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Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1):55-91.

Janeiro-Março de 2018 55

Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil:


chave para gêneros e monografias dos gêneros monoespecíficos
Alicia, Aspicarpa, Callaeum, Galphimia, Lophopterys,
Mcvaughia, Mezia e Verrucularia

Rafael Felipe de Almeida1*, Cleiton Pessoa2


& Augusto Francener3

RESUMO: Malpighiaceae está representada no estado da Bahia por 28


gêneros e ca. 210 espécies, ocorrendo em todos os tipos de fitofisionomias
neste estado. Apresentamos uma chave de identificação para os gêneros
desta família no estado da Bahia, além de tratamentos taxonômicos para os
gêneros monoespecíficos no estado Alicia, Aspicarpa, Callaeum, Galphimia,
Lophopterys, Mcvaughia, Mezia e Verrucularia, contendo descrições
morfológicas, ilustrações e comentários sobre distribuição, ecologia e
taxonomia das espécies estudadas.

Palavras-chave: Caatinga, Cerrado, Floresta Atlântica, Malpighiales,


Taxonomia.

ABSTRACT: (Malpighiaceae Juss. in state of Bahia, Brazil: generic key


and monographs for the genera Alicia, Aspicarpa, Callaeum, Galphimia,
Lophopterys, Mcvaughia, Mezia and Verrucularia) Malpighiaceae
comprises 28 genera and ca. 210 species in the state of Bahia, occurring in
all phytophysiognomies in this state. We present an identification key for the
genera occurring in this state, along with taxonomic treatments for the genera
Alicia, Aspicarpa, Callaeum, Galphimia, Lophopterys, Mcvaughia, Mezia, and

1
Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Botânica,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, Av. Antonio Carlos 6627, CEP 31270-901, Belo
Horizonte, Minas Gerais.
2
Centro de Pesquisas do Cacau, Herbário do Centro de Pesquisas do Cacau, Rodovia Ilhéus-Itabuna,
Km 22, CEP 45650-000, Ilhéus, Bahia.
3
Instituto de Botânica, Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Herbário SP, Programa de Pós-Graduação
em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente, Av. Miguel Stéfano 3687, CEP 04301-902, São Paulo,
São Paulo.
* Autor para correspondência: dealmeida.rafaelfelipe@gmail.com
56 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Verrucularia, with morphological descriptions, illustrations, and comments


on distribution, ecology and taxonomy of the studied species.

Keywords: Atlantic Forest, Caatinga, Cerrado, Malpighiales, Taxonomy.

Introdução

Malpighiaceae Juss. é uma das famílias de lianas e arbustos tropicais


e subtropicais mais diversas do mundo (Anderson, 2004; Davis & Anderson,
2010). Compreende ca. 77 gêneros e 1.300 espécies predominantemente
(85%) distribuídas na região neotropical (Davis & Anderson, 2010). Seu
notável conservantismo floral em linhagens neotropicais permite um fácil
reconhecimento das Malpighiaceae em campo (Anderson, 1990), auxiliada
pela presença de tricomas malpiguiáceos (tricomas unicelulares com um
pedúnculo e dois ramos), um par de glândulas secretoras de óleo na base de
cada sépala, e por suas pétalas unguiculadas na base (Anderson, 1981).
No Brasil, é representada por ca. 45 gêneros e 572 espécies ocorrendo
em todos os domínios vegetacionais do país, mas especialmente diversa
no Cerrado e nas Florestas Amazônica e Atlântica (BFG, 2015; Almeida et
al., 2016a). Dentre os estados brasileiros, a Bahia é o segundo com a maior
diversidade de espécies de Malpighiaceae, com 28 gêneros e ca. 210 espécies
distribuídas em todas suas fitofisionomias (Almeida et al., 2015; Almeida
& Amorim, 2014; Almeida & Pellegrini, 2016; BFG, 2015; Carvalho et al.,
2010; Pessoa et al., 2014; Pessoa & Amorim 2016). Somente dois estudos
taxonômicos voltados para as Malpighiaceae da Bahia são encontrados em
literatura, sendo referentes aos gêneros Banisteriopsis C.R.Rob., Bronwenia
W.R.Anderson e Diplopterys A.Juss. (Carvalho et al., 2010) e Heteropterys
Kunth (Pessoa et al., 2014).
Dessa forma, apresentamos uma sinopse taxonômica de Malpighiaceae
Juss. para o estado da Bahia, o terceiro e mais abrangente de uma série de
estudos focados na taxonomia desta família neste estado (Carvalho et al.,
2010; Pessoa et al., 2014). Este estudo contém uma chave de identificação
para os gêneros ocorrentes no estado, além do tratamento taxonômico para os
gêneros monoespecíficos Alicia W.R.Anderson, Aspicarpa Rich., Callaeum
Small., Galphimia Cav., Lophopterys A.Juss., Mcvaughia W.R.Anderson,
Mezia Schwacke ex Nied. e Verrucularia A.Juss. Inclui também descrições
morfológicas, listas de materiais examinados, comentários sobre distribuição
e taxonomia, mapas de distribuição geográfica e pranchas de fotos para as
espécies estudadas.
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Material e Métodos

Foram analisadas as coleções dos herbários ALCB, BAH, BOTU,


CEN, CEPEC, EAC, ESA, FUEL, G, HRB, HST, HTSA, HUEFS, HURB,
HVASF, IAC, INPA, IPA, MBM, MBML, MICH, NY, RB, SP, SPF, UB,
UESC e US (acrônimos segundo Thiers, continuamente atualizado), além de
materiais obtidos durante coletas em campo entre 2013 e 2016, e depositados
no Herbário HUEFS. Todos os espécimes foram analisados utilizando-se um
estereomicroscópio, literatura especializada na família (Anderson, 1981;
Niedenzu, 1928) e consultando-se pessoalmente ao virtualmente os tipos
nomenclaturais de cada espécie. Os materiais selecionados para as descrições
morfológicas representam somente um voucher por município e a lista de
exsicatas abrange todos os materiais examinados. Dados de distribuição
geográfica foram obtidos das etiquetas dos materiais selecionados, seguindo
a classificação de Veloso et al. (1991). Mapas foram elaborados com o
programa ArcGIS 9.3 (ESRI, 2010) e coordenadas geográficas foram obtidas
de materiais herborizados e coletados.

Resultados e Discussão

Tratamento taxonômico. Malpighiaceae é representada no estado da Bahia


por 28 gêneros e 210 espécies distribuídas por todas as fitofisionomias
do estado (BFG, 2015). Os gêneros mais diversos são Heteropterys
Kunth (46 espécies, Pessoa et al., 2014), Byrsonima Rich. ex Kunth
(38 espécies), Banisteriopsis C.R.Rob. (22 espécies, Carvalho et al.,
2010), Stigmaphyllon A.Juss. (18 espécies, BFG, 2015), Tetrapterys Cav.
(14 espécies, BFG, 2015), Peixotoa A.Juss. (13 espécies, BFG, 2015),
Diplopterys A.Juss. (11 espécies, Carvalho et al., 2014), Janusia A.Juss.
e Amorimia W.R.Anderson (6 espécies, cada, BFG, 2015, Almeida et al.,
2016b), Niedenzuella W.R.Anderson (5 espécies, BFG, 2015), Bunchosia
Rich. ex Juss. (4 espécies, Almeida & Pellegrini 2016), Camarea A.St.-Hil.,
Mascagnia (Bertero ex DC.) Bertero, e Ptilochaeta Tucz. (3 espécies, BFG,
2015), Barnebya W.R.Anderson & B.Gates, Bronwenia W.R.Anderson
& C.C.Davis, Carolus W.R.Anderson, Dicella A.Juss., Hiraea Jacq. e
Thryallis Mart. (2 espécies, cada, Carvalho et al., 2014, BFG, 2015).
Enquanto os gêneros Alicia W.R.Anderson, Aspicarpa Rich., Callaeum
Small., Galphimia Cav., Lophopterys A.Juss., Mcvaughia W.R.Anderson,
Mezia Schwacke ex Nied. e Verrucularia A.Juss. são representados neste
estado por somente uma espécie cada (BFG, 2015).
58 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Carvalho et al. (2010) e Pessoa et al. (2014) já apresentaram tratamentos


taxonômicos para os gêneros Banisteriopsis, Bronwenia, Diplopterys e
Heteropterys. Ainda, Carvalho et al. (2010) apresentam uma breve descrição
para Malpighiaceae no estado da Bahia que não compreende toda a variação
morfológica dos gêneros ocorrentes neste estado. Assim, apresentamos neste
trabalho uma nova descrição morfológica para Malpighiaceae no estado da
Bahia incluindo toda a variação morfológica de seus gêneros, bem como
uma chave de identificação para os mesmos. Por fim, dando continuidade ao
tratamento taxonômico de Malpighiaceae no estado da Bahia, apresentamos
monografias para todos os gêneros monoespecíficos de Malpighiaceae deste
estado.

MALPIGHIACEAE Juss., Genera Plantarum 252. 1789.


Tipo: Malpighia L.

Árvores, arbustos, eretos a escandentes, a trepadeiras lenhosas ou


herbáceas; perenes; tricomas unicelulares, dolabriformes (em formato de T, Y
ou V), raramente estrelados ou escamiformes. Estípulas epi- ou interpeciolares,
livres ou conadas, diminutas, raro expandidas, persistentes ou decíduas. Folhas
opostas, raramente verticiladas, sub-opostas a alternas; pecíolo glanduloso,
raro eglanduloso; lâminas glandulosas, raro eglandulosas, margem inteira,
raro lobadas, denteadas ou ciliadas. Tirsos, panículas, dicásios ou umbelas,
axilares ou terminais. Flores zigomorfas, raro actinomorfas. Sépalas 5,
livres ou conadas na base do receptáculo; elaióforos (0−)2 por sépala, sépala
anterior frequentemente eglandulosa ou todas as sépalas eglandulosas. Pétalas
5, livres, unguiculadas, imbricadas, amarelas a alaranjadas a vermelhas ou
brancas a róseas a lilases; pétala posterior diferindo das 4 laterais. Estames
2−3−5−6−10 férteis, homo ou heteromórficos; anteras basifixas, rimosas
introrsas, pubescentes ou glabras. Gineceu (2−)3(−4)-carpelar, livres ou
conatos, uni-ovulados; óvulo pêndulo, anátropo; estiletes (1−2−)3, livres,
raramente conados, ápice diminuto, capitado, truncado a foliáceo; estigma
terminal ou lateral. Frutos deiscentes ou indeiscentes, nozes, drupas ou
esquizocarpos com mericarpos alados (samarídeos), setosos ou lisos (cocas).
Sementes sem endosperma.

Chave para os gêneros de Malpighiaceae no estado da Bahia

1. Estípulas epipeciolares ........................................................................... 2


1’. Estípulas interpeciolares ........................................................................ 16
2. Pétalas laterais geralmente cuculadas; cocas, drupas ou nozes ............... 3
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2’. Pétalas laterais planas; mericarpos alados ou setosos ............................. 8


3. Sépalas 2-glandulosas ............................................................................... 4
3’. Sépalas eglandulosas .............................................................................. 7
4. Bractéolas 1-glandulosas .......................................................................... 5
4’. Bractéolas eglandulosas .......................................................................... 6
5. Pétalas com margem fimbriada; pétalas latero-anteriores divergentes; anteras
com lóculos retos; estigma capitado; drupas ................................. Bunchosia
5’. Pétalas com margem inteira; pétalas latero-anteriores sobrepostas; anteras
com lóculos em forma de ferradura; estigma crateriforme; nozes .................
..................................................................................................... Mcvaughia
6. Pétalas planas, anteras com lóculos verrucosos; cocas ......... Verrucularia
6’. Pétalas cuculadas; anteras com lóculos lisos; drupas ............. Byrsonima
7. Tricomas malpiguiáceos (em forma de T, Y ou V); sépalas valvares no
botão floral e eretas na antese; pétalas triangulares a ovadas; estiletes com
ápice subulado; estigma punctato ................................................ Galphimia
7’. Tricomas estrelados; sépalas imbricadas no botão floral e reflexas na antese;
pétalas obladas a reniformes; estiletes com ápice uniformemente cilíndrico;
estigma capitado ............................................................................. Thryallis
8. Ramos jovens quadrangulares; sépalas com um par de glândulas fusionadas
................................................................................................... Lophopterys
8’. Ramos jovens cilíndricos; sépalas com um par de glândulas livres ............ 9
9. Unidade básica da inflorescência umbelas ............................................ 10
9’. Unidade básica da inflorescência tirsos ............................................... 14
10. Flores actinomorfas; mericarpos setosos.................................. Ptilochaeta
10’. Flores zigomorfas; mericarpos alados ............................................... 11
11. Pétalas carenadas no botão floral; mericarpos com ala dorsal mais
desenvolvida que as laterais .......................................................... Heteropterys
11’. Pétalas lisas no botão floral; mericarpos com alas laterais mais
desenvolvidas do que a ala dorsal ................................................................ 12
12. Brácteas e bractéolas expandidas, cobrindo o botão floral; alas laterais
conadas na base ..................................................................................... Mezia
12’. Brácteas e bractéolas diminutas, não cobrindo o botão floral; alas laterais
livres na base ................................................................................................ 13
13. Pedúnculos desenvolvidos; pedicelos circinados na pré-antese; pétalas
pubescentes ....................................................................................... Callaeum
13’. Pedúnculos sésseis; pedicelos eretos a curvados (nunca circinados) na pré-
antese; pétalas glabras …….……....….…............................................ Hiraea
14. Pétalas carenadas no botão floral; mericarpos com ala dorsal mais
desenvolvida do que as laterais ..................................................... Heteropterys
14’. Pétalas lisas no botão floral; mericarpos com alas laterais mais
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desenvolvidas do que a dorsal ...................................................................... 15


15. Lâminas foliares glandulosas na margem; bractéolas agudas no ápice; limbo
da pétala posterior tão longo quanto aquele das pétalas laterais; mericarpos
com alas laterais dispostas em forma de X ...................... Niedenzuella
15’. Lâminas foliares eglandulosas na margem; bractéolas arredondadas no
ápice; limbo da pétala posterior duas vezes mais longo que aquele das pétalas
laterais; mericarpos com alas laterais dispostas em forma de borboleta (∞) ...
............................................................................................................. Alicia
16. Bractéolas expandidas, revolutas no ápice; sépalas expandidas nos frutos;
nozes ................................................................................................. Dicella
16’. Bractéolas diminutas, planas no ápice; sépalas não expandidas nos frutos;
mericarpos ................................................................................................ 17
17. Estames férteis 10 .............................................................................. 18
17’. Estames férteis 2−3−5−6 ................................................................... 27
18. Pedicelos 2−3 vezes mais longos que os pedúnculos; glândulas do cálice
decurrentes no pedicelo ................................................................. Barnebya
18’. Pedicelos tão longos ou menores que os pedúnculos; glândulas do cálice
restritas às sépalas .................................................................................... 19
19. Mericarpos com ala dorsal mais desenvolvida do que as laterais ......... 20
19’. Mericarpos com alas laterais mais desenvolvidas do que a dorsal ...... 24
20. Pétalas carenadas no botão floral; ala dorsal espessada na margem inferior
.................................................................................................. Heteropterys
20’. Pétalas lisas no botão floral; ala dorsal espessada na margem superior ..
.................................................................................................................. 21
21. Lenho com elementos de vaso visíveis a olho nu, pecíolos longos, ápice dos
estiletes geralmente foliáceos, raro truncado ............................ Stigmaphyllon
21’. Lenho com elementos de vaso inconspícuos a olho nu, pecíolos curtos,
ápice dos estiletes geralmente uncinados ou truncados ........................... 22
22. Folhas com venação eucamptódroma; pétala posterior com um par de
glândulas discoides grandes na base do limbo; estames monomórficos; anteras
curvadas ...................................................................................... Bronwenia
22’. Folhas com venação broquidódroma; pétala posterior eglandulosa ou com
glândulas diminutas na margem do limbo; estames heteromórficos; anteras
retas .......................................................................................................... 23
23. Pétalas pubescentes; estiletes delgados, pubescentes até 2/3 de seu
comprimento ................................................................................ Diplopterys
23’. Pétalas glabras; estiletes grossos, quando pubescente somente na base..
............................................................................................... Banisteriopsis
24. Pétalas pubescentes; mericarpos com 2 alas laterais, livres ............... 25
24’. Pétalas glabras; mericarpos com 2 alas laterais fusionadas em uma ala
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 61

orbicular, ou com 4 alas laterais, livres ......................................................... 26


25. Brácteas e bractéolas glandulosas; sépalas não cobrindo as pétalas no botão
floral; mericarpos com uma ala dorsal presente ................................. Amorimia
25’. Brácteas e bractéolas eglandulosas; sépalas cobrindo as pétalas no botão
floral; mericarpos sem ala dorsal ...................................................... Carolus
26. Pétalas carenadas no botão floral; estiletes uncinados ou arredondados no
ápice; mericarpos com 2 alas laterais fusionadas em uma ala orbicular, alas
membranáceas ................................................................................ Mascagnia
26’. Pétalas lisas no botão floral; estiletes truncados no ápice; mericarpos com
2-4 alas laterais livres, alas cartáceas a coriáceas ............................ Tetrapterys
27. Estames férteis 2−3; mericarpos com alas reduzidas a cristas ou setas ..... 28
27’. Estames férteis 5−6; mericarpos com alas desenvolvidas ................. 29
28. Folhas tomentosas; estames férteis 3, estaminódios 2 ............ Aspicarpa
28’. Folhas hirsutas; estames férteis 2, estaminódios 3................... Camarea
29. Estípulas proeminentes, cordadas, fusionadas (formadas pela fusão de duas
estípulas de folhas distintas do mesmo nó); estames férteis 5; estaminódios
5, estiletes 3..................................................................................... Peixotoa
29’. Estípulas diminutas, triangulares, livres; estames férteis 5–6; estaminódios
ausentes, estiletes 1 ........................................................................... Janusia

1. Alicia W.R.Anderson, Novon 16: 174. 2006. Tipo: Alicia anisopetala (A.


Juss.) W.R.Anderson. Figs. 1–2.

Trepadeiras lenhosas. Estípulas epipeciolares. Folhas opostas, reduzidas nas


inflorescências; pecíolos 2–4-glandulosos; lâmina inteira, 2–muito-glandulosa,
venação broquidódroma, tricomas malpiguiáceos. Tirsos solitários ou tirsos
paniculados, terminais ou axilares; brácteas e bractéolas eglandulosas; pedicelos
retos na pré-antese. Flores casmógamas. Sépalas cobrindo as pétalas no botão
floral, revolutas na antese; 2-glandulosas, restritas às sépalas. Pétalas brancas,
lilases ou róseas, lisas no botão floral, abaxialmente tomentosas a seríceas,
eglandulosas; pétala posterior duas vezes mais longa que as 4 laterais. Androceu
com 10 estames férteis; filetes glabros; conectivos eglandulosos; anteras
monomórficas, glabras. Gineceu com 3 estiletes, retos, achatados lateralmente,
ápice truncado; estigma lateral, crateriforme. Mericarpos esquizocárpicos com
alas laterais mais desenvolvidas que a ala dorsal, flabeliformes a suborbiculares;
ala dorsal distinta; núcleo seminífero liso.

Comentários: Alicia é um gênero exclusivamente sul-americano,


compreendendo duas espécies amplamente distribuídas por florestas
estacionais e ombrófilas (Anderson, 2006; Almeida, 2018a).
62 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Figura 1. Alicia anisopetala: A. hábito, B. inflorescência, C. detalhe dos botões


florais, D. flor em vista frontal, E. frutos maduros (A-B por C. Takeuchi; C-D por
M.R. Pace; E por E.F. Rosetto).

1.1. Alicia anisopetala (A.Juss.) W.R.Anderson, Novon 16: 174. 2006. Figs.
1–2.

Trepadeiras lenhosas; ramos cilíndricos. Estípulas caducas. Folhas com


pecíolos 0,9−1 cm compr., canaliculados, alvo-seríceos, 3 pares de glândulas
esparsas; lâminas 10−12 × 4,5−6 cm, cartáceas, elípticas a obovadas,
base cuneada, margem inteira, levemente revoluta, ápice apiculado, face
adaxial pálido cerosa, glabra, face abaxial tomentoso-lanuginosa com
epiderme evidente, 3−7 pares de glândulas marginais próximas a base. tirsos
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 63

Figura 2. Mapa de distribuição de Alicia anisopetala no estado da Bahia, Brasil.


Domínio da Caatinga em branco; Domínio do Cerrado em laranja; Domínio da Flo-
resta Atlântica em verde. Cadeia do Espinhaço em cinza e principais corpos d'água
perenes em azul.

14−16-floros, raque alvo-serícea; brácteas 2 mm compr.; pedúnculos 4−5


mm, alvo-seríceos; bractéolas 2,5−3 mm compr. Sépalas 4−5 × 2−2,5 mm,
triangulares, tomentosas, ápice obtuso, revoluto; glândulas 2,5−3 × 1−1,2
mm, amarelas, reflexas no ápice. Pétalas alvas a lilases, patentes, tomentosas
na face abaxial; limbo 3−3,5 × 1−1,5 mm, obovadas, unguículos ca. 1 mm
compr. Estames com filetes 4−5 mm compr., conados até a porção mediana,
iguais. Ovário ca. 2,5 mm compr., híspido-tomentoso; estilete 2−2,5 mm
compr.; estigma lateral. Mericarpos 3, alas 2,2−2,8 × 1,4−2 cm, esparsamente
seríceas, as laterais conadas na base; núcleo seminífero globoso, seríceo.
64 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Distribuição: Ocorre na Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas


Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo
(Anderson, 2006, Almeida, 2018a, BFG, 2015). E7: em floresta estacional
semidecidual. Coletada com flores em setembro.

Comentários: Alicia anisopetala é facilmente reconhecida pela sua distribuição


restrita a florestas estacionais no leste e centro-oeste do Brasil (Almeida, 2018a).
Contudo, quando comparada morfologicamente com a única outra espécie do
gênero, A. macrodisca (Triana & Planch.) W.R.Anderson, estas espécies são
diferenciadas somente com base no tipo de indumento de suas folhas (Anderson,
2006). Em A. anisopetala a face abaxial de suas folhas é densamente tomentosa,
enquanto em A. macrodisca a face abaxial é serícea (Anderson, 2006). Em áreas
do centro-oeste onde estas espécies são simpátricas, distingui-las somente com
base no tipo de indumento é uma tarefa árdua, pois muitas vezes o indumento
de folhas velhas em ambas espécies é decíduo (Almeida obs. pess.). Somente
estudos futuros voltados a sua morfologia e taxonomia poderiam contribuir para
uma melhor delimitação interespecífica dentre as espécies de Alicia.

Material examinado: BRASIL. Bahia: Itaberaba, ARIE Serra do Orobó,


21.IX.2005, fr., D. Cardoso 811 (HUEFS).

Material adicional examinado: BRASIL. Paraná: Londrina, 4.III.2004, fl.,


J.S. Carneiro 223 (FUEL, HUEFS).

2. Aspicarpa Rich. Mém. Mus. Hist. Nat. 2: 396–400, pl. 13.1815. Tipo:
Aspicarpa hirtella Rich. Figs. 3–4.

Subarbustos. Estípulas interpeciolares. Folhas opostas, não reduzidas nas


inflorescências; pecíolos eglandulosos; lâmina inteira, 4–6-glandulosa,
venação eucamptódroma, tricomas malpiguiáceos. Tirsos 1–4-floros, axilares;
brácteas e bractéolas eglandulosas; pedicelos retos na pré-antese. Flores
casmógamas ou cleistógamas. Sépalas cobrindo as pétalas no botão floral,
apressas na antese; 2-glandulosas, glândulas restritas às sépalas. Pétalas
amarelas tornando-se alaranjadas a vermelhas quando maduras, lisas no botão
floral, abaxialmente tomentosas a glabras, glandulosas; pétala posterior tão
longa quanto as 4 laterais. Androceu com 3 estames férteis, 2 estaminódios;
filetes glabros; conectivos eglandulosos; anteras monomórficas, pubescentes.
Gineceu com 1 estilete, curvado, ápice truncado; estigma truncado,
apical. Mericarpos esquizocárpicos com alas laterais e dorsal reduzidas a
cristas; núcleo seminífero com 1 par de cristas laterais.
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 65

Figura 3. Aspicarpa harleyi: A. hábito, B. flor em vista frontal (fotos por R. Alves).

Comentários: Aspicarpa compreende dez espécies distribuídas por campos de


altitude, cerrados e florestas secas nas Américas Central e do Sul (Anderson et
al., 2006). No Brasil, o gênero é representado por quatro espécies ocorrendo
na Floresta Atlântica, Pampas, Pantanal e Caatinga (BFG, 2015).

2.1. Aspicarpa harleyi W.R.Anderson, Contr. Univ. Michigan Herb.


16: 55. 1987. Figuras 3−4.

Subarbustos, 25−50 cm alt.; ramos cilíndricos. Estipulas estreito-triangulares,


persistentes. Folhas decussadas; pecíolo 1,5−4,2 mm compr., seríceo; lâmina
2,5−6 × 1−2,5 cm, oval a elíptica, base cuneada a arredondada, margem
inteira, ápice agudo a obtuso, frequentemente mucronado, ambas as faces
velutinas, (1−)2(−3) glandulosa próximo a base, glândulas peltadas, venação
eucamptódroma. Umbelas axilares, 2−4-floras; pedúnculo 2,5−6,5 mm
compr.; brácteas e bractéolas 1−2,1 mm compr., estreito-elípticas, glabras.
Flores com pedicelo 4−10 mm compr. (16 mm compr. em frutos); sépalas
4−4,5 × 2,3−3 mm, triangulares, ápice agudo, apressas às pétalas na antese,
adaxialmente tomentosas, abaxialmente seríceas; 2−glandulosas, 1,2−1,7 ×
0,7−1 mm, amarelas tornando-se avermelhadas na pós-antese. Pétalas amarelas
66 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Figura 4. Mapa de distribuição de Aspicarpa harleyi no estado da Bahia, Brasil.


Domínio da Caatinga em branco; Domínio do Cerrado em laranja; Domínio da Flo-
resta Atlântica em verde. Cadeia do Espinhaço em cinza e principais corpos d'água
perenes em azul.

tornando-se alaranjadas na pós-antese, patentes, glabras ou tomentosas,


margem fimbriada; limbo 5−6,5 × 5,5−7 mm, subcircular, unguículos 2−3
mm compr. Estames férteis 3, estaminódios 2, desiguais; filetes 2−2,5 mm
compr., glabros, eretos; anteras glabras ou pubescentes. Ovários 0,3−0,5 mm
compr., pubérulos; estilete 1, 3,3−3,6 mm compr., glabro. Mericarpos 2−3,
alas reduzidas a cristas, 5,5−7,5 × 4,5−6 mm, velutinas.

Distribuição: Ocorre na Bahia (Anderson 1987; BFG 2015). B5, B6, B8, B9, C5,
C6, C7, C9, D5, D6, D7, E4, F4, F6, G5: em caatinga (stricto sensu) e campo
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 67

rupestre, entre 440 a 1.100 m. Coletada com flores e frutos de outubro a junho.

Comentários: Aspicarpa harleyi é caracterizada pelas folhas densamente


velutinas, umbelas 2−4-floras, e ausência de flores cleistógamas (Anderson,
1987). Aspicarpa harleyi pode ser confundida com A. schininii W.R.Anderson
pela semelhança do indumento das folhas, inflorescência e flores, mas é
facilmente diferenciada por sua distribuição restrita ao estado da Bahia.

Material selecionado: BRASIL. Bahia: Bom Jesus da Lapa, 12.I.2008, fl. fr.,
R.F. Souza-Silva 314 (HUEFS); Caetité, 12.III.1994, fl. fr., N. Roque CFCR 149
(ESA); Gentio do Ouro, 26.V.2009, fl. fr., J.A. Siqueira-Filho 2053 (HVASF);
Irecê, 20.10.2009, fl. fr., F.S. Gomes 314 (ALCB, HUEFS); Jacobina, 9.III.1976,
fl. fr., W.R. Anderson 11758 (G, MBM, NY, SP); Jeremoabo, s.d., fl., G.C.P. Pinto
114 (CEPEC); Macaúbas, s.d., fl., G. Hatschbach 65932 (MBM); Paratinga,
16.III.1998, fl. fr., G. Hatschbach 67824 (CEPEC, BOTU, INPA, MBM); Paulo
Afonso, 24.VI.1982, fl. fr., L.P. Queiroz 309 (ALCB, HUEFS); Rio de Contas,
3.IV.2009, fl. fr., R.M. Harley 55904 (HUEFS); Sento Sé, 29.I.2010, fl. fr., D.
Araújo 1314 (HVASF, SP); Umburanas, 18.II.2014, fl. fr., R.M. Harley 57015
(HUEFS).

3. Callaeum Small, N. Amer. Fl. 25: 128. 1910. Tipo: Callaeum nicaraguense
(Griseb.) Small. Figs. 5–6.

Subarbustos. Estípulas epipeciolares. Folhas opostas, reduzidas nas


inflorescências; pecíolos eglandulosos; lâmina inteira, 2–4-glandulosa,
venação broquidódroma, tricomas malpiguiáceos. Umbelas 4-floras,
axilares; brácteas e bractéolas eglandulosas; pedicelos circinados na pré-
antese. Flores casmógamas. Sépalas não cobrindo as pétalas no botão floral,
apressas na antese; 2-glandulosas, glândulas restritas às sépalas. Pétalas
amarelas não mudando de cor quando maduras, lisas no botão floral,
abaxialmente seríceas, glandulosas; pétala posterior menor que as 4 laterais.
Androceu com 10 estames férteis; filetes glabros; conectivos eglandulosos;
anteras monomórficas, pubescentes. Gineceu com 3 estiletes, curvados, ápice
truncado; estigma truncado, lateral. Mericarpos esquizocárpicos com alas
laterais mais desenvolvidas que a dorsal; núcleo seminífero liso.

Comentários: Callaeum é um gênero cuja maior parte das espécies ocorre em


florestas secas na América Central (Johnson, 1986). Somente duas espécies
ocorrem amplamente distribuídas por florestas estacionais e ombrófilas na
América do Sul (Johnson, 1986; Almeida, 2018b).
68 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

3.1. Callaeum psilophyllum (A.Juss.) D.M.Johnson, Syst. Bot. 11(2): 351.


1986. Figs. 5–6.

Trepadeiras; ramos cilíndricos. Estipulas triangulares, caducas a persistentes.


Folhas opostas; pecíolo 6−20 mm compr., lanuginosos a glabros; lâmina 5,5–

Figura 5. Callaeum psilophyllum: A. hábito, B. botões florais, C. flor em vista lateral,


D. fruto imaturo em vista dorsal (fotos por R.F.Almeida).
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 69

16 × 3–7,5 cm, elípticas a ovadas, base arredondada, margem inteira, plana,


ápice longo-acuminado, ambas as faces lanuginosas a glabras, 2–4-glandulosa
nas margens próximo a base, venação broquidódroma. Umbelas axilares, 4–
flora; pedúnculos 10–13 × 1–1,5 mm; brácteas e bractéolas elípticas, sésseis,
seríceas. Flores com pedicelos 16–18 × 1–1,5 mm; sépalas 0,5–2,5 × 0,7–2
mm, triangulares, ápice agudo, patentes as pétalas na antese, adaxialmente
glabra, abaxialmente serícea; 2−glandulosas, 2−3 × 2−3 mm, verdes tornando-
se amarelas na pós-antese. Pétalas sempre amarelas, a posterior ereta, as

Figura 6. Mapa de distribuição de Callaeum psilophyllum no estado da Bahia,


Brasil. Domínio da Caatinga em branco; Domínio do Cerrado em laranja; Domínio
da Floresta Atlântica em verde. Cadeia do Espinhaço em cinza e principais corpos
d'água perenes em azul.
70 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

laterais deflexas, abaxialmente serícea, margem erosa; limbo 6–14 × 4–9


mm, suborbicular, unguículos 6–1,1 × 0,5–0,75 mm. Estames férteis 10, com
filetes desiguais, glabros, eretos, divergentes; anteras iguais, pubescentes.
Ovário ca. 1,5 × 1,5 mm, seríceo; estiletes 1,6–2,4 mm compr., cilíndricos,
divergentes na base, pubescentes; ápice truncado. Mericarpos 3, glabros; ala
dorsal 1,4–2,5 × 0,6–1 cm, depresso-obovada; alas laterais 1,4–4 × 0,9–2,3
cm, flabeliformes.

Distribuição: Ocorre em Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão,


Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí,
Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe
(Almeida, 2018b). C8, D8, E3, E4, E5, E8, E9, F4, F5, F8, G4, G5, G8:
em caatinga, cerrado, floresta estacional semidecidual e floresta ombrófila.
Coletada com flores e frutos o ano todo.

Comentários: Callaeum psilophyllum é facilmente reconhecido pela sua


distribuição restrita a florestas estacionais no leste e centro-oeste do Brasil
(Almeida, 2018b). Contudo, quando comparado morfologicamente com a
única outra espécie do gênero na América do Sul, C. antifebrile, estas espécies
são diferenciadas com base no tamanho das alas laterais nos frutos e na posição
das glândulas na lâmina foliar (Johnson, 1986). Em C. psilophyllum as alas
laterais são bem desenvolvidas e as glândulas são restritas as margens das
folhas, enquanto em C. antifebrile as alas laterais são reduzidas e as glândulas
são restritas ao limbo da lâmina foliar (Almeida, 2018b).

Material selecionado: BRASIL. Bahia: Amargosa, 18.XI.2007, fl. fr.,


F.M. Ferreira 1908 (SPF); Barreiras, 30.V.2007, fl. fr., M.M.M. Chaves
1 (HUEFS); Bom Jesus da Lapa, 18.VI.1986, fl., G. Hatschbach 50491
(MBM, MO); Cachoeira, XI.1980, fl., Grupo Pedra do Cavalo 934 (ALCB,
CEPEC); Carinhanha, 24.XI.2007, fl. fr., M.L. Guedes et al. 13945 (ALCB,
HUEFS); Conceição de Feira, XI.1980, fl. fr., Grupo Pedra do Cavalo 908
(HUEFS); Feira de Santana, 19.II.1981, fr., A.M. Carvalho 599 (ALCB,
CEPEC); Ilhéus, 03.IX.1998, fl., A.M.A. Amorim et al. 2483 (CEPEC); Itajú
da Colônia, 19.III.2001, fl. fr., W.W. Thomas 12365 (CEPEC, NY); Iuiu,
15.IV.2002, fl. fr., F. França 3792 (HUEFS); Macaúbas, 12.X.2007, fl. fr.,
A.A. Conceição 2580 (HUEFS); Malhadas, 21.IV.2001, fl. fr., T.R.S. Silva et
al. 144 (ALCB, CEPEC, HUEFS); Oliveira dos Brejinhos, X.1986, fl. fr., G.
Hatschbach 65065 (MBM, CEPEC); Paratinga, 15.V.1978, fl. fr., J.P.S. Silva
512 (HUEFS); Pindaí, 02.XII.2004, fl. fr., G. Hatschbach 78762 (ALCB,
CESJ, FUEL, HUFU, MBM); Pintadas, 08.V.2014, fl. fr., L.G. Souza et al.
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 71

17 (HURB); Queimadas, 09.VI.1915, fl. fr., J.N. Rose 19845 (NY); Santana,
15.VII.2003, fl. fr. C. Correia 256 (CEPEC, HUEFS); Santo Amaro, s.d., fl.
fr., H.H.S. Moura 5 (CEPEC, HUEFS); Serra do Ramalho, 13.IV.2001, fl. fr.,
J. Jardim et al. 3445 (ALCB, HUEFS, NY, SPF); Urandi, 14.VII.2001, fl. fr.,
V.C. Souza et al. 25935 (CEPEC, ESA); Valente, 15.I.1979, fl. fr. J. Dobereiner
1460 (CEPEC); Wanderley, 11.10.2007, fl. fr., J. Paula-Souza 9356 (SPF).

4. Galphimia Cav. Icon. 5: 61–62, pl. 489. 1799. Tipo: Galphimia glauca
Cav. Figs. 7−8.

Arbustos a subarbustos. Estípulas epipeciolares. Folhas opostas, não reduzidas


nas inflorescências; pecíolos 2-glandulosos; lâmina inteira, 0−2-glandulosa
na margem próximo a base, venação broquidódroma, glabra. Tirsos solitários
ou dispostos em panículas, terminais; brácteas e bractéolas eglandulosas;
pedicelos retos na pré-antese. Flores casmógamas. Sépalas recobrindo as
pétalas no botão floral, eretas na antese; eglandulosas.  Pétalas  amarelas
tornando-se vermelhas na maturidade, lisas no botão floral, inteiras, glabras,
eglandulosas; pétala posterior tão longa quanto as 4 laterais. Androceu com

Figura 7. Galphimia brasiliensis: A. hábito, B. detalhe da inflorescência (A-B por


C.S. Pessoa).
72 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Figura 8. Mapa de distribuição de Galphimia brasiliensis no estado da Bahia,


Brasil. Domínio da Caatinga em branco; Domínio do Cerrado em laranja; Domínio
da Floresta Atlântica em verde. Cadeia do Espinhaço em cinza e principais corpos
d'água perenes em azul.

10 estames férteis; filetes heteromórficos; conectivos eglandulosos; anteras


monomórficas, glabras. Gineceu com 3 estiletes, delgados, curvados, glabros,
ápice subulado; estigmas punctato, terminais. Cocas 3, subglobosas; ala dorsal
reduzida a uma crista; alas laterais ausentes; núcleo seminífero liso.

Comentários: Galphimia compreende 26 espécies subarbustivas a arbustivas,


ocorrendo em florestas estacionais ao longo da América Latina (Anderson,
2007). No Brasil, o gênero ocorre na Caatinga, Cerrado, Floresta Atlântica,
Pampa e Pantanal (BFG, 2015).
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 73

4.1. Galphimia brasilensis (L.) A.Juss., Fl. Bras. Merid. 3: 71. 1829. Figs.
7−8.

Subarbustos, 0,5−1,5 m alt.; ramos cilíndricos. Estipulas persistentes, lineares


a estreito-triangulares. Folhas com pecíolo 2,9−5,9 mm compr., estrigoso
a glabrescente; lâmina 1,5−4,8 × 1−3,5 cm, oval a elíptica, base aguda a
truncada, margem inteira, ápice apiculado ou agudo, ambas as faces glabras.
Tirsos solitários, terminais; pedúnculo séssil a 1−2 mm compr.; pedicelo
2,7−8,6 mm compr.; brácteas e bractéolas lineares, 0,5−2 mm compr., glabras.
Sépalas 2,6−3,9 × 0,7−1,4 mm, estreitamente elípticas, ápice plano, revoluto
na pós-antese, glabras. Pétalas patentes, glabras; limbo 3,8−4,2 × 2,7−3,1
mm, triangular-oval, base aguda a obtusa, margem denticulado-erosa, ápice
obtuso. Estames com filetes 2−3,5 mm compr., glabros, eretos a sinuosos.
Ovário 0,3−0,8 mm compr., esparsamente piloso; estiletes 3, 3,1−4,4 mm
compr. Cocas 3,5−4 mm compr., esparsamente pilosas.

Distribuição: Ocorre na Bahia, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe


(Anderson 2007, BFG 2015). B5, B6, B7, B8, B9, C7, C8, C9, D6, D7, D8,
D9, D10, E7, E8, E9, E10, F4, F6, F7, F8, F9, G8, G9: em caatinga (stricto
sensu), campo rupestre, cerrado (lato sensu) e em bordas de matas e florestas
de galeria, entre 40 a 1.100 m. Coletada com flores ao longo do ano e com
frutos de janeiro a maio, e setembro e outubro.

Comentários: Galphimia brasiliensis é caracterizada pelo hábito subarbustivo


a arbustivo, com xilopódio persistente e indumento estrigoso, folhas
geralmente ovais, ovários e frutos pilosos. Galphimia brasiliensis pode ser
confundida com G. australis Chodat pela forma e tamanho da inflorescência
e pilosidade das sépalas. Contudo, são distinguidas pelo pecíolo tuberculado-
estrigoso, ovários e frutos pilosos em G. brasiliensis (vs. pecíolo glabro,
ovários e frutos glabros em G. australis).

Material selecionado: BRASIL. Bahia: Amargosa, 27.V.2005, fl., M.A.A.


Costa & M.L. Guedes 4 (ALCB); Bom Jesus da Lapa, 11.IV.2005, fl., J.G.
Carvalho-Sobrinho et al. 522 (CEPEC, HUEFS); Cachoeira, VI.1980, fl.,
Grupo Pedra do Cavalo 201 (CEPEC); Camaçari, 26.IV.2014, fl., M.L. Guedes
et al. 21511 (ALCB, MBM); Campo Formoso, 24.II.2000, fl., A.M. Giulietti
1816 (CEN, HUEFS, SP, UB); Canudos, 26.VI.2002, fl., L.P. Queiroz 7178
(HUEFS); Casa Nova, 4.VII.2009, fl., J. Paula-Souza & R. Tsuji 9782 (HTSA,
HVASF, IAC); Castro Alves, V.1951, fl., G. Pinto 830 (RB); Conceição de
Feira, 17.II.1981, fl., fr., A.M. Carvalho & Grupo Pedra do Cavalo 544
74 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

(ALCB, CEPEC); Conceição do Almeida, 29.XI.2012, fl., W.C. Andrade &


C.I.S. Lucas 54 (HURB); Conceição do Coité, 3.II.2013, fl., D.N. Carvalho
183 (HUEFS); Conde, 14.VIII.1996, fl., A.S. Conceição et al. 26 (CEPEC,
HRB, RB, UESC); Cruz das Almas, 4.XI.2008, fl., C.L. Damasceno et al.
s.n. (HURB 1040); Entre Rios, 20.IV.1996, fl., M.L. Guedes et al. 3813
(ALCB, UESC); Esplanada, 17.VIII.2003, fl., K.R.B. Leite 320 (HUEFS);
Feira de Santana, 15.III.2008, fl., E. Melo et al. 5457 (HUEFS, SP); Glória,
9.VI.2007, fl., A.S. Conceição 1021 (HUEFS); Iaçu, 22.II.1997, fl., fr., E.
Melo et al. 2043 (CEPEC, HUEFS); Ipirá, 4.X.1984, fl. fr., E.L.P.G. Oliveira
713 (BAH, CEPEC, HUEFS); Itaberaba, IX.1984, fl., G. Hatschbach 48206
(CEPEC, MBM); Itabuna, 28.X.1983, fl., R. Callejas 1563 (CEPEC, MBM,
RB); Itacaré, 6.VI.1999, fl., J.G. Jardim 2157 (CEPEC, NY, SP); Itatim,
26.X.1996 fl. fr., F. França et al. 1953 (CEPEC, HUEFS); Itiúba, 20.II.1974,
fl., R.M. Harley et al. 16227 (CEPEC); Jacobina, 17.I.1997, fl., M.M. Arbo
et al. 7359 (CEPEC); Jaguarari, 13.IV.2006, fl., R.F. Souza-Silva 196 (HST,
UESC); Jeremoabo, 13.V.1981, fl. fr., L.M.C. Gonçalves 41 (ALCB, CEPEC,
RB); Juazeiro, 13.VI.2009, fl., E. Melo et al. 6353 (HUEFS); Jussiape,
13.IV.1999, fl. fr., A.M. Amorim et al. 2833 (CEPEC, MBML, NY, RB,
SP); Mairí, 30.III.1985, fl., E.L.P.G. Oliveira 647 (ALCB, BAH, HUEFS);
Maracás, 3.XI.2011, fl., E. Melo et al. 10601 (HUEFS); Mata de São João,
14.VI.2012, fl., A.M. Miranda et al. 6542 (ALCB, EAC, HST, HUEFS,
RB); Miguel Calmon, 4.IV.2001, fl., H.P. Bautista 3007 (HUEFS); Milagres,
12.X.2012, fl., E. Melo et al. 11543 (HUEFS); Monte Santo, 11.I.2006, fl. fr.,
M.L. Guedes et al. 12069 (ALCB, CEPEC); Morro do Chapéu, 22.X.2011,
fl., M.L. Guedes et al. 19245 (ALCB); Muritiba, VIII.1957, fl., R.P. Lordêlo
57 (ALCB); Paulo Afonso, 24.VI.1982, fl., L.P. Queiroz & M.L. Guedes
319 (ALCB); Pindobaçu, 16.I.1997, fl., M.M. Arbo et al. 7334 (CEPEC);
Remanso, IV.1994, fl., M. Sobral 7636 (HUEFS); Retirolândia, 1.XI.1999, fl.,
R.P. Oliveira 280 (HUEFS); Rio de Contas, 19.I.2002, fl., A.M. Giulietti 2512
(HUEFS); Salvador, 2.IX.1999, fl., R.P. Oliveira 23 (HUEFS); Santa Inês,
15.X.1975, fl., T.S. Santos 3070 (CEPEC); Santa Teresinha, 27.V.1987, fl. fr.,
L.P. Queiroz et al. 1540 (CEPEC, HUEFS, MBM); Santaluz, 27.III.2010, fl.,
E.P. Queiroz 4394 (HUEFS); São Gabriel, 4.VII.2010, fl., R.F. Machado 558
(HUEFS); Senhor do Bonfim, 15.VIII.2001, fl., T.S. Nunes et al. 604 (ESA,
HUEFS, NY); Serrinha, 5.III.1976, fl., W.R. Anderson 11737 (NY); Tucano,
4.I.2006, fl., D. Cardoso & A. Amadeu 916 (CEPEC, HUEFS); Vera Cruz,
5.I.1975, fl., G. Elzeni s/n (ALCB 01923).

5. Lophopterys A.Juss., Icon. Sel. Pl. 3: 18. 1837.  Tipo: Lophopterys


splendens A.Juss. Figs. 9−10.
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 75

Trepadeiras lenhosas a arbustos. Estípulas epipeciolares. Folhas opostas a


subopostas; pecíolos eglandulosos ou com pequenas glândulas distribuídas
próximas ao ápice; lâmina 0−2-glandulosa na base próximo à margem, venação
broquidódroma, tricomas malpiguiáceos. Tirsos solitários ou dispostos em
panículas, terminais; brácteas e bractéolas eglandulosas; pedicelos retos na
pré-antese. Flores casmógamas. Sépalas expondo as pétalas no botão floral,
eretas na antese; 2-glandulosa, fusionadas, restritas às sépalas. Pétalas
amarelas, margem denteada, glabras, as vezes seríceas abaxialmente; pétala
posterior menor que as 4 laterais, glandulosa. Androceu com 10 estames
férteis; filetes heteromórficos, glabros; conectivos eglandulosos; anteras
monomórficas, pubescentes. Gineceu com 3 estiletes, cilíndricos, retos, ápice
truncado; estigmas crateriformes, laterais. Mericarpos esquizocárpicos com
alas laterais mais longas que a ala dorsal, em forma de V; ala dorsal
trapezoidal, conspícua; núcleo seminífero liso ou rugoso.

Comentários: Lophopterys compreende sete espécies encontradas nas florestas


Amazônica e Atlântica na América do Sul (Anderson & Davis, 2001). No
Brasil, podem ser encontradas nas florestas Amazônica e Atlântica (BFG,
2015).

5.1. Lophopterys floribunda W.R.Anderson & C.C.Davis, Contr. Univ


Michigan Herb. 23: 83–105. 2001. Figs. 9−10.

Lianas lenhosas; ramos quadrangulares. Estípulas epipeciolares, caducas.


Folhas opostas; pecíolos 5−13 mm compr., seríceos; lâmina 6,7−22,2 ×
2,2−6,7 cm, oblonga, base cuneada, obtusa ou arredondada, margem inteira,
plana a ondulada, ápice acuminado ou apiculado, eglandulosa, face adaxial
serícea a glabrescente, abaxial densamente prateado-serícea, ficando dourado-
serícea quando seca. Tirsos terminais ou axilares, multifloros; pedúnculo 0,4−2
mm compr.; pedicelo 2−4,1 mm compr.; brácteas 1,3−2,6 mm compr., lineares,
seríceas; bractéolas 1,8−2,5 mm compr., elípticas a ovais, seríceas. Sépalas
2−3 × 1−2 mm, ovais, ápice plano, seríceas. Pétalas amarelas; posterior 2−4
× 1,9−4 mm, orbicular a oval, ereta, glabra, margem denteada ou curtamente
fimbriada com pequenas glândulas na base; laterais 5−8,7 × 5,5−8,8 mm,
obovais, patentes, glabras ou esparsamente seríceas na face abaxial, margem
erosa ou denteada. Estames férteis 10, iguais; filetes 1,6−3,2 mm compr.,
glabros, eretos; anteras pubescentes. Ovário 1−1,5 mm compr., seríceo;
estiletes 1,3−2,1 mm compr. Mericarpos 3, ala dorsal 3−16 × 5,3−13,6 mm,
trapezoidal, serícea; alas laterais 17−37 × 6−12 mm compr., estreito-elíptica
a oval, seríceas; núcleo seminífero com nervuras proeminentes, seríceo.
76 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Figura 9. Lophopterys floribunda: A. folha em face adaxial, B. flores e botões florais,


C. inflorescência com flores e frutos imaturos, D. detalhe dos frutos maduros (fotos
por G. Shimizu).
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 77

Distribuição: Ocorre no Amazonas, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Minas


Gerais e Pará (Anderson & Davis 2001, BFG 2015). I7, I8, J7, J8: em floresta
estacional semidecidual e floresta ombrófila (BFG 2015), entre 100 a 200 m.
Coletada com botões florais em setembro e com frutos em novembro.

Comentários: Lophopterys floribunda é caracterizada pelo pedúnculo com


indumento marrom a marrom-escuro e anteras com lóculos pilosos (Anderson
& Davis, 2001). Lophopterys floribunda pode ser confundida com L.

Figura 10. Mapa de distribuição de Lophopterys floribunda no estado da Bahia,


Brasil. Domínio da Caatinga em branco; Domínio do Cerrado em laranja; Domínio
da Floresta Atlântica em verde. Cadeia do Espinhaço em cinza e principais corpos
d'água perenes em azul.
78 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

occidentalis W.R.Anderson & C.C.Davis pela semelhança da inflorescência,


indumento das anteras e mericarpos menores.

Material examinado: BRASIL. Bahia: Itamaraju, 20.IX.1978, fl., S. Mori et


al. 10746 (CEPEC, UESC); Jucuruçu, 20.XI.2014, fr., N.E. Oliveira-Neto
600 (CEPEC).

Material adicional examinado: BRASIL. Espirito Santo: Governador


Lindemberg, 22.VIII.2006, fl., V. Demuner et al. 2671 (CEPEC, MBML);
Santa Leopoldina, 29.VIII.2007, fl., R.R. Vervloet et al. 3342 (CEPEC,
MBML); São Roque do Canaã, 24.XI.2007, fl. fr., M. Simonelli et al. 1299
(CEPEC, MBML). Minas Gerais, Manhuaçu, 15.X.1983, fl., G. Hatschbach
& O. Guimarães 46868 (CEPEC, MICH).

6. Mcvaughia W.R.Anderson, Taxon 28: 159. 1979. Tipo: Mcvaughia baiana


W.R.Anderson. Figs. 11−12.

Arbustos ou subarbustos. Estípulas epipeciolares. Folhas opostas, não


reduzidas nas inflorescências; pecíolos eglandulosos; lâmina inteira,
2-glandulosa, venação broquidódroma, tricomas malpiguiáceos. Tirsos
terminais, cincinos 1–7-floros; brácteas e bractéolas 1-glandulosas; pedicelos
retos na pré-antese. Flores casmógamas. Sépalas expondo as pétalas no
botão floral; 2-glandulosas, glândulas restritas às sépalas. Pétalas amarelas,
patentes, lisas no botão floral, glabras, glandulosas; pétala posterior tão
longa quanto as 4 laterais. Androceu com 7 estames férteis, 3 estaminódios;
filetes heteromórficos, glabros; conectivos eglandulosos; anteras em forma
de ferradura, glabras. Gineceu com 3 estiletes, cilíndricos, curvados, ápice
truncado; estigma lateral, crateriforme. Nozes, cilíndricas, rugosas na base,
levemente torcidas, tomentosas.

Comentários: Mcvaughia compreende somente duas espécies disjuntas


entre as caatingas da Bahia e as restingas do estado do Sergipe (Amorim &
Almeida, 2015). No estado da Bahia ocorre somente em caatingas associadas
a sedimentos arenosos (Anderson, 1979; BFG, 2015).

6.1. Mcvaughia bahiana W.R.Anderson, Taxon 28: 159. 1979. Figs. 11−12.

Arbustos 1−3 m alt.; ramos cilíndricos. Estipulas triangulares, persistentes.


Folhas com pecíolo 2,6−7 mm compr., tomentoso; lâmina 3,2−8,5 × 1,4−3,7
cm, elíptica a obovada, base obtusa a cuneada, margem inteira, ápice obtuso
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 79

mucronado, ambas as faces tomentosas quando jovens, face adaxial glabra


quando madura, face abaxial tomentosa quando madura. Tirsos terminais,
12−24 cincinos, 2−7-floros; pedúnculo 1,5−4,5 mm compr.; pedicelo séssil
a 0,5 mm compr. (1 mm compr. em frutos); brácteas e bractéolas 1,5−7 mm

Figura 11. Mcvaughia bahiana: A. hábito, B. detalhe da inflorescência, C. detalhe


da infrutescência (fotos por W.R. Anderson).
80 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

compr., lanceoladas, seríceas. Sépalas 2−3 × 1,5−2 mm, triangulares, ápice


agudo, apressas às pétalas na antese, adaxialmente glabras, abaxialmente
seríceas; glândulas, 1,5−2,5 mm compr., amarelas. Pétalas com limbo 3−7
× 3−8 mm, subcircular, unguículos 1,2−4 mm compr. Estames com filetes
2−3 mm compr., retos; anteras glabras. Ovário 1−1,3 mm compr., seríceo;
estiletes 2,5−2,7 mm compr., glabros. Nozes 7−8,5 × 4−5 mm.

Distribuição: Ocorre na Bahia (Anderson 1979; BFG 2015). C8, C9, D8: em

Figura 12. Mapa de distribuição de Mcvaughia bahiana no estado da Bahia, Brasil.


Domínio da Caatinga em branco; Domínio do Cerrado em laranja; Domínio da Flo-
resta Atlântica em verde. Cadeia do Espinhaço em cinza e principais corpos d'água
perenes em azul.
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 81

caatinga (stricto sensu), entre 210 a 630 m. Coletada com flores ao longo do
ano e com frutos de fevereiro a março.

Comentários: Mcvaughia bahiana é caracterizada pelas folhas tomentosas


(vs. seríceas em M. sergipana Amorim & R.F.Almeida), lâminas foliares
eglandulosas (vs. 2−7-glandulosas em M. sergipana), cincinos 2−7-floros
(vs. 1−2-floros em M. sergipana) e pétala posterior 4,5−8,5 mm compr. (vs.
até 3 mm compr. em M. sergipana) (Amorim & Almeida, 2015).

Material selecionado: BRASIL. Bahia: Conceição do Coité, 6.III.1976, fl. fr.,


W.R. Anderson 11740 (G, MBM, NY, SP, UB, US); Itiúba, 21.II.1974, fl., R.M.
Harley 16465 (NY); Monte Santo, 12.I.2006, fl., M.L. Guedes 12148 (ALCB,
CEPEC); Quijingue, 8.VII.2006, fl. fr., D. Cardoso 1311 (ESA, HUEFS);
Tucano, 10.IV.2004, fl., D. Cardoso 57 (CEPEC, HUEFS).

7. Mezia Schwacke ex Nied., Nat. Pflanzenfam. III(4): 58. 1890. Tipo: Mezia
araujoi Schwacke ex Nied. Figs. 13−14.

Lianas lenhosas. Estípulas interpeciolares. Folhas opostas; pecíolos


glandulosos; lâmina eglandulosa, venação broquidódroma, tricomas
malpiguiáceos. Umbelas dispostas em tirsos, laterais; brácteas e bractéolas
eglandulosas, bractéolas cobrindo todo o botão floral na pré-antese, eretas na
antese; pedicelos ausentes. Flores casmógamas. Sépalas estreito-oblongas;
2-glandulosas, restritas às sépalas. Pétalas amarelas, patentes, glabras, as
vezes seríceas abaxialmente; pétala posterior avermelhada, menor que as 4
laterais. Androceu com 10 estames férteis; filetes heteromórficos, glabros;
conectivos glandulosos; anteras heteromórficas, pubescentes. Gineceu
com 3 estiletes, cilíndricos, retos, ápice truncado; estigmas crateriformes,
laterais. Mericarpos esquizocárpicos com alas laterais mais desenvolvidas
que a ala dorsal, conadas na base; ala dorsal arredondada, conspícua;
núcleo seminífero contendo várias alulas laterais entre a ala dorsal e as
alas laterais.

Comentários: Mezia compreende dez espécies encontradas nas florestas


úmidas Amazônica e Atlântica na América do Sul e Panamá (Anderson et
al., 2006). No Brasil, quatro espécies podem ser encontradas na floresta
Amazônica e somente uma na floresta Atlântica (BFG, 2015).

7.1. Mezia araujoi Schwacke ex Nied., Nat. Pflanzenfam. III(4): 58. 1890.
Figs. 13−14.
82 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Lianas lenhosas; ramos cilíndricos. Estípulas interpeciolares, caducas. Folhas


opostas; pecíolo 1,8−2,3 cm compr., glabro, 2-glanduloso no ápice; lâmina
16−26 × 6,5−9 cm, oblonga a elíptica, base cuneada, margem inteira, plana,
ápice acuminado a mucronado, ambas as faces glabras, eglandulosa. Umbelas
axilares reunidas em tirsos, 4-floras; pedúnculo 1−1,3 cm compr.; brácteas
4−6 mm compr., elípticas, densamente velutinas; bractéolas 7−9 mm compr.,

Figura 13. Mezia araujoi: A. hábito, B. botão floral, C. flor em vista frontal, D. fruto
maduro em vista dorsal (fotos por A. Assis).
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 83

elípticas a ovais, densamente velutinas. Flores com pedicelo ausente; sépalas


6−8 × 1,2−2 mm, lineares a espatuladas, ápice arredondado, velutinas, anterior
eglandulosa e laterais 2-glandulosas. Pétalas amarelas, orbiculares a elípticas,
abaxialmente seríceas; posterior 7−9 × 7−9 mm, vermelha, ereta, margem
denteada; laterais 12−14 × 12−14 mm, patentes, margem erosa. Estames férteis
10, desiguais; filetes 2−4 mm compr., glabros, eretos; anteras pubescentes.
Ovário 1−1,5 mm compr., seríceo; estiletes 3, 3,5−4 mm compr., divergentes,
arqueados na base, glabros, ápice truncado; estigma lateral. Mericarpos 3,

Figura 14. Mapa de distribuição de Mezia araujoi no estado da Bahia, Brasil. Do-
mínio da Caatinga em branco; Domínio do Cerrado em laranja; Domínio da Floresta
Atlântica em verde. Cadeia do Espinhaço em cinza e principais corpos d'água perenes
em azul.
84 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

ala dorsal 12−14 × 4,5−6,5 mm, arredondada, glabras; alas laterais 14−15 ×
28−30 mm compr., orbiculares, glabras.

Distribuição: Ocorre na Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro


(BFG, 2015). F8, G8, I8: em floresta estacional semidecidual e floresta
ombrófila (BFG, 2015), entre 100 a 200 m. Coletada com flores em outubro
e janeiro e com frutos em outubro.

Comentários: Mezia araujoi é caracterizada pelo pedúnculo com indumento


marrom a marrom-escuro e anteras com lóculos pilosos. Pode ser confundida
com M. mariposa W.R.Anderson pela semelhança do indumento, inflorescência
e forma dos mericarpos menores. Contudo, Mezia araujoi é a única espécie
do gênero ocorrendo no leste do Brasil, enquanto as demais espécies ocorrem
no domínio Amazônico (Almeida et al. 2016).

Material examinado: BRASIL. Bahia: Itacaré, 8.I.2000, fl., A.M.A. Amorim


et al. 3226 (CEPEC, MBM, NY, SP, UESC); Porto Seguro, 12.X.2006, fr.,
L.P. Colman et al. 3 (ALCB); Valença, 30.X.2004, fl., P. Fiaschi et al. 2601
(CEPEC).

8. Verrucularia A.Juss., Ann. Sci. Nat., Bot., sér. 2 13: 327. 1840. Tipo:
Verrucularia glaucophylla A.Juss. Figs. 15−16.

Arbustos. Estípulas epipeciolares. Folhas opostas, não reduzidas nas


inflorescências; pecíolos eglandulosos; lâmina inteira, eglandulosa, venação
broquidódroma, tricomas malpiguiáceos. Tirsos, terminais; brácteas e
bractéolas eglandulosas; pedicelos retos na pré-antese. Flores casmógamas.
Sépalas expondo as pétalas no botão floral, eretas na antese; 2-glandulosas,
restritas às sépalas. Pétalas amarelas, carenadas no botão floral, inteiras,
reflexas em antese, glabras, eglandulosas; pétala posterior tão longa quanto
as 4 laterais. Androceu com 10 estames férteis; filetes desiguais, glabros;
conectivos eglandulosos; anteras monomórficas, verrucosas, glabras. Gineceu
com 3 estiletes, cilíndricos, retos, ápice subulado; estigma punctato, terminal.
Cocas 3, subglobosas; ala dorsal reduzida a uma crista; alas laterais ausentes;
núcleo seminífero liso.

Comentários: Verrucularia é um gênero que apresenta apenas duas espécies


(Verrucularia piresii W.R.Anderson e Verrucularia glaucophylla A.Juss.)
endêmicas de áreas montanhosas na América do Sul (Anderson, 1981).
No Brasil é representado por ambas espécies ocorrendo de forma disjunta
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 85

Figura 15. Verrucularia glaucophylla: A. hábito, B. inflorescência, C. detalhe das


brácteas, D. detalhe do botão floral, E. flor em vista lateral, F. detalhe das anteras
verrucosas, G. detalhe do fruto imaturo (fotos por R.F. Almeida).

na Chapada Diamantina, estado da Bahia, e na Serra do Aracá, estado do


Amazonas. É caracterizado principalmente por suas anteras com projeções
verrucosas, caráter único na família (Anderson, 1981).

8.1. Verrucularia glaucophylla A.Juss. Ann. Sci. Nat., Bot., sér. 2 13: 327.
1980. Figs. 15−16.
86 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Arbustos 1,5−2,5 m alt.; ramos cilíndricos. Estípulas caducas. Folhas com


pecíolos 2−6 mm compr., seríceos a glabrescentes; lâmina 1,6−6,5 × 0,9−3,6
cm, obovada, base aguda, margem inteira, revoluta, ápice acuminado,
cuspidado ou retuso, face adaxial glabra, abaxial serícea a glabrescente,
glauca. Tirsos terminais, multifloros, cincinos 1−4-floros, laxos; pedúnculo
8−10 mm compr.; brácteas e bractéolas 1,2−2,5 mm compr., triangulares;
pedicelo 9−12 mm compr.  Sépalas 2,5−3 × 1,1−1,3 mm, planas, glabras.
Pétalas laterais 4−5 × 2−3,5 mm; posterior 3−4 × 5−6 mm, ereta. Estames

Figura 16. Mapa de distribuição de Verrucularia glaucophylla no estado da Bahia,


Brasil. Domínio da Caatinga em branco; Domínio do Cerrado em laranja; Domínio
da Floresta Atlântica em verde. Cadeia do Espinhaço em cinza e principais corpos
d'água perenes em azul.
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 87

com filetes 2,7−3,8 mm compr., conados na base. Ovário 1−1,1 mm compr.,


seríceo a glabrescente; estiletes 1,2−2,5 mm compr. Cocas 3,2−3,7 × 2,8−3,0
mm, seríceas.

Distribuição: Ocorre na Bahia (Anderson, 1981; BFG, 2015). D6, D7, E4,
E6, F5, F6: em campo rupestre, entre 390 a 1.300 m. Coletada com flores e
frutos ao longo do ano.

Comentários: Verrucularia glaucophylla é um arbusto ramificado com tirsos


terminais, cincínos laxos e anteras com projeções verrucosas no ápice. Na
Bahia pode ser confundida com Galphimia, seu grupo irmão nas filogenias
moleculares (Davis & Anderson, 2010). Todavia, o último possui espécies
apenas subarbustivas, sépalas eglandulosas, e suas anteras não possuem
projeções verrucosas. Algumas vezes pode ser confundida também com
Byrsonima, por apresentar inflorescências terminais, entretanto nas espécies
de Byrsonima as inflorescências são tirsos de cincínos congestos, raramente
com pedúnculo desenvolvido, enquanto V. glaucophylla apresenta tirsos
terminais com cincínos laxos e pedúnculo bastante desenvolvido.

Material selecionado: BRASIL. Bahia: Abaíra, 19.XII.1991, fl., R.M. Harley


50126 (SP); Água Quente, 17.XII.1988, fl., R.M. Harley 27567 (SP); Andaraí,
15.XII.1999, fl., J.G. Jardim 2314 (SP); Érico Cardoso, 5.VII.2001, fl., T.
Ribeiro 364 (ALCB, CEPEC, HUEFS); Ibicoara, 1.II.1999, fl., M.L. Guedes
6287 (ALCB); Ibotirama, IX.1974, fl., D. Andrade-Lima 74-7860 (IPA);
Jacobina, 29.X.1990, fl., J.L. Hage 2301 (SP); Lençóis, 12.III.2002, fl., W.W.
Thomas 12968 (SP). Morro do Chapéu, 22.II.1993, fl., A.M. Amorim 1019
(SP); Mucugê, 23.VII.1985, fl., M.G.L. Wanderley 977 (SP); Palmeiras,
19.VII.1985, fl. fr., R. Kral 72822 (SP); Piatã, 27.XII.2004, fl. fr., R. Mello-
Silva 2779 (SP); Rio de Contas, 13.VII.1985, fl., T.M. Cerati 269 (SP); Seabra,
27.V.1980, fl., R.M. Harley 22711 (NY).

Agradecimentos

Os autores agradecem aos curadores e funcionários de todos


os herbários visitados pela assistência nos empréstimos e doações, em
especial aos funcionários do herbário HUEFS, bem como a André M.A.
Amorim e Marco Octávio de Oliveira Pellegrini por sugestões em uma
versão preliminar do manuscrito. RFA agradece a Capes por sua bolsa de
pós-doutorado e ao Smithsonian Institution pelo financiamento através
88 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

do Cuatrecasas Award (2015). CP e AF agradecem a Capes pelas bolsas


de mestrado e doutorado concedidas, respectivamente. Coletas à campo e
visitas às coleções consultadas foram parcialmente financiadas pelos projetos
Reflora Malpighiales (processo 563548/2010–0) e Universal (processos
486079/2013–9 e 422747/2016-5).

Literatura citada

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90 Almeida et al.: Sinopse de Malpighiaceae Juss. do Estado da Bahia, Brasil

Lista de Coletores

Aguiar, C.M.L. 17, 18, 19, 27, 28, 30, 31; Almeida, E.F. 307; Alves, R. 26;
Amorim, A.M.A. 1019, 2483, 2486, 2833, 2852, 3013, 3043, 3226, 3662;
Anderson, W.R. 11737, 11740, 11758; Andrade, M.J.G. 122; Andrade,
W.C. 54; Andrade-Lima, D. 74-7860; Aona, L.Y.S. 1297, 3565; Araújo,
D. 1292, 1314; Arbo, M.M. 7334, 7359; Bastos, B.C. 162; Bautista, H.P.
323, 935, 3007, 3606, 4035; Brito, J.C. 68, 112, 145, 153; Callejas, R.
1563; Cardoso, D. 9, 57, 529, 811, 916, 958, 1311, 1350; Cardoso, P.H.C.B.
17; Carneiro, J.S. 223; Carvalho, A.F. 3089; Carvalho, A.M. 544, 599,
1036, 1100, 1834, 3723, 8863; Carvalho, D.N. 183; Carvalho-Sobrinho,
J.G. 522, 3202; Cerati, T.M. 269; Chaves, M.M.M. 01; Colman, L.P. 03;
Conceição, A.A. 1434, 2580; Conceição, A.S. 26, 621, 1021; Coradin, L.
6222, 6535; Cordeiro, I. 2230; Correia, S. 02; Correia, C. 256; Costa, G.
341; Costa, M.A.A. 04; Costa-Lima, J.L. 792; Cruz, D.T. 40; Damasceno,
C.L. s.n. (HURB 1040); Davidse, G. 11925; Demuner, V. 2671; Dobereiner,
J. 1460; Elzeni, G. s.n (ALCB 01923); Faria, J.E.Q. 4439; Félix, L.P.
7482, 8773; Ferreira, M.C. PCD28; Ferreira, F.M. 1908; Ferreira, V.S.
57; Ferreira-Silva, A. 31; Fiaschi, P. 2601; Fierros, A.F. 1653; Fonseca,
W.O. 34, 71; Fontana, A.P. 6431; Fraga, C.N. 2759; França, F. 1651,
1953, 2719, 3792, 4027, 5229, 5367, 5716, 6069; Francener, A. 1400;
Freitas, J.G. 738; Fróes, R.L. 20229, 20247; Funch, L.S. 1623; Funch,
R. 57, 464; Ganev, W. 89, 429, 1003, 1349, 1404, 1714, 1903, 2046, 2499,
3230; Gasson, P. 6116; Giulietti, A.M. 28, 1816, 1827, 1941, 2512, 3247,
36371; Gomes, F.S. 314, 438; Gonçalves, L.M.C. 41; Grupo Pedra do
Cavalo 201, 908, 934; Guedes, M.L. 649, 749, 1091, 1448, 1449, 1945,
2914, 3813, 5418, 5511, 6287, 6942, 6996, 7518, 7520, 9781, 10309, 10756,
11772, 12069, 12148, 12426, 12866, 13906, 13945, 14222, 19243, 19245,
20598, 21306, 21511, 21947, 22838; Hage, J.L. 2301; Harley, R.M. 3287,
14373, 15348, 15351, 16027, 16227, 16465, 16823, 18671, 19046, 19193,
20076, 20563, 21145, 22635, 22711, 22846, 25901, 27567, 50126, 50175,
55904, 57015; Hatschbach, G. 39692, 39705, 42424, 44259, 46868, 47931,
48206, 48227, 50491, 65065, 65932, 67824, 78705, 78762; Hind, D.J.N.
4035; Hurbath, F. 31, 652; Irwin, H.S. 32437; Jardim, J.G. 2157, 2314,
3445, 5207; Kral, R. 75562; Leite, K.R.B. 320; Lemos, M.J.S. 92, 165;
Loizeau, P.A. 532; Lordêlo, R.P. 57; Lua, S. 10; Luetzelburg, P. 16; Lyra-
Lemos, R.P. 1853; Machado, R.F. 558; Marinho, L.C. 899; Martinelli,
G. 5270, 5411; Martins, M.L.L. 1469; Mayo, S. 1075; Mello-Silva, R.
2779; Melo, E. 1335, 1638, 2043, 3291, 4817, 5209, 5457, 6353, 7516,
8482, 9648, 10601, 11543, 11875, 12643; Miranda, A.M. 64, 464, 654;
Bol. Mus. Biol. Mello Leitão (N. Sér.) 40(1). 2018 91

Miranda, E.B. 624; Moraes, A. 47; Moraes, P.L.R. 2827; Mori, S.A.
10746, 12355, 12926, 12928, 12983, 13189, 14280, 14501; Moura, H.H.S.
5; Neves, S.P.S. 90, 131; Noblick, L.P. 1228, 3522; Nunes, T.S. 52, 604,
609; Oliveira, E.L.P.G. 647, 713; Oliveira, R.P. 23, 280; Oliveira-Neto,
N.E. 600; Orlandi, R. 266, 661; Paschoaletti, L.F.G. LE1; Passos-Júnior,
L.A. 240; Pastore, J.F.B. 2526; Paula-Souza, J. 5124, 5376, 9356, 9782;
Pigozzo, C.M. 219; Pinto, G.C. 114, 830; Pirani, J.R. H51429; Queiroz,
E.P. 4394; Queiroz, L.P. 309, 319, 597, 1246, 1540, 1842, 5050, 7178, 9017,
13125, 15937; Ribeiro, A.J. 36, 364; Ribeiro-Filho, A.A. 21, 24, 49, 77,
211; Rocha, D. 427, 645, 702; Rodrigues, L. 39; Roque, N. 149, 914, 1081,
1107, 1277, 1451, 1478, 1602, 1692, 1759, 1881, 2018, 3881, 4004, 4100,
4265, 4625, 14997; Rose, J.N. 19845; Saar, E. PCD4889; Santos, A.K.A.
1178; Santos, G.Q. 11; Santos, T.S. 3070; Silva, E.M. 64; Silva, F.B.L.
136; Silva, F.H.M. 402, 471; Silva, J.P.S. 512, 529; Silva, L.A.M. 1587,
1617; Silva, M.M. 111; Silva, T.R.S. 144; Simonelli, M. 1299; Siqueira-
Filho, J.A. 2053, 3280; Sobral, M. 7636; Souza, L.G. 17; Souza, E.B. 96,
467, 750, 903; Souza-Silva, R.F. 196, 292, 314; Souza, V.C. 23044, 25935;
Stradmann, M.T.S. 670, 675; Tavares, P. 27; Thomas, W.W. 12365,
12817, 12968; van den Berg, C. 1390; Vasconcelos, L.V. 568; Vervloet,
R.R. 3342; Vieira, T.L. 76; Wanderley, M.G.L. 977; Woodgyer, E. 2258.