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A Independência Brasileira pouco significou uma mudanças na ordem econômica e

social, a produção ainda baseava se na monocultura de produtos tropicais como açúcar,


fumo, algodão , e mais tarde o café, uma economia totalmente dependente dos mercados
centrais, com toda a sua sorte atrelado a cotação dos produtos agrícolas nas bolsas
europeias.
A terra era monopolizada por uma pequena elite de grandes fazendeiros ligados em
grande parte ao comércio externo, a mão-de-obra era em sua maioria composta por
escravos, que serviam de braços nas grandes lavouras e várias outras atividades
secundárias.
A população era predominantemente rural. O Brasil se situava na periferia do mundo
capitalista, com grande parte da sua população analfabeta.
No dizer de Joaquim Nabuco o Brasil era uma “ilha de letrados num mar de
analfabetos”.
Enquanto a América Espanhola adotou regimes republicanos que se mostraram ao longo
do tempo, totalmente instáveis, com vários grupos de caudilhos disputando o poder,
levando a balcanização da região.
A elite Brasileira buscou uma solução única e diferente do seus vizinhos , á monarquia ,
está aparecia como a solução para a manutenção da unidade territorial , da ordem social
da segurança de suas propriedades e do sistema escravista.
Mesmo homens esclarecidos e contrários a escravidão como José Bonifácio de Andrada
e Silva e Joaquim Gonçalves Ledo concordavam em alguma coisa na manutenção da
ordem escravista , para ambos se tratava de um limite impossível de ser transportado ,
pelo menos não a curto prazo.
Toda a produção econômica do Brasil estava por séculos enraizadas no trabalho
compulsório, qualquer mudança radical, acarretaria o caos e a anarquia em todo o
processo de produção e na ordem social.
“Falta de braços traria a ruína total da nossa agricultura” teria dito o patriarca da
Independência do Brasil.
A Monarquia era a opção mais viável, de manter a ordem nas senzalas e a arraia-miúda
nas suas antigas posições sociais.
Ao mesmo tempo buscava adotar a monarquia de várias ideias liberais que estavam em
volga na Europa.
A carta de 1824 não emanava da representação da nação e sim concedida pelo soberano,
elaborada por um conselho de Estado instituído pelo imperador , que vigorou em sua
essência até o fim do Império.
Foi a constituição mais duradora que o Brasil teve em toda a sua história. O que mostra
a instabilidade que viveu a República Brasileira.
O imperador concentrava dois poderes o Executivo e o Moderador, este deveria zelar
pelo equilíbrio e harmonia entre os demais poderes.
O poder Moderador era tido como a “ chave de toda a organização política” do Império.
A monarquia manteve um caráter centralizador, o soberano concentrava fortes poderes,
o Rio de Janeiro se tornou o centro político, em detrimento dos poderes locais das
demais províncias.
O poder Legislativo era excludente somente os proprietários podiam participar das
decisões políticas, num país onde a propriedade era monopolizada historicamente por
uma elite minoritária, grande parcela da população brasileira estava excluída das
decisões políticas.
Ao definir um censo para os votantes, afastava da vida política inúmeros indivíduos
situados nas camadas mais pobres da sociedade.
A abdicação do Imperador Dom Pedro, criou um vácuo na política, as forças centrífugas
ameaçavam fragmentar todo o território nacional em pequenas repúblicas, revoltas
como a Cabanagem, Sabinada, revolta dos Malês rompem com a falsa ideia de uma
população apática, grande parte dessas revoltas reuniam elementos sociais que eram
excluídos das riquezas e oportunidades monopolizadas por uma pequena elite, tais
revoltas só foram vencidas graças a quantidade de recursos materiais e humanos que
dispunha o governo, contra revoltosos mal armados sem experiência militar e com
grande escassez de subsistências e meios para manter os combates.
Para estabelecer a ordem, parte da elite política voltou se para o imperador Dom Pedro
II.
Para um país de enorme extensão territorial dividido em varias regiões, geográfica e
economicamente distintas, ainda sem dispor de um processo de construção da
identidade nacional, a figura do monarca permanecia o símbolo mais forte e eficaz para
despertar lealdade e garantir a obediência.
O segundo Reinado seria marcado pela prosperidade criada pelo café que passou a ser
um produto de bastante procura no mercado internacional, a riqueza gerado pelo lavoura
cafeeira foi fundamental para assegurar a ordem e estabilidade do Império.
Começava um novo ciclo econômico, inicialmente cultivado no Vale do Paraíba no Rio
de Janeiro, logo ganharia o oeste Paulista.
Evidentemente apenas a elite proprietária participava das riquezas geradas pela lavoura
cafeeira.
O império terá como marca a exclusão de todos aqueles que não fossem proprietários,
com forte aversão ao trabalho manual identificado como coisa de negros, seres visto
como uma sub-raça intermediária entre os homens e animais que deveriam ser mantidos
sobre severa vigilância.
O Vale do Paraíba com a expansão cafeeira, criou uma classe de ricos barões, que não
dispensavam os luxos, enquanto sobre suas ordens viviam de forma semi-humana um
grande número de escravos que através do seu suor criavam toda a riqueza que nutria os
barões e o estado brasileiro.
A lavoura cafeeira logo atingiu o Oeste Paulista, transformado no novo centro dinâmico
da economia do Império, uma vez que a produção do Vale do Paraíba entrava em um
processo de declínio. No início usava-se o braço escravo mas paulatinamente foi sendo
substituído pelo imigrante europeu, em virtude da carência de mão-de-obra,
principalmente após a proibição do tráfico de escravos em 1850 , lei aprovada sobre
forte pressão inglesa.
O oeste Paulista contava com terras férteis, as terras roxas, que em muito contribuíram
para a expansão da indústria cafeeira e sua prosperidade.
A fortuna gerado pelo café criou capital para serem investido no escoamento da
produção, os investimentos eram canalizados em ferrovias a fim de facilitar a
exportação do produto, eliminando-se o transporte pelas tropas de mulas que eram
menos eficientes.
O fim do tráfico negreiro, também teve papel importante na liberação de capital para
outras atividades, fábricas de alimentos e bebidas foram sendo instaladas, além de
criação de bancos.
O oeste Paulista mesmo fazendo uso de mão de obra de imigrantes nunca deixou de
recorrer aos braços dos negros nas lavouras.
A monarquia buscava de forma gradual por fim a escravidão , com exceção de Cuba o
Brasil era o único país a manter um sistema de trabalho tão vergonhoso e bárbaro.
A burocracia governamental pretendia incentivar a vinda de imigrantes, dentro de um
processo de ocupação de áreas não povoadas para “civilizar” o país, vinculado a um
projeto de embranquecimento da população, novas ideias como a de superioridade do
homem branco começavam a ganhar admiradores no país, os proprietários sobretudo do
sudeste desejavam mão-de-obra para substituir os escravos, que se tornavam cada vez
mais caros e raros, com a abolição do tráfico negreiro.
O Brasil era um corpo estranho entre seus vizinhos, á única monarquia em todo o
continente Americano.
Durante o Império a imprensa abolicionista inicia uma campanha poderosa contra a
escravidão. Através das denúncias de violência e da divulgação da festas beneficentes
que angariavam recursos para a compra de cartas de alforria, ela mobilizou os grupos
urbanos na contestação a ordem escravista.
Escravidão era um cranco roedor do Império e somente este tinha o remédio para o mal,
mas esse remédio seria também fatal para a coroa.
A imprensa responsabilizavam os escravos pelo atraso do Império, em virtude de sua
ignorância, e imputava-lhes influencias nocivas aos costumes, impedindo que o Brasil
alcançasse o patamar dos países civilizados.
Os senhores de escravos consideravam os jornais veículos “perturbadores” da ordem
pública e os abolicionistas criminosos que “semeavam a discórdia”, a “desordem e a
rebelião”.
O governo com o crescimento de forças abolicionistas procurava de forma gradual
promover o fim do trabalho compulsório. O emancipacionismo previa a extinção por
etapas, protelando uma decisão definitiva para não abalar a estrutura agrária de
produção apoiada no braço escravo.
Pode se dizer que o sistema imperial começou a cair em 1871 após a Lei do Ventre
Livre. Foi a primeira clara indicação de divorcio entre o rei e os barões, que viriam a
Lei como loucura dinástica. O divórcio acentuou-se com a Lei dos Sexagenários e com
a abolição final. Os antigos proprietários de escravos aderiram ao republicanismo, a
monarquia havia libertados seus escravos sem nenhum tipo de indenização.
A Coroa perdeu sua razão de existência, ficou totalmente isolada ao ferir os interesses
dos fazendeiros, o principal sustentáculo da monarquia. Com a abolição, não houve um
processo de integração dos negros à sociedade.
O controle da terra por um pequeno número criava obstáculos para melhores condições
de vidas para os ex-cativos. Muitos foram buscar a sorte nos centros urbanos ocupando
os morros, vivendo num estado de extrema pobreza.
Coube ao exército fortalecido depois da guerra do Paraguai dá o golpe final na
monarquia, 15 de novembro de 1889 foi o seu suspiro final , desaparecia para sempre a
única monarquia que existia na América. (exceção rápida do México)
Aristides Lobo soube captar bem o momento com a frase “o povo assistiu bestializado”
já que a República havia sido obra de um pequeno grupo de militares e intelectuais e
políticos , sem nenhum tipo de participação popular.
A partir dai o exército seria um força cada vez mais presente na vida política brasileira,
chegando mesmo a controlar o poder por mais de 20 anos.
No Brasil até hoje a população negra, ainda luta pelo reconhecimento, pela igualdade de
oportunidades, mesmo passado mais de um século desde a abolição da escravatura a
mentalidade racista ainda predomina em grande parte do Brasil, problemas herdados do
passado que ainda assombram o presente e obscurecem o futuro.
A grande desigualdade econômica ainda é um dos problemas mais graves do Brasil, a
concentração de riquezas gera violência nos grandes centros urbanos.
O sistema político é extremamente corrupto, é perceptível o desligamento de grande
parte da população com os partidos nacionais, como se não encontrassem neles uma
representação dos verdadeiros interesses da sociedade. Práticas clientelísticas ainda são
comuns em todo o país, o sistema educacional é ineficaz o que a longo prazo
compromete todo o desenvolvimento de tecnologia própria e mantém a dependência dos
países centrais , mesma as exportações do país são em grande parte de produtos
agrícolas, a terra continua sendo monopolizada por latifundiários onde milhões de
camponeses acabam sendo privados da terra e de condições mínimas de sobrevivência.
Como no Império a exclusão social ainda é um mal presente, um câncer histórico
impregnado em cada poro da sociedade, um problema de difícil solução já que
envolveria uma verdadeira inversão da ordem social, pesadelo das elites econômicas e
políticas do país.
Referências Bibliográficas

CARVALHO, José Murilo de. A Construção da Ordem- a elite política imperial. Rio de
Janeiro, Campus, 1980.
O Império do Brasil / Lúcia Maria Bastos P. Neves, Humberto Fernandes Machado.-
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999