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MINISTÉRIO VIVENDO NA PALAVRA

“Expondo a palavra de Deus com fidelidade”


Pr. Sandro Amora - 10 de Agosto de 2019

FILIPENSES – DESENVOLVENDO A MENTALIDADE CRISTÃ

Texto Bíblico

3 Dou graças ao meu Deus, todas as vezes que me recordo de vocês,


4 em todas as minhas orações em favor de vocês, sempre oro com alegria,
5 em razão da vossa cooperação na causa do evangelho, desde o primeiro dia até
agora.
6 Estou plenamente certo de que aquele que começou a boa obra em vocês há de
completá-la até o dia de Cristo Jesus.
7 É justo que eu me sinta assim a respeito de todos vocês, pois estais em meu coração,
já que todos sois participantes comigo da graça, tanto nas minhas prisões quanto na
defesa e na confirmação do Evangelho.
8 Deus é minha testemunha,de como tenho saudade de todos vocês, com a profunda
afeição de Cristo Jesus.

Esboço

I. O AMOR GENUÍNO E PARCERIA ENTRE O PASTOR E SUAS OVELHAS (1.3-8)

A. Paulo dá graças pelos Filipenses (v.3)


B. Ele ora por eles com alegria (v.4)
C. Ele é grato pela cooperação deles em seu ministério (v.5)
D. Ele demonstra sua confiança na operação de Deus no meio a eles (v.6)
D. Ele expressa seu amor genuíno por eles (v.8-9)

Idéia Principal

Neste trecho, Paulo expressa sua alegria, profunda afeição e amor genuíno
pelos Filipenses, seu sentimento de gratidão pela parceria deles constante em seu
ministério de proclamação e defesa do evangelho e sua plena convicção da operação
soberana de Deus no meio deles.
Explicação do Texto

A. Paulo dá graças pelos Filipenses (v.3)

3 Dou graças ao meu Deus, todas as vezes que me recordo de vocês,

Em Filipos, Paulo foi preso, açoitado ilegalmente com varas, colocado no tronco
e humilhado diante do povo. Estes acontecimentos poderiam ter deixado marcas e
lembranças amargas em sua mente, mas ele não se concentra nos aspectos negativos
que ocorreram em sua missão e caminhada cristã e sim, na operação e providência de
Deus. Paulo dá graças a Deus por tudo que se recorda dos filipenses. Com certeza, se
lembra de como foi direcionado pelo Espírito Santo a essa cidade, da conversão de
Lídia e de sua casa, da serva que foi liberta da possessão demoníaca, de como ele e
Silas foram miraculosamente libertos da prisão e da conversão do carcereiro a Cristo.
Ali ele deixou estabelecida uma igreja amorosa e acolhedora cujos laços com o
apóstolo permaneceriam por toda sua vida. Aquela comunidade seria uma fiel
cooperadora por todo seu ministério. Paulo vê em todos esses aspectos motivos para
dar graças a Deus. Mesmo diante de todas as suas lutas e adversidades, ele percebe a
operação soberana de Deus em sua vida.

B. Ele ora por eles com alegria (v.4)

4 em todas as minhas orações em favor de vocês, sempre oro com alegria,

Os filipenses eram alvo constante das orações de Paulo, sua intercessão por
eles era fonte inesgotável de alegria e satisfação. A alegria é um tema recorrente
nesta carta. É importante notar que a alegria de Paulo não é resultado de encontrar-
se em circunstâncias favoráveis e agradáveis, mas de ver como o evangelho e a obra
de Deus avançavam mesmo em meio a situações difíceis, de perseguição e oposição.

Gordon Fee sobre isso comentou:

“o gozo é o centro da experiência cristã, é o fruto de uma vida verdadeiramente


cristã, e a principal evidência da presença do Espírito Santo (Gal.5.22; Rom
14:17).Precisamente por isso, a alegria transcende as circunstâncias, está
fundamentada no Espírito, por isso a alegria prevalece em Paulo mesmo estando preso.
Ele instará junto aos Filipenses que a alegria prevaleça entre eles mesmo em situações
de aflição e oposição”.(FEE,2006,p.129)

Paulo ora e se alegra. Sua fé possibilitou-o a ver além das suas circunstâncias e a
reconhecer a operação de Deus no meio deles. Ele ora por todos, não por um grupo
específico, não há favoritismo, ou acepção de pessoas.
C. Ele é grato pela parceria deles em seu ministério (v.5)

5 em razão da vossa cooperação na causa do evangelho, desde o primeiro dia até


agora.

Paulo expressa aqui os motivos de sua alegria. Um dos motivos marcantes é a


“cooperação” dessa igreja desde a sua fundação até àquele momento.A palavra
traduzida por cooperação é koinonia, uma palavra grega e em seu sentido original
significa comunhão, “ter algo em comum”, “algo pelo qual um grupo ou comunidade
participa”. Significa também associação, companheirismo, cooperação, participação
conjunta em uma atividade de interesse comum. Existia uma koinonia, uma
cooperação e parceria ativa entre Paulo e os cristãos filipenses desde o início do
estabelecimento daquela comunidade. Essa igreja se identificava com seu ministério
em todos os aspectos, perseveravam na fé e no apoio ao evangelho. Ao ver os frutos e
desenvolvimento do seu trabalho, o cuidado tanto material como espiritual e a
perseverança desses irmãos, foram motivos mais que suficientes para o apóstolo dar
graças e se regozijar no Senhor.

D. Ele demonstra sua confiança na operação de Deus no meio deles (v.6)

6 Estou plenamente certo de que aquele que começou a boa obra em vocês há de
completá-la até o dia de Cristo Jesus.

Paulo, aqui, demonstra que a raiz de sua confiança e segurança está firmada em
Deus, foi Ele que o direcionou a Filipos. Foi Ele que abriu o coração de Lídia para que
cresse. Foi Ele que o libertou da prisão em Filipos. Paulo vê em todos esses
acontecimentos, a operação do poder e maravilhosa graça e soberania de Deus. Ele
está convicto de que esse mesmo Deus que começou essa obra há de completá-la até
o dia de Cristo Jesus. A salvação é obra de Deus do principio ao fim. O dia de Cristo é o
equivalente do Antigo testamento “dia do Senhor”, o dia em que a vida e obra do povo
de cristo serão avaliadas, é o dia em que a salvação dos crentes será consumada.
Chama atenção também para que vivamos de modo coerente com nosso chamado
visto que será motivo de alegria para os crentes que foram fiéis e obedientes, e de
tristeza e vergonha para os que viveram em rebeldia e na prática do pecado.
D. Ele expressa seu amor genuíno por eles (v.7-9)

7 É justo que eu me sinta assim a respeito de todos vocês, pois estais em meu coração,
já que todos sois participantes comigo da graça, tanto nas minhas prisões quanto na
defesa e na confirmação do Evangelho.

Paulo julga justo seu sentimento referente a esses irmãos, pois seu amor por
essa igreja é sincero. Há um laço de afeição profunda do apóstolo por eles. Os termos
defesa(apologia) e confirmação (bebaiôsis) são termos jurídicos que fazem referência
ao discurso de defesa diante de um oficial e a garantia que se dá para testificar que
algo é verdade. Paulo o “embaixador em cadeias” (Ef.6.20) entende que ele estava
exatamente onde deveria estar, no local determinado por Deus “para defesa e
confirmação do evangelho” diante das altas autoridades e magistrados civis quando
seu caso viesse a julgamento.Ele tem a plena certeza de que, enquanto estivesse no
lugar determinado por Deus, seu ministério haveria de prosperar. Sua convicção foi
fortalecida com a cooperação dos filipenses, e o contínuo testemunho e fidelidade
deles.

8 Deus é minha testemunha, de como tenho saudade de todos vocês, com a profunda
afeição de Cristo Jesus.

Paulo invoca a Deus como sua testemunha, apesar de não ser comum, ele já
havia se utilizado desse expediente em outras ocasiões (Rm1.9;2Co1.23;1 Ts 2.5,10)
o que demonstra a seriedade e importância de sua expressão, bem como a veracidade
e autenticidade do que está afirmando. Põe a Deus como testemunha por se tratar de
um assunto do coração e Deus é o único que conhece a profundidade de seu coração
(Rm 8.27). “Na terna misericórdia de Cristo Jesus” - uma tradução mais literal seria
“em entranháveis afetos de Cristo Jesus”. O termo entranhas (Gr.splagchnos) refere-
se aos órgãos internos(coração, pulmões, fígado) que se acreditava ser a sede, o
centro das emoções,ou seja, o coração. Paulo utiliza metaforicamente esse termo com
o intuito de explicar que se tratava de um sentimento que brota do mais profundo e
íntimo do seu ser, que emana do próprio Cristo.

“Warren Wiersbe sobre isso comentou:

“Não se trata do amor de Paulo transmitido por meio de Paulo, mas sim do amor
de Cristo, transmitido através de Paulo” (WIERSBE, 2006, p.83).

Revela a presença de Cristo que habitava e se expressava através de seu ser.


Expressa também a profundidade do amor, cuidado e preocupação de Paulo pelos
cristãos filipenses.