Você está na página 1de 10

2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.

A revista precisa do seu apoio!
Desde seu nascimento em 2002, a revista tem crescido em importância e conteúdo (59
exemplares trimestrais, + de 9 milhões os acessos, avaliação QUALIS­B1 na área de
Ensino), requisitando mais dedicação dos membros da equipe, que a mantém de forma
independente (sem apoio financeiro externo). Para continuarmos a desenvolver este
trabalho, viemos pedir o apoio da comunidade através de doações.
Às pessoas que contribuírem enviaremos um brinde­surpresa! ­ Editores da
revistaea.org

ISSN 1678­0701
Número 60, Ano XVI. Números anteriores  ...
Junho/Agosto/2017.

 Início        Cadastre­se!       Procurar       Submeter artigo        Contato


    Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão
    Para sensibilizar     Dinâmicas     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação
de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas
    Educação     Plantas medicinais     Educação Ambiental e Comunicação     Práticas de
Educação Ambiental     Sementes     Educação e temas emergentes     Ações e projetos
inspiradores     Relatos de Experiências     Notícias

 Artigos  

03/06/2017
EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE
COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO
DAS ESPÉCIES.  
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 
Like Be the first of your friends to like this.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE
RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.
 

Juliana Soares da Silva¹
Larissa Prado Vieira Otávio²
Simone Mousinho Freire³
 
 
1. Graduanda em licenciatura em Biologia – UESPI/ e­mail: j.lustosa­
soares@hotmail.com
2. Graduanda em licenciatura em Biologia – UESPI/ e­mail:larissapradov@hotmail.com
3. Doutora em ciência animal – UESPI/ e­mail: simonemousinho@gmail.com

 
 
RESUMO
A  ação  antrópica  vem  causando  grandes  danos  aos  recursos  naturais
culminando  em  muitos  fatores,  dentre  eles  o  tráfico  de  animais.  Essa  atividade  é
considerada  a  terceira  atividade  clandestina  que  mais  movimenta  dinheiro  no  mundo.
Diante  desse  cenário,  a  educação  ambiental  passa  a  ser  uma  ferramenta  necessária
para  promover  a  mudança  de  comportamento  do  homem  em  relação  à  natureza.  A
escola  é  de  extrema  importância  no  processo  de  formação,  tanto  social  quanto
ambiental  dos  seus  alunos,  tornando­se  um  espaço  privilegiado  para  estabelecer
conexões  e  informações,  criando  condições  e  alternativas  que  estimulam  os  alunos  a
http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 1/10
2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.

terem  concepções  e  posturas  cidadãs.  Neste  trabalho  buscamos  desenvolver  a


educação ambiental como forma de combate ao tráfico de répteis no Estado do Piauí e
incentivar  a  prática  conservacionista  deste  grupo  de  animais.  O  público  alvo  foram
alunos  de  duas  Unidades  Escolares  do  Estado  do  Piauí,  utilizando  como  instrumento
de pesquisa a aplicação de questionários e realização de palestras. Foi observado um
bom nível de conhecimento a respeito do tráfico de animais silvestres com enfoque nos
répteis,  e  após  a  realização  da  palestra,  foi  perceptível  um  generoso  percentual  de
absorção  das  informações  repassadas.  A  educação  ambiental  dentro  do  ambiente
escolar é uma maneira eficaz de informar e conscientizar a comunidade sobre o tráfico
de répteis e a conduta de conservação dos mesmos. Portanto, existe a necessidade de
mais ações de educação ambiental, não apenas no âmbito escolar, mas na sociedade
em geral, para que o impacto dessas informações sejam ainda maiores.
 
Palavras­chave Escola. Conscientizar. Animais Silvestres.
 
 
ABSTRACT

               Anthropogenic action has been causing great damage to natural resources,
culminating in many factors, including animal trafficking. This activity is considered the
third clandestine activity that moves the most money in the world. Given this scenario,
environmental  education  becomes  a  necessary  tool  to  promote  the  change  of  man's
behavior  in  relation  to  nature.  The  school  is  extremely  important  in  the  social  and
environmental training process of its students, making it a privileged space to establish
connections  and  information,  creating  conditions  and  alternatives  that  encourage
students  to  have  their  conceptions  and  attitudes.  In  this  work  we  seek  to  develop
environmental  education  as  a  way  to  combat  the  trafficking  of  reptiles  in  the  State  of
Piauí  and  to  encourage  conservationist  practice  of  this  group  of  animals.  The  target
audience were students from two School Units of the State of Piauí, using as a research
instrument  the  application  of  questionnaires  and  conducting  lectures.  A  good  level  of
knowledge  regarding  the  trafficking  of  wild  animals  with  a  focus  on  the  reptiles  was
observed, and after the lecture, a generous percentage of absorption of the information
passed  was  perceived.  Environmental  education  within  the  school  environment  is  an
effective  way  to  inform  and  educate  the  community  about  reptiles  trafficking  and
conservation  practices.  Therefore,  there  is  a  need  for  more  environmental  education
actions, not only in schools, but in society at large, so that the impact of this information
is even greater.
 
 
INTRODUÇÃO

A relação homem e natureza vêm causando uma forte pressão sobre os recursos
naturais  culminando  no  desmatamento  de  florestas,  destruição  de  hábitats,  tráfico  de
animais,  extinção  de  espécies  e  consequentemente  uma  redução  na  fauna  e  flora
(MOREIRA, 2008).
No  Brasil,  estima­se  que  o  tráfico  de  animais  silvestres  movimente
aproximadamente  2  bilhões  de  dólares  por  ano,  sendo  responsável  por  10%  dos  20
bilhões que circulam, resultando na terceira atividade clandestina que mais movimenta
dinheiro no mundo (OLIVEIRA, 2012). Segundo o IBAMA (2014), foram recebidos 577
animais  de  53  espécies  ameaçadas  de  extinção  nos  Centros  de  Triagem  de  Animais
Silvestres­ CETAS, dentre elas a espécie de réptil mais recebida foi à tartaruga verde
(Chelonia mydas)  com  19  indivíduos  e  entre  as  espécies  com  maior  número  de  solturas
destaca­se a Jiboia (Boa constrictor) com 643 indivíduos.

http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 2/10
2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.

No Estado do Piauí, o CETAS – IBAMA durante o ano de 2011 registrou a entrada
de 190 répteis, apresentando assim o segundo maior número de registros durante esse
ano (MOURA, 2012) A  situação  é  preocupante,  pois  jabutis,  serpentes  e  lagartos  têm
se tornado muito populares entre criadores que buscam atributos relacionados à beleza
e  a  menor  necessidade  de  atenção  quanto  à  alimentação,  espaço  e  frequência  de
limpeza,  o  que  gera  um  risco  de  entrada  de  diversos  patógenos  nas  residências
(SHIAU, 2006).
Em  2008,  o  IBAMA  realizou  uma  campanha  de  conscientização  acerca  das
consequências  do  tráfico  de  animais  silvestres,  uma  das  atividades  realizadas  tinha
como  slogan:  “Isto  acontece  porque  você  compra”,  onde  houve  a  confecção  de
banners, cartazes contendo fotos de animais provindos do tráfico. Essa atividade teve
como  principal  objetivo,  impactar  as  pessoas  e  mostrar  as  consequências  daquela
atividade ilegal. O projeto “Escola é o bicho” também fez parte dessa campanha, nesse
projeto foram realizadas palestras para crianças nas escolas, com o objetivo de mostrar
a problemática do tráfico de animais silvestres.
Diante  desse  cenário,  a  educação  ambiental  passa  a  ser  uma  ferramenta
necessária  para  promover  a  mudança  de  comportamento  do  homem  em  relação  à
natureza e reduzir os impactos causados a ambos (ANDRADE, 2001). Ela tem o papel
de desenvolver a consciência preservacionista, aplicando ao homem o conhecimento,
para  que  possa  mudar  suas  atitudes  mediante  o  uso  dos  recursos  naturais,  não
deixando de satisfazer suas necessidades respeitando os limites e o ciclo da natureza
(CANTINHO, 2015).
Nesse contexto, a escola é de extrema importância no processo de formação, tanto
social  quanto  ambiental  dos  seus  alunos,  tornando­se  um  espaço  privilegiado  para
estabelecer  conexões  e  informações,  criando  condições  e  alternativas  que  estimulam
os alunos a terem concepções e posturas cidadãs, cientes de suas responsabilidades
e, principalmente, percebendo­se como integrantes do meio ambiente (LIMA, 2004).
De  acordo  com  as  orientações  dos  Parâmetros  Curriculares  Nacionais  (PCN’s),  a
Educação Ambiental,  deve  ser  trabalhada  de  forma  interdisciplinar.  A  princípio,  é  isso
que  se  vê  nos  planos  de  curso  da  maioria,  ou  de  todos  os  professores  de  escolas
públicas. Porém, na prática, não é executado (DOS SANTOS NARCIZO, 2009).
Diante do exposto, neste trabalho buscou­se trabalhar a educação ambiental como
forma  de  combate  ao  tráfico  de  répteis  no  estado  do  Piauí  e  incentivar  a  prática
conservacionista deste grupo de animais.
 
MATERIAL E MÉTODOS
Este  estudo  teve  caráter  quali­quantitativo,  buscando­se  analisar  e  contribuir
para o conhecimento dos alunos de duas escolas do Estado do Piauí sobre o tráfico de
répteis e sua conservação. O estudo foi realizado durante o segundo semestre de 2016
com alunos do Ensino Médio da Unidade Escolar Anísio Lima, no Município de Altos –
Piauí, e na Unidade Escolar Dom Severino, na cidade de Teresina – Piauí.
Na  Unidade  Escolar  Dom  Severino,  Teresina­  PI,  os  questionários  foram
aplicados com 20 alunos de todas as séries do ensino médio, com idade entre 14 e 21
anos.  Na  Unidade  Escolar  Anísio  Lima,  Altos  –  PI,  os  questionários  foram  aplicados
com 30 alunos de todas as séries do ensino médio, com idade entre 15 e 26 anos.
Como instrumento de pesquisa, utilizou­se questionários, com 10 questões cada,
aplicados aos alunos das escolas. Inicialmente foi aplicado um questionário, contendo
perguntas abertas e fechadas sobre a criação de répteis, conservação e importância, a
fim  de  se  obter  o  conhecimento  prévio  deste  público.  O  mesmo  questionário  foi
reaplicado logo após uma palestra sobre preservação e o combate ao tráfico de répteis.
A  atividade  foi  finalizada  com  a  distribuição  da  cartilha  O  MUNDO  DAS  IGUANAS,
confeccionada  pelos  autores  do  presente  trabalho,  que  são  vinculados  ao  Curso  de
Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Piauí, cujo conteúdo
trata da ecologia, importância e preservação da iguana­verde (Iguana Iguana)

http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 3/10
2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.

Para  análise  estatística  dos  dados  foi  realizada  frequência  simples  dos  dados
obtidos nos questionários, através do programa Microsoft Excel 2010.
 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As Figuras 1 e 2 representam as apresentações nas Unidades escolares.
 
 

Figura 1: Palestra e aplicação dos questionários na Unidade Escolar Dom Severino,
Teresina­ PI. Fonte: Autora, 2016.
 
  

Figura 2: Aplicação dos questionários, palestra e demonstração de alguns répteis no
formol na Unidade Escolar Anísio Lima, Altos – PI. Fonte: Autora, 2016.
 
A  tabela  1  expõe  o  nível  do  conhecimento  dos  alunos  a  respeito  dos  animais
silvestres, criação e legislação com base nos dados de 40% das questões aplicadas no
questionário que antecedeu a palestra.
 
 
 
 
Tabela 1: Conhecimento prévio dos alunos sobre a criação de animais silvestres e a
legislação.

http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 4/10
2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.
 
Quanto aos questionados, a respeito do conhecimento sobre animais silvestres,
houve um maior índice de conhecimento na Unidade I, Teresina, em relação a Unidade
II, Altos. Animais silvestres são aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e
quaisquer  outras,  aquáticas  ou  terrestres,  que  tenham  a  sua  vida  ou  parte  dela
ocorrendo  naturalmente  dentro  dos  limites  do  território  brasileiro  e  suas  águas
jurisdicionais (BRASIL, 1998).
 Na pergunta “Você já ouviu falar sobre iguana”, 80% dos alunos de ambas as
Unidades  marcaram  sim.  Na  Unidade  I,  houve  o  maior  percentual  dos  alunos  que
conhecem pessoas que possuem jabuti como animal doméstico em relação aos alunos
da Unidade II.
Segundo IBAMA (2015), os jabutis estão entre as espécies de maior ocorrência
das apreensões feitas e afirma que o tráfico só ocorre porque existem compradores. As
pessoas  insistem  em  manter  esse  hábito,  os  Jabutis  são  apontados  como  principais
transmissores da salmonela para os seres humanos. (MIRANDA; MARTIN, 2011)
Quando  indagados,  “Qual  seu  conhecimento  sobre  a  legislação  a  respeito  do
tráfico?”  a  maioria  dos  alunos  de  ambas  as  escolas,  entre  70  e  80%,  assinalaram  ter
pouco  conhecimento.  Sendo  possível  afirmar  que  uma  das  causas  do  tráfico  é  o
desconhecimento das leis que regem essa ação e a impunidade que ainda prevalece.
A tabela 2 mostra ainda os resultados de 30% do questionário A em ambas as
unidades escolares.
 
Tabela 2: Atitudes dos alunos ao encontrar ou receber um réptil e qual posicionamento
em relação à criação de animais silvestres.

http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 5/10
2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.
 
Com relação à atitude ao encontrar um réptil na própria residência, na Unidade I,
55% dos alunos acionariam a polícia ambiental e 45% devolveria para natureza, porém
na  Unidade  II,  53,3%  dos  alunos  devolveria  para  natureza  e  36,7%  assinalou  que
mataria  o  animal.  Por  causa  do  número  elevado  de  acidentes  e  por  elementos
enraizados na própria cultura que influencia o modo como interagimos com os animais
(DE MOURA et al., 2010), é verificado o conceito negativo em relação a esse grupo de
animais.  Porém,  parte  dos  alunos  é  consciente  sobre  acionar  a  polícia  ambiental  e
devolver para natureza.
Destaca­se  que  boa  parte  dos  alunos  não  são  a  favor  da  criação  de  animais
silvestres  em  ambas  as  Unidades,  dentre  as  atitudes  ao  receber  um  animal  silvestre,
soltar o animal foi a que mais marcaram tanto na Unidade I quanto na Unidade II.
Também  foram  questionados  sobre  quais  répteis  já  viram  em  residências,  e
dentre as alternativas: Jabuti, Cobra, Iguana e outros, o Jabuti foi o mais assinalado na
Unidade  I  (45%)  e  na  unidade  II  Jabuti  e  cobra  obtiveram  26,6%  cada.  No  Brasil,  o
jabuti é provavelmente o quelônio que mais tem sido mantido em cativeiro como animal
de estimação, devido a fatores culturais e amplo comércio ilegal (PINHEIRO; MATIAS,
2004).  Cobra  obteve  uma  alta  porcentagem  na  Unidade  II  por  ser  comum  o
aparecimento nas zonas rurais.
Nas perguntas abertas foram questionadas, “O que você entende por tráfico de
animais  silvestres?”,  a  maioria  dos  alunos  deixou  em  branco  e  dentre  os  que
responderam destaca­se tanto na Unidade I quanto na Unidade II: “É crime”; “Quando
alguém prende”; “Tirar do seu ambiente para venda”; “Retira o animal da natureza onde
é seu habitat natural”; “Algo errado e irresponsável”; “Maus tratos e importação ilegal”;
“Vender ou transportar sem autorização”.
Segundo  Norberto  (2009),  tráfico  significa  comércio  ilegal,  e  tráfico  de  animais
silvestres  é  a  atividade  que  retira,  clandestinamente,  espécimes  da  natureza  com  o
objetivo de comercializá­los. Um bom percentual dos que participaram da pesquisa tem
noção do que significa o tráfico de animais.

http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 6/10
2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.

E a última pergunta foi, “Qual a importância dos répteis para o meio ambiente?”,
na  Unidade  I,  75%  dos  alunos  não  responderam  e  na  Unidade  II,  60%  também  não
responderam e dentre os resultados destacam­se: “Importante para o desenvolvimento
da  natureza”;  “Controle  da  cadeia  alimentar”;  “Contribui  para  o  ciclo  ambiental”;
“Precisam viver livres na natureza”; “Protegem o meio ambiente”.
Os  répteis  são  de  extrema  importância  para  o  equilíbrio  ambiental  e
responsáveis  pela  dispersão  de  sementes.  Nesse  sentido,  Marini  e  Garcia  (2005)
destacam que o impacto mais significativo gerado pelo tráfico de animais para o meio
ambiente  é  o  desequilíbrio  populacional  entre  as  espécies,  visto  que  a  captura
excessiva é a segunda principal causa da redução populacional, ficando atrás apenas
da degradação e perda de hábitat provocada pelo desmatamento.
No questionário aplicado após a palestra (Questionário B) para analisar o que foi
compreendido  pelos  alunos,  quando  questionados  novamente  sobre  a  atitude  ao
encontrar  um  réptil  na  própria  residência,  na  Unidade  I,  metade  assinalou  que
devolveria para natureza e a outra metade acionaria a polícia ambiental. Já na Unidade
II,  a  metade  também  assinalou  que  devolveria  para  natureza,  porém  10%  assinalou
que  mataria  o  animal.  Ficou  perceptível  a  compreensão  dos  alunos  a  respeito  da
importância  dos  répteis  para  a  natureza,  visto  que  o  nível  de  alunos  que  assinalou
matar o animal diminuiu 26,7% e continuou só na Unidade II (Altos).
A Tabela 3 expõe os resultados de algumas questões do segundo questionário.
Dentre  elas  destaca­se  o  conhecimento  dos  alunos  sobre  a  legislação  que  continuou
reduzida em ambas as Unidades. Houve um alto índice dos alunos que não são a favor
da  criação  de  animais  silvestres  em  ambas  as  Unidades.  Soltar  o  animal  e  acionar  o
IBAMA  foram  as  alternativas  de  alto  percentual  (60%)  nas  duas  escolas  quando  os
alunos foram questionados sobre a atitude ao receber um animal silvestre.
Tabela 3: Dados sobre o conhecimento da legislação, a criação e atitude em relação aos
animais silvestres.

http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 7/10
2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.
 
Nas  perguntas  abertas  houve  a  diminuição  do  índice  de  alunos  que  não
responderam em relação ao Questionário A, quando os alunos foram indagados sobre
o  que  entendem  por  tráfico  de  animais,  é  possível  perceber  que  as  respostas  foram
mais  elaboradas  e  seguras,  dentre  elas:  “É  crime  e  pode  levar  a  prisão”;  “É  pegar  o
animal para vender”; “É a retirada do animal de seu ambiente para venda”; “Prejudica
porque retira os animais do ambiente natural”.
E  a  respeito  da  importância  dos  répteis  para  o  meio  ambiente,  através  da
palestra os alunos absorveram o quão os répteis são importantes. Dentre as respostas
há: “Se alimentam de frutos e espalham as sementes”; “Para ter um equilíbrio entre os
animais”; “Importante para o ciclo da vida”; “Preserva o meio ambiente”.
Analisando  os  resultados  da  Unidade  I  (Teresina)  e  da  Unidade  II  (Altos),  na
Primeira  etapa  dos  questionários  observou­se  um  bom  nível  de  conhecimento  a
respeito do tráfico de animais silvestres com enfoque nos répteis, porém como alguns
alunos relataram a palestra foi esclarecedora e foi possível perceber os resultados com
base na análise do questionário aplicado após a mesma.
Carneiro  et  al.(2014),  em  seus  estudos,  avaliaram  os  resultados  obtidos  no
projeto  desenvolvido  pelo  IBAMA,  que  mostrava  as  consequências  do  tráfico  de
animais  nas  escolas,  e  esse  estudo  indicou  a  necessidade  da  realização  de  mais
campanhas de educação ambiental a fim de dar continuidade ao combate do comércio
ilegal por meio da ação conscientizadora do público mais jovem.
Programas  e  projetos  que  agregam  os  alunos  dentro  da  realidade  de  prejuízos
ao  meio  ambiente  e  que  lhes  forneçam  a  oportunidade  de  reverter  tal  situação  em
aplicação  teórica  de  temas  comuns,  acabam  por  gerar  um  aprendizado  fixo  e
multiplicador, capaz de transformar profundamente a relação do indivíduo com o meio
ambiente. (OLIVEIRA, 2016)
 
CONCLUSÃO
Considerando  a  temática  abordada,  a  educação  ambiental  no  meio  escolar  é
uma maneira eficaz de informar e conscientizar pessoas sobre o tráfico de répteis e a
prática conservacionista.
Portanto,  existe  a  necessidade  de  mais  ações  de  educação  ambiental,  não
apenas  no  âmbito  escolar,  mas  na  sociedade  em  geral,  para  que  seja  criada  uma
consciência desde cedo a respeito do cuidado com meio ambiente e o impacto dessas
informações sejam ainda maiores. Adotar campanhas educativas é importante, mas há
necessidade de um trabalho permanente e contínuo sobre essa questão.
Conscientizar a população, apesar de ser um processo difícil e demorado, é de
extrema importância,  pois  a  educação  ambiental  é  reconhecida  como  um instrumento
essencial  ao  combate  dos  problemas  ambientais,  dentre  eles  o  tráfico  de  animais
silvestres.
Entendemos que o papel principal da educação ambiental é contribuir para que
as pessoas adotem novas atitudes com relação ao seu próprio lugar.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Sueli A. de. Educação Ambiental: curso básico à distância: questões
ambientais, conceitos, história, problemas e alternativas. Brasília: Ministério do
Meio Ambiente, 2001. 5v. 2ª Edição ampliada
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 22 jul. 2008. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br?ccivil_03/LEIS/L9605.html>. Acesso em: 8 de jan. 2017.
CANTINHO, Klégia Maria Câncio Ramos; SILVA, GabriellaCynara Minora. Ensino de
educação ambiental. Teresina, FUESPI, 2015.
http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 8/10
2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.
educação ambiental. Teresina, FUESPI, 2015.
CARNEIRO, Lorena Ribeiro de Almeida; TOSTES, Jair Moraes; FARIA, Ana Raquel
Gomes. A educação ambiental como ferramente contra os maus­tratos e o tráfico de
animais silvestres. REMEA­Revista Eletrônica do Mestrado em Educação
Ambiental, v. 23, 2014.
IBAMA. Campanha Nacional de Proteção à Fauna Silvestre: Relatório semestral.
2008. Disponível em: http://www.ibama.gov.br/fauna­silvestre. Acesso em 8 jan., 2017

IBAMA. Ibama devolve a natureza 275 mil animais em 13 anos. Disponível em:
http://www.ibama.gov.br/index. php?option=com_content&view=article&id=134: ibama­
devolve­a­natureza­275­mil­animais­em­13­anos&catid=58&Itemid=271. Acesso em: 21
de Jan de 2017.
IBAMA. Quase 300 animais apreendidos no rio voltam à natureza na Bahia. 2015.
Disponível em: http://www.ibama.gov.br/index. php?
option=com_content&view=article&id=214:quase­300­animais­apreendidos­em­
cativeiros­no­rio­voltam­a­natureza­na­bahia&catid=66&Itemid=271. Acesso em 30 de
jan. de 2017.
LIMA, W. Aprendizagem e classificação social: um desafio aos conceitos. Fórum
Crítico da Educação: Revista do ISEP/Programa de Mestrado em Ciências
Pedagógicas. v. 3, n. 1, out. 2004.
MARINI,  M.  A.;  GARCIA,  FREDERICO  I.  Conservação  de  aves  no
Brasil. Megadiversidade, v. 1, n. 1, p. 95­102, 2005.

MIRANDA, D. P. S.; MATIN, J. S.. JABUTIS­TINGA, (Chelonoidis denticulata) e
JABUTIS­PIRANGA (Chelonoidis carbonaria) CRIADOS COMO ANIMAIS DE
ESTIMAÇÃO EM BELÉM PARÁ. 2011. 
MIRANDA, Fátima Helena da Fonseca; MIRANDA, José Arlindo; RAVAGLIA, Rosana.
Abordagem Interdisciplinar em Educação Ambiental. Revista Práxis. Rio de Janeiro,
2010.
DE MOURA, Mário Ribeiro et al. Pessoas e cobras: relacionamento entre humanos e
serpentes no leste de Minas Gerais, sudeste do Brasil/People and snakes: the
relationship between humans and snakes in eastern Minas Gerais, southeastern
Brazil. Biota Neotropical, v. 10, n. 4, p. 133, 2010.
MOURA, et al. Animais silvestres recebidos pelo centro de triagem do IBAMA no Piauí
no ano de 2011. 2012.
MOREIRA, P. A. A. M. et al. Educação Ambiental na Escola: a realidade do setor
público e privado–estudo de caso. Produção Acadêmica (TCC): Universidade
Católica de Goiás, p. 01­31, 2008.
DOS SANTOS NARCIZO, Kaliane Roberta. UMA ANÁLISE SOBRE A IMPORTÂNCIA
DE TRABALHAR EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS. REMEA­Revista
Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 22, 2012.
NORBERTO, Gerson. Tráfico de animais silvestres x educação. 2009.
OLIVEIRA, C. Brasil aperta o cerco contra o lucrativo tráfico de animais. Veja.com,
30 abr. 2012. Disponível em: http://veja.abril.com.br/brasil/brasil­aperta­o­cerco­contra­
o­lucrativo­trafico­de­animais. Acesso em: 09 de Jan de 2017
OLIVEIRA, Italo Diego Rodrigues. EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIDADANIA:
PERCEPÇÃO DO MEIO AMBIENTE POR ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DE UMA
ESCOLA PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL. 2016

http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 9/10
2017­6­12 [Artigo] ­ EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO TRÁFICO DE RÉPTEIS E À CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES.

PINHEIRO, F. P.; MATIAS, C. A. R. Fauna silvestre apreendida e resgatada no estado
do Rio e Janeiro no ano de 2003. In: Congresso da Sociedade de Zoológicos do
Brasil. Rio de Janeiro: Fundação RIOZOO, 2004.
SHIAU, T. W.; HOU, P. C.; WU, S. H.; TU, M. C.A survey on alien pet reptiles in
Taiwan.Taiwania, v. 51, n. 2, p. 71­80, 2006.

Like Be the first of your friends to like this.

 Início        Cadastre­se!       Procurar       Submeter artigo        Contato      Apresentação     Normas de Publicação


    Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente
    Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais
    Educação Ambiental e Comunicação     Práticas de Educação Ambiental     Sementes     Educação e temas emergentes     Ações e
projetos inspiradores     Relatos de Experiências     Notícias

http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2746 10/10

Você também pode gostar