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CAPITULO I

CARACTERZAÇAO DO MATERIAL PARA ARMADURAS


I GENERALIDADES
-
O material para armadurls apresenta se em geral segundo quatro tipos clitcrcn
tes. a saber: varões. fìos, redes e armaduras cspeclals.
Os varões e os fios correspondem a mxterial iìc secçiur cotn fbnna lproxintada
mcntc circular, sendo tlos quando tl seu diâmetro ó relativantentc pcqucno e pcmìltc
portanto o seu fomecimento cnl bobinas. As redcs são um materiiú para armaduras
constituido por tìos ou varires (Íìg. l). ligados entrc si. lì)rmando malha rectangu

Plonto
rlllllll

a --
ffi----
ll Ll I ll I B

Cor te A'B

Fig l _- Redcs eleclfl)ssoÌdldrs

lar ou quadrarìa: quando as ligaçÓes são obtidas por solcladura designam-se por
redes electrossoÌdadas e têm grande aplicação em muitos elementos de betão :r tl
mado com panicular incidência nas lajes. Quanto às armaduras especrars' trata-se
de soluções não correntemente utilizadas e que devem a sua existência a certas
particularidades que lhe são impostas. Estão neste caso. por exemplo, as armaduras
Õ"

de aço tsi (tìg. 2) cnr quc pcla circunstância dc o aço que as constitui scr de murra
alta resistência. e ncccssano aumcntar substancialmentc a sua aderôncia ao betio:
tal conseguc-sc soldando a dois varões Iongitudinais pequenas barras transver:,ais
que constituerl processo cÍìcaz dc evitar o deslizamento das armaduras no interior
do betão.

Ërr: I \rmidurir .\pccirÌ 1Aç(ì Bi)

De todos cstcs tipos dc naÌcrial paru arnuduras, Os varoes sao. como e evl-
dcnte. os que tem nraior aplicaçio (ató porque o:, outros são constituídos por Íìos
()u varOcs) pelo que. no quc sc \cgue. ó dcles que quase cxclusivamente se trata.

2 NATURF]ZA I.] CARACTT]RISTICAS I\IECANICAS DOS ACOS.


- E\S.{IO DE TRACÇÀO
2.1- Aços laminados a quente e endurecidos a Íiio

As operaçocs nccessárias pua obter os varòss das armaduras de betão armadcr


podem sc'r :ubdivididas cm duas pancs. indo a prinrcira atc à soliclificação do
nratenâl "processo de tìrbrico do aço" e u segunda. partindo daí e acabando
no produto- lìnal "proccsso de produçào - ckrs varocs".
-
Nesta segunda panc há que distinguir a lantinagcnr a qucnte que é tèita a uma
temperatura superior ì da rccristalizaçio do aço c pela qual sc transtì)rma o
"linsote" (metal vazado) no produto de base" cntendendo-se por taÌ um produto
de secção chcia de lço que senc para o Íàbrico de varoes. A partir deste produto
de base os varoes podem scr obtitlos por simples laminagem a quente ou poÍ
ìanrinaÍÌcm a quentc scguida de "cndurecimentrr a fìo". No primeiro L-xs(ì. o aço
(ou varocs) e designado por aço laminado a quente c. no segundo. por aço (ou
varões) endurccido a lìio. Estas designaçires caracterizam tanÌbem (ì que e corrente
cnanÌar-sc naturcza do aço.
O cndurecimcnto a frio pode ser obtido suicitando os varòes a tratümentos
mecânicos de torção. de estiragem. de estiragem combinâda com torção, dc tretìla-
gcnì e de trelilacem conbinada com lanìinagenì a tÌio. Nestcs trtlamentr)s regi\-
tam-se sempre nos varões def-omraçoes perïnanentes que são devidas a csforços
impostos aos varóes: estbrços dc torção. de tracção simples (no caso de estira-
genl). dc tracção e comprcssão atraves de ficiras (no caso de trcÍìlagem) e de
compressao transversal (no citso da laminigem a frio).
Em quaÌquer dos casos pretencle se modiflcar as propriedades mecânicas rela-
cionadas com a resistôncia do aço, e da tormu que seguidamente \e expoe.
2.2 Aços laminados a quente; suas características
-
Considere-se um diagrama tensões-extensões (Íìg. 3), obtido num ensaio de
tracção simples dum varáo de aço não ligado, de baixo teor em carbono, laminado
a quente. O aço apresenta uma resistência relativamente baixa e uma deformação
plástica considerável, e, por estas caracteísticas, costuma ser designado por aço
macio.

ro
c
o

Extensões
tensões
Ex €su

Fig. 3 Diagrama Ìensões-extensões dum aço laninado a quente


-

Neste diagrama é possível distinguir umâ primeira fase de componamento em


que se verifica uma proporciona.lidade entre tensões e extensfos; esta proporcionali-
dade, que é uma característica do material, pode ser traduzida por uma constante
que é convencionalmente designada por módulo de Young ou módulo de elastici-
dade (E.). Seguidamente, há uma fase em que as extensôes aumentam sob umâ
tensão praticamente constante, tensâo de cedência (f.r), paÍa numa terceira fase, a
tensão aumentar novÍÌmente com as extensõ€s até alcaÍÌçaÌ um valor máximo no
diagrama, convencionalmente designado por tensão de rotura (fsu). A partir deste
valor, verifica-se a localizaçáo da deformação do provete numa única secçâo cuja
área vai diminuindo progressivamente (fenómeno de estricção) até se atingir a
rotura propriamente dita do pmvete. Durânte esta quana fase, apesar de as tensôes
reais no material aumentaÌem com as extensões aplicadas, as tensões obtidas no
diagrama diminuem progressivamente, pelo facto de serem calculadas através da
razão entre a força de ensaio, que durante esta fâse é d€crescente, e a área da
secção iniciaì do provete, que é, como tal, uma constante.
Note-se que no início da cedência se poderá verifrcar uma diminuição brusca
da tensáo aplicada (conespondente a uma queda do valor da força no dispositivo
indicador da máquina), que estabiliza depois para um valor inferior. Poderá distin-
guir-se assim uma "tensáo de cedência suoerior" e uma "tensão de cedência
inferior". Este componamento é porém bastante dependente do tipo de aço en-
saiado, das condições de ensaio e do tipo de máquina que o realiza, nomeada- t
mente da t-orma como varìa a deformação do provete ao longo do tempo durante o
I
ensaio.
Convém observar que já antes da cedência as extensões deixam de ser propoÍ- F
cionais às tensões, podendo assim definir-se uma "tensão limite de proporcionali-
dade" (t,p), por vezes confundida com a tensáo limite de elasticidade, posto que,
.,
rigorosamente, os valores das duas tensões não coincidem, pois que a última é
definida para o valor máxlmo da tensão que na descarga não dá lugar a deforma-
eões oermanentes.
E ainda de fazer referência a duas ourras características dos aços e que são a cl
"extensão na rotura", também designada por "extensão uniforme" (e"u) e a -5
"extensão após rotura" (Âu). A extensão na rotura é definida como a extensão re
correspondente à força máxima ou seja à tensão de rotura; a extensão após rotura
obtém-se marcando no provete, antes do início do ensaio, um ceno comprimento, pl
I, e medindo o alongamento permanente que esse comprimento sofreu dürarite o s€
ensaio até à rotura do provete, Al, e fazendo o quociente das duas grandezas, ou
seta: m

de
AI p€
I pc
rel
O comprimento lé identifìcado antes do ensaio através de duas marcas de referên- rur
cia apostas na superfície do provete, pelo que é designado por "comprimento pa
inicial entre referências". 0 aumento deste comprimento, Al, é obtido justapondo rir
convenientemente as duas partes em que ficou dividido o provete após a sua
rotura, e medindo o comprimento final entre as referências.
Observe-se que o valor da extensão após rotura é função da extensâo na rotura
e da deformação ocorrida durante o fenómeno da estricção. Com efeito, devido a
este fenómeno, depois de atingidâ a força máxima, as extensões deixam de ser
uniformes ao longo do provete, pelo que, se a extensão na rotura é independente
do comprimento inicial entre referências, a extensão após rotura já não o é, e,
como é evidente, aumenta com a diminuiçâo deste comprimento. Por esta razão as
normas de ensaio e os regulamentos fixam tal valor, sendo usual na Europa
considerar comprimentos iniciais entre referências iguais a 5 ou l0 vezes o diâme-
tro do provete. Em primeira aproximação poder-se-á dizer que a extensáo após
rotura medida em 5 diâmetros é 1,4 vezes maior que a extensáo após rotura
referida a l0 diâmetros; tal relação depende porém dos diâmetros em consideraçáo
e. da qualidade do aço pelo que, em cada caso, há que examinar devidamente o
problema.
Note-se que as extensões na rotura e após rotura são características que, de
certo modo, medem a ductilidade do aço e que vão ter consequências nas peças de
betão armado influenciando o seu comport:rmento dúctil ou frágil nas proximidades
da rotura.

a
Convém ainda salientar que o ensaio de tracção simples de que se tem estado a
tratar é um dos ensaios que serve para caracterizar o comportamento mecânico
dum dado aço. Por isso é um dos ensaios que se executa normaÌmente aquando da
recepção duma partida de aço, encontrando-se a técnica de ensaio fixada, em
Portugal, na noÍna portuguesa NP 105 "Metais, Ensaio de Tracção" (9).

2.3 Aços endurecidos a frio; suas características


-
Descrito um diagrama tensões-extensoes dum aço laminado a quente, veja-se
como, a paÍir deste material, é possível obter um aço endurecido a frio. Supoúa-
-se, fig. 4, que um varão de aço macio (aço laminado a quente de resistência
relativamente baixa e de grande deformabilidade plástica) é deformado durante um
ensaio de tracçáo simples até ao ponto A na região das grandes deformações
plásticas e, em seguida é descarregado de A a A'. Se agora, e imediatamente a
seguir, se proceder a nova carga, o diagrama tensões-extensões terá o andamento
A'BC, ou seja, a tensão limite de proporcionalidade baixou, a tensão de rotura
manteve-se, mas as extensões na rotura e após rotura, calculadas com a origem em
A', diminuíram consideravelmente. Este processo de transformaçâo de proprieda-
des, que resulta de se terem implantado no material consideráveis deformações
permanentes, designa-se por "trabalho a frio" que, no caso presente, foi realizado
por estiragem. Se porém, uma vez descarregado. o varão, ele for deixado ern
repouso durante certo tempo, tem lugar um conjunto de transformações na estru-
tura interna do aço que se designa por "envelhecimento" (que pode ser acelerado
por aquecimento moderado "envelhecimento aÍificial") e se o valão for poste-
riormente traccionado o seu- diagrama tensões-exrensões passa a ser A'ADE. O

(,
to
c
t-

Fig- 4 Esquematizaçâo de transformação de propriedades mecânicas por trabalho a frio


-
varão passou a apresentaÍ, relativamente à situação inicial, tensões limite de pro-
porcionalidade e de rotura mais elevadas e extensões na rotura e após rotura mais
baixas; o valor do módulo de elasticidade manteve-se mas o patamar de cedência
desapareceu. Esta úansformação de propriedades, resultante dum trabaìho a frio,
em que há um aumento da resistência e dirninuição de ductilidade, é designada
"endurecimento a frio".
Note-se, no entanto, que só há endurecimento a frio quando há envelhecimento
depois do trabalho a frio e quando este provoca deformaçôes permânentes do
mesmo sinal das que posteriormente vâo ser aplicadas ao varão. Assim náo há
endurecimento a frio (mas antes diminuição ou estagnação dos valores das tensões
limite de proporcionalidade e de rotura) quando o trabalho a frio for, por exemplo,
de compressão e a seguir se aplicar tracção ao varão. No caso, porém, de o
trabalho a frio ser realizado por torção, pode haver endurecimento a frio tanto paÍa
esforços de tracção como de compressão em virnrde de as deformações penna-
nentes implantadas terem direcção diferente das que seguidamente sáo impostâs.
Em resumo, tem-se pois que as principais ca.racterísticas dos aços endurecidos
a frio relativamenie à do aço original são as seguintes (frg. 5): igual módulo de
eÌasticidade, não existência de patamar de cedência, tensões linite de proporciona-
lidade e de rotura mais elevadas. extensões na rotura e aDós rotura bastante
menoÍes.

o
(,
to
c
(1,,

Extensões

Fig. 5 Diagramas tensões-extensões de aços laminados a queíte e endurecidos a frio


-

A não existência da tensão de cedência leva a considerar para estes aços como
parâmetro caÍacteístico a "tensão limite convencional de proporcionalidade a
O,2Vo", (f,s,) que se pode defrnir (fig. 6) como a tensão corresçnndente à inter-
secção do diagrama tensões-extensões com uma recta paÍalela ao troço rectilíneo
do diagrama e passando pela extensão de O,2Vo.
Faz-se notar que, aplicando a definição dada ao diagrama dum aço laminado a
quente, se é conduzido ao valor da tensão de cedência.

c
to
c
0,

0,2% Extensões

Fig. 6 Definição da tensão limite de proporcionalidade a 0.2qó

3_APTIDÃO PARA A DOBRÂGEM. ENSAIOS

3.1 Ensaio de dobragem


-
Uma característica dos aços, e que interessa de sobremaneira ao fabrico das
armaduras, é a aptidáo que os varões apresentam para suponaÍem as dobragens a
que têm de ser submetidos.
Um dos ensaios que serve para avaÌiar taì aptidão é o ensaio de dobragem.
Neste ensaio, cuja técnica se encontra fxada em Pomrgal na Norma portuguesa
NP 173 (10), existem hês rolos de aço, servindo dois de apoio e o terceiro de
mandriì (fig. 7). Os apoios devem ter diâmeno de 50 mm para varões com diâme-

r- .Ì
^6
92

N\ )
I

t í2 +3 t I

Fig. 7 Esquema do dispositivo do ensaio de dobragem


-
tÍo Q < 12 mm e de 70 mm para varões com Q ) 12 nÍn; o espaçamento entre
apoios deve ser igual à soma do diâmetro do mandril com três vezes o diâmetro
do provete em ensaio. O diâmetro do mandril é função do tipo de aço e do
diâmetro do varão a ensaiar. Fixados os apoios e assente o provete, de modo que
o seu eixo fique normal aos eixos daqueles, coloca-se o mandril sobre o provete, a
meio do vão definido pelos apoios, e exercem-se forçzs por meio duma máquina
de ensaios, de modo a dobrar o provete em tomo do mandril. Pretende-se com D

este ensaio verificar se aparece ou náo fendilhação na paÍe convexa do provete,


sendo considerado resultado negativo o aparecimento de tal fendilhação. O ângulo n
de dobragem e os diâmetros dos mandris, lxados no REBAP, são respectivamente
de 1800 e variando de 2Q a 4Q (sendo Q o diâmetro do provete) conforme o tipo n
de aço. Este ensaio é exigido no REBAP para varôes de qualquer diâmetro desde d
que teúam superfície lisa e apenas para varões com diâmefo inferior ou igual a p
el
12 mm no caso de varões com suoerfície nervurada.
p
d
3.2 Ensaio de dobragem-desdobragem d
- sl
dr
Para varões nenurados de diâmetro relativamente grande é corrente utilizar-se,
em vez do ensaio descrito anteriormente, o ensaio de dobragem-desdobragem.
Neste ensaio (11) (12) o varão é dobrado a 90p (fig. 8) segundo a técnica descrita
anteriormente para o ensaio de dobragem e, seguidamente, depois dum envelheci-
mento aÍificial (o varáo é mantido 30 minutos a 100 "C, seguido de arrefecimento
à temperatura ambiente) ele é submetido a uma desdobragem de 20o. Este tipo de
ensaio é exigido pelo REBAP para os varões de superfície nervurada com diâmetro
superior a 12 mm, sendo o diârnetro do mandril, na dobragem, função do diâmetro
do Drovete.

et
€t

ÍD
m
at
Fig. 8 Ensaio de dobÍagem-desdobragem II

Os ensaios de dobragem e de dobragem-desdobragem, bem como as extensões
na rotura e aÉs rotura determinadas no ensaio de tracção, servem para avaliar da d
ductilidade do aço. Esta propriedade é extremamente ímportante, quer para o &
fabrico das armaduras dando possibilidade de dobragem fácil e sem fracturas, quer ú
pâra o compoÍamento das estruturas permitindo evitar roturas frágeis. IE

10
4 PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DOS VARÓES: VAROES LISOS
- E RUGOSOS
4,1 Diâmetro dos varóes
-
No que se segue trata-se do que se costuma designaÍ por propriedades geomé-
tricâs dos varões, ou seja, o diâmetro, o comprimento e a configuração da superfí-
cie, havendo ainda que fazer referência às tolerâncias admissíveis paÍa estes paÍâ-
metros.
Quanto aos diâmetros, as primeims noções a reter são as de "diâmeno nomi-
nal" e "diâmetro efectivo". O diâmetro nominal corresponde ao diâmetro teórico
dos varões, ao diâmetro que é considerado na determinação da resistência das
peças e que figura nos desenhos de construção e nas listas de varões; o diâmeno
efectivo é o que reaÌmente apresenta um certo varão e que pode ser determinado
por medição directa em várias secções, no caso de varões com superfície lisa, por
determinação do diâmetro durn cilindro de aço com a mesma massa por unidade
de comprimento que o varão em causa, no caso de varoes com superfície lisa ou
superficie rugosa. Neste último caso, se for M a mírssa em quilogramas do troço
de varão em referência, L o seu cornprimento em metÍos e Q o diâmetro em
milímetros, virá:

n62 .L.7,85.10r
M:
4
e poÍanto:
4.103M

ou seja o diâmetro efectivo, em rnm, é dado por

Q = n.1a .'rm
em que m é a massa por unidade de comprimento do varão em causâ, expÍ€ssa
em quilogramas por metÍo. Para o caso dos varões nentrados, as normas inglesas
especificam ainda a particularidade de que, se a massa das nervuras repÍesentar
mais que 37o da massa do varão sem nervuras, a massa por unidade de compri-
mento que enüa na exprËssão anterior deve ser a miìssa do varao sem nerruas
aumentada de apenas 37o. A massa por unidade de comprimento do varão sem
nervuras teú, obviamente, que ser determinada num pÍovete em que são removidas
as neÍvuras.
Os valores dos diâmetros efectivos estão porém condicionados pelas tolerâncias
admitidas nos diâmetros nominais; a sua determinaçáo é fundamental na avaliaçáo
das caracteústicas de resistência dum aço, pois esta é feita por ensaios de tracção
simples de provetes desse aço e, consequentemente, as tensôes são calculadas em
relação às secções efectivas.

11
4.2 Comprimento dos varoes J.
-
As tentativas havidas para a normalização do comprimento dos varões não
-
foram ainda comadas de êxito, posto que, nos últimos anos, se registou uma nítida
preponderância de determinados comprimentos, variando apenas apreciavelmente
5.1
em função do tipo de transporte. No caso das redes, e quando não se trate de
casos especiais, elas são, como os fios, fomecidas em bobinas.

del
4.3 Configuração da superfrcie dos varoes dir
- esI
Aconfiguração da superfície dos varões pode ser lisa ou rugosa, correspon-
lin
get
dendo a primeira a uma superfície sem rugosidades aparentes e, a segunda, a uma
gar
supeÍfície em que existem reentrâncias superfície indentada ou saliências
- sob este aspecto varões
superfície nenrrrada. Há assim â distinguir - (ou fios) "li-
- s€j
sos" e "rugosos" e , dentre estes, "indentados" e "nenurados". a*
hoj
Os varões nervurados são presentemente os de maior utilização (os varões
indentados conferem, em regra, uma aderência menor que os varões nenurados e
dis
só são, em geral, utilizados em redes), podendo as nervuras ser descontínuas ou çãr
continuas. As nervuras descontínuas são saliências oblíquas ou perpendiculares ao red
eiÌo do varão, repetidas a intervalos regulares ao longo do seu comprimento (fig. 9).
dur
Ina
:üra

@
-I_-ll. em
OI
Fig. 9 Varão neÍvumdo com nervuras descontínuas e contínuas
vis
- artr
Podem ser de altura constante ou variável; as nervuras contínuas são nentras que
se estendem sem intemtpção ao longo dos varões podendo ser paralelas ao eixo das
(caso dos aços laminados a quente) ou formar com ele um certo ângulo (caso dos de
aços endurecidos a frio por torção). s€u
As superfícies com reentrâncias são normalmente obtidas por larninagem a frio fry
e encontram-se quase exclusivamente nos varões de pequeno diâmetro ou seja nos
fios.
tu
Pod
4.4 Tolerâncias criú
- oo
No que diz respeito às tolerâncias é conente exigi-las para os diâmefos (ou l

para as áreas das secções correspondentes), para os comprimentos e as dimensões IX)


--an
das nervuras ou reentrâncias dos varões rugosos. Em alguns casos são especifica_
das também tolerâncias da massa dum dado lote de var.ões e ainda da miìssa Dor IIìen
metro lineaÍ destes. Iráli

1)
5 ADERÉNCIA AO BETÁO. VARÕES DE ADERÊNCIA NORMAL
- E DE AI-TA ADERÉNCIA

5.1- Aderência normal e alta aderência

A aderência das armaduras ao betào é, como se sabe, uma propriedade de que


depende o bom compoíamento dos elementos de betão armado. influenciando
directamente as amarraçóes e as emendas das armarluras (segurança em relação a
estados limites últimos) e a fendilhação do betão (segurânçâ em relação a esrados
Ìimites de utiÌizâção). No que se refere às amanações e emendas é sabido que, em
geral, elas se processam por aderência, havendo assim, mesmo quando se utilizem
ganchos nas extremidades. que cuidar que as condições de superfície dos varóes
sejam as convenientes pâra que se possa realizar em condiçoes satisfatórias a
aderência das armaduras ao betão. Quanto à fèndilhação. e dado que se utilizam
hoje em dìa aços trabalhando a tcnsões bastante elevadas, há necessidade de
distribuir o mais possíveÌ a Íendilhação que se veriÍìca no betão. devida à deforma-
ção das peças. de modo a que, individualmente, as tèndas tenham larguras muito
reduzidas.
TaÌ objectivo consegue-se fazendo com que a transmissão das tbrças das arma-
duras ao betão se tàça em boas condições. püra o que é necesslrio aumentaÍ o
mais possível a aderência entre os dois matcriais, o que tem sido conseguido
através da utiÌização de varoes rugosos.
E assim que piìÍa os aços que trabalharrr a tensòes elevaclas. não é possível o
emprego de varóes que não :ejam rugosos. poir, se assim não fosse, haveria
o risco de, em sewiço, se registar fèndilhação inconveniente, quer do ponto de
vista estético, quer do ponto de vistâ de segurançâ, devido à possível conosão das
:ìÍmaduras.
Tem-se pois que é necessário exigir aos varões que trabalham a tcnsões eleva-
das um certo grau de aderência ao betão, decorrendo daqui o conceikr de .'varões
de alta aderência" como aqueles quc realizam a aderência necessaria para que o
seu emprego em betão armado, mesmo quando trabalham a tensões elevadas, se
faça rem ri5co de fendilhação inconrenienre.

Os varões que náo satistãçam a tal requisito serão considerados "varoes de


aderência normaì" e estáo neste caso. em regra, os varões lisos; os varòes rugosos
poderão ser ou não de aÌta aderência havendo. para decidir tal questão, dois
critérios, um deles baseado nas dimensões e configuração das rugosidades é
o outro baseado em resultados dos ensaios realizados sobre os varões em causa.
Está no primeiro caso, por exemplo, o processo indicado pela DIN 488 (13) e
no segundo caso o critério decorrente dos "ensaios de viga" (beam-test) e de
"arancamento" (pull-out test) (la) 115;. Este segundo critério é preconizado junta-
mente com o primeiro em países tais como a Frrnça. a Bélgica, a Austria e a
Itália.

13
5.2 Alta aderência; dimensões e configuração das nervuras
-
A DIN referida anteriormente estipula, parâ cada diâmetro dos varões, a aÌtura, m
largura e espaçamento das nervuras para que um varão possâ ser considerado de dt
alta aderência e, quando tais valores não sejam satisfeitos, possibilita ainda o ó1
emprego dum critério baseado na "área relativa das nervuras". Assim, se a área
relativa das nervuras c (defìnida como a área lateral das nervuras projectada no dz
plano perpendicular ao eixo do varão e referida ao perímetro nominal e ao valor
médio do espaçÍÌmento entre nervuras), dada por:
de
K.Fp .sen p
, I al
n'0 Cs JQ ne
Pa
em que os simbolos tem o signiticado indicado na fig. 10, for maior que 0,065 lar
para os varões de diâmetro igual ou superior a 12 mm e maior que 0,048, 0,050 e
far
0,060 para os varôes de diâmetros respectivamente iguais a 6, 8 e l0 mm, os
varóes ooderáo ser considerados de alta aderência. co

n
\ F R =:
I
(a.".Âl)
- área duma

+* nervura transveÍsal

inclinação das nenums oblíquas


|rì - em relação ao eixo do varão o
K numero de nervuras transversais en
- numa mesma secção Po
aP
9\x ts'"P.ts' C.
- espaçamento entre neÍvuras pa
a^n altura média de qualquer paÍe ex
ò> L5' -duma
."?/13Ã
-
nenìrm dividida em n panes
de comprimento
en
sel
Corte A-B ^l
i número de nervuras longirudinais lr
- teI
ar altum da nervura longitudinal ser
-
+
o' ,| Corte C- D
JQ
-
passo de torção

Fig. l0 Parâmelros para determinação da área relativa


- das nervums
O último termo da expressão anterior só deve ser considerado no caso de
varoes endurecidos a frio por torção e não pode exceder o valor de 0,022.
Quanto aos valores limitès dados para a área relativa das nervuras eles diferem
consoante os países e, por exemplo, no Manual do CEB (16) são prescritos valores
menos exigentes que os estipulados pela DIN, a saber:
a>0,040 para 4<Q< 6mm
ct > 0,045 para 6( 0 < 12 mm
0 > 0,055 paÍa 12< Q < 50 mm

14
A medição dos diversos parâmetros que definem as nervurâs deve ser feita ao
centésimo de milímetro e, como indicador da técnica a adoprar, exrsre uma reco-
mendação da RILEM (17) aconselhando, conforme a grandeza a medir, o uso de
deflectómetros ou craveiras. Em altemativa poder-se-á usar também um proiector
óptico de perfis.
Convém observar que o critério de classificar a aderência dos varões peÌo valor
da área relativa das suas nervuras, cr tem se mostrado bastante eficiente, pois os
ensaros evidenciam que varões com diferentes configurações da superfície (diferen-
tes aìturas das nervuras e diferentes distâncias entre elâs), mas com o mesmo valor
de o., revelam comportamentos idênticos.
No entanto, devido fundamentalmente a razões de fabrico, e ainda ao facto de
nervuras altas poderem conduzir ao fendimento do betão, é corrente não ultrapassar
para o o valor de 0,08 com aìturas de nervuras relativamente pequenas. por outro
ìado ainda, a experiência tem mostrado que as inclinações, tanto na direcção das
nervuras (ângulo entre a direcção das nervuras e o eixo dos varóes) como das suas
fàces laterais, desde que compreendidas entre 45o e 90", pouca influência têm no
comportamento dos varões.

5.3 Alta aderência. Ensaios de viga e de ârrancamento


-
No que se refere aos ensaios para aferir da boa aderência dos varões ao betão,
o mais recomendado é o ensaio de viga, já referido, e que consta essencialmente
em ensaiar à flexão uma pequena viga (fig. ll) composta de duas piLrtes, unidas
por articulação na zona de compressão, e cuja armadura é o varão em ensaio, que
apenas está aderente ao betão em determinados comprimentos, em cada uma das
paíes da viga. Durarte o ensaio mede-se o deslizamento do varão, em ambas as
extremidades, para os diversos valores das forças aplicadas. Os resultados dos
ensaios consistem na obtenção da "curva tensão de aderência deslizamento",
sendo importantes as tensões conespondentes aos deslizamentos de 0,01,0,1 e
I mm. Deve-se também registar a "tensão de roturâ da aderência", ou seia a
tensão de aderência correspondente ao momento em que o deslizamento se realiza
sem aumento das forças aplicadas.

positivo pcro medir


Dis
Vorão em ensoio o deslizqmenio

Fig. I I Esquema do ensaio de visa para deÌerminação da aderência das armaduras

t5
Segundo o CEB (16) os varões poderão ser considerados de aìta aderência se 6-
se verificarem as seguintes condições:

o valor médio das tensões de ader€ncia, Ít_, correspondentes aos desliza_


- mentos de 0,01, 0,1 e I mm for tal oue:
6.1

ru.=Ë>8-0,12q atÍÍl
pÍo
de
a tensão de rotura da aderência, f6 obedecer a: con
-
çao
fb> 13 - 0,19 0 oPe
os
sendo Q o diâmeno do varão ensaiado expresso em nìm e 16 e f6 êxpressos €m pr€x
MPa. gen
O ensaio de arrancamento, por seu lado, é de mais fácil realização, pois
consiste em submeter um varão embebido num prisma de betão (fig. l2), num
comprimento definido, a uma força de tracção aplicada numa das extremidades,
ficando a outra livrc. A relação entre a força aplicada e o deslocamento rclativo
entre o aço e o betão, medido na ex[emidade oposta à da aplicação da força, é Notr
registado e constitui o resultado do ensaio. Tal processo não é considerado, poém, plo,
um afeÍidor absoluto da adeÉncia e assim na recomendação citada da RILEM é nonl
dito que o ensaio de arancamento se destina náo a determinar a ader€ncia mas veis
sim a "adesão" dos varões ao betão e pode servir para comparar entre si a resP
eficiência de vários tipos de superficies nervuradas. Esta opinião fundaÍnenta-se no (
facto de que neste ensaio o estado de tensão realizado no betão é bastante diferente elect
do que se verifica na reatidade, o que já não sucede, pxcém, no ensaio de viga. Nas
No entanto, e apesar disso, o ensaio tem sido utilizado, por vezes, como classifi- dadt
cador de varões de aìta aderência pnr comparação dos compoÍaÍnentos obsenados,
sem que daí tivessem resultado quaisquer inconvenientes.
6.2.
l
efeit
elev
"sol
Na

.,0
I'
Fig. 12 Esquema do ensaio de ,umncâmento para determinação da ader€ncia das armaduras
-
16
6 SOLDABILIDADE. TIPOS DE SOLDADURA E DE LIGACÕES.
- ENSAIOS

6.1 Tipos de soldadura


-
A
soldabilidade do aço é uma propriedade exrremarÌÌente útil para o fabrico das
armaduras pois vai permitir efectuar emendas por soldadura e ainda, por esle
processo, proceder à sua montagem em condiçoes eficientes. No entanto tal modo
de ligaçáo, para ser executado em boas condiçoes, exige particulaÍes cuidados, que
começÍìm pela necessidade de o aço ter determinadâ composição química em fun-
ção do processo de soldadura e acabam na exigência de os soldadores terem de ser
operários especiaìizados. Com efeito, nem todos os aços sáo soldáveis e alguns só
o são por determinados processos. Assim, por exemplo, as norrnas inglesas (l8)
prescrevem que a soldabilidade por arco eléctrico (processo que, como se verá, e o
gerâÌmente utilizado nos estaleiros) do aço macio só é de admitir desde que:

o aço não tenha uma tensão de rotura superior a 520 Mpa


- os teores de Íósforo e enxofre sejam inferiores a 0,062o
o teor de carbono seja inferior a 0,25clc
-
Note-se, porém, que tais condições são extremamente discutíveis pois, por exem-
plo, a norma portuguesa retèrente a produtos sideúrgicos (19) e que se baseia nas
normas congéneres lSO, Euronorma e DIN, fixam para aços francamente soldá-
veis, teores máximos de carbono, fósforo e enxofre mais bâixos e da ordem,
respectivamente, de 0,20%,0,05o/o e O,O3V,.
Os processos de soldadura mâis correntes são a "soldadura por resistência
eléctrica", a "soldadura por gás sob pressão" e a "soldadura por aÍco eléctrico".
Nas alíneas seguintes fazem-se aÌgumas considerações sobre tais processos de sol-
dadura.

6.2 Soldadura por resistência eléctrica


-
Neste processo âs peças a soldar fazem pane dum circuito eléctrico e, por
efeito de Joule quando passa a corrente, elas são submetidas a temperaruras muito
elevadas, realizando-se então a soldadura. Podem distinguir-se duas modalidades: a
"soldadura poÍ pontos" e a "soldadura topo a topo com projecção de partículas".
Na soldadura por pontos (fig. l3), que no caso das armaduras e praticamente

-lut-
Tron sío rrnodo I E ld. t rodo

:|:
_iLlt I FiS. ll - Esquema de soldadura por ponros

17
apenas utllizada nos cruzamentos de varões, estes são postos em contacto e atraves
deÌes faz-se passar uma corrente eléctrica de grande intensidade, realizando-se a va:
soldadura em consequência do caìor desenvolvido. cot
O processo de soldadura topo a topo com projecção de panículas é usado para vaJ
emendar varões e consiste resumidamente no seguinte (fig. l4).

S,t

na
se€

Fig. 14 Esquema de soldadura lopo a topo com projecçào de panículâs


-

Os varoes sáo encaixados em maxilas, uma fixa e outra móvel, de modo a que
fiquem a.linhados mas com os topos não em contâcto. Seguidamente os varões são
ligados ao secundário dum transformador, cujo primário é posto em tensão.
A maxila móvel entra então em movimento de forma a aproximar os topos dos
varões e estes ao entríúem em contacto em alguns pontos fecham o circuito do
secundário, a temperatura eleva-se muito e há uma projecção de partículas do
material fundido que continua à medida que a maxila móveÌ avança. Acabada a
fase de projecção de partículas, a corrente é cortada e com um rápido movimento
da maxila móvel os topos dos varões são fortemente comprimidos um contra o
outro, operaçáo que corresponde a uma fase de forjagem.
Este processo de soldadura, em que, por vezes. os varoes são sujeitos, antes da
fase de projecção de panículas, a um aquecimento prévio, só conduz a bons
resultados quando as percentagens de silício, fósforo e enxofre são relativamente
baixas. O grande inconveniente, porém, deste tipo de soldadura é a grande potên-
cia eléctrica que exige, o que, se outras razões não houvesse, o toma proibitivo rev(
para ser utilizado nas obras. rev(
lico
ras
6.3 Soldadura topo a topo por gás sob pressáo eléc
- sold
Trata-se, como o anterior, dum processo autogéneo de soldadura e que, em
síntese, apenas se distingue dele pelo facto de a fusáo do metal não ser obtida por ú1
efeito de Joule, mas antes pelo calor proveniente de maçaricos oxi-acetilénicos con
concêntricos apontados paÍa os topos dos varões a soldar. Há também, na parte dun
final, e estando os maçaricos ainda acesos, uma fase de forjagem. rodr

18
A soldadura por gás. que tem sobre o processo da soldadura por resistência a
vrntagcm de não exigir montagens que não poderão ser t'eitas num estaleiro,
conduz. qualdo bem aplicada. a resultados totalmente satisfatórios sobretudo paÍa
varoes relativamente grossos (diàmetms superiorcs a l2 mm).

6.;l Soldadura por ârco eléctrico


-
A
soldadura por arco eléctrico consiste na fusão localizada das peças a soldar e
na adição de um metaÌ de depósito. podendo durante o processo distinguir-se as
scsuintes fases (fiÍÌ. l5 ):

-l E léc t rodo

:
I

I'ig l5 - Il\quanìr d. soldiìdura por ilrco elacÌric(ì

As peças a soldar são convenientemente tratadas e postas em contacto.


- As peças a soldar e um eléctnrdo são respectivamente ligadas aos terminais
- dum secundário dum transformador cujo primário é posto em tensão.
O soÌdador encostâ o eÌéctrodo às peças a soldar, fechando assim o circuito.
C soldador afasta o eléctrodo de 2 a 3 mm. formando-se em consequència
- un] aÍco eÌéctrico.
A lbrmação deste arco dá lugar à libenação de grande quantidade de caìor
- que faz Íìndir, locaÌmente. as peças a soldar e o próprio eléctrodo.
A solidrficação do metal tìndido assegura a ligação entre as paÍtes a unir.
-
O eléctrodo é constituído por um fio de aço de alta qualidade que pode ser
revestido ou não. No caso de o ser "soldadura com eléctrodo revestido" tal
revestimento tem tunções
-
imponantes, podendo ser oxidante, neutro, ácido,- ruti
lico, rutíìico-celuÌósico e básico. Dentre estes o mais indicado para soldar armadu-
ras é o eléctrodo básico, havendo a obsewar contudo que a escolha do tipo de
eléctrodo a utilizar ileve ser feita, em todos os casos, em função do tipo de aço a
soldar e das condições particulares em que a soldadura é executada.
No caso de o eléctrodo não ser revestido. a soldadura é correntemente designa-
da por "soldadura com protecção tìe gás". Neste processo (fig. 16) o eléctrodo
consiste num fio metálico contínuo que automaticajnente avânça para o interior
duma pistola, à rnedida que a soldadura o consome. Tal ho e no interior da pistoÌa
rodeado por um gás protector (por exemplo dióxido de carbono).

19
O arco eléctrico forma-se da mesma maneira que no processo anterior, bas_
tando no caso presente, para fazer o cordão de soÌdàdura, movlmentÍìr a prstola.

Gds inerte

----f

Fig. 16 Esquema de soldadura com pmtecção de qás


-

A soldadura por arco eléctrico é, sem dúvida, mais corentemente utilizada,


pois trata-se dum processo económico e que pode ser usado com facilidade
no
estaÌeiro e mesmo na obra. Tem, no entanto, como aliás todos os processos
de
soldadura, as suas peculiaridades, exigindo características convenlentes não só
metaÌ a soldar como também do eléctrodo aplicado e, ainda, sendo essencial a
do at-
especialização e responsabilização dos operários que procedem à soldadura.
Tb
., Como _caso particular que convém saÌientar, reflua-se que a soldadura por arco
eléctrico de varões endurecidos a frio põe em geral alguns problemas, pois pode
IÊTË
conduzir a perdas de resistência dos varões a soldar. Púr-
ÍrÉ
\o
OC{XICÍ
6.5 Tipos de ligação por soldadura
- çâo dr
Os divenos processos de soldadura descritos anteriormente dão lugar aos restg
se_ os etÌs
guintes tipos de ligações entre vaÍões (fig. l7):
ensâiol
"emenda topo a topo" (soldadura por resistência, por gás ou por arco) auadÍtr
- "emenda por sobreposiçáo simples ou por sobreposição Os
- dupla,, (soldadura a teËã
por arco)
"ligação de varões cruzados" (soldadura por iuco e por. resistência). a posir
- resulta
Tais ligações para serem convenientemente feitas exigem cuidados especiais e ate
tensão
g:,:19 indicados na bibliografia especializada, po. exemplo
"o-o peÍinentes as
DIN (20). Aí se encontram tarnbém indicações extremamente
normas
relativas à
valor d
soldadura topo a topo por resistência com projecção de panículas. e, em
questá(
as-
l.

Ehendo topo o topo

Emendo por sobreposição simples

Emendo por sobreposiçi6 6up16

Ligoção de vorões cruzodos


Íla,
no Fig. l7 Esquemas de soldaduras de vaóes
-
de
do ó.6 Ensaios
la -
Descritos os pÍocessos de soldadura utilizâdos para realizar os diversos tipos de
tco ligaçóes entre varões, quer quardo elas são apenas de posícionamento (sem haver
de portanto uma resistência exigida), quer quando são resistentes, veja-se seguida-
mente quais os ensaios que podem atestar a eficácia de tais soldaduras.
No prirneiro caso (ligações de posicionamento) como os prejuízos que podem
ocorrer, se a ligação não for boa, são relativamente pequenos, a simples observa-
ção da soldadura efectuada é em geral suficiente. Já porem no caso das ligações
resistentes, é preciso confirmar por ensaios a eficiência das soldaduras. Para tanto
se- os ensaios exigidos são em geral ensaios de tracção, ensaíos de dobragem e
ensaios de cone, distribuídos segundo a RILEM (21) conforme é indicado no
p) Quadro I.
Os ensaios de tracção devem ser efecruados da forma usual (9) determinando-se
lrA a tensão de cedência ou a tensão limite convencional a O,2Vo, a tensão de rotura e
a posição da secção de rotura ern relação à zona da ligação. A avaliação dos
resultados do ensaio poderá ser traduzida na relação entre a tensão de rotura obtida
e a tensáo de rotura do varão náo soldado. Segundo a Euronorma 8O (22), a
us
tensão de rotura do varão soldado não deve ser inferior em mais do que l0% ao
:rs vaÌor da mesma tensão obtida em provete não soldado, retirado da mesma amostra
à e, em caso algum, deveú ser inferior ao valor exigido para a qualidade do aço em
questáo. Quando se trate de soldadura de emenda por sobreposição simples, no

21
QUADRO I

Ensaios das soldaduras para os diversos tipos de ligações

Tipo Processo Tipo de ensaio


I
cle de
Ligação Soldadura Tracção Dobragem Cone

Topo Resistència
Gás
Topo Arco

Sobreposição

Varões Arco
Cruzados Resistència

* Unicamente quando a ligaçáo for resistcnte como no caso dâs rcdes electrossoldadai (soldadura por resistência)

ensaio de tracção (fig. 18) as forças sâo aplicadas excenÌricamente em relação à


soldadura pois são exercidas directamente nos varões, havendo no entanto que
exigir as mesmas condições paÍa que a soldadura seja considerada satisfatória.

,| só f2omm+ 5ó +

Fig. l8 Provete do ensaio de tracção duma soldadura por sobÍeposição simples.


- segundo a Euíonorma 80

No que se refere ao ensaio de dobragem


ele deve ser efectuado segundo â técnica
corrente para um ângulo de dobragem de 9tr
e segundo determinados mandris fixados poÍ
exemplo pela Euronorma 80.
Os ensaios de coíe (fig. 19) que só se
justifìcam pam soldaduras resistentes de varões
cruzados, como por exemplo nas redes elec-
trossoldadas, devem satisfazer a determinados
t/
(7
valores fixados nas noÍnÍìs, como por exem-
plo no REBAP, que estipula valores exacta- Fig. 19
- E<quema de en.aio de cone
mente paÍa o caso das redes. duma soldadura

22
7
- RESISTÉNCn À r,lnrcl. ENSAIoS

7.1 Características gerais da fadiga


ll -
A
fadiga é. como se sabe. um fenómeno que se traduz por uma diminuição das
iaJacterÍsticas resistentes duma peça quando submetida a acções de variação apre-
ciár el e muito tìequentes.
Compreende-se que tal diminuição de resistência possa compÍometer a segu-
rança das estruturas de betão armado sujeitas a um número relativamente grande de
repetições de cargas e desde que essas cargas constituam a sua principal solicita-
ção. Estão neste caso. por exemplo. as estruturas de suporte das pontes rolantes,
,iìeumas pontes Íèrroviárias e mesmo rodoviárias.
Torna-se poíanto necessário earacterizar os riuòes para as armaduras do ponto
ie rìsta da resistência à tadiga, ou seja determinai as suas condições de rotura
r.:ardo su.jeitos a acções Íepetidas. Tal determinação é feita a partir de ensaios
:rìfmalizados, gcraÌmente ensaios de provetes sujeitos a esforços de tracção (23)
--e se fazem variar sinusoidalmentc no tempo. Esta variação de esforços no
dá lugar à variação das tensões indicadas na fig. 20. ou seja a uma tensão
:r.-,r ete
::j\rntJ. (I r_\. e a uma tensàtl mínima. o nr1. ou. (ì que e o mesmo. a uma
iei,l: (ou a tensão média o m"a) e à vzLriação de tensão 2Ao. Há ainda a conside-
:.f !ì numcro de cìclos N aplicados ao provete.

I ciclo
Ï--ï

íIméo o

> Íempo
N " número de ciclos
F ._ lrl EsqrÌcma dc âcçaro variiivel sìnusoidalmente no tempo

l,: en.,ritr: e possírel concluir que as condições de rotura dum provete sujeito
:::i::: Jetendem rle trés variáveis, a tensão máxima, a tensão mínima e o
-,:::r ,ra ;tiÌor. Em relação I este último parâmetro observa-se que, para um
-
--::r :: .ìara\ malLìr clue unt determinado, o fenómeno da fadiga toma-se em
-:.:. .t:::ia.<i or3ÌraÀÌìente independente do seu valor.
-:: .: :rr. que as condições de rotura por fadiga dependem de três variáveis
: : ì-: :a:r:!3:t.1çã.' terá que ser. portanto, efectuada num sistema de três eixos
- :,;::: -. -n pJra os ralores de omax, outro para os valores de omin e o
=.:=.' ::.: 1. ,';1..1g-. de \. A representâção plana só se conseguirá dando
-:: :, , , --:, lr. \Jid\els.

23
7.2 Diagramas de Wõhler e de RoY
-
Um dos processos de tãzer uma representação plana do fenómeno da fadiga é
considerar a tensão mínima iguai a determinado vaÌor e então a tensão máxima
virá apenas Íunção do número tle ciclos. E ume representação deste tipo que é
esquematizada na fig. 21 (diagrama de Wòhler), conespondendo um diagrama
diferente a cada valor de on,;n. Do diagrama apresentado vê-se que há um valor da
tensão máxima em que esta se torna praticamente inclependente do número de
ciclos. Tal valor costuma ser designado por "rensão limite de Íadiga", T.L.F., e
pode ser definido como a máxima tensão para a qual, por maior que seja o
número de ciclos, não há rotura da peça por fadiga. Esta tensão é, evidentemente,
referida a um dado ralor da lensào minima.

omox

ensõo {imile de ÍodÌgo


T. L.F

tog. N

Fig 2l Diagrama dc waihlcr Parâ unì dado valor de on,n

Os diagramas de Wôhler não são por vezes aconseÌháveis para efeitos práticos
e, por isso, outras representações se usam. como. por exemplo, a que toma como
parâmetro fi-ro o número de ciclos e como variáveis os vaÌores da-s tensoes márima
e mrnima que cí'ndu/em a roturl E uma repre\cnÌüçáo dc'te tipo que con.titui r
fig. 22 e que é geraÌmente designada por diagrama de Ro!. Neste diagrama estão
representados em ordenadas os valores de o.,'*, e em abcissas, à mesma escala,
os valores de o-;n. A curva ABCDE dá os vaÌores de o,''* e omin que conduzem
à rotura por fadiga quando são aplicados os N ciclos a que o diagrama diz
respeito. As distâncias CG medidas segundo o eixo dos o."r, entre a cuwa de
rotura e uma recta a 45o tirada pela origem, dão as diferenças entre o omur. e omrn
ou seja as variaçoes 2Ào da tensáo aplicada.
Como pontos paÍiculaÍes deste diagrama tem-se o ponto A que corresponde a
Õmin = - omax, o ponto B que é obtido parâ omin : 0, o ponto D para
o qual o-;n : 0,5 o max e o ponto E que conesponde à rotura estática pâra
o11n1 : õ6jn, não havendo variação de tensáo.


- F ----+ +
-
Fig. 22 Diagrama de Ro! para um dado valoÍ de N
-

7.3 Diagramas simpliÍicados


-
Do que foi dito anteriormente, é evidente que a determinação da resistência à
fadiga dos var6es dum dado aço só se conseguirá com um número muito grande
de ensaios, pois, além de haver u€s variáveis, a dispersáo dos resultados nesses
ensaios é muito elevada devido, principalmente, a que a fadiga depende não só da
natureza do material mas também da geometria da superfície dos varões e de
pequenÍrs incorrecções que esm apresente.
Sucede porém que â contrapaÍida real de tais ensaios é bastante duvidosa,
pois, por exemplo, nas estmturas os varões estáo envolvidos por betão e não
livres, e não sujeitos a variações sinusoidais de tensão mas antes a variações do
mais diverso tipo e processando-se a níveis bastante diferentes. Daqui resulta que
faz sentido simplificar a determinação das condições de rotura dos varões das
armaduras e admitir a hipótese simplificadora que se expõe seguidamente.
Pode considerar-se que a tensão máxima, pâra omin : 0, varia com o número
de ciclos segundo o esquema da fig. 23, ou seja é igual à tensão de cedência

o-o,
Ìenúo de c.dôncio
fsy

T.neõo limitè de ÍodiEl


Ï. L.E
poro Omin:O

Fig. 23 Variação da tensão máxima. com o número de ciclos, para o.'n = 0


-
25
t-a
desde que N < 104 (não há fadiga portanto), não varia com o número de ciclos
(tensão limite de fadiga) quando N > 2 x 106 e entre os dois valores apresenta
variação linear. pâ
Conhece-se, consequentemente, já um dos pontos dum diagrama de RoY ou cìJ
seja o ponto B da frg. 22. Ottro ponto que se pode admitir como ceno é o ponto ni
E da mesma figura pois conesponde a uma roturâ estática que em princípio será re!
para Omax : Omin : f.y.
Marquem-se esses pontos (ftg. 24) e pelo ponto B tire-se uma recta a 45o e Lìl
pelo ponto E uma paraìela ao eixo das abcissas, definindo-se assim uma linha BCE úr
que será exterior ao diagrama procurado. Se agora se traçar uma curva que seJa üú
tangente a essa liúa nos pontos B e E curva BC'E poderá dizer-se que tal
de
-
curva representará, com certa aproximação, -
o diagrama de Roí procurado. Nos dÈ
casos práticos interessa apenas este diagrama paÍa um número de ciclos muito
grande; ele toma-se poÍanto independente deste parâmetro e o valor de omax paÍa cr
omin : 0 é a tensão limite de fadiga para õmin 0.
pr
-- .n!
ric
Ísy rJ

de
{F
txr
ort
poro L/min = 0 se N > 2'10-)

0 Omin

Ftp..24_ Diagrama de o mrn. RoY simplifrcado

SimpÌificando ainda um pouco mais, e no caso de tensões máximas relativa-


mente baixas ern relação à tensão de cedência, pode dizer-se (fig. 24) que não há
perigo de rotura por fadiga desde que a variação de tensões imposta aos varões
(2Âo) seja inferior à tensão limite de fadiga para Õmin:0, determinada em
ensalos.
Observe-se, no entanto, uma vez mais, que esta forma de apresentar o proble-
ma é extremamente simplificada, e mesmo em algumas zonas contra a segurança,
e que apenas encontra justificação no facto de a complexidade do problema não
permitir ainda um tratamento mais adequado. É no entanto de salientar que a
regulamentação segue em geral esta orientaçáo (são exemplos a DIN 1045 e o
REBAP), posto que evidentemente adoptem, para o dimensionamento, coeficientes q-
de segurança em relação aos valores experimentais.
Diga-se ainda que o problema da fadiga de varões se agrava quando estes se
apresentam com fortes dobragens e, ainda mais, quando há ligaçoes por soldadura.
O REBAP contempla tais siruações.

26
7.4 Ensaios
-
A fadiga é como se disse anteriormente um fenómeno dependente de muitos
parâmetros, pois, além das tensões mínima e máxima e do número de ciclos,
outros factores, tais como o estado de superfícìe dos varões, o seu comprimento, o
número de ciclos por segundo, exercem influência, por vezes determinante, nos
resultados dos ensaios-
Por tal facto não é fácil determinar, para um dado tipo de varões, o seu
comportamento em fadiga duma maneira completa, pois tal obriga à realização
dum grande número de ensaios, cujos resultados, devido à dispersão que apresen-
tam, terão que ser tratados por uma aníise estatística para definir a sua probabili-
dade de ocorrència e precisào
Como se viu, porém, para as aplicações correntes não será em geral necessário
dispor de um conhecimento tão completo, e assim bastará determinar algumas
características desse comportamento, como por exemplo a tensão limite de fadiga
paÍa um ou dois valores da tensão mínima (o que permite o traçado aproximado
dum diagrama de Rõs) ou então, o que é mais fácil, determinar o número de
ciclos que um varáo pode suportar sem rotura por fadiga quando sujeito a uma
variação de tensões especificada.
No entanto, mesmo para estas determinações, é necessário efectuar um número
de ensaios relativamente grande que convém que sejam normalizados. Assim, no
que se refere a provetes de ensaio na ftg- 25, reproduz-se um desenho retirado da
norma da RILEM já citada (23), referente ao assunto, constando dessa norma entre
outras as seguintes considerações:
se pretenda determinar a tensão limite de fadiga para dois vaìores
- Quando
da tensáo mínima estes devern ser escolhidos, um próximo de zero (o min -
:0 náo é em geral possível por o varão ficar livre nas garras) e outro paÌa
um valor suficientemente alto.
No controle duma determinada caracteística em fadiga devem realizar-se
- pelo menos 6 ensaios idênticos.
A frequência da tensão deve ser maior que duas vezes a frequência própria
- de vibração do provete e estar compreendida entre 80 e 600 ciclos por
minuto; uma maior frequência corresponderá, em principio. a um aumento
de resistência.
Não devem ser considerados como válidos os resultados de ensaios em que
- a rotura se deu dentro das garras ou a uma distância destas menor que 5
vezes o diâmetro do provete.
Zono Zono
Zono de Zono de

Comprimento do provêle
30 É ou 8r posso dô hélice dos nervuros
e moìor quê 50 cm
Fig. 25 Esquema de provete para ensaio de fadiga
-

27
E-MARCAçAO DOS VAROES

E.l }lecessidade da marcação


-
A troca de varões, quando da sua utilização em obra, pode dar lugar a aciden-
tes graves, se dessa troca resultar o emprego dum aço com menor resistência que a
do aço dos varões previstos.
E necessário, consequentemente , fazer a sua marcação com marcas indeléveis,
suficientemente próximas para que pequenos comprimentos de varóes sejam ainda
indentificáveis e que, por outro lado, não comprometam a aderência, a resistência
à fadiga ou a aptidão para a dobragem.

8.2 Marcação segundo as Euronormas


-
Para a marcação dos varões não existe ainda acordo entre os diversos países e
assim têm sido adoptados esquemas baseados na supressão de nervuras ou na
adição de nervuras e ainda outros na gravação de letras. Note-se, no entanto, que
se os varões apresentam uma forma especial de superfície esta será suficiente para
a sua identificação, não havendo neste caso que considerar qualquer marcação.
Também no caso do aço macio, dado que ele corresponde à qualidade de aço de
menor resistência não se põe em geral o problema da marcação. Sucede mesmo
que se deve considerar desta qualidade quaisquer varões que não teúam marcação
específica.
Um tipo de marcação que duma forma geraÌ os países da Europa têm adoptado t-
é o preconizado pela Euronorma 80 (22). Assim, na ftg. 26, apresenta-se um
exemplo desta marcação onde se vè que as ma-rcas consistem em reforçar certas tl
nervuras, deixando entre estas nervuras reforçadÍìs um certo número de nervuras
ordinárias, sendo sucessivamente dadâs indicaçoes sobre a qualidade do aço, o país
de origem e a fábrica produtora. Será:

quaÌidade do aço -
Or
-
I nervura
2 neryuras
FeB400 r
FeB500 -c
pais de origem È
- :ú
I nervura Alemaúa gÍr
2nervuras Benelux tõ
3nervuras França aarl
4nervuras Iüília
5nervuras Inglaterra ir:
6nervuras Suécia, Noruega rry
7nervuras
8nervuras
Espaúa
Checoslováquia
r
=Ít

28
fábrica produtora
-
número de nervuras é o indicativo da fábrica em causa. Se tal número for
maior que l2 haverá duas séries entre nervuras reforçadas, indicando a
primeira o número de dezenas e o segundo o número de unidades.

Entre duas marcas completas deve haver um número de, pelo menos, 13
nervuras ordinárias mas não excedendo, em regrâ, I metro entre elas.

Pois de origern Fdbrco prodLJroro

2 3 /,5 6 7 t1 1 2 3 4 5 6 /
Esponho // 10 * 6 (Ídbrico ì6 ) I <ì
'r: neru
metro

Fìg. 16 Exemplo de rtarcação de m lerão segund() a Euronorma 80

9 _ HOMOLOGAÇAO E CONTROLE

9.1 Controle de produção e controle de conformidade


-
Como se viu anteriormente os varoes para betão armado têm de possuir, em
ierto grau, um conjunto de propriedades que váo desde a resistência e ductilidade
até à soÌdabilidade e resistência à fadiga, sem esqueceÍ a aderência ao betão.
O seu emprego exige pois que tais propriedades sejam veriÍìcadas, de modo a que
oossa haver gaÌantia de que o aço que se vai empregar obedece aos requisitos
necessários para que o seu comport:ìrnento em obra seja satisfatório.
A tbrma prática de conseguir taÌ objectivo consiste em proceder as operaçoes
ie "homoÌogação", "controles intemo e extemo de produção" e "controle de
JonÍbrmidade". A homoÌogação consiste em uma entidade oficial, depois de ter
eraminado e ensaiado o aço em causa, ga.rantir que ele possui determinadas carac-
:Ènstìcas. e, em função delas, definir o seu campo de aplicação; pode no entaÍÌto
:nroÌr'er. e em muitos casos assim sucede, o controle extemo da produção.
O controle interno de produção refere-se aos ensaios feitos pelo produtor, de
l!ìrma a este poder garantir que o seu aço satisfaz as exigências que lhe são
::npLìstas no documento de homologação. O controle externo da produção é uma
-:3ranÌia. dada por entidade oficial, de que o controle intemo está a ser reaìizado
::r condicões satisfatóriâ-s.

29
Finalmente o controle de conformidade corresponde a verificar se o produto
recebido está em condições de ser aceite para satisfazer os requisitos feitos quando
da encomenda.
De todas estas operações pode considerar-se que a homologação e o controle è
intemo de produção são as etapas fundamentais podendo as outras duas, controle
externo e controle de conformidade, serem extremamente aliviadas, se houver
um grau de confiança muito elevado na eficiência das duas primeiras. No limite
poderá mesmo dizer-se que o controle de conformidade deverá apenas consistir em
verificar se os restantes controles foram correctamente executados.
Estas operaçoes que se destinam a criar um sistema de garantia de qualidade
do material para armaduras, marca de qualidade ou certificação do produto, são
em gr:ral tidas em consideração nas noÌmas dos diversos países. Assim e consul- trEr
tando o CEB (6), as Euronormas (22), as normas inglesas Q0, Q5), (26\, as
normas francesas (28), (29), âs noÍÍnas alemãs (13), (27) e o REBAP (2) é possí-
vel resumir a situação existente da seguinte forma:

As normas consultadas prevêem em geral um controle de produção.


- O CEB, a norma alemã e as norÍnas francesas consideram a existência de
- controles de produção intemo e extemo. (
-
As normas inglesas especificam o modo de realização do controle de pncdu- &r
ção intemo. F
-
O REBAP, embora se refira ao controle de produção extemo, não define os
moldes em que deve ser efectuado.
tu
O CEB, a norma alemã e o REBAP referem-se à homologaçáo dos produ-
- tos. O CEB e a norma alemã especificam o modo de proceder a essa
homologação, o REBAP delega essa actividade no Laboratório Nacional de 5

Engeúaria Civil. itÉ


!
J.q
9.2 Controle segundo as normas francesas
-
Como exemplo desta operação de controle transcreve-se seguidamente o que
sobre o assunto consta da norma francesa NFA 35-016, já citada, relativa a varões 1
de alta aderência pa.ra betão aÍmado. :ã
Traduzindo pode ler-se: rd
"Os fabricos provenientes dum produtor que pratica um autoconÍole contínuo,
submetido a uma verificação por um organismo exterior habilitado, não necessitam
em princípio dum controle específico feito pelo utilizador, m:ìs apenas duma verifi-
cação de identificação e de aspecto.
No caso contrário, os lotes devem ser submetidos a uma recepção segundo as :E
regras seguintes: iÊ
Loteamento
-
O controle pode fazer-se por lote ou por vazamento. O modo.de loteamento
deve ser previsto quando da encomenda.

30
Unidade de controle
-
Os varões são apresentados no estado de fomecimento, agrupados por processos
de produção, qualidade do aço e diâmetros nominais, sendo a massa de cada lote:

para um controle por vazamento, de 40 toneladas ou fracçáo restante de


- menos de 40 toneladas
paÌa um controle por lote, de 20 toneladas ou fracção restante de menos de
- 20 toneladas.

Por unidade de controle são efectuadas 6 séries de ensaios, cada série com-
preendendo:

I ensaio de tracção
- I ensaio de dobragem simples
- I ensaio de dobragemdesdobragem.
-
Anulação do ensaio
-
Quando em consequência dum defeito de execuçáo, o ensaio não dá os resulta-
dos prescritos, ele deve ser anulado. Por defeito de execução entende-se uma
preparaçáo defeituosa, uma montagem incorrecta na máquina de ensaios, um mau
funcionamento desta ou qua.lquer outra anomalia análoga.

Interpretaçõo dos resultados


-
Se dois dos ensaios, relativamente à mesma ou a diferentes características, não
satisfazem os resultados exigidos, o lote ou o vazamento deve ser rejeitado.
Se um ensaio não satisfaz o resultado exigido, deve proceder-se a ensaios
complementares, segundo as indicações seguintes:

provete tendo um defeito. Resultados não conformes


-
Tira-se uma nova série de 6 provetes, tendo em atençáo a característica defi-
ciente, sendo um da mesma peça. Os seis ensaios complementares devem todos ser
satisfatórios pÍìra que o lote seja aceite.

pÍovete não tendo defeito. Resultados não conformes


-
Tira-se uma nova série de 6 provetes, tendo em atenção a característica defi-
ciente. Os seis ensaios complementaÍes devem todos ser satisfatórios p:üa que o
lote seia aceite.
IO CARACTERIZAÇAO DO MATERIAL PARA ARMADURAS
- SEGUNDO DI\ ERSOS PAISES

10.1 Países referidos e normas consultadas


-
O material para armaduras (varões, fios e redes) apresenta-se com uma Íelativa
variedade consoante o país de origem, mas em gerrü podem considerar-se 3 a 4
gnÌpos dentro dos quais as caracterÍsticas diferem muito pouco.
Tomando como base as normas de quatro países europeus, França (28) (29)
(30) (31), Alemanha (13) (4), Inglaterra (24) (25) (26) (32) e Ponugal (2), as
Euronormas (22) (33) (3.1) e as normas dum paÍs arnericano, Estados Unidos (35)
(36) (37) (38) (39) (40), faz se nas aÌíneas seguintes um resumo das principais
características dos varões e das redes existentes nesses países.

10.2 Natureza, resistência, ductilidade e configuração da superficie


-
Nos Quadros II e IiI apresentam se as principais carâcterísticas dos varões para
betão armado previstos nas norrnâs dos países citados. Nestes quadros são tidas em
consideração a natureza do aço (aços laminados a quente e endurecidos a frio), a
resistência (aços macios e de alta resistência), a ductilidade (extensões após rotura)
e a configuração da superfície (varões lisos e rugosos). Da sua análise é possível
conciuir. resum idamente. o seguinte:
Existem sempre, pelo menos, aços de duas naturezas um aço maclo e
- oulro de alta resisténcia
-
O aço macio na generalidade dos países europeus apresenta tensões de
cedência entre 220 e 235 MPa. sendo tais tensoes mais aìtas nos casos da
Inglaterra (250 MPa) e dos Estados Unidos (276 MPa)
O aço de alta resistência pode ser obtido por Ìaminagem a quente ou
endurecimento a frio. Não existe porém com a natureza de endurecido a frio
nos Estados Unidos, excepto no que se refere a Íìos para redes.
Os aços de âlta de resistência apresentam tensoes de cedência ou tensões
- limites convencionais de proporcionalidade a 0,2Vo da ordem dos 400 ou
500 MPa. A "nuarce" correspondente aos'100 MPa é porém mais generaìi-
zada, existindo praticamente em todos os países anzüisados.
A extensão após rotura, determinada em geral com um comprimento inicial
- entre referências de 5Q (são excepção a Alemaúa e os Estados Unidos), é
da ordem dos 22 a 24Va pan o aço macio e da oÍdem dos l0 a l4Vo pNa
os aços de alta resistência.
A configuração da superfície âpresentâ-se lisa ou rugosa, havendo em geraÌ
- vaÌões rugosos apenas quando sejam de alta resistência. E de notar que em
França os varoes de aço macio são sempre lisos e nos Estados Unidos são
sempre rugosos. Aliás neste último país os varÓes pâra betão armado (e não
cintas, hélices, ligações, etc.) caracterizam-se por serem rugosos e lamina-
dos a quente.

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33
QUADRO III 10.3 .

TIPOS DE AÇO
(Redes) o
corTel
Designações, tensões de cedência (f.rp - MPa) e extensões após rotura (€suk - 70)

"Nuance" Aço de alta resistência


Processo
Esta
Endurecido a frio
de produção ção.
Configuração
cada
Liso Rugoso
da supeúcie das s
Designação TLE 520 TLE 5OO Fe TË .lO0 Fe TE 5m comb
F-x Q<6ÍÍun ô>6mm 4mn
áz f,vt 520 5m 400 4{n
oas.
e** (5 Q) 8 8 12 8
0,5 e
Designação Bsr 50/55 GK BSt 50/55 PK ou RK versa
z f,yr 500 500
€suk (10 o) 8 8 N
l+.
BS 4482 e BS 4461
Designação
485 (BS 4482) e 460 (BS 44ól)
30n
Sco emg
e,,r (5 0) t2qo (BS 446r)
Asn
Designação A 185 A 49'1 4,6
448 483
)vj
qJ < e""1 (2Õ3 mm) N
fi xaç:
Designação A 5OO EL A5MER CSÌruI
f,vt 500 5m
t0 condi
e*r (5 Q) 10
r_
NORMAS CONSULTADAS: NFA 35-019, NFA 35-021; DIN 1045i BS 4482, Bs 4461; A 185' A 497; REBAP
às nr
exigi
primr
nervL

c
cias
No que se refere às redes (Quadro III) vê-se que os fios ou vatÓes que as Contlr
- constituem são obtidos por endurecimento a frio, podendo ser de superfície ment
lisa ou rugosa e com tensfos limites convencionais de proporcionalidade a tamb
0,2Vo, em geraì, da ordem dos 500 MPa, podendo no entanto ter valores com
mais baixos como por exemplo em França em que existem fios em que neste
aquela tensáo é de 400 MPa. As extensões após rotura variam entre 8 se r€

e l2%a. lotes
Os diversos tipos de aço sáo designados, em geral' por um conjunto de Ì\
- símbolos que definem, de modo aproximado, as suas características. Tais 35-0
designações diferem porém de país para país toleri

34
10.3 Diâmetros, secçoes, comprimentos e tolerâncias
-
Os diâmetros nominais dos varôes ,são presentemente normalizados sendo
conente consitìerar, em mm. os seguintes:

6-8 - l0 - t2 - t6 - 20 - 25 - 32 -40 - 50
Esta série de valores tem a vantagem de ser possível, no estaleiro, fazer a distin-
ção, a olho nu, entre os varões de diferente diâmetro, além do que a secção de
cada um dos varões dum dado diâmetro corresponde, aproximadarnente, à soma
das secções dos dois varões imediatamente precedentes. o que facilita as diversas
combinaçoes possíveis. Por vezes varoes, ou fios com diâmetro de 5 e mesmo
4 mm sáo empregues em estribos ou constituem material para redes electrossolda-
das. Neste caso das redes, em geral, os diâmetros vão de 4 a 12 mrn, variando de
0,5 em 0,5 mm. No Anexo V figura um quadro com as áreas das secções trans-
versais dos varões com os diâmetros pretèrenciuis referidos.
No que se refere ao comprimento dos varões, são correntes dimensões de 12,
14, 16 e 18 metros r;uando o transporte é feito por estrada chegando-se aos
30 metros para transpone Íèito por caminho-de-Í'erro. Outros comprimentos são
em geral possíveis mas coÍrespondem, norrnalmente, ao pagamento dum adicional.
As redes, quando fomecidas em painéis, são-no, em geral com comprimentos de
4. 6 ou 12 metros.
No que diz respeito às tolerâncias, salienta-se em primeiro lugar que a sua
fixação é um assunto de muita importância, pois a verificação da segurança das
estruturas assenta na hipótese de que a dispersâo de valores dos parâmetros que a
condicionam não ultrapassa certos limites.
Em geral, todos os países se preocupam com tal matéria, e assim, reconendo
às normas já citadas, pode resumir-se a situação dizendo que normalmente são
exigidas tolerâncias para o diâmetro, para a massa por metro linear, para o com-
primento dos varões, para a massa por lote fornecido e para as dimensões das
nervuras quando se trata de varões nervurados.

Como exemplo, e apenâs pam se fazer ideia da ordem de grandeza das tolerân-
cias admitidas, transcrevem-se no Quadro IV as disposiçôes sobre este assunto
contidas nas norÍnas francesas NFA 35-015 e NFA 35-016, relativas, respectiva-
mente, a varôes lisos e vaóes de alta ader€ncia (nerrnrrados). Acrescente-se que
também são dadas tolerâncias paÍa o comprimento quando a encomenda é feita
com comprimento fixo dos varões e que tal tolerâhcia é de + 100 mm. Aliás, é
neste czrso, e só nele, que faz sentido fixaÍ tolerâncias para a massa dum lote, que
se refere, segundo as noÍnas francesas, a lotes com mais de 5 toneladas; para
lotes inferiores, a nonna prescÍeve que as tolerâncias sejam aumentadas dum terço.
No que se refere à nerrn:ras dos varões rugosos, as no[nas francesas (NFA
35-017) prescrevem mínimos sem tolerâncias para as suas dimensóes, fixando
tolerálcias de + 15 a + 2OVo para a distância entre neÍvuras.

35
QUADRO IV
r:sq
Tolerâncias das dimensões dos varões ri
segundo a NFA 35-015 e NFA 35 016 l

Tolerâncias sobre os diâmetros I


.+-+
:!G
Diârnetros nominais ToleÍãncias
mm run *l
6 t 0.1
lslú
t :
8
t0 10.5
0.4
Í.r
l2e14 r 0.6 érr
16e20 :l 0.7
25 a 0.8
32 + oq
40e50 al
ll-
Tolerâncias sobre a massa
por metro linear
(Varoes nervurados)
n_l
!
Tolerâncias sobre a massa
por Ínetro linear
bcti
e.) ,-!ÍIt
$E
ó<d< r0
12\<d<16
20\<d<50

Tolerâncias sobre a massa dum lote


(Varões lisos e vaÌões nervurados)

10.4 Soldabilidade e resistência à fadiga


-
Asoldabilidade e resistência à fadiga dos varóes parâ as annadurÍrs de betão
armado sáo propriedades sem dúvida importantes mas não fundamentais pois, na
maior paÍe dos casos, não seú necessário caracterizar os varóes sob tais pontos de

36
vista, devido a eles, nas suas utilizações, não serem soldados nem ficarem sujeitos
a fadiga.
Nos casos porém em que tal aconteça, já se viu anteriormente nos números 6 e
7, o tipo de ensaios que há a realizar.
Quanto à soldabilidade dos aços existentes nos diversos países, pode
dizer-se que, duma maneira geral, todos os varões devem ser soldáveis topo a topo
com projecção de partículas e que, páua os outros processos de soldadura, haverá,
em cada caso, que analisar devidamente a questão. Observe-se que as Euronormas
estipuÌam os símbolos SF a acrescentar à designação do aço quando este for
soldável por arco eléctrico.
No que se refere à resistência à fadiga, as norïnas relativas à verificaçâo da
segurança das estruturas de betão amado estabelecem, em geral, valores máximos
da variação da tensão admissível no dimensionamento.

rT _ CARACTERIZAçAO DO MATERIAL PARA ARMADTJRAS


EXISTENTE NO PAÍS

ll.l Natureza e propriedades mecânicâs. Tipos correntes de varões


-
Não existem no País normas específicas relativas à caracterização dos aços para
betâo armado. É apenus no REBAP que tal matéria é tratada, figurando aí tipos
coÍrentes de armaduras, ou melhor "os tipos coÍrentes de varôes", como aqueles
que satisfazem as caracteísticas indicadas no Quadro V.
A análise deste quadro mostra que:
A designação dos tipos de aços é feita pela letra Aseguida dum número
- que exprime em MPa a tensão de cedência ou a tensão limite convencional
de proporcionalidade a 0,2Vo, seguido ainda pelas letras N ou E e L ou R,
cujo significado é, respectivamente, laminado a quente ou endurecido a frio,
superfície lisa ou superfície rugosa.
à natureza do aço, são distinguidos os varões laminados a quente e
- Quanto
endurecidos a frio.
A configuração da superfície é, em geral, rugosa, sendo apenas admitidas
- superfícies lisas em três casos, correspondendo um (A235 NL) ao aço ma-
cìo. outro (A400 EL) a um aço de aÌta resistência mas endurecido a frio por
torção e o terceiro (A500 EL) a um aço também de alta resistência mas que
apenas pode ser utilizado em redes electrossoldadas.
Os varões são em geral de alta aderência, admitindo-se apenas aderência
- normaì nos casos citados anteriormente.
características mecânicas tensão de cedência ou Ìensão limite conven-
cional de proporcionalidade a- 0,2Va, tensão de rotura, extensão após rotura
-.â.s
e características de dobragem conespondem a valores que, como se viu
já no número alÌerior, não se-afastam substancialmente do que em geral é

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admitido na Europa, podendo-se distinguir três "nuances" a saber o A235,
o 4400 e o A500, correspondendo os números às respectivas tensôes de
cedência ou tensâo limite convencional de proporcionalidade a O,Z%, ex-
pressas em MPa.

Os aços a empregaÍ em betão armado deverão, em princípio, penencer a um


dos tipos assinalados no Quadro V para o que será necessário que o processo de
produção, a configuração da superfície e as características de aderência satisfaçam
o aí especificado e ainda que os "valores característicos' ' (correspondentes ao
quantilho de 57c) das propriedades mecânicas sejam iguais ou superiores ao valores
estipulados no quadro. Quanto às características de dobragem exige-se que não
apresentem fendilhação após o ensaio, com 95Vo de probabilidade. Há ainda a
acrescentar que o REBAP, além das condições expressas no Quadro V, exige que
o valor característico, correspondente ao quantilho de 5Vo, da relação entre a
tensão de rotura e a tensâo de cedência ou a tensão limite convencional de propor-
cionalidade a O,2Vo, nâo seja inferior a 1,05.
Os valores caracteústicos referidos anteriormente são obtidos durna distribuição
estatística de vaÌores de resultados de ensaios e correspondem nessa distribuição
(fig. 27) aos valores que apresentam uma probabilidade de apenas 57o de náo
serem atingidos; a probabilidade de obter valores maiores é de 957o.

Ík --+ volores moiores que Ík

Fig. ?? Deliniçáo de valor caÍacterístico


-

O produtor não usa em geral esta linguagem, mas antes garante valores míni-
mos à sua produção; nesse caso tais valores mínimos devem ser considerados como
valores caracteísticos.
Para as redes o REBAP exige ainda que, quando elecFossoldadas, e pÍüa que
se possa contar com a contribuição dos varões transversais nas amaÍTações e
emendas, o valor característico da força de rotura ao corte das soldaduras não seja
inferior a três décimos da força de cedência exigida no Quadro V para os vaóes
loneitudinais.

39
11.2 Homologações e classificações concedidas pelo LNEC i .fìn
-
Os varões referidos no Quadro V sáo como se disse designados por varões de
tipo corrente e, para que determinados varões possam ser considerados como tal,
necessitam, com excepção do 4235 NL, da prévia "classificação" efectuada pelo
Laboratório Nacional de Engeúaria Civil, que constará dum documento onde, em \
funçáo das características apresentadas pelos varões em causa, é indicado o tipo a :lFl
que ele pertence. REB.
Esta forma de proceder deve-se, fundamentalmente, a que. a não ser para o u=:
4235 NL, é necessário asseguriu aos varões características de alta aderência o que :ir -r
é conveniente que seja verificado por uma entidade oficial, independente portanto E
do produtor. :.'n: -

O REBAP tem ainda em conta o emprego de varões que, pela sua geomeria
ou caracteísticas do aço, não possam ser classificados como de tipo corrente. --::.h
Estão neste caso os vârões de Aço Bi, referidos em 1, ou, por exemplo, varões :TE
: !Ì:_i:
obtidos por torção de barras de aço de secção quadrada. Para esta situação há que
proceder, segundo o REBAP, a uma "homologação" efectuada pelo Laboratório
Nacional de Engenharia Civil e que constârá dum documento que, em face das
características apresentadas pelos varóes em causa, define as suas condições de
utilização, que poderão, em certos casos,'diferir das estipuladas no REBAP. ll_r .

Não tem o País nenhum varão homologado e as classificações existentes são as


que são reproduzidas no Anexo IV, posto que a entrada de Portugal nas Comuni- o
dades Europeias faça prever, a breve trecho, a classificação de grande número de 3ìi-;s
varões de origem estrangeira. :!ìE
Presentemente existem cÌassificados, da "nuance" A400, os seguintes tipos de C.
varões: ie-
FTÈrl
Aço SN 400 Varões laminados a quente com superfície rugosa, classificados
le:: :

- como 4400 NR.


ni
J,ti p
Lt 1È

Aço SN 100 E Varões endurecidos a frio por torçâo, com superfície rugosa, E
- classificados como 4400 ER. F-.t.li -
lriÊ
-Ë]r8
Kari 400 ER Varões endurecidos a frio por laminagem a frio, com superfície --È*
- rugosa e classificados como A400 ER. \eÈ
,.JÍ:Il
\
f,u_Be
e da "nuance" A50O: :Èüs{ìt
ôt{rs
Aço SN 500 Varôes laminados a quente, com superfície rugosa, classificados dË_!l
- como 4500 NR. ,-uL,r ;

40
c ainda da 'nurnce A235:
,{qo .SN ?-ì-í rR -.- Vlroes Ìaminados iì quentc. com supcrfícic rul:osa. classitìcados
conro -423-5 NR.

Notc-sc que nio criste l classificlçãLr de quaÌquer aço como pencncente ao


tipo A.100 EL. ou se.ja varoes cndurccidos l tììo por torçâo. lisos. A razão de o
REBAP ter considerado estc tipo de nço dere se a no País ler tido durlnte -+0 anos
umr utilìzrçrio imponante um uço deste tipo. o Heliaço. sen que de tal facto
tìresscm rcsultado qurisqucr corì)ponlmentos dcficientc's das estruturas.
Este aço loi. nl devida altuÍa. submctido r ensaios pelo LNEC. tendo-se
eoncluído cntâo que. lpeslr de a sul supcrÍìci.' ser aparcntemente Ìisa. a ru,gosi-
tladc provocadr pela torqio cra suficicnte para iìsselrurar unrl convenie'nte aderên-
cil rio betio. No entlnto apresentiì\n o inconvenienÌe rÌe cri-sir qanchos nas amar-
rrçircs e nls enrcndas. razão pcll qual nào sc rÌrostrou conlpetltrvo com os seus
cLlngónerc\ de superiície ncnurada. Supõc-se ser cstl. fìndamentalmente. a causa
Lìe esÌc tipo de varocs praticamcnte tcr desaparecido do mcrcado portuguôs.

ll.3 Diagrama tensoes-extensóes para a verificação da segurança


-
O facto de se ter tomado corno valores representativos das propriedades mecâ-
nicas dos varões os vaÌores crracterísticos dessas propriedades é matéria ligada
com a segurançr do dimensionamento das estruturas de betão armado.
Com etèito. na verificação da segurança é necessário diminuir a probabilidade
de emprego de materiais com propriedades mecânicas reìativamente baixas. o que,
de cr'rto modo. já se conse-sue obri-gando o material em causa a teÍ 95% de
probabilidade de a sua resistência ser superior a determinado valor. Nào se consi-
riera porém taì suficiente e assim os valores característicos sào ainda divididos por
um fìctor coeficiente de segurança de forma a obter os valores de cálculo
-
das proprìedades
-
dos materiais". vaÌorcs que são aqueìes que vão ser considerados
na vcriÍìcação da segurança.
En] termos cle diagramas tensões-e xtensões. há pois a distinguir os diagramas
reais. os diagramas característicos e os diagramas <le cálculo. passando-se dos
primciros para os segundos atendendo à deÍ-inição de vaÌores caracteísticos. e dos
:egundos paÍa os terceiros. dividindo os valores característicos das tensóes por um
cocficiente de segurança i,. que. segundo Ò REBAP. deve ser tomado igual a 1.15.
\a fig. 28 esquematizam-se as passagens dos diagramas reais para o diagrama
caractenstico e deste para o diagrama de cáÌculo.
No que se refere aos aços endurecidos a frio, como se viu antenormente no
número 2. eles não apresentam patamar de cedência mas antes a sua relação
tensões-extensòes tem o aspecto representado na fig. 29. O diagrama característico
obtém-se da mesma fbrma. atendendo à distribuição tlos valores apresentada peÌos
dìagramas reais e para passar do diagrama caracteístico para o diagrama de cál-
cuÌo deve ter-se em conta o coeficiente de segurança ïs:1.15. apÌicado segundo

11
Tensões, (
oiogaomos rcois
ürìl
do(
fsyk fiS
Ísyd :
0ìogromo corocteristìco
de cotcrrLo
4_
e.c
emi

Aço lominodo
o quenle

ExÌensões,€

Fig. 28 Diagramas reais. diagrama caracteístico e diagrama de cálculo

-ì I
uma afinidade paralela à recta que define o componamento elástico. Assim (fig. 29)
o ponto Xsk de coordenadas o.1, €s do diagrama característico conduzirá ao ponto :sú
X.6 de coordenadas o.6, q6 do diagrama de cálculo tal que

O.L.
usd -
Y"
-

€sk-{l
.. l. o,r
td: --)
Y. -Ì1s

osk
E
s 0.2 l(
'
ot-d o2.
+
,s lãdo
0,2 d
!-qf
oun
Tensões,o
I
frio
cálo
eryÍ

Extensões , €
Fig. 29 Diagramas caracteístico e de cálculo dum aço endurecido a frio
-

42
O REBAP define, em consequência do que foi dito anteríormente e dos valores
caÍacterísticos das propriedades mecânicas dos diversos tipos de aços (constantes
do Quadro V), os diagramas tensões-extensões de cálculo que são representados na
fig. 30.
Note-se que não se faz diferenciação de diagramas em função da natureza do
aço, o que resulta de ter admitido que o ero que se comete em tomar paÍa um
diagrama de aço endurecido a frio um diagrama do tipo de aço laminado a quente
em que a tensão de cedência é a tensão limite convencionaÌ de proporcionalidade a

I syo
AÇ05
MPo
201
A 400 348
A 500 435

t)
()

Es:tgd:200oPo

Fìg 30 Diagr4ma de cálcuÌo tensoes extensões dos varões de tipo corrente segundo REBAP 83
-

0.2Vc (fig. 3l) é suportável pelos coeficientes de segurança tomados. Por outro
lado tal simplificação tem a grande vantagem de facilitar a resolução das situações
correntes em que o projectista não pode prever se na obra vai ser utilizado um ou
outro tipo de aço.
E possível no entanto, à face do REBAP, utilizar para os aços endurecidos a
frio diagramas menos simplificados, sugerindo-se nesse caso um diagrama de
cálculo constituído por um troço linear seguido dum troço curvo com a seguinte
expressão analítica:

Em tracção:

.:**9.323
E\
1-9'-e.71s
ts0.2d

43
Em compressão:

o"('
e=J-0,823(--r--0,7)5
Es Is0.2d

Note-se ainda que a limitaçâo das extensões de cálculo, de alongâmento e de


encurtamento, a l0 x 1O3 e â 3,5 x 1G3, respectivamente, esúo ligadas, a pri-
meira a uma deformaçáo e fendilhação excessiva correspondente a um estado
limite último do elemento estrutural e, a segunda, a uma deformação do betáo
envolvente dos vaÌões correspondente também a um estado limite do mesmo tipo.
Finalmente, convém observar que o valor de frr"6, ou seja, o valor de cálculo
da tensão de cedência em compressão poderá ser considerado igual a frr6, valor de
cálculo da tensão de cedência em tracçâo, excepto se, no caso de aços endurecidos
a frio predominantemente por tracção, constaÍ disposição em contrário no respec-
tivo documento de classificação. A razáo deste facto foi tratada no númeto 2 e
deve-se, como aí foi indicado, a que o endurecimento a frio apenas resulta quando
a utilização do varão dá lugar a deformaçôes do mesmo sinal das que advieram do
trabalho a frio a oue foi submetido.

Õl
lsqzd *
dE
E!
Tensões,o I

o=
rrÕ

E xtensões. €

Fig. 3l Simplificaçâo dos diagramas de cálculo dos aços endurecidos a frio


-

11.4 Dimemóes e tolerâncias


-
Quanto a dimensões de varões e respectivâs tolerâncias apenas existe, pÍesente-
mente, no País, normalização respeitante a vaóes lisos laminados a quente. Trata-
-se da norma NP 332 (41) que estabelece diâmetros nominais, comprimentos
correntes dos varões e tolerâncias nos diâmetros e nas marisas dos lotes fomecidos.
Quanto aos diârnetros, vão indicados no QuadÍo VI, figurando aí também as
áreas das secções Bansversais, o peímetro e a massa por metro.
Os comprimentos dos varões devem estar compreendidos entre 5,5 e 6,5
metros e entre ll e 13 metros, sendo as tolerâncias nos diâmetros as oue constam


QUADRO VI

D iâmetro s no rmal izado s

Diâmetro Secção Perímetro Massa/metro


ÍÌÌIn cm2 cm xg/m

6 0,283 I,89 0,222


8 0,503 2,5 | 0,39s
l0 0,785 3,14 0,6t7
t2 I,l3 3,'t'7 0,888
16 2.01 5,03 1,58
20 -\ 14 6,28 2,4',7
25 4,91 7,85
32 8,04 t0,l 6,31
40 12.6 12,6 9,87

do Quadro VII. Neste quadro figuram também as tolerâncias das secções a que as
tolerâncias nos diâmetros conduzem e que podem servir para comparaÍ com outras
norrnas quando estas se refiram a tolerância pam as secções e não para os diâ-
metros..
Observe-se que as tolerâncias indicadas coincidem, excepto para o varão de
Q : 6 mm, com as que constam da norrna francesa coÍrespondente, e que foram
indicadas em 10.3.

QUADRO \1Ì
Tolerâncias nos diâmetros dos yarões

6 +|^ + tì ì
8 + o4 Í10
t0 +n5 tl0
t2 tl0
l6 +n7 + RA
20 +o7 !'1
25 +ôR
+ na
40 +tn t5

4t
No que se refere a tolerâncias na massa dos lotes fomecidos, a norÍna portu- o
guesa diz que se admite uma variação de 6Ea entÍe a massa encomendada e a baxo
massa fomecida, para lotes iguais ou superiores a 10 t. Há no entanto que chamar h{lar
a atenção que exigir tolerâncias pÍüa a massa de lotes só tem sentido quando a o
encomenda é feita estipulando varões de determinados comprimentos fixos, o que da fa
náo é o caso em questâo. Por outro lado, o valor citado,67c, é bastante elevado raD!=
em relaçâo aos números apresentados pelas normas estrangeiras. t-adisr
Diga-se finalmente que para varões neryurados, apesíìr de nâo existir normali-
zação nacional sobre o assunto. se poderão adoptar os mesmos critérios constantes
da norma portuguesa citada, referente a varões lisos. Esta orientação é aliás seguida,
por exemplo, peÌas normas francesas em que os valores atribuídos às tolerâncias
são os mesmos quer para varoes lisos quer para var6es nervurados.

11.5 Soldabilidade e resistência à fadisa


-
A soldabilidade e resistência à fadiga, como se frisou anteriormente, apesaÍ de
serem propriedades importantes dos varões paÍâ betão armado, não são característi-
cas essenciais para a generalidade das aplicações.
Por esta razão, nem o REBAP, nem as " classificações' ' do LNEC contêm
exigências relativas a tais propriedades, havendo, consequentemente, nos casos
particulares pertinentes, que proceder a ensaios para determinar se a soldabilidade
e a resistência à fadiga de dados varões satisfazem às necessidades impostas pela
aplicaçãd prevista.
No entanto o REBAP contém um anexo dedicado à fadiga em que é estipulado
que a segurança em relação a este fenómeno fica assegurada se a variação de
tensão na armadura (calculada em fase elástica e admitindo que o betão não
trabalha à tracção) devida às acções não majoradas for inferior aos seguintes
valores:

Varões de aço 4400 e A500


em geral 180 MPa
levantados
estribos e varões 125 MPa
ligações por soldadura 90 MPa
.
redes electrossoldadas . . .. 80 MPa

Esra regra resulta das conclusões que figuram em 7.3 Diagramas simplifica-
dos em que se diz que não há perigo de rotura por- fadiga desde que, para
-
tensões máximas relativamente baixas em relação à tensão de cedência, a variação
máxima de tensões seja inferior à tensão limite de fadiga definida para uma tensão
mínima igual a zero.
No caso presente em que as tensões máximas sáo bastânte afastadas da tensâo
de cedência (a segurança em relação aos estados limites últimos a isso obriga), a
tensão limite de fadiga (omin = 0) com um coeficiente de segurança de 1,3 é da
ordem de 180 MPa, ou seja o valor prescrito pelo REBAp.

46
Os outros valores refercntes a varões com dobras ou com soldaduras são mais
baixos, pois, como anteriormente foi dito, em tais caos, a resistência à fadiga é
bastante menor.
Observe-se, finalmente, que pam o aço A235 não se põe, em regÌa, o problema
da fadiga pois a tensão a que fica submetido em serviço, por condiçóes de segu-
rança em relação ao estado limite último, é em geral inferior à tensão limite de
fadiga.

4l