Você está na página 1de 131

INSTITUTO SUPERIOR DE ESTUDOS DE DEFESA

“TENENTE-GENERAL ARMANDO EMÍLIO GUEBUZA”

O Papel da Descentralização, Planificação e Finanças Públicas no


Dessenvolvimento Económico de Moçambique: O Caso do Distrito de
Boane (2005-2014)

Albino Gabriel Mandlate

Maputo, Outubro de 2014


INDICE

DECLARAÇÃO.......................................................................................................................vii
AGRADECIMENTOS............................................................................................................viii
RESUMO...................................................................................................................................ix
ABSTRACT................................................................................................................................x
LISTA DE ABREVIATURAS...................................................................................................xi
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO.................................................................................................1
CAPITULO II - ENQUADRAMENTO DO TRABALHO........................................................4
2.1. Contextualização..............................................................................................................4
2.2. Problema de Pesquisa.......................................................................................................7
2.3. Delimitação de pesquisa...................................................................................................8
2.4. Questões de pesquisa........................................................................................................8
2.5. Hipóteses de pesquisa.....................................................................................................10
2.6. Justificativa e relevância do trabalho..............................................................................10
2.7. Objectivos.......................................................................................................................11
2.7.1. Objectivo geral................................................................................................................11
2.7.2. Objectivos específicos:...................................................................................................11
CAPITULO III – REVISÃO DE LITERATURA.....................................................................12
3.1 Descentralização.............................................................................................................12
3.1.1 O que será descentralização?..........................................................................................12
3.1.2 Diferença entre o conceito Descentralização e Governação..........................................13
3.1.3 Formas de descentralização............................................................................................16
3.1.4 Motivos para a descentralização.....................................................................................18
3.2 Desenvolvimento............................................................................................................20
3.2.1 Conceito e Evolução histórica do Desenvolvimento económico...................................20
3.2.2 Abordagens actuais, Teórico-empíricas, de Desenvolvimento Económico....................26
3.2.3 Desenvolvimento Económico Local (DEL)...................................................................31
3.2.3.1 Conceito..................................................................................................................31
3.2.3.2 Como o desenvolvimento Local se relaciona com o processo de globalização?....33

ii
3.2.3.3 Desenvolvimento local e globalização...................................................................33
3.2.3.4 Pressupostos, Estrutura e Estratégias de Desenvolvimento Local..........................34
3.2.3.5 Desenvolvimento Local em Moçambique..............................................................37
3.2.4 Medição do desenvolvimento.........................................................................................39
3.2.4.1 As principais abordagens de medição de desenvolvimento....................................39
3.2.4.2 Índice de Desenvolvimento Local..........................................................................46
4.1 Descrição da correlação entre descentralização o desenvolvimento económico local...48
4.2 A descentralização em Moçambique..............................................................................52
4.3 Identificação dos princípios e mecanismos sobre os quais se assenta o desenvolvimento
económico local..............................................................................................................53
CAPITULO V – METODOLOGIA..........................................................................................59
5.1 População e amostra.......................................................................................................59
5.2 Instrumentos de recolha de dados...................................................................................60
CAPITULO VI – ANALISE E INTERPERTACAO DE RESULTADOS...............................62
6.1 Apresentação do Distrito de Boane................................................................................62
6.1.1 Situação Geográfica........................................................................................................62
6.1.2 Divisão Administrativa...................................................................................................63
6.1.3 Distribuição da População..............................................................................................63
6.1.4 Aspectos Históricos........................................................................................................65
6.1.5 A origem do nome de Boane e a Autoridade Tradicional...............................................66
6.1.6 Condições Fisico-Naturais..............................................................................................67
6.1.6.1 Geomorfologia........................................................................................................67
6.1.6.2 Geologia..................................................................................................................67
6.1.6.3 Clima.......................................................................................................................68
6.1.6.4 Solos.......................................................................................................................68
6.1.6.5 Hidrografia..............................................................................................................69
6.1.6.6 Minas......................................................................................................................69
6.1.6.7 Principais Actores do desenvolvimento do Distrito................................................70
6.2 Análise de dados.............................................................................................................73
6.2.1 Interpretação dos dados..................................................................................................74

iii
6.2.1.1 População................................................................................................................74
6.2.1.2 Actividade Económica e Crescimento económico (evolução do PIB)...................75
6.2.1.3 Desemprego............................................................................................................78
6.2.1.4 Investimento...........................................................................................................78
6.2.1.5 Infra-estruturas, saneamento e água potável...........................................................79
6.2.1.6 Planificação, Tomada de decisão e Participação local............................................81
6.2.1.7 Educação.................................................................................................................84
6.2.1.8 Saúde.......................................................................................................................86
6.2.1.9 Finanças Públicas....................................................................................................90
6.2.1.10 Serviços financeiros e bancários.............................................................................92
6.2.1.11 Associativismo e Acção social................................................................................93
6.2.1.12 Índice de pobreza do distrito de Boane...................................................................97
CONCLUSÕES......................................................................................................................103

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1: Questões de pesquisa e dados Colectados 9

Tabela 2: Quadro Resumo das diferenças entre descentralização e Governação 15

Tabela 3 – Índice de Desenvolvimento Humano Segundo o PNUD 43

Tabela 4: Classificação do nível de desenvolvimento sob perspectiva do IDH 45

Tabela 5: Instrumentos e entidades para o desenvolvimento local 57

Tabela 6: Nº total de: Povoações, famílias e habitantes existentes no Distrito de Boane 65

Tabela 7: Composição da população do Distrito de Boane por Sexo 74

Tabela 8: Composição da população do Distrito de Boane por Grupos etários 75

Tabela 9: Estradas Classificadas e o seu Estado Físico 78

Tabela 10: Estradas Não Classificadas e o seu Estado Físico 79

Tabela 11: Acções realizadas pelos órgãos distritais a todos os níveis em 2013 e 2014 82

Tabela 12: Indicadores Sócio - Demográficos: Taxas global e Específicas de Analfabetismo 86

iv
Tabela 13: Taxas de mortalidade e esperança de vida ao nascer. Maputo Província, Censo 2007 87

Tabela 14: Relação de Infra-estruturas de Saúde e sua classificação e localização 89

Tabela 15: taxa de cobertura de serviço gestantes e a criança por Distrito 2010 90

Tabela 16: ONG, origem de fundos, área de intervenção e comunidades beneficiárias 95

Tabela 17: Alocação do Fundo distrital de desenvolvimento nos primeiros 4 anos 97

Tabela 18: Incidência da Pobreza (medida P0). 99

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1: Localização geográfica do Distrito de Boane na Província de Maputo.............................62

Figura 2: Divisão Administrativa do Distrito de Boane....................................................................63

ÍNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Gráfico da Análise do equilíbrio Keynesiano....................................................................5

Gráfico 2: Distribuição e evolução populacional do distrito de Boane censo populacional 1997 e


2007.................................................................................................................................................64

Gráfico 3: Evolução do PIB de Moçambique de 2004 a 2013..........................................................76

Gráfico 4: Evolução do PIB per capitá dólares por região 2000 - 2009............................................76

Gráfico 5: Distribuição de Furos com Bombas (Operacionais e Avariados) pelas Localidade.........79

Gráfico 6: Distribuição de Furos sem Bombas pelas Localidades....................................................80

Gráfico 7: Distribuição de furos com Bombas.................................................................................80

Gráfico 8: Fontes de Água por Localidade.......................................................................................81

Gráfico 9: Sessões de consultas e visitas no âmbito da governação participativa do Gabinete do


Administrador..................................................................................................................................83

Gráfico 10: Nº de Professores (EPI,EPII, ESGI e ESGII) e a Relação média Aluno/Professor (2008
a 2011)..............................................................................................................................................86

Gráfico 11: Esperança de vida ao Nascer do Distrito do Boane.......................................................87

v
Gráfico 12: Gráfico de Prevalência de HIV por província (Mulheres e homens de 15-49 anos)......88

Gráfico 13: Distribuição das despesas de funcionamento 2014........................................................92

Gráfico 14: Evolução de número de membros por associação – 1981 - 2007...................................94

Gráfico 15: Origem da ONG segundo dos fundos............................................................................96

Gráfico 16: Histórico evolutivo do IDH de Moçambique de 2004 a 2013......................................100

Gráfico 17: Taxa Cresc. do RNB per capitá e o Índice de Desenvolvimento Humano de 2004 e 2013
.......................................................................................................................................................101

vi
DECLARAÇÃO

Declaro que este trabalho é da minha autoria, resulta da minha investigação e das
orientações da minha Supervisora.

O seu conteúdo é original e todas as fontes estão devidamente mencionadas no texto, nas
notas e na bibliografia final. Nunca foi anteriormente apresentado para avaliação em
nenhuma outra Instituição do Ensino Superior, para obtenção de qualquer grau académico.

Submeto-o, ao Instituto Superior de Estudos de Defesa “Tenente-General Armando Emílio


Guebuza”, para obtenção do Diploma do Curso de Altos Comandos (CAC) e Créditos
Académico para efeitos de Continuação de Estudos ao nível de Doutoramento.

Assinatura: _____________________________

Machava, ______/_________/ 20____

vii
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradecer a todos colegas da turma do 1º Curso de Altos Comandos


(CAC) e amigos que me incentivaram e apoiaram.

A direcção do Curso, a todos os professores, funcionários – fica aqui o meu


reconhecimento.

Aos funcionários do Ministério de Plano e Desenvolvimento, Ministério das Finanças,


Ministério da Administração Estatal, Banco de Moçambique, Instituto Nacional de
Estatística, Governo do Distrito de Boane, que tão bem me receberam, e de cujo trabalho e
competência reconheço. Particular atenção a Dra N.M. Timana, e ao Dr. Guido da Silva do
Banco Nacional de Investimento.

Por fim, um agradecimento especial a minha Supervisora Professora Doutora Shail Bala
Singh, Phd, Dsc, Dtill pela orientação segura e precisa, cuidado e rigor científico, as
sugestões e críticas sempre oportunas foram uma fonte de aprendizagem contínua e de
motivação.

Um reconhecimento à minha família pelo estímulo e encorajamento.

viii
RESUMO

Nos dois últimos mandatos de governação (2004-2010 e 2009-2014), o governo de


Moçambique colocou evidente em seus Programas Quinquenais de Governação o Distrito
como o pólo de desenvolvimento. E durante este período a economia moçambicana cresceu
em média 8% ao ano, no entanto, este crescimento não foi acompanhado de uma melhoria
do bem-estar da grande parte da população, o desenvolvimento no país é assimétrico, com
zonas em que os níveis de incidência da pobreza chegam a atingir o máximo de 70.5%
(Zambézia) e mínimo de 31.9% (Niassa).

O presente trabalho discute a problemática do desenvolvimento local num contexto de


descentralização, procurando entender como os processos de descentralização das finanças
públicas em Moçambique com a alocação de fundos aos distritos contribuiu para a redução
dos níveis de pobreza. Para uma melhor análise, compreensão e explicação do fenómeno, o
estudo concentrou-se sobre o Distrito de Boane, permitindo estudar as dinâmicas do
processo de desenvolvimento daquele distrito influenciadas pela descentralização das
finanças públicas. Em termos gerais, o estudo conclui que, o Distrito de Boane, durante os
últimos 10 anos (2004-2014), registou progressos assinaláveis expressos nos índices de
incidência da pobreza e de desenvolvimento humano, determinados por extrapolação média
do índice da província de Maputo. Nesses dois indicadores nota-se que o distrito registou
um IDH de 0,588, acima do nível do IDH classificado como médio (0.500), posicionando-
se como dos poucos espaços geográficos a nível nacional onde as condições de vida das
populações são consideradas aceitáveis, maioritariamente, nas províncias de Maputo e
Cidade de Maputo. No entanto, em termos de incidência da pobreza, continua a verificar-se
uma grande discrepância entre a zona urbana e rural do distrito, com a zona urbana (Boane
Vila-Sede, Campoane, Belo Horizante, Djuba Belo Sede e Mulotana) a registar em 2009,
uma redução da incidência de 63 para 31% na área urbana e de 77 para 66% nas zonas
rurais onde se concentra a maior parte da população.

Palavras-chave: descentralização das finanças públicas, desenvolvimento local,


indicadores de desenvolvimento, distrito.

ix
ABSTRACT

In the last two terms of governance (2004-2010 and 2009-2014), the government of
Mozambique has placed evident in its Five-Year Governance Program the District as the
hub of development. And during this period the Mozambican economy grew on average 8%
per year, however, this growth has not been accompanied by improvement on well-being of
the population majority, the development in the country is asymmetrical, with areas in
which the levels of incidence poverty reach up to the maximum of 70.5% (Zambezia) and
minimum of 31.9% (Niassa).

This paper discusses the problematic of local development in the context of


decentralization, focusing on how the processes of decentralization of public finance in
Mozambique with the allocation of funds to districts contributed to the reduction of poverty
levels. For a better analysis and understanding of the phenomenon, the study focused on the
Boane District, allowing to study the dynamics of the development process that district is
experience influenced by process of fiscal decentralization.

In general terms, the study concludes that the District of Boane, during the 10 years (2004-
2014), made good progress expressed in incidence of poverty and human development
index, determined by extrapolation of the average index of Maputo province. In these two
indicators we noted that the district registered an HDI of 0.588, above the rated medium
HDI level (0.500), positioning itself as the few national geographic areas where the living
conditions of the populations are considered acceptable, mostly in the provinces of Maputo
and Maputo City. However, in terms of incidence of poverty, we continue to observe a large
discrepancy between urban and rural areas of the district, with a decreasing of level of
incidence on urban area (Boane Village Headquarters, Campoane, Horizante Belo, Belo
Djuba Headquarters and Mulotana) in 2009, decreasing from 63 to 31% in urban areas and
77 to 66% in rural areas where most of the population concentrates.

Key words: fiscal decentralization, local development, development indicators, district.

x
LISTA DE ABREVIATURAS

ADELs Agências de Desenvolvimento Económico Local


AIPRDC Aoio Institucional, Planificação Regional ao Desenvolvimento Comunitário
ATSC Aconselhamento e Testagem em Saúde na Comunidade
BCI Banco Comercial de Investimento
BdM Banco de Moçambique
BIM Banco Internacional de Moçambique
BM Banco Mundial
CCD Conselho Consultivo do Distrito
CCL Conselho Consultivo Local
CCR Centro Catarinense de Reabilitação
CDL Comissões de Desenvolvimento Local
CEPAL Comissão Económica para a América Latina
CFMP Cenário Fiscal de Médio Prazo
CL Conselho Local
DEL Desenvolvimento Económico Local
DINAGECA Direcção Nacional de Geografia e Cadastro
DNEAP Direcção Nacional de Estudos e Analises de Politicas
EPN Economia Política Neoclássica
ETD Equipes Técnicas Distritais
FACIP Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná
FARE Fundo de Apoio a Reabilitação da Economia
FCA Fundo de Compensação Autárquico
FIIL Fundo de Investimento de Iniciativa Local
FMI Fundo Monetário Internacional
FRELIMO Partido Frelimo
GD Governo Distrital
GDB Governo do Distrito de Boane
GL Governo Local
GPM Governo Provincial de Maputo
GTZ Cooperação Alemã para o Desenvolvimento
HIV Human Immunodeficiency Virus (vírus da imunodeficiência humana)
IDA Associação Internacional de Desenvolvimento
IDG Índice do Desenvolvimento do Género

xi
IDH Índice de Desenvolvimento Humano
IIF Índice de Inclusão Financeira
INE Instituto Nacional de Estatística
ISI Industrialização por substituição de importações
INS Instituto Nacional de Saúde
IPH Índice de Pobreza Humana
IPH-1 Índice de Pobreza para os Países em Desenvolvimento
IPH-2 Índice de Pobreza para os Países Desenvolvidos
LOLE Lei dos Órgãos Locais do Estado
MAE Ministério de Administração Estatal
MAMM Moma, Angoche, Mossuril, Mogincual
MDM Movimento Democrático de Moçambique
MF Ministério das Finanças
MPD Ministério de Planificação e Desenvolvimento
MPG Medida de Participação do Género
NEI Novas Economias Industrializadas
NIP Novos Países Industrializados
ODMs Objectivos de Desenvolvimento do Milennium
OIIL Orçamentos de Investimento de Iniciativa Local
OlE Órgão Local do Estado
ONGs Organizações não-governamentais
ONU Organização das Nações Unidas
P.A de Boane Posto Administrativo de Boane
P.A. de Matola Posto Administrativo de Matola Rio
Rio
PA Posto Administrativo
PAE Programa de Ajustamento Estrutural
PARPA Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta
PAV Programa alargado de Vacinação
PEDD Planos Estratégicos de Desenvolvimento do Distrito
PERPU Plano Estratégico de Redução da Pobreza Urbana
PES Programa Económico e Social
PESOD Plano Económico Social Orçamento Distrital
PIB Produto Interno Bruto
PMA Programa Mundial de Alimentação

xii
PNPFD Programa Nacional de Planificação e Finanças Descentralizadas
PNUD Programa das Nações Unidas para a População
PPC Paridade de Preço de Compra
PPFD Programa de Planeamento e Finanças Descentralizadas
PQG Programas Quinquenal do Governo
PSAAs Pequenos Sistemas de Abastecimento de Agua
PTV Prevenção da transmissão vertical
RENAMO Partido Remano
RDM Relatório de desenvolvimento Mundial
RSP Reforma do Sector Público
SDC Cooperação Suiça
SIDA Síndrome da imunodeficiência adquirida
SISTAFE Sistema de Administração Financeira do Estado
SNV Organização Holandesa de Desenvolvimento
TARV Tratamento anti-retroviral
UNCED Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento
UNCDF Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital

xiii
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO

O objectivo deste Trabalho é o estudo do Papel de Finanças Públicas Descentralizadas, no


Desenvolvimento Económico, usando como referência o caso do Governo do Distrito de Boane
no período de (2005-2014).

Na África sub-sahariana, os programas de ajustamento estrutural implementados a partir dos


anos 1980 foram acompanhados por uma série de reformas focalizadas sobre a necessidade de
instituições públicas eficazes, (Forquilha, 2010).

O Estado, a forma de organização do poder político assumida pela maior parte das sociedades,
cuja função principal consiste em manter a ordem social dentro dos limites da lei fundamental (a
Constituição), nem sempre se limita a garantir a segurança política dos cidadãos, ele pode
intervir nos diferentes domínios da vida social, de forma a garantir, também, a segurança
económica e social da comunidade.

Foi neste processo de busca incessante do bem-estar económico e social dos povos, que os
Estados procuram sempre as melhores forma de organização que respondessem ao anseio dos
seus povos, passando da centralização aos processos actuais de descentralização.

No século XIX, a organização política e económica da sociedade estava marcada pelo


desenvolvimento industrial (permitiu o desenvolvimento da actividade económica e o reforço do
poder dos empresários) e pela Revolução Francesa que tinha instaurado a nível político os
regimes democráticos que garantiam as liberdades individuais e a participação dos cidadãos no
poder político (através de eleições). Este contexto de expansão económica e de difusão dos ideais
liberais reflectiu-se nas teorias elaboradas pelos economistas clássicos (s.a, 2007).

As teorias económicas desse período partiam do pressuposto que a nova ordem económica
deveria assentar no princípio da liberdade. Assim, para estes economistas (Adam Smith, Jean
Baptiste Say, etc.) o indivíduo era soberano e livre, portanto, deveria ter liberdade de iniciativa –
poder utilizar e aplicar livremente os seus meios de produção na actividade económica. Adam
Smith afirmava: “uma mão invisível regularia a ordem natural das coisas e permitiria conciliar o
interesse individual e geral” (idem). Opondo-se aos pensadores anteriormente referenciados,

1
Keynes defendia a ideia do Estado Intervencionista. Assim, o Estado não poderia continuar a ser
inútil mas sim passar a intervir em áreas específicas da economia, tais como o investimento, o
emprego e o consumo. Propunha-se uma intervenção directa do Estado para combater a crise,
passando a assumir a função de estabilizador da actividade económica, intervindo para evitar e
corrigir desequilíbrio das relações comerciais internas e com o exterior.

Em Moçambique, a intervenção do Estado na economia emergiu a partir das reformas políticas,


económicas e sociais caracterizadas pela liberalização económica e política que tinham em vista
a modernização do estado moçambicano para torná-lo mais eficiente e mais próximo dos
cidadãos. Assim, desde 1988 foi aberta a participação dos cidadãos no processo de governação
através da descentralização política e administrativa (Faria., et al., 1999) apud (PNUD, 1998;
METIER 2004).

Uma das referências do processo de descentralização em Moçambique é o Programa de


Reabilitação Económica (PRE) do qual resultou o desenvolvimento local, o aprofundamento e a
consolidação da democracia. Mais ainda, o pluralismo político e social introduzidos no país
através Constituição de 1990 assumem-se igualmente como factores que favoreceram o processo
de descentralização.

Neste quadro, foi aprovada pela Assembleia Popular a “primeira lei da descentralização, a lei
3/94, no âmbito do programa de reforma dos órgãos locais em curso desde 1991, que cria o
quadro legal e institucional de reforma dos órgãos locais.

Em 1996, o Governo Moçambicano lançou o Programa Nacional de Planificação e Finanças


Descentralizadas (PNPFD) cuja abrangência envolve todos os 128 distritos que compõem o país.
O programa foi orçado em 46,5 milhões de dólares norte-americanos e resultou da experiência
acumulada na implementação de projectos da mesma natureza, que cobriam parcialmente os
distritos que dada importância estavam fortemente identificados com as entidades financiadoras.
Uma parte do montante foi financiada por um Fundo Comum disponibilizado por parceiros
nomeadamente, Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), os governos da Irlanda e
do Reino dos Países Baixos e Agência Suíça para o Desenvolvimento e Cooperação. Outra
fasquia saiu do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Alemanha,
através da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento - (GTZ) (A verdade, 2010).

2
Os dados anteriormente referenciados, levam a compreender que o processo de descentralização
em Moçambique está associado ao redireccionamento do poder político para os actores locais.

Portanto, a expectativa seria que a descentralização, associada a mecanismos de participação


local ou regional, poderia levar as decisões sobre políticas económicas sociais públicas para o
poder mais próximo à sociedade, de modo a melhorar a qualidade e eficiência das políticas
empreendidas pela Administração e consequente bem-estar económico e social.

A estrutura deste trabalho é composta por seis capítulos: Capitulo I – Introdução, Capitulo II -
Enquadramento do Trabalho, Capitulo III - Revisão de Literatura, Capitulo IV - Enquadramento
Teórico e Conceptual, Capitulo V - Metodologia, Capitulo VI - Analise e Interpretação de
Resultados e por fim as Conclusões e as Recomendações.

3
CAPITULO II - ENQUADRAMENTO DO TRABALHO

2.3 Contextualização

Os resultados decepcionantes alcançados com condução das políticas para alcance dos objectivos
nacionais através de processos de gestão centralizada tem induzidos muitos países, especialmente
os em vias de desenvolvimento, a repensarem na sua estrutura top-down para atacar os problemas
de desenvolvimento (Ahmad, et al., 2009).

Esta tendência de mudança de paradigma de gestão, para prática viradas mais para inclusão activa
dos governos locais na programação e tomada de decisões importantes que directamente lhes
afectem, resulta das rápidas mudanças políticas, económicas, demográficas e tecnológicas que
caracterizam as sociedades contemporâneas.

Como é evidente, estes sinais de mudança alteraram a forma de encarar o papel do Estado e das
Finanças Públicas, colocando pressão sobre o Estado e a sociedade civil na busca constante de
estratégias que mais se ajustem aos problemas das comunidades, cujas prioridades, embora se
possam resumir num denominador comum – a erradicação da pobreza, encontram variadas
formas locais de atacar, resultando em uma diversidade de caminhos de soluções.

Na história da humanidade, pode se considerar que o verdadeiro ponto de viragem para o papel
intervencionista do Estado na economia, por forma, a corrigir a falhas do livre mercado, foi em
grande medida influenciado pela depressão dos anos 30 nos Estados Unidos da America. Esta,
recessão económica caracterizada por elevadas taxas de desemprego, decréscimo acentuado do
PIB, fome e miséria, teve efeitos globais negativos nas economias dos países industrializados e
nos países em via de desenvolvimento (Crafts, et al., 2013), (Barro, 2007) e (Dornbusch, 1981).

O New Deal do Presidente Rooservelt foi o primeiro sinal claro que nem sempre os mercados são
auto-regulados, como um processo justo e quase eficiente, com algumas falhas do mercado. A
teorização deste fenómeno surgiu anos depois com a obra de Keynes em1936, que explicava
como as economias podem estar em situação de equilíbrio abaixo do pleno emprego e que, para
que houvesse uma procura efectiva era necessário aumentar despesa pública mesmo que
improdutiva. Ficou conhecida uma expressão célebre de Keynes de que até se justificava pagar as

4
pessoas para abrir e tapar buracos pois os rendimentos pagos a esses trabalhadores iriam
estimular a procurar e relançar a economia. (Rauchway, 2008).

Gráfico 1: Gráfico da Análise do equilíbrio Keynesiano

Fonte: Macroeconomic today (Tucker, 2012)

A teoria Keynesiana abriu ao Estado o direito e o dever de conceder benefícios sociais que
garantam à população um padrão mínimo de vida (criação da salário mínimo, do seguro
-desemprego, conhecido também como “Estado de bem-estar social”.

É deste modo que se assiste nos últimos tempos, iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas
por parte do Governo Moçambicano visando garantir maior participação dos cidadãos no
exercício da acção governativa, assegurando o seu envolvimento na tomada de decisões, cuja
materialização é assegurada através da criação de espaços específicos para efeitos, concretizado
por via da institucionalização dos Conselhos Locais (CL), como reconhecimento da importância
que este processo tem na governação e nos esforços virados para o desenvolvimento, sobretudo
na implementação dos programas e principais instrumentos de governação a nível local.

5
Segundo (Boex, et al., 2008), Moçambique iniciou, nas últimas três décadas, um processo duplo
de desenvolvimento o qual combina um processo de devolução de funções e de responsabilidades
de realização de despesas públicas para um número específico de autarquias locais com uma
desconcentração simultânea de serviços públicos prestados através da Administração Pública.

O processo de descentralização, teve início em 1997 com a introdução da municipalização


mediante a aprovação da Lei n.° 2/97, a qual definiu os parâmetros para as primeiras eleições
autárquicas em 33 cidades e vilas no ano de 1998. Os Municípios são pessoas colectivas de
direito público com autonomia administrativa e financeira. Estão autorizados a colectar receitas
localmente (dentro de certos limites impostos por lei) com vista a financiar as despesas e os
investimentos numa série de serviços descentralizados tais como a gestão do
saneamento/salubridade, energia, transportes e comunicações, educação, cultura e desporto e de
questões sociais e ambientais (conforme estabelecido na Lei n.° 11/97 e revisto pela Lei n.°
1/2008, de 16 de Janeiro do mesmo ano).

Para além das receitas captadas a nível local, as autarquias locais recebem uma parte substancial
dos seus recursos a partir de transferências fiscais oriundas do governo central. As transferências
fiscais oriundas do governo central incluem o Fundo de Compensação Autárquico (FCA) para as
despesas correntes e o Fundo de Investimento de Iniciativa Local (FIIL) para os casos de
investimento de capital, também podem se beneficiar de fundos externos (doações).

Os desenvolvimentos que tiveram lugar desde 1997, representam um progresso significativo no


que respeita à descentralização do sector público em Moçambique. Contudo, a descentralização
está relacionada com a garantia de uma maior participação pública na tomada de decisões fiscais,
fazendo chegar o poder e a prestação de serviços públicos ao mais próximo possível dos
cidadãos. Esta compreensão profunda da descentralização fiscal é bem representada pelo
Professor Roy Bahl, o qual estabelece que, como definição funcional, a descentralização (fiscal)
pode ser definida como “a atribuição de poderes às pessoas mediante a capacitação fiscal dos
seus governos locais”. (Boex, et al., 2008).

Por exemplo, apesar da introdução da LOLE em 2003, os distritos ainda não assumem um papel
mais autónomo e substancial na prestação de serviços públicos que lhes foram atribuídos por lei.

6
Pelo contrário, os ministérios e as direcções provinciais de cada área continuam a chamar a si
grande parte das responsabilidades sobre as despesas públicas.

Ao nível da transparência fiscal, Moçambique tem feito progressos significativos, ao longo dos
últimos anos, como resultado de uma ampla gama de reformas legislativas em linha com as boas
práticas internacionais, dos quais incluem um novo quadro jurídico para o sistema fiscal e a
implementação de um sistema de gestão financeira pública moderna e abrangente, legislação
sobre contratos públicos e da função pública, simplificação dos procedimentos burocráticos, e a
introdução da legislação anti-corrupção.

2.4 Problema de Pesquisa

Para além da introdução das autarquias locais no figurino da administração do Estado, as


reformas contínuas do sector público culminaram numa significativa transformação do
relacionamento institucional entre o governo central e os diversos níveis da administração do
Estado através da introdução da Lei n.° 8/2003 (Lei dos Órgãos Locais do Estado – LOLE).

A LOLE estabelece novos princípios e normas de organização, atribuições e competências e de


funcionamento dos órgãos locais do Estado (províncias, distritos, postos administrativos e
localidades). Uma questão central da LOLE prende-se com o facto de que, em Moçambique, o
nível distrital deve tornar-se a principal unidade territorial da organização e funcionamento da
administração local do Estado e a base de planificação do desenvolvimento socioeconómico e
cultural da República de Moçambique.

Num plano teórico, o que está em discussão neste trabalho é desde logo, em que circunstâncias o
Papel de Finanças Públicas Descentralizadas impulsiona o Desenvolvimento Económico para o
Governo do Distrito de Boane, servindo de base para a elevação do bem-estar económico e
social, reflectido através do aumento de leque de oportunidades e de escolhas dos cidadãos,
reduzindo as gritantes assimetrias e desigualdades económicas no Distrito, procurando analisar a
dicotomia participação efectiva local versus a letra e o espirito da Lei 8/2003, que conforme
Elias (2012), limita a actuação dos CCLs, ao papel de mero órgão de consulta.

7
2.5 Delimitação de pesquisa

Segundo (Gil, 2002), existem, basicamente, dois critérios para a delimitação da pesquisa: o
primeiro, o espacial, que delimita o locus da observação, ou seja, o local onde o fenómeno em
estudo ocorre, e o temporal, que circunscreve o fenómeno estudado a um intervalo de tempo
especificado. Podendo o objecto de pesquisa situar-se no tempo presente, ou passado, procurando
evidenciar a série histórica de um determinado fenómeno.

Assumindo os critérios acima mencionados, o presente estudo procura trazer a tona o papel do
processo de descentralização na redução da pobreza absoluta no distrito de Boane, mensurável a
partir de um quadro de indicadores como PIB per capita, nível de escolaridade, nível de
emprego, nível de investimento público e privado, no horizonte temporal em referência.

2.6 Questões de pesquisa

Ainda segundo, (Ahmad, et al., 2009), as evidências que caracterizam as mudanças efectivas ao
longo do tempo capazes de explicar as ligações entre descentralização e crescimento são
relativamente pobres. As melhorias que alguns países em desenvolvimento experimentaram, são
na sua maior parte explicados pelo processo de desenvolvimento do próprio país, e a ligação do
crescimento com a descentralização é muitas vezes fraco. Levando autores como (Ebel, et al.,
2002), (Tosun, et al., 2008) e (Ahmad, et al., 2009) a considerarem não existirem evidências
fortes que sustentam a relação descentralização e desenvolvimento.

Diante destes resultados empíricos versus crença, de que, a descentralização traz consigo
benefícios para a comunidade local, assumindo que os benefícios locais se expressam na
participação e priorização de objectivos e consequente elevação do bem-estar económico-social,
ou seja, desenvolvimento, as questões que o estudo levanta são:

Pergunta 1: Que contributo trouxe a descentralização no desenvolvimento local no período de


2005 -2014?

Pergunta 2: Como se expressa este desenvolvimento?

8
De acordo com os dados colectados procurou-se olhar para os programas de Desenvolvimento
Económico Local do Governo de Moçambique, no caso concreto, do Governo Local do Distrito
de Boane ou seja, a lista de medidas concretas de promoção de desenvolvimento económico com
base nas potencialidades e num processo de planeamento participativo. Assumindo assim, para
efeitos deste trabalho, o Desenvolvimento Económico Local como um processo participativo que
estimula parcerias entre as principais partes interessadas do sector público e privado num
determinado território. Uma relação das perguntas de pesquisa e dos dados colectados, tabela 1.

Tabela 1: Questões de pesquisa e dados Colectados.

Questões de Pesquisa Dados Colectados


Analisou-se os relatórios de acompanhamento de
actividade e entrevistas do governo de acordo com os
planos.
 Planos Estratégicos de desenvolvimento do Distrito;
 Programa de Planeamento e Finanças
Quais são os mecanismos do planeamento usados para o
Descentralizadas;
desenvolvimento Local?
 Orçamentos de Investimento de Iniciativa Local;
 Planos Económicos Sociais Orçamentos Distritais;
 Planos de Desenvolvimento Económico Local;
Falta de Recursos Humanos qualificada. Dados Estatísticos de recursos humanos de governo
Fraca capacidade dos técnicos ou profissionais do nível de Distrital de Boane escolaridade da população em estudo.
escolaridade; Os documentos que serão usados são Relatórios
Equipes Técnicas Distritais (ETD) são compostas por informativos do governo e entrevistas observação directa.
técnicos com pouca capacidade para o planeamento;
Falta de quadro superior nos distritos.
Falta de Infra-estruturas Públicas Melhorada como Serviços Instrumentos de análise: Relatórios, entrevistas e Dados
Básicos do Estado. Como Habitação, Escolas, Hospitais e Estatísticos e observação directa.
Estradas, Electricidade, saneamento ou vias de acesso.
Ineficácia de Srvços Básicos, Escolas, Saúde, abastecimento Instrumento de análise: Relatórios, Entrevista Dados
de água, Fraca capacitação na Produção Agrícola. Estatísticos e observação directa.
Participação Comunitária Instrumento: entrevista, dados estatísticos e observação
A participação comunitária nos processos de planeamento e directa.
monitoria das acções do Governo é comprometida pela fraca
capacidade técnica dos membros dos CCD; Verificamos a
politização dos CCD, através da realização de encontros em
instalações partidárias; Em alguns distritos os membros do
CCD foram apontados pelos Administradores.
Fonte: adaptado pelo autor

9
2.7 Hipóteses de pesquisa

Para a definição das hipóteses do presente trabalho a pesquisa se baseou no pressuposto


assumindo pela LOLE, que consagra o distrito como a principal unidade territorial da
organização e funcionamento da administração local do Estado e a base de planificação do
desenvolvimento socioeconómico e cultural da República de Moçambique.

H1. A Planificação e Finanças Públicas Descentralizadas permitem a coordenação e participação


de todos os actores envolvidos na instituição de modo a garantir o Desenvolvimento Local do
Distrito.

H2. A Planificação e Finanças Públicas Descentralizadas não permitem a coordenação e


participação de todos os actores envolvidos na instituição de modo a garantir o Desenvolvimento
Local do Distrito.

2.8 Justificativa e relevância do trabalho

A finalidade deste trabalho é a defesa final do Curso de Altos Comandos (CAC), no Instituto
Superior de Estudos de Defesa “Tenente-General Armando Emilio Guebuza”.

A pertinência do estudo cinger-se ao Governo do Distrito de Boane (GDB), prende-se ao facto de


este ser um dos vários Órgão Local do Estado (OLE) de escala distrital, ao qual foram
desconcentrados poderes de decisão, execução e supervisão do desenvolvimento local, no âmbito
da assunção do Distrito como “base de planeamento e pólo de desenvolvimento”. Além disso,
dos OLEs a escala distrital, este é o que se apresenta como, um dos poucos, com melhores
potencialidades de desenvolvimento da agricultura.

O estudo da Planificação de Finanças Públicas Descentralizadas no contexto da descentralização


e participação local torna-se ainda mais importante, por permitir perceber, em primeiro lugar,
como a eficiência e a eficácia administrativa garantem a melhoria de qualidade dos Serviços
Públicos prestados aos cidadãos, propósito medular da Reforma do Sector Público (RSP) em
curso no país.

10
Em segundo porque, sendo na actualidade, os Distritos “base de planeamento e pólo de
desenvolvimento”, é fundamental analisar até que ponto, particularmente, o distrito de Boane,
está preparado para assumir as respectivas responsabilidades no âmbito do Planeamento e
Finanças Descentralizadas, ou seja, em que medida o Distrito está capacitado para fazer o
Planeamento que vá de encontro às reais necessidades, anseios e interesses das comunidades
locais. Na prática o estudo pode contribuir para chamar a atenção das autoridades do Sector
Público sobre a existência de Problemas. Espera-se que as decisões e os próprios
implementadores estejam atentos a este e demais estudo, com este propósito, de modo a encontrar
soluções internas de forma a superar possíveis constrangimentos.

Em termos teóricos, o trabalho vai contribuir para a literatura em torno do tema em análise, pois
através da metodologia e de instrumentos de observação utilizados para a reflexão, constituirá um
contributo para o Governo do Distrito de Boane. O trabalho é relevante tendo em conta que
procura distinguir os pontos fracos, limitações do sistema, consequências nefastas para a própria
instituição e o fracasso da reforma do sector público.

2.9 Objectivos

Esta secção apresenta os objectivos sobre os quais norteia-se o estudo.

2.9.1 Objectivo geral

Esta pesquisa tem como objectivo geral estudar até que ponto os Distritos estão capacitados para
promover o desenvolvimento económico local no âmbito da descentralização. A materialização
deste objectivo assenta-se nos objectivos específicos a seguir descritos.

2.9.2 Objectivos específicos:


 Conceituar a descentralização e o desenvolvimento e a sua evolução histórica;

 Descrever a correlação entre a descentralização e o desenvolvimento económico local;

 Analisar os mecanismos institucionais sobre os quais se assenta o desenvolvimento


económico local;

11
 Identificar o impacto da implementação do Programa de Planificação e Finanças
Descentralizadas (PPFD) sobre o desenvolvimento económico no Distrito de Boane.

CAPITULO III – REVISÃO DE LITERATURA

No presente capítulo, pretende-se apresentar a literatura relevante que aborda os conceitos:


descentralização, finanças descentralizadas e desenvolvimento económico, analisados de forma
independentes e interligada, salientando-se os aspectos considerados essenciais para a
compreensão do tema em discussão, conceptualizando, estabelecendo as diferenças e as suas
interligações no processo de desenvolvimento económico do Distrito de Boane.

2.10 Descentralização

2.10.1 O que será descentralização?

Embora o tema seja actualmente o centro de acessos debates na arena política e académica,
(Cavalcante, 2011), afiança que a sua discussão é bem mais antiga. E o interesse sobre o tema,
movimenta uma multidisciplinaridade de grupos académicos e profissionais. Sobre o assunto este
mesmo autor enfatiza o interesse de cada grupo consoante a área de interesse, sendo para os
economistas o foco o desenvolvimento fiscal e económico, cientistas políticos as relações
intergovernamentais, eleições e mecanismos de prestação de contas, enquanto administradores
trabalham sobre os processos, procedimentos e estruturas institucionais.

Esta mesma visão de interesse diversificado na abordagem da descentralização é partilhada por


(Tobar, 1991), ao asseverar que a palavra transformou-se num autêntico "camaleão político"
adquirindo uma funcionalidade particular em cada caso, de acordo com as características de seus
usuários, dos momentos e dos lugares de sua enunciação. Nesta abordagem Tobar conduz-nos,
também a percepção de que o conceito está ainda inacabado, sofrendo mutações para responder
aos interesses prevalecentes em determinado espaço temporal e geográfico.

Já (Elias, 2012), citando Alvez e Gody defendem que a descentralização refere-se a transferência
de autoridade e responsabilidade do governo central aos níveis mais baixos de hierarquia político-
administrativa e territorial e/ou para comunidades locais. Cingindo a definição para os processos,
procedimentos e estruturas institucionais.
12
Um outro debate interessante levantado por (Descentralização de políticas públicas sob a ótica
neoinstitucional: uma resvisão de literatura, Rondenelli, 2011), citando (Cheema, et al., 2008) e
(Cohen, et al., 1999) é o da convergência das perspectivas em torno da aproximação do conceito
de governação e descentralização, ou governação descentralizada, devido ao aumento da
interacção da economia internacional e das relações entre os Estados e sociedades. Pois, nesta
perspectiva o conceito descentralização não envolve apenas transferência de poder, autoridade e
responsabilidade entre os níveis e esferas de governo, mas também a repartição de autoridade e
recursos na modelagem das políticas públicas dentro da sociedade (World Bank, 2010); (Cheema,
et al., 2008) e (Litvack, et al., 1998), logo, a percepção de descentralização ganhou novos
objectivos, racionalidade e formas. Passando a contar com o envolvimento da sociedade civil e
uma cultura activa de prestação de contas.

2.10.2 Diferença entre o conceito Descentralização e Governação

A literatura reconhece que o conceito governação teve a sua génese em análises sobre o mundo
empresarial, introduzido por Ronald Coase, em 1937, quando publicou um artigo intitulado The
Nature of the Firm. O uso do conceito na referida obra não desencadeou grandes debates, mas foi
retomado nos anos 70, a partir do que se passou a utilizar o termo governação para designar os
dispositivos operacionalizados pelas empresas para conduzir coordenações eficazes (referindo-se
aos protocolos internos quando a firma desenvolve suas redes e questiona as hierarquias
internas), aos contratos e à aplicação de normas (quando ela se abre à terciarização). (Dallabrida,
2011). Neste contexto, segundo (Bevir, 2009) a governação expressa a consciência crescente pela
sociedade de meios alternativos pelas quais as formas de poder e autoridade garantem a ordem,
mesmo na ausência de actividade de estado.

Ainda segundo (Dallabrida, 2011), citando (Milani e Solinís, 2002) a importação do termo para
outras áreas de conhecimento dá-se por volta dos anos 1975, quando o tema a governabilidade
das democracias foi objecto de análise, em que a hipótese central era de que os problemas de
governabilidade na Europa ocidental, no Japão e nos Estados Unidos, fundavam-se na fractura
entre o aumento das demandas sociais e a falta de recursos (financeiros e humanos) e de
capacidade de gestão.

13
O mesmo foco é apresentado pela (Ethnocultural Diversity Resource Centerand the King
Baudouin Foundation, 2007), que embora apresente duas abordagens (académica e de doadores),
centraliza o debate sobre as relações entre grupos na gestão do interesse comum. Com a primeira
abordagem, a concentra-se no estudo das diferentes formas em que as relações de poder e de
autoridade são estruturados em uma dada sociedade. E a segunda, que coloca a ênfase no papel
das estruturas estaduais para assegurar a equidade e a responsabilidade social, económica e
política através de processos políticos abertos.

Esta última abordagem, também conhecida como a boa governação, é vista, segundo a
Ethnocultural, como uma concepção normativa de valores, segundo o qual o acto de governar e
os métodos de interacção dos diversos actores sociais se efectiva em um determinado contexto
social, tendo como bases a transparência do processo de tomada de decisão, que garante que o
acesso e a disponibilidade da informação seja livre e para todos envolvidos ou afectados pelas
decisões tomadas, bem como a prestação de contas e responsabilidade (tanto das instituições
públicas como da sociedade civil).

Esta mesma visão é partilhada pela Comissão de Governação Global em seu reporte de 1995,
“Our Global Neighbourhood”, que define governação como a soma das várias formas que os
indivíduos e instituições, públicas e privadas, gerem assuntos de interesse comum, num processo
contínuo pelo qual interesses conflituantes ou díspares são acomodados e acções cooperativas
podem ser levadas a cabo. Ela inclui instituições e os regimes formais dotados do poder de exigir
o cumprimento de suas determinações, bem como os acertos informais que receberam a
concordância das pessoas e das instituições, ou que estas consideram de seu interesse.
(Commission on Global Governance, 1995).

(Bevir, 2009), enquadra o conceito de governação na descrição das mudanças na natureza e papel
do Estado na sequência das reformas do sector público 1980 e 1990. Reformas essas que levaram
a uma mudança de uma hierárquica burocrática para uma maior utilização dos mercados, quase-
mercados e redes, especialmente na prestação de serviço público. Portanto, sendo o conceito de
governação a expressão da crença de que o estado cada vez mais depende de outras organizações
no cumprimento do seu dever de Estado.

14
Como se pode constatar das diversas abordagens do conceito de governação anteriormente
arrolados, fica implícita a ideia de que para uma efectiva e boa governação, a que passar pela
descentralização. A esta mesma conclusão chega (Nyiri, 2000) ao afirmar que a descentralização é
identificada como um dos factores crucias para a boa governação. Posição partilhada pelo Godoy
(2009) citado por (De Assis, et al., 2012) ao enfatizar que o conceito de governação difundiu-se
com a descentralização e a criação de mecanismos de diálogos entre governo e sociedade,
visando o desenvolvimento e que, não existe governação em locais onde não há democracia, no
sentido de participação social.

‘Embora os problemas de governação possam ser perseguido, mesmo sem


descentralização. No entanto, a descentralização reforça e legitima os processos de
governação local, quando feitas de forma correcta. (Olsen, 2007)”.

Sintetizando podemos afirmar que a descentralização diz respeito a reformas institucionais e


organizacionais assim como os processos de apoio a operacionalização dos mesmos no sector
público, enquanto que, governação está mais ligada ao apoio à criação de um ambiente favorável
onde os processos que envolvem diversas partes interessadas (incluindo os sectores público e
privado, bem como a sociedade civil) interagem para promover processos de desenvolvimento
local eficazes. (Olsen, 2007).

Tabela 2: Quadro Resumo das diferenças entre descentralização e Governação

Descentralização Governação
Apoia os elementos formais da reforma da Apoio à participação alargada dos cidadãos,
descentralização do sector público ONGs, sector privado em relação ao trabalho e
monitoria dos governos
Os exemplos incluem: Os exemplos incluem:
 Assistência aos ministérios responsáveis  Assistência aos sector privado para que
pela reforma para desenvolver novas possam concorrer para obras descentralizadas;
 A educação cívica e apoio a organizações
políticas e legislação;
 Capacitação dos governos locais para o comunitárias para fortalecer a capacidade das
melhor planeamento, gestão financeira, comunidades locais no monitoria do
etc. desempenho e prestação de contas dos
 Provisão de fundos de desenvolvimento governos locais.
para os governos locais para água,  Suporte para a igualdade de género e
estradas, saúde, etc. empoderamento.

15
Fonte: Adaptado do Resumo Definição de Descentralização e Apoio à Governação Local (Olsen, 2007)

2.10.3 Formas de descentralização

A descentralização pode assumir uma variedade de formas, que na óptica de (Cistulli, 2002) e
(White, 2011) se resumem em 4 principais formas: a descentralização política, fiscal, de mercado
e administrativa, podendo a descentralização de mercado ocorrer através da privatização e
desregulamentação enquanto a descentralização fiscal através da desconcentração, delegação e
devolução.

 A descentralização designa-se política quando está associada com o aumento do poder


dos cidadãos e dos seus representantes no processo de tomada de decisão pública. Ela
geralmente envolve um sistema político representativo baseado nas jurisdições eleitorais
locais e partidos pluralistas.

 Estaremos diante de um processo de descentralização fiscal, considerada também neste


trabalho como descentralização financeira ou orçamentária, quando a transferência de
autoridade pelo governo central para as unidades locais permitir-lhes tomarem decisões
sobre aplicação dos recursos captados quer localmente (por exemplo, direitos de
utilização, impostos sobre a propriedade, empréstimos, etc.) ou transferidos pelo governo
central.

 A descentralização administrativa é a transferência da responsabilidade pelo


planeamento, financiamento e gestão de determinadas funções públicas do governo
central e para as unidades de níveis mais baixos, quer sejam unidades governamentais
locais, autoridades ou empresas públicas semi-autónoma, ou autoridades funcionais
regionais. Este tipo de descentralização pode assumir a forma de:

(i) Desconcentração, quando na transferência da responsabilidade pelo planeamento,


financiamento e gestão de determinadas funções públicas do governo central, para
as suas representações regionais, mantêm-se o controle geral pelo governo central. A
desconcentração é essencialmente um acordo administrativo com a autoridade de
tomada de decisão ainda residindo nas unidades centrais do governo (ministérios).
Neste processo o governo central, dispersa apenas, responsabilidades para certos

16
serviços regionais ou locais, sem qualquer transferência de autoridade. Muitos
estudiosos não consideram esta, uma verdadeira descentralização, mas sim, a
simples intenção do governo central estabelecer representações locais. Esta é a
forma de descentralização considerada mais fraca.

(ii) Delegação: é o processo no qual os governos centrais transferem a responsabilidade


pela tomada de decisões e administração de funções públicas para organizações
semi-autónomas não totalmente controladas pelo governo central, mas que em
última análise, tem o dever de prestação de contas (por exemplo, a
institucionalização dos Conselhos Consultivos Locais no âmbito do Fundo de
desenvolvimento Distritais, os famosos 7 milhões).

(iii) Devolução: neste processo de descentralizado, os governos locais têm limites


geográficos claros e legalmente reconhecidas sobre as quais eles exercem autoridade
e dentro dos quais exercem funções públicas (por exemplo, aumentar as receitas, as
decisões de investimento). Este conceito na perspectiva de (Xerinda, 2006) é a
descentralização democrática, que na sua óptica abarcam às autarquias locais que
constituem o principal ponto de restauração político-constitucional que Moçambique
vem perseguindo desde a aprovação da lei 2/97. Abordagem corroborada por
(White, 2011) ao referir-se que a literatura mais recente considera ser esta a mais
pura ou pelo menos a forma mais extensa de descentralização.

O debate na literatura sobre os tipos e processos de descentralização tem na sua maioria uma
concentração sobre aspectos de democratização e participação local, outorgando para o segundo
plano a verdadeira racionalidade implícita em qualquer processo de descentralização – a
eficiência na alocação de recursos e na prestação do serviço público. Para responder ao vazio
explicativo de processos de alocação de responsabilidades experimentados por algumas
economias (Cistulli, 2002), traz ao debate o conceito de descentralização de mercado.

 A descentralização é de mercado quando o poder de decisão é transferido de público para


organizações privadas, podendo ela assumir duas formas diferentes:

(i) A privatização, quando neste processo às empresas privadas lhes é permitido


executar funções que anteriormente eram monopolizadas pelo governo, ou a

17
contratação para prestação ou gestão de serviços públicos ou de infraestruturas, ou
ainda o financiamento de programas do sector público através do mercado de
capitais, permitindo que organizações privadas participem; e

(ii) A desregulamentação, que consiste em abrir e/ou transferir actividades de prestação


de serviços ou de produção, anteriormente, detidas ou reguladas pelo sector público
para o mercado da concorrência privada (por exemplo, fornecimento da água, de
electricidade ou de televisão e rádio difusão para ambientes de concorrência).

Embora possa parecer um tanto incoerente, mesmo em teoria, problemas reais da definição
surgem quando olhamos para estes vários processos na prática. Em muitos casos, é difícil de
medir o nível de autonomia e capacidade de uma entidade local e fazer comparações sobre o tipo
de descentralização efectiva (política, administrativa, e fiscal), porque, empiricamente, a
descentralização raramente existe de forma pura, ou seja, no sentido de que ela assume apenas
uma das formas. Por exemplo, uma entidade local pode lhe ser atribuída a descentralização por
devolução da autoridade administrativa, sem a respectiva autoridade fiscal, levando a uma
incompatibilidade de suas capacidades descentralizadas. Além disso, diversas entidades locais
(Por exemplo, aqueles que fornecem educação, saúde, energia eléctrica e saneamento básico)
podem experimentar diferentes formas e graus de descentralização. Neste caso, uma compreensão
íntima das instituições locais, ajudam a definir o tipo de descentralização em jogo.

2.10.4 Motivos para a descentralização

Há na literatura uma diversidade de razões para a descentralização, enquanto alguns autores


como (Canhanga, 2009), (Nguenha, 2009) e (Elias, 2012) evocam a descentralização como o
meio para assegurar a participação social na escolha dos seus líderes e consequente participação
nos processos de tomada de decisão sobre aspectos comuns que afectam as suas vidas, monitorar
as actividades do governo, exigir a prestação de contas e premiar ou punir os seus líderes, por
meio do voto.

(Bird, et al., 1998) consideram que a justificação para descentralizar podem estar ligadas a
intenção de tornar a vida do governo central mais facilitada deslocando deficits (ou pelo menos
algumas das pressões políticas resultantes de deficiências) para níveis hierárquico mais baixo. Ou

18
ainda, pelo desejo por parte do governo central de atingir seus objectivos de alocação de forma
mais eficiente, delegando ou descentralizando a autoridade para governos locais.

Para (White, 2011) os processos de descentralização justificam-se e ganham ímpeto em ambiente


pós-crises, como conflito e convulsões sociais ou desastre naturais, frequentemente, recomendada
como uma ferramenta para tornar os governos locais eficazes e garantir a alocação eficiente de
recursos.

O mesmo autor aborda a descentralização também como uma parte de uma estratégia
indispensável aos esforços de desenvolvimento sustentável, particularmente para aqueles com o
foco na diminuição da pobreza absoluta, pelo facto de:

a) Os governos locais serem os órgãos do Estado mais próxima da população, e portanto


mais sensível às preferências e prioridades dos cidadãos.

b) Limitar conflitos e proteger os direitos das minorias;

c) Inibir a corrupção, como resultado da participação activa da população nas decisões e no


processo de prestação de contas;

Resumindo as abordagens dos autores acima citados, as motivações da descentralização, quer no


mundo desenvolvido como no subdesenvolvido, podem ser agrupadas em dois grandes tipos, as
ligadas a participação democrática nas decisões económicas, sociais e políticas, e as que estão
ligadas a eficiência locativa dos recursos do Estado na prossecução do bem-estar económico e
social.

2.11 Desenvolvimento

2.11.1 Conceito e Evolução histórica do Desenvolvimento económico

O conceito de desenvolvimento é objecto de debate desde os tempos dos economistas clássicos,


tendo sido foco central das análises de Adam Smith,Thomas Malthus, David Ricardo, e John
Stuart Mill, quando relacionaram os problemas de produção, produtividade e a distribuição do
rendimento entre os três grandes grupos sociais, em forma de salários, lucros e rendimento, e

19
depois por Karl Marx na critica as abordagens de produção e exploração capitalista. (Spence,
2009), (Rima, 2009) e (Szirmai, 2005).

Esta preocupação foi, também, seguida pelos neoclássicos, na segunda metade do século XIX, ao
retomar o problema sob perspectiva da análise da alocação de recursos, passando o tema a ser o
foco central da literatura económica da época, e o problema da distribuição visto como um
aspecto do processo de planificação e alocação geral e eficiente de recursos. Os economistas
neoclássicos argumentavam que as forças competitivas, operando através de factor de
substituição e variações nos preços relativos, geravam uma tendência para o pleno emprego e a
exploração do potencial de crescimento da economia. (Salvadori, et al., 2006).

A severidade da Grande Depressão dos anos 30, levantou novas preocupações e a necessidade de
uma nova teoria económica capaz de esclarecer se as forças competitivas podiam, por si só, levar
a economia ao pleno emprego, ou, se a intervenção do governo era necessária para correcções.
Keynes, em resposta, propõe a sua teoria, adoptando a noção da demanda efectiva e a análise da
sua influência sobre o nível de actividade para lidar com as falhas de mercado.

Ao mesmo tempo, com a apresentação do trabalho Harrod, em 1936, (o primeiro modelo de


crescimento económico propriamente dito), seguido de Domar, em 1946, até o modelo de Solow,
de 1956, e do Meade, de 1961, e as suas consequentes adaptações e actualizações, renovava-se, o
interesse na teoria do crescimento, reformulando-se a teoria da demanda efectiva de Keynes em
um contexto dinâmico (Da Silva, et al., 2010).

É nesta trajectória que a tese crescimento económico passou a ser o tema central da profissão dos
economistas em meados dos anos 1950 até o início dos anos 1970. Após uma década de
dormência, desde meados da década de 1980, o crescimento económico, mais uma vez tornou-se
um tópico central na teorização económica. Passando, nesta fase, a colocar mais ênfase, na
explicação do crescimento económico sobre variáveis internas, contrapondo-se a ideia de que a
taxa de crescimento é explicada e determinada a partir de variáveis exógenas (Salvadori, et al.,
2006).

Embora, houvesse por parte deste grupo de teóricos uma grande preocupação sobre a alocação
eficiente dos recursos produtivos escassos e com a sustentabilidade do crescimento a longo prazo,
de modo a garantir-se a produção de uma gama cada vez maior de produtos e serviços, e com isso

20
assegurar-se a soberania do consumidor; outras áreas que poderiam impulsionar o crescimento
passaram a merecer destaque, como os ajustes automáticos de preços e equilíbrio em todos os
mercados de produtos e de recursos. A base que sustentava a racionalidade económica deste
grupo de teóricos era a orientação puramente materialista, individualista, resultando desta base de
raciocínio, a confusão na conceitualização do crescimento e desenvolvimento, consideradas,
pelos mesmos, como sinónimas. (Todaro, et al., 2012).

Ainda que, neste período o conceito de desenvolvimento fosse visto como similar ao crescimento,
nota-se, citando (Da Silva, et al., 2010), que a partir das décadas de 1960 e de 1970, começam a
surgir dúvidas acerca do crescimento como objectivo final da macroeconomia. Pois, segundo
(Todaro, et al., 2012), embora a experiência dos anos 1950 e 1960, mostrassem que muitas
nações em desenvolvimento haviam conseguido alcançar suas metas de crescimento económico,
o nível de vida da maior parte da população permanecia inalterado ou até mesmo piorado,
sinalizando que a definição de desenvolvimento circunscrita ao crescimento económico era
inadequada.

Este mesmo posicionamento é partilhado por (Da Silva, et al., 2010) ao afirmar que o rendimento
nem sempre é reflexo de bem-estar. E para explicar esta dicotomia: rendimento – bem-estar, se
apoia do exemplo dos países árabes, que possuem altos níveis rendimento per capita, mas não
possuem o melhor padrão de vida do mundo. Da mesma forma, problemas ambientais têm
obrigado centenas de países a reavaliar seu padrão de crescimento económico.

Esta preocupação de incorporação de outras dimensões e aspectos que impactam o bem-estar


humano em sociedade, como a melhoria das condições social, ambientais, de participação
política, e mais recentemente o respeito pela vida e dignidade humana, tem transfigurado o
conceito desenvolvimento económico, elevando mais ainda o seu alcance.

É neste contexto, caracterizado por um crescente número de economistas e formuladores de


políticas, clamando por mais ataques directos contra a pobreza generalizada e absoluta, com
fortes desigualdades na distribuição do rendimento e riqueza e aumento do desemprego em
ambiente de forte crescimento económico, que começam surgir novos conceitos sobre
desenvolvimento económico, que segundo (Todaro, et al., 2012) preocupam-se em dar respostas
aos requisitos económicos, culturais, ambientais e políticos para efectuar transformações

21
estruturais e institucionais rápidas de sociedades inteiras de maneiras a que, de forma mais
eficiente, tragam frutos do progresso económico de forma ampla e principalmente, para os
segmentos mais afectados da população mundial.

Ainda segundo (Todaro, et al., 2012) para uma boa abordagem, dever-se-á, na conceitualização e
implementação do conceito de desenvolvimento económico, direccionarem-se esforços para as
estruturas e as causas que mantêm as famílias, regiões e nações inteiras, nas armadilhas da
pobreza, na qual a pobreza passada, acorrenta e perpetua a pobreza futura, e sobre as estratégias
mais eficazes para sair dessas armadilhas.

Consequentemente, um papel maior do governo e um forte grau de coordenação na


implementação de decisões económicas voltadas para a transformação da economia são,
geralmente, vistas como componentes essenciais para um rápido processo de desenvolvimento
económico. E esta coordenação se revela cada vez mais importante, pelo facto de nos últimos
anos, na nossa realidade, as actividades de organizações não-governamentais, nacionais e
internacionais, registarem um rápido crescimento, e por vezes, significar duplicação de esforços e
desperdícios de recursos do governo e dessas instituições, ou até mesmo implementação de
projectos, programas e objectivos conflituantes, devendo cada vez mais, essas actividades
merecerem especial atenção.

Para (Da Silva, et al., 2010) a intervenção do governo deve ir para além da simples coordenação e
fixação de objectivos, é necessário periodiza-los, e identificar os instrumentos de política
económica e social a serem utilizados pelo governo, quer a nível local como a nível central, para
que o desenvolvimento ofereça às pessoas mais opções, que poderão se configurar em acesso a
um rendimento (emprego), longa vida, o conhecimento, a liberdade política, segurança pessoal,
participação comunitária e direitos humanos garantidos.

Nesta tentativa de priorização de objectivos que respondam as reais preocupações de bem-estar


económico, social, cultural e politico de comunidades, com heterogeneidade cultural e de estágios
de progresso económico diferentes em um país, como é o caso de Moçambique, que a maior parte
dos Estados no mundo, com destaque para os mais afectados pela pobreza, se decidiram por
processos que priorizassem a participação e transparecia nos processos de desenvolvimento local,
garantindo não só a legitimidade das decisões de escolha mas, também, que estas escolhas

22
exprimissem o verdadeiro significado de desenvolvimento para as referidas comunidades.
Emergindo nessa abordagem um novo conceito o desenvolvimento, desenvolvimento económico
local (DEL).

Segundo (Moreira, 2009) “o conceito de desenvolvimento económico local é parte da herança do


desenvolvimento comunitário dos anos 60, – proposto e reflectido por autores como Silva (1962,
1963) e organizações como as Nações Unidas – aproveitando os seus três importantes pilares:
auscultação das necessidades das populações; mobilização das capacidades locais como ponto de
partida para as respostas; visão integrada dos problemas e soluções”. Embora o seu surgimento,
como conceito de debates se tenha espevitado nos anos 80, quando aparece associado uma
multiplicidade de formulações como desenvolvimento comunitário, desenvolvimento endógeno
ou bottom-up, desenvolvimento territorial e desenvolvimento participativo.

Este mesmo autor, cintado Amaro, (1999), conceitua desenvolvimento local como “um processo
de mudança, centrado numa comunidade territorial, que parte da constatação de necessidades não
satisfeitas, às quais se procura responder prioritariamente a partir das capacidades locais, o que
pressupõe uma lógica e uma pedagogia de participação, em articulação necessária e fertilizadora
com recursos exógenos, numa perspectiva integrada e integradora, o que implica uma dinâmica
de trabalho em parceria, com um impacto tendencial em toda a comunidade e com uma grande
diversidade de caminhos, protagonismos e soluções”.

Portanto, o desenvolvimento local constitui um processo de transformação da forma como as


decisões económicas e políticas são tomadas ao nível local, deslocalizando as decisões do topo
para a base, com o objectivo final de melhorar as condições de vida da comunidade local de
forma inclusiva, através de processos de negociação entre os actores locais organizados da
sociedade civil, sector público e privado, buscando, abordar o uso eficiente e sustentável dos
recursos existentes e potencialmente disponíveis, nos diferentes desafios enfrentados pelo
território, garantindo que as decisões resultem de consulta, e permitam construir oportunidades
socioeconómicas (como a criação de emprego e rendimento), bem como o fortalecimento da boa
governação local.

Como se pode vislumbrar, as definições traçam um o percurso evolutivo e inacabado do conceito


desenvolvimento, de uma perspectiva quantitativa (de crescimento) para uma mais qualitativa,

23
abarcando aspectos de difícil ou quase impossível mensuração, que muitas vezes são subjectivas,
heterogéneas e próprias da diversidade cultura e de estágio do bem-estar económico-social e
político alcançado pelas diferentes sociedades.

Um dos grandes marcos desta transição de abordagem de crescimento para incorporações de


outros aspectos considerados relevantes para o bem-estar económico-social, inicia em 1987,
quando o então presidente da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento,
Gro Harlem Brundtland, apresentou em Assembleia Geral da ONU, o documento "Nosso Futuro
Comum", que ficou conhecido como Relatório Brundtland (Da Veiga, 2008), embora a noção de
desenvolvimento sustentável resulte da evolução do conceito de "ecodesenvolvimento", que
vinha sendo defendido desde 1972, ano de realização da Conferência das Nações Unidas sobre
Meio Ambiente, em Estocolmo. (Sachs, 2004).

No referido relatório, a Comissão Mundial das ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento
(UNCED) examina a ligação entre desenvolvimento económico e a protecção ambiental,
considerando desenvolvimento sustentável aquele que atende às necessidades do presente sem
comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades,
destacando-se nesta definição dois conceitos-chave: 1) o conceito de necessidades, sobretudo as
essenciais dos pobres, que devem receber a máxima prioridade; 2) a noção das limitações que o
estágio da tecnologia e da organização actual impõe ao meio ambiente, impedindo-a de atender às
necessidades presentes e futuras. (Roncaglio, 2012).

Um outro marco foi lançamento do "Índice de Desenvolvimento Humano" (IDH) em 1990,


através do "Relatório do Desenvolvimento Humano" do Programa das Nações Unidas para o
desenvolvimento (PNUD), resultante da percepção de que o crescimento económico apresentado
por alguns países na década de 1950 não trouxe consigo os mesmos resultados sociais ocorridos
em outros países considerados desenvolvidos e que a interpretação que os países em
desenvolvimento precisariam buscar não seria o desenvolvimento, mas sim a sobrevivência, com
todas as consequências ambientais que esta postura determina. Ou seja, Não se pode culpar
alguém por executar uma acção que agride o meio ambiente, quando a sobrevivência das pessoas
depende disto, (Naime, 2009).

24
Neste relatório, o PNUD conceitua o desenvolvimento como resultante do processo de
alargamento das escolhas das pessoas. E portanto, como as pessoas constituem o meio e fim para
criação da riqueza real duma nação, o objectivo básico do desenvolvimento é criar um ambiente
adequado para que as pessoas possam gozar duma vida longa, saudável e criativa, podendo esta
base de escolha expandir-se as liberdades políticas, religiosa, a garantia dos direitos humanos e
auto-estima (UNDP, 1990).

Parte-se então desta base para alargar-se o conceito de desenvolvimento as liberdades de modo
que só poderia ocorrer se fossem garantidos a todas as pessoas os seus direitos individuais, que
efectivariam a sua liberdade. Assim, liberdade em nenhum momento poderia se restringir e
entendida como elevação do rendimento per capita, devendo abranger questões culturais, sociais,
entre outras (Da Veiga, 2008).

Esta é a noção que mais se aproxima das discussões actuais sobre o desenvolvimento económico,
também adoptado pelo presente trabalho. Noção esta que também se baseiam os Objectivos de
Desenvolvimento do Milennium (ODMs), que em Conferência do Milénio da ONU em 2000, 189
Chefes de Estado de Norte e Sul, com representantes de seus cidadãos, adoptaram a Declaração
do Milénio, comprometendo-se engajar esforços para reduzir a pobreza e elevar desenvolvimento
humano, definindo-se como objectivos a alcançar até 2015, os seguintes: a acabar com a fome e a
miséria; ter todas crianças em idade escolar nas escolas; emponderar a mulher; reduzir a
mortalidade infantil; melhorar a saúde materna: combater o HIV/SIDA, malária, e outras
doenças, e assegurar a sustentabilidade ambiental. (ONU, 2000).

Definidas como a serem alcançadas até o ano de 2015, continuam a ser uma preocupação da
comunidade internacional, no sentido de que se tomem medidas ousadas e de colaboração para
acelerar o progresso na consecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Portanto, o Relatório de Desenvolvimento Humano 1990, o pioneiro no esforço da centralização


do desenvolvimento sobre a vida humana com respeito e dignidade, cuja mensagem central é que,
enquanto o crescimento da produção nacional (PIB) é absolutamente necessária para atender a
todos os objectivos essências da humanidade, o mais importante, ainda, é estudar como esse
crescimento se traduz - ou não se traduzem em desenvolvimento humano nas diversas sociedades
e como se explica que algumas sociedades alcancem níveis altos níveis de desenvolvimento

25
humano com níveis modestos rendimento per capita e em outras sociedades, se observa o
totalmente inverso.

Chegados aqui, há que concordar que, de facto, o desenvolvimento económico implica mudanças
estruturais, culturais e institucionais, e que existe total razão, na longa tradição de rejeição de
desenvolvimento económico como o simples crescimento do rendimento per capita ou
simplesmente crescimento económico.

Assim, o conceito de desenvolvimento, como afirma (Bresser-Pereira, 2003), trata-se de um


processo social global, em que as estruturas económicas, políticas e sociais de um país sofrem
contínuas e profundas transformações. Não tendo sentido falar-se em desenvolvimento apenas
económico, ou apenas político, ou apenas social. Não existe desenvolvimento dessa natureza,
parcelado, sectorizado, a não ser para fins de exposição didáctica. Se o desenvolvimento
económico não trouxer consigo modificações de carácter social e político; e se a mudança social
e político não resultar e causar transformações económicas, será porque, não terá ocorrido
desenvolvimento. As modificações verificadas em um desses sectores terão sido tão superficiais,
tão epidérmicas que não deixarão traços.

2.11.2 Abordagens actuais, Teórico-empíricas, de Desenvolvimento Económico

(Piererse, 2010) citando Björn Hettne, define o Desenvolvimento, como a mudança social
intencional, de acordo com os objectivos sociais. E porque na sua perspectiva nem todos os
objectivos sociais são desenvolvimento (alguns estão simplesmente preocupado com o
estabelecimento de autoridade, etc.), o referido autor insere nesta definição o critério de melhoria,
definindo o desenvolvimento como a intervenção organizada nos assuntos colectivos, de acordo
com um padrão de melhoria.

Segundo (Bresser-Pereira, 2006), o desenvolvimento é, portanto, um fenómeno relacionado com


o surgimento das duas instituições fundamentais do novo sistema capitalista: o estado e os
mercados. Dando ênfase ao papel que correcção de desequilíbrios que podem advir das falhas de
mercado e de políticas que inibem a iniciativa privada e progresso económico.

Para (Nafziger, 2005) na conceitualização do desenvolvimento é necessário questionar-se sobre:


o que vem acontecendo com a pobreza, desemprego e as desigualdades sociais. Se a essas

26
variáveis registaram alguma melhoria, então, o país experimenta um período de elevação do bem-
estar social. Se o sentido das mesmas é regressivo, não estaremos diante um processo de
desenvolvimento, mesmo que o rendimento per capita aumente.

Já (Todaro, et al., 2012) trata o conceito sob a perspectiva estritamente económica, considerando
que, tradicionalmente, o desenvolvimento significava atingir taxas sustentáveis de crescimento do
rendimento per capita que permitam uma nação expandir sua produção a um ritmo mais rápido
do que a sua taxa de crescimento populacional.

Uma definição interessante sobre o desenvolvimento económico é a que perspectiva o


desenvolvimento sob o prisma humano, conceptualizando como um processo de alargamento das
escolhas das pessoas (UNDP, 1990). Apesar de simples e subjectiva, a simplicidade da definição,
segundo (Francisco, 1999) é enganadora e apenas aparente. Pois, a complexidade e a multi-
diversidades de escolha humanas complicam a operacionalização da mesma, obrigando a que,
estrategicamente, e por simplicidade, o conceito, limite infinidade de escolhas, a três níveis
considerados essenciais, pois sem elas é praticamente impossível desfrutar das outras: ter uma
vida longa e saudável, adquirir conhecimento e ter acesso aos recursos necessários para um
padrão de vida decente.

Das abordagens acima citadas e partilhando o ponto de vista de (Dos Anjos, et al., 2003) nota-se
que a noção de desenvolvimento revela-se de um reducionismo que necessita ser melhor
elaborado para singulariza-lo diante da confusão que se estabelece entre os termos
desenvolvimento e crescimento.

O conceito de desenvolvimento possui uma longa história de construção, sendo ainda tema de
debates e controvérsias. Segundo (Dos Anjos, et al., 2003) entre o final da segunda grande guerra
mundial e meados dos anos sessenta, não se fazia distinção entre desenvolvimento e crescimento
económico. No entanto, as condições de vida de muitas populações melhoravam, e até pioravam,
mesmo quando os seus países haviam alcançado elevadas taxas de crescimento.

É diante destas lacunas nos conceitos de desenvolvimento económico que para (Moreira, et al.,
2012) não surpreende que a noção de desenvolvimento se tenha vindo a ampliar mediante a
incorporação de novas componentes, sendo aditados inúmeros adjectivos ao substantivo
“desenvolvimento”.

27
As novas abordagens do desenvolvimento - sendo a abordagem do desenvolvimento humano e do
desenvolvimento sustentável as mais recorrentes - contribuem para a pesquisa de um conceito de
desenvolvimento mais humanista, orientado para a natureza humana e o direito de todos a uma
vida digna, saudável, esclarecida e justa. Em geral, procuram situá-lo no seio das comunidades,
sublinhando a importância da participação das pessoas nas decisões que afectam suas vidas,
dando prioridade à satisfação das necessidades básicas e alertando para os perigos do uso
descontrolado dos recursos naturais e da ruptura com o equilíbrio ambiental (Moreira, et al.,
2012).

Amartya Sen, o Prêmio Nobel 1998 de Economia, ao argumentar de que a visão do rendimento e
riqueza como fins em si mesmos, é limitada e tão antiga quanto Aristóteles, amplia mais o sentido
de desenvolvimento, incorporando o desfrute da liberdade nas suas múltiplas vertentes: política,
económica, religiosa, e cultural. Inferindo, como afirma (Todaro, et al., 2012), que "O
crescimento económico não pode ser sensatamente tratado como um fim em si mesmo. Pois, o
desenvolvimento tem de estar mais preocupado em melhorar a vida que levamos e das liberdades
que desfrutamos."

Portanto, desenvolvimento consiste na remoção de vários tipos de falta de liberdade que deixam
as pessoas com poucas oportunidades de exercer seu arbítrio fundamentado, podendo ser visto
como um processo de expansão das liberdades reais que as pessoas gostam, bem como das
“capacidades” para levarem o tipo de vida que valorizam - e têm razões para valorizar. (Sen,
1999).

Nesse posicionamento Sen argumenta que a pobreza não pode ser devidamente medida pelo
rendimento per capita ou até mesmo pela utilidade como convencionalmente entende-se, e o que
verdadeiramente importa não são as coisas que as pessoas possuem ou as emoções que delas se
podem extrair, mas sim o que uma pessoa é, ou pode ser e faz, ou pode fazer. Portanto, o que
importa para o bem-estar, não são apenas as características dos produtos consumidos, como
tratado na abordagem de utilidade, mas sim, a utilidade que o consumidor pode obter do consumo
desse bem. (Sen, 1999).

Para elucidar a sua abordagem de Sen (Todaro, et al., 2012) explora o exemplo, do facto de um
livro ser de pouco valor para uma pessoa analfabeta, excepto, talvez, como combustível para

28
cozinhar ou como um símbolo de status. Nesta mesma esteira de pensamento (Sen, 1999), explica
por exemplo, que uma pessoa com um elevado nível de rendimento, mas sem nenhuma
oportunidade de participação política não é "pobre" no sentido usual, mas é claramente deficiente
em termos de uma liberdade importante. Da mesma forma, que um rico e bem abastado, mas que
sofre de uma doença rara para o tratamento é, obviamente, privado de uma forma importante de
liberdade, sendo na óptica daquele autor pobre, mesmo que ela não seja classificado como tal nas
estatísticas comuns de distribuição de rendimento.

Estas ideias contribuíram para provocar debates controversos e uma viragem sobre visão do
desenvolvimento como sinónimo de crescimento económico para uma que concentrasse sobre o
gozo das possíveis liberdades humanas. Engajando os esforços dos académicos e fazedores de
políticas para uma reformulação do conceito de desenvolvimento, tendo em vista, torna-la mais
pertinente e de melhor compreensão face a complexidade dos factores sob os quais se constrói as
sociedades contemporâneas.

Em torno das ideias de Sen, e de forma a tornar o conceito mais próprio e perceptível às
comunidades, que reforçar-se, a adjectivação do conceito de desenvolvimento, conferindo maior
intervencionismos dos actores locais, dando lugar ao conceito de desenvolvimento económico
local (DEL). Esta abordagem ganhou vida, especialmente em países onde verifica-se intensas
desigualdades sociais, processos planificação de desenvolvimento pouco ajustados as reais
preocupações e necessidades das populações, e um elevado nível de descontentamento social com
os dirigentes políticos responsáveis tomada de decisões que afectavam a vida da comunidade.

O principal objectivo do DEL é, permitir que o governo local, o sector privado, os sectores sem
fins lucrativos, e da comunidade local tenha a oportunidade de trabalhar em conjunto para
melhorar a economia local, elevando-se a competitividade e, assim, incentivar o crescimento
sustentável, que seja inclusivo.

Assim, e diante das abordagens anteriormente exposta, chega-se a conclusão de que infelizmente,
não existe uma definição simples para o desenvolvimento. Uma das características comum é de
que o desenvolvimento económico centra a sua análise sobre os problemas próprios de uma vasta
periferia de países menos desenvolvidos da economia mundial, outrora apelidada de “Terceiro
Mundo, cujo objectivo último consiste em encontrar respostas para questão: como as economias

29
de baixo rendimento no mundo podem definir o trilho para desenvolvimento económico
sustentado com objectivo imediato de reduzir a pobreza e a longo prazo acumularem riqueza ao
nível das economias desenvolvidas, (Hayami, 2001)”.

Embora, existam discrepâncias na conceitualização, nota-se nas definições actuais um ponto


comum de convergência - a elevação do bem-estar económico e social, com uma centralidade na
dignidade e respeito das liberdades e da vida humana, conduzindo a percepção de que o
desenvolvimento económico não é um fenómeno puramente económico. No seu sentido mais
“completo”, deve abranger mais do que o lado material e financeiro da vida das pessoas, para
expandir as liberdades humanas. O desenvolvimento deve, portanto, ser entendido como um
processo multidimensional, que envolve a reorganização e reorientação dos sistemas económicos
e sociais inteiros. Além de melhorias no rendimento, deve implicar mudanças radicais nas
estruturas institucionais, sociais e administrativos, bem como nas atitudes populares e até mesmo
nos costumes e crenças. Finalmente, embora o desenvolvimento seja geralmente definida em um
contexto local e nacional, sua realização mais generalizada pode determinar a alteração do
sistema económico e social internacional.

No presente estudo, o autor procura compreender como os processos desenvolvimento via


descentralização e com base nas condições congénitas de algumas sub-regiões de Moçambique,
no caso concreto o distrito de Boane, influenciam e determinam as dinâmicas da construção do
bem-estar colectivo e inclusivo. Para a compreensão desses fenómenos e das suas relações,
revela-se importante destacar um tratamento particular à teorização do Desenvolvimento
Económico Local (DEL)

2.11.3 Desenvolvimento Económico Local (DEL)

O conceito de desenvolvimento local é novo e como referenciado nos pontos acima, ela emerge,
especialmente, das gritantes desigualdades sociais, processos planificação pouco ajustados as
reais preocupações e necessidades das populações.

Dessa constatação, alguns autores, para melhor compreensão da operacionalização destes


processos trouxeram ao debate questões como: a sua conceitualização e do porque da tendência
do seu fortalecimento quando o mundo tende a tornar num espaço integrado e globalizado

30
(Buarque, 2002), sua sustentabilidade, (Jara, 1998), as relações e conflitos entre o estado central e
local (Weimer, 2012), o conflito entre a teorização de desenvolvimento local e a Lei 8/2003 que
restringe, na realidade Moçambicana, o papel dos Conselhos Consultivos Locais (CCL) a mera
cosmética de participação no processos de planificação, sem força deliberativa, consagrando
assim a Lei, a prerrogativa dos governos locais de acatar ou não as decisões emergidas dos CCLs
(Elias, 2012), e como este fenómeno pode ajudar a inverter, nos espaços geográficos que
experimentam dificuldades e desigualdades extremas, o gozo das diversas liberdades,
conceituadas por (Sen, 1999) como desenvolvimento. Preocupação que o autor do presente
trabalho procura dar resposta, analisando a descentralização fiscal no desenvolvimento.

2.11.3.1 Conceito

Giudice et all, (2003), definem o desenvolvimento económico local como o processo sobre o qual
os interlocutores locais constroem e partilham decisões estratégicas para o futuro económico,
produtivo e laboral do território. É um processo participativo que estimula o relacionamento entre
interlocutores locais, facilita a implementação conjunta de estratégias e projectos, principalmente
orientados para a criação de condições de competitividade para os recursos locais, com o
objectivo de criar empregos decentes e actividades económicas sustentáveis.

Já para (Buarque, 2002), o DEL é conceituado como um processo endógeno de mudança, que
leva ao dinamismo económico e à melhoria da qualidade de vida da população em pequenas
unidades territorias e agrupamentos humanos.

Para este último autor para que este processo seja consistente e sustentável, deve mobilizar e
explorar as potencilidades locais e contribuir para elevar as oportunidades sociais e a viabilidade
e competitividade da economia local, assegurando a conservação dos recursos naturais locais, que
são a base das potencialidades e condição para a qualidade de vida da população local.

Portanto, o desenvolvimento local é resultado de multiplas acções convergente e


complementares, capaz de quebrar a dependência e a inércia do subdesenvolvimento e do atraso e
de promover uma mudança social no território, não se limitando a um enfoque económico,
normalmente associado às propostas de desenvolvimento endógeno, mas indo além, focando nos
processos de ajustamento e consolidação dos aspectos socio-culturais que promovam a igualidade
e o gozo pleno das liberdades individuais e colectivas.
31
É importante ressaltar que um outro conceito debatido ao nível local é o desenvolvimento
comunitário que é segundo (Buarque, 2002) é uma forma particular de desenvolvimento local
delimitado pelo espaço da comunidade vinculada a projectos locais, normalmente não tem uma
estrutura político-administrativa e institucional (como o município), mas tende a apresentar um
grande homogeneidade social e económica e capacidade de organização e participação
comunitária. Em termos de escala, pode ser menor que o espaço municipal (contido em
determinado município) ou cortar mais de um município, estabelecendo relações de parceria
político institucional com diversas instancias. Tanto o município quanto a comunidade – pela
reduzida escala territorial – pode constituir espaços privilegiados de intervenção concentrada e
articulada de diferentes instâncias políticos – administrativas – estatal, funcionando como núcleo
catalisador das iniciativas e base par o desenvolvimento local.

As experiências bem sucedidas de desenvolvimento local surgem, quase sempre, de um ambiente


político e social favorável expresso por uma mobilização e principalmente, da convergência dos
actores sociais em torno de determinadas prioridades e orientações básicas de desenvolvimento.
Representando, assim, a vontade dominante da sociedade que dá sustentação e viabilidade
política a iniciativas e acções capazes de organizar as energias e promover a dinamização e
transformação da realidade.

Portanto, a hipótese inicial do DEL consiste no pressuposto de que os territórios dispõem de


recursos económicos, humanos, institucionais locais e de economias de escala que não são usadas
e por outro lado a convicção de que existe um consenso geral de que o capital humano é a
verdadeira riqueza local, e ao mesmo tempo factor de competitividade e de vantagem diferencial
(Giudice et all, 2003).

No novo paradigma de desenvolvimento, o enraizamento dos processos exógenos depende, antes


de tudo, da capacidade de ampliação da massa crítica de recursos humanos e do domínio do
conhecimento e da informação, elementos centrais da competitividade sistémica (Bauraque,
1998). Permitindo levar a um processo permanente de capacitação da sociedade local na
compreensão da realidade e das mudanças no contexto, ampliando sua capacidade de inovação e
resposta aos desafios contemporâneos. Abrindo espaço para a criação de um ambiente de
inovação que favoreça a busca e a implantação de alternativas e gere uma grande capacidade de
adaptação às mudanças do contexto local.

32
2.11.3.2 Como o desenvolvimento Local se relaciona com o processo de globalização?

Considerando a intensidade e a velocidade das transformações globais, o desenvolvimento local


depende, portanto da capacidade dos actores locais de compreender esses processos e responder,
de foram apropriadas, com suas próprias forcas e talentos, num processo permanentes de
aprendizagem.

Por isso, o desenvolvimento local não poder ser confundido com o isolamento da localidade e seu
distanciamento dos processos globais, pelo contrário a abertura para os processos externos é um
factor de propagação e estímulo à inovação local. O ambiente de inovação está ligado a um
colectivo de actores, bem como de recursos humanos e materiais internos e externos ao território
local. Pois, como afiança (Buarque, 2002) ele não constitui em nenhum caso um universo
fechado, ao contrário, está em permanente relação com o ambiente exterior e que decorre de um
processo de constante aprendizagem local, entendido como um espaço social com capacidade de
criação, ampliação de conhecimento e aprendizagem contínuas, inventando, testando e adaptando
alternativas e caminhos que permitem o desenvolvimento.

2.11.3.3 Desenvolvimento local e globalização

A transição para um novo paradigma de desenvolvimento mundial está associada a um processo


acelerado de globalização com a intensa integração económica, a formação de blocos regionais e
a emergência de grandes redes empresarias com estratégias e actuação globais. Paradoxalmente,
contudo, nunca foi tão forte a preocupação com o desenvolvimento local e descentralização
económica, social e politica e tão visíveis os movimentos localizados e endógenos de mudanças e
desenvolvimento

O desenvolvimento local sustentável resulta da interacção e sinergias entre a qualidade de vida da


população local – redução da pobreza, geração de riqueza e distribuição de activos – a eficiência
económica – com a agregação de valor na cadeia produtiva – e a gestão pública eficiente. A
interacção entre eles deve ser mediada pelos aspectos que avaliam a boa governação –
extravasando da base económica para as finanças e aos investimento públicos – pela organização
da sociedade orientando as politicas e o s investimentos públicos locais – e pela distribuição de
activos sociais, assegurando a internalização da riqueza e os desdobramentos sócias da economia.

33
Esses são os três grandes pilares de um processo de desenvolvimento local, formando uma
combinação de factores que pode promover a reorganização da economia e da sociedade locais
(sem se esquecer, evidentemente, a conservação ambiental) (Buarque, 2002).

2.11.3.4 Pressupostos, Estrutura e Estratégias de Desenvolvimento Local

Segundo Buarque (2002) e Greg (2010), qualquer estratégia para promoção do desenvolvimento
local deve ser estruturada em, pelo menos, três grandes pilares: organização da sociedade,
contribuindo para a formação de capital social local (entendido como capacidade de organização
e cooperação da sociedade local) combinada com a formação de espaços institucionais de
negociação e gestão; agregação de valor na cadeia produtiva, com a articulação e o aumento da
competitividade das actividades económicas com vantagens locais, e reestruturação e
modernização do sector público local, como forma de descentralização das decisões e elevação
da eficiência e eficácia da gestão pública local. Tudo isso, associado com alguma forma de
distribuição de activos sociais, principalmente o activo conhecimento, expresso pela escolaridade
e pela capacitação tecnológica. As mudanças que decorrem desses três processos e a sinergia
gerado no conjunto do tecido social viabilizam o desenvolvimento local de forma consistente e
sólida.

Com o avolumar do interesse sobre o desenvolvimento económico local, tem se aumentado a


preocupação por estratégias que conduzam a melhor formulação de planos de desenvolvimento
económico local. A questão a saber é como esses planos devem ser concebidos e que papel devem
assumir os diferentes actores.

Segundo Greg (2010), no geral, é importante reconhecer que uma estratégia de desenvolvimento
económico bem-sucedido para o nível local ou regional tem que cumprir uma série de
pressupostos independentemente da abordagem adoptada, nomeadamente:

1. Apresentar uma análise clara dos problemas actuais da economia local (incluindo a
análise demográfica e ambiental), as oportunidades e os constrangimentos e como
enfrenta-las;

34
2. Diferenciar e segregar os desafios de tratamento de nível comunitário (pequenas
povoações de reduzidos agregados populacionais), de nível local (municipal ou distrital),
e de nível central ou nacional;

3. Estabelecer metas claras (ambiciosas e realista) capazes de orientar o trabalho de todos


envolvidos e interessados no desenvolvimento económico;

4. Ser capaz de identificar actividades em que outros níveis de governo e interessados


podem investir;

5. Ser coerente com as outras estratégias (como por exemplo, estratégias de uso da terra e
ordenamento territorial, de transportes, de habitação, de educação, do meio ambiente),
que devem basear-se na mesma estrutura de dados e análises;

6. Estabelecer uma visão clara do sucesso futuro, quer sob a forma de alguns objectivos
precisos, ou indicadores referências (benchmarks); e

7. Fornecer detalhes suficientes que ajudem realizar localmente escolhas informadas.

Estes sete pontos não são um modelo estanque para produzir uma estratégia de desenvolvimento
económico local, mas sim pontos indicativos do que uma estratégia precisa ter. No entanto,
concretizar estes sete papéis não é processo fácil. Por estas razões, muitas vezes é importante que
os formuladores de estratégias de desenvolvimento local (governo local) trabalhem com outro na
formulação de estratégias de desenvolvimento em aspectos que frequentemente incluem:

 Política e gestão de equipas a nível central, local e comunitário envolvendo especialistas


em políticas de outras áreas de gestão local (exemplo, planificação, transporte, habitação,
educação, etc.)

 Organizações comunitárias e grupos, que estão preocupados com as perspectivas


económicas de sua comunidade e querem ser envolvidos no processo de transformação
das suas comunidades;

 Associativismo empresarial, especialmente aqueles que geram e tem acesso a dados e


análises sobre a economia local (por exemplo, bancos, provedores de serviços públicos
como água e energia e ONGs)

35
 Universidades, especialmente onde ocorrem análises antropológicas, sócias e económicas
quantitativa e qualitativa; e

 Os sindicatos, que frequentemente têm o outro lado da visão do desempenho económico


local, da dinâmica da actividade empresarial, e das possíveis e necessárias melhorias para
elevação da produtividade

Em termos de dimensões de intervenção do DEL, Giudice et all (2003), vislumbram 3 níveis de


intervenção:

 Nível internacional – por forma a permitir a troca de experiências com outros países com
processos e histórias similares, possuidores de elementos que podem servir de inputs para
a construção de um modelo próprio. Para além de permitir estabelecer relações com
possíveis parceiros de cooperação técnica e financeira, mediante o mecanismo da
cooperação descentralizada.

 Nível Nacional: que deve servir para projectar as experiências realizadas ao nível local
numa dimensão onde é possível interagir com as políticas do país, facilitando-se também
o relacionamento com parceiros nacionais e estrangeiros. Cujo fim é garantir a
sustentabilidade política institucional das acções em curso.

 Nível Local: mediante a acção directa nos territórios de intervenção dos diferentes
Agentes de Desenvolvimento Económico Local, onde se identificam e promovem-se as
actividades do DEL, com enfoque estratégico de sustentabilidade e de articulação ao nível
provincial.

2.11.3.5 Desenvolvimento Local em Moçambique

Em Moçambique o processo de planificação participativa remota das iniciativas de algumas


agências de desenvolvimento económico local (ADEL) que em experiencias pilotos
implementaram programas de desenvolvimento que a posterior culminaram, segundo (Giudice et
all, 2003) com o processo de descentralização em curso no país, no âmbito de devolução do
poder económico às comunidades locais.

36
Macuane, et all, (2010), reforça esta ideia ao afirmarem que em 1993 o Fundo das Nações
Unidas para o Desenvolvimento do Capital (UNCDF) a implementação de dois projectos
implementados em Nampula, nomeadamente, o projecto MOZ/93/C01 “Fundo de
Desenvolvimento Local”, que decorreu no período 1995-1997”, e o projecto MOZ/98/001
“Projecto de Planificação e Finanças Distritais”, que decorreu de 1998 a 2001”. Em paralelo e
complementando o Programa piloto do UNCDF, quer a Cooperação Suíça (SDC), quer a
Embaixada da Holanda (através da ONG holandesa SNV) tinham programas de apoio ao
desenvolvimento e à planificação participativa distrital, no Distrito de Mecubúri, e nos Distritos
de Moma, Angoche, Mossuril e Mogincual (o chamado MAMM).

Os mesmo autores realçam ainda o facto de que quando o PPFD começou a ser implementado
como projecto-piloto em 1998, o Reino dos Países Baixos entrou no programa, tendo focalizado
o seu apoio à província de Nampula. Foi no âmbito do PPFD que foi lançado o conceito de Plano
Distrital Desenvolvimento (PEDD), aperfeiçoaram-se as bases para consultas públicas, através da
criação dos Conselhos Consultivos Distritais (CCD), e reforçou-se a ideia da descentralização e
participação. O Programa representou a continuidade do projecto MOZ/93/C01 “Fundo de
Desenvolvimento Local”, que decorreu no período 1995-1997, cujo documento de projecto foi
assinado em 1995. No início o programa ficou limitado a três distritos, Angoche, Mecubúri e
Ribáuè.

A organização Holandesa, SNV através do seu projecto de “Apoio Institucional Planificação


Regional e ao Desenvolvimento Comunitário” (AIPRDC), cujo escritório estava baseado na
cidade de Angoche, facilitou a criação das Comissões de Desenvolvimento Local (CDLs), uma
estrutura de base comunitária que tinha a função de trabalhar na identificação, discussão,
priorização e avaliação de potencialidades e dos problemas na sua comunidade. Esta era, até
então, a estrutura de diálogo e articulação com o governo distrital no que concerne ao processo de
planificação. Para além da SNV, a CONCERN era mais uma das organizações não
governamentais que passou a facilitar a criação dos CDLs, sobretudo em alguns distritos onde a
SNV não estava presente. Até essa altura, estas estruturas de articulação e diálogo com o governo
distrital eram criadas sem cobertura formal, mas que tiveram e continuam ainda hoje a
desempenhar um papel importante no âmbito da implementação do PPFD e nos processos de
planificação participativa.

37
É em resultado da consequência das experiências de Nampula, particularmente no âmbito da
implementação do PPFD, que os Ministérios de Administração Estatal (MAE) e do Plano e
Finanças (MPF) aprovaram em 1998 um documento conjunto que define os parâmetros para a
elaboração e implementação do Plano Distrital de Desenvolvimento. O PEDD constitui um
documento estratégico que vai permitir, por um lado, definir uma visão coerente e holística sobre
a intervenção do governo e dos diferentes actores de desenvolvimento a nível do distrito e, por
outro, um documento de mobilização de recursos e negociação com parceiros de
desenvolvimento.

Para além do documento de orientações mencionado acima, Allen e Dupont (2005) citado por
(Macuane et all, 2010) indicam que faziam cobertura formal ao processo de elaboração e
implementação do PEDD, o Decreto 15/2000, de 20 de Junho, regulamentado pelo Diploma
Ministerial 107-A/2000, de 25 de Agosto, que estabelecem as formas de coordenação entre os
órgãos locais do Estado e as autoridades comunitárias; e o “Guião” para organização e
funcionamento da Participação e Consulta Comunitária na Planificação Distrital, revogado pelo
Diploma Ministerial n.º 67/2009, de 17 de Abril (Guião sobre a Organização e o Funcionamento
dos Conselhos Locais).

É sobre este guião que todo o processo de planificação nasce e se estrutura, enunciado no seu
artigo 2º que os Conselhos Locais são órgãos de consulta das autoridades da administração Local.
Esta enuciação trouxe acessos debates sobre o real papel dos CCLs no processo de participação
de planificação e gestão local e a efectividade dos normativos para contribuirem para uma
verdadeira participação local.

É no âmbito da participação comunitária através dos CCLs que Forquilha (2009) questiona sobre
as dinâmicas da convergência e de complementaridade dos diferentes actores sendo na sua
perspectiva contraproducente, pois, o processo de descentralização e de participação local (cuja
representação é feita pelos chefes tradicionais) estabelecidos se distancia dos resultados
esperados pelo desvirtuar do propósito do envolvimento dos diferentes grupos com interesse no
desenvolvimento local, pois neste processo a competição pela conquista dos espaços políticos no
meio rural, contrariamente aos objectivos de desenvolvimento, resulta em um processo de
formação e a consolidação de alianças partidárias a nível local, onde os principais partidos
políticos, nomeadamente a FRELIMO e a RENAMO, e mais recentemente o MDM, procuram

38
apropriar-se da instituição com vista à fortificação das suas alianças locais através dos chefes
tradicionais. Não respondendo aos interesses da maior. Estas alianças, colocam em relevo o
fenómeno do clientelismo político, que constituem verdadeiras relações de troca onde patrões e
clientes, cada um à sua maneira, procuram maximizar os interesses particulares. Com efeito,
enquanto os partidos políticos visam o aumento do apoio político local, os chefes tradicionais
interessam-se pelo reforço do seu estatuto.

Este processo complica-se ainda, quando, segundo (Elias, 2012), os critérios utilizados para a
eleição/nomeação dos elementos que compõem os CCLs, dão total poder ao governo local
(administrador) de escolher esses elementos, e a participação dos CCLs se configurar apenas
como cosmética, pois as deliberações que emergirem deste órgão não têm força vinculativa para
o governo local, sendo apenas um órgão de consulta.

2.11.4 Medição do desenvolvimento


2.11.4.1 As principais abordagens de medição de desenvolvimento

Como podemos avaliar se o desenvolvimento e as mudanças ocorreram, e em que extensão ela


ocorreu? Qualquer tentativa de resposta a essas perguntas requer um conjunto de estatísticas e
outros dados descritivos que precisam ser tratados de uma forma sistemática. É por esta razão que
a literatura sobre indicadores de desenvolvimento floresceu ao longo do último meio século.
(Sumner, et al., 2008).

A medição do desenvolvimento, como se foi notando ao longo deste trabalho teve e continuar a
ter a sua base no aumento do rendimento per capita, medido através do crescimento económico
(PIB), percebido como o indicador do ganho alçando pela economia e consequentemente, por
cada membro populacional de uma nação, através do PIB per capita. Esta base tem sustento no
facto de, não fazer qualquer sentido, principalmente nos países em desenvolvimento, falar-se de
desenvolvimento sem que se tenha assegurado mínimo de poder de compra às famílias para
responder a demanda por um cabaz mínimo à sua sobrevivência.

A abordagem do PIB per capita é muito contestada pelo facto de não reflectir a real distribuição,
pelo grosso da população, do bolo gerado pela economia. Pois, evidencias empíricas (Diniz,

39
2006), (Todaro, et al., 2012), (Bresser-Pereira, 2006), e (Moreira, et al., 2012) ilustram países que
experimentaram elevadas taxas de crescimento sem que isso significasse melhoria das condições
de vida da maior parte da população.

Como forma de reforçar a necessidade de se encontrar o equilíbrio entre variáveis passíveis de


medição e valores subjectivos de desenvolvimento, (Uphoff, 1972) afirma que a identificação da
ocorrência do fenómeno de desenvolvimento, pode se suceder, por um lado, pelo aumento da
produtividade, e por outro lado, pelas mudanças causadas pela produtividade, que no seu
entender incorporam dois aspectos: volume e valor. O primeiro razoavelmente mensurável, cujos
aumentos são convencionalmente identificados como crescimento. O segundo aspecto, o valor,
essencialmente subjectivo e, portanto, intrinsecamente difícil de medir.

Os aumentos de volume (crescimento) nem sempre produzem um aumento no valor


(desenvolvimento), e a redistribuição de um determinado volume de produção pode resultar em
maior valor agregado, de modo que, o primeiro não pode ser tomado como proxy infalível para o
segundo (Uphoff, 1972).

Os indicadores de desenvolvimento evoluíram consideravelmente desde a década de 1960. E


neste percurso enfrentaram três grandes constrangimentos, que segundo (Sumner, et al., 2008),
podem ser agrupados três categorias: a primeira, pelo facto de em muitos dos países em
desenvolvimento, os dados secundários considerados como base para a formulações dos
indicadores inexistirem, estarem incompletos ou não serem confiáveis; a segunda, o conflito
amplamente reconhecido entre algumas das séries económicas disponíveis (como o rendimento
per capita) e os conceitos para os quais os dados podem ser aplicados (como o desenvolvimento,
bem-estar e pobreza, por exemplo); e a terceira, pelo facto de alguns dos conceitos para os quais
os dados demandados são predominantemente de natureza não quantitativa, exigindo a busca de
métodos alternativos para a identificação de indicadores mais ajustados e rigorosos.

Ainda segundo (Sumner, et al., 2008) os trabalhos como de Kuznets sobre os aspectos
quantitativos do crescimento económico das nações (1956, 1971, 1979, 1982, 1983), os
indicadores Sociais de Bauer (1966), e os trabalhos de Seers - Limitações do Caso Especial
(1963), o significado de desenvolvimento (1969) e o que Tentamos medir (1972) levaram a uma
reconsideração de indicadores de desenvolvimento para além da sua exclusiva dependência ao
40
crescimento do rendimento per capita. Passando as perguntas a abstraírem para além da variável
crescimento do rendimento per capita, para incluírem: O que vem acontecendo com nível de
pobreza, com o desemprego, com desigualdades sociais?

O Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD, criado em 1990, graças ao trabalho


influente de Amartya Sen, Mahbub ul Huq, Richard Jolly, Frances Stewart e Meghnad Desai,
forneceram um novo quadro conhecido como “Desenvolvimento Humano” ou o “abordagem de
capacidades”. (PNUD, 2010).

É na base deste foco que se tem explorado o conceito de desenvolvimento. Para (Sen, 1999), a
abordagem das capacidades consiste dos meios, oportunidades e liberdades substantivas que
permitem a realização de um conjunto de "funcionamentos" - coisas que os seres humanos dêem
valor em termos de “ser” e “fazer”. E que, segundo o mesmo, é onde reside a essência da
Desenvolvimento Humano. No entanto, porque as “capacidades” são de difícil mensuração,
muitas das componentes dos índices de desenvolvimento humano são baseado nos
“funcionamentos”.

Segundo (Todaro, et al., 2012), os indicadores de desenvolvimento podem ser resumidos em três
principais: o rendimento real per capita ajustado ao poder de compra; saúde, medida pela
esperança de vida, desnutrição e mortalidade infantil; e nível educacional, medido pela
alfabetização e escolarização.

Segundo (Sumner, et al., 2008) os índices do PNUD estão entre os indicadores de


desenvolvimento mais citados, e os mais utilizados, dentre eles destacam-se o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), o Índice de Desenvolvimento de Género (IDG) e o Índice de
Pobreza Humana (IPH).

No caso dos IPH duas existem versões: um para os países em desenvolvimento (IPH-1) e outro
para os países industrializados (IPH-2). HPI-1 refere-se a privação absoluta enquanto HPI-2
refere-se a privação relativa, e Tabela 1.1 resume os componentes de cada um deles. O IDH, IDG,
IPH-1 e IPH-2, cada um deles tem em conta o bem-estar, que está relacionada à expectativa de
vida, saúde, conhecimento e educação, e a maioria desses índices incluem de alguma forma o
rendimento per capita ajustado ao poder de compra como um indicador de padrão de vida. O

41
PNUD também publica uma medida de participação de género (MPG), que é uma medida de
igualdade de género na política, negócios e salários.

42
Tabela 3 – Índice de Desenvolvimento Humano Segundo o PNUD

Longevidade Escolaridade Produto Interno Bruto per capitá


IDH Expectativa de vida ao A alfabetização de adultos (dois Rendimento per capitá (US$ PPP)
nascer terços do peso) e taxa de matrícula
combinada (um terço do peso)
IDG A expectativa de vida A alfabetização de adultos Quota de Rendimentos auferidos
(homens/mulheres) (homens/mulheres) e taxa de mulheres e homens
matrícula combinada
(homens/mulheres)
IDH-1 Probabilidade à Taxa de analfabetismo de adulto Percentagem média não ponderada
nascença de não viver da população sem acesso
até aos 40 anos sustentável a uma fonte de água
melhorada e crianças com baixo
peso para idade
IDH-2 Probabilidade à Percentagem de adultos que são Percentagem da população abaixo
nascença de não viver analfabetos funcionais da linha de pobreza de renda (50%
até aos 60 anos do rendimento disponível das
famílias ajustado médio); taxa de
desemprego de longa duração (12
meses ou mais)
IDH é o Índice de Desenvolvimento Humano – adaptado de (Sumner, et al., 2008), (PNUD, 2006)

A noção de desenvolvimento é sempre relativa às condições sociais em que as pessoas vivem, à


sua classe social, ao padrão de consumo da sua sociedade e muitos outros factores. Isso dificulta
qualquer tentativa de estabelecer um limite mínimo que seja, válido e igual para todos os lugares,
em todos os países.

Apesar disso, desde 1990, a organização das Nações Unidas (ONU) passou a divulgar um
relatório que permite realizar algumas comparações entre os diversos países e mesmo entre
regiões e lugares do planeta, através do Índice de desenvolvimento humano (IDH), um número
que reflecte as condições de três variáveis básicas para uma qualidade de vida digna, resumidas
em: a expectativa de vida ao nascer, a escolaridade e o produto interno bruto per capita.

Nestes relatórios, se entende a expectativa de vida ao nascer como - se a população possui uma
média de anos de vida elevada, e dai concluir-se que, de forma geral, as pessoas levam uma vida
saudável. Para ter uma vida longa é necessário que haja boas condições de saneamento básico,

43
alimentação, assistência médica medicamentosa, moradia e um meio ambiente saudável; a
escolaridade – é um índice que procura avaliar se a população tem acesso à escola, por forma a
exercerem melhor seu papel de cidadania. Assim, quanto mais escolarizada a população, melhor
o nível de desenvolvimento. No cálculo da escolaridade, são considerados duas categorias de
variáveis: a alfabetização de adultos e a formação da população em idade académica (nos níveis
primários, secundários e superior). Para a determinação desta componente do índice a taxa de
alfabetização dos adultos entra com peso de dois terços, a taxa combinadas de matrícula nos
níveis primário, secundário e superior entra com peso de um terço.

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de tudo o que foi produzido pela economia de um país
no período de um ano. Geralmente, esse valor é expresso em dólares, para permitir a comparação
entre países. O PIB de um país, dividido por sua população, resulta no PIB per capita, também
chamado rendimento per capita, que é o valor que caberia, em média, a cada pessoa do
rendimento gerado pela economia. Apesar de indicado em dólares, no cálculo do IDH, o PIB é
ajustado ao poder de compra da moeda local. Isso porque os gastos com alimentação, saúde e
moradia variam de um país para outro. Por exemplo: com a quantidade de dólares necessários
para alimentar-se no Japão é possível adquirir muito mais produtos e serviços em Uganda ou
qualquer outro país pobre.

Dentro da componente PIB per capita, e para perceber-se o nível e a efectividade da política de
redistribuição do rendimento, tem se recorrido a diversas ferramenta de medição da desigualdade
e pobreza. Uma das ferramentas é o Coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade
desenvolvida pelo estatístico italiano Corrado Gini em 1912 e comummente utilizada para
calcular a desigualdade na distribuição de rendimento, medindo o nível de desigualdade no
intervalo entre 0 e 1, onde 0 corresponde à completa igualdade de rendimento (onde todos têm o
mesmo rendimento) e 1 corresponde à completa desigualdade (onde uma pessoa tem toda o
rendimento, e as demais nada têm). O índice de Gini é o coeficiente expresso em pontos
percentuais (é igual ao coeficiente multiplicado por 100).

O coeficiente de Gini calcula-se como um rácio das áreas no diagrama da curva de Lorenz. Se a
área entre a linha de perfeita igualdade e a curva de Lorenz é “A”, e a área abaixo da curva de
Lorenz é “B”, então o coeficiente de Gini é igual a A/(A+B). Esta razão se expressa como

44
percentagem ou como equivalente numérico dessa percentagem, que é sempre um número entre 0
e 1. O coeficiente de Gini pode ser calculado com a Fórmula de Brown, que é mais prática:

Onde:

 G = coeficiente de Gini
 X = proporção acumulada da variável "população"

 Y = proporção acumulada da variável "rendimento"

As três componentes do IDH (expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita
-como um indicador do padrão de vida) permitem determinar o nível de vida experimentado por
uma determinada nação quando comparada com as demais, e é expresso em uma escala que varia
de 0,0 a 1,0: quanto mais baixo o índice, piores são as condições de vida da população em geral.
Nessa classificação, os países são divididos em três categorias:

Tabela 4: Classificação do nível de desenvolvimento sob perspectiva do IDH

Classificação Intervalo do Índice


Baixo desenvolvimento humano IDH menor que 0,500
Médio desenvolvimento humano IDH entre 0,500 e 0,799
Alto desenvolvimento humano IDH de 0,800 ou maior

Fonte: Relatório de Desenvolvimento Humano 1990, 2006

O IDH do PNUD, vem sendo utilizado desde o ano de 1990, sofrendo alterações ao longo dos
tempos, até ao ano de 2009, a sua base de cálculo era a média aritmética das suas três
componentes (longevidade, educação e rendimento), sendo as fórmulas para a determinação das
suas componentes a seguintes:

45
Onde:
Longevidade
EV - Expectativa de vida ao nascer;
TA - Taxa de Alfabetização;
Educação
TE - Taxa de Escolarização;

Logaritmo decimal do PIB


Rendimento
per capitá.

Assim, para determinação do IDH, bastava a aplicação da fórmula .

A metodologia actual do cálculo do IDH, alterou-se passando, para além, do índice a ter uma abordagem
diferente em relação a forma de determinação da média das suas componentes, passando a ser obtida
pela média geométrica, ao invés da média aritmética, as suas componentes sofreram significativas
alterações. Passando as componentes do IDH a ser obtido através da seguintes fórmulas:

Expectativa de vida ao nascer (EV)


;

Índice de educação (IE) que subdivide-se em:


Índice de Anos Médios de Estudo (IAME) e
Índice de Anos Esperados de Escolaridade
(IAEE)
Índice de renda (IR)

Ficando o índice determinado pela média geométrica das suas três componentes

2.11.4.2 Índice de Desenvolvimento Local

A avaliação do desenvolvimento apresenta-se como dos grandes desafios para os formuladores de


políticas públicas, gestores e à comunidade científica que buscam respostas complexas sobre a

46
efectividade dos planos de desenvolvimento. A adopção de metodologias e indicadores que
permitam sistematizar informações necessárias para a implementação efectiva de políticas e
acções capazes de gerar o desenvolvimento de forma sustentável se torna cada vez mais uma
preocupação actual.

Estes indicadores na sua grande maioria são sistematizados, a semelhança dos critérios aplicados
aos países como um todo, nos seguintes grupos:

Os tradicionais ou básicos, definidos pela PNUD através do IDH, a longevidade (a esperança de


vida ao nascer), a escolaridade e a alfabetização e o padrão de vida (medido através da Estrutura
e evolução do PIB local – este indicador procura identificar e caracterizar os sectores, suas
contribuições para o PIB e como ao longo do tempo esta estrutura evolui ao do tempo), e os
acessórios, que respondem a preocupações específicas do espaço local e os de comparabilidade a
outras realidade similares, são exemplos:

 Os estabelecimentos e o emprego – o número de estabelecimentos, sua evolução e como,


localmente, estes processos acompanham o nível de emprego;

 O índice de qualidade dos municípios – que mede a capacidade de atracão de novos


investimentos (capitais), e neste grupo são factores determinantes do índice as infra-
estruturas municipais para grandes empreendimentos (aeroportos, estradas, energia de
qualidade, comunicações em geral) a centralidade de sua localização, relativamente
próxima dos grandes mercados do país, a facilidade de negócios e a qualidade da mão-de-
obra;

 Os índices exclusão social, como são os casos dos indicadores de exclusão financeira,
exclusão tecnológica e outros de difícil mensuração como os de orientação sexual, de
descriminação por enfermar de alguma doença, descriminação étnica, etc.

47
CAPITULO IV – ENQUADRAMENTO TEORICO E CONCEPTUAL

Neste capítulo pretende-se discutir a relação entre descentralização e desenvolvimento


económico, basicamente, no que concerne a medição do desenvolvimento económico em
contexto de descentralização, buscando identificar nas diversas abordagens teóricas as ilações
sobre o impacto que a descentralização de finanças públicas tem sobre a redução da pobreza, a
criação de oportunidade e uma redistribuição do rendimento “mais justa”, sem esquecermos dos
aspectos da participação da mulher e da comunidade na definição das prioridades e planos de
desenvolvimento local.

Para tal, serão apresentadas várias teorias que concorrem para a definição dos fins e dos meios
para alcançar o desenvolvimento económico a partir da descentralização. No entanto, embora, o
trabalho discuta diversas abordagens da descentralização e desenvolvimento, o seu principal
enfoque de análise está fortemente ligada a teoria Keynesiana, que reafirma e reforça a
necessidade da intervenção do Estado na economia para corrigir as falhas do livre arbítrio do
mercado.

2.12 Descrição da correlação entre descentralização o desenvolvimento económico local

Como ponto de partida, assume-se o pressuposto de que o mercado, por si só, não é capaz de
garantir o bem-estar económico e social, pois nele vigoram as leis da racionalidade económica,
que assentam sobre o individualismo e o egoísmo, que na abordagem dos clássicos, levariam ao
bem-estar económico-social através da mão invisível do Adam Smith. No entanto, e como
defendeu Keynes, a intervenção torna-se pertinente para corrigir essas falhas, pois nesses
sistemas o individualismo e o egoísmo sobrepõem qualquer interesse e vontade colectiva.

No entanto, como se vem notando, principalmente nos países em desenvolvimento a intervenção


do Estado a partir da central tem as suas limitações, sendo muitas vezes, focada, em áreas não
prioritárias e desfasada de conhecimento dos reais problemas, dos meios acessíveis, rápidos e
capazes trazer verdadeiras soluções.

Portanto, no presente trabalho explora-se como alternativa de soluções a necessidade de se


assumir que o conhecimento e a participação local são elementos fundamentais para se obterem

48
as melhores instituições e por essa via favorecer o desenvolvimento. Pois, repassando a
responsabilidade de participação e do julgamento das decisões dos seus representantes, haverá
maior interesse, por parte dos governantes, de ir de encontro as reais preocupações da população
através da melhoria do desempenho das instituições que devem ser, o quanto possível,
desenvolvidas localmente, com base na experiência e conhecimento local.

Como discutiu-se no primeiro capitulo, uma das razões para a corrida a processos de
descentralização, principalmente em África, foi a eterização das estratégias tradicionais de
desenvolvimento nacional top-down que pouco ou nenhuma resposta davam as preocupações
locais. Daí o surgimento de alternativas ou complementos às estratégias tradicionais de
desenvolvimento económico local (DEL), mais evidentes e viável para superar os problemas de
desenvolvimento dos diferentes e heterogéneos territórios do mundo, independentemente do seu
nível de desenvolvimento ou condições institucionais.

A relevância dada ao conhecimento local no aperfeiçoamento das organizações expressa a relação


entre a descentralização e o desenvolvimento local. Nesta abordagem, a descentralização está
relacionada com o aumento da eficiência locativa e apresenta-se como a solução ideal para os
problemas mais diversos, como corrupção, ineficiência, entre outros, sem levar em conta
condições específicas de diferentes locais. Em termos teóricos, assume-se que a descentralização
resultaria, sempre, em aumento de eficiência da Administração, embora algumas evidência
empíricas, por vezes, provem o contrário.

No contexto nacional a descentralização é vista, segundo agenda 2025, como a chave do processo
das estratégias ao nível local, por reduzirem as formalidades burocráticas, tornarem efectiva a
participação dos vários actores no processo de tomada de decisão aos níveis distritais,
comunitários e de localidade e pelo facto de garantirem a inclusão dos vários actores na definição
do uso dos bens e do orçamento público. (Comité de Conselheiros, 2003).

Esta visão local da descentralização, ainda segundo o documento, é justificada pelo facto de se
considerar que a operacionalização e influência das decisões estratégicas e tácticas provinciais e
nacionais relacionadas com o PARPA e outros programas sectoriais da Agricultura, Finanças e
Administração Estatal bem como a sua monitoria e avaliação, só se efectivam com a participação
local. Esta perspectiva evidencia a necessidade de participação democrática local, promovendo
49
democracias mais fortes e melhores e consequente desenvolvimento local, na medida em que os
governos locais estariam próximos dos cidadãos permitindo ao poder público melhor acesso às
demandas locais e favorecer um maior controlo social sobre as decisões governamentais.
Mostrando-se assim, uma clara intenção de tratar a descentralização como um instrumento mais
apropriado para alcançar o bem-estar local.

Para substanciar a ideia de que a descentralização favorece o desenvolvimento (Bardhan, 2005)


argumenta que as administrações descentralizadas possuem melhores meios (informação) e
melhores incentivos (eleitores). Assim, para além de possuírem alguma autonomia no
desencadeamento de processos visando o desenvolvimento local, o mesmo será favorecido pela
deliberação democrática, participação popular e prestação de contas (Rondinelli, et al., 1989).

O facto de administração descentralizada estar sujeita à prestação de contas traduz a ideia de que
a descentralização pode ser vista numa perspectiva económica, aliás, esta é a abordagem do
presente estudo. Assim, a discussão volta-se para o aspecto da eficiência resultante da
administração e financiamento dos serviços públicos descentralizados. Além da expectativa de
expansão da democracia já referenciada anteriormente, outro argumento a favor da
descentralização é a possibilidade de que, com base no conceito de eficiência locativa, as
prestações realizadas no plano local possam melhor responder às demandas específicas do que
medidas oriundas do governo central (Litvack, et al., 1998).

Nestes termos (Bhagwati, 2002), salienta que a descentralização assume-se como factor-chave na
promoção do desenvolvimento na medida em que permite que, os recursos públicos sejam
relocados segundo as prioridades locais, aumentando a eficiência do estado. Por outras palavras,
uma prestação de serviços uniforme em todo o território de Estado, por parte do poder central,
não levaria em conta as diferentes preferências e custos encontrados nas diferentes jurisdições.
Espera-se, portanto, que a descentralização signifique uma divisão “óptima” de poderes entre os
diferentes níveis de governo (localidade, Distrito, Província e Central) e a consequente melhor
alocação dos limitados recursos.

(Grindle, 2009) refere que a ineficiência da administração descentralizada pode até prejudicar o
desenvolvimento, por exemplo, os governos locais podem enfrentar casos de endividamento

50
devido o aumento das atribuições, instabilidade macroeconómica, e decepção quanto à falta de
iniciativa dos governos locais em aumentar a renda local.

Do exposto no parágrafo anterior pode apreender-se que, as expectativas quanto ao impacto da


descentralização devem ser apresentadas, de forma mais cautelosa. Mais ainda, quanto ao seu
impacto no desenvolvimento económico, o mesmo deverá ser cuidadosamente monitorizado
atendendo a indicadores que ajudarão a quantificar e qualificar o seu impacto. Este entendimento
alicerça-se no pressuposto de que a caracterização do desenvolvimento económico não se
restringe ao crescimento da produção em uma região, mas trata principalmente de aspectos
qualitativos relacionados ao crescimento (Felipe, et al., 2007).

Os resultados da descentralização sobre o desenvolvimento económico devem ser medidos


apurados de acordo com a forma como os frutos do crescimento são distribuídos na sociedade, à
redução da pobreza, à elevação dos salários e de outras formas de renda, ao aumento da
produtividade do trabalho e à repartição dos ganhos dele decorrentes, ao aperfeiçoamento da
condições de trabalho, à melhoria das condições habitacionais, ao maior acesso à saúde e à
educação, aos aumentos do acesso e do tempo de lazer, à melhoria da dieta alimentar e à, melhor
qualidade de vida em seu todo envolvendo condições de transporte, segurança e baixos níveis de
poluição em suas várias conotações, (Idem).

Concordando com (Felipe, et al., 2007), e tendo em vista que desenvolvimento económico é
definido pelo aumento contínuo dos níveis de vida, incluindo maior consumo de produtos e de
serviços básicos para o conjunto da população, a avaliação das melhorias sócias e económicas
ligadas à descentralização deverá considerar indicadores como o valor da renda per capita, mais
alimentação, melhor atendimento médico e odontológico, educação mais qualificada, mais
segurança e melhor qualidade do meio ambiente.

É consensual afirmar a descentralização fora de ser em si um fim da administração constitui um


mecanismo de participação local que concorre para o aumento da responsabilidade na tomada de
decisões, o que leva a um aumento de qualidade e eficiência dos gastos públicos concorrendo
deste modo para o desenvolvimento económico local. Mais ainda, constitui uma forma de limitar
a possibilidade de gastos excessivos por parte do governo, (Idem 1997).

51
2.13 A descentralização em Moçambique

Em Moçambique o processo de descentralização é bem mais antigo, pois segundo (Ascenção,


2010) no período colonial o Governo colonial, não tendo recursos e meios para manter as suas
colónias activas, deixa dois terços do território nacional nas mãos das companhias majestáticas e
arrendatárias e a zona sul como reservatório da mão-de-obra para as minas da África do Sul.
Após a independência, continua se notabilizando a característica centralizadora embora com a
coexistência da democracia participativa, pois o governo posiciona-se acima da sociedade.

A partir de 1986 inicia um processo de reformas políticas, económicas e sociais que foram
possíveis graças as segundas (as primeiras realizadas em 1977) eleições gerais monopartidárias
para a terceira legislatura, não só, tas eleições consideram também com a trágica morte do
primeiro Presidente de Moçambique independente e consequentemente da Assembleia popular,
(idem).

Neste processo todo Joaquim Alberto Chissano substitui Samora Machel, marcando assim o
início de grandes transformações no âmbito, económico, social e político, que tiveram a sua
expressão no PRE - Programa de Reabilitação Económico e Social, (idem).

No âmbito político, o que mais nos interessa, foi desencadeou de um amplo debate popular com
objectivo de auscultar opiniões para a reforma da constituição. Este processo culminou com a
aprovação da Constituição de 1990, que introduziu o multipartidarismo, (idem).

Foram estas reformas ou arranjos institucionais que introduziram no país mudanças


constitucionais que começavam a delimitar um claro processo de descentralização do processo
decisório e de separação mais nítida de poderes que tiveram um impacto positivo na produção
legislativa, (Idem).

Fernanda Faria a Ana Chichava (1999) dizem que: "Moçambique iniciou, em princípios de 90 o
programa de reforma dos órgãos locais, um processo de descentralização, parte integrante de um
conjunto de reformas políticas, económicas e administrativas em curso desde os anos 80". (idem)

A CRM acolhe o princípio da descentralização na sua vertente desconcentradora, quando estipula


no seu artigo 185 que os Órgãos Locais do Estado têm como função a representação do Estado ao
nível local para a administração e desenvolvimento do respectivo território, (idem).
52
No seu artigo 186 n.º 1 especifica que os órgãos locais garantem no respectivo território a
realização de tarefas e programas económicos, culturais e sociais de interesse local e nacional.
Para permitir esta realização, o Estado aproxima-se das comunidades através dos órgãos locais,
(idem).

É neste contexto da descentralização que surgem, os Órgão Locais do Estado não como uma mera
transferência de competências dos órgãos centrais para locais mas como uma verdadeira partilhas
de competências a efectuar-se entre o estado e o ente autónomo. A emenda constitucional de 90
através da Lei n.º 9/96 de 22 de Novembro reformulou as disposições sobre os órgãos do Estado e
introduziu o poder local, (Idem).

Autarquias locais segundo a Lei n.º 2/97 de 19 de Fevereiro são: "pessoas colectivas publicas,
dotadas de órgãos representativos próprios, que visam a prossecução dos interesses das
respectivas populações, sem prejuízo dos interesses nacionais e da participação do Estado",
(idem).

Falar de Governo Local (GL) é o mesmo que falar da existência de órgãos como autarquias
locais: municípios (urbanos) e povoações (rurais), as cidades, vilas, aldeias e distritos podem ser
elegíveis para o estatuto de autarquias. Kulipossa (2005) justifica politicamente que a existência
dos GL eleitos, (a) constrói e articula uma identidade comunitária, (b) resgata aspectos positivos
da diversidade, (c) traz uma resposta um pouco mais eficaz e eficiente dos problemas locais, (d)
promove a cidadania (e) participação e dispersa o poder, (f) aprofunda e consolida a democracia.
Economicamente os GL (g) mobilizam os recursos locais, (h) fornecem serviços e (i) promovem
o desenvolvimento económico local, (idem).

2.14 Identificação dos princípios e mecanismos sobre os quais se assenta o


desenvolvimento económico local

Em estudos sobre o desenvolvimento de um modo geral é comum confundir-se região e local.


Essa confusão provém de um erro de definição, entre a dinâmica dos sistemas que instituem a
análise regional e a dinâmica dos actores que instituem a análise local (Marques, 2008).

A abordagem regional tem a ver com os efeitos de aglomeração, que resultam da agregação das
decisões dos actores (individuais ou colectivos) cujos impactos se tornam visíveis e mensuráveis

53
através da concentração de informação dispersa, articulada com a lógica de pesquisa. Em relação
a análise local, tendo o seu foco na confrontação dos actores, ao nível das negociações e das
convergências, e dos conflitos e divergências entre os diversos e diferentes interesses. Nestes
termos, é necessário que ao nível local sejam identificadas potencialidades e constrangimentos.
Mais ainda, para a elaboração, concretização e êxitos das políticas locais é importante que entre
os actores haja consenso, (Idem).

Do exposto no parágrafo anterior, emerge a ideia de que é preciso identificar os principais


problemas de natureza social, económica, política e cultural, de modo a constituir uma base para
os consensos possíveis. Portanto, esta perspectiva olha o local como um espaço de controvérsia,
onde se promovem iniciativas comunitárias que visam sobretudo o desenvolvimento local
endógeno e autónomo (Alburquerque, 1999).

Na visão de (Alburquerque, 1999), o desenvolvimento local estará dependente de um processo de


mobilização de recursos endógenos nas dimensões do território e população, por conseguinte, a
questão do desenvolvimento local não deve ser limitada apenas a aspectos económicos mas ao
desenvolvimento integral que engloba a vertente cultural e social vocacionada para a satisfação
das necessidades básicas da população. Desta visão apreende-se que para promover o
desenvolvimento local não bastará a criação de condições económicas favoráveis, como também
deverão ser condicionados aspectos sociais e culturais de acordo com o local.

(Alburquerque, 1999) faz referência ao papel das populações locais na promoção do


desenvolvimento local sublinhando que compete-lhes desenvolver acções que reforcem o tecido
económico-social local, nomeadamente através da reconstrução e valorização das memórias e
identidades, introdução de novas tecnologias em articulação com os saberes tradicionais,
promoção do local. Ainda sobre esta matéria, (Vallina, 2005) aponta um conjunto de cinco
princípios a que obedece o desenvolvimento local:
1. A ideia de iniciativa: a sociedade local deve assumir o protagonismo na procura de
respostas às questões e problemas que coloca;

54
2. A ideia de mobilização: o processo de desenvolvimento exige a mobilização dos recursos
próprios de forma autónoma;
3. A ideia de recurso endógeno: estes pertencem a dois campos, os recursos tangíveis ou de
carácter material e os recursos intangíveis de carácter imaterial;
4. A ideia de promoção social ou pessoal e de geração de desenvolvimento, emprego e
riqueza: um processo de desenvolvimento local, se por um lado deve respeitar a natureza
dos recursos endógenos por outro deve satisfazer as necessidades da comunidade de
forma individual e colectiva; e
5. A ideia de competitividade e mútua dependência entre conservação do património e
desenvolvimento: se o património é um dos recursos endógenos que gera
desenvolvimento este terá de se efectuar de forma sustentável, respeitando o carácter
renovável ou não renovável dos bens patrimoniais.

Os princípios mencionados e descritos anteriormente salientam a necessidade de utilização


sustentável e eficiente dos recursos disponíveis para o desenvolvimento da sociedade. Assim, a
(FACIAP, 2010) propõe três categorias a serem tidas em conta na qualidade económica de um
local:
1. Actores tangíveis relacionados com a localidade, designadamente, a posição
geográfica junto aos mercados fornecedores e comprador, o acesso às vias de
transporte, qualidade e quantidade dos recursos humanos, o acesso à energia eléctrica,
água, telecomunicações e outros;
2. Factores intangíveis relacionados com a localidade, difíceis de serem medidos, mas
que, mesmo assim, têm um impacto na evolução da economia local, englobam o clima
económico local ou regional, a qualidade e flexibilidade da administração pública, a
imagem da localidade, a existência de instituições científicas e de formação e a
existência e capacidade de associações económicas; e

3. Factores intangíveis pessoais, determinam a disponibilidade de o pessoal qualificado


de uma determinada empresa aceitar as condições de vida oferecidas localmente.

Tanto a abordagem da FACIAP (2010) como a feita por (Vallina, 2005) trazem à luz a ideia
segundo a qual o desenvolvimento económico deve ser visto em duas dimensões, a social e

55
cultural bem como a dimensão económica. Assim, apontam-se como indicadores de
desenvolvimento económico, o Produto interno Bruto (PIB), ao investimento económico e ao
consumo, a taxa de escolarização, a generalização do sistema de saúde, a taxa de urbanização, a
expansão dos meios de comunicação social e das novas tecnologias (Alburquerque, 1999). Estes
indicadores podem ainda ser agrupados em três grandes grupos: económicos (capital, trabalho,
recursos naturais e população), sociais (alimentação, saúde, habitação, emprego, participação e
desigualdades de rendimento), culturais (educação, ciência, tecnologia, actividades culturais,
comunicação).

Os instrumentos e as entidades envolvidas na promoção da economia local que podem ser usados
para dar um impulso ao fomento da economia local são vários. A sua escolha depende, em
primeiro lugar, dos objectivos que se pretendem alcançar localmente e, em segundo lugar, da
disponibilidade local dos agentes de desenvolvimento e dos respectivos recursos.

Assim, tendo em conta a escassez e a limitação de meios financeiros, que é uma realidade do país
e do distrito de Boane em particular, agora município, é importante que se reflicta sobre:

1. Identificação de acções em prol do desenvolvimento, cuja realização não implique


envolvimento de grandes investimentos financeiros e;
2. Identificação de parceiros dispostos a realizar actividades que impulsionem a economia
local sem implicações financeiras adicionais por parte do governo do distrito.

Os parceiros podem ser vários, de ONGs internacionais até escolas e centros de formação (veja o
quadro a seguir). O importante é integrá-los num processo de consulta para saber qual é o
potencial de contribuição destes actores, e o que os mesmos esperam das autoridades em termos
de serviços, apoios, etc.

56
Tabela 5: Instrumentos e entidades para o desenvolvimento local.

Potenciais campos de acção ao nível municipal Áreas Instrumentos Implementadores


Serviços de  Pesquisas de mercado  Associações Económicas
Desenvolvimento de  Apoio aos iniciantes de negócios  Governo municipal
negócios  Base de dados  Empresas de prestação de serviços
 Consultorias  Universidades
 Incubadoras  Projectos/ONGs
 Promoção de exportações  Institutos especializados
 Fomento a arranjos produtivos
Finanças  Programas de crédito  Bancos locais
 Fundos de garantia  Instituições de micro finanças
 Fundos rotativos  ONGs
 

Plano de Desenvolvimento Económico Local


Linhas de crédito especializadas Bancos de desenvolvimento
Desenvolvimento das  Governo local
infra-estruturas  Governo provincial
 Associações Económicas
 Universidades
 Projectos/ONGs
 Associações de bairros
Atracção de novos  Marketing territorial  Governo local
investimentos  Associações Económicas
 Universidades
 Projectos/ONGs
 Outros
Criação de redes de  Buscar informações e fazer lobby para  Governo local
contacto adquirir fundos de investimento/  Associações Económicas
programas de desenvolvimento junto  Universidades
ao Governo provincial/nacional,  Projectos/ONGs
ONGs, organizações internacionais etc.  Outros
 Manter o contacto com as empresas
fornecedoras de serviços chave para
melhorar a qualidade de serviços
Coordenação/gestão  Regular e monitorar o acesso aos  Governo local
de recursos locais recursos naturais do município (terra,  Governo estadual
água etc.).  Associações Económicas
 Introduzir impostos/taxas para  Associações de bairros
utilização de serviços locais
 Orientar investimentos públicos locais
Fonte: (FACIAP, 2010)

Assim, qualquer acção que vise a promoção do desenvolvimento económico deve considerar a
disponibilidade activa dos diferentes agentes ou entidades de desenvolvimento para
implementarem suas ideias e projectos, bem como, a vitalidade da gestão racional e eficaz dos
recursos humanos, matérias e financeiros disponíveis. Mais ainda, deve se tomar em consideração
que, a economia determina as relações entre os homens, nestes termos, para se alcançar o
desenvolvimento de uma região, a forma mais indicada é por meio de actividades económicas

57
No entender de (Boisier, 1989) destacam-se três variáveis determinantes do desenvolvimento: a
política macroeconómica, visando a elevação do nível de emprego, estabilidade de preços,
distribuição de renda e crescimento económico; a importância que a região tem para o país,
pressupondo-se que cada região deve possuir uma estrutura local propícia ao desenvolvimento
das actividades económicas; e capacidade de organização social da região, que seria a única
variável endógena à região, ou seja, a única em que a região pode obter certo controlo, está
capacidade resultaria da qualidade da classe política local, das características da classe
empresarial, da qualidade tecnocrata quer pública como privada, assim como da capacidade de
organização dos demais seguimentos da população.

Em suma, o desenvolvimento económico não apenas depende das estruturas e autoridades


administrativas locais, a classe política tem o papel de articuladora dos interesses da região frente
às esferas políticas superiores e junto aos demais sectores, como por exemplo a comunidade e o
sector privado. O regime político adoptado também exerce influência na questão do
desenvolvimento, assim, o regime democrático é o mais recomendado, pelo facto de se fazer
através da representatividade, no pressuposto de que, quanto maior o comprometimento do
representante outorgado pela sociedade, maior será a possibilidade de sucesso da região,
obviamente, se os demais requisitos forem observado.

58
CAPITULO V – METODOLOGIA

O desenho metodológico deste trabalho enquadra-se numa abordagem de natureza descritiva e,


por isso mesmo, qualitativa, uma vez que, como referem (Bogdan, et al., 1994), a investigação
realizada é baseada em hipóteses teóricas e na recolha de dados. De acordo com (Newman, 2000)
esta abordagem se torna relevante pela natureza dos dados recolhidos, como palavras e imagens e
não como números, capazes de ser percebidos num estudo que contemple o ambiente académico,
como é o caso do presente estudo. Os métodos qualitativos têm a vantagem de potenciar melhor
os dados permitindo assim visualizar os aspectos de forma mais clara e permitem uma maior
compreensão dos factos.

O procedimento metodológico adoptado para este estudo justifica-se, pelo facto de, o mesmo
procurar entender a natureza de um fenómeno social, no caso concreto o processo de
desenvolvimento económico a partir da descentralização no Distrito de Boane. Mais ainda, o
estudo irá analisar a interacção entre certas variáveis, compreender e classificar processos
dinâmicos vividos pela sociedade de Boane.

2.15 População e amostra

Na metodologia de pesquisa científica os conceitos de população e amostra são geralmente


tratados em simultâneo. (Varão, et al., 2006) definem população como sendo um conjunto total de
sujeitos que partilham ou apresentam características comuns. O mesmo autor refere-se à amostra
como a representação de sujeitos de uma determinada população com características relevantes
para o estudo.

No entanto, (Richardson, 2008) salienta que as interpretações de população e amostra não são
fixas. O que numa ocasião é uma população, noutra pode ser uma amostra ou vice e versa. Nestes
termos, a definição de população ou amostra é determinada pelo contexto e interesse da pesquisa.
Portanto, a amostra pode ser intencional na circunstância em que os elementos que a formam se
relacionam intencionalmente de acordo com certas características estabelecidas no plano e nas
hipóteses.

59
A presente pesquisa apresenta uma amostra constituída por 50 funcionários da Administração do
Distrito de Boane em 2014, dos quais seleccionados por conveniência, dos diversos Serviços
Distritais do governo do Boane. Segundo (Varão, et al., 2006), A amostra por conveniência tem a
vantagem de fácil selecção e colecta de dados. No entanto, não é possível avaliar a sua excelência
em termos da sua representatividade da população. A escolha deste método de amostragem teve
como base potencial de informação que as unidades amostrais poderiam trazer para a pesquisa e
permitir a melhor compreensão das actividades desenvolvidas pelos Sectores relativamente à
promoção do desenvolvimento económico e suas experiências sobre a descentralização.

2.16 Instrumentos de recolha de dados

Em relação aos instrumentos de recolha de dados, privilegiou-se como instrumento as entrevistas,


dirigidas a funcionários daquele Distrito, por ser um dos instrumentos que, na perspectiva de
(Bogdan, et al., 1994), melhor se enquadra num estudo qualitativo. Complementando-se a aquele
instrumento a documentação indirecta, abarcando o estudo e análise de documentos arquivados
na Administração do Distrito de Boane, no Instituto Nacional de Estatística de Moçambique e
diversas outras fontes incluindo bibliografia especializada nas áreas de descentralização e
desenvolvimento económico.

De acordo com (Richardson, 2008), a entrevista é o instrumento de recolha de dados


especialmente adequado para este tipo de pesquisa por ter como vantagens: primeiro, no grau de
profundidade da informação recolhida e, segundo, na flexibilidade que ele permite no
complemento e confirmação dos dados e informação constantes das diversas publicações e fontes
documentais. No caso concreto do presente trabalho, a recolha de dados por meio da entrevista
permitiu abordar com profundidade as percepções dos funcionários da Administração do Distrito
de Boane e de outras partes interessadas, em relação a interacção entre o processo de
descentralização e o desenvolvimento económico local.

Neste estudo, foram aplicadas entrevistas semi-estruturadas. Que de acordo com (Costa, et al.,
2005) a entrevista semi-estruturada caracteriza-se pela existência de um guião previamente
preparado que serve de eixo orientador ao desenvolvimento da entrevista. Este tipo de entrevista
tem como vantagem o tratamento sistemático dos dados e de ser especialmente aconselhada para
entrevistas a grupos de elementos dentro da amostra, que perspectivam o problema em estudo sob

60
ângulos diferentes, como é o caso da presente investigação cuja incidência são os funcionários da
Administração, grupo de empresários e a sociedade civil do Distrito de Boane.

Nas entrevistas aplicadas ao presente trabalho, o entrevistador recorreu a um conjunto de


perguntas - guia, abertas, em que a forma e a sua ordem foram apresentadas de acordo com o
desenrolar das próprias entrevistas (Anexo 1 e 2).

De referir que os conteúdos das perguntas dos questionários e das entrevistas foram inspirados,
por um lado, a partir do problema e, por outro, dos objectivos da pesquisa que nortearam o
estudo. Mais ainda, as questões levantadas nas entrevistas tomaram como base a aspectos que não
foram amplamente explorados por via da análise de programas, relatórios anuais e planos
estratégicos do governo do Distrito de Boane.

61
CAPITULO VI – ANALISE E INTERPERTACAO DE RESULTADOS

2.17 Apresentação do Distrito de Boane

O Distrito de Boane dista cerca de 30 km da cidade Capital do país. Este Distrito goza de uma
posição estratégica, sendo atravessada pela EN2 e linha férrea que ligam Moçambique com o
Reino da Suazilândia e a República da África do Sul. Devido a sua posição geográfica, o Distrito
de Boane tem servido de um corredor de pessoas e bens nos dois sentidos mantendo as relações
de interdependência entre os intervenientes.

2.17.1 Situação Geográfica

O Distrito tem uma superfície de 820km² e localiza-se no extremo sul da Província de Maputo
entre as latitudes 26˚ 02΄ 36” Sul e Longitude 32˚ 19΄ 36” Este. Tem como limites: a Norte o
distrito de Moamba, a Sul o distrito de Namaacha, a Este o rio Matola e Matutuine e a Oeste
distrito de Namaacha.

Figura 1: Localização geográfica do Distrito de Boane na Província de Maputo

Fonte: Governo do Distrito de Boane

62
2.17.2 Divisão Administrativa

Como divisão administrativa, o Distrito de Boane está repartido em dois Postos Administrativos,
nomeadamente Boane Sede e Matola Rio. Por seu turno, o primeiro incluiu as localidades de
Gueguegue e Eduardo Mondlane. Enquanto o segundo engloba uma localidade com o nome da
Sede do Posto, conforme a tabela abaixo:

Figura 2: Divisão Administrativa do Distrito de Boane

Fonte: Governo do Distrito de Boane

2.17.3 Distribuição da População

A população actual do distrito é de cerca de 102,555habitantes, segundo dados do censo geral da


população e habitação de 2007 (INE, 2008). O Posto Administrativo Sede apresenta maior
número da população, representando 64% da população do distrito, composto por um total de
19.793 famílias, com uma média de 5 membros por agregado familiares, distribuídos por 41
aldeias, povoações e bairros, conforme os gráficos e tabela abaixo. (GDB, 2013).

63
Gráfico 2: Distribuição e evolução populacional do distrito de Boane censo populacional 1997 e 2007

Fonte: INE/Governo Distrital – 2008

Em termos de distribuição populacional pelos dois Postos Administrativos do Distritos, nota-se


dos dados do senso de 1997, que mais de 70% da população está concentrada no Posto
Administrativo sede.

No entanto, devido a tendência migratória da população jovem e o surgimento de novas zonas residências no Posto
Administrativo de Matola-Rio, no censo de 2007, o Posto Administrativo Sede registou um decrescimento da sua população
quando comparado ao Posto administrativo de Matola Rio, que cresceu 29% em relação a sua posição do censo de 1997. Passando
a distribuição populacional a ser 64% para Boane Sede e 36% para Matola-Rio.

Fonte: INE/Governo Distrital – 2008

Embora, a taxa de crescimento da população durante os dos censos populacionais tenha sido
modesto, de aproximadamente 36%, a maior contribuição deste crescimento veio do posto
Administrativo de Matola-Rio, em resultado de factores como a migração da população jovem

64
das principais cidades, como Cidade de Maputo e Cidade de Matola para esses novos
concentrados habitacionais e a estratégia do Distrito para responder a esse grande fluxo e
demanda habitacional abrindo espaço para o surgimento e fomento de novas zonas residências
como Belo Horizonte, Djuba, Beluluane, Mozal e Djonasse, fazendo com que o contributo, só do
Posto Administrativo de Matola-Rio em termos relativo fosse 3 vezes mais a taxa de crescimento
do Posto de Boane Sede (75% contra 21%, respectivamente).

Fonte: INE/Governo Distrital – 2008

Tabela 6: Nº total de: Povoações, famílias e habitantes existentes no Distrito de Boane

N.º total de: povoações, famílias e Aldeia/povoação/ N.º Famílias N.º de Habitantes
habitantes existentes no distrito
Bairro
de Boane
41 19.793 98.964
Fonte: INE/Governo Distrital – 2008

2.17.4 Aspectos Históricos

Tal como um pouco por todo o continente africano, a população do Distrito de Boane têm
origem nos emigrantes Bantu que se teriam emigrado há provavelmente cerca de um milénio
de anos atrás a partir da região central de África. Parte desses emigrantes se instalaram no
Sul de Moçambique dando origem aos Tsonga que se identificavam com o povoamento
disperso.

Nesse grupo étnico a administração do território era descentralizada e os casamentos entre


primos eram proibidos. Acredita-se que esta proibição permitia a criação de laços com
65
outras aldeias, visto que um dos problemas dos Tsonga era como fazer a integração das suas
aldeias dispersas pelo território. Após o estabelecimento dos portugueses em Delagoa Bay,
no século XV passaram a actuar como intermediários no comércio de marfim com os zulos.
Os territórios que hoje fazem parte do Distrito de Boane eram até 1895 áreas que faziam
parte da chefatura Matola, (MAE, 2005).

No século XIX os Nguni invadiram Moçambique tendo se misturado com as etnias locais.
Dos costumes dos Nguni, a população local adquiriu, entre outros a criação de gado com um
forte valor sócio-ecómico na região.

2.17.5 A origem do nome de Boane e a Autoridade Tradicional


Segundo a Administração do Distrito (2004), nos tempos lá idos havia um simples cidadão
muito célebre de nome Mboene que tinha fixado a sua residência próximo do actual quartel
de Boane.

Aquando da chegada dos colonos e após a construção da linha férrea que atravessa Boane
estes teriam parado no local onde hoje é estação dos caminhos de ferro para se informar do
nome da região, tendo para o efeito perguntado ao senhor Mboene, que entendeu como se
quisessem saber o seu próprio nome, ao que respondeu “Hi mine Mboene” e , os portugueses
entenderam como se o interpelado estivesse a dizer que o local chamava-se Boane por isso
assim o registaram, portanto, a área da estação dos caminhos de ferro e todo o povoado que
actualmente está na categoria de vila, passaram a chamar-se Boane.

Boane foi elevado à categoria de primeira classe em Abril de 1987 pelo Decreto Lei N.º 8/87
e, foi elevado à vila pela resolução do Conselho de Ministros N.º 9/87 de 25 de Abril. A Sede
do distrito dista 30km da Capital do país – a cidade de Maputo.

Quanto a autoridade tradicional, importa referir que em todo o Distrito é da pertença dos
Matsolos (expansão de família Hanhane-Matsolo), havendo um e outro povoado onde os
Matsolos conferiram o poder de chefes de terras ou de povoados à seus próximos, como é o
caso dos Cuambe nalguns povoados do Posto Administrativo da Matola-Rio, os Matola em
Picoco e Mahubo.

66
Os Mboenes apesar de muito antigos e terem tido a sorte de dar o nome ao distrito nunca
fizeram parte da autoridade tradicional. Os pratos tradicionais mais apreciados ao nível do
Distrito são o tidove, xiguinha, uswa e cacana. As danças tradicionais frequentes são o
chigubo, chingomana, Makuaela e Muthimba. A religião que mais se destaca em cada
aglomerado do distrito é o Siao ou Zione.

2.17.6 Condições Fisico-Naturais

2.17.6.1 Geomorfologia

Predominam as formações extrusivas do karró. Os solos são vermelhos, argilosos e a


fertilidade é intermédia à boa.

2.17.6.2 Geologia

Segundo a interpretação da carta geológica de Moura 1969, e da nota explicativa de Afonso


1976, a geologia regional do distrito de Boane pertence ao complexo vulcânico dos
Libombos-Karró superior que se alongam na direcção Norte-Sul. Este complexo é formado
por riolitos, brechas, tufas e cinzas vulcânicas geralmente de grão fino e médio cuja
coloração varia de vermelho à castanho. A sua estrutura é de bandas e laminas com
fenocristais de orthoclase e aliglocásia com minerais máficos e uma criptocistalina. Do
quaternário encontramos materiais arenosos constituídos por depósitos aluvionares ou
proluviões nas duas margens do rio Umbelúzi com cascalho, quartzo, riolitos, alguns
minerais e outro tipo de rochas. Estes depósitos são raramente eólicos e tem utilidade
particular em obras de engenharia civil.

O relevo do Distrito é caracterizado, em geral, por uma paisagem levemente ondulada e


sem grandes diferenças de altitude. No entanto, a parte Norte, Este e Sudoeste apresenta
uma paisagem com pequenas diferenças de nível, formando-se uma verdadeira planície,
enquanto a Sul e Oeste é caracterizado por uma variação gradual de altitudes que estende-
se até a cadeia dos Pequenos Libombos, no limite com o Distrito de Namaacha.

67
2.17.6.3 Clima

O clima do Distrito é subhúmido com diferença de chuvas na estação fria, induzidas pela
alta pressão sub continental e as incursões de ventos húmidos do oceano. Vagas de frio
podem trazer tempestades violentas e chuvas torrenciais de curta duração. A temperatura
média anual é de 24ºc, sendo os meses mais frios Junho e Julho e os mais quentes Janeiro e
Fevereiro. A amplitude térmica anual é de 8,8ºc. A humidade relativa média anual é de
80,5%, variando de um valor máximo de 86% em Julho a um valor mínimo de 73,55%, em
Novembro. A pluviosidade média anual (PMA) é de 752mm variando entre os valores
médios de 563,6mm no período húmido e 43,6 no período seco, (Idem).

O Distrito é propenso a ciclones, depressões, cheias e secas. Entre os fenómenos naturais


mencionados e já ocorridos, são de salientar:

 O Ciclone El-Nino em 2003 que causou danos significativos á produção agrícola e


infra-estruturas económicas e sociais;
 As grandes secas nos anos 1983, 1990 e 1991;

 As cheias de grande relevo em 1984 e 2000.

2.17.6.4 Solos

Segundo o mapa de distribuição dos solos em anexo, o Distrito de Boane apresenta três grandes
grupos de solos que são: (1) solos fluviais de alta fertilidade que abundam principalmente ao
longo das margens dos rios Tembe e Umbeluzi, concretamente nos bairros de Belo Horizonte,
Campoane, 25 de Setembro e Jossias Tongogara. (2) Solos arenosos de fertilidade muito baixa e
baixa retenção de água, ocupam grande parte do Distrito e, (3) solos argilosos vermelhos ocupam
uma proporção espacial intermédia entre os dois tipos de solos anteriormente apresentados,
particularmente uma dos bairros Mavoco, Rádio Marconi, Filipe Samuel Magaia, Massaca e
Mahanhane.

O vale do rio Umbeluzi possui solos com potencial agrícola e pecuário, que são explorados por
agricultores do sector privado e familiar.

68
Existe no Distrito uma diferença notável entre as zonas em relação a segurança alimentar. A zona
sul, mais estável é coberta pela rede de rios, beneficia de regadios e baixas húmidas é apta para
hortícolas, bananas e citrinos.

Em contrapartida, a zona Norte (P.A da Matola-Rio), o potencial existente é mais apropriado para
o cajueiro e avicultura, motivo pelo qual a população recorre a pequenos negócios que o rápido
desenvolvimento socio-económico da região proporciona. Os solos do Distrito são caracterizados
geralmente por solos sobre material basaltico que constituem solos mais velhos e solos sobre
material aluvial constituindo solos mais recentes.

2.17.6.5 Hidrografia

O Distrito possui 4 rios: Matola, Tembe, Movene e Umbeluzi. Este último rio é o principal da
região e tem a sua origem na Suâzilandia, nas montanhas ao norte da cidade de Mbabane e
desemboca no estatuário do Espírito Santo, onde também tem a sua foz os rios Matola e Tembe.

O rio Umbeluzi é a fonte de água potável das cidades de Matola, Maputo e a vila do Distrito de
Boane. Com o crescente aumento da população, a quantidade de água tornou-se cada vez mais
escassa, pelo que foi necessária a construção da barragem dos Pequenos Libombos, que se integra
numa estratégia de utilização dos recursos naturais e de aproveitamento das suas potencialidades
na região.


Escoamento médio anual: 240x10.000.000 m3

Altura: 46m


Volume de Armazenamento: 350x10.000.000 m3


Potência: 2 MW

Principais objectivos: Abastecimento de água, irrigação, produção de energia hidroeléctrica


e amortecimento de cheias.

69
2.17.6.6 Minas

É importante referir que o Distrito possui muitas minas de areia (areeiros) e de pedras (pedreiras)
exploradas particularmente para a construção civil tanto em Boane como nas cidades de Maputo e
Matola. Existe no distrito de Boane concretamente nos povoados de Picoco, (Beluluane, Radio
Marcon), e 25 de Setembro, minas de exploração de areia branca, vermelha, e grossa
respectivamente e uma mina de extracção de pedra em Mahanhane destinadas a construção e
fabrico de blocos.

No povoado de Gumbana existe uma mina de extracção de argila para o fabrico de blocos cuja
exploração da mina chega a fornecer por dia 6 a 8 carros de 5 a 8 m3.

Tabela 5: Resumo das actividades permitidas na zona de exploração Mineira

Actividades permitidas Actividades Proibidas Normas


 Extracção de areia e de  Agricultura;  Terraceamento(a);
pedras para a construção  Pecuária;  Retirada da terra
civil;  Construção de casas vegetal antes da
 Abertura de vias de e de equipamento exploração da
acesso e, social; mina e posterior
 Construção de escritórios  Queimadas reposição.
da mina. descontroladas entre
outras.
Fonte: Governo do Distrito de Boane

(a) Terraceamento é uma técnica agrícola e geográfica de conservação do solo, destinada ao controle de erosão
hídrica, utilizada em terrenos muito inclinados.

2.17.6.7 Principais Actores do desenvolvimento do Distrito

Embora o Plano estratégico de desenvolvimento do distrito faça menção apenas a dois grupos de
actores de desenvolvimento a administração local (nomeadamente administrador distrital,
secretário permanente distrital, chefe de posto administrativo da Matola-Rio) e os presidentes das
localidades de Gueguegue e Eduardo Mondlane, nota-se em outros documentos do governo
distrital que outros actores, como o sector privado e a sociedade civil actuam de forma activa e
efectiva sobre o processo de criação de riqueza e do bem-estar social. Esta menção é notável no
relatório balanço dos planos de actividades do governo do distrito.

70
Em termos da composição e articulação dos principais actores na execução dos planos. O
governo distrital como a administração pública encontra-se estruturado da seguinte maneira:

 Administrador Distrital;
 Secretario Permanente Distrital;

 Chefe do Posto Administrativo da Matola-Rio;

 Presidentes das Localidades de Gueguegue e Eduardo Mondlane

Sendo o aparelho de Estado coordenado por estas figuras composto pelas seguintes instituições:

 Governo do Distrito de Boane;


 Serviço Distrital da Saúde Mulher e Acção Social;

 Serviços Distritais da Educação, Juventude e Tecnologia;

 Serviços Distritais das Actividades Económicas;

 Serviços Distritais das Infra-estruturas e Equipamentos;

 Comando Distrital da Policia da Republica de Moçambique;

 Direcção Distrital de Serviços de Informação e Segurança do Estado;

 Delegação Distrital dos Registos e Notariado;

 Procuradoria Distrital e

 Tribunal Judicial do Distrito.

Os conselhos consultivos locais, que constituem fóruns de consulta híbridos, constituídos por
representantes do Estado e da sociedade civil, que se debruçam sobre assuntos relacionados com
o desenvolvimento local (ao nível distrital, do posto administrativo, da localidade e da
comunidade). Eles procuram ser instrumentos para a materialização da democracia representativa
e da democracia directa e participativa. Na sua forma de actuação e articulação com o governo do
distrito, CCL reúnem-se.

71
Essas instituições mistas são um eixo vital para demonstrar que ao nível local é mais fácil
implantar a democracia participativa que nos níveis hierarquicamente superiores. Os CCL são a
prova da mudança em curso em Moçambique, duma lógica de gestão governamental, em que as
decisões eram tomadas unilateralmente pelo Estado, para um padrão de gestão compartilhada
entre o Estado e a sociedade civil.

72
Tabela 6: Infra-estruturas da Administração

Fonte: Governo do Distrito de Boane

Quadro do pessoal

A eficiência da administração na prestação de serviço é normal. Conforme ilustra a tabela abaixo,


a maior parte dos funcionários pertencem a categoria dos auxiliares administrativos, agentes de
serviço e operários, perfazendo cerca de 78%.

Tabela 7: Pessoal existente na administração e nos Sectores do Estado

Fonte: GD-2008

Constrangimentos

 Inexistência de recursos humanos com formação específica;

 Inexistência de residências para os técnicos;

 Exiguidade de meios de trabalho;

73
Tabela 8: Autoridades Comunitárias

Fonte: Governo do Distrito de Boane

2.18 Análise de dados

A análise dos dados obtidos a partir das entrevistas e pesquisa documental foi feita de forma
separada. Assim, o tratamento dos dados consistiu-se basicamente em três tarefas a destacar:
identificação, transcrição e organização da base de dados. A partir desta base de dados, foram
trabalhadas as fases seguintes de análise, codificação e criação de categorias (Viera, 1999).

Considerando que a recolha de dados foi feita com recurso a dois instrumentos distintos, a seguir
são apresentados de forma detalhada os procedimentos que foram adoptados na análise de dados
recolhidos através de cada instrumento.

O conjunto de dados recolhidos através da pesquisa documental foi organizado, resumido e


apresentado sob a forma de tabelas e figuras. Em relação aos dados resultantes das entrevistas foi
feita através da técnica de análise de conteúdo. Esta técnica permite a sistematização e
explicitação da informação contida nas entrevistas, com o objectivo de elaborar categorias e
classificações pertinentes para a construção e interpretação de um campo conceptual. Assim,
após a leitura dos discursos dos entrevistados, foi precedida uma análise categorial definida por
(Bardin, 2006), como o método das categorias, espécie de gavetas ou rubricas significativas que
permitem a classificação dos elementos mais importantes da mensagem.

Os guiões das entrevistas do presente estudo obedeceram ao objectivo geral e objectivos


específicos, ajudando deste modo a definição de algumas categorias mais gerais. Assim, para o
tratamento e análise das entrevistas foram seguidas as seguintes etapas:
 Leitura integral de cada entrevista;
 Selecção de unidades de significação a codificar, sublinhando segmentos do texto (análise
temática), identificação de categorias e subcategorias;

74
 Construção de grelhas com as dimensões e categorias para análise do corpo das
entrevistas; e
 Construção de um discurso interpretativo através da inferência.

2.18.1 Interpretação dos dados

2.18.1.1 População

A população do distrito de Boane segundo projecções do INE, vem registando um crescimento


assinalável, de total de 102,555 habitantes em 2007, atingiu em 2013 a cifra de 139.960, um
crescimento na ordem de 37%, conforme os dados do censo populacional de 2007 e as projecções
anuais da População Total das Províncias e Distritos do INE. Este incremento populacional
representa um crescimento na ordem de 5% ao ano.

Em termos de composição da população por sexo, não houve qualquer alteração, continuando a
população feminina a representar 52% do total da população, contra os 48% dos homens. No
entanto, o ritmo de crescimento destes grupos populacionais cresceu de forma contrária a sua
composição, atingindo a população masculina a cifra de 38.1% contra 35.9% da população
feminina, um incremento adicional de 2.2% sobre o nível de crescimento da população feminina.

Tabela 7: Composição da população do Distrito de Boane por Sexo

População 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013


Total 102,555 109.764 115.566 121.538 127.684 134.006 140.488
Homens 49.258 52.770 55.641 58.603 61.658 64.806 68.040
Mulhere 53.297 56.993 59.925 62.935 66.027 69.200 72.448
Fonte:s INE – Estatiticas do Distrito de Boane, Novembro, 2012

Os resultados do censo de 2007, mostravam que em termos de estrutura etária a população de


Boane era adulta, com mais de 52% da população como idade superior a 18 anos de idade, no
entanto, a projecção de crescimento destes grupos etários foi mais acentuada nas crianças e
adolescentes, com uma taxa crescimento acumulada no período de 2007 a 2013 de 43%,
alterando a configuração etária da população, que passou a ser mais equilibrada com, 49,3% da
população composta por crianças e adolescentes e o restante da população adulta, ou seja, com
idade igual ou superior a 18 anos.

75
Tabela 8: Composição da população do Distrito de Boane por Grupos etários

Fonte: INE – Estatísticas do Distrito de Boane, Novembro, 2012

Estes dados conduzem a conclusão de que a população em idade activa do distrito de Boane em
2007, assumindo a convenção nº 138 da Organização Internacional de trabalho que definiu a
idade de 15 anos como a idade mínima para admissão de emprego e rectificada pelo Estado
Moçambicano, era de 56,226 habitantes correspondentes a 54.8% da população do distrito e 8.4%
do total da força de trabalho da província de Maputo como um todo. Ainda segundo o INE, para o
ano de 2013, estimava-se que essa população tivesse alcançado a cifra de 72,452, reforçando em
mais 1.3% no contributo à população em idade activa disponível na província de Maputo.

2.18.1.2 Actividade Económica e Crescimento económico (evolução do PIB)


Entre 2004 e 2014, o produto interno bruto (PIB) do país cresceu em média 8% ao ano, com a
região Sul a contribuir mais, com taxas de crescimento médio a superar a média nacional em 0.3
pontos percentuais. (INE, 2012).

76
Gráfico 3: Evolução do PIB de Moçambique de 2004 a 2013

Fonte: INE, FMI, WordBank

Embora todas as províncias apresentem crescimentos assinaláveis, apenas três províncias


superam a média nacional, Maputo província, Inhambane e Tete, com crescimento anual de 9.1%,
9% e 10.5% respectivamente. Os mega-projectos como a Mozal, Gás de Pande e HCB, tiveram
um peso determinante no crescimento destas províncias.

Gráfico 4: Evolução do PIB per capitá dólares por região 2000 - 2009

Fonte: INE, AfDB, BdM 2000 – 2009

Os mega-projectos como a Mozal, Gás de Pande e HCB, tiveram um peso determinante no


crescimento destas províncias. É em resultado do impacto destes projectos que no distrito Boane,

77
no ano de 2003, o seu PIB (excluindo a produção da Mozal) era estimado em 308 milhões
meticais, o correspondente a um PIB per capitá de cerca de 3.870 meticais, ou USD 163.
Incorporando a participação da Mozal, o PIB per capitá passava para USD 1.354, assumindo o
distrito como a região do país com o PIB mais elevado. (MAE, 2005).

Ao nível do Distrito os factores que influenciaram o crescimento do PIB, no período em


estudo são ilustrados na tabela abaixo, em que durante o período de 2013 e parte de 2014
verificou-se uma tendência crescente dos níveis de produção de alimentos, comercialização
dos produtos bem como os investimentos para prestação de serviços principalmente na área
industrial concorrendo para criação de novos postos de trabalho.

Fonte: PESOD 2013/14

O crescimento de actividade económica cresceu 6.7% de 2013 para 2014, e este registou
verificou-se quer na produção pecuária e 32.8%, produção de frangos em 6.2%, e um aumento
em postos de trabalho em 19.2%. Este crescimento ocorreu graças aos investimentos feitos na
provisão dos serviços e infra-estruturas básicas em áreas como abastecimento de água, energia,
bem como a urbanização de novos espaços.

Gráfico 1: Investimentos em Infra-estruturas de 2013 e 2014

Fonte: PESOD 2013/14


78
2.18.1.3 Desemprego
Segundo o resultado da pesquisa da Mitier realizada no ano de 2005, a população de Boane no
ano 2005 apresentava uma taxa implícita de desemprego feminino de 29%, semelhante à dos
homens, perfazendo uma taxa acumulada total de 58%. Embora o distrito de Boane registe um
crescimento populacional que não proporcional ao crescimento da actividade económica, nota-se
o aumento de iniciativas que ocupam o grupo populacional economicamente activo, contribuindo
para redução do nível implícito desemprego determinado em 2005 (MAE, 2005).

De acordo com o relatório do Governo da Província de Maputo, o nível de desemprego teve um


tendência decrescente em 2009 e 2010, com uma taxa média de redução anual de 11.15%, tendo
no ano de 2009 reduzido em cerca de 13,4% comparativamente a 2008 e em 2010, 8.9% em
comparação ao número de indivíduos registados que procuravam emprego em 2009 (GPM, 2011)
e (GPM, 2010).

Ainda segundo os referidos relatórios, a redução é em parte, justificada pelos efeitos da aplicação
dos fundos de investimento de iniciativa local (OIIL) assim como da fraca colaboração dos
candidatos ao emprego no sentido de se registarem junto das instituições vocacionadas na gestão
da força de trabalho a nível da Província, para além do próprio tradicional processo de
recrutamento pelas entidades empregadoras. (GPM, 2010).

2.18.1.4 Investimento
A rede de estradas de Boane, subdivide-se em Estradas classificadas (urbanas e nacionais) e não
classificadas (terciárias). O Distrito é atravessado pela EN2 que permite a comunicação entre
Maputo e Swazilândia. As estradas terciárias constituem uma extensão de cerca de 266.7 km.

Tabela 9: Estradas Classificadas e o seu Estado Físico

Fonte: PESOD 2013/14

79
Tabela 10: Estradas Não Classificadas e o seu Estado Físico

Fonte: PESOD 2013/14

2.18.1.5 Infra-estruturas, saneamento e água potável


O sistema de distribuição de água em Boane é garantido por 4 Pequenos Sistemas de
Abastecimento de Águas (PSAA’s). O distrito conta ainda com 168 furos com bomba, 2 furos
sem bomba e 127 poços melhorados.

Gráfico 5: Distribuição de Furos com Bombas (Operacionais e Avariados) pelas Localidade

Fonte: Governo do Distrito

80
Em termos de distribuição de Bombas pelas principais localidades nota-se que a sede tem a maior
percentagem de furos com Bombas, sendo pelas restantes localidades próximas do nível do
distrito, embora a localidade de Mahubo seja a que mostra-se fora do padrão do distrito.

Gráfico 6: Distribuição de Furos sem Bombas pelas Localidades

Fonte: Governo do Distrito

No entanto, apenas duas localidades é que apresentam furos sem Bomba, cada uma com 1 furo,
são as localidade Sede e Mafuiane.

Gráfico 7: Distribuição de furos com Bombas

Fonte: Governo do Distrito

81
Em termos de localidades com furos de Bombas nota-se um equilíbrio de cobertura, sendo a
excepção a localidade de Mahubo que tem apenas 4% da distribuição dos furos com Bombas pelo
Distrito.

Gráfico 8: Fontes de Água por Localidade

Fonte: Governo do Distrito

Em termos de fontes de água, nota-se que em todas localidades existem furos com Bombas,
constituindo a fonte de água predominante no distrito, com cerca de 56% do total das fontes.

2.18.1.6 Planificação, Tomada de decisão e Participação local

O distrito no âmbito da formulação e implementação do PESOD, o governo distrital se apoia do


PARP, PQG, PES e PEDD, embora a sua maior incidência recaia sobre os dois últimos
instrumentos, pelo facto da fonte inspiradora destes dois documentos ser o PARP e o PQG.

Baseados nas experiências pilotos do Programa de Planificação e Finanças Descentralizadas


(PPFD) dos distritos realizados com sucesso na província de Nampula, em 2000, foram
aprovados por Decreto 15/2000 e Decreto Ministerial n.°107-A/2000, os mecanismos de
articulação entre os OLEs e as comunidades rurais, bem como os direitos e deveres resultantes
participação local no processo de planificação distrital e reforçados esses mecanismos através do
decreto 11/2005 a luz da Lei n 8/2003.

82
Visando a promoção do desenvolvimento sócio-económico e cultural, os órgãos locais do Estado
ao nível do distrito, posto administrativo, localidades e povoações, realizaram durante os anos
2013 e 2014 varias sessões de consulta, reuniões e vistas a diferentes grupos com o objectivo de
obter a sensibilidade dos mesmos sobre os diversos o progresso e o desenvolvimento do distrito.
O quadro e gráficos abaixo, ilustram número, o tipo e o local da sua realização.
Tabela 11: Acções realizadas pelos órgãos distritais a todos os níveis em 2013 e 2014

Fonte: PESOD 2013/14

A tabela indica o conjunto de actividades desenvolvidas pelos diversos órgãos distritais a todos os
níveis, desde sessões do governo sede aos postos administrativos e localidades, incluindo nesse
conjunto, as visitas efectuadas as unidades de produção, como forma de promover e mostrar a
prontidão do governo no auxílio e abertura, para incorporar os anseios das comunidades nos
diversos planos de desenvolvimento do distrito.

Da tabela nota-se que mereceram destaques em 2014, as reuniões aos funcionários, as visitas as
florestas comunitárias e aos órgãos de base, e menos ênfase em sessões do governo, que
reduziram 15%. A primeira vista este número dá a impressão de que o governo distrital passou a
dedicar menos tempos em actividades de gabinete para estar mais perto, auscultando e
acompanhando a sua acção governativa no terreno, no entanto, uma outra explicação para esse
crescimento exagerado pode estar ligado ao facto de, os anos 2013 e 2014 serem período de
eleições, razão pela qual, a acção do governo do dia esteve mais concentrada sobre funcionários e

83
órgão de base, para apreender o nível de satisfação com a sua acção governativa e provavelmente
reactivar o compromisso de mais fazer para alcançarem-se os objectivos de desenvolvimento do
distrito.

Gráfico 9: Sessões de consultas e visitas no âmbito da governação participativa do Gabinete do


Administrador

Fonte: PESOD de Boane 2013/14

Em relação as actividades que visam a redução da pobreza, embora no PESOD, o governo


distrital declare explicitamente as acção que pretende empreender ao longo dos períodos do
PESOD, a sua forma de implementação em acções não é clara, não sendo possível identificar de
imediato, nesses documentos o conjunto de acções que serão desenvolvidas, de forma a permitir a
medição intercalar ao longo do horizonte temporal do PESOD. São alguns exemplos de acções
incluídas no PESOD com objectivo de Redução da Pobreza os seguintes:

 A integração das acções prioritárias no combate a pobreza absoluta, considerando os


assuntos transversais (HIV e SIDA; Género; Segurança Alimentar e Nutrição, Ambiente;
Desenvolvimento Rural; Calamidades Naturais; Ciência e Tecnologia) como aspectos
chaves no processo de desenvolvimento;
 O combate a corrupção, ao burocratismo e a criminalidade;

84
 A planificação mais participativa, envolvendo a sociedade civil na definição das opções
estratégicas de desenvolvimento, bem como a valorização e promoção da cultura de
trabalho, zelo, honestidade e prestação de contas.

 No âmbito dos 7 milhões, incentivar as comunidades na elaboração de projectos com


impacto nas comunidades e adequados aos critérios pelos quais o orçamento se destina, de
forma a dar continuidade ao processo de erradicação da pobreza no Distrito.

 Na área de planeamento e ordenamento territorial, as acções estarão direccionadas para


garantir a planificação e o desenvolvimento territorial do Distrito,

 Aumentar a produção e a produtividade agrícola, a disponibilidade e acesso a insumos


pecuários, melhorar o acesso a informação e mercados agrários.

2.18.1.7 Educação
A educação constitui um instrumento chave para a melhoria das condições de vida, e é
fundamental para a materialização dos direitos civis, políticos, económicos e sociais, bem como,
para a redução das desigualdades numa população. O acesso à educação é assumido como um
dos pilares importantes para a erradicação da pobreza, em diversos documentos nacionais, são
exemplos: a Agenda 2025, o PARPA, os programas quinquenais de governação, os ODMs, entre
outros.

O (DNEAP-MPD, 2010) citando alguns relatórios de avaliação, destaca o facto de Moçambique


ter alcançado ganhos significativos no que diz respeito ao aumento do acesso dos cidadãos a
serviços públicos básicos, incluído a educação.

Essas tendências são confirmadas pela série de inquéritos familiares que mostraram um
crescimento considerável na proporção da população estudando, independentemente da idade
(DNEAP-MPD, 2010).

A partir de 1994, após as primeiras eleições multipartidárias, a rede escolar conheceu uma rápida
expansão sobretudo para acompanhar o progresso do local de reacentamento das populações e
responder aos grandes objectivos identificados na Política Nacional da Educação que realçam o
aumento do acesso às oportunidades educativas para todos os moçambicanos através da

85
reposição, construção e reabertura da rede escolar já existente antes do conflito armado e
expansão da nova rede escolar através da construção acelerada de novas salas de aulas.

Este grande crescimento é alcançado devido a participação activa das comunidades na gestão
escolar e em outras actividades que se resumem na construção de salas de aulas, residências para
professores, latrinas e reparação de carteiras (GDB, 2013).

Segundo o (MAE, 2005) e (GDB, 2013), o distrito, actualmente, conta com uma rede de 53
estabelecimentos de ensino, o correspondente a 416 salas e um universo de 915 professores. O
universo de estudantes a frequentar o ensino primário e secundário cresceu de 30.660 estudantes
em 2003 para 38.470 em 2011, o correspondente a um crescimento na ordem de 25,5%.

Como estratégia governativa do Governo distrital tem-se notado uma tendência para uma maior
escolarização da rapariga, e desde o ano 2002 até 2007, o número de ingresso da rapariga evoluiu
de 7.639 para 15.067 raparigas, ou seja duas vezes mais. De realçar que no esforço de
escolarização da rapariga o governo do distrito conta com ajuda dos parceiros e a comunidade em
geral, no âmbito da equidade de género. Contudo a taxa de escolarização da rapariga continua
inferior quando comparada com a dos rapazes.

No tocante a taxa de alfabetização dados do (MAE, 2005), indicavam que em 2005, a maioria da
população (53%) do distrito era alfabetizada e 62% das pessoas com 5 ou mais anos de idade,
predominantemente homens, frequentava ou já havia frequentado o nível primário do ensino,
residindo a sua maioria no P.A de Boane. Estes números voltaram a melhorar em 2007, caindo a
taxa de analfabetização dos 47% de 2005 para 26.8% (tabela 10).

Em termos de distribuição da taxa de analfabetização por grupo etários e sexo, nota-se que
grande parte da população analfabeta, entendido, segundo o (INE, 2008), como a proporção entre
a população de 15 anos e mais que não sabe ler e escrever em nenhuma língua, é feminina,
superando em todos os grupos etários a masculina, exceptuando o grupo dos 15-19 anos (tabela-
10), cuja diferença é insignificante, quando comparado com os restantes grupos. Confirmando
assim, os grandes avanços, em termos de resultados alcançados na estratégia de equidade de
género.

86
Tabela 12: Indicadores Sócio - Demográficos: Taxas global e Específicas de Analfabetização

Fonte: Recenseamento geral da população e habitação 2007 indicadores socio-demográficos distritais - Maputo província

Em termos de rácio estudantes – professores, nota-se que entre 2008 e 2011, o rácio cresceu
2.7%, significando um aumento médio de mais dois alunos por professor, passando as turmas a
serem constituídas por 77 estudantes contra os 75 de 2008. No entanto, este rácio havia registado
uma melhoria em 2009 e 2010, onde em média, a cada professor cabia um número de 69 e 67
alunos, respectivamente.

Gráfico 10: Nº de Professores (EPI,EPII, ESGI e ESGII) e a Relação média Aluno/Professor (2008 a 2011)

Fonte: Estatisticas do Distrito de Boane – 2012

2.18.1.8 Saúde

Em Maputo Província, a mortalidade é maior nos distritos de Magude e Manhiça, sendo respectivamente
20 a 17 óbitos por cada 1000 habitantes. O distrito de Boane apresenta depois da Cidade da Matola e
Marracuene a menor taxa mortalidade. Os dados sobre a mortalidade infantil representam o número de
crianças que morrem por 1000 nascidos vivos antes de completar 1 ano de vida. O distrito de Boane
registou no ano 2007, 96 de óbitos por mil nascidos vivos. Em relação a taxa de mortalidade infanto-
juvenil o distrito registou 148 obtidos por cada mil.

87
Tabela 13: Taxas de mortalidade e esperança de vida ao nascer. Maputo Província, Censo 2007

Fonte: Recenseamento geral da população e habitação 2007 indicadores socio-demográficos distritais - Maputo província

À excepção do distrito de Magude, todos os distritos apresentam uma esperança de vida ao nascer
superior a 50 anos; sendo a registada no distrito de Boane 54 anos, com a esperança de vida das
mulheres superando a dos homens em 3 anos. Ainda, durante o período censitário, ano de 2007, a
população da província registou um incremento de 4 anos na esperança de vida ao nascer,
passando de 50.6 anos em 1997 para 54.6 anos em 2007.

Com base nas estimativas e projecções sobre a população de Boane, baseadas na taxa de
crescimento da população do país e sua relação com o crescimento populacional da província e
do distrito, de 2004 a 2012, a esperança de vida ao nascer, cresceu em média 0,32 anos ao ano, o
correspondente a uma melhoria do índice de esperança de vida para o distrito de 2.7 anos de 2004
a 2012. Passando a esperança de vida ao nascer para 52.9 anos contra os 50.2 de 2004. Mas,
mantendo-se a tendência de superioridade de crescimento da longividades das mulheres sobre a
dos homens, contudo, observando-se uma redução do diferencial de crescimento entre este dois
grupos populacionais.

Gráfico 11: Esperança de vida ao Nascer do Distrito do Boane

Fonte: INE e Estimativas do autor com base na taxa de cresc. da popoluação, mortalidade a partir do censo 2007

88
Um outro indicador incontornável para se apurar o nível de bem-estar de uma população é, sem
dúvida, o nível prevalência do HIV-SIDA. Segundo (CNCS, 2013), a Província de Maputo, com
uma população de 1.571.0954 habitantes tem uma prevalência do HIV de 19,8%, sendo 19.5% nos
homens e 20% nas mulheres, na faixa etária dos 15 aos 49 anos, ocupando deste modo, o segundo lugar
ao nível nacional, depois da Província de Gaza com 25,1%.

Gráfico 12: Gráfico de Prevalência de HIV por província (Mulheres e homens de 15-49 anos)

Fonte: INSIDA 2009

Segundo o (INS, 2009) a prevalência da infecção por HIV cresce com o nível de escolaridade.
Entre mulheres de 15-49 anos, 9.8% das que não têm qualquer nível de escolaridade estão
infectadas por HIV, comparativamente a 14.4% das que têm nível primário e 15.0% das que têm
nível secundário e superior. O mesmo padrão se observa entre os homens, nos quais a prevalência
cresce de 7.2% entre os que não têm qualquer nível de escolaridade, para 10.1% entre os de nível
secundário e superior. A prevalência de HIV também mostra uma relação positiva com o quintil
de riqueza, na medida em que 6.0% dos inquiridos de 15-49 anos de ambos os sexos, no quintil
mais baixo, estão infectados por HIV, comparativamente a 17.4% dos inquiridos do quintil mais
elevado. Estes indicadores confirmam as características culturais das sociedades africanas
poligâmicas.

O estado nutricional da população em 2010 era aceitável, com uma média Provincial de mau
crescimento de 1.4% (Considera-se situação de alarme quando a taxa é de 16%). Em termos de
indicadores de saúde, o distrito de Boane registou uma taxa de BPN (Baixo Peso a Nascença) de
7,6%, encontrando-se acima do padrão máximo aceitável (7%). A taxa de mortalidade foi a

89
melhor em toda a província, fixando-se em 18.1%, contra um global de 95,2% de nados mortos
em cada 10.000 partos, situação que pode estar aliada a alta taxa de prevalência do HIV em
mulheres grávidas, bem como a situação do baixo rendimento agrícola em alguns Distritos da
província. (GPM, 2011).

Em termos de rede sanitária o distrito conta com um total de 12 unidades Sanitárias.


De entre elas, 1 Centro de Saúde Rural do Tipo I (em Boane-sede), 6 Centros de Saúde
Rurais do Tipo II, 2 Postos de Saúde do tipo III, 3 Postos de Saúde comunitário e, 2 no
posto de trabalho que se encontram em estado razoável e Bom, com excepção do
Posto de Saúde Marconi.

Tabela 14: Relação de Infra-estruturas de Saúde e sua classificação e localização

Fonte: Retrato rural da província de Maputo: http://www.retratorural.pmaputo.gov.mz/

Nestas infra-estruturas opera uma equipa de especialista em medicina composta por 3 médicos,
19 técnicos de saúde, 48 assistentes técnicos de saúde e 9 auxiliares técnicos de saúde. Em
resultado desta vasta rede de serviços sanitário e do esforço de consciencialização da população
do distrito para a utilização destes serviços, tem se assistido, ao longo dos anos, um crescimento
assinalável, na afluência aos serviços de saúde, posicionando o distrito como tem maior cobertura
de consultas pré-natal e de partos institucionais.

90
Tabela 15: taxa de cobertura de serviço gestantes e a criança por Distrito 2010

Fonte: Direcção Provincial de Saúde, (GPM, 2011)

Como acções identificadas e a serem implementadas através do PEDD, prevê-se melhorias na


qualidade de prestação de cuidados de saúde com mais enfoque para:
(i) A saúde reprodutiva infantil, através do aumento da cobertura de partos institucionais,
melhoria da qualidade das consultas pré-natais, expansão da consulta de Centro
Catarinense de Reabilitação (CCR) e consultas do despiste do cancro do colo do útero
e da mama, visando as seguintes taxas de cobertura de 80% no mínimo;
(ii) Redução de incidência, prevalência e combate das doenças preveníveis através da
vacinação a todas as crianças dos 0 a 23 meses de idade, às crianças em idade escolar
e às mulheres em idade fértil (MIF´s), garantindo o mínimo de 80% da taxa de
cobertura, bem como através do programa nacional de combate a malária, realizando
pulverização Intra-domiciliarias e extra-domiciliar a pelo menos 80% de casas
tomadas como grupo alvo, em duas rondas e distribuição de redes mosquiteiras a
todas gestantes na 1ª consulta pré-natal; (iii) HIV e SIDA, potenciando a prevenção, o
ATSC, buscas activas dos doentes de TARV, redução do risco de transmissão de mãe
para filho a pelo menos 90% através do PTV e maior envolvimento dos parceiros.

2.18.1.9 Finanças Públicas

Com a descentralização no ano económico de 2014, estava prevista arrecadação de receitas nos
diversos sectores de actividade no montante de 10.482.06,00 Meticais que representava um

91
crescimento na ordem dos 7.8%, comparativamente ao exercício de 2013, segundo ilustra o
gráfico:

Gráfico 2: Contribuição da sede distrital e das outras unidades órganicas do distrito no orçamento

Fonte: PESOD 2013/14

Para o ano de 2014 ao Distrito foi alocado 440.772.330,00 Mt, dos quais 93.9% destinam-se para
programação das despesas como pessoal e 6.1% para as despesas de investimento no âmbito de
financiamento interno e externo. Salientar que a contribuição da receita colectada no orçamento
foi de de 2.5%.

Gráfico 3: Distribuição das despesas de funcionamento 2013

Fonte: PESOD 2013/14

92
Nota-se em termos de distribuição das despesas de funcionamento de 2014, um decréscimo de 2
pontos percentuais nas despesas de investimento, mostrando claramente que o bolo do distrito é
consumido em acções que garante o funcionamento do dia-a-dia da máquina administrativa do
local, um ponto a ter em conta, se assumirmos que o desenvolvimento local, está dependente e
uma componente forte em investimentos infra-estruturais que possam garantir uma melhor
ligações entre diversos sectores produtivos, que garantem não só o escoamento da produção das
zonas produtivas para os mercados, mas também como fonte de atracção de investimentos que
necessitam de grandes fontes de energia, como é o caso da industrias do agro-processamento e
serviços financeiros como a banca, seguros entre outros.

Gráfico 13: Distribuição das despesas de funcionamento 2014

Fonte: PESOD 2013/14

2.18.1.10 Serviços financeiros e bancários


A actividade financeira no distrito de Boane é exercida por quatro bancos: Barclays, Millennium
BIM e o BCI, uma instituição de micro-financas, a Tchuma, que no geral, dentre outras funções
da banca, prestam serviços de leasing e operam nas áreas de agricultura, bens de consumo e
habitação, bem como a intermediação de transferência de valores a pensionistas residentes no
distrito. Paralelamente, a actividades destas instituições funciona uma cooperativa financeira
Rural Hlovuku que faz empréstimos de valor que variam entre 1.000 a 50.000 (cinquenta mil),
para segmentos que não encontram espaço na banca tradicional, pelo rigor de avaliação da
capacidade creditícia e colateral apresentado. Existe ainda um pequeno esquema de poupança
(informal) promovido por um grupo de vendedoras do mercado local.

93
Tanto a actividade bancária como os esquemas financeiros que operam em Boane, tal como a
FARE, a sua acção, maioritariamente, circunscrita à Vila-sede distrital e postos administrativos. A
excepção é o Fundo de Investimento de Iniciativa Local (FIIL) que opera um pouco por todo o
distrito.

Um dos indicadores que mede o nível de desenvolvimento financeiro em Moçambique é o índice


de inclusão financeira, que para o seu cálculo segue duas abordagens, a primeira com enfoque
nacional, designada IIF global, que sintetiza o nível de acesso e uso dos serviços financeiros em
todas as regiões administrativas do País e outra dos distritos, que incorpora a informação
estatística dos 128 distritos, designada IIF distrital.

No seu relatório divulgado no XXXVII Conselho Consultivo realizado em Pemba, o Banco de


Moçambique (BdM) refere que os dois índices definidos para avaliar o nível de inclusão
financeira em Moçambique reagiram positivamente no período de 2005 a 2012, tendo o índice
global (IIF) passou de 9,21 em 2005 para 13,05 em 2012, enquanto o dos distritos (IFF distrital)
passou de 2,63 em 2005 para 6,47 em 2012, ilustrando uma melhoria da inclusão financeira no
País.

A nível dos distritos com agências, Boane e Manhiça, com uma cobertura de 5 e 7 agências para
804 e 1.798 km2, respectivamente, destacam-se como os distritos com maior cobertura
geográfica no País, em contraposição de 1 agência para 12.801 e 11.343 km2 em Morrumbala e
Mueda, respectivamente. (BdM, 2013)

2.18.1.11 Associativismo e Acção social


Apesar das dificuldades enfrentadas pelas associações agrárias, desde o difícil acesso a insumos,
dificuldades de transporte para escoamento da produção, vias de acesso degradadas e a falta de
um parque de maquinaria para a preparação da terra para agricultura e processamento dos
resultados da colheita, o distrito de Boane, conta, actualmente, com 27 associações registadas
onde 16 foram oficialmente legalizadas. As associações são assistidas por rede de extensão nas
seguintes zonas: Beluluane, Matola-Rio, Rádio Marconi, Chinonanquila, Massacas, 25 de
Setembro, Paulo Samuel Kankhomba, Marian Nguabi, Eduardo Mondlane, Ambrósio e
Manguiza.

94
Apesar de um número considerável de associações, vem se registando um forte decréscimo de
membros desde 2001, principalmente para as associações que se dedicam a actividade agrícola e
pecuária, que passaram dos 1.050 de 1990, e 21 de 2003, para quase nenhuma em 2007,
respectivamente.

Gráfico 14: Evolução de número de membros por associação – 1981 - 2007

Fonte: Retrato rural da província de Maputo: http://www.retratorural.pmaputo.gov.mz/

No distrito de Boane operam 16 ONG’s nomeadamente Associação Mozal, Helvetas, Oram,


Acredec, Anab, Amodefa, Casa de Gaiato, Irmãs de Sagrados Corações, Unicef, CCS Italiano,
Mbeu, Come Noi, AMDC, FUCOM, ATR, Terra dos Homens.

95
Tabela 16: ONG, origem de fundos, área de intervenção e comunidades beneficiárias

Fonte: Retrato rural da província de Maputo: http://www.retratorural.pmaputo.gov.mz/

As actividades destes organismos revelam-se importantes por complementar as actividades do


governo, assegurando e garantindo o direito dos cidadãos ao acesso a saúde e educação, assim
como respeito do direito dos camponeses sobre a terra e recursos naturais, assegurando e
assessorando as comunidades rurais na participação dos processos decisórios impactam nas suas
vidas e contribuindo para o aumento da capacidade dos camponeses em utilizar de forma
sustentável os recursos de terra e melhorar a articulação com outras comunidades e o governo.
Em termos da origem dos fundos, as associações são maioritariamente nacionais com uma participação
de 75%.

96
Gráfico 15: Origem da ONG segundo dos fundos

Fonte: Retrato rural da província de Maputo: http://www.retratorural.pmaputo.gov.mz/

Em relação aos fundos distrital de desenvolvimento, ao longo dos primeiros 4 anos verificou-se
uma maior concentração do financiamento para infra-estruturas e produção de alimentos,
cabendo a estes dois grupos o bolo 25% e 34% do total financiado durante o período em
referência.

Figura 1: Alocação do Fundo distrital de desenvolvimento nos primeiros 4 anos

Fonte: Criação do autor na base dos dados colectados

No entanto, nota-se a partir de 2009, uma maior preocupação de repartir este bolo para a
produção de alimentos e geração de rendimentos. Esta perspectiva é consentânea com a estratégia
de desenvolvimento local por permitir a criação de mais postos de trabalho, contribuído para o
crescimento do rendimento das famílias e melhoria do seu nível nutricional.

97
Tabela 17: Alocação do Fundo distrital de desenvolvimento nos primeiros 4 anos

2.18.1.12 Índice de pobreza do distrito de Boane

Segundo (DNEAP-MPD, 2010), inquérito às famílias (IOF08) indicava que dos 21.5 milhões de
habitantes em Moçambique, cerca de 11.8 milhões viviam abaixo da linha da pobreza em
2008/09. O índice de incidência da pobreza para o referido período foi de 54.7%. No primeiro
inquérito comparável de 1996/7, o mesmo índice havia atingido de 69.4%. Esta variação ilustra
uma redução de número de pobres que viviam em Moçambique no limiar da pobreza em 15.3
pontos percentuais sobre um período de doze anos a partir de 1996/7. No entanto, esta melhoria
foi revertida aumentando-se em 0.6 pontos percentuais no período 2008/9, mostrando uma
estagnação quanto a melhoria das condições vida da população entre 2002/3 e 2008/9.

O presente trabalho perspectiva a pobreza como um conceito multidimensional, seguindo a


transição do mero conceito monetário usado no PARPA I para um conceito muito mais holístico
usado no PARPA II. Nesta visão a pobreza é percebida como "a impossibilidade, devido à
incapacidade ou por falta de oportunidades dos indivíduos, famílias e comunidades para
alcançar condições mínimas de vida de acordo com as normas básicas da sociedade.
Claramente, esta definição tem em conta as diversas medidas.

Em seu Plano Económico Social e Orçamento Distrital (PESOD) de 2014, o governo do distrito
de Boane define objectivamente que no âmbito da sua governação participativa, prevê-se a
redução dos níveis de pobreza no Distrito, através da promoção do crescimento económico
rápido, sustentável e abrangente, virando as atenções na criação dum ambiente favorável para o
florescimento do sector privado e da incidência de acções na educação, saúde e desenvolvimento
rural.

98
Desta abordagem nota-se claramente que a acção governativa do GDB focada na redução dos
níveis da pobreza, tem como principais acções, a criação de um ambiente favorável ao
desenvolvimento de negócios, o aumento da taxa de escolaridade, infantil e adulta, a melhoria das
condições de acesso aos serviços básicos de saúde e o apoia as comunidades de zonas recônditas
do Distrito.

Dos dados colectados, do período de 2004 a 2009, observa-se uma notável melhoria dos
indicadores, expressando uma relativa redução dos níveis de incidência da pobreza para o país,
província de Maputo e para aquele distrito em particular.

Esta constatação se confirma na tabela abaixo, e é também corroborada pelos relatórios e


balanços tanto do governo provincial, bem como, pelo relatório pobreza e bem-estar em
Moçambique: terceira avaliação nacional da Direcção Nacional de Estudos e Análise de
Politicas do Ministério da Planificação e Desenvolvimento (DNEAP-MDP), que contrariando a
tendência dos resultados verificados nos inquéritos aos agregados familiares em Moçambique no
intervalo de 1996/7 e 2002/3, a província de Maputo, registou uma ligeira melhoria reduzindo os
níveis de incidência da pobreza em 1.3 pontos percentuais. No entanto, esta melhoria verificada,
quando comparada com a situação de 1996/7, não tem expressão, pois, de 1996/7 para 2008/9 a
situação agravou-se, aumentando o nível de pobreza para mais 1.9 pontos percentuais.

99
Tabela 18: Incidência da Pobreza (medida P0).

Notas: Dispersão das taxas de pobreza e as mudanças nas taxas de pobreza é medido pelo desvio padrão
das Notas: Dispersão das taxas de pobreza e as mudanças nas taxas de pobreza é medido pelo desvio-
padrão das taxas provinciais e alterações nas taxas entre as diferentes províncias. O coeficiente de
correlação de inquéritos consecutivos, mostra as correlações para cada coluna com a coluna anterior. Nível
inicial e mudança mostra a correlação começando com a primeira coluna de níveis e de primeira coluna das
taxas. Nível de destino e mudança mostra correlações começando com o segundo nível coluna e primeira
coluna da taxa. Todas as correlações são realizadas nas províncias.

As constatações a que o relatório da terceira avaliação da pobreza em Moçambique chega são


consistentes com os indicadores constantes dos relatórios de desenvolvimento humano, pelo
menos até o ano de 2009, período em que, este indicador, registou a sua melhor pontuação 0.395.

100
No entanto, de lá para cá, o seu nível situou-se sempre abaixo do histórico de 2009, tendo
registado em 2013 uma pontuação próxima daquele recorde, mas mesmo assim abaixo em duas
milésimas daquele nível.

Em termos médios o IDH de Moçambique situa-se em 0.335, um nível considerado baixo.


Ademais, Moçambique figura-se entre os 10 países com o pior índice de desenvolvimento
humano no mundo.

Entretanto, as estimativas do IDH mostram também que há um longo caminho a ser percorrido
por todas as províncias para atingirem o nível de realização máxima do desenvolvimento humano
e lograr alcançar igualdade nesses níveis de desenvolvimento.

Com a excepção das Províncias de Maputo (0,588) e Maputo Cidade (0,651) com um IDH entre
0.500 e 0.799, que as coloca no grupo de províncias com IDH médio, as restantes províncias
possuem um IDH que caem no grupo de desenvolvimento humano baixo (MERCOSUL & CPLP,
2013), influenciando significativamente o IDH global do país.

Gráfico 16: Histórico evolutivo do IDH de Moçambique de 2004 a 2013

Fonte: Relatório de Desenvolvimento Humano de 2004 a 2013

Como se poderá extrapolar do índice da província de Maputo, o distrito de Boane, pelo menos na
zona urbana, encontra-se no conjunto dos indicadores de IDH classificados como médios. E este
nível é suportado pela melhoria das condições de vida das populações, como são os casos do

101
aumento de número de casas construídas de bloco e de cobertas de chapas de zinco que cresceu
13.5 pontos percentuais.

Analisando a evolução do nível e incidência da pobreza, e seguindo a mesma abordagem


extrapolativa os resultados da província de Maputo para o distrito de Boane, constata-se, segundo
(Boom, 2011) que em termos evolutivo registou-se uma redução da incidência da pobreza em
2009: de 63 para 31% na área urbana e de 77 para 66% nas zonas rurais. Esses dados corroboram
com a tese de tendência decrescente dos níveis de incidência de pobreza ao longo do período em
estudo, embora, um ano após Moçambique ter atingindo o seu nível mais alto do IDH e de
crescimento de RNB per capitá, o IDH reduziu drasticamente fixando-se, durante três anos
consecutivos (de 2010 a 2012.) abaixo dos 0.328.

Gráfico 17: Taxa Cresc. do RNB per capitá e o Índice de Desenvolvimento Humano de 2004 e 2013

Fonte: INE, FMI, World Bank (2004 – 2013)

A explicação para a persistência do nível de pobreza em áreas rurais no distrito de Boane está
ligada ao consumo doméstico de produção própria para subsistência, que representa cerca de 75%
do total de consumo alimentar em famílias pobres. Dado que as famílias pobres em Moçambique
têm relativamente poucas opções para estabilizar o consumo ao longo do tempo, o consumo
doméstico torna-se bastante dependente da produção agrícola, dos preços dos bens alimentares, e
da existência de oportunidades de rendimento fora da agricultura. Assim, os choques aos níveis
de produção, fortemente dependente de condições naturais, e dos preços de bens básicos
assumem-se como os principais factores do agravamento da incidência de pobreza no nível rural
quando comparado com o nível urbano.

102
Já no nível urbano, a redução da incidência, se suporta do aumento da imigração cuja taxa entre
2002 a 2007, foi de 4.4 e estimativas, apontavam para o seu contínuo aumento, em resultado de
movimento de famílias de zonas urbanas como cidade de Maputo e Matola para Boane, com um
nível de rendimento e condições de vida equiparados aos maiores centros urbanos do país.

E este movimento de famílias trouxe outra dinâmica de crescimento e desenvolvimento do


distrito, alargando amplitude e o leque de escolhas, quer ao nível de infra-estruturas comerciais,
educacionais e de saúde. São alguns exemplos, a instalação de um hipermercado - a shoprite, e o
surgimento da primeira instituição do ensino superior ao nível do distrito, o Instituto Superior de
Tecnologias e Gestão (ISTEG).

103
CONCLUSÕES

O presente trabalho procurou explorar como o processo de desenvolvimento no Distrito de Boane


tem sido influenciado com a descentralização das finanças públicas. Tendo como principais
pilares teóricos a descentralização e o desenvolvimento, ambas alicerçadas na influência teórica
keynisiana, permitindo ao autor tirar como súmula do trabalho os seguintes pontos:

 O conceito de desenvolvimento é multifacetado e feliz ou infelizmente, não existe uma


definição de desenvolvimento simples.

 No entanto, é consensual de que os processos de desenvolvimento devem ser inclusivos,


capazes de reduzirem assimetrias que permitam o gozo pleno das liberdades e mais
igualdade de oportunidades para os cidadãos.

 O gozo das liberdades implicam escolhas, no sentido de democratização das mesmas, e


melhor do que ninguém, as comunidades conhecem suas preocupações e o ambiente que
os rodeia.

 Os processos de desenvolvimento local, devem responder aos anseios dos seus


beneficiários, permitindo-lhes serem os donos dos seus destinos, através da
descentralização, tornando o processo de desenvolvimento mais localizado e ajustado às
condições e realidade estrutural do espaço geográfico e cultural dos seus beneficiários.

 Embora o distrito de Boane alberga um mega-projecto que por si só influência


significativamente o crescimento económico nacional, o seu padrão de desenvolvimento,
não é acompanhado por esta influência. Alias, este problema é reflectido a nível da
província e do país como um todo.

 O processo de elaboração do Orçamento do Estado em Moçambique, embora com


processo de municipalizações, continua fortemente concentrado no executivo central e
não permite que as organizações da sociedade civil introduzam propostas de alocação de
fundos para os diferentes sectores tendo em conta as suas áreas de interesse.

104
 Pese embora o indicador da incidência da pobreza reporte um agravamento no período de
1997 a 2009 de 1.90%, passando de 65.9% para 67,5%, os principais indicadores dos
progressos económico e social do distrito de Boane registaram significativas melhorias
incluindo os indicadores não-monetários de pobreza, como são os casos do acesso à
educação (tanto nos ciclos primários como secundários); melhorias no acesso aos serviços
de saúde, particularmente em zonas rurais; aumentos na posse de bens duráveis pelas
famílias e melhorias na qualidade da habitação. Estes avanços não são bem captados pelas
medidas baseadas no consumo. Ademais, indicadores de nutrição para crianças com
menos de cinco anos de idade apresentaram significativo progresso a nível distrital;

 Embora, alguns estudos confirmem, como forte e directa a ligação entre desenvolvimento
e descentralização, em ambiente onde a cultura de responsabilização e prestação de
contas, está fortemente instituída, este estudo não é conclusivo quanto a esta relação para
o distrito de Boane, não podendo consequentemente confirmar se o desenvolvimento
experimentado no distrito nos últimos 10 anos, resulte, directamente, do processo de
descentralização implementado naquele distrito. Esta conclusão induz a não confirmação
da hipótese 1 definida no ponto 2.5 - hipótese de pesquisa do Capitulo II.

 Ao longo trabalho foi possível descortinar as causas para o fraco desempenho das
medidas de pobreza, principalmente ao nível rural, e as razões podem ser resumidas em
categorias com as relacionadas com a baixa produtividade agrícola, reflectidas num
crescimento débil das culturas alimentares e as relacionadas com choques climáticos que
atingiram a colheita, comprometendo a qualidade e/ou continuidade de algumas culturas.

 No que diz respeito aos avanços realizados para o alcance dos Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio (ODMs), nota-se que as taxas de pobreza no distrito,
medido pelo IDH melhoraram significativamente.

 A marcha lenta do desenvolvimento do distrito é também influenciada pelos seguintes


aspectos:

o A quase inexistência de recursos humanos qualificados.

105
o Fraca ligação entre o sistema de educação e formação com o perfil de exploração
das potencialidades económicas do distrito.

o O limitado acesso ao financiamento para as micro, pequenas e médias empresas.

o A indisponibilidade de serviços avançados que permitem o acesso à informação


sobre mercados e tecnologias, linhas de comercialização, a cooperação entre
empresas, entre outros.

RECOMENDAÇÕES

1. O governo distrital como forma de impulsionar o rápido desenvolvimento poderá assumir


melhor o papel de coordenador na implementação de decisões económicas voltadas para a
transformação da economia local para o consequente rápido processo de desenvolvimento
económico, evitando a dispersão de esforços entre os diferentes agentes de desenvolvimento.

2. Como forma de simplificar, o processo de redistribuição da riqueza, torna-se urgente a


necessidade, por parte do governo central e do governo distrital, de alargar mais o acesso do
processo de elaboração dos orçamentos, para que mais contribuições de melhoria, dos
diferentes agentes que contribuem para o desenvolvimento do distrito, sejam incorporadas
nos orçamentos de nível distrital.

3. É desejável que o governo distrital reoriente o envelope e a qualidade de infra-estrutura


básica e serviços disponíveis de apoio a produção existente para que a curto, médio e longo
prazos, se assumam os desafios da elevação a categoria de Município conferida ao Distrito de
Boane, pois este facto trouxe mais margens de manobra sobre alternativa de estratégias de
financiamento para o desenvolvimento (captação de recursos via introdução de novos
impostos e taxas, bem como a emissão de obrigações municipais).

106
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A VERDADE. 2014. www.averdade.co.mz. [Online] 10 Julho de 2014. [Citação: 17 de Agosto


de 2014.] http://www.verdade.co.mz/nacional/15495-mpd-lanca-programa-nacional-de-
planificacao-e-financas-descentralizadas.

AHMAD, Ehtisham e Brosio, Giorgio. 2009. Does Decentralization Enhance Service Delivery
and Poverty Reduction? Cheltenham : Edward Elgar Publishing, 2009.

ALBURQUERQUE, Manuel. 1999. Manual del Agente del Desarrolo Local. Santiago de
Chile : Ediciones SUR, 1999.

ASCENÇÃO, Machel. 2010. machelascenção. Pressupostos básicos da Governação Local:


Uma revisão . [Online] 27 de Agosto de 2010. [Citação: 11 de Outubro de 2014.]
http://machelascencao.blogspot.com/2010/08/pressupostos-basicos-da-governacao.html.

BANK, World. 2010. Relatório sobre o desenvolvimento mundial 2010: Desenvolvimento e


mudanças climáticas. São Paulo : Fundação Editora da UNESP, 2010.

BARDHAN, Pranab K. 2005. Scarcity, Conflicts, and Cooperation: Essays in the Political and
Institutional Economics of Development. Cambridge : MIT Press, 2005.

—. 2005. Scarcity, Conflicts, and Cooperation: Essays in the Political and Institutional
Economics of Development. Cambridge : MIT Press, 2005.

BARDIN, Laurence. 2006. Análise de conteúdo. Lisboa : Edições 70, 2006. 9789724411545.

BARRO, Robert. 2007. Macroeconomics: A Modern Approach. Boston : Cengage Learning,


2007.

107
BAURAQUE, S. C. (1998). Metodologia de Planeamento do Desenvolvimento Local e
Municipal Sustentavel: Material para orientação técnica e treinamento de multiplicadores em
Planeamento Local e Municipal. Brasília: Instituto Interamericano de Cooperação para a
Agricultura - IICA.

BdM. 2013. Desafios da Inclusão Financeira em Moçambique: Uma abordagem do lado da


Oferta. Pemba : Banco de Moçambique, 2013.

BEVIR, Mark. 2009. Key Concepts in Governance. London : SAGE Publication Ltd., 2009.

BHAGWATI, J. 2002. Democracy and development: Cruel dilemma or symbiotic relationship?


New York : Review of Development Economics 6, 2002. pp. 151–62. Vol. 2.

BIRD, Richard M. e VAILLANCOURt, François. 1998. Fiscal decentralization in developing


countries: an overview. Cambridge : Cambridge University Press, 1998. pp. 1-48.

BOEX, Jamie, et al. 2008. Relações Fiscais Intergovernamentais em Moçambique: Parte I -


Relatório. Maputo : s.n., 2008.

BOGDAn, Robert C. e BIKLEN, Sari Knopp. 1994. Investigação qualitativa em educação:


uma introdução à teoria e aos métodos. Porto : Porto Editora, 1994.

BOGDAN, Robert e BIKLEN, Sari. 1994. Investigação qualitativa em Educação:


fundamentos, métodos e técnicas. Porto : Porto Editora, 1994. 9789720341129.

BOISIER, S. 1989. Política econômica, organização social e desenvolvimento regional. [autor


do livro] Paulo Haddad. Economia regional: teorias e métodos de análise. Fortaleza : BNB-
ETENE, 1989.

BOOM, Bart van Den. 2011. Análise da pobreza em Moçambique: Situação da pobreza dos
agregados familiares, malnutrição infantil e outros indicadores 1997, 2003, 2009. Maputo :
MPD-DNEAP, 2011.

BRESSER-Pereira, LUIZ Carlos. 2003. Desenvolvimento e crise no Brasil: história, economia


e política de Getúlio Vargas a Lula. São Paulo : Editora 34, 2003.

—. 2006. O Conceito Histórico de Desenvolvimento Económico. [Online] 2006.

108
BUARQUE, S. C. (2002). Construindo o desenvolvimento local sustentável: metodologia de
planejamento. Rio de Janeiro: Editora Garamond.

CANHANGA, Nobre de Jesus Varela. 2009. Descentralização fiscal, transferências


intergovernamentais e dinâmicas da pobreza nas autarquias locais. Maputo : IESE, 2009.

CHEEMA, G. Shabbir e RONDINELLI, Dennis A. 2008. Decentralizing Governance:


Emerging Concepts and Practices. Cambridge : Ash Institute for Democratic Governance and
Innovation, John F. Kennedy School of Government, Harvard University, 2008.

CHICHAVA, Fernanda FARIA and Ana. 1999. Descentralizaçao e cooperacao descentralizada


em Mocambique. [Online] Outubro de 1999. [Citação: 17 de Agosto de 2014.]
http://www.adelsofala.org.mz/pdfs/descentraliza%E7%E3o_e_coopera
%E7%E3o_descentralizada_em%20_mo%E7ambique.pdf.

CISTULLI, Vito. 2002. Environment in Decentralized Development - Economic and


Institutional Issues. Rome : FAO, 2002.

CNCS. 2013. Relatório Anual da Resposta Provincial do VIH e SIDA. Matola : Conselho
Nacional de Combate ao Sida, 2013.

COHEN, John M. E PETERSON, Stephen B. 1999. Administrative decentralization:


strategies for developing countries. Boulder : Kumarian Press, 1999.

COMITÉ DE CONSELHEIROS. 2003. Agenda 2025: Visão e Estratégias da Nação. Maputo :


Agenda 2025, 2003. 0000/RLINLD/2003.

COMMISSION ON GLOBAL GOVERNANCe. 1995. Our Global Neighbourhood: The


Report. New York : Oxford University Press, 1995.

COSTA, Cristina, ROCHa, Guida e ACÚRCIO, Mónica. 2005. A Entrevista. [Online] 2005.
[Citação: 03 de Outubro de 2014.]
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/mi1/entrevistat2.pdf.

CRAFTS, Nicholas e FEAROn, Peter. 2013. The 1930s: Understanding the Lessons. Oxford :
Oxford University Press, 2013.

109
DA SILVA, Leonardo Xaiver e DE SOUZA, Marcelina. 2010. Estado, macroeconomia e
políticas públicas: objectivos e instrumentos de política económica e estrutura da análise
macroeconómica. [autor do livro] Leonardo Xaive (org.) DA SILVA. Estado e Políticas Públicas.
Porto Alegre : UFRGS, Editora, 2010, pp. 19-34.

DA VEIGA, José Eli. 2008. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de
Janeiro : Garamond, 2008. 85-7617-051-5.

DALLABRIDA, VALDIR Roque. 2011. Governança Territorial e Desenvolvimento: As


Experiências de Descentralização Político-Administrativa no Brasil como exemplos de
institucionalização de novas escalas territoriais de governança. [Online] 23-25 de Novembro de
2011. [Citação: 30 de Agosto de 2014.] http://www.unc.br/mestrado/textos/ARTIGO-IPEA-
GOVERNANCA-TERRITORIAL-e-DESENVOLVIMENTO-VALDIR.pdf.

DE ASSIS, Paloma Carpena e GODOY, Amália Maria Goldberg. 2012. A Governança


Formal do Observatório Social de Maringá. periodicos.uem.uem.br. [Online] 2012. [Citação: 30
de Agosto de 2014.] http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ArqMudi/article/view/20968/11179.

Descentralização de políticas públicas sob a ótica neoinstitucional: uma resvisão de literatura.


CAVALCANTE, Pedro. 2011. 2011, Revista de Administração Publica RAP, pp. 1781-1804.

DINIZ, Francisco. 2006. Crescimento e Desenvolvimento Económico - Modelos e Agentes do


Processo. Lisboa : Edições Sílabos, 2006. 978-972-618-577-2.

DNEAP-MPD. 2010. Pobreza e Bem-Estar em Moçambique: Terceira Avaliação Nacional.


[Online] 2010. [Citação: 03 de Outubro de 2014.]
http://www.mpd.gov.mz/index.php/documentos/instrumentos-de-gestao/orcamento-de-estado/oe-
2013/mapas-anexos/103-pobreza-e-bem-estar-em-mocambique-terceira-avaliacao-nacional.

DORNBUSCH, Rudiger. 1981. Macroeconomia. São Paulo : McGraw Hill Brasil, 1981.

DOS ANJOS, Maria Lúcia Curvelo, et al. 2003. Crescimento econômico & desenvolvimento
social: anatomia de um projeto de extensão. São Paulo : UFAL, 2003.

EBEL, Robert D. e Yilmaz, Serdar. 2002. Concept of fiscal decentralization and worldwide
overview. Wa : World Bank Institute, 2002.

110
ELIAS, Joel Martins. 2012. Descentralizaçao e Governacao Local em Moçambique a Lógica de
Articulaçao entre o Concelho Consultivo e o Governo Distrital na Tomada de Decisoes - o Caso
do Distrito de Gondola em Manica (2007-2010). Maputo : Universidade Eduardo Mondlane,
Setembro de 2012.

ESTÊVÃO, João. 2004. Desenvolvimento Económico e Mudança Institucional: O Papel do


Estado. Notas Económicas. Edição especial dedicada à Conferência., 2004, Revista da FEUC -
Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).

ETHNOCULTURAL DIVERSITY RESOURCE CENTERAND THE KING BAUDOUIN


FOUNDATION. 2007. Good Governancein Multiethnic Communities: Conditions, instruments,
best practices,ways to achieve and measure good governanceat the local level. s.l. : A joint
publication of the Ethnocultural Diversity Resource Centerand the King Baudouin Foundation,
2007.

FACIAP. 2010. Formação para Gestores de Associações Comerciais e Empresariais: -


Desenvolvimento Local. Curitiba : FACIAP - Federação das Associações Comerciais e
Empresariais do Estado do Paraná, 2010.

FARIA, Fernanda e CHICHAVA, Ana. 1999. Descentralização e cooperação descentralizada


em Moçambique. Maputo : European Centre for Development Policy Management, 1999.

FELIPE, Murilo e CARLOS, José. 2007. Desenvolvimento Económico. desenvolvimento-


economico1.blogspot.com/. [Online] Outubro de 2007. [Citação: 11 de Outubro de 2014.]
http://desenvolvimento-economico1.blogspot.com/.

FORQUILHA, Salvador Cadete. 2010. Governação Distrital no Contexto das Reformas de


Descentralização Administrativa em Moçambique. [autor do livro] Luís De Brito, et al.
Governação Distrital Desafios para Moçambique 2010. Maputo : IESE, 2010.

FRANCISCO, António. 1999. IESE. [Online] 1999. [Citação: 08 de Agosto de 2014.]


www.iese.co.mz.

GDB. 2014. O Plano Económico Social e Orçamento Distrital (PESOD) 2013. Boane : Governo
do Distrito de Boane, 2014.

111
—. 2013. Plano Estratégico de Desenvolvimento do Distrito de Boane. Boane : Governo do
Distrito de Boane, 2013.

GIL, Antônio Carlos. 2002. Como Elaborar Projecto de Pesquisa. São Paulo : Atlas, 2002.

GIUDICE, M. L., MANJANGUICE, S. S., & URBINA, W. (2003). Agências de


Desenvolvimento Económico Local - ADELs de Moçambique: Sistematização de uma
Experiência. Maputo: Ministério da Administração Estatal (MAE).

GPM. 2010. Relatório de Balanço do PES de 2009. Matola : Governo da Provincia de Maputo,
2010.

—. 2011. Relatório de Balanço do PES do Iº Trimestre de 2010. Matola : Governo da Província


de Maputo, 2011.

GREG, C., JOE, H., & DEBRA, M. (2010). Local Economic and Employment Development
(LEED) Organising Local Economic Development The Role of Development Agencies and
Companies: The Role of Development Agencies and Companies. Washington: OECD Publishing.

GRINDLE, Merilee S. 2009. Going Local:Decentralization, Democratization, and the Promise


of Good Governance. Princeton : Princeton University Press, 2009.

GUIMARÃES, Maria Helena. 2005. Economia política do comércio internacional: teorias e


ilustrações. São Paulo : Principia, 2005. 9789728818548.

HAYAMI, Yujiro. 2001. Development Economics : From the Poverty to the Wealth of Nations:
From the Poverty to the Wealth of Nations. Oxford : Oxford University Press, 2001.
9780191529511.

HIGGINS, Benjamin H. e Savoie, Donald J. 2009. Regional Development Theories and Their
Application. New Jersey : Transaction Publishers, 2009. 9781412832854.

HUNT, D. 1989. Economic Theories of Development: An Analysis of Competing. London :


Harvester Wheatsheaf, 1989.

INE. 2008. Estatísticas do Distrito de Boane. Maputo : Instituto Nacional de Estatística, 2008.

112
—. 2012. Estatísticas do Distrito de Boane. Maputo : Instituto Nacional de Estatística, 2012.

—. 2012. O Perfil de Desenvolvimento Humano em Moçambique 1997-2011. Maputo : DICRE-


INE, 2012.

—. 2012. Recenseamento Geral da População e Habitação 2007: Indicadores Socio-


demográficos Distritais - Maputo Província. Maputo : Instituto Nacional de Estatística, 2012.

INS. 2009. Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais e Informação sobre o


HIV e SIDA em Moçambique (INSIDA). Maputo : Instituto Nacional de Saúde - Minestério da
Saúde, 2009.

JARA, C. J. (1998). A Sustentabilidade do Desenvolvimento Local Desafios de um Processo em


Construcao. Brasilia: Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura.

LITVACK, Jennie Ilene, AHMAD, Junaid e BIRD, Richard Miller. 1998. Rethinking
Decentralization in Developing Countries. Washington, DC : World Bank Publications, 1998.

LITVACK, Jennie, AHMAD, Junaid e BIRD, Richard. 1998. Rethinking Decentralization in


Developing Countries. Washington, D.C : The World Bank, 1998.

MACUA.blogs. 2006. Planificaçao descentralizada. Moçambique para todos. [Online] 28 de


Fevereiro de 2006. [Citação: 17 de Agosto de 2014.]
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2006/02/planificao_desc.html.

MACUANE, J. J., SALIMO, P., DO ROSÁRIO, D., & WEIMER, B. (2010). Estudo de
Governação de Nampula. Nampula: Advocacia Consultoria e Serviços, Lda (ACS).

MAE. 2005. Perfil do Distrito de Boane Província de Maputo. Maputo : Ministério da


Administração Estatal, 2005.

MARQUES, Heitor Romero. 2008. Desenvolvimento local em Mato Grosso do Sul: reflexões e
perspectivas. Campo Grande : Universidade Católica Dom Bosco, 2008.

MED. 2006. Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil Volume 1. Brasília :
Ministério da Educação: Secretaria de Educação Básica, 2006.

113
MERCOSUL & CPLP. 2013. MERCOSUL & CPLP. Moçambique /Perfil do Desenvolvimento
Humano: INE reporta crescimento assinalável nas províncias . [Online] 1 de Maio de 2013.
[Citação: 2014 de Outubro de 2014.] http://mercosulcplp.blogspot.com/2013/05/mocambique-
perfil-do-desenvolvimento.html.

MOREIRA, Sandrina Berthault e Crespo, Nuno. 2012. Economia do Desenvolvimento:das


abordagens tradicionais aos novos conceitos de desenvolvimento. Revista de Economia.
Maio/Agosto de 2012, pp. 25-50.

MOREIRA, Sandrina Berthault. 2009. Sobre a Natureza Multidimensional do


Desenvolvimento. Braga : Universidade do Minho, 2009.

MPF. 2004. Evolução da Pobreza e Bem-Estar em Moçambique. Maputo : Ministério do Plano e


Finanças, Instituto Internacional de Pesquisas Alimentares - Purdue University, 2004.

NAFZIGER, E. Wayne. 2005. From Seers to Sen: The Meaning of Economic Development.
Manhattan : s.n., 2005.

NAIME, Roberto. 2009. Desenvolvimento Sustentável: os conceitos. Fundação


Desenvolvimento Ambiental. [Online] 13 de Julho de 2009. [Citação: 13 de Setembro de 2014.]
http://www.fundamental.org.br/conteudo_13.asp.

NEWMAN, J. M. 2000. Action research: A brief overview. Forum: Qualitative Social Research.
[Online] Janeiro de 2000. http://www.qualitative-research.net/fqs-texte/1-00/1-00newman-e.htm.

NGUENHA, Eduardo Jossias. 2009. Governação Municipal Democrática em


Moçambique:Alguns Aspectos Importantes para o Desenho e Implementação de Modelos do
Orçamento Participativo. Maputo : IESE, 2009.

NYIRI, Zsolt. 2000. Nyiri, Z (2000) Decentralization and good governance: Hungary’s ten-year
experience. Budapest : Jabs (Ed.), 2000.

OLSEN, Hans Bjørn. 2007. Concept Paper on Decentralisation and Local Governance.
www.deza.admin.ch/. [Online] Novembro de 2007. [Citação: 30 de Agosto de 2014.]
http://www.deza.admin.ch/ressources/resource_en_167288.pdf.

114
ONU, Organização das Nações Unidas. 2000. Nações Unidas: Declaração do Milénio.
Washighton : Centro de Informação Regional das Nações Unidas, 2000.

ONYEMELUKWE, Clement Chukwukadibia. 2005. The Science of Economic Development


and Growth: The Theory of Factor Proportions. New York : M.E. Sharpe, 2005. 9780765606044.

PIERERSE, Jan Nederveen. 2010. Development Theory. London : SAGE Publications Ltd,
2010.

PLATAFORMA PARA OS DIREITOS HUMANOS. sa. RELATÓRIO DAPLATAFORMA


PLATAFORMA PARA OS DIREITOS HUMANOS (1999-2010). Maputo : s.n., sa.

PNUD. 2006. Human Development Report 2006: Beyond scarcity - Power, poverty and the
global water crisis. New York : Palgrave Macmillan, 2006.

—. 2010. Relatório de Desenvolvimento Humano 2010, A Verdadeira Riqueza das Nações: Vias
para o Desenvolvimento Humano. New York : Communications Development Incorporated,
2010. 9780230284456 90101.

RAUCHWAY, Eric. 2008. The Great Depression and the New Deal: A Very Short Introduction.
Oxford : Oxford University Press, 2008.

RICHARDSON, Roberto Jarry. 2008. Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. São Paulo : Atlas,
2008.

RIMA, Ingrid H. 2009. Development of Economic Analysis. New York : Routledge, 2009.

RONCAGLIO, Cynthia. 2012. Desenvolvimento Sustentável. Curitiba : IESDE BRASIL SA,


2012. 9788576388401.

RONDINELLI, Dennis A., McCullough, James S. e Johnson, Ronald W. 1989. Analysing


Decentralization Policies in Developing Countries: a Political-Economy Framework.
Development and Change. London : SAGE, 1989, pp. 57-87.

S.A. 2007. Bar das Matemáticas. Apontamentos Economia. [Online] 20 de Março de 2007.
[Citação: 11 de Outubro de 2014.] http://bardasmatematicas.files.wordpress.com/2007/03/11-a-
intervencao-do-estado-na-economia.pdf.

115
SACHS, Ignacy. 2004. Desenvolvimento includente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro :
Editora Garamond, 2004. 857617040X.

SALVADORI, Neri e Panico, Carlo. 2006. Economic Growth and Distribution: On the Nature
and Causes of the Wealth of Nations. Massachusetts : Edward Elgar Publishing, Inc., 2006.

SCOTT, Zoë. 2009. Decentralisation, Local Development and Social Cohesion: An Analytical
Review. Birmingham : GSDRC Research Papers, 2009.

SEN, Amartya. 1999. Development as Freedom. Oxford : Oxford University Press, 1999.

SO, Alvin Y. 1990. Social Change and Development: Modernization, Dependency and World-
System Theories. SAGE Library of Social Research. London : SAGE Publications, Inc, 1990,
Vol. 178.

SPENCE, Randy. 2009. Economic Growth. [autor do livro] IDRC. An Introduction to the
Human Development and Capacity Assotiation: Freedom and Agency. London : IDRC -
Internactional Development Research Centre, 2009, pp. 73-90.

SUMNER, Andrew e Tribe, Michael A. 2008. International Development Studies: Theories and
Methods in Research and Practice. London : SAGE, 2008. 9781849206396.

SZIRMAI, Adam. 2005. The Dynamics of Socio-Economic Development: An Introduction. Cape


Town : Cambridge University Press, 2005.

TOBAR, Federico. 1991. O Conceito de Descentralização: Usos e Abusos. 1991. pp. 31-51.

TODARO, Micheal e SMITH, Stephen C. 2012. Economic Development. Boston : Pearson,


2012.

TOSUN, Mehmet Serkan e Yilmaz, Serdar. 2008. Centralization, Decentralization, And


Conflict In The Middle East And North Africa. Washington, DC : World Bank, 2008.

TUCKER, Irvin. 2012. Macroeconomics for Today. Boston : Cengage Learning, 2012.

UNDP, United Nations Development Programme. 1990. HUMAN DEVELOPMENT REPORT


1990. Oxford : Oxford University Press, 1990. 0-19-506481-X.

116
UPHOFF, Norman Thomas. 1972. The Political Economy of Development: Theoretical and
Empirical Contributions. Richmond : University of California Press, 1972. 9780520020627.

VALLINA, Jaime Izquierdo. 2005. Manual para Agentes de Desarrollo Rural (2ª Ed.).
Madrid : Mundi-prensa libros S.A., 2005. 9788484762645.

VARÃo, Carla, Batista, Cláudia e Martinho, Vânia. 2006. Métodos de Amostragem. [Online]
2006. [Citação: 03 de Outubro de 2014.]
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/mi2/MetodosAmostragemT2.pdf.

VIERA, Cristina Maria Coimbra. 1999. A credibilidade da investigação científica de natureza


qualitativa : questões relativas à sua fidelidade e validade. Revista Portuguesa de Pedagogia,
Ano XXXIII, n.º 2. Coimbra : FPCEUC, 1999.

WEIMER, B. (2012). Moçambique: Descentralizar O Centralismo Economia política, recursos e


resultados. Maputo: IESE.

WHITE, Stacey. 2011. Government Decentralization in 21st Century - A Literature Review.


Washington : CSIS - Center for Strategic & International Studies, 2011.

WORLD BANK. 2010. Relatório sobre Desenvolvimento Mundial 2010: Desenvolvimento e


Mundanças Climáticas. São Paulo : Fundação Editora da UNESP (FEU), 2010.

XERINDA, Fernando Francisco. 2006. Análise da contribuição da AWEPA para as políticas do


Governo na área de descentralização. Maputo : Universidade Eduardo Mondlane, Novembro de
2006.

117
ANEXOS

Anexo1: Guião de Entrevista aos Funcionários do Governo do Distrito de Boane.

Anexo2: : Guião de Entrevista para membros do conselhaos local e lideres comunitarios


no Governo do Distrito de Boane.

118