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Pe.

Antônio Royo Marin

Céu e Inferno
Dois frades descalços, às seis da manhã, em pleno Inverno e nevando copiosamente, saíam de uma igreja de Paris.
Tinham estado a noite inteira em adoração ao Santíssimo Sacramento. Descalços, em pleno Inverno, nevando... E eis
que, naquele mesmo momento, de um cabaret situado na rua da frente, saíam dois jovens pervertidos, que tinham
passado ali uma noite de crápula e luxúria. Saíam meio mortos de sono, vestidos com os seus magníficos casacões, e
ao cruzar-se com os dois frades descalços que saíam da igreja, encarando um dos jovens com um deles, disse-lhe em
tom irónico: "Irmãozinho, que grande choque vais ter se resulta que não há Céu". E o frade, que tinha grande
agilidade mental, respondeu-lhe de imediato: "E tu que grande choque vais ter se resulta que há Inferno".

Pe. Antonio Royo Marín in «El Misterio del Más Allá», 1957.

Sobre a humildade e sabedoria


"Quantas almas piedosas e até mesmo consagradas a Deus veem e ajuízam todas as coisas desde o ponto de vista
puramente natural e humano, quando não totalmente mundano! Sua estreiteza de visão e miopia espiritual é tão
grande que nunca acertam em remontar sua visão acima das causas puramente humanas para ver os desígnios de
Deus em tudo quanto ocorre. Se lhes incomodam - mesmo inadvertidamente -, se irritam e levam tudo por mal. Se
um superior lhes corrige algum defeito, em seguida lhe tacham de exigente, tirano e cruel. Se lhes manda alguma
coisa que não encaixa com seus gostos, lamentam sua "incompreensão", sua "distração", sua completa "inaptidão
para mandar". Se lhes humilha, fazem um escarcéu. Ao seu lado deve proceder com a mesma cautela e precaução
com a qual se trataria de uma pessoa mundana inteiramente desprovida de espírito sobrenatural. Não é de estranhar
que o mundo ande tão mal quando os que deveriam dar o exemplo andam tantas vezes assim!
Não é possível que tais almas atue jamais o dom de sabedoria. Esse espírito tão imperfeito e humano tem
completamente asfixiado o hábito dos dons. Até que não se esforcem um pouco em levantar suas vistas para o céu e,
prescindindo das causas segundas, não acertem a ver a mão de Deus em todos os acontecimentos prósperos ou
adversos que lhes sucedam, seguirão sempre rastejando pelo solo com sua pobre e penosa vida espiritual. Para
aprender a voar, deve-se bater muitas vezes as asas para o alto; pelo preço que for, custe o que custar."

Padre Antonio Royo Marín, O.P., O Grande Desconhecido, págs. 246-247.

Royo Marín sobre a santidade cristã (1a parte)


Excertos do livro: ROYO MARÍN, Antonio. Ser ou não ser santo... eis a questão: Compêndio da obra: Teología de la
perfección Cristiana. Trad. Ricardo Harada. Campinas: Ecclesiae, 2016.

***

PRIMEIRA PARTE: A SANTIDADE EM GERAL

Noção: Em que consiste a santidade? (pp. 21-22)

“A Sagrada Escritura, os Santos Padres, os teólogos e os grandes místicos experimentais propuseram diversas
fórmulas, embora todas coincidam substancialmente. As principais são as seguintes:

a) Consiste em nossa plena configuração com Cristo, em nossa plena cristificação. É a fórmula sublime de São Paulo,
na qual insiste reiterada e incansavelmente em todas as suas epístolas.

b) Consiste na perfeição da caridade, ou seja, na perfeita união com Deus pelo amor. É a fórmula do Doutor Angélico,
Santo Tomás de Aquino, no plano estritamente teológico.
c) Consiste em viver de uma maneira cada vez mais plena e experimental o mistério inefável da inabitação trinitária
em nossas almas. É o pensamento fundamental de São João da Cruz e de todos os grandes místicos experimentais.

d) Consiste na perfeita identificação e conformidade de nossa vontade humana à vontade de Deus. Assim fala
insistentemente Santa Teresa de Jesus.

[...] Todas [as fórmulas] são verdadeiras e expressam a mesma realidade, embora contempladas desde pontos de
vista diferentes...”

Capítulo I – Chamado universal à santidade (pp. 23-36)

“Existe efetivamente um chamado e uma verdadeira vocação universal à santidade, que afeta e recai sobre cada
cristão em particular. [...] se dignou a promulgar essa excelsa vocação o próprio Cristo pessoalmente [...] a todos os
discípulos sem exceção:

‘Sede, portanto, perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5,48) [...] Essa exigência não é senão uma nova
manifestação do primeiro e mais importante mandamento da lei de Deus, que nos obriga a amá-lo ‘com todo o
coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças’ (Mc 12,30) [...]

O chamado, ou vocação universal à santidade, consta explicitamente no Evangelho [...] A Igreja sempre manteve essa
doutrina desde os tempos apostólicos. Porém, nunca a havia proclamado de maneira tão extensa, clara e urgente
como em nossos dias, através do Concílio Vaticano II.

O maravilhoso capítulo V da Constituição Lumen gentium – a mais importante do Concílio – está dedicado
integralmente à ‘Vocação de todos à santidade na Igreja. [...]

[...] O Concílio insiste nas três principais razões que fundamentam essa vocação [...]:

a) As exigências do batismo, pelo qual se infunde em nós a graça divina como germe ou semente que há de crescer e
se desenvolver até sua plena perfeição.
b) O primeiro mandamento da lei de Deus, que nos obriga a ‘amar a Deus com toda a alma e todas nossas forças’,
cujo cumprimento perfeito constitui precisamente a santidade ou perfeição cristão.
c) O mandamento explícito de Jesus Cristo de imitar a perfeição ou santidade de seu Pai celestial (Mt 5,48) proposta
a todos no sermão da Montanha.

[...]

Trata-se de uma obrigação de tendência, de aspiração, de desejo leal e sincero, e não de conseguir a santidade em
um momento determinado de nossa vida”.

Capítulo II – O porquê de tantos fracassos (pp. 39-79).

“O principal obstáculo de ordem natural que é necessário remover para seguir adiante é, sem sombra de
dúvida, a falta de energia de caráter.

São legião as almas incapazes de tomar uma resolução enérgica para resolver algum problema difícil que se lhes
coloca adiante [...] Onde falta vontade enérgica não há homem perfeito. Para sê-lo, não basta um indolente queria, é
preciso chegar a um enérgico quero. [...] Com uma vontade enérgica pode-se chegar à plena possessão de si mesmo,
ao domínio e emancipação das paixões, à plena liberação das malsãs influências exteriores. Pouco importa se todos
aqueles que lhe rodeiam se afastam do reto caminho; ele seguirá imperturbável sua marcha para o ideal, ainda que
fique completamente só. Não há força humana que possa dobrar sua vontade e afastar-lhe do cumprimento do
dever: nem castigos, nem ameaças, nem seduções, nem adulações. Morrerá mártir, se preciso, mas não apostatará.
[...]

Aqueles que acertem em tomar para si esta muito ‘determinada determinação’, fecundada pela graça de Deus,
levarão já em si, em germe e esperança certa, o heroísmo e a santidade”.

A falta de verdadeiro desejo de santidade, segundo obstáculo, quase coincide com o anterior [...]

[...] Tal obstáculo já pertence plenamente à ordem sobrenatural. Ninguém pode possuir um sincero e autêntico
desejo de santidade ou perfeição cristã, senão sob a influência imediata da graça.

[...] Para se obter dele toda sua eficácia santificadora, o desejo de perfeição deve possuir as seguintes qualidades:

1ª Deve ser sobrenatural, ou seja, procedente da graça divina e orientado para a maior glória de Deus, fim último e
absoluto de nossa próprio existência. O verdadeiro desejo de perfeição já é um grande dom de Deus, o qual devemos
pedir-Lhe humilde e perseverantemente, até obtê-lo de Sua divina bondade.

2ª Profundamente humilde, quer dizer, sem jamais apoiá-lo sobre nossas próprias forças [...] Nem devemos aspirar à
santidade vendo nela um modo de nos engrandecer, mas unicamente como o meio mais excelente para amar e
glorificar a Deus com todas nossas forças.

3ª Sumamente confiado. É o complemento da qualidade anterior. Nada podemos por nós mesmos, mas tudo
podemos naquele que nos conforta (Fl 4,13). O Senhor permite que se coloquem diante de nós verdadeiras
montanhas de dificuldades precisamente para provar nossa confiança n’Ele. [...]

4ª Predominante, ou seja, mais intenso que qualquer outro. Nada tem razão de bem senão a glória de Deus, e, como
meio para ela, nossa própria perfeição. Todos os demais bens devem ser subordinados a esse supremo. É a pérola de
grande valor do Evangelho... (Mt 13,46). Ciência, saúde, apostolado, honras..., tudo vale infinitamente menos do que
a santidade. ‘Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e Sua justiça e todas as coisas lhes serão dadas por acréscimo’
(Mt 6,33). O desejo de perfeição não pode ser um entre tantos[...] Tem de ser o desejo fundamental e dominante de
toda nossa vida. [...] ‘Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus’ (Cl 3,3). Por não se
decidirem totalmente a isso e andar aos tropeços entre as coisas de Deus e as do mundo, fracassam tantas almas no
caminho de sua santificação.

5ª Constante e progressivo. Há muitas almas que sob a influência de algum acontecimento de sua vida (ao sair de uns
exercícios espirituais, ao receber as ordens sagradas ou ao entrar na religião, etc.) têm uma grande arrancada. Mas
muito prontamente se cansam ao experimentar as primeiras dificuldades e abandonam o caminho da perfeição ou
deixam esfriar ao menos o desejo ardente que possuíam. Às vezes se permitem férias [...] com o pretexto de ‘respirar
um pouco’ e recuperar as forças da alma. É um grande equívoco. A alma não só não recupera a força, senão que, pelo
contrário, enfraquece e se debilita extraordinariamente. [...] Tudo isto poderia ser evitado se o desejo de perfeição se
impusesse sempre de maneira constante e progressiva – sem violência nem extremismos, embora sem
desfalecimentos nem fraquezas – impedindo-lhe a alma essas férias espirituais que lhe custarão caro depois.

6ª Prático e eficaz. Não se trata de um quisera, mas de um quero, que há de se traduzir eficazmente na prática,
dispondo hic et nunc de todos os meios a nosso alcance para conseguir a perfeição a todo custo. [...]

[...] Os meios mais importantes para avivar em nós o desejo eficaz da perfeição e da mais elevada santidade. São
estes:

I. Pedi-lo incessantemente a Deus.

[...] Para que a oração resulte infalivelmente eficaz segundo a promessa evangélica deve reunir as seguintes
condições indispensáveis:
i) Há de ser humilde.
ii) Confiante.
iii) Perseverante

II. Renovar com frequência o desejo de santidade.

III. Meditar com frequência nos motivos para querer a santidade. Eis aqui os principais:

i) Temos a obrigação estrita de aspirar à perfeição em virtude da vocação universal à sanidade [...]
ii) É o maior dos bens que podemos alcançar nesta vida. Em comparação a eles, são como ‘esterco e lixo’ todos os
bens deste mundo (Fl 3,8).
iii) A perfeita imitação de Jesus Cristo, que nos amou até derramar todo o seu sangue por nós, exige a máxima
correspondência e o máximo esforço de nossa parte: amor com amor se paga. A visão de Jesus Cristo crucificado
deveria ser o incentivo mais nobre e eficaz par anos impulsionar à mais alta santidade.

Outra das razões que explicam com maior clareza o rotundo fracasso de tantos aspirantes à perfeição ou santidade
cristã, diz respeito à direção espiritual, seja porque careceram totalmente dela ou porque a receberam de maneira
equivocada ou deficiente. [...]

A direção espiritual consiste ou tem por objeto assinalar às almas o verdadeiro caminho que devem percorrer
progressivamente, desde o começo da vida espiritual até os cumes mais elevados da união íntima com Deus. Quem
deve percorrer o caminho é a alma – indubitavelmente –, mas cabe ao diretor traçar-lhe a rota a ser seguida em cada
momento da vida espiritual. [...]

A direção deve começar imediatamente quando a alma, sob o impulso da graça divina, se decide a empreender o
caminho da perfeição cristã. Em todas as etapas desse caminho há uma infinidade de obstáculos e dificuldades que
não poderão ser superados sem a vigilância e ajuda de um experiente diretor espiritual, segundo a providência
ordinária de Deus.

[...]

Segundo o testemunho da Tradição, a direção espiritual é moralmente necessária para alcançar a perfeição cristã. [...]
‘Segue o conselho dos prudentes e não desprezes nenhum bom conselho’ (Tb 4,18).

[...] Em geral, ninguém é bom juiz de si mesmo, ainda que pressuposta a máxima sinceridade e boa fé. [...]

Não obstante, [...] a necessidade de um diretor espiritual não é absoluta ou indispensável para todos. Ás vezes, as
condições nas quais vive uma alma impedem-na de ter uma direção espiritual conveniente [...] Nesses casos, Deus
suprirá com suas inspirações internas a falta involuntária de um guia exterior idôneo. Mas a direção se faz
indispensável – segundo a providência ordinária de Deus – para todo aquele que possa facilmente obtê-la. Nada mais
oposto ao espírito do cristianismo e à natureza mesma da Igreja – na qual o ensinamento e o governo se realizam por
meio da autoridade – do que buscar a regra de vida em si mesmo. Tal foi o erro dos protestantes, que abriram a
porta aos excessos do livre exame e do mais desenfreado iluminismo.

[...]

Mesmo que não se possa estabelecer uma lei absoluta e universal, ordinariamente deve-se dizer que o diretor
espiritual deve ser sacerdote. É conveniente que o seja pelas seguintes razões:

a) Pela economia geral de ordem sobrenatural, que reservou ao sacerdote o papel de mestre.

b) Pela íntima conexão – às vezes fusão – com o ofício de confessor.

c) Pela graça do estado sacerdotal...

[...] O diretor espiritual deve ser sábio, discreto e experimentado [qualidades técnicas].
As principais qualidades morais são as seguintes:

i) Intensa piedade

ii) Zelo ardente pela santificação das almas

iii) Grande bondade e suavidade de caráter

iv) Profunda humildade

v) Profundo desinteresse e desprendimento

[...]

O dirigido tem deveres em relação à própria direção:

i) Plena sinceridade e abertura de coração

ii) Plena docilidade e obediência

iii) Perseverança

O dirigido deve ter qualidades em relação ao diretor:

i) Respeito

ii) Confiança

iii) Amor sobrenatural

[...]

[...] A escolha do diretor deve se fazer de acordo com as seguintes normas:

1ª Pedir a Deus em orações as luzes necessárias [...]

2ª Examinar quem está adornado de maior prudência, bondade e caridade entre todos os sacerdotes que podemos
escolher livremente.

3ª É preciso evitar que tomem parte nesta escolha as simpatias naturais ou, ao menos, que sejam elas as que decima
como razão única ou principal. Embora tampouco convenha escolher aquele que nos inspira antipatia ou repugnância
natural, já que isto tornaria muito difícil a confiança e abertura de coração, absolutamente indispensável para a
eficácia da direção.

4ª Não lhe propor imediatamente que seja nosso diretor. Convém provar durante uma temporada por experiência se
é ele quem necessitamos para nosso adiantamento espiritual.

5ª Em igualdade de circunstâncias, escolher o mais santo para os casos ordinários, e o maissábio para os
extraordinários, como se infere da doutrina de Santa Teresa de Jesus.

6ª Uma vez feita a escolha, não trocar facilmente de diretor por razões fúteis ou inconsistentes. A troca de diretor se
imporá como necessária ou aconselhável se houvesse razões importantes para tal. Por exemplo, se fomenta nossa
vaidade, se tolera facilmente nossas faltas e defeitos, se é afeito a misturar com a direção conversas frívolas ou de
simples curiosidade, ou totalmente alheias ao assunto tratado, etc., etc. Ou também se nos impusesse cargas
superiores a nosso próprio estado; ou quisesse nos atar com votos ou promessas de não consultar com nenhum
outro diretor as coisas de nossa alma, o que seria um abuso intolerável contra a liberdade do dirigido que, de
nenhum modo deveria ser aceito por ele”.

A assunção de Nossa Senhora

"Não é exata, portanto, a distinção que estabelecem alguns entre a Ascensão do Senhor e a Assunção de Maria,
como se a primeira se distinguisse da segunda pelo fato de ter sido feita por sua própria virtude ou poder, enquanto
a Assunção de Maria necessitava do concurso ou ajuda dos Anjos. Não é isso. A diferença está em que Cristo teria
podido ascender ao Céu por seu próprio poder ainda antes de sua morte e gloriosa ressurreição, enquanto que Maria
não poderia fazê-lo – salvo um milagre – antes de sua própria ressurreição.

Porém, uma vez realizada esta, a Assunção se verificou utilizando sua própria agilidade gloriosa, sem a necessidade
do auxílio dos Anjos e sem milagre algum.”

(Antonio Royo Marin, La Virgen María)

LA ÚNICA SOLUCIÓN, ¡DE RODILLAS ANTE CRISTO!


Es inútil que se reúnan las cancillerías, que se organicen asambleas internacionales. No lograrán poner en orden y
concierto al mundo hasta que lo arrodillen ante Cristo, ante Aquél que es la Luz del mundo; hasta que, plenamente
convencidos todos de que por encima de todos los bienes terrenos y de todos los egoísmos humanos es preciso
salvar el alma, se pongan en vigor, en todas las naciones del mundo, los diez mandamientos de la Ley de Dios.

Con sola esta medida se resolverían automáticamente todos los problemas nacionales e internacionales que tienen
planteados los hombres de hoy; y sin ella será absolutamente inútil todo cuanto se intente.

Precisamente porque el mundo de hoy no se preocupa de sus destinos eternos, porque no se habla sino del petróleo
árabe, de la hegemonía económica mundial de ésta o de la otra nación, o de cualquier otro problema terreno
materialista, en el horizonte cercano aparecen negros nubarrones que, si Dios no lo remedia, acabarán en un
desastre apocalíptico bajo el siniestro resplandor y el estruendo horrísono de las bombas atómicas.

ANTONIO ROYO MARÍN O.P. - El misterio del más alla

CONSIDERACIONES Y REFLEXIONES ACERCA DEL


INFIERNO
En este santo tiempo de la Cuaresma, no debe de faltar a todo buen católico, la consideración y la meditación sobre
la doctrina del Infierno.

El dogma del infierno forma parte del depósito sagrado de la divina revelación, y la Iglesia católica lo ha conservado
íntegramente, durante veinte siglos, ya que siendo el dogma una verdad perenne, no lo puede suprimir, como
tampoco puede crear otros nuevos.

¿Qué dice el dogma católico sobre la existencia y naturaleza del infierno?

LA EXISTENCIA DEL INFIERNO (Es de fe divina expresamente definida)

EL ANTIGUO TESTAMENTO: Nos dice que: El Infierno existe, y a él, descienden inmediatamente las almas de los que
mueren en pecado mortal: “¡Ay de las naciones que se levanten en contra de mi pueblo! El Señor omnipotente los
castigará en el día del juicio, dando al fuego y a los gusanos sus carnes, y gemirán de dolor para siempre” (Judith XVI,
20); “Acuérdate de que la cólera no tarda. Humilla mucho tu alma, porque el castigo del impío será el fuego y el
gusano” (Eccli., VII, 18-19); “Los pecadores de Sión se espantarán, y temblarán los impíos. ¿Quién de nosotros podrá
morar en el fuego devorador? ¿Quién habitar en los eternos ardores?”(Is., XXXIII, 14); “Y al salir verán los cadáveres
de los que se rebelaron contra mí, cuyo gusano nunca morirá, y cuyo fuego no se apagará, que serán objeto de horror
para toda carne”(Is., LXVI, 24); “Las muchedumbres de los que duermen en el polvo de la tierra se despertarán, unos
para eterna vida, otros para eterna vergüenza y confusión”(Dan., XII, 2).

EL NUEVO TESTAMENTO: Nos dice: “Apartaos de mí, malditos, al fuego eterno, preparado para el diablo y para sus
ángeles… E irán al suplicio eterno, y los justos a la vida eterna” (Mt., XXV, 41-46); “Y murió también el rico y fue
sepultado. En el infierno, en medio de los tormentos, levantó sus ojos y vio a Abrahán desde lejos y a Lázaro en su
seno y, gritando, dijo: Padre Abrahán, ten piedad de mí y envía a Lázaro para que, con la punta del dedo mojada en
agua, refresque mi lengua, porque estoy atormentado en estas llamas”(Lc., XVI, 23-24).

“Si tu mano te escandaliza, córtatela; mejor será entrar manco en la vida que con ambas manos ir a la gehena, al
fuego inextinguible, donde ni el gusano muere ni el fuego se apaga”(Mc., IX, 43-44); “No tengáis miedo a los que
matan el cuerpo, que al alma no pueden matarla; temed más bien a aquel que puede perder el alma y cuerpo en la
gehena”(Mt., X, 28).
“Así será en la consumación del mundo: saldrán los ángeles y separarán a los malos de los justos y los arrojarán al
horno de fuego; allí habrá llanto y crujir de dientes”(Mt., XIII, 49-50); “Entonces el rey dijo a sus ministros: Atadle de
pies y manos y arrojadle a las tinieblas exteriores; allí habrá llanto y crujir de dientes”(Mt., XXII, 13); “Y ese siervo
inútil echadle a las tinieblas exteriores; allí habrá llanto y crujir de dientes”(Mt., XXV, 30); “Y todo el que no fue
hallado escrito en el libro de la vida fue arrojado en el estanque de fuego”(Apoc., XX, 15).

EL MAGISTERIO DE LA IGLESIA.

El Símbolo o Credo Atanasiano nos dice: “Y los que obraron bien irán a la vida eterna, y los que mal, al fuego
eterno”(Denz., 40).

El Papa Inocencio III, dice: “La pena del pecado original es la carencia de la visión de Dios, y la del pecado actual es el
tormento de la gehena eterna”(Denz., 410).

El Concilio II de Lyón declara que: “Las almas de los que mueren en pecado mortal con sólo el original descienden
inmediatamente al infierno, para ser castigadas, con penas desiguales”(Denz., 464).

El Papa Benedicto XII, declara: “Definimos, además, que, según la común ordenación de Dios, las almas de los que
mueren en actual pecado mortal, inmediatamente después de su muerte descienden al infierno, donde son
atormentadas con las penas infernales”(Denz., 531).

LA RAZÓN TEOLÓGICA. Nos dice: Tratándose de una verdad sobrenatural, la existencia del infierno sólo puede ser
conocida con certeza por la divina revelación. La razón teológica se limita únicamente a mostrar las armonías y
conveniencias de ese dogma con el conjunto de las demás verdades reveladas y con los atributos de Dios. Sin
embargo, son tan claras y convincentes las razones que postulan la necesidad de un castigo ultraterreno, que incluso
la mayoría de las religiones falsas y de los filósofos paganos lo creyeron y enseñaron desde la más remota
antigüedad.

Se ve la necesidad principal de las sanciones ultraterrenas para castigar los crímenes repugnantes que quedan sin
sanción adecuada en este mundo. Porque es un hecho que un número incalculable de crímenes monstruosos logran
escapar al control de la justicia humana y quedan impunes acá en la tierra.

NATURALEZA DEL INFIERNO.

El catecismo, ese pequeño librito en el que se contiene un resumen maravilloso de la doctrina católica, nos dice que
el infierno es un “Conjunto de todos los males, sin mezcla de bien alguno”.

En la frase: “Apartaos de Mí, malditos, al fuego eterno”. Que pronunciará Jesucristo el día del juicio final, está
contenida la formula que resume toda la teología del infierno.

Porque el infierno, fundamentalmente, lo constituyen tres cosas: lo que se llama en teología pena de daño, pena de
sentido y la eternidad de ambas penas.

Esas tres cosas están maravillosamente registradas y resumidas en la frase de Cristo: “Aparaos de Mí, malditos(pena
de daño), al fuego (pena sentido) eterno” (eternidad de ambas penas).

PENA DE DAÑO.

Lo más terrible y principal del infierno es la pena de daño. Que es la condenación propiamente dicha, y que consiste
en quedarse privado de la visión de Dios y separado eternamente de Él. Eso es lo fundamental del infierno. (esta
enseñanza es de fe divina expresamente definida).

Dios es el centro del Universo, la plenitud total del Ser. En el está concentrado todo cuanto hay de verdad, bondad,
belleza y felicidad inenarrable.

El infierno es perder ese inmenso océano de felicidad inenarrable para siempre y para toda la eternidad.

Esto es lo que constituye la esencia de la pena de daño. En la privación de la visión de Dios.

La palabra privación se emplea en su pleno sentido filosófico, ya que trata, en efecto, no de una mera carencia de
algo indebido al hombre, sino de una verdadera privación de algo que, con la gracia de Dios, hubiera podido alcanzar.
Y así, por ej., en el orden puramente natural, no es ninguna desgracia que el hombre no tenga alas para volar (simple
carencia, de algo que la naturaleza humana no exige), pero sí lo es carecer de ojos para ver (privación de algo que el
hombre debiera tener).

La pena de daño del infierno consiste en la privación eterna de la visión de Dios o beatifica y de todos los bienes que
de ella se siguen.

La pena de daño es objetivamente la misma para todos los condenados; pero admite, sin embargo, diferentes grados
de apreciación subjetiva.(Sentencia común en teología)

Considerada en sí misma, la pena de daño es la misma para todos los condenados, ya que es igualmente para todos
la privación total y definitiva de un Bien supremo.

Pero, desde el punto de vista de la aflicción que reporta a los condenados, difiere según el grado de culpabilidad de
cada uno de ellos. Cuanto más culpables fueron, tanto más profundamente son torturados por ella, porque han caído
tanto más profundamente en ese tenebroso y terrible abismo del alma y sienten con mayor intensidad el vacío
infinito causado por el alejamiento de Dios.

Cuanto más ha pecado un condenado, más se ha alejado de Dios. La pena de daño tiene por finalidad precisamente
castigar el pecado en cuanto que por él el pecador se ha alejado de Dios. El condenado siente, pues, en proporción a
sus pecados, el peso de la maldición de Dios, que se aleja a su vez de él y le rechaza de su presencia.

El condenado sufrirá tanto más cuanto tendrá una más grande capacidad y una mayor necesidad de gozar. Las gracias
recibidas y despreciadas han aumentado en él esta aptitud y esta necesidad en proporción a su número. Cada gracia
en efecto, fue un llamamiento de Dios, una invitación a conocerle y amarle mejor, fue, al mismo tiempo, una luz y un
medio para llegar a ese grado de conocimiento y de amor fijado por Dios.

Por consiguiente, esa gracia creó en el alma una más grande disposición para este conocimiento y amor, y, por una
consecuencia natural, una más grande necesidad de conocer y de amar a Dios. Luego a tantas gracias como el
pecador haya rechazado corresponden otros tantos grados inalcanzados de aptitud y de necesidad de amar y de
poseer a Dios.

Cada gracia despreciada ha cavado más hondamente el abismo eterno en el que el alma se ha hundido. Los más
culpables son, pues, más aptos para sentir la privación del Bien supremo; así como en el Cielo, los más santos entre
los elegidos son más aptos de gozar de la presencia y de la posesión de Dios.

La gracia de la que se han aprovechado los santos y ha producido en ellos sus frutos, ha aumentado su semejanza
con el divino ejemplar. Esta mayor o menor perfección en la conformidad con Él es lo que les hace más o menos
capaces de gozar de la divina esencia.

Del mismo modo, el desprecio de las gracias y los pecados acumulados han aumentado en los condenados su grado
de desemejanza con la infinita pureza y santidad de Dios. Y esta mayor o menor oposición al Bien supremo es lo que
les hace sentir en mayor o menor grado su privación y diferencia en ellos la pena de daño.

Dios es la esencia misma de la bondad y de la felicidad substancial. La desgracia de su privación se mide, pues, por el
grado de oposición que el condenado tiene con relación a este Bien supremo, al que las gracias recibidas tendían a
aproximarle, mientras que esas mismas gracias despreciadas tienden a alejarle más y más.

Del mismo modo, los elegidos gozan tanto más en el Cielo de la visión beatifica cuanto mayores fueron sus méritos,
así los condenados sufren en el infierno tanto más de su privación cuanto mayores fueron los crímenes con que
están manchados.

(De fe divina, implícitamente definida)

La pena de daño consiste secundariamente en la privación de todos los bienes que se siguen de la visión beatífica.

Lo que constituye primaria y esencialmente la pena de daño es la privación eterna de la visión de Dios, o sea, del
goce fruitivo del Señor como objeto de nuestra última y suprema felicidad. pero como consecuencia natural e
inevitable priva también, secundariamente, de todos los demás bienes accidentales que la visión beatifica lleva
consigo.

Los principales bienes objeto de la privación son:

* Exclusión eterna del Cielo, o sea de la verdadera patria de las almas, cuya belleza, claridad, esplendor,
magnificencia, amenidad, suavidad y felicidad que produce en el alma, ninguna inteligencia humana es capaz de
expresar.

* Exclusión de la compañía y suavísima familiaridad de Nuestro Señor Jesucristo, de la Virgen María, de los Ángeles,
Santos y Bienaventurados del cielo, con todos los goces e íntimas alegrías que de esa compañía se desprenden.

* Privación de la luz con la cual los Bienaventurados del Cielo contemplan la hermosura de todas las cosas naturales,
el mundo de los seres posibles y el esplendor y magnificencia de la gloria de los bienaventurados.

* Pérdida para siempre de todos los bienes sobrenaturales que hayan recibido de Dios: la gracia santificante, las
virtudes infusas, los dones del Espíritu Santo, etc. No habrá más excepción que la del carácter sacramental (el que
imprimen los sacramentos del bautismo, confirmación y orden), que continuará eternamente en los condenados para
su mayor vergüenza y confusión en medio de aquella sociedad de enemigos irreconciliables de Dios.

* Privación de la gloria del cuerpo, que consiste en aquella maravillosa claridad, agilidad, impasibilidad y sutileza que
brillarán eternamente en los cuerpos de los bienaventurados, y que los propios condenados tendrán ocasión de
contemplar, en el paroxismo de la rabia y desesperación, el día del juicio final.

LA PENA DE SENTIDO

Esta pena aun siendo terrible, no se compara con la pena de daño. La pena de sentido es la pena de fuego, en cuanto
a éste, la Iglesia no ha definido expresamente si es de la misma naturaleza que el de la tierra. Lo único que se sabe es
que se trata de un fuego real, no imaginario o metafórico. El fuego del infierno tiene propiedades muy distintas al de
la tierra, porque atormenta, no solamente los cuerpos, sino también las almas; y no destruye, sino que conserva la
vida de los que entran en él eternamente.

Esto lo ha revelado Dios y lo mismo da creerlo que dejarlo de creer. Esto no cambia la realidad del infierno. Las cosas
son así, aunque nos resulte incómodas y molestas.

LA ETERNIDAD DE PENAS

Pero lo más espantoso del infierno, es la tercera nota o característica: que es su eternidad. El infierno es eterno.

Para comprender esto, imaginémonos a un hombre aparentemente muerto que vuelve a la vida en el sepulcro, y se
da cuenta de que le han enterrado vivo. Su tormento no durará más que unos minutos, pero ¡qué espantosa
desesperación experimentará cuando se encuentre en aquel ataúd estrecho y oscuro! Pero durará unos minutos
nada más, porque por asfixia morirá pronto, esta vez definitivamente. Pues imaginémonos ahora lo que será un
tormento y desesperación eternos.

La eternidad no tiene nada que ver con el tiempo, no tiene relación alguna con él. En la esfera del tiempo pasarán
trillones de siglos y la eternidad seguirá intacta, inmóvil, fosilizada en un presente siempre igual. En la eternidad, no
hay días, si semanas, ni meses, ni siglos. Es un instantes petrificado, que no transcurrirá jamás.

El infierno es eterno. ¡Lo ha dicho Cristo! y poco importa si lo crean o no, los incrédulos, eso no cambiará jamás la
terrible realidad de las cosas. Ya que el infierno, si se mira sin los ojos y los datos de la fe, no cabe en la pobre cabeza
humana. Por lo mismo, es difícil aceptarlo; aunque el católico lo cree con toda el alma porque lo ha revelado Dios.

Humanamente es un muy difícil de entender la realidad del infierno, porque las cosas de Dios son inmensamente
grandes, el intelecto y la capacidad humana es muy pequeña para poderlas abarcar.

Por lo tanto, no busquemos enmendarle la plana a Dios. Ya que el Señor todo lo ha dispuesto con infinita sabiduría, y
aunque, en este mundo no podamos comprenderlo.
De nada le sirve al hombre seguir poniendo vanas objeciones al dogma del infierno, ya que, en nada altera su terrible
realidad, lo que si debemos hacer es evitarlo con todos los medios que estén a nuestro alcance. Por fortuna estamos
a tiempo todavía. ¿Nos horroriza el infierno? Pues pongamos los medios para no ir a él.

La única desgracia terriblemente trágica, la única absolutamente irreparable, es la condenación eterna de nuestra
alma.

Reflexiona, fiel católico que has tenido la desgracia de caer en pecado; o aun, si eres de esos pecadores
empedernidos, que han estado cuarenta o cincuenta años alejado de Cristo y los sacramentos; aunque te hayas
pasado la vida entera blasfemando de Dios y pisoteando sus santos mandamientos, si quieres hacer la pases con el
Señor, no tienes que hacer grandes caminatas ni grandes sacrificios; Él te esta esperando con los brazos abiertos.

Basta que caigas de rodillas delante de un Crucifijo, y honradamente, sinceramente con un grito de arrepentimiento
le digas: “ ¡Perdóname, Señor! ¡Ten compasión de mí! Y sin duda al instante Dios se comunicará a tu corazón y oirás
las saludables y consoladoras palabras que le dirigió al buen ladrón: “Estarás conmigo en el Paraíso”.

Claro que, para ello Cristo te pone una condición sencilla y fácil. Que te acerques al santo tribunal de la confesión, y
que arrodillado delante de uno de sus ministros en la tierra, le vuelvas a confesar el dolor y arrepentimiento de tus
pecados, y él, en representación de Cristo, te extiende, en nombre de Dios, el certificado de tu perdón y la absolución
de tus pecados.

Por último, quiera el buen Dios, que la reflexión y la consideración de este dogma, nos de luz y fortaleza a nuestra
alma, y que ello nos lleve a ser mejores cristianos, aprovechándonos de la mejor manera de los medios de salvación,
cuales son las oración y la frecuencia de los sacramentos.

Gran parte de este escrito fue tomado de los libros: “El misterio del más allá” y “La Teología de la Salvación” del Rev.
Padre Antonio Royo Marín O. P.

http://www.tradicioncatolica.net/el-dogma-de-la-existencia-del-infierno/

Respondo com o que expõe o P. Antonio Royo Marín, em sua


Teologia Moral para Seculares, sobre os beijos e abraços [1]:
1º Constituem pecado mortal quando se tenta com eles excitar diretamente o deleite sexual.

2º Podem ser mortais, com muita facilidade, os beijos passionais entre noivos (embora não se tente o prazer
desonesto), sobretudo se são na boca e se prolongam algum tempo; pois é quase impossível que não representem
um perigo próximo e notável de movimentos carnais em si mesmo ou na outra pessoa. No mínimo, constituem uma
falta maior de caridade para com a pessoa amada, pelo grande perigo de pecar a que a expõe. É incrível, diz o Padre
Royo Marín, que estas coisas possam fazer-se em nome do amor. Até tal ponto os cega a paixão, que não lhes deixa
ver que esse ato de paixão sensual, longe de constituir um ato de verdadeiro e autêntico amor – que consiste em
desejar ou fazer o bem ao ser amado –, constitui, na realidade, um ato de egoísmo refinadíssimo, posto que não
vacile em satisfazer a própria sensualidade ainda a custa de causar um grande dano moral à pessoa amada. Diga-se o
mesmo dos toques, olhares, etc., entre esta classe de pessoas.

3º Um beijo rápido, suave e carinhoso dado a outra pessoa em testemunho de afeto, com boa intenção, sem
escândalo para ninguém, sem perigo (ou muito remoto) de excitar a sensualidade própria ou alheia, não pode
proibir-se em nome da moral cristã, sobretudo se houver alguma causa razoável para isso; por exemplo, entre
prometidos formais, parentes, compatriotas (onde haja costume disso) etc.

4º O que acabamos de dizer pode aplicar-se, na devida proporção, aos abraços e outras manifestações de afeto.
[1]
Antonio Royo Marín, Teología para Seglares, BAC, Madrid 1964, tomo I, n. 601.

http://www.brasil.ive.org/pages/teologo/20.beijos_noivado.htm
Em sua Teologia da Perfeição Cristã, o Pe Royo Marín (1968, p
273) salienta que :
Cada alma segue seu próprio caminho rumo à santidade sob a direção e o impulso supremo do Espírito Santo. Não há
duas fisionomias inteiramente iguais no corpo nem na alma. Contudo, os mestres da vida espiritual tem tentado
diversas classificações atendendo às disposições predominantes das almas, que não deixam de ter sua utilidade ao
menos como ponto de referência para precisar o grau aproximado de vida espiritual em que se encontra uma
determinada alma. (…)

[Teologia da Perfeição Cristã] Princípios fundamentais da vida


cristã
Teologia da Perfeição Cristã

Por Royo Marín, O.P.

PRIMEIRA PARTE

Princípios fundamentais da vida cristã

CAPÍTULO I

O fim da vida cristã

A consideração do fim é o que primeiro se impõe no estudo de qualquer obra dinâmica. E sendo a vida cristã
essencialmente dinâmica e propensa à perfeição – ao menos no nosso estado de peregrinos -, é preciso que antes de
tudo saibamos para onde iremos, ou seja, qual é o fim que pretendemos alcançar. Por isso que Santo Tomás inicia a
parte moral de seu sistema – o retorno do homem para DEUS – pela consideração do fim último [1].

À vida cristã se podem assinalar dois fins, ou, se desejar, um somente com duas modalidades distintas: um fim último
ou absoluto e outro próximo ou relativo. O primeiro é a glória de DEUS; e o segundo, nossa própria santificação.
Vamos examiná-los separadamente.

I. A glória de DEUS, fim último e absoluto da vida cristã

36. É clássica a definição da glória: clara notitia cum laude. Por sua própria definição, se expressa como algo
extrínseco ao sujeito a quem afeta. Entretanto, em um sentido menos estrito, podemos distinguir em DEUS
uma glória dupla: a intrínseca, que brota de sua própria vida íntima, e a extrínseca, proveniente das criaturas.

A glória intrínseca de DEUS é a que ELE busca em si mesmo no seio da TRINDADE Beatíssima. O PAI – por via de
geração intelectual – concebe de si mesmo uma idéia perfeitíssima: é seu Divino FILHO, Seu VERBO, no que se reflete
a Sua vida mesma, sua mesma beleza, sua mesma imensidade, sua mesma Eternidade, suas mesmas perfeições
infinitas. E ao contemplar-Se mutuamente, se estabelece entre as Duas Divinas Pessoas – por via de procedência –
uma corrente de indizível amor, torrente impetuosa de chamas que é o ESPÍRITO SANTO. Este conhecimento e amor
de Si mesmo, este louvor eterno e incessante que DEUS se profusa a si mesmo no mistério incompreensível de sua
vida íntima, constitui a glória intrínseca de DEUS, rigorosamente infinita e exaustiva, e à que as criaturas inteligentes
e o universo inteiro nada, absolutamente, podem acrescentar. E é no mistério de Sua vida íntima onde DEUS
encontra uma glória intrínseca absolutamente infinita.

DEUS é infinitamente feliz em Si mesmo, e, absolutamente, nada necessita das criaturas, que não podem aumentar-
LHE sua felicidade íntima. Mas DEUS é Amor [2], e o amor dele é comunicativo. DEUS é o Bem infinito, e o bem tende
de si mesmo a expandir-se:bonum est diffusivum sui, dizem os filósofos. Eis a razão da criação.

DEUS quis, com efeito, comunicar suas infinitas perfeições às criaturas, desejando com isso sua própria glória
extrínseca. A glorificação de DEUS pelas criaturas é, em definitivamente, a razão última e finalidade suprema da
criação [3].

[1] S. Th. I-II, 1.

[2] S. Th. I 109 4, 16.


[3] De maneira belíssima, expressa Santo Tomás de que maneira com sua glória intrínseca e extrínseca se reúne em
DEUS em grau muito perfeito a plenitude de todas as felicidades possíveis: «Quanto de desejável há em qualquer
classe de felicidade, tudo preexiste de modo mais elevado na bem-aventurança divina. Por isso, no que se refere à
felicidade comtemplativa, possui a contemplação contínua e certíssima de si mesmo e de todas as outras coisas, e
enquanto a ativa, possui o governo de todo o universo. Da felicidade terrena, que segundo Boécio, consiste em
prazeres, riquezas, poder, dignidade e fama, por deleite e gozo de si mesmo e de todas as outras coisas; a
abundancia que a riqueza promete; por poderio, a onipotência; por dignidade, o governo de todos os seres, e por
fama, a admiração de todas as criaturas» (1, 26,4).

TRATADO I: El último fin del hombre


TRATADO I

El último fin del hombre

Sumario: Dividimos la materia en cinco artículos: I.°, nociones previas; 2.°, el fin de los actos humanos; 3º el último
fin del hombre; 4º., la felicidad o bienaventuranza del hombre; y 5º, cuestiones complementarias.
La teología moral, como hemos visto, tiene por objeto propio el estudio de los actos humanos en orden al fin
sobrenatural. Se impone, por consiguiente, la consideración previa de ese fin adonde nos encaminamos, que
constituye el blanco y la razón misma de todas nuestras actividades morales.

ARTICULO 1
Nociones previas

Vamos a dar, en primer lugar, algunas nociones generales sobre el fin, el bien y la felicidad.

A) El fin
8. I. Noción.En general, la palabra fin significa el término de una cosa. Y así decimos que la muerte es el fin o término
de la vida.

Con relación a las actividades de un agente cualquiera, el fin representa aquello cuya consecución le hace descansar
y cesar en su actividad.

Si se trata de un agente racional, que conoce y obra siempre por un fin, se le define: aquello por lo cual se hace una
cosa. Es lo último que se consigue, pero lo primero que se intenta. Sin una determinada finalidad, el hombre no se
movería, o lo haría sin ton ni son, como un verdadero autómata. Todo acto verdaderamente humano supone el
conocimiento y la intención de algún fin determinado, a la consecución del cual se ordena, precisamente, la actividad
del hombre.

9. 2. División. Pueden establecerse las siguientes principales divisiones.

a) POR RAZÓN DEL SUJETO se divide en fin de la obra y fin del agente. El primero—llamado también fin propio o
intrínseco—es aquel a que se dirige u ordena la obra por su misma naturaleza, independientemente de la voluntad
del agente (v.gr., la limosna se ordena, de suyo, a socorrer al necesitado). El segundo—conocido también con el
nombre de fin accidental y extrínseco a la obra—es aquel que elige e intenta el agente, coincida o no con la
naturaleza o finalidad intrínseca de la obra; y así, por ejemplo, el que da una limosna puede intentar socorrer al
necesitado (en cuyo caso coincide el fin de la obra con el del agente) o sobornarle para hacerle cometer un pecado
(fin del agente, completamente ajeno a la finalidad de la limosna en cuanto tal).

Esta división tiene una gran importancia en teología moral. El fin de la obra constituye el objeto moral de la acción
humana, que, de suyo, será buena o mala según sea la obra realizada. Y el fin del agente constituye el motivo moral
de la acción, que puede alterar totalmente su moralidad, convirtiéndola de buena en mala (como en el caso citado de
soborno).
b) POR RAZÓN DE LA CAUSALIDAD O INFLUJO puede ser un fin total o adecuado, si el agente realiza la obra
exclusivamente por un motivo determinado que es causa total de la acción, de modo que sin él no la realizaría; y
parcial o inadecuado, si se buscan, a la vez, dos o más fines, cada uno de los cuales influye parcialmente en la acción
(v.gr., el que da una limosna para socorrer al necesitado y, a la vez, para ser alabado o por algún otro motivo distinto
del primero).

Estos fines parciales pueden subdividirse todavía. Y así pueden ser igualmente principales si ejercen el mismo influjo
en el agente, de suerte que cualquiera de ellos bastaría para impulsarle al acto (v.gr., un viaje a la capital por
cuestiones de negocios o para asistir a un espectáculo extraordinario, que sería suficiente para arrastrar al agente
aun sin aquellos negocios); o uno de ellos es el fin y motivo principal (que bastaría para el acto), y el otro es
secundario o meramente coadyuvante (que no bastaría por sí solo, pero ayuda y refuerza al motivo principal). Esta
división tiene, como veremos en sus lugares respectivos, infinitas aplicaciones en la vida práctica para juzgar de la
moralidad de las acciones humanas.

c) POR RAZÓN DEL TÉRMINO se divide en próximo, remoto y último. Fin próximo es aquel al que la voluntad se dirige
directamente, o sea, sin que medie o se interponga otro fin; aunque el fin próximo depende siempre, sin embargo,
de otro fin superior, que es el fin remoto. Y así, v.gr., el estudiante de derecho estudia tal o cual asignatura (fin
próximo) para llegar a ser abogado (fin remoto). El fin último es aquel que no se subordina a ningún otro, porque
representa el término de todas las aspiraciones.

El fin último se divide en absoluta o relativamente último. Fin absolutamente últimoes aquel al que se orientan todas
las otras finalidades y no admite otro fin superior en ninguna clase de bienes. Y fin relativamente último es aquel que
lo es en una determinada serie de actos, pero no de un modo absoluto. Por ejemplo, la salud es el último fin de la
medicina; pero la misma salud está subordinada, a su vez, a otro fin más alto, o sea, la gloria de Dios y la salvación del
alma, que constituyen los dos aspectos parciales del fin último absoluto.

10. 3. Maneras de tender a él. Todas las cosas tienden a su propio fin, pero de muy diversas formas según la
naturaleza de las mismas. Las principales son tres:

a) PASIVA O EJECUTIVAMENTE. Es el modo que corresponde a los agentes que carecen de todo conocimiento.
Ignoran el fin, pero se dirigen a él por un movimiento natural o artificial recibido de un agente superior intelectual, ya
sea el mismo Dios, autor de la naturaleza (v.gr., la piedra tiende naturalmente hacia el centro de gravedad; la planta
crece en busca del sol, etc.), o el hombre mismo (v.gr., el reloj señala la hora en virtud del mecanismo fabricado por
el relojero).

b) POR APREHENSIÓN INSTINTIVA. Es el propio de los animales. Ignoran la razón de fin en cuanto tal, pero lo
aprehenden con sus potencias sensitivas (ojos, oído, etc.), y se dirigen a él a impulsos de su propio instinto, impreso
en su naturaleza por el mismo Dios. Y así, la araña construye su tela, el ave su nido, las abejas el panal, etc.,
ignorando en absoluto cuál sea la finalidad de aquello, pero ejecutándolo con exactitud, por un instinto admirable
recibido del mismo Dios.

c) POR LIBRE ELECCIÓN. Es el propio de los seres racionales. El hombre tiende al fin en cuanto tal, advirtiendo con su
entendimiento la razón misma de su finalidad y eligiéndolo libremente con su voluntad racional.

Nótese, sin embargo, que en la voluntad del hombre es preciso distinguir dos formalidades muy distintas. La voluntad
como naturaleza (ut natura, dicen los teólogos) tiene su propio fin, perfectamente conocido, pero determinado de
una manera fija por la misma naturaleza, de suerte que se dirige a él de una manera necesaria, por instinto o moción
divina. El hombre no es libre con relación a esa finalidad de la voluntad ut natura, que es el bien en común
(verdadero o falso, pero siempre aprehendido como bien). Y la voluntad en cuanto tal (voluntas ut voluntas) es la
voluntad libre, o sea, la que tiende al fin elegido por sí misma y es dueña de su propio acto (aunque siempre, desde
luego, bajo la previa moción y el influjo divino). De esta voluntad libre proceden los actos humanos, como veremos
en su lugar correspondiente.
Veja mais em: Royo Marín

O teólogo responde: Beijos, abraços e leituras podem ser pecado


de luxúria?
Antonio Royo Marín, O.P.

II. OS PECADOS INTERNOS DA LUXÚRIA


597. Os pecados internos de luxúria são três: os pensamentos impuros, os desejos impuros e o gozo pelos pecados
cometidos. O primeiro se refere ao presente; o segundo, ao futuro, e o terceiro, ao passado.

Falamos que todos eles ao tratar dos pecados internos em geral e remetemos ao leitor a aquele outro lugar (cf.
n.257-262).

Aqui nos limitamos a recordar os dois princípios fundamentais que iluminam toda esta questão, e que, bem
aplicados, resolvem toda a ampla casuística que possa apresentar-se na prática. São os seguintes:

1.0 O deleite desonesto interno diretamente procurado ou voluntariamente aceito é sempre pecado mortal e não
admite DIMINUIÇÃO de matéria.

Por conseguinte, qualquer pensamento impuro, qualquer desejo impuro, qualquer gozo pela lembrança de uma ação
impura que se cometeu anteriormente, é de seu pecado mortal quando lhe adverte com toda clareza e lhe consente
ou aceita com plena vontade. Somente cabe o pecado venial por imperfeição do ato (ou seja, por falta desta plena
advertência ou consentimento), mas não pelo DIMINUIÇÃO de matéria quando foi plenamente advertida e aceita.

Que classe de pecado se comete e se recolher ou não as circunstâncias do objeto sobre que recai (v.gr., a malícia do
adultério, incesto, etc.), explicamo-lo já ao falar dos pecados internos em geral (cf. n.257-262).

2.° Não há nenhuma razão que possa autorizar jamais a permissão indireta de atos internos de luxúria referentes ao
futuro (desejos impuros) ou ao passado (gozo ou aprovação dos atos impuros realizados), já que estes são atos
próprios da vontade que supõem a aceitação, ou consentimento ao pecado. Mas com causa gravemente
proporcionada (v. gr., o exercício profissional do médico, sacerdote, estudante de medicina, etc.) é lícito permitir que
sobrevenham pensamentos desordenados, com tal de rechaçar absolutamente o consentimento voluntário aos
mesmos, já que é do todo impossível evitá-los e não se contrai sua malícia do momento em que não se buscam
diretamente nem se consentem ao produzir-se.

IV. LUXÚRIA EXTERNA NÃO CONSUMADA


Para maior ordem e claridade dividimos esta matéria em duas partes:

A. Atos impudicos em geral.

B. Aplicações concretas.

A) Atos impudicos em geral

598. I. Noção. Em geral se designam com o nome de atos impudicos aqueles que, sem ser propriamente venéreos
em si mesmos, relacionam-se, entretanto, com a luxúria e influem nela mais ou menos diretamente. Tais são,
principalmente, olhada-las, toques, beijos, abraços, leituras, cantar ou conversações perigosas, etc. A eles se
reduzem também os bailes, espetáculos, fotografias, etc., que sejam perigosos de dela ou relativamente à pessoa em
questão.
599. 2. Malícia. Consiste na aptidão natural que têm para excitar movimentos torpes que podem conduzir até o
deleite venéreo completo. Mas, em si mesmos, muitos deles são indiferentes e podem realizar-se de tal forma que
não envolvam pecado algum e até que sejam inclusive louváveis (v.gr., o beijo carinhoso dado à própria mãe).

Estes atos, de seu indiferentes, convertem-se em impudicos e maus por um triplo capítulo :

Iº. PELO FIM COM QUE SE EXECUTAM. E neste sentido podem ser:

A. Pecado mortal, se se buscar e tenta com eles obter diretamente um prazer venéreo, embora seja muito pequeno e
imperfeito.

B. Pecado venial, se se fizerem unicamente por ligeireza, brincadeira, curiosidade, etc., ou inclusive pelo prazer
puramente sensível que com eles pode experimentar-se (v. gr., na boca ao beijar), excluindo, de uma vez, todo afeto
ou deleite propriamente carnal (cf. D 1140) e o perigo próximo de que se produza (coisa muito difícil na prática, sobre
tudo se se prolongam algum tempo).

C. Nenhum pecado, se o fim for bom e se fazem por necessidade ou verdadeira utilidade; e isso embora houvesse
algum perigo de movimentos desordenados, com tal, naturalmente, de não consentir neles se se produzirem de fato.
Mas quanto mais perigosos sejam em si mesmos, tanto maior tem que ser a causa que os desculpe; e assim, v. gr., só
os médicos, praticantes, etc., têm razão suficiente para ver ou tocar, quando é necessário, as partes íntimas do
cliente.

2º. PELO INFLUXO NA COMOÇÃO VENÉREA. E assim serão:


a) Pecado mortal, quando influem próxima e notavelmente em dita comoção e se executam sem causa alguma ou de
tudo insuficiente e desproporcionada. As aplicações são variadísimas: olhares, toques, beijos, baile, espetáculos,
fotografias, praias, etc., etc., quando influírem nessa forma próxima e notável e se executam sem grave causa e sem
as devidas precauções.

b) Pecado venial, quando ficam sem razão suficiente, mas influem tão somente remota ou levemente (v.gr., alguma
piada um pouco obscena, um beijo rápido na testa ou na bochecha, um espetáculo um pouco atrevido, mas não
imoral, etc.), e não se teve má intenção, nem se produziu grave escândalo, nem se consentiu em nenhum
pensamento ou afeto torpe.

c) Nenhum pecado, quando influem tão somente remota ou levemente e houve, além disso, alguma razão de
verdadeira utilidade ou conveniência para isso (v.gr, por educação, amizade, afeto familiar, etc.), excluído sempre o
consentimento aos movimentos torpes que possam surgir.

3º. PELA FRAGILIDADE ESPECIAL DO AGENTE ou POR RAZÃO DE ESCÂNDALO. Pode ocorrer, em efeito, que algum
desses atos que de ordinário influem tão somente remota ou levemente na maior parte da gente, afetem,
entretanto, próxima e notavelmente a uma pessoa extraordinariamente frágil e propensa à sensualidade, em cujo
caso deve evitar, ao menos até que se serene e normalize, aquelas coisas que outras pessoas mais normais se podem
permitir sem pecado. Diga-o mesmo por razão do escândalo que pode produzir-se (v. gr., vendo um sacerdote em um
espetáculo impróprio para ele, embora não levasse por sua parte nenhuma má intenção ao assistir).

B) Aplicações concretas

Para ilustrar melhor os princípios que acabamos de expor, vamos aplicá-los a alguns casos concretos e particulares,
advertindo, não obstante, que estas aplicações valem unicamente em termos gerais e segundo o que está
acostumado a ocorrer ordinariamente; mas na prática terá que ter sempre em conta o conjunto de circunstâncias,
principalmente a intenção ou finalidade do agente, as razões que existam para expor-se a algum perigo, sua maior ou
menor periculosidade em ordem a suas disposições subjetivas e o escândalo que possivelmente possa dar-se com
uma ação acaso lícita em si mesmo ou para outros.
Feitas estas condições, eis aqui o que se pode concluir em termos gerais:

600. 1º. Olhares e toques.


a) Será ordinariamente pecado mortal olhar ou tocar sem causa grave (como a tem o médico, cirurgião, etc.) as
partes desonestas de outras pessoas, sobre tudo se forem de diversos sexo, e até do mesmo se se tiver inclinação
desviada para ele. Diga-o mesmo com relação às mulheres nos peitos.

b) Pode ser simplesmente venial olhar ou tocar as próprias partes unicamente por ligeireza, curiosidade, etc.,
excluída toda intenção venérea ou sensual e todo perigo próximo de excitar nelas movimentos desordenados. Não é
pecado algum fazer isso mesmo por necessidade ou conveniência (v.gr., para curar uma enfermidade, lavar-se, etc.).

c) Para julgar da importância ou gravidade dos olhares ou toques às restantes parte do corpo humano próprio ou
alheio, mais que à anatomia terá que atender à intenção do agente, ao influxo que pode exercer na comoção carnal e
às razões que houve para as permitir, de acordo com os princípios anteriormente expostos. Às vezes será pecado
mortal o que em outras circunstâncias ou intenções seria tão somente venial e possivelmente nenhum pecado.

d) O dito com relação ao corpo humano, aplique-se à vista de estátuas, quadros, fotografias, espetáculos, etc., na
medida, grau e proporção com que possam excitar a própria sensualidade.

602. 2.° Beijos e abraços.


a) Constituem pecado mortal quando se tenta com eles excitar diretamente o deleite venéreo, embora se trate de
parentes e familiares (e com maior razão entre estes, pelo aspecto incestuoso desses atos).

b) Podem ser mortais, com muita facilidade, os beijos passionais entre noivos (embora não se tente o prazer
desonesto), sobre tudo se forem na boca e se prolongam algum tempo; pois é quase impossível que não
representem um perigo próximo e notável de movimentos carnais em si mesmo ou na outra pessoa. Quando menos,
constituem uma falta maior de caridade para com a pessoa amada, pelo grande perigo de pecar a que a expõe. É
incrível que estas coisas possam fazer-se em nome do amor (!). Até tal ponto os cega a paixão, que não lhes deixa ver
que esse ato de paixão sensual, longe de constituir um ato de verdadeiro e autêntico amor—que consiste em desejar
ou fazer o bem ao ser amado—, constitui, em realidade, um ato de egoísmo refinadísimo, posto que não vacila em
satisfazer a própria sensualidade até a costa de lhe causar um grande dano moral à pessoa amada. Diga-o mesmo dos
toques, olhares, etc., entre esta classe de pessoas.

c) Um beijo rápido, suave e carinhoso dado a outra pessoa em testemunho de afeto, com boa intenção, sem
escândalo para ninguém, sem perigo (ou muito remoto) de excitar a própria ou alheia sensualidade, não pode
proibir-se em nome da moral cristã, sobre tudo se houver alguma causa razoável para isso; v.gr., entre prometidos
formais, parentes, compatriotas (onde haja costume disso), etc.

602. 3º. Conversas e cantos.


a) É pecado mortal iniciar ou manter uma conversação francamente desonesta ou obscena, que não pode ter outra
finalidade que excitar a sensualidade própria ou alheia ou escandalizar a outros. O iniciador peca mais gravemente
que o resto dos interlocutores. Diga-o mesmo de um canto gravemente obsceno, ou seja, apto para escandalizar a
qualquer pessoa normal.

b) Sustentar alguma conversação sobre matérias obscenas ou perigosas (v.gr., sobre os deveres íntimos do
matrimônio, obstetrícia, etc.) sem causa suficiente para isso, mas também sem nenhuma má intenção,
ordinariamente não passará de pecado venial, ao menos se pela maneira de falar, seriedade dos circunstantes, etc.,
vê-se claro que não produz escândalo nenhum nem se corre perigo de excitar a sensualidade própria ou alheia. Com
causa justificada (v.gr., por razão de estudo da medicina ou a moral) não teria pecado algum.

c) As piadas, historietas mais ou menos subidas de tom, etc., relatados sem má intenção e sem escândalo dos
circunstantes, ordinariamente não passam tampouco de pecado venial, porque a risada está acostumada recair, não
sobre a coisa obscena em si mesmo, a não ser sobre o engenho ou graça do caso. Entretanto, são muito
inconvenientes (sobre tudo em presença de pessoas ligeiras e largas de consciência), porque revistam degenerar
facilmente em conversações obscenas, gestos torpes e brincadeiras soezes das coisas mais sérias e sagradas. Neste
último caso, claro está que seriam pecado mortal.

603. 4.° Leituras.


Com ligeiras variantes, pode aplicar-se às leituras o que acabamos de dizer nos números anteriores. E assim;

a) É pecado mortal ler um livro francamente obsceno que excite gravemente a sensualidade do leitor, já seja de tipo
científico, recreativo ou histórico. Com grave causa e as devidas precauções poderia autorizar-se por razão do ofício
(médico, confessor, censor literário, etc.), sempre que não represente um perigo próximo de consentimento nos
movimentos desordenados que excite, porque, neste caso, seria gravemente ilícito pelo mesmo direito natural.

b) As novelas amorosas, científicas ou de aventuras, etc., que não excitem a sensualidade, ou só de maneira remota
ou leve, podem ler-se sem pecado grave até com causa muito ligeira; e com causa proporcionada, inclusive sem
pecado leve. Mas de ordinário devem desaconselhar-se aos jovens, pelo tempo que perdem nisso com prejuízo de
suas obrigações, por lhes transladar a uma esfera irreal cheia de ilusões e fantasias e por outros muitos
inconvenientes pelo estilo. As novelas obscenas estão de sua gravemente proibidas para todos pelo mesmo direito
natural.

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Esta série "O teólogo responde" trata-se de uma exposição ao modo de perguntas e respostas extraídas do livro
"Teología Moral para seglares" do renomado teólogo dominicano Pe. Antonio Royo Marín, O.P. Portanto, nada que
aqui será demonstrado é de autoria nossa do AVS, mas do próprio autor do livro. A única diferença é que
colocaremos as perguntas para entreter mais o leitor.

A edição.

O teólogo responde: o que é LUXÚRIA?


O que é a LUXÚRIA?

Royo Marín: No nosso livro no CAPITULO II: Respeitar seu corpo; Ao abordar esta matéria tão áspera e suja,
acreditam oportuno recolher a muito prudente advertência com que São Alfonso do Ligório começa a explicação da
mesma:
«Agora vamos tratar, com desgosto, daquela matéria cujo só o nome infecciona a mente dos homens... !Oxalá mais
breve e mais obscuramente pudesse me explicar! Mas, como esta seja a mais freqüente e mais abundante matéria
das confissões e pela que maior número de almas caem no inferno—mais ainda: não vacilo em afirmar que por este
só vício ou, ao menos, não sem ele se condenam todos os que se condenam—, daí que seja necessário, para instrução
dos que desejam aprender a ciência moral, me explicar com clareza (embora da maneira mais casta possível) e
discutir algumas coisas particulares».

Fiéis a esta ordem do grande santo e eminente moralista, vamos estudar esta matéria na forma mais breve e discreta
possível, sem renunciar, não obstante, a informar ao leitor secular de tudo que precisa saber para formar sua própria
consciência em torno destas questões.

Dividimos a matéria em dois artigos fundamentais: I.°, da luxúria em geral, e 2. °, das espécies de luxúria.

Noção de luxúria em geral: Em sentido amplo ou metafórico, a palavra luxúria designa qualquer luxo, excesso ou
exuberância; e assim, por exemplo, de um campo muito fértil se diz que tem uma luxuriante vegetação. Mas no
sentido próprio e estrito que aqui nos interessa se define: o apetite ou o uso desordenado do venéreo. Consiste
principalmente no uso da faculdade generativa fora do matrimônio ou dentro dele contra suas leis.
A luxúria é um dos sete pecados capitais. dela derivam outros muitos pecados, principalmente a cegueira da mente,
precipitação, desconsideração, inconstância, amor desordenado de si mesmo, odeio a Deus, apego às coisas desta
vida e horror à futura. Santo Tomam dedica um muito belo artigo a esta questão.

A divisão fundamental é a que distingue entre luxúria consumada, completa ou perfeita, e a não
consumada, incompleta ou imperfeita, conforme chegue ou não até o orgasmo completo, com sua correspondente
efusão seminal no varão ou de humores vaginais na mulher.

 Consumada-a se subdivide em segundo a natureza, se dela pode segui-la geração de um novo ser, e contra a
natureza, se de sua não é apta para a geração. refere-se sempre a atos externos e não pode dar-se nos
meramente internos.
 A não consumada pode ser interna e externa, conforme se refira tão somente a atos meramente internos ou
a atos externos imperfeitos.

É preciso, acima de tudo, ter sempre à vista dois grandes princípios que informam toda esta questão, e que, bem
compreendidos, resolvem sem mais toda a abundante e complicada casuística que pode expor-se em torno à luxúria,
ei-los aqui com toda claridade e precisão:

Primeiro princípio:
A luxúria ou deleite venéreo, tanto a consumada ou perfeita como a não consumada ou imperfeita, DIRETAMENTE
PROCURADA fora do legítimo matrimônio, é sempre pecado mortal e não admite diminuição de matéria.

Expliquemos, acima de tudo, os termos do princípio:

A LUXÚRIA ou DELEITE VENÉREO, ou seja, a própria e específica da geração humana, diferencia-se:

A. Do deleite puramente sensível, que é o produzido por um ato ou objeto prazeroso em si mesmo, mas não apto de
seu para excitar o prazer venéreo (v.gr., o aroma de uma rosa, a suavidade do veludo, o aprimoramento de um
manjar, etc.).

B. Do deleite sensual, que é o produzido por um ato ou objeto que, embora não é propriamente venéreo em si
mesmo, é apto, entretanto, para excitar a concupiscência da carne (v.gr., um beijo, um abraço, etc.). Nestes últimos
terá pecado ou não segundo a intenção ou finalidade com que se façam.

TANTO A CONSUMADA ou PERFEITA, ou seja, a que chega a seu término natural pelo orgasmo e efusão seminal no
varão ou de humores vaginais na mulher.

COMO A NÃO CONSUMADA ou IMPERFEITA, que se reduz a pensamentos, olhares, toques, etc., com intenção ou
finalidade desonesta.

DIRETAMENTE PROCURADA, já seja por ter tentado voluntariamente obter o prazer venéreo completo ou
incompleto, ou por ter mimado nele quando se produziu sem buscá-lo.

FORA DO LEGÍTIMO MATRIMÔNIO, ou seja, fora dos atos ordenados de sua à geração humana dentro do legítimo
matrimônio.

É SEMPRE PECADO MORTAL, não só por estar grave e expressamente proibida Por Deus, mas sim por ser uma coisa
de sua natureza intrinsecamente má.

E NÃO ADMITE DIMINUIÇÃO DE MATÉRIA, ou seja, que, por insignificante que seja o ato desordenado (v.gr., um
simples movimento carnal), é sempre pecado mortal quando através dele se busca diretamente o prazer venéreo. Só
pode dar o pecado venial por imperfeição do ato humano, ou seja, por falta da suficiente advertência ou de pleno
consentimento.
Vejamos agora a prova teológica do princípio:
a) PELA SAGRADA ESCRITURA. São inumeráveis os textos. Eis aqui alguns dos mais conhecidos:

«Não adulterará» (Ex. 20,14).

«Todo aquele que olha a uma mulher desejando-a, já adulterou com ela em seu coração» (MT. 5,28).

«Não lhes enganem: nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adulteros, nem os efeminados, nem os
sodomitas... possuirão o reino de Deus» (1 Cor. 6,9-1o).

«Agora bem: as obras da carne são manifestas, ou seja: fornicação, impureza, lascívia... e outras como estas, das
quais lhes previno, como antes o fiz, que quem tais coisas fazem não herdarão o reino de Deus» (Gal. 5,19-21).

«Pois têm que saber que nenhum fornicador ou impuro... terá parte na herdade do reino de Cristo e de Deus» (Eph.
5,5).

Como se vê, os textos não podem ser mais claros e categóricos. trata-se da exclusão do reino dos céus, que
corresponde ao pecado grave ou mortal; e afeta não só aos atos consumados ou perfeitos (fornicação, adultério),
mas sim inclusive aos não consumados ou imperfeitos: basta um simples olhar mal ntencionado, como declara o
mesmo Cristo no Evangelho (MT. 5,z8).

b) PELO MAGISTÉRIO DA IGREJA. A Igreja (Aelxandre VII) condenou, ao menos como escandalosa, a seguinte
proposição:

«É opinião provável a que diz ser somente pecado venial o beijo que se dá pelo deleite carnal e sensível que do beijo
se origina, excluído o perigo de ulterior consentimento e poluição» (D I140).

Agora bem: se um simples beijo dado com intenção carnal (luxúria imperfeita ou não consumada) é pecado grave,
serão-o também outros atos de luxúria imperfeita, e a fortiori os de luxúria consumada ou perfeita.

c) PELA RAZÃO TEOLÓGICA. Todos os teólogos católicos estão de acordo em proclamar que a luxúria perfeita ou
imperfeita é de sua intrinsecamente má e não só porque está proibida Por Deus. A razão fundamental é porque o
prazer venéreo o pôs Deus no ato da geração como estímulo e estímulo para ela, dada sua necessidade
imprescindível para a propagação do gênero humano. É, pois, um prazer cuja única e exclusiva razão de ser é o bem
da espécie, não do indivíduo particular. Agora bem: utilizar esse agradar em proveito e utilidade própria fora de sua
ordenação natural à geração em legítimo matrimônio é subverter a ordem natural das coisas, o qual é sempre
intrinsecamente mal, porque se opõe ao que dispôs Deus, não só por uma lei positiva, mas também na natureza
mesma das coisas; e como se trata de uma desordem grave, que afeta ao bem de toda a sociedade humana, sua
infração voluntária e direta tem que constituir forzosamente um pecado mortal.

A esta razão fundamental podem acrescentar-se outras várias, principalmente para pôr de manifesto a ilegitimidade
incluso dos atos imperfeitos. Porque:

1.° Tratando-se de matéria tão escorregadia, é quase impossível realizar o ato imperfeito sem expor-se a grave perigo
de chegar até o perfeito; e, como é sabido, é pecado grave expor-se sem causa justificada—não o é nunca o desejo
de satisfazer a própria sensualidade—a perigo próximo de pecado grave.

2º. É virtualmente impossível procurar o deleite venéreo incompleto sem que implicitamente se busque e queira o
completo; porque, como adverte com fundamento Santo Tomam, asa incógnita de uma coisa se ordena sempre a sua
consumação»; de onde, que quer a incógnita, pelo mesmo quer implícita e necessariamente a consumação, da
mesma maneira que o que quer um bem imperfeito o quer assim que tende de seu ao bem perfeito.
3º. O prazer venéreo que se obtém com a luxúria imperfeita se ordena também, de dele, ao bem da espécie, já que é
um aspecto parcial do estímulo natural para a geração posto no organismo humano pelo mesmo Autor da natureza.
Logo utilizá-lo em proveito próprio fora daquela muito alto finalidade é subverter a ordem natural das coisas, e, pelo
mesmo, é de seu intrinsecamente mau.

Segundo princípio: A luxúria perfeita ou imperfeita, involuntária em si mesmo, masINDIRETAMENTE PERMITIDA ao


realizar uma ação de seu boa ou indiferente, pode ser pecado grave, leve ou nenhum pecado, segundo as razões que
se tiveram para realizar aquela ação e o comportamento observado ao produzir o prazer venéreo não procurado.

Expliquemos, acima de tudo, os termos do princípio:

A LUXÚRIA PERFEITA ou IMPERFEITA, no sentido já explicado.

INVOLUNTÁRIA em si mesmo, ou seja, não procurada nem tentada direta nem indiretamente em si mesmo.

MAS INDIRETAMENTE PERMITIDA. Não é o mesmo querer uma coisa que permiti-la indiretamente quando há justa
causa para isso, de acordo com as leis do voluntário indireto. Tornaremos em seguida sobre isto.

AO REALIZAR UMA AÇÃO DE SEU BOA ou INDIFERENTE; por exemplo, ao reconhecer a uma doente, ao estudar
certas matérias necessárias de medicina ou moral, ao tomar um banho quente, etc. Se a ação excitante fora já de sua
má (v.gr., a assistência a um espetáculo imoral), não poderia invocar-se ao voluntário indireto, já que uma de suas
regras fundamentais é que se realize e tente exclusivamente uma ação boa, ainda que dela se siga indiretamente um
efeito mau.

PODE SER PECADO GRAVE, LEVE ou NENHUM PECADO, na forma que explicaremos em seguida.

SEGUNDO AS RAZÕES QUE SE TIVERAM PARA REALIZAR AQUELA AÇÃO. É o aspecto mais importante do princípio,
que explicaremos em seguida detalhadamente.

E O COMPORTAMENTO OBSERVADO AO PRODUZIR O PRAZER VENÉREO NÃO PROCURADO. É outro aspecto


fundamental. Se, ao produzir o prazer não procurado, consente-se voluntária e perfeitamente nele, comete-se
sempre pecado mortal, embora a causa excitante se tenha posto por graves razões e sem intenção alguma
pecaminosa. Se o consentimento for imperfeito, comete-se pecado venial por imperfeição do ato humano. E se se
rechaça totalmente o prazer, não se comete pecado algum, contanto que a causa excitante se pôs por razões
gravemente proporcionadas segundo as leis do voluntário indireto.

Expliquemos agora com detalhe os dois pontos que ficaram sem explicar, ou seja, os relativos à classe do pecado que
se comete segundo as razões que tenha havido para permitir o efeito desordenado que se segue ou pode seguir-se
de uma causa em si boa ou indiferente. A questão não é tão fácil como a primeira vista pudesse parecer, e é preciso,
para resolvê-la com acerto, estabelecer com toda claridade e precisão umas quantas distinções muito importantes.

1.a. Há ações que de dele (per se) são aptas para excitar a deleite venérea (v.gr., um olhar ou toque francamente
obscenos); e outras que de suyonada têm que ver com o prazer venéreo, mas poderiam lhe excitar indiretamente
(per accidens); por exemplo, comer ou beber em demasia, montar a cavalo, tomar um banho quente, etc.

2.a Entre as primeiras—ou seja, as que operaram per se — terá as que atuam próxima e notavelmente no efeito
desordenado, de sorte que sempre ou quase sempre se produz de fato (v.gr., a vista prolongada das partes
desonestas de uma pessoa de diferente sexo, uma leitura muito obscena, etc.); e outras que só influem remota e
levemente (v.gr., a vista ou conversação com uma pessoa de aparência agradável, estreitá-las mãos ao cumprimentar-
se, etc.).
3.a Há ações que excitam próxima e notavelmente a certas pessoas (v.gr., aos jovens, aos de temperamento muito
ardente e passional, etc.) que não causam impressão alguma, ou só muito leve, a outras pessoas (v.gr., de
temperamento frio ou de idade muito avançada, etc.).

4.a Ao realizar uma ação em si boa ou indiferente que produz ou pode produzir um efeito mau, poderiam existir
razões gravemente proporcionadas para realizá-la, ou razões insuficientes, ou nenhuma razão absolutamente.

Tendo em conta estes princípios, eis aqui as conclusões a que se deve chegar:

1.a. É PECADO MORTAL realizar sem grave razão uma ação boa ou indiferente que influa próxima e gravemente no
prazer venéreo (já seja por si mesmo ou pela especial psicologia de uma pessoa determinada), embora em algum
caso concreto não se seguisse de fato aquele prazer. A razão é porque não é lícito a ninguém, sem grave causa, expor-
se a perigo próximo de pecar gravemente (cf. n.256).

Grave causa a tem, v.gr., o médico. que deve reconhecer ao doente ou doente, o estudante de medicina que deve
aprender anatomia ou obstetria, o sacerdote que tem obrigação de estudar a moral ou de ouvir confissões
acidentadas, etc. Nenhum destes pecaria se ao realizar esses estudos ou desempenhar suas funções profissionais
experimentassem algum prazer desordenado, com tal, naturalmente, que rechaçassem absolutamente o voluntário
consentimiento do mesmo.

Tampouco pecaria por este capítulo o que por uma larga experiência soubesse com toda certeza que não lhe excita
carnalmente alguma ação de seu boa ou indiferente que para outros resulta gravemente provocadora. Mas, como é
natural, esta frieza subjetiva não poderia invocar-se para legitimar uma ação de si mesma má (v.gr., a assistência a um
espetáculo imoral), porque se pecaria, ao menos, por razão do escândalo e da cooperação ao mal.

2.a É PECADO VENIAL realizar sem justa causa uma ação que influi tão somente per accidens, ou de maneira leve e
remota, no prazer venéreo não procurado nem tentado direta nem indiretamente (v.gr., algum excesso na comida ou
bebida, a vista e conversação com uma pessoa muito bela, etc.). A razão é porque, embora estas ações influem tão
somente e remotamente no prazer venéreo, que, além disso, não se busca nem se tenta, pôr essas causas sem razão
alguma e por puro capricho não deixa de envolver certa desordem, ao menos de imprudência e temeridade.
Entretanto, como esta desordem não afeta diretamente à luxúria (já que neste caso seria grave, porque, como já
havemos dito, não se dá DIMINUIÇÃO de matéria na luxúria diretamente intencionada), constitui tão somente um
pecado venial, com tal, naturalmente, de rechaçar o consentimento ao prazer desordenado que possa produzir-se
inesperadamente.

3ª. Não É PECADO ALGUM realizar com justa causa (v.gr., por necessidade, educação, utilidade ou conveniência) as
ações que acabamos de indicar no parágrafo anterior (ou seja, as que influem só per accidens ou leve e
remotamente). E com grave causa (v.gr., o exercício profissional de médicos, enfermeiros, etc.) inclusive as do
primeiro parágrafo (ou seja, as que influem próxima e gravemente), com tal de tomar toda espécie de precauções e
de rechaçar no ato o prazer se se produzir. Entretanto, se a causa fora de tal maneira excitante e a própria debilidade
tão grande que se tivesse certeza moral de que se produzirá o prazer e de que não se terá a suficiente energia para
rechaçar o consentimento, seria absolutamente ilícito pôr aquela causa, embora para isso tivesse o interessado que
abandonar sua própria profissão ou emprego, já que nem sequer para salvar a própria vida ou a do próximo é lícito
jamais expor-se a perigo certo ou virtualmente inevitável de pecado.

Com estes dois princípios que acabamos de expor, bem compreendidos e assimilados, pode resolver com acerto toda
a muito abundante casuística que expõe a luxúria em todas suas manifestações completas ou incompletas. Tudo gira
em torno destes dois pontos fundamentais:
I.°, a luxúria diretamente tentada fora do legítimo matrimônio é sempre pecado mortal, sem que
admita DIMINUIÇÃO de matéria (um simples movimento carnal, um simples olhar ao corpo de uma pessoa, basta
para pecar mortalmente se com isso se tenta directament e experimentar um prazer ou deleite venérea);
e 2.°, a luxúria involuntária, mas prevista, será pecado grave, leve ou nenhum pecado, conforme tenha havido ou não
raciocine proporcionadas para permiti-la e se rechaçou ou não o consentimento ao prazer desordenado no momento
de produzir-se.
---

Esta série "O teólogo responde" trata-se de uma exposição ao modo de perguntas e respostas extraídas do livro
"Teología Moral para seglares" do renomado teólogo dominicano Pe. Antonio Royo Marín, O.P. Portanto, nada
que aqui será demonstrado é de autoria nossa do AVS, mas do próprio autor do livro. A única diferença é que
colocaremos perguntas para entreter mais o leitor.
A edição.

EL SANTO ROSARIO, PRENDA DILECTA DEL INMACULADO


CORAZÓN DE MARÍA
ANTONIO ROYO MARÍN, O.P.

La meditación de los principales misterios de la vida de Jesús y de Mana constituye como el alma del Rosario, así
como el rezo vocal de los Padrenuestros y Avemarías constituye como su cuerpo material. Ambas cosas son
absolutamente necesarias para que exista el Rosario. Quien se limitare a rezar los Padrenuestros y Avemarías, pero
sin meditar en los misterios, haría, sin duda, una excelente oración, pero no rezaría el Rosario. Y el que meditara
atentamente los misterios, pero sin rezar los Padrenuestros y Avemarías, haría una excelente meditación, pero es
claro que tampoco habría rezado el Rosario. Para que exista el Rosarios preciso, imprescindiblemente, juntar las dos
cosas: rezo de las oraciones y meditación de los misterios.

¿De qué modo se puede rezar eficazmente el Rosario?

Para obtener del santo Rosario toda su eficacia impetratoria y santificadora, es evidente que no basta rezarlo de una
manera mecánica y distraída, como podría hacerlo una cinta magnetofónica. Es preciso rezarlo digna, atenta y
devotamente, como cualquier otra oración vocal.

En teoría hay que reconocer que es difícil rezar bien el Rosario, precisamente porque hay que juntar la oración vocal
con la mental, so pena de invalidarlo en cuanto Rosario. Pero en la práctica es fácil encontrar algunos procedimientos
que ayudan eficazmente al rezo correcto y piadoso de la gran devoción mariana.

El Rosario debe rezarse dignamente. Esta primera condición exige, como programa mínimo, que el rezo del Rosario se
haga de una manera decorosa, como corresponde a la majestad de Dios, a quien principalmente dirigimos nuestra
oración.

El mejor procedimiento es rezarlo de rodillas ante el Sagrario o ante una devota imagen de María, pero en general
puede rezarse en cualquier otra postura digna modestamente sentado, paseando por el campo, etc. Sería indecoroso
rezarlo en la cama- salvo por razón de enfermedad, o interrumpiéndolo constantemente para contestar a preguntas
ajenas al rezo, o en un lugar público y concurrido que hiciera poco menos que imposible la atención.

El Rosario debe rezarse atentamente. La atención es necesaria para evitar la irreverencia que supondría si fuera
plenamente voluntaria. ¿Cómo queremos que Dios nos escuche, si empezamos por no escucharnos a nosotros
mismos?

Sin embargo, no toda distracción es culpable. No tenemos el control despótico sobre nuestra imaginación, sino
únicamente político, y no podemos evitar que se nos escape sin permiso, como un siervo desobediente e indómito,
que tal es "la loca de la casa" (la imaginación). Las distracciones involuntarias no invalidan el efecto meritorio e
impetratorio de la oración, con tal que se haga lo posible por contenerlas y evitarlas. Escuchemos a Santo Tomás
explicando admirablemente este punto interesantísimo al preguntarse "si la oración debe ser atenta":

"Esta cuestión afecta principalmente a la oración vocal. Y para resolverla con acierto hay que distinguir, en primer
lugar, lo que es mejor y lo que es absolutamente necesario. Es evidente que para obtener el fin de la oración es mejor
que sea atenta. Sin embargo, si nos fijamos en lo que es absolutamente necesario, hay que distinguir en la oración un
triple efecto: meritorio, impetratorio y cierto espiritual deleite que produce en el alma del que ora.

"Para los efectos meritorio e impetratorio, no es necesario que la oración sea atenta de una manera constantemente
actual (o sea, todos y cada uno de los momentos) sino que basta y es suficiente la atención virtual, que es aquella
que se puso al principio de la oración y perdura a todo lo largo de ella aunque se produzcan distracciones
involuntarias. Desde luego, si faltara la primera intención, la oración no sería meritoria ni impetratoria. En cambio, la
atención actual es absolutamente necesaria para obtener aquel espiritual deleite que lleva consigo la oración
fervorosa, que es incompatible con la distracción, aunque sea involuntaria.

"Téngase en cuenta, además, que en la oración vocal puede ponerse una triple atención. La primera y más imperfecta
se refiere a la correcta pronunciación de las palabras de que consta. La segunda se fija en el sentido de esas palabras.
La tercera, finalmente, pone todo su empeño en el fin de la oración, o sea, en Dios y en la cosa por la que se ora. Esta
última es la más importante y necesaria y pueden tenerla incluso las personas de cortos alcances o que no entienden
el sentido de las palabras que pronuncian (por ejemplo, por rezar en latín). Esta última atención puede ser tan
intensa que arrebate la mente a Dios, hasta `el punto de hacernos perder de vista todas las demás cosas".

Teniendo en cuenta estos principios del Doctor Angélico y con el fin de facilitar la atención en el rezo del santo
Rosario y extraer de él su máxima eficacia santificadora, puede seguirse el siguiente método, que ha sido ensayado
con éxito por muchas personas que sufrían distracciones en el rezo del mismo:

1°. Durante el rezo del Padrenuestro, fijarse únicamente en el sentido maravilloso de cada una de las palabras, sin
pensar para nada en el misterio correspondiente del Rosario, ya que es psicológicamente imposible atender
eficazmente a dos cosas a la vez.

2°. Durante el rezo de las tres primeras Avemarías, fijarse exclusivamente en el sentido de esas Avemarías, saludando
a la Virgen con ellas y sin tener para nada en cuenta el misterio a que pertenecen, por la razón ya indicada.

3°. Durante el rezo de las tres siguientes Avemarías, pensar solamente en el misterio correspondiente que se está
rezando, sin pensar para nada en las Avemarías que se recitan.

4°. Durante las tres o cuatro Avemarías finales, pensar sólo en las consecuencias prácticas que se desprenden del
misterio correspondiente (ej.: humildad de María, su amor a la cruz, etc.)

5°. Durante el Gloria, pensar únicamente en glorificar con él a la Santísima Trinidad.

En segundo término, el Rosario ha de rezarse devotamente. La devoción consiste en una prontitud del ánimo para las
cosas tocantes al servicio de Dios. Es imposible que el alma no se sienta llena de devoción si reza tan perfectamente
como le es posible el Rosario.

Una cosa importantísima hemos de advertir aquí. El fin principal de toda oración vocal o mental es unir el alma con
Dios de la manera más íntima realizable. Todo lo demás, incluso la impetración de las gracias que pedimos, es
secundario en relación a esta finalidad suprema. De donde hay que concluir que, si durante el rezo del Rosario o de
cualquier otra oración vocal no obligatoria se sintiera el alma llena de un amor de Dios tan intenso que el rezo le
resultara muy penoso o poco menos que imposible, habría que suspender inmediatamente el rezo sin escrúpulo
alguno, para "dejarse abrasar en silencio" por aquella llama de amor viva "que sabe a vida eterna y paga toda deuda"
como dice San Juan de la Cruz.
El rezo del Rosario en las condiciones que acabamos de indicar constituye una de las más grandes y claras señales de
predestinación que podemos alcanzar en este mundo, al reunir la eficacia infalible de la oración impetratoria de la
perseverancia final y la poderosísima intercesión de María como mediadora universal de todas las gracias. Quiera
Dios conceder a cada uno de los lectores el deseo ardiente de un gran devoto de la Virgen en su doble advocación del
Carmen y del Rosario:
Cuando con blanco sudario
cubran los despojos míos,
¡sálveme tu escapulario
y tengan mis dedos fríos
las cuentas de tu Rosario!

Psicologia da Tentação - Royo Marín O.P.


Segundo o Doutor Angélico, o oficio próprio do demônio é tentar. No entanto, imediatamente acrescenta que nem
todas as tentações que os homens padecem procedem do demônio, há as que têm sua origem na própria
concupiscência, como diz o apóstolo Tiago: “Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e
alicia” (São Tiago 1,14).

Contudo, é certo que muitos tentações procedem do demônio, que é conduzido por sua inveja contra homem e seu
orgulho contra Deus. Consta expressamente na revelação divina: “Revesti-vos da armadura de Deus, para que
possais resistir às ciladas do demônio; pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os
principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal nos
ares” (Efésios 6,11-12). E São Pedro compara o demônio a um leão enfurecido que anda dando voltas em torno de
nos, desejando devorar-nos (I São Pedro 5,8).

Não existe uma regra fixa ou sinal claro para distinguir quando a tentação procede do demônio ou de outras causas.
No entanto, quando a tentação é repentina, violenta e tenaz; quando não houve nenhuma causa próxima nem
remota que possa produzi-la; quando causa profunda perturbação na alma ou sugere o desejo de coisas
maravilhosas ou espetaculares, ou incita a desconfiar dos superiores ou a não comunicar nada do que acontece ao
diretor espiritual; pode se tratar bem tudo isso de uma intervenção mais ou menos direta do demônio.

Deus não tenta nunca a ninguém incitando-o ao mal (Tiago 1,13). Quando Escritura fala das tentações de Deus, usa a
palavra "tentação” em seu sentido amplo, como um simples experimento de uma coisa –tentare, id est,
experimentum semure de aliquo – e não com relação à ciência divina (que sabe tudo), mas sim em relação ao
conhecimento e proveito do próprio homem. Mas Deus permite que sejamos incitados ao mal por nossos inimigos
espirituais para dar-nos oportunidade de obter maiores merecimentos. Jamais permitira que sejamos tentados além
de nossas forças: “Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos
dará os meios de suportá-la e sairdes dela” (1 Coríntios 10,13 ). São inumeráveis as vantagens da tentação vencida
com a graça e ajuda de Deus. Porque humilha Satanás, faz resplandecer a glória Deus, purifica nossas almas,
enchendo-as de humildade, arrependimento e confiança no auxílio divino; obriga-nos a estar sempre vigilantes e
alerta, a desconfiar de nós mesmos, esperando tudo de Deus, mortificar os nossos gostos e caprichos; incita à
oração, aumenta nossa experiência e nos torna mais circunspectos e cautelosos na luta contra nossos inimigos. Com
razão São Tiago diz que é“bem-aventurado o homem que suporta a tentação, porque, depois de sofrer a provação,
receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam” (São Tiago 1,12). Mas para obter todas estas
vantagens é mister praticar a luta com o fim de obter a vitória com o auxilio de Deus. Para isso Ele nos ajudará muito
a conhecer a estratégia do diabo e a forma de reagir conta ela.

Psicologia da Tentação

Talvez em nenhuma outra página inspirada apareça com tanta transparência e claridade a estratégia sacada pelo
demônio em seu oficio de tentador como o relato impressionante da tentação da tentação da primeira mulher, que
causou a ruína de toda humanidade. Examinemos o relato bíblico, deduzindo os seus ensinamentos mais
importantes.
a) O tentador se aproxima – Nem sempre o temos ao nosso lado. Alguns Santos Padres e teólogos acreditam que ao
lado do anjo da guarda, delegado por Deus para o nosso bem, todos nós temos um demônio, designado por Satanás
para nos tentar e nos empurrar para mal, mas esta suposição não pode apoia-se em nenhum texto da Sagrada
Escritura totalmente claro e indiscutível. Parece mais provável que a presença do demônio ao nosso lado não é
permanente e contínua, mas sim circunscrita aos momentos da tentação. Isso parece se depreender de certos relatos
bíblicos, sobretudo as tentações do Senhor no deserto, as quais terminadas o texto sagrado diz expressamente que o
demônio se afastou d’Ele por certo tempo:“diabolus recessit ab illo usque ad tempus” (São Lucas 4,13). Mas, embora
às vezes se afaste de nós, o certo é que outras muitas vezes o demônio nos tenta. Embora muitas vezes se lance
repentinamente ao ataque sem prévia preparação – com o fim de surpreender a alma – outras muitas, no entanto, se
insinua cautelosamente, não propondo em seguida o objeto de tentação, mas sim envolvendo em diálogo a alma.

b) Primeira insinuação – “É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”

O demônio ainda não tenta, mas leva a conversa ao terreno que lhe convém. Sua tática continua sendo a mesma
hoje como sempre. As pessoas particularmente inclinadas a sensualidade ou as dúvidas contra fé sugerirá em termos
gerais e sem incita-las ainda mal, o problema da religião ou da pureza. “Realmente Deus exige o assentimento cego
de vossa inteligência ou a total imolação de seus apetites naturais?”

c) A resposta da alma – Se a alma, percebendo que a simples abordagem do problema representa para ela um
perigo, se recusar a dialogar com o tentador – direcionando, por exemplo, seus pensamentos e imaginação a outros
assuntos completamente alheios - a tentação é estrangulada ainda na preparação e vitória obtida é tão fácil como
redundante: o tentador se retira envergonhado ante olímpico desprezo. Mas se a alma imprudentemente aceitar o
diálogo com o tentador, se expõem grande perigo de sucumbir:

“A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio
do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais”.

A alma se da conta de que Deus lhe proíbe terminantemente realizar aquela que ação, entreter-se naquela duvida,
fomentar aquele pensamento ou alimentar aquele desejo. Não quer desobedecer a Deus, mas está perdendo tempo
recordando que não deve fazer isso. Muito mais simples seria não haver chegado sequer a ter que recordar seus
deveres morais, estrangulando a tentação em seu inicio e não se preocupando sequer a ponderar as razões pelas
quais deve fazer aquilo assim!

d) A proposta direta ao pecado – A alma deu terreno ao inimigo, e este ganha força e audácia para tentar o ataque
direto:

“Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos
olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal”.

O demônio apresenta um panorama deslumbrante. Por trás do pecado se encontra uma felicidade inefável. Ele não
sugere a alma o pensamento de que "sereis como Deus" – esta utopia só pôde apresentar uma vez – mas lhe diz que
será feliz se se entregar ao pecado novamente. “Em todo caso – ele acrescenta – Deus é infinitamente misericordioso
e perdoara com facilidade. Goza uma vez mais do fruto proibido. Nenhum mal te acontecerá. Não tem a experiência
de outras vezes? Enquanto desfruta, que coisa fácil te és sair do pecado pelo arrependimento imediato!”

Se a alma abre seus ouvidos para estas insinuações diabólicas, está perdida. Em absoluto ainda há tempo para
retroceder – a vontade ainda não deu seu consentimento – mas se não cortar o ato com energia, estará em
gravíssimo perigo de sucumbir. Suas forças vão se debilitando, as graças de Deus são menos intensas e o pecado vai
se apresentando cada vez mais sugestivo e fascinante.

e) A hesitação – Escutemos o relato bíblico:

“A mulher, viu que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para alcançar a
sabedoria...”

A alma começa a hesitar e perturbar-se profundamente. O coração bate violentamente dentro do peito. Um estranho
nervosismo se apodera de todo seu ser. Não quer ofender a Deus. Mas, por outro lado, um panorama tão sedutor se
coloca a diante! Inicia-se uma luta muito violenta que não pode prolongar-se muito tempo. Se a alma em um esforço
supremo e sob a influência de uma graça eficaz, percebe que se fez indigna por sua imprudência, se decide
permanecer fiel à seu dever, será fundamentalmente vencedora, mas com suas forças abaladas e com um pecado
venial em sua consciência (negligência, semi-consentimento, hesitação diante o mal). Mas na maioria das vezes dará
o passo fatal até o abismo.

f) O consentimento voluntário – “Tomou dele, comeu, e o deu dele também ao seu marido, que comeu igualmente”.

A alma sucumbiu plenamente à tentação. Cometeu o pecado e muitas vezes – por escândalo ou cumplicidade – faz
os demais cometerem também.

g) A desilusão – “Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas
e fizeram cintos para si”.

A pobre alma percebe que perdeu tudo. Está completamente nua diante de Deus: sem a graça santificante, sem as
virtudes infusas, sem os dons do Espírito Santo, sem a habitação amorosa da Santíssima Trindade, com perda total de
todos os méritos feitos à custa de um enorme esforço ao longo de toda sua vida. Causou um desmoronamento
instantâneo de toda sua vida sobrenatural, e está só, em meio daquela pilha de ruinas, sua amarga decepção e
gargalhada sarcástica do tentador.

h) A vergonha e o remorso – Imediatamente se faz ouvir, inflexível e terrível, a voz da consciência que censura o
crime cometido:

“Ouviram Yahweh Deus que passeava no jardim à brisa do dia. Então o homem e a mulher esconderam-se da
presença de Yahweh Deus, entre as árvores do jardim. Yahweh Deus chamou o Adão: “Adão, onde estás?

Esta mesma pergunta formulada ao pecador por sua própria consciência, não tem contestação possível. Só cabe ante
ela cair de joelhos e implorar o perdão de Deus pela infidelidade cometida e aprender com a dolorosa experiência a
resistir diante do tentador, desde o primeiro momento, ou seja, desde a simples apresentação da questão, quando a
vitória é fácil e o triunfo seguro debaixo do olhar amoroso de Deus.

(Royo Marin O.P, Teologia de La Perfeccion Cristiana , pag. 308-312)

http://cordasursu.blogspot.com.br/2013/10/psicologia-da-tentacao-royo-marin-op.html

Doutrina da Igreja sobre o "movimento feminista”


Transcrevemos abaixo a doutrina da Igreja sobre o movimento feminista, exposta de forma ortodoxa e coerente pelo
teólogo Pe. Antonio Royo Marin em sua obra “Teologia Moral para Seglares” – BAC – vol. I, págs. 788/790.

O feminismo e a emancipação da mulher


“Modernamente se insiste muito no chamado “feminismo e a emancipação da mulher”, à qual se pretende conceder
os mesmos direitos que ao varão na ordem individual, familiar, social e econômica. Para orientação do leitor
recordamos aqui os princípios fundamentais da doutrina católica em torno desta questão, tomndo-os das encíclicas
“Casti connubi” e “Quadragésimo anno”, de Sua Santidade o Papa Pio XII.

1º. – As teorias feministas que tendem a equiparar omnimodamente a mulher com o varão em toda classe de
direitos e deveres, inclusive familiares, sociais e econômicos, são inteiramente contrárias ao direito natural e às
máximas do Evangelho.

“Todos os que empanam o brilho da fidelidade e castidade conjugal, como mestres que são do erro, deitam por terra
também facilmente a obediência confiada e honesta que há de ter a mulher a seu esposo; e muitos deles se atrevem
todavia a dizer, com maior audácia, que é uma indignidade a servidão de um cônjuge para com o outro; que são
iguais os direitos de ambos os cônjuges, defendendo presunçosíssimamente que por violar-se estes direitos, por causa
da sujeição de um cônjuge ao outro, se há conseguido ou se deve chegar a conseguir uma certa “emancipação” da
mulher. Dinstinguem três classes de emancipação, segundo tenha por objeto o governo da sociedade doméstica, a
administração do patrimônio familiar ou a vida da prole, que há que evitar ou extinguir, chamando-lhes com o nome
de emancipação social, econômica e fisiológica; fisiológica, porque querem que as mulhere, a seu arbíitrio, estejam
livres ou se as livres de ônus conjugais ou maternais próprios de uma esposa (emancipação esta que já dissemos
suficientemente não ser tal, senão um crime horrendo); econômica, porque pretendem que a mulher possa, ainda
sem sabê-lo o marido ou não o querendo, encarregar-se de seus assuntos, dirigi-los e administrá-los fazendo caso
omisso do marido, dos filhos e de toda a família; social, finalmente, enquanto apartam a mulher dos cuidados que no
lar requerem sua família ou seus filhos, para que possa entregar-se a suas inclinações sem preocupar-se daqueles e
dedicar-se a ocupações e negócios ainda que sejam públicos” (Casti n. 45)

2º. – Este feminismo exorbitado é inteiramente contrário ao direito natural, prejudicial à mulher e altamente nocivo à
sociedade.

“Não é esta, sem embargo, a verdadeira emancipação da mulher nem a liberdade digníssima e tão conforme com a
razão que compete ao cristão e nobre ofício de esposas; antes bem, é a corrupção do caráter próprio da mulher e de
sua dignidade de mãe; é o transtorno de toda a sociedade familiar, com o qual ao marido se lhe priva da esposa; aos
filhos, da mãe, e a todo o lar doméstico, da proteção que vigia sempre. Mais ainda: tal liberdade falsa e igualdade
antinatural da mulher com o marido torna-se um dano para ela mesma, pois se a mulher, descende da sede
verdadeiramente régia a que o Evangelho a tem levantado dentro dos muros do lar, bem pronto cairá na servidão,
muito real, ainda que não o pareça, da antiguidade, e se verá reduzida a um mero instrumento nas mãos do homem,
como ocorria entre os pagãos”. (Casti n. 46)

3º. – Sem embargo, o varão e a mulher têm os mesmos direitos naturais inerentes à pessoa humana, com todas as
suas conseqüências.

“A igualdade de direitos, que tanto se amplia a se exagera, deve, sem dúvida alguma, admitir-se enquanto
corresponde à pessoa e dignidade humanas e nas coisas que se derivam do pacto nupcial e vão anexas ao
matrimônio; porque nesta campo ambos os cônjuges gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos às mesmas
obrigações. No mais há de reinar certa desigualdade e moderação, como o exigem o bem-estar da família e a devida
unidade e firmeza da ordem e sociedade doméstica” (Casti n. 47).

4º. Não há inconveniente em que a mulher suficientemente apta para isso exerça certas profissões liberais que
antigamente pareciam reservadas aos homens, tais como as de médico, advogado, etc, sobetudo se podem exercê-la
no próprio lar (a de farmacêutica, professora, etc.), ao qual há de atender sempre em primeiro lugar.

“Em casa principalmente, ou em seus arredores, as mães de família podem dedicar-se a seus afazeres sem deixar as
atenções do lar. Porém é gravíssimo abuso, e com todo o empenho há de ser extirpado, que a mãe, por causa da
escassez do salário do pai, se veja obrigada a exercer uma arte lucrativa, deixando abandonados em casa seus
peculiares cuidados e trabalhos domésticos, e sobretudo a educação das crianças”(Quadragésimo n. 32).

5º. Nada se opõe, finalmente, a que a mulher intervenha moderadamente na vida social, concedendo-lhe o direito
de voto e até o de exercer cargos públicos (prefeito, deputado, ministro, etc.), com tal que isto não venha em
detrimento de suas principais obrigações naturais de esposa e mãe.

“E se em alguma parte, por razão das mudanças experimentadas nos usos e costumes do comércio humano, devem
mudar-se algum tanto as condições sociais e econômicas da mulher casada, compete à autoridade pública acomodar
os direitos civis da mulher ás necessidades e exigências destes tempos, tendo sempre em conta o que reclamam a
natural e diversa índole do sexo feminino, a pureza dos costumes e o bem comum da família; e isto contando sempre
com que fique a salvo a ordem essencial da sociedade doméstica, a qual tem sido estabelecida por autoridade mais
excelsa que a humana, isto é, pela divina, não podendo, conseqüentemente, ser modificada nem por leis públicas
nem por gostos privados” (Casti n. 48)

El Rosario y la perseverancia final

A. Royo Marín O.P.


“Es moralmente imposible que deje de obtener de Dios, por intercesión de María, el gran don de la perseverancia
final todo aquel que rece diaria y piadosamente el Santo Rosario con esta finalidad.

El Rosario mariano, en efecto, recitado diaria y piadosamente, reune en grado superlativo todas las condiciones para
la eficacia infalible de la oración, añadiendo, por si algo faltara, la intercesión omnipotente de María.

He aquí de qué manera el rezo del santo Rosario cumple en absoluto todas las condiciones para la eficacia infalible
de la oración:

1º. Se pide algo para sí mismo: la propia perseverancia final o muerte en gracia de Dios.

2º Algo necesario o conveniente para la salvación: sin la perseverancia final es absolutamente imposible salvarse.

3º Piadosamente, es decir, con fe (¡nos dirigimos a Dios, nuestro Padre, y a María, nuestra Madre!),
con humildad (“perdónanos nuestras deudas… ruega por nosotros, pecadores…”), en nombre de nuestro Señor
Jesucristo (cuya oración – el Padrenuestro – recitamos al frente de cada uno de los misterios) ypor intercesión de
María (a la que va dedicado el rosario entero)

4º Con perseverancia: ¡Cincuenta veces diarias pidiendo a María que ruegue por nosotros en la hora de nuestra
muerte! ¿Puede pedirse mayor insistencia y perseverancia en la oración pública? Y si tenemos la dicha de rezar
diariamente los quince misterios del rosario, ¡ciento cincuenta peticiones diarias! ¿Puede concebirse acaso que
María deje de asistir efectiva y eficazmente a la hora de la muerte a quien se lo pidió durante toda su vida cincuenta
o ciento cincuenta veces cada día? La imposibilidad moral se hace tan grande que casi puede hablarse de
imposibilidad prácticamente metafísica.

Como se ve, afirmar que el rezo piadoso y diario del santo Rosario es una señal grandísima de predestinación y una
especie de “seguro infalible de salvación” no es una afirmación gratuita e irresponsable, sino una conclusión
rigurosamente teológica, que resiste el examen de la crítica más severa.

Nada tiene, pues, de extraño que el inmortal pontífice Pio XI finalizase una oración en honor de la Virgen del Rosario
con estas hermosísimas palabras: “Oh corona del rosario de mi Madre!, te aprieto contra mi pecho y te beso con
veneración. Tú eres el camino para alcanzar toda virtud, el tesoro de los merecimientos para el paraíso, la prenda de
mi predestinación, la cadena fuerte que tiene a raya el enemigo, fuente de paz para quien te honra en vida, auspicio
de victoria para quien te besa en la muerte. En aquella hora extrema, te aguardo, ¡Oh Madre!; tu aparición será la
señal de mi salvación, tu rosario me abrirá las puertas del cielo“.

Entonces, ¿basta con rezar diariamente el rosario para poder pecar tranquilamente, dando por seguro, que a pesar
de todo, obtendremos de Dios infaliblemente el don supremo de morir en gracia de Dios?

Quien tal cuenta se echara, daría bien a entender que no había comprendido nada de cuanto acabamos de decir: El
Rosario es, ciertamente, una señal grandísima de predestinación para todo aquel que lo rece diaria y piadosamente
o sea con intención de vivir en gracia de Dios y cumplir sus mandamientos, para lo que ayudará eficazmente el rezo
mismo del Rosario.

Lo contrario equivaldría a reirse de Dios, o sea a rezar el rosario impía y perversamente.

La Sagrada Escritura nos advierte por boca de San Pablo que “de Dios nadie se ríe” (Gál 6, 7), y el que rezase el
rosario con la perversa intención de asegurarse su salvación sin dejar de pecar, demostraría querer burlarse de Dios y
llevaría consigo una de las más claras e inequívocas señales de eterna reprobación. La medicina saludable se
convertiría en veneno mortal.

Además del rezo piadoso del santo rosario, existen otras devociones marianas relacionadas íntimamente con el
problema formidable de nuestra salvación eterna. Las principales son la comunión reparadora de los cinco primeros
sábados de mes – a los que la Santísima Virgen de Fatima ha vinculado una promesa parecida a la de los nueve
primeros viernes en honor del Sagrado Corazón de Jesús *- y la de llevar piadosamente y con buena conciencia el
santo escapulario del Carmen, tan venerable por su antigüedad y la piadosa tradición de haber recaído sobre él una
promesa mariana de salvación. La experiencia ha mostrado también ser muy eficaz – sobre todo para la conversión
de los pecadores – la llamada Medalla Milagrosa, que inspiró la misma Santísima Virgen a Santa Catalina Labouré,
humilde hija de la Caridad.

* He aquí las palabras de la Virgen a Lucía, la afortunada vidente de Fátima, el día 10 de diciembre de 1925: “Mira,
hija mía, mi corazón todo punzado de espinas, que los hombres en todo momento le clavan con sus blasfemias e
ingratitudes. Tú, al menos, procura consolarle, y haz saber que yo prometo asistir a la hora de la muerte, con las
gracias necesarias para la salvación eterna, a todos aquellos que en los primeros sábados de cinco meses
consecutivos se confiesen, reciban la sagrada comunión, recen la tercera parte del Rosario y me hagan compañía
durante un cuarto de hora meditando en los quince misterios del rosario con intención de darme reparación (del
Manual oficial del peregrino de Fátima, editado por orden del obsipo de Leiria, 13 de mayo de 1939).

Antonio Royo Marín, O.P. La devoción mariana. Apostolado mariano. Sevilla.

La reparación en la devoción al Corazón de Jesús


QUÉ ES REPARAR

A) En el orden natural

1. Hablando en general: es contrarrestar una pérdida por una ganancia.

2. En el aspecto material: es restituir su perfección a un objeto deteriorado.

3. En el aspecto moral: es devolver a una persona los bienes o el honor arrebatados.

B) En el orden sobrenatural

1. Es devolver la gloria a Dios conculcada por el pecado.

a) Dios llama al hombre a la vida sobrenatural. Le hace hijo suyo.

b) El hombre se rebela contra este plan. Desprecia la ley.

c) Se hace enemigo de Dios. Al despreciar la ley desprecia la excelencia y dignidad de Dios.

2. Cristo es el primer Reparador.

a) A ofensa infinita, reparación infinita.

b) Toda la vida de Cristo orientada a reparar el pecado: nace pobre, muere en cruz.

c) Cristo reconquistó para nosotros la gracia santificante. Somos de nuevo “Hijos de Dios”.

3. Un dogma: el del cuerpo místico de Cristo.

a) ¿Por qué, si Cristo murió, este panorama del mundo actual? ¿Fracasó?

b) Fracasamos nosotros. Dios quiso salvar al mundo con nuestra cooperación. Falta algo a la pasión de Cristo (Col. 1,
25), que deben ponerlo los miembros.

c) Somos parte de Cristo por la fe. El acumula los méritos. Nuestra misión es hacerlos llegar a las almas por nuestra
oración, celo y sacrificio.

II. POR QUÉ DEBEMOS REPARAR

A) Es un deber de justicia.

1. Con nuestros pecados rompimos de nuevo el equilibrio restablecido por Cristo.

a) Repetimos la escena del Paraíso.

b) Pusimos en uno de los platillos de la balanza el peso de un placer.

c) Hemos tenido la osadía de ofender a Dios.


2. Se impone la restauración del equilibrio por el peso de un dolor en el otro platillo de la balanza.

a) Cristo hizo lo principal por su muerte, cuyo precio infinito se nos aplica por los sacramentos.

b) Pero la absolución sacramental no nos quita siempre del todo el reato de pena debida por el pecado (III, 66, 4-5)

c) Es preciso pagar en esta o en la otra vida hasta el último maravedí.

B) Es exigencia de amor

1. Porque “amor con amor se paga”

a) Cristo nos amó hasta el fin. Se entregó por nosotros. ¿Cómo corresponderemos?

2. Seremos más santos (amigos de Dios) cuanto más intensos, actuales y universales sean nuestros actos de amor.

a) Más intensos: El termómetro no sube si no aumenta el grado de calor.

b) Más actuales: Contemplando las perfecciones del Amado se intensifica el amor.

c) Más universales: extendiéndose a todas nuestras actividades. “El árbol húmedo invadido por el fuego: primero
humo, luego crepita; después llama; finalmente brasa” (san Juan de la Cruz) “Lo he dicho todo; lo único que vale es el
amor”. (Santa Teresita)

III. COMO DEBEMOS REPARAR

A) Con el deseo

I. Señor, aunque todos te abandonen, yo no quiero hacerlo. Pero ayuda tú mi flaqueza.

2. Quiero conocerte y darte a conocer; amarte y hacer que todos te amen.

3. Rogaré por todos como Moisés, como los profetas, hasta alcanzar misericordia del cielo.

B) Con las obras.

1. No se requieren grandes cosas externas, sino más bien una profunda renovación interior, una rectificación
constante de intención.

2. Celebrar con espíritu reparador la fiesta del Sagrado Corazón.

3. La comunión de los primeros viernes.

4. La hora santa de los jueves.

5. Oír muchas misas por los que no la oyen, etc.

C) Como Cristo

1. Ante la rebelión del pecado, obediencia y sometimiento total a la voluntad de Dios.

2. Ante el orgullo: humildad, obscuridad, desprecio.

3. Ante el afán de placeres sensibles: mortificación constante de todos los miembros del cuerpo.

4. Ante los excesos: privarse incluso de cosas ilícitas, huir las comodidades.

CONCLUSIÓN

1. El mundo pagano aumenta sin cesar.

2. Los bautizados se van paganizando.

3. Las almas buenas se cansan de practicar el bien.

4. Señor ¿has fracasado?


5. No, aquí estamos nosotros dispuestos a ser tus verdaderos amigos.

6. “Al menos tú, dame el gusto de suplir en cuanto te sea posible las ingratitudes de los hombres”, decía el Señor a
Santa Margarita María.

FUENTE:

El Corazón de Jesús. Temas de Meditación. 5ª Edición. Preparados en la Pontificia facultad Teológica de Salamanca,
bajo la dirección del Profesor de Oratoria R. P. Antonio Royo Marín, O.P. Apostolado Mariano. Sevilla.

Considerações sobre a Luxúria


Nota do Blog: Transcrevemos diretamente a orientação dada a respeito pelo teólogo dominicano Padre Royo Marin,
O. P. no livro Teologia Moral para seglares. Fazemos via: A vida Sacerdotal. Como o estudo foi escrito em espanhol, a
tradução do blog acima saiu imperfeita. Por isso, consertamos os erros de português. Se não o fizéssemos, talvez
faltasse clareza ao texto.

Ordenemos as considerações acerca do tema:

1.ª É PECADO MORTAL realizar, sem motivo grave, uma ação boa ou indiferente que influa próxima e gravemente no
prazer venéreo, que é a luxúria (seja pela ação em si mesma ou pela psicologia específica de uma pessoa
determinada), mesmo que, num ou noutro caso concreto, essa pessoa não venha a sentir de fato aquele prazer. A
razão é esta: a ninguém é lícito, sem justa causa (razão de necessidade ou motivo grave), expor-se a perigo próximo
de pecar gravemente (cf. n.256).

O que é justa causa?

Entende-se por justa causa o dever de ofício. Exemplos concretos: trabalho do médico cuja obrigação é examinar o
doente; labor do estudante de medicina, que deve aprender anatomia ou obstetrícia; exercício do ministério pelo
sacerdote, a quem incumbe estudar a moral ou ouvir confissões cruas e delicadas dos penitentes, etc.. Nenhuma
dessas pessoas peca quando, ao realizar esses estudos ou desempenhar suas funções profissionais, sente algum
prazer desordenado, desde que recuse por inteiro dar consentimento à solicitação que tiver sentido nessa direção.

Na mesma direção, tampouco pecaria alguém que, que por uma larga experiência, soubesse com toda certeza que
não lhe excita carnalmente alguma ação, de si boa ou indiferente, a qual, entretanto, para outros, teria um efeito
gravemente provocador. Entretanto, essa frieza subjetiva não pode ser invocada para legitimar uma ação de si
mesma má (por exemplo, presenciar um espetáculo imoral), porque, ao fazê-lo, a pessoa pecaria em razão do
escândalo e da cooperação em face do mal.

2.ª É PECADO VENIAL realizar, sem motivo grave, uma ação que influi tão somente per accidens, ou de maneira leve
e remota, no prazer venéreo, quando este não é procurado nem almejado, direta nem indiretamente (exemplo:
excessos eventuais no comer ou no beber, deter-se longamente na conversação com pessoa muito bela, fixando
olhar no olhar por período considerável, etc.). A razão é esta: embora tais ações só influam remotamente no prazer
venéreo (que, além do mais, não foi o que a pessoa, de si, pretendia buscar), devemos evitar, por puro capricho e
sem razão, o envolvimento nessa forma (ainda que leve) de desordem. Seria imprudência e temeridade. Entretanto,
visto que tal desordem não conduz diretamente à luxúria (se conduzisse, seria grave, porque toda busca da luxúria,
como intenção direta e clara, constitui PECADO GRAVE), trata-se tão somente pecado venial, desde que a pessoa
recuse o consentimento ao prazer desordenado que possa produzir-se inesperadamente.

3.ª NÃO É PECADO NENHUM realizar com justa causa (isto é, por necessidade, educação, utilidade ou conveniência)
as ações que acabamos de indicar no parágrafo anterior (ou seja, as que influem só per accidens, ou leve e
remotamente, no deleite ou prazer venéreo). Essa observação se refere também ao MOTIVO GRAVE (por exemplo, é
o caso do exercício profissional de médicos, enfermeiros, etc.), inclusive com relação ao que foi mencionado no
primeiro parágrafo (ou seja, relativamente às ações que influem próxima e gravemente no deleite ou prazer
venéreo), desde que se tome todo o cuidado devido, recusando no ato dar consentimento ao prazer que daí possa
derivar. Uma ressalva: nas situações em que a causa é por demais excitante e a debilidade pessoal muito grande,
tendo a pessoa certeza moral de que sentirá esse prazer e que não terá suficiente energia para recusar o
consentimento, seria absolutamente ilícito expor-se àquilo, mesmo que o interessado, por essa razão, se veja na
necessidade de abandonar a própria profissão ou emprego. Motivo: nunca é lícito expor-se voluntariamente a
perigo certo, ou virtualmente inevitável, de pecado, mesmo que seja para salvar a própria vida ou a do próximo.

EXPLICAÇÃO COMPLEMENTAR

A LUXÚRIA ou DELEITE VENÉREO é a ação própria e específica da geração humana. Distingue-se:

A. Do deleite puramente sensível, que é o produzido por um ato ou objeto prazeroso em si mesmo, mas não apto em
si para excitar o prazer venéreo (v.gr., o aroma de uma rosa, a suavidade do veludo, o aprimoramento de um manjar,
etc.).

B. Do deleite sensual, que é o produzido por um ato ou objeto que, embora não seja propriamente venéreo em si
mesmo, é apto, entretanto, para excitar a concupiscência da carne (v.gr., um beijo, um abraço, etc.). Nestes casos
haverá, ou não, pecado segundo a intenção ou finalidade com que se façam.

TANTO A CONSUMADA ou PERFEITA, ou seja, a que chega a seu término natural pelo orgasmo e efusão seminal no
varão ou de humores vaginais na mulher.

ASSIM COMO A NÃO CONSUMADA ou IMPERFEITA, que se reduz a pensamentos, olhares, toques, etc., com
intenção ou finalidade desonesta.

DIRETAMENTE PROCURADA, já seja por ter tentado voluntariamente obter o prazer venéreo completo ou
incompleto, ou por ter consentido nessa fruição, mesmo quando esta se produziu sem buscá-lo.

FORA DO LEGÍTIMO MATRIMÔNIO, ou seja, fora dos atos ordenados por si mesmo à geração humana dentro do
legítimo matrimônio.

É SEMPRE PECADO MORTAL, não só por estar grave e expressamente proibida Por Deus, mas sim por ser uma coisa
de sua natureza intrinsecamente má.

E NÃO ADMITE DIMINUIÇÃO DE MATÉRIA.

Significa que, por menor que seja o ato desordenado (por exemplo, um simples movimento carnal), é sempre
pecado mortal quando através dele se busca diretamente o prazer venéreo. O pecado será venial quando por
imperfeição do ato humano, ou seja, por falta da suficiente advertência ou de pleno consentimento.

Vejamos agora a prova teológica do princípio:

a) PELA SAGRADA ESCRITURA. São inumeráveis os textos. Eis aqui alguns dos mais conhecidos:

«Não adulterará» (Ex. 20,14).

«Todo aquele que olha a uma mulher desejando-a, já adulterou com ela em seu coração» (MT. 5,28).

«Não lhes enganem: nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os
sodomitas... possuirão o reino de Deus» (1 Cor. 6,9-1o).

«Agora bem: as obras da carne são manifestas, ou seja: fornicação, impureza, lascívia... e outras como estas, das
quais lhes previno, como antes o fiz, que aqueles que tais coisas fazem não herdarão o reino de Deus» (Gal. 5,19-21).

«Pois têm que saber que nenhum fornicador ou impuro... terá parte na herdade do reino de Cristo e de Deus» (Eph.
5,5).

Como se vê, os textos não podem ser mais claros e categóricos. trata-se da exclusão do reino dos céus, que
corresponde ao pecado grave ou mortal. Isso abrange não só os atos consumados ou perfeitos (fornicação,
adultério), mas inclusive os não consumados ou imperfeitos. De fato, basta um simples olhar mal intencionado, como
declara o mesmo Cristo, no Evangelho (MT. 5,z8).

b) PELO MAGISTÉRIO DA IGREJA. A Igreja (Alexandre VII) condenou, ao menos como escandalosa, a seguinte
proposição:
«É opinião provável a que diz ser somente pecado venial o beijo que se dá buscando o deleite carnal e sensível que do
beijo se origina, excluído o perigo de ulterior consentimento e poluição» (D I140).

Agora bem: se um simples beijo dado com intenção carnal (luxúria imperfeita ou não consumada) é pecado grave,
também o serão outros atos de luxúria imperfeita e, a fortiori, os de luxúria consumada ou perfeita.

c) PELA RAZÃO TEOLÓGICA. Todos os teólogos católicos estão de acordo em proclamar que a luxúria perfeita ou
imperfeita é em si intrinsecamente má. Portanto, não só em razão de estar proibida por Deus. O motivo fundamental
é este: o prazer venéreo foi estabelecido por Deus no ato da geração como estímulo para a mesma, dada a sua
necessidade imprescindível para a propagação do gênero humano. É, pois, um prazer cuja única e exclusiva razão de
ser é o bem da espécie, e não do indivíduo em particular. Aqui está o ponto: utilizar esse deleite em proveito e
utilidade própria, fora de sua ordenação natural à geração em legítimo matrimônio, é subverter a ordem natural das
coisas, o que é sempre intrinsecamente mal. — Por quê? Pelo fato de que contraria o que Deus dispôs, não só por
efeito de uma lei positiva, mas também pela própria natureza das coisas. Como se trata de uma desordem grave, que
tem nexo com o bem de toda a sociedade humana, essa infração voluntária e direta forçosamente constitui um
pecado mortal.

A esta razão fundamental podem acrescentar-se outras, principalmente para tornar manifesta a ilegitimidade
inclusive dos atos imperfeitos. Motivos:

1.° Tratando-se de matéria tão escorregadia, é quase impossível realizar o ato imperfeito de luxúria sem expor-se a
grave perigo de chegar até o perfeito. Como sabemos, é pecado grave expor-se sem causa justificada — O DESEJO
DE SATISFAZER A PRÓPRIA SENSUALIDADE NUNCA SERÁ UMA CAUSA QUE JUSTIFIQUE A PRÁTICA DA LUXÚRIA — a
perigo próximo de pecado grave.

2.º É virtualmente impossível procurar o deleite venéreo incompleto sem que implicitamente estejamos buscando o
gozo completo da luxúria. Isso porque, como adverte com fundamento Santo Tomás, ‘a incógnita (ou incerteza) de
uma coisa se ordena sempre em ordem à sua consumação’. Depreende-se daí o seguinte: a incógnita (ou incerteza)
necessariamente deseja, por um movimento natural, ainda que implícito, a consumação daquilo que foi começado e
que ainda não se finalizou. O princípio é o mesmo quando alguém busca um bem imperfeito, pois, também neste
caso, o que deseja, no fundo, é o bem perfeito, para o qual tende, mesmo que forma implícita.

3.º Também o prazer venéreo que se obtém com a luxúria imperfeita está ordenado, de si, para o bem da espécie,
por constituir parte integrante do estímulo natural para a geração da prole, o qual foi colocado no organismo
humano pelo mesmo Autor da natureza. Logo, utilizá-lo em proveito próprio, isto é, fora dessa altíssima finalidade,
equivale a subverter a ordem natural das coisas, e, pelo mesmo motivo, será sempre intrinsecamente mau.

http://corecatholica.blogspot.com.br/2013/04/consideracoes-sobre-luxuria.html

Os Quatro Temperamentos - Parte I


Fonte: Maria Rosa Mulher
Pe. Antonio Royo Marin, O.P.
Traduzido por Andrea Patrícia

O Sanguíneo e o Melancólico

Muitas pessoas tem solicitado que publiquemos um resumo conciso dos quatro temperamentos no nosso site. Não
poderíamos pensar numa exposição mais sólida do que a do Pe. Antonio Royo Marin, um renomado teólogo
moralista de Salamanca. De sua obra Teologia da Perfeição Cristã, nós transcrevemos a primeira parte de sua
descrição dos temperamentos.

***
Os psicólogos têm muitas opiniões sobre a definição e classificação do temperamento. Para os nossos propósitos nós
definimos o temperamento como um padrão de inclinações que procedem da constituição psicológica do indivíduo.
É um fator dinâmico que leva em conta o modo como o indivíduo irá reagir aos estímulos de vários tipos.
Como é enraizado na estrutura psicológica, o temperamento é algo inato ou hereditário. É aquele elemento da
personalidade que a torna única, pois a individualidade é enraizada na matéria, e o temperamento é a inclinação
natural da estrutura somática. É, então, algo permanente e admite apenas uma modificação secundária. O
temperamento de alguém nunca pode ser totalmente destruído sem destruir o individuo. O axioma “a graça não
destrói a natureza, mas a aperfeiçoa” tem sua aplicação óbvia na área do temperamento.

A classificação do temperamento é nada mais do que uma moldura habilidosa que foi construída de acordo com as
características predominantes de várias constituições psicológicas. De modo algum é exclusiva ou definitiva, nem isso
significa que há temperamentos “puros”.

Na realidade, pessoas individuais geralmente manifestam uma combinação de características de vários


temperamentos. Sempre que há vários elementos combinados em qualquer combinação, entretanto, um ou outro irá
geralmente predominar em algum determinado momento. Em se tratando de temperamento nós descobrimos que,
embora as pessoas sejam frequentemente um composto de muitas características, uma ou outra característica irá
especificar o temperamento.

Tendo isso em mente, nós devemos discutir os quatro temperamentos de acordo com a antiga classificação de
sanguíneo, melancólico, colérico e fleumático.

1. O temperamento sanguíneo

Uma pessoa de temperamento sanguíneo reage rapidamente e com força a quase qualquer estímulo ou impressão,
mas a reação é usualmente de curta duração. O estímulo ou impressão é rapidamente esquecido, e a rememoração
de experiências passadas não provoca uma nova resposta facilmente.

Entre as boas qualidades do temperamento sanguíneo, nós podemos listar as seguintes:


 afabilidade e alegria;
 simpatia e generosidade com relação aos outros;
 sensibilidade e compaixão pelo sofrimento dos outros;
 docilidade e submissão aos superiores;
 sinceridade e espontaneidade.

Pode haver às vezes uma reação violenta a uma injúria recebida, mas tudo é logo esquecido e nenhum rancor
permanece. Não há obstinação ou teimosia, mas a habilidade para agir com completo auto-desprendimento. Os
outros são atraídos pela bondade de coração e pelo entusiasmo contagiante do indivíduo.

Pessoas sanguíneas usualmente tem uma serena visão da vida e são otimistas. Elas não são desencorajadas por
dificuldades ou obstáculos, mas esperam um resultado exitoso em todos os seus esforços. Elas são dotadas com uma
grande quantidade de bom senso e uma abordagem prática para a vida; elas tendem a idealizar em vez de criticar.
Como elas possuem uma natureza afetuosa, elas fazem amigos facilmente e algumas vezes amam seus amigos com
grande ardor ou mesmo paixão. Seus intelectos são alerta e elas aprendem rapidamente, embora muitas vezes sem
muita profundidade. Sua memória habita em coisas agradáveis e otimistas, e sua imaginação é ativa e criativa.
Consequentemente, elas prontamente se destacam na arte, na oratória e em campos relacionados, embora elas não
atinjam frequentemente a estatura dos eruditos ou dos estudiosos.

Pessoas sanguíneas poderiam ser tipos superiores de indivíduos se elas tivessem tanta profundidade quanto elas tem
entusiasmo e se elas fossem tão tenazes em seu trabalho quanto elas são produtivas em novas ideias e projetos. Os
seguintes santos são exemplos de temperamento sanguíneo: S. Pedro, Santo Agostinho, Santa Teresa D’Ávila, S.
Francisco Xavier e Santa Rosa de Lima.

Os defeitos do temperamento sanguíneo


Mas cada temperamento será também caracterizado por certas qualidades que são perigosas e podem se tornar
predisposições para o mal. Assim, os principais defeitos do temperamento sanguíneo são superficialidade,
inconstância e sensualidade.

O primeiro defeito – superficialidade – é devido principalmente à facilidade e rapidez com que essas pessoas
concebem ideias e à atividade criativa de sua imaginação. Enquanto elas parecem compreender num instante até
mesmo o mais difícil problema ou assunto, elas às vezes enxergam isso somente superficialmente ou de forma
incompleta. Como resultado elas correm o risco de fazer julgamentos precipitados, de agir com razão insuficiente, e
de formular conclusões falsas ou imprecisas. Elas são mais interessadas em amplitude de conhecimento do que em
profundidade.

A inconstância da pessoa sanguínea é o resultado da curta duração de suas impressões e reações. Ela pode passar
rapidamente da alegria para a tristeza. Ela rapidamente se arrepende de seus pecados, mas pode retornar a eles na
primeira ocasião que se apresentar a ela. Sendo rapidamente movida pela impressão do momento, ela facilmente
sucumbe à tentação.

Como regra ela não é atraída para a abnegação, o sacrifício ou qualquer esforço que seja de longa duração. Por essa
razão ela tem grande dificuldade de observar a guarda dos sentidos externos e da imaginação e é facilmente distraída
na oração. Seus períodos ocasionais de grande fervor são frequentemente seguidos de desânimo e langor.
A partir do exposto é evidente que a sensualidade encontra fácil acesso ao temperamento sanguíneo. Tais pessoas
são vítimas fáceis da gula e da luxúria. Elas podem reagir fortemente e com grande pesar depois de terem caído, mas
falta nelas a energia e a perseverança para lutar contra as inclinações da carne quando as paixões são provocadas
novamente. O organismo inteiro é rapidamente alertado quando a ocasião para o prazer sensual é oferecida, e a
forte tendência do indivíduo à sensualidade faz com que a imaginação produza tais fantasmas muito facilmente.

Promovendo o bem e reprimindo o mal

O desenvolvimento e controle de qualquer temperamento requer a promoção de suas boas qualidades e a


erradicação ou supressão de seus defeitos. A pessoa sanguínea deve utilizar suas boas qualidades, como energia,
afeição, vivacidade e sensibilidade, mas ela deve ter cuidado para que essas qualidades sejam direcionadas a objetos
que sejam bons e saudáveis. Para ela mais do que para qualquer pessoa o conselho de Santo Agostinho tem
significado especial: “Escolha sabiamente e então ame com todo seu coração”.

Ao mesmo tempo, ela precisa lutar contra as inclinações malignas de seu temperamento sanguíneo. Para superar a
superficialidade, ela deve adquirir o hábito de reflexão e de pensar sobre um assunto antes de agir. Isso significa que
ela tem uma necessidade especial de deliberação ou julgamento como parte subjetiva da virtude da prudência.
Contra a sua inconstância ela deve fortalecer sua vontade para realizar as resoluções que foram feitas e ser fiel à
prática da oração e a prática das boas obras, mesmo em períodos de aridez ou em tempos de sofrimento ou
dificuldade. A ajuda secundária que é de grande importância a esse respeito é um plano de vida, seguido
conscienciosamente, e o exame diário da consciência, com penitências auto-impostas pelas faltas. Pessoas
sanguíneas algumas vezes precisam de um diretor espiritual expert a quem elas possam obedecer sem questionar.
Por ultimo, a sensualidade deve ser combatida pela vigilância constante e uma luta implacável. Acima de tudo, a
pessoa sanguínea deve fugir imediatamente da ocasião de pecado e tomar cuidado especial para observar a estrita
guarda dos olhos. A guarda dos sentidos externos e a imaginação devem ser adicionalmente salvaguardadas pela
prática da recordação[1] e pela prática da mortificação, por isso seria fútil tentar evitar a sensualidade se a pessoa
deixa a janela dos sentidos aberta a cada distração e tentação.

2. O temperamento melancólico

O temperamento melancólico reage fracamente aos estímulos, e é difícil de provocar; entretanto, após impressões
repetidas a reação é forte e duradoura, então o temperamento melancólico não esquece facilmente.
Com relação às boas qualidades que servem como predisposições à virtude, pessoas de temperamento melancólico
são inclinadas à reflexão, solidão, piedade e vida interior.
Elas são compassivas com quem sofre, atraídas aos trabalhos corporais de misericórdia, e aptas a suportar o
sofrimento até o ponto do heroísmo na execução de seus deveres. Elas têm um intelecto afiado e profundo, e, devido
a sua inclinação natural para a solidão e reflexão, elas geralmente consideram os assuntos completamente em
silêncio e tranquilidade.

Essas pessoas podem se tornar intelectuais secas e sem envolvimento emocional, ou contemplativas que se
preocupam somente com as coisas de Deus. Elas frequentemente apreciam as belas artes mas são mais atraídas para
as ciências, especialmente as ciências especulativas.

Com relação as suas capacidades afetivas, quando elas amam é difícil que elas se separem do objeto de seu amor.
Elas sofrem muito se outros as tratam com frieza ou ingratidão.

O poder de sua vontade é grandemente afetado pela sua força física e sua saúde. Se suas capacidades físicas
estiverem exaustas, sua vontade fica fraca e praticamente nula, mas se elas têm boa saúde e bom ânimo elas são
trabalhadoras cheias de energia e de ânimo alegre.

Elas tem grande sobriedade e continência porque raramente experimentam as paixões desordenadas que podem
atormentar as pessoas de temperamento sanguíneo. Nós podemos dizer em geral que esse temperamento é oposto
ao temperamento sanguíneo assim como o temperamento colérico é oposto ao fleumático.

Entre os Santos que possuíam esse temperamento particular estão São João, o discípulo amado, São Bernardo, São
Aluísio Gonzaga e Santa Teresa de Lisieux [Santa Teresinha].

Traços desfavoráveis

Os traços desfavoráveis do temperamento melancólico são os seguintes:


 exagerada tendência à tristeza e à melancolia;
 inclinação a aumentar as dificuldades e assim perder a confiança em si;
 excessiva reserva e timidez, com propensão à escrupulosidade;
 falta de resolução.

A tendência para o isolamento é algumas vezes um sintoma de melancolia

Pessoas de temperamento melancólico não demonstram seus sentimentos com as sanguíneas; elas sofrem em
silêncio porque tem dificuldade de revelar a si mesmas. Elas sempre parecem ver a dificuldade e o lado pessimista
das coisas. Muitos empreendimentos nunca começam por causa da sua falta de confiança e resolução.

Aqueles que estão no cargo de educar e formar o temperamento melancólico devem ter em mente sua forte
tendência para se concentrar excessivamente em si mesmas; caso contrário há perigo de cometer injustiça contra
elas ou de tratá-las de maneira sem tato.

É importante inculcar nessas pessoas uma forte confiança em Deus e em si mesmas, bem como uma visão de vida
mais otimista. Como elas têm bons intelectos e tendem a reflexão, deve-se fazer com que elas percebam que não há
razão pera elas serem tímidas ou irresolutas.

A qualquer preço o diretor precisa destruir sua indecisão e covardia e fazer com que elas tomem resoluções firmes e
empreendam projetos com entusiasmo e otimismo. Algumas vezes é necessário dar a elas um regime especial de
descanso e nutrição e proibi-las de passar muitas horas em oração e solidão ou fazer jejuns.

Continua

Original aqui.
Notas da tradutora:
[1] Recordação refere-se aqui a prática de prestar atenção à Presença de Deus na alma.

Os Quatro Temperamentos - Parte II


Fonte: Maria Rosa Mulher

Pe. Antonio Royo Marin, O.P.

Traduzido por Andrea Patrícia

Os Temperamentos Colérico e Fleumático

No último artigo o Pe. Royo Marin descreveu as boas características e defeitos dos temperamentos Sanguíneo e
Melancólico. Aqui nós vamos ver os temperamentos Colérico e Fleumático.

O temperamento é o material com o qual o caráter é moldado; o caráter é sua forma final

O temperamento de uma pessoa é um padrão de tendências e inclinações que fluem da estrutura psicológica ou
constituição de um indivíduo. Por essa razão é amplamente o resultado de fatores hereditários.

É importante lembrar que isso é diferente do caráter, que é o padrão de hábitos que são o resultado da educação,
esforço pessoal e fatores ambientais. O temperamento é a base; o caráter é o resultado final. E enquanto o
temperamento como tal é imutável, ele pode ser modificado pelo caráter.

Consequentemente, o temperamento é o material com o qual o caráter é feito, assim como a argila, o mármore ou a
madeira é o material com o qual uma particular estatua é moldada. É o caráter que dá a distinção formal à
personalidade.

O temperamento colérico

Pessoas de temperamento colérico são facilmente e fortemente provocadas, e as impressões duram por um longo
tempo. É o temperamento deles que produz grandes santos ou grandes pecadores. Enquanto todos os
temperamentos podem ser usados como material de santidade, parece que o maior número de santos canonizados
possui o temperamento colérico.

As boas qualidades desse temperamento podem ser resumidas como segue:

 Grande energia e atividade;

 Intelecto afiado;

 Vontade forte e resoluta;

 Boa capacidade de concentração;

 Constância, magnanimidade, e liberalidade.

Pessoas coléricas são práticas em vez de teóricas. Elas são mais inclinadas a trabalhar do que a pensar. A inatividade
é repugnante para elas, e elas estão sempre olhando adiante para a próxima tarefa ou para a formulação do próximo
grande projeto. Uma vez que elas tenham arranjado um plano de trabalho, elas imediatamente colocam suas mãos à
obra. Consequentemente esse temperamento produz muitos líderes, superiores, apóstolos. É o temperamento do
governo e da administração.

Essas pessoas não deixam para amanhã o que podem fazer hoje, mas algumas vezes elas podem tentar fazer hoje o
que talvez devesse ser deixado para amanhã. Se dificuldades ou obstáculos surgem, elas imediatamente se preparam
para superá-lo. Embora elas tenham muitas vezes fortes movimentos de ira e impaciência em face aos problemas,
uma vez que tenham vencido esses movimentos elas adquirem uma ternura e doçura de disposição que são dignas
de nota.
Os santos que possuíam um temperamento colérico são numerosos, mas iremos mencionar apenas São Paulo, São
Jerônimo, Santo Inácio de Loyola, São Francisco de Sales.

Más tendências do colérico

A tenacidade do temperamento colérico produz algumas vezes os seguintes efeitos malignos: dureza, obstinação,
insensibilidade, raiva e orgulho.

Se as pessoas coléricas encontrarem resistência a elas, então elas podem facilmente se tornar violentas, cruéis,
arrogantes, a não ser que as virtudes cristãs moderem essas inclinações. Se derrotadas por outras, elas podem nutrir
ódio em seus corações até que tenham obtido vingança. Elas facilmente se tornam ambiciosas e procuram sua
própria glória.

Elas têm uma paciência maior do que os sanguíneos, mas podem carecer de delicadeza de sentimentos, são muitas
vezes insensíveis aos sentimentos dos outros, e portanto carecem de tática nas relações humanas. Suas paixões,
quando surgem, são tão fortes e impetuosas que elas sufocam as emoções mais ternas e o espírito de sacrifício que
brota espontaneamente de corações mais compreensivos. Elas têm febre de atividade e sua ânsia de executar suas
resoluções faz com que elas desconsiderem os outros, empurrem todos os impedimentos para o lado, e aparentem
ser egoístas sem coração.

Em seu trato com os outros elas demonstram algumas vezes uma frieza e uma indiferença que chega até o ponto da
crueldade. Os únicos direitos que elas conhecem são a satisfação e realização de seus desejos. É evidente a partir do
exposto que, se a pessoa colérica persegue o caminho do mal, não há extensão que ela não percorra, a fim de
alcançar seu objetivo.

Educando a pessoa colérica

Pessoas coléricas podem ser indivíduos de grande valor se elas conseguirem controlar e guiar suas energias. Elas
podem chegar às alturas da perfeição com relativa facilidade. Em suas mãos, mesmo as mais difíceis tarefas podem
chegar a uma solução fácil e rápida. Portanto, quando elas se controlam e são corretamente direcionadas, elas
podem perseverar em seus esforços até que tenham alcançado o topo

Elas devem ser ensinadas a manter-se sob as rédeas do autodomínio, a não agir com precipitação, e sim desconfiar
de suas primeiras inclinações.

Acima de tudo, elas precisam cultivar verdadeira humildade de coração, ser compassivas com os fracos e os não
instruídos, a não humilhar ou embaraçar os outros, não exercer sua superioridade, e a tratar todas as pessoas com
ternura e compreensão. Em uma palavra, elas devem ser ensinadas a sair de si mesmas e manifestar um amor
generoso para com os outros.

O temperamento fleumático

O fleumático raramente é provocado emocionalmente. E se for, é apenas fracamente. As impressões recebidas


geralmente duram apenas um curto período de tempo e não deixam traços.

As boas características da pessoa fleumática são estas:

 Trabalha devagar, mas assíduamente;

 Não é facilmente irritada por insultos, infortúnios ou doenças;

 Geralmente se mantém tranquila, discreta e sóbria;

 Possui bastante bom senso e equilíbrio mental.

Ela não possui as paixões inflamáveis do temperamento sanguíneo, as paixões profundas do temperamento
melancólico, ou as paixões ardentes do temperamento colérico.

Em seu discurso ela é tranquila, clara, positiva e equilibrada, em vez de florida e pitoresca. Ela é mais adequada ao
trabalho científico que é fruto de longa e paciente pesquisa e investigação minuciosa do que a produções originais.
Ela tem um bom coração, mas aparenta ser fria. Ela se sacrificaria ao ponto do heroísmo se fosse necessário, mas
carece de entusiasmo e espontaneidade porque é reservada e um tanto indolente por natureza.

Ela é prudente, sensível, reflexiva e trabalha com ritmo medido. Ela alcança seus objetivos sem fanfarra ou violência
porque geralmente evita dificuldades em vez de atacá-las.

Fisicamente a pessoa fleumática é de constituição robusta, devagar nos movimentos, e tem um rosto amigável. Santo
Tomás de Aquino parece ter possuído as melhores qualidades do temperamento fleumático.

Os defeitos do fleumático

As qualidades defeituosas do temperamento fleumático são as seguintes:

 Sua vagarosidade e calma faz com que essas pessoas percam muitas boas oportunidades porque elas
retardam por tanto tempo em colocar as obras em funcionamento.

 Elas não são muito interessadas no que acontece à sua volta, em vez disso elas tem a tendência a viver por si
mesmas e para si mesmas, quase ao ponto do egoísmo.

 Elas não são adequadas para o governo e a administração.

 Elas não são geralmente atraídas a penitências corporais e mortificações, como Santa Teresa aponta, e não
há receio de que elas venham a se matar por penitência ou abnegação.

 Em casos extremos elas se tornam tão letárgicas e insensíveis que elas ficam completamente surdas ao
convite ou comando que as tiraria e seu estupor.

O fleumático pode evitar os maus efeitos de seu temperamento se ele for inculcado com convicções profundas e se
ele exigir de si mesmo esforços constantes e metódicos em direção a uma maior perfeição. Ele irá avançar
vagarosamente, para ter certeza, mas ele vai avançar muito.

Acima de tudo, ele não deve ter permissão para ser indolente e apático, mas deve ser dirigido para algum ideal
elevado. Ele, também, precisa ganhar controle sobre si mesmo, não como o colérico, que precisa restringir e moderar
a si mesmo, mas para despertar e dar um bom uso aos seus poderes adormecidos.

Conclusão sobre os temperamentos

Tendo visto uma breve descrição dos quarto temperamentos, nós repetimos que nenhum desses temperamentos
existe realmente num estado “puro”. O próprio leitor pode estar ciente de que um retrato completo de seu próprio
temperamento não foi encontrado em nenhum dos quarto temperamentos, mas que ele possui características de
vários. Isso explica, em grande medida por que existem tantas opiniões diferentes e teorias em psicologia sobre a
questão dos temperamentos. No entanto, cada pessoa vai apresentar suficientes qualidades predominantes de um
determinado temperamento para que ela possa ser classificada nesse tipo particular.

Se fôssemos tentar delinear o temperamento perfeito, nós iríamos selecionar as melhores qualidades de cada
temperamento, tomando cuidado para que elas não sejam mutuamente exclusivas. Assim, nós tiraríamos do
sanguíneo sua simpatia, coração generoso e vivacidade; do melancólico, a profundidade e delicadeza de
sentimentos; do colérico, sua inesgotável energia e tenacidade; e do fleumático, seu autocontrole, prudência e
perseverança.

Original aqui.

http://a-grande-guerra.blogspot.com.br/2013/07/os-quatro-temperamentos-parte-ii.html

El fin de la vida cristiana: glorificación de Dios y


santificación del alma
Un axioma filosófico dice que “el fin es lo primero en la intención, pero lo último en la ejecución”. Es decir, que toda
acción, todo movimiento, se ordena primero a un objeto determinado, el cual es ciertamente lo último en ser
obtenido: cuando se alcanza el fin, se acaba el movimiento. Por otra parte, la teología católica enseña que los
hombres, mientras vivimos en este mundo, somos viatores, esto es, transeúntes, por lo cual significa la idea de que la
vida sobre la tierra es un paso hacia la vida eterna en la Patria celestial. En este arduo, aunque breve camino que es
la vida terrena (“cuatro días tenemos de vida, decía San Alfonso María de Ligorio, y de lo que se trata es de saber
utilizarlos”), los hombres conquistamos méritos y deméritos, conforme a nuestras buenas y malas obras, y los cuales
serán justipreciados en el día de nuestro juicio particular, cuando Nuestro Señor dicte sobre nosotros la sentencia de
nuestra suerte eterna.

Los méritos, entonces, son los medios que debemos acopiar, para conquistar el fin de nuestra vida. Y ese fin de la
vida cristiana, no es otro que la glorificación de Dios, y la santificación de nuestra alma. Revisemos brevemente
ambos puntos.

Glorificación de Dios

Éste es el fin último y absoluto de la vida cristiana; todo en nuestras vidas debe ordenarse a la gloria de Dios Uno y
Trino; del Dios que es Creador, Redentor, y Santificador en la trinidad de Personas, pero en la unidad de Substancia.
Podemos distinguir aquí, por una parte, la gloria intrínsecade Dios, que se manifiesta en la comunicación interior
entre las tres Personas Divinas: el Padre engendra al Hijo, Imagen eterna y perfecta del Genitor, el cual se complace
en Él, y de la contemplación amorosa entre el uno y el otro, procedeuna tercera Persona, que es el Espíritu Santo. En
este movimiento de amor y contemplación supremos, Dios goza de Sí mismo infinitamente. Así, la gloria de Dios ya
era plena e infinita antes de la Creación.

Pero “Dios es Amor” (Juan 4, 16); Dios es el Bien infinito, y el bien es difusivo de sí mismo, bonum diffusivum
sui,enseña la filosofía. Entonces Dios, por un acto enteramente libre de Su voluntad, deseó comunicar su bondad a
las creaturas, creando el tiempo y el espacio, y poblándolos con todos los seres que ocupan el universo; entre ellos,
el hombre, creatura predilecta de Dios. Por el hombre, para su salvación, Dios se hizo Hombre, en la Persona
Santísima de Nuestro Señor Jesucristo. Entonces ya podemos ver cuál será la gloriaextrínseca de Dios: será aquella
que proviene de la perfección de las creaturas; aquella gloria que se alza ante Dios desde lo más recóndito de la
creación, en cada ser que actúa conforme al concierto ordenado de causas y efectos maravillosos que Dios ha
dispuesto desde la gloriosa semana que el Génesis nos relata en su primer capítulo. Podemos entonces concluir
desde aquí, que si las creaturas dan gloria extrínseca a Dios, conforme a sus proporcionados grados de ser y de obrar,
entonces la creatura por excelencia, glorificará mayormente a Dios:el hombre.

Santificación del alma

¿Cómo glorifica a Dios el hombre? ¿Cuál es el medio más adecuado, si no el único, del cual disponemos para dar
gloria al Creador? Ese medio es la propia santificación, que a su vez constituye el fin próximo y relativo de la vida
cristiana. Un Obispo argentino supo decir acertadamente que “el hombre no puede perfeccionarse sin glorificar a
Dios, y Dios no puede ser glorificado por el hombre sino por la perfección de éste”.Ahora bien, ¿qué hombre ha
habido sobre la tierra, más grande que Jesucristo, Hijo de Dios? Él, que no fue creado, sino engendrado del Padre, es
el modelo de la vida cristiana, porque toda su vida fue una incesante manifestación de la perfección y bondad
divinas. Se hizo Hombre para salvarnos obteniendo la remisión universal de nuestros pecados: pero también para
presentarse como modelo de virtud y santidad, para que en Él podamos inspirar todos nuestros pensamientos, todas
nuestras palabras, todas nuestras obras. Se ha dicho que la santidad consiste en la unión con Dios por el amor; o en
la perfecta conformidad con Su divina voluntad. Ambas cosas son verdaderas, y sin embargo todavía es más acertada
aquella otra definición clásica de santidad: la santidad consiste en nuestra plena configuración con Cristo.
Christianus, alter Christus, el cristiano debe ser otro Cristo sobre la tierra; los cristianos debemos tender
constantemente a imitar las virtudes de Cristo, combatiendo nuestras debilidades y flaquezas que nos son naturales,
y que sin embargo deben ser vencidas con el auxilio de la gracia sobrenatural, el cual auxilio no es negado a nadie, y
al contrario, suficientemente dado a todos. Dios es pródigo en la dádiva de gracias eficaces, que son las inspiraciones
interiores y efectivas, que Dios produce en nuestra alma para motivarnos a obrar sobrenaturalmente. “Nadie puede
hacer un mayor esfuerzo sobrenatural, si no ha recibido una mayor gracia de Dios”, enseña Santo Tomás. De aquí la
importancia fundamental de la vida de oración, de la sólida vida espiritual, que es el único modo de disponer
nuestras almas a estos constantes “soplos divinos” que el Espíritu Santo no cesa de enviarnos: “Spiritus ubi vult
spirat”, el Espíritu sopla donde quiere, dice el Evangelio (Juan 3, 8).
El buen cristiano debe aspirar a la santidad, como medio para glorificar a su Dios; el buen cristiano ha de decir a cada
momento en el interior de su alma: “sólo mora en este monte, la honra y gloria de Dios” (San Juan de la Cruz).

(Basado en el libro “Teología de la perfección cristiana”, del P. Antonio Royo-Marín O.P., Madrid, 1955).

A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA – PARTE 1


“A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e
de toda a substância do vinho no seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue,
Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso
alimento espiritual”. (Catecismo de São Pio X)

A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA – PARTE 1

ARTIGO 1 – O fato da presença real

Neste artigo nos propomos unicamente a expor o fato da presença real de Cristo na Eucaristia tal como nos propõe a
fé, sem entrar em averiguação alguma do modo com que se produz tal fato. Isto nós veremos no artigo seguinte.

Vamos estabelecer a doutrina católica em forma de conclusão.

CONCLUSÃO. Na Eucaristia se contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, o Sangue, a alma e a divindade
de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se faz realmente presente sob as espécies sacramentais. (de fé divina,
expressamente definida)

Se prova:

1. PELA SAGRADA ESCRITURA. Transcrevemos em colunas paralelas os textos dos evangelhos sinóticos alusivos à
instituição da Eucaristia, completados com o de São Paulo aos Coríntios:

MATEUS, 26 MARCOS, 14 LUCAS, 22

26. Durante a refeição, Jesus 22. Durante a refeição, Jesus 19. Tomou em seguida o pão e
tomou o pão, benzeu-o, partiu- tomou o pão e, depois de o depois de ter dado graças,
o e o deu aos discípulos, benzer, partiu-o e deu-lho, partiu-o e deu-lho, dizendo:
dizendo: “Tomai e comei, isto é dizendo: “Tomai, isto é o meu “Isto é o meu corpo, que é
o meu corpo”. corpo”. dado por vós; fazei isto em
memória de mim”.
27. Tomou depois o cálice, 23. Em seguida, tomou o cálice,
rendeu graças e deu-lho, deu graças e apresentou-lho, e 20. Do mesmo modo tomou
dizendo: “Bebei dele todos, todos dele beberam. também o cálice, depois de
porque isto é meu sangue, o cear, dizendo: “Este cálice é a
24. E disse-lhes: “Isto é o meu
sangue da Nova Aliança, Nova Aliança em meu sangue,
sangue, o sangue da aliança,
derramado por muitos homens que é derramado por vós”.
que é derramado por muitos”.
em remissão dos pecados”.

23. Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão 24. e,
depois de ter dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de
mim”. 25. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova
Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim”. 26. Assim, todas as vezes que
comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que ele venha. 27. Portanto, todo aquele que
comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. 28. Que cada
um examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. 29. Aquele que o come e o bebe sem
distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.

Compare-se estes textos com os da promessa da Eucaristia na sinagoga de Cafarnaum e se verá claramente o
realismo indiscutível daquelas expressões que tanto escandalizaram os judeus:

“Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não
tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o
ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente
uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. (Jô, 6, 53-56)

É impossível falar mais claro e de maneira mais realista. O que Cristo prometeu em Cafarnaum o realizou em
Jerusalém na última Ceia. Consta claríssimamente pela Sagrada Escritura a presença real de Cristo na Eucaristia.

2. PELO MAGISTÉRIO DA IGREJA. A doutrina da presença real de Cristo na Eucaristia, repetida constante e
unanimemente pela tradição cristã, recebeu no Concílio de Trento a sanção infalível da Igreja. Eis aqui o texto das
principais declarações dogmáticas contra os erros protestantes:

“Se alguém negar que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia está contido verdadeira, real e substancialmente o
corpo e sangue juntamente com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por conseguinte o Cristo todo, e
disser que somente está nele como sinal, figura ou virtude — seja excomungado”. (D 883)

“Se alguém negar que no venerável sacramento da Eucaristia, debaixo de cada uma das espécies e debaixo de cada
parte dessas espécies, quando elas se dividem, está presente o Cristo todo — seja excomungado”. (D 885)

“Se alguém disser que no admirável sacramento da Eucaristia, depois da consagração, não estão o corpo e o sangue
de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas somente no uso, quando se recebe, e não antes nem depois; e que nas hóstias ou
partículas consagradas, que se guardam ou sobram depois da comunhão, não permanece o verdadeiro corpo do
Senhor — seja excomungado”. (D 886)

3. PELA RAZÃO TEOLÓGICA. É evidente que a razão humana não pode demonstrar por si mesma a presença real de
Cristo na Eucaristia, já que se trata de uma verdade estritamente sobrenatural, que só pode ser conhecida por divina
revelação. Mas, suposta essa divina revelação, a razão teológica encontra facilmente argumentos de altíssima
conveniência. Santo Tomás expõe esplendidamente as seguintes principais razões (Cf.III, 75, I):

a) Pela perfeição da Nova Lei, que deve expressar em sua plena realidade o que na Antiga se anunciava por meio de
símbolos e figuras.

b) Pelo amor de Cristo para conosco, que lhe impulsionou a ficar na Eucaristia como verdadeiro amigo, já que a
amizade impulsiona a conviver com os amigos. “Por isso, este sacramento é o sinal da maior caridade e reconforto de
nossa esperança por causa da união tão familiar de Cristo conosco”.

c) Para a perfeição da fé, que se refere a coisas não visíveis e deve exercitar-se com relação à divindade de Cristo (na
Encarnação) e com relação à sua humanidade (na Eucaristia).

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FONTE: MARIN, A.R. Teologia Moral para Seglares. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1958. v.II: Los
Sacramentos. p.127-128.

Read more: http://www.saopiov.org/search?updated-max=2011-04-02T20:01:00-07:00&max-results=10&reverse-


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A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA – PARTE 2


“A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e
de toda a substância do vinho no seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue,
Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso
alimento espiritual”. (Catecismo de São Pio X)

ARTIGO 2 – A transubstanciação eucarística

Pondo-se de manifesto a presença real de Cristo na Eucaristia, vejamos agora o modo de sua realização. Ele se
verifica pelo estupendo milagre da transubstanciação eucarística, cuja teologia resumimos brevemente na
continuação.
1. NOÇÃO. A transubstanciação eucarística consiste na total conversão de toda a substância do pão no corpo de
Cristo e de toda a substância do vinho no seu sangue, permanecendo somente as espécies ou acidentes do pão e
do vinho.

2. CONDIÇÕES. Para a verdadeira transubstanciação se requerem as seguintes condições:

1) Que o termo de partida (a quo) e o de chegada (ad quem) sejam positivos. Porque, se um deles fosse negativo, não
haveria transubstanciação, mas criação (se faltasse o termo a quo) ou aniquilação (se faltasse o ad quem).

2) Que o termo a quo, que é a substância do pão ou do vinho, deixe de existir; e o termo ad quem, que é o corpo ou
o sangue de Cristo, comece a existir sob as espécies sacramentais. Porque de outra forma não haveria verdadeiro
trânsito nem conversão.

3) Que haja um nexo intrínseco e essencial entre a desaparição do termo a quo e a aparição do termo ad quem. Ou
seja, que o mesmo termo a quo (pão ou vinho) se converta no termo ad quem (corpo ou sangue de Cristo), de tal
sorte que o mesmíssimo termo a quo (a substância do pão ou vinho) se diga e seja depois o termo ad quem (o corpo
ou o sangue de Cristo). Não bastaria que houvesse entre os dois uma mera sucessão, mas que se requer
indispensavelmente que um se converta no outro, de tal maneira que, mostrando o corpo eucarístico de Cristo,
possamos dizer com verdade: “Isto que antes da consagração era a substância do pão, agora é o corpo de Cristo”.
Desta maneira, o nexo entre a desaparição do pão e a aparição do corpo de Cristo é intrínseco ou essencial, e a
desaparição do primeiro traz necessariamente a aparição do segundo.

4) Pode-se acrescentar uma quarta condição, a saber, que se conserve no termo ad quem algo do que havia no
termo a quo. Assim ocorre de fato na Eucaristia, já que a consagração afeta unicamente a substância do pão ou do
vinho, deixando intactos os acidentes, que, por isso mesmo, permanecem depois da consagração.

3. DOUTRINA CATÓLICA. Vamos determiná-la em forma de conclusão. Ei-la aqui:

CONCLUSÃO. Cristo se faz realmente presente na Eucaristia pela transubstanciação, ou seja, pela conversão de
toda a substância do pão e do vinho em seu próprio corpo e sangue, permanecendo unicamente os acidentes do
pão e do vinho. (De fé divina, expressamente definida)

Prova-se:

1. PELA SAGRADA ESCRITURA. Depreende-se claríssimamente das palavras que pronunciou Cristo ao instituir a
Eucaristia, e que repete o sacerdote ao consagrá-la: Isto é o meu corpo; este é o cálice do meu sangue, que não
seriam verdadeiras se não ocorresse o prodígio da transubstanciação, ou seja, se juntamente com o corpo ou sangue
de Cristo ficasse debaixo das espécies algo da substância do pão ou vinho.

2. PELO MAGISTÉRIO DA IGREJA. Definiu-o expressamente o Concílio de Trento contra os protestantes. Eis aqui o
texto da definição dogmática:

“Se alguém disser que no sacrossanto sacramento da Eucaristia fica a substância do pão e do vinho juntamente
com o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo; e negar aquela admirável e singular conversão de toda a
substância de pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue, ficando apenas as espécies de pão e de
vinho, que a Igreja com suma propriedade (aptissime) chama de transubstanciação — seja excomungado”. (D 884)

3. PELA RAZÃO TEOLÓGICA. Santo Tomás explica profundissimamente que “não pode dar-se nenhum outro modo
pelo qual o corpo verdadeiro de Cristo comece a estar presente neste sacramento senão pela conversão da
substância do pão no mesmo Cristo” (III, 75, 3). A razão é porque uma coisa não pode estar onde não estava antes se
não é por mudança de lugar ou porque outra coisa se converta nela. Ora: é manifesto que Cristo não pode fazer-se
presente na Eucaristia por mudança de lugar ou movimento local, porque se seguiriam incompreensíveis absurdos
(p.ex.: deixaria de estar no céu, já que corpo algum pode estar localmente em dois lugares ao mesmo tempo; não
poderia estar mais que em um só sacrário da terra, não nos demais; a consagração eucarística não seria instantânea,
mas exigiria algum tempo – ainda que fosse rapidíssimo – para que se verificasse o movimento local de Cristo, etc.,
etc.). Logo, não há outro meio pelo qual Cristo possa fazer-se presente na Eucaristia a não ser pela conversão n’Ele da
substância do pão e do vinho. [...]
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FONTE: MARIN, A.R. Teologia Moral para Seglares. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1958. v.II: Los
Sacramentos. p.129-131.

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A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA – PARTE 3


“A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e
de toda a substância do vinho no seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue,
Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso
alimento espiritual”.
(Catecismo de São Pio X)

Artigo 3 – Do modo como Cristo está na Eucaristia

Resumimos brevemente, em uma série de conclusões, esta matéria interessantíssima, que se estuda amplamente na
teologia dogmática, onde tem seu lugar próprio. (Cf. III, 76, 1-8)

CONCLUSÃO I. Sob cada uma das espécies sacramentais e sob cada uma de suas partes quando se separam, está
contido Jesus Cristo inteiro, ou seja, seu corpo, sangue, alma e divindade. (de fé divina, expressamente definida)

Prova-se:

1. Pela Sagrada Escritura. Depreende-se com toda evidência das palavras da consagração:Isto é o meu corpo; este é o
cálice do meu sangue, já que, em virtude de sua natural concomitância, o corpo vivo de Jesus Cristo não pode estar
separado de seu sangue, nem este daquele, nem ambos da alma e da divindade, com a qual formam uma só pessoa
em virtude da união hipostática.
2. Pelo Magistério da Igreja. Definiu-o expressamente o Concílio de Trento com as seguintes palavras:

“Se alguém negar que no venerável sacramento da Eucaristia, debaixo de cada uma das espécies e debaixo de cada
parte dessas espécies, quando elas se dividem, está presente o Cristo todo — seja excomungado”. (D 885)

3. Pela razão teológica. Acabamos de indicar o argumento principal ao explicar o da Sagrada Escritura. Outro
argumento pode colocar-se em virtude da ressurreição de Cristo, que lhe fez para sempre impassível e imortal (Rom.
6, 9) e, por isso mesmo, não pode sofrer a menor separação e alteração de seu corpo, alma e divindade. Do
contrário, morreria na Eucaristia pela separação da alma e do corpo, como morreu no alto da Cruz.

Corolário. Se durante os três dias que permaneceu Cristo no sepulcro tivessem consagrado os Apóstolos a Eucaristia,
não estaria Cristo nela integralmente em cada uma das duas espécies. No pão consagrado estaria somente o
corpo morto, não a alma; no Cálice, o sangue de Cristo separado do corpo e da alma. O Verbo permaneceria em
ambas as espécies, porque não se separou nem um só momento do cadáver de Cristo e nem de sua alma santíssima,
em virtude daunião hipostática absolutamente indissolúvel. E caso se tivesse consagrado a Eucaristia durante a
flagelação ou a crucificação, Cristo teria sentido nela a dor que padecia seu corpo com os açoites ou com a cruz;
porque a Eucaristia contém ao próprio Cristo numericamente, tal como é em si mesmo, e, por isso mesmo, segue
todas as suas vicissitudes; por isso o contém atualmenteimpassível e imortal, como está no céu. (Cf. III, 76, I ad 1; 81,
4 c e solução às objeções)

Por outro lado, as injúrias ou ataques diretos às espécies sacramentais (p.ex., pisando-as, cuspindo-as, queimando-
as) não afetam em nada o próprio Cristo nelas contido, já que as mesmas espécies nem sequer tocam a Cristo (ainda
que o contenham realmente). Voltaremos sobre isto na 5ª conclusão.
CONCLUSÃO II. Em virtude das palavras sacramentais (ex vi sacramenti), sob a espécie de pão se contém somente
a substância do corpo de Cristo; e sob a espécie de vinho, somente a substância de seu sangue. Mas, em virtude da
natural concomitância e da união hipostática, que unem entre si inseparavelmente as distintas partes de Cristo,
sob uma e outra espécie está Jesus Cristo inteiro, com seu corpo, sangue, alma e divindade. (Cf. III, 76, 1 c e ad 1)

Eis como expressa esta verdade o Santo Concílio de Trento:

“Foi também sempre esta a fé na Igreja de Deus: que logo depois da consagração estão o verdadeiro corpo de Nosso
Senhor e seu verdadeiro sangue conjuntamente com sua alma e sua divindade, sob as espécies de pão e de vinho,
isto é, seu corpo sob a espécie de pão e seu sangue sob a espécie de vinho, por força das palavras mesmas; mas o
mesmo corpo também [está] sob a espécie de vinho, e o sangue sob a espécie de pão, e a alma sob uma e outra, por
força daquela natural conexão e concomitância, com que as partes de Cristo Nosso Senhor, que já ressuscitou dos
mortos para nunca mais morrer (Rom 6, 9), estão unidas entre si; e a divindade por causa daquela sua admirável
união hipostática com o corpo e a alma [cân. l e3]. Assim, é bem verdade que tanto uma como outra espécie contêm
tanto quanto as duas espécies juntas. Pois o Cristo todo inteiro está sob a espécie de pão e sob a mínima parte desta
espécie, bem como sob a espécie de vinho e sob qualquer das partes desta espécie”. (D 876)

CONCLUSÃO III. O Pai e o Espírito Santo estão realmente presentes na Eucaristia em virtude da circuminsessão das
Pessoas divinas, que as faz absolutamente inseparáveis entre si.

É uma conseqüência necessária e inevitável do fato da circuminsessão entre as Pessoas divinas, que consta
expressamente pelos seguintes lugares teológicos:

a) Sagrada Escritura. O próprio Cristo diz:

“Eu e o Pai somos um [...] o Pai está em mim e eu no Pai” (Jo 10, 30 e 38).

“Aquele que me viu, viu também o Pai [...]; o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras.
Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim” (Jo 14, 9-11). O mesmo deve-se dizer, naturalmente, do Espírito Santo.

b) Magistério da Igreja. Eis aqui, entre outros muitos textos, as palavras do Concílio de Florença em seu decreto para
os jacobitas:

“Por razão desta unidade, o Pai está todo inteiro no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Filho está todo inteiro no
Pai, todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo está todo inteiro no Pai, todo inteiro no Filho. Nenhum precede ao
outro na eternidade, ou lhe excede em grandeza, ou lhe sobrepuja em poder”. (D 704)

c) Razão Teológica. A circuminsessão (ou mútua inerência ) entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo exige que onde
esteja uma Pessoa divina, estejam também as outras duas, já que são absolutamente inseparáveis entre si e da
mesma essência divina que é comum às três Pessoas. Logo, na Eucaristia, juntamente com a divindade de Cristo (o
Filho de Deus), estão também o Pai e o Espírito Santo.

Corolários. 1) O Verbo divino se faz presente na Eucaristia em virtude de sua união hipostática com o corpo e o
sangue de Cristo. O Pai e o Espírito Santo, em virtude da circuminsessão intratrinitária.

2) Logo, a Eucaristia é adorável com adoração de latria, ou seja, com a adoração que corresponde ao verdadeiro
Deus. (D 878 888)

3) Ainda que a inabitação trinitária seja patrimônio de toda alma na graça de Deus (Jo 14,23), ao receber a Eucaristia
se verifica na alma do justo uma mais penetrante inerência [texto original:inhesión] das Pessoas divinas. (Cf. I, 43, 6 c,
ad 2 e ad 4)

CONCLUSÃO IV. Toda a quantidade mensurável do corpo de Cristo está na Eucaristia; mas não em virtude das
palavras sacramentais, mas em virtude da real concomitância e ao modo da substância.

Escutemos a Santo Tomás explicando esta maravilhosa conclusão:

“A realidade de Cristo pode estar no sacramento de dois modos: pela força do sacramento e pela concomitância real.
Pela força do sacramento, as dimensões do corpo de Cristo não estão neste sacramento. Pela força do sacramento,
está neste sacramento aquilo em que a conversão termina diretamente. A conversão eucarística termina diretamente
na substância do corpo de Cristo, não, porém, nas suas dimensões. Isso se evidencia pelo fato de que a quantidade
mensurável do pão permanece depois da consagração, que converte somente a substância do pão. Porque a
substância do corpo de Cristo realmente não se despoja de suas dimensões e dos outros acidentes, daí se segue que
pela força da concomitância real estejam presentes neste sacramento todas as dimensões do corpo de Cristo e todos
os seus acidentes” (III, 76, 4).

Ora, como pode estar toda a quantidade mensurável do corpo de Cristo – ou seja, Cristo inteiro de tamanho
natural – em uma hóstia tão pequena? A dificuldade – aparentemente tão aparatosa – se desvanece por si mesma
dizendo-se que a quantidade mensurável do corpo de Cristo não está localizada na Eucaristia (ou seja, não ocupa
lugar nela), mas está ali ao modo da substância, que prescinde em absoluto da extensão no lugar. Escutemos de novo
o Doutor Angélico ao resolver esta mesma dificuldade:

“Deve-se dizer que o modo de existência de uma coisa se determina em razão do que lhe é essencial e não do que é
acidental. Assim, por exemplo, um corpo é visível, porque é branco e não porque é doce, posto que tal coisa possa
ser, ao mesmo tempo, branca e doce (p.ex. o açúcar). Por isso, a doçura é visível em razão da brancura e não da
doçura. Assim, pois, pela força deste sacramento está presente no altar a substância do corpo de Cristo, enquanto
que suas dimensões aí estão por via de concomitância, como que acidentalmente. Por conseguinte, as dimensões do
corpo de Cristo estão neste sacramento, não em seu modo próprio, isto é, como se fosse o todo no todo e cada parte
em cada parte (o que exigiria um espaço igual ao que ocupa no Céu o corpo natural de Cristo, e não poderia, por
conseguinte, caber na hóstia pequena); mas a modo de substância, cuja natureza é de toda ela estar no todo e em
cada parte (como a substância de pão está no pão inteiro e em cada uma de suas partículas: todas elas são pão)” (III,
76, 4 ad 1). [os parênteses explicativos são do autor do texto e não de Santo Tomás]

Nova luz sobre a maneira de explicar este fato a encontraremos na seguinte conclusão, relativa à presença de Cristo
na Eucaristia sem ocupar nela lugar algum.

CONCLUSÃO V. O corpo de Cristo está realmente presente na Eucaristia, sem ocupar nela lugar circunscritivo
algum, ou seja, prescindindo em absoluto da extensão e do espaço.

Eis aqui as principais razões que a provam:

1) Porque para ocupar circunscritivamente um lugar é absolutamente necessário que o lugar sejaigual à coisa
localizada. Não pode ser menor, porque então a coisa localizada não poderia caber nele. Ora, o corpo de Cristo, com
toda a sua quantidade mensurável, cabe perfeitamente na hóstia eucarística e em qualquer de suas partículas, por
pequenas que sejam. Logo, não está nela de uma maneira local, isto é, ocupando circunscritivamente um
determinado lugar.

2) Porque o corpo de Cristo, e toda a sua quantidade mensurável, está na Eucaristia ao modo das substâncias, que
prescindem diretamente ou per se da extensão e do espaço, ainda que se encontrem indiretamente ou per
accidens aprisionadas pela dimensão de seus próprios acidentes. E assim, por exemplo, a substância do pão
está integralmente contida seja em um pão muito grande, seja em um outro pequeno, seja em uma pequenina
partícula (também ela é pão), porque a substância, enquanto tal, prescinde em absoluto ou per se da extensão e do
espaço, se bem que indiretamente ou per accidens se encontra, de fato, aprisionada pela dimensão de seus próprios
acidentes, já que é evidente que fora do pão não há pão.

3) O corpo de Cristo, com toda a sua extensão ou quantidade mensurável, está contido realissimamente sob as
espécies sacramentais, e neste sentido se diz que Cristo sacramentado está na Eucaristia, ou seja, no mesmo lugar
que ocupam as espécies sacramentais, mas de maneira distinta a como estão elas; porque as espécies estão
ali localmente, ou seja, ocupando o lugar correspondente à quantidade ou extensão das mesmas, e Cristo está
ali substancialmente, ou seja, prescindindo em absoluto da extensão e do espaço.

Corolários. 1) Logo, o lugar em que está o corpo de Cristo na Eucaristia, não está vazio nem cheio da substância do
corpo de Cristo, mas cheio e repleto pelas próprias espécies de pão e vinho, que antes continham a substância do
pão e agora contêm o corpo de Cristo sem que este ocupe lugar algum. (Cf. III, 76, 5 ad 2)
2) Logo, o corpo sacramentado de Cristo pode estar em muitos lugares ao mesmo tempo (em todos os sacrários do
mundo) sem repugnância ou contradição alguma, já que em nenhum desses lugares está localmente, mas somente
substancialmente. O corpo de Cristo somente está localmente no Céu.

3) Logo, o corpo de Cristo não está encolhido ou apertado nas espécies eucarísticas, mas com toda a sua natural
expansão e amplitude, porque não está nelas ocupando lugar algum. As espécies sacramentais contêm realmente a
Cristo, mas nem sequer o tocam, já que o corpo de Cristo não faz, com relação a estes acidentes, o papel sustentador
que correspondia antes à substância do pão, mas existe na Eucaristia com inteira independência do acidentes, que
ficam por completo no ar, sustentados pela onipotência de Deus.

4) Logo, há uma relação real das espécies com Cristo (porque o contêm realmente), à qual corresponde uma relação
de razão do corpo de Cristo às espécies (porque Cristo nem sustenta os acidentes de pão e nem experimenta com a
consagração eucarística a menor alteração ou mudança).

CONCLUSÃO VI. O corpo de Cristo está de si imóvel na Eucaristia, posto que está nela ao modo de substância, não
localmente; mas se move acidentalmente ao moverem-se as espécies (p.ex.: em uma procissão eucarística).

Um simples exemplo pode ajudar um pouco à imaginação para compreender este mistério. Imaginemos um rei
sentado em seu trono, e diante dele, um de seus ministros percorrendo o salão do trono com um espelho na mão
direcionado ao rei, de modo que a imagem do rei não deixa um só instante de refletir-se no espelho à medida que
este vai se movendo e mudando de lugar. O rei de si está imóvel (sentado em seu trono), mas sua imagem, refletida
no espelho, vai se movendo realmente à medida que se move o espelho. Algo parecido ocorre na Eucaristia: o rei é
Cristo, sentado no Céu à direita do Pai; o ministro é o sacerdote; o espelho, as espécies eucarísticas. Todavia, o
exemplo não é totalmente exato, porque o espelho não contém asubstância do corpo do rei, mas somente sua mera
representação ou imagem, enquanto que as espécies eucarísticas contêm realmente a substância do corpo de Cristo,
como nos ensina a Fé.

CONCLUSÃO VII. A presença real de Cristo na Eucaristia termina ou desaparece ao corromperem-se as espécies de
pão e vinho, sem que o corpo de Cristo sofra com isso a menor alteração.

A razão do primeiro ponto é muito simples. Como o corpo de Cristo e seu sangue sucedem no sacramento à
substância do pão e do vinho, se se produz nos acidentes tal alteração que por causa dela se teriam corrompido a
substância do pão ou do vinho contida sob estes acidentes antes da consagração, desaparece a substância do corpo e
do sangue de Cristo; mas, se a alteração dos acidentes não é tão grande a ponto de que teria corrompido a
substância do pão ou vinho, continua a presença real de Cristo na Eucaristia. (Cf. III, 77, 4)

O segundo ponto é também muito claro e simples. Como a consagração eucarística não produz no corpo de Cristo a
menor mudança ou alteração – toda a alteração da conversão se realizou somente nas espécies, como já dissemos –,
tampouco a corrupção das espécies altera ou afeta em algo ao próprio Cristo, ainda que deixe de estar presente sob
estas espécies, “não porque delas dependa, mas porque desaparece a relação do corpo de Cristo àquelas espécies; é
assim que Deus deixa de ser Senhor da criatura quando esta desaparece”. (III, 76, 6 ad 3)

Corolários. 1) Logo, Jesus sacramentado está presente no peito [texto original: pecho] do que comunga todo o tempo
em que permanecem incorruptas as espécies sacramentais em seu estômago .

2) “A corrupção das espécies não é milagrosa, mas natural. No entanto, pressupõe um milagre o que se passa na
consagração, a saber, que as espécies sacramentais retenham sem sujeito o existir que antes possuíam no sujeito;
exatamente como um cego que vê de modo normal depois de ser curado milagrosamente”. (III, 77, 4 ad 3)
Voltaremos em seguida sobre isto no artigo seguinte.

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FONTE: MARIN, A.R. Teologia Moral para Seglares. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1958. v.II: Los
Sacramentos. p.133-138.

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[Teologia da Perfeição Cristã] Princípios fundamentais da vida
cristã
Teologia da Perfeição Cristã

Por Royo Marín, O.P.

PRIMEIRA PARTE

Princípios fundamentais da vida cristã

CAPÍTULO I

O fim da vida cristã

A consideração do fim é o que primeiro se impõe no estudo de qualquer obra dinâmica. E sendo a vida cristã
essencialmente dinâmica e propensa à perfeição – ao menos no nosso estado de peregrinos -, é preciso que antes de
tudo saibamos para onde iremos, ou seja, qual é o fim que pretendemos alcançar. Por isso que Santo Tomás inicia a
parte moral de seu sistema – o retorno do homem para DEUS – pela consideração do fim último [1].

À vida cristã se podem assinalar dois fins, ou, se desejar, um somente com duas modalidades distintas: um fim último
ou absoluto e outro próximo ou relativo. O primeiro é a glória de DEUS; e o segundo, nossa própria santificação.
Vamos examiná-los separadamente.

I. A glória de DEUS, fim último e absoluto da vida cristã

36. É clássica a definição da glória: clara notitia cum laude. Por sua própria definição, se expressa como algo
extrínseco ao sujeito a quem afeta. Entretanto, em um sentido menos estrito, podemos distinguir em DEUS
uma glória dupla: a intrínseca, que brota de sua própria vida íntima, e a extrínseca, proveniente das criaturas.

A glória intrínseca de DEUS é a que ELE busca em si mesmo no seio da TRINDADE Beatíssima. O PAI – por via de
geração intelectual – concebe de si mesmo uma idéia perfeitíssima: é seu Divino FILHO, Seu VERBO, no que se reflete
a Sua vida mesma, sua mesma beleza, sua mesma imensidade, sua mesma Eternidade, suas mesmas perfeições
infinitas. E ao contemplar-Se mutuamente, se estabelece entre as Duas Divinas Pessoas – por via de procedência –
uma corrente de indizível amor, torrente impetuosa de chamas que é o ESPÍRITO SANTO. Este conhecimento e amor
de Si mesmo, este louvor eterno e incessante que DEUS se profusa a si mesmo no mistério incompreensível de sua
vida íntima, constitui a glória intrínseca de DEUS, rigorosamente infinita e exaustiva, e à que as criaturas inteligentes
e o universo inteiro nada, absolutamente, podem acrescentar. E é no mistério de Sua vida íntima onde DEUS
encontra uma glória intrínseca absolutamente infinita.

DEUS é infinitamente feliz em Si mesmo, e, absolutamente, nada necessita das criaturas, que não podem aumentar-
LHE sua felicidade íntima. Mas DEUS é Amor [2], e o amor dele é comunicativo. DEUS é o Bem infinito, e o bem tende
de si mesmo a expandir-se: bonum est diffusivum sui, dizem os filósofos. Eis a razão da criação.

DEUS quis, com efeito, comunicar suas infinitas perfeições às criaturas, desejando com isso sua própria glória
extrínseca. A glorificação de DEUS pelas criaturas é, em definitivamente, a razão última e finalidade suprema da
criação [3].

[1] S. Th. I-II, 1.

[2] S. Th. I 109 4, 16.

[3] De maneira belíssima, expressa Santo Tomás de que maneira com sua glória intrínseca e extrínseca se reúne em
DEUS em grau muito perfeito a plenitude de todas as felicidades possíveis: «Quanto de desejável há em qualquer
classe de felicidade, tudo preexiste de modo mais elevado na bem-aventurança divina. Por isso, no que se refere à
felicidade comtemplativa, possui a contemplação contínua e certíssima de si mesmo e de todas as outras coisas, e
enquanto a ativa, possui o governo de todo o universo. Da felicidade terrena, que segundo Boécio, consiste em
prazeres, riquezas, poder, dignidade e fama, por deleite e gozo de si mesmo e de todas as outras coisas; a
abundancia que a riqueza promete; por poderio, a onipotência; por dignidade, o governo de todos os seres, e por
fama, a admiração de todas as criaturas» (1, 26,4).
O Matrimônio como Sacramento - Essência
Por Pe. Royo Marín

A essência do sacramento do Matrimônio, ativamente considerado, está no contrato válido, já que esse mesmo
contrato foi elevado por Cristo à categoria de sacramento. Mas, como em todos os demais sacramentos, cabe
distinguir no do Matrimônio sua matéria e sua forma. Vamos esclarecê-las na seguinte conclusão:

A matéria próxima do sacramento do Matrimônio consiste na mútua entrega dos corpos manifestada pelas
palavras ou sinais equivalentes, e a forma, na mútua aceitação dos mesmos expressada do mesmo modo.

Esta é a sentença mais provável e hoje comuníssima entre os teólogos. É a que defende Santo Tomás e expôs Bento
XIV nas seguintes palavras:

“O legítimo contrato é, ao mesmo tempo, a matéria e a forma do sacramento do Matrimônio; a saber: a mútua e
legítima entrega dos corpos com as palavras e sinais que expressam o sentido interior do ânimo, constitui a matéria,
e a mútua e legítima aceitação dos corpos constitui a forma”. (Constituição Paucis, de 19 de março de 1758)

Corolários

1o. Os corpos dos contraentes, enquanto servem para a geração dos filhos, constituem a matéria remota do
sacramento. A próxima consiste na mútua entrega dos mesmos corpos manifestada pela palavra ou por sinais
equivalentes (ex.: assentindo com a cabeça se o contraente é mudo).

2o. As palavras que pronuncia o sacerdote ao benzer os esposos (“ego vos coniungo”, etc.) não são a forma do
sacramento (já que o sacerdote não é ministro do Matrimônio, como veremos abaixo), mas a aceitação da entrega
dos corpos pelos próprios contraentes, que são os ministros do sacramento.

3o. Logo, como dizem muito bem os Salmaticenses, neste sacramento há uma dupla matéria e forma parcial que se
completam mutuamente. Um dos contraentes coloca a metade da matéria e a metade da forma, e o outro coloca as
duas metades que faltam; e entre os dois realizam a plena significação sacramental com a integridade da matéria e
da forma.

4o. O sacramento do Matrimônio consiste no contrato mesmo (matrimônio in fieri, ou seja, ativamente considerado),
que foi elevado por Cristo à categoria de sacramento entre batizados. Não é nenhuma outra realidade acrescentada
ao contrato, mas a mesma elevada de categoria. Por isso entre batizados não pode haver contrato matrimonial
válido que não seja, ao mesmo tempo, sacramento.

5o. No matrimônio como sacramento se encontram os três aspectos que se podem distinguir neles, a saber:

a) o que é só sacramento (“el sacramento solo”), que é o próprio contrato.

b) a coisa (“la cosa sola”), que é a graça sacramental que confere.

c) a coisa e o sacramento (“la cosa y el sacramento”), que é o vínculo permanente que dele resulta.

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MARIN, R. Teologia Moral para seglares. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1958. v2: Los sacramentos. p.537-
538. Tradução minha.

A comunhão espiritual - I
A comunhão espiritual - I
Noção
Com o nome de Comunhão Espiritual entende-se o piedoso desejo de receber a Eucaristia, quando não se pode
recebê-la sacramentalmente.
"De duas maneiras ─adverte São Tomás ─pode-se receber espiritualmente a Cristo. Uma em seu estado natural, e
desta maneira a recebem espiritualmente os anjos, enquanto unidos a Ele pela fruição da caridade perfeita e da clara
visão, e não com a fé, como nós estamos unidos aqui (na Terra) a Ele. Este pão esperamos receber, também nós, na
glória. Outra maneira de recebê-Lo espiritualmente é enquanto contido sob as espécies sacramentais, crendo n'Ele e
desejando recebê-Lo sacramentalmente. E isto não só é comer espiritualmente a Cristo, mas também receber
espiritualmente o sacramento" (III, 80, 2).
Das palavras finais do Doutor Angélico, deduz-se que a Comunhão Espiritual nos traz, de certo modo, o fruto
espiritual da própria Eucaristia recebida sacramentalmente, ainda que não seja ex opere operato, mas unicamente ex
opere operantis.
Excelência
Pela noção que acabamos de dar, já se pode vislumbrar a grande excelência da Comunhão Espiritual. Foi
recomendada vivamente pelo Concílio de Trento (D 881), e tem sido praticada por todos os santos, com grande
proveito espiritual.
Sem dúvida, constitui uma fonte ubérrima de graças para quem a pratique fervorosa e freqüentemente. Mais ainda:
pode ocorrer que com uma Comunhão Espiritual muito fervorosa receba-se maior quantidade de graças do que com
uma Comunhão Sacramental recebida com pouca devoção. Com a vantagem de que a Comunhão Sacramental não
pode receber-se mais do que uma só vez por dia, e a Espiritual pode repetir-se muitas vezes.
Modo de fazê-la
Não se prescreve nenhuma fórmula determinada, nem é preciso recitar nenhuma oração vocal. Basta um ato interior
pelo qual se deseje receber a Eucaristia. É conveniente, sem embargo, que abarque três atos distintos, ainda que seja
brevissimamente:
a) Um ato de Fé, pelo qual renovamos nossa firme convicção da presença real de Cristo na Eucaristia. É excelente
preparação para comungar espiritual ou sacramentalmente;

b) Um ato de desejo de receber sacramentalmente a Cristo e de unir-se intimamente com Ele. Neste desejo consiste
formalmente a Comunhão Espiritual;
c) Uma petição fervorosa, pedindo ao Senhor que nos conceda espiritualmente os mesmos frutos e graças que nos
outorgaria a Eucaristia realmente recebida.
Advertências
1) A Comunhão Espiritual, como já dissemos, pode repetir-se muitas vezes por dia. Pode fazer-se na igreja ou fora
dela, a qualquer hora do dia ou da noite, antes ou depois das refeições.
2) Todos os que não comungam sacramentalmente deveriam fazê-lo ao menos espiritualmente, ao ouvir a Santa
Missa. O momento mais oportuno é, naturalmente, aquele em que comunga o sacerdote.
3) Os que estão em pecado mortal devem fazer um ato prévio de contrição, se querem receber o fruto da Comunhão
Espiritual. Do contrário, para nada lhes aproveitaria, e seria até uma irreverência, se bem que não um sacrilégio.
(Pe. Antonio Royo Marín, OP, "Teología Moral para Seglares ─ Los Sacramentos - BAC, Madrid, 1984, pp. 245 a 247)

¿Qué es el pecado mortal?


El pecado es el «enemigo número uno» de nuestra santificación y en realidad el enemigo único, ya que todos los
demás en tanto lo son en cuanto provienen del pecado o conducen a él.

El pecado, como es sabido, es «una transgresión voluntaria de la ley de Dios». Supone siempre tres elementos
esenciales: materia prohibida (o al menos estimada como tal), advertencia por parte del entendimiento y
consentimiento o aceptación por parte de la voluntad.

Si la materia es grave y la advertencia y el consentimiento son plenos, se comete un pecado mortal; si la materia es
leve o la advertencia y el consentimiento han sido imperfectos, el pecado es venial. Dentro de cada una de estas dos
categorías hay infinidad de grados.

EL PECADO MORTAL

Los pecadores. —Son legión, por desgracia, los hombres que viven habitualmente en pecado mortal. Absorbidos casi
por entero por las preocupaciones de la vida, metidos en los negocios profesionales, devorados por una sed
insaciable de placeres y diversiones y sumidos en una ignorancia religiosa que llega muchas veces a extremos
increíbles, no se plantean siquiera el problema del más allá. Algunos, sobre todo si han recibido en su infancia cierta
educación cristiana y conservan todavía algún resto de fe, suelen reaccionar ante la muerte próxima y reciben con
dudosas disposiciones los últimos sacramentos antes de comparecer ante Dios; pero otros muchos descienden al
sepulcro tranquilamente, sin plantearse otro problema ni dolerse de otro mal que el de tener que abandonar para
siempre este mundo, en el que tienen hondamente arraigado el corazón.

Estos desgraciados son «almas tullidas—dice Santa Teresa—que, si no viene el mismo Señor a mandarlas se levanten,
como al que había treinta años que estaba en la piscina, tienen harta mala ventura y gran peligro»

En gran peligro están—en efecto—de eterna condenación. Si la muerte les sorprende en ese estado, su suerte será
espantosa para toda la eternidad. El pecado mortal habitual tiene ennegrecidas sus almas de tal manera, que «no
hay tinieblas más tenebrosas ni cosa tan obscura y negra que no lo esté mucho más». Afirma Santa Teresa que, si
entendiesen los pecadores cómo queda un alma cuando peca mortalmente, «no sería posible ninguno pecar, aunque
se pusiese a mayores trabajos que se pueden pensar por hui r de las ocasiones».

Sin embargo, no todos los que viven habitualmente en pecado han contraído la misma responsabilidad ante Dios.
Podemos distinguir cuatro clases de pecados, que señalan otras tantas categorías de pecadores, de menor a mayor:

a) Los PECADOS DE IGNORANCIA. —No nos referimos a una ignorancia total e invencible—que eximiría enteramente
del pecado—, sino al resultado de una educación antirreligiosa o del todo indiferente, junto con una inteligencia de
muy cortos alcances y un ambiente hostil o alejado de toda influencia religiosa. Los que viven en tales situaciones
suelen tener, no obstante, algún conocimiento de la malicia del pecado. Se dan perfecta cuenta de que ciertas
acciones que cometen con facilidad no son rectas moralmente. Acaso sienten, de vez en cuando, las punzadas del
remordimiento.

Tienen, por lo mismo, suficiente capacidad para cometer a sabiendas un verdadero pecado mortal que los aparte del
camino de su salvación.

Pero al lado de todo esto es preciso reconocer que su responsabilidad está muy atenuada delante de Dios. Si han
conservado el horror a lo que les parecía más injusto o pecaminoso; si el fondo de su corazón, a pesar de las
flaquezas exteriores, se ha mantenido recto en lo fundamental; si han practicado, siquiera sea rudimentariamente,
alguna devoción a la Virgen aprendida en los días de su infancia; si se han abstenido de atacar a la religión y sus
ministros, y sobre todo, si a la hora de la muerte aciertan a levantar el corazón a Dios llenos de arrepentimiento y
confianza en su misericordia, no cabe duda que serán juzgados con particular benignidad en el tribunal divino. Si
Cristo nos advirtió que se le pedirá mucho a quien mucho se le dio (Le. 12,48), es justo pensar que poco se le pedirá a
quien poco recibió.

Estos tales suelen volverse a Dios con relativa facilidad si se les presenta ocasión oportuna para ello. Como su vida
descuidada no proviene de verdadera maldad, sino de una ignorancia profundísima, cualquier situación que
impresione fuertemente su alma y les haga entrar dentro de sí puede ser suficiente para volverlos a Dios. La muerte
de un familiar, unos sermones misionales, el ingreso en un ambiente religioso, etc., bastan de ordinario para llevarles
al buen camino. De todas formas, suelen continuar toda su vida tibios e ignorantes, y el sacerdote encargado de velar
por ellos deberá volver una y otra vez a la carga para completar su formación y evitar al menos que vuelvan a su
primitivo estado.

b) Los PECADOS DE FRAGILIDAD. —Son legión las personas suficientemente instruidas en religión para que no se
puedan achacar sus desórdenes a simple ignorancia o desconocimiento de sus deberes. Con todo, no pecan tampoco
por maldad calculada y fría. Son débiles, de muy poca energía y fuerza de voluntad, fuertemente inclinados a los
placeres sensuales, irreflexivos y atolondrados, llenos de flojedad y cobardía. Lamentan sus caídas, admiran a los
buenos, «quisieran» ser uno de ellos, pero les falta el coraje y la energía para serlo en realidad. Estas disposiciones
no les excusan del pecado; al contrario, son más culpables que los del capítulo anterior, puesto que pecan con mayor
conocimiento de causa. Pero en el fondo son más débiles que malos. Él encargado de velar por ellos ha de
preocuparse, ante todo, de robustecerlos en sus buenos propósitos, llevándolos a la frecuencia de sacramentos, a la
reflexión, huida de las ocasiones, etc., para sacarlos definitivamente de su triste situación y orientarlos por los
caminos del bien.

c) Los PECADOS DE FRIALDAD E INDIFERENCIA. —Hay otra tercera categoría de pecadores habituales que no pecan
por ignorancia, como los del primer grupo, ni les duele ni apena su conducta, como a los del segundo.

Pecan a sabiendas de que pecan, no precisamente porque quieran el mal por el mal—o sea, en cuanto ofensa de Dios
—, sino porque no quieren renunciar a su placeres y no les preocupa ni poco ni mucho que su conducta pueda ser
pecaminosa delante de Dios. Pecan con frialdad, con indiferencia, sin remordimientos de conciencia o acallando los
débiles restos de la misma para continuar sin molestias su vida de pecado.

La conversión de estos tales se hace muy difícil. La continua infidelidad a las inspiraciones de la gracia, la fría
indiferencia con que se encogen de hombros ante los postulados de la razón y de la más elemental moralidad, el
desprecio sistemático de los buenos consejos que acaso reciben de los que les quieren bien, etc., etc., van
endureciendo su corazón y encalleciendo su alma, y sería menester un verdadero milagro de la gracia para volverlos
al buen camino. Si la muerte les sorprende en ese estado, su suerte eterna será deplorable.

El medio quizá más eficaz para volverlos a Dios sería conseguir de ellos que practiquen una tanda de ejercicios
espirituales internos con un grupo de personas afines (de la misma profesión, situación social, etc.). Aunque parezca
extraño, no es raro entre esta clase de hombres la aceptación «para ver qué es eso» de una de esas tandas de
ejercicios, sobre todo si se lo propone con habilidad y cariño algún amigo íntimo. Allí les espera—con frecuencia—la
gracia tumbativa de Dios. A veces se producen conversiones ruidosas, cambios radicales de conducta, comienzo de
una vida de piedad y de fervor en los que antes vivían completamente olvidados de Dios. El sacerdote que haya
tenido la dicha de ser el instrumento de las divinas misericordias deberá velar sobre su convertido y asegurar,
mediante una sabia y oportuna dirección espiritual, el fruto definitivo y permanente de aquel retorno maravilloso a
Dios. Algo parecido a esto suele ocurrir en los admirables «cursillos de cristiandad».

d) Los PECADOS DE OBSTINACIÓN Y DE MALICIA. —Hay, finalmente, otra cuarta categoría de pecadores, la más
culpable y horrible de todas. Ya no pecan por ignorancia, debilidad o indiferencia, sino por refinada malicia y satánica
obstinación. Su pecado más habitual es la blasfemia, pronunciada precisamente por odio contra Dios. Acaso
empezaron siendo buenos cristianos, pero fueron resbalando poco a poco; sus malas pasiones, cada vez más
satisfechas, adquirieron proporciones gigantescas, y llegó un momento en que se consideraron definitivamente
fracasados. Ya en brazos de la desesperación vino poco después, como una consecuencia inevitable, la defección y
apostasía. Rotas las últimas barreras que les detenían al borde del precipicio, se lanzan, por una especie de venganza
contra Dios y su propia conciencia, a toda clase de crímenes y desórdenes. Atacan fieramente a la religión —de la que
acaso habían sido sus ministros—, combaten a la Iglesia, odian a los buenos, ingresan en las sectas anticatólicas,
propagando sus doctrinas malsanas con celo y ardor inextinguible, y, desesperados por los gritos de su conciencia—
que chilla a pesar de todo—, se hunden más y más en el pecado. Es el caso de Juliano el Apóstata, Lutero, Calvino,
Voltaire y tantos otros menos conocidos, pero no menos culpables, que han pasado su vida pecando contra la luz con
obstinación satánica, con odio refinado a Dios y a todo lo santo. Diríase que son como una encarnación del mismo
Satanás.

Uno de estos desgraciados llegó a decir en cierta ocasión: «Yo no creo en la existencia del infierno; pero si lo hay y
voy a él, al menos me daré el gustazo de no inclinarme nunca delante de Dios». Y otro, previendo que quizá a la hora
de la muerte le vendría del cielo la gracia del arrepentimiento, se cerró voluntariamente a cal y canto la posibilidad
de la vuelta a Dios, diciendo a sus amigos y familiares: «Si a la hora de la muerte pido un sacerdote para confesarme,
no me lo traigáis; es que estaré delirando».

La conversión de uno de estos hombres satánicos exigiría un milagro de la gracia mayor que la resurrección de un
muerto en el orden natural.

Es inútil intentarla por vía de persuasión o de consejo; todo resbalará como el agua sobre el mármol o producirá
efectos totalmente contraproducentes.
No hay otro camino que el estrictamente sobrenatural: la oración, el ayuno, las lágrimas, el recurso incesante a la
Virgen María, abogada y refugio de pecadores. Se necesita un verdadero milagro, y sólo Dios puede hacerlo. No
siempre lo hará a pesar de tantas súplicas y ruegos. Diríase que estos desgraciados han rebasado ya la medida de la
paciencia de Dios y están destinados a ser, por toda la eternidad, testimonios vivientes de cuan inflexible y rigurosa
es la justicia divina cuando se descarga con plenitud sobre los que han abusado definitivamente de su infinita
misericordia.

Prescindamos de estos desgraciados, cuya conversión exigiría un verdadero milagro de la gracia, y volvamos nuestros
ojos otra vez a esa muchedumbre inmensa de los que pecan por fragilidad o por ignorancia; a esa gran masa de
gente que en el fondo tienen fe, practican algunas devociones superficiales y piensan alguna vez en las cosas de su
alma y de la eternidad, pero absorbidos por negocios y preocupaciones mundanas , llevan una vida casi puramente
natural , levantándose y cayendo continuamente y permaneciendo a veces largas temporadas en estado de pecado
mortal.

Tales son la inmensa mayoría de los cristianos de «programa mínimo» (misa dominical, confesión anual, etc.), en los
que está mu y poco desarrollado el sentido cristiano, y se entregan a una vida sin horizontes sobrenaturales, en la
que predominan los sentidos sobre la razón y la fe y en la que se hallan mu y expuestos a perderse.

¿Qué se podrá hacer para llevar estas pobres almas a una vida más cristiana, más en armonía con las exigencias del
bautismo y de sus intereses eternos?

Ante todo hay que inspirarle un gran horror al pecado mortal.

El horror al pecado mortal. —Para lograrlo, nada mejor, después de la oración, que la consideración de su gravedad y
de sus terribles consecuencias. Escuchemos en primer lugar a Santa Teresa de Jesús:

«No hay tinieblas más tenebrosas, ni cosa tan obscura y negra que no lo esté mucho más (habla del alma en pecado
mortal)... Ninguna cosa le aprovecha, y de aquí viene que todas las buenas obras que hiciere, estando así en pecado
mortal, son de ningún fruto para alcanzar gloria... Yo sé de una persona (habla de sí misma) a quien quiso Nuestro
Señor mostrar cómo quedaba un alma cuando pecaba mortalmente. Dice aquella persona que le parece, si lo
entendiesen, no sería posible ninguno pecar, aunque se pusiese a mayores trabajos que se pueden pensar por huir
de las ocasiones...

¡Oh almas redimidas por la sangre de Jesucristo! ¡Entendeos y habed lástima de vosotras! ¿Cómo es posible que
entendiendo esto no procuráis quitar esta pez de este cristal? Mirad que, si se os acaba la vida, jamás tornaréis a
gozar de esta luz. ¡Oh Jesús! ¡Qué es ver a un alma apartada de ella! ¡Cuáles quedan los pobres aposentos del
castillo! ¡Qué turbados andan los sentidos, que es la gente que vive en ellos! Y las potencias, que son los alcaides y
mayordomos y maestresalas, ¡con qué ceguedad, con qué mal gobierno!

En fin, como a donde está plantado el árbol, que es el demonio, ¿qué fruto puede dar? Oí una vez a un hombre
espiritual que no se espantaba de cosas que hiciese uno que está en pecado mortal, sino de lo que no hacía. Dios por
su misericordia nos libre de tan gran mal, que no hay cosa mientras vivimos que merezca este nombre de mal, sino
ésta, pues acarrea males eternos para sin fin».

(Tomado de "Teología de la perfección cristiana" de Royo Marín)

LAS VIRTUDES (4)


LA VIRTUD DE LA TEMPLANZA

Noción
La palabra templanza puede emplearse en dos sentidos:

a) Para significar La moderación que impone La razón en toda acción y pasión (sentido lato), en cuyo caso no se trata
de una virtud especial, sino de una condición general que debe acompañar a todas Las virtudes morales.

b) Para designar una virtud especial que constituye una de Las cuatro virtudes morales principales, que se
llamancardinales (sentido estricto).

En este sentido puede definirse:

«Una virtud sobrenatural que modera La inclinación a los placeres sensibles, especialmente del tacto y del gusto,
conteniéndola dentro de los límites de La razón iluminada por La fe».

Expliquemos un poco La definición:

a) Una virtud sobrenatural. (Infusa), para distinguirla de la templanza natural o adquirida.

b) Que modera La inclinación a los placeres sensibles... Lo propio de La templanza es refrenar Las movimientos del
apetito concupiscible -donde reside-, a diferencia de La fortaleza, que tiene por misión excitar el apetito irascible en
La prosecución del bien honesto.

c) Especialmente del tacto y del gusto... Aunque La templanza debe moderar todos los placeres sensibles a que nos
inclina el apetito concupiscible, recae de una manera especial sobre Las propios del tacto y del gusto (lujuria y gula
principalmente) que llevan consigo máxima delectación -como necesarios para La conservación de La especie o del
individuo- y son, por lo mismo, más aptos para arrastrar el apetito si no se les refrena con una virtud especial que es
La templanza estrictamente dicha. Principalmente recae sobre Las delectaciones del tacto, y secundariamente sobre
Las de los demás sentidos.

d) Conteniéndola dentro de los límites de La razón iluminada por La fe. La templanza natural o adquirida se rige
únicamente por Las luces de La razón natural, y contiene el apetito concupiscible dentro de sus límites racionales y
humanos; La templanza sobrenatural o infusa va mucho más lejos, puesto que a Las luces de La simple razónnatural
añade Las luces de La fe, que tiene exigencias más finas y delicadas.

Importancia y necesidad

La templanza es una virtud cardinal que tiene varias otras derivadas o satélites, y en este sentido es una virtud
excelente; pero teniendo por objeto La moderación de los actos del propio individuo, sin ninguna relación a los
demás, ocupa el último lugar entre Las virtudes cardinales.

Sin embargo, con ser La última de Las cardinales, La templanza es una de Las virtudes más importantes y necesarias
en La vida del cristiano. La razón es porque ha de moderar, sosteniéndolos dentro de La razón y de La fe, dos de los
instintos más fuertes y vehementes de La naturaleza humana, que fácilmente se extraviarían sin una virtud
moderativa de Las mismos. La Divina Providencia, como es sabido, ha querido unir un deleite o placer a aquellas
operaciones naturales que son necesarias para La conservación del individuo o de La especie; de ahí La vehemente
inclinación del hombre a Las placeres del gusto y de La generación, que tienen aquella finalidad alta, querida e
intentada por el Autor mismo de La naturaleza. Pero precisamente por eso, por brotar con vehemencia de La misma
naturaleza humana, tienden con gran facilidad a desmandarse fuera de Las límites de lo justo y razonable -lo que sea
menester para la conservación del individuo y de La especie en La forma y circunstancias señaladas por Dios y no
más-, arrastrando consigo al hombre a La zona de lo ilícito Y pecaminoso. Ésta es La razón de La necesidad de una
virtud infusa moderativa de Los apetitos naturales y de La singular importancia de esta virtud en La vida cristiana o
simplemente humana.
Tal es el papel de La templanza infusa. Ella es La que nos hace usar del placer para un fin honesto y sobrenatural, en
La forma señalada por Dios a cada uno según su estado y condición. Y como el placer es de suyo seductor y nos
arrastra fácilmente más allá de Las justos límites, La templanza infusa inclina a La mortificación incluso de muchas
cosas lícitas, para mantenernos alejados del pecado y tener perfectamente controlada y sometida La vida pasional.

Vicios opuestos

Los principales son dos: uno por exceso, La intemperancia, y otro por defecto, La insensibilidad excesiva.

A) La intemperancia -que se manifiesta de muchas maneras, como veremos al estudiar Las pecados opuestos a Las
virtudes derivadas o satélites- desborda los límites de La razón y de La fe en el uso de Las placeres del gusto (gula) y
del tacto (lujuria). Sin ser el máximo pecado posible, es, sin embargo, el más vil y oprobioso de todos; puesto que
rebaja al hombre al nivel de Las bestias o animales, y porque ofusca como ningún otro Las luces de La inteligencia
humana.

B) La insensibilidad excesiva, que huye incluso de Las placeres necesarios para La conservación del individuo o de La
especie que pide el recto orden de La razón. Únicamente se puede renunciar a ellos por un fin honesto (recuperar La
salud, aumentar Las fuerzas corporales, etc.), o por un bien más alto, como es el bien sobrenatural (penitencia,
virginidad, contemplación, consagración a Dios, etc.), porque esto es altamente conforme con La razón y con La fe.

El crecimiento en La templanza

Lo veremos en sus matices más importantes al estudiar Las virtudes derivadas o satélites y La definitiva influencia
del don de temor de Dios, que es el encargado de perfeccionar al máximo La virtud de La templanza.

(Tomado de "Ser o no ser santo, esa es la cuestión", de Royo Marín)

Las virtudes (3)


LA VIRTUD DE LA FORTALEZA

Noción

La palabra fortaleza puede tomarse en dos sentidos principales:

a) En cuanto significa, en general, cierta firmeza de ánimo o energía de carácter. En este sentido no es virtud especial,
sino más bien una condición general que acompaña a toda virtud, que, para ser verdaderamente tal, ha de ser
practicada con firmeza y energía.

b) Para designar La tercera de Las virtudes cardinales, y en este sentido puede definirse:

«Una virtud cardinal, infundida con La gracia santificante, que enardece el apetito irascible y La voluntad para que no
desistan de conseguir el bien arduo o difícil ni siquiera por el máximo peligro de La vida corporal».

Expliquemos un poco La definición:

a) Una virtud cardinal... puesto que vindica para sí, de manera especial, una de Las condiciones comunes a todas Las
demás virtudes, que es La firmeza en el obrar.

b) Infundida con La gracia santificante... para distinguirla de La fortaleza natural o adquirida.


c) Que enardece el apetito irascible y La voluntad. .. La fortaleza reside, como en su sujeto propio, en el apetito
irascible, porque se ejercita sobre el temor y La audacia, que en él residen. Pero influye también, por redundancia,
sobre La voluntad para que pueda elegir el bien arduo y difícil sin que le pongan obstáculo Las pasiones.

d) Para que no desistan de conseguir el bien arduo o difícil... Como es sabido, el bien arduo constituye el objeto del
apetito irascible. Ahora bien: La fortaleza tiene por objeto robustecer el apetito irascible para que no desista de
conseguir ese bien difícil por grandes que sean Las dificultades o peligros que se presenten.

e) Ni siquiera por el máximo peligro de La vida corporal. Por encima de todos Las bienes corporales hay que buscar
siempre el bien de La razón y de La virtud, que es inmensamente superior al corporal; pero como entre los peligros y
temores corporales el más terrible de todos es La muerte, La fortaleza robustece principalmente contra esos temores,
como aparece claro en La vida de los mártires que no vacilan en dar su vida por conservar o confesar La fe u otra
virtud sobrenatural. Por eso el martirio es el acto principal de La virtud de La fortaleza.

Actos

La fortaleza tiene dos actos: atacar y resistir. La vida del hombre sobre La tierra es una milicia (Job 7,1). Y a
semejanza del soldado en la línea de combate, unas veces hay que atacar para La defensa del bien, reprimiendo o
exterminando a Las impugnadores, y otras veces hay que resistir con firmeza los asaltos del enemigo para no
retroceder un solo paso en el camino emprendido.

De estos dos actos, el principal y más difícil es resistir (contra lo que comúnmente se cree), porque es más penoso y
heroico resistir a un enemigo que por el hecho mismo de atacar se considera más fuerte y poderoso que nosotros,
que atacar a un enemigo a quien, por lo mismo que tomamos La iniciativa contra él, consideramos más débil que
nosotros. Por eso el acto del martirio, que consiste en resistir o soportar La muerte antes que abandonar el bien,
constituye el acto principal de La virtud de La fortaleza.

La fortaleza se manifiesta principalmente en los casos repentinos e imprevistos. Es evidente que el que reacciona en
el acto contra el mal, sin tener tiempo de pensarlo, muestra ser más fuerte que el que lo hace únicamente después
de madura reflexión.

EI fuerte puede usar de La ira como instrumento para un acto de fortaleza en atacar; pero no de cualquier ira, sino
únicamente de La controlada y rectificada por La razón, pues de lo contrario constituye un verdadero pecado capital.

Importancia y necesidad

La fortaleza es una virtud muy importante y excelente, aunque no sea La máxima entre todas Las cardinales. Porque
el bien de La razón -que es el objeto de toda virtud- pertenece esencialmente a La prudencia; de maneraefectiva, a La
justicia; y sólo conservativamente (o sea, removiendo los impedimentos) a La fortaleza y la templanza. Y entre estas
dos últimas prevalece La fortaleza, porque es más difícil superar en el camino del bien los peligros de La muerte que
los que proceden de Las delectaciones del tacto regulados por La templanza. Por donde se ve que el orden de
perfección entre Las virtudes cardinales es el siguiente: prudencia, justicia, fortaleza y templanza.

En La vida espiritual y en el camino hacia La perfección, La fortaleza, en su doble acto de atacar y resistir, es muy
importante y necesaria.

Hay en el camino de La virtud gran número de obstáculos y dificultades que es preciso superar con valentía si
queremos llegar hasta Las cumbres. Para ello es menester mucha decisión en emprender el camino de La
perfección cueste lo que costare; mucho valor para no asustarse ante La presencia del enemigo; mucho corajepara
atacarle y vencerle, y mucha constancia y aguante para llevar el esfuerzo hasta el fin sin abandonar Las armas en
medio del combate. Toda esta firmeza y energía tiene que proporcionada La virtud de La fortaleza, robustecida, a su
vez, por el don del Espíritu Santo de su mismo nombre: el don de La fortaleza, del que hemos hablado brevemente
en otro lugar de esta obra.
Pecados opuestos

A La fortaleza se oponen tres vicios o pecados: uno por defecto, el temor o La cobardía, por el que se rehúye soportar
Las molestias necesarias para conseguir el bien arduo o difícil; y dos por exceso: La impasibilidad oindiferencia, que
no teme suficientemente los peligros que podría y debería temer, y La audacia o temeridad, que desprecia los
dictámenes de La prudencia saliendo al encuentro del peligro.

(Tomado de "Ser o no ser santo, esa es la cuestión" de Royo Marín)

LAS VIRTUDES (2)


LA VIRTUD DE LA JUSTICIA

Noción

Con frecuencia la palabra justicia se emplea en La Sagrada Escritura como sinónima de santidad: los justos son los
santos. Y así dice Nuestro Señor en el sermón de La Montaña: «Bienaventurados los que tienen hambre y sed de
justicia» (Mt 5,6), es decir, de santidad. Pero en sentido estricto, o sea como virtud especial, La justicia puede
definirse así:

«La voluntad constante y perpetua de dar a cada uno lo que le corresponde estrictamente».

Expliquemos un poco los términos de La definición para conocerla mejor.

a) La voluntad, entendiendo por tal no La potencia o facultad misma (donde reside el hábito de La justicia) sino
suacto, o sea, La determinación de La voluntad de dar a cada uno lo que le corresponde.

b) Constante y perpetua, porque, como explica Santo Tomás, «no basta para La razón de justicia que alguno
quiera observarla esporádicamente en algún determinado negocio, porque apenas habrá quien quiera obrar en todo
injustamente, sino que es menester que el hombre tenga voluntad de conservarla siempre y en todas Las cosas».
La palabra constante designa La perseverancia firme en el propósito; y La expresión perpetua, Laintención de
guardarla siempre.

c) De dar a cada uno, o sea, a nuestros prójimos. La justicia requiere siempre alteridad, ya
que nadie puedepropiamente cometer injusticias contra sí mismo.

d) Lo que le corresponde, o sea, lo que se le debe. No se trata de una limosna o


regalo, sino de lo debido alprójimo porque tiene derecho a ello.

e) Estrictamente, o sea, ni más ni menos de lo que se le debe. Si nos quedamos por debajo de lo debido
estrictamente (v. gr. pagando sólo mil pesetas al que le debemos mil doscientas) cometemos una injusticia. Pero
si sobrepasamos lo debido (v. gr. dándole dos mil al que le debíamos sólo mil) no hemos quebrantado La justicia
(porque La hemos rebasado por arriba) pero hemos practicado, en realidad, La liberalidad o La limosna, no Lajusticia
estricta.

Notas características

De La definición que acabamos de exponer se desprenden con toda claridad Las tres notas típicas o
condicionesde La justicia propiamente dicha:

a) Alteridad: se refiere siempre a otra persona, no a sí mismo.


b) Derecho estricto: no es un regalo, sino algo debido estrictamente.

c) Adecuación exacta: ni más ni menos de lo debido.

Aunque Las tres notas son esenciales a La justicia propiamente dicha, La más importante es La segunda, o
sea,lo debido estrictamente a otro.

Importancia y necesidad

La justicia es una de Las cuatro grandes virtudes morales que ostentan el rango de cardinales, porque alrededor
de ellas -como sobre el quicio de La puerta- gira toda La vida moral.

Después de La prudencia, La justicia es La más excelente de Las virtudes cardinales, aunque


es inferior a Lasteologales e incluso a alguna de sus derivadas, La religión, que tiene un objeto inmediato más noble:
el culto aDios, lo que La acerca a Las teologales ocupando el cuarto lugar en el conjunto total de Las virtudes infusas.

La justicia tiene una gran importancia y es de absoluta necesidad, tanto en el orden individual como en el social.Pone
orden y perfección en nuestras relaciones con Dios y con el prójimo; hace que nos respetemos mutuamente
nuestros derechos; prohíbe el fraude y el engaño; practica La sencillez; veracidad y mutua gratitud (virtudes
satélites de La justicia), regula Las relaciones de los individuos particulares entre sí, Las de cada uno con Lasociedad y
de La sociedad con los individuos (justicia social). AI poner orden en todas Las cosas trae consigo Lapaz y el bienestar
de todos, ya que La paz no es otra cosa que la tranquilidad del orden, según La magnífica definición de San Agustín.
Por eso dice La Sagrada Escritura que La paz es obra de La justicia: opus iustitiae,pax (Isa 32,17); si bien, como explica
Santo Tomás, La paz es obra de La justicia indirectamente, o sea, en cuanto que remueve los obstáculos que a ella se
oponen (ut removens prohibens), pero propia y directamente Lapaz proviene de La caridad, que es La virtud que
realiza por excelencia La unión de todos los corazones.

En su lugar, examinaremos brevemente el magnífico conjunto de Las partes potenciales o virtudes derivadas o
satélites de La justicia, lo que aumentará nuestra estima de esta gran virtud cardinal.
/
Algunas formas de practicar la justicia

Hemos de limitamos a ligeras indicaciones por no permitir otra cosa el marco de nuestra obra:

a) Evitar cualquier pequeña injusticia, por insignificante que sea.

b) Tratar Las cosas ajenas con mayor cuidado que si fueran nuestras.

c) No perjudicar jamás en lo más mínimo el buen nombre o La fama del prójimo.

d) No contraer deudas que no podamos pagar a su debido tiempo.

e) Dar a su debido tiempo el salario justo al que lo ha merecido con su trabajo.

j) Por justicia social, pagar exactamente los tributos o impuestos justos establecidos por La autoridad legítima.

g) Evitar a todo trance La acepción de personas (v. gr. concediendo un buen empleo a un amigo con perjuicio de otro
más digno que él).

(Tomado de "Ser o no ser santo, esa es la cuestión" de Royo Marín)


LAS VIRTUDES (1)
LAS VIRTUDES CARDINALES

1. Noción

Como ya hemos dicho más arriba, el nombre de «cardinales» se deriva del latíncardo, cardinis, el quicio o gozne de la
puerta; porque, en efecto, sobre ellas, como sobre quicios, gira y descansa toda la vida moral humana y cristiana.

2. Número

Las virtudes cardinales son cuatro: prudencia, justicia, fortaleza y templanza. Laprudencia dirige el entendimiento
práctico en sus determinaciones; la justiciaperfecciona la voluntad para dar a cada uno lo que le corresponde;
la fortalezarefuerza el apetito irascible para tolerar lo desagradable y acometer lo que debe hacerse a pesar de las
dificultades, y la templanza pone orden en el recto uso de las cosas placenteras y agradables.

3. El conjunto total de las virtudes infusas teologales y morales podría representarse gráficamente con una imagen
astronómica, que estaría formada del siguiente modo:

a) Tres grandes estrellas o soles con luz propia: fe, esperanza y caridad.
b) Cuatro grandes planetas con luz recibida del sol: prudencia, justicia, fortaleza y templanza.
c) Muchas virtudes satélites relacionadas con sus respectivos planetas, como derivadas o anejas.

Estudiadas ya las tres virtudes estrellas o soles, vamos a abordar ahora el estudio de los cuatro planetas, que son las
cuatro virtudes cardinales, que, a su vez, nos darán paso al estudio de sus correspondientes satélites ovirtudes
derivadas que se relacionan en algún aspecto con su virtud cardinal correspondiente.

LA VIRTUD DE LA PRUDENCIA

1. Noción

La prudencia es una gran virtud que tiene por objeto dictarnos lo que tenemos que hacer en cada caso particular.
Como virtud natural o adquirida fue definida por Aristóteles: «La recta razón en el obrar», Como virtud sobrenatural
o infusa puede definirse: «Una virtud especial infundida por Dios en el entendimiento práctico para el recto gobierno
de nuestras acciones particulares en orden al fin sobrenatural».

Expliquemos un poco los términos de la definición.

a) Una virtud especial; distinta de todas las demás.

b) Infundida por Dios en el entendimiento práctico. Como es sabido, el entendimiento es una de las potencias o
facultades del alma (como la memoria y la voluntad). Pero el entendimiento se subdivide
en especulativo ypráctico. EI especulativo se dedica a La formulación teórica de los principios en que se apoya La
prudencia, mientras que el práctico recae sobre los actos particulares o concretos que hay que realizar. La prudencia,
como virtud, recae precisamente sobre esos actos concretos que han de realizarse: luego reside en el entendimiento
práctico, no en el especulativo.

c) Para el recto gobierno de nuestras acciones particulares. EI acto propio de La virtud de La prudencia es dictar(en
sentido perfecto, o sea, intimando o imperando) lo que hay que hacer en concreto en un momento determinado hic
et nunc, habida cuenta de todas Las circunstancias y después de madura deliberación y consejo.
d) En orden al fin sobrenatural. Es el objeto formal o motivo próximo, que La distingue radicalmente de La prudencia
natural o adquirida, que sólo se fija en Las cosas de este mundo.

2. Importancia

Es La más importante de todas Las virtudes morales, después de La virtud de La religión como veremos en su lugar.
Su influencia se extiende a todas Las demás, señalándoles el justo medio en que consisten todas ellas, para que no se
desvíen por exceso o por detecto hacia sus extremos desordenados. Incluso Las mismas virtudes teologales necesitan
el control de La prudencia, no porque consistan en el medio -como Las morales-, sino por razón del sujeto y
del modo de su ejercicio, esto es, a su debido tiempo y teniendo en cuenta todas Las circunstancias; ya que sería
imprudente ilusión vacar todo el día en el ejercicio de Las virtudes teologales, descuidando el cumplimiento de los
deberes del propio estado. Por eso se llama a La prudencia auriga virtutum,porque Las dirige y Las gobierna todas
como el que lleva Las riendas de un carruaje tirado por caballos.

La importancia y necesidad de La prudencia queda de manifiesto en multitud de pasajes de La Sagrada Escritura. EI


mismo Jesucristo nos advierte que es menester «ser prudentes como Las serpientes y sencillos como las palomas»
(Mt 10,16). Sin ella, ninguna virtud puede ser perfecta.

Es útil, además, para evitar el pecado, dándonos a conocer –adoctrinada por La experiencia-
Las causas yocasiones del mismo, y señalándonos los remedios oportunos. ¡Cuántos pecados cometeríamos sin ella y
cuántos cometeremos de hecho si no seguimos sus dictámenes!

3. Funciones

Según Santo Tomás, los actos o funciones de La prudencia son tres:

a) El consejo, por el que consulta, delibera o indaga los medios y Las circunstancias para obrar honesta y
virtuosamente.

b) El juicio o conclusión sobre los medios hallados, dictaminando cuáles deben emplearse u omitir hic et nunc,aquí y
en este momento.

c) El imperio u orden de ejecutar el acto, que aplica a La operación los anteriores consejos y juicios. Este último es el
acto más propio y principal de 1a prudencia.

4. Medios para adelantar en La prudencia

Aunque Las virtudes son substancialmente Las mismas a todo lo largo de la vida espiritual, adquieren orientaciones y
matices distintos según el grado de perfección en que se encuentre un alma en un momento determinado. Y así:

A) Los principiantes -cuya principal preocupación, como vimos, ha de ser La de conservar La gracia y no volver atrás-
procurarán, ante todo, evitar los pecados contrarios a La prudencia:

a) Reflexionando siempre antes de hacer cualquier cosa o de tomar alguna determinación importante, no dejándose
llevar del ímpetu de La pasión o del capricho, sino de Las luces serenas de La razón iluminada por La fe.

b) Considerando despacio el pro y el contra, y Las consecuencias buenas o malas que se pueden seguir de tal o cual
acción.

c) Perseverando en los buenos propósitos, sin dejarse llevar de La inconstancia o negligencia, a Las que tan inclinada
está La naturaleza viciada por el pecado.
d) Vigilando cuidadosamente la prudencia de La carne, que busca pretextos y sutilezas para eximirse del
cumplimiento del deber y satisfacer Las pasiones desordenadas.

e) Procediendo siempre con sencillez y transparencia, evitando toda simulación, astucia o engaño, que es indicio
seguro de un alma ruin y mezquina.

f) Viviendo el día -como nos aconseja el Señor en el Evangelio (Mt 6,34)-, sin preocuparnos demasiado de un mañana
que no sabemos si amanecerá para nosotros, y que, en todo caso, estará regido y controlado por La providencia
amorosa de Dios, que viste hermosamente a los lirios del campo y alimenta a Las aves del cielo (Mt 6,25-34).

Pero no se han de contentar los principiantes con este primer aspecto puramente negativo de evitar los pecados. Han
de comenzar a orientar positivamente su vida por Las vías de La prudencia, al menos en sus primeras y
fundamentales manifestaciones. Y así:

a) Referirán al último fin todas sus acciones, recordando el principio y fundamento que pone San Ignacio al frente de
los Ejercicios: «EI hombre es criado para alabar, hacer reverencia y servir a Dios nuestro Señor, y mediante esto salvar
su alma; y Las otras cosas sobre La haz de La tierra son criadas para el hombre y para que le ayuden a La prosecución
del fin para que es criado. De donde se sigue que el hombre tanto ha de usar de ellas cuanto le ayudan para su fin, y
tanto debe quitarse de ellas cuanto para ello le impiden».

b) Procurarán plasmar en una máxima importante, de fácil recordación, esta necesidad imprescindible de orientarlo
y subordinarlo todo al magno problema de nuestra salvación eterna: « ¿Qué le aprovecha al hombre ganar el mundo
entero si pierde su alma?» (Mt 16,26). « ¿De qué me aprovechará esto para La vida eterna?» (San Juan Berchmans),
o, como dice el conocido cantarcillo: «La ciencia más encumbrada es que el hombre en gracia acabe, que al final de
La jornada, el que se salva, sabe, y el que no, no sabe nada».

B) Las almas adelantadas, cuya principal preocupación ha de ser La de adelantar más y más en La virtud, sin
abandonar, antes al contrario, intensificando todos los medios anteriores, procurarán elevar de plano los motivosde
su prudencia. Más que de su salvación, se preocuparán de La gloria de Dios, y ésta será La finalidad suprema a La que
orientarán todos sus esfuerzos. No se contentarán simplemente con evitar Las manifestaciones de La prudencia de La
carne, sino que La aplastarán definitivamente practicando con seriedad La verdaderamortificación cristiana, que le es
diametralmente contraria. Sobre todo, procurarán secundar con exquisitadocilidad las· inspiraciones interiores del
Espíritu Santo hacia una vida más perfecta, renunciando en absoluto a todo lo que distraiga o disipe, y entregándose
de lleno a la magna empresa de su propia santificación como el medio más apto y oportuno de procurar La gloria de
Dios y La salvación de Las almas. Nunca trabajamos tanto para ambas cosas como cuando nos esforzamos en nuestra
propia santificación para honra y gloria de Dios.

C) Los perfectos practicarán en grado heroico La virtud de La prudencia movidos por el Espíritu Santo mediante
el don de consejo, del que hemos hablado brevemente en su lugar correspondiente.

(Tomado de "Ser o no ser santo, esa es la cuestión", de Royo Marín)

La infalibilidad de la oración
“Pedid y se os dará; buscad y hallaréis; llamad y se os abrirá. Porque quien pide recibe, quien busca halla y a quien
llama se le abre” (Mateo 7, 7-8). Estas palabras del Evangelio debieran ser más recordadas por los fieles católicos: nos
confirman en la certeza de que cuanto pidiéremos con la debida Fe, Dios nos lo dará. “Todo cuanto pidiereis en la
oración lo recibiréis”, dice Nuestro Señor (Mateo 21, 22).
Ahora bien: ¿cuáles son los alcances de estas promesas? Porque, evidentemente, no puede Nuestro Señor
prometernos algo que no cumplirá; como tampoco puede obligarse a cumplir, si lo que pedimos no fuera bueno para
nuestras almas. Él desea nuestra santificación, y nosotros debemos desear Su glorificación. Entonces, ¿cuál es el rol
de la oraciónimpetratoria, es decir, de “petición”?

El teólogo Antonio Royo-Marín O.P., dominico español, afirma en su “Teología de la perfección cristiana” una
conclusión certísima: “la oración, revestida de las debidas condiciones, obtiene infaliblemente lo que pide en virtud
de las promesas de Dios”; y luego pasa a probar esta tesis, fundándola en la sana doctrina de Santo Tomás, según el
cual hay cuatro condiciones necesarias para que nuestra oración impetratoria sea infalible, es decir, consiga de
manera firme y cierta los dones que pedimos a Dios para el bien de nuestras almas. Estas condiciones son:

1) Pro se petat: Esto es, que en la oración se pida por uno mismo. Y la razón es porque la concesión de una gracia
divina requiere de un sujeto dispuesto a recibirla; y de esto no podemos tener certeza respecto a nuestros prójimos,
quienes podrían estar en mala disposición ante el influjo de la gracia de Dios; mientras que, orando por nosotros
mismos, nos disponemos ya por ese mismo hecho a ser oídos por Dios. Esto no quiere decir, por supuesto, que no
deba rezarse por el prójimo: al contrario, es obra de gran virtud y mérito, mediante la cual podemos incluso pedir a
Dios que remueva los obstáculos que estén privando a un alma de recibir las gracias del Cielo. Pero por la razón antes
dicha, no podemos tener certeza de que esa alma dejará de resistir a Dios, disponiéndose humildemente a hacer Su
voluntad.
2) Necessaria ad salutem: Esto es, que la oración refiera a algo útil o necesario para la salvación de nuestra alma. Así,
podemos pedir las gracias eficaces para crecer en las virtudes teologales y morales, o en los dones del Espíritu Santo;
o pedir la importantísima gracia de laperseverancia final, que el Santo Concilio de Trento definió como un “gran y
especial don”; gracia que puede ser invocada conforme a la hermosa devoción de la “Asociación de Amor a María
Santísima”, que en Oblatio Munda hemos presentado.
3) Pie: Esto es, que la oración debe revelar la piedad del orante, lo cual implica a su vez estas cuatro
condiciones: humildad; firme confianza en Dios; pedir en nombre de Cristo; y atención durante la oración, evitando
las distracciones voluntarias.
4) Perseveranter: Esto es, se debe perseverar resueltamente en la oración, hasta obtener de Dios ese bien útil o
necesario para la salvación de nuestras almas. El mejor ejemplo que ilustra esta condición es la parábola del amigo
inoportuno, que pide una y otra vez los tres panes, hasta que el dueño de casa, ya cansado, decide dárselos (Lucas
11, 5-13). Dios no nos rehusará nunca aquello que pidamos para alcanzar nuestra santificación y Su glorificación.

Considerando estas cuatro condiciones, y la necesidad imperante de la oración, que nunca será suficientemente
recordada ante el pueblo católico, imitemos el ejemplo de Nuestro Señor, quien “oraba a Dios durante toda la
noche” (Lucas 6, 12); y cuando en la noche oscura del Getsemaní, “lleno de angustia, oraba con más instancia” (Lucas
22, 44). Podemos tener la certeza, conforme a las promesas de Nuestro Señor, que seremos escuchados.

(Basado en el libro “Teología de la perfección cristiana”, de Antonio Royo-Marín O.P., Madrid, 1955).

La Inmaculada Concepción de María


Padre Antonio Royo Marín, O.P.

En el orden cronológico, el primero de los grandes privilegios concedidos por Dios a la Santísima Virgen María, en
atención a su futura maternidad divina, fue el privilegio singularísimo de su concepción inmaculada.

Introducción

Para ambientar un poco este gran privilegio y todos los demás relativos a la Santísima Virgen María, es conveniente
recordar la grandeza inmarcesible a que la eleva su maternidad divina. Trasladamos aquí lo que sobre esto hemos
escrito en otra parte:

'Todos los títulos y grandezas de María arrancan del hecho colosal de su maternidad divina. María es inmaculada,
llena de gracia,

Corredentora de la humanidad; subió en cuerpo y alma al cielo para ser allí la Reina de cielos y tierra y la Mediadora
universal de todas las gracias, etc., porque es la Madre de Dios. La maternidad divina la coloca a tal altura, tan por
encima de todas las criaturas, que Santo Tomás de Aquino, tan sobrio y discreto en sus apreciaciones, no duda en
calificar su dignidad de en cierto modo infinita. Y su gran comentarista, el cardenal Cayetano, dice que María, por su
maternidad divina, alcanza los límites de la divinidad. Entre todas las criaturas, es María, sin duda ninguna, la que
tiene mayor 'afinidad con Dios'.

Y es porque María, en virtud de su maternidad divina, entra a formar parte del orden hipostático, es un elemento
indispensable -en la actual economía de la divina Providencia -para la encarnación del Verbo y la redención del
género humano. Ahora bien: como dicen los teólogos, el orden hipostático supera inmensamente al de la gracia y la
gloria, como este último supera inmensamente al de la naturaleza humana y angélica y aun a cualquier otra
naturaleza creada o creable. La maternidad divina está por encima de la filiación adoptiva de la gracia, ya que ésta no
establece más que un parentesco espiritual y místico con Dios, mientras que la maternidad divina de María establece
un parentesco de naturaleza, una relación de consanguinidad con Jesucristo y una, por decirlo así, especie de
afinidad con toda la Santísima Trinidad. La maternidad divina, que termina en la persona increada del Verbo hecho
carne, supera, pues, por su fin, de una manera infinita, a la gracia y la gloria de todos los elegidos y a la plenitud de
gracia y de gloria recibida por la misma Virgen María. Y, con mayor razón, supera a todas las gracias gratis dadas o
carismas, como son la profecía, el conocimiento de los secretos de los corazones, el don de milagros o de lenguas,
etc., porque todos son inferiores a la gracia santificante, como enseña Santo Tomás.

De este hecho colosal-María Madre del Dios redentor-arranca el llamado principio del consorcio, en virtud del cual
Jesucristo asoció íntimamente a su divina Madre a toda su misión redentora y santificadora. Por eso, todo lo que El
nos mereció con mérito de rigurosa justicia-de condigno ex toto rigore iustitiae, nos lo mereció también María,
aunque con distinta clase de mérito'.

Siendo esto así, nada debe sorprendernos ni extrañarnos en torno a las gracias y privilegios de María, por grandes y
extraordinarios que sean. El primero de los cuales, en el orden cronológico, es el privilegio singularísimo de su
concepción inmaculada y de la plenitud de gracia con que fue enriquecida su alma en el primer instante de su ser
natural.

2. Doctrina de fe

Expondremos en primer lugar la doctrina definida por la Iglesia en dos conclusiones claras y sencillas:

Por gracia y privilegio singularísimo de Dios omnipotente, en atención a los méritos previstos de Jesucristo Redentor,
la Santísima Virgen María fue preservada inmune de toda mancha de culpa original en el primer instante de su
concepción. (Dogma de fe, expresamente definido por la Iglesia.)

He aquí las pruebas de este sublime dogma de fe:

a) LA SAGRADA ESCRITURA. No hay en ella ningún texto explícito sobre este misterio, pero sí algunas insinuaciones
que, elaboradas por la tradición cristiana y puestas del todo en claro por el magisterio infalible de la Iglesia, ofrecen
algún fundamento escriturístico para la definición del dogma. Son, principalmente, las siguientes: Dijo Dios a la
serpiente en el paraíso: 'Pongo perpetua enemistad entre ti y la mujer y entre tu linaje y el suyo; éste te aplastará la
cabeza' (Gén 3,15).

'Dios te salve, llena de gracia, el Señor es contigo' (Lc 1,28).

'¡Bendita tú entre las mujeres y bendito el fruto de tu vientre!' (Lc 1,42).


'Porque ha hecho en mí maravillas el Poderoso, cuyo nombre es Santo' (Lc 1,49)

No bastan estos textos para probar por sí mismos el privilegio de la concepción inmaculada de María. Pero la bula
Ineffabilis Deus, por la que Pío IX definió el dogma de la Inmaculada, los cita como remota alusión escriturística al
singular privilegio de María.

b) LOS SANTOS PADRES. Estos eximios varones, representantes auténticos de la tradición cristiana, fueron elaborando
poco a poco la doctrina de la concepción inmaculada de María, que no siempre brilló en la Iglesia con la misma
claridad. En la historia y evolución de este dogma pueden distinguirse los siguientes principales períodos:

1) PERÍODO DE CREENCIA IMPLÍCITA Y TRANQUILA.

Se extiende hasta el concilio de Éfeso (año 431). Los Santos Padres aplican a María los calificativos de santa, inocente,
purísima, intacta, incorrupta, inmaculada, etc. En esta época sobresalen en sus alabanzas a María San Justino, San
Ireneo, San Efrén, San Ambrosio y San Agustín.

2)PERÍODO INICIAL DE LA PROCLAMACIÓN EXPLÍCITA.

Se extiende hasta el siglo XI. La fiesta de la Inmaculada comienza a celebrarse en algunas iglesias de Oriente desde el
siglo VIII; en Irlanda, desde el IX, y en Inglaterra, desde el XI. Después se propaga a España, Francia y Alemania.

3) PERÍODO DE LAS GRANDES CONTROVERSIAS (s.XII-XIV).

Nada menos que San Bernardo, San Anselmo y grandes teólogos escolásticos del siglo XIII y siguientes, entre los que
se encuentran Alejandro de Hales, San Buenaventura, San Alberto Magno, Santo Tomás, Enrique de Gante y Egidio
Romano, negaron o pusieron en duda el privilegio de María por no hallar la manera de armonizarlo con el dogma de
la Redención universal de Cristo, que no admite una sola excepción entre los nacidos de mujer. A pesar de su piedad
mariana, intensísima en la mayor parte de ellos, tropezaron con ese obstáculo dogmático, que no supieron resolver,
y, muy a pesar suyo, negaron o pusieron en duda el singular privilegio de María. Sin duda alguna, todos ellos lo
hubieran proclamado alborozadamente si hubieran sabido resolver ese aparente conflicto en la forma clarísima con
que se resolvió después.

4) PERÍODO DE REACCIÓN Y DE TRIUNFO DEL PRIVILEGIO (s.XIV-XIX).

Iniciado por Guillermo de Ware y por Escoto, se abre un período de reacción contra la doctrina que negaba o ponía
en duda el privilegio de María, hasta ponerlo del todo en claro y armonizarlo perfectamente con el dogma de la
Redención universal de Cristo. Con algunas alternativas, la doctrina inmaculista se va imponiendo cada vez más,
hasta su proclamación dogmática por Pío IX el 8 de diciembre de 1854.

5) EL MAGISTERIO DE LA IGLESIA.

He aquí el texto emocionante de la declaración dogmática de Pío IX:

'Después de ofrecer sin interrupción a Dios Padre, por medio de su Hijo, con humildad y penitencia, nuestras
privadas oraciones y las súplicas de la Iglesia, para que se dignase dirigir y afianzar nuestra mente con la virtud del
Espíritu Santo, implorando el auxilio de toda la corte celestial e invocando con gemidos el Espíritu Paráclito e
inspirándonoslo él mismo:

Para honor de la santa e individua Trinidad, para gloria y ornamento de la Virgen Madre de Dios, para exaltación de la
fe católica y aumento de la cristiana religión, con la autoridad de nuestro Señor Jesucristo, de los bienaventurados
apóstoles Pedro y Pablo y con la nuestra propia, declaramos, pronunciamos y definimos que la doctrina que sostiene
que la beatísima Virgen María, en el primer instante de su concepción, por gracia y privilegio singular de Dios
omnipotente, en atención a los méritos de Cristo Jesús, Salvador del género humano, fue preservada inmune de toda
mancha de la culpa original, ha sido revelada por Dios y, por tanto, debe ser creída firme y constantemente por todos
los fieles.

Por lo cual, si algunos -lo que Dios no permita- presumieren sentir en su corazón de modo distinto a como por Nos ha
sido definido, sepan y tengan por cierto que están condenados por su propio juicio, que han naufragado en la fe y
que se han separado de la unidad de la Iglesia' (D 1641).

La palabra del Vicario de Cristo, dirigida por el Espíritu Santo, ha pronunciado el oráculo infalible: Roma locuta est,
causa finita est

c) LA RAZÓN TEOLÓGICA. Siglos enteros necesitó la pobre razón humana para hallar el modo de concordar la
concepción inmaculada de María con el

dogma de la Redención universal de Cristo, que afecta a todos los descendientes de Adán, sin excepción alguna para
nadie, ni siquiera para la Madre de Dios. Pero, por fin, se hizo la luz, y la armonía entre los dos dogmas apareció con
claridad deslumbradora.

De dos maneras, en efecto, se puede redimir a un cautivo: pagando el precio de su rescate para sacarlo del cautiverio
en el que ya ha incurrido (redención liberativa) o pagándolo anticipadamente, impidiéndole con ello caer en el
cautiverio (redención preventiva). Esta última es una verdadera y propia redención, más auténtica y profunda todavía
que la primera, y ésta es la que se aplicó a la Santísima Virgen María. Dios omnipotente, previendo desde toda la
eternidad los méritos infinitos de Jesucristo Redentor rescatando al género humano con su sangre preciosísima,
derramada en la cruz, aceptó anticipadamente el precio de ese rescate y lo aplicó a la Virgen María en forma de
redención preventiva, impidiéndola contraer el pecado original, que, como criatura humana descendiente de Adán
por vía de generación natural, debía contraer y hubiese contraído de hecho sin ese privilegio preservativo. Con lo
cual la Virgen María recibió de lleno la redención de Cristo -más que ningún otro redimido y fue, a la vez, concebida
en gracia, sin la menor sombra- del pecado original.

Este es el argumento teológico fundamental, recogido en el texto de la declaración dogmática de Pío IX.

El pueblo cristiano, que no sabe teología, pero tiene el instinto de la fe, que proviene del mismo Espíritu Santo, y le
hace presentir la verdad aunque no sepa demostrarla, hacía muchos siglos que aceptaba alborozadamente la
doctrina de la concepción inmaculada de María y se tapaba los oídos cuando los teólogos ponían objeciones y
dificultades a la misma. Por eso aplaudía con entusiasmo y repetía jubiloso los argumentos de conveniencia, que, si
no satisfacían del todo a los teólogos, llenaban por completo el corazón y la piedad de los fieles. Tales eran, por
ejemplo, el llamado argumento de Escoto: potuit, decuit, ergo fecit (Dios pudo hacer inmaculada a su Madre; era
conveniente que la hiciera; luego la hizo), y otros muchos del tenor siguiente:

a) ¿La Reina de los ángeles bajo la tiranía del demonio, vencido por ellos?

b) ¿Mediadora de la reconciliación y enemiga de Dios un solo instante?

c) Eva, que nos perdió, fue creada en gracia y justicia original, y María, que nos salvó, ¿fue concebida en pecado?

d) ¿La sangre de Jesús brotando de un manantial manchado?

e) ¿La Madre de Dios esclava de Satanás?

Todos estos argumentos de conveniencia eran del dominio popular siglos antes de la definición del dogma de la
Inmaculada. Pero el argumento teológico fundamental es el de la redención preventiva, que hemos expuesto hace un
momento. Si lo hubieran vislumbrado los teólogos medievales que pusieron en tela de juicio el singular privilegio de
María, ni uno solo de ellos se hubiera opuesto a una doctrina tan gloriosa para María y tan en consonancia con el
instinto sobrenatural de todo corazón cristiano.

Nota sobre el pensamiento de Santo Tomás en torno a la concepción inmaculada de María.

Como hemos indicado más arriba, el Príncipe de la teología católica, Santo Tomás de Aquino, figura en la lista de los
que negaron el privilegio de María por no saberlo armonizar con el dogma de la redención universal de Cristo. Quizá
Dios lo permitió así para recordar al mundo entero que, en materia de fe y de costumbres, la luz definitiva no la
pueden dar los teólogos -aunque se trate del más grande de todos ellos-, sino que ha de venir de la Iglesia de Cristo,
asistida directamente por el Espíritu Santo con el carisma maravilloso de la infalibilidad.

Con todo, el error de Santo Tomás es más aparente que real. Por de pronto, la Inmaculada que él rechazó -una
Inmaculada no redimida-, no es la Inmaculada definida por la Iglesia. La bula de Pío IX definió una Inmaculada
redimida, que hubiera sido aceptada inmediatamente por el Doctor Angélico si hubiera vislumbrado esta solución. El
fallo de Santo Tomás está en no haber encontrado esta salida; pero la Inmaculada no redimida que él rechazó, hay
que seguir rechazándola todavía, hoy más que entonces, a causa precisamente de la definición de la Iglesia.

Aparte de esto, Santo Tomás fluctuó toda su vida en torno a la solución de este problema. Por una parte, su corazón
tiernamente enamorado de la Virgen le empujaba instintivamente a proclamar el privilegio mariano. Por otra, su
enorme sinceridad intelectual le impedía aceptar una doctrina que no veía la manera de armonizarla con un dogma
de fe expresamente contenido en la divina revelación ni con la práctica de la Iglesia romana, que no celebraba en
aquella época la fiesta de la Inmaculada, aunque la toleraba en otras iglesias. Por eso, cuando se deja llevar del
impulso de su corazón, proclama abiertamente el privilegio de María. Pero, cuando se abandona al frío razonamiento
de la especulación científica, se siente coartado a manifestar lo contrario. Su equivocación, sin embargo, prestó un
gran servicio para encontrar la verdadera teología de la Inmaculada, cerrando la puerta falsa por donde no se podía
pasar -una Inmaculada no redimida-; y la puerta que él cerró continúa cerrada todavía después de la definición
dogmática de la Inmaculada redimida con la redención preservativa.

II. La Santísima Virgen María fue, por especial privilegio de Dios, enteramente inmune durante toda su vida de todo
pecado actual, incluso levísimo. (De fe implícitamente definida.)

He aquí la definición implícita del concilio de Trento:

'Si alguno dijese que el hombre, una vez justificado, no puede pecar en adelante ni perder la gracia, y, por tanto, el
que cae y peca no fue nunca verdaderamente justificado; o, al contrario, que puede evitar durante toda su vida todos
los pecados, aun los veniales, si no es por especial privilegio de Dios, como de la bienaventurada Virgen lo enseña la
Iglesia, sea anatema' (D 833).

El Doctor Angélico expone hermosamente la razón teológica de este privilegio de María en la siguiente forma:

'A los que Dios elige para una misión determinada, les prepara y dispone de suerte que la desempeñen idónea y
convenientemente, según aquello de San Pablo: Nos hizo Dios ministros idóneos de la nueva alianza (2 Cor 3,6).

Ahora bien: la Santísima Virgen María fue elegida por Dios para ser Madre del Verbo encarnado y no puede dudarse
de que la hizo por su gracia perfectamente idónea para semejante altísima misión. Pero no sería idónea Madre de
Dios si alguna vez hubiera pecado, aunque fuera levemente, y ello por tres razones:

a) Porque el honor de los padres redunda en los hijos, según se dice en los Proverbios: Gloria de los hijos son sus
padres (Prov 17,6);

luego, por contraste y oposición, la ignominia de la Madre hubiera redundado en el Hijo.

b) Por su especialísima afinidad con Cristo, que de ella recibió la carne. Pero dice San Pablo a los Corintios: ¿Qué
concordia puede haber entre Cristo y Belial? (1 Cor 1,24).

c) Porque el Hijo de Dios, que es la Sabiduría divina, habitó de un modo singular en el alma de María y en sus mismas
entrañas virginales. Pero en el libro de la Sabiduría se nos dice: En el alma maliciosa no entrará la sabiduría, ni morará
en cuerpo esclavo del pecado (Sab 1 ,4).

Hay que concluir, por consiguiente, de una manera absoluta, que la bienaventurada Virgen no cometió jamás ningún
pecado, ni mortal ni venial, para que en ella se cumpla lo que se lee en el Cantar de los Cantares: Toda hermosa eres,
amada mía, y no hay en ti mancha ninguna' (Cant 4,7).

Por estas mismas razones hay que decir que la Santísima virgen María no cometió jamás la menor imperfección
moral.

Siempre fue fidelísima a las inspiraciones del Espíritu Santo y practicó siempre la virtud con la mayor intensidad que
en cada caso podía dar de sí y por puro amor de Dios, o sea con las disposiciones más perfectas con que puede
practicarse la virtud.

3. Consecuencias teológicas

Las dos conclusiones anteriores han sido definidas por la Iglesia, como hemos visto. Pero, aparte de ellas, la teología
tradicional ha deducido lógicamente otras consecuencias que constan en el depósito de la tradición cristiana y puede
justificarlas perfectamente la razón teológica. Las principales son las siguientes, que expondremos también en forma
de conclusiones:

I. La Santísima Virgen María fue enteramente libre del 'fomes peccati', o sea de la inclinación al pecado, desde el
primer instante de su concepción inmaculada. (Completamente cierta.)

La razón teológica no puede ser más clara y sencilla. El fomes o inclinación al pecado es una consecuencia del pecado
original, que inficionó a todo el género humano (cf D 592). Pero como la Virgen María fue enteramente preservada
del pecado original, síguese que estuvo enteramente exenta del fomes, que es su consecuencia natural.

Y no se diga que también el dolor y la muerte son consecuencias del pecado original, y, sin embargo, María sufrió
dolores inmensos y pasó por la muerte corporal como su divino Hijo. Porque el caso del dolor y de la muerte es muy
distinto del fomes o inclinación al pecado.

Este último supone un desorden moral, al menos inicial, en la propia naturaleza humana. El dolor y la muerte, en
cambio, no afectan para nada al orden moral, y, por otra parte, era conveniente -y en cierto modo necesario- que la
Virgen pasara por ellos con el fin de conquistar el título de Corredentora de la humanidad al unir sus dolores y su
muerte a los de su divino Hijo, el Redentor del mundo. Por eso fue enteramente exenta de la inclinación al pecado,
pero no del dolor y de la muerte.

II. La Santísima Virgen María no sólo no pecó jamás de hecho, sino que fue confirmada en gracia desde el primer
instante de su inmaculada concepción y era, por consiguiente, impecable. (Completamente cierta en teología.)

Pueden distinguirse tres clases de impecabilidad: metafísica, física y moral, según que el pecado sea metafísica, física
o moralmente imposible con ella.

a) LA IMPECABILIDAD METAFÍSICA O ABSOLUTA es propia y exclusiva de Dios. Repugna metafísicamente, en efecto,


que Dios pueda pecar, ya que es El la santidad infinita y principio supremo de toda santidad. Esta misma
impecabilidad corresponde a Cristo-Hombre en virtud de la unión hipostática, ya que las acciones de la humanidad
santísima se atribuyen a la persona del Verbo, y, por lo mismo, si la naturaleza humana de Cristo pecase, haría
pecador al Verbo, lo que es metafísicamente imposible.
b) LA IMPECABILIDAD FÍSICA, llamada también intrínseca, es la que corresponde a los ángeles y bienaventurados, que
gozan de la visión beatífica. La divina visión llena de tal manera el entendimiento del bienaventurado, y la divina
bondad atrae de tal modo su corazón, que no queda a la primera ningún resquicio por donde pueda infiltrarse un
error, ni a la segunda la posibilidad del menor apetito desordenado. Ahora bien: todo pecado supone
necesariamente un error en el entendimiento (considerando como bien real lo que sólo es un bien aparente) y un
apetito desordenado en la voluntad (prefiriendo un bien efímero y creado al Bien infinito e increado). Luego los
ángeles y bienaventurados son física e intrínsecamente impecables.

c) LA IMPECABILIDAD MORAL, llamada también extrínseca, coincide con la llamada confirmación en gracia, en virtud
de la cual, Dios, por un privilegio especial, asiste y sostiene a una determinada alma en el estado de gracia,
impidiéndole caer de hecho en el pecado, pero conservando el alma, radicalmente, la posibilidad del pecado si Dios
suspendiera su acción impeditiva

Esta última es la que tuvo la Santísima Virgen María durante los años de su vida terrestre. En virtud de un privilegio
especial, exigido moralmente por su inmaculada concepción y, sobre todo, por su futura maternidad divina, Dios
confirmó en gracia a la Santísima Virgen desde el instante mismo de su purísima concepción. Esta confirmación no la
hacía intrínsecamente impecable como a los bienaventurados -se requiere para ello, como hemos dicho, la visión
beatífica-, pero sí extrínsecamente,o sea, en virtud de esa asistencia especial de Dios, que no le faltó un solo instante
de su vida. Tal es la sentencia común y completamente cierta en teología.

III. La Santísima Virgen María en el primer instante de su concepción inmaculada fue enriquecida con una plenitud
inmensa de gracia, superior a la de todos los ángeles y bienaventurados juntos. (Completamente cierta.)

Que la Santísima Virgen María fue concebida en gracia es de fe divina implícitamente definida por Pío IX al definir la
preservación del pecado original, puesto que una cosa supone necesariamente la otra. Es el aspecto positivo de la
inmaculada concepción de María, mucho más sublime todavía que la mera preservación del pecado original, que es
su aspecto negativo . Pero que la gracia inicial de María fuera mayor que la de todos los ángeles y bienaventurados
juntos, no es doctrina definida, pero sí completamente cierta en teología. He aquí las pruebas:

a) LA SAGRADA ESCRITURA. En la Sagrada Escritura se insinúa esta doctrina, aunque no se revela expresamente. En
efecto, el ángel de Nazaret se dirige a María con estas palabras: 'Ave María, llena de gracia, el Señor es contigo' (Lc
1,28).

Esa llenez o plenitud de gracia no hay razón alguna para circunscribirla al tiempo de la anunciación y no antes.
Habiendo sido concebida en gracia, lo más natural es que tuviera esa plenitud desde el primer instante de su
concepción. Eso mismo parece insinuar el verbo es: no fue, ni será, sino simplemente es, sin determinar
especialmente ningún tiempo. Y que esa plenitud fuera mayor que la de los ángeles y santos, lo veremos muy claro
en el argumento de razón teológica.

b) EL MAGISTERIO DE LA IGLESIA. La bula Ineffabilis Deus, por la que Pío IX proclamó el dogma de la Inmaculada
Concepción, comienza con el siguiente párrafo:

'El inefable Dios, cuya conducta es misericordia y verdad, cuya voluntad es omnipotencia y cuya sabiduría alcanza de
límite a límite con fortaleza y dispone suavemente todas las cosas, habiendo previsto desde toda la eternidad la ruina
lamentabilísima de todo el género humano, que había de provenir de la transgresión de Adán, y habiendo decretado,
con plan misterioso escondido desde la eternidad, llevar a cabo la primitiva obra de su misericordia, con plan todavía
más secreto, por medio de la encarnación del Verbo, para que no pereciese el hombre, impulsado a la culpa por la
astucia de la diabólica maldad, y para que lo que iba a caer en el primer Adán fuese restaurado más felizmente en el
segundo, eligió y señaló, desde el principio y antes de los tiempos, una Madre, para que su Unigénito Hijo, hecho
carne de Ella, naciese en la dichosa plenitud de los tiempos; y en tanto grado la amó por encima de todas las
criaturas, que en sola Ella se complació con señaladísima benevolencia. Por lo cual, tan maravillosamente la colmó de
la abundancia de todos los celestiales carismas, sacada del tesoro de la divinidad, muy por encima de todos los
ángeles y santos, que Ella, libre siempre absolutamente de toda mancha de pecado y toda hermosa y perfecta,
manifestase tal plenitud de inocencia y santidad, que no se concibe en modo alguno mayor después de Dios y nadie
puede imaginar fuera de Dios'.

c) LA RAZÓN TEOLÓGICA. El Doctor Angélico señala la razón teológica en la siguiente forma :

'En todo orden de cosas, cuanto uno se allega más al principio de ese orden, más participa los efectos de ese
principio (v.gr., el que más cerca está del fuego, más se calienta). De donde infiere Dionisio que los ángeles, por estar
más cercanos a Dios, participan más de las perfecciones divinas que los hombres. Ahora bien, Cristo es el principio de
la gracia: por la divinidad, como verdadero autor; por la humanidad, como instrumento. Y así se lee en San Juan: 'La
gracia y la verdad vino por Jesucristo' (Jn I, 17). Pero la bienaventurada Virgen María estuvo cercanísima a Cristo
según la humanidad, puesto que de ella recibió Cristo la naturaleza humana. Por tanto, debió obtener de El una
plenitud de gracia superior a la de los demás'.

Todavía añade otra razón profunda en la respuesta a la primera dificultad:

'Dios da a cada uno la gracia según la misión para que es elegido. Y porque Cristo, en cuanto hombre, fue
predestinado y elegido 'para ser Hijo de Dios, poderoso para santificar' (Rom 1,4), tuvo como propia suya tal plenitud
de gracia, que redundase en todos los demás, según lo que dice San Juan: 'De su plenitud todos nosotros hemos
recibido' (Jn 1,16). Mas la bienaventurada Virgen María tuvo tanta plenitud de gracia, que por ella estuviese
cercanísima al autor de la gracia, hasta el punto de recibirlo en sí misma y, al darle a luz, comunicara, en cierto modo,
la gracia a todos los demás'.

En razón de esta cercanía a Cristo, no importa que en el primer instante de su concepción no estuviese la Santísima
Virgen unida a Cristo por la encarnación del mismo en sus entrañas virginales; porque, como dice muy bien Suárez,
'basta haber tenido orden y destino para ella por divina predestinación'.

Esta plenitud de gracia que recibió María en el instante mismo de su concepción fue tan inmensa, que, según la
sentencia hoy común entre los mariólogos, la plenitud inicial de la gracia de María fue mayor que la gracia
consumada de todos los ángeles y bienaventurados juntos. Lo cual no debe sorprender a nadie, porque, como explica
San Lorenzo Justíniano, el Verbo divino amó a la Santísima Virgen María, en el instante mismo de su concepción, más
que a todos los ángeles y santos juntos; y como la gracia responde al amor de Dios y es efecto del mismo, a la Virgen
se le infundió la gracia con una plenitud inmensa, incomparablemente mayor que la de todos los ángeles y
bienaventurados juntos.

Sin embargo, la plenitud de la gracia de María, con ser inmensa, no era una plenitud absoluta, como la de Cristo, sino
relativa y proporcionada a su dignidad de Madre de Dios. Por eso Cristo no creció ni podía crecer en gracia, y, en
cambio, pudo crecer, y creció de hecho, la gracia de María. La Virgen fue creciendo continuamente en gracia con
todos y cada uno de los actos de su vida terrena -incluso, probablemente, durante el sueño, en virtud de la ciencia
infusa, que no dejaba de funcionar un solo instante- hasta alcanzar al fin de su vida una plenitud inmensa, que rebasa
todos los cálculos de la pobre imaginación humana. Dios ensanchaba continuamente la capacidad receptora del alma
de María, de suerte que estaba siempre llena de gracia y, al mismo tiempo, crecía continuamente en ella. Siempre
llena y siempre creciendo: tal fue la maravilla de la gracia santificante en el corazón inmaculado de la Madre de Dios .

Santo Tomás habla de una triple plenitud de gracia en María. Una dispositiva, por la cual se hizo idónea para ser
Madre de Cristo, y ésta fue la plenitud inicial que recibió en el instante mismo de su primera santificación. Otra
perfectiva, en el momento mismo de verificarse la encarnación del Verbo en sus purísimas entrañas, momento en el
que recibió María un aumento inmenso de gracia santificante. Y otra final o consumativa, que es la plenitud que
posee en la gloria para toda la eternidad.

La plenitud de la gracia de María lleva consigo, naturalmente, la plenitud de las virtudes infusas y dones del Espíritu
Santo, así como
también de las gracias carismáticas que eran convenientes a la dignidad excelsa de la Madre de Dios, tales como la
ciencia infusa, el don de profecía, etc.

Nótese, finalmente, que la concepción inmaculada de María y su plenitud de gracia en el momento mismo de su
concepción es privilegio exclusivo de María. La santificación en el seno materno -pero después de concebidos en
pecado- puede afectar también a otros, como nos dice la Escritura de Jeremías (cf Jer 1, 5) y Juan el Bautista (Lc 1,
15). Estos, según Santo Tomás, fueron santificados y confirmados en gracia antes de nacer, pero sólo con relación al
pecado mortal, no al venial .

La Virgen María, Antonio Royo Marin, O. P.


Fuente: homiletica.com.ar

CONSULTA SOBRE LA PREDESTINACIÓN


Me puede explicar algunas dudas sobre la predestinación?

Pregunta:

Quisiera que por favor me explicara, en forma sencilla el tema de la predestinación.


Siempre pensé que una de las principales diferencias con los protestantes es justamente este tema; para ellos sólo
algunos elegidos alcanzarán la gloria eterna.
Nosotros como Católicos, creía yo, pensaban que a través de los méritos de la Pasión de Cristo teníamos todos la
oportunidad de salvarnos; si bien en gran medida era un Don de Dios por que El nos daba los medios, había también
un componente personal de aceptar y decidir ese fín a través de nuestros propios méritos sin embargo, leyendo a
Royo Marín ‘Dios y su obra’ me he confundido ya que a tratar este tema hay partes que coinciden con lo que yo
pensaba pero por ej he leo: la predestinación ha sido hecha por Dios antes de la previsión de cualquier mérito futuro
del predestinado o …..cuando habían nacido ni habían hecho ni el bien ni el mal para que el propósito de Dios
conforme a la elección no por las obras si no por El que llama, permaneciese, de ahi infiero una postura de que
nuestro destino ya viene signado sin tener en cuenta nuestros méritos.
Desde ya muchas gracias
Saludos cordiales

Respuesta:

Estimado:

En primer lugar, el p. Antonio Royo Marín en su obra, Teología de la salvación, afirma dos cosas importantes respecto
al misterio de la predestinación (la presentación en puntos es mía):

1° “Es preciso confesar que el problema de la divina predestinación no ha logrado aclararlo del todo ninguna escuela
teológica hasta hoy, y creemos firmemente que no se aclarará jamás acá en la tierra…”.

2° “Los que vivimos todavía acá en la tierra tenemos que contentarnos con adorar el misterio sin tratar de descifrarlo,
lo que sería vano empeño y loca temeridad”.

Y ofrece inmediatamente “los siguientes puntos, que pertenecen expresamente a la fe católica o son doctrina cierta y
común en teología, y son más que suficientes para que cada uno trabaje con seriedad en la salvación de su alma, sin
preocuparse demasiado de cómo haya de resolverse el problema de la predestinación”.

Estos puntos son:

1. Dios quiere sinceramente que todos los hombres se salven. Consta expresamente en la Sagrada Escritura (1 Tm
2,3-4).

2. En su consecuencia, Cristo murió por todos los hombre sin excepción. Consta también en la Sagrada Escritura (2 Co
5,15) y ha sido expresamente definido por la Iglesia (Dz 1906).
3. En virtud de su voluntad salvífica y en atención a los méritos de Cristo Redentor, Dios ofrece siempre a todos los
hombres las gracias necesarias y suficientes para que de hecho puedan salvarse si quieren.

4. Es un error gravísimo creer que Dios predestina al mal: “Que algunos hayan sido predestinados al mal por el divino
poder, no sólo no lo creemos, sino que, si hubiere algunos que quieran creer tanta maldad, con toda repulsión les
anatematizamos” (Dz 200).

5. La salvación es don de Dios: “Que algunos se salven, es don del que salva; pero que algunos se pierdan, es
merecimiento de los que se pierden” (Dz 318).

6. Los condenados se autoexcluyen de la salvación: “Ni los malos se perdieron porque no pudieron ser buenos, sino
porque no quisieron ser buenos y por su culpa permanecieron en la masa de condenación” (Dz 321).

7. La salvación, con el auxilio divino, es posible: “Porque Dios no manda cosas imposibles a nadie, sino que, al
mandar alguna cosa, nos avisa que hagamos lo que podamos y pidamos lo que no podamos y nos ayuda para que
podamos” (Dz 804).

En síntesis. El ojo de nuestra atención debe estar por sobre todo en la perseverancia de la vida cristiana y pedir la
gracia de morir como tal, pues como dice San Jerónimo, en la vida cristiana no se mira tanto los comienzos sino el
final (cf. Mt 10,22).

Y al respecto R. Marín, en la misma obra citada y hablando de la perseverancia, afirma: “Sin embargo, podemos
conjeturar en cierto modo nuestra futura perseverancia a base de las llamadas señales de predestinación”. Estas son:

1º Vivir habitualmente en gracia de Dios.


2º Espíritu de oración.
3º Una verdadera humildad.
4º Paciencia cristiana en la adversidad.
5º El ejercicio de la caridad para con el prójimo y de las obras de misericordia.
6º Un amor sincero y entrañable hacia Cristo, Redentor de la humanidad.
7º La devoción a María.
8º Un gran amor a la Iglesia, dispensadora de la gracia y de la verdad.

Y añade: “Estas son las principales señales de predestinación que suelen citar los teólogos (…) Nada deberíamos
procurar con tanto empeño como llegar a adquirirlas todas”.
(Cf. Antonio Royo Marín, Teología de la salvación, B.A.C., Madrid 1965, p. 103-117)

En segundo lugar, respecto a lo que Ud. ha leído (y cita) en el libro Dios y su obra de R. Marín, para una sana
comprensión del tema y evitar deducciones poco exactas, hay que tener presente:

1° El contexto. El autor viene tratando un tema de discusión entre los teólogos.

2° Hay conformidad y disconformidad de los teólogos católicos en tal discusión. Dice R. Marín: “(…) todos están
conformes en decir que la predestinación a la gloria, tomada adecuadamente, es completamente gratuita y nadie la
merece ni la puede merecer (…) Pero la disconformidad de pareceres es muy grande cuando se trata de determinar si
la predestinación de los buenos a la gloria la hace Dios antes o después de prever los méritos de esos
predestinados” (p. 201). Lo subrayado con negrita es el meollo de la discusión.

3° El autor, después de presentar y examinar las diferentes opiniones o soluciones que los teólogos católicos dan al
tema expone “las razones por las cuales preferimos la opinión que nos parece más probable” (p. 201).

Y la opinión más probable es la del sistema agustiniano-tomista (cf. p. 212) y que el autor resume en la conclusión
siguiente:

“Dios, antes de la previsión de cualquier mérito, eligió a algunos y los predestinó a la gloria; y, en virtud de esta
elección, decretó darles la gracia y los méritos sobrenaturales que con ella contraerán. De suerte que, en el orden de
la intención, la predestinación precede con prioridad de orden a los méritos del predestinado y es, por tanto,
completamente gratuita” (p. 213).
Dicho de otro modo (y en cuanto lo permite nuestro limitado modo humano de explicar los misterios divinos):

– En el orden de la intención divina: la predestinación es anterior y absolutamente gratuita a cualquier mérito del
predestinado.

– En el orden de la ejecución: Dios confiere al predestinado, en primer lugar, la gracia de la justificación; luego le da
las gracias eficaces para la realización de la buenas obras con las cuales merecerá el cielo; finalmente, le concede
gratuitamente el gran don de la perseverancia final (que nadie absolutamente puede merecer) y, a causa de ella, le
da la vida eterna (cf. p.212-213).

No hay otro modo de hablar más claro y más explícitamente que lo expresado por San Pablo:
Sabemos que en todas las cosas interviene Dios para bien de los que le aman; de aquellos que han sido llamados
según su designio. Pues a los que de antemano conoció, también los predestinó a reproducir la imagen de su Hijo,
para que fuera él el primogénito entre muchos hermanos; y a los que predestinó, a ésos también los justificó; a los
que justificó, a ésos también los glorificó (Rm 8,28-30).

(Cf. R. Marín, Dios y su obra, B.A.C., Madrid 1963, p. 201-219).

Bien, estimado amigo: espero que nuestra respuesta le sea útil y, por sobre todo, para vivir de la misericordia en la
confianza en Dios. “Todo lo puedo en Aquél que me fortalece” (San Pablo).

En Cristo y María.
Con mi bendición

P. Lic. Héctor José Guerra IVE

Fuente: Centro de Estudios San Benito

http://sededelasabiduria.es/2019/04/01/consulta-sobre-la-predestinacion/

EL FIN DE LA VIDA CRISTIANA


El Preámbulo de la Declaración Universal de los Derechos Humanos de las Naciones Unidas nos ofrece sus principios:
«la libertad, la justicia y la paz en el mundo tienen por base el reconocimiento de la dignidad intrínseca y de los
derechos iguales e inalienables de todos los miembros de la familia humana». Mientras que la Dignitatis
Humanae en el n. 2 nos ofrece los suyos: «el derecho a la libertad religiosa está realmente fundado en la dignidad
misma de la persona humana. Como se puede ver, en ambos textos se menciona explícitamente la dignidad humana
como fundamento. ¿puede decirse que el hombre tiene el “derecho” de adorar a Dios en cualquier manera que le
plazca? ¿Puede decirse que el hombre tiene el “derecho” de promover libremente enseñanzas falsas, sobre asuntos
de religión, y esparcir promiscuamente todo tipo de doctrinas erróneas? ¿Puede decirse que el hombre posee el
“derecho” — el poder moral — de enseñar y hacer proselitismo con las doctrinas del ateísmo, el agnosticismo, el
panteísmo, el budismo, islamismo, el hinduísmo y el protestantismo? ¿Y qué hay de aquéllos que practican la brujería
o el satanismo? Todo esto lo proclama el Vaticano II en la Declaración Dignnitatis Humanae. El conclilio Vaticano II, y
sus «apóstoles» Montini, Wojtyla, Ratzinger, y Bergoglio, afirman, frente a la doctrina de la Iglesia que el fundamento
y fin del hombre es su dignidad personal. El cambio del culto con el «sacrificio» asambleario en una mesa y ya no en
el altar, cara al pueblo y de espaldas a Dios, oficiado por un presidente y ya no por un sacerdote, no es más que la
aplicación del cambio de la doctrina de la Iglesia, ya que la iglesia conciliar quita la gloria a Dios para dársela al
hombre, siendo evidente sobre todo en la nueva «misa». Para las nueva generaciones que no han conocido la
verdadera Iglesia de Cristo, y también para la mayoría de las viejas generaciones que han sido aducidas por esta
sinagoga, cabe preguntarse: entonces ¿ Cuál es el verdadero fin de la vida cristiana?. Para los que de verdad quieren
saberlo, he aquí la respuesta de la Iglesia católica:

EL FIN DE LA VIDA CRISTIANA

La consideración del fin es lo primero que se impone en el estudio de una obra dinámica cualquiera. Y siendo la vida
cristiana esencialmente dinámica y perfectible—al menos en nuestro estado actual de viadores—, es preciso que
ante todo sepamos a dónde vamos, o sea, cuál es el fin que pretendemos alcanzar. Por eso, Santo Tomás comienza la
parte moral de su sistema—el retorno del hombre a Dios—por la consideración del último fin.
Es clásica la definición de la gloria: clara notitia cum laude. Por su misma definición, expresa, de suyo, algo extrínseco
al sujeto a quien afecta. Sin embargo, en un sentido menos estricto, podemos distinguir en Dios una doble gloria: la
intrínseca, que brota de su propia vida íntima, y la extrínseca, procedente de las criaturas.

La gloria intrínseca de Dios es la que Él se procura a sí mismo en el seno de la Trinidad Beatísima. El Padre—por vía de
generación intelectual—concibe de sí mismo una idea perfectísima: es su divino Hijo, su Verbo, en el que se reflejan
su misma vida, su misma belleza, su misma inmensidad, su misma eternidad, sus mismas perfecciones infinitas. Y al
contemplarse mutuamente, se establece entre las dos divinas personas—por vía de procedencia—una corriente de
indecible amor, torrente impetuoso de llamas que es el Espíritu Santo.

Este conocimiento y amor de sí mismo, esta alabanza eterna e incesante que Dios se prodiga a sí mismo en el
misterio incomprensible de su vida íntima, constituye la gloria intrínseca de Dios, rigurosamente infinita y exhaustiva,
y a la que las criaturas inteligentes y el universo entero nada absolutamente pueden añadir. Es el misterio de su vida
íntima en el que Dios encuentra una gloria intrínseca absolutamente infinita.

Dios es infinitamente feliz en sí mismo, y nada absolutamente necesita de las criaturas, que no pueden aumentarle
su dicha íntima. Pero Dios es Amor, y el amor, de suyo, es comunicativo. Dios es el Bien infinito, y el bien tiende de
suyo a expansionarse: bonum est diffusivum sui, dicen los filósofos. He ahí el porqué de la creación.

Dios quiso, en efecto, comunicar sus infinitas perfecciones a las criaturas, intentando con ello su propia gloria
extrínseca. La glorificación de Dios por las criaturas es, en definitiva, la razón última y suprema finalidad de la
creación.

La explicación de esto no puede ser más clara, incluso a la luz de la simple razón natural privada de las luces de la fe.
Porque es un hecho filosóficamente indiscutible que todo agente obra por un fin, sobre todo el agente intelectual.
Luego Dios, primer agente inteligentísimo, tiene que obrar siempre por un fin. Ahora bien, como ninguno de los
atributos o acciones de Dios se distinguen de su propia divina esencia, sino que se identifican totalmente con ella, si
Dios hubiera intentado en la creación un fin distinto de sí mismo, hubiera referido y subordinado su acción creadora a
ese fin—porque todo agente pone su acción al servicio del fin que intenta al obrar—, con lo cual se hubiera
subordinado Dios mismo, puesto que su acción es El mismo. Y así, ese fin estaría por encima de Dios; es decir, que
Dios no sería Dios. Es, pues, absolutamente imposible que Dios intente con alguna de sus acciones un fin cualquiera
distinto de sí mismo. Dios ha creado todas las cosas para su propia gloria; las criaturas no pueden existir sino en Él y
para Él.

Y esto no solamente no supone un «egoísmo trascendental» en Dios; —como se atrevió a decir, con blasfema
ignorancia, un filósofo impío—, sino que es el colmo de la generosidad y desinterés. Porque no buscó con ello su
propia utilidad—nada absolutamente podían añadir las criaturas a su felicidad y perfecciones infinitas—, sino
únicamente comunicarles su bondad. Dios ha sabido organizar de tal manera las cosas, que las criaturas encuentran
su propia felicidad glorificando a Dios. Por eso dice Santo Tomás que sólo Dios es infinitamente liberal y generoso: no
obra por indigencia, como buscando algo que necesita, sino únicamente por bondad, para comunicar a sus criaturas
su propia rebosante felicidad.

Por eso la Sagrada Escritura está llena de expresiones en las que Dios reclama y exige para sí su propia gloria. «Soy
yo, Yavé es mi nombre, que no doy mi gloria a ningún otro, ni a los ídolos el honor que me es debido» (Is. 42,8); «Es
por mí, por amor de mí lo hago, porque no quiero que mi nombre sea escarnecido, y mi gloria a nadie se la doy» (Is.
48,11); «Óyeme, Jacob, y tú, Israel, que yo te llamo; soy yo, yo, el primero y aún también el postrero» (Ibid., 12); «Yo
soy el alfa y la omega, dice el Señor Dios; el que es, el que era, el que viene, el Todopoderoso (Apoc. 1,8), etc., etc.

¡La gloria de Dios! He aquí el alfa y la omega, el principio y el fin de toda la creación. La misma encarnación del Verbo
y la redención del género humano no tienen otra finalidad última que la gloria de Dios: cuando le queden sometidas
todas las cosas, entonces el mismo Hijo se sujetará a quien a El todo se lo sometió, para que sea Dios todo en todas
las cosas» (1 Cor. 15,28). Por eso nos exhorta el Apóstol a no dar un solo paso que no esté encaminado a la gloria de
Dios: «Ya comáis, ya bebáis o ya hagáis alguna cosa, hacedlo todo para gloria de Dios» (1 Cor. 10,31); ya que, en
definitiva, no hemos sido predestinados en Cristo más que para convertirnos en una perpetua alabanza de gloria de
la Trinidad Beatísima: «Por cuanto que en Él nos eligió antes de la constitución del mundo, para que fuésemos santos
e inmaculados ante El, y nos predestinó en caridad a la adopción de hijos suyos por Jesucristo, conforme al
beneplácito de su voluntad, para alabanza de la gloria de su gracia».

Todo absolutamente tiene que subordinarse a esta suprema finalidad. El alma misma no ha de procurar su salvación
o santificación sino en cuanto que con ella glorificará más y más a Dios. La propia salvación o santificación no puede
convertirse jamás en fin último. Hay que desearlas y trabajar sin descanso en su consecución; pero únicamente
porque Dios lo quiere, porque ha querido glorificarse haciéndonos felices, porque nuestra propia felicidad no
consiste en otra cosa que en la eterna alabanza de la gloria de la Trinidad Beatísima.

Tal es la finalidad última y absoluta de toda la vida cristiana. En la práctica, el alma que aspire a santificarse ha de
poner los ojos, como blanco y fin al que enderece sus fuerzas y anhelos, en la gloria misma de Dios. Nada
absolutamente ha de prevalecer ante ella, ni siquiera el deseo de la propia salvación o santificación, que ha de venir
en segundo lugar, como el medio más oportuno para lograr plenamente aquélla. Ha de procurar parecerse a San
Alfonso María de Ligorio, de quien se dice que «no tenia en la cabeza más que la gloria de Dios» y tomar por divisa la
que San Ignacio legó a su Compañía: «A la mayor gloria de Dios». En definitiva, esta actitud es la que han adoptado
todos los santos en pos de San Pablo, que nos dejó la consigna más importante de la vida cristiana al escribir a los
Corintios: Omnia in gloriam Dei facite: hacedlo todo a gloria de Dios.

La santificación de nuestra propia alma no es, pues, el fin último de la vida cristiana. Por encima de ella está la gloria
de la Trinidad Beatísima, fin absoluto de todo cuanto existe. Y esta verdad, con ser tan elemental para los que
comprendan la trascendencia divina, no aparece, sin embargo, dominando en la vida de los santos sino muy tarde,
cuando ya su alma se ha consumado por el amor en la unidad de Dios. Sólo en las cumbres de la unión
transformante, identificados plenamente con Dios, sus pensamientos y quereres se identifican también con el
pensamiento y el querer de Dios. Solamente Cristo y María, desde el instante primero de su existencia, han realizado
con perfección este programa de glorificación divina, que es el término donde viene a desembocar todo proceso de
santificación acá en la tierra.

En la práctica, nada debe preocupar tanto a un alma que aspire a santificarse como el constante olvido de sí misma y
la plena rectificación de su intención a la mayor gloria de Dios. «En el cielo de mi alma—decía sor Isabel de la
Trinidad—, la gloria del Eterno, nada más que la gloria del Eterno»: he aquí la consigna suprema de toda la vida
cristiana. En la cumbre más elevada de la montaña del amor la esculpió San Juan de la Cruz con caracteres de oro:
«Sólo mora en este Monte la honra y gloria de Dios».

(Tomado de Teología de la perfección cristiana, de Royo Marín)

http://sededelasabiduria.es/2018/07/13/el-fin-de-la-vida-cristiana/

LOS PECADOS CONTRA LA FE


Por Royo Marín, o.p.

Los pecados contra la fe

En general, se puede pecar contra cualquier virtud por dos capítulos opuestos: por exceso y por defecto. La razón es
porque las virtudes—como dijimos al hablar de todas ellas en general—consisten en el justo medio entre dos
extremos; y aunque esto corresponde propiamente a las virtudes morales, repercute de alguna manera en las
teologales, al menos por parte del sujeto y del modo de practicarlas.

He aquí, en esquema, los pecados opuestos a la fe que vamos a examinar a continuación:


1. PECADOS POR EXCESO

Propiamente hablando, no pueden darse pecados por exceso contra la fe, como quiera que en su objeto—la infinita
verdad y veracidad divinas—no cabe la exageración. Pero se dan impropiamente, en cuanto que pueden tomarse
como verdades pertenecientes a la fe algunas que de ningún modo pertenecen a ella. Esta aberración da origen a los
dos pecados por ex que recoge el croquis anterior: la excesiva credulidad y la superstición} uno de sus aspectos.

A) La excesiva credulidad

287. I. Noción. Consiste en admitir con demasiada facilidad y sin suficiente fundamento, como pertenecientes a la fe,
ciertas verdades y opiniones que están muy lejos de pertenecer a ella. Suele darse con frecuencia entre gente devota
e ignorante, que concede importancia extraordinaria a la menor manifestación o profecía de cualquier visionario o
visionaria.

La Sagrada Escritura nos pone en guardia contra esta excesiva credulidad: Carísimos, no creáis a cualquier
espíritu, sino examinad los espíritus, si son de Dios, porque muchos seudoprofetas se han levantado en el mundo (I Io.
4,1). Y San Juan de la Cruz escribió páginas admirables para demostrar que esta excesiva credulidad en admitir
visiones, revelaciones y profecías privadas supone falta de fe, como si no fuera bastante la divina revelación oficial.
Hay que evitar, sin embargo, caer en el extremo opuesto, o sea, en una hipercrítica racionalista que hiciera dudar
hasta de las revelaciones privadas aprobadas por la Iglesia (tales como las de Lourdes, Fátima, etc.), que, sin
pertenecer por ello al depósito de la revelación ni ser objeto de fe divina, sería presuntuoso y temerario rechazar.

288. 2. Malicia. Teniendo en cuenta la buena fe de los que suelen incurrir en este error, su ignorancia y la calidad de
las cosas creídas—muchas veces buenas o al menos indiferentes—, este pecado de la excesiva credulidad no suele
pasar de leve y venial, a no ser que llevara consigo obstinación y rebeldía contra la autoridad eclesiástica al dar ésta
un dictamen contrario a aquellas creencias infundadas.

B) La superstición

289. Propiamente hablando, la superstición es un pecado contrario por exceso a la virtud de la religión, y allí lo
estudiaremos ampliamente. Pero se relaciona también con la virtud de la fe, en cuanto suele ir acompañado del
pecado de excesiva credulidad que acabamos de denunciar. Presenta muchas formas, que estudiaremos en su lugar
propio (cf. n.357 ss.).

II. PECADOS POR DEFECTO

Procediendo de mayor a menor alejamiento de la fe, son los siguientes: infidelidad, apostasía, herejía, duda,
ignorancia y omisión de sus actos.

A) La infidelidad

290. I. Noción y división. La infidelidad propiamente dicha es la carencia de fe en quien no está bautizado. En
sentido más amplio se entiende por tal cualquier pecado contra la fe. Aquí empleamos esta expresión en su sentido
propio. Se distinguen tres clases de infidelidad:

1.
A. Negativa o material: es la carencia de fe en quien no ha tenido nunca la menor noticia de la
verdadera religión (muchos paganos y salajes).

B. Privativa: es la carencia de fe en el que, por su propia culpa, ha descuidado instruirse en ella


teniendo ocasióñ oportuna para ello.

C. Positiva o formal: es la carencia de fe en quien la rechaza positivamente o la desprecia después de


haber sido suficientemente instruido en ella.

291. 2. Malicia. Es muy varia, según la clase de infidelidad. Y así:

a) LA INFIDELIDAD PURAMENTE NEGATIVA O MATERIAL no es pecado alguno, ya que es del todo involuntaria. La
Iglesia condenó una proposición de Bayo que decía lo contrario (D Io68).

Sin embargo, la situación moral de estos infelices es desgraciadísima. Ya que, aunque pueden realizar algunas buenas
obras y obtener de la misericordia de Dios la gracia de la justificación mediante el arrepentimiento de sus pecados y
el implícito deseo del bautismo, carecen de los poderosos auxilios de la verdadera religión (sacramentos, etc.) y es
muy difícil que puedan superar sus propias pasiones, que les arrastran al mal. Nunca se fomentará bastante el celo
apostólico y misionero por la conversión de los pobres paganos, que debe albergarse en el corazón de todo cristiano.
La ayuda a las misiones (oración, sacrificio y limosna) es uno de nuestros principales deberes como bautizados.

b) LA INFIDELIDAD PRIVATIVA es siempre pecado grave, porque es voluntaria y culpable. Se trata de un asunto
gravísimo, relacionado directamente con el honor de Dios y nuestra propia salvación; y nadie puede descuidar el
instruirse convenientemente en la verdadera fe, como si se tratara de cosa de poca importancia.

El infiel o hereje que empieza a sospechar que el catolicismo es la verdadera religión, tiene obligación de instruirse
diligentemente hasta hallar la verdad; y si lo descuida, peca gravemente contra la fe. Y puede tener por cierto que,
si estudia, se humilla y, sobre todo, ora con fervor y perseverancia, Dios no le negará la gracia soberana de la fe.

c) LA INFIDELIDAD POSITIVA O FORMAL es siempre pecado gravísimo contra la fe. Es uno de los mayores pecados que
se pueden cometer (sólo le supera el odio a Dios, que se opone directamente a la caridad), y, desde luego, el más
peligroso de todos, ya que rechaza el principio y fundamento mismo de la salvación eterna. Por eso el Señor nos dice
terminantemente en el Evangelio que el que no creyere—después de la predicación de los apóstoles—
se condenará (Mc. 16,16).

Las principales formas o especies de infidelidad positiva son: a) el paganismo positivo (en el infiel o salvaje que
rehusa aceptar la verdadera fe después de suficientemente instruido en ella), y b) el judaísmo, que espera todavía,
con increíble insensatez, el advenimiento del Mesías, rechazando al verdadero—Cristo nuestro Señor—, que vino
hace ya veinte siglos.

292. Escolios. I.° ¿Puede obligarse a los infieles a abrazar la verdadera fe?

De ninguna manera. Porque la Iglesia no tiene jurisdicción sobre los no bautizados, y la fe, además, ha de abrazarse
libre y voluntariamente para que sea verdadera fe. Lo confirma el Derecho canónico al prohibir bautizar a los niños
de los infieles sin el consentimiento de éstos (a no ser en peligro cierto de muerte, porque entonces prevalece el
derecho del niño a salvarse) y a los adultos que no quieran voluntariamente recibir el bautismo (cn 750-752).

La Iglesia puede, en cambio, obligar a los apóstatas y herejes a que vuelvan a la verdadera fe (y lo hace, v.gr.,
imponiéndoles la excomunión y otras penas eclesiásticas), porque, estando bautizados, tiene plena jurisdicción sobre
ellos.

2º. ¿Cuáles son los deberes de los príncipes o gobernantes católicos respecto a los infieles?

No pueden aprobar, ni fomentar, ni favorecer en modo alguno los ritos de los infieles (v.gr., construyéndoles una
iglesia, concediéndoles subvenciones económicas, etc.). Pero, con justas y graves causas (v.gr., para evitar mayores
males), pueden tolerar el culto privado en sus sinagogas o iglesias, pero prohibiéndoles el culto o la propaganda
pública y, sobre todo, poner obstáculos al culto y propaganda católica. Dígase lo mismo de los herejes (protestantes y
cismáticos). Sólo un liberalismo trasnochado y anticatólico puede tener la ridícula pretensión de que el error ha de
ser tratado igual que la verdad y tener los mismos derechos que ella.

B) La apostasía

293. La palabra apostasía significa, en general, apartamiento o abandono. De suyo puede referirse a cualquier otra
cosa, pero desde el punto de vista eclesiástico se restringe su sentido al apartamiento o abandono de Dios.

Ahora bien: como el hombre puede unirse con Dios de tres maneras, a saber: por la fe, por el orden sagrado y
por los votos religiosos, hay tres clases distintas de apostasía correspondientes a cada una de esas tres uniones. Sólo
la apostasía de la fe destruye directamente la misma fe; pero vamos a estudiar brevemente también las otras dos.

a) APOSTASÍA DE LA FE es el abandono total de la fe cristiana recibida en el bautismo.

No se distingue esencialmente de la simple herejía, sino que es la misma herejía total o universal. La simple herejía es
un error pertinaz contra una o varias verdades reveladas por Dios; y la apostasía es la negación universal de todas
ellas, después de haber sido bautizado. En este sentido es mayor pecado que la herejía, aunque dentro de su misma
línea.

Para incurrir en el crimen de apostasía no se requiere el tránsito del catolicismo a una religión falsa. Por lo cual son
verdaderos apóstatas los que, después de recibir el bautismo, se han apartado totalmente de la fe católica, cayendo
en la incredulidad, el ateísmo, el libre pensamiento, el racionalismo, el panteísmo, el teosofismo, el indiferentismo
religioso y demás errores incompatibles con la fe católica, aunque no hayan ingresado en el
judaísmo o en alguna religión pagana.

La apostasía es, de suyo, un pecado gravísimo contra la fe. El apóstata incurre en las mismas penas que los herejes.
Hablaremos en seguida de ellas.

b) APOSTASÍA DEL ORDEN SAGRADO es el abandono del estado clerical y la vuelta al estado laical hecha por propia
autoridad por el clérigo ordenado in sacris.

Para que se produzca este delito tienen que reunirse esas dos condiciones: ordenación in sacris (de subdiácono para
arriba) y por propia autoridad. El que abandona por su propia cuenta las órdenes menores, o las mayores con
legítima dispensa pontificia, no es apóstata.

Esta apostasía es siempre gravísimo pecado. El desgraciado que incurrió en ella tiene obligación de volver cuanto
antes al estado clerical, y mientras no obtenga legítima dispensa pontificia, permanece sujeto a todos los deberes y
obligaciones inherentes s su estado (castidad, rezo del breviario, etc.).

e) APOSTASÍA DE LA RELIGIÓN es la del «profeso de votos perpetuos, sean solemnes o simples, que ilegítimamente
sale de la casa religiosa con ánimo de no volver, o el que, aun habiendo salido legítimamente, no vuelve a ella, con el
intento de substraerse a la obediencia religiosa» (cn.644 § I).

El tal apóstata comete un grave pecado, queda ipso facto excomulgado, permanece sujeto a todas sus obligaciones
religiosas, queda privado de todos sus privilegios religiosos y, si vuelve a la religión—a lo cual está obligado cuanto
antes—, queda privado para siempre de voz activa y pasiva (o sea del derecho a elegir o ser elegido) y debe sufrir las
demás penas señaladas a los apóstatas en sus propias constituciones (cf. cn.645 y 2385).

C) La herejía

294. I. Noción y división. La palabra herejía (del griego aipsais: selección) designa la actitud del que elige o selecciona
algunas verdades de la fe, rechazando las demás. Como pecado especial contra la fe se la define: el error voluntario y
pertinaz de un bautizado contra alguna verdad de la fe católica. Ese error puede ser una negación
o una duda voluntaria. Dice el Código canónico:

«Si alguien, después de haber recibido el bautismo, conservando el nombre de cristiano, niega pertinazmente alguna
de las verdades que han de ser creídas con fe divina y católica, o la pone en duda, es hereje; si abandona por
completo la fe cristiana, es apóstata; finalmente, si rehusa someterse al Sumo Pontífice o se niega a comunicar con
los miembros de la Iglesia que le están sometidos, es cismático» (cn.1325 § 2). [Sale ipso facto fuera de la Iglesia, es
deicir, sin necesidad de declaración alguna de parte de la jerarquía ]

En realidad, toda herejía parcial coincide en el fondo con la apostasía total de la fe. Porque, rechazada una verdad
cualquiera de fe, se rechaza el motivo formal de la misma, que es la autoridad de Dios, que revela, y no el propio
capricho selectivo para escoger ésta o la otra verdad. Por eso Santo Tomás dice expresamente que la «apostasía no
importa una determinada especie de infidelidad, sino cierta circunstancia agravantes (II-11,12,1 ad 3).

El siguiente cuadro esquemático muestra las principales divisiones de la herejía:

295. 2. Malicia. Depende de la clase de herejía. Y así:

1º. La herejía puramente material no es pecado de suyo, pero puede serlo en circunstancias especiales.

De suyo no es pecado porque es involuntaria y, por lo mismo, inculpable. Pero podría ser pecado si surgieran dudas
sobre la legitimidad de aquella secta u opinión herética y no se hiciera diligencia alguna para averiguar la verdad. Si
las dudas fueran graves, se cometería pecado mortal (de ignorancia en la fe, no propiamente de herejía); si
fueran leves, no pasaría de pecado venial.

Es HEREJE PURAMENTE MATERIAL:

 El que está en disposición de someterse al juicio de la Iglesia al advertir el error.

 El que desconoce por completo la verdadera fe y nunca ha dudado de su religión.

 El que, dudando de su fe, hizo las diligencias posibles para averiguar la verdad.

El que, llevado por el respeto humano, o el miedo a los castigos, o la simple negligencia, retrasa su conversión a la fe,
no es propiamente hereje; pero peca gravemente contra el precepto afirmativo de la fe si la retrasa por mucho
tiempo, y gravísimamente si decide no convertirse nunca, aunque sea por motivos extrínsecos a la fe. Si muere en
ese estado sin arrepentirse, no se puede salvar (cf. Mc. 16,16).

2º. La herejía formal es pecado gravÍsimo en toda su extensión y no admite parvedad de materia.

Porque el que rechaza voluntariamente y con pertinacia una verdad que la Iglesia propone como revelada por Dios,
comete una grave injuria contra el mismo Dios y la Iglesia y, juntamente con la gracia y la caridad, pierde o destruye
el hábito mismo de la fe, que es el principio y la raíz de la justificación.

No admite parvedad de materia, porque el desprecio de la autoridad de Dios y de la Iglesia envuelve siempre un
grave desorden, por insignificante que sea la materia sobre que recaiga. Hay que añadir, además, la circunstancia
del grave escándalo que con ello se da.

Es HEREJE FORMAL:
a) El que, dudando seriamente de su fe, no quiere salir de su duda,

b) El que de propósito aparta su atención de los motivos de credibilidad que presenta la Iglesia católica y está
dispuesto a perseverar en su falsa religión, aunque llegue a conocer la verdad.

c) El que, después de conocida la verdad, sigue haciendo oposición a la Iglesia (pecado gravísimo, contra el Espíritu
Santo).

d) El que duda voluntariamente de algún artículo que sabe ser de fe.

No sería hereje formal ni material el que, por pura fanfarronada, dijera algo contra la fe, pero sin sentirlo
interiormente, aunque desde luego cometería un grave pecado contra la fe, con la agravante del escándalo. En
cambio, sería hereje el que negara pertinazmente una doctrina cualquiera ajena a la fe creyendo que se trataba de
una verdad de fe.

3º. El que rehúsa aceptar las proposiciones doctrinales que la Iglesia presenta como no reveladas, no es
propiamente hereje; pero peca gravemente contra la obediencia debida a la autoridad de la Iglesia en doctrinas
relacionadas con la fe y las costumbres aunque no sean expresamente reveladas.

Que no es propiamente hereje es evidente, pues con ello no se opone a la autoridad de Dios, que revela (objeto
formal de la fe), sino únicamente al magisterio eclesiástico en doctrinas no reveladas. Pero es claro también que peca
gravemente contra la sujeción y obediencia debidas a la autoridad de la Iglesia cuando propone a los fieles con su
magisterio auténtico (aunque no infalible) doctrinas relacionadas con la fe y las costumbres o para defensa de ellas,
ya que siempre se trata de cosa grave, como procedente de la Iglesia, regida y gobernada por el Espíritu Santo. Y así,
v.gr., pecaría mortalmente el que se opusiera pertinazmente a alguna enseñanza dada por el Papa en alguna encíclica
dirigida a toda la Iglesia, aunque no se refiriese a materia estrictamente dogmática.

Y nótese que no basta para evitar el pecado el llamado silencio obsequioso del que calla exteriormente, pero disiente
por dentro, sino que hay que rendirse incluso interiormente ante la autoridad de la Iglesia.

296. 3. Penas eclesiásticas. La Iglesia castiga con graves penas la herejía formal externa, y con mayor razón,
la apostasía total de la fe.

Nótese que para incurrir en el gravísimo pecado de herejía formal basta negar la fe interiormente o dudar
voluntariamente de ella. Pero para incurrir, además, en las penas eclesiásticas se requiere la
manifestación externa de la herejía, ya sea de una manera oculta o conocida de muy pocos (v.gr., afirmando en una
carta particular alguna proposición herética a sabiendas de que lo es), ya de una manera del todo pública y descarada
(v.gr., en un discurso, un libro, etc.). La razón es porque la Iglesia no suele sancionar por su cuenta más que los
delitos externos, según el conocido aforismo: De internis non iudicat Ecclesia.

He aquí las penas eclesiásticas en que incurren los apóstatas y los herejes formales externos, públicos u ocultos:

1. Excomunión latae sententiae (o sea, ipso facto, sin necesidad de sentencia expresa), reservada al Papa de una
manera especial (los obispos no pueden levantar las excomuniones reservadas al Papa de una manera especial o
especilísima) (cn.2314 § 1 n.1).

2. Privación de los beneficios, dignidades, pensiones, oficios y demás cargos eclesiásticos (ibíd., n.2).

3. Deposición o degradación de los clérigos que no se arrepientan después de repetida la amonestación (ibíd., n.z).

4. Infamia de derecho e incapacidad para emitir sufragio en elecciones eclesiásticas, si dieron su nombre o se
adhirieron públicamente a las se heréticas o cismáticas (ibfd., n.3; cn.167 § 1 n.4).

5. Irregularidad por delito y por defecto si dieron su nombre o se hirieron públicamente a una secta acatólica, por la
infamia de derecha (cn.985,1.°; 984, 5º)

6. Privación de la sepultura eclesiástica (cn.124o § r n.i). La razón es porque el hereje que vivió en vida
voluntariamente separado de la Iglesia no puede juntarse en el cementerio con los fieles cristianos.
Cómo puede obtenerse la absolución de estas penas o censuras, lo dire,. mos en el segundo volumen de esta obra al
hablar de las penas y censuras eclesiásticas.

297. 4. Principales herejías y errores modernos. El papa; Pío XII, en su encíclica Humani generis, del 12 de agosto de
1950, denuncia las principales herejías y errores modernos, que ningún católico puede defender. Entre ellos se
cuenta el evolucionismo panteísta, el poligenismo, el materialismo histórico o dialéctico, el idealismo,
el inmanentismo, el modernismo, el existencialismo, el falso historicismo, el irenismo, el relativismo
dogmático, el menosprecio del magisterio de la Iglesia, la nueva teología, etc. Sabido es que la Santa Sede ha
condenado como heréticos algunos sistemas políticos que profesan doctrinas materialistas y ateas, tales como
el liberalismo absoluto, el socialismo marxista, el desaparecido nazismo alemán y el comunismo. Ultimamente el
papa Pío XII condenó la llamada moral nueva o de la situación, que rechaza las normas de moralidad objetivas y
universales, para caer en un subjetivismo desenfrenado, en el que cada persona particular sería el único árbitro de su
«caso moral», que no se repetiría jamás en ninguna otra persona humana 19,

La Iglesia ha condenado también repetidas veces como heréticas a la masonería y otras sectas anticatólicas.

298. 5. ¿Puede perderse la fe sin haber pecado contra ella? A esta interesantísima pregunta contestamos con la
siguiente

Conclusión: No repugna absoluta o metafísicamente que se pierda la fe católica sin haber cometido ningún pecado
directo contra ella, o sea, sin haber negado ningún artículo de la fe. Sin embargo, esto es práctica y
psicológicamente imposible en el que ha sido educado católicamente.

La primera parte es clara teóricamente. No repugna que un hombre corneta multitud de pecados contra otras
virtudes (v.gr., de impureza, orgullo, etcétera) sin haber negado nunca ningún artículo de la fe. Y puede ocurra que
Dios, en castigo de aquellos pecados, vaya retirando sus gracias y luces hasta dejar en las tinieblas a aquel pecador
empedernido, y entonces sobreviene la pérdida total de la fe.

La segunda parte es también clara. Porque en la práctica es psicológicamente imposible que durante ese largo
proceso de pecados y de descristianización no surjan multitud de dudas contra la fe excitadas por los mismos
remordimientos del pecador, que se va alejando cada vez más de Dios. Por lo mismo, es prácticamente imposible
llegar a perder del todo la fe (apostasía total) sin haber pecado repetidamente contra ella.

Lo que es del todo claro e indiscutible es que nadie puede perder la fe sin propia culpa. Porque, como dice el apóstol
San Pablo, los dones y la vocación de Dios son irrevocables (Rom. 11,29) y a nadie se los retira si no se hace
voluntariamente indigno de ellos. Es axioma teológico que «Dios no abandona a nadie si no es abandonado
primero» (Deus non deserit nisi prius deseratur). Lo cual, por un lado, ha de hacernos evitar cuidadosamente
cualquier clase de pecados que podrían acarrearnos la tremenda desventura de la pérdida de la fe; pero ha de
tranquilizarnos profundamente por otro lado, ya que, si hacemos lo que podamos por nuestra parte para conservarla
y se la pedimos humilde y perseverantemente a Dios, podemos estar ciertos de que no nos faltará su ayuda para
conservar intacto hasta la muerte el tesoro sacrosanto de la fe.

D) La duda contra la fe

299. «No es en manera alguna igual la situación de aquellos que por el don celeste de la fe se han adherido a la
verdad católica y la de aquellos que, llevados de opiniones humanas, siguen una religión falsa; porque los que han
recibido la fe bajo el magisterio de la Iglesia no pueden jamás tener causa justa de cambiar o poner en duda esa
misma fe» (D 1794).

Estas palabras del concilio vaticano, sobre las que recayó una expresa definición dogmática del mismo concilio
rechazando la doctrina contraria de Hermes (D 1815), obligan a hacer una distinción entre católicos y no católicos con
relación a las dudas en materia de fe. Y así :

a) Entre católicos

1) El que duda voluntaria y positivamente de algún dogma ya definido y propuesto por la Iglesia, juzgando que no es
del todo cierto o seguro por las razones que sean, incurre, sin duda alguna, en la herejía formal y peca
gravísimamente.
2) Si duda negativamente, o sea suspendiendo el juicio acerca de algún artículo de la fe, hay que distinguir:

a) Si suspende deliberada y pertinazmente su asentimiento porque juzga que el juicio de la Iglesia no tiene suficiente
fundamento para ser creído, comete un pecado gravísimo de herejía formal.

b) Si suspende su asentimiento con advertencia voluntaria, pero sin pertinacia (o sea, dispuesto a acatar la verdad
cuando se presente con claridad a su espíritu), peca gravemente contra la fe; pero no es estrictamente hereje, puesto
que no ha elegido pertinazmente lo contrario de lo que siente la Iglesia.

c) Si se trata únicamente de dudas o asaltos reiterados contra la fe, pero sin admitirlos en modo alguno y
rechazándolos en seguida al advertirlos, no hay pecado alguno, por muy fuertes y persistentes que sean, pues no
pasan de tentaciones contra la fe. Podría haber un pecado venial de negligencia si la repulsa a esas tentaciones no
fuera todo lo rápida y enérgica que debiera ser.

b) Entre los herejes materiales

1) Pueden y deben admitir las dudas contra su falsa religión c comienzan a sospechar que están en el error. Si
rehusan investigar la ver pecan grave y levemente contra la fe según la clase de duda y la negligeie en disiparla; pero
no son herejes formales mientras no rechacen pertinazmente convertirse al catolicismo después de haberles sido
mostrado suficientemente que es la única religión verdadera.

2) Cualquier hereje material dotado de espíritu reflexivo puede descl• brir sin gran esfuerzo o, al menos, sospechar
fuertemente la falsedad ele su religión en su misma falta de unidad (son infinitas las sectas que cada día se van
multiplicando, rechazando unas lo que aceptan las otras, etc)’.; en la ausencia de santidad en sus procedimientos y
en sus miembros; en su carencia total de catolicidad, acantonadas tan sólo a una o pocas regiones; y en su completa
desvinculación de la apostolicidad (arrancan de Focio, Miguel Cerulario, Lutero, Calvino o algún otro heresiarca
posterior), que son las cuatro notas típicas de la verdadera Iglesia de Cristo y sólo se encuentran en la Iglesia católica
romana.

E) La ignorancia de la fe

300. Como ya dijimos al hablar de la necesidad de la fe, hay obligación grave de aprender las cosas necesarias con
necesidad de medio y de precepto y, en general, todas aquellas verdades de fe que son necesarias pera llevar una
vida auténticamente cristiana y para el recto desempeño de los deberes del propio estado. El que descuida por
culpable negligencia este deber, comete un pecado muy grave de ignorancia voluntaria, que puede traerle fatales
consecuencias en este mundo y en el otro.

Es deber gravísimo de los párrocos adoctrinar al pueblo fiel en las verdades de la fe (cf. en. 1329). Y este deber
alcanza proporcionalmente a los padres, amos y padrinos con relación a sus hijos, criados o afiliados (cn 1335)

F) Omisión de los actos de fe

301. Puede, finalmente, pecarse directamente contra la fe, omitiendo su ejercicio en las circunstancias y casos en que
es obligatorio. Cuáles sean concretamente, ya lo dijimos al hablar de la obligación de los actos de fe.

http://sededelasabiduria.es/2019/03/22/los-pecados-contra-la-fe/

PECADOS CONTRA LA FAMA Y EL HONOR DEL PRÓJIMO


Creo que sea este artículo muy necesario, porque es una verdadera sorpresa, sino un escándalo, ver cuánta división
y espíritu de independencia hay en las almas, de todos: laicos, clérigos, capillas, etc., los cuales no dudan en usar con
facilidad pasmosa el juicio temerario, la sospecha, la calumnia, la mentira, la difamación,.. contra los demás (Todos
contra todos) haciendo uso de las prácticas de los iluministas franceses: “Miente, miente que algo quedará”
(“Mentez, mentez, quelque chose restera”). Tras leer el siguiente artículo de Teología Moral católica, ruego a los
lectores, que habiéndose percatado tras su lectura de la gravedad de este tipo de pecados, casi todos mortales, y que
requieren reparación para ser perdonados, (luego en una confesión, en la que no se tiene intención de restituir la
fama y el honor infamados no se perdona ningún otro pecado mortal confesado, la absolución carece de efectos
de validez y la confesión es nula y además sacrílega, añadiendo a los no perdonados otro pecado más) “no den
crédito a todo viento de palabras”, como dice la imitación de Cristo, o Kempis, -hoy tan denostado por algún
radiosermonero-; no alimenten con su lectura o intervención directa a blogs anónimos o no, que sólo siembran la
división y la confusión, pues para ellos “dividir es reinar”, mentirosos, calumniadores hijos del Diablo, pues él es el
padre de la mentira. No fomenten el espíritu de división de la incónsútil túnica de Nuestro Señor Jesucristo, atentando
contra la Caridad. No escuchen ni difundan «sermones de clérigos vagos irregulares que dan vergüenza ajena, dan
pena, tristeza, fruto de un temperamento visceral y violento, amargado y desequilibrado» que usan youtube para
esparcir más su mal y amargura. Me niego a nombrar persona y grupos y particularizar en algún caso concreto para
no caer en tentación, pero examínese cada cual sobre el particular, lo cual, ojalá que no sea necesario, puede ser
materia de nuestra próxima Confesión.

Dicho lo anterior para justificar esta entrada, les dejo con un gran artículo tomado de la Teología Moral de Royo
Marín, o.p., sobre algunos de los pecados contra el VIIIº mandamiento del Decálogo, pecados mortales muy comunes
hoy en día y si cabe, más aún, proporcionalmente, entre los «tradicionalistas».

Pecados contra la fama y el honor del prójimo

( De entre los pecados que exigen reparación)

Sumario: Expondremos sus nociones, división y pecados opuestos.

800. I. Nociones. Vamos a dar por separado la de la fama y la del honor.

a) La fama. En general, se entiende por fama la opinión buena o mala que se tiene comúnmente de una persona. Si su
conducta honrada e intachable aparece manifiesta ante los demás, adquiere ante ellos buena fama; si, por el
contrario, es del dominio público su conducta inmoral o escandalosa, adquiere mala fama. En su sentido propio, la
fama verdadera es la buena.

El derecho a la buena fama es natural al hombre. Todo hombre tiene derecho natural a su buena fama, ya que nadie
ha de ser considerado como malo mientras no se demuestre que lo es. De ahí que la injusta difamación del prójimo
constituya un pecado contra la justicia estricta, que obliga, por consiguiente, a restituir.

b) El honor. Se entiende por honor el testimonio de la excelencia de alguien. Lo cual puede hacerse de tres maneras:
o con palabras, o con hechos (reverencias, inclinaciones, etc.), o con las cosas exteriores (obsequios, estatuas, dando
su nombre a una calle, etc.). Ante Dios, que «escruta los corazones*, es suficiente el testimonio de la conciencia; pero
ante los hombres se requieren los signos exteriores (II-II,1o3,1).

Nótese la diferencia entre el honor y la fama. El honor es una testificación de la excelencia ajena; la fama es
la opinión pública de esa excelencia. El honor se exhibe al presente; la fama se refiere al ausente. El honor se
quebranta por la contumelia, que consiste en la injuria verbal o real lanzada contra el prójimo en su misma presencia.
La fama se quebranta principalmente con la calumnia y la detracción, que recaen de suyo sobre el prójimo ausente.

801. 2. División. He aquí las distinciones más importantes:

1. LA FAMA puede ser ordinaria o extraordinaria. La primera es la corriente y común, que corresponde a todo
hombre mientras no se demuestre lo contrario. La segunda afecta únicamente a determinadas personas por razón de
sus especiales y magníficas cualidades (santo, sabio, artista, etc.).

2. EL HONOR se distingue de la reverencia, de la alabanza y de la gloria.

a) La reverencia es el motivo y el fin del honor. El motivo, porque honramos a una persona por la reverencia que le
profesamos. Y el fin, porque la honramos para excitar en los demás la reverencia hacia ella (II-II,1o3, 1 ad 1).

b) La alabanza se hace exclusivamente con la palabra; el honor, con ella o con cualquier otro signo (saludo, etc.). La
alabanza recae también sobre los imperfectos cuando hacen lo que pueden para acercarse a la perfección; el honor,
en cambio, recae sobre los ya perfectos o excelentes en algo (ibid., ad 3).

c) La gloria es un efecto del honor y la alabanza; pues, por el hecho de dar testimonio de la bondad de alguien, brilla
más y más esta bondad ante otros muchos; y en esto precisamente consiste la gloria, que no es otra cosa que «una
clara noticia con alabanza* (ibid., ibid.).
802. 3. Pecados opuestos. El siguiente cuadro esquemático muestra las distintas formas de quebrantar la fama y el
honor del prójimo, que examinaremos en particular a continuación:

2º. EL Juicio. Se entiende por tal la afirmación o negación de una cosa. No hay juicio en la mera percepción de una
cosa (simple aprehensión), sino únicamente cuando se afirma o niega algo de ella (v.gr., que es buena o que no lo es).
Por eso en el juicio caben la verdad y el error; nunca en la simple aprehensión, que, de suyo, siempre es verdadera,
aunque incoativa o imperfectamente.

El juicio puede ser verdadero o falso, según coincida o no con la verdad objetiva; cierto o probable, según afirme o
niegue alguna cosa con certeza o sólo con probabilidad; prudente o temerario, según se emita con suficiente o
insuficiente fundamento. Estas son las divisiones que interesan más de cerca a la teológla moral.

804. 2. Conclusiones. Teniendo en cuenta estos prenotandos, vamos a establecer las siguientes conclusiones relativas
a la sospecha y al juicio temerarios:
Conclusión 1ª: La simple sospecha temeraria es pecado contra la justicia, de suyo leve; pero podría ser grave en
determinadas circunstancias.

He aquí el sentido y alcance de la conclusión:

LA SIMPLE SOSPECHA TEMERARIA, O sea cuando sin fundamento suficiente se comienza a dudar de la conducta o
intenciones del prójimo, aunque sin asentimiento firme. A ella se reducen la duda imprudente, que hace suspender el
juicio sobre la bondad del prójimo sin suficiente fundamento, y la opinión temeraria, que es más grave que la simple
sospecha y prepara el terreno al juicio temerario.

Es UN PECADO CONTRA LA JUSTICIA. Es evidente, por el derecho estricto que tiene el prójimo a su propia fama
mientras no se demuestre lo contrario.

DE SUYO LEVE, porque, no habiendo asentimiento firme, la simple sospecha no injuria gravemente al prójimo, y tiene
alguna excusa, por otra parte, en la flaqueza y debilidad humana, tan propensa a estas sospechas (II-II,60,3).

PERO PODRÍA SER GRAVE EN DETERMINADAS CIRCUNSTANCIAS. Por ejemplo, si la sospecha (y a fortiori la opinión)
temeraria recayera sobre un pecado gravísimo y poco acostumbrado (incesto, sodomía, bestialidad, alta traición, etc.)
o sobre una persona de reconocida virtud (v.gr., sobre un sacerdote ejemplar), o procediera del odio o
envidia grave. En todos estos casos hay pecado mortal en la simple sospecha deliberadamente admitida y
alimentada, por la grave injuria que con ello se le hace al prójimo.

Santo Tomás explica maravillosamente las causas de donde proceden estas sospechas temerarias. He aquí sus
propias palabras:

«Como dice Cicerón, la sospecha implica una falta cuando se funda en ligeros indicios. Y esto puede suceder de tres
modos: primero, porque uno es malo en si mismo, y por ello fácilmente piensa mal de otros, según aquellas palabras
de la Sagrada Escritura: El necio, andando en su camino y siendo él estulto, a todos juzga necios (Eccle. 10,3)
Segundo, porque tiene mal afecto a otro; pues cuando alguien desprecia u odia a otro o se irrita y le envidia, piensa
mal de él por ligeros indicios, porque cada cual cree fácilmente lo que apetece. En tercer lugar, la sospecha puede
provenir de la larga experiencia; por lo que dice Aristóteles que dos ancianos son grandemente suspicaces, ya que
muchas veces han experimentado los defectos de otros».

Las dos primeras causas de la sospecha proceden de sentimiento perverso; mas la tercera causa disminuye su
malicia, en cuanto que la experiencia aproxima a la certeza, que es contraria a la noción de sospecha; y por esto la
sospecha implica cierto vicio; y cuanto más avanza ésta (acercándose a la opinión y al juicio), más viciosa es» (II-
II,60,3).

Conclusión 2ª.: El juicio temerario propiamente tal es pecado de suyo grave contra la justicia, pero admite
parvedad de materia.

He aquí el sentido de la conclusión:

EL JUICIO TEMERARIO PROPIAMENTE TAL, o sea el asentimiento firme de la mente (no la simple duda, sospecha u
opinión), sin suficiente fundamento, sobre el pecado o malas intenciones del prójimo.

Es PECADO DE SUYO GRAVE CONTRA LA JUSTICIA, por la grave injuria que con él se infiere al prójimo, que
tiene derecho estricto a conservar su fama, incluso en nuestro fuero interno, mientras no se demuestre lo contrario.
Por lo demás, el juicio temerario interno se ordena de suyo al externo contra la fama y el honor del prójimo (II-II,6o,3
ad 3).

PERO ADMITE PARVEDAD DE MATERIA. Y así, por ejemplo, sería pecado venial juzgar temerariamente que el prójimo
está mintiendo en beneficio propio; porque la mentira oficiosa es, de suyo, pecado venial, y el prójimo no recibe
grave injuria porque nosotros pensemos que está pecando venialmente. Para que sea pecado mortal se requieren
ordinariamente tres cosas: a) que sea perfectamente deliberado; b) plenamente temerario; y c) sobre un grave
pecado que se atribuye sin fundamento al prójimo.

La Sagrada Escritura prohibe severamente el juicio temerario, y el mismo Cristo nos avisa que seremos medidos con
la misma medida con que midamos a los demás. He aquí algunos textos muy expresivos:
«No juzguéis, y no seréis juzgados; porque con el juicio con que juzgareis, seréis juzgados, y con la medida con que
midiereis, se os medirá. ¿Cómo ves la paja en el ojo de tu hermano y no la viga en el tuyo?» (Mt. 7, 1-3).

«No juzguéis, y no seréis juzgados; no condenéis, y no seréis condenados; absolved, y seréis absueltos» (Lc. 6,37).

«Y tú, ¿cómo juzgas a tu hermano o por qué desprecias a tu hermano? Pues todos hemos de comparecer ante el
tribunal de Dios» (Rom. 14,10).

«Sin misericordia será juzgado el que no hace misericordia. La misericordia aventaja al juicio» (Iac. 2,13).

Estas últimas palabras del apóstol Santiago resuelven por sí solas la objeción absurda que muchas veces se opone al
sano y cristiano consejo de interpretar siempre en buen sentido las intenciones del prójimo mientras no conste con
certeza lo contrario. Es cierto que, haciéndolo así siempre, nos exponemos a equivocarnos muchas veces. Pero esta
equivocación redundará en nuestro mayor provecho, pues, a la hora de la cuenta definitiva, Dios empleará con
nosotros el mismo procedimiento misericordioso que hayamos empleado con el prójimo. Hay, además, otra razón,
que explica admirablemente Santo Tomás con las siguientes palabras:

«Puede suceder que el que interpreta en el mejor sentido se engañe más frecuentemente; pero es mejor que alguien
se engañe muchas veces teniendo buen concepto de un hombre malo que el que se engañe raras veces pensando
mal de un hombre bueno, pues en este caso se hace injuria a otro, lo que no ocurre en el primero» (II-II, 60,4 ad 1).

Advertencias. 1ª Todos los juicios temerarios son de la misma especie moral; y así, en la confesión basta acusarse de
haber consentido en tantos juicios temerarios en materia grave o leve, sin necesidad de explicar en qué consistía o
sobre qué materia recaía el juicio.

2.a No se confunda el juicio temerario con el juicio erróneo Hay juicio temerario cuando sin suficiente fundamento se
juzga mal del prójimo, aunque luego resulte verdadero o se confirme plenamente el pecado del prójimo que se juzgó
temerariamente. Pero, cuando hay motivos serios o fundamentos suficientes para emitir un juicio, no es ni puede
llamarse temerario aunque después resulte erróneo, por no confirmarse la sospecha o juicio que se emitió
razonablemente con aquellos motivos suficientes. El juicio temerario quebranta siempre la justicia aunque luego
resulte verdadero. El erróneo, en cambio, no la quebrantó si se emitió con suficiente fundamento, aunque pudo
fácilmente quebrantar la caridad.

3.a No está prohibido tomar las debidas precauciones para precavernos de un posible daño (v.gr., guardando bajo
llave el dinero o cosas de valor, llevando armas defensivas, etc.), sin que esto signifique sospecha o juicio temerario
contra una determinada persona.

4.a La mayor o menor gravedad de un juicio temerario depende no sólo de la calidad del pecado o crimen que se
juzga temerariamente, sino también de la mayor o menor desproporción entre el juicio y los motivos o fundamentos
para emitirlo.

B) La detracción del prójimo

Expondremos su noción, división, malicia y obligación de repararla.

805. I. Noción. Se entiende por detracción o difamación la denigración injusta de la fama del prójimo ausente.

LA DENIGRACIÓN en el sentido propio de la palabra, o sea, deslustrar, ennegrecer, obscurecer la fama de una
persona.

INJUSTA, porque no hay detracción cuando la fama se ennegrece justamente (v.gr., la de un malhechor que acaba de
cometer un crimen)

DE LA FAMA, y en esto se distingue de la contumelia, que denigra directamente el honor y sólo indirectamente la
fama.

DEL PRÓJIMO AUSENTE, porque, si fuera en su misma presencia, tendríamos la contumelia.

806. 2. División. La división fundamental de la detracción es triple :


I.a POR PARTE DE LA MATERIA puede ser simple detracción o calumnia.

a. La simple detracción consiste en manifestar sin justa causa un vicio o defecto oculto del prójimo. Si se critican sus
defectos públicos, recibe más bien el nombre de murmuración.

b. La calumnia consiste en imputar falsamente al prójimo un crimen que no ha cometido. Añade a la simple
detracción la mentira perniciosa.

2ª. POR PARTE DEL MODO puede ser directa o indirecta.

a. Directa es la que manifiesta abierta y claramente el pecado ajeno, verdadero o falso. Suelen distinguirse cuatro
modos distintos: imponiendo falsamente un pecado, exagerando el verdadero, revelando el oculto, atribuyendo mala
intención a la misma acción buena.

b. Indirecta es la que niega o disminuye las buenas cualidades del prójimo. Se hace de varios modos: negando el bien
de otro, callándolo maliciosamente, disminuyéndolo, alabándolo remisamente cuando merece mucho más Las
fórmulas verbales son variadísimas y todas envuelven hipocresía, malicia, envidia, etc. («Sí, pero…»; «Es mejor no
acabarlo de contar»; «ISi pudiera hablar!»; «Os quedaríais estupefactos*, etc., etc.). A veces basta el silencio, un
gesto, una sonrisa, etc., para que la fama del prójimo se venga abajo.

3ª. POR PARTE DE LA INTENCIÓN INTERNA puede ser formal o material. Es formal cuando se intenta explícitamente
denigrar al prójimo, y material cuando se le critica por alguna otra causa (v.gr., por ligereza, locuacidad, irreflexión,
utilidad propia, etc.) sin intención de difamarle, pero previendo la difamación.

807. 3. Malicia. Vamos a precisarla en forma de conclusiones :

Conclusión 1ª: La detracción del prójimo, sea simple o calumniosa, directa o indirecta, formal o material, es de
suyo pecado grave contra la justicia y la caridad, pero admite parvedad de materia.

Vamos a explicar el sentido y alcance de la conclusión.

LA DETRACCIÓN DEL PRÓJIMO, en la forma que hemos explicado más arriba.

SEA SIMPLE o CALUMNIOSA. La calumnia es más grave, por la mentira que encierra; pero aun la simple detracción
constituye una verdadera injusticia contra el prójimo y una falta evidente de caridad.

DIRECTA o INDIRECTA. La directa supone más audacia y desvergüenza; pero la indirecta no es menos injusta y lleva
consigo, ordinariamente, mayor refinamiento e hipocresía.

FORMAL o MATERIAL. La material es menos grave, pero no deja de ser una injusticia manifiesta cuando se prevé, al
menos en confuso, la denigración del prójimo. A veces se emplea la fórmula hipócrita: «Esto lo digo
sin intención alguna de criticar a fulano».

Es DE SUYO PECADO GRAVE. Consta claramente por la Sagrada Escritura y la razón teológica, como veremos en
seguida. Es menos grave que el homicidio y el adulterio, pero más grave que el robo; porque la fama vale menos que
la vida o la fidelidad conyugal, pero mucho más que los bienes exteriores. Aunque, como advierte Santo Tomás,
puede alterarse esta jerarquía por las circunstancias agravantes o atenuantes que concurran (II-II, 73,3)

CONTRA LA JUSTICIA Y LA CARIDAD. Contra la justicia, porque lesiona el derecho estricto del prójimo a su propia
fama. Contra la caridad, porque nos manda amar al prójimo y nos prohíbe hacerle daño.

PERO ADMITE PARVEDAD DE MATERIA. Ya se comprende que, si se critican sin mala intención pequeños defectos del
prójimo o se le imputa falsamente, sin odio ni envidia, un ligero desliz, no hay materia suficiente para pecado grave;
aunque se quebranta, no obstante, la justicia y hay obligación leve de reparar el daño causado (v.gr., alabando en
otras ocasiones a la persona criticada).

He aquí ahora la prueba teológica de la conclusión.

1. LA SAGRADA ESCRITURA. Elogia la buena fama y condena severamente la detracción del prójimo. He aquí algunos
textos:
«Más que las riquezas vale el buen nombre» (Prov. 22,1).

«Ten cuidado de tu nombre, que permanece, más que de millares de tesoros» (Eccli. 41,15).

«No murmuréis unos de otros, hermanos; el que murmura de su hermano o juzga a su hermano, murmura de la Ley,
juzga a la Ley» (Iac. 4,11). «… chismosos, calumniadores, aborrecidos de Dios» (Rom. 1,29-30).

2. EL MAGISTERIO DE LA IGLESIA. Es doctrina constante de la Iglesia. Inocencio XI condenó dos proposiciones laxistas
que enseñaban ser tan sólo pecado venial la falsa acusación contra el detractor o la calumnia en defensa del propio
honor (D 1193-1194).

3. LA RAZÓN TEOLÓGICA. Presenta un triple argumento:

a) Lesiona la justicia conmutativa, al quebrantar el derecho estricto del prójimo a su propia fama. Ni vale argüir que
eso es cierto tratándose de una calumnia, pero no de una simple detracción por un delito verdadero. No importa,
porque solamente Dios y, en su nombre, el juez legítimo tienen derecho a juzgar al delincuente, no la persona privada
o particular. Aparte de que el hombre tiene derecho natural no sólo a la fama verdadera (fundada en la virtud o en el
bien), sino incluso a la falsa, mientras su pecado permanezca oculto y desconocido. Por consiguiente, se comete
úna injusticia divulgando el pecado oculto; al menos, una falta de caridad si se comentan y airean sus pecados o
defectos ya conocidos (murmuración).

b) Lesiona la justicia legal. El bien común exige que no se revelen los pecados ajenos sin suficiente motivo, ya que, de
lo contrario, se seguirían innumerables disgustos, riñas, envidias, venganzas, etc., etc., que perturbarían la paz y la
tranquilidad social.

c) Lesiona la caridad fraterna, que nos manda amar al prójimo y nos prohibe hacerle daño. Nótese que jamás
criticamos a las personas que amamos, sino que procuramos excusar sus defectos, salvando, al menos, la buena
intención. Por eso se ha podido escribir profundamente: «Si oyes murmurar de otro, puedes decir: «No le aman 3.

Aplicación. El derecho de los difuntos a su propia fama. El derecho a la fama acompaña al hombre más allá del
sepulcro. No es lícito, por consiguiente, difamar a los muertos, a no ser con justa y proporcionada causa (v.gr., para
desprestigiar sus escritos impíos y evitar que sigan haciendo daño) y siempre a base de datos verdaderos,
nunca calumniosos. Téngase en cuenta, además, que la denigración de un difunto fácilmente repercute sobre su
familia, que puede ser inocente de los crímenes del muerto.

Los historiadores tienen algo más de libertad para publicar los crímenes o defectos ciertos de los personajes
históricos, si de su divulgación se ha de seguir alguna lección o enseñanza provechosa. Pero pueden fácilmente pecar
contra la caridad si no hay motivo alguno para sacar a relucir aquellas cosas, e incluso contra la justicia si se permiten
alguna acusación calumniosa, temeraria o infundada, llevados únicamente del afán sensacionalista de decir cosas
nuevas. Tengan en cuenta, además, la obligación de no perjudicar en modo alguno, con publicaciones imprudentes, a
las instituciones a que pertenecieron aquellos personajes que no son responsables de su conducta privada.

Conclusión 2.a: La gravedad de la detracción se mide por la importancia del crimen divulgado o falsamente
imputado y por el daño causado al prójimo con ella.

Examinemos por separado ambos capítulos:

1º. POR LA IMPORTANCIA DEL CRIMEN DIVULGADO O FALSAMENTE IMPUTADO.

En general, un defecto leve (aunque sea calumniosamente imputado) suele causar una infamia leve; y un crimen o
pecado grave, infamia grave. Caben, sin embargo, excepciones según la índole de la persona criticada. Y así, v.gr.,
sería grave injuria decir del Papa que es un mentiroso, y quizá no lo fuera decir de un negociante de mala fama que
es un estafador.

2.a Por el daño causado al prójimo. No siempre con la misma clase de detracción se causa el mismo daño al prójimo.
Dep$nde de la calidad de la persona criticada, del prestigio del detractor, del número o calidad de los oyentes, de la
clase del testimonio aducido (testigo presencial o de oídas, etc.), de la repercusión que pueda tener sobre su familia,
intereses materiales, etc. Si, habida cuenta de todas las circunstancias, el daño que se sigue es leve, en general el
pecado será leve; y grave si el daño que se sigue es grave. Nótese, sin embargo, que un daño leve en el ofendido
podría constituir pecado grave en el detractor si procedió a la detracción por odio o cualquier otro motivo
gravemente desordenado.

En general, todas las detracciones externas pertenecen a la misma especie moral, ya que todas quebrantan
el derecho del prójimo a la fama; y así, en la confesión basta decir cuántas veces se ha incurrido en este pecado en
materia grave o leve, sin necesidad de explicar el asunto u objeto de la detracción. Pero habría que especificar la
circunstancia de escándalo y el motivo interior desordenado que movió a la detracción (v.gr., el odio, la envidia, el
espíritu de venganza, etc.), porque son pecados distintos de la misma detracción en cuanto tal. Naturalmente habría
que especificar también si se trató de simple detracción, por defectos verdaderos, o de una
verdadera calumnia,atribuyendo al prójimo cosas falsas.

Conclusión 3.a: Es lícito, con causa gravemente proporcionada, manifestar los defectos ocultos del prójimo, con tal
de evitar el odio o cualquier otro afecto desordenado.

Es una mera aplicación de las leyes del voluntario indirecto, en virtud de las cuales es lícito, con causa proporcionada,
realizar una acción con doble efecto—bueno y malo—, intentando únicamente el bueno y permitiendo simplemente
el malo. Es preciso, sin embargo, proceder con absoluta rectitud de intención, deponiendo todo motivo de odio,
rencor, envidia o de cualquier otro afecto desordenado.

Las principales razones gravemente proporcionadas que pueden invocarse para legitimar la manifestación de los
defectos ocultos del prójimo son las siguientes:

 POR MOTIVO DE RELIGIÓN, como cuando se revelan al obispo los defectos de los seminaristas ordenandos
con el fin de evitarle a la Iglesia futuros escándalos.

 POR JUSTICIA, cuando haya obligación por oficio de descubrir o denunciar un crimen.

 POR CARIDAD, para precaver un daño que amenaza al que le cuenta, al delincuente, a tercera persona o a la
sociedad.

Aplicaciones. I.a Es LÍCITO, POR EXIGIRLO EL BIEN COMÚN, revelar (aunque sea públicamente y por medio de la
prensa) los defectos verdaderos de un candidato impío que pretende un cargo público. Hay que denunciar a quien
pueda impedirlos los manejos de los que esparcen errores o doctrinas contrarias a la fe y buenas costumbres; al
corruptor de los demás en un colegio o internado, etc., etc.

2.a POR EL BIEN DEL PROPIO DELINCUENTE, hay que poner en conocimiento de los padres o superiores las malas
andanzas de sus hijos o súbditos, con el fin de que puedan corregirlos. Hay que manifestar el impedimento oculto del
que pretenda contraer’ matrimonio a pesar de él, etc.

3.a POR EL BIEN DEL NARRADOR (V. gr., para buscar consuelo, defensa o consejo) puede referir a alguna persona
prudente y discreta las injurias recibidas del prójimo. Pero es preciso proceder sin odio ni espíritu de venganza y no
manifestar sino lo puramente indispensable para el consejo, etc., callando, en lo posible, el nombre del ofensor.

4ª POR EL BIEN DE TERCERA PERSONA es lícito ponerla en guardia contra las perversas intenciones del que intenta
perjudicarla o pervertirla; manifestarle los vicios auténticos de la persona con la que piensa contraer matrimonio a
fin de evitar la futura infelicidad, etc.

Pero téngase presente en todos estos casos que ha de tratarse de defectos verdaderos, aunque ocultos. Jamás es
lícito, ni siquiera en propia defensa, propalar una calumnia, porque el fin nunca justifica los medios (D 1193-1194)

Conclusión 4.a: La manifestación de un crimen público o notorio donde no se conocía todavía, quebranta casi
siempre la justicia y siempre la caridad, a no ser que haya causa gravemente proporcionada.

Expliquemos el sentido de la conclusión.

UN CRIMEN PUEDE SER PÚBLICO O NOTORIO DE DOS MANERAS: a) de jure, si ha recaído ya sobre él la sentencia
pública del juez; y b) de facto, cuando aun sin la sentencia es del dominio público (v. gr., se ha corrido ya por todo el
pueblo).
DONDE NO SE CONOCÍA TODAVÍA (v. gr., en una región adonde no ha llegado la noticia ni es fácil que llegue en
mucho tiempo). No sería contra la justicia comentarlo donde ya se conoce públicamente—sobre todo si es público de
iure—, porque el delincuente ha perdido con ello el derecho a la fama, aunque fácilmente puede faltarse todavía a la
caridad. Pero sería injusto resucitar su memoria cuando se ha olvidado ya o si el delincuente se ha rehabilitado por
completo y ha recuperado su derecho a la fama.

QUEBRANTA CASI SIEMPRE LA JUSTICIA, porque en esas condiciones es como si se tratase de un crimen oculto, que
no es lícito revelar sin justa y proporcionada causa. Dígase lo mismo cuando se refresca la memoria de un crimen ya
olvidado, aunque sea en la región misma donde se cometió.

Y SIEMPRE LA CARIDAD, COMO es obvio.

A NO SER QUE HAYA CAUSA GRAVEMENTE PROPORCIONADA, COMO sería, v. gr., el fundado temor de que el
delincuente perjudique también o haga daño a otras personas en ese otro lugar.

Conclusión 5.a: No es licito infamarse a sí mismo, sin justa y proporcionada causa.

La razón es porque el hombre tiene, por caridad para consigo mismo, obligación de conservar sus propios bienes—
entre los que ocupa lugar destacado la propia fama (Eccli. 41,15)—, administrándoles sabiamente y evitando
prodigarlos inútilmente. Sin embargo, podría ser lícito cuando se sacrificara la propia fama en aras de un bien
superior, como sería, v. gr., salvar la propia vida, reprimir la soberbia, imitar los ejemplos de Cristo, etc.

A veces, sin embargo, es obligatorio conservar la propia fama (y exigir, por consiguiente, la justa reparación a quien
haya tratado de quitárnosla), no sólo por caridad para consigo mismo, sino incluso por justicia y caridad hacia los
demás. Tal ocurre principalmente:

1. Cuando de su fama depende la de los demás (v. gr., de un sacerdote o religioso).

2. Cuando su fama se requiere para prestarle convenientemente al prójimo un servicio obligatorio en justicia (v.
gr., el párroco o magistrado).

3. Cuando su fama se requiere para ayudar convenientemente al prójimo en un servicio de caridad (v. gr., de
consejero o director espiritual).

Conclusión 6.•: El que coopera a la injusta difamación del prójimo peca grave o levemente contra la justicia según el
grado y la eficacia de su cooperación.

Tres son las principales formas de cooperar a la difamación del prójimo:

a) INDUCIENDO DIRECTAMENTE a ella con preguntas sobre sus defectos, fomentando con muestras de agrado y
complacencia la narración de los mismos, etc. Estos pecan de igual modo que el denigrante, o sea, contra la caridad
y contra la justicia, ya que cooperan formalmente a la acción injusta y son reos de escándalo directo provocando a la
difamación. De donde están obligados a restituir la fama del prójimo solidariamente con el detractor.

b) GOZÁNDOSE INTERIORMENTE en la detracción, pero sin muestras de aprobación exterior. Pecan contra
la caridad (gravemente si procede de odio o énvidia grave), contra la justicia interna y, con frecuencia, contra la
veracidad, por la refinada hipocresía con que saben disimular sus verdaderas disposiciones internas, no por evitar el
mal ejemplo a los demás, sino para no quedar en mal lugar ante ellos.

c) No IMPIDIENDO LA DETRACCIÓN EXTERNAMENTE, aunque se la desapruebe interiormente. Si esta conducta


obedece a pusilanimidad, respeto humano, etc., el pecado no suele pasar de venial, e incluso podría excusarse de
toda falta si se estuviera moralmente seguro de que la intervención en favor del infamado resultaría completamente
inútil o contraproducente. Pero sería pecado mortal contra la caridad (tratándose de una detracción grave) si hubiera
fundada esperanza de éxito y pudiera hacerse sin grave incomodidad. En la práctica, lo mejor es desviar la
conversación hacia otras cosas cuando se ve que comienza a derivar por derroteros peligrosos.

La obligación de impedir la difamación del prójimo es mucho mayor en el superior (en virtud de su oficio) que en las
personas particulares. Ordinariamente pecará contra la justicia si no corrige al súbdito difamador, y contra la
caridad con respecto al difamado.
808. 4. Obligación de repararla. Vamos a precisarlo en la siguiente

Conclusión: El que, de cualquier modo que sea, lesiona injustamente la fama del prójimo, tiene obligación de
restituírsela cuanto antes, y ha de reparar, además, todos los daños materiales que eficaz y culpablemente se hayan
seguido de la difamación y hayan sido previstos al menos en confuso.

Expliquemos detalladamente la conclusión.

EL QUE, DE CUALQUIER MODO QUE SEA: ya internamente o ante el propio juicio (tiene obligación de rectificárselo a
sí mismo, por el derecho del prójimo a conservar su fama ante nuestra propia conciencia); ya externamente por la
simple detracción, murmuración o calumnia; ya haya actuado como detractor principal, ya como cooperador positivo
(mandando, aconsejando, consintiendo, etc.), ya como negativo (no impidiéndolo, pudiendo y debiendo hacerlo por
justicia).

LESIONA INJUSTAMENTE LA FAMA DEL PRÓJIMO. Porque, si la detracción se hizo por necesidad o justa causa (como
hemos explicado en la tercera conclusión), no fue injusta, y no obliga, por consiguiente, a restituir.

TIENE OBLIGACIÓN DE RESTITUIRLA, porque hay obligación de restituir al prójimo lo que le pertenece y le fue
injustamente arrebatado. La obligación es grave o leve según el daño causado.

CUANTO ANTES, porque, de lo contrario, se prolonga la injusticia y hay peligro, además, de que se vaya propagando y
extendiendo a otras personas.

Y HA DE REPARAR, ADEMÁS, TODOS LOS DAÑOS MATERIALES QUE SE HAYAN SEGUIDO EFICAZ Y CULPABLEMENTE DE
LA DIFAMACIÓN; V. gr., si por ella se impidió al difamado algún lucro, oficio, beneficio, un matrimonio conveniente,
etc., o fué causa de que se le despidiera de un cargo o empleo, o se le diera menor sueldo, etc. Esta obligación es real
y, por consiguiente, pasa a los herederos del difamador (hasta donde alcance la herencia) y del difamado.

Y HAYAN SIDO PREVISTOS AL MENOS EN CONFUSO. Porque, si los daños se siguieron de una manera del todo
imprevista e inesperada, no existe nexo causal entre la difamación y esos efectos, que se produjeron
completamente per accidens aunque hayan sobrevenido con ocasión de la difamación (v. gr., el suicidio del
difamado).

809. Escolios. 1º. Gravedad de la obligación. Hay que distinguir los diversos casos que han podido ocurrir. Y así:

 El que pecó gravemente difamando al prójimo, está obligado a restituir la fama y los daños incluso con grave
incomodidad propia, porque la culpa debe repararse con incomodidad proporcionada.

1.

A. El que con leve culpa (o sea, por inadvertencia, ligereza, etc.) empaña la fama del prójimo, está
obligado a repararla sin grave incomodidad, pero cuanto antes, con el fin de evitar que se vaya
propagando y extendiendo, en cuyo caso podría producirse la obligación de repararla incluso con
grave incomodidad.

 Si una infamia leve produce un grave daño en los bienes materiales del difamado (v. gr., privándole de una
secretaría bien pagada por haberle acusado de indiscreto o locuaz), hay obligación grave de repararle aquel
daño si fué previsto; porque entonces la injusticia es grave, no por razón de la infamia leve, sino por el grave
daño causado.

 El que lesionó interiormente la fama del prójimo (v.gr., con una sospecha o juicio temerario) tiene obligación
de corregirse interiormente su propio pensamiento injusto.

2º Modo de reparar la fama. En general, ha de hacerse de tal forma que el perjudicado pueda recuperar
íntegramente su fama, injustamente arrebatada. Y así:

a) SI SE TRATA DE UNA CALUMNIA, no hay otra solución que desdecirse en absoluto de ella, aunque esta confesión
produzca la infamia del calumniador. Puede, sin embargo, buscarse la manera de salvar la propia fama haciendo
algún circunloquio o restricción latamente mental (v.gr., «he sabido que aquello que dije es completamente falso, y
me complazco en manifestarlo así para dejar las cosas en su lugar)), pero sin recurrir nunca a la mentira, que jamás es
lícita.

b) SI SE CALUMNIÓ PÚBLICAMENTE O POR ESCRITO (v.gr., por medio de la prensa) hay que restituir en igual forma.

c) SI SE TRATA DE SIMPLE DETRACCIÓN, MURMURACIÓN O CRÍTICA sobre defectos verdaderos del prójimo, no podría
repararse diciendo que eran falsos (sería una mentira); pero hay obligación de devolverle la fama del mejor modo
posible, ya sea reconociendo la propia injusticia (si se comprende que esta declaración ha de ser eficaz) o, quizá
mejor, alabando al difamado, poniendo de relieve sus buenas cualidades, buscando excusas (v.gr., buena intención)
para sus defectos manifiestos, etc., etc. De esta.forma se restablece la igualdad de la justicia del mejor modo posible.

3.° Causas que excusan de la restitución de la fama. Las principales son las siguientes:

a) SI LA DIFAMACIÓN NO FUE EFECTIVA, sea porque no la entendieron los oyentes, o porque no la creyeron, o
porque ya lo sabían, o porque deshizo todo el daño el testimonio contrario y más firme de otro de los presentes.

b) Si EL DAÑO YA CESÓ, sea porque se comprobó públicamente la falsedad de la calumnia o la inocencia del
calumniado, sea porque ha sido ya olvidada y sería imprudente resucitar su memoria con la rectificación, etc.

c) LA IMPOSIBILIDAD FÍSICA O MORAL; v.gr., porque se ignora dónde viven los oyentes o no se puede acudir a ellos, o
porque el delito oculto es ya del dominio público por otro conducto, o porque amenaza al difamador un daño mucho
mayor que el que se le siguió al difamado (v.gr., si para reparar una infamia leve se le siguiera a él una
infamia grave), en cuyo caso puede suponerse que el perjudicado renuncia voluntariamente a su derecho menor, etc.

d) EL PERDÓN O CONDONACIÓN, expreso o tácito, del perjudicado, con tal que tenga legítimo poder para otorgarlo.
Porque puede darse el caso de que el injuriado no tenga derecho a renunciar a la reparación, por impedírselo el bien
común o el legítimo derecho de otros, o porque produciría escándalo la no retractación, etc. Tal ocurre,
principalmente, cuando el difamador es un sacerdote, magistrado o persona de gran autoridad, cuya fama interesa al
bien común o al prestigio de los demás.

e) LA MUTUA COMPENSACIÓN por dos injurias equivalentes. Lo cual no quiere decir que el infamado tenga derecho a
infamar a su ofensor (sería una venganza absolutamente ilícita), sino que, en caso de que se hayan difamado
mutuamente, podría uno de ellos diferir sin injusticia la reparación hasta que el otro esté dispuesto también a
repararle su injuria. Aunque ya se comprende que obraría mejor y más virtuosamente condonando la propia injuria
aunque el otro no quiera repararla, como hizo Nuestro Señor Jesucristo clavado en la cruz.

C) La susurración

810. 1. Noción. Se entiende por tal la injusticia del que siembra cizaña entre los amigos con el fin de disolver su
amistad. Es el pecado del que cuenta chismes y susurra habladurías al oído de un amigo para enfriar o disolver su
amistad con otro, o de unas familias con otras (II-II,74).

811. 2. Malicia. Es un pecado de suyo grave contra la caridad, y muchas veces también contra la justicia, sobre todo si
se vale de la detracción como procedimiento para conseguir sus perversos fines.

La Sagrada Escritura fustiga duramente este feo pecado. He aquí algunos textos:

«Maldice al murmurador y al de lengua doble, porque han sido la perdición de muchos que vivían en paz» (Eccli.
28,15).

«Por falta de leña se apaga el fuego, y donde no hay chismoso cesa la contienda» (Prov. 26,2o).

«Seis cosas aborrece Yavé y aun siete abomina su alma: ojos altaneros, lengua mentirosa, manos que derraman
sangre inocente, corazón que trama iniquidades, pies que corren presurosos al mal, testigo falso que difunde
calumnias y al que siembra la discordia entre hermanos» (Prov. 6,16-19).

San Pablo enumera entre los pecados dignos de muerte el de los «chismosos» o susurradores (cf. Rom. 1,29).

Santo Tomás advierte que la susurración es mayor pecado que la detracción y que la contumelia, porque la amistad
es mejor que el mismo honor, y vale más ser amado que ser honrádo (II-II,74,2).
El pecado será tanto mayor cuanto más íntima y más necesaria sea la amistad que trata de enfriar o disolver y cuanto
peores sean los daños que puedan ocasionarse. Por lo mismo, es pecado muy grave sembrar la discordia entre los
cónyuges, entre los padres e hijos, entre familiares, etc., y gravísimo entre los defensores de la fe católica y sus
neófitos o convertidos.

Por el contrario, no es pecado alguno, sino más bien un excelente acto de caridad, tratar de disolver una mala
amistad, como la que hay, v.gr., entre un joven y sus pervertidores o entre un hombre y su concubina.

D) El falso testimonio

812. 1. Noción. El falso testimonio coincide en realidad con la mentira oficiosa o perniciosa, de las que constituye uno
de sus aspectos o matices. Consiste, propiamente hablando, en afirmar o negar como testigo algún hecho falso en
favor o perjuicio de alguien.

El falso testimonio puede aducirse en juicio solemne ante el juez y fuera de juicio, o en privado. Este último coincide
totalmente con la clase de mentira a que pertenezca, y por ella ha de ser medido y valorado. El emitido en juicio
solemne ante el juez ofrece características especiales, que vamos a examinar a continuación.

813. 2. Obligación de dar testimonio. En todos los códigos y tribunales del mundo, el testigo es uno de los
personajes más importantes del drama judicial. La prueba testifical ha sido siempre universalmente empleada, y el
bien común exige que los ciudadanos se presten a ella cuando el caso lo requiera.

No siempre, sin embargo, obliga a todos ni en el mismo grado. Pueden distinguirse tres categorías distintas:

a) POR JUSTICIA CONMUTATIVA están obligados a actuar de testigos en juicio los que por su cargo u oficio asumen la
obligación de denunciar a la autoridad competente los delitos o injusticias en torno a las cosas a ellos encomendadas
(policías, guardas, etc.), y están obligados a restituir si por su incuria o negligencia se sigue algún daño real.

b) Por JUSTICIA LEGAL obliga a cualquier ciudadano cuando es requerido y citado legítimamente por el juez para
prestar declaración en el juicio. Se trata del deber de obediencia a la autoridad legítima, que jurídicamente impone
esa carga en orden al bien común y recta administración de justicia.

c) PoR CARIDAD está obligado cualquier ciudadano a p1 sentarse espontáneamente ante el juez para declarar como
testigo cuando lo exija así el bien común o el bien grave de los particulares (v.gr., para evitar algún daño a la sociedad
o librar al inocente de la muerte u otra grave pena). Pero nadie está obligado a presentarse espontáneamente
como testigo de cargo contra los culpables, a no ser que éste sea el único medio legítimo para salvar al inocente (II-
II,7o,1).

814. 3. Causas excusantes. Hay algunos casos en los que el testigo puede y debe omitir la declaración testifical,
aunque haya sido requerido por el juez. He aquí los principales:

a) EL SIGILO SACRAMENTAL. El sacerdote que conoce un crimen o delito bajo secreto de confesión no puede revelarlo
jamás, bajo ningún pretexto, ni siquiera después de la muerte del reo. La legislación civil suele respetar este
sacratísimo deber del sacerdote (CH 1247,5.0); pero, si en alguna nación no se respetara, el sacerdote podría afirmar,
incluso con juramento, que no sabe absolutamente nada, porque nada sabe, efectivamente, para comunicarlo a los
demás.

b) EL SECRETO PROFESIONAL: los médicos, abogados, autoridades, etc., no pueden ser obligados a declarar sobre los
asuntos conocidos bajo secreto profesional.

c) EL GRAVE DAÑO PROPIO O DE LOS FAMILIARES PRÓXIMOS. Nadie está obligado a dar testimonio contra sí mismo
o contra sus familiares más allegados.

d) SI EL JUEZ NO INTERROGA LEGÍTIMAMENTE por falta de jurisdicción o por excederse en sus atribuciones, etc.

e) SI EL TESTIGO CONOCE INJUSTAMENTE EL NEGOCIO (v.gr., por haber abierto y leído cartas o documentos ajenos).

f) Si SE TRATA DE PERSONAS EXCLUIDAS POR EL DERECHO MISMO de la obligación de prestar testimonio (cf. cn
1775 ss. y CH 1246-1247).
815. 4. Malicia del falso testimonio. Vamos a exponerla en la siguiente

Conclusión: El falso testimonio en juicio es de suyo pecado mortal y envuelve triple deformidad: perjurio, injusticia
y mentira.

Se supone en la conclusión que el testigo ha prestado previamente juramento de decir la verdad. En este caso, si su
testimonio es falso, comete tres pecados distintos y de diversa gravedad:

a) PERJURIO, por la violación del juramento. Es siempre pecado mortal cuando se comete a sabiendas, sin que
admita parvedad de materia, por razón de la grave injuria que se le hace a Dios al ponerle por testigo de una
falsedad.

b) INJUSTICIA, por el daño injusto que se le irroga al prójimo declarando falsamente contra él. Será pecado grave o
leve según el daño que se cause. Se quebranta la justicia conmutativa con relación al perjudicado, y la
justicia legal con relación al bien común, que exige declarar la verdad en el juicio.

c) MENTIRA, por la falsedad testificada. Por este capítulo, el pecado es, de suyo, leve, a no ser que se cause grave
daño al prójimo, en cuyo caso sería pecado mortal (mentira perniciosa en materia grave).

816. 5. Obligación de repararlo. Como toda injusticia manifiesta, el falso testimonio lleva consigo la obligación de
repararlo. Pero en la práctica pueden ocurrir varios casos. Y así:

II. PECADOS CONTRA EL HONOR DEL PROJIMO

Como hemos indicado más arriba, los principales son tres: la contumelia, la burla y la maldición. Vamos a examinarlos
brevemente.

A) La contumelia

Expondremos su noción, malicia y obligación de repararla. Al final diremos dos palabras sobre el perdón de las
injurias.

817. I. Noción. Se entiende por contumelia la injusta lesión del honor causada al prójimo en su misma presencia. Esta
presencia puede ser física o moral (v.gr., su imagen o representante).

Se distingue de la detracción, murmuración o calumnia en que éstas atentan contra la fama del
prójimo ausente, mientras que la contumelia lesiona el honor del prójimo presente.

La contumelia—llamada también insulto o injuria al prójimo—puede ser verbal o real, según se haga con palabras o
con signos equivalentes (v.gr., por gestos despectivos, una bofetada, rompiendo su estatua o fotografía, etc.). Suele
provenir de la ira (II-II,72,4).

818. 2. Malicia. Vamos a precisarla en la siguiente

Conclusión: La contumelia es, de suyo, pecado mortal contra la justicia; pero a veces puede no pasar de pecado
venial.

1. Consta claramente la injusticia grave:

a) POR LA SAGRADA ESCRITURA. He aquí algunos textos inequívocos: »Todo el que se irrita contra su hermano será
reo de juicio; el que le dijere traca» será reo ante el sanedrín, y el que le dijere »loto» será reo de la gehenna de
fuego» (Mt. 5,22).

San Pablo incluye a dos ultrajadores» entre los pecadores a quienes Dios entregó a su «réprobo sentir», y dice de
ellos que son «dignos de muerte» (Rom. 1,28-32).

b) POR LA RAZÓN TEOLÓGICA. Todo hombre tiene derecho estricto a su propio honor, que es un bien más excelente
que las mismas riquezas. Luego, así como el que roba el dinero ajeno comete una injusticia, con mayor motivo
incurre en ella el que viola el honor del prójimo.
La contumelia con frecuencia lleva anejas otras malicias, además de la injusticia. Y así, quebranta la piedad si injuria a
los padres; la religión, si es contra Dios o sus ministros, etc. A veces produce escándalo, disensiones, etc., contra la
caridad fraterna.

2. Sin embargo, la contumelia puede ser simplemente pecado venial :

a.Por imperfección del acto, o sea por falta de la suficiente advertencia o consentimiento.

b.Por parvedad de materia (v.gr., una ligera burla o palabra mal sonante).

c.Por falta de intención de injuriar gravemente (v.gr., cuando se dice en broma o no muy en serio: «eres un asno»).

d. Por la condición del que habla o escucha (v.gr., entre verduleras o gentes de baja educación no suelen considerarse
injurias graves los insultos o frases soeces que se intercambian con frecuencia). Tampoco suelen ser graves las
injurias de los padres a los hijos, de los maestros a sus discípulos, etc., que tienen por objeto su corrección o
enmienda.

819. 3. Obligación de repararla. Como injusticia que es, la contumelia induce obligación de reparar el honor
ultrajado, de manera semejante a lo que ya hemos dicho al hablar de la detracción.

Nótese que, cuando la injuria fue pública (v.gr., en presencia de testigos, por la prensa, etc.), debe repararse en la
misma forma, ya que de otro modo no quedaría restablecida la igualdad que reclama la justicia entre la ofensa y su
reparación.

La simple petición de perdón constituye suficiente reparación de cualquier clase de injuria o contumelia.

820. Escolio. El perdón de las injurias. Uno de los consejos más inculcados en el Evangelio es el perdón generoso y
total de las injurias:

*Si alguno te abofetea en la mejilla derecha, dale también la otra; y al que quiera litigar contigo para quitarte la
túnica, déjale también el manto» (Mt. 5,39-40). El mismo Cristo nos dejó ejemplo sublime al perdonar y excusar a sus
verdugos desde lo alto de la cruz: *Padre, perdónalos, porque no saben lo que hacen» (Lc. 23,34).

Pero esta excelente obra de caridad estrictamente obligatoria (al menos en la disposición interior del ánimo, del que
debe deponerse el odio y el espíritu de venganza) no siempre obliga a renunciar a toda clase de reparación externa
por la ofensa recibida. Escuchemos al Doctor Angélico explicando este punto con su lucidez habitual :

*Estamos obligados a tener el ánimo dispuesto a tolerar las afrentas si ello fuese conveniente; mas algunas veces
conviene que rechacemos el ultraje recibido, principalmente por dos motivos. En primer término, por el bien del que
nos infiere la afrenta, para reprimir su audacia e impedir que repita tales cosas en el futuro, según aquel texto de los
Proverbios:« Responde al necio como merece su necedad, para que no se crea un sabio» (Prov. 26,5). En segundo
lugar, por el bien de muchas otras personas, cuyo progreso espiritual podría ser impedido precisamente por los
ultrajes que nos hayan sido hechos; y así dice San Gregorio que «aquellos cuya vida ha de servir de ejemplo a los
demás, deben, si les es posible, hacer calar a sus detractores, a fin de que no dejen de escuchar su predicación los
que podrían oírla y no desprecien la vida virtuosa permaneciendo en sus depravadas costumbres» (II-II, 2,3)

Existe, pues, el derecho natural de legítima defensa contra las injurias recibidas, paralelo al derecho de defensa
contra el injusto agresor de nuestra integridad física. Y es lícito, guardando la debida moderación, hacer uso de este
derecho—a veces obligatoriamente—si razones superiores de caridad, humildad o paciencia no lo impiden o
desaconsejan. Cuando la injuria recibida no redunda en perjuicio o desprestigio de un tercero (v.gr., de la familia o
corporación a que se pertenece), siempre es más perfecto y meritorio perdonarla de todo corazón y renunciar en
absoluto a exigir la reparación.

B) La burla o irrisión

821. 1. Noción. Se entiende por burla o irrisión del prójimo el vicio o pecado de echar en cara al prójimo sus culpas o
defectos en forma jocosa para avergonzarle ante los demás.
El burlón no trata directamente de injuriar al prójimo (eso es propio del contumelioso), sino únicamente de ponerle
en ridículo ante los demás. Claro que indirectamente empaña también el honor del prójimo, y en este sentido la
irrisión se relaciona muy de cerca con la contumelia, de la que constituye una subespecie.

Este feo pecado se opone directamente a la justicia—porque quebranta el derecho del prójimo al aprecio y estima de
los demás—e indirectamente a la caridad. Si el burlón intentara directamente el desprecio del prójimo, faltaría
directa y gravemente a la caridad.

822. 2. Malicia. Santo Tomás advierte expresamente que la burla, por su naturaleza, es menos grave que la
detracción o la contumelia, porque no implica desprecio, sino broma o juego. Pero a veces entraña mayor desprecio
que la contumelia, y en este caso constituye mayor pecado.

El orden descendente de gravedad en el pecado de burla o irrisión lo expresa admirablemente Santo Tomás en la
siguiente forma :

*La burla es un pecado grave, tanto más grave cuanto mayor respeto se debe a la persona sobre quien recaiga la
burla. Por consiguiente, la peor de todas es burlarse de Dios y de las cosas divinas (pecado gravísimo), según dice el
profeta Isaías: « ¿A quién has insultado y contra quién has alzado tu voz?» Y luego añade: «Contra el Santo de Israel»
(Is. 37,23).

Viene en segundo término la burla contra los padres, por lo que dice el libro de los Proverbios: *Al que escarnece a
su padre y pisotea el respeto de su madre, cuervos del valle le saquen los ojos y devórenle aguiluchos» (Prov. 30,17).

Ocupa el tercer lugar por su gravedad la burla que recae sobre los justos, porque «el honor es el premio de la virtud»,
en frase de Aristóteles. Y también Job se lamenta de que «sea escarnecida la sencillez del justo» (Iob 12,4). Esta burla
es muy nociva, porque pone obstáculos a los hombres en la práctica del bien, según dice San Gregorio: «Hay quienes
ven brotar el bien en las obras del prójimo y se apresuran a arrancarlo en seguida con la mano de su repugnante
burla» (II-II,75,2).

La burla sería pecado venial si se refiere a un defecto leve del prójimo y no le ocasiona gran rubor ante los demás. Y
carecería de toda culpa si se hiciera de tal forma (v.gr., por gracia o chiste de buen tono), que el mismo burlado riera
de buen grado el ingenio del burlón, sin sentirse ofendido con su chiste. Escuchemos nuevamente a Santo Tomás:

«Es propio de la eutrapelia, o buen humor, el que profiramos algún dicterio, no para deshonrar o contristar a aquel
contra quien se pronuncia, sino más bien por diversión o chanza, y esto puede hacerse sin pecado si se guardan las
condiciones debidas. Pero si alguien no vacila en contristar a la persona objeto de la burla con tal de provocar la risa
en los otros, esto es vicioso y no puede hacerse sin pecado» (II-II,72,2 ad 1).

C) La maldición

823. I. Noción. En el sentido en que la tomamos aquí, la maldición consiste en invocar un mal contra alguien, ya en
forma imperativa, ya optativa.

La idea de maldición deriva de su mismo sentido verbal: malum dicere, decir mal contra otro. Pero pueden
distinguirse cuatro modalidades distintas: enunciativa, causativa, imperativa y optativa (cf. II-II,76,1).

a) ENUNCIATIVA es aquella maldición que se limita a hablar mal del prójimo (v.gr., sacando a relucir sus defectos), sin
desearle ningún daño o castigo. Coincide con los pecados de palabra contra el prójimo, que hemos examinado más
arriba (murmuración, calumnia, etc.).

b) CAUSATIVA es la maldición que produce o causa un daño real a la criatura sobre quien recae. Es propia de Dios,
cuya palabra causa lo que significa. La usó el mismo Cristo al maldecir a la higuera estéril, que «se secó al instante»
(Mt. 21,19). Pero se ha de advertir que Dios no puede ser causa del mal de culpa o del pecado, por lo que
las maldiciones que lanzaron los profetas en nombre de Dios contra los pecadores (en las que parecían pedir a Dios
que les cegara y endureciera cada vez más con el fin de castigarlos después severamente en el infierno) han de
entenderse—teniendo en cuenta el tono y género literario de las expresiones bíblicas—como meras permisiones y
anuncios divinos de la obstinación de aquellos pecadores y del castigo que sefrirfan por ella; jamás en el sentido de
que Dios les cegara y endureciera de hecho el corazón para que se entregaran con mayor desenfreno al pecado.
c) IMPERATIVA es aquella maldición por la que se manda a otro causar un daño a un tercero. Es la primera de las
nueve formas de cooperación al mal (mandante) que hemos examinado en su lugar correspondiente (cf. n.553 y 765).
Quebranta la justicia y la caridad.

d) OPTATIVA es aquella maldición que desea al prójimo algún mal en cuanto mal. En este sentido se opone
directamente a la justicia y a la caridad; pero podría no envolver desorden ni pecado alguno cuando el mal que se le
desea al prójimo no tiene razón de mal, sino de bien (v.gr., cuando se desea el castigo del culpable para que se
enmiende y emprenda una vida honrada).

824. 2. Malicia. Vamos a precisarla en des conclusiones:

Conclusión 1.a: La maldición propia y formal es pecado de suyo grave contra la justicia y la caridad, pero a veces
puede no pasar de pecado venial.

Consta expresamente:

a) POR LA SAGRADA ESCRITURA. Los textos son innumerables. He aquí algunos por vía de muestra:

«Quien maldiga a su padre o a su madre, sea castigado con la muerte; caiga su sangre sobre él» (Lev. 20,9).

«Quienquiera que maldijese a su Dios, llevará sobre sí su iniquidad; y quien blasfemase el nombre de Yavé, será
castigado con la muerte» (Lev. 24,15).

San Pablo enumera a los maldicientes entre los pecadores que merecen la exclusión del reino de Dios (1 Cor. 6,1o).

b) POR LA RAZÓN TEOLÓGICA. Escuchemos al Doctor Angélico :

«La maldición de que ahora tratamos aquí es aquella que consiste en invocar un mal contra alguien, ya en forma
imperativa, ya optativa. Pero querer el mal de otro o mandar que se le infiera es opuesto de suyo a la caridad, por la
cual amamos al prójimo y queremos su bien. Por ello, según su propio género, es pecado mortal, y tanto más grave
cuanto más obligados estamos a amar y reverenciar a la persona a quien maldigamos. De ahí que esté escrito en el
Levítico: «El que maldijese a su padre y a su madre, sea muerto» (Lev. 20,9).

Sin embargo, puede ocurrir que proferir una palabra de maldición sea sólo pecado venial, ya por la pequeñez del mal
que uno desee a otro al maldecirle, ya también por los sentimientos del que profiere tales palabras de maldición,
cuando lo hace por ligereza o en broma o por algún aturdimiento, porque los pecados de palabra se valoran
principalmente por los sentimientos o intención del agente» (II-II,76,3).

En la maldición imperativa, que produce de hecho un daño al prójimo, además del pecado contra la caridad, se
comete otro de injusticia, que obliga a la reparación.

El orden descendente de gravedad en el pecado de maldición es el siguiente:

a) CONTRA Dios. Pecado gravísimo, que, si envuelve odio o aversión a Dios, constituye el mayor de todos los pecados
que se pueden cometer.

b) CONTRA LOS PADRES, que se opone a la piedad y era castigado en la Antigua Ley con la pena de muerte (Lev. 20,9).

c) CONTRA LOS SUPERIORES, que se opone a la virtud de la observancia.

d) CONTRA LOS DEMÁS PRÓJIMOS, en mayor o menor escala según su dignidad y proximidad a nosotros.

e) CONTRA LAS CRIATURAS IRRACIONALES (lluvia, viento, granizo, etc.). Si se las maldijera en cuanto criaturas o
instrumentos de Dios, sería un pecado gravísimo. Si se las maldice tan sólo por el daño que pueden causar, es ocioso
y vano—ya que no han de sufrir ningún daño por nuestra maldición—y, por consiguiente, ilícito (II-II,76,2).

Conclusión 2ª: En diferentes aspectos, la maldición del prójimo es mayor y menor pecado que la detracción del
mismo.

He aquí la explicación de Santo Tomás:


«En igualdad de circunstancias, es más grave inferir un perjuicio que desearlo simplemente. De ahí que la detracción
(que infiere un daño real a la fama del prójimo) es pecado más grave que la maldición expresada en forma de simple
deseo. Pero la maldición formulada en forma imperativa tiene valor de causa, y en este sentido puede ser más grave
que la detracción, si infiere un daño mayor que la denigración de la fama, o más leve, si el daño es menor.

Estos extremos deben valorarse según lo que formalmente pertenece a la esencia de estos vicios. Sin embargo, hay
que tener en cuenta otras circunstancias accidentales que pueden aumentar o disminuir la gravedad de dichos
pecados* (II-II,76,4).

LAS LEYES MERAMENTE PENALES


Las leyes meramente penales

Hemos llegado a un punto interesantísimo, que vamos a estudiar cuidadosamente dada la importancia práctica y
enorme repercusión social que de su recta o falsa solución se sigue inevitablemente.

146. 1. Noción. Según el esquema que hemos propuesto más arriba al dividir la ley en general, una de sus divisiones
se tomaba por razón de la obligación, y era tripartita: moral, penal y mixta.

a) LEY MORAL es aquella que obliga a culpa sin ninguna pena o sanción jurídica (v.gr., la obligación de oír misa los
domingos; quien la quebranta comete un pecado grave, pero no queda excomulgado ni recibe en este mundo
ninguna sanción jurídica).

b) PENAL sería aquella cuyo quebrantamiento no supondría culpa moral alguna (aunque si jurídica), pero llevaría
aneja la obligación en conciencia de sufrir una pena (v.gr., de pagar una multa por haber cruzado la calle por sitio
indebido).

c) MIXTA, en fin, es aquella cuyo quebrantamiento lleva consigo una culpa moral y su pena o sanción jurídica
correspondiente (v.gr., el aborto voluntario es un gravísimo pecado, que lleva consigo excomunión por parte de la ley
eclesiástica y multa y cárcel por la ley civil).

147. 2. Un poco de historia. La doctrina de las leyes meramente penales ha sufrido una gran evolución a través de los
siglos. He aquí sus principales vicisitudes :

a) Fue enteramente desconocida de la antigúedad clásica.

b) Aparece por primera vez en el prólogo de las Constituciones de la Orden de Santo Domingo, aprobadas por el
capítulo general celebrado en París en 1236. En el texto actual de las Constituciones dominicanas figura la
declaración en el número 32 § 1, que dice así: «Para proveer a la unidad y a la paz de toda la Orden, queremos y
declaramos que nuestra Regla, Constituciones y Ordenaciones de los capítulos y de los prelados no nos obliguen a
culpa o a pecado, sino solamente a la pena señalada para los transgresores en las mismas Constituciones u
Ordenaciones, o a la que señalen los prelados. Obligan.a culpa, sin embargo, cuando se interpone precepto formal o
se quebrantan por desprecios 15.

c) Poco a poco fué abriéndose paso esta doctrina e invadiendo el terreno civil; pero no llegó a predominar del todo
hasta el siglo XIX, en que prevalecieron las doctrinas individualistas,

d) En el siglo XX, a medida que la idea de la justicia social va abriéndose camino, van disminuyendo sus partidarios.
En la actualidad son ya muchos los teólogos que se oponen abiertamente a la teoría de las leyes meramente penales.

148. 3. Distintas opiniones. Naturalmente que tanto los partidarios corno los impugnadores de la teoría de las leyes
meramente penales, con relación principalmente a las leyes del Estado, pretenden apoyarse en argumentos sólidos.
He aquí un resumen de los principales en uno y otro sentido:

Argumentos a favor de su existencia*

1) El legislador puede, si lo juzga suficiente para el cumplimiento de su ley, imponerla tan sólo como meramente
penal y no obligatoria en conciencia. Ya sea de una manera disyuntiva («haz esto, o paga la multa: elige libremente»),
ya con una obligación moral que afecta sólo a la pena condicionada a la transgresión de la ley con sólo culpa jurídica
(«Si haces esto, no pecas; pero tendrás obligación en conciencia de pagar la multas), ya con la doble obligación
puramente jurídica, sin afectar al orden moral (a no ser indirectamente con relación a la pena, en virtud de la ley
divina, que manda obedecer a las leyes justas).

2) Dada la multiplicidad y constante variación de las leyes (sobre todo en materia fiscal y económico-social), que las
hacen menos necesarias para el bien común y menos aptas para imponer obligación de conciencia, pueden
considerarse muchas de ellas como meramente penales, tanto más cuanto no pocas veces es lícito poner en duda su
legitimidad, ya sea por descuidar la verdadera justicia distributiva (imponiendo cargas casi por igual a los ricos y a los
pobres), ya por el demasiado intervencionismo del Estado en actividades que son de la competencia de los
ciudadanos o de las sociedades inferiores.

3) Los legisladores civiles modernos no se preocupan ni tratan de obligar en conciencia a sus súbditos, sino
únicamante de hacer cumplir las leyes con procedimientos psicológicos y coactivos, y quieren el orden jurídico
separado de la moral. Y con esta mentalidad del legislador coincide la persuasión de la mayor parte de los súbditos.

4) En caso de duda, y a falta de una declaración explícita del legislador, podrá reconstruirse su voluntad presunta de
no imponer obligación moral : a) por la forma de mandar alternativa o condicionada; b) por la materia más o menos
necesaria al bien común; c) por la cuantía de la pena impuesta al transgresor; d) por la costumbre interpretativa de
su ley.

Argumentos en contra**

1) La voluntad del legislador no puede por sí misma decidir acerca de la no obligatoriedad en conciencia de una ley, si
ésta es por esencia obligatoria, así como no puede tampoco declarar obligatoria una ley injusta. La fuerza obligatoria
de la ley humana proviene de su dependencia de la ley natural, de la que es un eco y determinación concreta; y esto
no depende de la libre voluntad del legislador humano, sino de la naturaleza misma de las cosas. Aparte de que se
seguiría el absurdo de que el legislador, que habría desobligado del vínculo moral de la ley (que es lo primario y
esencial en ella), no podría hacer lo mismo con la pena (que es lo secundario y accidental), porque entonces su ley
habría desaparecido del todo para convertirse en un mero consejo.

Estos inconvenientes no se obvian con ninguna de las tres explicaciones propuestas. Porque: a) en la teoría de la
obligación disyuntiva se seguiría la paradoja de que la ley penal sólo merece el nombre de ley cuando se infringe, ya
que únicamente entonces obliga a algo: a la pena; b) en la de la obligación condicional, tampoco se resuelve el
conflicto, porque, si la ley es necesaria y conveniente al bien común, es obligatoria en conciencia por su naturaleza
misma; y si no lo es, no hay obligación alguna, ni moral ni civil o jurídica, porque no es verdadera ley; y c) en la de la
obligación puramente jurídica, ¿por qué se invoca la ley divina para obligar a la pena, que es lo accesorio de la ley, y
no se acude a ella para garantizar el cumplimiento de la ley en cuanto dicta una conducta a seguir, que es lo primario
y fundamental? Y si no hay actos humanos deliberados que sean indiferentes en concreto, y si el cumplimiento de la
ley puramente penal es, por consiguiente, forzosamente bueno en sentido moral, ¿cómo no ha de ser forzosamente
mala, moralmente, su transgresión? Si no hay obligación de cumplir en conciencia ni el mandato ni la pena, ¿cómo
pueden estar unidos, aun cuando luego se distingan, la moral y el derecho?

2) No vale el argumento de la excesiva multiplicidad de las leyes o del intervencionismo del Estado. Porque si, a pesar
de su multiplicidad, las leyes son justas, obligan en conciencia a su cumplimiento; y si no lo son, no obligan en modo
alguno, ni ante Dios ni ante los hombres. Su infracción estaría plenamente justificada, pero no por ser
leyes meramente penales, sino simplemente por no ser leyes en modo alguno.

3) Ni vale tampoco afirmar que el legislador moderno no se preocupa ni intenta obligar en conciencia a los súbditos,
porque no puede citarse una sola ley civil en la que el legislador declare expresamente que no quiere obligar en
conciencia a los súbditos. Y, siendo esto así, ¿por qué ha de recaer sobre el legislador la obligación de demostrar que
quiso obligar en conciencia—siendo éste, como es, el efecto normal de toda ley justa—y no sobre el teólogo o el
súbdito la de probar realmente (y no por vagas presunciones contra toda lógica) que no quiso obligar en conciencia?

4) No valen tampoco las razones alegadas para resolver este conflicto en caso de duda sobre la mente del
legislador: a) no la forma de mandar alternativa o condicionada, porque hoy día todas las leyes son
imperativas; b) no la materia menos necesaria al bien común, porque, si es del todo innecesaria, se trata de una ley
injusta y deja de ser ley; y si sólo se trata de mayor o menor conveniencia, sirve únicamente para determinar el grado
mayor o menor de culpabilidad que llevará consigo su infracción, pero no para declararla meramente penal; c) ni la
cuantía de la pena impuesta al transgresor, ya que, mientras para los teólogos antiguos la gravedad de la pena era
indicio de que se trataba de una ley obligatoria en conciencia, modernamente, por el contrario, se interpreta en el
sentido de que se trata de ley puramente penal, en la que el legislador agrava la pena porque se contenta con
imponer ésta, sin exigir el cumplimiento directo de la norma; d) ni, finalmente, la costumbre interpretativa de su
obligatoriedad, porque, aparte de que no se sabe si se trata de la costumbre de los doctos o de la del pueblo, es
evidente que una de dos: o se trata de una derogación consuetudinaria de una norma o, en caso contrario, no puede
echarse mano de la estadística de los observantes para afirmar o negar una obligación en conciencia, sino, a lo sumo,
para excusar una conciencia errónea no culpable.
________________
*Cf. ZALBA, Theologiae Moralis Summa I n.461-470.
**Cf. ANTONIO DE LUNA, Moral profesional del abogado, en Moral profesional (C. S. I. C., Madrid 1954) p.270-283,
con cuyas ideas nos sentimos por completo identificados. Transcribimos, a trozos, sus mismas palabras.
Uno de los autores modernos que mejor ha estudiado la no existencia de leyes meramente penales es el dominico
francés P. Renard en su magnífica obra La théorie des leges mere pénales (París 1929).

149. 4. Principios para una recta solución. Examinando con serenidad y desapasionamiento los argumentos de
ambas partes y, sobre todo, la naturaleza misma de las cosas, nos parece que se puede llegar razonablemente a las
siguientes conclusiones :

Conclusión 1ª: Toda verdadera ley, en el sentido estricto de la palabra, establece un vínculo moral para los súbditos
y, por consiguiente, obliga en conciencia a su cumplimiento.

Rectamente entendida, nos parece que esta conclusión es del todo cierta, y no puede ser rechazada razonablemente
por nadie.

Para su recta interpretación es preciso cargar el acento sobre aquella cláusula restrictiva: toda verdadera ley en el
sentido estricto de la palabra. Porque sucede, en efecto, que se da el nombre de leyes a ciertas normas directivas o
estatutos particulares que, en realidad, no alcanzan la talla o categoría de verdaderas leyes en el sentido riguroso y
técnico de la palabra; y en este tipo de leyes imperfectas, o secundum quid, no hay inconveniente en admitir, nos
parece, la posibilidad de normas meramente penales. Volveremos en seguida sobre esto.

La razón intrínseca por la que nos parece que no pueden admitirse leyes meramente penales cuando se trate de
verdaderas leyes, es porque el legislador no puede alterar a su voluntad la naturaleza misma de las cosas. La ley
humana, tanto eclesiástica como civil, en tanto es verdadera ley en cuanto sea un reflejo de la ley natural y divina y,
en última instancia, de la ley eterna, identificada con la esencia misma de Dios. Y si, como se demuestra en filosofía
tomista, las esencias de las cosas no dependen de la voluntad de Dios (v.gr., Dios no puede hacer que dos y dos sean
cinco), sino del entendimiento divino, que las dicta y crea tal como deben ser, muchísimo menos dependerá de la
voluntad del hombre alterar a su capricho el orden natural de las cosas, declarando que no establezca vínculo moral
lo que lo establece naturalmente y por sí mismo. Ahora bien: toda ley verdadera y legítima, en cuanto reflejo que es
de la ley natural y eterna, establece un vínculo moral que nadie puede substraerle, y obliga, por consiguiente, en
conciencia a su cumplimiento.

Este razonamiento nos parece que no tiene vuelta de hoja, y de él se sigue como consecuencia lógica que no existen
leyes propiamente tales que puedan tener un carácter meramente penal. Lo que sí concedemos sin dificultad alguna
es que caben infinidad de grados en la culpabilidad moral que lleva aneja su transgresión. A veces se tratará de una
falta insignificante, venialísima, por tratarse de una materia que sólo muy de lejos se relacione con el bien común.
Pero cuando se quebranta conscientemente cualquiera verdadera ley, por insignificante que sea, se comete siempre
alguna falta de orden moral, o sea, en el fuero interno de la conciencia.

Pongamos un ejemplo para que aparezca con mayor claridad la verdad de esta doctrina. Si hay algunas disposiciones
civiles que parezcan tener todas las características de leyes meramente penales, son, sin duda alguna, las relativas al
tráfico por carreteras o a la circulación urbana en las grandes ciudades. ¿Por qué se limita la velocidad que han de
llevar los automóviles en determinados parajes o se nos manda circular por la derecha, imponiéndonos una multa si
lo hacemos por la izquierda? Indudablemente, porque el legislador ha visto la conveniencia de esa disposición para
evitar accidentes o conflictos circulatorios; o sea, ha ordenado el cumplimiento de una norma encaminada al bien
común de los ciudadanos. Si no fuera así, o sea, si hubiera dado aquella disposición por puro capricho, sin relación
ninguna al bien común, su mandato sería puramente arbitrario e injusto y no tendría valor alguno obligatorio, ni a
culpa ni a pena. El legislador habría rebasado sus atribuciones de tal y su disposición carecería en absoluto de valor
legal, ya que no sería una «ordenación de la razón dirigida al bien común*, como exige la definición misma de la ley.
Toda la fuerza obligatoria de aquella disposición le viene, pues, de su íntima conexión con la ley natural, que ordena
al legislador imponer orden en el modo de conducirse los ciudadanos para lograr el bien común de todos. De donde
es forzoso concluir que todas las leyes humanas y civiles en tanto son leyes en cuanto son determinaciones explícitas
y concretas de lo que está implícito o indeterminado en la ley natural, que ordena al legislador procurar el bien
común de todos los ciudadanos; y, por lo mismo, todas ellas obligan en conciencia, aunque en mayor o menor grado
según la importancia o transcendencia de la ley en orden al bien común.

Una confirmación, al menos indirecta, de la verdad de estos principios nos parece verla en el hecho de que en el
Código canónico no se contiene una sola ley que sea meramente penal. No nos atrevemos a decir que esta ausencia
signifique que la Iglesia no admita la posibilidad de leyes meramente penales, pero es indudable que su actitud es
altamente significativa y, al menos indirectamente, confirma la teoría que las niega.

Conclusión 2ª: En sociedades imperfectas caben normas directivas (no verdaderas leyes) que obliguen únicamente
a culpa meramente jurídica y a su correspondiente sanción penal.

Esta conclusión, perfectamente conciliable con la anterior, nos parece también del todo cierta, si se interpretan
rectamente los términos de la misma. Veámoslo :

EN SOCIEDADES IMPERFECTAS. COMO es sabido, la sociedad, en general, no es otra cosa que «la reunión de muchos
en orden a un fin común bajo la dirección de la autoridad competente». Se llama perfecta si subsiste por sí misma, se
basta ella sola para obtener su propio fin y es del todo independiente de cualquier otra sociedad. Y se
llama imperfecta cuando le faltan esas condiciones o, al menos, alguna de ellas. La Iglesia y el Estado son
sociedades perfectas, cada una en su propia esfera. Dentro de la Iglesia son sociedades imperfectas una Orden
religiosa, una diócesis, una parroquia, etc. Dentro del Estado, y en cuanto forman parte de él, una provincia, una
ciudad, una sociedad particular (cultural, económica, deportiva, etc.) y, a fortiori, la sociedad doméstica o familiar.

CABEN NORMAS DIRECTIVAS (NO VERDADERAS LEYES). En cuanto sociedades, aunque imperfectas, ya se comprende
que tienen que tener una autoridad y un cuerpo legislativo propio, más o menos completo; de lo contrario, no
podrían subsistir mucho tiempo, ya que es imposible una sociedad cualquiera sin autoridad y sin ley. Pero
consideradas no de una manera absoluta y en sí mismas, sino como parte de un todo más universal (la Iglesia o el
Estado), no son sujeto de leyes propiamente tales, ya que el propio legislador tiene que subordinarse a una
ley humana, eclesiástica o civil, que le envuelve a él mismo como súbdito. El legislador interno de estas sociedades
imperfectas puede y debe dar normas directivas para el gobierno de las mismas, pero no verdaderas leyes que
tengan por sí mismas carácter absoluto y universal, como las propias de las sociedades perfectas. Algunos teólogos
dicen que se trata, a lo sumo, de leyes imperfectas y hasta cierto punto o secundum quid.

QUE OBLIGUEN ÚNICAMENTE A CULPA MERAMENTE JURÍDICA Y A SU CORRESPONDIENTE SANCIÓN PENAL. No hay
inconveniente en admitir en esta clase de leyes imperfectas, o mejor aún, de normas directivas, la categoría
meramente penal que rechazábamos en la verdadera ley. Porque, no siendo normas dirigidas u ordenadas al bien
común universal—como las de la verdadera ley—, sino a un grupo reducido de miembros que pertenecen como
verdaderos súbditos a otra sociedad más alta (la Iglesia o el Estado), y siendo por otra parte, sociedades
puramente facultativas, en las que los miembros ingresan en ellas libremente y se obligan voluntariamente a cumplir
las ordenanzas de la misma en la forma que el legislador particular ha querido determinar y no más, no hay
inconveniente en que ese legislador declare expresamente que no quiere ligar la conciencia de sus súbditos
imponiéndoles una obligación moral, sino tan sólo de tipo meramente jurídico, a la que se le adjudica como
obligatoria una determinada sanción penal, por entender que es suficiente esta forma de mandar para obtener el fin
interno que la sociedad se propone en cuanto tal.

El simple buen sentido parece poner fuera de duda la posibilidad de estas normas meramente penales (aun sin la
expresa declaración del jefe) cuando se trata de una sociedad imperfecta de tipo civil. Sería ridículo decir que la falta
de asistencia a una junta general preceptuada por los estatutos de una sociedad deportiva constituye un pecado
venial. Se trata únicamente de una culpa meramente jurídica contra los estatutos de esa sociedad, que quizás lleve
consigo la expulsión como socio de la misma como sanción penal por la falta cometida; pero sería francamente
excesivo ver en esa falta una perturbación del orden natural de las cosas que establezca un verdadero pecado, por
muy venial que sea, en el fuero interno de la conciencia.

Más difíciles de justificar resultan esas normas meramente penales tratándose de sociedades eclesiásticas, como las
Ordenes religiosas. Y, sin embargo, es un hecho que gran número de Ordenes religiosas, a partir de la de Santo
Domingo, y, por disposición general de la Iglesia, todas las Congregaciones modernas, declaran expresamente que su
legislación interna no obliga de suyo a culpa moral alguna, sino sólo a sufrir la sanción penal correspondiente a su
transgresión. A nosotros nos parece ver el fundamento jurídico de esta clase de mandatos en el hecho de que no se
trata de verdaderas leyes, sino únicamente de normas directivas, que obligan tan sólo en el grado y medida que el
legislador quiera imponer y no más; y ello no por una determinación caprichosa del legislador, sino por haber
estimado, bajo el juicio inmediato de su prudencia gubernativa, que esa forma de mandar era suficiente para
promover el bien de los súbditos y obtener el fin particular y concreto que se propone su Orden religiosa en cuanto
tal. Sin embargo, en la práctica será muy difícil que el súbdito que conculca voluntariamente una de esas normas
directivas no corneta un verdadero pecado venial de negligencia, etc., que podría incluso llegar a mortal si lo hiciese
por desprecio de la ley o quebrantando un precepto formal del superior que hubiera recaído sobre aquella simple
norma directiva. Lo advierte expresamente Santo Tomás en un texto modelo de claridad y precisión. He aquí sus
propias palabras:

«El que profesa la regla no hace voto de observar todo lo que en la regla se contiene, sino de vida regular, que,
esencialmente, consiste en las tres cosas predichas (los votos). Por lo que en algunas Ordenes religiosas profesan más
cautelosamente, no la regla, sino vivir según la regla, o sea, tender a informar las propias costumbres según la regla
tomada como ejemplar. Y esto se destruye por el desprecio.

En otras religiones, todavía más cautelosamente, profesan obediencia según la regla, de suerte que no va contra la
profesión sino lo que va contra el precepto de la regla. La transgresión u omisión de las otras tres cosas obliga sólo a
pecado venial. Porque, como ya hemos dicho, estas otras cosas son disposiciones para los principales votos; y el
pecado venial es disposición para el mortal, en cuanto impide aquellas cosas por las que uno se dispone a cumplir los
principales preceptos de la ley de Cristo, que son los preceptos de la caridad.

En alguna otra religión, a saber, la de los Hermanos Predicadores, tal transgresión u omisión no obliga de suyo (ex
genere suo) a culpa mortal ni venial, sino sólo a la pena señalada: porque de este modo se obligan a observarla. Los
cuales, sin embargo, pueden pecar venial o mortalmente por negligencia, liviandad o desprecio.

Royo Marín, Teología Moral para Seglares, 2ª edición

http://sededelasabiduria.es/2018/12/27/las-leyes-meramente-penales/

EL FIN ÚLTIMO DEL HOMBRE


El fin último del hombre

Sumario: Examinaremos por separado el fin último supremo y absoluto, y el fin secundario y relativo.

A) El fin supremo y absoluto

16. Para proceder ordenadamente y remontarnos hasta la fuente misma de donde brotan las cosas es preciso
plantear el problema de la finalidad misma de la Creación, o sea qué es lo que Dios se ha propuesto al sacar de la
nada todo cuanto existe. Porque es evidente que si todo agente intelectual obra por un fin, Dios, que es la
Inteligencia infinita y el Agente intelectual por excelencia, ha tenido que proponerse un fin al traer a la existencia a
sus criaturas sacándolas de la nada por el acto creador omnipotente e infinito.

¿Cuál es la finalidad intentada por Dios con la creación del Universo? Vamos a precisarlo en forma de conclusiones.

Conclusión I.a: El fin último y supremo de todas las criaturas es el mismo Dios.

Esta conclusión es evidentísima y no necesita demostración, sino mera exposición de su verdad intrínseca.

Para dejarla fuera de toda duda, basta considerar que Dios es el Ser infinito, la plenitud absoluta de toda Bondad y
Perfección. Ahora bien: si Dios, al crear las cosas, se hubiera propuesto un fin distinto de Sí mismo, hubiera
subordinado su acción a ese fin, ya que todo agente subordina necesariamente su acción al fin que intenta con ella,
como es evidente. Pero como la acción de Dios no se distingue del mismo Dios, ya que en El son una misma cosa la
esencia y la existencia, el ser y la operación, síguese que Dios mismo se hubiera subordinado a ese fin distinto de
Dios, lo cualsería un gravísimo desorden y una gran inmoralidad, metafísicamente imposibles en Dios. El Ser infinito
no puede subordinarse al ser finito; la Bondad suma no puede estar por debajo de la bondad limitada; la soberana
Perfección no puede hacerse súbdita de la imperfección y caducidad de las criaturas. Es, pues, evidentísimo que la
finalidad intentada por Dios al sacar todas las cosas de la nada tiene que ser forzosamente el mismo Dios.

Corolario. De donde se deduce la gran dignidad y excelencia de las criaturas todas, que tienen por finalidad última y
suprema nada menos que al mismo Dios, fuente y origen de toda bondad y perfección.

Pero cabe todavía preguntar: ¿en qué forma quiere ser Dios el fin último de todo cuanto existe? ¿Qué es lo que Dios
se propuso concretamente al sacar todas las cosas de la nada?

Conclusión 2.a: El fin intentado por Dios con la creación universal fue su propia gloria extrínseca, o sea la
manifestación y comunicación a sus criaturas de su propia bondad infinita.

Que el mundo fue creado por Dios para su propia gloria, es una verdad de fe, expresamente definida por la Iglesia.
He aquí la solemne declaración dogmática del concilio Vaticano:

«Si alguno no confiesa que el mundo y todas las cosas que en él se contienen, espirituales y materiales, han sido
producidas por Dios de la nada según toda su substancia; o dijere que Dios no creó por libre voluntad, sino con la
misma necesidad con que se ama necesariamente a sí mismo; o negare que el mundo ha sido creado para gloria de
Dios: sea anatema« (D. 1805).

La razón de esta finalidad es muy sencilla. Todas las criaturas creadas o creables no pueden añadirle intrínsecamente
a Dios absolutamente nada, como quiera que sea El el Ser infinito, la plenitud absoluta del Ser, al que nada le
falta ni puede faltar. Por consiguiente, al sacar de la nada todo cuanto existe, Dios no busca en sus criaturas algo que
El no tenga ya, sino únicamente desbordar sobre ellas su bondad y perfecciones infinitas. En esto consiste
precisamente la gloria extrínseca de Dios, que llena de admiración a las criaturas y arranca de ellas en una forma o en
otra—como veremos—el grandioso himno de la gloria y alabanza de Dios que sube hasta el cielo continuamente
desde todos los confines de la creación universal.

Esa suprema glorificación de Dios constituye el fin último y absoluto de todas las criaturas, principalmente de las
inteligentes y libres (el ángel y el hombre). Y en esa glorificación, prestada voluntariamente y por amor, encuentran
precisamente su suprema felicidad, que es, como veremos en seguida, el fin último secundario de las criaturas
racionales.

Por donde aparece claro que Dios, al intentar su propia gloria en sus criaturas, no solamente no realiza un acto de
()egoísmo trascendental» —como se atrevió a decir con blasfema ignorancia un filósofo impío—, sino que constituye
el colmo de la generosidad, desinterés y largueza.

Porque no busca con ello su propia utilidad—ya que nada absolutamente pueden añadir las criaturas a su felicidad y
perfecciones infinitas—, sino únicamente comunicarles su bondad. Dios ha sabido organizar de tal manera las cosas,
que las criaturas encuentran su plena felicidad precisamente glorificando a Dios. Por eso dice Santo Tomás que sólo
Dios es infinitamente liberal y generoso: no obra por indigencia, como buscando algo que necesita, sino únicamente
por bondad, para comunicarla a sus criaturas 5.

Conclusión 3.a: Todas las criaturas deben glorificar a Dios, cada una a su manera.

Es evidente que todas las criaturas están obligadas a glorificar a Dios, puesto que ésta es su suprema y última
finalidad. Pero cada una debe hacerlo a su manera, o sea según las exigencias de su propia naturaleza, ya que no
todas pueden glorificarle de igual modo y en idéntico sentido. Y así:

a) LAS CRIATURAS IRRACIONALES glorifican a Dios revelando algo de su infinita grandeza y hermosura, de la que ellas
mismas son una huella lejana y un remoto vestigio. No pueden glorificar a Dios con su propia adoración y alabanza,
pero pueden impulsar al hombre a que le glorifique y ame por ellas. Porque, así como una espléndida obra de arte
está glorificando al artista que la hizo, en cuanto que excita la admiración hacia él de todos cuantos la contemplan,
así la belleza inmarcesible de la Creación material —minerales, plantas, animales, estrellas del firmamento, etc.—está
cantando la gloria de Dios, en cuanto que impulsa a los seres racionales a que le glorifiquen y amen con todas sus
fuerzas. En este sentido dice el salmo que los cielos cantan la gloria de Dios (Ps. 18,I), y los grandes místicos (San
Francisco de Asís, San Juan de la Cruz, etc.) se extasiaban ante la contemplación de la belleza de la Creación, en la
que descubrían un rastro y vestigio de la hermosura del Creador.

b) LAS CRIATURAS INTELIGENTES (el ángel y el hombre) son los encargados de glorificar a Dios en el sentido propio y
formal de la palabra, esto es, reconociéndole, amándole y sirviéndole. Al hombre principalmente, compuesto de
espíritu y materia, le corresponde recoger el clamor entero de toda la creación, que suspira por la gloria de Dios (cf.
Rom. 8,18-23), y ofrecérsela al Creador como un himno grandioso en unión de su propia adoración. Corresponde al
hombre asumir la representación de todas las criaturas irracionales y rendir homenaje al Creador y supremo Señor
de todas ellas por una especie de mediación sacerdotal que exprese ante El la admiración y alabanza de todas las
criaturas. Este oficio grandioso eleva al hombre a una dignidad increíble, ante la que palidecen y se esfuman todas las
grandezas de la tierra. Por él todas las criaturas inferiores glorifican y alaban a Dios, como se expresa repetidas veces
en multitud de himnos directamente inspirados por el Espíritu Santo 6.

Conclusión 4.a: El hombre tiene obligación de proponerse, como fin último y absoluto de su vida, la glorificación de
Dios; de suerte que comete un grave desorden cuando intenta otra suprema finalidad contraria o distinta de ésta.

Es una simple consecuencia y corolario de las conclusiones anteriores. Cuando el hombre busca la gloria de Dios—al
menos de una manera virtual e implícita, esto es, realizando en gracia de Dios cualquier acto honesto y referible a
esa gloria divina—, está dentro del recto orden de la razón, puesto que se mueve dentro de los límites intentados y
queridos por el mismo Dios. Pero cuando voluntariamente y a sabiendas se propone alguna cosa contraria o
simplemente distinta de la gloria de Dios como finalidad última y absoluta, comete un grave desorden, que le coloca
fuera por completo de la línea de su verdadero y último fin y le pone en trance de eterna condenación si la muerte le
sorprende en ese lamentable estado.

Esto ocurre siempre que el hombre comete un verdadero pecado mortal, en el sentido estricto y riguroso de la
palabra. Porque—como ya hemos insinuado más arriba—, cuando el pecador comete su acción pecaminosa dándose
perfecta cuenta de que aquello está gravemente prohibido por Dios y es incompatible con su último fin
sobrenatural, está bien claro que antepone su pecado a este último fin y le coloca por encima de él. De donde la
acción pecaminosa ha venido a ser el fin último y absoluto del pecador. Lo cual supone un desorden mostruoso, que
lleva consigo la pérdida del verdadero fin último y el reato de pena eterna. El pecado mortal es el infierno en
potencia. Entre ambos no existe de por medio más que el hilo de la vida, que es la cosa más frágil y quebradiza del
mundo.

Nadie puede, por consiguiente, renunciar a la glorificación voluntaria de Dios. Dios ha querido que el hombre
encuentre su plena felicidad glorificándole a El. Nadie tiene derecho a quejarse de Dios o a rebelarse contra El por
haber querido hacernos felices. Ahora bien: el que renuncia a glorificarle voluntariamente y por amor, renuncia por lo
mismo a ser feliz. Y como Dios no puede perder su gloria por el capricho y la rebelión de su criatura, ese desdichado
pecador que, con increíble locura e insensatez, renuncia a glorificar su bondad infinita en el cielo, tendrá que
glorificar eternamente en el infierno los rigores de su infinita justicia. La felicidad eterna es nuestra vocación, y nadie
puede renunciar a ella sin cometer un crimen.

B) El fin secundario y relativo

17. Hasta aquí hemos examinado el fin último, supremo y absoluto del hombre, que es la glorificación de Dios. Vamos
a ver ahora cómo, al lado de este fin último primario y absoluto, hay otro fin último secundario y
relativo, perfectamente compatible y maravillosamente armonizado con aquél.

Conclusión: El fin último secundario y relativo del hombre es su propia felicidad o bienaventuranza.

He aquí el argumento demostrativo. Aquél será el último fin relativo del hombre—subordinado siempre al
fin absoluto, que es la gloria de Dios—al que se sienta atraído de una manera necesaria e irresistible por su misma
naturaleza; porque tal atractivo irresistible de la naturaleza humana no puede provenir sino de Dios, autor de la
misma, y muestra claramente que ése es el fin intentado por El al crearle. Pero el hombre se siente arrastrado de una
manera natural, necesaria e irresistible hacia su propia felicidad, que constituye el objeto supremo de sus anhelos y
aspiraciones. Luego…

Este argumento tiene fuerza absolutamente demostrativa en el plano y orden puramente natural, ya que, como se
demuestra en filosofía, es imposible que un deseo verdaderamente natural—o sea, exigido por la misma naturaleza
—sea vano o carezca de objeto, puesto que esto argüiría contradicción en Dios, autor de la naturaleza con todas sus
legítimas exigencias. Pero, como quiera que Dios ha elevado gratuitamente a todo el género humano a un fin
trascendente y sobrenatural, síguese que el hombre no tiene ya un fin último puramente natural, sino
trascendente y sobrenatural; y, por consiguiente, sólo en este orden sobrenatural y a base de la gracia divina y de los
demás medios sobrenaturales que Dios pone a su disposición, podrá llegar a su último fin relativo, que es su propia y
perfecta felicidad sobrenatural.

De manera que todos los hombres del mundo, sin excepción, tienden natural, necesaria e irresistiblemente a su
propia felicidad. En lo que no concuerdan los hombres es en el objeto que constituye su verdadera felicidad, puesto
que unos la buscan en Dios, otros en las riquezas, otros en los placeres, otros en .la gloria terrena o en otras diversas
cosas. Pero todos coinciden unánimemente y sin ninguna excepción en buscar la felicidad como blanco y fin de todos
sus anhelos y esperanzas (I-II,I,7).

Corolario. Luego no hay nadie, ni justo ni pecador, que renuncie o pueda renunciar a su felicidad como fin último
(relativo) de su vida. La monjita de clausura que se encierra para siempre entre cuatro paredes, el misionero que se
lanza a la conquista de las almas en medio de increíbles privaciones, etc., etc., buscan, en última instancia, su
salvación y felicidad eterna; y los que se entregan al pecado, apartándose de Dios, buscan también su propia
felicidad, que creen encontrarla, con tremenda equivocación, en los objetos mismos del pecado. Nadie obra ni puede
obrar deliberadamente en contra de su propia felicidad (ibid. ad 1, 2 et 3).

La felicidad o bienaventuranza del hombre

Veamos ahora en dónde se encuentra y en qué consiste la verdadera felicidad del hombre y, por consiguiente, su
verdadero y último fin. Examinaremos por separado la felicidad o bienaventuranza objetiva y la subjetiva.

La felicidad o bienaventuranza objetiva

18. 1. Noción. Como hemos visto más arriba, la felicidad objetiva no es otra cosa que el objeto beatificante, o sea
aquel que llene por completo las aspiraciones de nuestro corazón, proporcionándonos la bienaventuranza perfecta y
plenamente saciativa. Es—como dice Santo Tomás—«el bien perfecto que excluye todo mal y llena todos los deseos»
(I-II,5,3). Vamos a investigar ahora cuál es ese objeto supremo que constituye por sí mismo la bienaventuranza
objetiva.

19. 2. Condiciones que exige. El objeto que aspire a constituir la bienaventuranza objetiva del hombre ha de reunir,
al menos, las siguientes cuatro condiciones:

1. Que sea el supremo bien apetecible, de suerte que no se ordene a ningún otro bien más alto.

2. Que excluya en absoluto todo mal, de cualquier naturaleza que sea.

3. Que llene por completo, de manera saciativa, todas las aspiraciones del corazón humano.

4. Que sea inamisible, es decir, que no se le pueda perder una vez conseguido.

Es evidente que, sin alguna de estas condiciones, el hombre no podría ser plena y absolutamente feliz. Sin la primera,
aspiraría siempre a ese otro bien más alto y estaría inquieto hasta conseguirlo. Y sin las otras tres, tampoco podría
alcanzar la perfecta felicidad, ya por los males adjuntos o por las zonas insatisfechas de su propio corazón, o por la
tristeza inevitable que le produciría el pensamiento de que su dicha y felicidad tendrían que acabar algún día.

20. 3. Opiniones. Acaso en ninguna otra cuestión filosófica haya tanta variedad de opiniones como en torno al objeto
en que haya de colocarse la felicidad o bienaventuranza del hombre: se citan más de 280. Pero todas ellas pueden
agruparse en torno a unas cuantas categorías de bienes, según puede verse en el siguiente esquema de la magnífica
cuestión que dedica a este asunto el Doctor Angélico en la Suma Teológica (I-II,2).
21. 4. Doctrina verdadera. Vamos a ver cómo la suprema felicidad del hombre no puede encontrarse en ninguno de
los bienes creados o finitos, ya sea considerados aisladamente uno por uno, ya colectivamente y en su conjunto; y
cómo se encuentra única y exclusivamente en la posesión de Dios. Dada la amplitud de la materia, nos limitaremos a
un brevísimo resumen en tres conclusiones principales.

Conclusión Iª: La suprema felicidad del hombre no puede encontrarse en ninguno de los bienes creados externos o
internos considerados aisladamente.

Para poner fuera de toda duda esta conclusión, basta evidenciar que ninguno de esos bienes creados reúne las
condiciones que hemos señalado más arriba para la bienaventuranza objetiva. He aquí la demostración.

A) Bienes externos

1º. RIQUEZAS. a) No se buscan por sí mismas, sino en orden a otras cosas que se pueden adquirir con ellas. En sí
mismas no tienen valor alguno.

b) No excluyen todos los males, ni muchísimo menos. ¡Cuántos ricos enfermos, desgraciados en su familia,
matrimonio, etc., etc. !

c) No llenan por completo el corazón. Al contrario, fomentan la avaricia, la ambición, el deseo de acumular más y
más. Con frecuencia los más ricos son los más inquietos por no serlo más.

d) Pueden fácilmente perderse por cualquier revés de fortuna. Y, en todo caso, todo se estrellará dentro de poco
contra la losa del sepulcro.

Fallan, pues, en absoluto, las cuatro condiciones que se requieren para la perfecta felicidad. El dinero no basta para
ser feliz; ni siquiera se requiere como condición indispensable.

2º. HONORES, FAMA, GLORIA Y PODER. a) Son bienes inestables. Dependen con frecuencia, no del verdadero mérito,
sino del capricho de los hombres. Hoy, primera figura internacional; mañana, sepultado en el olvido. ¿Quién se
acuerda hoy de los nombres que llenaban los periódicos hace un siglo?

b) Todos ellos son bienes extrínsecos e inferiores al hombre, y no pueden, por lo mismo, constituir la nota esencial de
su interna felicidad.
c) No reúnen ninguna de las condiciones requeridas para la bienaventuranza: no son el bien supremo, ni excluyen
todos los males, ni llenan por completo el corazón humano, ni son imperecederos.

B) Bienes internos

1º. DEL CUERPO. Salud, belleza, fuerza, etc. No pueden constituir por sí mismos la felicidad del hombre, porque no
cumplen tampoco ninguna de las condiciones exigidas para ello. No son el bien supremo—el cuerpo es la parte
inferior del hombre, subordinada al alma—, ni excluyen todos los males, ni sacian plenamente el corazón del hombre
y son, finalmente, caducos y perecederos: la salud se pierde fácilmente, la belleza es flor de un día, la fuerza
disminuye paulatinamente, y así todos los demás bienes corporales.

2º. PLACERES SENSUALES. Son propios del cuerpo animal, o sea, del cuerpo animado o vivificado por un alma
sensitiva, a diferencia de los minerales y las plantas, que son cuerpos inanimados o que poseen tan sólo alma
puramente vegetativa.

Es imposible que en ellos consista la suprema felicidad del hombre, porque:

1.

A. Son medios para facilitar las funciones animales que se relacionan con la conservación del individuo
(comer, beber) o de la especie (venéreos). Pero la suprema felicidad del hombre no es un medio, sino
el fin último al que nos encaminamos. Luego…

 Los bienes del cuerpo pertenecen a la parte inferior del compuesto humano, formado de alma y cuerpo.
Luego el hombre no puede encontrar su plena felicidad en ningún bien que pertenezca sólo al cuerpo.

 No excluyen todos los males. Al contrario, son con frecuencia causa de grandes crímenes pasionales y de
repugnantes enfermedades.

 No satisfacen plenamente la sed de felicidad del corazón humano. La experiencia demuestra con toda
claridad y evidencia que los que se entregan con desenfreno a los placeres sensuales jamás están satisfechos:
siempre aspiran a más y nunca se sienten felices y dichosos.

 Son bienes caducos y perecederos, que acabarán en breve con la muerte del cuerpo.

3º. ESPIRITUALES. Son principalmente dos: la ciencia y la virtud. La primera afecta a la inteligencia; la segunda,
principalmente a la voluntad. Y aunque son bienes mucho más nobles y elevados que todos los anteriores, tampoco
en ellos puede consistir la felicidad perfecta y plenamente saciativa del hombre:

No en la ciencia. a) Porque no es el bien supremo, ya que afecta tan sólo a una de las potencias del alma—la
inteligencia—y está llena de oscuridades y misterios que dejan insatisfecha a la misma facultad intelectiva.

b) No excluye todo mal, ya que va unida muchas veces a grandes tribulaciones y fracasos y es compatible con un
sinnúmero de desventuras y desgracias, como se ve en la vida de los sabios.

c) No llena plenamente el corazón del sabio, que cada vez se siente más insatisfecho, hasta tener que decir como
Sócrates: «sólo sé que nada sés.

d) No es permanente y estable: puede perderse o disminuirse por una enfermedad mental, y se desvanecerá muy
pronto con la muerte.

No en la virtud. a) Porque nunca puede ser del todo perfecta en este mundo. Siempre le faltará algo y, por lo mismo,
no puede consistir en ella el bien supremo.

b) No exluye todos los males, ya que está llena de dificultades y tiene que luchar sin descanso contra las rebeliones
de la concupiscencia desordenada.

c) No llena todo el corazón humano, que aspira sin cesar al Bien infinito y plenamente saciativo.
d) No es del todo segura y estable, ya que puede perderse fácilmente por el ímpetu de las pasiones o las dificultades
de la vida.

Sin embargo, en la práctica intensa de la virtud se encuentra la única y verdadera felicidad relativa que puede
alcanzarse en este mundo, como se comprueba en las vidas de los santos que, a imitación de San Pablo, rebosaban
de gozo en medio de todas sus tribulaciones (2 Cor. 7,4).

Conclusión 2.a: La suprema felicidad del hombre no puede encontrarse tampoco en todo el conjunto de los bienes
creados colectivamente considerados.

La demostración es clarísima: no es posible la posesión conjunta de todos esos bienes, y no sería suficiente aunque
pudieran poseerse todos.

a) No ES POSIBLE POSEERLOS TODOS, COMO es obvio y enseña claramente la experiencia universal. Nadie posee ni
ha poseído jamás a la vez todos los bienes externos (riquezas, honores, fama, gloria, poder), y todos los del
cuerpo (salud, placeres), y todos los del alma (ciencia y virtud). Muchos de ellos son incompatibles entre sí y jamás
pueden llegar a reunirse en un solo individuo.

b) No SERÍAN SUFICIENTES aunque pudieran conseguirse todos, ya que no reúnen ninguna de las condiciones
esenciales para la bienaventuranza objetiva: son bienes creados, por consiguiente finitos e imperfectos; no excluyen
todos los males, puesto que el mayor mal es carecer del Bien infinito, aunque se posean todos los demás; no sacian
plenamente el corazón del hombre, pues—como dice San Agustín—«nos has hecho, Señor, para ti, y nuestro corazón
está inquieto y desasosegado hasta que descanse en ti»; y, finalmente, son bienes de suyo caducos y perecederos.
Imposible que el hombre pueda encontrar en ellos su verdadera y plena felicidad.

Con razón dice San Agustín: «Desventurado el hombre que sabe todas las cosas, pero no os conoce a Vos; y dichoso
el que os conoce a Vos aunque ignore todas las otras cosas. Y el que os conoce a Vos y todas las demás cosas, no es
más feliz porque conozca estas otras cosas, sino únicamente porque os conoce a Vos» (Confesiones 1.5 c.4).

San Agustín ha escrito páginas sublimes sobre la insuficiencia de los bienes creados para llenar las inmensas
aspiraciones del corazón del hombre. He aquí un fragmento bellísimo de sus admirables Confesiones:

«Pregunté a la tierra, y contestó: «No soy yo». Y todas las cosas que hay en ella confesaron lo mismo.

Pregunté al mar, y a los abismos, y a los vivientes que surcan por ellos, y respondieron.: «No somos tu Dios; búscale
sobre nosotros».

Pregunté a las auras espirables, y dijo todo el aire con sus moradores: «¡Engáñase Anaxímenes; no soy Dios!»

Pregunté al cielo, al sol, a la luna y las estrellas: «Tampoco nosotros somos el Dios que buscas», respondieron.

Y dije a todas las cosas que rodean las puertas de mi carne: «Dadme nuevas de mi Dios, ya que no sois vosotras:
decidme algo de El». Y con voz atronadora clamaron: «El nos hizo».

Mi pregunta fué mi mirada; la respuesta de ellas, su hermosura»

Conclusión 3ª: Unicamente en Dios puede encontrar el hombre su suprema felicidad plenamente saciativa.

La demostración es clarísima y deslumbradora. Solamente Dios reúne en grado rebosante e infinito todas las
condiciones requeridas para la bienaventuranza objetiva del hombre. Luego solamente El la constituye.

En efecto :

a) Dios es el Bien supremo e infinito, que no se ordena ni puede ordenarse a otro bien más alto, puesto que este bien
más alto no existe ni puede existir. Luego Dios es el supremo Bien apetecible.

b) Excluye en absoluto toda clase de males, de cualquier naturaleza que sean, ya que son incompatibles con la
plenitud infinita del Ser, que constituye la esencia misma de Dios.

c) Por consiguiente, su perfecta posesión y goce fruitivo tiene que llenar forzosamente todas las aspiraciones del
corazón humano, anegándolas con plenitud rebosante en un océano de felicidad.
d) Finalmente, sabemos de manera infalible, por la fe católica, que, una vez poseído por la visión y gozo beatíficos, no
se le puede perder jamás: la bienaventuranza del cielo es eterna, y los bienaventurados son absoluta e
intrínsecamente impecables.

Queda, pues, fuera de toda duda que sólo Dios es el objeto infinito que constituye la bienaventuranza objetiva del
hombre.

B) La felicidad o bienaventuranza subjetiva

22. Precisado ya cuál es el objeto que constituye la bienaventuranza objetiva o material del hombre, veamos ahora
brevemente en qué consiste su bienaventuranza subjetiva o formal.

Conclusión: La bienaventuranza subjetiva o formal del hombre consiste en la visión, amor y goce fruitivo de Dios
poseído eternamente en el cielo.

La demostración es también clarísima. Como hemos explicado más arriba, la bienaventuranza subjetiva o formal
consiste en la posesión y goce del objeto que constituya la bienaventuranza objetiva, o sea, en nuestra unión
consciente y goce fruitivo del supremo objeto beatificante. Pero este supremo objeto beatificante es el mismo Dios,
como acabamos de demostrar. Luego…

Es de saber que—como explica Santo Tomás—la esencia metafísica de la bienaventuranza (o sea, el acto primero y
principalísimo que nos pone en posesión de Dios) se salva con la sola visión beatífica, que unirá nuestro
entendimiento directa e inmediatamente con la misma divina esencia sin intermedio de criatura alguna, ni siquiera
de una especie inteligible. Pero para la esencia física e integral de la bienaventuranza se requieren también,
necesariamente, el amor beatífico—que unirá entrañablemente nuestra voluntad a la divina esencia, quedando
totalmente empapada de divinidad—y el goce beatífico, que redundará, con plenitud rebosante y embriagadora, de
la visión y del amor beatíficos. El hombre habrá llegado con ello a su última perfección y fin sobrenatural y verá
satisfechas para siempre las inmensas aspiraciones de su propio corazón y su sed inextinguible de felicidad.

A esta suprema beatitud del alma, que constituye la gloria esencial del cielo, hay que añadir, después de la
resurrección de la carne, la gloria del cuerpo, que será un complemento accidental con relación a la bienaventuranza
del alma, pero que se requiere indispensablemente para la plena y total felicidad del hombre, compuesto de
alma y cuerpo.

Corolarios. De la doctrina que acabamos de sentar se deducen algunos corolarios muy interesantes. He aquí los
principales:

1.° La felicidad perfecta no es posible en esta vida. A lo más que se puede aspirar es a una felicidad relativa, fundada
en la práctica de la virtud —sobre todo mediante el conocimiento y amor de Dios (fe y caridad)—, en el sosiego de las
pasiones y en la paz y tranquilidad de la conciencia.

2º. No se da una felicidad plena de orden puramente natural. Habiendo sido elevado todo el género humano al
orden sobrenatural, solamente en este plano superior puede alcanzar el hombre su último fin, y con él, su plena y
completa felicidad.

3º. La gloria de Dios, fin último supremo y absoluto del hombre y de toda la creación, se conjuga y armoniza
maravillosamente con su propia y plena felicidad—fin último secundario y relativo—, que alcanza el hombre,
precisamente, glorificando a Dios en este mundo por la práctica de la virtud y en el otro por la visión y el amor
beatíficos. La gloria de Dios y la plena felicidad humana no solamente tienen el mismo objeto, sino incluso el mismo
acto, ya que Dios ha querido poner su gloria precisamente en que las criaturas racionales le conozcan y le amen en
nombre propio y en el de todas las demás criaturas. Alcanzando su propia felicidad, el hombre glorifica a Dios, y
glorificándole encuentra su propia felicidad. Son dos fines que se confunden realmente, aunque haya entre ellos una
distinción de razón. La suprema glorificación de Dios coincide plenamente con la suprema felicidad nuestra. Es
admirable la sabiduría infinita que brilla en los planes amorosos de la divina Providencia.

ARTICULO V

Cuestiones complementarias
Vamos a terminar la doctrina de este tratado del fin último con dos consideraciones prácticas de gran importancia: el
objetivo final de la vida humana y la manera de orientar nuestra vida en torno a esa suprema finalidad.

A) El objetivo final de la vida humana

23. De las conclusiones que acabamos de sentar se deduce con toda claridad y evidencia que la vida del hombre
sobre la tierra no tiene sino una finalidad suprema: prepararse para la felicidad eterna y exhaustiva en la clara visión
y goce fruitivo de Dios. No hemos nacido para otra cosa, ni nuestra vida terrena tiene otra razón de ser que alcanzar
la vida y felicidad eterna. No tenemos aquí ciudad permanente, antes buscamos la futura (Hebr. 9,14), dice con razón
San Pablo.

De esta suprema finalidad y soberana perspectiva que el hombre tiene a la vista, se deduce un corolario inevitable, al
parecer contradictorio. Y es que la vida terrena es la cosa más baladí y despreciable y, a la vez, la más importante y
trascendental que puede caber en la mente humana. En sí misma es la cosa más baladí y despreciable: importa muy
poco ser feliz o desgraciado, estar sano o enfermo, morir joven o en plena decrepitud y vejez. Al cabo, todo ha de
acabar en setenta u ochenta años, que son menos que un relámpago en parangón con la eternidad.

Pero, por otra parte, y precisamente por relación a esa eternidad a la que nos encaminamos, esta breve existencia
sobre la tierra cobra importancia decisiva y valor trascendental. En cierto sentido, esta vida es más importante que la
otra, pues la otra depende de ésta, y no al revés.

Toda la preocupación del hombre ha de centrarse, pues, en asegurar, con todos los medios a su alcance, su dicha y
felicidad eterna. Si, salvando por encima de todo este objetivo fundamental, puede, a la vez, conseguir un relativo
bienestar y felicidad terrena compatible con aquel supremo fin, está muy bien que lo procure y goce, con hacimiento
de gracias a Dios; pero siempre con la mirada en las alturas y sin concederle demasiada importancia a esa felicidad
terrena que está llamada a desaparecer muy pronto entre las sombras de la muerte. San Ignacio de Loyola recogió
con gran acierto esta idea fundamental en la primera página’ de sus Ejercicios Espirituales, dándonos, a la vez, la
norma simplificadora de nuestra conducta sobre la tierra:

»El hombre es criado para alabar, hacer reverencia y servir a Dios nuestro Señor, y mediante esto salvar su ánima; y
las otras cosas sobre la haz de la tierra son criadas para el hombre y para que le ayuden en la prosecución del fin para
que es criado. De donde se sigue que el hombre tanto ha de usar dellas, quanto le ayuden para su fin, y tanto debe
quitarse dellas, quanto para ello le impiden. Por lo cual es menester hacernos indiferentes a todas las cosas criadas,
en todo lo que es concedido a la libertad de nuestro libre albedrío, y no le está prohibido; en tal manera que no
queramos de nuestra parte más salud que enfermedad, riqueza que pobreza, honor que deshonor, vida larga que
corta, y, por consiguiente, en todo lo demás; solamente deseando y eligiendo lo que más nos conduce para el fin que
somos criados» 13,

B) Modo de alcanzar la vida eterna

24. Puesto que la vida y felicidad eterna es el último fin relativo del hombre, nada interesa tanto como saber lo que
tiene que hacer para alcanzarla. Por fortuna tenemos una norma divina e infalible, como dada por el mismo Cristo.
He aquí la escena evangélica que recoge la suprema consigna del Hombre-Dios.

»Acercóse uno y le dijo: Maestro, ¿qué de bueno haré yo para alcanzar la vida eterna?

El le dijo: ¿por qué me preguntas sobre lo bueno? Uno solo es bueno. Si quieres entrar en la vida, guarda los
mandamientos.

Díjole él: ¿Cuáles?

Jesús respondió: No matarás, no adulterarás, no hurtarás, no levantarás falso testimonio; honra a tu padre y a tu
madre y ama al prójimo como a ti mismo» (Mt. 19,16-19).

La consecución de la vida eterna está, pues, vinculada a la guarda de los divinos mandamientos. Para hacérsela
posible al hombre, Dios le ha provisto en abundancia de toda clase de medios: unos, internos, como la gracia
santificante, las virtudes infusas, los dones del Espíritu Santo y las divinas mociones (gracia actual), que ilustran su
entendimiento y mueven su voluntad para la práctica del bien; y otros, externos, entre los que destaca la Iglesia
católica, fundada precisamente por Jesucristo, Redentor del género humano, para llevar al hombre a su felicidad
eterna mediante la vida sobrenatural que le comunican los sacramentos y las verdades de la fe bajo el control y guía
de la misma Iglesia, maestra infalible de la verdad

De la Teología Moral para seglares, de Antonio Royo Marín

http://sededelasabiduria.es/2018/12/14/el-fin-ultimo-del-hombre/

LA CONCIENCIA CIERTA, DUDOSA Y PERPLEJA


INTRODUCCIÓN

Nos parece insólito cómo algunas almas actúan frente a los «sacramentos» de los «sacerdotes» de la iglesia conciliar,
es decir, recibiendo sacramentos con dudas, lo cual es grave pecado. No habiendo llegado aún a la conclusión de que
dichos «sacramentos» no confieren la gracia, y que son totalmente inválidos al carecer de verdaderos sacerdotes y
usar de ritos modernos nulos, prefieren actuar con una conciencia dudosa e ir, por ejemplo, a comulgar de manos de
un «sacerdote»-seglar- modernista. Osea, para cumplir una ley positiva humana- el precepto dominical- incumplen la
ley divina de no actuar en duda ¿ Por qué peca? Porque el que obra con conciencia dudosa acepta la posibilidad de
la ofensa de Dios y, por lo mismo, peca tanto si en el orden real y objetivo aquella acción es realmente mala como
si es inocente y buena. El pecado cometido es el mismo que constituye el objeto de la duda, revestido con todas sus
circunstancias especiales: mortal o venial, de esta especie o de la otra, según se le previó en la duda.

Para ayudarles a entender este importante asunto, materia de confesión, les traemos una parte de la teología moral
tradicional referida a algunos tipos de conciencia. Dicha teología, en este caso, es expuesta por Royo Marín.

Conciencia cierta, dudosa y perpleja

Por Royo Marín O.P.

Es una división importantísima que hay que estudiar detalladamente.

a) La conciencia cierta

160. 1. Noción y división. Conciencia cierta es la que emite su dictamen de una manera categórica y firme, sin miedo
a equivocarse. Es la del que hace una buena acción estando seguro de que es buena, o una mala acción a sabiendas
de que es mala.

La certeza puede dividirse de múltiples maneras. El siguiente esquema recoge las principales:

161. 2. Principios fundamentales. Teniendo en cuenta estas diversas clases de certeza, establecemos los siguientes
principios fundamentales:

1.° Sólo la conciencia cierta es norma legítima del bien obrar.


La razón es porque el que duda si lo que va a hacer es bueno o malo, acepta la posibilidad de ofender a Dios y, por lo
mismo, peca realizando con duda esa acción. Es preciso llegar a la conciencia cierta en una forma o en otra, como
vamos a explicar en seguida.

2.° Basta, sin embargo, la certeza moral, práctica e indirecta sobre la licitud de la acción.

Lo mejor sería, naturalmente, llegar siempre a una certeza absoluta en la que no cupiera el error (metafísica), a
menos de un milagro (física). Pero como en el orden moral esto es casi siempre imposible, por tratarse muchas veces
de cosas variables y contingentes, para poder obrar con toda seguridad y tranquilidad de conciencia es suficiente
llegar a una certeza moral que excluya toda duda prudente sobre la licitud de la acción.

Ni se requiere tampoco la certeza especulativa sobre la norma general que legitimaría aquella acción. Basta la
certeza práctica sobre su licitud concreta en este caso, habida cuenta de todas las circunstancias que le rodean.
Puede llegarse a esta certeza práctica a base de principios reflejos (como veremos en seguida al estudiar la conciencia
dudosa), permaneciendo la duda sobre el principio especulativo.

Finalmente, no es necesaria tampoco la certeza directa a base de razones intrínsecas, que sólo los técnicos pueden
de ordinario alcanzar. Basta la certeza indirecta fundada en razones extrínsecas (v.gr., en la autoridad del confesor
que declaró lícita tal acción).

b) La conciencia dudosa

262. I. Noción y división. Conciencia dudosa es la que vacila sobre la licitud o ilicitud de una acción sin determinarse
a emitir su dictamen. Propiamente hablando, no es verdadera conciencia, puesto que se abstiene de emitir un juicio,
que es el acto esencial de la conciencia. Se trata más bien de un estado de la mente, que sólo en sentido impropio
puede llamarse conciencia.

La duda admite también múltiples divisiones. He aquí las principales en cuadro esquemático:

163. 2. Principios fundamentales. Los principios fundamentales que regulan la conciencia dudosa son los siguientes:

1º. No es lícito jamás obrar con duda positiva práctica de la licitud de la acción.

Nótese bien el sentido del principio. Se trata de una duda positiva, o sea apoyada en graves razones *; y práctica,
o sea que se refiere al hecho concreto que se va a realizar. En estas condiciones jamás es lícito realizar ese acto.
_______________
* La duda meramente negativa que no se apoya en razón ninguna o en razones muy ligeras e inconsistentes puede
y debe despreciarse en la práctica, por ser una duda imprudente. Lo contrario nos haría la vida imposible,
llenándonos continuamente de inquietud y de angustia, ya que sólo en muy contadas ocasiones se puede llegar a
una certeza tan clara y evidente que excluya en absoluto la posibilidad de toda duda incluso imprudente.

La razón la hemos indicado ya varias veces. El que obra con conciencia dudosa acepta la posibilidad de la ofensa de
Dios y, por lo mismo, peca tanto si en el orden real y objetivo aquella acción es realmente mala como si es inocente y
buena. El pecado cometido es el mismo que constituye el objeto de la duda, revestido con todas sus circunstancias
especiales: mortal o venial, de esta especie o de la otra, según se le previó en la duda.

¿Qué debe hacer, pues, el que se encuentra con duda positiva y práctica de la licitud de una acción? Una de dos: o
elegir la parte más segura, que es la favorable a la ley (en cuyo caso no necesita hacer ninguna investigación para
salir de la duda, porque ciertamente excluye la posibilidad de pecar), o debe llegar a una certeza práctica sobre la
moralidad de la acción en la forma que vamos a explicar inmediatamente.

2.° Cuando no se puede disipar la duda especulativa sobre la moralidad de una acción por principios intrínsecos, es
lícito obrar con certeza moral práctica deducida por principios reflejos o extrínsecos.

Ocurre, en efecto, muchas veces que es imposible llegar a una certeza especulativa y directa apoyada en principios
intrínsecos, ya sea porque no aparece con claridad el principio que la justifique directamente, ya porque la duda se
establece precisamente en torno al principio especulativo.

Por ejemplo: está discutidísimo entre los moralistas si el testamento informe (o sea, el desprovisto de las
formalidades jurídicas) es válido en conciencia. En estas condiciones es inútil invocar ese principio para fallar sobre la
validez del testamento concreto que se nos presenta delante, porque precisamente lo obscuro y difícil es averiguar si
es cierto o no el principio que declara válido en conciencia los testamentos informes.

¿Qué hay que hacer en estas circunstancias? No hay más remedio que echar mano de argumentos extrínsecos para
llegar a una certeza moral en el orden práctico, aunque continúe la duda en el orden puramente especulativo. Antes
de llegar a esta certeza práctica no es lícito obrar; pero con ella queda perfectamente a salvo la moralidad de la
acción.

Esos argumentos extrínsecos son varios. Por de pronto, para el simple fiel sería suficiente el argumento de la
autoridad (v.gr., la respuesta del párroco o del confesor). Pero, sin necesidad de consulta alguna, podría llegar por sí
mismo a la certeza moral práctica echando mano de los llamados principios reflejos, que vamos a explicar a
continuación.

164. 3. Principios reflejos o indirectos. Se llaman así ciertas normas generales de moralidad que no recaen
directamente y de por sí sobre la cosa misma que se trata de averiguar, pero que reflejan sobre ella su propia luz,
hasta el punto de conducirnos a una certeza moral de orden práctico, aunque no disipen del todo las tinieblas
especulativas.

Los principales principios reflejos o indirectos son los siguientes:

1º. En caso de duda práctica, hay que seguir la parte más segura.

Ya hemos explicado este principio al hablar de la ilicitud de obrar con duda práctica. Si después de haberlo intentado
por todos los medios a nuestro alcance (reflexión, consultas, etc.) permanece en pie nuestra duda práctica, es
obligatorio seguir la parte más segura, o sea, omitiendo el acto de cuya licitud seguimos dudando, o practicando el
que seguimos creyendo que quizás nos obligue. De lo contrario, aceptaríamos prácticamente la posibilidad de
quebrantar la ley y pecaríamos de hecho por esta torcida disposición.

2.° En caso de duda se ha de estar por aquel a quien favorece la presunción.

La razón es porque la presunción engendra por sí misma, la mayor parte de las veces, una certeza moral de la
rectitud de la acción.

Y así, v.gr., el religioso que duda si le obliga una orden de su superior que le parece excesiva, puede y debe obedecer,
pues la presunción está de parte del superior, que tiene derecho a ser obedecido mientras no conste claramente que
se ha excedido en sus atribuciones.

El que duda si ha consentido en una tentación interna (v.gr., en malos pensamientos), puede pensar que no consintió
si se trata de una persona de conciencia delicada que ordinariamente suele rechazar con energía las tentaciones; al
revés de si se trata de un pecador de conciencia muy ancha, que suele fácilmente consentir en la tentación.

3º. En caso de duda es mejor la condición del que posee actualmente la cosa.
Este principio es verdadero y muy útil en materia de justicia (v.gr., a favor del poseedor de buena fe, mientras no se
demuestre perfectamente lo contrario). Por analogía se extiende también a todas las demás materias, pero su
aplicación en esta otra zona no deja de tener sus dificultades. Volveremos sobre esto al hacer la crítica de los
sistemas de moralidad.

4º. En caso de duda hay que juzgar por lo que ordinariamente acontece.

Es una norma prudente que los moralistas usan a cada paso. Y así, v.gr., se presume que un niño no ha llegado
todavía al uso de razón antes de los siete años, porque eso es lo corriente y normal, aunque quepan excepciones.
En cambio, a esa edad comienzan a obligarle ciertas leyes de la Iglesia (cf. cn.12 y 88), pues se presume que ya tiene
uso de razón porque así suele ordinariamente acontecer.

5º. En caso de duda se ha de suponer la validez del acto.

Este principio se puede aplicar únicamente cuando el hecho principal sea cierto y sólo se dude de alguna
circunstancia del mismo. Por ejemplo: el que duda si se confesó con suficiente dolor de sus pecados puede pensar
que sí, porque el hecho principal (la confesión) es cierto y sólo duda de la suficiente contrición.

6º. En caso de duda, lo odioso hay que restringirlo y lo favorable ampliarlo.

Se entiende por odioso: a) todo lo que tiene carácter de pena; b) lo que va contra el derecho de un tercero, y c) lo
que se opone al derecho común. Y por favorable, todo lo que resulta en beneficio de la libertad o concede alguna
gracia sin perjuicio de nadie.

La razón es porque se presume que el legislador no quiere gravar a nadie más de lo que expresa su ley odiosa, y
acepta una interpretación benigna de su ley favorable en consonancia con la misma. El mismo Código de Derecho
canónico recoge este modo de sentir cuando dice que alas leyes, aun irritantes e inhabilitantes, no urgen cuando la
duda es de derecho» (cn.15) y cuando establece que »en las penas se ha de usar la más benigna interpretación»
(cn.2.219,1.°).

7º. En la duda, el delito no se presume, sino que hay que probarlo.

Es otro principio muy en consonancia con los anteriores y con la simple equidad natural. Nadie ha de ser considerado
malo o culpable mientras no se demuestre que lo es.

Otros muchos principios suelen utilizar los moralistas para resolver las dudas teóricas, convirtiéndolas en
certezas prácticas que permitan obrar sin quebranto de la conciencia. A partir de la aparición del probabilismo, el
más frecuente y socorrido de todos es el famoso aforismo la ley dudosa no obliga, que, si fuera cierto, resolvería
efectivamente la casi totalidad de los casos prácticos; pero ha sido duramente combatido por gran número de
moralistas eminentes, que ven en él una pura falacia altamente perjudicial para la moralidad de los actos humanos.
Qué haya de pensarse, a nuestro juicio, acerca de él, lo diremos con serena imparcialidad en el capítulo siguiente, al
hacer la crítica de los llamados sistemas de moralidad para la formación de la propia conciencia.

c) La conciencia perpleja

165. 1. Noción. Se llama así la del que cree pecar tanto si realiza como si omite una determinada acción. Por ejemplo,
el encargado de cuidar a un enfermo grave que teme faltar a la caridad si le deja un rato para oír misa en domingo, o
a la ley eclesiástica si no la oye. O el confesor que teme pecar si absuelve al penitente dudosamente dispuesto, lo
mismo que si no le absuelve.

166. 2. Principios fundamentales. La conciencia perpleja se regula por los siguientes principios :

I.° Si no se trata de un caso urgente y se puede suspender su ejecución hasta consultar con personas competentes o
estudiar por sí mismo la cuestión, debe hacerse así. La razón es porque tenemos obligación de emplear los medios a
nuestro alcance para llegar a una conciencia verdadera y recta antes de obrar.

2.° Si esto es imposible, por tratarse, v.gr., de un caso urgente que no admite espera, debe elegirse lo que parezca
menos malo; no con la intención de obrar el mal menor, sino con la de practicar el bien posible, teniendo en cuenta
que la ley inferior ha de ceder el paso a la superior (v.gr., en el caso del que cuida al enfermo, la ley divina de la
caridad prevalece sobre la eclesiástica de oír misa).

3.° Si el que se encuentra perplejo no acierta a distinguir o a decidirse sobre lo que será menos malo, puede elegir
libremente lo que quiera, y no pecará (aunque a él le parezca que sí), porque nadie está obligado a lo imposible y
nadie puede pecar necesariamente, pues todo pecado supone la libre voluntad de cometerlo.

Sin embargo, si esta perplejidad fuera culpable en la causa (v.gr., el caso del confesor que no sabe qué hacer por no
haber estudiado suficientemente la teología moral), hay que aplicarle los principios que expusimos al hablar de la
ignorancia vencible y culpable.

http://sededelasabiduria.es/2018/10/03/la-conciencia-cierta-dudosa-y-perpleja/

EL PROCESO DE LA TENTACIÓN
Con la intención de auxiliar para hacer un buen examen de conciencia antes de confesarse.

Proceso de la tentación

Proceso de la tentación. Para no confundir la tentación con el pecado y gobernarse rectamente en la práctica, es
preciso tener en cuenta que en el proceso de la tentación pueden distinguirse tres momentos principales 4.

1º. Sugestión, o sea, mera representación o idea del mal, aparecida en la imaginación o en el entendimiento. En esta
primera representación —por muy mala, pertinaz y duradera que sea—no hay todavía pecado, puesto que la
voluntad no ha intervenido todavía para nada.

Ya se comprende, sin embargo, que la voluntad debe actuar rechazando esa sugestión tan pronto advierta el
entendimiento que es mala y rechazable. Si la voluntad se mostrara indiferente ante ella, podría incurrir en un
verdadero pecado, como hemos explicado al hablar del consentimiento. Pero la simple mala sugestión o
representación de suyo nunca es pecado antes de la intervención de la voluntad.

2º. Delectación o complacencia indeliberada. Es muy frecuente que de la simple sugestión o representación mala—
sobre todo si es viva, interna y prolongada—se origine connaturalmente cierta complacencia o delectación, e incluso
una impresión orgánica agradable o conmoción sensible natural y espontánea. Tampoco en esto consiste todavía el
pecado mientras no intervenga la deliberación de la razón y el consentimiento de la voluntad, porque ese
movimiento sensible, natural y espontáneo, no es deliberado ni libre.

3º. Libre consentimiento de la voluntad. Después que el entendimiento percibe la mala sugestión y la delectación
sensible que ha despertado en el apetito juntamente con su malicia, si la voluntad rechaza en seguida ambas cosas,
no hay pecado todavía; porque el pecado no está en sólo el entendimiento ni en la espontánea inclinación del apetito
sensitivo, sino en la voluntad libre que se adhiere al mal. El pecado se inicia cuando el entendimiento advierte la
maldad de la sugestión, pero sólo se realiza o consuma cuando la libertad da su libre aceptación o consentimiento, o
sea, cuando admite, aprueba o retiene con complacencia aquella mala sugestión.

Modo de vencer las tentaciones. En la lucha y estrategia contra las tentaciones podemos distinguir tres momentos:

1. ANTES DE LA TENTACIÓN el alma debe vigilar y orar (Mt. 26,41) para no dejarse sorprender por el enemigo.
Debe huir de las ocasiones de pecado y evitar la ociosidad, que es la madre de todos los vicios. Y debe
depositar su confianza en Dios, en la Virgen María y en su ángel de la guarda, que pueden mucho más que el
demonio tentador.

2. DURANTE LA TENTACIÓN ha de resistirla con energía apenas se produzca, o sea, cuando todavía es débil y
fácil de vencer, ya sea directamente, haciendo lo contrario de lo que la tentación propone (v.gr., alabar a una
persona en vez de criticarla); ya indirectamente (v.gr., distrayéndose, pensando en otra cosa que absorba la
mente). Este segundo procedimiento es el más eficaz tratándose de tentaciones contra la fe o la pureza.

3. DESPUÉS DE LA TENTACIÓN ha de dar humildemente las gracias a Dios si salió victoriosa; arrepentirse en el
acto, si tuvo la desventura de sucumbir, y aprovechar la lección para sucesivas ocasiones.
En caso de duda, sobre si se consintió o no, debe hacerse un acto de contrición, por si acaso, y acusarse en la
confesión de esa falta como dudosa.

De la Teología Moral de Royo Marín, IIº edición, 1958, BAC

http://sededelasabiduria.es/2018/08/19/el-proceso-de-la-tentacion/

LA CONCIENCIA
La conciencia

Después del tratado de la ley, que es la norma remota, objetiva y extrínseca de los actos humanos, es preciso
estudiar la norma próxima, subjetiva e intrínseca, que no es otra que la propia conciencia.

Dividimos la materia en los cuatro siguientes artículos:

1.

A. La conciencia en general.

B. La conciencia en especial.

C. Sistemas para la formación de la conciencia.

D. La educación de la conciencia.

ARTICULO I
La conciencia en general

150. I. Concepto. Vamos a dar su noción etimológica y real.

ETIMOLÓGICAMENTE, la palabra conciencia parece provenir del latín cum scientia, esto es, con conocimiento. Cicerón
y Santo Tomás le dan el sentido de «conciencia común con otros»: Unde conscire dicitur quasi simul scire.

REALMENTE puede tomarse en dos sentidos principales:

1. Para expresar el conocimiento que el alma tiene de sí misma o de sus propios actos. Es la llamada
conciencia psicológica. Su función es testificar, e incluye el sentido íntimo y la memoria.

2. Para designar el juicio del entendimiento práctico sobre la bondad o maldad de un acto que hemos realizado
o vamos a realizar. Es la conciencia moral, que constituye el objeto del presente tratado.

151. 2. Naturaleza. La conciencia moral puede definirse: el dictamen o juicio del entendimiento práctico acerca de la
moralidad del acto que vamos a realizar o hemos realizado ya, según los principios morales.

Expliquemos un poco la definición:

EL DICTAMEN O JUICIO DEL ENTENDIMIENTO PRÁCTICO. La conciencia, en efecto, no es una potencia (como el
entendimiento) o un hábito (como la ciencia), sino un acto producido por el entendimiento a través del hábito de la
prudencia adquirida o infusa. Consiste ese acto en aplicar los principios de la ciencia a algún hecho particular y
concreto que hemos realizado o vamos a realizar. Esta aplicación consiste en el dictamen o juicio del entendimiento
práctico. La conciencia, pues, no es un acto del entendimiento teórico o especulativo ni de la voluntad.

ACERCA DE LA MORALIDAD DEL ACTO. En esto se distingue de la conciencia meramente psicológica. La conciencia
moral es la regla subjetiva de las costumbres. Todo lo que la conciencia juzga como conforme a las justas leyes es un
acto subjetivamente bueno o, al menos, no malo; lo que juzga, en cambio, disconforme con aquellas leyes es
subjetivamente malo, aunque acaso no contenga en sí mismo ninguna inmoralidad objetiva.

QUE VAMOS A REALIZAR O HEMOS REALIZADO YA. El oficio propio y primario de la conciencia es juzgar del acto que
vamos a realizar aquí y en este momento; porque, como hemos dicho, es la regla próxima y subjetiva a la que hemos
de ajustar nuestra conducta. Pero, secundariamente, pertenece también a la conciencia juzgar del acto ya realizado.
En este último sentido se dice que la conciencia nos da testimonio (con su aprobación o su remordimiento) de la
bondad o maldad del acto realizado.

SEGÚN LOS PRINCIPIOS MORALES. La conciencia supone verdaderos los principios morales de la fe y de la razón
natural y los aplica a un caso particular. No juzga en modo alguno los principios de la ley natural o divina, sino
únicamente si el acto que vamos a realizar se ajusta o no a aquellos principios. De donde se sigue que la conciencia
de ningún modo es autónoma (como quieren Kant y sus secuaces) y que es falsa aquella libertad de conciencia
proclamada por muchos racionalistas, que consideran a la propia conciencia como el supremo e independiente
árbitro del bien y del mal.

Con lo dicho pueden comprenderse fácilmente las diferencias entre la conciencia y algunas otras cosas que se le
parecen. Y así se distingue :

a) DE LA SINDÉRESIS, que es el hábito de los primeros principios morales, cuyo acto propio es dictaminar en
general la obligación de obrar el bien y evitar el mal. La conciencia, en cambio, dicta lo que hay que hacer u omitir en
un caso concreto y particular. La sindéresis nunca yerra; la conciencia puede equivocarse.

Hermosamente comparaba San Jerónimo la sindéresis a una «centellita» encendida por Dios en nuestro
entendimiento, que luce y arde al mismo tiempo. Luce, mostrándonos los principios generales de las costumbres;
arde, impulsándonos al bien y retrayéndonos del mal. Esta centellita nunca se apaga, ni en la tierra, aunque el
hombre se envilezca por el pecado; ni en el cielo, ni en el infierno. Santo Tomás dice expresamente que la centella de
la razón no puede extinguirse por el pecado mientras permanezca la luz del entendimiento. Esta sindéresis
permanece en los condenados y es la causa primaria de aquel »gusano roedor» de que nos habla el Evangelio (Me.
9,43), y que no es otra cosa que una perpetua acusación y remordimiento de los pecados cometidos, que atormenta
la conciencia de aquellos desgraciados.

b) DE LA CIENCIA MORAL, que deduce de los principios las conclusiones objetivas. La conciencia, en cambio, es algo
puramente subjetivo que puede concordar o no con la ciencia moral. Y así puede darse el caso de un moralista con
mucha ciencia y poca conciencia, y un alma de conciencia muy delicada con poca ciencia moral.

c) DE LA PRUDENCIA, que es un hábito, mientras que la conciencia es un acto, como hemos dicho. El juicio de la
prudencia coincide con la propia conciencia.

d) DE LA LEY NATURAL, que incluye los principios objetivos de la moralidad como participación que es de la ley
eterna. La conciencia aplica esos principios para dictaminar sobre el acto a realizar u omitir.

152. 3. División. En el siguiente cuadro esquemático aparecen con claridad las principales divisiones de la conciencia.
ARTICULO II
La conciencia en especial

Estudiada la noción y divisiones de la conciencia, veamos ahora cada una de sus diferentes clases en especial.

Seguiremos el orden del esquema que acabamos de poner.

A) Conciencia antecedente y consiguiente


153. Antecedente. Como su nombre indica, es la que recae sobre un acto que no se ha realizado
todavía, precisamente para dictaminar sobre su moralidad. La conciencia ejerce aquí el papel de guía que inclina al
bien y aparta del mal.

El dictamen de la conciencia antecedente resulta de un silogismo expreso o tácito en el que la premisa mayor es un
principio general de moralidad; la menor es la aplicación de ese principio al acto que se va a realizar; y la conclusión
es el fallo o dictamen de la propia conciencia, que manda hacerlo si es bueno u omitirlo si es malo. Por ejemplo:

La mentira es ilícita (principio general de la ley natural).

Pero esa respuesta que vas a dar es mentira (aplicación del principio). Luego esa respuesta es ilícita (dictamen de la
conciencia propiamente dicha).

Ya se comprende que este juicio se hace a veces de una manera espontánea y rapidísima; otras veces, con mayor
lentitud y trabajo. Depende del grado de evidencia o claridad que posean las premisas del silogismo en la mente de
cada uno.

154. 2. Consiguiente. Es la que recae sobre un acto ya realizado, desempeñando el papel de testigo y de juez. Si el
acto fué bueno, lo aprueba llenándonos de tranquilidad y de paz; si malo, lo reprueba llenándonos de remordimiento
y de inquietud. San Agustín dice hermosamente que »la alegría de la buena conciencia es como un paraíso
anticipado», mientras que el remordimiento de la mala conciencia es como la antesala del infierno.

Nótese, sin embargo, que la conciencia consiguiente no influye para nada en la moralidad de un acto. Esta depende
por entero de la conciencia antecedente. Y así, si se diera el caso de que sólo después de realizada una acción, y no
antes, cayéramos en la cuenta de que era ilícita, no habríamos cometido pecado alguno y no estaríamos obligados a
confesarla (a no ser que hubiera habido negligencia culpable en no haberlo advertido antes).

Dígase lo mismo con relación a la ciencia moral que se vaya adquiriendo. Esta ciencia no tiene efectos retroactivos, y,
por lo mismo, hemos de juzgar de nuestras acciones pasadas según la conciencia antecedente que teníamos al
tiempo de realizarlas; no según el mayor conocimiento de la ley que vayamos adquiriendo después.

B) Conciencia verdadera y errónea

Como es sabido, la verdad no es otra cosa que la adecuación del entendimiento a la realidad objetiva de las cosas. La
falta de adecuación constituye el error.

Cuándo afirmamos que la mentira es ilícita, estamos en la verdad, porque ésa es, efectivamente, la realidad objetiva
de las cosas; pero si dijéramos que el derecho nada tiene que ver con la moral, estaríamos en un error, porque
nuestro juicio no coincidiría con la realidad objetiva de las cosas.

155. I. Nociones. Según estos principios elementales:

a) Conciencia verdadera es aquella que dictamina de acuerdo con los principios objetivos de la moralidad,
rectamente aplicados al acto que se va a realizar.

b) Conciencia falsa o errónea es la que no coincide con la verdad objetiva de las cosas. Puede ser invencible o,
venciblemente errónea.

a’. CONCIENCIA ERRÓNEA INVENCIBLE es aquella cuyo error no puede disiparse en modo alguno. Ya sea porque no
vino a la mente del que obra, ni siquiera en confuso, la menor duda sobre la licitud de aquella acción, o porque,
aunque le asaltó alguna duda, no pudo disiparla después de hacer todo cuanto pudo para ello.

b’. CONCIENCIA ERRÓNEA VENCIBLE es aquella cuyo error no se disipó por incuria o negligencia del que lo padecía, ya
que advirtió de algún modo el error o, al menos, dudó si lo había, y, a pesar de ello, nada hizo, o demasiado poco,
para disiparlo.

156. 2. Principios fundamentales. Los principios fundamentales que rigen el mecanismo y funcionamiento moral de
estas dos clases de conciencia son éstos :

1º. La conciencia objetivamente verdadera es de suyo la única regla subjetiva y próxima de los actos humanos.
La razón es porque sólo esa clase de conciencia incluye el verdadero y auténtico dictamen de la ley eterna, origen y
fuente de toda moralidad. Lo que se oponga a ella será siempre objetivamente malo, aunque pueda excusar de
pecado formal una conciencia invenciblemente errónea.

De donde se sigue que el hombre tiene obligación de poner todos los medios a su alcance para adquirir una
conciencia objetivamente verdadera. Los principales son:

a) Cuidadosa diligencia en enterarse de las leyes que rigen la vida moral. No se requiere, sin embargo, una
diligencia suma o extraordinaria; basta la que se pone de ordinario en un negocio serio y de importancia.

b) Aconsejarse de los peritos (confesor o superior eclesiástico) en los casos dudosos. arduos o difíciles.

c) Oración, pidiendo con sinceridad a Dios que ilumine nuestra mente.

d) Remoción de los impedimentos que dificultan el juicio sereno e imparcial (v.gr., las pasiones desordenadas, el
egoísmo, las malas costumbres, etc.).

2º. La conciencia invenciblemente errónea puede ser accidentalmente regla subjetiva de los actos humanos.

La razón es porque la conciencia invenciblemente errónea es subjetivamente recta (aunque objetivamente sea
equivocada), y esto basta para que sea obligatoria cuando manda o prohibe y para que excuse de pecado formal
cuando permite.

Esta conciencia errónea se dice que es recta accidentalmente (per accidens). En cuanto conciencia recta, obliga,
aunque material u objetivamente fuese ilícito lo que manda hacer (v.gr., matar al tirano). La obligación le viene en
virtud de una ley superior, de derecho natural, que nos manda hacer siempre lo que creemos obligatorio. O sea, no
por sí misma (ya que no hay tal ley objetivamente), sino en virtud de esa otra ley superior de derecho natural. Y
obliga hipotéticamente, o sea mientras esa persona permanezca en su error. Y en cierto sentido es incluso
conciencia verdadera, porque hay adecuación o conformidad entre la mente y la ley que se cree de buena fe existir.

Unos ejemplos aclararán estas ideas. El que crea sin la menor duda que es obligatorio mentir para salvar a un
inocente (error invencible), está obligado a mentir y peca si no lo hace. Si cree sin la menor duda que está prohibido
tal espectáculo inocente, peca si asiste a él. Si, por el contrario, cree sin la menor duda que tal libro se puede leer, no
peca leyéndolo aunque estuviera, acaso, incluido en el Indice de libros prohibidos.

Pero téngase en cuenta que, como ya hemos dicho, la conciencia invenciblemente errónea puede serlo por dos
capítulos: o porque no vino a la mente del que obra, si siquiera en confuso, la menor duda sobre la licitud de aquella
acción; o porque, aunque le asaltó alguna duda, hizo todo lo que pudo para disiparla (preguntando, reflexionando,
etc.), sin poderlo conseguir.

En el primer caso valen los ejemplos que acabamos de poner. Pero en el segundo es obligatorio abstenerse de obrar
(si se sigue dudando de la licitud de la acción) o de elegir lo más seguro para no quebrantar la ley, o, al menos, lo que
parezca más probable, atendidas todas las circunstancias.

Por ejemplo: un viajero se encuentra de paso en un pueblo el día de la fiesta patronal. Le asalta la duda de si estará
obligado a oír misa con los del pueblo. Pregunta a unos cuantos, y obtiene respuestas contradictorias. Puede hacer
una de estas dos cosas: u oír misa, en cuyo caso no necesita seguir haciendo averiguaciones, o dejarla de oír si le
parece más probable que aciertan los que le dicen que no tiene obligación.

3º. La conciencia venciblemente errónea nunca puede ser regla subjetiva de los actos humanos, sino que es
obligatorio disipar el error antes de obrar.

Pueden ocurrir tres casos, según que la conciencia mande, prohiba o permita realizar una acción.

a) SI MANDA realizar una acción de cuya licitud se duda por otra parte, no se puede obrar en un sentido ni en otro
hasta que se averigüe la verdad. Por ejemplo: el que cree, por una parte, que tiene obligación de mentir para salvar a
un amigo, pero duda, por otra, si la mentira puede ser lícita jamás, peca si en esta situación de duda se decide por lo
uno o por lo otro; porque en cualquiera de estos dos casos acepta la posibilidad de quebrantar la ley. Tiene
obligación de averiguar la verdad antes de obrar, al menos echando mano de algún principio reflejo (como
explicaremos al hablar de la cociencia dudosa) con el fin de llegar a una conciencia moralmente cierta en uno de los
dos sentidos.

b) Si PROHIBE realizar una acción que, por otra parte, parece que es lícita, no se la puede realizar hasta que se
averigüe la verdad al menos con certeza moral: porque, de lo contrario, se acepta la posibilidad de quebrantar una
ley, y esto constituye ya un pecado contra la misma.

c) SI PERMITE realizar como lícita una acción, de cuya verdadera licitud se duda por otra parte, tampoco es lícito
realizarla mientras permanezca la duda, por la misma razón que acabamos de indicar.

Regla práctica para el examen. En la práctica es muy fácil averiguar si se tuvo conciencia errónea vencible o
invencible. Fue vencible: a) si se advirtió alguna indecencia en la tal acción; b) si la conciencia dictó que era menester
preguntar al confesor o a una persona prudente; c) si se dejó de preguntar por miedo o vergüenza, etc. En
cambio, fué invencible cuando no asaltó la menor duda sobre la licitud de tal acción o, habiendo surgido dudas, se
hizo cuanto moralmente se pudo para disiparlas y se obró después lo más seguro o lo que parecía más probable con
toda honradez y buena fe.

4º. La conciencia Invenciblemente errónea en la actualidad, pero venciblemente errónea en su causa, excusa del
pecado actual, pero no del pecado en su causa.

Y así pecan más o menos en la causa: a) el confesor que resuelve mal un caso de conciencia por su negligencia en el
estudio o repaso de la teología moral; b) el médico que perjudica o mata al enfermo por su desconocimiento
culpable de la medicina; c) el juez que falla injustamente por no haberse tomado la molestia de estudiar mejor las
leyes, etc.

El pecado no se comete por la acción realizada con conciencia en la actualidad invenciblemente errónea, sino por
aquella antigua negligencia (y en la medida y grado de la misma) que persevera todavía mientras no se haga lo que se
pueda para disiparla. San Alfonso María de Ligorio no vaciló en escribir las siguientes palabras: «Afirmo que se halla
en estado de condenación el confesor que sin ciencia suficiente se aventura a oír confesiones» 5. Y lo mismo hay que
decir, salvando las distancias y en la medida y grado de su negligencia, de todo aquel que ejerce sin la suficiente
preparación técnica una profesión que puede perjudicar gravemente a los demás.

C) Conciencia recta y no recta

157. I. Nociones. Conciencia recta es la que se ajusta al dictamen de la propia razón, aunque no coincida, acaso, con
la realidad objetiva de las cosas.

No recta es la que no se ajusta al dictamen de la propia razón, aunque coincida, acaso, con la verdad objetiva de las
cosas.

Algunos autores identifican la conciencia recta con la conciencia verdadera, y la no recta con la errónea. Creemos que
no es exacta esa identificación, que da, por lo mismo, origen a muchas confusiones. Una conciencia puede
ser recta sin ser verdadera (v.gr., la conciencia invenciblemente errónea); y puede ser no recta siendo verdadera
(v.gr., el que contra su conciencia omite una mentira que cree obligatoria para salvar a un inocente). Para la verdad se
requiere la adecuación de la conciencia con la realidad objetiva de las cosas; para la rectitud basta la
adecuación subjetiva, supuesta desde luego la absoluta buena fe.

158. 2. Principios fundamentales. He aquí los principios que regulan estas dos clases de conciencia:

1º. La conciencia recta siempre ha de ser obedecida cuando manda o prohibe, y siempre puede seguírsela cuando
permite.

La razón de lo primero es porque el hombre está obligado en todas sus acciones a seguir el dictamen de su propia
conciencia cuando le manda o prohíbe alguna cosa; y si no lo sigue, peca. Consta expresamente por:

a) LA SAGRADA ESCRITURA: Todo lo que no es según conciencia es pecado (Rom. 14,23). Como es sabido, San Pablo
dice eso a propósito de los que creían que era pecado comer la carne ofrecida a los ídolos; y aunque declara él
mismo que no hay tal pecado objetivo, porque el ídolo no es nada en el mundo (1 Cor. 8,4), sino tan sólo un pedazo
de madera sin valor moral alguno, sin embargo peca el que la come contra el dictamen de su conciencia, porque ya
no obra con rectitud (cf. Rom. 14,1-23; 1 Cor. 8,1-13; 1 0,14-33).

b) EL MAGISTERIO DE LA IGLESIA. Inocencio III: «Todo el que obra contra su conciencia edifica para el infierno».

c) LA RAZÓN TEOLÓGICA. San Buenaventura expone hermosamente la razón cuando escribe: «La conciencia es como
el pregonero y embajador de Dios; y lo que nos dice, no lo manda como de parte de sí misma, sino como de parte de
Dios, como el pregonero cuando divulga el edicto del rey» .

De donde se deduce la primacía absoluta de la conciencia sobre la misma ley. En este sentido no hay inconveniente
en admitir un cierto relativismo en la ley objetiva, porque en caso de conciencia invenciblemente errónea obliga la
conciencia y no la ley.

Sin embargo, cuando la conciencia se limita a permitir alguna acción, no es obligatorio seguirla, porque nadie está
obligado a hacer todo cuanto le está permitido. Sólo obliga su dictamen cuando manda o prohibe alguna cosa.

2º. No es lícito jamás obrar con conciencia no recta, o sea, contra el dictamen de la propia conciencia.

Se demuestra por las mismas razones del principio anterior. El que obra contra su conciencia peca siempre, tanto si
hace lo que su conciencia le prohíbe (aunque se trate de una cosa objetivamente lícita) como si omite lo que su
conciencia le impone como obligatorio (aunque se trate de una cosa objetivamente ilícita). Porque, en cualquier caso,
no obra con conciencia recta.

Según este principio, peca el que asiste a un espectáculo de suyo inocente si su conciencia se lo presenta como
pecaminoso. Y peca omitiendo una mentira si su conciencia se la impone como obligatoria para salvar a un inocente.

D) Conciencia preceptiva, consiliativa, permisiva y prohibitiva

159. Como sus mismos nombres indican, la conciencia preceptiva es la que impone o manda alguna acción;
la consiliativa, la que aconseja; la permisiva se limita a permitirla, y la prohibitiva impone la obligación de omitirla.

La primera y la última obligan siempre bajo pecado, grave o leve según la materia de que se trate o la conciencia del
que obra. La segunda aconseja la realización de un acto bueno; pero, por lo mismo que no se trata de un precepto (ni
siquiera leve), sino de un simple consejo, su omisión no constituye pecado alguno, aunque sí una imperfección.La
tercera permite una acción de suyo lícita (v.gr., un paseo por el campo); pero, por lo mismo que ni lo manda ni lo
aconseja, su omisión no constituye ni siquiera imperfección.

E) Conciencia cierta, dudosa y perpleja

Es una división importantísima que hay que estudiar detalladamente.

a) La conciencia cierta

160. 1. Noción y división. Conciencia cierta es la que emite su dictamen de una manera categórica y firme, sin miedo
a equivocarse. Es la del que hace una buena acción estando seguro de que es buena, o una mala acción a sabiendas
de que es mala.

La certeza puede dividirse de múltiples maneras. El siguiente esquema recoge las principales:
161. 2. Principios fundamentales. Teniendo en cuenta estas diversas clases de certeza, establecemos los siguientes
principios fundamentales:

1.° Sólo la conciencia cierta es norma legítima del bien obrar.

La razón es porque el que duda si lo que va a hacer es bueno o malo, acepta la posibilidad de ofender a Dios y, por lo
mismo, peca realizando con duda esa acción. Es preciso llegar a la conciencia cierta en una forma o en otra, como
vamos a explicar en seguida.

2.° Basta, sin embargo, la certeza moral, práctica e indirecta sobre la licitud de la acción.

Lo mejor sería, naturalmente, llegar siempre a una certeza absoluta en la que no cupiera el error (metafísica), a
menos de un milagro (física). Pero como en el orden moral esto es casi siempre imposible, por tratarse muchas veces
de cosas variables y contingentes, para poder obrar con toda seguridad y tranquilidad de conciencia es suficiente
llegar a una certeza moral que excluya toda duda prudente sobre la licitud de la acción.

Ni se requiere tampoco la certeza especulativa sobre la norma general que legitimaría aquella acción. Basta la
certeza práctica sobre su licitud concreta en este caso, habida cuenta de todas las circunstancias que le rodean.
Puede llegarse a esta certeza práctica a base de principios reflejos (como veremos en seguida al estudiar la conciencia
dudosa), permaneciendo la duda sobre el principio especulativo.

Finalmente, no es necesaria tampoco la certeza directa a base de razones intrínsecas, que sólo los técnicos pueden
de ordinario alcanzar. Basta la certeza indirecta fundada en razones extrínsecas (v.gr., en la autoridad del confesor
que declaró lícita tal acción).

b) La conciencia dudosa

262. I. Noción y división. Conciencia dudosa es la que vacila sobre la licitud o ilicitud de una acción sin determinarse
a emitir su dictamen. Propiamente hablando, no es verdadera conciencia, puesto que se abstiene de emitir un juicio,
que es el acto esencial de la conciencia. Se trata más bien de un estado de la mente, que sólo en sentido impropio
puede llamarse conciencia.

La duda admite también múltiples divisiones. He aquí las principales en cuadro esquemático:
163. 2. Principios fundamentales. Los principios fundamentales que regulan la conciencia dudosa son los siguientes:

1º. No es lícito jamás obrar con duda positiva práctica de la licitud de la acción.

Nótese bien el sentido del principio. Se trata de una duda positiva, o sea apoyada en graves razones *; y práctica,
o sea que se refiere al hecho concreto que se va a realizar. En estas condiciones jamás es lícito realizar ese acto.
_______________
* La duda meramente negativa que no se apoya en razón ninguna o en razones muy ligeras e inconsistentes puede
y debe despreciarse en la práctica, por ser una duda imprudente. Lo contrario nos haría la vida imposible,
llenándonos continuamente de inquietud y de angustia, ya que sólo en muy contadas ocasiones se puede llegar a
una certeza tan clara y evidente que excluya en absoluto la posibilidad de toda duda incluso imprudente.

La razón la hemos indicado ya varias veces. El que obra con conciencia dudosa acepta la posibilidad de la ofensa de
Dios y, por lo mismo, peca tanto si en el orden real y objetivo aquella acción es realmente mala como si es inocente y
buena. El pecado cometido es el mismo que constituye el objeto de la duda, revestido con todas sus circunstancias
especiales: mortal o venial, de esta especie o de la otra, según se le previó en la duda.

¿Qué debe hacer, pues, el que se encuentra con duda positiva y práctica de la licitud de una acción? Una de dos: o
elegir la parte más segura, que es la favorable a la ley (en cuyo caso no necesita hacer ninguna investigación para
salir de la duda, porque ciertamente excluye la posibilidad de pecar), o debe llegar a una certeza práctica sobre la
moralidad de la acción en la forma que vamos a explicar inmediatamente.

2.° Cuando no se puede disipar la duda especulativa sobre la moralidad de una acción por principios intrínsecos, es
lícito obrar con certeza moral práctica deducida por principios reflejos o extrínsecos.

Ocurre, en efecto, muchas veces que es imposible llegar a una certeza especulativa y directa apoyada en principios
intrínsecos, ya sea porque no aparece con claridad el principio que la justifique directamente, ya porque la duda se
establece precisamente en torno al principio especulativo.

Por ejemplo: está discutidísimo entre los moralistas si el testamento informe (o sea, el desprovisto de las
formalidades jurídicas) es válido en conciencia. En estas condiciones es inútil invocar ese principio para fallar sobre la
validez del testamento concreto que se nos presenta delante, porque precisamente lo obscuro y difícil es averiguar si
es cierto o no el principio que declara válido en conciencia los testamentos informes.

¿Qué hay que hacer en estas circunstancias? No hay más remedio que echar mano de argumentos extrínsecos para
llegar a una certeza moral en el orden práctico, aunque continúe la duda en el orden puramente especulativo. Antes
de llegar a esta certeza práctica no es lícito obrar; pero con ella queda perfectamente a salvo la moralidad de la
acción.

Esos argumentos extrínsecos son varios. Por de pronto, para el simple fiel sería suficiente el argumento de la
autoridad (v.gr., la respuesta del párroco o del confesor). Pero, sin necesidad de consulta alguna, podría llegar por sí
mismo a la certeza moral práctica echando mano de los llamados principios reflejos, que vamos a explicar a
continuación.

164. 3. Principios reflejos o indirectos. Se llaman así ciertas normas generales de moralidad que no recaen
directamente y de por sí sobre la cosa misma que se trata de averiguar, pero que reflejan sobre ella su propia luz,
hasta el punto de conducirnos a una certeza moral de orden práctico, aunque no disipen del todo las tinieblas
especulativas.

Los principales principios reflejos o indirectos son los siguientes:

1º. En caso de duda práctica, hay que seguir la parte más segura.

Ya hemos explicado este principio al hablar de la ilicitud de obrar con duda práctica. Si después de haberlo intentado
por todos los medios a nuestro alcance (reflexión, consultas, etc.) permanece en pie nuestra duda práctica, es
obligatorio seguir la parte más segura, o sea, omitiendo el acto de cuya licitud seguimos dudando, o practicando el
que seguimos creyendo que quizás nos obligue. De lo contrario, aceptaríamos prácticamente la posibilidad de
quebrantar la ley y pecaríamos de hecho por esta torcida disposición.

2.° En caso de duda se ha de estar por aquel a quien favorece la presunción.

La razón es porque la presunción engendra por sí misma, la mayor parte de las veces, una certeza moral de la
rectitud de la acción.

Y así, v.gr., el religioso que duda si le obliga una orden de su superior que le parece excesiva, puede y debe obedecer,
pues la presunción está de parte del superior, que tiene derecho a ser obedecido mientras no conste claramente que
se ha excedido en sus atribuciones.

El que duda si ha consentido en una tentación interna (v.gr., en malos pensamientos), puede pensar que no consintió
si se trata de una persona de conciencia delicada que ordinariamente suele rechazar con energía las tentaciones; al
revés de si se trata de un pecador de conciencia muy ancha, que suele fácilmente consentir en la tentación.

3º. En caso de duda es mejor la condición del que posee actualmente la cosa.

Este principio es verdadero y muy útil en materia de justicia (v.gr., a favor del poseedor de buena fe, mientras no se
demuestre perfectamente lo contrario). Por analogía se extiende también a todas las demás materias, pero su
aplicación en esta otra zona no deja de tener sus dificultades. Volveremos sobre esto al hacer la crítica de los
sistemas de moralidad.

4º. En caso de duda hay que juzgar por lo que ordinariamente acontece.

Es una norma prudente que los moralistas usan a cada paso. Y así, v.gr., se presume que un niño no ha llegado
todavía al uso de razón antes de los siete años, porque eso es lo corriente y normal, aunque quepan excepciones.
En cambio, a esa edad comienzan a obligarle ciertas leyes de la Iglesia (cf. cn.12 y 88), pues se presume que ya tiene
uso de razón porque así suele ordinariamente acontecer.

5º. En caso de duda se ha de suponer la validez del acto.

Este principio se puede aplicar únicamente cuando el hecho principal sea cierto y sólo se dude de alguna
circunstancia del mismo. Por ejemplo: el que duda si se confesó con suficiente dolor de sus pecados puede pensar
que sí, porque el hecho principal (la confesión) es cierto y sólo duda de la suficiente contrición.

6º. En caso de duda, lo odioso hay que restringirlo y lo favorable ampliarlo.

Se entiende por odioso: a) todo lo que tiene carácter de pena; b) lo que va contra el derecho de un tercero, y c) lo
que se opone al derecho común. Y por favorable, todo lo que resulta en beneficio de la libertad o concede alguna
gracia sin perjuicio de nadie.

La razón es porque se presume que el legislador no quiere gravar a nadie más de lo que expresa su ley odiosa, y
acepta una interpretación benigna de su ley favorable en consonancia con la misma. El mismo Código de Derecho
canónico recoge este modo de sentir cuando dice que alas leyes, aun irritantes e inhabilitantes, no urgen cuando la
duda es de derecho» (cn.15) y cuando establece que »en las penas se ha de usar la más benigna interpretación»
(cn.2.219,1.°).

7º. En la duda, el delito no se presume, sino que hay que probarlo.

Es otro principio muy en consonancia con los anteriores y con la simple equidad natural. Nadie ha de ser considerado
malo o culpable mientras no se demuestre que lo es.

Otros muchos principios suelen utilizar los moralistas para resolver las dudas teóricas, convirtiéndolas en
certezas prácticas que permitan obrar sin quebranto de la conciencia. A partir de la aparición del probabilismo, el
más frecuente y socorrido de todos es el famoso aforismo la ley dudosa no obliga, que, si fuera cierto, resolvería
efectivamente la casi totalidad de los casos prácticos; pero ha sido duramente combatido por gran número de
moralistas eminentes, que ven en él una pura falacia altamente perjudicial para la moralidad de los actos humanos.
Qué haya de pensarse, a nuestro juicio, acerca de él, lo diremos con serena imparcialidad en el capítulo siguiente, al
hacer la crítica de los llamados sistemas de moralidad para la formación de la propia conciencia.

c) La conciencia perpleja

165. 1. Noción. Se llama así la del que cree pecar tanto si realiza como si omite una determinada acción. Por ejemplo,
el encargado de cuidar a un enfermo grave que teme faltar a la caridad si le deja un rato para oír misa en domingo, o
a la ley eclesiástica si no la oye. O el confesor que teme pecar si absuelve al penitente dudosamente dispuesto, lo
mismo que si no le absuelve.

166. 2. Principios fundamentales. La conciencia perpleja se regula por los siguientes principios :

I.° Si no se trata de un caso urgente y se puede suspender su ejecución hasta consultar con personas competentes o
estudiar por sí mismo la cuestión, debe hacerse así. La razón es porque tenemos obligación de emplear los medios a
nuestro alcance para llegar a una conciencia verdadera y recta antes de obrar.

2.° Si esto es imposible, por tratarse, v.gr., de un caso urgente que no admite espera, debe elegirse lo que parezca
menos malo; no con la intención de obrar el mal menor, sino con la de practicar el bien posible, teniendo en cuenta
que la ley inferior ha de ceder el paso a la superior (v.gr., en el caso del que cuida al enfermo, la ley divina de la
caridad prevalece sobre la eclesiástica de oír misa).

3.° Si el que se encuentra perplejo no acierta a distinguir o a decidirse sobre lo que será menos malo, puede elegir
libremente lo que quiera, y no pecará (aunque a él le parezca que sí), porque nadie está obligado a lo imposible y
nadie puede pecar necesariamente, pues todo pecado supone la libre voluntad de cometerlo.

Sin embargo, si esta perplejidad fuera culpable en la causa (v.gr., el caso del confesor que no sabe qué hacer por no
haber estudiado suficientemente la teología moral), hay que aplicarle los principios que expusimos al hablar de la
ignorancia vencible y culpable.

F) La conciencia escrupulosa, delicada, laxa, cauterizada y farisaica

Todas estas subdivisiones se refieren a la conciencia por razón de su modo habitual de juzgar. Vamos a examinarlas
separadamente una por una.

a) La conciencia escrupulosa

167. I. Noción. La palabra escrúpulo viene del latín scrupulus, que significa pedrezuela. Se designaba con esa
expresión una pesa pequeñísima que no hacía oscilar sino balanzas muy finas y sensibles, como las que se emplean
en farmacia. Por extensión se ha trasladado al terreno moral para designar un tipo de conciencia que se deja vencer
por razones fútiles y sin consistencia alguna. En este sentido, puede definirse la conciencia escrupulosa diciendo que
es aquella que por insuficientes y fútiles motivos cree que hay pecado donde no lo hay o que es grave lo que sólo es
leve.

Se distingue de la conciencia delicada en que ésta atiende a los detalles mínimos, pero con serenidad y verdad; y de
la errónea, en que ésta emite un juicio falso, pero firme, mientras que la escrupulosa fluctúa continuamente, sin
llegar a un juicio estable.
168. 2. Señales. La conciencia escrupulosa se manifiesta por multitud de signos. Los principales son los siguientes:

a) Miedo constante y perturbador a incurrir en un verdadero pecado si se permite ciertas cosas o acciones que ve
realizar con toda tranquilidad de espíritu a otras personas prudentes y de buena conciencia.

b) Nimia ansiedad sobre la validez o suficiencia de una buena acción, principalmente acerca de las confesiones
pasadas o de los actos internos.

c) Largas y minuciosas acusaciones de circunstancias que no vienen al caso y en las que el escrupuloso cree ver
complementos indispensables, cuando no la misma esencia de su pecado.

d) Pertinacia de juicio en no tranquilizarse con las decisiones del confesor por miedo a no haberse explicado bien, a
no haber sido comprendido, etc., lo que le obliga a mudar con frecuencia de confesor y a querer renovar sus
confesiones generales o la acusación de pecados sometidos ya multitud de veces al tribunal de la penitencia, etc.,
etc.

169. 3. Clases. Los escrúpulos suelen revestir dos formas principales : una de tipo general, que abarca todo el campo
de la conciencia y se refiere a toda clase de pecados; y otra especial, que se circunscribe a una determinada materia
(v.gr., a la fe, la castidad, la validez de la confesión, etc.), dejando completamente en paz y tranquilidad todo el resto
de la vida moral. A veces se da la increíble aberración de escrupulizar hasta minuciosidades ridículas en una
determinada materia, al mismo tiempo que se cometen sin escrúpulo ninguno grandes pecados en otras materias
mucho más importantes.

170. 4. Causas. Los escrúpulos pueden provenir de una triple fuente:

a) CAUSA NATURAL. La inmensa mayoría de las veces los escrúpulos obedecen a causas puramente naturales de tipo
físico o moral.

Entre las causas físicas, unas son meramente fisiológicas, tales como la disposición patológica del paciente
(perturbación del sistema nervioso, o cerebroespinal, por enfermedad o herencia, atavismo, etc.); la fatiga
intelectual por exceso de trabajo, insomnio, etc.; la falta de alimentación, que produce una gran depresión nerviosa,
y otras causas semejantes.

Otras son de tipo psicológico, tales como un temperamento melancólico predispuesto a la cavilosidad y al pesimismo;
un espíritu misántropo y retraído, que huye del trato normal con la gente y de toda recreación honesta,
reconcentrándose cada vez más en sus propios pensamientos; ciertas enfermedades psicológicas, tales como
la psicastenia, la obsesión, las ideas fijas (de las que el escrúpulo es una simple variedad o forma), etc.

Entre las causas morales (íntimamente relacionadas con las psicológicas) hay que señalar una educación
excesivamente rigorista, que, al sancionar severamente las menores faltas, atemoriza y encoge el espíritu del
educando, empujándole hacia los escrúpulos; el trato con otras personas meticulosas y detallistas; la lectura de libros
excesivamente rigoristas en materia de moralidad, que se complacen en pintar con negras tintas las acciones más
inocentes; una oculta soberbia, que hace preferir el propio criterio al de otras personas sensatas y prudentes, etc.

b) CAUSA SOBRENATURAL. A veces, aunque muy pocas, los escrúpulos proceden de una disposición del mismo Dios
(valiéndose de causas naturales o preternaturales) para ejercitar al alma en la paciencia, humildad y obediencia, o
para efectos purificadores de sus pasadas faltas, o en vistas a un mayor incremento de perfección y santidad. Tal
ocurrió con San Ignacio de Loyola, San Francisco de Sales y hasta con la angelical Santa Teresita del Niño Jesús. Pero
tales escrúpulos no suelen durar largo tiempo—almenos no toda la vida—, y, superada la terrible crisis, renace en el
alma la tranquilidad y la paz.

c) CAUSA PRETERNATURAL. Otras veces, permitiéndolo Dios, es el demonio la causa de los escrúpulos, actuando
directamente sobre la imaginación y sensibilidad de sus pacientes. Trata con ello de perturbar la paz del alma para
que no se entregue a los ejercicios de piedad o apostolado, o de vengarse de ella si se trata de un alma muy avanzada
en los caminos de Dios. Tampoco estos escrúpulos suelen ser muy duraderos y cesan con tanta mayor prontitud y
facilidad cuanto mayor sea la obediencia ciega al director espiritual, a pesar de todas las sugestiones diabólicas.
Cuando el demonio se convence de que sus manejos resultan contraproducentes, abandona fácilmente un campo en
el que tiene perdida la partida.
171. 5. Efectos. Pocas cosas resultan tan perjudiciales al cuerpo y al alma como la terrible enfermedad de los
escrúpulos.

a) PERJUDICAN AL CUERPO, empujándole hacia las enfermedades mentales y nerviosas o agravándolas


considerablemente si ya se padecen. Pueden llevar hasta el delirium tremens y la completa enajenación mental.

b) PERJUDICAN AL ALMA, impidiéndola entregarse con tranquilidad y paz al servicio de Dios, a quien ya no se mira
como al mejor de los Padres, que acoge con infinita dulzura y misericordia al hijo pródigo que vuelve a la casa
paterna cubierto de harapos, sino como Juez vengador de las menores injurias. El alma se vuelve egoísta, desconfía
de todo el mundo, su trato se hace intolerable, pierde la devoción y la paz y, a veces, siente fuertes impulsos de
echarlo todo a rodar o incluso de cometer la increíble locura del suicidio.

172. 6. Remedios. Hay que fijarse, ante todo, en la causa y origen de los escrúpulos para acertar con su verdadera
terapéutica.

1.° CUANDO SON UN EFECTO DE LA PERMISIÓN DE DIos con vistas a la purificación del alma, lo mejor es la perfecta
conformidad con la voluntad divina por todo el tiempo que sea de su beneplácito. Esfuércese el alma por obedecer
en todo al director; renuncie a sus propias luces, aunque le parezca ver claro lo contrario de lo que el director le
manda; humíllese en la presencia de Dios y una sus sufrimientos morales a los de Jesús y María por la salvación de
las almas. Ya sonará la hora de Dios cuando El lo estime conveniente, y el alma saldrá de su dolorosa prueba
vigorizada y mejorada.

2.° CUANDO PROCEDEN DE LA ACCIÓN DIABÓLICA, siga la misma línea de conducta que acabamos de indicar.
Desprecie las sugestiones del enemigo, tranquilícese, humíllese, obedezca ciegamente al director y tenga paciencia,
que no tardará en volver la calma y serenidad.

3.° CUANDO PROCEDEN DE CAUSAS PURAMENTE NATURALES (O sea en el noventa y cinco por ciento de los casos),
hay que contrarrestar, en primer lugar, la influencia del mal en su doble aspecto fisiológico y psicológico.

a) FISIOLÓGICAMENTE se evitará con cuidado todo gasto inútil de energías vitales, sobre todo el exceso de trabajo:
los obsesionados, en general, son seres rendidos de fatiga. Hay que evitar a toda costa la fatiga física, las emociones
fuertes, la falta de sueño, la alimentación deficiente, la atmósfera malsana (locales cerrados, humo de carbón, etc.).

El enfermo debe someterse a un régimen altamente reparador de sus energías vitales destrozadas. Alimentación
sana y abundante, reposo prolongado (de ocho a nueve horas de sueño), ejercicios respiratorios al aire libre,
gimnasia moderada, hidroterapia, medicamentos tonificantes bajo el control del médico, etc.

b) PSICOLÓGICAMENTE tiene que rodearse de una atmósfera de tranquilidad y de paz, evitar el trato con personas
meticulosas o rigoristas, no leer libro alguno que pueda excitarle, o emocionarle excesivamente, o aumentarle sus
preocupaciones. Ha de evitar a todo trance el desdoblamiento de sus ideas, su excesiva prolongación o rumiadura, el
querer llegar a la certeza absoluta en todo cuanto hace. Ha de entregarse a un trabajo moderado (manual o
intelectual) que le entretenga provechosamente; se distraerá con recreaciones sencillas y agradables que no
supongan esfuerzo o fatiga para sus nervios (nada de deportes violentos o de juegos absorbentes, como el ajedrez,
etc.).

Presupuestos estos remedios neutralizadores, habrá que atacar directamente los escrúpulos mediante un acertado
tratamiento de dirección espiritual. Para ello es indispensable la colaboración del enfermo, pero sin pedirle nunca
que dé de sí más de lo que pueda dar en el momento concreto de evolución en que se encuentre actualmente. Las
principales normas a que deben ajustarse director y dirigido son las siguientes:

El director procurará principalmente:

a) Inspirar confianza al enfermo. Déjele hablar largamente la primera vez. Interrúmpale tan sólo de vez en cuando
con una pregunta fácilmente aclaratoria, para que el enfermo se convenza de que se le va entendiendo muy bien. Al
terminar la larga conversación, dígale con dulzura: *Amigo mío: le he entendido a usted admirablemente. Veo su
alma con toda claridad como a través de unos rayos X. Y estoy seguro de que su enfermedad es perfectamente
curable, con tal que me obedezca ciegamente en todo».
b) Exigir obediencia ciega. Tiene que decirle al enfermo que el único procedimiento para curarle es la obediencia
ciega, hasta creer que es blanco lo negro si el director se 10 dice así. Tiene que convencerse el enfermo de que lleva
unas gafas de cristales negros que le hacen ver la realidad distinta de como es. El director no debe permitirle al
enfermo que discuta sus órdenes o que pida el fundamento o las razones de las mismas. Debe limitarse a decirle que
obedezca ciegamente, bajo la exclusiva responsabilidad ante Dios del director. A lo sumo puede explicarle el principio
de que, para obrar con conciencia inculpable ante Dios, basta la certeza moral práctica de la honestidad de una
acción por razones extrínsecas (la simple autoridad del confesor), aunque persistan en la propia conciencia toda clase
de dudas especulativas. Háblele siempre con firmeza, empleando un lenguaje categórico, sin incurrir jamás en la
torpeza de dejar escapatorias con un *quizás*, *tal vez», *sería mejora, etc., que, lejos de curar al enfermo,
agravarían su dolencia.

El enfermo, por su parte, se esforzará con el mayor empeño y energía en colaborar a su curación en la siguiente
forma:

a) Oración a Dios, pidiéndole el remedio de su triste situación, aunque con plena sumisión a su divina voluntad.

b) Obediencia ciega al director en el sentido y forma que acabamos de explicar. Fíese únicamente de él y no consulte
a otros confesores ni consejeros. Haga brevísimamente su examen de conciencia y no se confiese sino de las faltas
que pueda jurar haber cometido ciertamente.

c) Empleo de los remedios físicos y psíquicos que hemos indicado más arriba.

b) La conciencia delicada

173. I. Noción. Es aquella que juzga rectamente de la moralidad de los actos humanos extendiendo su mirada hasta
los detalles más pequeños.

Se distingue de la conciencia escrupulosa, como ya hemos dicho, en que esta última ve pecado donde no lo hay,
mientras que la delicada lo ve donde existe realmente, aunque sea muy pequeño. Y se distingue también de la
conciencia rígida en que esta última se fija demasiado en la materialidad de la ley, esclavizándose a ella; mientras
que la delicada sabe adaptarse a una sana y prudente epiqueya cuando se presentan especiales circunstancias no
previstas por el legislador.

La conciencia delicada es altamente laudable y deseable. Mantenida dentro de sus justos límites (o sea sin dejarla
desviar hacia la conciencia escrupulosa o rígida), presta grandes servicios al alma, ayudándola a evitar hasta los
pecados más mínimos y empujándola hacia las grandes alturas de la perfección cristiana.

174. 2. Medios de fomentarla. Ante todo hay que avivar el espíritu de fe para darse cuenta de la grandeza y majestad
de Dios, ante la que siempre será poco el cuidado y esmero que pongamos en evitar el pecado o complacerle hasta
en los menores detalles de nuestra vida. Recordar con frecuencia, aunque sin angustia ni escrúpulo, que Dios nos
pedirá cuenta hasta de una palabra ociosa (Mt. 12,36) y que nos ha recomendado en el Evangelio cumplir toda la
ley hasta en sus detalles más mínimos (Mt. 5,18-19).

Cuídese, sin embargo, de no dar en un egoísmo demasiado meticuloso que haga girar al alma en torno de sí misma,
preocupándose tan sólo de sus propias responsabilidades, en vez de entregarse a Dios con el corazón dilatado por el
amor, buscando únicamente su mayor gloria y el cumplimiento perfecto de su divina voluntad.

c) La conciencia laxa

175. 1. Noción y división. La conciencia laxa es el extremo opuesto a la conciencia escrupulosa. Es aquella que, bajo
fútiles pretextos o razones del todo insuficientes, considera lícito lo ilícito, o leve lo grave.

Cuando, como ocurre casi siempre, el que obra con tanta superficialidad y ligereza se da perfecta cuenta o sospecha
seriamente la inanidad de los principios en que se funda, coincide enteramente con la conciencia venciblemente
errónea y es responsable ante Dios en la medida y grado de su culpable negligencia.

a) POR RAZÓN DEL ACTO se divide en antecedente y consiguiente. La primera se refiere a una acción ilícita que se va
a realizar juzgando que es lícita, o al menos no grave. La segunda dice relación a una obra mala ya realizada,
estimando con ligereza que no tiene importancia objetiva o que se la ha realizado con imperfecta advertencia y
consentimiento.

b) POR RAZÓN DE LA EXTENSIÓN. Puede ser general, si se extiende a toda clase de materias, o particular, si se ciñe o
circunscribe a una sola o a unas pocas determinadas.

176. 2. Causas y efectos. Ya se comprende que la causa principal que conduce a este estado tan lamentable es
la falta de fe viva en la grandeza de Dios y gravedad del pecado. Pero al lado de este fallo fundamental se encuentran
otros muchos, entre los que pueden señalarse los siguientes:

1. Una vida muelle y sensual, que embota la sensibilidad del alma.

2. El descuido de la oración mental y la falta absoluta de reflexión.

3. La excesiva solicitud por las cosas mundanas y terrenas (espectáculos, diversiones, negocios, etc., etc.).

4. La costumbre de pecar, que va disminuyendo el horror al pecado.

5. El ambiente frívolo y trato con personas superficiales y ligeras.

6. La lujuria, sobre todo, que entenebrece la claridad del juicio.

Poco a poco la conciencia laxa conduce a un estado de insensibilidad espiritual tan absoluto, que hace muy difícil su
curación y pone en grave peligro la salvación eterna. Volveremos en seguida sobre esto al hablar de la
conciencia cauterizada.

177. 3. Remedios. Es difícil reformar la conciencia laxa, pues afecta casi siempre a sujetos de una ligereza y
superficialidad tan grandes, que es casi imposible hacerles reflexionar en serio sobre el gravísimo peligro a que se
exponen. De todas formas, he aquí los principales remedios contra tan grave dolencia:

1. Estudio serio de sus deberes y obligaciones en autores de toda responsabilidad y solvencia, excluida en
absoluto la lectura de novelas frívolas y mundanas.

2. Huida de las ocasiones peligrosas y del trato con personas superficiales y ligeras. Trato con gente de buena
conciencia.

3. Examen cotidiano de conciencia, frecuencia de sacramentos, lectura de libros piadosos, oración humilde y
perseverante, meditación de los novísimos.

4. Lo mejor, acaso, sería practicar una tanda de ejercicios espirituales internos bajo la dirección de un
competente director. La experiencia ha demostrado muchas veces que es éste el procedemiento más eficaz
para detener a uno de estos infelices en su loca carrera hacia el abismo y hacerle emprender una vida
seriamente cristiana.

d) La conciencia cauterizada

178. Cuando el estado de cosas que acabamos de denunciar llega a su colmo y paroxismo, da origen a la llamada
conciencia cauterizada. Es aquella que, por la costumbre inveterada de pecar, no le concede ya importancia alguna al
pecado y se entrega a él con toda tranquilidad y sin remordimiento alguno.

El pecador ha descendido hasta el último extremo de la degradación moral. Peca con cínica desenvoltura, alardeando
a veces de «despreocupación», «amplitud de criterio» y otras sandeces por el estilo. Se ríe de la gente honrada y
piadosa. Es del todo insensible a toda reflexión moral, que ni siquiera suele irritarle: se limita a despreciarla
cínicamente, lanzando una sonora carcajada.

Sólo un milagro de la divina gracia, que Dios realiza raras veces, podría salvar a este desdichado de la espantosa
suerte que le espera más allá del sepulcro. La Sagrada Escritura dice de él que es un «ser odioso y corrompido que se
bebe como agua la impiedad» (Iob 15,16) y que, «conforme a la dureza e impenitencia de su corazón, va atesorando
ira para el día del justo juicio de Dios» (Rom. 2,5; cf. I Tim. 4,2-3).

e) La conciencia farisaica
179. Es una extraña mezcla de la conciencia escrupulosa y de la laxa, que parecen incompatibles entre sí. Es aquella
que hace grande lo pequeño y pequeño lo grande. A imitación de los fariseos del Evangelio, cuela un mosquito y
traga un camello (Mt. 23,24). No tiene inconveniente, v.gr., en lanzar una calumnia o en cometer el gravísimo crimen
del aborto voluntario, pero le ocasionaría gran preocupación no asistir a misa el día de la Virgen del Carmen, aunque
caiga en día de trabajo.

Salvando las distancias y acaso también su buena fe, aliada con su ignorancia, se parecen mucho a esta clase de
fariseos ciertos falsos devotos que no podrían conciliar el sueño si no hubieran asistido a la novena o a la procesión y
no tienen inconveniente en faltar continuamente a la caridad fraterna y a la justicia con críticas, murmuraciones, etc.,
que tienen bastante más importancia que aquellas prácticas exteriores. La fórmula serena y equilibrada nos la dió el
Señor en el Evangelio: «¡Ay de vosotros, escribas y fariseos hipócritas, que diezmáis la menta, el anís y el comino, y
no os cuidáis de lo más grave de la Ley: la justicia, la misericordia y la lealtad! Bien sería hacer aquello, pero sin omitir
esto» (Mt. 23,23).

Fuente Royo Marín, Teología Moral

http://sededelasabiduria.es/2018/08/01/la-conciencia/

LOS PECADOS CONTRA LA FE


Por Royo Marín, o.p.

Los pecados contra la fe

En general, se puede pecar contra cualquier virtud por dos capítulos opuestos: por exceso y por defecto. La razón es
porque las virtudes—como dijimos al hablar de todas ellas en general—consisten en el justo medio entre dos
extremos; y aunque esto corresponde propiamente a las virtudes morales, repercute de alguna manera en las
teologales, al menos por parte del sujeto y del modo de practicarlas.

He aquí, en esquema, los pecados opuestos a la fe que vamos a examinar a continuación:

1. PECADOS POR EXCESO

Propiamente hablando, no pueden darse pecados por exceso contra la fe, como quiera que en su objeto—la infinita
verdad y veracidad divinas—no cabe la exageración. Pero se dan impropiamente, en cuanto que pueden tomarse
como verdades pertenecientes a la fe algunas que de ningún modo pertenecen a ella. Esta aberración da origen a los
dos pecados por ex que recoge el croquis anterior: la excesiva credulidad y la superstición} uno de sus aspectos.

A) La excesiva credulidad

287. I. Noción. Consiste en admitir con demasiada facilidad y sin suficiente fundamento, como pertenecientes a la fe,
ciertas verdades y opiniones que están muy lejos de pertenecer a ella. Suele darse con frecuencia entre gente devota
e ignorante, que concede importancia extraordinaria a la menor manifestación o profecía de cualquier visionario o
visionaria.
La Sagrada Escritura nos pone en guardia contra esta excesiva credulidad: Carísimos, no creáis a cualquier
espíritu, sino examinad los espíritus, si son de Dios, porque muchos seudoprofetas se han levantado en el mundo (I Io.
4,1). Y San Juan de la Cruz escribió páginas admirables para demostrar que esta excesiva credulidad en admitir
visiones, revelaciones y profecías privadas supone falta de fe, como si no fuera bastante la divina revelación oficial.
Hay que evitar, sin embargo, caer en el extremo opuesto, o sea, en una hipercrítica racionalista que hiciera dudar
hasta de las revelaciones privadas aprobadas por la Iglesia (tales como las de Lourdes, Fátima, etc.), que, sin
pertenecer por ello al depósito de la revelación ni ser objeto de fe divina, sería presuntuoso y temerario rechazar.

288. 2. Malicia. Teniendo en cuenta la buena fe de los que suelen incurrir en este error, su ignorancia y la calidad de
las cosas creídas—muchas veces buenas o al menos indiferentes—, este pecado de la excesiva credulidad no suele
pasar de leve y venial, a no ser que llevara consigo obstinación y rebeldía contra la autoridad eclesiástica al dar ésta
un dictamen contrario a aquellas creencias infundadas.

B) La superstición

289. Propiamente hablando, la superstición es un pecado contrario por exceso a la virtud de la religión, y allí lo
estudiaremos ampliamente. Pero se relaciona también con la virtud de la fe, en cuanto suele ir acompañado del
pecado de excesiva credulidad que acabamos de denunciar. Presenta muchas formas, que estudiaremos en su lugar
propio (cf. n.357 ss.).

II. PECADOS POR DEFECTO

Procediendo de mayor a menor alejamiento de la fe, son los siguientes: infidelidad, apostasía, herejía, duda,
ignorancia y omisión de sus actos.

A) La infidelidad

290. I. Noción y división. La infidelidad propiamente dicha es la carencia de fe en quien no está bautizado. En
sentido más amplio se entiende por tal cualquier pecado contra la fe. Aquí empleamos esta expresión en su sentido
propio. Se distinguen tres clases de infidelidad:

1.

A. Negativa o material: es la carencia de fe en quien no ha tenido nunca la menor noticia de la


verdadera religión (muchos paganos y salajes).

B. Privativa: es la carencia de fe en el que, por su propia culpa, ha descuidado instruirse en ella


teniendo ocasióñ oportuna para ello.

C. Positiva o formal: es la carencia de fe en quien la rechaza positivamente o la desprecia después de


haber sido suficientemente instruido en ella.

291. 2. Malicia. Es muy varia, según la clase de infidelidad. Y así:

a) LA INFIDELIDAD PURAMENTE NEGATIVA O MATERIAL no es pecado alguno, ya que es del todo involuntaria. La
Iglesia condenó una proposición de Bayo que decía lo contrario (D Io68).

Sin embargo, la situación moral de estos infelices es desgraciadísima. Ya que, aunque pueden realizar algunas buenas
obras y obtener de la misericordia de Dios la gracia de la justificación mediante el arrepentimiento de sus pecados y
el implícito deseo del bautismo, carecen de los poderosos auxilios de la verdadera religión (sacramentos, etc.) y es
muy difícil que puedan superar sus propias pasiones, que les arrastran al mal. Nunca se fomentará bastante el celo
apostólico y misionero por la conversión de los pobres paganos, que debe albergarse en el corazón de todo cristiano.
La ayuda a las misiones (oración, sacrificio y limosna) es uno de nuestros principales deberes como bautizados.

b) LA INFIDELIDAD PRIVATIVA es siempre pecado grave, porque es voluntaria y culpable. Se trata de un asunto
gravísimo, relacionado directamente con el honor de Dios y nuestra propia salvación; y nadie puede descuidar el
instruirse convenientemente en la verdadera fe, como si se tratara de cosa de poca importancia.
El infiel o hereje que empieza a sospechar que el catolicismo es la verdadera religión, tiene obligación de instruirse
diligentemente hasta hallar la verdad; y si lo descuida, peca gravemente contra la fe. Y puede tener por cierto que,
si estudia, se humilla y, sobre todo, ora con fervor y perseverancia, Dios no le negará la gracia soberana de la fe.

c) LA INFIDELIDAD POSITIVA O FORMAL es siempre pecado gravísimo contra la fe. Es uno de los mayores pecados que
se pueden cometer (sólo le supera el odio a Dios, que se opone directamente a la caridad), y, desde luego, el más
peligroso de todos, ya que rechaza el principio y fundamento mismo de la salvación eterna. Por eso el Señor nos dice
terminantemente en el Evangelio que el que no creyere—después de la predicación de los apóstoles—
se condenará (Mc. 16,16).

Las principales formas o especies de infidelidad positiva son: a) el paganismo positivo (en el infiel o salvaje que
rehusa aceptar la verdadera fe después de suficientemente instruido en ella), y b) el judaísmo, que espera todavía,
con increíble insensatez, el advenimiento del Mesías, rechazando al verdadero—Cristo nuestro Señor—, que vino
hace ya veinte siglos.

292. Escolios. I.° ¿Puede obligarse a los infieles a abrazar la verdadera fe?

De ninguna manera. Porque la Iglesia no tiene jurisdicción sobre los no bautizados, y la fe, además, ha de abrazarse
libre y voluntariamente para que sea verdadera fe. Lo confirma el Derecho canónico al prohibir bautizar a los niños
de los infieles sin el consentimiento de éstos (a no ser en peligro cierto de muerte, porque entonces prevalece el
derecho del niño a salvarse) y a los adultos que no quieran voluntariamente recibir el bautismo (cn 750-752).

La Iglesia puede, en cambio, obligar a los apóstatas y herejes a que vuelvan a la verdadera fe (y lo hace, v.gr.,
imponiéndoles la excomunión y otras penas eclesiásticas), porque, estando bautizados, tiene plena jurisdicción sobre
ellos.

2º. ¿Cuáles son los deberes de los príncipes o gobernantes católicos respecto a los infieles?

No pueden aprobar, ni fomentar, ni favorecer en modo alguno los ritos de los infieles (v.gr., construyéndoles una
iglesia, concediéndoles subvenciones económicas, etc.). Pero, con justas y graves causas (v.gr., para evitar mayores
males), pueden tolerar el culto privado en sus sinagogas o iglesias, pero prohibiéndoles el culto o la propaganda
pública y, sobre todo, poner obstáculos al culto y propaganda católica. Dígase lo mismo de los herejes (protestantes y
cismáticos). Sólo un liberalismo trasnochado y anticatólico puede tener la ridícula pretensión de que el error ha de
ser tratado igual que la verdad y tener los mismos derechos que ella.

B) La apostasía

293. La palabra apostasía significa, en general, apartamiento o abandono. De suyo puede referirse a cualquier otra
cosa, pero desde el punto de vista eclesiástico se restringe su sentido al apartamiento o abandono de Dios.

Ahora bien: como el hombre puede unirse con Dios de tres maneras, a saber: por la fe, por el orden sagrado y
por los votos religiosos, hay tres clases distintas de apostasía correspondientes a cada una de esas tres uniones. Sólo
la apostasía de la fe destruye directamente la misma fe; pero vamos a estudiar brevemente también las otras dos.

a) APOSTASÍA DE LA FE es el abandono total de la fe cristiana recibida en el bautismo.

No se distingue esencialmente de la simple herejía, sino que es la misma herejía total o universal. La simple herejía es
un error pertinaz contra una o varias verdades reveladas por Dios; y la apostasía es la negación universal de todas
ellas, después de haber sido bautizado. En este sentido es mayor pecado que la herejía, aunque dentro de su misma
línea.

Para incurrir en el crimen de apostasía no se requiere el tránsito del catolicismo a una religión falsa. Por lo cual son
verdaderos apóstatas los que, después de recibir el bautismo, se han apartado totalmente de la fe católica, cayendo
en la incredulidad, el ateísmo, el libre pensamiento, el racionalismo, el panteísmo, el teosofismo, el indiferentismo
religioso y demás errores incompatibles con la fe católica, aunque no hayan ingresado en el
judaísmo o en alguna religión pagana.

La apostasía es, de suyo, un pecado gravísimo contra la fe. El apóstata incurre en las mismas penas que los herejes.
Hablaremos en seguida de ellas.
b) APOSTASÍA DEL ORDEN SAGRADO es el abandono del estado clerical y la vuelta al estado laical hecha por propia
autoridad por el clérigo ordenado in sacris.

Para que se produzca este delito tienen que reunirse esas dos condiciones: ordenación in sacris (de subdiácono para
arriba) y por propia autoridad. El que abandona por su propia cuenta las órdenes menores, o las mayores con
legítima dispensa pontificia, no es apóstata.

Esta apostasía es siempre gravísimo pecado. El desgraciado que incurrió en ella tiene obligación de volver cuanto
antes al estado clerical, y mientras no obtenga legítima dispensa pontificia, permanece sujeto a todos los deberes y
obligaciones inherentes s su estado (castidad, rezo del breviario, etc.).

e) APOSTASÍA DE LA RELIGIÓN es la del «profeso de votos perpetuos, sean solemnes o simples, que ilegítimamente
sale de la casa religiosa con ánimo de no volver, o el que, aun habiendo salido legítimamente, no vuelve a ella, con el
intento de substraerse a la obediencia religiosa» (cn.644 § I).

El tal apóstata comete un grave pecado, queda ipso facto excomulgado, permanece sujeto a todas sus obligaciones
religiosas, queda privado de todos sus privilegios religiosos y, si vuelve a la religión—a lo cual está obligado cuanto
antes—, queda privado para siempre de voz activa y pasiva (o sea del derecho a elegir o ser elegido) y debe sufrir las
demás penas señaladas a los apóstatas en sus propias constituciones (cf. cn.645 y 2385).

C) La herejía

294. I. Noción y división. La palabra herejía (del griego aipsais: selección) designa la actitud del que elige o selecciona
algunas verdades de la fe, rechazando las demás. Como pecado especial contra la fe se la define: el error voluntario y
pertinaz de un bautizado contra alguna verdad de la fe católica. Ese error puede ser una negación
o una duda voluntaria. Dice el Código canónico:

«Si alguien, después de haber recibido el bautismo, conservando el nombre de cristiano, niega pertinazmente alguna
de las verdades que han de ser creídas con fe divina y católica, o la pone en duda, es hereje; si abandona por
completo la fe cristiana, es apóstata; finalmente, si rehusa someterse al Sumo Pontífice o se niega a comunicar con
los miembros de la Iglesia que le están sometidos, es cismático» (cn.1325 § 2). [Sale ipso facto fuera de la Iglesia, es
deicir, sin necesidad de declaración alguna de parte de la jerarquía ]

En realidad, toda herejía parcial coincide en el fondo con la apostasía total de la fe. Porque, rechazada una verdad
cualquiera de fe, se rechaza el motivo formal de la misma, que es la autoridad de Dios, que revela, y no el propio
capricho selectivo para escoger ésta o la otra verdad. Por eso Santo Tomás dice expresamente que la «apostasía no
importa una determinada especie de infidelidad, sino cierta circunstancia agravantes (II-11,12,1 ad 3).

El siguiente cuadro esquemático muestra las principales divisiones de la herejía:

295. 2. Malicia. Depende de la clase de herejía. Y así:

1º. La herejía puramente material no es pecado de suyo, pero puede serlo en circunstancias especiales.
De suyo no es pecado porque es involuntaria y, por lo mismo, inculpable. Pero podría ser pecado si surgieran dudas
sobre la legitimidad de aquella secta u opinión herética y no se hiciera diligencia alguna para averiguar la verdad. Si
las dudas fueran graves, se cometería pecado mortal (de ignorancia en la fe, no propiamente de herejía); si
fueran leves, no pasaría de pecado venial.

Es HEREJE PURAMENTE MATERIAL:

 El que está en disposición de someterse al juicio de la Iglesia al advertir el error.

 El que desconoce por completo la verdadera fe y nunca ha dudado de su religión.

 El que, dudando de su fe, hizo las diligencias posibles para averiguar la verdad.

El que, llevado por el respeto humano, o el miedo a los castigos, o la simple negligencia, retrasa su conversión a la fe,
no es propiamente hereje; pero peca gravemente contra el precepto afirmativo de la fe si la retrasa por mucho
tiempo, y gravísimamente si decide no convertirse nunca, aunque sea por motivos extrínsecos a la fe. Si muere en
ese estado sin arrepentirse, no se puede salvar (cf. Mc. 16,16).

2º. La herejía formal es pecado gravÍsimo en toda su extensión y no admite parvedad de materia.

Porque el que rechaza voluntariamente y con pertinacia una verdad que la Iglesia propone como revelada por Dios,
comete una grave injuria contra el mismo Dios y la Iglesia y, juntamente con la gracia y la caridad, pierde o destruye
el hábito mismo de la fe, que es el principio y la raíz de la justificación.

No admite parvedad de materia, porque el desprecio de la autoridad de Dios y de la Iglesia envuelve siempre un
grave desorden, por insignificante que sea la materia sobre que recaiga. Hay que añadir, además, la circunstancia
del grave escándalo que con ello se da.

Es HEREJE FORMAL:

a) El que, dudando seriamente de su fe, no quiere salir de su duda,

b) El que de propósito aparta su atención de los motivos de credibilidad que presenta la Iglesia católica y está
dispuesto a perseverar en su falsa religión, aunque llegue a conocer la verdad.

c) El que, después de conocida la verdad, sigue haciendo oposición a la Iglesia (pecado gravísimo, contra el Espíritu
Santo).

d) El que duda voluntariamente de algún artículo que sabe ser de fe.

No sería hereje formal ni material el que, por pura fanfarronada, dijera algo contra la fe, pero sin sentirlo
interiormente, aunque desde luego cometería un grave pecado contra la fe, con la agravante del escándalo. En
cambio, sería hereje el que negara pertinazmente una doctrina cualquiera ajena a la fe creyendo que se trataba de
una verdad de fe.

3º. El que rehúsa aceptar las proposiciones doctrinales que la Iglesia presenta como no reveladas, no es
propiamente hereje; pero peca gravemente contra la obediencia debida a la autoridad de la Iglesia en doctrinas
relacionadas con la fe y las costumbres aunque no sean expresamente reveladas.

Que no es propiamente hereje es evidente, pues con ello no se opone a la autoridad de Dios, que revela (objeto
formal de la fe), sino únicamente al magisterio eclesiástico en doctrinas no reveladas. Pero es claro también que peca
gravemente contra la sujeción y obediencia debidas a la autoridad de la Iglesia cuando propone a los fieles con su
magisterio auténtico (aunque no infalible) doctrinas relacionadas con la fe y las costumbres o para defensa de ellas,
ya que siempre se trata de cosa grave, como procedente de la Iglesia, regida y gobernada por el Espíritu Santo. Y así,
v.gr., pecaría mortalmente el que se opusiera pertinazmente a alguna enseñanza dada por el Papa en alguna encíclica
dirigida a toda la Iglesia, aunque no se refiriese a materia estrictamente dogmática.

Y nótese que no basta para evitar el pecado el llamado silencio obsequioso del que calla exteriormente, pero disiente
por dentro, sino que hay que rendirse incluso interiormente ante la autoridad de la Iglesia.
296. 3. Penas eclesiásticas. La Iglesia castiga con graves penas la herejía formal externa, y con mayor razón,
la apostasía total de la fe.

Nótese que para incurrir en el gravísimo pecado de herejía formal basta negar la fe interiormente o dudar
voluntariamente de ella. Pero para incurrir, además, en las penas eclesiásticas se requiere la
manifestación externa de la herejía, ya sea de una manera oculta o conocida de muy pocos (v.gr., afirmando en una
carta particular alguna proposición herética a sabiendas de que lo es), ya de una manera del todo pública y descarada
(v.gr., en un discurso, un libro, etc.). La razón es porque la Iglesia no suele sancionar por su cuenta más que los
delitos externos, según el conocido aforismo: De internis non iudicat Ecclesia.

He aquí las penas eclesiásticas en que incurren los apóstatas y los herejes formales externos, públicos u ocultos:

1. Excomunión latae sententiae (o sea, ipso facto, sin necesidad de sentencia expresa), reservada al Papa de una
manera especial (los obispos no pueden levantar las excomuniones reservadas al Papa de una manera especial o
especilísima) (cn.2314 § 1 n.1).

2. Privación de los beneficios, dignidades, pensiones, oficios y demás cargos eclesiásticos (ibíd., n.2).

3. Deposición o degradación de los clérigos que no se arrepientan después de repetida la amonestación (ibíd., n.z).

4. Infamia de derecho e incapacidad para emitir sufragio en elecciones eclesiásticas, si dieron su nombre o se
adhirieron públicamente a las se heréticas o cismáticas (ibfd., n.3; cn.167 § 1 n.4).

5. Irregularidad por delito y por defecto si dieron su nombre o se hirieron públicamente a una secta acatólica, por la
infamia de derecha (cn.985,1.°; 984, 5º)

6. Privación de la sepultura eclesiástica (cn.124o § r n.i). La razón es porque el hereje que vivió en vida
voluntariamente separado de la Iglesia no puede juntarse en el cementerio con los fieles cristianos.

Cómo puede obtenerse la absolución de estas penas o censuras, lo dire,. mos en el segundo volumen de esta obra al
hablar de las penas y censuras eclesiásticas.

297. 4. Principales herejías y errores modernos. El papa; Pío XII, en su encíclica Humani generis, del 12 de agosto de
1950, denuncia las principales herejías y errores modernos, que ningún católico puede defender. Entre ellos se
cuenta el evolucionismo panteísta, el poligenismo, el materialismo histórico o dialéctico, el idealismo,
el inmanentismo, el modernismo, el existencialismo, el falso historicismo, el irenismo, el relativismo
dogmático, el menosprecio del magisterio de la Iglesia, la nueva teología, etc. Sabido es que la Santa Sede ha
condenado como heréticos algunos sistemas políticos que profesan doctrinas materialistas y ateas, tales como
el liberalismo absoluto, el socialismo marxista, el desaparecido nazismo alemán y el comunismo. Ultimamente el
papa Pío XII condenó la llamada moral nueva o de la situación, que rechaza las normas de moralidad objetivas y
universales, para caer en un subjetivismo desenfrenado, en el que cada persona particular sería el único árbitro de su
«caso moral», que no se repetiría jamás en ninguna otra persona humana 19,

La Iglesia ha condenado también repetidas veces como heréticas a la masonería y otras sectas anticatólicas.

298. 5. ¿Puede perderse la fe sin haber pecado contra ella? A esta interesantísima pregunta contestamos con la
siguiente

Conclusión: No repugna absoluta o metafísicamente que se pierda la fe católica sin haber cometido ningún pecado
directo contra ella, o sea, sin haber negado ningún artículo de la fe. Sin embargo, esto es práctica y
psicológicamente imposible en el que ha sido educado católicamente.

La primera parte es clara teóricamente. No repugna que un hombre corneta multitud de pecados contra otras
virtudes (v.gr., de impureza, orgullo, etcétera) sin haber negado nunca ningún artículo de la fe. Y puede ocurra que
Dios, en castigo de aquellos pecados, vaya retirando sus gracias y luces hasta dejar en las tinieblas a aquel pecador
empedernido, y entonces sobreviene la pérdida total de la fe.

La segunda parte es también clara. Porque en la práctica es psicológicamente imposible que durante ese largo
proceso de pecados y de descristianización no surjan multitud de dudas contra la fe excitadas por los mismos
remordimientos del pecador, que se va alejando cada vez más de Dios. Por lo mismo, es prácticamente imposible
llegar a perder del todo la fe (apostasía total) sin haber pecado repetidamente contra ella.

Lo que es del todo claro e indiscutible es que nadie puede perder la fe sin propia culpa. Porque, como dice el apóstol
San Pablo, los dones y la vocación de Dios son irrevocables (Rom. 11,29) y a nadie se los retira si no se hace
voluntariamente indigno de ellos. Es axioma teológico que «Dios no abandona a nadie si no es abandonado
primero» (Deus non deserit nisi prius deseratur). Lo cual, por un lado, ha de hacernos evitar cuidadosamente
cualquier clase de pecados que podrían acarrearnos la tremenda desventura de la pérdida de la fe; pero ha de
tranquilizarnos profundamente por otro lado, ya que, si hacemos lo que podamos por nuestra parte para conservarla
y se la pedimos humilde y perseverantemente a Dios, podemos estar ciertos de que no nos faltará su ayuda para
conservar intacto hasta la muerte el tesoro sacrosanto de la fe.

D) La duda contra la fe

299. «No es en manera alguna igual la situación de aquellos que por el don celeste de la fe se han adherido a la
verdad católica y la de aquellos que, llevados de opiniones humanas, siguen una religión falsa; porque los que han
recibido la fe bajo el magisterio de la Iglesia no pueden jamás tener causa justa de cambiar o poner en duda esa
misma fe» (D 1794).

Estas palabras del concilio vaticano, sobre las que recayó una expresa definición dogmática del mismo concilio
rechazando la doctrina contraria de Hermes (D 1815), obligan a hacer una distinción entre católicos y no católicos con
relación a las dudas en materia de fe. Y así :

a) Entre católicos

1) El que duda voluntaria y positivamente de algún dogma ya definido y propuesto por la Iglesia, juzgando que no es
del todo cierto o seguro por las razones que sean, incurre, sin duda alguna, en la herejía formal y peca
gravísimamente.

2) Si duda negativamente, o sea suspendiendo el juicio acerca de algún artículo de la fe, hay que distinguir:

a) Si suspende deliberada y pertinazmente su asentimiento porque juzga que el juicio de la Iglesia no tiene suficiente
fundamento para ser creído, comete un pecado gravísimo de herejía formal.

b) Si suspende su asentimiento con advertencia voluntaria, pero sin pertinacia (o sea, dispuesto a acatar la verdad
cuando se presente con claridad a su espíritu), peca gravemente contra la fe; pero no es estrictamente hereje, puesto
que no ha elegido pertinazmente lo contrario de lo que siente la Iglesia.

c) Si se trata únicamente de dudas o asaltos reiterados contra la fe, pero sin admitirlos en modo alguno y
rechazándolos en seguida al advertirlos, no hay pecado alguno, por muy fuertes y persistentes que sean, pues no
pasan de tentaciones contra la fe. Podría haber un pecado venial de negligencia si la repulsa a esas tentaciones no
fuera todo lo rápida y enérgica que debiera ser.

b) Entre los herejes materiales

1) Pueden y deben admitir las dudas contra su falsa religión c comienzan a sospechar que están en el error. Si
rehusan investigar la ver pecan grave y levemente contra la fe según la clase de duda y la negligeie en disiparla; pero
no son herejes formales mientras no rechacen pertinazmente convertirse al catolicismo después de haberles sido
mostrado suficientemente que es la única religión verdadera.

2) Cualquier hereje material dotado de espíritu reflexivo puede descl• brir sin gran esfuerzo o, al menos, sospechar
fuertemente la falsedad ele su religión en su misma falta de unidad (son infinitas las sectas que cada día se van
multiplicando, rechazando unas lo que aceptan las otras, etc)’.; en la ausencia de santidad en sus procedimientos y
en sus miembros; en su carencia total de catolicidad, acantonadas tan sólo a una o pocas regiones; y en su completa
desvinculación de la apostolicidad (arrancan de Focio, Miguel Cerulario, Lutero, Calvino o algún otro heresiarca
posterior), que son las cuatro notas típicas de la verdadera Iglesia de Cristo y sólo se encuentran en la Iglesia católica
romana.

E) La ignorancia de la fe
300. Como ya dijimos al hablar de la necesidad de la fe, hay obligación grave de aprender las cosas necesarias con
necesidad de medio y de precepto y, en general, todas aquellas verdades de fe que son necesarias pera llevar una
vida auténticamente cristiana y para el recto desempeño de los deberes del propio estado. El que descuida por
culpable negligencia este deber, comete un pecado muy grave de ignorancia voluntaria, que puede traerle fatales
consecuencias en este mundo y en el otro.

Es deber gravísimo de los párrocos adoctrinar al pueblo fiel en las verdades de la fe (cf. en. 1329). Y este deber
alcanza proporcionalmente a los padres, amos y padrinos con relación a sus hijos, criados o afiliados (cn 1335)

F) Omisión de los actos de fe

301. Puede, finalmente, pecarse directamente contra la fe, omitiendo su ejercicio en las circunstancias y casos en que
es obligatorio. Cuáles sean concretamente, ya lo dijimos al hablar de la obligación de los actos de fe.

http://sededelasabiduria.es/2019/03/22/los-pecados-contra-la-fe/

LAS LEYES MERAMENTE PENALES


Las leyes meramente penales

Hemos llegado a un punto interesantísimo, que vamos a estudiar cuidadosamente dada la importancia práctica y
enorme repercusión social que de su recta o falsa solución se sigue inevitablemente.

146. 1. Noción. Según el esquema que hemos propuesto más arriba al dividir la ley en general, una de sus divisiones
se tomaba por razón de la obligación, y era tripartita: moral, penal y mixta.

a) LEY MORAL es aquella que obliga a culpa sin ninguna pena o sanción jurídica (v.gr., la obligación de oír misa los
domingos; quien la quebranta comete un pecado grave, pero no queda excomulgado ni recibe en este mundo
ninguna sanción jurídica).

b) PENAL sería aquella cuyo quebrantamiento no supondría culpa moral alguna (aunque si jurídica), pero llevaría
aneja la obligación en conciencia de sufrir una pena (v.gr., de pagar una multa por haber cruzado la calle por sitio
indebido).

c) MIXTA, en fin, es aquella cuyo quebrantamiento lleva consigo una culpa moral y su pena o sanción jurídica
correspondiente (v.gr., el aborto voluntario es un gravísimo pecado, que lleva consigo excomunión por parte de la ley
eclesiástica y multa y cárcel por la ley civil).

147. 2. Un poco de historia. La doctrina de las leyes meramente penales ha sufrido una gran evolución a través de los
siglos. He aquí sus principales vicisitudes :

a) Fue enteramente desconocida de la antigúedad clásica.

b) Aparece por primera vez en el prólogo de las Constituciones de la Orden de Santo Domingo, aprobadas por el
capítulo general celebrado en París en 1236. En el texto actual de las Constituciones dominicanas figura la
declaración en el número 32 § 1, que dice así: «Para proveer a la unidad y a la paz de toda la Orden, queremos y
declaramos que nuestra Regla, Constituciones y Ordenaciones de los capítulos y de los prelados no nos obliguen a
culpa o a pecado, sino solamente a la pena señalada para los transgresores en las mismas Constituciones u
Ordenaciones, o a la que señalen los prelados. Obligan.a culpa, sin embargo, cuando se interpone precepto formal o
se quebrantan por desprecios 15.

c) Poco a poco fué abriéndose paso esta doctrina e invadiendo el terreno civil; pero no llegó a predominar del todo
hasta el siglo XIX, en que prevalecieron las doctrinas individualistas,

d) En el siglo XX, a medida que la idea de la justicia social va abriéndose camino, van disminuyendo sus partidarios.
En la actualidad son ya muchos los teólogos que se oponen abiertamente a la teoría de las leyes meramente penales.
148. 3. Distintas opiniones. Naturalmente que tanto los partidarios corno los impugnadores de la teoría de las leyes
meramente penales, con relación principalmente a las leyes del Estado, pretenden apoyarse en argumentos sólidos.
He aquí un resumen de los principales en uno y otro sentido:

Argumentos a favor de su existencia*

1) El legislador puede, si lo juzga suficiente para el cumplimiento de su ley, imponerla tan sólo como meramente
penal y no obligatoria en conciencia. Ya sea de una manera disyuntiva («haz esto, o paga la multa: elige libremente»),
ya con una obligación moral que afecta sólo a la pena condicionada a la transgresión de la ley con sólo culpa jurídica
(«Si haces esto, no pecas; pero tendrás obligación en conciencia de pagar la multas), ya con la doble obligación
puramente jurídica, sin afectar al orden moral (a no ser indirectamente con relación a la pena, en virtud de la ley
divina, que manda obedecer a las leyes justas).

2) Dada la multiplicidad y constante variación de las leyes (sobre todo en materia fiscal y económico-social), que las
hacen menos necesarias para el bien común y menos aptas para imponer obligación de conciencia, pueden
considerarse muchas de ellas como meramente penales, tanto más cuanto no pocas veces es lícito poner en duda su
legitimidad, ya sea por descuidar la verdadera justicia distributiva (imponiendo cargas casi por igual a los ricos y a los
pobres), ya por el demasiado intervencionismo del Estado en actividades que son de la competencia de los
ciudadanos o de las sociedades inferiores.

3) Los legisladores civiles modernos no se preocupan ni tratan de obligar en conciencia a sus súbditos, sino
únicamante de hacer cumplir las leyes con procedimientos psicológicos y coactivos, y quieren el orden jurídico
separado de la moral. Y con esta mentalidad del legislador coincide la persuasión de la mayor parte de los súbditos.

4) En caso de duda, y a falta de una declaración explícita del legislador, podrá reconstruirse su voluntad presunta de
no imponer obligación moral : a) por la forma de mandar alternativa o condicionada; b) por la materia más o menos
necesaria al bien común; c) por la cuantía de la pena impuesta al transgresor; d) por la costumbre interpretativa de
su ley.

Argumentos en contra**

1) La voluntad del legislador no puede por sí misma decidir acerca de la no obligatoriedad en conciencia de una ley, si
ésta es por esencia obligatoria, así como no puede tampoco declarar obligatoria una ley injusta. La fuerza obligatoria
de la ley humana proviene de su dependencia de la ley natural, de la que es un eco y determinación concreta; y esto
no depende de la libre voluntad del legislador humano, sino de la naturaleza misma de las cosas. Aparte de que se
seguiría el absurdo de que el legislador, que habría desobligado del vínculo moral de la ley (que es lo primario y
esencial en ella), no podría hacer lo mismo con la pena (que es lo secundario y accidental), porque entonces su ley
habría desaparecido del todo para convertirse en un mero consejo.

Estos inconvenientes no se obvian con ninguna de las tres explicaciones propuestas. Porque: a) en la teoría de la
obligación disyuntiva se seguiría la paradoja de que la ley penal sólo merece el nombre de ley cuando se infringe, ya
que únicamente entonces obliga a algo: a la pena; b) en la de la obligación condicional, tampoco se resuelve el
conflicto, porque, si la ley es necesaria y conveniente al bien común, es obligatoria en conciencia por su naturaleza
misma; y si no lo es, no hay obligación alguna, ni moral ni civil o jurídica, porque no es verdadera ley; y c) en la de la
obligación puramente jurídica, ¿por qué se invoca la ley divina para obligar a la pena, que es lo accesorio de la ley, y
no se acude a ella para garantizar el cumplimiento de la ley en cuanto dicta una conducta a seguir, que es lo primario
y fundamental? Y si no hay actos humanos deliberados que sean indiferentes en concreto, y si el cumplimiento de la
ley puramente penal es, por consiguiente, forzosamente bueno en sentido moral, ¿cómo no ha de ser forzosamente
mala, moralmente, su transgresión? Si no hay obligación de cumplir en conciencia ni el mandato ni la pena, ¿cómo
pueden estar unidos, aun cuando luego se distingan, la moral y el derecho?

2) No vale el argumento de la excesiva multiplicidad de las leyes o del intervencionismo del Estado. Porque si, a pesar
de su multiplicidad, las leyes son justas, obligan en conciencia a su cumplimiento; y si no lo son, no obligan en modo
alguno, ni ante Dios ni ante los hombres. Su infracción estaría plenamente justificada, pero no por ser
leyes meramente penales, sino simplemente por no ser leyes en modo alguno.
3) Ni vale tampoco afirmar que el legislador moderno no se preocupa ni intenta obligar en conciencia a los súbditos,
porque no puede citarse una sola ley civil en la que el legislador declare expresamente que no quiere obligar en
conciencia a los súbditos. Y, siendo esto así, ¿por qué ha de recaer sobre el legislador la obligación de demostrar que
quiso obligar en conciencia—siendo éste, como es, el efecto normal de toda ley justa—y no sobre el teólogo o el
súbdito la de probar realmente (y no por vagas presunciones contra toda lógica) que no quiso obligar en conciencia?

4) No valen tampoco las razones alegadas para resolver este conflicto en caso de duda sobre la mente del
legislador: a) no la forma de mandar alternativa o condicionada, porque hoy día todas las leyes son
imperativas; b) no la materia menos necesaria al bien común, porque, si es del todo innecesaria, se trata de una ley
injusta y deja de ser ley; y si sólo se trata de mayor o menor conveniencia, sirve únicamente para determinar el grado
mayor o menor de culpabilidad que llevará consigo su infracción, pero no para declararla meramente penal; c) ni la
cuantía de la pena impuesta al transgresor, ya que, mientras para los teólogos antiguos la gravedad de la pena era
indicio de que se trataba de una ley obligatoria en conciencia, modernamente, por el contrario, se interpreta en el
sentido de que se trata de ley puramente penal, en la que el legislador agrava la pena porque se contenta con
imponer ésta, sin exigir el cumplimiento directo de la norma; d) ni, finalmente, la costumbre interpretativa de su
obligatoriedad, porque, aparte de que no se sabe si se trata de la costumbre de los doctos o de la del pueblo, es
evidente que una de dos: o se trata de una derogación consuetudinaria de una norma o, en caso contrario, no puede
echarse mano de la estadística de los observantes para afirmar o negar una obligación en conciencia, sino, a lo sumo,
para excusar una conciencia errónea no culpable.
________________
*Cf. ZALBA, Theologiae Moralis Summa I n.461-470.
**Cf. ANTONIO DE LUNA, Moral profesional del abogado, en Moral profesional (C. S. I. C., Madrid 1954) p.270-283,
con cuyas ideas nos sentimos por completo identificados. Transcribimos, a trozos, sus mismas palabras.
Uno de los autores modernos que mejor ha estudiado la no existencia de leyes meramente penales es el dominico
francés P. Renard en su magnífica obra La théorie des leges mere pénales (París 1929).

149. 4. Principios para una recta solución. Examinando con serenidad y desapasionamiento los argumentos de
ambas partes y, sobre todo, la naturaleza misma de las cosas, nos parece que se puede llegar razonablemente a las
siguientes conclusiones :

Conclusión 1ª: Toda verdadera ley, en el sentido estricto de la palabra, establece un vínculo moral para los súbditos
y, por consiguiente, obliga en conciencia a su cumplimiento.

Rectamente entendida, nos parece que esta conclusión es del todo cierta, y no puede ser rechazada razonablemente
por nadie.

Para su recta interpretación es preciso cargar el acento sobre aquella cláusula restrictiva: toda verdadera ley en el
sentido estricto de la palabra. Porque sucede, en efecto, que se da el nombre de leyes a ciertas normas directivas o
estatutos particulares que, en realidad, no alcanzan la talla o categoría de verdaderas leyes en el sentido riguroso y
técnico de la palabra; y en este tipo de leyes imperfectas, o secundum quid, no hay inconveniente en admitir, nos
parece, la posibilidad de normas meramente penales. Volveremos en seguida sobre esto.

La razón intrínseca por la que nos parece que no pueden admitirse leyes meramente penales cuando se trate de
verdaderas leyes, es porque el legislador no puede alterar a su voluntad la naturaleza misma de las cosas. La ley
humana, tanto eclesiástica como civil, en tanto es verdadera ley en cuanto sea un reflejo de la ley natural y divina y,
en última instancia, de la ley eterna, identificada con la esencia misma de Dios. Y si, como se demuestra en filosofía
tomista, las esencias de las cosas no dependen de la voluntad de Dios (v.gr., Dios no puede hacer que dos y dos sean
cinco), sino del entendimiento divino, que las dicta y crea tal como deben ser, muchísimo menos dependerá de la
voluntad del hombre alterar a su capricho el orden natural de las cosas, declarando que no establezca vínculo moral
lo que lo establece naturalmente y por sí mismo. Ahora bien: toda ley verdadera y legítima, en cuanto reflejo que es
de la ley natural y eterna, establece un vínculo moral que nadie puede substraerle, y obliga, por consiguiente, en
conciencia a su cumplimiento.

Este razonamiento nos parece que no tiene vuelta de hoja, y de él se sigue como consecuencia lógica que no existen
leyes propiamente tales que puedan tener un carácter meramente penal. Lo que sí concedemos sin dificultad alguna
es que caben infinidad de grados en la culpabilidad moral que lleva aneja su transgresión. A veces se tratará de una
falta insignificante, venialísima, por tratarse de una materia que sólo muy de lejos se relacione con el bien común.
Pero cuando se quebranta conscientemente cualquiera verdadera ley, por insignificante que sea, se comete siempre
alguna falta de orden moral, o sea, en el fuero interno de la conciencia.

Pongamos un ejemplo para que aparezca con mayor claridad la verdad de esta doctrina. Si hay algunas disposiciones
civiles que parezcan tener todas las características de leyes meramente penales, son, sin duda alguna, las relativas al
tráfico por carreteras o a la circulación urbana en las grandes ciudades. ¿Por qué se limita la velocidad que han de
llevar los automóviles en determinados parajes o se nos manda circular por la derecha, imponiéndonos una multa si
lo hacemos por la izquierda? Indudablemente, porque el legislador ha visto la conveniencia de esa disposición para
evitar accidentes o conflictos circulatorios; o sea, ha ordenado el cumplimiento de una norma encaminada al bien
común de los ciudadanos. Si no fuera así, o sea, si hubiera dado aquella disposición por puro capricho, sin relación
ninguna al bien común, su mandato sería puramente arbitrario e injusto y no tendría valor alguno obligatorio, ni a
culpa ni a pena. El legislador habría rebasado sus atribuciones de tal y su disposición carecería en absoluto de valor
legal, ya que no sería una «ordenación de la razón dirigida al bien común*, como exige la definición misma de la ley.
Toda la fuerza obligatoria de aquella disposición le viene, pues, de su íntima conexión con la ley natural, que ordena
al legislador imponer orden en el modo de conducirse los ciudadanos para lograr el bien común de todos. De donde
es forzoso concluir que todas las leyes humanas y civiles en tanto son leyes en cuanto son determinaciones explícitas
y concretas de lo que está implícito o indeterminado en la ley natural, que ordena al legislador procurar el bien
común de todos los ciudadanos; y, por lo mismo, todas ellas obligan en conciencia, aunque en mayor o menor grado
según la importancia o transcendencia de la ley en orden al bien común.

Una confirmación, al menos indirecta, de la verdad de estos principios nos parece verla en el hecho de que en el
Código canónico no se contiene una sola ley que sea meramente penal. No nos atrevemos a decir que esta ausencia
signifique que la Iglesia no admita la posibilidad de leyes meramente penales, pero es indudable que su actitud es
altamente significativa y, al menos indirectamente, confirma la teoría que las niega.

Conclusión 2ª: En sociedades imperfectas caben normas directivas (no verdaderas leyes) que obliguen únicamente
a culpa meramente jurídica y a su correspondiente sanción penal.

Esta conclusión, perfectamente conciliable con la anterior, nos parece también del todo cierta, si se interpretan
rectamente los términos de la misma. Veámoslo :

EN SOCIEDADES IMPERFECTAS. COMO es sabido, la sociedad, en general, no es otra cosa que «la reunión de muchos
en orden a un fin común bajo la dirección de la autoridad competente». Se llama perfecta si subsiste por sí misma, se
basta ella sola para obtener su propio fin y es del todo independiente de cualquier otra sociedad. Y se
llama imperfecta cuando le faltan esas condiciones o, al menos, alguna de ellas. La Iglesia y el Estado son
sociedades perfectas, cada una en su propia esfera. Dentro de la Iglesia son sociedades imperfectas una Orden
religiosa, una diócesis, una parroquia, etc. Dentro del Estado, y en cuanto forman parte de él, una provincia, una
ciudad, una sociedad particular (cultural, económica, deportiva, etc.) y, a fortiori, la sociedad doméstica o familiar.

CABEN NORMAS DIRECTIVAS (NO VERDADERAS LEYES). En cuanto sociedades, aunque imperfectas, ya se comprende
que tienen que tener una autoridad y un cuerpo legislativo propio, más o menos completo; de lo contrario, no
podrían subsistir mucho tiempo, ya que es imposible una sociedad cualquiera sin autoridad y sin ley. Pero
consideradas no de una manera absoluta y en sí mismas, sino como parte de un todo más universal (la Iglesia o el
Estado), no son sujeto de leyes propiamente tales, ya que el propio legislador tiene que subordinarse a una
ley humana, eclesiástica o civil, que le envuelve a él mismo como súbdito. El legislador interno de estas sociedades
imperfectas puede y debe dar normas directivas para el gobierno de las mismas, pero no verdaderas leyes que
tengan por sí mismas carácter absoluto y universal, como las propias de las sociedades perfectas. Algunos teólogos
dicen que se trata, a lo sumo, de leyes imperfectas y hasta cierto punto o secundum quid.

QUE OBLIGUEN ÚNICAMENTE A CULPA MERAMENTE JURÍDICA Y A SU CORRESPONDIENTE SANCIÓN PENAL. No hay
inconveniente en admitir en esta clase de leyes imperfectas, o mejor aún, de normas directivas, la categoría
meramente penal que rechazábamos en la verdadera ley. Porque, no siendo normas dirigidas u ordenadas al bien
común universal—como las de la verdadera ley—, sino a un grupo reducido de miembros que pertenecen como
verdaderos súbditos a otra sociedad más alta (la Iglesia o el Estado), y siendo por otra parte, sociedades
puramente facultativas, en las que los miembros ingresan en ellas libremente y se obligan voluntariamente a cumplir
las ordenanzas de la misma en la forma que el legislador particular ha querido determinar y no más, no hay
inconveniente en que ese legislador declare expresamente que no quiere ligar la conciencia de sus súbditos
imponiéndoles una obligación moral, sino tan sólo de tipo meramente jurídico, a la que se le adjudica como
obligatoria una determinada sanción penal, por entender que es suficiente esta forma de mandar para obtener el fin
interno que la sociedad se propone en cuanto tal.

El simple buen sentido parece poner fuera de duda la posibilidad de estas normas meramente penales (aun sin la
expresa declaración del jefe) cuando se trata de una sociedad imperfecta de tipo civil. Sería ridículo decir que la falta
de asistencia a una junta general preceptuada por los estatutos de una sociedad deportiva constituye un pecado
venial. Se trata únicamente de una culpa meramente jurídica contra los estatutos de esa sociedad, que quizás lleve
consigo la expulsión como socio de la misma como sanción penal por la falta cometida; pero sería francamente
excesivo ver en esa falta una perturbación del orden natural de las cosas que establezca un verdadero pecado, por
muy venial que sea, en el fuero interno de la conciencia.

Más difíciles de justificar resultan esas normas meramente penales tratándose de sociedades eclesiásticas, como las
Ordenes religiosas. Y, sin embargo, es un hecho que gran número de Ordenes religiosas, a partir de la de Santo
Domingo, y, por disposición general de la Iglesia, todas las Congregaciones modernas, declaran expresamente que su
legislación interna no obliga de suyo a culpa moral alguna, sino sólo a sufrir la sanción penal correspondiente a su
transgresión. A nosotros nos parece ver el fundamento jurídico de esta clase de mandatos en el hecho de que no se
trata de verdaderas leyes, sino únicamente de normas directivas, que obligan tan sólo en el grado y medida que el
legislador quiera imponer y no más; y ello no por una determinación caprichosa del legislador, sino por haber
estimado, bajo el juicio inmediato de su prudencia gubernativa, que esa forma de mandar era suficiente para
promover el bien de los súbditos y obtener el fin particular y concreto que se propone su Orden religiosa en cuanto
tal. Sin embargo, en la práctica será muy difícil que el súbdito que conculca voluntariamente una de esas normas
directivas no corneta un verdadero pecado venial de negligencia, etc., que podría incluso llegar a mortal si lo hiciese
por desprecio de la ley o quebrantando un precepto formal del superior que hubiera recaído sobre aquella simple
norma directiva. Lo advierte expresamente Santo Tomás en un texto modelo de claridad y precisión. He aquí sus
propias palabras:

«El que profesa la regla no hace voto de observar todo lo que en la regla se contiene, sino de vida regular, que,
esencialmente, consiste en las tres cosas predichas (los votos). Por lo que en algunas Ordenes religiosas profesan más
cautelosamente, no la regla, sino vivir según la regla, o sea, tender a informar las propias costumbres según la regla
tomada como ejemplar. Y esto se destruye por el desprecio.

En otras religiones, todavía más cautelosamente, profesan obediencia según la regla, de suerte que no va contra la
profesión sino lo que va contra el precepto de la regla. La transgresión u omisión de las otras tres cosas obliga sólo a
pecado venial. Porque, como ya hemos dicho, estas otras cosas son disposiciones para los principales votos; y el
pecado venial es disposición para el mortal, en cuanto impide aquellas cosas por las que uno se dispone a cumplir los
principales preceptos de la ley de Cristo, que son los preceptos de la caridad.

En alguna otra religión, a saber, la de los Hermanos Predicadores, tal transgresión u omisión no obliga de suyo (ex
genere suo) a culpa mortal ni venial, sino sólo a la pena señalada: porque de este modo se obligan a observarla. Los
cuales, sin embargo, pueden pecar venial o mortalmente por negligencia, liviandad o desprecio.

Royo Marín, Teología Moral para Seglares, 2ª edición

http://sededelasabiduria.es/2018/12/27/las-leyes-meramente-penales/

EL FIN ÚLTIMO DEL HOMBRE

El fin último del hombre

Sumario: Examinaremos por separado el fin último supremo y absoluto, y el fin secundario y relativo.

A) El fin supremo y absoluto


16. Para proceder ordenadamente y remontarnos hasta la fuente misma de donde brotan las cosas es preciso
plantear el problema de la finalidad misma de la Creación, o sea qué es lo que Dios se ha propuesto al sacar de la
nada todo cuanto existe. Porque es evidente que si todo agente intelectual obra por un fin, Dios, que es la
Inteligencia infinita y el Agente intelectual por excelencia, ha tenido que proponerse un fin al traer a la existencia a
sus criaturas sacándolas de la nada por el acto creador omnipotente e infinito.

¿Cuál es la finalidad intentada por Dios con la creación del Universo? Vamos a precisarlo en forma de conclusiones.

Conclusión I.a: El fin último y supremo de todas las criaturas es el mismo Dios.

Esta conclusión es evidentísima y no necesita demostración, sino mera exposición de su verdad intrínseca.

Para dejarla fuera de toda duda, basta considerar que Dios es el Ser infinito, la plenitud absoluta de toda Bondad y
Perfección. Ahora bien: si Dios, al crear las cosas, se hubiera propuesto un fin distinto de Sí mismo, hubiera
subordinado su acción a ese fin, ya que todo agente subordina necesariamente su acción al fin que intenta con ella,
como es evidente. Pero como la acción de Dios no se distingue del mismo Dios, ya que en El son una misma cosa la
esencia y la existencia, el ser y la operación, síguese que Dios mismo se hubiera subordinado a ese fin distinto de
Dios, lo cualsería un gravísimo desorden y una gran inmoralidad, metafísicamente imposibles en Dios. El Ser infinito
no puede subordinarse al ser finito; la Bondad suma no puede estar por debajo de la bondad limitada; la soberana
Perfección no puede hacerse súbdita de la imperfección y caducidad de las criaturas. Es, pues, evidentísimo que la
finalidad intentada por Dios al sacar todas las cosas de la nada tiene que ser forzosamente el mismo Dios.

Corolario. De donde se deduce la gran dignidad y excelencia de las criaturas todas, que tienen por finalidad última y
suprema nada menos que al mismo Dios, fuente y origen de toda bondad y perfección.

Pero cabe todavía preguntar: ¿en qué forma quiere ser Dios el fin último de todo cuanto existe? ¿Qué es lo que Dios
se propuso concretamente al sacar todas las cosas de la nada?

Conclusión 2.a: El fin intentado por Dios con la creación universal fue su propia gloria extrínseca, o sea la
manifestación y comunicación a sus criaturas de su propia bondad infinita.

Que el mundo fue creado por Dios para su propia gloria, es una verdad de fe, expresamente definida por la Iglesia.
He aquí la solemne declaración dogmática del concilio Vaticano:

«Si alguno no confiesa que el mundo y todas las cosas que en él se contienen, espirituales y materiales, han sido
producidas por Dios de la nada según toda su substancia; o dijere que Dios no creó por libre voluntad, sino con la
misma necesidad con que se ama necesariamente a sí mismo; o negare que el mundo ha sido creado para gloria de
Dios: sea anatema« (D. 1805).

La razón de esta finalidad es muy sencilla. Todas las criaturas creadas o creables no pueden añadirle intrínsecamente
a Dios absolutamente nada, como quiera que sea El el Ser infinito, la plenitud absoluta del Ser, al que nada le
falta ni puede faltar. Por consiguiente, al sacar de la nada todo cuanto existe, Dios no busca en sus criaturas algo que
El no tenga ya, sino únicamente desbordar sobre ellas su bondad y perfecciones infinitas. En esto consiste
precisamente la gloria extrínseca de Dios, que llena de admiración a las criaturas y arranca de ellas en una forma o en
otra—como veremos—el grandioso himno de la gloria y alabanza de Dios que sube hasta el cielo continuamente
desde todos los confines de la creación universal.

Esa suprema glorificación de Dios constituye el fin último y absoluto de todas las criaturas, principalmente de las
inteligentes y libres (el ángel y el hombre). Y en esa glorificación, prestada voluntariamente y por amor, encuentran
precisamente su suprema felicidad, que es, como veremos en seguida, el fin último secundario de las criaturas
racionales.

Por donde aparece claro que Dios, al intentar su propia gloria en sus criaturas, no solamente no realiza un acto de
()egoísmo trascendental» —como se atrevió a decir con blasfema ignorancia un filósofo impío—, sino que constituye
el colmo de la generosidad, desinterés y largueza.
Porque no busca con ello su propia utilidad—ya que nada absolutamente pueden añadir las criaturas a su felicidad y
perfecciones infinitas—, sino únicamente comunicarles su bondad. Dios ha sabido organizar de tal manera las cosas,
que las criaturas encuentran su plena felicidad precisamente glorificando a Dios. Por eso dice Santo Tomás que sólo
Dios es infinitamente liberal y generoso: no obra por indigencia, como buscando algo que necesita, sino únicamente
por bondad, para comunicarla a sus criaturas 5.

Conclusión 3.a: Todas las criaturas deben glorificar a Dios, cada una a su manera.

Es evidente que todas las criaturas están obligadas a glorificar a Dios, puesto que ésta es su suprema y última
finalidad. Pero cada una debe hacerlo a su manera, o sea según las exigencias de su propia naturaleza, ya que no
todas pueden glorificarle de igual modo y en idéntico sentido. Y así:

a) LAS CRIATURAS IRRACIONALES glorifican a Dios revelando algo de su infinita grandeza y hermosura, de la que ellas
mismas son una huella lejana y un remoto vestigio. No pueden glorificar a Dios con su propia adoración y alabanza,
pero pueden impulsar al hombre a que le glorifique y ame por ellas. Porque, así como una espléndida obra de arte
está glorificando al artista que la hizo, en cuanto que excita la admiración hacia él de todos cuantos la contemplan,
así la belleza inmarcesible de la Creación material —minerales, plantas, animales, estrellas del firmamento, etc.—está
cantando la gloria de Dios, en cuanto que impulsa a los seres racionales a que le glorifiquen y amen con todas sus
fuerzas. En este sentido dice el salmo que los cielos cantan la gloria de Dios (Ps. 18,I), y los grandes místicos (San
Francisco de Asís, San Juan de la Cruz, etc.) se extasiaban ante la contemplación de la belleza de la Creación, en la
que descubrían un rastro y vestigio de la hermosura del Creador.

b) LAS CRIATURAS INTELIGENTES (el ángel y el hombre) son los encargados de glorificar a Dios en el sentido propio y
formal de la palabra, esto es, reconociéndole, amándole y sirviéndole. Al hombre principalmente, compuesto de
espíritu y materia, le corresponde recoger el clamor entero de toda la creación, que suspira por la gloria de Dios (cf.
Rom. 8,18-23), y ofrecérsela al Creador como un himno grandioso en unión de su propia adoración. Corresponde al
hombre asumir la representación de todas las criaturas irracionales y rendir homenaje al Creador y supremo Señor
de todas ellas por una especie de mediación sacerdotal que exprese ante El la admiración y alabanza de todas las
criaturas. Este oficio grandioso eleva al hombre a una dignidad increíble, ante la que palidecen y se esfuman todas las
grandezas de la tierra. Por él todas las criaturas inferiores glorifican y alaban a Dios, como se expresa repetidas veces
en multitud de himnos directamente inspirados por el Espíritu Santo 6.

Conclusión 4.a: El hombre tiene obligación de proponerse, como fin último y absoluto de su vida, la glorificación de
Dios; de suerte que comete un grave desorden cuando intenta otra suprema finalidad contraria o distinta de ésta.

Es una simple consecuencia y corolario de las conclusiones anteriores. Cuando el hombre busca la gloria de Dios—al
menos de una manera virtual e implícita, esto es, realizando en gracia de Dios cualquier acto honesto y referible a
esa gloria divina—, está dentro del recto orden de la razón, puesto que se mueve dentro de los límites intentados y
queridos por el mismo Dios. Pero cuando voluntariamente y a sabiendas se propone alguna cosa contraria o
simplemente distinta de la gloria de Dios como finalidad última y absoluta, comete un grave desorden, que le coloca
fuera por completo de la línea de su verdadero y último fin y le pone en trance de eterna condenación si la muerte le
sorprende en ese lamentable estado.

Esto ocurre siempre que el hombre comete un verdadero pecado mortal, en el sentido estricto y riguroso de la
palabra. Porque—como ya hemos insinuado más arriba—, cuando el pecador comete su acción pecaminosa dándose
perfecta cuenta de que aquello está gravemente prohibido por Dios y es incompatible con su último fin
sobrenatural, está bien claro que antepone su pecado a este último fin y le coloca por encima de él. De donde la
acción pecaminosa ha venido a ser el fin último y absoluto del pecador. Lo cual supone un desorden mostruoso, que
lleva consigo la pérdida del verdadero fin último y el reato de pena eterna. El pecado mortal es el infierno en
potencia. Entre ambos no existe de por medio más que el hilo de la vida, que es la cosa más frágil y quebradiza del
mundo.

Nadie puede, por consiguiente, renunciar a la glorificación voluntaria de Dios. Dios ha querido que el hombre
encuentre su plena felicidad glorificándole a El. Nadie tiene derecho a quejarse de Dios o a rebelarse contra El por
haber querido hacernos felices. Ahora bien: el que renuncia a glorificarle voluntariamente y por amor, renuncia por lo
mismo a ser feliz. Y como Dios no puede perder su gloria por el capricho y la rebelión de su criatura, ese desdichado
pecador que, con increíble locura e insensatez, renuncia a glorificar su bondad infinita en el cielo, tendrá que
glorificar eternamente en el infierno los rigores de su infinita justicia. La felicidad eterna es nuestra vocación, y nadie
puede renunciar a ella sin cometer un crimen.

B) El fin secundario y relativo

17. Hasta aquí hemos examinado el fin último, supremo y absoluto del hombre, que es la glorificación de Dios. Vamos
a ver ahora cómo, al lado de este fin último primario y absoluto, hay otro fin último secundario y
relativo, perfectamente compatible y maravillosamente armonizado con aquél.

Conclusión: El fin último secundario y relativo del hombre es su propia felicidad o bienaventuranza.

He aquí el argumento demostrativo. Aquél será el último fin relativo del hombre—subordinado siempre al
fin absoluto, que es la gloria de Dios—al que se sienta atraído de una manera necesaria e irresistible por su misma
naturaleza; porque tal atractivo irresistible de la naturaleza humana no puede provenir sino de Dios, autor de la
misma, y muestra claramente que ése es el fin intentado por El al crearle. Pero el hombre se siente arrastrado de una
manera natural, necesaria e irresistible hacia su propia felicidad, que constituye el objeto supremo de sus anhelos y
aspiraciones. Luego…

Este argumento tiene fuerza absolutamente demostrativa en el plano y orden puramente natural, ya que, como se
demuestra en filosofía, es imposible que un deseo verdaderamente natural—o sea, exigido por la misma naturaleza
—sea vano o carezca de objeto, puesto que esto argüiría contradicción en Dios, autor de la naturaleza con todas sus
legítimas exigencias. Pero, como quiera que Dios ha elevado gratuitamente a todo el género humano a un fin
trascendente y sobrenatural, síguese que el hombre no tiene ya un fin último puramente natural, sino
trascendente y sobrenatural; y, por consiguiente, sólo en este orden sobrenatural y a base de la gracia divina y de los
demás medios sobrenaturales que Dios pone a su disposición, podrá llegar a su último fin relativo, que es su propia y
perfecta felicidad sobrenatural.

De manera que todos los hombres del mundo, sin excepción, tienden natural, necesaria e irresistiblemente a su
propia felicidad. En lo que no concuerdan los hombres es en el objeto que constituye su verdadera felicidad, puesto
que unos la buscan en Dios, otros en las riquezas, otros en los placeres, otros en .la gloria terrena o en otras diversas
cosas. Pero todos coinciden unánimemente y sin ninguna excepción en buscar la felicidad como blanco y fin de todos
sus anhelos y esperanzas (I-II,I,7).

Corolario. Luego no hay nadie, ni justo ni pecador, que renuncie o pueda renunciar a su felicidad como fin último
(relativo) de su vida. La monjita de clausura que se encierra para siempre entre cuatro paredes, el misionero que se
lanza a la conquista de las almas en medio de increíbles privaciones, etc., etc., buscan, en última instancia, su
salvación y felicidad eterna; y los que se entregan al pecado, apartándose de Dios, buscan también su propia
felicidad, que creen encontrarla, con tremenda equivocación, en los objetos mismos del pecado. Nadie obra ni puede
obrar deliberadamente en contra de su propia felicidad (ibid. ad 1, 2 et 3).

La felicidad o bienaventuranza del hombre

Veamos ahora en dónde se encuentra y en qué consiste la verdadera felicidad del hombre y, por consiguiente, su
verdadero y último fin. Examinaremos por separado la felicidad o bienaventuranza objetiva y la subjetiva.

La felicidad o bienaventuranza objetiva

18. 1. Noción. Como hemos visto más arriba, la felicidad objetiva no es otra cosa que el objeto beatificante, o sea
aquel que llene por completo las aspiraciones de nuestro corazón, proporcionándonos la bienaventuranza perfecta y
plenamente saciativa. Es—como dice Santo Tomás—«el bien perfecto que excluye todo mal y llena todos los deseos»
(I-II,5,3). Vamos a investigar ahora cuál es ese objeto supremo que constituye por sí mismo la bienaventuranza
objetiva.

19. 2. Condiciones que exige. El objeto que aspire a constituir la bienaventuranza objetiva del hombre ha de reunir,
al menos, las siguientes cuatro condiciones:

1. Que sea el supremo bien apetecible, de suerte que no se ordene a ningún otro bien más alto.
2. Que excluya en absoluto todo mal, de cualquier naturaleza que sea.

3. Que llene por completo, de manera saciativa, todas las aspiraciones del corazón humano.

4. Que sea inamisible, es decir, que no se le pueda perder una vez conseguido.

Es evidente que, sin alguna de estas condiciones, el hombre no podría ser plena y absolutamente feliz. Sin la primera,
aspiraría siempre a ese otro bien más alto y estaría inquieto hasta conseguirlo. Y sin las otras tres, tampoco podría
alcanzar la perfecta felicidad, ya por los males adjuntos o por las zonas insatisfechas de su propio corazón, o por la
tristeza inevitable que le produciría el pensamiento de que su dicha y felicidad tendrían que acabar algún día.

20. 3. Opiniones. Acaso en ninguna otra cuestión filosófica haya tanta variedad de opiniones como en torno al objeto
en que haya de colocarse la felicidad o bienaventuranza del hombre: se citan más de 280. Pero todas ellas pueden
agruparse en torno a unas cuantas categorías de bienes, según puede verse en el siguiente esquema de la magnífica
cuestión que dedica a este asunto el Doctor Angélico en la Suma Teológica (I-II,2).

21. 4. Doctrina verdadera. Vamos a ver cómo la suprema felicidad del hombre no puede encontrarse en ninguno de
los bienes creados o finitos, ya sea considerados aisladamente uno por uno, ya colectivamente y en su conjunto; y
cómo se encuentra única y exclusivamente en la posesión de Dios. Dada la amplitud de la materia, nos limitaremos a
un brevísimo resumen en tres conclusiones principales.

Conclusión Iª: La suprema felicidad del hombre no puede encontrarse en ninguno de los bienes creados externos o
internos considerados aisladamente.

Para poner fuera de toda duda esta conclusión, basta evidenciar que ninguno de esos bienes creados reúne las
condiciones que hemos señalado más arriba para la bienaventuranza objetiva. He aquí la demostración.

A) Bienes externos

1º. RIQUEZAS. a) No se buscan por sí mismas, sino en orden a otras cosas que se pueden adquirir con ellas. En sí
mismas no tienen valor alguno.

b) No excluyen todos los males, ni muchísimo menos. ¡Cuántos ricos enfermos, desgraciados en su familia,
matrimonio, etc., etc. !
c) No llenan por completo el corazón. Al contrario, fomentan la avaricia, la ambición, el deseo de acumular más y
más. Con frecuencia los más ricos son los más inquietos por no serlo más.

d) Pueden fácilmente perderse por cualquier revés de fortuna. Y, en todo caso, todo se estrellará dentro de poco
contra la losa del sepulcro.

Fallan, pues, en absoluto, las cuatro condiciones que se requieren para la perfecta felicidad. El dinero no basta para
ser feliz; ni siquiera se requiere como condición indispensable.

2º. HONORES, FAMA, GLORIA Y PODER. a) Son bienes inestables. Dependen con frecuencia, no del verdadero mérito,
sino del capricho de los hombres. Hoy, primera figura internacional; mañana, sepultado en el olvido. ¿Quién se
acuerda hoy de los nombres que llenaban los periódicos hace un siglo?

b) Todos ellos son bienes extrínsecos e inferiores al hombre, y no pueden, por lo mismo, constituir la nota esencial de
su interna felicidad.

c) No reúnen ninguna de las condiciones requeridas para la bienaventuranza: no son el bien supremo, ni excluyen
todos los males, ni llenan por completo el corazón humano, ni son imperecederos.

B) Bienes internos

1º. DEL CUERPO. Salud, belleza, fuerza, etc. No pueden constituir por sí mismos la felicidad del hombre, porque no
cumplen tampoco ninguna de las condiciones exigidas para ello. No son el bien supremo—el cuerpo es la parte
inferior del hombre, subordinada al alma—, ni excluyen todos los males, ni sacian plenamente el corazón del hombre
y son, finalmente, caducos y perecederos: la salud se pierde fácilmente, la belleza es flor de un día, la fuerza
disminuye paulatinamente, y así todos los demás bienes corporales.

2º. PLACERES SENSUALES. Son propios del cuerpo animal, o sea, del cuerpo animado o vivificado por un alma
sensitiva, a diferencia de los minerales y las plantas, que son cuerpos inanimados o que poseen tan sólo alma
puramente vegetativa.

Es imposible que en ellos consista la suprema felicidad del hombre, porque:

1.

A. Son medios para facilitar las funciones animales que se relacionan con la conservación del individuo
(comer, beber) o de la especie (venéreos). Pero la suprema felicidad del hombre no es un medio, sino
el fin último al que nos encaminamos. Luego…

 Los bienes del cuerpo pertenecen a la parte inferior del compuesto humano, formado de alma y cuerpo.
Luego el hombre no puede encontrar su plena felicidad en ningún bien que pertenezca sólo al cuerpo.

 No excluyen todos los males. Al contrario, son con frecuencia causa de grandes crímenes pasionales y de
repugnantes enfermedades.

 No satisfacen plenamente la sed de felicidad del corazón humano. La experiencia demuestra con toda
claridad y evidencia que los que se entregan con desenfreno a los placeres sensuales jamás están satisfechos:
siempre aspiran a más y nunca se sienten felices y dichosos.

 Son bienes caducos y perecederos, que acabarán en breve con la muerte del cuerpo.

3º. ESPIRITUALES. Son principalmente dos: la ciencia y la virtud. La primera afecta a la inteligencia; la segunda,
principalmente a la voluntad. Y aunque son bienes mucho más nobles y elevados que todos los anteriores, tampoco
en ellos puede consistir la felicidad perfecta y plenamente saciativa del hombre:

No en la ciencia. a) Porque no es el bien supremo, ya que afecta tan sólo a una de las potencias del alma—la
inteligencia—y está llena de oscuridades y misterios que dejan insatisfecha a la misma facultad intelectiva.

b) No excluye todo mal, ya que va unida muchas veces a grandes tribulaciones y fracasos y es compatible con un
sinnúmero de desventuras y desgracias, como se ve en la vida de los sabios.
c) No llena plenamente el corazón del sabio, que cada vez se siente más insatisfecho, hasta tener que decir como
Sócrates: «sólo sé que nada sés.

d) No es permanente y estable: puede perderse o disminuirse por una enfermedad mental, y se desvanecerá muy
pronto con la muerte.

No en la virtud. a) Porque nunca puede ser del todo perfecta en este mundo. Siempre le faltará algo y, por lo mismo,
no puede consistir en ella el bien supremo.

b) No exluye todos los males, ya que está llena de dificultades y tiene que luchar sin descanso contra las rebeliones
de la concupiscencia desordenada.

c) No llena todo el corazón humano, que aspira sin cesar al Bien infinito y plenamente saciativo.

d) No es del todo segura y estable, ya que puede perderse fácilmente por el ímpetu de las pasiones o las dificultades
de la vida.

Sin embargo, en la práctica intensa de la virtud se encuentra la única y verdadera felicidad relativa que puede
alcanzarse en este mundo, como se comprueba en las vidas de los santos que, a imitación de San Pablo, rebosaban
de gozo en medio de todas sus tribulaciones (2 Cor. 7,4).

Conclusión 2.a: La suprema felicidad del hombre no puede encontrarse tampoco en todo el conjunto de los bienes
creados colectivamente considerados.

La demostración es clarísima: no es posible la posesión conjunta de todos esos bienes, y no sería suficiente aunque
pudieran poseerse todos.

a) No ES POSIBLE POSEERLOS TODOS, COMO es obvio y enseña claramente la experiencia universal. Nadie posee ni
ha poseído jamás a la vez todos los bienes externos (riquezas, honores, fama, gloria, poder), y todos los del
cuerpo (salud, placeres), y todos los del alma (ciencia y virtud). Muchos de ellos son incompatibles entre sí y jamás
pueden llegar a reunirse en un solo individuo.

b) No SERÍAN SUFICIENTES aunque pudieran conseguirse todos, ya que no reúnen ninguna de las condiciones
esenciales para la bienaventuranza objetiva: son bienes creados, por consiguiente finitos e imperfectos; no excluyen
todos los males, puesto que el mayor mal es carecer del Bien infinito, aunque se posean todos los demás; no sacian
plenamente el corazón del hombre, pues—como dice San Agustín—«nos has hecho, Señor, para ti, y nuestro corazón
está inquieto y desasosegado hasta que descanse en ti»; y, finalmente, son bienes de suyo caducos y perecederos.
Imposible que el hombre pueda encontrar en ellos su verdadera y plena felicidad.

Con razón dice San Agustín: «Desventurado el hombre que sabe todas las cosas, pero no os conoce a Vos; y dichoso
el que os conoce a Vos aunque ignore todas las otras cosas. Y el que os conoce a Vos y todas las demás cosas, no es
más feliz porque conozca estas otras cosas, sino únicamente porque os conoce a Vos» (Confesiones 1.5 c.4).

San Agustín ha escrito páginas sublimes sobre la insuficiencia de los bienes creados para llenar las inmensas
aspiraciones del corazón del hombre. He aquí un fragmento bellísimo de sus admirables Confesiones:

«Pregunté a la tierra, y contestó: «No soy yo». Y todas las cosas que hay en ella confesaron lo mismo.

Pregunté al mar, y a los abismos, y a los vivientes que surcan por ellos, y respondieron.: «No somos tu Dios; búscale
sobre nosotros».

Pregunté a las auras espirables, y dijo todo el aire con sus moradores: «¡Engáñase Anaxímenes; no soy Dios!»

Pregunté al cielo, al sol, a la luna y las estrellas: «Tampoco nosotros somos el Dios que buscas», respondieron.

Y dije a todas las cosas que rodean las puertas de mi carne: «Dadme nuevas de mi Dios, ya que no sois vosotras:
decidme algo de El». Y con voz atronadora clamaron: «El nos hizo».

Mi pregunta fué mi mirada; la respuesta de ellas, su hermosura»

Conclusión 3ª: Unicamente en Dios puede encontrar el hombre su suprema felicidad plenamente saciativa.
La demostración es clarísima y deslumbradora. Solamente Dios reúne en grado rebosante e infinito todas las
condiciones requeridas para la bienaventuranza objetiva del hombre. Luego solamente El la constituye.

En efecto :

a) Dios es el Bien supremo e infinito, que no se ordena ni puede ordenarse a otro bien más alto, puesto que este bien
más alto no existe ni puede existir. Luego Dios es el supremo Bien apetecible.

b) Excluye en absoluto toda clase de males, de cualquier naturaleza que sean, ya que son incompatibles con la
plenitud infinita del Ser, que constituye la esencia misma de Dios.

c) Por consiguiente, su perfecta posesión y goce fruitivo tiene que llenar forzosamente todas las aspiraciones del
corazón humano, anegándolas con plenitud rebosante en un océano de felicidad.

d) Finalmente, sabemos de manera infalible, por la fe católica, que, una vez poseído por la visión y gozo beatíficos, no
se le puede perder jamás: la bienaventuranza del cielo es eterna, y los bienaventurados son absoluta e
intrínsecamente impecables.

Queda, pues, fuera de toda duda que sólo Dios es el objeto infinito que constituye la bienaventuranza objetiva del
hombre.

B) La felicidad o bienaventuranza subjetiva

22. Precisado ya cuál es el objeto que constituye la bienaventuranza objetiva o material del hombre, veamos ahora
brevemente en qué consiste su bienaventuranza subjetiva o formal.

Conclusión: La bienaventuranza subjetiva o formal del hombre consiste en la visión, amor y goce fruitivo de Dios
poseído eternamente en el cielo.

La demostración es también clarísima. Como hemos explicado más arriba, la bienaventuranza subjetiva o formal
consiste en la posesión y goce del objeto que constituya la bienaventuranza objetiva, o sea, en nuestra unión
consciente y goce fruitivo del supremo objeto beatificante. Pero este supremo objeto beatificante es el mismo Dios,
como acabamos de demostrar. Luego…

Es de saber que—como explica Santo Tomás—la esencia metafísica de la bienaventuranza (o sea, el acto primero y
principalísimo que nos pone en posesión de Dios) se salva con la sola visión beatífica, que unirá nuestro
entendimiento directa e inmediatamente con la misma divina esencia sin intermedio de criatura alguna, ni siquiera
de una especie inteligible. Pero para la esencia física e integral de la bienaventuranza se requieren también,
necesariamente, el amor beatífico—que unirá entrañablemente nuestra voluntad a la divina esencia, quedando
totalmente empapada de divinidad—y el goce beatífico, que redundará, con plenitud rebosante y embriagadora, de
la visión y del amor beatíficos. El hombre habrá llegado con ello a su última perfección y fin sobrenatural y verá
satisfechas para siempre las inmensas aspiraciones de su propio corazón y su sed inextinguible de felicidad.

A esta suprema beatitud del alma, que constituye la gloria esencial del cielo, hay que añadir, después de la
resurrección de la carne, la gloria del cuerpo, que será un complemento accidental con relación a la bienaventuranza
del alma, pero que se requiere indispensablemente para la plena y total felicidad del hombre, compuesto de
alma y cuerpo.

Corolarios. De la doctrina que acabamos de sentar se deducen algunos corolarios muy interesantes. He aquí los
principales:

1.° La felicidad perfecta no es posible en esta vida. A lo más que se puede aspirar es a una felicidad relativa, fundada
en la práctica de la virtud —sobre todo mediante el conocimiento y amor de Dios (fe y caridad)—, en el sosiego de las
pasiones y en la paz y tranquilidad de la conciencia.

2º. No se da una felicidad plena de orden puramente natural. Habiendo sido elevado todo el género humano al
orden sobrenatural, solamente en este plano superior puede alcanzar el hombre su último fin, y con él, su plena y
completa felicidad.
3º. La gloria de Dios, fin último supremo y absoluto del hombre y de toda la creación, se conjuga y armoniza
maravillosamente con su propia y plena felicidad—fin último secundario y relativo—, que alcanza el hombre,
precisamente, glorificando a Dios en este mundo por la práctica de la virtud y en el otro por la visión y el amor
beatíficos. La gloria de Dios y la plena felicidad humana no solamente tienen el mismo objeto, sino incluso el mismo
acto, ya que Dios ha querido poner su gloria precisamente en que las criaturas racionales le conozcan y le amen en
nombre propio y en el de todas las demás criaturas. Alcanzando su propia felicidad, el hombre glorifica a Dios, y
glorificándole encuentra su propia felicidad. Son dos fines que se confunden realmente, aunque haya entre ellos una
distinción de razón. La suprema glorificación de Dios coincide plenamente con la suprema felicidad nuestra. Es
admirable la sabiduría infinita que brilla en los planes amorosos de la divina Providencia.

ARTICULO V

Cuestiones complementarias

Vamos a terminar la doctrina de este tratado del fin último con dos consideraciones prácticas de gran importancia: el
objetivo final de la vida humana y la manera de orientar nuestra vida en torno a esa suprema finalidad.

A) El objetivo final de la vida humana

23. De las conclusiones que acabamos de sentar se deduce con toda claridad y evidencia que la vida del hombre
sobre la tierra no tiene sino una finalidad suprema: prepararse para la felicidad eterna y exhaustiva en la clara visión
y goce fruitivo de Dios. No hemos nacido para otra cosa, ni nuestra vida terrena tiene otra razón de ser que alcanzar
la vida y felicidad eterna. No tenemos aquí ciudad permanente, antes buscamos la futura (Hebr. 9,14), dice con razón
San Pablo.

De esta suprema finalidad y soberana perspectiva que el hombre tiene a la vista, se deduce un corolario inevitable, al
parecer contradictorio. Y es que la vida terrena es la cosa más baladí y despreciable y, a la vez, la más importante y
trascendental que puede caber en la mente humana. En sí misma es la cosa más baladí y despreciable: importa muy
poco ser feliz o desgraciado, estar sano o enfermo, morir joven o en plena decrepitud y vejez. Al cabo, todo ha de
acabar en setenta u ochenta años, que son menos que un relámpago en parangón con la eternidad.

Pero, por otra parte, y precisamente por relación a esa eternidad a la que nos encaminamos, esta breve existencia
sobre la tierra cobra importancia decisiva y valor trascendental. En cierto sentido, esta vida es más importante que la
otra, pues la otra depende de ésta, y no al revés.

Toda la preocupación del hombre ha de centrarse, pues, en asegurar, con todos los medios a su alcance, su dicha y
felicidad eterna. Si, salvando por encima de todo este objetivo fundamental, puede, a la vez, conseguir un relativo
bienestar y felicidad terrena compatible con aquel supremo fin, está muy bien que lo procure y goce, con hacimiento
de gracias a Dios; pero siempre con la mirada en las alturas y sin concederle demasiada importancia a esa felicidad
terrena que está llamada a desaparecer muy pronto entre las sombras de la muerte. San Ignacio de Loyola recogió
con gran acierto esta idea fundamental en la primera página’ de sus Ejercicios Espirituales, dándonos, a la vez, la
norma simplificadora de nuestra conducta sobre la tierra:

»El hombre es criado para alabar, hacer reverencia y servir a Dios nuestro Señor, y mediante esto salvar su ánima; y
las otras cosas sobre la haz de la tierra son criadas para el hombre y para que le ayuden en la prosecución del fin para
que es criado. De donde se sigue que el hombre tanto ha de usar dellas, quanto le ayuden para su fin, y tanto debe
quitarse dellas, quanto para ello le impiden. Por lo cual es menester hacernos indiferentes a todas las cosas criadas,
en todo lo que es concedido a la libertad de nuestro libre albedrío, y no le está prohibido; en tal manera que no
queramos de nuestra parte más salud que enfermedad, riqueza que pobreza, honor que deshonor, vida larga que
corta, y, por consiguiente, en todo lo demás; solamente deseando y eligiendo lo que más nos conduce para el fin que
somos criados» 13,

B) Modo de alcanzar la vida eterna

24. Puesto que la vida y felicidad eterna es el último fin relativo del hombre, nada interesa tanto como saber lo que
tiene que hacer para alcanzarla. Por fortuna tenemos una norma divina e infalible, como dada por el mismo Cristo.
He aquí la escena evangélica que recoge la suprema consigna del Hombre-Dios.
»Acercóse uno y le dijo: Maestro, ¿qué de bueno haré yo para alcanzar la vida eterna?

El le dijo: ¿por qué me preguntas sobre lo bueno? Uno solo es bueno. Si quieres entrar en la vida, guarda los
mandamientos.

Díjole él: ¿Cuáles?

Jesús respondió: No matarás, no adulterarás, no hurtarás, no levantarás falso testimonio; honra a tu padre y a tu
madre y ama al prójimo como a ti mismo» (Mt. 19,16-19).

La consecución de la vida eterna está, pues, vinculada a la guarda de los divinos mandamientos. Para hacérsela
posible al hombre, Dios le ha provisto en abundancia de toda clase de medios: unos, internos, como la gracia
santificante, las virtudes infusas, los dones del Espíritu Santo y las divinas mociones (gracia actual), que ilustran su
entendimiento y mueven su voluntad para la práctica del bien; y otros, externos, entre los que destaca la Iglesia
católica, fundada precisamente por Jesucristo, Redentor del género humano, para llevar al hombre a su felicidad
eterna mediante la vida sobrenatural que le comunican los sacramentos y las verdades de la fe bajo el control y guía
de la misma Iglesia, maestra infalible de la verdad

De la Teología Moral para seglares, de Antonio Royo Marín

http://sededelasabiduria.es/2018/12/14/el-fin-ultimo-del-hombre/

SUJETO DEL BAUTISMO: DE CÓMO ACTUAR EN CASOS


EXTRAORDINARIOS
INTRODUCCIÓN

El caso del niño Mortara me sugirió, al leer como su nodriza había cumplido con su obligación de católica bautizando
al hebreo en peligro de muerte, la posibilidad de este artículo, en el cual podrá formarse el lector sobre las
obligaciones morales de conferir el bautismo, bien ante un feto abortivo si tiene forma humana o embrionaria, y
éste envuelto o no en las secundinas , en una cesárea, respecto a los niños expósitos o hallados, en relación con los
niños de herejes y cismáticos, etc. Me ha parecido de interés muy práctico clarificar este asunto, ya que aunque haya
católicos que saben qué ha de hacerse, he supuesto que la mayoría desconocen la obligación de conferir el bautismo
en abosluto o bajo condición y el cómo se ha de hacer en casos de difícil acceso:

La obligación es grave, puesto que el niño que no ha llegado al uso de razón, si no está bautizado, no entrara en el
Cielo, ya que no puede tener, como es lógico, un deseo del bautismo.

El siguiente texto esta tomado de la Teología Moral para Seglares de Royo Marín.

Sujeto del bautismo

. Es una de las cuestiones más interesantes y prácticas de la teología del bautismo. Vamos a establecer, en primer
lugar, el principio fundamental, que suena así:

Es sujeto capaz del bautismo todo hombre viador no bautizado y sólo él (en.864).

Por hombre viador — como ya dijimos— se entiende toda persona humana, de cualquier sexo o edad, que vive
todavía en este mundo. Los ángeles y los muertos no son capaces de recibir el bautismo ni ningún otro sacramento,
ya que fueron instituidos por Cristo únicamente para la humanidad viajera en este mundo. Y es preciso que el
hombre viador no esté bautizado todavía, ya que el sacramento del bautismo imprime en el alma su carácter
indeleble, y no puede repetirse lícita ni válidamente.

Es de fe que son sujetos capaces del bautismo incluso los niños antes del uso de la razón, como declaró Inocencio III
contra los valdenses (cf. D 424 y 430) y el concilio de Trento contra los falsos reformadores (D 868-870). Santo Tomás
prueba hermosamente que es necesario bautizar a los niños, ya que nacen en pecado original, y sólo el bautismo se
lo puede quitar; y que es conveniente, para que, alimentados desde niños en las cosas pertenecientes a la vida
cristiana, puedan más firmemente perseverar en ella (111,68,9). Añádase a esto que los sacramentos producen la
gracia ex opere operato a todos los que no les ponen óbice voluntario, y ciertamente que los niños no se lo ponen al
bautismo; luego pueden recibirlo válida y fructuosamente.

Ni vale objetar que para recibir el bautismo es necesaria la fe y la intención de recibirlo, porque eso se requiere
únicamente en los adultos. Aunque los niños no tengan fe actual, la tienen habitual (al recibir con el bautismo el
hábito infuso de la fe); y la Iglesia suple por ellos la falta de intención actual.

Vamos a precisar ahora la forma en que debe administrarse el bautismo a las distintas clases o categorías de
personas humanas que son capaces de recibirlo.

A. Los no nacidos y los fetos abortivos .

La persona humana comienza a ser sujeto del bautismo desde el instante mismo de su concepción en el seno
materno. Esto plantea gravísimos problemas, que vamos a examinar a continuación.

1.° A nadie debe bautizársele en el claustro materno mientras haya esperanza fundada de que puede ser bautizado
una vez que haya sido dado a luz normalmente.

La razón es porque, aparte de las razones de pudor, el bautismo administrado al niño encerrado todavía en el seno
materno es muy dudoso, por la dificultad de lavar ciertamente la cabeza del niño con el agua bautismal, y no es lícita
la administración dudosa de un sacramento fuera del caso de necesidad. Sin embargo, cuando se tema
fundadamente que el niño no podrá nacer o nacerá muerto, hay que administrarle el bautismo encerrado todavii en
el seno de tu madre (valiéndote, v.gr., de una jeringa, de una esponja empapada en agua, etc.) bajo la condición: si
rrti y si detpue* nace vivo, debe repetirse el bautismo bajo la condición: n no titas bautizado.

Cuando se administra el bautismo intrauterino hay que procurar que el agua bautismal bafke al feto mismo, ya que
no seria suficiente bautizarle) en las membranas o secundinas, que no pertenecen propiamente al feto, sino a la
madre.

2.* Si el niño hubiera echado afuera la cabeza y hay peligro próximo de muerte, bautícesele en la cabeza; y no se le
debe bautizar después bajo condición si hubiera nacido con vida.

La razón es porque el bautismo administrado en la cabera del niño aunque sea a medio nacer— es ciertamente
válido, y, por lo mismo, no se puede repetir.

Este bautismo de urgencia conviene que sea administrado, en caso de peligro próximo de muerte, por el médico o la
comadrona, que están gravemente obligados a aprender y administrar convenientemente el bautismo en estos casos
extremos.

3. Si hubiera echado afuera otro miembro, debe bautizársele bajo condición, si es que hay peligro inminente; pero
en este caso, si, una vez nacido, tuviera vida, debe ser bautizado de nuevo bajo condición.

La razón es porque el bautismo administrado fuera de la cabeza es dudoso, y por eso hay que emplear la fórmula
condicional en las dos administraciones, a saber: si eres c a p a en la primera, y si no estás bautizado, en la segunda.
Esta última debe administrarse, como es obvio, en la cabeza de la criatura.

4. Si hubiera muerto la madre en estado de embarazo, el feto, una vez extraído por aquellos a quienes
corresponde hacerlo, debe ser bautizado en absoluto, si ciertamente vive; si esto es dudoso, bajo condición.

Se trata de una obligación de suyo grave en virtud del precepto de la caridad, que manda socorrer al prójimo
constituido en extrema necesidad espiritual aun con grandes incomodidades temporales c incluso con peligro de la
propia vida,3. Sin embargo, para que urja de hecho esta grave obligación de caridad es preciso que se reúnan estas
dos condiciones:

1 . PROBABILIDAD DE QUE EL FETO ESTÉ VIVO

En virtud de este principio, no consta con certeza la obligación de practicar la operación cesárea a la madre difunta
en las primeras semanas de su embarazo — quizá hasta el segundo o tercer mes— ya que en estas circunstancias es
muy difícil que no haya muerto también el feto a la vez o antes que la madre. Pero debe hacer» a partir del tercero o
cuarto mes, sobre todo si la madre ha sufrido una muerte súbita o violenta, a no ser que conste con cencía que eJ
feto ha perecido también en el mismo accidente violento (v.gr., por electrocuración).

2 . PERSONA IDÓNEA PARA REALIZAR LA OPERACIÓN

Si está presente el médico o cirujano, ellos son los que deben practicarla, como es obvio. Pero en su ausencia podría
realizar la operación el practicante, comadrona o incluso una persona ajena al arte quirúrgico, con tal que posea los
conocimientos indispensable* para intentar la operación con éxito. La salvación eterna del pobre niño bien vale la
pena de arriesgarse a una operación que en nada dañará a la madre difunta y puede, en cambio, salvar incluso la vida
temporal del niño, si el fallecimiento de su madre ocurrió después del séptimo mes de embarazo.

La Sagrada Congregación del Santo Oficio adviene de manera bellísima y emocionante que no deben los fieles llevar a
mal que se abra el cuerpo de la madre ya muerta para bautizar y salvar la vida eterna, y tal vez también la temporal
del hijo, cuando sabemos que nuestro Salvador permitió que fuera abierto su costado para salvarnos a nosotros. Lo
irracional e impío es condenar a muerte eterna al hijo vivo por querer neciamente conservar íntegro el cuerpo
muerto de la madre.

No se olvide que el feto humano puede sobrevivir a la madre una o varias horas, según los casos. Conviene, no
obstante, practicar la operación cesárea cuanto antes, conservando mientras tanto el calor del seno maternal (v.gr.,
con paños calientes o almohadilla eléctrica).

De todas formas, si en virtud de circunstancias especiales (v.gr., pocas semanas de embarazo, clase de muerte de la
madre, etc.), hubiera pocas esperanzas de encontrar vivo al feto a base de la operación cesárea, habría que intentar,
al menos, un bautismo intrauterino en la forma que hemos explicado en el primer principio. Téngase en cuenta que
se trata de un asunto gravísimo, como es la salvación eterna del niño; bien vale la pena agotar las posibilidades a
nuestro alcance para asegurársela.

5.° Ha de procurarse que todos los fetos abortivos, cualquiera que sea el tiempo a que han sido alumbrados, sean
cuanto antes bautizados en absoluto, si ciertamente viven; y, si hay duda, bajo condición (cf. en.871).

Expliquemos separadamente los términos del principio:

HA DE PROCURARSE , es decir, es obligatorio en conciencia bajo pecado mortal.

Que todos los fetos abortivos s , ya se trate de un aborto involuntario e inculpable, ya se trate de un aborto criminal
provocado a sabiendas. Ante Dios es también criminal el llamado «aborto terapéutico», provocado directamente
para salvar a la madre.

CUALQUIERA QUE SEA EL TIEMPO EN QUE HAYAN SIDO ALUMBRADOS. La razón es porque el feto humano es sujeto
capaz del bautismo desde el instante mismo de su concepción como tal persona humana. Por lo mismo, debe
bautizarse siempre (aunque con la fórmula condicional: si eres capa%) cualquier embrión o feto abortivo, aunque sea
de unos pocos días y no tenga todavía ninguna figura humana.

SEAN BAUTIZADOS EN ABSOLUTO, SI CIERTAMENTE VIVEN. SI HAY DUDA BAJO CONDICIÓN. He aquí el modo de
proceder en la práctica:

1. Si se trata de un feto que tiene ya forma humana, bautícesele en la cabera, empleando agua natural y la
fórmula absoluta o condicionada (si eres capaz, según los casos.

2. b) Si se trata de un feto embrionario (sin forma humana aún) y aparece envuelto en las secundinas,
sumérjase todo el envoltorio en agua (templada a ser posible) y, tomando alguna doblez de su envoltura,
rómpasela para que salga el líquido amniótico y el agua bañe directamente al feto, y al mismo tiempo
pronúnciese la fórmula, bajo la condición si vives o si eres capa^… Es más seguro sacarle del agua
inmediatamente después de la inmersión para completar la significación sacramental.

Este bautismo de urgencia puede y debe administrarlo cualquier persona, sin distinción de estado, sexo ni edad.

N.B. Este bautismo de los fetos abortivos — absoluto o condicional según los casos— no debe omitirse nunca,
aunque parezca que el feto está ya muerto. Con frecuencia, estos fetos, o los niños ya formados del todo, nacen en
estado de asfixia y de muerte aparente, que puede prolongarse varias horas, sin que se produzca la muerte real. No
hay más que una señal cierta y evidente de muerte real: la putrefacción clara y manifiesta.

6.° Debe bautizarse siempre, por lo menos bajo condición, a los monstruos y a los ostentos; y en la duda de si es
uno solo o son varios hombres, se debe bautizar a uno de ellos en absoluto y bajo condición a los restantes.

Se entiende por monstruos y ostentos — en el sentido que aquí nos interesa— los fetos engendrados por mujer que
presentan aspecto de animal, o están destituidos en parte de figura humana, o presentan miembros multiplicados
(v.gr., dos cabezas, tres brazos, etc.). Los que no ofrecen ninguna forma humana ni de bestia, apareciendo
externamente como una masa informe de carne, reciben el nombre de molas.

Los monstruos y ostentos han de ser bautizados, al menos, bajo la condición si eres capa%. Si aparecen varias
cabezas con un solo tronco, hay que bautizar absolutamente una de ellas, y las otras bajo condición (si no estás
bautizado).

Las molas o masas de carne informe que van absorbiendo al feto hasta destruirle deben ser abiertas para ver si aún
le contienen y bautizarle bajo condición: si vives o eres c a p a Sería inválido el bautismo administrado sobre la mola
misma, ya que ciertamente no es el feto, aunque lo contenga.

Escolios. 1.°

1. La operación cesárea en vida de la madre.En vida de la madre, la operación cesárea es lícita, e incluso obligatoria,
cuando se reúnan las condiciones siguientes: 1 .* Imposibilidad del parto normal (por estrechez de pelvis, etc.).

2. Posibilidad de salvar la vida de la madre y del hijo, ya que no es lícito jamás matar directamente a la madre para
salvar al hijo, o al hijo para salvar a la madre. Por parte del hijo, se requiere que sea ya viable, o sea, que pueda ya
vivir separado de su madre (después del séptimo mes). Y por parte de la madre, que tenga las fuerzas suficientes
para poder resistir la operación, que cada vez resulta menos peligrosa por los grandes adelantos de la ciencia
moderna.

3.* Que, a juicio de los técnicos, no haya otra forma de bautizar al niño; lo cual casi nunca constará con certeza, ya
que la mayor parte de las veces puede ser bautizado en el seno materno con sólida probabilidad. Claro está que, aun
en este caso, no se podría practicar jamás ninguna operación directamente occisiva del feto (craneotomía, etc.),
aunque constara con toda certeza que había sido debidamente bautizado en el seno materno.

Cuando se reúnan estas condiciones, la madre tiene grave obligación de caridad de dejarse practicar la operación
cesárea para salvar la vida eterna de su hijo — y acaso también la temporal— aun a costa de las propias
incomodidades y peligros. Sin embargo, si se sospecha que no será aceptada, se procederá con mucha prudencia al
manifestar esta obligación a la madre enferma (v.gr., aconsejándola nada más), con el fin de no exponerla a morir en
pecado, sin ventaja ninguna para el hijo.

B. Los niños expósitos y hallados.

Generalmente, se entiende por expósito el niño recién nacido depositado por personas desconocidas en una inclusa.
Y por hallado, el niño recién nacido encontrado en un paraje público donde le abandonaron sus padres. He aquí lo
que preceptúa el Código canónico:

1. Los dudosamente bautizados

Como ya hemos dicho, el bautismo válidamente recibido imprime en el alma un carácter indeleble, en virtud del cual
no puede reiterarse jamás sin hacer injuria al sacramento. Pero como, por otra parte, el bautismo es absolutamente
necesario para la salvación, cuando exista alguna duda seria y razonable sobre la existencia o validez de un bautismo
dudoso, es lícito y obligatorio rebautizar bajo condición: Si no estás bautizado..

Examinemos en concreto los principales casos que pueden ocurrir con relación a los católicos y a los herejes
convertidos.

Si se trata de católicos
Como principio general, no se puede rebautizar a nadie por el solo hecho de surgir alguna duda o sospecha
escrupulosa e imprudente sobre la existencia o valor del bautismo recibido en la infancia, porque es un sacrilegio
administrar un sacramento a un sujeto incapaz de recibirlo. Pero, si la duda es seria y razonable, se le podría y
debería rebautizar sub conditione, ya que en este caso no se hace injuria al sacramento, que fue instituido en favor
de los hombres.

Como ya hemos indicado en sus lugares, hay que volver a bautizar sub conditione:

1. A los que fueron bautizados en el seno de su madre o a medio nacer (a no ser, en este último caso, que
hubieran sido bautizados en la cabera).

2. A los niños expósitos o hallados.

3. A cualquier católico de cuyo bautismo se tenga seria y razonable duda. Si se trata de persona llegada ya al
uso de razón, debe arrepentirse de sus pecados antes de recibir el bautismo condicional; y después de
recibido debe confesar sus pecados y recibir condicionalmente la absolución de los mismos (por si acaso fue
válido su primer bautismo y tenga necesidad del sacramento de la penitencia para que se le perdonen los
pecados cometidos después de él).

Si se trata de herejes convertidos

Cuando un hereje o cismático se convierte al catolicismo después de haber sido bautizado en su respectiva secta, hay
que proceder del siguiente modo:

1.» Si, hechas las debidas investigaciones, resulta que el bautismo recibido en la secta fue ciertamente válido, no se
le puede bautizar de nuevo (en.869). Para el ingreso en la Iglesia católica basta la absolución de las censuras en el
fuero externo, impartida por el obispo o el sacerdote deputado para ello, a la que debe preceder la abjuración de la
herejía y la profesión de fe ante el obispo o su delegado y dos testigos. Después de esto puede ya cualquier confesor
oírle en confesión y absolverle de sus pecados y administrarle la sagrada comunión como a otro católico cualquiera.

2.» Si, hechas las debidas investigaciones, resulta que el bautismo recibido en la secta fue ciertamente inválido — o
no recibió ningún bautismo— , hay que bautizar en absoluto al neoconverso, sin que tenga que preceder al bautismo
ninguna absolución o abjuración, porque el sacramento se lo borra absolutamente todo (con tal, naturalmente, que
lo reciba con arrepentimiento de sus pecados).

3.° Si, hechas con diligencia las debidas investigaciones, permanece dudoso el bautismo recibido en la secta herética
o cismática, procédase del siguiente modo:

1. a) Abjuración y profesión de fe, con la correspondiente absolución de las censuras en el fuero externo.

2. b) Bautismo condicional (previo arrepentimiento de los pecados).

3. c) Confesión sacramental con absolución condicional (por si acaso fue válido su primer bautismo y necesite el
sacramento de la penitencia para el perdón de los pecados cometidos después de él).

http://sededelasabiduria.es/2018/11/16/sujeto-del-bautismo-de-como-actuar-en-casos-extraordinarios/

LA CONCIENCIA CIERTA, DUDOSA Y PERPLEJA


INTRODUCCIÓN

Nos parece insólito cómo algunas almas actúan frente a los «sacramentos» de los «sacerdotes» de la iglesia conciliar,
es decir, recibiendo sacramentos con dudas, lo cual es grave pecado. No habiendo llegado aún a la conclusión de que
dichos «sacramentos» no confieren la gracia, y que son totalmente inválidos al carecer de verdaderos sacerdotes y
usar de ritos modernos nulos, prefieren actuar con una conciencia dudosa e ir, por ejemplo, a comulgar de manos de
un «sacerdote»-seglar- modernista. Osea, para cumplir una ley positiva humana- el precepto dominical- incumplen la
ley divina de no actuar en duda ¿ Por qué peca? Porque el que obra con conciencia dudosa acepta la posibilidad de
la ofensa de Dios y, por lo mismo, peca tanto si en el orden real y objetivo aquella acción es realmente mala como
si es inocente y buena. El pecado cometido es el mismo que constituye el objeto de la duda, revestido con todas sus
circunstancias especiales: mortal o venial, de esta especie o de la otra, según se le previó en la duda.
Para ayudarles a entender este importante asunto, materia de confesión, les traemos una parte de la teología moral
tradicional referida a algunos tipos de conciencia. Dicha teología, en este caso, es expuesta por Royo Marín.

Conciencia cierta, dudosa y perpleja

Por Royo Marín O.P.

Es una división importantísima que hay que estudiar detalladamente.

a) La conciencia cierta

160. 1. Noción y división. Conciencia cierta es la que emite su dictamen de una manera categórica y firme, sin miedo
a equivocarse. Es la del que hace una buena acción estando seguro de que es buena, o una mala acción a sabiendas
de que es mala.

La certeza puede dividirse de múltiples maneras. El siguiente esquema recoge las principales:

161. 2. Principios fundamentales. Teniendo en cuenta estas diversas clases de certeza, establecemos los siguientes
principios fundamentales:

1.° Sólo la conciencia cierta es norma legítima del bien obrar.

La razón es porque el que duda si lo que va a hacer es bueno o malo, acepta la posibilidad de ofender a Dios y, por lo
mismo, peca realizando con duda esa acción. Es preciso llegar a la conciencia cierta en una forma o en otra, como
vamos a explicar en seguida.

2.° Basta, sin embargo, la certeza moral, práctica e indirecta sobre la licitud de la acción.

Lo mejor sería, naturalmente, llegar siempre a una certeza absoluta en la que no cupiera el error (metafísica), a
menos de un milagro (física). Pero como en el orden moral esto es casi siempre imposible, por tratarse muchas veces
de cosas variables y contingentes, para poder obrar con toda seguridad y tranquilidad de conciencia es suficiente
llegar a una certeza moral que excluya toda duda prudente sobre la licitud de la acción.

Ni se requiere tampoco la certeza especulativa sobre la norma general que legitimaría aquella acción. Basta la
certeza práctica sobre su licitud concreta en este caso, habida cuenta de todas las circunstancias que le rodean.
Puede llegarse a esta certeza práctica a base de principios reflejos (como veremos en seguida al estudiar la conciencia
dudosa), permaneciendo la duda sobre el principio especulativo.

Finalmente, no es necesaria tampoco la certeza directa a base de razones intrínsecas, que sólo los técnicos pueden
de ordinario alcanzar. Basta la certeza indirecta fundada en razones extrínsecas (v.gr., en la autoridad del confesor
que declaró lícita tal acción).

b) La conciencia dudosa
262. I. Noción y división. Conciencia dudosa es la que vacila sobre la licitud o ilicitud de una acción sin determinarse
a emitir su dictamen. Propiamente hablando, no es verdadera conciencia, puesto que se abstiene de emitir un juicio,
que es el acto esencial de la conciencia. Se trata más bien de un estado de la mente, que sólo en sentido impropio
puede llamarse conciencia.

La duda admite también múltiples divisiones. He aquí las principales en cuadro esquemático:

163. 2. Principios fundamentales. Los principios fundamentales que regulan la conciencia dudosa son los siguientes:

1º. No es lícito jamás obrar con duda positiva práctica de la licitud de la acción.

Nótese bien el sentido del principio. Se trata de una duda positiva, o sea apoyada en graves razones *; y práctica,
o sea que se refiere al hecho concreto que se va a realizar. En estas condiciones jamás es lícito realizar ese acto.
_______________
* La duda meramente negativa que no se apoya en razón ninguna o en razones muy ligeras e inconsistentes puede
y debe despreciarse en la práctica, por ser una duda imprudente. Lo contrario nos haría la vida imposible,
llenándonos continuamente de inquietud y de angustia, ya que sólo en muy contadas ocasiones se puede llegar a
una certeza tan clara y evidente que excluya en absoluto la posibilidad de toda duda incluso imprudente.

La razón la hemos indicado ya varias veces. El que obra con conciencia dudosa acepta la posibilidad de la ofensa de
Dios y, por lo mismo, peca tanto si en el orden real y objetivo aquella acción es realmente mala como si es inocente y
buena. El pecado cometido es el mismo que constituye el objeto de la duda, revestido con todas sus circunstancias
especiales: mortal o venial, de esta especie o de la otra, según se le previó en la duda.

¿Qué debe hacer, pues, el que se encuentra con duda positiva y práctica de la licitud de una acción? Una de dos: o
elegir la parte más segura, que es la favorable a la ley (en cuyo caso no necesita hacer ninguna investigación para
salir de la duda, porque ciertamente excluye la posibilidad de pecar), o debe llegar a una certeza práctica sobre la
moralidad de la acción en la forma que vamos a explicar inmediatamente.

2.° Cuando no se puede disipar la duda especulativa sobre la moralidad de una acción por principios intrínsecos, es
lícito obrar con certeza moral práctica deducida por principios reflejos o extrínsecos.

Ocurre, en efecto, muchas veces que es imposible llegar a una certeza especulativa y directa apoyada en principios
intrínsecos, ya sea porque no aparece con claridad el principio que la justifique directamente, ya porque la duda se
establece precisamente en torno al principio especulativo.

Por ejemplo: está discutidísimo entre los moralistas si el testamento informe (o sea, el desprovisto de las
formalidades jurídicas) es válido en conciencia. En estas condiciones es inútil invocar ese principio para fallar sobre la
validez del testamento concreto que se nos presenta delante, porque precisamente lo obscuro y difícil es averiguar si
es cierto o no el principio que declara válido en conciencia los testamentos informes.

¿Qué hay que hacer en estas circunstancias? No hay más remedio que echar mano de argumentos extrínsecos para
llegar a una certeza moral en el orden práctico, aunque continúe la duda en el orden puramente especulativo. Antes
de llegar a esta certeza práctica no es lícito obrar; pero con ella queda perfectamente a salvo la moralidad de la
acción.

Esos argumentos extrínsecos son varios. Por de pronto, para el simple fiel sería suficiente el argumento de la
autoridad (v.gr., la respuesta del párroco o del confesor). Pero, sin necesidad de consulta alguna, podría llegar por sí
mismo a la certeza moral práctica echando mano de los llamados principios reflejos, que vamos a explicar a
continuación.

164. 3. Principios reflejos o indirectos. Se llaman así ciertas normas generales de moralidad que no recaen
directamente y de por sí sobre la cosa misma que se trata de averiguar, pero que reflejan sobre ella su propia luz,
hasta el punto de conducirnos a una certeza moral de orden práctico, aunque no disipen del todo las tinieblas
especulativas.

Los principales principios reflejos o indirectos son los siguientes:

1º. En caso de duda práctica, hay que seguir la parte más segura.

Ya hemos explicado este principio al hablar de la ilicitud de obrar con duda práctica. Si después de haberlo intentado
por todos los medios a nuestro alcance (reflexión, consultas, etc.) permanece en pie nuestra duda práctica, es
obligatorio seguir la parte más segura, o sea, omitiendo el acto de cuya licitud seguimos dudando, o practicando el
que seguimos creyendo que quizás nos obligue. De lo contrario, aceptaríamos prácticamente la posibilidad de
quebrantar la ley y pecaríamos de hecho por esta torcida disposición.

2.° En caso de duda se ha de estar por aquel a quien favorece la presunción.

La razón es porque la presunción engendra por sí misma, la mayor parte de las veces, una certeza moral de la
rectitud de la acción.

Y así, v.gr., el religioso que duda si le obliga una orden de su superior que le parece excesiva, puede y debe obedecer,
pues la presunción está de parte del superior, que tiene derecho a ser obedecido mientras no conste claramente que
se ha excedido en sus atribuciones.

El que duda si ha consentido en una tentación interna (v.gr., en malos pensamientos), puede pensar que no consintió
si se trata de una persona de conciencia delicada que ordinariamente suele rechazar con energía las tentaciones; al
revés de si se trata de un pecador de conciencia muy ancha, que suele fácilmente consentir en la tentación.

3º. En caso de duda es mejor la condición del que posee actualmente la cosa.

Este principio es verdadero y muy útil en materia de justicia (v.gr., a favor del poseedor de buena fe, mientras no se
demuestre perfectamente lo contrario). Por analogía se extiende también a todas las demás materias, pero su
aplicación en esta otra zona no deja de tener sus dificultades. Volveremos sobre esto al hacer la crítica de los
sistemas de moralidad.

4º. En caso de duda hay que juzgar por lo que ordinariamente acontece.

Es una norma prudente que los moralistas usan a cada paso. Y así, v.gr., se presume que un niño no ha llegado
todavía al uso de razón antes de los siete años, porque eso es lo corriente y normal, aunque quepan excepciones.
En cambio, a esa edad comienzan a obligarle ciertas leyes de la Iglesia (cf. cn.12 y 88), pues se presume que ya tiene
uso de razón porque así suele ordinariamente acontecer.

5º. En caso de duda se ha de suponer la validez del acto.

Este principio se puede aplicar únicamente cuando el hecho principal sea cierto y sólo se dude de alguna
circunstancia del mismo. Por ejemplo: el que duda si se confesó con suficiente dolor de sus pecados puede pensar
que sí, porque el hecho principal (la confesión) es cierto y sólo duda de la suficiente contrición.

6º. En caso de duda, lo odioso hay que restringirlo y lo favorable ampliarlo.


Se entiende por odioso: a) todo lo que tiene carácter de pena; b) lo que va contra el derecho de un tercero, y c) lo
que se opone al derecho común. Y por favorable, todo lo que resulta en beneficio de la libertad o concede alguna
gracia sin perjuicio de nadie.

La razón es porque se presume que el legislador no quiere gravar a nadie más de lo que expresa su ley odiosa, y
acepta una interpretación benigna de su ley favorable en consonancia con la misma. El mismo Código de Derecho
canónico recoge este modo de sentir cuando dice que alas leyes, aun irritantes e inhabilitantes, no urgen cuando la
duda es de derecho» (cn.15) y cuando establece que »en las penas se ha de usar la más benigna interpretación»
(cn.2.219,1.°).

7º. En la duda, el delito no se presume, sino que hay que probarlo.

Es otro principio muy en consonancia con los anteriores y con la simple equidad natural. Nadie ha de ser considerado
malo o culpable mientras no se demuestre que lo es.

Otros muchos principios suelen utilizar los moralistas para resolver las dudas teóricas, convirtiéndolas en
certezas prácticas que permitan obrar sin quebranto de la conciencia. A partir de la aparición del probabilismo, el
más frecuente y socorrido de todos es el famoso aforismo la ley dudosa no obliga, que, si fuera cierto, resolvería
efectivamente la casi totalidad de los casos prácticos; pero ha sido duramente combatido por gran número de
moralistas eminentes, que ven en él una pura falacia altamente perjudicial para la moralidad de los actos humanos.
Qué haya de pensarse, a nuestro juicio, acerca de él, lo diremos con serena imparcialidad en el capítulo siguiente, al
hacer la crítica de los llamados sistemas de moralidad para la formación de la propia conciencia.

c) La conciencia perpleja

165. 1. Noción. Se llama así la del que cree pecar tanto si realiza como si omite una determinada acción. Por ejemplo,
el encargado de cuidar a un enfermo grave que teme faltar a la caridad si le deja un rato para oír misa en domingo, o
a la ley eclesiástica si no la oye. O el confesor que teme pecar si absuelve al penitente dudosamente dispuesto, lo
mismo que si no le absuelve.

166. 2. Principios fundamentales. La conciencia perpleja se regula por los siguientes principios :

I.° Si no se trata de un caso urgente y se puede suspender su ejecución hasta consultar con personas competentes o
estudiar por sí mismo la cuestión, debe hacerse así. La razón es porque tenemos obligación de emplear los medios a
nuestro alcance para llegar a una conciencia verdadera y recta antes de obrar.

2.° Si esto es imposible, por tratarse, v.gr., de un caso urgente que no admite espera, debe elegirse lo que parezca
menos malo; no con la intención de obrar el mal menor, sino con la de practicar el bien posible, teniendo en cuenta
que la ley inferior ha de ceder el paso a la superior (v.gr., en el caso del que cuida al enfermo, la ley divina de la
caridad prevalece sobre la eclesiástica de oír misa).

3.° Si el que se encuentra perplejo no acierta a distinguir o a decidirse sobre lo que será menos malo, puede elegir
libremente lo que quiera, y no pecará (aunque a él le parezca que sí), porque nadie está obligado a lo imposible y
nadie puede pecar necesariamente, pues todo pecado supone la libre voluntad de cometerlo.

Sin embargo, si esta perplejidad fuera culpable en la causa (v.gr., el caso del confesor que no sabe qué hacer por no
haber estudiado suficientemente la teología moral), hay que aplicarle los principios que expusimos al hablar de la
ignorancia vencible y culpable.

http://sededelasabiduria.es/2018/10/03/la-conciencia-cierta-dudosa-y-perpleja/

EL PROCESO DE LA TENTACIÓN

Con la intención de auxiliar para hacer un buen examen de conciencia antes de confesarse.

Proceso de la tentación
Proceso de la tentación. Para no confundir la tentación con el pecado y gobernarse rectamente en la práctica, es
preciso tener en cuenta que en el proceso de la tentación pueden distinguirse tres momentos principales 4.

1º. Sugestión, o sea, mera representación o idea del mal, aparecida en la imaginación o en el entendimiento. En esta
primera representación —por muy mala, pertinaz y duradera que sea—no hay todavía pecado, puesto que la
voluntad no ha intervenido todavía para nada.

Ya se comprende, sin embargo, que la voluntad debe actuar rechazando esa sugestión tan pronto advierta el
entendimiento que es mala y rechazable. Si la voluntad se mostrara indiferente ante ella, podría incurrir en un
verdadero pecado, como hemos explicado al hablar del consentimiento. Pero la simple mala sugestión o
representación de suyo nunca es pecado antes de la intervención de la voluntad.

2º. Delectación o complacencia indeliberada. Es muy frecuente que de la simple sugestión o representación mala—
sobre todo si es viva, interna y prolongada—se origine connaturalmente cierta complacencia o delectación, e incluso
una impresión orgánica agradable o conmoción sensible natural y espontánea. Tampoco en esto consiste todavía el
pecado mientras no intervenga la deliberación de la razón y el consentimiento de la voluntad, porque ese
movimiento sensible, natural y espontáneo, no es deliberado ni libre.

3º. Libre consentimiento de la voluntad. Después que el entendimiento percibe la mala sugestión y la delectación
sensible que ha despertado en el apetito juntamente con su malicia, si la voluntad rechaza en seguida ambas cosas,
no hay pecado todavía; porque el pecado no está en sólo el entendimiento ni en la espontánea inclinación del apetito
sensitivo, sino en la voluntad libre que se adhiere al mal. El pecado se inicia cuando el entendimiento advierte la
maldad de la sugestión, pero sólo se realiza o consuma cuando la libertad da su libre aceptación o consentimiento, o
sea, cuando admite, aprueba o retiene con complacencia aquella mala sugestión.

Modo de vencer las tentaciones. En la lucha y estrategia contra las tentaciones podemos distinguir tres momentos:

1. ANTES DE LA TENTACIÓN el alma debe vigilar y orar (Mt. 26,41) para no dejarse sorprender por el enemigo.
Debe huir de las ocasiones de pecado y evitar la ociosidad, que es la madre de todos los vicios. Y debe
depositar su confianza en Dios, en la Virgen María y en su ángel de la guarda, que pueden mucho más que el
demonio tentador.

2. DURANTE LA TENTACIÓN ha de resistirla con energía apenas se produzca, o sea, cuando todavía es débil y
fácil de vencer, ya sea directamente, haciendo lo contrario de lo que la tentación propone (v.gr., alabar a una
persona en vez de criticarla); ya indirectamente (v.gr., distrayéndose, pensando en otra cosa que absorba la
mente). Este segundo procedimiento es el más eficaz tratándose de tentaciones contra la fe o la pureza.

3. DESPUÉS DE LA TENTACIÓN ha de dar humildemente las gracias a Dios si salió victoriosa; arrepentirse en el
acto, si tuvo la desventura de sucumbir, y aprovechar la lección para sucesivas ocasiones.

En caso de duda, sobre si se consintió o no, debe hacerse un acto de contrición, por si acaso, y acusarse en la
confesión de esa falta como dudosa.

De la Teología Moral de Royo Marín, IIº edición, 1958, BAC

http://sededelasabiduria.es/2018/08/19/el-proceso-de-la-tentacion/

LA CONCIENCIA
La conciencia

Después del tratado de la ley, que es la norma remota, objetiva y extrínseca de los actos humanos, es preciso
estudiar la norma próxima, subjetiva e intrínseca, que no es otra que la propia conciencia.

Dividimos la materia en los cuatro siguientes artículos:

1.

A. La conciencia en general.

B. La conciencia en especial.
C. Sistemas para la formación de la conciencia.

D. La educación de la conciencia.

ARTICULO I
La conciencia en general

150. I. Concepto. Vamos a dar su noción etimológica y real.

ETIMOLÓGICAMENTE, la palabra conciencia parece provenir del latín cum scientia, esto es, con conocimiento. Cicerón
y Santo Tomás le dan el sentido de «conciencia común con otros»: Unde conscire dicitur quasi simul scire.

REALMENTE puede tomarse en dos sentidos principales:

1. Para expresar el conocimiento que el alma tiene de sí misma o de sus propios actos. Es la llamada
conciencia psicológica. Su función es testificar, e incluye el sentido íntimo y la memoria.

2. Para designar el juicio del entendimiento práctico sobre la bondad o maldad de un acto que hemos realizado
o vamos a realizar. Es la conciencia moral, que constituye el objeto del presente tratado.

151. 2. Naturaleza. La conciencia moral puede definirse: el dictamen o juicio del entendimiento práctico acerca de la
moralidad del acto que vamos a realizar o hemos realizado ya, según los principios morales.

Expliquemos un poco la definición:

EL DICTAMEN O JUICIO DEL ENTENDIMIENTO PRÁCTICO. La conciencia, en efecto, no es una potencia (como el
entendimiento) o un hábito (como la ciencia), sino un acto producido por el entendimiento a través del hábito de la
prudencia adquirida o infusa. Consiste ese acto en aplicar los principios de la ciencia a algún hecho particular y
concreto que hemos realizado o vamos a realizar. Esta aplicación consiste en el dictamen o juicio del entendimiento
práctico. La conciencia, pues, no es un acto del entendimiento teórico o especulativo ni de la voluntad.

ACERCA DE LA MORALIDAD DEL ACTO. En esto se distingue de la conciencia meramente psicológica. La conciencia
moral es la regla subjetiva de las costumbres. Todo lo que la conciencia juzga como conforme a las justas leyes es un
acto subjetivamente bueno o, al menos, no malo; lo que juzga, en cambio, disconforme con aquellas leyes es
subjetivamente malo, aunque acaso no contenga en sí mismo ninguna inmoralidad objetiva.

QUE VAMOS A REALIZAR O HEMOS REALIZADO YA. El oficio propio y primario de la conciencia es juzgar del acto que
vamos a realizar aquí y en este momento; porque, como hemos dicho, es la regla próxima y subjetiva a la que hemos
de ajustar nuestra conducta. Pero, secundariamente, pertenece también a la conciencia juzgar del acto ya realizado.
En este último sentido se dice que la conciencia nos da testimonio (con su aprobación o su remordimiento) de la
bondad o maldad del acto realizado.

SEGÚN LOS PRINCIPIOS MORALES. La conciencia supone verdaderos los principios morales de la fe y de la razón
natural y los aplica a un caso particular. No juzga en modo alguno los principios de la ley natural o divina, sino
únicamente si el acto que vamos a realizar se ajusta o no a aquellos principios. De donde se sigue que la conciencia
de ningún modo es autónoma (como quieren Kant y sus secuaces) y que es falsa aquella libertad de conciencia
proclamada por muchos racionalistas, que consideran a la propia conciencia como el supremo e independiente
árbitro del bien y del mal.

Con lo dicho pueden comprenderse fácilmente las diferencias entre la conciencia y algunas otras cosas que se le
parecen. Y así se distingue :

a) DE LA SINDÉRESIS, que es el hábito de los primeros principios morales, cuyo acto propio es dictaminar en
general la obligación de obrar el bien y evitar el mal. La conciencia, en cambio, dicta lo que hay que hacer u omitir en
un caso concreto y particular. La sindéresis nunca yerra; la conciencia puede equivocarse.

Hermosamente comparaba San Jerónimo la sindéresis a una «centellita» encendida por Dios en nuestro
entendimiento, que luce y arde al mismo tiempo. Luce, mostrándonos los principios generales de las costumbres;
arde, impulsándonos al bien y retrayéndonos del mal. Esta centellita nunca se apaga, ni en la tierra, aunque el
hombre se envilezca por el pecado; ni en el cielo, ni en el infierno. Santo Tomás dice expresamente que la centella de
la razón no puede extinguirse por el pecado mientras permanezca la luz del entendimiento. Esta sindéresis
permanece en los condenados y es la causa primaria de aquel »gusano roedor» de que nos habla el Evangelio (Me.
9,43), y que no es otra cosa que una perpetua acusación y remordimiento de los pecados cometidos, que atormenta
la conciencia de aquellos desgraciados.

b) DE LA CIENCIA MORAL, que deduce de los principios las conclusiones objetivas. La conciencia, en cambio, es algo
puramente subjetivo que puede concordar o no con la ciencia moral. Y así puede darse el caso de un moralista con
mucha ciencia y poca conciencia, y un alma de conciencia muy delicada con poca ciencia moral.

c) DE LA PRUDENCIA, que es un hábito, mientras que la conciencia es un acto, como hemos dicho. El juicio de la
prudencia coincide con la propia conciencia.

d) DE LA LEY NATURAL, que incluye los principios objetivos de la moralidad como participación que es de la ley
eterna. La conciencia aplica esos principios para dictaminar sobre el acto a realizar u omitir.

152. 3. División. En el siguiente cuadro esquemático aparecen con claridad las principales divisiones de la conciencia.
ARTICULO II
La conciencia en especial

Estudiada la noción y divisiones de la conciencia, veamos ahora cada una de sus diferentes clases en especial.

Seguiremos el orden del esquema que acabamos de poner.

A) Conciencia antecedente y consiguiente


153. Antecedente. Como su nombre indica, es la que recae sobre un acto que no se ha realizado
todavía, precisamente para dictaminar sobre su moralidad. La conciencia ejerce aquí el papel de guía que inclina al
bien y aparta del mal.

El dictamen de la conciencia antecedente resulta de un silogismo expreso o tácito en el que la premisa mayor es un
principio general de moralidad; la menor es la aplicación de ese principio al acto que se va a realizar; y la conclusión
es el fallo o dictamen de la propia conciencia, que manda hacerlo si es bueno u omitirlo si es malo. Por ejemplo:

La mentira es ilícita (principio general de la ley natural).

Pero esa respuesta que vas a dar es mentira (aplicación del principio). Luego esa respuesta es ilícita (dictamen de la
conciencia propiamente dicha).

Ya se comprende que este juicio se hace a veces de una manera espontánea y rapidísima; otras veces, con mayor
lentitud y trabajo. Depende del grado de evidencia o claridad que posean las premisas del silogismo en la mente de
cada uno.

154. 2. Consiguiente. Es la que recae sobre un acto ya realizado, desempeñando el papel de testigo y de juez. Si el
acto fué bueno, lo aprueba llenándonos de tranquilidad y de paz; si malo, lo reprueba llenándonos de remordimiento
y de inquietud. San Agustín dice hermosamente que »la alegría de la buena conciencia es como un paraíso
anticipado», mientras que el remordimiento de la mala conciencia es como la antesala del infierno.

Nótese, sin embargo, que la conciencia consiguiente no influye para nada en la moralidad de un acto. Esta depende
por entero de la conciencia antecedente. Y así, si se diera el caso de que sólo después de realizada una acción, y no
antes, cayéramos en la cuenta de que era ilícita, no habríamos cometido pecado alguno y no estaríamos obligados a
confesarla (a no ser que hubiera habido negligencia culpable en no haberlo advertido antes).

Dígase lo mismo con relación a la ciencia moral que se vaya adquiriendo. Esta ciencia no tiene efectos retroactivos, y,
por lo mismo, hemos de juzgar de nuestras acciones pasadas según la conciencia antecedente que teníamos al
tiempo de realizarlas; no según el mayor conocimiento de la ley que vayamos adquiriendo después.

B) Conciencia verdadera y errónea

Como es sabido, la verdad no es otra cosa que la adecuación del entendimiento a la realidad objetiva de las cosas. La
falta de adecuación constituye el error.

Cuándo afirmamos que la mentira es ilícita, estamos en la verdad, porque ésa es, efectivamente, la realidad objetiva
de las cosas; pero si dijéramos que el derecho nada tiene que ver con la moral, estaríamos en un error, porque
nuestro juicio no coincidiría con la realidad objetiva de las cosas.

155. I. Nociones. Según estos principios elementales:

a) Conciencia verdadera es aquella que dictamina de acuerdo con los principios objetivos de la moralidad,
rectamente aplicados al acto que se va a realizar.

b) Conciencia falsa o errónea es la que no coincide con la verdad objetiva de las cosas. Puede ser invencible o,
venciblemente errónea.

a’. CONCIENCIA ERRÓNEA INVENCIBLE es aquella cuyo error no puede disiparse en modo alguno. Ya sea porque no
vino a la mente del que obra, ni siquiera en confuso, la menor duda sobre la licitud de aquella acción, o porque,
aunque le asaltó alguna duda, no pudo disiparla después de hacer todo cuanto pudo para ello.

b’. CONCIENCIA ERRÓNEA VENCIBLE es aquella cuyo error no se disipó por incuria o negligencia del que lo padecía, ya
que advirtió de algún modo el error o, al menos, dudó si lo había, y, a pesar de ello, nada hizo, o demasiado poco,
para disiparlo.

156. 2. Principios fundamentales. Los principios fundamentales que rigen el mecanismo y funcionamiento moral de
estas dos clases de conciencia son éstos :

1º. La conciencia objetivamente verdadera es de suyo la única regla subjetiva y próxima de los actos humanos.
La razón es porque sólo esa clase de conciencia incluye el verdadero y auténtico dictamen de la ley eterna, origen y
fuente de toda moralidad. Lo que se oponga a ella será siempre objetivamente malo, aunque pueda excusar de
pecado formal una conciencia invenciblemente errónea.

De donde se sigue que el hombre tiene obligación de poner todos los medios a su alcance para adquirir una
conciencia objetivamente verdadera. Los principales son:

a) Cuidadosa diligencia en enterarse de las leyes que rigen la vida moral. No se requiere, sin embargo, una
diligencia suma o extraordinaria; basta la que se pone de ordinario en un negocio serio y de importancia.

b) Aconsejarse de los peritos (confesor o superior eclesiástico) en los casos dudosos. arduos o difíciles.

c) Oración, pidiendo con sinceridad a Dios que ilumine nuestra mente.

d) Remoción de los impedimentos que dificultan el juicio sereno e imparcial (v.gr., las pasiones desordenadas, el
egoísmo, las malas costumbres, etc.).

2º. La conciencia invenciblemente errónea puede ser accidentalmente regla subjetiva de los actos humanos.

La razón es porque la conciencia invenciblemente errónea es subjetivamente recta (aunque objetivamente sea
equivocada), y esto basta para que sea obligatoria cuando manda o prohibe y para que excuse de pecado formal
cuando permite.

Esta conciencia errónea se dice que es recta accidentalmente (per accidens). En cuanto conciencia recta, obliga,
aunque material u objetivamente fuese ilícito lo que manda hacer (v.gr., matar al tirano). La obligación le viene en
virtud de una ley superior, de derecho natural, que nos manda hacer siempre lo que creemos obligatorio. O sea, no
por sí misma (ya que no hay tal ley objetivamente), sino en virtud de esa otra ley superior de derecho natural. Y
obliga hipotéticamente, o sea mientras esa persona permanezca en su error. Y en cierto sentido es incluso
conciencia verdadera, porque hay adecuación o conformidad entre la mente y la ley que se cree de buena fe existir.

Unos ejemplos aclararán estas ideas. El que crea sin la menor duda que es obligatorio mentir para salvar a un
inocente (error invencible), está obligado a mentir y peca si no lo hace. Si cree sin la menor duda que está prohibido
tal espectáculo inocente, peca si asiste a él. Si, por el contrario, cree sin la menor duda que tal libro se puede leer, no
peca leyéndolo aunque estuviera, acaso, incluido en el Indice de libros prohibidos.

Pero téngase en cuenta que, como ya hemos dicho, la conciencia invenciblemente errónea puede serlo por dos
capítulos: o porque no vino a la mente del que obra, si siquiera en confuso, la menor duda sobre la licitud de aquella
acción; o porque, aunque le asaltó alguna duda, hizo todo lo que pudo para disiparla (preguntando, reflexionando,
etc.), sin poderlo conseguir.

En el primer caso valen los ejemplos que acabamos de poner. Pero en el segundo es obligatorio abstenerse de obrar
(si se sigue dudando de la licitud de la acción) o de elegir lo más seguro para no quebrantar la ley, o, al menos, lo que
parezca más probable, atendidas todas las circunstancias.

Por ejemplo: un viajero se encuentra de paso en un pueblo el día de la fiesta patronal. Le asalta la duda de si estará
obligado a oír misa con los del pueblo. Pregunta a unos cuantos, y obtiene respuestas contradictorias. Puede hacer
una de estas dos cosas: u oír misa, en cuyo caso no necesita seguir haciendo averiguaciones, o dejarla de oír si le
parece más probable que aciertan los que le dicen que no tiene obligación.

3º. La conciencia venciblemente errónea nunca puede ser regla subjetiva de los actos humanos, sino que es
obligatorio disipar el error antes de obrar.

Pueden ocurrir tres casos, según que la conciencia mande, prohiba o permita realizar una acción.

a) SI MANDA realizar una acción de cuya licitud se duda por otra parte, no se puede obrar en un sentido ni en otro
hasta que se averigüe la verdad. Por ejemplo: el que cree, por una parte, que tiene obligación de mentir para salvar a
un amigo, pero duda, por otra, si la mentira puede ser lícita jamás, peca si en esta situación de duda se decide por lo
uno o por lo otro; porque en cualquiera de estos dos casos acepta la posibilidad de quebrantar la ley. Tiene
obligación de averiguar la verdad antes de obrar, al menos echando mano de algún principio reflejo (como
explicaremos al hablar de la cociencia dudosa) con el fin de llegar a una conciencia moralmente cierta en uno de los
dos sentidos.

b) Si PROHIBE realizar una acción que, por otra parte, parece que es lícita, no se la puede realizar hasta que se
averigüe la verdad al menos con certeza moral: porque, de lo contrario, se acepta la posibilidad de quebrantar una
ley, y esto constituye ya un pecado contra la misma.

c) SI PERMITE realizar como lícita una acción, de cuya verdadera licitud se duda por otra parte, tampoco es lícito
realizarla mientras permanezca la duda, por la misma razón que acabamos de indicar.

Regla práctica para el examen. En la práctica es muy fácil averiguar si se tuvo conciencia errónea vencible o
invencible. Fue vencible: a) si se advirtió alguna indecencia en la tal acción; b) si la conciencia dictó que era menester
preguntar al confesor o a una persona prudente; c) si se dejó de preguntar por miedo o vergüenza, etc. En
cambio, fué invencible cuando no asaltó la menor duda sobre la licitud de tal acción o, habiendo surgido dudas, se
hizo cuanto moralmente se pudo para disiparlas y se obró después lo más seguro o lo que parecía más probable con
toda honradez y buena fe.

4º. La conciencia Invenciblemente errónea en la actualidad, pero venciblemente errónea en su causa, excusa del
pecado actual, pero no del pecado en su causa.

Y así pecan más o menos en la causa: a) el confesor que resuelve mal un caso de conciencia por su negligencia en el
estudio o repaso de la teología moral; b) el médico que perjudica o mata al enfermo por su desconocimiento
culpable de la medicina; c) el juez que falla injustamente por no haberse tomado la molestia de estudiar mejor las
leyes, etc.

El pecado no se comete por la acción realizada con conciencia en la actualidad invenciblemente errónea, sino por
aquella antigua negligencia (y en la medida y grado de la misma) que persevera todavía mientras no se haga lo que se
pueda para disiparla. San Alfonso María de Ligorio no vaciló en escribir las siguientes palabras: «Afirmo que se halla
en estado de condenación el confesor que sin ciencia suficiente se aventura a oír confesiones» 5. Y lo mismo hay que
decir, salvando las distancias y en la medida y grado de su negligencia, de todo aquel que ejerce sin la suficiente
preparación técnica una profesión que puede perjudicar gravemente a los demás.

C) Conciencia recta y no recta

157. I. Nociones. Conciencia recta es la que se ajusta al dictamen de la propia razón, aunque no coincida, acaso, con
la realidad objetiva de las cosas.

No recta es la que no se ajusta al dictamen de la propia razón, aunque coincida, acaso, con la verdad objetiva de las
cosas.

Algunos autores identifican la conciencia recta con la conciencia verdadera, y la no recta con la errónea. Creemos que
no es exacta esa identificación, que da, por lo mismo, origen a muchas confusiones. Una conciencia puede
ser recta sin ser verdadera (v.gr., la conciencia invenciblemente errónea); y puede ser no recta siendo verdadera
(v.gr., el que contra su conciencia omite una mentira que cree obligatoria para salvar a un inocente). Para la verdad se
requiere la adecuación de la conciencia con la realidad objetiva de las cosas; para la rectitud basta la
adecuación subjetiva, supuesta desde luego la absoluta buena fe.

158. 2. Principios fundamentales. He aquí los principios que regulan estas dos clases de conciencia:

1º. La conciencia recta siempre ha de ser obedecida cuando manda o prohibe, y siempre puede seguírsela cuando
permite.

La razón de lo primero es porque el hombre está obligado en todas sus acciones a seguir el dictamen de su propia
conciencia cuando le manda o prohíbe alguna cosa; y si no lo sigue, peca. Consta expresamente por:

a) LA SAGRADA ESCRITURA: Todo lo que no es según conciencia es pecado (Rom. 14,23). Como es sabido, San Pablo
dice eso a propósito de los que creían que era pecado comer la carne ofrecida a los ídolos; y aunque declara él
mismo que no hay tal pecado objetivo, porque el ídolo no es nada en el mundo (1 Cor. 8,4), sino tan sólo un pedazo
de madera sin valor moral alguno, sin embargo peca el que la come contra el dictamen de su conciencia, porque ya
no obra con rectitud (cf. Rom. 14,1-23; 1 Cor. 8,1-13; 1 0,14-33).

b) EL MAGISTERIO DE LA IGLESIA. Inocencio III: «Todo el que obra contra su conciencia edifica para el infierno».

c) LA RAZÓN TEOLÓGICA. San Buenaventura expone hermosamente la razón cuando escribe: «La conciencia es como
el pregonero y embajador de Dios; y lo que nos dice, no lo manda como de parte de sí misma, sino como de parte de
Dios, como el pregonero cuando divulga el edicto del rey» .

De donde se deduce la primacía absoluta de la conciencia sobre la misma ley. En este sentido no hay inconveniente
en admitir un cierto relativismo en la ley objetiva, porque en caso de conciencia invenciblemente errónea obliga la
conciencia y no la ley.

Sin embargo, cuando la conciencia se limita a permitir alguna acción, no es obligatorio seguirla, porque nadie está
obligado a hacer todo cuanto le está permitido. Sólo obliga su dictamen cuando manda o prohibe alguna cosa.

2º. No es lícito jamás obrar con conciencia no recta, o sea, contra el dictamen de la propia conciencia.

Se demuestra por las mismas razones del principio anterior. El que obra contra su conciencia peca siempre, tanto si
hace lo que su conciencia le prohíbe (aunque se trate de una cosa objetivamente lícita) como si omite lo que su
conciencia le impone como obligatorio (aunque se trate de una cosa objetivamente ilícita). Porque, en cualquier caso,
no obra con conciencia recta.

Según este principio, peca el que asiste a un espectáculo de suyo inocente si su conciencia se lo presenta como
pecaminoso. Y peca omitiendo una mentira si su conciencia se la impone como obligatoria para salvar a un inocente.

D) Conciencia preceptiva, consiliativa, permisiva y prohibitiva

159. Como sus mismos nombres indican, la conciencia preceptiva es la que impone o manda alguna acción;
la consiliativa, la que aconseja; la permisiva se limita a permitirla, y la prohibitiva impone la obligación de omitirla.

La primera y la última obligan siempre bajo pecado, grave o leve según la materia de que se trate o la conciencia del
que obra. La segunda aconseja la realización de un acto bueno; pero, por lo mismo que no se trata de un precepto (ni
siquiera leve), sino de un simple consejo, su omisión no constituye pecado alguno, aunque sí una imperfección.La
tercera permite una acción de suyo lícita (v.gr., un paseo por el campo); pero, por lo mismo que ni lo manda ni lo
aconseja, su omisión no constituye ni siquiera imperfección.

E) Conciencia cierta, dudosa y perpleja

Es una división importantísima que hay que estudiar detalladamente.

a) La conciencia cierta

160. 1. Noción y división. Conciencia cierta es la que emite su dictamen de una manera categórica y firme, sin miedo
a equivocarse. Es la del que hace una buena acción estando seguro de que es buena, o una mala acción a sabiendas
de que es mala.

La certeza puede dividirse de múltiples maneras. El siguiente esquema recoge las principales:
161. 2. Principios fundamentales. Teniendo en cuenta estas diversas clases de certeza, establecemos los siguientes
principios fundamentales:

1.° Sólo la conciencia cierta es norma legítima del bien obrar.

La razón es porque el que duda si lo que va a hacer es bueno o malo, acepta la posibilidad de ofender a Dios y, por lo
mismo, peca realizando con duda esa acción. Es preciso llegar a la conciencia cierta en una forma o en otra, como
vamos a explicar en seguida.

2.° Basta, sin embargo, la certeza moral, práctica e indirecta sobre la licitud de la acción.

Lo mejor sería, naturalmente, llegar siempre a una certeza absoluta en la que no cupiera el error (metafísica), a
menos de un milagro (física). Pero como en el orden moral esto es casi siempre imposible, por tratarse muchas veces
de cosas variables y contingentes, para poder obrar con toda seguridad y tranquilidad de conciencia es suficiente
llegar a una certeza moral que excluya toda duda prudente sobre la licitud de la acción.

Ni se requiere tampoco la certeza especulativa sobre la norma general que legitimaría aquella acción. Basta la
certeza práctica sobre su licitud concreta en este caso, habida cuenta de todas las circunstancias que le rodean.
Puede llegarse a esta certeza práctica a base de principios reflejos (como veremos en seguida al estudiar la conciencia
dudosa), permaneciendo la duda sobre el principio especulativo.

Finalmente, no es necesaria tampoco la certeza directa a base de razones intrínsecas, que sólo los técnicos pueden
de ordinario alcanzar. Basta la certeza indirecta fundada en razones extrínsecas (v.gr., en la autoridad del confesor
que declaró lícita tal acción).

b) La conciencia dudosa

262. I. Noción y división. Conciencia dudosa es la que vacila sobre la licitud o ilicitud de una acción sin determinarse
a emitir su dictamen. Propiamente hablando, no es verdadera conciencia, puesto que se abstiene de emitir un juicio,
que es el acto esencial de la conciencia. Se trata más bien de un estado de la mente, que sólo en sentido impropio
puede llamarse conciencia.

La duda admite también múltiples divisiones. He aquí las principales en cuadro esquemático:
163. 2. Principios fundamentales. Los principios fundamentales que regulan la conciencia dudosa son los siguientes:

1º. No es lícito jamás obrar con duda positiva práctica de la licitud de la acción.

Nótese bien el sentido del principio. Se trata de una duda positiva, o sea apoyada en graves razones *; y práctica,
o sea que se refiere al hecho concreto que se va a realizar. En estas condiciones jamás es lícito realizar ese acto.
_______________
* La duda meramente negativa que no se apoya en razón ninguna o en razones muy ligeras e inconsistentes puede
y debe despreciarse en la práctica, por ser una duda imprudente. Lo contrario nos haría la vida imposible,
llenándonos continuamente de inquietud y de angustia, ya que sólo en muy contadas ocasiones se puede llegar a
una certeza tan clara y evidente que excluya en absoluto la posibilidad de toda duda incluso imprudente.

La razón la hemos indicado ya varias veces. El que obra con conciencia dudosa acepta la posibilidad de la ofensa de
Dios y, por lo mismo, peca tanto si en el orden real y objetivo aquella acción es realmente mala como si es inocente y
buena. El pecado cometido es el mismo que constituye el objeto de la duda, revestido con todas sus circunstancias
especiales: mortal o venial, de esta especie o de la otra, según se le previó en la duda.

¿Qué debe hacer, pues, el que se encuentra con duda positiva y práctica de la licitud de una acción? Una de dos: o
elegir la parte más segura, que es la favorable a la ley (en cuyo caso no necesita hacer ninguna investigación para
salir de la duda, porque ciertamente excluye la posibilidad de pecar), o debe llegar a una certeza práctica sobre la
moralidad de la acción en la forma que vamos a explicar inmediatamente.

2.° Cuando no se puede disipar la duda especulativa sobre la moralidad de una acción por principios intrínsecos, es
lícito obrar con certeza moral práctica deducida por principios reflejos o extrínsecos.

Ocurre, en efecto, muchas veces que es imposible llegar a una certeza especulativa y directa apoyada en principios
intrínsecos, ya sea porque no aparece con claridad el principio que la justifique directamente, ya porque la duda se
establece precisamente en torno al principio especulativo.

Por ejemplo: está discutidísimo entre los moralistas si el testamento informe (o sea, el desprovisto de las
formalidades jurídicas) es válido en conciencia. En estas condiciones es inútil invocar ese principio para fallar sobre la
validez del testamento concreto que se nos presenta delante, porque precisamente lo obscuro y difícil es averiguar si
es cierto o no el principio que declara válido en conciencia los testamentos informes.

¿Qué hay que hacer en estas circunstancias? No hay más remedio que echar mano de argumentos extrínsecos para
llegar a una certeza moral en el orden práctico, aunque continúe la duda en el orden puramente especulativo. Antes
de llegar a esta certeza práctica no es lícito obrar; pero con ella queda perfectamente a salvo la moralidad de la
acción.

Esos argumentos extrínsecos son varios. Por de pronto, para el simple fiel sería suficiente el argumento de la
autoridad (v.gr., la respuesta del párroco o del confesor). Pero, sin necesidad de consulta alguna, podría llegar por sí
mismo a la certeza moral práctica echando mano de los llamados principios reflejos, que vamos a explicar a
continuación.

164. 3. Principios reflejos o indirectos. Se llaman así ciertas normas generales de moralidad que no recaen
directamente y de por sí sobre la cosa misma que se trata de averiguar, pero que reflejan sobre ella su propia luz,
hasta el punto de conducirnos a una certeza moral de orden práctico, aunque no disipen del todo las tinieblas
especulativas.

Los principales principios reflejos o indirectos son los siguientes:

1º. En caso de duda práctica, hay que seguir la parte más segura.

Ya hemos explicado este principio al hablar de la ilicitud de obrar con duda práctica. Si después de haberlo intentado
por todos los medios a nuestro alcance (reflexión, consultas, etc.) permanece en pie nuestra duda práctica, es
obligatorio seguir la parte más segura, o sea, omitiendo el acto de cuya licitud seguimos dudando, o practicando el
que seguimos creyendo que quizás nos obligue. De lo contrario, aceptaríamos prácticamente la posibilidad de
quebrantar la ley y pecaríamos de hecho por esta torcida disposición.

2.° En caso de duda se ha de estar por aquel a quien favorece la presunción.

La razón es porque la presunción engendra por sí misma, la mayor parte de las veces, una certeza moral de la
rectitud de la acción.

Y así, v.gr., el religioso que duda si le obliga una orden de su superior que le parece excesiva, puede y debe obedecer,
pues la presunción está de parte del superior, que tiene derecho a ser obedecido mientras no conste claramente que
se ha excedido en sus atribuciones.

El que duda si ha consentido en una tentación interna (v.gr., en malos pensamientos), puede pensar que no consintió
si se trata de una persona de conciencia delicada que ordinariamente suele rechazar con energía las tentaciones; al
revés de si se trata de un pecador de conciencia muy ancha, que suele fácilmente consentir en la tentación.

3º. En caso de duda es mejor la condición del que posee actualmente la cosa.

Este principio es verdadero y muy útil en materia de justicia (v.gr., a favor del poseedor de buena fe, mientras no se
demuestre perfectamente lo contrario). Por analogía se extiende también a todas las demás materias, pero su
aplicación en esta otra zona no deja de tener sus dificultades. Volveremos sobre esto al hacer la crítica de los
sistemas de moralidad.

4º. En caso de duda hay que juzgar por lo que ordinariamente acontece.

Es una norma prudente que los moralistas usan a cada paso. Y así, v.gr., se presume que un niño no ha llegado
todavía al uso de razón antes de los siete años, porque eso es lo corriente y normal, aunque quepan excepciones.
En cambio, a esa edad comienzan a obligarle ciertas leyes de la Iglesia (cf. cn.12 y 88), pues se presume que ya tiene
uso de razón porque así suele ordinariamente acontecer.

5º. En caso de duda se ha de suponer la validez del acto.

Este principio se puede aplicar únicamente cuando el hecho principal sea cierto y sólo se dude de alguna
circunstancia del mismo. Por ejemplo: el que duda si se confesó con suficiente dolor de sus pecados puede pensar
que sí, porque el hecho principal (la confesión) es cierto y sólo duda de la suficiente contrición.

6º. En caso de duda, lo odioso hay que restringirlo y lo favorable ampliarlo.

Se entiende por odioso: a) todo lo que tiene carácter de pena; b) lo que va contra el derecho de un tercero, y c) lo
que se opone al derecho común. Y por favorable, todo lo que resulta en beneficio de la libertad o concede alguna
gracia sin perjuicio de nadie.

La razón es porque se presume que el legislador no quiere gravar a nadie más de lo que expresa su ley odiosa, y
acepta una interpretación benigna de su ley favorable en consonancia con la misma. El mismo Código de Derecho
canónico recoge este modo de sentir cuando dice que alas leyes, aun irritantes e inhabilitantes, no urgen cuando la
duda es de derecho» (cn.15) y cuando establece que »en las penas se ha de usar la más benigna interpretación»
(cn.2.219,1.°).

7º. En la duda, el delito no se presume, sino que hay que probarlo.

Es otro principio muy en consonancia con los anteriores y con la simple equidad natural. Nadie ha de ser considerado
malo o culpable mientras no se demuestre que lo es.

Otros muchos principios suelen utilizar los moralistas para resolver las dudas teóricas, convirtiéndolas en
certezas prácticas que permitan obrar sin quebranto de la conciencia. A partir de la aparición del probabilismo, el
más frecuente y socorrido de todos es el famoso aforismo la ley dudosa no obliga, que, si fuera cierto, resolvería
efectivamente la casi totalidad de los casos prácticos; pero ha sido duramente combatido por gran número de
moralistas eminentes, que ven en él una pura falacia altamente perjudicial para la moralidad de los actos humanos.
Qué haya de pensarse, a nuestro juicio, acerca de él, lo diremos con serena imparcialidad en el capítulo siguiente, al
hacer la crítica de los llamados sistemas de moralidad para la formación de la propia conciencia.

c) La conciencia perpleja

165. 1. Noción. Se llama así la del que cree pecar tanto si realiza como si omite una determinada acción. Por ejemplo,
el encargado de cuidar a un enfermo grave que teme faltar a la caridad si le deja un rato para oír misa en domingo, o
a la ley eclesiástica si no la oye. O el confesor que teme pecar si absuelve al penitente dudosamente dispuesto, lo
mismo que si no le absuelve.

166. 2. Principios fundamentales. La conciencia perpleja se regula por los siguientes principios :

I.° Si no se trata de un caso urgente y se puede suspender su ejecución hasta consultar con personas competentes o
estudiar por sí mismo la cuestión, debe hacerse así. La razón es porque tenemos obligación de emplear los medios a
nuestro alcance para llegar a una conciencia verdadera y recta antes de obrar.

2.° Si esto es imposible, por tratarse, v.gr., de un caso urgente que no admite espera, debe elegirse lo que parezca
menos malo; no con la intención de obrar el mal menor, sino con la de practicar el bien posible, teniendo en cuenta
que la ley inferior ha de ceder el paso a la superior (v.gr., en el caso del que cuida al enfermo, la ley divina de la
caridad prevalece sobre la eclesiástica de oír misa).

3.° Si el que se encuentra perplejo no acierta a distinguir o a decidirse sobre lo que será menos malo, puede elegir
libremente lo que quiera, y no pecará (aunque a él le parezca que sí), porque nadie está obligado a lo imposible y
nadie puede pecar necesariamente, pues todo pecado supone la libre voluntad de cometerlo.

Sin embargo, si esta perplejidad fuera culpable en la causa (v.gr., el caso del confesor que no sabe qué hacer por no
haber estudiado suficientemente la teología moral), hay que aplicarle los principios que expusimos al hablar de la
ignorancia vencible y culpable.

F) La conciencia escrupulosa, delicada, laxa, cauterizada y farisaica

Todas estas subdivisiones se refieren a la conciencia por razón de su modo habitual de juzgar. Vamos a examinarlas
separadamente una por una.

a) La conciencia escrupulosa

167. I. Noción. La palabra escrúpulo viene del latín scrupulus, que significa pedrezuela. Se designaba con esa
expresión una pesa pequeñísima que no hacía oscilar sino balanzas muy finas y sensibles, como las que se emplean
en farmacia. Por extensión se ha trasladado al terreno moral para designar un tipo de conciencia que se deja vencer
por razones fútiles y sin consistencia alguna. En este sentido, puede definirse la conciencia escrupulosa diciendo que
es aquella que por insuficientes y fútiles motivos cree que hay pecado donde no lo hay o que es grave lo que sólo es
leve.

Se distingue de la conciencia delicada en que ésta atiende a los detalles mínimos, pero con serenidad y verdad; y de
la errónea, en que ésta emite un juicio falso, pero firme, mientras que la escrupulosa fluctúa continuamente, sin
llegar a un juicio estable.
168. 2. Señales. La conciencia escrupulosa se manifiesta por multitud de signos. Los principales son los siguientes:

a) Miedo constante y perturbador a incurrir en un verdadero pecado si se permite ciertas cosas o acciones que ve
realizar con toda tranquilidad de espíritu a otras personas prudentes y de buena conciencia.

b) Nimia ansiedad sobre la validez o suficiencia de una buena acción, principalmente acerca de las confesiones
pasadas o de los actos internos.

c) Largas y minuciosas acusaciones de circunstancias que no vienen al caso y en las que el escrupuloso cree ver
complementos indispensables, cuando no la misma esencia de su pecado.

d) Pertinacia de juicio en no tranquilizarse con las decisiones del confesor por miedo a no haberse explicado bien, a
no haber sido comprendido, etc., lo que le obliga a mudar con frecuencia de confesor y a querer renovar sus
confesiones generales o la acusación de pecados sometidos ya multitud de veces al tribunal de la penitencia, etc.,
etc.

169. 3. Clases. Los escrúpulos suelen revestir dos formas principales : una de tipo general, que abarca todo el campo
de la conciencia y se refiere a toda clase de pecados; y otra especial, que se circunscribe a una determinada materia
(v.gr., a la fe, la castidad, la validez de la confesión, etc.), dejando completamente en paz y tranquilidad todo el resto
de la vida moral. A veces se da la increíble aberración de escrupulizar hasta minuciosidades ridículas en una
determinada materia, al mismo tiempo que se cometen sin escrúpulo ninguno grandes pecados en otras materias
mucho más importantes.

170. 4. Causas. Los escrúpulos pueden provenir de una triple fuente:

a) CAUSA NATURAL. La inmensa mayoría de las veces los escrúpulos obedecen a causas puramente naturales de tipo
físico o moral.

Entre las causas físicas, unas son meramente fisiológicas, tales como la disposición patológica del paciente
(perturbación del sistema nervioso, o cerebroespinal, por enfermedad o herencia, atavismo, etc.); la fatiga
intelectual por exceso de trabajo, insomnio, etc.; la falta de alimentación, que produce una gran depresión nerviosa,
y otras causas semejantes.

Otras son de tipo psicológico, tales como un temperamento melancólico predispuesto a la cavilosidad y al pesimismo;
un espíritu misántropo y retraído, que huye del trato normal con la gente y de toda recreación honesta,
reconcentrándose cada vez más en sus propios pensamientos; ciertas enfermedades psicológicas, tales como
la psicastenia, la obsesión, las ideas fijas (de las que el escrúpulo es una simple variedad o forma), etc.

Entre las causas morales (íntimamente relacionadas con las psicológicas) hay que señalar una educación
excesivamente rigorista, que, al sancionar severamente las menores faltas, atemoriza y encoge el espíritu del
educando, empujándole hacia los escrúpulos; el trato con otras personas meticulosas y detallistas; la lectura de libros
excesivamente rigoristas en materia de moralidad, que se complacen en pintar con negras tintas las acciones más
inocentes; una oculta soberbia, que hace preferir el propio criterio al de otras personas sensatas y prudentes, etc.

b) CAUSA SOBRENATURAL. A veces, aunque muy pocas, los escrúpulos proceden de una disposición del mismo Dios
(valiéndose de causas naturales o preternaturales) para ejercitar al alma en la paciencia, humildad y obediencia, o
para efectos purificadores de sus pasadas faltas, o en vistas a un mayor incremento de perfección y santidad. Tal
ocurrió con San Ignacio de Loyola, San Francisco de Sales y hasta con la angelical Santa Teresita del Niño Jesús. Pero
tales escrúpulos no suelen durar largo tiempo—almenos no toda la vida—, y, superada la terrible crisis, renace en el
alma la tranquilidad y la paz.

c) CAUSA PRETERNATURAL. Otras veces, permitiéndolo Dios, es el demonio la causa de los escrúpulos, actuando
directamente sobre la imaginación y sensibilidad de sus pacientes. Trata con ello de perturbar la paz del alma para
que no se entregue a los ejercicios de piedad o apostolado, o de vengarse de ella si se trata de un alma muy avanzada
en los caminos de Dios. Tampoco estos escrúpulos suelen ser muy duraderos y cesan con tanta mayor prontitud y
facilidad cuanto mayor sea la obediencia ciega al director espiritual, a pesar de todas las sugestiones diabólicas.
Cuando el demonio se convence de que sus manejos resultan contraproducentes, abandona fácilmente un campo en
el que tiene perdida la partida.
171. 5. Efectos. Pocas cosas resultan tan perjudiciales al cuerpo y al alma como la terrible enfermedad de los
escrúpulos.

a) PERJUDICAN AL CUERPO, empujándole hacia las enfermedades mentales y nerviosas o agravándolas


considerablemente si ya se padecen. Pueden llevar hasta el delirium tremens y la completa enajenación mental.

b) PERJUDICAN AL ALMA, impidiéndola entregarse con tranquilidad y paz al servicio de Dios, a quien ya no se mira
como al mejor de los Padres, que acoge con infinita dulzura y misericordia al hijo pródigo que vuelve a la casa
paterna cubierto de harapos, sino como Juez vengador de las menores injurias. El alma se vuelve egoísta, desconfía
de todo el mundo, su trato se hace intolerable, pierde la devoción y la paz y, a veces, siente fuertes impulsos de
echarlo todo a rodar o incluso de cometer la increíble locura del suicidio.

172. 6. Remedios. Hay que fijarse, ante todo, en la causa y origen de los escrúpulos para acertar con su verdadera
terapéutica.

1.° CUANDO SON UN EFECTO DE LA PERMISIÓN DE DIos con vistas a la purificación del alma, lo mejor es la perfecta
conformidad con la voluntad divina por todo el tiempo que sea de su beneplácito. Esfuércese el alma por obedecer
en todo al director; renuncie a sus propias luces, aunque le parezca ver claro lo contrario de lo que el director le
manda; humíllese en la presencia de Dios y una sus sufrimientos morales a los de Jesús y María por la salvación de
las almas. Ya sonará la hora de Dios cuando El lo estime conveniente, y el alma saldrá de su dolorosa prueba
vigorizada y mejorada.

2.° CUANDO PROCEDEN DE LA ACCIÓN DIABÓLICA, siga la misma línea de conducta que acabamos de indicar.
Desprecie las sugestiones del enemigo, tranquilícese, humíllese, obedezca ciegamente al director y tenga paciencia,
que no tardará en volver la calma y serenidad.

3.° CUANDO PROCEDEN DE CAUSAS PURAMENTE NATURALES (O sea en el noventa y cinco por ciento de los casos),
hay que contrarrestar, en primer lugar, la influencia del mal en su doble aspecto fisiológico y psicológico.

a) FISIOLÓGICAMENTE se evitará con cuidado todo gasto inútil de energías vitales, sobre todo el exceso de trabajo:
los obsesionados, en general, son seres rendidos de fatiga. Hay que evitar a toda costa la fatiga física, las emociones
fuertes, la falta de sueño, la alimentación deficiente, la atmósfera malsana (locales cerrados, humo de carbón, etc.).

El enfermo debe someterse a un régimen altamente reparador de sus energías vitales destrozadas. Alimentación
sana y abundante, reposo prolongado (de ocho a nueve horas de sueño), ejercicios respiratorios al aire libre,
gimnasia moderada, hidroterapia, medicamentos tonificantes bajo el control del médico, etc.

b) PSICOLÓGICAMENTE tiene que rodearse de una atmósfera de tranquilidad y de paz, evitar el trato con personas
meticulosas o rigoristas, no leer libro alguno que pueda excitarle, o emocionarle excesivamente, o aumentarle sus
preocupaciones. Ha de evitar a todo trance el desdoblamiento de sus ideas, su excesiva prolongación o rumiadura, el
querer llegar a la certeza absoluta en todo cuanto hace. Ha de entregarse a un trabajo moderado (manual o
intelectual) que le entretenga provechosamente; se distraerá con recreaciones sencillas y agradables que no
supongan esfuerzo o fatiga para sus nervios (nada de deportes violentos o de juegos absorbentes, como el ajedrez,
etc.).

Presupuestos estos remedios neutralizadores, habrá que atacar directamente los escrúpulos mediante un acertado
tratamiento de dirección espiritual. Para ello es indispensable la colaboración del enfermo, pero sin pedirle nunca
que dé de sí más de lo que pueda dar en el momento concreto de evolución en que se encuentre actualmente. Las
principales normas a que deben ajustarse director y dirigido son las siguientes:

El director procurará principalmente:

a) Inspirar confianza al enfermo. Déjele hablar largamente la primera vez. Interrúmpale tan sólo de vez en cuando
con una pregunta fácilmente aclaratoria, para que el enfermo se convenza de que se le va entendiendo muy bien. Al
terminar la larga conversación, dígale con dulzura: *Amigo mío: le he entendido a usted admirablemente. Veo su
alma con toda claridad como a través de unos rayos X. Y estoy seguro de que su enfermedad es perfectamente
curable, con tal que me obedezca ciegamente en todo».
b) Exigir obediencia ciega. Tiene que decirle al enfermo que el único procedimiento para curarle es la obediencia
ciega, hasta creer que es blanco lo negro si el director se 10 dice así. Tiene que convencerse el enfermo de que lleva
unas gafas de cristales negros que le hacen ver la realidad distinta de como es. El director no debe permitirle al
enfermo que discuta sus órdenes o que pida el fundamento o las razones de las mismas. Debe limitarse a decirle que
obedezca ciegamente, bajo la exclusiva responsabilidad ante Dios del director. A lo sumo puede explicarle el principio
de que, para obrar con conciencia inculpable ante Dios, basta la certeza moral práctica de la honestidad de una
acción por razones extrínsecas (la simple autoridad del confesor), aunque persistan en la propia conciencia toda clase
de dudas especulativas. Háblele siempre con firmeza, empleando un lenguaje categórico, sin incurrir jamás en la
torpeza de dejar escapatorias con un *quizás*, *tal vez», *sería mejora, etc., que, lejos de curar al enfermo,
agravarían su dolencia.

El enfermo, por su parte, se esforzará con el mayor empeño y energía en colaborar a su curación en la siguiente
forma:

a) Oración a Dios, pidiéndole el remedio de su triste situación, aunque con plena sumisión a su divina voluntad.

b) Obediencia ciega al director en el sentido y forma que acabamos de explicar. Fíese únicamente de él y no consulte
a otros confesores ni consejeros. Haga brevísimamente su examen de conciencia y no se confiese sino de las faltas
que pueda jurar haber cometido ciertamente.

c) Empleo de los remedios físicos y psíquicos que hemos indicado más arriba.

b) La conciencia delicada

173. I. Noción. Es aquella que juzga rectamente de la moralidad de los actos humanos extendiendo su mirada hasta
los detalles más pequeños.

Se distingue de la conciencia escrupulosa, como ya hemos dicho, en que esta última ve pecado donde no lo hay,
mientras que la delicada lo ve donde existe realmente, aunque sea muy pequeño. Y se distingue también de la
conciencia rígida en que esta última se fija demasiado en la materialidad de la ley, esclavizándose a ella; mientras
que la delicada sabe adaptarse a una sana y prudente epiqueya cuando se presentan especiales circunstancias no
previstas por el legislador.

La conciencia delicada es altamente laudable y deseable. Mantenida dentro de sus justos límites (o sea sin dejarla
desviar hacia la conciencia escrupulosa o rígida), presta grandes servicios al alma, ayudándola a evitar hasta los
pecados más mínimos y empujándola hacia las grandes alturas de la perfección cristiana.

174. 2. Medios de fomentarla. Ante todo hay que avivar el espíritu de fe para darse cuenta de la grandeza y majestad
de Dios, ante la que siempre será poco el cuidado y esmero que pongamos en evitar el pecado o complacerle hasta
en los menores detalles de nuestra vida. Recordar con frecuencia, aunque sin angustia ni escrúpulo, que Dios nos
pedirá cuenta hasta de una palabra ociosa (Mt. 12,36) y que nos ha recomendado en el Evangelio cumplir toda la
ley hasta en sus detalles más mínimos (Mt. 5,18-19).

Cuídese, sin embargo, de no dar en un egoísmo demasiado meticuloso que haga girar al alma en torno de sí misma,
preocupándose tan sólo de sus propias responsabilidades, en vez de entregarse a Dios con el corazón dilatado por el
amor, buscando únicamente su mayor gloria y el cumplimiento perfecto de su divina voluntad.

c) La conciencia laxa

175. 1. Noción y división. La conciencia laxa es el extremo opuesto a la conciencia escrupulosa. Es aquella que, bajo
fútiles pretextos o razones del todo insuficientes, considera lícito lo ilícito, o leve lo grave.

Cuando, como ocurre casi siempre, el que obra con tanta superficialidad y ligereza se da perfecta cuenta o sospecha
seriamente la inanidad de los principios en que se funda, coincide enteramente con la conciencia venciblemente
errónea y es responsable ante Dios en la medida y grado de su culpable negligencia.

a) POR RAZÓN DEL ACTO se divide en antecedente y consiguiente. La primera se refiere a una acción ilícita que se va
a realizar juzgando que es lícita, o al menos no grave. La segunda dice relación a una obra mala ya realizada,
estimando con ligereza que no tiene importancia objetiva o que se la ha realizado con imperfecta advertencia y
consentimiento.

b) POR RAZÓN DE LA EXTENSIÓN. Puede ser general, si se extiende a toda clase de materias, o particular, si se ciñe o
circunscribe a una sola o a unas pocas determinadas.

176. 2. Causas y efectos. Ya se comprende que la causa principal que conduce a este estado tan lamentable es
la falta de fe viva en la grandeza de Dios y gravedad del pecado. Pero al lado de este fallo fundamental se encuentran
otros muchos, entre los que pueden señalarse los siguientes:

1. Una vida muelle y sensual, que embota la sensibilidad del alma.

2. El descuido de la oración mental y la falta absoluta de reflexión.

3. La excesiva solicitud por las cosas mundanas y terrenas (espectáculos, diversiones, negocios, etc., etc.).

4. La costumbre de pecar, que va disminuyendo el horror al pecado.

5. El ambiente frívolo y trato con personas superficiales y ligeras.

6. La lujuria, sobre todo, que entenebrece la claridad del juicio.

Poco a poco la conciencia laxa conduce a un estado de insensibilidad espiritual tan absoluto, que hace muy difícil su
curación y pone en grave peligro la salvación eterna. Volveremos en seguida sobre esto al hablar de la
conciencia cauterizada.

177. 3. Remedios. Es difícil reformar la conciencia laxa, pues afecta casi siempre a sujetos de una ligereza y
superficialidad tan grandes, que es casi imposible hacerles reflexionar en serio sobre el gravísimo peligro a que se
exponen. De todas formas, he aquí los principales remedios contra tan grave dolencia:

1. Estudio serio de sus deberes y obligaciones en autores de toda responsabilidad y solvencia, excluida en
absoluto la lectura de novelas frívolas y mundanas.

2. Huida de las ocasiones peligrosas y del trato con personas superficiales y ligeras. Trato con gente de buena
conciencia.

3. Examen cotidiano de conciencia, frecuencia de sacramentos, lectura de libros piadosos, oración humilde y
perseverante, meditación de los novísimos.

4. Lo mejor, acaso, sería practicar una tanda de ejercicios espirituales internos bajo la dirección de un
competente director. La experiencia ha demostrado muchas veces que es éste el procedemiento más eficaz
para detener a uno de estos infelices en su loca carrera hacia el abismo y hacerle emprender una vida
seriamente cristiana.

d) La conciencia cauterizada

178. Cuando el estado de cosas que acabamos de denunciar llega a su colmo y paroxismo, da origen a la llamada
conciencia cauterizada. Es aquella que, por la costumbre inveterada de pecar, no le concede ya importancia alguna al
pecado y se entrega a él con toda tranquilidad y sin remordimiento alguno.

El pecador ha descendido hasta el último extremo de la degradación moral. Peca con cínica desenvoltura, alardeando
a veces de «despreocupación», «amplitud de criterio» y otras sandeces por el estilo. Se ríe de la gente honrada y
piadosa. Es del todo insensible a toda reflexión moral, que ni siquiera suele irritarle: se limita a despreciarla
cínicamente, lanzando una sonora carcajada.

Sólo un milagro de la divina gracia, que Dios realiza raras veces, podría salvar a este desdichado de la espantosa
suerte que le espera más allá del sepulcro. La Sagrada Escritura dice de él que es un «ser odioso y corrompido que se
bebe como agua la impiedad» (Iob 15,16) y que, «conforme a la dureza e impenitencia de su corazón, va atesorando
ira para el día del justo juicio de Dios» (Rom. 2,5; cf. I Tim. 4,2-3).

e) La conciencia farisaica
179. Es una extraña mezcla de la conciencia escrupulosa y de la laxa, que parecen incompatibles entre sí. Es aquella
que hace grande lo pequeño y pequeño lo grande. A imitación de los fariseos del Evangelio, cuela un mosquito y
traga un camello (Mt. 23,24). No tiene inconveniente, v.gr., en lanzar una calumnia o en cometer el gravísimo crimen
del aborto voluntario, pero le ocasionaría gran preocupación no asistir a misa el día de la Virgen del Carmen, aunque
caiga en día de trabajo.

Salvando las distancias y acaso también su buena fe, aliada con su ignorancia, se parecen mucho a esta clase de
fariseos ciertos falsos devotos que no podrían conciliar el sueño si no hubieran asistido a la novena o a la procesión y
no tienen inconveniente en faltar continuamente a la caridad fraterna y a la justicia con críticas, murmuraciones, etc.,
que tienen bastante más importancia que aquellas prácticas exteriores. La fórmula serena y equilibrada nos la dió el
Señor en el Evangelio: «¡Ay de vosotros, escribas y fariseos hipócritas, que diezmáis la menta, el anís y el comino, y
no os cuidáis de lo más grave de la Ley: la justicia, la misericordia y la lealtad! Bien sería hacer aquello, pero sin omitir
esto» (Mt. 23,23).

Fuente Royo Marín, Teología Moral

http://sededelasabiduria.es/2018/08/01/la-conciencia/

MEDITACIÓN SOBRE EL CIELO


Les ofrecemos un texto que nos parece muy adecuado para meditar el amor de Dios para con nosotros; el original
corresponde a un sermón radiado que, en su día, pronunciara el dominico Royo Marín. Letras, pues, para saborear
despacio delante del Santísimo – allá, y en el lugar donde haya verdadera consagración, hoy, desgraciadamente,
contados con los dedos de la mano-, o bien en familia, o en soledad. No cabe duda que del corazón del lector
brotarán espontáneamente alabanzas y actos de amor para agradecer el lugar que Dios a predestinado desde toda la
eternidad a los bienaventurados. No obstante, para ayudarles, hemos ido intercalando en color rojo, algunos afectos
del corazón, que no forman parte de la conferencia original.

Painting inside Brunelleschi cupola, Florence duomo, Tuscany.

El cielo

¡Qué cosa tan grande es el cielo astronómico ! ¿Qué otra cosa puede darnos una idea tan impresionante de la
inmensidad de Dios, que está jugando con todo eso como los niños con pompitas de jabón. Con razón dice el salmo,
aludiendo al cielo astronómico, que “los cielos cantan la gloria de Dios”.

Pero ese cielo tan deslumbrador no es nuestro cielo, no es el cielo de la fe. El cielo de la fe, la patria de las almas
inmortales está incomparablemente más allá todavía. Ya es hora de que comencemos a exponer algo del verdadero
cielo. Voy a comenzar la explicación de la teología del cielo de las almas, del cielo sobrenatural que nos aguarda más
allá de esta vida.

Para poner orden y claridad en mis palabras, voy esta meditación en dos partes. En la primera meditaremos de la
gloria accidental del cielo; en la segunda, de la gloria esencial. Y en la gloria accidental, todavía podemos establecer
un subdivisión: primero la gloria accidental del cuerpo, y luego la gloria accidental del alma.

LA GLORIA ACCIDENTAL

LA GLORIA ACCIDENTAL DEL CUERPO

Vamos a empezar por lo de “inferior categoría”, por lo más imperfecto: la gloria accidental del cuerpo. Y os advierto,
antes de comenzar la descripción del cielo , que no voy a deciros absolutamente nada que no se apoye directamente
en la divina Revelación. No voy a proyectar ante vosotros una película fantástica, pero soñada. No son datos de una
imaginación enfermiza o calenturienta; no son sueños de un poeta. Son datos revelados por Dios. Los podéis leer en
la Sagrada Escritura: ¡los ha revelado Dios! Lo único que voy a hacer es daros la interpretación teológica de esos
datos revelados para hacer una afectuosa meditación, toda ella fundada en Doctor Angélico, Santo Tomás de
Aquino. Pero, fundamentalmente, lo que vamos a contemplar no lo ha inventado Santo Tomás ni ningún otro
teólogo. Son datos revelados por Dios en las Sagradas Escrituras.
Decimos en teología y es cosa clara y evidente, que la gloria del cuerpo no será más que una consecuencia, una
redundancia de la gloria del alma. En la persona humana, lo principal es el alma; el cuerpo es una cosa
completamente secundaria. El alma puede vivir, y vive perfectamente, sin el cuerpo, aunque reclama al cuerpo; el
cuerpo, en cambio, no puede vivir sin el alma.

En este mundo estamos completamente desorientados. Concedemos más importancia a las cosas del cuerpo que a
las del alma. Se pone el cuerpo enfermo y le atendemos en el acto con medicinas y tratamientos y sanatorios y
operaciones quirúrgicas, y todo lo que sea menester para recuperar la salud. Y son legión los que tienen enferma el
alma, y quizá del todo muerta por el pecado mortal, ¡y ríen y gozan, y se divierten y viven completamente tranquilos,
como si no les ocurriera absolutamente nada! ¡Qué aberración! Cuando veamos las cosas a la luz del más allá,
veremos que las cosas del cuerpo no tienen importancia ninguna; lo esencial es lo que afecta al alma, lo que ha de
durar eternamente.

Un corazón contrito y humillado por haberse interesado más por las cosas del cuerpo que las del espíritu, ¡oh Dios!
Tú no lo desprecias, Señor. Dios mío: en tus manos abandono lo pasado y lo presente y lo futuro, lo pequeño y lo
grande, lo poco y lo mucho, lo temporal y lo eterno.

En el cielo funcionan las cosas rectamente. La gloria del cuerpo no será más que una redundancia, una simple
derivación de la gloria del alma. El alma bienaventurada, incandescente de gloria por la visión beatífica de que goza
ya actualmente, en el momento de ponerse en contacto con su cuerpo al producirse el hecho colosal de la
resurrección de la carne, le comunicará ipso facto su propia bienaventuranza. Ocurrirá algo así como lo que pasa en
un farolillo de cristales multicolores cuando encendemos una luz dentro de él: aparece todo radiante, lleno de luz y
de colorido. El cuerpo, al resucitar, al ponerse en contacto con el alma glorificada, se pondrá también incandescente
de gloria, lleno de luz y de hermosura, según el grado de gloria que Dios le comunique a través de su propia alma. Por
eso os decía que la gloria del cuerpo será una simple consecuencia de la gloria del alma. Y sabemos por la Sagrada
Escritura, porque lo ha revelado Dios, que el cuerpo glorioso tendrá cuatro cualidades o dotes maravillosas: claridad,
agilidad, sutileza e impasibilidad.

En primer lugar la claridad. El profeta Daniel, describiendo el triunfo final de los elegidos, dice que “brillarán con
esplendor del cielo” y que “resplandecerán eternamente como las estrellas” (Dan. 12, 3). Y el mismo Cristo nos dice
en el Evangelio que “los justos brillarán como el sol en el reino del Padre” (Mt. 13, 43).

Los cuerpos gloriosos serán resplandecientes de luz. Si contempláramos ahora mismo el cuerpo glorioso de Jesús o el
de María Santísima –únicos que actualmente hay en el cielo–, quedaríamos deslumbrados ante tanta belleza.

El cuerpo humano, aún acá en la tierra, es una verdadera obra de arte. Los artistas –pintores y escultores– de todas
las épocas y de todas las razas han reproducido la belleza del cuerpo humano. Lástima que muchas veces profanen
una cosa tan bella como el cuerpo humano para convertirla en una de las más inmundas e inmorales, en una
pornografía baja y desvergonzada. Pero no cabe duda que, contemplado con ojos limpios y finalidad sana, el cuerpo
humano constituye, aún acá en la tierra, una verdadera obra de arte maravillosa creada por Dios. Pues, ¿qué será,
pues, el cuerpo espiritualizado, el cuerpo glorioso radiante de luz, mucho más resplandeciente que la del sol?

Mi Dios, Jesús, mi único bien. Tu eres todo para mi; sea yo todo entero para ti, Tú creaste mis entrañas; me
formaste en el vientre materno. Oh Dios, mis huesos no te fueron desconocidos cuando en lo más recóndito era yo
formado, cuando en lo más profundo de la tierra era yo entretejido; Oh Dios, que te humillaste tomando carne de
la Virgen, para que pudiera ser también glorificado nuestro cuerpo; que nuestro cuerpo sea, Jesús, siempre templo
de tu Espíritu Santo, para alabarte y amarte.

Dice Santa Teresa que, en una visión sublime, le mostró Nuestro Señor Jesucristo nada más que una de sus manos
glorificadas. Y decía que la luz del sol es “fea y apagada” comparada con el resplandor de la mano glorificada de
Nuestro Señor Jesucristo. Y añade que ese resplandor, con ser intensísimo, no molesta, no daña a la vista, sino que, al
contrario, la llena de gozo y de deleite.

La contemplación de los cuerpos gloriosos resplandecientes de luz de millones y millones de bienaventurados,


ángeles y hombres, será un espectáculo grandioso, deslumbrador, que llenará, ya por sí solo, de inefable felicidad a
los bienaventurados.
La segunda cualidad del cuerpo glorioso es la agilidad. Consta también, expresamente, en varios pasajes de la
Sagrada Escritura: “Al tiempo de la recompensa brillarán y discurrirán como centellas en cañaveral” (Sap 3, 7). Ello
quiere decir que los bienaventurados podrán trasladarse corporalmente a distancias remotísimas casi
instantáneamente. Digo casi, porque, como advierte Santo Tomás de Aquino, todo movimiento, por rapidísimo que
se le suponga, requiere indispensablemente tres instantes: el de abandonar el punto de partida; el de adelantarse
hacia el punto de llegada, y el de llegar efectivamente al término. Y eso puede hacerse, si queréis, en una
millonésima de segundo, pero de ninguna manera en un solo instante, filosóficamente considerado; tiene que
transcurrir algún tiempo, aunque sea absolutamente imperceptible, una millonésima de segundo si queréis. Pero ese
tiempo tan imperceptible equivale, prácticamente, a la velocidad del pensamiento. Con las alas de la imaginación
podemos trasladarnos en este mundo, instantáneamente, a regiones remotísimas: de la tierra a la luna, a las más
remotas estrellas; pero nuestro cuerpo permanece inmóvil en el lugar donde nos encontramos mientras la
imaginación realiza su vuelo fantástico. En el cielo, el cuerpo acompañará al pensamiento a cualquier parte donde
quiera trasladarse, por remotísimo que esté. En esto consiste el dote maravilloso de la agilidad.

Oh, Señor, cuán admirable es el designio que tienes preparado para los que haces justos. Porque me has amado, y
donado el amor, te amo, Dios mío, y mi único deseo es amarte hasta el último suspiro de mi vida. Te amo, Jesús,
infinitamente amable y prefiero morir amándote a vivir sin amarte.

La tercera cualidad es la impasibilidad. Eso significa que el cuerpo glorificado es absolutamente invulnerable al dolor
y al sufrimiento, en cualquiera de sus manifestaciones. No le afecta ni puede afectar el frío, el calor, ni ningún otro
agente desagradable. Metido en una hoguera, no se quemaría. Sumergido en el fondo del mar, no se ahogaría. En
medio del fragor de una batalla, los proyectiles no le causarían ningún daño. Las enfermedades no pueden hacer
presa en él. El cuerpo del bienaventurado no está preparado para padecer, es absolutamente invulnerable al dolor.
No es que sea insensible en absoluto. Al contrario, es sensibilísimo y está maravillosamente preparado para la dicha:
gozará de deleites inefables, intensísimos. Pero es del todo insensible al dolor. Esto significa la impasibilidad del
cuerpo glorioso. Consta también expresamente en la Sagrada Escritura: “Ya no tendrán hambre, ni sed, ni caerá sobre
ellos el sol ni ardor alguno; porque el Cordero, que está en medio del trono, los apacentará y guiará a las fuentes de
aguas de vida, y Dios enjugará toda lágrima de sus ojos” (Apoc. 7, 16-17).

Oh Jesús, Esposo de mi alma, dame de beber del agua que Tú das de la fuente de tu divino costado abierto, para
que no tenga sed en la eternidad, y que para que ya en este valle de lágrima, el ese dulcísimo agua se convierta
en mí en una fuente de agua que brota para vida eterna.

Pero aún hay otra cuarta cualidad: la sutileza. Dice el apóstol San Pablo que “el cuerpo se siembra animal y resucitará
espiritual” (1 Cor 15, 44). No quiere decir que se transformará en espíritu; seguirá siendo corporal, pero quedará
como espiritualizado: totalmente dominado, regido y gobernado por el alma, que le manejará a su gusto sin que le
ofrezca la menor resistencia, al contrario que en este estado de viadores en que nos encontramos.

Muchos teólogos creen que, en virtud de esta sutileza, el cuerpo del bienaventurado podrá atravesar una montaña
sin necesidad de abrir un túnel, o traspasar paredes y puertas y así podrá entrar en una habitación sin necesidad de
que le abran la puerta, como se nos revela que hizo Cristo, vida nuestra, al presentarse delante de sus discípulos.
Santo Tomás de Aquino piensa que la sutileza no es otra cosa que el dominio total y absoluto del alma sobre el
cuerpo, de tal manera, que lo tendrá totalmente sometido a sus órdenes. Es cierto, dice el Doctor Angélico, que los
bienaventurados podrán atravesar una montaña sin necesidad de abrir un túnel, o entrar en una habitación sin
necesidad de que les abran la puerta; pero eso será, no en virtud de la sutileza, sino de una nueva cualidad
sobreañadida, de tipo milagroso, que estará totalmente a disposición de ellos.

Como se ve, para el caso es completamente igual. Como quiera que sea, lo cierto es que podremos atravesar los
seres corpóreos con la misma naturalidad y sencillez con que un rayo del sol atraviesa un cristal sin romperlo ni
mancharlo.

Oh Jesús, Hijo de Dios vivo, Sabiduría encarnada que resucitaste atravesando la sábana mortuoria, danos tu gracia,
que es prenda de la futura gloria, para que ningún obstáculo nos impida en esta vida seguirte a dónde Tú vayas, y
adorándote a ti, y venerando por nosotros los sagrados cuerpos de los mártires y santos, a través de los cuales
pedimos tu auxilio, Oh Cristo, pues fueron miembros vivos de tu Cuerpo y templos del Espíritu Santo, nos concedas
ser resucitados y glorificados para la vida eterna, para no separarnos jamás de ti, Oh Cordero inmaculado.
La Sagrada Escritura, nada nos dice acerca de los goces de los sentidos; pero es indudable que los tendrán también
intensísimos y sublimes. No hace falta tener una imaginación muy exaltada para comprender que si el cuerpo entero
ha de quedar beatificado, los sentidos corporales tendrán que tener sus goces correspondientes, pues son las
ventanas del conocimiento que adquirimos. Ahora bien: los ojos no pueden gozar de otro modo que viendo cosas
hermosísimas, y los oídos oyendo armonías sublimes, y el olfato percibiendo perfumes suavísimos, y el gusto y el
tacto con deleites delicadísimos proporcionados a su propio objeto sensitivo. El simple sentido común, y la deducción
lógica nos lo dice, siendo una conclusión teológica evidente.

De manera, que nuestro cuerpo entero, con todos sus sentidos, estará como sumergido en un océano inefable de
felicidad, de deleites inenarrables. Y esto constituye la gloria accidental del cuerpo; lo que no tiene importancia, lo
que no vale nada, a pesar de superar en sí los dones de Adán, antes de su caída, los cuales podrían desaparecer sin
que sufriera el menor menoscabo la inenarrable gloria esencial del cielo.

Oh Dios mío, rico en misericordia, que por el grande amor con que nos amaste, estando muertos a causa de
nuestros pecados, nos vivificaste por Cristo, quien nos salvó por gracia y con Él y por Ël nos has llamado a la
resurrección y a sentarnos en el banquete de los cielos en Cristo Jesús, tu Hijo, sin ningún mérito nuestro, a fin de
mostrar en los siglos venideros la sobreabundante riqueza de Su gracia ; Oh Dios mío, por su bondad para con
nosotros en Cristo Jesús, nos has llamado experimentar eternamente tu Paternidad, rica en misericordia, a través
del amor de tu Hijo, crucificado y resucitado, el cual, como Señor, está sentado en los cielos a la derecha del Padre,
y de quien jamás queremos separarnos; Oh Dios, aumenta nuestro amor, inflama nuestro corazón, dilata nuestros
pechos, hasta morir de amor en la unión contigo, mi Señor, y no tengas en cuenta nuestros pecados.

LA GLORIA ACCIDENTAL DEL ALMA

Mil veces por encima de la gloria del cuerpo, está la gloria del alma. El alma vale mucho más que el cuerpo. Acá en la
tierra, el mundo, el demonio y la carne no nos lo dejan ver. En el otro mundo lo veremos clarísimamente.

¡La gloria del alma! Vayamos por partes.

Empecemos por los goces de la amistad. Cuando dos amigos se quieren de veras, cuando dos corazones se han
fusionado en uno solo, la separación violenta, sobre todo si ha de ser para largo tiempo, resulta siempre dolorosa. Y
si es la muerte quien se encarga de separar para siempre, acá en la tierra, a esos dos íntimos amigos, ¡qué desgarro
experimenta el pobre corazón humano! Pero queda todavía la dulcísima esperanza: en el cielo se reanudará para
siempre aquella amistad interrumpida bruscamente. Los amigos volverán a abrazarse para no separarse jamás.

La amistad es una cosa muy íntima, muy entrañable, no cabe duda; si es santa, es la perfección de la caridad; pero
todos tenemos aquí en la tierra también lazos de la sangre, los vínculos familiares; quien no tiene hijos, tiene padres.
¿No lo recordáis? ¿No lo recordáis cualquiera de los que me estáis escuchando? Cuando se os murió vuestro padre, o
vuestra madre, o vuestros hijos, experimentasteis la amargura más grande de vuestra vida. Cuando tenemos el
cadáver en casa, ¡qué frío está el hogar! Y cuando se llevan de casa los despojos de aquel ser tan querido, nos
arrancan un jirón de nuestras almas, un pedazo de nuestras entrañas. ¡Cómo nos duele, señores, aquella terrible
separación!

¡Ah!, pero vendrá la resurrección de la carne, y con ella la reconstrucción definitiva de la familia. Pero quizá a alguno
de vosotros se le ocurra preguntar: “Padre, ¿y si al llegar al cielo nos encontramos con que falta algún miembro de la
familia? ¿Cómo será posible que seamos felices sabiendo que uno de nuestros seres queridos se ha condenado para
toda la eternidad?”

Esta pregunta terrible no puede tener más que una sola contestación: en el cielo cambiará por completo nuestra
mentalidad. Estaremos totalmente identificados con los planes de Dios. Adoraremos su misericordia, pero también
su justicia inexorable. En este mundo, con nuestra mentalidad actual, es imposible comprender estas cosas; pero en
el cielo cambiará por completo nuestra mentalidad, y, aunque falte un miembro de nuestra familia, no disminuirá por
ello nuestra dicha; seremos inmensamente felices de todas formas, porque el gozo estará debidamente ordenado en
el cielo, sumergiéndonos en el amor de Dios. Pero, no cabe duda, señores, que si rezamos con profundo fervor el
Rosario, la Virgen María nos alcanzará las gracias para que se salven y si no falta un solo miembro de nuestra familia,
si logramos reconstruirla enteramente en el cielo, nuestra alegría llegará a su colmo y será inenarrable, aunque allí no
exista el lazo de la carne, pues, señores, por encima de los goces de la familia reconstruida que experimentará
nuestra alma, serán alegrías aún más inefables que los lazos que hubo aquí de la carne, las que nos proporcione la
amistad santa, y el trato con los Santos. En este mundo no podemos comprender esto, pero ya os he dicho que en la
otra vida cambiará por completo nuestra mentalidad. Allí veremos clarísimamente que no hay más fuente de
bondad, de belleza, de amabilidad, de felicidad que Dios Nuestro Señor, en el que se concentra la plenitud total del
Ser, y según el amor a Él será ordenado el nuestro, aquí, señores, algo confuso.

Oh Virgen María y San José, bendecid nuestras familias y alcanzadnos de vuestro Hijo, nuestro Señor Jesucristo, la
gracia de la conversión de su corazones a Cristo y, en especial la gracia de la perseverancia final, al fin de que todos
puedan gozar de la beatitud eterna en el cielo.

Y, en consecuencia lógica, aquellos seres, aquellas criaturas que estarán más cerca de Dios contribuirán a nuestra
felicidad más todavía que los miembros de nuestra propia familia. De manera que el contacto y la compañía de los
Santos –que están más cerca de Dios– nos producirá un gozo mucho más intenso todavía que el contacto y la
compañía de nuestros propios familiares. Que cada uno piense ahora en los Santos de su mayor devoción e imagine
el gozo que experimentará al contemplarles resplandecientes de luz en el cielo y entablar amistad íntima con ellos.

Pero más todavía que por el contacto y amistad con los Santos, quedará beatificada nuestra alma con la
contemplación de los ángeles de Dios, criatura bellísimas, resplandecientes de luz y de gloria. Dice Santo Tomás de
Aquino, y lo demuestra de una manera categórica, que los ángeles del cielo son todos específicamente distintos. Lo
cual quiere decir que no hay más que uno solo de cada clase. Imaginaos, por ejemplo, que en el reino animal no
hubiera en todo el mundo más que un solo caballo, un solo león, un solo toro, un solo elefante, etc., etc.; uno solo de
cada clase. Pues esto, exactamente, es lo que ocurre con los ángeles: cada uno de ellos constituye
una especie distinta dentro del mundo angélico, a cuál más hermosa, a cuál más deslumbradora, pero totalmente
diferente de todas las demás. No hay dos ángeles iguales. La contemplación del mundo angélico, con toda su infinita
variedad, será un espectáculo grandioso, señores. Sabemos por la Sagrada Escritura que los ángeles, a pesar de su
diversidad específica individual, se agrupan en nueve coros o jerarquías angélicas, que reciben los nombres de
ángeles, arcángeles, principados, potestades, virtudes, dominaciones, tronos, querubines y serafines. Lo dice la
sagrada Escritura, señores, lo ha revelado Dios, no son sueños fantásticos de un poeta. La contemplación de esas
nueve jerarquías angélicas, con el número incontable de ángeles distintos que forman parte de cada una de ellas,
será un espectáculo maravilloso, sencillamente fantástico, del que ahora no podemos formarnos la menor idea.

Mil veces por encima de los ángeles, la contemplación de la que es Reina y Soberana de todos ellos nos embriagará
de una felicidad inefable ¡Qué será cuando la veamos personalmente a Ella misma “vestida del sol, con la luna bajo
sus pies y una corona de doce estrellas sobre su cabeza” como la vio el vidente del Apocalipsis! Nos vamos a volver
locos de alegría cuando caigamos a sus pies y besemos sus plantas virginales y nos atraiga hacia Sí para darnos el
abrazo de madre y sintamos su Corazón Inmaculado latiendo junto al nuestro para toda la eternidad.

Oh, Virgen María, toda la naturaleza llamada en tu persona a subir a la cima de todos los honores, es ensalzada al
brillar con gloria tan grande; Oh, Virgen castísima y purísima ¿A dónde vas, con la agilidad bienaventurada, más
resplandeciente que luz de aurora y de mayor claridad que el sol? Oh, Reina triunfadora, vuelve tus ojos a
nosotros, para que con tu protección consigamos la patria la patria dichosa del cielo.

Pero ¿quién podrá describir, lo que experimentaremos cuando nos encontremos en presencia de Nuestro Señor
Jesucristo, cuando veamos cara a cara al Redentor del mundo, con los cinco luceros de sus llagas en sus manos, en
sus pies y en su divino Corazón? Cuando caigamos de rodillas a sus pies y cuando Él nos incorpore para darnos su
abrazo de Buen Pastor y nos diga con inefable dulzura: “Pobre ovejita mía, ¡cuántas veces te extraviaste fuera del
redil de tu Pastor alucinada por el mundo, el demonio y la carne! Pero yo morí por ti, yo rogué por ti al Eterno Padre,
y ahora te tengo ya en mi aprisco para toda la eternidad”. El gozo que experimentaremos entonces es absolutamente
indescriptible.

Oh, llagas de profundidad insondable del divina Sabiduría; Oh dulzura del Corazón atravesado que por sólo
mirarlo extasía; Oh, deliciosas llagas de tus pies y manos que nos enamoran; Oh, Cristo, verdadero Esposo de
nuestras almas, haznos saborear en esta vida una prenda de la locura de amor que tienes reservada a tus elegidos
y llámanos tu lado tras un tránsito de amor, raptando nuestra alma.

LA GLORIA ESENCIAL
El panorama que hemos contemplado hasta aquí, es verdaderamente magnífico y deslumbrador. Y, sin embargo,
todo esto constituye únicamente lo que llamamos en teología la gloria accidental del cielo: la gloria accidental del
cuerpo y la gloria accidental del alma. Todavía no os he dicho ni una sola palabra de la gloria esencial. Lo que hemos
visto hasta ahora no es más que una antesala; no hemos entrado todavía en el salón del trono. Porque lo que
constituye la gloria esencial del cielo es lo que llamamos en teología la visión beatífica, o sea, la contemplación facial,
cara a cara, de la esencia misma de Dios.

Imposible, señores, hacer una descripción de la visión beatífica. No tenemos, acá en la tierra, ningún punto de
referencia para establecer una semejanza o analogía. Pero a la luz de la teología católica voy a hacer un esfuerzo para
daros una idea remotísima, palidísima, de aquella inefable realidad.

Desde niños hemos cantado todos el Himno Eucarístico con aquella preciosa estrofa: “Dios está aquí…”, aludiendo al
Sacramento adorable de la Eucaristía. Pero, también desde niños, sabemos todos por el catecismo que Dios está en
todas partes. Dios está en la Eucaristía y fuera de ella. En la Eucaristía está de una manera especial –sacramentado–,
pero fuera de la Eucaristía está en todo cuanto existe, en todos los seres y lugares de la creación, por esencia,
presencia y potencia.

Dios lo llena todo. Dios es inmenso. Está dentro de nosotros y delante mismo de nuestros ojos, pero sin que le
podamos ver en este mundo, ¿Sabéis por qué no podemos ver a Dios en este mundo a pesar de que lo tenemos
delante de nuestros ojos? Os vais a quedar estupefactos creyendo que os quiero gastar alguna broma. No le vemos,
sencillamente porque está la luz apagada. Aun a las dos de la tarde, y a pleno sol, está la luz apagada para ver a Dios.
Os voy a explicar este misterio.

Imaginaos el caso de un turista que, en una noche cerrada y oscura, sin luna, con densas nubes que ocultan hasta el
débil resplandor de las estrellas, se acerca a la montaña más alta del mundo, el monte Everest, que tiene cerca de
nueve mil metros de altura. Y para contemplar aquella inmensa montaña en aquella noche tenebrosa se le ocurriese
encender una cerilla. Diríamos todos que se había vuelto loco, porque una cerilla no tiene suficiente luz para iluminar
aquella inmensa montaña, la mayor del mundo.

Pues algo parecido, señores, nos ocurre en este mundo con relación a la visión directa e inmediata de Dios. Para
iluminar a Dios, la luz del sol es incomparablemente más pequeña y desproporcionada que la de una cerilla para
iluminar el monte Everest; ¡sin comparación!

Oh Dios que todo lo penetras a quien nada se le esconde, concédenos colirio para los ojos de nuestra alma,
multiplica nuestra fe y haz que siempre tengamos presente con el mayor anhelo la gloria que has reservado para
tus predestinados, y danos todas las gracias para que, un día, cuando Tú lo hayas decidido en libro de nuestras
vidas, podamos contarnos, llenos de dicha, entre ellos.

Para ver a Dios, señores, hace falta una luz especial, especialísima, que recibe en teología el nombre de lumen
gloriae: la luz de la gloria. Los teólogos que me escuchan saben muy bien que el lumen gloriae no es otra cosa que un
hábito intelectivo sobrenatural que refuerza la potencia cognoscitiva del entendimiento para que pueda ponerse en
contacto directo con la divinidad, con la esencia misma de Dios, haciendo posible la visión beatífica de la misma. Si
Dios encendiese ahora mismo en nuestro entendimiento ese resplandor de la gloria, el lumen gloriae, aquí mismo
contemplaríamos la esencia divina, gozaríamos en el acto de la visión beatífica, porque Dios está en todas partes, y si
ahora no le vemos es porque nos falta ese lumen gloriae, sencillamente porque está apagada la luz.

¿Y qué veremos cuando se encienda en nuestro entendimiento el lumen gloriae al entrar en el cielo? Es imposible
describirlo, señores. El apóstol San Pablo, en un éxtasis inefable, fue arrebatado hasta el cielo y contempló la divina
esencia por una comunicación transitoria del lumen gloriae, como explica el Doctor Angélico. Y cuando volvió en sí, o
sea, cuando se le retiró el lumen gloriae, no supo decir absolutamente nada (II Cor., XII, 4) porque: “Ni el ojo vio, ni el
oído oyó, ni el entendimiento humano es capaz de comprender lo que Dios tiene preparado para los que le aman” (I
Cor., II, 9).

San Agustín, y detrás de él toda la teología católica, nos enseña que la gloria esencial del cielo se constituye por tres
actos fundamentales: la visión, el amor y el goce beatífico.
La visión ante todo. Contemplaremos cara a cara a Dios, y en Él, como en una pantalla cinematográfica,
contemplaremos todo lo que existe en el mundo: la creación universal entera, con la infinita variedad de mundos y
de seres posibles que Dios podría llamar a la existencia sacándoles de la nada. No los veremos todos en absoluto o de
una manera exhaustiva, porque esto equivaldría a abarcar al mismo Dios, y el entendimiento creado ni en el cielo
siquiera puede abarcar a Dios. Pero una variedad casi infinita de seres posibles, de combinaciones imaginables, las
veremos en Dios maravillosamente. Y, desde luego, veremos todo cuanto existe: la creación universal entera. ¡Qué
película cinematográfica! ¡Qué espectáculo tan deslumbrador contemplaremos en la esencia misma de Dios!

Oh, Dios mío, dilata nuestros corazones y extasíanos de tu amor, hasta morir de amor en tu seno; incrementa
nuestro deseo de glorificarte aquí, y eternamente en el cielo, y no nos permitas jamás que pequemos, y cuando
nos llames a tu presencia, sumérgenos en el océano insondable de la tu esencia divina, y entonces nuestra alma
experimentará unos deleites tan inefables.

Y ese espectáculo fantástico durará eternamente, sin que nunca podamos agotarlo, sin que se produzca en nuestro
espíritu el menor cansancio por la continuación incesante de la visión. En este mundo nos cansamos enseguida de
todo, porque el espíritu está pronto, pero la carne es flaca y desfallece con facilidad. Imaginaos en este mundo una
fantástica película cinematográfica, un grandioso espectáculo que durase ocho días seguidos, sin un momento de
descanso.

LA VISIÓN, EL AMOR, EL GOZO

No lo resistiríamos. En este mundo nos cansamos, porque el cuerpo es pesado, necesita descanso, y arrastra en su
pesadez al alma.

Pero como en el cielo el cuerpo seguirá en todo las vicisitudes del alma –como os expliqué antes–, no habrá
posibilidad alguna de cansancio, y, por lo mismo, no nos cansaremos jamás de contemplar aquel espectáculo
maravilloso de variedad infinita. Dad rienda suelta a vuestra imaginación, que os quedaréis siempre cortos. ¡Qué
película tan fantástica para toda la eternidad!

El segundo elemento de la gloria esencial del cielo es el amor. Amaremos a Dios con toda nuestra alma, más que a
nosotros mismos. Solamente en el cielo cumpliremos en toda su extensión el primer mandamiento de la Ley de Dios,
que está formulado en la Sagrada Escritura de la siguiente forma: “Amarás al Señor, tu Dios, con todo tu corazón y
con toda tu alma y con todas tus fuerzas”. Solamente en el cielo cumpliremos este primer mandamiento con toda
perfección y, en su cumplimiento, encontraremos la felicidad plena y saciativa de nuestro corazón. El amor de Dios, y
el nuestro a Él en el cielo, se hará imprescindible, irresistible y determinante, en él respiraremos y viviremos. Esta es
la verdad de la vida afectiva en el cielo, porque la conveniencia del Amante con la cosa amada es la primera fuente
del amor, y esta conveniencia consiste en la correspondencia, la cual no es otra cosa que la mutua relación que hace
a las cosas aptas para unirse, para comunicarse alguna perfección; pero como nostros no podemos perfeccionar nada
en Dios, es Él que nos nos eleva a una cierta correspondencia, para que lo que es: Amor, se comunique a nuestro
corazón y vivamos eternamente en un inefable éxtasis de amor. Una prenda podemos tener ya aquí, aunque allá la
realidad es infinitamente mayor, pues El que desea de verdad el amor, de verdad lo busca; el que de verdad lo busca,
lo encuentra; el que lo encuentra, ha encontrado la fuente de vida, de la cual sacará la salud del Señor.

Oh, Dios mío, que esta meditación entusiasme, conmueva, y avive la sed de ti, Jesús, mi Dios y Señor y de los
bienes eternos, y despierta en nosotros la urgencia de entregarte todo nuestro corazón, teniendo los mismos
sentimientos que Jesús. ¡Oh amar! ¡Oh morir a sí mismo! ¡Oh el vivir en Dios! ¡Oh el estar en Dios! ¡Oh Dios mío!
lo que no es Vos, es nada para mí.

En tercer lugar, en el cielo gozaremos de Dios. Nos hundiremos en el piélago insondable de la divinidad con deleites
inefables, imposibles de describir.

¿Habéis presenciado alguna vez, señores, un campeonato de natación en un club náutico? El trampolín se adelanta
unos cuantos metros sobre el mar. Y el aspirante a campeón, cuando le dan la señal convenida, se lanza desde el
trampolín y se hunde y desaparece bajo el agua. A veces transcurren varios minutos sin que se le vea aparecer por
ningún lado, y cuando la gente que está contemplando la prueba desde la orilla comienza a contener con angustia la
respiración creyendo que se ha ahogado, que ya no sale a la superficie, allá lejos aparece, por fin, el nadador y
comienza a nadar con brazos vigorosos hasta alcanzar la orilla.
Pues algo parecido ocurrirá en el cielo. Ya podéis comprender, señores, que esto es una metáfora, pero una metáfora
que encierra una realidad sublime. Nos subirán, por decirlo así, a un gran trampolín, y desde aquella atalaya
contemplaremos el océano insondable de la divinidad: aquel mar sin fondo ni riberas, que es la esencia misma de
Dios, en el que está condensado todo cuanto hay de placer, y de riquezas, y de alegría, y de belleza, y de bondad, y
de amor, y de felicidad embriagadora. Todo cuanto puede apetecer y llenar el corazón humano, pero en grado
infinito. Y cuando nos digan: “¿Ves este espectáculo tan maravilloso y deslumbrador? Pues esto no es únicamente
para que lo veas, esto no es para que lo contemples a distancia, sino para que lo goces, para que lo saborees, para
que te hundas en él”. Y, efectivamente, nos lanzaremos al agua y nos hundiremos en el océano insondable de la
esencia divina, y entonces nuestra alma experimentará unos deleites inefables, de los cuales en este pobre mundo
no podemos formarnos la menor idea. Estará como embriagada de inenarrable felicidad, casi incómoda a fuerza de
ser intensa. Y para colmo de todo nos daremos cuenta que aquella felicidad embriagadora no terminará jamás;
durará para siempre, para siempre, para toda la eternidad, mientras Dios sea Dios.

Cuando el dulce Cazador me tiró y dejó rendida, en los brazos del amor mi alma quedó caída, y cobrando nueva
vida de tal manera he trocado, que es mi Amado para mí, y yo soy para mi Amado.

Hirióme con una flecha enherbolada de amor, y mi alma quedó hecha una con su Criador; ya yo no quiero otro
amor, pues a mi Dios me he entregado, y mi Amado es para mí, y yo soy para mi amado.

Señores: Estamos a tiempo todavía. Esta meditación del cielo que acabo de resumir brevísimamente es de los más
alentadores, de los más estimulantes para decidirse a vivir cristianamente, cueste lo que cueste. ¡Lo que pierden los
pobres pecadores, señores! Si alguno, después de haber meditado esto, resiste a la gracia y se vuelve todavía del lado
de las cosas del mundo y sus placebos de felicidad, del demonio y de la carne, y llega a condenarse para toda la
eternidad, estas palabras resonarán trágicamente en sus oídos en el infierno, y se dirá a sí mismo, en medio de una
espantosa desesperación: “¡Imbécil de mí, que me lo dijeron a tiempo! ¡Me lo dijeron a tiempo! Pero pudo más
aquella mala mujer, pudo más aquel dinero mal adquirido, pudo más aquel odio y aquel rencor, aquella afición,
aquellos numerosos falsos dioses. ¡No quise confesarme! Morí impenitente. ¡Imbécil de mí, que me lo dijeron a
tiempo! Podría estar ahora mismo en el cielo, embriagado de una felicidad inenarrable. Y ahora estoy condenado
para toda la eternidad”.

Estamos a tiempo todavía. Os hablo en nombre de Cristo. No soy más que un pobre altavoz, un pobre misionero de
Cristo. Volveos a Él, que os espera con su infinito amor y misericordia. Cristo os espera con los brazos abiertos.
Aunque le hayáis escupido, aunque le hayáis blasfemado, aunque hayáis pisoteado su sangre, auqneu aún no le
hayáis entregado el corazón. Hoy, como en la cima del Calvario, nos mira a todos con infinita compasión y dice:
“Padre, perdónalos, porque no saben lo que hacen”. “Hoy mismo –si quieres– estarás conmigo en el Paraíso”. Invocad
a María, vuestra dulce Madre: “Hijo, ahí tienes a tu Madre”. Evitad la espantosa desesperación eterna, que os haría
clamar inútilmente: “Dios mío, Dios mío, ¿por qué me has desamparado?” “¡Tengo sed!” Tengo sed de salvar vuestras
almas. ¡Venid todos a mi Corazón para que pueda lanzar otra vez mi grito de triunfo: “Todo está cumplido”! Os
prometo mi ayuda durante la vida y la gracia soberana de la perseverancia final para que podáis exclamar en vuestros
últimos momentos: “Padre, en tus manos encomiendo mi espíritu”. Con lo cual, vuestra muerte cristiana será para
vosotros el término de esta vida de lágrimas y de miseria y la entrada triunfadora en la ciudad de los
bienaventurados, donde seréis felices para siempre, para toda la eternidad. Así sea.

Un alma en Dios escondida ¿qué tiene que desear, sino amar y más amar, y en amor toda escondida tornarte de
nuevo a amar? Un amor que ocupe os pido, Dios mío, mi alma os tenga, para hacer un dulce nido adonde más la
convenga.

http://sededelasabiduria.es/2017/12/29/meditacion-sobre-el-cielo/

LA PASIÓN DEL SEÑOR. SERMÓN DE LAS VII PALABRAS


Fr. Antonio Royo Martín O. P.

LA PASIÓN DEL SEÑOR

O Las Siete Palabras de Nuestro Señor Jesucristo en la Cruz


ÍNDICE

 Al lector …Página 3

 Introducción…Página 4

 Primera palabra: «Padre, perdónalos porque no saben lo que hacen»…Página 9

 Segunda palabra: «Hoy estarás conmigo en el Paraíso»… Página 16

 Tercera palabra: «Mujer, ahí tienes a tu hijo… ahí tienes a tu Madre»… Página 26

 Cuarta palabra: «Dios mío, Dios mío, ¿por qué me has

abandonado?… Página 34

 Quinta palabra: «Tengo sed»… Página 41

 Sexta palabra: «Todo se ha consumado; todo está cumplido»…Página 47

 Séptima palabra: «Señor, en tus manos en comiendo mi espíritu»… Página 52

AL LECTOR

Las páginas siguientes contienen el texto íntegro del sermón de las Siete Palabras -recogido en cinta magnetofónica-
que pronunció el autor en la Iglesia Parroquial de San José, de Madrid, en la noche del Viernes Santo. 30 de marzo de
1956, y que fue retransmitido por Radio Nacional de España en conexión con otras emisoras españolas.

Solamente se han introducido ligeros retoques de forma, para adaptarlo a una publicación escrita; pero conservando
íntegramente el contenido doctrinal y hasta el estilo intuitivo y directo del género oratorio moderno. Se ha respetado
incluso alguna alusión circunstancial, que era de palpitante actualidad en el momento de pronunciar el sermón.

LAS SIETE PALABRAS INTRODUCCIÓN

¡Viernes Santo!..,¡Sermón de las Siete Palabras.,.!

En tal día como hoy, el más grande de los oradores sagrados que ha conocido España, fray Luis de Granada, subió al
pulpito para explicar al pueblo cristiano los dolores inefables del Redentor del mundo clavado en la cruz. Comenzó su
discurso con estas palabras:

«Pasión de Nuestro Señor Jesucristo según San Juan». Y no dijo más. Una emoción indescriptible se apoderó de
todo su ser; sintió que la voz se le anudaba en la garganta, estalló en un sollozo inmenso… y con el rostro bañado en
lágrimas hubo de bajarse del pulpito sin acertar a decir una sola palabra más.

Ningún otro sermón de cuantos pronunció en su vida causó, sin embargo, una impresión tan profunda en su
auditorio. Todos rompieron a llorar, y, golpeando sus pechos, pidieron a Dios, a gritos, el perdón de sus pecados.

No exageraron. ¡No exageraron! porque es preciso tener el corazón muy duro o muy amortiguada la fe para no
conmoverse profundamente ante el solo anuncio del sermón de los dolores que Nuestro Señor Jesucristo padeció
por nosotros en la cruz.

¡Viernes Santo! ¡Sermón de las Siete Palabras!…

Contemplemos rápidamente, en sintética mirada retrospectiva, los acontecimientos que precedieron a la


crucifixión.

Jerusalén. Jueves Santo de la primera Pascua cristiana. Alrededor de las siete de la tarde, Jesucristo, que había
amado apasionadamente a los suyos, en la víspera de su muerte los amó hasta el fin, hasta no poder más: «Hijitos
míos: un nuevo mandamiento os doy. Que os améis los unos a los otros como yo os he amado»* Y volviéndose loco
de amor cogió un trozo de pan, lo bendijo, lo partió y se lo dio a sus discípulos diciendo: «Tomad y comed, porque
esto es mi Cuerpo». Y en seguida: «Bebed todos de este cáliz: porque esta es mi Sangre que será derramada por la
salvación del mundo». Y cuando San Juan, aquel jovencito que se sentía amado por su Maestro con particular
predilección, hubo tomado aquel bocado divino y aplicado sus labios sedientos al cáliz de vida eterna, sintió que sus
fuerzas desfallecían por momentos y reclinó suavemente su cabeza sobre el pecho de su divino Maestro para
descansar en Él su éxtasis de amor…

Ha terminado la Cena. Salen a la calle. La luz plateada de la luna el Jueves Santo coincide siempre con el
plenilunio del mes de Nisán— ilumina suavemente las callejuelas de Jerusalén, Pasan junto al templo. Descienden
por el camino escalonado hasta el torrente Cedrón, cruzan el puentecito y llegan a la entrada del huerto de
Getsemaní, Jesucristo recomienda a sus apóstoles que permanezcan en oración a la entrada del huerto.

Y tomando aparte a Pedro, Santiago y Juan se interna entre los olivos al mismo tiempo que exclama: «¡Me
muero de tristeza, siento una tristeza mortal!».

Y arrancándose todavía de los tres como a la distancia de un tiro de piedra, cae de rodillas.

Y primera, segunda y tercera oración: «Padre mío, si no puede pasar este cáliz sin que Yo lo beba, hágase tu
voluntad». Y cuando primera, segunda y tercera vez escucha en el fondo de su alma la orden terminante de su Padre
que le manda subir a la cruz, Jesucristo se desploma ensangrentado: «Vínole un sudor como de gotas de sangre que
corrían hasta el suelo…».

Instantes después se presenta Judas acompañado de una turba de soldados: «Amigo, ¿a qué has venido? ¿Con
un beso entregas al Hijo del hombre?».

Y Pedro desenvaina su espada y Cristo le impide defenderle…

Y atadas las manos, como a un vulgar malhechor, es conducido a empujones hasta el palacio del Sumo Pontífice
Caifás, no sin antes comparecer un momento ante su suegro Anas, que le había precedido en la suprema
magistratura de la Sinagoga.

Y comienza la burda parodia del proceso religioso: «Este ha dicho que puede destruir el templo y reconstruirlo
en tres días». No concuerdan los testimonios. La situación se hace embarazosa…

De pronto el Sumo Pontífice toma una resolución definitiva. Poniéndose majestuosamente de pie, con toda la
pompa y solemnidad que correspondía al Jefe supremo del Sanedrín, interroga autoritativamente al detenido: «Por el
Dios vivo te conjuro que nos digas de una vez claramente si tú eres el Cristo, el Hijo de Dios». Y Jesucristo le responde
sin vacilar: «Tú lo has dicho: Yo soy. Y os digo, además, que un día veréis al Hijo del hombre venir sobre las nubes del
cielo con gran poder y majestad».

«¡Ha blasfemado! ¿Qué necesidad tenemos de nuevos testimonios?

¿Qué os parece?». «¡Reo es de muerte!». Y a empujones y bofetadas le encierran en un calabozo hasta la


mañana siguiente en que le presentarán al Procurador romano para exigirle la sentencia capital que merece como
blasfemo.

Mientras tanto, Pedro niega tres veces a su Maestro, acobardado ante una mujerzuela y un grupo de soldados
que se calienta junto al fuego…

¿Dónde pasó la noche del Jueves Santo Judas el traidor? No lo dice el Evangelio. Pero sin duda que no pudo
conciliar el sueño un solo instante. Corroída su conciencia por los remordimientos, al apuntar el día se presentó en el
templo ante los príncipes de los sacerdotes. Le quemaban el alma aquellas treinta monedas que eran el precio de su
vil traición. «¡Devolvedme al Justo! He entregado sangre inocente». Y al instante, la carcajada sarcástica de los
sanedritas; «¿Y a nosotros qué? ¡Allá te las hayas! ¡Vete de aquí, miserable! No queremos nada contigo».

Y fue y se ahorcó.

¡Cuántos Judas hoy como ayer! Después de la traición, el desprecio, la desesperación y el suicidio: «que el
traidor no es menester — siendo la traición pasada».

Ha ido amaneciendo lentamente. A primera hora de la mañana Jesucristo es conducido, maniatado, ante el
Procurador romano, Y lanzan ante él la primera calumnia:
«Aquí tienes a un agitador que perturba a la nación y prohíbe pagar los tributos al César, constituyéndose en
Mesías y rey de los judíos». Le interroga Pilatos. Nada malo descubre en ÉL Los sanedritas insisten enfurecidos:
«¡Desde Galilea hasta Judea tiene revolucionado a todo el pueblo!».

Ha sonado una palabra nueva: Galilea, Pilatos pregunta si aquel hombre es galileo. Y al conocer que pertenecía a
la jurisdicción de Herodes, se lo envía al instante, gozoso de encontrar un medio de desembarazarse de aquel asunto
tan desagradable.

Pero Jesucristo, que ha respondido lleno de serena dignidad a las

preguntas del Procurador romano, no se digna abrir los labios divinos ante el infame Herodes, que, entre otros
crímenes repugnantes que pesaban sobre su conciencia, había mandado degollar a Juan el Bautista en una noche de
crápula, de orgía y de pecado. Y cubierto de una vestidura blanca, en calidad de loco, Herodes devuelve el preso a
Pilatos, reconciliándose con él, pues estaban disgustados entre sí.

El Procurador romano le interroga de nuevo. Recibe un mensaje de su mujer recomendándole que no se meta
con aquel justo, pues ha padecido mucho en sueños por causa de él. Pero la chusma sigue gritando, azuzada por los
jefes de la Sinagoga.

Ya no sabe qué hacer. De pronto se le ocurre una idea luminosa: «¿A quién queréis que os suelte, a Barrabás o
Jesús llamado Cristo?». Y el representante de Roma escucha estupefacto el griterío del pueblo:

«¡Suelta a Barrabás!». «¿Pues qué he de hacer con Jesús, el titulado rey de los judíos?». «¡¡Crucifícale,
crucifícale!!…».

Pilatos hace todavía un esfuerzo supremo para salvarle, a costa de una medida injusta y brutal: «Le castigaré y le
pondré después en libertad». ¡Le declara inocente y ordena castigarle!…

Y viene el tormento espantoso de la flagelación. No emplearon con Él la verga —que era el azote más suave
reservado a los ciudadanos romanos—, sino el horrible flagelo formado con largas tiras de cuero, llenas de bolitas de
plomo y huesos de animales. Y Cristo, desnudo, atadas sus manos a una columna muy baja para que presentara
cómodamente a los verdugos su espalda encorvada, recibe aquella tremenda tempestad de azotes… Carne
amoratada, que se vuelve muy pronto rojiza; la piel que salta hecha pedazos y la divina víctima que queda cubierta
de sangre… ¡Tenía que expiar en su carne purísima la lujuria desenfrenada de toda la humanidad pecadora!…

Pero era preciso llevar hasta el colmo la burla y el escarnio, ¡Van a coronarle Rey de los judíos! Y las espinas
rasgan su cabeza, no en forma circular o de guirnalda, sino a modo de casco, capacete o celada que la cubría y
atormentaba por entero. Y la vestidura regia, y el cetro de caña en las manos, y las burlas y blasfemias del populacho.
..

Jesucristo quedó hecho una lástima. Inspiraba compasión. Al contemplarle Pilatos en aquella forma lo presenta
al pueblo para ver si le queda todavía un poco de corazón: «¡Ecce homo!».

Y la chusma asalvajada, como una fiera instigada por la fusta del domador, lanza de nuevo, más estentóreo que
nunca, el grito de su reprobación definitiva: ¡ ¡ Crucifícale, crucifícale!!…

¡Pobre pueblo judío! Cinco días antes, el domingo de Ramos, había aclamado frenéticamente a Cristo en su
entrada triunfal en Jerusalén:

«¡Bendito el que viene en el nombre del Señor! ¡Hosanna en las alturas!». Y ahora reclama a gritos su muerte. La
historia se repite todavía. El populacho grita siempre ¡viva! o ¡muera! al dictado caprichoso de los jefes que le
manejan y engañan.

Y Pilatos, el político cobarde, símbolo de la debilidad en el ejercicio de un poder que no era digno de administrar,
se lavó las manos en vez de lavarse la conciencia y entregó a la ferocidad de los judíos al divino preso para ser
crucificado.

«Y llevando sobre sus hombros su propia cruz, salió hacia la colina del Calvario».
Mientras tanto, en un rincón de Jerusalén ocurría una escena impresionante. San Juan, el discípulo amado, lo
había presenciado todo. Y cuando oyó la sentencia final y vio a su divino Maestro cargado con la cruz, se creyó en el
deber de comunicárselo a la Madre de Jesús. Y corrió hacia Ella. No se daba cuenta de que estaba siendo en aquellos
momentos instrumento de la voluntad del Padre.

María tenía que presenciar la crucifixión de su divino Hijo en calidad de Corredentora de la humanidad. Y San
Juan, en medio de un sollozo inmenso, le da la terrible noticia: «¡Señora!… ¡condenado a muerte!». Debió lanzar
María un grito desgarrador y acompañada del discípulo virgen se echó a la calle en busca de su divino Hijo. Y, de
pronto, al doblar de una esquina.,. ¡Oh Virgen de los Dolores, qué caro te costamos!… Renuncio» señores, a describir
la escena.

Y Jesucristo se cae con la cruz a cuestas. Se ve claramente que no podrá llegar al Calvario. Un hombre que
regresa del campo es requerido para que le ayude. «¿Yo?, ¿por qué?, ¿qué tengo yo que ver con éste?». Y como se
resiste a cumplir la orden, le agarran por el cuello y…: «¡Coge la cruz, si no quieres que te clavemos en ella a ti
también!». Y a pesar de cogerla a regañadientes, Jesucristo le mira agradecido. Y se lo pagará espléndidamente.
Aquel hombre —dice San Marcos— era Simón de Cirene, padre de Alejandro y de Rufo, dos excelentes cristianos de
la Iglesia primitiva que aparecen en las epístolas de San Pablo, Un momento de vergüenza y de dolor llevando la cruz
del Maestro… ¡y la fe cristiana y la felicidad eterna de toda su familia! Espléndida recompensa la de Jesucristo, a los
que le ayudan a llevar su cruz.

Han llegado a la cumbre del Calvario. Jesucristo tiene que pasar por la inmensa vergüenza de la desnudez total.
¡Tenía que reparar la inmensa desvergüenza de los que, llamándose cristianos, se desnudan sin rubor en las playas y
en las calles de nuestras ciudades! Le ofrecen un calmante para atontarle: vino mirrado con hiel.

Jesucristo, fino y agradecido, lo prueba un poquito, pero no quiere beberlo. Lo dice expresamente el Evangelio.
Quiere apurar hasta las heces el cáliz del dolor.

«¡Échate sobre el madero!», le dicen brutalmente los soldados. Y, obediente hasta la muerte, Jesucristo se tiende
con los brazos extendidos sobre la cruz, Y al instante el primer clavo, de un golpe seco, cose su mano derecha al
madero de nuestra redención.

Señores: en la Iglesia de Santa Cruz de Jerusalén, en Roma, se conserva uno de los clavos auténticos de la cruz de
Nuestro Señor. Es imposible contemplarlo sin un estremecimiento de horror. No es un clavo liso, pulimentado; es un
clavo de forja, cuadrilátero, desigual, con aristas y rugosidades. Estremece pensar el desgarro que aquel clavo debió
causar en la carne divina de Jesús.

Debió retorcerse de dolor la divina Víctima (¿Te dolió mucho, Señor? ¡Yo te clavé ese clavo con mis pecados!).
Pero los soldados continuaron su tarea impertérritos. Unos cuantos golpes más… y las manos y los pies quedan
fuertemente sujetas al madero.

¡Arriba la cruz, para que todo el mundo la contemple! Y al dejarla caer de golpe sobre el agujero preparado de
antemano para recibirla, debió lanzar un gemido de dolor, que sólo María recogió en su corazón y que se perdió en
un clamoreo de blasfemias y de burlas.

¡Ya está levantado sobre el mundo el primer Crucifijo! ¡Ya está la augusta Víctima en lo alto de la cruz!

¡Cristianos! Caigamos de rodillas ante Él, golpeemos nuestro pecho y dispongámonos a oír su sublime, su divino,
su maravilloso sermón de las Siete Palabras.

PRIMERA PALABRA

«PADRE, PERDÓNALOS PORQUE NO SABEN LO QUE HACEN» (LC. 23, 34)

cababan de levantar en alto a Jesucristo clavado en la cruz. Y precisamente entonces: cuando se levantó aquel
clamoreo de blasfemias y de insultos; cuando los silbidos del pueblo se mezclaron con las risotadas de los escribas y
fariseos; cuando saboreando su triunfo lanzaron sus enemigos su reto definitivo:
«¿Pues no eres tú el Hijo de Dios? Ahora tienes la ocasión de demostrárnoslo. ¡Baja de la cruz y entonces
creeremos en ti y caeremos de rodillas a tus pies!» Y dirigiéndose a la chusma añadirían sin duda: «¿Veis cómo
teníamos razón? ¡Veis cómo no era más que un hechicero y embaucador?»

Y precisamente entonces: cuando Jesucristo hubiera podido ordenar a la tierra que se abriera y hundir para siempre
en el infierno a aquellos energúmenos, precisamente entonces, «Jesús decía:

« Padre, perdónalos que no saben lo que hacen».

Decía. Así leemos en el Evangelio de San Lucas, único que recoge esta primera palabra de Cristo en la cruz.
«Iesus autem dicebat…». No lo dijo una sola vez. Lo repitió varias veces: decía.

«¡Padre»!

¡Qué palabra en boca de un hijo moribundo! ¿Os acordáis? Cuando vuestro hijo se moría en la flor de su
juventud; cuando mirándoos con ternura con aquellos ojos lánguidos y casi inexpresivos os dijo por última vez;
«¡Padre, madre!…» ¡Cómo se os clavó en el alma esta palabra!

Al reo condenado a muerte no se le niega nada en la última hora. A un hijo que va a morir… ¿qué se le podrá
negar?

Jesucristo quiere conmover a su Eterno Padre. Y dirigiéndose a Él le dice con inefable ternura:

«Padre, perdónalos».

Jesucristo les reconoce culpables. Si no lo fueron no pediría perdón por ellos.

El mundo no conocía el perdón. «Sé implacable con tus enemigos», decían los romanos. El perdón era una
cobardía: «Ojo por ojo y diente por diente». Era la ley del talión que todo el mundo practicaba.

Y sin embargo el perdón es el amor en su máxima tensión. Es fácil amar; es heroico perdonar.

Pero hay un heroísmo superior todavía al mismo perdón. Escuchad.

«Que no saben lo que hacen».

Jesucristo: eres la verdad eterna. Se lo dijiste anoche a tus discípulos: «Yo soy el camino, la verdad y la vida».
Eres la verdad infinita y eterna. Tenemos que creer lo que nos dices. Pero ¡qué difícil de entender nos resulta. Señor,
lo que acabas de decir!

¿Que no saben lo que hacen? ¡Pero si en aquella mañana de primavera, cuando te presentaste delante de Juan
el Bautista y te bautizó en el río Jordán se abrieron los cielos sobre ti y apareció el Espíritu Santo en forma de paloma
y el pueblo entero oyó la voz augusta de tu Eterno Padre, que decía: «Este es mi Hijo muy amado en el que tengo
puestas todas mis complacencias. Escuchadle». ¿Que no saben lo que hacen? ¡Pero si te han visto caminar sobre el
mar como sobre una alfombra azul festoneada de espumas!

¿Que no saben lo que hacen? ¡Pero si fueron cinco mil hombres, sin contar las mujeres ni los niños, los que
alimentaste en el desierto con unos pocos panes y peces que se multiplicaban milagrosamente entre tus manos! ?
¿Que no saben lo que hacen? ¡Pero si hasta tus discípulos se estremecieron de espanto cuando te pusiste de pie en
la barca, azotada por furiosa tempestad e increpando al viento y a las olas pronunciaste una sola palabra: ¡Calla!,., y
al instante el mar alborotado se transformó en un lago tranquilo, suavemente acariciado por la brisa! ¿Que no saben
lo que hacen? ¡Pero si en todas las aldeas y ciudades de Galilea, de Samaria y de Judea has devuelto la vista a los
ciegos y el oído a los sordos y el movimiento a los paralíticos, delante de todo el pueblo que te aclamaba y quería
proclamarte rey! ¿Que no saben ]o que hacen?

¡Pero si en medio de ellos están aquellos diez leprosos —carne cancerosa, bacilo de Hansen…— y una sola
palabra tuya: «¡Quiero, sed limpios!» bastó para transformar su carne podrida en la fresca y sonrosada de un niño
que acaba de nacer!

¿Que no saben lo que hacen? ¡Pero si la muerte te devolvía sin resistencia sus presas! ¡Si te han visto resucitar a
la hija de Jairo, todavía en su lecho de muerte, y al hijo de la viuda de Naím cuando le llevaban al cementerio! Y hace
unos pocos días, a cinco kilómetros de Jerusalén, te acercaste al sepulcro de tu amigo Lázaro, que llevaba cuatro días
enterrado y putrefacto. Y no invocando a Dios, sino con tu propia y exclusiva autoridad, le diste la orden soberana:
«Lázaro, yo te lo mando, ¡sal fuera!», y como un muchacho obediente cuando se le da una orden, inmediatamente el
cadáver corrompido se presenta delante de todos lleno de salud y de vida. ¡Y lo vieron los judíos, y lo vieron
igualmente los príncipes de los sacerdotes, de tal manera que pensaron quitar también la vida a Lázaro, porque
muchos creían en Ti por haberle resucitado de entre los muertos! ¿Cómo dices ahora que no saben lo que hacen?
¡Señor! Eres la suprema Verdad, tenemos que creer lo que nos dices, pero esto nos resulta muy difícil de entender.
¡Vaya si sabían lo que hacían! ¡Vaya si sabían lo que hacían!…

Anoche tuviste la osadía y el atrevimiento inaudito de decirle al príncipe de los sacerdotes que eras el Hijo de
Dios; pero mucho antes habías tenido la osadía y el atrevimiento infinitamente mayor de demostrarlo plenamente.
Eres el Hijo de Dios: lo habías demostrado hasta la evidencia. ¿Cómo dices, Señor, que no saben lo que hacen?

Y sin embargo, tienes razón. Señor. En realidad, en el fondo, no sabían lo que hacían aquellos desgraciados. No
sabían lo que hacían, como no lo sabemos tampoco nosotros.

Porque tened en cuenta que Nuestro Señor Jesucristo, con su ciencia infinita, ciencia de Dios para la cual no hay
futuros, ni pretéritos, sino un presente siempre actual, delante de la cruz nos tuvo presente a cada uno de nosotros.
Con tanto lujo de detalles, con tanta precisión en los matices como si no tuviese delante más que a uno solo de
nosotros.

Y el Señor levantó su mirada al cielo y pidió perdón no sólo por aquellos escribas y fariseos, sino por cada uno
de nosotros en particular: uno por uno, en particular. Teología, no afirmaciones gratuitas, señores, teología; con su
ciencia infinita Jesucristo, en lo alto de la era, nos tuvo presentes a cada uno de nosotros en particular.

Pensó sin duda alguna en mí y pensó concretamente en ti cuando repetía muchas veces, según el Evangelio:
«Padre, perdónalos que no saben lo que hacen».

No sabemos lo que hacemos, efectivamente.

¡Muchacho que me escuchas! Cuando te decides a pecar a costa del tesoro infinito de la gracia santificante; de
esa gracia de Dios que es el precio de tu entrada en el cielo, el billete indispensable para entrar en la gloria; de esa
gracia santificante que según el príncipe de la teología católica, Santo Tomás de Aquino, en su más ínfima
participación vale más y es infinitamente superior a toda la creación entera, incluyendo a los mismos ángeles; cuando
haces entrega de ese tesoro divino, infinito, por un momento de sucio y bestial placer: ¡no sabes lo que haces!

Y tú, muchacha: la que te presentas elegantísimamente desnuda en aquella fiesta de noche. La que eres
saludada y aclamada como reina de la fiesta en aquel ambiente de pecado,., y ríes y gozas y te sientes feliz…
¡pobrecita!; ¡no sabes lo que haces!

Y aquel padre de familia que pisotea las leyes del matrimonio y tasa a su capricho la natalidad, que no se
preocupa de la educación de sus hijos, que se dedica solamente a sus negocios lícitos o ilícitos: ¡no sabe lo que hace!

Y tantos y tantos otros como pudiéramos recordar recorriendo cada uno de los pecados en particular; cuando
pecando nos apartamos de la ley de Dios, en realidad tenía razón Nuestro Señor Jesucristo: no sabemos lo que
hacemos:

¿Padre, perdónalos porque no saben lo que hacen!

Jesucristo no solamente perdona, no solamente olvida, lo que ya sería heroico; Jesucristo excusa y esto ya es el
colmo del amor y del perdón. Busca una circunstancia atenuante, como hubiera buscado hasta una eximente total si
pudiera encontrarla entre sus verdugos.

No pudo encontrarla puesto que pide perdón, y para el que es del todo inocente no se pide perdón. Les
reconoció culpables, Pero ya que no podía encontrar la eximente total, al menos ofrece a su Eterno Padre una
circunstancia atenuante: porque no saben lo que hacen.
Lección soberana dada por Nuestro Señor Jesucristo en lo alto de la cruz. Lección del perdón. Lección dura. A
muchísima gente le resulta duro el sexto mandamiento, el séptimo, la honradez, la justicia social, etc., etc. ¡Ah!, pero
sobre todo, ¡qué duro resulta perdonar!

Cuando se ha metido en lo hondo del corazón el odio y el espíritu de venganza; cuando en virtud de aquel pleito,
de aquella herencia, de aquella discusión acalorada… la familia queda destrozada y el padre ya no se habla con el
hijo, y los hermanos no se hablan entre sí… ¡por unas miserables pesetas que se estrellarán un poco más tarde sobre
la losa del sepulcro!… Cuando se les ha metido el odio y el rencor en el alma, ¡qué difícil perdonar!… Por eso Nuestro
Señor Jesucristo nos lo recordó en la cruz.

La doctrina del Evangelio, señores. Cristianismo íntegro. La doctrina del Evangelio.

¡Cuántas veces lo repitió Jesucristo a lo largo de su predicación! Enseñó la necesidad imprescindible de perdonar
si queremos obtener para nosotros el perdón de Dios:

«Amad a vuestros enemigos, orad por los que os persiguen y calumnian, devolved a todos, bien por mal. Porque si
sólo amáis a vuestros amigos, ¿qué recompensa merecéis? ¿No hacen eso también los publícanos? Y si solamente
saludáis a vuestros hermanos y amigos, ¿qué tiene eso de particular? Los mismos paganos lo hacen. Sed perfectos
como vuestro Padre celestial es perfecto».

«Bienaventurados los misericordiosos porque ellos alcanzarán misericordia».

«Con la misma medida que midiereis a los demás seréis vosotros medidos». «Perdónanos nuestras deudas así
como nosotros perdonamos a nuestros deudores» (Así como nosotros perdonamos… de la misma manera, ¡estás
leyendo tu sentencia de condenación, tú que rezas el Padrenuestro sin querer perdonar!)»

«Señor, ¿hasta cuántas veces tengo que perdonar?, ¿hasta siete veces. No. Sino hasta setenta veces siete», o
sea, siempre que tu hermano te ofendiere, sin tope ni límite alguno.

«Padre, perdónalos porque no saben lo que hacen».

Esta es la doctrina de Jesucristo: clara, terminante, ineludible ¡Maravillosa doctrina que el mundo no estaba
acostumbrado a oír!

¡Qué bien la entendieron, qué bien la llevaron a la práctica los grandes discípulos del Crucificado! Un San
Esteban, el protomártir, que cuando le estaban apedreando ve que se le abren los cielos y lanza aquella sublime
exclamación imitando al divino Maestro:

«Señor, no les tengas en cuenta este pecado».

Y después de San Esteban, tantos y tantos millones de mártires como han dado testimonio de Cristo perdonando
de todo corazón a sus verdugos.

Como aquel sacerdote de la gloriosa Cruzada Nacional, que cuando estaban a punto dé fusilarle,, dijo; «Esperad
un momento, esperad un momento nada más. Concededme esta dicha suprema de poderos bendecir. Os bendigo
con toda mi alma. En el nombre del Padre, del Hijo y del Espíritu Santo»,

Como una Santa Juana de Chantal, que perdonó de tal manera al que mató a su marido, que llegó a ser madrina
de bautismo de uno de sus hijos; acción heroica que estremeció al mismo San Francisco de Sales.

Como el hijo de Luis XVI, el rey católico de Francia, cuando cayó en manos de sus verdugos. Cuando el carnicero
Simón le estaba atormentando y le decía con sádico sarcasmo: «Dime, muchacho, dime: si llegases algún día a ocupar
el trono de Francia, tú que eres el príncipe heredero, y me tuvieses en tus manos, ¿qué me harías, qué me harías si
me tuvieses en tus manos?». Y aquel muchacho, educado cristianamente por sus padres, le contestó sin vacilar: «Te
perdonaría de todo corazón».

¡Ese es el perdón cristiano! ¡Esa es la palabra y el ejemplo de Cristo!

¡Qué bien lo saben imitar los verdaderos discípulos de un Dios que en la cruz clavados tiene ya por los pecados
de todos los pecadores ¡de tanto abrirlos de amores los brazos descoyuntados!,..
Hay que perdonar. Es muy duro, pero fíjate bien, tú que odias, tú que te niegas a perdonar. Viernes Santo.
Escuchando las Siete Palabras de Nuestro Señor Jesucristo clavado en la cruz, la ley soberana del perdón. Tú que
tienes un odio en el corazón. Tú que no quieres perdonar, fíjate bien. Mira, si esa persona que te ha ofendido a ti
injustamente (voy a suponer que tienes tú toda la razón del mundo), si esa persona que te ha ofendido se arrepiente
de su pecado y le pide perdón a Dios, se salvará aunque tú no le quieras perdonar. Le puede importar muy poco que
tú le perdones o le dejes de perdonar. En cambio tú, que no le quieres perdonar (fíjate bien, no te eches tierra en los
ojos para no ver estas cosas tan claras, fíjate bien), ¡te vas a condenar para toda la eternidad!

De manera que tratando de vengarte de tu enemigo, no te das cuenta de que en realidad te estás clavando una
puñalada en tu propio corazón. ¡Quieres vengarte de tu enemigo y en realidad te estás vengando de ti! El sé puede
reír de tu ira e indignación. Si le pide perdón a Dios, va al cielo. En cambio si tú no le perdonas vas al infierno para
toda la eternidad. ¿Cómo no ves que estás haciendo un mal negocio, que eres verdugo de ti mismo? Si no quieres
perdonar, fíjate bien, no soy yo, es Cristo quien lo dice: «Con la misma medida con que midiereis a los demás, seréis
medidos vosotros».

Si la muerte te sorprende con ese rencor en el alma, no te quepa la menor duda, ni te hagas ilusiones:
descenderás al infierno para toda la eternidad. ¡Pobrecito que me escuchas!, en la tarde del Viernes Santo ¿no te
decidirás a salvar tu alma perdonando de corazón a tu enemigo… volviendo a hacer las paces con tu familia
destrozada?

«Es que no lo merecen por la villanía de su ofensa».

¡Y qué más da que no lo merezcan! Lo merece Cristo y lo merece también la salvación de tu propia alma, que se
pierde sin remedio si te obstinas en tu negativa de perdón.

Parábola maravillosa de Nuestro Señor Jesucristo, señores.

El reino de los cielos es semejante a un rey que quiso tomar cuentas a sus siervos. Al comenzar a tomarlas se le
presentó uno que le debía diez mil talentos (una fortuna colosal: más de sesenta millones de pesetas), pero como no
tenía con qué pagar, mandó el señor que fuese vendido él, su mujer y sus hijos y todo cuanto tenía, y saldar la deuda.
Entonces el siervo, cayendo de hinojos, dijo: Señor, dame espera y te lo pagaré todo. Compadecido el señor del
siervo aquel le despidió, condonándole la deuda. En saliendo de allí, aquel siervo se encontró con uno de sus
compañeros que le debía cien denarios (cien miserables pesetillas), y agarrándole le sofocaba diciéndole: Paga lo que
debes. De hinojos le suplicaba su compañero, diciendo: Dame espera y te pagaré. Pero él se negó, y le hizo encerrar
en la prisión hasta que pagara la deuda. Viendo esto sus compañeros, les desagradó mucho, y fueron a contar a su
señor todo lo que pasaba.

Entonces hízole llamar el señor, y le dijo: Mal siervo, te condoné yo toda tu deuda, porque me lo suplicaste. ¿No
era, pues, de ley que tuvieses tú piedad de tu compañero, como la tuve yo de ti? E irritado, le entregó a los
torturadores hasta que pagase toda la deuda. Así hará con vosotros mi Padre celestial si no perdonaré cada uno a su
hermano de todo corazón».

Es Jesucristo, señores, la Verdad Eterna, quien pronunció esta parábola. ¿No quieres perdonar? ¡Pues te
condenas!, no te hagas ilusiones: te vas al infierno para toda la eternidad. Te lo recuerda la primera palabra de
Jesucristo en la cruz.

¿Dices que te han ofendido demasiado? Escúchame: ¿Han llegado a clavarte en una cruz? ¿Están chorreando
sangre tus manos y tus pies? Pues cuando clavado en la cruz, cuando chorreando sangre sus manos y sus pies,
cuando las burlas y las blasfemias „ precisamente entonces es cuando Jesucristo Nuestro Señor decía con inefable
dulzura: «Padre, perdónalos porque no saben lo que hacen».

No tienes excusa. Si después de este sublime ejemplo de Jesucristo compareces delante de Dios con ese odio, te
pierdes para toda la eternidad, ¡Ten valor! No por él, si no quieres; no por ese enemigo tuyo, sino por Cristo, por
amor al divino Crucificado, por compasión hacia tu pobre alma que se va a perder por toda la eternidad. En esta
noche de Viernes Santo, al pie de un crucifijo, ten el valor de decir:

¡Señor, voy a perdonar con toda mi alma! Voy a tomar la iniciativa de ofrecer el perdón aunque yo sea el
ofendido.
Y si tu enemigo no te quiere perdonar, tú ya has cumplido, ya has hecho de tu parte lo que Cristo te exige para
darte su perdón. Pero dile de verdad a Cristo que quieres perdonar de todo corazón a tu enemigo» hoy a los pies de
un crucifijo, en esta noche del Viernes Santo.

Y si no tienes el valor de llegar hasta el supremo heroísmo de Nuestro Señor Jesucristo pronunciando su fórmula,
que no solamente perdona, que no solamente olvida, sino que incluso excusa al culpable, al menos pronuncia esta
otra que es absolutamente indispensable para obtener la salvación eterna de tu alma: «¡Padre, perdónalos
aunque sepan lo que hacen!».

SEGUNDA PALABRA

«HOY ESTARAS CONMIGO EN EL PARAÍSO»

(LUC. 23, 43)

ún resonaba dulcemente en lo alto de la colina del Calvario el eco del perdón de Jesús cuando ocurrió otra escena de
inmensa emoción y llena de fecundas enseñanzas para nuestra vida cristiana. Dice el Evangelio que a la derecha y a la
izquierda de Jesucristo fueron crucificados dos ladrones. Dos facinerosos: el que luego resultó el buen ladrón, que era
precisamente el que estaba a la derecha de Jesucristo, y el que resultó el mal ladrón, que era precisamente el que
estaba a la izquierda del Señor.

Tal vez no les correspondía aquel día ser crucificados. Estaban condenados a muerte, pero seguramente
hubieran sido ajusticiados después de los días solemnes de la Pascua de los judíos. Pero acaso para dar más brillantez
al espectáculo de la crucifixión de Nuestro Señor Jesucristo fueron crucificados juntamente con Él, uno a su derecha y
otro a su izquierda.

Al principio quizá comenzaron a blasfemar los dos ladrones; así lo insinúan San Mateo y San Marcos. San Lucas
parece dar a entender que solamente uno de ellos comenzó a blasfemar del Señor. Sea de ello lo que fuere, al menos
el ladrón que tenía a la izquierda comenzó a increpar a Jesucristo, repitiendo lo que estaba oyendo a los escribas y
fariseos, a los jefes de la Sinagoga: «¡Si eres el Hijo de Dios, baja de la cruz, sálvate a ti mismo y sálvanos a nosotros, y
entonces creeremos en ti».

Jesucristo escuchó en silencio esas blasfemias. Estaba crucificado escasamente a dos metros de distancia. Acaso
dirigió una suave mirada, llena de amor y misericordia hacia aquel desgraciado, volviendo la cabeza hacia la
izquierda, y… calló. Tal vez —es muy probable— repitió, para él solo, la palabra de perdón que acababa de
pronunciar; porque ya os he dicho antes que el Evangelio emplea la expresión decía, lo cual quiere decir que la iba
repitiendo, la dijo muchas veces, Y acaso una de las veces, levantando sus ojos al cielo, dijo; «Padre, perdónale,
porque no sabe lo que hace ni lo que dice».

En realidad, no tenía él toda la culpa. Lo estaba oyendo a sus jefes en aquellos mismos momentos. No tenía él
toda la culpa. Siempre el inductor es más culpable que el ejecutor material de un crimen.

El otro ladrón, el colocado a la derecha, tal vez al principio comenzó a blasfemar también, como insinúan San
Mateo y San Marcos; aunque San Lucas afirma que fue solamente el de la izquierda. Lo cierto es que al contemplar el
heroísmo sublime de Nuestro Señor Jesucristo, al escuchar el eco dulcísimo de su palabra de amor y de perdón, al ver
de qué manera recibía aquella tempestad de insultos y de risotadas y blasfemias… con aquella paz y aquella
mansedumbre, y aquella humildad tan profunda… y, sobre todo, bajo el influjo de la gracia de Dios, que se iba
insinuando poco a poco en su corazón para irlo reblandeciendo y en su inteligencia para iluminarla, se verificó en el
buen ladrón una profunda transformación psicológica. Y de pronto, en medio de aquella espantosa tortura, devorado
ya por la fiebre —a los ajusticiados les subía en seguida la temperatura a treinta y nueve o cuarenta grados—,
haciendo un esfuerzo para volverse hacia su compañero y encontrándose con la mirada de Jesucristo en el centro,
atravesó la cruz del Señor para poner sus ojos en su compañero, y le dijo: «¿Ni siquiera a la hora de la muerte temes
a Dios?».
Se siente apóstol y quiere conquistar el alma de su compañero. Quiere también que arrodille su alma ante Cristo:
«¿Ni siquiera a la hora de la muerte temes a Dios? Tú y yo estamos muy bien crucificados, porque hemos sido unos
criminales, pero este que está en medio de los dos nada malo ha hecho, éste es inocente».

Confesión humilde de sus culpas. Se reconoce culpable: «Tú y yo somos criminales, estamos muy bien
crucificados, pero éste es inocente».

¡Qué maravillas obra la gracia de Dios cuando cae de lleno sobre un corazón que no le pone obstáculos! ¡Dios
mío! Y esto no es más que el preludio de una obra de arte, el pórtico de una maravillosa catedral.

Vamos a penetrar en el santuario. Sigamos escuchando al buen ladrón.

Acaba de hablar con su compañero. Ha querido enternecerle, ha querido comunicarle sus propios
pensamientos; pero en la mirada llena de odio de aquel malvado, en su gesto torvo, en su manifiesta obstinación,
comprendió que estaba perdiendo el tiempo. Y dirigiéndose a Nuestro Señor Jesucristo le dice sencillamente:

«Señor…».

¡Pobrecito ladrón!, estás delirando, no sabes lo que dices; cuarenta grados de fiebre, estás delirando. ¿Señor un
ajusticiado desnudo, abandonado de todos, colgado de una cruz y escarnecido de la plebe y de los jefes? ¡Pobrecito,
estás delirando, no sabes lo que dices!

Pero el ladrón continúa impertérrito:

«Acuérdate de mí…».

¡Qué soberana invocación! ¡ Qué plegaria!: «Acuérdate de mí». No le pide un lugar en su reino, no le pide un
trono; no cree merecerlo. Él sabe que no lo merece: es un criminal. Simplemente le dice:

«Acuérdate de mí». Un recuerdo nada más. ¡Qué bien había comprendido el Corazón de Cristo!, ¡qué de cosas le
había revelado la gracia de Dios en unos instantes!, ¡qué maravilla de la gracia!

«Señor, acuérdate de mí». Imitando a los grandes santos, las

disposiciones de las almas perfectísimas, que nunca piden a Dios nada concreto, sino que cumpla en ellas su divina
voluntad.

Alargando su mano de mendigo y pordiosero dice sencillamente:

«Señor, acuérdate de mí».

Cuando Lázaro, el amigo íntimo de Jesucristo, estaba gravemente enfermo y sus hermanas envían un recado al
divino Maestro ausente, y le dicen: «Señor, el que amas está enfermo», no le dicen que vaya a curarle, no le dicen
que vaya a hacer el milagro. Simplemente le dan la noticia con una confianza Inmensa: «El que amas está enfermo».
¡Conocían a fondo el Corazón del divino Maestro! Si El se entera que nuestro hermano está enfermo, Él le curará.
¡Con qué sencillez y confianza se lo dicen!

Sin embargo, esto no debe maravillarnos demasiado, porque las hermanas de Lázaro, Marta y María, conocían a
fondo el Corazón del divino Maestro. Pero que un ladrón, cargado de crímenes monstruosos, a la hora de la muerte
se inunde su alma de una claridad tan grande que de un salto se coloque en las disposiciones más perfectas de las
almas santas, de los amigos íntimos de Jesús, y que le diga: «¡Señor, acuérdate de mí!», no te pido nada más que un
recuerdo, todo lo demás corre por tu cuenta… ¡es sencillamente sublime!

Y todavía añade: «Acuérdate de mí cuando llegues a tu reino».

A tu reino, fijaos bien. ¡Pobrecito! No cabe duda, está delirando, no sabe lo que dice: «Acuérdate de mí cuando
llegues a tu reino». Y no lo dice dudando: sí llegas a tu reino; no dice eso, sino: cuando llegues a tu reino. Está seguro
de que llegará; y está seguro de que su reino no es de este mundo, puesto que aquel ajusticiado que tiene a su
izquierda ha de morir dentro de unos instantes. Sabe muy bien que su reino no es de este mundo. ¿Quién se lo ha
dicho? ¿Quién se lo ha revelado? ¡Qué maravilla de la gracia! Una inundación de luz en !a inteligencia, una
inundación de gracia en su corazón. Y en aquel instante —vuelvo a repetir— se planta de un salto en las
disposiciones de las almas más perfectas, de los amigos íntimos de Jesús: «Señor, acuérdate de mí cuando llegues a
tu reino».

Y Jesucristo, que no respondía a las blasfemias y a los insultos más que para perdonarlos; Jesucristo, que calló
cuando el mal ladrón le estaba insultando; Jesucristo, desde lo alto de la cruz, contestó en el acto al buen ladrón y le
contestó divinamente, a lo Dios. Le pedía un recuerdo y le dice: «Hoy estarás conmigo en el paraíso». Hoy mismo,
esta misma tarde, antes de que el sol se ponga.

¡Señores! Estas palabras, según San Agustín, constituían un verdadero juramento. La palabra de Jesús se tenía
que cumplir. El cielo y la tierra pasarán, pero las palabras del Hijo del hombre no pasarán jamás. Aquella misma tarde
se cumplieron en el buen ladrón.

Santo Tomás de Aquino, príncipe de la teología católica, dice que aquella tarde comunicó Cristo al buen ladrón la
visión beatífica. No tuvo que esperar en el limbo o seno de Abraham a que se realizara la redención del mundo, como
los Patriarcas y Profetas del Antiguo Testamento; porque, como explica Santo Tomás, aquella misma tarde comunicó
Cristo la visión beatífica a todos los justos del Antiguo Testamento que estaban esperando la redención.

«Hoy, hoy mismo estarás conmigo en el paraíso». Y una vida de crímenes, una vida de excesos, una vida de
pecados monstruosos, desembocó en el cielo sin purgatorio alguno. Su humildad, su fervor, su arrepentimiento, su fe
en el divino Maestro, los tormentos de la crucifixión, equivalieron a las pruebas purificadoras y aquella misma tarde
¡la visión beatífica!

Señores» ¿quién podrá explicar el amor y la misericordia de Jesucristo, Redentor de la humanidad? Basta decir:
¡perdón! para que en el acto se nos cierren las puertas del infierno y se nos abran de par en par las puertas de la
gloria.

Señores: en la vida del gran apóstol medieval San Vicente Ferrer, se lee una anécdota verdaderamente
conmovedora y emocionante: después de uno de aquellos sermones tan encendidos que brotaban de los labios del
gran apóstol valenciano, se le acercó un pecador que llevaba muchos años sin confesarse. Se confesó con un
arrepentimiento vivísimo. El santo estaba profundamente conmovido. Tan conmovido, que a pesar de que su
penitente había llevado una vida tan desastrada, entregada de lleno a toda clase de crímenes y pecados, le puso una
penitencia muy pequeña; porque gran teólogo como era San Vicente Ferrer, formado en los libros de Santo Tomás de
Aquino, sabía que lo único que interesa en el momento de confesar un pecado es el arrepentimiento vivísimo, la
profunda humildad con que le pedimos perdón a Dios. Y le vio tan arrepentido que le puso una muy ligera
penitencia. Pero entonces aquel gran pecador, que esperaba una penitencia gravísima, porque creía qué la merecía,
al ver que le ponía una tan ligera e insignificante, se echó a llorar a los pies de San Vicente Ferrer y le dijo: «¡No!, esa
penitencia no la puedo aceptar. Tiene que ser mucho mayor, muchísimo mayor, como merecen mis pecados».
Entonces San Vicente Ferrer, dándose cuenta de que el pobre pecador estaba mucho más arrepentido de lo que él
pensaba, lejos de aumentarle la penitencia se la rebajó la mitad. Y fue tal el arrepentimiento, fue tal la emoción que
se apoderó de aquel hombre al ver de qué manera tan benigna le acogía y abrazaba el ministro y representante de
Jesucristo, fue tan profundo su dolor de contrición, que cayó muerto a los pies de San Vicente Ferrer. Y el gran santo,
en visión intelectual, vio el alma de aquel pecador que entraba inmediatamente en el cielo sin pasar por el
purgatorio. Se había cumplido también al pie de la letra la sublime palabra de Jesucristo: «Hoy mismo estarás
conmigo en el paraíso».

Señores, ¡qué maravillosa la segunda palabra de Jesucristo en la cruz! ¡Qué libro de meditación, qué de cosas
nos dice!

Por de pronto, fijémonos en la escena.

Tres cruces en lo alto del Calvario: el inocente en el centro, el penitente a la derecha, el obstinado a la izquierda.

Tres cruces. Reflejo, símbolo de toda la humanidad caída, de todos los hombres sin excepción.

Todos tenemos que sufrir, todos tenemos que llevar una cruz: por las buenas o por las malas. Porque todos
somos pecadores; y el dolor, la cruz, es el castigo del pecado. Os lo explicaré más detenidamente al comentar la
cuarta palabra de Cristo en la cruz.
Todos somos pecadores, todos tenemos que sufrir, por las buenas o por las malas. ¡Qué poquitos pueden sufrir
en plan de inocentes! Con inocencia total y perfecta, solamente Jesucristo Nuestro Señor y la Santísima Virgen
Nuestra Señora, la Corredentora del mundo, la Reina y Soberana de los mártires. Ellos no tenían nada que sufrir por
sus pecados personales, puesto que no tenían absolutamente ninguno; pero habían querido representar,
voluntariamente, a todos los pecadores del mundo y tuvieron que padecer aquel espantoso martirio. Padecieron en
plan de inocentes, para salvar al mundo entero.

Otros tienen que padecer en plan de penitentes. ¡Bendita penitencia! Aquella María Magdalena, mujer tan bella
como depravada, pero que se hace después, por la penitencia, una santa de primera categoría. Aquel Pedro que la
noche del Jueves Santo negó tres veces al divino Maestro, pero que después se le formaron dos surcos en las mejillas
de tanto llorar aquel pecado. Aquel Agustín, este Dimas el buen ladrón, y tantos y tantos pecadores…

San Pedro de Alcántara se apareció después de muerto a Santa Teresa de Jesús, que le había conocido en vida, y le
dijo resplandeciente de luz: «¡Bendita penitencia que me ha granjeado una gloria tan grande!». Se lo dijo a Santa
Teresa resplandeciente de luz.

Pero hay también la cruz de los obstinados. Tienen que sufrir también —es inevitable—> pero sufren en medio
del paroxismo de su rabia y desesperación. Sufrirán, mal que les pese, porque son pecadores y más pecadores que
nadie, ya que pecan con protervia y obstinación. Tendrán que llevar la cruz. Con rabia y desesperación, con
blasfemias e injurias contra el cielo. Lo que quieran, pero tendrán que llevar la cruz en este mundo y tendrán que
descender después por toda la eternidad al infierno. ¡Qué terrible panorama!

Las tres cruces del Calvario: el inocente, el penitente y el obstinado satánico.

Todos tenemos que sufrir, señores, pero estamos a tiempo de escoger nuestra propia cruz.

No podremos escoger la cruz de la inocencia, pero a nuestra disposición está la cruz de la penitencia, que
desemboca en el cielo. Pero quiero detenerme en otro aspecto que desde el punto de vista teológico es más
impresionante todavía que el que acabo de destacar. Porque en esta segunda palabra de Jesucristo en la cruz se nos
aclara el tremendo misterio de nuestra eterna predestinación.

Es dogma de fe católica: Dios quiere que todos los hombres se salven. Y lo quiere con esa seriedad que hay en la
cara de Cristo crucificado. Si alguno dijere que Dios desea positivamente la condenación de un solo hombre
predestinándole al infierno haga lo que haga, tanto si es bueno como si es malo, sepa que está diciendo una
blasfemia, una verdadera herejía condenada por la Iglesia. Dios quiere que todos los hombres se salven. Y lo quiere,
vuelvo a repetir, con esa seriedad que hay en la cara de Cristo crucificado. ¡Ah!, pero ha puesto en nuestras manos
nuestra libertad. A todos los hombres del mundo, incluso al último salvaje que no ha recibido la visita del misionero,
ni ha oído hablar jamás de Jesucristo, le toca Dios el corazón, le ilumina la inteligencia y le da las gracias
suficientes, suficientísimas, para salvarse si él quiere.

¡Pero tiene que querer!

Porque Dios Nuestro Señor ha puesto en nuestras manos nuestra propia libertad, y tiene un respeto terrible,
verdaderamente imponente, a nuestra propia libertad. ¡Respeta nuestra libertad! No quiere nuestra salvación a
empujones, no quiere llevarnos al cielo a la fuerza. Está dispuesto a recibirnos a todos con los brazos abiertos, tan
abiertos que los tiene clavados en la cruz para recibir y acoger a todos los pecadores. Basta una sola palabra:
«¡Perdóname, Señor!», para que nos perdone en el acto. Por Él no quedará. Dios quiere la salvación de todo el
género humano, absolutamente de todos.

Pero quiere que queramos, quiere que cooperemos. Y si no pronunciamos esa palabra de arrepentimiento,
rechazando con verdadero dolor de corazón nuestros propios pecados, estamos perdidos para toda la eternidad.
Cristo lo sentirá mucho, mejor dicho lo sintió mucho cuando estaba clavado en la cruz. Te estuvo viendo, pecador,
cómo te alejabas de Él protervo y obstinado. ¡Cómo lloraba, cómo pedía perdón por ti! Pero tropezaba con el decreto
inexorable del Eterno Padre: el respeto a la libertad humana. Él que quiere salvarse se salva, pero el que se empeñe
en condenarse se condena. Contra la voluntad de Dios, pero precisamente porque Dios ha dejado en nuestras manos
el libre albedrío y tiene un respeto aterrador, terrible, a nuestra propia libertad. El que quiere salvarse se salva, pero
el que se empeña en condenarse se condena.
¡Cuántos Gestas, cuántos Dimas en el mundo de hoy y a todo lo largo de los siglos de la Historia!

Cuántos Gestas que están oyendo, mejor dicho, que no están oyendo este sermón de las Siete Palabras; porque
cuando esta noche han puesto la radio buscando música de baile, al ver que las emisoras españolas, que tienen un
sentido católico tradicional, están trasmitiendo sermones o los Oficios litúrgicos de Semana Santa, han sincronizado
con una radio extranjera y han organizado un baile y ríen a carcajada limpia. No están oyendo el sermón, pero
aunque lo oyeran sería igual, porque tienen el corazón endurecido y sólo les serviría de motivo de burla y escarnio de
los misterios más augustos de nuestra fe. ¡Qué carcajadas lanzarían! «¡Qué cosas dicen los cristianos!… ¡Dios!… Dios,
si existiera, no se preocuparía de nosotros; pero es que además no existe, ni existe tampoco el infierno. Me río de
todo eso!».

¡Desgraciado!, no sabes lo que dices. ¿Acaso porque lances tu carcajada volteriana dejará el infierno de existir?
Si tú dices ¡no!, pero Dios dice ¡sí!, será ¡sí! para toda la eternidad.

«Es que yo no creo».

¡Y eso qué importa! Las cosas de Dios son como Dios ha querido que sean, no como se te antojen a ti. Vuelvo a
repetírtelo, quiero que mis palabras se te claven en el alma: si tú dices ¡no!, pero Dios dice ¡sí!, será ¡sí! para toda la
eternidad.

Un alma grande, señores, un alma muy de Dios, que murió hace unos años en olor de santidad y cuyo proceso
de beatificación ha sido ya incoado, dejó escrito en sus apuntes íntimos que Dios Nuestro Señor le hizo ver en
repetidas ocasiones el infierno y oír el grito de horror que lanza un alma cuando cae para siempre en él. En el
momento en que un alma se precipita en el infierno lanza un grito espantoso: «¡Maldición!… ¡ Horror!… ¡ Era verdad!
… ¡Me equivoqué!.,. ¡ Para siempre!…» Lo oyó muchas veces esa alma santa: está incoado su proceso de
beatificación.

¿No lo crees? ¿Te ríes? ¡Pobre de ti! Esa carcajada sarcástica tendrá una resonancia trágica para toda la eternidad
en el infierno. ¡Sigue ahora gozando, sigue ahora riendo! ¡Pobre de ti!… ¡La que te espera para toda la eternidad!…
Eres Gestas, el protervo, el obstinado. Estás viendo en estos días tantos ejemplos salvadores, respiras el ambiente
cristiano que te rodea por todas partes, oyes las campanas de las Iglesias, ves a la gente que sale de las funciones
litúrgicas, contemplas las procesiones de Semana Santa, acaso lias oído un fragmento del sermón… pero tienes el
alma dura: eres Gestas, y te revuelves en medio de tu rabia y de tu desesperación contra ese Dios que te prohíbe
tantas cosas que tienes metidas en el alma: tantas pasiones, tantas injusticias, tantos atropellos…, ¡eres Gestas! y no
te quieres someter. Has oído el perdón de Cristo, sabes muy bien, como lo supo aquel infeliz, que basta una sola
palabra de arrepentimiento para obtener plenísimamente el perdón de Jesucristo; y sin embargo, te vuelves
enfurecido contra Él y rechazas su perdón y prefieres morir impenitente.

Es, señores, el misterio insondable de la libertad humana. ¡Cuántas cosas vio el mal ladrón desde lo alto de su
cruz! Escuchó aquella palabra sublime de Nuestro Señor Jesucristo: «Perdónalos, porque no saben lo que hacen». Vio
dé qué manera perdonaba a su compañero toda una vida de crímenes ante una sola expresión de dolor. Un poquito
más tarde vio cómo saltaba la roca del Calvario, en medio de aquel espantoso terremoto. Vio las tinieblas, y de qué
manera se golpeaba el corazón el Centurión: «¡Verdaderamente Este era el Hijo de Dios!»; y a pesar de todo ello
permanece obstinado y rebelde. ¡Es el misterio insondable, señores, de la libertad humana, luchando, forcejeando
contra la misericordia de Dios! ¡Cuántos Gestas se agitan todavía sobre el mundo de hoy!

Pero también —y esta es la contrapartida infinitamente

consoladora— ¡cuántos Dimas, cuántos buenos ladrones que han sabido arrepentirse a tiempo! Después de tantas
injusticias, después de haber robado tantas cosas, han sabido robar también a la infinita misericordia de Dios el cielo
para toda la eternidad.

¡Cuántos Dimas a través de la Historia, cuántos pecadores que se han vuelto a Dios y han encontrado a la vez la
alegría en su corazón!

En mi vida de misionero ¡cuántas veces se me han acercado los pecadores después de una misión: «¡Padre,
padre, qué alegría, qué felicidad!», y me han bañado con sus lágrimas mis manos consagradas de sacerdote de Cristo
al encontrar el perdón de Dios. ¡Qué alegría se apodera de ellos! ¡Cuántos Dimas, cuántos buenos ladrones que
volvían a la casa del Padre, cuántos arrepentidos!

Tú, pobre pecador que me escuchas, tú podrías ser también uno de ellos.

«Pero, Padre, yo he pecado demasiado. ¡Tengo la conciencia cargada con tantos crímenes! ¡He pisoteado todos
los mandamientos de la Ley de Dios!».

¡Calla! ¡Cállate, que el pecado más grave que has cometido en toda tu vida es precisamente este que estás
cometiendo en estos momentos al decir: «Soy demasiado pecador; Dios ya no me puede perdonar». ¡Calla!, que ese
es el más grave de todos los pecados que se pueden cometer.

Óyeme bien: tú, el que has sido un criminal, el que has pisoteado todos los mandamientos de la Ley de Dios, sin
dejarte uno solo por activa y por pasiva, y con circunstancias agravantes de verdadero refinamiento; tú que llevas
tantos años de crimen y de pecado, óyeme bien. Si te decides a volver a Dios no tendrás que emprender una larga
caminata: basta un sollozo inmenso que estalle en tu corazón al decir ¡perdóname, Señor, perdóname! Basta eso. Al
instante Cristo Nuestro Señor te perdonará: «Pronto, el vestido de boda como al hijo pródigo, arrancadle esos
harapos, quitadle las alpargatas sucias, ponedle el anillo en el dedo y matad el mejor ternero cebado que tengamos
en nuestro establo; porque es preciso celebrar un gran banquete, ya que este pobre hijo mío estaba muerto y ha
resucitado, le había perdido y le he vuelto a encontrar». ¡Tú puedes ser un santo en la Iglesia de Dios Nuestro Señor!

¡Ah, señores, cuándo comprenderemos el amor y la misericordia infinita de Dios! ¡Cuándo entenderemos el
Corazón de Cristo, su infinita compasión y misericordia para con los pobres pecadores! Señores: si Judas, aquel
infame traidor que cometió el pecado más horrendo que registra la historia de la humanidad entregando con un beso
de traición al Redentor del mundo; el pecador número uno de toda la humanidad, que a pesar de convivir tanto
tiempo con Él no llegó a comprender el Corazón del divino Maestro; si Judas, digo, se hubiera arrepentido de su
pecado y se presenta en la colina del Calvario, y cayendo de rodillas delante de la cruz de Cristo lanza este grito
desgarrador: «¡Perdóname, Señor!», Jesucristo no hubiera pronunciado en la cruz siete palabras, sino ocho. Y la
octava palabra, la que hubiese pronunciado sobre Judas el traidor, hubiera sido ésta:

«Tú serás columna de mi Iglesia, al lado de Pedro y de Juan». Y hoy veneraríamos en nuestros altares al Apóstol
San Judas, el que entregó a Nuestro Señor.

¡Pecador que me escuchas! Estás a tiempo todavía, ¡estás a tiempo todavía! Aunque tengas la conciencia
cargada con todos los crímenes imaginables, si le dices de verdad a Jesucristo: «Señor, perdóname». Cristo te dirá;
«Hoy, hoy mismo, al caer de la tarde, al atardecer de tu vida —porque dice la Sagrada Escritura, señores, que mil
años son ante Dios como el día de ayer que ya pasó, ¡como un solo día mil años!, de manera que los setenta u
ochenta que tenemos que vivir en este mundo son como unos instantes—, hoy, hoy mismo, al atardecer de tu vida,
estarás conmigo en el paraíso».

TERCERA PALABRA

«MUJER, AHÍ TIENES A TU HIJO…,

AHÍ TIENES A TU MADRE» (JN. 19, 26 27)

o es una escena sentimental inventada por algún poeta cristiano para conmover a los hombres. No se trata del guión
cinematográfico de una terrible tragedia. Lo dice expresamente el Evangelio: «Stabat iuxta crucem Iesu Mater eius»:
«Estaba junto a la cruz de Jesús, su Madre». Lo dice expresamente el Evangelio.

¡Pobrecita! Lo ha contemplado todo. Ha visto cómo desnudaban a su divino Hijo. Ha sentido en su carne virginal
el dolor profundo del divino Mártir cuando le taladraban las manos y los pies para coserlos al madero de la cruz- Ha
escuchado su primera y segunda palabras llenas de perdón, de amor y de misericordia. Ve que se está muriendo de
sed en medio de espantosos tormentos.

Cuando matan a un corderuelo, apartan a la pobre ovejita para que no lo contemple, María tiene que estar allí.
¡Tiene que estar allí!
Estaba predestinado por Dios.

¡Qué maravillosa antítesis o paralelismo antitético: Adán-Eva, Cristo-María! Adán nos perdió a todos con la
complicidad de Eva, Cristo nos salvó a todos, iba a decir, con lá complicidad de la Santísima Virgen María. Tenía que
ser la Corredentora de la humanidad y lo fue. Por eso permaneció de pie en lo alto de la colina del Calvario, junto a la
cruz de Jesús. Martirio inefable.

Absolutamente indescriptible.

¡Pobrecita! ¡¡Cómo hubiera querido abrazarse a la cruz, para socorrer a su divino Hijo! Pero la apartaron
brutalmente. No la dejaron acercar.

En nuestro Museo del Prado hay un cuadro magnífico que representa a San Bernardo indeciso, vacilante. No
sabe qué hacer. Tiene delante un gran Crucifijo y a la Virgen Santísima de los Dolores contemplándole. El artista ha
sabido recoger genialmente el instante en que San Bernardo no sabe donde mirar, si a Cristo o a la Virgen, a la Virgen
o a Cristo.

Son dos estrofas de una única sinfonía. Son dos episodios de un mismo drama, del drama redentor. La Santísima
Virgen María, la Corredentora de la humanidad, contemplando el martirio inefable de Nuestro Señor, mezclando las
lágrimas virginales de sus ojos purísimos a las gotas de sangre que iban corriendo desde lo alto de la cruz. Son dos
aspectos de un mismo y gigantesco drama.

La Virgen María es nuestra Corredentora. Nos salvó juntamente con Nuestro Señor Jesucristo. Pero ¡a precio de
qué dolor!

El martirio de la Santísima Virgen María es incomparablemente más trágico que el sacrificio que se le pidió al
Patriarca Abraham cuando Dios le ordenó inmolar a su hijo Isaac. Porque el Patriarca Abraham era el padre, no la
madre; y porque el sacrificio que se le pidió fue solamente intencional: no llegó a consumarse. En el Calvario no es el
padre, sino la Madre, y el sacrificio se está consumando trágicamente. Y no de un golpe, sino gota a gota. ¡Martirio
inefable!

«Oh, vosotros los que cruzáis por los caminos de la vida, mirad y ved si hay dolor semejante a mi dolor».

No pudo abrazarse a la cruz de Jesús. Estaba prohibido terminantemente acercarse a la cruz de los ajusticiados, y
la soldadesca seguramente apartaría con un gesto brutal a la Santísima Virgen si en algún momento quiso intentarlo.
Pero estaba cerquita, y Jesús podía dirigirle la palabra sin levantar demasiado la voz.

Imaginemos la escena, señores. Sería mejor que callásemos, que rompiésemos a llorar, que nos pusiéramos de
rodillas… Pero yo tengo que reproducir la escena en la forma que pueda, con mi palabra torpe y vacilante.

Jesús estaría contemplando desde lo alto de la cruz, a través de sus ojos cargados de sangre, a la Virgen María,
imagen viviente del dolor en su máxima expresión. Allí estaba la Corredentora del mundo. ¡Cómo se aumentarían los
dolores internos de Jesucristo viendo sufrir a su Madre santísima de manera tan espantosa! Pero Él tenía que
permitir aquello. Tenía que permitirlo, porque estaba decretado por Dios: una primera pareja, Adán y Eva, perdieron
al mundo; una segunda pareja. Cristo y María, tenían que salvarlo.

Tenían que estar allí los dos, y El, obediente a la voluntad de su Eterno Padre, consentía en el martirio de su
Madre santísima; y la Santísima Virgen María tenía que consentir y aceptar el martirio de Jesús, su Hijo inocente,
para salvarnos a nosotros, los hijos de traición.

Pero Jesús la tenía muy cerquita, la miraba con inefable dulzura.

¡Cómo sería la última mirada que Nuestro Señor Jesucristo dirigió a su Madre queridísima! Cosas inefables,
señores. Para caer de rodillas. Para callar. ¡Cómo la miraría!

Y le dijo: «Mujer, ahí tienes a tu hijo…», Y fijándose en Juan, el discípulo amado: «Ahí tienes a tu Madre».

Esta fue la tercera palabra, la tercera frase que pronunció Nuestro Señor Jesucristo en la cruz, vamos a explicarla
un poco.
El sentido literal, material, tal como suenan las palabras, era sencillamente éste: un buen hijo que está cumpliendo el
cuarto mandamiento de la Ley de Dios, que nos manda honrar al padre y a la madre. Sabía que iba a morir dentro de
breves momentos, San José había muerto ya. La Santísima Virgen María no tenía a nadie en este mundo. Quedaba
completamente sola. Y pensando en su Madre, pensando en el porvenir humano de su Madre, cumpliendo
maravillosamente el cuarto mandamiento de la Ley de Dios, pensando en Ella como buen Hijo, exclama: «Mujer, ahí
tienes a tu hijo».

¿Por qué le dice «mujer» y no «madre»?.,. Ah, señores, qué maravilloso episodio. El Evangelio es divino, no
sobra ni falta una sola palabra. ¿Por qué dijo mujer y no madre?

Dos son las interpretaciones principales que se pueden dar, y las dos son maravillosas.

En primer lugar, para no atormentarla más. ¡Madres que me escucháis, las que habéis perdido a un hijo en la flor
de su juventud!

¿Recordáis? Cuando se os moría por momentos, cuando con los ojos moribundos os dijo por última vez:
«¡Madre!», ¿os acordáis? ¡Cómo se os grabó en el alma aquella palabra, qué espina tan aguda! La tenéis todavía
clavada en el corazón. La palabra «madre» en un hijo moribundo es como una puñalada, como una saeta que se
clava en el corazón. Y Jesucristo, para no hacerla padecer más, para no atormentarla más con esa palabra tan dulce,
tan tierna, tan delicada, para no destrozarle todavía más aquel corazón sangrante, renuncia a la dulzura de llamarla
«Madre», y le dice: «¡Mujer!».

Pero, además, Cristo pronunció esa palabra para darnos a entender a todos que Ella era la «mujer».

En la mañana del Viernes Santo, Poncio Pilato. Procurador romano, sin saber lo que decía, pero cumpliendo los
designios de Dios, señaló a Jesucristo: «Ecce homo»: ahí tenéis al hombre. ¡AI Hombre! Al prototipo de la humanidad
noble, elevada, santa, sobrenatural. ¡Ahí tenéis al hombre; al prototipo del hombre!

Y Nuestro Señor Jesucristo, desde lo alto de la cruz, replica: ¡Ahí tenéis a la mujer! Al prototipo, al ideal más
sublime de la mujer.

María era la mujer predestinada, la mujer por excelencia, anunciada ya en las primeras páginas del Génesis, el
primer libro de la Sagrada Escritura. Al relatar la escena del paraíso terrenal, cuando Dios se dirige indignado a la
serpiente infernal, que había seducido a nuestros primeros padres, le dice: «Pondré enemistades entre ti y la mujer,
entre tu linaje y el suyo. El linaje de la mujer aplastará tu cabeza y tú le pondrás asechanzas a su calcañal».

Era María la mujer anunciada en el libro del Génesis, en la aurora del mundo, en el primer día de la humanidad.
¡Ahí tenéis a la mujer!

«¡Mujer, ahí tienes a tu hijo!». Juan será tu hijo. Él se encargará de tu sustento. Yo me voy a mi Padre, pero no te
dejaré huérfana en el mundo. Juan se encargará de ti.

Y dirigiéndose con inefable ternura a Juan:

«Hijo, ahí tienes a tu Madre». Era como decirle: ¡Cuídamela bien…, cuídamela bien…, es mi Madre y también la tuya!

«¡Hijo, ahí tienes a tu Madre!».

¡Cómo la recibiría San Juan! Aquel joven apóstol, que ya la adoraba por ser la Madre de Jesús, cuando se sintió
dueño de aquel tesoro que le había dejado en testamento su divino Maestro, ¡cómo la recibiría junto a su corazón de
hijo! ¡Qué perla! ¡Qué joya le dejó Nuestro Señor en testamento al evangelista San Juan, a su discípulo amado, al
discípulo virgen! La Madre Virgen, para el discípulo virgen. La pureza encomendada a la pureza.

¡Cómo recibiría San Juan a la Santísima Virgen María, cómo se la llevaría a su casa, con qué cariño la trataría!
¡Cómo la mimaría, con una ternura más que filial!

Son cosas inefables… En el cielo lo veremos todo, a mí no me cabe la menor duda. Porque si el pobre hombre,
con su inteligencia tan limitada, ha sabido inventar una cosa tan magnífica como el cine sonoro, en tecnicolor y en
relieve, que recoge maravillosamente la realidad y al cabo de un siglo se la puede volver a contemplar como si
estuviera actualmente delante de nosotros, ¡qué cine sonoro, en tecnicolor y en relieve tendrán los ángeles en el
cielo! Lo habrán recogido todo. ¡El cine, la película de Nuestro Señor Jesucristo, histórica, la misma, auténtica, la
contemplaremos en el cielo!

Pero ¿qué digo? ¿Qué necesidad tendremos de cine cuando sabemos por la teología católica que la esencia
divina es como una pantalla cinematográfica en la que se refleja todo cuanto sucede en el mundo, en el presente, en
el pretérito y en el futuro? Allí, en los resplandores de la visión beatífica contemplaremos estas escenas sublimes
y entonces caeremos de rodillas adorando estas cosas que ahora apenas podemos balbucir con nuestro torpe
lenguaje humano.

¡Como se la llevaría San Juan a su casa, cómo trataría a la Santísima Virgen Nuestra Señora!

Pero fijaos bien, este no es más que el primer sentido: el sentido literal, el sentido inmediato, podríamos decir,
de esas palabras de Jesús. Pero todos los exégetas y teólogos católicos están perfectamente de acuerdo con los
Santos Padres al decir que en estas palabras hay que ver, además de este sentido literal, un sentido típico, un sentido
plenior, como decimos en exégesis católica. El sentido pleno de esta palabra tiene un alcance mucho más grande.

Un alcance universal, ecuménico, nos abarca absolutamente a todos.Todos los Santos Padres y expositores
sagrados están perfectamente de acuerdo en decirnos que San Juan era en aquel momento el representante de toda
la humanidad. Nos estaba representando a todos y a cada uno de nosotros. Y por eso, cuando Cristo Nuestro Señor
dijo a San Juan: «¡Ahí tienes a tu Madre!», nos lo dijo a todos y a cada uno de nosotros en particular.

No es que Jesucristo en aquel momento constituyera Madre nuestra a la Virgen María. No, Jesucristo no
constituyó a la Virgen Santísima Madre nuestra en la cumbre del Calvario. Ya lo era desde la casita de Nazaret. Porque
la razón de ser de la maternidad espiritual de la Santísima Virgen María sobre nosotros no es el hecho de ser la
Corredentora del mundo, sino el hecho de ser la Madre de Dios, la Madre del Verbo Encarnado. Ella es la Madre de la
Cabeza del Cuerpo Místico. Está revelado por Dios, consta expresamente en la Sagrada Escritura. Cristo es la Cabeza
de un Cuerpo Místico y todos nosotros somos sus miembros. Y como Ella es Madre de este organismo viviente, como
la cabeza no puede ser arrancada y separada de los miembros, desde el momento en que es Madre física según la
naturaleza de la Cabeza, tiene que ser también forzosamente Madre espiritual de todos los miembros que están
espiritualmente unidos a esa Cabeza.

De manera que la maternidad de la Santísima Virgen María sobre todos nosotros arranca del hecho colosal de
ser la Madre de Jesús. Si no fuera la Madre de Cristo-Cabeza, no sería la Madre de los miembros, que somos
nosotros. Pero como es la Madre de la Cabeza, tiene que ser también la Madre de todos los miembros.

Madre física de la Cabeza y Madre espiritual de todos sus miembros porque somos efectivamente los miembros
espirituales de Cristo.

¡Maravillosa teología! Jesucristo, en la cumbre del Calvario, no hizo más que promulgar solemnemente ante la
faz del mundo la maternidad espiritual de María sobre nosotros. Pero no la hizo entonces Madre nuestra. Ya lo era
desde la casita de Nazaret, o si queréis desde el portal de Belén, cuando alumbró al Hijo de Dios encarnado, y fue de
una manera completa y total la auténtica Madre de Dios. Desde entonces es nuestra Madre espiritual. Aquí, en el
Calvario, lo proclama solemnemente Cristo para que no olvidáramos nunca que es la Madre del dolor, la Madre
Corredentora de todos los hijos de los hombres.

La Santísima Virgen María es nuestra Madre, Madre queridísima de todos nosotros.

¡Qué modelo de Madre la Santísima Virgen María!

Modelo de Madre para Jesús, su divino Hijo,. Yo me imagino muchas veces en mis ratos de recogimiento y
meditación en mi celda monacal de San Esteban de Salamanca las escenas invernales que tuvieron lugar en la casita
de Nazaret, cuando la Santísima Virgen María, nuestra dulcísima Madre, se reuniría junto al fuego con San José y el
Niño Jesús. ¡Cuántas cosas se dirían! Una noche en la casita de Nazaret, ¡qué escena de cielo! Los ángeles estarían
pendientes de aquel espectáculo divino. ¿Qué le diría la Virgen Santísima al Niño Jesús? ¿Qué le diría a Ella su Hijo
Jesús a medida que se iba haciendo mayorcito, adolescente? ¿Cómo sería Nuestro Señor Jesucristo a los 18 años, a
los 20 años? Sólo la Virgen gozó en silencio de su divino tesoro. La divinidad asomaba por sus divinos ojos y sólo
María y José lo sabían, ¡Qué de cosas le diría Jesús a la Santísima Virgen para formar cada vez más, para modelar a su
gusto el Corazón purísimo de la Reina y Soberana de los ángeles!
¡Misterios inefables, de que fue mudo testigo la casita de Nazaret! Y a su vez ¡qué de cosas le diría la Santísima
Virgen al Niño Jesús cuando le besaba sus manecitas, cuando en el horizonte lejano entreveía ya la silueta trágica de
la cruz!

La Santísima Virgen fue una mártir toda su vida. Pero, modelo incomparable de madres, supo respetar la
voluntad de Dios sobre su Hijo. La predestinación de Cristo era la de ser el Redentor de la humanidad; y la Santísima
Virgen María aceptó esta terrible predestinación y subió Ella misma a la cumbre del Calvario sin pronunciar una sola
palabra de queja. No interpuso su corazón de Madre para impedir los dolores al divino Crucificado. Tenía que ser así.
Lo había dispuesto Dios y María lo aceptó con inefable resignación.

¡Padres que me escucháis! Cuando Dios Nuestro Señor, en un alarde de infinita bondad y misericordia ponga sus
ojos divinos sobre vuestra casa y escoja a vuestro hijo para sacerdote, o a vuestra hija para religiosa; cuando llame a
vuestros hijos con esta, vocación soberana, la más alta que puede darse en este mundo, para escalar cumbres del
sacerdocio católico, o ser esposa de Jesucristo en un convento de clausura o de vida activa, ¡padres que me
escucháis!, respetad los designios de Dios. Y lejos de oponeros a su vocación, lo que sería un espantoso pecado, un
verdadero crimen que clamaría venganza al cielo, caed de rodillas y dadle gracias a Dios por esta inefable
misericordia que ha tenido sobre vosotros. Un hijo sacerdote, una hija religiosa, es lo más grande que puede ocurrirle
a una familia cristiana. Respetad la vocación de vuestros hijos y caed de rodillas ante Dios en señal de gratitud y de
amor.

Y respetad también los designios inescrutables del cielo cuando se lleve a vuestros hijos en la flor de su juventud.
Una muerte temprana, ¡cómo llega al corazón de una madre! Cuando la muerte le arranca al hijo querido en la
primavera de su vida, ¡qué inmenso dolor!… Pero, son misterios de Dios, señores. Hemos de caer de rodillas ante los
misterios de Dios.

Esta misma mañana, sin ir más lejos, los periódicos de España han publicado una noticia que ha llegado al
corazón de todos los españoles. Un jovencito español, en cuyas venas circulaba sangre real, ha visto tronchados sus
quince abriles por un trágico accidente que le arrebató la vida momentos después de recibir la Sagrada Comunión en
los Oficios del Jueves Santo. Yo me inclino con respeto ante su cadáver y, sobre todo, ante el corazón destrozado de
su madre. Y aprovechando este milagro que tengo delante, la Radio Nacional de España, que lleva mi palabra a todos
los rincones de la península, ruego a alguno de los miembros de la colonia española reunida en Estoril en torno a esa
augusta familia entroncada con los destinos de España, les haga saber —para que les sirva de consuelo y lenitivo en
su dolor— que en estos momentos tienen a su lado las oraciones, el respeto, el cariño y la simpatía de todos los
buenos españoles.

Y vosotros todos, padres que me escucháis, los que habéis perdido un hijo en la flor de su juventud, ¡caed de
rodillas ante Jesucristo crucificado y ante la Virgen María de los Dolores y unid vuestro dolor al suyo, santificándolo,
elevándolo al plano sobrenatural!

Adorad los designios de Dios,

Una anécdota final y termino. Fue en la gran guerra europea, la de 1914 a 1918. En un pequeño pueblecito
francés, Góurcelette, se había dado una batalla campal. El campo quedó cubierto de cadáveres de los soldados de
una compañía canadiense que luchó junto a los aliados. Los enteraron allí mismo, abriendo una zanja.

Terminada la guerra, el párroco de aquella pequeña localidad recibió una carta firmada por las madres de
aquellos soldados canadienses que estaban allí enterrados. Poco más o menos la carta decía lo siguiente: «Reverendo
Sr. Cura: Somos las madres de los soldados canadienses que están enterrados junto a ese pueblecito. Los
encomendamos a vuestras oraciones y a las señoras de Acción Católica» que por ser madres como nosotras
comprenderán nuestro dolor. Solamente os pedimos una cosa, Sr. Cura: que arranquéis de los trigales que crecen
sobre sus tumbas un manojo de espigas y nos las enviéis a nosotras.

Aquí las volveremos a sembrar, las reproduciremos todos los años; y con la harina que nos den, fabricaremos
nosotras mismas el pan para la Eucaristía. De esta manera, cuando recibamos la Sagrada Comunión, recibiremos, a la
vez, el sacrificio de nuestro Dios y el sacrificio de nuestros hijos. —Las madres de los soldados canadienses».

¡Qué hermosa, qué sublime manera de santificar el dolor!


¡Oh vosotros todos los que sufrís, arrodillaos a los pies de la Virgen de los Dolores! Esta tercera palabra de Jesús
en la cruz nos recuerda que la Virgen es nuestra Madre. ¡Somos hijos de María, de la Reina y Soberana de los
mártires! Unid vuestro dolor al dolor de la Virgen Santísima. Y, aunque sea a través del cristal de vuestras lágrimas,
contemplad el cielo, invocad a la Virgen, y Ella calmará vuestro dolor.

Quiero daros a todos una consigna de vida eterna: ¡Rezad el Santo Rosario! Plegaria bellísima del hogar cristiano,
del castizo hogar español. Que por desgracia vamos perdiendo las costumbres típicas del hogar español. Hay que
restaurar la devoción del Rosario en familia. Una familia que todas las noches invoca a la Santísima Virgen y le dice
cincuenta veces: «Ruega por nosotros pecadores, ahora…», ahora que tanto lo necesitamos, en medio de nuestras
tribulaciones y de nuestras amarguras, de los asaltos del mundo, del demonio y de la carne, «¡ruega por nosotros
ahora!», pero, sobre todo, «en la hora de la muerte», esa familia, digo, es imposible que se pierda. No se trata de la
afirmación gratuita de un dominico exaltado, lleno de entusiasmo porque el Rosario arrancó del corazón de Santo
Domingo de Guzmán. No se trata de eso. Se trata de la teología católica, que nos asegura que la gracia de la
perseverancia final está vinculada infaliblemente a la oración perseverante. ¡Os lo aseguro terminantemente! Si
rezáis el Rosario todos los días pidiéndole a la Virgen Santísima la gracia de la perseverancia final, si se la pedís
cincuenta veces cada día en las Avemarías del Rosario, os aseguro terminantemente, no en nombre de la Orden
dominicana, sino en nombre de la teología católica, que tenéis una garantía casi infalible de eterna salvación. La
gracia de la perseverancia final está vinculada a la oración confiada, humilde y perseverante, y todas estas
condiciones las realiza maravillosamente el Rosario. En honor de la Santísima Virgen Nuestra Señora, en este día del
Viernes Santo, cuando Cristo en lo alto de la cruz nos acaba de recordar que es nuestra Madre queridísima, vamos a
formular un propósito inquebrantable. ¡Españoles todos que me escucháis a través de estos micrófonos de Radio
Nacional de España! ¡Todos de rodillas a los pies de Cristo crucificado! Y con todo el fervor y entusiasmo de nuestros
corazones digámosle de verdad: para honrarte. Señor, en este día del Viernes Santo en que tanto padeciste por
nosotros, te prometemos solemnemente que en nuestro hogar se rezará todos los días el Santo Rosario en honor de
tu bendita Madre María, que es también la Madre queridísima de nuestro corazón.

CUARTA PALABRA

«DIOS MIÓ, DIOS MIÓ,

POR QUE ME HAS ABANDONADO»

(MT. 27, 46)

erca de la hora de nona, o sea, cerca de las tres de la tarde. Nuestro Señor Jesucristo pronunció la cuarta palabra
desde lo alto de la cruz. Las cuatro últimas palabras las pronunció en pocos instantes, en contados minutos, muy
cerca ya de las tres, a punto de morir.

Dice el Evangelio que a partir de la hora de sexta, o sea, desde las doce de la mañana, cuando crucificaron a
Jesús, densas tinieblas que se iban haciendo por momentos más espesas envolvieron la cumbre del Calvario, Diríase
que el sol se ocultaba horrorizado para no presenciar el espantoso crimen del deicidio. Era también —si lo queremos
ver así— un símbolo y una figura de la ceguera del corazón de aquellos judíos. Y Jesucristo Nuestro Señor, cerca ya de
la hora de nona, lanzó este grito desgarrador: «Dios mío. Dios mío, por qué me has abandonado». Expresión que
señala el momento culminante del martirio de Nuestro Señor en la cruz y que señala también uno de los arcanos más
inescrutables del misterio de nuestra redención,

¿Qué significan esas palabras?

Tres son las principales soluciones desde el punto de vista teológico. PRIMERA SOLUCIÓN. Es muy fácil y muy
sencilla. Jesucristo Nuestro Señor comenzó a recitar en voz alta él salmo 21, que empieza precisamente con estas
palabras: «Dios mío. Dios mío, por qué me has abandonado», y continuó después recitando todo el salmo en voz
baja.
La inmensa mayoría de los judíos sabían el salterio completo de memoria. Y en ese salmo, que es netamente
mesiánico, el profeta, muchos siglos antes de que ocurriese la escena del Calvario, describe maravillosamente, como
en una película anticipada, todo lo que estaba ocurriendo entonces.

En ese salmo se anuncian proféticamente los tormentos de Cristo clavado en la cruz:

«Todos los que pasan delante de mí se burlan y mueven sus cabezas y dicen: ¡Sálvele Dios, sálvele Yahvé, pues
dice que le es grato..,»

«Soy un gusano y no un hombre, soy el deshecho de la plebe, me desprecian todos».

«Abren sus -bocas contra mí, cual león rapaz y rugiente».

«Tengo mi lengua pegada al paladar, me rodea una turba de facinerosos».

«Han taladrado mis manos y mis pies y se pueden contar todos mis huesos».

«Se han repartido mis vestiduras y echan suertes sobre mi

túnica».

Señores, todo eso se estaba cumpliendo entonces al pie de la letra, en lo alto del Calvario. Todo estaba
maravillosamente anunciado en el salmo mesiánico. Y Nuestro Señor Jesucristo, con infinita delicadeza, después de
haber afirmado delante del pueblo y de los jefes de la Sinagoga que era Hijo de Dios, ahora en lo alto de la cruz va
recitando lentamente el salmo 21 para decirles una vez más a los judíos: «¿Pero no veis que se está cumpliendo al
pie de la letra todo lo que dice el salino de mí? Y fue recorriendo poco a poco todo el salmo mesiánico para que
cayeran en la cuenta de que era Él el Redentor, el Mesías anunciado por los Profetas.

Una solución sencillísima que explica perfectamente el sentido misterioso de esas palabras.

Pero hay otra segunda todavía.

SEGUNDA SOLUCIÓN. Santo Tomás de Aquino, el príncipe de la Teología católica, en ese maravilloso alcázar de la
Teología que se llama la Suma Teológica, da una explicación también sencillísima, naturalísima, con sólo añadir una
palabra a esa expresión misteriosa de Nuestro Señor en la cruz.

El sentido, según Santo Tomás de Aquino, sería el siguiente: «Dios mío. Dios mío, ¿por qué me has abandonado
en manos de mis enemigos?, ¿por qué has permitido que me claven en la cruz?» Nada más. No hay más misterios.

Y esto no lo diría Cristo en son de queja, sino sólo para que nosotros cayéramos en la cuenta de los sufrimientos
inefables que estaba padeciendo en la cruz. Porque sería una espantosa blasfemia, una herejía monstruosa decir que
Nuestro Señor Jesucristo, que tenía en sus manos el poder de Dios, hizo un milagro para no sufrir sus propios
tormentos, y estaba representando una comedia y una farsa en lo alto de la cruz. Esto sería una espantosa y satánica
blasfemia.

Nuestro Señor Jesucristo sufrió con una sinceridad enorme. Hizo milagros inmensos para socorrer las
necesidades de los demás, pero jamás hizo un solo milagro en beneficio propio. Estaba sufriendo un tormento
espantoso y una terrible tortura; y en prueba de ello y para que no nos cupiere la menor duda, lanzó esta dolorosa
exclamación:

«Dios mío, Dios mío, ¿por qué me has entregado en manos de mis verdugos que me atormenta de esta
manera?».

Este sería el sentido, según Santo Tomás de Aquino. TERCERA SOLUCIÓN. Pero hay otra tercera solución,
profundamente teológica, que voy a exponer a continuación. No sabemos cuál de las tres soluciones es la verdadera.
Cualquiera de las tres podría serlo, ya que todas ellas resuelven perfectamente el problema. Pero acaso la más
profunda, la de más envergadura teológica, es la tercera que os voy a explicar.

Es dogma de fe católica, como todos sabemos, que Nuestro Señor Jesucristo quiso salir, voluntariamente, fiador
y responsable ante su Eterno Padre por todos los pecados del mundo.
El fiador, cuando da su firma como garantía de una persona de quien sale responsable no debe nada a nadie.
Pero si aquel a quien respalda con su firma resulta insolvente, tiene que pagar la deuda ajena. Tiene que pagarla él,
porque ha salido fiador, ha dado su firma.

Este es el caso de Nuestro Señor Jesucristo. La humanidad era insolvente ante la justicia infinita de Dios.
Habíamos cometido un crimen de lesa majestad divina. Y, al menos en razón de la distancia infinita que hay de
nosotros a Dios, no podíamos rellenar aquel abismo insondable que el pecado había abierto entre Dios y los
hombres. La humanidad entera, puesta de rodillas, era insuficiente para salvar aquel abismo. Éramos insolventes. No
podíamos rescatarnos a nosotros mismos de las garras del infierno. Pero Nuestro Señor Jesucristo, al juntar bajo una
sola personalidad divina las dos naturalezas, divina y humana, en cuanto hombre podía representarnos a todos
nosotros, y en cuanto Dios sus actos tenían un valor infinito. Únicamente Él podía rellenar aquel abismo insondable
con una superabundancia infinita.

Cristo salió voluntariamente fiador de la humanidad caída. Y el Eterno Padre, viendo a su divino Hijo, que
personalmente era la inocencia misma y la santidad infinita, pero que quiso revestirse voluntariamente de la lepra y
los harapos del hombre pecador, descargó sobre Él el peso infinito de su justicia vindicativa. Y, no en cuanto Hijo de
Dios, porque esto sería contradictorio —Dios no puede abandonar a Dios—; ni siquiera en cuanto hombre, ya que la
humanidad de Cristo está hipostáticamente unida a la divinidad del Verbo formando una sola persona con Él, y, aún
en cuanto hombre. Cristo posee una santidad infinita; si no única y exclusivamente en cuanto representante de toda
la humanidad pecadora, en cuanto revestido de la lepra de todos nuestros pecados, la justicia infinita se descargó
con fiero ímpetu sobre Él y le hizo experimentar el espantoso desamparo que merecía, no Cristo, sino toda la
humanidadpecadora. Y entonces fue cuando lanzó aquel grito desgarrador:

«¡Dios mío, Dios mío, por qué me has abandonado!».

Fijaos bien. No dice Padre mío, como dijo en la primera palabra y como dirá inmediatamente después en la
séptima. No dice «Padre», sino «Dios mío». No habla ahora en plan de hijo. Ahora habla en plan de pecador, de
representante de todos los pecadores del mundo. Y por eso no emplea el dulce nombre de Padre, sino una expresión
llena de respeto y adoración: «Dios mío».

Ahí tenéis la tercera solución, profundamente teológica, de esta misteriosa palabra»

¡Pecador que me escuchas! Esta cuarta palabra de Jesucristo en la cruz encierra profundas enseñanzas para
todos los que somos pecadores.

Reflexionemos unos instantes. En todo pecado pueden distinguirse dos aspectos: lo que llamamos en teología
conversión a las criaturas, es decir, el abrazarse con un placer ilícito, prohibido por Dios; y lo que llamamos la
aversión a Dios, el separarse de Dios voluntariamente, al conculcar a sabiendas su divina Ley.

Dos aspectos: un placer prohibido, que es lo que busca el pecador alucinado, al creer atolondradamente que
encontrará en él la felicidad que ansia; y este apartarse de Dios, que es una consecuencia inevitable de esa tremenda
equivocación.

Jesucristo tuvo que expiar en lo alto de la cruz estos dos aspectos del pecado. Y por los placeres ilícitos que se
han permitido y se permitirán los hombres contra la Ley de Dios, tuvo que experimentar dolores inefables,
infinitamente superiores a todos los que han sufrido en este mundo los hombres más desgraciados. El que más ha
sufrido en este mundo fue, sin duda alguna, Nuestro Señor Jesucristo. Porque Dios sabe hacer maravillosamente las
cosas y cuando intenta algún fin sabe disponer los mejores medios para conseguir ese fin. Y como dispuso que
Nuestro Señor Jesucristo redimiese al mundo desde lo alto de la cruz, le dotó de una sensibilidad exquisita para el
dolor, incomparablemente más aguda que la de todos los hijos de los hombres. De manera que Nuestro Señor
Jesucristo, para expiar los placeres de los hombres, tuvo que sufrir dolores inefables, tormentos de los cuales no
podemos nosotros formarnos la menor idea.

Pero además tenía que expiar también la aversión a Dios, segundo y principal aspecto del pecado. El pecador, al
pecar, se separa, esto es, abandona voluntariamente a Dios. Es muy justo y equitativo que cuando suene la hora de la
justicia estricta. Dios se separe o abandone al pecador. He ahí el espantoso tormento que tuvo que sufrir Jesucristo
en cuanto representante de toda la humanidad pecadora.
¡Pecador que me escuchas! Cuando te entregas al pecado ¡cómo ríes, cómo gozas, cómo te diviertes, con qué
refinamiento saboreas aquel placer pecaminoso! Pero no te das cuenta de que te has apartado de Dios, de que te
has quedado huérfano, de que te acabas de jugar un tesoro rigurosamente infinito. ¡Ah!, si te arrepientes de todo
corazón en seguida, todavía estás a tiempo de obtener el perdón de Dios; pero si la muerte te sorprende en medio de
tus orgías y placeres…¡la que te espera para toda la eternidad!

Señores, en una ciudad no muy grande de España —me lo contaba hace poco un médico que tuvo que intervenir
personalmente en este asunto— han ocurrido recientemente dos casos de fallecimiento repentino, instantáneo, por
rotura del ventrículo del corazón, en una casa de mala nota, en el momento mismo de entregarse al pecado.

Aquellos infelices se disponían a gozar de espaldas a Dios y…¡cadáver! Dos casos: rotura de ventrículo del
corazón, muerte instantánea. ¡Desgraciados! Saborearon un momento de placer en este mundo y descendieron
inmediatamente al infierno para sufrir allí el castigo de los dos aspectos del pecado: separación de Dios y tormentos
espantosos para toda la eternidad. Importa muy poco, señores, la carcajada del incrédulo:

«¡Yo no creo en el infierno!».

¡Qué más da que no creas! Si tú no crees en el infierno pero el infierno existe, ¿dejará de existir, acaso, porque tú
te empeñes en decir que no? Fíjate bien: es Cristo, que es la suma Verdad, es Cristo que está pronunciando el sermón
de las Siete Palabras quien nos ha dicho catorce veces en el Evangelio que el infierno existe y hay en él un fuego cuya
verdadera naturaleza todavía no han podido precisar los teólogos, pero se trata ciertamente de un fuego real, no
metafórico, ni simbólico. No es una idea, no es una semejanza imaginativa que se forma en la inteligencia o
imaginación del condenado. Es un fuego real, un tormento físico que atormenta ya desde ahora las almas de los
condenados de una manera misteriosa y atormentará también sus cuerpos después de la resurrección de la carne.

«¡No lo creo!».

¡Qué más da! A pesar de tus burlas existe el infierno y en castigo de los placeres de los pecados cometidos en
este mundo hay allí un fuego real, no metafórico, que atormentará a los condenados para toda la eternidad.

Pero esto, en fin de cuentas, sería lo de menos. Lo verdaderamente espantoso del infierno no es el primer
aspecto, sino el segundo; es el desamparo de Dios, es aquel grito horrísono que lanzan las almas cuando caen en el
infierno: «¡Maldición! ¡Me he equivocado!

¡Separado de Dios para toda la eternidad!».

Ya oigo otra vez la carcajada del incrédulo: «¡Ah! ¿De manera que lo peor en el infierno es estar separado de
Dios? Pues entonces ya no tengo inconveniente en condenarme; porque en este mundo he prescindido de Dios y no
me ha hecho falta para nada, absolutamente para nada. Tampoco me hará falta en el infierno».

¡Desgraciado! No sabes lo que dices. Mira: te gusta la belleza, ¿verdad? Por eso pecas tanto, sobre todo cuando
se te presenta en forma de mujer….

¿Te gusta el dinero, verdad? Por eso robas tanto, porque hay muchas maneras de robar sin que nadie se dé
cuenta y sin perder la fama de hombre honrado.

Te gustaría el aplauso, la gloria, que hablasen de ti los periódicos, salir en la pantalla cinematográfica como
hombre famoso, como una figura mundial, ¿no es verdad?

Pues óyeme: a la hora de la muerte, cuando pierdas de vista las cosas de este mundo y ante los ojos atónitos de
tu alma aparezcan los panoramas infinitos del más allá, contemplarás delante de ti un mar inmenso, sin fondo ni
riberas. Y verás clarísimamente que allí está concentrado, en grado supremo e infinito, todo cuanto hay de belleza y
de gloria y de riqueza, y de placer y de honores y de aplausos…

Todo cuanto podría saciarte plenamente, exhaustivamente, el corazón. Y cuando con una sed de perro rabioso
trates de arrojarte a aquel estanque de placeres, a aquel océano de alegrías inenarrables que te harían infinitamente
feliz, sentirás una mano vigorosa que te lo impide, al mismo tiempo que te dice: «¡Apártate de Mí, maldito!
¡Al fuego eterno!». Y entonces lanzarás un grito horrísono: «¡Dios mío. Dios mío, por qué me has abandonado!».
Pero entonces, por desgracia, será ya demasiado tarde.

Fíjate bien, infeliz. Ahora te basta caer de rodillas como el buen ladrón y decirle: ¡Señor, perdóname! Pero como
la muerte te sorprenda en tu soberbia y obstinación, si te mueres aferrado a tu pecado, aunque hayas sido el hombre
más famoso del mundo —es inútil que te rías— ¡descenderás al infierno para toda la eternidad!

«Dios mío, Dios mío, ¿por qué me has abandonado?».

Gracias, Jesús mío. Gracias por haber pronunciado esa palabra. Gracias por haber padecido por mí ese tormento
espantoso de tu desamparo. Si no lo hubieras sufrido tú, si tú no hubieras sentido el desamparo de tu Eterno Padre,
hubiera tenido que sentirlo yo eternamente en el infierno. ¡Muchas gracias, Jesús mío! Te agradezco en el alma esta
cuarta palabra. Has querido sufrir tú este desamparo para que no quede yo desamparado para toda la eternidad.

Y ahora, a los pies de este maravilloso crucifijo, de esta escultura de Alonso de Mena que está representando
precisamente la cuarta palabra; en esta Iglesia parroquial de San José, de Madrid, ante el Santísimo Cristo del
Desamparo, en el que un gran artista español ha sabido plasmar una maravillosa expresión de dolor, te suplico, Jesús
mío, para mí y para todos mis oyentes, que no nos desampares durante la vida, y sobre todo a la hora de la muerte.
¡No nos desampares a la hora de la muerte! Olvídate, Señor, de mis pecados, Y en virtud de la amargura infinita de tu
desamparo… ¡Señor!… a la hora de mi muerte llámame y mándame ir a Ti para que con tus ángeles y santos te alabe
por los siglos de los siglos. Amén.

QUINTA PALABRA «TENGO SED» (JN. 19, 26)

omentos después de pronunciar el divino Mártir del Calvario su cuarta palabra, desgarradora, abrió de nuevo sus
labios divinos para decir: «Tengo sed».

Era muy natural. Cuando se pierde la sangre —¡qué bien lo saben los soldados que caen en el campo de batalla!
—, cuando se pierde sangre se experimenta en seguida el tormento de la sed. El agua, que forma parte de la célula
en proporción del sesenta al setenta por ciento, cuando se pierde sangre pasa por osmosis al torrente circulatorio
para hidratar el plasma sanguíneo. Esto produce, naturalmente, la deshidratación de los tejidos y en seguida se
experimenta el fenómeno cenestésico de la sed. Tienen mucha sed los heridos al perder la sangre.

Era muy natural que Jesucristo tuviera una sed ardiente. Sed de agua, sed fisiológica. El sudor de sangre en
Getsemaní, las terribles torturas y la pérdida de sangre de la flagelación, de la coronación de espinas, de la cruz a
cuestas y de la crucifixión. En lo alto de la cruz iba perdiendo gota a gota la sangre divina de sus venas.

Probablemente hacia las tres de la tarde, tanto Nuestro Señor Jesucristo como los dos ladrones que estaban
crucificados, el uno a su derecha y el otro a su izquierda, tenían cuarenta grados de fiebre. Sed ardiente, ¡Un poquito
de agua, tengo sed!

¡Pobre Jesús! Nadie le socorrerá. Tendrá que morir de sed. No tendrá una cariñosa monjita enfermera que le
refresque los labios ardientes en aquellos últimos momentos.

Delante de Él tenía a la Virgen Santísima, pero la pobrecita no podía hacer absolutamente nada.

Al pajarillo no le falta nunca un charquito de agua donde apagar su sed. Hasta la florecilla en primavera, por la
mañana, recibe la caricia fresca de una gotita de rocío. Pero Nuestro Señor Jesucristo, el Creador del mundo, el que
había creado aquellos ríos del paraíso terrenal, el que mandó a Moisés herir con su vara una roca de la que brotó una
fuente de agua clara y cristalina, no tendrá ni una sola gota de agua donde apagar su ardiente sed. ¡Se morirá de sed!

Uno de aquellos soldados, al escuchar esta palabra, mojó una esponja en el jarro de posea —era la bebida que
tenían ellos para refrescarse: un poco de agua mezclada con vinagre, nada más— y la acercó con su lanza a la boca
del divino Mártir debió aumentarle todavía más su sed. Pero lo gustó un poquito, con finura, con agradecimiento…

Jesucristo tenía una sed inmensa de agua natural. Pero Él, el divino Mártir, el divino Paciente, que no se quejó
absolutamente de nada en medio de aquellos tormentos inefables de la flagelación, de la coronación de espinas y de
la crucifixión; Jesucristo, que no abrió sus labios para musitar una sola queja, no se hubiera quejado tampoco de la
sed material si no hubiera querido decirnos algo misterioso si detrás de ese sentido literal no hubiera un sentido
figurado, un sentido alegórico, para decirnos algo más alto y más sublime todavía, con ser tan santa y adorable la sed
material de Nuestro Señor Jesucristo.

Toda la tradición católica está de acuerdo en decirnos que, además de la sed material, tenía una sed espiritual
verdaderamente devoradora. Nuestro Señor Jesucristo, en esta palabra, alargando su mano de mendigo, nos pedía
un poquito de amor, un poquito de correspondencia a su infinita generosidad. En esta palabra se nos presenta como
divino mendigo del amor del pobre corazón humano. Jesucristo, desde lo alto de la cruz, estaba contemplando el
panorama de toda la humanidad. En virtud de su ciencia divina, para Él no había pretérito ni futuro, sino un presente
siempre actual. Con su ciencia divina nos tenía presentes a todos, a cada uno en particular. Y veía claramente las
almas consoladoras de su divino Corazón, las que apagarían su sed ardiente, las que se entregarían a Él como almas
víctimas para que pudiera triturarlas, para que pudiera destrozarlas y de esa manera asociarlas al misterio redentor y
salvarle muchas almas.

¡Cuántas monjitas de clausura, cuántas almas grandes entregadas totalmente a Dios y sufriendo con la sonrisa
en los labios persecuciones, calumnias, enfermedades, maledicencias, incomprensiones de todas clases, dolores y
tormentos inefables! Son las almas víctimas, las almas consoladoras del Corazón de Cristo.

Veía a Teresa de Jesús en éxtasis, a Santa Catalina de Sena con las llagas en los pies, en las manos y en el corazón.
Veía a San Pablo con aquel ímpetu apostólico que arrolló al mundo entero. Veía a todos los apóstoles a través de
todos los siglos. Veía a las almas consoladoras de su Corazón, las que le daban un poquito de agua y le consolaban en
su amargura. Pero veía también a tantos millones de almas seducidas por el mundo, el demonio y la carne corriendo
desenfrenadamente tras los placeres de este mundo, charquitos sucios de aguas pestilentes que no sacian el corazón
humano sino que le aumentan más y más su hambre devoradora de felicidad,

¡Pobres hombres! El hombre es un sediento de felicidad. Cristo veía a todos los hombres del mundo que han
sido, son y serán hasta el fin de los siglos. Nos veía individualmente a todos.

Y a pesar de las diferencias de raza, clima, época y educación, en todos veía un denominador común, un fondo
común en nuestras almas: un hambre y una sed devoradora de felicidad.

El hombre es un sediento de felicidad. ¡Nos la ha puesto el mismo Dios en el corazón! Somos sedientos de
felicidad, Pero ¡cuánta gente, en qué proporción tan aterradora, equivoca el camino y va a beber esa felicidad en los
charcos sucios del mundo, del demonio y de la carne!

Y lejos de apagarla sienten que les quema las entrañas una sed inextinguible, cada vez más devoradora.

Pecador que me escuchas. ¡Pobrecito! ¿Pero no lo sabes por experiencia? Aquella noche el barrio chino, cuando
lanzabas aquellas carcajaditas de enano en medio de aquella orgía, parecía que eras feliz, parecía que eras dichoso,
parecía que habías encontrado la suprema felicidad. ¡Pobrecito! Y después encontraste que aquello era un charco
sucio, que no te llenó el corazón. El corazón lo tenías vacío y después se te llenó de remordimientos, y ¡pobre de ti si
no llegaste a sentir los remordimientos!

¡Pobre hombre sediento de felicidad! Buscando siempre apagar la sed que te devora y no lográndolo casi nunca,
porque casi siempre equivocas el verdadero camino que conduce a ella.

Los verdaderos amantes del Corazón de Jesús: ¡esos sí que aciertan! Van a buscar el agua de la felicidad en la fuente
limpia y cristalina de donde brota, que es el Corazón de Cristo: ¡éstos sí que aciertan!

Porque solamente en Dios está la verdadera felicidad, y esto lo enseña la simple filosofía, señores. Es una tesis
de ética, de filosofía natural, de moral natural: puede demostrarse como dos y dos son cuatro. Porque el hombre no
quiere ser feliz una temporada, no se resigna a serlo por un plazo más o menos largo; quiere ser feliz para siempre; y
no de una manera relativa y hasta cierto punto, sino de una manera total y sanativa. ¡Ah!, ¿de manera que aspira en
su corazón a una felicidad total, saciativa y para siempre? Pues esto es imposible encontrarlo en las criaturas, que son
de suyo imperfectas, limitadas y caducas; esto solamente se encuentra en Dios. Y no en el tiempo, sino en la
eternidad. Lo enseña hasta la simple filosofía.
Pero la inmensa mayoría de los hombres no lo entienden y corren con desenfreno detrás del mundo, del
demonio y de la carne.

¡Pobrecitos! No saben lo que hacen. Han equivocado el camino, Son sedientos de Dios, sin saberlo ni
sospecharlo.

Venid a Jesucristo todos los sedientos de felicidad. Venid a aquél que dijo un día, paseando en el pórtico del
templo de Jerusalén; «Si alguien tiene sed, venga a Mí y beba». Venid a aquél que en una mañana de primavera,
cuando, sudoroso y cansado por el largo caminar se sentó sobre el brocal del pozo de Jacob, le dijo a la mujer
samaritana: « Mujer, dame de beber». Y cuando la mujer le dice:

«¿Pero cómo tú siendo judío me pides de beber a mí, que soy mujer samaritana? ¿No sabes que entre
samaritanos y judíos no hay trato alguno?» Cristo le responde: «Si conocieras el don de Dios y quién es el que te pide
a ti agua para beber, tú se la pedirías a Él y Él te daría un agua limpia y cristalina que salta hasta la vida eterna».

¡Pobre hombre sediento de felicidad! Ven a Jesucristo, que Él te dará ese agua limpia que tú buscas, hasta la
plena saciedad de tu corazón.

¡No serás feliz en otra parte, es inútil que lo intentes!

Tú, el marido infiel que a espaldas de tu legítima mujer le tienes puesto un piso a aquella mujer infame, ¡no eres
feliz, ni lo serás nunca hasta que rompas con esa amistad criminal! El remordimiento te corroe las entrañas… ¡No eres
feliz!…

Y lo mismo tengo que decirle a cualquiera que pretenda ser dichoso lejos de Cristo por los caminos del pecado.
¡No serás feliz!

Venid a Cristo todos los sedientos de felicidad.

¡Ah!, pero para que Cristo nos sacie esa sed devoradora de felicidad que atormenta nuestro propio corazón, es
preciso que le demos nosotros a Él un poquito de agua para apagar su sed. Porque Cristo tiene sed de agua, pero
sobre todo tiene sed de amor y nos pide a cada uno de nosotros una limosna caliente, la limosna de nuestro corazón:
«Dame, hijo mío, tu corazón». A cambio de la felicidad Cristo nos pide nuestro amor.

¡Muchacho que me escuchas! ¡Pobrecito! Cristo te pide un poquito de agua. Cuando tus pasiones rujan, cuando
tu sangre juvenil te esté hirviendo en las venas, cuando te parezca que ya no puedes más, ¡fíjate en el Crucifijo! Fíjate
cómo te está diciendo, ¡te lo está diciendo a ti!: «¡Dame un poquito de agua, que tengo mucha sed!

¡Un poquito de pureza!… ¡Sé valiente, sé hombre!». Y aunque tus pasiones rujan, ¡un poquito de agua para
Jesús, que te la pide desde lo alto de la cruz!

Y tú, pobre muchacha, óyeme bien, que no voy a echar rayos y centellas contra ti. Estamos en la noche del
Viernes Santo, en la noche del perdón y la misericordia, no te voy a tratar con dureza. Esta noche te voy a hablar con
dulzura. Óyeme, pobrecita. La que vas elegantísimamente desnuda al baile, la que eres la reina de la fiesta. Todo el
mundo te mira, todo el mundo habla de ti, ¡qué hermosa, qué bella! Todo el mundo te aplaude, sales en los
periódicos, eres una estrella de la pantalla cinematográfica.

¡Pobrecita! ¡Si eres menos mala de lo que pareces! Eres una pobre criatura equivocada. Te parece que en todo eso
encontrarás el agua de la felicidad y, naturalmente, te lanzas como loca en pos de ella.

¿Pero no sabes por experiencia que no encuentras jamás la verdadera felicidad? Óyeme. Jesús te pide un
poquito de agua de pureza y de amor y é1 te dará con divina sobreabundancia el agua limpia y cristalina de la
verdadera felicidad… ¡Rompe para siempre esos trajes provocativos! ¡Acaba para siempre con tu vida de escándalos y
de pecados! ¡Mira que andas por el mundo con una pistola asesinando almas, que es mucho más grave que asesinar
los cuerpos!

¡Pobrecita! ¡Un poquito de agua! Jesús te lo pide desde la cruz. Y te va en ello tu propia y verdadera felicidad.

Y tú, padre de familia, el que tasas la natalidad porque no quieres tantos hijos, porque te resultan demasiado
incómodos; tú, que estás pisoteando la Ley de Dios sin escrúpulo ni remordimiento. Mira que eso no se puede hacer;
mira que por querer pasar unos pocos años de vida que te quedan en este mundo un poquitín menos incómodo sin
tantos hijos, te vas a condenar después para toda la eternidad.

¡Todavía estás a tiempo! Estás haciendo un mal negocio. ¡Dale un poquito de agua a Jesús, que. te lo pide desde
la cruz! Cumple tus deberes de esposo, tus deberes de padre, cueste lo que cueste, aunque te resulte duro; te lo pide
Jesús desde lo alto de la cruz. Y tú, comerciante, industrial, hombre de negocios, que estás ganando demasiado
dinero y demasiado aprisa, conculcando los fueros de la justicia y de la honradez. Fíjate bien: restitución o
condenación. A la hora de la muerte ¡qué amargura si te has enriquecido demasiado, si tienes muchos millones que
tú no vas a disfrutar, pero que pesan sobre tu conciencia como un peso horrible por haberlos adquirido
injustamente! Estás a tiempo todavía.

¡Restituye, restituye sin excusas absurdas! A tiempo estás todavía de salvar tu alma y de darle un poquito de
agua a Jesús, que te la pide para hacerte feliz eternamente.

Y tú, rico, aunque tus riquezas sean legítimas y nada te remuerda la conciencia. Acuérdate de que un vaso de
agua fría dado en nombre de Cristo no quedará sin recompensa. La limosna generosa y espléndida. ¡Acuérdate de los
pobres, que son los predilectos de Jesús! Hay muchos ricos que se afanan en hacerse millonarios en este mundo para
setenta u ochenta años, y no se dan cuenta de que pudieran ser millonarios y banqueros para toda la eternidad con
la limosna generosa y espléndida. ¡Pon dinero a rédito en los bancos del cielo, entregándoselo a los pobres, y de esta
manera darás un poquito de agua a Jesús moribundo y Él te dará la vida eterna!

Y tú, gobernante: justicia y caridad, rectitud intachable, cumplimiento de las leyes —tú el primero, delante con el
ejemplo— y exactitud en hacerlas cumplir a los demás. ¡Que tienes obligación, que Dios te pedirá cuenta! Dentro de
unos años, quizá de pocos días, vas a comparecer delante de Él con las manos vacías por no haberte inspirado en los
principios cristianos ni haberlos inculcado a tus súbditos, a tus subordinados. ¡Autoridades!, cumplimiento íntegro de
la Ley de Dios. De esta manera daréis un poquito de agua a Jesús, que os la pide desde su cruz. Y vosotros, obreros,
los predilectos de Cristo. Pobres obreros, ¡cómo os han engañado! ¡Cómo os han engañado haciéndoos creer que
Cristo es vuestro enemigo, que la Iglesia es enemiga del obrero! Señores, Cristo, el obrero de Nazaret, el que tenía,
no las manos finas del señorito, sino las manos ásperas del trabajador manual; el carpintero de Nazaret, el que
predicó el amor a la pobreza, el que llamó bienaventurados a los pobres, a los desgraciados, a los perseguidos en
este mundo. ¡Cristo enemigo de los obreros! Es ya el colmo de la desvergüenza y del cinismo en la calumnia. Y si se
os dice que no es Cristo sino la Iglesia la enemiga del obrero, escuchad la doctrina social de la Iglesia: participación en
los beneficios de la Empresa, salario familiar, trato humano, de verdaderos hermanos los unos con los otros, los
patronos con sus obreros y los obreros con su patronos. Esta es la magnífica doctrina de Cristo, la doctrina social de
la Iglesia. ¡Cómo te han engañado, pobre obrero! Te han hecho creer que la Iglesia tenía la culpa de todo. ¡Te han
engañado, te han envenenado!… Pobrecito obrero, Cristo, desde lo alto de la cruz, te pide un poquito de agua.
¡Vuélvete a Cristo, que serás recibido con los brazos abiertos, que eres el predilecto de su Corazón! Obrero, ¡vuélvete
a Jesús en esta noche del Viernes Santo! Te está pidiendo un poquito de agua; y a cambio de ella te promete y te
dará la verdadera felicidad.

Y nosotros, los sacerdotes de Cristo: espíritu de sacrificio, espíritu de abnegación. Lancémonos con todas
nuestras fuerzas a la conquista de las almas para que vayan al cielo, para que nadie se condene. Aunque tengamos
que dejar jirones de nuestro propia vida en cada una .de nuestras empresas apostólicas, aunque tengamos que morir
prematuramente. ¡De día y de noche, como el buen pastor, en busca de las ovejas extraviadas !

Y a todos los que me escucháis, sacerdotes o seglares, hombres o mujeres, ricos o pobres, jóvenes o ancianos, a
todos, en nombre del divino Mártir, os pido una limosna: ¡Agua! ¡Un poquito de agua para Jesús, que se nos muere
de sed!

SEXTA PALABRA

«TODO SE HA CONSUMADO, TODO ESTA CUMPLIDO» (JN. 19, 30)

nstantes después de pronunciar su quinta palabra, el divino Crucificado pronunció la sexta: «Todo se ha consumado,
todo está cumplido».
Con su ciencia divina, y hasta con su ciencia humana, fue

recorriendo todo el conjunto de las profecías del Antiguo Testamento y vio que estaba todo maravillosamente
cumplido. No faltaba ni un solo detalle.

El Profeta Isaías había profetizado que nacería de una Madre Virgen. Y delante de Él estaba la Santísima Virgen
María, la Inmaculada, la Reina y Soberana de las vírgenes.

El Profeta Miqueas había dicho que nacería en Belén de Judá. Y en Belén de Judá, en el portal de Belén, nació el
Niño Jesús.

En el salmo 71 estaba profetizado que los Reyes vendrían a adorarle: «Reges Tharsis et insulae munera
offerent…» y los Reyes Magos se presentaron en Belén y le adoraron y le hicieron presentes de oro, incienso y mirra
como estaba profetizado en el salmo.

El Profeta Oseas anunció que el Mesías vendría de Egipto. Y estalla la persecución de Herodes y el Niño Jesús
tiene que huir a Egipto, y la profecía que se cumple al píe de la letra, como estaba anunciada.

«Y será llamado Nazareno», Y los primeros 30 años de su vida los vivió Jesucristo en la casita de Nazaret: «Será
llamado Nazareno».

«Y saldrá la voz del que clama en el desierto y le preparará los caminos». Y el Precursor, Juan el Bautista, se
presentó delante de todo el pueblo diciendo: «Yo soy la voz del que clama en el desierto: preparad los caminos del
Señor». Al pie de la letra. Se había cumplido.

Estaba profetizado que entraría triunfante en Jerusalén sobre un pobre borriquillo. Y cinco días antes, el
domingo de Ramos, entró triunfante en Jerusalén, sobre un pobre borriquillo.

Estaba profetizado que sería vendido por treinta monedas de plata. Y en el pavimento del templo estaban
todavía las treinta monedas de plata, precio sacrílego de la traición, arrojadas por el traidor Judas, Estaba profetizado
en el salmo 21 que se burlarían de Él: lo acababa de recordar el mismo Jesucristo: «Mueven sus cabezas en son de
burla… ¡Sálvele Yahvé, puesto que dice que le es grato!… Mi lengua está pegada al paladar… Han taladrado mis
manos y mis pies y se puede contar todos mis huesos… Se han repartido mis vestidos y echan suertes sobre mi
túnica». Todo se había cumplido al pie de la letra.

Faltaba un detalle. El salmo 68 dice expresamente: «Y en mi sed me dieron a beber vinagre». Y en aquel
momento, el soldado, con la lanza, le daba a beber vinagre.

Y Cristo, recorriendo todas las profecías del Antiguo Testamento y viendo que se habían cumplido
maravillosamente todas en Él, lanzó un grito de profunda, de íntima y entrañable satisfacción: «¡Todo está
consumado, todo está cumplido!».

Es el grito del triunfador que se cubre con el laurel de la victoria. Ahí está. Lleno de heridas, pero de gloriosas
heridas, ¡Ha triunfado!

¡Consummatum est: Todo está cumplido!

O si queréis, y esto es más santo, más religioso y más elevado todavía. Más que el capitán que termina victorioso
la batalla, es el sacerdote que después de celebrar la Santa Misa se dirige al pueblo y dice: ¡Ite Misa est!: ya podéis
marcharos, la Misa está acabada,

¡Con qué íntima alegría se diría Jesucristo a Sí mismo en el fondo de su Corazón: «¡Iglesia santa!, ya te siento latir
dentro de Mí como las madres sienten latir a sus hijos momentos antes del alumbramiento. Ya te siento. Iglesia
santa, dentro de mí. Dentro de breves momentos la lanza del soldado atravesará mi divino Corazón y brotará la
Iglesia con sus siete sacramentos. Ya tengo salvado al mundo, ya he redimido a la humanidad. ¡Consummatum est! lo
he cumplido todo! Es el grito de triunfo del que se ciñe, vuelvo a repetir, con el laurel de la victoria.

Jesucristo: te costó mucho. ¡Te costó mucho! Naciste como un gitano (¡perdóname, Señor!), naciste como un
gitano en el Portal de Belén. Tuviste que huir como un facineroso a Egipto. Trabajo duro de carpintero durante treinta
años. Y durante los tres años de tu vida apostólica, de tu vida pública, no tenías donde reclinar tu cabeza, Y te
insultaron y te blasfemaron: «¡Si éste lanza los demonios en virtud de Belcebú, si es un endemoniado y un
samarítano, no le hagáis caso!..,» Y luego lo de anoche: aquel sudor de sangre; y lo de esta mañana: la flagelación y la
coronación de espinas y la cruz a cuestas y la crucifixión. ¡Te ha costado mucho, Jesucristo, pero has triunfado! Te
felicito con toda mi alma. ¡Has triunfado! Te costó; pero lo cumpliste todo hasta el último detalle. Y ahora puedes
lanzar satisfecho tu grito de triunfo: «¡Todo se ha consumado, todo está cumplido!».

Amadísimos de mi alma: todo pasa. ¡Todo pasa!… La belleza, el esplendor, las joyas, el triunfo, las alegrías, los
placeres mundanales…

¡Todo pasa! Pero también el sufrimiento, y el hambre, y la sed y la amargura y las persecuciones y las calumnias.
¡Pasarán también!

Tú que ríes, que gozas, que bailas, que te diviertes en contra de Cristo. ¡Pobre de ti! Porque todo eso pasará,
pero quedarán sus consecuencias.

Y tú que sufres en la cama de un hospital, tú que soportas en silencio por amor a Dios las injurias de los
hombres, las calumnias, la persecución, el hambre, la desnudez… ¡feliz y dichoso de ti!, porque todo eso pasará, pero
el mérito de tu paciencia y resignación perdurará eternamente.

A la hora de la muerte todos lanzaremos nuestro consummatum est.

¡Ah!, pero qué distinto el consummatum est del pecador, del

consummatum est del justo.

El pecador: «Pasaron para siempre mis deleites; y ahora el infierno para toda la eternidad».

El justo; «Pasaron mis tormentos, mis dolores y amarguras; y ahora el esplendor de! cielo para siempre, para
toda la eternidad».

Estáis a tiempo todavía, pecadores que me escucháis, estáis a tiempo todavía. No es un pobre hombre el que os
lo dice, es Cristo Nuestro Señor desde lo alto de la cruz. Estáis a tiempo todavía. ¡Ah!, si quisierais de verdad… ¡Qué
alegría tan entrañable a la hora de la muerte; qué consummatum est podríais lanzar a la hora de la muerte! Oídme
bien todos. Escuchad lo que podréis decir a la hora de la muerte si queréis.

«En mis años mozos, ¡cómo me costó! ¡Cómo me costó vencer el ímpetu de mis pasiones! El gran problema de la
juventud, sobre todo de la juventud masculina, es la pureza. ¡Cómo me costó! ¡Qué esfuerzo tan enorme tuve que
hacer! ¡Cómo tuve que sudar sangre!

¡Cómo me costó!… Pero: consummatum est: lo cumplí. Con la gracia de Dios, huyendo de las ocasiones de
pecado, confesando y comulgando con frecuencia, con una devoción tiernísima a la Santísima Virgen María… Me
costó mucho, pero lo cumplí. Ahora muero tranquilo: consummatum est».

Después llegué al matrimonio. Las leyes sacrosantas del matrimonio, ¡qué duras me resultaron! (¿Por qué insiste
tanto. Padre, en estas cosas? Porque son los pecados que se cometen hoy en el mundo. Yo no voy a perder el tiempo
en aconsejaros que no os pongáis de rodillas ante una estatuilla de Buda; ¡si no lo hace nadie!, pero tengo que
combatir los pecados que la gente comete, y los que la gente comete son precisamente estos que estoy repitiendo;
por eso insisto, porque quiero vuestro bien, porque quiero vuestra salvación). Las leyes sacrosantas del matrimonio
muchas veces cuestan mucho, hay que reconocerlo. Hay cosas que son muy duras. Cuestan mucho.

Pero ¡qué alegría a la hora de la muerte! Me costó mucho, pero cumplí la Ley de Dios. Y Dios me ayudó y saqué a
todos mis hijos adelante porque precisamente venían a este mundo en cumplimiento de la voluntad de Dios, y Dios
jamás abandona al que cumple su divina voluntad. ¡Me costó mucho, pero lo cumplí! Ahora muero tranquilo: todo
está consumado.

Aquella mala amistad, ¡cómo me costó arrancarla de mi corazón! La tenía metida en lo más hondo de mis
entrañas; Pero Cristo me advirtió en el Evangelio: «Si tu ojo derecho te escandaliza, arráncalo y tíralo lejos de ti;
porque te tiene más cuenta entrar en el cielo con un solo ojo que con dos ojos ser sepultado en el infierno. Y si es tu
mano derecha la que te escandaliza, córtala sin compasión y tírala lejos de ti; porque te tiene más cuenta entrar en el
cielo con una sola mano que no con las dos ser sepultado en el infierno». Y como eso no era más que el símbolo y la
figura de aquella amistad criminal que tenía tan metida en mis entrañas, ¡cómo me costó arrancarme aquel ojo de la
cara, aquella mano derecha! ¡Cómo me costó arrancármela! Pero la arranqué, y la tiré lejos de mí. Y
ahora consummatum est, lo cumplí. ¡Con qué alegría muero!

Y aquellas malas confesiones, y aquel pecado vergonzoso callado tantas veces, ¡cómo me costó confesarlo! Pero
me convencí de que no tenía más remedio: confesión o condenación. Si le pido perdón a Dios, pero no quiero pasar
por el sacramento de la penitencia instituido por Nuestro Señor Jesucristo, Dios no me perdona: confesión o
condenación. ¡Cómo me costó!, después de tantas confesiones sacrílegas, ¡cómo me costó! Pero por fin me confesé
bien. Me costó mucho, pasé mucha vergüenza, pero me confesé.

Y ahora: consummatum est, cumplí con mi deber, muero tranquilo y en paz.

¡Ah, mis negocios! ¡Cómo me tentaba el tintineo del oro, la sed de riquezas y el afán de ganarlas a toda costa!
Pero fui honrado. No gané ni una peseta injustamente. Gané menos dinero del que hubiera podido robar. Pero lo
gané honradamente, y ahora muero tranquilo: consummatum est.

Y nosotros, sacerdotes, ¡qué alegría si a la hora de la muerte podemos decir en verdad: me entregué, me volqué,
me destrocé, arruiné mi salud en busca de las almas. ¡Pero con qué fe, con qué ardor las buscaba! He dejado a
jirones mi vida en las zarzas del camino, pero consummatum est: lo cumplí. ¡Qué alegría tan divina! Que nuestra
última palabra, señores, sea una palabra sacerdotal.

Porque todos somos sacerdotes en cierto sentido: «Regale

sacerdotium», dice el Apóstol San Pedro aludiendo a todos los cristianos. Todos participamos de alguna manera del
sacerdocio de Cristo, todos podemos celebrar, cada uno a nuestra manera, nuestra misa particular, nuestra misa
individual, mediante el cumplimiento de nuestros deberes y la inmolación de nosotros mismos en aras del sacrificio y
la abnegación.

Y a la hora de la muerte, después de haber dicho nuestra misa a todo lo largo de nuestra vida, subiendo
poquito a poquito la cumbre de la colina del Calvario, podremos lanzar también nuestro grito de triunfo: ¡¡¡Ite Misa
est!!! Acabada está la misa. Ya la he terminado: consummatum est. Y ahora al cielo para siempre, para siempre, para
toda la eternidad.

SÉPTIMA PALABRA

«SEÑOR, EN TUS MANOS ENCOMIENDO MI ESPÍRITU» (LC. 23, 46)

e acerca el desenlace supremo. Cristo ha pronunciado su consummatum est. Se ha ido desangrando poco a poco:
«gota a gota», dice Séneca que morían los crucificados: per stillicida. El rostro de Nuestro Señor Jesucristo se está
transfigurando por momentos. Carne blanquecina que se vuelve violácea. Cejas hundidas. La nariz que comienza a
afilarse. Los labios que se adelgazan…

La Santísima Virgen María lo está presenciando todo y en aquellos instantes su corazón virginal experimenta una
indecible angustia:

«¡Ahora!»

Pero de pronto Nuestro Señor Jesucristo se rehace. Su rostro cobra todavía frescura y vigor. Y levantando sus
ojos al cielo clamó con una grande voz: «Padre, en tus manos encomiendo mi espíritu».

¡Padre! Ya no dice «Dios mío» como en la cuarta palabra. Ahora es el Hijo otra vez. El mismo que en su primera
palabra quiso conmover el corazón del Padre cuando pedía perdón por sus verdugos: «Padre, perdónalos, que no
saben lo que hacen». Ahora vuelve a pronunciar esta dulcísima palabra: «Padre».

«En tus manos encomiendo mi espíritu» Es decir, en tus manos entrego voluntariamente mi alma. Me diste el
mandato de subir a la cruz. Pero yo, tu divino Hijo, estoy totalmente identificado contigo.
«El Padre y Yo somos una misma cosa». Dos personas distintas, pero una sola y misma esencia. La voluntad del
Hijo estaba totalmente identificada con la voluntad del Padre. Eran dos personas, pero una sola esencia: «El Padre y
Yo somos una misma cosa». Tú me mandaste morir en la cruz, pero yo la acepté voluntariamente,con mi plena
libertad identificada con la tuya.

En tus manos encomiendo mi espíritu: te voy a entregar el alma. E inclinando la cabeza, expiró.

AI revés de lo que hacen los demás hombres, señores. Los hombres inclinan la cabeza en el momento de morir,
no antes. Precisamente es la muerte quien les abate la cabeza. Bajan la cabeza por exigencia de la muerte.

Jesucristo, no. Dice el Evangelio que inclinó la cabeza y después murió. Inclinó la cabeza como dándole su
consentimiento a la muerte, como diciéndole: «Ahora, apodérate de mí». Inclinó voluntariamente la cabeza y murió.

Pero si la muerte no tenía ningún dominio sobre Él! ¡Pero si era Él quien tenía dominio absoluto sobre la muerte!
Que lo digan sus resucitados, que lo diga la hija de Jairo, que lo diga el hijo de la viuda de Naím, que lo diga Lázaro,
cadáver putrefacto de cuatro días. Jesucristo les mandó resucitar y resucitaron. La muerte era súbdita de Jesucristo,
No podía apoderarse de Él. Solamente cuando Él le dio su permiso, la muerte se acercó con respeto a la cruz. «Et
inclinato capite —dice el Evangelio— tradidit spiritum»: y bajando la cabeza entregó su espíritu.

Y al instante un terrible terremoto sacude la roca del Calvario. La cruz de Cristo se balancea violentamente por
la tremenda sacudida. La gente huye alocadamente. El velo del templo se rasga de arriba abajo. El Centurión se
golpea el pecho: «Verdaderamente éste era el Hijo de Dios».

Los muertos resucitan. La Virgen María contempla aterrada el espectáculo…

Verdaderamente tenía razón un filósofo impío cuando en un

momento de sinceridad dijo: «La muerte de Sócrates es la muerte de un sabio, pero la muerte de Cristo es la muerte
de un Dios».

Murió Jesucristo como Dios que era. Con una majestad imponente. La naturaleza entera se conmovió ante la
muerte de Cristo.

Y el Antiguo Testamento terminó para siempre: el velo del templo se rasgó de arriba abajo como diciendo: se
acabó para siempre. Las figuras ya no tienen razón de ser cuando está presente la augusta realidad.

Y todavía el pueblo judío continúa en su obstinación. Esta misma tarde, en los cultos del Viernes Santo, ha
subido al cielo la oración entrañable de la Santa Iglesia pidiendo por el pueblo judío, que está obcecado todavía, que
tiene la mayor obcecación que registra la historia de la humanidad. Es increíble, señores, su ceguera y obstinación. La
gloria más grande del pueblo judío es precisamente haber sido el pueblo del Hijo de Dios; el que un judío sea nada
menos que la segunda persona de la Santísima Trinidad hecha hombre. Y en su terrible ceguera los judíos no lo
comprenden.

Rechazan su máxima gloria nacional, rechazan lo que debía enorgullecerás sobre todos los pueblos de la tierra.
¡Qué ceguera la de los judíos, señores! Se rompió el velo del templo; el Antiguo Testamento ya no tiene nada que
hacer, las sinagogas están haciendo el ridículo en el mundo entero ¡y no abren los ojos, no se dan cuenta de que el
Mesías, el Redentor de la humanidad, es Jesucristo Nuestro Señor!

Jesucristo murió. Y murió porque quiso. Voluntariamente, ya que tenía pleno dominio sobre la muerte.

La Santísima Virgen María en aquellos momentos pudo ya, por fin, acercarse a la santa cruz. Yo me imagino que
la pobrecita caería de rodillas para besa* el pie de la cruz y se incorporaría un poquitín para besarle los pies a su
divino Hijo convertido ya en cadáver. La cruz era muy bajita, se levantaba escasamente medio metro sobre el suelo;
de manera que la Santísima Virgen, para besarle los píes a su divino Hijo, tuvo que inclinarse reverentemente, acaso
hasta ponerse de rodillas. Y me imagino que incorporándose poco a poco haciendo un esfuerzo supremo… acaso
poniéndose de puntillas… subiendo, subiendo… llegaría a aplicar sus labios de Madre Virgen a la herida de su
Corazón abierto, del que acababa de brotar en aquel momento la Iglesia Santa de Dios.
La Virgen Santísima, modelo de dolor al pie de la cruz. Jesucristo, ya cadáver, acababa de consumar la redención
del mundo. A María le faltaba todavía el tormento de su amarguísima soledad. Jesucristo: ¡qué Buen Pastor! ¡Qué
Buen Pastor has sido! ¡Has sabido dar la vida por tus pobres ovejitas!

Jesucristo: Hace un rato te estaban provocando e insultando: «¿No eres tú el Hijo de Dios? ¡Baja de la cruz y
entonces creeremos en ti!».

Jesucristo; ¡qué bien hiciste en no bajar de la cruz!

¡Pobrecitos de nosotros si llegas a bajar! Porque estaba predestinado por Dios que la redención del género
humano no se consumase sino en lo alto de la cruz. ¡Tenías que morir en la cruz! Y en vez de mandar a la tierra que
se abriese para hundir en el infierno a aquellos infames, pediste perdón por ellos, aceptaste en silencio aquel
espantoso fracaso humano y no quisiste bajar de la cruz.

Precisamente porque querías salvarnos a nosotros.

¡Muchas gracias, Señor, porque no bajaste de la cruz! Porque quisiste morir en ella, ¡muchas gracias. Señor! Y
por ello cada año te recordamos con amor, y cada año te queremos más.

Señores, ¿quién de vosotros, los cultos, los eruditos, se acuerda de las últimas palabras que pronunciaron en
este mundo Sócrates, Aristóteles, Platón… los genios de la humanidad? ¡Nadie se acuerda de ellos! Y sin embargo las
Siete Palabras de Jesucristo en la cruz todos los años las recordamos con amor.

Y todos los años caemos de rodillas ante Ti, divino Crucificado. Y porque moriste por nosotros, cada vez te
queremos más, te amamos más. Lo más grande, lo más limpio, lo más puro, lo más inmaculado del mundo ha caído
siempre de . rodillas ante Cristo. Y precisamente (fijaos bien, ¡qué casualidad!) los criminales, los malvados, los
enemigos de la honradez, de la civilización, de la dignidad, de la decencia humana, los enemigos del orden social…
¡esos son los enemigos de Cristo!

¿Pero no lo veis, no lo estáis viendo en el mundo de hoy como en el de hace veinte siglos?

Lo más grande que ha habido en la humanidad ha caído siempre de rodillas ante Ti, Jesucristo crucificado. Eres el
más grande de los hijos de los hombres precisamente porque eres el Hijo de Dios.

¡Si hasta en el odio satánico de tus enemigos se advierte tu divina y definitiva grandeza! Te odian tanto, Señor,
porque eres tan grande, porque eres la figura cumbre de la humanidad. Por eso ellos te persiguen y por eso nosotros
te adoramos y caemos de rodillas a tus pies.

Pero nosotros, Señor, no te adoramos como al filósofo más grande, como a la figura cumbre y al prototipo
incomparable dela humanidad.

¡No! Nosotros te adoramos porque eres el Hijo de Dios, porque eres la segunda Persona de la Santísima Trinidad
hecha hombre, porque estás sentado a la diestra de Dios Padre y vendrás con gran poder y majestad a juzgar a los
vivos y a los muertos, Jesucristo, ¡gracias por haber muerto por nosotros en la cruz!

También nosotros moriremos. Moriremos todos. Sin falta.

Nuestras vidas son los ríos que van a dar en la mar que es el morir. Allá van los señoríos, derechos a se acabar y
consumir allí los ríos caudales, allí los otros medianos y más chicos; allegados, son iguales los que viven por sus
manos y los ricos

Moriremos. Pero moriremos confiados, Señor, porque Tú has muerto antes por nosotros.

Yo quiero morir como Tú, Jesucristo. Tú eres inocente, yo soy pecador. Pero Tú has muerto por mí y por lo mismo
ya puedo levantar mis miradas al cielo y con el corazón confiado decir:

«Padre, en tus manos encomiendo mi espíritu». Ya puedo morir tranquilo. Estoy perdonado, porque Cristo ha muerto
por mí.

Y quiero morir, no solamente como Tú, Señor. Quiero morir contigo, quiero morir sintiendo tu Corazón palpitar
junto a mi corazón.
¡Señor!, te lo pido en esta tarde del Viernes Santo. «¿Qué quieres en recompensa por el sermón que acabas de
pronunciar?» ¡Señor!, que a la hora de mi muerte me concedas la dicha inenarrable de recibir el Viático. Que pueda
recibirte en mi alma, que pueda estrecharte junto a mi corazón, como Buen Pastor, momentos antes de comparecer
delante de Ti como Juez Supremo de vivos y muertos.

¡Ven a mi corazón. Señor! Que reciba el Viático, que sienta palpitar tu Corazón lleno de amor junto a mi corazón
moribundo. ¡Señor!, quiero morir no solamente como Tú, sino contigo, presente en mi corazón. ¡El Viático!

Y para todos mis oyentes, los que están abarrotando la Iglesia de San José, de Madrid, y los millones de
españoles que me están siguiendo a través de la Radio, para todos ellos. Señor, te pido la misma gracia. Te pido que
mueran todos con el Viático en su corazón, con la alegría inmensa de sentir palpitar junto al suyo tu Corazón de Buen

Pastor. Quiero morir como Tú, quiero morir contigo, y esta misma gracia te pido para todos mis oyentes, para
todos los españoles y para todos los redimidos con tu sangre preciosísima que acabas de derramar en la cruz.

Y Tú, Virgencita de los Dolores, Reina y Soberana de los mártires; Tú que eres mi Madrecita querida, Tú que tienes
la obligación de tratarme como hijo. Aunque yo sea malo, Tú eres buena, Tú eres la Abogada y Refugio de los
pecadores. Fíjate bien, Virgen María, lo que te voy a decir, interpretando el sentir de todos mis oyentes y de todos los
españoles; fíjate bien» Madre mía querida:

Mientras mi vida alentare todo mi amor para ti. Mas si mi amor te olvidare… ¡Madre mía. Madre mía! Aunque mi
amor te olvidare ¡tú no te olvides de mí!, que si Tú, Virgencita de los Dolores, Reina y Soberana de los mártires, si Tú
no te olvidas de nosotros y vienes a la hora de nuestra muerte a recoger nuestro último suspiro, ya tenemos
asegurada para siempre nuestra dicha y felicidad eternas.

Porque con tus manos virginales de Madre y de Corredentora nos llevarás hasta el trono de tu divino Hijo, y Tú le
arrancarás aquella sentencia de vida eterna: «Bien, siervo bueno y fiel, porque fuiste fiel en lo poco, te voy a
constituir sobre lo mucho: ¡entra para siempre, para siempre, en el gozo de tu Señor!»… Que así sea.

http://sededelasabiduria.es/2019/04/14/la-pasion-del-senor-sermon-de-las-vii-palabras/

LA VIRGEN MARÍA CORREDENTORA 1/9


LA MADRE CORREDENTORA

La explicación del quinto dogma sobre la Bienaventurada Virgen María

De La Virgen María. Teología y Espiritualidad Marianas, por Antonio Royo Marín

Vamos a examinar en este capítulo una de las cuestiones más importantes de la teología mariana y una de las más
profundamente investigadas en estos últimos tiempos: la cooperación de María a la obra de nuestra redención
realizada por Cristo en el Calvario, por cuya cooperación conquistó María el título gloriosísimo de Corredentora de la
humanidad.

Creemos que María fue real y verdaderamente Corredentora de la humanidad por dos razones fundamentales:

1. a) Por ser la Madre de Cristo Redentor, lo que lleva consigo-como ya vimos-la maternidad espiritual sobre
todos los redimidos.

2. b) Por su compasión dolorosísima al pie de la cruz, íntimamente asociada, por libre disposición de Dios, al
tremendo sacrificio de Cristo Redentor.

Los dos aspectos son necesarios y esenciales; pero el que constituye la base y fundamento de la corredención
mariana es—nos parece—su maternidad divina sobre Cristo Redentor y su maternidad espiritual sobre nosotros. Por
eso hemos querido titular este capítulo, con plena y deliberada intención, la Madre Corredentora, en vez de la
Corredención mariana, o simplemente la Corredentora, como titulan otros. Estamos plenamente de acuerdo con
estas palabras del eminente mariólogo P. Llamera:

«La corredención es una función maternal, es decir, una actuación que le corresponde y ejerce María por su
condición de madre. Es corredentora por ser madre. Es madre corredentora»
El orden de nuestra exposición doctrinal en este capítulo será el siguiente:

1. Nociones preliminares.

2. Existencia de la corredención mariana.

3. Naturaleza de la corredención.

4. Modos de la misma.

Dentro de la amplitud enorme de la materia, nuestra exposición será lo más breve y concisa posible. No nos
dirigimos a los teólogos profesionales, sino al gran público, que tiene derecho a que se le digan las cosas con
brevedad, claridad y en un lenguaje perfectamente accesible a cualquier persona de mediana cultura.

Nociones previas

1. a) FINALIDAD REDENTORA DE LA ENCARNACIÓN DEL VERBO. Prescindiendo de la cuestión puramente


hipotética de si el Verbo de Dios se hubiera encarnado aunque Adán no hubiera pecado—de la que nada
podemos afirmar ni negar, puesto que nada nos dice sobre ello la divina revelación—, sabemos ciertamente,
por la misma divina revelación, que, habiéndose producido de hecho el pecado de Adán, la encarnación se
realizó con finalidad redentora, o sea para reconciliarnos con Dios y abrirnos de nuevo las puertas del cielo
cerradas por el pecado. Consta expresamente en multitud de textos de la Sagrada Escritura (Véanse, p.ej., Mt
20,28; Jn io,io; i Jn 4,9; Gál 4,4-5; 1 Tirn 1,15, etc) y constituye uno de los más fundamentales artículos de
nuestro Credo: «Que por nosotros los hombres y por nuestra salvación descendió del cielo».

2. b) CONCEPTO DE REDENCIÓN. En sentido etimológico, la palabra redimir (del latín re y emo = comprar) signi-
fica volver a comprar una cosa que habíamos perdido, pagando el precio correspondiente a la nueva compra.

Aplicada a la redención del mundo, significa, propia y formalmente la recuperación del hombre al estado de justicia y
de salvación, sacándole del estado de injusticia y de condenación en que se había sumergido por el pecado,
mediante el pago del precio del rescate: la sangre de Cristo Redentor ofrecida por El al Padre.

c) CLASES DE REDENCIÓN. Los mariólogos—a partir de Scheeben—suelen distinguir entre redención objetiva y
subjetiva. La objetiva consiste en la adquisición del beneficio de la redención para todo el género humano, realizada
de una sola vez para siempre por Cristo mediante el sacrificio de la cruz (cf. Heb 9,12). La segunda—la subjetiva—
consiste en la aplicación o distribución de los méritos y satisfacciones de Cristo a cada uno de los redimidos por El.

Nosotros, al hablar en este capítulo de la redención, nos referiremos siempre—de no advertir expresamente otra
cosa—a la Redención objetiva realizada en el Calvario.

d) CONCEPTO DE CORREDENCIÓN. Con esta palabra se designa en mariología la participación que corresponde a
María en la obra de la redención del género humano realizada por Cristo Redentor. La corredención mariana es un
aspecto particular de la mediación entendida en su sentido más amplio, o sea la cooperación de María a la
reconciliación del hombre con Dios mediante el sacrificio redentor de Cristo. La corredención se relaciona con la
redención objetiva, mientras que la distribución de todas las gracias por María es un aspecto secundario de la
redención subjetiva.

e) CLASES DE CORREDENCIÓN. Los mariólogos dividen la corredención mariana en mediata o indirecta e inmediata o
directa. Los protestantes rechazan ambas corredenciones. Algunos teólogos católicos—muy pocos—admiten
solamente la mediata o indirecta, por habernos traído al mundo al Redentor de la humanidad. La inmensa mayoría
de los teólogos católicos —apoyándose en el mismo magisterio de la Iglesia—proclaman sin vacilar la corredención
inmediata o directa, o sea no sólo por habernos traído con su libre consentimiento al Verbo encarnado, sino también
por haber contribuido directa y positivamente, con sus méritos y dolores inefables al pie de la cruz, a la redención del
género humano realizada por Cristo.

Existencia de la corredención mariana


. El hecho o la existencia de la corredención mariana se apoya en la Sagrada Escritura, en el magisterio de la Iglesia,
en la tradición cristiana y en la razón teológica. Vamos a examinar con la mayor brevedad posible cada uno de estos
lugares teológicos.

. LA SAGRADA ESCRITURA. Católicos y no católicos coinciden en que la Sagrada Escritura no dice expresamente en
ninguna parte que María sea Corredentora de la humanidad. Pero hay en la Biblia—en ambos Testamentos—gran
cantidad de textos que, unidos entre sí e interpretados por la tradición y el magisterio de la Iglesia, nos llevan con
toda claridad y certeza a la corredención mariana.

Un resumen del argumento escriturario lo ha hecho en nuestros días el P. Cuervo, (Cf. MANUEL CUERVO, O.P.,
Maternidad divina y corredención mariana (Pamplona 1967) P-236-38. ) cuyas palabras nos complacemos en citar
aquí :

«Superfluo parece decir ahora que la corredención mariana no se halla en la Escritura de una manera expresa y
formal. Pero de aquí no se sigue que no se encuentre en ella de algún modo. Oscura y como implícitamente la
encontramos en la primera promesa del redentor, que había de ser de la (posteridad) de la mujer, o lo que es lo
mismo, del linaje humano, y poi tanto nacido de mujer (Gén 3,15). No se dice aquí que la mujer de la que había de
nacer el redentor sea María, pero, en el proceso progresivo de la misma revelación divina, se va determinando cada
vez más cuál sea esa mujer de la que había de nacer el redentor del mundo. Así Isaías dice que nacería de una virgen
(Is 7,14) y Miqueas añade que su nacimiento tendría lugar en Belén (Miq 52), todo lo cual concuerda con lo que los
evangelistas San Mateo y San Lucas narran acerca del nacimiento del Salvador (Mt 1,23; 2,1-6; Lc 2,4-7). Un ángel
anuncia a María ser ella la escogida por Dios para que en su seno tenga lugar la concepción del Salvador de los
hombres, a lo cual presta ella su libre asentimiento (Lc 1,28-38), dándole a luz en Belén (Le 2,4-7). Con lo cual se
evidencia aún más que la predestinación de María para ser madre de Cristo está toda ella ordenada a la realización
del gran misterio de nuestra redención.

Esta predestinación encuentra su realización efectiva en la concepción del Salvador, y en los actos por los cuales ella
prepara primero la Hostia que había de ser ofrecida en la cruz por la salvación del género humano, y coopera
después con Cristo, identificada su voluntad con la del Hijo, co-ofreciendo al Padre la inmolación de la vida de su Hijo
para salvación y rescate de todos los hombres.

La unión de María con Jesús se extiende a todos los pasos de la vida del Salvador. Después de haberlo dado a luz, lo
muestra a los pastores y Reyes Magos para que lo adoren (Lc 2,8-17; Mt 2,1-12); lo cría y sustenta; lo defiende de las
iras de Herodes huyendo con El a Egipto (Mt 2,13-15); lo presenta para ser circuncidado (Lc 2,21), y en el templo oye
al viejo Simeón anunciarle el trágico final de su vida y la «resurrección de muchos» que le habían de seguir (Lc 2, 22-
35); lo va a buscar a Jerusalén, donde lo halla en el templo en medio de los doctores de la ley, escuchándoles y
respondiendo a sus preguntas, quedando todos admirados de la sabiduría y prudencia en sus respuestas (Lc 2,42-49),
e interviene, en el comienzo de su vida pública, en las bodas de Caná (Jn 2,1-5). Por fin, asiste a la ininolación de su
vida en la cruz por nosotros (Jn 19,25), co-inmolándolo y co-ofreciéndolo ella también en su espíritu al Padre para
conseguir a todos la vida.

Ahora bien: dada la unión tan estrecha que en la predestinación y revelación divina tienen Jesús y María acerca de
nuestra redención, sería gran torpeza no ver en todos estos hechos nada más que la materialidad de los mismos, sin
percibir el lazo tan íntimo y profundo que los une en el gran misterio de nuestra salud. Porque en todos esos hechos
no sólo resalta la preparación y disposición por María de la Víctima, cuya vida había de ser inmolada después en el
monte Calvario por la salvación de todos, sino también la unión profunda de la Madre con el Hijo en la inmolación y
oblación al Padre de su vida por todo el género humano en virtud de la conformidad de voluntades entre los dos
existente.

Como, por otra parte, la maternidad divina elevaba a María de un modo relativo al orden hipostático, el cual en el
presente orden de cosas está esencialmente ordenado, por voluntad de Dios, a la redención del hombre con la
inmolación de la vida de su Hijo en la cruz, por cuya voluntad estaba plenamente identificada la de la Madre, no sólo
en el fin de nuestra redención, sino también en los medios señalados por el mismo Dios para conseguirla, la Virgen
María, además de preparar la Víctima del sacrificio infinito, cooperó con el Hijo en la consecución de nuestra
redención co- inmolando en espíritu la vida del Hijo y co-ofreciéndola al Padre por la salvación de todos, juntamente
con sus atroces dolores y sufrimientos, constituyéndose así en verdadera «colaboradora» y «cooperadora» de
nuestra redención, como enseña también el Vaticano 11 4. Es decir, en Corredentora nuestra.

He aquí de qué manera en los hechos de la revelación divina, contenidos en la Sagrada Escritura, está reflejada la
existencia de la corredención mariana».

En el próximo artículo veremos EL MAGISTERIO DE LA IGLESIA

http://sededelasabiduria.es/2019/02/05/la-virgen-maria-corredentora-1-9/

LA VIRGEN MARÍA CORREDENTORA 2/9


LA CORREDENCIÓN DE LA VIRGEN MARÍA EN EL MAGISTERIO DE LA IGLESIA

2/9

El Magisterio infalible de la Iglesia se ejerce, como es sabido, de dos maneras principales:

a) De manera extraordinaria por una expresa definición dogmática del Papa hablando «ex cathedra de forma
solemne», o del concilio ecuménico presidido por el Papa.

b) De manera ordinaria, por las encíclicas, discursos, etc., del Romano Pontífice «ex cathedra por el magisterio
ordinario », o a través de las Congregaciones Romanas, o por los obispos esparcidos por todo el orbe católico unidos
al Papa, o por medio de la liturgia.

No ha habido hasta ahora ninguna definición dogmática de la corredención por parte del magisterio extraordinario
de la Iglesia, pero sí múltiples declaraciones expresas del magisterio ORDINARIO, tanto por parte de los Sumos
Pontífices como de los obispos y de la liturgia oficial de la Iglesia. Aquí nos vamos a limitar al testimonio de los
últimos Pontífices por su especial interés y actualidad. [ Una prueba casi exhaustiva del magisterio de los papas,
obispos y liturgia la encontrará el lector in la ya citada obra de CAROL De corredemptione B. V. Mariae disputato
positiva (Ciudad del Vaticano io) p.509-619. En cuanto al valor del magisterio ordinario ejercido por los papas a través
de sus encíclicas, conviene recordar las siguientes terminantes palabras de Pío XII Tampoco ha de pensarse que las
enseñanzas de las encíclicas no requieren de suyo nuestro asentimiento, con el pretexto de que los pontífices no
ejercen en ellas el poder de su magisterio supremo, puesto que estas enseñanzas pertenecen al magisterio ordinario,
al que también se aplican aquellas palabras del Evangelio: El que a vosotros escucha, a mi me escuchas (Le 1, i6); y,
de ordinario, todo cuanto se propone e inculca en las encíclicas es ya, por otros conceptos, patrimonio de la doctrina
de la Iglesia. Y si los sumos pontífices manifiestan de propósito en sus documentos una sentencia en materia hasta
entonces controvertida, es evidente para todos que tal cuestión, según la intención y voluntad de los mismos
pontífices, no puede ya tenerse por objeto de libre discusión entre los teólogos. (encíclica Humani generis 112–501;
cf. D 2313).

Pío IX: «Por lo cual, al glosar—tos Padres y escritores de la Iglesia—las palabras con las que Dios, vaticinando en los
principios del mundo los remedios de su piedad dispuestos para la reparación de los mortales, aplastó la osadía de la
engañosa serpiente y levantó maravillosamente la esperanza de nuestro linaje, diciendo: Pondré enemistades entre ti
y la mujer, entre tu descendencia y la suya (Gén 3, ii), enseñaron que, con este divino oráculo, fue de antemano
designado clara y patentemente el misericordioso Redentor del humano linaje, es decir, el unigénito Hijo de Dios,
Jesús, y designada su santísima Madre, la Virgen María, y al mismo tiempo brillantemente puestas de relieve las
mismísimas enemistades de entrambos contra el diablo. Por lo cual, así como Cristo, mediador de Dios y de los hom-
bres, asumida la naturaleza humana, borrando la escritura del decreto que nos era contrario, lo clavó triunfante en la
cruz, así la Santísima Virgen, unida a El con apretadisimo e indisoluble vínculo, ejercitando con El y por El sus
sempiternas enemistades contra la venenosa serpiente y triunfando de la misma plenísiinamente, aplastó su cabeza
con el pie inmaculado» [ ( Pío IX, bula lneffabilis Deus(8-12-1854).C.f. Doc. mar. n.255 (véase el texto original)]

Apenas es posible expresar con mayor precisión y claridad la doctrina de la corredención mariana en Jesucristo con Ël
y por Él «Triunfar con