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MARCELLO GUIMARÃES COUTO

AUDITORIAS AMBIENTAIS DE CONFORMIDADE LEGAL

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado


Profissional em Sistemas de Gestão da
Universidade Federal Fluminense como
requisito parcial para obtenção do Grau de
Mestre em Sistemas de Gestão. Área de
Concentração: Sistema de Gestão do Meio
Ambiente.

Orientador:

Prof. Fernando Benedicto Mainier, D.Sc.

Niterói
2004
MARCELLO GUIMARÃES COUTO

AUDITORIAS AMBIENTAIS DE CONFORMIDADE LEGAL

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado


Profissional em Sistemas de Gestão da
Universidade Federal Fluminense como
requisito parcial para obtenção do Grau de
Mestre em Sistemas de Gestão. Área de
Concentração: Sistema de Gestão do Meio
Ambiente.

Aprovada em 27 de dezembro de 2004

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________
Prof. Fernando Benedicto Mainier, D. Sc.
Universidade Federal Fluminense – UFF

_______________________________________
Prof. Sergio Pinto Amaral, D. Sc.
Universidade Federal Fluminense – UFF

_______________________________________
Prof. Julio Domingos Nunes Fortes, D. Sc.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
Dedico este trabalho

Aos meus pais, Boanerges do Amaral Couto e Maria Francisca Guimarães Couto, por
toda a influência positiva, amor, senso ético e luz que me trazem a cada dia que passa.
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a DEUS pelas oportunidades de aprendizado com as


derrotas, e pelo doce sabor das vitórias.

Agradeço à minha namorada, Vivian Bento, pela paciência, compreensão, amor e


incentivo que sempre ofereceu para a concretização de meus sonhos.

Agradeço aos amigos Carlos Augusto Mello e Vladimir Belmino, pelo apoio e por
todos os conselhos que sempre me foram importantes.

Agradeço à HGB Consultoria e Gestão por viabilizar minha empreitada no Mestrado.

Agradeço ao amigo e Professor da vida Luiz Antonio Mello, pela ética,


profissionalismo e experiência que sempre me nortearam.

Agradeço aos amigos de trabalho, notadamente Mariana Fellows, Christiane Cazale e


Célia Santos por todo o incentivo e energia positiva que me transmitiram durante todos os
momentos.

Agradeço ao meu Orientador, Prof. Fernando B. Manier, D. Sc., pela paciência,


presteza, dedicação, preciosa orientação e principalmente por ter aceitado este desafio junto
comigo.

Agradeço ao LATEC/UFF, pela oportunidade que me foi concedida na busca pelo


conhecimento e melhoria contínua pessoal e profissional.
16

“Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o
mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro,
por experiência, que é o mais amargo.”
Confúcio
17

RESUMO

Entre os diferentes tipos de Auditoria Ambiental, as Auditorias de Sistemas de Gestão


Ambiental são atualmente as mais conhecidas e divulgadas no mundo, em conseqüência do
sucesso da adoção pelas organizações da norma ISO 14001. Outro tipo de Auditoria
Ambiental amplamente realizada é a Auditoria de Conformidade Legal, em que é verificado o
atendimento à Legislação Ambiental aplicável. No Brasil há farta legislação Federal, Estadual
e Municipal tornando a citada auditoria obrigatória, muitas vezes como parte integrante do
Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras. Importante instrumento de gestão
ambiental, produzindo informações importantes para as decisões gerenciais, as auditorias
compulsórias, embora previstas em diversos diplomas legais, carecem de regulamentação em
grande parte dos casos. Em outros casos, embora regulamentadas, nota-se que não atingem
seus objetivos, quer seja por qualificação inadequada dos auditores, quer seja por falta de
funcionários em qualidade e/ou quantidade suficientes dos órgãos ambientais para analisarem
seus relatórios. Nesta dissertação são abordadas as interfaces entre os dois tipos de auditoria
citadas, bem como a utilidade da auditoria de conformidade legal para o Sistema de Gestão
Ambiental. Foco especial é dado ao estudo das causas do “não atingimento” dos objetivos das
auditorias ambientais de conformidade legal exigidas por lei. A falta de estrutura e recursos
(inclusive humanos) dos Órgãos Ambientais para exigir a execução e avaliar os resultados das
auditorias de conformidade legal, a falta de critérios claros para formação do auditor e
composição da equipe auditora e a escassez de profissionais adequadamente qualificados no
mercado são os principais óbices ao sucesso das citadas auditorias.

Palavras-chave: Meio Ambiente. Gestão Ambiental. Direito Ambiental. Auditoria Ambiental.


Conformidade Legal. ISO 14001.
18

ABSTRACT

There are different kinds of Environmental Audit, The Environmental Management System
Audits are the most notorious one and the most known around the world one, due to the
success of the organizatin's adoption of the ISO 14001 standard. Another kind of
Environmental Audit that is wide accomplished is the Compliance Audit, that verifies if the
applicable Environmental Legislation is beeing respected. In Brazil there is extensive federal,
state and municipal legislation that make the cited Audit obligatory, in many times it is an
integrant part of the Pollutioner Activity Permission System. These compulsory audits are an
important instrument of the environmental management, producing important information to
the management decisions. Although many legal documents demand it, there is a lack of
regulamentation in most cases. In other cases, although it is regulamented, it is noticed that it
doesen't achieve it's objectives, due to the inadequate qualification of the auditors, or due to a
lack of qualified servants of the environmental agencies to analyse their written reports. In
this dissertation we will try to approach the interfaces between both kinds of audit cited, as
well as the utility of the compliance audit for the Environmental Management System. Special
focus will be given to the research of the causes of the failure in achieving the legal objectives
of the environmental compliance audits. The lack of structure and resources (including human
resources) of the Environmental Agencies to demand the accomplishment and evaluate the
results of the Compliance Audits, the lack of unequivocal criterion for the graduation of the
auditor, as well as the lack of unequivocal criterion for the composition of the audit team, the
lack of adequately qualified professionals at the market are the most important annoyance to
the success of the cited audits.

Key-Words: Environmental. Environmental Management. Environmental Legislation.


Environmental Audit. Compliance. ISO 14001.
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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas

CB 38 Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental

CCPA Canadian Chemical Producers Association

CECA Comissão Estadual de Controle Ambiental

CFC Cloroflurocarbono

CNAT China National Auditor and Training Accreditation Board

CNUMAD Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente

DDT Dicloro Difeniltricloroetano

EMAS Eco Management and Audit Scheme

EPA Enviromental Protection Agency

FEEMA Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (RJ)

FEMA Fundação Estadual de Meio Ambiente (MT)

GLP Gás Liquefeito de Petróleo

IATCA International Auditor and Training Certification Association

IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

IAF International Accreditation Forum

IAP Instituto Ambiental do Paraná

INMETRO Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial

IRCA International Register of Certificated Auditors

JRCA Japanese Registration of Certified Auditors

ISO International Organization for Standardization

MIC Metil isocianato


20

MMA Ministério do Meio Ambiente

NBR Norma Brasileira Registrada

ONU Organização das Nações Unidas

POP Poluente Orgânico Persistente

PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

PPM Parte por milhão

RAB Registrar Accreditation Board

SAC Singapore Accreditation Council

SBAC Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade

SC 1 Subcomitê de Sistemas de Gestão Ambiental

SGA Sistema de Gestão Ambiental

SISNAMA Sistema Nacional do Meio Ambiente

SLAP Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras

TCDD Tetracloro dibenzeno dioxina

UNESCO United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization


21

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................................. 11
1.1 APRESENTAÇÃO.............................................................................................. 11
1.2 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO.......................................................................... 12
1.3 OBJETIVOS........................................................................................................ 12
1.4 JUSTIFICATIVAS............................................................................................... 13
1.5 HIPÓTESES DO TRABALHO............................................................................ 14
1.6 ORGANIZAÇÃO DO TEXTO............................................................................ 14

2 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................................. 16
2.1 HISTÓRICO DA QUESTÃO AMBIENTAL...................................................... 16
2.2 DIFERENÇAS ENTRE AUDITORIA AMBIENTAL DE CONFORMIDADE
LEGAL E AUDITORIA DO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL.............. 34
2.3 EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL............................................... 36
2.4 PONTOS DE DESTAQUE DA LEGISLAÇÃO ESTADUAL E FEDERAL
REFERENTE ÀS AUDITORIAS AMBIENTAIS COMPULSÓRIAS............... 38
2.5 DIVULGAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE AUDITORIA
AMBIENTAL....................................................................................................... 51
3 ANÁLISE DOS OBJETIVOS DOS DIFERENTES DIPLOMAS LEGAIS
REFERENTES À AUDITORIA AMBIENTAL COMPULSÓRIA............... 52
3.1 A LEI DO ÓLEO E A RESOLUÇÃO CONAMA 306/02................................... 52
3.2 O ESTADO DO RIO DE JANEIRO.................................................................... 53
3.3 O ESTADO DE MINAS GERAIS....................................................................... 54
3.4 O ESTADO DO ESPÍRITO SANTO................................................................... 54
3.5 O ESTADO DO PARANÁ................................................................................... 55
3.6 O ESTADO DE MATO GROSSO....................................................................... 56
3.7 O ESTADO DE SÃO PAULO............................................................................. 56
3.8 CONSIDERAÇÕES.............................................................................................. 57

4 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL E A NBR ISO 14001....................................... 59


4.1 BENEFÍCIOS DA IMPLEMENTAÇÃO DE UM SISTEMA DE GESTÃO
AMBIENTAL........................................................................................................ 59
4.2 AUDITORIAS COMPULSÓRIAS E O MONITORAMENTO DO
ATENDIMENTO À LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PREVISTO NA NBR ISO
14001..................................................................................................................... 63

5 AUDITORIAS AMBIENTAIS E O CONHECIMENTO SOBRE A


LEGISLAÇÃO AMBIENTAL: NECESSIDADES E
CONSEQÜÊNCIAS............................................................................................ 67
5.1 AUDITORIAS DE SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL E A
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL............................................................................. 67

5.2 RESPONSABILIDADE LEGAL DOS AUDITORES AMBIENTAIS............... 70

6 FORMAÇÃO DE AUDITOR AMBIENTAL DE CONFORMIDADE


LEGAL: PROPOSTA DE CURSO................................................................... 75
6.1 JUSTIFICATIVA................................................................................................. 75
22

6.2 CONCLUSÕES E PROPOSTA............................................................................ 82


7 FRAGMENTOS DE ENTREVISTAS............................................................... 83
7.1 APRESENTAÇÃO................................................................................................ 83
7.2 ENTREVISTAS.................................................................................................... 84
7.3 RESULTADOS DAS ENTREVISTAS................................................................ 86

8 CONCLUSÕES................................................................................................... 88

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................. 91
ANEXO 1 ................................................................................................................. 96
23

1. INTRODUÇÃO

1.1. APRESENTAÇÃO

Muito mais que apenas uma exigência legal em alguns estados, as auditorias
ambientais de conformidade regulatória (ou de conformidade legal, segundo o conceito
apresentado no item 2.2 do referencial teórico) podem ser eficientes instrumentos de gestão
ambiental, fornecendo informações fundamentais à prevenção da poluição e à conformidade
com a legislação ambiental aplicável às atividades das empresas.
Não obstante os benefícios supracitados, a auditoria ambiental de conformidade
regulatória já é requisito integrante do SLAP – Sistema de Licenciamento de Atividades
Poluidoras, em alguns estados.
Diferentemente das auditorias de Sistemas de Gestão Ambiental, assunto já bastante
discutido e sobre o qual já se reúne considerável literatura e produção científica, as auditorias
legais são ainda tema ainda pouco explorado pela comunidade acadêmica.
O mercado (e as empresas) têm sinalizado fortemente a carência por informações e por
profissionais que dominem o assunto e estejam qualificados para realizar estas auditorias.
Por outro lado, a sociedade – cada vez mais consciente e exigente – evoca
progressivamente os Princípios da Informação 1 e da Participação Popular2 na Gestão
Ambiental Empresarial (como parte interessada, considerando a comunidade circunvizinha ao
empreendimento) e Governamental (no estabelecimento de políticas públicas). A clareza com
que os relatórios destas auditorias, quando realizadas corretamente, transmitem estas
informações tem sido extremamente positiva a este processo.
Além das auditorias compulsórias, há o seguinte cenário na certificação de Sistemas
de Gestão Ambiental segundo a NBR ISO 14001:
Em julho de 2001, conforme o documento “Interpretação NBR ISO 14001 (1996)”,
elaborado pelo CB-38, Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental, da ABNT – Associação
Brasileira de Normas Técnicas, aprovado pelo TC 207 da ISO na reunião de Kuala Lumpur,
resolução ISO/TC207/SC1/16/2001 e ratificado pelo INMETRO no âmbito do SBAC
(Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade), através de carta circular n° 019, o
cumprimento da legislação ambiental passou a ser obrigatório para as empresas certificadas
conforme a NBR ISO 14001.

1 “No nível nacional, cada indivíduo deve ter acesso adequado a informações relativesrelativas ao meio ambiente
de que disponham as autoridades públicas, inclusive informações sobre materiais e atividades perigosas em suas
comunidades” – Declaração do Rio de Janeiro/92 – Princípio 10
2 “O Direito Ambiental faz os cidadãos saírem de um estatuto passivo de beneficiários, fazendo-os partilhar da
responsabilidade na gestão dos interesses da coletividade inteira” (Machado, 20010)
24

Embora pareça redundante, tal interpretação vem desde então causando grandes
modificações nos Sistemas de Gestão Ambiental certificados. Isto porque antes de este
documento ser emitido, a NBR ISO 14001:1996 não oferecia um requisito que exigisse
claramente o cumprimento da legislação ambiental. As empresas alegavam que o
“compromisso com o cumprimento da legislação ambiental”, previsto no requisito 4.2 (c) da
norma3, poderia ser evidenciado através de planos de ação para corrigir as não-conformidades
legais e atingir os padrões estabelecidos pela legislação. Em outras palavras: “estar
comprometido em atender” não significava que estivesse atendendo plenamente.
Na prática, as empresas desde então passaram a realmente cumprir a legislação
ambiental, e a implementar o disposto no requisito 4.5.1 – Monitoramento e medição 4-
realizando auditorias internas para verificar o cumprimento da legislação ambiental. Passaram
então a realmente realizar auditorias ambientais de conformidade regulatória para produzir
evidências objetivas do cumprimento da legislação.
Fato é que as auditorias ambientais de conformidade legal podem ser utilizadas para
atendimento ao requisito normativo acima citado, caso o Sistema de Gestão Ambiental
preveja esta situação.

1.2. DELIMITAÇÃO DO ESTUDO

O presente estudo considerou a legislação federal e estadual vigentes ao momento de


sua publicação (dezembro de 2004), não pretendendo analisar mandamentos legais em nível
municipal. Foram consideradas também as normas da série ISO 14000 vigentes à época.
Durante a elaboração desta dissertação foi publicada a nova ISO 14001:2004. As
modificações advindas desta revisão serão comentadas ao longo do texto, onde pertinente.

1.3. OBJETIVOS

O propósito principal do presente estudo é estudar os motivos de as auditorias


ambientais compulsórias não estarem atingindo efetivamente seus objetivos. Para tanto, serão
apresentadas hipóteses que serão descartadas ou validadas ao discorrer da dissertação, com

3 Segundo a ISO 14001, a política ambiental deve incluir um comprometimento em atender aos requisitos legais
aplicáveis.
4 Segundo o requisito 4.5.1 da ISO 14001:1996, a empresa deve monitorar periodicamente o atendimento à
legislação ambiental aplicável.
25

base, entre outras fontes, em pesquisas semi-estruturadas com os diferentes atores do cenário
de auditorias ambientais de conformidade legal compulsórias.

O propósito secundário é mostrar como o sistema de gestão ambiental (SGA) proposto


pela norma ISO 14001 pode ajudar na promoção da realização de auditorias compulsórias. Há
inegáveis pontos de contato entre a ISO 14001 e as auditorias compulsórias (ter um SGA
promove o atendimento à legislação, inclusive aos diplomas legais que exigem auditorias de
conformidade legal). Além disso, estas auditorias podem ser úteis para o monitoramento do
atendimento à legislação ambiental do requisito 4.5.1 da ISO 14001:1996, Monitoramento e
Medição, que, em seu terceiro parágrafo estabelece: “A organização deve estabelecer e manter
um procedimento documentado para avaliação periódica do atendimento à legislação e
regulamentos ambientais pertinentes.”

1.4. JUSTIFICATIVAS

Com a revisão da ISO 14001, publicada em 15 de novembro de 2004, o terceiro


parágrafo da seção 4.5.1 – Monitoramento e medição, que versa sobre o monitoramento do
atendimento à legislação aplicável aos aspectos ambientais ganhou maior importância, ao ser
alocado em uma nova seção, única, para o assunto. Será a nova seção 4.5.2, Avaliação do
atendimento aos requisitos legais e outros. Com isso, as auditorias ambientais de
conformidade legal, que são uma maneira de atender ao citado requisito, assumem maior
importância para as organizações com Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001.
Além dessa auditoria não compulsória, enquanto visando atender ao requisito da ISO
14001, uma norma de adoção voluntária, há no Brasil diversos textos de diplomas legais
tornando as auditorias de conformidade legal obrigatórias e exigíveis pelo Órgão Ambiental
por ocasião do processo de licenciamento ambiental. Isso significa que, onde aplicável, ou
seja, nos casos em que há previsão em documento legal, a realização destas auditorias é
requisito para obtenção ou renovação da licença ambiental, conferindo uma grande
importância às mesmas enquanto instrumento integrante do SLAP – Sistema de
Licenciamento de Atividades Poluidoras.
26

1.5. HIPÓTESES DO TRABALHO

As principais hipóteses deste trabalho são:

• A qualificação adequada dos auditores, a definição de critérios claros


para formação da equipe auditora e a definição de procedimentos para a
realização da coleta de evidências no campo são fatores críticos de sucesso para
as auditorias de conformidade legal;
• A exigência da realização das auditorias de conformidade legal e a
competente análise de seus relatórios por parte dos Órgãos Ambientais depende
do fornecimento de recursos e de estrutura adequada aos mesmos, inclusive
qualificação e contratação de pessoal;
• A Falta de regulamentação das leis que instituem as auditorias
compulsórias é um óbice à sua implementação.

1.6. ORGANIZAÇÃO DO TEXTO

Esta pesquisa, devido à complexidade do tema, apresenta nove capítulos, sendo este o
capítulo 1, onde foi apresentado o problema abordado, delimitação do estudo, os objetivos da
pesquisa, a justificativa para a escolha deste tema e as hipóteses de trabalho.
No capítulo 2, é apresentado o referencial teórico desta pesquisa. Este capítulo está
dividido em cinco partes: histórico da questão ambiental, diferenças entre auditoria ambiental
de conformidade legal e auditoria do sistema de gestão ambiental, evolução da legislação
ambiental, análise da legislação estadual e federal referente às auditorias ambientais
compulsórias e divulgação das informações sobre auditoria ambiental.
No capítulo 3 é feita uma análise detalhada dos objetivos dos diferentes diplomas
legais referentes à auditoria ambiental compulsória. Esse capítulo contém os seguintes itens:
a lei do óleo e a Resolução Conama 306/02, o estado do Rio de Janeiro, o estado de Minas
Gerais, o estado do Espírito Santo, o estado do Paraná, o estado de Mato Grosso, o estado de
São Paulo e avaliação crítica.
No capítulo 4 são apresentados os benefícios da implementação de um sistema de
gestão ambiental. Esse capítulo contém os seguintes itens: entendendo o que é gestão
ambiental, fases da gestão ambiental e objetivos do sistema de gestão ambiental.
27

No capítulo 5 são abordadas as auditorias compulsórias e o monitoramento do


atendimento à legislação ambiental da NBR ISO 14001.
No capítulo 6 é tratada a questão da Responsabilidade Legal dos auditores ambientais.
Esse capítulo contém os seguintes itens: responsabilidade civil de auditores, responsabilidade
penal de auditores, responsabilidade administrativa de auditores e recomendações aos
auditores.
No capítulo 7 é apresentada a importância do conhecimento da legislação ambiental
na realização de auditorias de sistemas de gestão ambiental.
No capítulo 8 é apresentada uma proposta para a formação de auditor ambiental de
conformidade legal.
No capítulo 9 são apresentados os pontos mais relevantes de entrevistas realizadas
com auditores e funcionários de Órgãos Ambientais.
A conclusão e propostas para trabalhos futuros são apresentadas no capítulo 10.
O texto será concluído com as referências bibliográficas consultadas e o Anexo I,
contendo um quadro comparativo entre os diferentes diplomas legais que estabelecem
auditorias compulsórias.
28

2. RERENCIAL TEÓRICO

2.1. HISTÓRICO DA QUESTÃO AMBIENTAL

Iniciaremos este capítulo citando as lições dos Profs. Haroldo Mattos de Lemos e
Fernando Manier:

Em sua evolução, o Homem tornou-se a forma dominante de vida na Terra,controlando outras espécies
animais e vegetais e desenvolvendo uma tecnologia que lhe permite alterar, cada vez mais rápida e
poderosamente, o ambiente em que vive. Em virtude do desenvolvimento obtido, o ser humano, antes
apenas um entre os vários organismos integrantes da biosfera, assumiu o papel de interventor na
Natureza, explorando exaustivamente os recursos naturais e deteriorando a qualidade do meio ambiente.
O processo, de certa forma inevitável, realizou-se de maneira predatória, desordenada, sem uma
preocupação permanente com possível advento da escassez dos recursos naturais. Daí, a deterioração da
qualidade do meio ambiente e, portanto, da qualidade da nossa vida na biosfera. (LEMOS, 2001, p. 1)

Durante os primeiros tempos da evolução do homem, o impacto ambiental era praticamente inexistente.
Eram tribos nômades em constante migração para as áreas virgens, possibilitando, naturalmente, a
reconstituição do habitat antigo. O aumento constante da população, as mudanças sociais, a criação
racional de animais e a capacidade crescente do homem em assumir o desenvolvimento de técnicas
agrícolas que permitiam maior rendimento forjaram a forma de vida sedentária, com a exploração
permanente do seu entorno. (MAINIER, 2001 ,p.1 )

Historicamente, a percepção pública negativa com relação aos acidentes ambientais


vem exercendo importante papel na melhoria do desempenho ambiental da indústria, que
busca melhoria ou redenção de sua imagem.
Neste sentido, Souza (2002, p. 48) afirma que:

o crescente aumento de conscientização da sociedade em prol da conservação ambiental vem


acarretando pressões de entidades não governamentais e de comunidades (terceiro setor) sobre as
empresas, através de dispositivos legais ou econômicos para que assumam a responsabilidade pelas
emissões, efluentes e resíduos gerados em seus processos produtivos.

Segundo Manier in Tecnologias Limpas: um Direito da Sociedade, a mídia, no dia-a-


dia, tem sido capaz de denunciar, vigorosamente, ao grande público, embora em curtos
espaços de tempo, contaminações e derramamentos.
Além disso, a opinião pública pressiona por políticas públicas, que por sua vez
definidas levam à criação de legislação específica, como será demonstrado a seguir.
29

Com a Revolução Industrial, em 1750, houve uma série de profundas mudanças no


modo de organização da sociedade até então existente. Inovações como a máquina a vapor, o
tear mecânico, a locomotiva e o barco a vapor mudaram completamente os modos de
produção vigentes. As pessoas passaram a buscar oportunidades de emprego nas cidades, e o
modo de produção artesanal foi gradativamente substituído pelas manufaturas.
Como conseqüência da explosão populacional (vide fig. 1), da industrialização – que
ganhou força a partir do final da Segunda Grande Guerra (1948) e de uma acelerada
urbanização, a deterioração do meio ambiente passou a produzir efeitos diretos e claramente
identificáveis sobre as comunidades.
Para ilustrar a magnitude dessas mudanças, é necessário observar que a produção
industrial hoje é 7 vezes maior que a dos anos 50, e que, se em 1900 a população urbana do
mundo era inferior a 1/3 da população rural, em 2000 a população urbana já é bem maior que
a rural.

Figura 0.1 – Evolução populacional mostrando tendência exponencial


Fonte: Adaptado de Lemos, 2001.

O período de crescimento dos efeitos impactantes ao meio ambiente é marcado


historicamente por eventos significativos dos quais foram selecionados os que se seguem.

No período de 1945 a 1962 foram anunciadas 423 detonações nucleares, que


aconteceram nos Estados Unidos, União Soviética, Grã-Bretanha e França.
Em 1948, em Donora, Pensylvania, houve um incidente típico de poluição industrial
do ar, causado pelas emissões das indústrias siderúrgicas locais que afetou 47% da população
da região.
30

Em 1952, em Londres, aconteceu o fenômeno da inversão térmica – causada pela


queima de carvão para o aquecimento das casas, as indústrias e os veículos movidos a
derivados do petróleo. Provocou uma grande elevação dos índices de poluição do ar durante
dias seguidos. Estima-se que 4000 pessoas morreram em conseqüência (Lemos, 2001).

Figura 0.2 – Mortes por dia e níveis de poluição durante a inversão térmica em
Londres, em dezembro de 1952.
Fonte: Adaptado de Lemos, 2001.

Também em 1952, na Austrália, a menos de 3000 quilômetros dos testes nucleares


realizados pela Inglaterra, aconteceu chuva de granizo com indicações de presença de
radioatividade.
Em 1953, houve ocorrência de chuva ácida em Nova York. Possível causa: testes
nucleares realizados em Nevada.
Em 1954, houve um teste com uma bomba de hidrogênio, codinome Bravo, realizado
pelos Estados Unidos sobre o atol de Bikini, no Pacífico Ocidental. A quantidade de
partículas espalhadas foi o dobro da esperada e a mudança dos ventos levou as cinzas
radioativas em direção às Ilhas Marshall, ao invés de levá-las para o oceano conforme o
planejado. Houve contaminação de cerca de 18 mil quilômetros quadrados de oceano, gerada
31

por uma nuvem radioativa de aproximadamente 410 quilômetros de extensão e 75


quilômetros de largura. Duas semanas depois do teste, a traineira japonesa Fukuryu Maru nº
5, que pescava atum próximo à área do teste Bravo, tinha 23 de seus tripulantes com doenças
de radiação ao chegar ao porto. Peixes que chegaram posteriormente ao Japão, pescados na
mesma região, também estavam contaminados. Esse episódio gerou uma campanha extensa
de repúdio a teste nucleares com participação inclusive de Albert Einstein.
Já em 1956, a inversão térmica se repete em Londres, embora com menor intensidade,
provocando o “Clean Air Act” (Decreto do Ar Limpo) que, entre outras medidas, proibiu o
aquecimento das casas com carvão e obrigou as indústrias a adotarem medidas de controle da
poluição do ar.
Em 1956, são registrados casos como disfunções neurológicas em famílias de
pescadores e em gatos e aves que se alimentavam de peixes da baía de Minamata, no Japão. A
contaminação vinha acontecendo desde 1939, quando uma indústria química se instalou nas
margens da Baía e, por diversos anos, despejou, na baía, catalisadores gastos. Foram
confirmadas altas concentrações de mercúrio em peixes e em moradores, que morreram
devido à chamada "Doença de Minamata". Desastres similares foram observados em vários
outros locais, como por exemplo Mitsui, Niigata e Yokkaichi. Como resultado desses
incidentes, mais de 450 campanhas anti-poluição foram lançadas no Japão até 1971. (Lemos,
2001)

Fernando Mainier, em Os Acidentes Químicos e os Processos Produtivos,(2001, p.5),


analisando a dimensão destes eventos, afirma:

Foi estimado que, no período de 1932 a 1968, foram despejados cerca de 27 toneladas de compostos de
mercúrio. Por volta de 1956, muitas pessoas apresentavam espasmos nos músculos, delírios, náuseas e
dificuldades de caminhar. Gatos que comiam peixes tinham convulsões e rolavam na praia, enquanto as
gaivotas não alçavam vôo e caíam no mar.
Cerca de 3.000 pessoas foram examinadas clinicamente, sendo que 798 foram identificadas como
portadoras de contaminações com mercúrio.
...

Cerca de 2000 vítimas receberam indenizações, que variavam entre 16 (US$ 116.800) e 18 milhões de
ienes (US$ 131.400), dependendo do grau de contaminação com mercúrio.
Estes fatos geraram a proibição de implantação de novas unidades industriais à base de células de
mercúrio na produção de cloro-soda, a partir de 1975, tanto no Japão quanto nos Estados Unidos.

Em 1962, a cientista Rachel Carson publicou o livro “Primavera Silenciosa”, onde


denunciava o desaparecimento de pássaros nos campos dos EUA, em conseqüência da
utilização do pesticida DDT (Dicloro Difeniltricloroetano) na agricultura. A publicação deste
32

livro causou uma enorme repercussão pública, tendo como conseqüência a proibição da
utilização do DDT na agricultura dos EUA e depois de vários países.
Também em 1962, foi assinado o Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares,
firmado por Estados Unidos, União Soviética e Grã-Bretanha. O tratado pôs fim aos testes
atmosféricos realizados nos três países.

Em março de 1967 naufragou o petroleiro Torrey Cânion, na costa do extremo


sudoeste da Inglaterra. Centenas de quilômetros da Costa da Comualha foram poluídos. Um
acontecimento local de dimensões globais.
Em 1968 foi realizada, em Paris, a Conferência sobre a Biosfera, da UNESCO. Ainda
neste ano foi criado o Clube de Roma, composto de cientistas de vários países, para “estudar
e propor soluções para os complexos problemas decorrentes da crescente pressão que a
explosão demográfica já exercia sobre o delicado equilíbrio dos ecossistemas do planeta e
sobre os recursos não renováveis”. Sua atuação pode ser dividida em 2 fases: a ecológica e a
social.
Durante o ano de 1969 ocorreram mais de mil derramamentos (de pelo menos 100
barris) de petróleo em águas americanas.
Em abril de 1970 mais de trezentos mil americanos participaram do "Dia da Terra".
Considerada a maior manifestação ambientalista da história, a comemoração rendeu inúmeras
manchetes e destaques em veículos de comunicação, que proclamaram o advento do
ambientalismo como uma questão pública fundamental.
Ainda no ano de 1970, foi assinado, pelo governo dos EUA, do NEPA – National
Environmental Policy Act, de 1969.
O Primeiro informe do Clube de Roma– “Os Limites do Crescimento” – foi publicado
em 1971, baseado num complexo modelo matemático mundial – demonstrava que se
continuassem, em longo prazo, as mesmas taxas de crescimento demográfico, industrialização
e de utilização de recursos naturais, inevitáveis efeitos catastróficos ocorreriam em meados do
próximo século (fome, escassez de recursos naturais, altos níveis de poluição), com a redução
da produção industrial e de alimentos, culminando em uma incontrolável mortandade da
população. Recomendava imediata adoção de política de contenção de crescimento, visando
atingir um estado de equilíbrio o mais cedo possível, que seria planejado de forma que todas
as pessoas tivessem suas necessidades básicas atendidas e oportunidades iguais de realizar seu
potencial humano. Porém, esta política de “crescimento zero” foi imediatamente contestada,
principalmente pelos países subdesenvolvidos, pois entenderam que os condenaria a situação
33

de permanente subdesenvolvimento. Além disso, o modelo matemático foi contestado. O


ideal seria buscar políticas para evitar a catástrofe, mas sem condenar os países do terceiro
mundo ao subdesenvolvimento eterno.
Em 1971 a Reunião de Founeux, na Suíça, preparatória para a Conferência de
Estocolmo, foi realizada após a divulgação do informe “Limites do crescimento”, para
discutir meio ambiente e desenvolvimento, de onde surgiu o conceito de
“ecodesenvolvimento”, que previa um desenvolvimento baseado na potencialidade de cada
ecossistema, levando em conta a participação das populações locais, a redução dos
desperdícios e a reciclagem dos resíduos.
Em junho de 1972, em Estocolmo, Suécia, a Conferência das Nações Unidas foi
realizada. Reconheceu-se o direito fundamental do homem à liberdade, à igualdade e às
condições satisfatórias de vida, em ambiente cuja qualidade lhe permita viver com dignidade
e bem estar.
Essa reunião, que contou com representantes de 113 países, foi fundamental para
introduzir no universo jurídico internacional o conceito básico de direito ambiental. Os
princípios 21 e 22 da Declaração de Estocolmo estabeleceram a responsabilidade de cada país
pelos danos que as atividades, dentro de sua jurisdição, possam causar ao ambiente de outros
países.
Seguindo a linha dos relatórios do clube de Roma, preocupava-se com o crescimento
populacional, o aumento dos níveis de poluição e com o esgotamento dos recursos naturais.
Apesar do conceito de ecodesenvolvimento, a maioria dos países do terceiro mundo,
liderados pelo Brasil e pela Índia, encarou esta conferência das nações Unidas como uma
tentativa de frear o seu desenvolvimento, através do controle da poluição industrial.
Proclamavam que a fonte de seus problemas eram a pobreza e o subdesenvolvimento e
insistiam em que não poderiam permitir que a preocupação com as questões ambientais
interferissem em seus projetos desenvolvimentistas.
Segundo Lemos (2001, p.6),
... a maioria dos países subdesenvolvidos, incluído o Brasil, encarou essa Conferência das Nações Unidas
como uma tentativa de frear o seu desenvolvimento, através do controle da poluição industrial. A primeira
Ministra da Índia, Indira Gandhi, único Chefe de Estado presente à Conferência, durante seu discurso
cunhou uma frase que se tornou famosa: “O pior tipo de poluição é a pobreza.

Foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, com o
objetivo de coordenar as atividades de proteção ambiental dentro do sistema das Nações
Unidas e entre os vários países. O dia 5 de junho passou a ser celebrado como o Dia Mundial
do Meio Ambiente.
34

Uma das conclusões da Declaração de Estocolmo sobre o Meio Ambiente era que:
“Nos países em desenvolvimento, os problemas ambientais são causados, na maioria, pelo
subdesenvolvimento”.
Em seu Princípio 1, a citada declaração afirmava que “O homem tem direito
fundamental à liberdade, à igualdade e a adequadas condições de vida em ambiente que lhe
permita viver com dignidade e bem estar. É seu inalienável dever melhorar e proteger o meio
ambiente para as gerações atuais e futuras”.
Em 1973, foi publicado o segundo informe do Clube de Roma, “Momento de
Decisão”, que apresentava sua segunda fase: a social. Tentou-se corrigir as distorções do
primeiro modelo. Mas este modelo ainda apresentava muitos problemas. Seu fator mais
importante foi a energia, em função da crise mundial do petróleo.
Seus resultados não divergiram substancialmente dos do Primeiro Informe; indicava
um grande declínio da população mundial a partir de 2025, mostrando que as crises mais
prováveis, como a fome, tendiam a se manifestar primeiramente na Ásia. Em vez do
crescimento zero, propunha uma estratégia cooperativa para todos os países, orientada por um
plano global – o “Crescimento Orgânico”.
Nos anos de 1973 e 1974 o mundo enfrenta a primeira crise do petróleo. O fato serviu
para repensar o consumo desenfreado dos recursos naturais considerados até então, ilimitados.
Em 1974, pela primeira vez, os cientistas americanos Rowland e Molina chamam a
atenção para os perigos da destruição da camada de ozônio pelo cloro - flúor- carbono (CFC).
Em junho de 1974, em Flixborough, Inglaterra, aconteceu a explosão de ciclohexano
na Nypro. Morreram 28 trabalhadores e feriram-se outros 36, houve centenas de ferimentos
menores na população vizinha e danos materiais em 2.000 propriedades. Causa: modificação
temporária numa cadeia de reatores em série. Um dos reatores, ao ser removido para
manutenção, foi substituído por um trecho de tubulação que não suportou a temperatura e
pressão, e rompeu. Ainda, a fábrica armazenava 43 vezes a quantidade permitida de líquido
inflamável. (GUSMÃO & MARTINI JUNIOR, 2003)
Em julho de 1976, em Seveso, Itália, houve 220.000 feridos por vazamento de TCDD
(Tetracloro-dibenzeno-dioxina) da empresa ICMESA, do grupo farmacêutico HOFFMAN-LA
ROCHE. Causa: uma reação exotérmica elevou a temperatura e pressão no reator de produção
de triclorofenol, provocando a abertura da válvula de segurança com a emissão de TCDD para
a atmosfera, resultante da reação exotérmica, com área de influência de 18 km2. (GUSMÃO
& MARTINI JUNIOR, 2003).
35

Autoridades locais só foram informadas 29 horas após o acidente, e as medidas de


emergência, como evacuação da população das comunas vizinhas, só foram tomadas após 17
dias.
Em 1976, foi publicado o Terceiro Informe do Clube de Roma, “Para uma nova ordem
Internacional”. Este estudo mostrava que a relação média de renda dos países desenvolvidos
em relação aos subdesenvolvidos era naquela época de 13/1, considerada inaceitável em
virtude dos problemas que causaria no futuro.
O estudo concluía que, antes de serem atingidos os limites físicos do planeta (pelo
crescimento populacional, esgotamento dos recursos naturais e poluição), ocorreriam grandes
convulsões sociais, econômicas e políticas provocadas por este enorme desnível entre os
países.
Recomendava que esta diferença fosse reduzida em 4 décadas para 13/4, mais
aceitável, pois era naquele momento a taxa entre as regiões mais ricas e mais pobres da
Europa Ocidental. Para tanto, seria necessário:

• um esforço sustentado de crescimento dos subdesenvolvidos (5% de


crescimento per capita) contra um mais moderado (1,7%) dos desenvolvidos;
• um crescimento demográfico 0,1% inferior à previsão mais baixa nas
Nações Unidas;
• um crescimento da oferta de alimentos de 3,15% ao ano (contra 2,7%
da época).

Todavia, a distância entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos continuou a


aumentar, pois estas ações, entre outras, não foram implementadas.
Em 1980 foram detectados casos de problemas pulmonares, anomalias congênitas e
abortos involuntários em moradores da região do pólo petroquímico e siderúrgico de Cubatão,
Brasil.
Nos anos de 1980 e 1981 ocorreu no Brasil a criação da Política Nacional do Meio
Ambiente, que menciona o Estudo do Impacto Ambiental.
Em 1982 houve a comemoração de 10 anos da Conferência de Estocolmo, numa
Sessão especial do Conselho de Administração do PNUMA. Uma nova preocupação entrava
em cena: os problemas ambientais globais, que começavam a indicar que a economia global
(o nível das atividades humanas) já estava excedendo, em algumas áreas, a capacidade de
assimilação da biosfera. Ou seja, alguns resíduos das atividades humanas já ultrapassavam a
36

capacidade natural de autodepuração da biosfera e estavam se acumulando no ar (CO2,


CFC’s), nas águas (POP’s e mercúrio) e nos solos.
Portanto, à preocupação com o esgotamento das fontes de recursos naturais somava-se
a preocupação com os limites de absorção dos resíduos das atividades humanas, muito mais
difícil e mais complicados de se controlar.
Em 1983, proposta pelo Conselho de Administração do PNUMA, a Assembléia Geral
das Nações Unidas criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Esta
comissão, com o apoio de vários consultores internacionais e de reuniões e audiências
públicas em todos os continentes, analisou os vários aspectos da questão meio ambiente e
desenvolvimento (LEMOS, 2000):
1. crescimento populacional: projeções da ONU - por volta de 2110, a
população mundial se estabilizaria entre 14 e 8 bilhões de habitantes, o maior
problema é que mais de 90% do crescimento populacional vai ocorrer nos países em
desenvolvimento.
2. Crise urbana: nos países em desenvolvimento, tende a se agravar, em
virtude do mencionado acima.
3. Pobreza: reduz a capacidade das pessoas para usar os recursos naturais
de forma racional, levando-as a exercer maior pressão sobre o meio ambiente.
Paradoxo da pobreza: os que menos possuem gastam mais para poder sobreviver,
como por exemplo a mulher da África Subsaariana, que além de caminhar vários
quilômetros por dia para conseguir lenha, cozinha numa panela de barro ao ar livre e
consome oito vezes mais energia que a mulher de um país desenvolvido que cozinha
num fogão a gás em panelas de alumínio.
4. Disparidade entre níveis de consumo de recursos entre os países
industrializados e os em desenvolvimento: 25% da população mundial consomem
75% de toda a energia primária, 75% dos metais e 60% dos alimentos produzidos no
mundo.
5. Disponibilidade de água, para as atividades humanas, será um dos
problemas ambientais mais graves que vamos enfrentar no início do próximo século.

Em 1984 ocorreu o acidente de Bhopal, na Índia, deixando aproximadamente 3.800


mortos e 200.000 feridos por meio do vazamento de pesticidas, como o metil isocianato
(MIC) para a atmosfera, da fábrica de defensivos agrícolas da Union Carbide Índia Ltd. Foi
tido como o maior acidente da Indústria Química. Causas: reação exotérmica em um dos
37

tanques de armazenamento do MIC, aumentando temperatura e pressão no tanque até abertura


da válvula de segurança, lançando o gás para a atmosfera. Os dispositivos de segurança não
funcionaram:
1. O MIC deveria estar armazenado a 0ºC para prevenir reações químicas
fora de controle, mas o sistema de refrigeração havia sido desativado cinco meses
antes do acidente;
2. O alarme de temperatura alta não havia sido corrigido para a nova
condição de armazenamento;
3. A torre de lavagem de gás, que absorveria o MIC aliviado pela válvula
de segurança, estava desativada há seis semanas;
4. O flare que queimaria o gás que passasse pela torre de lavagem estava
fora de operação para manutenção.

Investigações realizadas após o acidente no tanque de armazenamento de MIC


encontraram contaminação de água e uma concentração elevada anormal de clorofórmio,
provavelmente por um erro operacional em uma coluna de destilação de MIC.
A provável causa do acidente foi a entrada de água no tanque de armazenamento de
MIC. Estes dois compostos reagem exotermicamente. O calor da reação vaporizou cerca de
60% do MIC armazenado. Não foi esclarecido como a água entrou no tanque. (GUSMÃO &
MARTINI JUNIOR, 2003).
No dia 18 de novembro de 1984, no México, ocorreram explosões sucessivas de
tanques e botijões de GLP, causadas pelo vazamento em um dos tanques. O acidente destruiu
completamente as instalações da refinaria, lançando partes metálicas e gotículas
incandescentes de GLP a distâncias de até 800 metros. Aproximadamente quinhentas pessoas
morreram e cerca de 7000 foram feridas.
Ainda em 1984, em Vila Socó, Cubatão, houve um incêndio provocado por vazamento
de hidrocarbonetos líquidos, causando 500 mortes.
Também em 1984 foi publicado o Statement of Responsible Care and Guiding
Principles, pela CCPA (Canadian Chemical Producers Association), contendo princípios
específicos que propõem para o setor químico a gestão responsável do processo de produção
em todo o ciclo de vida do produto, dando ênfase à proteção da saúde humana, da segurança
industrial, do meio ambiente e da segurança do produto.
38

A partir de 1985, no Brasil, a política oficial de meio ambiente é executada pelo


Sisnama; CONAMA e, em nível técnico, pelo Ibama, além de instituições estatais
subordinadas.
Em 1986, a resolução número 1/86, do CONAMA, torna obrigatória a Análise de
Impactos Ambientais, para atividades específicas.
No mesmo ano, ocorreu o acidente na Usina de Chernobyl, na URSS. Durante a
realização de testes, o sistema de refrigeração foi desligado com o reator ainda em
funcionamento, o equipamento esquentou e explodiu. O incêndio do reator durou uma
semana, lançando na atmosfera um volume de radiação cerca de 30 vezes maior do que a
bomba atômica de Hiroshima. A radiação espalhou-se, atingindo vários países europeus e até
mesmo o Japão. Há previsão de que cerca de 100.000 pessoas sofrerão danos genéticos ou
terão problemas de câncer devido a esse acidente nos 100 anos seguintes. Por toda a Europa,
houve problemas na lavoura e na pecuária, tornando verduras, legumes e leite impróprios para
o consumo.
Em 1987, aconteceu a entrega do relatório final da Comissão Mundial sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento, da ONU, presidido pela primeira-ministra da Noruega, Gro
Harlem Brundtland – “Nosso Futuro Comum” – fez um diagnóstico da crise planetária,
documentando os desequilíbrios que afligiam o mundo, o avanço da deterioração do meio
ambiente. Apontava como única maneira viável de assegurar um futuro com qualidade de
vida a conciliação possível entre o desenvolvimento e a proteção dos recursos naturais e do
meio ambiente. Apresentou então o conceito de “Desenvolvimento Sustentável”, como sendo
“aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das
gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”. (LEMOS, 2000)
O desenvolvimento sustentável, além da questão ambiental tecnológica e econômica,
tem uma dimensão cultural e política.
Na realidade, para que se alcance o desenvolvimento sustentável, o indicador mais
importante a ser levado em conta, procurando sempre minimizar o resultado, é o produto da
equação:
População x Consumo de Recursos per capita, que representa o fluxo total de
recursos da biosfera para o subsistema econômico, e que retorna à biosfera sob a forma de
resíduos.
Também em 1987 foi assinado o Protocolo de Montreal sobre substâncias que
destroem a camada de ozônio.
39

No mesmo ano, em Goiânia, Brasil, houve o acidente com Césio 137, contaminando
dezenas de pessoas. Uma cápsula de Césio 137, pesando entre 600 a 800 kg, desapareceu do
Instituto Goiano de Radioterapia (o Instituto se mudara e abandonara alguns aparelhos de
radioterapia) e foi vendido a um ferro-velho como sucata . Ao tentar quebrar a cápsula, o
dono do ferro-velho acabou liberando o pó radioativo, atingindo sua família e pessoas que
freqüentavam o local. Em poucos dias, quatro pessoas morreram vítimas do Césio, os
especialistas acreditam que o número de pessoas que morreram ou adoeceram em
conseqüência do acidente tenha sido bem maior.
Em 1989, no Alasca, o petroleiro Exxon Valdez, depois de uma colisão em rochas
submersas que causou um rasgo no casco, derramou 40.000 metros cúbicos de petróleo. No
acidente, morreram, aproximadamente, 260.000 aves, 20 baleias, 200 focas e 3.500 lontras do
mar. Até hoje são estudadas as conseqüências do acidente sobre a fauna e flora marinha da
região atingida. (GUTBERLET, 1996)
Segundo Mainier (2001), o vazamento do Petroleiro Valdez foi um dos maiores
desastres ecológicos da história, afetando a vida de 40.000 pessoas e dezenas de espécies
animais.
Até março de 1990, as indenizações e gastos com limpeza assumidos pela Exxon já
acumulavam mais de 2 bilhões de dólares. Ainda em 1990, aconteceu a adoção da "atuação
responsável" pela Abiquim (Brasil). Também em 1990, o presidente da empresa americana
Borjohn Optical Tecnology foi multado em US$ 400.000,00 e preso por 26 meses pela
emissão de substâncias tóxicas no esgoto local. Sua empresa ficou inelegível para contratos
com o governo. (GUTBERLET, 1996)
Em 1992, foi realizada a Conferência do Rio de Janeiro, CNUMAD (Conferência das
Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento), mais conhecida como “ECO-92”
ou “Cúpula da Terra”, realizada entre os dias 3 e 14 de junho, foi a mais importante
negociação multinacional já realizada pela humanidade, para tratar de assuntos tão complexos
e abrangentes. Houve dois eventos principais, com um total de mais de 30 mil pessoas:

1. Conferência da Nações Unidas (Governamental), com cerca de 178


países e 112 Chefes de Estado;
2. Fórum Global, uma conferência paralela dos setores independentes.

Visou discutir as conclusões e propostas do relatório Brundtland e comemorar os 20


anos da Conferência de Estocolmo. Reafirmou os grandes princípios elaborados na
40

Conferência de Estocolmo e aprovou um Plano de Ação, conhecido como “Agenda 21”, uma
Declaração de Princípios, a Declaração do Rio, e as Convenções da Biodiversidade e das
Mudanças Climáticas.

Seus principais resultados foram:

I Recomendação para criação, junto à ISO, de um grupo para elaboração de normas de


gestão ambiental. Como conseqüência, em 1993 a ISO estabeleceu o Comitê Técnico 207 -
Gestão Ambiental (TC 207) para desenvolver a série de normas internacionais de gestão
ambiental, a exemplo do que já vinha sendo feito pela ISO 9000 na Gestão da Qualidade. Em
1996 seria então publicada a ISO 14001.
II Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ou Carta da
Terra). É um documento sem força legal, formado por 27 princípios básicos, e tinha como
objetivo estabelecer uma nova e justa parceria global, através da criação de novos níveis de
cooperação entre os Estados, os setores mais importantes da sociedade e a população. Assim
como aconteceu com a declaração das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos, esperava-se
que os Governos que aprovaram a Declaração do Rio se sentiriam com uma forte obrigação
moral de aderir aos seus princípios. Entre os princípios mais importantes estão:
a) Princípio 2:

Os Estados têm o direito soberano de explorar seus recursos, segundo suas próprias políticas ambientais
e de desenvolvimento, e a responsabilidade de assegurar que as atividades sob sua jurisdição ou controle
não causem danos ao meio ambiente de outros Estados. (repete o princípio 21 de Estocolmo, e foi
incluído também na Convenção sobre a Diversidade Biológica e na Declaração sobre Florestas);

b) Princípio 5:
Todos os Estados e todos os indivíduos... devem cooperar na tarefa de erradicar a pobreza, de forma a
reduzir as disparidades nos padrões de vida no mundo ...;

c) Princípio 7:
...considerando as distintas contribuições para a degradação ambiental global, os Estados têm
responsabilidades comuns porém diferenciadas. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade
que têm na busca internacional do desenvolvimento sustentável, em vista das pressões exercidas por suas
sociedades sobre o meio ambiente global e das tecnologias e recursos financeiros que controlam;

d) Princípio 13:
Os Estados devem desenvolver legislação nacional relativa à responsabilidade e indenização das vítimas
de poluição e outros danos ambientais.
29

III Declaração sobre Florestas – Previa a autonomia dos países em


desenvolvimento para a exploração sustentável dos seus recursos florestais e a eliminação
de barreiras comerciais para os produtos florestais explorados em bases sustentáveis. O
princípio 6 enfatiza que a função das florestas plantadas e das culturas agrícolas
permanentes, como fontes sustentáveis e ambientalmente corretas de energia renovável e
matéria prima industrial, deve ser reconhecida, melhorada e promovida. O Princípio 7
afirma que recursos financeiros específicos devem ser fornecidos aos países em
desenvolvimento que estabeleçam programas para a conservação de áreas significativas
de suas florestas.

IV Convenção sobre a Diversidade Biológica, cujos objetivos são a conservação e


o melhor conhecimento da diversidade biológica, o uso sustentável de seus componentes
e a divisão justa e eqüitativa dos benefícios alcançados pela utilização de recursos
genéticos (artigo 1). Define também os termos para que os países industrializados tenham
acesso ao material genético e outros recursos biológicos dos países em desenvolvimento,
e os termos através dos quais estes países terão acesso a tecnologias ambientais e novas
tecnologias desenvolvidas a partir de materiais e recursos encontrados em suas florestas
(artigos 15 e 16). O artigo 19 prevê que quando uma patente é gerada a partir de material
genético retirado dos países em desenvolvimento, o país que gerou a patente deve repartir
os lucros com o país em desenvolvimento.

V Convenção Quadro sobre Mudanças Climáticas – cujo objetivo é a


estabilização da concentração dos “gases estufa” (CO2, CH4, O3, CFC’s, NOx), em um
nível que possa prevenir as perigosas interferências antropogênicas com os sistemas
climáticos (artigo 2°). A Convenção Quadro não é uma convenção completa, pois define
um conjunto de princípios gerais e obrigações a serem cumpridas, mas deixa para as
negociações subseqüentes o estabelecimento de metas específicas para a redução
quantitativa das emissões dos “gases estufa”.

“Os países devem proteger o clima... seguindo o princípio da equidade e de


acordo com suas responsabilidades comuns mas diferenciadas e respectivas
capacidades” (artigo 3.1). “As incertezas científicas não devem ser usadas como razão
para adiar medidas em áreas onde possam existir ameaças de danos sérios ou
irreversíveis” (artigo 3.2).
75

Os países desenvolvidos membros da Convenção devem fornecer recursos financeiros novos e


adicionais para atender aos custos totais acordados dos países em desenvolvimento para cumprir as
obrigações listadas no artigo 12.1... Devem também promover o gerenciamento sustentável dos sumidouros
(ex. florestas em crescimento, para CO2) e reservatórios (ex. florestas maduras) de todos os gases estufa não
controlados pelo Protocolo de Montreal.

A Convenção Quadro foi assinada por 155 países, no Rio de Janeiro.

VI Agenda 21 – é um amplo programa de ação com a finalidade de dar efeito


prático aos princípios aprovados na Declaração do Rio. Embora não tenha força legal, a
Agenda 21 contém um roteiro detalhado de ações concretas a serem adotadas pelos
governos, instituições das Nações Unidas, agências de desenvolvimento e setores
independentes, para iniciar o processo de transição na direção do desenvolvimento
sustentável.
A questão central discutida era a disponibilidade de recursos adicionais para que
os países em desenvolvimento, cuja maior prioridade era o desenvolvimento econômico
(para a redução da pobreza), iniciassem ações na direção do desenvolvimento sustentável.
Estimou-se, em 1992, que seriam necessários 60 bilhões de dólares por ano, até o ano
2000, somente para os países subdesenvolvidos retomarem seu desenvolvimento.
Considerando-se os gastos com a proteção ambiental, os recursos adicionais necessários
atingiriam 140 bilhões de dólares por ano.
Uma das poucas decepções da Rio-92 foi o não comprometimento dos países
industrializados com o nível desejado de recursos adicionais para os países do Terceiro
Mundo. A proposta para que os países ricos destinassem 0,7% do seu PIB para a ajuda
oficial ao desenvolvimento de seus vizinhos pobres acabou sendo aprovada, mas sem uma
data definida : “o mais cedo possível” foi a linguagem adotada.
Segundo Lemos (2000), outra possibilidade de recursos adicionais, em virtude da
nova situação geopolítica mundial, sem o fantasma iminente de uma 3ª Guerra Mundial,
seria destinar uma parcela dos gastos militares daquela época em atividades para reduzir a
pobreza dos países do Terceiro Mundo e induzir o processo de transição para o
desenvolvimento sustentável. A ONU estimava que, se fosse possível aplicar, durante 10
anos, 20% dos gastos militares de 1985, poderíamos praticamente eliminar a pobreza
absoluta no Terceiro Mundo.
76

Foram feitas algumas propostas também sobre impostos sobre poluição, como
taxas sobre a utilização de carvão ou imposto para emissão de CO².
Todavia, torna-se ineficiente discutir recursos adicionais para os países em
desenvolvimento sem discutir suas dívidas externas e o comércio internacional. Por causa
da dívida externa, os países em desenvolvimento pagaram, durante grande parte dos anos
80, 50 bilhões de dólares a mais por ano, aos países industrializados do que receberam
como financiamentos. Entre 1983 e 1989, o total de transferências de recursos do Sul para
o Norte foi de aproximadamente 241 bilhões de dólares. O que é incrível, entretanto, é
que, durante os anos 80, os países em desenvolvimento pagaram efetivamente 17% ao ano
de juros sobre suas dívidas externas, enquanto os países industrializados pagaram apenas
4% ao ano! (LEMOS, 2000)
O Comércio Internacional também é fundamental para o desenvolvimento global,
estando diretamente relacionado com a eqüidade e com a sustentabilidade da Biosfera.
Não faz sentido os países do Primeiro Mundo gastarem recursos em programas de
desenvolvimento para os países do Terceiro Mundo, se seus efeitos são anulados por
políticas de comércio internacional com efeitos negativos iguais ou superiores.
Na época da Rio 92 estimava-se que o custo para os países em desenvolvimento
das restrições ao acesso aos mercados dos países industrializados para seus produtos era
de 40 bilhões de dólares por ano, comparados com os aproximadamente 50 bilhões de
dólares doados anualmente como ajuda oficial ao desenvolvimento aos países pobres.
De acordo com Lemos (2000), as crescentes barreiras não alfandegárias contra as
exportações do terceiro mundo e o protecionismo nos países industrializados é uma
formidável barreira contra o desenvolvimento sustentável dos países do Terceiro Mundo.
Os subsídios agrícolas na Comunidade Européia e nos Estados Unidos inundam os
mercados mundiais com produtos agrícolas subsidiados, causando redução dos preços e
impedindo o acesso dos produtos dos países em desenvolvimento. Para obter os recursos
necessários em moeda forte (inclusive para pagar as suas dívidas externas), os países em
desenvolvimento são obrigados a aumentar sua produção, caindo em um círculo vicioso,
conhecido como “a armadilha de commodities”. Hoje, para comprar um trator, os países
do Terceiro Mundo vendem de três a quatro vezes mais madeiras que nos anos 70.
Em 1993, o Petroleiro Braer, durante uma tempestade com fortes ventos, chocou-
se contra rochas na Costa das Ilhas Shetland, no Reino Unido. Foram derramados
77

aproximadamente 80.000.000 de galões de óleo, duas vezes a mais do que o Exxon


Valdez.
Também em 1993 foi criado o EMAS - " Eco Management and Audit Scheme".
Em 1996 ocorreu a publicação da ISO 14001 como Norma Internacional.
Em 1997 foi redigido o Protocolo de Kyoto, através do qual os países industrializados
se comprometem a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 5% dos
índices de 1990, no período de 2008-2012 (5,2% em média). O Protocolo foi aberto para
assinatura em 1998 e entrará em vigor 90 dias após sua ratificação por pelo menos 55 países
membros da Convenção, incluindo os países desenvolvidos responsáveis por pelo menos 55%
do total das emissões de CO2 em 1990. Durante a elaboração desta dissertação, o Protocolo de
Kioto foi finalmente ratificado, após a adesão da Rússia, em novembro de 2004.
Em 1997 foi realizada a Rio + 5, evento que teve o objetivo de fazer um balanço
decorridos cinco anos da Rio 92.
Em janeiro de 2000 aconteceu um grande vazamento de 368 mil litros de solução de
cianeto de uma unidade industrial para tratamento de ouro, em Baia Mare, Hungria, para os
afluentes do rio Danúbio que cortam a Hungria, a Romênia e a Sérvia, resultando em uma
grande mortandade de peixes onde os teores de cianeto foram 700 vezes maiores que os
valores permitidos pelas normas ambientais. (MAINIER,2001)

Em 2002, em Johannesburgo, na África do Sul, foi realizada a Conferência Rio + 10,


com a proposta de retirar do papel as boas intenções descritas na agenda 21. Algumas grandes
metas foram definidas:

1. Ratificar o Protocolo de Kyoto


2. Alcançar uma redução significante do desflorestamento e das perdas de
diversidade biológica

O encerramento da Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável foi marcado


pela frustração. A conferência não avançou, em relação à Rio-92. Não foram definidos prazos,
nem metas de implementação de acordos. Na maioria dos temas, a declaração final prevê
vago compromisso dos Estados. A participação da sociedade civil, planejada para ser um
diferencial, no âmbito das cúpulas da ONU, se viu enfraquecida pelo formato do encontro e
78

pelo esquema de segurança da África do Sul. Durante o evento, a polícia reprimiu


manifestações de protesto. Houve inúmeras detenções de jornalistas e membros de ONGs.
A avaliação dominante é que o fracasso da Rio+10 se deve à postura dos EUA e da
maior parte dos governos, que não tiveram força, nem vontade política, para se contrapor à
geopolítica de Washington. O maior ganho é o aumento da articulação mundial de ONGs e
movimentos. A perspectiva socioambiental do planeta, porém, permanece inalterada.
Em 29 de março de 2003, um acidente causado pelo derramamento de 1,4 bilhão de
litros de efluente industrial, composto basicamente por licor de madeira e soda cáustica,
proveniente do rompimento da barragem de rejeitos da Fábrica Cataguazes de Papel,
localizada no Município de Cataguazes, Estado de Minas Gerais, afetou a qualidade das águas
dos rios Pomba e Paraíba do Sul, provocando, conseqüentemente, a interrupção do
fornecimento de água potável para uma população de aproximadamente 600.000 habitantes,
em 8 (oito) Municípios localizados no trecho norte e noroeste fluminense, e afetando a
produção de dezenas de indústrias daquelas regiões.
Em 28 de agosto de 2003 foi apresentado o Projeto de Lei 1834/2003, que visa tornar
a auditoria ambiental compulsória em nível federal, inserindo-a como um dos instrumentos da
Política Nacional de Meio Ambiente. Este projeto, se aprovado com o texto original, causará
uma grande repercussão no meio industrial, não só porque torna federal a exigência de
auditorias de conformidade legal como também ao dar-lhe o status de instrumento da Política
Nacional de Meio Ambiente, conferindo-lhe papel de grande importância em nosso
ordenamento jurídico ambiental.
Um dos motivos de sua proposição foi justamente o acidente de Cataguases,
conforme pode-se verificar do texto da própria “justificação” da mesma:

JUSTIFICAÇÃO

Propomos, com o presente projeto de lei, incluir entre os instrumentos da Política Nacional do Meio
Ambiente a realização periódica de auditoria ambiental nas instituições públicas e privadas cujas
atividades possam causar significativo impacto ambiental. Para isto, propomos a inclusão de um inciso no
artigo 9º e de um artigo 11-A na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, a qual “dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras
providências”.
...
Na grande maioria dos danos ambientais, verifica-se que houve negligência por parte das instituições
que os provocaram, no cumprimento da legislação, das normas, regulamentos e procedimentos técnicos
relativos à proteção do meio ambiente. A negligência geralmente decorre de descuido e desconhecimento
legal e técnico. Raramente é fruto de má-fé do infrator.
...
79

Com a realização obrigatória de auditorias ambientais, acidentes como o ocorrido em Cataguases, (grifo
nosso) onde um depósito de resíduos de fabricação de papel e celulose causou um enorme desastre
ambiental na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, deixarão de ocorrer. Com ela, serão identificadas
situações de risco e indicadas medidas preventivas que evitarão prejuízos e fatos de repercussão
embaraçosa para as próprias instituições auditadas. Os ganhos reverterão, pois, para toda a sociedade.
...
Estamos certos de que nossa iniciativa, se levada adiante, dotará a sociedade brasileira de um
instrumento preventivo contra acidentes evitáveis, desperdícios e crimes contra o meio ambiente e a saúde
pública. Será, também, de grande valia na colocação de nossos produtos no mercado internacional, mediante a
garantia de que resultaram de procedimentos ambientalmente saudáveis, aumentando nossa defesas contra
barreiras comerciais não tarifárias. (PL 1834/03, apresentado pelo Deputado Antonio Carlos Mendes
Thame).2.2 – DIFERENÇAS ENTRE AUDITORIA AMBIENTAL DE CONFORMIDADE

LEGAL E AUDITORIA DO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL

2.2.1 - Classificação das Auditorias Ambientais

As auditorias ambientais empregam um processo sistemático de obtenção e


avaliação objetiva de informações relativas a aspectos e impactos de atividades, eventos e
condições ambientais.

Block (2003) destaca os diversos tipos de auditorias ambientais:

• Auditoria de SGA. Verifica se o sistema de gestão ambiental está em conformidade com


o que foi planejado, se está efetivamente implementado e se está adequado para atender
completamente à política ambiental da organização.
• Supervisão de Gestão Ambiental. Este é um processo de monitoramento contínuo e
verificação da situação de uma organização, e análise de registros para assegurar que os
requisitos estão sendo atendidos.
• Auditoria de Conformidade Regulatória (ou de Conformidade Legal). Determina se
as práticas operacionais atendem aos requisitos regulatórios aplicáveis.
• Auditoria de Desempenho. Determina se o desempenho ambiental está em
conformidade com as metas e os objetivos declarados.
• Auditoria de Área. Também conhecida como Auditoria de Passivo Ambiental.
Determina o nível de risco ambiental para propósitos de transações comerciais, incluindo
aquisição, venda, transferência e avaliação de valor.
80

• Auditoria de Declaração Ambiental. Determina se uma declaração ambiental fornece


uma descrição correta e completa dos aspectos e impactos ambientais das atividades de
uma organização.

Por outro lado, Malheiros (2002) classifica as auditorias ambientais em dois grandes
grupos, destacando as seguintes características:

Auditoria Ambiental Privada:

• Âmbito não governamental


• Ferramenta de Gestão Ambiental empresarial
• Determinada e/ou realizada pela própria empresa ou terceiros
• Voluntária

Auditoria Ambiental Pública:

• Âmbito governamental
• Instrumento de política pública
• Determinada e/ou realizada pelo Poder Público
• Obrigatória

Segundo a NBR ISO 19011, “Diretrizes para a condução de auditorias de sistemas de


gestão da qualidade e/ou ambiental”, auditoria é o “processo sistemático, documentado e
independente para obter evidências de auditoria e avaliá-las objetivamente para determinar a
extensão na qual os critérios da auditoria são atendidos”.

Souza (2002), ao comparar a auditoria ambiental voluntária com a compulsória define a


segunda como:

Esta ferramenta pode também ser genericamente enquadrada como instrumento jurídico, quando regulada
pela legislação. Poder Público ciente de que a aplicação eficiente da auditoria ambiental pelas empresas e a
resolução das não conformidades identificadas correspondem a um autocontrole destas, e que estas ações
mitigam seu potencial de acidentes e asseguram o cumprimento da legislação aplicável, identifica nesta
ferramenta um mecanismo auxiliar às suas atribuições, pois reduz a necessidade de freqüente fiscalização das
empresas auditadas e assegura a sociedade de que a mencionada empresa atende ou tomará providências para
81

atender a todos os critérios de desempenho exigidos pelo poder público já que as normas prevêem o
atendimento à legislação. (SOUZA, 2002, p. 49)

A auditoria de sistemas de gestão ambiental tem foco, então, na avaliação do


atendimento aos critérios da auditoria, que são definidos pela mesma norma como o “conjunto
de políticas, procedimentos ou requisitos” a serem avaliados. Resumindo, pode-se dizer que a
auditoria de sistemas de gestão ambiental tem foco na avaliação do atendimento aos requisitos
da NBR ISO 14001, dos procedimentos (documentados ou não) do sistema de gestão
ambiental, naturalmente aqui incluída sua política, e demais requisitos aplicáveis, como por
exemplo requisitos legais.

Deve-se atentar para o fato de o foco ser o sistema, e não a avaliação do atendimento à
legislação ambiental apenas. É claro que o ponto de partida para o SGA é o cumprimento da
legislação ambiental, e durante a auditoria, se alguma não conformidade legal for evidenciada,
será relatada. Essa avaliação é feita, só que com base amostral. O grande foco é a sistemática
adotada pela empresa para identificar, ter acesso, cumprir e avaliar o atendimento à legislação
ambiental, além do tratamento dado a não conformidades legais identificadas.

Já as auditorias ambientais de conformidade legal têm foco centrado na verificação do


atendimento à legislação ambiental apenas, e a principal diferença para auditorias de sistema
é que, no caso de serem compulsórias, ou seja, exigidas por algum mandamento legal, não se
cogita a hipótese de amostragem. Não se está avaliando a sistemática adotada pela empresa,
mas efetivamente se toda a legislação ambiental aplicável está sendo cumprida.

Fazendo uma comparação extremista, para melhor visualização, vamos nos desprender
um pouco da precisão técnica para afirmar que na auditoria ambiental de conformidade legal
– compulsória – é indiferente se a empresa tem ou não uma sistemática para identificar,
atender, monitorar e tratar não conformidades referentes ao atendimento à legislação. O que
interessa não é o “como”, mas sim se de fato a empresa está cumprindo a legislação ambiental
aplicável.
82

2.3 – EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

Ao analisar a evolução da legislação ambiental, principalmente a partir da década de


1970, podemos perceber a ocorrência de diversas infrações cometidas pelas empresas por não
estarem cumprindo com as leis ambientais. Com a ocorrência de uma série histórica de
eventos negativos (incluindo seu maior destaque – o acidente de Bhopal, na Índia), as
empresas transnacionais intensificaram as auditorias em suas plantas instaladas em diversas
partes do mundo. Neste tipo de auditoria ambiental, também chamada de auditoria de
conformidade legal, é realizada uma avaliação sistemática das atividades da empresa, visando
identificar os potenciais riscos existentes e a conformidade com normas legais.

Sales (2001) afirma ainda que, nos anos 80 e 90, mudanças legais importantes
aumentaram significativamente o nível de proteção ambiental no Brasil através do
desenvolvimento de uma política ambiental nacional mais sistematizada e novos instrumentos
e ferramentas em termos administrativo e judicial.
O quadro 2-1 a seguir apresenta os grandes marcos legais deste período, além,
obviamente, da Constituição de 1988.

Quadro 01 – Principais documentos legais nas décadas de 80 e 90

LEI N° 6938/81 Política Nacional do Meio Ambiente


LEI Nº 7347/85 Ação Civil Pública
RESOLUÇÃO Estudos de Impacto Ambiental
CONAMA Nº 001/86
RESOLUÇÃO Licenciamento Ambiental
CONAMA Nº 237/97
LEI Nº 9605/98 Lei de Crimes Ambientais

Gusmão & Martini Junior (2003) sustentam que, na prática, exceto as auditorias das
matrizes das empresas transnacionais em suas filiais brasileiras, a auditoria ambiental
voluntária é exercida, quase exclusivamente, pelas empresas que possuem um sistema de
gestão ambiental conforme a NBR ISO 14001.
83

Argumenta Sales (2001) que, paralelamente a estas iniciativas voluntárias, algumas


leis vêm sendo desenvolvidas em alguns Estados no sentido de tornar a auditoria ambiental
obrigatória para alguns setores industriais. Estas iniciativas legislativas iniciaram-se em 1991
pelo estado do Rio de Janeiro, seguidas por Minas Gerais (1992), Espírito Santo (1993), Rio
Grande do Sul (1994), Mato Grosso (1995), São Paulo (1997) e Paraná (2001).
Ainda, em janeiro de 2000, o Conselho Nacional do Meio Ambiente -CONAMA, em
resposta ao derramamento de óleo na Baía de Guanabara, publicou a Resolução CONAMA
265/00, que instituiu a auditoria ambiental compulsória para todas as instalações industriais,
marítimas e terrestres de petróleo e derivados da Petrobras, extensiva às demais empresas com
atividades na área de petróleo e derivados sem, no entanto, orientar a execução das referidas
auditorias.

A Resolução CONAMA nº 306/02 buscou orientar o disposto na Resolução


CONAMA nº 265, no que se refere a auditorias ambientais, e disciplinar o atendimento ao art.
9º, da Lei nº 9.966, de 28 de abril de 2000, que trata da obrigatoriedade da realização de
auditorias ambientais independentes, através do estabelecimento “dos requisitos mínimos e o
termo de referência para realização de auditorias ambientais, objetivando avaliar os sistemas
de gestão e controle ambiental nos portos organizados e instalações portuárias, plataformas e
suas instalações de apoio e refinarias, tendo em vista o cumprimento da legislação vigente e
do licenciamento ambiental”.
Mais recentemente, foi publicada a Portaria MMA 319, de 15 de agosto de 2003, que
estabelece “os requisitos mínimos quanto ao credenciamento, registro, certificação,
qualificação, habilitação, experiência e treinamento profissional que os auditores ambientais
deverão cumprir para executarem as auditorias ambientais, ... , conforme disposto na
Resolução CONAMA n° 306, de 5 de julho de 2002” , que necessita de regulamentação, pois
o INMETRO e o MMA ainda não definiram os critérios para credenciamento e
reconhecimento, respectivamente, do curso de formação desse auditor.
Gusmão & Martini Junior (2003) ressalta o fato de que algumas empresas consideram
a auditoria ambiental compulsória como mais um custo de produção, além de identificar
problemas cujos custos de correção não estão previstos, como o tratamento de passivos
ambientais e adequação do controle operacional. Finaliza, concluindo que, independente de a
auditoria acontecer ou não, os problemas ambientais já existem, estão presentes, e passíveis
de serem autuados pelos Órgãos Ambientais competentes.
84

2.4 – PONTOS DE DESTAQUE DA LEGISLAÇÃO ESTADUAL E FEDERAL


REFERENTE ÀS AUDITORIAS AMBIENTAIS COMPULSÓRIAS

2.4.1 – O Estado do Rio de Janeiro

Primeira unidade política a regulamentar a auditoria ambiental, o Estado do Rio de


Janeiro teve sua lei de auditoria ambiental (Lei nº 1898) promulgada em 26 de novembro de
1991, regulamentada pelo Decreto n° 21.470-A de 5 de junho de 1995. Os critérios técnicos
para a realização das auditorias foram estabelecidos pela FEEMA por meio da DZ-056. R-2 -
Diretriz para Realização de Auditoria Ambiental, aprovada pela Deliberação CECA/CN 3
427, de 14 de novembro de 1995.

O objetivo principal da Lei 1898 é tornar a auditoria ambiental obrigatória para


algumas atividades ambientalmente impactantes.
A lei define auditoria ambiental como:
A realização de avaliações e estudos destinados a determinar:
I - os níveis efetivos ou potenciais de poluição ou de degradação ambiental provocados por atividades de
pessoas físicas ou jurídicas;
II - as condições de operação e de manutenção dos equipamentos e sistemas de controle de poluição;
III - as medidas a serem tomadas para restaurar o meio ambiente e proteger a saúde humana;
IV - a capacitação dos responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas, rotinas, instalações e
equipamentos de proteção do meio ambiente e da saúde dos trabalhadores. (art. 1º).

Também delega, no art. 2º, autoridade às agências ambientais estaduais, responsáveis


por programas ambientais, para requerer auditorias ambientais “periódicas ou ocasionais” e
estabelecer suas respectivas diretrizes e prazos específicos. No caso de auditorias ambientais
periódicas, a lei determina expressamente que os procedimentos de elaboração de suas
diretrizes deverão incluir “consulta à comunidade afetada”. Estabelece ainda que os custos da
auditoria devem ser suportados pela unidade auditada (art. 3º).
Além da autoridade de requerer auditorias, os órgãos governamentais também podem
exigir que a auditoria seja conduzida por auditores independentes, podendo estes ser
penalizados com no mínimo dois anos de suspensão de suas atividades profissionais nos casos
de omissão ou sonegação de informações relevantes (art. 4º).
85

Além da autoridade geral descrita acima, a lei estabelece que determinadas atividades
e empresas com alto nível potencial de causar poluição devem conduzir auditorias ambientais
anuais. Nesta categoria, a lei lista as seguintes atividades e empreendimentos:

I - as refinarias, oleodutos e terminais de petróleo e seus derivados;


II - as instalações portuárias;
III – as instalações aeroviárias (aeroportos, aeródromos, aeroclubes) – inserido pela lei 3471/2000
IV - as instalações destinadas à estocagem de substâncias tóxicas e perigosas;
V - as instalações de processamento e de disposição final de resíduos tóxicos ou perigosos;
VI - as unidades de geração de energia elétrica a partir de fontes térmicas e radioativas;
VII - as instalações de tratamento e os sistemas de disposição final de esgotos domésticos;
VIII - as indústrias petroquímicas e siderúrgicas;
IX - as indústrias químicas e metalúrgicas. (art. 5º, i-viii e § 2º).

Merece destaque o fato de que, de acordo com o texto original, nos casos de atividades
elencadas nos anteriores itens VI (tratamento e disposição final de esgotos domésticos) e VIII
(indústrias químicas e metalúrgicas), as autoridades poderão dispensar a exigência de
auditorias ambientais periódicas para aquelas de pequeno porte ou baixo potencial poluidor
(art. 5º, § 1º). Porém, com a emenda instituída pela Lei n. 3.471/00, houve renumeração de
todos os incisos posteriores ao novo inciso III, sem que fosse alterado o texto do parágrafo 1º,
que continuou a indicar, agora passíveis de dispensa de exigência de auditoria, os incisos VI e
VIII (unidades de geração de energia elétrica a partir de fontes térmicas e radioativas e
indústrias petroquímicas e siderúrgicas). Segundo Sales (2001), provavelmente, houve aqui
um erro grosseiro de técnica legislativa.
A lei também estabelece que todos os documentos relacionados com a auditoria,
incluindo suas diretrizes e currículo dos auditores, serão acessíveis à consulta pública (art. 8º).
Somente após quatro anos de sua publicação, esta lei teve sua primeira
regulamentação, através do Decreto 2.1470-A, de 5 de junho de 1995. Este expressamente
incluiu as atividades de auditoria ambiental como parte do Sistema de Licenciamento
ambiental do estado (SLAP) e o relatório de auditoria ambiental como um dos documentos
que devem ser acessíveis à consulta pública. Este relatório deve ser enviado à agência
Ambiental do Estado (FEEMA), e este envio deverá ser precedido de comunicação pública,
através de publicação no Diário Oficial do Estado e em jornal de grande circulação da cidade
onde se localiza a unidade auditada.
Adicionalmente a este Decreto, foi publicado o Regulamento CECA/CN 3.427, de 14
de novembro de 1995, que aprovou a DZ 056.R2 – Diretriz para a realização de Auditoria
Ambiental, fixando com mais detalhes os critérios para condução da auditoria, conteúdo
86

mínimo para os relatórios, escopo da auditoria e o respectivo plano de ação, que deverá
incluir:
Ações corretivas e preventivas a serem implantadas vinculadas aos impactos e irregularidades
identificadas na Auditoria Ambiental.

Cronograma físico de execução de medidas de controle e recuperação.


Definição de responsabilidades internas na implementação das ações propostas.
Alterações nos Planos, Programas e no Sistema de Gestão Ambiental avaliados na Auditoria Ambiental.
Informações quanto ao cumprimento das medidas sugeridas nas Auditorias Ambientais anteriores.
(DZ.56-R2, de 21 de novembro de 1995).

2.4.2 - O Estado de Minas Gerais:

Em 6 de janeiro de 1992, foi promulgada a lei de auditoria ambiental do Estado de


Minas Gerais (Lei nº 10.627/92). Entretanto, esta ainda não foi regulamentada. Segundo Sales
(2001), a lei mineira é em grande parte cópia literal da lei e regulamentos fluminenses.
Citaremos a seguir algumas de suas especificidades:
A periodicidade das auditorias é de no mínimo a cada três anos (art. 4º). Quanto à
relação de indústrias e atividades a serem auditadas, a lei utiliza a mesma, apenas excluindo as
instalações portuárias. No art. 7º, a lei prevê a proteção do sigilo industrial e estabelece que o
encaminhamento do relatório de auditoria para a agência ambiental deve ser precedido de
publicação em jornal de grande circulação, indicando o local onde o relatório estará
disponível para consulta do público.
Em seu art. 21, a lei estabelece que auditorias ambientais “ocasionais” deverão ser
conduzidas por “entidades de comprovada capacitação técnica”. Amaral (1993) ressalta que o
regulamento deverá esclarecer se esta linguagem significa obrigatoriedade de participação de
auditores externos em todas as atividades de auditoria do Estado.

2.4.3 - O Estado do Espírito Santo:

A lei de auditoria ambiental do Estado do Espírito Santo foi promulgada em 2 de


agosto de 1993 (Lei nº 4.802/93). Autoriza as entidades estaduais responsáveis pela
implementação das políticas estaduais de meio ambiente a requerer auditorias ambientais
ocasionais e periódicas, como também estabelecer as diretrizes e prazos específicos (art. 1º).
87

Ou outros artigos da lei irão conceitualizar a auditoria ambiental (art. 2º), determinar
auditorias com periodicidade mínima de três anos para atividades específicas (art. 3º, §1º) e
estabelecer que o cumprimento dos requisitos legais de auditoria não exime a entidade
regulada do cumprimento das outras determinações legais ambientais (art. 5º).
Esta lei determina a execução de auditorias ambientais para as mesmas atividades e
indústrias elencadas pela lei do Estado do Rio de Janeiro, acrescentando apenas as indústrias
de papel e celulose, as atividades de mineração e as unidades de disposição de lixo hospitalar
(art. 3º).
Tendo sido promulgado em 27 de dezembro de 1994, o Decreto 3.795-N
regulamentou a Lei nº 4.802/93 e praticamente criou uma nova série de regras. Em alguns
pontos, expandiu alguns conceitos e impôs certos requisitos de natureza delicada (como por
exemplo, a publicidade dos resultados da auditoria e a certificação pública das atividades de
auditoria), não autorizados expressamente pela lei.
O Decreto determina que a auditoria ambiental faça parte do “Sistema de
Licenciamento de Atividades Poluidoras” (SLAP). Desse modo, a renovação da Licença de
Operação fica condicionada à apresentação do último “Relatório Final de Auditoria
Ambiental” (art. 55).
O Decreto ainda expandiu os objetivos de auditoria estabelecidos pela lei. Assim, o
art. 10 do Decreto inclui nos objetivos: (i) prestação de informações à comunidade vizinha
sobre o desempenho ambiental da empresa e riscos potenciais inerentes às suas atividades ,
(ii) propositura de medidas corretivas através de um “Plano de Correção das Não-
Conformidades Legais”, que deverá ser submetido à aprovação das autoridades e (iii)
elaboração de uma “Declaração Ambiental”, contendo um resumo dos resultados da auditoria
e dados correlatos. Esta declaração deverá ser examinada por um auditor credenciado que não
tenha qualquer tipo de relacionamento com a unidade auditada. O cadastramento na agência
ambiental estadual é requisito para o exercício da atividade de auditor ambiental no estado.
Entretanto, os procedimentos para o credenciamento e qualificações profissionais dos
auditores foram deferidos para regulamentação posterior (art. 50, §1º, III).
Esta declaração ambiental, ainda, deve ser disponibilizada ao público para
comentários (art. 48). O regulamento estabelece também que as atividades de auditoria
poderão ser executadas por auditores credenciados internos ou externos, embora outorgue às
autoridades ambientais o poder de exigir auditores externos em certas situações (art. 16).
88

Por fim, o regulamento estabelece os procedimentos básicos para a auditoria


ambiental, incluindo etapas para o seu planejamento (art. 20), atividades de campo (arts.
22/24), análise das “desconformidades” (art. 25), formato do relatório final de auditoria (arts.
26/27) e apresentação pelos auditores das conclusões finais do “agente poluidor” (art. 28).

2.4.4 – O Estado do Rio Grande do Sul:

No estado do Rio Grande do Sul, a Lei Nº 10.330, de 27 de dezembro de 1994, que


estabelece o Sistema Estadual de Proteção Ambiental (SISEPRA), ao definir a competência
dos Órgãos Executivos, bem como as entidades a eles vinculadas, define, em seu art. 9º:

Aos órgãos executivos do meio ambiente, bem como às entidades a eles vinculadas,
conforme as atribuições legais pertinentes, compete:
...

V - realizar o monitoramento e auditorias ambientais nos sistemas de controle de poluição e nas


atividades potencialmente degradadoras;
VI - informar a população sobre os níveis de poluição, a qualidade do meio ambiente, a bem como os
resultados dos monitoramentos e auditorias a que se refere o inciso V deste artigo;

...

XXVII - exigir um relatório técnico de auditoria ambiental, ou estudo de impacto ambiental, a critério dos
órgãos ambientais, para analisar a conveniência da continuidade de obras ou atividades para cujo
licenciamento não havia sido exigido estudo prévio de impacto ambiental, mas que passaram a causar
alteração ou degradação do meio ambiente;

Por falta de regulamentação, estas previsões para realização de auditoria ambiental


não foram implementadas.

2.4.5 - O Estado do Paraná:

Seguindo a Resolução CONAMA e também motivado por acidente de derramamento


de óleo ocorrido no Estado do Paraná, este publicou, através do Conselho Estadual do Meio
Ambiente, a Resolução CEMA 007 de 2 de maio de 2001, que obriga as empresas com
atividade na área de petróleo e derivados a realizar “auditoria ambiental independente” em
suas instalações industriais, marítimas e terrestres (art. 1º).
As auditorias devem seguir diretrizes específicas anexas ao texto da resolução, além
daquelas instituídas pela Resolução CONAMA 265/2000 (art. 3º). Os resultados da auditoria
e o respectivo Plano de Ação serão analisados pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e
89

serão considerados para efeito de estabelecimento de exigências ou condicionantes técnicas


por ocasião da renovação da Licença de Operação de cada unidade auditada (art. 4º).

Finalmente, em 11 de janeiro de 2002, foi publicada a Lei nº 13.448, para dispor sobre
a Auditoria Ambiental Compulsória.

A lei define, em seu art. 3º:

A responsabilidade técnica pela auditoria ambiental compulsória caberá a profissional de nível superior,
devidamente habilitado e credenciado pelo órgão de fiscalização profissional.

§ 1º Os auditores ambientais, quer pessoas físicas ou jurídicas, deverão ser cadastrados previamente no
órgão Estadual do Meio Ambiente.
§ 2º O órgão Estadual de Meio Ambiente estabelecerá normas de procedimentos contendo critérios a
serem seguidos para fins de cadastramento dos auditores ambientais domésticos.
§ 3º A omissão, sonegação ou falsidade de informações, pelos auditores ambientais, devidamente
apuradas, descredenciarão os mesmos para realização de novas auditorias ambientais, sendo o fato
comunicado aos respectivos órgãos de fiscalização profissional e à Procuradoria Geral da Justiça.
§ 4º Os agentes públicos dos órgãos ambientais do Estado do Paraná, não poderão ser cadastrados para
realização de auditorias ambientais compulsórias no Estado do Paraná..

Prevê ainda, no seu art. 4º, a obrigatoriedade de realização de auditorias ambientais


compulsórias periódicas, com o intervalo máximo de 04 (quatro) anos, para as pessoas
jurídicas públicas ou privadas com atividades de elevado potencial poluidor ou degradador do
meio ambiente, tais como:

I - refinarias, oleodutos e terminais de petróleo e seus derivados;


II - instalações destinadas à estocagem de substâncias tóxicas e perigosas;
III - instalações de Processamento e/ou de disposição final de resíduos tóxicos ou perigosos;
IV - unidades de geração e transmissão de energia elétrica;
V - instalações de tratamento e disposição final de esgotos domésticos;
VI - indústrias petroquímicas e siderúrgicas;
VII - indústrias químicas e metalúrgicas;
VIII - instalações portuárias;
IX - atividades de extração e beneficiamento mineral;
X - instalações de processamento, recuperação e destinação final de lixo urbano;
XI - indústrias de papel e celulose;
XII - gasodutos;
XIII - usinas de álcool;
XIV - instalações de processamento e produção de carvão vegetal;
XV - indústrias de produção de cimento;
XVI - indústrias de tratamento de superfície;
XVII - atividades agrícolas com uso intensivo de agrotóxicos,
XVIII - empresas do setor madeireiro;
XIX - empresas de extração de areia;
XX - instalações de processamento e destinação final de lixo hospitalar;
XXI - curtumes.
90

No § 1º deste artigo, prevê a possibilidade de dispensa da realização de auditorias


ambientais compulsórias periódicas para os empreendimentos de pequeno porte ou de
reduzido potencial poluidor ou degradador do meio ambiente.
No seu § 2º, estabelece que, a critério do órgão estadual de meio ambiente, serão
também passíveis de auditorias ambientais compulsórias as atividades públicas ou privadas,
que a qualquer tempo gerem ou venham a gerar impactos ou riscos ambientais relevantes.
No seu art. 7º, trata da publicidade, prevendo que todos os documentos relacionados às
auditorias ambientais compulsórias serão acessíveis a consulta pública, preservado o sigilo
industrial, e complementando com seu § 1º: “Após a entrega do Relatório Final ao órgão
estadual de meio ambiente, a pessoa jurídica ou privada auditada deverá publicar um Edital de
comunicação, em periódico de grande circulação, e no Diário Oficial do Estado do Paraná,
sob o titulo de "Auditoria Ambiental Compulsória", com informação sobre o local, o horário e
prazo, este de, no mínimo 30 (trinta) dias, em que os documentos poderão ser consultados.”
Dispõe ainda, em seu art. 10, que a renovação da licença ambiental ficará
condicionada à apresentação do último relatório final de auditoria ambiental, na periodicidade
estabelecida, bem como o cumprimento das medidas necessárias conforme cronograma
aprovado.
Em 07 de novembro de 2003 foi publicado o Decreto 2.076, que “Aprova o
Regulamento da Lei nº 13.448, de 2002, que dispõe sobre Auditoria Ambiental Compulsória e
adota outras providências”.

O Regulamento, em seu art. 3°, confere ao IAP o poder de determinar a realização de


auditorias ambientais, sempre baseado em justificativa técnica:

Art. 3º. O Instituto Ambiental do Paraná - IAP determinará a realização de auditoria ambiental
compulsória periódica ou ocasional, emitindo parecer técnico e, quando couber, parecer jurídico, que
justifique o seu cabimento em face da Lei nº 13.448, de 11 de janeiro de 2.002, do seu regulamento e
demais normas pertinentes.

Em seu art. 8°, estabelece que no momento da análise da renovação da Licença de


Operação (LO), o IAP determinará a realização de auditoria compulsória. A importância da
auditoria para o licenciamento também pode ser vista nos arts. 22 e 23:

Art. 22. A renovação da licença ambiental de operação (LO) ficará condicionada à presentação do
último relatório final de auditoria ambiental e do cumprimento das ações corretivas, conforme
cronograma aprovado.
91

Art. 23. A não realização da auditoria ambiental compulsória, a não implementação do plano de correção
das não conformidades identificadas, segundo cronograma aprovado e a não publicação do edital de
comunicação sujeitarão os transgressores às penalidades previstas em lei, que poderão ser aplicadas
isoladas ou cumulativamente.

Parágrafo único. A reincidência implicará a cassação da licença ambiental de operação.

Uma abordagem interessante foi adotada nos arts. 12 e 13, ao definir as obrigações do
auditado visando o fornecimento de condições necessárias à boa realização da auditoria,
inclusive no que diz respeito à disponibilização de informações:

Art. 12. Resguardado o sigilo industrial, fica a pessoa física ou jurídica, pública ou privada sob auditoria
obrigada a:
a) colocar à disposição da equipe de auditoria toda a documentação por ela
requerida;
b) facilitar a inspeção da área auditada;
c) informar aos funcionários os objetivos da auditoria;
d) prover à equipe de auditoria os recursos necessários para assegurar um
procedimento
e) designar pessoal competente para acompanhar a equipe de auditoria,
atuando como guia e assegurando que os auditores estejam atentos aos
aspectos de saúde, segurança e outros requisitos apropriados;
f) franquear à equipe de auditoria o acesso a depósitos de materiais de
produção, de subprodutos, de resíduos e de refugos; e
g) apresentar relatórios de compra de matéria-prima, de consumo de energia e de água, da utilização
mão-de-obra própria ou de terceiros, da produção e de medições relativas a monitoramento ambiental.

Art. 13. A pessoa física ou jurídica, pública ou privada sob auditoria proporcionará à equipe de auditoria
informações sobre auditorias ambientais já realizadas e sobre processos de responsabilização
administrativa, cível ou criminal por danos causados ao meio ambiente a que esteve sujeita nos últimos 5
(cinco) anos.

Em outras palavras, com estes dois artigos, uma eventual contra-auditoria por parte
do auditado pode ensejar uma não-conformidade legal!
No art. 14, estabelece que o auditor ambiental deverá ser cadastrado previamente
no IAP, e remete os critérios desse credenciamento ao Anexo III do regulamento.
Em seu art. 16, trata da responsabilidade do auditor ao definir que:

a omissão, a sonegação e a falsificação de informações pelo auditor ambiental é motivo para o seu
descadastramento como membro de equipe de auditoria ambiental pelo período de 5 (cinco) anos,
segundo os critérios constantes do Anexo IV, salvo se a responsabilidade pela omissão, sonegação e
falsificação for do auditado.

Em seu último artigo (art. 24), delega ao IAP competência para “baixar normas
operacionais e procedimentais complementares” ao Decreto.
92

O anexo I traz a lista exemplificativa das atividades sujeitas à auditoria ambiental


compulsória periódica. O Anexo II trata de diretrizes gerais para a realização da auditoria,
detalhando os aspectos técnicos, de desempenho e de gestão ambiental a serem avaliados (1.1
a 1.3), o plano da auditoria, a preparação, a execução e o relatório final, bem como o plano de
correção das não conformidades e os documentos a serem apresentados (2 a 6).
O Anexo III define os critérios para cadastramento de auditores ambientais, como por
exemplo ter nível superior e ter diploma de aprovação em curso de auditoria ambiental, com
carga mínima de 40 horas.
O Anexo IV define critérios para o descredenciamento de auditores ambientais, o
Anexo V define critérios para formação da equipe de auditoria e o Anexo VI traz um modelo
do edital de comunicação em periódico e no diário oficial do estado.

2.4.6 – O Estado de São Paulo

A Lei Estadual Nº 9.509/97, de 20 de março de 1997 (não regulamentada), que


“Dispõe sobre a Política Estadual do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e
aplicação”, definiu, em seu art. 2°, inc. VII, a realização periódica de auditorias ambientais
como um dos princípios da Política Estadual de Meio Ambiente, além de, em seu inc. VIII,
definir também como um princípio a:
informação da população sobre os níveis de poluição, a qualidade do meio ambiente, as situações de
risco de acidentes, a presença de substâncias nocivas e potencialmente nocivas à saúde e ao meio
ambiente, nos alimentos, na água, no solo e no ar, bem como o resultado das auditorias (grifo nosso) a
que se refere o inciso VII deste artigo.

2.4.7 – O Estado de Mato Grosso

A Lei Estadual Complementar nº 038, de 21 de novembro de 1995 (Código Estadual


de Meio Ambiente) define, em seu art. 11, inc. VIII, a auditoria ambiental como um dos
instrumentos da Política Estadual do Meio Ambiente.
Em seu art. 39, define que “toda atividade de grande e elevado potencial poluidor, ou
processo industrial de grande complexidade, deverá sofrer auditorias ambientais periódicas, às
expensas e responsabilidade do empreendedor”. Em seu Parágrafo único, define que a
auditoria ambiental deverá ser realizada, ordinariamente, no caso de renovação da Licença de
Operação, ou extraordinariamente, a critério da FEMA.
93

Em art. 40, §1°, define que “Os auditores quando não integrantes do órgão ambiental,
serão nele cadastrados, observada a independência dos mesmos com relação à pessoa física ou
jurídica auditada, possibilitando a avaliação objetiva e imparcial”.
No mesmo artigo, §2°, trata do descredenciamento do auditor ambiental: “No caso de
negligência, imperícia, inexatidão, falsidade ou dolo na realização da auditoria, o auditor será
descredenciado pelo órgão ambiental, sem prejuízo das demais sanções cabíveis.”

2.4.8 - Resolução CONAMA 265/00

Criada em razão do vazamento de óleo ocorrido na Baía de Guanabara em 18 de


janeiro de 2000, esta resolução determinou que, no prazo de 6 meses, a Petrobras realizasse
auditoria ambiental em todas as suas instalações industriais, marítimas e terrestres de petróleo
e derivados, localizadas no Estado do Rio de Janeiro (art. 2º). Também determinou que as
empresas do setor petrolífero realizassem, no prazo máximo de cento e oitenta dias, a contar
de sua publicação, um programa de trabalho e respectivo cronograma para a realização de
auditorias ambientais independentes em suas instalações em todo o território nacional (art. 3º).

Ainda, a resolução trata de algumas iniciativas direcionadas às autoridades ambientais


no sentido da elaboração ou revisão de planos de contingência e emergência para acidentes
ambientais causados pela indústria de petróleo (art. 4º).
Entretanto, deve-se ressaltar que é medida pontual publicada ao calor de um incidente
ambiental de grandes proporções, que merece análise mais cuidadosa quanto à sua eficácia no
sentido de contribuir para a adoção de programas de auditoria, pela indústria petrolífera.

2.4.9 – Lei do Óleo (Lei nº 9966, de 28 de Abril de 2000):

“Dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por


lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição
nacional e dá outras providências.”
Em seu art. 1º, estabelece os princípios básicos a serem obedecidos na movimentação
de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em portos organizados, instalações
portuárias, plataformas e navios em águas sob jurisdição nacional.
94

Em seu art. 9º, estabelece que as entidades exploradoras de portos organizados e


instalações portuárias e os proprietários ou operadores de plataformas e suas instalações de
apoio deverão realizar auditorias ambientais bienais, independentes, com o objetivo de avaliar
os sistemas de gestão e controle ambiental em suas unidades.

2.4.10 - Resolução CONAMA 306/02:

Publicada em 5 de julho de 2002, buscou orientar o disposto na Resolução CONAMA


nº 265, no que se refere a auditorias ambientais e disciplinar o atendimento ao art. 9º, da Lei
nº 9.966, de 28 de abril de 2000, que trata da obrigatoriedade da realização de auditorias
ambientais independentes, através do estabelecimento
dos requisitos mínimos e o termo de referência para realização de auditorias ambientais, objetivando
avaliar os sistemas de gestão e controle ambiental nos portos organizados e instalações portuárias,
plataformas e suas instalações de apoio e refinarias, tendo em vista o cumprimento da legislação vigente e
do licenciamento ambiental.

Em seu art. 7º, estabelece que o relatório de auditoria ambiental e o plano de ação
deverão ser apresentados, a cada dois anos, ao órgão ambiental competente, para incorporação
ao processo de licenciamento ambiental da instalação auditada.

No art. 8º, estabelece que o Ministério do Meio Ambiente, por meio de Portaria,
definiria, no prazo de até cento e oitenta dias, contados a partir de sua publicação, os
requisitos mínimos quanto ao credenciamento, registro, certificação, qualificação, habilitação,
experiência e treinamento profissional que os auditores ambientais deverão cumprir.
Importante lembrar que, ao estabelecer, em seu Anexo II, o conteúdo mínimo das
auditorias ambientais, aumentou significativamente seu escopo, a ponto de inserir vários
requisitos específicos de sistemas de gestão ambiental, além de utilizar terminologias e
conceitos trazidos diretamente do texto da NBR ISO 14001.

2.4.11 – Portaria 319/03 do Ministério do Meio Ambiente:

A Portaria MMA 319, de 15 de agosto de 2003 estabelece:


os requisitos mínimos quanto ao credenciamento, registro, certificação, qualificação, habilitação,
experiência e treinamento profissional que os auditores ambientais deverão cumprir para executarem as
auditorias ambientais, de sistemas de gestão e controle ambiental nos portos organizados, instalações
portuárias, plataformas e suas instalações de apoio, dutos e refinarias, conforme disposto na Resolução
CONAMA n o 306, de 5 de julho de 2002 (art. 1°)

Em seu Art. 2°, IV, traz a definição de:


95

curso de formação de auditores: curso de formação de auditores reconhecido pelo Ministério do Meio
Ambiente, com a duração de, no mínimo, quarenta horas, sobre princípios e práticas de auditoria
ambiental e de gerenciamento da equipe de auditoria, tendo como enfoque principal a gestão ambiental
com base na Resolução CONAMA n o 306, de 2002;

Em seu Art. 3°, traz que

As auditorias ambientais determinadas pela Resolução CONAMA n° 306, de 2002, deverão ser
executadas por auditores ambientais que atendam aos seguintes requisitos de qualificação”, versando
sobre escolaridade (I) – nível superior, experiência profissional (II) – mínima de 4 anos, especialização
(III) – ter sido aprovado em curso de auditores, experiência em gestão ambiental (IV) – mínima de 02
anos e experiência em auditorias (V).

Merece destaque o inc. III, que trata do curso de auditor a ser feito: “III -
especialização: o auditor deve ter sido aprovado em um curso de formação de auditores
ambientais com duração de, no mínimo, quarenta horas, credenciado pelo INMETRO e
reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente;”

No seu art. 5°, complementa ao definir que “os auditores devem ser certificados ou
registrados em Organismos de Certificação de Auditores Ambientais credenciados pelo
INMETRO e reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente”.
Neste ponto há a necessidade de regulamentação, pois o INMETRO e o MMA ainda
não definiram os critérios para credenciamento e reconhecimento, respectivamente, desse
curso.
Merece destaque o fato de o art. 6°, ao definir regras transitórias, citar um Acordo
Internacional que ainda não foi assinado pelo Brasil para a certificação de auditores
ambientais, não tendo até o presente momento eficácia alguma.
Imagina-se que esse equívoco tenha sido decorrente de uma confusão quanto ao citado
acordo, pois o Brasil é signatário do mesmo apenas para a formação e certificação de
auditores para Sistemas de Gestão da Qualidade. Vejamos o artigo:
Art. 6° Até que a estrutura de certificação seja implantada pelo Ministério do Meio Ambiente, poderão
realizar auditorias:
I - os profissionais certificados como auditores de sistema de gestão ambiental, por entidades
credenciadas no Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade-SBAC ou por entidades de outros
países que assinaram o Acordo de Reconhecimento Multilateral da International Auditor and
Training Certification Association-IATCA para organismo de certificação de auditor (USA-RAB,
Inglaterra-IRCA, Japão-JRCA, Austrália-QSA, China-CNAT e Singapura-SAC), por um prazo máximo
de nove meses, a contar da data de publicação desta Portaria. (grifo nosso)
II - os profissionais certificados como auditores de sistema de gestão ambiental por entidades
credenciadas no SBAC, no período após o nono mês e o décimo oitavo mês, a contar da data de
publicação desta Portaria.
III - somente os profissionais certificados no âmbito do SBAC, e em total conformidade com os requisitos
estabelecidos nesta Portaria, após o décimo oitavo mês.
96

2.4.12 – O Projeto de Lei N° 1834/03

O Projeto de Lei 1834/03 inclui a auditoria ambiental entre os instrumentos da Política


Nacional do Meio Ambiente. Os órgãos públicos, empresas públicas, privadas e de economia
mista, fundações e outras instituições, cujas atividades possam causar impacto
ambiental, deverão submeter-se periodicamente a auditoria ambiental, com o
objetivo de verificar o cumprimento da legislação, normas e técnicas destinadas à proteção do
meio ambiente.
O projeto, em fevereiro de 2004, estava sob exame da Comissão de Defesa do
Consumidor, Meio Ambiente e Minorias. A proposta prevê ainda que o Conselho Nacional do
Meio Ambiente (CONAMA) fixe normas, procedimentos e periodicidade de realização da
auditoria ambiental, defina as qualificações mínimas exigidas dos auditores, e torne
obrigatória a inclusão de plano de ações corretivas de irregularidades.
Os custos da auditoria, segundo o projeto, serão pagas pela instituição auditada, que
poderá, entretanto, escolher o auditor, atendidas as exigências mínimas de qualificação a
serem estabelecidas pelo CONAMA.
O projeto é sujeito à apreciação conclusiva pelas comissões e, além da Comissão de
Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, ele deverá ser apreciado pela Comissão
de Constituição e Justiça e de Redação. Se aprovada, a proposta segue direto para o Senado.
Caso aprovado, da maneira que está, ainda necessitará de regulamentação, mas é fato
que teremos a primeira Lei Federal sobre auditorias ambientais de conformidade legal
aplicada a diversas atividades industriais, o que deve causar uma grande movimentação na
indústria e no mercado de auditorias ambientais de conformidade legal, em todo o país.

2.5 – DIVULGAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE AUDITORIA AMBIENTAL:

Este procedimento é uma tendência mundial, e tem sido incorporada pelas recentes
iniciativas legislativas brasileiras a respeito da auditoria ambiental, impondo requisitos de
divulgação de informações tais como a obrigação de informar ao público, em jornais de
97

grande circulação onde se localiza a unidade auditada, sobre o envio do relatório de auditoria
ambiental às autoridades competentes, que ficarão disponíveis para consulta pública.
Entretanto, segundo Sales (2001), a eficácia desta postura ainda não foi testada a
contento. As Leis Estaduais sobre auditoria ambiental têm sido implementadas de forma bem
lenta, e a dificuldade de obtenção de dados concretos junto a algumas agências ambientais
torna difícil uma análise mais apurada sobre os resultados práticos das políticas e legislações
estaduais a respeito da auditoria ambiental.
A gradual implementação da legislação sobre auditoria ambiental compulsória no
Brasil irá provocar uma série de debates calorosos sobre a adequação e viabilidade das
exigências de divulgação pública dos resultados da auditoria.
Os princípios constitucionais e legislação nacional a respeito da privacidade, segredo
profissional e segredo dos negócios deverão ser invocados, como aconteceu nos Estados
Unidos, na busca de remédios jurídicos que dêem proteção aos resultados da auditoria
ambiental e outras formas de auto-avaliação. Segundo Sales (2001), aqui reside o ponto mais
agudo da legislação brasileira sobre auditorias ambientais.
Atualmente, as exigências para divulgação de informações sobre as auditorias
ambientais previstas na legislação específica de alguns estados são as únicas formas de
mandamento legal específico para a divulgação dos resultados da auditoria.
98

3. ANÁLISE DOS OBJETIVOS DOS DIFERENTES DIPLOMAS LEGAIS


REFERENTES À AUDITORIA AMBIENTAL COMPULSÓRIA

3.1 A LEI DO ÓLEO E A RESOLUÇÃO CONAMA 306/02

A lei n° 9966/00 (Lei do Óleo) define, em seu art. 9°:

Art. 9º - As entidades exploradoras de portos organizados e instalações portuárias e os proprietários ou


operadores de plataformas e suas instalações de apoio deverão realizar auditorias ambientais bienais,
independentes, com o objetivo de avaliar os sistemas de gestão e controle ambiental em suas
unidades. (grifo nosso).

Percebe-se, em análise preliminar, que o objetivo desta auditoria não se restringe


apenas ao atendimento à legislação ambiental, avançando para o campo da gestão ambiental.
Para melhor entendimento, será analisada a Resolução CONAMA 306/02:

Resolução CONAMA 306/02:

Regulamentando o art. 9° da Lei n° 9966/00, em seu anexo II, traz o conteúdo mínimo
das auditorias ambientais, definindo que seu objetivo seja “verificar o cumprimento da
legislação ambiental aplicável e avaliar o desempenho da gestão ambiental das atividades
definidas no Artigo 1° desta Resolução”.
Divide então os objetivos em duas partes, a saber:

1.1 - Quanto ao cumprimento da legislação ambiental aplicável, a auditoria envolverá, entre outros:
I - a identificação da legislação ambiental federal, estadual e municipal, bem como das normas
ambientais vigentes aplicáveis à instalação da organização auditada;
II - a verificação da conformidade da instalação da organização auditada com as leis e normas
ambientais vigentes;
III - a identificação da existência e validade das licenças ambientais;
IV - a verificação do cumprimento das condições estabelecidas nas licenças ambientais;
V - a identificação da existência dos acordos e compromissos, tais como termos de
compromisso ambiental e/ou termos de ajustamento de conduta ambiental e eventuais planos de ação
definidos nesta Resolução; e
VI - a verificação do cumprimento das obrigações assumidas no que se refere o inciso V.
99

Por outro lado, a segunda parte trata da avaliação da Gestão Ambiental:

1.2 - Quanto à avaliação do desempenho da gestão ambiental, a auditoria envolverá, entre outros:

I - a verificação da existência de uma política ambiental documentada, implementada, mantida e


difundida a todas as pessoas que estejam trabalhando na instalação auditada, incluindo funcionários de
empresas terceirizadas;
II - a verificação da adequabilidade da política ambiental com relação à natureza, escala e impactos
ambientais da instalação auditada, e quanto ao comprometimento da mesma com a prevenção da
poluição, com a melhoria contínua e com o atendimento da legislação ambiental aplicável;
III - a verificação da existência e implementação de procedimentos que propiciem a identificação e o
acesso à legislação ambiental e outros requisitos aplicáveis;
IV - a identificação e atendimento dos objetivos e metas ambientais das instalações e a verificação se os
mesmos levam em conta a legislação ambiental e o princípio da prevenção da poluição, quando
aplicável;
V - a verificação da existência e implementação de procedimentos para identificar os aspectos
ambientais significativos das atividades, produtos e serviços, bem como a adequação dos
mesmos;
VI - a verificação da existência e implementação de procedimentos e registros da operação e
manutenção das atividades/equipamentos relacionados com os aspectos ambientais significativos;
VII - a identificação e implementação de planos de inspeções técnicas para avaliação das condições de
operação e manutenção das instalações e equipamentos relacionados com os aspectos ambientais
significativos;
VIII - a identificação e implementação dos procedimentos para comunicação interna e externa com as
partes interessadas;
IX - a verificação dos registros de monitoramento e medições das fontes de emissões para o meio
ambiente ou para os sistemas de coleta e tratamento de efluentes sólidos, líquidos e gasosos;
X - a existência de análises de risco atualizadas da instalação;
XI - a existência de planos de gerenciamento de riscos;
XII - a existência de plano de emergência individual e registro dos treinamentos e simulações por ele
previstos;
XIII - a verificação dos registros de ocorrência de acidentes;
XIV - a verificação da existência e implementação de mecanismos e registros para a análise crítica
periódica do desempenho ambiental e sistema de auditorias internas;
XV - a verificação da existência de definição de responsabilidades relativas aos aspectos ambientais
significativos;
XVI - a existência de registros da capacitação do pessoal cujas tarefas possam resultar em impacto
significativo sobre o meio ambiente;
XVII - a existência de mecanismos de controle de documentos;
XVIII - a existência de procedimentos e registros na ocorrência de não-conformidades ambientais; e
XIX - a verificação das condições de manipulação, estocagem e transporte de produtos que possam
causar danos ao meio ambiente.

3.2 O ESTADO DO RIO DE JANEIRO

No estado do Rio de Janeiro, a DZ.56.R-2 - DIRETRIZ PARA REALIZAÇÃO DE


AUDITORIA AMBIENTAL, que estabelece:
a abrangência, as responsabilidades, os procedimentos e os critérios técnicos para a realização de
Auditorias Ambientais, conforme determinam a Constituição do Estado do Rio de Janeiro (Artigo 258,
parágrafo 1º, inciso XI), a Lei nº 1.898, de 26 de novembro de 1991 e o Decreto nº 21.470-A, de 05 de
junho de 1995.
100

Define a auditoria ambiental como instrumento do Sistema de Licenciamento de


Atividades Poluidoras - SLAP. Define ainda os objetivos da citada auditoria:

4.1. Contribuir para a implantação de política de gerenciamento ambiental nas empresas ou atividades
públicas e privadas.
4.2. Contribuir para informação e conscientização dos trabalhadores sobre os benefícios de redução dos
diferentes tipos de poluição para sua segurança e bem-estar.
4.3. Verificar o cumprimento dos dispositivos legais de proteção ambiental.
4.4. Verificar as condições de operação e de manutenção dos sistemas de controle de poluição e de
prevenção de acidentes.
4.5. Verificar as condições de manipulação, estocagem e transporte de matérias primas e produtos.
4.6. Avaliar os impactos e eventuais riscos para a qualidade ambiental na empresa ou atividade e em sua
área de influência.
4.7. Definir as medidas a serem tomadas para preservar, conservar e restaurar o meio ambiente.
4.8. Informar a situação ambiental da empresa ou atividade, estimulando melhor relacionamento com
os órgãos do Sistema Ambiental do Estado, a comunidade circunvizinha e o público em geral.
4.9. Estimular o uso de tecnologias limpas, de matérias primas menos agressivas ao meio ambiente, a
utilização racional de recursos e a conservação de energia.
4.10. Estimular a redução, reuso, reciclagem, tratamento, transporte e disposição adequada de resíduos.
4.11. Estimular a capacitação dos responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas, rotinas,
instalações e equipamentos de proteção ao meio ambiente.

3.3 O ESTADO DE MINAS GERAIS

A Lei n° 10.627/92 define, em seu art. 6°:

As diretrizes para a realização de auditorias ambientais deverão incluir, entre outras, avaliações
relacionadas aos seguintes aspectos:

I- dinâmica dos processos operacionais do empreendimento, com o manejo de seus produtos parciais,
finais e dos resíduos em geral;
II- impactos sobre o meio ambiente, provocados pelas atividades operacionais;
III- avaliação de riscos de acidentes e dos planos de contingências para evacuação e proteção dos
trabalhadores e da população situada na área de influência, quando necessário.
IV- alternativas tecnológicas disponíveis, inclusive de processo industrial e sistemas de
monitoramento contínuo, para redução dos níveis de emissão de poluentes;
V- saúde dos trabalhadores e da população vizinha.

3.4 O ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

O Decreto Nº 3.795-N, de 27 de dezembro de 1994, que Regulamenta a Lei Nº 4.802


de 02 de agosto de 1993, que dispõe respectivamente sobre as auditorias ambientais, define
em sua Seção III, art. 10, os objetivos da auditoria:

Art. 10 As Auditorias Ambientais tem como objetivo, entre outros, caracterizar e promover a melhoria
contínua das atividades dos agentes poluidores em relação ao meio ambiente mediante:
101

a) o estabelecimento e aplicação de práticas, procedimentos e dispositivos de proteção ao meio ambiente;


b) avaliação sistemática, contínua, objetiva e periódica dos resultados ambientais obtidos pelo agente
poluidor, em função da aplicação das práticas, procedimentos e dispositivos de proteção ao meio
ambiente, bem como seus respectivos programas de manutenção e monitoramento;
c) informação à comunidade, da área de influência direta do agente poluidor, sobre seu comportamento
ambiental, em relação, ao meio ambiente;
d) otimização da Performance Ambiental dos agentes poluidores no que concerne a seus sistemas e
processos produtivos, bem como do transporte, acondicionamento e destinação final de produtos, sub
produtos e resíduos;
e) verificação do cumprimento das normas ambientais em vigor;
f) proposição, pelo agente poluidor à luz dos resultados da Auditoria Ambiental, de medidas corretivas
que visem à proteção do meio ambiente e melhoria de qualidade de vida, através de um Plano de
Correção das Não Conformidades Legais, conforme disposto neste regulamento;
g) identificação e comprovação de falhas ou deficiências verificadas durante o processo de Auditorias
Ambientais anteriores;
h) proposição, pelo agente poluidor, à luz dos resultados da Auditoria Ambiental, de soluções, que
permitam minimizar ou solucionar a probabilidade de exposição a riscos provenientes de acidentes
hipotéticos mais prováveis e de emissões contínuas que possam afetar, direta ou indiretamente o bem
estar da população de sua área de influência direta;
i) verificação se a comunidade, na área de influência direta do agente poluidor, está sendo informada a
respeito dos riscos ambientais a que esteja sendo submetida, decorrentes da atividade do agente poluidor;
j) elaboração, pelo agente poluidor, da Declaração Ambiental, instrumento básico de informação à
população dos resultados da Auditoria Ambiental; e
k) estímulo ao aprimoramento da gestão ambiental dos agentes poluidores públicos e privados.

3.5 O ESTADO DO PARANÁ

A Lei 13.448/02 define, em seu art. 6°:

Art. 6º As diretrizes para realização de auditorias ambientais compulsórias deverão incluir, entre outras,
avaliações relacionadas aos seguintes aspectos:

I - cumprimento das normas legais relativas à Legislação Ambiental;

II - cumprimento das condições estabelecidas nas licenças ambientais e no estudo prévio de impacto
ambiental, quando houver, bem como as exigências feitas pelas autoridades competentes em matérias
ambiental;

III - dinâmica dos processos operacionais do empreendimento, com o manejo de seus produtos parciais,
finais e dos resíduos operacionais;

IV - impacto sobre o meio ambiente, provocado pelas atividades operacionais;


V - avaliação dos riscos de acidentes e dos planos de contingências, para evacuação e proteção dos
trabalhadores e da população situada na área de influência, quando necessário;
VI - avaliação de alternativas tecnológicas disponíveis, de processos, sistemas e tratamento e
monitoramento, para a redução dos níveis de emissão de poluentes;

VII - avaliação dos efeitos dos poluentes sobre os trabalhadores e população lindeira.

Já o Decreto n° 2.076/03, que “aprova o Regulamento da Lei nº 13.448, de 2002, que


dispõe sobre Auditoria Ambiental Compulsória e adota outras providências” define os
seguintes objetivos da auditoria compulsória:
102

Art. 2°. Para os efeitos deste regulamento, considera-se auditoria ambiental compulsória a realização de
avaliações e estudos destinados a verificar:
I – o cumprimento das normas legais ambientais em vigor;
II – os níveis efetivos ou potenciais de poluição ou de degradação ambiental por atividades de
pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas;
III – as condições de operação e de manutenção dos equipamentos e sistemas de controle de poluição;
IV – as medidas necessárias para:
a) assegurar a proteção do meio ambiente;
b) assegurar a proteção da saúde humana;
c) minimizar impactos negativos ao meio ambiente e recuperar o meio ambiente.
V – a capacitação dos responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas, instalações e
equipamentos de proteção do meio ambiente e
VI – os fatores de risco advindos das atividades potencialmente e efetivamente poluidoras.

3.6 O ESTADO DE MATO GROSSO

Em seu Código Estadual de Meio Ambiente (Lei Estadual Complementar nº 038, de


21 de novembro de 1995), em seu capítulo IV, ao tratar dos Instrumentos da Política Estadual
do Meio Ambiente, define em sua Seção VIII, art. 41, que as auditorias ambientais deverão
contemplar:

I – levantamento e coleta de dados disponíveis sobre a atividade auditada;


II - inspeção geral, incluindo entrevistas com diretores, assistentes técnicos e operadores da atividade
auditada;
III - verificação das matérias-primas, aditivos e sua composição, geradores de energia, processo
industrial, sistema e equipamentos de controle da poluição, planos e sistemas de controle da situação de
emergência e de risco, e dos subprodutos, resíduos e despejos da atividade auditada;
IV - elaboração de relatório contendo a compilação dos resultados, análise dos mesmos e proposta do
plano de ação visando a adequação da atividade às exigências legais de proteção ambiental.

Entretanto, por falta de regulamentação, não se tem claramente definidos os objetivos da


citada auditoria.

3.7 O ESTADO DE SÃO PAULO

Em sua Política Estadual do Meio Ambiente (Lei Estadual Nº 9.509/97, de 20 de


março de 1997), define no seu art. 2°, inc. VII, entre os seus princípios, a “realização
periódica de auditorias ambientais nos sistemas de controle de poluição e nas atividades
potencialmente poluidoras” e em seu inc. VIII:
103

Informação da população sobre os níveis de poluição, a qualidade do meio ambiente, as situações de


risco de acidentes, a presença de substâncias nocivas e potencialmente nocivas à saúde e ao meio
ambiente, nos alimentos, na água, no solo e no ar, bem como o resultado das auditorias a que se refere o
inciso VII deste artigo.

Mais um diploma legal que, por falta de regulamentação, não trouxe uma clara
definição dos objetivos da auditoria ambiental.

3.8 CONSIDERAÇÕES

Como principais pontos em comum dos objetivos das auditorias ambientais


compulsórias são percebidas a exigência da verificação do atendimento à legislação ambiental
aplicável à atividade auditada, e a utilização de seus relatórios como meio de informação à
população e ao Órgão Ambiental sobre os riscos ambientais decorrentes da atividade. Quanto
à divulgação dos resultados da auditoria, a grande maioria da comunidade regulada
permanece contrária.

Em que pese o surgimento de iniciativas voluntárias e algumas leis estaduais tornando


compulsórias as auditorias ambientais para algumas atividades com aspectos ambientais
significativos, algumas destas iniciativas legislativas ainda estão dependendo de
regulamentação, ou estão em fase inicial de implementação.
Estas leis também apresentam objetivos ambiciosos que exigirão consideráveis
recursos econômicos e humanos do Estado para sua implementação. O estágio atual das
auditorias ambientais no Brasil e os problemas estruturais de alguns órgãos ambientais não
indicam que, a curto prazo, estarão disponibilizados os fundos e aperfeiçoamento técnico para
que os agentes governamentais possam executar as atividades de monitoramento, assistência
técnica e atividades de controle previstas pelas referidas leis, sem prejuízo dos resultados
positivos porventura já alcançados.
Por outro lado, Sales (2001) afirma que uma possível alternativa à imposição legal
geral de auditorias ambientais é a sua incorporação a ações de controle específicas tais como
procedimentos administrativos e judiciais (v.g. Termos de Ajustamento, decisões judiciais
condenatórias).
Aguiar e Silva (1996) destacam ainda que, do ponto de vista do legislador, nem
sempre há a preocupação com a disponibilidade operacional do órgão executor, ou mesmo em
acompanhar os resultados advindos de um dado documento legal. Por sua vez, o poder
104

executivo, ao deliberar favoravelmente à proposta do legislativo, não leva em consideração o


aumento das responsabilidades para o órgão ambiental face a face com as reais condições de
infra-estrutura e nível de satisfação da equipe técnica, não cedendo diante da fragilidade
expressa no nível salarial vigente. No entanto, pode ceder às pressões das empresas que, só
então, passam a se posicionar contra o que consideram, de certa maneira, uma inversão no
processo de autogestão ambiental empresarial, como sinalizaram as decisões ocorridas
durante o processo de implementação da Auditoria Ambiental Compulsória no Estado do Rio
de Janeiro.

Souza (2002) destaca que:


não é objetivo de nenhuma auditoria voluntária a recomendação das soluções para os problemas,
porventura identificados, a despeito de muitas vezes apresentarem-nas. Neste caso, o termo mais correto a
ser usado seria prática de consultoria junto à empresa.

Já as auditorias compulsórias prevêem, em sua maioria, a elaboração de um plano de


ação para tratamento das não conformidades encontradas, normalmente a ser feito em
conjunto pelo auditor e representantes da empresa, e a ser inserido em seu respectivo
relatório.
Entretanto, independente de ser voluntária ou compulsória, de conformidade legal, de
sistema ou de qualquer outro tipo, devemos sempre lembrar que, uma vez conduzida com
seriedade, consoante com princípios éticos e utilizando as técnicas adequadas, a auditoria
ambiental torna-se uma poderosa ferramenta de gestão para o empresário realmente
comprometido com o Meio Ambiente. Muitas das não-conformidades legais têm por causa o
completo desconhecimento da situação, o que não exime as empresas e pessoas do seu
atendimento.
105

4. LEGISLAÇÃO AMBIENTAL E A NBR ISO 14001

4.1. BENEFÍCIOS DA IMPLEMENTAÇÃO DE UM SISTEMA DE GESTÃO


AMBENTAL

4.1.1. Gestão Ambiental - Significado

Gestão (management), uma palavra constantemente usada pela mídia, é tão somente a
maneira como se lida com determinada área de conhecimento, ou como se gerencia uma
atividade. Há, por exemplo, Gestão Empresarial, Gestão de Serviços, Gestão da Energia,
Gestão da Informação, Gestão da Qualidade, Gestão da Responsabilidade Social, Gestão
Ambiental, etc.
Há também os Sistemas de Gestão (S.G. da Qualidade, S.G. Ambiental, S.G. de
Segurança e Saúde no Trabalho...): são a reunião de um conjunto de iniciativas, recursos,
ações e procedimentos que uma empresa adota para padronizar a maneira como lida com
determinada área de atividades. A palavra ‘sistema’ tem o mesmo sentido dos sistemas do
corpo humano, por exemplo. Um conjunto de vários órgãos interdependentes que trabalham
em conjunto com uma função (ou objetivo) em comum. Então: Sistema de Gestão é o
conjunto de ações e recursos de que uma empresa se utiliza para gerenciar a maneira como
lida com determinada atividade.
Existem também as normas, que ditam padrões a serem adotados. Se todos seguem os
mesmos padrões, fica mais fácil vender, comprar, manusear e consertar. A primeira norma de
que se tem notícia foi criada nos Estados Unidos para padronizar a fabricação das peças dos
rifles “Winchester”, utilizados pelos soldados na época da colonização, infelizmente na
maioria das vezes para matar índios. Observou-se que, se as peças dos rifles tivessem
dimensões iguais, em caso de defeito, poderiam ser aproveitadas peças de um rifle para
consertar outro (prática conhecida atualmente por “canibalização”).
Um exemplo de como a normalização está presente na vida das pessoas: quando
alguém se hospeda em um hotel, não importando de quantas estrelas nem em que região, ao
procurar a torneira da água quente para tomar banho, quase que inconscientemente a pessoa
abrirá a torneira esquerda, assim como normalmente faz em qualquer hotel em que se hospede
e como faz em sua casa diariamente. Mesmo que ninguém explique, nem a torneira tenha
indicação de cor, ainda assim a pessoa saberá que é provável a torneira esquerda ser a da água
106

quente. Isto é um padrão. Aliás, mesmo o fato de se associar a cor vermelha à água quente já é
por si só um padrão.
A ISO 14001 é uma norma internacional que estabelece um padrão de Sistema de
Gestão Ambiental. Sistema de Gestão Ambiental, então, é o conjunto de iniciativas,
programas e recursos (inclusive humanos) utilizados por uma empresa para realizar a
interface com o meio ambiente, ou seja, é a maneira como a empresa trata a questão
ambiental. Ou, na visão de Amaral (2001), a Gestão Ambiental é definida como “um conjunto
de procedimentos para gerir ou administrar uma organização na interface com o meio
ambiente”.
Mas não basta a empresa afirmar que atende à norma. Uma auditoria deve ser
conduzida para verificar se os requisitos da norma estão sendo cumpridos. Em caso positivo,
o sistema de gestão é certificado. O resto do mundo saberá então que a empresa atende
àquelas especificações.
Acompanhando notícias veiculadas na mídia, ou até mesmo os mais recentes eventos,
tanto em esfera empresarial como acadêmica, podemos notar que a certificação de Sistemas
de Gestão Ambiental tornou-se pauta comum na grande maioria de debates sobre preservação
ambiental, crescendo quantitativa e qualitativamente a cada dia.
Mas por que tanta atenção? Por que, realmente, o número de empresas a adotarem um
Sistema de Gestão Ambiental não pára de crescer?
Maimon (1999) afirma que as vantagens competitivas e a própria imagem das
empresas são traduzidas em ganhos de custos e, sobretudo, de mercado. A responsabilidade
ambiental, por sua vez, constitui um adicional de competitividade, que acarreta novas
oportunidades de negócios.
Por exemplo, seguem abaixo algumas vantagens que uma empresa tem ao obter a
certificação ISO 14001:

• Otimização do consumo de recursos (matéria-prima, água, energia, ...) no processo


produtivo, com conseqüente redução de custos.
• Aumento da eficiência e eficácia do processo, gerando emissões em menor quantidade e
melhor qualidade (menos agressivas), reduzindo os custos de controle no final do
processo e os riscos de multa.
• Melhoria na imagem – interna e externa – da empresa, gerando o chamado marketing
ambiental. Este ponto é fundamental, visto que a sociedade já dá preferência a produtos
107

e serviços ambientalmente corretos. Recente pesquisa Ibope feita em várias regiões do


Brasil e com diferentes classes sociais revelou que 68% dos consumidores estão
dispostos a pagar mais por um produto se este for reconhecidamente menos agressivo
ao meio ambiente.
• Maior penetração nos mercados interno e externo associada à certificação.
• Redução dos riscos de gerar passivos ambientais, hoje uma preocupação constante dos
empresários, não só pelo aspecto jurídico da questão, mas também pelo aspecto
econômico, pois a tendência mundial é que operações de compra e venda de empresas
só sejam concluídas após avaliação minuciosa de seu passivo ambiental.
• Melhoria no relacionamento com órgãos fiscalizadores e licenciadores, uma vez que
reconhecem a postura proativa da empresa em relação ao meio ambiente. Este fato pode
ser um facilitador, por exemplo, no processo de obtenção/renovação de licenças
ambientais ou atenuante em infrações administrativas.
• Facilita a obtenção de capital, visto que as instituições financeiras, pela possibilidade de
serem co-responsáveis por infrações ambientais cometidas por projetos que tenham
financiado, estão realizando auditorias ambientais para determinar o risco/passivo
ambiental do projeto, e só então liberar o financiamento.
• Diminui os custos do seguro ambiental.

Ainda neste sentido, afirma Souza (2002):

Operar em conformidade com os regulamentos ambientais, arcar com a responsabilidade financeira por
eventuais danos ambientais, melhora a imagem e pode ganhar mercado em função da associação da
imagem da empresa com uma nova ética social exigida pelos consumidores, além de minimizar barreiras
comerciais não tarifárias no mercado internacional. (SOUZA, 2002, p. 27)

4.1.2 – Fases da Gestão Ambiental:

Teoricamente, a sociedade, através de representantes eleitos, materializa sua vontade,


e seus princípios sobre o que deve ser feito, e o que é reprovável, através das leis.
Notadamente, após certos acidentes ambientais de grande projeção, a sociedade tem reagido,
reprovando estes fatos, e seguidamente têm sido elaborados documentos legais sobre o tema.
A história da evolução da questão ambiental confunde-se com a evolução dos
acontecimentos e legislações elaboradas em seguida. Foi assim no caso das inversões térmicas
108

de Londres, nos acidentes de Bhopal, Chernobyl, Exxon-Valdez, ilhas Shettland, entre tantos
outros, e recentemente com os derramamentos de óleo na Baía de Guanabara, em 2000, que
causou a edição da Resolução CONAMA 265, daquele ano.
Atualmente, com o recente acidente da Cataguazes no Rio Pomba (vide Capítulo II, p.
33), já se discute a adoção da exigência de auditorias ambientais compulsórias, em nível
federal, por exemplo.

Esta evolução pode ser comparada com a própria evolução da gestão ambiental:

1ª fase- Postura Reativa – a empresa age porque está sendo coagida, atende à demanda
do órgão ambiental. Fase típica inicial do “comando e controle”. Nesta fase, empresas que já
operavam há anos vêem-se obrigadas a cumprir padrões de emissão estabelecidos por
documentos legais recém-editados. Para tanto, estabelecem medidas de controle, ou seja,
instalam filtros, estações de tratamento de efluentes, estabelecem técnicas de disposição final
de resíduos, e outras ações para que o resultado final de seu processo seja controlado, e atenda
aos padrões legais. Chama-se este controle de “end of pipe”. (semelhante à inspeção final, do
controle da qualidade).
2ª fase – Postura Adaptativa – a empresa conhece a lei ambiental e apenas a cumpre. A
intenção é “andar na linha”, conhecendo e cumprindo o mínimo necessário. Nesta fase, a
gestão ambiental é apenas voltada para o cumprimento da legislação ambiental. Temos aqui a
situação madura do comando e controle. Nesta fase, as organizações começam a perceber que
o controle ao final do processo é custoso, e começam a planejar suas operações de maneira
mais adequada.
3ª fase – Postura Pró-ativa – a gestão ambiental é voltada a superar os parâmetros
legais. As empresas vão além do que a lei exige, e buscam atender a demandas de clientes,
fornecedores, sociedade, enfim, de todas as partes interessadas, além de buscar fatores
adicionais, tais como benchmarking5com as empresas líderes do setor. Aqui temos a real
prevenção de poluição. As organizações percebem que gerenciar todo o processo, desde o
projeto, a escolha da tecnologia adequada e matérias primas menos impactantes, até a emissão
final de poluentes, podem racionalizar o consumo de insumos (água, energia, matéria prima)
e reduzir em quantidade e capacidade de agressão ambiental o que emitem ao final do

3Processo sistemático e contínuo de avaliação de estratégias, operações, processos, metodologias de trabalho,


produtos e serviços de organizações que efetivamente pratiquem e sejam reconhecidas como melhores de uma
determinada classe e como exemplos organizacionais.
109

processo. Com isso, precisarão investir menos no tratamento final das emissões, efluentes e
resíduos. Aqui encontram-se as empresas que implementam uma gestão ambiental, como as
que certificam seus sistemas pela NBR ISO 14001. Estas empresas percebem que “lixo é
dinheiro”, por exemplo, e surgem iniciativas como a bolsa de resíduos. Percebem ainda o
quanto estão vulneráveis, com a lei de crimes ambientais. Nesta mesma linha de raciocínio,
temos a conhecida Produção Mais Limpa (P+L).
Apenas como exemplo, dados históricos demonstram que a construção civil no Brasil
dispensa como entulho 300 kg para cada tonelada de matéria prima comprada, enquanto no
Japão este número é de apenas 16 kg.

4.1.3 – Objetivos do Sistema de Gestão Ambiental:

Seu objetivo central é dar suporte à proteção ambiental e à prevenção contra a poluição,
enquanto se atingem as metas econômicas e gerenciais. Este objetivo é obtido através de um
sistema de gestão ambiental (SGA) que, por definição, inclui todas as atividades necessárias
para:

• estabelecer uma política ambiental e respectivos objetivos;


• atingir conformidade com a política e os objetivos;
• demonstrar esta conformidade a terceiros.

A implementação adequada do SGA (documentação e procedimentos práticos) determina


sua efetividade em atingir os objetivos da gestão ambiental.
É correto afirmar que o SGA buscará atingir seus objetivos atendendo a três diretrizes
básicas, portanto: melhoria contínua, atendimento à legislação e prevenção de poluição.
Em relação a este último item, temos a definição formal trazida pela NBR ISO 14001:

3.13 Prevenção de Poluição – Uso de processos, práticas, materiais ou produtos que evitem, reduzam ou
controlem a poluição, os quais podem incluir reciclagem, tratamento, mudanças no processo, mecanismos
de controle , uso eficiente de recursos e substituição de materiais.
Nota: Os benefícios potenciais da prevenção de poluição incluem a redução de impactos ambientais
adversos, a melhoria da eficiência e a redução de custos.
110

4.2 AUDITORIAS COMPULSÓRIAS E O MONITORAMENTO DO


ATENDIMENTO À LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PREVISTO NA NBR ISO 14001

Especificamente em relação à Legislação Ambiental, a NBR ISO 14001:1996 focaliza


a questão nos seguintes requisitos:

4.2.1 - Cláusula 4.2 - Política ambiental

A alta administração deve definir a política ambiental da organização e assegurar que ela:

Sub-item c): inclua o comprometimento com o atendimento à legislação e normas ambientais aplicáveis,
e demais requisitos subscritos pela organização;

É obrigatório, conforme a Norma, o comprometimento com o atendimento à


legislação. Antes da interpretação oficial do SC 01 do CB 38 6 , o entendimento era de que o
atendimento pleno aos requisitos legais era um processo contínuo, daí não seria obrigatório à
empresa estar sempre em conformidade, o que eventualmente poderia não acontecer.
Alegava-se que “estar comprometido em atender” não significava “atender efetivamente” e
dispensava-se a não conformidade caso a organização justificasse o não atendimento e desse o
tratamento adequado, investigando as causas e fazendo uma análise crítica da situação.
Todavia, de acordo com o referido documento, resposta R5: “O compromisso do
atendimento à Legislação implica em que a empresa deva estar atendendo a todos os
requisitos legais aplicáveis. Este atendimento pode estar sendo realizado via compromisso
formal firmado com a autoridade competente (normalmente o órgão ambiental).” Em sua
carta circular n° 019, o INMETRO dá a todas as organizações que operam atividades de
certificação de sistemas no âmbito do SBAC7 prazo de 6 meses, a partir de 14/09/2001, para
pleno atendimento ao documento.

4.2.2 - Cláusula 4.3.1 Aspectos Ambientais

6 INTERPRETAÇÃO NBR ISO 14001 (1996), JULHO 2001 - CB-38/SC-01/GRUPO DE INTERPRETAÇÃO


O CB-38, Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental, da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, decidiu criar um grupo para
elaborar a interpretação oficial brasileira de pontos polêmicos de entendimento da norma NBR ISO 14001 (1996), conforme resolução
ABNT/CB38/CG/77/00. Esta decisão atende orientação do TC-207 – Comitê Técnico em Gestão Ambiental da ISO – Organização
Internacional de Normalização, de acordo com documento ISO/TC207/SC1/N161. Vale ressaltar que estas interpretações foram aprovadas
pelo TC 207 da ISO na reunião de Kuala Lumpur em Julho de 2001, resolução ISO/TC207/SC1/16/2001.

7 Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade, antigo SBC – Sistema Brasileiro de Certificação


111

A organização deve estabelecer e manter procedimento(s) para identificar os aspectos ambientais de suas
atividades, produtos ou serviços que possam por ela ser controlados e sobre os quais presume-se que ela
tenha influência, a fim de determinar aqueles que tenham ou possam ter impacto significativo sobre o
meio ambiente. A organização deve assegurar que os aspectos relacionados a estes impactos
significativos sejam considerados na definição de seus objetivos ambientais. A organização deve manter
essas informações atualizadas.

Esta cláusula, embora não faça referência direta à legislação ambiental, é a base para a
implementação de todo o SGA, bem como para o levantamento da legislação ambiental
aplicável, como será visto na próxima cláusula.

A NBR ISO 14001:1996 também traz as seguintes definições:

● Aspecto Ambiental –“Elemento das atividades, produtos ou serviços de uma organização


que pode interagir com o meio ambiente”.
• Impacto Ambiental - “Qualquer modificação do ambiente, adversa ou benéfica, que resulte,
no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de uma organização”.

De um modo geral, podemos dizer que a empresa irá fazer um estudo para determinar
as possíveis interações com o meio ambiente decorrentes de seus
processos/atividades/produtos.
Importante lembrar que a norma apenas diz o que deve ser feito, e não como. Portanto,
a metodologia para levantamento de aspectos e impactos ambientais e sua respectiva
valoração de significância adotam critérios subjetivos, variáveis de empresa para empresa.

4.2.3 - Cláusula 4.3.2 Requisitos legais e outros requisitos

“A organização deve estabelecer e manter procedimento(s) para identificar e ter acesso


à legislação e outros requisitos por ela subscritos, aplicáveis aos aspectos ambientais de suas
atividades, produtos ou serviços”.

Este item da Norma não exige o atendimento aos requisitos legais. Cuida da
identificação e conhecimento dos requisitos. A empresa deve ter meios para identificar quais
são os regulamentos aplicáveis às suas atividades e, logicamente, manter esta informação
atualizada, acompanhando as alterações na legislação, além de comunicar informações
pertinentes ao seu pessoal, no que se refere aos requisitos legais.
112

Lembramos que este item requer atenção especial na implementação, dada a natureza
esparsa e descentralizada de nossa legislação ambiental, com diferenças de Município para
Município, suas constantes modificações e atualizações e a escassez de jurisprudência
pacífica firmada sobre o assunto.
Exemplos de outros requisitos com que uma organização pode subscrever: códigos de
prática da indústria, acordos com autoridades públicas (termos de ajuste de conduta),
condicionantes de Licença, diretrizes de natureza não regulamentar, diretrizes da própria
empresa.

4.2.4 - Cláusula 4.5.1 Monitoramento e medição8

(último parágrafo): “A organização deve estabelecer e manter um procedimento


documentado para avaliação periódica do atendimento à legislação e regulamentos ambientais
pertinentes”.

Para o atendimento a esse requisito a empresa deve medir com freqüência o seu grau
de conformidade com a legislação, de forma a demonstrar o seu comprometimento expresso
na Política. Este item está diretamente relacionado com o atendimento, e haverá não-
conformidade se for constatado o não atendimento a um requisito legal.
De acordo com o documento do CB 38 – resposta R 27: “requisitos legais não
atendidos devem ser tratados de acordo com a sistemática de ação corretiva, o que indica a
investigação da causa, e implementação e verificação da efetividade.”
Em face do exposto, percebe-se que o atendimento à legislação ambiental é questão
crítica e obrigatória para organizações buscando a certificação de seu SGA segundo a NBR
ISO 14001.
Mas qual a importância e/ou utilidade das auditorias compulsórias para o SGA
implementado segundo a NBR ISO 14001?
Como auditorias compulsórias de conformidade legal têm por um dos objetivos
verificar o atendimento à legislação ambiental aplicável , seus relatórios podem ser utilizados
como evidência da avaliação periódica do atendimento à legislação e regulamentos ambientais
pertinentes, prevista no terceiro parágrafo do requisito 4.5.1 da citada norma. Para tanto,
basta, no procedimento documentado exigido, definir que a periodicidade prevista pelo

8 Na nova ISO 14001:2004, este úultimo parágrafo do requisito 4.5.1 é movido para um novo requisito 4.5.2 e o
termo “procedimento documentado” é substituído pelo termo “procedimento”.
113

sistema será a já exigida por lei, e que as auditorias realizadas para atendimento ao
mandamento legal serão realizadas atendendo aos objetivos do citado requisito do SGA
também.
114

5. AUDITORIAS AMBIENTAIS E O CONHECIMENTO SOBRE A


LEGISLAÇÃO AMBIENTAL: NECESSIDADES E CONSEQÜÊNCIAS

5.1. AUDITORIAS DE SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL E A EGISLAÇÃO


AMBIENTAL

Auditores Ambientais necessitam ter conhecimento e formação interdisciplinar para


vivenciar adequadamente as diferentes situações às quais estarão submetidos durante as
auditorias de SGA (Sistemas de Gestão Ambiental).
Ser aprovado em um curso credenciado de formação de Auditores Líderes Ambientais
é condição necessária, porém não suficiente, para a formação do Auditor. Faz-se necessário,
além de outros requisitos, como experiência na realização de auditorias, conhecimento geral
de alguns temas e específico de outros, para que o auditor não seja apenas um “especialista
em sistemas de gestão”, incapaz, por exemplo, de entender os impactos ambientais do
processo auditado.
Basicamente, o auditor deve procurar treinamento, informação e conhecimentos
adicionais e constantes nas seguintes áreas:

• Legislação Ambiental;
• Identificação e avaliação de Aspectos e Impactos Ambientais;
• Preparação e Atendimento a Emergências;
• Planos de comunicação;
• Gerenciamento de Resíduos;
• Amostragem;
• Relacionamento Interpessoal/ Liderança.

Dentre as muitas razões para a crescente busca por informações na área de Legislação
Ambiental, as principais são:

• Necessidade, por parte da organização que tem ou busca ter seu Sistema de
Gestão Ambiental certificado em conformidade com a NBR ISO 14001, de atender a todos os
requisitos legais aplicáveis, ou seja, exigindo um melhor conhecimento e aplicabilidade por
parte de seu pessoal da Legislação Ambiental pertinente;
115

• Pressão cada vez maior da sociedade sobre as organizações, para que estas
desenvolvam novos processos produtivos que não impactem o meio-ambiente. Cada vez mais
a imagem da empresa passa a ser avaliada de acordo com sua responsabilidade ambiental, e
encontra-se vinculada às suas atitudes e percepções com seu ambiente externo;
• A Legislação Ambiental é muito dispersa e ampla, muda de Município para
Município, de Estado para Estado, obrigando as empresas a despenderem mais com recursos
humanos na vigilância de constantes mudanças efetuadas por órgãos reguladores por meio de
leis, decretos, portarias, diretrizes, entre outros;
• Uma maior eficiência por parte das organizações no gerenciamento de suas
atividades, baseadas na Legislação Ambiental, possibilitará a empresa reduzir seu passivo
ambiental, e, mais importante ainda, preveni-la de não ser multada ou processada.
Assim pelas características do ambiente organizacional a ser auditado e certificado, e
pelas razões mencionadas acima, o conhecimento da Legislação Ambiental é fundamental
para o exercício de todos os profissionais que direta ou indiretamente atuam nesta área ou em
áreas correlatas.
Este fato tornou-se mais visível ainda com a publicação, em novembro de 2002, da
NBR ISO 19011, norma de “Diretrizes para a condução de auditorias de sistemas de gestão da
qualidade e/ou ambiental”, que trata, entre outros assuntos, sobre “a gestão de programas de
auditoria, sobre a realização de auditorias internas ou externas de sistemas de gestão da
qualidade e/ou ambiental, assim como sobre a competência e a avaliação de auditores”.
Em seu requisito 7.3.1, a citada norma recomenda que os auditores tenham
conhecimento e habilidades, entre outras áreas, “nas Leis, regulamentos e outros requisitos
pertinentes à organização a ser auditada”. Isto, no caso de Auditores de Sistemas de Gestão
Ambiental, significa que estes devem conhecer a Legislação Ambiental.
Ainda, em sua Tabela 3 recomenda que os auditores ambientais tenham: “habilidade
para identificar a aplicação das leis pertinentes e regulamentos relacionados aos processos,
produtos e/ou descargas no ambiente”, e recomenda ainda que este conhecimento seja
adquirido “através de curso de treinamento nas leis pertinentes às atividades e processos a
serem auditados”.
Anterior à publicação da NBR ISO 19011, a Diretriz do IAF9 sobre aplicação do
ISO/IEC Guia 66:1996 – 2ª edição, de dezembro de 200110, que traz requisitos gerais para
Organismos que operam Avaliação e Certificação de Sistemas de Gestão Ambiental
(SGA), traduzido pelo INMETRO através da norma NIT-DICOR 039, aprovada em abril
de 2002, já dava a devida importância ao conhecimento da legislação ambiental, através
das seguintes diretrizes:

9 O Foro de Credenciamento Internacional (International Accreditation Fórum - IAF) opera um programa de avaliação de
conformidade, o qual promove a eliminação de barreiras não tarifárias ao comércio. O programa IAF de avaliação de
conformidade provê a confiança necessária para a aceitação no mercado de certificados nos campos de sistemas de gestão,
produtos, serviços, pessoal e outros programas similares de avaliação de conformidade. O programa IAF permite que
empresas com um certificado de avaliação de conformidade credenciado em uma parte do mundo tenha aquele certificado
reconhecido em qualquer lugar do mundo. IAF promove a aceitação internacional dos credenciamentos concedidos por seus
organismos de credenciamento membros signatários do IAF Acordo de Reconhecimento Multilateral (MLA), baseado na
equivalência de seus programas de credenciamento.

10De acordo com a citada Diretriz do IAF: “O ISO/IEC Guia 66:1996 é um Guia Internacional que estabelece critérios para
organismos que operam avaliação e certificação de Sistemas de Gestão Ambiental (SGA). Se tais organismos devem ser
credenciados por estarem em conformidade com o Guia 66 de uma maneira harmonizada mundialmente, é necessário uma
Diretriz para a aplicação do Guia 66. Essas Diretrizes provêm isto.
116

G.4.2.11. Treinamento e seleção de equipes auditoras

O organismo de certificação deve ter critérios, de acordo com a ISO 14012 11, para o treinamento e a
seleção de equipes de auditoria dos que assegurem níveis competentes apropriados de:

a) compreensão da norma SGA;

b) compreensão de questões ambientais;

c) conhecimento técnico da atividade a ser auditada;

d) conhecimento de requisitos regulamentares pertinentes ao SGA; (grifo nosso)

e) competência em auditoria sistema de gestão;

f) conhecimento do sistema de gestão ambiental.

G.4.2.15.

Os requisitos a seguir se aplicam a equipe de auditoria como um todo:

a) Em cada uma das áreas a seguir pelo menos um membro da equipe de auditoria deveria atender aos
critérios do organismo de certificação tomando a responsabilidade na equipe por:

- liderar a equipe e gerenciar o processo de auditoria;

- conhecimento dos requisitos legislativos, regulamentares e legais no campo ambiental; (grifo


nosso)

- sistemas de gestão e métodos de auditoria;

- impactos e aspectos ambientais, inclusive técnicas para sua mitigação e controle;

- conhecimento técnico atualizado do setor específico;

Pode-se concluir do acima exposto que um Organismo de Certificação de Sistemas de


Gestão Ambiental, para ser credenciado, por exemplo, pelo INMETRO, deveria avaliar a
competência (e complementá-la, quando necessário através de treinamento, por exemplo) e
definir a formação da equipe de auditoria de modo a garantir que pelo menos um membro da
equipe auditora conheça a legislação ambiental aplicável às atividades da organização a ser
auditada.
Somada aos motivos acima, podemos – e devemos – alertar os auditores para sua
responsabilidade legal (tanto civil quanto penal) por danos ambientais decorrentes direta ou
indiretamente de ações ou omissões por sua parte, quando da realização de auditorias
ambientais, assunto abordado no Capítulo 6 desta dissertação.
Espera-se, portanto que o auditor seja um profissional com competência para entender
como e onde procurar a legislação de interesse e verificar se esta é aplicável às atividades,
produtos ou serviços da empresa auditada, através da correlação aos seus aspectos ambientais,
além de saber interpretar e entender os textos legais.

11 A partir de novembro de 2002, leia-se ISO 19011 no lugar de ISO 14010, ISO 14011 e ISO 14012.
117

5.2 RESPONSABILIDADE LEGAL DOS AUDITORES AMBIENTAIS

A Constituição Federal, em seu artigo 225, parágrafo 3º, prevê os seguintes tipos de
responsabilidade: administrativa, criminal e civil. Também estas previsões vêm elencadas em
outros diplomas legais.
Percebe-se que os profissionais ligados à área ambiental são sujeitos de obrigações,
direitos e deveres, portanto, acometidos de responsabilidade. Dessa forma, o tema objeto
deste capítulo é identificar e atribuir as responsabilidades civil, penal e administrativa aos
auditores ambientais.

5.2.1 – Responsabilidade Civil de Auditores

Para efetuar análise do regime de responsabilidade jurídica de auditores ambientais no


Brasil, Sales (2001) considera três aspectos do regime de responsabilidade civil:

a) O regime tradicional de responsabilidade por danos causados por profissionais


de diferentes áreas, baseado na teoria da culpa lato sensu estabelecida pelo Código Civil (o
autor de uma ação judicial de reparação de danos deve provar que o dano sofrido foi causado
por negligência, imprudência, imperícia ou dolo do réu).
b) O regime de responsabilidade civil objetiva (independentemente de culpa) para
os danos ambientais, estabelecidos pela Lei da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei n.º
6.938/81, art. 14, § 11).
c) O regime de responsabilidade objetiva por fato do serviço, e subjetiva para os
profissionais liberais, estabelecido pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei n.º 8.078/91,
art. 14).

Fundamentado nas teorias e regime legal citados anteriormente, a maioria da doutrina


jurídica e jurisprudência aponta para os seguintes critérios gerais:

a) O regime de responsabilidade civil objetiva aplica-se apenas ao empreendedor


(companhia ou indivíduo) ou à entidade pública que direta ou indiretamente contribuíram para
o dano ambiental. Entretanto, o empreendedor poderá buscar o reembolso de suas perdas
contra o profissional ambiental. Dependendo do tipo de problema causado e das
118

circunstâncias particulares de cada caso, este regime também pode ser aplicado a empresas de
consultoria que prestam serviços de auditoria, desde que caracterizado dano causado por vício
do serviço, nos termos do Código de Defesa do Consumidor.
b) Como regra geral, o regime de responsabilidade civil do auditor ambiental
externo se enquadra no regime tradicional de responsabilidade civil subjetiva. Desse modo,
um auditor ambiental pode ser responsabilizado civilmente (pagamento de indenizações ou
obrigação de fazer) nos casos de danos ambientais resultantes de sua culpa lato sensu
(imprudência, negligência, imperícia). Ele também pode ser responsabilizado de acordo com
o mesmo regime de responsabilidade civil subjetiva, por outros tipos de danos causados ao
seu cliente ou a terceiros (por exemplo, danos causados a equipamentos ou à propriedade de
clientes).
c) Nos casos de auditores internos, o empregador poderá buscar ressarcimento das
perdas, sob o regime de responsabilidade civil subjetiva, apenas nos casos de conduta dolosa
do empregado.

Complementa Machado (2001), em relação aos auditores internos:

Na auditoria ambiental privada, realizada por auditores internos, não me parece tranqüila a possibilidade
de o empreendedor ou a empresa voltarem-se regressivamente contra seus empregados, a não ser em caso
de dolo, pois presente está o vínculo de subordinação, inegável na escala hierárquica de qualquer
empresa.

Entretanto, deve-se lembrar que, em se tratando especificamente de Auditorias de


Sistemas de Gestão Ambiental (voluntárias), além de se trabalhar com informações fornecidas
pela empresa, o auditor assina termo de confidencialidade e o relatório da auditoria pertence
ao cliente da mesma, sendo inclusive submetido a sua aprovação.
Ainda, na condução destas auditorias, são realizadas amostragens das evidências a
serem coletadas, e, mesmo que utilizando métodos estatisticamente válidos, as constatações e
conclusões sempre carregarão implícito o conceito de que “até onde pude verificar, dentro da
amostra que examinei, as evidências são...”. Além disso, o próprio auditor poderá buscar
proteção no conceito de “segredo profissional”. Portanto, especificamente nestes casos, a
responsabilidade dos auditores poderá ser amplamente contestada.
Logicamente, a aplicação dos casos acima citados depende das situações particulares.
119

5.2.2 – Responsabilidade Penal de Auditores

Da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) - Art. 2º:

Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a
estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de
conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que,
sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.

Em primeira análise, é importante lembrar que se trata de concurso de pessoas, não podendo
esta discussão deixar de considerar o Artigo 29 do Código Penal. Como este texto não se
destina apenas aos operadores do Direito, convém explicação sucinta sobre tema penal.
Segundo Julio Fabbrini Mirabete (1999, pág. 236):

Esse concurso de pessoas, ou concurso de agentes, ou co-autoria, ou participação criminosa, pode ser
definido como a ciente e voluntária colaboração de duas ou mais pessoas na prática da mesma infração
penal. Há convergência de vontades para um fim comum...

Quando se fala em “na medida de sua culpabilidade” percebe-se que isto pode se
tornar bastante difícil de ser medido.
Importante lembrar que, além do tipo penal “concorrer para a prática dos crimes
previstos nesta Lei”, tem-se outro tipo penal dentro do mesmo artigo, a partir de “..., bem
como...” porque traz outra situação: “saber da conduta” e “deixar de impedir”, com a ressalva
de “quando podia evitar”.
Ou seja, neste caso, o Auditor, para ser responsabilizado criminalmente, terá que:

1. saber da conduta criminosa de outrem.


2. poder evitá-la.
3. deixar de agir.

Entretanto, não nos parece fácil este enquadramento, pois há vários pontos que podem
ser contestados, a saber:

Quanto ao n°. 1 (saber da conduta criminosa de outrem): lembramos que a Auditoria


de SGA utiliza amostragem, portanto, se a amostra não contemplou fatos que levem o auditor
ao conhecimento da referida conduta criminosa por parte de alguém, este não responderá.
120

Quanto ao n°. 2 (poder evitá-la): deve-se analisar se há relação de subordinação (será


que o auditor pode realmente evitar, visto que há aprovação de seu trabalho, e que ele se
compromete a não interferir na rotina da empresa) , ou seja, o auditor para poder evitar tem
que ter poderes para isso, o que se traduz em ter responsabilidade e autoridade.
Quanto ao n°. 3 (deixar de agir): pode ser alegado segredo de profissão (não pode
denunciar) o fato de haver um termo de confidencialidade assinado pelo auditor. Portanto, se
ele evidenciou, registrou que a prática deve ser suspensa, e o auditado tomou ciência, não há
mais responsabilidade do auditor. Cabe melhor atenção ao que seria o “poder agir para evitá-
la”: a solução de informar a quem tem o poder de fazer parar ou impedir de acontecer parece
interessante. Neste sentido se preserva a confidencialidade e reflete-se a atitude máxima que
se poderia tomar a fim de evitá-la.

5.2.3 – Responsabilidade Administrativa de Auditores

A Diretriz FEEMA 056-R2, que orienta a realização da auditoria exigida pela Lei do
Estado do Rio de Janeiro (Lei 1.891/91), estabelece que o auditor independente poderá ser
penalizado com pelo menos dois anos de suspensão de suas atividades profissionais nos casos
de omissão ou sonegação de informações relevantes. A existência do dano não é necessária
para a imputação:

8.2. Os responsáveis pela realização de Auditorias Ambientais poderão ser descredenciados pela
FEEMA, pelo prazo mínimo de 2 (dois) anos, em decorrência da omissão ou sonegação de informações
relevantes, sendo o fato comunicado à Procuradoria Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

5.2.4 – Recomendações aos Auditores

O auditor ambiental deve estar sempre atento a alguns detalhes, colocados a seguir
como orientações de proteção:

• Se constatar uma não conformidade (legal ou não), nunca omita de seu relatório. Mesmo
que lhe ordenem isso.
121

• Deixar sempre claro, bem caracterizada a amostra, o que foi visto, por onde passou,
inclusive no relatório da auditoria.
• Se o mesmo será submetido a alguém para aprovação, fazer essa aprovação constar do
relatório, e guardar toda a comunicação que for produzida (e-mail, carta) sobre o envio desse
relatório.
• Fazer uma ressalva sobre o fato de se estar trabalhando com informações fornecidas pelo
auditado, tomando-as de boa-fé por 6verdadeiras.
• Finalmente: manter-se atualizado tecnicamente; conhecer os critérios da auditoria,
principalmente a Legislação Ambiental.
122

6. FORMAÇÃO DE AUDITOR AMBIENTAL DE CONFORMIDADE LEGAL:


PROPOSTA DE CURSO

Tomando por base a auditoria ambiental de conformidade legal estabelecida pela


Resolução Conama 306 de 2002 e pela Portaria 319 de 2003, foi elaborada uma proposta de
curso de formação de auditores para atender seus requisitos.

6.1. JUSTIFICATIVA

6.1.1 - A Portaria MMA 319/2003:

Estabelece “os requisitos mínimos quanto ao credenciamento, registro, certificação,


qualificação, habilitação, experiência e treinamento profissional de auditores ambientais para
execução de auditorias ambientais que especifica”.
Em seu Art. 2°, IV, traz a definição de “curso de formação de auditores: curso de
formação de auditores reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente, com a duração de, no
mínimo, quarenta horas, sobre princípios e práticas de auditoria ambiental e de gerenciamento
da equipe de auditoria, tendo como enfoque principal a gestão ambiental com base na
Resolução CONAMA n o 306, de 2002;”
Em seu Art. 3°, traz que:
As auditorias ambientais determinadas pela Resolução CONAMA n° 306, de 2002, deverão ser
executadas por auditores ambientais que atendam aos seguintes requisitos de qualificação:
III - especialização: o auditor deve ter sido aprovado em um curso de formação de auditores ambientais
com duração de, no mínimo, quarenta horas, credenciado pelo INMETRO e reconhecido pelo Ministério
do Meio Ambiente;

Para que se possa entender o que deve ser ministrado neste curso, faz-se necessária a
análise de toda a fundamentação legal desta auditoria, regida pelos diplomas legais
correspondentes. Alguns pontos de destaque desses diplomas foram examinados no capítulo
2, dando ênfase aos que se seguem:

6.1.2 A Lei do Óleo (Lei nº 9966, de 28 de Abril de 2000):

“Dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por


lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição
nacional e dá outras providências.”
123

Em seu art. 1º, estabelece os princípios básicos a serem obedecidos na movimentação


de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em portos organizados, instalações
portuárias, plataformas e navios em águas sob jurisdição nacional.
Em seu art. 9º, estabelece que as entidades exploradoras de portos organizados e
instalações portuárias e os proprietários ou operadores de plataformas e suas instalações de
apoio deverão realizar auditorias ambientais bienais, independentes, com o objetivo de avaliar
os sistemas de gestão e controle ambiental em suas unidades.

6.1.3 – O Decreto 4136/02

Regulamenta a Lei do Óleo, dispondo sobre:


a especificação das sanções aplicáveis às infrações às regras de prevenção, controle e fiscalização da
poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob
jurisdição nacional, prevista na Lei no 9.966, de 28 de abril de 2000, e dá outras providências.

Em seu art 2° traz definições, entre elas a do inc. XXIII:


auditoria ambiental: é o instrumento pelo qual se avalia os sistemas de gestão e controle ambiental em
porto organizado, instalação portuária, plataforma e suas instalações de apoio e dutos, a ser realizada por
órgão ou setor que não esteja sendo objeto da própria auditoria, ou por terceira parte;

Em sua Seção II, versando sobre as “Infrações e Penalidades”, tem a Subseção I, que
trata das “Infrações Relativas aos Sistemas de Prevenção, Controle e Combate da Poluição
Imputáveis a Portos Organizados, Instalações Portuárias e Plataformas com suas Instalações
de Apoio” traz, em seu art. 16:
Deixarem as entidades exploradoras de portos organizados e instalações portuárias e operadores de
plataformas de realizar auditorias ambientais independentes bienais, para avaliação dos sistemas de gestão
e controle ambiental em suas unidades, a partir de dezoito meses da entrada em vigor deste Decreto:
Penalidade: multa do Grupo H.

Esta multa do Grupo H é definida em seu Anexo I (traz os valores da multas por
grupos):

Grupo H – R$ 7.000 a R$ 700.000,00


124

6.1.4 - A Resolução CONAMA 306/02:

Publicada em 5 de julho de 2002, buscou disciplinar o atendimento ao art. 9º, da Lei nº


9.966, de 28 de abril de 2000, que trata da obrigatoriedade da realização de auditorias
ambientais independentes, através do estabelecimento:
dos requisitos mínimos e o termo de referência para realização de auditorias ambientais, objetivando
avaliar os sistemas de gestão e controle ambiental nos portos organizados e instalações portuárias,
plataformas e suas instalações de apoio e refinarias, tendo em vista o cumprimento da legislação vigente e
do licenciamento ambiental.

Em seu art. 7º, estabelece que o relatório de auditoria ambiental e o plano de ação
deverão ser apresentados, a cada dois anos, ao órgão ambiental competente, para incorporação
ao processo de licenciamento ambiental da instalação auditada.
No art. 8º, estabeleceu que o Ministério do Meio Ambiente, por meio de Portaria,
definiria , no prazo de até cento e oitenta dias, contados a partir de sua publicação, os
requisitos mínimos quanto ao credenciamento, registro, certificação, qualificação, habilitação,
experiência e treinamento profissional que os auditores ambientais deverão cumprir.

Nota: A Portaria mencionada acima é a Portaria n°. 319, já citada no início deste texto.

Em seu anexo I, traz algumas definições, entre elas a de Auditorias Ambientais (inc. II) –
processo sistemático e documentado de verificação, executado para obter e avaliar, de forma objetiva,
evidências que determinem se as atividades, eventos, sistemas de gestão e condições ambientais
especificados ou as informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de auditoria
estabelecidos nesta Resolução, e para comunicar os resultados desse processo.

Importante lembrar que, ao estabelecer, em seu Anexo II, o conteúdo mínimo das
auditorias ambientais, aumentou significativamente seu escopo, a ponto de inserir vários
requisitos específicos de sistemas de gestão ambiental, além de utilizar terminologias e
conceitos trazidos diretamente do texto da NBR ISO 14001.
Para a análise do que deve ser ministrado no curso de formação do auditor ambiental,
faz-se necessária uma avaliação detalhada deste anexo II, que divide os critérios e
abrangência de Auditoria em duas partes: conformidade com legislação e desempenho da
gestão ambiental.
125

Requisito da Resolução CONAMA 306 Abordado pelo Comentários


Lead Assessor
14001?
1.1 - Quanto ao cumprimento da legislação ambiental aplicável, a auditoria envolverá, entre outros:

I - a identificação da legislação ambiental federal, estadual e municipal, bem como das Auditoria de SGA não pressupõe
normas ambientais vigentes aplicáveis à instalação da organização auditada; Não levantamento exaustivo da
legislação aplicável
II - a verificação da conformidade da instalação da organização auditada com as leis e Não A verificação da conformidade
normas ambientais vigentes; legal é feita por amostragem
III - a identificação da existência e validade das licenças ambientais; Sim
IV - a verificação do cumprimento das condições estabelecidas nas licenças Sim
ambientais;
V - a identificação da existência dos acordos e compromissos, tais como termos de Não Embora a importância de ter LO
compromisso ambiental e/ou termos de ajustamento de conduta ambiental e eventuais seja destacada, não se detalha
planos de ação definidos nesta Resolução; e qual a legislação que rege o
licenciamento nem os Termos de
Ajustamento de Conduta
VI - a verificação do cumprimento das obrigações assumidas no que se refere o inciso Sim
V”.
1.2 - Quanto à avaliação do desempenho da gestão ambiental, a auditoria
envolverá, entre outros:
I - a verificação da existência de uma política ambiental documentada, implementada, Sim
mantida e difundida a todas as pessoas que estejam trabalhando na instalação
auditada, incluindo funcionários de empresas terceirizadas;
II - a verificação da adequabilidade da política ambiental com relação à natureza, Sim
escala e impactos ambientais da instalação auditada, e quanto ao comprometimento da
mesma com a prevenção da poluição, com a melhoria contínua e com o atendimento
da legislação ambiental aplicável;
III - a verificação da existência e implementação de procedimento que propiciem a Sim
identificação e o acesso à legislação ambiental e outros requisitos aplicáveis;
IV - a identificação e atendimento dos objetivos e metas ambientais das instalações e a Sim
126

verificação se os mesmos levam em conta a legislação ambiental e o princípio da


prevenção da poluição, quando aplicável;
V - a verificação da existência e implementação de procedimentos para identificar os Sim
aspectos ambientais significativos das atividades, produtos e serviços, bem como a
adequação dos mesmos;
VI - a verificação da existência e implementação de procedimentos e registros da Sim
operação e manutenção das atividades/equipamentos relacionados com os aspectos
ambientais significativos;
VII - a identificação e implementação de planos de inspeções técnicas para avaliação Sim
das condições de operação e manutenção das instalações e equipamentos relacionados
com os aspectos ambientais significativos;
VIII - a identificação e implementação dos procedimentos para comunicação interna e Sim
externa com as partes interessadas;
IX - a verificação dos registros de monitoramento e medições das fontes de emissões Sim
para o meio ambiente ou para os sistemas de coleta e tratamento de efluentes sólidos,
líquidos e gasosos;
X - a existência de análises de risco atualizadas da instalação; Sim
XI - a existência de planos de gerenciamento de riscos Sim
XII - a existência de plano de emergência individual e registro dos treinamentos e Sim
simulações por ele previstos;
XIII - a verificação dos registros de ocorrência de acidentes; Sim

XIV - a verificação da existência e implementação de mecanismos e registros para a Sim


análise crítica periódica do desempenho ambiental e sistema de auditorias internas;
XV - a verificação da existência de definição de responsabilidades relativas aos Sim
aspectos ambientais significativos;
XVI - a existência de registros da capacitação do pessoal cujas tarefas possam resultar Sim
em impacto significativo sobre o meio ambiente;
XVII - a existência de mecanismos de controle de documentos; Sim
XVIII - a existência de procedimentos e registros na ocorrência de não-conformidades Sim
ambientais; e
XIX - a verificação das condições de manipulação, estocagem e transporte de Sim
produtos que possam causar danos ao meio ambiente.
127

2 - O plano de auditoria deve conter, no mínimo:


2.1 - Escopo: para descrever a extensão e os limites de localização física e de Sim
atividades da empresa.
2.2 - Preparação da auditoria:
I - definição e analise da documentação; Sim
II - prévia da instalação aditada; Sim
III - formação da equipe de auditores; Sim
IV - definição das atribuições dos auditores; e Sim
V - definição da programação e planos de trabalho para a execução da auditoria. Sim
2.3 - Execução da auditoria:
I - entrevistas com os gerentes e os responsáveis pelas atividades e funções da Sim
instalação;
II - inspeções e vistorias nas instalações; Não São feitas visitas às instalações,
mas auditoria de SGA não tem
caráter de inspeção ou vistoria
III - análise de informações e documentos; Sim
IV - análise das observações e constatações; Sim
V - definição das conclusões da auditoria; Sim
VI - consulta prévia aos órgãos ambientais competentes a fim de verificar o histórico Não
de incidentes ambientais, inclusive de seus desdobramentos jurídico-administrativos, e
dos cadastros ambientais. e
VII - elaboração de relatório final Sim
3 - O relatório de auditoria deve conter, no mínimo:
I - composição da equipe auditora e respectivas atribuições; Sim
II - identificação da organização e da instalação auditada; Sim
III - descrição das atividades da instalação; Sim
IV - objetivos, escopo e plano de auditoria estabelecidos; Sim
V - período coberto pela auditoria; Sim
VI - sumário e metodologia do processo de auditoria; e Sim
VII - lista de documentos legais, normas e regulamentos de referência. Não Não consta do relatório a lista de
documentos legais, mesmo
porque este levantamento não é
feito.
128

VIII - lista de documentos analisados e unidades auditadas; Sim


IX - lista das pessoas contatadas durante a auditoria e respectivas atribuições; Sim
X - constatações da auditoria; e Sim
XI - conclusões da auditoria, incluindo as constatações de conformidades e não Sim
conformidades em relação aos critérios estabelecidos e avaliação da capacidade da
organização em assegurar a contínua adequação aos critérios estabelecidos.
4 - Produtos Finais:
4.1 - O Relatório de Auditoria deverá conter, no mínimo:
I - composição da equipe auditora e respectivas atribuições; Sim
II - descrição funcional e administrativa da empresa ou setor da empresa e Sim
características das instalações auditadas;
III - metodologia e critérios utilizados; Sim
IV - período coberto pela auditoria; Sim
V - lista de documentos legais, normas e regulamentos de referência; Não
VI - lista de documentos analisados e unidades auditadas; Sim
VII - lista das pessoas contatadas durante a auditoria e respectivas atribuições; e Sim
VIII - conclusões da auditoria, incluindo as constatações de conformidades e não Sim
conformidades em relação aos critérios estabelecidos e avaliação da capacidade da
instalação auditada em assegurar a contínua adequação aos critérios estabelecidos.
4.2. O Plano de Ação deverá conter, no mínimo:
Não Não faz parte do relatório de
I - ações corretivas e preventivas associadas às não-conformidades e deficiências Auditoria de SGA um “Plano de
identificadas na auditoria ambiental; Ação”; o auditor não faz
recomendações, a menos que
acordado como um dos objetivos
da auditoria, e desde que não seja
uma avaliação visando a
certificação do SGA.
II - cronograma físico para implementação das ações previstas; Não
III - indicação da área da organização responsável pelo cumprimento do cronograma Não
estabelecido; e
IV - cronograma físico das avaliações do cumprimento das ações do plano e seus Não
respectivos relatórios.
6.2 CONCLUSÕES E PROPOSTA

Em face do exposto, conclui-se que o programa do curso de Lead Assessor 14001


atende parcialmente o conteúdo do curso de Formação de Auditor Ambiental da Resolução
Conama 306.
Sugere-se que, para pessoas que já tenham feito o Lead Assessor, seja ministrado um
curso complementar, de 3 dias (24 horas), visando abordar os temas específicos da citada
Resolução, como por exemplo:
- Legislação ambiental (sentido amplo, visando possibilitar ao auditor efetuar o
levantamento e avaliação do atendimento à legislação ambiental aplicável às atividades da
organização auditada);
- Base legal da citada auditoria (Lei 9966, Conama 306, Portaria 319, ...);
- Elaboração de planos de ação com propostas do auditor;
- Diferenças entre a coleta de evidências de auditorias de SGA e a de auditorias de
conformidade legal (amostragem, ...).
No caso de pessoas que ainda não tenham feito um curso de Lead Assessor
credenciado pelo INMETRO, sugerimos o curso completo de Auditor Ambiental da
Resolução Conama 306, com carga de 40h, abordando todos os temas constantes do Anexo II
da citada Resolução.
130

7. FRAGMENTOS DE ENTREVISTAS

7.1 APRESENTAÇÃO

Este capítulo apresenta, a seguir, os fragmentos das entrevistas semi-estruturadas


realizadas com auditores ambientais e funcionários de Órgãos Ambientais de diferentes
estados visando estabelecer o imaginário desses atores no processo de realização e análise dos
resultados das auditorias ambientais compulsórias.
Esta avaliação está alicerçada em Eco (1989), quando considera que a humildade
científica é o reconhecimento de que todos podem ensinar a alguém alguma coisa; e quem
pretende fazer pesquisa não pode, por princípio, desprezar nenhuma fonte. Além disso,
também é fortalecido em Kneller (1983), quando declara que o conhecimento empírico é
confirmado pela prova dos sentidos, pois, vendo, ouvindo, cheirando, sentindo e provando, é
possível formar uma concepção de mundo imaginada ou composta com as idéias formadas de
acordo com os fatos observados, ou capturados pelos sentidos. Por outro lado, o
conhecimento racional é o conhecimento obtido pelo exercício exclusivo da razão,
fundamentalmente abstrato e formal. Ocupa-se de observações lógicas e significados
impessoais, ignorando as necessidades emocionais e o estado de coisas reais. Desta forma, o
paradigma do conhecimento empirista é a ciência moderna. As hipóteses científicas são
testadas por observação ou através de experimentos, com a finalidade de apurar que hipóteses
explicam ou podem explicar mais satisfatoriamente um certo conjunto de fenômenos. Ainda,
na ótica de Chalmers (1994), o conhecimento do cotidiano está relacionado com o bom senso,
este conhecimento que é próprio dos artífices habilidosos. Aquele trabalhador que cria uma
obra partindo de suas próprias concepções, baseado na sua capacidade inventiva. Desta
maneira, pode-se considerar que a eficiência do seu processo de conhecimento está,
diretamente, relacionado às próprias experiências passadas e vivenciadas, pois, também o
conhecimento científico passa por um processo de ensaio e erro. É possível aceitar que o
conhecimento adquirido por um indivíduo é transferido a outro indivíduo e, inclusive, às
gerações seguintes, que, por sua vez podem modificá-lo ou corrigi-lo, através do processo de
ensaio e erro. De uma certa forma é válido, com restrições, considerar o senso comum como
senso crítico; no entanto, o seu nível crítico é muito inferior ao conhecimento científico e com
base em Gewandesznajder (1989), o conhecimento comum, por não empregar uma
131

metodologia científica fica restrito à descrição dos fenômenos, onde não se objetiva um
exame mais profundo das causas e dos efeitos dessas ações.
Não faz parte do escopo deste trabalho comparar ou avaliar o conhecimento adquirido
pelos entrevistados e nem confrontá-las com opiniões de outros peritos ou cientistas, porém,
apenas procurar entender o conhecimento adquirido no exercício de suas profissões e a
dimensão dos diversos aspectos da realização e análise dos resultados das auditorias
ambientais compulsórias.

7.2 ENTREVISTAS

Visando conhecer o que pensam os auditores e funcionários de Órgãos Ambientais


foram escolhidos, aleatoriamente, 18 profissionais dos estados do Rio de Janeiro, Espírito
Santo e Paraná, em função de terem sua legislação de auditorias ambientais compulsórias já
regulamentada. As entrevistas foram do tipo semi-estruturadas e realizadas por telefone ou
pessoalmente. As verbalizações foram registradas em um gravador portátil e outras
observações pertinentes foram anotadas em uma caderneta. Tomou-se o cuidado de não
identificar os participantes das entrevistas nem os Órgãos Ambientais citados.
Os depoimentos tomados foram realizados com base nos seguintes questionamentos:

1) As auditorias ambientais de conformidade legal, tendo em vista o disposto na


legislação de seu estado, têm atingido seus objetivos plenamente?
2) Caso não, quais seriam as causas?
3) Em sua opinião, a qualificação dos auditores e/ou composição das equipes está
adequada?
4) O Órgão ambiental tem exigido a realização, quando aplicável, destas auditorias?
5) Depois de entregue o Relatório da Auditoria, o Órgão Ambiental tem analisado
corretamente e em tempo adequado seu conteúdo?

7.2.1 Fragmentos das Entrevistas

A seguir, são apresentados fragmentos das entrevistas semi-estruturadas realizadas. Os


auditores e funcionários de Órgãos Ambientais entrevistados tinham formação em Direito,
Biologia, Engenharia Química, Engenharia Civil, Engenharia Ambiental, Engenharia
132

Metalúrgica, Administração e Geografia. O nível de escolaridade mínimo dos entrevistados é


de Pós-Graduação, com vários Mestres e alguns Doutores.

Foi constatada uma preocupação geral com a qualificação dos auditores e composição
das equipes de auditoria, além da metodologia para realização das auditorias, como mostrado
a seguir.

“ As auditorias não estão atingindo seus objetivos, principalmente por falhas na formação das equipes
de auditores e nos métodos utilizados para fazer as auditorias.” (entrevistado 1)

“Já vi coisas assim do tipo relatório de auditoria sem plano de ação, o cara (auditor) não dá importância
nenhuma para legislação,o pessoal da equipe auditora fez a auditoria e esqueceu de olhar a legislação.”
(entrevistado 2)

“Não está muito consistente, está cada um fazendo de um jeito.” (entrevistado 2)

“Quanto à qualificação dos auditores, tem gente muito boa, mas tem também os “pára-quedistas”, sem
formação em auditorias, que reflete na questão de falta de métodos.’ (entrevistado 4)

“A gente tem notícias de pessoas que nem formação em direito têm, têm quando muito no máximo uma
capacitação em legislação ambiental, que eu entendo que não supre a qualificação para auditor
ambiental de conformidade legal.” (entrevistado 4)

“Tem desde excelentes relatórios até relatórios ridículos que a gente nem consegue entender o que foi
escrito.” (entrevistado 6)

“Não é cobrada a formação dos auditores. Não é testada, comprovada a qualidade dos auditores.”
(entrevistado 7)

“Precisamos de uma melhor qualificação dos auditores. Está muito ruim. Muito poucas pessoas têm
curso de auditor, poucas entendem diferença entre auditoria de sistema para e auditoria de
conformidade legal.” (entrevistado 8)

‘O consultor que vira auditor acha que, já que entende do assunto, tem conhecimento técnico, pode virar
auditor, mas não tem conhecimento de técnicas de auditoria.” (entrevistado 8)

“No geral, acho que falta uma estruturação para formação de auditores.” (entrevistado 10)
133

Quanto à qualificação dos auditores, os que trabalham comigo têm nível de escolaridade de doutores e
mestres, alguns não têm o curso de auditoria, mas têm experiência. E a qualificação tem sido boa.”
(entrevistado 11)

Foram constatadas dificuldades e deficiências por parte dos Órgãos ambientais tanto na
cobrança da realização das auditorias quanto na análise de seus resultados. As afirmações a
seguir corroboram esta assertiva.

“ Para o Órgão ambiental, é muito serviço, você não tem muito tempo de analisar. Hoje há uma demora
até na análise do plano de auditoria. O órgão daqui vai até fazer concurso, porque o pessoal era
contratado, saia muita gente. O conhecimento se perdeu com as pessoas que saíram.” (entrevistado 12)

“O Órgão Ambiental não age muito consistentemente. Dependendo do técnico que receba o relatório, o
tratamento é diferente, não é consistente.” (entrevistado 12)

“Não estão atingindo os objetivos. Está sendo só para cumprir tabela, só para cumprir requisito legal,
tanto do sistema quanto da lei. Não vejo o Órgão Ambiental divulgar dados de forma sistemática. É
mais formal do que produzir resultados.” (entrevistado 13)

“Falta ao Órgão Ambiental compilação de dados, divulgação, comparativos. Não sei se eles cobram de
quem não está entregando o relatório.” (entrevistado 3)

“Não estão atingindo seus objetivos, porque o Órgão ambiental não toca adiante o resultado das
auditorias. Não trabalha os resultados, não cobra os planos de gestão. A gente faz por fazer, para
cumprir a lei, só isso.” (entrevistado 9)

“O Órgão Ambiental não está estruturado, não tem condições, não tem pessoal num nível que tenha
formação de auditor para poder acompanhar os resultados”.(entrevistado 17)

“O que falta? Seriedade do Órgão Ambiental na cobrança. Do jeito que está, é só para Inglês ver”.
(entrevistado 3)

“De uma auditoria para outra não houve um posicionamento do Órgão Ambiental” (entrevistado 2)
134

7.3 RESULTADOS DAS ENTREVISTAS

Estas entrevistas foram realizadas com pessoas de estados onde a legislação que
institui a auditoria compulsória está regulamentada, ou seja, onde as auditorias estão de fato
sendo realizadas. Não foram contemplados os estados onde a mesma não está sendo realizada,
por falta de regulamentação da legislação.
Dentre os principais óbices ao atingimento dos objetivos das auditorias compulsórias,
foram apontadas à qualificação inadequada dos auditores (bem como a falta de exigência dos
Órgãos Ambientais sobre este tema), a falta de critérios para a composição da equipe auditora,
a falta de métodos para a realização das mesmas, além da falta de pessoal em quantidade e
qualidade para análise adequada e em tempo hábil dos respectivos relatórios de auditoria por
parte dos Órgãos Ambientais.
135

8. CONCLUSÕES

Com base no referencial teórico, na avaliação crítica da legislação e de seus objetivos,


e nas entrevistas semi-estruturadas com auditores e funcionários de Órgãos pode-se concluir:

• A análise do histórico da questão ambiental demonstra que a sociedade, de um modo


geral, age reativamente aos acidentes ambientais. É preciso ocorrer um evento de grande
magnitude para que sejam tomadas medidas repressivas e preventivas. Boa parte da
legislação de proteção ambiental e acordos ambientais internacionais foram evocados ou
aceitos pela sociedade mundial após esses eventos. Nesse aspecto, surgem as auditorias
ambientais – públicas ou privadas – para assumir o papel de instrumento preventivo no
combate aos desastres e para a prevenção de poluição.

• Nota-se no presente momento uma aproximação dos conceitos da auditoria de Sistema


de Gestão Ambiental com as auditorias de conformidade legal, compulsórias. Não só
porque as auditorias compulsórias podem servir de atendimento a um requisito da ISO
14001, conforme demonstrado no Capítulo 5, mas também porque a legislação já tem
exemplos de valorização de empresas que têm um sistema de gestão ambiental (Ver
Resolução Conama 237/97, art. 12, §3°) ou pelo fato de as próprias auditorias
compulsórias estarem recentemente exigindo verificação de elementos de gestão
ambiental, além da simples verificação do cumprimento da legislação (ver Resolução
Conama 306/02).

• Ao analisar criticamente a legislação que institui as auditorias ambientais de


conformidade legal, percebe-se que a maioria dos dispositivos legais não está
implementada, por falta de regulamentação. Nos poucos casos em que estão
regulamentados, notadamente os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraná,
foram constatados vários óbices ao seu bom funcionamento.

• As hipóteses do trabalho, levantadas no Capítulo 1 dessa dissertação, foram validadas


durante os capítulos seguintes, culminando com as entrevistas semi-estruturadas do
Capítulo 7. Os principais inibidores apontados foram a falta de estrutura e recursos
(inclusive humanos) dos Órgãos Ambientais para exigir e avaliar os resultados dos
relatórios de auditoria e a falta de critérios claros e exigentes para formação do auditor e
136

composição da equipe auditora, além da escassez de auditores adequadamente


qualificados no mercado. Nesse momento, é importante destacar que os auditores
ambientais têm responsabilidade não só civil mas também administrativa e criminal,
como apresentado no capítulo 5.

• Faz-se necessário também um maior debate da sociedade e maior interação de técnicos


dos Órgãos Ambientais e de auditores e representantes da indústria com legisladores
para tornar os textos dos diplomas legais mais próximos da realidade e da boa prática,
possibilitando realmente a execução de auditorias que possam realmente subsidiar
decisões gerencias e agregar valor à empresa auditada.

• Importante lembrar que, durante a elaboração dessa dissertação, a nova versão da ISO
14001 (revisão 2004) foi publicada e o Protocolo de Kioto finalmente foi ratificado.

• Foram avaliadas também as interfaces entre o Sistema de Gestão Ambiental


estabelecido pela ISO 14001 e as auditorias compulsórias. Empresas que realizem
auditorias ambientais de conformidade legal, exigidas por lei, podem usá-las como
evidência do atendimento ao monitoramento da conformidade legal exigido pelo
requisito 4.5.2 da ISO 14001:2004, desde que o Sistema de Gestão Ambiental assim
estabeleça.

• Nesse momento, faz-se necessário também diferenciar as auditorias de Sistema de


Gestão (voluntárias) das auditorias de conformidade legal compulsórias. As primeiras
verificam se o Sistema de Gestão está efetivamente implementado e se atende a um
padrão (norma); as segundas verificam o atendimento à legislação ambiental e são
obrigatórias por lei. Entretanto, independente de ser voluntária ou compulsória, de
conformidade legal ou de sistema de gestão, uma vez realizada com seriedade e ética, a
auditoria ambiental torna-se uma poderosa ferramenta de gestão para o empresário
realmente comprometido com o Meio Ambiente, visto que muitas das não-
conformidades legais têm por causa o completo desconhecimento da situação que leva
ao não atendimento à legislação ou até mesmo o desconhecimento da legislação
ambiental aplicável, o que não exime as empresas e pessoas do seu atendimento, pois a
ninguém é dado o direito de desconhecer a lei.
137

• A análise e a discussão dos resultados concernentes a esta pesquisa sobre auditorias


ambientais compulsórias permitem apresentar as seguintes sugestões:

1. Estudar perfil, conhecimentos e habilidades requeridas para qualificação do


auditor ambiental legal.
2. Definir critérios objetivos e padronizados de realização e apresentação dos
resultados das citadas auditorias (procedimentos para realização da auditoria).
3. Desenvolver programa de capacitação dos funcionários dos órgãos ambientais
para que possam realizar análise dos relatórios das citadas auditorias.
4. Desenvolver um curso de formação de auditores ambientais de conformidade
legal.
5. Estudar e propor debate com as partes interessadas sobre a composição mínima
da equipe auditora e a presença dos especialistas.
6. Elaborar código de ética do auditor ambiental de conformidade legal.
138

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143

ANEXO 1

QUADRO COMPARATIVO DA SITUAÇÃO DAS AUDITORIAS AMBIENTAIS DE


CONFORMIDADE LEGAL NO BRASIL

Relatório
Documento Legal Situação Freqüência Critérios para Disponível para
Auditoria Consulta Pública
União Em vigor; Regulamentada
em parte pela Resolução 2 anos Independente Não definido
Lei nº 9.966/00
CONAMA 306/2002
União
Resolução CONAMA Em vigor Única Independente CONAMA
265/00
União Regulamenta a Lei nº Entregue ao Órgão
9.966/00 e orienta o 2 anos A ser definido
Resolução CONAMA Ambiental
disposto na Resolução
306/02 Competente
CONAMA 265/00
Regulamentada
Rio de Janeiro 1 ano Int/Ext. Sim
Deliberação CECA/CN nº
Lei nº 1.898/91
3.427, de 14/11/95
Minas Gerais Sim (preservado o
Sem Regulamentação 3 anos Externa
Lei nº 10.627/92 sigilo industrial)
Espírito Santo Regulamentada Decreto nº
3 anos Não cita Vetado
Lei nº 4.802/93 3.795-N, de 27/12/94
Independente
Paraná Visa regulamentar a
Única (Auditores de Sim
Resolução CEMA 007/2001 CONAMA 265 no Estado
SGA
do Paraná
credenciados)
Int/Ext
(Auditores
Paraná Regulamentada Decreto Cadastrados
4 anos previamente no Sim
Lei 13448/02 2076, de 07/11/2003
Órgão Estadual
de Meio
Ambiente)
Sem regulamentação.
São Paulo
(A lei define a auditoria
Lei nº 9.509/97
(Estabelece a Política ambiental como um dos Não definida Não definido Não definido
Estadual de Meio Ambiente princípios da Política
de SP) Estadual de Meio
Ambiente).
Independente
Sem regulamentação (quando
Mato Grosso (A lei define a auditoria auditores não
Lei n° 038/95 ambiental como um dos Não definida integrantes do Não definido
(Código Estadual de Meio instrumentos da Política Órgão
Ambiente) Estadual de Meio Ambiental, serão
Ambiente) nele
cadastrados)
Rio Grande do Sul Sem regulamentação
Lei nº 10.330/94 (estabelece (a Lei cita a auditoria
o Sistema Estadual de ambiental como uma das Não definida Não definidos Não definido
Proteção Ambiental - atribuições dos Órgãos
SISEPRA) executivos do SISEPRA)

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