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ENSINO MÉDIO

1
PROFESSOR PRODUÇÃO DE TEXTO

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PRODUÇÃO DE TEXTO
José De Nicola

LINGUAGENS E O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO


1 Linguagem: socialização e enunciação . . . . . . . . . . . . 4
Linguagem e socialização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4
Linguagem verbal e não verbal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5
Os signos visuais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6
Linguagem e enunciação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10
Usos da língua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11
Escrita e oralidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12
As conversações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13
2 O processo de comunicação e seus elementos . . . . .21
O processo de comunicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .22 PRODUÇÃO DE TEXTO
As competências dos participantes . . . . . . . . . . . . . . . .23
Recursos textuais para a montagem da mensagem . . . .23
O mecanismo de seleção e combinação . . . . . . . . . . . .28

2116296 (PR)

Linguagens e o processo de comunicação

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MÓDULO
linguagens e o
processo de comunicação

Os hieróglifos eram representações simbólicas


feitas pelos povos egípcios. Geralmente, eles eram
utilizados para representar rituais de passagem ou o
cotidiano dos faraós.

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FEDOR SELIVANOV/SHUTTERSTOCK
REFLETINDO SOBRE A IMAGEM

1 Mesmo sem conhecer o alfabeto hieróglifo,


é possível depreender algum significado da
imagem ilustrada?
2 Além da linguagem escrita, representada
pelo uso do alfabeto, há outros tipos de lin-
guagem?
3 Como você se comunicaria com alguém, se
não pudesse usar a linguagem verbal?

www.ser.com.br

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CAPÍTULO
Linguagem: socialização
1 e enunciação

Objetivos:

© 1999 DIK BROWNE/KING


FEATURES SYNDICATE/IPRESS
c Discutir os conceitos de
linguagem, socialização
e enunciação.

c Discutir os conceitos
de linguagem verbal e
linguagem não verbal.

c Discutir o conceito BROWNE, Dick. O melhor de Hagar, o Horrível. Porto Alegre: L&PM, 1999. p. 15.
de signo linguístico
e reconhecer seus
dois componentes Na tira, observam-se os recursos utilizados pelo papagaio e pelo cachorro para se comuni-
indissociáveis: car: o papagaio, que imita sons, reproduz palavras que ouve dos humanos com quem convive; o
significante e cachorro rosna, mostra os dentes e altera seu olhar. Até aqui, tudo muito convencional. Porém, no
significado. último quadrinho, construindo o humor da tira, o papagaio, diante da ameaça do cachorro, é capaz
de, racionalmente, criar uma frase de acordo com sua necessidade, assumindo uma característica
c Discutir os conceitos de exclusiva do ser humano: produzir enunciado. Daí a sensação de estranhamento que toma conta de
língua e de fala. Hagar – observe a expressão de seu rosto – e de nós, leitores.
c Discutir os conceitos de
gramática natural e de LINGUAGEM E SOCIALIZAÇÃO
gramática normativa. “Somente o homem é um animal político, isto é, social e cívico, porque somente ele é dotado
c Reconhecer as de linguagem. A linguagem permite ao homem exprimir-se e é isso que torna possível a vida social”,
marcas da escrita e disse Aristóteles (384-322 a.C.).
da oralidade. O filósofo define o homem como político no sentido do vocábulo grego politikós, ou seja,
cidadão, aquele que é capaz de viver na pólis (cidade), em sociedade. E ele atribuía à capacidade de
c Apresentar conceitos linguagem, que nos é inerente, o fato de os homens conseguirem viver em sociedade.
básicos da teoria da A linguagem animal, constituída pela emissão de sons e de comportamentos determinados,
conversação. permite e garante a sobrevivência e a perpetuação das espécies. Há, porém, uma diferença entre a
linguagem animal e a linguagem humana. Enquanto a primeira é estática e condicionada, não cons-
ciente, a segunda é fruto do raciocínio, e a expressão por meio dela é consciente e intencional, não
meramente instintiva. E mais: a linguagem humana é dinâmica e criativa.
Num primeiro momento, pode-se definir linguagem humana como todo sistema que, por meio
Veja, no Guia do Professor, o quadro de da organização de sinais, permite à humanidade expressar-se ou representar ideias, desejos, senti-
competências e habilidades desenvolvi-
das neste módulo. mentos, emoções. Essa representação possibilita o entendimento por meio da escuta ou da leitura,
o que concretiza a dinâmica da interação, da comunicação e, consequentemente, da socialização.
Num segundo momento, pode-se defini-la como a capacidade inerente ao ser humano de aprender
uma língua e de fazer uso dela.

www.ser.com.br A linguagem é a capacidade humana de articular significados coletivos e comparti-


lhá-los [...]. A principal razão de qualquer ato de linguagem é a produção de sentido.
Acesse o portal e leia o artigo BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN): Ensino Médio.
A escrita no Egito. Brasília: MEC/SEMTEC, 1999. p. 125.

4 Linguagens e o processo de comunicação

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LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL [...] texto, em sentido
Quando pensamos em linguagem como sistema organizado de sinais, associamos essa palavra lato, designa toda e qualquer
à noção de linguagem verbal, ou seja, de língua. Mas linguagem, como já vimos, tem um conceito manifestação da capacidade
mais amplo: é todo sistema que permite a expressão ou representação de ideias, que se concretiza textual do ser humano (quer
em um texto. se trate de um poema, quer de
uma música, uma pintura,
ÓLEO SOBRE TELA, 62,2 3 81 CM. LOS ANGELES COUNTY
MUSEUM OF ART, LOS ANGELES, ESTADOS UNIDOS, 1928-1929.

um filme, uma escultura,


etc.), isto é, qualquer tipo de
comunicação realizada através
de um sistema de signos.
FÁVERO, Leonor Lopes;
KOCH, Ingedore Villaça.
Linguística textual: introdução. 5. ed.
São Paulo: Cortez, 2000. p. 25.

René Magritte. A traição das imagens


(Isto não é um cachimbo), 1928-1929.

Na linguagem visual, o signo é a imagem. Assim como acontece com a linguagem verbal, há
inúmeros modos de organização dos signos visuais, decorrentes da relação que o ser humano esta-
belece entre a realidade e sua representação. Os artistas se valem intencionalmente desse recurso,
procurando fazer que o apreciador reaja diante dessa representação e levante questionamentos
sobre o que é de fato real e o que é imaginário e, indo mais além, sobre a própria ordenação do real.
O crítico de arte Giulio Carlo Argan comenta: “Magritte pinta um cachimbo e escreve embaixo:
‘isto não é um cachimbo’. De fato, não é um cachimbo; e a própria palavra cachimbo, que designa
o cachimbo, não é um cachimbo. Eis o contraste entre coisas e signos na vida cotidiana” (ARGAN,
Giulio Carlo. Arte Moderna: do Iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia
das Letras, 1996).
De fato, o desenho ou a foto de um cachimbo – ou a palavra “cachimbo” – não são o objeto
cachimbo (uma pessoa não pode fumar o desenho, a foto ou a palavra). O objeto é a coisa. O dese-
nho, a foto, a palavra são representações.
Cientes disso, podemos perceber a existência de diferentes linguagens à nossa volta. Linguagens
que apelam a todos os nossos sentidos.
A linguagem da pintura explora linhas, cores, formas, luminosidade; a da escultura se vale de
formas, volumes e tipos de material para a sua expressão. Os cartazes luminosos das ruas comerciais,

REPRODUÇÃO/ARQUIVO DA EDITORA
por meio de luzes, figuras e linguagem verbal, tentam nos dizer alguma coisa. As histórias em quadri-
nhos que, via de regra, exploram imagens e palavras, realizam o cruzamento verbo-visual.
Representações simbólicas surgiram antes mesmo da escrita, como as gravuras rupestres e o
sistema hieroglífico dos egípcios, em que signos, à maneira de desenhos, retratavam seres, situações,
ritos e até histórias, expressas, primitivamente, sobre pedra, madeira e papiro. Na era da internet, uti-
lizando o computador, os navegadores da rede criaram um código visual especial para se comunicar,
PRODUÇÃO DE TEXTO
aproveitando os sinais gráficos oferecidos pelo teclado (as chamadas “caracteretas”: :-) 5 sorriso;
:-( 5 tristeza; ;-) 5 piscada, cumplicidade; escrever com letras maiúsculas significa gritar, etc.).
Como você percebeu, diversos são os códigos utilizados na interação social, e um dos mais
importantes é a língua. Recapitulando, reconhecemos dois grandes tipos de sistemas de signos:
linguagem verbal: aquela que utiliza a língua (falada ou escrita);
linguagem não verbal: aquela que utiliza qualquer código que não seja a palavra.
Neste material, o foco é a linguagem verbal, especificamente a língua portuguesa falada no Brasil.
Além disso, o livro apresenta uma característica fundamental da linguagem verbal que é a de referir-se
ou de descrever-se a si mesmo; portanto, ele é um exemplo de metalinguagem.

Linguagens e o processo de comunicação 5

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OS SIGNOS VISUAIS
Signos visuais são componentes básicos dos códigos, que possibilitam a expressão de uma
ideia substituindo determinados objetos. Assim, são signos visuais o sinal vermelho do semáforo
indicando “Pare!”; o polegar erguido numa mão fechada indicando “Sim, ok!”, entre outros exemplos.
O signo visual pode assumir diferentes representações do real, de acordo com a relação estabe-
lecida com o objeto a que se refere. Destacamos três:
ícone: signo que apresenta relação de semelhança ou analogia com o objeto a que se refere
(é metafórico). São ícones: a fotografia, o diagrama, a planta de uma casa, entre outros exemplos.
REPRODUÇÃO/
ARQUIVO
DA EDITORA

Na barra de ferramentas de programas do computador, encontram-se atalhos para algumas funções em forma de ícones: o desenho de uma impressora para a
função de imprimir; de um disquete para a função de gravar; de uma borracha para a função de apagar; e de uma lupa para a função de ampliar.

índice: signo que mantém uma relação natural causal, ou de contiguidade física, com o objeto a
que se refere (é metonímico). São índices: a fumaça, que indica a presença de fogo; a nuvem negra
no céu indicando chuva; uma pegada indicando a passagem de alguém, a posição do cata-vento
que indica a direção do vento, etc.
NITO/SHUTTERSTOCK

A direção da biruta
indica o sentido de
deslocamento do vento.
Na imagem, o vento
sopra da direita para a
esquerda.

símbolo: signo que se fundamenta numa convenção social e que, por isso, mantém uma relação
convencional com o objeto a que se refere; é arbitrário e imotivado. São exemplos de símbolos:
o signo linguístico, a pomba branca (representação da paz), a cor vermelha (representação de
perigo), a auréola (representação de santidade, inocência).
SERGEY NIVENS/SHUTTERSTOCK

SAIBA MAIS

Saiba mais sobre o signo


linguístico no capítulo 1 do A imagem da lâmpada
remete às ideias de
módulo A gramática dos textos. pensamento, criatividade,
desbravamento, ideias.

6 Linguagens e o processo de comunicação

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PARA CONSTRUIR

Texto para as questões 1 a 4.


Carta enigmática
É considerado o responsável por trazer o futebol para estas terras

2010, ANDREATO COMUNICAÇÃO E CULTURA


A revista Almanaque Brasil coloca um pequeno texto sobre a personagem a que a carta enigmática faz referência:
A sua bagagem tinha roupas e itens pessoais. Mas outros objetos que colocou na mala para a viagem entre Inglaterra e Brasil
mudariam a história do país: bolas, par de chuteiras, livros de regras, bomba de ar, uniformes. É considerado o responsável por
trazer o futebol para estas terras.
Tudo começou quando o paulistano nascido no bairro do Brás em 24 de novembro de 1874 mudou-se para a Inglaterra aos
nove anos. Filho de escocês com brasileira de origem inglesa, apaixonou-se por rúgbi, críquete e, claro, por futebol. Aos 20 anos,
já com um aristocrático bigode, resolveu voltar à terra natal para trabalhar numa estrada de ferro. E tratou de pôr os objetos de
seu amor futebolístico na bagagem.
Almanaque Brasil de cultura popular. Disponível em: <www.almanaquebrasil.com.br/jogos-e-brincadeiras/11539-carta-enigmatica.html>.
Acesso em: 12 maio 2014.

1 Pesquise e identifique quem é essa personagem histórica.


Charles Miller.

2 Que tipo de linguagem é empregada na carta enigmática?


Linguagem verbal (-ida; +lheiro; -se; etc.) e linguagem não verbal (os desenhos).

3 A carta enigmática trabalha com um código secreto? Justifique.


Não, pois qualquer um que pertença à comunidade de falantes da língua portuguesa pode desvendá-la. Seria um código secreto se só um grupo
reduzido conseguisse decodificá-la.

PRODUÇÃO DE TEXTO
4 Quais tipos de signos são empregados na carta para a representação das ideias?
São empregados símbolos (signos linguísticos) e ícones (desenhos).

5 Utilizando apenas a linguagem verbal, responda: o que está escrito na carta?


“Com 10 gols, foi artilheiro do primeiro campeonato paulista.”

Linguagens e o processo de comunicação 7

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Atividade em dupla

SIDNEY HARRIS/SCIENSE CARTOONS PLUS.COM


HARRIS, Sidney. A Ciência ri: o melhor de Sidney Harris.
Tradução e seleção de Jesus de Paula Assis.
São Paulo: Ed. Unesp, 2007. p. 219.
A ideia retratada na charge acima demonstra a preocupação do ser humano, desde que pôde se expressar, em realizar registros
de seu cotidiano, o que é comprovado por muitas pinturas rupestres antiquíssimas. Os signos visuais têm acompanhado a história da
humanidade.
Uma breve observação a nossa volta mostrará, nos mais variados campos da vida humana, que estamos cercados de signos, sejam
sagrados (como os diversos tipos de representação de cruzes, de estrelas) ou profanos (como logomarcas de empresas, emblemas de
clubes, siglas, números, arte heráldica dos brasões, ícones da informática, entre outros.).
Com um colega, busque informações para ampliar os conhecimentos adquiridos sobre os signos. Consultem fontes variadas:
pessoas, livros, revistas e páginas na internet. O conhecimento obtido será, posteriormente, compartilhado com os demais, por meio
da elaboração de um relatório com o resultado do trabalho de vocês e de uma exposição oral.

Relatório
Costuma-se elaborar um relatório para apresentar resultados parciais ou finais de pesquisas, de estudos, de experiências,
de realização de projetos. Existem várias espécies de relatório, em função das esferas em que circula: escolar ou acadêmica, po-
licial, jurídica, empresarial, contábil. Todos eles têm, porém, algumas características comuns, entre elas: correção, clareza, coesão,
coerência e objetividade. Configuram-se estruturalmente por introdução, com a identificação do propósito do relatório e uma
justificativa da relevância do assunto; corpo, no qual se apresentam minuciosa e ordenadamente as informações ou observa-
ções a respeito do objeto de estudo (em alguns casos, as datas e os locais de observação devem ser citados), e conclusão do
enunciador a respeito do assunto investigado (que pode comportar recomendações finais ou sugestões).

Toda consulta ou pesquisa pressupõe uma série de perguntas. Vocês poderão ter em mente as seguintes: por que o ser humano
cria signos e, mais especificamente, por que ele cria os símbolos? Qual é a importância desses símbolos na vida cultural? Com o passar
do tempo, o que tem mudado na concepção desses símbolos?
Alguns passos são fundamentais na realização da busca de informações:
a) seleção de material a ser consultado;
b) leitura atenta desse material, com destaque dos trechos nos quais estão os conceitos mais importantes;
c) organização dos dados, com classificação, análise e interpretação de tudo que for lido;
d) anotações pessoais;
e) elaboração de um relatório com os resultados da pesquisa.

8 Linguagens e o processo de comunicação

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Algumas dicas para a elaboração de seu relatório:
1. Quanto à forma de composição, como já foi dito, ele deverá ter:
a) introdução: apresentação do assunto, algumas definições, justificativa do estudo;
b) corpo: com subdivisão em itens, é a parte mais extensa; deve apresentar as informações devidamente organizadas e sequenciadas,
exemplos e curiosidades, de preferência ilustradas por imagens com legendas;
c) conclusão: apresentação de uma síntese de tudo o que foi aprendido; destaque para a importância do assunto estudado; de-
duções pessoais.
2. Quanto à linguagem:
a) Vocês vão reproduzir as informações compiladas. Sejam objetivos, busquem a neutralidade, usando verbos na terceira pessoa
ou empregando os verbos na voz passiva. Se citarem literalmente algum autor, não deixem de usar aspas.
b) Vocês vão transmitir os dados, compondo um texto explicativo, para que seus leitores (no caso, seus colegas) venham a saber
mais sobre o assunto. Assim, o texto deverá ser claro, direto; construam períodos curtos e organizem o texto com palavras que
orientem a leitura (conjunções explicativas, organizadores textuais).
Importante: pesquisar não é copiar!
Não deixem de citar as fontes consultadas. Consultem a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (www.abnt.org.br) para
verificar a maneira exata de citá-las ou observem, neste material, como são citadas.
Deem um título sucinto a seu estudo.
Troquem seu relatório com outras duplas para observar como seus colegas trataram o mesmo assunto. Verifiquem se foram
respeitadas as partes que configuram um relatório, se há articulação entre essas partes, se apresentam informações interessantes.
Apontem as incorreções ou inadequações que encontrarem nos relatórios lidos para que seus colegas possam melhorá-los.
Lendo vários relatórios, vocês aprenderão ainda mais.
Aproveitem para apresentar oralmente seu trabalho à classe. Como toda a classe pesquisou o mesmo assunto, se vocês forem
escolhidos para fazer a exposição do assunto pesquisado, tenham em mente que precisarão despertar o interesse de todos.

Exposição oral
Em uma exposição oral apresenta-se um assunto sobre o qual um expositor tem domínio; e os ouvintes, interesse.
A exposição pode ocorrer em vários âmbitos além do escolar, tanto na esfera pública (instituições) como na particular
(empresas), e exige certo grau de formalidade. Há fases a serem seguidas: uma abertura, na qual o expositor se apresenta,
introduz o assunto e explicita o plano de sua exposição; o desenvolvimento, fase em que se expõe detalhadamente o
conteúdo conforme o plano apresentado e se recapitulam os pontos fundamentais do assunto; e finalmente, a conclusão,
com as observações finais e os agradecimentos. O expositor deve ser objetivo e se manter atento à reação dos ouvintes.
Pode falar de memória, ler em voz alta ou elaborar sua fala com base em seu planejamento. Recursos visuais, audiovisuais
ou multimídia costumam ser empregados para tornar a exposição mais atraente.

A seguir, veja algumas dicas para a apresentação:


1. Vocês podem começar explicando a estratégia empregada na organização do trabalho: quais tarefas cada um tomou para si, por
exemplo.
2. Elaborem lembretes com o assunto organizado em tópicos, para que não se esqueçam do fundamental. Concentrem-se no que
vocês julgam ser desconhecido pela maioria e priorizem as ideias principais.
3. Coloquem questões desafiadoras durante a apresentação para despertar a atenção e a curiosidade dos ouvintes. Procurem
manter empatia com os colegas, olhando diretamente em seus olhos. Deem oportunidade para interagirem, abrindo espaço
para perguntas e esclarecimento de dúvidas.
4. Falem pausadamente (sem ler), em tom agradável, de forma que todos possam ouvi-los sem que precisem “gritar”. Ao mesmo tem- PRODUÇÃO DE TEXTO
po, para não tornar a exposição cansativa, imprimam um ritmo à fala, variem o tom de voz, criem suspense. Apresentem recursos
visuais para tornar a exposição mais atraente.
5. Assim como a linguagem do relatório é formal, também nessa situação em que vocês “se colocam no lugar do professor ou de um
especialista” deve haver certa formalidade. Não usem gírias. Evitem também certos vícios como “então, né”, “daí”, “’tá?”.
Vocês saberão se a apresentação foi boa pelo interesse que despertarem na turma.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 1 a 3 Para aprimorar: 1 a 3

Linguagens e o processo de comunicação 9

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LINGUAGEM E ENUNCIAÇÃO
Falamos da linguagem e do que ela representa na socialização entre as pessoas. Mas de que
maneira ela se efetiva, se realiza? É na enunciação, isto é, na situação real de comunicação. A enun-
ciação engloba o processo de comunicação como um todo, abrangendo diversos elementos que o
condicionam e o modificam:

Ambiente espaço-
Assunto Código
-temporal
Chame a atenção dos alunos para a im-
portância da adequação ao contexto de
enunciação. Além do estranhamento, de-
vemos evitar equívocos, mal-entendidos
e situações indesejadas no ato comuni-
cativo. A vestimenta exemplifica e ilustra
Processo de
bem isso. Cada indivíduo pode ter seu Meio utilizado Participantes
jeito próprio de falar e de se vestir, re- comunicação
presentando sua cultura e personalida-
de, mas a adequação às circunstâncias
é muito importante e deve ser conside-
rada para que uma mensagem ou uma Conclui-se, portanto, que a enunciação é uma complexa interação de diversos fatores.
imagem seja bem transmitida, de acordo
com a intenção do enunciador. Comente
que, no caso da imagem em questão,
Frase e enunciado
ilustrando uma mensagem publicitária, Neste ponto, é importante trabalhar dois conceitos: frase e enunciado. São sinônimos? Há
o efeito de estranhamento é proposital, diferença entre eles? O enunciado é o resultado de um processo comunicativo efetivo, condicio-
um recurso para atrair a atenção do leitor.
nado por diversos elementos; já a frase é o resultado de uma combinação possível, compreensível
e de sentido completo, numa determinada língua, mas não contextualizada.
PARA
REFLETIR
[...] tem-se reservado o termo frase (5 sentença) para a unidade formal do sistema
Observe a imagem abaixo.
da língua, estruturada de acordo com os princípios da gramática, passível de um sem-
WAVEBREAKMEDIA/SHUTTERSTOCK

-número de realizações; e o termo enunciado, para a manifestação concreta de uma


frase, em situações de interlocução.
KOCH, Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem.
6. ed. São Paulo: Contexto, 2001.

Por se tratar do resultado efetivo de um processo de comunicação, sempre que possível, va-
lorizaremos o enunciado para exemplificar estruturas da língua e trabalhar com elas. Em algumas
Você nota algum estranhamento?
situações, por questões didáticas, trabalharemos com frases.
Trata-se de um homem de terno,
sentado na areia da praia, traba- Adequação
lhando em seu computador.
Em consequência da complexidade que envolve a enunciação, ou seja, o ato comunica-
O estranhamento é provocado
pela inadequação da figura do
tivo efetivo, os conceitos de certo ou errado tornam-se superficiais. É necessário considerar
homem em seu contexto. O mais um novo conceito: a adequação. Um enunciado pode ser considerado adequado quando é
natural ou esperado seria encon- apropriado aos elementos presentes no processo de comunicação, atendendo às necessidades
trá-lo trajado adequadamente dos falantes.
para o ambiente em que se en- Entende-se que o uso que cada indivíduo faz da língua depende de várias circunstâncias: do
contra e realizando outra ativida- que vai ser falado (assunto), do meio utilizado (canal), do contexto (ambiente espaço-temporal),
de ligada ao lazer. do objetivo e do nível sociocultural de quem fala e, importante, de quem é o interlocutor (ou seja,
Assim também acontece com a para qual pessoa se está falando). Isso significa que a linguagem do texto deve estar adequada à
linguagem: quando não nos ate- situação, ao interlocutor e à intencionalidade do falante. Assim, por exemplo, seria inadequado
mos à adequação do assunto, do
um professor universitário fazer uma palestra para alunos de 1o ao 5o anos do Ensino Fundamental
meio e da circunstância, pode
causar muito estranhamento! empregando palavras eruditas, desenvolvendo argumentos complexos e estruturas sintáticas muito
elaboradas – ele não seria compreendido por seus interlocutores.

10 Linguagens e o processo de comunicação

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Situação Enunciado Adequação

Texto de um e-mail enviado por uma E aí, cara? Adequado


adolescente a um amigo. Vamos no cinema à noite? (O enunciado contradiz algumas regras da gramática normativa,
Me responda logo. mas está adequado tendo em vista o interlocutor.)
Bj, Ju.

Texto de um e-mail enviado por uma Professora, Adequado


adolescente a uma professora. Mando-lhe este e-mail para justificar minha ausência no dia da (O enunciado é adequado e não contradiz as regras da
prova. Adoeci de repente, mas amanhã estarei de volta à escola gramática normativa.)
e levarei o atestado médico.
Obrigada,
Juliana da Silva

Fala de um adolescente ao telefone, Boa tarde. Como você está? Gostaria de saber se poderíamos ir ao Inadequado
direcionada a um amigo. cinema no sábado. Nós nos divertiríamos muito. (O enunciado não contradiz as regras da gramática normativa,
mas está inadequado à informalidade da situação.)

Fala de um adolescente ao telefone, E aí, mermão, tô te ligando pra saber se amanhã vai ter aula ou Inadequado
direcionada à secretaria da escola. não. (O enunciado é inadequado por ser demasiado informal para
a situação de comunicação em que está inserido e contradiz
algumas regras normativas.)

De maneira geral, distinguem-se dois tipos de registro da língua:


o registro informal ou coloquial: emprego das estruturas da língua de forma espontânea e fun-
cional. Aparece em contextos informais, íntimos e familiares, que permitem maior liberdade de
expressão. Esse registro mais informal também é encontrado em propaganda, programas de tele-
visão ou de rádio, entre outras.
o registro formal: emprego das estruturas da língua de forma mais cuidada e convencional. Apare-
ce em situações que exigem maior formalidade, sempre tendo em vista o contexto e o interlocutor.
Caracteriza-se pela conformidade ao conjunto de regras da gramática normativa.
No entanto, o registro formal e o registro coloquial ou informal são classificações extremas
de inúmeras variações do uso da língua – ora mais formais, ora mais informais –, tanto quanto
inúmeras são as situações de comunicação ao longo da vida em sociedade. O grande desafio é
estar preparado para utilizar o nível de linguagem adequado à situação e ao(s) interlocutor(es).
Como diz o linguista Marcos Bagno, trata-se de variações estilístico-pragmáticas, que podem
formar parte dos enunciados produzidos por um mesmo indivíduo, atendendo a diferentes
situações de interação.

USOS DA LÍNGUA

Bate-papo com Apresentação de relatório PRODUÇÃO DE TEXTO


um professor à direção da empresa

Bate-papo
com um amigo
Bate-papo com os pais Defesa de tese em
ambiente acadêmico
Registro Registro
coloquial culto

Linguagens e o processo de comunicação 11

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BARRACUDA STUDIO/
SHUTTERSTOCK
ESCRITA E ORALIDADE
Como você já deve ter percebido, o processo de comunicação efetiva-se num enunciado fala-
do ou escrito. Portanto, distinguem-se duas modalidades para a interação social pela linguagem: a
falada e a escrita.
Tanto na história da humanidade como em nossa história individual, primeiro falamos, depois
escrevemos. E mais: a modalidade falada é adquirida naturalmente, enquanto a escrita é aprendida
formalmente. Na fala, o significante é sonoro (conjuntos de sons – fonemas – que representam uma
ideia); na escrita, é gráfico (conjuntos de letras, representações gráficas dos sons da língua).
As modalidades falada e escrita têm características particulares na produção do enunciado, o
que permite reconhecer marcas da escrita e marcas da oralidade. Compare-as:

Modalidade falada Modalidade escrita

forte dependência contextual pouca dependência contextual

pouco planejamento ou planejamento simultâneo possibilidade de planejamento cuidadoso; fluxo não


à produção da fala: espontânea, fluxo fragmentado, fragmentado e contínuo, frases completas
mudança abrupta de construção, frases quebradas

coesão por meio de recursos paralinguísticos (entonação, coesão por meio de conectivos, de estruturas sintáticas,
gestos, olhares, entre outros) entre outros

predomínio de frases curtas, ordem direta, período períodos longos com muita subordinação, frases com
simples e coordenação estrutura complexa

presença de elementos que mantêm a conversação forte influência das convenções


aberta: “entende?”, “tá claro?”

Essas características diferenciais são extremas, podendo existir acomodações de acordo


com o tipo de gênero textual que se está produzindo e, ainda, de acordo com o registro empre-
gado (coloquial ou formal) na situação real de produção, independentemente de ser escrito ou
falado. Assim, em situações formais como na apresentação de um trabalho acadêmico, exige-se
um texto falado de alta complexidade de planejamento e no registro culto-formal; numa aula
expositiva, espera-se um texto falado planejado e no registro mais formal; numa conversa com
um amigo, pressupõe-se um texto falado pouco planejado e no registro coloquial.
Conhecendo as marcas de cada modalidade, podemos avançar um pouco mais: nem todo texto
falado pertence à modalidade falada, assim como nem todo texto escrito pertence à modalidade
escrita. Três exemplos significativos:
texto falado por um apresentador de telejornal: via de regra, pertence à modalidade escrita. É
previamente planejado, contínuo, apresenta estruturas sintáticas elaboradas. Em outras palavras:
tem todas as marcas da escrita e nenhuma marca da oralidade (na verdade, o texto é previamente
RZSTUDIO/
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escrito e, no ar, é lido pelos apresentadores);


fala do professor Alfredo Bosi numa mesa-redonda sobre a obra de Machado de Assis, reproduzida
em livro (Machado de Assis. São Paulo: Ática, 1982): “Não sei se devo fazer a pergunta que eu tinha
preparado, porque acho que, do que foi dito aqui, muitas coisas ficaram em aberto, poderiam ser
aprofundadas. Em todo caso, vou fazer essa pergunta e vocês responderão se quiserem, ou, se
preferirem, poderão voltar às coisas que ficaram em suspenso nas intervenções anteriores”. Apesar
de chegar ao leitor na forma escrita, pois fora transcrito, trata-se evidentemente de um texto da
modalidade falada com suas marcas características.
fragmento do romance Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade, em que ocorrem duas
situações distintas: o texto do narrador com marcas da modalidade escrita e as falas de per-
sonagens com marcas da oralidade, na tentativa de reproduzir o diálogo entre elas da forma
mais verossímil:

12 Linguagens e o processo de comunicação

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Esperou. Dona Laura mal respirava muito nervosa, não sabendo principiar.
— É por causa do Carlos...
— Ah... Sente-se.
— Não vê que eu vinha lhe pedir, Fräulein, pra deixar a nossa casa. Acredite:
isto me custa muito porque já estava muito acostumada com você e não faço má
ideia de si, não pense! mas... Creio que já percebeu o jeito de Carlos... ele é tão
criança!... Pelo seu lado, Fräulein, fico inteiramente descansada... Porém esses ra-
pazes... Carlos...
ANDRADE, Mário de. Amar, verbo intransitivo.
10. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. p. 76.

AS CONVERSAÇÕES
Dialogar, falar, trocar ideias: essas são as formas básicas mais naturais de comunicação e, pode-
mos dizer, universais de interação, já que são empregadas por todos os falantes de uma língua, sejam
eles escolarizados ou não. Conversas mais ou menos informais, com amigos, colegas, na sala de aula,
na rua... os textos orais circulam o tempo todo.
Entre as características particulares dos textos conversacionais destacam-se:
emprego de linguagem verbal e não verbal: ao falar, utilizamos o sistema linguístico em conjunto
com entonações, expressões faciais, gestos, olhares, movimentos, até com a indumentária e com
a postura; é quase impossível falar apenas com a linguagem verbal.
emprego de expressões fáticas: o estar frente a frente com o interlocutor leva a uma constante
interação com o outro, testando seu envolvimento, marcando emoções e sentimentos provoca- Comente com a sala em que consiste
dos pela fala, demonstrando interesse; são corriqueiras frases interjetivas como: “Claro!”, “Pois é!”, “o roubo”, observando a construção das
expressões do “Para refletir” abaixo.
“Nossa!”, “Veja!”, “Tudo bem?”, “Certo?”, “Tá entendendo?”. Em seguida, avalie se são realmente
turnos de fala determinados pela negociação constante: a conversação supõe dois ou mais efetivas para o roubo de turno, justifi-
participantes; os turnos de fala são as unidades que representam a participação de cada um. cando com exemplos em que poderiam
Cada vez que um dos participantes toma a palavra, começa um turno de fala. A passagem do ser empregadas.
Explique em que medida as diferenças
turno para outro participante depende da negociação entre eles, muitas vezes natural, algumas entre as expressões poderiam interferir
vezes sutil, em outras rude. Mas, de qualquer forma, a troca de turnos é fundamental para numa conversação.
que exista a conversação. Observe o diálogo abaixo entre Bentinho e Capitu, personagens do
romance Dom Casmurro: PARA
REFLETIR

[Bentinho] — A falar verdade são duas coisas, continuei eu, por haver-me acudido A negociação dos turnos de fala
é essencial nas conversas, nos
outra ideia.
textos dialogais. Mas, como já co-
[Capitu] — Duas? Diga quais são. mentamos, nem sempre a “troca”
— A primeira é que só se há de confessar comigo, para eu lhe dar a penitência e a de turnos acontece de forma “cer-
absolvição. A segunda é que... tinha” (uma pessoa fala primeiro,
— A primeira está prometida – disse ela vendo-me hesitar, e acrescentou que espe- por um determinado tempo; em
rava a segunda. seguida, outro, por tempo equi-
Palavra que me custou, e antes não me chegasse a sair da boca: não ouviria o que valente, sem interrupções). O mais
comum é que os turnos sejam
ouvi, e não escreveria aqui uma coisa que vai talvez achar incrédulos.
“roubados”. Entre as estratégias
— A segunda... sim... é que... Promete-me que seja eu o padre que case você? utilizadas para tomar a palavra e
PRODUÇÃO DE TEXTO
— Que me case? disse ela um tanto comovida. assumir um turno, nós, falantes,
Logo depois fez descair os lábios, e abanou a cabeça. utilizamos expressões como:
ASSIS, Machado de. Dom Casmurro.
São Paulo: Scipione, 1988. “Claro, no entanto... Sim, po-
rém...”.
“Pois é, mas... Discordo total-
Bentinho teve seu turno de fala “roubado” quando Capitu o interrompeu e afirmou “— A mente, pois...”.
primeira está prometida”, e disse que esperava a segunda coisa, devolvendo o turno de fala para “É, mas, por outro lado... Não é
Bentinho. Machado de Assis reproduz, assim, a negociação constante que se dá na conversação, nada disso... Eu acho que...”.
dando vivacidade e verossimilhança ao seu texto.

Linguagens e o processo de comunicação 13

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PARA CONSTRUIR

1 Imagine a reação de um leitor habitual das tiras do Calvin e Haroldo ao ler os três primeiros quadrinhos.

ATLANTIC SYNDICATION
WATTERSON, Bill. Calvin e Haroldo. O Estado de S. Paulo, 21 fev. 2001, p. D2.

a) Qual seria a reação? O que a provocaria?


A reação inicial seria de estranheza. Ela seria provocada pela linguagem formal que não costuma ser utilizada habitualmente por Calvin e sua mãe.

b) O que marca a diferença entre as falas nos três primeiros quadrinhos e no último?
Nos três primeiros quadrinhos, as conjugações estão na segunda pessoa do singular e do plural. Há o emprego do pronome
pessoal vós e do pronome possessivo vosso; do tempo verbal pretérito perfeito composto; de palavra em desuso, como “vilania”; de
figura de linguagem (comparação), etc. No último quadrinho, é empregado o pronome você e os verbos estão conjugados na terceira
pessoa.

c) Por que isso acontece? Quem são os falantes?


Os três primeiros quadrinhos reproduzem falas dos atores do programa de televisão (filme?, novela?) a que Calvin e sua mãe estão assistindo.

2 Explique o que Calvin quer dizer com “língua de gente”. Justifique.


“Língua de gente” é a variante da língua que ele utiliza e que consegue entender.

3 Classifique o emprego da variação dos três primeiros quadrinhos nos seguintes contextos situacionais, levando em consideração a
adequação:

a) nas falas das personagens de uma peça de teatro de um escritor português do século XVI;
adequada

b) nas falas de um diálogo entre um funcionário e seu chefe nos dias de hoje;
inadequada

c) nas falas de um bate-papo pela internet;


inadequada

d) nas falas entre mãe e filho.


inadequada

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 4 a 6 Para aprimorar: 4 a 9

14 Linguagens e o processo de comunicação

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Mãos à obra!
Nesta proposta, coloque em prática a variedade de registros existentes nas situações comuni-
cativas de nosso dia a dia.
Suponha que, em determinada escola onde estudam Marcela, de 15 anos, e Fernan-
do, de 8, as aulas tenham sido inesperadamente suspensas por falta de segurança.
Os desdobramentos dessa decisão serão vários, gerando algumas comunica-
ções entre interlocutores envolvidos na situação, que passamos a descrever.

a) A diretora da escola vai enviar um ofício às autoridades competentes da Secre- O


CK
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taria de Educação, exigindo providências urgentes para garantir que as atividades T TE
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na escola voltem à normalidade. Q
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OFÍCIO

Um ofício é uma correspondência que circula na esfera oficial. Tem as mesmas caracte-
rísticas de uma carta (local, data, vocativo, corpo, despedida e identificação), mas pressupõe
formalidade, incluindo as formas de tratamento convenientes (senhor; ilustríssimo ou excelentís-
simo senhor). Após o nome e a assinatura de quem escreve, deve constar o cargo que exerce. A
identificação da instituição se dá no timbre do próprio papel, cujo formato é denominado ofício.

b) A equipe de professores preparou um enorme cartaz que será afixado na fachada da escola para
avisar que as aulas estão suspensas e para protestar contra a violência de que é vítima a população
do bairro.

CARTAZ

Um cartaz precisa atingir um público heterogêneo, pois está presente em espaços públicos.
São requisitos fundamentais: correção gramatical, clareza, objetividade e capacidade de interferir
no comportamento de quem o lê. Em geral, o texto conta com o auxílio de imagens. A disposi-
ção do texto no cartaz, as imagens utilizadas, as cores e as dimensões das letras colaboram para

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a eficácia da comunicação. Existem cartazes esteticamente criados com intenções artísticas:
comunicam algo com beleza.

c) A mãe dos dois estudantes, que é secretária, precisará avisar seu superior, por e-mail, de que não
poderá comparecer ao trabalho nesse dia.

E-MAIL

O e-mail (electronic mail), ou mensagem eletrônica, circula na esfera digital, mediado por
um provedor da internet. Pela rapidez com que chega ao destinatário, vem substituindo a carta
convencional. A linguagem poderá ser formal ou informal, dependendo do nível de intimidade
dos interlocutores e dos assuntos a serem tratados. Usa-se a saudação, mas não é necessário PRODUÇÃO DE TEXTO
anotar a data, que aparecerá automaticamente. Os cumprimentos finais costumam ser breves.

d) Marcela vai avisar sua amiga, estudante de outra escola, que está de folga. Ela vai propor, via celular,
que se encontrem e planejem algo para aproveitarem o dia.

e) Fernando vai ligar para seu avô contando que está em casa. Vai pedir-lhe que venha passar a tarde
com ele.

Linguagens e o processo de comunicação 15

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Escolha três dessas situações, coloque-se no lugar de cada um dos envolvidos para comunicar
o fato, tendo em vista a adequação da mensagem à situação e aos interlocutores, e escreva três breves
textos para reproduzir as possíveis mensagens.
Algumas dicas para a elaboração de seus textos:
1. A diretora estará se dirigindo a uma autoridade hierarquicamente superior a ela.
2. Se escolher o cartaz, será necessário produzir um texto curto e convincente, uma vez que você
não contará com os recursos normalmente empregados: integração entre texto e imagem, cores,
formatos e tamanhos das letras, diagramação, entre outros.
3. Se escolher o e-mail ou a mensagem via celular, a simulação deverá contar com os recursos tec-
nológicos que possibilitam o envio da mensagem.
Depois, reúnam-se em grupos para trocar os textos entre vocês. Façam um rodízio para que os
membros do grupo possam ler todas as produções. Escrevam na própria folha do colega observações
que poderão contribuir para o aperfeiçoamento dos textos. Se julgarem necessário, refaçam os textos
que não atingiram satisfatoriamente os objetivos. O critério deverá ser a adequação da linguagem a
cada situação. (Use o espaço abaixo para anotações ao realizar a atividade.)

ANOTAÇÕES

16 Linguagens e o processo de comunicação

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Veja, no Guia do Professor, as respostas da
“Tarefa para casa”.
TAREFA PARA CASA
As respostas encontram-se no portal, em Resoluções e Gabaritos.

Qualquer texto pode se reencarnar nesses (e em outros) for-


PARA PRATICAR
matos, não importa se é Moby Dick ou Viagem a São Saruê, se
é Macbeth ou O livro de piadas de Casseta & Planeta.
1 (Enem) TAVARES, B. Disponível em: <www.jornaldaparaiba.globo.com>.
Ai, palavras, ai, palavras
Que estranha potência a vossa! Ao refletir sobre a possível extinção do livro impresso e o
Todo o sentido da vida surgimento de outros suportes em via eletrônica, o cronista
Principia a vossa porta: manifesta seu ponto de vista, defendendo que:
O mel do amor cristaliza a) o cordel é um dos gêneros textuais, por exemplo, que será
Seu perfume em vossa rosa; extinto com o avanço da tecnologia.
Sois o sonho e sois a audácia, b) o livro impresso permanecerá como objeto cultural veicu-
Calúnia, fúria, derrota... lador de impressões e de valores culturais.
A liberdade das almas, c) o surgimento da mídia eletrônica decretou o fim do pra-
ai! Com letras se elabora... zer de se ler textos em livros e suportes impressos.
e dos venenos humanos d) os textos continuarão vivos e passíveis de reprodução em
sois a mais fina retorta: novas tecnologias, mesmo que os livros desapareçam.
frágil, frágil, como o vidro e) os livros impressos desaparecerão e, com eles, a possibili-
e mais que o aço poderosa! dade de se ler obras literárias dos mais diversos gêneros.
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam...
3 (Enem)

ENEM
MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 1985. Fragmento.

O fragmento destacado foi transcrito do Romanceiro da In-


confidência, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio his-
tórico da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora
uma reflexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o
homem e a linguagem:

a) A força e a resistência humanas superam os danos provo-


cados pelo poder corrosivo das palavras. Índio Tapuia, A. Eckhout. (1610-1666).
Disponível em: <www.diaadia.pr.gov.br>. Acesso em: 9 jul. 2009.
b) As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu
equilíbrio vinculado ao significado das palavras. A feição deles é serem pardos, maneira d’avermelhados,
c) O significado dos nomes não expressa de forma justa e de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem
completa a grandeza da luta do homem pela vida. nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir,
d) Renovando o significado das palavras, o tempo permite às nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tan-
gerações perpetuar seus valores e suas crenças. ta inocência como têm em mostrar o rosto.
CAMINHA, P. V. A carta. Disponível em:
e) Como produto da criatividade humana, a linguagem tem <www.dominiopublico.gov.br>. Acesso em: 12 ago. 2009.
seu alcance limitado pelas intenções e gestos.
Ao se estabelecer uma relação entre a obra de Eckhout e o
2 (Enem) trecho do texto de Caminha, conclui-se que:
A discussão sobre “o fim do livro de papel” com a che- a) ambos se identificam pelas características estéticas mar-
gada da mídia eletrônica me lembra a discussão idêntica sobre cantes, como tristeza e melancolia, do movimento ro- PRODUÇÃO DE TEXTO
a obsolescência do folheto de cordel. Os folhetos talvez não mântico das artes plásticas.
existam mais daqui a 100 ou 200 anos, mas, mesmo que isso b) o artista, na pintura, foi fiel ao seu objeto, representando-o de
aconteça, os poemas de Leandro Gomes de Barros ou Manuel maneira realista, ao passo que o texto é apenas fantasioso.
Camilo dos Santos continuarão sendo publicados e lidos – em c) a pintura e o texto têm uma característica em comum,
CD-ROM, em livro eletrônico, em “chips quânticos”, sei lá o que é representar o habitante das terras que sofreriam
quê. O texto é uma espécie de alma imortal, capaz de reen- processo colonizador.
carnar em corpos variados: página impressa, livro em Braille, d) o texto e a pintura são baseados no contraste entre a cul-
folheto, “coffee-table book”, cópia manuscrita, arquivo PDF... tura europeia e a cultura indígena.

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e) há forte direcionamento religioso no texto e na pintura, populares ou vernáculas, deve-se insistir na ideia de que
uma vez que o índio representado é objeto da catequiza- essas normas se consolidaram em diferentes momentos da
ção jesuítica. nossa história e que só a partir do século XVIII se pode co-
meçar a pensar na bifurcação das variantes continentais, ora
4 (Enem) em consequência de mudanças ocorridas no Brasil, ora em
Há certos usos consagrados na fala, e até mesmo na Portugal, ora, ainda, em ambos os territórios.
escrita, que, a depender do estrato social e do nível de es- CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.;
colaridade do falante, são, sem dúvida, previsíveis. Ocor- BRANDÃO, S. (Orgs). Ensino de gramática: descrição e uso.
São Paulo: Contexto, 2007. Adaptado.
rem até mesmo em falantes que dominam a variedade-
-padrão, pois, na verdade, revelam tendências existentes na O português do Brasil não é uma língua uniforme. A varia-
língua em seu processo de mudança que não podem ser ção linguística é um fenômeno natural, ao qual todas as
bloqueadas em nome de um “ideal linguístico” que estaria línguas estão sujeitas. Ao considerar as variedades linguís-
representado pelas regras da gramática normativa. Usos ticas, o texto mostra que as normas podem ser aprovadas
como ter por haver em construções existentes (tem muitos ou condenadas socialmente, chamando a atenção do lei-
livros na estante), o do pronome objeto na posição de su- tor para a:
jeito (para mim fazer o trabalho), a não concordância das
passivas com se (aluga-se casas) são indícios da existência, a) desconsideração da existência das normas populares pe-
não de uma norma única, mas de uma pluralidade de nor- los falantes da norma culta.
mas, entendida, mais uma vez, norma como conjunto de b) difusão do português de Portugal em todas as regiões do
hábitos linguísticos, sem implicar juízo de valor. Brasil só a partir do século XVIII.
CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.;
c) existência de usos da língua que caracterizam uma norma
BRANDÃO, S. (Orgs). Ensino de gramática: descrição e uso. nacional do Brasil, distinta da de Portugal.
São Paulo: Contexto, 2007. Fragmento. d) inexistência de normas cultas locais e populares ou verná-
culas em um determinado país.
Considerando a reflexão trazida no texto a respeito da multi-
e) necessidade de se rejeitar a ideia de que os usos frequen-
plicidade do discurso, verifica-se que:
tes de uma língua devem ser aceitos.
a) estudantes que não conhecem as diferenças entre língua
escrita e língua falada empregam, indistintamente, usos 6 (Enem)
aceitos na conversa com amigos quando vão elaborar um
BROWNE, DIK. O MELHOR DE HAGAR, O HORRÍVEL, V. 2.
PORTO ALEGRE: L&PM POCKET, 2005. P. 55-56. ADAPTADO.

texto escrito.
b) falantes que dominam a variedade-padrão do português
do Brasil demonstram usos que confirmam a diferença
entre a norma idealizada e a efetivamente praticada, mes-
mo por falantes mais escolarizados.
c) moradores de diversas regiões do país enfrentam dificul-
dades ao se expressar na escrita revelam a constante mo-
dificação das regras de empregos de pronomes e os casos
especiais de concordância.
d) pessoas que se julgam no direito de contrariar a gramá-
tica ensinada na escola gostam de apresentar usos não
aceitos socialmente para esconderem seu desconheci-
mento da norma-padrão.
e) usuários que desvendam os mistérios e sutilezas da lín-
gua portuguesa empregam forma do verbo ter quando,
na verdade, deveriam usar formas do verbo haver, contra- Assinale o trecho do diálogo que apresenta um registro infor-
riando as regras gramaticais. mal, ou coloquial, da linguagem.
5 (Enem) a) “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!”
Motivadas ou não historicamente, normas prestigiadas b) “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus chifres
ou estigmatizadas pela comunidade sobrepõem-se ao longo cairão!”
do território, seja numa relação de oposição, seja de com- c) “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a atravessar a
plementaridade, sem, contudo, anular a interseção de usos rua ...”
que configuram uma norma nacional distinta da do portu- d) “... e ela me deu um anel mágico que me levou a um te-
guês europeu. Ao focalizar essa questão, que opõe não só as souro [...]”
normas do português de Portugal às normas do português e) “mas bandidos o roubaram e os persegui até a Etiópia
brasileiro, mas também as chamadas normas cultas locais às onde um dragão...”

18 Linguagens e o processo de comunicação

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PARA APRIMORAR

1 (Unicamp-SP)

UNICAMP–SP
Folha de S.Paulo, 8 out. 2003, p. F8.

Jogos de imagens e palavras são característicos da linguagem encontrar. Gostava de morro, de onde se pode observar
de história em quadrinhos. Alguns desses jogos podem remeter tudo de sua culminância. Havia se escondido em quase
a domínios específicos da linguagem a que temos acesso em todo o Rio de Janeiro, dos morros da Zona Sul até a Zona
nosso cotidiano, tais como a linguagem dos médicos, a lingua- Norte, mas a polícia já o encontrara em todos eles. Por esse
gem dos economistas, a linguagem dos locutores de futebol, a motivo, chegara ao morro do Juramento, no subúrbio da
linguagem dos surfistas, dentre outras. É o que ocorre na tira de Leopoldina, dando tiro em tudo quanto era bandido, der-
Laerte, acima apresentada. rubando barraco aos pontapés, gritando que quem man-
a) Transcreva as passagens da tira que remetem a domínios dava ali agora era o Grande: o Grande que tomou a maio-
específicos e explicite que domínios são esses. ria das bocas de fumo dos morros da Zona Sul; o Grande
b) Levando em consideração as relações entre imagens e de quase dois metros de altura, com disposição para enca-
palavras, identifique um momento de humor na tira e ex- rar cinco ou seis homens na mão de uma só vez; o Grande
plique como é produzido. que tinha uma metralhadora conseguida na marra de um
fuzileiro naval em serviço na praça Mauá; o Grande que
2 (Ufscar-SP) Leia o texto seguinte. teve sangue-frio para cortar o seu próprio dedo mindinho
Desculpe-nos pela demora em responder a sua recla- e colocá-lo num cordão; o Grande que matava policiais
mação sobre a sua TV de plasma. Precisávamos ter a cer- por achar a raça a mais filha da puta de todas as raças, essa
teza de que a nossa matriz aqui no Brasil estaria nos en- raça que serve aos brancos, essa raça de pobre que defen-
viando a referida peça. Na próxima semana, estaremos de os direitos dos ricos. Tinha prazer em matar branco,
fazendo uma revisão geral no aparelho e vamos estar en- porque o branco tinha roubado seus antepassados da Áfri-
viando ele para o senhor. Atenciosamente... ca para trabalhar de graça, o branco criou a favela e botou
Texto do e-mail de uma empresa, justificando o atraso em consertar um o negro para habitá-la, o branco criou a polícia para bater,
aparelho eletrônico. prender e matar o negro. Tudo, tudo que era bom era dos
brancos. O presidente da República era branco, o médico
Observa-se, nesse texto, um problema de estilo comum nas era branco, os patrões eram brancos, o-vovô-viu-a-uva do
correspondências comerciais e nas comunicações de tele- livro de leitura da escola era branco, os ricos eram brancos,
marketing e também um desvio da norma-padrão do portu- as bonecas eram brancas e a porra desses crioulos que vi-
guês do Brasil. ravam polícia ou que iam para o Exército tinha mais era
a) Identifique o problema de estilo e redija o trecho em que que morrer igual a todos os brancos do mundo.
ele ocorre, corrigido. Paulo Lins. Cidade de Deus.
b) Identifique o desvio e redija o trecho em que ele ocorre, Com relação a questões de linguagem presentes no texto de
corrigido. Paulo Lins, responda: PRODUÇÃO DE TEXTO
3 (Vunesp) a) Como deve ser entendida a palavra boca na frase que
A boca era de Sérgio Dezenove, também conhecido inicia o trecho do romance de Paulo Lins reproduzido: “A
como Grande, bandido famoso em todo o Rio de Janeiro boca era de Sérgio Dezenove […]”?
pela sua periculosidade e coragem, pelo seu prazer em b) Seria correto afirmar que o enunciador do texto vale-se,
matar policiais. Grande também fora morador da extinta na maioria das vezes, da reprodução da modalidade oral
favela Macedo Sobrinho, mas não foi morar em Cidade de da língua para construir seu discurso? Justifique sua res-
Deus, porque achava que ali seria muito fácil a polícia o posta por meio de exemplos retirados do texto.

Linguagens e o processo de comunicação 19

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4 (PUC-RJ) “Tem uma palavra que conheço mas que não “varreção”, quando não “barreção”. O que me deixa triste
consigo pegar.” O trecho em destaque reproduz a fala de sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre
uma pessoa em que fica marcado o registro coloquial de lin- o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha
guagem. Como você poderia reescrever esse trecho usando sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o
o registro formal? prato está rachado.
Rubem Alves. Disponível em: <http://rubemalves.uol.com.br/
5 (UFMG) quartodebadulaques>.

Leia este trecho: 6 (Fuvest-SP)


[...] qdo dei por mim estava casado, com 3 filhos e Ao manifestar-se quanto ao que seja “correto” ou “incorreto” no
renascido. na sequencia dos fatos fizemos, pedro e eu uma uso da língua portuguesa, o autor revela sua preocupação em:
dupla, como os bros Johnson, baixista e guitarrista cantan-
do e swingando, fizemos, mais ele do q eu uns grooves, a) atender ao padrão culto, em “fi-lo”, e ao registro informal,
uns balanções e mesmo uma “melô”, cortamos umas de- em “varrição”.
mos e começamos a circula-las. b) corrigir formas condenáveis, como no caso de “barreção”,
entre este momento e a especie d desfecho q veio uns em vez de “varreção”.
seis meses depois houve este periodo em q tentamos ar- c) valer-se o tempo todo de um registro informal, de que é
ranjar um casamento d conveniencia entre esta nossa ideia exemplo a expressão “missivas eruditas”.
e a bagagem pessoal e artistica d um Arnaldo dias batista d) ponderar sobre a validade de diferentes usos da língua,
recem emigrado d sampa, tb exilado histórico do grupo q em diferentes contextos.
tinha fundado e sem ter, exatamente, uma perspectiva. e) negar que costume cometer deslizes quanto à grafia dos
quase previsivelmente, ñ colou, o q é tudo q se preci- vocábulos.
sa saber para ñ desviar a narrativa. encerrado este breve 7 (Fuvest-SP) O amigo é chamado de “paladino da língua por-
porem intenso interludio refizemos em casa uma demo do tuguesa” porque:
projeto “duo” e destarte pusemos um pé na porta da então
a) costuma escrever cartas em que aponta incorreções gra-
phonogram, a Phillips.
maticais do autor.
na hora “h” a “junta” diretora da gravadora nos deu
b) sofre com os constantes descuidos dos leitores de “Quarto
um dá ou desce: as musicas eram o.k. mas dupla, só d
de Badulaques”.
sushi, no maximo sashimi, d artista ñ (ñ havia sido instau-
c) julga igualmente válidas todas as variedades da língua
rada ainda a necessidade da espingarda d 2 canos).
portuguesa.
Disponível em: <www.lulusantos.com.br>. Acesso em: 18 maio 2003.
d) comenta criteriosamente os conteúdos dos textos que o
Nesse trecho, convivem traços de diferentes registros de lin- autor publica.
guagem: o formal e o coloquial. e) é tolerante com os equívocos que poderiam causar repro-
Identifique alguns desses traços, associando-os ao seu regis- vação no vestibular.
tro, e explique a convivência deles no trecho dado.
8 (Fuvest-SP) “Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas
Texto para as questões de 6 a 8. reclama sempre que o prato está rachado.” Considerada no con-
Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito texto, essa frase indica, em sentido figurado, que, para o autor,
sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos a) a forma e o conteúdo são indissociáveis em qualquer
ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com mensagem.
precisas informações sobre as regras da gramática, que eu b) a forma é um acessório do conteúdo, que é o essencial.
não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que c) o conteúdo prescinde de qualquer forma para se apresentar.
eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma d) a forma perfeita é condição indispensável para o sentido
palavra no último “Quarto de Badulaques”. Acontece que exato do conteúdo.
eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, e) o conteúdo é impreciso, se a forma apresenta alguma im-
falei em “varreção” do verbo “varrer”. perfeição.
De fato, tratava-se de um equívoco que, num vestibu-
9 (UFV-MG) Suponha um aluno se dirigindo a um colega de
lar, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo,
classe nestes termos: “Venho respeitosamente solicitar-lhe se
paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer
digne emprestar-me o livro”. A atitude desse aluno se asse-
um xerox da página 827 do dicionário [...]. O certo é “var-
melha à atitude do indivíduo que:
rição”, e não “varreção”. Mas estou com medo de que os
mineiros da roça façam troça de mim, porque nunca os a) comparece ao baile de gala trajando smoking.
ouvi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me b) vai à audiência com uma autoridade de short e camiseta.
adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário [...]. c) vai à praia de terno e gravata.
Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. d) põe terno e gravata para ir falar na Câmara dos Deputados.
É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala e) vai ao Maracanã de chinelo e bermuda.

20 Linguagens e o processo de comunicação

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CAPÍTULO

2 O processo de comunicação
e seus elementos

Objetivos: CABELO DESFIADO:


r$ 120 com algum
hairstylist hype
c Refletir sobre
o processo de
comunicação CORDÃO:
e reconhecer r$ 40 em algum estande
seus elementos de feira itinerante

constituintes. PIERCING:
r$ 60 em média, em
c Refletir sobre estúdios na Zona sul CAMISETA-TENDÊNCIA:
a competência r$ 60 em lojas multimarcas
comunicativa.

c Refletir sobre os
recursos textuais
empregados na TATUAGEM:
construção de uma r$ 300, uma de
tamanho médio RELÓGIO:
mensagem.
r$ 220, os mais grandões
e coloridos

BRACELETE:
r$ 60 na mesma feira descolada
CORRENTE MODERNEX:
r$ 50, se a marca for famosa

CALÇA STYLE:
ag. o gloBo

TÊNIS GRIFADO:
de r$ 100 a 800 (importada) r$ 160

Mudernos de butique
Tem silicone nessa teoria de que os alternativos estão gastando os tubos para com-
prar roupa de grife. Quem vê a galerinha suando a camiseta Hering para entrar em festas
como Maldita, Loud! e Alien Nation sabe que isso está bem distante da realidade.
A turma do lado B anda de buzum e toma cerveja no bar da esquina antes de entrar na DE TEXTO
boate só pra economizar. Ouve Peaches e não Maria Rita. Coerentemente com essa ati-
tude, seu visual não é uniforme e muito menos caro. Cada um faz o seu, com o que está
PRODUÇÃO

a seu alcance. E geralmente fica legal. Afinal, estilo não tem marca, muito menos preço.
Tem coisa mais triste do que um grupo de meninas vestidas igualzinho passeando no
shopping? Cadê a identidade? Ficou em casa? O povo que paga uma baba por uma cami-
seta, só para parecer “louquinho”, acaba sendo tão fake quanto os peitos daquela atriz
quase famosa. Que tal ser você mesmo? Evita pagar mico e é bem mais barato.
ALBUQUERQUE, Carlos. Mudernos de butique. O Globo, 28 out. 2003. Megazine. p. 15.

Linguagens e o processo de comunicação 21

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No capítulo anterior, vimos que um enunciado tem de ser adequado, isto é, levar em conta a
situação, o interlocutor e a intencionalidade do falante num determinado ato comunicativo para
concretizá-lo com sucesso. Pensemos no artigo anterior: o contexto situacional da mensagem é uma
edição especial de uma revista voltada aos interesses de estudantes universitários e acontecimentos
culturais no campus; o interlocutor – leitor-alvo – é o estudante universitário; a intenção do falante
– autor do artigo – é questionar o que é “ser alternativo”, confrontando a noção de identidade à de
estilo, e argumentar contra o conceito de alternativo massificado e elitista. Terá o autor produzido
um texto adequado? Consegue ele atingir seu interlocutor? Observe os recursos utilizados: usa um
tom informal, pois o meio assim o permite e, até, o exige; seleciona expressões do léxico da faixa etária
a que se direciona (“mudernos”, “gastar os tubos”, “buzum”, “pagar uma baba”, “louquinho”, “fake”);
usa argumentos compatíveis; interage com seu interlocutor explicitamente, fazendo-o participar de
seu raciocínio (formula indagações, questiona o interlocutor). Se ele conseguiu seu objetivo ou não,
você responde.

O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO
Vimos que a enunciação, como processo comunicativo, é uma complexa interação de diversos
elementos que levam à formulação de determinado enunciado. Mas de que maneira poderíamos
esquematizar esse processo comunicativo?
Desmembrando o processo, observamos um falante (um dos participantes) que manipula
um código (sistema de sinais que vai utilizar) para a construção de uma mensagem (texto, enun-
ciado), sobre um referente (assunto, tema), por meio de um canal (meio pelo qual a mensagem é
veiculada), e um interlocutor (outro participante) a quem o texto é destinado e que interage com
a mensagem para compreendê-la.
Mas será que é só isso? Pensar no processo comunicativo como ato social, concretizando as
diversas interações sociais por meio da linguagem, é levar em consideração: o contexto situacional
(ambiente externo aos participantes, em que se realiza o processo), a intenção do falante (o que é
que ele quer realmente com a mensagem) e quem é o interlocutor da mensagem. Dessa maneira, um
falante, ao formular uma determinada mensagem, além de escolher o assunto, o código e o canal,
precisa considerar as características de seu interlocutor para adequar sua mensagem e agir sobre ele.
Por que tudo isso? Porque é o interlocutor que constrói um sentido para a mensagem, fazendo uso
de sua competência de leitura, dos seus conhecimentos prévios, de sua ideologia, de sua cultura, etc.
No texto “Mudernos de butique”, o autor (o falante), ao direcionar seu artigo (mensagem) para
o estudante universitário (interlocutor), faz uso de expressões típicas dessa faixa etária e desse univer-
so e cita exemplos, argumentando em função disso. Assim, pretende atingir seu objetivo: questionar
igor Kisselev/shutterstocK

os “mudernos de butique”, tentar convencê-los de que ser alternativo é ter identidade própria, ter
estilo, não apenas “usar roupa da moda”. Se o jornalista tivesse empregado um tom muito formal,
sem levar em conta as características de seu interlocutor, correria o risco de não ser compreendido
ou de não despertar a atenção dele.
O processo de comunicação não é apenas uma passagem de informação linear e mecânica,
mas sim uma complexa cadeia comunicativa.

Referente
Intenção Mensagem
Falante Interlocutor
Contexto Código
Canal

Competência comunicativa Competência comunicativa


Ideologia Ideologia
Cultura Cultura
Aspecto psicológico Aspecto psicológico
Gênero textual Gênero textual

22 Linguagens e o processo de comunicação

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AS COMPETÊNCIAS DOS PARTICIPANTES
No esquema anterior, é possível observar que tanto para o falante como para seu interlocutor
são apontados diversos conhecimentos e características que vão interferir no processo comunicativo.
A competência comunicativa, isto é, a habilidade que um indivíduo tem para lidar com a
linguagem, seja para formular enunciados (no caso do falante), seja para construir sentido para eles
(no caso do interlocutor), envolve o conhecimento de determinada língua, de suas variantes e de seus
registros. Se um falante formular um enunciado em japonês para um interlocutor que desconhece
essa língua, não se completará o processo comunicativo; se um falante formular um enunciado
em um registro ultraformal para um interlocutor de apenas cinco anos, provavelmente o processo
comunicativo não será inteiramente efetivado.
A ideologia e a cultura dos participantes estão presentes na formulação e na leitura de um
texto, condicionando e limitando as duas atividades, pois incluem o conjunto de crenças, represen-
tações e avaliações do mundo e da vida.
O aspecto psicológico retrata as influências variáveis do humor, da sensibilidade, da capaci-
dade de tolerância de cada indivíduo no momento exato do processo comunicativo. Muitas vezes,
um mesmo enunciado em momentos diferentes pode ser formulado de maneiras distintas por um
mesmo falante e pode ser lido e interpretado de maneiras distintas por um mesmo interlocutor.
O gênero textual condiciona a formulação do enunciado a modelos preexistentes. Dessa ma-
neira, o falante deve conhecer as particularidades de um gênero textual, adequando sua mensagem
a ele, assim como o interlocutor deve conhecê-las também, para construir sentido para a mensagem.
Podemos concluir que o falante deve, além de observar suas próprias capacidades e caracterís-
ticas, prestar muita atenção nas capacidades e nas características de seu interlocutor. Quanto mais
características comuns o falante e o interlocutor possuírem, maior o êxito do processo comunicativo.
Mais uma vez voltamos ao mesmo conceito: adequação – noção fundamental para a interação
social.

RECURSOS TEXTUAIS PARA A MONTAGEM


DA MENSAGEM
Em foco: a intencionalidade

“Palavrinhas” venenosas
A temporada está chegando. Vai ser um consolo muito grande
para os turistas saberem que, diante do caos que esta temporada
promete, até o prefeito da cidade sai de férias para, provavelmente,
curtir a temporada em outro lugar.
Disponível em: <www.litoralvirtual.com.br/noticias/2002/12/11.html>.
Acesso em: 6 jan. 2010.

DE TEXTO
ulhÔa ciNtra/arquivo da editora

PRODUÇÃO

Linguagens e o processo de comunicação 23

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Ao elaborar sua mensagem, o falante pode fazer uso de algumas palavras para posicionar-se ou
para persuadir o interlocutor, dependendo de sua intenção; essas palavras funcionam como “alfine-
tadas argumentativas” que buscam a adesão do interlocutor.
No enunciado anterior, destaca-se um exemplo de “palavrinha” argumentativa. Observe
que ela não tem uma função de base na estrutura sintático-semântica do enunciado, isto é,
pode ser retirada e o enunciado continuará tendo uma estrutura gramatical e o mesmo con-
teúdo semântico:

A temporada está chegando. Vai ser um consolo muito grande para os turistas sabe-
rem que, diante do caos que esta temporada promete, o prefeito da cidade sai de férias
para, provavelmente, curtir a temporada em outro lugar.

Percebeu a diferença? O enunciado ficou mais “leve”, menos “incisivo”. A “pequenina” palavra
até tem um substancial conteúdo de intencionalidade e torna o enunciado mais “venenoso”, isto
é, enfatiza a informação apresentada: se o próprio prefeito vai curtir férias fora da cidade, o que se
pode esperar da cidade?
Assim como o até, outras palavras e expressões funcionam como “venenos” persuasivos: aliás,
ainda, também, só, nem mesmo, no mínimo, entre outras. Algumas delas podem vir combinadas
com conjunções que funcionam como intensificadores (quando apresentam noção semântica
semelhante à conjunção a que se associam) ou modalizadoras (quando não apresentam noção
semântica semelhante à conjunção a que se associam):
Intensifica a noção de somatório Vai ser um consolo muito grande para os turistas saberem que, diante do caos que esta tem-
da conjunção aditiva e e destaca o porada promete, os moradores e também o prefeito da cidade saem de férias para, provavelmente,
segundo elemento (o prefeito). curtir a temporada em outro lugar.
Vai ser um consolo muito grande para os turistas saberem que, diante do caos que esta tempo-
rada promete, a cidade estará tranquila e mais barata do que em outras temporadas, mas também
estará desoladora.
Modaliza a noção de oposição da
conjunção adversativa mas, desta- Em foco: a referência situacional
cando que o segundo elemento,
ao mesmo tempo que se opõe, se Referenciação extratextual
soma ao primeiro.

Coisas que você precisa


saber antes de alugar

ulhÔa ciNtra/arquivo da editora


um carro no exterior
Tenho um filho de colo,
outro com 3 anos. Devo levar
daqui o bebê conforto e a ca-
deirinha?
A maioria das empresas ofe-
rece esses opcionais sem custo.
Mas esse tipo de acessório é como
comida especial de avião – você deve
pedir antes. Na hora da reserva, especifi-
que os itens necessários ao seu agente de viagem ou à locadora. Há outros artigos
disponíveis: rack para esquis, telefone a bordo e, em algumas locadoras, até um tipo
de navegador – um GPS portátil – para ajudar na localização.
Disponível em: <www.lufthansacc.com/veiculos/faq.do>.
Acesso em: 19 jan. 2013.

24 Linguagens e o processo de comunicação

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O processo de comunicação se desenvolve em lugar e tempo determinados, assim como tam-
bém envolve participantes determinados. Essas circunstâncias situacionais aparecem no texto por
meio do emprego de palavras “vazias”, isto é, palavras que só adquirem significado quando associadas

christos georghiou/shutterstocK
a um referente, que pode estar no próprio texto (referência textual) ou num contexto extratextual
(fora do texto).
No exemplo anterior, aparece no título da matéria o pronome pessoal você, que marca a se-
gunda pessoa do discurso, isto é, o interlocutor. Mas quem é esse interlocutor? A resposta imediata
e genérica é “o leitor da revista”. Mas, se quiséssemos individualizar esse interlocutor, teríamos de
pensar que, enquanto “João” lê o artigo, você é João; se “José” lê o artigo, você é José; se “Maria” lê o
artigo, você é Maria; se você lê o artigo, você é você. Em qualquer das hipóteses, o interlocutor está
fora do texto (trata-se, portanto, de uma referência extratextual).
E mais: você observou o daqui na pergunta? Será que é possível identificar a que se refere? Mais
uma vez, só se nos reportarmos ao processo de comunicação. Sabemos que se trata de um artigo
publicado numa página da internet que vende serviços ao público brasileiro; portanto, o daqui se
refere a um lugar do Brasil. Mas a que lugar exatamente? Se o leitor é uma pessoa que está em Brasília,
o daqui do texto é igual a Brasília; se o leitor é uma pessoa que está no Maranhão, o daqui é igual
a Maranhão.
Essas palavras que se preenchem de significado por meio de referências extratextuais remetem
às circunstâncias situacionais do processo de comunicação que estão fora do texto.
Alguns itens que funcionam com referenciação:

eu ⇒ falante;

você ⇒ interlocutor;
Pronomes pessoais
nós ⇒ falante 1 interlocutor; falante 1 3a pessoa; falante 1 interlocutor 1 3a pessoa;

vocês ⇒ interlocutor plural; interlocutor 1 3a pessoa.

este, esta, estes, estas, isto ⇒ perto do falante;

Pronomes demonstrativos esse, essa, esses, essas, isso ⇒ perto do interlocutor;

aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo ⇒ longe do falante e do interlocutor.

advérbios ⇒ hoje, amanhã, agora, ontem, entre outros.


Circunstanciais de tempo
locuções adverbiais ⇒ neste momento, daqui a pouco, dentro de um mês, entre outros.

advérbios ⇒ aqui, lá, cá, acolá, ali, aí, perto, longe, entre outros.
Circunstanciais de lugar
DE TEXTO
locuções adverbiais ⇒ neste lugar, naquele lugar, entre outros.

presente ⇒ simultaneidade com o momento do processo de comunicação;


PRODUÇÃO

Tempos verbais pretérito ⇒ anterioridade em relação ao momento do processo de comunicação;

futuro ⇒ posterioridade em relação ao momento do processo de comunicação.

Linguagens e o processo de comunicação 25

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Vamos analisar agora um caso famoso da literatura brasileira:

Canção do exílio
Coimbra, julho, 1843
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossas flores têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá;

marcos guilherme/
arquivo da editora
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Obras poéticas de Antônio
Gonçalves Dias. São Paulo: Ed. Nacional, 1944. p. 21. v. 1.

O primeiro passo para o leitor construir o sentido do poema é localizar os referentes dos
advérbios aqui e lá. Ora, isso só é possível se atentarmos a alguns elementos que estão no texto
e a alguns outros que estão fora do texto. O título do poema – “Canção do exílio” – sugere
que o falante (o eu lírico, no caso) está fora de sua terra natal; o poeta datou e situou o poema:
Coimbra, julho, 1843 – o que torna essa informação importante, sendo inadmissível que algu-
mas reproduções do poema a ignorem. A partir disso, é possível afirmar que aqui refere-se a
Coimbra, Portugal. Mas e o advérbio lá? Nesse caso, a referência é extratextual, o que significa
que precisamos buscar uma informação que não está no texto: qual é a terra natal de Gonçalves
Dias? Maranhão, Brasil. Só a partir dessa informação, chegamos à referência.

26 Linguagens e o processo de comunicação

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Em foco: a referência textual
Relações anafóricas e catafóricas

Os anos de conflito na Faixa de Gaza têm ameaçado os esforços de preservação da


rica história local, que remonta à Idade do Bronze.
Gaza foi colonizada ao longo de cinco milênios por diferentes civilizações, que dei-
xaram rastros como igrejas, monastérios, palácios e mesquitas, além de milhares de arte-
fatos preciosos.
“No subsolo de Gaza há uma outra Gaza, mas todos os sítios arqueológicos daqui
são descobertos por acaso”, diz Hayam Albetar, arqueóloga do Ministério de Turismo e
Antiguidades.
Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/bbc/1211567-negligencia-e-conflitos-ameacam-tesouros-
arqueologicos-de-gaza.shtml>. Acesso em: 19 jan. 2013.

Algumas palavras, também “vazias” de conteúdo semântico, podem não ter sua referência no
contexto extratextual, mas sim no contexto textual, isto é, no próprio texto da mensagem.
Observe o caso da palavra daqui no texto acima. Qual é seu referente? Onde o encontramos?
O referente é Gaza e o encontramos no próprio texto. Observe a diferença em relação ao aqui do
texto anterior (nele, o referente estava fora do texto).
E mais: observando a posição do advérbio daqui, podemos perceber que ele aparece depois do
referente. Em casos como esse, em que o referente é antecedente, a referência é anafórica.
Já no texto a seguir, a referência de daqui é diferente:

Aconchegante. É a melhor palavra para definir as instalações daqui de Londres. Tudo


impressiona pela grandiosidade. Temos as condições perfeitas para buscar os nossos objetivos.
Disponível em: <www.lancenet.com.br/londres-2012/Delegacao-paralimpica-brasileira-
Londres_0_760724135.html>. Acesso em: 19 jan. 2013.

Nesse caso, o referente (Londres) aparece depois do advérbio: trata-se de uma referência
catafórica.

Anáfora: o referente vem antes.

Temos as condições que são perfeitas.


referente
Catáfora: o referente vem depois.

As instalações daqui de Londres.


referente

Essas referências textuais têm uma função muito importante: a coesão do texto, articulando e
aviaN/shutterstocK

relacionando as informações que estão presentes nele.


Recapitulando:
DE TEXTO
Contexto
extratextual
PRODUÇÃO

Referenciação Anafórica

Contexto textual

Catafórica

Linguagens e o processo de comunicação 27

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SAIBA MAIS O MECANISMO DE SELEÇÃO E COMBINAÇÃO
Como vimos, a língua é entendida como “a parte social da linguagem”, ou seja, ela pertence
Você sabia que a lingua-
a uma comunidade ou grupo social, como a língua portuguesa, a língua francesa, entre outras.
gem também tem sua ciência?
Só a comunidade como um todo pode agir sobre ela. Entretanto, cada indivíduo pode fazer
Ferdinand Saussure (1857-
uso da língua; a esse ato de comunicação verbal individual chama-se fala. Na fala, o indivíduo
-1913), nascido na Suíça, é
escolhe, seleciona as palavras para depois organizá-las, combiná-las, dentro das possibilidades
conhecido como o pai da lin-
que a sintaxe da língua oferece. Esse trabalho de seleção e combinação não é aleatório, não é
guística moderna, considerada
realizado por acaso, mas está intimamente ligado à intenção do falante. Afinal, seleção significa
hoje uma ciência autônoma,
“escolha fundamentada”.
assim como a Física, a Quími-
ca, a História…
Linguística é a ciência da [Língua] é a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, que, por si só, não
linguagem e linguistas são os pode nem criá-la nem modificá-la; ela não existe senão em virtude duma espécie de
estudiosos das línguas. Eles se contrato estabelecido entre os membros da comunidade.
interessam em investigar todos [A fala] é sempre individual e dela o indivíduo é sempre senhor. A língua é necessá-
os fenômenos da linguagem ria para que a fala seja inteligível e produza os seus efeitos; mas esta é necessária para
humana, buscando entender que a língua se estabeleça; historicamente, o fato da fala vem sempre antes.
suas estruturas e seus sentidos. SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral. 7. ed. São Paulo: Cultrix, 1975. p. 22 e 27.

A seleção
Ao se falar em seleção, é preciso atentar para dois aspectos:
aspecto gramatical: a seleção pode se dar em conjuntos ou subconjuntos que funcionam como
unidades sintáticas dentro da unidade maior que é a frase. Por exemplo, no enunciado a seguir,
retirado de um horóscopo, “A Lua favorece sua relação a dois e associações”, o conjunto “A Lua”
funciona como sujeito, formando um sintagma centrado num substantivo. O falante poderia se-
lecionar outros elementos, mantendo a mesma estrutura:
A Lua
O Sol
O clima
O ambiente favorece [...]
O dia
A noite
Tudo
O mesmo poderia ocorrer com o verbo que funciona como núcleo do predicado:
favorece
ajuda
A Lua ilumina
refresca
acalenta
aspecto ideológico: a seleção pode se dar em um conjunto de palavras que poderiam ser enten-
didas como sinônimos:
O menino
O moleque
O pivete pegou o doce.
O garoto
A criança
O trombadinha
Observe que, nesse caso, o termo selecionado é revelador, vem carregado de juízo de valor,
reflete um posicionamento, uma leitura de mundo, uma ideologia.

28 Linguagens e o processo de comunicação

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A combinação
Seguindo a mesma linha, também quando se fala em combinação, é preciso atentar para dois
aspectos:
aspecto gramatical: já vimos que os enunciados precisam obedecer às regras da gramática na-
tural da língua, combinando adequadamente seus elementos (caso contrário, os conjuntos serão
agramaticais). Assim, é possível combinar artigos e adjetivos com substantivos; verbos com seus
eventuais complementos, antecedidos ou não de preposição; advérbios de intensidade com verbos,
com adjetivos e com outros advérbios:

A mulher pediu ajuda ao guarda.

O homem lamentou muito.

aspecto ideológico: dentro do leque de opções que as estruturas gramaticais oferecem, o falante
pode optar por uma ou outra, dependendo do que quer enfatizar, realçar. Por exemplo: a língua
oferece a possibilidade de construir um enunciado na voz ativa ou na voz passiva; a combinação
feita pelo falante nunca é aleatória. Compare:
A mulher foi ajudada pelo guarda.
O guarda ajudou a mulher.
A informação é a mesma, mas, na primeira construção, o elemento mulher, sujeito da oração,
está realçado; na segunda, o realce recai no elemento guarda, sujeito da oração. Deslocamentos de
termos e inversões também podem ser intencionalmente empregados para ressaltar determinados
componentes dos enunciados.

PARA CONSTRUIR

Texto para as questões 1 a 8. esse amor romântico, casam-se, separam-se e casam-se


Entrevista: Flávio Gikovate de novo, várias vezes, até aprender essa lição. Se é que
aprendem. Se um jovem já tem a noção de que não pre-
Não precisa casar. Sozinho é melhor. cisa se casar para ser feliz, ele pulará todas essas etapas
eduardo KNaPP/FolhaPress

Por Duda Teixeira


que provocam sofrimento.
Com 41 anos de clínica, o
Veja – As mulheres são mais ansiosas em casar do que os
médico psiquiatra Flávio Gikovate
homens? Por quê?
acompanhou os fatos mais mar-
Gikovate – As mulheres têm obsessão por casamento.
cantes que mudaram a sexualida-
É uma visão totalmente antiquada, que os homens não
de no Brasil e no mundo. [...]
Gikovate ataca o amor romântico possuem. Uma vez, quando eu ainda escrevia para a revis-
e defende o individualismo, en- ta Cláudia, o pessoal da redação fez uma pesquisa sobre os
tendido não como descaso pelos desejos das pessoas. O maior sonho de 100% das moças
outros e sim como uma maneira de 18 a 20 anos de idade era se casar e ter filho. Entre os
de aumentar o conhecimento de si próprio. homens, quase nenhum respondeu isso. Queriam ser bons
Veja – Que conselhos você daria para um jovem que aca- profissionais, fazer grandes viagens. Essa diferença abismal
ba de começar na vida amorosa? acontece por razões derivadas da tradição cultural. No pas-
Gikovate – É preciso que o jovem entenda que o sado, o casamento era do máximo interesse das mulheres
DE TEXTO
amor romântico, apesar de aparecer o tempo todo nos porque só assim poderiam ter uma vida sexual socialmen-
filmes, romances e novelas, está com os dias contados. te aceitável. Poderiam ter filhos e um homem que as pro-
Esse amor, que nasceu no século XIX com a revolução tegeria e pagaria as contas. Os homens, por sua vez, enten-
PRODUÇÃO

industrial, tem um caráter muito possessivo. Segundo diam apenas que algum dia eles seriam obrigados a fazer
esse ideal, duas pessoas que se amam devem estar juntas isso. Nos dias que correm, as razões que levavam mulheres
em todos os seus momentos livres, o que é uma afronta a ter necessidade de casar não se sustentam. Nas universi-
à individualidade. O mundo mudou muito desde então. dades, o número de moças é superior ao de rapazes. Em
É só olhar como vivem as viúvas. Estão todas felizes da poucas décadas, elas ganharão mais que eles. Resta acom-
vida. Contudo, como muitos jovens ainda sonham com panhar o que irá acontecer com as mulheres, agora livres

Linguagens e o processo de comunicação 29

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sexualmente, nem sempre tão interessadas em ter filhos e 3 No trecho transcrito, temos duas ocorrências do pronome
independentes economicamente. pessoal eu e uma ocorrência do pronome de tratamento
Veja – Como será o amor do futuro? você. Quais são seus referentes?
Gikovate – Os relacionamentos que não respeitam a
individualidade estão condenados a desaparecer. Isso de os três pronomes têm um mesmo referente: o entrevistado Flávio

certa forma já ocorre naturalmente. No Brasil, o número gikovate. isso é possível porque o pronome você é empregado
de divórcios já é maior que o de casamentos no ano. Atual- pela jornalista para se dirigir ao interlocutor (o entrevistado); o
mente, muitos homens e mulheres já consideram que fica- pronome eu é empregado pelo entrevistado em suas respostas.
rão sozinhos para sempre ou já aceitam a ideia de aguardar
até o momento em que encontrarão alguém parecido tan-
to no caráter quanto nos interesses pessoais. Se isso ocor-
rer, terão prazer em estar juntos em um número grande de
situações. Nesse novo cenário, em que há afinidade e res-
peito pelas diferenças, a individualidade é preservada. Eu
estou no meu segundo casamento. Minha mulher gosta de 4 E temos cinco ocorrências de pronomes de terceira pessoa
ópera. Quando ela quer ir, vai sozinha. E não há qualquer (ele/eles; ela/elas). Quais são seus referentes?
problema nisso. em “se um jovem já tem a noção de que não precisa se casar
Disponível em: <http://veja.abril.com.br/entrevistas/flavio_gikovate.shtml>.
Acesso em: 20 jan. 2013. para ser feliz, ele pulará todas essas etapas que provocam
sofrimento”, o referente é “um jovem”; em “Nas universidades, o
1 Comente a adequação da linguagem do entrevistado à situa-
número de moças é superior ao de rapazes. em poucas décadas,
ção de comunicação.
elas ganharão mais que eles”, o referente de elas é “moças” e
Comentário: espera-se que os alunos percebam que a linguagem está
o de eles é “rapazes”; em “os homens, por sua vez, entendiam
adequada; predomina um tom relativamente formal, adequado
apenas que algum dia eles seriam [...]”, o referente é “homens”;
a uma revista semanal de circulação nacional (ou seja, os
em “quando ela quer ir, vai sozinha”, o referente é “minha mulher”.
possíveis leitores pertencem a um amplo arco, tanto do ponto
de vista social como de escolaridade). apesar de o entrevistado
falar de um lugar bem definido (é um especialista no tema; um
reconhecido médico psiquiatra), não utiliza termos técnicos,
científicos, chegando mesmo a dar exemplo de sua vida pessoal.
5 Nas respostas do entrevistado, temos várias passagens tem-
porais, e relacioná-las aos seus referentes é fundamental para
entender o desenvolvimento do texto.

a) Em “O mundo mudou muito desde então.” (primeira res-


posta), qual é o referente de “então”?
2 Numa entrevista, as perguntas são planejadas de forma a
o referente de “então” é “século XiX”.
possibilitar a revelação de opiniões do entrevistado sobre
determinado assunto ou de forma a obter informações. Pelo Comentário: a questão da referenciação é fundamental para que os
trecho lido, o que é possível deduzir sobre as opiniões do en- alunos entendam a progressividade do texto.
trevistado?
resposta pessoal.

b) A que passagem temporal podemos relacionar a palavra


“agora” em “[...] agora livres sexualmente [...]” (segunda res-
posta)?
Agora se relaciona de forma antagônica a “No passado”, que
aparece anteriormente.

30 Linguagens e o processo de comunicação

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6 Qual é o efeito de sentido produzido pela passagem “Se é 10 Relacione a última fala do entrevistado, em que ele exem-
que aprendem.” (primeira resposta)? plifica com sua vida pessoal, ao título que abre a matéria da
revista e escreva um pequeno comentário.
trata-se de uma passagem de grande importância para a argumen-
tação do entrevistado, já que ele apresenta uma conclusão (que, em resposta pessoal.

parte, contraria as ideias que defende) e imediatamente a coloca


em dúvida.

Texto para as questões 11 e 12.

HORA DO CAFÉ MANDRADE

maNdrade/FolhaPress
7 Em “[...] um jovem que acaba de começar na vida amorosa”,
o que exprime a locução destacada?
exprime a duração do processo indicado, como o falante considera
o desenvolvimento do processo (aspecto verbal). No caso, trata-se
de uma ação que se iniciou pouco tempo antes do momento da fala.

Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/ilustrada/cartum/


8 Em “Nos dias que correm, as razões que levavam mulheres a cartunsdiarios/#15/1/2013>. Acesso em: 20 jan. 2013.
ter necessidade de casar não se sustentam.”, a expressão tem-
poral é textual ou situacional? Explique. 11 No último quadrinho, há uma palavra que faz referenciação
trata-se de uma referência situacional, já que não há menção a datas
de noção temporal. Aponte-a e comente o tipo de referen-
ciação que faz.
no texto. o leitor entende que é uma referência ao tempo em que foi
realizada a entrevista; para localizar exatamente quais são os dias a palavra é o advérbio hoje. trata-se de um caso de referenciação

que correm, é necessário pesquisar a data em que a revista foi exofórica (extratextual), pois não há no texto nenhum referente para

publicada. ela. a única informação que temos é que o hoje coincide com o
momento do processo de comunicação.

9 Após a leitura desses trechos da entrevista, o que é possível 12 Em que consiste o humor da tira no último quadrinho?
DE TEXTO
dizer do gosto musical do psiquiatra? o humor da tira consiste no jogo temporal entre “nos próximos
Pode-se concluir que ele não é um grande apreciador de ópera. anos” e “hoje”: as pesquisas apontam uma situação futura que,
PRODUÇÃO

ironicamente, já ocorre no momento presente.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 1 a 7 Para aprimorar: 1 a 7

Linguagens e o processo de comunicação 31

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MÃOS À OBRA!
Esta matéria foi publicada no site do jornal Valor Econômico, em 5 de dezembro de 2012. Ao
realizar sua leitura, tenha como objetivo respostas para estas perguntas:
Que fato está sendo comunicado?
Quais são os envolvidos no fato?
Qual é a importância desse fato para nossa realidade?
Lendo o título da matéria, você perceberá tratar-se de um ranking de percepção de corrupção
no qual o Brasil ocupa a 69a posição. Portanto, busque, em sua leitura, saber:
Quem realiza esse ranking?
Quais são os critérios utilizados?
Quantos países participam da classificação?
O que significa estar na 69a posição?
Quais as consequências de o Brasil estar nessa posição?

Brasil fica em 69o em ranking de percepção da corrupção, diz ONG


Por Valor

SÃO PAULO – O Brasil ficou na 69a colocação em um ranking de percepção de corrupção, elaborado pela organização não
governamental Transparência Internacional e divulgado em seu site. Nos três primeiros lugares, onde a percepção de corrupção
no setor público é menor, ficaram Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia.
O Reino Unido aparece em 17o lugar neste ranking de 2012, empatado com o Japão. Logo abaixo aparecem os Estados
Unidos, na 19a posição. O mais bem colocado na América Latina é o Chile, em vigésimo, empatado com o Uruguai. As
duas nações aparecem à frente da França, que ficou na 22a posição. O Peru ficou em 83o e a Argentina, em 102o.
O Brasil ficou logo atrás da Arábia Saudita no ranking deste ano, empatado com a África do Sul. Entre os Brics, a China
ficou em 80o lugar, a Índia em 94o, e, em 133o, está a Rússia.
A posição brasileira representa uma melhora em comparação com o levantamento da Transparência Internacional de 2011,
quando o Brasil estava em 73o lugar. Com a posição deste ano, o Brasil volta à mesma posição que estava em 2010.
Os países onde é percebido o maior nível de corrupção no setor público, entre os 176 analisados, são, empatados na última
posição, o Afeganistão, a Coreia do Norte e a Somália.
A ONG alerta, em seu relatório, para o fato de que a corrupção “é uma importante ameaça para a humanidade”. “Ela gera
revolta popular, que ameaça desestabilizar mais sociedades e exacerbar violentos conflitos”, diz a entidade.
Na Europa, a Grécia ficou no 94o posto. Em crise financeira, enfrentando uma dura recessão e taxas alarmantes de desem-
prego, o país é o pior colocado na União Europeia.
O ranking da Transparência Internacional atribui notas de 0 a 100, para medir os níveis percebidos de corrupção no setor
público. “Ainda que nenhum país tenha uma nota perfeita, dois terços dos países ficaram com menos de 50, indicando um sério
problema de corrupção”, aponta a ONG. Os primeiros lugares tiveram nota 90, enquanto a Somália teve 8. O Brasil teve 43.
A ONG informa em seu site que elabora o ranking a partir de uma série de pesquisas pelo mundo, feitas por instituições
independentes especializadas em governança e em análises do clima de negócios. A Transparência Internacional afirma que
revisa a metodologia de cada pesquisa utilizada, para evitar distorções nos resultados.
Disponível em: <www.valor.com.br/internacional/2928990/brasil-fica-em-69>. Acesso em: 31 jul. 2014.

Após uma leitura atenta e uma análise da situação do Brasil em relação aos demais países da
América Latina, posicione-se diante do fato exposto e prepare-se para escrever uma carta de
leitor a fim de manifestar seu ponto de vista sobre a matéria. Escreva como se realmente fosse
enviar a carta para publicação.

32 Linguagens e o processo de comunicação

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CARTA DE LEITOR

A carta de leitor apresenta os mesmos constituintes de uma carta pessoal (local de onde se
escreve, data, saudação inicial, corpo da mensagem, saudação final e identificação); o diferencial
é que seu destinatário é um veículo de comunicação que decidirá por sua publicação (ou não)
em seções especialmente destinadas para isso. O assunto da carta de leitor relaciona-se a alguma
matéria publicada anteriormente nesse veículo e em relação à qual o leitor deseja fazer comentá-
rios, sejam de anuência, sejam de protesto, sejam de divergência. Trata-se de texto opinativo que,
em geral, apresenta argumentos; estes precisam ser suficientemente convincentes para embasar
o ponto de vista do remetente.

Dicas:
1. Seu referente será a notícia lida; é a ela que você deverá se reportar. Portanto, inicie sua carta
citando-a. Para se referir à matéria, empregue os pronomes e advérbios adequados, de forma que
obtenha um texto coeso e sem muitas repetições de palavras.
2. Como seus interlocutores serão um veículo de comunicação e seus leitores, selecione e combine
cuidadosamente cada palavra, visando persuadi-los (no caso da publicação de sua carta) de sua
opinião.
3. Seu texto deverá, portanto, ser constituído predominantemente de sequências argumentativas.
Mostre a matéria do jornal e sua carta para um amigo ou parente ler. Pergunte-lhe se você foi
suficientemente convincente na argumentação e em que pontos sua carta poderia ser melhorada.
Reescreva-a a partir das críticas para, depois, compartilhar a leitura com os colegas. Alguns
alunos serão escolhidos para realizar a leitura da carta em voz alta. Se você for escolhido, use sua voz
e sua expressão corporal para ratificar o conteúdo de seu texto.
Treine a elaboração de textos como esse escrevendo para jornais e revistas a fim de expressar
seu posicionamento sobre as matérias publicadas.

ANOTAÇÕES

DE TEXTO
PRODUÇÃO

Linguagens e o processo de comunicação 33

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veja, no guia do Professor, as respostas
TAREFA PARA CASA da “tarefa para casa”.

As respostas encontram-se no portal, em Resoluções e Gabaritos.

PARAPARA
PRATICAR
PRATICAR

1 (Enem)

reProduÇÃo/laerte/eNem 2012
LAERTE. Disponível em: <http://blog.educacional.com.br>.
Acesso em: 8 set. 2011.

Que estratégia argumentativa leva o personagem do terceiro


quadrinho a persuadir sua interlocutora?
a) Prova concreta, ao expor o produto ao consumidor.
b) Consenso, ao sugerir que todo vendedor tem técnica.
c) Raciocínio lógico, ao relacionar uma fruta com um produ-
to eletrônico.
d) Comparação, ao enfatizar que os produtos apresentados
anteriormente são inferiores.
eNem

e) Indução, ao elaborar o discurso de acordo com os anseios


do consumidor.
XAVIER, C. Quadrinho quadrado. Disponível em:
<www.releituras.com>. Acesso em: 5 jul. 2009.
3 (Enem)
Tendo em vista a segunda fala do personagem entrevistado, E como manejava bem os cordéis de seus títeres, ou
constata-se que ele mesmo, títere voluntário e consciente, como entregava
a) o entrevistado deseja convencer o jornalista a não publi- o braço, as pernas, a cabeça, o tronco, como se desfazia de
car um livro. suas articulações e de seus reflexos quando achava nisso
b) o principal objetivo do entrevistado é explicar o significado conveniência. Também ele soubera apoderar-se dessa arte,
da palavra motivação. mais artifício, toda feita de sutilezas e grosserias, de expec-
c) são utilizados diversos recursos da linguagem literária, tais tativa e oportunidade, de insolência e submissão, de silên-
como a metáfora e a metonímia. cios e rompantes, de anulação e prepotência. Conhecia a
d) o entrevistado deseja informar de modo objetivo o jorna- palavra exata para o momento preciso, a frase picante ou
lista sobre as etapas de produção de um livro. obscena no ambiente adequado, o tom humilde diante do
e) o principal objetivo do entrevistado é evidenciar seu senti- superior útil, o grosseiro diante do inferior, o arrogante
mento com relação ao processo de produção de um livro. quando o poderoso em nada o podia prejudicar. Sabia des-
fazer situações equívocas, e armar intrigas das quais se saía
2 (Enem) sempre bem, e sabia, por experiência própria, que a fortu-
na se ganha com uma frase, num dado momento, que este
momento único, irrecuperável, irresistível, exige um esta-
do de alerta para a sua apropriação.
RAWET, S. O aprendizado. In: Diálogo. Rio de Janeiro: GRD, 1963.
Fragmento.

No conto, o autor retrata criticamente a habilidade do per-


sonagem no manejo de discursos diferentes segundo a po-
sição do interlocutor na sociedade. A crítica à conduta da
personagem está centrada
a) na imagem do títere ou fantoche em que a personagem
acaba por se transformar, acreditando dominar os jogos
de poder na linguagem.

34 Linguagens e o processo de comunicação

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b) na alusão à falta de articulações e reflexos da personagem, dando a entender que ela não possui o manejo dos jogos discursi-
vos em todas as situações.
c) no comentário, feito em tom de censura pelo autor, sobre as frases obscenas que a personagem emite em determinados am-
bientes sociais.
d) nas expressões que mostram tons opostos nos discursos empregados aleatoriamente pela personagem em conversas com
interlocutores variados.
e) no falso elogio à originalidade atribuída a essa personagem, responsável por seu sucesso no aprendizado das regras de lingua-
gem da sociedade.

4 (ESPM-SP)

esPm-sP
A graça da tira decorre:
a) da redundância na explicação (2o quadrinho) sobre a condição grotesca (não conseguir descer) em que se encontra o rei.
b) da pergunta retórica (1o quadrinho) feita por Hagar por já ter percebido a situação vexatória do rei.
c) do contraste entre a 1a fala (aviso com conotações político-revolucionárias) e a explicação (motivo fútil) no 2o quadrinho.
d) do uso pelas personagens de uma linguagem coloquial, incompatível para se dirigir a uma majestade.
e) da reiteração involuntária (1o quadrinho) praticada pela personagem, proclamando a circunstância constrangedora do rei.

5 (Enem)
Lugar de mulher também é na oficina. Pelo menos nas oficinas dos cursos da área automotiva fornecidos pela Prefei-
tura, a presença feminina tem aumentado ano a ano. De cinco mulheres matriculadas em 2005, a quantidade saltou para
79 alunas inscritas neste ano nos cursos de mecânica automotiva, eletricidade veicular, injeção eletrônica, repintura e funi-
laria. A presença feminina nos cursos automotivos da Prefeitura – que são gratuitos – cresceu 1480% nos últimos sete anos
e tem aumentado ano a ano.
Disponível em: <www.correiodeuberlandia.com.br>. Acesso em: 27 fev. 2012. Adaptado.

Na produção de um texto, são feitas escolhas referentes a sua estrutura, que possibilitam inferir o objetivo do autor. Nesse sentido,
no trecho apresentado, o enunciado “Lugar de mulher também é na oficina” corrobora o objetivo textual de:
a) demonstrar que a situação das mulheres mudou na sociedade contemporânea.
b) defender a participação da mulher na sociedade atual.
c) comparar esse enunciado com outro: “lugar de mulher é na cozinha”.
d) criticar a presença de mulheres nas oficinas dos cursos da área automotiva.
e) distorcer o sentido da frase “lugar de mulher é na cozinha”.

6 (Enem)
eNem

DE TEXTO
PRODUÇÃO

BROWNE, C. Hagar, o horrível. Jornal O Globo, Segundo Caderno. 20 fev. 2009.

Linguagens e o processo de comunicação 35

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A linguagem da tirinha revela:
a) o uso de expressões linguísticas e vocabulário próprios de épocas antigas.
b) o uso de expressões linguísticas inseridas no registro mais formal da língua.
c) o caráter coloquial expresso pelo uso do tempo verbal no segundo quadrinho.
d) o uso de um vocabulário específico para situações comunicativas de emergência.
e) a intenção comunicativa das personagens: a de estabelecer a hierarquia entre elas.

7 (UEPB) Da leitura do texto abaixo, pode-se inferir:

maurÍcio de souZa ProduÇÕes

( ) A diversidade linguística se caracteriza pelas especificidades dialetais que contemplam as múltiplas possibilidades de uso da língua.
( ) O texto pode ser analisado pelo viés do preconceito linguístico dominante na ideologia normativa da língua.
( ) O texto apresenta um efeito de humor suscitado pela interpretação ambígua de Chico Bento.
( ) A temática do texto corresponde ao ensino dos padrões linguísticos necessários para o uso “correto” do “bom português”.
( ) A intervenção da professora toma como parâmetro uma equivocada visão da fala em relação à violação das regras de gramática.
Analise as proposições e coloque V para as verdadeiras e F para as falsas.
Marque a alternativa correta.
a) F; V; V; F; F.
b) V; V; V; F; V.
c) V; F; F; V; V.
d) F; F; F; V; V.
e) V; V; V; F; F.

36 Linguagens e o processo de comunicação

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remos capazes de tratar o envelhecimento com a mesma
PARA PRATICAR
PARA APRIMORAR
eficiência com que tratamos muitas doenças hoje.
Acredito que estamos perto disso por causa do projeto
1 (Mack-SP)
SENS, criado para prevenir e curar o envelhecimento. Não
Parabéns. Estou encantado com seu sucesso. Chegar se trata apenas de uma ideia: é um plano muito detalhado
aqui não foi fácil, eu sei. Na verdade, suspeito que foi um para reparar todos os tipos de danos moleculares e celulares
pouco mais difícil do que você imagina. Para início de con-
que ocorrem conosco ao longo do tempo. E cada um dos
versa, para você estar aqui agora, trilhões de átomos agitados
métodos para fazer isso já funciona de forma preliminar (em
tiveram de se reunir de uma maneira intrincada e intrigante-
experiências clínicas) ou é baseado em tecnologias que já
mente providencial a fim de criá-lo. Essa é uma organização
tão especializada e particular que nunca antes foi tentada e só existem ou precisam apenas ser combinadas.
existirá desta vez. Nos próximos anos, essas partículas minús- A cura do envelhecimento vai mudar a sociedade de
culas se dedicarão totalmente aos bilhões de esforços jeitosos maneiras inumeráveis. Algumas pessoas têm tanto medo
e cooperativos necessários para mantê-lo intacto e deixá-lo disso que pensam que deveríamos aceitar o envelhecimen-
experimentar o estado agradabilíssimo, mas ao qual não da- to como ele é.
mos o devido valor, conhecido como existência. Acho isso diabólico, significa que deveríamos negar às
Adaptado de Bill Bryson pessoas o direito à vida. O direito de escolher viver ou morrer
Considere as afirmações seguintes. é o mais fundamental que existe. Ao mesmo tempo, a respon-
I. O emprego de Parabéns é estratégia do autor para, já no sabilidade de dar aos outros a oportunidade de escolher é a
primeiro contato, requisitar a adesão do leitor. responsabilidade mais fundamental que existe.
II. Expressões como não foi fácil e estado agradabilíssimo Não há diferença entre salvar vidas e estender vidas
constituem marcas de subjetividade do autor. porque, nos dois casos, estamos dando às pessoas a chan-
III. Expressões como Parabéns e para início de conversa ce de viver mais. Dizer que não deveríamos curar o enve-
imprimem ao texto um tom informal, ainda que o assunto lhecimento é antiquado, é afirmar que não vale a pena
implique referências de natureza científica. oferecer tratamento médico a pessoas velhas.
Assinale: As pessoas também afirmam que vamos ficar terrivel-
a) se todas estiverem corretas. mente entediados, mas digo que temos recursos para me-
b) se apenas I e II estiverem corretas.
lhorar a capacidade de todos de aproveitar a vida ao má-
c) se apenas II e III estiverem corretas.
ximo. Hoje, pessoas com uma boa educação e tempo para
d) se apenas I e III estiverem corretas.
usá-la nunca ficam entediadas e não consigo imaginar que
e) se apenas II estiver correta.
as coisas novas que elas gostariam de fazer se esgotem.
2 (Fuvest-SP) Leia este texto: E, para finalizar, algumas pessoas acreditam que isso
A correção da língua é um artificialismo, continuei tudo poderia significar brincar de Deus ou ir contra a na-
episcopalmente. O natural é a incorreção. tureza, mas aceitar o mundo como nós o encontramos não
Note que a gramática só se atreve a meter o bico é natural para nós. Desde que inventamos o fogo e a roda,
quando escrevemos. Quando falamos, afasta-se para longe, temos demonstrado nossa habilidade e nosso desejo ine-
de orelhas murchas. rente de consertar as coisas de que não gostamos em nós
Monteiro Lobato, Prefácios e entrevistas. mesmos e em nosso ambiente.
a) Tendo em vista a opinião do autor do texto, pode-se con- Nós iríamos contra o aspecto mais fundamental do
cluir corretamente que a língua falada é desprovida de que é ser humano se decidíssemos que devemos conviver
regras? Explique sucintamente. para sempre com algo tão horrível como alguém ficando
b) Entre a palavra “episcopalmente” e as expressões “meter o frágil, desgastado pela idade e dependente.
bico” e “de orelhas murchas”, dá-se um contraste de varie- Se mudar o nosso mundo é brincar de Deus, esse é
dades linguísticas. Substitua as expressões coloquiais, que apenas mais um motivo por que Deus nos fez a sua ima-
DE TEXTO
aí aparecem, por outras equivalentes, que pertençam à gem e semelhança.
variedade-padrão.
Aubrey de Grey, da BBC Brasil Folha On-line, 3 dez. 2004. Adaptado.
Aubrey de Grey lidera o projeto SENS na Universidade de Cambridge e concorre
3 (UFPA)
PRODUÇÃO

ao Prêmio Rato Matuzalém, dedicado a pesquisas de combate ao envelhecimento


em ratos. O cientista escreveu este texto a pedido da BBC, que fez uma série de
Geneticista defende tese de que é possível viver reportagens especiais sobre o envelhecimento.
mil anos
O envelhecimento é um fenômeno físico que acontece No quarto parágrafo do texto há um pronome demonstrati-
em nossos corpos. Em algum momento no futuro, com a vo que retoma uma ideia. Transcreva o período em que esse
Medicina cada vez mais poderosa, nós inevitavelmente se- pronome ocorre e explicite qual é a ideia retomada.

Linguagens e o processo de comunicação 37

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4 (Unicamp-SP) É sabido que as histórias de Chico Bento são situadas no universo rural brasileiro.

maurÍcio de souZa ProduÇÕes

a) Explique o recurso utilizado para caracterizar o modo de falar das personagens na tira.
b) É possível afirmar que esse modo de falar caracterizado na tira é exclusivo do universo rural brasileiro? Justifique.

5 (UFMS)
A dificuldade de recuperação do antecedente de um dado elemento anafórico pode afetar a clareza do texto, gerando ambigui-
dade. É o que acontece em:
(001) O [filme] de Gibson renovou a discussão pela veracidade do sofrimento que teve o auxílio de um médico que relatou a dor
de um homem que sofre [...] até a morte. (A Crítica, 21/03/04)
(002) Sob a liderança de João Paulo II, a Igreja melhorou suas relações com o judaísmo e se expandiu nos países pobres para os
quais viajava com frequência. (O Estado de S. Paulo, 14/03/04)
(004) Às vésperas de deixar o comando do Ministério Público paulista, procurador critica políticos que querem limitar poderes do
MP e denuncia a existência de grupos de extermínio na polícia de São Paulo. (IstoÉ, 17/03/04)
(008) As campanhas ecológicas, a ação dos governos e o isolamento preservaram até agora o núcleo da Amazônia, mas pressões
vindas de fora são uma ameaça crescente ao equilíbrio da região. (Veja, 25/02/04)
(016) A minissérie da Globo, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, vem levando Tarsila, Mário de Andrade, Oswald e toda
a trupe modernista, quatro noites por semana, para a casa de cerca de um milhão de pessoas. (Folha de S.Paulo, 21/03/04)

6 (FGV-SP) Caetano Veloso gravou uma canção do filme Lisbela e o prisioneiro. Trata-se de “Você não me ensinou a te esquecer”.
A propósito do título da canção, pode-se dizer que:
a) a regra da uniformidade do tratamento é respeitada, e o estilo da frase revela a linguagem regional do autor.
b) o desrespeito à norma sempre revela falta de conhecimento do idioma; nesse caso, não é diferente.
c) o correto seria dizer “Você não me ensinou a lhe esquecer”.
d) não deveria ocorrer a preposição a nessa frase, já que o verbo ensinar é transitivo direto.
e) desrespeita-se a regra da uniformidade de tratamento. Com isso, o estilo da frase acaba por aproximar-se do da fala.

7 (Fuvest-SP) No conto “A hora e a vez de Augusto Matraga”, de Guimarães Rosa, o protagonista é um homem rude e cruel, que sofre vio-
lenta surra de capangas inimigos e é abandonado como morto, num brejo. Recolhido por um casal de matutos, Matraga passa por um
lento e doloroso processo de recuperação, em meio ao qual recebe a visita de um padre, com quem estabelece o seguinte diálogo:
— Mas, será que Deus vai ter pena de mim, com tanta ruindade que fiz, e tendo nas costas tanto pecado mortal?
— Tem, meu filho. Deus mede a espora pela rédea, e não tira o estribo do pé de arrependido nenhum... [...] Sua vida
foi entortada no verde, mas não fique triste, de modo nenhum, porque a tristeza é aboio de chamar demônio, e o Reino do
Céu, que é o que vale, ninguém tira de sua algibeira, desde que você esteja com a graça de Deus, que ele não regateia a
nenhum coração contrito.
a) A linguagem figurada amplamente empregada pelo padre é adequada ao seu interlocutor? Justifique sua resposta.
b) Transcreva uma frase do texto que tenha sentido equivalente ao da frase “não regateia a nenhum coração contrito”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
CASTILHO, A. T. de. A língua falada no ensino de Português. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2004.
FÁVERO, L. L.; KOCH, I. G. V. Linguística textual: introdução. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
MAINGUENEAU, D. Tipos e gêneros do discurso. In: Análise de textos de comunicação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
MARCUSCHI, L. A. Análise da conversação. 5. ed. São Paulo: Ática, 2003.

38 Linguagens e o processo de comunicação

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Ciências Humanas e suas Tecnologias

MAIS ENEM
Ciências da Natureza e suas Tecnologias
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
Matemática e suas Tecnologias

Observe e leia atentamente as imagens e textos a seguir. De- Texto B


pois, responda às perguntas. O alfabeto grego é composto de 24 letras, que podem ser
grafadas nas formas minúscula ou maiúscula. A décima oitava
Imagem 1 letra deste alfabeto é o sigma, que corresponde ao nosso “S”.
Texto C
No Brasil, surgiram algumas pequenas organizações fas-
cistas na década de 1920. Um movimento expressivo nasceu
nos anos 1930, quando em outubro de 1932, logo após a Re-
volução Constitucionalista, Plínio Salgado e outros intelectuais
fundaram em São Paulo a Ação Integralista Brasileira (AIB).
O integralismo se definiu como uma doutrina nacio-
Fouad a. saad/shutterstocK

nalista cujo conteúdo era mais cultural do que econômi-


co. Sem dúvida, combatia o capitalismo financeiro e pre-
tendia estabelecer o controle do Estado sobre a economia.
Mas sua ênfase maior se encontrava na tomada de cons-
ciência do valor espiritual da nação, assentado em seus
princípios unificadores: “Deus, Pátria e Família” era o
lema do movimento.
Imagem 2
[...] O integralismo foi muito eficaz na utilização de ri-
tuais e símbolos: o culto da personalidade do chefe nacional,
as cerimônias de adesão, os desfiles dos “camisas-verdes”, os-
tentando braçadeiras com a letra grega (∑), utilizada na mate-
mática como símbolo de somatória.
FAUSTO, Boris. História do Brasil.
São Paulo: Edusp, 2004. Didática, 1. p. 353-6.

1 As combinações mais adequadas são: c


a) Texto A e Imagem 1; Texto B e Imagem 2; Texto C e Imagem 3.
b) Texto A e Imagem 2; Texto B e Imagem 3; Texto C e Imagem 1.
c) Texto A e Imagem 3; Texto B e Imagem 1; Texto C e Imagem 2.
d) Texto A e Imagem 3; Texto B e Imagem 2; Texto C e Imagem 1.
e) Texto A e Imagem 2; Texto B e Imagem 1; Texto C e Imagem 3.

2 Sobre os textos e as imagens, é possível afirmar: e


a) O sigma é um signo que possui o mesmo significado em to-
dos os textos e imagens.
b) É possível compreender o significado do sigma nas imagens
aiB

sem recorrer aos textos.


Imagem 3 c) O alfabeto e o cartaz, por possuírem palavras, pertencem à
n linguagem verbal e podem ser, junto aos textos 1, 2 e 3, in-
f(i) 5 f(m) 1 f(m 1 1) 1 ... 1 f(n 2 1) 1 f(n) cluídos no mesmo gênero textual.
i 5m
d) Para entender o significado do sigma na fórmula matemática
Texto A e no cartaz integralista é preciso conhecer o alfabeto e a lín-
O somatório é a soma dos termos de uma sequência gua grega.
qualquer. Nas equações matemáticas, ele é representado e) O significado do símbolo, mesmo que o signo seja sempre o
pela letra do alfabeto grego sigma, em grafia maiúscula. mesmo, pode variar de acordo com o enunciado e o contexto.

39

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QUADRO DE IDEIAS

Presidência: Mário Ghio Júnior


Direção: Carlos Roberto Piatto
Linguagens e o processo
Direção de inovação em conteúdo: René Agostinho
de comunicação Direção editorial: Lidiane Vivaldini Olo
Conselho editorial: Bárbara Muneratti de Souza Alves,
Carlos Roberto Piatto, Daniel Augusto Ferraz Leite,
Eduardo dos Santos, Eliane Vilela, Helena Serebrinic,
Linguagem: socialização Lidiane Vivaldini Olo, Luís Ricardo Arruda de Andrade,
Marcelo Mirabelli, Marcus Bruno Moura Fahel,
e enunciação Marisa Sodero, Ricardo Leite,
Ricardo de Gan Braga, Tania Fontolan
Gerência editorial: Bárbara Muneratti de Souza Alves
Edição: Camila Amaral Souza (coord.),
Hosana Zotelli dos Santos (coord.)
Linguagem e Os signos Linguagem e Assistência editorial: Barbara Machado Martins,
socialização visuais enunciação Cristiane Schlecht, Eduardo Akio Shoji,
João Cavalheiro Valentin Junior
Colaboração: Lucas Santiago Rodrigues De Nicola
Revisão: Adriana Gabriel Cerello (coord.),
Danielle Modesto, Edilson Moura, Letícia Pieroni,
Marília Lima, Tatiane Godoy, Tayra Alfonso,
Linguagem verbal Frase e Vanessa Lucena; Colaboração: Karina Novais,
Usos da língua
e não verbal enunciado Rayssa do Valle, Rita Sam
Coordenação de produção:
Fabiana Manna (coord.), Adjane Oliveira, Solange Pereira
Supervisão de arte e produção: Ricardo de Gan Braga
Edição de arte: Yara Campi
Escrita e Diagramação: Antonio Cesar Decarli, Claudio Alves dos
Adequação Santos, Fernando Afonso do Carmo, Flávio Gomes Duarte,
oralidade Kleber de Messas
Iconografia: Sílvio Kligin (supervisão),
Marcella Doratioto, colaboração: Fábio Matsuura,
Fernanda Siwiec, Fernando Vivaldini
Licenças e autorizações: Edson Carnevale
As Ilustrações: Marcos Guilherme, Ulhôa Cintra
conversações Capa: Daniel Hisashi Aoki
Foto de capa: Aquanaut4/Dreamstime/Other Images
Projeto gráfico de miolo: Daniel Hisashi Aoki
Editoração eletrônica: Casa de Tipos
Linguagens e o processo
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de comunicação Ensino Abril Educação S.A.
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O processo de comunicação e
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seus elementos
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

De Nicola, José
Sistema de ensino ser : ensino médio, caderno 1 :
Recursos textuais para a O mecanismo de seleção e produção de texto : PR / José De Nicola. --
2. ed. -- São Paulo : Ática, 2015.
montagem da mensagem combinação
1. Português (Ensino médio) 2. Textos (Ensino
médio) I. Título.

14-10622 CDD-469.07

A intencionalidade A seleção Índice para catálogo sistemático:


1. Português : Ensino médio 469.07
2014
ISBN 978 85 08 17115-6 (AL)
ISBN 978 85 08 17108-8 (PR)
A referência situacional A combinação 2ª edição
1ª impressão

Impressão e acabamento

A referência textual:
Uma publicação
relações anafóricas e
catafóricas

40 Linguagens e o processo de comunicação

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PRODUÇÃO DE TEXTO
GUIA DO PROFESSOR

JOSÉ DE NICOLA
Graduado em Letras, com especialização em ensino de Língua Por-
tuguesa e Literatura. É professor de Literatura desde 1968, tendo
lecionado em diversas escolas particulares de Ensino Médio e tam-
bém em cursinhos preparatórios para exames vestibulares.
Autor de várias obras dedicadas ao ensino de Língua, Literatura e
Produção de Textos para o Ensino Médio, entre as quais se destacam:
Gramática: palavra, frase, texto (volume único); Língua, Literatura e
Produção de Textos (três volumes); Literatura brasileira: das origens
aos nossos dias (volume único); Painel da literatura em língua portu-
guesa: Brasil, Portugal, África (volume único); Práticas de linguagem:
leitura e produção de textos (volume único, em parceria com Ernani
Terra), todas editadas pela Scipione.
PRODUÇÃO DE TEXTO

MÓDULO
Linguagens e o processo de comunicação (10 aulas)

Linguagens e o processo de comunicação

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sobre a interação social, que justifica todos os atos comunicativos por
meio das diferentes linguagens.
MÓDULO São introduzidos conceitos fundamentais que acompanharão os
alunos ao longo da vida: linguagem, língua, fala, signo, adequação,
Linguagens e o gramaticalidade e agramaticalidade, gramática natural e gramática
processo de comunicação normativa, escrita e oralidade, teoria da conversação.
As propostas de produção de texto, inseridas na seção “Para apri-
morar”, devem ser vistas como mais que uma simples tarefa escolar:
elas constituem oportunidades de os alunos colocarem em prática
Plano de aulas sugerido reflexões e formas de intervenção na realidade em que vivem. Por isso
Carga semanal de aulas: 2 mesmo, ao lado de propostas de exames, apresentamos outras que
Número total de aulas do módulo: 10 simulam situações reais de comunicação.
As atividades estão divididas em três seções: “Para construir”, “Para
praticar” e “Para aprimorar”. Recomendamos que a seção “Para cons-
truir” seja desenvolvida em sala de aula. “Para praticar” é a seção que
Competências Habilidades complementa os estudos desenvolvidos. “Para aprimorar”, por sua
c Analisar, interpretar e aplicar c Reconhecer em textos
recursos expressivos das de diferentes gêneros
vez, é destinada ao aperfeiçoamento dos estudos.
linguagens, relacionando recursos verbais e não
textos com seus contextos, verbais utilizados com a
mediante a natureza, função, finalidade de criar e mudar 1. LinguAgem: sociALizAção
organização, estrutura das comportamentos e hábitos. e enunciAção
manifestações, de acordo c Relacionar em diferentes

com as condições de textos: opiniões, temas,


produção e recepção. assuntos e recursos Objeto do conhecimento
c Confrontar opiniões e linguísticos. Linguagem: socialização e enunciação.
pontos de vista sobre as c Inferir em um texto quais
Objeto específico
diferentes linguagens e suas são os objetivos de seu Linguagem e socialização; linguagem verbal e não verbal; os
manifestações específicas. produtor e quem é seu
signos visuais; linguagem, língua e fala; linguagem e enunciação.
c Entender os princípios, público-alvo, pela análise
a natureza, a função e o dos procedimentos
impacto das tecnologias argumentativos utilizados. AuLAs 1 a 3 Páginas: 4 a 9
da comunicação e da c Reconhecer no texto

informação na sua vida estratégias argumentativas Linguagem e socialização; linguagem verbal


pessoal e social, no empregadas para o
desenvolvimento do convencimento do público, e não verbal; os signos visuais
conhecimento, associando-o tais como intimidação,
aos conhecimentos sedução, comoção, objetivos
científicos, às linguagens que chantagem, entre outras. Apresentar e discutir os conceitos de linguagem, socialização e
lhes dão suporte, às demais c Reconhecer a função e o
enunciação.
tecnologias, aos processos impacto social das diferentes
Apresentar e discutir os conceitos de linguagem verbal e linguagem
de produção e aos tecnologias da comunicação
problemas que se propõe e informação. não verbal.
solucionar. c Identificar, pela análise Apresentar e discutir os conceitos de língua e fala.
de suas linguagens, as Apresentar e discutir o conceito de texto.
tecnologias da comunicação Apresentar e discutir os conceitos de ícone, índice e símbolo.
e informação.
c Relacionar as tecnologias de
estratégias
comunicação e informação
ao desenvolvimento Motive os alunos a partir da exploração da tirinha de Hagar, comen-
das sociedades e ao tando o fato de o ser humano ser o único animal capaz de produzir
conhecimento que elas linguagem.
produzem. Comente a afirmação de Aristóteles de que somente o ser humano
é um animal político, articulando-a com o conceito de linguagem
reproduzido no texto dos PCN.
Apresentação do módulo Explique o conceito de texto com base na definição de Ingedore
Neste módulo, pretendemos apresentar o ato de escrever como Koch e Leonor Fávero.
um processo condicionado por variados elementos e fatores. E, para Faça a leitura da tela de René Magritte e discuta o signo como
ir além, desejamos levar os alunos a assumir uma postura de reflexão representação.

2 GUIA DO PROFESSOR

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Comente as várias imagens reproduzidas ao longo do capítulo. No “Mãos à obra”, os alunos deverão desenvolver, individualmente,
No “Para construir”, leia o texto “Carta enigmática” e responda às três das situações propostas e escrever três textos curtos para repro-
questões 1 a 5. duzir as mensagens. Para isso, deverão ler os textos sobre os gêneros
Leia a charge de Sidney Harris com os alunos, no “Para produzir”, e ofício, cartaz, e-mail e seguir o passo a passo. Depois, deverão se
peça que realizem, em duplas, a atividade proposta. reunir em grupos para trocar os textos entre si e ler para a classe.
Após ler o texto sobre o gênero relatório com eles, peça que sigam
o passo a passo para elaborar um documento com essas característi- Tarefa para casa
cas e que apresentem o resultado do trabalho de pesquisa. Oriente os alunos a ler os textos das questões 4 a 6 do “Para prati-
Leia o texto sobre o gênero exposição oral com os alunos para car” e das questões 4 a 9 do “Para aprimorar”, fazendo o que se pede,
servir de base na apresentação do trabalho à classe. para que aperfeiçoem os conhecimentos adquiridos na aula.
AuLAs 4 e 5 Páginas: 10 a 13

Linguagem e enunciação; usos da língua; 2. o Processo de comunicAção e


escrita e oralidade seus eLemenTos
objetivos Objeto do conhecimento
Apresentar e discutir o conceito de enunciação. O processo de comunicação.
Apresentar e contrastar os conceitos de frase e enunciado. Objeto específico
Retomar e ampliar o conceito de adequação. O processo de comunicação; as competências dos participantes;
Comentar os registros da língua (do informal ou coloquial ao mais recursos textuais para a montagem da mensagem; o mecanismo
formal ou culto). de seleção e combinação; a seleção.
Apresentar e contrastar os conceitos de escrita e oralidade.
Reconhecer marcas da modalidade falada e da modalidade escrita. AuLA 7 Páginas: 21 a 23
Trabalhar com esses conceitos em atividades de leitura e produção
de textos. o processo de comunicação; as
estratégias competências dos participantes
Motive os alunos a partir de situações reais de comunicação: em objetivos
casa, com os familiares; na sala de aula; no intervalo; na cantina, etc.
Refletir sobre o processo de comunicação e reconhecer seus ele-
Discuta o quadro com diferentes situações comunicativas e a res-
mentos constituintes.
pectiva adequação dos textos. Amplie-o com novos exemplos.
Analise o esquema dos níveis de linguagem, comentando as di- Refletir sobre os recursos textuais empregados na construção de
versas situações que vão de um extremo a outro (do coloquial ao uma mensagem.
formal-culto, passando por inúmeras variedades). Refletir sobre a competência comunicativa.
Aproveite o quadro que compara as marcas da modalidade falada
estratégias
e da modalidade escrita, aplicando-as a textos reais.
Leia o texto “Mudernos de butique”, de Carlos Albuquerque, e con-
AuLA 6 Páginas: 13 a 16
verse com os alunos sobre a importância da adequação da mensagem.
Discuta sobre os elementos que constituem o processo de comu-
As conversações nicação e dê exemplos do cotidiano do aluno.
objetivo
AuLA 8 Páginas: 23 a 27
Apresentar conceitos básicos da teoria da conversação, como lin-
guagem verbal e não verbal e turno de fala. recursos textuais para a montagem
da mensagem
PRODUÇÃO DE TEXTO
estratégias
Proponha uma discussão em sala de aula sobre o que os alunos objetivos
entendem por conversação, por textos conversacionais e quais seriam
suas características básicas. Discutir a intencionalidade do texto.
Aproveite a conversa sobre o tema para evidenciar os conceitos da Apresentar as conjunções intensificadoras e modalizadoras.
teoria da conversação. Discutir a referência situacional e apresentar itens que funcionam
Desenvolva a atividade oral proposta no quadro “Para refletir”. com referenciação.
Leia a tirinha Calvin e Haroldo, de Bill Watterson, no “Para construir”, Discutir a referência textual e apresentar as relações anafóricas e
respondendo às questões 1 a 3. catafóricas.

Linguagens e o processo de comunicação 3

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estratégias estratégias
Leia o trecho do texto “‘Palavrinhas’ venenosas” e discuta com os Leia os textos do “Mais Enem” e desenvolva as atividades relacio-
alunos o emprego de palavras e expressões para enfatizar uma infor- nadas a eles.
mação ou persuadir o leitor a assumir determinada posição a respeito Reveja os conceitos apresentados no “Quadro de ideias”.
do que está sendo dito.
Explore o quadro de itens de referenciação que remetem às cir-
TeXTo comPLemenTAr
cunstâncias situacionais do processo de comunicação.
Leia “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, e analise os elementos Algumas considerações sobre a avaliação:
utilizados para construir o sentido do poema. O sentido fundamental da ação avaliativa é o movimento, a
Leia trechos de textos sobre o subsolo de Gaza e sobre Londres e transformação. Os pesquisadores muitas vezes se satisfazem com
explore as relações anafóricas e catafóricas. a descoberta do mundo, mas a tarefa do avaliador é a de torná-lo
melhor. O que implica um processo de interação educador e
educando, um engajamento pessoal a que nenhum educador
AuLA 9 Páginas: 28 a 33 pode se furtar [...]
HOFFMANN, J. Avaliação: mito & desafio. Porto Alegre: Educação &
o mecanismo de seleção e combinação Realidade, 1994. p. 110.

objetivos
Visando à completude do trabalho de produção textual, que en-
Discutir os conceitos de língua e de fala.
volve o retorno do professor, expomos a seguir algumas orienta-
Entender a língua como parte social da linguagem.
ções que nos parecem relevantes para a apreciação da produção
Discutir os aspectos gramatical e ideológico da seleção e da com-
dos alunos.
binação de palavras pelo falante ao se comunicar.
Adequação: a adequação de um texto deve ser analisada, basica-
estratégias mente, sob dois ângulos: o genérico, observando, tanto na confi-
guração textual como, principalmente, na sua função, se o texto se
Leia e discuta as definições de língua e fala de Saussure, inseridas encaixa no gênero apontado na hora de sua produção; e o situa-
no mecanismo de seleção e combinação de palavras. cional, observando se o texto está de acordo com os elementos da
Discuta os aspectos gramatical e ideológico da seleção e da com- situação comunicativa, especialmente com o seu interlocutor.
binação de palavras por meio de exemplos do cotidiano. Problemas do texto: a apreciação da produção do aluno pelo
No “Para construir”, leia a entrevista a Flávio Gikovate e res- professor deve ser organizada, pois é essencial que seja com-
ponda às questões 1 a 10. Leia também o cartum de Mandrade e preensível para que o aluno possa se orientar nas produções
responda às questões 11 e 12. futuras. Por isso, num primeiro momento, temos de determinar
Os alunos deverão ler, no “Mãos à obra”, o texto sobre a situação do quais são os tipos de problema mais recorrentes e agrupá-los.
Brasil em relação aos demais países da América Latina no ranking de Algumas possibilidades: problemas de adequação (ora genérica,
percepção da corrupção e se posicionar em relação ao fato. Depois, ora situacional), problemas de língua (ortografia, acentuação,
deverão escrever uma carta de leitor manifestando seu ponto de vista etc.), problemas de coesão (emprego de conectivos, pontuação,
sobre a matéria. A carta deverá ser elaborada como se posteriormen- pronomes), problemas de organização textual (estruturação das
te fosse enviada para publicação. ideias com a ajuda de organizadores e resumidores, divisão em
Sugira que sigam as dicas apresentadas e oriente-os a ler o texto parágrafos, etc.), problemas de coerência (ideias confusas, con-
sobre o gênero carta de leitor antes de elaborar suas versões. traditórias).
Correção atuante e interativa: toda apreciação deve viabilizar
Tarefa para casa a reflexão metalinguística pelo aluno. É muito importante, então,
Oriente os alunos a ler os textos das questões 5 a 7 do “Para prati- promover momentos para a discussão com seu aluno sobre os
car” e das questões 3 a 7 do “Para aprimorar”, fazendo o que se pede, comentários feitos por você visando à compreensão dele. Além
disso, a reescrita consciente do texto finaliza um trabalho completo
para que aperfeiçoem os conhecimentos adquiridos na aula.
de produção textual (e inicia a roda mais uma vez!).
Avaliar cada trabalho individualmente ou o conjunto? Avaliar
mAis enem e quAdro de ideiAs cada texto produzido pelo aluno é fundamental para diagnosticar
eventuais problemas e propor soluções. Como em todo processo,
as etapas devem atingir os objetivos propostos para que se pos-
AuLA 10 Páginas: 39 e 40
sa avançar. No entanto, só poderemos afirmar com certeza que
o aluno se desenvolveu ao longo do período letivo se avaliarmos
objetivos o conjunto de suas produções, ou seja, como eram os primeiros
Apresentar textos e atividades do Enem. textos produzidos e como são os últimos.
Apresentar o esquema do “Quadro de ideias”.

4 GUIA DO PROFESSOR

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resPosTAs

4. Sugestão de resposta: Há/Existe uma palavra que conheço mas


cAPÍTuLo 1 – LinguAgem: sociALizAção e que não consigo lembrar/recordar.
enunciAção 5. Como o enunciado afirma que temos traços do registro formal
e do coloquial, temos de pensar nas marcas da formalidade e da
PArA PrATicAr – páginas 17 e 18 coloquialidade (independentemente de o texto ser escrito ou fala-
1. b. do): a formalidade se manifesta na estrutura sintática (temos uma
sequência narrativa bem estruturada) e no emprego de certos ter-
2. d.
mos (“intenso interlúdio”, “destarte”); a coloquialidade se manifesta
3. c. no emprego de algumas expressões (“pusemos um pé na porta da
4. b. então phonogram”, “na hora ‘h’ a ‘junta’ diretora da gravadora nos
deu um dá ou desce: as músicas eram o.k.” – note que, logo em se-
5. c. guida, temos um aposto de “dá ou desce”, numa frase bem estrutu-
6. a. rada). Quanto ao registro escrito, temos um texto muito descuida-
do, sem acentuação, com emprego desordenado de maiúsculas e
PArA APrimorAr – páginas 19 e 20 minúsculas (“Arnaldo dias batista”), abreviações típicas da geração
que utiliza a internet para se comunicar (“q”, “ñ”, “tb”, “d”).
1. a) Comentários da Unicamp: As passagens e os domínios a que se
remetem são: “perda total” (linguagem específica de corretoras 6. d.
de seguro de carro e/ou linguagem específica da área de infor- 7. a.
mática); “reconstruíram meu corpo a partir do DNA[...]” (lingua-
8. b.
gem específica da área de engenharia genética ou biogenética);
“molar cariado” (linguagem específica da área de odontologia). 9. c.
b) Comentários da Unicamp: Podemos levantar pelo menos dois Professor: Comente que a questão é sutil: ir a uma audiência
momentos: o que se encontra na passagem do terceiro para o (situação formal) de short e camiseta (informal) é o contrário de
quarto quadro, através da corporificação do homem em forma ir à praia (situação informal) de terno e gravata (formal). Um es-
de dente cariado, faltando-lhe partes; e o que se encontra na tudante conversando com um colega de classe é uma situação
passagem do primeiro para o segundo quadro, em que o ser hu- informal (equivalente à praia), que não comporta os termos for-
mano é tratado como uma máquina (seja carro ou computador). mais empregados (equivalentes ao terno e à gravata).

2. a) O problema de estilo reside no emprego exagerado de locuções cAPÍTuLo 2 – o Processo de comunicAção


com gerúndio, como ocorre em “estaria nos enviando”, “estare- e seus eLemenTos
mos fazendo” e “vamos estar enviando”, que podem ser substi-
tuídas por “nos enviaria”, “faremos” e “enviaremos”, respectivamente. PArA PrATicAr – páginas 34 e 36
b) O desvio da norma-padrão pode ser observado na construção 1. e.
“vamos estar enviando ele para o senhor”, em que o pronome
pessoal reto está na função de objeto direto. No padrão formal 2. e.
teríamos “vamos enviá-lo” ou, numa construção sem a locução 3. a.
verbal, teríamos “e o enviaremos para o senhor”.
4. c.
3. a) No universo do tráfico de drogas, “boca” é a forma reduzida de
5. a.
“boca de fumo”, ou seja, local onde se vendem drogas.
O substantivo “boca de fumo” já está relacionado no Vocabulá-
6. c.
rio Ortográfico de Língua Portuguesa (VOLP). 7. b.
b) Sim, o enunciador do texto vale-se, fundamentalmente, da
reprodução da modalidade oral da língua. Mais do que isso:
PArA APrimorAr – páginas 37 e 38
lança mão de um vocabulário típico da malandragem dos 1. a.
morros cariocas, tornando seu texto mais vivo, mais coerente, 2. a) Espera-se que os alunos percebam que a fala obedece a re-
mais próximo do universo representado. gras da gramática natural da língua; se a fala for agramatical,
Comentário: Destaque que a oralidade não se manifesta apenas não haverá comunicação. É preciso contextualizar a fala de PRODUÇÃO DE TEXTO
na seleção vocabular, mas também nas estruturas gramaticais. Monteiro Lobato: quando ele se refere à “gramática”, está se
Exemplos de oralidade: “dando tiro em tudo quanto era bandi- referindo especificamente à gramática normativa, de viés lu-
do”; “quem mandava ali agora era o Grande”; “o branco criou a sitano, num momento em que se revoltava contra uma re-
favela e botou o negro”; “tinha uma metralhadora conseguida na forma ortográfica e seus novos acentos. Em resposta a seus
marra de um fuzileiro naval”; “o Grande que matava policiais por editores, justificando sua rebeldia, Lobato afirmava que “ha
achar a raça a mais filha da puta de todas as raças”; “a porra desses uma lei natural que orienta a evolução de todas as linguas: a
crioulos que viravam polícia ou que iam para o Exército”; “tinha lei do menor esforço” [sem os acentos] e, mais adiante, “Que é
mais era que morrer igual a todos os brancos do mundo”. a língua dum país? É a mais bela obra coletiva desse país”.

Linguagens e o processo de comunicação 5

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b) A expressão “meter o bico” pode ser substituída por “introme- necessariamente, escolaridade ou classe social do falante.
ter-se”; a expressão “de orelhas murchas” pode ser substituída Por exemplo, a troca da consoante l por r é uma prática bas-
por “cabisbaixa”, “humilhada”, “envergonhada”. tante recorrente nas regiões urbanas. A supressão da vogal
em palavras proparoxítonas (xícara, abóbora, entre outras) faz
3. Resposta da UFPA: “Acho isso diabólico, significa que deveríamos
negar às pessoas o direito à vida.” parte de um processo fonológico amplamente presente no
português brasileiro de forma geral. Finalmente, a elevação
Aceitar o envelhecimento como ele é (não interferir no envelheci-
da vogal átona (e > i) é uma marca de diferenciação regional
mento).
e não de oposição rural/urbano.
4. a) Comentário da Unicamp: O recurso utilizado é a transgressão Não se cobrará o uso de metalinguagem na referência aos
da ortografia ou, dito de outra forma, o uso da grafia como fenômenos aqui mencionados.
transcrição da fala. Ou seja, a tira apresenta uma forma de es- 5. Resposta: 001 1 002 5 003
crita que tenta reproduzir a fala das personagens.
Esse recurso pode ser exemplificado de três maneiras: pela tro- 6. e.
ca da consoante l por r (como em prantando); pela supressão 7. a) Sim, já que o padre utiliza palavras, exemplos e metáforas do
da vogal na proparoxítona (como em árv[o]re), prática muito universo de Augusto Matraga, um homem do campo, um
comum na fala; e pela troca da vogal e por i (como em di e vaqueiro rude: espora, rédea, estribo, aboio.
isperança). b) Duas frases são equivalentes: “[Deus] não tira o estribo do pé
b) Comentário da Unicamp: Não. Os fenômenos representados na de arrependido nenhum” e “o Reino do Céu [...] ninguém tira
tira encontram-se também em regiões urbanas e não refletem, de sua algibeira”.

reFerÊnciAs BiBLiogrÁFicAs
Língua portuguesa – gramática, semântica, morfologia, sintaxe, linguística
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 5. ed. Rio de Janeiro: ABL, 2009.
CHIERCHIA, G. Semântica. Campinas: Ed. da Unicamp/Londrina: Eduel, 2003.
FÁVERO, L. L.; KOCH, I. G. V. Linguística textual: introdução. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
FIORIN, J. L. (Org.). Introdução à linguística. São Paulo: Contexto, 2002.
ILARI, R.; GERALDI, J. W. Semântica. 10. ed. São Paulo: Ática, 2003.
LUFT, C. P. A vírgula: considerações sobre o seu ensino e o seu emprego. São Paulo: Ática, 1996.
MATTOSO CAMARA JR., J. Estrutura da língua portuguesa. 38. ed. Petrópolis: Vozes, 2006.
PRETI, D. Sociolinguística: os níveis de fala. São Paulo: Edusp, 1994.

dicionários de língua, linguística, gramática, análise do discurso; vocabulários


BORBA, F. da S. Dicionário de usos do português do Brasil. São Paulo: Ática, 2002.
. Dicionário gramatical de verbos. 2. ed. São Paulo: Ed. Unesp, 1991.
CHARAUDEAU, P.; MAINGUENEAU, D. Dicionário de análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2004.
CUNHA, A. G. da. Vocabulário ortográfico Nova Fronteira da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.
. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.
DUBOIS, J. et al. Dicionário de linguística. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1986.
FERREIRA, A. B. de H. Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova
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HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
LUFT, C. P. Dicionário prático de regência verbal. 8. ed. São Paulo: Ática, 2000.
MATTOSO CAMARA JR., J. Dicionário de linguística e gramática. 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2004.
TRASK, R. L. Dicionário de linguagem e linguística. São Paulo: Contexto, 2004.

gêneros e tipos textuais


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BESERRA, N. da S., DIONISIO, A. P. (Orgs.). Tecendo textos, construindo experiências. Rio de Janeiro: Lucerna, 2003.
BRANDÃO, H. N. (Coord.). Gêneros do discurso na escola: mito, conto, cordel, discurso político, divulgação
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DIONISIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Orgs.). Gêneros textuais e ensino. 3. ed. Rio de Janeiro:
Lucerna, 2005.

6 GUIA DO PROFESSOR

SER1_CAD1_LP_PROD_MP.indd 6 9/30/14 11:33 AM


MAINGUENEAU, D. Tipos e gêneros do discurso. In: Análise de textos de comunicação. 2. ed. São Paulo: Cortez,
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MEURER, J. L.; MOTTA-ROTH, D. (Orgs.). Gêneros textuais. Bauru: Edusc, 2002.

Linguagem, linguagens, análise de discurso


BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
BRANDÃO, H. N. Introdução à análise do discurso. 2. ed. Campinas: Ed. da Unicamp, 2004.
CARVALHO, N. de. Publicidade: a linguagem da sedução. 3. ed. São Paulo: Ática, 2002.
CITELLI, A. Linguagem e persuasão. 8. ed. São Paulo: Ática, 2004.
FIORIN, J. L. Elementos de análise do discurso. 13. ed. São Paulo: Contexto, 2005.
. Linguagem e ideologia. 8. ed. São Paulo: Ática, 2004.
HAYAKAWA, S. I. A linguagem no pensamento e na ação. São Paulo: Pioneira, 1977.
JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. São Paulo: Cultrix, [s.d.]
KOCH, I. G. V. A interação pela linguagem. 8. ed. São Paulo: Contexto, 2003.
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Linguagens e o processo de comunicação 7

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ANOTAÇÕES

8 GUIA DO PROFESSOR

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O sistema de ensino SER quer conscientizar seus alunos sobre os problemas da
atualidade. Pensando nisso, apresentamos, no Ensino Médio, capas com animais da fauna
brasileira em extinção. Esperamos que as imagens e as informações fornecidas motivem
os estudantes a agir em favor da preservação do meio ambiente.
De outubro a março, em meio a noites quentes do Nordeste, a Eretmochelys imbricata,
ou tartaruga-de-pente, deposita cerca de 130 ovos no litoral, principalmente no norte da
Bahia. Entre 6 e 8 semanas após a desova, os filhotes emergem da areia rumo ao oceano.
A vida dessa espécie em mar aberto é curta. Com 3 anos, ela já se alimenta em águas
litorâneas, no Atlântico, Índico ou Pacífico. Prefere substratos duros, como os recifes, e suas
presas mais comuns são: crustáceos, moluscos e celenterados. Quando adulta, pode pesar
até 150 kg e sua carapaça medir mais de 110 cm de comprimento. A perda de hábitat pela
poluição e degradação ambiental está entre as principais ameaças a essas tartarugas.

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