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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS–DCH


CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

CAMILA ALCÂNTARA
CAMILA ARAÚJO
LORENA LIMA
PÉROLA BORGES
SÉRGIO DANILO
YAMKA PORTUGAL

AS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO E SUAS CORRELAÇÕES COM A


UNIDADE DE ATENDIMENTO INDIVIDUAL DO SEBRAE/BA

SALVADOR
2017
UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS–DCH
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

CAMILA ALCÂNTARA
CAMILA ARAÚJO
LORENA LIMA
PÉROLA BORGES
SÉRGIO DANILO
YAMKA PORTUGAL

AS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO E SUAS CORRELAÇÕES COM A


UNIDADE DE ATENDIMENTO INDIVIDUAL DO SEBRAE/BA

Trabalho apresentado como pré-requisito parcial para


aprovação na disciplina Fundamentos da
Administração, curso de administração da
Universidade do Estado da Bahia – UNEB, sob a
orientação da docente Aliger Pereira, 1º semestre,
noturno.

SALVADOR
2017
SUMÁRIO

1. A EMPRESA ................................................................................................................. 5

1.1. A Unidade de Atendimento Individual (UAIN) ........................................................ 5

1.2. Estrutura Organizacional .......................................................................................... 6

1.3. Organograma da UAIN ............................................................................................ 6

2. ABORDAGENS TEÓRICAS ....................................................................................... 7

2.1. Abordagem Científica .............................................................................................. 7


2.1.1. Aplicação na Empresa....................................................................................... 8

2.2. Abordagem Clássica ................................................................................................ 9


2.2.1. Aplicação na empresa ....................................................................................... 9

2.3. Abordagem das Relações Humanas ........................................................................ 10


2.3.1. Aplicação na Empresa..................................................................................... 11

2.4. Abordagem Comportamental ................................................................................. 12


2.4.1. Aplicação na Empresa..................................................................................... 13

2.5. Abordagem Burocrática ......................................................................................... 13


2.5.1. Aplicação na empresa ..................................................................................... 14

3. ANÁLISE DA ATIVIDADE ECONÔMICA ............................................................. 15

4. RESPONSABILIDADE SOCIAL .............................................................................. 16

5. CÓDIGO DE ÉTICA .................................................................................................. 17

CONCLUSÃO .................................................................................................................... 19

REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 20
4

INTRODUÇÃO

A disciplina Fundamentos da Administração é o campo do conhecimento humano que


busca o estudo das organizações em geral, cujo objetivo é formar uma visão crítica sobre a
evolução do pensamento administrativo. Os principais teóricos e suas contribuições na
formação dos conceitos visam difundir e ampliar a discussão da área no ambiente econômico,
de responsabilidade ética, social e ambiental com o qual interagem as organizações.
Neste contexto, o presente trabalho tem por objetivo analisar As Teorias da
Administração e suas correlações com a unidade de atendimento individual (UAIN) do
Sebrae/Bahia, através do estudo dos principais aspectos de cinco teorias da administração. A
relevância deste estudo se dá, pois, o ato de administrar consiste em tomar decisões sobre
objetivos, recursos humanos e não humanos e desta forma, o processo administrativo é
indispensável.
A metodologia utilizada foi de pesquisa descritiva que, segundo Gil (2008), busca
“descrever as características de determinadas populações ou fenômenos”. Através de
entrevistas, visitas a unidade central do Sebrae / Bahia e pesquisa bibliográfica foi possível
confrontar a teoria e o que é realizado na empresa estudada, através da análise de
procedimentos realizados.
5

1. A EMPRESA

O objeto de análise deste trabalho é o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas


Empresas do Estado da Bahia (SEBRAE/BA), uma entidade associativa de direito privado
sem fins lucrativos, instituídos sob a forma de serviço social autônomo, regulado por um
Estatuto. O SEBRAE/BA foi fundado em 24 de Julho de 1981 e no seu âmbito territorial de
atuação, tem por objetivo fomentar o desenvolvimento sustentável, a competitividade e o
aperfeiçoamento técnico das microempresas e das empresas de pequeno porte industriais,
comerciais, agropecuárias e de serviços, capacitando-as para cumprir eficazmente o seu papel
no processo de desenvolvimento econômico e social.

Através de parcerias com os setores público e privado, o órgão de apoio busca promover
programas de capacitação, estímulo ao associativismo, desenvolvimento territorial e acesso a
mercados, trabalhando pela redução da carga tributária e da burocracia para facilitar a
abertura de mercados e ampliação de acesso ao crédito, à tecnologia e à inovação das micro e
pequenas empresas.

1.1. A Unidade de Atendimento Individual (UAIN)

Para o presente estudo, o recorte a ser analisado será o setor de Unidade de Atendimento
Individual (UAIN). Esta unidade tem como objetivo prestar um atendimento de primeira
qualidade e continuado, possibilitando um relacionamento duradouro e assistido entre o
SEBRAE e o empreendedor, atuando em quatro áreas consideradas chaves para o crescimento
dos micro e pequenos empreendimentos:
1. Articulação de políticas públicas;
2. Acesso a novos mercados;
3. Acesso à tecnologia e inovação;
4. Facilitação e ampliação do acesso aos serviços financeiros.
6

1.2. Estrutura Organizacional

A estrutura organizacional, conforme define Chiavenato (2004), é o modo como às


atividades da organização são divididas, organizadas e coordenadas, constituindo-se na
arquitetura que garante a divisão e coordenação das funções dos integrantes da organização.

Quanto ao tipo de estrutura organizacional, a UAIN se enquadra no tipo formal -


funcional, pois é representada pelo organograma e todas as relações são formais. Apesar de
existir essa estrutura e havendo necessidade, os funcionários têm a liberdade de interagir
diretamente com os cargos mais elevados.

No que tange a departamentalização, a nível regional a organização optou, para


facilitar o atendimento em diversas regiões do Estado, possuir 31 pontos de atendimento que
estão espalhados pela Bahia, oferecendo soluções em diversas áreas tais como, educação,
consultoria, acesso ao crédito e ao mercado, além de incentivar a abertura de novos pequenos
negócios e a qualificação das empresas existentes.

Os cargos e funções são descritos em documentos que constam todas as


responsabilidades inerentes aos cargos existentes. Cada cargo possui procedimentos de
trabalho específicos que serve de orientação para os processos de trabalho, além dos
procedimentos corporativos que norteiam todos os processos de todas as unidades. O ritmo de
trabalho é determinado de forma situacional, com ritmos variados, e possibilidade de
negociações de prazos, de acordo com a capacidade técnica da equipe e da urgência do
processo.

1.3. Organograma da UAIN

A representação da estrutura da UAIN é feita por meio do organograma, que segundo


Mattos (1975), é um gráfico representativo dos órgãos ou unidades que integram uma
determinada organização e de suas interdependências. Assim sendo, segue abaixo
organograma:
7

Figura 1: Organograma da UAIN

Fonte: Elaborada pelos autores

2. ABORDAGENS TEÓRICAS

2.1. Abordagem Científica

Nos Estados Unidos, entre o fim da Guerra Civil e o começo do século XX, a indústria
expandiu-se aceleradamente. “Foi esta a era das grandes invenções e do surgimento das
empresas que viriam a tornar-se grandes conglomerados” (MAXIMIANO, 2000, p. 134). As
condições no início do século XX fizeram essa preocupação dar origem ao primeiro evento
importante na história da administração contemporânea: o movimento da administração
científica (MAXIMIANO, 2000, p. 53).

A pessoa que transformou o debate sobre a eficiência num conjunto de princípios e


técnicas foi Frederick Winslon Taylor, líder do grupo que promoveu o movimento da
administração científica. Em essência os princípios e técnicas criados por esse movimento
procuravam aumentar a eficiência dos trabalhadores por meio da racionalização do trabalho.
(MAXIMIANO, 2000, p. 53).

Os estudos de Taylor que embasam a Escola de Administração Científica estão


apoiados nos quatro pontos que seguem:
8

1. O objetivo da boa administração era pagar salários altos s ter baixos custos de
produção.
2. Com esse objetivo, a administração deveria aplicar métodos de pesquisa para
determinar a melhor maneira de executar tarefas.
3. Os empregados deveriam ser cientificamente selecionados e treinados, de maneira
que as pessoas e as tarefas fossem compatíveis.
4. Deveria haver uma atmosfera de intima e cordial cooperação entre a
administração e os trabalhadores, para garantir um ambiente psicológico favorável à
aplicação desses princípios. (MAXIMIANO, 2000, p.54)

Deve-se ressaltar ainda que os princípios demonstrados acima sofreram um


complemento no qual Taylor enfatizava ainda o princípio da divisão do trabalho entre
administração e mão-de-obra (MAXIMIANO, 2000).

Henry Ford, provavelmente, o mais conhecido de todos os precursores da


administração científica. Ele inovou na organização do trabalho: a produção de maior número
de produtos acabados com a maior garantia de qualidade e pelo menor custo possível. Ford
estabeleceu o salário mínimo de cinco dólares por dia e jornada diária de oito horas, quando,
na época, a jornada variava entre dez e doze horas. Utilizou um sistema vertical, produzindo
desde a matéria-prima inicial até o produto final acabado.

Um dos princípios de Ford foi à produtividade, para isso criou a linha de montagem,
que permitiu uma produção em série ou em massa. O produto é padronizado, bem como o
maquinário e o desenho de produto, o que proporciona um custo mínimo. Daí a produção em
grande quantidade (CHIAVENATO, 2004, p. 65 - 66).

2.1.1. Aplicação na Empresa

A teoria científica desenvolvida por Taylor influenciou diversas organizações. Essa


teoria desenvolveu para época um parâmetro a ser seguido que garantia um trabalho eficiente.
No setor Unidade de Atendimento Individual (UAIN) do SEBRAE/BA, foi visualizada a
implantação dessa teoria, pois, existem metas que são distribuídas para todos os projetos da
unidade e há um acompanhamento do atingimento dessas metas. Além disso, segundo relato
dos colaboradores, a unidade possui espírito colaborativo, e desta forma quando necessário,
todos se envolvem para o cumprimento da meta.

Todavia, um ponto da teoria científica no referido setor pode ser destacado, que é a
busca da eliminação de desperdícios humanos. Dessa forma há uma conduta de reutilização
de papéis impressos indevidamente, o ar condicionado é desligado todos os dias às 18h,
lembretes nas áreas comuns da empresa com mensagens de conscientização são utilizados
9

para incentivar o comportamento socioambiental responsável, como por exemplo, “desligue a


luz e feche a torneira”.

2.2. Abordagem Clássica

A Teoria Clássica da administração surgiu em 1916, na França, quando o engenheiro


Henri Fayol estabeleceu as principais características para que uma empresa tivesse uma
organização focada no alcance da eficiência. Neste mesmo período, nos Estados Unidos, a
teoria Científica se desenvolvia idealizada por Taylor, com foco no operário
(CHIAVENATO, 2003, pág. 79). A teoria clássica, por sua vez, coloca no centro do seu
desenvolvimento a estrutura organizacional.
As principais características desta teoria definem que empresas devem apresentar seis
‘funções clássicas’ para a produção de bens ou serviços, que Fayol subdividia como funções
técnicas, comerciais, financeiras, de segurança, contábil e administrativa. Cada uma delas
cumpre importante papel no processo produtivo e são essenciais, mas as funções
administrativas “coordenam e sincronizam as demais funções na empresa, pairando sempre
acima delas” (CHIAVENATO, 2003, pág. 80).
Segundo Ildaberto Chiavenato ‘prever, organizar, comandar, coordenar e controlar’
são ‘conceitos’ relevantes que baseiam o ‘Fayolismo’ e devem ser seguidos por quem exerça
a função de administrador. Essenciais às organizações, esses conceitos atrelados aos ‘14
princípios gerais da administração’ - entre eles a divisão do trabalho, unidade de comando,
autoridade, espírito de equipe, iniciativa e outros -, resultam na prática “ideal” da teoria
clássica, e tem “enfoque prescritivo e normativo” (CHIAVENATO, 2003, pág 80-82).

2.2.1. Aplicação na empresa

Com base na teoria clássica idealizada pelo francês Fayol, a UAIN adotou a
subdivisão informal do setor em dois núcleos: núcleo de atendimento a distância e núcleo de
atendimento individual presencial. A definição das funções dentro do setor é clara, 17 pessoas
atuam nas atividades de criação e/ou suporte dos projetos para o atendimento individual aos
pequenos negócios de Salvador e Região Metropolitana. Cada um tem um papel e a gerência
coordena as atividades e apoia o desenvolvimento do trabalho realizado pela unidade.

Por estar dentro de uma instituição maior, quando comparado ao órgão como um todo,
este setor não contempla todas as seis funções clássicas do ‘Fayolismo’. A função comercial
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não é contemplada dentro do setor, uma vez que não são realizadas compras, vendas ou
permutações de forma efetiva, pois, a concretização destas transações é de fato realizada pelos
setores de finanças e o administrativo. Já a função contábil é realizada através do inventário,
que é responsabilidade de outro setor.

A realização da função de segurança não é exercida diretamente e acaba sendo


contemplada parcialmente, uma vez que a sede conta com segurança terceirizada, além de
equipamentos eletrônicos de vigilância. A função técnica é exercida por analistas e gerentes,
que fazem o acompanhamento e/ou execução dos projetos da UAIN. A função administrativa,
por fim, é realizada pelas gerentes da unidade, Fernanda Gretz e Renata Marins, que
coordenam todas as atividades. As funções mais trabalhadas são a técnica e administrativa,
que juntas permitem o pleno funcionamento do setor.

O papel de ‘prever, organizar, comandar, coordenar e controlar’, que segundo Fayol


são fundamentais na atividade do administrador são cumpridos pelas gerentes, que estão
integradas ao grupo. Por fim, ainda nota-se na UAIN que a iniciativa e o espírito de equipe,
que para Fayol representam importantes pontos dos “14 princípios gerais da administração”
são levados em consideração para o reconhecimento do trabalho.

2.3. Abordagem das Relações Humanas

O principal componente e “pedra fundamental” do enfoque comportamental é a escola


das Relações Humanas, que nasceu de um experimento famoso, realizado nos anos de 1927 a
1993, ainda na esteira do movimento da administração científica (MAXIMIANO, 2000, p.
63). O cientista Elton Mayo é considerado o “Pai da Teoria das Relações Humanas”. Também
chamada Teoria Humanística da Administração. Surgiu através dos trabalhadores
(principalmente os americanos) e dos sindicatos, em contraposição às teorias científica e
clássica da administração (BARBIERI, 2007)

Em 1927, Mayo coordenou uma experiência numa fábrica da Western Electric


Company situada em Hawthorne, bairro de Chicago. O objetivo inicial era estudar a relação
entre a intensidade de iluminação e a eficiência dos operários, com a produção sendo medida
de avaliação (RIBEIRO, 2005). A experiência desenvolvida por Elton Mayo possibilitou a
análise de diversos fatores no ambiente de trabalho. O comportamento social dos empregados
11

parte de um apoio no grupo. Os trabalhadores não agem ou reagem isoladamente como


indivíduos, mas sim como participantes de um todo (CHIAVENATO, 2003).

Como resultado de um trabalho de entrevistas, Mayo e seus colaboradores formularam


uma nova filosofia de administração. Onde o desempenho das pessoas era determinado não
apenas pelos métodos de trabalho, mas também pelo comportamento. A qualidade no
tratamento, proveniente da gerência aos trabalhadores influencia no desempenho e o sistema
social é de suma importância para o aumento da produtividade dos operários. (MAXIMIANO,
2000).

Para esta teoria, a tarefa básica da administração é formar uma elite capaz de entender
e comunicar, onde o ser humano é motivado pela necessidade de estar junto e ser reconhecido.
Para eles a organização fabril termina apenas por desenvolver e produzir bens e serviços,
porém, também distribuindo satisfação aos seus participantes, o que antecipa qualquer
preocupação com a responsabilidade social das organizações (CHIAVENATO, 2003).

2.3.1. Aplicação na Empresa

No setor analisado, a teoria das relações humanas está presente constantemente, onde
foi observado um trabalho em equipe, tendo um clima de amizade entre os funcionários. As
condições de trabalho são feitas através de acordo entre as gestoras e os colaboradores e
estagiários, ou seja, há uma flexibilidade nos horários, intervalos durante o expediente,
horário de almoço. Essa flexibilidade existe, pois, há um bom-senso e responsabilidade dos
colaboradores. Por isto, há um engajamento e integração dos funcionários a partir da
motivação praticada pelo setor.

Outro ponto que foi identificado é que há uma comunicação informal entre os
gestores, colaboradores e estagiários a fim de facilitar a execução das atividades individuais.
Porém há presença da formalidade principalmente para disseminar alguma informação /
alteração de determinado processo ou procedimento. Além disso, conforme relato dos
colaboradores, a unidade busca ouvir as sugestões dos funcionários em reuniões e com isso,
busca a melhoria continua dos procedimentos realizados. Existe também no setor a prática de
encontros fora do expediente para terem juntos momentos de descontração, em happy hours,
festas de final de ano e outros momentos.
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No geral, essa teoria é bastante praticada na UAIN, visto que o clima organizacional
demonstra ser agradável para a boa produtividade dos funcionários.

2.4. Abordagem Comportamental

A Teoria Comportamental da administração (ou Teoria Behaviorista) trouxe consigo


um novo conceito a ser estudado, esse conceito era: a abordagem da ciência do
comportamento (CHIAVENATO, 2004). Para os sistemas que adotam a Teoria
Comportamental, o mais importante numa organização é o seu sistema social, ou seja, as
pessoas que fazem parte da companhia, assim como as suas necessidades, sentimentos,
atitudes e comportamentos como integrantes de grupos e conjuntos.

Um dos grandes nomes que ajudaram a fundamentar a teoria comportamental foi o de


Mary Parker Follett, que afirmava que o homem no trabalho era motivado por necessidades e
desejos semelhantes aos que o motivavam em diferentes circunstâncias. Uma dessas
necessidades era a do controle da sua situação, que demonstrava que no lugar da intimidação,
a coordenação é que seria a base de uma boa administração (MAXIMIANO, 2000).

A teoria comportamental defendia a valorização do colaborador em qualquer nível


empresarial, buscando um padrão na administração e nas pesquisas administrativas como um
todo. Ainda assim, sabe-se que os estudos acerca do comportamento mantiveram a ênfase da
escola das relações humanas, que possuía as pessoas como foco principal, contudo, dentro de
um contexto mais organizacional.

Além disso, a teoria comportamental sofreu influência de diversas outras ciências,


como por exemplo a sociologia, antropologia e a psicologia. Ela também agregou e adaptou
diversos conceitos constantes dessas áreas para a administração de empresas, fornecendo uma
visão ampla do comportamento das pessoas no ambiente de trabalho. No geral, ela visava a
redefinição dos conceitos administrativos através da crítica às teorias anteriores (Clássica e
Humana).
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2.4.1. Aplicação na Empresa

Na UAIN é observado que a teoria comportamental se destaca, pois, há afinidade dos


funcionários na sua área de atuação. Não foram relatados casos de competitividade entre os
colaboradores, mas sim de união entre os mesmos, sendo o objetivo principal cumprir as
metas e entregar os projetos dentro dos prazos e com excelência.

A liderança exercida pela gerente do setor foi relatada pelos colaboradores como
“democrática”, uma vez que as tomadas de decisões sempre são acompanhadas de diálogos e
abertura de espaço para que todos dêem sua opinião abertamente.

2.5. Abordagem Burocrática

Popularmente a burocracia é compreendida como ineficiência e está associada


principalmente as organizações públicas, que acumulam pilhas de papeis e nada resolvem. O
alemão Max Weber, entretanto, ao criar a Teoria Burocrática descreve que a burocracia
permite a execução de procedimentos com excelência, promovendo uma organização eficiente
por excelência (CHIAVENATO, 2003). O detalhamento prévio é uma das características
dessa teoria, que para Weber deve fornecer os mínimos detalhes.

A teoria, que só se consolidou em 1940, quando estudiosos foram buscar inspiração


nas ideias de Weber, se desenvolveu basicamente a partir dos seguintes e aspectos:
necessidade de um modelo racional de administração, que surgiu dentro da fragilidade das
teorias clássica e humana, além da complexidade das empresas. Ele afirma: “a burocracia é
uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos
meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no
alcance desses objetivos (CHIAVENATO, 2003, pág.258)”.
Além das características citadas, a impessoalidade nas relações, a competência técnica,
a meritocracia e tantas outras são fundamentais para que a teoria burocrática idealizada por
Weber promovesse benefícios às organizações e seus funcionários. O sociólogo tinha como
principal objetivo criar sentido para as organizações na sociedade na qual está inserida.
Dentro do estudo burocrático, Weber propõe que a razão é o que permite que gestores
optem pela tomada de decisão correta e que beneficiem somente a organização. Existe uma
impessoalidade e tudo é feito para o bem da empresa.
14

Para Weber, faz-se necessário ter precisão na definição de cargos operações, e é


através do exato conhecimento de deveres que se alcança a excelência. A hierarquia deve ser
respeitada e essas definições ainda reduzem os conflitos organizacionais, já que cada um sabe
o seu papel e o seu poder dentro da empresa. O caráter formal, para ele, através de
comunicação escritas são fundamentais. Esta teoria, acompanhada dos pensamentos
científicos de Taylor, e clássicos de Fayol, formam a ‘teoria tradicional da administração’,
que promoveram o pioneirismo nas teorias das organizações, e são base de desenvolvimento
ou mudança no âmbito da administração.

2.5.1. Aplicação na empresa

Dentro da unidade é necessário que alguns processos sejam tramitados, e isso torna o
trabalho burocrático. Algumas características dessa teoria foram identificadas dentro do setor
e em entrevista com os colaboradores, nota-se que há fluidez na realização dos
procedimentos. Para que o pagamento seja realizado, é necessário emitir um relatório que
justifique a contratação do serviço, por exemplo. O funcionamento do SEBRAE/BA como um
todo exige que todas as ações sejam documentadas, o que gera a produção de muitos papéis.
Eles são usados como evidências e fazem parte da legalização da atividade desenvolvida. Os
procedimentos que envolvem apenas a UAIN, sempre que possível os funcionários tentam
desburocratizar os processos produtivos do setor.
Como empresa que presta conta de suas atividades ao Governo do Estado, é
importante que a documentação seja clara e acessível. O setor conta com arquivo digital e
físico, para que todos os procedimentos realizados estejam protegidos. Todos os processos de
pagamento ou de solicitação de licitação precisam da autorização conforme escala de valores.
Para valores de até R$ 10 mil, os processos são subordinados à gerência adjunta da unidade.
Para pagamentos acima de R$ 10 mil e de até R$30 mil, precisam ser aprovados e validados
pela gerência da UAIN, e valores acima de R$ 30 mil precisa além das aprovações anteriores,
da aprovação da diretoria de atendimento do Sebrae/BA. Esses são apenas alguns dos
exemplos em que a hierarquia é exercida.
Os funcionários entendem as regras estabelecidas para o funcionamento do setor, e
para cumpri-las não exige grandes esforços. A desburocratização, entretanto, é praticada, uma
vez que tentam otimizar os processos. Muitas decisões são documentas por e-mail, que se
torna ferramenta de comunicação no setor. A tomada de decisões, característica da teoria
clássica, é realizada pela gerente da unidade, que sempre abre espaço ao diálogo. Apesar da
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gerente tomar a decisão, tudo é discutido com os envolvidos e líderes dos projetos
anteriormente, evitando divergências e problemas que se desdobram.

3. ANÁLISE DA ATIVIDADE ECONÔMICA

A UAIN oferece em sua cartela de serviços cursos e palestras gratuitas ou a preços


acessíveis para seus clientes, de forma dinâmica e efetiva. Os principais serviços são: Sebrae
Talks, Consultoria a Distância e a Central de Relacionamento Sebrae.

O SEBRAE Talks é um evento online e gratuito composto por palestras que duram em
média uma hora, com interação com os consultores através do chat da plataforma do evento.
Já a consultoria a distância, disponibiliza consultas com duração de uma hora com
especialistas qualificados nas áreas de Finanças, Marketing, Planejamento Empresarial,
Planejamento de Marketing e Planejamento Estratégico, que analisam a situação do negócio e
a partir disso dão o diagnóstico com soluções adequadas para cada situação.

A Central de Relacionamento é um atendimento gratuito por telefone que oferece


informações sobre gestão empresarial, produtos e serviços. Além desses três serviços, a UAIN
apresenta um mix de ofertas diversificadas e, em sua maioria, gratuitas. Além disso, os
pequenos negócios podem contar também com palestras profissionais e grandes eventos
realizados para cada público alvo, desta forma a demanda pelos cursos e pelos atendimentos
ofertados é grande.

Os empreendedores individuais, micro e pequenas empresas têm papéis relevantes


para a sociedade. Segundo Rafael Matarezio (2006) “as micro e pequenas empresas possuem
um papel de alta relevância como geradoras de empregos, e consequentemente
desenvolvimento social nas regiões em que se encontram” (MATAREZIO, 2006). Através do
trabalho da UAIN o empreendedor tem acesso à qualificação e possibilidade de se estabelecer
no mercado, compreendendo o universo econômico no qual estão inseridos.

De acordo com o leque de serviços e produtos oferecidos para os clientes, na UAIN


quando a oferta não é gratuita, ela está disponível a preços acessíveis e com possibilidade de
diversas formas de pagamento. Observa-se, de acordo com a Lei da Oferta e Demanda, que
quanto maior for a quantidade de ofertas com preços menores do que a concorrência, maior
será a demanda de procura pelos clientes buscando soluções rápidas e eficientes. Quando se
16

trata de concorrência, o Sebrae encontra-se em posição de destaque pois é a maior empresa


que presta esse tipo de serviço na Bahia.

Na unidade nota-se que os cursos e palestras mais procurados são justamente aqueles
que não demandam custos para os empreendedores, o que implica dizer que a maior procura
dos serviços se dá pelos microempreendedores individuais (MEI). Na microeconomia, Marco
Antonio Vasconcellos ressalta:

A demanda (ou procura) é a quantidade de determinado bem ou serviço que os


consumidores desejam adquirir, num dado período, dada sua renda, seus gastos e o preço de
mercado. Assim, representa um desejo, um plano. Representa a que o consumidor pode
aspirar, dada sua renda e os preços no mercado. (VASCONCELLOS, 2002, pág. 31).

Através dos estudos de elasticidade, quando os preços dos serviços e a quantidade das
ofertas disponíveis deixarem de ter gratuidade ou acessibilidade, a demanda cai
consideravelmente (VASCONCELLOS, 2002). A empresa sofre variação na variável
demanda, pois os consumidores alteram seu comportamento diante das mudanças
econômicas.

Neste caso, a empresa conta com incentivos fiscais externos que lhe sejam transferidos
pelo SEBRAE NACIONAL, oriundos de arrecadação do adicional às alíquotas das
contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º, do Decreto-Lei nº 2.318,
de 30 de dezembro de 1986, conforme estabelecido no art. 8º, parágrafo 3º, da Lei n 8.029, de
12 de abril de 1990. Também poderão se dá através de parcerias institucionais, subvenções e
auxílios financeiros, de doações recebidas e outras rendas de origens diversas.

4. RESPONSABILIDADE SOCIAL

De acordo com Bateman e Snell:

A responsabilidade social de uma empresa é a extensão do papel empresarial além de


seus objetivos econômicos. As organizações têm amplo espectro de responsabilidades
que vai além da produção de bens e serviços para obter lucro. Essas ações podem
apresentar vantagens a longo prazo para as organizações (BATEMAN, SNELL, 1998,
p.147).
17

O SEBRAE / BA assim como a UAIN em seu próprio direcionamento estratégico


evidencia suas contribuições no que tange a responsabilidade social. Foi possível perceber que
a organização busca realizar ações para estimular seus colaboradores e estagiários através de
campanhas de doações nos períodos festivos (Natal, Dia das Crianças, São João, etc). A
unidade estudada também demonstra preocupação com o bem estar dos colaboradores e, a fim
de proporcionar interações para além do trabalho, a UAIN promove encontros para
comemoração de datas festivas, aniversariante do mês, etc.

5. CÓDIGO DE ÉTICA

Pessoas são as “forças motrizes” de todos os processos institucionais/empresariais.


Porém estas são imbuídas de valores advindos do seu processo de construção enquanto ser.
Para que não se tenha uma total desorganização por conta de uma subjetividade e
significações peculiares a cada sujeito, uma Organização tem que salvaguardar os seus
processos enquadrando seus agentes num modelo normativo ao qual estabeleça um padrão de
conduta naquele espaço e ou quando estiverem em razão do seu serviço. Daí surge a
necessidade de um código de ética.

Para Aristóteles (1973), a ética tem uma abordagem teleológica, ou seja, possui uma
finalidade, que eleva o homem ao sumo bem e este fim se dá através das virtudes (que é
apresentada como sendo “o sentido da excelência de cada ação, ou seja, de fazer bem feito, na
justa medida, cada pequeno ato”).

A UAIN, antes das suas atividades cotidianas tem por missão “fomentar o
desenvolvimento sustentável, a competitividade e o aperfeiçoamento técnico das
microempresas e das empresas de pequeno porte industriais, comerciais, agropecuárias e de
serviços”, como já descrito aqui, isso nos leva a refletir que finalidade desta instituição não é
a lucratividade, mas sim dar oportunidade a pequenas instituições ascenderem para competir
no mercado, garantindo assim progresso social e empreendedor.

Isso é possível graças as contribuições dos colaboradores da UAIN para o


desenvolvimento dos serviços prestados ao publico alvo do Sebrae, e estes regulamentados
por um código de ética, que garante organicidade à instituição. O Estatuto do SEBRAE define
18

as funções dos seus agentes, bem como as medidas cabíveis em caso de improbidade
administrativa, sanciona as penalidades e define a cadeia hierárquica que administra esta
instituição, bem como os seus setores.
19

CONCLUSÃO

Para Gherardi (1999, p. 114 apud SOUZA-SILVA, 2007, p. 59)

Mesmo se o conhecimento “objetivo” é acessível através de artefatos que possuem


objetividade (livros, filmes, etc.), o conhecimento subjetivo encontra-se naqueles
que participam na prática. É impossível aprender em um livro como distinguir o som
de uma flauta. Tal distinção pode ser realizada somente através da interação com
outras pessoas que são habilitadas em tal atividade. Participar na prática significa
aprender a lógica desta prática [...]

A contribuição de Gherardi reafirma a importância de atividades práticas na


construção acadêmica de futuros profissionais. Embora o conhecimento teórico seja de
extrema importância na formação de qualquer indivíduo, sem o alinhamento com o
conhecimento tácito, ou seja, a prática, todo aprendizado está sujeito ao esquecimento. Como
dito anteriormente, realizações como o desenvolvimento deste trabalho acadêmico alia o
conhecimento acadêmico com a experiência possibilitando aos estudantes ainda mais a
retenção dos conhecimentos teóricos.

Para Souza-Silva e Schommer (2008), “aprendizagem, seja no âmbito individual ou


organizacional, no meio acadêmico ou empresarial, percebe-se, pois, que há espaço e
oportunidade para ampliar e qualificar os conhecimentos”. Sendo assim, sempre há espaço
para o aprendizado através dos mais diversos meios e que uma abordagem mais prática é de
fundamental importância no processo de consolidação dos conhecimentos.

Em suma o estudo de caso na UAIN possibilitou através de entrevistas e visitas, além


do estudo teórico de sua atividade, a compreensão da importância dos impactos sociais e
econômicos nos pequenos negócios regionais bem como a aplicação e identificação das
teorias da administração neste setor.
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REFERÊNCIAS

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versão inglesa de W. D. Ross In: Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1973.

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