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Arquivo Serpro

REVISTA TEMA ­ A Revista do Serpro


ANO XXXVI • Nº 204 • JANEIRO/FEVEREIRO • 2011
ISSN 0100­5227
Título depositado no INPI, sob no. 01125

DO E-GOV À
A revista não se responsabiliza por artigos e opiniões assinadas.
As matérias podem ser reproduzidas, desde que mencionada
a fonte.

COLABORAÇÃO EM REDE:
Coordenação Estratégica de Comunicação Social do
Serpro ­ CECOM
Tiago Macini ­ tiago.macini@serpro.gov.br
Tel.: (61) ­ 2021­7964

UMA NOVA CIDADANIA


Editor
Carlos Marcos Torres ­ carlos­marcos.torres@serpro.gov.br
Tel.: (61) ­ 2021­7974

A
Chefe de Reportagem
Ana Lúcia Carvalho ­ ana­lucia.carvalho@serpro.gov.br
Tel.: (61) ­ 2021­8181 essência do conceito de governo eletrônico, o chamado e­GOV, pode
Programação Visual e Diagramação
André Menezes, Demian Pontes, Edna Heringer, Edno Junior, ser traduzida como uma equação simples: a soma entre a democrati­
Romulo Geraldino zação do acesso e a oferta de serviços públicos eficazes e eficientes.
Diretor Presidente De maneira direta, os serviços de governo devem “gravitar” em torno
Marcos Vinícius Ferreira Mazoni
do cidadão.
Diretor Superintendente
Gilberto Paganotto No Brasil, a política de Governo Eletrônico segue um conjunto de diretrizes que
Diretores atuam em três frentes fundamentais: junto ao cidadão; na melhoria da sua própria
Jorge Luíz Guimarães Barnasque
José Antônio Borba Soares gestão interna; e na integração com parceiros e fornecedores. O objetivo é promo­
Laerte Dornelas Meliga
Nivaldo Venancio da Cunha
ver a transformação das relações do Governo com os cidadãos, empresas, e tam­
Vera Lúcia de Moraes bém entre os órgãos do próprio governo.
Conselho Diretor
Alexandre Ribeiro Motta (MF) Nesta edição da Tema, a matéria de capa destaca os desafios do e­GOV na ges­
Bruno César Grossi de Souza (MP)
Manoel Carlos de Castro Pires (MF)
tão da presidenta Dilma Rousseff e faz um levantamento da situação do governo
Marcos Vinícius Ferreira Mazoni (Serpro) eletrônico no Brasil, tanto na relação governo­governo quanto na relação governo­
Pricilla Maria Santana (MF)
Raimundo José Rodrigues da Silva (MF) cidadão. A revista ouve especialistas no assunto e mostra como o Programa Nacio­
Conselho Fiscal nal de Banda Larga (PNBL) é peça fundamental nesse planejamento.
André de Sosa Vérri
Ernesto Carneiro Preciado Esse assunto também permeia as outras matérias da edição 204. Na emissão
Juliêta Alida Garcia Verleun
de certidões de nascimento nas maternidades ou na distribuição de computadores
Endereço
Sede: SGAN, Q. 601, Mód. V portáteis a alunos de escolas públicas, a presença do Estado como fomentador da
CEP: 70836­900 ­ Brasília / DF
Fones: (61) 2021­8181 cidadania promove a concretização dos ideais democráticos. O discurso passa da
Fax: 2021­8531
teoria para a prática.
Regionais do Serpro
Brasília – Av. L2 Norte – SGAN, Quadra 601, Módulo G. Na seção Páginas Verdes, o assunto é Acessibilidade. Saiba como esse conceito
70830­900 – Tel. (61) 2021­9000
Belém – Av. Perimetral da Ciência, 2.010. Bairro Terra Firme. simples e fundamental está mudando a vida de milhares de brasileiros que são por­
66077­830 – Tel. (91) 33421777
Fortaleza – Av. Pontes Vieira, 832. São João Tauape.
tadores de necessidades especiais.
60130­240 – Tel. (85) 4008­2800 A seção Arte Digital mostra como mais um mito é destruído pela colaboração
Recife – Av. Parnamirim, 295. 52060­901 Tel. (81) 2126­4000
Salvador – Av. Luís Vianna Filho, 2355. em rede. O mercado de computação gráfica monopolizado está perdendo espaço
41130­530 – Tel. (71) 2102­7800
Belo Horizonte – Av. José Cândido da Silveira, 1.200. para os softwares livres. Entenda como Scribus, Blender e Cia. estão deixando
Cidade Nova. 31170­000 – Tel. (31) 3311­6200
Rio de Janeiro – Rua Pacheco Leão, 1.235. Jardim Botânico.
grandes corporações com a pulga atrás da orelha.
22460­905 – Tel. (21) 2159­3300 Em síntese, as mudanças trazidas nas páginas da revista atingem a todos. O
São Paulo – Rua Olívia Guedes Penteado, 941. Socorro.
04766­900 – Tel. (11) 2173­1322 compartilhamento, o acesso e a cidadania fazem parte de um trinômio indissociá­
Curitiba – Rua Carlos Piolli, 133. Bom Retiro.
80520­170 – Tel. (41) 3313­8282 vel para a construção da democracia moderna. Mais do que ter direitos, é possível
Porto Alegre – Av. Augusto de Carvalho, 1.133. participar. Você vai ficar aí parado?
Cidade Baixa. 90010­390 – Tel. (51) 2129­1200

Fotografia: Arquivo Serpro


Boa leitura!
TIRAGEM: 6 mil exemplares
IMPRESSÃO: Ellite Gráfica e Editora Ltda
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Esta revista é produzida com o uso de ferramentas livres e
MARCOS MAZONI
impressa em papel reciclado. Presidente do SERPRO
SUMÁRIO

Quais os desafios para o


e­GOV no governo Dilma
Rousseff?

Conheça a história do
governo eletrônico

Você já ouviu falar em


Acessibilidade?
Reposicionamento da
missão e investimentos
recolocaram o Serpro
Crianças sairão registradas no centro da
da maternidade democracia brasileira

Gilberto Paganotto e o cidadão como agente da construção da


Democracia

Novo perfil do profissional


Confira o que é DBaaS e como acontece a interação entre
de desenvolvimento exige
e­GOV e TV Digital
inovação e
conhecimentos
multidisciplinares Consegi 2011 será em maio, brasileiros recebem o RIC e mais...

O computador vai à escola

Integração de sistemas torna documento mais seguro

Uso de soluções livres inova a computação gráfica

Rogério Santanna e o papel da Telebrás na gestão Dilma


ENTREVISTA PRINCIPAL

A secretária de logística e tecnologia da


informação do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SLTI/MP), Maria da
Glória Guimarães dos Santos, é uma
profissional dedicada ás tecnologias da
informação. No Banco do Brasil, atuou por
cerca de 30 anos, três dos quais ocupou a
cadeira máxima da Diretoria de TI. Foi
também diretora de tecnologia na Aliança
do Brasil, braço de seguros do BB, quando
foi responsável pela revisão da arquitetura
tecnológica e integração de sistemas.

Em agosto de 2010, foi convidada pelo


então ministro do planejamento, Paulo
Bernardo, para assumir o posto na SLTI
deixado por Rogério Santanna, que se
tornou presidente da Telebrás.

Nesta entrevista à Revista Tema, Glória


Guimarães fala sobre o papel da Secretaria
que comanda no direcionamento do
governo eletrônico na gestão da presidenta
Dilma Rousseff. Com foco sempre no
cidadão, Glória explica as medidas que a
administração pública deve tomar para a
prestação de melhores serviços públicos
com uso da TI.

HORA DE CONCRETIZAR
O E-GOV
"O papel do Serpro
nesta área tem sido
muito maior do que
o de uma empresa
prestadora de
serviços em TI e
Arquivo SLTI

Comunicações para
o setor público"

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TEMA: Qual o rumo do governo eletrônico brasi­ ríodo em que as políticas desenhadas nos últimos oito
leiro para os próximos anos? anos começam a se concretizar.
GLÓRIA: Entre os vários desafios do governo eletrônico,
está a melhoria da prestação de serviços públicos por TEMA: A Instrução Normativa publicada em janei­
meio digital que pode ser facilitada com a adoção de ro de 2011 é um indicativo desse avanço?
padrões tecnológicos, como os de acessibilidade (e­ GLÓRIA: A IN SLTI 01/2011 tem por objetivo normatizar
Mag), os Padrões Brasil e­Gov e a arquitetura de intero­ o desenvolvimento, a disponibilização e o uso do
perabilidade (e­Ping). Software Público Brasileiro, bem como definir o escopo
Contudo, o conceito de e­Gov é amplo e não se limita de todos os serviços relacionados. A norma decorre do
ao mero uso das tecnologias da informação na adminis­ amadurecimento da iniciativa do portal, que completará
tração pública, mas também na potencialidade de me­ quatro anos, contando com mais de 40 soluções dispo­
lhorias trazidas com a gestão dos processos e a nibilizadas, 90 mil pessoas registradas e milhares de ins­
simplificação de procedimentos. A Secretaria de Logísti­ talações por todo o país.
ca e Tecnologia da Informação (SLTI) trabalha no desen­ Na nossa visão, a Instrução Normativa 01/2011 contri­
volvimento da Agenda Brasil de e­Gov, que consiste em buirá para consolidar mais a experiência para dentro do
documento com plano de medidas e metas factíveis. A governo, reforçar as parcerias com as entidades que
intenção é direcionar o programa governo eletrônico aderiram ao modelo e aumentar as garantias relaciona­
nos próximos quatro anos. das ao software público. Estas garantias podem ser sin­
tetizadas na publicização dos procedimentos de
TEMA: Como a SLTI deve orientar seus ações para disponibilização do software, tornando o processo de
os próximos quatro anos? adesão mais transparente, na garantia quanto à licença
GLÓRIA: O momento atual exige o direcionamento de adotada pelas soluções disponibilizadas, inclusive a Li­
ações pela SLTI em complemento à sua atuação na ges­ cença de Marcas. Enfim, a IN fortalecerá a prestação de
tão, governança e normatização de logística e de servi­ serviços que o governo já proporciona para os cidadãos.
ços de TI do governo federal. Essas ações envolvem a
definição de modelos de compras e contratações mais
eficientes, a disponibilização de serviços abrangentes de
e­GOV, a busca de soluções inovadoras, a padronização

Assim como a alfabetização literária foi


do uso de sistemas administrativos comuns na adminis­
tração, a modernização de sistemas estruturantes e a

alçada a um direito de todos no


identificação de alternativas que agilizem a entrega de

passado, cidadãos e cidadãs que não


soluções informatizadas.

dominem essas tecnologias estão


TEMA: Quais as prioridades de integração de polí­
ticas, padrões e sistemas ?

em posição de desvantagem nas relações


GLÓRIA: Para os próximos anos, o uso das arquiteturas
de padronização já consolidadas, em especial a e­PING

econômicas, sociais, culturais


e e­MAG, será expandido. Esta condição se deve princi­

e políticas
palmente ao aumento de sensibilização e capacitação
da rede SISP [Sistema de Administração dos Recursos de
Informação e Informática] em relação à importância
destes temas.
Adicionalmente, estamos trabalhando para que a dire­
triz de uso de software público seja um dos principais
mecanismos de contribuição da TI à modernização ad­ TEMA: E como a inclusão digital se encaixa no
ministrativa do governo Dilma. Soluções padronizadas projeto de governo eletrônico?
para toda a administração e avanços expressivos no uso GLÓRIA: Sem inclusão digital o governo eletrônico aten­
de software público para gestão municipal são duas das de apenas a uma parcela da população. A democratiza­
iniciativas que ilustram este caminho. Outras vias são os ção dos canais de acesso e de interação com o governo é
softwares de qualidade, baseados em arquiteturas tec­ tão importante quanto a disponibilidade dos serviços em
nológicas abertas e modernas, que permitirão melhoria si. As tecnologias não são apenas ferramentas de consu­
de processos e produção de informação para apoio à mo de bens de mercado. Elas são ­ e devem ser cada vez
decisão, com custos muito mais racionais do que no mais ­ ferramentas de cidadania, utilizadas de maneira
modelo anterior. Creio que estamos entrando num pe­ transversal pelas políticas setoriais.

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Assim como a alfabetização literária foi alçada a um di­
reito de todos no passado, cidadãos e cidadãs que não
dominem essas tecnologias estão em posição de des­
vantagem nas relações econômicas, sociais, culturais e
políticas. Por isso, o governo eletrônico voltado ao de­ As siglas que fazem o e‐GOV
senvolvimento de toda a sociedade deve caminhar de Para organizar as políticas e padrões tecnológicos, ainda mais
braços dados com a inclusão digital. na esfera pública, é quase impossível escapar das siglas. O
órgão do Ministério do Planejamento que tem como tarefa
TEMA: Além da inclusão, como promover a apro­ ampliar a transparência e o controle social sobre as ações de
ximação entre o cidadão e o Governo? governo é conhecido pelas suas iniciais: SLTI. A Secretaria de
GLÓRIA: A Secretaria está desenvolvendo o portal Logística e Tecnologia da Informação é responsável por pla‐
‘Quero Participar’, um ambiente virtual para a disponibi­ nejar e orientar normativamente as atividades da Rede Sisp.
lização integrada das funções de consulta pública, ouvi­ O Sistema de Administração dos Recursos de Informação e In‐
doria e fale conosco. Além disso, terá serviços como formática, por sua vez, deve assegurar suporte de informa‐
pesquisa textual, enquete e fórum. ção adequado, dinâmico, confiável e eficaz aos órgãos e
Outro projeto que deve estreitar esse relacionamento é entidades da administração pública federal direta, autárqui‐
o Guia de Serviços Públicos Federais, em desenvolvi­ ca e fundacional.
mento pelo Serpro, que substituirá o portal Rede Go­ Para permitir que sistemas com arquiteturas diferentes e de‐
verno. O novo site tem o objetivo de oferecer aos senvolvidos em épocas distintas possam gerar e trocar infor‐
cidadãos serviços públicos eletrônicos de forma mais mações, a SLTI conduz a organização de outra importante
clara, acessível e intuitiva. sigla: e‐PING. Os Padrões de Interoperabilidade de Governo
A proposta de layout do portal e sua arquitetura de in­ Eletrônico são revistos após consultas públicas e um nova
formação visam agilizar o processo de acesso aos servi­ versão é lançada a cada ano (saiba mais em
ços por intermédio de recursos colaborativos de web. www.eping.e.gov.br). Reunindo tudo isso, há outro elaborado
Assim, a utilização de novos sistemas informatizados e conjunto de letras: Gov.Br, o Programa de Governo Eletrônico
o aprimoramento dos existentes, com maior integração Brasileiro, cujas políticas e diretrizes são formuladas e as ações co‐
e interoperabilidade, estabelecerão um novo patamar ordenadas e articuladas pelo CEGE. Sigla que significa Comitê
de quantidade e qualidade, no nível de interação com a Executivo de Governo Eletrônico.
sociedade.

TEMA: Qual o papel do Serpro nas ações e políti­


cas de TI ao Governo?
GLÓRIA: O papel do Serpro nesta área tem sido muito
maior do que o de uma empresa prestadora de serviços
em TI e Comunicações para o setor público. O Serpro
apoia as principais iniciativas do SISP, compondo as
equipes responsáveis pela formulação de normas relaci­

Creio que estamos


onadas ao uso de TIC na administração federal, contri­
buindo com seu conhecimento e experiência.

entrando num período


Recentemente, foi disponibilizado um roteiro de métri­
cas de softwares do SISP baseado no ‘Roteiro Serpro de

em que as políticas
Métricas para Contratos de Software’, além das contri­

desenhadas nos últimos oito


buições decorrentes de consultas a outros roteiros de
órgãos que já utilizam essa lógica nos contratos. O in­

anos começam a
vestimento do Serpro no desenvolvimento de soluções
com o uso de software livre, além de cumprir uma polí­

se concretizar.
tica governamental, impulsiona a atuação do Software
Público Brasileiro. Ações como a modernização de siste­
mas estruturantes necessitam de modelos de referên­
cia, caso do Modelo Global de Dados, disponibilizado
para os processos de Planejamento e Orçamento do
governo. Contamos com a capacidade de inovação, co­
nhecimento e compromisso das equipes do Serpro para
construir esta parceria estratégica que viabiliza a imple­
mentação dos projetos de governo.

8| | JAN/FEV 2011
INTERAÇÃO

TEMA INOVA
PARA AMPLIAR
INTERAÇÃO COM
OS LEITORES

A
o longo dos seus 36 anos, a Revista Te­
ma sempre buscou inovar para uma
melhor interação com seus leitores.
Nesta edição, a versão digital da publi­
cação adota uma nova solução web, baseada total­
mente em código aberto.
A sensação do leitor é a de folhear a revista como
se estivessse com ela em mãos, tornando a leitura
com o mouse mais agradável. Com essa nova ma­
neira virtual de publicar informação, a Tema aposta
na modernidade e no dinamismo para atrair mais lei­
tores.
A solução, entre outras possibilidades, permite aos
leitores pesquisar na publicação por palavra­chave,
imprimir, salvar ou encaminhar aos amigos pági­
nas específicas sobre assuntos de interesse. Com a
nova ferramenta, os leitores podem comentar o
conteúdo da Tema e interagir com as redes sociais
de forma mais rápida.
Além dessa inovação, a publicação traz outra novi­
dade. As reportagens, o projeto editorial e a identida­
de visual passam a ser produzidas pelos profissionais
de comunicação do Serpro. Isso é uma espécie de
"volta às origens" já que, nas décadas de 70 e 80 e
até 1995, a Revista Tema era inteiramente feita na
empresa, sempre registrando a contribuição do Ser­
pro em prol da sociedade brasileira.
No novo projeto, aliada à Política de Responsabili­
dade Social e Cidadania do Serpro, a tiragem foi re­
duzida pela metade, totalizando 6 mil exemplares,
impressos em papel reciclado.
Nesta editoria, o leitor pode colaborar enviando
para comunicacao.social@serpro.gov.br sugestões de
assuntos para as próximas edições e comentários pa­
ra fazer da Revista Tema uma publicação cada vez
melhor e interativa.

JAN/FEV 2011 | |9
MEMÓRIA

A REVOLUÇÃO QUE
APROXIMA GOVERNO
E SOCIEDADE
O desenvolv imento da rede mundial de com‐
p u t a d o re s e d a s t e c n o l o g i a s d a i n f o rm a ç ã o é
d e t e rm i n a n t e n o e n c u rt a m e n t o d a d i s t â n c i a
e n t re a s p e s s o a s e o E s t a d o .
Foto: photoXpress

* por Alexei Kalupniek

T
O e­GOV além de udo começou com o surgimento da primei­ Terminais foram instalados em todo o território
buscar uma maior ra estação de trabalho informatizada, o brasileiro para permitir o controle da execução orça­
eficiência na presta­ chamado “Xerox Alto”, ainda nos anos 70. mentária, financeira, patrimonial e contábil dos ór­
Três anos depois, foi criada a Ethernet e, gãos e entidades da administração federal. Um ano
ção de serviços, am­
nestas últimas quatro décadas, o mundo viu o esta­ depois da criação do sistema, foi adotada a Conta
plia as possibilidades belecimento de uma infra­estrutura de transmissão Única o que, segundo declarações de especialistas
de diálogo entre o ci­ de dados que permitiu uma revolução nas relações do Tesouro Nacional, representou uma mudança ra­
dadão e os seus re­ entre governo e cidadão. dical no controle de caixa das contas do governo.
presentantes. Nos dias de hoje, os brasileiros convivem com a A conta, mantida junto ao Banco Central, con­
realidade do Governo Eletrônico (e­GOV). Tal facili­ centrava, em rede, as disponibilidades financeiras da
dade permite o acesso, em caráter remoto, aos ser­ União. Isso permitiu levar à sociedade informações
viços públicos que estão disponíveis 24 horas por detalhadas sobre planejamento, autorização, uso e
dia, sete dias por semana. Ele faz parte de um pro­ execução dos recursos públicos. O Siafi, que nasceu
cesso de aprimoramento do aparelho do Estado com apenas 18 transações, apresenta mais de 700
que, além de buscar uma maior eficiência na presta­ serviços atualmente.
ção de serviços, amplia as possibilidades de diálogo
entre o cidadão e os seus representantes. Exportações e leão eletrônico
Os anos 90 viram a criação de um sistema que
Mudança no caixa utilizava todo o potencial das novas possibilidades
Nos anos 80, a ciência de transmissão de dados de troca de informações. O Sistema Integrado de
a distância era chamada de “telemática”. Já se de­ Comércio Exterior (Siscomex) surgiu para controlar
tectava, pelo mundo, uma convergência entre tec­ e, ao mesmo tempo, simplificar os processos do
nologias de informática e telecomunicações, ainda comércio exterior brasileiro. Sua maior característi­
com consequências imprevisíveis. Esse processo, que ca foi a adoção de um fluxo único de informações,
resultaria na criação da internet na década de 90, eliminando controles paralelos e diminuindo a
não passou desapercebido pelos gestores de políti­ quantidade de documentos necessários para as
cas públicas. Ainda em 1987, foi implantado o Siste­ operações de exportação.
ma Integrado de Administração Financeira (Siafi).

10 | | JAN/FEV 2011
Linha do Tempo
Em três décadas de evolução, o computador se
tornou um instrumento de comunicação entre
governo e cidadãos.
O Xerox Alto é considerado o
primeiro computador pessoal.
Em 1973 foram produzidos 150
Altos que, ironicamente, nunca 1973 • Produção do primeiro computador pessoal
foram colocados à venda. Hoje, • Surgimento do protocolo de comunicações
qualquer uma dessas máquinas Ethernet
é considerada uma raridade.
Em outubro do ano passado, 1984 • Promulgação da Política Brasileira de In­
uma delas foi vendida no formática
site de compras E­bay  por 
US$ 30.100,00  (cerca 1987 • Implantação do Siafi
de R$ 51.000,00). Foto: http://www.maximumpc.com

1990 • Criação do protocolo HTTP e surgimento


da internet
Por reduzir o custo da burocracia, o Siscomex foi um instrumento que agre­
gou competitividade às empresas exportadoras. O sistema fez a integração das
atividades dos órgãos gestores do comércio exterior, inclusive câmbio, e permi­ 1992 • Instituição formal do Sistema Integrado
tiu o controle das diversas etapas do processo. No momento, o sistema, capaz de Comércio Exterior (Siscomex)
de fornecer atendimento a 2.500 usuários simultâneos, tem uma demanda de
cerca de 7 milhões de transações/dia. 1993 • Surge o Mosaic, o primeiro navegador pa­
Em 1997, foi criado o Receitanet e os brasileiros passaram a fazer sua decla­ ra internet
ração de imposto de renda de pessoa física e jurídica via internet. Só no ano de
2010, mais de 70 mil usuários acessaram o serviço e cerca de 24 milhões de 1996 • Lançamento da “Rede do Governo”, que
declarações foram processadas. determinava o uso preferencial da internet
como meio de divulgação de dados oficiais
Padronização e necessidades especiais
públicos.

No ano 2000, a Presidência da República decidiu regular e estabelecer dire­


1997 • Receita Federal brasileira passa a aceitar
trizes para os processos de e­GOV e criou o Comitê Executivo do Governo Ele­
a declaração de renda de pessoa Física e ju­
trônico. Além disso, com diversos serviços em funcionamento, faltava uma rídica via internet.
unificação dos seus diferentes sistemas. Para superar esse problema, em 2005, • Lançamento do Siscomex Importação
o governo federal decidiu padronizar sua arquitetura no uso de tecnologias de
informação. Com isso, surgiram os Padrões de Interoperabilidade de Governo
Eletrônico: e­PING. 1998 • Implantação da urna eletrônica nas capi­
A partir de 2007, o foco do governo voltou­se para a acessibilidade. Em tais do país e nos municípios com mais de
cumprimento ao decreto nº 5.296, os sítios e portais da Administração Pública 200 mil eleitores
passaram a ter que oferecer opções de acesso a pessoas portadoras de neces­
sidades especiais. O Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico (e­MAG), 2000 • Criação do Comitê Executivo de Governo
lançado naquele ano, apresentou um conjunto de recomendações para garan­ Eletrônico
tir a acessibilidade dos sistemas.

E‐GOV no mundo
2005 • Criação da e­PING

O índice de prestação de e­GOV da ONU mede o fornecimento, pela inter­


net, de serviços governamentais, além da participação dos cidadãos em 184 2006 • Criação do portal de inclusão digital do
países membros da organização. Entre os critérios de avaliação, está a existên­ governo federal
cia de um portal governanental, possibilidades de alertas de e­mail quanto a
novas políticas públicas e disponibilidade de documentos para download.
O Brasil ocupa o 61º no ranking geral e a 10ª posição entre os países das 2007 • Lançamento do e­MAG

Américas. A posição dos brasileiros só não é melhor porque o índice adota cri­
térios que acabam por beneficiar países de menor extensão territorial ­ de
acordo com a ONU, o líder no mundo é a Coréia. A Birmânia e a Estônia, por 2010 • Criação do Plano Nacional de Banda Larga

exemplo, ocupam o 13º e 20º lugares no ranking.

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O P I N I ÃO

DADOS ABERTOS:
A REINVENÇÃO DO
GOVERNO ELETRÔNICO

* por Gilberto Paganotto


Diretor­superintendente do Serpro

U
m dos objetivos do governo eletrônico é mo e estabelecer uma relação descomplicada com o
construir uma arquitetura interoperável a cidadão. Não é suficiente disponibilizar dados parciais
fim de munir os cidadãos e organizações ou não relacionados. A sociedade quer mais e esse
com acesso a informações e serviços do anseio tem nome: dados abertos (open data).
Estado. Por um lado, seu papel é aproximar as pesso­ Dentro do contexto de uma sociedade colaborati­
as e organizações de seus direitos e deveres. Por ou­ va, turbinada por mídias sociais e conectividade em
tro, é tornar público o que deve ser público: banda larga, o conceito de dados abertos deve ser in­
arrecadações, gastos, metas, resultados, serviços so­ terpretado pela Administração Pública como a “dis­
ciais, direitos previdenciári­ ponibilização para qualquer
os, etc. cidadão ou organização de
É inegável que os gover­ todos os seus dados que
nos no mundo todo avan­ não exijam confidencialida­
çaram na concepção de de”. E não para por aí, es­
seus e­GOV. Declaração de ses dados devem estar
imposto de renda pela In­ organizados e num forma­
ternet, emissão de certifica­ to em que possam ser rela­
dos, agendamento para a cionados com qualquer
retirada de documentos, outro.
entre outros exemplos cor­ Ao obter acesso a dados
respondem ao objetivo de estruturados e de fácil ma­
tornar mais rápida e fácil a nuseio, a expectativa é que
relação entre o Estado e todos possam propor pro­
seus cidadãos. jetos de melhoria para as
A transparência tam­ ações do Estado. Relacio­
bém evoluiu. Iniciativas co­ nando informações da área
mo o Portal da de Saúde com as da área
Transparência, do Governo de Educação, por exemplo,
Federal, e o Transparência Bahia, do governo baiano, espera­se que a colaboração da sociedade ajude a
são bons exemplos disso. Conseguir informações so­ trazer um novo olhar sobre antigas mazelas como
bre receitas e despesas com apenas alguns cliques epidemias, falta de escolas etc.
tornaram­se simples e foi incorporada ao cotidiano. Em síntese, colocar o cidadão no papel de agente
No entanto, nos últimos meses, uma nova discus­ da construção da democracia brasileira, esse é o no­
são passou a permear o papel do governo eletrônico vo papel do governo eletrônico que acredita nos da­
como alicerce da democracia. Não basta estar próxi­ dos abertos como o caminho para essa reinvenção.

12 | | JAN/FEV 2011
CERTIDÕES DE NASCIMENTO

CIDADANIA
DESDE O BERÇO
EMISSÃO DE CERTIDÕES DE NASCIMENTO NAS
MATERNIDADES PROMETE ACELERAR A QUEDA NO
NÚMERO DE CRIANÇAS SEM REGISTRO NO PAÍS

* por Fabrício Janssen


á 12 anos, 30% dos brasileiros sistema que facilita a emissão de certidões de nasci­
e brasileiras não possuíam re­ mento, permitindo que os recém­nascidos brasileiros
gistro de nascimento. Em já saiam registrados da maternidade. E essa novidade
2009, esse índice caiu para já mostra resultados.
apenas 8,2%. No entanto, pa­
ra o juiz auxiliar do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), Paulo Aumento de 60%
Cristóvão Silva Filho, o número ainda é elevado e causa O Cartório de Registro Civil do 12º Distrito Judiciário
problemas sociais. “A quantidade de pessoas sem re­ de Poço de Panela já recebe as informações enviadas
gistro só aparece concretamente para o Poder Público pelo novo sistema. Elas chegam direto das maternida­
quando elas precisam de alguma assistência, principal­ des. Segundo a coordenadora do cartório, o número
mente, em hospitais”, explica. de registros subiu 60%. “Desde que passamos a utili­
Essa realidade é bastante perceptível nos mais de zar o sistema, a média passou de 100 para cerca de
30 mil cartórios brasileiros. Em Recife (PE), a coordena­ 160 registros por mês”, enumera Ana Paula.
dora do Cartório de Registro Civil do 12º Distrito Judi­ Além da agilidade no processo de registro das cri­
ciário de Poço de Panela, Ana Paula Araújo Correia, anças, essas informações ficam muito mais seguras no
constata a origem da falta de cidadania de muitos sistema. "Antes, o cartório perdia todos os registros
brasileiros. “O problema é que, muitas vezes, as crian­ em caso de incêndios, chuvas. Agora, com a informati­
ças nascem e os pais não registram porque o cartório é zação, isso não se perde mais. É um grande avanço”,
longe, tem fila...”, comenta. explica a coordenadora.
De olho neste problema, o CNJ desenvolveu um

JAN/FEV 2011 | | 13
Futuro próximo
Todas as maternidades de um país de dimensões SISTEMA DE EMISSÃO DE CERTIDÕES
continentais como o Brasil interligadas a cartórios para DE NASCIMENTO
emissões de certidões de nascimento parece um proje­
to inalcançável. Ainda mais quando a meta é chegar a
100% de cartórios aptos a oferecer este serviço em
apenas 1 ano e meio. Parece, mas não é. O juiz Paulo
Cristovão é quem desmitifica.
“O Brasil tem uma diversidade muito grande de car­
tórios. É verdade que, em alguns, a estrutura é deficitá­
ria. Mas a implantação desse sistema é muito simples.
São necessários apenas um computador e uma conexão
à Internet", afirma. "Além disso, há uma linha de crédito
que o Poder Executivo está oferecendo para acelerar es­
sa modernização. Com isso, é simples completarmos to­ PARA PARTICIPAR, as maternidades que
dos os cartórios no prazo”, acredita Paulo. quiserem oferecer o serviço devem procurar um
cartório de registro civil para realizar a parceria
e inclusão no sistema. Em vigor desde outubro

“Antes, o cartório perdia


de 2010, a medida vale para todas as unidades
de saúde e registradores interessados no
todos os registros em caso Sistema Interligado de Certidão de Nascimento.

de incêndios, chuvas. Agora,


com a informatização, isso
não se perde mais. É um
grande avanço”

SEGURANÇA
ASSIM QUE A CRIANÇA NASCE, o responsável
credenciado para atuar na maternidade solicita
As novidades nas certidões não os documentos dos pais, digitaliza e transmite
terminaram com a adoção do sistema os dados ao cartório. As informações são
de emissão em maternidades. Desde conferidas e registradas, e a certidão volta
janeiro deste ano, elas passaram a ser para a maternidade para ser impressa e
impressas em papel­moeda, com entregue à mãe, gratuitamente.
marca d’água e microletras. O objetivo
é combater a falsificação.
A nova certidão de nascimento não
exclui a antiga, como explica o juiz
Paulo Cristóvão. “Ela é só uma prova
do que está no cartório. Não há,
portanto, a intenção de refazê­la”, diz.
De acordo com ele, o papel­moeda CASO A CRIANÇA NÃO TENHA A PATERNIDADE
também será utilizado nos demais RECONHECIDA, a informação será remetida a um
registros de pessoas, caso das certidões juiz, que possibilitará à mãe indicar nome e
de casamento, divórcio e óbito. endereço do suposto pai, para que a
responsabilidade imputada possa ser averiguada.

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PROCESSO JUDICIAL ELETRÔNICO (PJe) CHEGA COM A MISSÃO
DE ACELERAR A TRAMITAÇÃO DE PROCESSOS NA JUSTIÇA

D esenvolvido pelo Tribunal Regional


Federal da 5ª Região (TRF5) com o
apoio do CNJ, o sistema PJe
objetiva acelerar a distribuição, o
processamento e o julgamento de todo tipo
O CNJ TEVE A INICIATIVA DE
ELABORAR UM SISTEMA ÚNICO
COM DIVERSAS VANTAGENS,
de processo ou recurso. Com a segurança FACILIDADES DE INSTALAÇÃO E
garantida pelo uso de certificação digital, o QUE PERMITISSE UM ACESSO
registro dos processos será virtual e MAIS CLARO PARA OS
dispensará a utilização de papel. O PJe, com ADVOGADOS E PESSOAS QUE
isto, mostra também a sua preocupação TIVEREM NECESSIDADE DE
com a questão ambiental. ENTRAR NA JUSTIÇA
Saiba mais sobre o sistema, nesta entrevista
com o juiz auxiliar do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ), Paulo Cristóvão Silva Filho:

TEMA: O que é o PJe e o que motivou o seu desen­


volvimento? você precisa ir em cada um dos tribunais e, ao final, você Paulo Cristóvão
PAULO CRISTÓVÃO: No Brasil, temos uma diversidade emitiu cerca de dez certidões. Com os dados cruzados no Silva Filho, juiz
de sistemas processuais, que guardam grandes dife­ PJe, o cidadão consegue emitir apenas uma certidão e auxiliar do
renças entre si, fazendo com que seja difícil uma com maior agilidade. O segundo problema é a repetição Conselho
comunicação entre eles, promovendo uma multiplica­ de ações. Algumas pessoas abrem um processo num es­ Nacional de
ção de gastos. Diante deste cenário, o CNJ teve a inici­ tado e abrem o mesmo processo em outro. E, algumas Justiça (CNJ)
ativa de elaborar um sistema único com diversas vezes, há mais de um julgamento e conflito de decisões.
vantagens, facilidades de instalação e que permitisse
um acesso mais claro para os advogados e pessoas TEMA: Durante a fase de testes do sistema, vocês
que tiverem necessidade de entrar na justiça. observaram se houve ganho no tempo de tramita­
ção dos processos?
TEMA: Quem desenvolveu o PJe? PAULO: Sim, houve. Alguns tribunais conseguiram re­
PAULO: O PJe é uma iniciativa do CNJ em conjunto duzir o tempo de tramitação em torno de 60 a 70%.
com 17 tribunais estaduais, 24 da Justiça do trabalho e O Tribunal Regional do Trabalho da 13ª região já con­
os 5 tribunais regionais federais. O TRF5, o CNJ e a Jus­ segue fazer a tramitação em 1º grau de 40 a 60 dias.
tiça do trabalho têm uma fábrica contratada desenvol­ O Tribunal Regional Federal da 4ª região conseguiu
vendo e, no caso do CNJ e da justiça do trabalho, uma redução de 60 a 70% no tempo dos processos
temos também servidores concursados desenvolvendo de juizado em especial. No processo ordinário, o ga­
e trabalhando no controle do sistema. nho de tempo é menor, pois os prazos são mais lar­
gos, mas mesmo assim o ganho é de 40%.
TEMA: Quais as vantagens que o sistema vai produzir
no cruzamento de dados entre todos estes tribunais? TEMA: Qual a previsão de implantação do PJe no
PAULO: Vamos ter um reflexo dos dados das pessoas e país todo?
das próprias ações judiciais que forem abertas. Isto vai PAULO: Não é um projeto obrigatório, vai ser implantado
ajudar no combate a dois grandes problemas. O primeiro conforme for possível. Mas acreditamos que até 2013,
deles é quando, por exemplo, você precisa de certidões os tribunais já terão colocado em produção. Atualmen­
dos três últimos estados que você morou. Atualmente, te, o sistema já está funcionando no TJ de Pernambuco.

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CAPA

OS DESAFIOS DO GOVERNO [ELE


DILMA ROUSSEFF

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Acesso às novas tecnologias
da informação, serviços
públicos de qualidade,
eficiência da gestão,
transparência pública e
promoção da participação
social. Conheça os desafios
de e‐GOV da primeira
presidenta do Brasil.
* por Carlos Torres
N o final do último mês de janeiro, a Agên­
cia Nacional de Telecomunicações (Ana­
tel) concedeu licença à Telebrás para
operar a banda larga. O fato pode ser
considerado como ponto de partida para
o Governo Federal colocar em prática o Plano Nacional
de Banda Larga (PNBL). A intenção é levar internet de
alta velocidade para 40 milhões de domicílios por ape­
nas R$ 35. Atualmente, no país, apenas 12 milhões de

ETRÔNICO] DE
residências possuem acesso igual ou superior.
Massificar o acesso à banda larga até 2014, confor­
me declarou o Ministro das Comunicações, Paulo Ber­
nardo, é uma das pretensões da gestão da presidenta
Dilma. A ampliação do número de brasileiros incluídos
digitalmente é, ainda, uma obrigação para que o proje­
to de Governo Eletrônico, iniciado no governo Lula, seja
eficaz. Por enquanto, o grupo de pessoas que utilizam a
grande rede para o exercício da cidadania é limitado.
Mas isso deve mudar.

O que fazem os incluídos

O procurador federal cearense que atua na Bahia, Dr.


Marcelo Bessa, integra esse nicho de pessoas que pos­
suem internet em alta velocidade, e afirma sempre utili­
zar os serviços online. “Faço reclamações junto à Anatel,
sobre as operadoras de telefonia, e junto ao Banco Cen­
tral, contra bancos e cartões de crédito”, exemplifica.
No seu trabalho, Dr. Marcelo utiliza o Sistema Inte­
grado de Controle das Ações da União (Sicau), que per­
mite ao gestor avaliar a produtividade de cada servidor,
assim como acompanhar a atuação da instituição junto
ao Judiciário. "Hoje, a AGU pode mensurar com agilida­
de a demanda existente e, com isso, dispor seu quadro
de pessoal de forma equitativa, o que evita a sobrecarga
de alguns profissionais".
O uso do sistema confere maior agilidade e melhor
desempenho para as atividades na Procuradoria Federal.
"Além do controle por ele exercido, o Sicau agrega um
enorme banco de peças que ajudam na elaboração de
novas teses de defesa", acrescenta Dr. Marcelo. Prestar
melhores serviços ao cidadão começa com uma maior or­
ganização do próprio Estado e, para isso, é indispensável
o investimento nas novas tecnologias da informação.
Despachante Aduaneiro em São Paulo desde 1970,
Carlos Mattos lembra de quando precisava preencher
um a um os vários formulários exigidos para as importa­
ções. “Com o Siscomex, você tem respostas, liberações,

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Hoje ao entrar no site da Receita, você tem todas as
instruções normativas, as leis, decretos e preenche os
formulários diretamente no sistema online

O que dizem os especialistas

Dispor de soluções que agilizem e qualifiquem os


serviços, seja para o desempenho das funções do Esta­
do, para facilitar o dia a dia das empresas e trabalhado­
res ou para conferir maior comodidade ao cidadão
parecem, enfim, exigências para um governo eletrônico
efetivo. Contudo, tais medidas não serão largamente
eficientes, caso o acesso às novas tecnologias de infor­
mação e comunicação não seja ampliado em todo o
país. É esta a conclusão de especialistas consultados pe­
la Revista Tema, no início da gestão da primeira presi­
denta do Brasil, Dilma Rousseff.
“Há necessidade de avançarmos na disponibilização
de serviços públicos, evitando que as cidadãs e os cida­
dãos brasileiros precisem se deslocar de seus espaços,
muitas vezes até se dirigindo a outras cidades ou capitais,
para obter um serviço que poderíamos disponibilizar ele­
tronicamente”, afirma a vice­presidente de tecnologia da
Participe da evolução Caixa Econômica Federal, Clarice Coppetti.
do e‐GOV brasileiro Clarice acredita que o tema terá forte impulso com a
presidenta Dilma, mas os obstáculos não são poucos.
O Programa de Governo Ele‐ que são imediatas. Antigamente, era necessário entre­ “Olhando o cenário de crescimento econômico do Bra­
trônico Brasileiro (Gov.BR) gar a documentação na Receita Federal e aguardar a sil, com acesso cada vez maior das camadas mais po­
pretende transformar as rela‐ distribuição para os fiscais, para a posterior liberação”. O bres da população à internet e dispositivos móveis,
ções entre o Estado e a socie‐ Sistema de Comércio Exterior (Siscomex) proporcionou, deparamo­nos com uma necessidade urgente de uma
dade. Com isso, fortalecer em alguns casos, a redução do tempo de uma transa­ articulação potente e dedicada que seja capaz de estru­
empresas, indústrias e a parti‐ ção de um mês para cerca de 3 dias. “Hoje, ao entrar no turar, em conjunto com os ministérios e empresas esta­
cipação cidadã nas decisões site da Receita, você tem todas as instruções normati­ tais, uma política atualizada e que dê, as novas diretrizes
do poder público, por meio do vas, as leis, decretos e preenche os formulários direta­ para esse Projeto”.
acesso à informação e a uma mente no sistema online”, informa Carlos. “A revisão da estrutura do Comitê Executivo de Go­
administração mais eficiente. Nestas várias dimensões da aplicação do e­GOV, verno Eletrônico (Cege), serão determinantes para a im­
Qualquer um pode participar fundamentalmente, deve ser considerada aquela que plementação de projetos, atividades e ações
dos fóruns e das consultas pú‐ facilita o dia­a­dia do cidadão. A economista do Rio de relacionadas ao tema”. É o que defende o diretor do
blicas promovidas pelo Gov.Br. Janeiro, Renata Linhares, é uma das usuárias do novo Departamento de Governo Eletrônico da Secretaria de
Acesse www.governoeletroni‐ passaporte brasileiro, e agendou pelo sítio do Departa­ Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do
co.gov.br e cadastre‐se. Os mento da Polícia Federal (DPF) a renovação do docu­ Planejamento, João Batista Ferri de Oliveira. Para ele, a
principais assuntos são inte‐ mento. “O sistema não informou o local de estruturação deste fórum formulador das políticas “é
gração de serviços públicos atendimento para o documento e, ao contatar por tele­ fundamental para que os órgãos da Administração Pú­
por meios eletrônicos, pa‐ fone e e­mail, tive a resposta rapidamente, com a solu­ blica Federal estejam efetivamente engajados no pro­
drões de interoperabilidade e ção do problema logo em seguida, o que me grama e possam ser agentes de execução de políticas e
modelo de acessibilidade. surpreendeu positivamente”, afirmou. projetos de e­Gov”.

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Sergio Amadeu

Entre as obrigações do e­GOV está “a melhoria na


prestação de serviços públicos por meios eletrônicos,
facilitada com a adoção intensiva de padrões tecnológi­
cos como o Modelo de Acessibilidade (e­MAG), os Pa­
drões Brasil e­GOV e a arquitetura de interoperabilidade
(e­PING)”, acrescenta Ferri.

Arquivo Pessoal
O professor do Centro de Engenharia, Modelagem e
Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do
ABC (UFABC), Sergio Amadeu, amplia o horizonte do
desafio: levar esses serviços online para os segmentos
mais pauperizados do país. “É preciso universalizar o
governo eletrônico e seus serviços. Para isto, será fun­
Outro desafio igualmente importante será
damental implementar um plano nacional de banda lar­
ga que garanta o acesso estável, barato e com uma
ampliar a transparência da máquina estatal
velocidade mínima de conexão que permita a inclusão
das comunidades mais carentes no acesso a todas as
utilizando as grandes possibilidades de
aplicações da internet”, declara.
elevação do processamento dos
computadores pessoais
Inclusão digital

Um novo tipo de exclusão social ocorreu com a in­


ternet: aqueles que podem pagar aos provedores e
acessar os benefícios da rede; e os que não podem. O
ex­secretário da SLTI e atual presidente da Telebrás, Ro­
gério Santanna, ressalta que a banda larga brasileira é
uma das mais caras do mundo. Com a renovação da
missão da estatal de telecomunicação surge o PNBL.
Para o diretor­presidente do Serpro, Marcos Mazoni,
“o Brasil já compreende a inclusão digital como forma
de inclusão social e as instituições públicas investem pa­
ra tentar reverter o quadro de exclusão". Para ele, assim
como na luta contra o analfabetismo, deixar isso a car­
go da iniciativa privada é um caminho inadequado para
solução da questão, “massificar o acesso às tecnologias
é um dever do Estado”, complementa. Nesse sentido,
Mazoni não tem dúvidas: “o PNBL é a alternativa capaz
de gerar esse desenvolvimento para o país”.
Cezar Alvarez, ex­coordenador do programa de in­
clusão digital do Governo Federal antecipou que tipo de
esforço será preciso para superar este obstáculo. De
acordo com ele: “é necessária uma articulação entre go­
verno – aí incluindo União, estados e municípios –, soci­
edade e indústria para dar conta disso. No Brasil, a
exclusão digital acentua ainda mais as desigualdades so­
ciais existentes”. Ele foi nomeado, em janeiro de 2011,
secretário­executivo do Ministério das Comunicações,
pasta responsável por articular a realização do PNBL e
na qual foi criada a Secretaria de Inclusão Digital.

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e‐GOV

Dados abertos

Gestão pública
O governo eletrônico não tem como missão ape­
nas disponibilizar serviços de qualidade e de fácil uso.
“O conceito de e­GOV é amplo e pressupõe o uso “Outro desafio igualmente importante será ampliar a
das potencialidades da TIC na administração pública, transparência da máquina estatal utilizando as gran­
objetivando a melhoria na gestão, nos processos e na des possibilidades de elevação do processamento dos
simplificação de procedimentos”, confirma João Ferri. computadores pessoais”, acrescenta o professor Ser­
O governo precisa desenvolver ainda mais a própria gio Amadeu. Na página web do Gov.br, o projeto
administração para que as ações de ampliação do aces­ destaca entre seus princípios e diretrizes a “promoção
so e disponibilização de melhores serviços públicos se­ da participação e do controle social”. Contudo, ainda
jam possíveis e efetivas. “Com isso, a utilização de novos são tímidas as iniciativas neste sentido.
sistemas informatizados e o aprimoramento dos exis­ Para Amadeu, “não basta editar os dados públicos
tentes, com maior integração e interoperabilidade, esta­ e divulgá­los nos portais. A nova transparência exige
belecerão um novo patamar de qualidade e quantidade que as informações presentes nos bancos de dados
Clarice Coppetti nos serviços prestados por meios eletrônicos e no grau governamentais estejam disponíveis em formatos
de interação com a sociedade”, atesta o diretor da SLTI. abertos para que possam ser processados pelas enti­
Clarice Coppetti lembra ainda que “outra questão dades e cidadãos”. “Para avançar, Dilma deverá im­
fundamental é ouvir, testar os serviços, reunir o apanha­ plementar um processo de dados governamentais
do de críticas e contribuições daqueles que, de fato, os abertos”, completa.
utilizam, para melhorá­los”. O envolvimento dos brasilei­ As possibilidades de tornar o Estado brasileiro ainda
ros com as novas tecnologias pode ser um facilitador. mais organizado, eficiente e transparente são evidentes,
De acordo com ranking do site internet World Stats, o o que também só terá efeito, sendo garantida a inclu­
país está em quinto lugar entre as nações com maior são digital das famílias brasileiras que ainda não possu­
número de usuários de internet: cerca de 75 milhões de em acesso aos computadores e à internet.
pessoas, atrás apenas de Índia, Japão, EUA e China. Esta visão de futuro anima o procurador federal,
A vice­presidente da Caixa concorda: “temos conhe­ Dr. Marcelo Bessa. Para ele, o Judiciário caminha para
cimento, temos orçamento, temos ferramentas e o país a virtualização total dos processos: “em um futuro
está numa condição especial: os brasileiros lideram mui­ não muito distante, até mesmo as audiências serão
tas comunidades; somos líderes no volume de acesso realizadas por videoconferência, sem necessidade de
Arquivo Caixa

em várias redes sociais. Somos um povo aberto para a deslocamento físico de nenhum dos participantes”. E
tecnologia da informação e, o legal disso tudo, é que se este é apenas um dos resultados positivos caso o Es­
repete em todas as camadas sociais”. tado supere os desafios do Governo Eletrônico.

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ARTIGOS

BANCO DE DADOS COMO SERVIÇO


* por Lorena dos Reis Morais buídos para lidar com o aumento da procura em poucos

A
minutos (em vez de muitos dias para adquirir o espaço e
plicações de gerenciamento de dados são equipamentos necessários para expandir os recursos
candidatos potenciais para a implantação no computacionais na empresa).
paradigma em nuvens, porque uma instala­ Armazenamento, disponibilidade e durabilidade dos
ção do Sistema de Banco de Dados (SBD) = dados são fundamentais para disponibilizar um serviço
(Sistema de Gerência de Banco de Dados (SGBD) + Banco em nuvens, pois a perda de dados ou indisponibilidade
de Dados (BD)) de uma empresa normalmente vem com pode ser muito prejudicial. Logo, a implementação des­
um grande investimento financeiro, por vezes, tanto em tas características são normalmente realizadas através de
hardware quanto em software. Assim, o uso de Banco replicação (ou seja, os dados são automaticamente re­
de dados como serviço (DBaaS) representa uma boa al­ plicados sem a interferência do cliente ou pedido).
ternativa para o governo e empresas. Neste artigo, serão Grandes provedores de computação em nuvens com
descritas as principais características do DBaaS, além de data centers espalhados em todo o mundo têm a capa­
contextualizar a implementação de DBaaS em dois mo­ cidade de fornecer elevados níveis de tolerância a falhas,
delos lógicos de dados, Relacional e NoSQL, e fala­se replicação de dados em grandes distâncias geográficas.
também do uso de DBaaS no governo eletrônico. Como exemplo, a Amazon's S3 replica os dados em "re­
giões" e mantém a disponibilidade de modo que os da­
Banco de dados em nuvens dos e aplicações podem persistir, mesmo diante das
O assunto cloud computing ou computação em nu­ falhas de uma localidade inteira.
vens esta na moda e várias definições foram atribuídas ao Na característica de informação de qualquer lugar ou
assunto, dentre todas as definições levantadas, Zirke defi­ transparência, verifica­se que onde estão exatamente os Na característica de
ne computação em nuvens como o fornecimento de re­ seus dados não importa para o cliente, somente lançar informação de
cursos computacionais para terceiros por fornecedores mão deles e usá­los à qualquer hora, de qualquer lugar.
qualquer lugar ou
independentes e distribuídos geograficamente, e dessa Esta é uma característica fundamental do DBaaS, agora
forma um cliente contratará recursos computacionais ao os dados e aplicações estão distribuídos na rede, por ex­ transparência
invés de usar recursos locais e não precisará saber onde emplo, o Google possui dezenas de data centers espa­ verifica­se que onde
os recursos estão instalados. lhados pelo mundo, os quais prestam serviços não a um estão exatamente os
Já DBaaS não possui definição formal na literatura, país mas a diversos, atendendo milhões de usuários. As­ seus dados não
conceituou­se DBaaS como fornecimento de dados, re­ sim, quando fazemos uma pesquisa temos nossa res­
importa para o
cursos de gerenciamento de dados, controle transacional posta, mas não sabemos exatamente qual servidor
e armazenamento de forma que seja possível o acesso à respondeu e em que local ele estava. cliente, somente
informação de qualquer lugar, elasticidade e uso sob de­ Tolerância a falhas no contexto de cargas de trabalho lançar mão deles e
manda. Um cliente contrata um pacote de recursos rela­ transacionais, para um SGBD significa poder se recupe­ usá­los à qualquer
cionados a banco de dados e, ao invés de usar recursos rar de uma falha, sem perder quaisquer dados ou atuali­ hora de qualquer
locais, não precisa saber onde se localizam os recursos zações de transações confirmadas recentemente. No
lugar, esta é uma
contratados. contexto de bancos de dados distribuídos, estas falhas
podem comprometer as operações e progredir em um característica
Características mesmo volume de trabalho em face da falha de um nó fundamental do
Segundo Abadi, as principais características DBaaS trabalhador. Neste contexto, um SGBD tolerante a falhas DBaaS.
são: elasticidade, armazenamento, disponibilidade, infor­ é simplesmente um que não tenha de reiniciar uma con­
mação de qualquer lugar, tolerância a falhas, desempe­ sulta se um dos nós envolvidos no processamento da
nho e segurança. consulta falhar.
Quanto a elasticidade, um exemplo seria os picos sa­ Desempenho ou performance de um BD no ambien­
zonais ou imprevistos durante uma demanda por um te em nuvens funcionará de acordo com a quantidade
produto em uma loja de e­commerce, ou durante uma de trabalho necessária para executar uma consulta, sen­
fase de crescimento exponencial de uma rede social, re­ do esta dividida igualmente entre os nós do ambiente
cursos de banco de dados como serviço podem ser atri­ de nuvem. Então, pode­se concluir que a consulta será

JAN/FEV 2011 | | 21
concluída em um tempo aproximadamente igual em to­ pensar bancos de dados. A estrutura pouco flexível utilizada até então passou a ser um
das as demandas. Porém, se um nó apresenta o desem­ problema e as soluções propostas tinham como base a eliminação ou minimização
penho degradado, o ambiente deve redistribuir e assim dessa estruturação.
afetar proporcionalmente a latência da consulta total. Se, por um lado, tais soluções perdiam todo o arcabouço de regras de consistência
Segurança ainda é um assunto delicado na compu­ presentes no modelo Relacional, por outro lado, poderiam ganhar em performance,
tação em nuvens, pois alguns dados são confidenciais e flexibilizando os sistemas de banco de dados para as características particulares de cada
podem ser criptografados antes de serem enviados para organização. Surgiu então o termo NoSQL em 1998, a partir de uma solução de banco
a nuvem. Com o objetivo de impedir o acesso não auto­ de dados que não oferecia uma interface SQL.
rizado aos dados confidencias, qualquer pedido de exe­ Atualmente no mercado, quase todas as aplicações de sucesso no paradigma em
cução nas nuvens, não deve ter a capacidade para nuvens utilizam o modelo de banco de dados NoSQL. Exemplo de aplicações: Facebo­
descriptografar os dados diretamente antes de acessá­ ok, Twitter e aplicações Google.
lo. No entanto, todo o transporte de dados de tabelas Uma das primeiras implementações de um sistema realmente não­relacional surgiu
ou colunas na nuvem para a descodificação é intensivo em 2004, quando o Google lançou o BigTable, um banco de dados proprietário de alta
e aumenta a largura de banda. performance que tinha como objetivo promover maior escalabilidade e disponibilidade.
A idéia central era justamente flexibilizar a forte estruturação utilizada pelo modelo Re­
DBaaS e os modelos Relacional e NoSQL lacional (CHANG,2009).
Após a apresentação das principais características do Quando se analisa a possibilidade de se optar por uma estratégia NoSQL em detri­
DBaaS, vamos discutir quanto ao modelo de dados, que mento de um SGBD tradicional, é preciso levar em consideração algumas questões bá­
representa a forma como os dados serão organizados e sicas, como, por exemplo, os critérios de escalonamento, consistência de dados e
também a forma como estes serão acessados por siste­ disponibilidade necessários à aplicação. Pois o modelo NoSQL tem como fraqueza a
mas e serviços. característica de ser eventualmente consistente.
Durante 40 anos, temos utilizado o modelo relacio­
nal devido a sua simplicidade e facilidade de uso. Porém, SGBDS para DBaaS
como agora as prioridades mudaram e busca­se princi­ Há muita coisa acontecendo relacionada com os sistemas de gestão de dados
palmente economia e desempenho. Outros modelos, (SGBD) na nuvem. Para efeitos de análise, dividi­se ofertas de SGBD para nuvem em
como o NoSQL, vêm se apresentando como uma alter­ quatro categorias, dependendo se são ou não "relacional" e do grau em que elas são
nativa. "nativas" para a nuvem (exemplo: parte integrante de serviço de cloud). Neste artigo,
Segundo Codd, os SGBD relacionais oferecem aos excluíram­se as plataformas de Software como Serviço ­ SaaS com seus bancos de da­
usuários processos de validação, verificação e garantias dos subjacentes, porque muitas vezes não é possível dizer o que está em background.
de integridade dos dados, controle de concorrência, re­
cuperação de falhas, segurança, controle de transações,
otimização de consultas, dentre outros
Assim, o modelo relacional utilizado principalmente
por aplicações OLTP (Online Transaction Processing ou
Processamento de transações em tempo­real) contam
com as garantias do ACID (Atomicidade, Consistência,
Isolamento e Durabilidade) para manter o seu correto
funcionamento. Logo, oferecer DBaaS no modelo relaci­
onal será um desafio, visto que o controle do ACID ten­
de a ser bastante complexo e intenso de gravação.
Considerando os pontos levantados acima, visualiza­
se que o uso de DbaaS Relacional não será trivial, já que
os dados são divididos entre sites e, em geral, as transa­
ções não podem restringir o acesso a dados a partir de
um único site, resultando bloqueio distribuído complexo
e uso de protocolos nos dados que estão sendo envia­
dos através do ambiente em nuvens, levando ao au­
mento da latência e largura de banda de rede,
ocasionando até potenciais gargalos. Devido a isso, vari­
ados pesquisadores da área de banco de dados acredi­
tam que para sistemas que precisem de forte ACID a
solução de DbaaS ainda é inviável.
Assim, as mudanças ocorridas na tentativa de se pro­
por alternativas ao uso do modelo Relacional levaram os
desenvolvedores a pensar em um modo diferente de se Figura 4 – SGBD para ambiente em nuvem

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Praticamente qualquer banco de dados pode ser Percebe­se assim que padrões de uso banco de da­
executado em uma infraestrutura baseada em nuvem. O dos para nuvens estão evoluindo, e a adoção de negóci­
requisito fundamental é a capacidade de ter direitos de os dessas tecnologias acelera a evolução. Logo no caso
administrador para poder instalar e configurar o banco do governo identifica­se dois tipos de uso de DbaaS.
de dados, e a capacidade de ter volumes persistentes O primeiro seria, por exemplo, um banco de dados
para montar o banco de dados. Quase todos os SGBDR que alimenta um órgão de governo que atende o cida­
­ Oracle, IBM DB2, SQL Server, Sybase etc podem ser dão com um website (INSS). Se o usuário faz uma busca
executados em nuvem. por um certo serviço, é importante que os resultados se­
Recentemente, tem havido um grande número de jam entregues instantaneamente para manter o usuário
sistemas de banco de dados NoSQL. Estes tendem a ser envolvido. Se o site diz que o serviço escolhido foi agen­
distribuídos ou bancos de dados documentais. Quase dado com sucesso e conclui a operação, porém em se­
todos são software livre, por exemplo, o HyperTable é guida, após o processamento, verifica­se que a data
de código fonte aberto. HBase é um banco de dados agendada pelo sistema está indisponível. Neste caso, o
que fica em cima do Hadoop. Projeto Cassandra foi de­ cidadão certamente receberia um email sendo orientado
senvolvido no Facebook e lançado em código aberto. a refazer todo o processo. Assim, a falha do ACID no BD
Coletivamente, estas empresas estão sendo chamadas poderia ser facilmente resolvida.
de "Movimento NoSQL". Agora, considere um orgão de governo que recolhe
Há poucas opções de banco de dados em nuvens impostos dos cidadãos (Detran). A empresa está em um
"nativo”. Quanto ao modelo NoSQL, existem SimpleDB período de grande recolhimento de impostos. Neste ca­
da Amazon que foi o primeiro, seguido pelo Google Ap­ so, se o recebimento for incorreto, devido a dados in­
pEngine Datastore (baseado em BigTable), tem ainda consistentes, a empresa pode ou deve ser forçada à
Amazon, Elastic MapReduce que não é um banco de devolução, além de poder ser acusada de fraude e ainda
dados, por si só, mas é uma versão do Hadoop em nu­ sofrer processo judicial. Neste caso, a falha do ACID oca­
vem e permite a manipulação de dados em larga escala. siona grande problema que não pode ser resolvido facil­ Atualmente no
Para bancos de dados relacionais em nuvens “nati­ mente. mercado, quase
vo”, somente Microsoft com o seu banco de dados SQL Com esta compreensão dos desafios envolvidos, é todas as aplicações
Azure. Inicialmente, a oferta da Microsoft, chamada fácil compreender como a adoção de bancos de dados
de sucesso no
SQL Data Services, não oferece suporte completo para em nuvens no governo mudará o jogo consideravel­
SQL. Baseada em pesquisas, a Microsoft tem acelerado mente. paradigma em
o seu apoio para a funcionalidade completa relacional e nuvens utilizam o
suas Transact­SQL (T­SQL) interface. Não está claro se os Conclusão modelo de banco de
aplicativos existentes T­SQL podem ser migrados como é A discussão levantada neste trabalho buscou contex­ dados NoSQL.
SQL Azure, mas que provavelmente seria o objetivo a tualizar as necessidades do mercado, assim como o uso
Exemplo de
longo prazo. de DBaaS nos modelos de dados relacional e NoSQL.
Portanto, o conceito de oferecer banco de dados Evidenciou­se, ainda, que os benefícios que o DBaaS aplicações:
como serviço nativo em nuvem ainda não decolou real­ poderá trazer são vários, destacando­se o acesso uni­ Facebook, Twitter e
mente. SimpleDB e Google DataStore (BigTable) são versal aos mesmos dados e a elasticidade de armaze­ aplicações Google.
também proprietárias e não são amplamente adotada. namento. Portanto, esta tecnologia deve seguir como
uma tendência. E a adequação de nossos modelos de
DBaaS e o governo eletrônico dados e aplicações de governo à este novo paradig­
Tratando­se de governo, o uso de computação em ma torna­se obrigatória.
nuvens ainda abre muitos questionamentos para o setor
público, principalmente no tocante a segurança e priva­
cidade dos dados e a disponibilidade do serviço. Tam­
bém a questão dos aspectos legais, uma vez que o * Lorena é mestre em Engenharia Elétrica com
órgão de governo, caso optasse por soluções de tercei­ ênfase em Computação Aplicada/ Sistemas
ros, deixaria de ter controle sobre a jurisdição de onde Inteligentes pela Universidade Federal do Pará –
UFPA e também pós­graduada em Sistemas de
os dados estariam residindo.
bancos de dados pela UFPA. Atualmente é
As principais vantagens que o banco de dados em professora do curso de bacharelado em Ciência da
nuvens traria para os órgãos de governo seriam econo­ Computação no Centro Universitário do Estado do
mia de escala, gestão e elasticidade. Mas, por outro la­ Pará. Principais linhas de pesquisa são na área de
do, existem alguns riscos e cuidados que os governos inteligência artificial e banco de dados.
devem atentar. Por exemplo, a localização dos dados, Analista de desenvolvimento de sistemas no
segurança, auditoria, disponibilidade, confiabilidade, Serpro desde de 2007.
portabilidade e aprisionamento.

JAN/FEV 2011 | | 23
ARTIGOS

GOVERNO ELETRÔNICO E A
TV DIGITAL INTERATIVA
* por Andrea Rodrigues de Amorim

O
crescente avanço tecnológico das últimas tos da TVD, conforme resumido no Quadro 1.
décadas tem contribuído para incrementar
a troca de informações entre as pessoas e
organizações. A convergência de meios
permitiu que qualquer rede seja capaz de carregar
qualquer tipo de conteúdo. Porém, no mundo atual, a
A TV Digital exclusão digital se torna exclusão social em decorrên­
Interativa (TVDI) cia da falta de acesso à informação.
poderá ser mais um Neste cenário, o fato da TV estar presente em mais
canal de difusão do de 90% das residências brasileiras, torna a implantação
do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) uma forma
governo eletrônico
de atingir as camadas menos favorecidas da população
(t­Gov), através do uso de aplicações para TV Digital (TVD) como
proporcionando fonte de conhecimento, lazer e exercício da cidadania. Quadro 1: Sistemas de TV Digital
maior alcance na
disseminação de Governo eletrônico O middleware Ginga foi desenvolvido na PUC­RJ e
O uso da tecnologia pela administração pública para UFPB para atender ao SBTVD e está dividido em dois
informações
oferecer serviços à sociedade é o que chamamos de go­ subsistemas permitindo abordagens diferentes:
públicas e aumento verno eletrônico (e­GOV). O programa gerador de de­ Ginga­J: baseado em procedimentos e funções. Usa
na abrangência dos clarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) é um o JavaTV.
serviços oferecidos exemplo deste tipo de serviço. Ginga­NCL: declarativa, baseada em marcação e
pelo governo A TV Digital Interativa (TVDI) poderá ser mais um ca­ scripts. Usa a linguagem NCL (Nested Context Langua­
nal de difusão do governo eletrônico (t­Gov), proporcio­ ge). Permite a criação de documentos hipermídia com
federal.
nando maior alcance na disseminação de informações sincronismo entre mídias e interação com o usuário. Es­
públicas e aumento na abrangência dos serviços ofereci­ tes documentos são arquivos XML com estrutura especí­
dos pelo governo federal. fica representando nós e elos que podem ser aninhados
e definem o que tocar, onde, como e quando tocar.
TV Digital
A TVD é capaz de receber sinal digital, armazenar Protótipo de aplicação para TVDI
dados e realizar processamento. A interatividade é uma A fim de exemplificar o uso da TVDI no e­GOV foi
vantagem social da TVD pois permite um aumento da construído um protótipo relativo ao IRPF usando a lin­
quantidade e qualidade dos serviços oferecidos. Entre­ guagem NCL. O programa deve orientar o contribuinte
tanto, o nível de interação varia em função do canal de na geração da declaração do IRPF e oferecer o serviço
retorno, o qual permite a comunicação do telespectador de consulta à situação da declaração. A interatividade é
com o emissor. feita através do controle remoto. Para o serviço de con­
Existem hoje, quatro sistemas de TVD que adotam sulta, um canal de retorno deve estar disponível a fim de
padrões diversos, além de focarem em diferentes aspec­ captar os dados do contribuinte.

24 | | JAN/FEV 2011
TEMATEC é uma publicação encartada na revista
Tema. Nosso objetivo é levar aos empregados do
SERPRO textos especiais sobre assuntos variados, que
permitam mais integração entre o corpo técnico. A
participação na TEMATEC está aberta aos técnicos do
SERPRO, aos clientes e à comunidade científica. Os
interessados devem contatar a editoria da revista
Tema pelo telefone: (61) 2105­8181.

Nº XXIX ­ 2011

PROGRAMA DE RESILIÊNCIA
UMA NOVA ABORDAGEM PARA A
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESTRATÉGICOS

Atender as novas necessidades dos clientes, a legisla­


1. INTRODUÇÃO ção vigente e considerando as capacidades e limitações
da empresa, exigirá um esforço coordenado e ações
O artigo apresenta um estudo de caso com o objeti­ planejadas entre as Unidades. Um Programa de Resili­
vo de propor um Programa de Resiliência para o SER­ ência que aborde aspectos de cultura, atitude, processo
PRO, visando a prestação de Serviços Estratégicos para e estrutura, representa uma alternativa para atingir estes
seus Clientes, considerando a sua criticidade e sensibili­ desafios. Focalizar inicialmente a resiliência nos aspectos
dade, e agregando capacidades de prevenção, prepara­ operacionais é a proposta a ser desenvolvida.
ção, mitigação, continuidade e recuperação.
Organizações Resilientes são tipicamente caracteriza­
das por antecipar as ameaças emergentes e compreen­ 2. DIAGRAMA DE ESTADOS
der o impacto sobre os objetivos do negócio, possuir
capacidade de reagir e recuperar de interrupções de for­ Um sistema ou organização resiliente é capaz de su­
ma rápida, e articular claramente os objetivos organiza­ portar os efeitos de estresse e tensão, recuperar­se de si­
cionais por meio de processos e liderança eficazes. tuações adversas e ajustar o seu funcionamento. Para
Como o SERPRO e as organizações de forma geral tal é fundamental conhecer a situação atual, as possíveis
não conseguem prever todos os desafios a serem en­ situações adjacentes e ter condições de mudar para um
frentados, é importante que sejam flexíveis e capazes de outro estado antes que ocorra uma interrupção ou de­
adaptar­se às mudanças no seu contexto operacional sastre.
ou de ambiente, de forma a poder sobreviver e princi­ Uma forma de descrever e planejar estas situações,
palmente evoluir. Esta situação torna­se ainda mais im­ representando alguns cenários típicos, é por meio de di­
portante quando o foco é a prestação de serviços agramas de estado. Estes diagramas permitem visuali­
categorizados como estratégicos, cujas interrupções po­ zar um sistema nos seus vários estados, facilitando a
dem causar graves impactos para a sociedade e para o definição do conjunto de condições que podem levar a
governo. uma transição, bem como as ações que precisam estar

JAN/FEV 2011| |1
definidas, as responsabilidades e recursos necessários. A figura 1 apresenta um exemplo de diagrama de
Os diagramas de estado também são úteis nas situações estados simplificado para uma organização prestadora
de simulação e teste. de serviço.

Figura 1 – Diagrama de estado para uma organização prestadora de serviços


Fonte: Adaptado de Hollnagel, States of Resilience

o foco organizacional, foi resultado do Projeto RE­


3. MODELOS SORGS da Unversidade de Canterbury na Nova Zelândia.
CONSIDERADOS O segundo modelo ­ Resiliency Management Model
(RMM), com o foco no ambiente operacional, foi elabo­
O artigo atual partiu de estudo prévio no qual foram rado pela Universidade Carnegie Mellon nos Estados
identificados modelos de resiliência, dentre os quais dois Unidos.
foram considerados adequados para a proposta a ser A relação da abrangência destes dois modelos pode
desenvolvida [LOPES]. O modelo mais abrangente, com ser representada pela figura 2.

Figura 2 – Modelos de resiliência – Organizacional x Operacional

JAN/FEV 2011| |2
TEMATEC

a) Resiliência Organizacional ­ O projeto RESORGS no segmento operacional envolvendo os processos de


concebeu metodologia para o estabelecimento de uma gestão da continuidade, gestão da operação de TIC e
organização resiliente composta de 5 etapas ­ Criação gestão da segurança. Todos estes processos são forte­
de conscientização nas questões de resiliência; Seleção mente suportados pela gestão de riscos. Está compos­
de componentes organizacionais essenciais; Auto avalia­
to de vinte e quatro áreas de capacidade estruturadas na
ção das vulnerabilidades; Identificação e priorização das
vulnerabilidades principais; e, Ações visando aumentar forma de processos, distribuídas em quatro categorias:
capacidade adaptativa. Gestão da Organização, Engenharia, Gestão de Opera­
b) Resiliência Operacional ­ O RMM tem o foco ções, e Gestão do Processo, descritos na tabela 1.

Tabela 1 – Categorias e áreas de capacidade – Modelo RMM4. PRO

4. PROGRAMA DE do na figura 3.
RESILIÊNCIA A gestão da resiliência organizacional envolve ques­
tões e ações antes, durante e após um incidente, desta
forma, o objetivo do SGRO consiste na melhoria da se­
O Programa de Resiliência tem como objetivo conce­ gurança, preparação, resposta, continuidade e recupera­
ber o Sistema de Gestão da Resiliência Organizacional ção. Tem como premissa a revisão periódica visando
(SGRO) e definir sua estratégia de implantação. Como identificar oportunidades de melhorias. Sua abrangên­
referência foi adotado o padrão ASIS SPC.1­2009 – Orga­ cia e cronograma de implantação dependem de cada
nizational Resilience, cujo diagrama de fluxo é apresenta­ organização.

JAN/FEV 2011| |3
BIBLIOGRAFIA

ASIS SPC.1­2009. Organizational Resilience Standard –


an American National Standard for Security. Disponível
em URL:<http://www.asisonline.org/guidelines/or.xml>.
Acesso em junho de 2010.
CERT. CERT Resiliency Management Model, v1.0 ­
Generic Goals and Practices
CERT Resilient Enterprise Management Team ­ CERT
Program, June 2009. Disponível
URL:<http://www.cert.org/resiliency/>. Acesso em: julho
de 2009
HOLLNAGEL, E. Resilience Engineering – Concepts and
Precepts. Ashgate, 2006.
HOLLNAGEL, E. Resilience Engineering Perspective –
Remaining Sensitive to the Possibility of Failure, Vol.1.
Ashgate, 2008.
Figura 3 – Diagrama de fluxo do SGRO – [ASIS, 2009] JACKSON, S. Architecting Resilient Systems: Accident
Avoidance and Survival and Recovery from Disruptions.
John Wiley & Sons, 2010.
LOPES, M. Conceitos da Engenharia de Resiliência
5. APLICAÇÃO NO SERPRO Aplicados à Proteção da Infraestrutura de Informações
A proposta apresentada tem como foco aplicar dos Criticas. CONSERPRO, 2009.
conceitos expostos no segmento operacional do Serpro. MCMANUS, S. Organisational Resilience in New
A opção por este segmento está diretamente associada Zealand. University of Canterbury, 2008.
com a capacidade de produção exigida do Serpro para MOODY, D. The need for Resiliency at the Corporate
atender os serviços estratégicos e necessidades de pre­ Level. George Mason University – CIIP Critical Thinking
venção, preparação mitigação, continuidade e recupe­ Series: Moving from Infrastructure Protection to
ração. Infrastructure Resilience, 2007.
O Modelo da IBM será utilizado para fazer o diag­ NEMETH, C. Resilience Engineering Perspectives, Vol. 2 ­
nóstico inicial da situação do Serpro e apoiar na defini­ Preparation and Restoration. Ashgate, 2009.
ção da situação a ser alcançada (gap analysis). O VALIKANGAS, L. The Resilient Organization: How
Modelo da Universidade Carnegie Mellon será utilizado Adaptive Cultures Thrive Even When Strategy Fails.
como referencia para as atividades no segmento opera­ McGraw­Hill, 2010
cional. O Modelo da Universidade de Canterbury será WEICK, K. Managing the Unexpected: Resilient
utilizado como referencia para aspectos mais amplos da Performance in an Age of Uncertainty. John Wiley &
resiliência que envolvam a organização de uma forma Sons, 2007.
geral. Finalmente o padrão ASIS será utilizado para ori­
entar a estruturação do SGRO a ser proposto para o
SERPRO.

6. CONCLUSÃO E AUTOR
PRÓXIMOS PASSOS
Como não é possível prever todos os desafios a se­ MARCOS ALLEMAND
rem enfrentados, é importante estruturar­se de forma Graduação: Engenharia
flexível para permitir adaptações sejam elas provocadas Elétrica (Universidade de Brasília, 1985). Especializações:
por demandas de novos serviços, necessidade de man­ Sistemas Distribuídos e Segurança de Redes (Universidade
ter conformidade com legislação ou interrupções. A de Hildesheim, Alemanha, 1992); Gestão da Segurança da
proposta de adoção dos conceitos de resiliência opera­ Informação (Universidade de Brasília, 2009). Certificações
cional no Serpro por meio da implementação de um na área de segurança: CISM, CISSP, MCSO. Trabalha no
programa específico que aborde aspectos de cultura, SERPRO desde 1985, onde atuou nas áreas de Rede,
atitude, processo e estrutura, é uma alternativa para Centro de Dados e Segurança. Atualmente está lotado na
atingir este objetivo. Coordenação Estratégica de Tecnologia.

JAN/FEV 2011| |4
CONTROLE DE ACESSO
UNIFICADO COM O RASEA

PARA QUÊ?
O QUÊ? Durante o dia­a­dia no trabalho acessamos diversos
sistemas diferentes: correio, rede, controle de ponto,
O Rasea é um sistema de controle de acesso, mas chamado técnico, contra­cheque, dados cadastrais e por
não um qualquer. Seu nome é um acrônimo para cRoss­ aí vai. Quando precisa modificar suas senhas de acesso,
plAtform accesS control for Enterprise Applications, o o que você faz? É obrigado a alterá­las em cada sistema,
que já nos revela bastante coisa: uma solução de con­ seguindo diferentes regras: tamanho, combinação de le­
trole de acesso multiplataforma para aplicações corpo­ tras e números, expiração, dentre outras. Só que o pro­
rativas. Seu grande diferencial é a simplicidade, blema não acaba por aí.
alcançada através de experiências adquiridas em pesqui­
sas, implementações e uso.
Buscando equalizar teoria e prática, o projeto foi
aprovado como dissertação de mestrado em 2009 e
bem aceito pelas empresas privadas e órgãos públicos
que utilizam o Rasea em ambiente de produção. O Ra­
sea esteve entre os três trabalhos premiados no tema
Engenharia de Software do ConSerpro 2010, congresso
que estimula pesquisa, criatividade e inovação tecnoló­
gica.
Resumidamente, o Rasea é uma solução orientada a
serviços que permite o controle unificado de permissões
com base no padrão RBAC, utilizando conceitos e tec­
nologias existentes para garantir a interoperabilidade em
ambientes heterogêneos. Ainda não entendeu? Vamos
adiante, tudo ficará mais claro a partir daqui.

JAN/FEV 2011| |5
TEMATEC

públicos. Pode ser utilizado por profissionais autônomos


e por qualquer organização que pretende facilitar o ge­
renciamento do controle de acesso de suas aplicações.
O Serpro pode ser altamente beneficiado, minimi­
zando eventuais esforços redundantes gastos no geren­
ciamento de diferentes módulos de controle de acesso,
criados por necessidades diversas: tecnologia, área de
negócio, unidade organizacional ou polo de desenvolvi­
mento. O Rasea também poderia fazer parte da linha de
negócios de empresa prestadoras de serviços de infor­
mática, com potencial de customização para atender as
diferentes políticas de gerenciamento de permissões
praticadas nos clientes.

Você está dentro do sistema! Agora é necessário ga­


rantir que você terá acesso apenas às funcionalidades COMO?
compatíveis com seu cargo, função ou papel que de­
sempenha. Na maioria das vezes, cada aplicação cria Antes de mais nada, é preciso deixar claro alguns ter­
seu próprio módulo de gerenciamento de permissões, mos importantes. Um deles é autenticação, que identifi­
gerando retrabalho, falta de padronização e desperdício ca alguém no sistema e garante que ele é de fato quem
de tempo. Os analistas e programadores não deveriam diz ser. Já a autorização define quem pode fazer o que.
se preocupar apenas com o negócio? Não seria mais A função do controle de acesso é permitir ou negar o
apropriado delegar para “alguém” as questões relacio­ acesso aos recursos do sistema.
nadas ao controle de acesso? O Rasea não reinventa a roda. Utilizamos o padrão
O Rasea vai auxiliar em três pontos­chave. O primei­ RBAC (ANSI INCITS 359­2004), que significa Role Based
ro é contribuir para a unificação da base de usuários. O Access Control ou controle de acesso baseado em pa­
segundo é proporcionar o reuso e a padronização do péis. Com o RBAC é possível conceder permissões ao
mecanismo de controle de acesso das aplicações. O ter­ papel, e não diretamente ao usuário. Veja: os funcioná­
ceiro quem agradece são os administradores de segu­ rios (usuários) do setor financeiro (papel) possuem auto­
rança, que serão beneficados com a simplificação no rização para emitir (ação) nota fiscal (recurso). Agora,
gerenciamento de permissões. mãos à obra!

A arquitetura do Rasea se fundamenta em dois ele­


mentos principais tratados sob duas perspectivas. O ser­
ONDE? vidor preocupa­se com a disponibilidade dos serviços, o
agente aborda aspectos específicos das plataformas das
Atualmente o Rasea é utilizado na linha de produção aplicações. As perspectivas independência de platafor­
de uma Fábrica de Software como componente reusá­ ma e integração promovem a comunicação entre o Ra­
vel, aumentando a produtividade no desenvolvimento sea e as informações da organização, tudo de uma
de aplicações. É utilizado também para controlar o aces­ forma independente de tecnologia ou linguagem de
so aos sistemas internos de algumas empresas e órgãos programação.

JAN/FEV 2011| |6
O módulo administrativo roda na Web, é simples e intuitivo. Com ele é possível ge­
renciar usuários, aplicações, recursos, ações, permissões e autorizações. Destaque para
a matriz de concessão de autorizações, resultado das sugestões de diversos administra­
dores durante o desenvolvimento e evolução do projeto.

QUANDO?
Já! A versão atual do Rasea está pronta para uso em aplicações Java que utilizem o
framework JBoss Seam, pois este é hoje o único agente disponível. Temos notícias de
um agente criado para uso em aplicações PHP. Está em andamento a criação de um
agente para o Demoiselle, que logo permitirá a integração do Rasea com qualquer apli­
cação que utiliza o framework.
Num futuro muito breve, sistemas unificados de controle de acesso poderão ser
oferecidos como serviços em nuvem. Pode­se imaginar um cenário onde, em poucos
minutos, o cliente teria à sua disposição uma instância confiável e segura do Rasea com
o Demoiselle, permitindo o imediato controle de acesso das suas aplicações. Pensar em
O servidor disponibiliza um módulo administrativo, Cloud Computing amplia as possibilidades e favorece a incorporação de tecnologias
para o gerenciamento das permissões dos sistemas, e como REST e NoSQL, podendo aumentar ainda mais a escalabilidade e perfomance da
um módulo de serviços acessíveis pelos agentes (compo­ solução atual.
nentes conectáveis às aplicações corporativas). Fornece
também um módulo de extensão, possibilitando a busca
de informações dos usuários onde mais você quiser
(XML, arquivo de texto, outros sistemas), e não somente QUANTO?
nos meios já providos nativamente pelo Rasea (LDAP ou
SGBD). Nada, zero! Não há custo com licenciamento. Acreditamos, praticamos e disseminamos
Todas as tentativas de acesso às aplicações são inter­ a cultura do software livre, por isso o Rasea está disponível no SourceForge, o maior reposi­
ceptadas pelos agentes, que buscam as instruções de co­ tório de projetos open source do mundo, sob a licença LGPLv3.
mo responder àquela solicitação: permitir ou negar? Só o Existe sim um investimento de tempo em aprendizado, capacitação. Temos buscado dis­
servidor saberá responder, mas só o agente poderá atuar. ponibilizar informações úteis para isso, mas sempre existe espaço para melhorar. Toda con­
O agente tem a grande responsabilidade de se especializar tribuição é muito bem­vinda.
na tecnologia da aplicação. Por exemplo, uma aplicação
Java necessita de um agente Java.
E?

A falta de padrão para controle de acesso não é


nenhuma novidade, sabemos disso. Grande parte
das organizações sofre deste problema, nem todas
conseguem resolver. Algumas gastam muito dinheiro
para isso.
A idéia e a implementação do Rasea são basea­
dos em simplicidade, facilidade de instalação e uso,
padrões e interoperabilidade. Para saber mais infor­
mações indicamos aqui algumas referencias. Bom
proveito!

Site do projeto: http://www.rasea.org


SourceForge: http://sourceforge.net/projects/rasea/
Twitter: http://twitter.rasea.org
Vídeo com os primeiros passos: http://www.you­
tube.com/watch?v=DV53pW14kso

JAN/FEV 2011| |7
QUEM?

CLEVERSON SACRAMENTO
(ou ZyC) é desenvolvedor, arquiteto, administrador e
fundador do projeto Rasea. Mestre em Sistemas e
Computação e MBA em Sistemas de Informação,
trabalha no Serpro (CETEC/Salvador) na equipe
Demoiselle e é entusiasta da versão 2.0. Gosta de
pedalar, correr, fazer um som, escrever bobagens e
coisas sérias no blog
http://cleversonsacramento.wordpress.com.

SERGE REHEM
é analista do Serpro e atualmente lidera a excelente
equipe técnica do Framework Demoiselle, na
projeção da Coordenação Estratégica de Tecnologia
(CETEC) ­ regional Salvador. É entusiasta e praticante
do software livre e das metodologias ágeis de
desenvolvimento. Escreve sobre colaboração em seu
blog http://bazedral.blogspot.com.

VOCÊ
Isso mesmo! Você que se identificou com o projeto e
está com vontade de usar e contribuir com sugestões,
críticas, ideias ou até mesmo fazendo parte da equipe
de desenvolvedores. De “brinde”, você aprende muito
participando de projetos Open Source.
Todo mundo ganha!

JAN/FEV 2011| |8
Aarquitetura da aplicação NCL pode ser definida pelas visões:
Estrutural: define as mídias e as associações entre elas (Figura 1).

Figura 1: Visão Estrutural

Leiaute: representa a tela da TV, pode ser dividida em regiões.


Temporal: linha de tempo com dependências entre os elementos de mídia (Figura 2)

Figura 2: Visão Temporal

Conclusões
As aplicações para TV Digital oferecem inúmeras
oportunidades de negócio e podem se tornar um
poderoso canal do e­GOV, proporcionando a inclusão
digital definida nas políticas públicas do País.
Na opinião de Samyra Habibe, supervisora dos
programas do IRPF na RFB: “Este trabalho de interação
constante entre a Receita e contribuinte, via TV, se
desenvolvido e aprimorado será, sem dúvida alguma, a
melhor forma de pulverizar e democratizar todas as
A Figura 3 apresenta o emulador da tela da TV exibindo o protótipo desenvolvido. orientações necessárias para que o nosso contribuinte se
sinta incluído, respeitado e seguro na hora de fazer suas
declarações, consultas e principalmente recolher os
impostos.”

* Andrea concluiu a especialização em Componentes Distribuídos e


Web pela Faculdade Ruy Barbosa em 2010 e é bacharel em Sistemas de
Informação pela Universidade Luterana do Brasil. Graduada em 2005,
recebeu o prêmio Destaque Universitário em Informática e foi vencedora
do Concurso TCC 2005 do Portal Teleco com a monografia
Desenvolvimento de Aplicações Móveis com J2ME. Iniciou na área de
informática em 2001 trabalhando com desenvolvimento de sistemas em
diversas plataformas. Desde 2007, atua como analista de sistemas no
Serpro e atualmente faz parte da equipe de desenvolvimento do sistema
e-Processo.
Figura 3: Tela do protótipo exibindo tutorial sobre IRPF

JAN/FEV 2011 | | 25
UCA TOTAL

REVOLUÇÃO DIGITAL
COMEÇA NA ESCOLA
DESDE O FINAL DE 2010, SEIS
MUNICÍPIOS BRASILEIROS ESTÃO
COM 100% DA REDE PÚBICA DE
ENSINO INCLUÍDA DIGITALMENTE.
É O UCA TOTAL, VERSÃO TURBINADA DO
PROGRAMA UM COMPUTADOR POR ALUNO.

* por Tiago Arrais

O município de São João da Ponta, localizado


na região nordeste do Pará, ainda está se
acostumando à sua nova realidade. A cida­
de foi uma das escolhidas para fazer parte
do programa UCA Total. Com isso, a cidade, que tem
um dos piores Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb) no estado, deverá melhorar sua colocação
equipamentos entregues têm acesso à internet por
meio do Navegapará, o programa de inclusão digital do
governo do estado, e contam ainda com o sistema ope­
racional Linux e programas básicos de edição de texto,
planilhas e imagens, além de programas educativos.
Em todo o Brasil, além de São João da Ponta, mais
cinco municípios fazem parte do programa: Barra dos
nas próximas avaliações. Coqueiros (SE), Caetés (PE), Santa Cecília do Pavão (PR),
Terenos (MS) e Tiradentes (MG).
Critério
A cidade, que tem pouco mais de 5 mil habitantes, Preparação
Alunos da Escola foi selecionada por não exceder o número de 3 mil alu­ Para melhor utilizar o equipamento, os professores
Municipal Antônia nos e professores das redes estadual e municipal de en­ de São João da Ponta participaram de uma formação
Rosa, uma das 14 sino. Além disso, é uma localidade com baixo Índice de específica na qual foram discutidas as formas de utili­
escolas beneficiadas Desenvolvimento Humano (IDH): 0,672. zação das tecnologias digitais nas escolas públicas.
pelo programa UCA Ao todo, a cidade recebeu 1.676 laptops, distribuí­ Outro ponto abordado foi a mudança pedagógica
Total em São João dos entre os 1.612 estudantes e 64 professores, de 14 com atitudes inovadoras, visando a melhoria da qua­
da Ponta (PA) escolas da rede pública integrantes do programa. Os lidade da educação. E ao que tudo indica, os resulta­
dos foram satisfatórios.
Segundo Elizabeth Braga, professora responsável
Foto: Rodolfo Oliveira (Agência Pará de Notícias)

pelas oficinas de formação com os professores do


município, o envolvimento de todos tornou possível
a realização desse piloto no município paraense. “Se
não fosse a vontade de aprender dos professores e
alunos, a realização do UCA não seria possível”, co­
menta a professora.

Mudança em boa hora


Implantado em setembro de 2010, o UCA Total mu­
dou a paisagem da cidade: o que se vê hoje, em nada
se parece com a imagem vista há um ano. Não é preci­
so procurar muito e logo é possível ver crianças com
seus laptops nas ruas, praças, escolas e até em casa.

26 | | JAN/FEV 2011
Os computadores contribuirão para o desenvolvi­
mento intelectual dos estudantes. É o que pensa Luci­
ano Picanço, aluno da 8ª série da Escola Municipal de
Ensino Fundamental “Antônia Rosa”. “Esses compu­
tadores estão sendo muito importantes. Agora, a
gente pode fazer os trabalhos da escola com mais Esses computadores estão
qualidade, e o melhor, dá até vontade de fazer a lição sendo muito importantes.
de casa”, revelou o jovem. Agora, a gente pode fazer os
Para a professora Elizabeth, o projeto foi implanta­
trabalhos da escola com mais
do em boa hora, pois o Ideb de São João da Ponta foi
muito abaixo da média nacional em 2009. “A utiliza­ qualidade, e o melhor, dá até
ção do laptop como ferramenta de aprendizagem e vontade de fazer a lição de
acesso à informação vai proporcionar maior dinamis­
mo e aprendizagem nas escolas. Temos o dever de
casa
Luciano Picanço, aluno da 8ª série
revolucionar a educação dessa cidade, e o UCA vai
da Escola Municipal Antonia Rosa
nos possibilitar essa virada”, prevê a professora.

O início
O projeto Um Computador por Aluno (UCA) foi O Serpro participa do projeto desde a sua concep­
apresentado ao governo brasileiro no Fórum Econômi­ ção. O Coordenador Estratégico de Inclusão Digital do
co Mundial em Davos, Suíça, em janeiro de 2005. O Serpro, Luiz Cláudio Mesquita, aposta no sucesso do
presidente não só aceitou a ideia, como instituiu um programa. Para ele, é uma quebra de paradigma, revo­
grupo interministerial para avaliar a proposta. luciona a formação do aluno e do professor. “O UCA re­ Municípios
Após reuniões com especialistas brasileiros para modela a forma de dar e assistir aula, além de impulsio­
debater a utilização pedagógica intensiva das tecno­
atendidos pelo
nar o professor em direção à tecnologia. Insere, tam­
logias da informação na educação, criou­se um pro­ bém, a família, quando o aluno leva o computador para programa UCA
jeto no qual cada escola receberia os laptops para casa”. Na opinião de Mesquita, com a introdução dos Total
alunos e professores, infraestrutura para acesso à in­ computadores como ferramenta pedagógica, o Brasil se
ternet, capacitação de gestores e professores. posiciona na vanguarda da tecnologia e da educação.

São João da Ponta (PA)


Caetés (PE)
Barra dos Coqueiros (SE)
Terenos (MS)
Tiradentes (MG)

A abrangência do
Santa Cecília do Pavão (PR)
UCA Total e sua clara
descentralização geográfica
ficam evidentes no mapa.
Dados do UCA Total
Todas as cinco regiões
brasileiras foram contempladas 49 escolas
pelo programa e a quantidade
de escolas, professores e alunos 815 professores
beneficiados é significativa.
14809 alunos

Fonte: www.uca.gov.br

JAN/FEV 2011 | | 27
INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS

PASSAPORTE:
EFICIÊNCIA CONTRA A FALSIFICAÇÃO
DOCUMENTO DE VIAGEM BRASILEIRO TORNA‐SE AINDA MAIS SEGURO
COM A INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS
* por Victor Freire

A
lém de ser um dos mais modernos do mundo, laridades que foram detectadas com a integração”, afir­
o passaporte brasileiro obteve um significativo ma o delegado Rodrigo Guimarães, da Divisão de Passa­
ganho de eficiência e segurança. No ano passa­ portes da Polícia Federal.
do, a integração do Sistema Nacional de Passa­
portes (Sinpa) ao Sistema Automatizado de Identificação
de Impressões Digitais (Afis) permitiu ao Departamento
de Polícia Federal (DPF) comparar eletronicamente as in­

“Mais de 30 inquéritos
formações papiloscópicas recebidas para a emissão do

policiais foram instaurados a


documento em todo o território nacional.

Mais eficiência partir de irregularidades que


O Sinpa, utilizado nas 137 delegacias e postos de foram detectadas com a
emissão da Polícia Federal no Brasil, é o responsável por
integração”
emitir 6.500 passaportes diariamente. O Afis recebe in­
formações papiloscópicas de todo o país, que são arma­
zenadas no Instituto Nacional de Identificação da Polícia Mais segurança
Federal, em Brasília (DF). A integração entre os sistemas não serve apenas pa­
Antes da integração, as informações eram consulta­ ra facilitar o trabalho dos agentes e delegados no que
das de forma independente nos dois sistemas. A com­ diz respeito ao documento de viagem, mas também pa­
paração não era eletrônica e havia chance de erros no ra auxiliar as atividades da Polícia Federal na esfera pe­
processo de identificação. Tal situação aumentava o nal. No arquivo de resposta do Afis ao Sinpa, é
tempo de trabalho, dificultando a emissão. Quando os informado, por exemplo, se as digitais do solicitante fa­
sistemas começaram a “conversar”, o processo tornou­ zem parte de algum dos registros criminais da PF.
se automatizado e ganhou em eficiência. “Mais de 30 Por isso, para o delegado Rodrigo, os resultados
inquéritos policiais foram instaurados a partir de irregu­ são ainda mais palpáveis no que se refere à segurança.

28 | | JAN/FEV 2011
“Ocorreram dez prisões em flagrante nos postos emis­
sores de passaportes ou de controle migratório”, afir­ COMO FUNCIONA O PROCESSO DE
ma. No entanto, segundo ele, o número de prisões INTEGRAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS
ainda pode ser maior, já que as ocorrências policiais
não são incluídas no Sinpa.
Desde o início, o projeto de integração utiliza avan­
çadas tecnologias e procedimentos de acordo com nor­
Informações são recebidas pelo SINPA,
mas internacionais, de maneira a adequar os
originárias do usuário do sistema da
procedimentos àqueles adotados por grandes organis­
internet
mos de segurança pública, como a Interpol.

Como funciona
O processo inicia­se com a solicitação, por parte do
usuário, de um novo passaporte por meio do serviço
disponibilizado no site do DPF. A partir daí, os dois siste­
mas começam a troca de informações.
“A cada solicitação de passaporte confirmada no SINPA envia ao AFIS as informações com
Sinpa é gerado um arquivo no padrão Ansi/Nist defini­ dados biográficos e biométricos para
do pela Interpol para assegurar a interoperabilidade na processamento
troca de informações com sistemas de identificação
papiloscópica”, afirma o analista de desenvolvimento
do Serpro, Bruno Abreu.
"Após receber e processar o arquivo, o Afis verifica
se as digitais informadas existem ou não na sua base
de digitais", explica. "Caso existam, o Sinpa recebe um
arquivo de retorno com os dados biográficos e a foto
associados às digitais encontradas. Caso contrário, re­
Após o processamento, AFIS devolve
torna um arquivo confirmando a inclusão de um novo
arquivos de resposta ao SINPA, informando
registro na base”, completa.
se há batimento ou não de informações
Caso não haja conformidade entre as informações
do solicitante e o banco de dados do Afis, o gestor local
de emissão de passaportes recebe um e­mail de notifi­
cação contendo as pendências a serem sanadas.

“O objetivo era possuir uma Quando não há batimento, é gerado


base centralizada de um arquivo relatando as divergências
impressões digitais no DPF,
existentes, para que a Polícia Federal

acabando com a redundância


tome as medidas cabíveis

de informações”
Quando há batimento, o
Origem procedimento de emissão de
Para desenvolver essa integração, o DPF contratou o passaportes segue seu curso normal
Serviço Federal de Processamento de Dados – Serpro.
De acordo com Cristina Kenia Fiuza Silva, analista de
negócios da Empresa, o novo sistema surgiu de uma
necessidade de possuir eletronicamente conhecimentos Em ambos os resultados, há comparação
mais amplos sobre o cidadão brasileiro. das informações recebidas com os
“O objetivo era possuir uma base centralizada de registros criminais da Polícia Federal
impressões digitais no DPF, acabando com a redun­
dância de informações”, afirma Cristina. Uma de suas
motivações também foi garantir o reconhecimento do
cidadão biometricamente, dificultando a emissão de
documentos por falsários.

JAN/FEV 2011 | | 29
ARTE DIGITAL Arte: Ramón Miranda

A
opção pelas tecnologias livres é cada vez
maior. Grandes corporações adotam so­
luções livres para servidores, desenvolvi­
mento e banco de dados. Entre os
computadores pessoais, estima­se que mais de 40
milhões usam o sistema operacional Linux pelo
mundo. O universo do Software Livre também cres­
ce a passos largos no Brasil e aos poucos desmitifica
a ideia de que "Linux é coisa de nerd" ou "para
quem odeia a Microsoft".
Entretanto, em algumas áreas, os softwares de
código aberto ainda são tabu, não emplacam boa
aceitação devido a preconceitos muitas vezes ala­
vancados pelos mercados. A computação gráfica é
um bom exemplo disso. "A mistura entre indisposi­
ção para aprender, falta de informação sobre a al­
ternativa livre, receio de mudar o processo
produtivo e os mitos que envolvem o Software Livre
é o motivo para a resistência", acreditam Farid Ab­
delnour e Nara Oliveira, sócios do Estúdio Gunga –
uma empresa de artes gráfica que trabalha apenas
com plataforma livre.
A boa notícia é que muitos profissionais e em­
presas superaram o medo e inovaram no uso de
soluções livres de computação gráfica. A Revista
Tema entrevistou esses profissionais e comprovou
que a aposta em softwares como Gimp, Inkscape,
Scribus e Blender deixou de ser um risco e passou
a ser uma certeza.

SOFTWARE LIVRE Fim do mito

TAMBÉM SABE
Os entrevistados foram unânimes em afirmar: é
possível trabalhar com segurança e qualidade em
projetos profissionais desenvolvidos em soluções li­
DESENHAR vres de computação gráfica. Sinal que o monopólio
do mercado está com seus dias contados.

No mercado de computação gráfica,


Edu Agni, designer, entende que um dos princi­

monopolizado por grandes marcas, é


pais argumentos utilizados a favor dos softwares

possível dizer que as soluções livres são


proprietários não passa de um mito. “Fala­se muito

capazes de substituí‐las? Leia a matéria e


da quantidade de recursos disponíveis nessas ferra­

confira que mais um mito está sendo


mentas, mas, em grande parte dos trabalhos, nin­

destruído pela colaboração em rede


guém usa mais do que 20% deles”, explica.

Liberdade
* por Loyanne Salles Para Aurélio Heckert, programador e artista digi­
tal, a dificuldade é não enxergar o software como
uma 'caixa mágica' que faz todo o trabalho sozinha.
"Muitos artistas não se apropriam dos fundamentos e precisam suprir. Isso proporciona inovações que
prendem­se a uma sequência de botões a serem cli­ promovem a criação mais constante de novas ver­
cados. Arte de verdade não é tão cômoda", afirma. sões", conclui Edu.
Com o uso de soluções livres, o artista envolve­se Outro ponto positivo é o suporte. De acordo
muito mais com os detalhes de sua concepção, tra­ com Wille Marcel, webdesingner, a interação com
balhando sobre bases transparentes, abertas e custo­ outros profissionais viabilizada pelas comunidades é
mizáveis. Isso representa mais liberdade para criar. imprescindível para um bom trabalho. "Quando te­
nho uma dúvida, posso perguntar diretamente para
Muito mais do que grátis outros usuários, existe uma quantidade muito gran­
Esses profissionais também defendem que a esco­ de de pessoas participando das listas de discussão.
lha está motivada em aspectos técnicos e filosóficos. O pessoal ajuda bastante a resolver problemas".
"O uso de ferramentas livres estimula a produção de
software de código aberto, ajudando a proporcionar Mercado
autonomia tecnológica em relação a empresas mo­ A entrada de novas tecnologias exige formação Big Buck Bunny é
nopolistas, países imperialistas", defende Agni. e adequações no mercado para dar possibilidades
uma animação do
às empresas e clientes. Pensando nisso, a Comuni­
Força conjunta dade do Inkscape Brasil elaborou um mapa de pro­ Blender Institute. O
Considerando que esses softwares possuem um fissionais de criação que trabalham com softwares diferencial desse tra­
tempo bem menor de existência que os softwares como Gimp, Inkscape, Blender e Scribus, acesse: balho foi a preocu­
proprietários, eles tiveram uma evolução muito http://wiki.softwarelivre.org/InkscapeBrasil/Profissionais. O ma­ pação também com
mais rápida e isso se deve às suas comunidades de peamento ainda não apresenta variadas opções,
o roteiro, além de
sustentação. "O trabalho de desenvolvimento des­ mas já é um norte para quem deseja contratar pro­
centralizado possibilita que muitas pessoas discu­ fissionais qualificados em tecnologias livres. Se você evidenciar a capaci­
tam e opinem diretamente sobre as reais é um profissional de artes gráficas e trabalha com dade da ferramenta
necessidades profissionais que essas ferramentas software livre, cadastre­se. Blender.

Imagem: Blender Institute

JAN/FEV 2011 | | 31
Para criar e editar imagens
O Gimp é considerado o melhor projeto livre para manipulação de imagens. Pa­
ra o lançamento da versão 2.0, os desenvolvedores praticamente reescreveram o
programa. Uma atitude bastante importante para mudar a imagem ruim que ficou Gimp
na memória de muitos usuários, "O Gimp foi um software feio e ineficiente há mui­
tos anos", analisa Heckert.
O GNU Image Manipulation Program ­ GIMP é um software
Com interface gráfica aprimorada e novos recursos, o software inovou em mui­ livre para criação e edição de imagens.
tos plugins ao ponto de serem copiados pelos softwares proprietários, como em
um caso recente em que as funcionalidades do plugin Resynthesizer do GIMP fo­ • Versão atual: 2.6.11
ram aplicadas em programas de código fechado. • Ponto alto: possui atalhos para as ferramentas mais
A próxima versão 2.8, prevista para ser lançada no primeiro semestre de 2011, usadas no dia­a­dia.
promete solucionar uma reclamação antiga de uma parte de usuários de progra­ • Comunidade: http://www.ogimp.com.br/
mas de edição de imagens: a divisão da interface do Gimp em diferentes módulos. • Suporte: GNU/Linux, Windows, MacOS

Gráfico vetorial simplificado


Por muito tempo, os usuários do Linux sofreram com a falta de um programa
de boa qualidade para desenhar em vetor no computador, mas essa realidade mu­ Inkscape
dou com a chegada do Inkscape no mundo livre. Já que esta solução pode ser con­
siderada, com justiça, uma adversária de peso aos concorrentes proprietários do
mercado. Programa de código aberto para editoração eletrônica de
imagens e documentos vetoriais.
Embora, possa faltar alguns efeitos dos softwares mais tradicionais e de licenças
caríssimas, a versão atual tem o que é necessário para construir logotipos ou obras
de arte. • Versão atual: 0.48
A interface é simples, porém extensível, o que facilita o uso do iniciante e do • Ponto alto: Estabilidade e leveza
profissional. Outro destaque é que o Inkscape tem como extensão nativa o SVG • Comunidade: http://wiki.softwarelivre.org/InkscapeBrasil/
(Scalable Vectorial Graphics), formato aberto oficial do W3C ­ consórcio internacio­ • Suporte: GNU/Linux, Windows, MacOS
nal que desenvolve padrões para criação e interpretação de conteúdos para a Web.

Animação 3D Blender
O Blender já é considerado o ambiente de programação e animação 3D mais
utilizado no mundo. No universo do software livre, também se destaca, tanto pela
consistência e maturidade que atingiu para a execução de trabalhos profissionais, Software livre para modelagem, animação, texturização,
composição, renderização, edição de vídeo e criação de
quanto pela organização da comunidade e modelo de sustentabilidade. aplicações interativas em 3D.
A suíte de produção 3D apresenta avançadas ferramentas de simulação, inclui
suporte a Python como linguagem de script, que pode ser usada tanto no Blender, • Versão atual: 2.5
quanto em seu motor de jogo e suporta vários idiomas. O "Big Buck Bunny", um • Ponto alto: Multiplataforma, portátil e Game Engine
projeto de filme aberto, deu mais visibilidade ao Blender. embutida.

Jornais e revistas livres


• Comunidade: http://www.blender.com.br/
• Suporte: GNU/Linux, Windows, MacOS e outros
Na área de editoração eletrônica, a opção open source é o Scribus. A ferramen­

ma de gerenciamento de cores, que inclui padrão CMYK e a suavização de


ta suporta arquivos com características profissionais de publicação, como um siste­

imagens para alta qualidade de impressão e, ainda, o suporte para gráficos vetori­
ais e a criação de PDF. Scribus
Além disso, um interpretador Python foi incluído dentro do programa para gera­
cão de scripts que auxiliam no processo de criação do documento automatizando Aplicativo de Desktop Publishing de código aberto.
tarefas comuns. A interface do programa é simples e agradável.
A revista Tema, a partir desta edição, passa a ser diagramada com Scribus, assim • Versão atual: 1.3.5
como outros veículos de comunicação da empresa que são feitos a partir de ferra­ • Ponto alto: Combinação de "press­ready", output e
mentas livres. O Serpro investe no uso e disseminação das plataformas de código novas abordagens para paginação.
aberto, um recurso estratégico do governo brasileiro. • Comunidade: http://wiki.softwarelivre.org/Scribus/WebHome
• Suporte: GNU/Linux, Windows, MacOS

• Robô louco de amor é uma obra do artista digital Ramón Miranda ­ http://ramonmirandavisualart.blogspot.com/
• Big Buck Bunny é uma obra do Blender Group ­ http://bigbuckbunny.org/

32 | | JAN/FEV 2011
CURTAS

GOVERNO REAFIRMA ADOÇÃO DO SL


A LINHA DE PREFERÊNCIA AO SOFTWARE LIVRE, adotada na Gestão do ex­
presidente Lula, será mantida no governo da presidenta Dilma Rousseff. Essa postura é
reforçada pela Instrução Normativa nº 1 publicada no dia 19 de janeiro, no Diário
Oficial da União, pela Secretaria de Logística de TI, do Ministério do Planejamento. A IN
define uma série de diretrizes para a área destacando­se a proibição do uso de
componentes, ferramentas e códigos fontes e utilitários proprietários e a dependência
de um único fornecedor.

INTERNET NOVIDADES NO IRPF


RÁPIDA E ANO-BASE 2010
BARATA
ATÉ 2014, CERCA DE 4.283 MUNICÍ­ A PARTIR DE 1º DE MARÇO, os contribuintes podem
PIOS BRASILEIROS TERÃO ACESSO À IN­ entregar suas declarações de Imposto de Renda 2011,
TERNET BANDA LARGA. Esta é a previsão da IRPF ano­base 2010.
Telebrás, empresa gestora da rede nacional de teleco­ Para este ano, a Receita Federal implantou algumas no­
municações e responsável, junto com o Ministério das vidades: o fim da entrega da declaração em papel, o tér­
Comunicações, pela implantação do Plano Nacional de mino da correção de 4,5% da tabela do IR e o
Banda Larga (PNBL), que ampliará de 12 milhões para reconhecimento das uniões homoafetivas para efeitos
40 milhões o número de domicílios com banda larga no de declaração de dependentes.
país. O programa gerador da declaração do Imposto de Ren­
Para implantar o PNBL, o governo federal irá investir R$ da Pessoa Física (IRPF) está de cara nova, com navega­
589 milhões. Até maio, o governo espera reduzir o pre­ ção mais simples para o contribuinte. O software pode
ço de serviços de banda larga de R$ 60, praticado no ser baixado do site da Receita Federal e a declaração po­
mercado, para R$ 35 e isenção de ICMS nos serviços de derá ser enviada pela internet. O prazo para a entrega
conexão de banda larga. da declaração termina no dia 29 de abril.

CONSEGI 2011 SERÁ EM MAIO

JAN/FEV 2011 | | 33
PÁGINAS VERDES

ACESSIBILIDADE?
Entenda como essa palavra está mudando a vida das pessoas portadoras de
necessidades especiais e por que ela abrange a vida de todos.
* por Vanessa Borges

U
ma das primeiras atitudes de Lêda, assim
que acorda, é ligar o computador. Em seu
apartamento, em um bairro do Rio de
Janeiro, ela aproveita a máquina para ler
e­mails, fazer compras pela internet e tratar de as­
suntos profissionais. Enquanto isso, em Juazeiro do
Norte, no Ceará, Jônatas também está acordando e se
prepara para mais um dia de trabalho na escola onde é
diretor e professor de idiomas. Alguém que não conhe­
ce a história deles, poderia afirmar que Lêda e Jônatas
não têm muito em comum. Mas os dois estão unidos
por uma causa: a acessibilidade.
“Eu uso muito o computador. Mas o mais triste é
quando procuro uma determinada informação e ela
não está acessível”, conta Lêda Lúcia Spelta, uma das
primeiras pessoas cegas a trabalhar com informática no
Rio de Janeiro, em 1974. “Por exemplo, às vezes, quero
conhecer um vídeo que me disseram ser interessante,
mas não consigo, pois o texto da legenda não foi dispo­
nibilizado para ser lido por um sintetizador de voz”, ex­
plica Lêda que é consultora e autora de diversos artigos
sobre acessibilidade.
Enfrentar a exclusão, que pode aparecer diante de um
vídeo na tela do computador, ou arquitetura da cidade,
ou no olhar de outra pessoa, é uma realidade que Jônatas
também vivencia. “Quando me acidentei, eu tinha 24
anos e a adaptação foi muito difícil. Eu dependia sempre
de alguém para me locomover”, conta o professor Jôna­
tas David de Lima, hoje com 42 anos. “Nosso país é
pouquíssimo acessível. Estamos só no começo. Os enge­
nheiros civis, por exemplo, são muito mal capacitados e
mal informados sobre acessibilidade”, lamenta. “Para a
maioria das pessoas com deficiência, a vida no Brasil é
muito difícil”, conclui.

34 | | JAN/FEV 2011
E foi pensando em poder tornar a vida mais justa pa­
ra eles e para outros cidadãos, que Jônatas e Lêda deci­
diram se envolver a fundo com as questões ligadas à
acessibilidade. Jônatas é presidente de uma entidade, a
Associação Defensora das Pessoas com Mobilidade Re­
duzida (Andare), que assessora o Ministério Público na
fiscalização de obras públicas e privadas no que diz res­
peito aos acessos arquitetônicos para cadeirantes e pes­
soas com mobilidade reduzida, além de ajudar a
ingressar no mercado de trabalho. Lêda, por sua vez,
coordenou a elaboração da Grafia Braille para a Infor­
mática, como membro da Comissão Brasileira do Brail­
le, e participa de uma comissão de estudos da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que
elabora propostas de normas sobre "Acessibidade para
a Inclusão Digital".
“Todos os que se engajam de fato com esse tema é
como se tivessem sido picados por um mosquitinho,
porque depois de conhecer a importância do assunto, a
gente não pára de trabalhar com isso nunca mais”, en­
tusiasma­se Lêda.

Um problema de todos

Muitas pessoas quando escutam falar em acessibili­


dade pensam logo: “isso não é problema meu!”. Elas
acham que o assunto só está relacionado a pessoas
com alguma deficiência – seja visual, auditiva, motora,
entre outras – permanente. Mas os especialistas alertam
que acessibilidade é um tema que interessa e abrange a
vida de todos.
“Em algum momento da vida, qualquer um pode es­
tar em um ambiente ou em uma situação que limite al­
guns dos seus sentidos ou movimentos. É aí que ele vai
dar valor a isso. Alguém que está envelhecendo e não
tem mais a destreza de antes, ou uma grávida, ou uma
pessoa com bursite. Eles podem precisar de um equipa­
mento ou um serviço com acessibilidade para poder su­
perar alguma dificuldade que surgiu”, cita Lêda Spelta.
O especialista em design, acessibilidade e usabilidade
Horácio Pastor Soares concorda com Lêda. “Todos so­
mos usuários da acessibilidade em determinados contex­
tos, por isso a criação de produtos e serviços acessíveis é
algo que acaba beneficiando a todos”, explica.

JAN/FEV 2011 | | 35
Jônatas de Lima

"Mas além das normas, um dos


aspectos mais importantes para a
concretização da acessibilidade é o
preparo de todos no momento de
receber e se relacionar com as pessoas

Kris Phillips
portadoras de necessidades especiais"

Normas e legislação pró‐acessibilidade Para ele, o custo de se fazer isso é muito menor do
que se imagina. “E tende a diminuir mais ainda com o
Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004: estabelece critérios e prazos para tempo, uma vez que a acessibilidade passa a fazer parte
implantação de condições de acessibilidade nos projetos arquitetônicos e urbanísti‐ da cultura das equipes de desenvolvimento”, destaca
cos, nos transportes coletivos, entre outros tópicos; Soares, que tem nove anos de experiência em acessibili­
dade na Web. “E é ainda uma oportunidade competiti­
Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009: promulgou a Convenção Internacional va, pois uma empresa que está preocupada em atender
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, propos‐ melhor as pessoas e em criar produtos e serviços mais
tos pela Organizações das Nações Unidas (ONU). Entre os diversos itens da Conven‐ acessíveis, ela tem muito mais facilidade para fidelizar
ção, encontra‐se o que determina que deve ser fornecido, prontamente e sem essa clientela”, completa.
custo adicional, às pessoas com deficiência, todas as informações destinadas ao pú‐ Soares também faz questão de explicar por que o
blico em geral, em formatos acessíveis e tecnologias apropriadas aos diferentes ti‐ conceito de acessibilidade anda de mãos dadas com o
pos de deficiência; conceito de usabilidade. “Em um rio violento você só
conseguirá ir de uma margem à outra se existir uma
E‐MAG: Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico, um documento que instru‐ ponte. Mas, isto só não adianta, a ponte tem que ser fá­
mentaliza o decreto 5.296, de 2 de dezembro de 2004, que torna obrigatória a cil de atravessar. Ou seja, a acessibilidade não funciona
acessibilidade nos portais e sítios eletrônicos da administração pública. O e‐MAG sem a usabilidade”, explica o especialista.
possui cartilha técnica baseada nas diretrizes do W3C; No Brasil e no mundo, já existe uma série de leis e re­
gras (veja box ao lado) que tratam o assunto. “Mas além
W3C (World Wide Web Consortium): consórcio internacional cujo objetivo é de‐ das normas, um dos aspectos mais importantes para a
senvolver padrões que permitam que todos possam ter acesso aos sítios da inter‐ concretização da acessibilidade é o preparo de todos no
net, independentemente de terem alguma deficiência ou não. As diretrizes momento de receber e se relacionar com as pessoas
abordam o tipo de fonte a ser usado, seu tamanho e cor, de acordo com as necessi‐ portadoras de necessidades especiais”, lembra o profes­
dades do usuário. O W3C tem mais de 400 organização filiadas de mais de 40 países. sor Jônatas de Lima.

Normas Brasileiras de Acessibilidade da ABNT ‐ Associação Brasileira de Normas


Técnicas: disponibiliza normas que estabelecem requisitos de acessibilidade para
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, para meios de transpor‐
te, para a comunicação na televisão e para a prestação de serviços e para os caixas
de autoatendimento de bancos, entre outros.

Normas internacionais: a acessibilidade também é abordada nas normas internaci‐ "Nosso país é pouquíssimo
onais da ISO ‐ International Organization for Standardization, entidade que une acessível. Estamos só no
grêmios de padronização de cerca de 170 países, e também pela AMN – Associação
começo"
Mercosul de Normalização, organismo responsável pela gestão da normalização vo‐
luntária no âmbito do Mercosul.

36 | | JAN/FEV 2011
Bytes acessíveis é essencial perceber que a acessibilidade é algo contí­
nuo, por isso é muito importante abrir um canal de co­
Em relação à Internet, Horácio Soares dá a dica pa­ municação para que o público possa notificar possíveis
ra os desenvolvedores que queiram realmente criar um dificuldades e assim ajudar na evolução do produto”,
produto acessível. “Muitos, ao criar, seguem as regras acrescenta.
básicas de acessibilidade. Mas aplicar as normas é o Seja na rotina dos desenvolvedores de software ou
mínimo que se pode fazer, pois um sistema só será na vida do cidadão comum: a intenção é que a acessi­
bom de verdade se for um sistema bem testado”, aler­ bilidade vire uma palavra que saia cada vez mais do
ta Soares. campo conceitual e entre naturalmente no cotidiano de
O especialista dá ainda outra dica sobre o que o de­ toda a sociedade. “Em 2000, quase ninguém sabia o
senvolvedor deve fazer caso não possua usuários que que significava. Ao longo da última década, as pessoas
possam testar o seu produto. “É simples, ele deve se co­ foram entendendo o que é, primeiro no aspecto arqui­
locar no lugar desse usuário. Por exemplo, se preciso tetônico, depois no digital, e aos poucos levamos esse
testar a acessibilidade e a usabilidade que um usuário tema para discussões, eventos, publicações, instituições
cego teria em um portal, vou tentar acessar as páginas e de ensino”, comemora Lêda. “A primeira etapa já con­
os links sem usar o mouse, só com o teclado e com um seguimos. Agora, o que esperamos para os próximos
software leitor de tela”, exemplifica Horácio. “E além do anos é que a acessibilidade reverta­se em qualidade de
desenvolvedor entender as técnicas e testar a interface, fato nos serviços e nos produtos”, almeja Lêda Spelta.

Lêda Spelta

Os sete pecados capitais na elaboração de interfaces digitais

1 ‐ Ignorar a diversidade do público‐alvo: ele é mais heterogêneo do que você


imagina;

2 ‐ Desconsiderar os limites e os referenciais dos usuários: respeite os limites,


habilidades e valores do usuário;

3 ‐ Desrespeitar os padrões: informe‐se sobre padrões e obedeça‐os, isso


certamente facilitará o acesso para mais pessoas;

4 – Criar um único meio para acessar as funcionalidades do produto ou serviço:


Horácio Soares

seja flexível, pois dificilmente um único meio de acesso poderá ser usado em
todas as circunstâncias;

5 – Desenvolver um único meio para apresentar a informação: seja redundante, "Todos os que se engajam de
pois dificilmente uma única forma de apresentação conseguirá atingir a todos;
fato com esse tema é como
6 ‐ Nas instruções de um produto, esquecer que o usuário pode não estar se tivessem sido picados por
familiarizado com o universo apresentado pelo produto: forneça instruções um mosquitinho, porque
que ajudem o usuário a se situar em relação a esse novo universo;
depois de conhecer a
7 ‐ Não ser acessível ao usuário final: mantenha um canal facilmente acessível importância do assunto, a
para receber dúvidas, sugestões e críticas do usuário final. gente não pára de trabalhar
com isso nunca mais"
(Fonte: artigo homônimo de Lêda Spelta, em www. acessodigital.net)

JAN/FEV 2011 | | 37
"Em um rio violento, você só conseguirá ir de
uma margem a outra se existir uma ponte.
Mas, isto só não adianta, a ponte tem que ser
fácil de atravessar. Ou seja, a acessibilidade
não funciona sem a usabilidade"

Acessibilidade no Serpro
A empresa atua em parceria com universidades e outras entidades para o desenvolvimento e a dissemi‐
nação de ferramentas livres de acessibilidade. “Não somos mais carentes de leis sobre acessibilidade, o
que é preciso agora é cada vez mais descobrir e construir tecnologias livres para dar conta dessa nova e
enorme demanda”, enfatiza o coordenador de Responsabilidade Social e Cidadania do Serpro, Dilson dos
Santos.

Saiba mais sobre os produtos e serviços acessíveis que o Serpro oferece à sociedade

Liane TTS: é um compilador que lê um texto e o entrega a um acessibilidade. "Junto com o NCE, o Serpro está em uma ação pio‐
sintetizador de voz. O aplicativo foi desenvolvido por meio de neira, pois vamos entregar, aos empregados do Serpro e à socieda‐
uma cooperação entre o Serpro e o Núcleo de Computação Eletrô‐ de de uma maneira geral, recursos tecnológicos de acessibilidade
nica (NCE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). que antes só existiam em plataformas proprietárias", complementa
“Com o NCE, estamos também criando o Sinal ‐ Sistema Interati‐ Dallalana.
vo de Navegação no Linux, um conjunto de softwares que com o
Liane TTS vão permitir que uma pessoa com deficiência visual ou Cursos de softwares livres para deficientes auditivos: o Serpro
com baixa visão navegue por toda a extensão de um computador. inaugurou em abril de 2010 um telecentro na sede da Federação
Funcionará como se esse usuário tivesse um computador no bolso, Nacional de Educação e Integração de Surdos (Feneis), no Rio de
pois com um Live CD, ele poderá acessar qualquer máquina, inde‐ Janeiro (RJ), e desde então vem realizando capacitações em
pendente do sistema operacional instalado”, acrescenta Dilson. Software Livre.
O Sinal também contará com o software Letra, desenvolvido em “Por não falar e escutar, sempre tive muita dificuldade para me co‐
2005 em parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento municar e fazer amizades. Mas agora que estou aprendendo a usar
(CPqD) ligado à Universidade de Campinas. “O Letra transforma o computador, ficou mais fácil fazer amigos pelos programas de
textos que estão em formato eletrônico em arquivos de áudio. As‐ mensagem instantânea e pelas mídias sociais. E os funcionários da
sim, é possível ter, por exemplo, livros didáticos e obras de domí‐ Feneis também estão me ensinando a linguagem de sinais”, come‐
nio publico em um cd que pode ser usado pelos deficientes visuais mora Leandro Ferraz, de 38 anos, que já fez cursos sobre Linux,
em escolas, em casa, em diversos lugares”, destaca Cláudio Maia Gnome, BrOffice e pretende fazer outros em 2011. “Fiquei muito
Dallalana, analista do Serpro e líder do grupo envolvido nas parce‐ feliz em ter sido convidado para participar do treinamento. Hoje
rias com o NCE. sou terceirizado do setor de limpeza do Serpro, mas esses cursos
despertaram em mim o interesse em procurar uma atividade na
Expresso Acessível: integração do Liane TTS e do Orca (leitor de área de informática”, conta Leandro.
tela nativo do Ubuntu) na suíte de comunicação Expresso. “Além
disso, adequamos a página do Expresso a um primeiro padrão de Dicionário de software livre em Libras: um dos próximos produtos
acessibilidade, sendo possível a navegação apenas com o mouse, que o Serpro desenvolverá para a Feneis é a criação do dicionário
sem precisar do teclado, por exemplo”, destaca Dallalana, que online de software livre em Libras. Trata‐se de uma série de verbe‐
também lidera a equipe do Serpro encarregada de integrar as so‐ tes técnicos disponibilizados com o Liane TTS através da distribui‐
luções de acessibilidade ao Expresso. ção Ubuntu. “Vamos construir um dicionário que trate a língua dos
O Expresso vem encontrando crescente uso em outros órgãos do sinais como uma idioma vivo, que a cada dia se altera e se comple‐
governo brasileiro, e os deficientes visuais que trabalham nessas menta. E a previsão é que até o final deste ano seja lançada a pri‐
organizações também poderão se beneficiar dessa alternativa de meira versão do dicionário”, ressalta Dilson dos Santos.

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PROFISSIONAL

DESENVOLVEDOR BUSCA NOVOS CAMINHOS


Cada vez mais, profissionais de desenvolvimento migram da programação para a gestão de
projetos e áreas de negócios. Oportunidades do mercado privilegiam profissionais com
habilidades de comunicação e cooperação
* por Mabel Gomes

U
m “nerd” isolado em seu computador dedi­ que estão sendo desenvolvidas pelo mundo e faz até
ca horas para programar sozinho linhas de cursos gratuitos online em centros de excelência como
código de um grande sistema. Esse é o qua­ o MIT”, explica o diretor que identifica no novo contex­
dro que vem a sua cabeça quando se per­ to da tecnologia e comunicação no mundo o vetor des­
gunta qual é a imagem do profissional de sas mudanças.
desenvolvimento? Com certeza muitas pessoas vão dizer Neste novo contexto, as oportunidades para os de­
que não. Isso porque a profissão vem passando por senvolvedores no mercado também mudaram. O perfil
uma série de mudanças desde a popularização da inter­ do analista de desenvolvimento mais valorizado hoje em
net, do avanço da globalização, do advento de tecnolo­ dia é o do gestor de projetos, que tem mais vagas dis­
gias mais modernas de programação e do interesse de poníveis, salários mais altos e ofertas de emprego com
empresas pelas competências desses profissionais para mais benefícios. Segundo o gerente de Processos Estra­
funções que não são estritamente técnicas. tégicos da Catho Online, Leonardo Dias, a habilidade ló­
Para o diretor de Novas Tecnologias Aplicadas da gica destes profissionais dá a eles a opção de escolher
IBM Brasil, Cezar Taurion, quando se compara a profis­ que rumo seguir em uma companhia.
são de agora com as práticas e profissionais de 15 anos “Muitas empresas da área de tecnologia adotam a
atrás, nota­se que o desenvolvedor de hoje possui co­ chamada 'Carreira em Y', em que profissionais podem
nhecimentos mais abrangentes, tem mais espaço para optar em continuar na área técnica ou partir para a ges­
usar a criatividade e acaba chegando a outras áreas do tão. E aqueles que partem para a gestão certamente "Este é um problema da
mercado de trabalho. possuem mais facilidades de entendimento de proces­ área de TI: muitos
“Antigamente o desenvolvedor fazia programas fe­ sos e têm uma boa capacidade de lógica, o que os ca­ profissionais são
chados com uma pequena equipe. Hoje temos um uni­ pacitam bastante para esta função”, revela o gerente do excelentes, mas não
verso de novas tecnologias, o mundo está globalizado, maior classificados online de currículos e empregos da
possuem nenhuma
há dez anos surgiu a Wikipedia e depois veio o Google. América Latina.
Existia muita dificuldade de se conseguir informações e Há também uma gradativa valorização dos analistas habilidade de
hoje você trabalha em comunidade, descobre coisas de negócios e as mudanças dos ventos já estão sendo comunicação"

JAN/FEV 2011 | | 39
sentidas nas salas de aulas, segundo Renata Araújo, pro­ go completamente diferente, resultando quase sempre em
fessora da UniRio, doutora em engenharia de software times de desenvolvimento sem muita experiência”, conclui.
pela COPPE/UFRJ. Cezar Taurion concorda que a transferência de de­
Para ela, as perspectivas de futuro profissional do senvolvedores não pode deixar buracos nas equipes de
aluno que entra na universidade são diferentes das pre­ desenvolvimento, mas reconhece essa migração como
tensões de alguns anos atrás. “Hoje grande parte dos parte de um ciclo natural da carreira. “Repare que a ati­
alunos ingressa na universidade já buscando a capacita­ vidade de programação permite que você cresça ao lon­
ção gerencial. Querem ser gestores em organizações e go do tempo e muitas pessoas querem fazer mais do
mesmo empreendedores de seus próprios negócios”, que criar códigos todo o tempo. Naturalmente, há um
explica. “Eles se frustram um pouco quando percebem processo evolutivo e vejo que a maioria dos desenvolve­
que é necessário fundamentar seus conhecimentos em dores quer fazer outras coisas, como gerenciar proje­
programação e matemática”, conclui Renata. tos”, pontua.
Para o diretor da IBM, a própria evolução das técni­
cas de programação permite que o desenvolvedor assu­
ma diferentes tarefas. “Nas empresas, o profissional que
tende a se firmar é aquele que conhece a tecnologia,

"Cada vez mais, a


mas sem ser um 'nerd', e que consegue desenvolver có­

automatização vai fazer com


digos muito facilmente para resolver problemas de ne­
gócio”, diz. “Será a pessoa que conhece as necessidades
que o 'nerd' se dedique à da indústria onde está inserido. Cada vez mais, a auto­
criação de softwares pesados matização vai fazer com que o 'nerd' se dedique à cria­

e a maioria dos
Foto de divulgação

ção de softwares pesados e a maioria dos

desenvolvedores ficará focada


desenvolvedores ficará focada nas regras do negócio”,

nas regras do negócio"


completa.
No Serpro, atualmente se percebe essa tendência de
mercado, segundo o superintendente de Desenvolvi­
Uma dose de risco mento, Ricardo Jucá. “Os profissionais contratados que
Cezar Taurion Apesar de parecer uma escolha vantajosa, seguir os possuem um perfil mais generalista tendem a assumir
rumos da gestão de projetos no momento errado pode posições mais desafiadoras em projetos mais críticos pa­
ser um risco não só para carreira do desenvolvedor, mas ra a empresa e seus clientes, o que pode influenciar po­
também para a qualidade dos times de programação. sitivamente a carreira destes profissionais no Serpro”,
Estudando desenvolvimento de software há dez anos, explica Jucá.
Phillip Calçado é consultor da ThoughtWorks no exte­
rior e alerta para as consequências destas migrações Renovar e inovar
mal planejadas. O desenvolvedor que almeja estar entre os mais qua­
“Empresas imaturas não entendem que gerência de lificados do mercado precisa ter a postura de inovar a
projetos requer um conjunto de competências comple­ todo momento. “Todos os dias surgem novas soluções
tamente diferente, e profissionais imaturos entendem e ideias no universo do desenvolvimento que precisam
que devem chegar ao cargo de gerente de projetos para ser aplicadas rapidamente à realidade das empresas. E
ascender na carreira”, explica Philip. “Neste tipo de am­ para inovar sempre é preciso, além de estudar constan­
biente, o profissional de desenvolvimento não tem tempo temente, ter uma série de outras atividades que estimu­
Evolução do Desenvolvedor de atingir a senioridade antes de ser movido para um car­ lem a criatividade e a inovação contínua, pois esse é o

40 | | JAN/FEV 2011
grande diferencial de bons profissionais nessa área”, de­ habilidades comportamentais que facilitem integrar um
fende o gerente da Catho Online, Leonardo Dias. time. Para Ricardo Jucá, a capacidade de se relacionar e
Já Philip Calçado explica que é importante investir comunicar são imprescindíveis.
nas tecnologias que irão ser úteis em um futuro próxi­ “Este é um problema da área de TI: muitos profissio­
mo. “Minha recomendação é que o profissional procure nais são excelentes, mas não possuem nenhuma habili­
descobrir quais são as plataformas e técnicas usadas no dade de comunicação. E como são muito bons ou
tipo de empresa que ele admira e invista alguma parte querem firmemente aparentar essa competência, pos­
do seu tempo nelas”, diz. “Um profissional experiente es­ suem comportamento áspero e, por vezes, agressivos.
tá sempre buscando formas de ser mais eficiente, automa­ Por isso, vivem isolados e não coabitam em times, como
tizando trabalho repetitivo e evitando desperdício”, conclui. são exigidos cada vez mais”, afirma Jucá.
Seguindo a estratégia de se manter antenado às de­ Capacidade de argumentação e de expor ideias tam­
mandas atuais e futuras das companhias, o desenvolve­ bém são habilidades destacadas por Cezar Taurion, que
dor Raphael Martins, aos 26 anos, explorou o mercado desmitifica o perfil “nerd” do desenvolvedor. “No filme
privado e público. Trabalhou na Intelig, Accenture, Data­ A Rede Social, vemos o Mark Zuckerberg como um
prev e Serpro, atualmente está no IBGE. 'nerd' deslocado, um gênio que se tornou bilionário,
Para ele, o profissional que se especializou em uma mas ele foi uma exceção e, no dia­a­dia, não temos tan­
tecnologia sem expandir seus horizontes fez uma apos­ tos 'Facebooks' sendo criados”, exemplifica.
ta errada. “Antes, as pessoas se especializavam muito e “O desenvolvedor trabalhará em empresas e terá que
ficavam senhores de uma tecnologia. Isso está ultrapas­ conversar. Cada vez mais, vemos o desenvolvimento cola­
sado. Hoje um bom desenvolvedor tem que ser poliglo­ borativo, popularizado com o software livre, predominan­
ta, conhecer muitas ferramentas e quando encontrar do. Tenho trinta vagas para desenvolvedor em Java,
um problema, tem que saber qual delas é a mais apro­ analiso os currículos e não consigo preenchê­las. As pes­
priada. Tem gente que é bom com martelo, acha que soas não estão habilitadas para o que as empresas preci­
tudo é prego e fica martelando parafuso”, exemplifica. sam”, aponta o diretor da IBM.

Uma questão de comportamento


Além de ter que atualizar constantemente seus co­
nhecimentos técnicos, ter um nível de inglês avançado e
acompanhar quais serão as tendências que demanda­
rão novas competências no futuro próximo, o desenvol­
vedor moderno precisa saber trabalhar em equipe e ter

O filme "A Rede Social" conta a história de Mark


Zuckerberg, um gênio da programação nos moldes do 'nerd'
que tem dificuldade de se relacionar e trabalhar em
equipe. No mundo real, os desenvolvedores precisam ter
Foto de divulgação

capacidade de comunicação para crescer na carreira, seja


na de programador, gestor ou analista de negócio.

JAN/FEV 2011 | | 41
SERPRO 46 ANOS

UMA EMPRESA
ESTRATÉGICA PARA
A DEMOCRACIA
O reconhecimento da importância do Serpro para o Estado brasileiro e a mobilização de
forças em torno dessa ideia recolocaram a empresa em rota de crescimento. Números
revelam o grande salto tecnológico e produtivo dado nos últimos anos

* por Leonardo Barçante

42 | | JAN/FEV 2011
N
os últimos quatro anos, o Serpro acumula Para a concretização dessas premissas, foi necessária
resultados que ilustram bem a transforma­ uma significativa mudança no contexto do Serpro. O di­
ção ocorrida na empresa: a capacidade de retor­presidente explica que depois do reconhecimento
armazenamento aumentou sete vezes, de de seu papel, o Serpro beneficiou­se de uma mobiliza­
156 TB para de 1.121 TB (Tera Byte); o processamento ção governamental que foi capaz de recolocar a Empre­
da plataforma mainframe praticamente dobrou, alcan­ sa na trilha do desenvolvimento. "Ao enxergar
çando a marca de 19.719 serviços e sistemas em produ­ estrategicamente o Serpro, nós tivemos uma mobiliza­
ção; e a vazão do backbone multiplicou­se por quatro, ção de esforços internos e externos. Cito apenas alguns,
chegando, em 2010, ao patamar de 4.484 Mbits por como o aumento de capital da empresa, o ingresso de
segundo. recursos para essa expansão e um tratamento diferenci­
O aumento no investimento não deixou de ser ado até mesmo pelos órgãos de controle, como é o ca­
acompanhado pelo conceito de eficiência na Adminis­ so do Departamento de Coordenação e Governança
tração Pública, uma marca do Serpro nesse período. Ex­ das Empresas Estatais (Dest), que permitiu uma revisão
emplo claro dessa responsabilidade é demonstrado pela do plano de cargos e salários e novas medidas de ges­
aquisição de servidores, essenciais para a evolução da tão de pessoas. Para que retomássemos a moderniza­
Empresa. Devido à padronização das especificações e ção, o governo entendeu que precisávamos de recursos,
forma de contratação, essas compras foram realizadas que precisávamos voltar a investir. Em síntese, foi uma
com redução de custos. Se em 2006 foram investidos grande mobilização que ofereceu condições para que as
cerca de R$ 13 milhões e adquiridos 545 equipamentos, mudanças começassem", relembra Mazoni.
em 2009, por exemplo, aplicou­se R$ 5.857 milhões e Nesse sentido, a evolução do parque tecnológico e
obtidos 970 servidores. da capacidade de processamento foi acompanhada pe­
A consolidação do uso do pregão nas compras, mo­ lo fortalecimento do papel das pessoas dentro do Ser­
dalidade na qual o Serpro foi pioneiro na Esfera Federal, pro. De 2005 para cá, foram realizados vários concursos
principalmente o eletrônico, também foi determinante públicos, contratados aproximadamente 2 mil emprega­
para estes resultados. Considerando todas as aquisições dos e aplicados R$ 13 milhões em capacitação e desen­
realizadas entre 2007 e 2010, a economia obtida pelo volvimento. De acordo com Mazoni, essa é a mudança
uso do pregão, que hoje concentra 95% dos ritos licita­ mais importante ocorrida nos últimos anos. "Uma em­
tórios da empresa, foi de mais de R$ 513 milhões. presa cujo maior patrimônio é a inteligência tem que va­
Quando se compara o valor referência e o valor contra­ lorizar as pessoas. Se ela reconhece isso, sem dúvida
tado, o percentual médio de economia obtido através está investindo naquilo que é mais fundamental: o co­
dessa modalidade ultrapassa a casa dos 30%. nhecimento. É por isso que os números mais significati­
Mas o investimento em infraestrutura é apenas parte vos são o aumento no quadro de pessoal e a
da história que reposicionou o Serpro no centro do pro­ retomada da posição salarial, que aconteceu a partir
cesso de gestão do Estado. Além de já ser estratégica do governo Lula", pontua.
para o Ministério da Fazenda, o Serpro voltou a ser uma
empresa estratégica para o Governo Federal. Tal opção
qualificou os serviços prestados ao Ministério do Plane­ Qualidade e produtividade
jamento, colocou­nos na Casa Civil, na Presidência da Com a retomada do investimento, o Serpro foi capaz
República e em vários órgãos da Esfera Federal. Para is­ de alcançar novos patamares de produtividade e quali­
so, houve uma necessidade de investimento também dade na prestação de serviços. No desenvolvimento de
em pessoas, em inteligência e em gestão", destaca Mar­ soluções, as mudanças foram estruturais e na forma de
cos Vinícius Ferreira Mazoni, diretor­presidente do Serpro. trabalho. O Serpro implantou a Política de Trabalho Co­
operado, que fomentou, estimulou e fortaleceu comu­
nidades colaborativas. Além disso, a unificação das
Novos rumos equipes possibilitou o reuso de componentes e a ado­
As mudanças começaram a ocorrer em 2003, com ção de um framework integrador, o Demoiselle.
a adoção de um novo modelo de gestão que trouxe co­ "Nosso objetivo foi criar uma área que pudesse com­
mo premissas a mobilização de competências, a apro­ partilhar soluções e trabalhar de forma colaborativa. Isso
priação tecnológica plena, o desenvolvimento com certeza nos dá aumento de produtividade, coloca­
cooperativo e a visão de conjunto. "Esse modelo, inten­ nos na condição de reutilizar componentes, artefatos e
sificado em 2007, restituiu ao Serpro o papel de fomen­ códigos que são desenvolvidos para um cliente na solu­
tador do desenvolvimento tecnológico, com ção de outro cliente", pontua Mazoni. Já na área de
atendimento às demandas do Governo Federal de for­ atendimento e gerenciamento de serviços, a empresa fe­
ma rápida, eficiente, a baixo custo e com soluções reuti­ chou 2010 com significativos índices de eficiência, com des­
lizáveis", informa Mazoni. taque para 99,28% de cumprimento dos níveis de serviço.

JAN/FEV 2011 | | 43
O resultado de toda essa mudança experimentada
também pode ser medido através de uma comparação EFICIÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
com o mercado. Com receita líquida operacional acima Com 46 anos completados em dezembro de 2010, o Serpro chega à segunda década
de R$ 1 bilhão, o Serpro posiciona­se como uma das do século XXI com bons resultados na bagagem. Os números positivos refletem o
maiores empresas públicas de TI do mundo. No ranking investimento em infraestrutura, processos e pessoas. Para o diretor‐presidente da
das 1000 maiores empresas brasileiras, divulgado pelo empresa, Marcos Mazoni, a missão é manter a empresa desempenhando um papel
Jornal "Valor Econômico" em 2010, o Serpro está na que considera decisivo para o processo democrático brasileiro, o trabalho de
200ª colocação. No seu segmento de atuação, Tecnolo­ promoção da eficiência na gestão do Estado e da transparência pública.
gia da Informação, a empresa ocupa o 9º lugar na pes­
quisa, que avalia itens como o crescimento sustentável,
a geração de valor e a liquidez corrente. Em listagem ESPECIFICAÇÕES PADRONIZADAS
anual das 200 maiores empresas de TI em atuação no A padronização das especificações
Brasil, compilada pela revista Info Exame, o Serpro ocu­ fez com que houvesse uma redução
pou o 29º lugar na edição de 2010. Com tal posição, a de custos substancial e uma
empresa superou as operações brasileiras de gigantes aquisição maior de equipamentos
internacionais na área de software e serviços de infor­
mática, como a Microsoft (31ª colocada), Oracle (37ª) e
Google (63ª). PREGÃO
O uso do pregão como modalidade de
compra conduziu a uma economia
Alicerce da democracia que ultrapassa a casa dos 30% (mais
Na avaliação de Mazoni, o Serpro é um dos alicerces de R$ 513 milhões)
do processo democrático brasileiro, pois está presente
em grande parte dos projetos que objetivam propiciar
ao cidadão um acesso mais fácil, rápido e adequado às
informações que são de interesse no seu relacionamen­
to com o governo federal. Destaque para sua atuação
responsável pela transparência e equidade no tratamen­
to com os contribuintes e, mais importante ainda, por
seu trabalho que busca a transparência total dos gastos
públicos. Segundo ele, para seguir realizando sua mis­
são, o Serpro não pode abrir mão de seu caráter estra­
tégico para o país. "O Serpro tem que continuar se
enxergando no centro do processo democrático brasilei­ PESSOAS
ro, modernizando esses processos, otimizando os recur­ Contratação de mais de 3 mil
sos da União, interligando estados e municípios, empregados e aplicação R$ 13 milhões
permitindo que a Administração Pública brasileira, nas em capacitação e desenvolvimento
suas mais variadas esferas, possa chegar a ser aquela
administração que a sociedade brasileira necessita e de­
seja. Evolui a União, evoluem os estados e municípios e, EQUIPAMENTOS
consequentemente, evolui o processo civilizatório que o Compra de equipamentos possibilitou o
país tem trilhado tão positivamente nos últimos anos, aumento da capacidade de
não só pelo crescimento ecconômico e desenvolvimen­ armazenamento em sete vezes (de 156
to social, mas pelo maior controle que os cidadãos têm TB para de 1.121 TB), além de duplicar
sobre o Estado", finaliza. o processamento da plataforma
mainframe que atingiu a marca de
19.719 serviços e sistemas em produção

PROCESSOS
"Uma empresa cujo maior Adoção de um novo modelo de gestão
patrimônio é a inteligência tem que permeia a mobilização de
que valorizar as pessoas. Se ela competências, a apropriação
reconhece isso, sem dúvida está tecnológica plena, o desenvolvimento

investindo naquilo que é mais cooperativo e a visão de conjunto

fundamental: o conhecimento"

44 | | JAN/FEV 2011
SERPRO EM NÚMEROS
Pessoas
De 2003 a 2010, o número de
empregados cresceu 26%. No
período, foram contratados mais
de 3,5 mil pessoas

Armazenamento Rede
A capacidade de armazenamento O aumento na vazão do backbone
de dados do Serpro aumentou 68 do Serpro foi 690%, saindo de 567
vezes, saltando de 17,5 TB, em Mbps, em 2003, para 4484 Mbps,
2003, para 1191,2 TB em 2010 em 2010

Inclusão Digital Processamento


A empresa instalou 997 De 2003 a 2010, a capacidade de
telecentros comunitários nos processamento mainframe do
últimos 4 anos. No total, foram Serpro foi multiplicada por 5
doados 11710 computadores

Software Livre Segurança


Em 2010, a quantidade de De 2003 a 2010, os segmentos
servidores em produção no monitorados mais que
Serpro com GNU/Linux dobraram, enquanto os
ultrapassou o número de sistemas firewall da empresa
servidores com sistema quintuplicaram
operacional proprietário

"Além de já ser estratégica para o Ministério da Fazenda, o


Serpro voltou a ser uma empresa estratégica para o Governo
Federal. Tal opção qualificou os serviços prestados ao
Ministério do Planejamento, colocou-nos na Casa Civil, na
Presidência da República e em vários órgãos da Esfera Federal"

JAN/FEV 2011 | | 45
O P I N I ÃO

QUAL É para que o programa se tornasse realidade e a Tele­


brás pudesse retornar às suas funções com a missão

O PAPEL de resgatar o papel estratégico do Estado Brasileiro


no setor de telecomunicações.

DA A atuação desta empresa pública na implementa­


ção do PNBL vai impactar o atual modelo de serviços

TELEBRÁS na área porque introduzirá uma rede neutra capaz de


democratizar o acesso à Internet banda larga num

NA mercado hoje dominado por monopólios regionais.


Também vamos induzir o desenvolvimento da indús­

GESTÃO tria de microeletrônica nacional ao priorizar equipa­


mentos produzidos no país, atendendo às

DILMA?
prerrogativas da Lei 12.349, de 15 de dezembro de
2010.
Empresas brasileiras já estão sendo contratadas
para o fornecimento de equipamentos e serviços que
vão compor o backbone ­ a espinha dorsal da rede ­
e que levará Internet banda larga a 4.283 municípios
até 2014. Em 2011 a meta é conectar 1.163 cidades

Agência Brasil
* por Rogério Santanna
Presidente da Telebrás
dos anéis Sudeste e Nordeste localizadas a uma dis­
tância de até 50 km do backbone nacional. Teremos
muitos parceiros regionais que atuarão de acordo
com as nossas diretrizes para conectar os usuários fi­

A
nais. Até a metade de janeiro, 265 provedores de In­
Telebrás ocupará um papel central nas ternet de todo o país cadastraram seus dados no
políticas de inclusão digital do governo Portal da Telebrás e, juntos, sinalizaram uma deman­
da presidenta Dilma Rousseff e terá no da de mais de 24 Gbps.
ministro das Comunicações, Paulo Ber­ No ano passado boa parte do nosso esforço foi
nardo, um aliado importante na implementação do dedicado à reestruturação da empresa que retornou
Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). Ambos às suas atividades por meio do decreto 7.175, publi­
conhecem profundamente a iniciativa porque acom­ cado em maio de 2010, e que passou por uma refor­
panharam todo o processo de debate, bem como os ma em seu estatuto, mudança de sede, bem como
estudos técnicos realizados à época no Ministério do pela recomposição dos seus funcionários já que a
Planejamento, e estão cientes de quão relevante é a grande maioria deles estava cedida para outros ór­
massificação da banda larga para o desenvolvimento gãos do governo, em especial à Anatel. Agora esta­
do Brasil. mos estruturados para iniciar as operações, com
quadro de pessoal suficiente e com a licença de SCM
já aprovada pela Anatel, e esperamos chegar às 100
primeiras cidades em abril deste ano. Vencidas todas
essas etapas, 2011 será o ano de consolidação da Te­
lebrás como gestora da rede nacional de telecomuni­
cações que ampliará de 12 milhões para 40 milhões
o número de domicílios com banda larga.
Desde que assumiu o Ministério das Comunica­
ções, no início de janeiro, o ministro Paulo Bernardo
vem acompanhando muito de perto o Programa,
quer conhecer todos os detalhes técnicos e vai fazer
uma radiografia no andamento da Telebrás. Esse em­
Enquanto secretário de Logística e Tecnologia da penho mostra a relevância do PNBL para o ministro e
Informação, obtive todo o apoio e incentivo do então para a presidenta Dilma Rousseff que em várias de­
ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, no desen­ clarações públicas demonstraram grande interesse no
volvimento do PNBL e estou certo de que a iniciativa cumprimento das metas assumidas e a expectativa
receberá a atenção devida por parte do atual gover­ de que o Programa Nacional de Banda Larga seja o
no. O ex­presidente Lula também foi fundamental Luz para Todos da Internet brasileira.

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