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PROCESSO Nº TST-Ag-E-ED-Ag-AIRR-1002182-91.2014.5.02.

0511

A C Ó R D Ã O
(SDI­1)
GMACC/mda/m  

AGRAVO EM EMBARGOS EM EMBARGOS DE


DECLARAÇÃO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO
EM RECURSO DE REVISTA. NULIDADE DO
ACÓRDÃO DA TURMA POR NEGATIVA DE
PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. O cabimento
do recurso de embargos restringe-se à
comprovação de divergência
jurisprudencial entre Turmas do TST
ou com a Seção de Dissídios
Individuais, ou contrariedade à
Súmula ou Orientação Jurisprudencial
do TST, ou à Súmula Vinculante do STF
nos exatos termos do artigo 894, II,
da CLT. De tal forma, inviável o
processamento do recurso de embargos
para exame de alegação de nulidade do
acórdão proferido pela Turma por
negativa de prestação jurisdicional.
Correta, pois, a decisão agravada.
Agravo desprovido.
EXCEÇÃO DA SÚMULA 353 DO TST. MULTA
DO ARTIGO 1.021, § 4º, DO CPC
APLICADA PELA TURMA. RECURSO
DESFUNDAMENTADO.  O § 5º do artigo
1.021 do CPC exige o depósito prévio
da multa prevista no § 4º do mesmo
dispositivo legal para a interposição
de qualquer outro recurso, sendo
excetuados dessa exigência a Fazenda
Pública e o beneficiário da justiça
gratuita. No caso dos autos, a
reclamada efetivou o recolhimento
prévio da multa prevista no artigo
1.021, § 4º, do CPC, aplicada pela
Turma. Feito esse registro, inviável
o recurso de embargos calcado
exclusivamente em alegação de
violação de dispositivos
constitucionais, nos exatos termos do
artigo 894, II, da CLT. Correta a
decisão agravada. Agravo não provido.

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Vistos,   relatados   e   discutidos   estes   autos   de


Agravo em Embargos em Embargos de Declaração em Agravo em Agravo de
Instrumento   em   Recurso   de   Revista   n°  TST­Ag­E­ED­Ag­AIRR­1002182­
91.2014.5.02.0511,   em   que   é   Agravante  BIOMEDICAL   DISTRIBUTION
MERCOSUR LTDA. e Agravado HAMILTON PEREIRA DE ALMEIDA.

Por   intermédio  do despacho de fls. 776-778, o


recurso de embargos interposto pela reclamada teve seguimento
denegado, porquanto incabível para exame de nulidade por negativa de
prestação jurisdicional e, quanto ao tema "multa do § 4º do artigo
1.021 do CPC", desfundamentado nos exatos termos do artigo 894, II,
da CLT.
Dessa decisão, a reclamada interpôs agravo (fls.
780-784). Alegou, em síntese, que o recurso de embargos atende aos
pressupostos de admissibilidade, merecendo reforma o despacho
agravado.
Intimado regularmente (fl. 786), o reclamante
apresentou impugnação aos embargos e contrarrazões ao agravo, em
petição conjunta, às fls. 787-798.
Dispensada   a   remessa   dos   autos   à   Procuradoria
Geral do Trabalho, consoante permissivo regimental (artigo 95, § 2º,
II, do RITST).
É o relatório.

V O T O

1 ­ CONHECIMENTO

Atendidos os pressupostos extrínsecos de


admissibilidade, relativos ao prazo (fls. 779 e 785), à
representação processual (fls. 97 e 568), conheço do agravo.
Convém destacar que o presente apelo rege-se pelas
Leis 13.015/2014 e 13.467/2017, tendo em vista haver sido interposto

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contra decisão publicada em 2/4/2019, isto é, após a eficácia das


referidas normas.

2 - MÉRITO

2.1 – NULIDADE DO ACÓRDÃO DA TURMA POR NEGATIVA DE


PRESTAÇÃO JURISDICIONAL

Consoante relatado, o Ministro Presidente da


Quarta Turma desta Corte negou seguimento ao recurso de embargos
interposto pela reclamada, por entender inviável a admissibilidade
dos embargos em que se discute nulidade do acórdão da Turma por
negativa de prestação jurisdicional.
As razões de decidir foram as seguintes:

"1) PRELIMINAR DE NULIDADE PROCESSUAL POR


NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL
Nas razões de embargos, a Reclamada alega nulidade do acórdão
turmário, por negativa de prestação jurisdicional, ao argumento de que a
Turma recusou-se "a examinar a possível violação às Súmulas 47, 80 e 85,
do C. Tribunal Superior do Trabalho, e aos artigos 158, 189, 190, 191, 253,
461, §1º, 477, §8º, 482, alínea "e", 611 e 818, da CLT, 5º, incisos LIV e LV,
7º e 93, inciso IX, da Constituição Federal, e 373, do NCPC, além da NR 6,
do anexo 9, da NR 15, e da NR 29, da Portaria MTB 3.214/78, assim como
cláusulas convencionais coletivas da categoria do Recorrido" (pág. 764).
Inicialmente, pontue-se que a indicação de ofensa a preceitos de lei e
da Constituição Federal é ociosa, porquanto desatende o disciplinado no art.
894, II, da CLT.
Por outro lado, registre-se que a SBDI-1 desta Corte, no julgamento
do processo E-ED-RR - 1113-20.2011.5.02.0067, Rel. Min. Cláudio
Brandão, DEJT de 01/03/18, decidiu que não cabe recurso de embargos
para discutir nulidade de decisão da Turma ou do Regional por negativa de
prestação jurisdicional, tendo em vista a função exclusiva de uniformização
de jurisprudência desta Corte e ante a impossibilidade de aferição de

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divergência jurisprudencial específica, em razão do quadro fático de cada


caso analisado.
Incabível, portanto, recurso de embargos para análise de alegação de
nulidade por negativa de prestação jurisdicional.
Não admito os embargos, neste tópico." (fls. 776-777).

Em agravo, a reclamada insiste na alegação de


conhecimento dos embargos, sustentando que a Turma incorreu em
nulidade por negativa de prestação jurisdicional. Indica por
contrariedade às Súmulas 47, 80 e 85 do Tribunal Superior do
Trabalho e violação dos artigos 158, 189, 190, 191, 253, 461, § 1º,
477, § 8º, 482, alínea "e", 611 e 818 da CLT, 5º, LIV e LV, 7º e 93,
IX, da Constituição Federal, 373 do CPC, além da NR 6, do anexo 9 da
NR 15, da NR 29 da Portaria MTB 3.214/78, assim como cláusulas
convencionais coletivas.
À análise.
Segundo a diretriz da Súmula 459 desta Corte, o
conhecimento da preliminar de nulidade por negativa de prestação
jurisdicional está adstrito à demonstração de afronta aos artigos
832 da CLT, 489 do CPC e 93, IX, da Constituição Federal.
Já o cabimento do recurso de embargos restringe-se
à comprovação de divergência jurisprudencial entre Turmas do TST ou
com a Seção de Dissídios Individuais, ou contrariedade à Súmula ou
Orientação Jurisprudencial do TST, ou à Súmula Vinculante do STF nos
exatos termos do artigo 894, II, da CLT.
De tal forma, inviável o processamento do recurso
de embargos para exame de alegação de nulidade do acórdão proferido
pela Turma por negativa de prestação jurisdicional.
Diante do exposto, nego provimento ao agravo.

2.2 - MULTA DO ARTIGO 1.021, § 4º, DO CPC APLICADA


PELA TURMA

Conhecimento

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Consoante relatado, o Ministro Presidente da


Quarta Turma desta Corte negou seguimento ao recurso de embargos
interposto pela reclamada, no que diz respeito à multa do artigo
1.021, § 4º, do CPC, aplicada pela Turma, por entender
desfundamentado o apelo, nos termos do artigo 894, II, da CLT.
As razões de decidir foram as seguintes:

"(...)
2) MULTA DO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/15
A 4ª Turma do TST condenou a Reclamada "ao pagamento de multa
de 2% sobre o valor atualizado da causa, em favor da parte contrária" (pág.
733).
A Reclamada, nas razões de embargos, sustenta que "somente se
utilizou do remédio processual (Agravo Regimental) colocado à sua
disposição pelos legisladores, ou seja, aquele previsto no Regimento
Interno deste C. TST" (pág. 764), razão pela qual requer que seja excluída a
multa que lhe foi imposta.
O exame dos pressupostos genéricos de admissibilidade recursal
evidencia que o presente recurso não se viabiliza, haja vista que não atende
aos pressupostos do art. 894, II, da CLT, porquanto a Reclamada não indica
contrariedade a súmula ou a orientação jurisprudencial desta Corte, como
também não veicula aresto para demonstrar divergência jurisprudencial.
Assim, impõe-se a não admissibilidade dos embargos, na espécie,
uma vez que desfundamentados.
III) CONCLUSÃO
Ante o exposto, denego seguimento ao recurso de embargos da
Reclamada, com fulcro nos arts. 93, VIII, do RITST e 2º do Ato
TST.SEGJUD.GP 491/14." (fls. 777-778).

A reclamada alega jamais ter tido a intenção de


protelar o feito, pelo que descabida a multa prevista no artigo
1.021, § 4º, do CPC. Aduz que o agravo era o meio adequado para
garantir a ampla defesa assegurada constitucionalmente. Para tanto,
indica afronta ao artigo 5º, LIV e LV, da Constituição Federal.

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De início, cumpre registrar que o § 5º do artigo


1.021 do CPC exige o depósito prévio da multa prevista no § 4º do
mesmo dispositivo legal para a interposição de qualquer outro
recurso. São excetuados dessa exigência a Fazenda Pública e o
beneficiário da justiça gratuita.
Esta Subseção já se posicionou sobre o assunto,
como se pode observar do seguinte precedente:

"AGRAVO - AGRAVO DE INSTRUMENTO -


DESFUNDAMENTAÇÃO - SÚMULA 422 DO TST - AUSÊNCIA DE
DEMONSTRAÇÃO DE DESACERTO DA DECISÃO AGRAVADA -
NÃO CONHECIMENTO - APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A decisão
agravada denegou seguimento ao agravo de instrumento da Fundação
Petrobras de Seguridade Social, que versava sobre limites da coisa julgada
no que tange ao cálculo da RMNR, com lastro no óbice da Súmula 422 do
TST, por não ter a Agravante se insurgido contra o fundamento do
trancamento de seu recurso de revista, que era o art. 896, § 1º-A, I, da CF.
2. No presente agravo, a Reclamada reincide no mesmo vício, deixando de
atacar o óbice erigido por este Relator, concernente à Súmula 422 do TST, a
qual se aplica também ao apelo ora em exame. 3. Ademais, revelando-se
manifestamente infundado o agravo, atrai o obstáculo do art. 1.021, § 4º, do
CPC, que permite a aplicação de multa de 5% do valor corrigido da causa à
Agravante, em prol do Reclamante. Agravo não conhecido, por
desfundamentado, com aplicação de multa." (Ag-AIRR-872-
52.2010.5.01.0053, Relator Ministro: Ives Gandra Martins Filho, Data de
Julgamento: 07/11/2018, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 09/11/2018)

No caso dos autos, a reclamada efetuou o


recolhimento prévio da multa prevista no artigo 1.021, § 4º, do CPC,
aplicada pela Turma (fl. 772).
Em que pesem as alegações da reclamada, o recurso
de embargos não prospera, uma vez inobservados os requisitos de
admissibilidade e conhecimento do recurso de embargos a esta SBDI-1.
Nos termos da atual redação do artigo 894 da CLT,
conferida a partir do advento da Lei 11.496/2007, os embargos
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somente se viabilizam por divergência jurisprudencial entre Turmas


desta Corte ou entre Turmas e esta SBDI-1. Nessas circunstâncias, a
indicação de afronta a dispositivo legal ou constitucional não
autoriza o processamento do apelo.
De tal forma, sendo imprópria a alegação de ofensa
a dispositivos constitucionais, em face da redação do artigo 894,
II, da CLT, tem-se por desfundamentado o recurso de embargos por não
se amoldar ao aludido permissivo consolidado.
Diante do exposto, nego provimento ao agravo.

ISTO POSTO

ACORDAM  os   Ministros   da   Subseção   I   Especializada


em   Dissídios   Individuais   do   Tribunal   Superior   do   Trabalho,   por
unanimidade, negar provimento ao agravo.
Brasília, 15 de agosto de 2019.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)


AUGUSTO CÉSAR LEITE DE CARVALHO
Ministro Relator

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