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REUSO DE ÁGUAS CINZA EM HABITAÇÕES POPULARES NO ESTADO DE

MINAS GERAIS

GREYWATER´S REUSE OF POPULAR RESIDENCE IN MINAS GERAIS- BRASIL

Fernanda Maria Pedrosa dos Reis


Thiago Valadares Bahia Costa

RESUMO

Este trabalho propõe o reaproveitamento de águas cinza provenientes de chuveiros,


pias, máquinas de lavar e tanques em descargas sanitárias, irrigação de jardins ou reuso para
fins menos nobres. A economia gerada com o reuso proposto é significativa, podendo reduzir
o consumo de água em até 40%, tendo como exemplo o modelo de tarifação empregado no
estado de Minas Gerais. É sugerida uma mudança no comportamento dos indivíduos na
maneira de pensar e agir com relação aos resíduos gerados por eles. Além do desenvolvimento
de tecnologias para o reuso de água. Medidas imediatas tais como incentivo a projetos de
reuso de água pelos órgãos competentes devem ser obrigatórios em análises municipais de
licenciamento, para que no futuro esses sistemas possam ser utilizados com mais eficácia e as
águas possam ser reutilizadas com mais segurança em caso de necessidade.

Palavras chave: Águas cinzas. Reuso. Economia. Meio ambiente.

ABSTRACT

The purpose of this research is the greywater´s reuse from bath, sink, wash machine
and tank to toilet, garden or reuse by any less noble purposes.
The proposed reuse generate significant economy and can reduce water consumption by up to
40 % , taking as an example the taxing model used in the state of Minas Gerais.
Suggesting a behavior´s change in people, the way of thinking and acting about the waste
generated by them. In addiction to development water´s reuse technologies. Immediate acts
such as encouraging water reuse projects by government agencies must be mandatory for
Municipality in their licensing analysis procedure, so that in future these systems can be used
more effectively and the water can be reused safely if necessary .
1 INTRODUÇÃO

As modificações ambientais provocadas pela ação antrópica, alteram


significativamente os ambientes naturais. A quantidade de recursos naturais, elevam o risco de
exposição a doenças e atuam negativamente na qualidade de vida da população (MIRANDA
et al., 1994).
Segundo Philippi Jr. e Malheiros (2005), a análise potencial dos impactos decorrentes destas
modificações pode ser feita sob o enfoque da mudança nos padrões de consumo e de produção da população,
facilitando assim a compreensão dessa questão e das medidas necessárias para a reversão dos problemas
ambientais instaurados.

A Lei 9433/97 estabelece parâmetros para manutenção dos recursos hídricos em qualidade
e quantidade para a geração atual e para as futuras gerações (BRASIL, 1997).
As residências são uma das principais fontes de consumo de água. O consumo nos centros
urbanos pode atingir até 50% do consumo total (BAZZARELLA, 2005).
A utilização de técnicas racionalizadoras pode contribuir para uma redução do consumo
de água potável entre 30 e 40%. Algumas destas técnicas são: O uso de dispositivos
economizadores em aparelhos, as fontes alternativas de suprimento (água da chuva, água do
mar dessalinizada) e o reuso de águas servidas (águas cinza) para fins menos nobres
(BAZZARELLA, 2005).
Ainda de acordo com o mesmo autor, o alcance á soluções ecológicas para o saneamento
será possível, somente a partir de mudanças na maneira como os indivíduos pensam e agem
com relação aos resíduos produzidos por eles. Sendo portanto, necessários estudos sobre o
desenvolvimento de tecnologias para sistemas de reuso da água, assim como avaliação dos
aspectos referentes às características quali-quantitativas de águas cinza e ao desenvolvimento
de inovações no tratamento.
Segundo Petry e Boeriu (2000), o avanço de novas tecnologias referentes ao manejo de
recursos hídricos ainda é muito precário e de extrema importância.
Conforme a Declaração Universal dos Direitos da Água, publicado pela Organização das
Nações Unidas (1992), a água é parte constituinte do patrimônio do planeta, sendo cada
cidadão responsável por este recurso. Ainda relata que, para minimizar os riscos de
esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis a água deve
ser utilizada com consciência e discernimento.
O presente trabalho tem por finalidade analisar o custo benefício da implantação de um
sistema de reuso de águas cinza, para residências com até quatro habitantes, em Minas Gerais.
A possível economia hídrica e financeira gerada a partir da utilização do sistema de reuso
justifica a pesquisa assim como conscientiza a população a zelar pelos recursos hídricos
através da mudança de hábitos.

2 REFERNCIAL TEÓRICO

A Organização das Nações Unidas (ONU) (1992), instituiu o dia 22 de março como o
Dia Mundial da Água com o objetivo da data garantir a reflexão, a discussão e a busca por
alternativas que solucionem os problemas com a poluição da água, o desperdício e a escassez
deste bem no mundo.
No entanto, Macedo (2007) relata que há muitos outros desafios como: aprender a usá-
la de forma racional, conhecer os critérios que devem ser seguidos para garantir o consumo
com qualidade e buscar condições para utilizá-la adequadamente, de modo a obter o máximo
aproveitamento possível.
A sustentação da quantidade e qualidade deste recurso se dá pelas etapas do ciclo
hidrológico, que podem sofrer graves alterações decorrentes das ações antrópicas, devido às
demandas das áreas urbanas, das indústrias, da agricultura e das alterações do solo (SETTI et
al., 2001).
Rainho (1999), afirma que o cenário do novo século será ilustrado pela crise de falta
de água e o homem precisa discutir o futuro da água e da vida. Ainda segundo o mesmo autor,
a Terra é composta por um volume total de 1.386 milhões de quilômetros cúbicos de água que
compreendem os oceanos, rios, lagos, geleiras, calotas polares, pântanos e alagados. Sendo,
apenas 2,5% de água doce, fundamental para a sobrevivência, e o restante impróprio para o
consumo.
Além disso, 68,9% da água doce estão na forma sólida, em geleiras, calotas polares e
neves eternas. E as águas subterrâneas e de outros reservatórios perfazem 30,8%, as águas
acessíveis ao consumo humano, encontrada em rios, lagos e alguns reservatórios subterrâneo,
somam apenas 0,3%, ou 100 mil Km³ (MACEDO, 2007).
Segundo Mascaró (2010) apenas cerca de 10 a 20% da água que precisamos deve ser
potabilizada (inodora, incolor, insípida e esterilizada); os 80 a 90% restantes podem ser de
qualidade inferior.
Isto questiona o abastecimento de água encanada potablilizada em origem nos casos de
extrema dificuldade, sejam econômicas ou técnicas, e nos obrigando a reavaliar os sistemas
para decidir sobre a sua estrutura ideal (MASCARÓ, 2010).
No Brasil, a Lei 9433 que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos relata que
a água é um recurso natural finito, que possui valor econômico, e deve ser mantida em
qualidade e quantidade para a geração atual e futuras gerações (BRASIL,1997). O Artigo 19º,
da referida Lei, demonstra a necessidade da racionalização no uso, como forma de reduzir os
custos com a água. Então, de acordo com Macedo (2007), surge a necessidade do chamado
reaproveitamento, ou reciclagem da água.
Além da necessidade de economia, a reciclagem e a reutilização aparecem como
alternativas para o uso racional da água (BRANDIMARTE, 1999). Com a diminuição da
disponibilidade de água, nos próximos anos, os sistemas de aperfeiçoamento do uso serão
exigidos em diversos estabelecimentos. Os dois sistemas que provavelmente serão os mais
utilizados são: aproveitamento de chuvas e reuso de água.
O reuso de água se da com o tratamento de água de uso nobre para a reutilização em
fins de nobreza menor, como descargas, lavagens de pisos e outros.
Segundo a Resolução n°54 de 28 de novembro de 2005, do Conselho Nacional de
Recursos Hídricos (CNRH) (BRASIL, 2005), o reuso de água é uma alternativa para
racionalizar e conservar este recurso seguindo os princípios estabelecidos na Agenda 21. Esta
alternativa promove a redução de efluente em corpos receptores, contribuindo para a redução
dos custos de tratamento dos recursos hídricos para o abastecimento da população e demais
usos mais exigentes quanto à qualidade. O reuso pode ser definido como uso de água
residuária ou água de qualidade inferior tratada ou não.
O artigo 2° desta resolução possui as seguintes definições:
I - água residuária: esgoto, água descartada, efluentes líquidos de
edificações, indústrias, agroindústrias e agropecuária, tratados ou não;
II - reuso de água: utilização de água residuária;
III - água de reuso: água residuária, que se encontra dentro dos padrões
exigidos para sua utilização nas modalidades pretendidas;
IV - reuso direto de água: uso planejado de água de reuso, conduzida ao
local de utilização, sem lançamento ou diluição prévia em corpos hídricos
superficiais ou subterrâneos;
V - produtor de água de reuso: pessoa física ou jurídica, de direito público
ou privado, que produz água de reuso;
VI - distribuidor de água de reuso: pessoa física ou jurídica, de direito
público ou privado, que distribui água de reuso; e
VII - usuário de água de reuso: pessoa física ou jurídica, de direito público ou
privado, que utiliza água de reuso.

Segundo Bernardi (2003), a reutilização de águas promove as seguintes vantagens:


 Garante a sustentabilidade dos recursos hídricos;
 Reduz a poluição hídrica nos mananciais;
 Incentiva o uso racional de águas potável;
 Reduz a probabilidade de ocorrer erosão do solo e contribui para o controle dos
processos de desertificação, por meio da irrigação e fertilização de cinturões verdes;
 Reduz o custo com fertilizantes e matéria orgânica;
 Eleva a produção do setor agrícola;
Os níveis de tratamento do efluente destinado ao reuso, a segurança a ser adotada e o
custo de implantação do sistema são estabelecidos levando – se em consideração a qualidade
da água. O tipo de sistema de reuso adotado depende das características de cada localidade,
como decisão politica, profissionais envolvidos, características econômicas, sociais e
culturais. (BERNARDI, 2003).
Os sistemas hidráulicos e sanitários do sistema de reuso de água cinza têm a função de
separar as águas já utilizadas pela atividade humana que servem para a reutilização e
descartam os efluentes impróprios para o reuso. De maneira simplificada. Considera-se como
água adequada ao reuso o efluente de chuveiros, lavatórios, tanques, máquinas de lavar roupas
e de banheiras, que são caracterizadas também como águas cinza (Silva, Wilson Marques et al
2010).
Mendonça (2004) descreve os fatores que precisam ser atendidos para que se possa
projetar um sistema de reuso de água cinza eficiente conforme a figura1. Os fatores são
verificados a partir da análise social, econômica e ambiental.

Figura 1: Fatores para a implantação do reuso de água


Fonte: Mendonça (2004)

May (2009), define os componentes que fazem parte do sistema de reuso de águas
cinzas como:
 Coletores: tubulações sanitárias horizontais e verticais que transportam o efluente do
chuveiro, do lavatório e da máquina de lavar roupas ao sistema de armazenamento, para
posterior tratamento;
 Armazenamento: Reservatórios destinados a armazenar a água cinza
 Tratamento: O sistema de tratamento é definido de acordo com a qualidade da água
coletada para o sistema de reuso e a sua destinação final.
De acordo com o manual da SINDUSCON (2005) após o tratamento das águas cinzas
deve- se observar para cada fim (Lavagem de pisos, descargas das bacias sanitárias e rega de
jardins) as seguintes características:
 Não deve apresentar odores desagradáveis;
 Não deve conter componentes que agridam a vegetação ou estimulem o crescimento
de parasitas
 Não deve ser áspera;
 Não deve causar danos ás superfícies;
 Não deve apresentar riscos de doenças transmitidas por vírus ou bactérias.
 Não deve danificar os metais sanitários e máquinas;

A Cobrança pelo Uso de Recursos Hídricos é um dos instrumentos de gestão da


Política Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei nº 9.433/97, e tem como objetivos:
i) dar ao usuário uma indicação do real valor da água;
ii) incentivar o uso racional da água;
iii) obter recursos financeiros para recuperação das bacias hidrográficas do País;

Segundo a Agência Nacional de Águas (2015) a cobrança não é um imposto, mas uma
remuneração pelo uso de um bem público, cujo preço é fixado a partir de um pacto entre os
usuários da água, a sociedade civil e o poder público no âmbito dos Comitês de Bacia
Hidrográfica – CBHs, a quem a Legislação Brasileira estabelece a competência de pactuar e
propor ao respectivo Conselho de Recursos Hídricos os mecanismos e valores de Cobrança a
serem adotados na sua área de atuação.
O Instituto Mineiro de Gestão das Águas –IGAN afirma que a implementação da
Cobrança pelo Uso de Recursos Hídricos em Minas Gerais ocorrerá por Bacia Hidrográfica,
de forma gradativa, competindo ao respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica definir a
metodologia de cálculo e os valores a serem cobrados pelos usos da água.
A Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento
Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) Criada pela Lei Estadual nº 18.309/2009,
tem por objetivo editar normas técnicas, econômicas e financeiras aos prestadores de serviço
de abastecimento de água e de esgotamento sanitário (BRASIL, 2009). Conforme art. 1° c/c
os art. 2° e 3° da Resolução ARSAE-MG 64/2015 as tarifas serão cobradas conforme a
tabela1.

Tabela 1: tabela Tarifa da COPASA


Fonte: Resolução ARSAE-MG 64/2015

3 METODOLOGIA

A pesquisa em questão, caracterizada como uma pesquisa de natureza aplicada


objetivou gerar conhecimento para a aplicação prática à solução do problema descrito. Os
objetivos específicos e explicativos foram adotados a partir do estudo detalhado de caso com
a finalidade de buscar utilidade econômica e social.
Para a realização deste estudo, utilizou-se uma residência hipotética com 67 m² de
área construída, disposta em: sala, cozinha, banheiro, área de serviço e dois dormitórios. Para
efeito de cálculo para o volume das águas residuárias cinza adotou-se um número de dois
habitantes por dormitório de acordo com a NBR 5626 (1997).
O projeto para reutilização das águas cinza derivadas do chuveiro, lavatório, tanque e
máquina de lavar foi realizado com o auxílio do software Hydros levando em consideração as
normas vigentes: NBR 8160 – Sistemas prediais de esgoto sanitário – Projeto e execução
(1997); NBR 13969 – Tanques Sépticos – Unidades de tratamento complementar disposição
final dos efluentes líquidos – Projeto construção e operação (1997) e NBR 5626 – Instalação
predial de água fria (1997). Sendo que este software utiliza para o cálculo da vazão do sistema
os seguintes itens: Pressão inicial da tomada d’água considerando que está se encontra a 360
cm do nível da casa, as perdas de carga em cada trecho e em cada conexão hidráulica
pertencente ao trajeto entre o reservatório de água fria localizado no piso da cobertura e a
peça de utilização.
O sistema de reuso proposto foi composto pelas seguintes etapas:
 Coleta dos efluentes: O dimensionamento da rede será realizado com auxílio do
software Hydros (AltoQi,BRASIL) seguindo os parâmetros propostos pela NBR 8160 –
Sistemas prediais de esgoto sanitário – Projeto e execução (1997). O volume de água
residuária coletado do chuveiro e lavatório foi calculado a partir da vazão de cada um destes
pontos de utilização fornecida pelo programa em função do tempo de utilização. Considerou –
se um tempo de utilização do chuveiro de cinco minutos por banho e um banho por dia por
pessoa de acordo com os parâmetros sugeridos pela Copasa na campanha “Para não faltar
cada gota conta. Considerou –se um tempo de utilização do lavatório igual a 30 segundos
durante a escovação dos dentes, o tempo de utilização para os demais usos foi
desconsiderados, visto que, são dependentes dos variados hábitos domésticos dos moradores.
O volume de contribuição do tanque também foi desconsiderado visto que o tempo de
utilização desta peça é muito dependente dos variados hábitos domésticos. O volume de água
residuária proveniente da máquina de lavar roupas foi calculado a partir das informações
fornecidas pelo fabricante de uma máquina de lavar de 11 Kg Brastemp utilizada em sua
capacidade total 1 vez por semana com consumo de 136 litros por ciclo. A vazão fornecida
pelo programa foi calculada após o lançamento de todos os pontos conforme a figura2.

Figura 2. Ponto de captação utilizados pelo Hydros para cálculo da vazão do sistema. A. Detalho isométrico do
banheiro. B. Detalhe isométrico do área de serviço.
Fonte: Elaborada pelos autores

 Tratamento do efluente: Utilização de filtro anaeróbio com as características físicas de


acordo com a figura3; Seguido de filtração de areia e desinfecção.
Figura 3: Características do filtro anaeróbio

Fonte: Elaborada pelos autorees


 Armazenamento Primário: Para armazenar todo a água advinda dos pontos de coleta
foi utilizado uma cisterna com capacidade de 5.000 litros equipada com um ladrão ligado a
rede pluvial que poderá ser acionado caso a capacidade máxima de armazenamento da
cisterna seja alcançada.
 Bombeamento da água destinada ao reuso: Para bombear a água do reservatório
inferior para o reservatório superior à uma altura de 395 cm foi utilizado uma bomba da
marca TEXIUS com as especificações mínimas , modeloTBHW – Q , potência 1/3cv ,
Tubulação de sucção 1” , tubulação de recalque de ¾”.

 Armazenamento secundário: Armazenamento em um reservatório superior com


capacidade de 500 litros equipado com sistema de válvula e boias de nível capaz de manter
este reservatório sempre cheio, seja com água proveniente do sistema de reuso seja com água
proveniente do abastecimento de água público.
 Alimentação dos pontos de uso: Distribuição da água de reuso será dimensionada pelo
software Hydros (AltoQi, BRASIL) de acordo com a NBR 5626 – Instalação predial de água
fria (1997). A água do reservatório superior foi destinada através de um trajeto independente
até os pontos de utilização fechando o ciclo de reutilização de água da residência em questão.
Posterior ao dimensionamento de todo o sistema de reuso levantou- se os custos de
implantação do sistema. Os custos referentes aos materiais utilizados foram levantados a
partir da pesquisa online de preços e cotações solicitadas quando necessário.
A economia financeira gerada após a implantação do sistema foi calculada com base
na tabela 1 (Tarifas aplicáveis aos usuários) Conforme art. 1° c/c os art. 2° e 3° da Resolução
ARSAE-MG 64/2015. De acordo com a NBR 15575 – Edificações Habitacionais (2013) o
período de análise considerado será de 50 anos.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após análise dos dados da SINDUSCON, verificou-se que a residência utilizada para
simulação do sistema de reuso de água cinza deste estudo, enquadra-se no padrão popular.

4.1Volume de contribuição do chuveiro


4.1.1 Cálculo da vazão do chuveiro
4.1.1.1Dados analisados pelo programa Hydros
Conexão analisada: Chuveiro - 25mm x 1/2" (PVC rígido soldável)
 Pavimento Pav1, Detalhe H1
 Nível geométrico: 2.10 m
 Processo de cálculo: Universal
Tomada d'água:
 Tomadas dágua- saídas curtas - 1 1/2" (PVC rígido soldável)
 Nível geométrico: 3.60 m
 Pressão inicial: 0.00 m.c.a
Após a análise de todos os pontos avaliados pelo software, pôde-se verificar a vazão do
chuveiro (tabela 2).
Tabela 2: Cálculo da Vazão no Chuveiro

Pressões
Vazão Ø Veloc. Comprimento (m) J Perda Altura Desnível
Trecho (m.c.a.)
(l/s) (mm) (m/s) (m/m) (m.c.a) (m) (m)
Tubo Equiv. Total Disp. Jusante
1-2 0.64 40.00 0.51 0.10 2.30 2.40 0.0084 0.02 3.60 0.00 0.00 -0.02
2-3 0.64 40.00 0.51 0.10 0.70 0.80 0.0084 0.01 3.60 0.00 -0.02 -0.03
3-4 0.64 40.00 0.51 0.60 1.20 1.80 0.0084 0.02 3.60 0.60 0.57 0.56
4-5 0.35 40.00 0.28 1.63 7.30 8.93 0.0030 0.03 3.00 0.00 0.56 0.53
5-6 0.35 40.00 0.28 0.36 1.00 1.36 0.0030 0.00 3.00 0.00 0.53 0.53
6-7 0.35 40.00 0.28 1.32 1.00 2.32 0.0030 0.01 3.00 0.00 0.53 0.52
7-8 0.35 40.00 0.28 0.15 1.00 1.15 0.0030 0.00 3.00 0.00 0.52 0.52
8-9 0.35 40.00 0.28 0.31 1.00 1.31 0.0030 0.00 3.00 0.00 0.52 0.51
9-10 0.35 40.00 0.28 0.10 1.20 1.30 0.0030 0.00 3.00 0.10 0.61 0.61
10-11 0.35 40.00 0.28 1.10 0.01 1.11 0.0030 0.00 2.90 1.10 1.71 1.71
11-12 0.35 40.00 0.28 0.70 0.70 1.40 0.0030 0.00 1.80 0.70 2.41 2.40
12-13 0.10 20.00 0.32 0.10 7.30 7.40 0.0090 0.00 1.10 0.00 2.40 2.40
13-14 0.10 20.00 0.32 0.10 0.50 0.60 0.0090 0.01 1.10 -0.10 2.30 2.29
14-15 0.10 20.00 0.32 0.90 0.20 1.10 0.0090 0.01 1.20 -0.90 1.39 1.38
15-16 0.10 20.00 0.32 0.00 1.20 1.20 0.0090 0.01 2.10 0.00 1.38 1.37
Fonte: Elaborada pelo Software

Pressões (m.c.a.)
Estática Perda de Dinâmica Mínima
inicial carga disponível necessária
1.50 0.13 1.37 1.00
Fonte: Elaborada pelo Software

De acordo com A NBR 5626 (1997), a vazão mínima para atender o chuveiro elétrico
corresponde a vazão calculada pelo programa de 0,1litros/segundo.

4.1.2 Estimativa do volume de contribuição do chuveiro

O cálculo do volume de contribuição do chuveiro levou em consideração a vazão


calculada pelo programa, o tempo de utilização da peça por banho por pessoa de acordo com a
tabela3.

Tabela 3: Volume de contribuição do chuveiro


Total Tempo Tempo
Nº de de de de Volume de Volume de Volume de
Nº de banho/pessoa/ Banhos/ banho banho Vazão Contribuição Contribuição Contribuição
pessoas dia dia (min) (s) (l/s) (m³) /dia (m³ /mês) (m³/ano)
4,00 1,00 4,00 5 300,00 0,10 0,12 3,6 43,80
Fonte: Elaborada pelos autores

Ao verificar a contribuição do chuveiro, verificou-se que para os padrões


estabelecidos para esta residência hipotética, do presente estudo, há uma contribuição de
0,12m3 por dia de água residuária, o que garante uma economia anual de 43,80 m³. O tempo
de banho utilizado para cálculo coresponde ao tempo de banho recomendado pela Copasa na
campanha “Para não faltar cada gota conta”. Segundo a concessionária de abastecimento os
banhos representam 37% do cosumo de água no uso doméstico.

4.2 Volume de contribuição do lavatório


4.2.1 Cálculo da vazão no lavatório
4.2.1.1 Dados analisados pelo programa Hydros
Conexão analisada: Lavatório - 25mm x 1/2" (PVC rígido soldável)
 Pavimento Pav1, Detalhe H1
 Nível geométrico: 0,60 m
 Processo de cálculo: Universal

Tomada d'água:
 Tomadas d’água- saídas curtas - 1 1/2" (PVC rígido soldável)
 Nível geométrico: 3.60 m
 Pressão inicial: 0.00 m.c.a

Após a análise de todos os pontos avaliados pelo software, pôde-se verificar a vazão do
lavatório (tabela 4).
Tabela 4: Cálculo da vazão no lavatório

Pressões
Vazão Ø Veloc. Comprimento (m) J Perda Altura Desnível
Trecho (m.c.a.)
(l/s) (mm) (m/s) (m/m) (m.c.a) (m) (m)
Tubo Equiv. Total Disp. Jusante
1-2 0.64 40.00 0.51 0.10 2.30 2.40 0.0084 0.02 3.60 0.00 0.00 -0.02
2-3 0.64 40.00 0.51 0.10 0.70 0.80 0.0084 0.01 3.60 0.00 -0.02 -0.03
3-4 0.64 40.00 0.51 0.60 1.20 1.80 0.0084 0.02 3.60 0.60 0.57 0.56
4-5 0.35 40.00 0.28 1.63 7.30 8.93 0.0030 0.03 3.00 0.00 0.56 0.53
5-6 0.35 40.00 0.28 0.36 1.00 1.36 0.0030 0.00 3.00 0.00 0.53 0.53
6-7 0.35 40.00 0.28 1.32 1.00 2.32 0.0030 0.01 3.00 0.00 0.53 0.52
7-8 0.35 40.00 0.28 0.15 1.00 1.15 0.0030 0.00 3.00 0.00 0.52 0.52
8-9 0.35 40.00 0.28 0.31 1.00 1.31 0.0030 0.00 3.00 0.00 0.52 0.51
9-10 0.35 40.00 0.28 0.10 1.20 1.30 0.0030 0.00 3.00 0.10 0.61 0.61
10-11 0.35 40.00 0.28 1.10 0.01 1.11 0.0030 0.00 2.90 1.10 1.71 1.71
11-12 0.35 40.00 0.28 0.70 0.70 1.40 0.0030 0.00 1.80 0.70 2.41 2.40
12-13 0.16 20.00 0.32 1 7.30 7.40 0.0090 0.01 1.10 0.00 2.40 2.30
13-14 0.16 20.00 0.32 0.19 0.80 0.99 0.0090 0.02 1.10 0.00 2.30 2.28
14-15 0.16 20.00 0.32 0.50 0.50 1.00 0.0090 0.02 1.10 0.50 2.78 2.76
15-16 0.16 20.00 0.32 0.00 1.20 1.20 0.0090 0.03 0.60 0.00 2.78 2.74
Fonte: Elaborada pelo Software

Pressões (m.c.a.)
Estática Perda de Dinâmica Mínima
inicial carga disponível necessária
1.50 0.13 1.37 1.00
Fonte: Elaborada pelo Software
De acordo com A NBR 5626 (1997), a vazão mínima para atender o lavatório
corresponde a 0,15 litros por segundo, menor que a vazão calculada pelo programa.

4.2.2 Estimativa do volume de contribuição do lavatório


Para calcular o volume de contribuição do lavatório (tabela5) levou- se em conta apenas o
volume gasto para escovar os dentes, pois o volume gasto com as demais atribuições varia
conforme a rotina dos moradores.

Tabela 5: Volume de contribuição do lavatório


Nº de Tempo
acionamentos para Volume de Volume de Volume de
para escovar escovar os Vazão Contribuição Contribuição Contribuição
Nº de pessoas os dentes dentes (s) (l/s) (m³) /dia (m³ /mês) (m³/ano)
4,00 8,00 30 0,16 0,08 1,15 14,02
Fonte: Elaborada pelos autores

Após análise dos parâmetros adotados para calcular o volume de água residuária
advinda do chuveiro verificou – se uma contribuição diária de 0,23m³ por dia.

4.3 Volume de contribuição do tanque


Para calcular o volume de contribuição do tanque é necessário estimar o tempo de utilização
desta peça. Como este tempo varia conforme os hábitos domésticos de cada residência este
volume não foi contabilizado.

4.4 Volume de contribuição da máquina de lavar roupas

Para calcular o volume de contribuição da máquina de lavar roupas adotou –se um


equipamento que comporta 11Kg de roupas trabalhando em sua totalidade uma vez por semana e
consumindo 136 litros de água por ciclo completos.

4.5 Volume de contribuição total dos pontos de coleta de água residuária

Compreende o somatório dos volumes parciais de cada ponto de coleta conforme a tabela 6.

Tabela 6: Volume de contribuição total

Volume de Volume de
Volume de Contribuição Contribuição
Contribuição (m³) /dia (m³ /mês) (m³/ano)
0,74 5,02 61,08
Fonte: Elaborada pelos autores

O sistema hidráulico e sanitário do sistema de reuso de água cinza adotado separam as


águas que servem para reutilização das águas impróprias para o reuso garantindo a finalidade
deste sistema. Considera-se como água adequada ao reuso o efluente de chuveiros, lavatórios,
tanques, máquinas de lavar roupas e de banheiras, que são caracterizadas também como águas
cinza (Silva, Wilson Marques et al 2010).
Após a análise dos volumes estimados verificou-se uma economia hídrica anual de
218,76 m³. Esta economia promove segundo Bernardi (2003) vantagens como: redução da
poluição hídrica nos mananciais e garantia da sustentabilidade dos recursos hídricos.
Segundo a Resolução n°54 de 28 de novembro de 2005, do Conselho Nacional de
Recursos Hídricos (CNRH) (BRASIL, 2005), o sistema adotado é uma alternativa para
racionalizar e conservar água potável. Esta alternativa promove a redução de efluente em
corpos receptores, contribui para a redução dos custos de tratamento dos recursos hídricos
para o abastecimento da população e demais usos mais exigentes quanto à qualidade.
Segundo Mascaró (2010) apenas cerca de 10 a 20% da água que precisamos deve ser
potabilizada ( inodora, incolor, insípida e esterilizada); os 80 a 90% restantes podem ser de
qualidade inferior justificando a reutilização de águas cinzas proposta pelo estudo.

4.6 Pontos de consumo da água de reuso


O consumo de água da bacia sanitária compreende o volume total da caixa acoplada utilizada.
O volume de água economizado durante o intervalo de um mês permite o acionamento da
bacia sanitária 837 vezes, cerca de 28 vezes ao dia considerando que apenas este ponto de
utilização foi acionado. As torneiras da garagem e da área de serviço poderiam ser acionadas
individualmente durante um intervalo de 419 minutos, cerca de 7 horas por dia considerando
apenas um ponto de acionamento e uma vazão de 0,2 litros por segundo.
4.7 Custos financeiros
4.8 Economia financeira
Além da economia hídrica o sistema de reuso de água cinza implantado gera uma
economia financeira para o proprietário da residência. O somatório mensal dos volumes de
água do chuveiro, lavatório e máquina de lavar roupas representam um total de 5,02 m³,
portanto o total de água consumida em toda a residência é superior a esse valor. De acordo
com as especificações da Copasa (tabela1) o valor do m³ cobrado varia em função da Classe
de consumo, do Intervalo de consumo, e se o esgotamento é Esgotamento dinâmico com
coleta ou Esgotamento dinâmico com coleta e tratamento. Considerando a classe de consumo
como Residencial Tarifa social até 10 m³, Intervalo de Consumo entre seis e dez, esgotamento
dinâmico de coleta e as tarifas de aplicação deste enquadramento verificou-se uma economia
mensal de R$ 16,02 e economia anual de R$ 192,29. Considerando a classe de consumo como
Residencial Tarifa social até 10 m³, Intervalo de Consumo entre seis e dez, esgotamento
dinâmico de coleta e tratamento e as tarifas de aplicação deste enquadramento verificou-se
uma economia mensal de R$ 20,30 e economia anual de R$ 243,55.

5 CONCLUSÃO

Portanto, conclui-se que o sistema de reuso de águas cinzas se estabelece como um


importante recurso para auxiliar, como alternativa tangível, no abastecimento de água
destinada ao uso menos nobre, seja em períodos de escassez ou aumento de preços que
tarifam este insumo.
Além da economia financeira o sistema também promove uma redução da poluição
hídrica nos mananciais e garante a sustentabilidade dos recursos hídricos. A economia
financeira pode chegar a até 40% se comparada aos sistemas convencionais, se constituindo
também como excelente alternativa para famílias de baixa renda.

Ao se implantar um sistema de reuso deve-se esclarecer para todos os usuários da sua


importância para o meio ambiente, sobre a economia gerada, os riscos que estão sujeitos e os
cuidados a serem tomados, visando conscientizar e educar os beneficiários deste sistema.