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COMENTÁRIOS AO LIVRO:

“DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA”


(de Joel S. Goldsmith)
- Gustavo -

C1 COMENTANDO O CAPÍTULO 1

Aos que estão acompanhando e estudando esta série de ensinamentos iluminados do


Caminho Infinito, seguem algumas reflexões importantes para melhor entendimento do
assunto:

1 - Inicialmente, é importante compreender, como diz Joel Goldsmith, que "a palavra
escrita (leitura destes textos) é a parte menos importante deste trabalho. O que não é
escrito ou falado é o maior ensinamento". Isso significa que o propósito destes
ensinamentos não é fazer com que o estudante adquira cada vez mais conhecimentos
sobre "misticismo", "metafísica", "transcendência" ou "iluminação", e sim fazer com
que a pessoa se volte (em meditação) para o seu interior, onde reside o Eu divino de
cada um.

O propósito deste ensinamento é conduzir o indivíduo para a prática, e não meramente


fornecer informações "bonitas" ou "profundas" para agregá-las ainda mais ao intelecto
do aprendiz. No interior de cada um reside "aquilo que não é escrito ou falado", ou seja,
a nossa unicidade com Deus. Você nunca irá encontrar Deus em um livro, apenas teoria.
Se quiser encontrar Deus, conhecer Deus, você deverá voltar-se para dentro de si
mesmo e encontra-Lo no “lugar secreto”. E, a fim de poder conhecer e entrar em
contato com a Força/Inteligência que está oculta dentro de nós, é extremamente
necessário o leitor habituar-se a pôr em prática as verdades reveladas nestes ensinos.
Como? Indo ao silêncio meditativo... colocando-se em estado receptivo...
e fazendo contemplação e ponderação dessas verdades. Então elas serão reveladas.

Recomendamos fortemente que o leitor não fique preso/acomodado somente às leituras


dos ensinamentos do Caminho Infinito, mas pratique dedicadamente as meditações.
Basta que a pessoa sinceramente decida-se a meditar e praticar. Mesmo que a princípio
ela não saiba direito o que fazer, se estiver devotada a conhecer a Verdade, será
orientada a partir de dentro e irá progredir. Há uma Presença divina que nos acompanha
e orienta em nosso desenvolvimento espiritual. O Espírito da Verdade habita em nós.
Experimente e comprove!

2 - Os ensinamentos do Caminho Infinito nos proporcionam dois resultados: o despertar


do ser humano para uma consciência iluminada (que é o objetivo principal do
ensinamento) e o poder de efetuar a cura espiritual (que é obter melhorias/prosperidade
em todos os aspectos e campos da vida: saúde, dinheiro, harmonia nos relacionamentos
familiares, negócios, etc.). Adquirir o poder de curar espiritualmente não é o foco
principal do ensinamento passado no Caminho Infinito, mas Goldsmith afirma que, a
partir do desenvolvimento ou despertar da consciência iluminada, as curas espirituais
começam a ocorrer naturalmente como decorrências. A fim de podermos obter os
resultados/frutos prometidos por este ensinamento, Joel Goldsmith diz ser
imprescindível que o estudante adquira a consciência do bem. Isso implica dizer que o
estudante deve eliminar de sua mente/consciência a ideia de que o mal é uma força real.
É imprescindível ter em mente a convicção de que Deus é o bem, e que o mal não faz
parte da criação de Deus. Deus somente está relacionado às forças do Bem, Amor,
Sabedoria, Harmonia, Vida, Alegria, Inteligência, Força, Liberdade, Verdade,
Beleza, Paz, Luz, Plenitude e Abundância de tudo o que é bom e perfeito. Enquanto a
mente do indivíduo estiver retida com ideias de que "Deus criou o bem e o mal", ou
relacionar Deus ao mal de qualquer modo que seja, a consciência do estudante ainda
não terá se tornado uma transparência para permitir fluir o poder do Espírito. Portanto,
para este ensinamento, Deus não criou doenças, dores, sofrimentos, misérias e demais
imperfeições que a mente dualista imagina experienciar. Deus é perfeito e, decorrente
d'Ele, somente um universo de infinita perfeição foi criado. Neste exato
momento, somente existe Deus e o que vem de Deus. E o que não foi criado por Deus
não existe.

Goldsmith explica que, inicialmente, ao praticar esta verdade, pode parecer que o
estudante está programando a si mesmo mentalmente para acreditar somente na
existência do bem. Todavia ele diz que, à medida que a pessoa for se aprofundando no
ensinamento, assimilando as verdades reveladas, ela constatará (e experienciará!) a
veracidade da afirmação de que "Deus é o bem e a perfeição, o mal e a imperfeição
não foram criados por Deus" em nível transcendental, acima e além da
mente. Goldsmith diz: "O grau de aceitação desta verdade corresponderá ao
desenvolvimento do Cristo de sua própria consciência, ao desenvolvimento de seu
conhecimento de que a plenitude do Cristo constitui o seu ser."

3 - As recomendações acima são feitas a fim de que o estudante possa chegar ao ponto
de conhecer Deus como sendo a sua consciência individual. A consciência individual é
aquilo dentro do qual tudo está aparecendo. Neste exato instante olhe e contemple todo
o universo que está a sua volta: seu corpo, sua sala, os objetos, as pessoas, o céu, a lua,
as estrelas e os planetas, o universo inteiro... tudo está aparecendo dentro da sua
consciência. Se sua consciência não estivesse presente para testemunhar a ocorrência de
todos esses eventos, eles não existiriam. Você não existe como um ser minúsculo (um
corpo físico) preso dentro de um universo mais amplo, ao invés disso o universo é
que está existindo dentro de você, EM você, em sua consciência. Isso é possível porque
o Ser que você é é sem-espaço e sem-tempo. O universo existe apenas porque primeiro
você existiu como o observador. Essa consciência que permite a existência de todas as
coisas é Deus. E ela transcende o tempo, o espaço, o seu corpo e a sua mente. O
Caminho Infinito afirma que Deus é a nossa consciência individual e nos ensina a
alinhar essa consciência com a natureza de Deus, a fim de que possamos acessar as
qualidades e atributos divinos que existe no Infinito que está dentro de nós. Essa
Consciência infinita e invisível é a fonte de todo o poder, saúde, prosperidade,
alegria. Por isso, Goldsmith afirma: "Habitue-se a conscientizar que o poder, a
qualidade, a quantidade e a realidade nunca estão naquilo que está formado, mas que
realmente estão no Princípio, Alma ou Consciência que produz toda forma existente."

4 - À medida em que progredirmos neste ensinamento, aprendemos cada vez mais a


tomar como ponto de partida o princípio de que "Eu e o Pai somo um" e que, em
decorrência disso, tudo o que nos é necessário já está sendo proporcionado por Deus.
Deus já atendeu todas as nossas necessidades, antes mesmo que nós as
conhecêssemos, desde antes que este universo existisse. A bem-aventurança e a
plenitude de tudo são condições naturais do filho de Deus, e estão sendo cumpridas aqui
e agora! Por isso Goldsmith diz que, quanto mais próximos nos tornamos deste estado
de consciência, cada vez mais deixamos de agir ou desejar as coisas para nós mesmos.
Ao invés disso, mudamos de lado e passamos a servir ao próximo ou ao mundo inteiro.

Goldsmith diz: "Em momento algum Jesus estava buscando a sua própria
demonstração: ele vivia num senso de doação, de ser uma transparência de bem para o
mundo. O Cristo não pode entrar numa consciência que está em busca de algo para si
mesma. A nossa missão no mundo está em sermos uma transparência para o bem. O
“eu” que procura algo para si não é o Filho de Deus, pois o Filho é herdeiro de Deus e
co-herdeiro com o Cristo, e o Filho está sempre cônscio de que tudo que é do Pai
também pertence a Ele. Sendo assim, como poderia existir algo que o Filho desejasse
buscar para si?".

Além disso, Goldsmith diz que: "Na construção desse novo estado de consciência, nós
não podemos pretender buscar por algo, pois devemos começar a conscientizar
que “somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com o Cristo” (Romanos 8: 17), e dessa
maneira somos aquele exato local em que a totalidade de Deus está jorrando".

Nosso ser pode ser comparado a um grande duto ou canal de água, e a totalidade de
Deus está jorrando através de nós. Estamos sempre preenchidos. Precisamos nos
acostumar com a ideia de que a totalidade de Deus (ou seja, tudo o que Deus é) existe
dentro de nós, e está jorrando (disponível) através de nós. Tudo já está feito! É
importante ter essas verdades como ponto de partida em nossas práticas espirituais. Se
partirmos do fato de que "algo precisa ser feito", nossa prática espiritual será infrutífera.
Goldsmith nunca enxergava a falta, a carência, e sim a presença da abundância de tudo
o que Deus é. Quem quer que fosse, para onde quer que ele olhasse – tudo já estava
suprido. Tenhamos isso sempre em mente, pois, este é um parâmetro que nos permitirá
avaliar se estamos alinhados ou não com este ensinamento iluminado.

Feitas essas ponderações, sigamos em frente com estes ensinamentos do Caminho


Infinito.

Namastê!

C2 COMENTANDO O CAPÍTULO 2

O capítulo 2 é intitulado "Construindo a nova consciência". Nele, Goldsmith explica


que a maneira de construir ou desenvolver a "nova consciência" é através da prática da
Meditação. Para o Caminho Infinito, a oração ou prece são sinônimos de meditação.
Meditar é orar. E o que é a meditação? É o contato consciente com Deus. A prática
da meditação eleva o estudante em percepção, fazendo com que ele deixe perceber só
com a mente humana (mente dualística que nos dota dos 5 sentidos: visão, audição,
olfato, paladar e tato, além do sexto sentido: capacidade de ver, ouvir, cheirar e ter
contato com seres espirituais) e passe a perceber com a Consciência (Mente divina que
discerne a unidade/unicidade de tudo o que existe).

Goldsmith diz que a oração ou prece "não é aquilo que dizemos a Deus, mas aquilo que
Deus nos diz". Enquanto estivermos usando a mente dualística (dotada do senso
de separação entre "eu" e "Deus", "eu" e o "outro", "eu" e "tudo mais") tenderemos a
orar pedindo aquilo que julgamos "não ter". A mente humana dualística percebe a
separação e julga que não somos um com Deus ou com aquilo que pensamos necessitar.
Por isso, é inevitável que a oração originária da mente humana seja no sentido de pedir
a Deus para que conceda algo que não está aqui. Em suma, quando o indivíduo percebe
unicamente com a mente humana, ele tem de se dirigir a um Deus que está longe, para
informá-Lo de suas necessidades, e lembrá-Lo de cumprir o dever de ser Deus.

Todavia, quando o indivíduo usa a Consciência (ou Mente divina), ele percebe que
"Deus e eu somos um", "eu e o outro somos um", "eu já sou um com aquilo que
necessito". A Mente divina percebe a Presença de Deus, percebe a unicidade entre todas
coisas e, por isso, percebe a provisão. Tudo já está provido! Usando a "Mente divina", o
homem não se dirige a Deus, mas deixa que Deus mesmo Se revele e Se expresse. Não
é necessário se dirigir ou dizer algo a Deus, pois a Consciência sente a Presença de
Deus aqui e agora mesmo. E Deus, sendo onisciente, sabe de todas as nossas
necessidades. Por isso, a única preocupação do Caminho Infinito é fazer com que o ser
humano se eleve em percepção, abandonando a mente dualística/separativista para, com
a Mente Divina, alcançar o espaço onde o homem se percebe sendo um com Deus. Uma
vez que isso seja feito, passamos também a receber e vivenciar os benefícios da
Presença Divina. E tudo isso é realizado através da Meditação.

Goldsmith ensina que a Meditação requer silêncio e receptividade. Silêncio para ouvir
aquilo que a mente humana não consegue ouvir (logo, este silêncio não diz respeito
aos sons ou ruídos do ambiente, e sim ao silêncio dos pensamentos e atividades da
mente). E receptividade para permitir que o Ser se revele e Se expresse em nosso corpo,
nossa mente e em todas as nossas atividades. Esses dois requisitos (silêncio e
receptividade) devem ser trabalhados e obtidos em nossas práticas espirituais. Mas
Goldsmith advete que, ao se sentar para meditar, a mente não fará silêncio, e que de
nada nos adianta tentar aquietar a mente humana, paralisar os pensamentos ou deixá-los
em branco. Não devemos tentar lutar ou interferir, nem desejar que passem ou
permaneçam, mas apenas observá-los, impessoalmente. A observação
desidentificada dos pensamentos retira da mente a força que ela usa para produzir
pensamentos, e logo ela começa a silenciar.

Nessa primeira etapa, Goldsmith não aconselha a prática da mente vazia. Ao invés
disso, é muito mais proveitoso dar início à meditação com alguma pergunta ou ideia
específica sobre a qual você deseje alguma luz. Isso revela-se ser mais útil, pois diminui
a possibilidade de o praticante pegar no sono durante a meditação. A fixação da mente
em uma questão específica ajuda a diminuir os pensamentos dispersos/aleatórios e a
obter o aquietamento mental, além de possibilitar receber revelações e respostas. A
mente deve estar fixada em Deus, nas coisas de Deus (consciência do puro Bem), e
receptiva para que a Sabedoria divina se revele em sua própria consciência (essa
mesma consciência/mente que você está usando para meditar). A consciência/mente do
homem não é nem divina e nem humana. O homem é um ser misterioso/híbrido capaz
de perambular entre dois universos (unidade e separatividade), duas percepções.
Quando você meditar, deve manter receptividade para que a Sabedoria de Deus se
revele na mesma consciência/mente com a qual você deu início à meditação. Uma vez
ocorrida a revelação, sua mente não será mais a humana, e sim a divina. E, na Mente
Divina, você se perceberá um com Deus.
Toda meditação traz benefícios ao praticante. Benefícios que atuam em todos os campos
e níveis: físico, mental, emocional, espiritual, até o ponto de conduzir a percepção da
pessoa às alturas da Consciência. Em geral, as pessoas que meditam necessitam de
menos horas de sono, vivem em estado simultâneo de alerta e repouso, são mais atentas,
desfrutam de maior equilíbrio emocional, serenidade e paz interior. Além disso, a
prática da meditação pode levar o indivíduo a desenvolver/ampliar a inteligência,
a intuição e outras faculdades mentais ou psíquicas, chamadas de "siddhis" (poderes
espirituais). Esses são os efeitos ou benefícios "superficiais" ou "secundários" da prática
meditativa - não são o objetivo principal da meditação. O verdadeiro objetivo da
Meditação é propiciar ao praticante a percepção da consciência de unidade com Deus e
com a Vida.

Uma vez conscientizada a nossa unicidade com Deus, deixamos de "viver por nós
mesmos", e Deus passa a viver "em" e "através" de nós. O homem mergulhado no senso
de separação de Deus tem a sensação de existir independentemente, de viver por si
mesmo, e realizar tudo por si mesmo. O homem que existe separado de Deus depende
de sua própria força, capacidade, inteligência, recursos. O senso de separação de Deus
impossibilita que a presença e poder de Deus atue na experiência humana. O meio para
"trazer Deus para perto" do ser humano consiste em o homem adquirir a percepção da
presença de Deus. Jesus Cristo dizia de si mesmo: "Eu e o Pai somos um", "eu de mim
mesmo não faço coisa alguma, é o Pai em mim quem realiza as obras". Por isso,
quando o homem entra em contato com o Cristo de seu ser, o Espírito de Deus vive em
nós e passa a realizar todas as obras. Esse Espírito de Deus passa a ser a lei sobre a qual
toda a nossa vida se desenrola. As coisas deixam de ocorrer unicamente em função de
leis materiais, cármicas (dualidade), passam a se submeter a uma lei mais elevada: a lei
do Espírito, da Graça, do Amor (Unidade).

Goldsmith diz: "É através da meditação que desenvolveremos a conscientização da


presença e poder de Deus e passamos a sentir aquela Presença conosco, dia e noite, a
nos guiar e proteger." Mais uma vez constatamos a necessidade de praticar a Verdade
revelada nesta mensagem, ao invés de ficar apenas na leitura dela. Se quisermos acessar
a presença e o poder divinos que estão aqui e agora, devemos pagar o preço de nos
dedicar às contemplações e meditações da Verdade. Assim estaremos desenvolvendo ou
"construindo a nova consciência".

Namastê!

C3 COMENTANDO O CAPÍTULO 3

O capítulo 3 é intitulado "A Consciência individual como Lei". Se pudermos


compreender o significado/sentido do que está expresso no título, isso já é um grande
passo na assimilação dos ensinos do Caminho Infinito. A Consciência Individual é uma
consciência espiritual ou divina, não sendo um produto deste mundo material. Alguém
poderia escorregar, bater a cabeça no chão, e perder a "consciência". Essa
"consciência", que surge quando o cérebro está ativo e desaparece quando o cérebro
cessa de funcionar, não é a Consciência Individual a qual Joel Goldsmith está tratando.
Ele está falando da Consciência divina. A consciência divina é a Consciência Única
(Deus), que se manifesta como consciência individualizada. Ao mesmo tempo em que a
Consciência é única, ela se manifesta como infinitas consciências individuais. O
conjunto de "consciências individuais" formam a Consciência Única, pois se originam
dela. Nesse âmbito espiritual, a Consciência Infinita (totalidade de Deus) está
aparecendo como cada consciência individual existente. Isso faz com que a consciência
individual seja exatamente o mesmo Infinito que Deus é. O Filho (Cristo) é exatamente
o mesmo que o Pai (Deus). Portanto, somos o Cristo, o ser espiritual individualizado
que tem sua origem em Deus. Essa é a nossa identidade verdadeira. Você pode saber
mais sobre o princípio da individualidade clicando aqui.

Logo na abertura deste capítulo, Goldsmith inicia com a passagem bíblica que afirma:
"Não se glorie o sábio no seu saber, nem se glorie o forte na sua força, nem se glorie o
rico nas suas riquezas; porém, aquele que se gloria, glorie-se em Me conhecer e em
saber que Eu sou o Senhor que exerço a misericórdia, a equidade e a justiça sobre a
terra". Essa passagem bíblica chama a atenção para que tiremos nossa atenção do
"mundo dos efeitos" a fim de podermos conscientizar Aquilo/Aquele que é a causa
única e verdadeira de tudo o que existe. O homem que deposita sua fé em sua
inteligência/capacidade/recursos próprios, apoia-se na natureza efêmera, frágil e incerta
do mundo dos efeitos. Permitir que as coisas existentes no universo dos efeitos se
tornem lei para nossa vida não é sabedoria. A Sabedoria verdadeira consiste em deixar
que a Consciência Espiritual se torne lei para todos os acontecimentos de nossa vida.

Vamos começar a compreender que pessoas, coisas, lugares ou circunstâncias não são
causas daquilo que nos acontece. Aparentemente falando, a coisa pode parecer chegar a
nós por meio de uma pessoa ou circunstância, mas a "pessoa" ou "circunstância" em si
são o puro nada. A Consciência ou Espírito Divino é a única
causa/presença/força/substância atuando "por detrás" e "através" de cada pessoa, coisa,
lugar ou circunstância que estão sendo utilizados. A compreensão disso permite-nos
retirar a atenção/confiança do reino dos efeitos, e assim deixamos de conferir aos efeitos
o poder para governar/dirigir o que acontece em nossas vidas. Não devemos colocar
nossa dependência em efeitos (pessoas, dinheiro, etc.) mas sempre no Espírito de Deus
que os conduz até nós.

Se algum elemento externo parece ter poder para agir sobre nós, é porque aceitamos a
crença de que existe fora de nós um poder capaz de nos influenciar. Mas Goldsmith
afirma que nenhum poder age sobre nós. Isso deve ser conscientizado, deve ser
contemplado. O estudante necessita sentar e meditar, voltando sua atenção para Deus, e
contemplando: "nada lá fora pode exercer poder sobre mim, exceto a própria
Consciência que Eu sou. A Consciência (Deus) é a única causa do meu corpo, da minha
mente, lar, relacionamentos, vida profissional, e essa Consciência é Bem, Amor,
Sabedoria, Verdade, Harmonia, Abundância. Eu vivo dentro do Reino de Deus.
Portanto, tudo em minha vida segue dentro da ordem divina, estabelecida por Deus.
Tudo já está suprido/providenciado".

A propósito, a palavra "contemplar" significa "perceber aquilo que já existe, que já está
acontecendo". Contemplação não diz respeito ao indivíduo querer criar (com o poder de
sua mente ou de sua consciência) uma realidade que ainda não está lá. A meditação
contemplativa consiste em o estudante perceber diante de si uma realidade que já
existe, que já está acontecendo. É imbuído deste espírito que o praticante deve
realizar a contemplação descrita acima. Esse é um ponto muito crucial e importante,
por isso vale repetir: não realize as contemplações objetivando manifestar em sua
realidade coisas que ainda não existem. "Contemplar" significa apenas "ver" o que já
está lá. Alguma vez você já deve ter observado pássaros voando no céu. Se você pôde
contemplá-los é porque eles já estavam lá. A você coube apenas o papel de desfrutar da
visão de pássaros voando. Ao meditar, você deverá contemplar o Reino de Deus da
mesma forma como contemplaria o cenário de pássaros cruzando o céu. Sem forçar,
sem querer criar nada – apenas constatar aquilo que já é. O mínimo desvio desse
princípio faz com que a sua prática se torne um mero exercício mental, e não espiritual.
Se a mente contestar e relutar, com dúvidas e pensamentos de que "isso não existe,
impossível!", conscientize que essa é apenas a opinião ou julgamento da mente, e saiba
que a mente humana jamais será capaz de perceber o mesmo que Consciência Espiritual
percebe. A partir disso, deixe que a mente limitada continue percebendo aquilo de que
ela é capaz (isso é problema dela!), enquanto você se ocupa em reconhecer a presença
do Reino de Deus.

A princípio isso pode parecer um exercício de mentalização, mas conforme a pessoa for
se aprofundando na prática (de retirar o poder do efeito e fazer de Deus o único poder
capaz de dirigir a experiência de sua vida), um sentimento muito profundo começa a
surgir, e é quando o indivíduo começa a ter contato com a parte puramente espiritual (e
não mental) deste ensinamento. Alcançar esse "sentimento profundo" será o bastante.
Goldsmith diz: "Quanto maior for a sua compreensão da Consciência como sendo
Deus, maior será sua transparência para manifestar o reino de Deus em suas
atividades. Deus é onipresente, mas este fato somente se tornará efetivo quando
puder sentir conscientemente aquilo como sendo verdade.".

O objetivo do capítulo 3 é expor o princípio de que Deus é a única causa, e que não há
nenhum poder no efeito. Se as formas ou efeitos aparentam atuar sobre nós como se
fossem "causas", é porque acreditamos na existência de um poder externo, separado da
nossa Consciência. Todavia, o poder existe no Espírito que produz o efeito e não no
efeito em si. Nossa Consciência Espiritual é a única causa (e portanto o único poder)
capaz de reger todo e qualquer acontecimento em nosso universo. Esse é o princípio que
realiza os milagres.

Apenas saber essas verdades não é o suficiente. Goldsmith diz que: "Deus é
onipresente, mas Deus deve ser reconhecido, pois é o consciente reconhecimento do
Espírito de Deus que faz com que Ele Se torne manifesto na forma necessária para o
momento. Até que haja uma consciência e reconhecimento do Espírito de Deus como a
substância, poder e lei de todo efeito, será como se o Espírito de Deus não existisse. Há
uma só maneira de experienciarmos a presença e poder de Deus, e esta é através do
reconhecimento e conscientização de que o Espírito é a realidade de tudo aquilo que
aparece, porém sempre com a compreensão de que a aparência em si não é realidade."
Por isso, finalizo este texto, chamando mais uma vez a atenção para a importância de
realizar as práticas meditativas ou contemplativas. Elas é que farão com que os
resultados prometidos sejam colhidos em nossa vida, tanto espiritual como material.

Namastê!
C4 COMENTANDO O CAPÍTULO 4 (Parte 1)

O tema deste capítulo é "A realização da Consciência", e o Caminho Infinito ensina que
o homem é Consciência. Isso significa que a realização do homem consiste em
reconhecer ou despertar para si mesmo, a própria Consciência.

O homem é, por definição, um ser espiritual. Ele existe como um ser divino, e não como
um ser material (corpo físico ou mente). Todavia, diante do homem espiritual há um
mundo de aparências – o cenário humano – que parece estar acontecendo. Goldsmith
afirma que o cenário humano aparenta isolar-nos do divino. Apenas "aparenta" isolar-
nos, mas tal isolamento não ocorre de fato. O que faz com que o homem (ser espiritual,
divino) se sinta isolado e separado de seu criador, é o fato de ele se deixar levar
pelos cinco sentidos do corpo, que não vêem senão uma sequência de "imagens"
desfilando, o tempo todo surgindo e desaparecendo. O cenário humano mutável é visto
e captado pela mente humana, mas a Consciência Espiritual enxerga a Verdade
imutável, que está acima e além deste reino de aparências. Dessa forma, a mente
humana não consegue jamais "ver" ou compreender as coisas do Espírito. O que é
mental discerne somente "coisas mentais".

A realidade espiritual ou divina somente pode ser discernida pela própria Consciência
Espiritual. "Os Meus pensamentos não são os teus pensamentos, e os Meus caminhos
não são os teus caminho. Porque assim como os céus são mais altos que a terra, assim
são os Meus caminhos mais altos que os teus caminhos, e os Meus pensamentos mais
altos que os teus pensamentos" (Isaías 55: 8-9). A fim de melhor compreender e
aprofundar esse importante ponto (mente x Consciência), leia mais clicando aqui.

Ao se deixar levar pelo senso humano de existência (mente e 5 sentidos), o homem se


sente incompleto, miserável. No reino da mente as coisas não são feitas para perdurar,
tudo é incerto, inconstante, evanescente e escasso. A completude não pode estar
presente no reino da mente, pois, se estivesse, a mente seria como a Verdade – imutável.
Os ensinamentos orientais comparam a mente a um "buraco sem fundo", o qual, por
mais que tentemos enchê-lo/completá-lo, tal jamais chega a ocorrer. A mente
logo se esvazia e fica com "fome" novamente. Por mais que alimentemos seus desejos, a
mente retorna a sua condição de miserabilidade.

Este é o dilema: o homem, que por natureza é um ser espiritual, parece estar vivendo
longe de casa num reino de natureza não espiritual (o mundo). Ao buscar sua felicidade
ou realização no mundo, não os consegue encontrar, pois a natureza do mundo não se
identifica com a natureza ou essência do homem. Ambas são incompatíveis. O ser
humano encontra sua realização ao entrar em contato com algo de natureza espiritual ou
divina. O que é mundano não pode preencher o homem. Por isso Goldsmith diz:
"Sermos ou não sermos bem sucedidos no reino exterior não é o que determinará a
nossa realização do paraíso. O paraíso é a realização da consciência interior.
Podemos ter alcançado a nossa saúde, prosperidade ou sucesso, mas não nos sentimos
felizes. Por que? A razão disto é que aquelas coisas não são, por si, a realização.". A
realização da Consciência (Deus) é a única realização legítima e verdadeira para o
homem.

Nossa realização somente será encontrada em nosso interior, onde está o "Reino de
Deus". Em Deus, somos exatamente o que Deus é: perfeitos, puros, plenos, completos –
isso não poderia ser de outra forma. Encontrando a realização da identidade espiritual
no interior, ela se torna aparente no exterior. Isso porque a experiência externa é na
realidade um reflexo de nossa experiência interna. O reino exterior é um desdobramento
(efeito) dos reinos de nossa consciência (causa). É natural que o homem, ao fazer
contato com Deus e sentir a plenitude espiritual do Ser, comece a sentir sua vida ser
redirecionada para atividades que lhe trarão mais realização: uma mudança de cidade,
de emprego, de alimentação, de relacionamentos, de hábitos, etc.. O Espírito é quem dá
o encaminhamento, e isso ocorre diferentemente de acordo com cada um.

Goldsmith diz: "Há uma Presença e um Poder dentro de nós, que removerá qualquer
obstáculo. É possível que no momento nós nem saibamos qual a natureza desse
obstáculo, assim, devemos começar o nosso trabalho exatamente como nos
encontramos agora: com Deus. “Eu e o Pai somos um” (João 10: 30), portanto onde
eu estou, Deus está presente, e desse estado divino de consciência é manifestada a
harmonia do meu ser. A conscientização dessa Presença e Poder corrige, remove e
modifica o quadro exterior até que ele se torne um reflexo exato do interior." Note que
Goldsmith diz que devemos começar o nosso trabalho de conscientização (meditação) a
partir do ponto onde estamos neste exato momento. E ele esclarece que neste
exato instante somos um com Deus. Goldsmith nos fornece uma revelação para que não
caiamos no erro (tentação) de tentar nos tornar um com Deus, para somente depois
começarmos o trabalho de meditação. Cair nessa armadilha da mente significa perder a
meditação antes mesmo de dar início a ela. Assim, conscientize/contemple:

"Neste exato momento sou um com Deus. Não preciso tentar me tornar um com Deus
para somente depois ter manifestada a harmonia do meu ser."

Lembre-se que "meditação" ou "contemplação" significa apenas "constatar" aquilo que


já é. Tal como você faz quando vê pássaros voando no céu. Se você tentar se tornar "um
com Deus" não estará de forma alguma contemplando. Já somos um com Deus. Neste
trabalho é irrelevante o que a mente pensa ver e julga ser real.

Sempre que desejarmos corrigir algum quadro mental (mundo dos efeitos), não
deveremos tentar fazê-lo a partir do exterior, mas teremos de nos voltar à nossa
Consciência divina (causa), que está em nosso íntimo. Alcançando aquele "sentimento
profundo" e sentindo ocorrer uma mudança em nosso interior, logo o quadro externo
começa a se ajustar/corresponder à Verdade conscientizada internamente. Devemos nos
habituar a tirar a atenção das circunstâncias externas, e mantê-la em nossa Consciência,
que é Deus – onde habita toda a Verdade, Amor, Vida e Bem. Quando fazemos contato
com esse Bem e Amor divinos, imediatamente o fluxo do Espírito passa a correr do
interior para o exterior.

É isso o que explana Goldsmith: "A conscientização dessa Presença e Poder corrige,
remove e modifica o quadro exterior até que ele se torne um reflexo exato do interior. A
experiência exterior sempre reflete a nossa consciência interna quando aprendemos a
voltar para o nosso íntimo, deixando que ela se manifeste; mas enquanto ficarmos nos
intrometendo no quadro exterior, na tentativa de corrigi-lo ou modifica-lo, o máximo
que conseguiremos será uma flutuação do cenário humano. Somente deixando a
consciência interior fluir, enquanto aprendemos a descartar o exterior no presente
momento, é que iremos encontrar a harmonia que buscamos. O nosso bem vem a nós
como o próprio jorrar de nossa consciência – o Amor revelando-Se por todo o nosso
ser, Deus como a realidade de tudo que aparece, Deus como a lei de toda a forma. A
nossa própria consciência, desenvolvendo-se por si, aparece como nossa experiência,
sem que precisemos ficar a moldá-la conforme nossos desejos ou vontades, bastando-
nos tomar a atitude de observar Deus Se manifestando. Este é o modo de viver O
Caminho Infinito."

Namastê!

COMENTANDO O CAPÍTULO 4 (Parte 2)

Os comentários sobre este capítulo estão sendo divididos em duas partes devido à
importância do conteúdo dos dois últimos tópicos: "O que vemos é o nosso conceito de
universo" e "Visualize o universo espiritual". Eles merecem uma atenção especial, pois
dizem respeito a um ponto muito crucial e importante que é passado no
ensinamento. Goldsmith afirma que a falta de compreensão deste ponto compromete o
sucesso do estudante em realizar as curas espirituais. Esses pontos devem ser
completamente muito bem assimilados.

Goldsmith diz que o universo visível é um conceito do Universo Infinito Invisível. O


que quer dizer isso? Significa que o universo visível apenas retrata ou indica algo do
Universo Real. Por exemplo: imagine que uma fotografia está sendo tirada de uma
pessoa. A "imagem" da pessoa na foto não será a "pessoa em si", mas apenas um
conceito dela. E que diferença há entre a pessoa real e o conceito dela que surge na foto!
A pessoa em si existe em três dimensões, é viva, é livre, é emotiva, se move, se
expressa, fala, sorri, e faz mil e uma outras coisas. Por sua vez, na imagem fotográfica a
pessoa é reduzida a duas dimensões, não está viva, não se move, não se expressa, não
sente, etc.. Ao aparecer na fotografia, inúmeros aspectos da pessoa são "filtrados" e
perdidos. Embora não expresse a totalidade da pessoa real, uma fotografia pode ao
menos indicar algo sobre ela. Esse é o significado de quando se diz que a fotografia é
um "conceito" da pessoa.

Do mesmo modo, o "universo aparente" é apenas um conceito do Universo Espiritual. O


Universo Espiritual é infinito-dimensional, está acima e além do espaço-e-tempo, é
eterno, imutável, unido, total, completo. Por sua vez, o universo conceitual é tri-
dimensional, com espaço-e-tempo, é efêmero, mutável, separado, incompleto. A mente
humana é o instrumento que capta a presença do Universo Espiritual e o traduz/reduz
para este universo visível. Ao fazer a tradução, um número incalculável de aspectos do
Universo Real são filtrados e perdidos. E a mente humana fica restringida a ver e a
perceber somente o que existe no universo por ela concebido. Por isso os aspectos
maiores do Universo Real ficam invisíveis e parecendo não existir para a mente.

Mas, apesar de o Caminho Infinito fazer menção a "Universo Real" e "universo


aparente", isso não significa que existem dois universos (assim como no exemplo da
fotografia não existem "duas pessoas"). Este é o ponto que Goldsmith deseja que os
estudantes compreendam e assimilem. Somente um deles é que pode ser chamado
de Universo, pois é real. O outro não deve ser chamado e nem tratado por "universo", já
que é apenas um conceito. Um conceito não está presente, um conceito não tem
substância e não tem realidade. A vida existe no Universo! A substância existe no
Universo! O homem existe no Universo! Todos os acontecimentos estão ocorrendo no
Universo! Não há ninguém vivendo no universo aparente, que sequer universo é – é
apenas um conceito. Não há nada acontecendo no universo conceitual, o qual é
desprovido de vida, substância e realidade. Por isso, Goldsmith diz: "Temos dito que
Deus é a substância de toda a forma, que Deus é a realidade de toda a forma, a
substância e a realidade de todo efeito. Estaríamos então a compreender a Deus como
sendo a substância do corpo, das árvores, flores, do sol, lua, estrelas e tudo mais que
captamos com os sentidos materiais? Não. Este é um universo espiritual. É verdade que
Deus é a substância de toda a forma: Deus é a substância de seu corpo e de toda a
creação; mas não se esqueça de que, quando eu o vejo, isto é, quando eu vejo o seu
corpo ou quando vejo a árvore ou as flores, eu não estou vendo a creação de Deus – eu
não estou vendo o universo espiritual – eu estou vendo apenas um conceito finito e
material dele." Mas para a mente parece haver vida no universo conceitual, e muitos
eventos parecem estar ocorrendo nele. Enquanto o praticante se deixar levar pela
percepção equivocada da mente humana, sua atenção ficará "dividida", e ele não poderá
focalizar por inteiro o Universo, a Realidade, o Reino de Deus. E a meditação ensinada
no Caminho Infinito nada mais é do que a pura contemplação do Universo.

Portanto, ao meditar nós não teremos que lidar com dois universos. É necessário superar
o impulso de querermos alterar o universo conceitual a partir da conscientização do
Universo Real. Goldsmith ensina que isso é um erro – e é o que leva a pessoa a falhar
em curar. Não há um universo que esteja aqui para ser curado, modificado ou
melhorado. Por sua vez, o universo que está aqui já é imutável e completo, e nele está
contido o Todo-Infinito que Deus é. Portanto, em nosso trabalho de cura espiritual, só o
que temos de fazer é visualizar o Universo. É o que Goldsmith diz:

"Quando a consciência espiritual é atingida, podemos visualizar o universo espiritual;


não que perceberemos pelo ver, ouvir, provar, tocar e cheirar dos cinco sentidos, mas
num estado de consciência iluminada, teremos vislumbres dele. Abandonando-se a
aparência [conceito], voltando-se a Deus visando conscientizar a realidade como o
Espírito Se manifestando, resultará naquilo que aparece como cura. Realmente é a
harmonia de Deus sendo revelada a nós que vemos como forma melhorada. Este é o
ponto mais importante do nosso trabalho de cura. Em seu trabalho, não pense nas
coisas que estiver tentando curar. Pense naquilo que Deus é, e naquilo que Deus
aparece como – Deus aparecendo, não como uma forma delimitada, mas como
infinitude, eternidade, imortalidade, harmonia, alegria, abundância. E então você terá
as curas."

Finalizando, os pontos aqui explanados podem ser utilizados para lançar ainda mais luz
sobre o assunto tratado no texto "Comentando o capítulo 3". Nele foi dito que "Deus
aparece como a Consciência individual". Esse aparecimento (manifestação) ocorre no
âmbito do Universo – e não no universo conceitual. A Consciência Única (Deus, o
Pai) está aparecendo como a Consciência individual que somos (o Filho de Deus). Deus
é a nossa substância! Deus é a nossa realidade! Todos os seres existem em Deus! Todos
os acontecimentos estão ocorrendo em Deus! Não há nada existindo ou acontecendo
fora de Deus. Não há seres vivendo ou experienciando mundo material. Em si, o
universo conceitual é o "nada" – que ora pode assumir formas condizentes com a
Realidade, e ora assume formas contrárias à natureza da Realidade. Que verdade há em
algo que é incapaz de se definir? Por isso é desprovido de verdade, substância e
realidade. Tudo o que Deus é, nós somos! Tudo o que o Pai tem, nós temos! Que
possamos contemplar essas verdades! A contemplação delas eleva a nossa percepção
ao âmbito do Universo Divino (trazendo realização e iluminação, que é o principal
objetivo deste ensinamento) e faz o cenário do mundo assumir formas condizentes com
a verdade do Ser (cura espiritual, que é um objetivo secundário).

Namastê!

C5 COMENTANDO O CAPÍTULO 5

O ensinamento do Caminho Infinito divide o processo de cura espiritual em duas fases:


tratamento e prece. O tratamento é mental, ocorre no âmbito da mente; a prece é
consciencial, ocorrendo além e acima do reino da mente. Dessa forma, o tratamento é o
passo inicial e serve para conduzir/elevar a consciência do praticista até o ponto onde
ocorre a prece. No tratamento o estudante utiliza-se de pensamentos positivos e
inspirados a fim de aquietar, purificar e elevar a mente ao estado de consciência que
realizará a cura. Isso é necessário porque todo o ser humano, desde o momento em que
nasceu (ou pareceu nascer) neste mundo, é constantemente bombardeado pelas mais
variadas formas de sugestões mentais que o levam a ter a impressão de que este mundo
(e os diversos acontecimentos de natureza dual) realmente existe. Joel Goldsmith
explica que o tratamento é indispensável para os que estão no início ou mesmo em
estágios mais ou menos adiantados neste caminho. Mas ao tornar-se experiente, o
estudante pode dispensar o tratamento, pois, neste caso, terá condições de ingressar
diretamente naquilo que Goldsmith chama de "estado de prece" (que é também
meditação ou oração). O próprio Goldsmith não tinha a necessidade de efetuar
tratamento, devido a sua elevada condição consciencial e constante conexão com o
Espírito da Verdade.

A cura verdadeira ocorre a nível espiritual. Enquanto que a cura mental é realizada em
nível mais superficial. O indivíduo está realmente curado quando sua consciência deixa
de sentir o sentimento de separação de Deus. Todas as doenças e sofrimentos são frutos
de um sentido de separação em Deus. Se o homem não estivesse dotado de tal senso de
separação, a doença não poderia ter lugar em sua experiência. Goldsmith explica que ao
obter uma cura de natureza mental, a pessoa não está inteiramente curada, pois não foi
curada a nível espiritual (o sentido de separação de Deus não foi curado), então a
doença pode sumir hoje e reaparecer algum tempo depois.

Passada a etapa do tratamento, o praticante deve buscar adentrar o estado de prece. E


Goldsmith diz que a prece não é algo que dizemos a Deus, e sim o que Deus diz a nós.
O que Deus tem a dizer sobre nós? Qual é a forma com que Deus nos vê? Ele nos vê
como seres que estão separados d'Ele? Ou Ele nos percebe em unidade perfeita com o
Ser que Ele é? Deus nos enxerga como seres doentes ou necessitados? Ou Ele nos vê
como seres já providos de todas as coisas necessárias à nossa plenitude? O que Deus
tem a dizer sobre nós? A oração, meditação ou prece ocorrem quando a "voz" de Deus
nos fala enquanto apenas escutamos e acatamos Suas "palavras" como sendo a Verdade.
Acerca disso, Goldsmith diz: "Após termos conscientizado ou pronunciado a verdade
sobre o problema, é chegado o momento de nos sentarmos e assumirmos uma atitude de
escuta. É como se nos colocássemos naquele local da consciência ou da
conscientização na expectativa do recebimento de uma resposta, de uma certeza de que
tudo está bem e que o problema foi depositado no devido lugar para ser cuidado. Neste
ponto, após ter sido dado o tratamento, é que a prece se inicia. No meu modo de
entender a prece é a palavra de Deus. A prece não é algo feito por você; a prece é algo
de que você toma consciência. A prece é a palavra de Deus que vem a você. É aquela
“pequena voz suave” trazendo-lhe uma certeza de harmonia, paz, alegria, poder,
domínio, saúde, plenitude e abundância. Após o término do tratamento dado a você ou
a outro alguém, sente-se em quietude, abrindo a consciência: “Eis me aqui, Pai”.
“Fala, Senhor, teu servo ouve”, e aguarde vir a resposta.". Portanto, a cura somente
estará terminada quando o estudante tiver finalmente adentrado o estado de prece, em
comunhão com o Espírito, que está além da mente.

Goldsmith também faz uma importante observação, advertindo que pensamentos ou


intenções egoístas anulam o processo de cura. A pessoa somente conseguirá curar
espiritualmente se o seu amor for genuíno e desinteressado, pois somente o amor
verdadeiro sintoniza o homem com Deus, tornando o praticante uma
transparência/veículo para a atuação do poder divino. Além disso, o estudante deve estar
consciente de que não há nada para ser curado, melhorado ou obtido, pois a Verdade é
que todos os seres são manifestações ou expressões do próprio Deus e, por isso, já estão
supridos e plenificados de tudo o que lhes for necessário. A cura espiritual deve ser
trabalhada a partir do ponto de vista de Deus (visão de Deus acerca do Universo), ao
invés de a partir do referencial humano (visão que a mente humana tem do universo).

Eis um fundamento/princípio metafísico que deve ser muito bem gravado: Quando
estamos na presença de Deus, somos exatamente o que Deus é. Quando estamos na
presença de Deus, temos a experiência de ser o próprio Ser que Deus é. Isso é assim
porque Deus nos concede tudo o que tem, estendendo a nós todas as Suas
características/qualidades divinas. Se Deus é pleno, somos plenos. Se Deus é vida
infinita, amor infinito, sabedoria infinita, etc., também o somos. Nunca pode haver um
"ser humano" na presença de Deus. Na presença de Deus só existe Deus. E Deus é
onipresente! Esse é o fundamento que o praticante deve ter sempre em mente. Essa é a
Verdade. E, se quisermos acessá-la, então deveremos nos colocar de acordo com ela.
Fazemos isso procedendo da mesma forma com que Deus procede para conosco. Se
Deus é Amor (e nos faz ser Amor), devemos estender para fora (a todos os seres, nossos
irmãos) o amor que somos. O amor deve ser estendido, manifestado. É dessa forma que
nos colocamos em sintonia com Deus e acessamos a nossa realidade como Amor. A
sagrada Escritura bíblica afirma que: "Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu
irmão, até agora está em trevas. Aquele que ama seu irmão, permanece na luz, e nele
não há tropeço". (1 João 2; 9-10). Os segredos espirituais aqui ensinados não são
revelados aos que não estão de acordo com as verdades divinas. Essa Verdade não pode
ser vivenciada pelo homem possuidor de intenções mesquinhas ou egoístas, pois tais
características o distanciam da Realidade/Verdade que Deus é. Goldsmith diz:

"Acima de tudo é preciso lembrar-se de que o mínimo desejo de receber benefício


pessoal, a presença do menor traço de egoísmo, são fatores que anulam o processo
todo. Não há nada que deva ser obtido, e não podemos trabalhar do ponto de vista que
admitisse haver. Deus é o infinito ser que revela, desenvolve, manifesta e expressa a Si
próprio infinitamente como sendo eu e você. O único objetivo do tratamento e da prece
é dar a conscientização da perfeição que já existe. Na Cristo-consciência não pode
haver lugar que abrigue qualquer ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência que
retém algum desses traços não é uma consciência curadora. A consciência de um
curador deve ser a consciência de um indivíduo que não acolhe nenhum sentimento de
ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência deve ser uma transparência para Deus, e
como Deus opera na consciência do amor, quando qualidades opostas são acolhidas
não há uma consciência curadora. É preciso desejar ardentemente que a verdade
conhecida sobre si mesmo seja universalmente válida. Não é fácil perceber que seria
pura perda de tempo haver tratamento ou prece sem esta qualidade de perdão? A
consciência precisa ser uma transparência para Deus, isto é, uma transparência de
caráter universal, impessoal e imparcial."

Goldsmith diz ainda: "Tudo que nós chegarmos a conscientizar como sendo verdade
para nós mesmos, para o nosso ser, deve ser compreendido como sendo também
verdade sobre todos os demais. Em outras palavras, não é possível haver uma prece
visando que o sol brilhe em nosso jardim somente. Num caso destes, a prece deverá ser
apenas para o sol brilhar. Devemos estar desejosos de que ele brilhe tanto em nosso
pátio como no de nosso inimigo. Enquanto conservarmos no pensamento algum senso
de ódio ou inimizade, o tratamento ou prece será inútil." A Verdade é universal. Não
existe mais Verdade ou "Deus" em um ser do que em outro. O Deus que existia (existe!)
em Jesus é o mesmo Deus que existe em Buda, em Krishna, e em cada ser existente.
Deus é onipresente! A questão consiste em o ser humano despertar para essa verdade.
Quando todos os homens despertarem para essa verdade, todos se verão brilhando na
mesma Luz Infinita que compõe a totalidade do Universo. Jesus Cristo disse: "Eu lhes
tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu
neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo
conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim." (João 17; 21-
23). Por isso Goldsmith afirma que devemos ter a consciência de que "não temos
inimigos". A Luz de Deus brilha sobre todos, imparcialmente. Por isso, o ensinamento
cristão ensina-nos a "orar por nossos inimigos". Não se trata de orar por inimigos (pois
não são realidade), e sim anular a visão errônea da mente humana e reconhecer a
realidade de Deus como sendo tudo.

Namastê!

C6 COMENTANDO O CAPÍTULO 6

Para desenvolver uma consciência de cura, a primeira coisa que o praticante deve ter em
mente é que ele não é o realizador da cura. Não é o homem quem cura. O estudante
deve ter a habilidade de se abstrair e discernir a inexistência/nulidade da existência de
um ser humano, pois ali onde parece existir um "homem" está na verdade Deus
manifestado em toda sua perfeição, glória, esplendor, totalidade e infinitude.
Unicamente Deus está presente - esse é o fundamento que explica porque não é o ser
humano quem realiza a cura, pois ele nem está presente, para início de conversa. O
curador deve ter a habilidade de se abstrair e ver através das
imagens/aparências/conceitos formados pela mente humana. Exatamente no lugar onde
aparenta existir um cenário material formado pela mente humana está manifestado o
puro e perfeito Reino de Deus. O Reino de Deus é de substância espiritual, formada a
partir do próprio Espírito de Deus. Deus e Seu reino constituem mesma substância. A
matéria não existe. O Universo é espiritual, tal como o é Deus. Nós existimos
unicamente em Deus, conforme revela a Bíblia: "Em Deus vivemos, nos movemos e
existimos" (Atos 17:28). Alcançar determinada medida desta compreensão/percepção é
essencial para realizar o tratamento. Goldsmith diz:

"O tratamento é a conscientização, seja qual for a natureza do pedido, de que


exatamente ali está presente a totalidade, a harmonia, o domínio, a perfeição do Deus
único, e que essa harmonia é portanto universal, impessoal e imparcial. Se num
chamado por ajuda a substância do corpo humano parecer estar envolvida, deveremos
ter a visão nítida de que o Espírito, sendo a única substância, deve ser a substância da
forma e do corpo; e também o Espírito, sendo onipresente, faz com que a forma perfeita
esteja presente, seja qual for a aparência apresentada. O Espírito é onipresente em
todas as suas formas e variedades. Os sentidos nos dizem que o poder e a substância
estão na forma, mas a iluminação espiritual nos revela que o poder, a substância e a lei
estão sempre no Espírito."

Joel Goldsmith está dizendo que, onde parece haver um corpo material (que pode se
apresentar ora doente ora saudável) existe um corpo espiritual (perfeito,
eterno, glorioso, imutável) constituído da própria Substância de Deus. Assim como não
há que se falar em "dois universos" (material e espiritual), também não existem "dois
corpos", na medida em que um deles é apenas um conceito. O "corpo material" (que não
é corpo em absoluto) é apenas um conceito do corpo espiritual que está presente aqui e
agora. Nesse âmbito espiritual, Deus está aparecendo como o corpo do indivíduo. Nesse
âmbito espiritual tudo está acontecendo. Não existe ser humano vivendo ou passando
por experiências em universo material - o qual, novamente, não é um universo, mas
apenas um conceito. A vida e a experiência do homem ocorrem no Universo, em
Deus. Em Deus o homem é um ser perfeito, tal qual Deus é. Por isso, Goldsmith diz que
"toda ação que há é Deus-ação". O tratamento consiste na conscientização dessa
verdade.

O ensinamento do Caminho Infinito é apresentado à luz da experiência da unicidade


com Deus. Ao perceber a sua unicidade com Deus (Totalidade de tudo o que existe), o
indivíduo percebe estar conectado com cada outra "parte" do Universo. Uma das frases
mais enfatizadas por Goldsmith em seus ensinamentos é: "Minha unicidade com Deus
garante a minha unicidade com cada ser individual existente". Na metafísica isso é
ensinado através do seguinte exemplo: visualize uma reta matemática e perceba que a
reta é formada por vários "pontos". A reta pode ser compreendida como sendo Deus, a
Totalidade. Os "pontos" que formam a reta podem ser compreendidos como sendo o
"ser individual". Da mesma forma que é impossível uma reta matemática estar separada
dos "pontos" que a constituem, Deus não pode estar separado do "ser espiritual
individual". E, da mesma forma que cada "ponto" (por ser um com a reta) está em
unidade com todos os outros pontos, cada ser individual está em unicidade com todos os
outros seres individuais. A verdade sobre Deus é a verdade sobre todos! Daí o fato de
Goldsmith afirmar que essa é uma verdade universal, impessoal e imparcial. Quando o
homem conscientiza a verdade sobre si mesmo, conscientiza também a verdade sobre
todos os outros seres. E caem por terra as distinções engendradas pela mente humana.
Unicamente Deus está presente como cada ser individual.

Deus não existe no universo conceitual. Há somente uma Vida, e esta existe no
Universo criado e mantido por Deus. A (aparente) vida que se manifesta no universo
conceitual não é a Vida a qual Goldsmith se refere em seu ensinamento. A Vida existe
acima do universo das aparências, em Deus. No universo aparente, aquilo que se
apresenta como "vida" está sujeito a nascimentos e mortes. Goldsmith afirma que Deus
é a única Vida, e que Deus não é vítima de passamentos. O ser que nasce, morre e
evolui através de inumeráveis reencarnações não é o Cristo, o Filho, o Ser Individual. O
Ser que somos já está 100% evoluído, acabado, completo, pronto. Existe em total estado
de perfeição. A Bíblia revela que "tudo está feito". Isso significa que o Universo
também não está se desenvolvendo ou evoluindo. O Reino de Deus é um reino que
existe já pronto aqui e agora! Todas essas verdades são para ser consideradas nas
meditações/contemplações.

O que está acima explanado fornece a base para compreendermos, de uma vez por
todas, que o tempo não é um agente ou força capaz de exercer o seu poder sobre nós.
Uma vez que não evoluímos, não podemos ter idade de 5, 10, 20, 40, ou 80 anos.
Podemos também dar tratamento ao tempo. Acerca disso, Goldsmith explica que somos
"tão jovens e tão antigos como Deus". Os ensinamentos do oriente dizem que as
diversas fases da vida (infância, juventude, maturidade, velhice) passam, enquanto o ser
que somos permanece sempre o mesmo - o homem não é a aparência mutável: é o ser
que subjaz a ela. A pessoa que, em decorrência de sua compreensão espiritual, consegue
adquirir a firme convicção de que o tempo não é poder capaz de atuar sobre si como se
fosse "causa", acaba por retardar o seu envelhecimento no universo das aparências.
Quem não acredita no tempo (por compreender e realizar o Espírito como única
causa) evita os efeitos do tempo. Goldsmith diz: "Deus, o Espírito, é a única substância
e não há razão nenhuma para que o corpo apresente aos noventa anos menos
vitalidade e força do que aos dezenove anos. O corpo não pode ler o calendário; o
corpo não conhece, por si, a sua idade. Somente nós é que podemos conhecer o
calendário e aceitar a crença de idade, a qual é refletida externamente sobre o corpo.
Se conscientizarmos a nossa verdadeira identidade como sendo Espírito, o corpo
passará a ser visto como espiritual e será tão isento de idade como o somos nós
próprios. Qualquer que seja a nossa idade hoje, este é o momento em que começamos a
conscientizar que Deus é a nossa vida individual e que temos a mesma idade de Deus.
Com isto aprenderemos que a vida nunca teve um princípio e, portanto, nunca terá um
fim."

Mas tal consciência precisa ser desenvolvida. E o desenvolvimento da consciência


requer prática e exercícios. Goldsmith adverte que seu ensinamento não é para
pessoas preguiçosas. Apenas ler ou saber essas verdades não fará com que o indivíduo
retarde o seu processo de envelhecimento. É importante que a meditação (que nada mais
é do que a prática de conscientização desta verdade) se torne um hábito na vida do
estudante. Neste livro, Goldsmith sugere, como exercício de meditação, a contemplação
de que: “Eu sou a mesma idade que era ontem; eu sou a mesma vida, a mesma mente, o
mesmo Espírito, o mesmo corpo. Tudo que é do Pai é meu – isenção de idade e
mudanças; tudo que é do Pai em relação à sabedoria, inteligência, orientação – tudo é
meu.”

Da mesma forma, em relação ao cenário econômico/político, aos negócios e


às atividades profissionais, se a pessoa estiver desempregada ou insatisfeita com sua
atual profissão, Goldsmith recomenda como tratamento a contemplação de que: "Deus
não pode ser vítima de condições materiais ou mortais, se Deus aparece como você ou
eu; porém, para não sermos afetados por tais condições precisamos conscientizar este
tratamento de que sempre e somente Deus está presente.". Saúde, atividades
profissionais, relacionamentos, prosperidade - tudo está ocorrendo segundo os critérios
de Deus, do Espírito. O Espírito, somente, é Lei para nossas vidas. Dessa forma, não há
nada em nossa vida que esteja sujeito aos caprichos ou mudanças de homens, política,
economia, governo, pois a vida é espiritual e está sob a jurisdição do Altíssimo.

Este capítulo explana sobre a importância do tratamento e como o mesmo pode ser
aplicado às diversas situações capazes de surgir no mundo das aparências. Aliás, um
bom tratamento é conscientizar que jamais surgiram situações em mundo de aparências
(que também sequer surgiu!). Esse é um tratamento mais básico que vai bem mais
fundo, diretamente à raiz de todos os (inexistentes) problemas. É importante dar um
tratamento condizente/adequado a cada situação. Que possamos bem compreender os
princípios aqui apresentados e aplicá-los em nossas contemplações. Pois, "sem conhecer
essa verdade, você não terá nada com que curar porque toda a cura se baseia na
consciência da verdade, e antes desta consciência ser obtida é preciso ao menos
conhecer a mensagem correta da verdade. Através da vivência com a mensagem da
verdade chegará por fim o momento em que sua consciência é preenchida com a
verdade. Assim, frente a qualquer chamado, não haverá mais a necessidade de se
passar pelo processo de pensar sobre a verdade repetidamente. Surgirá a consciência
da Onipresença e bastará simplesmente dizer: “Obrigado, Pai!”. Seria como dizer
cento e quarenta e quatro quando alguém disser doze vezes doze. Não hesite em utilizar
o tratamento. Não hesite em ponderar as verdades espirituais referentes ao chamado
em questão."

Namastê!

C7 COMENTANDO O CAPÍTULO 7

Os ensinamentos iluminados afirmam que a morte pode ser superada. Obviamente isso
não quer dizer que o homem vá viver para sempre como um corpo físico. O corpo físico
é uma existência dual (conceito) e está fadado a desaparecer pelo simples fato de ter um
dia surgido. Os fenômenos "surgir" e "desaparecer" representam polaridades opostas do
universo dualístico. Tudo o que surge, desaparece. A imortalidade não diz respeito ao
corpo, e sim à existência espiritual do homem. Espiritualmente o ser humano existe sem
jamais ter nascido ou morrido - ele é sempre, de eternidade a eternidade. Quando o
homem perde o falso conceito do corpo e conscientiza a sua natureza verdadeira, que é
Espírito, a imortalidade é obtida. Todavia, o falso sentido que fazemos do corpo
somente pode ser descartado com a conscientização da verdade sobre ele, e isso requer
treinamento de percepção (meditação). Sem prática constante da meditação, o indivíduo
não chega a ir longe neste caminho.

Há uma espécie de "mente" criando e projetando o universo conceitual. Nos


ensinamentos metafísicos, tal mente é chamada de "mente carnal", "mente mortal",
"mente ilusória", "crença coletiva" ou "crença universal". Ninguém é responsável pelo
aparecimento do universo ilusório, ele é produto de uma mente impessoal (que não é de
ninguém) e ilusória que se vê separada de Deus. Essa mente não proveio de Deus (pois
Deus não se vê separado de Si mesmo) e não possui vínculo com nada e ninguém - é
como uma "onda de rádio" ou "nuvem" que paira no meio do simples "nada". Não está
realmente aqui, mas se apresenta como se estivesse. E, justamente por surgir do "nada"
é que tal mente pode ser compelida a retornar ao seu "nada" originário. Quando a mente
ilusória retorna ao nada, a existência verdadeira criada por Deus (que sempre esteve
aqui, encoberta pela falsa presença da mente impostora) se revela como existência-
sempre-presente. Esse é o fundamento da cura praticada e ensinada por Joel Goldsmith.

A humanidade acredita que morte, doenças, misérias, discórdias, e toda espécie


de sofrimentos são frutos de carmas negativos acumulados (pecados). Acredita,
portanto, que o homem é o responsável pelas experiências boas ou ruins por que passa
na vida. A pessoa que passa por infortúnios ou doenças está "compensando" uma dívida
contraída no passado. A humanidade carrega em seu inconsciente coletivo a ideia
de que um pecado ou culpa somente podem desaparecer se o indivíduo pagar um preço
justo. E a moeda exigida para expiar a culpa e o pecado é a punição. "Eu pequei, agora
tenho que sofrer de alguma forma para poder compensar e me livrar deste pecado" ou
"Aquela pessoa cometeu este e aquele ato, agora deverá ser punida para compensar o
mal que fez" - essa é a ideia que está incutida na mente coletiva da humanidade. Essa é a
justiça humana. E, como parte integrante da humanidade, cada indivíduo carrega em
alguma medida essa ideia na mente.

Goldsmith diz que o homem não é o responsável por seus pecados. Toda situação de
doença, dor, miséria, discórdia, escassez e sofrimento têm sua origem na "crença
universal" que cria e projeta o universo ilusório, e não no ser humano em si. É a crença
universal (que não possui relação alguma com qualquer ser em absoluto) que faz
aparecer uma situação de doença, miséria ou sofrimento. Ao ensinar a cura espiritual,
Goldsmith diz que o primeiro passo para nos livrarmos da ilusão/culpa/pecado é
conscientizar que o problema em questão não está de maneira alguma associado a uma
pessoa, coisa ou fato, e isolá-lo. Toda situação de pecado é fruto da mente universal
(que não é de ninguém). Isso é chamado de "princípio da impersonalização". Após a
impersonalização, passamos ao "princípio da nadificação". A situação deverá ser
"nadificada", ou seja, o indivíduo deve conscientizar que tanto a crença universal
(geradora da situação) quanto a situação em si têm a sua natureza/origem no nada. Com
esses dois passos, a aparência de pecado desaparece. Por exemplo: suponhamos que
alguém tivesse o seu carro roubado. Ao realizar a cura espiritual, o praticista deverá
imediatamente livrar-se da tentação de pensar que "meu carro foi roubado por alguém",
pois tal situação foi gerada pela mente carnal, e não pela vontade de uma pessoa. No
mundo criado por Deus não existem pessoas cometendo atos tais como roubos, pois
todos são filhos de Deus, todos os seres são inocentes. Não há ninguém que seja
pecador ou culpado. Assim, o suposto "ladrão" deverá ser isolado da situação em si
(roubo do carro), pois o "ladrão" é na verdade o Cristo, o Filho de Deus perfeito, e todo
Filho de Deus age com a consciência de ser filho de Deus. Este é o passo da
impersonalização. A seguir, o praticista deve conscientizar que, já que não existe
ninguém cometendo roubos, a situação em questão somente pode ser uma
imagem/quadro/cenário/filme projetado pela mente carnal, a qual é o nada. Se, por
natureza, a mente carnal é o nada, o problema que advém dela também é "nada" - jamais
aconteceu! Se, com esses dois passos, o indivíduo conseguir expulsar de sua
consciência a crença universal que dizia que "o carro foi roubado", é bem provável o
universo conceitual passe a apresentar uma sequência de imagens em que o carro
perdido torne a aparecer.

Da mesma forma, as imagens de "nascimentos" e "mortes" que são mostradas no


universo conceitual são frutos da crença universal, e não da Consciência ou Mente
Divina. Por isso, Goldsmith recomenda que em nossas meditações diárias devemos
conscientizar a imortalidade aqui e agora - a imortalidade deste corpo e deste universo -
para que possamos descartar o falso sentido que, influenciados pela crença
universal, fazemos do corpo e do universo.

Ademais, Goldsmith explica que nada dentro do universo conceitual possui vida,
inteligência, força, vontade ou poder por si mesmo. Isso porque o universo conceitual
não é universo, mas apenas um conceito do Universo. E tudo o que existe, existe no
Universo. Assim, a vida, inteligência, força, vontade e poder estão no Universo (Deus) e
não nas coisas do universo das aparências. É por isso que Goldsmith afirma que o corpo
físico não possui inteligência, não pode se mover - ele é apenas como uma sombra
refletindo o nosso estado de consciência. O corpo que se move é o corpo real que existe
no Universo. E quem move o corpo é o homem real, o qual, novamente, existe no
Universo. É somente no Espírito que tudo existe e acontece. "Em Deus vivemos, nos
movemos e temos o nosso ser" (Atos 17: 28). Devemos nos erguer nossa consciência
acima da crença de que a vida está no corpo e de que o corpo controla a vida. Este é o
fundamento que, se plenamente conscientizado, nos faz vencer a morte, o último
inimigo. Goldsmith afirma: "O passo inicial para vencermos a morte está na
conscientização de que o corpo não possui qualquer inteligência pela qual possa viver
ou morrer. O corpo não tem inteligência para apanhar um resfriado, e para
conseguirmos um resfriado para ele precisamos permitir a atividade da mente carnal
aceitando as crenças do pensamento humano; e teremos de agir do mesmo modo para
contrair para o corpo doenças de qualquer natureza. A doença humana nunca é
contraída pelo corpo ou através dele. O corpo não possui inteligência: ele não pode se
mover; é inerte; e, como uma sombra, reflete nosso próprio estado de consciência.
Toda doença, portanto, que pareça ser do corpo é contraída através da atividade da
mente humana pela sua aceitação das crenças universais. O primeiro ponto então para
que a morte seja vencida é superar a crença de que o corpo tem, por si, capacidade de
viver ou morrer, e conscientizar que o corpo tem somente a capacidade de refletir ou
expressar a atividade de nosso próprio estado de consciência.".

Note que os ensinamentos do Caminho Infinito dizem respeito a vivermos a vida


material a partir de um nível ou estado superior de consciência. Ao caminharmos com o
nosso corpo físico [conceito], devemos estar cientes de que não é o corpo físico que está
caminhando, mas somente o corpo real pode caminhar. Este é um exemplo bem
pequeno e simples, mas através do qual podemos começar a treinar os princípios da cura
espiritual, para posteriormente transpô-los para outros aspectos maiores da vida. "O
ponto importante é em que nível de consciência estamos vivendo. Estamos nós vivendo
de forma tal que, seja qual for o local ou plano de existência, dominamos os obstáculos
da mortalidade e da materialidade? O grau de nossa conscientização de que esta divina
Consciência nos governa é o grau com que nós 'vencemos o mundo'; dentro de cada um
de nós estou Eu, e Eu sou o poder que rege toda a nossa experiência."

Por isso, medite! Contemple:

"Este corpo não é um poder sobre mim. Eu sou a vida, a mente, a inteligência e o poder
que governam este corpo. Não eu, um ser humano, mas Eu, a divina consciência do Ser,
dirijo este corpo, este negócio, este lar, este ensinamento e este algo mais dentro da
faixa da minha consciência."

Namastê!
C8 COMENTANDO O CAPÍTULO 8

A Verdade e a ilusão possuem um ponto em comum: ambas são impessoais e


universais. A Verdade deve ser impessoal e universal porque diz respeito a todos, ou
seja, uma verdade só é verdade se for válida universalmente, sem exceção. Um pedaço
do universo não pode conter mais verdade do que outro pedaço. Assim, a verdade que
se manifestou na consciência de Jesus é a mesma Verdade que foi revelada para Buda, e
para todos os outros iluminados. Quando um ser descobre a Verdade sobre si mesmo,
descobre, simultaneamente, a Verdade sobre o universo inteiro. Por isso Buda disse:
"Seres animados, seres inanimados – todos sem exceção são dotados de natureza
búdica".

Por sua vez, a ilusão também tem a característica de ser impessoal e universal porque
diz respeito a ninguém. Todo erro, pecado e culpa são provenientes de uma crença
universal, que nada mais é do que um pensamento de separação de Deus, o qual está
sendo pensado por ninguém – somente a ilusão é que está "pensando". Por isso se diz
que a crença universal é como uma "nuvem" pairando no ar, em meio ao simples nada.
Ela (parece que) está lá, mas ninguém a colocou lá, senão a própria ilusão. É em razão
disso que os erros, pecados e culpas devem ser "impersonalizados" e depois
"nadificados".

A crença coletiva é derivada de um pensamento universal ilusório que diz que "o
homem se separou de Deus". Esse pensamento universal ilusório gera a crença de que
"se o homem se separou da perfeição, então ele é um ser imperfeito passível de erros,
pecados, culpas; e uma vez que seja pecador ou culpado deve ser punido a fim de que
sua transgressão seja apagada e ele recupere sua perfeição". Todavia, quem diz isso é a
ilusão. A ilusão quer fazer o homem "pagar" por seus erros/culpas. Porém, uma vez que
a ilusão tem sua origem em um pensamento de separação, por mais que o homem pague
pelos seus (supostos) pecados, nunca retorna realmente à sua condição de pureza ou
perfeição. A ilusão engana o homem dizendo que se o indivíduo for punido por suas
culpas poderá expiar os pecados e recuperar sua inocência; todavia, devido à sua
natureza, a ilusão não tem o poder de conceder ao homem o seu estado íntegro e puro,
porque a perfeição, a integridade e a pureza são pensamentos da Verdade. O homem não
é perdoado de seus pecados por sofrer ou por realizar penitências ou práticas ascéticas,
não realmente. O perdão verdadeiro ocorre quando se reconhece desde o princípio que o
pecado não existe – desde o princípio! É por isso que os ensinamentos ensinam que o
praticista deve meditar partindo da Verdade de que o pecado não existe, ao invés de
tentar alcançar um "estado de consciência" onde o pecado não exista. Quem parte do
princípio de que "o pecado existe" e de que "o homem é um ser imperfeito e culpado
que precisa se elevar ao estado de perfeição", caiu na armadilha/labirinto da ilusão
desde o primeiro momento, e se perdeu.

Todavia, pode ser que o praticante tenha dificuldades de meditar partindo da Verdade
desde o princípio. Para ajudar com isso, Goldsmith elaborou dois passos didáticos e
práticos ensinados no Caminho Infinito: os passos da "impersonalização" e da
"nadificação". O homem deve ser isolado das crenças coletivas (passo da
impersonalização) para que se possa constatar a Verdade impessoal e universal acerca
de todos os seres (ou seja, todos são o Cristo, o Filho de Deus, perfeitos, puros,
inocentes, isentos de pecado e culpa). Ao fazer a separação do que a Verdade e a ilusão
dizem sobre o homem, o passo seguinte é nadificar a ilusão e tudo o que ela insiste em
dizer. Quando o praticante realiza com sucesso esses dois passos, ele se vê no estado de
consciência para o qual "o pecado não existe" e "o homem é inocente" (e é aqui que a
meditação tem o seu real início). A partir desse estado de consciência, o praticante
apenas permanece visualizando/constatando/contemplando/percebendo a existência do
homem como um ser perfeito, puro, imaculado, proveniente de Deus, e já dotado de
todas as bênçãos e plenitude de Deus. Essa contemplação ou visualização tem a
natureza de "constatar uma realidade que já existe, que já está acontecendo". É uma
visualização de natureza espiritual, consciencial (pois é a percepção de algo que já é).
Não é visualização de natureza mental (a qual tem o intuito de fazer "criar" ou
"manifestar" realidades que ainda não existem).

À medida que a consciência do praticante permanece centrada na


visualização/contemplação da Verdade, a crença universal vai sendo dissipada da
aceitação do praticante, até deixar de existir, e no lugar dela a Verdade é acolhida.
Quando a Verdade é acolhida no lugar da crença universal, o praticista sente em seu
interior uma espécie de "bem estar" em relação ao problema, uma "alegria", um
"alívio", uma "leveza", um "ajuste", um "click". Ocorre um sinal de que "algo
aconteceu", "algo mudou", "está feito!", "assim é!". Esse é o momento em que a cura
espiritual foi realizada. O praticista deve, portanto, permanecer em meditação até sentir
essa confirmação interna. Então o universo aparente passará a expressar uma realidade
condizente com a Verdade conscientizada pelo praticista.

Em sua obra "O Caminho Infinito", Goldsmith diz: "O Universo espiritual, feito da
Substância do Espírito, formado pela Consciência e mantido pela Lei espiritual, está
exatamente AQUI. Neste Universo espiritual não existe doença, não existe falta ou
limitação, não existe infelicidade ou discórdia, nem tampouco ser algum para ser curado
ou modificado. Há somente o Reino da Divina Harmonia e Paz, que a tudo permeia,
sem distúrbio de qualquer natureza. Aceitemos ou não, o fato é que estamos neste
Universo espiritual neste instante. Não temos de ir a algum lugar para encontrá-Lo. Ele
está exatamente aqui, onde nós estamos. Portanto, assim deve ser a nossa oração: “Pai,
que meus olhos sejam abertos, permitindo-me ver e contemplar este Universo
espiritual! Revele-me a Sua Glória, aqui e agora. Não permita que eu tente modificar
este Universo! Deixe-me somente contemplá-Lo”.

Por fim, outro ponto que vale enfatizar: Joel Goldsmith afirma que a ilusão (pensamento
mortal) irá sempre rejeitar e crucificar a Verdade. Ele diz que "a Verdade nunca foi nem
nunca será aceita pelo pensamento mortal". Isso é assim devido ao fato de a ilusão ser
o produto/resultado de um pensamento universal de separação. Quando a Verdade (que
é a criação de um pensamento absolutamente unido) tenta se expressar no universo da
separação, a própria crença universal reage à manifestação da Verdade. A Verdade
ameaça a (suposta) existência da ilusão. A crucificação de Jesus simboliza o fato de que
o mundo irá sempre querer crucificar o Cristo, toda vez que Ele surgir para manifestar
sua luz e revelar a Verdade. É nesse sentido que encontramos na Bíblia algumas
passagens, tais como:

* "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, aquele
que nasceu de Deus o guarda e o maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus, e
que o mundo inteiro jaz no maligno" (1 João 5: 18-19);

* "A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz" (João 3:19);
* "A inclinação para a carne é morte, mas a inclinação para o Espírito é vida e paz"
(Romanos 8:6);

* "Disse-lhes, pois, Jesus: se Deus fosse o vosso Pai, certamente me [Cristo] amaríeis,
pois que eu saí, e vim de Deus. Não vim de mim mesmo, mas Ele me enviou. Por que
não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. Vós
tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer o desejo de vosso pai. Ele foi homicida
desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele
profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. Mas,
porque vos digo a verdade, não me credes. Quem dentre vós me convence de pecado?
E, se vos digo a verdade, por que não me credes? Quem é de Deus escuta as palavras
de Deus..." (João 8: 41-47);

* "Vós não sois do mundo, como eu do mundo não sou" (João 17:16);

* "Maior é o que está em vós do que o que está no mundo" (1 João 4:4).

Namastê!

C9 COMENTANDO O CAPÍTULO 9

A Consciência é a fonte de toda a existência. Ela é o "campo" de percepção, o


"espaço" onde tudo surge, acontece e desaparece. Todos os objetos presenciados pela
Consciência são inconstantes e impermanentes e, por isso, irreais. Apenas a Consciência
permanece sempre constante, razão por que se diz que ela é a única coisa real. Os
ensinamentos da Índia afirmam que o mundo e o universo (que nada mais são que
"objetos") só existem porque há uma Consciência presente (um "Eu"), olhando de
frente, observando/assistindo tudo o que ocorre. Se não houver um "Eu" para
testemunhar a vida, o mundo, o universo, nenhum deles poderiam
estar ocorrendo/existindo.

Façamos o seguinte exercício: neste momento olhe para um objeto localizado na


sala/quarto onde você está e permaneça com a atenção fixa sobre ele, percebendo-o.
Note que, enquanto você olha para ele, ele existe para você (pois está no campo de sua
percepção). Agora retire a sua atenção do objeto e olhe para o outro lado (ou apenas
feche os olhos) e perceba que, em relação à sua visão/percepção, aquele objeto não
mais existe (pois não mais está presente em sua percepção). Talvez você diga: "Ah, eu
posso não estar vendo-o, mas sei que ele está lá, sei que ele existe". Ok, pode ser. Mas,
apenas por um momento, deixe de analisar o caso levando em conta todos os seus
sentidos, e restrinja este exercício apenas no que diz respeito à visão de seus olhos. Em
relação à visão, aquele objeto está ali, ele está presente? Não. Em relação à visão,
aquele objeto não está ali (pois ele não pode ver); e se para o olho não está ali, ele não
existe. Perceba que, para o sentido da visão, o "estar presente" equivale ao "existir". E a
Consciência tem a qualidade específica de ser como o "olho" ou a "visão".

A Consciência nada mais é do que a presença de uma grande "visão", um "olho"


cósmico/impessoal assistindo o desenrolar do universo e de toda vida que nele se
apresenta. Se essa visão cósmica e impessoal não estiver presente, olhando de frente
para o universo, este não existiria. Se o "olho" que observa/assiste o universo voltasse
sua atenção para "o outro lado", este universo deixaria de existir/ser no mesmo instante.
Se você consegue perceber esta tela de computador (ou este papel em suas mãos) é
porque isso está em sua consciência. Se você consegue perceber o local onde você está é
porque tal lugar existe em sua consciência. Se você consegue observar o mundo, o sol, a
lua, as estrelas e o universo, é porque todos eles estão contidos em sua consciência.
Neste momento aquiete-se por um instante e procure perceber essa "visão" que está
observando a tela de computador, o aposento onde você está, o mundo, o universo...
procure identificar a presença dessa grande visão impessoal que observa, e que permite
todas as coisas estarem presentes. Não estou falando aqui de uma observação feita a
partir dos sentidos/capacidades do corpo humano. Até mesmo o seu corpo está sendo
observado por essa grande visão, uma vez que você pode percebê-lo. Além da pequena
visão pessoal que inere ao corpo, há uma grande visão capaz de observar até mesmo
essa pequenina visão. Que visão é essa? Neste momento, aquiete-se e procure-a. Ao
conseguir encontrar essa visão, terá encontrado a consciência.

Não somos os nossos corpos físicos, somos a consciência impessoal que a tudo
presencia. O problema é que, ao invés de observar tudo a partir do grande ponto de vista
da consciência impessoal, ficamos identificados com a pequena visão (ponto de vista)
pessoal do corpo físico, e isso faz com que pensemos ser o corpo que neste mundo
utilizamos. A fim de desfazer esse erro, Goldsmith recomenda que o estudante pratique
o seguinte exercício:

"Passe a olhar o seu dedo do pé e pergunte a si mesmo: “Aquilo sou eu?”. A resposta
logo há de vir: “Não, não sou eu; aquilo é meu.” Então dirija sua atenção para o pé e
verifique se ele é você ou se ele é seu. Continue investigando até o topo da cabeça, e
verifique se você pôde se localizar em alguma parte do corpo ou se descobriu que você
não está no corpo, mas que o corpo está/pertence a você. Você é consciência. Como
podemos saber disto? Você está consciente: você está consciente do seu corpo; você
está consciente da sua família; você está consciente de sua nação; você está consciente
dos oceanos, estrelas, sol, lua – de tudo que está incorporado dentro da consciência
que você é. Se eles não estivessem em sua consciência, você não poderia estar
consciente deles. No momento em que você começar a compreender isto, passará a ver
que você não está localizado em uma poltrona ou mesmo em uma sala. Exatamente
onde você se senta é a terra toda, incorporada dentro de sua consciência; portanto,
você deve ser maior que a terra para poder contê-la dentro de sua consciência."

Para experimentarmos "o sentido de unicidade" com Deus (o Todo), precisamos


abandonar "o sentido de isolamento/separação" do Todo. A "percepção diminuta e
pessoal" derivada do corpo físico é que constitui o sentido de separação do Todo. Ao
abandonar a identificação com a visão pequena e pessoal do corpo, e identificar-se com
a grande visão impessoal que a tudo observa (ela observa inclusive as percepções
pessoais que derivam do corpo físico), o homem se coloca na posição de
poder experimentar a unicidade. Somente quando nos percebemos como consciência é
que podemos nos ver unos com o Todo. Por isso, neste capítulo Goldsmith está
explanando sobre a importância de o indivíduo identificar-se com sua real natureza, que
é Consciência. E Consciência é Deus.
Somos Consciência. A Consciência tem como natureza ser infinita. O Infinito todo está
nela incluído. Passado, presente e futuro, estão todos contidos na Consciência, a qual é
totalmente atemporal e existe além de tudo. Mesmo o futuro (que para a visão da
mente ainda não aconteceu) já existe (está pronto) na Consciência. Isso se assemelha a
um filme, no qual todo o passado, o presente e o futuro estão
gravados/disponíveis/prontos na mídia do dvd. Somos UM com o Infinito (somos o
próprio Infinito!), e isso significa que somos um com todos os seres e todas as coisas
existentes. Uma das frases mais importantes e essenciais do Caminho Infinito é: "Tudo
de que necessitarei, desde agora até o fim dos tempos, já está agora mesmo
corporificado em minha consciência: a substância e a lei que a ampara. Esta
consciência onipresente é a substância de todas as formas e a lei para todas as formas.
É infinita. Infinita em essência, infinita em expressão, infinita em manifestação. Não é
limitada por nenhuma crença humana; é a Consciência divina, que flui plena e
livremente como minha consciência individual". Tudo o que nos for necessário, desde o
remotíssimo passado até o mais longínquo futuro, encontra-se já presente dentro de
nossa Consciência, ou seja, dentro de nós. Em termos bíblicos e védicos: "tudo existe
em Mim." Todo o propósito ou objetivo de seguir o caminho espiritual é alcançar a
conscientização dessa Consciência. Goldsmith diz:

"Compreendendo Deus como a Consciência divina única universal, e o homem como a


expressão individual desta Consciência, descobrimos que TUDO QUE É DO PAI É
MEU, isto é, tudo o que está incorporado a Consciência universal está incorporado à
consciência individual, por elas serem uma. Assim, quaisquer coisas ou ideias de que
necessitemos já são partes integrantes de nossa consciência, e se desdobrarão à
percepção humana tão logo nos familiarizemos com a lei e passemos a aplicá-la.
'Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará' desta ilusão de que o que você busca
encontra-se separado e apartado de você. Deverá haver o entendimento de que o
universo inteiro está incorporado à Mente divina; e, em vista de esta ser a nossa única
mente, todas as coisas já estão dentro de nós. Em consequência, jamais somos
dependentes de alguma pessoa, lugar ou condição para coisa alguma! Portanto, nosso
passo seguinte é abandonar toda dependência a pessoas, posições ou investimentos
para o nosso suprimento. A princípio, isto parece ser um disparate, já que as coisas do
Espírito são loucuras para os homens. 'Ora, o homem natural não compreende as coisas
do Espírito de Deus porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se
discernem espiritualmente.' ( I Cor. 2:14. ). Todo o objetivo de nossa estada neste plano
da vida é alcançar aquela conscientização de Deus. Quando isso acontece e nossa
unidade com Deus é sentida conscientemente, todas as discórdias, erros e desarmonias
desaparecem, e Deus Se torna a vida de nosso ser, a sustentação, o suprimento, a
sabedoria, a diretriz e a inteligência; Deus Se torna a natureza suave e pacífica de
nosso ser; e além disso, há uma compreensão total de que aquilo tudo é Deus
aparecendo como. Assim que você começar a conscientizar que a natureza do seu ser é
consciência, passará a ter a compreensão de que você, por si, é imortal, eterno e
infinito. Um conhecimento meramente intelectual deste fato nada fará para você.
Deverá haver uma conscientização interior desta grande verdade antes que você possa
'sentir' a presença desse poder atuando como sua consciência individual. Ao sentirmos
a presença de Deus passamos a saber que toda a nossa experiência é fruto daquela
Presença e que sempre nós A teremos conosco: 'eu nunca o deixarei e nem o
abandonarei.' (Hebreus 13: 5)."

Portanto:
"O primeiro passo em sua conscientização de ser consciência começa por pesquisar,
'dos pés à cabeça', se você pode ser encontrado em alguma parte do corpo. Você verá
então que não está em um corpo, mas que está consciente do corpo, e além disso
perceberá estar 'do lado de fora' como consciência, lá onde não poderá ser tocado por
coisa alguma de natureza finita ou errônea. Tente captar a visão do significado da
consciência, pois ela se expressará a você ou através de você como sua própria
sabedoria, como sua própria vida, e trará com ela a sua própria imortalidade, sua
própria eternidade e sua própria infinitude. Ao começar a perceber a si próprio como
consciência, você estará começando a conscientizar que Deus é a própria fibra de seu
ser, a própria substância de seu corpo. Com essa nova compreensão, você olhará para
o mundo e verá tudo como sendo formado daquela consciência, e portanto como um
instrumento de Deus, nunca do mal."

Namastê!

C10 COMENTANDO O CAPÍTULO 10 (Parte 1)

O comentário ao capítulo 10 está sendo dividido em duas partes. Serão comentados dois
pontos essenciais. Apesar de ser menor do que os demais capítulos do livro, seu
conteúdo é muito profundo. Merece, portanto, atenção especial por parte do estudante
do Caminho Infinito. Neste comentário vamos abordar o primeiro ponto essencial.

Logo no início deste capítulo, Goldsmith diz que: “A chave daquilo que denominamos
‘demonstração’, ou seja, uma vida feliz e bem sucedida, uma existência alegre e plena,
é a consciência, é a obtenção da consciência do bem de uma forma ou de outra.”.
Adquirir a consciência do bem é indispensável para que possamos demonstrar
visivelmente as verdades espirituais que já existem no Universo Espiritual. O indivíduo
deve ter sua consciência/mente alinhada com a Verdade de que “Deus é o puro Bem, o
Bem Infinito”. A Totalidade que Deus é não abrange a dualidade “bem e mal”, mas
apenas o Bem (que é Deus). Não há mal em Deus. O mal não está de modo algum
relacionado com o Ser que Deus é. A mente que acredita em ideias tais como “Deus
compreende tanto o bem como o mal” ou “Deus é só bem, mas o mal também é parte de
sua criação”, está desalinhada com a Verdade pregada nestes ensinamentos. A
mente/consciência que crer nessas ideias terá dificuldades em demonstrar visivelmente
as verdades espirituais (bem, sabedoria, harmonia, felicidade, suprimento, etc.), pois, ao
acreditar que o mal existe como força real, estará conferindo a ele permissão para se
apresentar como se fosse realidade. Joel Goldsmith está advertindo sobre a necessidade
de o estudante obter a consciência do bem. Deus e o Bem são um. O Bem não é apenas
uma “qualidade” ou “atributo” de Deus, mas é o próprio ser que Deus é. Ambos
constituem a mesma substância. Somente o Bem é realidade – o mal é irrealidade.

Uma das questões mais importantes nos ensinamentos do Caminho Infinito diz
respeito à "natureza de Deus" e à "natureza do erro" (ilusão). Saber discernir claramente
a natureza de ambos é fundamental, pois é o que torna possível realizar a cura pelo
Espírito. Alcançar a consciência de Deus como sendo o puro "Bem" é um ponto
essencial deste ensinamento. O indivíduo não poderá trazer à visibilidade o bem, a
harmonia e as demais bem-aventuranças proporcionadas pela cura espiritual enquanto
retiver em sua mente/consciência conceitos misturados sobre a natureza de Deus e a
natureza do erro. A compreensão do que vem a ser a "natureza de Deus" e a "natureza
do erro" propicia ao indivíduo facilidade de eliminar da mente toda e qualquer espécie
de ideias relacionando o mal com Deus.

O Caminho Infinito diz que Deus é o Todo, e que Deus é o puro bem. Deus é o bem e
não é o mal. Mas, se Deus é o todo, Ele não deveria conter em Si também o mal? Os
ensinamentos metafísicos dizem que, embora Deus seja o Todo, o mal não é parte
integrante do Todo, porque Deus não criou o mal. O mal teve sua criação a partir de
uma mente universal (mente mortal, crença universal, ilusão) que concebeu um
pensamento de separação de Deus. O Universo da criação de Deus foi criado e existe
"antes" do surgimento de tal pensamento universal de separação. Dessa forma, o bem
(realidade) tem sua origem em Deus, ao passo que o mal (irrealidade) somente surge
quando há um pensamento de separação/afastamento de Deus. Bem e mal não são
forças opostas competindo pela ocupação de um mesmo espaço. A relação que há entre
o bem e o mal é como a relação que existe entre a luz e a escuridão. A luz e a escuridão
não brigam entre si. A escuridão não tem o poder de combater a luz. A natureza da luz é
tal que, quando a luz se manifesta, a escuridão desaparece. Quando a realidade está
presente, a irrealidade está ausente. Isso também está dito na Bíblia da seguinte forma:
"O perfeito Amor lança fora o medo". A princípio, o Amor, por ser o Todo (e por ser
amor!), deveria incluir em si o medo, mas Ele não o inclui, e sim "o lança fora". Mas
vamos entender que "lançar fora" não tem o sentido "excluir". Se o Amor lança fora o
medo é porque este é como a escuridão. Quando o Amor está presente, o medo está
ausente. Certamente, o Amor não lançaria fora o medo, caso este existisse realmente.

Assim, em razão da diferença de natureza do "bem" e do "mal", ambos não devem ser
confundidos ou misturados. A mente que acredita na dualidade de que "Deus criou o
bem e o mal" mistura a realidade com a irrealidade e, confundindo ambas, e aceita
implicitamente a existência do mal como força real, e isto confere ao mal permissão
para se projetar neste mundo. O mundo em si não é real, nem irreal. Este mundo tem a
natureza de ser como uma "tela", um "quadro" ou "folha de papel" em branco. Nele é
possível haver mistura de "luzes e sombras", "bem e mal", "certo e errado", etc.. O
universo aparente tem a característica de conceber em si o real e o irreal. Ele
manifesta imagens que expressam a Realidade, mas também manifesta imagens
expressando o que absolutamente não existe. Para que o mal não seja projetado na "tela"
do mundo, ele precisa ser conscientemente rejeitado. Por isso, é muito importante que o
praticista de cura espiritual possua um claro entendimento acerca da natureza da
Verdade e da ilusão.

Outra questão importante para entender é: por que os ensinamentos afirmam que "Deus
é Bem" e ao mesmo tempo dizem que "Deus está acima do bem e do mal"?
Respondendo: ao afirmarem que o mal não é capaz de se opor ao bem, eles
estão falando de algo que ocorre em um âmbito de elevada magnitude, a partir de
um plano mais abrangente e essencial, uma dimensão pertencente a "fora" deste
universo. Eles estão revelando a natureza da Essência. No âmbito da magnitude de que
estão falando, existe unicamente Deus, que é puro Amor. Mas uma mente ilusória
(aparentemente) está concebendo um pensamento universal de separação de Deus. O
bem que se projeta no universo aparente tem sua origem em Deus, e Deus é
Realidade. Ao passo que o mal que ali é projetado tem sua origem no pensamento
universal de separação de Deus, e tal "pensamento" é absoluta irrealidade. Por sua vez,
todas as projeções (luz e escuridão, bem e mal, vida e morte, etc.) que surgem no
universo das aparências são irrealidades. Em tal âmbito irreal, o bem existe em oposição
ao mal, a vida existe em oposição à morte, a luz existe como força oposta à treva. Se a
mente aceitar indistintamente todos os "conceitos" (bem e mal, saúde e doença, vida e
morte, etc.) como provenientes de uma única fonte (Deus), ela estará misturando coisas
de natureza distinta e confundindo a si mesma, e a cura espiritual será impossível.

Note bem que: tudo o que existe no universo das aparências são "conceitos". Nada do
que existe aqui é real, incluindo o bem que se manifesta como projeção da realidade
divina. No universo das aparências, o bem e o mal se apresentam como se fossem forças
relativas (ou seja, a existência de um depende da existência do outro) e opostas (que se
combatem entre si), mas ambos são irrealidades. "Bem" e "mal" são projeções, e ambos
são irrealidades. "Vida" e "morte" que ocorrem no universo das aparências são ambos
irrealidades. "Saúde" e "doença" que se manifestam no corpo físico (e também o corpo
físico) são todos irrealidades. Onde está a Realidade? Fora do universo conceitual! Friso
novamente que o universo conceitual não deve ser visto pelo praticista espiritual como
"universo", pois Universo ele não é - é apenas um conceito. Universo, só existe um!
Realidade, só existe uma! Essa é a base para alcançar a compreensão do princípio do
"único poder", difundido por Joel Goldsmith. O Bem que existe em Deus é absoluto
(real), e não existe "força do mal" atuando em contraposição a ele. Quando esse Bem
Infinito é conscientizado, no universo das aparências surgem imagens condizentes
com Ele - mas tudo o que existe no cenário projetado é irreal. O bem que existe no
mundo fenomênico é apenas um conceito miúdo, um "reflexo" (algo como uma
"fotografia" ou "retrato"), representando o Bem infinitamente maior que Deus é. Deus é
o Bem infinito que está acima do bem e do mal.

Feitas essas considerações, passaremos ao outro ponto essencial explicitado no capítulo


10.

COMENTANDO O CAPÍTULO 10 (Parte 2)

A Consciência é a chave de tudo. O nosso estado de consciência é o que determina a


realidade que experienciamos. É ilusão querermos buscar "algo" que já não seja uma
realidade para a nossa consciência, pois esse "algo" somente se tornará visível depois
que tivermos a clara percepção de sua realidade em nossa consciência. Desse modo,
devemos aprender a abandonar um estado de consciência que enxerga a "carência" e a
"ausência" para nos vermos de posse da consciência que reconhece a "presença" e a
"realidade" do bem almejado. E o veículo que nos permitirá ingressar/acessar em um
novo estado de consciência é a exercitação da percepção, mediante as meditações e
contemplações.

Explanando acerca disso, Goldsmith escreve que a felicidade é como uma borboleta:
sempre que a perseguimos, ela fica fora de nosso alcance. Todavia, se, ao invés de
persegui-la, ficarmos no próprio lugar onde estamos, cientes e calmos de que em nós já
existe a felicidade – que a felicidade já é uma realidade –, então ela virá e pousará em
nossos ombros. Esse exemplo expressa uma lei espiritual que diz que a felicidade
somente ocorre para uma consciência feliz, ou seja, uma consciência que já percebe a
felicidade. Para a consciência destituída de felicidade (isto é, que não percebe), a
felicidade estará sempre fora de alcance. Essa lei, em termos bíblicos, está expressa da
seguinte forma: “Porque àquele que tem, muito mais lhe será dado, e terá em
abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.” (Mateus
13:12).

Por exemplo: a pessoa que deseja obter saúde precisa, antes de tudo, ver-se com a
consciência que enxerga a saúde já presente. Enquanto ela buscar saúde com uma
consciência que julga que "a saúde não está presente", a saúde não tomará parte em sua
realidade/experiência. Se a pessoa estiver num estado de consciência que vê ausência de
saúde, sua realidade/experiência será exatamente a de “ausência de saúde”. Por isso,
Goldsmith diz que não adianta ficar correndo atrás de algo, tentando obtê-lo. Melhor é
aquietar-se e entrar em um estado de consciência que percebe aquele “algo” como já
presente, já existindo, já sendo realidade. Então ele virá e “pousará em nossos ombros”.
Este é um princípio da cura espiritual: para demonstrar a harmonia e o bem, a pessoa
deve desenvolver a habilidade de entrar em um estado de consciência capaz de
perceber o “bem” e “ harmonia” como sendo realidade já presente.

E para nos fazer entender que todas as bem aventuranças (saúde, vida,
amor, sabedoria, paz, força, inteligência, alegria, felicidade, harmonia,
suprimento, êxtase, plenitude) estão presentes em nós como realidade,
Goldsmith enfatiza a sabedoria bíblica que diz: "nada pode ser-lhe acrescentado e nada
lhe pode ser diminuído", dando a entender que o Ser que somos é uma obra pronta,
completa, perfeita, consumada. Tudo está feito! Não existe evolução ou involução para
Quem somos ou para o Universo. O Universo também está agora pronto! E isso é o
Reino de Deus já inteiramente presente em nosso Ser. O Ser que somos e o Reino de
Deus são o mesmo, são um. São constituídos da mesma vida, presença, consciência,
substância, Eu sou. É o que diz Goldsmith:

"Tudo isso nos faz retornar ao ensinamento do Mestre: 'O reino de Deus está dentro de
vós'; ele deve fluir do seu interior. Nada pode ser-lhe acrescentado, nada pode ser-lhe
tirado: você é eternamente pleno e completo. Sempre que formos meditar precisamos
nos lembrar desta verdade: não existe nada "fora" ou separado de nós que possa ser
obtido. Precisamos apenas obter a consciência daquilo que estamos buscando, para
descobrir que já o temos. Ficou claro? O segredo para a obtenção de algo está em se
atingir, em primeiro lugar, a consciência daquele algo. No momento em que você tem
consciência de uma coisa, a consciência a cria, seja ‘ela’ qual for – lar, companhia,
suprimento, emprego, saúde, eternidade, imortalidade.”

Contemple o seu Ser e o Universo já prontos! Para isso é que servem as meditações –
através delas o indivíduo aprende a mudar o seu estado de consciência, eliminando a
consciência que enxerga a ausência do bem almejado e adquirindo a consciência que
percebe aquele bem como experiência já presente.

Goldsmith diz que um dos objetivos do Caminho Infinito é nos proporcionar o


"aceleramento e expansão da consciência para desenvolver a consciência divina como
a nossa consciência individual." Que significado tem essa "expansão ou
desenvolvimento da consciência"? Será que essa "expansão" ou "desenvolvimento"
implicam um processo linear, no qual o indivíduo tenta fazer com que
uma "consciência não iluminada" passe a ser uma "consciência iluminada"? Seria
buscar o aprimoramento de uma consciência iludida (que percebe o irreal) a fim de que
ela possa finalmente perceber o real? Não. "Desenvolver" ou "expandir" a consciência
não envolve um processo contínuo/linear, e sim uma total desconexão/descontinuidade
entre os estados de consciência. Nenhuma espécie de ponte é possível entre uma
"consciência ilusória" e a "consciência da realidade". A consciência ilusória é algo
completo em si mesmo e, da mesma forma, a consciência iluminada também é uma
consciência pronta, perfeita, completa e consumada, em si mesma. Em razão disso,
"nada pode ser acrescentado" a uma consciência iludida para fazer dela uma
consciência iluminada. Se houvesse algum caminho, alguma ponte, a realidade
estaria ligada/conectada/unida à irrealidade, e ambas fariam parte de uma mesma
existência. Por isso, quando Goldsmith afirma que "o objetivo do Caminho Infinito é
proporcionar o desenvolvimento ou expansão da consciência", o significado disso é o
de que o estudante deve ter a capacidade de dar um salto de uma "consciência iludida"
diretamente para a "consciência iluminada". É um salto imediato, súbito. Este "saltar"
significa: em determinado instante (antes de meditar) o indivíduo se vê num estado de
consciência que não percebe a presença do Reino de Deus; e, no instante imediato (ao
meditar), ele passa a se ver em um estado de consciência em que o Reino de Deus é
realidade-sempre-presente (e nesse estado iluminado de consciência, o Reino de Deus
sempre esteve presente!). Esse é o salto requerido – um salto quântico – onde "tudo é,
sem jamais ter sido", onde "tudo muda, sem nada ter mudado".

Por isso repito aqui o que foi dito anteriormente sobre as contemplações: a meditação
não diz respeito ao indivíduo querer criar (com o poder de sua mente ou de sua
consciência) uma realidade que ainda não está lá. A meditação contemplativa consiste
em o estudante perceber diante de si uma realidade que já existe, que já está
acontecendo. É imbuído deste espírito que o praticante deve realizar as práticas
contemplativas. Esse é um ponto muito crucial e importante: não realize as
contemplações objetivando manifestar em sua realidade coisas que ainda não existem.
"Contemplar" significa apenas "ver" o que já está lá. Contemple o Reino de
Deus (perfeito, pronto, consumado aqui e agora), da mesma forma como alguma vez
você já contemplou um pôr do sol ou pássaros voando no céu. Se você pôde contemplá-
los é porque eles já estavam lá. A você coube apenas o papel de desfrutar da visão do
pôr do sol e de pássaros voando. Ao meditar, você deverá contemplar o Reino de Deus
da mesma forma como contemplaria o cenário de pássaros cruzando o céu. Sem forçar,
sem querer criar nada – apenas constatar aquilo que já é. O mínimo desvio desse
princípio faz com que a sua prática se torne um mero exercício mental, e não
espiritual.

Compreenda bem este assunto da consciência, e medite! Finalizando este texto, a fim de
reforçar tudo o que foi explanado nestes comentários, deixo esta citação de Goldsmith:

"Percebeu agora como é importante a consciência? À medida em que você for se


tornando mais e mais consciente da natureza infinita de sua própria consciência, o
efeito irá aparecendo em sua experiência sob infinitas formas. Quanto mais a sugestão
mesmérica ou crença universal numa egoidade apartada de Deus atuar em você, mais a
sua demonstração será governada pela crença do mundo, em vez de sê-lo pela sua
própria consciência infinita. Aprender a mudar nossa consciência é realmente e
verdadeiramente o objetivo do nosso trabalho, pois todas as forma discordantes de
nossa experiência não passam de nossa consciência errônea de tudo aquilo que está
aparecendo para nós. Você acredita realmente e verdadeiramente que é a sua própria
consciência que governa a sua vida? O ensinamento integral de O Caminho Infinito
está baseado na premissa de que a Consciência é Deus, e aquela Consciência, sendo
universal, é a sua consciência individual. Assim que você adquirir a consciência do
bem, ele passará a ser produzido por aquela consciência: a consciência se torna a
substância de sua demonstração."

Namastê!

C11 COMENTANDO O CAPÍTULO 11 (Parte 1)

Qualquer que seja o estado de consciência, ele é sempre algo completo em si mesmo.
Um estado de consciência não iluminado é algo "completo em si mesmo". E o estado
iluminado de consciência é também "completo em si mesmo". É característica da
consciência, da realidade e da percepção serem coisas já prontas, inteiras,
completas, consumadas. Vamos entender melhor este ponto, pois a compreensão dele
tornará clara a desnecessidade (na verdade, a impossibilidade!) de tentar "desenvolver",
"expandir" ou "evoluir" uma consciência não iluminada.

Eis um exemplo que nos permitirá entender essa característica/natureza da consciência,


da realidade e da percepção: Quando vamos dormir, deixamos de lado a nossa
"consciência de vigília" para ingressarmos em uma "consciência de sonho". E ao
começar a sonhar não sentimos ter havido uma "passagem" de um estado de consciência
para o outro: subitamente nos vemos dentro da realidade concebida pelo sonho. A
realidade do sonho nos chega de repente e sem pedir licença: quando menos
percebemos já estamos nele. No âmbito dessa "consciência de sonho" ocorrem inúmeros
fenômenos que seriam estranhos e absurdos do referencial de nossa "consciência de
vigília". Quando considerados à luz da "consciência que sonha", os acontecimentos do
sonho parecem ser muito sensatos/razoáveis, e nós não os questionamos, não os
contestamos... ao contrário, nós os aceitamos com naturalidade. Porém, uma vez que
despertemos do sonho e retornemos ao nosso estado de vigília, se considerarmos
novamente a história sonhada, poderemos constatar todas as anormalidades,
incoerências, contradições e absurdos dos fatos que se sucederam. "Como fomos parar
dentro daquele sonho?". No sonho isso não é questionado – sua realidade faz total
sentido. A "consciência de sonho" atua de modo tal que sequer desconfiamos que
estamos em uma realidade de sonho.

Mas, se um personagem do sonho descobrir que está "sonhando" e desejar retornar à


realidade que existe fora do sonho, o que ele poderia fazer? Haveria alguma "passagem"
ou "caminho" que ele pudesse percorrer para chegar ao mundo real? Existe alguma
"conexão" ou "elo" ligando as duas realidades? Poderia ele tentar "desenvolver",
"expandir" ou "evoluir" a consciência com a qual ele se vê no sonho para alcançar a
realidade fora do sonho? Poderia algo ser acrescentado à "consciência que sonha" para
fazer dela uma "consciência que percebe a realidade fora do sonho"? Sabemos que não
há essa possibilidade. Isso é assim porque a "realidade de sonho" é algo inteiro e
completo em si mesmo, e também pelo fato de a "realidade fora do sonho" ser uma
existência inteira, pronta, completa, consumada. Em razão dessas duas realidades serem
"completas" é que ambas existem totalmente desconectadas, separadas e isoladas.
Devido a isso, o modo de "passar" de uma realidade para outra não se dá mediante uma
"passagem" ou "caminho" – a única possibilidade é através de um despertar.
Ocorrendo esse despertar, a "consciência" que acusava a presença do sonho
desaparece juntamente com o sonho, e o indivíduo se vê imediatamente na
realidade. Fim do exemplo.

A partir do exemplo dado, vamos compreender que a mente não iluminada é inteira e
completa em si mesma. Da mesma forma, a consciência iluminada é uma consciência já
pronta, inteira, perfeita e completa em si mesma. Em decorrência disso, nada há que
possa ser acrescentado à mente ilusória para fazer dela uma consciência iluminada. O
que não é iluminado não pode ser "aprimorado", "desenvolvido" ou "expandido" até
tornar-se iluminado. E da mesma forma, não existe "passagem" de uma percepção não
iluminada para uma percepção iluminada. Se você estiver percebendo mentalmente
(ilusoriamente), sua percepção será a de que a realidade é de substância mental
(material), desde sempre. Ao passo que, se você estiver percebendo consciencialmente
(verdadeiramente), a sua percepção será a de que a realidade é de substância espiritual
(consciencial, divina), desde sempre. Para a percepção mental nunca houve um
momento em que a realidade fosse divina ou consciencial. Da mesma forma, para a
percepção consciencial, nunca houve um momento em que a realidade fosse de
substância material ou mental. Decorre disso que, na realidade mental, não existe
"acesso" ou "passagem" para a realidade consciencial; e, na realidade consciencial,
também não existe "acesso" ou "passagem" para a realidade mental. São realidades
"fechadas", "isoladas" – completamente desconectadas. Por isso, a única maneira de
começar a perceber consciencialmente é perceber consciencialmente agora
mesmo! Não há outro meio. E se você conseguir perceber consciencialmente, a própria
percepção consciencial lhe fará perceber que nunca você "acessou" a percepção
consciencial a partir de uma percepção mental, ou seja, nunca você "saiu" de uma
percepção/realidade mental para "ingressar" na percepção/realidade consciencial. É
assim que é, tal é a natureza da consciência, da realidade e da percepção.

E, para perceber consciencialmente agora mesmo, o Caminho Infinito recomenda que


o praticante adquira o hábito de meditar constantemente. O estudante deve sentar-se
calmamente, aquietar a mente e os sentidos (que percebem o mundo material) e colocar-
se em estado de relaxamento e receptividade para perceber a realidade
espiritual/consciencial. Em tal estado de relaxamento e receptividade, deve-se
contemplar/visualizar a Realidade Divina como realidade já presente, agora mesmo.
Agora mesmo vivemos no Reino de Deus! Agora mesmo somos os Filhos amados de
Deus, dotados de todas as virtudes e atributos de Deus. Agora mesmo "vivemos, nos
movemos e existimos" na realidade perfeita que Deus é. A Presença de Deus é a nossa
Presença! O Ser que Deus é é o Ser que somos. Por isso, agora mesmo estamos
preenchidos de todo amor, sabedoria, verdade, vida, força, inteligência, harmonia,
alegria, paz e demais bênçãos de que necessitamos. Neste momento, o Universo inteiro
é infinitamente perfeito agora! Você, como integrante deste Universo – e em unidade
com Ele –, também é infinitamente perfeito agora! Contemple essas verdades como
válidas (para você e o universo inteiro) aqui e agora! Não tente visualizar um universo
perfeito a fim de que ele se manifeste em sua realidade. Não tente "elevar" ou
"aprofundar" o seu estado de consciência a fim de que você perceba este Universo
Perfeito. Também não tente acessá-lo. Não faça tentativas. Compreenda que não é
preciso "acessá-lo", porque neste momento você está nele! Compreenda (ainda mais
profundamente!) que não é preciso sequer "percebê-lo", porque neste momento você já
o está percebendo. Veja-o presente! Contemple-o presente! Perceba-o presente! E não
tente entender como é possível você se ver em um novo Universo que nunca teve que
acessar (pode ser que a mente queira contestar e argumentar com suas lógicas). Você
simplesmente está nele. Esteja nele, e ponto final. Assim é a visão mística que percebe a
Realidade. Essa é a meditação ensinada no Caminho Infinito.

Há um estado iluminado de consciência que nos faz perceber o universo físico como
sendo apenas um conceito (ao invés de Universo). Nos faz compreender que o único
Universo que existe é o Universo Espiritual criado e mantido por Deus. Essa é a única
existência verdadeira. Somente ele está acontecendo. Somente ele está presente. O
universo conceitual não está ocorrendo, e também não está presente. Acreditar na
existência/presença de "dois universos" deixa o praticista desalinhado com o princípio
espiritual do ÚNICO PODER anunciado pelo Caminho Infinito. Acreditar na presença
ou existência do universo conceitual (que se constitui em bem e mal) o torna um poder
atuante em nossa experiência. Joel Goldsmith diz que ele não é poder. Unicamente Deus
é poder.

Goldsmith afirma que, no início de nosso aprendizado, pode ser útil considerar
a existência de dois universos, um "real" e outro "irreal". Todavia, este é apenas um
artifício utilizado para separar o nosso pensamento da crença coletiva que diz que "o ser
humano mortal, pecador ou doente é criação de Deus". Após obtivermos a inabalável
convicção de que "o ser humano é o Filho de Deus, perfeito, criado por Deus", tomamos
como verdade (ponto de partida) unicamente esse Fato – o qual, de fato, é o único que
está agora ocorrendo. Goldsmith diz:

"Uma vez que você tenha se elevado neste caminho, você fará uma grande descoberta.
Você próprio é aquele homem espiritual, e exatamente aqui e agora é o universo
espiritual. De fato, Deus não creou aquilo que vemos, pois o que nos é visível não é
realmente o que está naquele local. O que vemos é apenas um conceito que temos
daquilo que ali se encontra, e esse conceito nada tem a ver com a creação de Deus.
Neste período em que avançamos do humano ao divino, um aprendizado que
precisaremos conseguir para prosseguirmos em nosso desenvolvimento espiritual será
o da conscientização de que aquilo testificado pelos cinco sentidos físicos não é
realidade. Por esse motivo é que encontramos na literatura metafísica os termos
'mundo real' e 'mundo irreal', 'homem real' e 'homem irreal'. Através da metafísica,
você aprende que 'há um homem real' e passa a erguer imediatamente um ideal,
visualizando a si próprio e se aproximando daquele estado de espiritualidade e
divindade atribuído ao homem real. Mas queremos lembrá-lo que o tempo todo você é
aquele homem ideal, e tudo que é necessário para trazer este homem à manifestação é
a sua conscientização de que existe um Princípio divino operando no universo. Você
não chegará ao reino dos céus enquanto não começar a perceber que já é agora
aquele homem espiritual, aquele homem que está agora no paraíso, sob regra e
jurisdição divina. Exatamente aqui e agora você é um ser espiritual que é a própria
manifestação de tudo que Deus é."

Perceba a importância vital de contemplar essas verdades como realidade já presentes!


Podemos dizer que essa pequena recomendação, sozinha, constitui todo o aprendizado
requerido neste ensinamento!

Namastê!
COMENTANDO O CAPÍTULO 11 (Parte 2)

Outro ponto essencial, enfatizado por Joel Goldsmith, no capítulo 11, diz respeito aos
dois mandamentos deixados por Jesus:

1) Amarás ao Senhor teu Deus acima de todas as coisas, de todo o teu coração, e de
toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento... (Lucas 10:
27)

2) ...e amarás ao teu próximo como a ti mesmo. (idem)

Jesus deixou à humanidade esses dois grandes mandamentos. Havia uma razão muito
boa para ele os ter concebido. Jesus era detentor de imensurável conhecimento e
sabedoria; estava consciente de um grande segredo que poucas pessoas na humanidade
tiveram acesso – um segredo que diz respeito à verdadeira natureza da Mente que criou
o Universo, o homem, e da também da "inteligência" (mente) que criou o universo da
separação. Devido a isso, ele conseguiu "mapear" e solucionar todo o "mecanismo
engenhoso" de que a ilusão se vale para perpetuar na Mente do homem o senso de
separação de Deus. Então, com base nisso, Jesus elaborou em simples palavras dois
pequenos mandamentos capazes de resolver completamente os problemas da separação
e da dualidade. Ambos os mandamentos são complementares e, juntos, transmitem todo
o caminho possível de ser trilhado na espiritualidade. Como consequência disso, eles
também sintetizam e expressam a essência de todos os ensinamentos espirituais. Por
isso, será bom compreendermos o mais profundamente possível as
implicações/significados desses dois mandamentos de Jesus, e de que modo eles estão
relacionados à iluminação espiritual e à cura espiritual.

Mas, antes de entrarmos nos mandamentos de Jesus, necessitaremos fazer algumas


considerações: há um único Princípio, um único Ser, uma única Mente, Onipresente, em
todo o Universo. Essa é a Realidade. Todavia, há um (suposto) "pensamento universal
de separação" concebendo a (aparente) existência de um universo de dualidade e
separatividade. Tal pensamento de "separação" ou "afastamento" de Deus não foi
concebido por Deus, porque Deus nunca se separa ou afasta de si mesmo. Não existe
separação de Deus! A ilusão é que faz parecer como se existisse. Devido ao fato de o
Universo ser constituído por uma única Mente, para fazer com que a separatividade
pareça existir, a ilusão vale-se de um certo "truque": ela faz com que a Mente Única
Infinita seja projetada; e, nessa projeção, a Mente Infinita é dividida em várias
"pequenas mentes" para fazer parecer existir várias identidades, corpos, mentes,
espíritos, enfim, vários seres distintos, isolados e separados uns dos outros. Dessa
forma, dentro do universo da projeção, cada ser acredita ser uma existência
diferente/única/especial, separada e isolada de todos os demais seres. Apesar disso, a
realidade continua sendo a de que, por trás de cada "ser" que está sendo projetado no
universo da separação, existe uma mente maior – a Mente Única – e no nível dessa
Mente os seres sabem que são todos "iguais" e "UM" uns com os outros. Em razão
disso, o universo da separação pode ser percebido ou interpretado a partir de dois pontos
de vista: um que advém da "mente pequena e superficial" que percebe a separação; e
outro que advém da Mente Única Infinita que percebe a unicidade. A mente que percebe
a separação é como a "pequena ponta de um iceberg" que existe na superfície. E a
Mente Perfeita que percebe a unicidade é como o "iceberg" em sua totalidade. Perceba o
fato de que o iceberg é o mesmo, porém apenas uma pequena parte dele está visível para
os que estão acima da superfície, enquanto que a sua parte gigantesca está
escondida/oculta dentro do mar. Por essa razão, os seres todos do universo da projeção
percebem conscientemente a separação e, ao mesmo tempo, sabem inconscientemente
que a separação não existe e que, no lugar dela, somente existe a perfeita unicidade. A
percepção de unicidade do todo existe – ela está velada/oculta nas profundezas da
Mente – mas pode ser trazida à tona, ou seja, pode ser lembrada. E é nisso que consiste
a caminhada espiritual de cada ser humano: desfazer-se do sentimento de separação do
todo, e lembrar-se de sua perfeita unicidade com Deus.

O senso de separação é como a "treva" que inexiste diante da "luz". Quando a Luz se
faz presente, a treva revela sua ausência/inexistência originária. Quanto mais o ser
humano acredita na ideia da separação (concebida pela crença universal), mais o sentido
de separação é reforçado em sua Mente – ou seja, a Mente Única –, e isso garante com
que ele continue experienciando o seu Ser como se existisse separado do Todo. O
contrário também ocorre: se, ao invés da separação (trevas), o ser humano reforçar em
sua Mente a ideia da unicidade perfeita (Luz), o sentido de separação começa a ser
desfeito, até desaparecer por completo, e o homem passa a experienciar o seu Ser sendo
"UM" com todas as coisas. Esse é o mecanismo total que explica o envolvimento da
Mente Infinita Universal com a ilusão de separação. Se o funcionamento desse
mecanismo for bem compreendido, a ilusão de separação na Mente pode ser desfeita. E
aqui chegamos ao fim das considerações necessárias para compreendermos os
mandamentos deixados por Jesus.

O primeiro mandamento "Amarás ao Senhor teu Deus acima de todas as coisas"


consiste no reconhecimento de uma única Fonte, Mente ou Ser em todo o
Universo. Toda existência surge de uma única Mente, sendo constituída e permeada
pela Mente Única: Deus. Deus é a totalidade de tudo o que existe! Deus é tudo como
tudo! "Amar a Deus acima de todas as coisas" significa honrar a Deus como sendo
existência única. Significa reconhecer que não existem aquelas "todas as coisas" (são
ilusórias!) que pudessem ser amadas além de Deus, porque Deus é realmente tudo! Nós
honramos a Deus como sendo tudo quando descartamos aquilo que é "nada",
"inexistência". A ilusão não existe. Portanto, não há como honrar a Deus reconhecendo
a existência de "universo material" e de "seres humanos vivendo na matéria". O
Universo é espiritual! E o ser humano vive em Deus! Devido a isso, somente é possível
cumprir o primeiro mandamento de Jesus quando, no Silêncio Sagrado, percebemos a
irrealidade da ilusão e a existência única e absoluta da Realidade Divina. Ao
descartarmos a ilusão e permanecermos na Realidade Infinita puramente espiritual (que
não se mistura com a realidade-finita-material), experienciamos um estado indescritível
de felicidade, paz, amor, êxtase, plenitude. Nessa Realidade Absoluta, a consciência (o
Filho) perde a sua individualidade, une-se à sua Fonte (o Pai) e experiencia o supremo
estado espiritual de unicidade perfeita. Nele, não há mais um "eu" – unicamente
o Amor (o Todo) habita em toda a parte. Pai e Filho são UM. Nessa Realidade Celestial,
o Filho tem a experiência de ser emanação/pensamento de Deus, e esse pensamento é
perfeito. Por ser perfeito, é um pensamento total, pleno e completo – um pensamento
que não pode ser tocado pelo mundo (ilusão). Você não pode ser tocado na perfeita
unicidade porque não há nada mais para tocá-lo. Nessa condição, um estado de gratidão
é muito natural e apropriado. Sentimos como se o tempo todo estivéssemos dizendo
"Obrigado, obrigado", mas não trazemos palavras a isso, somente nos permitimos ter a
experiência. Em tal estado de plenitude, tudo está incluso.
Ao acessar esse patamar absoluto de consciência, Goldsmith fazia contato com a
Verdade de que: "há somente uma Realidade e, nela, tudo já está feito! Não há
imperfeição ou ilusão a ser curada, modificada ou melhorada. Deus é tudo como
tudo!". Essa era a base da realização de sua cura espiritual. Esse patamar absoluto
somente pode ser experienciado em momentos de contemplação, quando estamos
totalmente alheios/isolados/fechados à ilusão. Jesus diz: "Mas tu, quando orares, entra
no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai,
que vê em secreto, o recompensará" (Mateus 6:6). Ou seja, em nossas orações
(meditações), a fim de podermos contatar "o Pai que está em secreto", devemos
"fechar a porta" para o universo exposto pela ilusão. Isso é assim porque, perante a
Realidade, a ilusão não existe. Portanto, em nossas orações/meditações somente nos
ocuparemos única e exclusivamente com Deus. Ao fazer isso, estaremos cumprindo o
principal mandamento de Jesus. Logo, resumindo tudo em termos simples: o primeiro
mandamento de Jesus diz respeito a vivenciar/experienciar a perfeita Realidade
Espiritual. A contemplação da Verdade "Eu sou Deus, o Ser único, em perfeita unidade
com todo o Meu Universo" desfaz o sentido de separação incutido em nossa Mente,
provocando a aceleração do momento em que experienciaremos o nosso Ser como
sendo o Todo, uno e perfeito: Deus.

O segundo mandamento "...e amarás ao teu próximo como a ti mesmo" é decorrência ou


sucessão do primeiro mandamento. O primeiro mandamento é vivenciado em nossos
períodos de contemplação absoluta, quando a realidade projetada pela ilusão deixa de
existir completamente para nós. Por sua vez, o segundo mandamento é para ser
cumprido nos períodos vivenciados fora das contemplações absolutas. As
contemplações não farão a ilusão sumir; ao terminarmos a meditação, o universo
projetado pela ilusão ainda estará lá. Todavia, a realidade projetada será influenciada
pelas contemplações. A Verdade conscientizada durante as contemplações atua
poderosamente no curso dos fatos e acontecimentos da realidade ilusória. Isso é assim
porque a ilusão nada mais é do que uma "sombra" da Realidade Espiritual Perfeita.
Tome como exemplo a sombra de um lápis projetado na parede. Jamais alguém
conseguiria modificar a "forma" ou a "posição" daquela sombra tocando-a com as mãos
diretamente na parede onde ela está projetada. Mas basta entrar em contato com o
"objeto original" e, a partir dele, poderemos provocar na sombra toda espécie de
alteração possível. O que é sombra não possui "substância" ou "realidade" própria,
podendo ser alterada ou modificada a qualquer instante. Isso significa que o "roteiro"
que a ilusão traça para nós pode ser alterado. Por exemplo: se no roteiro programado
pela ilusão estiver previsto que a pessoa deverá "ter determinada doença" ou "sofrer um
acidente", tal roteiro poderá ser modificado se o indivíduo entrar em contato com a
Realidade Original e conscientizar a verdade de que "não existem doenças nem
acidentes na Realidade criada por Deus. Há unicamente saúde e vida, invulnerabilidade
e felicidade". Essa conscientização desfaz o roteiro programado pela ilusão e faz com
que na "sombra" seja apresentada uma sequência de imagens condizentes com a
Verdade reconhecida. A contemplação da Realidade Absoluta tem o poder de anular
carmas. Mas, se a pessoa não mantiver periodicamente o reconhecimento de que Deus é
tudo, pouco a pouco ela é colocada debaixo de um novo roteiro a ser designado pela
ilusão. Por isso, é importante adquirir o hábito de meditar constantemente, até que a
meditação se torne uma segunda natureza ou parte de nosso ser.

Retomando: o segundo mandamento é para ser praticado nos períodos vivenciados fora
das contemplações absolutas, quando estaremos lidando com o mundo da projeção. Para
conceber o universo da separação, a ilusão aplica o "truque" de fracionar ou dividir a
"Mente Única" em várias "pequenas mentes" distintas e separadas entre si. Assim, na
realidade projetada, cada ser aparece como se fosse distinto e separado, mas o tempo
todo a Mente Única (objeto original) permanece por detrás de cada "mente separada"
(sombra). O grande segredo no qual Jesus baseou o seu segundo mandamento é:
cada "mente separada" é a própria Mente Única. Do ponto de vista das "mentes
separadas" parece que elas é que estão vendo tudo como se fosse separado, mas isso
também é ilusão. A verdade é que a Mente Única está olhando para "fora" e
percebendo a Si mesma como se fosse uma "pequena mente" que enxerga a
separação. Mas tanto a "pequena mente" como a "percepção" que decorre dela são
falsas. Por isso a Bíblia diz que: "nós não recebemos o espírito [mente] do mundo que
somente vê as coisas do mundo, mas o Espírito [Mente] que provém de Deus, para que
pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus... Temos a Mente de
Cristo." (1 Coríntios 2: 12 e 16). A ilusão espera que os seres olhem para o exterior e
acreditem na realidade da separação; ela deseja que todos os seres vejam-se diferentes e
separados entre si; e deseja que todos pensem e atuem como se fossem separados uns
dos outros – tudo isso alimenta a ilusão, reforça/faz perdurar na Mente o sentido de
separação, o que garante com que o indivíduo continue experimentando a si mesmo
como se existisse separado do Todo. Mas, se o indivíduo olhar para o exterior e
perceber o "outro" como sendo uma projeção de Si próprio (de modo que não exista o
"outro"), ele deixa de alimentar em sua Mente a ideia da separação, e esta começa a ser
desfeita; e à medida que o senso de separação for desaparecendo da Mente, a pessoa
retorna ao seu estado natural de perceber e experienciar a Si mesma como o Ser único.
Assim, grave bem esta lei: a forma com que você olhar para o exterior, é a forma
com que verá a si mesmo.

Isso nos leva a um outro aspecto tremendamente importante (ainda muito mais
profundo!), que está implícito no segundo mandamento: se é verdade que da forma
como vemos o "outro", veremos a nós mesmos (e isso é verdade!), então, se passarmos
pela vida vendo as pessoas e o mundo como uma ilusão, um dia vamos pensar sobre nós
mesmos, em nossa própria Mente, como uma ilusão. Lembre-se: a Mente (Mente Única)
vai traduzir qualquer coisa que pensemos sobre os outros como uma mensagem a nosso
próprio respeito. Isso é assim porque, embora nós (enquanto personagens projetados na
ilusão) não estejamos ciente disso, nossa Mente sabe tudo, incluindo o fato de que
existe apenas um Ser (que está sendo cada um de nós). Tudo o que nós pensarmos a
respeito dos outros é realmente uma mensagem nossa, para nós, a nosso próprio
respeito. Assim, nós definitivamente não deveríamos pensar nas outras pessoas como
"seres não iluminados" ou como "ilusões", ou é isso que vamos pensar que também
somos. Em vez de limitarmos uma pessoa como sendo um "corpo físico" ou "mente"
separada, precisamos pensar nela como ilimitada. Em vez de pensar nela como "parte"
de algo, precisamos pensar nela como sendo tudo. Se agirmos assim, isso afastará
a nossa Mente do foco de sermos "seres indespertos vivendo em ilusão". Se virmos o
outro como sendo tudo, nada menos que Deus, a Mente, em cada um de nós, entenderá
que, se eles são a perfeita unicidade com Deus, então isso significa que nós temos de ser
a perfeita unicidade com Deus. Então será assim que um dia experimentaremos o
nosso Ser. Jesus fazia isso; ele não pensava em termos de separação, mas via a
completude em todos os lugares. Jesus via a realidade do Espírito, a face do Cristo, em
todos. Então, vamos pensar em todos como sendo o mesmo que Deus é. Isso é
realmente visão espiritual.
Nos períodos fora da contemplação absoluta, devemos saber que "este próprio mundo
em que estamos vivendo é o mundo que Deus criou. Este é Ele. A mente humana não o
está vendo como ele é, mas, apesar disso, este é Ele.". Isso também está expresso nos
ensinamentos da Índia, que afirmam "Eu sou Aquilo", "Eu sou Ele" (Soham). Cada
"ser" ou "mente" separada é, na verdade, o Ser único, a Mente Única. Da mesma forma,
este mundo em que (aparentemente) vivemos não deve ser visto ou avaliado como
ilusório, a não ser durante os períodos de contemplações absolutas. Às vezes nos
deparamos com ensinamentos absolutos que, intencionalmente ou não, afirmam que o
mundo da projeção é algo "feio", "abominável", "imprestável", "maligno", e,
empregando o poder da palavra, induzem subliminarmente as pessoas a sentirem
aversão pela vida e a desprezá-la por completo. Isso não está certo. Precisamos ter
cuidado com o palavreado empregado nas literaturas espirituais, pois a mente
subconsciente capta tudo. Se, por um lado, esses ensinamentos ensinam as pessoas a
desfazerem o sentido de separação na Mente (durante as meditações absolutas), por
outro lado criam um forte sentimento de separação na mesma Mente (em períodos
vivenciados fora das contemplações). Sem contar que, ao adquirir tal visão errônea
sobre a vida/o mundo/os seres, a pessoa começa a atrair para si situações
problemáticas/horrendas condizentes com as ideias sombrias alimentadas no cotidiano;
então a vida aqui na projeção se torna um grande inferno. Este próprio mundo deve ser
visto como belo, sublime e maravilhoso: o mundo de Deus.

Neste capítulo, Goldsmith diz que: "a mais elevada concepção é aquela que permite
olhar de frente a face do diabo e ver somente a face de Deus. Não existe céu e terra;
não existe Deus e homem; não existe ser espiritual e ser material. Existe somente um, e
Eu sou Ele". Por isso, se quisermos realmente amar a Deus, devemos amar a todos
os nossos irmãos, aqui mesmo, no (suposto) mundo da projeção. Explica Goldsmith: "Se
nós não amarmos ao homem a quem podemos ver, como iremos amar a Deus a
quem não vemos? Deus e o homem são um. Ao senso finito, que vê através de limitada
visão, é verdade que Deus é invisível; mas uma vez atingido este elevado estado, esta
elevada realização do ser espiritual, passamos a olhar para o mundo e ver cada
pessoa, cada circunstância e cada condição como sendo Deus aparecendo, e então
Deus se torna visível para nós. Até que tenhamos atingido aquele estado, contudo, Deus
será invisível para nós, porque para honrarmos a Deus, o Invisível Infinito, nós
devemos honrar ao homem como Deus feito manifesto de forma visível." Ao invés de
sentirmos aversão, desprezo e ingratidão pela vida, devemos amá-la e bendizê-la. A
vida é sagrada! Todos devemos ser gratos por (parecer) estarmos aqui. Pode parecer
paradoxal, mas o caminho para "escapar" da ilusão é vê-la e vivenciá-la como sendo
a realidade, ao invés de sendo uma ilusão. Não nos esqueçamos de que este é Ele!
Portanto, devemos ver este mundo como ele realmente é.

Concluindo: devemos nos focalizar no fato de que a vida humana é uma ilusão e de que
unicamente existe Deus, porém isso é só para quando estivermos fazendo as
contemplações absolutas. Em nosso dia-a-dia, nos períodos fora da contemplação,
devemos empregar o segundo mandamento de Cristo, alinhando-nos com o princípio de
que só existe Um de nós, amando ao próximo como a nós mesmos, e fazendo para os
outros aquilo que gostaríamos que fosse feito para nós. "Se alguém diz: 'Eu amo a
Deus', e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual
viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? Aquele não ama, não conhece a Deus,
porque Deus é Amor." (I João 4: 20). Devemos contemplar a Deus como tudo, sendo
existência única! E em nossa vida cotidiana, devemos pensar no mundo da projeção
(ilusão) como sendo o mundo de Deus (Realidade); devemos pensar em todos os seres
como sendo o mesmo que Deus é. Devemos amar e perdoar todas as pessoas; devemos
viver em harmonia com todos os seres; devemos abençoar todos aqueles que cruzarem o
nosso caminho; devemos agradecer a todos e reverenciá-los como sendo Filhos de Deus
perfeitos. Devemos orar pela felicidade de toda a humanidade. Esse é o caminho. Tudo
isso faz desaparecer da Mente o sentido de separação; e quando nossa Mente tiver sido
"esvaziada" de todo e qualquer senso de separação, o que restará é o nosso estado
originário de iluminação espiritual.

Além de tudo isso, que relação tem o segundo mandamento de Jesus com a cura
espiritual? No capítulo 5 deste livro, Goldsmith diz:

"Acima de tudo é preciso lembrar-se de que o mínimo desejo de receber benefício


pessoal, a presença do menor traço de egoísmo, são fatores que anulam o processo de
cura. Não há nada que deva ser obtido, e não podemos trabalhar do ponto de vista que
admitisse haver. Deus é o infinito ser que revela, desenvolve, manifesta e expressa a Si
próprio infinitamente como sendo eu e você. O único objetivo do tratamento e da prece
é dar a conscientização da perfeição que já existe. Tudo que nós chegarmos a
conscientizar como sendo verdade para nós mesmos, para o nosso ser, deve ser
compreendido como sendo também verdade sobre todos os demais. Em outras
palavras, não é possível haver uma prece visando que o sol brilhe em nosso jardim
somente. Num caso destes, a prece deverá ser apenas para o sol brilhar. Devemos estar
desejosos de que ele brilhe tanto em nosso pátio como no de nosso inimigo. Enquanto
conservarmos no pensamento algum senso de ódio ou inimizade, o tratamento ou prece
será inútil. Não é fácil perceber que seria pura perda de tempo haver tratamento ou
prece sem esta qualidade de perdão? A consciência precisa ser uma transparência para
Deus, isto é, uma transparência de caráter universal, impessoal e imparcial. Sua chuva
cai tanto sobre os justos como sobre os injustos. Os ensinamentos do Mestre são
repletos de amor e de perdão, sem qualquer traço de juízo ou condenação. Na Cristo-
consciência não pode haver lugar que abrigue qualquer ódio, inveja, ciúme ou malícia.
A consciência que retém algum desses traços não é uma consciência curadora."

Como vimos, os mandamentos de Jesus abrangem toda a espiritualidade possível de ser


vivida. Juntos, eles constituem o caminho mais curto/rápido para o nosso despertar em
Deus. Que possam eles serem a estrela guia, o norte, o referencial, para todos nós e para
a humanidade inteira.

Namastê!

C12 COMENTANDO O CAPÍTULO 12

O Caminho Infinito diz que, por mais que todas as qualidades e atributos de Deus
estejam incorporados/presentes em nossa consciência, nenhum resultado prático iremos
obter se não tivermos a "percepção consciente" dessa Verdade. Isso significa que apenas
saber (ter o conhecimento intelectual) da Verdade não fará com que sejamos
beneficiados por ela. É necessário meditar e contemplar a Verdade, até que Sua
realidade se torne uma percepção consciente para nós. Ao longo dos capítulos deste
livro (e dos comentários aos capítulos) foram entregues ao leitor os "princípios"
ou "chaves de compreensão" necessários para fazê-lo adquirir a percepção consciente da
Verdade. Joel Goldsmith diz que, se a "percepção consciente" da Verdade não nos vem
como um dom divino (apenas uns poucos têm esse privilégio!), o modo de atingi-la
é através de meditação (exercícios de percepção) e estudo das verdades das Escrituras
ou da literatura espiritual. Portanto, agora, a nós unicamente cabe a parte de pôr em
prática o que foi ensinado.

É necessário estabelecermos diariamente a conscientização da Presença de Deus (do


Reino de Deus) em nós. À medida que vamos praticando, recebemos
orientação/colaboração invisível (divina), somos guiados pelo Espírito a nos elevar cada
vez mais em consciência, sempre de modo a aumentar a nossa percepção da Verdade.
Por sua vez, quanto maior for a nossa percepção consciente da Verdade, maior será a
nossa capacidade de realizar as demonstrações de saúde, suprimento, harmonia, bem
estar, etc.. A princípio pode parecer que o Caminho Infinito seja um ensinamento
voltado para a realização de curas espirituais (tais como a melhoria de saúde, finanças,
relacionamentos, e obtenção de outras graças materiais), mas não é assim. Este é um
ensinamento de realização/iluminação espiritual. Goldsmith afirma que a cura espiritual
é um efeito decorrente ou secundário da conscientização da Realidade imutável de
Deus. Incansavelmente, em suas obras, Goldsmith diz que nada há para ser curado,
alterado ou melhorado – pois a Realidade Perfeita já é agora! O indivíduo
somente começa a realizar curas espirituais na medida em que compreende
verdadeiramente que não existem curas para serem realizadas. Deus já é tudo! Todos os
seres, que são a plena expressão/manifestação de Deus, também já são perfeitos! Ter
a percepção dessa Verdade faz com que, no universo das aparências, as imagens se
ajustem à realidade presente na consciência do curador. No livro "A Arte de Curar pelo
Espírito", Goldsmith diz:

"Enquanto não vires a Deus manifestado na pessoa que está diante de ti, terás vontade
de pedir a Deus para que faça algo por alguém - e isto derrotará a sua intenção. O
tratamento, em sua totalidade, se desenrola no plano de Deus, dentro da
conscientização de Deus como sendo a vida de cada indivíduo, como sendo a lei de
cada um, como lei individual, como Espírito divino em forma de substância individual –
dentro da conscientização de Deus como a Causa Única. Ora, se Deus é a Causa
única, então deve Ele ser também o Efeito único; e, se Ele é o Efeito único, então, está,
com isto, terminado o tratamento. O curador não tem de tratar com nenhuma outra
coisa: apenas Deus como Causa, Deus como Efeito, Deus como Lei, Deus como o
verdadeiro ser de cada indivíduo. Toda vez que pensas que teu paciente necessita de
ajuda, está turvada a tua visão espiritual. Não te dirijas a Deus com o desejo de curar
ou ser curado; não vás ter com Deus esperando emprego; não vás ter com Deus na
expectativa de receber segurança e proteção: vai ter com Deus esperando Deus. Vai
ter com Deus na esperança de receber a experiência espiritual de sua
presença. Ora unicamente para que Deus se revele como luz, como a plenitude da luz,
como a verdade em toda a sua plenitude. Ora para teres luz, verdade, iluminação; ora
para teres mais sabedoria. E verás como então Deus se manifesta na forma de
harmonia nos acontecimentos, nas coisas ordinárias de cada dia."

Em suma, o curador não lida com "duas realidades" ou "dois poderes". O curador
não intenta fazer com que um "poder superior" atue em favor de uma "realidade
inferior" proporcionando curas ou melhorias. Antes, ele reconhece que não
existe "realidade inferior" para ser melhorada ou curada. Deus não pode curar o que não
existe! Em contrapartida, o que existe já é perfeito, iluminado e completo, desde
sempre! Deus é tudo agora! Essa é a única realidade. Quando realizamos as
contemplações absolutas, não apenas elevamos nossa consciência acima da crença
coletiva, mas, juntamente conosco, elevamos em alguma medida a consciência
da humanidade inteira. O mundo inteiro recebe benefícios/iluminação quando um
simples indivíduo contempla a Verdade de que Deus é a única realidade.

Goldsmith também adverte:

"Poderá não ser hoje, amanhã, na próxima semana e nem no próximo ano que
chegaremos a demonstrar a plenitude de Deus, a totalidade de Deus. Porém Deus é
tudo; Deus é infinito, onipotente, onipresente, onisciente; e na medida de nossa
conscientização deste fato, nós iremos demonstrando aquelas quantidades e qualidades
da totalidade. Só porque ainda não completamos nossa demonstração de ascensão não
significa que não tenhamos alcançado Deus. Quando a tivermos alcançado
precisaremos seguir avante com paciência até chegar a hora em que Deus em Sua
totalidade seja revelado na experiência de ascensão acima de todo mundo da crença."

Conforme dito no início, foram entregues ao estudante todas as ferramentas capazes de


proporcionar sua realização em Deus. Goldsmith afirma que haverá um momento em
que faremos a nossa "ascensão" para acima de todo o mundo da crença. Quando isso
acontecer, todo o senso de "materialidade" e "separação" cessarão de vez em nossa
percepção, e unicamente Deus e Sua perfeita unicidade constituirão a nossa realidade.
No entanto, até que esse momento glorioso chegue, deveremos lidar com as crenças
universais intrusas, que se apresentam como se fossem realidade. Mas podemos
alcançar Deus mesmo sem ter realizado a "ascensão". Mesmo sem ter conscientizado
plenamente a Sua presença, podemos captar interiormente a visão de Deus como sendo
a Consciência Infinita que abrange todo o Bem; interiormente podemos captar a visão
de Deus como sendo a substância e a realidade de toda a criação. Isso será o bastante. O
que permitirá captarmos a visão é a correta compreensão/apreensão/aplicação dos
princípios espirituais durante as práticas contemplativas. Uma vez tido o vislumbre, o
contato foi estabelecido, Deus foi alcançado. A partir de então, o nosso trabalho será
somente o de repetir aquele contato vezes e mais vezes, a fim de que a nossa visão de
Deus se torne cada vez mais clara, nítida e pura. Então poderemos estar em
constante contato com Deus, recebendo toda orientação, auxílio e benefícios necessários
para cada momento de nossa vida. Paramahansa Yogananda escreve que, certa vez, fez
a seguinte pergunta para seu mestre:

- Mestre, quando eu encontrarei Deus?


O mestre respondeu-lhe:
- Oh… Você já o encontrou.
- Não, mestre, creio que não.
- Sim… você já o encontrou. Estou certo que você não está esperando encontrar um
personagem memorável, enfeitando um trono num cantinho antisséptico do Cosmo.
Percebo, entretanto, que você imagina que a posse de poderes miraculosos é a prova de
que alguém encontrou Deus. Não. Pode-se alcançar o domínio sobre o Universo inteiro
e, no entanto, descobrir que Deus se esquiva. O progresso espiritual é medido pela
profundeza da bem-aventurança alcançada em meditação.
Os princípios espirituais nos proporcionarão convicção/fé inabalável na Verdade, em
Deus, o Infinito Invisível. A Bíblia diz que "fé é a certeza das coisas que não se vêem"
(Hebreus 11:1). De início, pode ser que, em razão de dúvidas, incertezas e outras
limitações, as contemplações absolutas aparentem ser ineficientes; mas o progresso
espiritual não é necessariamente medido pela capacidade que a pessoa tem de realizar
curas ou demonstrações. À medida que o indivíduo for se dedicando ao estudo e às
práticas, cada vez mais receberá auxílio divino a fim de que progrida em compreensão,
certeza e percepção da Verdade. Então a Verdade se tornará cada vez mais real e
tangível. Basta que o estudante atenha-se aos princípios espirituais que foram expostos,
e infalivelmente obterá resultados. Quanto mais ele descobrir que Deus (e o Reino de
Deus) habita em seu universo interior (que é infinito, único!), maior será a sua
realização, libertação, bem-aventurança e paz. E perceberá que os acontecimentos
do mundo exterior passarão a corresponder à conscientização interna da Realidade
Divina. Por fim, virá a ascensão, momento em que, assim como o fez Jesus, o indivíduo
poderá afirmar: "Eu venci o mundo". Esse é o propósito dos ensinamentos do Caminho
Infinito.

Que todos os seres, de todos os mundos, possam despertar para essa Verdade.
Todos os seres, de todos os mundos, vivem agora essa Verdade.
Assim é!

Namastê!

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