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DIAS DE TERAPIA (DOT) E DURAÇÃO DA TERAPIA (LOT) COMO NOVOS

INDICADORES PARA O USO RACIONAL DE ANTIMICROBIANOS


EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

Introdução: O uso seguro de medicamentos é uma das metas prioritárias da


segurança do paciente. Os antimicrobianos (ATM) estão entre os
medicamentos mais usados, muitas vezes de forma abusiva e inadequada,
com consequências diretas sobre a emergência de microrganismos resistentes.
A escalada da multirresistência pressiona para melhor vigilância e intervenções
para a promoção do uso racional destes. Novas medidas para monitoramento
do uso de ATM vêm sendo utilizadas, entre elas “Dias de Terapia” (DOT) e
“Duração do Terapia” (LOT), como ferramentas bastante úteis para o controle
do uso de ATM, mostrando-se melhores que a “Dose Definida Diária” (DDD),
ainda usada amplamente, mas, com aplicação direta para a avaliação do
consumo em gramas. Objetivo: Avaliar a tendência do uso de ATM através
das medidas DOT e LOT em duas unidades de terapia intensiva (UTI) de
adultos de um hospital público de alta complexidade do estado de Sergipe.
Método: Estudo descritivo retrospectivo de pacientes críticos hospitalizados no
período de janeiro a dezembro de 2016 em um hospital público de alta
complexidade em Sergipe, em uma unidade de pacientes clínicos e outra de
pacientes cirúrgicos, cada uma com 27 leitos ativos. Os dados foram
levantados das fichas individuais de vigilância das infecções hospitalares
disponíveis no Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH). Para todos
os antimicrobianos usados foram calculados mensalmente o DOT e LOT por
1.000 pacientes-dia (pd) e a razão DOT/LOT. Todas as análises estatísticas
foram realizadas no programa Excel 2010. Resultados: Foram analisados
1511 formulários de pacientes ao longo do ano correspondendo a 3728
indicações de ATMs, ou seja, cada paciente exposto no mês recebeu pelo
menos dois ATMs, como revelado pela razão DOT/LOTglobal de 1,8/1000
pacientes-dia. Apenas 12,1% (182) dos pacientes não recebeu ATM durante a
hospitalização. Proporcionalmente, nas duas UTIs, os ATM mais utilizados no
ano foram Meropenem (19,5%), vancomicina (13,1%), cefepima (10,6%),
amicacina (10,2%) e a ceftriaxona (6,9%). As taxas de DOT para estes ATM
foram: meropenem (716/1000pd), vancomicina (394/1000pd), amicacina
(335/1000pd), cefepime (229/1000pd) e ceftriaxona (133/1000pd). A média do
DOT de todos os ATM no ano foi de 1350 (±158) por 1000 pacientes-dias e o
LOT foi de 762 (±73) por 1000 pacientes-dia, ou seja, a cada 1000 dias de
internação, em 762 dias os pacientes estão recebendo ATMs. Na UTI-cirúrgica
ocorreu tendência anual de queda no uso (DOT) da amicacina, imipenem,
meropenem e elevação da ceftriaxona, cefepima, polimixina B e vancomicina;
na UTI-clínica a tendência anual de crescimento do uso (DOT) caiu para
amicacina, meropenem, cefepima, apresentou estabilidade para ceftriaxona, e
elevação para imipenem, vancomicina e polimixina B; as diferenças de uso
verificadas entre as duas UTIs não foram estatisticamente significantes. Estas
alterações podem estar associadas a melhoria qualitativa no uso de ATM
relacionadas a maior rapidez na divulgação dos resultados das culturas através
de sistema eletrônico “Smartsheet” implantado entre a microbiologia, SCIH e
UTIs, que pode estar favorecendo o descalonamento de ATMs.. As tendências
observadas na série temporal do DOTglobal e LOTglobal (todos os ATM
usados) nas duas UTIs demonstraram flutuações estáveis ao longo do ano.
Conclusão: O uso de antimicrobianos em pacientes críticos é muito elevado
como demonstrado pelo indicador DOTglobal, e a combinação terapêutica
antimicrobiana é algo comum dentre os pacientes. Estes novos indicadores
ajudam a compreender, quantificar e mapear como os antimicrobianos são
utilizados em pacientes críticos, sinalizando práticas e intervenções para o uso
racional dos ATM e combate a resistência microbiana.