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Índice

Introdução ....................................................................................................................................... 3

1. Prova em auditoria ...................................................................................................................... 4

1.1 Conceitos................................................................................................................................... 4

1.2 Asserções das demonstrações financeiras ................................................................................. 5

1.2.1 Asserções relacionadas com transacções ............................................................................... 7

1.3 Tipos de prova de auditoria..................................................................................................... 11

1.4. Procedimentos de auditoria .................................................................................................... 17

1.4.1 Procedimentos analíticos e potenciais erros: ....................................................................... 20

1.5. Papéis de trabalho .................................................................................................................. 20

1.5.1. Os principais objectivos dos papéis de trabalho são: .......................................................... 21

1.6. Tipos de papéis de trabalho.................................................................................................... 23

2. Considerações Finais ................................................................................................................ 24

3. Referencia Bibliografia ............................................................................................................. 25


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Introdução

O presente trabalho, visa abordar sobre Prova em Auditoria. Prova ou Evidência em auditoria, é
entendida como um conjunto de fatos comprovados, suficientes, competentes e pertinentes, que
serve como base para a sustentar um dado facto e opinião.

O trabalho tem como objectivo geral: Explanar acerca da Prova em Auditoria. Para que este
objectivo seja alcançado, o trabalho traz consigo os seguintes objectivos específicos: Conceituar
a Prova em Auditoria; Indicar os Tipos de Provas; e Abordar acerca dos papeis de trabalho.

A metodologia usada para a realização deste trabalho foi à de consulta bibliográfica, que
constitui na leitura, críticas e analises das informações das informações de várias obras que estão
devidamente citados dentro do trabalho e na bibliografia.
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1. Prova em auditoria

1.1 Conceitos

Segundo ALMEIDA (2014:188), Prova em auditoria é toda a documentação recolhida pelo


auditor que serve de suporte à formulação de uma opinião sobre as DF.

Para MAUTZ (1985), prova é a forma do auditor obter informações suficientes a fim de dar uma
opinião independente.

A DRA 510 – define prova de auditoria como todas as informações utilizadas pelo auditor que
lhe possibilitam chegar às conclusões sobre as quais baseia a sua opinião. Segundo a mesma
directriz, o auditor deve obter prova quer em quantidade, quer em qualidade, mas que na sua
obtenção deverá ponderar a relação custo/benefício.

Diante dos conceitos acima arrolados pode se perceber que prova em auditoria é um documento
que o auditor usa/ no qual se baseia para sustentar a sua opinião independente.

Na sua abordagem a obtenção de prova o auditor necessita de ter em atenção factores que podem
afectar a credibilidade dessa prova, coma e o caso da integridade do órgão de gestão, do risco
económico do cliente, da qualidade do sistema de informação do cliente, da envolvente e do
sistema de controlo interno implementado.

O auditor deve obter prova em quantidade apropriada que lhe permita avaliar se as
demonstrações financeiras apresentam, ou não, uma imagem verdadeira e apropriada da empresa.
Estas provas são obtidas através do conhecimento do negócio, da empresa e da sua envolvente,
da realização de procedimentos analíticos, da realização de testes aos controlos e da realização
de testes substantivos - as transacções e aos saldos. Assim, a quantidade de prova necessária e
afectada pelo risco de distorções (quanta maior e o risco, maior e a necessidade de prova) e pela
qualidade da mesma (prova de menos qualidade, requer mais quantidade (ALMEIDA,2014:182)

O auditor deve obter prova suficiente para manter o risco de auditoria num nível baixo, pelo que
quando o risco de auditoria aumenta, o auditor aumenta a extensão da prova, ou seja, recolhe
mais prova, para assim reduzir esse risco. No entanto para evitar a recolha de uma elevada
quantidade de prova, o auditor, sempre que possível, opta pela realização de procedimentos de
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auditoria mais eficazes. Por exemplo, o auditor pode recorrer a prova gerada externa mente em
detrimento da prova gerada internamente, ou a prova pode ser recolhida realizando mais
procedimentos perto ou depois do fim do exercício, em detrimento de Procedimentos ao longo
do ano.

O órgão de gestão é o responsável pela preparação das demonstrações financeiras. Estas devem
apresentar de forma verdadeira e apropriada a posição financeira, o resultado das operações e os
fluxos de caixa, de acordo com uma estrutura conceptual aplicável de relato financeiro, ou seja,
este é responsável pelas demonstrações financeiras apresentarem saldos correctos, evidenciar
todas as transacções efectuadas e estarem apresentadas de uma forma adequada, esta
responsabilidade leva a que esteja numa posição de controlar muita prova que corrobora as suas
asserções. Assim, o auditor deve reforçar o cepticismo profissional, isto é, encontrar um
equilibro entre a desconfiança e absoluta confiança no órgão de gestão e para isso deve sustentar
a sua opinião em prova suficiente e apropriada. Ao realizar o seu trabalho deve estar em alerta
para quaisquer circunstâncias que possam aumentar o seu cepticismo, como é o caso de indícios
de fraude, situações que resultem num aumento do risco inerente (como é o caso da empresa ter
intenções de ser admitida a cotação em bolsa), prova de auditoria que contradiga outra prova de
auditoria obtida, circunstancias que sugiram a necessidade de procedimentos de auditoria
adicionais e informação que ponha em causa a fiabilidade de documentos (ALMEIDA,
2014:182-83).

1.2 Asserções das demonstrações financeiras

Por cada uma das principais componentes das demonstrações financeiras: (1) classes de
transacções, (2) saldos e (3) apresentação e divulgação - o órgão de gestão e vista com estando,
implicitamente ou explicitamente, fazendo afirmações relacionadas com a propriedade, com a
valorização, com o reconhecimento, com a apresentação e divulgação, etc. que se tomam por
verdadeiras. As asserções subjacentes as demonstrações financeiras, de acordo com a·ISA 315,
são as seguintes (ALMEIDA,2014:183):

Quadro 5.1. - Asserções subjacentes as demonstrações financeiras (ALMEIDA,2014:184)

Relativas a classes de Relativas aos saldos finais Relativas a apresentação e


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transacções divulgação

Ocorrência (ocorrence) - as Existência (existence) Ocorrência (ocorrence)


transacções a acontecimentos - Activos, passivos e - Os acontecimentos e as
que se encontram registados Interesses no capital próprio transacções divulgadas
ocorreram e estão existem ocorreram.
relacionados com a entidade

Direitos e Obrigações Direitos e Obrigacoes (rights


(rights and obligations) - a and obrigacoes) -
entidade possui ou controla os Os eventos divulgados estão
direitos sabre os activos, e os relacionados com a entidade.
passivos representam
obrigações da entidade.

Plenitude (completeness) - Plenitude (completeness) - Plenitude (completeness) -


todas as operações e todos as activos, passivos e todas as divulgações que
acontecimentos estão interesses no capital próprio deveriam ter sido divulgadas
registados. foram registados. foram de facto divulgadas

Rigor (accuracy) - valores e Valorização e imputação Rigor e valorização


outros dados relacionados com (valuation and imputação) - (accuracy and valuation) - a
transacções e acontecimentos Activos, passivos e Interesses informação esta
foram apropriadamente no capital próprio estão adequadamente divulgada e
registados. registados nas demonstrações pelas quantias apropriadas.
financeiras pela quantia
apropriada.
Os rendimentos e os gastos
foram correctamente
imputados.
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Corte (cut-off) -
Transacções e
acontecimentos
foram registados no
período
contabilístico a que
dizem respeito
Classificação Classificação e
{classification) - transacções e Compreensibilidade
acontecimentos foram {classification e
registados nas contas understandability) - a
apropriadas. informação financeira foi
apresentada e relatada de
forma apropriada, e as
divulgações no ABDR
encontram-se descritas com
clareza.
Nem todas as asserções se aplicam a todos os itens das demonstrações financeiras. O auditor
deve ter em atenção as asserções relevantes, ou seja, aquelas que podem ter uma influencia
significativa ou na classe de transacções, ou nos saldos finais ou na apresentação e divulgação.

O objectivo da recolha de prova e ode testar as asserções acima descritas, de modo a valida-las.
Por exemplo, o inventario, a 31 de Dezembro, e o culminar de uma série de transacções que
ocorreram durante o ano, reflectindo as suas varias componentes (matérias-primas, matérias-
subsidiarias, mercadorias), bem como a sua respectiva valorização (custo de aquisição ou valor
realizável liquido, dos dois o mais baixo). Assim, existe o risco das quantidades que suportam o
inventário não estarem correctas, bem como o risco deste não estar correctamente valorizado.

1.2.1 Asserções relacionadas com transacções

Segundo ALMEIDA (2014:185) as asserções relacionadas com transacções são.


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Ocorrência: Todas as transacções e acontecimentos realmente ocorreram e estão relacionados


com a empresa. Por exemplo, o órgão de gestão afirma que todas as vendas contabilizadas no
exercício são transacções validas. Assim esta asserção e relevante em relação as vendas, pois o
órgão de gestão pode ter interesse em contabilizar vendas fictícias;

Plenitude: Todas as operações e acontecimentos que ocorreram durante o período foram


contabilizados. Por exemplo, se um cliente não contabiliza uma venda, esta conta estará
subavaliada. De referir que a preocupação do auditor em relação a esta asserção e oposta a
preocupação do auditor com a asserção da ocorrência: enquanto a plenitude se traduz numa
subvalorização das vendas, a ocorrência, uma venda que o órgão de gestão diz que ocorreu uma
venda quando de facto não ocorreu, traduz-se numa sobrevalorização das vendas;

Rigor: Todos os valores e outros dados relativos a transacções e acontecimentos foram


contabilizados adequadamente e os seus valores acumulados estão correctos, ou seja, foram
adequadamente contabilizados de acordo com os princípios contabilísticos. Por exemplo, o
normativo contabilístico diz que os activos fixes tangíveis devem ser contabilizados pelo seu
custo de aquisição, acrescido de todos os gastos suportados para entrarem em funcionamento, se

Tal acontecer confirma-se a asserção do rigor. Se uma venda esta contabilizada sem o respectivo
desconto, pode confirmar a asserção da ocorrência, mas não se confirma a asserção do rigor;

Corte: O corte e uma afirmação que atesta que as transacções e acontecimentos foram
contabilizados no exercício correcto. Os procedimentos do auditor devem assegurar que as
transacções ocorridas antes e após o final do exercício foram contabilizadas no respectivo
período contabilístico. Por exemplo, ao efectuar o teste de corte as vendas a data de 31 de
Dezembro de 2013, o auditor Pode examinar uma amostra de guias de remessa e de facturas
emitidas antes do final do ano e após o início do ano seguinte, para assim verificar se as vendas
foram registadas no período seguinte (ALMEIDA,2014:186):

ALMEIDA (2014:183) apresenta‒se uma abordagem a recolha de prova:

Quadro1: abordagem para recolha de prova

Passo Preocupações Acção


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1. Compreender o cliente e a • Características da indústria • Avaliar a integridade do


Indústria onde-se insere • Integridade do órgão de órgão de gestão
gestão e pressóes que possam • Avaliar o sistema de
influenciar a credibilidade informação do cliente
das demonstrações • Identificar factores de risco
financeiras. • Realizar procedimentos
• Natureza e qualidade do analíticos preliminares
sistema de informação
• Influência da envolvente

• Risco inerente • Identificar factores que


2. Avaliar o risco de • Risco de controlo possam colocar em causa
distorções materiais, asserção • Sistema informático a confiança na informação
para risco do cliente. fornecida pelo cliente
• Fazer um levantamento e
avaliação do sistema de
controlo interno.
3. Testes aos saldos e • Que quantidade? Efetuar procedimentos
transações. • Que procedimento? analíticos e testes aos saldos
• Quando devera ser e as transações, corroborando
realizado? a informação financeira e
outras informações sabre o
desempenho da empresa
4. Avaliar se a prova •Necessidade de • Realizar procedimentos
recolhida e adequada e emitir ajustamentos analíticos finais e
o relatório de auditoria • A eficiência dos sistemas procedimentos adicionais se
necessário
• Decidir qual o tipo de
relatório a emitir tendo por
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base a prova recolhida

Grande parte do trabalho, do auditor consiste na recolha e avaliação de provas que atestem as
asserções do órgão de gestão. A necessidade de recolha de prova esta relacionada com a
diminuição do risco de auditoria, ou seja, o risco do auditor expressar uma opinião inadequada
sobre as demonstrações financeiras.

A prova deve ser suficiente e apropriada. A suficiência esta relacionada com a quantidade de
prova que deve ser obtida, dependendo esta do julgamento do auditor (neste campo o auditor
pode utilizar ferramentas estatísticas que o ajudem a determinar a quantidade necessária).

O facto de a prova ser apropriada esta relacionada com a qualidade da mesma, ou seja, se a prova
recolhida é relevante e fiável. A relevância está relacionada com a asserção que se pretende testar
{ex. a resposta a um pedido de confirmação de um saldo de um fornecedor, fornece-nos prova
sobre a asserção da existência, mas não nos fornece prova sobre a asserção da plenitude). A
fiabilidade da prova depende das circunstancias em que e obtida.

Quadro2 - Fiabilidade da prova em auditoria (ALMEIDA,2014:189)

Maior confiança Menor confiança


Prova observada directamente Prova observada indirectamente (ex. listagem
(ex. observação da contagem de stocks) da contagem de stocks enviada para o auditor)
Documentos gerados externamente Documentos gerados internamente (guias de
(ex. facturas, guias de remessa) entrada, notas de encomenda)
Prova documental Provas remetidas pela empresa ao auditor
Documentos originais Prova verbal
Prova gerada internamente através de um Fotocopias
sistema eficaz de controlos
Provas mais credível:

 Prova gerada externamente, enviadas directamente para o auditor;


 Prova gerada externamente, mantida na empresa.

Provas menos credível:


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 Prova gerada internamente, confirmada por terceiros;


 Prova gerada internamente, não confirmada por terceiros.

1.3 Tipos de prova de auditoria

Os auditores recolhem prova através de vários procedimentos de modo a reduzirem o risco de


auditoria a um patamar aceitável.

Segundo ALMEIDA (2014: 190) Os tipos de prova mais relevantes podem ser sumariados como
se segue:

 Sistema de informação contabilístico: O sistema de informação contabilístico consiste


nos métodos utilizados pela empresa para registar, processar sintetizar e relatar as
transacções por si efectuadas, bem como para manter um controlo sobre os activos,
passivos e sobre o capital próprio. Uma vez que as demonstrações financeiras são
preparadas tendo por base os registos contabilísticos, ao auditor e requerido que, nos seus
papéis de trabalho, evidencie se os valores constantes nas demonstrações financeiras
coincidem ou não com os valores evidenciados no balancete.
 Documental: A prova documental e constituída por uma variedade de documentos que
servem de suporte aos registos contabilísticos efectuados pela empresa, incluindo:
facturas, contratos, extractos bancários, requisições, actas de reuniões dos órgãos sociais,
etc. A credibilidade da prova depende de onde esta e gerada, se dentro da empresa (ex.
facturas de vendas) ou fora da empresa (ex. facturas de compras).

Os documentos gerados externamente são considerados mais fiáveis uma vez que tem
origem em terceiros independentes. Dentro dos documentos gerados externamente
deveremos efectuar a seguinte divisão em matéria de fiabilidade:

Documentos gerados externamente e enviados directamente para os auditores (ex.


pedidos de conformações aos bancos) e documentos gerados externamente mas mantidos
nas instalações da empresa (ex. facturas de fornecedores, extractos bancários, notas de
encomenda de clientes, contratos). Grande parte dos documentos gerados externamente
são mantidos na empresa, portanto o auditor, ao decidir qual o grau de confiança que
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deve depositar nessa prova tem que ter em atenção a susceptibilidade do documento
poder ser adulterado, induzindo-o em erro.

Dada a possibilidade dos funcionários da empresa criarem documentos internos para


suportarem transacções fictícias, a relevância destes documentos sai reforçada quando
existe evidência de terem sido confirmados por terceiros (ex. uma guia de remessa
produzida pela empresa assinada pelo cliente, atesta que a mercadoria foi recepcionada e
fornece uma forte prova de que a mercadoria foi entregue).

 Confirmações externas (circularização): Confirmações externas e o processo de obter e


avaliar prova de auditoria por meio de uma comunicação escrita, recebida directamente
de um terceiro, em resposta a um pedido de informação acerca de um dado item que
afecta as asserções das demonstrações financeiras, incluindo as constantes nas respectivas
divulgações (ALMEIDA,2014:191).

O quadro seguinte mostra os itens das demonstrações financeiras que são alvo de pedido de
confirmações:

Quadro3 - Confirmações de terceiros

Itens Confirmação de terceiros


Meios Líquidos Financeiros Instituições financeiras e Banco de Portugal
Contas a receber Clientes e outros devedores
Inventários em poder de terceiros Terceiros que tem a sua guarda as mercadoria
Contas a pagar Fornecedores e outros credores
Locações Locadoras
Emprestarmos Instituições financeiras e Banco de Portugal
Cobertura de seguros Seguradoras
Processos movidos contra a empresa Advogados
(provisões)
Justo valor (Activos fixos tangíveis, Relatórios de especialistas
Propriedades de investimento, etc.)
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Como vemos pelo quadro acima os pedidos de confirmação são utilizados para testar os saldos
de uma variedade de rubricas. No entanto, as confirmações não constituem prova para todas as
asserções, regra geral são mais eficientes não obtenções de prova para testar a asserção da
existência, não sendo tão eficientes para testar as asserções da plenitude e da valorização, Por
exemplo: a resposta a um pedido de confirmação de saldos de clientes fornece prova em relação
a existência dessa divida, mas não prova se o cliente tem capacidade para a saldar, ou seja, não
prova que se deveria ter registado uma perda por imparidade. Os pedidos de confirmação devem
ser enviados pelo auditor e as respostas devem-lhe ser directamente remetidas, evitando que
sejam interceptada e adulteradas pela empresa.

Exemplo

Durante a realização de uma auditoria a Parmalat, o auditor circularizou o Bank of America,


pedindo para este confirmar um saldo de $3,2 mil milhões. A empresa intercepta o pedido de
confirmação e respondeu pelo banco confirmando a existência desse saldo, quando ele não
existia.

A circularização aos advogados ter com objectivo informar o auditor sabre os processos que a
empresa tem pendentes em tribunal, por exemplo: saber quais os créditos reclamados
judicialmente sabre os seus clientes e quais os processos movidos por terceiros (empregados,
clientes, fornecedores, etc..) contra a empresa. Para obter estas informações o auditor solicita ao
seu cliente que o seu advogado lhe remeta directamente quaisquer informações sabre processos
judiciais, descrevendo-os e indicando qual a provável Resolução do mesmo.

O auditor pode não ser perito na realização de tarefas técnicas que consistam na valorização de
inventários, activos fixos tangíveis, propriedades de investimento ou activos não correntes
detidos para venda; nesse caso, a prova de auditoria em relação a esta matéria é mais credível se
for obtida junta de um terceiro especialista na matéria, A Recomendação Técnica 19 refere que o
auditor é sempre responsável por todo o trabalho que suporta as suas conclusões, mesmo nas
situações em que utilize o trabalho de técnicos ou peritos. Assim, o auditor deve assegurar-se de
que o técnico ou perito possui as habilitações competência profissionais adequadas a realização
do trabalho, que não esta abrangido por qualquer incompatibilidade e que é independente em
relação a entidade em causa. Quando o auditor utiliza um trabalho de um técnico ou perito deve
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evidenciar nos seus papéis de trabalho as verificações par si realizadas (verificação dos dados
fornecidos pela empresa e verificação dos critérios utilizados pelo técnico ou perito), o trabalho
executado e as conclusões atingidas pelo técnico ou perito, para que, na medida do possível,
permita a um terceiro controlar a qualidade de todo o trabalho sem necessidade de ter que
consultar a documentação do técnico ou perito.

 Inspecção física: Está prova e obtida através da inspecção física dos activos, sendo a
melhor prova para confirmar a existência de inventários, edifícios, terrenos, equipamento
de transporte, equipamento básico, caixa, etc (ALMEIDA,2014:192).

No entanto, a inspecção física não é prova para testar todas as asserções. Por exemplo quando o
auditor assiste a contagem de inventário esta a reunir prova sobre a asserção da existência, mas
este procedimento não é relevante para testar, por si só, a asserção da valorização; no entanto
observando o seu estado de conservação, os seus defeitos e a sua obsolescência, o auditor pode
julgar se o mesmo deve ou não ser objecto de uma perda por imparidade.

Em alguns casos o auditor pode não ser o profissional mais adequado para determinar as
condições de um determinado activo, podendo, como já referimos, socorrer-se da ajuda de um
técnico ou de um perito.

A inspecção física também não fornece prova sobre a asserção do direito/propriedade; com efeito
a empresa pode possuir uma frota automóvel que tenha sido «adquirida» em regime de locação
operacional.

Podemos assim dizer que a inspecção física é uma boa prova para testar a asserção da existência,
no entanto são necessárias provas suplementares para testar as asserções da valorização,
direitos/propriedade e plenitude Observação:

 Através da observação o auditor analisa as actividades da empresa. É um procedimento


geralmente utilizado nos testes aos controlos, incluindo o «walktrought» (representa uma
combinação de questionários, inspecção física e observações, com vista a testar os
controlos implementados pela empresa, com este procedimento o auditor acompanha uma
transacção desde o seu inicio ate que esteja reflectida nas demonstrações financeiras),
verificando se um determinado controlo esta ou não a ser efectuado pela empresa,
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observando os empregados que são responsáveis por efectuar esse controlo


(ALMEIDA,2014:193).

Por exemplo: verificar se as normas da empresa referentes a contagem de Inventários são


cumpridas pelos funcionários que efectuam essas contagens.

No entanto, este procedimento sofre de uma grande limitação - não e um processo discreto.
Quando os funcionários sabem que estão a ser observados alteram o seu comportamento, para
além de que observar a realização dos procedimentos num determinado dia não constitui prova
de como esses procedimentos foram realizados nos outros dias.

Por último, a prova obtida através da observação apenas nos permite testar a asserção da
existência.

 Oral: Durante uma auditoria são muitas vezes colocadas questões a funcionários, a
responsáveis departamentais e ao órgão de gestão. Apesar de ser urna prova mais
persuasiva do que conclusiva, tem a vantagem de direccionar O auditor para outras
formas de obtenção de provas, corroborar provas anteriormente obtidas e orientar o
auditor para questões que possam ter impacto nas demonstrações financeiras
(ALMEIDA,2014:193).

Quando a prova oral assume um papel-chave na decisão do auditor, ela deve ser documentada
nos seus papéis de trabalho, indicando a fonte, a natureza e a data em que foi obtida.

Quando obtida do órgão de gestão essa prova deve ser reafirmada por escrito na declaração do
órgão de gestão. Esta declaração, inclui todas as provas orais transmitidas pelo órgão de gestão
ao auditor, por exemplo, nesse documento o órgão de gestão refere que todas as contingências
conhecidas estão reflectidas nas demonstrações financeiras.

No entanto, ela nunca deve substituir os procedimentos de auditoria, uma vez que as
demonstrações financeiras são por si só uma afirmação do órgão de gestão, a declaração do
órgão de gestão não vem mais que confirmar que as demonstrações financeiras estão correctas.
Apesar de não substituir os procedimentos de auditoria ela serve as seguintes finalidades:
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Relembra o órgão de gestão que este é o responsável pelas demonstrações financeiras, constitui
prova da resposta do órgão de gestão a questões colocadas pelo auditor e apresenta evidência
sobre os pianos futuros da empresa. Podemos assim dizer que a prova oral pode constituir prova
para qualquer asserção.

Exemplo

Os rendimentos da empresa National Student Marketing Coporation (NSMC) incluíam a venda


de duas subsidiárias a trabalhadores dessas subsidiárias, pelo montante de $ 370.000. Uma vez
que as duas subsidiárias apresentavam resultados negativos, os auditores obtiveram uma carta do
órgão de questão onde estes afirmavam que não existiam opções de recompra, nem seriam dadas
quaisquer compensações aos adquirentes das subsidiárias. A SEC criticou os auditores par se
basearem nesta declaração, considerando que as vendas tinham sido simuladas, e que estes
deveriam ter realizado procedimentos de auditoria que permitissem revelar que as vendas não
foram reais. De facto a NSMC tinha assumido o risco de questão das subsidiarias, garantindo-
lhes financiamento e colaterizando uma linha de credito disponibilizada pela banca.

 Aritmética: Outro tipo de prova de auditoria consiste na confirmação da exactidão


aritmética dos cálculos efectuados pela empresa. De uma forma simplista tomemos como
exemplo as depreciações contabilizadas pela empresa: o auditor vai testar se a taxa de
depreciação aplicada pela empresa e consistente com o período de vida útil definido, se,
aplicando a taxa ao valor depreciável, a depreciação do exercício esta de acordo com a
depreciação calculada pela empresa e se as depreciações acumuladas calculada pela
empresa estão de acordo com as depreciações acumuladas por si calculadas; o mesmo
raciocínio pode ser aplicado as reconciliações bancárias, o auditor vai confirmar se o
saldo do banco corresponde ao saldo constante do extracto bancário, se o saldo
evidenciado pela empresa esta de acordo com o saldo do balancete e se as adições e
subtracções a um e a outro estão aritmeticamente correctas (ALMEIDA,2014:194).
 Reexecução: Consiste em refazer os procedimentos contabilísticos e de controlo
implementados pela empresa. Enquanto a prova aritmética consiste numa análise dos
cálculos a reexecucao envolve a análise de procedimentos. Por exemplo, o auditor pode
comparar os preços de venda constantes das facturas com os preços evidenciados na lista
de preços (ALMEIDA,2014:195).
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 Analítica: A prova analítica consiste na comparação de informações do exercício com


informações de exercícios anteriores, com os valores esperados ou com os valores do
sector onde a empresa se insere.

A expectativa é a de que os valores sejam semelhantes aos dos anos anteriores, que
estejam de acordo com o previsto pela empresa e dentro dos valores para o sector.

Estas comparações são realizadas para testar a apresentação verdadeira e apropriada de


determinadas rubricas do balanço relacionadas com as asserções da existência, plenitude
e valorização.

Quando varies rácios financeiros confirmam as expectativas do auditor, a fiabilidade


deste tipo de prova é reforçada. Esta prova e influenciada pela existência e pela eficiência
dos controlos instituídos pela empresa, se eles estiverem em funcionamento e forem
eficientes, o auditor tem uma maior confiança nos procedimentos analíticos
(ALMEIDA,2014:195).

 Inquéritos: Os inquéritos são uma fonte de informação que pode ser corroborada através
de outras provas. A forca desta prova esta dependente da integridade do órgão de gestão e
do risco de negócio. Esta prova e relevante quando se esta a testar as asserções da
plenitude e dos direitos e obrigações (ex. inquéritos ao advogado da empresa e ao próprio
cliente), bem como obter uma segurança relativa sobre a valorização {ex. discutir
possíveis obsolescências dos inventários com o órgão de gestão). Os inquéritos permitem
reunir prova sobre: o sistema contabilístico, apassives contingentes, mudanças nos
procedimentos e na aplicação dos princípios contabilísticos, mudanças nos critérios de
valorização, etc (ALMEIDA,2014:195).

1.4. Procedimentos de auditoria

O auditor executa procedimentos de auditoria de modo a obter prova que lhe permita, com uma
certeza aceitável, pronunciar-se sabre se as demonstrações financeiras estão apresentadas de uma
forma verdadeira e apropriada em tendo atenção os princípios contabilísticos geralmente aceites.
Concretamente, o auditor pode efectuar três tipos de procedimentos (ALMEIDA,2014:196).
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 Procedimentos de avaliação do risco do cliente: desenvolvidos com o intuito de


compreender o cliente, a sua envolvente, o controlo interno bem como avaliar o risco de
existência de distorções materialmente relevantes
 Testes aos controlos: destinados a testar a operacionalidade e a eficiência, na prevenção
e detecção de distorções materiais, dos controlos implementados pela empresa.
 Procedimentos substantivos: destinados a detectar distorções materialmente relevantes
que não tenham sido prevenidas ou detectadas pelo sistema de controlo interno da
empresa. Estes procedimentos dividem-se em procedimentos analíticos, em testes de
detalhe aos saldos e as transacções e a apresentação e divulgação.

Os testes de detalhe aos saldos são orientados para verificar se os saldos finais possuem ou não
distorções materialmente relevantes; os testes de detalhe as transacções destinam-se a verificar se
as transacções ocorridas ao longo do ano foram adequadamente contabilizadas; par ultimo, os
testes de detalhe a apresentação e divulgação destinam-se a verificar são as demonstrações
financeiras estão correctamente apresentadas, bem coma verificar se todas as divulgações estão
espelhadas de forma apropriada.

Os procedimentos substantivos podem ser realizados ao longo do ano (interinos) após a data das
demonstrações financeiras. A realização de Procedimentos substantivos internos aumentam o
risco de auditoria, uma vez que distorções materialmente relevantes podem ocorrer entre a data
do trabalho interino e o final do ano. Este risco pode ser diminuído através da realização de mais
procedimentos substantivos durante o período remanescente ou pelo facto do auditor ter
confiança de que o controlo interno previne e/ ou detecta distorções materiais e que este continua
em funcionamento nesse período.

Quanto maior for o risco inerente e o risco de controlo mais procedimentos substantivos são
realizados. Para uma auditoria ser eficiente em termos de custos, necessariamente envolve a
selecção de amostras, cuja dimensão deve ser suficiente para reduzir o risco de auditoria a um
nível baixo. Apesar do custo não ser o principal factor de decisão relativamente ao tipo de prova
que o auditor deve obter, e um importante aspecto a ter em consideração,

A ISA 520 define procedimentos analíticos como «avaliações da informação financeira por meio
de análises de relacionamento plausíveis entre dados de informação financeira, bem como de
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informação não financeira. Os procedimentos analíticos também abrangem a investigação de


flutuações e de relacionamentos identificados que sejam inconsistentes com outra informação
relevante ou que difiram de valores esperados por uma quantia significativa».

São vários os métodos utilizados pelo auditor na execução de procedimentos analíticos: analise
de tendências, analise de rácios, testes de razoabilidade e modelos matemáticos, comparando
meses, trimestres, semestres ou anos.

Estes procedimentos são utilizados para detectar diferenças inesperadas ou a ausência de


diferenças esperadas, que poderão indicar distorções nas demonstrações financeiras
(ALMEIDA,2014:197).

‒ Análise de tendências: consiste na comparação de itens ao longo do tempo, e um


procedimento utilizado pelo auditor em períodos de estabilidade, uma vez que o seu nível de
precisão e muito reduzido quando a empresa atravessa tempos de instabilidade. Uma análise
simples de tendências envolve por exemplo a comparação dos dados do ano anterior com os
dados do ano corrente, ou, numa perspectiva mais complexa, a comparação de varies períodos de
tempo.

Segundo HAYES et al. (2005), a analise de tendências e mais precisa quanto estão em causa
dados desagregados, nomeadamente, por segmento ou produto, assim como e mais precisa em
relação a períodos mensais ou trimestrais do que anuais.

‒ Análise de rácios: a análise de rácios consiste em comparações de relações entre dados


financeiros, de dois ou mais períodos, comparações entre dados financeiros e não financeiros
(analise horizontal) ou comparação entre dados de empresas do mesmo sector (analise sectorial).
Trata-se de uma ferramenta muito útil para compreender os acontecimentos recentes dos
negócios, a situação financeira da empresa, para identificar áreas de risco, assim como para
analisar as demonstrações financeiras na perspectiva dos utilizadores da informação financeira,
permitindo orientar o auditor para procedimento substantivos adicionais em áreas consideradas
de risco.

Tradicionalmente os rácios financeiros são classificados nas seguintes quatro categorias:

1. Rácios financeiros
20

2. Rácios de económico-rendibilidade

3. Rácios de económico-financeiros

4. Rácios de gestão/actividade

1.4.1 Procedimentos analíticos e potenciais erros:

Procedimentos analíticos Potenciais Erros

Comparação das quantidades em inventário no Erros nos inventários.


ano corrente com as do ano anterior. Possibilidade de inventários obsoletos.
Comparação das despesas incorridas com Erro na classificação destas despesas.
investigação e desenvolvimento, com o Erro nas vendas ou nas contas a receber.
montante previsto no orçamento. Erro na imparidade de clientes.
Comparar os saldos em dívidas de clientes, Erro nas vendas e nas dívidas a receber.
com o volume de negócios. Erro nos inventários e no CMVMC.
Comparação da margem bruta da empresa, Erro nas vendas, erro nos inventários.
com a margem bruta do sector. Subavaliação do passível, erro nos gastos
Comparar as quantidades vendidas com os financeiros.
valores contabilizados Comparar as juros
suportados com a media anual do saldo em
dividas a instituições financeiras.

1.5. Papéis de trabalho

Nos papéis de trabalho estão documentados os procedimentos empreendidos pelo auditor, as


provas recolhidas e as conclusões a que chegou. O termo papeis de trabalho abrange não só o
suporte de papel como outros meios de armazenamento de dados, designadamente os eletrónicos.

De acordo com a ISA 230, papéis de trabalho devidamente preparados demonstram que a
auditoria foi efectuada de acordo com as normas de auditoria, quem foi adequadamente planeada
21

e executada, que teve uma adequada supervisão, que o trabalho foi revisto e que as provas
recolhidas são suficientes e suportam a opinião do auditor (ALMEIDA,2014:208).

1.5.1. Os principais objectivos dos papéis de trabalho são:

Auxiliar a equipa de auditoria no planeamento e na execução da auditoria, servindo igualmente


como arquivo de matérias que poderia afectar auditorias futuras ou de matérias recorrentes;

Ajudar na coordenação, supervisão e análise do trabalho de auditoria;

Registar a prova de auditoria resultante dos trabalhos executados com o objectivo de suportar a
opinião e comprovar que tais trabalhos foram realizados de acordo com as normas de auditoria;

Assistir o controlo interno, o controlo de qualidade e o auditor sucessor na realização das suas
tarefas.

Os papéis de trabalho não são mais do que a história da auditoria, permitindo ao leitor a
compreensível rápida das questões e dos riscos, das asserções testadas, dos procedimentos de
auditoria empreendidos com vista obtenção de prova e das conclusões alcançadas pelo auditor.
No decorrer de uma auditoria e importante o auditor documentar as suas descobertas ou
acontecimentos com impacto nas demonstrações bem como as acções empreendidas para os
abordar. Tais assuntos incluem adoção de princípios contabilísticos, critérios valorimétricos,
estimativas contabilísticas, transacções complexas ou pouco usuais, entre outros. 0 Auditor deve
documentar todos os testes realizados, principalmente os que indiciem distorções materialmente
relevantes nas demonstrações financeiras, limitações ao trabalho realizado, propostas de
ajustamentos as demonstrações financeiras e quaisquer outros assuntos que possam implicar a
emissão de um relatório de auditoria modificado (ALMEIDA,2014:208-209).

Por último os papéis de trabalho devem identificar quem efectuou o trabalho e quem o reviu,
bem como as datas em que tal aconteceu.

A forma e o conteúdo dos papéis de trabalho variam consoante o tipo de trabalho, sendo
condicionados por aspectos come: natureza do compromisso, tipo de relatório a emitir, natureza
e complexidade do negócio, natureza e condições dos sistemas contabilístico e de controlo
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interno, necessidade de dirigir, supervisionar e analisar o trabalho executado por colaboradores e


da metodologia e tecnologia usadas no decurso da auditoria.

No entanto, devem permitir a um auditor experiente, sem conhecimento prévio da entidade e do


trabalho ficar com uma compreensão deste e das bases de suporte das decisões tomadas, muito
embora a compreensão completa de todos os aspectos da auditoria exija uma discussão com o
auditor que os preparou.

Os papéis de trabalho são propriedade do auditor, devendo ser obrigatoriamente conservados por
um período de 5 a nos (art.62, nr 5 do EOROC), não do cliente e, em caso algum, este tem o
direito de exigir o acesso a eles. Durante o decorrer de uma auditoria o auditor tem acesso a um
vasto leque de informações de natureza confidencial incluindo salários dos funcionários, preço
dos bens e dos serviços prestados, pianos estratégicos, custos de produção, etc... Caso o auditor
divulgasse esta informação a entidades ou pessoas externas a empresa, ou mesmo a funcionários
da empresa, a relação com o órgão de gestão poderia sair fragilizada. Para além deste facto, o
acesso de terceiros aos papéis de trabalho poderia ter como consequência a sua adulteração. Por
esta razoe o auditor deve ter uma especial atenção na salvaguarda dos seus documentos de
trabalho.

Como refere o ponto 2.7.1 do Código de Ética da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas: «O
principio da confidencialidade impõe a obrigação de o auditor se abster de:

a) Divulgar informação confidencial recolhida em resultado de relações profissionais, a não ser


que esteja autorizado por escrito, pela entidade a que respeite a informação, ou que exista um
direito ou um clever legal ou profissional de divulgar; e

b) Usar informação confidencial recolhida em resultado de relações profissionais para sua


vantagem pessoal ou de terceiros.»

O ponto 2.7.2 refere ainda que: «O auditor deve manter a confidencialidade, incluindo num
ambiente social, e estar alerta para a possibilidade de divulgação inadvertida, particularmente a
um parceiro de negócio ou a um membro da sua família.»
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1.6. Tipos de papéis de trabalho

Uma vez que os papéis de trabalho documentam uma grande variedade de informações, existem
varia categorias. No entanto, podemos referir que, regra geral, estes podem ser agrupados nas
seguintes (ALMEIDA,2014:211).

a) Papéis de trabalho administrativos: A realização do trabalho de auditoria requer planeamento,


supervisão, controlo e coordenação. Alguns papéis de trabalho são desenvolvidos para ajudar o
auditor no planeamento e na administração do compromisso assumido. Estes papéis de trabalho
incluem toda a documentação relacionada com o planeamento da auditoria, programas de
auditoria, questionários de controlo interno, carta de compromisso, duração do trabalho,
orçamentos etc.

b) Demonstrações financeiras ajustadas/reclassificadas: E um papel de trabalho onde constam as


demonstrações financeiras preparadas pela empresa, bem come colunas onde o auditor introduz
os ajustamentos/reclassificações originando as demonstrações financeiras
ajustadas/reclassificadas. Podemos designar este papel de trabalho como a espinha dorsal de
todos os papéis de trabalho, uma vez que concentra todos os ajustamentos e reclassificações que
foram detectados pelo auditor.

c) Programas de trabalho: Os programas de trabalho contem uma lista de procedimentos de


auditoria a serem efectuados. Os programas de trabalho silo utilizados para os testes aos
controlos e para os testes substantivos (analíticos e de detalhe).

d) Papéis de trabalho de testes e análises: Estes papéis de trabalho contem as provas que
suportam os ajustamentos e reclassificações que estão patentes nas demonstrações financeiras
ajustadas/reclassificadas e estão normalmente organizados por rubricas do balanço, com uma
última secção relacionada com os rendimentos e os gastos.
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2. Considerações Finais

Apos uma abordagem sobre a prova em auditoria, compreendemos que ela é dividia em três
tipos: a de sistema de informação contabilístico que pode ser entendida como física que consiste
em avaliar os métodos usados para os registos das operações contabilísticas. Documental: É
aquela obtida dos exames de ofícios, contratos, documentos comprobatórios (notas fiscais,
recibos, duplicatas quitadas, etc.) e informações prestadas por pessoas de dentro e de fora da
entidade auditada, sendo que a evidência obtida de fontes externas adequadas é mais fidedigna
que a obtida na própria organização sob auditoria. E confirmações externas, ou seja a
testemunhal É aquela decorrente da aplicação de entrevistas e questionários.

Os papéis de trabalhos são documentos históricos que registam os acontecimentos e factos


detectados pelos auditores durantes as suas actividades. E este esta dividido em 4 tipos: (1)
Papéis de trabalho administrativos, (2) Demonstrações financeiras ajustadas/reclassificadas (3),
Programas de trabalho e (4) Papéis de trabalho de testes e análises:
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3. Referencia Bibliografia

ALMEIDA, B. J.). Manual de Auditoria Financeira – uma Análise integrada baseada no risco.
Editora Escolar, (2014.

Hayes. et al., Principles of Auditing: na introduction to international standars auditing, 2nd,


Prentice Hall, 2005.

MAUTZ, R. K. Tradução e adaptação técnica de Franco, Hilário “ Princípios de Auditoria.


Editora Atlas, (1985).