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Revolução Russa

 A Rússia foi um país cuja forma de governo era um misto de absolutismo e


feudalismo. Apesar do poder do czar(imperador) ser muito grande, os senhores
feudais e a Igreja tinham enorme influência e grande poder, sobretudo no
interior do país.
 Pouco antes da Primeira Guerra, a população russa era a maior da Europa,
superando os 170 milhões. Destes, cerca de 140 milhões de pessoas moravam
no campo.
 Mais de 80% da população da Rússia vivia num regime feudal. A esmagadora
maioria dessas pessoas vivia em situação de extrema pobreza, tendo que
sustentar, com o pagamento de impostos, os imensos gastos da nobreza e do
clero.
 Nesse cenário, uma das maiores características do país era o isolacionismo. Isso
se devia,em parte, por causa da situação geográfica do país (o mais oriental da
Europa), mas também, por causa de uma escolha deliberada dos senhores
feudais, avessos às influências externas, que poderiam ameaçar o seu poder.
 Somente no início do século XVIII, quando se tornou imperador, Pedro
(conhecido como “O Grande”) a Rússia se abriu para o ocidente. Percebendo o
grande atraso social e técnico do pais, ele se aproxima dos países ocidentais
com a finalidade de absorver suas técnicas e conhecimentos.
 Em 1703, ele manda edificar a cidade de São Petesburgo, à beira do mar
Báltico, um projeto ambicioso para, de forma definitiva, quebrar o isolamento
russo.
 São Petesburgo se transforma na segunda capital da Rússia e no porto mais
importante do país. Além disso, sua arquitetura predominantemente ocidental
demonstrava as intenções “ocidentalizantes” de Pedro.
 Mas, somente no século XIX, com a invasão do país por Napoleão, é que a
Rússia se projetaria como uma grande potência, ao derrotar aquele que,
nenhuma outra nação, nem mesmo a Inglaterra, tinha conseguido.
 Não é a toa que ela se senta como uma das grandes potências do Congresso de
Viena, em 1815, junto com a Inglaterra, Prússia, França e Áustria.
 Durante o século XIX, ela conquista toda a extensão da planície siberiana para
além dos montes Urais, chegando até a beira do Pacífico, onde, em 1859, foi
fundada a cidade de Vladivostok, a principal base russa na região.
 No início do século XX, a Rússia vai iniciar um processo de expansão visando a
conquista de uma região do nordeste da China, a MANDCHÚRIA, o que daria à
Rússia um mercado extremamente rico em madeira e minérios.
 Mas, nesse mesmo momento, outra potência em formação também olharia
com interesse para a Mandchúria: o Japão
O Japão Desperta para o Mundo

 Até o século XVI, o Japão era um país que misturava uma estrutura política
feudal e o centralismo político. Entretanto, em 1603, Ieyasu Tokugawa, liderou
uma rebelião contra o imperador, tornando-o uma figura essencialmente
simbólico, pois o poder passava a ser exercido localmente, pelos senhores
feudais, tendo Tokugawa como Xogum (líder) dessa classe. Essa situação
perduraria por mais de 250 anos
 Em 1851, o almirante americano Perry, vai tentar uma aliança com os
japoneses, que será rejeitada pelos líderes Tokugawa. Isso leva os americanos a
iniciarem uma aproximação com os líderes da oligarquia Daimyo, que apoiavam
a restauração do poder imperial.
 As tensões se agravam e estoura uma guerra civil, em 1868, a Guerra Boshin,
que terminou com a vitória da facção que apoiava o imperador Meiji.
 Progressivamente, o imperador foi fortalecendo seu poder, com o apoio das
potências externas, em especial os EUA.
 Mas, a maior realização da Revolução Meiji foi a rápida abertura econômica, a
assimilação das tecnologias ocidentais e um desenvolvimento industrial que
fará do Japão uma das economias mais fortes do mundo no início do século XX.
 O problema é que o Japão era um país com grande carência de recursos
naturais. Por isso, logo ele teve que partir para um processo imperialista para
satisfazer a essas demandas. E diante dele se encontrava uma área
extremamente rica: a Mandchúria.

A Revolução Russa

 Entre 1904 e 1905, Rússia e Japão vão se enfrentar numa guerra, disputando a
posse da península da Coréia e a Mandchúria. Naquela época, o mundo
apostava no sucesso russo, devido ao tamanho do país, à sua fama de grande
potência e ao fato de este ser um povo de raça “superior”.
 O que o mundo não tinha ideia é que a Rússia era uma grande nação no
tamanho, mas extremamente frágil em termos tecnológicos. A guerra foi um
fiasco para o Império Russo e após a destruição de suas frotas no oceano
Pacífico e no mar Báltico, eles reconhecem a derrota entregando os territórios
disputados e pagando pesadas indenizações.
 O desastre na guerra mostrou a fragilidade e incompetência do governo. Isso
foi uma causa direta para que, em 1905, uma série de greves, manifestações e
revoltas acontecesse em todo o país.
 A primeira delas se dá logo em janeiro desse ano, quando um grupo de
manifestantes, liderados pelo padre Gregori Gaponi dirigiu-se ao palácio do
Czar, em São Petesburgo, para entregar-lhe uma petição por reformas. Um
trecho do documento dizia:

Senhor – Nós, operários residentes da cidade de São Petesburgo, de várias


classes e condições sociais, nossas esposas, nossos filhos e nossos
desamparados velhos pais, viemos a Vós, Senhor, para buscar justiça e
proteção. Nós nos tornamos indigentes; estamos oprimidos e sobrecarregados
de trabalho, além de nossas forças; não somos reconhecidos como seres
humanos, mas tratados como escravos que devem suportar em silêncio seu
amargo destino. Nós o temos suportado e estamos sendo empurrados mais e
mais para as profundezas da miséria, injustiça e ignorância. Estamos sendo tão
sufocados pela justiça e lei arbitrária que não mais podemos respirar. Senhor,
não temos mais forças! Nossas resistências estão no fim. Chegamos ao terrível
momento em que é preferível a morte a prosseguir neste intolerável sofrimento.

 O resultado foi um desastre. O Exército atirou na multidão matando dezenas de


pessoas. O episódio ficou conhecido como “O Domingo Sangrento”, e a grande
consequência dele foi a perda de popularidade do czar, que passa a ser visto,
cada vez mais, não como um santo e pai do povo, mas como um tirano.
 Esse episódio e as notícias das derrotas do país na guerra contra o Japão,
desencadearam uma série de revoltas, tanto dos marinheiros do mais
importante navio russo, o encouraçado Potenkim, quanto de operários, nas
cidades, e camponeses.
 Num primeiro momento, como as tropas do exército ainda estavam na Ásia, o
czar Nicolau II vai fazer algumas poucas reformas, dentre as quais, a criação de
um parlamento, a DUMA.
 Mas foi somente as tropas retornarem e o czar sentir-se fortalecido que a
maioria dessas medidas foram revogadas e vários líderes foram presos ou
perseguidos, como foi o caso do líder do pequeno partido comunista russo,
Vladimir Ilitch Lenin, mais conhecido como Lenin.
 O tempo passa e a situação do povo só se agravava. Mas o pior estava por vir.
Em 1914, a Áustria declara guerra à Sérvia. O czar Nicolau II, convencido de que
a Rússia precisava recuperar seu prestígio de grande potência, declara guerra
aos austríacos.
 A guerra vai ser para a Rússia um verdadeiro “suicídio coletivo”. A baixa
tecnologia do país em comparação com a de seus inimigos fez com que o
exército sofresse sucessivas derrotas.
 O povo exigia a saída do país de um conflito que, visivelmente, era impossível à
Rússia, vencer.
 A resistência de Nicolau II a essa ideia e a repressão aos movimentos populares
levaram a uma crise tão grande que era visível que o czar já não tinha mais a
menor sustentação política. Em fevereiro de 1917, a revolução tomava as ruas
e o czar foi obrigado a renunciar.
 Assume o governo o partido Menchevique , mais moderado e com participação
da burguesia. Esta, temendo sair da guerra e perder o apoio econômico dos
aliados, sobretudo da França, promete reformas, mas, para depois da guerra.
 Esse foi o erro fatal desse governo. O povo não aguentava mais a guerra e
muito menos, esperar por reformas sempre prometidas e jamais efetivadas.
 Aproveitando-se desses sentimentos, em 25 de outubro de 1917, os
comunistas, liderados por Lenin, que tinha conseguido retornar do exílio, fazem
uma revolução que terá enorme apoio popular.
 Em cerca de duas semanas eles controlavam o país. Em março de 1918, a
Rússia assina com a Alemanha o tratado de Brest-Litovsky, cedendo uma série
de territórios em troca da paz.
 Por fim, podemos concluir que, o sucesso da revolução comunista na Rússia, foi
menos pelo conhecimento do povo acerca do que era o comunismo e mais,
pelo desespero para sair da guerra e efetuar reformas.
 A Revolução abriria um período de medo para a burguesia e para a Igreja,
sobretudo na Europa, sobretudo após o fim da Primeira Guerra, quando as
condições de miséria se estenderam por vários países europeus.
 O medo da difusão do comunismo levará a burguesia e a Igreja a apoiarem
partidos radicais e anticomunistas. Isso será determinante para que, num
futuro próximo, o fascismo e o nazismo chegassem ao poder.