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D E FE N SO R I A P Ú B L I C A D A U NI ÃO

NÚ C L E O D E C U R I T I B A / P R

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) DESEMBARGADOR(A)


PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO

Autos originários nº.: 5045498-41.2017.4.04.7000

PRIORIDADE: PACIENTE
COM CÂNCER E IDOSA

ROSE DO ROCIO DAMASCENO, brasileira, solteira, portadora do


RG nº. 1.900.688/PR e inscrita no CPF nº 019.856.889-48, residente e domiciliada na Rua
Amaro Santa Rita, 462, Vila Fanny, CEP 81030-230, Curitiba – Paraná, vem, por intermédio
da Defensoria Pública da União, com fundamento nos artigos 1.015 e seguintes do Código de
Processo Civil, interpor

AGRAVO DE INSTRUMENTO

em face da decisão proferida pela r. Juíza Federal da 3ª Vara Federal de


Curitiba, no evento 52, que indeferiu o pedido de tutela provisória de urgência para o
fornecimento do medicamento Ivacaftor (Kalydeco) 150mg, pelas razões que passa a expor
nos termos que seguem.
Nesta oportunidade, requer-se, com esteio no artigo 98 e seguintes do
CPC, a concessão/manutenção a agravante dos benefícios Gratuidade da Justiça, porquanto, em
razão da hipossuficiência de seu núcleo familiar, não poderá arcar com as custas e despesas do
processo sem prejuízo do sustento próprio e de sua família.

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Requer-se, outrossim, que em sua defesa sejam observadas as prerrogativas dos


Defensores Públicos Federais, à luz do disposto no inciso I do artigo 44, da Lei Complementar
80/1994, e artigo 185 e seguintes do CPC.

Termos em que pede deferimento.

Curitiba, 5 de setembro de 2019.

RENATO COSTA DE MELO


Defensor Público Federal

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EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO

EMÉRITO RELATOR,

EMINENTES DESEMBARGADORES,

CRISTIAN ARZUA FERREIRA, já devidamente qualificado nos


autos do processo em epígrafe, vem, à presença de Vossa Excelência, por intermédio da
Defensoria Pública do Estado do Paraná, apresentar as RAZÕES DO AGRAVO DE
INSTRUMENTO interposto em face da decisão proferida pelo juízo da 1ª Vara da Fazenda
Pública de Curitiba, na sequência 12, que indeferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela
requerido na exordial.

1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO

De plano, cabe apontar a satisfação de todos os requisitos exigidos pela


Lei Processual Civil para a admissão do presente Agravo de Instrumento.
Trata-se de recurso interposto contra decisão interlocutória proferida
em ação ordinária para o fornecimento de medicamento, portanto, passível de ataque por esta
via recursal, consoante o princípio processual da singularidade, unicidade ou
unirrecorribilidade.
O interesse recursal está presente no direito à modificação da decisão
de primeiro grau que indeferiu tutela provisória de urgência requerida pelo autor para o
fornecimento de medicamento, a fim de possibilitar o tratamento da doença que o acomete, qual
seja, Esclerose Múltipla (CID 10 – G35).
De fato, o medicamento é imprescindível para a garantia da manutenção
da vida do Recorrente, conforme se observa na vasta documentação médica colacionada nos
autos (evento 01), bem como do relatório médico atualizado que acompanha esta peça recursal.

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É o recurso tempestivo, conforme se observa a intimação contida no


evento 13.
O preparo é dispensado uma vez que a parte autora goza do benefício
da Gratuidade da Justiça, conforme artigo 98 e seguintes do CPC.

2. DOS FATOS

O agravante é portador de Esclerose Múltipla (CID 10 – G35), e


encontra-se em tratamento médico há 03 anos pelo SUS no Hospital de Clínicas/HC-UFPR,
necessitando do uso contínuo do medicamento OCRELIZUMAB 600mg (Ocrevus®),
conforme relatório médico emitido pela médica especialista Dra. Rosana Herminia Scola
(CRM/PR 21344), Chefe do Serviço de Doenças Neuromusculares e Desmielinizantes do
Hospital das Clínicas – HC (Evento 1.8 Relatório Médico e Evento 10.2 Resposta médica).
No mencionado relatório, ressaltou-se que não há tratamento no âmbito
do SUS que atue no mesmo mecanismo de ação da medicação prescrita (conforme itens 6, 8, 9,
10 e 11 do referido relatório). Do mesmo modo, recentíssimo Relatório de Recomendações do
Ministério da Saúde nº 455 de julho de 20191, aprovou o Protocolo Clínico e Diretrizes
Terapêuticas (PCDT) da Esclerose Múltipla – EM, no âmbito do SUS, porém os pacientes com
Esclerose Múltipla Primária Progressiva (EM-PP) não são contemplados (diferentemente das
formas EM-RR e EM-SP), sendo inclusive considerados como critério de exclusão.
Nesse diapasão, importe salientar que os medicamentos
disponibilizados pelo SUS (glatirâmer, betainterferonas, azatioprina, metilprednisolona,
natalizumabe, fingolimode, teriflunomida e fumarato de dimetila), são indicados para pacientes
com Esclerose Múltipla de forma Remitente Recorrente – EM-RR e não para forma
Primária Progressiva EM-PP, como no caso da parte autora.
Imperioso destacar ainda que que já fora utilizado alguns dos
tratamentos indicados pelo PCDT’S do SUS para tratamento da Esclerose Múltipla, como por
exemplo o medicamento azatioprina, conforme relatório da médica que assiste a parte autora,

1
RELATÓRIO DE RECOMENDAÇÃO Nº 455, JULHO/2019 – CONITEC, MINISTÉRIO DA SAÚDE).
http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2019/Relatorio_PCDT_EM_FINAL.pdf

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ocorre, porém que os mesmos se mostraram ineficazes e houve progressão da doença. Todavia,
existem estudos conclusivos no tocante ao uso do OCRELIZUMAB (Ocrevus), para o
tratamento de Esclerose Múltipla Primária Progressiva.
Imperioso apontar que a parte requerente vem submetendo-se ao
tratamento convencional à sua enfermidade há quase 04 (quatro) anos, conforme
Atestados, formulário e declaração médica (Evento01), todavia, não houve resposta a este
tratamento e a doença vem progredindo significativamente, acarretando importante redução
da qualidade de vida do assistido, sua piora clínica e funcional progressiva, com risco de óbito
caso não faça uso do fármaco demandado.
O fato supra exposto, comprovado por meio de vasta documentação
médica anexa à exordial, induz à conclusão de imprescindibilidade do uso de tal medicamento
para a saúde do agravante. A ausência do referido medicamento acarretar-lhe-á consequências
danosas, tendo em vista que não foi alcançada satisfatoriamente a estabilidade clínica com
o uso da medicação fornecida pelo Sistema Único de Saúde – SUS.
Não se pode ainda desconsiderar que o medicamento em questão
OCRELIZUMAB (Ocrevus), devido a sua eficácia no tratamento de pacientes com Esclerose
Múltipla, foi aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) para tratamento de
pacientes que sofrem com essa doença na sua forma mais grave e de difícil controle. Em alguns
países o medicamento já possui registro. Nos Estados Unidos, o OCRELIZUMAB foi
aprovado2 em 28 de março de 2017 e na União Europeia, em 10 de novembro de 20173.
Estudos demonstraram que o Ocrevus é eficaz na redução do número
de surtos e pode também reduzir a progressão dos sintomas em alguns doentes. Em dois estudos
que incluíram 1656 doentes com esclerose múltipla por surtos (EMS), o número médio de surtos
em doentes tratados com o Ocrevus foi cerca de metade daquele nos doentes tratados com um
outro medicamento, o interferão beta-1a (0,16 versus 0,29 surtos por ano). Um terceiro estudo
que incluiu 732 doentes com esclerose múltipla progressiva primária (EMPP) demonstrou que

2
https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/nda/2017/761053Orig1s000TOC.cfm

3
https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/ocrevus

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menos doentes que tomavam o Ocrevus apresentavam sintomas agravados com uma duração
de 12 semanas ou mais (30 %) em comparação com os que receberam o placebo (34 %).
Outrossim, não há a possibilidade de substituição do remédio por
outro similar disponibilizado pelo SUS para tratamento da EM, tendo em vista que já
foram tentados sem sucesso e que o PDCT do SUS exclui os pacientes que apresentam
Esclerose Múltipla Primária Progressiva EM-PP e EM-PP com surto, consoante a
incapacidade de adesão ao tratamento e de monitorização dos efeitos adversos ou
intolerância ou hipersensibilidade aos medicamentos ofertados pelo Sistema Único de
Saúde para tratamento da EM4.
A doença apresentada pela postulante é de difícil controle, razão pela
qual necessita do referido fármaco para aumentar a sua sobrevida e possibilitar-lhe uma
melhor qualidade de vida.
Sendo assim, a decisão judicial que indeferiu a antecipação de tutela
requerida, para o fornecimento da medicação, ao equivocado argumento de que “ (...) não foi
provada a necessidade ou imprescindibilidade do medicamento” (evento 12), deve ser
reformada.
Nítida, portanto, é a violação ao princípio da dignidade da pessoa
humana, fundamento da República Federativa do Brasil, insculpido no artigo 1º, inciso III, da
Constituição Federal, inclusive a evidente monetarização da vida humana, a monetarização de
um princípio universalmente reconhecido.
Nítida é a decisão proferida sobre quem merece viver ou morrer
com dignidade, a depender do custo do medicamento para o Estado.

3. DO DIREITO

3.1 DA IMPRESCINDIBILIDADE, ADEQUAÇÃO, NECESSIDADE E


IMPOSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DO FÁRMACO REQUERIDO.

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http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2019/Relatorio_PCDT_EM_FINAL.pdf

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A necessidade de tratamento do Agravante com o medicamento


OCRELIZUMAB 600mg (Ocrevus), está devidamente comprovada por meio dos
documentos juntados à petição inicial, sobretudo da receita e questionário médicos (evento 01),
e do relatório médico, (eventos 10.2). Não há a possibilidade de substituição do remédio por
outro similar, tendo em vista que o Agravante já tentou alguns medicamentos fornecidos pelo
SUS, sem sucesso e que o PDCT do SUS para tratamento da EM exclui os pacientes que
apresentam Esclerose Múltipla Primária Progressiva EM-PP e EM-PP com surto, consoante a
incapacidade de adesão ao tratamento e de monitorização dos efeitos adversos ou intolerância
ou hipersensibilidade aos medicamentos ofertados pelo Sistema Único de Saúde para
tratamento da EM.
A doença apresentada pelo Agravante é tem se manifestado de forma
agressiva (evento 1.8 item 05 do relatório médico), razão pela qual necessita do referido
fármaco para controlá-la e permitir-lhe uma melhor qualidade de vida.
Em que pese haja informação acerca do tempo aproximado de
sobrevida que terá o agravante, não se pode exigir nem do laboratório fornecedor do
medicamento, muito menos da médica, que declare com absoluta precisão o tempo que o
paciente sobreviverá. Tal dado, como se sabe, é meramente uma média estimativa.
Deste modo, o que se demonstra nítido é que o medicamento pleiteado
garantirá melhor ganho de sobrevida, consideravelmente superior em relação aos demais
medicamentos disponibilizados pelo SUS para tratamento da EM.
Conforme resposta da expert médica que acompanha o Requerente, Dra. Rosana
Herminia Scola (CRM/PR 21344), Chefe do Serviço de Doenças Neuromusculares e
Desmielinizantes do Hospital das Clínicas – HC, aos quesitos 6, 8 e 9 do formulário médico
juntado na inicial (sequência 1.8):

6. Quais os fármacos disponibilizados pelo SUS para o tratamento da


patologia que acomete o paciente? Eles são eficazes para este caso? Caso não
seja eficaz, detalhe os motivos.

Resposta: Não há fármaco específico e eficazes para o tratamento da


forma Primária Progressiva da esclerose múltipla pelo SUS.

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8. O tratamento indicado pode ser substituído pelas demais alternativas


fornecidas pelo SUS? Na hipótese de possibilidade de substituição, qual a
alternativa médica indicada?

Resposta: Não. O tratamento não pode ser substituído pelas alternativas


fornecidas pelo SUS.

9) Os tratamentos disponibilizados pelo SUS ou descritos nos Protocolos


Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde são ineficazes ou
impróprios ao quadro clínico apresentado pelo paciente?

Resposta: Os tratamentos disponibilizados pelo SUS não estão indicados


para o tratamento da forma Primária Progressiva de Esclerose Múltipla.

Outrossim, em que pese não ter sido ainda comprovada a eficácia superior do
ocrelizumabe em relação aos medicamentos ofertados pelos SUS para tratamento da Esclerose
Múltipla – EM, este é indicado como único medicamento capaz de tratar os outros tipos de EM,
a saber, a Esclerose Múltipla Primária Progressiva – EM-PP e a Primária Progressiva com surto,
conforme a vasta literatura médica tem atestado, e conforme documentos juntados pela parte
ré, na sequência 18 dos autos originários.
É importante esclarecer que, acordo Portaria Conjunta nº 10, de 02 de abril de
2018, juntada na sequência 18.6 pela parte ré, especifica de forma didática que há quatro formas
de evolução clínica da EM: remitente-recorrente (EM-RR), primariamente progressiva (EM-
PP), primariamente progressiva com surto (EM-PP com surto) e secundariamente progressiva
(EMSP). A forma mais comum é a EM-RR, representando 85% de todos os casos no início de
sua apresentação. A forma EM-SP é uma evolução natural da forma EM-RR em 50% dos casos
após 10 anos do diagnóstico (em casos sem tratamento – história natural). As formas EM-PP e
EM-PP com surto perfazem 10%-15% de todos os casos (3,4).
Mesma portaria, apesar de prever tecnologias avançadas e medicamentos de
ponta para o tratamento da EM pelo SUS, exclui de forma taxativa os pacientes como a parte
autora, portadores de EM-PP e EM-PP com surto, dos PDCT’S para tratamento da Esclerose
Múltipla, (pág. 06 – ponto 5. Critérios de exclusão) vejamos:
Serão excluídos deste Protocolo os pacientes que apresentarem:
- EM-PP ou EM-PP com surto;

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- incapacidade de adesão ao tratamento e de monitorização dos


efeitos adversos; ou
- intolerância ou hipersensibilidade aos medicamentos.

De outro mote, a síntese de evidências elaborada pelo CCATES e colacionada


aos autos pela parte ré na sequência 18.5, reconhece de forma cabal a eficácia e superioridade
do fármaco requerido pela parte autora, para tratamento da EM-PP, (pág. 03), vejamos:

Pergunta: Ocrelizumabe é eficaz e seguro para o tratamento da


esclerose múltipla?

Conclusão: (...) Pacientes com esclerose múltipla primariamente


progressiva e recorrente apresentaram maior eficácia com
ocrelizumabe quando comparado com o placebo ou com a
interferona beta-1a, respectivamente. Estudos que avaliem a
segurança e a eficácia do ocrelizumabe à longo prazo são necessários

Forçoso reconhecer que não se pode fazer leitura diferente senão que o
medicamento Ocrelizumabe é sim adequado ao tratamento da parte autora, bem como é a
melhor opção terapêutica para o seu tipo de enfermidade.

No que pese o fato de o medicamento não estar padronizado também não pode ser
alegado para obstar o direito da requerente, uma vez ser ele garantido pela Constituição Federal.

Ora, as listas e protocolos clínicos são dirigidas exclusivamente à própria


Administração Pública na gestão da saúde pública e serve como forma de orientar os
profissionais da área da saúde, não podendo, desta forma, limitar o gozo do direito fundamental
à saúde, sob pena de inconstitucionalidade.

Já é sedimentado o entendimento jurisprudencial de que entes federativos não


podem utilizar de protocolos clínicos do SUS para escusarem-se da obrigação,
constitucionalmente prevista, de fornecimento de remédio àqueles que necessitam. Ao
contrário, políticas de saúde pública que devem se amoldar às necessidades da população, e não
encerrar a responsabilidade na taxatividade do rol.

Da mesma forma, é vedado ao ente público negar fornecimento de medicamento


prescrito, na medida em que resta consolidado o entendimento no sentido de que a não

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incorporação do fármaco, requerido na inicial, no PCDT não impossibilita que seja prescrito
para tratamento da moléstia descrita, desde que a utilização aconteça conforme a orientação de
uso e com o devido acompanhamento médico.

Neste sentindo, colacionam-se as seguintes jurisprudências dos Tribunais


Nacionais:

CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. FORNECIMENTO DE


MEDICAMENTO. DIREITO FUNDAMENTAL À SAÚDE. DEVER DO
ESTADO. MEDICAMENTO NÃO PADRONIZADO. IRRELEVÂNCIA.
PARÂMETROS ESTABELECIDOS PELO CNJ. OBSERVÂNCIA.
SENTENÇA CONFIRMADA.
1 - Os direitos à vida e à saúde estão erigidos como direitos fundamentais na
Constituição Federal e na Lei Orgânica do Distrito Federal, cabendo ao Estado
velar por sua promoção e proteção.

2 - A determinação de fornecimento de medicação específica para tratamento


de doença não afronta os princípios da isonomia e impessoalidade, nem se
afigura como interferência indevida de um Poder em outro. Tal situação
decorre de aplicação de dispositivos da Constituição da República, e é certo
que cabe ao Poder Judiciário apreciar as eventuais violações ao seu texto, não
podendo furtar-se a tanto, sob pena de violação ao contido no artigo 5°, inciso
XXXV, da CF.

3 - Para a concessão de medicamento em ação cominatória, o


fornecimento deve pautar-se pelos parâmetros estabelecidos pelo CNJ em
sua I Jornada de Direito da Saúde, cujo Enunciado nº 04 estabelece que
"Os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) são elementos
organizadores da prestação farmacêutica, e não limitadores" (grifei) e
que, caso "todas as alternativas terapêuticas previstas no respectivo
PCDT já tiverem sido esgotadas ou forem inviáveis no quadro clínico do
paciente", o Estado Juiz pode determinar o fornecimento da medicação
nele não incluída.

4 - A ausência de padronização do medicamento solicitado não é óbice ao


seu fornecimento pelo Estado, mormente levando-se em conta que o
fármaco foi prescrito por médico integrante da própria Secretaria de
Saúde do Distrito Federal.
Apelação Cível desprovida.

(Acórdão n.992856, 20140111736674APC, Relator: ANGELO PASSARELI


5ª TURMA CÍVEL, Data de Julgamento: 03/02/2017, Publicado no DJE:
23/02/2017. Pág.: 655/661)

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EMENTA: APELAÇÕES CÍVEIS. OBRIGAÇÃO DE FAZER. ESTADO E


MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. FORNECIMENTO GRATUITO DE
MEDICAMENTOS, INCLUSIVE DE MEDICAMENTOS OFF LABEL.
DIREITO À VIDA E À SAÚDE. INCONFORMISMO DOS ENTES
PÚBLICOS. O MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO TÃO SOMENTE NO
QUE TANGE AO PAGAMENTO DA TAXA JUDICIÁRIA. JÁ O ENTE
ESTATAL PELA IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS. (...). 3. O direito à
saúde é garantia fundamental, prevista no art. 6º, caput, da Carta Magna, com
aplicação imediata, leia-se, § 1º do art. 5º, da mesma Constituição, e não um
direito meramente programático. 4. Cumpre tanto à União, quanto ao Estado
e ao Município, de modo solidário, à luz do disposto nos artigos 196 e 23, II
da Constituição Federal de 1988, o fornecimento de medicamentos a quem
deles necessita, mas não pode arcar com os pesados custos. 5. No que toca aos
medicamentos off label prescritos, há laudos médicos e parecer do NAT
indicando o seu uso, sendo insuficiente a alegação de que inexiste autorização
da ANVISA para que os fármacos sejam utilizados com relação à doença da
autora para afastar a responsabilidade dos entes federativos quanto ao seu
fornecimento. 6. Os artigos 19-M a 19-R da Lei n° 8.080/90, introduzidos
pela Lei n° 12.401/11, não vedam a ministração de medicamentos diversos
dos constantes em protocolos clínicos do SUS. Nada permite concluir que
neles se encerre elenco taxativo. 7. De mais a mais, decidir conforme a
Constituição não implica, necessariamente, na declaração de
inconstitucionalidade de lei. 8. A hipótese não é, pois, de declaração de
inconstitucionalidade desses dispositivos, tampouco do afastamento de sua
incidência (Súmula Vinculante nº 10/STF), mas sim da sua correta
interpretação, à luz do direito à saúde consagrado na Constituição. 9. Recurso
do Município do Rio de Janeiro a que se dá provimento para afastar de sua
condenação o pagamento da taxa judiciária, na forma do artigo 557, §1º-A do
CPC. Apelo do Estado do Rio de Janeiro a que se nega seguimento, na forma
do caput do mesmo artigo, mantendo os demais termos da sentença guerreada.

(Apelação Cível - Processo Nº 0182771-21.2012.8.19.0001, Quarta Câmara


Cível, Tribunal de Justiça do RJ, Relator: Antônio Iloízio Barros Bastos,
Julgado em 25/03/2015).

Outrossim, apesar do respeito à separação dos poderes ou a independência da


Administração sobre o mérito dos atos administrativos, não pode o Judiciário se eximir de
pronunciar-se contra patente inconstitucionalidade/ilegalidade do administrador público ao
omitir-se no cumprimento de seu dever constitucional, quer busque o ente público justificativa

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na ausência de protocolo específico para o fármaco, quer argumente que se trata de


medicamento de alto custo, ou seja, escusando-se na alegação de impossibilidade orçamentária,
de modo a eximir-se de cumprir seu dever de resguardar a saúde dos cidadãos.

Nesse sentido, conferir à parte autora a oportunidade de tratar-se adequadamente


significa tornar efetivo o regramento constitucional que obriga o Estado a assegurar a todos a
assistência médica e o direito à vida.

A pretensão da parte autora está embasada nos direitos constitucionais da


dignidade da pessoa humana, no direito à vida, à saúde (direito de todos e dever do Estado) e à
unicidade das ações e serviços públicos de saúde (artigo 198, da Constituição Federal) com
responsabilidade solidária da União, Estados e Municípios.

Vale dizer, por outro lado, que os Tribunais Pátrios, já vem decidindo
favoravelmente em casos similares a da autora:

EMENTA – AGRAVO DE INSTRUMENTO – OBRIGAÇÃO DE


ENTREGAR COISA CERTA – ESCLEROSE MÚLTIPLA
PRIMARIAMENTE PROGRESSIVA – MEDICAMENTO –
OCRELIZUMABE – PESSOA HIPOSSUFICIENTE – TUTELA DE
URGÊNCIA CONCEDIDA – MULTA COMINATÓRIA –
APLICABILIDADE CONTRA A FAZENDA PÚBLICA – RECURSO
NÃO PROVIDO.

[...]
Mérito:
No caso, a probabilidade do direito se faz presente, eis que o agravado é
portador de Esclerose Múltipla Primariamente Progressiva – EM-PP,
necessitando fazer uso da medicação prescrita pelo neurologista que o
acompanha e deixou bem claro que o fármaco é a única droga indicada
para a forma primariamente progressiva da doença (f. 18-9 dos autos
principais).
A despeito do parecer desfavorável do Núcleo de Apoio Técnico, dele extrai-
se que existem quatro formas de evolução clínica da esclerose múltipla:
remitente-recorrente (EM-RR), primariamente progressiva (EM-PP),
primariamente progressiva com surto (EM-PP com surto) e secundariamente
progressiva (EM-SP) e, de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes
Terapêuticas para Esclerose Múltipla – PCDT, o tratamento disponibilizado
pelo SUS é para o caso mais comum, o EM-RR, representando 85% de todos
os casos no início de sua apresentação e o EM-SP que é uma evolução natural
da forma EM-RR em 50% dos casos após 10 anos do diagnóstico.

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No que tange à forma que acomete o agravado, constou que "Atualmente no


Brasil, o PCDT de EMR caracteriza a EM-PP como critério de exclusão
e a EM- PP não possui tratamento medicamentoso definido no SUS”.
Restou demonstrado, também, que a parte agravada está sendo assistida pela
Defensoria Pública (incapacidade financeira) e o fármaco pleiteado possui
registro na Anvisa.
[...]
A tutela deve ser concedida quando presentes a probabilidade do direito e o
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo - Comprovada a
necessidade do medicamento e sendo o portador da patologia pessoa sem
condições econômicas de suportar os custos do tratamento, deve o ente
público disponibilizá-lo, por força de ordem constitucional
- É cabível a imposição de multa diária - astreintes - em face da Fazenda
Pública, como meio de compelir o devedor a cumprir a obrigação de fornecer
o tratamento médico necessário ao combate de moléstia (REsp.1.474.665/
RS).
(TJ-MS - AI: 14043585220198120000 MS 1404358-52.2019.8.12.0000,
Relator: Des. Julizar Barbosa Trindade, Data de Julgamento: 17/07/2019, 2ª
Câmara Cível, Data de Publicação: 19/ 07/ 2019).

PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. FORNECIMENTO


DE MEDICAMENTOS. OCRELIZUMABE (OCREVUS). ESCLEROSE
MÚLTIPLA. ESGOTAMENTO DAS ALTERNATIVAS
TERAPÊUTICAS OFERTADAS PELO SUS. EFICÁCIA
COMPROVADA.

I. O direito fundamental à saúde está reconhecido pela Constituição Federal,


nos seus arts. 6° e 196, como legítimo direito social fundamental do cidadão,
que deve ser garantido através de políticas sociais e econômicas. 2.
Observando as premissas elencadas no julgado Suspensão de Tutela
Antecipada n. 175 (decisão da Corte Especial no Agravo Regimental
respectivo proferida em 17 de março de 2010, Relator o Ministro Gilmar
Mendes), quando da avaliação de caso concreto, devem ser considerados,
entre outros, os seguintes fatores: (a) a inexistência de
tratamento/procedimento ou medicamento similar/genérico oferecido
gratuitamente pelo SUS para a doença ou, no caso de existência, sua utilização
sem êxito pelo postulante ou sua inadequação devido a peculiaridades do
paciente; (b) a adequação e a necessidade do tratamento ou do medicamento
pleiteado para a doença que acomete o paciente; (c) a aprovação do
medicamento pela ANVISA (só podendo ser relevado em situações muito
excepcionais, segundo disposto nas Leis n.0 6.360/76 e 9.782/99) e (d) a não
configuração de tratamento experimental.
3. Ainda, justifica-se a atuação judicial para garantir, de forma equilibrada,
assistência terapêutica integral ao cidadão na forma definida pelas Leis nº
8.080/90 e 12.401/2011de forma a não prejudicar um direito fundamental e,
tampouco, inviabilizar o sistema de saúde pública.

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4. Comprovado o esgotamento das alternativas terapêuticas fornecidas pelo


SUS e a eficácia do tratamento medicamentoso proposto, pode ser dispensado
o fármaco postulado.
(TRF-4 - AG: 50429228920184040000 5042922-89.2018-4.04.0000, Relator:
ALTAIR ANTONIO GREGÓRIO, Data de Julgamento: 26/02/2019,
QUINTA TURMA).

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PÚBLICO NÃO


ESPECIFICADO. SAÚDE PÚBLICA. FORNECIMENTO DE
MEDICAMENTO - OCRELIZUMABE 300MG/10ML.
DEMANDANTE PORTADORA DA PATOLOGIA ESPECIFICADA
PELO CID 10 G35 ESCLEROSE MÚLTIPLA. RECONHECINIENTO
DA REPERCUSSÃO GERAL NO RE Nº 566.471/RN.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ALTO CUSTO DO FÁRMACO.
IRRELEVÂNCIA. SUFICIÊNCIA DO LAUDO MÉDICO. VIOLAÇÃO
AOS PRINCÍPIOS DA UNIVERSALIDADE, ISONOMIA E
IGUALDADE. INOCORRÊNCIA. PERÍCIA MÉDICA.
NECESSIDADE

1. O reconhecimento da repercussão geral no RE nº 566.471/ RN, pelo STF,


não impede o julgamento do recurso, eis que ainda não julgado o recurso em
definitivo.
2. O artigo 196 da Constituição Federal, que é autoaplicável, autoriza a
procedência do pedido da autora, na medida em que estabelece a
solidariedade da responsabilidade dos entes federados pelo
funcionamento do Sistema Unico de Saúde (SUS), mormente porque a
repartição de responsabilidades destinada a operacionalizar o sistema único de
saúde não se sobrepõe à solidariedade constitucionalmente prevista.
3. Permanece inarredável a responsabilidade do ente estadual pelo
fornecimento do serviço de saúde postulado mesmo frente às alegações quanto
ao alto custo do fármaco. Isso porque é inequívoco que questões de ordem
orçamentária não podem se sobrepor às... disposições constitucionais que
determinam a tutela do direito à saúde, à dignidade humana e à vida.
4. O pedido judicial atinente à concretização do Direito à Saúde pressupõe
análise individual, consideradas as peculiaridades do estado de saúde de cada
paciente, razão pela qual prevalece a prescrição do médico assistente sobre as
conclusões de pareceres realizados genérica e abstratamente.
5. inocorre ofensa aos princípios da universalidade, igualdade e isonomia, pois
não há comprovação de que o fornecimento do tratamento médico postulado
na inicial cause o colapso ao sistema, além de que se está simplesmente a
garantir a preponderância do direito à saúde.
6. Levando em consideração a singularidade do caso, eis que se postula
fornecimento contínuo e indeterminado de medicamento de alto custo,
demonstra-se razoável e necessária a realização de prova pericial médica,
conforme requerido pelo agravante.

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AGRAVO DE INSTRUNIENTO PARCIALMENTE PROVIDO. (Agravo de


Instrumento Nº 70079740270, Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Ricardo Torres Hermann, Julgado em 27/ 03/ 2019).
(TJ-RS - AI: 70079740270 RS, Relator: Ricardo Torres Hermann, Data de
Julgamento: 27/ 03/ 2019, Segunda Câmara Cível, Data de Publicação: Diário
da Justiça do dia 01/04/2019).

Com efeito, observa-se que o juízo a quo, além de basear-se na questão


meramente econômica, se pautou na remota e equivocada possibilidade de que o
medicamento pudesse não ser eficaz no tratamento da assistida, tampouco lhe traria o
restabelecimento de sua saúde, para negar-lhe o bem maior pretendido: a garantia de uma
existência digna, por meio da utilização da medicação descrita na exordial.
Cumpre também informar que o Agravante e seu núcleo familiar são
hipossuficientes, e o custo do medicamento supera muitas vezes o seu ganho.
Diante disso, não restam dúvidas quanto ao dever que se impõe ao
Estado de fornecer ao agravante o referido medicamento, uma vez que o paciente não possui
recursos próprios que lhe permitam a aquisição do fármaco pleiteado.
Conferir ao agravante a oportunidade de tratar-se adequadamente
significa tornar efetivo o regramento constitucional que obriga o Estado a assegurar a todos a
assistência médica e o direito à vida.
A pretensão do agravante está embasada nos direitos constitucionais da
dignidade da pessoa humana, no direito à vida, à saúde (direito de todos e dever do Estado) e à
unicidade das ações e serviços públicos de saúde (artigo 198, da Constituição Federal) com
responsabilidade solidária da União, Estados e Municípios.
Um dos princípios norteadores do direito à saúde é a integralidade da
assistência, por conseguinte, não se pode negar a um cidadão o direito a uma vida digna,
principalmente quando o meio para que se alcance a dignidade é o auxílio necessário para o
tratamento de sua saúde.
Dessa forma, a decisão deve ser reformada, a fim de que o fármaco seja
fornecido ao Agravante.

3.3 DA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA RECURSAL

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É cabível no caso em tela, o deferimento da antecipação da tutela,


conforme preceitua o art. 1.019, I do CPC:

Art. 1.019. Recebido o agravo de instrumento no tribunal e distribuído


imediatamente, se não for o caso de aplicação do art. 932, incisos III e IV, o
relator, no prazo de 5 (cinco) dias:
I - poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso ou deferir, em antecipação de
tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua
decisão;

Ademais, recentemente, o STJ fixou critérios para o fornecimento de


medicamentos que estão fora da lista do Sistema Único de Saúde (SUS), quais sejam: (i)
Comprovação, por meio de laudo médico fundamentado e circunstanciado expedido por médico
que assiste o paciente, da imprescindibilidade ou necessidade do medicamento, assim como da
ineficácia, para o tratamento da moléstia, dos fármacos fornecidos pelo SUS; (ii) incapacidade
financeira de arcar com o custo do medicamento prescrito; (iii) existência de registro na
ANVISA do medicamento (REsp 1657156/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/04/2018, DJe 04/05/2018).
No caso, restou demonstrado, pela vasta documentação médica juntada
e fundamentado a imprescindibilidade do medicamento e a ineficácia dos tratamentos
fornecidos pelo SUS, bem como
A incapacidade financeira é inconteste, tanto que a parte é assistida pela
Defensoria Pública e o medicamento pleiteado possui registro na ANVISA, conforme já
demonstrado.
Nesta perspectiva, resta evidente a doença apresentada pelo agravante,
eis que comprovada por meio da vasta documentação médica juntada à petição inicial.
Assim, considerando que o estado de saúde do recorrente será agravado
caso não seja fornecido gratuitamente o medicamento requerido, está demonstrado o receio de
dano irreparável e de difícil reparação a ensejar o deferimento da antecipação de tutela.
Posto isto, postula o agravante pela concessão da antecipação dos
efeitos da tutela recursal, tendo em vista que não poderá aguardar até o final do trâmite do
presente recurso.

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4. DAS INFORMAÇÕES DE PRAXE. CUMPRIMENTO DO ART. 1.016, IV, CPC

Os procuradores das partes são (art. 1.016, IV, CPC):

Defensoria Pública da União: Defensora Pública Federal – Bárbara da


Silva Pires: Rua Benjamin Lins, nº 779, Batel, CEP: 80420-100, Curitiba/PR. Telefone: (41)
3320-6400.
Estado do Paraná: Procurador – Dr. Pedro Henrique Azevedo de Araújo
Goes: Rua Conselheiro Laurindo, nº 561, Centro, Curitiba/PR.
União – Advocacia Geral da União: Procuradora – Dra. Gislaine Vieira
Berg Genehr: Avenida Munhoz da Rocha, nº 1247, Cabral, CEP: 80035-000, Curitiba/PR.
Por trata-se de processo eletrônico resta dispensada a juntada de cópia
integral do processo.

5. DO PEDIDO

Ante todo o exposto, requer-se:

a) com base no artigo 1.019, I do Código de Processo Civil, o


deferimento da antecipação da tutela recursal, determinando-se aos agravados, de
modo solidário, o imediato fornecimento Ivacaftor (Kalydeco) 150mg, conforme
prescrito no receituário médico juntado na exordial, pois que imprescindível ao
tratamento da agravante;

b) em atenção ao artigo 1.019, inciso II, do Código de Processo Civil, a


intimação dos agravados nas pessoas de seus procuradores para, querendo, apresentar
contraminuta ao presente recurso;

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c) a intimação pessoal da Defensoria Pública da União de Primeira


Categoria em Porto Alegre a respeito de todos os atos processuais, nos termos do artigo
44, inciso I, da Lei Complementar 80/1994;

d) a contagem em dobro dos prazos processuais, na forma do referido


dispositivo legal;

e) o provimento do agravo de instrumento, a fim de reformar a decisão


do juízo a quo, com a determinação do fornecimento, em favor da agravante, do
medicamento Ivacaftor (Kalydeco) 150mg, conforme receituário médico, eis que
essencial para o seu tratamento de saúde;

f) por se tratar a Agravante de pessoa hipossuficiente na acepção


jurídica do termo, assistido pela Defensoria Pública da União, requer-se a concessão dos
benefícios da assistência judiciária gratuita.
Termos em que pede deferimento.

Curitiba, 5 de setembro de 2019.

RENATO COSTA DE MELO


Defensor Público Federal

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