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Bianca da Silva Cobra1

Nuances entre História e Mito na Eneida: a intertextualidade e o aemulatio


na construção poética.

Shades between History and Myth in the Aeneid: intertextuality and aemulatio in poetic
construction.

————————————————————————————————–

Resumo:
O presente artigo pretende suscitar algumas questões que podemos depreender a partir da
leitura da Eneida, de Virgílio. Nas quais a relação entre a mitologia e historiografia
confluem entre si. Assim como realizar uma breve análise dos fundamentos que
nortearam as construções poéticas em Virgílio, de modo a compreender como o contexto
histórico age dentro do fazer poético virgiliano.
Palavras-Chave:
Eneida; Virgílio, História

Abstract:
The present article intends to raise some subjects that we can infer starting from the
reading of Aeneid, of Virgil. In which the connection between the mythology and
historiography converges amongst themselves. As well as accomplishing an abbreviation
analysis of the foundations that orientated the poetic constructions in virgil, so it becomes
clear to understand as the historical context acts inside of virgil poetic doings.
Keywords:
Aeneid; Virgil; History

¹ Graduando de Licenciatura em Letras. Instituto de Ciências Humanas e Sociais (UFOP). E-mail:


bianca.cobra1@aluno.ufop.edu.br
1. Introdução:
Na civilização grega as Epopeias de Homero constituem um pilar para o
desenvolvimento da educação de jovens gregos (a Paidéia), isto é, a Ilíada e a Odisseia
ofereceram os modelos heroicos que nortearam a formação dos cidadãos das Pólis. Assim
como na Grécia, a civilização romana assume a mesma tradição, uma vez que a Eneida
constituiu-se como o texto de fundamental importância, e um dos mais estudados pelos
jovens que recebiam instrução na sociedade Romana. Tornando-se não somente um
grande clássico na língua latina, como também exerceu muita influência posteriormente,
sobre pensadores e poetas da civilização ocidental através dos séculos. Para
compreendermos toda rede complexa que envolve essa obra, precisamos ter em mente
alguns aspectos históricos, assim como deixar bem esclarecido a relação entre literatura
e poder político. Ora, o uso da literatura para enaltecimento de nações e unificação
identitária nacional não é algo novo para leitores modernos, contudo, no intuito de
apresentar essa obra em toda sua complexidade é preciso estender-nos por todas suas
propriedades, desde históricas, políticas, mitológicas até literárias. Até mesmo porque
não podemos nos dar ao luxo de depreender um estudo acerca dessa obra e não situá-la
dentro das condições políticas e culturais que lhe deram origem.
Encomendada pelo Imperador Otávio Augusto no século I. a.C., a Eneida é maior
expressão literária representativa e sintetizadora dos ideais que compunham o grande
império romano enquanto nas governo de Augusto. E é possível afirmar que tanto a
História quanto a Poesia foram instancias que ocuparam uma posição de muita gravidade
e prestígio no principiado de Augusto. A fim de compreender um fator importante da
historiografia romana: o cerne que conecta e entrelaça mito e história; é preciso que
ponderemos sobre alguns elementos históricos que compõe os primórdios da civilização
romana.

1.1 História por trás da Eneida

Com a morte e assassinato do líder militar e político Júlio César, em 44 a.C.,


inicia-se uma crise política e uma quebra de ordem que irá desencadear o começo do
império em Roma. Segundo Silva:
O assassinato de Júlio César, ocorrido em 44 a.C., após um período de
clara afirmação dos princípios monárquicos em Roma às expensas das
práticas político-institucionais características do regime republicano,
trouxe novo alento aos partidários mais exaltados da primazia do Senado
no que diz respeito à condução dos assuntos públicos. (SILVA, G. V.
Política, ideologia e arte poética em Roma: Horácio e a criação do
Principado. Politeia, Vitória da Conquista, v. 1, p. 29-52, 2001.)

Embora haja muito embate em meio aos estudiosos historiadores quanto a


natureza o Principiado, um elemento parece estar em acordo entre as partes: o aspecto
monárquico nítido na concentração de poder, diferente do anterior regime republicano.
Augusto ascende como uma figura superior, divino, visto pela plebe com adoração digna
de um Deus. Com tamanha aprovação Augusto é capaz de atrair para si poderes de órgãos
republicanos, tornando-se um líder supremo no império, uma vez que encontrava-se aos
olhos do povo como um ser elevado, acima de homens comuns. Não se assume, contudo,
uma postura completamente coerciva, apesar da centralização de poder, Augusto parece
compreender em seu governo que o poder social transpassa instituições militares, como
afirma Silva:
(...)o poder social não é uma coisa que se possui: é uma relação
entre pessoas. Daí decorre que uma relação de poder somente se
institui se existe, ao lado do indivíduo ou grupo que o exerce, outro
indivíduo ou grupo que é induzido a comportar-se tal como
aquele deseja.(Silva, 2001, p.33)
Para Silva:
A explicação tradicional para essa extraordinária ascensão
política de Augusto fundamenta-se no monopólio dos meios de
coerção exercidos pelo princeps, enfatizando-se o controle estrito
mantido por ele sobre o exército. Desse modo, a monarquia
criada por Augusto seria uma monarquia nitidamente militar,
consistindo a legitimidade do governo, em última instância, na
sua capacidade de mobilizar a força física contra qualquer
ameaça de oposição, ao mesmo tempo em que cabia ao imperador
o comando real ou potencial de todos os efetivos militares à
disposição do Estado, fossem eles de infantaria, cavalaria ou
marinha e compostos por cidadãos ou provinciais. . (SILVA, G.
V. Política, ideologia e arte poética em Roma: Horácio e a criação
do Principado. Politeia, Vitória da Conquista, v. 1, p. 29-52,
2001.)

Essa adoração e prestígio conferidos à Augusto também não são gratuitos,


constitui, na verdade, um processo que se inicia com a ideia partilhada pelo povo romano
de que César traria paz e prosperidade à Roma, e é abalada com a súbita morte do
governante, assassinado pelos membros do senado. O golpe de estado e o assassinato de
Júlio César geram repercussões gravíssimas, desencadeando uma revolta na população,
principalmente na camada popular. Como resultado temos um período marcado por
disputas acirradas entre os defensores de um governo autoritário e absoluto, acarretando
uma divisão nos cidadãos de Roma. Isto é, entre aqueles que apoiavam a causa de Marco
Antonio e aqueles que apoiavam a causa do sobrinho neto de Júlio César: Otávio Augusto.
Segundo Pierre Grimal: “ (...)Os triúnviros Antônio, Otávio e Lépido, receberam a missão
de reorganizar Roma, de dar-lhes leis novas” (GRIMAL, 1992. PP 50). É nesse conflito
e dentro desse contexto histórico que nos deparamos com Virgílio, em um período no
qual a sociedade romana estava inserida num cenário caótico, com o fim da república e o
início do império. Virgílio, como apoiador de Augusto, torna-se um dos maiores
pregadores dos ideais morais defendidos pelo imperador. Por meio de suas criações
poéticas encomendadas pelo imperador, Virgílio auxiliou na construção do império,
refletindo os ideais do imperador a partir de um diálogo presente em suas obras entre
filosofia e política.
Antes de Augusto a civilização romana experenciava um cenário caótico, rodeado
por guerras e constante batalhas, as conquistas territoriais delimitaram a realidade
experienciada pelo povo romano. Guerras empreendidas pelo comando de Júlio César,
que cumpriu seu dever de expandir vastamente a dominação territorial, política e
administrativa romana. O enfrentamento a esses momentos caóticos anteriores ao
aparecimento de Augusto resultou em um momento de desalento, os romanos
encontravam-se apáticos quanto ao futuro devido a exposição a tantas guerras, a incerteza
e a insatisfação com o governo permeavam a realidade política. Com Augusto a esperança
retorna ao povo, já que o imperador inicia um processo para remendar uma realidade
cingida por guerras, conquistas e sangue derramado. O imperador promete algo novo,
algo que estava até então tão distante para o povo romano: Paz. No entanto, para alcançar
um objetivo como esse, Augusto teve de reconstruir muitos dos fundamentos que
sustentavam a sociedade romana. Segundo Coelho:
A construção de um novo sistema político por Augusto não foi
resultado apenas de um processo de concentração de poderes e
títulos republicanos em suas mãos. De fato, o Principado, como
afirma Gilvan V. Silva (2001, p. 49), implicou também a criação
de um sistema cultural capaz de nortear as ações políticas
desenvolvidas pelo princeps, visando a quatro objetivos:
conquistar partidários para a sua causa, debelar os focos de
oposição ao novo regime, justificar tais ações perante a sociedade
e permitir aos envolvidos no processo a compreensão daquilo que
se passava.( Coelho, 2015, p.36)

No intuito de alcançar seus objetivos Augusto foi minucioso na manipulação ao


reerguer e espalhar os ideais que fundamentavam a civilização romana, retomando sua
grandeza com grandes monumentos e obras artísticas. Ou seja, dedicou-se no
desenvolvimento da arquitetura; defendeu gravemente a moralidade, a religião e a
dedicação aos costumes tradicionais e culturais que deveriam moldar e guiar a vida do
cidadão romano; e, não menos importante, a literatura, usando-a para favorecer a sua
imagem e a de seu governo, ora, manipulou o potencial literário para solidificar a
concentração do seu poder. De tal forma que podemos nomear o surgimento da literatura
na sua época como: “literatura augustana”. Uma vez que Augusto dedicou-se na busca de
poetas talentosos que pudessem legar para a história e ao povo a imagem que ele precisava
sustentar, em ordem de preservar a promessa de seu governo: a Pax Romana. Assim,
percebemos que a história é essencial para que possamos nos verter e pensar sobre as
elaborações poética realizadas no império de Augusto.
Ao desenvolver suas ideias, Augusto tinha em mente a
importância da criação de uma imagem de si como o defensor
das tradições cívicas e morais romanas bem como da
consolidação de um consenso positivo acerca do seu governo.
Nesse sentido, concordamos com Citroni (2009, p. 14) quando
afirma que o imperador percebeu que os poetas, ao escreverem
suas obras, seriam de grande valia na obtenção desse consenso,
ajudando-o a consolidar a sua posição perante a sociedade
romana. ( Coelho, 2015, p.38)

2. Públio Virgílio Marão (Publius Vergilius Maro)

O poeta latino Públio Virgílio Marão, reconhecido e tido por muitos pesquisadores
como um poeta de excelência, insuperável. Tal homem nasceu no dia 15 de outubro do
ano 70 a.C., em Andes, um povoado não muito afastado de Mântua. Alguns
pesquisadores afirmam em seus estudos biográficos que Virgílio cresceu rodeado por
paisagens que refletiram posteriormente em suas construções poéticas. Segundo Mendes:
(...) pastores, deuses e semideuses, animais bravios, lagartos,
pássaros e insetos - em perfeita simbiose de ritmos vitais e
partícipes de um concerto interminável de música e poesia...”
(Mendes: 1985).
Há aqueles que defenderam a perspectiva de Virgílio como simplório reprodutor
(plagiador) da poesia homérica. Uma crítica defendida por seus contemporâneos e que
atacavam sua poesia, incapazes de compreender claramente a diferença entre uma simples
reprodução e uma elaboração espelhada numa obra, constituída de referências
intertextuais que confluem para um exercício de admiração para a obra a qual se espelha,
isto é, uma elaboração muito minuciosa de apreender muitas fontes e saber aplicá-las de
modo a elaborar um novo princípio estético, criador de novos sentidos a partir do autor
que se evoca. Para compreender melhor essa crítica e a criação poética virgiliana,
esclarecerei por seguinte alguns conceitos usados para designar os processos que
nortearam a poesia desse mestre: imitatio, aemulatio e contaminatio.

2.1 Imitatio –
Para que nos debrucemos sobre esse conceito acredito ser imprescindível
comentar pausadamente as elaborações teóricas de Aristóteles acerca da Mimeses, que
vai culminar na tradução concebida pelos latinos: Imitatio.

Parece haver duas causas, e ambas devidas à nossa natureza, que


deram origem à poesia.2. A tendência para a imitação é instintiva
no homem, desde a infância. Neste ponto distinguiu-se de todos
os outros seres, por sua aptidão muito desenvolvida para a
imitação. Pela imitação adquire seus primeiros conhecimentos,
por ela todos experimentam prazer. (ARISTÓTELES, 1996
, p.244).

Diferente da perspectiva platônica2, Aristóteles não vê a poesia como uma


representação de segunda grau, como mera cópia da natureza, afastada do mundo das
ideias, para ele a poesia se realiza como representação da natureza que não requer
necessariamente uma exatidão, podendo dar conta de mostrar o que poderia ou deveria
ser. Isto é, o artista não imitaria a natureza de modo estritamente fidedigno, a isso cabe o
papel da História, portanto a poesia teria liberdade de promover uma melhoria, outras
possibilidades de narrativa que estivessem também de acordo com a realidade, ou seja,
contanto seguissem uma verossimilhança. A partir das refutações de Aristóteles contra o
argumento de Platão, a poesia maneja arranjar um lugar independente, escapando o rótulo
de imitação das aparências, dos arquétipos. Vale destacar que Aristóteles define como
objeto principal da mimeses, do processo de imitação, para a poesia é a práxis humana.
Podemos assumir assim que a arte não imita as coisas das naturezas, mas as leis universais
que as permeiam, logo o importante seria que as proporções, as leis estivessem de acordo
com o que se sabe e espera delas, formando uma imitação de algo próximo a Verdade,
mas não a Verdade em si. Eis o princípio de verossimilhança que irá ser seguido por

2
Platão defende uma perspectiva na qual existem três mundos, realidades: o mundo verdadeiro, inteligível,
divino; a realidade espelhada por um eco de uma lembrança contida nos indivíduos desse plano superior e
verdadeiro, realizada no mundo sensível pelos artesãos, cujas criações constituiriam assim uma cópia da
realidade verdadeira; e a criação dos pintores e poetas seriam cópias dessas cópias, sendo, em suma, uma
imitação menor: a cópia da cópia, a imitação da aparência, que por si já está muito distante da Verdade, do
mundo verdadeiro.
muitos poetas, inclusive por Virgílio. Uma obra verossímil requer do autor uma
representação que esteja de acordo com as leis e a lógica da natureza, mas não exige uma
cópia fidedigna dela.
Pelo que atrás fica dito, é vidente que não compete ao poeta
narrar exatamente o que aconteceu; mas sim o que poderia ter
acontecido, o possível segundo a verossimilhança ou a
necessidade. 2. O historiador e o poeta não se distinguem um do
outro, pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo
escrever em verso (pois se a obra de Heródoto houvesse sido
composta em verso nem por isso deixaria de ser obra de História,
figurando ou não o metro nela). Diferem entre si, porque um
escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter
aonctecido.3. Por tal motivo a poesia é mais filosófica e de
caráter mais elevado que a História, porque a poesia permanece
no universal e a História estuda apenas o particular.
(ARISTÓTELES,1996, p.252)

Temos, portanto, um conceito elaborado de mimeses que compreende um


processo de arranjo de alguns eventos, a evocação de histórias e mitologias condicionadas
em uma estrutura determinada, isto é, a tragédia, a comédia e a epopeia vão exigir
diferentes metros e métodos de imitação para que os elementos que a compõe encaixem
perfeitamente. Como numa orquestra na qual os sons são conduzidos pelo maestro a fim
de que possam alcançar juntos uma harmonização perfeita e causar um deleite, uma
catarse no seu público.
Sabendo que para Aristóteles a mimesis constitui uma imitação tanto verossímil
quanto idealizada na natureza, das ações dos homens, esse aspecto se torna um novo
modelo a ser seguido na poesia, que vai moldando sua identidade e ganhando
gradativamente um caráter mais técnico, em oposição a noção de Verdade ontológica
visada e defendida por Platão. Posteriormente esse processo vai se tornando cada vez
mais sólido, e um dos pensadores que ajudam a endossá-lo foi Plutarco, que abrirá mão
das preocupações incididas por Platão.
Considero relevante mencionar aqui que mais tarde a intersecção das noções de
mimeses gerou representações alegóricas interessantes, que comportam em si um resumo
e uma descrição visual do que era esse processo. Destacarei uma delas no trabalho, que
está na Nova Iconologia Del Cavalier Cesare Ripa Perugino, de 1593. Uma das alegorias
expressas na obra representa o processo de imitação discutido até agora:
Figura 1, Imitatione. RIPA, Cesare. Iconologia .

Contém nessa figura uma síntese dos elementos da mimesis e da relação entre
eles. A mulher na figura representa a mimeses, sustentando na mão direita pincéis,
instrumentos da arte, da imitação das cores e das pinturas; a mão esquerda sustenta uma
máscara, que faz menção ao teatro e a noção de aparência; e, por fim, o animal a seus pés
descrito como um macaco, que faz uma alegoria da imitação da práxis humana. Ripa
afirma que a máscara e o macaco são representações das ações humanas, o macaco por
ser um animal capaz de imitar e gesticular como o homem.
Por fim, basta afirmar que os latinos aplicavam esse método à sua escrita, visto
que sua poesia era de fato espelhada da poesia grega. Embora derrotados pelos latinos, os
gregos prevaleceram nas manifestações artísticas, continuando a se expandir
culturalmente. Isso foi possível já que os romanos, segundo Vasconcellos: “Roma
crescera imitando instituições dos outros povos que considerava boas e úteis”.
(Vasconcellos, 2001, p. 14). Assim sendo, Roma foi uma nação que aninhou diversas
manifestações culturais e utilizou-as para seu próprio benefício. Ora, dessa forma
poderiam ter concebido outros gêneros literários e emancipar-se, mas o contato com a
cultura grega impediu o seu desenvolvimento. Mas, assim como adotou fundamentos da
poesia grega, também adotou o método dos neoterói3, isto é, muitos poetas latinos
passaram a empregar na sua poesia um método intertextual.
Agora que já esbocei algumas explicações quanto ao conceito da mimeses,
traduzido pelos latinos por “imitatio”, esclarecendo que esse processo se constitui como
colocado por Vasconcellos (2001): “ literatura em segundo grau, se assim podemos nos
expressar, derivada de matéria preexistente”. Podemos passar para o próximo conceito,
fundamentado na noção de imitatio, mas que levanta alguns aspectos divergentes.

2.2 Aemulatio –

Uma vez que compreendemos como funcionava esse processo de imitação


utilizado no fazer poético antigo, podemos nos verter sobre esse conceito, que (como
mencionei anteriormente) vai seguir os fundamentos desse processo, mas possui uma sutil
diferença. A noção de aemulatio4 determina que o escritor de uma poesia que imita, que
evoca um grande e respeitado modelo, deve realizar esse processo de imitação, mas não
como mero reprodutor da obra evocada, mas sim realizar um exercício no qual tendo-a
como modelo, possa trabalhar para superar ou igualar-se a ela com a sua própria
construção poética.
Empregar o aemulatio constituía um processo muito minucioso, operado nos
detalhes da composição, no qual já não basta simplesmente realizar o processo de
imitação, e já não basta espelhar-se somente nos modelos gregos superiores, deve também
ter em mente os modelos latinos que por si já são uma construção de várias camadas
intertextuais. Ou seja, o escritor poderia retomar um modelo grego por meio de um poeta
latino que já o imitou. Para esse processo os escritores esperavam que seus leitores
pudessem perceber as fontes utilizadas, de modo que pudesse compreender o contexto
intertextual do texto, que não se limita a uma simples imitação, mas um processo que
requer muito conhecimento para seu objetivo de equiparar-se ou até mesmo superar a
obra a qual ele evoca e elogia em seus versos.

O aparecimento dessa noção na qual apenas o imitatio já não é suficiente é


resultado provindo da consagração de alguns poetas como exemplos de excelência
artística, ou seja, a partir da criação de um cânone literário que confere mais méritos a

3 Traduzido comumente por “novos poetas”, título conferido para os poetas que trabalhavam nas
bibliotecas, nas casas de conhecimento fundadas por Alexandre o Grande. Poetas que revolucionaram
certos aspectos na poesia feita até então seguindo somente os modelos homéricos.
4 Emulação
determinados escritores, tornando-os em paradigmas e modelos a serem seguidos. O
estabelecimento de um cânone foi uma realização dos filólogos alexandrinos, que
cuidavam das casas de conhecimento fundadas por Alexandre o Grande, e possuíam o
dever de catalogar e organizar uma vastidão de conhecimentos. São, portanto, homens
extremamente cultos, conhecedores de muitas referências. E a partir do contato com essas
referências e tanto conhecimento, esses filólogos passam a atribuir estatutos de grandeza
para certas poesias e acabam por selecionar diversos modelos. E, posteriormente, isso já
vai estar presente no fazer poético dos escritores romanos, que vão se apropriar de uma
missão de superação.
Tal como a mimeses descrita por Aristóteles como uma narrativa que, dotada da
capacidade de narrar o que poderia e deveria ser, poderia promover um melhoramento,
uma expectativa mais favorável da realidade; a emulação por sua vez conceberia um
aperfeiçoamento de modelos canônicos, pegando características de um e somando com
as de outro, de modo que o resultado fosse uma obra final harmoniosa e perfeita, se
possível, até mais perfeita que as outras. Assim discorre o processo de emulação, o desejo
que combina ambas rivalidade e admiração, num exercício de superação.

2.3 Contaminatio –
Esse processo presume que o escritor literalmente “contamine” sua criação
inserindo mais de um gênero conhecido, brincando com os limites antes determinados de
que os gêneros de poesia não poderiam se misturar. Segundo Vasconcellos:
Também é conhecido o processo contaminatio, um
conceito aplicado essencialmente ao teatro de Plauto e
Terêncio e que consiste na fusão de dois ou mais modelos
gregos ou na inserção, num modelo privilegiado, de
cenas, situações, personagens de outras fontes.
(Vasconcellos, 2001, p.18).

Isto é, a partir disso poderemos encontrar em algumas obras inserções de mais de


um modelo conhecido, mais de um gênero, tais quais a: tragédia, comédia, epopeia. A
Eneida por si constituindo um perfeito exemplo disso. A Eneida utiliza os dois grandes
modelos de epopeias mais respeitadas de Homero: A Odisseia e a Ilíada. Quer dizer,
Virgílio utiliza os dois temas que norteiam essas epopeias: a viagem na Odisseia e a guerra
na Ilíada. Então Virgílio utiliza esses dois modelos e os subordina na criação do tema
maior de sua obra, que é a fundação de uma cidade, a fundação de Roma.
Compreendemos, assim que o processo de contaminatio prevê que haja uma mistura de
vários elementos que contribuam para o confronto das camadas intertextuais inseridas no
texto.

3. A intersecção entre história e mito na Eneida

Fica evidente da leitura da Eneida, e nos é esclarecido desde o canto I, que sua
narrativa está fundamentada em uma grande profecia, de que Eneias está destinado pelos
deuses a fundar a nova Tróia, na construção de um novo e vasto império na Itália, que
herdaria a cultura e civilização troiana. Esse é o objetivo e o fado do herói, que irá cumpri-
lo mesmo que contra sua vontade. Mas o caráter profético da Eneida não se restringe ao
canto I, pelo contrário, vai ser permeada de inúmeros oráculos, adivinhações, sonhos e
visões – que ao longo de doze cantos Virgílio usará esse tom profético para sustentar a
história de Roma, entrelaçada com as aventuras de Eneias. A partir de um poema cíclico,
Virgílio maneja utilizar a epopeia como um retorno no tempo, recorrendo ao mito para
exemplificar a história e, acima de tudo, utilizar elaborações proféticas para explicar o
presente.
Muitos estudos que se ocupam de analisar a Eneida, a compreendem como uma
reformulação e enaltecimento do império Romano, uma obra sem nenhum compromisso
evidentemente factual, segundo o poeta T.S Eliot: “Nela [Eneida], Virgílio está
preocupado com o imperium romanum, com a extensão e a justificativa do regime
imperial. Ele estabelece um ideal para Roma, e para o império em geral, que nunca se
realizou na história.” (1969, p. 126). Podemos perceber no poema que o poeta não inventa
os fatos narrados, mas sim os recebe, assim a própria constituição do texto pretende
afastar aspectos fictícios de sua composição. Virgílio a constrói como uma reprodução
historiográfica, como uma documentação que renega as camadas fictícias, embora o
poema seja fundamentado essencialmente em mitos ele se pretende histórico. O próprio
fado do herói Eneias (fundar a cidade de Roma), que se torna determinante das ações
tomadas por Eneias, é um aspecto que contribui para barrar a ficcionalização. Enéias de
fato já conhece a fortaleza e o poderia do povo e da cidade que será fundada por ele. Que
pode ser evidenciado na passagem da Eneida em que Eneias desce ao mundo dos mortos
e discute com seu pai. Ora atende-me: a glória eu vou mostrar-te Qu’há de obter a
Dardânia descendência, Que netos nascerão da Ítala gente, Ânimos generosos, e qu’um
dia Hão de ir enobrecer o nosso nome; E te direi também teus próprios fados. (Eneida.,
VI, p. 161).
O movimento profético que tece as narrativas da Eneida está claramente
interligado a ideia de do fado, do destino. Como afirma Júpiter no canto X: “As acções
pessoais trarão a cada um o infortúnio ou a sorte. Os destinos encontrarão o seu caminho.
“(Eneida, X, 111-113) , e essa relação entre profecias e destino parece ser um caminho
que conflui para consonância entre as noções homéricas sobre o divino e a noção de
liberdade nas ações e a existência de destinos. Podemos dizer, assim, que o caráter
profético da Eneida serve também para reforçar um de seus temas, que seria uma justiça
do destino, assim qualquer oposição ao destino poderia ser tida como uma força maléfica,
contrária aos desejos superiores. Afirmo isso pois essa noção parece estar de acordo com
a visão de Augusto como restituidor da ordem, da Paz Romana, resgatando antigos
costumes e tradições e voltando a valorizá-los.
A Eneida ocupa-se, portanto, não somente de relatar as aventuras de Eneias, o
herói piedoso, sintetizador dos maiores valores romanos; também está encarregada de
narrar a história que precede a fundação de Roma até o tempo do próprio poeta. Somente
os artífices literários poderiam dar conta de utilizar a predição para relatar acontecimentos
históricos, antigos e legados ao passado, como futuros- fazendo assim a história do
império romano condizer como um plano divino, defendido pelos deuses. Assim como
enaltecer Augusto – que encomendou a epopeia – com uma ascendência divina. Virgílio
utiliza a lenda e o mito como pontos de partida para contar a história de Roma de modo
profético e cíclico. Isto é, com esse movimento Virgílio consegue vislumbrar o
surgimento de Roma como algo inevitável, cuja toda história da humanidade, desde a
guerra de Tróia existissem para possibilitar que Roma ascendesse, como por um cálculo
inquerido pelos deuses. Assim fica-nos evidente como os oráculos, as profecias e os
sonhos são aspectos imprescindíveis na construção e para o objetivo maior dessa epopeia.
Uma passagem que exemplifica bem essa afirmação está no discurso de Júpiter,
profetizando Rómulo e suas conquistas, enfatizando a dominação da Grécia e a
construção de um império imenso, o maior dos impérios.
Não foi um homem destes que nos prometeu a sua bela
progenitora, que ela por duas vezes livrou das armas dos
Gregos, mas que seria varão capaz de governar a Itália,
fecunda em estirpes dominadoras e rumorejante de
guerras, capaz de propagar a estirpe oriunda do sangue
de Teucro e de submeter às suas leis todo o Universo.
(Eneida IV, 227-231).

3.1 Na construção do Herói Enéias –


Virgílio insere seu personagem em um contexto histórico e heroico logo no início
da Eneida, apresentando as desventuras pelas quais perpassou esse personagem, o que era
necessário visto que as aparições de Enéias até então não eram de fato tão popularmente
conhecidas como as de outros personagens que dispensavam explicações que os
situassem e explicassem onde estavam e o que faziam, tais quais: Aquiles, Ulisses, Ajax,
etc.
Tendo em mente os princípios do processo mimético, Virgílio modela e construí
seu herói a partir das poucas referências míticas que encontra a seu respeito. Seguindo
também a noção aristotélica de que o herói de um poema épico, um poema elevado,
deveria, pois, ser um homem superior, de ações elevadas, encontrando-se acima dos
demais homens mortais. Podemos afirmar que a Enéias não é um herói irascível como
Aquiles e tampouco arguto como Ulisses, se fôssemos dar-lhe uma característica
identitária seria seu caráter piedoso, no sentido que revela e possui uma grande piedade.
Por essa característica Enéias, diferente dos heróis anteriores a ele, não comete a Hýbris5
em nenhum momento, devido a sua crença e respeito aos Deuses Enéias não cai em
tentação ou peca nas suas ações. É conhecido, mesmo antes da Eneida, que Enéias possuía
uma missão divina, que estava fada a cumprir um destino imposto pelos Deuses, e Virgílio
incorpora essa missão com maestria a sua composição. A missão depois de Virgílio seria
levar os sobreviventes troianos para a Itália, descobrir e fundar o maior império de todos:
Roma. Contudo, a importância de Enéias não reside somente na sua missão, mas também
no fato de ser construído para ser o reflexo do imperador Augusto. Virgílio faz uso do seu
presente numa orquestra uníssona com mitos, de modo que um colaborasse e completasse
o outro, num poema cíclico e profético, onde narrativas do passado mítico corroboram e
explicam o presente. No contexto do império augustano fica muito claro o objetivo dessa
obra. Uma epopeia que celebra um herói nacional, em um período caótico para Roma,
resgatando um orgulho nacional, graças a um novo herói, um herói semelhante à aquele
fundador de Roma nos seus tempos de ouro – Augusto. Por isso Enéias constitui um herói
semidivino, piedoso, escolhido para simbolizar a grandeza do imperador. Um exemplo
disso é o templo que Eneias promete construir no canto VI a Apolo e Diana: “Então eu
edificarei a Febo e à Trívia um templo de mármore maciço e instituirei dias festivos.”
Virgílio, Eneida (VI, 69-70). Naturalmente quem cumprirá essa promessa será Augusto,
após sua vitória em Accio. Ou seja, podemos ver a mistura desses dois heróis no

5 Pode se traduzir para uma ação de excesso, o descomedimento, a desmesura. Em termos de religião grega,
a hybris representa uma violência, pois, ao ultrapassar o métron, o homem estaria cometendo a insolência,
um ultraje, na pretensão de competir com a divindade.
cruzamento de saberes históricos e mitológicos. O que Enéias não pode cumprir no
passado será realizado por Augusto no futuro, se posso dizer a “reencarnação” de Eneias.
Assim Eneias e Augusto são figuras que confluem e se transformam em uma só a partir
da história e do mito que os interligam.

3.2 No escudo de Eneias –

No intuito de esclarecer os movimentos proféticos elaborados na Eneida, gostaria


de ressaltar também o escudo de Eneias, baseado De escudo de Aquiles na Ilíada, mas
com uma diferença importante nas gravuras do escudo. Enquanto o escudo de Aquiles é
o resumo de uma cultura, que contém elementos da criação do cosmos e da vida e serve
como modelo divino para Pólis, o escudo de Eneias relata os acontecimentos gloriosos de
Roma no futuro, a maior cidade já fundada. Assim podemos dizer que o escudo de Aquiles
se volta para o passado e o escudo de Eneias se constitui como um olhar fugaz para o
futuro. O escudo, naturalmente, também contém uma leitura profética, o que não é
estranho ao se considerar o seu fabricador, descrito como: “aquele que não ignorava os
vaticínios dos profetas nem desconhecia a eternidade vindoura” (Eneida,VIII, 627).
Neste gravara o ignipotente a história de Itália e os triunfos dos
Romanos, pois não ignorava os vaticínios dos profetas nem
desconhecia a eternidade vindoura. Aí gravara toda a
descendência da futura estirpe de Ascânio, e por ordem, as
sucessivas guerras travadas. Aí gravara também uma loba que
pouco antes havia dado à luz, deitada no antro verdejante do
Mavorte: junto delas duas crianças , dois meninos irmãos, a
brincarem suspensos dos seus úberes
( Eneida, VIII, 626-633 )

Assim como o escudo de Aquiles, o escudo de Eneias é forjado para batalha, para
guerrear, e com o objetivo de defender o futuro da soberba Roma. A marca divina no
escudo confere a ele camadas proféticas que narram futuros acontecimentos de Roma,
sendo um deles a batalha de Accio, vencida por Augusto, permitindo centralizar o poder
com a derrota de Marco Antônio. A partir disso podemos inferir que o escudo não é
somente um símbolo bélico importante para guerrear, mas também constitui um
importante instrumento de representação de um líder supremo. O que nos permite afirmar
que cada cena narrada no escudo está relacionada a importantes valores romanos.
A descrição do escudo oferece suporte para Virgílio criar uma manifestação
literária, na qual existe uma mistura entre os fatos mitológicos e históricos, que, como
discutimos ao longo do artigo, trabalham em sintonia para enaltecer a imagem de
Augusto. Vemos representados no escudo o mito da Loba, a união dos povos, a
restauração da paz, a invasão do povo gaulês, as tramas conspiratórias de Catilina, e,
como mencionei a batalha de Accio – localizada no cerne do escudo – na qual encontram-
se o líder supremo Augusto e Apolo, o deus protetor de Augusto. Logo, vemos que as
camadas do escudo contribuem para interligar os mitos e a fundação de Roma à Augusto.

4. Considerações finais:

O objetivo do presente estudo residia no esclarecimento de algumas estratégias


utilizadas por Virgílio na sua construção poética, como a intertextualidade é
imprescindível para compreender com maior profundidade a riqueza poética que reside
na Eneida. Não só é uma obra minuciosamente construída, em todos seus extremos, como
também cumpre um papel maior e mais complexo, um papel político – cujo objetivo era
enaltecer a história de Roma e engrandecer ainda mais a figura do imperador Augusto.
Virgílio consegue realizar uma ponte entre história e mito que dialogam perfeitamente
entre si, de modo que ambos colaborassem e confluíssem para a verossimilhança. Há
diversas evidências durante a Eneida que reforçam uma possível influência de Augusto
sobre o poema, isso é praticamente evidente. Por isso ocupei-me de realizar algumas
pontuações históricas, que deverão auxiliar o leitor a compreender o contexto histórico
na qual o texto estava inserido. Assim como apresentar alguns métodos utilizados por
Virgílio, que norteavam não só a poesia virgiliana, mas todo o fazer poético da época, tais
quais: imitatio, aemulatio, contaminatio. Também exemplifiquei durante o texto as
constatações sobre a poética segundo os pensadores mais seguidos e respeitos: Aristóteles
e Platão. E, por fim, dediquei-me a apresentar algumas nuances entre mito e história
utilizadas na Eneida por meio das profecias, dos oráculos e do seu próprio personagem
principal, visto que a característica que busquei trabalhar com mais afinco nesse e
studo foi a ligação entre mito e história, construída por Virgílio como uma ponte que
interliga passado e presente.

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