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A prática docente no currículo por competências

Bases da metodologia
Senac Rio

2009-2011
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Sumário

Educação profissional no século XXI 03


Desafios metodológicos para a prática docente em Educação
04
Profissional
Um caso real 04
Aprendizagem e metodologia Senac Rio 06
Equilíbrio e desequilíbrio: o começo de tudo 06
Equilíbrio, desequilíbrio e aprendizagem 06
Ser humano: um todo integrado 08
E o docente? 09
Em suma, na prática... 10

Concepção e elaboração:
Coordenação de Soluções Educacionais - COSE
Maria Teresa Moraes Nori

Apoio:
Gerência de Desenvolvimento Educacional -
GEDUC
Wilma B.A. de Freitas

Gerência de Educação – GEDUC / 2009-2011


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Educação profissional no século XXI


O século XXI é marcado por inúmeras transformações em todos os setores e,
conseqüentemente, no modo de vida e de trabalho dos indivíduos. O principal
ativo deste novo século é a pessoa e o conhecimento por ela construído.
Para Drucker, “os principais grupos sociais da sociedade serão os
trabalhadores do conhecimento”, trabalhadores competentes para utilizar
seus conhecimentos de modo a incrementar a produtividade e gerar inovação.
Nessa perspectiva, o trabalhador produtivo deve ser um sujeito criativo,
crítico, preparado para agir e se adaptar rapidamente às mudanças dessa
nova sociedade. A empregabilidade está relacionada às suas competências
básicas, como capacidade de decisão, de adaptação a novas situações, de
comunicação oral e escrita, de trabalho em equipe, de estabelecer relações e
de assumir liderança, bem como às suas capacidades técnicas específicas.
Como a Educação Profissional deve responder a este desafio?
Nesse mundo em constante mudança e altamente competitivo precisamos
de soluções educacionais inovadoras e estratégias de aprendizagem
adequadas. Precisamos aprender todo dia, sempre. E essas demandas
requerem soluções educacionais diferenciadas, que passam a fazer parte
da trajetória profissional do indivíduo e não podem ser vistas de forma
isolada.
Nesse enfoque, considera-se que o indivíduo traz para a etapa de
aprendizagem profissional tudo o que conquistou anteriormente. E
nesta nova etapa espera constituir novas competências que lhe
O Senac Rio oferece
permitirão prosseguir em seu desenvolvimento como pessoa, como serviços educacionais cujos
profissional e cidadão, e ter sucesso no mercado de trabalho, no princípios se orientam pela
cenário produtivo atual. educação permanente e
flexível, pautada pela
Por isso, o Senac Rio propõe ofertas articuladas, de modo a compor análise de perfis
um portfólio integrado e cumulativo, seguindo a lógica do processo profissionais demandados
pelo cenário atual. E isso
de trabalho, de modo a oferecer opções de itinerários ou trajetórias significa que nossos
de desenvolvimento profissional, voltados para a constituição de programas devem propiciar
competências progressivamente mais amplas e complexas. condições para o
desenvolvimento das
Na execução dessas ofertas, cabe ao docente mediar e avaliar o competências profissionais
1

processo de aprendizagem, propiciando condições para o que compõem tais perfis.


desenvolvimento das competências contidas no perfil profissional, o
que requer uma prática pedagógica diferenciada, solidamente
fundamentada nas ciências da aprendizagem.

1
Competência profissional é entendida como a “capacidade de mobilizar, articular e colocar em ação valores,
conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do
trabalho” (Parecer CNE-CEB nº16/99, de 05/10/99, e da Resolução CNE-CEB nº04/99, de 08/12/99, que estabelecem as
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico).

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Desafios metodológicos para a prática docente em


Educação Profissional
Além das bases científicas
Um caso real necessárias para a
constituição das
Dois docentes (A e B) elaboraram o plano da sessão 1 do Módulo IV, do
competências, é importante
programa de Manicure e Pedicure. Observe que a competência a desenvolver determinar as situações de
é a mesma, assim como o ambiente. Em seguida, analise as duas propostas aprendizagem, conforme a
apresentadas. metodologia Senac Rio.

Módulo IV Sessão N: 01
Programa: Manicure e Pedicure
Duração: 8
Módulo IV: Gestão do Trabalho Duração: 04 h
horas
Negociar preços, considerando princípios éticos e tipo de público, analisando e mantendo registros
Competência a
atualizados de custos e despesas, efetuando as compras de materiais, utensílios e produtos e prevendo a
desenvolver
manutenção dos instrumentos de trabalho.
Ambiente Ambiente convencional

Proposta do Docente do Grupo A Proposta do Docente do Grupo B


1. Planejando o próprio trabalho
1. O que é gestão do trabalho
O docente propõe a análise de situações-problema com os
O docente faz uma exposição dos conceitos
estudantes divididos em 3 subgrupos:
básicos da gestão do trabalho, com auxílio de
Grupo A) Preços: recursos visuais, destacando: ética profissional, 120
Você decide ser manicure autônoma e atender tipo de público, custos e despesas, preços, min
em domicílio e em um salão de beleza. concorrência etc.
 Como você calcularia o preço para os seus
serviços?
 O que levar em conta?
Situação de aprendizagem

Grupo B) Margem de lucro:


Situação de aprendizagem

Para definir o preço é importante considerar os 2. Questionário


custos que você vai ter e garantir um pouco a
Passo a passo

O docente apresenta um questionário com


Passo a passo

mais – a sua margem de lucro.


perguntas baseadas na apresentação inicial. Os
Quais são os custos que uma manicure tem? Quais estudantes terão responder individualmente. 60
são fixos? Quais podem variar? 120
min
min Cada estudante apresenta suas respostas e o
Grupo C) Concorrentes docente faz os ajustes conceituais necessários,
Os consumidores são exigentes e comparam o recomendando que façam as correções
que é oferecido no mercado, que está cada vez imediatamente.
mais competitivo. Assim, é preciso pesquisar os
preços cobrados pelos concorrentes.
3. Vendo e aprendendo
A sua pesquisa também deve incluir a qualidade e os
O docente apresenta uma fita de vídeo
diferenciais do atendimento. Como fazer isso?
mostrando o funcionamento de um salão de
Cada subgrupo apresenta a situação analisada e suas beleza em que trabalham várias manicures, para
conclusões. que os participantes observem os diversos 60
O docente registra as colocações dos grupos e complementa min
utensílios e produtos necessários ao trabalho.
a análise com informações e comentários importantes, de Após o vídeo, o docente solicita que os
modo que os estudantes percebam que o profissional participantes façam uma lista desses materiais,
manicure/pedicure deve gerenciar seu próprio trabalho. para futuramente utilizarem na precificação dos
serviços.
2. Registrando o trabalho
Após a atividade acima, a conclusão pode ser bem marcada
com a pergunta-chave: O que significa gerenciar seu próprio
trabalho?
Entre outras respostas, os participantes vão mencionar a
necessidade de registrar atendimentos, compras etc. O 115
min.
docente deve aproveitar tais respostas para iniciar a segunda
etapa desta sessão, onde serão explorados procedimentos
básicos de registro e controle de atendimentos, produtos,
fornecedores etc.
Isso deve ser feito mediante a apresentação de algumas fichas de controle do
trabalho (ver material de apoio ao final desta ficha técnica).
4. Balanço do dia
Para o balanço do dia, usar: o dia de hoje foi ________ 5
min.
(o docente pede que os participantes completem a frase com uma
palavra).

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Proposta do Docente do Grupo A (cont.) Proposta do Docente do Grupo B (cont.)

Fontes de consulta: Focos temáticos:


MILANI, Anselmo & VIDOTTO, Sandro. Organização de uma Administração de salão de beleza: conceitos e princípios básicos.
empresa de beleza. 2.ed. São Paulo : Ed.SENAC-SP,1999 (Série Ética profissional.
Referências
Apontamentos – Beleza, vol.10).
para a ação Planilhas de custos.
SENAC-DN. Salão de beleza: estrutura e funcionamento. Rio de
docente Janeiro: SENAC, 1998.
SENAC-DN. Salão de beleza: mãos e pés. Rio de Janeiro: SENAC,
2000.

Fichas com situações A, B e C; quadro branco ou flip chart. SENAC-DN. Salão de beleza: mãos e pés. Rio de Janeiro: SENAC,
2000.
Recursos Ver materiais de apoio ao final desta ficha (Exemplos de
fichas destinadas a organizar as informações para racionalizar as Vídeo: Salão Modelo.
compras). Retroprojetor ou projetor de multimídia.

Resultados Fichas de registro e controle adequadas ao contexto Questionário respondido e corrigido.


ou produtos profissional, criadas pelo próprio grupo.
O docente deve solicitar que os participantes façam
pesquisa de preços e processos de organização do
trabalho de manicure/pedicure. Isto pode ser feito por
Dicas meio de entrevistas com profissionais autônomos e
funcionários de salões. Para a próxima aula, poderão
apresentar os depoimentos, as dicas e comentários
decorrentes dessa pesquisa.

Em qual desses grupos você aprenderia melhor?


Por quê?
Vamos ver!

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Aprendizagem e metodologia Senac Rio2

Não poderás ajudar os homens de maneira permanente se fizeres por


eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios.
Abraham Lincoln

Equilíbrio e desequilíbrio: o começo de tudo


Os pressupostos científicos da aprendizagem e da metodologia Senac Rio
destacam que:
 o estado ideal do organismo é o equilíbrio, e qualquer coisa que
rompa esse estado gera desequilíbrio;
 o desequilíbrio gera certo grau de tensão,
e esta provoca uma reação de atividade
cognitiva, afetiva e/ou psicomotora por
parte do sujeito, em busca de um patamar Equilíbrio
de equilíbrio mais elevado (fig.13);
 esse processo permanente e dinâmico de Equilíbrio
“equilíbrio -desequilíbrio - atividade - Atividade
equilíbrio...” tem um papel central na Desequilíbrio

motivação4 e nos processos de


aprendizagem e desenvolvimento do
indivíduo.
Figura 1

Equilíbrio, desequilíbrio e aprendizagem


A aprendizagem ocorre por meio:
 da atividade do sujeito, a partir de um desequilíbrio ou problema
que estimule o interesse e a atividade intelectual do sujeito;
 da atribuição de significados construídos na relação entre o
conhecimento prévio do sujeito, os novos conteúdos e/ou
problemas (nova experiência) e a aplicação destes na solução de
novos problemas (aplicabilidade ou funcionalidade).
 da interação com os outros, nas quais a troca de idéias otimiza o
processo de exploração e descoberta que caracteriza a
aprendizagem.

A figura 2, a seguir, ilustra esse processo

2
Adaptado de: NORI, M. Teresa Moraes. Coleção Lazer e Desenvolvimento Social – Livro do Professor.
São Paulo: Global, 2005/2006 (Série Educação Profissional) [no prelo].
3
Fonte: NORI, M.Teresa M. Bases para o desenvolvimento de professores. São Paulo: Versátil –
Consultoria Avançada. 2002/2003.
4
A tensão provocada pelo desequilíbrio geralmente se manifesta como uma necessidade ou motivo, e
aquilo que satisfaz essa necessidade passa a ser interessante ou motivador para o indivíduo.

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Elaboração
 Pensa, raciocina, ou seja: coloca em ação
Desafio e/ou uma série de funções cognitivas e
desequilíbrio operações mentais (tais como percepção,
comparação, análise, classificação,
organização, síntese, levantamento de
hipóteses, etc.), a partir de conhecimentos
prévios, que permitem atribuir um
significado pessoal ao novo conteúdo e o
transformam em novo conhecimento. Novas maneiras de
 Aplica e compartilha, isto é: transpõe pensar, sentir e agir ou
para novas situações, interage com os fazer  novas
outros, testa, avalia e reorganiza o novo competências  maior
conhecimento, o que aumenta o potencial autonomia.
para novas experiências de aprendizagem.

Figura 2

Em outras palavras, podemos dizer que o contato com uma nova


situação-problema (que também envolve conteúdo/informação) pode
provocar uma alteração na estrutura cognitiva da pessoa, criando uma
forma nova, mais complexa e competente de ver e sentir o ambiente, de
pensar e agir sobre ele. Assim, novos problemas e conteúdos possibilitam
novas mudanças internas nos indivíduos, e é nesse sentido que a
aprendizagem vai se tornando um processo elaborado, interativo e
dinâmico de mudança de comportamento, do qual resulta a constituição de
novas competências.

Assim:

Equilíbrio

Equilíbrio
Atividade
Desequilíbrio

Figura 1

Atividade intelectual,
sócio-afetiva e/ou motora

 Pensa, raciocina, ou seja: coloca em ação uma série de


funções cognitivas e operações mentais (tais como percepção,
comparação, análise, classificação, organização, síntese,
levantamento de hipóteses, etc.), a partir de conhecimentos
prévios, que permitem atribuir um significado pessoal ao novo
conteúdo e o transformam em novo conhecimento.
 Aplica e compartilha, isto é: transpõe para novas situações,
interage com os outros, testa, avalia e reorganiza o novo
conhecimento, o que aumenta o potencial para novas
experiências de aprendizagem.

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Essa ajuda ocorre num espaço


Nesse modelo, pode-se dizer que: dinâmico, onde, por meio da
 o ensino ajuda o processo de aprendizagem, mas interação e contribuição de
não substitui a elaboração mental construtiva do outros, uma pessoa consegue
sujeito;5 trabalhar e resolver um
problema ou realizar uma
 aprender significa constituir competência, ou seja é atividade de um modo e em um
conseguir fazer o que antes não se conseguia fazer. nível que não conseguiria fazer
E isso envolve ampliação da autonomia do sujeito.6 sozinha.

Além disso, para promover novas maneiras de pensar, sentir e agir, de


modo a levar o sujeito a lidar com autonomia com novos problemas,
mobilizando seus conhecimentos, valores e habilidades, é preciso
propiciar bem mais do que apenas conhecimento de conteúdos. É preciso
que a ação docente considere e envolva as diferentes dimensões do
comportamento humano.
Ser humano: um todo integrado
O ser humano é um todo integrado, com idéias, conhecimentos,
sentimentos, atitudes, valores, hábitos, habilidades, que
configuram três grandes dimensões:
Afetiva
 cognitiva ou intelectual, que engloba idéias ou pensamentos
e demais processos intelectuais − conceitos, princípios, Cognitiva
渠獯潳挠牯
estratégias de solução de problemas (inclusive estratégias Psicomotora
潰琠浥甠楳
para estudar e aprender), que nos asseguram novos

conhecimentos e habilidades intelectuais;
 sócio-afetiva, emocional ou apreciativa, que abrange
Dimensões do comportamento
nossas emoções ou sentimentos, preferências, convicções, humano
padrões de conduta, atitudes e valores (pontualidade,
disciplina, respeito às regras e leis são alguns exemplos da
aprendizagem nesta dimensão);
 psicomotora, que se refere às ações propriamente ditas, com destaque
para as habilidades psicomotoras, como falar, escrever, tricotar, praticar
esportes e outras.
No decorrer do processo de interação entre o sujeito e seu ambiente, vão
ocorrendo mudanças internas no indivíduo, expressas, em maior ou menor
grau, em mudanças nessas dimensões do comportamento.7

Algumas dicas didáticas podem ser úteis aos docentes interessados em


desenvolver essas diferentes dimensões do ser humano.
 Para a dimensão psicomotora, recomenda-se usar a demonstração
funcional e fundamentada, seguida de prática supervisionada, até que
o estudante demonstre ter realmente adquirido a habilidade desejada.

5
Essa ênfase na elaboração mental construtiva do sujeito, mediada e potencializada pela interação com os
outros, dimensionam o construtivismo sociointeracionista.
6
Apud Eduardo Chaves (http://www.escola2000.org.br/pesquise/texto/textos_art.aspx?id=74).
7
Para mais informações sobre isso, ver: FALCÃO, Gerson Marinho. Psicologia da Aprendizagem. 4ª ed.
São Paulo, Ática, 1988 (cap.9); COLL, César S. et alii. O construtivismo na sala de aula. 5.ed. São Paulo:
Ática, 1998; COLL, César S. et alii. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos,
procedimentos e atitudes. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000; ZABALLA, Antoni. A prática educativa:
como ensinar. Trad. de Ernani F. da F. Rosa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998 (cap.2).

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 Para a dimensão sócio-afetiva recomendam-se usar estratégias


didáticas que envolvam estudo ou análise e discussão de casos,
filmes, debates, dramatizações, jogos, simulações; enfim, situações de
ensino que acionem os valores, idéias e crenças do estudante sobre o
foco a ser aprendido. A escolha da estratégia depende muito das
características dos estudantes, do conteúdo da aprendizagem e do
grau de mudança que se deseja provocar no educando.
 Na dimensão cognitiva, recomendam-se usar estratégias didáticas
que envolvam estudo, explicações ricas em exemplos e/ou ilustrações,
modelos e similares, análise e discussão de casos, pesquisa, solução
de problemas e, sobretudo, aplicação em situações variadas, reais ou
simuladas. Caso contrário, o educando irá apenas memorizar e
reproduzir fórmulas em situações “escolares” convencionais, em vez de
usar os conceitos e princípios aprendidos para enfrentar os desafios da
vida real.8 Por exemplo:
 Em situações nas quais é preciso avaliar se é mais vantajoso comprar à vista
ou a prazo, a pessoa pode optar por adiar a compra, evitando crediários
extorsivos, até dispor da quantia necessária, em vez de pagar um preço muito
maior do que o valor da mercadoria. Esse tipo de decisão requer a aplicação
de princípios de álgebra para avaliar vantagens e desvantagens do crediário,
requer que utilize os conhecimentos de matemática de forma significativa e
funcional. Para isso, é necessário adotar estratégias didáticas que envolvam
análise e discussão de problemas reais da vida cotidiana dos estudantes, que
possam ser resolvidos por meio dessa ciência, bem como a discussão sobre
as vantagens e desvantagens de compras parceladas (em diferentes
contextos).

E o docente?
Nesse paradigma educacional, o estudante é o protagonista de seu
processo de aprendizagem e o docente é coadjuvante. Cabe a ao
docente:
 preparar e apresentar desafios, perguntas ou problemas que
provoquem um certo grau de desequilíbrio, estimulando o estudante a
pensar, a desenvolver operações mentais9, a atribuir significados e
aplicar os novos conhecimentos, a constituir competências;
 atuar como mediador entre o sujeito que aprende e aquilo que é
aprendido, por meio de exemplos, questões, demonstrações,
orientações, troca de idéias etc.;
Entre esses subsídios e recursos estão:
 fornecer subsídios e recursos que permitam ao indicação de bases científicas e
estudante desenvolver as competências previstas no tecnológicas, orientações de estudo, de
perfil profissional da oferta. pesquisa e projetos ou atividades
ligadas à prática profissional.

Assim:

8
Ver: Falcão (1988, capítulo 9), Coll (1998), Coll (2000) e Zabala (1998, cap.2).
9
É nesse sentido que se fala em situações operatórias de aprendizagem (RONCA& TERZI, 1995), nas
quais o sujeito é levado a questionar, pesquisar, tirar conclusões, resolver problemas com iniciativa,
criatividade, independência/autonomia.

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Equilíbrio

Equilíbrio
Subsídios, ajudas
Desafios Ação docente no espaço
de mediação da
aprendizagem

Figura 3

Por isso, a metodologia Senac Rio prevê situações de aprendizagem que


estimulem o estudante a pensar, agir e aprender com autonomia, na
medida em que:
 oferecem desafios acessíveis aos estudantes, por meio de
perguntas e sugestões de pesquisa e atividades que se
remetem à realidade, experiência e/ou a conhecimentos Alinhada ao paradigma do
prévios dos estudantes, facilitando a atribuição de desenvolvimento de
significado; competências, a
metodologia Senac Rio
 as perguntas e atividades são funcionais, voltadas à prioriza a prática
aplicação em situações reais do contexto de trabalho; profissional
cientificamente
 oferecem ajudas para a elaboração e aplicação de conceitos
fundamentada, porque,
e princípios, utilizando ilustrações, exemplos e analogias, para se constituir uma
entre outros recursos de mediação da aprendizagem; competência é preciso
[1]
exercitá-la, praticá-la .
 estimulam a troca de idéias entre os estudantes e a
Daí nosso lema:
participação de todos, encorajando-os a encontrar novas aprender fazendo.
possibilidades de aplicação dos conhecimentos na realidade,
propiciando a transferência e a consolidação da
aprendizagem.

Em suma, na prática...
Agora, que tal voltar ao exemplo das páginas 4 e 5 para ver qual proposta
de trabalho docente mais se identifica com essa metodologia?

[1]
A base neurofisiológica dessa premissa é a “lei do uso”, bastante conhecida na biologia. O
processo de aprendizagem envolve essencialmente a constituição de sinapses e o
fortalecimento destas, pelo seu uso em diferentes situações, gerando um potencial cada vez
maior de realização.

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