei de Organização Judiciária Militar.
O processo e julgamento dos oficiais-generais, por prerrogativa de posto segue o
rito dos processos especiais de competência originária do STM, obedecida a formalidade
prevista nos artigos 497 da Lei Adjetiva Castrense.
Quanto à competência por prerrogativa de função, a única hipótese hoje existente
está prevista também na citada LUJMU, em tempo de guerra, no artigo 95, parágrafo único,
que dispõe que o comandante do teatro de operações responderá a processo perante o
Superior Tribunal Militar, condicionada a instauração da ação penal à requisição do Presi-
dente da República.

O legislador ressalta, na hipótese, a função que o acusado exerce e não


o fato de ser ele oficial-general, mesmo porque tal função não será, necessaria-
mente, privativa do oficialato máximo, ou até mesmo de militar. Condiciona-se
ainda a intentação da ação penal à requisição do Presidente da República, exce-
ção que se faz à norma geral da ação penal militar pública incondicionada.
Registra-se, mais, que a Lei nº 8.719, de 19/10/1993 (artigo 10º) revogou o
artigo 6º, inciso I, alínea b, da Lei nº 8457, de 4/9/1992, que previa prorrogativa
de função para os crimes militares praticados por juízes-auditores, membros do
Ministério Público Militar e Defensores Públicos junto à Justiça Militar.

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DIREITO PROCESSUAL
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Artigos 109º/110º
Desaforamento – representação ao STM para designar uma auditoria. A palavra de
formação parassintética pode ser entendida como a subtração da lide, do processo, de um
determinado foro (Auditoria) para outro foro (Auditoria), pelas razões alineadas no artigo
109.
Uma das razões, a da alínea c) – impossibilidade de se constituir o Conselho de Jus-
tiça ou de mantê-lo constituído – é típico da Lei adjetiva Penal Militar. O processo e julga-
mento dos crimes militares, na instância inferior, se faz pelos Conselhos – Juiz-togado, por
mais quatro oficiaism obedecido o Princípio do “pares paribus iudicantur” ( oficiais-juízes
da mesma Força a que pertencer o acusado)m o quem nem sempre é possível, daí o desa-
foramento.
O pedido de desaforamento é feito ao STM, Podendo fazê-los os Comandantes da
Marinha, do Exército ou da Aeronáutica; do Dsitrito Naval, Região Militar e de Comando Aé-
reo; Conselhos de Justiça ou Auditor e ainda mediante representação do Ministério Público
ou do acusado (art. 109, § 1º).
Caso defira o pedido, o Superior Tribunal Militar, ouvido o Procurador-Geral, se dele
não preveio o pedido, designará a Auditoria por onde deva ter curso o processo (art. 109,
§§ 2º e 4º). O pedido, embora negado, poderá ser renovado, se houver motivo superve-
niente (art. 110).

Artigos 111º/121º
Conflitos de competência. Em que pese a redação do art. 121 do CPPM, compete ao
STJ processar e julgar os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, bem como
entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos,
na forma do art. 105, I, “d”, da CF).

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DIREITO PROCESSUAL
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Da Prisão
A lei penal brasileira prevê quatro tipos de prisão:

- Prisão Provisória (temporária, preventiva, em flagrante);


- Prisão-Pena (para execução de pena);
- Prisão Civil (do não pagador de pensão alimentícia);
- Prisão Disciplinar (para militares);

Espécies:

- Prisão-Pena
Ocorre após o trânsito em julgado da sentença condenatória.

- Prisão Processual/Provisória.
É decretada antes do trânsito em julgado (temporária e preventiva), bem como a prisão em
decorrência de flagrante.

- Prisão Civil.
Atualmente a única hipótese cabível é a do devedor de alimentos, não mais se admitindo
a do depositário infiel.

- Prisão Disciplinar.
Encontra amparo no art. 5º, LXI, CR)
Destaca-se que a chamada prisão para averiguação não é mais admitida no ordenamento
jurídico pátrio, pois, conforme doutrina e jurisprudência dos tribunais superiores, tal espé-
cie não encontra amparo na Constituição Federal de 1988.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Da Prisão Provisória
Conceito: Prisão provisória é a que ocorre durante o inquérito, ou no curso do pro-
cesso, antes da condenação definitiva.
Requisitos: periculum in mora (periculum libertatis) e fumus boni iuris. Natureza
processual/cautelar.
Espécies – flagrante, preventiva, em virtude de sentença condenatória recorrível,
artigo 18 do CPPM, prisão do desertor (art. 452 do CPPM) e prisão temporária (não se aplica
à Justiça Militar).
Características: jurisdicionalidade, instrumentabilidade, provisoriedade e propor-
cionalidade.
Insubmisso – O termo, juntamente com os demais documentos relativos à insub-
missão, tem o caráter de instrução provisória, destina-se a fornecer os elementos necessá-
rios à propositura da ação penal e é o instrumento legal autorizador da captura do insub-
misso, para efeito da incorporação. Tal hipótese encontra previsão no art. 5º, LXI, da CF/88,
que dispõe que ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fun-
damentada de autoridade judiciária competente, excepcionando os casos de transgressão
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei.
Desertor: o mesmo se aplica ao crime de deserção, pois, conforme expressa previ-
são legal, o termo de deserção tem o caráter de instrução provisória e destina-se a fornecer
os elementos necessários à propositura da ação penal, sujeitando, desde logo, o desertor à
prisão

Frise-se que o artigo 18 do CPPM, que prevê que o indiciado poderá ficar deti-
do durante as investigações policiais, por até trinta dias, independentemente
de flagrante delito, não foi recepcionado pela CRFB/88.

A prisão ou detenção de qualquer pessoa será imediatamente levada ao conheci-


mento da autoridade judiciária competente, para que seja analisada sua legalidade, bem
como a conveniência da manutenção da prisão.

Cumpre destacar que a prisão de militar deverá ser feita por outro militar de
posto ou graduação superior; ou, se igual, mais antigo, com a ressalva de que
qualquer pessoa poderá e os militares deverão prender quem for insubmisso
ou desertor, ou seja encontrado em flagrante delito.

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DIREITO PROCESSUAL
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Artigo 226º
A prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora, respeitadas as
garantias relativas à inviolabilidade do domicílio. Deve ser observado que a casa é asilo
inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador,
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia,
por determinação judicial;

Artigo 228º
Precatória entre autoridades militares. Se o capturando estiver em lugar estranho
à jurisdição do juiz que ordenar a prisão, mas em território nacional, a captura será pedi-
da por precatória, da qual constará o mesmo que se contém nos mandados de prisão.

Artigo 230º
Par. Único – a recaptura de evadido independe de mandado.

Artigo 234º
Critério da razoabilidade. O emprego de força só é permitido quando indispensá-
vel, no caso de desobediência, resistência ou tentativa de fuga. Se houver resistência da
parte de terceiros, poderão ser usados os meios necessários para vencê-la ou para defesa
do executor e auxiliares seus, inclusive a prisão do ofensor. De tudo se lavrará auto subs-
crito pelo executor e por duas testemunhas.

Artigo 237º
Nota de culpa/aplicação analógica da parte final do art. 286 do CPP.

Artigo 238º
Preso à disposição da Justiça.

Artigo 242º
Prisão especial só até o trânsito em julgado da sentença condenatória. Ver Lei nº
10.258, de 11/07/2001 (artigo 295 do CP).

Prisão de eleitor – não é permitida desde 5 dias antes até 48 horas após a eleição, salvo
flagrante delito ou em virtude de sentença penal condenatória (artigo 236 do Código Elei-
toral)

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DIREITO PROCESSUAL
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Da Prisão em Flagrante
Conceito: Trata-se de medida restritiva de liberdade, de natureza cautelar e proces-
sual, consistente na prisão, independentemente de ordem escrita do Juiz competente, de
quem é surpreendido cometendo ou logo após o cometimento. Trata-se de mecanismo de
autodefesa da sociedade, ao permitir qualquer pessoa de privar, temporariamente, aque-
le que está praticando ou praticou infração penal, da sua liberdade de locomoção, sendo
desnecessário mandado de prisão.

Artigo 243º
Qualquer pessoa poderá (flagrante compulsório) e os militares deverão (facultativo)
prender quem for insubmisso ou desertor, ou seja encontrado em flagrante delito

Espécies:

- Flagrante próprio – art. 244, a e b do CPPM; O agente está cometendo o crime ou acaba
de cometê-lo;

- Flagrante impróprio ou quase-flagrante – art. 244, c do CPPM; O agente é perseguido


logo após o fato delituoso em situação que faça acreditar ser ele o seu autor;

- Flagrante presumido ou ficto – art. 244, d do CPPM; O agente é encontrado, logo de-
pois, com instrumentos, objetos, material ou papéis que façam presumir a sua participa-
ção no fato delituoso.

- Flagrante preparado ou provocado – delito de ensaio, delito putativo por obra do


agente provocador. Preparação e não consumação do crime; Ocorre quando o agente é
instigado a praticar o delito, caracterizando verdadeiro crime impossível. Nessa espécie há
a figura de um agente provocador que induz o delituoso a praticar o crime. Na verdade, o
autor do fato delituoso é na verdade mero “ator” de uma trama ensaiada para prendê-lo
em flagrante, uma vez que há adoção de precauções para que o crime não se consume.
Súmula. 145/STF: “Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna im-
possível a sua consumação.”

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DIREITO PROCESSUAL
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- Flagrante esperado: Há flagrante esperando quando terceiros (policiais ou particulares)
dirigem-se ao local onde irá ocorrer o crime e aguardam a sua execução. Neste caso, não há
a figura de um agente provocador, ou seja, não há indução para a prática do crime. É o caso
de campanas realizadas pelos policiais que, após informações sobre o crime, aguardam o
início da sua execução no local, com a finalidade de prender o criminoso em flagrante.

- Flagrante prorrogado, retardado ou diferido, também chamado de ação contro-


lada: quando, mediante autorização judicial, o agente policial retarda o momento da sua
intervenção, para um momento futuro, mais eficaz e oportuno para o colhimento das pro-
vas ou por conveniência da investigação. Consiste, pois, “no retardamento da intervenção
policial, que deve ocorrer no momento mais oportuno do ponto de vista da investigação
criminal ou da colheita de provas. Esse tipo de flagrante tem objetivo o combate à ma-
crocriminalidade e aos grandes criminosos, com a possibilidade de infiltração de agentes
policiais em organizações criminosas.

- Flagrante forjado ou urdido: Consiste em uma situação falsa de flagrante criada para
incriminar alguém. É uma modalidade ilícita do flagrante, onde o único infrator é o agente
forjador.

Comunicação à família (art. 5º, LXIII, CRFB) e assistência de um advogado.

Artigo 245º
Lavratura do auto – oitiva do condutor, oitiva de duas testemunhas (o condutor pode
ser uma delas), na ausência de testemunhas do crime poderão assinar duas testemunhas
da apresentação do preso (testemunhas instrumentais ou indiretas) e interrogatório do
preso (direito ao silêncio – art. 5º, LXIII, CRFB).

Artigo 247º
Nota de culpa no prazo de 24h.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Artigo 247º, par. 2º


Relaxamento de prisão. A prisão em flagrante ilegal pode ser substituída pela prisão
preventiva.

Lavratura do APF por autoridade civil: Quando a prisão em flagrante for efetuada
em lugar não sujeito à administração militar, o auto poderá ser lavrado por autoridade
civil, ou pela autoridade militar do lugar mais próximo daquele em que ocorrer a prisão.

Artigo 251º
Remessa do APF ao Juiz.

Artigo 253º
Liberdade provisória com vinculação. Acrescente-se as hipóteses dos artigos 222,
par. 3º e 36, ambos do CPM.

Aplicação do art. 310, par. Único do CPP: Ao receber o auto de prisão em


flagrante, o juiz deverá fundamentadamente relaxar a prisão ilegal; converter a
prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes
do art. 312 do CPP; ou conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.
Assim, para que alguém preso em flagrante permaneça preso, deverão
estar presentes os motivos da prisão preventiva.

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DIREITO PROCESSUAL
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Da Prisão Preventiva
Princípio da necessidade – caráter de excepcionalidade.

Motivos da prisão preventiva: A prisão preventiva, além dos requisitos do artigo


254, (prova do fato delituoso e indícios suficientes de autoria – fumus boni juris) deverá
fundar-se em ao menos um dos seguintes casos: garantia da ordem pública; conveniência
da instrução criminal; periculosidade do indiciado ou acusado; segurança da aplicação da
lei penal militar; exigência da manutenção das normas ou princípios de hierarquia e disci-
plina militares, quando ficarem ameaçados ou atingidos com a liberdade do indiciado ou
acusado (periculum libertatis).

Merece destaque a menção à periculosidade do indiciado ou acusado –


não existe expressa essa hipótese no CPP.
De igual modo, a exigência da manutenção dos princípios de hierarquia.

Desnecessidade da prisão: O juiz deixará de decretar a prisão preventiva, quan-


do, por qualquer circunstância evidente dos autos, ou pela profissão, condições de vida ou
interesse do indiciado ou acusado, presumir que este não fuja, nem exerça influência em
testemunha ou perito, nem impeça ou perturbe, de qualquer modo, a ação da justiça.

A prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz verificar, pelas provas
constantes dos autos, a existência de situação que configure excludente de ilicitude.

Revogação da prisão preventiva: O juiz poderá revogar a prisão preventiva se,


no curso do processo, verificar a falta de motivos para que subsista, bem como de novo
decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem.

A prisão preventiva pode ser decretada por Requerimento (pedido) do Ministério


Público ou mediante representação (exposição de fatos) da autoridade encarregada do
inquérito policial-militar.

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Menagem
A menagem, instituto tipicamente militar, é, na definição de Homero Prates, o bene-
fício outorgado pela lei a certos acusados – os que respondem por crimes cujo máximo da
pena for inferior a quatro anos – para ficarem presos sob palavra, fora do cárcere, uma vez
preenchidos os requisitos legais.

Pelo Código de Justiça Militar só poderia ser concedida se a pena fosse infe-
rior a quatro anos, enquanto pela legislação atual cabe inclusive nos crimes
apenados até quatro anos. Trata-se de uma medida que vem evitar o recolhi-
mento provisório do acusado à prisão, ou seja, substitui o instituto da prisão
provisória.

Devem ser considerados para efeitos de concessão da menagem a natureza do cri-


me e os antecedentes do acusado, ou seja, com relação ao primeiro requisito poderá ser
denegada a medida se os interesses da justiça, da disciplina ou de ordem pública o exigi-
rem; no tocante ao segundo, não será concedida se o acusado tiver maus antecedentes,
pois a menagem, na realidade, é uma homenagem que não se pode fazer se a conduta
anterior do réu não favorece.
Não há que se falar em concessão de menagem com relação aos delitos apenados
com suspensão do exercício do posto, graduação, cargo ou função ou reforma, tendo em
vista que os essas não se tratam de penas privativas de liberdade

A menagem a militar poderá ser efetuada na residência, em quartel, navio,


acampamento militar, ou em estabelecimento ou sede de órgão militar. Por
sua vez, ao civil, será no lugar da sede do juízo ou em lugar sujeito à adminis-
tração militar, excepcionalmente.

Antes de decidir, o Juiz dará vista dos autos ao membro do MPM a fim de que este
se manifeste sobre a concessão da menagem, embora, obviamente, ao seu parecer não
esteja vinculado o juízo.
Uma vez concedida a menagem, o acusado fica vinculado a certas obrigações, tais
como a de não se ausentar do local para o qual ela foi deferida, além de não faltar, sem
causa justificada, a qualquer ato judicial para que tenha sido intimado ou a que deva com-
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parecer independente de intimação. Mal comparando, a situação do acusado se equipara
àquela estabelecida ao indivíduo ao qual é concedida a liberdade provisória sob vincula-
ção, pois o descumprimento de qualquer obrigação levará à cassação da menagem.

O insubmisso é aquele civil que deixa de se apresentar à incorporação, dentro


do prazo que lhe foi marcado, ou, apresentando-se, ausenta-se antes do ato
oficial de incorporação, ou, ainda, aquele que dispensado temporariamente
da incorporação, deixa de se apresentar, decorrido o prazo de licenciamento
(artigo 183 do CPM).

Ao se apresentar, o civil é submetido à inspeção de saúde, e, uma vez julgado apto,


é incluído no serviço ativo. Entretanto, desde sua apresentação, não poderá ser recolhido
à prisãp, mas sim ter o quartel por menagem, independente de determinação judicial, em
consonância com o disposto no caput do artigo 464 do CPPM:
Se a autoridade militar entender que não há condições de manter o insubmisso
tendo o quartel por menagem, deverá comunicar ao juízo as razões, mas nunca recolhê-lo
à prisão, sob pena de praticar crime de abuso de autoridade. Se a menagem for cassada,
a autoridade judiciária deverá ser comunicada imediatamente sobre os motivos que leva-
ram a autoridade militar tomar tal decisão.

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DIREITO PROCESSUAL
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Prisão decorrente de
sentença condenatória
Condições para recorrer: Apesar da literalidade do artigo 527 do CPPM, no senti-
do de que o réu não poderá apelar sem recolher-se à prisão, salvo se primário e de bons
antecedentes, e regra atual é a do condenado recorrer em liberdade. Somente quando
preenchidos os requisitos da prisão preventiva é que este poderá ser preso, devendo o juiz
fundamentar a decisão.

Artigo 449º
Efeitos da sentença condenatória recorrível. ser o réu prêso ou conservado na pri-
são;
b) ser o seu nome lançado no rol dos culpados

- Súmula nº 9 do STJ.
- Súmula nº 267 do STJ.
- Prisão cautelar x execução provisória da pena.
- Réu preso durante o processo.
- Réu solto durante o processo – reincidente e de maus antecedentes.
- Réu condenado por infração da qual se livra solto – artigo 270 do CPPM.

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Liberdade Provisória
Conceito – liberdade sujeita a condição resolutiva (revogável).
Natureza jurídica – medida de contracautela.
Preceitos constitucionais a serem observados: ninguém será levado à prisão ou nela
mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança, e ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

Artigo 270º do CPPM


A liberdade é plena. Não há vinculação. O indiciado ou acusado livrar-se-á solto no
caso de infração a que não for cominada pena privativa de liberdade.

Poderá livrar-se sôlto: no caso de infração culposa, salvo se compreendida


entre as previstas no Livro I, Título I, da Parte Especial, do Código Penal Militar,
e) no caso de infração punida com pena de detenção não superior a dois anos,
salvo as previstas nos artigos 157, 160, 161, 162, 163, 164, 166, 173, 176, 177,
178, 187, 192, 235, 299 e 302, do Código Penal Militar.

Artigo 253º do CPPM


Corresponde ao caput do art. 310 do CPP – o CPPM acrescenta as hipóteses dos arts.
35, 38 e 40 do CPM.
Não há previsão da liberdade provisória mediante fiança.
Somente a autoridade judiciária poderá conceder liberdade provisória.

Artigo 271º
Suspensão da liberdade provisória: A superveniência de qualquer dos motivos refe-
ridos no art. 255 poderá determinar a suspensão da liberdade provisória, por despacho da
autoridade que a concedeu, de ofício ou a requerimento do Ministério Público.

Artigo 259º
Revogação da prisão preventiva: O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no
curso do processo, verificar a falta de motivos para que subsista, bem como novamente
decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem, sendo certo que a prorrogação da
prisão preventiva dependerá de prévia audiência do Ministério Público.

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Aplicação Provisória de
Medida de Segurança
Artigo 272º
Hipóteses cabíveis: No curso do inquérito, mediante representação do encarrega-
do, ou no curso do processo, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, enquanto
não for proferida sentença irrecorrível, o juiz poderá, observado o disposto no art. 111, do
Código Penal Militar, submeter às medidas de segurança que lhes forem aplicáveis: os que
sofram de doença mental, de desenvolvimento mental incompleto ou retardado, ou outra
grave perturbação de consciência; os ébrios habituais; os toxicômanos; os que estejam no
caso do art. 115, do Código Penal Militar.
As medidas de segurança são pessoais ou patrimoniais. As da primeira espécie
subdividem-se em detentivas e não detentivas. As patrimoniais são a interdição de estabe-
lecimento ou sede de sociedade ou associação, e o confisco.

As detentivas são a internação em manicômio judici-


ário e a internação em estabelecimento psiquiátrico
DETENTIVAS anexo ao manicômio judiciário ou ao estabelecimen-
to penal, ou em seção especial de um ou de outro.

As não detentivas são a cassação de licença para di-


reção de veículos motorizados, o exílio local e a proi-
NÃO bição de freqüentar determinados lugares.
DETENTIVAS

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DIREITO PROCESSUAL
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Somente podem ser impostas aos civis; aos militares ou assemelhados, condenados
a pena privativa de liberdade por tempo superior a dois anos, ou aos que de outro modo
hajam perdido função, posto e patente, ou hajam sido excluídos das forças armadas; aos
militares ou assemelhados, no caso do art. 48 do CPM; aos militares ou assemelhados, no
caso do art. 115, com aplicação dos seus §§ 1º, 2º e 3º, também do CPM.
A internação, cujo mínimo deve ser fixado de entre um a três anos, é por tempo
indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a ces-
sação da periculosidade do internado.
Salvo determinação da instância superior, a perícia médica é realizada ao término
do prazo mínimo fixado à internação e, não sendo esta revogada, deve aquela ser repetida
de ano em ano.

Artigo 273º
Irrecorribilidade de despacho: Não caberá recurso do despacho que decretar ou
denegar a aplicação provisória da medida de segurança, mas esta poderá ser revogada,
substituída ou modificada, a critério do juiz, mediante requerimento do Ministério Público,
do indiciado ou acusado, ou de representante legal de qualquer destes, nos casos dos que
sofram de doença mental, de desenvolvimento mental incompleto ou retardado, ou outra
grave perturbação de consciência, e dos toxicômanos;

Artigo 274º
Necessidade de perícia médica após a aplicação da medida de segurança: A apli-
cação provisória da medida de segurança, no caso dos que sofram de doença mental, de
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, ou outra grave perturbação de consci-
ência, não dispensa nem supre realização da perícia médica, nos termos dos artigos 156 e
160 do CPM.

Artigo 276º
Especialização: A suspensão provisória do exercício do pátrio poder, da tutela ou da
curatela, para efeito no juízo penal militar, deverá ser processada no juízo civil.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Rito Processual
Procedimento Ordinário
Remessa do IPM/APF/Peça Informativa para a Auditoria.

Vista ao Ministério Público Militar.

Oferecimento da Denúncia
- Prazo de cinco dias para o indiciado preso e 15 + dobro + triplo para indiciado solto.

Recebimento da Denúncia
- Prazo de 15 dias para o Juiz-Auditor receber a denúncia;
- Sorteio do CEJ ou convocação do CPJ; designação de data para instalação do Conselho;
citação do acusado e intimação do MPM e testemunhas.

Interrogatório
- Só se poderá realizar 7 dias após a designação. Exceção: prazo de 48 horas após o inter-
rogatório.

Sumário – Testemunhas do MPM


- 6 testemunhas numerárias + 3 informantes ou referidas  Se houver mais de 3 acusados,
+3 testemunhas numerárias.

Testemunhas de Defesa
- Até 5 dias após oitiva da última testemunha de acusação;
- Cada acusado poderá arrolar até 6 testemunhas numerárias +3 informantes.

Diligências
- Prazo de 5 dias para as partes requererem o que for de direito

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Alegações Escritas
- Prazo sucessivo de 8 dias; assistente terá 5 dias após o MPM;
- Mais de 5 acusados e diferentes advogados, 12 dias de prazo em cartório e em comum. O
mesmo prazo terá o MPM.

Diligências – Juiz-Auditor
- Se o processo estiver preparado, designará o dia do julgamento

Julgamento
- Sustentação oral;
- 3 horas para cada parte e 1 hora para réplica e tréplica;
- Advogado de mais de uma parte, +1 hora;
- Mais de 10 acusados, 1 hora para defesa de cada um. Não poderá exceder a 6 horas o
tempo total.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Do Procedimento Especial
Sumaríssimo
O delito de deserção vem tratado no Capítulo II do Título referente aos crimes contra
o serviço militar e o dever militar, nos artigos 187 a 194 do Código Penal Militar.
Deserção, do latim desertio, significa abandono.
O rito no processo de deserção é sumaríssimo, caracterizado pela celeridade, sendo
reduzidos,
Em regra, o delito de deserção consuma-se após o oitavo dia de ausência. Esse perí-
odo de oito dias é o denominado prazo de graça, que não existe na hipótese do artigo 190
do CPM. Essa contagem do prazo, embora haja divergências, deve ser feito da seguinte for-
ma: Contam-se oito dias, tendo-se por termo a quo o dia seguinte ao da ausência. A partir
do primeiro instante do nono dia estará configurado o Crime. Vale ilustrar, com o seguinte
exemplo:

Ausência 1º Dia 2º Dia 3º Dia 4º Dia 5º Dia 6º Dia 7º Dia 8º Dia Consumação
Prazo Prazo Prazo Prazo Prazo Prazo Prazo Prazo
de de de de de de de de
Graça Graça Graça Graça Graça Graça Graça Graça
Dia 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

Cabendo observar, pelo exemplo acima, o seguinte: não importa o horário de ausên-
cia, se no início ou no final do dia 2; o primeiro dia de contagem do prazo de graça é aquele
imediatamente após a ausência, ou seja, dia 3; até a data de 10, seria o chamado prazo de
graça; por fim, o dia 11, sendo o nono, configurado está o delito de deserção.
Observa-se que este só se consuma após oito dias. De uma forma mais simples,
basta somar nove ao dia de ausência, que se chegará à data de consumação do delito. No
exemplo, 2 (dia da ausência) mais nove, chega-se ao dia 11.
Sendo assim, no dia da consumação, deve o Comandante lavrar o termo de deser-
ção, no qual será relatado que o militar ausentou-se sem autorização num determinado
dia e que não retornou dentro do prazo de graça. Não se deve confundir com a parte de
ausência, que é lavrada após 24 horas do dia em que o militar se ausentou.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Na hipótese do artigo 190 do CPM, o termo de deserção é lavrado no mo-
mento da partida do navio, não havendo, portanto, prazo de graça.
Não há que se falar em termo de deserção, nos casos previstos nos artigos 188, IV, 193 e
194, todos da Lei Penal Castrense.
De acordo com a Lei nº 8.236/91 que alterou o rito previsto para o processo de de-
serção, não se exige mais a realização de diligências, visando a captura do militar, antes
do transcurso do prazo de graça, embora nada impeça que o comandante determine tal
procedimento.
O termo de deserção compõe a chamada instrução provisória de deserção (IPD),
que nada mais é que uma das espécies de peças informativas, que visam a fornecer ele-
mentos ao Ministério Público Militar para oferecimento da ação penal militar. Por essa
razão, diz-se que tem caráter de instrução provisória.

Importante salientar que, apesar de o artigo dispor sobre a prisão do “deser-


tor”, esta se justifica pelo dispositivo constitucional, previsto no inciso LXI do
artigo 5º, que permite a custódia, independente de autorização judicial, nos
crimes propriamente militares, ou seja, que só podem ser cometidos por mili-
tares. Acrescenta-se, ainda, o disposto no artigo 452 do CPPM. Entretanto, não
se admite a prisão do “desertor” em seu domicílio, sem o competente manda-
do de busca domiciliar, baseado no entendimento do Superior Tribunal Militar,
que se trata de delito instantâneo, e não de crime permanente.
Dessa forma, se a autoridade militar constatar que o “desertor” se encontra
em sua residência, deverá representar à autoridade judiciária, visando a obter
mandado de busca domiciliar.

Do momento da captura ou apresentação voluntária do “desertor” até o julgamento


em primeira instância deve decorrer o prazo de sessenta dias, sendo que a não observân-
cia desse lapso temporal leva ao relaxamento da prisão, por considerá-la ilegal.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

O objetivo da custódia é evitar que o militar se ausente novamente antes de encer-


rado o processo, pois nova deserção, no curso da instrução criminal impede o prossegui-
mento do processo à revelia.
Sendo assim, a lei não deveria estabelecer um prazo para prisão, mas sim conceder
ao Juiz a possibilidade de avaliar a das hipóteses previstas no artigo 255 do CPPM, enseja-
doras da prisão preventiva. Verifica-se que o legislador tratou da mesma maneira aquele
que se apresenta voluntariamente e aquele que é capturado. Ora, nestes último caso, logo
se poderia entender que se for posto em liberdade, irá se ausentar novamente, porém este
raciocínio não pode prosperar na primeira hipótese.
Vale acrescentar que a instrução provisória de deserção é remetido ao Juízo,
sem que antes o “desertor” tenha prestado depoimento, ou seja, sequer tem
o direito de explicar os motivos da ausência. Argumenta-se que tal conduta
iria contrariar o procedimento que se caracteriza pela celeridade. Não é ver-
dade, pois cinco dias após a prisão do “desertor”, o que viabilizaria, ao menos,
a oitiva do indiciado, sem qualquer prejuízo processual.

Dessa forma, o melhor entendimento seria no sentido de que não deveria ser es-
tabelecido um prazo para prisão, mas sim que fosse concedido ao Juiz a possibilidade de
avaliar, acerca da necessidade da custódia e, assim, mantê-la apenas se presente um dos
motivos alencados no artigo 255 do Código de Processo Penal Militar. Nessa linha de racio-
cínio, a custódia poderia ser mantida durante todo o curso do processo, independente de
prazo, desde que não houvesse um retardamento injustificado da instrução criminal.
Nesse sentido, haveria uma prisão inicial, por expressa autorização constitucional,
pois trata-se de crime propriamente militar, e uma manutenção da mesma, com funda-
mento na legislação processual penal castrense.
Oportunamente, cabe lembrar que o Superior Tribunal Militar não admite a concessão de
liberdade provisória, antes de decorrido o prazo de sessenta dias, tendo editado a súmula
nº 10:”Não se concede liberdade provisória a preso por deserção antes de decorrido o pra-
zo previsto no artigo 453 do CPPM.”

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Do Procedimento Especial
Sumaríssimo
Do Processo de Deserção de Oficial
Deve o comandante lavrar o termo de deserção, após o transcurso do prazo de
graça de oito dias, publicando-o em boletim, acompanhado da parte de ausência que é
lavrado no dia seguinte à ausência.
Na hipótese de deserção de oficial, dispõe o parágrafo 1º que este ficará agregado,
significando dizer que não perde a condição de militar, ou seja, continua a ser considerado
militar da ativa, embora seja afastado temporariamente do serviço ativo.
Quanto aos documentos exigidos pelo CPPM, o indispensável à propositura da ação
penal é tão-somente o termo de deserção, que comprovará o transcurso do prazo de gra-
ça, além do ato de agregação. Os demais, se eventualmente não forem trazidos aos autos,
não impedirão o oferecimento de denúncia. Ressalta-se que se torna desnecessária a ata
de inspeção de saúde, tendo em vista que o “desertor” não perde a condição de militar.
Assim, ao receber os autos da instrução provisória de deserção, mesmo ausente
o termo de inventário de bens ou os assentamentos do “desertor”, deverá o Ministério
Público Militar, se não for a hipótese de arquivamento, oferecer denúncia, e, concomitan-
temente, requerer, em separado, a expedição de ofício à autoridade militar, solicitando os
documentos faltantes.
Caberá o arquivamento dos autos da IPD, por exemplo, quando estiver extinta de
qualquer forma a punibilidade.
Sobre o assunto, o Superior Tribunal Militar editou a Súmula nº 13:”A declaração de
extinção de punibilidade em IPI, IPD e IPM deve ser objeto de Decisão, que, também, deter-
minará o arquivamento dos autos”.
Independente da apresentação voluntária ou da captura do “desertor”, o processo
será iniciado, embora só possa prosseguir após o cumprimento do requisito ora mencio-
nado o que se denomina de condição de prosseguibilidade da ação penal militar.
Enquanto no procedimento ordinário o Juiz determina a realização do sorteio do
Conselho Especial de Justiça ao receber a denúncia, no processo de deserção deve-se
aguardar a captura ou apresentação do oficial para tal procedimento.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

O rito processual é célere, podendo-se observar que as testemunhas arroladas


pelo Ministério Público Militar são ouvidas na data designada para a audiência de quali-
ficação e interrogatório do acusado. Embora o Código de Processo Penal Militar não faça
referência, o melhor entendimento é que o número de testemunhas arrolas pelo Parquet
não pode ultrapassar aquele permitido à defesa, ou seja, três, pelo Princípio da Paridade
de Armas.
O prazo para sustentação oral é menos em relação aos processos de rito ordinário,
em razão principalmente de não haver motivos para tantas controvérsias. Em regra, a
ausência sem autorização por mais de oito dias não é objeto de debate, pois o acusado
quase sempre confessa esse fato. Assim, a discussão se restringe à justificativa apre-
sentada pelo acusado em relação à ausência. Essas justificativas, geralmente de ordem
familiar e financeira, devem ser provadas pelo acusado para que se obtenha um decreto
absolutório. Nesse sentido, é a Súmula nº 3 editada pelo Superior Tribunal Militar:”Não
constituem excludentes de culpabilidade, nos crimes de deserção e insubmissão, alega-
ções de ordem particular ou familiar desacompanhadas de prova.”

Deserção de Oficial
*Lavratura do Termo de Deserção e publicação em boletim, com a Parte de Ausência
CPPM, art. 454;
*Agregação até o trânsito em julgado § 1º;
*Remessa para a Auditoria: Parte de Ausência, inventário, cópia do boletim e assenta-
mentos § 2º;
*Autuação e vista do MPM, por 5 dias § 3º;
*Requer o arquivamento, requer diligência, argui a incompetência, Oferece a Denún-
cia;
*Recebida a Denúncia, aguarda a apresentação ou captura § 4º;
*Preso, sorteio e convocação de CEJ, citação, rt. 455;
*Caso não seja julgado em 60 dias, responde solto art. 453;
*Audiência: interrogatório e inquirição de testemunhas do MPM § 1º;
*Defesa tem 3 dias para arrolar até 3 testemunhas, que serão ouvidas dentro de 5/10
dias;
*Cumprimento de diligências, se for o caso;
*Sustentação oral: 30 minutos para cada parte, mais 15 minutos § 2º;
*SENTENÇA.
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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Do Procedimento Especial
Sumaríssimo
Do Processo de Deserção de Praça, com ou
sem Graduação e de Praça Especial
O procedimento nos crimes de deserção de praças apresenta distinções em relação
aos que envolvem oficiais, e mesmo entre praças existem diferenças em relação àqueles
com estabilidade e sem estabilidade.
Ao se verificar a ausência, deve ser lavrada parte de ausência, realizar o inventário
de bens pertencentes à Fazenda Nacional, a fim de saber se foi extraviada, por exemplo,
alguma peça de uniforme, e, após o transcurso do prazo de graça, deverá ser lavrado o
termo de deserção.
Enquanto a praça especial ou sem estabilidade é excluída do serviço ativo, a praça
estável será agregada, como ocorre com os oficiais. Essa distinção traz enorme repercus-
são no próprio procedimento.
A título de ilustração, praça especial, de acordo com § 4º do artigo 16 do Estatuto dos
Militares, são os Guardas-Marinha, os Aspirantes-a-Oficial e os alunos de órgãos específi-
cos de formação de militares, enquanto as praças estáveis são aquelas que já completaram
dez anos de serviços ativo.
Após o cumprimento de todas as condições acima, os autos da instrução provisória
de deserção (IPD) devem ser remetidos à auditoria competente. Vale lembrar que não se
exige mais a realização de diligências visando à captura do “desertor”, embora a autorida-
de militar possa tomar tal iniciativa, tendo o cuidado de não efetuar a prisão, no interior de
residência, sem autorização judicial, caso não haja consentimento do morador. Aliás, essa
diligência visando à captura deveria ser sempre realizada, pois, em muitos casos, o deser-
tor se encontra, durante o período de ausência, em sua própria residência. Assim, poderia
se evitar a consumação do delito que não interessa a própria autoridade militar, haja vista
a série de procedimentos que deve observar, desviando-se dessa forma, de suas funções.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Ao contrário do procedimento no crime de deserção de oficial, no qual a de-


núncia é oferecida independente da captura ou apresentação voluntária do “desertor”, nas
hipóteses que envolvem praças deve-se cumprir tal condição.
Verifica-se que o CPPM só exige a realização de inspeção de saúde para os “desertores”
sem estabilidade, pois esses, ao completarem o prazo previsto para consumação do delito
de deserção, são excluídos do serviço ativo, ou seja, perdem a condição de militares. As-
sim, ao regressarem, devem ser submetidos ao exame, ao fim de se constatar se possuem
algum problema de ordem física que os impeçam de serem reincluídos. A correspondente
ata de inspeção de saúde deve ser remetida à Auditoria com urgência, visto que na hipó-
tese de ser o “desertor” julgado incapaz, deverá ser posto em liberdade, sendo os autos
arquivados, com fundamento na ausência de condição de procedibilidade. Este, por sinal, é
o entendimento do Superior Tribunal Militar consagrado na Súmula nº 12: “A praça sem es-
tabilidade não pode ser denunciada por deserção sem ter readquirido o status de militar,
condição de procedibilidade para a persecutio criminis, através da reinclusão. Para a praça
estável, a condição de procedibilidade é a reversão ao serviço ativo.”
No que tange à questão da incapacidade, cabe tecer alguns comentários, citando
os dispositivos legais, pertinentes à matéria, previstos no Regulamento de Lei do Serviço
Militar, Decreto nº 57.654, de 20/01/196, em seu artigo 52.

Na hipótese daqueles classificados como “Apto A” é feita a reinclusão, e, consequen-


temente, oferecida a denúncia, após a juntada do respectivo ato de reinclusão; no caso de
“Incapaz C” os autos são arquivados; as divergências ocorriam quando eram classificados
como “Incapaz B-1” e “Incapaz B-2”, ou seja, trata-se de incapacidade temporária, quando
alguns entendiam que deveria se aguardar a realização de outros exames de saúde, e,
uma vez, considerado aptos, poderia ser oferecida a denúncia; caso contrário, se julga-
do incapaz definitivamente, os autos seriam arquivados. Entretanto o Superior Tribunal
Militar pôs fim a essas divergências, com a edição da Súmula nº 8, na qual todos aqueles
que forem classificados como incapazes, temporários ou em definitivo, terão os autos da

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DIREITO PROCESSUAL
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instrução provisória de deserção arquivados. Embora o enunciado da citada súmula não
seja expressa quanto a esse entendimento, a fundamentação da mesma dissipa qualquer
dúvida: ”O desertor sem estabilidade e o insubmisso que, por apresentação voluntária ou
em razão de captura, forem julgados em inspeção de saúde, para fins de reinclusão ou
incorporação, incapazes para o serviço militar, podem ser isentos do processo, após o pro-
nunciamento do Ministério Público Militar.”
Após a reinclusão da praça especial ou daquela sem estabilidade, deverá o Ministé-
rio Público Militar oferecer denúncia, ou seja, torna-se indispensável a juntada da ata de
inspeção de saúde, considerando o “desertor” apto, bem como o ato de reinclusão, sem os
quais a ação penal militar não poderá ser proposta.
Por outro lado, com relação à praça com estabilidade, exige-se apenas o ato de reversão,
dispensando-se a ata de inspeção de saúde, tendo em vista que a agregação, condição em
que permanece a praça com estabilidade, não exclui o militar do serviço ativo.
Importante salientar que a praça com estabilidade será revertida no momento da captura
ou apresentação voluntária, enquanto oficial permanecerá agregado até a decisão transi-
tada em julgado.
Sendo assim, preenchidos os requisitos legais, a denúncia será oferecida, e, uma vez
recebida, deverá ser observado o mesmo rito para aquele previsto no processo de deser-
ção, relativo a oficial.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Deserção de Oficiais e Praças


(Comparações)

Praça com Praça sem


Oficial estabilidade estabilidade

É excluída do serviço
Agrega-se com a Agrega-se com a ativo com a consu-
consumação do consumação do cri- mação do crime
Situação crime Permanece me Reverte-se após É reincluída após a
agregado até o trân- a apresentação vo- apresentação volun-
sito em julgado luntária ou a captura tária ou captura

Inspeção de É submetida após a


saúde CPPM omisso CPPM omisso apresentação volun-
tária ou captura

Incapacidade
definitiva CPPM omisso CPPM omisso Isenta da reinclusão
e do processo

Denúncia Oferecida antes da Oferecida após a Oferecida após a


prisão prisão prisão

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Deserção de Praças
*24 horas após o início da ausência: parte de ausência e inventário (456 c/c 461§ 1º);
*Consumado o crime, remete ao Comandante a Parte de Deserção § 2º;
*Agregação da praça estável. Exclusão da praça sem estabilidade. Remessa p/ Audito-
ria § 4;
*Lavratura do Termo de Deserção § 3º;
*Vista ao MPM por 5 dias – art. 467;
*Requer diligência ou requer que se aguarde a apresentação voluntária ou captura;
*Incapaz: definitivamente, fica isento da reinclusão e do processo;
*Preso: inspeção de saúde § 1º;
*Não sendo julgado em 60 dias, responde solto. Art. 453;
*Arquiva, após ouvir o MPM;
*Apto, sem estabilidade, é reincluído § 3º. Estável, reverte;
*Requer arquivamento, diligência, argui incompetência ou oferece Denúncia;
*Vista ao MPM por 5 dias;
*Recebida a Denúncia, citação § 4º;
*Audiência: Interrogatório e inquirição de testemunhas do MPM;
*(segue igual ao roteiro de Oficial).

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Insubmissão
Consiste o delito de insubmissão, de acordo com o artigo 183 da Lei Penal Castren-
se, em “deixar de apresentar-se o convocado à incorporação, dentro do prazo que lhe foi
marcado, ou, apresentando-se, ausentar-se antes do ato oficial de incorporação”.
O termo de insubmissão será lavrado, caso o convocado não se apresente até a
data limite para incorporação ou se ausente antes do respectivo ato oficial. Cuida-se de
documento indispensável ao oferecimento da denúncia. Entretanto, o referido termo não
é suficiente para que seja comprovada a prática do delito, sendo ainda indispensável a jun-
tada da listagem de designação, a fim de que seja comprovado que tinha conhecimento da
data e local de incorporação, como dispõe o § 2º, além desse entendimento ter sido objeto
da Súmula nº 7, editada pelo Superior Tribunal Militar:“O crime de insubmissão, capitulado
no artigo 183 do CPM, caracteriza-se quando provado de forma inconteste o conhecimento
pelo conscrito da data e local de sua apresentação para incorporação através de documento
hábil constante dos autos. A confissão do indigitado insubmisso deverá ser considerada no
quadro do conjunto probatório.“

Conclui-se que a ausência de documento comprobátorio de que o convocado tinha


conhecimento da data e local de incorporação resultará no arquivamento dos autos. Acres-
cente-se que a confissão não é suficiente para um decreto condenatório, pois as provas
devem ser vistas no seu conjunto, lembrando que a confissão há muito deixou de ser con-
siderada a “rainha das provas”.

De acordo com § 3º, apesar de os autos da instrução provisória de insubmissão se-


rem remetidos tão logo se configure o delito, o Ministério Público Militar somente poderá
oferecer denúncia, após a captura ou apresentação voluntária do “insubmisso”, em razão
de ser necessária a realização de inspeção de saúde, a fim de que seja avaliado acerca de
sua capacidade.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Torna-se necessário o exame, pois se for considerado incapaz, não será incluído no
serviço ativo, e, consequentemente, os autos serão arquivados, da mesma forma como
ocorre com as praças sem estabilidade, que cometem o delito de deserção, quando retor-
nam ao quartel. Vale transcrever novamente a Súmula nº 8, editada pelo Superior Tribunal
Militar:“O desertor sem estabilidade e o insubmisso que, por apresentação voluntária ou em
razão de captura, forem julgados em inspeção de saúde, para fins de reinclusão ou incorpo-
ração, incapazes para o serviço militar, podem ser isentos do processo, após o pronuncia-
mento do Ministério Público Militar.“

Dessa forma, conclui-se que se trata de condição de procedibilidade a aquisição do


status de militar pelo convocado.

O “insubmisso”, ao ser capturado ou se apresentar voluntariamente terá direito ao


quartel por menagem, ou seja, não será recolhido ao xadrez, porém não poderá se ausen-
tar dos limites da unidade militar. É possível se afirmar que se trata de uma medida que
restringe a liberdade, mas sem privá-la totalmente, possibilitando ao “insubmisso” a pres-
tação do serviço militar.

Após a juntada da ata de inspeção de saúde, bem como do ato de inclusão poderá o
Ministério Público Militar oferecer denúncia, devendo o “insubmisso” ser julgado no prazo
de sessenta dias a contar de sua captura ou apresentação voluntária, pois, caso contrário,
será posto em liberdade.

O rito processual previsto para o processo de insubmição é o mesmo para o de de-


serção, nos dispositivos legais citados.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Procedimento nos crimes de insubmissão:


*Lavratura do Termo de insubmissão após consumado o crime. Art. 463;

*O Termo é Intrução Provisória e autorizativo da captura para incorporação § 1º;

*Remessa à Auditoria;

*Com a Relação de Designação e Dsitribuição (documento hábil);

*Vista ao MPM por 5 dias § 3º;

*Requer diligência/arquivamento, argui incompetência § 3º;

*Autos em cartório aguardando apresentação voluntária ou captura § 3º;

*Se incapaz, ficará isento da inclusão do processo 464;

*Apresentando-se capturado, fica sob menagem e é submetido à Inspeção de Saúde.


Art. 464. Não sendo julgado em 60 dias responde ao processo em liberdade § 3º;

*Se apto: incluído; remessa dos documentos à Auditoria. Vista ao MPM por 5 dias § 2º;

*Remessa da Ata à Auditoria Vista ao MPM que requer arquivamento § 1º;

*MPM requer diligência; argui incompetência; oferece denúncia § 2º;

*Instrução e Julgamento segue o disposto para o processo de Deserção Art. 465

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Das Nulidades
As nulidades são tratadas no Código de Processo Penal Militar a partir do artigo 499,
sendo de especial relevância para processo, tendo em vista que este se caracteriza pela
formalidade. Dessa forma, a inobservância de uma formalidade legal leva ao reconheci-
mento de nulidade, desde apenas o ato processual praticado até mesmo todo o processo.
As nulidades são classificadas da seguinte maneira:
Ato inexistente
É um não-ato. Estão ausentes os pressupostos de existência, como por exemplo um
processo judicial em que não foi efetuada a citação.
Ato nulo
É o ato imperfeito, atípico, ao qual foi aplicada a sanção da ineficácia. Se não for de-
clarada a nulidade, o ato produzirá efeitos.
Ato irregular
É o ato imperfeito, porém eficaz. A imperfeição é juridicamente irrelevante. Não há
sanção da nulidade.
Convém, ainda, fazer a seguinte distinção:
Nulidade absoluta
O ato não admite um equivalente, pois prevalece o interesse público. Pode ser de-
clarada de ofício. O ato não pode ser convalidado, ou seja, renovado (refeito por inteiro) ou
retificado (refeito parcialmente);
Nulidade relativa
É sanável. O Prejuízo deve ser demonstrado pelas partes.
No que tange aos princípios relativos às nulidades, não há diferença entre os acolhi-
dos no CPP e no CPPM, conforme será observado adiante.
Quanto ao sistema legal de nulidades, há basicamente dois: formalista ou da indecli-
nabilidade das formas, pelo qual se entende que a forma dá existência à coisa, prevalecen-
do o meio sobre o fim; da instrumentalidade das formas, segundo o qual o fundo prevalece
sobre a forma, ou seja, o importante é atingir o objetivo.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Artigo 499º
Trata do Princípio do Prejuízo (pas de nullité sans grief). As partes devem demons-
trá-lo ao arguir qualquer modalidade, exceto quando se referir à absoluta, pois o que se
protege, essencialmente, é o interesse público.

Artigo 500 do CPPM


Vêm elencadas as hipóteses relativas às nulidades, devendo-se destacar a alínea h,
pois o compromisso dos Juízes militares é justamente o que concede a legitimidade aos
militares para atuarem como Juízes. As demais são igualmente relevantes, porém já são
exaustivamente exploradas pela Doutrina, o que foge ao nosso objetivo que é o de se fixar
basicamente na matéria própria do processo penal militar.

Artigo 501º
Cuida do princípio do interesse, não se aplicando às nulidades absolutas. Vige o
princípio da lealdade, não podendo a parte invocar a nulidade que produziu ou para a qual
concorreu. Ninguém, pode alegar a própria torpeza em seu benefício.

Artigo 502º
Refere-se ao princípio da instrumentalidade das formas, sendo importante que se
alcance a Justiça , mesmo que haja irregularidades que não influíram na apuração da ver-
dade substancial ou na decisão da causa.

Sabe-se que a citação é ato indispensável, pois visa a dar ao réu ciência da acusação
formulada contra ele. No entanto, se apesar de não ter sido citado, o réu comparece à
audiência de qualificação e interrogatório, a irregularidade estará sanada, podendo o Juiz
adiar o ato, a fim de que possibilite ao acusado a ampla defesa, dando oportunidade a ele
de constituir advogado e, consequentemente, ser devidamente orientado.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Para alguns a instrução criminal tem início com o interrogatório, enquanto para ou-
tros aquela inicia-se com a inquirição de testemunhas. Entretanto, adotando um ou outro
entendimento, qualquer irregularidade no curso do processo, ou seja, a partir do recebi-
mento da denúncia, poderá ser arguida em alegações escritas, cabendo lembrar que, em
tempo de paz, não existem alegações preliminares.
A ausência de alegação de nulidade no momento oportuno leva ao reconhecimento
da preclusão, que nada mais que é a perda do direito de se manifestar pelo decurso do
tempo, ou seja, a nulidade será considerada sanada.
A nulidade decorrente da incompetência do Juízo poderá ser declarada a requeri-
mento das partes ou de ofício, em qualquer fase do processo.
Com relação ao artigo 506, deve ser destacado que a renovação é a realização do ato
novamente, enquanto a retificação significa a complementação ou alteração do ato. Tanto
um quanto o outro visam a possibilidade ao Juiz julgar o mérito da causa, pois sanam as
irregularidades porventura existentes.
No § 2º encontra-se a denominada nulidade derivada, abrangendo as hipóteses de
provas ilícitas (Teoria dos frutos da árvore envenenada). Cuida-se do princípio da causali-
dade pelo qual a nulidade de um ato, uma vez declarada, envolverá a dos atos subsequen-
tes, cabendo ao Juiz indicar quais serão os atos atingidos.

Destaca-se que não será necessária a realização de nova audiência de qualifi-


cação e interrogatório, nem mesmo de inquirição de testemunhas ou, ainda,
de elaboração de novos laudos periciais.
Os despachos de expediente não são atingidos pelo reconhecimento da in-
competência do Juízo, mas tão-somente aqueles atos carregados de conteú-
do decisório, tais como a decisão de recebimento da denúncia ou de decre-
tação de prisão preventiva.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Dos Recursos
Recurso é o direito público subjetivo de se pedir o reexame de uma decisão. Apre-
senta como pressuposto lógico um ato jurisdicional com conteúdo decisório, e como pres-
suposto fundamental e sucumbência, que se traduz na desconformidade entre o que uma
vez não se conformando com a decisão, a parte pode requerer que aquela seja apreciada
pelo Tribunal. Vale, ainda, destacar os pressupostos objetivos e subjetivos dos recursos:

Pressupostos objetivos
Adequação
Cada decisão comporta a interposição de apenas um determinado recurso. No en-
tanto, pelo princípio da fungibilidade dos recursos estampado no artigo 514 do CPPM,
onde não houve má-fé, o Juiz deverá admitir o recurso interposto, mesmo que não seja o
correto, se aquele obedecer, ainda, o prazo do recurso cabível. Exemplo: se a parte inter-
põe o recurso em sentido estrito, o Juiz deverá admiti-lo, desde que tenha sido interposto
no prazo estabelecido para este último, ou seja, até o terceiro dia a contar da intimação da
decisão.

Tempestividade
Cada recurso estabelece prazo para sua interposição, devendo ser observado sob
pena de não ser admitido.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Forma de interposição
Apenas se admite a interposição de recurso por petição, de acordo com o disposto
no artigo 513 do CPPM.

Motivação
O recurso deve apresentar fundamentação, ou seja, as razões de fato e de direito
que levam a parte a requerer a modificação da decisão. A exceção é o recurso de apelação
que pode subir, independente das razões, pois o âmbito de apreciação do recurso pelo
Tribunal está adstrito à petição de interposição da Apelação.

Preparo
Os processos na Justiça Militar não estão sujeitos a custas, conforme dispõe o artigo
712 do CPPM.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Pressupostos subjetivos
Interesse
A parte deve demonstrar a necessidade e utilidade de se buscar a modificação da
decisão impugnada, em conformidade com o parágrafo único do artigo 511 do CPPM.

Legitimidade
O artigo 511 do CPPM traça os limites da legitimação para recorrer, prescrevendo
que o recurso pode ser interposto pelo Ministério Público, ou pelo réu, seu procurador, ou
defensor.

Das decisões do Juízo de primeira instância, cabem apenas, segundo o disposto no


artigo acima citado, os recursos de apelação e em sentido estrito. No entanto, arriscamo-
-nos a afirmar que nada impede a interposição de embargos de declaração quando for
obscura, contraditória ou omissa, apesar de o artigo 542 do CPPM só admiti-los contra
acórdãos do Supremo Tribunal Militar. Não verificamos qualquer prejuízo para as partes
ou mesmo para o processo, admitir os embargos em primeira instância; ao contrário, es-
taria sendo respeitado em princípio da celeridade processual, porque se evitaria a inter-
posição, por exemplo, da apelação, apenas para tornar clara a decisão, quando o próprio
Juiz-Auditor ou Conselho de Justiça poderiam corrigir o vício.

Vale lembrar que, expressamente, em primeira instância, o CPPM somente


admite embargos nas hipóteses previstas nos artigos 203 e 219. São os cha-
mados “embarguinhos”.
Acrescente-se, ainda, a possibilidade de interposição de recurso inominados,
previstos em diversos dispositivos do CPPM, verbi gratia artigos 145 e 146.
O artigo 312 trata do princípio da indisponibilidade do recurso. Este princípio
também aplica-se à ação penal, de acordo com o artigo 32 do CPPM.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
São efeitos do Recurso:
Devolutivo
Consiste em transferir para instância superior, ou eventualmente para a mesma ins-
tância, a apreciação de determinada questão. Todo recurso tem efeito devolutivo. Quando
há juízo de retratação, como por exemplo no recurso em sentido estrito, ou seja, antes de
remeter à instância superior o Juiz de retratação, como por exemplo no recurso em sentido
estrito, ou seja, antes de remeter à instância superior o Juiz pode modificar sua própria de-
cisão, diz-se que o recurso possui efeito devolutivo mediato. É o também chamado efeito
suspensivo.

Suspensivo
Significa que, em cestas hipóteses, sua interposição impede a produção imediata
dos efeitos da decisão.

Extensivo
Se houver mais de um réu no mesmo processo, a decisão do recurso interposto por
apenas um deles favorecerá os demais, desde que haja situação pessoal idêntica entre
eles.

O CPPM elenca no Título II do livro III os seguintes recursos dirigidos ao Superior Tri-
bunal Militar: Recurso em sentido estrito; Apelação; Embargos; Revisão. Podem ser acres-
centados, ainda, o Recurso inominado e o Recurso de ofício.
Cabe esclarecer que os embargos previstos nos artigos 203 e 219 do CPPM são de-
cididos pelo Juízo de primeira instância, cabendo recurso para o Superior Tribunal Militar
apenas da decisão relativa aos próprios embargos. Vale lembrar ainda que a correição
parcial, tratada no artigo 498 do CPPM, é classificada como processo especial, embora siga
o rito previsto para o recurso em sentido estrito.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Apelação
Está tratada nos artigos 526 e seguintes do CPPM.
Deverá ser interposta no prazo de cinco dias, sendo as razões apresentadas em
dez dias, assim como as contra-razões. Os autos poderão subir independentemente das
razões recursais, pois é a petição de interposição pelo Tribunal.
O efeito suspensivo é a regra. As exceções encontram-se nos artigos 272, 527
e 606, todos do CPPM.
Quanto ao direito de apelar em liberdade, que se refere o artigo 527, o réu será
recolhido à prisão caso seja reincidente ou de maus antecedentes. Há entendimento no
sentido de que mesmo nessas hipóteses, só deverá ser recolhido à prisão se estiver pre-
sente uma das hipóteses do artigo 255 do CPPM.

Embargos
Nos artigos 538 a 549, o CPPM trata dos embargos de nulidade, infringentes e de
declaração.
Os embargos de nulidade visam a anulação do julgamento, cuidando-se de matéria
processual; os embargos infringentes têm por objetivo a modificação do acórdão e refe-
rem-se ao mérito da decisão; e, por fim, os de declaração, quando o acórdão for ambíguo,
obscuro, contraditório ou omisso. Se o acórdão for unânime, somente serão admitidos os
embargos de declaração.
O julgamento dos embargos obedecerá ao rito previsto para o recurso de apelação.

Interessante notar que, ao contrário da legislação processual penal comum, os


embargos podem ser interpostos também pelo Ministério Público Militar.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Revisão
A revisão, disciplinada a partir do artigo 550, visa a rescindir uma decisão condena-
tória já transitada em julgado, nos casos expressos em lei.
Apesar de estar elencada no título referente aos recursos, sua natureza jurídica des-
perta muita discussão, entendendo, por exemplo, Ada Pellegrini Grinover que se trata de
“ação autônoma impugnativa da sentença passada em julgado, de competência originá-
ria dos tribunais”.
No julgamento da revisão serão observadas as normas previstas, no que por aplicá-
vel, para o julgamento da apelação.
Em hipótese alguma poderá ser agravada a pena imposta pela sentença revis-
ta.

Recurso em Sentido Estrito


A matéria vem disciplinada a partir do artigo 516 do CPPM.
Deve ser interposto no prazo de três dias, sendo as razões apresentadas em cinco
dias, assim como as contra-razões.
Admite o Juízo de retratação.
A regra é de que os recursos previstos no artigo 516 do CPPM não tenham efeito
suspensivo, exceto aqueles interpostos das decisões sobre matéria de competência, das
que julgarem extinta a ação penal, ou decidirem pela concessão do livramento condicional.
Cabe recurso da decisão que não receber o aditamento à denúncia. Interessante
notar que esta hipótese não está prevista no Código de Processo Penal.
Caberá, ainda, o recurso quando não for recebida a apelação ou qualquer outro re-
curso.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Recurso Extraordinário
Possui o Rito processual previsto no Regimento Interno do STM.
O Recurso Extraordinário contra decisões do Tribunal, nos casos previstos na Consti-
tuição Federal, será interposto no prazo de quinze dias, contados da intimação da decisão
recorrida ou da sua publicação, em petição dirigida ao Presidente, que conterá a exposição
do fato e do direito; demonstração do cabimento do recurso interposto; as razões do pedi-
do de reforma da decisão recorrida.
Recebida a petição pela Secretaria do Tribunal e aí protocolizada, será intimado o
recorrido, abrindo-se vista pelo prazo de quinze dias para apresentar contra-razões.
Findo o prazo deste artigo, serão os autos conclusos ao Presidente para admissão
ou não do recurso, no prazo de quinze dias, em decisão fundamentada.
Admitido o recurso, os autos serão imediatamente remetidos ao Supremo Tri-
bunal Federal.
O recurso extraordinário não tem efeito suspensivo, desde que admitido, mas
susta o trânsito em julgado da decisão recorrida.

Reclamação
O Superior Tribunal Militar poderá admitir reclamação do procurador-geral ou da
defesa, a fim de preservar a integridade de sua competência ou assegurar a autoridade do
seu julgado.
Ao Tribunal competirá, se necessário, avocar o conhecimento do processo em que
se verifique manifesta usurpação de sua competência, ou desrespeito de decisão que haja
proferido; determinar lhe sejam enviados os autos de recurso para êle interposto e cuja
remessa esteja sendo indevidamente retardada.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Das Execução da Sentença
Compete ao Juiz da Auditoria onde correu o processo, a execução da sentença, e no
caso de competência originária do STM, a seu Presidente, que poderá delegar a atribuição
ao Juiz-Auditor da CJM, onde o réu cumpre a sentença condenatória.
Com relação ao civil, é vedado o recolhimento a estabelecimento militar. Assim, ape-
nas compete ao Juiz da Justiça Militar da União a execução da sentença, se for beneficiado
com a suspensão condicional da pena.
De acordo com a Lei de Execução Penal, compete ao Juiz da Justiça Militar a execução
da pena imposta ao militar que não estiver recolhido a estabelecimento prisional civil, o
que somente ocorrerá se o condenado for excluído das Forças Armadas, como ocorre, por
exemplo, em razão da pena acessória da exclusão das forças armadas, nos termos do art.
102 do CPM.
Os incidentes da execução da sentença condenatória são da competência do Juiz do
processo, se o militar estiver cumprindo pena em liberdade ou em estabelecimento militar.

Destaca-se que o civil, assim como o militar condenado e excluído das Forças
Armadas, cumpre a pena imposta pela Justiça Militar em estabelecimento pri-
sional sujeito à jurisdição ordinária, cabendo a esta decidir sobre eventuais
incidentes.
O militar, preso provisoriamente ou em cumprimento de pena, será recolhido
à organização militar da respectiva Arma. Excluído das Forças Armadas, passa
a cumprir a pena em estabelecimento prisional sujeito à jurisdição civil.
Com relação à detração penal, importante ressaltar que será levado em conta
no cumprimento da pena, o tempo de prisão provisória, excluindo-se a mena-
gem concedida na cidade.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Após o trânsito em julgado da sentença que impuser pena privativa de liberdade a


militar, caso este já esteja preso, o Juiz ordenará expedição de carta guia para o cumpri-
mento da pena. Se o sentenciado estiver em liberdade, o juiz mandará expedir mandado
de prisão e remeterá a carta guia após a prisão do sentenciado.
A carta de guia conterá: nome do condenado e sua qualificação; data do início e o
término da pena; o teor da sentença e do acórdão se houver. Retificar-se-á a carta de guia
sempre que sobrevenha modificação, quanto ao início ou ao tempo de duração da pena. A
autoridade militar comunicará ao Juiz a fuga, a soltura, ou o óbito do sentenciado. A recap-
tura do condenado independe de ordem judicial. Cumprida ou extinta a pena, o condena-
do será posto imediatamente em liberdade, mediante alvará de soltura.
Suspensão condicional da pena - sursis: o Conselho de Justiça ou o STM, confor-
me o caso, poderá suspender por tempo não inferior a 2 anos, nem superior a 6 anos, a
execução da pena privativa de liberdade que não exceda a 2 anos, desde que não tenha o
sentenciado sofrido no país ou no estrangeiro, condenação irrecorrível, por outro crime, a
pena privativa de liberdade salvo se decorreu tempo superior a 5 anos da data de cumpri-
mento ou extinção da pena, e os antecedentes e a personalidade do sentenciado, os moti-
vos e as circunstâncias do crime, bem como sua conduta posterior, autorizem a presunção
de que não tornará a delinquir.
A suspensão não se estende às penas de reforma, suspensão do exercício do posto,
graduação ou função, ou à pena acessória, nem exclui a medida de segurança não deten-
tiva.
Ao aplicar a pena privativa de liberdade, o Conselho de Justiça ou o Tribunal deverá
pronunciar-se, motivadamente, sobre a suspensão condicional da pena, quer concedendo-
-a, quer denegando-a. Na omissão da sentença e do acórdão, sobre a concessão do bene-
fício, o Juiz concedê-la-á a qualquer tempo, de ofício, a requerimento do MP ou do réu, na
fase de execução da pena.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
A suspensão condicional da pena será obrigatoriamente revogada nas se-
guintes hipóteses: no curso do prazo fixado, o beneficiário vier a ser condena-
do pela Justiça Militar ou pela Justiça comum, por sentença irrecorrível, à pena
privativa de liberdade; o beneficiário não efetuou, sem motivo justificado, a re-
paração do dano, imposta na concessão do sursis; condenação do militar por
crime propriamente militar, com sentença transitada em julgado; punição do
militar por transgressão disciplinar grave.

Também, poderá o juiz, facultativamente, revogar o sursis, se o beneficiário deixar


de cumprir as obrigações impostas na sentença, ou se for condenado irrecorrivelmente à
pena que não seja privativa de liberdade. Caso não entenda pela revogação, o Juiz poderá
advertir o beneficiário, ou exacerbar as condições impostas ou prorrogar o período de sus-
pensão até o máximo, se esse limite não foi fixado.
Estando o beneficiário respondendo a processo que, no caso de condenação, resul-
te na revogação do sursis, o Juiz prorrogará o prazo do benefício até o final do processo,
com o trânsito em julgado da sentença.

Vedações ao sursis: crimes contra a segurança externa praticada por militar


(arts. 136 a 140 do CPM); crimes de: aliciação e incitamento (arts. 154 e 155 do
CPM); violência contra superior, oficial de dia, de serviço ou quarto, sentinela,
vigia ou plantão (arts. 157 e 158 do CPM); desrespeito a superior (art. 160 do
CPM); desacato (arts. 298 e 299 do CPM); insubordinação (art. 163 do CPM);
insubmissão (art. 183 do CPM); deserção (arts. 187. 188, 190 e 192, do CPM);
desrespeito a símbolo nacional ( art. 161 do CPM); despojamento de uniforme
(art. 162 do CPM); atos libidinosos (art. 235 do CPM); receita ilegal (art. 291,
caput, do CPM). Em tempo de guerra não há sursis.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Findo o prazo da suspensão, ou da prorrogação, sem que tenha havido motivo de


revogação o Juiz declarará extinta a pena privativa de liberdade.

Livramento condicional
Na Justiça Militar aplica-se somente ao militar da ativa, ao inativo, ou ao excluído da
corporação, que cumpre pena em estabelecimento castrense, inclusive presídio militar.
Cabe ao Juiz da Vara de Execuções Penais estadual a concessão do livramento condicional
ao civil condenado pela Justiça Militar federal, visto que o civil cumpre pena privativa de
liberdade em estabelecimento prisional civil, logo, sujeito à jurisdição do Juiz da Justiça co-
mum.

O condenado pela Justiça Militar à pena de reclusão por tempo igual ou superior
a 2 anos poderá ser libertado condicionalmente: desde que tenha cumprido metade da
pena, se primário, ou dois terços, se reincidente; tenha reparado o dano causado pelo cri-
me, salvo impossibilidade de fazê-lo; tenha boa conduta durante a execução da pena, sua
adaptação ao trabalho e às circunstâncias atinentes à sua personalidade, ao meio militar
ou social, e à sua vida pregressa permitam supor que não voltará a delinquir.

O não atendimento de qualquer dois requisitos retro, importará no indeferimento


do pedido, liminarmente. Como o civil cumpre pena em estabelecimento militar, portanto,
sob a jurisdição do Juiz da Justiça Militar, federal ou estadual, executor da sentença conde-
natória.
O indulto importa na renúncia pelo Estado da punição total ou parcial do conde-
nado, constituindo-se em providência de caráter coletivo. Pode ser coletivo ou individual,
também chamado de graça.
O indulto e a comutação da pena são concedidos por decreto do Presidente da Re-
pública e poderão ser requeridos pelo condenado.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Concedido o indulto ou comutada a pena por decreto do Presidente da República,
o juiz, de ofício, ou mediante requerimento do sentenciado ou do MP, mandará juntar aos
autos cópia do decreto, a cujos termos ajustará a execução da pena, para modificá-la, ou
declarar a extinção da punibilidade. O condenado poderá recusar o indulto ou a comuta-
ção da pena, concedida pelo Juiz de ofício, ou a requerimento do MP.

Destaca-se que o indulto extingue a punibilidade, enquanto a comutação ate-


nua a pena (arts. 123, II, do CP e 648 a 650 do CPPM).

Reabilitação
É requerida, pela defesa técnica, após 5 anos contados da extinção da pena princi-
pal, ou do término de sua execução, ou do dia em que findou o prazo de suspensão condi-
ciona da pena ou do livramento condicional, desde que o condenado comprove que tenha
tido, durante esse prazo, domicílio no país.
Compete ao Juiz da Justiça Militar federal, onde correu o processo decidir do pedido
de reabilitação de condenado, militar da ativa ou militar inativo, mesmo tendo cumprido a
pena em estabelecimento civil.
O pedido deverá ser instruído com: certidões comprobatórias de não ter o reque-
rente respondido, nem estar respondendo a processo, em qualquer Juízo, no prazo acima
referido; prova do domicílio no prazo supra mencionado, através dos assentamentos mili-
tares, no caso do militar da ativa, ou do documento da repartição castrense, se militar na
inatividade remunerada, ou atestado de autoridade policial dos lugares do domicílio; ates-
tado de bom comportamento público ou privado; prova de haver ressarcido o dano causa-
do pelo crime, ou prova de impossibilidade de fazê-lo até o dia do pedido, ou documento
que comprove a renúncia da vítima, ou novação da dívida. Há crimes que, por motivos
óbvios, é dispensada prova de ressarcimento de dano.
Caso necessário, o Juiz determinará diligências necessárias para apreciação do pedi-
do, cercando-a do sigilo possível, e decidirá, após ouvir o MP.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Após a reabilitação, a condenação ou condenações anteriores não serão menciona-


das na folha de antecedentes do reabilitado, nem em certidão extraída do livro do Juízo,
salvo quando requisitada por autoridade judiciária penal. Cabe recurso ou remessa de
ofício da decisão que conceder a reabilitação.
Indeferido o pedido de reabilitação, não poderá o condenado renová-lo, senão após
o decurso de 2 anos, salvo se o indeferimento houver resultado de falta ou insuficiência
de documentos. A revogação da reabilitação será decretada pelo juiz, de ofício, ou a re-
querimento do MP ou de interessado, se a pessoa reabilitada for condenada por decisão
definitiva a pena privativa de liberdade.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Da Organização da Justiça
Militar em Tempo de Guerra
Lei nº 8.457, de 04/09/1992 – Lei de organização Judiciária Militar da União.

Artigo 89º
Órgãos da JMU – Conselhos Superiores de Justiça Militar, Conselhos de Justiça
Militar e Juízes-Auditores

Artigo 90º
Competência desses órgãos somente se os crimes forem praticados no teatro de
operações militares ou em território estrangeiro, militarmente ocupado por forças brasi-
leiras, ressalvado o disposto em tratados e convenções.
Atenção para o Tribunal Penal Internacional.

Artigo 90º, par. Único


Operações militares.

Artigo 91º
Conselho Superior de Justiça Militar

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR

Órgão de segunda instância.

Composição
Dois oficiais-generais, de carreira ou reserva convocado, e um JuizAuditor, nomea-
dos pelo Presidente da República.

Competência (art. 95)


Processar e julgar originariamente oficial-general, julgar apelações interpostas junto
aos Conselhos de Justiça e Juizes-Auditores e julgar embargos opostos às decisões proferi-
das nos processos de sua competência originária.

Obs: O Comandante de teatro de operações responderá perante o STM, condiciona-


da a ação penal à requisição do Presidente da República.

Artigo 93º
Conselho de Justiça

Composição
Um Juiz-Auditor ou Juiz-Auditor Substituto e dois oficiais de posto superior ou igual,
desde que mais antigo.

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
Esse Conselho será constituído para cada processo.

Sempre que possível os oficiais da Marinha, Exército e Aeronáutica serão


julgados por militares da respectiva força.

Competência
Julgamento dos oficiais até o posto de Coronel, inclusive. Observar que o processo
correrá perante o Juiz-Auditor e somente o julgamento será de competência do Conselho
de Justiça. Compete, ainda, ao Conselho decidir sobre arquivamento de inquérito e ins-
tauração de processo, nos casos de violência praticada contra inferior para compeli-lo ao
cumprimento do dever lega, ou em repulsa a agressão.

Artigo 93º
Composição das auditorias.

Artigo 97º
Juiz-Auditor

Competência
Presidir a instrução criminal dos processos em que forem réus praças, civis ou ofi-
ciais até o posto de Coronel ou capitão-de-mar-e-guerra, inclusive e julgar praças e civis.
No CPPM, verificar os artigos 675 e seguintes.

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DIREITO PROCESSUAL

Artigo 9º do CPM
PENAL MILITAR

SUJEITO ATIVO CIRCUNSTÂNCIAS SUJEITO PASSIVO

INCISO II
a) Militar da Ativa e artigo Militar da Ativa
12, CPM

b) Militar da Ativa e artigo Lugar sujeito a Administra- Civil / Militar da Reserva /


12, CPM ção Militar Militar Reformado

c) Militar da Ativa e artigo Serviço / Razão da função / Civil / Militar da Reserva /


12, CPM Comissão / Formatura Militar Reformado

d) Militar da Ativa e artigo Período de Manobras Civil / Militar da Reserva /


12, CPM Militar Reformado

e) Militar da Ativa e artigo Patrimônio sob Administra-


12, CPM ção
Militar / Ordem Administra-
tiva
Militar

INCISO III
a) Civil / Militar da Reserva / Patrimônio sob Administra-
Militar Reformado ção
Militar / Ordem Administra-
tiva
Militar

b) Civil / Militar da Reserva / Lugar sujeito a Administra-


Militar Reformado ção Militar

c) Civil / Militar da Reserva / Formatura/ Prontidão/ Vigi- Militar da Ativa / Funcioná-


Militar Reformado lância/ Observação/ Explo- rio de Ministério Militar ou
ração/ Justiça Militar no exercício
Acampamento/ Acantona- de função
mento/
Manobras
d) Civil / Militar da Reserva / Militar em função de natu-
Militar Reformado reza militar desempenhan-
do serviço de vigilância
quando legalmente requi-
sitado ou em obediência a
determinação legal superior

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DIREITO PROCESSUAL
PENAL MILITAR
QUADRO DE POSTOS E GRADUAÇÕES
DAS FORÇAS ARMADAS
Marinha Exército Aeronáutica
Almirante Marechal Marechal-do-Ar
Almirante-de-
Esquadra General-de-Exército Tenente-Brigadeiro
Oficiais
Generais Vice-Almirante General-de-Divisão Major-Brigadeiro

Contra-Almirante General-de-Brigada Brigadeiro


Capitão-de-Mar-e-
Guerra Coronel Coronel
Oficiais
Superiores Capitão-de-Fragata Tenente-Coronel Tenente-Coronel

Capitão-de-Corveta Major Major


Oficiais
Capitão-Tentente Capitão Capitão
Intermediários
Primeiro-Tenente Primeiro-Tenente Primeiro-Tenente
Oficiais
Subalternos Segundo-Tentene Segundo-Tentene Segundo-Tentene

Guarda-Marinha Aspirante Aspirante

Suboficial Subtenente Suboficial

Primeiro Sargento Primeiro Sargento Primeiro Sargento


Segundo Sargento Segundo Sargento Segundo Sargento
Terceiro Sargento Terceiro Sargento Terceiro Sargento

Graduados
Cabo Taifeiro-Mor; Cabo Cabo; Taifeiro-Mor

Soldado Primeira-
Taifeiro Primeira-
Classe; Taifeiro
Marinheiro Classe
Primeira-Classe

Taifeiro Segunda- Taifeiro Segunda-


Classe Classe

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