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QUESTÃO 1

É pois manifesto que a ciência a adquirir é a das causas primeiras (pois dizemos que
conhecemos cada coisa somente quando julgamos conhecer a sua primeira causa); ora, causa
diz-se em quatro sentidos: no primeiro, entendemos por causa a substância e a essência (o
“porquê” reconduz-se pois à noção última, e o primeiro “porquê” é causa e princípio); a
segunda causa é a matéria e o sujeito; a terceira é a de onde vem o início do movimento; a
quarta causa, que se opõe à precedente, é o “fim para que” e o bem (porque este é, com efeito,
o fim de toda a geração e movimento).

Adaptado de: ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. De Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril S. A.
Cultural, 1984. p.16. (Coleção Os Pensadores.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que indica,
corretamente, a ordem em que Aristóteles apresentou as causas primeiras.

a) Causa final, causa eficiente, causa material e causa formal.

b) Causa formal, causa material, causa final e causa eficiente.

c) Causa formal, causa material, causa eficiente e causa final.

d) Causa material, causa formal, causa eficiente e causa final.

e) Causa material, causa formal, causa final e causa eficiente.

QUESTÃO 2
Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o
mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo
bem. Mas não terá o conhecimento, porventura, grande influência sobre essa vida? Se assim
é, esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual
das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença
à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra. Ora, a
política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina quais as ciências que devem ser
estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos
que até as faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão
sujeitas a ela. Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o
que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as das
outras, de modo que essa finalidade será o bem humano.
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ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Paulo: Nova Gunman 1991
(adaptado).
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Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que
a. o bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses.

b. o sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade.

c. a política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade.

d. a educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente.

e. a democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem comum.

QUESTÃO 3
A arte de imitar está bem longe da verdade, e se executa tudo, ao que parece, é pelo facto de
atingir apenas uma pequena porção de cada coisa, que não passa de uma aparição.
Adaptado de: PLATÃO. A República. 7.ed. Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa:
Calouste Gulbenkian, 1993. p.457.
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O imitar é congênito no homem e os homens se comprazem no imitado.
Adaptado de: ARISTÓTELES. Poética. 4.ed. Trad. De Eudoro de Souza. São Paulo: Nova
Cultural, 1991. p.203. Coleção “Os Pensadores”.

Com base nos textos, nos conhecimentos sobre estética e a questão da mímesis em Platão e
Aristóteles, assinale a alternativa correta.

a. Para Platão, a obra do artista é cópia de coisas fenomênicas, um exemplo particular e, por
isso, algo inadequado e inferior, tanto em relação aos objetos representados quanto às ideias
universais que os pressupõem.

b. Para Platão, as obras produzidas pelos poetas, pintores e escultores representam


perfeitamente a verdade e a essência do plano inteligível, sendo a atividade do artista um
fazer nobre, imprescindível para o engrandecimento da pólis e da filosofia.

c. Na compreensão de Aristóteles, a arte se restringe à reprodução de objetos existentes, o que


veda o poder do artista de invenção do real e impossibilita a função caricatural que a arte
poderia assumir ao apresentar os modelos de maneira distorcida.

d. Aristóteles concebe a mímesis artística como uma atividade que reproduz passivamente a
aparência das coisas, o que impede ao artista a possibilidade de recriação das coisas segundo
uma nova dimensão.

e. Aristóteles se opõe à concepção de que a arte é imitação e entende que a música, o teatro e
a poesia são incapazes de provocar um efeito benéfico e purificador no espectador.
QUESTÃO 4
A felicidade é portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses
atributos não devem estar separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a
mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”.
Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor,
nós a identificamos como felicidade.
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ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.
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Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica
como

a. busca por bens materiais e títulos de nobreza.

b. plenitude espiritual a ascese pessoal.

c. finalidade das ações e condutas humanas.

d. conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.

e. expressão do sucesso individual e reconhecimento público.

QUESTÃO 5
1. (UEL – 2011) Leia o texto a seguir. Homero, sendo digno de louvor por muitos motivos, é-
o em especial porque é o único poeta que não ignora o que lhe compete fazer. De fato, o
poeta, em si, deve dizer o menos possível, pois não é através disso que faz a imitação. Os
outros intervêm, eles mesmos, durante todo o poema e imitam pouco e raramente. Ele, pelo
contrário, depois de fazer um breve preâmbulo, põe imediatamente em cena um homem, uma
mulher ou qualquer outra personagem e nenhum sem caráter, mas cada uma dotada de caráter
próprio. (ARISTÓTELES. Poética. Trad. A. M. Valente. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2004.
p. 94-95.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a mímesis em Aristóteles, assinale a
alternativa correta.
a) As personagens devem aparecer agindo menos e o poeta falando mais, como faz Homero.
b) Ao intervir muito no poema, sem colocar personagens, o poeta imita com qualidade
superior.
c) Ao dizer o menos possível, Homero coloca as personagens em ação e assim ele é mais
imitador.
d) Homero é elogiado por iniciar seus poemas com breves preâmbulos e pouco se referir a
personagens em ação.
e) O poeta deve fazer uma breve introdução e iniciar a ação narrando sem necessidade de
personagens.
QUESTÃO 6
Leia o texto a seguir. A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha
e consiste numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um
princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática. (Aristóteles. Ética a
Nicômaco. Trad. de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
Livro II, p. 273.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a situada ética em
Aristóteles, pode-se dizer que a virtude ética
a) reside no meio termo, que consiste numa escolha situada entre o excesso e a falta.
b) implica na escolha do que é conveniente no excesso e do que é prazeroso na falta.
c) consiste na eleição de um dos extremos como o mais adequado, isto é, ou o excesso ou a
falta.
d) pauta-se na escolha do que é mais satisfatório em razão de preferências pragmáticas.
e) baseia-se no que é mais prazeroso em sintonia com o fato de que a natureza é que nos torna
mais perfeitos.

QUESTÃO 7
Leia os textos a seguir. Aristóteles, no Livro IV da Metafísica, defende o sentido epistêmico
do princípio de não contradição como o princípio primário, incondicionado e absolutamente
verdadeiro da “ciência das causas primeiras”, ou melhor, o princípio que se apresenta como
fundamento último (ou primeiro) de justificação para qualquer enunciado declarativo em sua
pretensão de verdade. “É impossível que o mesmo atributo pertença e não pertença ao mesmo
tempo ao mesmo sujeito, e na mesma relação. [...] Não é possível, com efeito, conceber
alguma vez que a mesma coisa seja e não seja, como alguns acreditam que Heráclito disse
[...]. É por esta razão que toda demonstração se remete a esse princípio como a uma última
verdade, pois ela é, por natureza, um ponto de partida, a mesma para os demais axiomas.”
(ARISTÓTELES. Metafísica. Livro IV, 3, 1005b apud FARIA, Maria do Carmo B. de.
Aristóteles: a plenitude como horizonte do ser. São Paulo: Moderna, 1994. p. 93.)

Com base nos textos e nos conhecimentos sobre Aristóteles, é correto afirmar:
a) Aqueles que sustentam, com Heráclito, conceber verdadeiramente que propriedades
contrárias podem subsistir e não subsistir no mesmo sujeito opõem-se ao princípio de não
contradição.
b) Pelo princípio de não contradição, sustenta-se a tese heracliteana de que, numa enunciação
verdadeira, se possa simultaneamente afirmar e negar um mesmo predicado de um mesmo
sujeito, em um mesmo sentido.
c) Nas demonstrações sobre as realidades suprassensíveis, é possível conceber que
propriedades contrárias subsistam simultaneamente no mesmo sujeito, sem que isso incorra
em contradição lógica, ontológica e epistêmica.
d) Para que se possa fundamentar o estatuto axiomático do princípio de não contradição,
exige-se que sua evidência, enquanto princípio primário, seja submetida à demonstração.
e) Com o princípio de não contradição, torna-se possível conceber que, se existem duas
coisas não idênticas, qualquer predicado que se aplicar a uma delas também poderá ser
aplicado necessariamente à outra.

QUESTÃO 8
“Segundo Aristóteles, tudo tende a passar da potência ao ato; tudo se move de uma para outra
condição. Essa passagem se daria pela ação de forças que se originam de diferentes motores,
isto é, coisas ou seres que promoveriam esta mudança. No entanto, se todo o Universo sofre
transformações, o estagirita afirmava que deveria haver um primeiro motor [...]”. CHALITA,
Gabriel. Vivendo a filosofia. São Paulo: Ed. Ática, 2006, p. 58. Com base em seus
conhecimentos e no texto acima, assinale a alternativa que contenha duas características do
primeiro motor.
A) O primeiro motor é imóvel, caso contrário, alguma causa deveria movê-lo e ele não seria
mais o primeiro motor; é imutável, porque é ato puro.
B) O primeiro motor é imóvel, mas não imutável, pois pode ocorrer de se transformar algum
dia, como tudo no Universo.
C) O primeiro motor é imutável, mas não imóvel, pois do seu movimento ele gera os demais
movimentos do Universo.
D) O primeiro motor não é imóvel, nem imutável, pois isto seria um absurdo teórico. Para
Aristóteles, o primeiro motor é móvel e mutável, como tudo.

QUESTÃO 9
“Todos os homens são mortais.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.”
Sobre o silogismo em geral e, sobre este em particular, é correto afirmar que:

I. é um raciocínio indutivo, pois parte de duas premissas verdadeiras e chega a uma conclusão
também verdadeira.
II. o termo médio homem liga os extremos e, por isso, não pode estar presente na conclusão.
III. é um raciocínio válido, porque é constituído por proposições verdadeiras, não importando
a relação de inclusão (ou de exclusão) estabelecida entre seus termos.
IV. as premissas, desde que uma delas seja universal, devem tornar necessária a conclusão.
Marque a alternativa que contém todas as afirmações corretas.
a) II e IV
b) I e II
c) II e III
d) III e IV

QUESTÃO 10
Aristóteles estabeleceu sua lógica sobre alguns princípios, percebidos por intuição e que são
anteriores a qualquer raciocínio, devendo servir de base a toda argumentação científica.
Esses princípios são:
a) de identidade, de não contradição e de terceiro excluído.
b) de identidade, de contradição e da negação da negação.
c) de tese, de antítese e de síntese.
d) de salto qualitativo, de interpenetração dos opostos e de negação da negação.

QUESTÃO 11
Pirro afirmava que nada é nobre nem vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma maneira,
nada existe do ponto de vista da verdade; que os homens agem apenas segundo a lei e o
costume, nada sendo mais isto do que aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta
doutrina, nada procurando evitar e não se desviando do que quer que fosse, suportando tudo,
carroças, por exemplo, precipícios, cães, nada deixando ao arbítrio dos sentidos.LAÉRCIO,
D. Vidas e sentenças dos filósofos ilustres. Brasília: Editora UnB, 1988.

O ceticismo, conforme sugerido no texto, caracteriza-se por:

a) Desprezar quaisquer convenções e obrigações da sociedade.

b) Atingir o verdadeiro prazer como o princípio e o fim da vida feliz.

c) Defender a indiferença e a impossibilidade de obter alguma certeza.

d) Aceitar o determinismo e ocupar-se com a esperança transcendente.

e) Agir de forma virtuosa e sábia a fim de enaltecer o homem bom e belo.

QUESTÃO 12
Alguns dos desejos são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; outros, nem
naturais nem necessários, mas nascidos de vã opinião. Os desejos que não nos trazem dor se
não satisfeitos não são necessários, mas o seu impulso pode ser facilmente desfeito, quando é
difícil obter sua satisfação ou parecem geradores de dano.

EPICURO DE SAMOS. “Doutrinas principais”. In: SANSON, V. F. Textos de filosofia. Rio


de Janeiro: Eduff, 1974

No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim

a) alcançar o prazer moderado e a felicidade.

b) valorizar os deveres e as obrigações sociais.

c) aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação.

d) refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade.

e) defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber.


QUESTÃO 13
Sobre a ética na Antiguidade, é CORRETO afirmar que

a) o ideal ético perseguido pelo estoicismo era um estado de plena serenidade para lidar com
os sobressaltos da existência.

b) os sofistas afirmavam a normatização e verdades universalmente válidas.

c) Platão, na direção socrática, defendeu a necessidade de purificação da alma para se


alcançar a ideia de bem.

d) Sócrates repercutiu a ideia de uma ética intimista voltada para o bem individual, que, ao
ser exercida, se espargiria por todos os homens.

QUESTÃO 14
Em meados do século IV a.C., Alexandre Magno assumiu o trono da Macedônia e iniciou
uma série de conquistas e, a partir daí, construiu um vasto império que incluía, entre outros
territórios, a Grécia. Essa dominação só teve fim com o desenvolvimento de outro império, o
romano. Esse período ficou conhecido como helenístico e representou uma transformação
radical na cultura grega. Nessa época, um pensador nascido em Élis, chamado Pirro, defendia
os fundamentos do ceticismo. Ele fundou uma escola filosófica que pregava a ideia de que:

a) seria impossível conhecer a verdade.

b) seria inadmissível permanecer na mera opinião.

c) os princípios morais devem ser inferidos da natureza.

d) os princípios morais devem basear-se na busca pelo prazer.

GABARITO
1. C
2. C
3. A
4. C
5. C
6. A
7. A
8. A
9. A
10. A
11. C
12. A
13. A
14. A