Você está na página 1de 219

SÉRIE TÉCNICO DE ELETROELETRÔNICA

ELETRICIDADE
VOLUME 2
Série Técnico De eLeTroeLeTrÔnica

ELETRICIDADE
VOLUME 2
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações

Regina Maria de Fátima Torres


Diretora Associada de Educação Profissional
Série Técnico De eLeTroeLeTrÔnica

ELETRICIDADE
VOLUME 2
© 2012. SENAI – Departamento Nacional

© 2012. SENAI – Departamento Regional de Santa Catarina

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico,
mecânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização,
por escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela equipe do Núcleo de Educação a Distância do SENAI
de São Paulo, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por
todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional de São Paulo


Gerência de Educação – Núcleo de Educação a Distância

FICHA CATALOGRÁFICA

S491g

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.


Eletricidade, volume 2 / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de São Paulo. Brasília : SENAI/DN, 2012.
218 p. il. (Série Técnico de Eletroeletrônica).

ISBN XXX

1. Eletricidade. 2. Eletroeletrônica. Serviço Nacional de Aprendizagem


Industrial. Departamento Regional de Santa Catarina II. Título. III. Série.

CDU: 005.95

SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001
Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de ilustrações, quadros e tabelas
Figura 1 -  Estrutura curricular do curso Técnico de Eletroeletrônica..............................................................22
Figura 2 -  Descarga elétrica de um relâmpago......................................................................................................26
Figura 3 -  Exemplo de energia potencial..................................................................................................................28
Figura 4 -  Exemplo de energia cinética.....................................................................................................................28
Figura 5 -  Exemplo de energia mecânica.................................................................................................................29
Figura 6 -  Exemplo de energia térmica.....................................................................................................................29
Figura 7 -  Exemplo de energia química....................................................................................................................30
Figura 8 -  Molécula de água..........................................................................................................................................45
Figura 9 -  Átomo de oxigênio.......................................................................................................................................45
Figura 10 -  Nuvem eletrônica do átomo de hidrogênio.....................................................................................46
Figura 11 -  Maneiras de representar os níveis de eletrônicos de energia....................................................47
Figura 12 -  Representação esquemática do comportamento do elétron livre..........................................48
Figura 13 -  Efeito de atração e efeito de repulsão de corpos eletrizados.....................................................52
Figura 14 -  Eletrização por atrito.................................................................................................................................53
Figura 15 -  Filete de água sendo atraído pelo pente eletrizado......................................................................56
Figura 16 -  Interior de uma pilha comum................................................................................................................58
Figura 17 -  Interior da pilha, identificando os seus polos...................................................................................58
Figura 18 -  Mostrador de voltímetro analógico.....................................................................................................61
Figura 19 -  Composição de multímetro digital......................................................................................................62
Figura 20 -  Multímetro digital.......................................................................................................................................62
Figura 21 -  Pontas de prova inseridas nos bornes................................................................................................63
Figura 22 -  Posição dos cabos durante a medição................................................................................................64
Figura 23 -  Efeito da temperatura sobre o par termoelétrico...........................................................................65
Figura 24 -  Termopar e termômetro digital.............................................................................................................65
Figura 25 -  Esquema de uma célula fotovoltaica...................................................................................................66
Figura 26 -  Cristais piezoelétricos gerando tensão elétrica...............................................................................66
Figura 27 -  Representação do funcionamento de um gerador........................................................................67
Figura 28 -  Usina hidrelétrica .......................................................................................................................................68
Figura 29 -  Usina termoelétrica....................................................................................................................................69
Figura 30 -  Usina nuclear................................................................................................................................................70
Figura 31 -  Captação de energia eólica para geração de energia elétrica ..................................................71
Figura 32 -  Representação de elétrons dentro do metal do condutor em um circuito aberto............76
Figura 33 -  Comportamento dos elétrons dentro do condutor
sob ação do campo elétrico (interruptor fechado)........................................................................77
Figura 34 -  Relâmpago: ocorrência natural de corrente elétrica.....................................................................78
Figura 35 -  Amperímetro analógico ..........................................................................................................................82
Figura 36 -  Multímetro na escala de ampère .........................................................................................................83
Figura 37 -  Multímetro digital com os cabos conectados..................................................................................84
Figura 38 -  Medição..........................................................................................................................................................84
Figura 39 -  Lanterna em corte......................................................................................................................................85
Figura 40 -  Componentes do circuito elétrico........................................................................................................86
Figura 41 -  Circuitos elétricos com interruptor aberto e fechado...................................................................87
Figura 42 -  Esquema (ou diagrama) elétrico com símbolos .............................................................................90
Figura 43 -  Circuito em série.........................................................................................................................................91
Figura 44 -  Circuito paralelo..........................................................................................................................................92
Figura 45 -  Circuito misto...............................................................................................................................................93
Figura 46 -  Representação da corrente elétrica fluindo......................................................................................98
Figura 47 -  Elétrons em materiais que apresentam resistência à passagem da corrente.......................98
Figura 48 -  Ohmímetro digital................................................................................................................................... 100
Figura 49 -  Multímetro usado como ohmímetro................................................................................................ 101
Figura 50 -  Aparelho preparado para medição................................................................................................... 102
Figura 51 -  Medição com multímetro..................................................................................................................... 102
Figura 52 -  A influência do comprimento na resistência elétrica do condutor....................................... 104
Figura 53 -  Influência da seção transversal na resistência elétrica do condutor..................................... 104
Figura 54 -  Influência do material na resistência elétrica do condutor..................................................... 105
Figura 55 -  Associação em série de resistores...................................................................................................... 112
Figura 56 -  Associação em paralelo de resistores............................................................................................... 112
Figura 57 -  Associação mista de resistores............................................................................................................ 113
Figura 58 -  Associação em série de resistores...................................................................................................... 114
Figura 59 -  Resistência equivalente do circuito.................................................................................................. 115
Figura 60 -  Associação de resistores em paralelo............................................................................................... 116
Figura 61 -  Associação de dois resistores.............................................................................................................. 121
Figura 62 -  Associação mista de resistores............................................................................................................ 122
Figura 63 -  Resistências associadas em paralelo ................................................................................................ 123
Figura 64 -  Resistência equivalente da associação em paralelo................................................................... 123
Figura 65 -  Circuitos ficam equivalentes com a troca do resistor................................................................. 124
Figura 66 -  Resistência equivalente......................................................................................................................... 125
Figura 67 -  Trimpot......................................................................................................................................................... 130
Figura 68 -  Resistores variáveis e seus símbolos................................................................................................. 130
Figura 69 -  Resistor fixo................................................................................................................................................ 131
Figura 70 -  Quanto maior o resistor, maior a área de dissipação de potência ........................................ 133
Figura 71 -  Resistor fixo (a) e seus símbolos (b)................................................................................................... 134
Figura 72 -  Circuito com resistores identificados segundo as suas características ............................... 134
Figura 73 -  Resistores de filme de carbono .......................................................................................................... 136
Figura 74 -  Resistor em corte..................................................................................................................................... 137
Figura 75 -  Resistores de fio........................................................................................................................................ 138
Figura 76 -  Resistor de fio com tubo de porcelada............................................................................................ 138
Figura 77 -  Comparação do tamanho entre um resistor comum e um SMR de 1 W............................. 139
Figura 78 -  Primeiro circuito....................................................................................................................................... 146
Figura 79 -  Segundo circuito...................................................................................................................................... 146
Figura 80 -  Terceiro circuito........................................................................................................................................ 146
Figura 81 -  Triângulo tensão versus resistência versus corrente.................................................................... 148
Figura 82 -  Circuito do exemplo 1............................................................................................................................ 149
Figura 83 -  Circuito do exemplo 2 ........................................................................................................................... 150
Figura 84 -  Circuito do exemplo 3 ........................................................................................................................... 150
Figura 85 -  Distribuição da corrente em um circuito em paralelo ............................................................... 151
Figura 86 -  Características do circuito com resistores ligados em paralelo ............................................. 152
Figura 87 -  Circuito em paralelo com amperímetros e voltímetros ............................................................ 153
Figura 88 -  Circuito em paralelo com amperímetros e voltímetros............................................................. 154
Figura 89 -  Circuito em paralelo com nós identificados ................................................................................. 155
Figura 90 -  Circuito com todos os valores ............................................................................................................ 156
Figura 91 -  Circuito em paralelo com valores calculados................................................................................ 156
Figura 92 -  Circuito com resistores em série ....................................................................................................... 157
Figura 93 -  Corrente no circuito em série.............................................................................................................. 158
Figura 94 -  Tensões no circuito em série ............................................................................................................... 159
Figura 95 -  Circuito misto............................................................................................................................................ 162
Figura 96 -  Circuito misto atualizado com o novo valor.................................................................................. 163
Figura 97 -  Circuito equivalente final ..................................................................................................................... 163
Figura 98 -  Circuito parcial.......................................................................................................................................... 164
Figura 99 -  Circuito com valores de corrente e tensão..................................................................................... 166
Figura 100 -  Circuito com três resistores................................................................................................................ 166
Figura 101 -  Circuito misto com os valores calculados..................................................................................... 168
Figura 102 -  Circuito da Ponte de Wheatstone.................................................................................................... 169
Figura 103 -  Desmembramento do circuito da Ponte de Wheatstone....................................................... 169
Figura 104 -  Circuito de um controlador de temperatura............................................................................... 171
Figura 105 -  Quem está realizando mais trabalho? .......................................................................................... 206
Figura 106 -  Lâmpadas produzem quantidades diferentes de luz............................................................... 207
Figura 107 -  Triângulo com potência versus tensão versus corrente .......................................................... 210
Figura 108 -  Triângulos para determinar equação da potência por efeito joule.................................... 211
Figura 109 -  Lâmpadas com a mesma potência e tensões de funcionamento diferentes.................. 215
Figura 110 -  Circuito para cálculo de potência dissipada ............................................................................... 217
Figura 111 -  Bateria elementar.................................................................................................................................. 218
Figura 112 -  Representação do interior de uma bateria elétrica ................................................................. 218
Figura 113 -  Representação esquemática da resistência interna de uma bateria ................................. 219
Figura 114 -  Circuito com a força eletromotriz (E) gerada e a resistência interna (RI). ......................... 219
Figura 115 -  Circulação da corrente pelo circuito ............................................................................................. 220
Figura 116 -  Gráfico: Relação resistência versus potência................................................................................ 224
Figura 117 -  Magnetita................................................................................................................................................. 230
Figura 118 -  Ímã artificial ............................................................................................................................................ 231
Figura 119 -  Polos dos ímãs........................................................................................................................................ 231
Figura 120 -  Linha neutra............................................................................................................................................ 232
Figura 121 -  Diferença de organização dos ímãs moleculares...................................................................... 233
Figura 122 -  Inseparabilidade dos polos ............................................................................................................... 233
Figura 123 -  Representação da interação entre os ímãs.................................................................................. 234
Figura 124 -  Trem japonês cujo movimento é baseado no princípio da
força de repulsão dos ímãs (linha de teste de Yamanashi).................................................... 234
Figura 125 -  Linhas de indução magnética .......................................................................................................... 235
Figura 126 -  Trajetória das linhas de indução magnética ............................................................................... 236
Figura 127 -  Representação esquemática da densidade do fluxo .............................................................. 237
Figura 128 -  Comportamento do material paramagnético em relação ao campo magnético......... 239
Figura 129 -  Representação de material diamagnético................................................................................... 239
Figura 130 -  Material ferromagnético..................................................................................................................... 240
Figura 131 -  Campo magnético B em condutor sendo percorrido por corrente elétrica ................... 241
Figura 132 -  Linhas de força do campo magnético .......................................................................................... 241
Figura 133 -  Regra da mão direita............................................................................................................................ 242
Figura 134 -  Regra do saca-rolhas ........................................................................................................................... 243
Figura 135 -  Direção de movimento das linhas de indução .......................................................................... 244
Figura 136 -  Identificando o polo sul ..................................................................................................................... 244
Figura 137 -  Identificando o polo norte ................................................................................................................ 245
Figura 138 -  Símbolos de bobinas .......................................................................................................................... 245
Figura 139 -  Representação do efeito da soma dos efeitos magnéticos em uma bobina ................. 246
Figura 140 -  Concentração de linhas de indução magnética ........................................................................ 246
Figura 141 -  Símbolo de indutor .............................................................................................................................. 247
Figura 142 -  Primeira experiência de Faraday: circuito com condutor
sem fonte de alimentação ................................................................................................................. 248
Figura 143 -  Circuito que reproduz a segunda experiência de Faraday .................................................... 248
Figura 144 -  Circuito que representa o sentido da corrente pela Lei de Lenz ......................................... 250
Figura 145 -  Efeito do campo elétrico e do campo magnético sobre uma carga elétrica .................. 251
Figura 146 -  Direção das forças magnéticas ........................................................................................................ 252
Figura 147 -  Regra da mão esquerda ..................................................................................................................... 252
Figura 148 -  Representação esquemática de um circuito magnético ....................................................... 253
Figura 149 -  Campo magnético de um eletroímã ............................................................................................. 253
Figura 150 -  Alto-falante ............................................................................................................................................. 255
Figura 151 -  Circuito de corrente contínua .......................................................................................................... 260
Figura 152 -  Mudança de polaridade na bateria ................................................................................................ 260
Figura 153 -  Bobina com medidor de tensão acoplado a suas extremidades ........................................ 261
Figura 154 -  Polo norte do ímã próximo da bobina = tensão negativa .................................................... 261
Figura 155 -  Polo sul do ímã próximo da bobina = tensão positiva ........................................................... 261
Figura 156 -  Geração e transmissão de energia elétrica ................................................................................. 263
Figura 157 -  Representação esquemática de um gerador elementar ....................................................... 263
Figura 158 -  Posição 0º: plano da espira perpendicular ao campo magnético....................................... 264
Figura 159 -  Posição 90º............................................................................................................................................... 264
Figura 160 -  Posição 180º............................................................................................................................................ 265
Figura 161 -  Posição 270º ........................................................................................................................................... 265
Figura 162 -  Posição 360º ........................................................................................................................................... 266
Figura 163 -  Tensão de pico ....................................................................................................................................... 269
Figura 164 -  A tensão de pico positivo e a tensão de pico negativo .......................................................... 269
Figura 165 -  Medidas de pico a pico aplicam-se à corrente alternada senoidal .................................... 270
Figura 166 -  Dissipação de potência em circuito alimentado por tensão contínua ............................. 270
Figura 167 -  Dissipação de potência em circuito alimentado por tensão alternada ............................ 271
Figura 168 -  Soma de valores instantâneos ......................................................................................................... 273
Figura 169 -  Representação do valor médio da corrente alternada senoidal ......................................... 273
Figura 170 -  Representação esquemática de um capacitor .......................................................................... 278
Figura 171 -  Símbolos para capacitor não polarizado e capacitor polarizado......................................... 279
Figura 172 -  Circuito com capacitor e sem tensão elétrica ............................................................................ 280
Figura 173 -  Circuito com chave fechada ............................................................................................................. 281
Figura 174 -  Processo de carga do capacitor ...................................................................................................... 281
Figura 175 -  Capacitor carregado ............................................................................................................................ 282
Figura 176 -  Descarga do capacitor ........................................................................................................................ 283
Figura 177 -  Associação de capacitores em paralelo........................................................................................ 287
Figura 178 -  Ligação em paralelo de capacitores polarizados....................................................................... 290
Figura 179 -  Associação em série de capacitores .............................................................................................. 290
Figura 180 -  Circuito com dois capacitores em série ........................................................................................ 292
Figura 181 -  Exemplo de divisão de tensão com capacitores em série ..................................................... 293
Figura 182 -  Divisão de tensão em um circuito real com capacitores em série ...................................... 293
Figura 183 -  Circuito com capacitores polarizados ligados em série.......................................................... 294
Figura 184 -  Alimentação do capacitor despolarizado em circuito de CA................................................ 294
Figura 185 -  Movimentação dos elétrons a cada semiciclo............................................................................ 295
Figura 186 -  Aumento da reatância capacitiva ................................................................................................... 296
Figura 187 -  A reatância capacitiva (Xc) diminui com o aumento da capacitância................................ 296
Figura 188 -  Capacitor conectado em CA ............................................................................................................ 297
Figura 189 -  Gráfico A: tensão versus corrente no instante zero................................................................... 298
Figura 190 -  Gráfico B: tensão versus corrente no instante 90° ..................................................................... 299
Figura 191 -  Gráfico C: tensão versus corrente no instante 180°................................................................... 299
Figura 192 -  Gráfico de tensão versus corrente no instante 270°.................................................................. 299
Figura 193 -  Circuito com capacitor cujo valor da capacitância é desconhecido .................................. 300
Figura 194 -  Indutor de saída de fonte .................................................................................................................. 306
Figura 195 -  Indutor de proteção de circuitos elétricos .................................................................................. 306
Figura 196 -  Indutor monofásico para proteção de circuitos elétricos ...................................................... 307
Figura 197 -  Símbolos de indutores ....................................................................................................................... 307
Figura 198 -  Representação das polaridades em indutores .......................................................................... 308
Figura 199 -  Indutor junto à carga .......................................................................................................................... 308
Figura 200 -  Dois indutores para aumentar a indutância................................................................................ 308
Figura 201 -  Tensão induzida no interior de um campo magnético ........................................................... 309
Figura 202 -  Circuito com resistor ........................................................................................................................... 310
Figura 203 -  Comportamento da corrente ........................................................................................................... 310
Figura 204 -  Circuito com indutor ........................................................................................................................... 310
Figura 205 -  Comportamento da corrente ........................................................................................................... 310
Figura 206 -  Circuito com indutor e chave desligada ...................................................................................... 310
Figura 207 -  Circulação da corrente na bobina................................................................................................... 311
Figura 208 -  Expansão do campo magnético...................................................................................................... 311
Figura 209 -  Tensão aplicada à bobina .................................................................................................................. 312
Figura 210 -  Geração de fcem ................................................................................................................................... 312
Figura 211 -  Representação da fcem como uma “bateria” no circuito ....................................................... 313
Figura 212 -  Gráfico de variação do campo magnético no indutor (chave fechada) ........................... 313
Figura 213 -  Gráfico de variação de tensão no indutor (chave aberta)...................................................... 314
Figura 214 -  Exemplo de ligação de uma lâmpada fluorescente convencional...................................... 314
Figura 215 -  Posição A: não há passagem da corrente..................................................................................... 316
Figura 216 -  Campo magnético na posição B ..................................................................................................... 317
Figura 217 -  Não há campo magnético ................................................................................................................. 317
Figura 218 -  Polaridade do campo magnético é invertida ............................................................................. 318
Figura 219 -  Não há campo magnético.................................................................................................................. 318
Figura 220 -  Associação em série de indutores .................................................................................................. 320
Figura 221 -  Associação em paralelo de indutores ........................................................................................... 322
Figura 222 -  Circuito CA com indutor .................................................................................................................... 324
Figura 223 -  Circuito de CA com indutor .............................................................................................................. 326
Figura 224 -  Vetor ......................................................................................................................................................... 332
Figura 225 -  Forças atuando na mesma direção e no mesmo sentido ...................................................... 333
Figura 226 -  Representação completa do sistema de forças e sua resultante ........................................ 333
Figura 227 -  Representação do sistema de forças do exemplo .................................................................... 334
Figura 228 -  Cabo de guerra....................................................................................................................................... 334
Figura 229 -  Representação do sistema de forças do cabo de guerra ....................................................... 334
Figura 230 -  Sistema de forças do exemplo ......................................................................................................... 335
Figura 231 -  Sistema de forças: rebocadores puxando um navio ................................................................ 335
Figura 232 -  Sentido dos vetores.............................................................................................................................. 336
Figura 233 -  Retas paralelas ao sentido dos vetores......................................................................................... 336
Figura 234 -  Módulo da resultante.......................................................................................................................... 336
Figura 235 -  Gráfico de forças e da resultante .................................................................................................... 337
Figura 236 -  O gráfico é um triângulo retângulo ............................................................................................... 337
Figura 237 -  Ângulo θ................................................................................................................................................... 338
Figura 238 -  Representação dos rebocadores rebocando um navio .......................................................... 338
Figura 239 -  Comprimento de vetor representando tensão ou corrente eficaz .................................... 340
Figura 240 -  O gráfico de tensão e de corrente em fase em circuito de carga resistiva ...................... 340
Figura 241 -  Gráfico vetorial de duas CAs em fase ............................................................................................ 341
Figura 242 -  Gráfico senoidal com representação vetorial ............................................................................ 341
Figura 243 -  Vetores atrasados e adiantados....................................................................................................... 341
Figura 244 -  Representação vetorial da defasagem da corrente atrasada................................................ 342
Figura 245 -  Gráfico senoidal com defasagem de CA1 e CA2........................................................................ 342
Figura 246 -  Defasagem da corrente adiantada representada vetorialmente ........................................ 342
Figura 247 -  Circuito com resistor............................................................................................................................ 343
Figura 248 -  Gráfico senoidal da relação tensão versus corrente em circuito resistivo........................ 343
Figura 249 -  Gráfico vetorial da relação tensão versus corrente em circuito resistivo........................... 344
Figura 250 -  Circuito capacitivo ............................................................................................................................... 344
Figura 251 -  Gráfico senoidal de tensão versus corrente em circuito capacitivo.................................... 344
Figura 252 -  Gráfico vetorial da relação tensão versus corrente em circuito capacitivo....................... 345
Figura 253 -  Circuito indutivo.................................................................................................................................... 346
Figura 254 -  Gráfico senoidal de tensão versus corrente em circuito indutivo....................................... 346
Figura 255 -  Gráfico vetorial da relação tensão versus corrente em circuito indutivo.......................... 346
Figura 256 -  Circuito de corrente contínua........................................................................................................... 350
Figura 257 -  Defasagem em circuito CA com cargas resistivas..................................................................... 351
Figura 258 -  Com cargas indutivas, a corrente se atrasa 90° em relação à tensão................................. 351
Figura 259 -  Com cargas capacitivas, a corrente se adianta 90° em relação à tensão........................... 352
Figura 260 -  Circuito indutivo para cálculo de potência.................................................................................. 354
Figura 261 -  Triângulo das potências ..................................................................................................................... 356
Figura 262 -  Potência em circuito indutivo .......................................................................................................... 360
Figura 263 -  Potência em circuito capacitivo....................................................................................................... 360
Figura 264 -  Potência em circuito indutivo-capacitivo..................................................................................... 361
Figura 265 -  Circuito interno do wattímetro........................................................................................................ 362
Figura 266 -  Diagrama do interior do cossifímetro............................................................................................ 362
Figura 267 -  Ferro móvel.............................................................................................................................................. 369
Figura 268 -  Bobina móvel.......................................................................................................................................... 369
Figura 269 -  Instrumento eletrodinâmico............................................................................................................. 370
Figura 270 -  Instrumento ressonante..................................................................................................................... 371
Figura 271 -  Escala medidora homogênea para bobina móvel ................................................................... 372
Figura 272 -  Escala medidora heterogênea para ferro móvel ....................................................................... 372
Figura 273 -  Escala heterogênea para instrumento eletrodinâmico .......................................................... 373
Figura 274 -  Indicação de tensão de isolação do instrumento ..................................................................... 376
Figura 275 -  Exemplos de leituras............................................................................................................................ 376
Figura 276 -  Diagrama interno de um instrumento digital ............................................................................ 377
Figura 277 -  Categoria de multímetros: níveis de aplicação ......................................................................... 381
Figura 278 -  Medidores de fornecimento de energia elétrica ...................................................................... 384
Figura 279 -  Conta de fornecimento de energia elétrica................................................................................. 385
Figura 280 -  Rotação do disco por dois campos magnéticos ....................................................................... 386
Figura 281 -  Medidor de corrente monofásico e representação esquemática de suas partes.......... 386
Figura 282 -  Medidor eletrônico de fornecimento de energia e o diagrama
do circuito digital com seus módulos componentes............................................................... 387
Quadro 1 -  Efeitos da energia elétrica em diversos tipos de consumidores...............................................31
Quadro 2 -  Eventos históricos relacionados à energia elétrica.........................................................................36
Quadro 3 -  Conceito de átomo: evolução histórica..............................................................................................43
Quadro 4 -  Elementos e seus elétrons de valência...............................................................................................49
Quadro 5 -  Material A, com carga elétrica positiva...............................................................................................54
Quadro 6 -  Material A, com carga elétrica negativa.............................................................................................54
Quadro 7 -  Representação de polarização, aterramento e desaterramento...............................................55
Quadro 8 -  Componentes do circuito e seus símbolos e letras correspondentes.....................................89
Quadro 9 -  Fatores multiplicadores da unidade de medida ohm...................................................................99
Quadro 10 -  Características e aplicações de materiais..................................................................................... 111
Quadro 11 -  Regras de arredondamento.............................................................................................................. 120
Quadro 12 -  Características e aplicações dos resistores fixos........................................................................ 139
Quadro 13 -  Símbolos e letras usados em circuitos elétricos......................................................................... 145
Quadro 14 -  Fórmulas da Lei de Ohm e para cálculo de potência............................................................... 213
Quadro 15 -  Características dos capacitores e sua utilização........................................................................ 279
Quadro 16 -  Fatores que influem na indutância................................................................................................. 315
Quadro 17 -  Posições de funcionamento dos instrumentos de medição................................................. 375
Quadro 18 -  Diferenças entre o multímetro analógico e o digital .............................................................. 379
Quadro 19 -  Vantagens e desvantagens do uso de multímetros analógicos e digitais........................ 380
Quadro 20 -  Dados comparativos do medidor digital em relação ao eletromecânico........................ 388
Tabela 1 -  Prefixos, símbolos e fatores multiplicadores SI..................................................................................33
Tabela 2 -  Informação nutricional de embalagem de suco...............................................................................34
Tabela 3 -  Unidade de medida de tensão e seus fatores multiplicadores....................................................59
Tabela 4 -  Símbolos e fatores multiplicadores do ampère.................................................................................81
Tabela 5 -  Resistividade de materiais a 20 ºC....................................................................................................... 106
Tabela 6 -  Coeficiente de temperatura de materiais......................................................................................... 109
Tabela 7 -  Valores reais de resistência nominal conforme a tolerância...................................................... 132
Tabela 8 -  Valores do primeiro, do segundo e do terceiro circuito............................................................... 147
Tabela 9 -  Exemplo de tensão constante e aumento da resistência
provocando diminuição da corrente.................................................................................................. 147
Tabela 10 -  Unidade de medida de potência elétrica....................................................................................... 208
Tabela 11 -  Unidade de medida de corrente e seus fatores multiplicadores........................................... 267
Tabela 12 -  Unidade de medida de capacitância e seus submúltiplos....................................................... 284
Tabela 13 -  Unidade de medida de indutância e seus submúltiplos.......................................................... 319
Tabela 14 -  Tensões de trabalho............................................................................................................................... 389
Sumário
1 Introdução.........................................................................................................................................................................21

2 Histórias da eletricidade...............................................................................................................................................25

2.1 A eletricidade está no ar?..........................................................................................................................26


2.2 O que é energia?..........................................................................................................................................27
2.2.1 Formas de energia ....................................................................................................................27
2.3 Unidades de medida de energia............................................................................................................33
2.4 Como o homem conheceu a energia elétrica...................................................................................35

3 Fundamentos da eletricidade....................................................................................................................................41

3.1 Composição da matéria.............................................................................................................................42


3.2 A molécula e o átomo................................................................................................................................44
3.3 Materiais condutores e materiais isolantes........................................................................................48
3.4 O que é eletricidade?..................................................................................................................................51
VOLUME 1

3.5 Eletrostática...................................................................................................................................................52
3.5.1 Tensão elétrica............................................................................................................................57
3.5.2 Como criar o desequilíbrio elétrico.....................................................................................57
3.5.3 Unidade de medida de tensão elétrica..............................................................................59
3.5.4 Conversão da unidade de medida de tensão..................................................................60
3.5.5 Instrumento de medição de tensão elétrica ...................................................................61
3.6 Geração de energia elétrica.....................................................................................................................64
3.6.1 Usinas geradoras de eletricidade.........................................................................................67

4 Corrente elétrica..............................................................................................................................................................75

4.1 Corrente elétrica...........................................................................................................................................76


4.1.1 Sentido da corrente elétrica...................................................................................................77
4.1.2 Intensidade da corrente .........................................................................................................78
4.1.3 Corrente contínua......................................................................................................................80
4.1.4 Unidade de medida de corrente..........................................................................................80
4.1.5 Instrumento de medição de intensidade da corrente..................................................82
4.2 O circuito elétrico.........................................................................................................................................85
4.2.1 Simbologia dos componentes do circuito elétrico........................................................88
4.2.2 Tipos de circuitos elétricos.....................................................................................................90

5 Resistência elétrica.........................................................................................................................................................97

5.1 Conceito de resistência elétrica..............................................................................................................98


5.1.1 Unidade de medida de resistência elétrica......................................................................99
5.1.2 Instrumento de medida de resistência........................................................................... 100
5.1.3 Segunda lei de Ohm.............................................................................................................. 103
5.1.4 Resistividade elétrica............................................................................................................. 105
5.1.5 Influência da temperatura sobre a resistência............................................................. 108
5.2 Associação de resistências..................................................................................................................... 111
5.2.1 Resistência equivalente........................................................................................................ 113

6 Resistores........................................................................................................................................................................ 129

6.1 Conceito de resistor................................................................................................................................. 130


6.2 Características elétricas dos resistores fixos.................................................................................... 131
6.3 Simbologia dos resistores...................................................................................................................... 133
6.4 Tipos de resistores.................................................................................................................................... 136
6.5 Especificação de resistores.................................................................................................................... 140
6.6 Códigos de cores para resistores fixos.............................................................................................. 140

7 Leis de Ohm e leis de Kischhoff.............................................................................................................................. 143


VOLUME 1

7.1 Primeira Lei de Ohm................................................................................................................................ 145


7.1.1 Determinação experimental da primeira Lei de Ohm............................................... 145
7.1.2 Aplicação da Primeira Lei de Ohm.................................................................................... 148
7.2 Leis de Kirchhoff........................................................................................................................................ 151
7.2.1 Primeira Lei de Kirchhoff...................................................................................................... 151
7.2.2 Comprovação da Primeira Lei de Kirchhoff................................................................... 156
7.3 Segunda Lei de Kirchhoff....................................................................................................................... 157
7.3.1 Aplicação da Segunda Lei de Kirchhoff.......................................................................... 161
7.4 As Leis de Kirchhoff e as Leis de Ohm em circuitos mistos ....................................................... 161
7.5 Ponte de Wheatstone.............................................................................................................................. 168

Referências......................................................................................................................................................................... 175

Anexos................................................................................................................................................................................. 177

Anexo A - Tabela trigonométrica................................................................................................................ 177

Minicurrículo do autor................................................................................................................................................... 179

Índice................................................................................................................................................................................... 181
8 Potência elétrica em CC............................................................................................................................................. 205

8.1 Trabalho elétrico ....................................................................................................................................... 206


8.2 Potência elétrica........................................................................................................................................ 207
8.2.1 Unidade de medida de potência elétrica ...................................................................... 208
8.3 Determinação da potência de um consumidor em CC............................................................... 210
8.3.1 Leis de Joule.............................................................................................................................. 214
8.4 Potência nominal ..................................................................................................................................... 215
8.4.1 Limite de dissipação de potência .................................................................................... 217
8.5 Fontes de alimentação de CC............................................................................................................... 218
8.5.1 Influência da resistência interna na tensão de saída do gerador ......................... 219
8.5.2 Rendimento do gerador....................................................................................................... 221
8.5.3 Máxima transferência de potência do gerador............................................................ 222

9 Magnetismo e eletromagnetismo......................................................................................................................... 229

9.1 Conceito de magnetismo....................................................................................................................... 230


VOLUME 2

9.1.1 Ímãs ............................................................................................................................................. 230


9.1.2 Polos magnéticos de um ímã ............................................................................................ 231
9.2 Origem do magnetismo......................................................................................................................... 233
9.3 Propriedades características dos ímãs.............................................................................................. 233
9.4 Campo magnético – linhas de força.................................................................................................. 235
9.5 Densidade de fluxo da indução magnética..................................................................................... 236
9.6 Imantação ou magnetização................................................................................................................ 239
9.7 Eletromagnetismo.................................................................................................................................... 240
9.7.1 Campo magnético em um condutor .............................................................................. 241
9.7.2 Campo magnético em uma espira circular.................................................................... 243
9.8 Campo magnético em uma bobina (ou solenoide) .................................................................... 245
9.9 Principais leis do eletromagnetismo.................................................................................................. 247
9.9.1 Lei de Faraday........................................................................................................................... 247
9.9.2 Lei de Lenz................................................................................................................................. 250
9.9.3 Lei da Força de Lorentz ........................................................................................................ 251
9.10 Circuitos magnéticos............................................................................................................................. 252
9.11 Interação entre o magnetismo e o eletromagnetismo............................................................. 255

10 Corrente alternada.................................................................................................................................................... 259

10.1 Corrente e tensão alternadas monofásicas .................................................................................. 260


10.2 Geração de corrente alternada ......................................................................................................... 262
10.2.1 Frequência de uma corrente (ou tensão) alternada................................................ 266
10.3 O valor de pico e o valor de pico a pico da tensão alternada senoidal .............................. 269
10.4 Tensão e correntes eficazes ................................................................................................................ 270
10.4.1 Cálculo da tensão e da corrente eficazes .................................................................... 272
10.5 Valor médio da corrente e da tensão alternada senoidal (Vdc) ............................................ 273
11 Capacitores.................................................................................................................................................................. 277

11.1 Conceito de capacitor........................................................................................................................... 278


11.2 Características de carga e descarga do capacitor....................................................................... 280
11.3 Capacitância............................................................................................................................................. 284
11.3.1 Unidade de medida da capacitância ............................................................................ 284
11.4 Tensão de trabalho................................................................................................................................. 285
11.5 Associação de capacitores.................................................................................................................. 287
11.5.1 Associação em paralelo...................................................................................................... 287
11.5.2 Associação em série............................................................................................................. 290
11.6 Reatância capacitiva.............................................................................................................................. 294
11.6.1 Funcionamento em CA....................................................................................................... 294
11.6.2 Fatores que influenciam na reatância capacitiva...................................................... 295
11.6.3 Relação entre tensão CA, corrente CA e reatância capacitiva.............................. 296
11.6.4 Determinação experimental da capacitância de um capacitor........................... 300

12 Indutores...................................................................................................................................................................... 305
VOLUME 2

12.1 O que é um indutor?............................................................................................................................. 306


12.1.1 Polaridade magnética do indutor.................................................................................. 307
12.2 Conceito de indução............................................................................................................................. 308
12.3 Comportamento do indutor em corrente contínua – autoindução.................................... 309
12.4 Conceito de indutância........................................................................................................................ 313
12.4.1 Efeito da indutância em um circuito de CA................................................................ 316
12.4.2 Unidade de medida de indutância................................................................................ 318
12.5 Associação de indutores: em série E em paralelo....................................................................... 320
12.5.1 Associação em série de indutores.................................................................................. 320
12.5.2 Associação em paralelo de indutores........................................................................... 322
12.6 Reatância indutiva.................................................................................................................................. 323
12.7 Fator de qualidade Q............................................................................................................................. 325
12.8 Determinação experimental da indutância em um indutor................................................... 326

13 Representação vetorial de grandezas elétricas em CA............................................................................... 331

13.1 Vetores........................................................................................................................................................ 332


13.1.1 Resultante de um sistema de vetores de
mesmo sentido e mesma direção.................................................................................. 333
13.1.2 Resultante de um sistema de vetores de
mesma direção e sentidos opostos................................................................................ 334
13.1.3 Resultante de um sistema de vetores de
mesmo ponto e direções diferentes.............................................................................. 335
13.2 Representação vetorial de parâmetro elétricos.......................................................................... 339
13.2.1 Representação de CA em fase......................................................................................... 340
13.2.2 Representação vetorial de grandezas defasadas...................................................... 341
13.3 Representação vetorial de grandezas elétricas em circuitos
resistivo, capacitivo e indutivo........................................................................................................... 343
13.3.1 Representação vetorial de grandezas em circuitos resistivos.............................. 343
13.3.2 Representação vetorial de grandezas em circuitos capacitivos.......................... 344
13.3.3 Representação vetorial de grandezas elétricas em circuitos indutivos............ 346

14 Potência elétrica em CA.......................................................................................................................................... 349

14.1 Energia e potência em CA................................................................................................................... 350


14.2 Triângulo das potências ...................................................................................................................... 356
14.3 Fator de potência (FP) .......................................................................................................................... 358
14.4 Correção do fator de potência .......................................................................................................... 359
14.5 Medidor de potência ............................................................................................................................ 361
14.6 Medidor de fator de potência (cossifímetro)................................................................................ 362

15 Medidas elétricas....................................................................................................................................................... 367


VOLUME 2

15.1 Instrumentos de medição................................................................................................................... 368


15.1.1 Instrumentos analógicos: princípio de funcionamento ........................................ 368
15.1.2 Instrumento digital: princípio de funcionamento.................................................... 377
15.2 Multímetro ............................................................................................................................................... 378
15.2.1 Graus de proteção do multímetro.................................................................................. 380
15.3 Medidores de fornecimento de energia elétrica........................................................................ 384
15.3.1 Medidor eletromecânico de fornecimento de energia elétrica.......................... 385
15.3.2 Medidor eletrônico de fornecimento de energia elétrica..................................... 387
15.4 Padronização de tensões..................................................................................................................... 388

Referências......................................................................................................................................................................... 393

Anexos................................................................................................................................................................................. 395

Anexo A - Tabela trigonométrica................................................................................................................ 395

Minicurrículo do autor................................................................................................................................................... 397

Índice................................................................................................................................................................................... 399
Potência elétrica em cc

Você se lembra de quantas vezes a sua mãe ficou brava por você demorar muito tempo no
banho? Ela poderia dizer: “Sai desse chuveiro! Olha a conta da luz!”.
E, provavelmente, você já ouviu falar que trocar as lâmpadas incandescentes por lâmpadas
eletrônicas, bem mais econômicas, faz uma enorme diferença na conta de fornecimento de
energia elétrica no fim do mês.
Há ainda os aparelhos eletroeletrônicos com um selo que indica se eles são energeticamen-
te eficientes, ou seja, gasta-se pouca energia para funcionar. Se o refrigerador da sua casa é
novo, com certeza tem um desses selos!
Essas são coisas simples do dia a dia, mas, quando falamos em gastar menos energia elétri-
ca, estamos aplicando um conceito de física chamado potência.
Esse conceito está diretamente ligado à ideia de força, produção de som, calor e luz e ao
consumo de energia elétrica.
Neste capítulo, vamos estudar a potência elétrica em CC. Com esse conhecimento, você
deverá ser capaz de:
a) identificar a unidade de medida de potência elétrica, seus múltiplos e submúltiplos;
b) determinar a potência de um consumidor em CC;
c) identificar o conceito de potência nominal;
d) determinar a potência dissipada por uma carga ligada a uma fonte de energia elétrica;
e) calcular a potência de um componente quando os valores de tensão e de corrente do
circuito são desconhecidos; e
f ) conhecer e aplicar as fórmulas corretas nos cálculos de potência.
Esses conhecimentos são muito importantes para que você consiga realizar bem suas ativi-
dades profissionais no futuro, como interpretar o funcionamento de circuitos eletroeletrônicos.
Eletricidade
206

1 Lúmen 8.1 Trabalho elétrico


Lúmen (lm) é a unidade do Ao passar por uma carga instalada em um circuito, a corrente elétrica produz
Sistema Internacional de
Medidas (SI) para o fluxo efeitos – entre eles, calor, luz e movimento –, que são denominados de trabalho.
luminoso (ou a quantidade
de luz) produzido por O trabalho de transformação de energia elétrica em outra forma de energia
qualquer objeto que
emita luz. Assim, uma vela é realizado pelo consumidor ou pela carga. Ao transformar a energia elétrica, o
decorativa, por exemplo, consumidor realiza um trabalho elétrico.
emite cerca de 12 lúmens.
Observe a figura a seguir e reflita: quem está realizando mais trabalho?

Figura 105 -  Quem está realizando mais trabalho?


Fonte: SENAI-SP (2012)

Assim como o homem mais alto parece estar realizando mais trabalho que o
mais baixo, as cargas elétricas possuem capacidades diferentes de produzir tra-
balho. Para isso, os circuitos elétricos são montados visando ao melhor aprovei-
tamento da energia elétrica, que pode ser convertida em calor, luz e movimento.
Como vimos no capítulo 2, o trabalho elétrico pode gerar vários efeitos:
a) calorífico – quando a energia elétrica converte-se em calor. Ele está presen-
te, por exemplo, nos chuveiros e nos aquecedores;
b) luminoso – quando a energia elétrica converte-se em luz nas lâmpadas e
uma parcela também transforma-se em calor; e
c) mecânico – quando um motor elétrico, como o de um ventilador, converte
energia elétrica em força motriz, ou seja, em movimento.
8 Potência elétrica em CC
207

8.2 Potência elétrica

Analisando um tipo de carga, como as lâmpadas, dá para perceber que nem


todas produzem a mesma quantidade de luz. Umas produzem grandes quanti-
dades e outras, pequenas quantidades. Veja, no exemplo a seguir, uma lâmpada
incandescente que produz 60W e outra, 100W.

60 W 100 W
127 V 127 V

Figura 106 -  Lâmpadas produzem quantidades diferentes de luz


Fonte: SENAI-SP (2012)

Uma lâmpada incandescente de 60 W tem 715 lúmens1


de fluxo luminoso e uma lâmpada econômica de 15 W
tem 790 lúmens. Portanto, se você trocar a lâmpada in-
VOCÊ candescente de 60 W por uma lâmpada econômica de
SABIA? 15 W, você estará economizando 45 W de consumo de
energia. Isso acontece porque na lâmpada incandescen-
te de 60 W, aproximadamente 50 W transformam-se em
calor e apenas 10 W, em luz.

Vamos dar outro exemplo: talvez você já tenha entrado em um elevador tão
rápido que deu até um “frio na barriga” quando ele se movimentou. Em outras
ocasiões, porém, você pode ter ficado nervoso por achar que o elevador está de-
morando demais para chegar ao piso em que você quer ir.
Os dois elevadores fazem o mesmo trabalho: levam você de um piso a outro
do edifício. A diferença é que um deles, tendo um motor mais potente, desloca-se
mais rapidamente, portanto, realiza o trabalho em menor tempo.
A potência permite relacionar o trabalho elétrico realizado e o tempo ne-
cessário para sua realização. Assim, a capacidade de cada consumidor produzir
um trabalho em determinado tempo por meio da energia elétrica, é chamada de
potência elétrica, que é representada pela seguinte fórmula:
Eletricidade
208

Nessa fórmula:
• P é a potência;
• τ (lê-se “tau”) é o trabalho; e
• t é o tempo necessário para realizar o trabalho.
Para dimensionar corretamente cada componente em um circuito elétrico,
é necessário conhecer a sua potência. Isso é muito importante em instalações
elétricas, por exemplo, quando o profissional tem de considerar, durante a ins-
talação, a potência de cada equipamento elétrico que será utilizado para poder
dimensionar corretamente os condutores que fornecerão a energia.

8.2.1 Unidade de medida de potência elétrica

A potência elétrica é uma grandeza e, como tal, pode ser medida. Sua unida-
de de medida é o watt, simbolizado pela letra W.
Um watt (1 W) corresponde à potência desenvolvida no tempo de um segundo
em uma carga, alimentada por uma tensão de 1 V, na qual circula uma corrente de 1 A.
Como qualquer outra unidade de medida, a unidade da corrente elétrica tem
múltiplos e submúltiplos adequados a cada situação. Veja tabela a seguir.

Tabela 10 – Unidade de medida de potência elétrica


Valor em relação
Denominação Símbolo
ao Watt (W)

megawatt MW 106 W ou 1.000.000 W


Múltiplos
quilowatt kW 103 w ou 1.000 W

Unidade Watt W

miliwatt mW 10-3 W ou 0,001 W


Submúltiplos
microwatt μW 10-6 W ou 0,000.001 W

Valores habituais: no campo da eletricidade, empregam-se habitualmente a


unidade Watt (W) e seus múltiplos; e na eletrônica, usam-se normalmente as uni-
dades (W) e miliwatt (mW).
Faz-se a conversão de valores de forma semelhante às outras unidades de me-
dida. Os passos são os mesmos da conversão de valores do volt, que já vimos no
capítulo 3. Usaremos, também, o mesmo tipo de gabarito:

MW kW W mW µW
8 Potência elétrica em CC
209

Digamos, por exemplo, que você precise converter watt (W) em quilowatt
(kW) e a medida que você tem é 2,5 W.
Para usar o gabarito, proceda como das outras vezes em que fizemos a conver-
são seguindo os passos a seguir.
a) Coloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, neste
caso, é o watt. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após a uni-
dade. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três casas
na próxima linha.

kW W mW

2 5

↑ posição da vírgula

b) Mude a posição da vírgula para a esquerda até chegar à divisão entre kW e


W (unidade que queremos).

kW W mW

2 5

↑ nova posição da vírgula

c) Como não temos nenhum número desta nova posição da vírgula até o nú-
mero 2, preenchemos as casas com zeros.

kW W mW

0 0 2 5

↑ nova posição da vírgula

d) Não podemos deixar a vírgula solta, isto é, não podemos deixar sem um
número antes da vírgula. Então, deve-se completar a casa antes da vírgula
com zero.

kW W mW

0 0 0 2 5

↑ nova posição da vírgula

Após preencher o gabarito, o valor convertido será: 2,5 W = 0,0025 kW


Eletricidade
210

8.3 Determinação da potência de um consumidor em CC

A potência elétrica (P) de um consumidor depende da tensão aplicada e da


corrente que circula nos seus terminais. Matematicamente, essa relação é repre-
sentada pela seguinte fórmula: .
Nessa fórmula:
• V é a tensão entre os terminais do consumidor expressa em volts (V);
• I é a corrente circulante no consumidor expressa em ampères (A); e
• P é a potência dissipada expressa em watts (W).
Podemos utilizar a fórmula colocando-a em um triângulo:

V I

Figura 107 -  Triângulo com potência versus tensão versus corrente


Fonte: SENAI-SP (2012)

Observe que agora podemos ter fórmulas derivadas. Assim, para conhecer a
tensão, a fórmula será:

Para conhecer a corrente, a fórmula será:

Acompanhe um exemplo de uso da fórmula:


Uma lâmpada de lanterna de 12 V solicita uma corrente de 0,5 A das baterias.
Qual é a potência da lâmpada?
Se:
• V = 12 V (tensão nos terminais da lâmpada);
• I = 0,5 A (corrente através da lâmpada); e
• P = é o valor a ser encontrado.
8 Potência elétrica em CC
211

Então, usando a fórmula e inserindo os valores conhecidos, teremos:

Efetuando a multiplicação, teremos o valor de P:

Equação da potência por efeito Joule

Muitas vezes, é necessário calcular a potência de um componente, mas os va-


lores de tensão e de corrente não são conhecidos. E quando não conhecemos o
valor da tensão (V), não é possível calcular a potência por meio das equações que
você viu até aqui.
Essa dificuldade pode ser solucionada com o auxílio da Lei de Ohm. Para que
você possa analisar, vamos colocar lado a lado os dois triângulos para determinar
as equações:

V P

R I V I

Triângulo para a Lei de Ohm Triângulo para a fórmula da potência

Figura 108 -  Triângulos para determinar equação da potência por efeito joule
Fonte: SENAI-SP (2012)

Pela Lei de Ohm, temos:

V = R x I (equação1)

E pela fórmula da potência, temos:

P = V x I (equação 2)

Se substituirmos V da equação 2 pela fórmula da equação, teremos:

E simplificando a fórmula, temos:


Eletricidade
212

Essa equação pode ser usada para determinar a potência de um componente


e é conhecida como equação da potência por efeito joule.
Podemos realizar o mesmo tipo de dedução para obter uma outra, que permi-
ta determinar a potência a partir da tensão e da resistência.
Assim, pela Lei de Ohm, temos:

Pela fórmula da potência teremos:

Substituindo I da fórmula de potência pela Lei de Ohm, teremos:

Simplificando a fórmula, teremos:

E, finalmente, simplificando mais uma vez, a fórmula fica assim:

A partir das equações básicas, é possível obter outras equações por meio de
operações matemáticas. Para maior facilidade, o quadro a seguir contém as fór-
mulas que aprendemos.
Para o dia a dia do profissional da área de eletroeletrônica, é indispensável
conhecer e aprender muito bem estas fórmulas, pois elas serão usadas constante-
mente. O quadro a seguir reúne todas as fórmulas estudadas até agora.
8 Potência elétrica em CC
213

Quadro 14 – Fórmulas da Lei de Ohm e para cálculo de potência


Fórmula Unidade Derivação da fórmula Unidade

V
V
I= A
R

Primeira
Lei de Ohm
V
P= V xI W


P=R xI 2
W

A
Potência

V
V2
P= W
R

Acompanhe os exemplos de aplicação a seguir.

a) Um aquecedor elétrico tem uma resistência de 8 Ω e solicita uma corrente


de 10 A. Qual é a sua potência?

Separando os dados que nos foram dados, temos:


• I = 10 A
• R = 8 Ω
• P = ?
Fórmula a ser utilizada é:

Assim, substituindo os valores, temos:


Eletricidade
214

Efetuando o cálculo de 102 , o resultado é:

Efetuando a multiplicação, chegamos ao resultado:

Portanto, a potência do aquecedor é 800 W.

b) Um isqueiro de automóvel funciona com 12 V, que são fornecidos pela ba-


teria. Sabendo que a resistência do isqueiro é de 3 Ω, calcule sua potência
dissipada.

Formulando a questão, temos:


• V = 12 V
• R = 3 Ω
• P = ?
A fórmula a ser aplicada é:

Substituindo os símbolos das unidades, temos:

Calculando 122 , teremos:

Efetuando a divisão 144 por 3, obtemos o resultado:

Portanto, a potência dissipada do isqueiro é de 48 W.

8.3.1 Leis de Joule

Você deve se lembrar de que, no capítulo 2, mencionamos a unidade de medida


chamada joule quando falamos sobre energia. Vimos também que James Prescott
Joule estudou a natureza do calor e encontrou as relações entre o fluxo da corrente
que passa por meio de uma resistência elétrica e o calor dissipado, formulando as
chamadas Leis de Joule. Nesta sessão, vamos falar um pouco sobre elas.
8 Potência elétrica em CC
215

O quadro 14 nos permite tirar algumas conclusões. Vejamos:


a) Uma resistência transforma a energia elétrica recebida de um circuito em
energia térmica. Isso quer dizer que essa resistência dissipa (em forma de
calor) a energia elétrica que recebe do circuito. Assim, a potência elétrica
consumida por uma resistência é a energia dissipada por ela.
O quadro mostra que a potência dissipada é dada por: e pela fór-
mula da Lei de Ohm: . Logo, podemos dizer que .
b) Toda vez que falamos em energia, estamos falando da potência em uma
determinada variação de tempo Δt (lê-se “delta t”). Portanto, podemos dizer
que Substituindo P por sua igualdade, teremos: Por
essa fórmula, podemos dizer que a Lei de Joule é: “A energia elétrica dissi-
pada em uma resistência, num dado intervalo de tempo Δt, é diretamente
proporcional ao quadrado da intensidade de corrente que a percorre”.

c) Utilizando agora a segunda fórmula da potência: podemos con-

cluir que: “Quando a ddp é constante, a potência elétrica dissipada em


uma resistência é inversamente proporcional à sua resistência elétrica”.

8.4 Potência nominal

Certos aparelhos, como os chuveiros, as lâmpadas e os motores, têm uma carac-


terística particular: seu funcionamento obedece a uma tensão previamente estabe-
lecida. Assim, existem chuveiros para 110 V ou 220 V; lâmpadas para 6 V, 12 V, 110 V,
220 V e outras tensões; motores, para 110 V, 220 V, 380 V, 760 V e mais tensões.
A tensão para a qual esses consumidores são fabricados chama-se tensão no-
minal de funcionamento. Por isso, os consumidores que apresentam tais carac-
terísticas devem sempre ser ligados na tensão correta (nominal), normalmente
especificada em seu corpo.

100 W 100 W
127 V 220 V

Figura 109 -  Lâmpadas com a mesma potência e tensões de funcionamento diferentes.


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
216

Quando esses aparelhos são ligados corretamente, a quantidade de calor, luz


ou movimento produzida é exatamente aquela para a qual foram projetados. Por
exemplo, uma lâmpada de 127 V/100 W ligada corretamente (em 127 V) produz
100 W em luz e calor. A lâmpada, nesse caso, está dissipando a sua potência nomi-
nal. Portanto, potência nominal é a potência para qual um consumidor foi proje-
tado. Enquanto uma lâmpada, um aquecedor ou um motor trabalha dissipando
sua potência nominal, sua condição de funcionamento é ideal.

CASOS E RELATOS

A crise do apagão foi uma crise nacional de fornecimento de energia


elétrica ocorrida no Brasil entre os anos de 2001 e 2002. Ela afetou o for-
necimento e a distribuição de energia elétrica e foi causada por falta de
chuvas, que deixaram várias represas de hidroelétricas abaixo do nível
ideal para a geração de eletricidade.
Foram estabelecidas metas de redução de consumo e cada consumidor
passou a ser responsável por atingi-las. Isso obrigou os brasileiros a di-
minuírem seu consumo de energia elétrica, sob ameaça de ter seu forne-
cimento de eletricidade suspenso.
A maneira encontrada foi o desligamento de aparelhos ou a substituição
de aparelhos eletrodomésticos antigos e com alto consumo de energia,
como freezers e refrigeradores com mais de dez anos de uso.
Por serem mais eficientes, os refrigeradores modernos com a mesma ca-
pacidade têm fator de potência maior e consumo menor, podendo propor-
cionar uma economia de até 30% da energia anteriormente consumida.
8 Potência elétrica em CC
217

8.4.1 Limite de dissipação de potência

Há um grande número de componentes eletrônicos que se caracteriza por não


ter uma tensão de funcionamento especificada e, por isso, podem funcionar com
os mais diversos valores de tensão. É o caso dos resistores que não trazem nenhu-
ma referência quanto à tensão nominal de funcionamento.
Entretanto, podemos calcular qualquer potência dissipada por um resistor
ligado a uma fonte geradora. Vamos tomar como exemplo o circuito apresentado
na figura a seguir.

+
9V R = 400 Ω

Figura 110 -  Circuito para cálculo de potência dissipada


Fonte: SENAI-SP (2012)

A potência dissipada é calculada pela fórmula:


Inserindo os valores na fórmula, temos:

Calculando 92 , temos:

Assim, chegamos ao valor de P:

Como a resistência não produz luz ou movimento, a potência é dissipada em


forma de calor, que aquece o componente. Por isso, é necessário verificar se a
quantidade de calor produzida pelo resistor não é excessiva a ponto de danificá-lo.
Isso quer dizer que:
a) quanto maior for a potência dissipada, maior será o aquecimento; e
b) quanto menor for a potência dissipada, menor será o aquecimento.
Portanto, se a dissipação de potência for limitada, a produção de calor tam-
bém o será.
Eletricidade
218

2 Força eletromotriz 8.5 Fontes de alimentação de CC


Energia que o gerador Estudaremos agora as fontes de alimentação CC que são denominadas gera-
fornece ao circuito durante
certo tempo. dores de tensão. Um exemplo de gerador de tensão é a bateria que faz funcionar
os telefones celulares.
É importante saber que o gerador ideal é aquele capaz de manter a tensão na
saída sempre constante, independentemente da corrente fornecida ao circuito
que está alimentando. Mas em um circuito real isso não acontece e uma das cau-
sas é a resistência interna do gerador.
Para explicar o porquê disso, vamos usar uma bateria como exemplo de ele-
mento gerador. A figura a seguir mostra o interior de uma bateria elementar,
constituída de eletrólito, de placas e de terminais.

polo
negativo (-)
polo
positivo (+)

H2SO4

cobre
zinco
Figura 111 -  Bateria elementar
Fonte: SENAI-SP (2012)

Cada elemento que compõe a bateria elétrica apresenta uma resistência elé-
trica. Ela pode ser representada como uma fonte de tensão em série com as
resistências de seus elementos. Observe a figura a seguir.

RT

RE

RP
E
B

Figura 112 -  Representação do interior de uma bateria elétrica


Fonte: SENAI-SP (2012)
8 Potência elétrica em CC
219

Entre os pontos A e B, temos:


• E – força eletromotriz2 gerada;
• RE – resistência do eletrólito;
• RP – resistência das placas; e
• RT – resistência dos terminais.
A soma das resistências elétricas existentes dentro da bateria é denominada de
resistência interna. Veja um exemplo desse tipo de resistência na figura a seguir.

A A

RT

RE = Ri

RP
E E
B B

Figura 113 -  Representação esquemática da resistência interna de uma bateria


Fonte: SENAI-SP (2012)

8.5.1 Influência da resistência interna na tensão de saída do gerador

A bateria que gera internamente uma força eletromotriz possui uma resistên-
cia interna e tem capacidade de fornecer corrente.
Quando uma bateria está desligada do circuito, não existe circulação de cor-
rente elétrica em seu interior, portanto, não há queda de tensão na resistência
interna. Ao conectar um voltímetro aos terminais da bateria, ele indicará o valor
da força eletromotriz E que foi gerada.

A
+
Ri V
-
E
B

Figura 114 -  Circuito com a força eletromotriz (E) gerada e a resistência interna (RI).
Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
220

Quando uma carga é conectada aos terminais de uma bateria, ocorre a circula-
ção de corrente pelo circuito e também por sua resistência interna.

A
+
Ri H
-
I
E
B

Figura 115 -  Circulação da corrente pelo circuito


Fonte: SENAI-SP (2012)

Aqui, vamos aplicar a Segunda Lei de Kirchhoff, que diz: “A soma das tensões
nos componentes é igual à tensão da fonte”.
Para o nosso caso:
• E é a tensão da fonte;
• V é a tensão da lâmpada; e
• VRi é a tensão da resistência interna.
Aplicaremos a fórmula:

Observe que a corrente circulando dentro da resistência provoca uma queda


de tensão. Temos, então, a seguinte fórmula:

Logo, a tensão na lâmpada será:

E a resistência interna será:

E−V
Ri =
I

O que podemos deduzir dessa fórmula é que a tensão presente nos terminais
de uma bateria é igual à força eletromotriz gerada menos a queda de tensão em
sua resistência interna.
8 Potência elétrica em CC
221

8.5.2 Rendimento do gerador

O rendimento do gerador mede o seu desempenho. Ele corresponde à rela-


ção entre sua tensão de saída e sua tensão interna. Essa relação pode ser repre-
sentada matematicamente da seguinte forma:

VS
η= ou
E
VS
η= x 100 (%)
E

Nessas fórmulas:
• η é o rendimento;
• é a tensão de saída, nos terminais A e B; e
• E é a força eletromotriz.
Acompanhe um exemplo de aplicação:
Os terminais de um gerador alimentam uma lâmpada, pela qual passa uma
corrente de 1 A (I) e cujos terminais possuem a tensão de 100 V (Vs). Sabendo dis-
so e que a resistência interna do gerador é de 25 Ω (Ri), qual é o seu rendimento
(η) e a sua força eletromotriz (E)?

Para calcular a força eletromotriz (E), siga estes passos:


a) Calcule primeiramente a tensão de queda na resistência interna:

A força eletromotriz (E) é a tensão total, logo:

Para calcular o rendimento, usa-se a fórmula:

Colocando os valores na fórmula, temos:


Eletricidade
222

Efetuando a divisão de 100 por 125, encontramos:

Isso significa que esse gerador gera 125 V, mas consegue fornecer 80% na sua
saída. Os 20% restantes são perdas internas.

8.5.3 Máxima transferência de potência do gerador

Quando se conecta uma carga a um gerador, deseja-se, em princípio, que toda


a energia fornecida pelo gerador seja transformada em trabalho útil na carga.
Mas, como vimos no exemplo de aplicação anterior, isso não acontece.
Devido à resistência interna existente no gerador, esse aproveitamento não
é possível, pois a corrente que circula pela resistência interna do gerador provoca
uma dissipação de potência em seu interior sob a forma de calor. Essa potência
tem seu valor determinado pela seguinte expressão:

Sendo que:
• é a potência dissipada na resistência interna;
• é a resistência interna do gerador; e
• é a corrente fornecida pelo gerador.

A potência na resistência interna que se dissipa no interior do gerador é ca-


racterizada como perda. A corrente que circula por meio da resistência interna
também flui na resistência da carga e provoca uma dissipação de potência, resul-
tando em trabalho útil.
Uma das expressões utilizadas para determinar a potência dissipada na carga
é apresentada a seguir.

Sendo que:
• é a potência dissipada na carga;
• é a resistência de carga; e
• é a corrente fornecida pelo gerador.
8 Potência elétrica em CC
223

A corrente que circula no circuito pode ser determinada pela Lei de Ohm.

No circuito em análise, a resistência total é uma associação em série de duas


resistências: e . Assim, a equação fica da seguinte forma:

Nela:
• I é a corrente elétrica do circuito;
• E é a força eletromotriz gerada;
• Ri é a resistência interna; e
• RL é a resistência da carga.
Pelas equações a seguir, substituindo a notação (corrente) na equação da
potência na carga, temos:

Como:

Então:

Simplificando a equação, temos:

Nota-se que a potência dissipada depende da força eletromotriz do gerador,


que é fixa; da resistência interna, que também é fixa; e da resistência de carga, que
é variável. Desta forma, conclui-se que a potência de carga depende, em grande
parte, da resistência de carga.
Quando consome-se energia de um gerador, em muitos casos, deseja-se o má-
ximo de transferência de potência para a carga.
Eletricidade
224

Vamos ao exemplo:
Que valor de resistência deve ter a carga ligada a um gerador de 12 V com
resistência interna de 100 Ω para obtermos a máxima transferência de potência?
Para este exemplo, será montada uma tabela, na qual constarão os valores da
resistência de carga e a potência dissipada na carga para os valores de tensão e
de resistência interna citados.

20 0,200
40 0,294
60 0,338
80 0,356
100 0,360
120 0,357
140 0,350
160 0,341
180 0,331
200 0,320

Analisando os valores referentes à potência na carga, observa-se que confor-


me vai aumentando o valor da resistência de carga, a potência também aumenta.
Isso ocorre até que a resistência de carga atinja o mesmo valor da resistência in-
terna. Quando a resistência de carga ultrapassa o valor da resistência interna do
gerador, a potência na carga começa a diminuir de valor.
Veja o gráfico que mostra a curva de relação entre resistência e potência.

Figura 116 -  Gráfico: Relação resistência versus potência


Fonte: SENAI-SP (2012)
8 Potência elétrica em CC
225

Analisando o gráfico, nota-se que a potência máxima na carga ocorre quando


a resistência de carga é igual a 100 Ω, ou seja, possui o mesmo valor da resistência
interna da fonte. Para que a resistência de carga e a resistência interna do gerador
tenham o mesmo valor, a tensão do gerador divide-se igualmente entre as duas
resistências. Portanto:

VRL = P x RL  VRL = 0,36 x 100 →


→  VRL = 6 V

Dessa forma, podemos concluir que um gerador transfere o máximo de po-


tência para uma carga quando o valor da resistência da carga é igual à resistência
interna do gerador e, consequentemente, a tensão na carga será a metade da
tensão do gerador.

É comum que em materiais didáticos se fale muito sobre


lâmpadas incandescentes. A chegada das lâmpadas eletrôni-
SAIBA cas, muito mais econômicas, gera a pergunta: “Mas, e daqui a
MAIS trinta anos, o que teremos?”. Pesquise na internet, em jornais
e em revistas e tire suas próprias conclusões sobre o futuro
do uso dessas lâmpadas.

Recapitulando

Neste capítulo, você aprendeu que:


a) o trabalho elétrico, realizado pelo consumidor ou pela carga, é a trans-
formação de energia elétrica em outra forma de energia;
b) potência elétrica é a capacidade que cada consumidor possui para
produzir um trabalho, em determinado tempo, a partir da energia elé-

trica. Ela é representada pela seguinte fórmula:


c) a unidade de medida da potência elétrica é o watt, simbolizado pela
letra W;
d) um watt (1 W) corresponde à potência desenvolvida no tempo de um
segundo em uma carga alimentada por uma tensão de 1 V, na qual
circula uma corrente de 1 A;
Eletricidade
226

e) a potência elétrica (P) de um consumidor depende da tensão aplicada


e da corrente que circula nos seus terminais. Matematicamente, essa
relação é representada pela seguinte fórmula: ;
f ) com relação às Leis de Joule:
a) “A energia elétrica dissipada em uma resistência, num dado inter-
valo de tempo Δt, é diretamente proporcional ao quadrado da in-
tensidade de corrente que o percorre”. Ou seja, .
b) “Quando a ddp é constante, a potência elétrica dissipada em uma
resistência é inversamente proporcional à sua resistência elétrica”,

ou seja: .

g) tensão nominal é a tensão de fabricação dos equipamentos que de-


vem ser ligados sempre à tensão correta (nominal), que normalmente
é especificada no seu corpo;
h) limite de dissipação de potência é a máxima dissipação de potência
que a resistência pode realizar sem ser danificada;
i) resistência interna é a soma das resistências elétricas existentes den-
tro do gerador; e
j) rendimento é a medida do desempenho do gerador. Ele corres-
ponde à relação entre sua tensão de saída e sua tensão interna.
Matematicamente:

Esses conhecimentos são essenciais para interpretar o funcionamento de


circuitos eletroeletrônicos.
8 Potência elétrica em CC
227

Anotações:
magnetismo e eletromagnetismo

Neste capítulo, vamos aprender que não poderíamos usufruir de nenhum aparelho que nos
ajuda a iluminar, a aquecer, a resfriar e, por que não, a alegrar nossas vidas, sem que grandes
cientistas tivessem dedicado sua energia criativa em estudos na tentativa de explicar o que a
eletricidade tinha a ver com o magnetismo.
Gilbert, Franklin, Ørsted, Henry, Faraday e Maxwell são nomes que você já conhece, pois es-
tavam no capítulo 2 deste livro. Neste capítulo, você saberá o que as pesquisas desses cientistas
nos ensinam e vai descobrir que não existiriam os motores, os geradores, os transformadores
e nem mesmo a produção de energia elétrica em larga escala, sem suas descobertas sobre a
interação da eletricidade com os ímãs.
Portanto, ao final dos estudos deste capítulo, você terá conhecimentos sobre:
a) a origem do magnetismo e as características dos ímãs;
b) como o magnetismo e o eletromagnetismo explicam os fenômenos magnéticos gerados
pela circulação da corrente elétrica por um condutor;
c) como o eletromagnetismo tem importância fundamental para a compreensão do fun-
cionamento de motores, de geradores e de transformadores;
d) o cálculo da densidade de fluxo, ou indução magnética; e
e) as Leis de Faraday, as Leis de Lenz e a Força de Lorentz, que explicam respectivamente a
quantificação da indução eletromagnética, o sentido da corrente em relação à variação
do campo magnético que a gera e a força eletromagnética total em um condutor.
Bom trabalho!
Eletricidade
230

9.1 Conceito de magnetismo

Não é de hoje que o magnetismo atrai a curiosidade humana. Desde a anti-


guidade, chamava a atenção um material denominado magnetita, que tinha a
propriedade de atrair outros materiais.
Hoje sabemos que a magnetita é um composto de óxido de ferro ( ) que
constitui um ímã natural.
O magnetismo é, portanto, uma propriedade de certos materiais que o tor-
nam capazes de exercer uma atração sobre outros materiais, como o ferro, o aço,
o níquel, o cobalto e as ligas especiais.
É necessário diferenciar a força de atração magnética e a força do fenômeno
eletrostático de atração, que estudamos no capítulo 3. Nesta, materiais atrita-
dos tendem a se atrair devido à movimentação dos elétrons de um material (qual-
quer) para outro (qualquer). O efeito eletrostático desaparece assim que as cargas
elétricas dos dois materiais atingem o equilíbrio. Assim, a atração que um pente
atritado exerce sobre a água é um fenômeno elétrico.
A força de atração magnética, ao contrário, é duradoura e própria de um pe-
queno grupo de materiais metálicos, como o ferro e o níquel. É muito importante
notar, porém, que nem todos os metais reagem às forças magnéticas da mesma
forma que os materiais ferrosos. Para que haja atração entre os materiais metáli-
cos é necessário que eles se transformem em ímãs.

9.1.1 Ímãs

Um ímã é qualquer material que possui propriedades magnéticas, ou seja,


que tem a capacidade de atrair substâncias magnéticas, como os metais ferrosos
em geral.
Existem dois tipos de ímãs:
a) Os ímãs naturais, que são materiais encontrados na natureza e que apre-
sentam propriedades magnéticas, por exemplo, a magnetita.

Figura 117 -  Magnetita


Fonte: Wikimedia Commons (2012)
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
231

Uma característica desse tipo de ímã é que ele conserva permanentemente a


sua propriedade magnética.
b) Os ímãs artificiais são barras de materiais ferrosos magnetizadas por pro-
cessos artificiais e cujos campos magnéticos podem ser temporários ou
permanentes.
Um exemplo de ímã permanente é aquele usado nos alto-falantes. Ele é fabri-
cado com uma liga de alumínio, níquel e cobre, que é conhecida como ALNICO.
Em geral, os ímãs artificiais têm propriedades magnéticas mais intensas que
os ímãs naturais.

Figura 118 -  Ímã artificial


Fonte: SENAI-SP (2012)

Os ímãs artificiais são muito empregados porque podem ser fabricados nos
mais diversos formatos, atendendo às mais variadas necessidades, como é o caso
do ímã de geladeira.

9.1.2 Polos magnéticos de um ímã

As forças de atração magnética de um ímã manifestam-se com maior intensi-


dade nas suas extremidades, que são denominadas de polos magnéticos.
Cada um deles – um chamado de polo sul e outro, de polo norte – apresenta
propriedades magnéticas específicas.

S N

Figura 119 -  Polos dos ímãs


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
232

Não devemos confundir os polos geográficos da Terra


com os polos magnéticos do planeta: eles estão próxi-
mos, mas não coincidem nem em sua localização nem
em sua denominação. Pelo contrário: o polo magnético
sul da Terra está próximo ao seu polo norte geográfico
VOCÊ e o polo magnético norte, por outro lado, fica próximo
SABIA? ao polo sul geográfico. Isso significa que o norte mag-
nético da agulha da bússola, ao apontar o polo norte
geográfico, está sendo atraído pelo polo sul magnético
da Terra. Isso é explicado pela propriedade da interação
entre ímãs, que diz que polos magnéticos diferentes se
atraem. Interessante, não é?

Uma vez que as forças magnéticas dos ímãs são mais concentradas nos po-
los, é possível concluir que a intensidade dessas propriedades diminui em dire-
ção ao centro do ímã. Isso significa que, na região central do ímã, estabelece-se
uma linha em que as forças de atração do polo sul e do polo norte são iguais e
se anulam.
Essa linha é denominada de linha neutra e estabelece a fronteira divisória en-
tre os polos do ímã.

ponteiro norte da bússola


acompanha o polo sul do ímã

N
N

os ponteiros não
N N acompanham o ímã.
É a linha neutra

N
N
N

ponteiro sul da bússola


acompanhando o polo norte
do ímã
Figura 120 -  Linha neutra
Fonte: SENAI-SP (2012)
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
233

9.2 Origem do magnetismo

No capítulo 3, você viu que a matéria é composta por moléculas, que, por sua
vez, são compostas por átomos.
Teoricamente, cada molécula, em virtude de sua organização atômica, é um
pequeno ímã natural, que é chamado de ímã molecular, ou domínio. Todavia,
seus efeitos magnéticos não são percebidos porque esses pequenos ímãs estão
dispostos no corpo de tal forma que suas ações anulam-se mutuamente. Isso
resulta em um material sem magnetismo natural.
Se, durante a formação do material, as moléculas assumem uma orientação
única ou predominante, os efeitos magnéticos de cada ímã molecular somam-
-se, dando origem a um ímã com propriedades magnéticas naturais.
Para que haja ação magnética em um corpo, é necessário haver a imanta-
ção, que consiste em “organizar” os ímãs moleculares de modo que suas ações
somem-se. É isso o que acontece quando são fabricados os ímãs artificiais.

S N S N S N S N S N S N S N S N

S S

S
N

N
S

S
N

N
S

S
N

N
S

S
N

N
S

S
N

N
S

S
N

N
S

S
N

N
S

S
N

N
S N S N S N S N
N

N S N
S
S

S N S N S N S N S N S N S N S N
N

N N N
S

S N S S S S
N
N
N

N S N S N S N S N S N S N S N S N S N S N S N
S

S
S
S

N
N

S N S N S N S N S N S N S N S N S N S N S N
S

S N S
N
S
N S N S N S N
N

S S
N N N S N S N S N
N

S N S

Material imantado tem seus


Material sendo imantado ímãs moleculares organizados
Figura 121 -  Diferença de organização dos ímãs moleculares
Fonte: SENAI-SP (2012)

9.3 Propriedades características dos ímãs

Os ímãs têm duas propriedades características:


a) Inseparabilidade dos polos
Cada vez que um ímã é dividido, ímãs menores são obtidos. Apesar de menores,
todos os ímãs resultantes de uma divisão apresentam um polo norte e um polo sul.

N S

N S N S

N S N S N S N S

Figura 122 -  Inseparabilidade dos polos


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
234

b) Interação entre ímãs


Quando os polos magnéticos de dois ímãs estão próximos, suas forças mag-
néticas reagem entre si de forma característica. Assim, se dois polos magnéticos
diferentes forem aproximados (o norte de um com o sul do outro), haverá uma
atração entre os dois ímãs.
Se dois polos magnéticos iguais forem aproximados (norte de um próximo ao
norte do outro), haverá uma repulsão.

N S

N N

S S

Figura 123 -  Representação da interação entre os ímãs


Fonte: SENAI-SP (2012)

A interação entre os ímãs foi aproveitada por cientistas


VOCÊ japoneses no desenvolvimento de trens que usam um
SABIA? sistema de suspensão eletrodinâmica (SED), que é base-
ado na força de repulsão dos ímãs.

Figura 124 -  Trem japonês cujo movimento é baseado no princípio da força de repulsão dos ímãs (linha de teste de Yamanashi)
Fonte: Wikimedia Commons (2012).
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
235

9.4 Campo magnético – linhas de força

O espaço ao redor do ímã em que há a atuação das forças magnéticas é cha-


mado de campo magnético. Os efeitos de atração ou repulsão entre dois ímãs
ou de atração de um ímã sobre os materiais ferrosos ocorrem devido à existência
desse campo magnético.
Para facilitar o estudo do campo magnético, admite-se a existência de linhas
de indução magnética ao redor do ímã. São linhas invisíveis, mas que podem ser
percebidas colocando-se um ímã sob uma lâmina de vidro e espalhando limalha
de ferro sobre ela. As limalhas se orientam conforme as linhas de força magnética.
Trata-se de uma energia que não se vê e que faz com que as limalhas de ferro
se agrupem para formar linhas curvas e demonstram o poder que os ímãs têm de
atrair partículas de ferro mediante essa força invisível.

Limalha de ferro mostrando o campo magnético de um ímã


O campo faz uma curva que sai do
polo norte em direção ao polo sul

N S

O campo de força é mais O campo de força é mais


concentrado nas pontas concentrado nas pontas

No centro, temos a linha neutra,


em que o campo é nulo

Figura 125 -  Linhas de indução magnética


Fonte: SENAI-SP (2012)

Embora não possamos definir com precisão a natureza das linhas de indução
magnética, podemos ter um conceito claro delas se estabelecermos suas proprie-
dades mediante a observação dos fenômenos magnéticos.
Eletricidade
236

1 Sistema Centímetro- Essas propriedades são:


Grama-Segundo
a) as linhas de indução magnética são o resultado de uma energia que atua
O Sistema Centímetro- em forma de uma curva fechada, partindo do polo norte do ímã, passando
Grama-Segundo (CGS) é um
sistema de unidades físicas pelo ar ou por outro meio condutor até chegar ao polo sul, de onde regres-
que precedeu o Sistema
Internacional de Unidades sa ao polo norte por meio do ferro do ímã;
(SI). Muitas fórmulas
usadas para cálculos de b) as linhas de indução não se cruzam. Ao contrário, elas se repelem, porque
eletromagnetismo ficam procuram se separar umas das outras o máximo possível; e
mais simples com as
unidades CGS.
c) as linhas de indução magnética concentram-se nos polos do ímã, razão
pela qual obtemos maior força magnética nas imediações dos polos.
Quando colocamos um pedaço de ferro ou de aço na trajetória das linhas de
força, observamos que elas tendem a prosseguir em sua trajetória através do me-
tal, e não através do ar, uma vez que esses metais lhes proporcionam um caminho
mais fácil, conforme ilustra a figura a seguir.

As linhas de indução magnética


Linhas de indução
seguem o anel de ferro
magnética
N S N S

ar

ar
ar
Figura 126 -  Trajetória das linhas de indução magnética
Fonte: SENAI-SP (2012)

Para padronizar os estudos sobre o magnetismo e as linhas de indução mag-


nética, convencionou-se que as linhas de força de um campo magnético dirigem-
-se do polo norte para o polo sul. Essa convenção se aplica às linhas de força ex-
ternas ao ímã.

9.5 Densidade de fluxo da indução magnética

Em um ímã, o fluxo da indução magnética é a quantidade total de linhas de


indução magnética que constituem seu campo magnético. É representado grafi-
camente pela letra grega φ (lê-se “fi”).
O fluxo da indução magnética é uma grandeza e, como tal, pode ser medido.
No Sistema Internacional de Medidas (SI), sua unidade de medida é o weber (Wb).
No Sistema Centímetro-Grama-Segundo1 (CGS) de medidas, sua unidade é o
maxwell (Mx).
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
237

VOCÊ Para transformar weber em maxwell, usa-se a seguinte


SABIA? relação: 1 Mx = 10-8 Wb.

Quando um condutor é submetido a um campo magnético e este varia do va-


lor máximo a zero no tempo de um segundo, provocando aparecimento de uma
ddp de um volt entre os terminais do condutor, dizemos que o fluxo magnético
é de um Webber.
A densidade do fluxo da indução magnética é o número de linhas de indu-
ção magnética que atravessam uma seção transversal do campo magnético de
área unitária, ou seja, um centímetro quadrado.

N
seção
fluxo
transversal
total

m
1 cm 1c
S
Figura 127 -  Representação esquemática da densidade do fluxo
Fonte: SENAI-SP (2012)

A densidade do fluxo é representada graficamente pela letra maiúscula B. Sua


unidade de medida no sistema SI é o tesla (T) e no CGS é o Gauss (G). Ela é calcu-
lada pela fórmula:

Sendo que:
• B é a densidade do fluxo magnético em G;
• φ é fluxo da indução magnética em Mx; e
• S é a seção transversal em centímetros quadrados.

VOCÊ Para transformar gauss em tesla, usa-se a seguinte rela-


SABIA? ção: 1 G = 10-4 T.
Eletricidade
238

Conhecendo o valor da superfície (seção transversal S) em que estão concen-


tradas as linhas de indução magnética e a densidade do fluxo magnético B, pode-
-se enunciar a fórmula do fluxo de indução magnética como sendo o produto da
densidade do fluxo B pela seção transversal A. Assim, matematicamente, temos:
Nessa fórmula:
• φ é o fluxo de indução magnética em Mx;
• B é a densidade de fluxo magnético em G; e
• S é a seção transversal em centímetros quadrados.
Acompanhe os exemplos de cálculos:
a) Calcule o fluxo de indução magnética em que a densidade de fluxo é
6.000 G e está concentrada em uma seção de 6 cm2.
Aplicando a fórmula, temos:
φ=BxS
φ = 6000 x 6
φ = 36000 Mx
Transformando Mx em Wb, temos:

Logo:

b) Calcule a densidade de fluxo em uma seção de 6 cm2 sabendo que o fluxo


magnético é de 36.000 Mx (ou linhas).

Transformando gauss em tesla, temos:

Logo:

Esse cálculo é utilizado para conhecermos o fluxo magnético, por exemplo, de


um transformador.
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
239

9.6 Imantação ou magnetização

Imantação (ou magnetização) é o processo pelo qual os ímãs atômicos (ou


dipolos magnéticos) de um material são alinhados, o que acontece por meio da
ação de um campo magnético externo.
É possível classificar os materiais de acordo com a intensidade com que eles
se imantam, isto é, o modo como ordenam seus ímãs atômicos sob a ação de um
campo magnético. Assim, esses materiais podem ser classificados em:
a) Paramagnéticos são materiais que possuem elétrons desemparelhados
que se alinham quando na presença de um campo magnético como o de
um ímã. Isso faz surgir um ímã que tem a capacidade de provocar um leve
aumento na intensidade do valor do campo magnético em um ponto qual-
quer. Esses materiais são fracamente atraídos pelos ímãs.

pequenos ímãs na pequenos ímãs pequenos ímãs


ausência de um sob um campo sob um campo
campo magnético magnético fraco magnético forte
Figura 128 -  Comportamento do material paramagnético em relação ao campo magnético
Fonte: SENAI-SP (2012)

O alumínio, a platina, o magnésio e o sulfato de cobre são exemplos de mate-


riais paramagnéticos. Eles são caracterizados por possuírem átomos que têm um
campo magnético permanente.
b) Diamagnéticos são materiais que têm seus ímãs elementares orientados
no sentido contrário ao sentido do campo magnético aplicado se forem
colocados na presença de um campo magnético. Assim, estabelece-se um
campo magnético na substância que possui sentido contrário ao campo
aplicado.

N N S B
B0

Figura 129 -  Representação de material diamagnético


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
240

A figura 129 mostra que entre o ímã e o material diamagnético haverá repul-
são. Essa força, entretanto, é de pequena intensidade e, muitas vezes, difícil de ser
percebida, pois B0 é muito menor que B (B0<<<<B).
O bismuto, o cobre, a prata, o chumbo, o ouro, o zinco, o antimônio, a água e
o mercúrio são substâncias diamagnéticas. Esses materiais caracterizam-se por
possuírem átomos que não produzem um campo magnético permanente, ou
seja, o campo resultante de cada átomo é nulo.
c) Ferromagnéticos são materiais que compõem um grupo com caracte-
rísticas bem diferentes daquelas dos materiais paramagnéticos e dos dia-
magnéticos. Esses materiais se imantam fortemente quando colocados na
presença de um campo magnético. É possível verificar, experimentalmente,
que a presença de um material ferromagnético altera fortemente o valor
da intensidade do campo magnético.

domínios magnéticos desalinhados domínios magnéticos ordenados

Figura 130 -  Material ferromagnético


Fonte: SENAI-SP (2012)

Somente o ferro, o cobalto, o níquel e as ligas formadas por esses materiais são
ferromagnéticos. Esse tipo de material é muito utilizado quando se deseja obter
campos magnéticos de altas intensidades.
As substâncias ferromagnéticas são fortemente atraídas pelos ímãs. Já as
substâncias paramagnéticas e diamagnéticas são, na maioria das vezes, denomi-
nadas de substâncias não magnéticas, pois seus efeitos são muito pequenos
quando sob a influência de um campo magnético.

9.7 Eletromagnetismo

Hans Christian Ørsted foi um cientista dinamarquês de quem já falamos no


capítulo 2. Em 1820, enquanto preparava os seus materiais para uma palestra,
Ørsted reparou que a agulha de uma bússola movimentava-se quando a corrente
elétrica de uma bateria era ligada e desligada. Esse desvio convenceu-o da rela-
ção direta entre eletricidade e magnetismo.
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
241

Depois dele, a união das descobertas de Henry e Faraday (indução eletromag-


nética) e, principalmente, de James Maxwell, que explicou matematicamente a
relação entre a eletricidade e o magnetismo, forneceu as bases para o surgimento
de um ramo do estudo da física chamado de eletromagnetismo.
Assim, em poucas palavras, podemos dizer que eletromagnetismo é um fe-
nômeno magnético provocado pela circulação de uma corrente elétrica. O ter-
mo eletromagnetismo aplica-se a todo fenômeno magnético que tenha origem
em uma corrente elétrica.

9.7.1 Campo magnético em um condutor

Para entender a inter-relação entre o fenômeno magnético e a corrente elétrica,


vamos explicar o que aconteceu quando Ørsted estava preparando sua palestra.
Quando colocamos uma bússola próxima a um condutor que está sendo per-
corrido por uma corrente elétrica, o seu ponteiro, que inicialmente estava orienta-
do para o norte geográfico da Terra, muda de direção, mostrando que a corrente
elétrica cria um campo magnético.

Figura 131 -  Campo magnético B em condutor sendo percorrido por corrente elétrica
Fonte: SENAI-SP (2012)

Essa orientação do movimento das partículas tem um efeito semelhante ao da


orientação dos ímãs moleculares. Como consequência, surge um campo magné-
tico ao redor do condutor.
As linhas de força do campo magnético criado pela corrente elétrica que passa
por um condutor são circunferências concêntricas em um plano perpendicular ao
condutor, como você pode observar na figura a seguir.

Figura 132 -  Linhas de força do campo magnético


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
242

Mas você pode estar se perguntando: qual é o sentido de deslocamento das


linhas de indução magnética do campo magnético?
Para responder a essa pergunta, vamos utilizar a regra da mão direita, confor-
me mostra a figura a seguir.

i i
B

(a) (b)

Figura 133 -  Regra da mão direita


Fonte: SENAI-SP (2012)

Quando envolvemos o condutor com a mão direita, como mostra a figura, o


polegar indica o sentido da corrente elétrica que está percorrendo o fio. Enquanto
isso, os demais dedos estão dobrados envolvendo o condutor e indicando o polo
norte magnético gerado pela corrente elétrica.
Para definir o sentido das linhas de força, pode-se também utilizar a regra do
saca-rolhas. Por essa regra, o sentido é indicado pelo movimento do cabo de um
saca-rolhas cuja ponta avança no condutor no mesmo sentido da corrente elétri-
ca (convencional). Essa regra pode ser aplicada de duas maneiras:
a) condutor retilíneo (figura 134 à esquerda): o saca-rolhas avança no sentido
da corrente (i) e com a ponta do cabo em um ponto A. O sentido de rotação
do cabo é o sentido das linhas de força do campo magnético ( ) no ponto A;
b) condutor curvo (figura 134 à direita): o saca-rolhas gira no sentido da cor-
rente (i). Ele avança no sentido das linhas de indução magnética do campo
magnético.
Para ter uma melhor noção do que estamos falando, veja a figura a seguir.
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
243

i
i

Figura 134 -  Regra do saca-rolhas


Fonte: SENAI-SP (2012)

VOCÊ A letra H é utilizada para identificar a intensidade do


SABIA? campo magnético.

Conhecer o sentido do campo magnético no condutor é muito importante,


porque esse é um conceito aplicado diretamente para o bom funcionamento das
máquinas elétricas, como são chamados os motores e os geradores.
Para um motor funcionar corretamente, o eletricista precisa ter o cuidado de
ligar os cabos internos do motor na sequência correta. Se ela for invertida, o sen-
tido do campo magnético também será invertido. Assim, quando a alimentação
do motor for ligada, ele travará em vez de girar.
Conhecer o sentido do campo magnético, portanto, auxilia a fazer a correta
ligação do motor.

9.7.2 Campo magnético em uma espira circular

Em um ímã, as linhas de indução saem do polo norte e se movimentam em di-


reção ao polo sul, formando espiras. Uma espira percorrida por uma corrente ori-
gina um campo magnético igual ao do ímã. Assim, o polo norte é aquele do qual
as linhas indução magnética saem e o polo sul é aquele em que as linhas entram.
Eletricidade
244

polo norte polo sul


i

Figura 135 -  Direção de movimento das linhas de indução


Fonte: SENAI-SP (2012)

Para identificar o polo norte ou sul da espira, podemos usar as regras práticas
representadas nas figuras 136 e 137, a seguir.
A figura 136 ilustra como identificar o polo sul: olhando de frente para uma
face da espira com a corrente vista no sentido horário, o fluxo magnético estará
entrando no plano do observador.

visão do
observador

Vetor entrando

Figura 136 -  Identificando o polo sul


Fonte: SENAI-SP (2012)

A figura 137 ilustra um modo prático de identificar o polo norte: olhando-se


de frente para uma face da espira com a corrente vista no sentido anti-horário, o
fluxo magnético estará saindo do plano do observador.
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
245

visão do
observador

Vetor saindo

Figura 137 -  Identificando o polo norte


Fonte: SENAI-SP (2012)

Esse conhecimento é importante para fazer ligações em máquinas elétricas,


como motores.

9.8 Campo magnético em uma bobina (ou solenoide)

Para que possamos obter um efeito prático em termos de trabalho elétrico,


um campo magnético produzido por um condutor é fraco e necessita de altas
correntes.
Mas, para obter campos magnéticos de maior intensidade a partir da corren-
te elétrica, basta enrolar o condutor em forma de espiras, constituindo uma bo-
bina. A figura a seguir mostra uma bobina e seus respectivos símbolos, conforme
determina a NBR 12521.

Bobina, enrolamento Símbolo Símbolo


ou indutor (forma preferida) (outra forma)

Figura 138 -  Símbolos de bobinas


Fonte: SENAI-SP (2012)

As bobinas permitem um aumento dos efeitos magnéticos gerados em cada


uma das espiras. A figura a seguir mostra uma bobina constituída por várias es-
piras, ilustrando o efeito resultante da soma dos efeitos magnéticos individuais.
Eletricidade
246

N S

I
I

Figura 139 -  Representação do efeito da soma dos efeitos magnéticos em uma bobina
Fonte: SENAI-SP (2012)

É importante observar que os polos magnéticos formados pelo campo mag-


nético de uma bobina têm características semelhantes àquelas dos polos de
um ímã natural. Além disso, a intensidade do campo magnético em uma bobina
depende diretamente da intensidade da corrente e do número de espiras.
O núcleo é a parte central das bobinas. Ele pode ser composto por:
a) ar, quando nenhum material é colocado no interior da bobina; e
b) material ferroso, quando há ferro ou aço, por exemplo, no interior da bobi-
na. Esse recurso é usado a fim de que se possa obter maior intensidade de
campo magnético em uma mesma bobina. Nesse caso, o conjunto bobina-
núcleo de ferro é chamado eletroímã.
A maior intensidade do campo magnético nos eletroímãs é obtida porque os
materiais ferrosos provocam uma concentração das linhas de força.

S N S N

Figura 140 -  Concentração de linhas de indução magnética


Fonte: SENAI-SP (2012)

Se fosse possível fazer um corte transversal na bobina do eletroímã, o que ve-


ríamos está representado na figura 140.
Nesse caso, quando a corrente elétrica flui na direção em que se afasta do ob-
servador (representada pelas cruzes), as linhas de indução magnética circundam
o condutor da maneira indicada pelas setas.
Quando a corrente flui pelo fio em direção ao observador (representada pelos
pontos), as linhas de indução magnética circundam o fio de cada espira da manei-
ra indicada pelas setas.
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
247

Como resultado, observamos que todas as linhas de indução produzidas em


cada lado das espiras do fio, tanto na parte superior como na parte inferior, estão
na mesma direção. Isso, como pode ser visto claramente na figura, indica que o
campo magnético total da bobina é igual à soma de todos os campos magnéticos
produzidos em cada espira.
Quando uma bobina tem um núcleo de material ferroso, seu símbolo (segun-
do a NBR 12521) expressa essa condição, como mostra a figura a seguir.

Indutor com núcleo Núcleo de ferrite com


magnético um enrolamento

Figura 141 -  Símbolo de indutor


Fonte: SENAI-SP (2012)

9.9 Principais leis do eletromagnetismo

Michael Faraday foi o cientista que primeiro desenvolveu o conceito moderno


de campos elétricos e magnéticos, quando, em 1831, apresentou suas ideias so-
bre linhas de indução, que mais tarde foram comprovadas matematicamente por
James Clerk Maxwell.
Em 1833, Heinrich Lenz, em seus estudos, estabeleceu que o sentido da cor-
rente elétrica induzida se comporta de tal maneira que o campo magnético cria-
do por ela opõe-se à variação do campo magnético que a produziu.
Em 1892, Hendrik Lorentz desenvolveu a Lei da Força que tem seu nome e que
contribuiu para o cálculo da força total tanto dos campos elétricos como dos
campos magnéticos. Vamos falar um pouco mais sobre essas leis. Acompanhe!

9.9.1 Lei de Faraday

Já sabemos que uma corrente elétrica produz um campo magnético. Mas o


campo magnético produz uma corrente elétrica? Michael Faraday provou que
sim. Vamos entender as experiências que ele fez.
Experiência 1:
Se uma espira de um material condutor de eletricidade tem um amperímetro
conectado a ela, mas não há uma fonte de alimentação no circuito, a leitura do
instrumento não indicará um valor.
Eletricidade
248

Mas, se aproximarmos um ímã dessa espira, o amperímetro indicará a presen-


ça de uma corrente. Se ele for afastado, também indicará a presença de uma cor-
rente, mas em sentido oposto. Com o ímã parado, não há nenhuma indicação de
presença de corrente. Veja a representação dessa experiência na figura a seguir.

N S N S N S

0 +A 0
i
ímã parado ímã dentro ímã parado
corrente 0 A do condutor corrente 0 A
corrente +A

i
N S N S

-A 0
ímã fora do ímã parado
condutor corrente 0 A
corrente -A

Figura 142 -  Primeira experiência de Faraday: circuito com condutor sem fonte de alimentação
Fonte: SENAI-SP (2012)

Nesta primeira experiência, Faraday concluiu que a corrente que circula pela
espira com o amperímetro é denominada corrente induzida, já que é produzida
por uma força eletromotriz (fem) induzida .

A fem é induzida apenas em uma espira imersa em um campo magnético se


ocorrer variação do número de linhas de indução que atravessam a superfície do
quadro ou da espira.
Experiência 2:
No circuito da figura a seguir, ligando-se a chave, ocorre um pequeno e rápido
desvio na agulha do amperímetro.

chave
A

Figura 143 -  Circuito que reproduz a segunda experiência de Faraday


Fonte: SENAI-SP (2012)
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
249

O mesmo acontece se a chave for desligada. O desvio, porém, será em sentido


oposto. E se a chave for mantida ligada, por maior que seja a corrente circulando
na espira esquerda, não haverá qualquer indicação no amperímetro.
Na segunda experiência, Faraday concluiu que a corrente induzida é propor-
cional ao negativo da variação do fluxo magnético em relação ao tempo.
Essas leis explicam a reação do campo girante, que faz funcionar um motor
elétrico.

CASOS E RELATOS

O poder do campo magnético


Soldar é uma tarefa repetitiva e penosa que envolve riscos à saúde. Por
isso, as grandes montadoras de veículos usam robôs para soldar as car-
rocerias dos automóveis.
A soldagem acontece quando ocorre um breve curto-circuito controlado
em um ponto da carroceria que será soldado. No momento desse curto,
a corrente pode chegar a 200 A para uma chapa de 1,5 mm e, por causa
dessa corrente, forma-se um campo magnético no local em que é feita a
soldagem.
Em uma siderúrgica, o operador principal de um equipamento de solda-
gem teve um problema cardíaco e precisou colocar um marca-passo.
Esse equipamento tinha a função de soldar, sem falhas, chapas de 10 mm
de espessura por 2000 mm de comprimento. Por causa da grande espes-
sura das chapas a serem soldadas, a corrente atingia o valor de 70.000
A. Com essa corrente, o campo magnético gerado era capaz de apagar
temporariamente os monitores dos computadores usados para o moni-
toramento da soldagem que estavam a cinco metros do equipamento.
Por causa disso, como medida de segurança, pois havia risco à saúde do
funcionário, ele foi afastado da sua função, já que o campo magnético no
local poderia afetar o funcionamento de seu marca-passo.
Eletricidade
250

9.9.2 Lei de Lenz

Faraday foi o primeiro a produzir uma força eletromotriz induzida e a determi-


nar o seu valor. Porém, foi a Lei de Lenz que determinou seu sentido.
Por essa lei, estabeleceu-se que o sentido de uma força eletromotriz induzida
é tal que a corrente induzida ocorre sempre de forma a contrariar a variação da
grandeza que a produziu.
Isso quer dizer que o sentido da corrente é o oposto da variação do campo
magnético que lhe deu origem. A figura a seguir ilustra o que diz o enunciado da
Lei de Lenz.

1 2
Δt
G
i
S ímã N B ΔB
B'

Figura 144 -  Circuito que representa o sentido da corrente pela Lei de Lenz
Fonte: SENAI-SP (2012)

Se a área da espira for constante e o ângulo do movimento do ímã tam-


bém, a variação do fluxo magnético é proporcional a um valor médio de campo
magnético (B).
Se o ímã for movimentado da posição 1 para a posição 2 em um tempo Δt, o
campo magnético que atravessa a espira passa de B para + ΔB, pois há um maior
número de linhas de indução por unidade de área para a posição mais próxima.
Como consequência, a corrente induzida produz um campo B’, oposto à varia-
ção, ou seja, B’ = − ΔB.
O sentido da corrente I na espira pode ser encontrado pela regra da mão direita.
Devido à ação de oposição ao fenômeno gerador, a força eletromotriz induzi-
da é algumas vezes denominada força contra-eletromotriz.

Quando um motor de corrente alternada começa a girar,


a tensão é aplicada em sua parte externa, que são as
bobinas. A parte rotativa, ou seja, aquela que realmente
gira, não possui nenhum fio de alimentação.
VOCÊ Para que a parte rotativa gire, o campo vindo das bobi-
SABIA? nas faz com que sua parte metálica crie um campo con-
trário e a partir daí comece a girar.
Esse campo contrário é o que chamamos de força contra-
eletromotriz, que é uma força contrária à força aplicada.
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
251

9.9.3 Lei da Força de Lorentz

A Lei da Força de Lorentz calcula a intensidade da força magnética em uma


partícula carregada eletricamente com velocidade v e imersa em um campo mag-
nético. Ela descreve o efeito de E (campo elétrico) e B (campo magnético) sobre
uma carga elétrica pontual (de prova). Isso é representado esquematicamente na
figura a seguir.

Fm (q > 0)

S
B

q α
N
V

Fm (q < 0)
Figura 145 -  Efeito do campo elétrico e do campo magnético sobre uma carga elétrica
Fonte: SENAI-SP (2012)

Na figura acima, observe que:


a) uma carga elétrica q, positiva, circula em um campo magnético uniforme,
com uma velocidade
b) no plano da figura, o campo magnético está representado pelo fluxo de
indução e

c) o ângulo a é formado entre os vetores


Nessas condições, o campo magnético é capaz de atuar sobre a carga que nele
circula. Nele surge, então, uma força de origem magnética denominada força
magnética de Lorentz (F), que se caracteriza por desviar a carga de sua trajetória
original de circulação.
As características das forças magnéticas F são:
a) intensidade da força magnética – é diretamente proporcional à car-
ga elétrica, à velocidade de circulação da carga e à intensidade do campo
magnético;
 
b) direção – é perpendicular aos vetores v (velocidade) e B (campo magné-
tico);
Eletricidade
252

B
V

Figura 146 -  Direção das forças magnéticas


Fonte: SENAI-SP (2012)

c) Sentido – se a carga elétrica circulante for positiva, o sentido da força mag-


nética é dado pela regra da mão esquerda, ilustrada na figura a seguir. Se a
carga elétrica q circulante no campo magnético for negativa, o sentido da
força magnética deve ser invertido.

F
B

Figura 147 -  Regra da mão esquerda


Fonte: SENAI-SP (2012)

Pela regra da mão esquerda:


a) o dedo polegar indica a força magnética F;
b) o dedo indicador indica o campo magnético B; e
c) o dedo médio indica o sentido da velocidade v.

9.10 Circuitos magnéticos

Os circuitos magnéticos são utilizados para concentrar o efeito magnético em


determinados materiais. Isso quer dizer que eles direcionam o fluxo magnético
em materiais com certas propriedades magnéticas e dimensões a partir de uma
variedade de seções e diferentes comprimentos.
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
253

Logo, o circuito magnético é o espaço em que se desenvolve um conjunto


de linhas de indução de um campo magnético. Vamos ver no circuito a seguir:

I
+
N G = NI R
S

G=R
I lm

Figura 148 -  Representação esquemática de um circuito magnético


Fonte: SENAI-SP (2012)

Da mesma forma que o circuito elétrico é o percurso da corrente elétrica, o


circuito magnético é o percurso do fluxo magnético.
Assim como a força eletromotriz (fem) é responsável pelo movimento ordena-
do dos elétrons em um circuito elétrico, no circuito magnético deve haver uma
força que é medida pelo trabalho realizado para transportar uma unidade de
massa magnética (fluxo) em torno do circuito magnético fechado. Essa é a força
magnetomotriz (f.m.m.), que é a relação entre a corrente nas espiras e a quanti-
dade de espiras.

BL
I

L
C

B BL

BF G G BF

C
Figura 149 -  Campo magnético de um eletroímã
Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
254

A figura 149 ilustra um circuito magnético mostrando o diagrama do campo


magnético (linhas verdes) de um eletroímã típico, bem como apresenta o núcleo
do eletroímã em corte, com exceção dos condutores que formam a bobina (em
vermelho), que estão representados em três dimensões para dar maior clareza
ao desenho.
O núcleo de ferro do eletroímã (C) forma um espaço fechado para a circulação
do fluxo magnético e contém duas aberturas para a passagem do ar. A maior par-
te do campo magnético (B) está confinada dentro do circuito do núcleo. Porém,
algumas das linhas do campo magnético (BL) se desviam, não passam pelo núcleo
e não contribuem para a produção de trabalho do eletroímã, constituindo uma
perda. Essa perda também inclui os fluxos magnéticos que circundam os condu-
tores que formam a bobina.
Nas aberturas (G), as linhas do campo magnético formam “curvas” (BF) nas bor-
das das aberturas e depois voltam ao traçado normal para entrar na outra parte
do material do núcleo. São chamadas de “campos marginais” e também são con-
sideradas como perdas, pois reduzem a força do eletroímã.
A linha azul (L) é o comprimento médio do percurso do fluxo, também cha-
mado de circuito magnético. Esse comprimento é usado para calcular o campo
magnético.
A força magnetomotriz do circuito magnético corresponde à força eletromotriz
do circuito elétrico. Podemos exemplificá-la com a ajuda de um eletroímã, que,
como você já viu neste capítulo, tem a capacidade de atrair materiais ferrosos.
Assim, imagine o uso de um eletroímã em um ferro velho, no qual o mesmo
guindaste deverá ter força para levantar tanto uma geladeira como um automó-
vel. O equipamento é o mesmo, mas não há necessidade da mesma força. Então,
para levantar a geladeira, usamos um certo valor de corrente e para levantar o
carro, precisamos aumentá-la. Esse valor de corrente no eletroímã é a nossa força
magnetomotriz. Quanto maior for a corrente para um determinado equipamen-
to, maior será a força magnetomotriz.
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
255

9.11 Interação entre o magnetismo e o eletromagnetismo

Até este momento, vimos separadamente os conceitos de magnetismo e ele-


tromagnetismo. Agora, vamos unir os dois conceitos usando um exemplo de apli-
cação prática bem conhecida: o alto-falante.

ímã
cone

N N

S S

N N

bobina
C.A.
Figura 150 -  Alto-falante
Fonte: SENAI-SP (2012)

O alto-falante é um dispositivo que produz som por meio de um sinal elétrico


em corrente alternada. Esse sinal ativa a bobina de um eletroímã, que está presa
na base de um cone e inserida em um ímã. Quando ocorre o sinal, os campos
entre a bobina e o ímã se atraem e se repelem, movimentando-se de modo que
provocam a vibração no cone que junto ao deslocamento de ar, produz o som.
Quanto maior for a corrente aplicada à bobina, maior será a força e, portanto,
maior será a vibração do cone.

Utilizando o conceito de magnetismo e eletromagnetismo,


SAIBA tente entender como funciona um motor em corrente con-
tínua. Para saber mais, use um site na internet para realizar
MAIS uma busca pelos termo “motor cc caseiro” e veja como esse
tipo de motor funciona
Eletricidade
256

Recapitulando

Neste capítulo, você estudou que:


a) o magnetismo é uma propriedade de certos materiais que os tornam
capazes de exercer uma atração sobre materiais ferrosos;
b) os ímãs são materiais com propriedades magnéticas. Eles podem ser
naturais ou artificiais e têm dois polos em suas extremidades: o polo
norte e o polo sul, em que se concentram as forças magnéticas do ímã,
enquanto na região central está a linha neutra, na qual as forças de
atração se anulam;
c) cada vez que o ímã é dividido, gera ímãs menores, que possuem as
mesmas características;
d) polos diferentes se atraem e polos iguais se repelem;
e) campo magnético é o espaço ao redor do ímã em que há a atuação
das forças magnéticas;
f ) o fluxo da indução magnética é a quantidade total de linhas de um
ímã que constitui o campo magnético;
g) a densidade do fluxo da indução magnética é calculada pela fórmula

e sua unidade de medida é o tesla (T);

h) quanto à intensidade com que os materiais se imantam, eles podem


ser classificados em materiais paramagnéticos, diamagnéticos e fer-
romagnéticos;
i) eletromagnetismo é o fenômeno magnético provocado pela circu-
lação de uma corrente elétrica em um condutor que gera um campo
magnético formado por linhas magnéticas;
j) para determinar a direção do campo magnético, usamos a regra da
mão direita;
k) a intensidade do campo magnético ao redor do condutor depende da
intensidade da corrente que flui nele;
9 Magnetismo e Eletromagnetismo
257

l) para obter campos magnéticos de maior intensidade a partir da cor-


rente elétrica, basta enrolar o condutor em forma de espiras, consti-
tuindo uma bobina;
m) a intensidade do campo magnético em uma bobina depende direta-
mente da intensidade da corrente e do número de espiras;
n) o núcleo de uma bobina é a sua parte central e pode ser de ar ou de
material ferroso;
o) a Lei de Faraday estabeleceu que a corrente que circula pela espira
é denominada corrente induzida, já que é produzida por uma força
eletromotriz (fem) induzida Ve;
p) a Lei de Lenz estabeleceu que o sentido da corrente elétrica induzida
comporta-se de tal maneira que o campo magnético criado por ela
opõe-se à variação do campo magnético que a produziu;
q) a Lei da Força de Lorentz contribuiu para o cálculo da força total tanto
dos campos elétricos como dos magnéticos; e
r) circuito magnético é o espaço em que se desenvolve um conjunto de
linhas de indução de um campo magnético.
Esses conteúdos são a base para você entender o comportamento das
máquinas elétricas que serão estudadas em profundidade na unidade
curricular Manutenção de sistemas eletroeletrônicos.
corrente alternada

10

Nos capítulos 3 e 4, estudamos a tensão, a corrente e o circuito elétrico. Nos capítulos se-
guintes, vimos sobre a resistência elétrica e os resistores. Portanto, você já estudou sobre como
a tensão faz a corrente circular pelo circuito e também a maneira como as cargas estão dispos-
tas – em série, em paralelo ou mistas, isto é, em série e em paralelo – e como isso influencia na
quantidade de energia que cada componente do circuito recebe.
Mas isso tudo foi estudado em circuitos simples, alimentados por corrente contínua. Por
isso, neste capítulo, estudaremos um assunto de fundamental importância para todos os pro-
fissionais da área eletroeletrônica, particularmente àqueles que se dedicarão à manutenção
elétrica: a corrente e a tensão alternadas monofásicas.
Veremos como a corrente é gerada e a forma de onda senoidal por ela manifestada. Além
disso, estudaremos um parâmetro muito importante para dimensionar circuitos para o funcio-
namento dos mais variados equipamentos elétricos: a potência elétrica em corrente alternada.
Ao final deste capítulo, você saberá:
a) o que são corrente e tensão alternadas monofásicas;
b) o que é uma curva senoidal e como a corrente alternada é gerada;
c) o que são os valores de pico e os valores de pico a pico da tensão alternada senoidal;
d) o que é tensão eficaz;
e) o que é corrente eficaz;
f ) como calcular tensão e corrente eficazes; e
g) como calcular valor médio da corrente (Vdc) e da tensão alternada senoidal.
Esse conteúdo é muito importante para que você saiba interpretar o funcionamento de
circuitos elétricos.
Eletricidade
260

10.1 Corrente e tensão alternadas monofásicas

Até agora, todos os circuitos que estudamos tinham como fonte de tensão
uma bateria que gerava corrente contínua, a qual circula como mostra o circuito
da figura a seguir.

I I A

-
G R
+

I I B

Figura 151 -  Circuito de corrente contínua


Fonte: SENAI-SP (2012)

Nessa disposição, a corrente elétrica segue do ponto A até o ponto B. Observe,


agora, o que acontece se a posição da bateria for mudada, de modo que o polo
negativo fique no lugar do positivo e o polo positivo fique no lugar do negativo.

I I A

-
G R
+

I I B

Figura 152 -  Mudança de polaridade na bateria


Fonte: SENAI-SP (2012)

Nesse caso, a corrente elétrica muda de sentido, seguindo do ponto B até o


ponto A.
Essa é a principal característica da tensão alternada: muda constantemente
de polaridade. Isso provoca nos circuitos um fluxo de corrente ora em um sentido,
ora em outro.
10 Corrente Alternada
261

Veja o que acontece se um medidor de tensão for colocado nas extremidades


de uma bobina.

- +
V
Tensão = 0 V
Figura 153 -  Bobina com medidor de tensão acoplado a suas extremidades
Fonte: SENAI-SP (2012)

Se um medidor de tensão for colocado nas extremidades da bobina, a medi-


ção mostrará uma tensão de 0 V, pois não há ddp e a bobina está em equilíbrio.
Observe, agora, a mesma bobina, quando um ímã é aproximado dela.

S N

– +
V
Tensão = NEGATIVA

Figura 154 -  Polo norte do ímã próximo da bobina = tensão negativa


Fonte: SENAI-SP (2012)

Quando o polo norte do ímã estiver se aproximando da bobina, os elétrons li-


vres do condutor serão atraídos por ele, criando uma diferença de potencial. Nesse
caso, a leitura do instrumento de medição indicará uma diferença de potencial com
valor negativo. Agora, veja o que acontece se a polaridade do ímã for invertida:

N S

– +
V
Tensão = POSITIVA
Figura 155 -  Polo sul do ímã próximo da bobina = tensão positiva
Fonte: SENAI-SP (2012)

Com a mudança da polaridade, haverá nova reação, fazendo com que a dife-
rença de potencial seja oposta à da situação anterior. Nesse caso, o instrumento
de medição indicará uma tensão positiva.
Eletricidade
262

Essa constante mudança de polaridade é o princípio de geração da corrente


alternada. Porém, se para obter tensão alternada tivéssemos que inverter cons-
tantemente os polos de uma bateria, isso não seria nada prático. Mas, felizmente,
gerar corrente alternada é bem menos complicado. Veja na seção a seguir.

10.2 Geração de corrente alternada

Acender uma lâmpada, ligar a televisão ou o micro-ondas, usar o ferro elétrico


e ligar o ventilador são gestos aos quais não prestamos muita atenção e, geral-
mente, nem nos preocupamos em saber direito o que os faz funcionar.
Quem é bastante curioso pode até já ter olhado a parte de trás ou de baixo de
algum de seus aparelhos eletrodomésticos e ter encontrado uma etiqueta com
dados como estes:

TORRADEIRA ELÉTRICA
TENSÃO 127 V ~ 60 Hz
Potência 750 W

O que esses dados querem dizer é que essa torradeira só funcionará com uma
tensão de 127 volts e uma corrente com frequência de 60 hertz e que ela vai aque-
cer o pão com uma potência de 750 W. Além disso, significam que a energia elétri-
ca que a faz funcionar chega à tomada em forma de tensão/corrente alternada,
que é fornecida para nossas casas por uma empresa concessionária de distribui-
ção de energia elétrica.
Essa empresa geralmente compra a energia elétrica de outra empresa: aquela
que produziu a energia em uma usina geradora que, no Brasil, na maioria dos
casos, é uma usina hidroelétrica.
No início, o grande problema da utilização de energia elétrica era exatamente
a sua distribuição, ou seja, como fazer a energia elétrica chegar de forma econô-
mica ao maior número de consumidores na maior distância possível.
Com o uso da corrente contínua, gerada por meio de dínamos, esse objetivo era
impossível de ser alcançado. O problema foi resolvido apenas após a construção da
primeira hidrelétrica (em 1895), que fornecia energia elétrica em corrente alterna-
da e permitia que a eletricidade chegasse a até 300 quilômetros de distância.
Tecnicamente, existem duas razões para que se prefira a corrente alternada:
a) ela pode fazer quase tudo o que a CC faz; e
10 Corrente Alternada
263

b) a transmissão elétrica em CA é muito mais fácil e econômica, porque, com


a ajuda de transformadores, a corrente pode ser aumentada ou reduzida
praticamente sem perdas. É dessa forma que ela chega até as nossas casas.
Veja a seguir o caminho percorrido pela energia elétrica em corrente alternada
até chegar aos consumidores.

A Geração
Transformador B Transmissão

Usina Hidroelétrica
Subestação
Consumidores Transmissora
E comerciais e
industriais C Distribuição

Subestação
Distribuídora

D
F Dispositivos de
Consumidores residenciais Automação da
Distribuição
Figura 156 -  Geração e transmissão de energia elétrica
Fonte: SENAI-SP (2012)

Vamos, então, aprender como a corrente alternada é gerada. Para isso, é neces-
sário saber como funciona um gerador.
A figura a seguir é uma representação esquemática de um gerador elementar,
que consiste em uma espira disposta de tal forma que pode ser girada em um
campo magnético estacionário. Dessa forma, o condutor da espira corta as linhas
do campo eletromagnético, produzindo a força eletromotriz (fem).

norte

tensão de CA
sul

Figura 157 -  Representação esquemática de um gerador elementar


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
264

Para fornecer a tensão em CA, um gerador é composto pelos polos do ímã,


pelo condutor e pelo sistema de transferência de energia.
Na figura 157, os condutores estão próximos do ímã, fazendo com que haja a
máxima tensão. Acompanhe a explicação do funcionamento desse gerador.
a) Posição 0º – é a posição inicial, em que o plano da espira está perpendi-
cular ao campo magnético e seus condutores deslocam-se paralelamente
ao campo. Nesse caso, os condutores não cortam as linhas de força, por-
tanto, a fem não é gerada.
No instante em que a bobina é movimentada, os condutores cortam as li-
nhas de força do campo magnético e a geração de fem é iniciada.
Nas figuras 158 a 162, vamos acompanhar o condutor vermelho para a in-
terpretação ficar mais fácil.

Efem (V)
+
0o

N S
0o 90o 180o 270o 360o Ângulos de
Campo Rotação (o)
Carga
Magnético
+ - -
Efem

Figura 158 -  Posição 0o: plano da espira perpendicular ao campo magnético


Fonte: SENAI-SP (2012)

b) Posição 90º – à medida que a espira se desloca, seu ângulo em relação às


linhas de força do campo aumenta. Ao atingir o ângulo de 90º, o gerador
chegará à geração máxima da força eletromotriz, pois os condutores es-
tarão cortando as linhas de força perpendicularmente. Nesse momento, o
condutor vermelho está próximo ao polo sul do ímã (S), gerando a máxima
corrente na carga. Veja a posição da corrente na figura.

Efem (V)
+ Efem
90 o

N S
0o 90o 180o 270o 360o Ângulos de
Campo I Rotação (o)
Magnético + - -
Efem

Figura 159 -  Posição 90º


Fonte: SENAI-SP (2012)
10 Corrente Alternada
265

c) Posição 180º – quando a espira atinge os 180º do ponto inicial, seus condu-
tores não cortam mais as linhas de força, portanto, não há indução de fem
e a corrente volta a zerar. Forma-se, assim, o primeiro semiciclo (positivo).
Quando a espira ultrapassa a posição de 180º, o sentido de movimento
dos condutores em relação ao campo se inverte. Agora, o condutor verme-
lho move-se para cima e o condutor preto, para baixo. Como resultado, a
polaridade da fem e o sentido da corrente também são invertidos.

Efem (V)
+ Efem
180o

N S
0o 90o 180o 270o 360o Ângulos de
Campo Rotação (o)
Magnético -
+ -
Efem

Figura 160 -  Posição 180º


Fonte: SENAI-SP (2012)

d) Posição 270º – corresponde à geração máxima da fem, mas com o sentido


oposto em relação ao ângulo de 90º. O condutor vermelho está próximo
ao polo norte (N) do ímã, fornecendo a máxima corrente, mas no sentido
oposto.

Efem (V)
270o + Efem

N S
0o 90o 180o 270o 360o Ângulos de
Campo I Rotação (o)
Magnético - -
+
Efem

Figura 161 -  Posição 270º


Fonte: SENAI-SP (2012)

e) Posição 360º – finalmente, quando forma-se o segundo semiciclo (nega-


tivo) e a volta da espira se completa (ou ciclo de 360º), observa-se a total
ausência de força eletromotriz, porque os condutores não cortam mais as
linhas de força do campo magnético.
Eletricidade
266

1 curva senoidal Efem (V)


+ Efem
A curva senoidal é a que
360 o

representa a forma de
onda da corrente de N S
saída do gerador e que 0o 90o 180o 270o 360o Ângulos de
corresponde à rotação Campo Rotação (o)
completa da espira.
Magnético -
+ -
Efem
Ciclo
Figura 162 -  Posição 360º
Fonte: SENAI-SP (2012)

Nesse momento, o gráfico resultou em uma curva senoidal1 (ou senoide).

10.2.1 Frequência de uma corrente (ou tensão) alternada

Na seção anterior, apareceram algumas palavras novas: ciclo, onda, senoide,


período. Vamos ver o que elas significam?
Um ciclo corresponde a todos os valores produzidos pelo movimento dos con-
dutores da espira quando eles cortam o campo magnético nos dois sentidos de
maneira a formar uma senoide. O ciclo também pode ser chamado de onda, ou
onda completa.
Meio-ciclo, meia-onda ou alternância são os nomes que se dá à metade dos
valores produzidos.
Matematicamente, dizemos que uma alternância sobre o eixo de referência é
positiva e a outra é negativa.
Se o condutor continuar girando no campo magnético com velocidade uni-
forme, outros ciclos serão produzidos. O número de ciclos produzidos em uma
unidade de tempo é chamado de frequência (f).
O período (T) de uma tensão, ou corrente alternada, é o tempo necessário
para completar um ciclo. Ele é o inverso da frequência e a sua unidade é s (se-
gundos). A fórmula para o cálculo do período é:

Sendo que:
• T é o período em segundos (s).
• f é a frequência em hertz (Hz).
10 Corrente Alternada
267

Unidade de medida de frequência

A frequência é expressa em uma unidade chamada hertz (Hz), que correspon-


de a um ciclo por segundo (c/s). Como toda unidade de medida, o hertz apre-
senta fatores multiplicadores (múltiplos e submúltiplos), sendo os que mais utili-
zados estão na tabela a seguir.

Tabela 11 – Unidade de medida de corrente e seus fatores multiplicadores


Denominação Símbolo Valor em Volt (V)

Múltiplos megahertz MHz 106 Hz ou 1.000.000 Hz


(ou fatores multiplicadores) quilohertz kHz 103 Hz ou 1.000 Hz

Unidade hertz Hz -

Submúltiplos milihertz mHz 10-3 Hz ou 0,001 Hz

Na eletricidade, utilizamos frequentemente a unidade (Hz) e em eletrônica,


seus múltiplos megahertz e quilohertz e o submúltiplo milihertz.
Faz-se a conversão de valores de forma semelhante às outras unidades de me-
dida. Os passos são os mesmos da conversão de valores do volt, que já vimos no
capítulo 3. Usaremos, também, o mesmo tipo de tabela:

MHz kHz Hz mHz

Suponha que você precise converter megahertz (MHz) em quilohertz (kHz) e


a medida que você tem é 63,7 MHz. Para usar o quadro, procede-se da seguinte
maneira:
a) Coloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, neste
caso, é o megahertz. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após
o megahertz. Observe que cada coluna identificada está subdividida em
três casas na próxima linha.

MHz kHz

6 3 7

↑ posição da vírgula
Eletricidade
268

b) Mude a posição da vírgula para a direita. O novo valor gerado aparecerá


quando a primeira casa abaixo da coluna do quilohertz estiver preenchida.

MHz kHz

6 3 7 0 0

nova posição da vírgula ↑

Após preencher o gabarito, o valor convertido será: 63,7 MHz = 63700 kHz.

O nome Hertz, dado à unidade de medida de frequên-


cia, é uma homenagem ao físico alemão Heinrich Hertz.
Esse nome substituiu a sigla de ciclos por segundo (CPS)
VOCÊ apenas na década de 1970, embora já tivesse sido esta-
SABIA? belecido como designação da unidade pela Internatio-
nal Electrotechnical Commission (IEC) em 1930 e adota-
do em 1960 durante a Conférence Générale des poids et
mesures (Conferência geral de pesos e medidas).

Pesquise em um site de busca a biografia de Heinrich Hertz.


SAIBA É sempre inspirador ler sobre a vida dos cientistas, pois é
MAIS graças a eles que nosso dia a dia é cada vez mais confortável
e nossa qualidade de vida melhora.

Instrumentos de medição de frequência

O frequencímetro e o osciloscópio são instrumentos de medição de frequên-


cia. O frequencímetro faz a leitura direta de modo idêntico ao voltímetro, já o
osciloscópio permite que a forma de onda seja visualizada em uma tela, sendo
necessário efetuar a contagem para conhecer o valor da frequência.
Esses instrumentos serão abordados profundamente na unidade curricular
Instalação de Sistemas Eletrônicos.
10 Corrente Alternada
269

10.3 O valor de pico e o valor de pico a pico da tensão alternada


senoidal

Tensão de pico é o valor máximo que a tensão atinge em cada semiciclo. A


tensão de pico é representada pela notação Vp.

tensão de + Vp
pico positivo

tensão de
pico negativo
- Vp

Figura 163 -  Tensão de pico


Fonte: SENAI-SP (2012)

Observe que na figura acima aparecem a tensão de pico positivo e a tensão


de pico negativo, sendo que o valor de pico negativo é numericamente igual ao
valor de pico positivo. Assim, a determinação do valor de tensão de pico pode ser
feita em qualquer um dos semiciclos.

V
+ Vp
180 V Vp = - Vp= 180 V
- Vpp= 360 V

Vpp 0
t

-180 V
- Vp

Figura 164 -  A tensão de pico positivo e a tensão de pico negativo


Fonte: SENAI-SP (2012)

Conhecer a tensão de pico é importante para dimensionar os componentes de


qualquer circuito eletroeletrônico.
A tensão de pico a pico da CA senoidal é o valor medido entre o pico positivo
e o negativo de um ciclo e é representada pela notação Vpp.
Considerando-se que os dois semiciclos da CA são iguais, pode-se afirmar que:
Eletricidade
270

Da mesma forma que as medidas de pico e de pico a pico aplicam-se à tensão


alternada senoidal, aplicam-se também à corrente alternada senoidal.

+I Ip = 5 A
+5 A Ipp = 10 A

Ip
Ipp
t1

-5 A

Figura 165 -  Medidas de pico a pico aplicam-se à corrente alternada senoidal


Fonte: SENAI-SP (2012)

10.4 Tensão e correntes eficazes

Quando uma tensão contínua é aplicada sobre um resistor, a corrente que


circula por ele possui um valor constante. Isso quer dizer que a dissipação de
potência no resistor (que é dada pela fórmula ) apresenta um desprendi-
mento constante de calor.

+ -
A

+ +
12 V V 12 Ω R I
- -

V I
+12V
X
1A
t t
gráfico da tensão aplicada gráfico da corrente circulante
no resistor no resistor

P
12 W

= calor
desprendido
t

Figura 166 -  Dissipação de potência em circuito alimentado por tensão contínua


Fonte: SENAI-SP (2012)
10 Corrente Alternada
271

Mas, se em vez de tensão contínua, for aplicada uma tensão alternada sobre o
resistor, teremos uma corrente alternada senoidal.

V I
+ Vp
I Ip

t
X t
-Ip
- Vp
gráfico da tensão gráfico da corrente
aplicada no resistor circulante no resistor

Pp Pp
p

= 0 0 0 t

Figura 167 -  Dissipação de potência em circuito alimentado por tensão alternada


Fonte: SENAI-SP (2012)

Como a tensão e a corrente são variáveis, a quantidade de calor produzido no


resistor varia a cada instante. Assim, no semiciclo positivo, temos:
• Tensão zero: não há corrente e também não há produção de calor (P = 0).
• Valor máximo de –Vp: a corrente também atinge o valor máximo (Ip) e
a potência dissipada é o produto da tensão máxima pela corrente máxima
(Pp = Vp x Ip).
Da mesma forma, no semiciclo negativo, temos:
• Tensão zero: não há corrente e também não há produção de calor (P = 0).
• Valor máximo de Vp: a corrente também atinge o valor máximo (-IP) e a
potência dissipada é o produto da tensão máxima pela corrente máxima (PP
= -VP x –IP).
Como o trabalho (calor) em CA é variável, verifica-se que um resistor de valor R
ligado a uma tensão contínua de 10 V produz a mesma quantidade de trabalho
(calor) que o mesmo resistor R ligado a uma tensão alternada de valor de pico de
14,1 V, ou seja, 10 V de tensão eficaz.
Logo, em termos de produção de trabalho, a tensão eficaz de uma CA senoi-
dal é um valor que indica a tensão (ou a corrente) contínua correspondente a
essa mesma CA.
Eletricidade
272

10.4.1 Cálculo da tensão e da corrente eficazes

Quando usamos como instrumentos de medição o voltímetro e o amperíme-


tro, as leituras que obtemos são, respectivamente, a tensão e a corrente eficazes
que alimentam o circuito de CA.
Existe uma relação constante entre o valor eficaz ou valor Root Mean Square
(RMS) – termo que podemos traduzir para o português como valor quadrático
médio – de uma CA senoidal e seu valor de pico. Essa relação auxilia no cálculo da
tensão e da corrente eficazes. Ela é expressa conforme se mostra a seguir.
Tensão eficaz:

Corrente eficaz:

Veja um exemplo de cálculo com a aplicação dessas fórmulas!


Para um valor de pico de 180 V, a tensão eficaz será:

180
Vef =
2
180
Vef = = 127,28 V
1,41

Ou

Logo:

Assim, para um valor de pico de 180 V, teremos uma tensão eficaz de 127,26 V.

Quando medimos sinais alternados (senoidais) com


VOCÊ um multímetro, este deve ser aferido em 60 Hz, que é
a frequência das redes das concessionárias de energia
SABIA? elétrica no Brasil. Assim, os valores eficazes medidos com
multímetro são válidos apenas para essa frequência.

O cálculo de valores de corrente eficaz é feito quando é necessário montar os


dispositivos de proteção de máquinas elétricas.
10 Corrente Alternada
273

10.5 Valor médio da corrente e da tensão alternada senoidal (Vdc)

Em um ciclo completo, o valor médio de uma grandeza senoidal é nulo. Isso


acontece porque a soma dos valores instantâneos relativa ao semiciclo positivo
é igual à soma do semiciclo negativo, portanto, sua resultante é constantemente
nula. Veja na figura a seguir.

Vi(mV)
t
+

S1
t (ms)
0

- S2

Figura 168 -  Soma de valores instantâneos


Fonte: SENAI-SP (2012)

Observe que a área S1 da senoide (semiciclo) é igual à S2 (semiciclo), mas S1 está


do lado positivo, enquanto S2 tem valor negativo. Portanto,
O valor médio de uma grandeza alternada senoidal deve ser considerada a mé-
dia aritmética dos valores instantâneos no intervalo de meio período (ou meio
ciclo). Ele é representado pela altura do retângulo que tem como área a mesma
superfície coberta pelo semiciclo considerado e como base, a mesma polaridade
do semiciclo. Isso está mostrado no gráfico senoidal a seguir.

Ip

I max. I média
0 _
π π _
3π 2π
2 2
90o 180o 270o 360o
- Ip

Figura 169 -  Representação do valor médio da corrente alternada senoidal


Fonte: SENAI-SP (2012)

A fórmula para o cálculo do valor médio da corrente senoidal é:


Eletricidade
274

Sendo que:
• Imed é a corrente média em ampères (A);
• Ip é a corrente de pico em ampères (A); e
• π é o valor de PI, ou seja, 3,14.

A fórmula para calcular o valor médio da tensão senoidal é:

• é a tensão média em volts (V);


• é a tensão de pico em volts (V); e
• π é o valor de PI, ou seja, 3,14.

Exemplo de cálculo:
Em uma grandeza que somente apresenta senoides positivas, a tensão máxi-
ma é de 380 V. Então, qual é a tensão média?
10 Corrente Alternada
275

Recapitulando

Neste capítulo, você aprendeu que:


a) a corrente alternada é uma corrente elétrica cujo sentido varia com o
tempo;
b) o ciclo é o valor produzido pelo movimento do condutor nos dois sen-
tidos;
c) o ciclo forma a senoide e também tem o nome de onda, ou onda com-
pleta;
d) a metade da senoide tem o nome de meio-ciclo, meia-onda ou al-
ternância;
e) a frequência (f ) é o número de ciclos produzidos na unidade de tem-
po;
f ) o período (T) é o tempo necessário para completar um ciclo. Ele é o
inverso da frequência e a sua unidade é s (segundos);
g) a tensão de pico é o valor máximo que a tensão atinge em cada semi-
ciclo. A tensão de pico é representada pela notação Vp;
h) a tensão de pico a pico da CA senoidal é o valor medido entre os picos
positivo e negativo de um ciclo. A tensão de pico a pico é represen-
tada pela notação Vpp; e
i) a tensão eficaz de uma CA senoidal é um valor que indica a tensão (ou
corrente) contínua correspondente a essa CA em termos de produção
de trabalho.
Esses conhecimentos são muito importantes para que você saiba interp-
retar o funcionamento de circuitos elétricos.
capacitores

11

Até este momento, estudamos dispositivos considerados resistivos, ou seja, aqueles que
opõem resistência à passagem de corrente elétrica, mantendo o seu valor ôhmico constante
tanto para a corrente contínua como para a corrente alternada.
Neste capítulo, estudaremos um componente reativo chamado capacitor. Um componente
reativo é aquele que reage às variações de corrente e seu valor ôhmico muda conforme a ve-
locidade da variação da corrente nele aplicada.
Os capacitores são componentes largamente empregados nos circuitos eletrônicos. Eles
podem cumprir funções tais como o armazenamento de cargas elétricas ou a seleção de fre-
quências em filtros para caixas acústicas.
Estudaremos a constituição, os tipos e as características dos capacitores, bem como a capa-
citância, que é a característica mais importante desse componente.
Ao fim do estudo deste capítulo, você poderá:
a) identificar o componente e seu símbolo, assim como suas características de carga e des-
carga;
b) conhecer as características das associações em paralelo e em série dos capacitores;
c) conhecer o conceito de capacitância;
d) calcular a capacitância da associação em paralelo;
e) conhecer a tensão de trabalho do capacitor na associação em paralelo;
f ) calcular a capacitância total na associação em série de capacitores;
g) conhecer a tensão de trabalho do capacitor na associação em série;
h) conhecer o conceito de reatância capacitiva e o seu funcionamento em CA; e
i) conhecer a relação entre a tensão e a corrente CA e a reatância capacitiva.
Esses conhecimentos são importantes para que você compreenda o funcionamento de cir-
cuitos eletroeletrônicos.
Bom estudo!
Eletricidade
278

1 Ascarel 11.1 Conceito de capacitor


Ascarel é um dos nomes O capacitor é um componente que tem como finalidade armazenar cargas
comerciais de um fluído
dielétrico organoclorado elétricas.
altamente tóxico que era
usado para a refrigeração Ele compõe-se basicamente de duas placas condutoras, denominadas de ar-
de transformadores e de
capacitores dielétricos. maduras, que são feitas por um material condutor que é eletricamente neutro.
Em cada uma das armaduras, o número total de prótons e elétrons é igual.
Isso significa que as placas não têm potencial elétrico e que, entre elas, não há
diferença de potencial.
Essas placas são isoladas eletricamente entre si por um material isolante cha-
mado dielétrico. São exemplos de materiais dielétricos a cerâmica, o poliéster, o
tântalo, a mica, o óleo mineral e as soluções eletrolíticas.

Ainda existem capacitores antigos, instalados e funcio-


VOCÊ nando cujo dielétrico é o óleo ascarel. O uso do ascarel1
SABIA? está proibido pela portaria Interministerial no 19, de 29
de janeiro de 1981, por ser um produto cancerígeno.

Ligados a essas placas condutoras estão os terminais para conexão com outros
componentes.
A figura a seguir mostra a representação esquemática das características cons-
trutivas de um capacitor.

terminal terminal

armadura

armadura dielétrico

Figura 170 -  Representação esquemática de um capacitor


Fonte: SENAI-SP (2012)

A utilização dos capacitores está relacionada ao material com o qual o dielétri-


co é fabricado. Veja-os no quadro a seguir.
11 Capacitores
279

Quadro 15 - Características dos capacitores e sua utilização


Material do
Características Utilização
dielétrico

Pequeno e barato.
Usado em circuitos eletrônicos
Cerâmica Apresenta capacitância variável, de-
de alta frequência.
pendendo da tensão aplicada.

Não é indicado para sinais de alta Muito usado em circuitos CA


Poliéster
frequência. de baixa frequência.

Mais caro que os capacitores eletrolíti-


cos; tem tamanho reduzido, ótima es-
Aplicações que exijam grande
Tântalo tabilidade, alta capacitância e tensão
precisão e baixa capacitância.
máxima de isolação de 50 V. Podem
ser polarizados ou não polarizados.

Aplicações que exijam precisão


Mica Muito estável, porém, caro. em circuitos eletrônicos de alta
frequência.

Suporta alta corrente e elevados picos Aplicações industriais em


Óleo
de tensão. baixas frequências.

Óxido de alumínio Usado em capacitores polarizados de


em soluções alto valor de capacitância. Barato, mas Fontes de alimentação.
eletrolíticas o uso é limitado a baixas frequências.

Fonte: <http://www.eletronicadidatica.com.br/componentes/capacitor/capacitor.htm>

O capacitor é amplamente utilizado em circuitos eletrônicos para:


a) armazenar carga para utilização rápida;
b) bloquear a passagem de corrente contínua e permitir a passagem de cor-
rente alternada;
c) filtrar as interferências;
d) suavizar a saída de fontes de alimentação; e
e) eliminar as ondulações na condução de corrente contínua.
Em circuitos de corrente alternada, esta passa sem problemas pelo capacitor, que,
como todo componente de circuitos, é representado por símbolos normalizados.
Veja seus símbolos na figura a seguir.

+ + +

Capacitor não polarizado Capacitor polarizado

Figura 171 -  Símbolos para capacitor não polarizado e capacitor polarizado


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
280

As diferenças entre os capacitores não polarizados e os polarizados são con-


sequência do material usado em seu dielétrico, que determina sua utilização nos
circuitos. Veja a seguir.
a) Capacitores não polarizados são componentes cujo dielétrico pode ser
de cerâmica ou poliéster, que são materiais que permitem a mudança de
polaridade. Por isso, são usados em circuitos de CA, como os de ventilado-
res, de refrigeradores e de aparelhos de ar condicionado que usam motores
monofásicos com capacitores. Os valores para esses capacitores são muito
baixos, pertencendo à ordem micro, nano e picofarads.
b) Capacitores polarizados possuem o dielétrico composto por uma fina
camada de óxido de alumínio ou tântalo para aumentar sua capacitância.
São usados em circuitos alimentados por corrente contínua e também em
temporizadores e em filtros de fonte CC.

Dentro de uma residência, temos capacitores em circuitos


eletrônicos. Mas temos, também, capacitores em circuitos
SAIBA não eletrônicos. Faça uma pesquisa e veja em quais equipa-
MAIS mentos podemos encontrar o capacitor e qual o motivo de
sua presença no circuito. Dica: procure entre os eletrodo-
mésticos.

11.2 Características de carga e descarga do capacitor

O capacitor é um componente do circuito utilizado por causa de uma caracte-


rística muito importante: a capacidade de se carregar e de se descarregar.
a) Carga do capacitor
Pelas características do capacitor descritas na seção anterior, podemos dizer
que quando o capacitor está em um circuito com uma fonte de energia desliga-
da, não existe tensão elétrica em suas armaduras, como você pode observar no
circuito representado a seguir.

dielétrico

Figura 172 -  Circuito com capacitor e sem tensão elétrica


Fonte: SENAI-SP (2012)
11 Capacitores
281

Fechando a chave, o capacitor fica sujeito à diferença de potencial dos polos


da fonte, como mostra a figura a seguir.

dielétrico
placa placa
positiva negativa

campo campo
elétrico elétrico
elétrons

elétrons

Figura 173 -  Circuito com chave fechada


Fonte: SENAI-SP (2012)

O potencial da bateria aplicado a cada uma das armaduras faz surgir entre elas
uma força chamada campo elétrico, que nada mais é do que uma força de atra-
ção, entre as cargas de sinal diferente, ou repulsão, entre cargas de mesmo sinal.
O polo positivo da fonte absorve elétrons da armadura à qual está conecta-
do, enquanto o polo negativo fornece elétrons à outra armadura. A armadura
que fornece elétrons à fonte, fica com íons positivos, adquirindo um potencial
positivo. Já que recebe elétrons da fonte, fica com íons negativos, adquirindo
potencial negativo.

dielétrico
placa placa
positiva - +- +- + negativa
- +- +- +
- +- +- +
- +- +- +
- +- +- +
campo - +- +- + campo
elétrico - +- +- + elétrico
- +- +- +
- +- +- +
elétrons

elétrons

moléculas
polarizadas

Figura 174 -  Processo de carga do capacitor


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
282

Como entre as placas existe um material isolante, conforme você pode ver na
figura 174, o fluxo de elétrons não a atravessa, fazendo com que as cargas fiquem
armazenadas dentro delas. Ocorre então a polarização das moléculas do isolante
cujos elétrons movimentam-se em direção à placa carregada positivamente. Eles
também são empurrados pela polarização negativa. As moléculas, então, criam
um campo elétrico interno que anula parcialmente o campo criado pelas placas.
Quando a carga armazenada atinge o seu valor máximo, a diferença de po-
tencial entre as placas se iguala à tensão da fonte, cessando o fluxo de elétrons.
Essa análise foi feita considerando o sentido eletrônico (movimento de elé-
trons) da corrente elétrica. Isso significa que, ao conectar o capacitor a uma fonte
CC, surge uma diferença de potencial entre as armaduras e a tensão presente nas
armaduras do capacitor. Essa tensão terá um valor tão próximo ao da tensão da
fonte que, para efeitos práticos, elas podem ser consideradas iguais.
Quando o capacitor assume a mesma tensão da fonte de alimentação, diz-se
que o capacitor está carregado.
Se, após ter sido carregado, o capacitor for desconectado da fonte de CC, suas
armaduras permanecem com os potenciais adquiridos: capacitor carregado. Veja
figura a seguir.

dielétrico
placa placa
positiva - +- +- + negativa
- +- +- +
- +- +- +
- +- +- +
- +- +- +
campo - +- +- + campo
elétrico - +- +- + elétrico
- +- +- +
- +- +- +

moléculas
polarizadas

Figura 175 -  Capacitor carregado


Fonte: SENAI-SP (2012)

Isso significa que, mesmo após ter sido desconectado da fonte de CC, ainda
existe tensão entre as placas do capacitor. Assim, essa energia armazenada pode
ser reaproveitada.
11 Capacitores
283

b) Descarga do capacitor
Quando se tem um capacitor carregado e seus terminais são conectados a
uma carga – conforme mostra a figura a seguir – haverá uma circulação de corren-
te, pois o capacitor atua como fonte de tensão.

R
elétrons

elétrons
dielétrico
placa placa
positiva - +- +- + negativa
- +- +- +
- +- +- +
- +- +- +
- +- +- +
campo - +- +- + campo
elétrico - +- +- + elétrico
- +- +- +
- +- +- +

moléculas
polarizadas

Figura 176 -  Descarga do capacitor


Fonte: SENAI-SP (2012)

Isso acontece porque através do circuito fechado inicia-se o estabelecimento


do equilíbrio elétrico entre as armaduras. Os elétrons em excesso em uma das
armaduras se movimentam para a outra, em que há falta de elétrons, até que se
restabeleça o equilíbrio de potencial entre elas.
Durante o tempo em que o capacitor se descarrega, a tensão entre suas arma-
duras diminui, porque o número de íons restantes em cada armadura é cada vez
menor. Ao fim de algum tempo, a tensão entre as armaduras é tão pequena que
pode ser considerada zero.
Essa característica do capacitor é aproveitada na minuteria, um componente
que desliga automaticamente um circuito de iluminação depois de certo tempo
correspondente à descarga do capacitor.
Eletricidade
284

11.3 Capacitância

A capacidade de armazenamento de cargas de um capacitor é chamada de


capacitância e é simbolizada pela letra C. Portanto, a capacitância é a medida da
carga elétrica Q que o capacitor pode armazenar por unidade de tensão V. A re-
presentação matemática dessa relação é:

Sendo que:
• Q é a quantidade de cargas elétricas em coulomb (C);
• V é a tensão entre terminais em volts (V); e
• C é a capacitância em farad (F).
Fisicamente, a capacitância depende da:
a) área das armaduras – quanto maior for a área das armaduras, maior será a
capacidade de armazenamento de um capacitor;
b) espessura do dielétrico – quanto mais fino for o dielétrico, mais próximas
estarão as armaduras, por isso o campo elétrico formado entre as armadu-
ras é maior e a capacidade de armazenamento também;
c) natureza do dielétrico – quanto maior for a capacidade de isolação do
dielétrico, maior será a capacidade de armazenamento do capacitor.

11.3.1 Unidade de medida da capacitância

A unidade de medida da capacitância é o farad, representado pela letra F. Em


capacitância, não usamos fatores multiplicadores, apenas seus submúltiplos. Veja
na tabela a seguir os que são normalmente utilizados.

Tabela 12 – Unidade de medida de capacitância e seus submúltiplos


Denominação Símbolo Valor em Volt (V)

Unidade Farad F -

milifarad mF 10-3 Ω ou 0,001 F

microfarad μF 10-6 Ω ou 0,000.001 F


Submúltiplos
nanofarad nF 10-9 Ω ou 0,000.000.001 F

picofarad pF 10-12 Ω ou 0,000.000.000.001 F


11 Capacitores
285

Faz-se a conversão de valores de forma semelhante às outras unidades de medi-


da que você já estudou neste material. Os passos são os mesmos da conversão de va-
lores do volt apresentada no capítulo 3. Usaremos, também, o mesmo tipo de tabela:

F mF μF nF pF

Digamos que você precise converter nanofarad (nF) em picofarad (pF) e a me-
dida que você tem é 4,7 nF. Para usar o gabarito, procede-se da seguinte maneira:
a) Coloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que neste
caso é o nanofarad. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após o
nanofarad. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três
casas na próxima linha.

nF pF

4 7

↑ posição da vírgula

b) Posicione vírgula à direita. O novo valor gerado aparecerá quando a primei-


ra casa abaixo da coluna do picofarad estiver preenchida.

nF pF

4 7 0 0

nova posição da vírgula ↑

Após preencher o quadro, o valor convertido será: 4,7 nF = 4700 pF


Instrumento de medição de capacitância
O instrumento de medição da capacitância é o capacímetro.

11.4 Tensão de trabalho

Além da capacitância, os capacitores têm outra característica elétrica impor-


tante: a tensão de trabalho, ou seja, a tensão máxima que o capacitor pode
suportar entre as armaduras.
Eletricidade
286

Aplicar no capacitor uma tensão superior à sua tensão


FIQUE máxima de trabalho provoca o rompimento do dielétrico
ALERTA e faz o capacitor entrar em curto. Na maioria dos capacito-
res, isso danifica permanentemente o componente.

CASOS E RELATOS

A rua Santa Efigênia, localizada no centro de São Paulo, é um paraíso para


os profissionais (e curiosos) da área eletroeletrônica. Quando se trata de
comprar componentes, ninguém, mesmo quem venha de outra localida-
de, escapa de passar por lá a fim de comprar o que procuram gastando
pouco. Os balconistas entendem do assunto e podem ajudar na compra.
Mas é necessário estar atento às suas informações e às do vendedor, pois
elas podem levar você a comprar o componente errado.
Foi o que quase aconteceu com um eletricista morador da cidade de San-
tos, localizada no litoral do estado de São Paulo, que precisava comprar
materiais elétricos para uso em sua própria casa. Um dos materiais era
um capacitor de para ser utilizado em um ventilador de teto.
Na loja, o balconista disse que o capacitor de de seu estoque
era de ótima qualidade. Informou, ainda, que os eletricistas que o utili-
zam, nunca reclamaram. Porém, a tensão fornecida à residência do ele-
tricista era de 220 V. Portanto, o capacitor não atendia à sua necessidade.
O balconista ainda insistia dizendo que esse fator era problema, pois a
tensão de pico do capacitor era de 300 V.
Acontece que em São Paulo a tensão residencial fornecida pela con-
cessionária é de 127 V. Com 127 V de tensão eficaz, a tensão de pico é
Mas com 220 V de tensão eficaz, a
tensão de pico é Isso queimaria um
capacitor de pois a tensão de pico fornecida em 220 V é maior
que a especificação técnica do componente oferecido pelo vendedor!
Nessa hora, a experiência valeu e o eletricista levou para casa o capacitor
que atendia com segurança à sua necessidade!
11 Capacitores
287

11.5 Associação de capacitores

Os capacitores, assim como os resistores, podem ser conectados entre si,


formando uma associação, que também pode ser paralela, em série ou mista. As
associações em paralelo e em série são as mais encontradas na prática, enquanto
as associações mistas raramente são utilizadas. Inicialmente, vamos estudar as ca-
racterísticas das associações em paralelo.

11.5.1 Associação em paralelo

Na associação em paralelo, os capacitores estão ligados de forma que a carga


total seja subdivida entre eles, como é ilustrado no circuito a seguir.

C1 C2 C3 C4

Figura 177 -  Associação de capacitores em paralelo


Fonte: SENAI-SP (2012)

O objetivo da associação em paralelo é obter maiores valores de capacitância.


Ela tem características especiais quanto à capacitância total e à tensão de tra-
balho. Veja quais são:

Capacitância total da associação em paralelo de capacitores

A capacitância total (Ct) da associação em paralelo é a soma das capacitân-


cias individuais, que pode ser representada matematicamente da seguinte forma:

Para executar essa soma, todos os valores devem ser convertidos para a mes-
ma unidade. É importante observar que, se todos os capacitores forem do mesmo
valor, a fórmula poderá ser alterada para:
Eletricidade
288

Sendo que:
• n é a quantidade de capacitores; e
• C é o valor em capacitância.
Veja exemplos de cálculo de capacitância total.
a) Qual é a capacitância total do circuito da figura 177, se:
C1 = 10 μF
C2 = 4,7 μF
C3 = 2,2 μF
C4 = 15 nF

Sabemos que podemos achar o resultado pela fórmula: Ct = C1+ C2 + C3+ C4.
Mas o capacitor C4 não tem a mesma unidade de medida dos demais, que é μF,
mas sim nF. Então, é necessário fazer a conversão para colocar todas as unidades
em μF. Portanto, temos:

15 nF = 0,015 μF

Depois, inserindo os valores na fórmula Ct = C1+ C2 + C3+ C4, teremos:

10 µF + 4,7 µF + 2,2 µF + 0,015µF = 16,915µF


Ct = 16,915µF

b) E qual seria a capacitância total do circuito se os valores fossem os seguintes?


C1 = 3,3 μF
C2 = 47 μF
C3 = 1 nF
C4 = 15 pF

Já sabemos que Ct = C1 = C2 + C3 + C4. Mas como as unidades de medida de


capacitância são diferentes, primeiramente é necessário converter as unidades
dos capacitores C3 e C4 para μF.
Assim, para C3, teremos:
1 nF = 0,001 μF
E para C4:
15 pF = 0,000015 μF
11 Capacitores
289

Agora, vamos inserir os valores na fórmula:


Ct = 3,3 μF + 47 μF + 0,001 μF + 0,000015 μF
Ct = 50, 301015 μF ou
Ct = 50,3 μF
Portanto, a capacitância total do circuito anterior é de 50,3 μF.

Tensão de trabalho da associação em paralelo de capacitores

A tensão de trabalho de todos os capacitores associados em paralelo cor-


responde à mesma tensão aplicada ao conjunto. Assim, a máxima tensão que
pode ser aplicada a uma associação paralela é a do capacitor, que tem menor
tensão de trabalho.
Vamos ao exemplo:
Se em um circuito os valores de capacitância e de tensão de trabalho dos capa-
citores forem respectivamente:
C1 = 10 μF/15 V
C2 = 4,7 μF/35 V
C3 = 2,2 μF/40 V
C4 = 15 nF/30 V
Então, a máxima tensão que a fonte G poderá fornecer será de 15 V, pois o capa-
citor C1 é o limitador para este circuito. Todavia, mesmo sendo esse o valor correto,
deve-se evitar que o componente atinja tal tensão, pois pode haver oscilações no
fornecimento da tensão e se o valor for ultrapassado, o capacitor se queimará.

FIQUE Capacitores polarizados não devem ser alimentados


com fontes de tensão alternada, pois quando ocorrer a
ALERTA inversão de tensão, esta danificará o capacitor.

Ao associar capacitores polarizados em paralelo, todos os terminais positivos


dos capacitores devem ficar do mesmo lado. Dessa forma, todos os terminais
negativos estarão também ligados corretamente no lado oposto. Observe a po-
sição dos polos positivos e negativos no circuito a seguir.
Eletricidade
290

+ + + + +
G C1 C2 C3 C4
-

Figura 178 -  Ligação em paralelo de capacitores polarizados


Fonte: SENAI-SP (2012)

Capacitores não polarizados devem ser usados com cuidado em circuitos ali-
mentados por tensão alternada. Neste caso, a tensão máxima é a tensão de
pico. Acompanhe o exemplo:
Sendo a tensão fornecida a uma residência igual a 127 Vca, qual é a tensão
mínima que se pode fornecer a um capacitor de um ventilador de teto para que
ele não seja danificado?
A tensão de 127 Vca é a tensão eficaz.
A tensão de pico é dada pela fórmula:

Vp = Vef x 2 = 127 x 2 = 179,6 Vca

Portanto, a tensão de pico é aproximadamente 180 Vca. O valor de tensão para


o capacitor deverá ter uma tolerância de +10%. Neste caso, para evitar que o com-
ponente seja danificado, a tensão de pico deverá ser de, no mínimo, 200 Vca.
Nos próximos parágrafos, estudaremos as características das associações em
série de capacitores.

11.5.2 Associação em série

A associação em série de capacitores, esquematizada na figura a seguir, tem


por objetivo obter capacitâncias menores ou tensões de trabalho maiores.

C1

C2

C3

Figura 179 -  Associação em série de capacitores


Fonte: SENAI-SP (2012)
11 Capacitores
291

Capacitância total na associação em série

Quando se associam capacitores em série, a capacitância total é menor que o


valor do menor capacitor associado. Isso pode ser representado matematicamen-
te da seguinte maneira:

Por meio dessa fórmula, podemos isolar o Ct, chegando à fórmula final:

Dessa expressão podem ser derivadas duas outras, que serão utilizadas nas
seguintes situações:
a) Na associação em série de dois capacitores:

b) Na associação em série de “n” capacitores em que todos tenham o mesmo


valor:

Observe que usamos o mesmo raciocínio empregado para encontrar a RT de


resistores em paralelo. Observe também que, para usar essas equações, todos os
valores de capacitância devem ser convertidos para a mesma unidade.
Veja os exemplos de cálculos de capacitância total:
a) Calcule a capacitância total do circuito da figura 179, cujos capacitores têm
os seguintes valores:
C1 = 1 μF
C2 = 2 μF
C3 = 5 μF
Eletricidade
292

Arredondando, chegamos à capacitância total, que é de 0,59 μF.


b) Calcule a capacitância total do circuito a seguir, cujos valores dos
capacitores são:
C1 = 0,1 μF
C2 = 0,5 μF.

C1

C2

Figura 180 -  Circuito com dois capacitores em série


Fonte: SENAI-SP (2012)

Portanto, a capacitância total é de 0,083 μF.


11 Capacitores
293

Tensão de trabalho da associação em série

Quando se aplica tensão a uma associação em série de capacitores, ela se divi-


de entre os capacitores, como demonstra a figura a seguir.

C1 V1
+
G
- C2 V2

Figura 181 -  Exemplo de divisão de tensão com capacitores em série


Fonte: SENAI-SP (2012)

A distribuição da tensão nos capacitores ocorre de forma inversamente


proporcional à capacitância, ou seja, quanto maior a capacitância, menor a ten-
são e quanto menor a capacitância, maior a tensão.
Se no circuito anterior, C1 = C2, teremos V1 = V2. Esse valor de tensão não po-
derá ser maior que o indicado no corpo do capacitor.
Para simplificar o processo de dimensionamento dos componentes do circui-
to, pode-se adotar um procedimento simples, que evita a aplicação de tensões
excessivas em uma associação em série de capacitores. Para isso, associam-se em
série capacitores de mesma capacitância e mesma tensão de trabalho.

10 nF C1 V1 220 V
+ 250 V
G
440 V - 10 nF
250 V C2 V2 220 V

Figura 182 -  Divisão de tensão em um circuito real com capacitores em série


Fonte: SENAI-SP (2012)

Dessa forma, a tensão aplicada distribui-se igualmente sobre todos os


capacitores.
Eletricidade
294

Associação série de capacitores polarizados

Ao associar capacitores polarizados em série, o terminal positivo de um capa-


citor é conectado ao terminal negativo do outro.

+
C1
+
G +
- C2

Figura 183 -  Circuito com capacitores polarizados ligados em série


Fonte: SENAI-SP (2012)

É importante lembrar que capacitores polarizados só devem ser ligados


em CC.

11.6 Reatância capacitiva

Em corrente contínua, um capacitor atua como um armazenador de energia


elétrica. Já em corrente alternada, o comportamento do capacitor é completa-
mente diferente devido à troca de polaridade da fonte.

FIQUE Lembre-se de que devemos evitar o uso de capacitores


ALERTA polarizados em corrente alternada.

11.6.1 Funcionamento em CA

Como já vimos, os capacitores despolarizados são indicados para a utilização


em corrente alternada. Isso acontece porque cada uma de suas armaduras pode
receber tanto potencial positivo como negativo. Veja circuitos a seguir.

+
+ C C
Vca Vca + +

Figura 184 -  Alimentação do capacitor despolarizado em circuito de CA


Fonte: SENAI-SP (2012)
11 Capacitores
295

Quando um capacitor é conectado a uma fonte de corrente alternada, a troca


sucessiva de polaridade da tensão é aplicada às armaduras do capacitor. A cada
semiciclo, a armadura que recebe potencial positivo entrega elétrons à fonte,
enquanto a armadura que está ligada ao potencial negativo recebe elétrons.
Com a troca sucessiva de polaridade, durante um semiciclo a mesma armadura
recebe elétrons da fonte e no outro devolve elétrons para a fonte.

elétrons + elétrons
+ C C
Vca Vca + elétrons +
elétrons

Figura 185 -  Movimentação dos elétrons a cada semiciclo


Fonte: SENAI-SP (2012)

Existe, portanto, um movimento de elétrons ora entrando, ora saindo da arma-


dura. Isso significa que há uma corrente alternada circulando no circuito, embora
as cargas elétricas não passem de uma armadura do capacitor para a outra
porque entre elas há o dielétrico, que é um isolante.
Os processos de carga e descarga sucessivas de um capacitor ligado em CA
dão origem a uma resistência para que ocorra a passagem da corrente CA no cir-
cuito. Essa resistência é denominada de reatância capacitiva. Ela é representada
pela notação Xc e é expressa em ohms (Ω) por meio da expressão:

1
Xc =
2xπxf xC

Sendo que:
• Xc é a reatância capacitiva em ohms (Ω);
• f é a frequência da corrente alternada em hertz (Hz);
• C é a capacitância do capacitor em farads (F); e
• 2π é a constante matemática cujo valor é 6,28.
Observe que a tensão não aparece nessa equação!

11.6.2 Fatores que influenciam na reatância capacitiva

A reatância capacitiva de um capacitor depende da sua capacitância e da fre-


quência da rede CA. A figura a seguir ilustra o comportamento da reatância ca-
pacitiva, com o aumento da frequência.
Eletricidade
296

max

Xc
capacitância fixa

1
-
Xc = 2πfC
0
min frequencia

Figura 186 -  Aumento da reatância capacitiva


Fonte: SENAI-SP (2012)

No gráfico da figura 186, você pode perceber que, com o aumento da fre-
quência da CA, a reatância capacitiva (Xc) diminui.

max
Xc

frequencia fixa

_
1
Xc = 2πfC
min 0
capacitância

Figura 187 -  A reatância capacitiva (Xc) diminui com o aumento da capacitância


Fonte: SENAI-SP (2012)

Na seção anterior, você viu que na equação da reatância não aparece o valor
de tensão. Isso significa que a reatância capacitiva é independente do valor de
tensão de CA aplicada ao capacitor. E esta influencia apenas na intensidade de
corrente CA circulante no circuito.

11.6.3 Relação entre tensão CA, corrente CA e reatância capacitiva

Quando um capacitor é conectado a uma fonte de CA, é estabelecido um cir-


cuito elétrico no qual estão envolvidos três valores:
a) tensão aplicada;
b) reatância capacitiva; e
c) corrente circulante.
11 Capacitores
297

Veja no circuito a seguir.

I
VCA

Vc C

Figura 188 -  Capacitor conectado em CA


Fonte: SENAI-SP (2012)

Assim como ocorre nos circuitos de CC, esses três valores estão relacionados
entre si, nos circuitos de CA por meio da Lei de Ohm. Portanto:

Sendo que:
• Vc é a tensão do capacitor em V (volts);
• I é a corrente eficaz no circuito em A (ampères); e
• Xc é a reatância capacitiva em Ω (ohms).
Veja a seguir um exemplo de cálculo de tensão do capacitor em V.
Um capacitor de 4,7 μF é conectado a uma rede de CA de 127 V, 60 Hz. Qual é
a corrente circulante no circuito?
Primeiramente, vamos calcular a reatância capacitiva do capacitor pela ali-
mentação da rede:

1
Xc =
2×π×f ×C
1
Xc =
2 × π × 60 × 4,7µ
1
Xc =
6,28 × 60 × 4,7µ
1
Xc =
1770, 96 µ
=
Xc 5, 65 kΩ

Portanto, a reatância capacitiva é de 565 Ω.


Eletricidade
298

Em seguida, usando a Lei de Ohm, vamos calcular a corrente do circuito:

Vc
I=
Xc
127
I=
565
I = 0,2248 A

Assim, temos que a corrente circulante do circuito é de 225 mA.


É importante lembrar que os valores de V e I são eficazes, ou seja, são valores
que serão indicados por um voltímetro e um miliamperímetro de CA conecta-
dos ao circuito.
Vejamos graficamente o que acontece no circuito com capacitor da figura 188.
Gráfico A: fonte com tensão crescente positiva. O capacitor encontra-se em
carga positiva, portanto teremos corrente positiva e gradualmente decrescente,
pois esta é a característica da corrente de carga do capacitor. Portanto, no capa-
citor, teremos a máxima corrente, ou seja, a máxima movimentação de elétrons.
Aumentando a tensão – isto é, carregando o capacitor –, a tensão de carga co-
meça a aumentar, aumentando também a oposição ao fluxo da corrente forneci-
da pelo gerador, o que diminui a corrente, chegando ao valor mínimo de corrente
na máxima tensão (90o).

máximo
positivo tensão
corrente
zero

máximo
negativo
tempo
0o 90o 180o 270o 360o
(A)

Figura 189 -  Gráfico A: tensão versus corrente no instante zero


Fonte: SENAI-SP (2012)

Gráfico B: fonte com tensão decrescente positiva. O capacitor encontra- se


carregado positivamente e inicia um processo de descarga, resultando em uma
corrente negativa (corrente do capacitor para fonte). Esta corrente é crescente, à
medida em que a tensão da fonte decresce.
11 Capacitores
299

máximo
positivo
tensão

zero
corrente
máximo
negativo
tempo
0o 90o 180o 270o 360o
(B)

Figura 190 -  Gráfico B: tensão versus corrente no instante 90°


Fonte: SENAI-SP (2012)

Gráfico C: fonte com tensão crescente negativa. O capacitor encontra-se em


carga negativa, portanto teremos corrente negativa e gradualmente decrescente,
pois esta é a característica da corrente de carga do capacitor.

máximo
positivo
tensão

zero

máximo corrente
negativo
tempo 0o 90o 180o 270o 360o
(C)
Figura 191 -  Gráfico C: tensão versus corrente no instante 180°
Fonte: SENAI-SP (2012)

Gráfico D: fonte com tensão decrescente negativa. O capacitor encontra- se


carregado negativamente e inicia um processo de descarga, resultando em uma
corrente positiva (corrente do capacitor para fonte). Esta corrente é crescente, à
medida em que a tensão da fonte decresce.

máximo
positivo tensão

zero

máximo corrente
negativo
tempo
0o 90o 180o 270o 360o
(D)

Figura 192 -  Gráfico de tensão versus corrente no instante 270°


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
300

Nesses gráficos, é possível notar que existe uma diferença entre o comporta-
mento da corrente e o da tensão. Essa diferença é chamada de defasagem e nela
a corrente está adiantada 90º em relação à tensão, pois enquanto a tensão está
começando a formar a senoide, a corrente já está no seu valor máximo.

11.6.4 Determinação experimental da capacitância de um capacitor

Quando a capacitância de um capacitor despolarizado é desconhecida, é pos-


sível determiná-la por um processo experimental. Para fazer isso, aplicamos o ca-
pacitor a uma fonte de CA com tensão (Vc) e frequência (f ) conhecidas e medimos
a corrente com um amperímetro de CA (Ic).

Vc (conhecido)
C
f (conhecido)
(desconhecido)

Figura 193 -  Circuito com capacitor cujo valor da capacitância é desconhecido


Fonte: SENAI-SP (2012)

Fazemos isso observando as seguintes etapas.


a) Aplicamos uma tensão conhecida ao capacitor, sendo que a tensão de pico
deverá ser menor que a tensão de trabalho do capacitor.
b) Medimos a corrente do circuito com o amperímetro.
c) Empregamos a Lei de Ohm para que conheçamos a reatância capacitiva:

d) Já que tanto Vc ou Ic são valores conhecidos, e como já conhecemos a rea-


tância, colocamos este valor na fórmula:
11 Capacitores
301

e) Como queremos encontrar a capacitância, basta isolá-la na fórmula:

Assim como ocorre na tensão, a frequência de trabalho é a da rede. Então f =


60 Hz. Veja o exemplo de cálculo a seguir.
Encontrar o valor de um capacitor de 300 V sabendo que:
a) a tensão de alimentação da rede é 127 V;
b) a frequência da rede é 60 Hz; e
c) a corrente encontrada na medição com o miliamperímetro é de 1,3 μA.
Com esses dados, vamos aplicar a Lei de Ohm e encontrar a reatância capacitiva:

Sabendo que a reatância capacitiva é calculada pela fórmula:

Isolamos C chegando a:

Portanto, o valor aproximado do capacitor é de 27,17 pF.


Eletricidade
302

Recapitulando

Neste capítulo, você estudou que:


a) os dispositivos reativos são aqueles que reagem com as variações de
corrente e cujo valor ôhmico muda conforme a velocidade da variação
da corrente nele aplicada;
b) o capacitor é um componente que tem como finalidade armazenar
cargas elétricas;
c) a capacitância é a capacidade de armazenamento de cargas de um
capacitor e é simbolizada pela letra C;
d) a capacitância é a medida da carga elétrica Q que o capacitor pode
armazenar por unidade de tensão V; e
e) a unidade de medida da capacitância é o Farad, representado pela
letra F, e o instrumento para medi-la é o capacímetro;
f ) a tensão de trabalho de um capacitor é a máxima tensão que pode
ser aplicada a ele sem danificá-lo;
g) na associação em paralelo, que tem como objetivo alcançar maiores
valores de capacitância, os capacitores estão ligados de forma que a
carga total seja subdivida entre eles;
h) a capacitância total (Ct) da associação paralela é a soma das capaci-
tâncias individuais;
i) na associação de capacitores em paralelo, a máxima tensão que pode
ser aplicada é a do capacitor que tem menor tensão de trabalho;
j) a associação em série de capacitores tem por objetivo alcançar capa-
citâncias menores ou tensões de trabalho maiores;
k) na associação em série, a capacitância total é menor que o valor do
menor capacitor associado;
l) quando se aplica tensão a uma associação em série de capacitores, a
tensão aplicada se divide entre eles;
11 Capacitores
303

m) a distribuição da tensão nos capacitores ocorre de forma inversa-


mente proporcional à capacitância, ou seja, quanto maior a capaci-
tância, menor a tensão e quanto menor a capacitância, maior a tensão;
n) os processos de carga e descarga sucessivas de um capacitor ligado
em CA dão origem a uma resistência à passagem da corrente CA no
circuito que é denominada de reatância capacitiva. Ela é representa-
da pela notação Xc e é expressa em ohms (Ω).
Esses conteúdos ajudarão você a interpretar o funcionamento de circui-
tos eletroeletrônicos.
indutores

12

Neste material, você já estudou circuitos resistivos, que são aqueles que só têm resistores.
Estudou, também, os circuitos capacitivos, que só têm capacitores. Neste capítulo, você verá
um componente chamado indutor.
Ele é amplamente utilizado em filtros para caixas acústicas, em circuitos industriais, passan-
do pela transmissão de sinais de rádio e televisão.
Como você também já estudou o magnetismo, o eletromagnetismo, os circuitos de corren-
te contínua e os de corrente alternada, por isso não será difícil entender os fenômenos ligados
ao magnetismo que acontecem nos indutores e o comportamento deles em CA e em CC.
Depois de estudar o conteúdo deste capítulo, você saberá:
a) o que é um indutor, qual o seu símbolo e o seu comportamento em circuitos de CC;
b) quais os conceitos de indução e indutância;
c) como são os circuitos com indutores em série e em paralelo;
d) qual a influência da indutância em circuitos de CA;
e) como calcular a reatância indutiva em um circuito de CA; e
f ) como determinar a indutância de um indutor cujo valor de indutância é desconhecido.
Esses conhecimentos são importantes para que você compreenda o funcionamento de cir-
cuitos eletroeletrônicos.
Bom estudo!
Eletricidade
306

12.1 O que é um indutor?

Quando estudamos o magnetismo e o eletromagnetismo e vimos o que é um


circuito magnético, falamos em bobinas, que nada mais são do que condutores
enrolados em torno de um núcleo, que, quando percorridos por uma corrente,
geram um campo magnético.
A bobina também pode ser chamada de indutor. A diferença entre uma e ou-
tra é dada, principalmente, por causa de onde e de como o componente é usado.
Os indutores têm esse nome porque sempre apresentam indutância, que é a
capacidade que esse componente tem de se opor às variações de corrente.
Eles são dispositivos formados por um fio esmaltado enrolado em torno de
um núcleo e podem ter as mais diversas formas, podendo ser parecidos com um
transformador. Veja alguns tipos de indutores nas figuras a seguir.

Figura 194 -  Indutor de saída de fonte


Fonte: SENAI-SP (2012)

Figura 195 -  Indutor de proteção de circuitos elétricos


Fonte: SENAI-SP (2012)
12 Indutores
307

Figura 196 -  Indutor monofásico para proteção de circuitos elétricos


Fonte: SENAI-SP (2012)

Nos circuitos em que são usados, os indutores têm a função de se opor às va-
riações da corrente alternada que passa por ele.
Como todo componente eletroeletrônico, o indutor é representado por um
símbolo normalizado, o qual depende do material usado como núcleo, conforme
mostra a figura a seguir.

ar ferro ferrite

Figura 197 -  Símbolos de indutores


Fonte: SENAI-SP (2012)

12.1.1 Polaridade magnética do indutor

Dois indutores têm a mesma polaridade quando seus fluxos magnéticos coin-
cidem. Suas polaridades são contrárias quando os seus fluxos magnéticos têm
sentidos diferentes.
No símbolo do indutor, essa polaridade é representada por um ponto em uma
das suas extremidades, como mostra a figura a seguir.
Eletricidade
308

Mesma Polaridade Polaridades Contrárias

N S N S N S S N
i i i i
Representação Representação

Figura 198 -  Representação das polaridades em indutores


Fonte: SENAI-SP (2012)

É importante, então, conhecer a aplicação, ou seja, a utilização e a localização


dos indutores em um circuito para evitar que a influência do campo magnético en-
tre eles prejudique seu funcionamento. Veja a seguir alguns exemplos de aplicação.
Para diminuir a variação brusca da carga, costumamos colocar um indutor em
série com a carga, conforme figura a seguir.

CARGA

Figura 199 -  Indutor junto à carga


Fonte: SENAI-SP (2012)

Se, por outro lado, for necessário aumentar a indutância, pode-se colocar outro
indutor em série com o indutor que já está no circuito. Mas é importante observar
a polaridade, pois se ela estiver invertida, em vez de termos a soma de indutância,
teremos a subtração, o que eliminaria o efeito desejado.

CARGA

Figura 200 -  Dois indutores para aumentar a indutância


Fonte: SENAI-SP (2012)

12.2 Conceito de indução

Toda a vez que um condutor se movimenta no interior de um campo magnéti-


co, uma diferença de potencial é gerada, ou seja, induzida nesse condutor. Esse é
o princípio da geração da energia elétrica.
12 Indutores
309

polo norte
voltímetro indicando
ímã tensão induzida

condutor 0
dentro do
campo

+
- V

polo sul

Figura 201 -  Tensão induzida no interior de um campo magnético


Fonte: SENAI-SP (2012)

Essa tensão gerada no interior de um campo magnético é chamada de ten-


são induzida. Como já vimos no capítulo sobre magnetismo e eletromagnetismo,
Michael Faraday determinou as condições necessárias para que uma tensão seja
induzida em um condutor. Suas observações podem ser resumidas em duas con-
clusões, que compõem as leis da autoindução.
a) Quando um condutor elétrico é submetido a um campo magnético variá-
vel, surge uma tensão induzida nesse condutor. E, para que isso aconteça
no condutor, duas coisas podem ocorrer:
a) mantém-se o campo magnético estacionário e movimenta-se o condu-
tor perpendicularmente ao campo; ou
b) mantém-se o condutor estacionário e movimenta-se o campo magnético.
b) A magnitude da tensão induzida é diretamente proporcional à intensidade
do fluxo magnético e à velocidade de sua variação. Isso significa que, quan-
to mais intenso for o campo e quanto mais rápida for a sua variação, maior
será a tensão induzida.
A base do funcionamento dos geradores para produzir energia elétrica está
nos princípios que acabamos de explicar.

12.3 Comportamento do indutor em corrente contínua – autoindução

O fenômeno da indução faz com que o comportamento dos indutores seja di-
ferente do comportamento dos resistores em um circuito de CC. Vamos observar
o comportamento da corrente no gráfico da figura 203 que se refere ao circuito
resistivo da figura 202.
Eletricidade
310

S1 I
chave chave
desligada ligada
+
G1 R V
- I=0 I =
R

Figura 202 -  Circuito com resistor Figura 203 -  Comportamento da corrente


Fonte: SENAI-SP (2012) Fonte: SENAI-SP (2012)

Veja que, em um circuito resistivo formado por uma fonte de CC, por um re-
sistor e por uma chave, a corrente atinge o seu valor máximo instantaneamente
no momento em que o interruptor é ligado. Essa corrente é sempre instantânea,
independentemente dos valores dos resistores ou de tensão.
Agora, vejamos o que acontece quando a resistência é trocada por um indutor.

S1 I chave chave
desligada ligada
+
G1 L V
- I=0 I=
R

t
Figura 204 -  Circuito com indutor Figura 205 -  Comportamento da corrente
Fonte: SENAI-SP (2012) Fonte: SENAI-SP (2012)

Por meio do gráfico da figura 205, pode-se verificar que a corrente não atin-
ge o valor máximo instantaneamente, mas sim algum tempo após a chave ter
sido ligada.
Esse atraso para atingir a corrente máxima se deve à indução. Pode-se enten-
der melhor esse fenômeno imaginando o comportamento passo a passo de um
circuito composto por um indutor, uma fonte de CC e uma chave.

indutor

circuito aberto
não há corrente
circulante pilha
chave aberta

Figura 206 -  Circuito com indutor e chave desligada


Fonte: SENAI-SP (2012)
12 Indutores
311

Enquanto a chave está desligada (figura 206), não há campo magnético ao


redor das espiras, pois não há corrente circulante. No momento em que a chave é
fechada, inicia-se a circulação de corrente no indutor.

a corrente
corrente da
chegou corrente
bobina
até aqui induzida

o campo
se expande

Figura 207 -  Circulação da corrente na bobina


Fonte: SENAI-SP (2012)

Com a circulação da corrente, surge o campo magnético ao redor de suas


espiras.
À medida que a corrente cresce em direção ao valor máximo, o campo magné-
tico nas espiras se expande. Ao se expandir, o campo magnético variável gerado
em uma das espiras, corta a espira colocada ao lado, como mostra a figura a seguir.

o campo magnético é igual


em todas as espiras

S N

Figura 208 -  Expansão do campo magnético


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
312

Conforme Faraday comprovou experimentalmente, o que acontece é que uma


determinada tensão é induzida nesta espira cortada pelo campo magnético em va-
riação. E cada espira do indutor induz uma tensão elétrica nas espiras vizinhas.
Desse modo, a aplicação de tensão em um indutor provoca o aparecimento
de um campo magnético em variação, que gera no próprio indutor uma tensão
induzida. Esse fenômeno é denominado de autoindução.
A tensão gerada por autoindução tem polaridade oposta à da tensão que é
aplicada aos seus terminais. Por isso, essa tensão é denominada de força contra-
eletromotriz (fcem).
Portanto, quando a chave do circuito é ligada, uma tensão com uma determi-
nada polaridade é aplicada ao indutor.

S1
+
G1 +
V L
-

polaridade da fonte

Figura 209 -  Tensão aplicada à bobina


Fonte: SENAI-SP (2012)

A autoindução gera, no indutor, uma tensão induzida (fcem) de polaridade


oposta à da tensão aplicada.

S1
+ -
+
G1 tensão
fcem L
- aplicada

- +

Figura 210 -  Geração de fcem


Fonte: SENAI-SP (2012)

Se imaginarmos a fcem como uma “bateria” existente no interior do pró-


prio indutor e ela for representada no circuito, este ficará conforme mostra a
figura a seguir.
12 Indutores
313

bobina
S1
+ + -
I = CFV
+
L
-

Figura 211 -  Representação da fcem como uma “bateria” no circuito


Fonte: SENAI-SP (2012)

Como a fcem atua contra a tensão da fonte, a tensão aplicada à bobina é, na


realidade: Vresultante = Vfonte - fcem

12.4 Conceito de indutância

Na seção anterior, já vimos que a fcem existe apenas durante a variação do


campo magnético gerado no indutor. Quando este atinge o valor máximo, a
fcem deixa de existir e a corrente atinge o seu valor máximo. O gráfico a seguir
ilustra isso detalhadamente.

máxima corrente, a
FCEM foi eliminada
i
I

a corrente não atinge o


valor máximo enquanto
a FCEM existir

0
∆t t

é o tempo necessário
para eliminar a FCEM

Figura 212 -  Gráfico de variação do campo magnético no indutor (chave fechada)


Fonte: SENAI-SP (2012)

O mesmo fenômeno ocorre quando a chave é desligada. A contração do cam-


po induz uma fcem no indutor, retardando o decréscimo da corrente. Essa ca-
pacidade de se opor às variações da corrente é denominada de indutância e é
representada pela letra L.
Eletricidade
314

1 Start A curva do gráfico a seguir reflete a demora para a diminuição da tensão de-
vido à fcem.
Start é um componente
usado para dar partida em
lâmpada fluorescente com
partida convencional. i antes de ao abrir o circuito
abrir o com auto indução
circuito (bomba)

I ao abrir o circuito
sem auto indução
(s/bobina)

Δt t

Figura 213 -  Gráfico de variação de tensão no indutor (chave aberta)


Fonte: SENAI-SP (2012)

Um exemplo de aplicação dessa variação é um reator convencional de lâmpa-


da fluorescente cujo esquema você pode observar na figura a seguir.

reator

lâmpada

Figura 214 -  Exemplo de ligação de uma lâmpada fluorescente convencional


Fonte: SENAI-SP (2012)

Nesse exemplo, o reator é o indutor. Quando o start1 está com o contato fe-
chado, há corrente no circuito. Nesse momento, temos um pequeno retardo de
corrente, pois será produzida uma fcem. Quando a corrente já estiver passando
no circuito, aquecerá o start e o contato abrirá. A tensão gerada é alta e, por isso,
ioniza o gás no interior da lâmpada, fechando o circuito elétrico através deste gás,
gerando luz.

Não faça a ligação nos reatores das lâmpadas se eles


FIQUE estiverem energizados. A fcem no momento da abertura
ALERTA do circuito é alta. Para alguns tipos, poderá chegar a
1000 V de tensão!
12 Indutores
315

A indutância de um indutor depende de diversos fatores. Veja o quadro a seguir.

Quadro 16 – Fatores que influem na indutância


Fatores Resultados

Tipo de material do núcleo –


aumentando-se a permeabilidade, isto (A) núcleo oco
é, usando materiais ferromagnéticos,
aumenta-se a indutância. Portanto,
um núcleo de ferro gerará maior
indutância.

Fonte: SENAI-SP (2012)


Fe

(B) núcleo de ferro

(A)

Número de espiras – quanto maior


for o número de espiras, maior será a
Fonte: SENAI-SP (2012)

indutância.

(B)

2L

Espaçamentos entre espiras – quanto (A) voltas bem espaçadas


menor for o espaço entre as espiras,
maior será a indutância. L
Fonte: SENAI-SP (2012)

(B) voltas pouco espaçadas


Eletricidade
316

2 Sensor indutivo

Sensor é um dispositivo
elétrico, eletrônico ou 2D
mecânico capaz de Seção transversal – quanto maior for a D
perceber, localizar ou seção transversal do núcleo, maior será
responder a estímulos de a indutância. O aumento desse fator

Fonte: SENAI-SP (2012)


natureza física (pressão, tem influência diretamente propor-
umidade, material ferroso
etc.). Pode ser usado, cional ao aumento da indutância.
também, para controle e 2D
2D
monitoramento. 2D
D

(A) (B)
Sensor indutivo é um
dispositivo eletrônico que
percebe a presença de
materiais, tais como ferro
ou alumínio.
VOCÊ Bobinas e indutores pequenos são largamente usados
nos transmissores de circuito de alta frequência, como
SABIA? o rádio.

Na unidade sobre instalação de sistemas eletroeletrônicos


SAIBA industriais, você aprenderá sobre sensores indutivos2. Mas
que tal já conhecer um pouco sobre eles? Entre em um site
MAIS de busca, escreva “sensores indutivos” e veja como atua a
indutância em um sensor.

12.4.1 Efeito da indutância em um circuito de CA

Nos circuitos CA, como a corrente varia continuamente de intensidade e dire-


ção, os efeitos de indutância são de grande importância. Como resultado, a indu-
tância tem um efeito muito maior que a resistência da bobina.
Vamos ver o que acontece quando uma corrente CA passa por um indutor de
considerável indutância. Acompanhe a sequência!
a) Posição A – não existe tensão gerada. Nesse instante, o amperímetro não
indica passagem de corrente.

amperímetro
de C.A.

Figura 215 -  Posição A: não há passagem da corrente


Fonte: SENAI-SP (2012)
12 Indutores
317

b) Posição B – tão logo a tensão do gerador começa a aparecer, é produzida


uma passagem de corrente através da bobina com a correspondente fcem.
Conforme o que você já estudou, a fcem tende a se opor à corrente produ-
zida pela tensão do gerador. Como a tensão aplicada pelo gerador é sem-
pre maior que a tensão da fcem, ela vence a resistência e estabelece um
campo magnético com a polaridade indicada na posição B. Nesse instante,
a tensão do gerador é máxima e a intensidade do campo magnético é tam-
bém máxima.
S
B

interruptor

Figura 216 -  Campo magnético na posição B


Fonte: SENAI-SP (2012)

c) Posição C – a tensão do gerador começa a diminuir e a corrente tende a


diminuir. Mas, desta vez, a fcem tende a se opor à diminuição de corrente.
Isso faz a energia do campo magnético, que havia sido criado, retornar ao
circuito em forma de tensão induzida. Quando a tensão do gerador baixa a
zero, a fcem também desaparece e, nesse instante, não existe campo mag-
nético. Isso quer dizer que a fcem não impede que a corrente desapareça,
mas faz com que o seu desaparecimento seja mais lento.

Figura 217 -  Não há campo magnético


Fonte: SENAI-SP (2012)

d) Posição D – a tensão do gerador começa a aumentar, porém com polarida-


de oposta, fazendo com que a direção da corrente da bobina seja inversa e
que o campo magnético que se inicia seja também de polaridade inversa
ao anterior. Nesse caso, a tensão do gerador tem de vencer a fcem, que se
Eletricidade
318

desenvolve devido à variação da intensidade do campo. Por fim, a tensão


do gerador vence a fcem e o campo magnético alcança de novo uma inten-
sidade máxima com polaridade inversa ao anterior.

N
D

Figura 218 -  Polaridade do campo magnético é invertida


Fonte: SENAI-SP (2012)

e) Posição E – essa condição só prevalece por um instante, porque a tensão


do gerador começa de novo a diminuir, dando lugar à fcem, que tende a se
opor à diminuição da corrente. O mesmo efeito da posição C começa a ser
provocado.
Quando o ciclo se encerra, as posições repetem-se enquanto durar o forneci-
mento da tensão elétrica.

Figura 219 -  Não há campo magnético


Fonte: SENAI-SP (2012)

12.4.2 Unidade de medida de indutância

A unidade de medida da indutância é o henry, representada pela letra H.


Em indutância não se usa os valores multiplicadores, mas essa unidade de
medida tem submúltiplos muito usados em eletricidade e eletrônica. Veja tabela
na seguir.
12 Indutores
319

Tabela 13 – Unidade de medida de indutância e seus submúltiplos


Denominação Símbolo Valor em Volt (V)

Unidade Henry H -

milihenry mH 10-3 H ou 0,001 H


Submúltiplos
microhenry μH 10-6 H ou 0,000.001 H

Faz-se a conversão de valores de forma semelhante às outras unidades de


medida.

H mH μH

Digamos que você precise converter milihenry (mH) em microhenry (μH) e a


medida que você tem é 3,3 mH. Para usar o gabarito, procede-se da seguinte
maneira:
a) Coloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, neste
caso, é o milihenry. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após
o milihenry. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três
casas na próxima linha.

mH μH

3 3

↑ posição da vírgula

b) Mude a posição da vírgula para a direita. O novo valor gerado aparecerá


quando a primeira casa abaixo da coluna do microhenry estiver preenchida.

mH μH

3 3 0 0

nova posição da vírgula ↑

Após preencher o quadro, o valor convertido será: 3,3 mH = 3300 μH


O instrumento de medição da indutância é o indutímetro e será visto na unida-
de curricular Instalação de sistemas eletrônicos. As medições vão de 2 mH a 20 H.
Eletricidade
320

12.5 Associação de indutores: em série E em paralelo

Os indutores podem ser associados em série, em paralelo e de forma mista,


embora esta não seja muito utilizada. Os conceitos de associações para indutores
são os mesmos apresentados para resistores.

12.5.1 Associação em série de indutores

Na associação em série, os indutores são ligados de forma que a corrente seja


a mesma em todos eles.

L1

L2

L3
Figura 220 -  Associação em série de indutores
Fonte: SENAI-SP (2012)

Quando indutores são associados em série, a indutância total é maior que o


valor do maior indutor associado. Isso pode ser representado matematicamente
da seguinte maneira:

Lt = L1+ L2 + L3+ Ln.

Se todos os indutores tiverem o mesmo valor, a fórmula poderá ser alterada por:

Lt = n x L

Sendo que:
• Lt é a indutância total em henry (H);
• n é a quantidade de indutores com mesmo valor; e
• L é o valor da indutância em henry (H).
Para a utilização das equações, todos os valores de indutância devem ser con-
vertidos para a mesma unidade. Veja um exemplo a seguir.
12 Indutores
321

Determine a indutância total do circuito da figura 220 sabendo que os induto-


res têm os seguintes valores:
L1 = 10 mH
L2 = 43 mH
L3 = 5 H
Pelos valores, o L3 não está na mesma unidade dos demais. Por isso, é neces-
sário fazer a conversão de henry para milihenry.
L3 = 5 H = 5000 mH
Usando a fórmula, vamos calcular a indutância total:
Lt = L1 + L2 + L3
Lt = 10 mH + 43 mH + 5000 mH
A indutância total em henry, portanto, será:
Lt = 5053 mH

CASOS E RELATOS

Em grandes indústrias, os motores de corrente alternada são alimentados


por meio de uma distribuição chamada centro de controle de motores
(CCM). Alguns desses CCMs têm indutores (ou reatores) na entrada da
distribuição, cuja finalidade é amortecer a corrente de partida.
Isso é feito porque, por exemplo, um motor que consome 150 A para fun-
cionar, ao dar partida, poderá fazer a corrente aumentar oito vezes o seu
valor, ou seja, atingir 1200 A, já que na partida a corrente é alta para que
possa tirar a inércia do motor e fazê-lo girar.
Com o reator, a corrente vai até 900 A e, portanto, serão 300 A de amorte-
cimento. Uma empresa fez um projeto para a instalação de um novo eq-
uipamento cuja alimentação saía de um CCM. O projetista fez um sistema
colocando mais motores, mas para evitar problemas na partida, instalou
também um novo conjunto de indutores (ou reatores).
Eletricidade
322

Ao efetuar o teste inicial após a montagem, ele notou que os motores


tinham dificuldade em partir. Após um estudo, os indutores (ou reatores)
foram retirados e os motores partiam sem problemas. Percebeu-se, então,
que o problema era a presença dos indutores extras, que, somados aos
existentes, aumentavam a indutância e, consequentemente, diminuíam
a corrente de partida dos motores.

12.5.2 Associação em paralelo de indutores

A associação em paralelo de indutores pode ser usada como forma de obter


indutâncias menores ou como forma de dividir uma corrente entre diversos indu-
tores, mantendo o mesmo nível de tensão.

L1 L2 L3

Figura 221 -  Associação em paralelo de indutores


Fonte: SENAI-SP (2012)

Quando se associam indutores em paralelo, a indutância total é menor que o


valor do menor indutor associado. Isso pode ser representado matematicamente
da seguinte maneira:

1 1 1 1 1
= + + + 
Lt L1 L2 L3 Ln

Por meio da fórmula anterior, podemos isolar o Lt e a fórmula final ficará:

1
Lt =
1 1 1 1
+ + + 
L1 L2 L3 Ln

Se tivermos dois indutores, o raciocínio será o mesmo feito para a resistência


equivalente em paralelo para dois resistores e a fórmula será:

L1x L2
Lt =
L1+ L2
12 Indutores
323

Se todos os indutores forem do mesmo valor, a fórmula poderá ser alterada por:

L
Lt =
n

Sendo que:
• Lt é a indutância total em henry (H);
• n é a quantidade de indutores; e
• L é o valor em indutância em henry (H).
Assim como acontece na ligação em série, todos os valores de indutância de-
vem ser convertidos para a mesma unidade. Acompanhe o exemplo de cálculo
a seguir!
Calcule a indutância total para o circuito da figura 221, no qual o valor de to-
dos os indutores é de 60 mH.
Podemos usar a seguinte fórmula:

L
Lt =
n
60 mH
Lt =
3
Lt = 20 mH

Portanto, a indutância total é de 20 mH.

12.6 Reatância indutiva

Para entender o conceito de reatância indutiva, vamos estudar o comporta-


mento dos indutores em circuitos de CA. Veremos que o efeito da indutância nes-
sas condições se manifesta de forma permanente.
Como já vimos, quando se aplica um indutor em um circuito de CC, sua indu-
tância se manifesta apenas nos momentos em que existe uma variação de corren-
te, ou seja, no momento em que se liga e desliga o circuito.
Em CA, como os valores de tensão e corrente estão em constante modifica-
ção, o efeito da indutância se manifesta permanentemente. Esse fenômeno de
oposição permanente à circulação de uma corrente variável é denominado de
reatância indutiva, representada pela notação XL. Ela é expressa em ohms e re-
presentada matematicamente pela seguinte expressão:

XL = 2 x π x f x L
Eletricidade
324

3 Adimensional Sendo que:

A palavra adimensional • XL é a reatância indutiva em ohms (Ω);


caracteriza qualquer coisa
que não tem dimensão, ou • 2π é uma constante (6,28);
seja, um tamanho que se
possa medir. • f é a frequência da corrente alternada em hertz (Hz); e
• L é a indutância do indutor em henrys (H).
Veja um exemplo de cálculo de reatância indutiva.
No circuito a seguir, qual é a reatância de um indutor de 600 mH aplicado a
uma rede de CA de 220 V e 60Hz?

A
220 V
600 mH VL
60 Hz

Figura 222 -  Circuito CA com indutor


Fonte: SENAI-SP (2012)

XL = 2x π x f x L
XL = 6,28 x 60 x 600 mH
XL = 6,28 x 60 x 600 m = 226080 mΩ = 226,08 Ω
XL = 226080 mΩ

Fazendo a conversão de valores, temos:

XL = 226,08 Ω

Deve-se observar que, da mesma forma como na reatância capacitiva, a rea-


tância indutiva de um indutor não depende da tensão aplicada aos seus termi-
nais. A corrente que circula em um indutor aplicado à CA (IL) pode ser calculada
com base na Lei de Ohm, substituindo-se R por XL, ou seja:

VL
IL =
XL

Sendo que:
• IL é a corrente eficaz no indutor em ampères (A);
• VL é a tensão eficaz sobre o indutor, expressa em volts (V); e
• XL é a reatância indutiva em ohms (Ω).
12 Indutores
325

Acompanhe o exemplo de cálculo a seguir:


No circuito da figura 222, o indutor é de 600 mH, a tensão da rede é de 220 V e
a frequência é de 60 Hz. Qual é o valor da corrente que circula no indutor?
Inicialmente, calcula-se a reatância:

XL = 2 x π x f x L = 6,28 X 60 x 600 m
XL = 6,28 x 60 x 600 m
XL = 226080 mΩ

Fazendo a conversão da unidade de medida, chegamos ao seguinte valor:

XL = 226,08 Ω

Substituindo os valores na expressão:

VL
IL =
XL
220
IL =
226,08
IL = 0,97 A

12.7 Fator de qualidade Q

Todo indutor apresenta, além da reatância indutiva, uma resistência ôhmica


que se deve ao material com o qual é fabricado. Ele é calculado pela seguinte
fórmula:
XL
Q=
R

Sendo que:
• Q é o fator de qualidade adimensional3;
• XL é a reatância indutiva (Ω); e
• R é a resistência ôhmica da bobina (Ω).
Um indutor ideal deveria apresentar resistência ôhmica zero. Isso determi-
naria um fator de qualidade infinitamente grande. No entanto, esse indutor não
existe na prática, porque o condutor, de acordo com a Segunda Lei de Ohm, sem-
pre apresenta resistência ôhmica.
Eletricidade
326

Vamos ao exemplo de cálculo do fator de qualidade!


O fator de qualidade de um indutor com reatância indutiva de 3768 Ω (indutor
de 10H em 60 Hz) e com resistência ôhmica de 80 Ω é:

XL
Q=
R
3768
Q=
80
Q = 47,1

Portanto, o fator de qualidade deste indutor é 47,1

12.8 Determinação experimental da indutância em um indutor

Quando se deseja utilizar um indutor e sua indutância é desconhecida, é pos-


sível determinar aproximadamente o seu valor por meio de um processo experi-
mental. O valor encontrado não será exato porque é necessário considerar que o
indutor é puro (R = 0 Ω).
O fator de qualidade Q é uma relação entre a reatância indutiva e a resistência
ôhmica de um indutor, ou seja, aplica-se ao indutor uma corrente alternada com
frequência e tensão conhecidas e determina-se a corrente do circuito com um
amperímetro de corrente alternada.

A
Vca
L VL
f

Figura 223 -  Circuito de CA com indutor


Fonte: SENAI-SP (2012)

Conhecidos os valores de tensão e corrente do circuito, determina-se a reatân-


cia indutiva do indutor por meio da fórmula a seguir:

VL
XL =
IL

Sendo que:
• VL é a tensão sobre o indutor;
• IL é a corrente do indutor.
12 Indutores
327

Aplicando o valor encontrado na equação da reatância indutiva e determinan-


do a indutância, temos:

XL = 2 x π x f x L

E isolando L, temos:

XL
L=
2xπxf

A imprecisão do valor encontrado não é significativa na prática, pois os valores


de resistência ôhmica da bobina são pequenos quando comparados com a rea-
tância indutiva (alto Q).
Veja a seguir o exemplo de cálculo de indutância.
Qual é o valor de um indutor a ser encontrado experimentalmente, sabendo-
se que a tensão de alimentação da rede é de 127 V, a frequência da rede é de 60 Hz
e a corrente encontrada na medição com o miliamperímetro é de 35 mA?
Com os dados, vamos aplicar a Lei de Ohm e encontrar a reatância indutiva:

VL
XL =
IL
127
XL =
35mA
XL = 3,63kΩ

Conhecendo o valor de XL, temos:

XL
L=
2xπxf
3,63k
L=
2 x π x 60
3,63k
L=
376,8
L = 9,63H
Eletricidade
328

Recapitulando

Neste capítulo, você estudou que:


a) o indutor é um dispositivo formado por um fio esmaltado enrolado
em torno de um núcleo e que tem a função de se opor às variações da
corrente alternada que passa por ele;
b) dois indutores têm a mesma polaridade quando seus fluxos magné-
ticos coincidem e suas polaridades são contrárias quando seus fluxos
magnéticos têm sentidos diferentes;
c) a tensão gerada pelo movimento do condutor no interior de um cam-
po magnético é chamada de tensão induzida;
d) a tensão gerada na bobina por autoindução tem polaridade oposta à
da tensão que é aplicada aos seus terminais, por isso é denominada de
força contraeletromotriz (fcem);
e) a capacidade de se opor às variações da corrente é denominada de
indutância (L) e sua unidade de medida é o henry, representada pela
letra H.
f ) na associação em série, os indutores são ligados de forma que a cor-
rente seja a mesma em todos eles, obtendo indutâncias maiores e ten-
sões maiores;
g) na associação em paralelo, a indutância total é menor que o valor do
menor indutor associado;
h) quando se aplica um indutor em um circuito de CC, sua indutância se
manifesta apenas nos momentos em que existe uma variação de cor-
rente, quando se liga e desliga o circuito; e
i) em CA, como os valores de tensão e de corrente estão em constante
modificação, o efeito da indutância manifesta-se permanentemente
na forma de reatância indutiva.
Estes conhecimentos são muito importantes para que você consiga inter-
pretar o funcionamento de circuitos eletroeletrônicos.
12 Indutores
329

Anotações:
representação vetorial de
grandezas elétricas em ca

13

Nosso objetivo nesta unidade curricular é contribuir para que você desenvolva a capacida-
de de interpretar o funcionamento de circuitos eletroeletrônicos. Para isso, é necessário conhe-
cer muito bem o que acontece dentro deles.
Até agora, você já aprendeu que, em circuitos alimentados por corrente contínua (CC), a
tarefa de analisar e compreender seu funcionamento não é muito difícil, já que os valores não
variam e podem ser medidos a qualquer momento.
Já nos circuitos alimentados por corrente alternada (CA) ou em que existem sinais alterna-
dos, você deve se lembrar de que a tarefa é bem mais trabalhosa, porque os valores de tensão
e de corrente estão em constante modificação.
Para facilitar a determinação de valores encontrados neste tipo de circuito, usa-se a estraté-
gia de apresentar os parâmetros elétricos de um circuito de CA por meio de vetores.
Assim, quando terminar de estudar este capítulo, você entenderá:
a) o que é um vetor e quais são os seus conceitos associados de sentido, direção e módulo;
b) qual é a importância do sentido e da direção para a resultante de um sistema de forças; e
c) como representar as grandezas elétricas por meio de vetores.
Para isso, este capítulo tratará da defasagem entre grandezas CA, de vetores e da represen-
tação vetorial de parâmetros elétricos de CA. Com o estudo desses assuntos, você terá as infor-
mações necessárias para simplificar a análise de circuitos nesse tipo de corrente.
Eletricidade
332

13.1 Vetores

Em nosso dia a dia, entramos em contato com os mais diversos tipos de gran-
dezas físicas. Algumas dessas grandezas são definidas por um valor numérico e
sua unidade de medida. Por exemplo, quando falamos que um carro apresenta
massa de uma tonelada (t), não precisamos de mais nenhuma informação para
explicar esse fenômeno. Essa grandeza é chamada de grandeza escalar e é de-
finida apenas pelo seu valor numérico e sua unidade de medida. São grandezas
escalares o tempo, a temperatura, o volume, a massa, o trabalho de uma força, a
energia e o comprimento.
Mas existem grandezas que, além do valor numérico e da unidade de medida,
necessitam do apoio de outras informações: a direção e o sentido.
Um exemplo dessa necessidade é a descrição de como sair da cidade de São
Paulo (SP) e ir até a cidade do Rio de Janeiro (RJ), que fica a 430 quilômetros de
distância em uma viagem que dura 5 horas. Para isso, percorremos esta distância
no sentido São Paulo-Rio de Janeiro, na direção nordeste, a uma velocidade mé-
dia de 86 km/h.
Observe que, nesse exemplo, além do valor numérico (86) e da unidade de
medida (quilômetros por hora), precisamos indicar um sentido e uma direção, os
quais chamados de grandezas vetoriais, que são representadas por vetores.
O vetor é um elemento geométrico que possui um sentido, uma direção e
um módulo (intensidade). Graficamente, um vetor é representado por uma reta
orientada, que é indicada por uma letra sobre a qual colocamos uma seta.

a
A B

Figura 224 -  Vetor


Fonte: SENAI-SP (2012)

Em um vetor, o módulo representa o valor numérico ou a intensidade da gran-


deza. A direção e o sentido determinam a orientação da grandeza.
No exemplo anterior, o vetor pode ser lido da seguinte maneira:
a) o módulo é representado pelo comprimento do segmento AB;
b) a direção é a reta determinada pelos pontos A e B; e
c) o sentido vai de A para B, portanto, a orientação da reta é AB.
Os vetores são um fator de simplificação que ajudam na análise de situações
diárias.
13 Representação vetorial de grandezas elétricas em CA
333

13.1.1 Resultante de um sistema de vetores de mesmo sentido e


mesma direção

Em muitas situações, existe mais de uma força atuando sobre o mesmo ponto
ao mesmo tempo. Quando isso acontece, o uso de uma representação gráfica
simplifica a obtenção da solução desse tipo de problema.
Vamos supor que duas pessoas estejam puxando uma caixa pesada. Essas
duas pessoas atuando na mesma direção e puxando o mesmo cabo fornecerão
uma resultante na força desejada. A resultante, nesse caso, será a soma das for-
ças atuando na mesma direção e no mesmo sentido das forças individuais.

F1 F2

Figura 225 -  Forças atuando na mesma direção e no mesmo sentido


Fonte: SENAI-SP (2012)

A figura a seguir mostra a representação completa do sistema de forças e sua


resultante.

F1 F2
P

FR
P

Figura 226 -  Representação completa do sistema de forças e sua resultante


Fonte: SENAI-SP (2012)

A figura indica que se duas forças, F1 e F2, aplicadas a um mesmo ponto atua-
rem na mesma direção e no mesmo sentido, a resultante será:
Módulo = F1 + F2;
Direção = a da reta que contém as duas forças;
Sentido = o mesmo das forças.
Veja o exemplo a seguir!
a) Duas pessoas puxam, para a mesma direção e o mesmo sentido, uma corda
presa a uma carga. A primeira exerce uma força de 100 N (sendo que New-
ton é a unidade de medida de força) e a segunda, uma força de 60 N. Qual
o módulo, a direção e o sentido da força resultante?
Eletricidade
334

F1 100 N F2 60 N
P

FR
P
Figura 227 -  Representação do sistema de forças do exemplo
Fonte: SENAI-SP (2012)

• Diagrama de vetores: FR = 100 + 60 = 160 N;


• Módulo resultante: 160 N;
• Direção da resultante: a mesma das forças aplicadas (horizontal);
• Sentido da resultante: o mesmo das forças aplicadas (da direita para a esquerda).

13.1.2 Resultante de um sistema de vetores de mesma direção e


sentidos opostos

O cabo de guerra é um exemplo típico de um sistema em que as forças atuam


na mesma direção (a da corda), mas em sentidos opostos.

F1 F2

Figura 228 -  Cabo de guerra


Fonte: SENAI-SP (2012)

Considerando a corda como ponto de aplicação das forças, o sistema pode ser
representado conforme a figura a seguir.

F1 F2

FR = F1 - F2

Figura 229 -  Representação do sistema de forças do cabo de guerra


Fonte: SENAI-SP (2012)

Nesse caso, a resultante será o resultado da subtração de uma força da ou-


tra, com a direção (a da corda) mantida, mas o sentido será para o lado da maior
força aplicada. Assim, se duas forças, F1 e F2, forem aplicadas no mesmo ponto,
elas atuarão na mesma direção e em sentidos opostos, tendo como resultante:
13 Representação vetorial de grandezas elétricas em CA
335

• Módulo: F1 – F2 (a maior menos a menor);


• Direção: a da reta que contém as duas forças;
• Sentido: o da força maior.
Acompanhe um exemplo!
a) Determine a resultante do sistema de forças da figura a seguir:

F1 F2
F1 F2

FR = F1 - F2

Figura 230 -  Sistema de forças do exemplo


Fonte: SENAI-SP (2012)

F1 = 100 N
F2 = 60 N
FR = F1 – F2 = 100 – 60 = 40 N
• Direção: a da corda (horizontal).
• Sentido: o da força resultante maior, ou seja, FR1 (para a esquerda).

13.1.3 Resultante de um sistema de vetores de mesmo ponto e


direções diferentes

Observe a figura a seguir. Ela representa esquematicamente um prático co-


mandando, dois rebocadores para movimentar um navio, que vai entrar no porto.
Nesse caso, o ponto de aplicação das forças é o mesmo no navio, porém as dire-
ções são diferentes.

direção 1

φ ângulo

direção 2

Figura 231 -  Sistema de forças: rebocadores puxando um navio


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
336

A forma mais simples para representar o sistema de forças da figura anterior é


usando a forma gráfica pela regra do paralelogramo. Para fazer isso, procede-se
da seguinte maneira:
a) Coloca-se no papel os dois vetores desenhados em escala e com o ângulo
correto entre eles, sendo F1 o sentido da direção 1 e F2 o sentido da direção
2. Confira na figura a seguir.

F1

F2

Figura 232 -  Sentido dos vetores


Fonte: SENAI-SP (2012)

b) Pela extremidade de cada um dos vetores dados, desenha-se uma linha tra-
cejada paralela ao outro vetor.

F1

Reta paralela a F2

F2
Reta paralela a F1
Figura 233 -  Retas paralelas ao sentido dos vetores
Fonte: SENAI-SP (2012)

c) Forma-se, assim, um paralelogramo cuja diagonal (FR) é a resultante.

F1

φ
FR

F2

Figura 234 -  Módulo da resultante


Fonte: SENAI-SP (2012)
13 Representação vetorial de grandezas elétricas em CA
337

Medindo a resultante com a mesma escala usada para os vetores que a com-
põem, obtém-se o módulo da resultante.
Matematicamente, é possível calcular a força resultante utilizando a Lei dos
cossenos, cuja fórmula é:
FR2 = F12 + F22 + 2 x F1 x F2 x cos φ.
Sendo que:
• φ é o ângulo das forças F1 e F2.
Se a medida entre esses ângulos for de 90° (ângulo reto), em vez de termos um
paralelogramo, teremos um retângulo e, neste caso, formam-se dois triângulos
retângulos, nos quais:
a) as forças são representadas pelos catetos; e
b) a hipotenusa é a força resultante.
Veja os passos a seguir:

F1

FR

F2

Figura 235 -  Gráfico de forças e da resultante


Fonte: SENAI-SP (2012)

No gráfico anterior, F1 e F2 são as forças e FR é a força resultante. Se trocarmos


a força F1 de lado, teremos o seguinte gráfico:

F1

FR

F2

Figura 236 -  O gráfico é um triângulo retângulo


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
338

Essa nova configuração formou um triângulo retângulo, em que F1 e F2 são


os catetos e FR é a hipotenusa. A resolução gráfica também mostra que o parale-
logramo formado é um retângulo em que a resultante é uma diagonal. Nesse
caso, o módulo dos vetores se relaciona segundo o Teorema de Pitágoras.
Assim, se duas forças, F1 e F2, aplicadas a um mesmo ponto formam um ângu-
lo de 90° entre si, a resultante é dada pelo Teorema de Pitágoras, cuja fórmula é:
FR2 = F12 + F22.
O ângulo θ, formado entre os vetores componentes e a resultante, é dado pe-
las relações trigonométricas. Acompanhe!

F1

θ
F2

Figura 237 -  Ângulo θ


Fonte: SENAI-SP (2012)

Veja, a seguir, um exemplo do que estamos tratando.


a) Dois rebocadores, um de 100 N e outro de 60 N, estão rebocando um navio.

F1

1 100 N
Fr

θ
60 N
2

F2
Figura 238 -  Representação dos rebocadores rebocando um navio
Fonte: SENAI-SP (2012)

Sabendo-se que o ângulo entre os cabos dos dois rebocadores é de 90°, deter-
mine o módulo da resultante e o ângulo desta com relação ao rebocador 2.
13 Representação vetorial de grandezas elétricas em CA
339

Para calcular a força resultante, temos:

FR 2 = F12 + F22
FR 2 = 1002 + 602
FR 2 = 13600
FR = 13600
FR = 116,62 N

Portanto, a força resultante é de 116,62 N.


Para calcular o ângulo entre o rebocador 2 (força F2) e a força resultante, calcu-
lamos o cosseno do ângulo θ:

θ = 59º34’ é o ângulo entre o rebocador 2 e a força resultante.

13.2 Representação vetorial de parâmetro elétricos

A análise do comportamento e dos parâmetros de um circuito em CA apresen-


ta certas dificuldades, pois os valores de tensão e de corrente ficam em constante
modificação. Mesmo os gráficos senoidais, que podem ser usados com o objeti-
vo de realizar esse tipo de análise, tornam-se complexos quando há várias tensões
ou correntes com defasagem entre si estão envolvidas.
Por isso, é muito comum empregarmos gráficos vetoriais para substituir os
gráficos senoidais, pois o comprimento dos vetores pode ser usado para repre-
sentar a tensão ou corrente eficaz correspondente a uma CA senoidal.
Eletricidade
340

+1

V
0

-1

Figura 239 -  Comprimento de vetor representando tensão ou corrente eficaz


Fonte: SENAI-SP (2012)

O sistema de gráficos vetoriais permite a representação de qualquer número


de tensões em quaisquer defasagens. O ângulo de defasagem entre as tensões
é representado graficamente por um ângulo entre os vetores. No caso da figura

anterior, o vetor V indica que está em fase com o eixo.

13.2.1 Representação de CA em fase

Quando duas formas de onda CA estão em fase, pode-se dizer que o ângulo de
defasagem entre elas é de 0°.

CA1

CA2

0 π

Figura 240 -  O gráfico de tensão e de corrente em fase em circuito de carga resistiva


Fonte: SENAI-SP (2012)

Essa situação pode ser representada vetorialmente considerando-se três


aspectos:
a) um vetor representa o valor eficaz da CA1;
b) outro vetor representa o valor eficaz da CA2; e
c) o ângulo entre os dois vetores representa a defasagem, que neste caso é de 0°.
13 Representação vetorial de grandezas elétricas em CA
341

Veja na ilustração a seguir o gráfico vetorial de duas CAs em fase.

CA2 CA1

Figura 241 -  Gráfico vetorial de duas CAs em fase


Fonte: SENAI-SP (2012)

13.2.2 Representação vetorial de grandezas defasadas

Para representar grandezas CA defasadas, necessita-se de:


a) no mínimo, duas grandezas e um vetor para cada uma delas;
b) um ângulo que expresse a defasagem entre os vetores; e
c) um vetor que será utilizado como referência para verificar se o outro vetor
está adiantado ou atrasado.
Por exemplo, o gráfico senoidal a seguir tem a representação vetorial quando
CA1 é tomada como referência.

V
CA1
CA2

1800 3600

Figura 242 -  Gráfico senoidal com representação vetorial


Fonte: SENAI-SP (2012)

A partir do vetor de referência, os demais vetores são posicionados. Veto-


res colocados no sentido horário estão atrasados com relação à referência e
vice-versa.

referência
valores adiantados
CA1
CA1
valores atrasados referência

Figura 243 -  Vetores atrasados e adiantados


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
342

No gráfico de senoide anterior, CA2 está atrasada 90° em relação à CA1. As-
sim, o gráfico vetorial apresenta-se conforme a figura a seguir.

CA1

900

CA2
Figura 244 -  Representação vetorial da defasagem da corrente atrasada
Fonte: SENAI-SP (2012)

Agora, observe o gráfico de senoide a seguir.

CA1 CA2

Figura 245 -  Gráfico senoidal com defasagem de CA1 e CA2


Fonte: SENAI-SP (2012)

Neste gráfico, CA2 está adiantada em relação à CA1, de forma que o gráfico
vetorial apresenta-se na seguinte forma:

CA2

900

CA1
Figura 246 -  Defasagem da corrente adiantada representada vetorialmente
Fonte: SENAI-SP (2012)
13 Representação vetorial de grandezas elétricas em CA
343

13.3 Representação vetorial de grandezas elétricas em circuitos


resistivo, capacitivo e indutivo

Até agora, neste capítulo, estudamos apenas como representar, com vetores,
os gráficos de tensão e corrente em fase ou defasados. Mas, a partir de agora,
vamos interpretar o funcionamento de circuitos eletroeletrônicos que contêm re-
sistores, capacitores e indutores analisando seus gráficos.

13.3.1 Representação vetorial de grandezas em circuitos resistivos

Você já aprendeu que, quando conectamos uma carga puramente resistiva


a uma rede de corrente alternada senoidal, a corrente circulante no circuito tam-
bém tem uma forma senoidal.

I
I π 2π
V R
0

Figura 247 -  Circuito com resistor Figura 248 -  Gráfico senoidal da relação tensão versus corrente em circuito resistivo
Fonte: SENAI-SP (2012) Fonte: SENAI-SP (2012)

Por meio da sobreposição dos gráficos senoidais, observa-se que a tensão e a


corrente têm a mesma forma senoidal, a mesma frequência e passam pelo zero no
mesmo sentido e ao mesmo tempo.
Como o valor de R é fixo, a corrente é proporcional à tensão. Assim, quando
a tensão no resistor tem valor zero, a corrente também tem valor zero; quando a
tensão no resistor atinge o máximo positivo, a corrente também atinge o máximo
positivo, e assim por diante. Quando isso acontece, diz-se que a tensão e a cor-
rente estão em fase ou que a defasagem entre tensão e corrente é 0°.
Esse comportamento da tensão e da corrente em um circuito puramente re-
sistivo pode ser expresso com a ajuda de um gráfico vetorial. Nele, um dos veto-
res representa a tensão na carga e o outro, a corrente. Como a tensão e a corrente
estão em fase, os dois vetores ficam sobrepostos. E o comprimento de cada vetor
representa o valor da grandeza expressa vetorialmente.
Eletricidade
344

IR VR

Figura 249 -  Gráfico vetorial da relação tensão versus corrente em circuito resistivo
Fonte: SENAI-SP (2012)

13.3.2 Representação vetorial de grandezas em circuitos capacitivos

Como já vimos no capítulo sobre capacitores, nos circuitos capacitivos a cor-


rente e a tensão estão sempre defasadas entre si. Veja figuras a seguir.

R V

I π 2π
I
0

Figura 251 -  Gráfico senoidal de tensão versus


Figura 250 -  Circuito capacitivo
corrente em circuito capacitivo
Fonte: SENAI-SP (2012)
Fonte: SENAI-SP (2012)

Na sobreposição das senoides mostradas no gráfico, observa-se que a tensão


e a corrente não estão em fase, pois, quando a tensão no capacitor começa a se
elevar, a corrente já está no seu máximo valor.
Esse adiantamento da corrente em relação à tensão no capacitor ocorre du-
rante todo o ciclo da CA e essa defasagem pode ser representada por meio de um
gráfico vetorial, no qual um vetor representa a tensão sobre o capacitor, e o outro,
a corrente no capacitor.
Como corrente e tensão no capacitor estão 90° defasadas, os seus vetores são
representados de tal forma que haja ângulo de 90° entre eles.
13 Representação vetorial de grandezas elétricas em CA
345

Ic

Vc
Figura 252 -  Gráfico vetorial da relação tensão versus corrente em circuito capacitivo
Fonte: SENAI-SP (2012)

CASOS E RELATOS

Acompanhe agora uma breve história sobre reparos de proteção de se-


micondutores.
Quando falamos em equipamentos para acionamentos de motores (con-
versores e soft starters, que serão estudados na unidade de Instalação de
Sistemas Eletroeletrônicos Industriais), entendemos que o semicondutor
responsável para fornecer corrente elétrica no motor necessita de pro-
teção, pois ele é uma peça de custo elevado. A proteção é um circuito re-
sistor-capacitor (RC) em série, ligados em paralelo ao semicondutor, cuja
finalidade é absorver a variação de tensão sobre o semicondutor.
Em uma siderúrgica, ocorreu a queima do resistor do circuito e o técnico
trocou-o por outro. Porem, como não havia um do mesmo valor, colocou
outro de valor maior. Passado um tempo, ocorreu a queima de um semi-
condutor. O técnico foi verificar o motivo e percebeu que, quando o valor
do resistor aumentava, ocorria também o aumento da resistência equiva-
lente (R + Xc), o que fez com que diminuísse a corrente sobre o RC. Assim,
ele concluiu que o aumento da parcela de tensão sobre o semicondutor,
provocou a sua queima.

Em reparos de proteção de semicondutores, nunca tra-


FIQUE balhe com circuito de proteção queimado! A falta dessa
ALERTA proteção provoca a diminuição da vida útil do semicon-
dutor.
Eletricidade
346

13.3.3 Representação vetorial de grandezas elétricas em circuitos


indutivos

Devido ao fenômeno da autoindução, nos circuitos indutivos ocorre uma de-


fasagem entre a corrente e a tensão dos indutores ligados em CA. Isso acontece
porque a autoindução provoca um atraso de 90°, ou seja, um quarto de ciclo, na
corrente em relação à tensão.
A representação senoidal desse fenômeno é mostrada no gráfico a seguir.
Nele, percebe-se que a tensão atinge o máximo antes da corrente.

I(I)
V

I

V(I)
0 π

Figura 253 -  Circuito indutivo Figura 254 -  Gráfico senoidal de tensão versus corrente em circuito indutivo
Fonte: SENAI-SP (2012) Fonte: SENAI-SP (2012)

Pode-se representar essa defasagem por meio de um gráfico de vetores. O ân-


gulo entre os vetores representa a defasagem e o comprimento deles representa
os valores de VL e IL.

VL

-IL

Figura 255 -  Gráfico vetorial da relação tensão versus corrente em circuito indutivo
Fonte: SENAI-SP (2012)

Deve-se observar que, na prática, não existe um circuito puramente indutivo,


pois a resistência dos condutores de ligação, dos condutores que constituem o
indutor e da resistência interna da fonte ocasionam uma diminuição no ângulo
de defasagem entre a tensão e a corrente do indutor.
13 Representação vetorial de grandezas elétricas em CA
347

Uma das aplicações de circuitos RC e resistor-indutor (RL)


são os filtros. O circuito RC  tem um resistor e um capacitor,
já o circuito RL possui um resistor e um indutor. Eles são
usados em filtros de aparelhos de som e podem isolar deter-
SAIBA minado tipo de som. Por exemplo, quando você escuta uma
MAIS música e um dos alto-falantes só funciona quando toca a
guitarra, isso acontece porque tem um filtro no circuito! Para
saber mais sobre isso, faça uma pesquisa por meio de um site
de busca utilizando as palavras filtro e som e veja como os
filtros funcionam.

Recapitulando

Neste capitulo, você aprendeu que:


a) o vetor é um elemento geométrico que possui um sentido, uma direção e
um módulo;
b) o vetor é representado por uma reta orientada, que é identificada por
uma letra sobre a qual se coloca uma seta;
c) as resultantes de um sistema de vetores são representadas por meio de
gráficos e suas linhas podem ter: o mesmo sentido e a mesma direção;
a mesma direção, e sentidos opostos; o mesmo ponto, e direções dife-
rentes; e
d) as grandezas elétricas (tensão e corrente) podem ser representadas por
meio de gráficos vetoriais.
Esses conhecimentos são importantes para que você compreenda o fun-
cionamento de circuitos eletroeletrônicos.
Potência elétrica em ca

14

Além da tensão e da corrente, a potência é também um parâmetro muito importante para


o dimensionamento de diversos equipamentos elétricos. O principal motivo disso é o fato de
a potência elétrica estar relacionada à capacidade que cada componente do circuito tem de
produzir trabalho.
Em tempos em que é grande a preocupação com os danos ao ambiente e com os impac-
tos do efeito estufa causados pela geração de energia elétrica, a eficácia dos equipamentos
elétricos é uma grande arma para diminuir esses problemas. Afinal, quanto menos energia se
gastar para realizar a maior quantidade possível de trabalho, menor será a necessidade de seu
consumo.
Neste capítulo, portanto, você vai ver como calcular a eficácia dos circuitos quando eles
estão gerando trabalho.
Ao finalizar os estudos deste capítulo, você terá subsídios para:
a) aplicar o conceito de potência e seu comportamento em circuitos de corrente alternada;
b) determinar os valores de potência aparente, potência ativa e potência reativa em um
circuito de CA;
c) calcular o fator de potência; e
d) fazer a correção do fator de potência.
Bom estudo!
Eletricidade
350

14.1 Energia e potência em CA

Embora a energia seja uma só, ela pode ser obtida de formas diferentes. Por
exemplo, se uma resistência for ligada a uma rede elétrica com tensão, a corrente
elétrica resultante irá aquecer a resistência. Isso significa que esta absorve energia
e a transforma em calor, que também é uma forma de energia. E a intensidade
desta é a potência elétrica de que necessitamos.
Como você já estudou no capítulo 8, a capacidade de um consumidor de pro-
duzir trabalho em um determinado tempo a partir da energia elétrica é chamada
de potência elétrica.
Você aprendeu, também, que a potência elétrica em circuitos de corrente
contínua pode ser obtida por meio da relação entre a tensão (V), a corrente (I) e a
resistência (R) presentes no circuito, de modo que chegamos à formula .
Observe o circuito de corrente contínua a seguir:

+ R
100 V G 10 Ω
-

Figura 256 -  Circuito de corrente contínua


Fonte: SENAI-SP (2012)

Esse circuito tem dois valores fixos: tensão (100 V) e resistência (10 Ω). Para
calcular a sua potência, precisamos primeiro calcular o valor da corrente (I). Assim,
temos:

Para encontrar a potência, usamos a fórmula: Desse modo, temos:

Esse cálculo é valido não só para a CC, mas também para a CA em que os cir-
cuitos são puramente resistivos, ou seja, quando só há resistores, como ocorre
nos chuveiros elétricos.
14 Potência elétrica em CA
351

Todavia, quando se trata de circuitos de CA com cargas indutivas e/ou capa-


citivas, ocorre uma defasagem entre a tensão e a corrente. Os gráficos a seguir
ajudam a entender como ela ocorre. Observe!

U, I, P φ=0

cos φ = 1
P
I U
-

a) Carga ativa (resistência ôhmica)


Figura 257 -  Defasagem em circuito CA com cargas resistivas
Fonte: SENAI-SP (2012)

Em cargas puramente resistivas, como no circuito do gráfico 257, podemos


notar que as formas de onda da tensão e da corrente têm o mesmo ciclo, mas a
amplitude muda.

U, I, P φ = 90o

+ I
P=0
cos φ = 0

-
U

b) Carga aparente indutiva (bobina


sem resistência)
Figura 258 -  Com cargas indutivas, a corrente se atrasa 90° em relação à tensão
Fonte: SENAI-SP (2012)

Em cargas puramente indutivas (como os motores), representadas no gráfico


258, as formas de onda não coincidem. A corrente começa a se deslocar positi-
vamente por 90° depois de a tensão ter se deslocado positivamente Neste caso,
dizemos que a corrente está atrasada 90° em relação à tensão.
Eletricidade
352

1 cos φ U, I, P
U
cos φ (lê-se “cosseno fi”) é I
+

P=0
o ângulo φ, que determina

cos φ = 0
a defasagem entre a
tensão e a corrente. É
importante lembrar-se de
que, em circuitos resistivos, -
a corrente está em fase
φ = 90o
com a tensão; em circuitos
indutivos, a corrente está
atrasada em relação à
tensão; e em circuitos c) Carga aparente capacitiva (capacitor sem
capacitivos, a corrente está resistência)
adiantada em relação à
tensão. Figura 259 -  Com cargas capacitivas, a corrente se adianta 90° em relação à tensão
Fonte: SENAI-SP (2012)

Em cargas puramente capacitivas, como as representadas no gráfico 259, as


formas de onda também não coincidem. A corrente já está deslocada positiva-
mente em 90° quando a tensão começa a se deslocar positivamente. Neste caso,
dizemos que a corrente está adiantada 90° em relação à tensão.
Como consequência dessa defasagem, é necessário considerar três tipos de
potência:
a) potência aparente (S);
b) potência ativa (P); e
c) potência reativa (Q).

Potência aparente (S)

Se, em um circuito de corrente contínua, a tensão for de 100 V e ao medirmos


a corrente tivermos 10 A, o seu produto será de 1000 W. Todavia, para este mesmo
valor de potência dissipada, agora com tensão alternada, o produto da tensão e
corrente será mais elevado que o medido anteriormente.
Portanto, ao contrário do cálculo em CC, o produto V x I em CA, baseado nos
valores de corrente e de tensão medidos, não é o real valor da potência ativa no
consumidor. Por isso, o valor V x I em CA é chamado de potência aparente (S) e
sua unidade é o volt-ampère (VA), e não o watt.
A fórmula da potência aparente será, portanto, S = V x I, e a sua unidade
será VA.
14 Potência elétrica em CA
353

Potência ativa (P)

A potência ativa, também chamada de potência real e representada pela no-


tação P, é a potência verdadeira do circuito, ou seja, é a que realmente produz
trabalho.
Ela é convertida em calor por Efeito Joule e pode ser medida diretamente por
um wattímetro. A sua fórmula é P = V x I x cosφ1 e a sua unidade de medida,
o watt (W).

Potência reativa (Q)

A potência reativa é a porção da potência aparente que é fornecida ao circuito.


Sua função é constituir um circuito magnético nas bobinas e um campo elétrico
nos capacitores.
Como os campos aumentam e diminuem, acompanhando a frequência da CA,
a potência reativa varia duas vezes por período entre a fonte de corrente e o
consumidor.
Essa potência aumenta a carga dos geradores, dos condutores e dos trans-
formadores, originando perdas de potência nesses elementos do circuito. A sua
unidade de medida é o volt-ampère reativo (VAr), representado pela letra Q, e a
sua fórmula é Q = V x I x senφ.
Agora, observe que temos V x I em comum nas três fórmulas apresentadas:
• Potência aparente (S) = V x I;
• Potência ativa (P) = V x I x cosφ; e
• Potência reativa (Q) = V x I x senφ.
Isso significa que podemos, então, substituir V x I por S e alterar as fórmulas de
P e Q para:
• P = S x cosφ; e
• Q = S x senφ.
Portanto, a potência ativa e a potência reativa são uma parcela da potência
total, que é a potência aparente.
Acompanhe um exemplo de cálculo!
No circuito a seguir, determine a potência aparente, ativa e reativa
sabendo que:
• a tensão da rede é V = 100 V;
• a tensão no indutor é VL = 100 V (a mesma da rede);
Eletricidade
354

• a corrente do circuito é I = 5 A; e
• a defasagem entre a corrente e tensão é φ = 60°.

A
5A

100 Vca V L
100 V

Figura 260 -  Circuito indutivo para cálculo de potência


Fonte: SENAI-SP (2012)

a) Cálculo da potência aparente:


S=VxI
S = 100 x 5
S = 500 VA
A fonte está fornecendo 500 VA de potência aparente total ao circuito.

b) Cálculo da potência reativa:


Q = S x senφ
Q = 500 x sen60°
(sendo que o valor de sen60° é o valor de tabela)
Q = 500 x 0,87
Q = 433 VAr
O circuito consome 433 VAr de potência reativa para manter a indutância do
indutor.

c) Cálculo da potência ativa:


P = S x cosφ
P = 500 x cos60° (valor de tabela)
P = 500 x 0,5
P = 250 W
O circuito fornece 250 W de potência ativa, ou seja, esse é o valor da potência
que realmente está sendo utilizada para fazer o trabalho.
14 Potência elétrica em CA
355

Quando falamos em seno e cosseno, estamos falando


em trigonometria, que vem do grego trigōnon (“triân-
VOCÊ gulo”) e metron (“medida”). Essa parte da matemática
estuda as relações entre os comprimentos de dois lados
SABIA? de um triângulo retângulo. Para facilitar os cálculos, uti-
lize o anexo, que está no final do livro, em que há uma
tabela de seno e cosseno.

CASOS E RELATOS

Miguel tinha acabado de se divorciar e montou um típico apartamento


de solteiro, com mobília, fogão, geladeira e micro-ondas doados por
parentes ou comprados de segunda mão. A ex-esposa exigira pensão, o
que o deixava em má situação com seu orçamento.
Mas de uma coisa Miguel não abria mão: uma faxineira para pôr ordem
na bagunça ao menos uma vez por semana. E, por incrível que pareça,
essa foi a salvação de Miguel!
Em um dia normal de faxina, a prestativa auxiliar puxou o refrigerador
para fazer uma limpeza caprichada e esqueceu-se de recolocar o plugue
na tomada.
Como a lâmpada interna do refrigerador estava queimada, Miguel só
percebeu o esquecimento cerca de dois ou três dias depois, quando foi
colocar a cerveja no freezer e percebeu que tudo estava descongelado!
Além de perder a linguiça e a picanha que levaria para o churrasco do fim
de semana na casa de Pedro, seu melhor amigo, foi obrigado a ouvir as
brincadeiras dos colegas de trabalho!
Com dó de seu amigo, Pedro lhe deu um ótimo conselho, pois sugeriu
que Miguel aproveitasse a oportunidade e trocasse aquela “lata-velha”
por um refrigerador novo. Afinal, vergonha maior que não perceber o
desligamento da geladeira era ser eletricista e insistir em usar um eletro-
doméstico tão “gastão”!
A verdade é que o motor velho daquela geladeira velha tinha muita
potência reativa que era usada apenas para fazer o motor girar, e não para
realizar o trabalho de produzir frio! Por isso, o sacrifício de comprar um
refrigerador novo em dez prestações foi compensado no mês seguinte,
quando a conta de luz chegou e Pedro viu que o consumo de energia
tinha diminuído trinta por cento.
Eletricidade
356

14.2 Triângulo das potências

O triângulo das potências é a representação geométrica da relação entre as


potências aparente, ativa e reativa.
A figura a seguir mostra os vetores de potência organizados geometricamente
em um triângulo retângulo. Esse é o triângulo das potências.

potência reativa
S
Q

φ
P
potência ativa
Figura 261 -  Triângulo das potências
Fonte: SENAI-SP (2012)

Observe que o triângulo das potências é um triângulo retângulo, que, como já


estudamos, permite a utilização do Teorema de Pitágoras para encontrar os valo-
res desconhecidos de qualquer um de seus lados.
Assim, se duas das três potências são conhecidas, a terceira pode ser determi-
nada por meio do Teorema de Pitágoras, seja por cálculo ou graficamente.
Portanto, temos o seguinte teorema para descobrirmos o valor faltante:
hipotenusa2 = (cateto adjacente)2 + (cateto oposto)2
Isso corresponde a S2 = P2 + Q2, que nada mais é do que a fórmula para cálculo
da potência aparente.
O triângulo retângulo também permite uma relação trigonométrica na qual:
a) o seno de um ângulo é a relação entre o cateto oposto e a hipotenusa:

b) o cosseno de um ângulo é a relação entre o cateto adjacente e a hipotenusa:


14 Potência elétrica em CA
357

O cosφ, também conhecido como fator de potência (FP), é a relação entre a


potência ativa e a potência aparente e aponta o quanto estamos usando de rea-
tivo. Quanto maior é essa relação, maior é o aproveitamento da energia elétrica.

A concessionária de energia elétrica especifica o valor


mínimo do fator de potência, que é medido pelo medidor
VOCÊ de energia, em 0,92. Ele deve ser o mais alto possível, ou
SABIA? seja, próximo da unidade cos φ = 1. Assim, com a mesma
corrente e tensão, consegue-se maior potência ativa, que
é aquela capaz de produzir trabalho no circuito.

Reutilizar motores antigos afeta o meio ambiente, pois


FIQUE seu o consumo de energia elétrica é maior que o dos
motores novos. Por terem baixo fator de potência, os
ALERTA motores antigos podem consumir cerca de 40% a mais
de energia elétrica!

Acompanhe um exemplo!
Determine as potências aparente, ativa e reativa de um motor monofásico ali-
mentado por uma tensão de 220 V, com uma corrente circulante de 3,41 A e um
fator de potência de 0,8.
Potência aparente (S):

Potência ativa (P):

Potência reativa (Q):

Logo:
Eletricidade
358

14.3 Fator de potência (FP)

A relação entre a potência ativa (ou potência real) e a potência aparente (S) é
denominada fator de potência (FP) e sua expressão é:

P
FP =
S
ou

A maioria das instalações industriais e das residenciais possuem circuitos indu-


tivos por causa do uso de equipamentos indutivos, tais como motores e reatores
de lâmpadas.
O fator de potência – também comumente chamado de cosseno fi, porque
FP = cos φ – indica o quanto o circuito está mais indutivo ou menos indutivo.
Em circuitos formados por resistores e ou indutores, três situações são possíveis:
a) FP = 1: se a carga é puramente resistiva, não há potência reativa,
portanto, S = P. Neste caso, a carga aproveita toda a energia fornecida pelo
gerador (efeito joule).
b) FP = 0: se a carga é puramente indutiva (ou reativa), não há potência ativa,
portanto, S = Q. Neste caso, a carga não aproveita qualquer energia forne-
cida pelo gerador, ou seja, não dissipa potência, apenas troca energia com
o gerador.
c) 0 < FP < 1: se a carga é indutiva (impedância reativa indutiva) e resistiva, há
potência ativa e reativa, portanto, S2 = P2 + Q2. Neste caso, a carga aproveita
somente uma parte da energia fornecida pelo gerador, ou seja, somente a
parte resistiva da carga dissipa potência por efeito joule.
Acompanhe um exemplo!

Q = VL • I
I
V•
S=
φ
P = VR • I

Fonte: SENAI-SP (2012)

Uma rede de 220 Vca alimenta um motor, que consome 2000 W, teve sua cor-
rente medida e o instrumento marcou 10 A. Qual é a potência reativa e o fator de
potência desse motor?
14 Potência elétrica em CA
359

Para calcular a potência aparente, temos:

S= V × I
=
S 220 × 10
S = 2200 VA

Para calcular o FP, temos:

P
FP= = cos ϕ
S
2000
FP =
2200
FP = 0, 91
= cos=
FP ϕ 0, 91

Na tabela anexa a este livro, na coluna de cosseno, encontramos o ângulo de


25°, cujo valor é aproximadamente 0,91.
Assim, para calcular a potência reativa, temos:

PR =×V I × senϕ =S × senϕ


PR =2200 × sen 25°
=
PR 2200 × 0, 4
PR = 880 VAR

14.4 Correção do fator de potência

Como você viu, o FP é a relação entre a potência ativa e potência reativa que se

dá por meio da fórmula:

Conforme legislação vigente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)


determina que o valor do FP deverá ser de, no mínimo, 0,92. Essa determinação
faz sentido porque a diminuição do fator de potência faz diminuir a potência
ativa (real), aumentando a potência reativa, o que implica em um aumento de
corrente, portanto, em aumento das perdas.
Na maioria dos casos, a instalação elétrica é formada por cargas indutivas,
como motores elétricos e lâmpadas fluorescentes, e o comportamento delas exi-
ge que analisemos o fator de potência e que, para aumentá-lo e assim diminuir as
perdas, sejam instalados capacitores no circuito.
Quando o circuito é indutivo, a corrente está defasada em relação à tensão.
Logo, a tensão está adiantada, fazendo com que o triângulo das potências apre-
sente a configuração apresentada à direita na figura a seguir.
Eletricidade
360

potência reativa
S
V L Q

φ
P
potência ativa

a) Circuito indutivo b) Triângulo das potências para circuito indutivo

Figura 262 -  Potência em circuito indutivo


Fonte: SENAI-SP (2012)

Em um circuito capacitivo, a corrente está adiantada e a tensão, atrasada. O


triângulo das potências correspondente a esse circuito está representado a seguir
na figura 263b.

potência ativa
P
φ
potência reativa

V C
Q
S

a) Circuito capacitivo b) Triângulo das potências para circuito capacitivo

Figura 263 -  Potência em circuito capacitivo


Fonte: SENAI-SP (2012)

Se unirmos os dois circuitos, faremos com que ocorra a diminuição da defasa-


gem, pois a potência aparente fica mais próxima da potência ativa, diminuindo a
potência reativa, como mostra a figura 264b.
14 Potência elétrica em CA
361

potência reativa
V L C

φ
P
potência ativa

b) Triângulo das potências para circuito in-


a) Circuito indutivo-capacitivo
dutivo-capacitivo
Figura 264 -  Potência em circuito indutivo-capacitivo.
Fonte: SENAI-SP (2012)

A presença do capacitor no circuito corrige o fator de potência e faz com que


ocorra a diminuição da potência reativa. Assim, o valor da potência fica mais pró-
ximo do valor da potência ativa, havendo menor consumo de energia para que a
mesma quantidade de trabalho seja realizada.

A correção do FP é obrigatória em indústrias, já nas residên-


SAIBA cias isso não é obrigatório, embora haja no mercado equi-
pamentos de correção de fator de potência residencial. Faça
MAIS uma pesquisa e veja o motivo! E lembre-se de que temos
motores e lâmpadas com reatores em nossas casas.

14.5 Medidor de potência

O wattímetro é o instrumento usado para medir a potência. Ele pode ser uti-
lizado tanto em circuitos de CC como nos de CA, sendo que nestes o wattímetro
mede a potência ativa P dissipada por um dispositivo ou circuito.
A leitura é feita por meio do deslocamento da bobina móvel, que é ligada ao
ponteiro, e é proporcional ao produto da tensão pela corrente em fase com ela, ou
seja, é proporcional à potência ativa P.
Internamente, o wattímetro é composto por:
a) duas bobinas fixas (bobinas de corrente) cujos terminais externos devem
ser ligados em série com o dispositivo; e
b) uma bobina móvel (bobina de tensão) cujos terminais externos devem ser
ligados em paralelo com o dispositivo.
Eletricidade
362

Wattímetro
i(t)
i
Li1 Li2

+
v(t) LV
-

Figura 265 -  Circuito interno do wattímetro


Fonte: SENAI-SP (2012)

14.6 Medidor de fator de potência (cossifímetro)

O cossifímetro é um instrumento que tem como finalidade medir o fator de


potência dos circuitos elétricos.
Como o FP é uma função direta da defasagem entre a tensão e a corrente, o
cossifímetro deve possuir pelo menos uma bobina de corrente e uma bobina de
tensão, de modo que o torque sobre as bobinas seja diretamente proporcional à
intensidade de campo nas bobinas e à defasagem entre as duas grandezas.
Esse instrumento possui, junto com a bobina de tensão, um circuito defasado
composto por um resistor e um indutor, conforme o esquema mostrado na figura
a seguir.

,8 0, 9 1 0,9 0 8
p. 0 ind
ka .
cos φ

A
Indutância

C
Figura 266 -  Diagrama do interior do cossifímetro
Fonte: SENAI-SP (2012)
14 Potência elétrica em CA
363

A corrente que circula pelas bobinas de tensão é previamente definida por um


projeto, e a corrente de carga pode ser variável desde que não seja inferior a 30%
da corrente do instrumento. As oscilações que podem ocorrer no ponteiro são
amortecidas por correntes parasitas.

Por volta de 1855, o cientista francês Jean Bernard Leon


Foucault observou que para fazer girar um disco de co-
bre colocado entre os polos de um ímã era necessário
haver mais força que quando não havia o ímã. Isso acon-
tecia porque surgia uma corrente parasita no cobre que
VOCÊ era produzida pela variação do fluxo do ímã no interior
do metal. Essa variação de fluxo magnético induz uma
SABIA? fem no disco, que, por sua vez, determina o aparecimen-
to de uma corrente elétrica em sua massa. Essa corrente
induzida, chamada de Corrente de Foucault (ou corren-
te parasita), gera um novo campo magnético, que se
opõe ao campo magnético do indutor, como nos ensina
a Lei de Lentz.
Eletricidade
364

Recapitulando

Neste capítulo, você aprendeu que:


a) a potência reativa, cuja unidade de medida é o volt-ampère reativo
(var), não realiza trabalho, mas é necessária para o funcionamento dos
motores, dos reatores e dos transformadores;
b) a potência ativa, cuja unidade de medida é o watt (W), é aquela que
realiza de modo efetivo os trabalhos requeridos, como o esforço de
torção na ponta do eixo de um motor;
c) a potência aparente, cuja unidade de medida é o volt-ampère (VA), é a
soma vetorial das potências reativa e ativa;
d) em um circuito capacitivo, a tensão do capacitor está atrasada 90° em
relação à corrente;
e) em um circuito indutivo, a tensão do indutor está adiantada 90° em
relação à corrente;
f ) o fator de potência mede o ângulo entre a potência ativa e a potência
aparente, determinando o quão reativo é o circuito.
g) a fórmula do fator de potência, determinada pelo ângulo φ, é:

h) de acordo com a legislação em vigor (Resolução ANEEL n° 456/2000),


o fator de potência padrão foi estabelecido em 0,92;
i) o watímetro é o instrumento de medição de potência ativa, cuja uni-
dade de medida é W; e
j) o cossifímetro mede o fator de potência do circuito, que é represen-
tado pelo ângulo entre a potência ativa e potência aparente.
Estes conhecimentos são muito importantes para interpretar o funciona-
mento de circuitos eletroeletrônicos.
14 Potência elétrica em CA
365

Anotações:
medidas elétricas

15

Este é o último capítulo da unidade curricular Eletricidade, do Módulo Básico. Estudando os


capítulos anteriores deste material você adquiriu competências essenciais para continuar seus
estudos. Esperamos ter dado o suporte necessário para você desenvolver o seu conhecimento
em tudo o que é necessário saber para, por exemplo: interpretar corretamente as principais
unidades de medidas elétricas, utilizar instrumentos de medição e executar corretamente as
medições necessárias para avaliar o funcionamento de circuitos eletroeletrônicos.
Neste capítulo, você vai completar seus estudos aprendendo sobre os princípios de funcio-
namento de instrumentos de medição. Esses conteúdos complementam as informações ne-
cessárias para que você possa continuar seus estudos após finalizar o módulo básico.
Depois de estudar este capítulo, você terá subsídios para:
a) compreender a diferença entre os princípios de funcionamento dos instrumentos de
medição eletromecânicos (analógicos) e eletrônicos (digitais);
b) utilizar corretamente os instrumentos de medição; e
c) identificar as categorias de proteção dos multímetros.
Bom estudo!
Eletricidade
368

15.1 Instrumentos de medição

Você já estudou os conceitos de tensão, corrente, resistência, potência, capaci-


tância, indutância, entre outros. Aprendeu que os componentes têm seu funcio-
namento determinado pela maneira como estão dispostos dentro do circuito: se
em série, em paralelo ou misto.
Para saber o circuito está funcionando corretamente, é necessário executar
medições, que indicam se todos os componentes estão recebendo a quantidade
certa de energia. Isso é indicado pelas grandezas elétricas.
O voltímetro, o amperímetro, o ohmímetro são exemplos de instrumentos
de medição de grandezas elétricas. Eles são utilizados para realizar, respectiva-
mente, medições de tensão, de corrente e de resistência. Eles avaliam a grandeza
elétrica de duas maneiras:
a) Baseando a avaliação em efeitos físicos causados pela grandeza. São
exemplos de efeitos físicos as forças eletromagnéticas dos campos elétri-
cos; as forças eletrodinâmicas geradas pela variação das cargas elétricas; e
as forças dinâmicas geradas pelo movimento de um corpo. Os instrumentos
que funcionam a partir desses efeitos, como o wattímetro, são chamados
de analógicos.
b) Convertendo a tensão elétrica em sinais digitais por meio de um circuito
denominado conversor analógico-digital. Os instrumentos que funcionam
segundo esse princípio, como o multímetro, são chamados de digitais.

15.1.1 Instrumentos analógicos: princípio de funcionamento

Para indicar o valor medido, os instrumentos analógicos partem dos efeitos


físicos causados pela grandeza a ser medida. Assim, quanto ao princípio de fun-
cionamento, esses instrumentos podem ser:
a) eletromagnéticos, como o ferro móvel;
b) eletrodinâmicos, como a bobina móvel; e
c) dinâmicos, como o instrumento ressonante.
Veja a seguir o funcionamento e a utilização de instrumentos analógicos.
Acompanhe!
15 Medidas Elétricas
369

a) Ferro móvel

escala 5 6 7 8 9 10
4
01 2 3

mola e eixo
ponteiro

corrente
palhetas de ferro doce
palheta móvel se repelem mutuamente
e ponteiro fixado

Figura 267 -  Ferro móvel


Fonte: SENAI-SP (2012)

Funcionamento: Duas barras de ferro doce, chamadas de palhetas, são


montadas lado a lado e envolvidas por uma bobina. Uma das palhetas é
fixa e a outra é móvel, mas presa a um eixo que contém um ponteiro, o
qual gira livremente. Quando uma corrente passa pela bobina, isso cria um
campo magnético que induz um outro de mesma polaridade nas palhetas,
ocorrendo a repulsão entre elas. Com isso, o ponteiro se movimenta por
uma distância proporcional à corrente que está passando pela bobina.
Aplicação: Como a repulsão das palhetas sempre ocorrerá com a corrente
em qualquer sentido, este instrumento pode ser utilizado em medições de
corrente contínua ou alternada.

b) Bobina móvel

4 5 6 7
3 8
2 9
1 10
0

N
S

Figura 268 -  Bobina móvel


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
370

Funcionamento: Uma bobina com um ponteiro preso a um eixo, que está


inserido entre os polos de um ímã e movimenta-se quando existir um cam-
po magnético gerado pela corrente que está passando pelo seu interior. A
polaridade da bobina, repelida pelo campo do ímã faz a bobina girar com
um deslocamento proporcional ao valor da corrente.
Invertendo-se o sentido da corrente, o ponteiro se movimentará no sentido
contrário.
Aplicação: Este instrumento é utilizado para medição em corrente contí-
nua, tensão contínua e resistência.

c) Instrumento eletrodinâmico

bobina
móvel

espiral

bobina
fixa

Figura 269 -  Instrumento eletrodinâmico


Fonte: SENAI-SP (2012)

Funcionamento: Este instrumento tem duas bobinas, sendo que uma de-
las é móvel (aquela que contém um ponteiro) e a outra, fixa. Quando ocorre
a passagem de corrente pelas bobinas, estas apresentam a mesma polari-
dade e movimentam o ponteiro por meio do efeito da repulsão. Invertendo
o sentido da corrente, teremos a inversão nas duas bobinas, mantendo o
sentido de deflexão do ponteiro.
Aplicação: Este instrumento pode ser utilizado em corrente alternada ou
corrente contínua. Como são duas bobinas, a fixa é dimensionada para cor-
rente e a móvel, para tensão. Este princípio é utilizado no wattímetro.
15 Medidas Elétricas
371

d) Instrumento ressonante

lâminas vibratórias

bobina

Figura 270 -  Instrumento ressonante


Fonte: SENAI-SP (2012)

Funcionamento: É constituído por um conjunto de lâminas dispostas lado


a lado. Nele, cada lâmina vibra com maior amplitude para uma determina-
da frequência. Essas lâminas ficam livres em uma das extremidades e na
outra são fixadas a uma bobina. Ligando o instrumento à rede, surge uma
corrente na bobina que produz um campo eletromagnético alternado, que
faz vibrar o núcleo da bobina e este, as lâminas.
Aplicação: O instrumento ressonante é utilizado para medir a frequência.
Nele, a lâmina de maior amplitude de vibração é aquela que está em resso-
nância com a rede.

Características básicas dos instrumentos analógicos de medição

Normalmente, as medições realizadas com instrumentos estão sujeitas a erros,


que afetam o resultado da medição. Eles estão geralmente relacionados à utiliza-
ção do instrumento e dependem do conhecimento de determinadas caracterís-
ticas tanto deste como da medição que podem afetar a leitura. Vamos conhecer
algumas dessas características a seguir.

Escala e precisão

Cada tipo de instrumento apresenta uma série de marcações impressas em


uma superfície plana, sobre a qual o ponteiro se move. Essas marcações são a
escala do instrumento.
A escala e o princípio de funcionamento dos instrumentos que determinam
a precisão da leitura, que é definida pelo limite de erro existente em relação ao
fundo de escala do instrumento.
Eletricidade
372

As escalas podem ser de dois tipos:


a) homogênea: quando suas divisões são uniformes, mantendo a graduação
(distância entre divisão) uniforme do início ao fim. O medidor de bobina
móvel é um exemplo de utilização da escala homogênea.

2 3
1 4

5
A
Figura 271 -  Escala medidora homogênea para bobina móvel
Fonte: SENAI-SP (2012)

Na escala homogênea de bobina móvel, o deslocamento do ponteiro é line-


armente proporcional ao aumento da corrente, por isso ele é bastante sensí-
vel às variações de corrente. Assim, qualquer alteração no valor da corrente será
prontamente registrada pelo ponteiro. Esse instrumento é usado na medição de
grandezas elétricas que requerem precisão.
b) heterogênea: quando suas divisões são mais concentradas no início e mais
afastadas no centro. O medidor de ferro móvel e o eletrodinâmico têm es-
calas heterogêneas.

2 3
4
1 5
0
A
Figura 272 -  Escala medidora heterogênea para ferro móvel
Fonte: SENAI-SP (2012)

A leitura da escala do sistema ferro móvel é influenciada pela característica do


ferro doce, com o qual as palhetas do instrumento são fabricadas. Esse material se
magnetiza em presença de um campo magnético, porém, na ausência do campo,
a desmagnetização não é instantânea. Esse fenômeno característico de substân-
cias ferromagnéticas é chamado de histerese.
Por causa da histerese, a variação do campo magnético no ferro móvel será
menor no início da medição e vai aumentando conforme o aumento da corrente.
Por isso, a leitura deverá ser feita no centro da escala.
15 Medidas Elétricas
373

Histerese é uma palavra de origem grega e quer dizer


VOCÊ atraso. Ela é produzida quando, na mudança de um
campo magnético, há um gasto de energia do material
SABIA? para que ocorra a inversão dos seus dipolos. O ferro
doce é um exemplo desse tipo de material.

Por causa dessa característica, esse instrumento é utilizado apenas para medi-
ções de grandezas elétricas que não requerem grande precisão e cujos valores
se situem em pontos intermediários da escala graduada. 80
70
60

90

100
50

0
40

11
30

0
12
20

0
10 0 13 0
14

Figura 273 -  Escala heterogênea para instrumento eletrodinâmico


Fonte: SENAI-SP (2012)

Nos instrumentos do tipo eletrodinâmico, a heterogeneidade ocorre devido


à interação das duas bobinas – uma fixa e outra móvel. A repulsão, no início da
passagem da corrente, é mais fraca, e aumenta de intensidade até que a bobina
móvel atinja o centro, que é quando acontece o maior fluxo magnético da bobina
fixa. A partir desse ponto, a repulsão volta a enfraquecer.
Esse tipo de instrumento apresenta precisão aceitável nas medições de valo-
res situados nos pontos intermediários de sua escala graduada.

Sensibilidade

A sensibilidade dos instrumentos de medição de grandezas elétricas é deter-


minada pela sua capacidade de medi-las obtendo respostas próximas ao valor
verdadeiro do que está sendo medido.
O instrumento é considerado de boa sensibilidade quando, ao ser inserido
no circuito, não altera significativamente as características deste.
Eletricidade
374

A sensibilidade é caracterizada pelo inverso da corrente, ou seja:

Mas, como a sensibilidade é igual a

É comum expressar a sensibilidade como: (ohms/volts).

Em um voltímetro, a sensibilidade deverá ter uma resistência interna alta,


pois, quando o instrumento for ligado em paralelo, esse tipo de ligação não de-
verá interferir no resultado final. Já no amperímetro, a resistência interna deverá
ser baixa, pois ao ser ligado em série, esse tipo de ligação não poderá interferir no
circuito. Acompanhe um exemplo!
Se no voltímetro de ferro móvel há uma corrente de fim de escala de 1 μA e se
no voltímetro de bobina móvel a corrente de fim de escala for de 0,05 μA, qual dos
dois instrumentos tem menor influência no circuito?
Ferro móvel:

Bobina móvel:

Nesse exemplo, o medidor de bobina móvel acrescenta menor carga ao cir-


cuito, isto é, exerce menor carga para funcionar. Portanto, o voltímetro de bobina
móvel é o de maior sensibilidade.

Posição

Os instrumentos analógicos de medições elétricas são construídos para fun-


cionar em três posições: vertical, horizontal e inclinada. As medições definem
a posição em que o instrumento deverá ser montado no painel da máquina cujo
funcionamento e desempenho os instrumentos monitorarão.
Isso é necessário porque as peças do instrumento são montadas e funcionam
acompanhando a gravidade. Se a posição de montagem não for respeitada, ha-
verá erro na leitura.
15 Medidas Elétricas
375

As posições de funcionamento são indicadas por meio de símbolos no mostra-


dor do instrumento. Veja-as no quadro a seguir.

Quadro 17 – Posições de funcionamento dos instrumentos de medição


Posição Símbolo Visor

50 75 100 12
25 51
Vertical 0 50

indica ângulo de
V
montagem = 90º

50 75 100 12
25 5
15
Horizontal 0 0
Indica ângulo de
montagem = 0º
V

400
200
60
0 0
W
indica ângulo de
montagem < 90º
Inclinada

200 400
60 o
0
60
0

indica ângulo de
W
60o
montagem = 60º

Fonte: SENAI-SP (2012)

Note que na posição inclinada o símbolo assinala também os graus da in-


clinação. Há também instrumentos que não trazem o símbolo característico
da posição de funcionamento. Isso significa que eles podem funcionar em
qualquer posição.
Eletricidade
376

Tensão de isolação

Tensão de isolação é o valor máximo de tensão dentro do qual um instrumen-


to pode operar sem pôr em risco o próprio instrumento.
Esse valor é simbolicamente representado nos instrumentos pelos números 1,
2 ou 3, que estão no interior de uma estrela, como mostra a figura a seguir.

600 800 1
0 400 000 500 V 1 1 KV
20 12
0 00
W
2 2 KV 3 3 KV
1

Figura 274 -  Indicação de tensão de isolação do instrumento


Fonte: SENAI-SP (2012)

Erro por efeito paralaxe

O erro por paralaxe ocorre quando qualquer instrumento de medida analógi-


co é lido de ângulo desfavorável, isto é, quando o olho humano não está direta-
mente sobre o ponteiro do instrumento, mas com uma visão oblíqua.
Para diminuir o erro, a maioria dos instrumentos analógicos possui um espe-
lho no mostrador. Ao observar o ponteiro, devemos posicionar o olho de modo a
fazer com que o ponteiro e seu reflexo no espelho coincidam.

100 150 200 25 100 150 200 25


50 0
30 50 0
30
0 0 0 0
V V

Leitura com erro de paralaxe Leitura sem erro

Figura 275 -  Exemplos de leituras


Fonte: SENAI-SP (2012)
15 Medidas Elétricas
377

15.1.2 Instrumento digital: princípio de funcionamento

O instrumento digital funciona convertendo a tensão elétrica em sinais digitais


por meio de circuitos denominados de conversores analógico-digitais. Esse circui-
to transforma um nível analógico de tensão em um código digital que, depois de
tratado, envia o resultado a um display em forma de números. Várias escalas de
tipos de medição, como a tensão, a corrente e a resistência, podem ser medidas
com um instrumento digital.
A figura a seguir ilustra um esquema do circuito de um instrumento digital de
medição.

entrada
para medida
chave seletora
de medidas

R Amplificador Conversor Display de


de Entrada e Analógico Cristal
Conversor Digital Líquido
R AC-DC (ADC) (LCD)

Figura 276 -  Diagrama interno de um instrumento digital


Fonte: SENAI-SP (2012)

O instrumento digital tem um sistema de chave mecânica ou eletrônica que


divide o sinal de entrada de maneira a adequar a escala e o tipo de medição. Ele
tem também um bloco amplificador, que ajusta o nível de tensão a ser medido,
além de transformar a medição alternada em contínua.
Esse instrumento tem como padrão a medição de tensão (voltímetro), de cor-
rente (amperímetro) e de resistência (ohmímetro) e como opcionais, algumas ou-
tras medições, como de capacitância (capacímetro), de frequência (frequencíme-
tro), de temperatura (termômetro), entre outros.
Eletricidade
378

Os instrumentos digitais têm ampla utilização entre os


VOCÊ técnicos em eletroeletrônica, pois são os mais usados na
SABIA? pesquisa de defeitos. Isso se deve à sua simplicidade de
uso e à sua portabilidade.

15.2 Multímetro

O multímetro é um instrumento capaz de medir diferentes grandezas elétricas,


tais como a corrente, a tensão e a resistência.
Por causa dessa característica, precisamos ter cuidados especiais quanto ao
seu uso. Para isso devemos:
a) realizar a mudança de escala com o instrumento ou com o circuito desli-
gado;
b) verificar se a posição da conexão dos cabos, a grandeza e a escala escolhi-
das são adequadas à medição que será executada;
c) selecionar a escala mais alta para iniciar a medição se a grandeza for de
valor desconhecido, porém, estimável;
d) afastar o instrumento de campos magnéticos fortes; e
e) executar as medições de resistência somente em pontos ou componentes
não energizados de alta tensão com extremo cuidado e com pontas de pro-
va especiais.
O multímetro pode ser analógico ou digital. Veja a seguir o quadro de diferen-
ças entre esses tipos do instrumento.
15 Medidas Elétricas
379

Quadro 18 – Diferenças entre o multímetro analógico e o digital


Multímetro analógico

O multímetro analógico normalmente é com-


posto pelas escalas graduadas de leitura, pelo
ponteiro, pelo parafuso de ajuste do ponteiro,
pela chave seletora de função, pelos bornes de
conexões, pelas escalas das funções e pelo botão
de ajuste de zero ohm. Trata-se de um conjunto
eletromecânico e necessita de interpretação dos
valores medidos.

Fonte: SENAI-SP (2012)

Multímetro digital

No multímetro digital, os valores medidos


aparecem no visor digital, sem a necessidade de
interpretação de valores, como ocorre com os in-
strumentos analógicos. Antes de efetuar qualquer
medição, deve-se ajustar o seletor de funções na
função correta (na grandeza a ser medida: tensão,
corrente ou resistência) e a escala no valor supe-
rior ao ponto previsto a ser medido.

Fonte: SENAI-SP (2012)

Para os profissionais da área eletroeletrônica, o multímetro analógico era o


principal instrumento de bancada. Mas, por causa do seu preço mais baixo e da
praticidade do uso, os equipamentos digitais vêm ganhando espaço em relação
ao instrumento analógico. Veja no quadro a seguir as vantagens e desvantagens
dos dois tipos de instrumentos.
Eletricidade
380

1 Transiente Quadro 19 – Vantagens e desvantagens do uso de multímetros


analógicos e digitais
Transiente é o pico de
tensão elétrica que ocorre Multímetro analógico Multímetro digital
em um intervalo muito
pequeno de tempo Vantagens Desvantagens Vantagens Desvantagens
e que pode causar a
queima de equipamentos Permite avaliar mais
eletroeletrônicos. Há falta de precisão Devido ao processo de
rapidamente a gran-
na leitura se esta não conversão dos valores
deza a ser medida A leitura mais precisa.
ocorrer no centro do lidos, há atraso na
quando os sinais
instrumento. leitura.
oscilam muito.

Devido às caracterís-
É quase impossível
ticas construtivas do
fazer leituras em cir-
aparelho, este interfere A interferência no
– cuitos com grandezas
no circuito, principal- circuito é quase nula.
que variam continu-
mente se os valores
amente.
forem baixos.

Se a primeira leitura for Para atender às


feita com a escala er- normas vigentes, o
– rada, o ponteiro se en- grau de proteção do –
tortará, prejudicando instrumento digital é
as leituras posteriores. maior.

Para saber mais sobre esse instrumento de medição, entre


SAIBA em um site de busca, escreva a palavra multímetro e veja o
MAIS que aparece. Prefira os sítios dos fabricantes, pois estes ge-
ralmente fornecem catálogos técnicos gratuitamente.

15.2.1 Graus de proteção do multímetro

Os profissionais de manutenção eletroeletrônica estão sujeitos à exposição a


tensões perigosas quando estão analisando circuitos energizados de alta tensão
e alta corrente. Um simples ato de medir uma tensão na tomada poderá pôr em
risco tanto o profissional como o instrumento se este não for adequado. Por esse
motivo, os instrumentos de medição têm um padrão construtivo determinado
pela International Electrotechnical Commission (IEC) cujo nome é IEC 10101.
Vamos entender o perigo:
As linhas de transmissão de energia elétrica estão sujeitas a diversos tipos de
problemas que podem afetar a segurança de quem analisa a tensão da linha com
um multímetro.
15 Medidas Elétricas
381

Transientes1 e altas tensões podem atingir intensidades elevadas, capazes de


provocar arcos nos circuitos dos multímetros. E são os transientes os responsáveis
pela necessidade de adotar medidas especiais na segurança com multímetros.

Se um profissional estiver efetuando uma medição e um


FIQUE raio cair perto da linha de transmissão no mesmo mo-
mento, o transiente poderá provocar uma sobretensão
ALERTA e, consequentemente, um curto-circuito no instrumen-
to, o que pode provocar um grave acidente.

Assim, os equipamentos de teste devem ter recursos de proteção para as pesso-


as que trabalham no ambiente de alta tensão e de alta corrente presentes nos sis-
temas de distribuição de energia ou alimentados diretamente pela rede de energia.
O IEC 10101 especifica categorias de sobretensões baseadas na distância em
que se encontra a fonte de energia, bem como o amortecimento natural da ener-
gia de um transiente que ocorra no sistema. Quanto mais alta for a categoria, mais
perto da fonte de energia ela se encontra e, por isso, maior deverá ser o grau de
proteção do instrumento usado nesse ponto do circuito. Isso pode ser observado
na figura a seguir.

entrada de
serviço
medidor

entrada prédio
de serviço medidor externo

serviço subterrâneo

entrada transformador prédio


de serviço externo
medidor

serviço subterrâneo
Cat I Cat II Cat III Cat IV

Figura 277 -  Categoria de multímetros: níveis de aplicação


Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
382

Veja, a seguir, quais são as categorias de multímetros:


a) Categoria IV
É indicado em instalações primárias de alimentação para trabalhar em:
a) medidores de eletricidade, equipamentos primários de proteção contra
sobrecorrente;
b) exterior e entrada de serviço;
c) ramal de ligação do poste ao prédio;
d) conexão entre o medidor e o painel;
e) linha aérea que vai a um edifício isolado; e
f ) linha subterrânea que vai a uma bomba de poço.

b) Categoria III
Deve ser usado na distribuição de energia para trabalhar com a tensão das to-
madas ou dos circuitos domésticos ou comerciais sujeitos a maiores transientes. É
utilizado em equipamentos que ficam em instalações fixas, tais como:
a) aparelhagem de comutação e motores trifásicos;
b) barramento e alimentador em plantas industriais;
c) alimentadores e circuitos ramificados curtos;
d) dispositivos de painel de distribuição;
e) saídas de aparelhos de grande porte com conexões curtas à entrada de
serviço; e
f ) sistemas grandes de iluminação.

c) Categoria II
São os multímetros indicados para aplicações locais, como:
a) tomadas que alimentam eletrodomésticos;
b) equipamentos eletrônicos de baixo ou médio consumo;
c) análise de circuitos de equipamentos portáteis;
d) saídas e circuitos ramificados longos;
e) saídas a mais de 10 m da fonte de CAT III (nível de distribuição); e
f ) saídas a mais de 20 m da fonte de CAT IV (distribuição).
15 Medidas Elétricas
383

d) Categoria I
São equipamentos de menor grau de proteção indicados para uso em:
a) equipamentos eletrônicos;
b) equipamentos de baixa energia com proteção que limita os efeitos dos
transientes; e
c) qualquer fonte de alta tensão e baixa energia derivada de um transfor-
mador de resistência de alto enrolamento.

CASOS E RELATOS

Uma das principais características da globalização é o intenso comércio


entre todos os países do mundo. Nos portos, a movimentação das cargas
acondicionadas em contêineres é feita com a ajuda de guindastes. Uma
das manobras que essas máquinas fazem é manter a carga suspensa e
parada. Para isso, o guindaste precisa ter um conjunto de freio chamado
de freio eletromagnético.
Certo dia, durante uma emergência em um importante porto brasileiro,
foi necessário verificar porque o freio de um dos guindastes não estava
funcionando. Para realizar o diagnóstico, foi chamado o eletricista de
plantão, que tinha consigo apenas um multímetro comum de categoria II.
Ao iniciar os testes, ele pediu ao operador que acionasse o freio para que a
tensão fosse medida. O visor do instrumento indicou 70 Vcc, valor normal
para aquele tipo de freio. Então, foi pedido ao operador que desligasse o
freio. No mesmo instante, o aparelho que estava sendo usado explodiu
por causa de um transiente e o eletricista, que usava todos os equipa-
mentos de proteção individual (EPIs) necessários, feriu-se levemente.
Ao tentar descobrir a causa, o eletricista percebeu que havia se esquecido
de dois conceitos importantes:
a) quando uma bobina CC é desligada, isso gera o efeito de autoindução,
que aumenta a tensão no desligamento;
b) o instrumento usado (com proteção de categoria II) não era adequado
para a medição de comutação de máquinas. O correto seria usar um
instrumento de categoria III.
Eletricidade
384

Percebendo os erros e usando equipamentos especiais, o eletricista veri-


ficou que a tensão de indução no momento do desligamento da bobina
era de 2500 Vcc. Por isso, o equipamento usado anteriormente explodira.
A propósito, o guindaste não tinha defeito algum, o operador apenas
havia se esquecido de ligar o freio na primeira vez!

15.3 Medidores de fornecimento de energia elétrica

Neste capítulo, já tratamos de instrumentos de medição que os profissionais da


área de eletroeletrônica usam como ferramenta de trabalho em seu dia a dia. Ago-
ra, trataremos dos medidores que todos os consumidores, ou usuários de energia
elétrica, inclusive você, têm em suas casas: os medidores de fornecimento.

Medidor eletromecânico Medidor digital

Figura 278 -  Medidores de fornecimento de energia elétrica


Fonte: SENAI-SP (2012)

Em 1872, o americano Samuel Gardiner inventou e pa-


VOCÊ tenteou o primeiro medidor de consumo de energia elé-
trica. O aparelho media o período durante o qual uma
SABIA? lâmpada elétrica, ligada em corrente contínua, ficava
acesa.

Os medidores, instalados pelas empresas concessionárias de fornecimento de


energia, medem o consumo doméstico ou industrial para que as “contas de luz”,
como são comumente chamadas, possam ser emitidas.
15 Medidas Elétricas
385

Conta de
a
Energia Elétric
ncimento
Valor até o ve
R$ 180,75
kWh Vencimento

15/08/201

Figura 279 -  Conta de fornecimento de energia elétrica


Fonte: SENAI-SP (2012)

Para emitir a conta, os valores de consumo são obtidos em função da tensão,


da corrente e do tempo decorrido desde a última leitura. Por isso, a cada mês uma
pessoa vai às nossas casas para anotar esses dados, que estão nos mostradores
dos aparelhos, sejam eles analógicos ou digitais. A medida usada para a indicação
do consumo é o quilowatt-hora (kWh).
Para conhecer os dois tipos de medidores – o eletromecânico (analógico) e o
eletrônico (digital) –, vamos explicar seus princípios de funcionamento.

15.3.1 Medidor eletromecânico de fornecimento de energia elétrica

O medidor eletromecânico é o mais utilizado pelas empresas fornecedoras de


energia elétrica para a medição do consumo doméstico. Trata-se de um aparelho
barato, robusto e confiável, por isso é instalado na grande maioria das residências.
A faixa de erro de medição desse tipo de aparelho é de no máximo 2%, o que
é considerado aceitável tanto para o fornecedor como para o consumidor diante
dos custos mais elevados de medidores com um grau maior de precisão.
O mecanismo do medidor é composto basicamente por um disco de alumínio
montado entre duas bobinas: uma que conduz a corrente de linha e outra, cha-
mada de bobina de tensão, que mede a tensão.
Essas bobinas criam dois circuitos magnéticos. Sob a ação dos campos mag-
néticos alternados próximos que são gerados pelas bobinas, aparecem correntes
parasitas no disco (conhecidas como correntes de Foucault). Os efeitos magnéti-
cos delas influem entre si e fazem o disco girar. Veja a representação dessa confi-
guração básica na figura a seguir.
Eletricidade
386

bobina de tensão

disco

bobina de corrente
Figura 280 -  Rotação do disco por dois campos magnéticos
Fonte: SENAI-SP (2012)

Para indicar os dados da medição, o mecanismo registrador é acionado com a


ajuda de uma engrenagem, que está ligada ao eixo do induzido.
Por meio das correntes parasitas, um ímã permanente cria uma força oposta
à rotação do disco. Para compensar as forças de atrito e facilitar o giro do disco,
desenvolve-se uma força suplementar, que é obtida por meio de uma blindagem
parcial do campo da bobina de tensão ou por meio de um pequeno parafuso de
ferro, colocado lateralmente em relação ao campo magnético.
O resultado é uma distribuição irregular do campo magnético e, com isto, uma
força resultante que possibilita a rotação. Para evitar a rotação sem carga, há uma
lâmina de frenagem.

sistema de registro circuito magnético


paralelo

lâmina

disco

A
C
enrolamento de
curto-circuito
Figura 281 -  Medidor de corrente monofásico e representação esquemática de suas partes
Fonte: SENAI-SP (2012)
15 Medidas Elétricas
387

O consumo da residência é indicado pelo número de rotações do disco, que é


proporcional à energia consumida pela carga durante o intervalo de tempo de-
corrido entre uma leitura e outra.

15.3.2 Medidor eletrônico de fornecimento de energia elétrica

O medidor eletrônico de fornecimento de energia elétrica é mais preciso que


o medidor eletromecânico, mantendo sua faixa de erro de medição em mais ou
menos 1%, pois o circuito eletrônico emprega sensores e não tem as limitações
do conjunto eletromecânico.
O processo de medição baseia-se no seguinte princípio: uma amostra da ten-
são e da corrente que é fornecida à carga é transferida a um sistema microproces-
sado, que calcula digitalmente a potência e a energia consumida pela carga.

sensor
hall de
corrente
sensor
hall de carga
tensão

microcontrolador

display
LCD

sistema
microprocessado
Figura 282 -  Medidor eletrônico de fornecimento de energia e o diagrama do circuito digital com seus módulos componentes
Fonte: SENAI-SP (2012)
Eletricidade
388

O quadro a seguir compara o desempenho de medidores eletromecânicos e


digitais.

Quadro 20– Dados comparativos do medidor digital em relação


ao eletromecânico
Resultado
Característica Eletromecânico Eletrônico comparativo do
medidor digital

Classe/precisão 2% 1.0 / 2.0% Maior precisão

Consumo interno >1,1 W <0,5 W Menor consumo

Corrente de partida 50 a 120 mA 5 mA Alta sensibilidade

Curva Não linear Linear plana Elimina subcarga

Estabilidade do erro,
Mecanismos de calibração Ajustes deslizantes Rede resistiva pois não possui partes
móveis.

Posição única indicada Qualquer Elimina alinhamento do


Influência da posição
na escala posição instrumento

15.4 Padronização de tensões

O sistema elétrico é um conjunto de equipamentos e de materiais necessários


para transportar a energia elétrica desde a fonte até os pontos de utilização.
As etapas de um sistema elétrico são:
a) geração – etapa desenvolvida nas usinas geradoras que produzem energia
elétrica por transformação a partir das fontes primárias;
b) transmissão – etapa de transporte da energia elétrica até os centros con-
sumidores;
c) distribuição – etapa do sistema elétrico já dentro dos centros de utilização
(cidades, indústrias); e
d) consumidor – etapa em que a energia elétrica é entregue à população.
Com base nas etapas do sistema elétrico indicadas anteriormente, as tensões
são classificadas conforme sua faixa de tensão.

A Norma Regulamentadora 10, que trata da segurança em


FIQUE instalações e em serviços com eletricidade, determina que
para trabalhar em segurança com equipamento energi-
ALERTA zado, o trabalho deverá ser executado na única faixa de
tensão permitida, ou seja, em extrabaixa tensão (EBT).
15 Medidas Elétricas
389

A tabela a seguir apresenta as tensões de trabalho conforme a sua classificação.

Tabela 14 – Tensões de trabalho


Tensão padronizada
Classificação Faixas de tensão Contínua
Alternada (Vca)
(Vcc)

Extrabaixa tensão Até 50 Vca e/ou


12, 24, 48 –
(EBT) Até 120 Vcc

Acima 50 Vca até 1000


110, 115, 120, 127, 208, 220, 230,
Baixa tensão Vca e/ou
110, 240 240, 254, 280, 380, 400, 440, 460,
(BT) Acima 120 Vcc até
480, 500, 525, 600, 660
1500 Vcc

3000, 3150, 3800, 4160, 6000,


6300, 6600, 7200, 7620, 10000,
Média tensão Acima de 1000 Vca até 10500, 11500, 12470, 13200,

(MT) 72500 Vca 13800, 14400, 15750, 18000,
19920, 23000, 24940, 34500,
35000, 38500, 69000

88000, 110000, 115000, 121000,


Alta tensão Acima de 72500 Vca
– 138000, 154000, 161000, 220000,
(AT) até 242000 Vca
230000, 242000

Extra-alta tensão Acima de 242000 Vca 330000, 345000, 350000, 420000,



(EAT) até 800000 Vca 500000, 600000, 750000

Ultra-alta tensão Acima de 800000 Vca


– 1150000
(UAT) até 1500000 Vca

Todas as informações de utilização de multímetros fornecidas até agora refe-


rem-se a aplicações para EBT.

Para se manter sempre atualizado na área de Eletricidade,


além de frequentar cursos de reciclagem e atualização, há
outras maneiras. Eis algumas:
a) Coleção de catálogos e folhetos de fabricantes: toda a loja
de material de construção ou qualquer site de empresa
fabricante de materiais e componentes elétricos têm tais
catálogos.
SAIBA b) Aquisição de livros técnicos nas livrarias de sua cidade ou
MAIS pela internet.
c) Consulta a sites especializados na área de Eletricidade, seja
de fabricantes, de entidades ou de órgãos governamentais.
d) Visita a feiras, a exposições e a eventos técnicos patrocina-
dos pelos fabricantes de materiais elétricos em que, além
de descobrir as novidades, você pode conhecer outras
pessoas do ramo e fazer contatos.
Eletricidade
390

Recapitulando

Neste capítulo, você aprendeu que:


a) existem instrumentos de medição analógicos, que baseiam seu fun-
cionamento na avaliação dos efeitos físicos causados pela grandeza
que está sendo medida;
b) existem instrumentos de medição digitais, que convertem a corrente
elétrica em sinais digitais por meio de um conversor analógico digital;
c) os instrumentos analógicos são de três tipos: eletromagnéticos, como
o ferro móvel; eletrodinâmicos, como a bobina móvel; e dinâmicos,
como o instrumento ressonante;
d) as características básicas dos instrumentos analógicos de medição
são: escala e precisão; sensibilidade; posição; e tensão de isolação;
e) o multímetro é um instrumento de medição que permite medir dife-
rentes grandezas elétricas, podendo ser analógico ou digital;
f ) por questão de segurança tanto do instrumento como do profissional
que o utiliza, o multímetro tem normas padronizadas de construção
dadas pelo IEC 10101, que prevê recursos de proteção classificados
em quatro categorias (I, II, III e IV), baseadas na distância em que se
encontra a fonte de energia e na proteção contra os transientes que
venham a ocorrer no sistema;
g) os medidores de fornecimento de energia elétrica também podem ser
analógicos (eletromecânicos, mais baratos e menos precisos) ou digi-
tais (eletrônicos, mais precisos); e
h) as tensões são classificadas com base em suas aplicações e conforme
sua faixa de tensão.
Nossos estudos sobre os conceitos de Eletricidade básica terminam aqui.
Mas lembre-se de que há um caminho longo a ser percorrido. Com em-
penho, você alcançará seus objetivos profissionais! Siga em frente!
15 Medidas Elétricas
391

Anotações:
REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, R. O. Circuitos em corrente alternada. São Paulo: Érica, 1997. (Coleção Estude e
Use, Série Eletricidade)
ANEEL. Usinas hidrelétricas no Brasil. Disponível em: <http://www.aneel.gov.br/arquivos/gif/
brasil.jpg>. Acesso em: 6 dez. 2011.
ANZENHOFER, K. et al. Eletrotécnica para escolas profissionais. 3. ed. São Paulo: Mestre Jou,
1980.
BRIAN, M. Como funciona a eletricidade. Tradução de HowStuffWorks Brasil. Disponível em:
<http://ciencia.hsw.uol.com.br/eletricidade.htm>. Acesso em: 7 fev. 2012.
BRYSON, B. Em casa: uma breve história da vida doméstica. Tradução de Isa Maria Lando. São Paulo:
Companhia das Letras, 2011.
CIPELLI, M.; MARKUS, O. Ensino modular: eletricidade – circuitos em corrente contínua. São Paulo:
Érica, 1999.
COLÉGIO WEB. Eletrostática. Disponível em: <http://www.colegioweb.com.br/fisica/eletrostatica-
e-carga-eletrica.html>. Acesso em: 9 fev. 2011.
FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE RIBEIRÃO PRETO. História da eletricidade. Disponível em:
<http://www.forp.usp.br>. Acesso em: 8 fev. 2012.
GOZZI, G. G. M. Circuitos magnéticos. São Paulo: Érica, 1996. (Coleção Estude e Use, Série
Eletricidade)
INTERMEDIATE energy infobook. History of electricity. Disponível em: <http://www.need.org/
needpdf/infobook_activities/IntInfo/Elec3I.pdf>. Acesso em: 6 dez. 2011.
KOLLER, A. As leis de Kirchhoff. Tradução e adaptação do Setor de Divulgação Tecnológica
Siemens S.A. São Paulo: Siemens AG/Edgar Blücher, 1976.
LOURENÇO, A. C. de; CRUZ, E. C. A.; CHAVERI JUNIOR, S. Circuitos em corrente contínua. 4. ed. São
Paulo: Érica, 1998. (Coleção Estude e Use, Série Eletricidade)
MARKUS, O. Circuitos elétricos: corrente contínua e corrente alternada: teoria e exercícios. 8. ed.
São Paulo: Érica, 2008.
MILEAF, H. (Org.). Eletricidade 4. Tradução de Edson Aragão Farqui. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
______. Eletricidade 5. Tradução de Edson Aragão Farqui. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
MORAES, A. A. de; NOVAES, R. C. R.; CAETANO, J. C. Eletricidade básica. São Paulo: SENAI, 1999. 238
p.
______; _______; ______. Análise de circuitos elétricos. São Paulo: SENAI, 2000. 239 p.
MUNDO CIÊNCIA. História da eletricidade. Disponível em: <http://www.mundociencia.com.br/
fisica/eletricidade/historiaeletricidade.htm>. Acesso em: 8 fev. 2012.
MUNDO EDUCAÇÃO. Corrente elétrica. Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com.br/
fisica/corrente-eletrica.htm>. Acesso em: 8 fev. 2012.
______. História da eletricidade. Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com.br/fisica/a-
historia-eletricidade.htm>. Acesso em: 26 dez. 2011.
PORTAL SÃO FRANCISCO. História da eletricidade. Disponível em: <http://www.
portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da-eletricidade/historia-da-eletricidade-1.php>. Acesso em:
8 fev. 2012.
RAMALHO JUNIOR, F.; FERRARO, N. G.; SOARES, P. A. de T. Os fundamentos de física. 7. ed. São
Paulo: Moderna, 1999.
RUSSEL, J. B. Química Geral. Tradução e revisão técnica de Márcia Guekezian et. al. 2. ed. São Paulo:
Makron Books, 1994. v. 1.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. SP. Iniciação à eletricidade. 4. ed. São Paulo:
SENAI-SP, 2010.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. SP. Análise de circuitos elétricos: teoria.
4. ed. São Paulo: SENAI-SP, 2011.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. SP. Eletricidade geral: teoria. 6. ed. São
Paulo: SENAI-SP, 2011.
VAN VALKENBURG, NOOGER; NEVILLE INC. Eletricidade básica. Tradução de Fausto João Mendes
Cavalcanti. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1982. v. 3.
WIKIPEDIA. Energia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Energia>. Acesso em: 6 dez.
2011.
______. Eletricidade. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Eletricidade>. Acesso em: 26
dez. 2011.
______. Poraquê. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Poraqu%C3%AA>. Acesso em: 26
dez. 2011.
______. História do eletromagnetismo. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_eletromagnetismo>. Acesso em: 6 fev. 2011.
______. Corrente elétrica. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrente_
el%C3%A9trica>. Acesso em: 8 fev. 2012.
Apostila occidental Schools – Lição E-8 Acumuladores; Lição E-16 Capacitância; Lição E-13
Indutância.
ANEXO A - Tabela trigonométrica
Angulo seno cosseno Angulo seno cosseno
0° 0,0000 1,0000 45° 0,7193 0,6947
1° 0,0175 0,9998 46° 0,7314 0,6820
2° 0,0349 0,9994 47° 0,7431 0,6691
3° 0,0523 0,9986 48° 0,7547 0,6561
4° 0,0698 0,9976 49° 0,7660 0,6428
5° 0,0872 0,9962 50° 0,7771 0,6293
6° 0,1045 0,9945 51° 0,7880 0,6157
7° 0,1219 0,9925 52° 0,7986 0,6018
8° 0,1392 0,9903 53° 0,8090 0,5878
9° 0,1564 0,9877 54° 0,8192 0,5736
10° 0,1736 0,9848 55° 0,8290 0,5592
11° 0,1908 0,9816 56° 0,8387 0,5446
12° 0,2079 0,9781 57° 0,8480 0,5299
13° 0,2250 0,9744 58° 0,8572 0,5150
14° 0,2419 0,9703 59° 0,8660 0,5000
15° 0,2588 0,9659 60° 0,8746 0,4848
16° 0,2756 0,9613 61° 0,8829 0,4695
17° 0,2924 0,9563 62° 0,8910 0,4540
18° 0,3090 0,9511 63° 0,8988 0,4384
19° 0,3256 0,9455 64° 0,9063 0,4226
20° 0,3420 0,9397 65° 0,9135 0,4067
21° 0,3584 0,9336 66° 0,9205 0,3907
22° 0,3746 0,9272 67° 0,9272 0,3746
23° 0,3907 0,9205 68° 0,9336 0,3584
24° 0,4067 0,9135 69° 0,9397 0,3420
25° 0,4226 0,9063 70° 0,9455 0,3256
26° 0,4384 0,8988 71° 0,9511 0,3090
27° 0,4540 0,8910 72° 0,9563 0,2924
28° 0,4695 0,8829 73° 0,9613 0,2756
29° 0,4848 0,8746 74° 0,9659 0,2588
30° 0,5000 0,8660 75° 0,9703 0,2419
31° 0,5150 0,8572 76° 0,9744 0,2250
32° 0,5299 0,8480 77° 0,9781 0,2079
33° 0,5446 0,8387 78° 0,9816 0,1908
34° 0,5592 0,8290 79° 0,9848 0,1736
35° 0,5736 0,8192 80° 0,9877 0,1564
36° 0,5878 0,8090 81° 0,9903 0,1392
37° 0,6018 0,7986 82° 0,9925 0,1219
38° 0,6157 0,7880 83° 0,9945 0,1045
39° 0,6293 0,7771 84° 0,9962 0,0872
40° 0,6428 0,7660 85° 0,9976 0,0698
41° 0,6561 0,7547 86° 0,9986 0,0523
42° 0,6691 0,7431 87° 0,9994 0,0349
43° 0,6820 0,7314 88° 0,9998 0,0175
44° 0,6947 0,7193 89° 1,0000 0,0000
90° 0,0000 1,0000
MINICURRÍCULO Do AUTOR

Edson Kazuo Ino é Técnico em Eletrônica e atuou na USIMINAS como supervisor de inspeção
elétrica. Foi responsável pela modernização e automação de equipamentos eletroeletrônicos, uti-
lizando CLP’s, conversores e inversores. Coautor da apresentação do processo de automação no
seminário ABM (Associação Brasileira de Metais), em 2007. Na área de ensino, foi autor e coautor
no treinamento de inversor de frequência na escola Antonio Souza Noschese – SENAI de Santos.
Atualmente, ministra treinamentos de NR10, comandos elétricos, instalações elétricas, inversores
de frequência e elabora material e kits didáticos para o curso Técnico de Eletroeletrônica a distân-
cia do Programa Nacional de Oferta de Educação Profissional do SENAI – PN-EAD.
Índice

A N
Adimensional 324 Nanotecnologia 60
Ascarel 278
P
C Polarizar 160
Corrente alternada 66
S
Corrente contínua 66
Sensor indutivo 316
cos φ 352
Sistema Centímetro-Grama-Segundo 236
Coulomb 78
Soma algébrica 52
Curva senoidal 266
Start 314
D
T
Display 62
Transiente 380
F Trimpot 130
Fissão 68
V
Força eletromotriz 218
Valência 46
G
Galvanômetro 168

I
IEC 130
Instrumento analógico 60

L
Lúmen 206
SENAI – Departamento Nacional
Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

Rolando Vargas Vallejos


Gerente Executivo

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo Adjunto

Diana Neri
Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros

SENAI – Departamento Regional de são paulo

Márcia Sarraf Mercadante


Coordenação do Desenvolvimento dos Livros no Departamento Regional

Cláudia Benages Alcântara


Coordenação da Produção

Henrique Tavares de Oliveira Filho


Coordenação Técnica

Edson Kazuo Ino


Elaboração

Henrique Tavares de Oliveira Filho


Revisão Técnica

Regina Célia Roland Novaes


Design Educacional

Alexandre Suga Benites


Juliana Rumi Fujishima
Leury Giacomeli
Ilustrações

Juliana Rumi Fujishima


Leury Giacomeli
Tratamento de imagens
Delinea Tecnologia Educacional
Produção de Material Didático

Charlie Anderson Olsen


Larissa Kleis Pereira
Margarete Lazzaris Kleis
Thiago Kleis Pereira
Diretoria Executiva

Andreza Regina Lopes da Silva


Coordenação de Projeto

Laura Martins Rodrigues


Coordenação de Design

Barbara Vieira
Humberto Pires Junior
Revisão Ortográfica e Gramatical

Karina Silveira
Diagramação

i-Comunicação
Projeto Gráfico