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PROFECIA DE DANIEL

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Preste Atençao a
PROFECIA DE
dp-T

DANIEL!
PROFECIA DE DANIEL
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Preste Atençao a
PROFECIA DE
dp-T

DANIEL!
Preste Atenção à
PROFECIA DE
DANIEL!
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Creditos das fotos: ˇ Paginas 20-2: fundo: do livro The Coloured Ornament of All Historical
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Styles ˇ Paginas 20-1: todas as imagens: fotos tiradas por cortesia do British Museum
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ˇ Pagina 22: a esquerda: Copyright do British Museum; a direita: foto tirada por cortesia do
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British Museum ˇ Pagina 66: Musee du Louvre, Paris ˇ Pagina 70: no meio, a esquerda:
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Copyright do British Museum; embaixo, a esquerda: reproduçao de Allgemeine Geschichte in
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Einzeldarstellungen-Drittes Buch: Geschichte Babyloniens und Assyriens, 1885 ˇ Pagina 128:
The Conquerors, de Pierre Fritel: do livro The Library of Historic Characters and Famous Events,
´ ´
Vol. III, 1895 ˇ Pagina 151: Charles & Josette Lenars/Corbis ˇ Pagina 153: Musei Capitolini,
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Roma ˇ Pagina 154: Culver Pictures ˇ Pagina 158: The Walters Art Gallery, Baltimore
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ˇ Pagina 162: ambas as imagens: Copyright do British Museum ˇ Pagina 174: George
Washington: quadro de Gilbert Stuart/Dictionary of American Portraits/Dover; Woodrow
Wilson: cortesia da New York Historical Society/Dictionary of American Portraits/Dover;
David Lloyd-George: Archive Photos; Winston Churchill: The Trustees of the Imperial War
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Museum (MH 26392); Franklin D. Roosevelt: Franklin D. Roosevelt Library ˇ Pagina 197:
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Soprintendenza Archeologica di Ostia ˇ Pagina 215: Copyright do British Museum
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ˇ Pagina 216: Alinari/Art Resource, NY ˇ Pagina 217: no alto, a esquerda: Erich Lessing/Art
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Resource, NY; no alto, a direita: foto do Israel Museum/David Harris, 5Israel Antiquities
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Authority; embaixo, a direita: Copyright do British Museum ˇ Pagina 218: Copyright do
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British Museum ˇ Pagina 228: Ptolomeu II, Antıoco III e Ptolomeu VI: Copyright do British
Museum; Idfu, Egito: A. Bolesta/H. Armstrong Roberts; Seleuco I: Per gentile concessione della
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Soprintendenza archeologica delle Province di Napoli e Caserta ˇ Pagina 230: no centro, a
direita: detalhe de Giovanni Battista Tiepolo, Queen Zenobia Addressing Her Soldiers, Samuel
H. Kress Collection, Photograph 5 Board of Trustees, National Gallery of Art, Washington
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ˇ Pagina 233: Museo della Civilta Romana, Roma ˇ Pagina 234: foto tirada por cortesia
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do British Museum ˇ Pagina 245: Napoleao: Giraudon/Art Resource, NY ˇ Pagina 246:
Aureliano: cortesia do Classical Numismatic Group, Inc.; navio: The Complete Encyclopedia of
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Illustration/J. G. Heck; Carlos Magno: Musee du Louvre, Paris; Augusto: Museo della Civilta
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Romana, Roma ˇ Pagina 253: Giovanni Battista Tiepolo, Queen Zenobia Addressing Her
Soldiers, Samuel H. Kress Collection, Photograph 5 Board of Trustees, National Gallery of Art,
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Washington ˇ Pagina 254: do livro Great Men and Famous Women ˇ Pagina 257: Franklin
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D. Roosevelt Library ˇ Pagina 258: no alto, a esquerda, no centro a esquerda, a segunda no
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alto, a direita e embaixo, a direita: do livro The War of the Nations ˇ Pagina 263: avioes, no
fundo: foto da USAF; bandeira nazista: Bundesarchiv Koblenz; Pearl Harbor: foto do U.S. Army
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ˇ Pagina 268: no alto, a esquerda: do livro The War of the Nations; no centro, a direita:
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Corbis-Bettmann ˇ Pagina 271: no alto, a esquerda: desfile militar russo (2): Laski/Sipa Press
´
ˇ Pagina 273: Zoran/Sipa Press

5 1999
Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
˜ ´
Associaçao Torre de Vigia de Bıblias e Tratados
Todos os direitos reservados
˜ `
Preste Atençao a Profecia de Daniel!
EDITORAS
Watchtower Bible and Tract Society of New York, Inc.
Brooklyn, New York, U.S.A.
˜ ´
Associaçao Torre de Vigia de Bıblias e Tratados
´
Rodovia SP-141, km 43, Cesario Lange, SP, 18285-901, Brasil
˜
Ediçao de 2012
˜ ˜ ´
Esta publicaçao nao e vendida. Ela faz parte de uma obra
´
educativa bıblica, mundial, mantida por donativos.
˜ ´ ˜
A menos que haja outra indicaçao, os textos bıblicos citados sao da
˜ ˆ
Traduçao do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referencias.
Pay Attention to Daniel’s Prophecy!
Portuguese (Brazilian Edition) (dp-T)
ISBN 85-7392-057-2
Made in Brazil Impresso no Brasil
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INDICE

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CAPITULO PAGINA
ˆ
1 O livro de Daniel e voce 4
2 O livro de Daniel em julgamento 12
´ ´
3 Provados, mas fieis a Jeova! 30
˜ ´
4 A ascensao e a queda duma enorme estatua 46
´
5 Sua fe sobreviveu ao crisol 68
´ ´
6 Esclarecimento do misterio da grande arvore 82
7 Quatro palavras que mudaram o mundo 98
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8 Salvo da boca dos leoes! 114
´
9 Quem governara o mundo? 128
´
10 Quem pode manter-se de pe contra
´ ´
o Prıncipe dos prıncipes? 164
11 Revelado o tempo da vinda do Messias 180
12 Fortalecido por um mensageiro de Deus 198
13 Dois reis em conflito 210
14 Os dois reis mudam de identidade 230
´
15 Os reis rivais chegam ao seculo 20 256
16 Os reis em conflito chegam ao seu fim 270
˜
17 Identificaçao dos verdadeiros adoradores
no tempo do fim 286
´
18 Jeova promete a Daniel uma recompensa maravilhosa 306
´
C APITULO UM

O LIVRO DE D
ˆ ANIEL
E VOCE
´
UM REI poderoso ameaça executar seus sabios, porque
˜
nao conseguem revelar-lhe, nem interpretar, o sonho
´ ˆ
enigmatico que teve. Tres jovens, que se negam a adorar
˜
uma enorme imagem, sao lançados numa fornalha supe-
˜
raquecida, mas sobrevivem. Em meio a uma celebraçao
˜
festiva, centenas de pessoas observam uma mao escrever
´
palavras misteriosas numa parede do palacio. Conspirado-
res maus fazem com que um homem idoso seja lançado
˜ ´ ˜
numa cova de leoes, mas ele sai de la sem um arranhao.
˜
Um profeta de Deus nota numa visao quatro animais, e o
ˆ
significado deles estende-se a milenios no futuro.
˜
2 Esses sao apenas alguns dos relatos encontrados no li-
´ ´ ´
vro bıblico de Daniel. Sera que merecem seria considera-
˜ ˜ ´
çao? Que relaçao poderia ter esse livro antiquıssimo com
´
os nossos dias? Por que deverıamos preocupar-nos com
´
acontecimentos que ocorreram ha uns 2.600 anos?
DANIEL — UM LIVRO ANTIGO
PARA OS TEMPOS MODERNOS
3 Grande parte do livro de Daniel trata do tema do go-
´ ˜ ´
verno mundial, assunto que hoje e de preocupaçao ma-
˜
xima. Quase todos concordarao que vivemos em tempos
´ ´
difıceis. Diariamente, as notıcias nos bombardeiam com
´
lembretes sombrios de que a sociedade humana esta
˜ ˜
1, 2. (a) Quais sao algumas das situaçoes incomuns apresentadas no
´
livro bıblico de Daniel? (b) Nos nossos tempos modernos, que per-
guntas surgem com respeito ao livro de Daniel?
´ ´
3, 4. Por que e justificavel que muitas pessoas se preocupem com o
futuro da humanidade?
˜ `
6 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

afundando num atoleiro de problemas desconcertantes


´ ˜ ˆ
— e isso apesar de notaveis consecuçoes na ciencia e na tec-
nologia.
4 Considere o seguinte: o homem ja´ andou na Lua, mas
˜
em muitos lugares nao consegue passear sem medo nas
´
ruas do seu proprio planeta. Ele pode equipar sua casa com
˜
todo tipo de aparelhos modernos, mas nao consegue im-
´
pedir a onda de famılias desfeitas. E pode introduzir a era
˜ ˜
da informaçao, mas nao consegue ensinar as pessoas a vi-
´
verem juntas em paz. Hugh Thomas, professor de Histo-
˜
ria, escreveu certa vez: “A difusao do conhecimento e da
˜ ` ´
educaçao ensinou pouco a humanidade em materia de au-
´
todomınio e menos ainda na arte de conviver com outros
homens.”
5 Na tentativa de estabelecer certa medida de ordem na
ˆ
sociedade, os homens se tem organizado em uma varieda-
´
de de governos. Nenhum desses, porem, ficou eximido da
˜ ˜
veracidade da observaçao do Rei Salomao: “Homem tem
´
dominado homem para seu prejuızo.” (Eclesiastes 4:1; 8:9)
Naturalmente, alguns governantes tiveram ideias nobres.
No entanto, nenhum rei, presidente ou ditador consegue
acabar com as doenças e a morte. Nenhum humano pode
´
transformar nossa Terra no Paraıso que Deus intencionou
que ela fosse.
6 No entanto, o Criador tanto esta´ disposto a fazer isso
´ ˆ ˜ ˜
como e capaz de faze-lo. Ele nao precisa da permissao
´
de governos humanos para realizar seu proposito, porque
˜ ˜
para ele “as naçoes sao como uma gota dum balde; e fo-
´
ram consideradas como a camada fina de po na balança”.
´ ´ ´
(Isaıas 40:15) Deveras, Jeova e o Governante Soberano do
Universo. Como tal, exerce uma ´ autoridade muito supe-
`
rior a dos governos humanos. E o Reino de Deus que subs-
5. Na maior parte, qual tem sido o resultado do governo humano?
´ ˜ ˜
6. Por que Jeova nao precisa da cooperaçao de governos humanos
para realizar o que deseja?
ˆ
O livro de Daniel e voce 7
´ ˆ ˜
tituira todos os governos humanos, para a bençao eterna
da humanidade. Em parte alguma isso talvez se torne mais
´
claro do que no livro bıblico de Daniel.
DANIEL — MUITO AMADO POR DEUS
´ ˜
7 Jeova Deus tinha grande afeiçao por Daniel, que
por muitos anos serviu-lhe como profeta. Deveras, o anjo
´ ´
de Deus descreveu Daniel como “alguem muito deseja-
vel”. (Daniel 9:23) O termo original, hebraico, traduzido
´ ´
“alguem muito desejavel”, pode significar “mui amado”,
´
“querido” e ate “predileto”. Daniel era muito precioso aos
olhos de Deus.
8 Consideremos brevemente a situaçao ˜ ´
ımpar desse pro-
ˆ
feta amado. Em 618 AEC, o rei babilonio Nabucodonosor
´
sitiou Jerusalem. (Daniel 1:1) Pouco depois, certos jovens
´ ` ´
judeus bem instruıdos foram levados a força ao exılio em
ˆ ´
Babilonia. Entre eles estava Daniel. Na epoca, ele provavel-
mente era adolescente.
9 Daniel e seus companheiros, Hananias, Misael e Aza-
ˆ
rias, estavam entre os hebreus escolhidos para receber tres
´
anos de treinamento ‘na escrita e na lıngua dos cal-
deus’. (Daniel 1:3, 4) Alguns eruditos acham que prova-
velmente se tratava de mais do que apenas um curso para
´
aprender uma lıngua. Por exemplo, o Professor C. F. Keil
´
declara: “Daniel e seus companheiros deviam ser instruı-
dos na sabedoria dos sacerdotes e dos eruditos caldeus, en-
ˆ
sinada nas escolas de Babilonia.” De modo que Daniel e
seus companheiros estavam sendo treinados especialmen-
te para servir no governo.
´
10 Que mudança drastica ˜
na situaçao de Daniel e de
´
7. Quem era Daniel, e como o encarava Jeova?
ˆ
8. Como Daniel chegou a estar em Babilonia?
9. Que treinamento se deu a Daniel e a seus companheiros hebreus?
10, 11. Com que desafios se confrontaram Daniel e seus companhei-
´
ros, e que ajuda lhes deu Jeova?
˜ `
8 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
seus companheiros! Em Juda, eles haviam vivido entre
´
adoradores de Jeova. Agora estavam cercados por pessoas
´
que adoravam deuses e deusas mitologicos. No entanto, os
˜
jovens Daniel, Hananias, Misael e Azarias nao se deixaram
˜
intimidar. Estavam decididos — apesar dessa situaçao que
´ ` ` ˜
punha sua fe a prova — a se apegar a adoraçao verdadeira.
11 Isso nao ˜ ´
seria nada facil. O Rei Nabucodonosor era
um devoto zeloso de Marduque, a principal deidade de
ˆ ˆ `
Babilonia. As exigencias do rei as vezes eram totalmente
´ ´
inaceitaveis para um adorador de Jeova. (Por exemplo, veja
Daniel 3:1-7.) No entanto, Daniel e seus companheiros ti-
´ ˜ ´ ˆ
nham a infalıvel orientaçao de Jeova. Durante os seus tres
anos de treinamento, foram abençoados por Deus com
´
“conhecimento e perspicacia em toda a escrita e sabedo-
´
ria”. Alem disso, concedeu-se a Daniel a capacidade de en-
˜
tender o sentido de visoes e de sonhos. Mais tarde, quando
o rei foi examinar esses quatro jovens, ele os achou “dez
vezes melhores do que todos os sacerdotes-magos e os con-
´
juradores que havia em todo o seu domınio real”. — Da-
niel 1:17, 20.
˜
PROCLAMAÇ AO DAS MENSAGENS DE DEUS
12 No decorrer dos muitos anos que Daniel passou em
ˆ
Babilonia, ele serviu como mensageiro de Deus para ho-
mens tais como os reis Nabucodonosor e Belsazar. A tarefa
´
de Daniel era decisiva. Jeova permitira que Nabucodono-
´ ´
sor destruısse Jerusalem, usando-o como Seu instrumento.
ˆ ´ ´
Com o tempo, Babilonia tambem seria destruıda. Deveras,
´ ´
o livro de Daniel magnifica a Jeova Deus como o Altıssimo
e como o Governante “no reino da humanidade”. — Da-
niel 4:17.
13 Daniel continuou no serviço da corte por umas sete
´ ´ ˆ
decadas, ate a queda de Babilonia. Viveu para ver muitos
12. Que tarefa especial tinha Daniel?
ˆ
13, 14. O que aconteceu com Daniel depois da queda de Babilonia?
ˆ
O livro de Daniel e voce 9
` ´ ´
judeus retornarem a sua patria, em 537 AEC, embora a Bı-
˜
blia nao diga que os tenha acompanhado. Ele estava bem
´
ativo pelo menos ate o terceiro ano do reinado do Rei Ciro,
´ ´
fundador do Imperio Persa. Naquela epoca, Daniel devia
ter quase 100 anos de idade!
14 Apos ´ ˆ
a queda de Babilonia, Daniel assentou por escri-
to os acontecimentos mais significativos da sua vida. Seu
´ ´ ´
documento e agora uma parte notavel da Bıblia Sagrada e
´ ´
e conhecido como o livro de Daniel. Mas por que deverıa-
˜
mos prestar atençao a esse livro antigo?
´
DOIS ESTILOS DE ESCRITA, UMA SO MENSAGEM
´
15 O livro ımpar ´
de Daniel contem dois estilos de escrita
´ ´ ´
bem diferentes — um e narrativo, o outro e profetico. Am-
bos os aspectos do livro de Daniel podem edificar a nossa
´ ˜
fe. Como? As partes de narrativa — que estao entre as mais
´ ´ ´
vıvidas da Bıblia — mostram-nos que Jeova Deus abençoa-
´ ˆ
ra os que mantem a integridade para com ele e que cui-
´ ˆ
dara deles. Daniel e seus tres companheiros continuaram
˜
firmes em face de provaçoes que lhes ameaçavam a vida.
´
Hoje em dia, todos os que querem continuar leais a Jeova
˜
serao fortalecidos por considerarem de perto o exemplo
deles.
16 As partes profeticas ´ ´
de Daniel edificam a fe por mos-
´ ´ ´ ´
trar que Jeova sabe qual e o rumo da Historia com se-
ˆ ˆ
culos — mesmo milenios — de antecedencia. Por exemplo,
˜
Daniel fornece pormenores a respeito da ascensao e da
ˆ
queda de potencias mundiais desde o tempo da antiga Ba-
ˆ ´
bilonia ate “o tempo do fim”. (Daniel 12:4) Daniel diri-
˜ ˜
ge nossa atençao para o Reino de Deus nas maos do Seu
´
Rei designado e dos “santos” associados, indicando que e
´ ´
o governo que durara para sempre. Esse governo cumprira
´ ´
15. (a) Que dois estilos de escrita contem o livro bıblico de Daniel?
´
(b) De que proveito pode ser para nos a parte narrativa de Daniel?
˜ ´
16. Que liçao aprendemos das partes profeticas de Daniel?
˜ `
10 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ´
plenamente o proposito de Jeova para com a nossa Terra e
´ ˆ ˜
resultara na bençao de todos os que querem servir a Deus.
— Daniel 2:44; 7:13, 14, 22.
17 Felizmente Jeova´ nao
˜
guarda para si o conhecimento
´
de eventos futuros. Antes, ele e o “Revelador de segredos”.
(Daniel 2:28) Ao considerarmos o cumprimento das profe-
´
cias registradas no livro de Daniel, nossa fe nas promessas
´
de Deus se fortalecera. Passaremos a ter cada vez mais cer-
´ ´
teza de que Deus cumprira seu proposito no tempo certo e
exatamente da maneira que ele escolher.
18 Todos os que estudarem o livro bıblico ´
de Daniel
˜ ˜ ´
com coraçao receptivo aumentarao em fe. Antes de em-
´
preendermos um exame profundo desse livro, porem, pre-
ˆ ´
cisamos considerar a evidencia de que o livro e deveras
ˆ ´
autentico. O livro de Daniel tem sofrido ataques de crı-
ticos que dizem que suas profecias foram na realidade
escritas depois do seu cumprimento. Justificam-se as afir-
˜ ´ ´ ´ ´
maçoes desses cepticos? O proximo capıtulo tratara desse
assunto.
´ ´
17, 18. (a) Como se fortalecera nossa fe por examinarmos de perto
o livro de Daniel? (b) De que assunto se precisa tratar antes de em-
´ ´
preendermos um estudo desse livro profetico da Bıblia?

O QUE DISCERNIU?
´
˙ Por que e o livro de Daniel para os tempos
modernos?
˙ Como chegaram Daniel e seus companheiros a
ˆ
entrar no serviço governamental de Babilonia?
˙ Qual era a tarefa especial de Daniel em
ˆ
Babilonia?
˜ `
˙ Por que devemos prestar atençao a profecia de
Daniel?
´
C APITULO DOIS

O LIVRO DE DANIEL
EM JULGAMENTO
ˆ
IMAGINE que voce esteja num tribunal, presenciando um
´
importante julgamento. Um homem e acusado de fraude.
´
O promotor insiste em que o homem e culpado. No entanto,
´ ˜ ´
o acusado ja por muito tempo tem a reputaçao de ser ıntegro.
˜ ˆ ˆ
Nao estaria voce interessado em ouvir a evidencia apresenta-
da pela defesa?
2 Voceˆ esta´ numa situaçao ˜
similar quando se trata do li-
´
vro bıblico de Daniel. Seu escritor era um homem famoso
pela sua integridade. O livro que leva seu nome tem gozado
de alta estima por milhares de anos. Apresenta-se como His-
´ ˆ
toria autentica, escrita por Daniel, profeta hebreu que viveu
´ ´ ´
durante o setimo e o sexto seculo AEC. A cronologia bıblica
´
exata mostra que seu livro abrange o perıodo desde cerca de
´ ´
618 ate 536 AEC, e que estava terminado nesta ultima data.
´ ˜ ´
Mas o livro e alvo de acusaçoes. Algumas enciclopedias e
ˆ ˜
outras obras de referencia dao a entender ou afirmam dire-
´
tamente que ele e uma fraude.
3 Por exemplo, The New Encyclopædia Britannica admite

que antigamente o livro de Daniel era “de modo geral consi-


´ ´ ´
derado como historia verıdica, contendo profecia genuına”.
´
A Britannica afirma que na realidade, porem, Daniel “foi es-
´
crito numa epoca posterior de crise nacional — quando os
˜ ´ ´
judeus sofriam severa perseguiçao sob [o rei sırio] Antıoco IV
ˆ ´
Epifanio”. A enciclopedia data o livro entre 167 e 164 AEC.
˜
Essa mesma obra afirma que o escritor do livro de Daniel nao
´ ˜
1, 2. Em que sentido o livro de Daniel e alvo de acusaçoes, e por que
ˆ ˆ
acha voce importante considerar a evidencia em defesa dele?
3. O que diz The New Encyclopædia Britannica a respeito da autenti-
cidade do livro de Daniel?
˜ `
14 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

profetiza o futuro, mas simplesmente apresenta “eventos


˜ ´
que para ele sao historia passada como se fossem profecias
de acontecimentos futuros”.
´
4 De onde surgiram tais ideias? A crıtica ao livro de Daniel
˜ ´ ´ ´
nao e novidade. Ela começou la no terceiro seculo EC, com
´ ´
um filosofo de nome Porfırio. Assim como muitos outros no
´ ˆ
Imperio Romano, ele se sentia ameaçado pela influencia do
cristianismo. Escreveu 15 livros para minar essa “nova” re-
˜ ´
ligiao. O 12.° foi dirigido contra o livro de Daniel. Porfırio
˜
declarou que o livro era uma falsificaçao, escrita por um ju-
´
deu no segundo seculo AEC. Ataques similares surgiram nos
´ ´
seculos 18 e 19. No conceito dos altos crıticos e dos raciona-
´ ´
listas, profetizar — predizer eventos futuros — e impossıvel.
Daniel tornou-se um alvo favorito. Na realidade, ele e seu li-
´
vro foram levados a julgamento em tribunal. Os crıticos
˜
afirmavam ter ampla prova de que o livro nao fora escrito
´ ˆ
por Daniel durante o exılio dos judeus em Babilonia, mas
´
por outra pessoa seculos mais tarde.1 Esses ataques torna-
˜ ´
ram-se tao profusos, que um autor ate mesmo escreveu uma
defesa, chamada de Daniel in the Critics’ Den (Daniel na
´
Cova dos Crıticos).
´
5 Ha alguma prova para as afirmaçoes ˜ ´
confiantes dos crı-
´ ˆ ´
ticos? Ou e a defesa apoiada pela evidencia? Ha muito
˜ ˜
envolvido nisso. Nao se trata apenas da reputaçao desse livro
´
antigo, mas envolve tambem o nosso futuro. Se o livro de
˜
Daniel for uma fraude, entao suas promessas quanto ao futu-
´ ˜ ˜
1 Alguns crıticos procuram moderar a acusaçao de falsificaçao por
ˆ
dizer que o escritor usou Daniel como pseudonimo, assim como al-
˜ ˆ ´
guns dos antigos livros nao canonicos foram escritos sob nomes fictı-
´ ´
cios. No entanto, Ferdinand Hitzig, crıtico da Bıblia, afirmou: “O caso
´ ´
do livro de Daniel, se for atribuıdo a outro [escritor], e diferente. Nes-
˜
se caso, torna-se uma escrita falsificada, e a intençao era enganar os
leitores imediatos dele, mesmo que para o bem deles.”
´
4. Quando começou a surgir crıtica ao livro de Daniel, e o que esti-
´
mulou um criticismo similar nos seculos mais recentes?
´ ˜
5. Por que e importante a questao da autenticidade de Daniel?
O livro de Daniel em julgamento 15
˜
ro da humanidade, no melhor dos casos, sao apenas palavras
´ ˜ ´
ao vento. Mas, se contiver profecias genuınas, entao sem du-
ˆ ´
vida voce estara ansioso de saber o que elas significam para
´
nos hoje em dia. Com isso em mente, examinemos alguns
dos ataques lançados contra Daniel.
˜
6 Por exemplo, veja a acusaçao feita em The Encyclope-
´ ´
dia Americana: “Muitos pormenores historicos dos perıodos
´ ˆ
anteriores [tais como o do exılio babilonico] foram gran-
´ ´
demente distorcidos” em Daniel. Sera que e mesmo assim?
ˆ
Consideremos tres dos alegados erros, um por vez.
O CASO DO MONARCA QUE FALTA
7 Daniel escreveu que Belsazar, um “filho” de Nabucodo-
ˆ
nosor, governava como rei em Babilonia quando a cidade foi
´
derrubada. (Daniel 5:1, 11, 18, 22, 30) Os crıticos por mui-
to tempo atacaram esse ponto porque o nome de Belsazar
˜ ´
nao era encontrado em parte alguma fora da Bıblia. Mas his-
toriadores antigos identificavam Nabonido, um sucessor de
´ ˆ
Nabucodonosor, como o ultimo dos reis babilonicos. Nesse
respeito, em 1850, Ferdinand Hitzig disse que Belsazar obvia-
˜ ˜
mente era produto da imaginaçao do escritor. Mas nao lhe
˜ ´
parece que a opiniao de Hitzig e um pouco precipitada? Afi-
´ ˜
nal, sera que nao se mencionar esse rei — especialmente num
´ ´
perıodo sobre o qual os registros historicos admitidamente
eram escassos — prova realmente que ele nunca existiu? De
qualquer modo, em 1854 desenterraram-se alguns peque-
´ ˆ
nos cilindros de argila nas ruınas da antiga cidade babilonica
´
de Ur, no que agora e o sul do Iraque. Esses documentos
´ ˜
cuneiformes, do Rei Nabonido, incluıam uma oraçao a fa-
´
vor de “Bel-sar-ussur, meu filho mais velho”. Ate mesmo os
´
crıticos tiveram de concordar: esse era o Belsazar do livro de
Daniel.
˜ ` ´
6. Que acusaçao se lança as vezes contra a historia contida em Daniel?
ˆ
7. (a) Por que as referencias de Daniel a Belsazar por muito tempo
´ ´
agradaram aos crıticos da Bıblia? (b) O que aconteceu com a ideia de
´
que Belsazar era apenas um personagem fictıcio?
˜ `
16 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˜ ˜
8 No entanto, os crıticos nao ficaram satisfeitos. “Isso nao
prova nada”, escreveu um deles, de nome H. F. Talbot. Ele
˜
levantou a acusaçao de que o filho mencionado nessa inscri-
˜
çao podia ter sido apenas uma criança, ao passo que Daniel
o apresenta como rei reinante. No entanto, apenas um ano
˜
depois de se publicarem as observaçoes de Talbot, desen-
terraram-se mais tabuinhas cuneiformes, que se referiam a
´ ´
Belsazar como tendo secretarios e domesticos. Portanto, ele
˜
nao era uma criança! Por fim, outras tabuinhas remataram
o assunto, relatando que Nabonido passava anos a fio fora
ˆ ´
de Babilonia. Essas tabuinhas mostravam tambem que, du-
´ ˆ
rante esses perıodos, ele ‘confiava o reinado’ de Babilonia ao
´
seu filho mais velho (Belsazar). Nessas epocas, Belsazar era
na realidade o rei — corregente de seu pai.1
´
9 Alguns crıticos, ainda insatisfeitos, queixam-se de que a
´ ˜
Bıblia nao chama a Belsazar de filho de Nabonido, mas sim
de Nabucodonosor. Alguns insistem em que Daniel nem
˜ ` ˆ
mesmo faz alusao a existencia de Nabonido. No entanto, am-
˜ ˜
bas as objeçoes nao resistem a exame. Parece que Nabonido
casou-se com a filha de Nabucodonosor. Isso faria de Belsa-
´
zar o neto de Nabucodonosor. Nem a lıngua hebraica nem a
ˆ ˆ
aramaica tem palavras para “avo” ou “neto”; “filho de” pode
significar “neto de” ou mesmo “descendente de”. (Note Ma-
´ ´ ˜
teus 1:1.) Alem disso, o relato bıblico permite a identificaçao
de Belsazar como filho de Nabonido. Quando a ominosa es-
ˆ
1 Nabonido estava ausente quando Babilonia caiu. De modo que
´ ´ ´
Belsazar e corretamente descrito como o rei naquela epoca. Os crıti-
˜
cos objetam, dizendo que os registros seculares nao atribuem a Belsa-
´ ˆ
zar o tıtulo oficial de rei. No entanto, evidencia antiga sugere que mes-
mo um governador pode ter sido chamado de rei pelo povo naqueles
dias.
˜
8. Como foi provada veraz a descriçao de Belsazar por Daniel, de que
ele era rei reinante?
9. (a) Em que sentido Daniel talvez chamasse a Belsazar de filho de
´
Nabucodonosor? (b) Por que erram os crıticos ao afirmar que Daniel
˜ ` ˆ
nem mesmo faz alusao a existencia de Nabonido?
O livro de Daniel em julgamento 17
` ˜
crita a mao na parede aterrorizou o desesperado Belsazar, ele
ofereceu o terceiro lugar no reino a quem soubesse decifrar
˜
as palavras. (Daniel 5:7) Por que o terceiro e nao o segundo?
´
Essa oferta da a entender que o primeiro e o segundo lugar
´
ja estavam ocupados. E realmente estavam — por Nabonido
e por seu filho, Belsazar.
˜
10 De modo que a mençao ˜ ´
de Belsazar por Daniel nao e
ˆ ´ ´
evidencia de historia ‘muito distorcida’. Ao contrario, Daniel
˜ ´ ˆ
— embora nao escrevesse a historia de Babilonia — fornece
˜ ˆ
uma visao mais detalhada da monarquia babilonica do que
´
os antigos historiadores seculares, tais como Herodoto, Xe-
nofonte e Beroso. Por que conseguiu Daniel registrar fatos
´ ˆ
que lhes escaparam? Porque ele estava la em Babilonia. Seu
´ ˜
livro e obra duma testemunha ocular, nao dum impostor de
´
seculos posteriores.
QUEM ERA DARIO, O MEDO?
ˆ
11 Daniel relata que, quando Babilonia foi derrubada, co-
meçou a governar um rei chamado “Dario, o medo”. (Daniel
˜
5:31) Ainda nao se encontrou o nome de Dario, o Medo, em
´
fontes seculares ou arqueologicas. De modo que The New
´
Encyclopædia Britannica afirma que esse Dario e “um perso-
´
nagem fictıcio”.
´
12 Alguns eruditos foram mais cautelosos. Afinal, os crıti-
´ ´
cos tambem chamavam antes a Belsazar de “fictıcio”. Sem
´ ´
duvida, o caso de Dario mostrara ser similar. Tabuinhas cu-
´ ˜
neiformes ja revelaram que Ciro, o Persa, nao assumiu logo
´ ´ ˆ
apos a conquista o tıtulo de “Rei de Babilonia”. Um pes-
´
quisador sugere: “Quem quer que levasse o tıtulo de ‘Rei de
´ ˆ
10. Por que e o relato de Daniel sobre a monarquia babilonica mais
detalhado do que o de outros historiadores antigos?
11. Segundo Daniel, quem era Dario, o Medo, mas o que se tem dito
a respeito dele?
´ ´ ˜
12. (a) Por que deveriam os crıticos da Bıblia saber que nao podem
declarar categoricamente que Dario, o Medo, nunca existiu? (b) Qual
´
e uma possibilidade a respeito da identidade de Dario, o Medo, e que
ˆ
evidencia indica isso?
˜ `
18 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
ˆ ˜ ´
Babilonia’ era um rei vassalo sob Ciro, nao o proprio Ciro.”
´
Poderia ter sido Dario o nome ou tıtulo de governante
ˆ
dum poderoso oficial medo, encarregado de Babilonia? Al-
guns sugerem que Dario pode ter sido um homem chamado
Gubaru. Ciro empossou Gubaru como governador em Babi-
ˆ
lonia, e registros seculares confirmam que ele governou com
´
consideravel poder. Uma tabuinha cuneiforme ´ diz que ele
ˆ
nomeou subgovernadores de Babilonia. E interessante notar
´
que Daniel menciona que Dario designou 120 satrapas para
ˆ
governarem o reino de Babilonia. — Daniel 6:1.
ˆ
13 Com o tempo talvez surja mais evidencia direta da iden-
ˆ
tidade exata desse rei. De qualquer modo, o aparente silencio
´
da arqueologia nesse respeito dificilmente e motivo para
´
classificar Dario de “fictıcio”, e muito menos ´ para rejeitar
todo o livro de Daniel como fraudulento. E muito mais ra-
´
zoavel encarar o relato de Daniel como o de uma testemunha
ocular com mais pormenores do que os registros seculares
que sobreviveram.
O REINADO DE JEOIAQUIM
Daniel 1:1 diz: “No terceiro ano do reinado de Jeoia-
14
´ ´
quim, rei de Juda, chegou a Jerusalem Nabucodonosor, rei
ˆ ´ ´ ˆ
de Babilonia, e passou a sitia-la.” Os crıticos tem questiona-
˜
do esse texto, porque nao parece concordar com Jeremias,
que diz que o quarto ano de Jeoiaquim foi o primeiro ano de
Nabucodonosor. ( Jeremias 25:1; 46:2) Contradizia Daniel a
˜ ´
Jeremias? Com mais informaçoes, esse assunto e logo escla-
´
recido. Quando Jeoiaquim pela primeira vez foi constituıdo
´
rei pelo Farao Neco, em 628 AEC, ele se tornou um fantoche
´ ˆ
daquele governante egıpcio. Isso foi cerca de tres anos antes
ˆ
de Nabucodonosor suceder a seu pai no trono de Babilonia,
em 624 AEC. Logo depois (em 620 AEC), Nabucodonosor in-
´ ˜ ´
13. Qual e uma razao logica de Dario, o Medo, ser mencionado no
˜
livro de Daniel, mas nao em registros seculares?
˜ ´ ˆ
14. Por que nao ha nenhuma discrepancia entre Daniel e Jeremias
quanto aos anos do reinado do Rei Jeoiaquim?
O livro de Daniel em julgamento 19
´ ˆ
vadiu Juda e fez de Jeoiaquim um rei vassalo sob Babilonia.
ˆ
(2 Reis 23:34; 24:1) Para o judeu que vivesse em Babilonia, o
“terceiro ano” de Jeoiaquim seria o terceiro ano de serviço
ˆ
desse rei como vassalo de Babilonia. Daniel escreveu desse
´
ponto de vista. Jeremias, porem, escreveu do ponto de vis-
´ ´
ta dos judeus que moravam la em Jerusalem. De modo que
se referiu ao reinado de Jeoiaquim como tendo começado
´
quando Farao Neco o fez rei.
ˆ
15 Realmente, pois, essa alegada discrepancia ´
so aumenta
ˆ ˆ
a evidencia de que Daniel escreveu seu livro em Babilonia,
´
enquanto estava entre os judeus exilados. Mas ha outra gran-
de lacuna nesse argumento contra o livro de Daniel. Lembre-
´ ´
se de que e evidente que o escritor de Daniel tinha disponıvel
´
o livro de Jeremias e ate mesmo recorreu a ele. (Daniel 9:2)
Se o escritor de Daniel fosse um falsificador engenhoso, con-
´ ´
forme os crıticos afirmam, sera que ele se arriscaria a contra-
˜
dizer uma fonte tao respeitada como Jeremias — e isso logo
´ ˜
no primeiro versıculo do seu livro? Claro que nao!
PORMENORES REVELADORES
16 Deixemos agora de lado os pontos negativos e enfoque-
mos os positivos. Considere alguns outros pormenores no
livro de Daniel, que indicam que o escritor tinha conheci-
˜
mento de primeira mao dos tempos sobre os quais escreveu.
17 A familiaridade de Daniel com pormenores sutis, refe-
` ˆ ´ ˆ
rentes a antiga Babilonia, e evidencia convincente da au-
tenticidade do seu relato. Por exemplo, Daniel 3:1-6 relata
que Nabucodonosor mandou erigir uma enorme imagem
´ ˆ
para ser adorada por todo o povo. Arqueologos tem en-
ˆ
contrado outras evidencias de que esse monarca procurava
´ ˜
15. Por que e fraco o argumento que ataca a dataçao encontrada em
Daniel 1:1?
ˆ ´
16, 17. Como tem apoiado a evidencia arqueologica o relato de Da-
niel sobre (a) Nabucodonosor erigir uma imagem religiosa para todo
o seu povo adorar e (b) a atitude jactanciosa de Nabucodonosor refe-
˜ ˆ
rente aos seus projetos de construçao em Babilonia?
˜ `
20 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

(Embaixo)
Cilindro de templo
ˆ
babilonico, que
menciona o
Rei Nabonido e seu
filho Belsazar

˜ ´ ˆ
(Em cima) Esta inscriçao contem a jactancia
de Nabucodonosor a respeito dos seus
˜
projetos de construçao

´
envolver mais o seu povo em praticas nacionalistas e religio-
sas. De forma similar, Daniel registra a atitude jactanciosa de
Nabucodonosor referente ´ aos seus muitos projetos de cons-
˜ ´
truçao. (Daniel 4:30) E so nos tempos modernos que os
´ ˆ
arqueologos tem confirmado que Nabucodonosor, de fato,
´ ˜ ˆ
foi responsavel por muitas das construçoes feitas em Babilo-
` ˆ
nia. Quanto a jactancia — ora, o homem mandou que seu
´ ´
nome fosse estampado nos proprios tijolos! Os crıticos de
˜
Daniel nao conseguem explicar como seu suposto falsifica-
´
dor da epoca dos macabeus (167-163 AEC) podia ter sabido
˜ ´
de tais projetos de construçao — uns quatro seculos depois
´ `
destes e muito antes de os arqueologos os terem trazido a luz.
18 O livro de Daniel revela tambem ´ ´
algumas diferenças ba-
18. Como mostra ser exato o relato de Daniel a respeito das formas
˜ ´ ˆ ´
diferentes de puniçao sob o domınio babilonico e sob o domınio
persa?
O livro de Daniel em julgamento 21

ˆ
Segundo a Cronica
de Nabonido,
´
o exercito de Ciro
entrou em
ˆ
Babilonia
sem luta

ˆ
sicas entre a lei babilonica e a medo-persa. Por exemplo, sob
ˆ ˆ
a lei babilonica, os tres companheiros de Daniel foram lan-
`
çados numa fornalha ardente por se recusarem a obedecer a
´
ordem do rei. Decadas mais tarde, Daniel foi lançado numa
˜
cova de leoes por se negar a obedecer a uma lei persa, que
ˆ ˆ
violava a sua consciencia. (Daniel 3:6; 6:7-9) Alguns tem ten-
tado rejeitar o relato da fornalha ardente afirmando ser uma
´ ´
lenda, mas arqueologos encontraram ate uma carta da anti-
ˆ
ga Babilonia que menciona especificamente essa forma de
˜ ´
puniçao. Para os medos e para os persas, porem, o fogo era
sagrado. De modo que recorriam a outras formas horrendas
˜ ˜ ˜ ´
de puniçao. Por isso, a cova dos leoes nao e surpresa.
19 Surge outro contraste. Daniel mostra que Nabucodono-
` ˜
sor podia criar e mudar leis a vontade. Dario nao podia fazer
´ ˆ
19. Que contraste entre os sistemas jurıdicos babilonico e medo-per-
sa se torna claro no livro de Daniel?
˜ `
22 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

`
(A direita) O “Relato
Versificado de Nabonido”
conta que Nabonido
confiou o governo ao
ˆ
seu primogenito

` ˆ
(A esquerda) Registro babilonico
˜ ´
da invasao de Juda por
Nabucodonosor

nada para mudar ‘as leis dos medos e dos persas’ — nem mes-
mo as decretadas por ele! (Daniel 2:5, 6, 24, 46-49; 3:10, 11,
29; 6:12-16) O historiador John C. Whitcomb escreve: “A his-
´ ˆ
toria antiga confirma essa diferença entre a Babilonia, onde
´
a lei estava sujeita ao rei, e a Medo-Persia, onde o rei estava
`
sujeito a lei.”
20 O relato emocionante sobre a festa de Belsazar, registra-
´ ´
do no capıtulo 5 de Daniel, e rico em pormenores. Pelo vis-
˜
to, começou com uma animada refeiçao e bastante bebida,
´ ˆ
pois ha diversas referencias a vinho. (Daniel 5:1, 2, 4) Deve-
ras, entalhes em relevo de festas similares mostram apenas o
˜
consumo de vinho. Aparentemente, o vinho era entao extre-
mamente importante em tais festividades. Daniel menciona
´
tambem que havia mulheres presentes nesse banquete — as
´
esposas secundarias e as concubinas do rei. (Daniel 5:3, 23)
20. Que pormenores a respeito da festa de Belsazar mostram que Da-
˜ ˆ
niel tinha conhecimento de primeira mao dos costumes babilonicos?
O livro de Daniel em julgamento 23
´
Os arqueologos confirmam esse pormenor do costume ba-
ˆ
bilonico. A ideia de esposas participarem com homens numa
´
festividade era objetavel aos judeus e aos gregos na era ma-
˜
cabeia. Esse talvez seja o motivo de as primeiras versoes
˜
da traduçao de Daniel na Septuaginta grega omitirem a men-
˜
çao dessas mulheres.1 No entanto, o suposto falsificador do
livro de Daniel teria vivido na mesma cultura helenizada
´
(grega), e talvez ate mesmo durante a mesma era, em que se
produziu a Septuaginta!
´
21 Em vista desses pormenores, parece quase incrıvel que
a Britannica descreva o autor do livro de Daniel como tendo
apenas um conhecimento “limitado e inexato” dos tempos
´ ´
do exılio. Como poderia qualquer falsificador de seculos pos-
teriores ter tido tanta familiaridade com os antigos costu-
ˆ ´
mes babilonicos e persas? Lembre-se tambem de que ambos
´ ´
os imperios entraram em declınio muito antes do segundo
´ ´ ˜
seculo AEC. Evidentemente, la naquele tempo nao havia ne-
´
nhum arqueologo; nem se orgulhavam os judeus daquela
´ ´
epoca de ter conhecimento de culturas e historia estrangei-
ras. Somente Daniel, o profeta, testemunha ocular dos tem-
pos e dos eventos que descreveu, pode ter escrito o livro
´
bıblico que leva o seu nome.
´
HA PROVAS EXTERNAS DE QUE ˜
DANIEL SEJA UMA FALSIFICAÇ AO?
22 Um dos argumentos mais comuns contra o livro de Da-
ˆ
niel envolve seu lugar no canon das Escrituras Hebraicas.
Os rabinos antigos organizaram os livros das Escrituras He-
ˆ ˜
braicas em tres grupos: a Lei, os Profetas e os Escritos. Nao
´
1 O hebraısta C. F. Keil escreve a respeito de Daniel 5:3: “A LXX omi-
´ ˜
tiu aqui, e tambem no v. 23, a mençao de mulheres, segundo o cos-
ˆ
tume dos macedonios, dos gregos e dos romanos.”
´ ˜ ´
21. Qual e a explicaçao mais razoavel de Daniel ter tido profundo co-
´ ˆ
nhecimento dos tempos e dos costumes no exılio babilonico?
˜ ´
22. Que afirmaçao fazem os crıticos a respeito do lugar de Daniel no
ˆ
canon das Escrituras Hebraicas?
˜ `
24 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

alistaram Daniel entre os Profetas, mas entre os Escritos. Isso


´ ˜
significa, argumentam os crıticos, que o livro nao deve ter
´
sido conhecido na epoca em que as obras dos outros profetas
foram compiladas. Foi agrupado entre os Escritos suposta-
mente porque esses foram compilados mais tarde.
23 No entanto, nem todos os pesquisadores da Bıblia ´
con-
ˆ
cordam que os rabinos antigos tenham dividido o canon de
´ ´
tal maneira rıgida ou que tenham excluıdo Daniel dos Pro-
˜
fetas. Nao obstante, mesmo que os rabinos tenham alistado
Daniel entre os Escritos, provaria isso que foi escrito numa
˜ ˜ ˆ
data posterior? Nao. Eruditos de boa reputaçao tem sugerido
´ ˜ ´
varias razoes pelas quais os rabinos talvez tivessem excluı-
do Daniel dos Profetas. Por exemplo, talvez o tivessem feito
´
porque o livro os ofendia ou porque achavam que o pro-
prio Daniel era diferente dos outros profetas, por ter ocupado
´
um cargo secular num paıs estrangeiro. De qualquer modo,
´
o que realmente importa e: os judeus antigos tinham profun-
ˆ
do respeito pelo livro de Daniel e o consideravam canonico.
´ ˆ ˆ
Alem disso, a evidencia sugere que o canon das Escrituras He-
´
braicas foi encerrado muito antes do segundo seculo AEC.
˜ ´
Simplesmente nao se permitiram acrescimos posteriores,
´
nem de alguns livros escritos durante o segundo seculo AEC.
´ ˆ
24 E ironico que uma dessas obras posteriores, rejeitada, te-

nha sido usada como argumento contra o livro de Daniel.


´ ´
O livro apocrifo de Eclesiastico, de Jesus Ben Sirac, evidente-
´
mente foi composto por volta de 180 AEC. Os crıticos gostam
´
de salientar que Daniel e omitido na longa lista de homens
˜
justos no livro. Argumentam que Daniel nao deve ter sido
´ ´
conhecido na epoca. Esse argumento e amplamente aceito
entre eruditos. Mas considere o seguinte: a mesma lista omi-
´
te Esdras e Mordecai (ambos grandes herois aos olhos dos
23. Como era o livro de Daniel encarado pelos judeus antigos, e como
sabemos isso?
´ ´
24. Como foi o livro apocrifo de Eclesiastico usado contra o livro de
´
Daniel, e o que mostra que tal argumento e falho?
O livro de Daniel em julgamento 25
´ ´ ´ ´
judeus pos-exılicos) e o bom Rei Jeosafa. De todos os juı-
˜
zes, menciona apenas Samuel.1 Visto que esses homens sao
˜
omitidos numa lista que nao afirma ser exaustiva, ocorrendo
˜ ˆ ´
num livro nao canonico, sera que temos de rejeitar a todos
´ ´
eles como fictıcios? A mera ideia disso e absurda.
TESTEMUNHO EXTERNO EM FAVOR DE DANIEL
˜
25 Voltemos de novo a atençao para os pontos positivos.
Sugeriu-se que nenhum outro livro das Escrituras Hebraicas
´ ˜
e tao bem atestado como o de Daniel. Para ilustrar isso: Jo-
sefo, o famoso historiador judeu, atesta a sua autenticidade.
Ele diz que Alexandre, o Grande, durante a guerra contra a
´ ´ ´
Persia, no quarto seculo AEC, veio a Jerusalem, onde os sacer-
´ ´
dotes lhe mostraram uma copia do livro de Daniel. O proprio
` ˜
Alexandre chegou a conclusao de que as palavras da profecia
`
de Daniel, que lhe foram mostradas, referiam-se a sua cam-
´
panha militar envolvendo a Persia.2 Isso teria sido cerca de
´ ˜ ´
um seculo e meio antes da “falsificaçao” sugerida pelos crı-
´ ˆ
ticos. Naturalmente, os crıticos tem atacado Josefo referente
´
a essa passagem. Tambem o atacam por ele ter mencionado
que algumas profecias no livro de Daniel se cumpriram. No
entanto, conforme observou o historiador Joseph D. Wilson,
´ ´
1 A lista inspirada do apostolo Paulo, de homens e mulheres fieis,
´
mencionada em Hebreus, capıtulo 11, em contraste, parece aludir
aos acontecimentos registrados em Daniel. (Daniel 6:16-24; Hebreus
´ ´ ´
11:32, 33) No entanto, a lista do apostolo tampouco e exaustiva. Ha
´ ˜
muitos, incluindo Isaıas, Jeremias e Ezequiel, que nao constam na lis-
ta, mas isso dificilmente prova que eles nunca existiram.
2 Alguns historiadores mencionaram que isso explicaria por que
˜
Alexandre foi tao bondoso para com os judeus, que eram de longa
´
data amigos dos persas. Naquela epoca, Alexandre estava numa cam-
´
panha para destruir todos os amigos da Persia.

25. (a) Como atestou Josefo a genuinidade do relato de Daniel?


´
(b) Em que sentido se enquadra na Historia conhecida o relato de Jo-
sefo a respeito de Alexandre, o Grande, e o livro de Daniel? (Veja a
´ ´
segunda nota de rodape.) (c) Como e o livro de Daniel apoiado pela
ˆ ´ ´
evidencia linguıstica? (Veja a pagina 26.)
˜ `
26 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

˜ ´
A quest ao da lıngua
´
A ESCRITA do livro de Daniel foi concluıda por volta de
´
536 AEC. Foi escrito na lıngua hebraica e na aramaica, com
´
umas poucas palavras gregas e persas. Essa mistura de lın-
´ ˜
guas e incomum, mas nao sem precedentes nas Escrituras.
´ ´
O livro bıblico de Esdras tambem foi escrito em hebraico e em
´
aramaico. No entanto, alguns crıticos insistem em dizer que o
´
escritor de Daniel usou essas lınguas dum modo que prova
´
que ele escreveu numa data posterior a 536 AEC. Um crıtico,
amplamente citado, diz que o uso de palavras gregas em Da-
niel exige uma data posterior para a escrita dele. Afirma que
o hebraico apoia tal data posterior e que o aramaico pelo me-
˜ ´
nos a permite — mesmo uma tao recente como o segundo se-
culo AEC.
No entanto, nem todos os linguistas concordam com isso.
´
Algumas autoridades disseram que o hebraico de Daniel e si-
milar ao de Ezequiel e de Esdras, e diferente do encontrado
´ ´
em obras apocrifas posteriores, tais como Eclesiastico. Quan-
to a Daniel usar o aramaico, considere dois documentos en-
´ ˜
contrados entre os Rolos do Mar Morto. Esses tambem estao
´
no aramaico e datam do primeiro e do segundo seculo AEC
˜
— pouco depois da suposta falsificaçao de Daniel. Mas os eru-
ditos notaram uma grande diferença entre o aramaico nesses
documentos e o encontrado em Daniel. De forma que alguns
´
sugerem que o livro de Daniel deve ser seculos mais velho do
´
que seus crıticos afirmam.
´
Que dizer das “problematicas” palavras gregas em Daniel?
˜
Descobriu-se que algumas delas sao persas, e de forma algu-
´ ˜
ma gregas! As unicas palavras ainda consideradas gregas sao
ˆ ´
os nomes de tres instrumentos musicais. Sera que a presen-
ˆ
ça dessas tres palavras realmente exige que se atribua a Da-
˜ ´
niel uma data posterior? Nao. Arqueologos descobriram que
´ ˆ ´ ´
a cultura grega ja exercia influencia seculos antes de a Grecia
ˆ ´
se tornar potencia mundial. Alem disso, se o livro de Daniel
´
tivesse sido escrito durante o segundo seculo AEC, quando
´ ´
a cultura e a lıngua grega predominavam, ser´ a que conte-
ˆ ´
ria apenas tres palavras gregas? Dificilmente. E provavel que
ˆ ´
contivesse muito mais. De modo que a evidencia linguıstica
realmente apoia a autenticidade de Daniel.
O livro de Daniel em julgamento 27

“[Josefo] provavelmente sabia mais sobre o assunto do que


´
todos os crıticos do mundo”.
26 A autenticidade do livro de Daniel recebeu ainda mais

apoio com a descoberta dos Rolos do Mar Morto nas


´
cavernas de Qumran, em Israel. O que surpreende e que nu-
merosos rolos e fragmentos entre os achados, descobertos
˜
em 1952, sao do livro de Daniel. O mais antigo foi datado do
´ ´ ´
fim do segundo seculo AEC. Portanto, ja naquela epoca, o li-
vro de Daniel era bem conhecido e amplamente respeitado.
The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (A Enciclo-
´ ´ ´ ˜
pedia Pictorica da Bıblia, da Zondervan) observa: “A dataçao
macabeia de Daniel tem de ser abandonada agora, nem que
´
seja por ser impossıvel que tenha havido um intervalo sufi-
˜
ciente entre a composiçao de Daniel e seu aparecimento na
´
forma de copias na biblioteca duma seita religiosa dos maca-
beus.”
27 No entanto, ha´ uma confirmaçao ˜
muito mais antiga e
´
mais confiavel para o livro de Daniel. Um dos contempo-
ˆ ´
raneos de Daniel foi o profeta Ezequiel. Ele tambem serviu
´ ˆ
como profeta durante o exılio babilonico. O livro de Eze-
quiel menciona diversas vezes a Daniel por nome. (Ezequiel
ˆ
14:14, 20; 28:3) Essas referencias mostram que, mesmo du-
´ ´
rante a sua vida, no sexto seculo AEC, Daniel ja era bem
´
conhecido como homem justo e sabio, digno de ser mencio-
´ ´
nado ao lado de Noe e de Jo, que temiam a Deus.
O MAIOR TESTEMUNHO
28 No entanto, consideremos por fim a maior de todas as
´
testemunhas da autenticidade de Daniel — o proprio Jesus
ˆ
26. Como os Rolos do Mar Morto tem apoiado a autenticidade do li-
vro de Daniel?
´ ˆ
27. Qual e a evidencia mais antiga de que Daniel era uma pessoa real,
´ ˆ
bem conhecida durante o exılio babilonico?
´
28, 29. (a) Qual e a prova mais convincente de todas, de que o livro
´ ˆ
de Daniel e autentico? (b) Por que devemos aceitar o testemunho de
Jesus?
˜ `
28 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜ ´
Cristo. Na sua consideraçao dos ultimos dias, Jesus men-
ciona “Daniel, o profeta”, e uma das profecias de Daniel.
— Mateus 24:15; Daniel 11:31; 12:11.
29 Entao, ˜ ´
se a teoria macabeia dos crıticos fosse correta,
uma de duas coisas teria de ser verdade: ou Jesus foi enga-
˜
nado por essa falsificaçao, ou ele nunca disse o que Mateus
˜ ´ ´ ˜
atribui a ele. Nenhuma dessas opçoes e viavel. Se nao pu-
´ ˜
dermos confiar no relato evangelico de Mateus, entao como
´
podemos confiar nas outras partes da Bıblia? Se retirarmos
˜
essas sentenças, quais sao as outras palavras que tiraremos a
´ ´
seguir das paginas das Escrituras Sagradas? O apostolo Paulo
´
escreveu: “Toda a Escritura e inspirada por Deus e proveitosa
´
para ensinar, . . . para endireitar as coisas.” (2 Timoteo 3:16)
˜
Portanto, se Daniel foi uma fraude, entao Paulo foi outra!
´
Sera que Jesus foi enganado? De forma alguma. Estava vivo
´ ´
no ceu quando se escreveu o livro de Daniel. Jesus ate mes-
˜ ` ˆ
mo disse: “Antes de Abraao vir a existencia, eu tenho sido.”
˜ ´
( Joao 8:58) Dentre todos os humanos que ja viveram, Jesus
˜
seria a pessoa mais indicada para dar informaçoes sobre a
˜
autenticidade de Daniel. Mas nao precisamos perguntar.
´ ˜
Conforme ja vimos, o testemunho dele nao poderia ser mais
claro.
30 Jesus autenticou adicionalmente o livro de Daniel na
´ ˜ ˜
propria ocasiao do seu batismo. Ele se tornou entao o Mes-
sias, cumprindo uma profecia em Daniel a respeito das
´
69 semanas de anos. (Daniel 9:25, 26; veja o Capıtulo 11 des-
te livro.) Mesmo que fosse verdade que, segundo a teoria,
Daniel foi escrito mais tarde, o escritor de Daniel ainda sabia
ˆ
o futuro com uns 200 anos de antecedencia. Naturalmente,
˜
Deus nao inspiraria um falsificador para proferir profecias
˜
verdadeiras sob um nome falso. Nao, o testemunho de Jesus
´ ˜ ´
e aceito sinceramente por aqueles que sao fieis a Deus. Se to-
´ ˆ
dos os peritos, todos os crıticos do mundo, fossem unanimes
´
30. Como e que Jesus autenticou adicionalmente o livro de Daniel?
O livro de Daniel em julgamento 29

em denunciar a Daniel, o testemunho de Jesus mostraria que


˜ ´
estao errados, porque ele e “a testemunha fiel e verdadeira”.
˜
— Revelaçao (Apocalipse) 3:14.
31 Para muitos crıticos ´ ´
da Bıblia, nem mesmo esse tes-
temunho basta. Depois de considerarmos cabalmente esse
˜
assunto, nao podemos deixar de nos perguntar se qualquer
ˆ
montante de evidencia os convenceria. Um professor da Uni-
versidade de Oxford escreveu: “Nada se ganha com uma
˜
mera resposta a objeçoes, enquanto persistir o preconceito
˜
original, de que ‘nao pode haver profecia sobrenatural’.” De
´
modo que o preconceito os cega. Mas essa e a escolha — e a
perda — deles.
32 Que dizer de voce? ˆ ˜ ´
Se puder compreender que nao ha
´
nenhum motivo valido para se duvidar da autenticidade do
˜ ´
livro de Daniel, entao esta pronto para uma empolgante via-
´
gem de descobertas. Achara emocionantes as narrativas de
´
Daniel, e fascinantes as profecias. O que e mais importante,
´ ´ ´ ´
vera a sua fe aumentar a cada capıtulo. Nunca lamentara ter
˜ `
prestado detida atençao a profecia de Daniel!
´ ´
31. Por que continuam muitos crıticos da Bıblia sem se convencer da
autenticidade de Daniel?
32. O que nos aguarda no estudo de Daniel?

O QUE DISCERNIU?
˙ De que foi acusado o livro de Daniel?
˜ ˜
˙ Por que nao sao bem fundados os ataques
´
dos crıticos contra o livro de Daniel?
ˆ
˙ Que evidencia apoia a autenticidade do
relato de Daniel?
´
˙ Qual e a prova mais convincente de que o
´ ˆ
livro de Daniel e autentico?
´ ˆ
C APITULO TRES

P ROVADOS,
´ ´
MAS FIEIS A JEOVA!
´
A CORTINA se levanta no livro profetico de Daniel numa
´ ´
epoca de mudança significativa no cenario internacional.
´ ´
A Assıria acabara de perder a sua capital, Nınive. O Egito
˜ ˆ
ficara restrito a uma posiçao de pouca importancia ao sul
´ ˆ
da terra de Juda. E Babilonia ascendia rapidamente como
ˆ ´
a maior potencia na luta pelo domınio do mundo.
2 Em 625 AEC, o Farao´ Neco, do Egito, fez uma ul- ´
˜ ˆ
tima tentativa de bloquear a expansao babilonica para o
´
sul. Para esse fim, levou seu exercito a Carquemis, situada
`
as margens da parte superior do rio Eufrates. A batalha de
Carquemis, como passou a ser chamada, foi um aconteci-
´ ´ ˆ
mento decisivo, historico. O exercito babilonico, liderado
´
pelo prıncipe herdeiro Nabucodonosor, infligiu um golpe
` ´
devastador as forças do Farao Neco. ( Jeremias 46:2) Leva-
´ ´
do pelo ımpeto da sua vitoria, Nabucodonosor passou ra-
´
pidamente pela Sıria e pela Palestina, e assim, para todos
´ ´ ˜
os efeitos, acabou com o domınio egıpcio nessas regioes.
Sua campanha foi apenas interrompida temporariamente
`
devido a morte de seu pai, Nabopolassar.
3 No ano seguinte, Nabucodonosor — entao ˜
entroniza-
ˆ ˜
do como rei de Babilonia — voltou de novo sua atençao
´
para as campanhas militares na Sıria e na Palestina. Foi du-
´
rante esse perıodo que ele foi pela primeira vez a Jerusa-
´ ´
lem. A Bıblia relata: “Nos seus dias subiu Nabucodonosor,
´
1, 2. Que acontecimentos significativos serviram de preludio para o
relato de Daniel?
3. Qual foi o resultado da primeira campanha de Nabucodonosor
´
contra Jerusalem?
˜ `
32 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
ˆ
rei de Babilonia, e Jeoiaquim tornou-se assim seu servo
ˆ
por tres anos. No entanto, recuou e se rebelou contra ele.”
— 2 Reis 24:1.
´
NABUCODONOSOR EM JERUSALEM
4 A expressao ˜ ˆ ´
“por tres anos” e de interesse especial para
´
nos, porque as palavras iniciais de Daniel dizem: “No ter-
´
ceiro ano do reinado de Jeoiaquim, rei de Juda, chegou a
´ ˆ
Jerusalem Nabucodonosor, rei de Babilonia, e passou a si-
´
tia-la.” (Daniel 1:1) No terceiro ano do inteiro reinado de
Jeoiaquim, que reinou de 628 a 618 AEC, Nabucodonosor
˜ ˆ ´
ainda nao era o “rei de Babilonia”, mas era o prıncipe her-
deiro. Em 620 AEC, Nabucodonosor obrigou Jeoiaquim a
pagar tributo. Mas Jeoiaquim revoltou-se depois de cerca
ˆ
de tres anos. De modo que foi em 618 AEC, ou durante o
terceiro ano do reinado de Jeoiaquim como vassalo de Ba-
ˆ ´
bilonia, que o Rei Nabucodonosor foi a Jerusalem pela se-
gunda vez, para punir o rebelde Jeoiaquim.
5 O resultado do sıtio ´ ´
foi que, “com o tempo, Jeova
˜ ´
entregou-lhe na mao Jeoiaquim, rei de Juda, e parte dos
´
utensılios da casa do verdadeiro Deus”. (Daniel 1:2) Jeoia-
quim provavelmente morreu, ou assassinado ou numa re-
´ ´
volta, durante os primeiros estagios do sıtio. ( Jeremias
22:18, 19) Em 618 AEC, seu filho de 18 anos, Joaquim,
lhe sucedeu como rei. Mas o governo de Joaquim durou
ˆ
apenas tres meses e dez dias, e ele se rendeu em 617 AEC.
— Note 2 Reis 24:10-15.
6 Nabucodonosor tomou como saque os utensılios ´
sa-
´ `
grados do templo em Jerusalem e “os levou a terra de Si-
˜
4. Como se deve entender a expressao “no terceiro ano do reinado de
Jeoiaquim”, em Daniel 1:1?
5. Qual foi o resultado da segunda campanha de Nabucodonosor con-
´
tra Jerusalem?
´
6. O que fez Nabucodonosor com os utensılios sagrados do templo
´
em Jerusalem?
´ ´
Provados, mas fieis a Jeova! 33
` ´ `
near, a casa de seu deus; e levou os utensılios a casa do
tesouro de seu deus”, Marduque, ou Merodaque, em he-
braico. (Daniel 1:2; Jeremias 50:2) Descobriu-se uma ins-
˜ ˆ ´
criçao babilonica na qual Nabucodonosor e representado
como dizendo a respeito do templo de Marduque: “Arma-
zenei nele prata, e ouro, e pedras preciosas . . . e estabeleci
ali a casa do tesouro do meu reino.” Leremos mais sobre es-
´
ses utensılios sagrados nos dias do Rei Belsazar. — Daniel
5:1-4.
´
A ELITE DOS JOVENS DE JERUSALEM
ˆ
7 Levou-se para Babilonia mais do que apenas os te-
´
souros do templo de Jeova. O relato diz: “O rei disse en-
˜
tao a Aspenaz, seu principal oficial da corte, que trouxesse
ˆ
alguns dos filhos de Israel, e da descendencia real, e dos
˜
nobres, mancebos em que nao houvesse nenhum defeito,
ˆ
mas que fossem de boa aparencia, e que tivessem perspi-
´
cacia em toda a sabedoria, e que estivessem familiarizados
com o conhecimento, e que tivessem discernimento da-
´
quilo que se sabe, em que houvesse tambem a capacidade
´ ´
de estar de pe no palacio do rei.” — Daniel 1:3, 4.
8 Quem foram os escolhidos? Somos informados:
´
“Aconteceu que havia entre eles alguns dos filhos de Juda:
Daniel, Hananias, Misael e Azarias.” (Daniel 1:6) Isso lança
˜
luz sobre a formaçao de Daniel e de seus companheiros, de
outro modo pouco conhecida. Por exemplo, notamos que
´
eles eram “filhos de Juda”, a tribo real. Quer tenham sido
˜ ´ ´
da linhagem real, quer nao, e razoavel pensar que pelo me-
´ ˆ ˆ
nos eram de famılias de certa importancia e influencia.
´ ´
Alem de terem mente e corpo sadios, tinham perspica-
cia, sabedoria, conhecimento e discernimento — tudo em
uma idade suficientemente jovem para ser chamados de
˜
7, 8. O que podemos deduzir de Daniel 1:3, 4 e 6 sobre a formaçao
ˆ
de Daniel e de seus tres companheiros?
˜ `
34 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˆ
“mancebos”, talvez no inıcio da adolescencia. Daniel e
seus companheiros devem ter-se destacado — como a eli-
´
te — entre os jovens em Jerusalem.
˜
9 O relato nao nos diz quem eram os pais desses jo-
˜
vens. Nao obstante, parece certo de que eram pessoas pie-
´
dosas, que haviam tomado a serio suas responsabilidades
ˆ
como pais. Considerando-se a decadencia moral e espiri-
´ ´
tual prevalecente em Jerusalem naquela epoca, em espe-
ˆ ´
cial entre ‘a descendencia real e os nobres’, e evidente que
ˆ
as qualidades excelentes de Daniel e de seus tres compa-
˜ ´
nheiros nao existiam por acaso. Nem e preciso mencionar
que deve ter sido aflitivo para os pais ver os filhos serem
´
levados para um paıs distante. Como teriam ficado orgu-
´
lhosos se pudessem ter sabido o resultado disso! Como e
importante que os pais criem os filhos “na disciplina e na
˜ ´ ´
regulaçao mental de Jeova”! — Efesios 6:4.
UMA BATALHA MENTAL
A batalha para dominar a mente jovem desses exi-
10

lados começou logo. Para certificar-se de que os adoles-


ˆ
centes hebreus seriam amoldados ao sistema babilonico,
´
Nabucodonosor decretou que seus funcionarios ‘lhes ensi-
´ ˜
nassem a escrita e a lıngua dos caldeus’. (Daniel 1:4) Nao
˜
se tratava duma educaçao comum. The International Stan-
´ ´ ˜
dard Bible Encyclopedia (Enciclopedia Bıblica Padrao Inter-
nacional) explica que “abrangia o estudo do sumeriano,
acadiano, aramaico . . . e de outros idiomas, bem como
a vasta literatura escrita neles”. “A vasta literatura” consis-
´ ´
tia em historia, matematica, astronomia e assim por dian-
te. No entanto, “textos religiosos associados, tanto omina
[agouros] como astrologia . . . desempenhavam um gran-
de papel”.
ˆ
9. Por que tudo parece indicar que Daniel e seus tres companheiros
tiveram pais tementes a Deus?
10. O que se ensinou aos jovens hebreus, e com que finalidade?
´ ´
Provados, mas fieis a Jeova! 35

11 Para que esses jovens hebreus adotassem completa-


ˆ
mente os costumes e a cultura da vida na corte babilonica,
˜ ´
“o rei estipulou-lhes uma raçao diaria das iguarias do rei e
ˆ
do vinho que bebia, sim, para que fossem nutridos por tres
´
anos, para que no fim destes pudessem estar de pe perante
´
o rei”. (Daniel 1:5) Alem disso, “o principal oficial da corte
foi designar-lhes nomes. De modo que designou a Daniel
o nome de Beltessazar; e a Hananias, Sadraque; e a Misael,
Mesaque; e a Azarias, Abednego”. (Daniel 1:7) Nos tem-
´ ´ ´
pos bıblicos, era pratica comum alguem receber um novo
nome para marcar um acontecimento significativo na sua
´ ˜
vida. Por exemplo, Jeova mudou os nomes de Abrao e Sa-
˜ ˆ
rai para Abraao e Sara. (Genesis 17:5, 15, 16) Um humano
´ ˆ
mudar o nome de outro e evidencia clara de que ele tem
´ ´
autoridade ou domınio. Quando Jose se tornou adminis-
´
trador de alimentos no Egito, Farao chamou-o de Zafena-
ˆ
te-Paneia. — Genesis 41:44, 45; note 2 Reis 23:34; 24:17.
12 No caso de Daniel e de seus tres ˆ
amigos hebreus,
a mudança de nomes foi significativa. Os nomes que re-
˜
ceberam dos pais estavam em harmonia´ com a adoraçao
´
de Jeova. “Daniel” significa “Meu Juiz E Deus”. O signi-
´ ´
ficado de “Hananias” e “Jeova Mostrou ´ Favor”. “Misael”
possivelmente significa “Quem E Semelhante a Deus?”.
´ ´
“Azarias” significa “Jeova Ajudou”. Sem duvida, seus pais
tinham a fervorosa esperança de que os filhos crescessem
˜ ´
sob a orientaçao de Jeova Deus, para se tornarem servos
´
fieis e leais dele.
13 No entanto, os novos nomes dados aos quatro he-

breus estavam todos intimamente associados com os de


deuses falsos, sugerindo que o verdadeiro Deus fora
11. Que medidas foram adotadas para garantir que os jovens hebreus
ˆ
fossem integrados na vida da corte babilonica?
12, 13. Por que se pode dizer que a mudança dos nomes dos jovens
´
hebreus foi um esforço para minar sua fe?
˜ `
36 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

subjugado por tais divindades. Que esforços insidiosos


´
para minar a fe desses jovens!
14 O nome de Daniel foi mudado para Beltessazar, que

significa “Protege a Vida do Rei”. Pelo visto, essa era uma


˜
forma abreviada duma invocaçao a Bel, ou Marduque, o
ˆ
deus principal de Babilonia. Quer Nabucodonosor tenha
˜
tido parte na escolha do nome de Daniel, quer nao, or-
gulhava-se de que era “segundo o nome de [seu] deus”.
(Daniel 4:8) Hananias recebeu o nome de Sadraque, que
algumas autoridades acham ser um nome composto que
´
significa “Ordem de Aku”. O interessante e que Aku era o
nome dum deus sumeriano. A mudança do nome de
Misael para Mesaque (possivelmente Mi·sha·aku) era ´ apa-
rentemente uma variante engenhosa ´ de “Quem ´ E Seme-
lhante a Deus?” para “Quem E o que Aku E?”. O nome
ˆ
babilonico de Azarias era Abednego, provavelmente sig-
´
nificando “Servo de Nego”. E “Nego” e uma variante de
´
“Nebo”, nome duma divindade que varios governantes
ˆ ´
babilonicos tambem levavam.
´ ´
DECIDIDOS A PERMANECER FIEIS A JEOVA
ˆ
15 Os nomes babilonicos, ˜
o programa de reeducaçao e
˜ ˜
a alimentaçao especial — tudo isso foi uma tentativa nao
´ ˆ
so de integrar Daniel e os tres jovens hebreus no modo de
ˆ ´ ´ ´
vida babilonico, mas tambem de afasta-los do seu proprio
´ ˜
Deus, Jeova, e do seu treinamento e formaçao religiosos.
O que fariam esses jovens, confrontados com toda essa
˜ ˜
pressao e tentaçao?
16 O relato inspirado diz: “Daniel decidiu no coraçao ˜
˜
nao se poluir com as iguarias do rei e com o vinho que
´
bebia.” (Daniel 1:8a) Embora Daniel fosse o unico men-
ˆ
14. O que significam os novos nomes dados a Daniel e a seus tres
companheiros?
15, 16. Com que perigos se confrontaram Daniel e seus companhei-
˜
ros e qual foi a sua reaçao?
´ ´
Provados, mas fieis a Jeova! 37
´
cionado por nome, e evidente, em vista do que se se-
ˆ ˜
guiu, que seus tres companheiros apoiaram a decisao dele.
˜ ˜
As palavras “decidiu no coraçao” mostram que a instruçao
´
que Daniel recebeu dos pais e de outros la em casa havia
˜ ´
tocado seu coraçao. Um treinamento similar, sem duvida,
ˆ ˜
orientou os outros tres hebreus nas suas decisoes. Isso ilus-
tra amplamente o valor do ensino que damos aos filhos,
mesmo quando parecem ser ainda jovens demais para
´ ´
entender. — Proverbios 22:6; 2 Timoteo 3:14, 15.
17 Por que objetaram os jovens hebreus apenas as `
igua-
˜ ` ˜
rias e ao vinho, mas nao as outras provisoes? O motivo
´ ´
disso e claramente indicado pelo raciocınio de Daniel:
˜ ´
“Nao se poluir.” Ter de aprender “a escrita e a lıngua dos
ˆ
caldeus”, e receber um nome babilonico, embora fosse
´ ˜ ´
objetavel, nao necessariamente poluıa a pessoa. Considere
´
o exemplo de Moises, quase mil anos antes. Embora fosse
´ ´
“instruıdo em toda a sabedoria dos egıpcios”, ele perma-
´ ˜
neceu leal a Jeova. A educaçao que recebeu dos pais deu-
´ ´ ´
lhe uma base solida. Por conseguinte, “pela fe Moises,
quando cresceu, negou-se a ser chamado filho da filha de
´
Farao, escolhendo antes ser maltratado com o povo de
´
Deus do que ter o usufruto temporario do pecado”. — Atos
7:22; Hebreus 11:24, 25.
18 De que forma as provisoes ˜ ˆ
do rei babilonico polui-
´
riam esses jovens? Primeiro, as iguarias talvez incluıssem
alimentos proibidos pela Lei mosaica. Por exemplo, os ba-
ˆ
bilonios consumiam animais impuros, proibidos aos israe-
´ ˆ
litas sob a Lei. (Levıtico 11:1-31; 20:24-26; Deuteronomio
ˆ ˜ ´
14:3-20) Segundo, os babilonios nao tinham por habi-
to sangrar os animais abatidos antes de consumir a car-
˜
ne. Comer carne nao sangrada violaria diretamente a
`
17. Por que objetaram Daniel e seus companheiros apenas as provi-
˜ ´ ˜ `
soes diarias do rei e nao as outras?
˜
18. De que forma as provisoes do rei poluiriam os jovens hebreus?
˜ `
38 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˆ ´
lei de Jeova quanto ao sangue. (Genesis 9:1, 3, 4; Levıtico
ˆ
17:10-12; Deuteronomio 12:23-25) Terceiro, os adorado-
res de deuses falsos costumam oferecer seu alimento a
´ ˆ ˜
ıdolos antes de come-lo numa refeiçao em comum. Os ser-
´ ˜ ´
vos de Jeova nao queriam nada disso! (Note 1 Corıntios
10:20-22.) Por fim, regalar-se com alimentos suculentos e
´ ´
bebida forte, dia apos dia, dificilmente seria saudavel para
pessoas de qualquer idade, muito menos para os jovens.
19 Uma coisa e´ saber o que fazer, mas e´ bem diferente
ˆ ˜
ter a coragem de faze-lo quando se sofre pressao ou ten-
˜ ˆ
taçao. Daniel e seus tres amigos poderiam ter raciocina-
do que, visto estarem longe dos pais e dos amigos, esses
˜ ´
nao saberiam o que eles faziam. Poderiam tambem ter ra-
ciocinado que se tratava duma ordem do rei e que parecia
˜ ´ ´
nao haver alternativa. Alem disso, outros jovens sem du-
vida aceitaram prontamente o que foi preparado para eles
˜ ´
e achavam que sua participaçao era um privilegio, em vez
´
de uma dificuldade. Mas tal raciocınio errado poderia le-
` ´
var facilmente a armadilha dum pecado secreto, que e um
laço para muitos jovens. Os jovens hebreus sabiam que
´ ˜ ´
“os olhos de Jeova estao em todo lugar” e que “o proprio
´
verdadeiro Deus levara toda sorte de trabalho a julgamen-
˜ ´
to com relaçao a toda coisa oculta, quanto a se e bom ou
´
mau”. (Proverbios 15:3; Eclesiastes 12:14) Que o proceder
´ ˜ ´
desses jovens fieis seja uma liçao para todos nos.
ˆ
A CORAGEM E A PERSISTENCIA COMPENSARAM
20 Tendo Daniel resolvido no coraçao ˜ ` ˆ
resistir as influen-
cias corrompedoras, ele passou a agir em harmonia com a
˜
sua decisao. “Ele persistiu em solicitar do principal oficial
˜
da corte que lhe permitisse nao se poluir.” (Daniel 1:8b)
´ ˜
“Persistiu em solicitar” — e uma expressao digna de nota.
19. Como poderiam ter raciocinado os jovens hebreus, mas o que os
` ˜
ajudou a chegar a conclusao certa?
˜
20, 21. Que açao tomou Daniel, e com que resultado?
´ ´
Provados, mas fieis a Jeova! 39

Na maioria das vezes, precisamos dum esforço persisten-


˜
te se esperamos ser bem-sucedidos em combater tentaçoes
´
ou em vencer certas fraquezas. — Galatas 6:9.
21 No caso de Daniel, a persistencia ˆ
teve resultado. “Por
`
conseguinte, o verdadeiro Deus entregou Daniel a benevo-
ˆ ` ´
lencia e a misericordia perante o principal oficial da cor-
˜ ´
te.” (Daniel 1:9) Nao era o caso de que as coisas saıram
bem para Daniel e seus companheiros por serem pessoas
´ ˆ
apresentaveis e inteligentes. Antes, foi por causa da ben-
˜ ´ ´ ´
çao de Jeova. Daniel, sem duvida, lembrou-se do proverbio
´ ˜ ˜
hebraico: “Confia em Jeova de todo o teu coraçao e nao
´ ˜
te estribes na tua propria compreensao. Nota-o em todos
´
os teus caminhos, e ele mesmo endireitara as tuas vere-
´
das.” (Proverbios 3:5, 6) Seguir esse conselho trouxe deve-
ras uma recompensa.
22 No começo, o principal oficial da corte objetou:

“Temo meu senhor, o rei, que estipulou vosso alimento


˜
e vossa bebida. Entao, por que devia ele ver as vossas fa-
˜ ˜
ces abatidas em comparaçao com os mancebos que sao da
´ ´
mesma idade que vos, e por que devıeis tornar a minha ca-
beça culpada perante o rei?” (Daniel 1:10) Essas eram ob-
˜ ´ ˜
jeçoes e temores legıtimos. O Rei Nabucodonosor nao iria
aceitar uma negativa como resposta, e o oficial dava-se
conta de que sua “cabeça” estaria em perigo se agisse con-
´ ` ˜
trario as instruçoes do rei. O que faria Daniel?
´
23 Foi aı que entraram em jogo a perspicacia ´
e a sabe-
doria. O jovem Daniel provavelmente se lembrava do pro-
´
verbio: “Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor,
´
mas a palavra que causa dor faz subir a ira.” (Proverbios
15:1) Em vez de insistir obstinadamente em que se lhe
concedesse seu pedido e assim talvez induzir outros a fazer
˜ ´
22. Que objeçao legıtima levantou o oficial da corte?
´
23. Como mostrou Daniel perspicacia e sabedoria pelo proceder que
adotou?
˜ `
40 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˜
dele um martir, Daniel deixou a questao de lado. Na oca-
˜
siao certa, dirigiu-se ao “encarregado”, que talvez estives-
˜
se mais disposto a permitir certa margem de açao, porque
˜ ´
nao era diretamente responsavel ao rei. — Daniel 1:11.
PROPOSTA UMA PROVA DE DEZ DIAS
ˆ
24Daniel propos ao encarregado uma prova, dizendo:
˜ `
“Por favor, poe os teus servos a prova por dez dias, e deem-
´
se-nos alguns legumes para comer e agua para beber; e
compareçam perante ti nossos semblantes e o semblante
dos mancebos que comem as iguarias do rei, e faze com os
teus servos segundo o que vires.” — Daniel 1:12, 13.
25 Dez dias a ‘legumes e agua’´
fariam com que eles se pa-
˜
recessem mais ‘abatidos’ em comparaçao com os outros?
A palavra “legumes” traduz uma palavra hebraica que ba-
˜ ´
sicamente significa “sementes”. Certas traduçoes bıblicas
ˆ ´
em ingles a vertem como “pulse”, que e definido como
˜ ´ ´
“graos comestıveis de varias plantas leguminosas (tais
˜
como ervilhas, feijao e lentilhas)”. Alguns eruditos acham
˜
que o contexto indica uma alimentaçao com mais do que
´ ˆ
apenas sementes comestıveis. Uma obra de referencia de-
clara: “O que Daniel e seus companheiros pediram era a
˜ ˜
simples alimentaçao vegetariana da populaçao em geral,
em vez de uma mais rica, com carne, da mesa real.” De
´
modo que os legumes podem ter incluıdo pratos nutriti-
˜ ´
vos preparados com feijao, pepino, alho, alho-poro, len-
˜ ˜
tilhas, meloes, bem como cebolas e pao feito de diversos
´
cereais. Certamente, ninguem chamaria isso de uma ali-
˜
mentaçao de fome. Pelo visto, o encarregado entendeu a
˜
questao. “Por fim os escutou com respeito a este assunto e
ˆ `
os pos a prova por dez dias.” (Daniel 1:14) Com que resul-
tado?
ˆ
24. Que prova propos Daniel?
´
25. O que provavelmente incluıam os “legumes” servidos a Daniel e
ˆ
seus tres amigos?
´ ´
Provados, mas fieis a Jeova! 41

26 “Ao fim dos dez dias seus semblantes tinham aspec-


to melhor e mais cheio de carne do que todos os mance-
˜
bos que comiam as iguarias do rei.” (Daniel 1:15) Isso nao
ˆ
deve ser tomado como evidencia de que uma alimenta-
˜
çao vegetariana seja superior a outra mais rica, com carne.
´ ´
Dez dias e um perıodo muito curto para qualquer alimen-
˜ ´ ˜ ´
taçao produzir resultados tangıveis, mas nao e curto de-
´ ´ ˆ ˜ ´
mais para Jeova realizar seu proposito. “A bençao de Jeova
´ ˜
— esta e o que enriquece, e ele nao lhe acrescenta dor algu-
´
ma”, diz a sua Palavra. (Proverbios 10:22) Os quatro jovens
´ ´
hebreus depositaram sua fe e confiança em Jeova, e ele
˜ ´
nao os abandonou. Seculos mais tarde, Jesus Cristo sobre-
˜
viveu 40 dias sem alimentaçao. Nesse respeito, ele citou as
ˆ
palavras encontradas em Deuteronomio 8:3, onde lemos:
˜ ˜
‘O homem nao vive somente de pao, mas o homem vive
˜ ´
de toda expressao da boca de Jeova.’ O que se passou com
´ ´
Daniel e seus amigos e um exemplo classico disso.
´
PERSPIC ACIA E SABEDORIA
EM VEZ DE IGUARIAS E VINHO
27 Os dez dias foram apenas uma prova, mas o resultado

foi bem convincente. “Portanto, o encarregado continuou


a retirar deles as suas iguarias e seu vinho que se bebia e a
˜ ´ ´
dar-lhes legumes.” (Daniel 1:16) Nao e difıcil de imaginar
o que os outros jovens no programa de treinamento acha-
vam de Daniel e de seus companheiros. Rejeitar todos os
dias o banquete do rei em troca de legumes deve ter pare-
˜
cido tolo para eles. Mas grandes provas e provaçoes aguar-
davam os jovens hebreus, e essas exigiriam deles toda a
˜ ´
atençao e sobriedade possıvel. Acima de tudo, o que lhes
´
ajudaria a passar por essas provas era sua fe e sua confian-
´ ´
ça em Jeova. — Note Josue 1:7.
26. Qual foi o resultado da prova de dez dias, e por que foi assim?
˜ ˆ
27, 28. Em que sentido foi a alimentaçao a que Daniel e seus tres ami-
˜ `
gos se sujeitaram uma preparaçao para coisas maiores a frente?
˜ `
42 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
ˆ ´
28 Pode-se ver a evidencia de que Jeova estava com es-
ses jovens no que se diz a seguir: “No que se referia a estes
mancebos, os quatro deles, a estes o verdadeiro Deus deu
´
conhecimento e perspicacia em toda a escrita e sabedoria;
´
e o proprio Daniel tinha entendimento de toda sorte de
˜
visoes e sonhos.” (Daniel 1:17) Para poderem enfrentar as
dificuldades que ainda viriam, eles precisavam de mais do
´ ´
que força fısica e boa saude. “Quando a sabedoria entrar
˜ ´ ´
no teu coraçao e o proprio conhecimento se tornar agrada-
` ´ ´ ´ ´
vel a tua propria alma, guardar-te-a o proprio raciocınio,
´ ´
resguardar-te-a o proprio discernimento, para livrar-te do
´
mau caminho.” (Proverbios 2:10-12) Isso foi exatamente o
´ ´
que Jeova concedeu aos quatro jovens fieis, a fim de prepa-
´
ra-los para o que os aguardava.
29 Declara-se que Daniel “tinha entendimento de toda
˜ ˜
sorte de visoes e sonhos”. ´ Nao foi no sentido de que
se tornara paranormal. E interessante que Daniel, embora
considerado um dos grandes profetas hebreus, nunca foi
˜
inspirado para usar declaraçoes tais como “assim disse o
´ ´ ´
Soberano Senhor Jeova” ou “assim disse Jeova dos exer-
´
citos”. (Isaıas 28:16; Jeremias 6:9) No entanto, foi somen-
˜ ´
te sob a orientaçao do espırito santo de Deus que Daniel
ˆ ˜
pode entender e interpretar visoes e sonhos, que revela-
´ ´
vam o proposito de Jeova.
POR FIM, A PROVA DECISIVA
ˆ ˜ ˜
Os tres anos de reeducaçao e preparaçao terminaram.
30
˜
Veio entao uma prova decisiva — uma entrevista com o
´
proprio rei. “Ao fim dos dias que o rei dissera que os trou-
´
xessem para dentro, o principal oficial da corte tambem
os fez chegar perante Nabucodonosor.” (Daniel 1:18) Era a
˜
ocasiao de os quatro jovens prestarem conta de si mesmos.
˜
29. Por que foi Daniel capaz de ‘entender toda sorte de visoes e so-
nhos’?
30, 31. Como se mostrou proveitoso para Daniel e seus companhei-
ros o proceder adotado por eles?
´ ´
Provados, mas fieis a Jeova! 43
` ´
Seria proveitoso para eles apegar-se as leis de Jeova em vez
ˆ
de ceder aos modos babilonicos?
31 “O rei começou a falar com eles, e dentre todos eles
˜
nao se achou nenhum igual a Daniel, Hananias, Misael e
´
Azarias; e eles continuaram de pe perante o rei.” (Daniel
˜ ˆ
1:19) Que vindicaçao plena do seu proceder nos tres anos
˜
anteriores! Nao fora loucura da parte deles apegar-se a um
´ ˆ ´
regime ditado pela sua fe e consciencia. Por serem fieis no
´
que podia parecer o mınimo, Daniel e seus amigos foram
´
abençoados com coisas maiores. O privilegio de “estar de
´
pe perante o rei” era o objetivo que todos os jovens no
´ ˜
programa de treinamento buscavam. A Bıblia nao diz se
´
os quatro jovens hebreus foram os unicos escolhidos. De
qualquer modo, seu proceder fiel deveras lhes trouxe uma
“grande recompensa”. — Salmo 19:11.
32 “Observaste o homem que e´ destro na sua obra? E pe-
´
´
rante reis que ele se postara”, dizem as Escrituras. (Pro-
´
verbios 22:29) De modo que Daniel, Hananias, Misael e
Azarias foram escolhidos por Nabucodonosor para esta-
´
rem de pe perante o rei, quer dizer, para fazerem parte da
˜ ´
corte real. Em tudo isso podemos notar a mao de Jeova
manobrando as coisas para que, por meio desses homens
jovens — especialmente por meio de Daniel — se tornas-
´
sem conhecidos aspectos importantes do proposito divi-
no. Embora fosse uma honra ser escolhidos para fazer
parte da corte real de Nabucodonosor, era uma honra mui-
˜
to maior ser usado de forma tao maravilhosa pelo Rei Uni-
´
versal, Jeova.
33 Nabucodonosor logo descobriu que a sabedoria e a
´ ´
perspicacia que Jeova concedera aos quatro jovens hebreus
32. Por que se pode dizer que Daniel, Hananias, Misael e Azarias usu-
´ ´
fruıram um privilegio maior do que o de estar na corte do rei?
33, 34. (a) Por que ficou o rei impressionado com os jovens he-
˜
breus? (b) Que liçao podemos tirar do que se passou com os quatro
hebreus?
˜ `
44 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
` ´
eram muito superiores as de todos os conselheiros e sabios
na sua corte. “Quanto a todo assunto de sabedoria e de
˜ ´
compreensao sobre que o rei os consultou, ele ate chegou
´
a acha-los dez vezes melhores do que todos os sacerdotes-
´
magos e os conjuradores que havia em todo o seu domınio
real.” (Daniel 1:20) Poderia ser de outra maneira? Os “sa-
cerdotes-magos” e os “conjuradores” baseavam-se na eru-
˜ ˆ
diçao mundana e supersticiosa de Babilonia, ao passo que
Daniel e seus amigos depositavam sua confiança na sabe-
˜ ˜
doria de cima. Simplesmente nao podia haver comparaçao
— nem disputa!
34 As coisas realmente nao ˜ ˆ
tem mudado muito no decor-
´
rer das eras. No primeiro seculo EC, quando a filosofia gre-
´
ga e a lei romana estavam em voga, o apostolo Paulo foi
´
inspirado a escrever: “A sabedoria deste mundo e tolice pe-
´ ´
rante Deus; porque esta escrito: ‘Ele apanha os sabios na
´ ´ ´
sua propria astucia.’ E novamente: ‘Jeova sabe que os ra-
´ ´ ˜ ´ ´
ciocınios dos sabios sao futeis.’ Por isso, ninguem se jacte
´
dos homens.” (1 Corıntios 3:19-21) Hoje em dia, precisa-
´
mos apegar-nos firmemente ao que Jeova nos ensinou e
˜
nao nos deixar facilmente influenciar pelo encanto e pelo
˜
resplendor do mundo. — 1 Joao 2:15-17.
´ ´
FIEIS ATE O FIM
35 A forte fe´ de Hananias, Misael e Azarias e´ dramatica-
´
mente ilustrada no capıtulo 3 de Daniel, relacionada com
´
a imagem de ouro erigida por Nabucodonosor na planıcie
de Dura, e a prova da fornalha de fogo. Esses hebreus te-
´ ´ ´ ´
mentes a Deus sem duvida continuaram fieis a Jeova ate a
´ ´
sua morte. Sabemos isso porque o apostolo Paulo, sem du-
´
vida, aludiu a eles ao escrever sobre os que, “pela fe, . . .
˜
pararam a força do fogo”. (Hebreus 11:33, 34) Eles sao
´ ´
exemplos notaveis para os servos de Jeova, jovens e idosos.
˜ ˆ
35. Quanta informaçao temos sobre os tres companheiros de Daniel?
´ ´
Provados, mas fieis a Jeova! 45
´ ´
36 Quanto a Daniel, o versıculo final do capıtulo 1 diz:
´
“Daniel continuou ate o primeiro ano de Ciro, o rei.”
´ ˆ ´
A Historia revela que Ciro derrubou Babilonia numa so
noite, em 539 AEC. Evidentemente, por causa da sua re-
˜
putaçao e do seu destaque, Daniel continuou a servir na
corte de Ciro. Na realidade, Daniel 10:1 nos diz que, “no
´ ´
terceiro ano de Ciro, rei da Persia”, Jeova revelou a Daniel
um assunto digno de nota. Se ele era adolescente quando
ˆ
levado a Babilonia, em 617 AEC, devia ter quase 100 anos
´ ˜
de idade quando recebeu sua ultima visao. Que carreira
´
longa e abençoada de serviço fiel a Jeova!
´
37 O capıtulo inicial do livro de Daniel conta mais do
´ ´
que a historia de quatro jovens fieis que suportaram com
ˆ ´ ´
exito provas de fe. Mostra-nos como Jeova pode usar
´
a quem quiser para realizar seu proposito. O relato pro-
´
va que, quando permitido por Jeova, aquilo que poderia
´ ´
parecer uma calamidade pode servir a um proposito util.
´
E diz-nos tambem que a fidelidade em coisas pequenas
pode resultar em grande recompensa.
´
36. Que carreira notavel teve Daniel?
˜ ˜ ´
37. Que liçoes podemos tirar da consideraçao do capıtulo 1 de Daniel?

O QUE DISCERNIU?
˜
˙ O que se pode dizer sobre a formaçao de
ˆ
Daniel e seus tres amigos jovens?
˜
˙ Como foi a boa criaçao dos quatro jovens
` ˆ
hebreus posta a prova em Babilonia?
´
˙ Como Jeova recompensou os quatro hebreus
pela sua atitude corajosa?
˜ ´
˙ Que liçoes podem os atuais servos de Jeova
ˆ
aprender de Daniel e de seus tres compa-
nheiros?
´
C APITULO QUATRO

˜
A ASCENSAO E A QUEDA
´
DUMA ENORME ESTATUA
´
PASSOU-SE uma decada desde que o Rei Nabucodonosor
´
trouxe Daniel e outros dos “principais homens do paıs” de
´ ˆ
Juda para o cativeiro em Babilonia. (2 Reis 24:15) O jovem
´
Daniel esta servindo na corte do rei quando surge uma si-
˜ `
tuaçao de ameaça a vida. Por que deve interessar-nos isso?
´ ´
Porque a maneira em que Jeova Deus intervem no assunto
˜ ´
nao so salva a vida de Daniel e de outros, mas fornece-nos
´ ˜ ˆ
tambem uma visao da marcha das potencias mundiais na
´ ´
profecia bıblica ate os nossos tempos.
UM MONARCA SE CONFRONTA ´
COM UM PROBLEMA DIFICIL
2 “No segundo ano do reinado de Nabucodonosor”, es-

creveu o profeta Daniel, “Nabucodonosor teve sonhos; e


´ ´
seu espırito começou a ficar agitado e ate seu sono se tor-
´
nou algo alem dele”. (Daniel 2:1) Quem teve os sonhos foi
´ ˆ
Nabucodonosor, o rei do Imperio Babilonico. Ele se tornou
efetivamente governante mundial em 607 AEC, quando
´ ´
Jeova Deus lhe permitiu destruir Jerusalem e seu templo.
No segundo ano do reinado de Nabucodonosor como go-
vernante mundial (606/605 AEC), Deus deu-lhe um sonho
aterrorizante.
3 Esse sonho angustiou tanto a Nabucodonosor, que
˜
nao conseguiu dormir. Ele naturalmente estava ansioso de
˜ ´
1. Por que deve interessar-nos a situaçao que surgiu uma decada de-
pois de o Rei Nabucodonosor ter levado Daniel e outros ao cativeiro?
´
2. Quando teve Nabucodonosor seu primeiro sonho profetico?
3. Quem se mostrou incapaz de interpretar o sonho do rei, e como
reagiu Nabucodonosor?
˜ `
48 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

saber seu significado. Mas o poderoso rei se esquecera do


sonho! De modo que convocou os magos, os conjuradores
ˆ
e os feiticeiros de Babilonia, e exigiu que lhe contassem o
´
sonho e o interpretassem. Essa tarefa era alem da capaci-
dade deles. Seu fracasso enfureceu tanto a Nabucodonosor,
´ ´
que ele deu a ordem de que se “destruıssem todos os sabios
ˆ
de Babilonia”. Esse decreto levaria o profeta Daniel face a
ˆ
face com o executor designado. Por que? Porque ele e seus
ˆ
tres companheiros hebreus — Hananias, Misael e Azarias
´ ´ ˆ
— estavam incluıdos entre os sabios de Babilonia. — Daniel
2:2-14.
DANIEL VEM EM SOCORRO
4 Depois de saber o motivo do decreto duro de Nabuco-
donosor, “Daniel entrou e solicitou ao rei que lhe desse
´
tempo, especificamente para mostrar ao rei a propria in-
˜
terpretaçao”. Isso foi concedido. Daniel voltou para casa, e
ˆ ´
ele e seus tres amigos hebreus oraram, pedindo “misericor-
´
dias da parte do Deus do ceu concernente a este segredo”.
˜ ´
Numa visao, naquela mesma noite, Jeova revelou a Da-
˜
niel o segredo do sonho. Daniel disse com gratidao: “Seja
bendito o nome de Deus de tempo indefinido a tempo in-
´
definido, pois a sabedoria e o poder — pois a ele e que
´
pertencem. E ele muda os tempos e as epocas, removen-
´
do reis e estabelecendo reis, dando sabedoria aos sabios
ˆ
e conhecimento aos que tem discernimento. Ele revela as
´
coisas profundas e as coisas escondidas, sabendo o que ha
˜
na escuridao; e com ele habita a luz.” Por receber tal pers-
´ ´
picacia, Daniel louvou a Jeova. — Daniel 2:15-23.
5 No dia seguinte, Daniel chegou-se a Arioque, chefe da
´
guarda pessoal, que fora encarregado de destruir os sabios
´
4. (a) Como soube Daniel do conteudo do sonho de Nabucodono-
´
sor e do seu significado? (b) O que disse Daniel a Jeova Deus em
apreço?
´
5. (a) Quando compareceu perante o rei, como Daniel deu credito a
´ ˜
Jeova? (b) Por que nos interessa hoje a explicaçao de Daniel?
˜ ´
A ascensao e a queda duma enorme estatua 49
ˆ
de Babilonia. Ao saber que Daniel podia interpretar o so-
` ˜
nho, Arioque levou-o as pressas ao rei. Nao atribuindo o
´ ´
merito a si mesmo, Daniel disse a Nabucodonosor: “Ha
´ ´
nos ceus um Deus que e Revelador de segredos, e ele fez sa-
´
ber ao Rei Nabucodonosor o que ha de acontecer na parte
˜ ´
final dos dias.” Daniel estava pronto para revelar nao so o
´ ˆ ´
futuro do Imperio Babilonico, mas tambem para fornecer
um esboço dos acontecimentos mundiais desde os dias de
´ ´
Nabucodonosor ate o nosso tempo, e mais alem. — Daniel
2:24-30.
O SONHO RELEMBRADO
˜ ˜
6 Nabucodonosor escutou com atençao a explicaçao de
´
Daniel: “Tu, o rei, estavas vendo, e eis uma enorme es-
´ ´
tatua. Esta estatua, que era grande e cujo esplendor era
´ ˆ
extraordinario, erguia-se na tua frente, e sua aparencia era
` ´
atemorizante. Quanto a estatua, sua cabeça era de ouro
bom, seu peito e seus braços eram de prata, seu ventre e
suas coxas eram de cobre, suas pernas eram de ferro, seus
´
pes eram parcialmente de ferro e parcialmente de argila
´
modelada. Estavas olhando ate que se cortou uma pedra,
˜ ´ ´
sem maos, e ela golpeou a estatua nos seus pes de ferro e de
˜
argila modelada, e os esmiuçou. Nesta ocasiao, o ferro, a
argila modelada, o cobre, a prata e o ouro foram juntos es-
˜
miuçados e tornaram-se como a pragana da eira do verao,
˜
e o vento os levou embora, de modo que nao se achou ne-
`
nhum traço deles. E no que se refere a pedra que golpeou a
´
estatua, tornou-se um grande monte e encheu a terra intei-
ra.” — Daniel 2:31-35.
7 Como Nabucodonosor deve ter ficado emocionado ao
´
ouvir Daniel revelar o sonho! Mas espere! Os sabios de
ˆ ´ ´
Babilonia so seriam poupados se Daniel tambem inter-
ˆ
pretasse o sonho. Falando por si mesmo e pelos seus tres
6, 7. De que tratava o sonho que Daniel relembrou ao rei?
˜ `
50 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ´
amigos hebreus, Daniel declarou: “Este e o sonho, e nos di-
˜
remos a sua interpretaçao perante o rei.” — Daniel 2:36.
˜
UM REINO DE GRANDE DISTINÇ AO
8 “Tu, o´ rei, rei de reis, tu, a quem o Deus do ceu ´
deu
ˆ
o reino, a potencia, e o poderio, e a dignidade, e em cuja
˜
mao, onde quer que habitem os filhos da humanidade, en-
´
tregou os animais do campo e as criaturas aladas dos ceus,
´
e a quem ele fez governante sobre todos eles, tu mesmo es
a cabeça de ouro.” (Daniel 2:37, 38) Essas palavras aplica-
´
vam-se a Nabucodonosor depois de Jeova o ter usado para
´ ´
destruir Jerusalem, em 607 AEC. Isso se da porque os reis
´
entronizados em Jerusalem eram da linhagem de Davi, o
´ ´ ´
rei ungido de Jeova. Jerusalem era a capital de Juda, o reino
´ ´
tıpico de Jeova Deus, representando a Sua soberania sobre
´
a Terra. Esse reino tıpico de Deus deixou de existir quan-
´ ˆ
do a cidade foi destruıda em 607 AEC. (1 Cronicas 29:23;
ˆ ˆ
2 Cronicas 36:17-21) As sucessivas potencias mundiais, re-
´ ´
presentadas pelas partes metalicas da estatua, podiam en-
˜ ´ ˆ
tao exercer o domınio sobre o mundo sem a interferencia
´
do reino tıpico de Deus. Nabucodonosor, como cabeça de
ouro, o metal mais precioso conhecido nos tempos anti-
˜
gos, teve a distinçao de derrubar esse reino por destruir Je-
´ ´ ´
rusalem. — Veja “Um rei guerreiro constroi um imperio”,
´
na pagina 63.
9 Nabucodonosor, que reinou por 43 anos, encabeçou
´ ˆ
uma dinastia que governou o Imperio Babilonico. Ela in-
´
cluıa seu genro Nabonido e seu filho mais velho, Evil-Me-
´
rodaque. Essa dinastia continuou por mais 43 anos, ate a
morte de Belsazar, filho de Nabonido, em 539 AEC. (2 Reis
25:27; Daniel 5:30) De modo que a cabeça de ouro, no so-
´ ˜
nho da estatua, representava nao apenas Nabucodonosor,
ˆ
mas toda a linhagem governante de Babilonia.
˜
8. (a) Quem ou o que era a cabeça de ouro conforme a interpretaçao
de Daniel? (b) Quando passou a existir a cabeça de ouro?
9. O que representava a cabeça de ouro?
˜ ´
A ascensao e a queda duma enorme estatua 51
´
10 Daniel disse a Nabucodonosor: “Depois de ti surgira
outro reino, inferior a ti.” (Daniel 2:39) Um reino sim-
`
bolizado pelo peito e pelos braços de prata sucederia a
´
dinastia de Nabucodonosor. Uns 200 anos antes, Isaıas pre-
´
dissera esse reino, mencionando ate mesmo o nome de
´
seu rei vitorioso — Ciro. (Isaıas 13:1-17; 21:2-9; 44:24–45:7,
´ ´
13) Esse era o Imperio Medo-Persa. Embora a Medo-Persia
˜ `
desenvolvesse uma grande civilizaçao em nada inferior a
´ ˆ ´
do Imperio Babilonico, esse reino posterior e representado
pela prata, um metal menos precioso do que o ouro. Era
` ˆ ˆ ˜
inferior a Potencia Mundial Babilonica por nao ter tido a
´ ´
honra de derrubar Juda, o reino tıpico de Deus, com sua ca-
´
pital em Jerusalem.
11 Uns 60 anos depois de interpretar o sonho, Daniel pre-

senciou o fim da dinastia de Nabucodonosor. Daniel estava


presente na noite de 5/6 de outubro de 539 AEC, quando
´ ´
o exercito medo-persa tomou a aparentemente inexpugna-
ˆ
vel Babilonia e executou o Rei Belsazar. Com a morte de
´ ´
Belsazar, a cabeça de ouro da estatua do sonho — o Impe-
ˆ
rio Babilonico — deixou de existir.
´
UM POVO EXILADO E LIBERTADO POR UM REINO
´
12 A Medo-Persia substituiu o Imperio ´ ˆ
Babilonico como
ˆ
potencia mundial dominante em 539 AEC. Dario, o Medo,
aos 62 anos de idade, tornou-se o primeiro governante
ˆ
da conquistada cidade de Babilonia. (Daniel 5:30, 31) Por
pouco tempo, ele e Ciro, o Persa, reinaram juntos sobre o
´
Imperio Medo-Persa. Quando Dario faleceu, Ciro tornou-
´ ´
se o unico comandante do Imperio Persa. Para os judeus
ˆ
10. (a) Como indicou o sonho de Nabucodonosor que a Potencia
ˆ ˜
Mundial Babilonica nao duraria para sempre? (b) O que predisse o
´ ˆ
profeta Isaıas a respeito do conquistador de Babilonia? (c) Em que sen-
´ ` ˆ
tido era a Medo-Persia inferior a Babilonia?
11. Quando deixou de existir a dinastia de Nabucodonosor?
12. Como foram os judeus exilados beneficiados pelo decreto emiti-
do por Ciro em 537 AEC?
˜ `
52 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
ˆ
em Babilonia, o reinado de Ciro significou o livramen-
to do cativeiro. Em 537 AEC, Ciro emitiu um decreto que
ˆ
permitiu que os exilados judeus em Babilonia voltassem
` ´ ´ ´
a sua patria, e que reconstruıssem Jerusalem e o templo
´ ˜ ´
de Jeova. No entanto, nao se restabeleceu em Juda e em
´ ´ ˆ
Jerusalem o reino tıpico de Deus. — 2 Cronicas 36:22, 23;
Esdras 1:1–2:2a.
13 O peito e os braços de prata da estatua ´
no sonho re-
tratavam a linhagem dos reis persas, começando com Ciro,
o Grande. Essa dinastia durou mais de 200 anos. Acredita-
se que Ciro tenha morrido durante uma campanha militar
em 530 AEC. Dos cerca de 12 reis que o sucederam no
´
trono do Imperio Persa, pelo menos 2 trataram o povo es-
´ ´
colhido de Jeova de modo favoravel. Um deles foi Dario I
(persa) e o outro foi Artaxerxes I.
14 Dario I foi o terceiro na linhagem dos reis persas apos ´
Ciro, o Grande. Os dois que o precederam foram Cambi-
˜
ses II e seu irmao Bardiia (ou talvez um que se dizia mago,
´ ´
chamado Gaumata). Na epoca em que Dario I, tambem
conhecido como Dario, o Grande, ascendeu ao trono em
˜ ´
521 AEC, a obra da reconstruçao do templo em Jerusalem
estava proscrita. Quando descobriu o documento com o
´
decreto de Ciro, nos arquivos em Ecbatana, Dario fez mais
˜
do que apenas eliminar a proscriçao em 520 AEC. Ele for-
´ ˜
neceu tambem fundos do tesouro real para a reconstruçao
do templo. — Esdras 6:1-12.
15 O proximo´
governante persa a ajudar nos esforços de
˜
restauraçao dos judeus foi Artaxerxes I, que sucedeu ao seu
pai Assuero (Xerxes I) em 475 AEC. Artaxerxes era cogno-
´ ˜
minado Longımano, porque sua mao direita era mais
comprida do que a esquerda. Durante o 20.° ano do seu
´
13. O que retratavam o peito e os braços de prata da estatua no so-
nho de Nabucodonosor?
14, 15. Que ajuda foi dada aos judeus por Dario, o Grande, e por Ar-
taxerxes I?
˜ ´
A ascensao e a queda duma enorme estatua 53

reinado, em 455 AEC, ele comissionou seu copeiro judeu,


´
Neemias, para ser governador de Juda e para reconstruir as
´ ˜ ´
muralhas de Jerusalem. Essa açao marcou o inıcio das ‘se-
´
tenta semanas de anos’, esboçadas no capıtulo 9 de Daniel,
e fixou as datas para o aparecimento e a morte do Messias,
´
ou Cristo, Jesus de Nazare. — Daniel 9:24-27; Neemias 1:1;
2:1-18.
´
16 O ultimo dos seis reis que sucederam a Artaxerxes I no
´
trono do Imperio Persa foi Dario III. Seu reinado terminou
´
abruptamente em 331 AEC, quando sofreu uma terrıvel
derrota diante de Alexandre, o Grande, em Gaugamela,
´ ˆ
perto da antiga Nınive. Essa derrota acabou com a Potencia
Mundial Medo-Persa, simbolizada pela parte de prata da
´ ˆ
estatua do sonho de Nabucodonosor. A potencia que veio
em seguida foi em alguns sentidos superior, mas em outros
˜
foi inferior. Isso se torna claro quando prestamos atençao
` ˜
a interpretaçao adicional do sonho de Nabucodonosor por
Daniel.
UM REINO ENORME, MAS INFERIOR
17 Daniel disse a Nabucodonosor que o ventre e as coxas
´ ´
da imensa estatua constituıam “outro reino, um terceiro,
de cobre, que [dominaria] sobre a terra inteira”. (Daniel
ˆ
2:32, 39) Esse terceiro reino viria depois da Babilonia e da
´ ´ `
Medo-Persia. Assim como o cobre e inferior a prata, essa
ˆ ` ´
nova potencia mundial seria inferior a Medo-Persia por
˜ ´
nao ser honrada com algum privilegio, como o de libertar
´
o povo de Jeova. No entanto, o reino de cobre ‘domina-
ria a terra inteira’, indicando que seria mais extenso do que
ˆ ´
Babilonia ou a Medo-Persia. O que confirmam os fatos da
´ ˆ
Historia a respeito dessa potencia mundial?
ˆ
16. Quando e com que rei terminou a Potencia Mundial Medo-Persa?
ˆ
17-19. (a) Que potencia mundial foi retratada pelo ventre e pelas
˜ ´
coxas de cobre, e quao amplo foi seu domınio? (b) Quem era Alexan-
´
dre III? (c) Como se tornou o grego uma lıngua internacional, e para
que era bem adequado?
˜ `
54 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
ˆ
Pouco depois de herdar o trono da Macedonia em
18

336 AEC, aos 20 anos de idade, o ambicioso Alexandre III


empreendeu uma campanha de conquista. Devido aos
ˆ
seus exitos militares, passou a ser chamado de Alexandre, o
´ ´
Grande. Por obter uma vitoria apos outra, ele continuou a
´
avançar no domınio persa. Quando derrotou Dario III na
´
batalha de Gaugamela, em 331 AEC, o Imperio Persa come-
´
çou a entrar em colapso e Alexandre estabeleceu a Grecia
ˆ
como a nova potencia mundial.
´
19 Apos ´
a vitoria em Gaugamela, Alexandre passou a
ˆ ´ ´
tomar as capitais persas, Babilonia, Susa, Persepolis e Ecba-
´
tana. Subjugando o restante do Imperio Persa, ele estendeu
´ ´
suas conquistas ate a India ocidental. Nas terras conquista-
ˆ ´
das estabeleceram-se colonias gregas. Dessa forma a lıngua
´ ´
e a cultura gregas espalharam-se pelo domınio. O Imperio
Grego, na realidade, tornou-se maior do que qualquer um
dos que o precederam. Conforme Daniel predissera, o rei-
no de cobre ‘dominou sobre a terra inteira’. Um resultado
´ ´
disso foi que o grego (coine) se tornou uma lıngua in-
˜
ternacional. Com sua capacidade de expressao precisa,
mostrou-se muito adequado para a escrita das Escrituras
˜ ˜
Gregas Cristas e para a divulgaçao das boas novas do Reino
de Deus.
20 Alexandre, o Grande, viveu apenas oito anos como go-

vernante do mundo. Ainda jovem, aos 32 anos, Alexandre


adoeceu depois dum banquete e morreu pouco depois, em
´
13 de junho de 323 AEC. Com o tempo, seu enorme impe-
´
rio foi dividido em quatro territorios, cada um governado
por um dos seus generais. Assim, de um grande reino sur-
giram quatro reinos que, com o tempo, foram absorvidos
´ ˆ
pelo Imperio Romano. A potencia mundial de cobre conti-
´ ´
nuou apenas ate 30 AEC, quando o ultimo desses quatro
´
20. O que aconteceu com o Imperio Grego depois da morte de Ale-
xandre, o Grande?
˜ ´
A ascensao e a queda duma enorme estatua 55

reinos — a dinastia ptolomaica, que governava no Egito —


por fim caiu diante de Roma.
´
UM REINO QUE ESMIUÇA E QUEBRANTA
21 Daniel continuou com sua explicaçao ˜ ´
da estatua do
sonho: “No que se refere ao quarto reino [depois de Ba-
ˆ ´ ´ ´
bilonia, Medo-Persia e Grecia], mostrar-se-a forte como o
´
ferro. Visto que o ferro esmiuça e tritura tudo o mais, as-
´ ´
sim, qual ferro que quebranta, esmiuçara e quebrantara a
ˆ
todos estes.” (Daniel 2:40) Essa potencia mundial, com sua
força e capacidade de esmiuçar, seria como o ferro — mais
´
forte do que os imperios representados por ouro, prata ou
´
cobre. O Imperio Romano era tal poderio.
22 Roma esmiuçou e destroçou o Imperio ´
Grego, e
ˆ
absorveu restos das potencias mundiais medo-persa e ba-
ˆ ˜
bilonica. Nao mostrando nenhum respeito pelo Reino de
Deus proclamado por Jesus Cristo, matou a este numa es-
taca de tortura em 33 EC. No empenho de destroçar o
´
verdadeiro cristianismo, Roma perseguiu os discıpulos de
´ ´ ´
Jesus. Alem disso, os romanos destruıram Jerusalem e seu
templo em 70 EC.
23 As pernas de ferro da estatua ´
no sonho de Nabucodo-
˜ ´ ´ ´
nosor retratavam nao so o Imperio Romano, mas tambem
´
seu sucessor polıtico. Considere as seguintes palavras regis-
˜ ´
tradas em Revelaçao (Apocalipse) 17:10: “Ha sete reis: cinco
´ ´ ´ ˜
ja caıram, um e, o outro ainda nao chegou, mas, quando
chegar, tem de permanecer por pouco tempo.” Quando o
´ ˜
apostolo Joao escreveu essas palavras, os romanos o manti-
´
nham em exılio na ilha de Patmos. Os cinco reis, ou
ˆ ´
potencias mundiais, que haviam caıdo eram o Egito, a As-
´ ˆ ´ ´
sıria, a Babilonia, a Medo-Persia e a Grecia. O sexto — o
21. Como descreveu Daniel o “quarto reino”?
´
22. De que forma era o Imperio Romano como ferro?
´ ´
23, 24. Alem do Imperio Romano, o que mais retratam as pernas da
´
estatua?
ˆ
POTENCIAS MUNDIAIS DA PROFECIA DE DANIEL
´
A enorme est atua
(Daniel 2:31-45)

ˆ
BABIL ONIA
a partir de 607 AEC

´
MEDO-P ERSIA
a partir de 539 AEC

´
GR ECIA
a partir de 331 AEC

ROMA
a partir de 30 AEC

ˆ
A POT ENCIA MUNDIAL
ANGLO-AMERICANA a partir de 1763 EC

O MUNDO POLITICAMENTE DIVIDIDO


no tempo do fim
˜ ´
A ascensao e a queda duma enorme estatua 57
´ ´
Imperio Romano — ainda estava no poder. Mas tambem
´ ´
cairia, e o setimo rei surgiria de um dos territorios captura-
ˆ
dos por Roma. Que potencia mundial seria?
24 A Bretanha era antigamente uma parte do noroeste
´ ´
do Imperio Romano. Mas, no ano 1763, ja se havia torna-
´ ˆ ˜
do o Imperio Britanico — a Gra-Bretanha, que governou os
ˆ
sete mares. Em 1776, suas 13 colonias americanas haviam
ˆ
declarado sua independencia para constituir os Estados
´ ´ ˜
Unidos da America. Em anos posteriores, porem, a Gra-Bre-
tanha e os Estados Unidos tornaram-se parceiros, tanto na
` ˆ
guerra como na paz. Assim veio a existencia a aliança an-
´ ˆ
glo-americana como a setima potencia mundial da profe-
´ ´
cia bıblica. Similar ao Imperio Romano, mostrou-se “forte
como o ferro”, exercendo autoridade ferrenha. As pernas
´ ´
de ferro da estatua do sonho incluem assim tanto o Impe-
ˆ
rio Romano como a potencia mundial dupla anglo-ameri-
cana.
´
UMA MISTURA FRAGIL
25 Daniel disse a seguir a Nabucodonosor: “Quanto aos
´ ´
pes e aos dedos dos pes, que viste serem parcialmente
de argila modelada de oleiro e parcialmente de ferro, o
´ ´ ´ ´
proprio reino se mostrara dividido, porem, mostrar-se-a
haver nele algo da dureza do ferro, uma vez que viste o
´
ferro misturado com argila umida. E quanto aos dedos
´
dos pes serem parcialmente de ferro e parcialmente de
´
argila modelada, o reino mostrar-se-a parcialmente for-
´ ´
te e mostrar-se-a parcialmente fragil. Quanto ao que viste
´ ˜
o ferro misturado com argila umida, virao a estar mistu-
ˆ ´ ˜
rados com a descendencia da humanidade; porem, nao
˜
mostrarao estar apegados um ao outro, do mesmo modo
˜
como o ferro nao se mistura com argila modelada.” — Da-
niel 2:41-43.
´ ´
25. O que disse Daniel a respeito dos pes e dos dedos dos pes da es-
´
tatua?
˜ ´
A ascensao e a queda duma enorme estatua 59
˜ ˆ
26 A sucessao de potencias mundiais, representada pelas
´
diversas partes da estatua do sonho de Nabucodonosor, co-
´ ´ ´ ´
meçou com a cabeça e se estendeu ate os pes. E logico que
´ ´
os pes e os dedos dos pes, de “ferro misturado com argi-
´ ˜ ´
la umida”, simbolizariam a manifestaçao final do domınio
humano, que existiria durante “o tempo do fim”. — Da-
niel 12:4.
27 Na aurora do seculo´ ´ ˆ
20, o Imperio Britanico domina-
´
va uma em cada quatro pessoas na Terra. Outros imperios
˜
europeus controlavam outros milhoes. Mas a Primeira
ˆ
Guerra Mundial resultou na emergencia de grupos de na-
˜ ´
çoes em vez de imperios. Depois da Segunda Guerra
ˆ
Mundial, essa tendencia se acelerou. Ao passo que o na-
´ ˜
cionalismo se desenvolveu mais, o numero de naçoes no
´
mundo aumentou dramaticamente. Os dez dedos dos pes
´
da estatua representam todos esses poderes e governos coe-
´ ´ `
xistentes porque, na Bıblia,ˆ o numero dez as vezes significa
inteireza terrestre. — Note Exodo 34:28; Mateus 25:1; Reve-
˜
laçao 2:10.
28 Agora que nos encontramos no “tempo do fim”,
´ ´
chegamos aos pes da estatua. Alguns dos governos retrata-
´ ´ ´
dos pelos pes e pelos dedos dos pes da estatua, de
˜ ´
ferro misturado com argila, sao como ferro — autorita-
ˆ ˜
rios ou tiranicos. Outros sao como argila. Em que sentido?
ˆ
Daniel associou a argila com “a descendencia da humani-
´
dade”. (Daniel 2:43) Apesar da natureza fragil da argila, de
ˆ ´ ´
que a descendencia da humanidade e feita, domınios tra-
dicionais com a dureza do ferro se viram obrigados a dar
˜
cada vez mais atençao ao povo comum, que quer opinar
´ ´
26. Quando se manifesta o domınio retratado pelos pes e pelos de-
´
dos dos pes?
˜ ´ ´ ´
27. (a) Que situaçao e retratada pelos pes e pelos dedos dos pes, de
´
ferro misturado com argila? (b) O que e retratado pelos dez dedos dos
´ ´
pes da estatua?
28, 29. (a) Segundo Daniel, o que representava a argila? (b) O que
se pode dizer sobre a mistura de ferro com argila?
˜ `
60 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˜ ´ ˜
nos governos que o dominam. ( Jo 10:9) Mas nao ha coesao
´ ´ ˜
entre o domınio autoritario e o povo comum — nao mais
´
do que haveria na mistura de ferro com argila. Na epoca da
˜ ´ ´
extinçao da estatua, o mundo deveras estara politicamente
fragmentado!
29 Sera´ que a condiçao ˜ ´
dividida dos pes e dos dedos dos
´ ´ ´ ´ `
pes fara toda a estatua desmoronar? O que acontecera a
´
estatua?
´ ´
UM CLIMAX DRAMATICO!
30 Considere o clımax ´
do sonho. Daniel disse ao rei: “Es-
´ ˜
tavas olhando ate que se cortou uma pedra, sem maos,
´ ´
e ela golpeou a estatua nos seus pes de ferro e de argila
˜
modelada, e os esmiuçou. Nesta ocasiao, o ferro, a argila
modelada, o cobre, a prata e o ouro foram juntos esmiu-
˜
çados e tornaram-se como a pragana da eira do verao, e
˜
o vento os levou embora, de modo que nao se achou ne-
`
nhum traço deles. E no que se refere a pedra que golpeou a
´
estatua, tornou-se um grande monte e encheu a terra intei-
ra.” — Daniel 2:34, 35.
31 Explicando isso, a profecia continuou: “Nos dias da-
´ ´
queles reis o Deus do ceu estabelecera um reino que jamais
´ ´ ˜ ´
sera arruinado. E o proprio reino nao passara a qualquer
´ ´
outro povo. Esmiuçara e pora termo a todos estes reinos,
´
e ele mesmo ficara estabelecido por tempos indefinidos;
˜
pois viste que se cortou do monte uma pedra, sem maos, e
que ela esmiuçou o ferro, o cobre, a argila modelada, a pra-
´
ta e o ouro. O proprio grandioso Deus tem dado a conhecer
´ ´
ao rei o que ha de acontecer depois disso. E o sonho e cer-
˜ ´
to e a sua interpretaçao e fidedigna.” — Daniel 2:44, 45.
32 Reconhecendo que se lhe fez relembrar o sonho e que

esse lhe foi explicado, Nabucodonosor admitiu que so-


´
30. Descreva o clımax do sonho de Nabucodonosor.
`
31, 32. O que foi predito referente a parte final do sonho de Nabu-
codonosor?
˜ ´
A ascensao e a queda duma enorme estatua 61

mente o Deus de Daniel era “Senhor de reis, e Revelador de


´ ˆ
segredos”. O rei deu tambem a Daniel e a seus tres com-
˜
panheiros hebreus posiçoes de grande responsabilidade.
´
(Daniel 2:46-49) No entanto, qual e o significado moderno
˜
da ‘interpretaçao fidedigna’ de Daniel?
‘UM MONTE ENCHE A TERRA’
˜
33 Quando “os tempos designados das naçoes” termina-
´
ram em outubro de 1914, “o Deus do ceu” estabeleceu o
Reino celestial por entronizar seu Filho ungido, Jesus Cris-
to, como “Rei dos reis e Senhor dos senhores”.1 (Lucas
˜
21:24; Revelaçao 12:1-5; 19:16) De modo que foi por poder
˜
divino, nao por meios humanos, que a “pedra”, o Reino
ˆ
messianico, foi cortada do “monte”, a soberania univer-
´ ´ ˜
sal de Jeova. Esse governo celestial esta nas maos de Jesus
Cristo, a quem Deus conferiu imortalidade. (Romanos 6:9;
´
1 Timoteo 6:15, 16) Portanto, esse “reino de nosso Senhor
˜
[Deus] e do seu Cristo” — uma expressao da soberania
´ ˜ ´ ´
universal de Jeova — nao passara para ninguem mais. Per-
´ ˜
manecera para sempre. — Revelaçao 11:15.
34 O nascimento do Reino ocorreu “nos dias daqueles
˜
reis”. (Daniel 2:44) Esses nao eram apenas os reis retrata-
´ ´ ´
dos pelos dez dedos dos pes da estatua, mas tambem os
simbolizados pelas suas partes de ferro, cobre, prata e ouro.
´ ˆ
Embora os imperios babilonico, persa, grego e romano
ˆ
tivessem deixado de existir como potencias mundiais, ves-
´ ´
tıgios deles ainda existiam em 1914. O Imperio Otomano
˜ ´ ˆ
turco ocupava entao o territorio da Babilonia, e havia go-
´ ˜ ´
vernos nacionais em poder na Persia (Ira), na Grecia e em
´
Roma, na Italia.
´
1 Veja o Capıtulo 6 deste livro.

33. De que “monte” foi cortada a “pedra”, e quando e como se deu


isso?
34. Em que sentido nasceu o Reino de Deus “nos dias daqueles reis”?
˜ `
62 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ´
O Reino celestial de Deus, em breve, golpeara a estatua
35
´ ´
simbolica nos pes. Em resultado disso, todos os reinos re-
˜ ´
tratados por ela serao quebrantados, o que significara o seu
fim. Deveras, na “guerra do grande dia de Deus, o Todo-
´ ´
Poderoso”, essa “pedra” atingira a estatua com tanta força,
´ ´
que ela sera pulverizada, e o temporal de Deus a levara em-
˜
bora como se fosse a pragana duma eira. (Revelaçao 16:14,
˜ ˜
16) Entao, assim como a pedra atingiu dimensoes monta-
´
nhescas e encheu a Terra, assim o Reino de Deus se tornara
´
o monte governamental que afetara “a terra inteira”. — Da-
niel 2:35.
36 Embora o Reino messianicoˆ ´
seja celestial, estendera
ˆ ˜
seu poder sobre o nosso globo, para a bençao de to-
´
dos os habitantes obedientes da Terra. Esse governo estavel
´ ´
“jamais sera arruinado”, nem “passara a qualquer outro
povo”. Diferentemente dos reinos de governantes huma-
´
nos, que morrem, “ele mesmo ficara estabelecido por
ˆ
tempos indefinidos”, para sempre. (Daniel 2:44) Que voce
´ ´
tenha o privilegio de ser eternamente um dos suditos dele.
´ ´ ˜ ´
35. Quando sera a estatua atingida pela “pedra”, e quao cabal sera a
˜
eliminaçao dela?
ˆ ´
36. Por que se pode chamar o Reino messianico de governo estavel?

O QUE DISCERNIU?
ˆ ˜
˙ Que potencias mundiais sao representadas pelas
´
diversas partes da enorme estatua do sonho de
Nabucodonosor?
˜ ´ ´
˙ Que situaçao mundial e representada pelos pes e
´
pelos dez dedos dos pes de ferro misturado com
argila?
˙ Quando e de que “monte” foi cortada a “pedra”?
´ ´
˙ Quando sera a estatua atingida pela “pedra”?
´ ´
UM REI GUERREIRO CONSTROI UM IMPERIO

´ ˆ ´
O PRINCIPE herdeiro de Babilonia e seu exercito destroçam
´ ´ ´
as forças egıpcias do Farao Neco, em Carquemis, na Sıria.
´
Os egıpcios derrotados fogem para o sul, para o Egito, e os
ˆ ˆ
babilonios os perseguem. Mas uma mensagem de Babilo-
´ ˜
nia obriga o prıncipe vitorioso a abandonar a perseguiçao.
´ ´
A notıcia e que falecera seu pai, Nabopolassar. Dando aos
seus generais a responsabilidade de trazer de volta os ca-
tivos e o saque, Nabucodonosor retorna prontamente para
casa e assume o trono deixado vago pelo pai.
ˆ
Nabucodonosor ascendeu assim ao trono de Babilonia no
´
ano 624 AEC e tornou-se o segundo governante do Impe-
ˆ
rio Neobabilonico. Durante o seu reinado de 43 anos, ele
´
tomou posse dos territorios anteriormente ocupados pela
64
ˆ ´
Potencia Mundial Assı-
´
ria e estendeu seu domı-
´ Ri
oT ´
nio, abrangendo a Sıria ig
● Nınive
Ri re
ao norte e a Palestina ao oE
uf
´ ra
oeste, ate a fronteira do tes
Egito. — Veja o mapa. ˆ
● Babilonia ● Susa

´
Jerusalem ●
No quarto ano do seu Ur
reinado (620 AEC), Na- MAR VERMELHO
bucodonosor fez de Ju- ´ ˆ
´ IMPERIO BABILONICO
da seu reinado vassalo.
ˆ 
(2 Reis 24:1) Tres anos
˜ ´
mais tarde, uma rebeliao dos judeus provocou o sıtio de Je-
´ ˆ
rusalem pelos babilonios. Nabucodonosor levou Joaquim,
ˆ
Daniel e outros como cativos para Babilonia. O rei levou
´ ´ ´
tambem alguns dos utensılios do templo de Jeova. Ele fez
´
do tio de Joaquim, Zedequias, rei vassalo de Juda. — 2 Reis
24:2-17; Daniel 1:6, 7.

ˆ
Babilonia, a maior cidade
murada do seu tempo
65
´
Algum tempo depois, Zedequias tambem se rebelou,
´
aliando-se ao Egito. Nabucodonosor sitiou Jerusalem nova-
mente e, em 607 AEC, ele abriu brechas na muralha dela,
queimou o templo e destruiu a cidade. Matou todos os fi-
˜
lhos de Zedequias e entao o cegou e o amarrou, a fim de
´ ˆ
leva-lo preso a Babilonia. Nabucodonosor levou a maior
´
parte do povo cativo e transportou os utensılios remanes-
ˆ ´
centes do templo para Babilonia. “Assim foi exilado Juda do
seu solo.” — 2 Reis 24:18–25:21.
´
Nabucodonosor conquistou tambem Tiro por sitiar a ci-
´ ´
dade — um sıtio que durou 13 anos. No decurso do sıtio, as
` ˜
cabeças dos seus soldados ‘ficaram calvas’ devido a fricçao
dos capacetes, e os ombros deles ‘ficaram esfolados’ por car-
˜ ´
regarem materiais usados na construçao de obras de sıtio.
(Ezequiel 29:18) Por fim, Tiro capitulou diante das forças ba-
ˆ
bilonicas.
ˆ
O rei babilonio, evidentemente, era um brilhante estra-
ˆ ´
tegista militar. Algumas referencias literarias, especialmen-
ˆ ´
te de origem babilonica, descrevem-no tambem como rei
˜
justo. Embora as Escrituras nao digam especificamente que
Nabucodonosor era justo, o profeta Jeremias disse que, ape-
sar de Zedequias se ter rebelado, seria tratado de forma jus-
´ ´ ˆ
ta se ‘saısse para ir ter com os prıncipes do rei de Babilonia’.
˜ ´
(Jeremias 38:17, 18) E depois da destruiçao de Jerusalem,
Nabucodonosor tratou Jeremias com respeito. Referente a
´ ´
Jeremias, o rei ordenou: “Toma-o e mantem os teus proprios
˜
olhos fixos nele, e nao lhe faças nada de mal. Mas faze com
ele conforme ele te falar.” — Jeremias 39:11, 12; 40:1-4.
Nabucodonosor, como administrador, reconheceu pron-
tamente as qualidades e habilidades de Daniel e de seus
ˆ
tres companheiros — Sadraque, Mesaque e Abednego —
cujos nomes hebraicos eram Hananias, Misael e Azarias. Por
66

isso, o rei os usou em cargos de responsabilidade no seu rei-


no. — Daniel 1:6, 7, 19-21; 2:49.
˜
A devoçao religiosa de Nabucodonosor era especialmen-
ˆ
te a Marduque, o deus principal de Babilonia. O rei atri-
´
buıa todas as suas conquistas a Marduque. Construiu e
ˆ
embelezou em Babilonia os tem- ˜
plos de Marduque e de numero- O dragao era
ˆ ´
sımbolo de
sas outras deidades babilonicas. Marduque
A imagem de ouro erigida na pla-
´
nıcie de Dura talvez estivesse dedi-
cada a Marduque. E Nabucodono-
sor parece ter confiado muito na
˜
adivinhaçao para planejar seus
movimentos militares.
Nabucodonosor orgulha-
´ ˆ
va-se tambem de restaurar Babilonia, a maior cidade
´
murada daquela epoca. Por terminar as maciças muralhas
duplas da cidade, que seu pai havia começado a construir,
Nabucodonosor tornou a capital aparentemente inexpug-
´ ´
navel. O rei reformou um palacio antigo no centro da cida-
´ ˜ ˆ
de e construiu um palacio de verao a uns dois quilome-
tros ao norte. Para satisfazer sua rainha meda, que tinha
´
saudades dos morros e das florestas da sua patria, Nabu-

O QUE DISCERNIU?
O que se pode dizer sobre Nabucodonosor como
˙ estrategista militar?
˙ administrador?
˙ adorador de Marduque?
˙ construtor?
67

ˆ
Os famosos jardins suspensos de Babilonia

codonosor supostamente construiu os jardins suspensos


— classificados como uma das sete maravilhas do mundo
antigo.
˜ ´ ˆ ´
“Nao e esta Babilonia, a Grande, que eu mesmo construı
ˆ
para a casa real com o poderio da minha potencia e para a
dignidade da minha majestade?” gabou-se o rei certo dia,
´ ˆ
quando andava pelo palacio real de Babilonia. “Enquanto
a palavra estava ainda na boca do rei”, ele ficou demente.
˜
Incapaz de governar por sete anos, comia vegetaçao, assim
´
como Daniel predissera. Ao fim desse perıodo, restituiu-se
´
o reino a Nabucodonosor, que reinou ate a sua morte em
582 AEC. — Daniel 4:30-36.
´
C APITULO CINCO

´
SUA FE SOBREVIVEU
AO CRISOL
ˆ ˜ ´
DEVE voce dirigir sua devoçao a Deus ou ao paıs em que
vive? Muitos responderiam: ‘Eu homenageio ambos. Ado-
˜
ro a Deus segundo os ditames da minha religiao; ao mes-
` ´
mo tempo, juro fidelidade a minha patria.’
2 A separaçao˜ ˜
entre a devoçao religiosa e o patriotis-
ˆ
mo pode hoje parecer indistinta, mas na antiga Babilo-
˜ ´
nia praticamente nao existia. Deveras, o cıvico e o sagrado
˜ ` ´
estavam tao entrelaçados, que as vezes eram indistinguı-
ˆ
veis. “Na antiga Babilonia”, escreve o Professor Charles F.
Pfeiffer, “o rei servia tanto como Sumo Sacerdote quanto
´
como governante secular. Oferecia sacrifıcios e determina-
´
va a vida religiosa dos seus suditos”.
3 Considere o Rei Nabucodonosor. Seu nome signifi-
´
ca “O Nebo, Protege o Herdeiro!”. Nebo era o deus babi-
ˆ
lonico da sabedoria e da agricultura. Nabucodonosor era
´
um homem profundamente religioso. Conforme ja men-
cionado, ele construiu e embelezou os templos de nu-
ˆ
merosos deuses babilonicos, e era especialmente devota-
´ ´
do a Marduque, a quem atribuıa suas vitorias militares.1
´
Parece tambem que Nabucodonosor confiava muito na
1 Alguns acreditam que Marduque, que era considerado o fundador
´ ˆ
do Imperio Babilonico, representa o deificado Ninrode. No entanto,
˜
nao se pode afirmar isso com certeza.
˜ ` ´
1. O que acham muitos da devoçao a Deus e a patria?
ˆ
2. Em que sentido era o rei de Babilonia tanto uma figura religiosa
´
como polıtica?
3. O que mostra que Nabucodonosor era um homem profundamen-
te religioso?
1

ˆ
1. Torre-templo (zigurate) em Babilonia
4
2. Templo de Marduque
3. Placa de bronze retratando os deuses
` `
Marduque (a esquerda) e Nebo (a direita)
´ ˜
de pe em cima de dragoes
4. Camafeu de Nabucodonosor, famoso
˜
pelos seus projetos de construçao
´
Sua fe sobreviveu ao crisol 71
˜
adivinhaçao para definir seus planos de batalha. — Eze-
quiel 21:18-23.
ˆ
4 Na realidade, toda a Babilonia era permeada por
´
um espırito religioso. A cidade orgulhava-se de ter mais
´
de 50 templos, em que se adorava um grande numero
´
de deuses e de deusas, incluindo a trıade de Anu (deus
´
do ceu), Enlil (deus da terra, do ar e da tempestade)
´
e Ea (deus das aguas). Outra trindade era composta de
Sin (o deus-lua), Xamaxe (o deus-sol) e Istar (a deusa da
fertilidade). A magia, a feitiçaria e a astrologia desem-
˜ ˆ
penhavam um papel importante na adoraçao babilo-
nica.
5 Viver no meio de pessoas que veneravam muitos deu-
´
ses constituıa um enorme desafio para os exilados judeus.
´ ´
Seculos antes, Moises advertira os israelitas a respeito das
´ ˆ
serias consequencias que haveria se decidissem rebelar-
´ ´
se contra o Legislador Supremo. Moises disse-lhes: “Jeova
´ ´
fara que tu, bem como teu rei que constituiras sobre ti,
˜ ˜
marchem para uma naçao que nao conheceste, nem tu
´
nem os teus antepassados; e ali has de servir a outros deu-
ˆ
ses, de madeira e de pedra.” — Deuteronomio 28:15, 36.
˜
6 Os judeus encontravam-se entao bem nessa situaçao ˜
´
provadora. Manter a integridade para com Jeova seria
´
difıcil, em especial para Daniel, Hananias, Misael e Aza-
rias. Esses quatro jovens hebreus foram especialmente
escolhidos para receber treinamento para o serviço gover-
´
namental. (Daniel 1:3-5) Lembre-se de que ate receberam
ˆ
nomes babilonicos — Beltessazar, Sadraque, Mesaque e
´
Abednego — provavelmente para influencia-los a se
´ ˆ
4. Descreva o espırito religioso de Babilonia.
ˆ
5. Que desafio constituiu o ambiente religioso de Babilonia para os
judeus exilados?
ˆ
6. Por que viver em Babilonia era um desafio especial para Daniel,
Hananias, Misael e Azarias?
˜ `
72 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
harmonizar com o seu novo ambiente.1 As posiçoes ele-
vadas desses homens fariam com que qualquer recusa da
´
sua parte, de adorar os deuses do paıs, fosse evidente — po-
´ ˜
dendo ate ser interpretada como traiçao.
´
A IMAGEM DE OURO E UMA AMEAÇA
7 Evidentemente no empenho de fortalecer a uniao ˜
do
´
imperio, Nabucodonosor erigiu uma imagem de ouro na
´ ˆ
planıcie de Dura. Ela tinha 60 covados (27 metros) de
ˆ
altura e 6 covados (2,7 metros) de largura.2 Alguns acredi-
tam que a imagem era simplesmente uma coluna ou um
obelisco. Pode ter tido um pedestal muito alto, com uma
´
enorme estatua na semelhança dum humano, talvez re-
´
presentando o proprio Nabucodonosor ou o deus Nebo.
´
De qualquer modo, esse monumento muito alto era sım-
´ ˆ
bolo do Imperio Babilonico. Como tal, destinava-se a ser
visto e reverenciado. — Daniel 3:1.
8 Concordemente, Nabucodonosor providenciou uma
ˆ ˜ ´
cerimonia de inauguraçao. Reuniu os seus satrapas,
´
prefeitos, governadores, conselheiros, tesoureiros, juızes,
magistrados policiais e todos os administradores dos dis-
´ ´
tritos jurisdicionais. Um arauto clamou: “Diz-se a vos, o
´
povos, grupos nacionais e lınguas, que, quando ouvirdes
´ ´
o som da buzina, do pıfaro, da cıtara, da harpa triangular,
1 “Beltessazar significa “Protege a Vida do Rei”; “Sadraque” pode
significar “Ordem de Aku”, deus-lua sumeriano; “Mesaque” possivel-
mente se refere a um deus sumeriano, e “Abednego” significa “Servo
de Nego”, ou Nebo.
2 Considerando-se o tamanho enorme da imagem, alguns eruditos
´
bıblicos acreditam que era de madeira, que depois foi revestida de
ouro.

7. (a) Descreva a imagem de ouro erigida por Nabucodonosor.


(b) Qual era o objetivo da imagem?
˜
8. (a) Quem foi convocado para a inauguraçao da imagem e o que se
exigia que todos os presentes fizessem? (b) Qual era a penalidade por
´
alguem se negar a se curvar diante da imagem?
´
Sua fe sobreviveu ao crisol 73

do instrumento de cordas, da gaita de foles e de toda sorte


de instrumentos musicais, vos prostreis e adoreis a ima-
gem de ouro erigida por Nabucodonosor, o rei. E quem
˜ ˜ ´
nao se prostrar e nao adorar, sera no mesmo instante lan-
çado dentro da fornalha de fogo ardente.” — Daniel 3:2-6.
9 Alguns acham que Nabucodonosor providenciou essa
ˆ
cerimonia na tentativa´ de obrigar os judeus a transigir na
˜ ´ ´ ˜
sua adoraçao a Jeova. E bem provavel que o caso nao fosse
´
esse, porque e evidente que se convocaram para o evento
´
apenas autoridades do governo. De modo que os unicos
judeus presentes seriam os que serviam em algum cargo
governamental. Portanto, parece que curvar-se diante da
ˆ
imagem era uma cerimonia que visava fortalecer a solida-
riedade da classe governante. O erudito John F. Walvoord
˜
observa: “Tal demonstraçao das autoridades, por um lado,
´ ´
era uma amostra satisfatoria do poder do imperio de Na-
bucodonosor e, por outro lado, era significativa como re-
˜
conhecimento das deidades que, na opiniao delas, eram
´ ´
responsaveis pelas suas vitorias.”
´
OS SERVOS DE JEOVA
SE RECUSAM A TRANSIGIR
10 Apesar da sua devoçao ˜
a uma variedade de deuses pa-
droeiros, a maioria dos reunidos diante da imagem de Na-
˜ ´ ´
bucodonosor nao teria escrupulos de adora-la. “Estavam
´ ˜
todos acostumados a adorar ıdolos, e a adoraçao de um
˜ ´
deus nao impedia que dessem homenagem tambem a ou-
´
tro”, explicou um erudito bıblico. Ele prosseguiu: “Estava
´
em harmonia com os conceitos prevalecentes dos idola-
˜
tras, de que havia muitos deuses . . . e de que nao era im-
´ ´
proprio homenagear o deus de qualquer povo ou paıs.”
9. Aparentemente, qual era o significado de se curvar diante da ima-
gem erigida por Nabucodonosor?
˜
10. Por que acatar a ordem de Nabucodonosor nao era problema para
˜
os que nao eram judeus?
˜ `
74 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
11No entanto, para os judeus, a questao era outra. Seu
´ ˜
Deus, Jeova, ordenara-lhes: “Nao deves fazer para ti ima-
´ ´
gem esculpida, nem semelhança de algo que ha nos ceus
´ ´
em cima, ou do que ha na terra embaixo, ou do que ha
´ ˜
nas aguas abaixo da terra. Nao te deves curvar diante de-
´
las, nem ser induzido a servi-las, porque eu, Jeova, ˆ teu
˜
Deus, sou um Deus que exige devoçao exclusiva.” (Exodo
´
20:4, 5) Portanto, quando a musica começou e os reuni-
ˆ
dos se prostraram diante da imagem, tres jovens hebreus
— Sadraque, Mesaque e Abednego — permaneceram de
´
pe. — Daniel 3:7.
12 A recusa dos tres ˆ ´
funcionarios hebreus, de adorar
a imagem, enfureceu certos caldeus. Chegaram-se ime-
˜
diatamente ao rei e “acusaram os judeus”.1 Nao estavam
˜
interessados numa explicaçao. Querendo que os hebreus
˜
fossem punidos por deslealdade e traiçao, os acusadores
´
disseram: “Ha certos judeus que designaste sobre a admi-
˜ ˆ
nistraçao do distrito jurisdicional de Babilonia, Sadraque,
˜ ˜
Mesaque e Abednego; estes varoes vigorosos nao fizeram
´ ˜ ´ ˜
caso de ti, o rei, nao servem os teus proprios deuses e nao
adoram a imagem de ouro que erigiste.” — Daniel 3:8-12.
13 Como Nabucodonosor deve ter-se sentido frustra-
ˆ `
do por terem os tres hebreus desobedecido a sua ordem!
˜
Era evidente que nao conseguira transformar Sadraque,
´
Mesaque e Abednego em defensores leais do Imperio Ba-
ˆ ˜
bilonico. Nao os havia ele educado na sabedoria dos
´
caldeus? Ora, ate mesmo mudara-lhes os nomes! Mas, se
˜
1 A expressao aramaica traduzida por “acusaram” significa ‘comer
´ ´
os pedaços’ de alguem — como que mastigando-o por meio de calunia.

11. Por que se recusaram Sadraque, Mesaque e Abednego a se curvar


diante da imagem?
12. De que acusaram certos caldeus aos hebreus, e por que motivo?
`
13, 14. Como reagiu Nabucodonosor a atitude adotada por Sadraque,
Mesaque e Abednego?
´
Sua fe sobreviveu ao crisol 75
˜
Nabucodonosor achava que uma educaçao superior lhes
˜
ensinaria um novo modo de adoraçao ou que a mudança
dos nomes deles mudaria a sua identidade, ele estava bem
enganado. Sadraque, Mesaque e Abednego continuaram a
´
ser servos leais de Jeova.
14 O Rei Nabucodonosor ficou furioso. Convocou ime-

diatamente
´ Sadraque, Mesaque e Abednego. Perguntou:
´
“E realmente assim, o Sadraque, Mesaque e Abednego,
˜ ´ ˜
que nao servis os meus proprios deuses e que nao adorais
´
a imagem de ouro que erigi?” Sem duvida, Nabucodono-
sor falou essas palavras em descrença perplexa. Afinal, ele
ˆ
deve ter raciocinado: ‘Como podem esses tres homens de
´
bom juızo desconsiderar tal ordem clara — uma ordem
ˆ ˜
cuja desobediencia acarreta uma penalidade tao severa?’
— Daniel 3:13, 14.
15 Nabucodonosor estava disposto a dar mais uma
ˆ
chance aos tres hebreus. “Agora, se estiverdes prontos”,
disse ele, “de modo que, ao ouvirdes o som da buzina, do
´ ´
pıfaro, da cıtara, da harpa triangular, do instrumento de
cordas, e da gaita de foles e de toda sorte de instrumen-
tos musicais, vos prostreis e adoreis a imagem que fiz,
˜
muito bem. Mas, se nao adorardes, no mesmo instante se-
reis lançados dentro da fornalha de fogo ardente. E quem
´ ˜
e esse deus que vos pode salvar das minhas maos?” — Da-
niel 3:15.
16 Pelo visto, a liçao˜ ´
da estatua do sonho (registrada
´ ˜
no capıtulo 2 de Daniel) nao causara nenhuma impres-
˜ ˜
sao profunda na mente e no coraçao de Nabucodonosor.
´ ´
Talvez ele ja se tivesse esquecido da sua propria declara-
˜ ´
çao a Daniel: “Vosso Deus e Deus de deuses e Senhor de
˜
reis.” (Daniel 2:47) Nabucodonosor parecia entao desafiar
´
a Jeova, dizendo que nem mesmo Ele podia salvar os he-
˜
breus da puniçao que os aguardava.
ˆ
15, 16. Que oportunidade ofereceu Nabucodonosor aos tres hebreus?
´
Sua fe sobreviveu ao crisol 77
˜
17Sadraque, Mesaque e Abednego nao precisavam re-
considerar
´ o assunto. Responderam imediatamente:
˜
“O Nabucodonosor, neste respeito nao temos necessidade
de te replicar qualquer palavra. Se for preciso, nosso Deus,
´ ´
a quem servimos, podera salvar-nos. Ele nos salvara da for-
˜ ´ ˜
nalha de fogo ardente e da tua mao, o rei. Mas, se nao, seja
´ ˜ ´
do teu conhecimento, o rei, que nao e a teus deuses que
˜ ´
servimos e que nao e a tua imagem de ouro que erigiste
que adoraremos.” — Daniel 3:16-18.
PARA A FORNALHA ARDENTE
18 Enfurecido, Nabucodonosor mandou que seus servos
aquecessem a fornalha sete vezes mais do que era costu-
˜
meiro. Depois mandou que “certos varoes vigorosos de
energia vital” amarrassem Sadraque, Mesaque e Abednego
e os lançassem dentro da “fornalha de fogo ardente”. Eles
ˆ
seguiram a ordem do rei, lançando os tres hebreus dentro
do fogo, amarrados e plenamente vestidos — talvez para
que o fogo os consumisse ainda mais depressa. No entan-
´ ´
to, os proprios capangas de Nabucodonosor e que foram
mortos pelas chamas. — Daniel 3:19-22.
´
19 Mas aconteceu algo extraordinario. Embora Sadra-
que, Mesaque e Abednego estivessem no meio da forna-
˜
lha ardente, as chamas nao os consumiram. Imagine a
surpresa de Nabucodonosor! Eles haviam sido lançados
dentro dum fogo ardente, bem amarrados, mas ainda es-
tavam vivos. Ora, eles andavam livres no meio do fogo!
˜
Mas Nabucodonosor notou mais uma coisa. “Nao foram
ˆ ˜
tres os varoes vigorosos que lançamos amarrados no meio
`
do fogo?” perguntou as suas altas autoridades reais. “Sim,
`
17. Como responderam Sadraque, Mesaque e Abednego a oferta do
rei?
ˆ
18, 19. O que aconteceu quando os tres hebreus foram lançados na
fornalha ardente?
´
Sua fe sobreviveu ao crisol 79
´
o rei”, responderam eles. Nabucodonosor gritou: “Eis que
˜
estou vendo quatro varoes vigorosos andando livres no
ˆ
meio do fogo e sem nenhum dano para eles, e a aparencia
´ `
do quarto e semelhante a de um filho dos deuses.” — Da-
niel 3:23-25.
20 Nabucodonosor chegou-se a` porta da fornalha ar-
´
dente. “Sadraque, Mesaque e Abednego, vos servos do
´ ´ ´ ˆ
Deus Altıssimo”, clamou, “saı e vinde para ca!” Os tres
´ ´
hebreus saıram do meio do fogo. Sem duvida, todos
os que foram testemunhas oculares desse milagre — in-
´
cluindo os satrapas, os prefeitos, os governadores e os
´
altos funcionarios — ficaram espantados. Ora, era como
ˆ
se esses tres homens jovens nunca tivessem nem mesmo
˜
entrado na fornalha! Nao ficaram com cheiro de fogo,
nem se chamuscara o cabelo da sua cabeça. — Daniel
3:26, 27.
21 O Rei Nabucodonosor viu-se entao ˜
obrigado a reco-
´ ´ ´
nhecer que Jeova e o Deus Altıssimo. “Bendito seja o Deus
de Sadraque, Mesaque e Abednego, que enviou seu anjo e
salvou seus servos que confiaram nele, e que mudaram a
´
propria palavra do rei e entregaram seus corpos, porque
˜ ˜
nao quiseram servir e nao quiseram adorar nenhum deus
´ ˜
exceto o seu proprio Deus.” O rei acrescentou entao este
´
serio aviso: “Eu dou ordem para que todo povo, grupo na-
´
cional ou lıngua que disser algo de errado contra o Deus
de Sadraque, Mesaque e Abednego seja desmembrado, e
´ ˜
sua casa seja transformada em latrina publica; pois nao
´ ˆ
ha outro deus que possa livrar assim como este.” Os tres
˜
hebreus foram entao restabelecidos no favor real e ‘pros-
ˆ
peraram no distrito jurisdicional de Babilonia’. — Daniel
3:28-30.
20, 21. (a) O que notou Nabucodonosor a respeito de Sadraque, Me-
´
saque e Abednego quando saıram da fornalha? (b) O que se viu
Nabucodonosor obrigado a reconhecer?
˜ `
80 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
A FE E O CRISOL DE HOJE
22 Atualmente, os adoradores de Jeova´ se confrontam
˜ `
com situa ´ çoes similares a de Sadraque, Mesaque e Abed- ˜
nego. E verdade que os do povo de Deus talvez nao
sejam exilados em sentido literal. No entanto, Jesus disse
˜ ˜
que seus seguidores ‘nao fariam parte do mundo’. ( Joao
˜ ˜
17:14) Sao “estrangeiros” no sentido de nao adotarem os
´ ´
costumes, as atitudes e as praticas antibıblicas dos em vol-
´ ˜
ta deles. Conforme o apostolo Paulo escreveu, os cristaos
devem ‘cessar de ser modelados segundo este sistema de
coisas’. — Romanos 12:2.
23 Os tres ˆ
hebreus recusaram-se a ser modelados se-
ˆ
gundo o sistema babilonico. Nem mesmo terem sido
´
cabalmente instruıdos na sabedoria dos caldeus fez com
˜ ˜
que se desviassem. Sua atitude na questao da adoraçao
˜ ´ ´
nao era negociavel, e sua lealdade era para com Jeova. Os
˜ ˆ ˜
cristaos tem de ser hoje igualmente firmes. Nao precisam
envergonhar-se de serem diferentes das pessoas do mun-
´
do. Na realidade, “o mundo esta passando, e assim
´ ˜
tambem o seu desejo”. (1 Joao 2:17) Portanto, seria tolo e
´
futil harmonizar-se com este agonizante sistema de coisas.
24 Os cristaos ˜
precisam prevenir-se contra toda forma
˜
de idolatria, incluindo formas sutis dela.1 (1 Joao 5:21)
Sadraque, Mesaque e Abednego ficaram obediente e res-
´
peitosamente em pe diante da imagem de ouro, mas
deram-se conta de que curvar-se diante dela era mais do
˜
que apenas um gesto de respeito. Era um ato de adoraçao,
´
1 Por exemplo, a Bıblia relaciona a glutonaria e a cobiça com a ido-
latria. — Filipenses 3:18, 19; Colossenses 3:5.
´ ˜
22. Como se confrontam os atuais servos de Jeova com situaçoes si-
`
milares a de Sadraque, Mesaque e Abednego?
ˆ
23. Como mostraram os tres hebreus firmeza, e como podem os cris-
˜
taos hoje seguir o exemplo deles?
˜
24. Como se compara a atitude dos verdadeiros cristaos com a dos
ˆ
tres hebreus?
´
Sua fe sobreviveu ao crisol 81
´ ˆ
e participar nele provocaria a ira de Jeova. (Deuteronomio
5:8-10) John F. Walvoord escreve: “Era na realidade uma
ˆ `
continencia a bandeira, embora, por causa da inter-rela-
˜
çao entre a lealdade religiosa e a nacional, pode ter tido
´ ˜
tambem uma conotaçao religiosa.” Hoje em dia, os ver-
˜ ˜
dadeiros cristaos adotam uma posiçao igualmente firme
contra a idolatria.
25 O relato bıblico ´
sobre Sadraque, Mesaque, e Abedne-
´ ˜
go da uma liçao concreta a todos os decididos a prestar
˜ ´ ´
devoçao exclusiva a Jeova. Pelo visto, o apostolo Paulo
ˆ
pensou nesses tres hebreus quando falou de muitos que
´
exerceram fe, incluindo os que “pararam a força do fogo”.
´ ´
(Hebreus 11:33, 34) Jeova recompensara a todos os que
´ ˆ
imitam tal fe. Os tres hebreus foram livrados da fornalha
´
ardente, mas podemos ter certeza de que ele ressuscitara a
todos os leais que perderem a vida por terem mantido a
´
integridade e os abençoara com vida eterna. De qualquer
´ ˜
modo, Jeova “guarda as almas dos que lhe sao leais; livra-
˜ ´
os da mao dos inıquos”. — Salmo 97:10.
˜ ˆ ´
25. Que liçao aprendeu voce da historia da vida real de Sadraque, Me-
saque e Abednego?

O QUE DISCERNIU?
˙ Por que recusaram Sadraque, Mesaque e
Abednego curvar-se diante da imagem erigida
por Nabucodonosor?
`
˙ Como reagiu Nabucodonosor a atitude adotada
ˆ
pelos tres hebreus?
´ ´ ˆ
˙ Como recompensou Jeova a fe dos tres
hebreus?
ˆ ˜ ` ´
˙ O que aprendeu voce por dar atençao a historia
da vida real de Sadraque, Mesaque e Abednego?
´
C APITULO SEIS

E´ SCLARECIMENTO DO
´
MISTERIO DA GRANDE ARVORE
´
JEOVA permitiu que o Rei Nabucodonosor se tornasse
ˆ
governante mundial. Como monarca de Babilonia, ele
tinha muita riqueza, uma mesa farta, um grandioso pa-
´
lacio — tudo o que ele queria em sentido material. Mas,
˜
de repente, sofreu humilhaçao. Ficando demente, Nabu-
codonosor agiu como animal! Expulso da mesa real e da
ˆ
residencia imperial, passou a viver nos campos e a comer
capim como um touro. O que levou a essa calamidade?
´
E por que nos deve interessar? — Note Jo 12:17-19; Ecle-
siastes 6:1, 2.
´
O REI MAGNIFICA O ALTISSIMO
2 Pouco depois da sua recuperaçao ˜
desse completo co-
lapso mental, Nabucodonosor enviou a todo o seu
´ ´ ´
domınio um notavel relatorio sobre o que tinha aconte-
´
cido. Jeova inspirou o profeta Daniel a preservar um
registro exato desses acontecimentos. Começa com estas
palavras: “Nabucodonosor, o rei, a todos os povos, grupos
´
nacionais e lınguas que habitam em toda a terra: Au-
mente a vossa paz. Pareceu-me bem declarar os sinais e
´
as maravilhas que o Deus Altıssimo realizou para comi-
˜ ˜ ˜
go. Quao grandiosos sao os seus sinais e quao poderosas
˜ ´
sao as suas maravilhas! Seu reino e um reino por tempo
´ ´ ˜ ´ ˜
indefinido e seu domınio e para geraçao apos geraçao.”
— Daniel 4:1-3.
1. O que aconteceu ao Rei Nabucodonosor, e que perguntas suscita
isso?
ˆ ´
2, 3. O que queria o rei de Babilonia para os seus suditos, e como en-
´
carava ele o Deus Altıssimo?
˜ `
84 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
Os suditos de Nabucodonosor ‘habitavam em toda a
3
´
terra’ — porque seu imperio abrangia a maior parte do
´
mundo do registro bıblico. O rei disse a respeito do
´
Deus de Daniel: “Seu reino e um reino por tempo inde-
´
finido.” Como essas palavras magnificavam a Jeova em
´ ˆ ´
todo o Imperio Babilonico! Alem disso, essa foi a segun-
´
da vez que se mostrara a Nabucodonosor que so o Reino
´
de Deus e eterno, permanecendo “por tempos indefini-
dos”. — Daniel 2:44.
4 Que ‘sinais e maravilhas’ realizou “o Deus Altıssi- ´
´
mo”? Esses começaram com o que se deu com o proprio
rei, contado nas seguintes palavras: “Eu, Nabucodono-
sor, vim a estar tranquilo na minha casa e a prosperar no
´
meu palacio. Houve um sonho que tive e ele começou a
atemorizar-me. E havia imagens mentais sobre a minha
˜
cama e visoes da minha cabeça que começaram a ame-
ˆ
drontar-me.” (Daniel 4:4, 5) O que fez o rei babilonio a
respeito desse sonho perturbador?
5 Nabucodonosor convocou os sabios ´ ˆ
de Babilonia e
contou-lhes o sonho. Mas como eles fracassaram! Foram
˜
totalmente incapazes de fornecer a interpretaçao. O re-
gistro acrescentou: “Por fim entrou perante mim Daniel,
´
cujo nome e Beltessazar, segundo o nome de meu deus, e
´ ´
em quem ha o espırito dos deuses santos; e relatei peran-
te ele qual tinha sido o sonho.” (Daniel 4:6-8) O nome
de Daniel na corte era Beltessazar, e a divindade falsa que
o rei chamou de “meu deus” pode ter sido Bel, Nebo
´
ou Marduque. Sendo politeısta, Nabucodonosor encara-
´ ´
va Daniel como alguem em quem havia “o espırito dos
˜
deuses santos”. E, por causa da posiçao de Daniel como
´ ˆ
prefeito sobre todos os sabios de Babilonia, o rei cha-
4. Relacionados com Nabucodonosor, como começaram ‘os sinais e
´
as maravilhas’ de Jeova?
ˆ
5. Como encarava Nabucodonosor a Daniel, e por que?
´ ´
Esclarecimento do misterio da grande arvore 85

mou-o de “chefe dos sacerdotes-magos”. (Daniel 2:48;


4:9; note Daniel 1:20.) O fiel Daniel, naturalmente, nun-
˜ ´
ca abandonou a adoraçao de Jeova para praticar magia.
´ ˆ
— Levıtico 19:26; Deuteronomio 18:10-12.
´
UMA ENORME ARVORE
6 De que tratava o sonho amedrontador do rei babilo- ˆ
˜
nio? “Ora, aconteceu que eu estava vendo as visoes da
minha cabeça, sobre a minha cama”, disse Nabucodono-
´
sor, “e eis que havia uma arvore no meio da terra, sendo
´
enorme a sua altura. A arvore tornou-se grande e ficou
´ ´
forte, e a propria altura dela por fim atingiu os ceus, e
´ ´
ela era visıvel ate a extremidade da terra inteira. Sua
folhagem era bela e seu fruto abundante, e havia nela
alimento para todos. Debaixo dela os animais do cam-
po procuravam sombra e nos seus galhos habitavam as
´
aves dos ceus, e toda a carne se alimentava dela.” (Da-
niel 4:10-12) Relata-se que Nabucodonosor gostava dos
´ ˆ
grandes cedros do Lıbano, foi ve-los e fez com que alguns
ˆ
deles fossem levados a Babilonia como madeira de cons-
˜ ` ´
truçao. Mas ele nunca tinha visto nada igual a arvore que
observou no seu sonho. Ela ocupava um lugar de desta-
´
que “no meio da terra”, era visıvel em toda a Terra e era
˜ ´
tao frutıfera que fornecia alimento a toda a carne.
7 O sonho envolvia muito mais, pois Nabucodonosor
˜
acrescentou: “Eu continuei a ver nas visoes da minha ca-
beça, sobre a minha cama, e eis que havia um vigilante,
´ ´
sim, um santo, descendo dos proprios ceus. Ele clamava
´
em alta voz e dizia o seguinte: ‘Derrubai a arvore e cortai-
lhe os galhos. Sacudi a sua folhagem e espalhai os seus
frutos. Fujam os animais de debaixo dela e as aves dos
´
seus galhos. Todavia, deixai-lhe o proprio toco na terra,
ˆ
6, 7. Como descreveria voce o que Nabucodonosor viu no seu so-
nho?
˜ `
86 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

sim, com [bandas] de ferro e de cobre, entre a relva do


´
campo; e seja molhado pelo orvalho dos ceus e seja seu
˜ ˜
quinhao entre a vegetaçao da terra.’ ” — Daniel 4:13-15.
ˆ
8 Os babilonios ´
tinham seus proprios conceitos religio-
´
sos sobre criaturas espirituais boas e mas. Mas quem era
´
esse “vigilante”, ou sentinela, vindo do ceu? Chamado
de “santo”, era um anjo justo, que representava a Deus.
(Note Salmo 103:20, 21.) Imagine as perguntas que de-
vem ter atormentado a Nabucodonosor! Por que derru-
´
bar a arvore? Para que serve o toco impedido de crescer
por bandas de ferro e de cobre? Deveras, para que fim ser-
ve um mero toco?
9 Nabucodonosor deve ter ficado completamente deso-

rientado quando ouviu as palavras adicionais do vigilan-


˜ ˆ
te: “Mude-se-lhe o coraçao daquele do genero humano e
ˆ ˜
de-se-lhe um coraçao de animal, e passem sobre ele sete
´ ´
tempos. A coisa e por decreto dos vigilantes e o pedido e
˜
pela declaraçao dos santos, para que os viventes saibam
´ ´
que o Altıssimo e Governante no reino da humanidade
´ ´
e que ele o da a quem quiser, e estabelece nele ate mes-
mo o mais humilde da humanidade.” (Daniel 4:16, 17)
´ ˜ ˜
O toco duma arvore nao tem coraçao humano batendo
˜
nele. Sendo assim, como pode o coraçao dum animal ser
´ ˜
dado ao toco duma arvore? O que sao os “sete tempos”?
´
E como se relaciona tudo isso com o domınio no “reino
da humanidade”? Nabucodonosor certamente queria sa-
ber isso.
´ ´
MAS NOTICIAS PARA O REI
10 Daniel, quando soube do sonho, ficou momenta-

neamente estarrecido e depois teve medo. Exortado por


8. Quem era o “vigilante”?
9. Basicamente, o que disse o vigilante, e que perguntas se suscitam?
´ ´
10. (a) Em sentido bıblico, o que arvores podem simbolizar? (b) O
´ ´
que e representado pela grande arvore?
´ ´
Esclarecimento do misterio da grande arvore 87
´ ´
Nabucodonosor a explica-lo, o profeta disse: “O meu
senhor, aplique-se o sonho aos que te odeiam e a sua in-
˜ ´ ´
terpretaçao aos teus adversarios. A arvore que viste, que se
´ ´
tornou grande e ficou forte . . . es tu, o rei, porque te tor-
naste grande e ficaste forte, e tua grandiosidade cresceu e
´ ´
atingiu os ceus, e teu domınio, a extremidade da terra.”
´
(Daniel 4:18-22) Nas Escrituras, arvores podem simboli-
zar pessoas, governantes e reinos. (Salmo 1:3; Jeremias
´ `
17:7, 8; Ezequiel, capıtulo 31) Nabucodonosor, igual a
´
enorme arvore do seu sonho, ‘se tornara grande e ficara
ˆ ´
forte’ como chefe duma potencia mundial. Mas ‘o domı-
´
nio ate a extremidade da terra’, envolvendo todo o reino
´ ´
da humanidade, e representado pela grande arvore. Por-
´
tanto, ela simboliza a soberania universal de Jeova, em
˜
especial na sua relaçao com a Terra. — Daniel 4:17.
11 Nabucodonosor estava para sofrer um rebaixamen-

to. Indicando esse acontecimento, Daniel acrescentou:


“Sendo que o rei viu um vigilante, sim, um santo, descen-
´ ´ ´
do dos ceus, dizendo tambem: ‘Derrubai a arvore e arrui-
nai-a. Todavia, deixai-lhe o toco na terra, mas com banda
de ferro e de cobre, entre a relva do campo, e seja molha-
´ ˜
do pelo orvalho dos ceus e seja seu quinhao com os ani-
´
mais do campo, ate terem passado sobre ele sete tempos’,
´ ˜ ´ ´ ´
esta e a interpretaçao, o rei, e o decreto do Altıssimo e o
que tem de sobrevir ao meu senhor, o rei.” (Daniel 4:23,
24) Certamente, exigia coragem transmitir ao poderoso
rei essa mensagem!
12 O que sobreviria a Nabucodonosor? Imagine sua rea-
˜ ˜
çao quando Daniel acrescentou: “Expulsar-te-ao de entre
´
os homens e tua morada vira a ser com os animais do
˜ ´ ˜
campo, e vegetaçao e o que te darao para comer, como a
´
touros; e tu mesmo viras a ser molhado pelo orvalho dos
11. Como mostrou o sonho do rei que ele sofreria um rebaixamento?
12. O que sobreviria a Nabucodonosor?
˜ `
88 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˜ ´
ceus, e passarao mesmo sete tempos sobre ti, ate saberes
´ ´
que o Altıssimo e Governante no reino da humanidade e
´
que ele o da a quem quiser.” (Daniel 4:25) Pelo que pare-
´
ce, ate mesmo os oficiais da corte de Nabucodonosor o
´
‘expulsariam de entre os homens’. Mas sera que compas-
˜
sivos vaqueiros ou pastores cuidariam dele? Nao, porque
Deus decretara que Nabucodonosor viveria com “os ani-
˜
mais do campo”, comendo vegetaçao.
13 Assim como a arvore ´
foi cortada, Nabucodonosor
seria derrubado do governo mundial — mas apenas por
certo tempo. Daniel explicou: “Por terem dito que se
´ ´
deixasse o toco da arvore, teu reino te estara assegurado
˜ ´
depois de saberes que sao os ceus que governam.” (Da-
niel 4:26) No sonho de Nabucodonosor, o toco, ou ce-
´
po, da arvore derrubada foi deixado permanecer, embora
˜
envolvido em bandas para nao crescer. De modo similar,
ˆ
o “toco” do rei de Babilonia permaneceria, embora em
˜ ˜
bandas para nao vicejar por “sete tempos”. Sua posiçao
´
como governante mundial seria como o toco da arvore
´
em bandas. Seria guardada ate terem passado sete tempos.
´ ´ ´
Jeova cuidaria de que, durante esse perıodo, ninguem su-
cedesse a Nabucodonosor como governante exclusivo de
ˆ
Babilonia, embora seu filho, de nome Evil-Merodaque,
talvez agisse em lugar dele como governante interino.
14 Em vista do que se predisse a respeito de Nabucodo-
´
nosor, Daniel exortou-o corajosamente: “Portanto, o rei,
´
pareça-te bom o meu conselho, e remove os teus proprios
pecados por meio da justiça e a tua iniquidade por teres
´
misericordia para com os pobres. Talvez venha a haver
um prolongamento da tua prosperidade.” (Daniel 4:27)
Se Nabucodonosor descontinuasse seu proceder pecami-
´ ˜
13. O que o sonho da arvore mostrou que aconteceria com a posiçao
de Nabucodonosor qual governante mundial?
ˆ
14. Daniel exortou Nabucodonosor a fazer o que?
´ ´
Esclarecimento do misterio da grande arvore 89
˜
noso de opressao e de orgulho, isso talvez mudasse as coi-
´ ´
sas para ele. Afinal, uns dois seculos antes, Jeova havia de-
´ ´
cidido destruir o povo da capital da Assıria, Nınive, mas
˜ ´
nao o fez, porque o rei e os suditos dele se arrependeram.
( Jonas 3:4, 10; Lucas 11:32) Que dizer do orgulhoso Na-
bucodonosor? Mudaria ele de proceder?
O CUMPRIMENTO INICIAL DO SONHO
15 Nabucodonosor continuou a ser orgulhoso. Passean-
´
do no terraço do palacio, 12 meses depois do seu so-
´ ˜ ´ ˆ
nho sobre a arvore, ele se gabou: “Nao e esta Babilonia,
´
a Grande, que eu mesmo construı para a casa real com
ˆ
o poderio da minha potencia e para a dignidade da mi-
nha majestade?” (Daniel 4:28-30) Ninrode havia funda-
ˆ
do Babilonia (Babel), mas foi Nabucodonosor quem lhe
ˆ
deu esplendor. (Genesis 10:8-10) Ele se gabou numa das
˜
suas inscriçoes cuneiformes: “Nabucodorosor, Rei de Ba-
ˆ
bilonia, o restaurador de Esagila e Ezida, filho de Nabo-
˜
polassar eu sou. . . . Reforcei as fortificaçoes de Esagila e
ˆ
Babilonia e estabeleci o nome do meu reinado para sem-
´
pre.” (Archaeology and the Bible [Arqueologia e a Bıblia],
´
de George A. Barton, 1949, paginas 478-479) Outra ins-
˜
criçao menciona cerca de 20 templos que ele reformou
ou reconstruiu. “Durante o reinado de Nabucodonosor”,
´ ˆ
diz a Enciclopedia Delta Universal, “a Babilonia se tor-
´
nou uma das mais magnıficas cidades do mundo antigo.
´
Em seus proprios registros, Nabucodonosor raramente
mencionava suas atividades militares, mas falava de seus
˜ ˜
projetos de construçao e da sua atençao para com as di-
ˆ
vindades babilonicas. Foi ele quem provavelmente cons-
truiu os jardins suspensos, uma das sete maravilhas da
Antiguidade”.
15. (a) Que atitude continuou a demonstrar Nabucodonosor? (b) O
˜
que revelam certas inscriçoes sobre as atividades de Nabucodonosor?
˜ `
90 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

16Embora se gabasse, o orgulhoso Nabucodonosor


estava para ser humilhado. O relato inspirado diz: “En-
quanto a palavra estava ainda na boca do rei, houve uma
´ ´
voz baixando dos ceus: ‘A ti se diz, o Nabucodonosor, o
´
rei: “O proprio reino se afastou de ti e a ti mesmo expul-
˜ ´
sarao de entre a humanidade, e tua morada sera com os
˜ ˜
animais do campo. A ti mesmo darao vegetaçao para co-
´ ˜
mer, como a touros, e sete tempos e que passarao sobre
´ ´ ´
ti, ate saberes que o Altıssimo e Governante no reino da
´
humanidade e que ele o da a quem quiser.” ’ ” — Daniel
4:31, 32.
17 Logo em seguida, Nabucodonosor perdeu a sani-
˜
dade. Expulso dentre a humanidade, comeu vegetaçao
´
‘como os touros’. La entre os animais do campo, ele cer-
˜
tamente nao estava sentado ocioso na grama dum lugar
´
paradısico, usufruindo diariamente brisas refrescantes.
´
No Iraque de hoje em dia, onde se encontram as ruı-
ˆ
nas de Babilonia, as temperaturas variam entre 50 graus
´ ˜
centıgrados nos meses de verao e bem abaixo de zero no
inverno. Sem cuidados e exposto aos elementos, o longo
cabelo emaranhado de Nabucodonosor ficou parecido
` ´ ˜ ˜
as penas de aguia, e as unhas nao cortadas, das maos e
´
dos pes, ficaram como garras de ave. (Daniel 4:33) Que
˜
humilhaçao foi isso para esse orgulhoso governante do
mundo!
18 No sonho de Nabucodonosor, a grande arvore ´
foi
derrubada e seu toco envolvido em bandas, para im-
pedir o crescimento por sete tempos. De modo similar,
Nabucodonosor “foi derrubado do trono do seu reino”
16. Como estava Nabucodonosor para ser humilhado?
˜
17. O que aconteceu ao orgulhoso Nabucodonosor e em que situaçao
ele logo se viu?
18. O que aconteceu durante os sete tempos com respeito ao trono
ˆ
de Babilonia?
˜ `
92 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˆ
quando Jeova o atingiu com demencia. (Daniel 5:20) Na
˜
realidade, isso mudou o coraçao do rei do de homem
para o de touro. No entanto, Deus reservou o trono
´
para Nabucodonosor ate o fim dos sete tempos. Ao pas-
so que Evil-Merodaque possivelmente atuou como chefe
´
temporario do governo, Daniel serviu como “governante
ˆ
de todo o distrito jurisdicional de Babilonia e prefei-
´ ˆ
to supremo sobre todos os sabios de Babilonia”. Seus
ˆ
tres companheiros hebreus continuaram a participar
˜
na administraçao dos assuntos daquele distrito. (Daniel
1:11-19; 2:48, 49; 3:30) Os quatro exilados aguardaram o
restabelecimento de Nabucodonosor no trono, como rei
´ ´
racional que aprendeu que “o Altıssimo e Governante no
´
reino da humanidade e que ele o da a quem quiser”.
O RESTABELECIMENTO DE NABUCODONOSOR
´
19Jeova restabeleceu a sanidade de Nabucodonosor ao
˜
fim dos sete tempos. O rei disse entao, reconhecendo-o
´
como o Deus Altıssimo: “Ao fim dos dias, eu, Nabu-
´ ´
codonosor, levantei os olhos ao ceu e meu proprio en-
tendimento começou a retornar a mim; e eu bendisse o
´ ´
proprio Altıssimo, e louvei e glorifiquei Aquele que vive
´ ´ ´
por tempo indefinido, porque seu domınio e um domı-
´ ˜ ´
nio por tempo indefinido e seu reino e para geraçao apos
˜ ˜
geraçao. E todos os habitantes da terra sao considerados
´
como simplesmente nada, e ele age segundo a sua pro-
´ ´
pria vontade entre o exercito dos ceus e os habitantes da
˜ ´ ˜
terra. E nao ha quem lhe possa deter a mao ou quem
´
lhe possa dizer: ‘Que estas fazendo?’ ” (Daniel 4:34, 35)
Deveras, Nabucodonosor passou a dar-se conta de que o
´ ´
Altıssimo e mesmo o Governante Soberano no reino da
humanidade.
´
19. Depois de Jeova restabelecer a sanidade de Nabucodonosor, o que
ˆ
chegou a reconhecer esse rei babilonio?
´ ´
Esclarecimento do misterio da grande arvore 93

20 Quando Nabucodonosor voltou a ocupar o trono,


´ ´
era como se as bandas metalicas em volta do toco da ar-
vore do sonho tivessem sido retiradas. Ele disse a respeito
do seu restabelecimento: “Ao mesmo tempo começou a
´
retornar a mim o meu proprio entendimento, e para a
dignidade do meu reino começaram a retornar a mim
´
a minha majestade e o meu esplendor; e ate mesmo os
´
meus altos funcionarios reais e os meus grandes começa-
ram a procurar-me ansiosamente, e fui restabelecido
´ ´
no meu proprio reino e acrescentou-se-me extraordina-
ria grandeza.” (Daniel 4:36) Caso alguns oficiais da corte
tenham desprezado o rei demente, agora eles ‘o procura-
ˆ
vam ansiosamente’ em completa subserviencia.
21 Que ‘sinais e maravilhas’ havia realizado o Deus Al-
´ ˜
tıssimo! Nao nos deve surpreender que o restabelecido
ˆ
rei babilonio dissesse: “Agora, eu, Nabucodonosor, lou-
´
vo, e enalteço, e glorifico o Rei dos ceus, porque todas as
˜ ˜
suas obras sao verdade e seus caminhos sao justiça, e por-
´
que ele e capaz de humilhar os que andam em orgulho.”
´ ˜
(Daniel 4:2, 37) Esse reconhecimento, porem, nao fez de
´
Nabucodonosor um adorador gentio de Jeova.
´ ˆ
HA ALGUMA EVIDENCIA SECULAR?
22 Alguns tem ˆ
identificado a insanidade de Nabucodo-
´
nosor como licantropia. Um dicionario de medicina diz:
´ ´
“LICANTROPIA . . . de [ly·kos], lupus, lobo; [an·thro·pos],
`
homo, homem. Este nome foi dado a doença de pes-
soas que acreditam ter-se transformado em animal, e que
20, 21. (a) Que paralelo teve a retirada das bandas de metal em volta
´
do toco da arvore do sonho com o que aconteceu com Nabucodono-
sor? (b) O que reconheceu Nabucodonosor, e tornou-se ele com isso
´
adorador de Jeova?
´
22. Com que disturbio identificaram alguns a insanidade de Nabuco-
`
donosor, mas de que devemos dar-nos conta referente a causa da sua
˜
condiçao insana?
˜ `
94 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

imitam o som ou os gritos, as formas ou maneiras daque-


´
le animal. Tais indivıduos costumam imaginar-se trans-
˜ ` ´
formadas em lobo, cao ou gato; as vezes tambem em
touro, como no caso de Nabucodonosor.” (Dictionnaire
´ ´ ´ ´
des sciences medicales, par une societe de medicins et de
´ ˆ ´
chirurgiens [Dicionario de Ciencias Medicas, por Uma
´ ˜
Sociedade de Medicos e de Cirurgioes], Paris, 1818, Vo-
´ ˜
lume 29, pagina 246) Os sintomas da licantropia sao si-
milares aos do estado demente de Nabucodonosor. Visto
´
que a doença mental dele foi decretada por Deus, porem,
˜
ela nao pode ser especificamente identificada com um
´
disturbio conhecido.
23 O erudito John E. Goldingay cita diversos paralelos
` ˆ
a demencia e ao restabelecimento de Nabucodonosor.
´
Por exemplo, ele declara: “Um fragmentario texto cunei-
´
forme parece referir-se a um disturbio mental de Na-
bucodonosor, e talvez a ele ter negligenciado e deixado
ˆ
Babilonia.” Goldingay cita um documento chamado
´ ˆ
“O Jo Babilonio” e diz que ele “atesta castigos por Deus,
˜ ˜
doença, humilhaçao, a procura da interpretaçao dum so-
´
nho aterrorizante, ser derrubado como uma arvore, ser
expulso, consumir capim, perder o entendimento, ser co-
mo um boi, ser atingido por chuva da parte de Mardu-
que, unhas estragadas, cabelo crescido, e ser agrilhoado,
e depois, um restabelecimento pelo qual ele louva ao
deus”.
SETE TEMPOS QUE NOS AFETAM
´
Conforme representado pela grande arvore, Nabuco-
24

donosor simbolizava o governo mundial. Mas lembre-se


´
de que a arvore representa governo e soberania muito
´
23. Que testemunho secular ha da insanidade de Nabucodonosor?
´
24. (a) O que simboliza a grande arvore do sonho? (b) O que foi res-
trito por sete tempos, e como se deu isso?
´ ´
Esclarecimento do misterio da grande arvore 95
ˆ
maiores do que os do rei de Babilonia. Simboliza a sobe-
´ ´
rania universal de Jeova, “o Rei dos ceus”, especialmente
` ˜ ´
com respeito a Terra. Antes da destruiçao de Jerusalem
ˆ
pelos babilonios, o reino cujo centro era aquela cidade,
´
com Davi e seus herdeiros ocupando o “trono de Jeova”,
`
representava a soberania de Deus com respeito a Terra.
ˆ ´
(1 Cronicas 29:23) O proprio Deus mandou derrubar e
envolver em bandas essa soberania em 607 AEC, quando
´ ´
usou Nabucodonosor para destruir Jerusalem. O exercı-
cio da soberania divina para com a Terra, por meio dum
reino da linhagem de Davi, foi restrito por sete tempos.
Quanto duraram esses sete tempos? Quando começaram
e o que marcou seu fim?
25 Durante a insanidade de Nabucodonosor, “seu ca-
˜ ´
belo ficou tao comprido como penas de aguias, e suas
unhas, como garras de aves”. (Daniel 4:33) Isso levou
˜
mais do que sete dias ou sete semanas. Diversas traduçoes
˜ ˜
dizem “sete tempos”, e versoes alternativas sao “tempos
´
designados (definidos)” ou “perıodos de tempo”. (Daniel
4:16, 23, 25, 32) Uma variante do grego antigo (Septua-
ginta) diz “sete anos”. Os “sete tempos” foram tratados
como “sete anos” pelo historiador judeu, Josefo, do pri-
´
meiro seculo. (Antiquities of the Jews [Antiguidades
´ ´
Judaicas], Livro 10, Capıtulo 10, paragrafo 6) E certos he-
´ ˜
braıstas consideram que esses “tempos” sao “anos”. “Sete
´ ˜ ´
anos” e como sao vertidos em A Bıblia na Linguagem de
´ ˜
Hoje, na Bıblia Sagrada, Ediçao Pastoral (4:20), e na tradu-
˜
çao inglesa de James Moffatt.
26 Ao que tudo indica, os “sete tempos” de Nabucodo-

nosor envolviam sete anos. Na profecia, um ano tem em


´
media 360 dias, ou 12 meses de 30 dias cada um. (Note
˜
25, 26. (a) No caso de Nabucodonosor, que duraçao tiveram os “sete
tempos”, e por que responde assim? (b) No cumprimento maior,
quando e como tiveram começo os “sete tempos”?
˜ `
96 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
Revelaçao [Apocalipse] 12:6, 14.) De modo que os “sete
tempos”, ou sete anos, do rei eram 360 dias multipli-
cados por 7, ou 2.520 dias. Mas o que dizer do cumpri-
´
mento maior desse sonho? Os “sete tempos” profeticos
duraram muito mais do que 2.520 dias. Isso foi indi-
´ ´
cado pelas palavras de Jesus: “Jerusalem sera pisada pe-
˜ ´
las naçoes, ate se cumprirem os tempos designados das
˜
naçoes.” (Lucas 21:24) Esse ‘pisar’ começou em 607 AEC,
´ ´ ´
quando Jerusalem foi destruıda e o reino tıpico de Deus
´
deixou de operar em Juda. Quando terminaria o pisar?
Nos “tempos do restabelecimento de todas as coisas”,
quando a soberania divina se manifestaria de novo para
´ ´
com a Terra por meio da Jerusalem simbolica, o Reino de
Deus. — Atos 3:21.
27 Se contarmos 2.520 dias literais desde a destrui-
˜ ´ ´
çao de Jerusalem em 607 AEC, isso nos levara apenas a
´
600 AEC, um ano sem significado bıblico. Nem mesmo
em 537 AEC, quando os judeus libertados estavam de vol-
´ ´
ta em Juda, manifestou-se a soberania de Jeova na Terra.
Foi assim porque Zorobabel, herdeiro do trono de Davi,
˜ ´ ´
nao foi constituıdo rei, mas apenas governador da provın-
´
cia persa de Juda.
28 Visto que os “sete tempos” sao ˜ ´
profeticos, temos de
´
aplicar aos 2.520 dias a regra bıblica: “Um dia por um
´
ano.” Essa regra e especificada numa profecia a respeito
´ ´ ˆ
do sıtio de Jerusalem pelos babilonios. (Ezequiel 4:6, 7;
´ ˜
note Numeros 14:34.) Os “sete tempos” da dominaçao
ˆ
da Terra por poderes gentios, sem interferencia do Reino
de Deus, portanto, abrangeram 2.520 anos. Começa-
˜ ´ ´ ´
ram com a desolaçao de Juda e de Jerusalem no setimo
27. Por que diria que os “sete tempos” que começaram em 607 AEC
˜
nao terminaram depois de 2.520 dias literais?
28. (a) Que regra precisa ser aplicada aos 2.520 dias dos “sete tem-
´ ˜ ´
pos” profeticos? (b) Que duraçao tiveram os “sete tempos” profeticos,
e que datas marcam seu começo e seu fim?
´ ´
Esclarecimento do misterio da grande arvore 97
ˆ
mes lunar (15 de tisri) de 607 AEC. (2 Reis 25:8, 9, 25,
´ ˜
26) A partir desse ponto ate 1 AEC sao 606 anos. Os
˜ ˜ ´
1.914 anos restantes vao desde entao ate 1914 EC. Por-
tanto, os “sete tempos”, ou 2.520 anos, terminaram em
15 de tisri, ou 4/5 de outubro, de 1914 EC.
29 Naquele ano cumpriram-se “os tempos designados
˜
das naçoes” e Deus entregou o governo ao “mais hu-
milde da humanidade” — a Jesus Cristo — que fora con-
˜ ´ ´ ´
siderado tao desprezıvel pelos seus adversarios que ate
´
mesmo mandaram prega-lo numa estaca. (Daniel 4:17)
ˆ ´ ´
Para entronizar o Rei messianico, Jeova soltou as simbo-
licas bandas de ferro e de cobre em volta do “toco” da sua
´ ´
propria soberania. O Deus Altıssimo permitiu assim que
´ ˜
um “renovo” regio crescesse dele, como manifestaçao da
soberania divina para com a Terra por meio do Reino ce-
˜
lestial nas maos do maior Herdeiro de Davi, Jesus Cris-
´ ´
to. (Isaıas 11:1, 2; Jo 14:7-9; Ezequiel 21:27) Como somos
´
gratos a Jeova por esse bendito resultado e por ele escla-
´ ´
recer o misterio da grande arvore!
´ ´
29. Quem e “o mais humilde da humanidade”, e o que fez Jeova para
´
entroniza-lo?

O QUE DISCERNIU?
´
˙ O que simbolizava a grande arvore do sonho de
Nabucodonosor?
˙ O que sobreveio a Nabucodonosor no cumpri-
´
mento inicial do seu sonho sobre a arvore?
˙ Depois do cumprimento do seu sonho, o que
reconheceu Nabucodonosor?
´
˙ No cumprimento maior do sonho profetico da
´
arvore, quanto tempo duraram os “sete tempos”,
quando começaram e quando terminaram?
´
C APITULO SETE

QUATRO PALAVRAS QUE


MUDARAM O MUNDO
QUATRO palavras simples, escritas numa parede rebocada.
No entanto, essas quatro palavras deixaram um poderoso
˜
governante apavorado. Elas proclamaram a destronizaçao
de dois reis, a morte de um deles e o fim duma poderosa
ˆ
potencia mundial. Essas palavras resultaram na humilha-
˜
çao duma reverenciada ordem religiosa. Mais importante
˜ ´
ainda, enalteceram a adoraçao pura de Jeova e reafirma-
´
ram a soberania dele numa epoca em que a maioria das
˜
pessoas dava pouca atençao a essas coisas. Ora, essas pala-
´
vras ate mesmo lançaram luz sobre acontecimentos mun-
diais de hoje em dia! Como puderam quatro palavras fazer
tudo isso? Vejamos.
´
2 Passaram-se decadas desde os acontecimentos descri-
´
tos no capıtulo 4 de Daniel. O reinado de 43 anos do or-
ˆ
gulhoso Rei Nabucodonosor em Babilonia terminou com
´
a sua morte em 582 AEC. Houve uma serie de sucessores
´
procedentes da sua famılia, mas a morte prematura ou o
´ ´
assassinato acabaram com o domınio de um apos outro.
Por fim, um homem chamado Nabonido assumiu o tro-
no por meio duma revolta. Filho duma sumo sacerdotisa
˜
do deus-lua Sin, parece que Nabonido nao tinha laços san-
´ ˆ
guıneos com a casa real de Babilonia. Algumas autoridades
sugerem que ele se casou com uma filha de Nabucodono-
´
sor para legitimar seu proprio governo, fez do filho deles,
ˆ
Belsazar, seu corregente, e deixou Babilonia a cargo dele,
˜ ´
1. Quao amplo foi o impacto de quatro palavras escritas ha muito
tempo numa parede?
ˆ
2. (a) O que aconteceu em Babilonia depois da morte de Nabucodo-
˜
nosor? (b) Que governante assumiu entao o poder?
˜ `
100 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
`
as vezes por anos seguidos. Nesse caso, Belsazar teria sido
´ ` ˆ
neto de Nabucodonosor. Sera que, a base das experiencias
ˆ ´ ´
do seu avo, ele aprendeu que Jeova e o Deus Supremo, ca-
˜
paz de humilhar a qualquer rei? Parece que nao! — Daniel
4:37.
UMA FESTA FORA DE CONTROLE
´
3 O 5.° capıtulo de Daniel se inicia com um banque-
te. “No que se refere a Belsazar, o rei, deu ele um grande
banquete a mil dos seus grandes e bebia vinho na frente
dos mil.” (Daniel 5:1) Como pode imaginar, deve ter
´ ˜
sido necessario um enorme salao para acomodar todos es-
´ ´
ses homens, alem das esposas secundarias e das concubi-
nas do rei. Certo erudito menciona: “Os banquetes babi-
ˆ ´
lonicos eram magnıficos, embora usualmente acabassem
em embriaguez. Havia vinho importado e fartura de igua-
˜
rias de todo tipo na mesa. O salao estava perfumado; voca-
listas e instrumentistas entretinham os convidados reuni-
ˆ
dos.” Presidindo onde todos podiam ve-lo, Belsazar bebia
vinho — bebendo continuamente.
ˆ
4 Parece estranho que os babilonios tivessem tal disposi-
˜
çao festiva nessa noite — 5/6 de outubro de 539 AEC. Sua
˜ ˜
naçao estava em guerra, e as coisas nao iam bem para eles.
` ˜
Nabonido pouco antes sofrera uma derrota as maos das
forças invasoras dos medo-persas e se refugiara em Borsi-
ˆ ´
pa, ao sudoeste de Babilonia. E agora os exercitos de Ciro
ˆ
estavam acampados bem do lado de fora de Babilonia. No
˜
entanto, Belsazar e seus grandes aparentemente nao esta-
´
vam preocupados. Afinal, sua cidade era a inexpugnavel
ˆ
Babilonia! As muralhas colossais dela erguiam-se altanei-
` ´
ras a beira dos fossos fundos, cheios de agua do grande
3. Como era a festa de Belsazar?
ˆ
4. (a) Por que pode parecer estranho que os babilonios fizessem fes-
ta na noite de 5/6 de outubro de 539 AEC? (b) O que provavelmente
ˆ ´
fez os babilonios terem confiança apesar dos exercitos invasores?
Quatro palavras que mudaram o mundo 101

rio Eufrates que atravessava a cidade. Nenhum inimigo


ˆ
conseguira tomar Babilonia de assalto em mais de cem
˜
anos. Entao, por que se preocupar? Belsazar talvez pensas-
´
se que o barulho da sua festança mostraria aos inimigos la
fora a sua confiança e os desanimaria.
5 No entanto, o excesso de bebida nao ˜
demorou a afetar
´ ´
Belsazar. Conforme diz Proverbios 20:1, “o vinho e zom-
bador”. Nesse caso, o vinho realmente induziu o rei a co-
´
meter uma tolice da pior especie. Ele mandou que se trou-
` ´
xessem a festa os vasos sagrados do templo de Jeova. Esses
vasos, tomados por Nabucodonosor como despojo duran-
´ ´
te a conquista de Jerusalem, so deveriam ser usados na
˜ ´
adoraçao pura. Ate mesmo os sacerdotes judeus, que ti-
´ ´
nham sido autorizados a usa-los no templo de Jerusalem,
em tempos passados tinham sido advertidos para se man-
´
terem puros. — Daniel 5:2; note Isaıas 52:11.
6 No entanto, Belsazar pensava num ato ainda mais in-

solente. “O rei e seus grandes, suas concubinas e suas es-


´
posas secundarias . . . beberam vinho e louvaram os
deuses de ouro e de prata, cobre, ferro, madeira e pedra.”
(Daniel 5:3, 4) Portanto, Belsazar pretendia enaltecer seus
´
deuses falsos acima de Jeova! Essa atitude, pelo que pare-
´ ˆ
ce, era tıpica entre os babilonios. Desprezavam os judeus
˜
que eles mantinham cativos, zombavam da adoraçao de-
˜
les e nao lhes davam nenhuma esperança de voltar para a
´ ´
sua patria amada. (Salmo 137:1-3; Isaıas 14:16, 17) Esse mo-
narca embriagado talvez achasse que humilhar esses exila-
dos e insultar o Deus deles impressionaria suas mulheres e
ˆ
seus oficiais, dando-lhe a aparencia de ser forte.1 Mas, se
˜
1 Numa inscriçao antiga, o Rei Ciro disse a respeito de Belsazar: “Um
˜ ´
fracalhao foi empossado como [governante] do seu paıs.”
ˆ
5, 6. O que fez Belsazar sob a influencia de vinho, e por que era isso
´
um grave insulto a Jeova?
˜ `
102 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
Belsazar se sentiu empolgado com o poder, isso nao durou
muito tempo.
A ESCRITA NA PAREDE
7 “Naquele momento”, diz o relato inspirado, “aparece-
˜
ram dedos de mao de homem e escreveram defronte do
´
candelabro sobre o reboco da parede do palacio do rei, e
˜
o rei via as costas da mao que escrevia”. (Daniel 5:5) Que
˜
vista espantosa! Uma mao aparecendo do nada, flutuando
no ar, perto duma parte bem iluminada da parede. Imagi-
ˆ
ne o silencio que caiu sobre a festa quando os convidados
˜
se voltaram para ver isso. A mao começou a escrever uma
´ ˜ ˜
mensagem enigmatica no reboco.1 Tao sinistro, tao ines-
´ ˆ ´ ´
quecıvel foi esse fenomeno, que ate o dia de hoje ha quem
˜
use a expressao “a escrita na parede” para sugerir o aviso
´
de uma catastrofe iminente.
8 Que efeito teve isso sobre o orgulhoso rei, que tentara
´
enaltecer a si mesmo e a seus deuses acima de Jeova? “Nis-
´
so, no que se refere ao rei, ele mudou de cor e seus pro-
´
prios pensamentos começaram a amedronta-lo, e as juntas
´
dos seus quadris se afrouxavam e os proprios joelhos dele
batiam um no outro.” (Daniel 5:6) Belsazar pretendia pa-
´
recer grandioso e majestoso aos seus suditos. Em vez dis-
so, tornou-se um retrato vivo de humilhante terror — com
´
o rosto palido, os quadris cambaleantes, todo o corpo tre-
mendo com tanta força que os joelhos batiam. As palavras
´ ˆ
de Davi, dirigidas a Jeova num cantico, deveras eram vera-
˜
zes: “Os teus olhos sao contra os altaneiros, para os rebai-
´
xares.” — 2 Samuel 22:1, 28; note Proverbios 18:12.
´ ´
1 Ate mesmo esse pormenor especıfico do relato de Daniel mostrou
´
ser exato. Os arqueologos descobriram que as paredes palaciais na an-
ˆ
tiga Babilonia eram feitas de tijolos revestidos de reboco.

7, 8. Como foi interrompida a festa de Belsazar, e que efeito teve isso


sobre o rei?
˜ `
104 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
9 Deve-se notar que o temor de Belsazar nao era um te-
ˆ ´ ´
mor piedoso, uma profunda reverencia a Jeova, que e o
´ ´ ˜
inıcio de toda sabedoria. (Proverbios 9:10) Nao, era um ter-
´ ˜
ror morbido, e nao resultou em nada parecido com sabe-
ˆ ˜
doria para o monarca tremulo.1 Em vez de pedir perdao
ao Deus que ele acabava de insultar, clamou em alta voz
´
que chamassem “os conjuradores, os caldeus e os astrolo-
´
gos”. Ele ate mesmo declarou: “Qualquer homem que ler
´ ˜
esta escrita e que me mostrar a propria interpretaçao dela
´ ´
sera vestido de purpura, com um colar de ouro em volta do
´
pescoço, e ele dominara como o terceiro no reino.” (Da-
niel 5:7) O terceiro governante no reino seria deveras po-
deroso, precedido apenas pelos dois reis reinantes, Nabo-
´
nido e o proprio Belsazar. Esse posto normalmente ficaria
reservado para o filho mais velho de Belsazar. Isso mostra
como o rei ficou desesperado para que se lhe explicasse a
mensagem milagrosa!
´
10 Os sabios ˜ ˜
iam entrando no grande salao. Nao havia
ˆ
falta deles, porque Babilonia era uma cidade impregna-
˜
da de religiao falsa e cheia de templos. Certamente, havia
muitos homens que afirmavam saber interpretar agouros
´ ´
e decifrar uma escrita enigmatica. Esses sabios devem ter
ficado emocionados com a oportunidade que se lhes dava.
Essa era a sua chance de praticar sua arte perante uma as-
˜ ˆ
1 As superstiçoes babilonicas provavelmente tornavam esse milagre
ainda mais aterrorizante. O livro Babylonian Life and History (A Vida
´ ˆ ´
e a Historia de Babilonia) observa: “Alem dos numerosos deuses que
ˆ `
os babilonios adoravam, verificamos que eles eram muito dados a
´ ˜
crença em espıritos, e isso a tal ponto que as oraçoes e os encanta-
mentos contra esses constituem uma parte muito grande da sua lite-
ratura religiosa.”
˜
9. (a) Por que nao era o terror de Belsazar um temor piedoso? (b) Que
´ ˆ
oferta fez o rei aos sabios de Babilonia?
´ ´
10. Como se saıram os sabios no seu esforço de interpretar a escrita
na parede?
Quatro palavras que mudaram o mundo 105
ˆ ´
sistencia de dignitarios, granjear o favor do rei e assumir
˜
uma posiçao de grande poder. Mas que fracasso foram!
˜ ´
“Nao eram suficientemente competentes para ler a propria
˜
escrita ou para fazer saber ao rei a interpretaçao.”1 — Da-
niel 5:8.
11 Nao ˜ ´ ˆ
se tem certeza se os sabios babilonios achavam a
´ ´
propria escrita — as letras — indecifravel. Se fosse assim, es-
ses homens inescrupulosos teriam tido a oportunidade de
˜ ´
inventar uma interpretaçao falaz, talvez ate mesmo uma
´
que lisonjeasse o rei. Outra possibilidade e que as letras
´ ´
eram bastante legıveis. No entanto, visto que lınguas tais
como o aramaico e o hebraico eram escritas sem vogais,
cada palavra podia ter tido diversos sentidos. Nesse caso, os
´ ˜
sabios provavelmente nao conseguiriam decidir que pala-
˜
vras eram. Mesmo que conseguissem, ainda assim nao te-
riam sido capazes de compreender o sentido das palavras
´ ´
para interpreta-las. De qualquer modo, uma coisa e certa:
´ ˆ
os sabios de Babilonia fracassaram — desastrosamente!
12 De modo que os sabios ´
foram expostos como char-
˜
lataes, e sua reverenciada ordem religiosa como fraude.
Como decepcionaram! Quando Belsazar notou que sua
˜
confiança nesses religiosos havia sido em vao, ele ficou
´ ´
ainda mais amedrontado, sua face ficou mais palida, e ate
mesmo seus grandes estavam “perplexos”.2 — Daniel 5:9.
´
1 O periodico Biblical Archaeology Review observa: “Os peritos ba-
ˆ
bilonios catalogaram milhares de sinais agourentos. . . . Quando Bel-
´
sazar queria saber o que a escrita na parede significava, os sabios de
ˆ ´ ´ ´
Babilonia, sem duvida, recorreram a essas enciclopedias de augurios.
´
Mas elas se mostraram inuteis.”
´
2 Lexicografos observaram que a palavra usada aqui para “perple-
´ ˜
xos” da a entender grande comoçao, como se os reunidos ficassem
˜
em grande confusao.
´ ˆ
11. Por que talvez fossem os sabios de Babilonia incapazes de ler a es-
crita?
´
12. O que provou o fracasso dos sabios?
˜ `
106 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

UM HOMEM ´ PERSPICAZ
E CONVOCADO
13 Nesse momento crıtico, ´ ´
a propria rainha — evidente-
˜ ˜
mente a rainha-mae — entrou no salao do banquete. Ela
˜ ´
soube da comoçao na festa e conhecia alguem que podia
´
decifrar a escrita na parede. Decadas antes, seu pai, Na-
bucodonosor, havia designado Daniel sobre todos os seus
´ ´
sabios. A rainha lembrou-se dele como homem de “espı-
´ ´
rito extraordinario, e conhecimento, e perspicacia”. Visto
˜ ´
que parece que Daniel nao era conhecido por Belsazar, e
´
provavel que o profeta perdera seu alto cargo governamen-
´ ˜
tal apos a morte de Nabucodonosor. Mas Daniel nao dava
ˆ
muita importancia a destaque. A essa altura, ele provavel-
mente tinha 90 e poucos anos, e ainda servia fielmente a
´ ´ ´ ˆ
Jeova. Apesar de umas oito decadas de exılio em Babilo-
´
nia, ele ainda era conhecido pelo seu nome hebraico. Ate
˜
mesmo a rainha o chamou de Daniel, nao usando o nome
ˆ
babilonico que lhe fora dado. Deveras, ela instou com o
´ ´
rei: “Chame-se o proprio Daniel para que mostre a propria
˜
interpretaçao.” — Daniel 1:7; 5:10-12.
14 Daniel foi chamado e entrou perante Belsazar. Era em-

baraçoso pedir um favor a esse judeu, cujo Deus o rei aca-


bara de insultar. Ainda assim, Belsazar procurou lisonjear a
Daniel, oferecendo-lhe a mesma recompensa — o terceiro
lugar no reino — se conseguisse ler e explicar as palavras
misteriosas. (Daniel 5:13-16) Daniel olhou para a escrita
´
na parede, e o espırito santo o habilitou a discernir seu sig-
˜
nificado. Era uma mensagem de condenaçao da parte de
´ ´
Jeova Deus! Como e que Daniel podia proferir uma sen-
tença dura contra esse rei vaidoso bem na frente dele — e
13. (a) Por que sugeriu a rainha que se chamasse Daniel? (b) Que es-
´
pecie de vida levava Daniel?
˜ ´
14. Em que situaçao difıcil estava Daniel quando viu a escrita na pa-
rede?
Quatro palavras que mudaram o mundo 107

isso diante das esposas e dos grandes dele? Imagine a situa-


˜ ´
çao difıcil de Daniel! Deixou-se ele influenciar pelas pala-
vras lisonjeiras do rei e por este lhe oferecer riquezas e des-
´
taque? Abrandaria o profeta o pronunciamento de Jeova?
15 Daniel falou com coragem, dizendo: “Venham a ser
´ ´
as tuas dadivas para ti mesmo e da os teus presentes a ou-
´
tros. No entanto, eu lerei a propria escrita ao rei e lhe farei
˜
saber a interpretaçao.” (Daniel 5:17) A seguir, Daniel reco-
˜
nheceu a grandeza de Nabucodonosor, um rei tao podero-
so que foi capaz de matar, golpear, enaltecer ou humilhar
a quem quisesse. No entanto, Daniel lembrou a Belsazar
´ ´
que foi Jeova, o “Deus Altıssimo”, quem fez Nabucodono-
´
sor grande. Fora Jeova quem havia humilhado aquele rei
poderoso quando se tornou orgulhoso. Deveras, Nabuco-
´ ´
donosor foi obrigado a saber que “o Altıssimo e Governan-
te no reino da humanidade e que estabelece sobre ele a
quem quiser”. — Daniel 5:18-21.
16 Belsazar ‘sabia de tudo isso’. No entanto, deixara de
´
aprender algo da historia. Na realidade, ele havia ido mui-
´
to alem do pecado de Nabucodonosor de ter orgulho des-
ˆ
cabido, e cometera um ato de flagrante insolencia contra
´ ˆ ´
Jeova. Daniel expos o pecado do rei. Alem disso, na fren-
˜
te de todos aqueles pagaos reunidos, ele disse francamen-
te a Belsazar que os deuses falsos “nada veem, nem ouvem,
nem sabem”. O corajoso profeta de Deus acrescentou que,
´ ´ ´
em contraste com esses deuses inuteis, Jeova e o Deus “em
˜ ´ ˆ ´
cuja mao esta o teu folego”. Ate o dia de hoje, as pessoas fa-
zem deuses de coisas sem vida, idolatrando o dinheiro, a
´ ´
carreira, o prestıgio e ate mesmo o prazer. Mas nada disso
´ ´ ´ ´
pode dar vida. Jeova e o unico a quem todos nos devemos
´ ˆ
nossa propria existencia, de quem dependemos para cada
ˆ
folego que tomamos. — Daniel 5:22, 23; Atos 17:24, 25.
˜ ´
15, 16. Que liçao vital da historia deixara de aprender Belsazar, e com
ˆ
que frequencia vemos uma falha similar hoje em dia?
˜ `
108 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

UM ENIGMA SOLUCIONADO
˜
17 O idoso profeta passou entao a fazer o que foi impos-
´ ´ ˆ
sıvel para todos os sabios de Babilonia. Ele leu e interpre-
tou a escrita na parede. As palavras eram: “MENE, MENE,
TEQUEL e PARSIM.” (Daniel 5:24, 25) O que significam
elas?
18 Literalmente, as palavras significam “uma mina, uma

mina, um siclo e meios siclos”. Cada palavra era uma me-


´
dida de peso monetario, alistada em ordem de valor de-
´ ˆ
crescente. Que enigma! Mesmo que os sabios babilonios
˜ ´
conseguissem ler as letras, ainda assim nao e de admirar
˜ ´
que nao pudessem interpreta-las.
19 Daniel explicou, sob a influenciaˆ ´
do espırito santo de
´ ˜
Deus: “Esta e a interpretaçao da palavra: MENE: Deus con-
tou os dias do teu reino e acabou com ele.” (Daniel 5:26)
As consoantes da primeira palavra admitem tanto a pala-
vra “mina”, como uma forma da palavra aramaica para
“contado” ou “numerado”, dependendo das vogais usadas
´
pelo leitor. Daniel sabia bem que o exılio dos judeus esta-
´
va chegando ao fim. Ja se haviam passado 68 dos preditos
˜
70 anos de sua duraçao. ( Jeremias 29:10) O Grande Crono-
´
metrista, Jeova, havia contado os dias do reinado de Babi-
ˆ ˆ
lonia como potencia mundial, e o fim estava mais perto
do que qualquer um no banquete de Belsazar imaginava.
´ ˜ ´
Na realidade, o tempo ja se esgotara — nao so para Belsazar,
´
mas tambem para seu pai, Nabonido. Esse talvez fosse o
motivo de se escrever duas vezes a palavra “MENE” — para
anunciar o fim de ambos esses reinados.
20 “TEQUEL”, por outro lado, foi escrita apenas uma vez,

e no singular. Isso pode indicar que se dirigia primaria-


´
17, 18. Quais eram as quatro palavras escritas na parede e qual e seu
significado literal?
˜
19. Qual era a interpretaçao da palavra “MENE”?
˜
20. Qual era a explicaçao da palavra “TEQUEL”, e como se aplicava a
Belsazar?
Quatro palavras que mudaram o mundo 109

mente a Belsazar. E isso seria apropriado, porque ele mes-


´ ´
mo mostrara crasso desrespeito por Jeova. A propria pala-
´
vra significa “siclo”, mas as consoantes tambem permitem
a palavra “pesado”. De modo que Daniel disse a Belsazar:
“TEQUEL: foste pesado na balança e achado deficiente.”
´ ˜ ˜ ˜
(Daniel 5:27) Para Jeova, naçoes inteiras sao tao insignifi-
´ ´
cantes como a camada fina de po na balança. (Isaıas 40:15)
˜ ´ ˜
Sao incapazes de frustrar os propositos dele. Entao, de
ˆ ´
que importancia seria um so rei arrogante? Belsazar tenta-
ra enaltecer-se acima do Soberano do Universo. Esse mero
´
humano se atrevera a insultar a Jeova e a zombar da ado-
˜
raçao pura, mas fora “achado deficiente”. Deveras, Belsa-
zar merecia plenamente o julgamento que se aproximava
rapidamente!
´
21 A ultima palavra na parede foi “PARSIM”. Daniel a leu
na forma singular, “PERES”, provavelmente porque se di-
´
rigia a um so rei, enquanto que o outro estava ausente.
´
Essa palavra culminou o grande enigma de Jeova com um
jogo de palavras de sentido triplo. “Parsim” significa lite-
´
ralmente “meios siclos”. Mas as letras tambem permitem
˜
dois outros significados: “divisoes” e “persas”. Daniel pre-
disse assim: “PERES: teu reino foi dividido e dado aos me-
dos e aos persas.” — Daniel 5:28.
22 Assim se solucionou o enigma. A poderosa Babilo- ˆ
nia estava prestes a cair diante das forças medo-persas.
˜ ´
Embora abatido em vista da declaraçao de ruına, Belsa-
zar cumpriu sua palavra. Mandou que seus servos ves-
´
tissem Daniel de purpura, dessem-lhe um colar de ouro, e
proclamassem-no o terceiro governante no reino. (Daniel
˜
5:29) Daniel nao recusou essas honras, reconhecendo que
21. Como era “PARSIM” um jogo de palavras de sentido triplo e o que
ˆ ˆ
indicava essa palavra quanto ao futuro de Babilonia como potencia
mundial?
` ˜
22. Como reagiu Belsazar a soluçao do enigma e que esperança tal-
vez tivesse?
˜ `
110 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ´ ´
refletiam a honra devida a Jeova. Naturalmente, e possıvel
´
que Belsazar esperasse abrandar o julgamento de Jeova por
honrar o profeta Dele. Nesse caso, isso foi demasiado pou-
co e demasiado tarde.
ˆ
A QUEDA DE BABILONIA
23 Mesmo enquanto Belsazar e seus cortesaos ˜
ainda brin-
´
davam seus deuses e zombavam de Jeova, desenrolava-se
˜ ´
um grande drama na escuridao fora do palacio. Cumpria-
´ ´
se uma profecia declarada por meio de Isaıas quase dois se-
´ ˆ
culos antes. Jeova predissera a respeito de Babilonia: “Fiz
cessar todos os suspiros devidos a ela.” Deveras, toda a
˜ ´
opressao da cidade inıqua infligida ao povo escolhido de
Deus estava para acabar. De que modo? O mesmo profeta
´ ˜ ´ ´ ˜
disse: “Sobe, o Elao! Sitia, o Media!” Elao tornara-se parte
´ ´ ´
da Persia depois dos dias do profeta Isaıas. Na epoca da fes-
´
ta de Belsazar, que tambem fora predita na mesma profe-
´ ´ ´
cia por Isaıas, a Persia e a Media haviam mesmo juntado as
ˆ ´
forças para ‘subir’ e ‘sitiar’ Babilonia. — Isaıas 21:1, 2, 5, 6.
24 Deveras, o proprio ´ ´
nome do lıder dessas forças fora
´
predito, assim como os pontos principais da estrategia de
ˆ ´
batalha. Com uns 200 anos de antecedencia, Isaıas ha-
´ ´
via profetizado que Jeova ungiria alguem chamado Ciro
ˆ
para ir contra Babilonia. No decorrer do ataque deste, to-
´ ´
dos os obstaculos seriam eliminados diante dele. As aguas
ˆ ˜
de Babilonia ‘secariam’ e os fortes portoes dela seriam
´
deixados abertos. (Isaıas 44:27–45:3) E assim aconteceu.
´
Os exercitos de Ciro desviaram o rio Eufrates, baixando
´ ´
o nıvel da agua, para que pudessem passar pelo leito do
˜ ˆ
rio. Os portoes na muralha de Babilonia haviam sido dei-
xados abertos por guardas descuidados. Conforme concor-
23. Que profecia antiga se cumpria mesmo enquanto a festa de Bel-
sazar ainda estava em andamento?
ˆ
24. Que pormenores a respeito da queda de Babilonia predissera a
´
profecia de Isaıas?
Quatro palavras que mudaram o mundo 111

dam historiadores seculares, a cidade foi invadida enquan-


ˆ
to seus habitantes festejavam. Babilonia foi tomada qua-
˜
se sem oposiçao. ( Jeremias 51:30) No entanto, houve pelo
´
menos uma morte notavel. Daniel relatou: “Naquela mes-
´
ma noite foi morto Belsazar, o rei caldeu, e o proprio Da-
rio, o medo, recebeu o reino ao ter cerca de sessenta e dois
anos de idade.” — Daniel 5:30, 31.
O QUE SE APRENDE DA ESCRITA NA PAREDE
´ ´
25 O relato inspirado de Daniel, capıtulo 5, esta cheio
´ ˆ ´
25. (a) Por que e a antiga Babilonia um sımbolo apropriado do atual
˜
sistema global da religiao falsa? (b) Em que sentido foram os servos
ˆ
de Deus mantidos cativos em Babilonia nos tempos modernos?
˜ `
112 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˆ
de significado para nos. A antiga Babilonia, como centro
´ ˜ ´ ´
de praticas da religiao falsa, e um sımbolo apropriado do
´ ˜
imperio mundial da religiao falsa. Retratado em Revela-
˜ ´
çao (ou Apocalipse) como sanguinaria meretriz, esse con-
´ ˆ
glomerado global de engano e chamado de “Babilonia, a
˜
Grande”. (Revelaçao 17:5) Indiferente a todos os avisos so-
´
bre as suas doutrinas falsas e praticas que desonram a
Deus, ela tem perseguido os que pregam a verdade da Pa-
lavra de Deus. Assim como os habitantes da antiga Je-
´ ´ ˜
rusalem e de Juda, o fiel restante de cristaos ungidos
ˆ
encontrava-se, para todos os efeitos, exilado em “Babilo-
˜
nia, a Grande”, quando a perseguiçao inspirada pelo cle-
˜
ro praticamente acabou com a obra da pregaçao do Reino
em 1918.
26 De repente, porem, ´ ˆ
“Babilonia, a Grande”, caiu! Ora,
a queda foi praticamente silenciosa — assim como a antiga
ˆ
Babilonia caiu quase silenciosamente, em 539 AEC. Essa
˜
queda figurativa, nao obstante, foi devastadora. Ocorreu
´
em 1919 EC, quando o povo de Jeova foi libertado do ca-
ˆ ˜
tiveiro babilonico e foi abençoado com a aprovaçao divi-
ˆ
na. Isso acabou com o poder de “Babilonia, a Grande”, so-
˜
bre o povo de Deus e marcou o começo da exposiçao dela
´
em publico como fraude indigna de confiança. Essa queda
´ ˜ ´
mostrou ser irreversıvel, e a destruiçao final dela e iminen-
´ ˆ ´
te. Os servos de Jeova tem assim repetido o aviso: “Saı dela,
˜
povo meu, se nao quiserdes compartilhar com ela nos seus
˜ ˆ
pecados.” (Revelaçao 18:4) Acatou voce esse aviso? Partici-
pa em avisar outros?1
´ ˜ ´
1 Veja as paginas 205-271 do livro Revelaçao — Seu Grandioso Clı-
´ ´ ´
max Esta Proximo!, publicado pelas Testemunhas de Jeova.
ˆ
26. (a) Como caiu “Babilonia, a Grande”, em 1919? (b) Que aviso de-
vemos acatar e transmitir a outros?
Quatro palavras que mudaram o mundo 113

27 De modo que hoje ‘a escrita esta´ na parede’ — mas


˜ ´ ˆ
nao so para “Babilonia, a Grande”. Lembre-se de uma ver-
´ ´
dade central, vital, do livro de Daniel: Jeova e o Sobera-
no Universal. Ele, e somente ele, tem o direito de estabele-
cer um governante sobre a humanidade. (Daniel 4:17, 25;
´ ´ ´
5:21) Tudo´ o que se opuser aos propositos de Jeova sera eli-
´ ˜ ´
minado. E so uma questao de tempo para Jeova agir. (Ha-
bacuque 2:3) Para Daniel, esse tempo chegou por fim na
´ ´ ˜ ´
decima decada da sua vida. Ele viu entao Jeova remover
ˆ
uma potencia mundial — aquela que havia oprimido o
ˆ
povo de Deus desde a infancia de Daniel.
28 Ha prova inegavel de que Jeova´ Deus colocou num
´ ´
trono celestial um Governante da humanidade. Que o
˜ `
mundo nao tem feito caso desse Rei e se tem oposto a re-
ˆ ´ ˆ ´
gencia dele e evidencia certa de que Jeova em breve eli-
´ ˜
minara todos os que se opoem ao governo do Reino. (Sal-
ˆ ˆ
mo 2:1-11; 2 Pedro 3:3-7) Age voce segundo a urgencia
dos nossos tempos e deposita a sua confiança no Reino de
Deus? Nesse caso, realmente aprendeu algo da escrita na
parede!
27, 28. (a) Que verdade vital Daniel nunca perdeu de vista? (b) Que
ˆ ´ ´ ´
evidencia temos de que Jeova agira em breve contra o mundo inıquo
da atualidade?

O QUE DISCERNIU?
˙ Como foi a festa de Belsazar interrompida na
noite de 5/6 de outubro de 539 AEC?
˜
˙ Qual era a interpretaçao da escrita na parede?
ˆ
˙ Que profecia sobre a queda de Babilonia se
cumpria enquanto a festa de Belsazar estava
em andamento?
˙ Que significado para os nossos dias tem o rela-
to sobre a escrita na parede?
´
C APITULO OITO

SALVO DA ˜
BOCA DOS LEOES!
ˆ ´
BABILONIA havia caıdo! Seu esplendor secular como po-
ˆ
tencia mundial fora extinto em apenas poucas horas.
Começava uma nova era — a dos medos e dos persas.
Como sucessor no trono de Belsazar, Dario, o Medo, viu-se
´ ´
confrontado com a tarefa difıcil de organizar seu imperio
expandido.
2 Uma das primeiras tarefas empreendidas por Dario foi
´
a de designar 120 satrapas. Acredita-se que os que serviam
`
em cargos assim as vezes eram escolhidos dentre os paren-
´
tes do rei. De qualquer modo, cada satrapa governava um
˜ ´
grande distrito ou uma subdivisao menor do imperio. (Da-
´
niel 6:1) Seus deveres incluıam a cobrança de impostos e a
` ´
remessa do tributo a corte real. Embora o satrapa ficasse
˜ ´
sujeito a verificaçoes periodicas quando visitado por re-
´
presentantes do rei, ele tinha consideravel autoridade. Seu
´ ´
tıtulo significa “protetor do Reino”. O satrapa era conside-
´
rado como rei vassalo na sua provıncia, com tudo, menos
poder soberano.
3 Onde se enquadrava Daniel nesse novo arranjo? Apo-

sentaria Dario, o Medo, a esse idoso profeta judeu que


˜ ´
entao ja tinha mais de noventa anos? De forma alguma!
´
Sem duvida, Dario se dava conta de que Daniel predissera
˜ ˆ ˜
com exatidao a queda de Babilonia e que essa prediçao exi-
´
gia um discernimento sobre-humano. Alem disso, Daniel
´
1, 2. (a) Como organizou Dario, o Medo, seu imperio expandido?
´
(b) Descreva os deveres e a autoridade dos satrapas.
3, 4. Por que Dario favoreceu a Daniel, e que cargo lhe deu o rei?
˜ `
116 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˆ
tinha decadas de experiencia em lidar com as diversas co-
ˆ
munidades cativas em Babilonia. Dario pretendia manter
˜ ´ ´ ´
relaçoes pacıficas com seus recem-conquistados suditos.
´
Por isso, ele certamente queria alguem com a sabedoria e a
ˆ
experiencia de Daniel junto ao trono. Em que cargo?
4 Teria sido bastante surpreendente se Dario tivesse no-
´
meado Daniel, o judeu exilado, como satrapa. Mas ima-
˜
gine a comoçao causada quando Dario anunciou a sua
˜ ˆ ´
decisao de fazer de Daniel um dos tres altos funciona-
´ ˜ ´
rios que supervisionariam os satrapas! Nao so isso, mas
Daniel “constantemente se distinguia”, mostrando-se su-
´
perior aos altos funcionarios, seus colegas. Deveras, achou-
´ ´ ´
se nele “um espırito extraordinario”. Dario ate mesmo
pretendia dar-lhe o cargo de primeiro-ministro. — Daniel
6:2, 3.
5 Os outros altos funcionarios ´ ´
e os satrapas devem ter fi-
˜
cado furiosos. Ora, nao conseguiam nem suportar a ideia
˜
de ter Daniel — que nao era nem medo nem persa, nem
´
membro da famılia real — num cargo de autoridade aci-
´
ma deles! Como e que Dario podia dar a um estrangeiro tal
´ ´
destaque, deixando de lado seus proprios patrıcios e mes-
´ ´ ˜
mo a sua propria famılia? Essa atuaçao deve ter parecido
´ ´
injusta. Alem disso, os satrapas evidentemente encaravam
˜ ´
a integridade de Daniel como restriçao indesejavel para as
´ ˜
suas praticas de suborno e de corrupçao. No entanto, os al-
´ ´ ˜
tos funcionarios e os satrapas nao se atreveram a se dirigir
a Dario com esse assunto. Afinal, Dario estimava muito a
Daniel.
6 De modo que esses polıticos ´
ciumentos fizeram entre
´ ´
5. Como devem ter reagido os outros altos funcionarios e os satra-
˜ ˆ
pas diante da nomeaçao de Daniel, e por que?
´ ´
6. Como tentaram altos funcionarios e satrapas desacreditar Daniel,
´
e por que se mostrou futil esse esforço?
˜
Salvo da boca dos leoes! 117
˜
si uma conspiraçao. Tentaram “achar um pretexto con-
tra Daniel com respeito ao reino”. Poderia haver algo de
errado no modo em que ele cuidava das suas responsabili-
´ ´
dades? Era desonesto? Os altos funcionarios e os satrapas
˜ ˆ
nao conseguiram encontrar nenhuma negligencia ou cor-
˜
rupçao no modo em que Daniel cuidava dos seus deveres.
˜
“Nao acharemos neste Daniel nenhum pretexto”, argu-
˜
mentavam, “a nao ser que o encontremos contra ele na lei
de seu Deus”. E foi assim que esses trapaceiros inventaram
uma trama. Pensavam que isso acabaria de uma vez com
Daniel. — Daniel 6:4, 5.
ARMADA UMA TRAMA ASSASSINA
´ ´
7 Uma comitiva de altos funcionarios e de satrapas se di-
˜
rigiu a Dario, ‘entrando em conjunto’. A expressao aramai-
´ ˜
ca usada contem a ideia de uma agitaçao estrondosa. Pelo
˜
visto, esses homens davam a impressao de que tinham um
ˆ
assunto de grande urgencia a tratar com Dario. Talvez te-
nham pensado que ele questionaria menos a proposta de-
˜
les, se a apresentassem com convicçao e como algo que
˜
exigia açao imediata. Por isso, foram logo ao ponto, dizen-
´
do: “Todos os altos funcionarios do reino, os prefeitos e os
´ ´
satrapas, os altos funcionarios reais e os governadores, em
ˆ
conselho, deliberaram estabelecer um estatuto real e por
em vigor um interdito, de que todo aquele que fizer peti-
˜
çao a qualquer deus ou homem sem ser a ti, durante trin-
´ ˜
ta dias, o rei, seja lançado na cova dos leoes.”1 — Daniel
6:6, 7.
ˆ ˜ ˆ ´
1 A existencia duma “cova dos leoes” em Babilonia e apoiada pelo
˜
testemunho de inscriçoes antigas, que mostram que governantes
˜
orientais frequentemente mantinham coleçoes de animais selvagens.
´ ´
7. Que proposta apresentaram os altos funcionarios e os satrapas ao
rei, e de que forma o fizeram?
˜ `
118 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
8 Registros historicos confirmam que era comum os reis
ˆ
mesopotamios serem encarados e adorados como divinos.
´
De modo que Dario, sem duvida, sentiu-se lisonjeado por
´
essa proposta. Ele pode tambem ter percebido um lado
´
pratico nela. Lembre-se de que, para os moradores de Babi-
ˆ ´
lonia, Dario era estrangeiro e recem-chegado. Essa nova lei
´
serviria para confirma-lo como rei, e incentivaria as multi-
˜ ˆ
does que moravam em Babilonia a declarar sua lealdade e
´
seu apoio ao novo regime. Ao propor o decreto, porem, os
´ ´ ˜
altos funcionarios e os satrapas nao estavam nem um pou-
co preocupados com o bem-estar do rei. Seu verdadeiro
motivo era enlaçar Daniel, porque sabiam que era costu-
ˆ
me dele orar a Deus tres vezes por dia diante das janelas
abertas do seu quarto de terraço.
9 Causaria essa restriçao ˜ ` ˜
a oraçao um problema a todas
ˆ ˜
as comunidades religiosas em Babilonia? Nao necessaria-
˜ ´
mente, em especial porque a proibiçao so ia durar um
ˆ ´ ˜
mes. Alem disso, poucos nao judeus considerariam como
ˆ
transigencia orar por um tempo a um humano. Um eru-
´ ˜ ˜
dito bıblico observa: “A adoraçao prestada ao rei nao era
ˆ ´ ˜
uma exigencia estranha para a mais idolatra das naçoes; e
ˆ
por isso, quando se exigia do babilonio dar ao conquista-
dor — Dario, o Medo — a homenagem devida a um deus,
ele prontamente acatava isso. Eram apenas os judeus que
ˆ
se ressentiam de tal exigencia.”
10 De qualquer modo, os visitantes de Dario exortaram-

no a ‘estabelecer o estatuto e assinar a escritura, para que


˜
nao fosse mudado, segundo a lei dos medos e dos persas,
´ ´
que e irrevogavel’. (Daniel 6:8) No antigo Oriente, a von-
8. (a) Por que Dario acharia atraente a lei proposta? (b) Qual era o
´ ´
verdadeiro motivo dos altos funcionarios e dos satrapas?
˜ ˜
9. Por que a nova lei nao era problema para a maioria dos nao ju-
deus?
10. Como encaravam os medos e os persas a lei sancionada pelo seu
rei?
˜
Salvo da boca dos leoes! 119

tade dum rei era muitas vezes considerada absoluta. Isso


´
perpetuava a ideia de que ele era infalıvel. Mesmo uma lei
que pudesse causar a morte de inocentes tinha de conti-
nuar em vigor!
11 Sem pensar em Daniel, Dario assinou o decreto. (Da-

niel 6:9) Ao fazer isso, ele assinou a sentença de morte de


´
seu funcionario mais estimado sem se dar conta disso. De-
veras, esse edito certamente afetaria a Daniel.
´
DARIO E OBRIGADO A PROFERIR
UMA SENTENÇA ADVERSA
12 Daniel logo ficou sabendo da lei que restringia a ora-
˜
çao. Ele entrou imediatamente em casa e foi ao quarto de
´
terraço, onde as janelas estavam abertas para Jerusalem.1
Ali Daniel começou a orar a Deus, “assim como havia fei-
to regularmente antes disso”. Pode ser que Daniel pensasse
estar sozinho, mas os conspiradores o estavam observan-
´
do. De repente, eles “entraram em massa”, sem duvida
da mesma maneira agitada com que se haviam dirigido a
´
Dario. Agora viam com os proprios olhos — Daniel “fazen-
˜
do petiçao e implorando favor perante seu Deus”. (Daniel
´ ´
6:10, 11) Os altos funcionarios e os satrapas tinham toda a
ˆ ´
evidencia necessaria para acusar Daniel perante o rei.
13 Os inimigos de Daniel perguntaram astutamente a
˜
Dario: “Nao assinaste um interdito no sentido de que todo
˜
homem que fizesse uma petiçao a qualquer deus ou ho-
´
mem sem ser a ti, durante trinta dias, o rei, fosse lançado
˜ ´
na cova dos leoes?” Dario respondeu: “O assunto esta bem
1 O quarto de terraço era um recinto particular, para o qual a pes-
˜
soa podia retirar-se quando nao queria ser perturbada.

11. Como afetaria a Daniel o edito de Dario?


12. (a) O que fez Daniel assim que soube da nova lei? (b) Quem es-
ˆ
tava observando Daniel, e por que?
13. O que relataram os inimigos de Daniel ao rei?
˜ `
120 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
estabelecido segundo a lei dos medos e dos persas, que e
´
irrevogavel.” Os conspiradores foram direto ao ponto. “Da-
´ ´ ˜ ´
niel, que e dos exilados de Juda, nao fez caso de ti, o rei,
´
nem do interdito que assinaste, mas esta fazendo a sua pe-
˜ ˆ
tiçao tres vezes por dia.” — Daniel 6:12, 13.
´ ´
14 E significativo que os altos funcionarios ´
e os satrapas
´
chamaram Daniel de um “dos exilados de Juda”. Pelo vis-
to, queriam enfatizar que esse Daniel, a quem Dario havia
˜
dado tanto destaque, na realidade nao era mais do que
um escravo judeu. Eles achavam que, como tal, certamen-
˜ ˜
te nao estava acima da lei — nao importando o que o rei
achava dele!
´
15 Pode ser que os altos funcionarios ´
e os satrapas espe-
rassem que o rei os recompensasse pelo seu astuto
trabalho de detetive. Nesse caso, aguardava-os uma sur-
´
presa. Dario ficou muito perturbado com a notıcia que lhe
trouxeram. Em vez de ficar furioso com Daniel ou logo
´ ` ˜
mandar leva-lo a cova dos leoes, Dario passou o dia todo
´ ´
procurando liberta-lo. Mas os seus esforços foram futeis.
˜
Nao demorou muito e os conspiradores voltaram, e com
atitude insolente exigiram o sangue de Daniel. — Daniel
6:14, 15.
16 Dario viu que nao ˜
tinha escolha no assunto. A lei
˜ ˜
nao podia ser anulada, nem podia a “transgressao” de Da-
niel ser perdoada. Tudo o que Dario podia dizer a Daniel
ˆ
era: “Teu Deus, a quem serves com constancia, ele mes-
´
mo te salvara.” Dario parecia respeitar o Deus de Daniel.
´
Fora Jeova quem dera a Daniel a capacidade de predizer
´ ´
14. Pelo visto, por que se referiram os altos funcionarios e os satra-
´
pas a Daniel como um “dos exilados de Juda”?
` ´ ´
15. (a) Como reagiu Dario a notıcia que os altos funcionarios e os
´ ´
satrapas lhe trouxeram? (b) Como mostraram os altos funcionarios
´
e os satrapas adicionalmente seu desprezo por Daniel?
16. (a) Por que Dario respeitava o Deus de Daniel? (b) Que esperan-
ça tinha Dario a respeito de Daniel?
˜ `
122 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
ˆ ´
a queda de Babilonia. Deus dera tambem a Daniel “um
´ ´
espırito extraordinario” que o diferenciava dos outros al-
´ ´
tos funcionarios. Dario talvez soubesse que, decadas antes,
ˆ
esse mesmo Deus ´ libertara tres jovens hebreus duma for-
´ ´
nalha ardente. E provavel que o rei esperasse que Jeova
˜ ˜
libertaria entao a Daniel, visto que Dario nao podia anular
a lei que havia assinado. De modo que Daniel foi lança-
˜
do na cova dos leoes.1 A seguir, “trouxe-se uma pedra e ela
foi colocada sobre a boca da cova, e o rei selou-a com o
seu anel de sinete e com o anel de sinete dos seus grandes,
˜
para que nao se mudasse nada no caso de Daniel”. — Da-
niel 6:16, 17.
´
UMA MUDANÇA DRAMATICA
17 Dario voltou deprimido ao seu palacio. ´ ˜
Nao lhe trou-
´ ˜
xeram musicos, porque nao estava disposto a se divertir.
Em vez disso, Dario ficou acordado a noite inteira, jejuan-
´
do. “Fugia-lhe o proprio sono.” Ao amanhecer, Dario foi
` ˜
apressadamente
´ a cova dos leoes. Clamou com voz tris-
ˆ
te: “O Daniel, servo do Deus vivente, pode o teu Deus, a
ˆ ˜
quem serves com constancia, salvar-te dos leoes?” (Daniel
´
6:18-20) Para o seu espanto — e total alıvio — houve res-
posta!
´
18 “O rei, vive por tempos indefinidos.” Com esse cum-
˜
primento respeitoso, Daniel mostrou que nao abrigava
ressentimento contra o rei. Dava-se conta de que a ver-
˜ ˜
dadeira causa da sua perseguiçao nao era Dario, mas os
´ ´
invejosos altos funcionarios e os satrapas. (Note Mateus
˜ ˆ ˆ
1 A cova dos leoes´ pode´ ter sido´ uma camara subterranea com uma
abertura no alto. E tambem provavel que tivesse portas ou grades que
podiam ser levantadas para deixar os animais entrar.
˜
17, 18. (a) O que mostra que a situaçao de Daniel afligia a Dario?
` ˜ ˜
(b) O que aconteceu quando o rei voltou a cova dos leoes na manha
seguinte?
˜
Salvo da boca dos leoes! 123
´
5:44; Atos 7:60.) Daniel prosseguiu: “Meu proprio Deus en-
˜ ˜
viou seu anjo e fechou a boca dos leoes, e eles nao me
´
causaram dano, pois diante dele se achou em mim a pro-
ˆ ´ ´ ˜
pria inocencia; e tambem perante ti, o rei, nao fiz nada
prejudicial.” — Daniel 6:21, 22.
19 Como essas palavras devem ter ferido a consciencia ˆ
de
˜
Dario! Ele sabia todo o tempo que Daniel nao fizera nada
˜
que merecesse ser lançado na cova dos leoes. Dario estava
´ ´
bem apercebido de que os altos funcionarios e os satrapas
haviam conspirado para que Daniel fosse morto e que ti-
´
nham manipulado o rei para conseguir seus fins egoıstas.
´
Por insistirem em que “todos os altos funcionarios do rei-
˜
no” haviam recomendado a emissao do edito, eles deram
´
a entender que Daniel tambem fora consultado sobre o
assunto. Dario cuidaria mais tarde desses homens trapacei-
´
ros. Primeiro, porem, ele deu ordens para que Daniel fosse
˜ ˜
tirado da cova dos leoes. Milagrosamente, Daniel nao so-
˜
frera nenhum arranhao. — Daniel 6:23.
20 Agora que Daniel estava a salvo, Dario tinha outro

assunto a tratar. “O rei deu ordens, e trouxeram aqueles va-


˜
roes vigorosos que acusaram a Daniel e lançaram-nos na
˜
cova dos leoes, com seus filhos e suas esposas; e nem ti-
˜ ´
nham atingido o fundo quando os leoes ja os dominaram,
e foram esmiuçados todos os seus ossos.”1 — Daniel 6:24.
21 Entregar a` morte nao ˜ ´
so os conspiradores, mas
´ ˜ ˜
1 A palavra “acusaram” e a traduçao duma expressao aramaica que
´
pode tambem ser vertida “caluniaram”. Isso destaca o objetivo mali-
cioso dos inimigos de Daniel.
´
19. Como fora Dario enganado e manipulado pelos altos funciona-
´
rios e pelos satrapas?
20. O que aconteceu aos maldosos inimigos de Daniel?
´
21. No modo de lidar com os membros das famılias de transgresso-
res, que contraste existia entre a Lei mosaica e as leis de algumas
culturas antigas?
˜ `
124 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
tambem suas esposas e seus filhos, pode parecer desarra-
zoadamente duro. Em contraste, a Lei que Deus dera por
´ ˜
meio do profeta Moises declarava: “Os pais nao devem ser
˜
mortos por causa dos filhos e os filhos nao devem ser mor-
tos por causa dos pais. Cada um deve ser morto pelo seu
´ ˆ
proprio pecado.” (Deuteronomio 24:16) No entanto, em
˜
algumas culturas antigas, nao era incomum que membros
´
da famılia fossem executados junto com o transgressor, no
caso dum crime grave. Talvez se fizesse isso para que os
´ ˜
membros da famılia depois nao tentassem se vingar. To-
˜ ´ ´
davia, essa açao contra as famılias dos altos funcionarios ´ e
´ ˜
dos satrapas certamente nao se originara de Daniel. E pro-
´
vavel que ele tenha ficado aflito por causa da calamidade
´ ` ´
que esses homens inıquos tinham causado as suas famı-
lias.
22 Os ardilosos altos funcionarios ´ ´
e os satrapas haviam
˜
desaparecido. Dario emitiu uma declaraçao, que dizia: “De
´
diante de mim se deu ordem para que em todo o domı-
nio do meu reino as pessoas tremam e temam diante do
´
Deus de Daniel. Porque ele e o Deus vivente e Aquele que
´
permanece por tempos indefinidos, e seu reino e um que
˜ ´ ´ ´
nao sera arruinado e seu domınio e para sempre. Ele salva,
´
e livra, e realiza sinais e maravilhas nos ceus e na terra, pois
˜
salvou a Daniel da pata dos leoes.” — Daniel 6:25-27.
ˆ
SIRVA A DEUS COM CONSTANCIA
23 Daniel deu um excelente exemplo a todos os hodier-
´
nos servos de Deus. A conduta dele sempre estava alem de
´
vituperio. No seu trabalho secular, Daniel “era digno de
˜
confiança, e nao se achava nele nenhuma coisa negligen-
˜
te ou corrupta”. (Daniel 6:4) De forma similar, o cristao
˜
22. Que nova proclamaçao emitiu Dario?
23. Que exemplo deu Daniel no seu serviço secular, e como pode-
´
mos nos ser iguais a ele?
˜
Salvo da boca dos leoes! 125
˜
deve ser diligente no seu emprego. Isso nao significa que
´
deva ser agressivo nos negocios, procurando ansiosamente
riqueza material ou prejudicando os outros para promo-
´
ver a sua carreira na firma. (1 Timoteo 6:10) As Escrituras
˜ ˜
exigem que o cristao cumpra suas obrigaçoes seculares de
´
forma honesta e de toda a alma “como para Jeova”. — Co-
lossenses 3:22, 23; Tito 2:7, 8; Hebreus 13:18.
˜
24 Daniel nao ˜ ˜
transigia em questoes de adoraçao. Seu
´ ´
costume de orar era de conhecimento publico. Alem disso,
´ ´
os altos funcionarios e os satrapas sabiam muito bem que
˜ ´
Daniel levava sua adoraçao a serio. Deveras, eles estavam
convencidos de que ele se apegaria a essa rotina mesmo
˜
que a lei a proibisse. Que belo exemplo para os cristaos
´ ˆ ˜ `
atuais! Eles tambem tem a reputaçao de dar primazia a
˜
adoraçao de Deus. (Mateus 6:33) Isso deve ser prontamen-
te evidente aos observadores, porque Jesus ordenou aos
seus seguidores: “Deixai brilhar a vossa luz perante os ho-
mens, para que vejam as vossas obras excelentes e deem
´ ´ ´
gloria ao vosso Pai, que esta nos ceus.” — Mateus 5:16.
25 Alguns talvez digam que Daniel poderia ter evitado a
˜ ´
perseguiçao por orar a Jeova em secreto durante os 30 dias.
˜
Afinal, nao se requer nenhuma postura ou ambiente es-
´ ´
pecıfico para se ser ouvido por Deus. Ele pode ate mesmo
˜ ˜
discernir as meditaçoes do coraçao. (Salmo 19:14) No en-
tanto, Daniel considerava que qualquer mudança na sua
ˆ ˆ
rotina equivaleria a uma transigencia. Por que?
26 Visto que o costume de Daniel orar era bem conheci-

do, que mensagem transmitiria se de repente desconti-


nuasse com ele? Os observadores poderiam concluir que
Daniel tinha medo do homem e que o decreto do rei se
˜ ˜ ˜
24. Como mostrou Daniel que nao transigia na questao da adoraçao?
25, 26. (a) O que poderiam alguns concluir com respeito ao proce-
der de Daniel? (b) Por que achava Daniel que uma mudança na sua
ˆ
rotina seria equivalente a uma transigencia?
˜ `
126 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
` ´
sobrepunha a lei de Jeova. (Salmo 118:6) Mas Daniel mos-
˜ ˜ ´
trou pelas suas açoes que dava devoçao exclusiva a Jeova.
ˆ ´
(Deuteronomio 6:14, 15; Isaıas 42:8) Naturalmente, por
˜
agir assim, Daniel nao desrespeitou a lei do rei. Mas tam-
pouco transigiu por covardia. Daniel simplesmente conti-
nuou a orar no seu quarto de terraço, “assim como havia
feito regularmente” antes do edito do rei.
27 Os servos de Deus hoje podem aprender algo do
`
exemplo de Daniel. Eles continuam ‘sujeitos as autorida-
` ´
des superiores’, obedecendo as leis do paıs em que vivem.
(Romanos 13:1) No entanto, quando as leis do homem es-
˜ ´
tao em conflito com as de Jeova Deus, o povo Dele adota a
˜ ´
posiçao dos apostolos de Jesus, que declararam firmemen-
te: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que
˜ ˜
aos homens.” (Atos 5:29) Por agirem assim, os cristaos nao
˜ ˜
promovem uma insurreiçao ou rebeliao. Antes, seu obje-
´
tivo simplesmente e viver em paz com todos os homens,
para que ‘continuem a levar uma vida calma e sossegada,
˜ ´
com plena devoçao piedosa’. — 1 Timoteo 2:1, 2; Roma-
nos 12:18.
28 Dario comentou em duas ocasioes ˜
que Daniel servia
ˆ
a Deus “com constancia”. (Daniel 6:16, 20) A raiz ara-
ˆ
maica da palavra traduzida “constancia” significa “andar
´ ´ ´
em cırculo”. Da a ideia de um ciclo contınuo ou algo per-
´
petuo. A integridade de Daniel era assim. Ela seguia um
˜ ´ ˜ ´
padrao previsıvel. Nao havia duvida sobre o que Daniel fa-
ria quando se visse confrontado com provas, quer grandes
´
quer pequenas. Ele continuaria no proceder que ja adota-
´ ´
ra decadas antes — o de lealdade e fidelidade a Jeova.
27. Como podem os servos de Deus hoje ser assim como Daniel em
`
(a) estar sujeitos as autoridades superiores, (b) obedecer a Deus como
governante antes que aos homens e (c) esforçar-se a viver pacifica-
mente com todos?
´ ˆ
28. De que modo serviu Daniel a Jeova “com constancia”?
Daniel
´
serviu a Jeova
ˆ
“com constancia”.
ˆ
E voce?

29 Os atuais servos de Deus querem imitar o proceder


´
de Daniel. Deveras, o apostolo Paulo admoestou todos os
˜
cristaos a considerar o exemplo de homens tementes a
´ ˜
Deus na antiguidade. Pela fe, eles “puseram em execuçao a
justiça, obtiveram promessas” e — evidentemente com re-
ˆ ˜ ´
ferencia a Daniel — “taparam as bocas de leoes”. Que nos,
´ ´
como servos de Jeova hoje em dia, demonstremos ter a fe
ˆ
e a constancia de Daniel, e “corramos com perseverança a
carreira que se nos apresenta”. — Hebreus 11:32, 33; 12:1.
´
29. Que proveito podem os servos de Jeova hoje tirar do proceder
fiel de Daniel?

O QUE DISCERNIU?
˙ Por que decidiu Dario, o Medo, usar Daniel
num alto cargo?
´
˙ Que trapaça inventaram os altos funciona-
´ ´
rios e os satrapas? Como Jeova salvou a
Daniel?
ˆ ˜
˙ O que aprendeu voce de prestar atençao ao
exemplo de fidelidade de Daniel?
´
C APITULO NOVE

´
QUEM GOVERNARA
O MUNDO?
A EMOCIONANTE profecia de Daniel nos leva agora de
ˆ ´
volta ao primeiro ano do rei babilonio Belsazar. Daniel ja
´ ˆ
por muito tempo e um exilado em Babilonia, mas nun-
´
ca vacilou na sua integridade para com Jeova. Agora, com
˜
mais de 70 anos, o fiel profeta tem “um sonho e visoes da
˜
sua cabeça, sobre a sua cama”. E como essas visoes o ame-
drontam! — Daniel 7:1, 15.
2 Daniel exclama: “Eis que os quatro ventos dos ceus ´
agitavam o vasto mar. E quatro animais gigantescos su-
biam do mar, cada um diferente dos outros.” Que animais
´ ´ ˜ ´
notaveis! O primeiro e um leao alado, e o segundo e se-
melhante a um urso. Depois vem um leopardo com quatro
asas e quatro cabeças. O quarto animal, extraordinaria-
mente forte, tem grandes dentes de ferro e dez chifres.
Dentre os dez chifres sobe um chifre “pequeno” que tem
“olhos semelhantes aos olhos de homem” e “uma boca fa-
lando coisas grandiosas”. — Daniel 7:2-8.
˜
3 As visoes ˜ ´
de Daniel se voltam entao para o ceu. O An-
´
tigo de Dias esta entronizado gloriosamente como Juiz na
´
Corte celestial. ‘Ha mil vezes mil que lhe ministram e dez
´
mil vezes dez mil que ficam de pe logo diante dele.’ Jul-
´
gando adversamente os animais, ele lhes tira o domınio e
´ ´
destroi o quarto animal. O domınio duradouro sobre “os
´ ´ ´
povos, grupos nacionais e lınguas” e entregue a “alguem
semelhante a um filho de homem”. — Daniel 7:9-14.
˜
1-3. Descreva o sonho e as visoes que Daniel teve no primeiro ano
do reinado de Belsazar.
˜ `
130 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
4“Quanto a mim”, diz Daniel, “meu espırito estava afli-
´ ˜
to dentro de mim por causa disso, e as proprias visoes da
minha cabeça começaram a amedrontar-me”. De modo
˜
que procura obter dum anjo “informaçao fidedigna sobre
´ ´
tudo isso”. O anjo, deveras, lhe da a conhecer “a propria
˜
interpretaçao dos assuntos”. (Daniel 7:15-28) O que Daniel
´ ´
viu e ouviu naquela noite e de grande interesse para nos,
porque delineava futuros acontecimentos mundiais que
´
atingem os nossos tempos, em que “alguem semelhante a
´
um filho de homem” recebe o domınio sobre todos “os po-
´
vos, grupos nacionais e lınguas”. Com a ajuda da Palavra e
´ ´ ´
do espırito de Deus nos tambem podemos entender o sig-
˜ ´
nificado dessas visoes profeticas.1
QUATRO ANIMAIS SOBEM DO MAR
5“Quatro animais gigantescos subiam do mar”, dis-
se Daniel. (Daniel 7:3) O que simbolizava o mar agitado
´ ˜
pelo vento? Anos depois, o apostolo Joao viu sair do “mar”
uma fera de sete cabeças. Esse mar representava “povos, e
˜ ˜ ´
multidoes, e naçoes, e lınguas” — o enorme conjunto da
´ ´
humanidade alheada de Deus. Portanto, o mar e um sım-
bolo apropriado das massas da humanidade alienada de
˜ ´
Deus. — Revelaçao (Apocalipse) 13:1, 2; 17:15; Isaıas 57:20.
6 “Quanto a estes animais gigantescos”, disse o anjo de
˜ ˜
Deus, “por serem quatro, sao quatro reis que se erguerao
da terra”. (Daniel 7:17) Evidentemente, o anjo identificou
os quatro animais vistos por Daniel como “quatro reis”.
˜
1 Para fins de clareza e para evitar repetiçao, consolidaremos os ver-
´ ´
sıculos explanatorios encontrados em Daniel 7:15-28 com uma con-
˜ ´ ´ ˜
sideraçao de versıculo por versıculo das visoes registradas em Daniel
7:1-14.
˜
4. (a) A quem recorreu Daniel para obter informaçoes fidedignas?
´ ´
(b) Por que e importante para nos aquilo que Daniel viu e ouviu na-
quela noite?
5. O que simboliza o mar agitado pelo vento?
6. O que representam os quatro animais?
´
Quem governara o mundo? 131
ˆ
Assim, esses animais significam potencias mundiais. Mas
quais delas?
´
7 Comentadores bıblicos costumam relacionar a vi-
˜
sao do sonho de Daniel de quatro animais com o sonho
´
de Nabucodonosor a respeito duma enorme estatua. Por
´
exemplo, The Expositor’s Bible Commentary (Comentario
´ ´
Bıblico do Expositor) declara: “O capıtulo 7 [de Daniel]
´ ´
e paralelo ao capıtulo 2.” The Wycliffe Bible Commentary
´ ´
(Comentario Bıblico de Wycliffe) diz: “Em geral se concor-
˜ ´ ´
da que a sucessao de quatro domınios gentios . . . e aqui
´ ´
[em Daniel, capıtulo 7] a mesma que a vista no capıtulo 2
ˆ
[de Daniel].” As quatro potencias mundiais representadas
pelos quatro metais do sonho de Nabucodonosor foram o
´ ˆ ´
Imperio Babilonico (cabeça de ouro), a Medo-Persia (peito
´
e braços de prata), a Grecia (ventre e coxas de cobre) e o
´
Imperio Romano (pernas de ferro).1 (Daniel 2:32, 33) Veja-
mos como esses reinos correspondem aos quatro animais
gigantescos vistos por Daniel.
˜ ´
FEROZ COMO LEAO, VELOZ COMO AGUIA
8 Que animais impressionantes Daniel viu! Descreven-
˜
do um desses, ele disse: “O primeiro era como leao e ti-
´ ´
nha asas de aguia. Eu estava observando ate que se lhe
arrancaram as asas, e ele foi levantado da terra e posto nos
´ ˜
dois pes como um homem, e deu-se-lhe um coraçao de ho-
´
mem.” (Daniel 7:4) Esse animal retratava o mesmo domı-
´
nio representado pela cabeça de ouro da enorme estatua,
´
1 Veja o Capıtulo 4 deste livro.
´ ` ˜
7. (a) O que dizem certos comentadores bıblicos referente a visao do
sonho de Daniel a respeito dos quatro animais e do sonho de Nabu-
´
codonosor, de uma enorme estatua? (b) O que representa cada uma
´ ´
das partes metalicas da estatua?
´
8. (a) Como descreveu Daniel o primeiro animal? (b) Que imperio
foi representado pelo primeiro animal, e de que forma agiu como
˜
leao?
˜ `
132 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
ˆ
a Potencia Mundial Ba-
ˆ
bilonica (607-539 AEC).
˜
Igual a um “leao” preda-
´ ˆ
torio, Babilonia devo-
rava ferozmente na-
˜
çoes, incluindo o povo
de Deus. ( Jeremias 4:5-7;
˜
50:17) Esse “leao”, como
´
que com asas de aguia,
avançava numa conquis-
ta agressiva. — Lamen-
˜
taçoes 4:19; Habacuque
1:6-8.
9 Com o tempo, ‘arran-

caram-se as asas’ desse


´ ˜
extraordinario leao ala-
ˆ
do. Perto do fim do governo do Rei Belsazar, Babilonia
perdeu a velocidade de conquista e a supremacia leonina
˜ ˜
sobre as naçoes. Nao era mais veloz do que um ho-
˜
mem, que tem duas pernas. Recebendo “um coraçao de
˜ ˜
homem”, ficou fraca. Faltando-lhe “o coraçao do leao”, Ba-
ˆ ˜
bilonia nao mais podia comportar-se como rei “entre os
animais da floresta”. (Note 2 Samuel 17:10; Miqueias 5:8.)
Outro animal gigantesco acabou com ela.
VORAZ COMO URSO
10 “Eis aqui outro animal”, disse Daniel, “um segundo,
semelhante a um urso. E estava levantado dum lado, e ha-
ˆ
via tres costelas na sua boca entre os seus dentes; e dizia-
se-lhe o seguinte: ‘Levanta-te, come muita carne.’ ” (Da-
´
niel 7:5) O rei simbolizado pelo “urso” era o mesmıssimo
representado pelo peito e pelos braços de prata da enorme
9. Que mudanças sofreu o animal leonino e como o afetaram?
10. Que linhagem de governantes o “urso” simbolizava?
´
Quem governara o mundo? 133
´
estatua — a linhagem de
governantes medo-per-
sas (539-331 AEC), co-
meçando com Dario, o
Medo, e Ciro, o Gran-
de, e terminando com
Dario III.
´
11 O urso simbolico es-
tava “levantado dum la-
do”, talvez pronto para
˜
atacar e subjugar naçoes,
mantendo assim o poder
´ ´
mundial. Ou e possıvel
˜
que essa posiçao visasse
mostrar que a linhagem
de governantes persas ob-
ˆ ´ ˆ
teria ascendencia sobre o unico rei medo, Dario. As tres
ˆ
costelas entre os dentes do urso podem indicar as tres dire-
˜
çoes em que fez as suas conquistas. O “urso” medo-persa
ˆ
foi para o norte para se apoderar ´ de Babilonia em 539 AEC.
´ ´
Foi para o oeste atraves da Asia Menor e para a Tracia. Por
fim, o “urso” foi para o sul, para conquistar o Egito. Visto
´ ˆ ` ˆ
que o numero tres as vezes simboliza intensidade, as tres
´
costelas podem tambem enfatizar a avidez de conquista do
´
urso simbolico.
12 O “urso” atacou naçoes ˜ `
em resposta as palavras: “Le-
ˆ
vanta-te, come muita carne.” Devorando Babilonia segundo
´ ˜
a vontade divina, a Medo-Persia estava em condiçoes de rea-
´
lizar um valioso serviço para com o povo de Jeova. E fez isso!
´
(Veja “Um monarca tolerante”, na pagina 149.) Por meio de
´
11. O que significava estar o urso simbolico levantado dum lado e
ˆ
ter tres costelas na boca?
´ `
12. O que resultou de o urso simbolico obedecer a ordem: “Levan-
ta-te, come muita carne”?
˜ `
134 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

Ciro, o Grande, Dario I


(Dario, o Grande) e Arta-
´
xerxes I, a Medo-Persia li-
bertou os judeus cativos
ˆ
em Babilonia, e ajudou-
os a reconstruir o templo
´
de Jeova e a consertar as
´
muralhas de Jerusalem.
Com o tempo, a Medo-
´
Persia passou a governar
127 distritos jurisdicio-
nais, e o marido da Rai-
nha Ester, Assuero (Xer-
´ xes I), “reinava desde a
´ ´
India ate a Etiopia”. (Ester 1:1) No entanto, estava para sur-
gir outro animal.
VELOZ COMO UM LEOPARDO ALADO!
13 O terceiro animal era “semelhante a um leopardo,
mas tinha quatro asas de criatura voadora nas suas costas.
E o animal tinha quatro cabeças e deveras foi-lhe dado do-
´
mınio”. (Daniel 7:6) Como seu equivalente, o ventre e as
´
coxas de cobre da estatua do sonho de Nabucodonosor,
esse leopardo de quatro asas e quatro cabeças simbolizava
ˆ
a linhagem macedonia, ou grega, de governantes, come-
çando com Alexandre, o Grande. Alexandre, com ´ a agilida-
de e a velocidade dum leopardo, atravessou a Asia Menor,
´
foi
´ para o sul ao Egito, e seguiu ate a fronteira ocidental da
´
India. (Note Habacuque 1:8.) Seu domınio foi maior do
´ ˆ ´
que o do “urso”, porque incluıa a Macedonia, a Grecia e o
´
Imperio Persa. — Veja “Um jovem rei conquista o mundo”,
´
na pagina 153.
13. (a) O que simbolizava o terceiro animal? (b) O que se pode di-
´
zer sobre a velocidade do terceiro animal e do domınio que ocupava?
´
Quem governara o mundo? 135

14O “leopardo” ficou com quatro cabeças depois da


morte de Alexandre em 323 AEC. Quatro dos seus generais
tornaram-se por fim seus sucessores em partes diferentes
´ ˆ ´
do domınio dele. Seleuco obteve a Mesopotamia e a Sıria.
´
Ptolomeu ´ controlou o Egito´ e a Palestina. Lisımaco gover-
nou a Asia Menor e a Tracia, e Cassandro ficou com a
ˆ ´ ´
Macedonia e a Grecia. (Veja “Um vasto reino e dividido”,
´ ´
na pagina 162.) Daı surgiu uma nova ameaça.
UM ATEMORIZANTE ANIMAL REVELA-SE DIFERENTE
15 Daniel descreveu o quarto animal como “atemorizan-
´
te e terrıvel, e extraordinariamente forte”. Ele prosseguiu:
“E tinha dentes de ferro, grandes. Devorava e esmiuçava,
´
e o resto calcava com os seus pes. E era diferente de todos
os outros animais que lhe precederam, e tinha dez chifres.”
(Daniel 7:7) Esse atemorizante animal começou como a
ˆ ´
potencia polıtica e militar de Roma. Aos poucos, apode-
˜ ´ ´
rou-se das quatro divisoes helenısticas do Imperio Grego, e
´ ´
no ano 30 AEC, Roma ja havia emergido como a proxima
ˆ ´ ´
potencia mundial da profecia bıblica. O Imperio Romano,
subjugando tudo no seu caminho pela força militar, au-
´ ´
mentou por fim ate cobrir uma area que se estendia desde
ˆ ´
as Ilhas Britanicas para baixo, atraves de boa parte da Euro-
ˆ ´ ˆ ´
pa, em torno do Mediterraneo e alem de Babilonia ate o
´
golfo Persico.
16 Desejoso de certificar-se a respeito desse animal “ex-

traordinariamente atemorizante”, Daniel escutou com


˜ ˜
atençao a explicaçao do anjo: “Quanto aos [seus] dez chi-
˜
fres, daquele reino levantar-se-ao dez reis; e depois deles
´ ´
levantar-se-a ainda outro, e ele mesmo sera diferente dos
ˆ ˜
primeiros, e tres reis serao humilhados.” (Daniel 7:19, 20,
24) O que eram esses “dez chifres”, ou “dez reis”?
14. Como passou o “leopardo” a ter quatro cabeças?
15. (a) Descreva o quarto animal. (b) O que simbolizava o quarto
animal, e como devorava e esmiuçava tudo no seu caminho?
˜
16. Que informaçao deu o anjo a respeito do quarto animal?
˜ `
136 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

17 Ao passo que Roma se tornou mais afluente e cada


vez mais decadente, por causa do modo de vida licencio-
ˆ
so da sua classe governante, ela diminuiu como potencia
´
militar. Com o tempo, o declınio da força militar de Roma
´
tornou-se bem evidente. O poderoso imperio, por fim, des-
´
fez-se em muitos reinos. Visto que a Bıblia muitas vezes
´
usa o numero dez para indicar inteireza, os “dez chifres”
do quarto animal representam todos os reinos resultantes
˜ ˆ
da dissoluçao de Roma. — Note Deuteronomio 4:13; Lucas
15:8; 19:13, 16, 17.
18 A Potenciaˆ ´ ˜
Mundial Romana, porem, nao acabou com
˜ ´
a remoçao do seu ultimo imperador em Roma, em 476 EC.
´
Por muitos seculos, a Roma papal continuou a exercer do-
´ ´
mınio polıtico, e especialmente religioso, sobre a Europa.
Fez isso por meio do sistema feudal, em que a maioria
dos habitantes da Europa estavam sujeitos a um senhor, e
consequentemente a um rei. E todos os reis reconheciam
´
a autoridade do papa. De modo que o Santo Imperio Ro-
mano, tendo a Roma papal como ponto focal, dominou os
´ ´
assuntos do mundo durante aquele longo perıodo da histo-
ria chamado Era do Obscurantismo.
19 Quem pode negar que o quarto animal era “diferen-

te de todos os outros reinos”? (Daniel 7:7, 19, 23) Nesse


respeito, o historiador H. G. Wells escreveu: “Esta nova po-
ˆ ´
tencia romana . . . era em varios sentidos diferente de
´ ´ ˜
qualquer dos grandes imperios que ate entao haviam pre-
valecido no mundo civilizado. . . . Incorporou quase todo
˜
o povo grego do mundo, e a sua populaçao era menos
´ ´
predominantemente camıtica e semıtica do que a de qual-
´ ´ ˜
quer imperio precedente . . . Tratava-se ate entao dum novo
17. O que simbolizam os “dez chifres” do quarto animal?
´
18. De que forma continuou Roma a exercer domınio sobre a Euro-
´ ˜ ´
pa por seculos depois da remoçao do seu ultimo imperador?
19. Segundo certo historiador, como se comparava Roma com os im-
´
perios precedentes?
´
Quem governara o mundo? 137

˜ ´ ´
padrao na historia . . . O Imperio Romano foi um desen-
´ ˜
volvimento, um desenvolvimento insolito, nao planejado;
o povo romano, quase sem se aperceber disso, viu-se en-
ˆ
volvido numa vasta experiencia administrativa.” Deveras,
o quarto animal ia crescer mais.
´
UM CHIFRE PEQUENO OBTEM SUPERIORIDADE
20 “Eu estava contemplando os chifres”, disse Daniel, “e
ˆ
eis que subiu entre eles outro chifre, um pequeno, e tres
dos primeiros chifres foram arrancados diante dele”. (Da-
niel 7:8) Sobre esse chifre pequeno, o anjo disse a Daniel:
´
“Depois deles [dos dez reis] levantar-se-a ainda outro, e ele
´ ˆ ˜
mesmo sera diferente dos primeiros, e tres reis serao humi-
´
lhados.” (Daniel 7:24) Quem e esse rei, quando se levantou
ˆ
e que tres reis ele humilhou?
20. O que disse o anjo a respeito da subida dum chifre pequeno na
cabeça do quarto animal?
˜ `
138 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

21 Considere os seguintes acontecimentos. Em 55 AEC, o


´ ´
general romano Julio Cesar invadiu a Bretanha, mas dei-
xou de estabelecer ali um povoamento permanente. Em
´
43 EC, o Imperador Claudio iniciou uma conquista mais
´
permanente do sul da Bretanha. Daı, em 122 EC, o Impe-
rador Adriano começou a construir uma muralha desde o
´
rio Tyne ate o golfo de Solway, demarcando o limite seten-
´ ´
trional do Imperio Romano. No começo do quinto seculo,
˜ ´
as legioes romanas deixaram a ilha. “No seculo 16”, expli-
ˆ
cou um historiador, “a Inglaterra tinha sido uma potencia
de segunda classe. A sua riqueza era pouca em compa-
˜ ´ ˜
raçao com a dos Paıses Baixos. A sua populaçao era bem
menor do que a da França. Suas forças armadas (incluindo
`
a marinha) eram inferiores as da Espanha.” Evidentemen-
˜
te, a Bretanha era entao um reino insignificante, sendo o
´
simbolico chifre pequeno do quarto animal. Mas isso ia
mudar.
22 Em 1588, Filipe II, da Espanha, lançou a Armada Es-

panhola contra a Bretanha. Essa frota de 130 navios, com


mais de 24 mil homens, navegou pelo canal da Mancha,
ˆ ´
apenas para ser derrotada pela marinha britanica, e ser vı-
´ ˆ
tima de ventos contrarios e de ferozes tempestades atlan-
ticas. Esse acontecimento “marcou a decisiva passagem da
supremacia naval da Espanha para a Inglaterra”, disse cer-
´
to historiador. No seculo 17, os holandeses desenvolveram
a maior marinha mercante do mundo. A Bretanha, po-
´ ˆ ´
rem, com o aumento das suas colonias de alem-mar, preva-
´ ˆ
leceu sobre esse reino. Durante o seculo 18, os britanicos
´
e os franceses
´ guerreavam entre si na America do Nor-
te e na India, o que levou ao Tratado de Paris, em 1763.
´
21. Como passou a Bretanha a ser o simbolico chifre pequeno do
quarto animal?
ˆ
22. (a) Que outros tres chifres do quarto animal foram vencidos pelo
˜ ˜ ˆ
chifre “pequeno”? (b) A Gra-Bretanha emergiu entao como o que?
ˆ
POTENCIAS MUNDIAIS DA PROFECIA DE DANIEL
´ Quatro animais
A enorme est atua
(Daniel 2:31-45) saem do mar
(Daniel 7:3-8, 17, 25)

ˆ
BABIL ONIA
a partir de 607 AEC

´
MEDO-PERSIA
a partir de 539 AEC

´
GRECIA
a partir de 331 AEC

ROMA
a partir de 30 AEC

ˆ
POT ENCIA MUNDIAL ANGLO-
AMERICANA a partir de 1763 EC

MUNDO POLITICAMENTE
DIVIDIDO no tempo do fim
˜ `
140 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

Esse tratado, disse o au-


tor William B. Willcox,
“reconheceu a nova po-
˜ ˜
siçao da Gra-Bretanha
ˆ
como potencia europeia
dominante no mundo
fora da Europa”. A su-
˜
premacia da Gra-Breta-
nha foi confirmada pela
´
esmagadora vitoria so-
˜
bre Napoleao, da Fran-
ˆ
ça, em 1815 EC. Os “tres
˜
reis” que a Gra-Breta-
nha assim ‘humilhou’
´
foram a Espanha, os Paı-
ses Baixos e a França.
(Daniel 7:24) Em resul-
˜ ˆ
tado disso, a Gra-Bretanha emergiu como a maior potencia
colonial e comercial do mundo. Deveras, o chifre “peque-
ˆ
no” tornara-se uma potencia mundial!
23 O anjo disse a Daniel que o quarto animal, ou quar-

to reino, ‘devoraria toda a terra’. (Daniel 7:23) Mostrou


´
ser assim com a provıncia romana antigamente conheci-
´ ˆ
da como Bretanha. Por fim, tornou-se o Imperio Britani-
´ ´
co e ‘devorou toda a terra’. Em certo perıodo, esse imperio
´
abrangia um quarto da superfıcie terrestre do globo e um
˜
quarto da sua populaçao.
24 Assim como o Imperio ´
Romano era diferente das ante-
ˆ
riores potencias mundiais, assim o rei retratado pelo chifre
´
“pequeno” tambem seria “diferente dos primeiros”. (Da-
´ ´
23. De que forma e que o pequeno chifre simbolico ‘devorou toda a
terra’?
´ ˆ
24. O que disse um historiador sobre o Imperio Britanico ser dife-
rente?
´
Quem governara o mundo? 141
´ ˆ
niel 7:24) Referente ao Imperio Britanico, o historiador
ˆ
H. G. Wells observou: “Nada no genero existiu jamais an-
tes. . . . Primeiro, e como centro de todo o sistema,
´
encontrava-se a ‘republica coroada’ dos Reinos Unidos Bri-
ˆ ´ ´
tanicos . . . Nenhuma unica secretaria e nenhum unico
´ ´ ˆ
cerebro chegou jamais a compreender o Imperio Britanico
como um todo. . . . Era, na verdade, uma mistura de coisas
˜
em crescimento e de acumulaçoes inteiramente diferente
´ ˜ ´
de tudo quanto ate entao foi jamais chamado imperio.”
25 Havia mais envolvido no chifre “pequeno” do que o
´ ˆ ˜
Imperio Britanico. Em 1783, a Gra-Bretanha reconhe-
ˆ ˆ
ceu a independencia das suas 13 colonias americanas. Os
´
Estados Unidos da America tornaram-se subsequentemen-
˜
te aliados da Gra-Bretanha, emergindo da Segunda Guerra
˜ ˆ
Mundial como naçao dominante da Terra. Eles ainda tem
´ ˜ ˆ
fortes vınculos com a Gra-Bretanha. A resultante potencia
mundial dupla anglo-americana constitui o “chifre que ti-
ˆ ´
nha olhos”. Deveras, essa potencia mundial e observadora,
´
astuta! ‘Fala coisas grandiosas’, dita a polıtica para grande
parte do mundo e atua como seu porta-voz, ou “falso pro-
˜
feta”. — Daniel 7:8, 11, 20; Revelaçao 16:13; 19:20.
˜
O CHIFRE PEQUENO OPOE-SE
A DEUS E AOS SANTOS DELE
26 Daniel continuou a descrever sua visao, ˜
dizendo: “Eu
estava observando quando este mesmo chifre fez guerra
aos santos, e prevalecia contra eles.” (Daniel 7:21) Referen-
´
te a esse “chifre”, ou rei, o anjo de Deus predisse: “Falara
´ ´ ´
ate mesmo palavras contra o Altıssimo e hostilizara conti-
´ ´
nuamente os proprios santos do Supremo. E tentara mudar
´
25. (a) O que constitui o pequeno chifre simbolico no seu mais re-
cente desenvolvimento? (b) Em que sentido tem o chifre “pequeno”
“olhos semelhantes aos olhos de homem” e “uma boca falando coi-
sas grandiosas”?
˜
26. O que predisse o anjo a respeito da fala e da açao do chifre sim-
´ ´
bolico para com Jeova e os servos dele?
˜ `
142 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜ ` ˜
tempos e lei, e serao entregues a sua mao por um tempo,
e tempos e metade de um tempo.” (Daniel 7:25) Como e
quando se cumpriu essa parte da profecia?
27 ‘Os santos’ perseguidos pelo chifre “pequeno” — que
´ ˆ ˜
e a Potencia Mundial Anglo-Americana — sao os segui-
´
dores de Jesus na Terra, ungidos pelo espırito. (Romanos
1:7; 1 Pedro 2:9) Durante anos, antes da Primeira Guerra
Mundial, os do restante desses ungidos advertiram pu-
˜
blicamente que 1914 marcaria a terminaçao dos “tempos
˜
designados das naçoes”. (Lucas 21:24) Quando irrompeu a
guerra naquele ano, era evidente que o chifre “pequeno”
ˆ
havia desconsiderado essa advertencia, porque persistiu
ˆ
em hostilizar os “santos” ungidos. A Potencia Mundial An-
´ ˆ
glo-Americana ate mesmo se opos aos esforços deles de
´
cumprir com o requisito (ou “lei”) de Jeova, de que as boas
novas do Reino fossem pregadas mundialmente pelas Suas
testemunhas. (Mateus 24:14) O chifre “pequeno” tentou
assim “mudar tempos e lei”.
28 O anjo de Jeova´ referiu-se a um perıodo ´ ´
profetico de
“um tempo, e tempos e metade de um tempo”. Que dura-
˜ ´
çao tem ele? Comentadores bıblicos em geral concordam
˜ ˆ
que essa expressao indica tres tempos e meio — a soma
de um tempo, dois tempos e metade de um tempo. Visto
que os “sete tempos” de loucura de Nabucodonosor eram
ˆ ˜ ˆ
sete anos, os tres tempos e meio sao tres anos e meio.1 (Da-
˜ ˜
niel 4:16, 25) A versao An AmericanTranslation reza: “Serao
´
entregues a ele por um ano, dois anos e meio ano.” A Bı-
ˆ
blia na Linguagem de Hoje diz: “Durante tres anos e meio.”
´ ´ ˜
O mesmo perıodo e mencionado em Revelaçao 11:2-7, que
´
1 Veja o Capıtulo 6 deste livro.
˜
27. (a) Quem sao ‘os santos’ perseguidos pelo chifre “pequeno”?
´
(b) Como pretendia o chifre simbolico “mudar tempos e lei”?
´ ˜
28. Qual e a duraçao de “um tempo, e tempos e metade de um tem-
po”?
´
Quem governara o mundo? 143

diz que as testemunhas de Deus pregariam trajadas de sera-


˜
pilheira por 42 meses, ou 1.260 dias, e que entao seriam
mortas. Quando começou e quando terminou esse pe-
´
rıodo?
29 Para os cristaos ˜
ungidos, a Primeira Guerra Mundial
significou um tempo de prova. Ao fim de 1914, espe-
˜ ´
ravam perseguiçao. Na realidade, o proprio texto do ano
escolhido para 1915 foi a pergunta que Jesus fez aos seus
´ ´ ´
discıpulos: “Podeis vos beber do meu calice?” Baseava-se
em Mateus 20:22, da King James Version. Portanto, a partir
de dezembro de 1914, esse pequeno grupo de testemunhas
pregava ‘trajado de saco’.
30 Ao passo que aumentava a febre de guerra, os cristaos ˜
˜
ungidos encontravam crescente oposiçao. Alguns deles fo-
ram encarcerados. Certos deles, tais como Frank Platt, na
´
Inglaterra, e Robert Clegg, no Canada, foram torturados
´
por autoridades sadısticas. Em 12 de fevereiro de 1918, o
´ ´ ˆ ´
Domınio do Canada, britanico, proscreveu o recem-publi-
´
cado setimo volume dos Estudos das Escrituras, intitulado
´
O Misterio Consumado, bem como os tratados intitulados
´ ´ ˆ
Mensario dos Estudantes da Bıblia. No mes seguinte, o De-
partamento de Justiça dos Estados Unidos decretou que a
˜ ´
distribuiçao do setimo volume era ilegal. Com que re-
˜
sultado? Ora, casas foram vasculhadas, publicaçoes foram
´
confiscadas e adoradores de Jeova foram presos!
31 A hostilizaçao˜
movida aos ungidos de Deus atingiu
´
o clımax em 21 de junho de 1918, quando o presidente,
J. F. Rutherford, e membros de destaque da Sociedade Tor-
´
re de Vigia de Bıblias e Tratados, dos Estados Unidos,
˜
sob acusaçoes falsas, foram sentenciados a longos termos
´ ˆ
29. Quando e como começaram os profeticos tres anos e meio?
˜ ˆ
30. Como foram os cristaos ungidos hostilizados pela Potencia Mun-
dial Anglo-Americana durante a Primeira Guerra Mundial?
31. Quando e como terminaram “um tempo, e tempos e metade de
um tempo”?
˜ `
144 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
de prisao. Ao pretender “mudar tempos e lei”, o chifre “pe-
queno”, para todos os efeitos, havia acabado com a prega-
˜ ˜
çao organizada. (Revelaçao 11:7) De modo que o predito
´
perıodo de “um tempo, e tempos e metade de um tempo”
terminou em junho de 1918.
˜
32 Mas ‘os santos’ nao foram eliminados pela hostiliza-
˜
çao do chifre “pequeno”. Conforme profetizado no livro
˜ ´
de Revelaçao, depois de um curto perıodo de inatividade,
˜
os cristaos ungidos ficaram novamente vivos e ativos. (Re-
˜
velaçao 11:11-13) Em 26 de março de 1919, o presidente da
´
Sociedade Torre de Vigia de Bıblias e Tratados, dos Estados
˜
Unidos, e seus associados foram soltos da prisao e mais tar-
˜
de inocentados das acusaçoes falsas lançadas contra eles.
Logo depois, o restante ungido começou a se reorganizar
para atividade futura. No entanto, o que estava reservado
para o chifre “pequeno”?
O ANTIGO DE DIAS PRESIDE AO JULGAMENTO
33 Depois de apresentar os quatro animais, os olhos de
´
Daniel se desviam do quarto animal para uma cena no ceu.
ˆ
Ele ve o Antigo de Dias assentar-se como Juiz no seu res-
´ ´ ´
plendente trono. O Antigo de Dias e o proprio Jeova Deus.
(Salmo 90:2) Ao passo que a Corte celestial se assenta, Da-
ˆ
niel ve que ‘se abrem livros’. (Daniel 7:9, 10) Visto que a
ˆ ´
existencia de Jeova se estende ao passado infinito, ele co-
´
nhece toda a historia humana como se estivesse escrita
´
num livro. Observou todos os quatro animais simbolicos
˜
e pode fazer o julgamento deles segundo informaçoes de
˜
primeira mao.
34 Daniel prossegue: “Continuei observando naquele

˜
32. Por que diria que ‘os santos’ nao foram eliminados pelo chifre
“pequeno”?
´
33. (a) Quem e o Antigo de Dias? (b) O que eram os ‘livros que fo-
ram abertos’ na Corte celestial?
´ ` ˆ
34, 35. O que acontecera ao chifre “pequeno” e as outras potencias
animalescas?
´
Quem governara o mundo? 145

tempo por causa do som das palavras grandiosas faladas


´
pelo chifre; eu estava observando ate que o animal foi mor-
´
to e seu corpo foi destruıdo, e foi entregue ao fogo ardente.
´
Mas, quanto aos demais animais, tirou-se-lhes o seu domı-
nio e foi-lhes dado prolongamento de vida por um tempo e
´ ´
uma epoca.” (Daniel 7:11, 12) O anjo diz a Daniel: “O pro-
prio Tribunal passou a assentar-se, e tiraram-lhe finalmen-
´ ´
te seu proprio domınio, a fim de o aniquilar e destruir
totalmente.” — Daniel 7:26.
35 Por decreto do Grande Juiz, Jeova´ Deus, o chifre que
´
blasfemou a Deus e que hostilizou os “santos” dele tera
´
de sofrer o mesmo que o Imperio Romano, que perseguiu
˜ ´ ˜ ´
os primeiros cristaos. Seu domınio nao continuara. Tam-
´
pouco continuara o dos “reis” inferiores, semelhantes a
´ ´
chifres, que saıram do Imperio Romano. No entanto, que
´ ˆ
dizer dos domınios derivados das anteriores potencias ani-
malescas? Conforme predito, sua vida foi estendida “por
´ ´ ˆ
um tempo e uma epoca”. Seus territorios tem continuado
´
a ter habitantes ate os nossos dias. Por exemplo, o Iraque
´ ˆ ´ ˜ ´
ocupa o territorio da antiga Babilonia. A Persia (Ira) e a Gre-
ˆ
cia ainda existem. O que resta dessas potencias mundiais
˜ ´
faz parte das Naçoes Unidas. Esses reinos tambem perece-
˜ ´ ˆ
rao quando a ultima potencia mundial for aniquilada. To-
˜
dos os governos humanos serao obliterados na “guerra do
˜
grande dia de Deus, o Todo-Poderoso”. (Revelaçao 16:14,
´ ˜
16) Mas quem governara entao o mundo?
´ ´
UM DOMINIO DURADOURO E IMINENTE!
36 “Continuei observando nas visoes ˜
da noite”, falou Da-
niel. “Eis que aconteceu que chegou com as nuvens dos
´ ´
ceus alguem semelhante a um filho de homem; e ele ob-
teve acesso ao Antigo de Dias, e fizeram-no chegar perto
´ ´
36, 37. (a) Quem e o “alguem semelhante a um filho de homem”,
e quando e para que fim apareceu ele na Corte celestial? (b) O que
se estabeleceu em 1914 EC?
˜ `
146 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

perante Este”. (Daniel 7:13) Quando Jesus Cristo esteve na


Terra, ele chamou a si mesmo de “o Filho do homem”, in-
dicando seu parentesco com a humanidade. (Mateus 16:13;
´
25:31) Jesus disse ao Sinedrio, ou suprema corte judaica:
`
“Vereis o Filho do homem sentado a destra de poder e
´
vindo nas nuvens do ceu.” (Mateus 26:64) De modo que
˜ ´
aquele que chegou na visao de Daniel, invisıvel aos olhos
´
humanos, e que obteve acesso a Jeova Deus era o ressusci-
tado e glorificado Jesus Cristo. Quando aconteceu isso?
37 Deus fez com Jesus Cristo um pacto para um Reino,

assim como fizera um com o Rei Davi. (2 Samuel 7:11-16;


Lucas 22:28-30) Quando “os tempos designados das na-
˜
çoes” acabaram em 1914 EC, Jesus Cristo, como herdeiro
´
regio de Davi, podia legitimamente receber o governo do
´
Reino. O registro profetico de Daniel reza: “Foi-lhe dado
´
domınio, e dignidade, e um reino, para que todos os povos,
´ ´ ´
grupos nacionais e lınguas o servissem. Seu domınio e um
´ ˜ ˜ ´
domınio de duraçao indefinida, que nao passara, e seu rei-
´ ˜ ´
no e um que nao sera arruinado.” (Daniel 7:14) De modo
ˆ ´
que o Reino messianico foi estabelecido no ceu em 1914.
´ ´ ´
No entanto, o domınio tambem e dado a outros.
38 “Os santos do Supremo receberao ˜
o reino”, disse o
´
anjo. (Daniel 7:18, 22, 27) Jesus Cristo e o principal santo.
ˆ
(Atos 3:14; 4:27, 30) Os outros “santos” que tem uma parti-
˜ ´ ˜ ˜ ´
cipaçao no domınio sao os 144 mil cristaos fieis, ungidos
´ ˜
com espırito, que sao herdeiros do Reino junto com Cristo.
˜
(Romanos 1:7; 8:17; 2 Tessalonicenses 1:5; 1 Pedro 2:9) Sao
´
ressuscitados da morte como espıritos imortais, para reina-
˜ ˜
rem com Cristo no monte Siao celestial. (Revelaçao 2:10;
˜
14:1; 20:6) Por isso, Cristo Jesus e os ressuscitados cristaos
˜
ungidos governarao o mundo da humanidade.
39 Referente ao domınio ´
do Filho do homem e dos ou-
tros “santos” ressuscitados, o anjo de Deus disse: “O reino,
´ ´
38, 39. Quem recebera o domınio eterno sobre o mundo?
˜ `
148 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
e o domınio, e a grandiosidade dos reinos debaixo de to-
´ ˜
dos os ceus foram entregues ao povo que sao os santos do
´ ˜
Supremo. Seu reino e um reino de duraçao indefinida e a
´ ˜ ˜ ´
eles e que servirao e obedecerao todos os domınios.” (Da-
ˆ ˜ ´
niel 7:27) Que bençaos a humanidade obediente tera sob
esse Reino!
40 Daniel nao˜
estava apercebido de todos os maravilho-
˜
sos cumprimentos das visoes que Deus lhe deu. Ele disse:
“Aqui termina o assunto. Quanto a mim, Daniel, amedron-
´
tavam-me muito os meus proprios pensamentos, de modo
´
que ate mesmo mudei de cor; mas o assunto mesmo eu
´ ˜
guardei no meu proprio coraçao.” (Daniel 7:28) No entan-
´
to, nos vivemos no tempo em que podemos entender o
˜
cumprimento do que Daniel viu. Prestarmos atençao a essa
´ ´ ´ ˜
profecia fortalecera a nossa fe e reforçara nossa convicçao
ˆ ´ ´
de que o Rei messianico de Jeova governara o mundo.
˜
40. Como podemos ser beneficiados por prestar atençao ao sonho e
` ˜
as visoes de Daniel?

O QUE DISCERNIU?
˙ O que simboliza cada um dos ‘quatro ani-
mais gigantescos que sobe do mar’?
˙ O que constitui o chifre “pequeno”?
˙ Como foram “os santos” hostilizados pelo
´
simbolico chifre pequeno durante a Primeira
Guerra Mundial?
´ ´
˙ O que acontecera ao pequeno chifre simboli-
` ˆ
co e as outras potencias animalescas?
´ ˆ
˙ Que benefıcio obteve voce de prestar aten-
˜ ` ˜
çao ao sonho e as visoes de Daniel a respeito
dos “quatro animais gigantescos”?
149

UM MONARCA TOLERANTE

´
UM ESCRITOR grego do quinto seculo AEC lembrou-o
´ ´
como monarca tolerante e ideal. Na Bıblia, ele e chamado
de “ungido” de Deus e de “ave de rapina” vinda “desde o
´
nascente”. (Isaıas 45:1; 46:11) O monarca mencionado as-
´ ´
sim e Ciro, o Grande, da Persia.
Ciro come çou a se tornar famoso por volta de
560/559 AEC, quando sucedeu ao pai, Cambises I, no tro-
˜ ´ ˜
no de Anxa, cidade ou distrito da antiga Persia. Anxa estava
˜ ´
entao sob a suserania do rei medo Astıages. Ciro, revoltan-
´ ´ ´
do-se contra o domınio medo, ganhou uma rapida vitoria
´ ´
porque o exercito de Astıages desertou. Ciro granjeou en-
˜
tao a lealdade dos medos. Depois, os medos e os persas lu-
taram unidos sob a liderança dele. Assim passou a existir o
governo medo-persa, que com o tempo estendeu seu do-
´ ´
mınio desde o mar Egeu ate o rio Indo. — Veja o mapa.
Com as forças conjuntas dos medos e dos persas, Ciro
primeiro agiu para controlar um foco de dificuldades

ˆ
MACEDONIA

ˆ ´
´ Ecbatana
Jerusalem Babilonia
Susa
ˆ ´
Menfis Persepolis

EGITO ´
´ INDIA
ETIOPIA
´
IMPERIO MEDO-PERSA
150

— o setor ocidental da
´ ´
Media, onde o rei lı-
dio, Creso, expandira
´
seu domınio invadin-
´
do o territorio medo.
´
Avançando ate a fron-
teira oriental do ´ Im-
´ ´
´ ´ p erio L ıdio na Asia
Tumulo de Ciro em Pasargada Menor, Ciro derrotou
˜
Creso e capturou sua capital, Sardes. ´ Ciro subjugou ent´ ao
ˆ
as cidades jonicas e incluiu toda a Asia Menor no domınio
´
do Imperio Medo-Persa. Ele se tornou assim o maior rival
ˆ
de Babilonia e de seu rei, Nabonido.
˜
Ciro preparou-se entao para um confronto com a pode-
ˆ
rosa Babilonia. E, daquele ponto em diante, ele passou a
´ ´
figurar no cumprimento de profecias bıblicas. Jeova, por
´ ´
meio do profeta Isaıas, quase dois seculos antes, mencio-
ˆ
nara Ciro como o governante que´ derrubaria Babilonia e li-
˜
bertaria os judeus da servidao. E em virtude dessa desig-
˜
naçao antecipada que as Escrituras se referem a Ciro como
´ ´
“ungido” de Jeova. — Isaıas 44:26-28.
ˆ
Quando Ciro avançou contra Babilonia, em 539 AEC, ele
se confrontou com uma tarefa enorme. A cidade parecia
´
inexpugnavel, cercada por enormes muralhas e um fosso
fundo e largo, formado pelo rio Eufrates. Onde o Eufrates
ˆ
atravessava Babilonia, uma muralha gigantesca com enor-
˜
mes portoes de cobre se estendia ao longo das margens do
ˆ
rio. Como poderia Ciro tomar Babilonia?
´ ´
Mais de um seculo antes, Jeova predissera “uma devas-
˜ ´
taçao sobre as suas aguas” e dissera que ‘elas teriam de
`
secar-se’. (Jeremias 50:38) Fiel a profecia, Ciro desviou as
´ ˆ
aguas do rio Eufrates alguns quilometros ao norte de Babi-
151
ˆ ´ ´
lonia. Daı, seu exercito vadeou pelo leito do rio, subiu as
´
ribanceiras ate a muralha e entrou facilmente na cidade,
˜
porque os portoes de cobre tinham sido deixados abertos.
Como “ave de rapina” que se lança rapidamente sobre a
´
sua vıtima, esse governante, vindo “desde o nascente”
ˆ ´
— do leste — capturou Babilonia numa so noite!
ˆ ´
Para os judeus em Babilonia, a vitoria de Ciro significa-
´ ˜
va a chegada ha muito esperada da libertaçao do cativei-
˜ ´
ro e o fim dos 70 anos de desolaçao da sua patria. Como
devem ter ficado emocionados quando Ciro emitiu uma
˜ ´
proclamaçao, autorizando-os a retornar a Jerusalem e re-
´
construir o templo! Ciro devolveu-lhes tambem os pre-
´
ciosos utensılios do templo, que Nabucodonosor havia le-
ˆ ´
vado a Babilonia, deu-lhes a Baixo-relevo junto ao palacio
˜ ´
permissao real de importar de Ciro em Pasargada
´
madeira do Lıbano e autori-
zou o uso de fundos da casa
do rei para cobrir as despe-
˜
sas da construçao. — Esdras
1:1-11; 6:3-5.
Ciro seguia em geral
´ ´
uma polıtica humanitaria e
tolerante em tratar os po-
vos conquistados por ele.
Um motivo desse comporta-
mento pode ´ ter sido a sua
˜ ´
religiao. E provavel que Ciro
aderisse aos ensinos do pro-
feta persa Zoroastro e ado-
´
rasse Aura-mazda — deus
considerado ser o criador de
´
tudo o que e bom. Farhang
Mehr escreveu no seu livro
152
˜
The Zoroastrian Tradition (A Tradiçao Zoroastriana): “Zo-
˜ `
roastro apresentava a Deus como perfeiçao moral. Disse as
´ ˜ ´
pessoas que Aura-mazda nao e vingativo, mas justo e, por-
˜
tanto, nao devia ser temido, mas amado.” A crença num
´ ´
deus de boa moral e justo pode ter influıdo na etica de Ciro
e estimulado sua magnanimidade e equidade.
ˆ
No entanto, o rei tolerava menos o clima de Babilonia.
˜ ´
Os veroes torridos ali eram mais do que ele estava dispos-
ˆ
to a aguentar. Portanto, embora Babilonia permanecesse
´ ´
uma cidade regia do imperio, bem como um centro religio-
so e cultural, em geral ela servia apenas como sua capital
ˆ
de inverno. Na realidade, depois de conquistar Babilonia,
` ˜ ´
Ciro voltou logo a sua capital de verao, Ecbatana, situada a
´ ´
uns 1.900 metros acima do nıvel do mar, ao sope do mon-
te Alvand. Ali, os invernos frios contrabalançados por ve-
˜ ´
roes agradaveis eram mais do seu agrado. Ciro construiu
´ ´ ´
tambem um elegante palacio na sua capital anterior, Pasar-
´ ˆ
gada (perto de Persepolis), 650 quilometros ao sudeste de
´ ˆ
Ecbatana. A residencia ali serviu-lhe de retiro.
Ciro deixou assim seu marco como conquistador valen-
te e monarca tolerante. Seu governo de 30 anos terminou
quando morreu em 530 AEC, enquanto estava numa cam-
panha militar. Seu filho Cambises II sucedeu-lhe no trono
persa.

O QUE DISCERNIU?
˙ Como mostrou Ciro, o Persa, ser o “ungido”
´
de Jeova?
˙ Que serviço valioso prestou Ciro ao povo de
´
Jeova?
˙ Como tratava Ciro os povos conquistados?
153

UM JOVEM REI CONQUISTA O MUNDO



´
HA UNS 2.300 anos, um general
militar, loiro, de 20 e poucos
`
anos, estava parado a beira do
ˆ
mar Mediterraneo. Seus olhos
se fixavam numa cidade-ilha a
ˆ
quase um quil ometro de dis-
ˆ
tancia. Tendo-se-lhe negado a
entrada, o general furioso esta-
va decidido a conquistar a cida-
de. Qual era seu plano de ata-
´
que? Fazer um aterro ate a ilha e
mobilizar suas forças contra a cida-
˜ ´
de. A construçao do aterro ja tinha
começado.
Mas uma mensagem do grande
´
rei do Imperio Persa interrompeu Alexandre
o jovem general. Ansioso de fazer a
´
paz, o governante persa fez uma oferta extraordinaria:
˜ ´
10 mil talentos de ouro (mais de 2 bilhoes de dolares pelo
˜
valor atual), a mao de uma das filhas do rei em casamento
´ ´
e o domınio sobre toda a parte ocidental do Imperio Persa.
´
Tudo isso foi oferecido em troca da famılia do rei, que o ge-
neral havia capturado.
˜
O comandante que se viu confrontado com a decisao de
ˆ
aceitar ou rejeitar a oferta era Alexandre III, da Macedonia.
Devia aceitar a oferta? “Era um momento decisivo para o
mundo antigo”, diz o historiador Ulrich Wilcken. “O efei-
˜
to posterior da sua decisao, deveras, estendeu-se pela Ida-
´ ´
de Media ate os nossos dias, no Oriente e no Ocidente.” An-
tes de considerarmos a resposta de Alexandre, vejamos que
acontecimentos levaram a esse momento decisivo.
154
˜
A FORMAÇ AO DUM CONQUISTADOR
ˆ
Alexandre nasceu em Pela, na Macedonia, em 356 AEC.
˜ ´
Seu pai era o Rei Filipe II, e sua mae, Olımpia. Ela ensinou a
ˆ ´
Alexandre que os reis macedonios descendiam de Hercules,
´
filho de Zeus, deus grego. Segundo Olımpia, o antepassa-
´ ´
do de Alexandre era Aquiles, heroi da Ilıada, o poema de
Homero. Condicionado assim pelos pais para a conquista e

´
Aristoteles e seu aluno Alexandre
´ ´
para a gloria regia, o jovem Alexandre tinha pouco interesse
em outros empreendimentos. Perguntado se iria participar
´
numa corrida nos Jogos Olımpicos, Alexandre indicou que o
˜
faria se fosse correr com reis. Ele tinha a ambiçao de realizar
´
atos maiores do que os do pai e de obter gloria por meio de
˜
consecuçoes.
155
` ´
A idade de 13 anos, Alexandre teve como tutor o filosofo
´
grego Aristoteles, que o ajudou´ a se interessar na filosofia,
ˆ ˜ ´
na medicina e na ciencia. E questao de debate ate que pon-
´ ´
to os ensinos filosoficos de Aristoteles moldaram o modo
˜
de pensar de Alexandre. “Parece certo dizer que nao havia
muito em que os dois concordassem”, observou Bertrand
´ ´ ´
Russell, filosofo do seculo 20. “Os conceitos polıticos de
´
Aristoteles baseavam-se na cidade-estado grega, que esta-
va prestes a acabar.” O conceito dum pequeno governo de
˜ ´
cidade-estado nao teria agradado a um prıncipe ambicioso
´
que queria criar um grande imperio centralizado. Alexandre
´ ´
deve ter sido tambem muito ceptico a respeito do preceito
´ ˜
aristotelico de tratar como escravos aqueles que nao eram
´
gregos, pois visionava um imperio de parceria florescente
entre vitoriosos e vencidos.
´ ´ ´
No entanto, ha pouca duvida de que Aristoteles tenha
cultivado o interesse de Alexandre na leitura e na aprendi-
´
zagem. Alexandre continuou a ser um leitor avido duran-
˜
te toda a sua vida, tendo paixao especial pelos escritos de
´
Homero. Afirma-se que aprendeu de cor a Ilıada — todas as
15.693 linhas do poema.
˜ ´
A educaçao que recebeu de Aristoteles terminou abrupta-
´
mente em 340 AEC, quando o prıncipe de 16 anos voltou
ˆ ˆ
a Pela para governar a Macedonia na ausencia do pai. E o
´ ˜
prıncipe herdeiro nao perdeu tempo, distinguindo-se em fa-
çanhas militares. Para o deleite de Filipe, ele subjugou rapi-
´
damente a rebelde tribo tracia dos maedi, tomou a cidade
principal deles de assalto e deu ao lugar o nome de Alexan-
´
dropolis, segundo o seu nome.
PROSSEGUE COM AS CONQUISTAS
O assassinato de Filipe em 336 AEC fez com que Alexan-
ˆ
dre, aos 20´ anos, herdasse o trono da Maced onia. En-
trando na Asia pelo Helesponto (agora conhecido como
156
157

ˆ
MACEDONIA

ˆ
Babilonia

do
Rio In
EGITO

CONQUISTAS DE ALEXANDRE

Dardanelos) na primavera de 334 AEC, Alexandre empreen-


´
deu uma campanha de conquista com um exercito peque-
no mas eficiente de 30 mil soldados de infantaria e 5 mil ca-
´
valarianos. Seu exercito veio acompanhado de engenheiros,
´
topografos, arquitetos, cientistas e historiadores.
´
Junto ao rio Granico, na extremidade noroeste da Asia Me-
nor (agora Turquia), Alexandre venceu a sua primeira ´ batalha
contra os persas. Naquele inverno, ele conquistou a Asia Me-
nor ocidental. No outono seguinte, ocorreu a segunda bata-
lha decisiva
´ com os persas em Isso, na extremidade sudeste
´
da Asia Menor. O grande rei persa Dario III, com um exercito
˜
de cerca de meio milhao de homens, veio ao encontro de Ale-
´ ˜
xandre. O superconfiante Dario levou tambem sua mae, a es-
´
posa e outros membros da famılia, para que presenciassem o
´ ˜
que devia ser uma vitoria espetacular. Mas os persas nao esta-
ˆ
vam preparados para a repentinidade e a veemencia do ata-
ˆ
que macedonio. As forças de Alexandre derrotaram totalmen-
´ ´ `
te o exercito persa, e Dario fugiu, abandonando sua famılia as
˜
maos de Alexandre.
Em vez de perseguir os persas em fuga, Alexandre marchou
ˆ
para o sul, ao longo da costa mediterranea, conquistando as
158

bases da poderosa frota persa. Mas a cidade-ilha de Tiro resis-


` ˜ ´
tiu a invasao. Decidido a conquista-la, Alexandre iniciou um
´ ´
sıtio que durou sete meses. Durante o sıtio, recebeu a ofer-
´ ˜ ˜
ta de paz de Dario, ja mencionada. As concessoes eram tao
ˆ
atraentes que Parmenio, conselheiro de confiança de Alexan-
dre, supostamente disse: ‘Se eu fosse Alexandre, aceitaria.’
´ ˆ
Mas o jovem general retrucou: ‘Eu tambem, se fosse Parme-
´
nio.’ Negando-se a negociar, Alexandre prosseguiu com o sıtio
e demoliu a orgulhosa senhora do mar em julho de 332 AEC.
´
Poupando Jerusalem, que se rendera a ele, Alexandre
´
avançou para o sul, conquistando Gaza. Cansado do domı-
ˆ
nio persa, o Egito acolheu-o´ como libertador. Em Menfis, ele
´
fez sacrifıcios ao touro Apis, agradando assim aos sacerdotes
´ ´
egıpcios. Fundou tambem a cidade de Alexandria, que mais
˜
tarde rivalizou com Atenas como centro de erudiçao e ainda
leva o nome dele.
A seguir, Alexandre foi para o nordeste, avançando atra-
´
ves da Palestina para o rio Tigre. No ano 331 AEC, travou-se
a terceira grande batalha com os persas, em Gaugamela,
˜ ´ ´
nao muito longe das ruınas de Nınive que se desmorona-
vam. Ali, os 47 mil homens de Alexandre venceram o reor-
´
ganizado exercito persa de pelo Medalha que
menos 250 mil homens! Dario fu- supostamente retrata
giu e foi mais tarde assassinado Alexandre, o Grande
´
pelo seu proprio povo.
´
Empolgado pela vitoria, Alexan-
dre voltou-se para o sul e tomou a
capital de inverno dos persas, Ba-
ˆ ´
bilonia. Ele ocupou tambem as
´
capitais Susa e Persepolis, apode-
rando-se do imenso tesouro per-
´
sa e incendiando o grande palacio
´
de Xerxes. Por fim, a capital Ecbata-
159
˜
na caiu diante dele. Esse veloz conquistador subjugou entao
´ ´
o restante do domınio persa, avançando para o leste ate o
˜
rio Indo, situado no atual Paquistao.
˜ ´
Ao cruzar o Indo, na regiao que beirava a provıncia per-
´
sa de Taxila, Alexandre se confrontou com um terrıvel rival,
o monarca indiano Poros. Alexandre travou contra ele sua
´
quarta e ultima grande batalha, em junho de 326 AEC.
´ ´
O exercito de Poros incluıa 35 mil homens e 200 elefantes,
ˆ
que aterrorizavam os cavalos dos macedonios. A batalha foi
feroz e sangrenta, mas as forças de Alexandre prevaleceram.
Poros rendeu-se e tornou-se aliado.
´
Haviam-se passado mais ´ de oito anos desde que o exerci-
ˆ
to macedonio fora para a Asia, e os soldados estavam can-
sados e com saudades de casa. Abalados pela feroz batalha
com Poros, queriam voltar para casa. Embora no começo re-
´
lutasse, Alexandre atendeu o desejo deles. A Grecia se torna-
ˆ
ra mesmo a potencia mundial. Com o estabelecimento de
ˆ ´
colonias gregas nas terras conquistadas, a lıngua e a cultura
´
gregas se espalharam pelo domınio.
´
O HOMEM POR TRAS DO ESCUDO
´ ˆ
O que manteve o exercito macedonio unido durante os
anos de conquista foi a personalidade de Alexandre. Depois
das batalhas, Alexandre costumava visitar os feridos, exami-
nar seus ferimentos, louvar os soldados pela sua valentia e
´ ˜
honra-los com uma doaçao, em harmonia com as suas rea-
˜ ´
lizaçoes. Para os caıdos em batalha, Alexandre providencia-
ˆ
va um esplendido enterro. Os pais e os filhos dos homens
´
caıdos ficavam isentos de todos os impostos e formas de ser-
˜ ´
viço. Como diversao apos as batalhas, Alexandre realizava
˜ ˜ ´
jogos e competiçoes. Em certa ocasiao, ele ate mesmo pro-
´
videnciou uma licença para os recem-casados, possibilitan-
ˆ
do-lhes passar o inverno com a esposa na Macedonia. Essas
160
˜ ˜
açoes granjearam-lhe o afeto e a admiraçao dos seus ho-
mens.
Referente ao casamento de Alexandre com a princesa
´
bactriana Roxana, o biografo grego Plutarco escreve: “Tra-
tou-se deveras dum caso de amor, todavia, parecia ao mes-
mo tempo levar ao objetivo que ele tinha em vista. Pois sa-
ˆ
tisfez ao povo conquistado ve-lo escolher uma esposa
dentre eles mesmos, e isso fez com que sentissem a mais
´ ˜ ´ ˜
vıvida afeiçao por ele, descobrir que, na unica paixao pela
qual ele, o mais moderado dos homens, foi vencido, ele se
´ ˆ ´
dominou ate poder obte-la de modo legıtimo e honroso.”
´
Alexandre respeitava tambem o casamento de outros.
Embora a esposa do Rei Dario fosse sua cativa, ele cuidou de
que ela fosse tratada de forma honrosa. De forma similar, ao
ˆ
saber que dois soldados macedonios haviam abusado das
esposas de alguns forasteiros, mandou que fossem executa-
dos se achados culpados.
` ˜ ´
Igual a sua mae, Olımpia, Alexandre era muito religioso.
´
Oferecia sacrifıcios antes e depois das batalhas, e consulta-
´
va seus adivinhos a respeito do significado de certos augu-
´ ´ ´
rios. Ele consultava tambem o oraculo de Amom, na Lıbia.
ˆ ˜
E em Babilonia, ele seguiu as instruçoes dos caldeus a res-
´
peito de sacrifıcios, especialmente os oferecidos ao deus ba-
ˆ
bilonio Bel (Marduque).
´
Embora Alexandre fosse moderado nos seus habitos de
comer, por fim entregou-se a excessos no beber. Falava mui-
to ao tomar cada copo de vinho e gabava-se das suas reali-
˜
zaçoes. Um dos atos mais tenebrosos de Alexandre foi o as-
´
sassinato de seu amigo Clito, num acesso de furia enquanto
˜
embriagado. Mas Alexandre se sentiu tao culpado, que pas-
ˆ ˜
sou tres dias de cama, nao comendo nem bebendo. Por fim,
seus amigos conseguiram persuadi-lo a comer.
161
ˆ ´
Com o passar do tempo, a ansia de gloria que Alexan-
ˆ ´
dre tinha revelou outras tendencias indesejaveis. Ele come-
˜
çou a acreditar prontamente em acusaçoes falsas e passou
˜
a administrar puniçoes com a maior severidade. Por exem-
plo, tendo sido levado a acreditar que Filotas estava envolvi-
do num atentado contra a sua vida, Alexandre mandou que
ˆ
ele e seu pai, Parmenio, conselheiro em quem havia antes
confiado, fossem executados.
A DERROTA DE ALEXANDRE
ˆ ´
Pouco depois de voltar para Babilonia, Alexandre caiu vıti-
´
ma da malaria, da qual nunca se recuperou. Em 13 de junho
de 323 AEC, depois de ter vivido apenas 32 anos e 8 meses,
Alexandre rendeu-se ao inimigo mais severo, a morte.
´
Foi ´ assim como certos sabios indianos haviam observa-
´
do: “O Rei Alexandre, cada homem so possui tanto da terra
´
quanto este pedaço em que nos erguemos; e, sendo vos um
homem igual aos outros homens, exceto que estais cheios
de atividade e de desassossego, estais perambulando por
´
toda esta terra, longe do vosso lar, afligindo a vos mesmos e
˜ ´ ´
afligindo a outros. Mas, nao demorara muito ate que ireis
´ ˆ
morrer, e possuireis so o bastante da terra que de para vos-
´
so tumulo.”

O QUE DISCERNIU?
˜
˙ Qual era a formaçao de Alexandre, o Grande?
ˆ
˙ Logo depois de herdar o trono da Macedonia,
que campanha empreendeu Alexandre?
˙ Descreva algumas das conquistas de Alexandre.
˙ O que se pode dizer sobre a personalidade de
Alexandre?
162
´
UM VASTO REINO E DIVIDIDO

´
REFERENTE ao reino de Alexandre, o Grande, a Bıblia predis-
˜ ˜ ˜
se a sua desintegraçao e divisao, “mas nao para a sua poste-
ridade”. (Daniel 11:3, 4) Concordemente, nos 14 anos que se
`
seguiram a morte repentina de Alexandre em 323 AEC, seu
´ ´ ´
filho legıtimo, Alexandre IV, e seu filho ilegıtimo, Heracles,
foram assassinados.
´
No ano 301 AEC, quatro dos generais de Alexandre ja ti-
´ ´
nham assumido o poder sobre o vasto imperio construıdo
por seu comandante. O General Cassandro assumiu o contro-
ˆ ´ ´
le sobre
´ a Macedonia e a Grecia. O General Lisımaco recebeu
´ ´
a Asia Menor e a Tracia. Seleuco I Nicator ficou com a Meso-
ˆ ´
potamia e a Sıria. E Ptolomeu Lago, ou Ptolomeu I, governou
´
o Egito e a Palestina. De modo que, do unico vasto reino de
´
Alexandre surgiram quatro reinos helenısticos, ou gregos.
´
Dos quatro reinos helenısticos, o governo de Cassandro
mostrou ser o mais curto. Poucos anos depois de Cassan-
dro assumir o poder, sua linhagem masculina morreu, e em
´ ´
285 AEC Lisımaco tomou posse da parte europeia do Imperio
´
Grego. Quatro anos depois, Lisımaco morreu numa batalha
´
com Seleuco I Nicator, dando a este o controle sobre a maior
´ ´
parte dos territorios asiaticos. Seleuco tornou-se o primeiro
ˆ ´
da linhagem de reis seleucidas na Sıria. Ele
´
fundou Antioquia, na Sıria, e a tornou sua
nova capital. Seleuco foi assassinado em
281 AEC, mas a dinastia que ele fundou
´
Ptolomeu I continuou no poder ate 64 AEC, quando o
´
general romano Pompeu fez da Sıria uma
´
provıncia de Roma.
˜ ´
Das quatro divisoes do imperio de Ale-
Seleuco I xandre, o reino ptolomaico durou mais
163

´
Lis ımaco

Cassandro
Ptolomeu I
Seleuco I

˜ ´
A DESINTEGRAÇ AO DO IMPERIO DE ALEXANDRE
´
tempo. Ptolomeu I assumiu o tıtulo de rei em 305 AEC e tor-
´ ˆ
nou-se o primeiro dos reis, ou faraos, macedonios do Egito.
Tornando Alexandria a capital, começou imediatamente um
programa de desenvolvimento urbano. Um dos seus maio-
˜
res projetos de construçao foi a famosa Biblioteca de Alexan-
dria. Para supervisionar esse grande projeto, Ptolomeu trouxe
´ ´
da Grecia um famoso erudito ateniense, Demetrio de Falero.
´ ´
Relata-se que, no primeiro seculo EC, a biblioteca ja abrigava
˜
um milhao de rolos. A dinastia ptolomaica continuou a go-
´
vernar no Egito ate cair diante de Roma, em 30 AEC. Roma
˜ ´ ˆ
substituiu entao a Grecia como a dominante potencia mun-
dial.

O QUE DISCERNIU?
´
˙ Como foi dividido o vasto imperio de
Alexandre?
´ ´
˙ Ate quando continuou a Sıria a ser governada
ˆ
por reis seleucidas?
˙ Quando terminou o reino ptolomaico do Egito?
´
C APITULO DEZ

´
QUEM PODE ´ MANTER-SE DE
´ PE
CONTRA O PRINCIPE DOS PRINCIPES?
˜
HAVIAM-SE passado 57 anos desde a destruiçao do tem-
´ ´
plo de Jeova em Jerusalem. Belsazar e seu pai, Nabonido,
´ ˆ ˆ
governam juntos o Imperio Babilonico, a terceira potencia
´ ´
mundial da profecia bıblica.1 Daniel, o profeta de Deus, esta
ˆ
exilado em Babilonia. E durante o “terceiro ano do reina-
´ ˜
do de Belsazar, o rei”, Jeova envia a Daniel uma visao que
˜
revela certos pormenores da restauraçao da verdadeira ado-
˜
raçao. — Daniel 8:1.
˜
2 A visao ´
profetica de Daniel teve um efeito profundo so-
´ ´
bre ele e e de grande interesse para nos, os que vivemos no
“tempo do fim”. O anjo Gabriel diz a Daniel: “Eis que te
´ ˜
faço saber o que ocorrera na parte final da verberaçao, por-
´
que e para o tempo designado do fim.” (Daniel 8:16, 17, 19,
27) Portanto, com vivo interesse, consideremos o que Da-
´
niel viu e o que isso significa para nos hoje.
UM CARNEIRO COM DOIS CHIFRES
˜
3 “Comecei a ver na visao”, escreve Daniel, “e sucedeu,
˜
enquanto eu estava vendo, que eu estava em Susa, o caste-
´ ˜
lo, que esta no distrito jurisdicional de Elao; e passei a ver na
˜ ´
visao, e eu mesmo vim a estar junto ao curso de agua do
ˆ ˆ ´ ˜
1 Sete potencias mundiais de significancia bıblica especial sao Egi-
´ ˆ ´ ´ ˆ
to, Assıria, Babilonia, Medo-Persia, Grecia, Roma e a potencia mun-
˜ ´
dial dupla anglo-americana. Todas essas sao notaveis por terem tido
´
tratos com o povo de Jeova.
´ ˆ ´ ˜
1, 2. Por que e de importancia para nos a visao que Daniel teve no
terceiro ano do reinado de Belsazar?
´ ´
3, 4. Que animal Daniel viu em pe diante dum curso de agua, e o
que simboliza?
ˆ
MACEDONIA

´
´ ˆ Ecbatana
Jerusalem Babilonia
Susa
´
ˆ Persepolis
Menfis

EGITO
´ ´
ETIOPIA INDIA

´
Imperio Medo-Persa
˜
Ulai”. (Daniel 8:2) Nao se declara se Daniel estava mesmo
˜ ˜ ˆ
em Susa (Susa) — capital de Elao, situada a uns 350 quilo-
ˆ
metros ao leste de Babilonia — ou se estava ali apenas em
˜
visao.
4 Daniel prossegue: “Quando levantei os olhos entao ˜
vi,
´ ´
e eis um carneiro de pe diante do curso de agua, e ele
tinha dois chifres.” (Daniel 8:3a) A identidade do carneiro
˜
nao ficou oculta a Daniel. O anjo Gabriel declara mais tar-
de: “O carneiro que viste, tendo dois chifres, representa os
´ ´
reis da Media e da Persia.” (Daniel 8:20) Os medos proce-
´
diam do planalto montanhoso ao leste da Assıria, e os
´ ˆ ˆ
persas, no inıcio, com frequencia levavam uma vida noma-
˜ ´
de na regiao ao norte do golfo Persico. No entanto, com o
´
crescimento do Imperio Medo-Persa, seus habitantes desen-
´
volveram um notavel gosto pelo luxo.
´
5 “Os dois chifres eram altos”, relata Daniel, “porem, um
´
era mais alto do que o outro, e o mais alto e que subira
depois”. (Daniel 8:3b) O chifre mais alto, que subiu mais
tarde, retrata os persas, ao passo que o outro chifre represen-
ta os medos. No começo, os medos dominavam. Mas em
´ ´
550 AEC, Ciro, o governante da Persia, obteve uma vitoria
´ ´
facil sobre o rei medo, Astıages. Ciro combinou os costumes
5. Como ficou mais alto o chifre que “subira depois”?
´ ´ ´
Quem pode manter-se de pe contra o Prıncipe dos prıncipes? 167

e as leis dos dois povos, uniu seus reinos e expandiu suas


˜ ´
conquistas. A partir de entao, o imperio tinha uma nature-
za dupla.
O CARNEIRO ASSUME ARES DE GRANDEZA
˜
6 Prosseguindo com a sua descriçao do carneiro, Daniel
declara: “Vi o carneiro dar marradas para o oeste, e para
´
o norte, e para o sul, e nenhum dos animais selvaticos se
´ ˜
manteve de pe diante dele, e nao havia quem livrasse da sua
˜
mao. E ele fez segundo o seu bel-prazer e assumiu ares de
grandeza.” — Daniel 8:4.
7 Na visao˜ ˆ
precedente dada a Daniel, Babilonia fora retra-
´
tada por um animal selvatico que subiu do mar e que era
˜ ´
como um leao com asas de aguia. (Daniel 7:4, 17) Esse ani-
´ ´
mal simbolico mostrou-se incapaz de manter-se de pe
˜ ˆ
diante do “carneiro” dessa nova visao. Babilonia caiu diante
de Ciro, o Grande, em 539 AEC. Por quase 50 anos depois,
´ ´
“nenhum dos animais selvaticos”, ou governos polıticos, se
´ ´
manteve de pe diante do Imperio Medo-Persa — a quarta
ˆ ´
potencia mundial da profecia bıblica.
8 Vindo “desde o nascente” — o leste — a Potencia ˆ
Mundial Medo-Persa fez segundo o seu bel-prazer, dando
´
“marradas para o oeste, e para o norte, e para o sul”. (Isaıas
46:11) O Rei Cambises II, que sucedeu a Ciro, o Grande,
conquistou o Egito. Seu sucessor foi o rei persa Dario I,
´
que em 513 AEC avançou para o oeste, atraves do estrei-
´ ´ ´
to de Bosforo, e invadiu o territorio europeu da Tracia, cuja
ˆ
capital era Bizancio (agora Istambul). No ano 508 AEC, ele
´
subjugou a Tracia e depois, em 496 AEC, conquistou a Ma-
ˆ
cedonia. De modo que, no tempo de Dario, o “carneiro”
´
6, 7. Como se deu que “nenhum dos animais selvaticos se manteve
´
de pe diante” do carneiro?
8, 9. (a) Como deu “o carneiro . . . marradas para o oeste, e para o
norte, e para o sul”? (b) O que diz o livro de Ester referente ao suces-
sor do rei persa Dario I?
˜ `
168 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˆ ˜
medo-persa tinha tomado territorio em tres direçoes
ˆ ´
principais:
´ ao norte, na Babilonia e na Assıria, ao oeste, atra-
´
ves da Asia Menor, e ao sul, no Egito.
´
9 A Bıblia, ´
atestando a grandeza do Imperio Medo-Persa,
fala do sucessor ´ de Dario, Xerxes I, como “o Assuero que rei-
´ ´
nava desde a India ate a Etiopia sobre cento e vinte e sete
´
distritos jurisdicionais”. (Ester 1:1) Mas esse grande imperio
˜
ia ceder lugar a outro e, nesse respeito, a visao de Daniel re-
vela alguns pormenores fascinantes, que devem fortalecer
´ ´
nossa fe na palavra profetica de Deus.
O BODE GOLPEIA O CARNEIRO
ˆ ˜
10 Imagine o espanto de Daniel diante do que ve entao.
O relato diz: “Eu, da minha parte, estava ponderando, e eis
´
que vinha um bode dos caprıdeos desde o poente sobre a
´ ˜
superfıcie de toda a terra, e ele nao tocava na terra. E quanto
ao bode, havia entre os seus olhos um chifre proeminen-
te. E ele foi chegando ao carneiro dos dois chifres, que eu
´ ´
vira estar de pe diante do curso de agua; e vinha correndo
˜
em direçao a ele em seu poderoso furor. E eu o vi atingir
o carneiro, e começou a mostrar amargura para com ele, e
passou a golpear o carneiro e a quebrar-lhe os dois chifres,
˜
e mostrou-se nao haver poder no carneiro para se manter
´
de pe diante dele. De modo que o lançou por terra e o piso-
˜ ´
teou, e o carneiro nao mostrou ter alguem que o livrasse da
˜
sua mao.” (Daniel 8:5-7) Que significa tudo isso?
11 Nem Daniel nem nos ´
precisamos adivinhar o significa-
˜ ´
do dessa visao. “O bode peludo representa o rei da Grecia; e
quanto ao chifre grande que havia entre os seus olhos, este
representa o primeiro rei”, informa o anjo Gabriel a Da-
´
niel. (Daniel 8:21) Em 336 AEC, foi coroado o ultimo rei do
´
Imperio Persa, Dario III (Codomano). No mesmo ano, Ale-
˜
10. Na visao de Daniel, que animal golpeou “o carneiro”?
˜
11. (a) Que explicaçao deu o anjo Gabriel sobre “o bode peludo” e
seu “chifre grande”? (b) O que retratava o chifre proeminente?
ˆ
MACEDONIA

do
Babilonia

Rio In
EGITO

´
Imperio Grego
ˆ ´
xandre tornou-se rei na Macedonia. A Historia mostra que
´
Alexandre, o Grande, era o predito primeiro “rei da Gre-
cia”. Partindo “desde o poente”, ou oeste, no ano 334 AEC,
˜
Alexandre avançou rapidamente. Como que ‘nao tocando
´
na terra’, ele conquistou territorios e golpeou “o carneiro”.
´ ´
Acabando com o domınio medo-persa de uns dois secu-
´ ˆ
los, a Grecia tornou-se assim a quinta potencia mundial de
ˆ ´ ´
importancia bıblica. Que notavel cumprimento da profecia
divina!
12 Mas o poder de Alexandre ia ser de pouca duraçao.˜
A vi-
˜ ´
sao revela adicionalmente: “E o bode dos caprıdeos, da sua
parte, assumiu ares de grandeza, em extremo; mas, assim
que se tornou forte, foi quebrado o grande chifre, e passa-
ram a subir de modo proeminente quatro em lugar dele, em
˜ ´
direçao aos quatro ventos dos ceus.” (Daniel 8:8) Explican-
do a profecia, Gabriel diz: “Que este foi quebrado, de modo
´
que por fim se ergueram quatro em seu lugar, havera qua-
˜ ˜ ˜
tro reinos que se erguerao de sua naçao, mas nao com o seu
´
poder.” (Daniel 8:22) Conforme predito, no proprio apogeu
da sua carreira vitoriosa, Alexandre foi “quebrado”, ou mor-
` ´
reu, a idade de apenas 32 anos. E seu grande imperio, por
fim, passou a ser dividido entre quatro dos seus generais.
´
12. Como foi “quebrado” o “chifre grande” do bode simbolico, e o
que eram os quatro chifres que se ergueram em seu lugar?
˜ `
170 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

UM MISTERIOSO CHIFRE PEQUENO


´ ˜
13 A proxima parte da visao abrange mais de 2.200 anos,
´
estendendo o cumprimento dela ate os tempos modernos.
Daniel escreve: “De um deles [dos quatro chifres] saiu outro
chifre, um pequeno, e este se tornava muito maior para o
sul, e para o nascente, e para o Ornato. E tornava-se cada vez
´ ´ ´
maior ate atingir o exercito dos ceus, de modo que fez al-
´
guns do exercito e algumas das estrelas cair para a terra, e
´ ´
foi pisotea-los. E assumiu ares de grandeza para com o Prın-
´ ´ ´
cipe do exercito, e foi-lhe tirado o sacrifıcio contınuo e foi
´
deitado abaixo o lugar estabelecido do seu santuario. E aos
´ ´ ´
poucos foi entregue o proprio exercito, junto com o sacrifı-
´ ˜
cio contınuo, por causa da transgressao; e ele continuou a
lançar a verdade por terra, e agiu e foi bem-sucedido.” — Da-
niel 8:9-12.
14 Antes de podermos entender o significado dessas pa-
˜
lavras, temos de prestar atençao ao anjo de Deus. O anjo
Gabriel diz, depois de indicar a vinda ao poder dos quatro
´
reinos derivados do imperio de Alexandre: “Na parte final
˜
do reino deles, completando os transgressores a sua açao,
´
erguer-se-a um rei de semblante feroz e entendendo decla-
˜ ´ ´
raçoes ambıguas. E seu poder tera de tornar-se grande, mas
˜ ´ ´ ´
nao pelo seu proprio poder. E causara a ruına dum modo
´ ´
prodigioso, e certamente se mostrara bem-sucedido e agira
ˆ ´ ´
com eficiencia. E realmente arruinara poderosos, tambem o
´ ´
povo constituıdo dos santos. E, segundo a sua perspicacia,
´ ´
certamente fara tambem o engano bem-sucedido na sua
˜ ˜ ´
mao. E no seu coraçao assumira ares de grandeza e arrui-
´ ˜ ˆ ´
nara a muitos durante a sua despreocupaçao. E por-se-a de
´ ´ ´ ´
pe contra o Prıncipe dos prıncipes, mas sera destroçado sem
˜
mao.” — Daniel 8:23-25.
13. O que saiu de um dos quatro chifres e como agiu?
´
14. O que disse o anjo Gabriel a respeito das atividades do simbolico
chifre pequeno, e o que aconteceria a esse chifre?
´ ´ ´
Quem pode manter-se de pe contra o Prıncipe dos prıncipes? 171
´ ˜
15 “Tu, da tua parte, mantem em segredo a visao”, diz o
´
anjo a Daniel, “porque e ainda para muitos dias”. (Daniel
˜ ˜
8:26) O cumprimento dessa parte da visao nao ocorreria
por “muitos dias”, e Daniel devia ‘manter em segredo a vi-
˜
sao’. Pelo visto, o significado dela continuou a ser um
´ ´
misterio para Daniel. Mas agora, porem, esses “muitos dias”
´
certamente ja devem ter passado. Por isso perguntamos:
´
‘O que revela a Historia do mundo a respeito do cumpri-
˜ ´
mento dessa visao profetica?’
O CHIFRE PEQUENO SE TORNA PODEROSO
´
16 Segundo a Historia, o chifre pequeno foi um rebento
´
de um dos quatro chifres simbolicos — do mais ocidental.
´
Esse era o reino helenıstico do General Cassandro da Mace-
ˆ ´
donia e da Grecia. Mais tarde, esse reino foi absorvido ´ pelo
´ ´
reino do General Lisımaco, rei da Tracia e da Asia Menor.
´
No segundo seculo antes de nossa Era Comum, esses setores
´ ´
ocidentais do domınio helenıstico foram conquistados por
´
Roma. E no ano 30 AEC, Roma ja se apoderara de todos os
´ ˆ
reinos helenısticos, tornando-se a sexta potencia mundial
´ ´ ˜
da profecia bıblica. Mas o Imperio Romano nao era o chifre
˜ ´ ˜
pequeno da visao de Daniel, porque esse imperio nao con-
´
tinuou ate “o tempo designado do fim”. — Daniel 8:19.
˜
17 Entao, ´
a quem identifica a Historia como esse agressi-
˜
vo “rei de semblante feroz”? Na verdade, a Gra-Bretanha era
´ ´
um rebento ao noroeste do Imperio Romano. Ate o come-
´ ´
ço do quinto seculo EC, havia provıncias romanas no que
´ ˜ ´
agora e a Gra-Bretanha. No decorrer do tempo, o Imperio
` ˜
15. O que mandou o anjo que Daniel fizesse com respeito a visao?
´
16. (a) De que chifre simbolico saiu o chifre pequeno? (b) Como se
ˆ ´
tornou Roma a sexta potencia mundial da profecia bıblica, mas por
˜ ´
que nao era ela o simbolico chifre pequeno?
˜ ´
17. (a) Qual era a relaçao entre a Bretanha e o Imperio Romano?
´ ´ ˆ ´
(b) Como esta o Imperio Britanico relacionado com o reino helenıs-
ˆ ´
tico da Macedonia e da Grecia?
BRETANHA

´
ITALIA
Roma

´
Jerusalem

EGITO

´
Imperio Romano
ˆ ˜
Romano declinou, mas a influencia da civilizaçao greco-ro-
mana continuou na Bretanha, bem como em outras partes
´
da Europa que haviam estado sob o domınio romano. “Na
˜ ´
ocasiao da queda do Imperio Romano”, escreveu o poeta e
ˆ
autor mexicano Octavio Paz, ganhador do premio Nobel,
“a Igreja o substituiu”. Ele acrescentou: “Tanto os padres da
´ ´
Igreja como os doutores do perıodo escolastico enxertaram
˜ ´
a filosofia grega na doutrina crista.” E Bertrand Russell, filo-
´ ´ ˜
sofo e matematico do seculo 20, observou: “A civilizaçao do
˜
Ocidente, que teve origens gregas, baseia-se numa tradiçao
´ ´
filosofica e´ cientıfica que começou em Mileto [uma cidade
´ ˆ
grega na Asia Menor] ha dois milenios e meio.” De modo
´ ˆ ´
que se pode dizer que o Imperio Britanico teve suas raızes
´ ˆ ´
culturais no reino helenıstico da Macedonia e da Grecia.
˜
18 Em 1763, a Gra-Bretanha ´
ja havia derrotado seus po-
´
derosos rivais, a Espanha e a França. Daı em diante, ela
´ ˆ
mostrou ser a senhora dos mares e a setima potencia mun-
´ ˆ
dial da profecia bıblica. Mesmo depois de as 13 colonias
˜
americanas se terem separado da Gra-Bretanha em 1776,
´ ´
para estabelecer os Estados Unidos da America, o Imperio
ˆ ´
Britanico aumentou para abranger um quarto da superfıcie
´
18. O que e o chifre pequeno que se tornou “um rei de semblante fe-
roz” no “tempo do fim”? Queira explicar isso.
´ ´ ´
Quem pode manter-se de pe contra o Prıncipe dos prıncipes? 173
˜ ´ ˆ
da Terra e um quarto da sua populaçao. A setima poten-
cia mundial ganhou ainda mais força quando os Estados
´ ˜
Unidos da America colaboraram com a Gra-Bretanha para
ˆ
formar a potencia mundial dupla anglo-americana. Essa po-
ˆ ˆ
tencia, em sentido economico e militar, deveras se tinha
tornado “um rei de semblante feroz”. O chifre pequeno que
ˆ ´
se tornou uma feroz potencia polıtica no “tempo do fim”,
´ ˆ
portanto, e a Potencia Mundial Anglo-Americana.
19 Daniel viu que o chifre pequeno “se tornava muito
˜
maior” em direçao do “Ornato”. (Daniel 8:9) A Terra Pro-
´ ˜
metida, que Jeova deu ao seu povo escolhido, era tao bela
que era chamada de “o ornato de todas as ´ terras”, quer di-
zer, da Terra inteira. (Ezequiel 20:6, 15) E verdade que a
˜ ´
Gra-Bretanha capturou Jerusalem em 9 de dezembro de
˜ ` ˜
1917, e no ano 1920 a Liga das Naçoes deu a Gra-Bretanha o
´
mandato sobre a Palestina, que continuaria ate 14 de maio
˜ ´ ´ ´
de 1948. Mas a visao e profetica, contendo muitos sımbolos.
˜ ˜
E “o Ornato” mencionado na visao nao simboliza Jerusa-
´ ˜
lem, mas a condiçao terrestre do povo que Deus considera
´ ˆ
como santo durante o tempo da setima potencia mundial.
ˆ
Vejamos como a Potencia Mundial Anglo-Americana procu-
ra ameaçar os santos.
´
DEITADO ABAIXO O ‘LUGAR DO SEU SANTUARIO’
20 O chifre pequeno “tornava-se cada vez maior ate´ atin-
´ ´ ´
gir o exercito dos ceus, de modo que fez alguns do exercito
e algumas das estrelas cair para a terra”. Segundo a expli-
˜ ´ ´ ´
caçao angelica, “o exercito dos ceus” e as “estrelas” que o
˜ ´
chifre pequeno procura derrubar sao “o povo constituıdo
˜ ˜
dos santos”. (Daniel 8:10, 24) Esses “santos” sao cristaos
´
ungidos com espırito. Visto que foram levados a uma rela-
˜
çao com Deus por meio do novo pacto, feito vigorar pelo
´ ˜
19. O que e “o Ornato” mencionado na visao?
˜ ´ ´
20. Quem sao “o exercito dos ceus” e as “estrelas” que o chifre pe-
queno procura derrubar?
2
1

4
3

5
´ ´ ´
Quem pode manter-se de pe contra o Prıncipe dos prıncipes? 175
˜
sangue derramado de Jesus Cristo, eles sao santificados, pu-
`
rificados e postos a parte para o serviço exclusivo de Deus.
ˆ
(Hebreus 10:10; 13:20) Por te-los designado herdeiros jun-
´
to com o Seu Filho na herança celestial, Jeova os considera
´ ˜
santos. (Efesios 1:3, 11, 18-20) Portanto, na visao de Daniel,
´ ´
“o exercito dos ceus” refere-se ao restante dos 144 mil “san-
˜ ´
tos” ainda na Terra, os quais reinarao no ceu junto com o
˜
Cordeiro. — Revelaçao (Apocalipse) 14:1-5.
21 Hoje em dia, os remanescentes dos 144 mil sao ˜
os re-
´
presentantes terrestres da “Jerusalem celestial” — o Reino de
Deus, semelhante a uma cidade, — e do seu arranjo de tem-
´
plo. (Hebreus 12:22, 28; 13:14) Nesse sentido e que ocupam
´ ˆ
um “lugar santo”, que a setima potencia mundial procu-
ra pisotear e tornar desolado. (Daniel 8:13) Chamando esse
´ ´
lugar santo tambem de ‘lugar estabelecido do santuario de
´ ´ ´
Jeova’, Daniel diz: “Foi-lhe tirado [i.e., de Jeova] o sacrifıcio
´
contınuo e foi deitado abaixo o lugar estabelecido do seu
´ ´ ´
santuario. E aos poucos foi entregue o proprio exercito, jun-
´ ´ ˜
to com o sacrifıcio contınuo, por causa da transgressao; e
ele continuou a lançar a verdade por terra, e agiu e foi bem-
sucedido.” (Daniel 8:11, 12) Como se cumpriu isso?
22 O que aconteceu com as Testemunhas de Jeova´

durante a Segunda Guerra Mundial? Sofreram intensa


´ ˆ
21. Quem ocupa um “lugar santo” que a setima potencia mundial
procura desolar?
´
22. Durante a Segunda Guerra Mundial, como cometeu a setima po-
ˆ ´ ˜
tencia mundial uma notavel “transgressao”?
ˆ
Algumas figuras destacadas da Potencia Mundial Anglo-Americana:
1. George Washington, primeiro presidente dos EUA (1789-1797)
´ ˜
2. Rainha Vitoria, da Gra-Bretanha (1837-1901)
3. Woodrow Wilson, presidente dos EUA (1913-1921)
˜
4. David Lloyd George, primeiro-ministro da Gra-Bretanha
(1916-1922)
˜
5. Winston Churchill, primeiro-ministro da Gra-Bretanha
(1940-1945, 1951-1955)
6. Franklin D. Roosevelt, presidente dos EUA (1933-1945)
˜ `
176 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜ ´
perseguiçao! Essa começou nos paıses nazistas e fascistas.
Mas em pouco tempo ‘a verdade estava sendo lançada por
´
terra’ em todo o vasto domınio do ‘chifre pequeno, cujo
´
poder se tornara grande’. “O exercito” dos proclamadores
˜
do Reino e sua obra de pregaçao das “boas novas” foram
ˆ
proscritos em quase toda a Comunidade Britanica. (Mar-
˜
cos 13:10) Quando essas naçoes recrutaram seu poderio
˜ `
humano, negaram-se a conceder isençao ministerial as Tes-
´ ˜
temunhas de Jeova, nao mostrando nenhum respeito pela
˜ ´
designaçao teocratica delas como ministros de Deus. Nos
´ ´ ˆ
Estados Unidos, os servos fieis de Jeova sofreram violencia
´ ˆ
de turbas e diversos ultrajes. Na realidade, a setima potencia
´
mundial procurava eliminar um sacrifıcio de louvor — “o
´ ´
fruto de labios” — oferecido regularmente a Jeova pelos
´ ´ ˜
do Seu povo como “sacrifıcio contınuo” da adoraçao de-
ˆ
les. (Hebreus 13:15) Essa potencia mundial cometeu assim a
˜ ´ ´ ´
“transgressao” de invadir o domınio legıtimo do Deus Altıs-
´
simo — “o lugar estabelecido do seu santuario”.
23 O chifre pequeno, por perseguir os “santos” durante a

Segunda Guerra Mundial, assumiu ares de grandeza “para


´ ´
com o Prıncipe do exercito”. Ou, conforme declara o anjo
ˆ ´ ´ ´
Gabriel, pos-se de pe “contra o Prıncipe dos prıncipes”. (Da-
´ ´ ´
niel 8:11, 25) O tıtulo “Prıncipe dos prıncipes” aplica-se
´
exclusivamente a Jeova Deus. A palavra hebraica sar, tradu-
´
zida “prıncipe”, relaciona-se com um verbo que significa
´ ´
“exercer domınio”. Alem de se referir ao filho dum rei ou a
´
alguem da realeza, a palavra aplica-se a um cabeça ou che-
´ ´
fe. O livro de Daniel menciona outros prıncipes angelicos
´ ´
— por exemplo, Miguel. Deus e o Prıncipe-Chefe de todos
´
esses prıncipes. (Daniel 10:13, 21; note Salmo 83:18.) Con-
´ ´ ´
seguirıamos imaginar que alguem pudesse manter-se de pe
´ ´ ´
contra Jeova — o Prıncipe dos prıncipes?
23. (a) Durante a Segunda Guerra Mundial, como se levantou a Po-
ˆ ´ ´
tencia Mundial Anglo-Americana “contra o Prıncipe dos prıncipes”?
´ ´ ´
(b) Quem e “o Prıncipe dos prıncipes”?
´ ´ ´
Quem pode manter-se de pe contra o Prıncipe dos prıncipes? 177
´ ` ˜
“O LUGAR SANTO” E LEVADO A CONDIÇ AO CORRETA
24 Ninguem´ ´ ´
pode manter-se de pe contra o Prıncipe dos
´
prıncipes — nem mesmo um rei “de semblante feroz”, tal
ˆ
como a Potencia Mundial Anglo-Americana! As tentativas
´ ˜ ˜
desse rei, de desolar o santuario de Deus, nao sao bem-suce-
´
didas. Depois dum perıodo de “duas mil e trezentas
˜ ´
noitinhas e manhas”, diz o mensageiro angelico, “o lugar
´ ` ˜
santo certamente sera levado a sua condiçao correta”, ou
´
“saira vitorioso”. — Daniel 8:13, 14; The New English Bible.
25 Os 2.300 dias sao ˜ ´ ´
um perıodo profetico. Por isso envol-
´ ˜
vem o ano profetico de 360 dias. (Revelaçao 11:2, 3; 12:6,
˜
14) Esses 2.300 dias, portanto, sao 6 anos, 4 meses e
´
20 dias. Quando ocorreu esse perıodo? Acontece que, nos
anos 30, os do povo de Deus começaram a sofrer cres-
˜ ´
cente perseguiçao em diversos paıses. E durante a Segunda
´
Guerra Mundial, as Testemunhas de Jeova foram feroz-
´ ˆ
mente perseguidas nos paıses da potencia mundial dupla
ˆ ˆ
anglo-americana. Por que? Por causa da sua insisten-
cia em “obedecer a Deus como governante antes que aos
ˆ
homens”. (Atos 5:29) Portanto, os 2.300 dias tem de ser as-
sociados com essa guerra.1 Mas o que se pode dizer sobre o
´ ´
começo e o fim desse perıodo profetico?
´
26 Se “o lugar santo” e “levado”, ou restaurado, a como

devia ser, os 2.300 dias devem ter começado quando an-


˜
tes estava na “condiçao correta”, do ponto de vista de
Deus. O mais cedo seria em 1.° de junho de 1938,
ˆ
quando A Sentinela (em ingles) publicou a parte 1 do
´ ´
1 Daniel 7:25 menciona tambem um perıodo em que ‘os santos do
˜
Supremo sao hostilizados continuamente’. Conforme explicado no
´
capıtulo anterior, isso estava ligado com a Primeira Guerra Mundial.
´
24. Que garantia nos da Daniel 8:14?
´ ˜ ´ ´
25. Qual e a duraçao do perıodo profetico de 2.300 dias, e com que
acontecimento tem de ser associado?
26. (a) A partir de quando se deve contar o começo dos 2.300 dias?
´
(b) Quando terminou o perıodo dos 2.300 dias?
˜ `
178 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜ ´
artigo “Organizaçao”. A parte 2 foi publicada no numero
ˆ
de 15 de junho de 1938 de A Sentinela (em ingles). (Ambas
ˆ
foram publicadas em portugues em A Torre de Vigia de ju-
nho/julho de 1938.) Contando 2.300 dias (6 anos, 4 meses
´
e 20 dias no calendario hebraico) a partir de 1.° ou 15 de
junho de 1938 chegaremos a 8 ou 22 de outubro de 1944.
No primeiro dia duma assembleia especial realizada em
ˆ
Pittsburgh, Pensilvania, EUA, em 30 de setembro e 1.° de
outubro de 1944, o presidente da Sociedade Torre de Vigia
´
(dos EUA) falou sobre o assunto “O Alinhamento Teocratico
˜
Hoje”. Na reuniao anual da Sociedade em 2 de outubro, os
´
estatutos dela foram emendados no esforço de harmoniza-
´ ´
los com os arranjos teocraticos o maximo que a lei permitia.
˜ ´
Com a publicaçao de requisitos bıblicos refinados, a organi-
˜ ´
zaçao teocratica em pouco tempo estava mais plenamente
˜ ´
em vigor nas congregaçoes das Testemunhas de Jeova.
27 Enquanto os 2.300 dias corriam durante a Segunda
´
Guerra Mundial, que começou em 1939, oferecer o “sacrifı-
´ ´
cio contınuo” no santuario de Deus ficou muito restrito por
˜ ˆ
causa da perseguiçao. Em 1938, havia 39 filiais e congene-
res da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) supervisionando
a obra das Testemunhas em todo o mundo, mas em 1943
´ ´
havia apenas 21. Durante esse perıodo, o aumento do nu-
´
mero de publicadores do Reino tambem foi pequeno.
28 Conforme notamos, durante os ultimos ´
meses da
´
Segunda Guerra Mundial, as Testemunhas de Jeova reafir-
˜ ´
maram sua determinaçao de magnificar o domınio de Deus
˜ ´
por servi-lo como organizaçao teocratica. Foi com esse obje-
˜
tivo que começou em 1944 a reorganizaçao da sua obra e da
ˆ
estrutura governante. Na realidade, A Sentinela (em ingles)
ˆ
de 15 de outubro de 1944 (em portugues, outubro de 1945)
ˆ ´ ´
27. Que evidencia havia de que “o sacrifıcio contınuo” ficou restrito
˜
durante os anos da Segunda Guerra Mundial, cheios de perseguiçao?
28, 29. (a) Quando se aproximava o fim da Segunda Guerra Mun-
˜ ´
dial, o que aconteceu na organizaçao de Jeova? (b) O que se pode dizer
das tentativas ferozes do inimigo de desolar e destruir “o lugar santo”?
´ ´ ´
Quem pode manter-se de pe contra o Prıncipe dos prıncipes? 179

publicou um artigo intitulado “Organizados Para a Obra


Final”. Esse, bem como outros artigos orientados para a
˜ ´
pregaçao no mesmo perıodo, mostrou que os 2.300 dias ha-
viam terminado e que “o lugar santo” estava novamente
˜
na “condiçao correta”.
29 As tentativas ferozes do inimigo, de desolar e destruir

“o lugar santo”, haviam fracassado totalmente. Deve-


ras, os “santos” que remanesciam na Terra, junto com seus
˜ ´
companheiros da “grande multidao”, saıram-se vitoriosos.
˜ ´ ˜ ´
(Revelaçao 7:9) E o santuario, na sua condiçao teocratica le-
´ ´
gıtima, continua agora a prestar serviço sagrado a Jeova.
ˆ
30 A Potencia Mundial Anglo-Americana continua na sua
˜ ´ ˜
posiçao. ‘Mas sera destroçada sem mao’, disse o anjo Ga-
´ ˆ
briel. (Daniel 8:25) Muito em breve, essa setima potencia
´
mundial da profecia bıblica — esse “rei de semblante fe-
´ ˜ ˜
roz” — sera destroçada no Armagedom, nao por maos
humanas, mas por poder ´ sobre-humano. (Daniel 2:44; Re-
˜
velaçao 16:14, 16) E muito emocionante saber que a
´ ´ ´ ´
soberania de Jeova Deus, o Prıncipe dos prıncipes, sera en-
˜
tao vindicada!
´
30. O que acontecera em breve ao “rei de semblante feroz”?

O QUE DISCERNIU?
˙ O que representa
“o carneiro” de “dois chifres”?
“o bode peludo” com seu “chifre grande”?
os quatro chifres que subiram em lugar do
“chifre grande”?
o chifre pequeno que saiu de um dos quatro
chifres?
˙ Durante a Segunda Guerra Mundial, como
ˆ
procurou a Potencia Mundial Anglo-Americana
desolar “o lugar santo”, e ela conseguiu isso?
´
C APITULO ONZE

REVELADO O TEMPO
DA VINDA DO MESSIAS
´ ´
JEOVA e o Grande Cronometrista. Tem sob o seu controle
´
todos os tempos e epocas relacionados com o seu trabalho.
(Atos 1:7) Todos os acontecimentos que ele designou para
´ ˜ ˜
esses tempos e epocas ocorrerao com toda a certeza. Nao
˜
falharao.
2 O profeta Daniel, como estudante diligente das Es-
´ ´
crituras, tinha fe na capacidade de Jeova programar
´
acontecimentos e de realiza-los. A Daniel interessavam es-
˜
pecialmente as profecias relacionadas com a devastaçao de
´ ˜
Jerusalem. Jeremias registrara a revelaçao de Deus referen-
te a quanto tempo a cidade santa ficaria desolada, e Daniel
˜
deu muita consideraçao a essa profecia. Ele escreveu: “No
ˆ
primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da descenden-
´
cia dos medos, que fora constituıdo rei sobre o reino dos
caldeus, no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, com-
´
preendi pelos livros o numero de anos a respeito dos quais
´
viera a haver a palavra de Jeova para Jeremias, o profeta,
˜ ´
para se cumprirem as devastaçoes de Jerusalem, a saber, se-
tenta anos.” — Daniel 9:1, 2; Jeremias 25:11.
3 Dario, o Medo, governava entao ˜
“o reino dos caldeus”.
˜
A prediçao anterior feita por Daniel, quando ele interpre-
tou a escrita na parede, havia-se cumprido rapidamente.
´ ˆ ˜
O Imperio Babilonico nao existia mais. Fora “dado aos me-
dos e aos persas” em 539 AEC. — Daniel 5:24-28, 30, 31.
´ ´
1. Visto que Jeova e o Grande Cronometrista, de que podemos ter cer-
teza?
˜ ´
2, 3. Em que profecia fixou Daniel sua atençao e que imperio gover-
ˆ ´
nava Babilonia naquela epoca?
˜ `
182 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜ ´
DANIEL FAZ UMA PETIÇ AO HUMILDE A JEOVA
4 Daniel deu-se conta de que os 70 anos de desolaçao ˜
de
´
Jerusalem estavam para acabar. O que ele faria a seguir? Ele
ˆ ´
mesmo nos diz: “Passei a por a minha face para Jeova, o
˜
verdadeiro Deus, para o procurar com oraçao e com rogos,
com jejum e com serapilheira e cinzas. E comecei a orar a
´ ˜
Jeova, meu Deus, e a fazer confissao.” (Daniel 9:3, 4) Era
˜ ˜
preciso ter uma condiçao correta de coraçao para se rece-
˜ ´ ´
ber a libertaçao misericordiosa da parte de Jeova. (Levıtico
´
26:31-46; 1 Reis 8:46-53) Havia necessidade de se ter fe, um
´
espırito humilde e pleno arrependimento dos pecados que
´ ˜
haviam causado o exılio e a escravidao. Por isso, Daniel
passou a se chegar a Deus a favor do seu povo pecaminoso.
Como? Por jejuar, lamentar e vestir-se de serapilheira, um
´ ˜
sımbolo de arrependimento e de sinceridade de coraçao.
5 A profecia de Jeremias dera a Daniel esperança, pois in-

dicava que os judeus seriam em breve restabelecidos na sua


´ ´ ´
patria, Juda. ( Jeremias 25:12; 29:10) Daniel, sem duvida,
tinha confiança de que os judeus subjugados receberiam
´ ´
alıvio, porque um homem chamado Ciro ja governava
´ ˜ ´
como rei da Persia. Nao profetizara Isaıas que Ciro seria o
instrumento para libertar os judeus, a fim de que recons-
´ ´ ´
truıssem Jerusalem e o templo? (Isaıas 44:28–45:3) Mas
˜
Daniel nao tinha nenhuma ideia de como isso se daria. Por
´
isso continuava a suplicar a Jeova.
˜
6 Daniel chamou atençao para a misericordia ´
e a benevo-
ˆ ´
lencia de Jeova. Humildemente, reconheceu que os judeus
haviam pecado por se rebelarem, desviando-se dos man-
´ ˜
damentos de Jeova e nao fazendo caso dos Seus profetas.
Deus, com justiça, ‘os dispersara por causa da sua infideli-
˜
4. (a) O que era preciso para se receber a libertaçao da parte de Deus?
´
(b) Como passou Daniel a se chegar a Jeova?
5. Por que podia Daniel ter confiança de que os judeus seriam resta-
´
belecidos na sua patria?
˜
6. O que reconheceu Daniel em oraçao?
Revelado o tempo da vinda do Messias 183
´ ´ ´
dade’. Daniel orou: “O Jeova, a vergonha da face e nossa,
´
de nossos reis, de nossos prıncipes e de nossos ante-
´
passados, porque pecamos contra ti. A Jeova, nosso Deus,
´ ˜ ´
pertencem as misericordias e os atos de perdao, pois nos
˜ `
nos rebelamos contra ele. E nao obedecemos a voz de
´ ˆ
Jeova, nosso Deus, por andarmos nas suas leis que ele pos
´ ˜
perante nos pela mao de seus servos, os profetas. E todos
˜
os que sao de Israel infringiram a tua lei, e houve um des-
˜ `
vio por nao se obedecer a tua voz, de modo que derramaste
´ ˜
sobre nos a maldiçao e o juramento escrito na lei de Moi-
´
ses, o servo do verdadeiro ˆ Deus, pois pecamos contra Ele.”
— Daniel 9:5-11; Exodo 19:5-8; 24:3, 7, 8.
7 Deus havia advertido os israelitas sobre as consequen- ˆ
cias de desobedecerem a ele e de desconsiderarem o pacto
´ ˆ
que fizera com eles. (Levıtico 26:31-33; Deuteronomio
˜
28:15; 31:17) Daniel reconhece a justiça das açoes de Deus,
dizendo: “Ele passou a cumprir as suas palavras que fa-
´ ´
lou contra nos e contra os nossos juızes que nos julgavam,
´ ˜
trazendo sobre nos grande calamidade, tal como nao se
´
causara sob todos os ceus assim como se causara em Jeru-
´ ´ ´
salem. Assim como esta escrito na lei de Moises, toda esta
´ ˜
calamidade — ela veio sobre nos, e nao abrandamos a face
´
de Jeova, nosso Deus, recuando de nosso erro e mostran-
´ ` ´
do perspicacia quanto a tua veracidade. E Jeova se manteve
alerta para com a calamidade e finalmente a trouxe sobre
´ ´ ´
nos, porque Jeova, nosso Deus, e justo em todos os seus tra-
´ ˜ `
balhos que fez; e nos nao obedecemos a sua voz.” — Daniel
9:12-14.
8 Daniel nao ˜ ˜
procura justificar as açoes do seu povo. Seu
´
exılio era bem merecido, conforme ele prontamente con-
´
fessa: “Nos pecamos, temos agido iniquamente.” (Daniel
´
7. Por que se pode dizer que Jeova agiu corretamente ao permitir que
os judeus fossem ao cativeiro?
´
8. Em que baseia Daniel seu apelo a Jeova?
˜ `
184 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
9:15) Nem se preocupa ele apenas com o alıvio do so-
˜ ´
frimento. Nao, ele baseia seu apelo na gloria e honra do
´ ´ ˆ
proprio Jeova. Por Deus perdoar os judeus e restabelece-los
´
na sua patria, ele cumpriria a promessa feita por meio de
Jeremias
´ e santificaria o Seu sagrado nome. Daniel roga:
´
“O Jeova, por favor, segundo todos os teus atos de justiça,
faze tua ira e teu furor recuar da tua cidade de Jerusa-
´
lem, teu santo monte; pois, por causa de nossos pecados
´
e por causa dos erros de nossos antepassados, Jerusalem e
˜ ´
teu povo sao objeto de vituperio para todos os em volta de
´
nos.” — Daniel 9:16.
9 Daniel prossegue, em oraçao ˜ ´
fervorosa: “Agora, o nos-
˜
so Deus, escuta a oraçao de teu servo e os seus rogos, e
´ ´
faze a tua face brilhar sobre o teu santuario que esta deso-
´ ´
lado, pela causa de Jeova. Inclina teu ouvido, o meu Deus,
ˆ
e ouve. Abre deveras os teus olhos e ve as nossas condi-
˜
çoes desoladas e a cidade que se chamou pelo teu nome;
˜ ´
pois nao e segundo os nossos atos justos que lançamos
os nossos rogos´ diante de ti, mas segundo ´ as tuas muitas
´ ´ ´
miseric´ ordias. O Jeova, ouve deveras. O Jeova, perdoa de-
´ ˜ ˜
veras. O Jeova, presta deveras atençao e age. Nao tardes, por
´ ´ ´
tua propria causa, o meu Deus, pois o teu proprio nome foi
invocado sobre a tua cidade e sobre o teu povo.” (Daniel
˜
9:17-19) Se Deus nao fosse perdoador e deixasse seu povo
´ ´
no exılio, permitindo que sua cidade santa, Jerusalem, fi-
´ ˜
casse indefinidamente desolada, sera que as naçoes o
˜
considerariam como Soberano Universal? Nao chegariam
` ˜ ´ ˜
a conclusao de que Jeova nao tinha força contra o poderio
ˆ ´
dos deuses babilonios? Deveras, o nome de Jeova seria vi-
tuperado, e isso aflige a Daniel. Das 19 vezes que o nome
´ ´
divino, Jeova, e encontrado no livro de Daniel, 18 vezes
˜
ocorre relacionado com essa oraçao!
´ ˜
9. (a) Com que suplicas termina Daniel sua oraçao? (b) O que aflige
˜
a Daniel, mas como mostra ele consideraçao pelo nome de Deus?
Revelado o tempo da vinda do Messias 185

GABRIEL VEM DEPRESSA


´
10 Enquanto Daniel ´ ainda esta orando, aparece o anjo
´ ´
Gabriel. Ele diz: “O Daniel, saı agora para te dar perspica-
˜ ´
cia com compreensao. No inıcio dos teus rogos saiu uma
´
palavra, e eu mesmo vim para fazer um relatorio, porque
´ ´ ´ ´ ˜
tu es alguem muito desejavel. Portanto, da consideraçao ao
assunto e tem entendimento da coisa vista.” Mas por que
Daniel o chama de “o homem Gabriel”? (Daniel 9:20-23)
˜
Ora, quando Daniel procurava entender sua visao anterior
´
a respeito do bode e do carneiro, apareceu-lhe “alguem da
ˆ ˜
aparencia de um varao vigoroso”. Era o anjo Gabriel, envia-
´
do para dar perspicacia a Daniel. (Daniel 8:15-17) De forma
˜
similar, depois da oraçao de Daniel, esse anjo se aproximou
dele em forma humana e falou-lhe como um homem a
outro.
11 Gabriel chega “no tempo da oferenda da noitinha”.
´ ´
O altar de Jeova havia sido destruıdo junto com o tem-
´ ˆ
plo em Jerusalem, e os judeus eram cativos dos babilonios
˜ ˜ ˆ
pagaos. De modo que os judeus nao ofereciam em Babilo-
´
nia sacrifıcios a Deus. No entanto, nas horas prescritas para
as ofertas sob a Lei mosaica, era apropriado que os judeus
ˆ ´
devotos em Babilonia louvassem e suplicassem a Jeova. Da-
niel, como homem profundamente devotado a Deus, foi
´ ´ ´
chamado de “alguem muito desejavel”. Jeova, o “Ouvin-
˜ `
te de oraçao”, se agradava dele, e Gabriel foi mandado as
` ˜ ´
pressas para responder a oraçao de fe de Daniel. — Salmo
65:2.
12 Mesmo quando orar a Jeova´ punha em perigo a sua
ˆ
vida, Daniel continuava a orar a Deus tres vezes por dia.
ˆ
10. (a) Quem foi enviado a Daniel, e por que? (b) Por que Daniel cha-
mou Gabriel de “homem”?
˜ ´
11, 12. (a) Embora nao houvesse nem templo nem altar de Jeova em
ˆ ˜
Babilonia, como mostravam os judeus devotos consideraçao pelas
´
ofertas exigidas pela Lei? (b) Por que foi Daniel chamado de “alguem
´
muito desejavel”?
˜ `
186 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜ ´ ´ ˜
(Daniel 6:10, 11) Nao e de admirar que Jeova o achasse tao
´ ´ ˜ ˜
desejavel! Alem da oraçao, a meditaçao de Daniel na Pala-
´
vra de Deus o habilitava a saber a vontade de Jeova. Daniel
persistia em orar e sabia como se dirigir corretamente a
´ ˜
Jeova para que suas oraçoes fossem respondidas. Ele desta-
cava a justiça de Deus. (Daniel 9:7, 14, 16) E embora seus
˜
inimigos nao pudessem achar falta nele, Daniel sabia que
era pecador aos olhos de Deus e estava pronto para confes-
sar seu pecado. — Daniel 6:4; Romanos 3:23.
“SETENTA SEMANAS” PARA ACABAR
COM O PECADO
13 Que resposta Daniel recebe a` oraçao!˜ ´ ˜
Jeova nao so lhe
´
˜ ´
assegura que os judeus serao restabelecidos na sua patria,
´ ´
mas tambem lhe da a entender algo de significado mui-
ˆ
to maior — o aparecimento do predito Messias. (Genesis
´
22:17, 18; Isaıas 9:6, 7) Gabriel diz a Daniel: “Setenta se-
manas foram determinadas sobre o teu povo e sobre a tua
˜
cidade santa, para acabar com a transgressao e encerrar
˜
o pecado, e para fazer expiaçao pelo erro, e para introdu-
`
zir justiça por tempos indefinidos, e para apor um selo a
˜
visao e ao profeta, e para ungir o Santo dos Santos. E de-
´ ´
ves saber e ter a perspicacia de que desde a saıda da palavra
´ ´
para se restaurar e reconstruir Jerusalem ate o Messias, o
´ ´ ´
Lıder, havera sete semanas, tambem sessenta e duas sema-
´ ´ ´
nas. Ela tornara a ser e sera realmente reconstruıda, com
´
praça publica e fosso, mas no aperto dos tempos.” — Daniel
9:24, 25.
14 Essas eram deveras boas notıcias! ´ ˜ ´
Nao so se recons-
´ ˜
truiria Jerusalem e se restabeleceria a adoraçao num novo
´ ´
templo, mas tambem apareceria “o Messias, o Lıder”, num
´
tempo especıfico. Isso ocorreria dentro de “setenta sema-
˜ ˜ ˜
nas”. Visto que Gabriel nao menciona dias, essas nao sao
˜
13, 14. (a) Que informaçao importante revelou Gabriel a Daniel?
´ ˜
(b) Qual e a duraçao das “setenta semanas”, e como sabemos isso?
Revelado o tempo da vinda do Messias 187

semanas de sete dias cada uma, que seriam 490 dias — ape-
˜
nas um ano e quatro meses. A predita reconstruçao de
´ ´
Jerusalem “com praça publica e fosso” levou muito mais
˜
tempo do que isso. As semanas sao semanas de anos. Que
´ ´
cada semana e de sete anos e sugerido por diversas tradu-
˜
çoes modernas. Por exemplo, “setenta semanas de anos”
´ ˜ ´
e uma traduçao indicada numa nota de rodape sobre Da-
˜
niel 9:24 na versao Tanakh—The Holy Scriptures (Tanakh
— As Escrituras Sagradas), publicada pela The Jewish Publi-
˜ ˜
cation Society. A versao de Matos Soares (Ediçoes Paulinas)
diz: “Setenta semanas de anos foram decretadas sobre o teu
˜
povo e sobre a tua cidade santa.” Traduçoes similares apa-
˜
recem nas versoes inglesas de Moffatt e de Rotherham, e
´ ´ ´
na nota de rodape na Bıblia Sagrada dos Missionarios
Capuchinhos.
15 De acordo com as palavras do anjo, as “setenta
ˆ ´
semanas” ficariam divididas em tres perıodos: (1) “sete
semanas”, (2) “sessenta e duas semanas” e (3) uma sema-
na. Isso seria ´ 49 anos, 434 anos e 7 anos — num total de´
490 anos. E interessante que The Revised English Bible (A Bı-
˜
blia Inglesa Revisada) diz: “Setenta vezes sete anos estao
determinados para teu povo e para tua cidade santa.” De-
´ ˆ
pois do exılio e do sofrimento dos judeus em Babilonia por
70 anos, eles teriam o favor especial de Deus por 490 anos,
ou 70 anos multiplicados por 7. O ponto de partida seria “a
´ ´
saıda da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalem”.
Quando seria isso?
O COMEÇO DAS “SETENTA SEMANAS”
ˆ ˜
Tres incidentes dignos de nota merecem consideraçao
16

com respeito ao começo das “setenta semanas”. O primeiro


ˆ ´ ˜
15. Em que tres perıodos estao divididas as “setenta semanas”, e quan-
do começariam?
16. Conforme mostrado pelo seu decreto, qual era o objetivo de Ciro
´
restabelecer os judeus na patria deles?
˜ `
188 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

ocorreu em 537 AEC, quando Ciro emitiu seu decreto de


´
restabelecer os judeus na sua patria. Ele diz: “Assim disse
´ ´ ´
Ciro, rei da Persia: ‘Jeova, o Deus dos ceus, deu-me todos os
reinos da terra, e ele mesmo me comissionou para lhe cons-
´ ´ ´
truir uma casa em Jerusalem, que esta em Juda. Quem den-
´
tre vos for de todo o seu povo, mostre seu Deus estar com
´ ´ ´
ele. Portanto, suba ele a Jerusalem, que esta em Juda, e re-
´ ´
construa a casa de Jeova, o Deus de Israel — ele e o verdadei-
´
ro Deus — que havia em Jerusalem. Quanto a todo aquele
que restou de todos os lugares onde reside como forastei-
ro, auxiliem-no os homens do seu lugar com prata, e com
´
ouro, e com bens, e com animais domesticos, junto com a
´
oferta voluntaria para a casa do ´ verdadeiro Deus, que havia
´
em Jerusalem.’ ” (Esdras 1:2-4) E evidente que o objetivo es-
´
pecıfico desse decreto era fazer reconstruir o templo — “a
´
casa de Jeova” — no seu lugar anterior.
17 O segundo incidente ocorreu no setimo ´
ano do reina-
´
do do rei persa Artaxerxes (Artaxerxes Longımano, filho de
´
Xerxes I). Naquela epoca, Esdras, o copista, fez uma viagem
ˆ ´
de quatro meses de Babilonia a Jerusalem. Levou consigo
˜
uma carta especial do rei, mas ela nao autorizava a recons-
˜ ´ ˜
truçao de Jerusalem. Em vez disso, a comissao de Esdras se
17. A carta dada a Esdras indicava que motivo para sua viagem a Je-
´
rusalem?

‘A palavra para se
´
“SETENTA SEMANAS”
restaurar Jerusalem’ ´ ´
Jerusalem reconstruıda

455 406

7 semanas 62
% (%
49 anos 434
Revelado o tempo da vinda do Messias 189
´
limitava a “embelezar a casa de Jeova”. Era por isso que a
carta mencionava ouro e prata, vasos sagrados e contribui-
˜ ˜
çoes de trigo, vinho, azeite e sal, em apoio da adoraçao no
˜
templo, bem como a isençao de impostos para os que ser-
vissem ali. — Esdras 7:6-27.
18 O terceiro incidente ocorreu 13 anos mais tarde, no
˜
20.° ano do rei persa Artaxerxes. Neemias servia entao
˜ ´
como seu copeiro em “Susa, o castelo”. Jerusalem tinha
´ ´
sido reconstruıda ate certo ponto pelos remanescentes que
ˆ
voltaram de Babilonia. Mas nem tudo estava bem. Nee-
´
mias soube que ‘a muralha de Jerusalem estava derrocada
´ ˜
e seus proprios portoes haviam sido queimados com fogo’.
Isso o perturbou muito, e ele ficou profundamente tris-
te. Interrogado sobre a sua tristeza, Neemias respondeu:
´ ˜
“Viva o proprio rei por tempo indefinido! Por que nao
deve a minha face ficar sombria quando a cidade, a casa
´
das sepulturas de meus antepassados, esta devastada e seus
´ ˜
proprios portoes foram consumidos pelo fogo?” — Nee-
mias 1:1-3; 2:1-3.
19 O relato envolvendo Neemias prossegue: “O rei, por

´
18. Que notıcia perturbou a Neemias e como soube disso o Rei Arta-
xerxes?
19. (a) Quando interrogado pelo Rei Artaxerxes, o que fez Neemias
primeiro? (b) O que pediu Neemias, e como reconheceu o papel de-
sempenhado por Deus nesse assunto?

Aparece Decepado
o Messias Fim das
o Messias “setenta semanas”

% AEC EC (
29 33 36

semanas 1 semana
(% (
anos 7 anos
˜ `
190 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ´
sua vez, me disse: ‘O que e que estas procurando obter?’
´
Orei imediatamente ao Deus dos ceus. Depois eu disse
ao rei: ‘Se parecer bem ao rei e se teu servo parecer bom
´ `
diante de ti, que me envies a Juda, a cidade das sepultu-
ras de meus antepassados, para que eu a reconstrua.’ ” Essa
´
proposta agradou a Artaxerxes, que atuou tambem segun-
do o pedido adicional de Neemias: “Se parecer bem ao rei,
´
deem-se-me cartas para os governadores de alem do Rio
´ ´
[Eufrates], para que me deixem passar ate eu chegar a Juda;
´
tambem uma carta para Asafe, guarda do parque que per-
ˆ ´
tence ao rei, para que me de arvores para construir com
˜ `
madeira os portoes do Castelo que pertence a casa, e para a
muralha da cidade e para a casa em que vou entrar.” Nee-
´
mias reconheceu o papel de Jeova em tudo isso, dizendo:
“Portanto, o rei mas deu [i.e., as cartas], segundo a boa
˜
mao de meu Deus sobre mim.” — Neemias 2:4-8.
20 Embora se desse a permissao ˜ ˆ ˜
no mes de nisa no
´ ´
20.° ano do reinado de Artaxerxes, a propria “saıda da
´
palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalem” ocorreu
meses depois. Aconteceu quando Neemias chegou a Jeru-
´ ˜
salem e começou a sua obra de restauraçao. (Neemias 2:11;
6:15) As preditas “setenta semanas”, ou 490 anos, come-
´
çaram depois da chegada de Neemias em Jerusalem, em
455 AEC. Elas terminariam em 36 EC. — Veja “Quando co-
´
meçou o reinado de Artaxerxes?”, na pagina 197.
´
APARECE “O MESSIAS, O LIDER”
´
21 Quantos anos se passaram ate que Jerusalem ´
final-
20. (a) Quando entrou em vigor a palavra “para se restaurar e re-
´
construir Jerusalem”? (b) Quando começaram as “setenta semanas” e
quando terminaram?
21. (a) O que seria realizado durante as primeiras “sete semanas”, e
ˆ
isso apesar de que circunstancias? (b) Em que ano devia aparecer o
Messias e o que diz o Evangelho de Lucas sobre o que aconteceu na-
´
quela epoca?
Revelado o tempo da vinda do Messias 191
´ ˜
mente foi reconstruıda? Acontece que a restauraçao da ci-
dade seria realizada “no aperto dos tempos”, por causa de
´ ˜
dificuldades entre os proprios judeus e da oposiçao dos
samaritanos e de outros. Pelo visto, a obra foi completa-
´
da ao ponto necessario por volta de 406 AEC — em “sete
semanas”, ou 49 anos. (Daniel 9:25) Seguir-se-ia um pe-
´ ´
rıodo de 62 semanas, ou 434 anos. Depois desse perıodo
apareceria o havia muito prometido Messias. Contarmos
483 anos (49 mais 434) a partir de 455 AEC nos leva
´
a 29 EC. O que aconteceu naquela epoca? O evangelis-
´
ta Lucas nos diz: “No decimo quinto ano do reinado de
´ ´ ˆ
Tiberio Cesar, quando Poncio Pilatos era governador da
Judeia e Herodes era governante distrital da Galileia, . . .
˜ ˜
veio a declaraçao de Deus a Joao, filho de Zacarias, no
˜
ermo. Ele percorreu assim toda a regiao em volta do Jor-
˜ ´
dao, pregando o batismo em sımbolo de arrependimento
˜ ´
para o perdao de pecados.” Naquela epoca, ‘o povo esta-
va na expectativa’ do Messias. — Lucas 3:1-3, 15.
22 Joao ˜ ˜
nao era o prometido Messias. Mas ele disse a
˜
respeito do que havia presenciado por ocasiao do batis-
´
mo de Jesus de Nazare, no outono de 29 EC: “Observei o
´ ´
espırito descer como pomba do ceu; e permaneceu so-
´ ˜
bre ele. Ate eu nao o conhecia, mas o Mesmo que me
´
enviou a batizar em agua disse-me: ‘Sobre quem for que
´ ´
vires descer o espırito e permanecer, este e quem batiza
´
em espırito santo.’ E eu o vi e dei testemunho de que este
´ ˜
e o Filho de Deus.” ( Joao 1:32-34) No seu batismo, Jesus
tornou-se o Ungido — o Messias, ou Cristo. Pouco depois,
´ ´ ˜
Andre, discıpulo de Joao, encontrou-se com o ungido Je-
˜ ˜
sus e disse entao a Simao Pedro: “Achamos o Messias.”
˜ ´
( Joao 1:41) De modo que “o Messias, o Lıder”, apareceu
no momento exato — no fim de 69 semanas.
22. Quando e de que modo tornou-se Jesus o predito Messias?
˜ `
192 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
OS ACONTECIMENTOS NA ULTIMA SEMANA
23 O que seria realizado durante a 70.a semana? Gabriel
´
disse que o perıodo de “setenta semanas” havia sido de-
˜
terminado “para acabar com a transgressao e encerrar o
˜
pecado, e para fazer expiaçao pelo erro, e para introduzir
`
justiça por tempos indefinidos, e para apor um selo a vi-
˜
sao e ao profeta, e para ungir o Santo dos Santos”. Para se
´
realizar isso, “o Messias, o Lıder”, tinha de morrer. Quan-
do? Gabriel disse: “Depois das sessenta e duas semanas o
´
Messias sera decepado, sem ter nada para si mesmo. . . .
´
E ele tera de manter em vigor o pacto para com muitos
´
por uma semana; e na metade da semana fara cessar o sa-
´ ´
crifıcio e a oferenda.” (Daniel 9:26a, 27a) O tempo crıtico
´
era a “metade da semana”, quer dizer, o meio da ultima
semana de anos.
24 O ministerio ´ ´
publico de Jesus Cristo começou na
´ ˆ
ultima parte de 29 EC e durou tres anos e meio. Confor-
me profetizado, Cristo foi “decepado” na primeira parte
de 33 EC, quando morreu numa estaca de tortura, en-
tregando sua vida humana em resgate pela humanidade.
´
(Isaıas 53:8; Mateus 20:28) A necessidade de fazer os sa-
´
crifıcios de animais e as oferendas prescritos pela Lei
acabou quando o ressuscitado Jesus apresentou a Deus,
´
no ceu, o valor da sua vida humana sacrificada. Em-
bora os sacerdotes judeus continuassem a fazer ofertas
´ ˜ ´
ate a destruiçao do templo de Jerusalem, em 70 EC, es-
´ ˜ ´
ses sacrifıcios nao eram mais aceitaveis para Deus. Eles
´ ´
haviam sido substituıdos por um sacrifıcio melhor, um
´
que nunca teria de ser repetido. O apostolo Paulo escre-
´ ´
veu: “[Cristo] ofereceu um so sacrifıcio pelos pecados,
´
23. Por que “o Messias, o Lıder”, tinha de morrer e quando aconte-
ceria isso?
24, 25. (a) Conforme profetizado, quando morreu Cristo, e a que
˜
deu fim a sua morte e a sua ressurreiçao? (b) O que possibilitou a mor-
te de Jesus?
˜ `
194 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ´
perpetuamente . . . Porque e por meio de uma so oferta
sacrificial que ele aperfeiçoou perpetuamente os que es-
˜
tao sendo santificados.” — Hebreus 10:12, 14.
25 Embora o pecado e a morte continuassem a afli-

gir a humanidade, ser Jesus morto e ressuscitado para


a vida celestial cumpriu profecias. Isso ‘acabou com a
˜ ˜
transgressao, encerrou o pecado, fez expiaçao pelo erro
e introduziu justiça’. Deus havia eliminado o pacto da
Lei, que expusera e condenara os judeus como pecado-
´ ´
res. (Romanos 5:12, 19, 20; Galatas 3:13, 19; Efesios 2:15;
Colossenses 2:13, 14) Os pecados de transgressores arre-
pendidos podiam assim ser cancelados e as penalidades
´ ´
deles, eliminadas. Por meio do sacrifıcio propiciatorio do
˜ ´
Messias, a reconciliaçao com Deus era possıvel para os
´
que exercessem fe. Eles podiam aguardar receber de Deus
´
a dadiva da “vida eterna por Cristo Jesus”. — Romanos
˜
3:21-26; 6:22, 23; 1 Joao 2:1, 2.
26 De modo que Jeova´ eliminou o pacto da Lei por
˜
meio da morte de Cristo em 33 EC. Entao, como se po-
dia dizer que o Messias ‘teria de manter em vigor o pacto
para com muitos por uma semana’? Porque ele manteve
ˆ ´
em vigor o pacto abraamico. Ate o fim da 70.a semana,
ˆ ˜
Deus ofereceu as bençaos desse pacto aos descendentes
˜
hebreus de Abraao. Mas ao fim das “setenta semanas” de
´
anos, em 36 EC, o apostolo Pedro pregou ao devoto ita-
´ ` ´
liano Cornelio, a sua famılia e a outros gentios. E daquele
dia em diante, as boas novas começaram a ser proclama-
˜
das entre pessoas das naçoes. — Atos 3:25, 26; 10:1-48;
´
Galatas 3:8, 9, 14.
27 A profecia predisse tambem ´ ˜
a unçao do “Santo
26. (a) Embora o pacto da Lei tivesse sido eliminado, que pacto ‘se
manteve em vigor por uma semana’? (b) O que aconteceu no fim da
70.a semana?
27. Que “Santo dos Santos” foi ungido, e como?
Revelado o tempo da vinda do Messias 195
˜ ` ˜ ´
dos Santos”. Isso nao se refere a unçao do Santıssimo,
ˆ
ou compartimento mais recondito, do templo em Jeru-
´ ˜
salem. A expressao “Santo dos Santos” refere-se aqui ao
´
santuario celestial de Deus. Jesus apresentou ali ao seu
´
Pai o valor do seu sacrifıcio humano. O batismo de Jesus,
`
em 29 EC, havia ungido, ou posto a parte, essa realida-
´
de celestial, espiritual, representada pelo Santıssimo do
´
tabernaculo terrestre e do templo posterior. — Hebreus
9:11, 12.
´
A PROFECIA E CONFIRMADA POR DEUS
28 A profecia messianica ˆ
expressa pelo anjo Gabriel fa-
´ ` ˜
lava tambem de se “apor um selo a visao e ao profeta”.
Isso significava que tudo o que fora predito a respeito do
Messias — tudo o que ele realizou por meio do seu sacri-
´ ˜ ´
fıcio, sua ressurreiçao e seu aparecimento no ceu, bem
como as outras coisas ocorridas durante a 70.a sema-
na — receberia o selo do apoio divino, mostraria ser veraz
˜
e digno de confiança. A visao ficaria selada e restrita ao
Messias. O cumprimento dela se daria nele e na obra
de Deus feita por meio dele. Apenas relacionado com
´ ˜
o predito Messias poderıamos encontrar a interpretaçao
˜
correta da visao. Nada desselaria seu significado.
29 Gabriel profetizara antes que Jerusalem ´
seria re-
´ ˜
construıda. Agora ele prediz a destruiçao dessa cidade
´
reconstruıda e do seu templo, dizendo: “A cidade e o lu-
˜ ´ ´
gar santo serao arruinados pelo povo de um lıder que ha
´ ˜ ´
de vir. E o fim disso sera pela inundaçao. E ate o fim ha-
´ ˜ ˜
vera guerra; o que foi determinado sao desolaçoes. . . .
´
E sobre a asa de coisas repugnantes havera um causan-
˜ ´ ˜ ´
do desolaçao; e ate a exterminaçao derramar-se-a a coisa
´
determinada tambem sobre aquele que jaz desolado.”
` ˜
28. Que se queria dizer com “apor um selo a visao e ao profeta”?
` ´ ´
29. O que aconteceria a Jerusalem reconstruıda, e por que motivo?
˜ `
196 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
(Daniel 9:26b, 27b) Embora essa desolaçao ocorresse de-
pois das “setenta semanas”, seria em resultado direto de
´
acontecimentos durante a ultima “semana”, quando os
judeus rejeitaram a Cristo e fizeram com que fosse mor-
to. — Mateus 23:37, 38.
´
30 Os registros historicos ˜
mostram que as legioes ro-
´
manas cercaram Jerusalem em 66 EC, sob o governador
´ ´ ˆ
sırio Cestio Galo. Apesar da resistencia judaica, as forças
´ ´
romanas, carregando insıgnias ou estandartes idolatras,
penetraram na cidade e passaram a minar o muro do
templo ao norte. Estarem ali fez delas uma “coisa repug-
˜
nante” que podia causar uma desolaçao total. (Mateus
24:15, 16) Em 70 EC, os romanos, sob o General Tito,
˜
vieram igual a uma “inundaçao” e desolaram a cidade
e seu templo. Nada os impediu, porque isso tinha sido
decretado — “determinado” — por Deus. O Grande Cro-
´
nometrista, Jeova, de novo cumprira a sua palavra!
´
30. Conforme mostra o registro historico, como se cumpriu o decre-
to do Grande Cronometrista?

O QUE DISCERNIU?
˜
˙ Quando os 70 anos da desolaçao de Jeru-
´
salem estavam para terminar, o que suplicou
´
Daniel a Jeova?
˜
˙ Qual era a duraçao das “setenta semanas”,
quando começaram e quando terminaram?
´
˙ Quando apareceu “o Messias, o Lıder”, e em
´
que tempo crıtico foi ele “decepado”?
˙ Que pacto ‘se manteve em vigor para com
muitos por uma semana’?
˙ O que aconteceu depois das “setenta
semanas”?
Revelado o tempo da vinda do Messias 197

Quando começou o reinado de Artaxerxes?


HISTORIADORES discordam a respeito do ano em que come-
ˆ
çou o reinado do rei persa Artaxerxes. Alguns tem colocado seu
˜
ano de acessao em 465 AEC, porque seu pai, Xerxes, começou a
governar em 486 AEC e morreu no 21.° ano do seu reinado.
´ ˆ
No entanto, ha evidencia que Artaxerxes ascendeu ao trono em
475 AEC e iniciou o primeiro ano de seu reinado em 474 AEC.
˜
Inscriçoes e esculturas desenterradas na antiga capital persa,
´ ˆ
Persepolis, indicam que havia uma corregencia entre Xerxes e
seu pai, Dario I. Se isso abrangeu 10 anos e Xerxes governou so-
zinho por 11 anos depois da morte de Dario em 486 AEC, o pri-
meiro ano do reinado de Artaxerxes teria sido 474 AEC.
ˆ
Uma segunda linha de evidencia envolve o general atenien-
´
se Temıstocles, que derrotou as forças de Xerxes em 480 AEC.
Mais tarde, ele perdeu o favor do povo grego e foi acusado de
˜ ´ ˜
traiçao. Temıstocles fugiu e procurou proteçao na corte persa,
´
onde foi bem recebido. Segundo o historiador grego Tucıdides,
isso aconteceu quando fazia pouco tempo que Artaxerxes ‘ha-
´
via ascendido ao trono’. O historiador grego Diodoro Sıculo co-
´
loca a morte de Temıstocles em 471 AEC.
´
Visto que Temıstocles pediu um ano para
´
aprender a lıngua persa antes de ter uma
ˆ
audiencia com o Rei Artaxerxes, ele deve
` ´
ter chegado a Asia Menor o mais tar-
´
dar em 473 AEC. Essa data e apoiada
ˆ
pela Chronicle of Eusebius (Cronica de
´ ˆ
Eusebio), de Jeronimo. Visto que fazia
pouco tempo que Artaxerxes ‘havia as-
´
cendido ao trono’ quando Temıstocles
` ´
chegou a Asia, em 473 AEC, o eru-
˜
dito alemao Ernst Hengstenberg
declarou na sua obra Christology
of the Old Testament (Cristologia
do Antigo Testamento) que o rei-
nado de Artaxerxes começou em
474 AEC, assim como fazem tam-
´
bem outras fontes. Ele acrescen-
´
tou: “O vigesimo ano de Arta-
´
xerxes e o ano 455 antes de
´ Cristo.”
Busto de Temıstocles
´
C APITULO DOZE

FORTALECIDO POR UM
MENSAGEIRO DE DEUS
˜ ´
O VIVO interesse de Daniel na realizaçao do proposito
´
de Jeova foi ricamente recompensado. Deu-se-lhe a emo-
cionante profecia das 70 semanas a respeito do tempo do
´
aparecimento do Messias. Daniel foi tambem abençoa-
`
do por ver o restante fiel do seu povo retornar a sua
´
patria. Isso aconteceu em 537 AEC, perto do fim do “pri-
´
meiro ano de Ciro, rei da Persia”. — Esdras 1:1-4.
˜
2 Daniel nao estava entre os que viajaram de volta para
´ ´
a terra de Juda. Viajar talvez lhe fosse difıcil na idade
avançada. De qualquer modo, Deus ainda tinha mais ser-
ˆ ´
viço para ele em Babilonia. Passaram-se dois anos. Daı,
´
o relato nos diz: “No terceiro ano de Ciro, rei da Persia,
revelou-se um assunto a Daniel, que era chamado pelo
nome de Beltessazar; e o assunto era verdadeiro, e ha-
via um grande serviço militar. E ele entendeu o assunto
˜
e teve compreensao da coisa vista.” — Daniel 10:1.
3 O “terceiro ano de Ciro” corresponderia a
´
536/535 AEC. Ja se haviam passado mais de 80 anos
ˆ
desde que Daniel fora levado a Babilonia junto com os
´ ´
descendentes regios e os jovens de estirpe nobre de Juda.
´ ˆ
(Daniel 1:3) Se foi no inıcio da sua adolescencia quan-
ˆ ´ ˜
do primeiro chegou a Babilonia, ele ja tinha entao quase
100 anos de idade. Que maravilhosa folha de serviço fiel
da parte dele!
˜
1. Como foi Daniel abençoado por ter vivo interesse na realizaçao do
´ ´
proposito de Jeova?
´ ´ ˜ `
2, 3. Qual e o possıvel motivo de Daniel nao ter retornado a terra de
´
Juda com o restante judeu?
˜ `
200 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

4 No entanto, apesar da sua idade avançada, o papel de


´ ˜
Daniel no serviço de Jeova nao acabara. Por meio dele,
´
Deus ainda proclamaria uma mensagem profetica de sig-
nificado de longo alcance. Seria uma profecia que se
´
estenderia aos nossos tempos e mais alem. A fim de
´
preparar Daniel para mais essa tarefa, Jeova achou apro-
`
priado agir a favor dele, fortalecendo-o para o serviço a
frente.
MOTIVO PARA ANSIEDADE
˜ ` ´
5 Embora Daniel nao tivesse voltado a terra de Juda
junto com o restante dos judeus, ele estava vivamente`
´ ´
interessado no que acontecia la na sua querida patria. A
base dos relatos que recebera, Daniel ficou sabendo que
nem tudo ia bem ali. O altar fora restabelecido e o alicer-
´
ce do templo havia sido lançado em Jerusalem. (Esdras,
´ ˜
capıtulo 3) Mas as naçoes vizinhas opunham-se ao pro-
˜
jeto de reconstruçao e tramavam o mal contra os judeus
que haviam retornado. (Esdras 4:1-5) Deveras, Daniel po-
deria facilmente ter ficado ansioso a respeito de muitas
coisas.
6 Daniel conhecia a profecia de Jeremias. (Daniel 9:2)
˜ ´
Sabia que a reconstruçao do templo em Jerusalem e a res-
˜ ˜
tauraçao da adoraçao verdadeira ali estavam estreitamente
´ ´
relacionadas com o proposito de Jeova para com Seu povo,
e que tudo isso precederia ao aparecimento do prometi-
´
do Messias. Na realidade, Daniel tivera o grande privilegio
`
´
de receber de Jeova a profecia das “setenta semanas”. A ba-
se dela entendeu que o Messias viria 69 “semanas” depois
´
da saıda da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusa-
´ ˜
lem. (Daniel 9:24-27) Em vista da condiçao devastada de
4. Apesar da idade avançada de Daniel, que papel significativo desem-
´
penharia ele ainda no serviço de Jeova?
5. Que relatos provavelmente preocupavam a Daniel?
˜ ´
6. Por que afligiam a Daniel as condiçoes existentes em Jerusalem?
Fortalecido por um mensageiro de Deus 201
´ ˜ ´
Jerusalem e da demora na construçao do templo, porem,
´ ´
e facil de ver por que Daniel poderia ter ficado desanima-
do, abatido e deprimido.
7 “Aconteceu que naqueles dias eu, Daniel, pranteei
ˆ ˜ ˜
por tres semanas inteiras”, diz o relato. “Nao comi pao
saboroso, nem entrou carne ou vinho na minha boca, e
˜ ´ ´ ˆ
nao me untei de maneira alguma ate o termino das tres
ˆ
semanas inteiras.” (Daniel 10:2, 3) “Tres semanas intei-
´
ras”, ou 21 dias, de lamento e jejum eram um perıodo
˜ ´
de duraçao incomum. Pelo visto, acabaram no “vigesimo
ˆ
quarto dia do primeiro mes”. (Daniel 10:4) Portanto, o
´ ´
perıodo do jejum de Daniel incluiu a Pascoa, celebrada
ˆ ˜
no 14.° dia do primeiro mes, nisa, e a festividade que se
˜
seguiu, de sete dias, de paes asmos.
8 Daniel tivera uma experiencia ˆ ˜
similar numa ocasiao
´
anterior. Naquela epoca, ele ficara perplexo a respeito do
´
cumprimento da profecia de Jeova a respeito da desola-
˜ ´ ˜
çao de Jerusalem por 70 anos. O que fez Daniel entao?
ˆ ´
“Passei a por a minha face para Jeova, o verdadeiro
˜
Deus”, disse Daniel, “para o procurar com oraçao e com
´
rogos, com jejum e com serapilheira e cinzas”. Jeova res-
` ˜
pondeu a oraçao de Daniel por enviar-lhe o anjo Gabriel
com uma mensagem que muito o animou. (Daniel 9:3,
´ ´ ˜
21, 22) Sera que Jeova agiria entao de modo similar e da-
ria a Daniel o encorajamento que ele tanto precisava?
˜
UMA VISAO ESPANTOSA
9 Daniel nao ˜
fica desapontado. Ele passa a contar-nos
o que acontece a seguir, dizendo: “Enquanto eu vim a
ˆ
7. O que fez Daniel por tres semanas?
˜
8. Em que ocasiao anterior havia Daniel fervorosamente procurado a
˜ ´
orientaçao de Jeova, e qual fora o resultado?
˜
9, 10. (a) Onde estava Daniel quando recebeu uma visao? (b) Descre-
˜
va o que Daniel viu na visao.
˜ `
202 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
` ´ ´
estar a margem do grande rio, isto e, o Hıdequel, passei
´
tambem a levantar os meus olhos e a ver, e eis que havia
certo homem vestido de linho, tendo os quadris cingi-
´
dos de ouro de Ufaz.” (Daniel 10:4, 5) O Hıdequel era´ um
dos quatro rios que tinham nascente no jardim do Eden.
ˆ ´ ´
(Genesis 2:10-14) Na antiga lıngua persa, o Hıdequel era
conhecido como Tigra, de onde se origina o nome grego
˜
Tigris, ou Tigre. A regiao entre ele e o Eufrates passou a
ˆ
ser chamada de Mesopotamia, que significa “Terra Entre
˜
Rios”. Isso confirma que, quando Daniel recebeu a visao,
ˆ ˜
ele ainda estava na terra de Babilonia, embora talvez nao
ˆ
na cidade de Babilonia.
˜
10 Que visao
´ ´ ˜
Daniel recebeu! E obvio que ele nao viu
um homem comum ao levantar os olhos. Daniel for-
˜ ´
neceu a seguinte descriçao vıvida: “Seu corpo era como
´ ˆ
crisolito, e sua face tinha o aspecto do relampago, e seus
olhos eram como tochas acesas, e seus braços e o lugar de
´ ˆ
seus pes tinham a aparencia de cobre brunido, e o som
das suas palavras era como o som duma massa de gente.”
— Daniel 10:6.
11 Apesar do brilho da visao,˜
‘os homens que vieram a
˜ ˜
estar comigo nao viram a apariçao’, disse Daniel. Por al-
˜
gum motivo nao explicado, “houve um grande tremor
que caiu sobre eles, de modo que fugiram para se es-
conder”. Assim, Daniel ficou sozinho na margem do rio.
˜ ˜
A vista dessa “grande apariçao” foi tao sobrepujante, que
˜
ele confessou: “Nao me restou nenhum poder, e a minha
´ ´
propria dignidade se transformou sobre mim em ruına, e
˜
nao retive nenhum poder.” — Daniel 10:7, 8.
12 Vejamos mais de perto esse notavel ´
mensageiro que
˜
11. Como afetou a visao a Daniel e aos homens com ele?
´
12, 13. O que e indicado referente ao mensageiro por (a) sua vesti-
ˆ
menta e por (b) sua aparencia?
Fortalecido por um mensageiro de Deus 203

amedrontou tanto a Daniel. Ele estava “vestido de linho,


tendo os quadris cingidos de ouro de Ufaz”. No Israel an-
´
tigo, o cinto, o efode e o peitoral do sumo sacerdote, bem
como as vestes dos outros sacerdotes, ˆ eram de linho fino
retorcido e decorados com ouro. (Exodo 28:4-8; 39:27-29)
De modo que a vestimenta do mensageiro indica a santi-
dade e dignidade do cargo.
13 Daniel ficou tambem ´ ˆ
espantado com a aparencia
do mensageiro — o esplendor do seu corpo como uma
joia, o brilho ofuscante da sua face luminosa, o poder
penetrante dos seus olhos de fogo, e o fulgor dos seus
´
poderosos braços e pernas. Ate mesmo sua voz imperati-
va era atemorizante. Tudo isso indica claramente que ele
˜
era sobre-humano. Esse “homem vestido de linho” nao
˜
era outro senao um anjo de alta categoria, um que ser-
´
via na presença sagrada de Jeova, de onde viera com uma
mensagem.1
´
FORTALECIDO UM “HOMEM MUI DESEJAVEL”
14 A mensagem que o anjo de Jeova´ tinha para Daniel
ˆ
era de peso e complexa. Antes de Daniel poder recebe-la,
´
teve de ser ajudado a recompor seu estado fısico e men-
´
tal. Aparentemente apercebido disso, o proprio anjo deu
a Daniel amorosamente ajuda e encorajamento. Acom-
´
panhemos a narrativa do proprio Daniel sobre o que
aconteceu.
˜
1 Embora nao se tenha mencionado o nome desse anjo, parece
ser o mesmo cuja voz foi ouvida mandando Gabriel ajudar a Daniel
˜
com uma visao que acabara de ter. (Compare Daniel 8:2, 15, 16, com
´
12:7, 8.) Alem disso, Daniel 10:13 mostra que Miguel, “um dos mais
´
destacados prıncipes”, veio ajudar esse anjo. De modo que o anjo cujo
˜ ´
nome nao foi mencionado deve usufruir o privilegio de trabalhar de
perto com Gabriel e Miguel.
´
14. De que ajuda precisou Daniel para receber a mensagem angelica?
˜ `
204 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

˜ ´
Guardioes angelicos
´
ou governantes demonıacos?
PODEMOS aprender muito do que o livro de Daniel diz sobre os
anjos. Fala-nos sobre o papel que eles desempenham no cum-
´
primento da palavra de Jeova e sobre o esforço que fazem para
realizar as suas tarefas.
O anjo de Deus disse que, quando estava a caminho para fa-
´ ´
lar a Daniel, ele foi impedido pelo “prıncipe do domınio real da
´
Persia”. Depois de contender com ele por 21 dias, o mensagei-
´ ´
ro angelico so conseguiu prosseguir com a ajuda de “Miguel,
´ ´
um dos mais destacados prıncipes”. O anjo disse tambem que
teria de lutar de novo com esse inimigo e possivelmente com “o
´ ´ ´
prıncipe da Grecia”. (Daniel 10:13, 20) Uma tarefa nada facil,
´
mesmo para um anjo! No entanto, quem eram esses prıncipes
´ ´
da Persia e da Grecia?
Em primeiro lugar, notamos que Miguel foi chamado de “um
´ ´
dos mais destacados prıncipes” e “vosso prıncipe”. Mais tarde,
´ ´ ´ ´
Miguel e chamado de ‘o grande prıncipe que esta de pe a favor
dos filhos do povo de Daniel’. (Daniel 10:21; 12:1) Isso indica
´
que Miguel fora o anjo nomeado ˆ por Jeova para conduzir os is-
´
raelitas atraves do ermo. — Exodo 23:20-23; 32:34; 33:2.
´ ˜ ´ ˜ ´
O que da apoio a essa conclusao e a declaraçao do discı-
´
pulo Judas, de que “Miguel, o arcanjo, teve uma controversia

15 “Enquanto eu ouvia o som das suas palavras,


´
aconteceu tambem que eu estava profundamente ador-
mecido
´ sobre a minha face, com a face por terra.”
´ ˜
E provavel que o temor e a apreensao fizessem Daniel fi-
´
car paralisado. O que fez o anjo para ajuda-lo? Daniel
˜
disse: “Eis que me tocou uma mao, e ela gradualmente
me sacudiu para que eu me pusesse sobre os meus joe-
15. O que fez o anjo para ajudar Daniel?
Fortalecido por um mensageiro de Deus 205

´
com o Diabo e disputava acerca do corpo de Moises”. (Judas 9)
O cargo, o poder e a autoridade de Miguel faziam dele deveras
“o arcanjo”,´ que significa “o principal” ou “o mais importante
´ ´
anjo”. E bem apropriado que esse elevado cargo so seja atribuı-
´
do ao proprio Jesus Cristo, o Filho de Deus, antes e depois da
˜
sua vida na Terra. — 1 Tessalonicenses 4:16; Revelaçao (Apoca-
lipse) 12:7-9.
´ ´ ˜
Significa isso que Jeova nomeou tambem anjos sobre naçoes
´ ´ ´
tais como a Persia e a Grecia para orienta-las nos assuntos de-
las? Ora, Jesus Cristo, o Filho de Deus, declarou abertamen-
˜
te: “O governante do mundo . . . nao tem nenhum poder so-
´ ˜
bre mim.” Jesus disse tambem: “Meu reino nao faz parte deste
˜ ´ ˜
mundo . . . meu reino nao e desta fonte.” (Joao 14:30; 18:36)
´ ˜
O apostolo Joao declarou ´ que “o mundo inteiro jaz no poder do
´ ˜ ˜
inıquo”. (1 Joao 5:19) E evidente que as naçoes do mundo nun-
˜ ˜ ˜ ´
ca estiveram e nao estao agora sob a orientaçao ou o domı-
´
nio de Deus ou de Cristo. Embora Jeova permita que “autorida-
des superiores” existam e controlem assuntos governamentais
˜
terrestres, ele nao nomeia anjos sobre elas. (Romanos 13:1-7)
´ ´
Qualquer “prıncipe” ou “governante” sobre elas so pode ser co-
´
locado ali pelo “governante do mundo”, Satanas, o Diabo. Se-
´ ˜ ´
riam governantes demonıacos, em vez de guardioes angelicos.
´ ´ ´ ´
Ha, portanto, forças ou “prıncipes” demonıacos invisıveis por
´ ´
tras dos governantes visıveis, e os conflitos nacionais envolvem
mais do que meros humanos.

˜ ´
lhos e sobre as palmas das minhas maos.” Alem disso,
o ´ anjo encorajou o profeta com as seguintes palavras:
´
“O Daniel, homem mui desejavel, tem entendimento
˜ ´
das palavras que te falo e poe-te de pe onde estavas pa-
˜
rado, pois agora fui enviado a ti.” A mao que veio em
sua ajuda e as palavras consoladoras reanimaram Da-
ˆ ´
niel. Embora estivesse “tiritando”, Daniel ‘pos-se de pe’.
— Daniel 10:9-11.
˜ `
206 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

16 O anjo salientou que viera especificamente para for-


˜ ´
talecer Daniel. “Nao tenhas medo, o Daniel”, disse o
anjo, “pois desde o primeiro dia em que fixaste teu cora-
˜
çao no entendimento e te humilhaste perante o teu Deus,
foram ouvidas as tuas palavras, e eu mesmo vim por
˜
causa das tuas palavras”. O anjo explicou entao por que
´ ´
houve demora. Disse: “Mas o prıncipe do domınio real
´ ˆ
da Persia opos-se a mim por vinte e um dias, e eis que
´
veio ajudar-me Miguel, um dos mais destacados prınci-
pes; e eu, da minha parte, permaneci ali ao lado dos reis
´ ˆ
da Persia.” Com a ajuda de Miguel, o anjo pode cum-
˜
prir sua missao, chegando a Daniel com esta mensagem
muito urgente: “Vim para fazer-te compreender o que so-
´ ´
brevira ao [teu] povo na parte final dos dias, porque e
˜
uma visao ainda para dias vindouros.” — Daniel 10:12-14.
17 Em vez de Daniel ficar animado com a perspectiva

de receber tal mensagem intrigante, parece que aquilo


que ouviu teve um efeito adverso nele. O relato declara:
˜
“Entao, falando-me ele com tais palavras, eu pus a mi-
nha face para a terra e fiquei sem fala.” Mas o mensageiro
´
angelico estava pronto para dar ajuda amorosa — pela se-
´
gunda vez. Daniel disse: “Eis que alguem da semelhança
´
dos filhos da humanidade tocou-me os labios, e comecei
a abrir a minha boca e a falar.”1 — Daniel 10:15, 16a.
1 Embora o mesmo anjo que falava com Daniel possa ter tocado nos
´ ˆ
labios dele e te-lo reanimado, a fraseologia deixa margem para a pos-
sibilidade de que outro anjo, talvez Gabriel, o tenha feito. De qual-
´
quer modo, Daniel foi fortalecido por um mensageiro angelico.
´ ` ˜
16. (a) Como se pode ver que Jeova responde rapidamente as oraçoes
´
de seus servos? (b) Por que demorou o anjo em vir em auxılio de Da-
´
niel? (Inclua o quadro da pagina 204.) (c) Que mensagem tinha o anjo
para Daniel?
17, 18. Como foi Daniel ajudado uma segunda vez, e o que isso o ha-
bilitou a fazer?
˜ `
208 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

18 Daniel ficou fortalecido quando o anjo lhe tocou


´ ´
os labios. (Note Isaıas 6:7.) Daniel, com a faculdade da
ˆ ´
fala restabelecida, pode explicar ao mensageiro angeli-
co´ a dificuldade pela qual estava passando. Daniel disse:
˜
“O meu senhor, por causa da apariçao reviraram-me as
˜ ´ ˜
convulsoes no ıntimo e nao retive poder nenhum. Por-
´
tanto, como e que podia o servo deste meu senhor falar
´ ˜
com este meu senhor? E, quanto a mim, ate agora nao
˜ ˆ
ficou em mim poder e nao permaneceu nenhum folego
em mim.” — Daniel 10:16b, 17.
19 Daniel nao ˜
se queixava nem inventava desculpas.
Apenas declarava seus apuros, e o anjo aceitou sua decla-
˜
raçao. Assim, pela terceira vez, Daniel foi ajudado pelo
´ ˆ
mensageiro angelico. “Aquele que tinha a aparencia de
homem terreno passou a tocar-me novamente e a forta-
´
lecer-me”, disse o profeta. Apos esse toque energizante o
mensageiro acrescentou as seguintes palavras consolado-
˜ ´ ´
ras: “Nao tenhas medo, o homem mui desejavel. Paz seja
ˆ ˆ ´
contigo. Se forte, sim, se forte.” Aquele toque amavel e
essas palavras edificantes parecem ter sido exatamente o
que Daniel precisava. Com que resultado? Daniel decla-
rou: “Assim que falara comigo esforcei-me e finalmente
eu disse: ‘Fale meu senhor, pois fortaleceste-me.’ ” Daniel
˜
estava entao pronto para outra tarefa desafiadora. — Da-
niel 10:18, 19.
20 Depois de ter fortalecido Daniel e o ter ajudado a re-
´
cuperar as faculdades mentais e fısicas, o anjo repetiu o
˜
objetivo da sua missao. Ele disse: “Sabes realmente por
´
que cheguei a ti? E agora voltarei para lutar com o prın-
´ ´ ´
cipe da Persia. Quando eu partir, eis que vira tambem o
´ ´
prıncipe da Grecia. No entanto, eu te contarei as coisas es-
19. Como foi Daniel ajudado pela terceira vez, e com que resultado?
´
20. Por que exigiu esforço do mensageiro angelico para cumprir sua
tarefa?
Fortalecido por um mensageiro de Deus 209
˜ ´ ´
critas na escritura da verdade, e nao ha ninguem que se
mantenha forte comigo nestas coisas exceto Miguel, vos-
´
so prıncipe.” — Daniel 10:20, 21.
21 Quanto amor e consideraçao ˜ ´
da parte de Jeova! Ele
sempre trata seus servos segundo o potencial e as limita-
˜ ´ ˜
çoes deles. Por um lado, da-lhes designaçoes segundo o
` ˜
que ele sabe que podem fazer, embora eles as vezes nao
´ ´
pensem assim. Por outro lado, esta disposto a escuta-los
´ ´
e depois fornecer-lhes o necessario para ajuda-los a cum-
˜ ´
prir suas designaçoes. Que nos imitemos sempre nosso
´
Pai celestial, Jeova, por amorosamente animar e fortale-
˜
cer nossos companheiros na adoraçao! — Hebreus 10:24.
22 A mensagem consoladora do anjo foi de grande en-

corajamento para Daniel. Apesar da sua idade avançada,


˜
Daniel sentiu-se entao fortalecido e preparado para rece-
´ ´
ber e registrar outra notavel profecia em nosso benefıcio.
ˆ
21, 22. (a) O que podemos aprender da experiencia de Daniel a res-
´
peito do modo de Jeova tratar os seus servos? (b) Para fazer o que ficou
Daniel assim fortalecido?

O QUE DISCERNIU?
´
˙ Por que demorou o anjo de Jeova em vir em
´
auxılio de Daniel em 536/535 AEC?
ˆ
˙ O que a vestimenta e a aparencia do
´
mensageiro angelico de Deus indicaram a
seu respeito?
˙ De que ajuda precisava Daniel e como a deu
ˆ
o anjo tres vezes?
˙ Que mensagem tinha o anjo para Daniel?
´
C APITULO TREZE

DOIS REIS EM CONFLITO


˜ ´
DOIS reis rivais estao travando uma luta implacavel pela
supremacia. Com o passar ` dos anos, primeiro um e depois
outro ganha vantagem. As vezes, um rei atua como supre-
´ ´
mo, ao passo que o outro fica inativo, e ha perıodos sem
˜
conflito. Mas entao irrompe de repente outra batalha, e o
conflito prossegue. Entre os participantes desse drama es-
´ ´ ´
tiveram o rei sırio Seleuco I Nicator, o rei egıpcio Ptolomeu
´ ´ ´
Lago, a princesa sıria e rainha egıpcia Cleopatra I, os impe-
´
radores romanos Augusto e Tiberio, e a rainha palmirena
´
Zenobia. Ao se aproximar o fim desse conflito, a Alema-
˜ ˆ
nha nazista, o bloco comunista de naçoes, a Potencia
˜ ˜
Mundial Anglo-Americana, a Liga das Naçoes e as Naçoes
´ ´ ´
Unidas tambem ficaram envolvidas. O termino e um epi-
´ ´
sodio imprevisto por qualquer dessas entidades polıticas.
´
O anjo de Jeova declarou essa emocionante profecia ao
´ ´
profeta Daniel ha uns 2.500 anos. — Daniel, capıtulo 11.
2 Como Daniel deve ter ficado emocionado ao ouvir o

anjo revelar-lhe em pormenores a rivalidade entre dois reis


´ ´
futuros! O drama interessa tambem a nos, porque a luta
pelo poder entre os dois reis se estende aos nossos dias.
´
Observarmos que a Historia confirma a primeira parte da
´ ´
profecia fortalecera a nossa fe e confiança na certeza do
´ ´
cumprimento da ultima parte do relato profetico. Prestar-
˜ ´ ˜
mos atençao a essa profecia nos fornecera uma visao clara
´
de onde nos encontramos na corrente do tempo. Reforçara
´ ˜
tambem a nossa determinaçao de permanecer neutros no
conflito, ao passo que esperamos pacientemente que Deus
´
1, 2. Por que nos deve interessar a profecia registrada no capıtulo 11
de Daniel?
˜ `
212 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

aja em nosso favor. (Salmo 146:3, 5) Assim, escutemos


˜ ´
com detida atençao o que o anjo de Jeova diz a Daniel.
´
CONTRA O REINO DA GRECIA
3 “Quanto a mim”, disse o anjo, “no primeiro ano de
´
Dario, o medo [539/538 AEC], pus-me de pe como for-
talecedor e como baluarte para ele”. (Daniel 11:1) Dario
˜
nao estava mais vivo, mas o anjo se referiu ao reinado dele
´
como ponto de partida da mensagem profetica. Fora esse
˜
rei que mandara que Daniel fosse tirado da cova dos leoes.
´ ´
Dario havia tambem decretado que todos os seus sudi-
tos temessem o Deus de Daniel. (Daniel 6:21-27) Todavia,
ˆ ´
aquele a favor de quem o anjo se pos de pe como apoiador
˜
nao foi Dario, o Medo, mas o associado do anjo, Miguel
´
— o prıncipe do povo de Daniel. (Note Daniel 10:12-14.)
O anjo de Deus deu esse apoio enquanto Miguel lutava
´ ´ ´
com o prıncipe demonıaco da Medo-Persia.
4 O anjo de Deus prosseguiu: “Eis que ainda se porao ˜
de
´ ˆ ´ ´
pe tres reis para a Persia, e o quarto acumulara maiores ri-
quezas do que todos os outros. E assim que se tiver tornado
´ ´
forte nas suas riquezas, incitara tudo contra o reino da Gre-
cia.” (Daniel 11:2) Quem eram esses governantes persas?
5 Os primeiros tres ˆ
reis foram Ciro, o Grande, Cambi-
ses II e Dario I. Visto que Bardiia (ou talvez um usurpador
chamado Gaumata) governou apenas por sete meses, a
˜ ˜
profecia nao levou em consideraçao seu reinado curto. Em
´
490 AEC, o terceiro rei, Dario I, tentou invadir a Grecia
pela segunda vez. No entanto, os´ persas foram derrotados
em Maratona e recuaram para a Asia Menor. Embora Dario
fizesse cuidadosos preparativos para uma campanha adi-
´ ˜ ´
cional contra a Grecia, nao conseguiu leva-la avante antes
da sua morte quatro anos depois. Isso ficou para o seu
3. Quem foi apoiado pelo anjo “no primeiro ano de Dario, o medo”?
´
4, 5. Quem eram os preditos quatro reis da Persia?
Dois reis em conflito 213

filho e sucessor, o “quarto” rei, Xerxes I. Esse foi o Rei As-


suero que se casou com Ester. — Ester 1:1; 2:15-17.
6 Xerxes I deveras ‘incitou tudo contra o reino da Gre- ´
cia’, quer dizer, os estados gregos independentes como
˜
grupo. “Impelido por cortesaos ambiciosos”, diz o livro
The Medes and Persians—Conquerors and Diplomats (Os
Medos e os Persas — Conquistadores e Diplomatas), “Xer-
xes lançou um ataque por terra e por mar”. O historiador
´ ´
grego Herodoto, do quinto seculo AEC, escreve que “ne-
˜
nhuma outra expediçao se comparava com esta em
´
qualquer ponto”. Seu registro diz que a força marıtima “ao
´
todo era de 517.610 homens. O numero dos soldados de
infantaria era 1.700.000; o dos cavalarianos, 80.000; a isso
´
precisa-se acrescentar os arabes que andavam a camelo e
´
os lıbios que combatiam em carros de guerra, que calcu-
lo terem sido 20.000. Portanto, o total conjunto das forças
´
terrestres e marıtimas era de 2.317.610 homens”.
7 Planejando nada menos do que uma conquista total,
´
Xerxes I fez a sua enorme força avançar contra a Grecia
˜
em 480 AEC. Vencendo a açao de retardamento dos gregos
´
nas Termopilas, os persas devastaram Atenas. Em Salami-
´ ´ ´
na, porem, sofreram uma terrıvel derrota. Outra vitoria
grega ocorreu em Plateia, em 479 AEC. Nenhum dos sete
´
reis que sucederam a Xerxes no trono do Imperio Persa nos
´ ´ ˜
proximos 143 anos invadiu a Grecia. Mas entao se levan-
´
tou um poderoso rei na Grecia.
´
UM GRANDE REINO E DIVIDIDO EM QUATRO
8 “Um rei poderoso se ha´ de por ˆ ´ ´
de pe, e ele ha de
´
dominar com domınio extenso e fazer segundo o seu
6, 7. (a) Como foi que o quarto rei ‘incitou tudo contra o reino da
´ ´
Grecia’? (b) Qual foi o resultado da campanha de Xerxes contra a Gre-
cia?
ˆ ´
8. Que “rei poderoso” se pos de pe e como passou a “dominar com
´
domınio extenso”?
˜ `
214 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

bel-prazer”, disse o anjo. (Daniel 11:3) Alexandre, de


ˆ ´ ˆ
20 anos de idade, ‘pos-se de pe’ como rei da Macedonia
em 336 AEC. Ele se tornou “um rei poderoso” — Alexan-
dre, o Grande. Impelido por um plano de seu pai, Filipe II,
´ ´
apoderou-se das provıncias persas no Oriente Medio. Cru-
zando os rios Eufrates e Tigre, seus 47 mil homens
dispersaram a tropa de 250 mil soldados de Dario III, em
Gaugamela. Subsequentemente, Dario fugiu e foi assassi-
´
nado, o que acabou com a dinastia persa. A Grecia
˜ ˆ
tornou-se entao a potencia mundial e Alexandre ‘gover-
´
nou com domınio extenso e fez segundo o seu bel-prazer’.
´
9 O domınio de Alexandre sobre o mundo seria cur-

to, porque o anjo de Deus acrescentou: “Quando se tiver


´ ´
posto de pe, seu reino sera destroçado e repartido para os
´ ˜
quatro ventos dos ceus, mas nao para a sua posteridade
˜ ´
e nao segundo o seu domınio com que tinha dominado;
´
porque seu reino sera desarraigado, sim, para outros fora
˜
destes.” (Daniel 11:4) Alexandre nao tinha nem 33 anos de
idade quando uma repentina doença lhe tirou a vida em
ˆ
Babilonia, em 323 AEC.
10 O vasto imperio ´ ˜
de Alexandre nao passou para a “sua
˜
posteridade”. Seu irmao Filipe III Arrideu reinou menos
` ˆ ´
de sete anos e foi assassinado as instancias de Olımpia,
˜
mae de Alexandre, em 317 AEC. O filho de Alexandre, Ale-
´
xandre IV, governou ate 311 AEC, quando foi morto por
´
Cassandro, um dos generais de seu pai. O filho ilegıtimo
´
de Alexandre, Heracles, procurou governar em nome de
seu pai, mas foi assassinado em 309 AEC. Assim acabou a
´
linhagem de Alexandre, “seu domınio” deixando de ser da
´
sua famılia.
11 Depois da morte de Alexandre, seu reino foi “re-

9, 10. Como se mostrou veraz a profecia de que o reino de Alexan-


˜
dre nao passaria para a sua posteridade?
11. Como foi o reino de Alexandre “repartido para os quatro ventos
´
dos ceus”?
Dois reis em conflito 215

partido para os quatro ventos”. Os seus muitos gene-


´
rais brigaram entre si pela posse de territorio. O General
´
Antıgono I, cego de um olho, tentou controlar todo o im-
´
perio de Alexandre. Mas ele foi morto na batalha de Ipsos,
´
na Frıgia. Por volta do ano 301 AEC, quatro dos generais
´ ´
de Alexandre ja dominavam o vasto territorio
que seu comandante havia conquistado.
ˆ
Cassandro governava a Macedonia e a
´ ´
Gr
´ ecia. Lisımaco passou a controlar a
´
Asia Menor e a Tracia. Seleuco I Ni-
´ ˆ
cator apoderou-se da Mesopotamia
´
e da Sıria. E Ptolomeu Lago tomou o
`
Egito e a Palestina. Fiel a palavra pro-
´ ´
fetica, o grande imperio de Alexandre
´
foi dividido em quatro reinos helenıs-
ticos. ´
Seleuco I Nicator
SURGEM DOIS REIS RIVAIS
12 Poucos anos depois de assumir o poder, Cassandro
´
faleceu, e em 285 AEC Lisımaco apoderou-se da parte eu-
´ ´
ropeia do Imperio Grego. Em 281 AEC, Lisımaco foi morto
´
em batalha diante de Seleuco I Nicator, dando a esse o
´ ´
controle sobre a maior parte dos territorios asiaticos. Em
´ ˆ
276 AEC, Antıgono II Gonatas, neto de um dos generais de
ˆ
Alexandre, ascendeu ao trono da Macedonia. Com o tem-
ˆ
po, a Macedonia tornou-se dependente de Roma e em
´
146 AEC acabou sendo uma provıncia romana.
˜
13 Destacavam-se entao apenas dois dos quatro reinos he-
´ ´
lenısticos — um sob Seleuco I Nicator e o outro sob Ptolo-
ˆ ´
meu Lago. Seleuco estabeleceu a dinastia seleucida na Sıria.
Entre as cidades que ele fundou estava Antioquia — a nova
´ ´ ˆ ´
capital sıria — e o porto marıtimo de Seleucia. O aposto-
lo Paulo, mais tarde, ensinou em Antioquia, onde os
´
12, 13. (a) Como ficaram os quatro reinos helenısticos reduzidos a
´
dois? (b) Que dinastia estabeleceu Seleuco na Sıria?
ˆ
MACEDONIA
´
ASIA MENOR
´
GRECIA

Ptolomeu II

ISRAEL

´
LIBIA

EGITO
˜
As designaçoes de
“rei do norte” e “rei do sul”
referem-se a reis ao norte
e ao sul da terra do povo
de Daniel

´
ETIOPIA

seguidores de Jesus pela primeira vez passaram a ser chama-


˜
dos de cristaos. (Atos 11:25, 26; 13:1-4) Seleuco foi assassi-
´
nado em 281 AEC, mas a sua dinastia governou ate 64 AEC,
´
quando o general romano Cneu Pompeu fez da Sıria uma
´
provıncia romana.
´
14 Dos quatro reinos helenısticos, o que durou mais tem-
po foi o de Ptolomeu Lago, ou Ptolomeu I, que assumiu o
´
tıtulo de rei em 305 AEC. A dinastia ptolomaica estabeleci-
14. Quando se estabeleceu a dinastia ptolomaica no Egito?
´
Antıoco,
o Grande
Laje de pedra com
decretos oficiais
emitidos por
´
´ Antıoco, o Grande
SIRIA

ˆ
Babilonia

Moeda retratando
Ptolomeu V
´
ARABIA

˜
Portao de
Ptolomeu III,
em Carnac,
no Egito

´
da por ele continuou a governar o Egito ate cair diante de
Roma em 30 AEC.
15 De modo que dos quatro reinos helenısticos ´
´ ´
emergiram dois reis fortes — Seleuco I Nicator sobre a Sıria
e Ptolomeu I sobre o Egito. Com esses dois reis começou a
longa luta entre “o rei do norte” e “o rei do sul”, descrita
´ ´ ˜
no capıtulo 11 de Daniel. O anjo de Jeova nao mencionou
´
15. Que dois reis fortes emergiram dos quatro reinos helenısticos, e
que luta começaram eles?
˜ `
218 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

os nomes desses reis, porque a identidade e a nacio-


´
nalidade desses dois reis mudariam no decorrer dos secu-
´ ´
los. Omitindo pormenores desnecessarios, o anjo so men-
cionou governantes e acontecimentos relacionados com o
conflito.
COMEÇA O CONFLITO
´
16 Escute! Ao descrever o começo desse conflito drama-
´ ´
tico, o anjo de Jeova diz: “O rei do sul se tornara
´
forte, sim, um dos seus prıncipes [i.e., de Alexandre]; e
´
[o rei do norte] prevalecera contra ele e certamente do-
´ ´
minara com domınio extenso, maior do
que o poder dominante dele.” (Da-
˜
niel 11:5) As designaçoes “rei do
norte” e “rei do sul” referem-se a
reis ao norte e ao sul do povo de
˜ ´
Daniel, que entao ja estava livre do
ˆ
cativeiro babilonico e restabeleci-
´
do na terra de Juda. O primeiro “rei
do sul” foi Ptolomeu I do Egito. Um
dos generais de Alexandre, que prevale-
Ptolomeu I
ceu contra Ptolomeu I e que governou
´ ´ ´
“com domınio extenso”, foi o rei sırio Seleuco I Nicator.
Ele assumiu o papel de “rei do norte”.
´
17 No inıcio ´
do conflito, a terra de Juda estava sob o do-
´
mınio do rei do sul. A partir de cerca de 320 AEC,
Ptolomeu I influenciou os judeus a irem ao Egito como
ˆ
colonos. Uma colonia judaica passou a florescer em Ale-
xandria, onde Ptolomeu I fundou uma famosa biblioteca.
´
Os judeus em Juda continuaram sob o controle do Egito
´
ptolomaico, o rei do sul, ate 198 AEC.
16. (a) Ao norte e ao sul de quem estavam os dois reis? (b) Que reis
´
assumiram no começo os papeis de “rei do norte” e “rei do sul”?
´ ´
17. Sob o domınio de quem estava a terra de Juda no começo do con-
flito entre o rei do norte e o rei do sul?
Dois reis em conflito 219

18 O anjo profetizou a respeito dos dois reis: “Ao fim de


˜ ´
alguns anos aliar-se-ao um ao outro e a propria filha do rei
´
do sul chegara ao rei do norte para estabelecer um acor-
˜ ´
do equitativo. Mas ela nao retera o poder do seu braço; e
˜ ´ ´
ele nao ficara de pe, nem tampouco seu braço; e ela mes-
´
ma sera entregue, bem como os que a trouxeram e aquele
que causou seu nascimento, e aquele que a tornou forte
naqueles tempos.” (Daniel 11:6) Como aconteceu isso?
19 A profecia nao ˜ ˆ
faz referencia ao filho e sucessor de
´ ´ ˜
Seleuco I Nicator, Antıoco I, porque esse nao travou uma
guerra decisiva contra o rei do sul. Mas o seu sucessor, An-
´
tıoco II, travou uma longa guerra contra Ptolomeu II, filho
´ ´
de Ptolomeu I. Antıoco II e Ptolomeu II constituıam res-
´
pectivamente o rei do norte e o rei do sul. Antıoco II era
´
casado com Laodice, e eles tiveram um filho chamado Se-
leuco II, ao passo que Ptolomeu II teve uma filha chamada
Berenice. Em 250 AEC, esses dois reis entraram num “acor-
´
do equitativo”. Para pagar o preço dessa aliança, Antıoco II
´
divorciou-se da sua esposa Laodice e casou-se com Bereni-
´
ce, “a propria filha do rei do sul”. Com Berenice, ele teve
´
um filho que se tornou herdeiro do trono sırio, em vez de
´
os filhos de Laodice.
20 O “braço”, ou poder de apoio, de Berenice era seu

pai, Ptolomeu II. Quando este morreu em 246 AEC, ela


˜ ´
‘nao reteve o poder do seu braço’ com seu marido. Antıo-
´
co II rejeitou-a, casou-se de novo com Laodice, e nomeou
´
o filho deles seu sucessor. Conforme Laodice planejou,
Berenice e seu filho foram assassinados. Pelo visto, os aju-
´
dantes que levaram Berenice do Egito para a Sıria — “os
18, 19. No decorrer do tempo, como estabeleceram os dois reis rivais
“um acordo equitativo”?
´ ˜
20. (a) Como e que o “braço” de Berenice nao reteve poder?
(b) Como foram entregues Berenice, “os que a trouxeram” e “aquele
´ ´
que a tornou forte”? (c) Quem se tornou o rei sırio depois de Antıo-
co II perder “seu braço”, ou poder?
˜ `
220 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ´
que a trouxeram” — tiveram o mesmo fim. Laodice ate
´
mesmo envenenou Antıoco II, e assim o ‘braço dele’, ou
´
poder, tampouco ‘ficou de pe’. Portanto, o pai de Bereni-
ce — “aquele que causou seu nascimento” — e seu
´
marido sırio — aquele que temporariamente a tornou “for-
´
te” — morreram. Isso deixou Seleuco II, o filho de Laodice,
´ ´
como rei sırio. Como reagiria o proximo rei ptolomaico a
tudo isso?
˜
UM REI VINGA O ASSASSINATO DA SUA IRMA
21 “Alguem ´ ˜ ´ ´
procedente do rebentao das suas raızes ha de
ˆ ´ ˜
por-se de pe na sua posiçao”, disse o anjo, “e ele chega-
´ ` ´
ra a força militar e vira contra o baluarte do rei do norte,
´ ´
e certamente agira contra ele e prevalecera”. (Daniel 11:7)
´ ˜
“Alguem procedente do rebentao” dos pais de Berenice,
´ ˜
ou das suas “raızes”, era seu irmao. Quando o pai dele
ˆ ´ ´ ´
faleceu, ele ‘pos-se de pe’ como o rei do sul, o farao egıp-
cio Ptolomeu III. Ele partiu imediatamente para vingar o
˜ ´
assassinato da sua irma. Marchando contra o rei sırio Se-
´
leuco II, que Laodice havia usado para assassinar Berenice
e o filho desta, ele foi contra “o baluarte do rei do nor-
te”. Ptolomeu III tomou a parte fortificada de Antioquia e
´ ´ ´
matou Laodice. Avançando para o leste atraves do domı-
ˆ
nio
´ do rei do norte, saqueou Babilonia e marchou para a
India.
22 O que aconteceu a seguir? O anjo de Deus nos diz:
´ ´
“E chegara ao Egito tambem com os deuses deles, com as
´
suas imagens fundidas, com os seus objetos desejaveis de
´
prata e de ouro, e com os cativos. E ele mesmo se mantera
alguns anos longe do rei do norte.” (Daniel 11:8) Mais de
´ ˜ ´
21. (a) Quem era “alguem procedente do rebentao” das “raızes” de
ˆ ´ ´
Berenice, e como ‘pos-se ele de pe’? (b) Como e que Ptolomeu III ‘veio
contra o baluarte do rei do norte’ e prevaleceu contra ele?
22. O que foi que Ptolomeu III levou de volta ao Egito, e por que ‘se
manteve alguns anos longe do rei do norte’?
Dois reis em conflito 221

200 anos antes, o rei persa Cambises II havia conquistado


´
o Egito e levado para sua terra deuses egıpcios, “suas ima-
´
gens fundidas”. Saqueando a anterior capital real da Persia,
Susa, Ptolomeu III recuperou esses deuses e os levou como
´
“cativos” ao Egito. Levou tambem de volta como despo-
´
jo de guerra uma grande quantidade de “objetos desejaveis
de prata e de ouro”. Obrigado a sufocar uma revolta na sua
˜
terra, Ptolomeu III ‘se manteve longe do rei do norte’, nao
lhe infligindo mais danos.
´
O REI SIRIO REVIDA
23 Como reagiu o rei do norte? Daniel foi informado:
´
“Ele entrara realmente no reino do rei do sul e retorna-
´ ´
ra ao seu proprio solo.” (Daniel 11:9) O rei do norte — o
´ ´
rei sırio Seleuco II — revidou. Entrou “no reino” ou domı-
´
nio do egıpcio rei do sul, mas sofreu derrota. Apenas com
´
um pequeno restante do seu exercito, Seleuco II ‘retornou
´ ´
ao seu proprio solo’, retirando-se para a capital sıria, An-
tioquia, por volta de 242 AEC. Quando morreu, seu filho
Seleuco III sucedeu-lhe.
24 O que se predisse a respeito da descendencia ˆ
do rei
´
sırio Seleuco II? O anjo disse a Daniel: “Ora, no que se
˜ ˜
refere aos seus filhos, excitar-se-ao e realmente ajuntarao
˜
uma multidao de grandes forças militares. E entrando, ele
´ ´ ´
certamente chegara, e inundara, e passara. Mas retorna-
´ ´ ´
ra e se excitara ate chegar ao seu baluarte.” (Daniel 11:10)
O assassinato de Seleuco III acabou com o seu reinado
ˆ ˜ ´
em menos de tres anos. Seu irmao, Antıoco III, sucedeu-
´
lhe no trono sırio. Esse filho de Seleuco II reuniu grandes
˜
forças para um ataque contra o rei do sul, que entao era
´ ˆ
Ptolomeu IV. O novo rei do norte, sırio, lutou com exito
´ ´
23. Por que e que o rei do norte ‘retornou ao seu proprio solo’ depois
de entrar no reino do rei do sul?
´
24. (a) O que aconteceu a Seleuco III? (b) Como foi que o rei sırio
´ ´
Antıoco III ‘chegou, e inundou, e passou’ pelo domınio do rei do sul?
˜ `
222 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˆ
contra o Egito e recuperou o porto marıtimo de Seleucia, a
´ ´
provıncia de Coele-Sıria, as cidades de Tiro e Ptolemaida,
´
e cidades vizinhas. Derrotou um exercito do Rei Ptolo-
´
meu IV e tomou muitas cidades de Juda. Na primavera de
´
217 AEC, Antıoco III deixou Ptolemaida e foi para o nor-
´ ´
te, “ate chegar ao seu baluarte” na Sıria. Mas iria haver em
breve uma mudança.
˜
A SITUAÇ AO MUDA
25 Nos, ´ ˜
assim como Daniel, prestamos atençao ao que o
´ ´
anjo de Jeova prediz a seguir: “O rei do sul ficara amargu-
´ ´
rado e tera de sair e lutar contra ele, isto e, contra o rei do
´
norte; e [este] certamente fara erguer-se uma grande mas-
´
sa de gente, e a massa de gente sera realmente entregue na
˜
mao daquele.” (Daniel 11:11) Com uma tropa de 75 mil
soldados, o rei do sul, Ptolomeu IV, avançou para o norte
´ ´
contra o inimigo. O sırio rei do norte, Antıoco III, ajunta-
ra “uma grande massa de gente”, de 68 mil, para resistir a
˜
ele. Mas “a massa de gente” foi “entregue na mao” do rei
´ ˜
do sul na batalha na cidade costeira de Rafia, nao muito
´
longe da fronteira egıpcia.
26 A profecia prossegue: “E a massa de gente ha´ de ser
˜ ´ ´
levada embora. Seu coraçao se enaltecera e fara cair real-
˜ ´
mente dezenas de milhares; mas nao usara a sua forte
˜
posiçao.” (Daniel 11:12) Ptolomeu IV, o rei do sul, ‘levou
embora’ 10 mil soldados da infantaria e 300 cavalaria-
´
nos dos sırios para a morte e tomou 4 mil como presos.
˜ ´
Os reis fizeram entao um tratado, pelo qual Antıoco III fi-
´ ˆ ´
cou com seu porto sırio de Seleucia, mas perdeu Fenıcia
´
25. Onde foi que Ptolomeu IV e Antıoco III se encontraram em bata-
˜ ´
lha, e o que foi “entregue na mao” do egıpcio rei do sul?
26. (a) Que “massa de gente” foi levada embora pelo rei do sul na
´
batalha em Rafia, e quais foram os termos do tratado de paz feito
˜ ˜
ali? (b) Como foi que Ptolomeu IV ‘nao usou a sua forte posiçao’?
´
(c) Quem se tornou o proximo rei do sul?
Dois reis em conflito 223
´ ´ ˜ ´
e Coele-Sıria. Por causa dessa vitoria, o coraçao do egıpcio
´ ´
rei do sul ‘se enalteceu’, especialmente contra Jeova. Juda
continuou sob o controle de Ptolomeu IV. No entanto, ele
˜ ˜ ´
‘nao usou a sua forte posiçao’ para levar avante a sua vito-
´
ria contra o sırio rei do norte. Em vez disso, Ptolomeu IV
˜
entregou-se a uma vida de devassidao, e seu filho de cinco
´
anos, Ptolomeu V, tornou-se o proximo rei do sul alguns
´
anos antes da morte de Antıoco III.
O EXPLORADOR RETORNA
´
27 Por causa de todas as suas façanhas, Antıoco III passou
´
a ser chamado de Antıoco, o Grande. O anjo disse a seu
´
respeito: “O rei do norte tera de voltar e dispor uma massa
de gente maior do que a primeira; e no fim dos tempos,
´
de alguns anos, chegara, fazendo-o com uma grande força
militar e com muitos bens.” (Daniel 11:13) Esses “tempos”
´
foram 16 anos ou mais depois de os egıpcios terem derro-
´ ´
tado os sırios em Rafia. Quando o jovem Ptolomeu V se
´
tornou rei do sul, Antıoco III foi com “uma massa de gen-
´
te maior do que a primeira” para recuperar os territorios
´
perdidos para o egıpcio rei do sul. Para esse fim, aliou-se
ˆ
com o rei macedonio Filipe V.
28 O rei do sul tambem ´
teve dificuldades dentro do seu
´ ˜
reino. “Naqueles tempos havera muitos que se erguerao
contra o rei do sul”, disse o anjo. (Daniel 11:14a) Deve-
ras, muitos ‘se ergueram contra o rei do sul’. O jovem rei
´ ´
do sul, alem de se confrontar com as forças de Antıoco III
ˆ
e seu aliado macedonio, confrontou-se com problemas
˜ ´
em sua terra, no Egito. Visto que seu guardiao Agatocles,
´
que governava em nome dele, tratava os egıpcios de for-
ma arrogante, muitos se revoltaram. O anjo acrescentou:
27. Como retornou o rei do norte “no fim dos tempos” para recupe-
´ ˜
rar territorio das maos do Egito?
28. Que dificuldades teve o jovem rei do sul?
˜ `
224 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
“E os filhos dos salteadores do teu povo, da sua parte, serao
˜ ˜
levados a tentar fazer uma visao tornar-se realidade; e terao
´
de tropeçar.” (Daniel 11:14b) Ate mesmo alguns do povo
de Daniel tornaram-se ‘filhos de salteadores’, ou revolu-
´ ˜
cionarios. Mas qualquer “visao” que esses homens judeus
˜
tivessem a respeito de acabar com a dominaçao gentia da
´
sua patria era falsa, e eles fracassariam, ou ‘tropeçariam’.
29 O anjo de Jeova´ predisse adicionalmente: “O rei do
´ ´ ´
norte chegara e levantara um aterro de sıtio, e realmen-
´ ˜
te capturara uma cidade com fortificaçoes. E quanto aos
˜ ˜
braços do sul, nao se manterao firmes, tampouco o povo
˜ ´
dos seus selecionados; e nao havera poder para se manter
´ ´
firme. E aquele que chegara contra ele fara segundo o seu
´ ´
bel-prazer, e ninguem se mantera firme diante dele. E esta-
´ ´ ´ ´
ra de pe na terra do Ornato, e havera extermınio na sua
˜
mao.” — Daniel 11:15, 16.
30 As forças militares sob Ptolomeu V, ou os “braços do

sul”, sucumbiram diante do ataque do norte. Em Paneas


´ ´
(Cesareia de Filipe), Antıoco III obrigou o general egıpcio
Escopas e 10 mil homens de elite, ou “selecionados”, a
´ ˜
se refugiar em Sıdon, “uma cidade com fortificaçoes”. Ali,
´ ´
Antıoco III ‘levantou um aterro de sıtio’ tomando aquele
´
porto fenıcio em 198 AEC. Ele agiu “segundo o seu
´ ˜
bel-prazer”, porque as forças do egıpcio rei do sul nao con-
´ ˜
seguiram resistir a ele. Antıoco III marchou entao contra
´ ´
Jerusalem, a capital da “terra do Ornato”, Juda. Em
´ ´ ´ ´
198 AEC, Jerusalem e Juda passaram do domınio do egıp-
´ ´
cio rei do sul para o do sırio rei do norte. E Antıoco III, o
´
Grande, o rei do norte, começou a ‘estar de pe na terra do
´ ˜
Ornato’. Havia “extermınio na sua mao” para todos os ju-
´
deus e egıpcios oponentes. Por quanto tempo conseguiria
esse rei do norte fazer o que bem entendesse?
29, 30. (a) Como sucumbiram os “braços do sul” diante do ataque
´ ´
do norte? (b) Como e que o rei do norte veio a ‘estar de pe na terra
do Ornato’?
Dois reis em conflito 225

ROMA RESTRINGE O EXPLORADOR


´ ´
31 O anjo de Jeova nos da a seguinte resposta: “Ele [o rei
´
do norte] fixara a sua face para vir com o poderio de todo
´
o seu reino, e havera um acordo equitativo com ele; e agi-
´ ˆ ` ´
ra com eficiencia. E quanto a filha de mulher, ser-lhe-a
´ ˜ ´ ˜
concedido arruina-la. E ela nao se mantera firme e nao
´
continuara a pertencer-lhe.” — Daniel 11:17.
32 O rei do norte, Antıoco ´
III, ‘fixou a sua face’ para do-
minar o Egito “com o poderio de todo o seu reino”. Mas
acabou fazendo “um acordo equitativo” de paz com Ptolo-
ˆ
meu V, o rei do sul. As exigencias de Roma haviam induzi-
´
do Antıoco III a mudar de plano. Quando ele e o Rei Filipe V
ˆ ´
da Macedonia se aliaram contra o jovem rei egıpcio, para
´ ˜
se apoderarem dos seus territorios, os guardiaes de Ptolo-
˜
meu V recorreram a Roma em busca de proteçao. Aprovei-
tando-se da oportunidade para expandir sua esfera de in-
ˆ
fluencia, Roma começou a mostrar seu poder.
33 Coagido por Roma, Antıoco ´
III levou termos de paz
´
ao rei do sul. Em vez de entregar territorios conquis-
´
tados, conforme Roma exigira, Antıoco III planejou fazer
ˆ ´
uma transferencia nominal deles por fazer sua filha Cleo-
patra I — a “filha de mulher” — casar-se com Ptolomeu V.
´ ´ ´
Como dote dela, dar-se-iam provıncias que incluıam Juda,
˜
a “terra do Ornato”. No entanto, por ocasiao do casamen-
´ ˜ ´
to em 193 AEC, o rei sırio nao deixou que essas provıncias
fossem entregues a Ptolomeu V. Tratava-se dum casamento
´ ` ´
polıtico, feito para sujeitar o Egito a Sıria. Mas a trama fra-
´ ˜
cassou, porque Cleopatra I ‘nao continuou a pertencer-lhe’,
pois ela depois passou a tomar o lado do marido. Quando
´
irrompeu a guerra entre Antıoco III e os romanos, o Egito
tomou o lado de Roma.
31, 32. Por que acabou o rei do norte fazendo “um acordo equitati-
vo” de paz com o rei do sul?
´
33. (a) Quais foram os termos de paz entre Antıoco III e Ptolomeu V?
´
(b) Qual foi o objetivo do casamento entre Cleopatra I e Ptolomeu V,
e por que fracassou o plano?
˜ `
226 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

34Referindo-se aos reveses do rei do norte, o anjo acres-


´ ´
centou: “E ele [Antıoco III] voltara a sua face para as terras
ˆ ´
litoraneas e realmente capturara muitas. E um comandan-
´ ´
te [Roma] tera de fazer o vituperio procedente dele cessar
˜ ´ ´
para si [Roma], de modo que nao existira seu vituperio [o
´ ´ `
causado por Antıoco III]. [Roma] fara que retorne aquele.
´ ´
E ele [Antıoco III] voltara a sua face para os baluartes da
´ ´ ´ ˜ ´
sua propria terra, e certamente tropeçara e caira, e nao sera
mais achado.” — Daniel 11:18, 19.
35 As “terras litoraneas” ˆ ˆ ´
´ eram as da Macedonia, da Grecia
´
e da Asia Menor. Em 192 AEC irrompeu uma guerra na Gre-
´ ` ´ ˜
cia, e Antıoco III foi induzido a ir a Grecia. Nao se agradan-
´ ´
do dos esforços do rei sırio, de conquistar mais territorios
´
ali, Roma formalmente declarou-lhe guerra. Nas Termopi-
` ˜
las, ele sofreu derrota as maos dos romanos. Cerca de um
´
ano depois de perder a batalha de Magnesia, ´ em 190 AEC,
´
ele teve de renunciar a tudo na Grecia, na Asia Menor e nas
˜ ˆ
regioes ao oeste dos montes Tauro. Roma impos uma mul-
´
ta pesada e passou ´ a dominar o sırio rei do norte. Expulso
´
da Grecia e da Asia Menor, e tendo perdido quase toda a
´
sua frota, Antıoco III ‘voltou a sua face para os baluartes da
´ ´
sua propria terra’, a Sıria. Os romanos lhe haviam ‘retorna-
´ ´
do seu vituperio contra eles’. Antıoco III morreu ao tentar
´
roubar um templo em Elimais, na Persia, em 187 AEC. Ele
assim ‘caiu’ na morte e foi sucedido pelo seu filho Seleu-
´
co IV, o proximo rei do norte.
O CONFLITO CONTINUA
36 Ptolomeu V, como o rei do sul, tentou conseguir as
ˆ
34, 35. (a) Para quais “terras litoraneas” voltou o rei do norte a sua
´
face? (b) Como acabou Roma com “o vituperio” causado pelo rei do
´ ´
norte? (c) Como morreu Antıoco III, e quem se tornou o proximo rei
do norte?
36. (a) Como tentou o rei do sul continuar a luta, mas o que acon-
teceu com ele? (b) Como caiu Seleuco IV e quem o sucedeu?
Dois reis em conflito 227
´ ´
provıncias que devia ter recebido como dote de Cleopatra,
ˆ
mas ele foi envenenado, o que pos fim aos seus esforços.
Ele foi sucedido por Ptolomeu VI. Que dizer de Seleu-
co IV? Precisando de dinheiro para pagar a multa pesada
que devia a Roma, enviou seu tesoureiro Heliodoro para
se apoderar das riquezas que se dizia estarem armazenadas
´
no templo em Jerusalem. Heliodoro, querendo ˆocupar o
trono, assassinou Seleuco IV. No entanto, o Rei Eumenes,
´ ˜ ´
de Pergamo, e seu irmao Atalo mandaram entronizar An-
´ ˜
tıoco IV, o irmao do rei assassinado.
37 O novo rei do norte, Antıoco ´
IV, procurou mostrar-se
mais poderoso do que Deus por tentar erradicar a for-
˜ ´ ´
ma de adoraçao de Jeova. Desafiando a Jeova, ele dedicou
´ ´
o templo de Jerusalem a Zeus, ou Jupiter. Em dezembro
˜
de 167 AEC, erigiu-se um altar pagao no alto do grande al-
´
tar no patio do templo, onde se haviam feito diariamente
´
ofertas queimadas a Jeova. Dez dias mais tarde, ofereceu-se
˜ ´ ˜
no altar pagao um sacrifıcio a Zeus. Essa profanaçao provo-
´
cou um levante dos judeus sob os macabeus. Antıoco IV
ˆ ´
combateu-os por tres anos. Em 164 AEC, no aniversario da
˜ ´
profanaçao, Judas Macabeu rededicou o templo a Jeova e
˜ ´ ˜
instituiu-se a festividade da dedicaçao — o Hanuca. — Joao
10:22.
38 Os macabeus provavelmente fizeram um acordo com

Roma, em 161 AEC, e estabeleceram um reino em


´
104 AEC. Mas o atrito entre eles e o sırio rei do norte con-
tinuou. Por fim, pediu-se que Roma interviesse. O general
´ ´
romano Cneu Pompeu tomou Jerusalem em 63 AEC, apos
´ ˆ
um sıtio de tres meses. Em 39 AEC, o Senado romano no-
meou Herodes — um edomita — para ser rei da Judeia.
´
37. (a) Como procurou Antıoco IV mostrar-se mais poderoso do que
´ ˜
Jeova Deus? (b) Em que resultou a profanaçao do templo em Jerusa-
´ ´
lem por Antıoco IV?
´
38. Como acabou o domınio macabeu?
OS REIS EM DANIEL 11:5-19
O rei O rei
do norte do sul
´
Daniel 11:5 Seleuco I Nicator Ptolomeu I
´
Daniel 11:6 Antıoco II Ptolomeu II
´
(esposa Laodice) (filha Berenice)
Daniel 11:7-9 Seleuco II Ptolomeu III
´
Daniel 11:10-12 Antıoco III Ptolomeu IV
´
Daniel 11:13-19 Antıoco III
´ Ptolomeu V
(filha Cleopatra I) Sucessor:
Sucessores: Ptolomeu VI
Seleuco IV e
´
Antıoco IV

Moeda retratando
Ptolomeu II e sua esposa

´
Seleuco I Nicator

´
Antıoco III

Ptolomeu VI

Ptolomeu III e seus


´
sucessores construıram
´
este templo de Horus
em Idfu, no Alto Egito
Dois reis em conflito 229
´ ´
Acabando com o domınio macabeu, ele tomou Jerusalem
em 37 AEC.
39 Como e´ emocionante ver o cumprimento inicial em

pormenores da profecia a respeito dos dois reis em con-


´ ´
flito! Deveras, como e empolgante examinar a historia de
´
uns 500 anos depois de a mensagem profetica ter sido
transmitida a Daniel e identificar os governantes que ocu-
˜
param as posiçoes de rei do norte e de rei do sul! No
´
entanto, as identidades polıticas desses dois reis mudaram
˜
com a continuaçao da batalha entre eles durante o tempo
´
em que Jesus Cristo andou na Terra e ate os nossos dias.
´
Por compararmos os acontecimentos historicos com os
pormenores curiosos, revelados nessa profecia, poderemos
identificar esses dois reis rivais.
ˆ ˜
39. Como beneficiou a voce a consideraçao de Daniel 11:1-19?

O QUE DISCERNIU?
˙ Que duas linhagens de fortes reis emergiram
´
de reinos helenısticos, e que luta começaram
esses reis?
˙ Conforme predito em Daniel 11:6, como esses
dois reis entraram num “acordo equitativo”?
˙ Como continuou o conflito entre
Seleuco II e Ptolomeu III (Daniel 11:7-9)?
´
Antıoco III e Ptolomeu IV (Daniel 11:10-12)?
´
Antıoco III e Ptolomeu V (Daniel 11:13-16)?
´
˙ Qual foi o objetivo do casamento entre Cleopa-
tra I e Ptolomeu V, e por que fracassou o plano
(Daniel 11:17-19)?
ˆ ˜
˙ Como voce foi beneficiado por prestar atençao
a Daniel 11:1-19?
´
C APITULO CATORZE

OS DOIS REIS
MUDAM DE IDENTIDADE
´ ´
O MONARCA sırio Antıoco IV invade o Egito e se coroa
´
rei. A pedido do rei egıpcio Ptolomeu VI, Roma envia ao
´ ´
Egito o Embaixador Caio Popılio Lenate. Ele e acompanha-
do por uma impressionante frota e tem ordens do Senado
´
romano de fazer Antıoco IV renunciar ao seu reinado so-
´ ˆ ´
bre o Egito e se retirar do paıs. Em Eleusis, um suburbio
´
de Alexandria, o rei sırio e o embaixador romano se con-
´
frontam. Antıoco IV pede tempo para poder consultar seus
´
conselheiros, mas Lenate traça um cırculo em torno do
rei e o manda responder antes de ultrapassar a linha. Hu-
´ ˆ `
milhado, Antıoco IV acata as exigencias romanas e volta a
´ ´
Sıria em 168 AEC. Assim acaba o confronto entre o sırio rei
´
do norte e o egıpcio rei do sul.
2 Roma, desempenhando um papel dominante nos as-
´ ´
suntos do Oriente Medio, continua a mandar na Sıria.
ˆ
Portanto, embora outros reis da dinastia seleucida gover-
´ ´
nem a Sıria depois da morte de Antıoco IV em 163 AEC,
˜ ˜
eles nao ocupam a posiçao de “rei do norte”. (Daniel
´ ´
11:15) A Sıria, por fim, torna-se em 64 AEC uma provıncia
romana.
3 A dinastia ptolomaica do Egito continua a ocupar a po-
˜ ´
siçao de “rei do sul” por pouco mais de 130 anos apos a
´
morte de Antıoco IV. (Daniel 11:14) Durante a batalha de
Actium, em 31 AEC, o governante romano Otaviano der-
´
rota as forças combinadas da ultima rainha ptolomaica,
´ ` ˆ
1, 2. (a) O que levou Antıoco IV a ceder as exigencias de Roma?
´ ´
(b) Quando se tornou a Sıria uma provıncia romana?
3. Quando e como obteve Roma a supremacia sobre o Egito?
˜ `
232 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˆ
Cleopatra VII, e de seu amante romano, Marco Antonio.
´ ´
Depois do suicıdio de Cleopatra no ano seguinte, o Egi-
´ ´ ˜
to tambem se torna uma provıncia romana e nao mais
´
desempenha o papel de rei do sul. Em 30 AEC, Roma ja
´
exerce a supremacia tanto sobre a Sıria como sobre o Egi-
to. Devemos agora esperar que outros governos assumam
´
os papeis de rei do norte e de rei do sul?
UM NOVO REI ENVIA
“UM EXATOR”
4 Na primavera de 33 EC, Jesus Cristo disse aos seus dis-
´
cıpulos: “Quando avistardes a coisa repugnante que causa
˜ ´
desolaçao, conforme falado por intermedio de Daniel, o
´ ˜
profeta, estar em pe num lugar santo, . . . entao, os que es-
tiverem na Judeia comecem a fugir para os montes.”
(Mateus 24:15, 16) Citando Daniel 11:31, Jesus advertiu
seus seguidores sobre uma futura ‘coisa repugnante que
˜
causaria desolaçao’. Essa profecia, envolvendo o rei do
norte, foi dada uns 195 anos depois da morte de An-
´ ´ ´
tıoco IV, o ultimo rei sırio que desempenhou esse papel.
Certamente, outra entidade governamental teria de assu-
mir a identidade do rei do norte. Quem seria?
5 O anjo de Jeova´ Deus predisse: “Na sua posiçao
˜
[na de
´ ´ ´ ´
Antıoco IV] tera de erguer-se alguem que fara um exator
´
passar pelo esplendoroso reino e em poucos dias sera des-
˜
troçado, mas nao em ira nem em guerra.” (Daniel 11:20)
Aquele que ‘se ergueu’ assim mostrou ser o primeiro impe-
´
rador romano, Otaviano, conhecido como Cesar Augusto.
´
— Veja “Um foi honrado, o outro, desprezado”, na pagi-
na 248.
´
4. Por que devıamos esperar que outra entidade governamental assu-
misse a identidade do rei do norte?
˜
5. Quem se ergueu como o rei do norte, tomando a posiçao antes
´
ocupada por Antıoco IV?
Os dois reis mudam de identidade 233

6 O “esplendoroso reino” de
´
Augusto incluıa a “terra do
´
Ornato” — a provıncia roma-
na da Judeia. (Daniel 11:16) Em
2 AEC, Augusto enviou “um exa-
tor” por ordenar um registro,
ou censo, provavelmente para
´
saber o numero da popula-
˜ ˜
çao para fins de taxaçao e
de recrutamento militar.
Por causa desse decre-
´
to, Jose e Maria viajaram
´
a Belem para se regis-
trarem, o que resultou no
nascimento de Jesus naquele
lugar predito. (Miqueias 5:2;
Augusto
Mateus 2:1-12) Em agosto de
˜
14 EC — “em poucos dias”, ou nao muito depois de decre-
`
tar o registro — Augusto morreu a idade de 76 anos, nem
` ˜
“em ira” as maos dum assassino, nem “em guerra”, mas
em resultado de doença. O rei do norte deveras havia mu-
˜ ´
dado de identidade! Esse rei se tornara entao o Imperio
Romano na pessoa dos seus imperadores.
‘ERGUE-SE O DESPREZADO’
7 Continuando com a profecia, o anjo disse: “Na
˜ ´
sua posiçao [a de Augusto] tera de erguer-se um que
´ ˜ ˜
ha de ser desprezado, e certamente nao colocarao
6. (a) Quando se fez “um exator” passar pelo “esplendoroso reino”,
ˆ
e que importancia teve isso? (b) Por que se pode dizer que Augusto
˜
morreu “nao em ira nem em guerra”? (c) Que mudança houve na
identidade do rei do norte?
7, 8. (a) Quem se ergueu em lugar de Augusto como o rei do norte?
(b) Por que foi “a dignidade do reino” concedida a contragosto ao su-
´
cessor de Augusto Cesar?
˜ `
234 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

sobre ele a dignidade do reino;


´
e realmente chegara durante a
˜ ´
despreocupaçao e apossar-se-a
´
do reino por meio de insıdia.
E quanto aos braços da inun-
˜ ˜
daçao, serao inundados por sua
˜
causa e serao destroçados; assim
´ ´ ´
como tambem o sera o Lıder do
pacto.” — Daniel 11:21, 22.
8 Esse “um que ha´ de ser des-
´ ´
prezado” foi Tiberio Cesar, filho de
´
Lıvia, a terceira esposa de Augus-
to. (Veja “Um foi honrado, o outro,
´
desprezado”, na pagina 248.) Au-
´ gusto odiava esse enteado por
Tiberio ˆ ´
causa das tendencias mas dele, e
˜ ´ ´
nao queria que se tornasse o proximo Cesar. “A dignida-
´
de do reino” so lhe foi concedida a contragosto depois do
´
falecimento de todos os provaveis sucessores. Augusto ado-
´
tou Tiberio em 4 EC e o fez herdeiro do trono. Depois da
´
morte de Augusto, ‘ergueu-se’ Tiberio, de 54 anos de ida-
de — o desprezado — assumindo o poder como imperador
romano e como o rei do norte.
´
9 “Tiberio”, diz a New Encyclopædia Britannica, “mani-
ˆ
pulou o Senado e, por quase um mes [depois da morte de
˜
Augusto], nao permitiu que este o nomeasse imperador”.
Ele disse ao Senado que somente Augusto tinha a capaci-
´
dade para poder governar o Imperio Romano, e pediu que
´
os senadores restabelecessem a republica, por encarregar
dessa autoridade um grupo de homens, em vez de apenas
´ ˜
um so homem. “Nao ousando aceitar sua proposta como
´ ´
9. Como Tiberio ‘apossou-se do reino por meio de insıdia’?

Por causa do decreto de Augusto,


´ ´
Jose e Maria viajaram a Belem
˜ `
236 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

sincera”, escreveu o historiador Will Durant, “o Sena-


ˆ ´
do desmanchou-se em cortesias e insistencias, ate que ele
aceitou o mando supremo”. Durant acrescentou: “A peça
´
foi bem representada dos dois lados. Tiberio queria o Prin-
´ ˜
cipado, pois do contrario nao o teria aceito; o Senado
˜ ˆ
detestava-o e temia-o, mas nao tinha animo de restabele-
´
cer uma Republica teoricamente baseada, como a antiga,
´
em Assembleias soberanas.” De modo que Tiberio ‘apos-
´
sou-se do reino por meio de insıdia’.
10 “Quanto aos braços da inundaçao” ˜
— as forças milita-
˜
res dos reinos ao redor —, o anjo disse: ‘Serao inundados
˜ ´
e serao destroçados.’ Quando Tiberio se tornou o rei do
ˆ ´
norte, seu sobrinho Germanico Cesar era comandante das
ˆ
tropas romanas junto ao rio Reno. Em 15 EC, Germanico
ˆ ´
comandou suas forças com certo exito contra o heroi ger-
ˆ ´ ´
manico Armınio. No entanto, as vitorias limitadas foram
´
obtidas a muito custo, e Tiberio cancelou depois disso as
˜ ˆ
operaçoes na Germania. Em vez disso, por promover uma
ˆ
guerra civil, tentou impedir que as tribos germanicas se
´ ´
unissem. Tiberio favorecia em geral uma polıtica externa
defensiva e concentrava-se no fortalecimento das fron-
teiras. Essa atitude foi razoavelmente bem-sucedida. Foi
˜
assim que os “braços da inundaçao” foram controlados e
“destroçados”.
11 Tambem ´ ´ ´
foi ‘destroçado’ “o Lıder do pacto” que Jeova
˜ ˆ ˜
Deus havia feito com Abraao para a bençao de todas as fa-
´ ˜
mılias da Terra. Jesus Cristo era o Descendente de Abraao
ˆ ´
prometido nesse pacto. (Genesis 22:18; Galatas 3:16) Em
˜ ˆ
14 de nisa de 33 EC, Jesus estava diante de Poncio Pilatos
´ ´
no palacio do governador romano em Jerusalem. Os sa-
˜
cerdotes judeus tinham acusado Jesus de traiçao contra o
˜
10. Como foram ‘destroçados os braços da inundaçao’?
´
11. Como foi ‘destroçado o Lıder do pacto’?

Conforme predito, Jesus foi ‘destroçado’ na morte


˜ `
238 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
imperador. Mas Jesus disse a Pilatos: “Meu reino nao faz
˜ ´
parte deste mundo. . . . O meu reino nao e desta fonte.”
˜
Para que o governador romano nao libertasse o inculpe Je-
˜ ´
sus, os judeus gritaram: “Se livrares este homem, nao es
´
amigo de Cesar. Todo homem que se faz rei fala contra
´ ˜
Cesar.” Depois de exigirem a execuçao de Jesus, eles disse-
˜ ˜ ´
ram: “Nao temos rei senao Cesar.” Segundo a lei de
´
“lesa-majestade”, que Tiberio havia ampliado para incluir
´
praticamente qualquer insulto a Cesar, Pilatos entregou
Jesus para ser ‘destroçado’, ou pregado numa estaca de tor-
˜
tura. — Joao 18:36; 19:12-16; Marcos 15:14-20.
UM TIRANO ‘MAQUINA SEUS ARDIS’
´
12 Ainda profetizando a respeito de Tiberio, o anjo disse:
´
“Por se aliarem a ele, praticara o engano e realmente su-
´ ´ ˜
bira e se tornara forte por meio de uma naçao pequena.”
(Daniel 11:23) Membros do Senado romano se haviam
´
constitucionalmente ‘aliado’ a Tiberio, e ele dependia
deles formalmente. Mas era enganoso, na realidade tor-
˜
nando-se “forte por meio de uma naçao pequena”. Essa
˜
naçao pequena era a Guarda Pretoriana romana, acampa-
da perto das muralhas de Roma. Sua proximidade
´
intimidava o Senado e ajudava Tiberio a reprimir quais-
˜
quer levantes contra a sua autoridade entre a populaçao.
´
Portanto, por meio de uns 10 mil guardas, Tiberio conti-
nuou poderoso.
13 O anjo acrescentou profeticamente: “Durante a des-
˜ ´ ´
preocupaçao entrara ate mesmo na fartura do distrito
´
jurisdicional e fara realmente aquilo que seus pais e os pais
˜ ´
de seus pais nao fizeram. Espalhara entre eles saque, e des-
´
pojo, e bens; e maquinara os seus ardis contra as praças
´ ´
fortes, mas apenas ate um tempo.” (Daniel 11:24) Tiberio
´ ´
12. (a) Quem se aliou a Tiberio? (b) Como Tiberio ‘se tornou forte
˜
por meio de uma naçao pequena’?
´
13. Em que sentido superou Tiberio seus antepassados?
Os dois reis mudam de identidade 239

era extremamente desconfiado, e em seu reinado orde-


nou-se o assassinato de muitos. Em grande parte por causa
ˆ
da influencia de Sejano, comandante da Guarda Pretoria-
´
na, a ultima parte do seu reinado foi marcada pelo terror.
´
Por fim, o proprio Sejano ficou sob suspeita e foi executa-
´
do. Tiberio superou seus antepassados em tiranizar o povo.
14 Todavia, Tiberio ´
espalhou “saque, e despojo, e bens”
´ ´
pelas provıncias romanas. Na epoca em que morreu, todos
´
os povos sob o seu domınio gozavam de prosperida-
ˆ
de. Os impostos eram baixos, e ele pode ser generoso para
˜
com aqueles em regioes que passavam dificuldades. Quan-
´
do soldados ou oficiais oprimiam alguem ou promoviam
irregularidades em cuidar de assuntos, podiam esperar so-
frer a vingança imperial. O controle firme do poder
´
mantinha a segurança publica, e um sistema melhorado
˜ ´ ´
de comunicaçoes ajudava o comercio. Tiberio certificava-
se de que os assuntos fossem administrados de modo justo
e firme, dentro e fora de Roma. As leis haviam sido me-
´
lhoradas, e os codigos sociais e morais aprimorados pela
˜ ´ ´
promoçao de reformas instituıdas por Augusto Cesar. No
´
entanto, Tiberio ‘maquinava os seus ardis’, de modo que o
´
historiador romano Tacito o descreveu como homem hi-
´ ´ ˜ ´
pocrita, habil em dissimulaçoes. Na epoca em que morreu,
´
em março de 37 EC, Tiberio era considerado tirano.
15 Os sucessores de Tiberio, ´
que desempenharam o pa-
´ ´ ´
pel de rei do norte, incluıam Caio Cesar (Calıgula),
´
Claudio I, Nero, Vespasiano, Tito, Domiciano, Nerva,
Trajano e Adriano. “Na maior parte”, diz The New Encyclo-
pædia Britannica, “os sucessores de Augusto continuaram
´ ˜
sua polıtica administrativa e seu programa de construçao,
´
14. (a) Como Tiberio espalhou “saque, e despojo, e bens” pelas pro-
´ ´ ´
vıncias romanas? (b) Como era Tiberio considerado na epoca em que
morreu?
˜ ´
15. Em que condiçao estava Roma no fim do primeiro seculo EC e
no começo do segundo?
˜ `
240 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜ ˜
embora com menos inovaçoes e com mais ostentaçao”.
ˆ
A mesma obra de referencia salienta adicionalmente: “No
´
fim do 1.° seculo e no começo do 2.°, Roma estava no
˜
auge de sua grandiosidade e de sua populaçao.” Embora
durante esse tempo Roma tivesse algumas dificuldades nas
fronteiras imperiais, seu primeiro confronto predito com o
´ ´
rei do sul so ocorreu no terceiro seculo EC.
DESPERTADO CONTRA O REI DO SUL
16 O anjo de Deus prosseguiu com a profecia, dizendo:
´ ˜
“Ele [o rei do norte] despertara seu poder e seu coraçao
contra o rei do sul, com uma grande força militar; e o rei
´
do sul, da sua parte, excitar-se-a para a guerra com uma
força militar extraordinariamente grande e poderosa. E ele
˜ ´ ´
[o rei do norte] nao se mantera de pe, porque maquina-
˜
rao ardis contra os seus ardis. E os mesmos que comem os
˜ `
seus petiscos causarao a sua derrocada. E quanto a sua for-
´ ˜
ça militar, sera levada de enxurrada e muitos hao de cair
mortos.” — Daniel 11:25, 26.
17 Cerca de 300 anos depois de Otaviano ter feito do Egi-
´
to uma provıncia romana, o imperador romano Aureliano
´
assumiu o papel de rei do norte. No ınterim, a Rainha Sep-
´ ´ ˆ
tımia Zenobia, da colonia romana de Palmira, ocupava a
˜ ´
posiçao de rei do sul.1 (Veja “Zenobia, a rainha guerreira
´ ´
de Palmira”, na pagina 252.) O exercito de Palmira ocupou
o Egito em 269 EC, sob o pretexto de garanti-lo para Roma.
´
Zenobia queria fazer de Palmira a cidade dominante no
´
leste e queria governar as provıncias orientais de Roma.
˜ ˜ ´
1 Visto que as designaçoes “o rei do norte” e “o rei do sul” sao tıtu-
los, podem referir-se a qualquer entidade governamental, inclusive a
˜
um rei, a uma rainha ou a um bloco de naçoes.

16, 17. (a) Quem assumiu o papel de rei do norte, mencionado em


˜
Daniel 11:25? (b) Quem veio a ocupar a posiçao de rei do sul, e como
aconteceu isso?
Os dois reis mudam de identidade 241
˜
Alarmado pelas ambiçoes dela, Aureliano despertou “seu
˜ ´
poder e seu coraçao” para agir contra Zenobia.
18 O rei do sul, como a entidade governamental chefia-
´
da por Zenobia, ‘excitou-se’ para a guerra contra o rei do
norte “com uma força militar extraordinariamente grande
e poderosa” sob dois generais, Zabas e Zabai. Mas Aurelia- ´
˜
no tomou o Egito, e depois iniciou uma expediçao na Asia
´ ´
Menor e na Sıria. Zenobia foi derrotada em Emesa (agora
˜
Homs), recuando entao para Palmira. Quando Aureliano
´
sitiou essa cidade, Zenobia defendeu-a valentemente, mas
ˆ ˜ ` ´
sem exito. Ela e seu filho fugiram em direçao a Persia, mas
foram capturados pelos romanos junto ao rio Eufrates. Os
habitantes de Palmira entregaram sua cidade em 272 EC.
´ ˜
Aureliano poupou Zenobia, tornando-a a atraçao principal
˜
da sua procissao triunfal em Roma, em 274 EC. Ela passou
o resto da sua vida como matrona romana.
´
19 O proprio ˜ ´
Aureliano ‘nao se manteve de pe porque
maquinaram ardis contra ele’. Em 275 EC ele empreen-
˜
deu uma expediçao contra os persas. Enquanto esperava
´
na
´ Tracia pela oportunidade de atravessar o estreito para a
Asia Menor, os que ‘comiam seus alimentos’ executaram
ardis contra ele e causaram sua “derrocada”. Ele ia exigir
˜ ´
uma prestaçao de contas de seu secretario Eros por cau-
´
sa de irregularidades. Eros, porem, falsificou uma lista de
nomes de certos oficiais como destinados a serem mortos.
Essa lista induziu os oficiais a tramar o assassinato de Au-
´
reliano e a mata-lo.
20 A carreira do rei do norte nao ˜
terminou com a
morte do Imperador Aureliano. Seguiram-se outros gover-
nantes romanos. Por algum tempo, havia um imperador
do ocidente e outro do oriente. A “força militar” do rei
18. Qual foi o resultado do conflito entre o Imperador Aureliano,
´
como o rei do norte, e a Rainha Zenobia, como o rei do sul?
19. Como Aureliano caiu ‘por causa de ardis maquinados contra ele’?
20. Como foi a “força militar” do rei do norte “levada de enxurrada”?
˜ `
242 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

do norte, sob esses homens, foi “levada de enxurrada”, ou


´
“espalhada”,1 e muitos ‘caıram mortos’ por causa das in-
˜ ˆ
vasoes das tribos germanicas vindas do norte. Os godos
´ ´
irromperam atraves das fronteiras romanas no quarto se-
˜ ´
culo EC. As invasoes continuaram uma apos outra. Em
´ ˆ ´
476 EC, o lıder germanico, Odoacro, removeu o ultimo
´
imperador a governar em Roma. No começo do sexto se-
´
culo, o Imperio Romano, no Ocidente, havia sido desfeito,
ˆ ´
e reis germ ´ anicos governavam na Bretanha, na Galia, na
´
Italia, na Africa do Norte e na Espanha. A parte oriental do
´ ´ ´
imperio durou ate o seculo 15.
˜ ´
A DIVISAO DUM GRANDE IMPERIO
21 Sem fornecer pormenores desnecessarios ´
sobre a de-
˜ ´
sintegraçao do Imperio Romano, que se estendeu por
´ ´
seculos, o anjo de Jeova passou a predizer proezas adicio-
nais do rei do norte e do rei do sul. No entanto, uma breve
˜ ´
recapitulaçao de certos acontecimentos no Imperio Roma-
´ ´
no nos ajudara a identificar os dois reis rivais em epocas
posteriores.
22 No quarto seculo, ´
o imperador romano Constanti-
no concedeu o reconhecimento do Estado ao cristianismo
´ ´ ´
apostata. Ele ate mesmo convocou ´ em 325 EC um concılio
´
eclesiastico em Niceia, na Asia Menor, ao qual ele mes-
ˆ
mo presidiu. Mais tarde, Constantino mudou a residencia
ˆ
imperial de Roma para Bizancio, ou Constantinopla, tor-
´
nando essa cidade a sua nova capital. O Imperio Romano
´ ´
continuou sob o governo de um unico imperador ate a
´
morte do Imperador Teodosio I, em 17 de janeiro de
395 EC.
´ ˜
1 Veja a nota de rodape sobre Daniel 11:26 na Traduçao do Novo
ˆ
Mundo das Escrituras Sagradas com Referencias, publicada pelas Teste-
´
munhas de Jeova.
´
21, 22. Que mudanças realizou Constantino no quarto seculo EC?
Os dois reis mudam de identidade 243
´ ´ ´
23 Apos a morte de Teodosio, o Imperio Romano foi
´
dividido entre os seus filhos. Honorio recebeu a parte oci-
´
dental, e Arcadio, a oriental, tendo Constantinopla´ por
´ ´
capital. A Bretanha, a Galia, a Italia, a Espanha e a Africa
´
do Norte estavam entre as ´ provıncias da´ parte ocidental.
ˆ ´
A Macedonia, a Tracia, a Asia Menor, a Sıria e o Egito eram
´
provıncias da parte oriental. Em 642 EC, Alexandria, a ca-
´ ˜ ´
pital egıpcia, caiu nas maos dos sarracenos (arabes) e o
´
Egito tornou-se uma provıncia dos califas. Em janeiro de
´
1449, Constantino XI tornou-se o ultimo imperador do
˜
Oriente. Turcos otomanos, sob o sultao Mehmet II, toma-
ram Constantinopla em 29 de maio de 1453, acabando
´
com o Imperio Romano Oriental. No ano de 1517, o Egito
´ ´
tornou-se uma provıncia turca. Com o tempo, porem, essa
terra do antigo rei do sul passaria a ficar sob o controle de
´
outro imperio do setor ocidental.
24 Na parte ocidental do Imperio ´
Romano ascendeu o
´ ˜
bispo catolico de Roma, notavelmente o Papa Leao I, fa-
´
moso por impor a autoridade papal no quinto seculo EC.
Com o tempo, o papa assumiu ele mesmo a respon-
sabilidade de coroar o imperador do setor ocidental. Isso
aconteceu em Roma no dia de Natal de 800 EC, quando o
˜
Papa Leao III coroou o rei franco Carlos (Magno) impera-
´ ˜
dor do novo Imperio Romano Ocidental. Essa coroaçao fez
reviver o imperialismo em Roma e, segundo alguns histo-
´ ´
riadores, marcou o começo do Sacro Imperio Romano. Daı
´ ´
em diante, existiam o Imperio Oriental e o Sacro Imperio
˜
Romano, ao oeste, ambos afirmando ser cristaos.
25 Com o passar do tempo, os sucessores de Carlos

˜ ´ ´
23. (a) Que divisao do Imperio Romano ocorreu apos a morte de
´ ´
Teodosio? (b) Quando acabou o Imperio Oriental? (c) Quem gover-
nava o Egito em 1517?
´
24, 25. (a) Segundo alguns historiadores, o que marcou o inıcio do
´ ´
Sacro Imperio Romano? (b) O que aconteceu finalmente ao tıtulo de
´
“imperador” do Sacro Imperio Romano?
˜ `
244 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

Magno mostraram ser governantes ineficazes. O cargo de


´ ´
imperador ate ficou vago por algum tempo. No ınterim, o
ˆ
rei germanico Oto I obteve o controle sobre grande parte
´ ´
da Italia setentrional e central. Ele se proclamou rei da Ita-
˜
lia. Em 2 de fevereiro de 962 EC, o Papa Joao XII coroou
´
Oto I como imperador do Sacro Imperio Romano. Sua ca-
ˆ
pital se encontrava na Germania, e os imperadores eram
ˆ ´
germanicos, assim como a maioria dos seus suditos. Cinco
´ ´
seculos mais tarde, a casa austrıaca de Habsburgo recebeu
´
o tıtulo de “imperador” e o reteve durante a maior parte
´
dos anos restantes do Sacro Imperio Romano.
OS DOIS REIS DE NOVO IDENTIFICADOS
˜ ´
26 Napoleao I deu o golpe final no Sacro Imperio Ro-
ˆ
mano quando se recusou a reconhecer sua existencia de-
´
pois das suas vitorias na Alemanha, no ano de 1805.
Incapaz de defender a coroa, o Imperador Francisco II re-
` ˜
nunciou a condiçao imperial romana em 6 de agosto de
1806 e retirou-se
´ para seu governo nacional como impe-
´
rador da Austria. Depois de 1.006 anos, o Sacro Imperio
˜ ´
Romano — fundado por Leao III, um papa catolico-ro-
mano, e por Carlos Magno, um rei franco — chegou ao
´
fim. Em 1870, Roma tornou-se a capital do reino da Ita-
lia, independente do Vaticano. No ano seguinte, come-
´ ˆ
çou um imperio germanico em que Guilherme I foi no-
´ ´
meado cesar, ou kaiser. Assim surgiu no cenario mundial
o rei do norte dos tempos modernos — a Alemanha.
27 Mas qual tem sido a identidade do rei do sul na

´
26. (a) O que se pode dizer a respeito do fim do Sacro Imperio Ro-
mano? (b) Quem emergiu como o rei do norte?
ˆ
27. (a) Como se tornou o Egito um protetorado britanico? (b) Quem
˜
passou a ocupar a posiçao de rei do sul?
˜
1. Carlos Magno 2. Napoleao I 3. Guilherme I
˜
4. Soldados alemaes, Primeira Guerra Mundial
1

4
OS REIS EM DANIEL 11:20-26
O rei O rei
do norte do sul
Daniel 11:20 Augusto
´
Daniel 11:21-24 Tiberio
´
Daniel 11:25, 26 Aureliano Rainha Zenobia
´ ˜
A predita O Imperio A Gra-Bretanha,
˜ ˆ
desintegraçao Germanico seguida pela
´ ˆ
do Imperio Potencia Mundial
Romano resulta Anglo-Americana
em se formar

Aureliano

´
Tiberio
Estatueta de
Carlos Magno

Navio de guerra
ˆ ´
britanico do seculo 17

Augusto
Os dois reis mudam de identidade 247
´ ˜
era atual? A Historia mostra que a Gra-Bretanha assu-
´ ˜
miu poder imperial no seculo 17. Napoleao I, querendo
ˆ
romper as rotas comerciais britanicas, conquistou o Egi-
ˆ
to em 1798. Houve guerra, e a aliança britanico-otomana
obrigou os franceses a se retirar do Egito, que no começo
´
do conflito era identificado como o rei do sul. No seculo
ˆ ˆ
que se seguiu, aumentou a influencia britanica no Egito.
ˆ
Depois de 1882, o Egito realmente era uma dependencia
ˆ
britanica. Quando irrompeu a Primeira Guerra Mundial
`
em 1914, o Egito pertencia a Turquia e era governado por
um quediva, ou vice-rei. No entanto, depois de a Turquia
˜
tomar o lado da Alemanha naquela guerra, a Gra-Breta-
ˆ
nha depos o quediva e declarou que o Egito era um pro-
ˆ ˜
tetorado britanico. A Gra-Bretanha e os Estados Unidos
´ ´
da America aos poucos estabeleceram vınculos estreitos,
ˆ
tornando-se a Potencia Mundial Anglo-Americana. Jun-
˜
tos, passaram a ocupar a posiçao de rei do sul.

O QUE DISCERNIU?
˙ Que imperador romano se levantou primei-
ro como o rei do norte, e quando enviou ele
“um exator”?
˜
˙ Quem ocupou a posiçao de rei do norte de-
pois de Augusto, e como foi ‘destroçado o
´
Lıder do pacto’?
˙ Que resultado teve o conflito entre Aurelia-
´
no, como o rei do norte, e Zenobia, como o
rei do sul?
´
˙ O que aconteceu com o Imperio Romano,
ˆ ˜
e que potencias ocupavam as posiçoes dos
´
dois reis no fim do seculo 19?
248

UM FOI HONRADO,
O OUTRO, DESPREZADO

´
UM DELES transformou uma republica cheia de lutas num
´
imperio mundial. O outro aumentou a riqueza deste vinte
vezes em 23 anos. Um foi honrado quando morreu, mas o
outro foi desprezado. Os reinados desses dois imperadores
´
de Roma abrangeram a vida e o ministerio de Jesus. Quem
foram eles? E por que um deles foi honrado, ao passo que o
˜
outro nao foi?
‘ENCONTROU UMA ROMA ´ DE TIJOLOS
E DEIXOU-A DE MARMORE’
´ ´
Em 44 AEC, quando Julio Cesar foi assassinado, o neto da
˜
sua irma, Caio Otaviano, tinha apenas 18 anos de idade. Sen-
´ ´
do filho adotivo de Julio Cesar e seu principal herdeiro pes-
soal, o jovem Otaviano imediatamente foi a Roma para rei-
´
vindicar sua herança. Ali encontrou um terrıvel opositor — o
´ ˆ
principal tenente de Cesar, Marco Antonio, que esperava ser
´
o principal herdeiro. A intriga polıtica e a luta pelo poder que
se seguiram duraram 13 anos.
Somente depois de derrotar as forças conjuntas da rai-
´ ´ ˆ
nha egıpcia Cleopatra e de seu amante Marco Antonio (em
´
31 AEC) foi que Otaviano emergiu como incontestavel go-
´ ˆ
vernante do Imperio Romano. No ano seguinte, Antonio e
´ ´
Cleopatra suicidaram-se, e Otaviano anexou o Egito. O ulti-
´ ´
mo vestıgio do Imperio Grego foi assim eliminado, e Roma
ˆ
tornou-se a potencia mundial.
´ ´
Lembrando-se de que o poder despotico exercido por Ju-
´
lio Cesar tinha provocado seu assassinato, Otaviano cuidou
˜ ˜
de nao repetir o erro. Para nao ofender os sentimentos ro-
´
manos a favor duma republica, ele disfarçou sua monarquia
´
com um manto republicano. Recusou os tıtulos de “rei” e
249
´ ˜
“ditador”. Indo mais alem, anunciou sua intençao de entre-
´
gar o controle de todas as provıncias ao Senado romano e
´
ofereceu-se a renunciar aos cargos que ocupava. Essa tatica
funcionou. O Senado apreciativo instou com Otaviano a que
˜
continuasse nas suas posiçoes e que mantivesse algumas das
´
provıncias sob o seu controle.
´
Alem disso, em 16 de janeiro de 27 AEC, o Senado conce-
´
deu a Otaviano o tıtulo de “Augusto”, que significa “Eleva-
˜ ´ ´
do, Venerado”. Otaviano nao so aceitou esse tıtulo, mas tam-
´ ˆ
bem denominou um mes com o seu nome e tirou um dia do
ˆ ˆ
mes de fevereiro para que o mes de agosto tivesse tantos dias
ˆ ´ ´
quantos o de julho, mes que recebeu o nome de Julio Cesar.
Otaviano tornou-se assim o primeiro imperador de Roma e
´
ficou depois conhecido como Cesar Augusto ou “O Augus-
´ ´
to”. Mais tarde, ele assumiu tambem o tıtulo de Pontifex Ma-
´
ximus (Sumo Pontıfice), e em 2 AEC — o ano do nascimento
´
de Jesus — o Senado deu-lhe o tıtulo de Pater Patriae, “Pai da
´
Patria”.
´
Naquele mesmo ano, “saiu um decreto da parte de Cesar
Augusto, para que toda a terra habitada se registrasse; . . . e
´
todos viajaram para se registrarem, cada um na sua propria
cidade”. (Lucas 2:1-3) Em resultado desse decreto, Jesus nas-
´ ´
ceu em Belem, em cumprimento de profecia bıblica. — Da-
niel 11:20; Miqueias 5:2.
O governo sob Augusto destacou-se por certa medida de
´
honestidade e por uma moeda solida. Augusto estabele-
´
ceu tambem um sistema postal eficaz, e construiu estradas
´
e pontes. Reorganizou o exercito, criou uma marinha per-
manente e formou um grupo de elite de guarda-costas im-
periais, conhecido como Guarda Pretoriana. (Filipenses 1:13)
´ ´
Sob o seu patrocınio, floresceram escritores tais como Virgı-
´ ´
lio e Horacio, e escultores criaram belas obras no que e ago-
´ ´
ra conhecido como estilo classico. Augusto concluiu predios
250
´ ´
deixados inacabados por Julio Cesar e restaurou muitos tem-
plos. A Pax Romana (Paz Romana) que ele introduziu durou
mais de 200 anos. Augusto faleceu em 19 de agosto de 14 EC
`
a idade de 76 anos, e foi depois deificado.
Augusto gabou-se de ter ‘encontrado uma Roma de tijolos
ˆ ´ ˜
e de te-la deixado de marmore’. Nao querendo que Roma
´
voltasse aos dias cheios de lutas da republica anterior, ele
´
pretendia treinar o proximo imperador. Mas tinha pouca es-
colha quanto ao sucessor. Seu sobrinho, dois netos, um gen-
ro e um enteado tinham todos morrido, ficando apenas seu
´
enteado Tiberio para assumir o cargo.
´
AQUELE “QUE HA DE SER DESPREZADO”
ˆ ´
Menos de um mes apos a morte de Augusto, o Senado ro-
´
mano nomeou Tiberio, de 54 anos de idade, como impera-
´ ´
dor. Tiberio viveu e governou ate março de 37 EC. Portanto,
´ ´
ele era o imperador de Roma durante o ministerio publico de
Jesus.
´
Como imperador, Tiberio tinha tanto virtudes como defei-
ˆ
tos. Entre as suas virtudes estava a relutancia em gastar di-
´
nheiro com luxos. Em resultado disso, o imperio prosperou,
˜
e ele tinha fundos para ajudar na recuperaçao depois de ca-
´
lamidades e de tempos difıceis. Deve-se reconhecer que Ti-
´
berio se considerava apenas um homem, rejeitando muitos
´ ´ ˜
tıtulos honorıficos, e em geral mandava que a adoraçao ao
imperador fosse dirigida a Augusto em vez de a ele mesmo.
˜ ˆ
Nao deu seu nome a um mes calendar, assim como fizeram
´ ´
Augusto e Julio Cesar, nem permitiu que outros o honrassem
assim.
´
No entanto, os defeitos de Tiberio superavam as suas vir-
´
tudes. Ele era extremamente suspeitoso e hipocrita nos tra-
tos com outros, e em seu reinado ordenou-se um grande
´
numero de assassinatos, muitos dos seus ex-amigos estando
251
´
entre as vıtimas. Ele ampliou a lei de lesa-
´
majestade para incluir, alem de atos sedi-
ciosos, meras palavras caluniosas contra
´
a sua propria pessoa. Presumivelmen-
`
te a base dessa lei, os judeus pressio-
ˆ
naram o governador romano Poncio
˜
Pilatos a mandar matar Jesus. — Joao
19:12-16.
´
Tiberio concentrou a Guarda Pretoria-
´
na nas proximidades de Roma por cons- Tiberio
truir barracas fortificadas ao norte das muralhas da cidade.
A presença da Guarda intimidava o Senado romano, que era
uma ameaça para o seu poder, e continha a indisciplina do
´ ´
povo. Tiberio incentivou tambem um sistema de informan-
tes, e a parte final do seu governo foi marcada pelo terror.
´ ´
Na epoca do seu falecimento, Tiberio era considerado ti-
rano. Quando morreu, os romanos alegraram-se e o Senado
´
negou-se a deifica-lo. Por esses e por outros motivos, vemos
´
em Tiberio um cumprimento da profecia que dizia que ‘um
que havia de ser desprezado’ surgiria como “o rei do norte”.
— Daniel 11:15, 21.

O QUE DISCERNIU?
˙ Como Otaviano tornou-se o primeiro imperador
de Roma?
˜
˙ O que se pode dizer a respeito das consecuçoes
do governo de Augusto?
´
˙ Quais eram as virtudes e os defeitos de Tiberio?
´
˙ Como se cumpriu em Tiberio a profecia a res-
peito de ‘um que havia de ser desprezado’?
252
´
ZENOBIA, A RAINHA
GUERREIRA DE PALMIRA

“ELA tinha pele morena . . . Seus dentes eram brancos como
´
perolas, e seus grandes olhos negros brilhavam como fogo,
suavizados pelo mais atraente encanto. Sua voz era forte
e harmoniosa. O entendimento brioso dela era fortaleci-
˜ ´
do e adornado pelo estudo. Nao desconhecia a lıngua lati-
´ ´
na, mas era igualmente perfeita nas lınguas grega, sirıaca e
´
egıpcia.” Foi assim que o historiador Edward Gibbon lou-
´ ´
vou Zenobia, a rainha guerreira da cidade sıria de Palmira.
´
O marido de Zenobia era o nobre palmiriano Odenato,
ˆ
que em 258 EC foi promovido ao posto de consul de Roma,
´
por causa da sua campanha bem-sucedida contra a Per-
´
sia a favor do Imperio Romano. Dois anos depois, Odenato
´
recebeu do imperador romano Galieno o tıtulo de correc-
tor totius Orientis (governador de todo o Oriente). Isso foi
´ ´
em reconhecimento da sua vitoria sobre o Rei Sapor, da Per-
sia. Por fim, Odenato autodenominou-se “rei dos reis”. Es-
ˆ ´
ses exitos de Odenato podem em grande parte ser atribuı-
` ´
dos a coragem e cautela de Zenobia.
´ ´
ZENOBIA PRETENDE CRIAR UM IMPERIO
Em 267 EC, no auge de sua carreira, Odenato e seu her-
´ ˜
deiro foram assassinados. Zenobia assumiu a posiçao do
´
marido, ja que seu filho era ainda muito novo. Bela, ambi-
ciosa, administradora capaz, acostumada a participar em
campanhas militares com o marido e fluente em diversos
idiomas, ela conseguiu conquistar o respeito e o apoio de
´ ´ ˜
seus suditos. Zenobia tinha verdadeira paixao pelo aprendi-
zado e rodeava-se de intelectuais. Um de seus conselheiros
´ ´ ´
era o filosofo e retorico Cassio Longino — tido como “uma
biblioteca viva e um museu ambulante”. No livro Palmy-
253

´
A Rainha Zenobia falando aos seus soldados

ra and Its Empire—Zenobia’s Revolt Against Rome (Palmira e


´ ´
Seu Imperio — A Revolta de Zenobia Contra Roma), o autor
´
Richard Stoneman destaca: “Durante os cinco anos apos a
´
morte de Odenato . . . , Zenobia havia ganho, entre o seu
˜
povo, a reputaçao de ser a senhora do Oriente.”
´ ´ ´
De um lado do domınio de Zenobia estava a Persia, que
ela e seu marido haviam enfraquecido, e do outro estava
` ˜
a cambaleante Roma. Com respeito as condiçoes no Im-
´ ´
perio Romano naquela epoca, o historiador J. M. Roberts
´ ´ ´
diz: “O terceiro seculo foi . . . uma epoca terrıvel para
`
Roma, tanto na fronteira oriental como na ocidental, a me-
´
dida que na sua propria terra se havia iniciado um novo
´ ˜
perıodo de guerra civil e de disputa de sucessoes. Vinte e
254

dois imperadores (excluindo-se


os pretendentes) assumiram e
deixaram o poder.” Por ou-
´
tro lado, a senhora sıria era
uma monarca absoluta,
bem estabelecida, em seu
´
domınio. “Controlando o
´ ´
equilıbrio de dois impe-
rios [persa e romano]”,
observa Stoneman, “ela
podia ambicionar a for-
˜
maçao de um terceiro que
dominaria a ambos”.
Em 269 EC, surgiu uma
´
oportunidade para Zenobia ex-
´
pandir seus poderes regios, quan-
´
do apareceu no Egito um pretendente disputando o domı-
´ ´
nio romano. O exercito de Zenobia marchou rapidamente
´
para o Egito, esmagou o rebelde e tomou posse do paıs.
Proclamando-se rainha do Egito, ela cunhou moedas em
˜
seu nome. Seu reino estendia-se entao do rio Nilo ao rio Eu-
´
frates. Foi nesse ponto da sua vida que Zenobia passou a
˜
ocupar a posiçao de “o rei do sul”. — Daniel 11:25, 26.
´
A CAPITAL DE ZENOBIA
´
Zenobia fortaleceu e embelezou a sua capital, Palmira, a
`
tal ponto que ela se igualava as maiores cidades do mun-
˜
do romano. Calcula-se que sua populaçao era de mais de
ˆ
150 mil habitantes. A cidade era repleta de esplendidos edi-
´ ´
fıcios publicos, templos, jardins, colunas e monumentos,
dentro de muralhas que, segundo se dizia, tinham 21 qui-
ˆ ˆ ´
lometros de circunferencia. Uma colunata de pilares corın-
tios de mais de 15 metros de altura — cerca de 1.500 deles
´
— ladeava a avenida principal. A cidade era repleta de esta-
255
´
tuas e bustos de herois e de benfeitores ricos. Em 271 EC,
´ ´
Zenobia erigiu estatuas de si mesma e de seu falecido ma-
rido.
˜
O Templo do Sol era uma das mais belas construçoes em
´ ´
Palmira, e sem duvida dominava o cenario religioso na ci-
´ ´ ´
dade. A propria Zenobia provavelmente tambem adorava
´
uma deidade associada com o deus-sol. Mas a Sıria do ter-
´ ˜ ´
ceiro seculo era um lugar de muitas religioes. No domınio
´ ˜
de Zenobia havia cristaos professos, judeus e adoradores do
Sol e da Lua. Qual era a atitude dela para com essas diversas
˜
formas de adoraçao? O autor Stoneman observa: “Um go-
´ ˜
vernante sabio nao negligencia nenhum costume que pa-
reça apropriado ao seu povo. . . . Os deuses, . . . esperava-
˜
se, haviam tomado posiçao a favor de Palmira.” Pelo que
´ ˜
parece, Zenobia era tolerante para com a religiao.
´ ´
Por causa da sua notavel personalidade, Zenobia con-
˜
quistou a admiraçao de muitos. Mas de maior significado
´
foi o seu papel em representar uma entidade polıtica predi-
˜
ta na profecia de Daniel. Seu reinado nao durou mais de
´
cinco anos. O imperador romano Aureliano derrotou Zeno-
bia em 272 EC, e subsequentemente saqueou Palmira, dei-
´ ˜ ˆ
xando-a alem de recuperaçao. Teve-se clemencia com Ze-
´
nobia. Diz-se que ela se casou com um senador romano e
presumivelmente passou o resto da vida em retiro.

O QUE DISCERNIU?
˙ Como se tem descrito a personalidade de
´
Zenobia?
˙ Quais foram algumas das suas façanhas?
´ ˜
˙ Qual era a atitude de Zenobia para com a religiao?
´
C APITULO QUINZE

OS REIS RIVAIS
´
CHEGAM AO SECULO 20
´ ` ´
“HA UM certo dinamismo referente a Europa do seculo de-
´
zenove que ultrapassa em muito tudo o que ja se conhe-
ceu”, escreve o historiador Norman Davies. Ele acrescenta:
“A Europa vibrava com poder como nunca antes: com po-
´ ˆ
der tecnico, poder economico, poder cultural, poder inter-
´ ´
continental.” Os lıderes do “triunfante ‘seculo de poder’
˜
da Europa”, diz Davies, “em primeiro lugar eram a Gra-
´
Bretanha . . . e nas decadas posteriores, a Alemanha”.
´
‘INCLINADOS A FAZER O QUE E MAU’
2 Quando o seculo´ ´
19 se aproximava do fim, o Imperio
˜ ˜
Alemao era “o rei do norte” e a Gra-Bretanha ocupava a
˜
posiçao de “rei do sul”. (Daniel 11:14, 15) “No que se refe-
´ ˜
re a estes dois reis”, disse o anjo de Jeova, “seu coraçao se
´ ´ ´
inclinara a fazer o que e mau, e a uma so mesa continua-
˜ ´
rao a falar mentira”. Ele prosseguiu: “Mas nada sera bem-
´
sucedido, porque o fim e ainda para o tempo designado.”
— Daniel 11:27.
´ ´
1. Segundo certo historiador, quem eram os lıderes da Europa do se-
culo 19?
ˆ ´
2. Que potencias desempenhavam os papeis de “rei do norte” e de
´
“rei do sul” no fim do seculo 19?
ˆ
Em Yalta, em 1945, o primeiro-ministro britanico
Winston Churchill, o presidente Franklin D. Roosevelt,
´
dos Estados Unidos, e o primeiro-ministro sovietico, Joseph Stalin,
concordaram por meio de planos em ocupar a Alemanha,
ˆ
formar um novo governo na Polonia e realizar uma
ˆ ˜
conferencia para constituir as Naçoes Unidas
1
2

4
´
Os reis rivais chegam ao seculo 20 259

3 Em 18 de janeiro de 1871, Guilherme I tornou-se


´ ˜
o primeiro imperador do Reich, ou Imperio Alemao. Ele
nomeou Otto von Bismarck como chanceler. Visando o
´
desenvolvimento do novo imperio, Bismarck evitou con- ´
˜
flitos com outras naçoes e formou uma aliança com a Aus-
´ ´
tria-Hungria e a Italia, conhecida como a Trıplice Aliança.
Mas os interesses desse novo rei do norte logo se chocaram
com os do rei do sul.
4 Apos ´
a morte de Guilherme I e de seu sucessor Fre-
derico III, em 1888, ascendeu ao trono Guilherme II, aos
29 anos de idade. Guilherme II, ou Kaiser Guilherme,
´
obrigou Bismarck a renunciar e adotou uma polıtica de ex-
˜ ˆ ˜
pansao da influencia alema em todo o mundo. “Sob Gui-
lherme II”, diz certo historiador, “[a Alemanha] assumiu
um ar arrogante e agressivo”.
´
5 Quando o Czar Nicolau II, da Russia, convocou uma
ˆ
conferencia de paz em Haia, na Holanda, em 24 de agosto
˜
de 1898, o clima era de tensao internacional. Essa confe-
ˆ ´
rencia e a que se seguiu em 1907 instituıram a Corte Per-
manente de Arbitragem, situada em Haia. Por se tornarem
˜ ˜
membros dessa corte, tanto o Reich Alemao como a Gra-
˜
Bretanha davam a impressao de favorecerem a paz. Sen-
´ ´
taram-se “a uma so mesa”, parecendo ser amigaveis, mas
˜ ´ ´
‘seu coraçao estava inclinado a fazer o que e mau’. A tatica
´ ´ ˜
diplomatica de ‘a uma so mesa falar mentiras’ nao podia
` ˜
promover a verdadeira paz. Quanto as suas ambiçoes po-
´
lıticas, comerciais e militares, ‘nada seria bem-sucedido’,
´
porque o fim dos dois reis “e ainda para o tempo designa-
´
do” por Jeova Deus.
˜
3, 4. (a) Quem se tornou o primeiro imperador do Reich Alemao, e
´
que aliança se formou? (b) Qual era a polıtica do Kaiser Guilherme?
´
5. Como se sentaram os dois reis “a uma so mesa”, e o que falaram ali?
˜
1. Arquiduque Ferdinando 2. Marinha alema 3. Marinha
ˆ ˜
britanica 4. Lusitania 5. Declaraçao de guerra dos EUA
˜ `
260 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

“CONTRA O PACTO SAGRADO”


6 Continuando, o anjo de Deus disse: “E ele [o rei do
´ `
norte] retornara a sua terra com grande quantidade de
˜ ´ ´
bens, e seu coraçao sera contra o pacto sagrado. E agira
ˆ ´ `
com eficiencia e certamente retornara a sua terra.” — Da-
niel 11:28.
7 O Kaiser Guilherme voltou a` “terra”, ou condiçao ˜
ter-
restre, do antigo rei do norte. De que modo? Por desen-
volver um governo imperial destinado a expandir o Reich
˜ ˆ
alemao e estender sua influencia. ´ Guilherme II empe-
nhou-se por objetivos coloniais na Africa e em outros lu-
´ ˆ
gares. Querendo desafiar a supremacia marıtima britanica,
passou a desenvolver uma marinha poderosa. “O poderio
˜ ´
naval alemao passou do insignificante para ser secundario
˜ ´
apenas ao da Gra-Bretanha em pouco mais de uma deca-
da”, diz The New Encyclopædia Britannica. Para manter a
˜
supremacia, a Gra-Bretanha realmente teve de ampliar seu
´ ˜
proprio programa naval. A Gra-Bretanha negociou tam-
´ ´
bem a entente cordiale (entendimento amigavel) com a
´ ´
França e um acordo similar com a Russia, formando a Trı-
˜
plice Entente. A Europa estava entao dividida em dois cam-
´ ´
pos militares — a Trıplice Aliança dum lado e a Trıplice
Entente do outro.
´
8 O Imperio ˜ ´
Alemao adotou uma polıtica agressiva, que
resultou em uma “grande quantidade de bens” para a Ale-
´
manha,´ porque ela era a parte principal da Trıplice Alian-
´ ´
ça. A Austria-Hungria e a Italia eram catolico-romanas.
´ ´
Portanto, a Trıplice Aliança tinha tambem o favor do papa,
´
ao passo que o rei do sul, com sua Trıplice Entente que na
˜ ´ ˜
maior parte era nao catolica, nao o tinha.
´ `
6, 7. (a) De que modo e que o rei do norte ‘retornou a sua terra’?
` ˜ ˆ
(b) Como reagiu o rei do sul a expansao da influencia do rei do norte?
´ ˜
8. Como o Imperio Alemao veio a ter uma “grande quantidade de
bens”?
´
Os reis rivais chegam ao seculo 20 261
´
9 Que dizer dos do povo de Jeova? Por muito tempo eles
˜
haviam declarado que “os tempos designados das naçoes”
acabariam em 1914.1 (Lucas 21:24) Naquele ano foi esta-
´ ˜
belecido nos ceus o Reino de Deus nas maos do Herdeiro
do Rei Davi, Jesus Cristo. (2 Samuel 7:12-16; Lucas 22:28,
´
29) Ja em março de 1880, a revista A Sentinela, em in-
ˆ
gles, relacionou o governo do Reino de Deus com o fim
˜
dos “tempos designados das naçoes”, ou “tempos dos gen-
˜ ˆ
tios”. (Almeida) Mas o coraçao do germanico rei do norte
era ‘contra o pacto sagrado do Reino’. Em vez de reconhe-
cer o governo do Reino, o Kaiser Guilherme ‘agiu com
ˆ ˜
eficiencia’ por promover seu programa de dominaçao do
mundo. No entanto, por agir assim, lançou as sementes da
Primeira Guerra Mundial.
O REI FICA “DESALENTADO” NUMA GUERRA
´
10 “[O rei do norte] retornara no tempo designado”, pre-
´
disse o anjo, “e vira realmente contra o sul; mas no
˜ ´ ´
fim nao vira a ser como foi no princıpio”. (Daniel 11:29)
´
O “tempo designado” de Deus, para acabar com o domı-
nio gentio da Terra, chegou em 1914, quando ele estabe-
leceu o Reino celestial. Em 28 de junho daquele ano, o
´
arquiduque austrıaco Francisco Ferdinando e sua esposa
´
foram assassinados por um terrorista servio em Sarajevo,
´
na Bosnia. Essa foi a centelha que desencadeou a Primeira
Guerra Mundial.
´
11 O Kaiser Guilherme exortou a Austria-Hungria a rea-
´
gir
´ contra a Servia. Assegurada do` apoio da Alemanha, a
´
Austria-Hungria declarou guerra a Servia em 28 de julho
´
1 Veja o Capıtulo 6 deste livro.
˜
9. De que forma era o coraçao do rei do norte “contra o pacto sagra-
do”?
10, 11. Como começou a Primeira Guerra Mundial e como foi isso
“no tempo designado”?
˜ `
262 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ´
de 1914. Mas a Russia veio em ajuda da Servia. Quando
` ´
a Alemanha declarou guerra a Russia, a França (aliada na
´ ` ´
Trıplice Entente) deu apoio a Russia. A Alemanha decla-
˜ ` ´
rou entao guerra a França. Para tornar mais rapido o aces-
´
so a Paris, a Alemanha invadiu a Belgica, cuja neutralidade
˜
havia sido garantida pela Gra-Bretanha. De modo que esta
` ˜
declarou guerra a Alemanha. Outras naçoes ficaram envol-
´ ˜
vidas e a Italia mudou de lado. Durante a guerra, a Gra-Bre-
tanha fez do Egito seu protetorado, para impedir que o rei
do norte cortasse o acesso ao canal de Suez e invadisse o
Egito, a terra antiga do rei do sul.
12 “Apesar do tamanho e da força dos Aliados”, diz The

World Book Encyclopedia, “a Alemanha parecia prestes a


ganhar a guerra”. Nos conflitos anteriores entre os dois
´
reis, o Imperio Romano, como o rei do norte, fora cons-
˜
tantemente vitorioso. Mas dessa vez, ‘as coisas nao foram
´
como no princıpio’. O rei do norte perdeu a guerra. Men-
˜
cionando o motivo disso, o anjo disse: “Certamente virao
´
contra ele os navios de Quitim e ele tera de ficar desalen-
tado.” (Daniel 11:30a) O que eram “os navios de Quitim”?
13 No tempo de Daniel, Quitim era Chipre. No come-

ço da Primeira Guerra Mundial, o Chipre foi anexado pela


˜ ´
Gra-Bretanha. Alem disso, segundo The Zondervan Picto-
´ ´
rial Encyclopedia of the Bible (A Enciclopedia Pictorica da
´ ´
Bıblia, de Zondervan), o nome Quitim “e estendido para
incluir o O[este] em geral, mas esp[ecificamente] o O[este]
˜
navegante”. A New International Version verte a expressao
´ ˜
12. Durante a Primeira Guerra Mundial, como e que as coisas nao vie-
´
ram a ser ‘como foram no princıpio’?
13, 14. (a) Principalmente, o que eram “os navios de Quitim” que
vieram contra o rei do norte? (b) Como apareceram mais navios de
˜
Quitim na continuaçao da Primeira Guerra Mundial?
´ ˜
Adolf Hitler confiava na vitoria depois que o Japao,
aliado da Alemanha na guerra, bombardeou Pearl Harbor
˜ `
264 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

“os navios de Quitim” como “navios dos litorais ociden-


tais”. Na Primeira Guerra Mundial, os navios de Quitim
˜
mostraram ser principalmente os navios da Gra-Bretanha,
ao largo da costa ocidental da Europa.
14 Com o prolongamento da guerra, a Marinha britani- ˆ
ca foi reforçada por mais navios de Quitim. Em 7 de maio
˜
de 1915, o submarino alemao U-20 afundou o navio civil
Lusitania, ao largo da costa sul da Irlanda. Entre os mortos
havia 128 americanos. Mais tarde, a Alemanha estendeu
ˆ
a guerra submarina ao Atlantico. Subsequentemente, em
6 de abril de 1917, o Presidente Woodrow Wilson, dos Es-
`
tados Unidos, declarou guerra a Alemanha. Reforçado por
navios de guerra e por tropas dos Estados Unidos, o rei do
˜ ˆ
sul — entao a Potencia Mundial Anglo-Americana — estava
em plena guerra com o seu rei rival.
15 Sofrendo o ataque da Potencia ˆ
Mundial Anglo-Ameri-
cana, o rei do norte ficou “desalentado” e admitiu a derro-
´
ta em novembro de 1918. Guilherme II fugiu para o exılio
´
na Holanda, e a Alemanha tornou-se uma republica. Mas
˜
o rei do norte ainda nao havia chegado ao fim.
ˆ
O REI AGE “COM EFICIENCIA”
16 “Ele [o rei do norte] realmente voltara´ e lançara´ verbe-
˜ ´ ˆ ´
raçoes contra o pacto sagrado e agira com eficiencia; e tera
´ ˜
de voltar e dara consideraçao aos que abandonam o pacto
sagrado.” (Daniel 11:30b) Assim profetizou o anjo, e assim
veio a acontecer.
17 Depois do fim da guerra, em 1918, os Aliados vitorio-
`
sos impuseram a Alemanha um punitivo tratado de paz.
˜
O povo alemao achou duros os termos do tratado, e a nova
´
republica era fraca desde o começo. A Alemanha camba-
15. Quando o rei do norte ficou “desalentado”?
`
16. Segundo a profecia, como reagiria o rei do norte a sua derrota?
` ˜
17. O que levou a ascensao de Adolf Hitler?
´
Os reis rivais chegam ao seculo 20 265
˜
leou alguns anos em extrema afliçao e sofreu a Grande
˜ ˜
Depressao que por fim deixou 6 milhoes de pessoas sem
˜
emprego. No começo dos anos 30, as condiçoes eram pro-
´ ˜
pıcias para a ascensao de Adolf Hitler. Ele se tornou chan-
celer em janeiro de 1933, e no ano seguinte assumiu a
ˆ
presidencia do que os nazistas chamaram de Terceiro
Reich.1
18 Logo apos ´
assumir o poder, Hitler lançou um vio-
lento ataque contra “o pacto sagrado”, representado pe-
˜
los irmaos ungidos de Jesus Cristo. (Mateus 25:40) Nisso
ˆ ˜
ele agiu “com eficiencia” contra esses cristaos leais, per-
ˆ
seguindo cruelmente a muitos deles. Hitler obteve exitos
ˆ ´ ´
economicos e diplomaticos, agindo tambem nesses cam-
ˆ
pos “com eficiencia”. Em poucos anos, ele fez da Alema-
ˆ ´
nha uma potencia a ser levada em conta no cenario do
mundo.
19 Hitler deu ‘consideraçao ˜
aos que abandonavam o pac-
to sagrado’. Quem eram eles? Evidentemente eram os
´ ˜
lıderes da cristandade, que afirmavam ter uma relaçao
´
pactuada com Deus, mas tinham deixado de ser discıpu-
ˆ
los de Jesus Cristo. Hitler teve exito em recorrer ao apoio
dos ‘que abandonavam o pacto sagrado’. Por exemplo, fez
uma concordata com o papa em Roma. Em 1935, ele criou
´
o Ministerio de Assuntos de Igrejas. Um dos objetivos de
´
Hitler era colocar as igrejas evangelicas sob o controle do
Estado.
OS “BRAÇOS” PROCEDEM DO REI
20 Hitler logo foi travar guerra, assim como o anjo
´ ´
1 O Sacro Imperio Romano foi o primeiro Reich, e o Imperio Ale-
˜
mao foi o segundo.
ˆ
18. Como Hitler ‘agiu com eficiencia’?
19. A quem cortejou Hitler em busca de apoio?
20. Que “braços” usou o rei do norte, e contra quem?
˜ `
266 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
predissera corretamente: “Erguer-se-ao braços procedentes
˜ ´
dele; e eles hao de profanar o santuario, o baluarte, e re-
´ ´
mover o sacrifıcio contınuo.” (Daniel 11:31a) Os “braços”
eram as forças militares usadas pelo rei do norte para lutar
contra o rei do sul na Segunda Guerra Mundial. Em 1.° de
ˆ
setembro de 1939, “braços” nazistas invadiram a Polonia.
˜
Dois dias depois, a Gra-Bretanha e a França declararam
` ˆ
guerra a Alemanha para ajudar a Polonia. Assim começou
ˆ
a Segunda Guerra Mundial. A Polonia foi logo derrotada, e
˜
pouco depois forças alemas ocuparam a Dinamarca, a No-
´
ruega, a Holanda, a Belgica, Luxemburgo e a França. “No
fim de 1941”, diz The World Book Encyclopedia, “a Alema-
nha nazista dominava o continente”.
21 Embora a Alemanha e a Uniao ˜ ´
Sovietica tivessem assi-
˜
nado um Tratado de Amizade, de Cooperaçao e de Demar-
˜ ´ ´
caçao, Hitler invadiu territorio sovietico em 22 de junho
˜ ˜ ´
de 1941. Essa açao levou a Uniao Sovietica para o lado da
˜ ´ ´ ˆ
Gra-Bretanha. O exercito sovietico ofereceu forte resisten-
cia, apesar dos espetaculares avanços iniciais das forças ale-
˜ ´ ˜
mas. Em 6 de dezembro de 1941, o exercito alemao foi
realmente derrotado em Moscou. No dia seguinte, o aliado
˜
da Alemanha, o Japao, bombardeou Pearl Harbor, no Ha-
´
vaı. Sabendo disso, Hitler disse aos seus ajudantes: “Agora
´ ´
e impossıvel que percamos a guerra.” Em 11 de dezembro,
ele temerariamente declarou guerra aos Estados Unidos.
˜ ´
Mas subestimou a força tanto da Uniao Sovietica como dos
´ ´
Estados Unidos. Com o ataque do exercito sovietico no les-
ˆ
te e as forças britanicas e americanas fechando o cerco ao
oeste, o curso dos acontecimentos voltou-se contra Hitler.
˜ ´ ´
As forças alemas começaram a perder um territorio apos
´ ´
outro. Apos o suicıdio de Hitler, a Alemanha se rendeu aos
Aliados em 7 de maio de 1945.
21. Como o curso dos acontecimentos voltou-se contra o rei do nor-
te durante a Segunda Guerra Mundial e com que resultado?
´
Os reis rivais chegam ao seculo 20 267
˜
22 “Eles [os braços nazistas] hao de profanar o san-
´ ´ ´
tuario, o baluarte, e remover o sacrifıcio contınuo”, dis-
´ ´
se o anjo. No antigo Juda, o santuario era parte do
´
templo em Jerusalem. No entanto, quando os judeus rejei-
´
taram a Jesus, Jeova rejeitou a eles e ao templo deles. (Ma-
´
teus 23:37–24:2) Desde o primeiro seculo EC, o templo de
´ ´
Jeova na realidade tem sido espiritual, tendo o santıssimo
´ ´
nos ceus e um patio espiritual na Terra, no qual servem os
˜ ´
irmaos ungidos de Jesus, o Sumo Sacerdote. A partir da de-
˜ ˆ
cada de 30, os da “grande multidao” tem adorado junta-
mente com os do restante ungido e, portanto, diz-se que
˜
servem ‘no templo de Deus’. (Revelaçao [Apocalipse] 7:9,
´
15; 11:1, 2; Hebreus 9:11, 12, 24) Nos paıses sob o seu con-
´
trole, o rei do norte profanou o patio terrestre do tem-
plo por perseguir impiedosamente os do restante ungido e
˜ ˜
seus companheiros. A perseguiçao foi tao severa, que se re-
´ ´ ´ ´
moveu “o sacrifıcio contınuo” — o sacrifıcio de louvor pu-
´ ´ ˜
blico ao nome de Jeova. (Hebreus 13:15) Os fieis cristaos
´
ungidos, junto com os das “outras ovelhas”, porem, conti-
nuaram a pregar durante a Segunda Guerra Mundial ape-
´ ˜
sar de sofrimento horrıvel. — Joao 10:16.
´
‘CONSTITUIDA A COISA REPUGNANTE’
23 Quando se aproximava o fim da Segunda Guerra

Mundial, houve outro acontecimento, assim como o anjo


˜
de Deus predissera. “Hao de constituir a coisa repugnante
˜ ´
que causa desolaçao.” (Daniel 11:31b) Jesus tambem havia
´
falado da “coisa repugnante”. No primeiro seculo, ela foi o
´ ´
exercito romano que viera a Jerusalem em 66 EC para aca-
˜
bar com a rebeliao judaica.1 — Mateus 24:15; Daniel 9:27.
´
1 Veja o Capıtulo 11 deste livro.
´ ´
22. Como o rei do norte ‘profanou o santuario e removeu o sacrifı-
´
cio contınuo’?
´
23. O que foi “a coisa repugnante” no primeiro seculo?
OS REIS EM DANIEL 11:27-31
O rei O rei
do norte do sul
´ ˜ ˜
Daniel 11:27-30a Imperio Alemao Gra-Bretanha, seguida
ˆ
(Primeira Guerra Mundial) pela Potencia Mundial
Anglo-Americana
ˆ
Daniel 11:30b, 31 Terceiro Reich de Hitler Potencia Mundial
(Segunda Guerra Mundial) Anglo-Americana

˜
Muitos cristaos foram
perseguidos em campos
˜
de concentraçao

´
Lıderes da cristandade
apoiaram Hitler

O Presidente Woodrow
Wilson com o Rei George V

´
O automovel em que o
Arquiduque Ferdinando
foi assassinado
˜
Soldados alemaes na
Primeira Guerra Mundial
´
Os reis rivais chegam ao seculo 20 269
´
24 Que “coisa repugnante” foi ‘constituıda’ nos tempos
˜
modernos? Pelo visto, foi uma falsificaçao “repugnante”
˜
do Reino de Deus. Foi a Liga das Naçoes, a fera cor de es-
carlate que foi ao abismo, ou deixou de existir como or-
˜
ganizaçao de paz mundial, ao irromper a Segunda Guerra
˜ ´
Mundial. (Revelaçao 17:8) “A fera”, porem, estava “para as-
˜
cender do abismo”. Isso se deu quando as Naçoes Unidas,
˜ ˜ ˜
com 50 naçoes como membros, incluindo a entao Uniao
´
Sovietica, foram estabelecidas em 24 de outubro de 1945.
´
Assim foi constituıda “a coisa repugnante” predita pelo
˜
anjo — as Naçoes Unidas.
25 A Alemanha havia sido um dos principais inimigos do

rei do sul durante ambas as guerras mundiais e tinha ocu-


˜ ´
pado a posiçao de rei do norte. Quem seria o proximo para
˜
ocupar essa posiçao?
´
24, 25. (a) O que e “a coisa repugnante” nos tempos modernos?
´
(b) Quando e como foi ‘constituıda a coisa repugnante’?

O QUE DISCERNIU?
ˆ ´
˙ Que potencias desempenharam os papeis de
rei do norte e de rei do sul no fim do
´
seculo 19?
´
˙ Como e que o resultado do conflito durante
˜
a Primeira Guerra Mundial ‘nao veio a ser
´
como foi no princıpio’ para o rei do norte?
˙ Depois da Primeira Guerra Mundial, como
ˆ
Hitler fez da Alemanha uma potencia a ser
´
levada em conta no cenario do mundo?
˙ Que resultado teve a rivalidade entre o rei do
norte e o rei do sul durante a Segunda
Guerra Mundial?
´
C APITULO DEZESSEIS

OS REIS EM CONFLITO
CHEGAM AO SEU FIM
´
REFLETINDO sobre o clima polıtico existente nos Esta-
´ ´ ˆ
dos Unidos e na Russia, o filosofo e historiador frances
´
Alexis de Tocqueville escreveu em 1835: “Um [paıs] tem
˜
a liberdade como o principal instrumento de açao; o
˜ ˜
outro tem a servidao. Seus . . . caminhos [sao] diferen-
˜
tes; nao obstante, cada um parece ter sido chamado por
ˆ
algum projeto secreto da Providencia para algum dia ter
˜ ´
nas maos os destinos de metade do mundo.” Ate que
˜ ´
ponto se cumpriu essa prediçao apos a Segunda Guerra
Mundial? O historiador J. M. Roberts escreve: “Ao ter-
minar uma segunda Guerra Mundial, parecia por fim
´
provavel que os destinos do mundo fossem dominados
por dois grandes e bem diferentes sistemas de poder,
´
um baseado no que tinha sido a Russia, outro, nos Esta-
dos Unidos.”
2 Durante as duas guerras mundiais, a Alemanha ti-
ˆ
nha sido o principal inimigo do rei do sul — a Potencia
Mundial Anglo-Americana — e tinha ocupado a po-
˜
siçao de rei do norte. No entanto, depois da Segunda
˜
Guerra Mundial, essa naçao ficou dividida. A Alemanha
Ocidental tornou-se aliada do rei do sul, e a Alema-
nha Oriental aliou-se com outra poderosa entidade — o
˜ ˜ ´
bloco comunista de naçoes, chefiado pela Uniao Sovie-
´
tica. Esse bloco, ou entidade polıtica, ergueu-se como
1, 2. Como mudou a identidade do rei do norte depois da Segunda
Guerra Mundial?
˜ `
272 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜ `
o rei do norte, em forte oposiçao a aliança anglo-ame-
ricana. E a rivalidade entre os dois reis tornou-se uma
Guerra Fria, que durou de 1948 a 1989. Anteriormen-
˜
te, o rei do norte, alemao, havia agido “contra o pacto
sagrado”. (Daniel 11:28, 30) Como atuaria o bloco co-
munista para com o pacto?
˜
VERDADEIROS CRISTAOS TROPEÇAM,
MAS PREVALECEM
3 “Os que agirem iniquamente contra o pacto”, disse
´ `
o anjo de Deus, “ele [o rei do norte] levara a aposta-
sia por meio de palavras macias”. O anjo acrescentou:
“Mas, quanto ao povo que conhece seu Deus, eles pre-
˜ ˜ ˆ
valecerao e agirao com eficiencia. E quanto aos que
´ ˜
dentre o povo tiverem perspicacia, darao entendimento
´
a muitos. E certamente se fara que tropecem, pela espa-
da e pela chama, pelo cativeiro e pelo saque, por alguns
dias.” — Daniel 11:32, 33.
4 Os que ‘agem iniquamente contra o pacto’ so´ po-
´
dem ser os lıderes da cristandade, que afirmam ser
˜ ˜ ´
cristaos, mas pelas suas açoes profanam o proprio
nome do cristianismo. Walter Kolarz, no seu livro Reli-
˜ ˜ ´
gion in the Soviet Union (Religiao na Uniao Sovietica),
diz: “[Durante a Segunda Guerra Mundial,] o Governo
´
Sovietico fez empenho para conseguir a ajuda mate-
´
rial e moral das igrejas em defesa da patria.” Depois
´ ´
da guerra, os lıderes eclesiasticos tentaram man-
´ ´ ˆ
ter essa amizade, apesar da polıtica ateısta da potencia
˜
que entao era o rei do norte. A cristandade tornou-
se assim mais do que nunca uma parte deste mundo
˜ ´
3, 4. Quem sao os que ‘agem iniquamente contra o pacto’, e qual e
˜
a sua relaçao com o rei do norte?
Os reis em conflito chegam ao seu fim 273

— uma apostasia repugnante


´ ˜
aos olhos de Jeova. — Joao
17:16; Tiago 4:4.
5 Que dizer dos genuınos ´
˜
cristaos — o “povo que co-
nhece seu Deus” e ‘que tem
´
perspicacia’? Embora estives-
`
sem corretamente ‘sujeitos as
autoridades superiores’, os cris-
˜ ´
taos que viviam sob o domı-
˜
nio do rei do norte nao faziam
parte deste mundo. (Romanos
˜ ´
13:1; Joao 18:36) Cuidando de pagar de volta “a Cesar
´ ´
as coisas de Cesar”, tambem davam “a Deus as coisas de
Deus”. (Mateus 22:21) Por causa disso, questionou-se a
´
sua integridade. — 2 Timoteo 3:12.
6 Em resultado disso, verdadeiros cristaos ˜
tanto ‘trope-
çaram’ como ‘prevaleceram’. Tropeçaram no sentido de
˜ ´
sofrerem intensa perseguiçao, alguns deles ate mesmo
sendo mortos. Mas prevaleceram no sentido de que a
vasta maioria deles permaneceu fiel. Venceram o mun-
˜ ´
do assim como Jesus o venceu. ( Joao 16:33) Alem dis-
˜
so, nunca pararam de pregar, mesmo quando em prisao
˜
ou em campos de concentraçao. Por fazerem isso, ‘deram
˜
entendimento a muitos’. Apesar da perseguiçao na maio-
´ ´
ria dos paıses governados pelo rei do norte, o numero
´ `
de Testemunhas de Jeova aumentou. Graças a fidelidade
ˆ ´ ´
‘dos que tem perspicacia’, surgiu nesses paıses uma parte
˜ ˜
cada vez maior da “grande multidao”. — Revelaçao (Apo-
calipse) 7:9-14.
´
5, 6. Quem eram os do “povo que conhece seu Deus” e como se saı-
ram enquanto estavam sob o rei do norte?
˜ `
274 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˜
OS DO POVO DE JEOVA SAO REFINADOS
7 “Quando se fizer que [os do povo de Deus] tropecem
˜
serao ajudados com um pouco de ajuda”, disse o anjo.
(Daniel 11:34a) O triunfo do rei do sul na Segunda Guer-
´ ˜
ra Mundial resultou em algum alıvio para os cristaos que
´ ˜
viviam sob o domınio do rei rival. (Note Revelaçao 12:15,
16.) De forma similar, os que foram perseguidos pelo rei
´
sucessor de vez em quando sentiram alıvio. Quando a
´
Guerra Fria estava chegando ao fim, muitos lıderes passa-
˜ ´ ˜ ˜
ram a dar-se conta de que os cristaos fieis nao sao nenhu-
ma ameaça e assim lhes concederam reconhecimento
´ ´
legal. Houve tambem ajuda da parte do crescente nume-
˜ ˜
ro dos da grande multidao, que aceitaram a pregaçao fiel
dos ungidos e os ajudaram. — Mateus 25:34-40.
8 Nem todos os que professavam estar interessados em

servir a Deus durante a Guerra Fria tinham boa motiva-


˜ ˜
çao. O anjo havia advertido: “Muitos hao de juntar-se a
´ ´
eles por meio de insıdia.” (Daniel 11:34b) Um numero
´ ˜
consideravel mostrou interesse na verdade, mas nao esta-
˜
va disposto a fazer uma dedicaçao a Deus. Ainda outros
dos que pareciam aceitar as boas novas na realidade eram
˜ ´ ´
espioes das autoridades. Um relatorio de certo paıs diz:
´
“Alguns desses personagens sem escrupulos eram mani-
˜
festos comunistas que se insinuaram na organizaçao do
˜ ´
Senhor, fizeram grande ostentaçao de zelo, e ate se lhes
tinham designado altos cargos de serviço.”
9 O anjo prosseguiu: “E far-se-a´ que tropecem alguns
ˆ ´
dos que tem perspicacia, a fim de se fazer uma obra de re-
˜
7. Que “pouco de ajuda” receberam os cristaos ungidos que viviam
´
sob o domınio do rei do norte?
´
8. Como se juntaram alguns ao povo de Deus “por meio de insıdia”?
´ ˜ ´
9. Por que permitiu Jeova que alguns cristaos fieis ‘tropeçassem’ por
causa dos que se infiltraram?
Os reis em conflito chegam ao seu fim 275
˜
finaçao por causa deles, e para se fazer uma limpeza e um
´ ´
embranquecimento, ate o tempo do fim; porque e ain-
da para o tempo designado.” (Daniel 11:35) Os que se in-
´ ´
filtraram fizeram com que alguns dos fieis caıssem nas
˜ ´
maos das autoridades. Jeova permitiu que isso aconteces-
˜
se para haver uma refinaçao e uma limpeza do seu povo.
ˆ
Assim como Jesus “aprendeu a obediencia pelas coisas
´
que sofreu”, assim esses fieis aprenderam da prova da sua
´
fe a ter perseverança. (Hebreus 5:8; Tiago 1:2, 3; note Ma-
laquias 3:3.) Foram assim ‘refinados, limpos e embran-
quecidos’.
10 Os do povo de Jeova´ haviam de sofrer tropeços e
´
ser refinados “ate o tempo do fim”. Naturalmente, espe-
´ ´
ram ser perseguidos ate o fim deste inıquo sistema de
coisas. No entanto, a limpeza e o embranquecimento do
˜
povo de Deus, em resultado da invasao do rei do nor-
te, era “para o tempo designado”. Portanto, “o tempo do
fim”, em Daniel 11:35, deve relacionar-se com o fim do
´ ´
perıodo necessario para os do povo de Deus serem refi-
nados ao suportarem o ataque do rei do norte. Os tro-
peços, evidentemente, terminaram no tempo designado
´
por Jeova.
O REI SE MAGNIFICA
11Com respeito ao rei do norte, o anjo acrescentou:
´
“O rei fara realmente segundo o seu bel-prazer, e ele se
´ ´
enaltecera e magnificara acima de todo deus; e [recu-
´ ´
sando-se a reconhecer a soberania de Jeova] falara coi-
sas prodigiosas contra o Deus dos deuses. E certamente
´ ´ ˜
se mostrara bem-sucedido ate ter acabado a verberaçao;
˜ ´
10. O que se quer dizer com a expressao “ate o tempo do fim”?
11. O que disse o anjo a respeito da atitude do rei do norte para com
´
a soberania de Jeova?
˜ `
276 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´ ˜ ´
porque a coisa determinada tera de ser feita. E nao dara
˜ ˜ ´
consideraçao ao Deus de seus pais; e nao dara considera-
˜
çao ao desejo de mulheres, nem a todo outro deus, po-
´ ´
rem, magnificar-se-a acima de todos os outros.” — Daniel
11:36, 37.
´
12 Em cumprimento dessas palavras profeticas, o rei do
norte rejeitou o “Deus de seus pais”, tal como a divin-
´
dade trinitaria da cristandade. O bloco comunista pro-
´
moveu o flagrante ateısmo. O rei do norte constituiu-se
˜
assim em deus, ‘magnificando-se acima de todos’. Nao
˜
dando nenhuma consideraçao “ao desejo de mulheres”
´ ˜
— os paıses subservientes, tais como o Vietna do Norte,
que agiram como criadas do seu regime —, o rei agiu “se-
gundo o seu bel-prazer”.
13 Continuando com a profecia, o anjo disse: “Dara´ glo- ´
˜ ´ ´
ria ao deus dos baluartes, na sua posiçao; e dara gloria
˜
a um deus que seus pais nao conheceram, por meio de
ouro, e por meio de prata, e por meio de pedras precio-
´
sas, e por meio de coisas desejaveis.” (Daniel 11:38) De
fato, o rei do norte depositou sua confiança no moderno
´
militarismo cientıfico, no “deus dos baluartes”. Procurou
˜
obter salvaçao por meio desse “deus”, sacrificando enor-
mes riquezas no altar dele.
14 “Agira´ com eficiencia
ˆ
contra os baluartes mais forti-
`
ficados, junto com um deus estrangeiro. Aquele que lhe
´ ´
der reconhecimento ele fara abundar com gloria, e real-
´ ´
mente fara tais dominar entre muitos; e repartira o solo
por um preço.” (Daniel 11:39) Confiando no seu mili-
12, 13. (a) De que modo rejeitou o rei do norte o “Deus de seus
pais”? (b) Quem eram as “mulheres” a cujo “desejo” o rei do norte
˜ ˜ ´ ´
nao deu consideraçao? (c) A que “deus” e que o rei do norte deu glo-
ria?
ˆ
14. Como ‘agiu com eficiencia’ o rei do norte?
Os reis em conflito chegam ao seu fim 277

tarista “deus estrangeiro”, o rei do norte agiu com mui-


ˆ ´ ˆ
ta “eficiencia”, mostrando ser uma formidavel potencia
´ ´
militar nos “ultimos dias”. (2 Timoteo 3:1) Os que apoia-
vam a ideologia dele foram recompensados com apoio
´ `
polıtico, financeiro e as vezes militar.
˜
“EMPURROES” NO TEMPO DO FIM
15 “No tempo do fim, o rei do sul se empenhara´ com
˜
ele em dar empurroes”, disse o anjo a Daniel. (Daniel
11:40a) Tem o rei do sul ‘empurrado’ o rei do norte du-
rante o “tempo do fim”? (Daniel 12:4, 9) Deveras, tem.
Depois da Primeira Guerra Mundial, o punitivo tratado
˜
de paz, imposto ao que entao era o rei do norte — a Ale-
˜
manha — certamente foi ‘um empurrao’, uma instiga-
˜ ` ˜ ´
çao a retaliaçao. Depois da sua vitoria na Segunda Guerra
Mundial, o rei do sul tomou seu rival como alvo das suas
´
temıveis armas nucleares e organizou contra ele uma po-
˜
derosa aliança militar, a Organizaçao do Tratado do
ˆ ˜
Atlantico Norte (Otan). Sobre a funçao da Otan, diz um
ˆ ´
historiador britanico: “Era o instrumento primario para
˜ ˜
a ‘contençao’ da URSS, entao considerada a principal
˜
ameaça para a paz europeia. Sua missao durou 40 anos,
´ ˆ
e foi cumprida com indisputavel exito.” No decorrer da
˜ ´
Guerra Fria, os “empurroes” do rei do sul incluıram es-
pionagem de alta tecnologia, bem como ofensivas diplo-
´
maticas e militares.
16 Como reagiu o rei do norte? “O rei do norte arre-
´
metera contra ele com carros, e com cavaleiros, e com
´
muitos navios; e ele ha de entrar nas terras, e inun-
´ ´
dar, e passar.” (Daniel 11:40b) A historia dos ultimos dias
˜
15. Como se empenhou o rei do sul “em dar empurroes” no rei do
norte?
˜
16. Como reagiu o rei do norte aos empurroes do rei do sul?
˜ `
278 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

tem destacado o expansionismo do rei do norte. Duran-


te a Segunda Guerra Mundial, o “rei” nazista transbordou
´
suas fronteiras para os paıses vizinhos. No fim daquela
´
guerra, o “rei” sucessor desenvolveu um poderoso impe-
rio. Durante a Guerra Fria, o rei do norte combateu seu ´ ri-
ˆ
val em ´ guerras e insurgencias por apoiar outros na Africa,
´ ˜
na Asia e na America Latina. Ele perseguiu os cristaos ge-
´
nuınos, estorvando, mas de modo algum acabando com
´
a atividade deles. E suas ofensivas militares e polıticas pu-
´ ´ ´
seram varios paıses sob o seu controle. Isso e exatamente
´ ´
o que o anjo havia profetizado: “Tambem entrara real-
´
mente na terra do Ornato [o domınio espiritual do povo
´ ´ ˜
de Jeova] e havera muitas terras que se farao tropeçar.”
— Daniel 11:41a.
17 No entanto, o rei do norte nao ˜
conseguiu conquistar
˜ ˜
o mundo. O anjo predisse: “Estes sao os que escaparao da
˜
sua mao: Edom e Moabe, e a parte principal dos filhos de
Amom.” (Daniel 11:41b) Na antiguidade, Edom, Moabe e
´ ´
Amom ficavam entre os domınios do egıpcio rei do sul e
´
o sırio rei do norte. Nos tempos modernos, eles represen-
˜ ˜
tam naçoes e organizaçoes que o rei do norte tomou por
ˆ ˜
alvo trazer sob a sua influencia, mas nao o conseguiu.
˜
O EGITO NAO ESCAPA
18 O anjo de Jeova´ prosseguiu: “[O rei do norte] conti-
´ ˜
nuara a estender a sua mao contra as terras; e no que se
` ˜ ´
refere a terra do Egito, nao vira a ser uma que escapou.
´
E ele dominara realmente sobre os tesouros ocultos de
˜
17. Que limitaçoes teve o expansionismo do rei do norte?
ˆ
18, 19. Como sentiu o rei do sul a influencia do seu rival?
˜ ´
Os “empurroes” do rei do sul incluıram espionagem de alta
˜
tecnologia e a ameaça de açao militar
˜ `
280 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
ouro e de prata e sobre todas as coisas desejaveis do
´ ´ ˜
Egito. E os lıbios e os etıopes acompanharao os seus
passos.” (Daniel 11:42, 43) Nem mesmo o rei do sul,
´
o “Egito”, escapou dos efeitos da polıtica expansionista
do rei do norte. Por exemplo, o rei do sul sofreu uma
´ ˜ ´
notavel derrota no Vietna. E que dizer ‘dos lıbios e dos
´
etıopes’? Esses vizinhos do antigo Egito podem muito
˜ ´ ˜
bem prefigurar naçoes que, em sentido geografico, ` sao
vizinhas do “Egito” moderno (o rei do sul). As vezes,
esses foram seguidores do rei do norte — ‘acompanhan-
do os seus passos’.
19 Chegou o rei do norte a dominar ‘os tesouros

ocultos do Egito’? Ele deveras tem exercido uma forte


ˆ
influencia sobre o modo em que o rei do sul tem usa-
do seus recursos financeiros. O rei do sul, por temer o
´
seu rival, tem aplicado consideraveis somas para man-
´ ´
ter um enorme exercito, marinha e força aerea. Nesse
sentido, o rei do norte ‘dominou’, ou controlou, o uso
da riqueza do rei do sul.
A CAMPANHA FINAL
20 A rivalidade entre o rei do norte e o rei do sul — quer
ˆ ´
militar, quer economica ou por outros meios — esta che-
gando ao fim. Revelando pormenores de um conflito
´ ´ ´
ainda futuro, o anjo de Jeova disse: “Havera notıcias que
˜
o perturbarao [i.e., o rei do norte], procedentes do nas-
´
cente e do norte, e ele ha de sair em grande furor para
` ˜ ´
aniquilar e para devotar muitos a destruiçao. E armara
suas tendas palaciais entre o grande mar e o monte santo
´ ´ ˜ ´
do Ornato; e tera de chegar ate o seu fim, e nao havera
quem o ajude.” — Daniel 11:44, 45.
20. Como descreve o anjo a campanha final do rei do norte?
Os reis em conflito chegam ao seu fim 281
˜ ˜ ´
21 Com a dissoluçao da Uniao Sovietica, em dezembro
´ ´ ´
de 1991, o rei do norte sofreu um serio reves. Quem sera
´
esse rei quando se cumprir Daniel 11:44, 45? Sera um dos
´ ˜ ´
paıses que faziam parte da anterior Uniao Sovietica? Ou
´ ´
mudara ele completamente de identidade, assim como ja
´ ´
fez varias vezes no passado? Resultara o desenvolvimento
˜
de armas nucleares por mais naçoes numa nova corrida
armamentista, afetando a identidade desse rei? Somen- ´ ´
´
te o tempo fornecera as respostas a essas perguntas. E sa-
˜
bio nao especularmos sobre isso. Quando o rei do norte
ˆ
empreender sua campanha final, todos os que tem pers-
´ ´ ˜
picacia baseada na Bıblia discernirao claramente o cum-
´
primento de profecia. — Veja “Os reis no capıtulo 11 de
´
Daniel”, na pagina 284.
22 Todavia, nos ´ ˜
sabemos que açao o rei do norte toma-
´ ´
ra em breve. Induzido pelas notıcias “procedentes do nas-
´
cente e do norte”, ele empreendera uma campanha ‘para
´
aniquilar muitos’. Contra quem fara essa campanha?
´ ˜
E que “notıcias” provocarao esse ataque?
´
ALARMADO POR NOTICIAS PERTURBADORAS
23 Considere o que o livro de Revelaçao ˜
diz sobre o fim
ˆ ´ ˜
de Babilonia, a Grande, o imperio mundial da religiao
falsa. Antes da “guerra do grande dia de Deus, o Todo-Po-
deroso”, o Armagedom, essa grande inimiga da verdadei-
˜ ´
ra adoraçao “sera completamente queimada em fogo”.
˜ ˜ ´
(Revelaçao 16:14, 16; 18:2-8) A destruiçao dela e prefigu-
rada pelo derramamento da sexta tigela da ira de Deus so-
´
bre o simbolico rio Eufrates. Faz-se o rio secar, a fim de ‘se
21. O que ainda teremos de saber a respeito do rei do norte?
22. Que perguntas surgem sobre o ataque final do rei do norte?
´ ´
23. (a) Que acontecimento notavel tera de ocorrer antes do Arma-
˜
gedom? (b) Quem sao “os reis do nascente do sol”?
˜ `
282 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

preparar o caminho para os reis do nascente do sol’. (Re-


˜ ˜ ˜ ´ ´
velaçao 16:12) Quem sao esses reis? Sao o proprio Jeova
´
Deus e Jesus Cristo! — Note Isaıas 41:2; 46:10, 11.
24 A destruiçao ˜ ˆ ´
de Babilonia, a Grande, e vividamente
˜
descrita no livro de Revelaçao, que declara: “Os dez chi-
fres que viste [os reis que governam no tempo do fim], e
˜ ˜
a fera [as Naçoes Unidas], estes odiarao a meretriz e a fa-
˜ ˜
rao devastada e nua, e comerao as suas carnes e a queima-
˜ ˜
rao completamente no fogo.” (Revelaçao 17:16) Por que
ˆ ´ ´
Babilonia, a Grande, sera destruıda pelos governantes?
˜ ˜
Porque ‘Deus poe nos seus coraçoes executarem o pen-
˜
samento dele’. (Revelaçao 17:17) Entre esses governantes
´
esta o rei do norte. O que ele ouve ‘procedente do nascen-
´
te’ pode muito bem referir-se a esse ato de Jeova, quan-
˜ ´
do ele puser no coraçao de lıderes humanos que acabem
com a grande meretriz religiosa.
25 Mas o furor do rei do norte tem um alvo especial.
´
Ele “armara suas tendas palaciais entre o grande mar e o
monte santo do Ornato”, diz o anjo. No tempo de Daniel,
ˆ
o grande mar era o Mediterraneo e o monte santo era
˜
Siao, antigamente o lugar do templo de Deus. Portanto,
no cumprimento da profecia, o enfurecido rei do norte
´
fara uma campanha contra o povo de Deus. Em sentido
espiritual, o lugar “entre o grande mar e o monte santo”
´
representa o domınio espiritual dos servos ungidos de
´ ´
Jeova. Eles saıram do “mar” da humanidade afastada de
ˆ ˜
Deus e tem a esperança de governar no monte Siao celes-
´
tial junto com Jesus Cristo. — Isaıas 57:20; Hebreus 12:22;
˜
Revelaçao 14:1.
´
24. Que ato de Jeova pode perturbar o rei do norte?
´ ´
25. (a) Qual e o alvo especial do rei do norte? (b) Onde e que o rei
´
do norte “armara suas tendas palaciais”?
Os reis em conflito chegam ao seu fim 283
ˆ ´
26 Ezequiel, contemporaneo de Daniel, tambem profe-
tizou um ataque contra o povo de Deus “na parte final
dos dias”. Ele disse que as hostilidades seriam iniciadas
´
por Gogue de Magogue, quer dizer, por Satanas, o Dia-
´
bo. (Ezequiel 38:14, 16) De forma simbolica, de que dire-
˜
çao vem Gogue? “Das partes mais remotas do norte”, diz
´ ˜
Jeova por meio de Ezequiel. (Ezequiel 38:15) Nao impor-
˜ ˜ ´
ta quao feroz seja esse ataque, ele nao destruira o povo
´ ´ ´
de Jeova. Esse encontro dramatico sera o resultado duma
˜ ´ ´
açao estrategica da parte de Jeova para aniquilar as for-
´ ´
ças de Gogue. Portanto, Jeova diz a Satanas: “Hei de . . .
ˆ
por ganchos nas tuas maxilas, e hei de fazer-te sair.” “Eu
vou . . . fazer-te subir das partes mais remotas do norte, e
vou fazer-te chegar aos montes de Israel.” (Ezequiel 38:4;
´
39:2) A notıcia ‘procedente do norte’ que enfurece o rei
´
do norte, portanto, deve originar-se de Jeova. Mas exata-
´ ´ ´
mente qual sera por fim o conteudo das notıcias “proce-
´ ´
dentes do nascente e do norte” so Deus determinara e o
´
tempo dira.
27 Quanto a Gogue, ele organiza seu ataque total por

causa da prosperidade do “Israel de Deus”, o qual, jun-


˜ ˜
to com a “grande multidao” das “outras ovelhas”, nao
´ ˜
faz mais parte do seu mundo. (Galatas 6:16; Revelaçao
˜ ˜ ˜ ˆ
7:9; Joao 10:16; 17:15, 16; 1 Joao 5:19) Gogue nao ve
˜
com bons olhos “um povo reunido dentre as naçoes, que
´
esta acumulando riqueza e bens [espirituais]”. (Ezequiel
´ ˜
38:12) Encarando o domınio espiritual dos cristaos como
“terra campestre”, pronta para ser tomada, Gogue faz um
26. Conforme indicado pela profecia de Ezequiel, de onde se origi-
´
naria a notıcia ‘procedente do norte’?
´ ˜
27. (a) Por que instigara Gogue as naçoes, inclusive o rei do norte,
´ ´
a atacarem o povo de Jeova? (b) Sera bem-sucedido o ataque de Go-
gue?
´
OS REIS NO CAPITULO 11 DE DANIEL
O rei do O rei do
norte sul
´
Daniel 11:5 Seleuco I Nicator Ptolomeu I
´
Daniel 11:6 Antıoco II Ptolomeu II
´
(esposa Laodice) (filha Berenice)
Daniel 11:7-9 Seleuco II Ptolomeu III
´
Daniel 11:10-12 Antıoco III Ptolomeu IV
´
Daniel 11:13-19 Antıoco III Ptolomeu V
´
(filha Cleopatra I) Sucessor: Ptolomeu VI
Sucessores:
Seleuco IV e
´
Antıoco IV
Daniel 11:20 Augusto
´
Daniel 11:21-24 Tiberio
´
Daniel 11:25, 26 Aureliano Rainha Zenobia
˜
Desintegraçao do
´
Imperio Romano
´ ˜ ˜
Daniel 11:27-30a Imperio Alemao Gra-Bretanha, seguida
ˆ
(Primeira Guerra Mundial)pela Potencia Mundial
Anglo-Americana
ˆ
Daniel 11:30b, 31 Terceiro Reich de Hitler Potencia Mundial
(Segunda Guerra Mundial) Anglo-Americana
ˆ
Daniel 11:32-43 Bloco comunista Potencia Mundial
(Guerra Fria) Anglo-Americana
ˆ
Daniel 11:44, 45 Ainda a surgir1 Potencia Mundial
Anglo-Americana

´ ˜
1 A profecia no capıtulo 11 de Daniel nao prediz os
´
nomes das entidades polıticas que ocupam a posi-
˜ ´
çao de rei do norte e de rei do sul nas diversas epo-
´
cas. Suas identidades so ficam conhecidas depois do
´
começo dos acontecimentos. Alem disso, visto que
´ ´
o conflito ocorre em episodios, ha intervalos sem
conflito — um rei predomina ao passo que o ou-
tro permanece inativo.
Os reis em conflito chegam ao seu fim 285
´
esforço supremo para eliminar esse obstaculo a ele exer-
cer o controle total sobre a humanidade. Mas ele fracassa.
(Ezequiel 38:11, 18; 39:4) Quando os reis da Terra, inclu-
´ ˜
sive o rei do norte, atacarem o povo de Jeova, ‘terao de
chegar ao seu fim’.
´
‘O REI CHEGARA AO SEU FIM’
28 A campanha final do rei do norte nao ˜ ´
e dirigida con-
˜ ´
tra o rei do sul. Por isso, o rei do norte nao chegara ao seu
˜
fim pelas maos do seu grande rival. De modo similar, o
˜ ´ ´ ´
rei do sul nao e destruıdo pelo rei do norte. O rei do sul e
´ ˜
destruıdo “sem mao” humana, pelo Reino de Deus.1 (Da-
niel 8:25) Deveras, na batalha do Armagedom, todos os
˜
reis terrestres hao de ser eliminados pelo Reino de Deus,
´
e isso e o que evidentemente acontece com o rei do nor-
te. (Daniel 2:44) Daniel 11:44, 45, descreve acontecimen-
˜ ´
tos que levam a essa batalha final. Nao e de admirar que
˜ ´
“nao havera quem o ajude” quando o rei do norte tiver
seu fim!
´
1 Veja o Capıtulo 10 deste livro.

28. O que sabemos sobre o futuro do rei do norte e do rei do sul?

O QUE DISCERNIU?
˙ Como mudou a identidade do rei do norte
depois da Segunda Guerra Mundial?
´
˙ O que acontecera por fim com o rei do nor-
te e o rei do sul?
ˆ ˜ `
˙ Que proveito tirou voce de prestar atençao a
profecia de Daniel sobre a rivalidade dos
dois reis?
´
C APITULO DEZESSETE

˜
IDENTIFICAÇ AO DOS VERDADEIROS
ADORADORES NO TEMPO DO FIM
UM PEQUENO grupo indefeso de pessoas sofreu violen-
ˆ
tos ataques de uma poderosa potencia mundial. Essas
´
pessoas sobreviveram intactas e ate mesmo passaram por
˜ ˜ ´
uma restauraçao — nao em resultado da sua propria força,
´ ´
mas porque eram valiosas para Jeova Deus. O capıtulo 7
de Daniel predisse esses acontecimentos, que ocorreram
´
na primeira parte do seculo 20. No entanto, quem eram
´
essas pessoas? O mesmo capıtulo de Daniel as chama de
´ ´
“os santos do Supremo”, Jeova Deus. Revela tambem que
˜ ˆ
esses, por fim, serao corregentes no Reino messianico.
— Daniel 7:13, 14, 18, 21, 22, 25-27.
2 Conforme aprendemos do capıtulo ´
11 de Daniel, o
´
rei do norte tera o seu fim depois de ameaçar a terra es-
´
piritual, segura, desses fieis. (Daniel 11:45; note Ezequiel
´ ´
38:18-23.) Sim, Jeova protege bem os seus fieis ungidos.
´
O Salmo 105:14, 15, nos diz: “Por causa deles [Jeova] re-
˜
preendeu reis, dizendo: ‘Nao toqueis nos meus ungidos
˜ ˜ ˜
e nao façais nada de mal aos meus profetas.’ ” Entao, nao
ˆ ´ ´
concorda voce que, nestes tempos turbulentos, e sabio
´ ˆ ´
1. Segundo o capıtulo 7 de Daniel, que experiencias extraordinarias
sobrevieram a um pequeno grupo indefeso de pessoas em nossos
dias?
´
2. (a) Como considera Jeova os seus servos ungidos? (b) Que proce-
´
der sabio se deve adotar nestes tempos?
´ `
Servos destacados de Jeova foram injustamente mandados a
´ ´
penitenciaria federal em Atlanta, Georgia, EUA. Da esquerda
para a direita: (sentado) A. H. Macmillan, J. F. Rutherford,
´
W. E. Van Amburgh; (em pe) G. H. Fisher, R. J. Martin,
G. DeCecca, F. H. Robison e C. J. Woodworth
˜ `
288 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
que os da crescente “grande multidao” se associem o mais
´ ˜
possıvel com esses santos? (Revelaçao [Apocalipse] 7:9;
Zacarias 8:23) Jesus Cristo recomendou que as pessoas
˜
que sao como ovelhas fizessem exatamente isso — asso-
˜ ´
ciar-se com seus ungidos irmaos espirituais por apoia-los
´
na obra deles. — Mateus 25:31-46; Galatas 3:29.
3 Mas o Adversario ´ ´ ´
de Deus, Satanas, esta travando uma
guerra total contra os ungidos. Ele tem promovido a reli-
˜ ˜
giao falsa, enchendo eficazmente o mundo com cristaos
˜ ˆ
de imitaçao. Em resultado disso, muitos tem sido engana-
dos. Outros simplesmente perdem a esperança de um dia
˜
encontrar os que representam a religiao verdadeira. (Ma-
˜
teus 7:15, 21-23; Revelaçao 12:9, 17) Mesmo aqueles que
encontram os do “pequeno rebanho” e se associam com
ˆ ´
eles tem de lutar para manter a fe, porque este mundo
ˆ
procura constantemente desvanece-la. (Lucas 12:32) Que
ˆ ´
dizer de voce? Ja encontrou “os santos do Supremo” e
´ ˆ
passou a associar-se com eles? Esta notando a evidencia
´ ˆ ˜
solida que prova que esses que voce encontrou sao deve-
ˆ
ras os escolhidos por Deus? Essa evidencia pode fortalecer
´ ´ ´
sua fe. Pode tambem prepara-lo para ajudar outros a per-
˜ ´
ceber a confusao religiosa no mundo atual. O capıtulo 12
´ ˆ
de Daniel contem uma abundancia desse conhecimento
vitalizador.
´
O GRANDE PRINCIPE ˜
ENTRA EM AÇ AO
4 Daniel 12:1 diz: “Durante esse tempo por-se- ˆ ´ ´
a de pe
´ ´ ´
Miguel, o grande prıncipe que esta de pe a favor dos fi-
´
lhos de teu povo.” Esse versıculo prediz as seguintes duas
˜ ´ ´
3. (a) Por que nao e facil achar os seguidores ungidos de Jesus e per-
´
manecer achegado a eles? (b) Como ajuda nisso o capıtulo 12 de
Daniel?
4. (a) Que duas coisas distintas a respeito de Miguel prediz Daniel
12:1? (b) Em Daniel, o que muitas vezes significa um monarca ‘es-
´
tar de pe’?
˜
Identificaçao dos verdadeiros adoradores no tempo do fim 289
´ ´
coisas distintas a respeito de Miguel: uma e que ele “esta
´ ˜
de pe”, sugerindo uma situaçao que se estende por um pe-
´ ´ ˆ ´ ´
rıodo; a outra e que ele “por-se-a de pe”, sugerindo um
´
acontecimento durante esse perıodo. Primeiro queremos
´ ´ ´ ´
saber qual e o perıodo em que Miguel ‘esta de pe a favor
dos filhos do povo de Daniel’. Lembre-se de que Miguel
´
e um nome dado a Jesus no seu papel de Governante
´ ´
celestial. Mencionar-se que ele “esta de pe” nos lembra o
´
modo em que esse termo e usado em outras partes do li-
` ˜
vro de Daniel. Muitas vezes refere-se a açao dum rei, tal
´
como ele assumir o poder regio. — Daniel 11:2-4, 7, 20, 21.
´
5 E evidente que o anjo indicou aqui um perıodo ´
es-
´
pecificado em outros lugares na profecia bıblica. Jesus o
´
chamou de sua “presença” (em grego, pa·rou·sı·a), quan-
´
do estaria governando como Rei no ceu. (Mateus
´ ´ ´ ´
24:37-39) Esse perıodo e tambem chamado de “ultimos
´
dias” e de “tempo do fim”. (2 Timoteo 3:1; Daniel 12:4, 9)
´
Desde o começo desse perıodo em 1914, Miguel tem esta-
´ ´ ´ ˜
do de pe como Rei no ceu. — Note Isaıas 11:10; Revelaçao
12:7-9.
´ ˜ ´
´ No entanto, quando e que Miguel ‘se poe de pe’?
6
˜
E quando se levanta para tomar uma açao especial. Je-
´ ˜
sus fara isso no futuro. Revelaçao 19:11-16 descreve
ˆ
profeticamente a Jesus como o poderoso Rei messiani-
` ´ ´
co que cavalga a frente dum exercito angelico e causa a
˜
destruiçao dos inimigos de Deus. Daniel 12:1 prossegue:
´ ˜
“E certamente vira a haver um tempo de afliçao tal como
˜ ´
nunca se fez ocorrer, desde que veio a haver naçao ate
esse tempo.” Cristo, como o Principal Executor da par-
´ ´ ´
te de Jeova, acabara com todo o inıquo sistema de coisas
˜
durante a predita “grande tribulaçao”. — Mateus 24:21; Je-
˜
remias 25:33; 2 Tessalonicenses 1:6-8; Revelaçao 7:14;
16:14, 16.
´ ´ ´
5, 6. (a) Durante que perıodo Miguel esta de pe? (b) Quando e
˜ ´
como Miguel ‘se poe de pe’ e com que resultado?
˜ `
290 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
7 O que se dara nesse tempo tenebroso com os que exer-
´
cem fe? Daniel foi informado adicionalmente: “Durante
´
esse tempo, teu povo escapara, todo aquele que for acha-
´
do inscrito no livro.” (Note Lucas 21:34-36.) O que e este
´
livro? Essencialmente, representa que Jeova Deus se lem-
bra daqueles que fazem a Sua vontade. (Malaquias 3:16;
˜
Hebreus 6:10) Os inscritos nesse livro da vida sao os que
ˆ
tem maior segurança no mundo, porque usufruem a pro-
˜
teçao divina. Qualquer dano que talvez sofram pode ser e
´
sera anulado. Mesmo que lhes sobrevenha a morte antes
˜
desse vindouro “tempo de afliçao”, eles continuam segu-
´ ´ ´
ros na ilimitada memoria de Jeova. Ele se lembrara deles e
´
os ressuscitara durante o Reinado Milenar de Jesus Cristo.
˜
— Atos 24:15; Revelaçao 20:4-6.
OS SANTOS ‘ACORDAM’
˜ ´
8 A esperança da ressurreiçao e deveras consoladora. Da-
niel 12:2 trata disso, dizendo: “Muitos dos adormecidos no
´ ˜ ˜
solo de po acordarao, estes para a vida de duraçao indefini-
´ ˜ ˜
da e aqueles para vituperios e para abominaçao de duraçao
´
indefinida.” (Note Isaıas 26:19.) Essas palavras podem fa-
zer-nos lembrar a comovente promessa de Jesus Cristo a
˜ ˜
respeito duma ressurreiçao geral. ( Joao 5:28, 29) Que emo-
cionante esperança! Imagine amados amigos e membros
´
da famılia — agora falecidos — receberem no futuro a opor-
tunidade de viver de novo! Mas essa promessa no livro de
Daniel refere-se principalmente a outro tipo de ressurrei-
˜ ´
çao — uma que ja ocorreu. Como pode ser?
9 Considere o contexto. Conforme vimos, o primeiro

ˆ ´
7. (a) Que esperança tem todos os fieis durante o vindouro “tempo
˜ ´ ´ ´
de afliçao”? (b) O que e o livro de Jeova, e por que e vital estar ins-
crito nele?
´
8. Que perspectiva agradavel oferece Daniel 12:2?
´ ´
9. (a) Por que e razoavel esperar que Daniel 12:2 tenha cumprimen-
´ ˜
to durante os ultimos dias? (b) A que tipo de ressurreiçao se refere a
profecia, e como sabemos isso?
˜
Identificaçao dos verdadeiros adoradores no tempo do fim 291
´ ´ ˜
versıculo do capıtulo 12 nao se aplica apenas ao fim deste
´ ´ ´
sistema de coisas, mas tambem a todo o perıodo dos ulti-
´ ˜
mos dias. Na realidade, a maior parte do capıtulo nao tem
´
cumprimento no vindouro paraıso terrestre, mas duran-
˜
te o tempo do fim. Tem havido uma ressurreiçao durante
´ ´
este perıodo? O apostolo Paulo escreveu a respeito da res-
˜
surreiçao dos “que pertencem a Cristo” como ocorrendo
“durante a sua presença”. Todavia, os ressuscitados para a
´ ˜ ´ ´
vida no ceu sao levantados “incorruptıveis”. (1 Corıntios
´ ´
15:23, 52) Nenhum deles e levantado “para vituperios e
˜ ˜
para abominaçao de duraçao indefinida”, preditos em Da-
´ ˜ ´
niel 12:2. Ha outro tipo de ressurreiçao? Na Bıblia, o
˜ `
termo ressurreiçao as vezes tem um significado espiritual.
˜ ˆ
Por exemplo, tanto Ezequiel como Revelaçao contem pas-
´
sagens profeticas que se aplicam a um reavivamento ou a
˜ ˜
uma ressurreiçao espiritual. — Ezequiel 37:1-14; Revelaçao
11:3, 7, 11.
10 Tem havido tal reavivamento espiritual dos servos un-
´
gidos de Deus no tempo do fim? Sim, tem! E uma
´
realidade historica que, em 1918, um pequeno restante
˜ ´ ´
de cristaos fieis sofreu um extraordinario ataque que
´ ´
interrompeu seu ministerio publico, organizado. Depois,
´
contrario a toda a probabilidade, em 1919, voltaram a
viver em sentido espiritual. Esses fatos se enquadram na
˜ ˜
descriçao da ressurreiçao predita em Daniel 12:2. Alguns
‘acordaram’ em sentido espiritual, naquele tempo e de-
´
pois. Lamentavelmente, porem, nem todos continuaram
˜
numa condiçao espiritual, viva. Aqueles que, depois de te-
ˆ
rem acordado, rejeitaram o Rei messianico e abandonaram
´
o serviço de Deus granjearam para si ‘vituperios e abo-
˜ ˜
minaçao de duraçao indefinida’, descritos em Daniel 12:2.
´
(Hebreus 6:4-6) No entanto, os ungidos fieis, fazendo bom
10. (a) Em que sentido foram os do restante ungido ressuscitados
´
durante o tempo do fim? (b) Como e que alguns dos ungidos que re-
˜ ´ ˜
viveram nao obstante acordaram “para vituperios e para abominaçao
˜
de duraçao indefinida”?
˜ `
292 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
uso da sua condiçao espiritualmente revivificada, apoia-
ˆ
ram com lealdade o Rei messianico. No fim, sua fidelidade
´ ˜
resultara, segundo a profecia, em “vida de duraçao inde-
˜
finida”. Sua vitalidade espiritual em face de oposiçao nos
´
ajuda hoje a identifica-los.
ELES ‘RAIAM COMO AS ESTRELAS’
´ ´ ´
11 Os proximos dois versıculos do capıtulo 12 de Daniel
nos ajudam ainda mais a identificar “os santos do Supre-
´
mo”. No versıculo 3, o anjo diz a Daniel: “Os perspicazes
˜ ˜
raiarao como o resplendor da expansao; e os que levam
`
muitos a justiça, como as estrelas por tempo indefinido,
˜
para todo o sempre.” Quem sao hoje “os perspicazes”? No-
ˆ ˜
vamente, a evidencia indica que sao os mesmos “santos
˜
do Supremo”. Afinal, quem, senao os do fiel restante ungi-
´
do, teve a perspicacia para discernir que Miguel, o Grande
´ ´
Prıncipe, começou a estar de pe como Rei em 1914? Por
pregarem verdades tais como essa — bem como por man-
˜ ˆ
terem a conduta crista —, eles tem estado “brilhando
como iluminadores” neste mundo espiritualmente em tre-
˜
vas. (Filipenses 2:15; Joao 8:12) Jesus profetizou a respeito
˜ ˜
deles: “Naquele tempo, os justos brilharao tao claramente
como o sol, no reino de seu Pai.” — Mateus 13:43.
12 Daniel 12:3 ate´ mesmo nos informa em que obra se
˜
ocupariam esses cristaos ungidos no tempo do fim. Eles ‘le-
`
variam muitos a justiça’. Os do restante ungido passaram
´
a ajuntar o numero remanescente dos 144 mil co-herdei-
˜
ros de Cristo. (Romanos 8:16, 17; Revelaçao 7:3, 4) Quando
essa obra foi completada — pelo visto em meados dos
anos 30 — eles começaram a ajuntar os da “grande multi-
˜
11. Quem sao hoje “os perspicazes”, e em que sentido raiam como
as estrelas?
ˆ
12. (a) Durante o tempo do fim, como tem estado os ungidos en-
` ˜
volvidos em ‘levar muitos a justiça’? (b) Como os ungidos levarao
` ˜
muitos a justiça e ‘raiarao como as estrelas’ durante o Reinado Mile-
nar de Cristo?
˜
Identificaçao dos verdadeiros adoradores no tempo do fim 293
˜ ˜ ˜
dao” das “outras ovelhas”. (Revelaçao 7:9; Joao 10:16) Esses
´ ´ ´
tambem exercem fe no sacrifıcio resgatador de Jesus Cris-
ˆ ˜ ´
to. Por isso tem uma condiçao limpa perante Jeova. Agora
´ ˜
ja ascendendo a milhoes, eles prezam a esperança de sobre-
` ˜ ´
viver a vindoura destruiçao deste mundo inıquo. Durante
o seu Reinado Milenar, Jesus Cristo e os 144 mil que
˜ ˜ `
serao reis e sacerdotes junto com ele aplicarao a huma-
´
nidade obediente na Terra os plenos benefıcios do resgate,
´
ajudando assim a todos os que exercerem fe a se livrar
´ ´ ˜
dos ultimos vestıgios do pecado herdado de Adao. (2 Pedro
˜
3:13; Revelaçao 7:13, 14; 20:5, 6) No sentido mais pleno,
˜ ˜ `
os ungidos participarao entao em ‘levar muitos a justiça’ e
˜ ´ ´ ˆ `
‘raiarao como as estrelas’ no ceu. Da voce valor a esperança
de viver na Terra sob o glorioso governo celestial de Cristo
´ ´
e de seus corregentes? Que privilegio e participar com “os
˜
santos” na pregaçao dessas boas novas do Reino de Deus!
— Mateus 24:14.
ELES O ‘PERCORREM’
˜
13 A declaraçao que o anjo fez a Daniel, que começou em
Daniel 10:20, conclui agora com as palavras animadoras:
´
“E quanto a ti, o Daniel, guarda em segredo as palavras e
´ ˜
sela o livro ate o tempo do fim. Muitos o percorrerao, e o
´
verdadeiro conhecimento se tornara abundante.” (Daniel
12:4) Grande parte do que Daniel foi inspirado a escrever
foi deveras mantido em segredo e selado para o enten-
´
dimento humano. O proprio Daniel escreveu mais tarde:
˜
“Ora, quanto a mim, ouvi, mas nao pude entender.” (Da-
niel 12:8) Nesse sentido, o livro de Daniel ficou selado por
´
seculos. Que dizer de hoje?
´
14 Temos o privilegio de viver no “tempo do fim”, predito
13. Em que sentido as palavras do livro de Daniel foram seladas e
guardadas em segredo?
14. (a) Durante “o tempo do fim”, quem tem estado ‘percorrendo’,
ˆ ˆ ´ ´
e o que? (b) Que evidencia ha de que Jeova tem abençoado este ‘per-
correr’?
˜ `
294 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
no livro de Daniel. Conforme profetizado, muitos dos fieis
ˆ ´
tem ‘percorrido’ as paginas da Palavra de Deus. Com que
ˆ ˜ ´
resultado? Com a bençao de Jeova, o verdadeiro conheci-
´
mento se tem tornado abundante. Os fieis ungidos das
´ ˆ ´
Testemunhas de Jeova tem sido abençoados com perspicacia
que os habilitou a entender que o Filho do homem tornou-
se Rei em 1914, a identificar os animais da profecia de Daniel
˜
e a advertir contra “a coisa repugnante que causa desolaçao”
— para se citarem apenas alguns exemplos. (Daniel 11:31)
ˆ ´
Portanto, essa abundancia de conhecimento e mais um sinal
identificador dos “santos do Supremo”. No entanto, Daniel
ˆ
recebeu mais evidencia.
˜
SAO ‘ESPATIFADOS’
15 Conforme nos lembramos, Daniel recebeu essas men-
´ ´
sagens angelicas na margem “do grande rio” Hıdequel,
´
tambem conhecido como Tigre. (Daniel 10:4) Ali ele viu
˜ ˆ ´
entao tres criaturas angelicas e disse: “Eu, Daniel, vi, e eis
´
que havia dois outros parados, um na beira de ca do rio e
´ ˜
outro na beira de la do rio. Um deles disse entao ao ho-
´
mem vestido de linho, que estava acima das aguas do rio:
´ ´
‘Quanto tempo levara ate o fim das coisas maravilhosas?’ ”
(Daniel 12:5, 6) A pergunta do anjo pode lembrar-nos no-
vamente “os santos do Supremo”. No começo do “tempo
do fim”, em 1914, eles se preocupavam muito com a ques-
˜ ´
tao de quanto tempo levaria ate que se cumprissem as
˜
promessas de Deus. Que eles sao o ponto focal dessa profe-
cia evidencia-se na resposta a essa pergunta.
16 O relato de Daniel prossegue: “E comecei a ouvir o ho-
´
mem vestido de linho, que estava acima das aguas do rio,
˜ ˜
quando passou a levantar a sua mao direita e a sua mao es-
´
querda para os ceus e a jurar por Aquele que vive por
˜
15. Que pergunta faz entao o anjo, e de quem talvez nos lembre essa
pergunta?
16. Que profecia profere o anjo, e como enfatiza ele a certeza do seu
cumprimento?
˜
Identificaçao dos verdadeiros adoradores no tempo do fim 295
´
tempo indefinido: ‘Sera por um tempo designado, tempos
designados e uma metade. E assim que se tiver posto fim
˜
ao espatifamento do poder do povo santo, acabarao todas
´
estas coisas.’ ” (Daniel 12:7) Esse assunto e solene. O anjo
˜
levantou as maos em juramento, talvez para que esse gesto
fosse visto pelos dois anjos em lados opostos do largo rio.
Ele enfatiza com isso a absoluta certeza do cumprimen-
´
to dessa profecia. No entanto, quando e que ocorrem esses
˜ ´ ˜ ´
tempos designados? A resposta nao e tao difıcil de achar
ˆ
como talvez voce esteja pensando.
17 Essa profecia e´ notavelmente similar a duas outras pro-
´
fecias. Uma delas, que consideramos no Capıtulo 9 deste
˜
livro, encontra-se em Daniel 7:25; a outra, em Revelaçao
11:3, 7, 9. Note alguns dos paralelos. Cada uma se refere ao
tempo do fim. Ambas as profecias relacionam-se com san-
˜ ´
tos servos de Deus, mostrando que sao perseguidos e ate
mesmo temporariamente incapazes de realizar sua prega-
˜ ´
çao publica. Cada profecia mostra que os servos de Deus
˜
revivem e entao reassumem sua obra, frustrando seus per-
˜
seguidores. E cada uma delas menciona a duraçao desse
tempo de dificuldades dos santos. Ambas as profecias em
Daniel (7:25 e 12:7) mencionam ‘um tempo, tempos e me-
tade de um tempo’. Os eruditos em geral entendem que
ˆ ˜
isso significa tres tempos e meio. Revelaçao menciona o
´ ˜
mesmo perıodo como 42 meses, ou 1.260 dias. (Revelaçao
ˆ
11:2, 3) Isso confirma que os tres tempos e meio em Da-
ˆ
niel se referem a tres anos e meio de 360 dias cada um. Mas
quando começaram esses 1.260 dias?
18 A profecia e´ bastante explıcita
´
quanto ao fim dos
17. (a) Que paralelos se encontram nas profecias registradas em Da-
˜ ´ ˜
niel 7:25, Daniel 12:7 e em Revelaçao 11:3, 7, 9? (b) Qual e a duraçao
ˆ
dos tres tempos e meio?
18. (a) Segundo Daniel 12:7, o que marcaria o fim dos 1.260 dias?
´
(b) Quando e que foi por fim ‘espatifado o poder do povo santo’ e
como aconteceu isso? (c) Quando começaram os 1.260 dias e como
´
e que os ungidos ‘profetizaram trajados de saco’ durante esse pe-
´
rıodo?
˜ `
296 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

1.260 dias — quando “se tiver posto fim ao espatifamen-


to do poder do povo santo”. Em meados do ano de
1918, membros na liderança da Sociedade Torre de Vigia
´
de Bıblias e Tratados (dos EUA), inclusive seu presidente,
˜
J. F. Rutherford, foram condenados sob acusaçoes falsas,
˜
sentenciados a longos termos de detençao e encarcerados.
Os santos de Deus viram mesmo sua obra ‘espatifada’ e
ˆ ´
seu poder quebrado. Contando tres anos e meio para tras,
desde meados de 1918, chegamos ao fim de 1914. Naque-
´
la epoca, o pequeno grupo de ungidos preparava-se para
´ ˜
o inıcio da perseguiçao. Havia estourado a Primeira Guer-
˜ `
ra Mundial, e a oposiçao a obra deles estava aumentando.
´
Para o ano de 1915, eles ate mesmo basearam seu texto
do ano nesta pergunta que Cristo fez aos seus seguido-
´ ´
res: “Podeis vos beber do meu calice?” (Mateus 20:22, King
˜
James Version) Conforme predito em Revelaçao 11:3, o pe-
´
rıodo de 1.260 dias que se seguiu foi um tempo triste para
os ungidos — foi como se estivessem profetizando traja-
˜
dos de saco. A perseguiçao aumentou. Alguns deles foram
encarcerados, outros foram atacados por turbas, e mais ou-
tros foram torturados. Muitos ficaram desanimados com a
morte do primeiro presidente da Sociedade, C. T. Russell,
em 1916. No entanto, o que aconteceria depois que esse
˜
tempo tenebroso terminasse com a eliminaçao desses san-
˜
tos como organizaçao pregadora?
˜
19 A profecia paralela, encontrada em Revelaçao 11:3, 9,
11, mostra que, depois de as “duas testemunhas” terem
sido mortas, elas jazeriam assim apenas por pouco tempo
ˆ ´
— tres dias e meio — ate reviverem. De modo similar, a pro-
´ ˜
fecia no capıtulo 12 de Daniel mostra que os santos nao
permaneceriam calados porque ainda tinham mais traba-
lho a fazer.
´ ˜
19. Como nos garante a profecia no capıtulo 11 de Revelaçao que os
˜
ungidos nao ficariam calados por muito tempo?
˜
Identificaçao dos verdadeiros adoradores no tempo do fim 297

FORAM ‘PURIFICADOS,
EMBRANQUECIDOS E REFINADOS’
20 Conforme ja´ mencionado, Daniel escreveu essas coisas,
˜
mas nao as entendeu. Todavia, ele deve ter-se perguntado se
os perseguidores acabariam mesmo com os santos, porque
´
perguntou: “Qual sera a parte final destas coisas?” O anjo
˜
respondeu: “Vai, Daniel, porque as palavras sao guardadas
´
em segredo e seladas ate o tempo do fim. Muitos se purifi-
˜ ˜ ˜ ´
carao, e se embranquecerao, e serao refinados. E os inıquos
˜
certamente agirao iniquamente, e absolutamente nenhum
´ ´ ˜
inıquo entendera; mas os perspicazes entenderao.” (Daniel
12:8-10) Havia uma esperança certa para os santos! Em vez
´
de serem destruıdos, seriam embranquecidos, abençoados
˜ ´
com uma condiçao limpa perante Jeova Deus. (Malaquias
´
3:1-3) Sua perspicacia em assuntos espirituais os habilitaria a
´
permanecer limpos aos olhos de Deus. Em contraste, os inı-
quos se negariam a compreender assuntos espirituais. Mas
quando ocorreria tudo isso?
21 Informou-se a Daniel: “Desde o tempo em que se
´ ´
remover o sacrifıcio contınuo e se constituir a coisa repug-
˜ ´
nante que causa desolaçao, havera mil duzentos e noventa
´
dias.” De modo que esse perıodo começaria quando certas
˜ ´ ´
condiçoes existissem. “O sacrifıcio contınuo” teria de ser
´
removido. (Daniel 12:11) A que sacrifıcio se referia o anjo?
˜ ´
Nao aos sacrifıcios de animais num templo terrestre. Pois
´ ´
ate mesmo o templo que antes havia em Jerusalem era ape-
´
nas “uma copia da realidade” — o grande templo espiritual
´
de Jeova, que passou a funcionar quando Cristo se tornou
seu Sumo Sacerdote em 29 EC. Nesse templo espiritual,
˜
representando o arranjo de Deus para a adoraçao pura,
ˆ ˜
20. Segundo Daniel 12:10, que bençaos receberiam os ungidos de-
ˆ
pois das suas duras experiencias?
´
21. (a) O perıodo predito em Daniel 12:11 começaria quando exis-
˜ ´ ´ ´
tissem que condiçoes? (b) O que e “o sacrifıcio contınuo” e quando
´
foi removido? (Veja o quadro na pagina 298.)
˜ `
298 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

˜ ´ ´
A REMOÇ AO DO SACRIFICIO CONTINUO
´ ´
No livro de Daniel, o termo “sacrifıcio contınuo” ocorre cin-
´ ´
co vezes. Refere-se a um sacrifıcio de louvor — “o fruto de la-
´
bios” — que os servos de Jeova Deus oferecem regularmente
˜ ´
a ele. (Hebreus 13:15) Sua predita remoçao e mencionada
em Daniel 8:11, 11:31 e 12:11.
´
Durante ambas as guerras mundiais, os do povo de Jeova
´
foram severamente perseguidos nos domınios do “rei do nor-
˜
te” e do “rei do sul”. (Daniel 11:14, 15) A remoçao do “sa-
´ ´
crifıcio contınuo” ocorreu perto do fim da Primeira Guerra
˜
Mundial, quando a pregaçao praticamente foi suspensa em
meados do ano 1918. (Daniel 12:7) Durante a Segunda Guer-
´ ´
ra Mundial, “o sacrifıcio contınuo” foi similarmente “tirado”
ˆ
por 2.300 dias, por parte da Potencia Mundial Anglo-Ameri-
´
cana. (Daniel 8:11-14; veja o Capıtulo 10 deste livro.) Foi tam-
´ ´ ˜
bem removido pelos “braços” nazistas por um perıodo nao
´
especificado nas Escrituras. — Daniel 11:31; veja o Capıtulo 15
deste livro.

˜ ´ ´
nao ha necessidade de contınuas ofertas pelo pecado, pois
‘Cristo foi oferecido uma vez para sempre, para levar os
pecados de muitos’. (Hebreus 9:24-28) No entanto, todos
˜ ´
os verdadeiros cristaos oferecem sacrifıcios nesse templo.
´ ´
O apostolo Paulo escreveu: “Por intermedio dele [Cristo],
´
ofereçamos sempre a Deus um sacrifıcio de louvor, isto
´ ´ ˜ ´
e, o fruto de labios que fazem declaraçao publica do seu
˜
nome.” (Hebreus 13:15) Portanto, essa primeira condiçao
˜ ´ ´
da profecia — a remoçao do “sacrifıcio contınuo” — se
˜
cumpriu em meados do ano 1918, quando a pregaçao foi
praticamente suspensa.
22 No entanto, que dizer da segunda condiçao ˜
— de se
´
22. (a) O que e a desoladora “coisa repugnante” e quando foi insta-
´
lada? (b) Quando começou e quando terminou o perıodo predito em
Daniel 12:11?

Congressos marcantes foram realizados em


Cedar Point, Ohio, EUA, em 1919 (no alto) e em 1922 (embaixo)
˜ `
300 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

“constituir” ou instalar “a coisa repugnante que cau-


˜ ˜
sa desolaçao”? Conforme vimos na nossa consideraçao de
Daniel 11:31, essa coisa repugnante primeiro foi a Liga das
˜ ˜
Naçoes e mais tarde ressurgiu como as Naçoes Unidas. Am-
˜
bas sao repugnantes no sentido de terem sido proclamadas
´
como a unica esperança de paz na Terra. De modo que, no
˜ ˜
coraçao de muitos, essas instituiçoes passaram a tomar o
lugar do Reino de Deus! A Liga foi oficialmente proposta
´
em janeiro de 1919. Naquela epoca, satisfizeram-se ambas
˜
as condiçoes de Daniel 12:11. De modo que os 1.290 dias
´
começaram na primeira parte de 1919 e se estenderam ate
´
o outono (do hemisferio setentrional) de 1922.
23 Durante esse tempo, fizeram os santos algum progres-

so em ficar embranquecidos e purificados aos olhos de


Deus? Certamente que fizeram! Em março de 1919, o pre-
sidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) e seus
´ ˜
associados ıntimos foram libertados da prisao. Mais tarde,
˜
foram inocentados das acusaçoes falsas contra eles. Perce-
bendo que sua obra estava longe de estar acabada,
atarefaram-se imediatamente, organizando um congresso
para setembro de 1919. Naquele mesmo ano publicou-se
pela primeira vez uma revista companheira de A Senti-
nela. Originalmente chamada de Idade de Ouro (agora
Despertai!), ela sempre apoiou A Sentinela em expor des-
˜
temidamente a corrupçao deste mundo e em ajudar os
do povo de Deus a continuar limpos. Ao fim dos predi-
tos 1.290 dias, os santos estavam progredindo bem para ter
˜
uma condiçao purificada e restabelecida. Em setembro de
´
1922, bem no tempo do fim desse perıodo, realizaram um
congresso marcante em Cedar Point, Ohio, EUA. Ele deu
´ ` ˜
um tremendo ımpeto a pregaçao. No entanto, ainda era
´
preciso fazer mais progresso. Este ficou para o proximo pe-
´
rıodo marcado.
˜
23. Como progrediram os santos de Deus para ter uma posiçao pu-
´
rificada durante os 1.290 dias preditos no capıtulo 12 de Daniel?
´ ´
PERIODOS PROFETICOS EM DANIEL
Sete tempos (2.520 anos): De outubro de 607 AEC a
Daniel 4:16, 25 outubro de 1914 EC
ˆ
(Estabelecido o Reino messianico.
´
Veja o Capıtulo 6 deste livro.)
ˆ
Tres tempos e meio De dezembro de 1914 a junho de 1918
˜ ˜
(1.260 dias): (Os cristaos ungidos sao hostilizados.
´
Daniel 7:25; 12:7 Veja o Capıtulo 9 deste livro.)
2.300 noitinhas e De 1.° ou 15 de junho de 1938 a
˜
manhas: 8 ou 22 de outubro de 1944
˜
Daniel 8:14 (A “grande multidao” emerge e se multi-
´
plica. Veja o Capıtulo 10 deste livro.)
70 semanas (490 anos): De 455 AEC a 36 EC
´
Daniel 9:24-27 (A vinda e o ministerio
terrestre do Messias. Veja
´
o Capıtulo 11 deste livro.)
1.290 dias: De janeiro de 1919 a
Daniel 12:11 setembro de 1922
˜
(Os cristaos ungidos acordam e
progridem espiritualmente.)
1.335 dias: De setembro de 1922 a maio de 1926
˜
Daniel 12:12 (Os cristaos ungidos alcançam
˜
uma condiçao feliz.)
˜
Identificaçao dos verdadeiros adoradores no tempo do fim 303

FELICIDADE PARA OS SANTOS


´
24 O anjo de Jeova concluiu sua profecia a respeito dos
santos com as seguintes palavras: “Feliz aquele que se
mantiver na expectativa e que chegar aos mil trezentos
˜
e trinta e cinco dias!” (Daniel 12:12) O anjo nao fornece
´ ´
nenhum indıcio sobre o começo ou o fim desse perıo-
´ ´
do. A Historia sugere que simplesmente seguiu ao perıodo
precedente. Nesse caso, estendeu-se do outono de 1922
´
ao fim da primavera de 1926 (do hemisferio setentrional).
´
Chegaram os santos a ter felicidade no fim deste perıodo?
Sim, e de uma forma espiritual importante.
25 Mesmo depois do congresso em 1922 (mostrado na
´
pagina 302), alguns dos santos de Deus ainda estavam
´ ´
com saudades do passado. A materia basica de estudo nas
˜ ´
suas reunioes ainda era a Bıblia e os volumes dos Estu-
´
dos das Escrituras, de C. T. Russell. Naquela epoca, muitos
˜
tinham a opiniao de que 1925 era o ano do começo da res-
˜ ´
surreiçao e de se restabelecer o Paraıso na Terra. De modo
que muitos serviam com a ideia fixa naquela data. Alguns
˜
orgulhosamente negaram-se a participar na pregaçao ao
´ ˜ ˜
publico. Nao era uma situaçao feliz.
26 No entanto, ao passo que os 1.335 dias avançavam,
˜
tudo isso começou a mudar. A pregaçao passou a ter des-
ˆ
taque, ao passo que se tomaram providencias para todos
participarem regularmente no serviço de campo. Progra-
˜
maram-se reunioes para estudar A Sentinela cada semana.
´ ˆ
O numero de 1.° de março de 1925 (em ingles) publicou o
´ ˜
artigo historico “Nascimento de Uma Naçao”, dando aos
do povo de Deus um pleno entendimento do que tinha
´
acontecido no perıodo de 1914-19. Depois de passar 1925,
´ ´
24, 25. (a) Que perıodo e predito em Daniel 12:12, e pelo visto
˜
quando começou e quando terminou? (b) Qual era a condiçao espi-
´
ritual do restante ungido no inıcio dos 1.335 dias?
˜
26. Ao passo que avançavam os 1.335 dias, como mudou a condiçao
espiritual dos ungidos?
˜ `
304 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜
os santos nao mais serviam a Deus com um prazo ime-
´ ˜
diato, especıfico, em vista. Antes, a santificaçao do nome
´
de Jeova vinha em primeiro lugar. Essa verdade vital foi
´
destacada como nunca antes no artigo “Quem Honrara
´
a Jeova?”, na Sentinela de 1.° de janeiro de 1926 (em in-
ˆ
gles). No congresso em maio de 1926, lançou-se o livro
˜ ´ ´
Libertaçao. (Veja a pagina 302.) Esse foi um de uma serie
de novos livros destinados a substituir os Estudos das Es-
˜
crituras. Os santos nao estavam mais olhando para o
passado. Estavam olhando com confiança para o futuro e
`
para a obra a frente. Conforme profetizado, os 1.335 dias,
˜
portanto, terminaram deixando os santos numa situaçao
feliz.
27 Naturalmente, nem todos perseveraram nessa era tu-
´ ´
multuosa. Sem duvida, esse e o motivo de o anjo ter
ˆ
enfatizado a importancia de ‘se manter na expectativa’.
Os que perseveraram e se mantiveram na expectativa fo-
ram muito abençoados. Isso se torna claro no exame
´
geral do capıtulo 12 de Daniel. Conforme fora predito, os
ungidos reviveram, ou foram ressuscitados, em sentido
´
espiritual. Receberam um notavel entendimento da Pala-
ˆ
vra de Deus, sendo habilitados a ‘percorre-la’ e, guiados
´ ´
pelo espırito santo, a desvendar misterios de longa data.
´ ˜
Jeova os purificou e os fez raiar espiritualmente, tao forte
ˆ
como as estrelas. Em consequencia disso, levaram muitos
˜ ´
a ter uma condiçao justa perante Jeova Deus.
28 Em vista de todos esses sinais profeticos ´
para identifi-
car “os santos do Supremo”, pode haver alguma desculpa
˜ ˆ ˜
para nao reconhece-los e nao se associar com eles? Mara-
ˆ ˜ ˜
vilhosas bençaos aguardam os da grande multidao que se
´
27. Como nos ajuda o exame geral do capıtulo 12 de Daniel a iden-
´
tificar conclusivamente os ungidos de Jeova?
˜ ´
28, 29. Qual deve ser nossa resoluçao ao se aproximar o termino do
“tempo do fim”?
˜
Identificaçao dos verdadeiros adoradores no tempo do fim 305
´
juntam ao minguante numero dos da classe ungida para
´ ´
servir a Jeova. Todos nos temos de manter-nos na expecta-
tiva do cumprimento das promessas de Deus. (Habacuque
´ ´
2:3) Nos nossos dias, Miguel, o Grande Prıncipe, por deca-
´
das tem estado de pe a favor do povo de Deus. Dentro em
´
breve, ele agira como o divinamente designado executor
´
do atual sistema de coisas. Quando fizer isso, qual sera a
˜
nossa posiçao?
29 A resposta a essa pergunta dependera´ de escolhermos

e levarmos agora uma vida de integridade. Para fortalecer


˜
nossa resoluçao nesse respeito, ao passo que se aproxi-
´ ´
ma o termino do “tempo do fim”, consideremos o ultimo
´ ˜
versıculo do livro de Daniel. Nossa consideraçao dele, no
´ ´ ´ ˜
proximo capıtulo, ajudar-nos-a a compreender a posiçao
´
de Daniel diante de seu Deus e como ficara diante Dele
no futuro.

O QUE DISCERNIU?
´ ´ ´
˙ Durante que perıodo Miguel ‘esta de pe’, e
´ ´
como e quando “por-se-a de pe”?
˜
˙ A que tipo de ressurreiçao se refere Da-
niel 12:2?
˙ Que datas marcam o começo e o fim dos
ˆ
tres tempos e meio mencionados em
Daniel 12:7?
1.290 dias preditos em Daniel 12:11?
1.335 dias profetizados em Daniel 12:12?
˜ ´
˙ Por prestarmos atençao ao capıtulo 12 de
Daniel, como somos ajudados a identificar
´
os verdadeiros adoradores de Jeova?
´
C APITULO DEZOITO

´
JEOVA PROMETE A DANIEL UMA
RECOMPENSA MARAVILHOSA
`
UM CORREDOR se esforça para chegar a linha de chegada.
´ `
Esta quase exausto, mas, com a linha de chegada a vista, usa
´
toda a energia que lhe resta nesses ultimos passos. Forçando
´ ´
ao maximo todos os musculos, cruza por fim a linha de che-
´
gada! Seu rosto mostra alıvio e triunfo. Valeu a pena perseve-
´
rar ate o fim.
2 Na conclusao ˜ ´
do capıtulo 12 de Daniel, encontramos o
querido profeta aproximando-se da linha de chegada da sua
´ ´ ´
propria “corrida” — sua vida de serviço a Jeova. O apostolo
´
Paulo, depois de citar diversos exemplos de fe entre os servos
´ ˜ ´
pre-cristaos de Jeova, escreveu: “Assim, pois, visto que temos
˜
a rodear-nos uma tao grande nuvem de testemunhas, ponha-
´
mos tambem de lado todo peso e o pecado que facilmen-
te nos enlaça, e corramos com perseverança a carreira que
se nos apresenta, olhando atentamente para o Agente Princi-
´
pal e Aperfeiçoador da nossa fe, Jesus. Pela alegria que se lhe
apresentou, ele aturou uma estaca de tortura, desprezando a
`
vergonha, e se tem assentado a direita do trono de Deus.”
— Hebreus 12:1, 2.
3 No meio dessa “grande nuvem de testemunhas” estava

Daniel. Ele certamente foi um dos que tiveram de ‘correr


com perseverança’, e o profundo amor a Deus o motivara a
´
isso. Jeova havia revelado muita coisa a Daniel a respeito do
futuro de governos mundiais, mas agora lhe transmitiu este
1, 2. (a) Que qualidade importante precisa o corredor ter para ser
´
bem-sucedido? (b) Como comparou o apostolo Paulo a vida de fideli-
´
dade no serviço de Jeova com uma corrida?
ˆ
3. (a) O que motivou Daniel a ‘correr com perseverança’? (b) Que tres
´
coisas distintas disse o anjo de Jeova a Daniel?
˜ `
308 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

encorajamento: “Quanto a ti mesmo, vai para o fim; e des-


´ ´ ´
cansaras, porem, no fim dos dias erguer-te-as para receber a
´ ˆ
tua sorte.” (Daniel 12:13) O anjo de Jeova disse a Daniel tres
coisas distintas: (1) que Daniel devia ‘ir para o fim’, (2) que
ele ‘descansaria’ e (3) que ‘se ergueria’ de novo num tem-
po futuro. Como podem essas palavras encorajar hoje os cris-
˜ ´
taos para perseverarem ate a linha de chegada na corrida pela
vida?
“VAI PARA O FIM”
4 O que queria o anjo dizer quando falou a Daniel: “Quan-
ˆ
to a ti mesmo, vai para o fim”? O fim de que? Ora, visto que
Daniel tinha quase 100 anos de idade, parece que se referia
ao fim da vida dele, que provavelmente estava perto.1 O anjo
´ `
exortou Daniel a perseverar fielmente ate a morte. Mas isso
˜ ´
nao necessariamente seria facil. Daniel presenciara a derru-
ˆ ´ ´
bada de Babilonia e o retorno a Juda e a Jerusalem dum res-
tante dos exilados judeus. Isso deve ter dado muita alegria ao
˜ ´
idoso profeta. No entanto, nao ha nenhum registro de que
´
ele tenha participado nessa viagem. Pode ser que na epoca
fosse idoso e fraco demais para isso. Ou talvez fosse da von-
´ ˆ
tade de Jeova que permanecesse em Babilonia. De qualquer
˜ ˜
forma, nao se pode deixar de perguntar se Daniel nao se sen-
tia um pouco triste quando seus compatriotas partiram para
´
Juda.
´
5 Sem duvida, ˜
Daniel recebeu muita força da declaraçao
bondosa do anjo: “Vai para o fim.” Isso talvez nos faça lem-
´
brar as palavras de Jesus Cristo uns seis seculos mais tarde:
´ ´ ´
“Quem tiver perseverado ate o fim e o que sera salvo.” (Ma-
´
teus 24:13) Sem duvida, isso foi o que Daniel fez. Perseverou
´ ˆ
1 Daniel fora levado ao exılio em Babilonia em 617 AEC, provavel-
˜
mente quando adolescente. Ele recebeu essa visao no terceiro ano de
Ciro, ou em 536 AEC. — Daniel 10:1.
´
4. O que queria o anjo de Jeova dizer com “vai para o fim”, e por que
podia isso constituir um desafio para Daniel?
´
5. O que indica que Daniel perseverou ate o fim?
´
Jeova promete a Daniel uma recompensa maravilhosa 309
´ ´ ´
ate o fim, seguindo fielmente a corrida pela vida ate o termi-
no dela. Esse pode ser um dos motivos de ele, mais tarde, ser
mencionado favoravelmente na Palavra de Deus. (Hebreus
´
11:32, 33) O que habilitou Daniel a perseverar ate o fim?
´
A historia da sua vida nos ajuda a saber a resposta.
PERSEVEROU COMO ESTUDANTE
DA PALAVRA DE DEUS
6 Para Daniel, perseverar ate´ o fim envolvia continuar a es-

tudar as emocionantes promessas de Deus e a meditar pro-


fundamente nelas. Sabemos que Daniel foi um dedicado
˜
estudante da Palavra de Deus. Senao, como teria ele sabido
´ ´
da promessa que Jeova fez a Jeremias, de que o exılio duraria
´
70 anos? O proprio Daniel escreveu: “Compreendi pelos li-
´
vros o numero de anos.” (Daniel 9:2; Jeremias 25:11, 12) Sem
´ ˜
duvida, Daniel consultou os livros da Palavra de Deus entao
´ ˜ ´
existentes. Os escritos de Moises, Davi, Salomao, Isaıas, Jere-
´
mias, Ezequiel — o que lhe estivesse disponıvel — certamente
´
deram a Daniel muitas horas agradaveis de leitura e de medi-
˜
taçao.
7 Estudarmos a Palavra de Deus e nos absorvermos nela e´

vital para hoje cultivarmos perseverança. (Romanos 15:4-6;


´ ´ ´ ´
1 Timoteo 4:15) E nos possuımos a Bıblia inteira, que inclui
´
o registro escrito de como se cumpriram, seculos depois, al-
´
gumas das profecias de Daniel. Alem disso, somos abençoa-
dos por viver no “tempo do fim”, predito em Daniel 12:4.
ˆ
Nos nossos dias, os ungidos tem sido abençoados com pers-
´ ´
picacia espiritual, brilhando como farois da verdade neste
mundo obscurecido. Em resultado disso, muitas das profun-
das profecias no livro de Daniel, algumas das quais o deixa-
˜ ´
ram intrigado, estao cheias de significado para nos hoje em
dia. Portanto, continuemos a estudar diariamente a Palavra
6. Como sabemos que Daniel era um estudante diligente da Palavra
de Deus?
7. Quando comparamos o nosso tempo com os dias de Daniel, que
vantagens temos ao estudar a Palavra de Deus?
˜ `
310 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

de Deus, nunca dando as coisas por garantidas. Isso nos aju-


´
dara a perseverar.
˜
DANIEL PERSEVEROU EM ORAÇ AO
8 A oraçao ˜ ´ ´
tambem ajudou Daniel a perseverar ate o fim.
´
Ele se dirigia diariamente a Jeova Deus e falava francamente
˜ ´
com ele, com o coraçao cheio de fe e de confiança. Sabia que
´ ˜
Jeova era o “Ouvinte de oraçao”. (Salmo 65:2; note Hebreus
11:6.) Quando Daniel se sentia pesaroso por causa do proce-
´
der rebelde de Israel, ele expressava seus sentimentos a Jeova.
(Daniel 9:4-19) Mesmo quando Dario decretou que, durante
´ ˜ ˜
30 dias, so se podiam fazer petiçoes a ele, Daniel nao parou
´ ˜
de orar a Jeova Deus. (Daniel 6:10) Nao se sente comovido ao
visualizar esse idoso homem fiel enfrentar uma cova cheia
˜ ´
de leoes, em vez de renunciar ao precioso privilegio da ora-
˜ ˜ ´ ´
çao? Nao pode haver duvida de que Daniel foi fiel ate o fim,
´
todo dia orando fervorosamente a Jeova.
9 A oraçao ˜ ´
e um ato simples. Podemos, a bem dizer, orar
a qualquer hora, em qualquer lugar, em voz alta ou silen-
´
ciosamente. Nunca, porem, devemos encarar de modo levia-
´ ´ ˜
no esse precioso privilegio. A Bıblia relaciona a oraçao com a
ˆ
perseverança, com a persistencia e com manter-se espiritual-
´
mente desperto. (Lucas 18:1; Romanos 12:12; Efesios 6:18;
˜ ´ ´
Colossenses 4:2) Nao e notavel que tenhamos um canal de
˜
comunicaçao livre e aberto com o personagem mais elevado
˜
no Universo? E ele escuta! Lembre-se da ocasiao em que Da-
´
niel orou e Jeova lhe enviou um anjo em resposta. O anjo
chegou enquanto Daniel ainda orava! (Daniel 9:20, 21) Nos-
´ ˜ ´ ´
sa epoca pode nao ser a de tais visitas angelicas, mas Jeova
˜
nao mudou. (Malaquias 3:6) Assim como ele ouviu a ora-
˜ ´
çao de Daniel, escutara as nossas. E ao orarmos, nos ache-
´ ´ ´
garemos mais a Jeova, criando um vınculo que nos ajudara a
´
perseverar ate o fim, assim como Daniel.
˜ ˜
8. Que exemplo deu Daniel na questao da oraçao?
´
9. Por que nunca devemos encarar levianamente o privilegio da ora-
˜
çao?
´
Jeova promete a Daniel uma recompensa maravilhosa 311

PERSEVERANTE COMO INSTRUTOR


DA PALAVRA DE DEUS
10 Daniel tinha de ‘ir para o fim’ em outro sentido. Ti-

nha de perseverar como instrutor da verdade. Ele nunca se


esqueceu de que foi um dos escolhidos a respeito dos quais
´ ´
as Escrituras diziam: “ ‘Vos sois as minhas testemunhas’, e a
˜ ´
pronunciaçao de Jeova, ‘sim, meu servo a quem escolhi’.”
´ ´
(Isaıas 43:10)
´ Daniel fez todo o possıvel para cumprir essa
˜ ´ ´
comissao. E provavel que seu trabalho incluısse instruir seu
´ ˆ
proprio povo, exilado em Babilonia. Sabemos pouco sobre
os seus tratos com os outros judeus, exceto sobre seu contato
ˆ
com os tres mencionados como “seus companheiros”, Ha-
nanias, Misael e Azarias. (Daniel 1:7; 2:13, 17, 18) Sua gran-
de amizade certamente contribuiu muito para ajudar a cada
´
um deles a perseverar. (Proverbios 17:17) Daniel, abençoado
´ ´
por Jeova com perspicacia especial, podia ensinar muito aos
´
seus amigos. (Daniel 1:17) Mas tambem tinha outro ensino
a dar.
11 Mais do que a de qualquer outro profeta, a obra de Da-
´
niel era dar testemunho a dignitarios gentios. Embora mui-
˜
tas vezes tivesse de transmitir mensagens impopulares, nao
´
tratava esses governantes como se fossem abominaveis ou de
alguma forma inferiores a ele. Falava-lhes com respeito e ha-
´
bilidade. Havia alguns — tais como os satrapas ciumentos e
´
ardilosos — que queriam destruir Daniel. Mas outros dignita-
´ ´
rios passaram a respeita-lo. Visto que Jeova habilitou Daniel
´
a explicar segredos que intrigavam reis e sabios,´ o profeta ob-
teve grande destaque. (Daniel 2:47, 48; 5:29) E verdade que,
˜ ˆ ˜
ao envelhecer, nao pode mais ser tao ativo como na juventu-
´
de. Mas ele certamente foi ate o fim ainda procurando fiel-
mente de algum modo poder servir como testemunha do
seu amado Deus.
10. Por que era importante para Daniel ensinar a verdade da Palavra
de Deus?
´ ˜
11. (a) O que era extraordinario na obra de Daniel? (b) Quao eficaz
foi Daniel em cumprir com sua tarefa incomum?
˜ `
312 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
˜ ˜
12 Atualmente, na congregaçao crista, podemos encontrar
´
companheiros fieis que nos ajudam a perseverar, assim como
ˆ
Daniel e seus tres associados se ajudavam mutuamente. Tam-
´ ´
bem nos instruımos uns aos outros, conferindo um “inter-
ˆ
cambio de encorajamento”. (Romanos 1:11, 12) Assim como
˜
Daniel, temos a comissao de dar testemunho a descrentes.
(Mateus 24:14; 28:19, 20) Por isso precisamos melhorar nos-
sas habilidades para poder ‘manejar corretamente a palavra
` ´ ´
da verdade’ ao falarmos as pessoas sobre Jeova. (2 Timoteo
´ ´
2:15) E sera de ajuda obedecermos ao conselho do aposto-
lo Paulo: “Prossegui andando em sabedoria para com os
de fora.” (Colossenses 4:5) Essa sabedoria inclui termos um
˜
conceito equilibrado sobre os que nao compartilham a nos-
´ ˜
sa fe. Nao menosprezamos tais pessoas, considerando-nos
´ `
superiores. (1 Pedro 3:15) Antes, procuramos atraı-las a ver-
dade, usando a Palavra de Deus com tato e com habilidade, a
˜
fim de tocar o coraçao delas. Quando conseguimos que al-
´
guem se interesse pela verdade, ficamos muito alegres! Essa
´
alegria certamente nos ajuda a perseverar ate o fim, assim
como Daniel.
´
“DESCANSARAS”
13 A seguir, o anjo garantiu a Daniel: “Descansaras.” ´
(Da-
niel 12:13) Que significava essa palavra? Ora, Daniel sabia
´
que ia morrer. A morte tem sido o fim inevitavel de todos os
˜ ´ ´
humanos, desde os dias de Adao ate agora. A Bıblia chama a
´
morte aptamente de “inimigo”. (1 Corıntios 15:26) No en-
tanto, para Daniel, a perspectiva de morrer significava algo
ˆ
bastante diferente do que significava para os babilonios em
˜
volta dele. Para eles, mergulhados na adoraçao complexa de
umas 4 mil deidades falsas, a morte apresentava todos os
12. (a) Em que atividades de ensino nos empenhamos hoje como cris-
˜
taos? (b) Como podemos seguir o conselho de Paulo de ‘prosseguir
andando em sabedoria para com os de fora’?
ˆ
13, 14. Por que a perspectiva de morrer aterrorizava a muitos babilo-
nios e, nesse respeito, em que diferia o conceito de Daniel?
´
Jeova promete a Daniel uma recompensa maravilhosa 313

tipos de terrores. Eles acreditavam que, depois da morte, os


que haviam vivido infelizes ou que haviam morrido de for-
´
ma violenta se tornavam espıritos vingativos, que assombra-
ˆ ´
vam os viventes. Os babilonios acreditavam tambem num
submundo aterrorizante, habitado por monstros hediondos
em formas humanas ou animais.
14 Para Daniel, a morte nao˜
significava nada disso. Cente-
˜
nas de anos antes dos dias de Daniel, o Rei Salomao fora di-
˜ ˜
vinamente inspirado para dizer: “Os mortos . . . nao estao
ˆ
conscios de absolutamente nada.” (Eclesiastes 9:5) E o sal-
mista havia cantado a respeito de quem morre: “Sai-lhe o es-
´
pırito, ele volta ao seu solo; neste dia perecem deveras os seus
pensamentos.” (Salmo 146:4) De modo que Daniel sabia que
as palavras que o anjo lhe falara se cumpririam. A morte
significava descanso. Sem pensamentos, sem amargura, sem
tormento — e certamente sem monstros. Jesus Cristo expres-
´
sou isso de modo similar quando Lazaro faleceu. Ele disse:
´ ˜
“Lazaro, nosso amigo, foi descansar.” — Joao 11:11.
15 Considere outro motivo de a perspectiva de morrer nao ˜
´
aterrorizar a Daniel. A Palavra de Deus diz: “Um nome e me-
´ ´
lhor do que bom oleo, e o dia da morte e melhor do que o
dia em que se nasce.” (Eclesiastes 7:1) Como pode o dia da
´
morte, o momento mais lamentoso possıvel, ser melhor do
´
que o dia alegre do nascimento? A chave esta no “nome”.
´ ˜ ´
O “bom oleo” podia ser muito caro. Maria, irma de Lazaro,
´ ´
certa vez untou os pes de Jesus com oleo perfumado no valor
´ ˜
do salario de quase um ano! ( Joao 12:1-7) Como podia um
˜
mero nome ser tao precioso assim? A Septuaginta grega diz
˜ ´
em Eclesiastes 7:1: “um bom nome”. Nao e apenas o nome,
´ ´
mas o que ele representa que e valioso. Quando alguem nas-
˜ ´ ˜
ce, nao ha reputaçao, nem registro de obras excelentes, nem
lembranças prezadas da personalidade e das qualidades do
portador do nome. Mas no fim da vida, o nome representa
15. Como pode o dia da morte ser melhor do que o dia do nasci-
mento?
˜ `
314 Preste Atençao a Profecia de Daniel!

tudo isso. E se for um nome bom do ponto de vista de Deus,


´
ele sera muito mais precioso do que quaisquer bens materiais
poderiam ser.
16 No decorrer da sua vida, Daniel fazia tudo que podia
´ ˜
para ter um bom nome perante Deus, e Jeova nao desconsi-
˜
derava isso. Ele observava Daniel e examinava seu cora ´ çao.´
Deus fizera o mesmo com o Rei Davi, que cantou: “O Jeova,
tu me esquadrinhaste e me conheces. Tu mesmo chegaste a
conhecer meu assentar e meu levantar. De longe consideras-
te meu pensamento.” (Salmo 139:1, 2) Deve-se admitir que
˜ ˜
Daniel nao era perfeito. Era descendente do pecador Adao e
˜
membro duma naçao pecaminosa. (Romanos 3:23) Mas Da-
niel se arrependia da sua pecaminosidade e procurava andar
de modo reto com seu Deus. Por isso, esse profeta fiel po-
´
dia confiar em que Jeova lhe perdoaria seus pecados e nun-
´ ´
ca mais o acusaria deles. (Salmo 103:10-14; Isaıas 1:18) Jeova
´
prefere lembrar-se das boas obras dos seus servos fieis. (He-
´
breus 6:10) Por isso, o anjo de Jeova chamou Daniel duas
´
vezes de “homem mui desejavel”. (Daniel 10:11, 19) Isso sig-
nificava que Daniel era amado por Deus. Daniel podia ir
descansar satisfeito, sabendo que tinha feito um bom nome
´
perante Jeova.
17 Cada um de nos ´ ´
fara bem em perguntar-se: ‘Tenho feito
´ ´
um bom nome perante Jeova?’ Vivemos em tempos difıceis.
˜ ´ ´ ´
Nao e um sentimento morbido, mas simplesmente realısti-
co reconhecer que a morte pode sobrevir a qualquer um de
´ ´
nos a qualquer hora. (Eclesiastes 9:11) Portanto, como e vital
´
que cada um de nos resolva fazer agora mesmo, sem demo-
˜
ra, um bom nome perante Deus! Se fizermos isso, nao pre-
´
cisaremos temer a morte. Ela e um mero descanso — assim
´
como o sono. E igual ao sono, e seguida pelo despertar!
16. (a) Como se esforçou Daniel para fazer um bom nome perante
Deus? (b) Por que podia Daniel descansar com plena confiança de ter
´
sido bem-sucedido em ter feito um bom nome perante Jeova?
´ ´
17. Por que e urgente que façamos hoje um bom nome perante Jeova?
´
Jeova promete a Daniel uma recompensa maravilhosa 315
´
“ERGUER-TE- AS”
18 O livro de Daniel termina com uma das mais belas pro-
´ ´
messas que Deus ja fez a um humano. O anjo de Jeova dis-
´
se a Daniel: “No fim dos dias erguer-te-as para receber a tua
sorte.” O que o anjo queria dizer com isso? Ora, visto que
o ‘descanso’ que acabara de mencionar era a morte, a pro-
˜ ´
messa de que Daniel ‘se ergueria’ numa ocasiao posterior so
˜
pode significar uma coisa — a ressurreiçao!1 Na realidade, al-
´
guns eruditos afirmaram que o capıtulo 12 de Daniel con-
´ ˆ ´ ` ˜
tem a primeira referencia explıcita a ressurreiçao, encontrada
˜
nas Escrituras Hebraicas. (Daniel 12:2) No entanto, eles estao
errados. Daniel estava bem a par da esperança da ressurrei-
˜
çao.
19 Por exemplo, Daniel, sem duvida, ´
conhecia as seguin-
´ ´
tes palavras que Isaıas registrara dois seculos antes: “Os teus
˜ ´ ˜
mortos viverao. Um cadaver meu — eles se levantarao. Acor-
´ ´ ´
dai e gritai de jubilo, os que residis no po! Pois . . . a pro-
´
pria terra deixara nascer mesmo os impotentes na morte.”
´
(Isaıas 26:19) Muito antes disso, Elias e Eliseu foram habili-
´
tados por Jeova para ressuscitarem pessoas. (1 Reis 17:17-24;
´ ˜
2 Reis 4:32-37) Ate mesmo anteriormente, Ana, mae do pro-
´
feta Samuel, reconhecera que Jeova pode ressuscitar pessoas
do Seol, a sepultura. (1 Samuel 2:6) Ainda antes disso, o fiel
´ ´
Jo expressou sua propria esperança com as seguintes pala-
˜
vras: “Morrendo o varao vigoroso, pode ele viver novamen-
´ ´
te? Esperarei todos os dias do meu trabalho compulsorio, ate
˜ ´
vir a minha substituiçao. Tu chamaras e eu mesmo te res-
´ ˜ ´
ponderei. Teras saudades do trabalho das tuas maos.” — Jo
14:14, 15.
1 Segundo The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon, a pa-
´
lavra hebraica para “erguer-se”, usada aqui, refere-se a “reviver apos a
morte”.

18, 19. (a) O que o anjo queria dizer quando predisse que Daniel ‘se
ergueria’ no futuro? (b) Por que Daniel conhecia a esperança da res-
˜
surreiçao?
˜ `
316 Preste Atençao a Profecia de Daniel!
´
20 Daniel, assim como Jo, tinha motivos para confiar que
´
Jeova teria saudades dele e algum dia no futuro o traria de
`
volta a vida. Ainda assim, deve ter sido muito consolador ou-
vir uma poderosa criatura espiritual confirmar essa esperan-
´ ˜
ça. Deveras, Daniel se erguera na “ressurreiçao dos justos”,
´
que ocorrera durante o Reinado Milenar de Cristo. (Lucas
´
14:14) O que significara isso para Daniel? A Palavra de Deus
nos diz muito sobre isso.
21 Jeova´ “nao ˜ ´
e Deus de desordem, mas de paz”. (1 Corın-
´
´ ˜ ´
tios 14:33) Portanto, e evidente que a ressurreiçao no Paraıso
´
ocorrera de forma ordeira. Talvez passe algum tempo depois
˜
do Armagedom. (Revelaçao [Apocalipse] 16:14, 16) Todos os
´ ˜
vestıgios do velho sistema de coisas terao sido eliminados e
´ ˜
sem duvida terao sido feitos preparativos para acolher de vol-
` ˜
ta os mortos. Quanto a ordem em que os mortos retornarao,
´
a Bıblia menciona o seguinte precedente: “Cada um na sua
´ ´ ´
propria categoria.” (1 Corıntios 15:23) Parece provavel que,
˜ ˜
na ‘ressurreiçao de justos e de injustos’, os justos retornarao
´
primeiro. (Atos 24:15) Desse modo, homens fieis da antigui-
˜ ˜
dade, tais como Daniel, poderao ajudar na administraçao dos
˜ ˜
assuntos terrestres, inclusive na instruçao de bilhoes de “in-
`
justos” trazidos de volta a vida. — Salmo 45:16.
22 Antes de Daniel estar pronto para assumir essas respon-
´
sabilidades, ele certamente tera algumas perguntas a fazer.
Afinal, ele disse a respeito de algumas das profundas profe-
˜
cias que lhe foram confiadas: “Ouvi, mas nao pude enten-
´
der.” (Daniel 12:8) Quanto o emocionara por fim entender
´ ´ ´
esses misterios divinos! Sem duvida, desejara ouvir tudo so-
´
bre o Messias. Daniel ficara fascinado de saber da marcha das
ˆ ´
potencias mundiais desde os seus dias ate os nossos, da iden-
´
tidade dos fieis “santos do Supremo” — que perseveraram
˜ ´
20, 21. (a) De que ressurreiçao se tem certeza de que Daniel fara par-
´ ´ ˜ ´
te? (b) De que forma e provavel que ocorra a ressurreiçao no Paraıso?
˜ ´
22. Quais sao algumas perguntas para as quais Daniel, sem duvida,
´
gostara de saber a resposta?
´
Jeova promete a Daniel uma recompensa maravilhosa 317
˜
apesar de perseguiçao durante “o tempo do fim” — e da des-
˜ ˆ
truiçao final de todos os reinos humanos pelo Reino messia-
nico de Deus. — Daniel 2:44; 7:22; 12:4.
A RECOMPENSA DE DANIEL ´
E A SUA NO PARAISO!
23 Daniel desejara´ saber algo sobre o mundo em que se en-
´
contrara naquele tempo — um mundo bem diferente daque-
´ ˜
le dos seus dias. Todos os vestıgios de guerra e de opressao
˜
que macularam o mundo que ele conhecia terao desapa-
˜ ´
recido. Nao havera mais tristeza, nem doença, nem morte.
´ ´ ˆ
(Isaıas 25:8; 33:24) Mas havera uma abundancia de ali-
´
mentos, muitas moradias e trabalho satisfatorio para todos.
´ ´ ´
(Salmo 72:16; Isaıas 65:21, 22) A humanidade sera uma so
´
famılia unida e feliz.
24 Daniel tera´ certamente um lugar naquele mundo. “Er-
´
guer-te-as para receber a tua sorte”, disse-lhe o anjo. A pala-
´
vra hebraica, aqui traduzida ´ “sorte”, e a mesma usada para
´
um lote de terreno literal.1 E possıvel que Daniel conheces-
se a profecia de Ezequiel a respeito do loteamento da terra
restabelecida de Israel. (Ezequiel 47:13–48:35) No seu cum-
´
primento paradısico, o que sugere a profecia de Ezequiel?
˜ ´
Que todos os do povo de Deus terao um lugar no Paraıso,
´ ´
sendo ate a propria terra repartida de forma ordeira e justa.
´ ´
Naturalmente, a recompensa de Daniel no Paraıso envolvera
´ ´
mais do que apenas um terreno. Incluira seu lugar no propo-
´
sito de Deus ali. A recompensa prometida a Daniel esta ga-
rantida.
´
1 A palavra hebraica esta relacionada com a palavra
` para “seixo”, vis-
to que pedrinhas eram usadas para lançar sortes. As vezes, a terra era
´
loteada assim. (Numeros 26:55, 56) A Handbook on the Book of Daniel
(Manual do Livro de Daniel) diz que aqui a palavra significa “aquilo
´
que e reservado (por Deus) para a pessoa”.
´
23, 24. (a) Em que sentido e que o mundo em que o ressuscitado Da-
´ ´ ´
niel se encontrara sera diferente do mundo que ele conhecia? (b) Tera
´
Daniel um lugar no Paraıso, e como sabemos isso?
ˆ ˜ ` ´
Assim como Daniel, presta voce atençao a palavra profetica de Deus?
25 No entanto, que dizer da sua recompensa? As mesmas
´
promessas podem aplicar-se no seu caso. Jeova quer que hu-
manos obedientes ‘se ergam’ para receber a sua recompensa,
´ ´
para ter um lugar no Paraıso. Imagine! Certamente sera emo-
´
cionante encontrar-se pessoalmente com Daniel, e tambem
´ ´
com outros homens e mulheres fieis dos tempos bıblicos.
´ ˜ ´
Havera entao incontaveis outros retornando dos mortos, que
˜ ˜ ´
precisarao de instruçoes para conhecer e amar a Jeova Deus.
Imagine-se cuidando de nosso lar terrestre e ajudando a trans-
´ ´ ´
forma-lo num paraıso de infinita variedade e infindavel bele-
´
za. Pense em ser ensinado por Jeova, aprendendo a viver do
´ ˜
modo que ele quer que a humanidade viva. (Isaıas 11:9; Joao
´ ˆ ´
6:45) Deveras, ha um lugar para voce no Paraıso. Estranho
´
como o Paraıso hoje possa parecer a alguns, lembre-se de que
´
Jeova originalmente projetou a humanidade para viver em tal
ˆ ´ ´
lugar. (Genesis 2:7-9) Nesse sentido,
´ o Paraıso e a moradia na-
˜ ´ ´
tural para os bilhoes na Terra. E o lugar deles. Chegar la sera
como chegar em casa.
˜ ´
25. (a) Quais sao algumas das perspectivas de vida no Paraıso que
ˆ
agradam a voce? (b) Por que se pode dizer que o lugar dos humanos
´ ´
e o Paraıso?
´
Jeova promete a Daniel uma recompensa maravilhosa 319
˜
26 Nosso coraçao transborda de apreço quando pensamos
˜ ´ ˜ ˆ
em tudo isso, nao e verdade? Nao anseia voce estar ali? Por-
˜ ´ ´
tanto, nao e de admirar que as Testemunhas de Jeova estejam
´
ansiosas de saber quando vira o fim desse sistema de coisas!
˜ ´ ´ ´
A espera nao e facil. Jeova reconhece isso, porque nos exorta
a ‘continuar na expectativa’ do fim, “ainda que se demore”.
Ele quer dizer que, do nosso ponto de vista, talvez possa pare-
˜
cer estar demorando, pois o mesmo texto nos assegura: “Nao
´ ´
tardara.” (Habacuque 2:3; note Proverbios 13:12.) Deveras, o
´
fim vira no tempo certo.
27 O que deve voceˆ fazer ao se aproximar o fim? Assim
´
como o profeta Daniel, amado por Jeova, persevere fielmen-
ˆ
te. Estude a Palavra de Deus com diligencia. Ore fervoro-
samente. Associe-se amorosamente com concrentes. Ensine
zelosamente a verdade a outros. Ao se aproximar cada dia
´
mais o fim deste inıquo sistema de coisas, continue decidido
´
a ser um servo leal do Altıssimo e um defensor firme da Pa-
˜ `
lavra dele. De todos os modos, preste atençao a profecia de
´
Daniel! E que o Soberano Senhor Jeova lhe conceda o privi-
´
legio de ficar diante dele alegremente por toda a eternidade!
´ ˜
26. Como reconhece Jeova que esperar pelo fim do atual sistema nao
´ ´ ´
e facil para nos?
ˆ ´
27. O que voce tera de fazer para ficar diante de Deus por toda a eter-
nidade?

O QUE DISCERNIU?
´
˙ O que ajudou Daniel a perseverar ate o fim?
˜
˙ Por que nao aterrorizava a Daniel a perspectiva
de morrer?
´
˙ Como se cumprira a promessa do anjo de que
´
Daniel ‘se erguera para receber a sua sorte’?
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˙ Que proveito pessoal tirou voce de prestar
˜ `
atençao a profecia de Daniel?
˜
Gostaria de obter mais informaçoes?
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