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O OBJETO ESTÉTICO NA ARTE

Regivane A. Nogueira (Aluna do Segundo Período do Curso de Psicologia)


Vi uma frase outro dia num bate papo e achei interessante começar falando sobre essa frase: O que seria
da Vênus de Willendorf se todos gostassem da Vênus de Milo? Comparando as duas percebemos uma
diferença gritante quanto ao padrão de beleza, mas qual é a mais bela? Afinal de contas, em que consiste
o belo? Qual a relação entre beleza estética e arte?
Pode-se dizer que a arte é uma expressão estética, é o modo do artista entender o belo observando o seu
objeto de estudo. Ela tem como um de seus principais atributos o poder de discutir as questões de sua
época, de modo que vá registrando o tempo ao qual está vinculada.
A arte precisa ser necessariamente bela? O belo é intrínseco à arte, mesmo que essa beleza tenha vários
tipos de interpretação. A ótica do espectador é que viabiliza a beleza. Entretanto o que atualmente
muitos consideram como belo em arte é, ainda, um fruto do classicismo. Um espectador pode gostar do
que é feio, chocante e horrendo para muitos outros, o que nos leva a considerar que não é o gosto que
define o que é belo. De acordo com a tradição clássica o belo pode ser definido de maneira formal, ou
seja, a partir de certas características como simetria, proporção e ordem das formas dos objetos. Mesmo
que o espectador não goste, se estiver dentro dos padrões considerados relevantes aos critérios de
beleza de arte ele deverá ser considerado belo. É o que podemos encontrar na Vênus de Milo (130-120
a.C.), que é um padrão de beleza clássica, ao contrário da Vênus de Willendorf que parece altamente
desarmônica em relação a tais padrões.
Nem tudo o que é considerado belo deverá, necessariamente, ser considerado arte, e nem toda arte será
considerada bela, de tal modo que, às vezes, sentimos uma sensação de que estão ocorrendo distorções
acerca do que é belo. Acredito que Hitler concordaria comigo se estivesse olhando para uma tela cubista
de Picasso, principalmente se comparada a uma de Rubens ou uma escultura de Antonio Canova.
Como podemos então definir a beleza? Entre inúmeras reflexões que podem ser feitas, podemos nos
referir ao pensamento Platônico acerca do belo. No séc. IV a.C., o pensador já questionava o que hoje em
dia ainda nos perguntamos. Segundo ele a arte consistia apenas na imitação de coisas belas, ou seja, o
artista seria apenas um simples mortal que ganha sua vida imitando aquilo que já existe. Para ele as
representações materiais do belo compartilhavam da beleza absoluta, entidade que existia no mundo das
idéias e era, portanto, universal e se manifestava na proporção, na simetria, na medida e na harmonia
das partes em relação com o todo. Proporções e simetria ligavam a beleza com o bem, enquanto o belo
revelava o ser e era ligado também à verdade.
Para Aristóteles, essa imitação tinha seu valor e o belo deveria responder a normas objetivas. Porém não
era definido e julgado em relação ao ser e ao verdadeiro, mas em termos de perfeição das formas, ou
seja, baseado em critérios objetivos como a ordem, a simetria e a definição.
Com a influência de Hegel, o bom gosto passa a ser considerado a partir do clássico, retomando a
influência mais aristotélica do que platônica. O tempo livre para o pensamento foi, conforme os gregos,
ocupado com a contemplação do belo aristotélico, no qual o artista é o centro.
Em todas as épocas encontramos um padrão de beleza específico e podemos perceber essas
especificidades a partir, por exemplo, das roupas e dos corpos. Podemos utilizar a imagem do corpo
feminino como um paradigma dessa modificação de padrão de beleza.
Durante a Idade Média, Santo Agostinho foi um dos pensadores que fez com que as idéias de Platão
voltassem a ser discutidas e contribuiu para o desenvolvimento de uma teoria do belo que perdurou até
o início do Renascimento. Segundo Humberto Eco nesse período “o belo está em todos os lugares e é
sinônimo do bem, da verdade, refletindo uma conjunção harmônica de beleza física e virtude”.
Com o renascimento há um retorno ao antigo conceito grego do belo, influenciado de modo considerável
pelos pensamentos de Aristóteles. O belo era visto como reflexo da inalcançável transcendência divina.
A história da arte foi sendo escrita a partir das transgressões de muitos artistas. Manet, por exemplo, foi
um pintor que muito contribuiu para o fortalecimento da noção de beleza. Em seu quadro Olympia que
representava sua versão da Vênus moderna, ele retrata uma jovem prostituta fazendo uma referência
audaciosa a obra de Ticiano (Vênus de Urbino). A modelo foi retratada completamente nua e aos seus
pés, diferente do inocente cachorrinho que havia no primeiro quadro, havia um gato negro que
contribuía para a composição de um cenário erótico. Segundo Taisa Helena P. Palhares “Manet retoma
de forma provocativa o cânone clássico da Vênus de Urbino de Ticiano para metamorfoseá-la na figura de
uma mulher venal. Nessa tela, a beleza desce de seu céu metafísico, transcendente, para habitar as coisas
mais prosaicas e mundanas”.
Não precisamos observar a fundo para perceber que a arte contemporânea não se utiliza,
necessariamente, do belo como diálogo, inclusive o que se percebe é que, a partir do séc. XX, o conceito
de belo é definitivamente desvalorizado no âmbito da arte. Ela manifesta-se através da busca da
participação do espectador. Apesar dessa transformação da arte, o conceito de belo não desaparece
completamente, pois, para quem tem como padrão de beleza uma obra de Renoir ou Leonardo da Vinci
talvez tenha dificuldade de aceitar, como obra de arte e como belo, um trabalho de um artista
contemporâneo, como Duchamp ou Picabia que fazem uma releitura ousada do mundo e do corpo
humano.
Baudelaire afirmava que belo era um conceito eterno e que “todas as culturas dão valor a algo que
consideram belo, ideal, desejável, porém tal conceito se realiza historicamente, de forma diferente em
cada civilização”. Talvez seja, justamente, por essa relação com a cultura que o conceito de beleza seja
tão difícil de ser apreendido ou mesmo impossível de ser universalizado.
Para os ciganos, para culturas orientais e algumas culturas africanas a mulher opulenta e
voluptuosa significa sensualidade e feminilidade, contrariando o padrão ocidentalizado de beleza
na magreza excessiva. Em determinados povos africanos mulher magra é um sinal de doença e vergonha
para o marido. Nessas regiões as mulheres fazem dietas para engordar e para que isso seja possível de
modo rápido e barato muitas delas chegam a ingerir suplemento animal.
Em algumas culturas a excessiva valorização da magreza provoca repugnância e principalmente
preconceito em relação à gordura. Para os índios Bororo, o corpo liso, sem pêlo, e magro faz parte do
ideal de beleza e eles desprezam a aparência física e os hábitos dos representantes de outras
etnias. Existem critérios para o consumo de alimentos e os indivíduos que comem muito são
desvalorizados e vistos como animais. Nessa tribo o vômito é encarado como uma prática natural para
tornar o corpo mais afilado e entendido como um modo de purificação e de fortalecimento.
Em uma recente pesquisa feita na Universidade de Yale as entrevistadas falam dos sacrifícios que fariam
em nome da garantia de nunca serem gordas. O resultado chega a ser chocante, pois, entre outras coisas,
algumas pessoas entrevistadas afirmam que preferiam perder um membro que estar muito acima do
peso, além das que abririam mão de até 10 anos de vida, ou mesmo prefeririam se tornar alcoólatras ou
entrar em depressão profunda. Na cultura ocidental, a mídia tem levado mulheres a uma distorção tão
grave do padrão de beleza que acabam arriscando suas vidas na busca do corpo “perfeito”.
O belo foi, em muitos momentos históricos, definido e considerado algo objetivo e absoluto. Para gregos
e romanos, belo, verdadeiro e bom eram três valores supremos. Para os gregos antigos, o bom cidadão
da pólis tinha de ser belo e virtuoso. Belo (kalós) era não só o de formas proporcionais, mas também
forte e são.
Hume afirmava que “a beleza não é uma qualidade das coisas por si mesmas. Ela existe meramente na
mente que as contempla, e cada mente percebe uma diferente beleza”. O senso comum diria: “a beleza
está no olhar de quem a contempla”. A grande questão é, como foi educado, esse olhar?

https://arteesubjetividade.wordpress.com/2007/12/16/o-objeto-estetico-na-arte/

“Interessante o texto, e suas reflexões sobre arte e beleza. Sim, muito se pode pensar e dizer
sobre o tema, e extrair a partir de análises sobre as diferenças culturais ou temporais. Contudo,
fiquei pensando, também, após a leitura, sobre a beleza “invisível”, que ultrapassa a física…
talvez, aquela que tem a ver com a virtuosidade, com os valores íntimos, com os vôos da alma…
Pois, no mundo contemporâneo, e sempre, se pode observar que, nem sempre, um belo corpo
contém, uma alma bela: muitas pessoas, apesar de serem donas de um corpo considerado
bonito pelos padrões da cultura e tempo onde vivem, não revelam o que pode se considerar uma
“bela alma”, e parecem mais cascas ocas, desprovidas de seiva… Isto também dá o que pensar!
Abraços, e um ano novo feliz e poético!”
VÊNUS DE WILLENDOF

VÊNUS DE MILO
Vênus de Milo

A Vênus de Milo é uma famosa estátua grega. Ela representa a deusa grega Afrodite, do amor
sexual e beleza física, tendo ficado no entanto mais conhecida pelo seu nome romano, Vénus.
É uma escultura em mármore com 203 cm de altura, que data de cerca de 130 a.C., e que se
pensa ser obra de Alexandros de Antióquia.

Em 1820 a escultura foi encontrada na ilha de Milo, no Mar Egeu, por um camponês chamado
Yorgos Kentrotas. Poucos dias depois o camponês encontrou-se com oficiais franceses, Jules
Dumont d'Urville e Matterer, que estavam explorando a ilha, e ofereceu a escultura por baixo
preço. A Vênus estava quebrada ao meio, mas ainda possuía os braços. As mãos, danificadas,
também estavam separadas do corpo. Fazia parte da obra ainda um plinto com inscrições.
Identificando a escultura como a Vênus vencedora do concurso de beleza julgado por Páris, e
reconhecendo sua importância como obra-prima, d'Urville desejou levá-la imediatamente para
seu navio, mas seu capitão, alegando falta de espaço a bordo, recusou-se a atendê-lo.

Chegando em Constantinopla, d'Urville descreveu o achado ao embaixador francês, o Marquês


de Rivière, que enviou um representante para comprá-la para a França. Neste ínterim, o
camponês Yorgos achou que os franceses tardavam demais, e pressionado por um sacerdote
local, ofereceu a peça para ele. Quando a escultura estava sendo embarcada para a Turquia,
onde seria oferecida a um tradutor da corte de Constantinopla, os franceses chegaram, e
persuadiram os locais para que mantivessem o acordo de compra anterior. Durante sua
transferência para o barco a escultura foi arrastada através de pedras e danificou-se, perdendo
o que restava dos braços, e os marinheiros se recusaram a voltar atrás para recuperá-los.

Proposta de reconstrução da Vénus (Adolf Furtwängler, 1916), incorporando os fragmentos


anteriormente descartadosChegando por fim a Paris, a estátua foi remontada, mas os
fragmentos remanescentes dos braços e das mãos, considerados restaurações posteriores por
causa de seu acabamento inferior, foram descartados. Contudo hoje se sabe que as estátuas
gregas muitas vezes não recebiam acabamento por igual em todas as partes, e um polimento
mais fino era reservado às partes que ficavam mais visíveis.

A obra havia sido anunciada na França como sendo de Praxiteles, um dos grandes criadores
do classicismo grego, e o plinto com as inscrições de início foi considerado parte integral do
conjunto. Mas depois de ser traduzido e datado, revelou a autoria de Alexandros de Antióquia,
causando embaraço aos peritos que a haviam atribuído a Praxiteles, os quais imediatamente
passaram a considerá-lo também um acréscimo posterior. O plinto misteriosamente
desapareceu pouco antes de a estátua ser oferecida ao rei Luís XVIII da França, em 1821,
sobrevivendo apenas em uma descrição e em dois desenhos da época, que permitiram a
atribuição correta atual. O rei eventualmente presenteou-a ao museu do Louvre em Paris, onde
está agora.
Vênus de Willendorf
Por Ana Lucia Santana
Em uma era como a nossa, na qual a magreza é praticamente um requisito máximo, é estranho
imaginar que um padrão feminino completamente oposto tenha sido cultivado na Era
Paleolítica. A Vênus de Willendorf simboliza este modelo alternativo. Atualmente ela é
igualmente denominada Mulher de Willendorf, pois vários pesquisadores modernos se sentem
desconfortáveis com a associação desta imagem ao tradicional ícone da Vênus.

Com certeza por conta de seu excesso de peso. Este ideal ancestral apresenta a parte externa dos
órgãos genitais, as mamas e o ventre copiosos. Talvez porque esta mulher represente a
fecundidade e a abastança. Em contraste seus braços são delicados e praticamente
despercebidos; eles se curvam sobre as mamas.

A estátua, que mede 11,1 cm de altura, não apresenta um rosto aparente. O couro cabeludo está
recoberto por algo semelhante a tranças ou disposto em um penteado da época. Na verdade,
pode até ser que sua cabeça esteja pontuada por diversos olhos. Ela jamais foi planejada para ter
pés. Daí se deduz que ela foi criada para ser transportada de forma portátil, nas mãos,
possivelmente por ser considerada um talismã.

Um sinal de que esta tese pode estar correta é a estatueta ter sido elaborada com calcário
constituído de oólitos, um material próprio do Período Jurássico francês. Esta rocha
avermelhada não era típica da área onde foi encontrada, próxima de Willendorf, na Áustria.
Tudo indica que criaturas errantes, praticantes da caça e da coleta, levavam a estátua onde quer
que fossem.

Este artefato foi um achado do século XX, localizado a cerca de 30 metros do rio Danúbio. Ele
foi resgatado das profundezas da terra pelo arqueólogo Josef Szombathy, no dia 8 de agosto de
1908. Calcula-se, desde os anos 90, que a Vênus foi criada há vinte e dois mil ou vinte e quatro
mil anos. Quase nada se conhece sobre sua procedência, como foi esculpida e qual é o seu
sentido no interior da vida cultural daquela época. Hoje a imagem autêntica está preservada no
Museu de História Natural de Viena.

Diversos estudiosos hesitam diante da possibilidade de vincular este ícone com a divindade
Mãe-Terra, também conhecida como Grande Mãe, cultuada pelos europeus daquele período.
Outros insinuam que sua obesidade traduz um status social superior em uma comunidade de
caçadores e coletores.

Afirmam igualmente que a estátua pode representar, além disso, a estabilidade, o êxito e o
conforto, um grupo que vive de forma comedida, alicerçado na Terra, despojado de confrontos e
com surpreendente engenhosidade.

Fontes:http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%A9nus_de_Willendorf
http://www.maistato.com.br/2012/03/28/deusas-venus-de-willendorf/
Período Paleolítico – Características

Características do período Paleolítico (ou da pedra lascada), os costumes, religião e cultura dos homens
da pré-história, além de imagens para trabalhos e pesquisas

Postado por Anna de Cássia

Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada faz referência ao primeiro período da pré-história, que aconteceu
há aproximadamente 2,5 milhões de anos a.C., em que o homem utilizava pedra lascada como principal
arma de caça. Naquele período os homens eram nômades e caçadores-coletores, por isso precisavam estar
sempre se deslocando para conseguir alimentos. Como eles não tinham ainda desenvolvido habilidade de
criar suas próprias armas de caça, eles pegavam pedras pontudas e esfregavam-na no chão até que a ponta
ficasse ainda mais fina e pudesse perfurar algum animal para matar e eles comerem. Eles utilizavam esta
mesma técnica para transformar não só pedra mas também madeira e osso em armas de caça.

Divisão do período paleolítico

Os historiadores costumam dividir este período da pré-história em três partes, para assim facilitar a
aprendizagem sobre os costumes daquela época. São eles:

 Paleolítico inferior
 Paleolítico médio
 Paleolítico superior

Paleolítico inferior

Foi neste período que provavelmente as primeiras espécies de hominídeos surgiram, no continente
Africano. Entre eles estava o Autralopithecus, Homo habilis e Homo erectus. A temperatura da terra nesta
época era extremamente baixa, o que obrigava os homens e animais a viverem dentro de cavernas para
não morrerem de frio. Eles costumavam utilizar machados de pedras para cortar e esmagar os alimentos,
se defender dos predadores e furar coisas. Foi nesta época que os homens dominaram o fogo, e já existia
uma ideia primitiva de comunidade ou sociedade, pois havia grupos nômades onde existiam espécies de
famílias primitivas, que no conceito deles eram muito importantes.

Paleolítico médio

Neste período que surgiu o homem de neanderthal, que era um pouco mais inteligente que seus
antecessores. Eles começaram a explorar mais a distribuição geográfica e passaram a ocupar a Europa
enquanto desenvolviam um pouco mais as suas técnicas de talhe, também chamadas de indústria
musteriense. Nesta época também que surgiram os sambaquis, que foram os primeiros hominídeos
encontrados na América do Sul, situados principalmente em áreas litorâneas.

No paleolítico médio que os homens começaram com a tradição cultural de reservar um lugar para
depositar os restos mortais de seus entes queridos e todos os pertences deles: vestes, colares, cerâmicas e
ferramentas – além de também depositarem no mesmo local conchas e restos mortais de animais. Era um
conceito primitivo de religião formando-se.

Paleolítico superior

Neste período ocorreu a quarta glaciação – principalmente no norte da Europa – e com isso os homens
foram forçados a recuarem ainda mais para a vida nas cavernas. Foi aí que se desenvolveu o homem de
Cro-Magnon, que já era uma espécie do homem moderno propriamente dito. Por não poderem sair da
caverna todos os dias para caçar, eles começaram a sentir a necessidade de capturar animais maiores e
que a carne pudesse durar mais tempo, como por exemplo os mamutes. Para conseguir este grande feito
eles começaram a desenvolver alguns tipos de armadilhas que eram montadas no chão para capturar
animais de grande porte, e depois os matavam, cozinhavam sua carne em fogueiras e comiam.