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Sumário
Artigo Artigo Artigo Artigo
A Associação Múltiplas Revisão e previsão Consórcios de
dos Criadores refeições promove da produção exportação de
de Camarão do um melhor global de camarão: camarão
Piauí em Ação desempenho crescimento
zootécnico estável à frente
em juvenis do
Litopenaeus
vannamei

Artigo
Pré-engorda
Mais artigos
em cercados: Editorial, pág. 4 | Análise das Principais Tentativas de Importações de Camarão Marinho pelo Brasil:
histórico, evolução Liminares, Contra Liminares e Decisões da Justiça Federal, Incluindo do STF, pág. 5 | Ações & Notícias
e adaptação à
ABCC, pág. 9 | Emenda Parlamentar Executada em 2019 – Convênio Abcc/Mapa, pág. 16 | Ingredientes
carcinicultura
atual funcionais impulsionam a inovação em ração de camarão, pág. 26 | Comércio global de pescado deve
aumentar, mas as taxas de crescimento diminuirão, pág. 34 | Estratégia unificada de marketing para
camarão segue em frente, pág. 36 | Pesquisa sobre o consumo de pescado nos EUA contém surpresas,
pág. 42 | FENACAM 2018, pág. 44 | Principais leis, Instruções Normativas e Decretos que regem a
aquicultura no Estado do Rio Grande do Norte, pág. 47 | Cultivo de Camarão Marinho em Águas de Baixa
Salinidade: Uma Realidade na Carcinicultura com o Camarão Marinho L. vannamei na Paraíba, pág. 54

Expediente
REDAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL
CONSELHO EDITORIAL Presidente Titulares
Itamar Rocha, Eduardo Rodrigues Cristiano Maia Newton Bacurau, Juan Carlos
Vice – Presidente Aviles, Pedro Duque organizar e patrocinar encontros empre-
COLABORADORES sariais e conferências técnico-científicas; e
Itamar Rocha, Eduardo Rodrigues, Alberto Orígenes Monte Neto Suplentes
J. P. Nunes, Hassan Sabry Neto, Dr. editar publicações especializadas.
Diretor Financeiro Geraldo Borba, Luis Solon
Francisco Hélio Pires da Silva, Adhemar
Rodrigues de Oliveira-Neto, Dr. Karthik Helio Filho
Masagounder, Ph.D., Bruna Fernandes, PERFIL Neste sentido, a ABCC é a entidade que
Diretor Comercial
Patrício Estrada, André Jansen, Diego Sociedade de classe, a ABCC tem entre mantém a união dos atores envolvidos
Jose Waldomiro Filho
Rocha, Jason Holland, Cliff White, Bárbara outros, os objetivos de promover o de- na cadeia produtiva do setor carcinicultor,
Bacurau, Nívia Siqueira, Paulo Silva, Otávio Diretor Técnico senvolvimento da carcinicultura em todo o bem como,  o intercâmbio de informações
Pimentel, Géssyca Santos, Leonardo território nacional; amparar e defender os entre produtores e a comunicação destes
Enox Maia
Ferreira, Eulani Frutuoso, Neydsom legítimos interesses de seus associados; via parcerias formais  com todos os elos
Barbosa, Mayglanne Lima, Rayssa Lira, Diretor Secretário promover o camarão de cultivo brasileiro da cadeia produtiva, com a comunidade
Yolanda Dantas, Marcos Júnior, Janaína
Santos, Ng They, Santana Júnior, James L. Emerson Barbosa nos mercados internacional e nacional; científica e entidades governamentais.  O
Anderso, Ph.D., Diego Valderrama, Ph.D., proporcionar treinamento setorial em ges- desenvolvimento ordenado e sustentado
James Wright, Suresh M. Menon, Ph.D. Diretor de Insumos tão de qualidade e outros temas de inte- do camarão cultivado no Brasil se deve,
Santana Junior resse ao setor; promover estudos e pes- em grande parte, à sólida união dos pro-
Os artigos assinados são de
responsabilidade dos autores quisas em áreas estratégicas para o setor; dutores em torno da ABCC.

Rua Alfredo Pegado Cortez 1858, Candelária, Natal, RN – CEP: 59066-080 – Tel / Fax: 84 3231.6291 – www.abccam.com.br – abccam@abccam.com.br

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Editorial

1
Itamar Paiva Rocha,
Engº de Pesca, CREA 7226-D/PE

O
produtor aquícola brasileiro, os interesses da carcinicultura. (TRF 1ª Região), julgou o mérito da Ação
em especial o carcinicultor Pois bem, depois de uma série de da Argentina: “Em suma, a medida
da Região Nordeste, tem sido decisões favoráveis à ABCC e, contrá- sanitária proposta pela autora, qual
p er m a nent ement e c on f r ont ado rias às importações de camarões, sem seja, a proibição total da importação
com os ma is d iversos desa f ios, a realização de ARI (Análise de Risco do camarão selvagem Pleoticus muel-
envolvendo desde as dificuldades de de Importação), primeiramente, da leri da Argentina, configura medida
licenciamento ambiental e da falta de lavra do Desembargador Federal Jirair discriminatória disfarçada ao comércio
financiamentos para investimento Meguerian (TRF1ª Região), relativa ao internacional, com nítida intenção pro-
e custeio, à incidência de doenças Camarão da Argentina, sequenciada tecionista injustificada do produto na-
virais e bacterianas, bem como, às pela Liminar concedida pelo Juiz Fede- cional, em detrimento dos princípios da
restrições de acesso à mercados e, mais ral Itagiba Catta Preta - Seção Judiciária igualdade comercial e do livre comércio
recentemente, a falta de chuvas, que do Distrito Federal 5ª Vara Federal Cível entre nações, estabelecidos pela Orga-
nos últimos 6 anos, passou a assombrar da SJDF, da 4ª Vara/SJDF em exercício nização Mundial do Comércio – OMC”.
o setor, que já conta com cerca de 35% na 5ª Vara Federal: Referente à Ação As providencias da ABCC para se
(1.100) de seus empreendimentos, Civil Pública ajuizada pela ABCC contra contrapor à equivocada e perigosa
basicamente constituídos de micros e a União, suspendendo às autorizações Decisão Monocrática do Ministro Dias
pequenos produtores, utilizando águas de importação de camarões da espécie Toffoli foi primeiramente, interpor um
(mesohalinas) no interior do Nordeste, L. vannamei, cultivados no Equador, Agravo Interno, mesmo sabendo que a
do Centro Oeste e do Sudeste. que posteriormente, foi derrubada pelo decisão de levar o caso ao plenário do
Na verdade, embora a carcinicultura Desembargador Federal. Kássio Nunes STF é uma prerrogativa do Presidente e,
com o camarão marinho, L. vannamei, já Marques (TRF1ª Região), sendo em tem- segundo foi uma atuação política junto
se constitui uma das mais promissoras po, restabelecida pela Ministra Carmen ao Secretário Jorge Seif (SAP-MAPA) e
e viáveis alternativas para o fortaleci- Lúcia – STF, com a seguinte Sentença: a Ministra Teresa Cristina (MAPA). Mas
mento da economia primária da Região “Suspensão de liminar. Importação de ca- de todo modo, diante do exposto fica a
Nordeste, com reais possibilidades marão do equador. Necessidade de aná- indagação, em quem confiar? Será que
de se desenvolver nas mais variadas lise de risco de importação: afastamento o Presidente do STF está acima da Lei?
Regiões do Brasil, a mesma não tem pelo órgão técnico competente. Fixação Ou como qualquer funcionário público
contado com um mínimo de apoio de requisitos zoossanitários. Grave lesão ou cidadão brasileiro tem obrigação de
governamental. Muito pelo contrário, à saúde, à ordem e à economia públicas. cumprir a legislação? Evidentemente,
uma vez que no enfrentamento dos Suspensão de liminar deferida nos autos que a Diretoria da ABCC, sob a lide-
referidos problemas, a omissão dos da suspensão de liminar n. 1.154/ma. rança do Presidente Cristiano Maia,
Governos, Estaduais e Federal, tem sido Nada a prover. Providências processu- está empreendendo todas as gestões
a tônica predominante, quando não o ais”. políticas e jurídicas para reverter esse
causador principal, como ocorreu com No entanto, na contramão dessas preocupante e grave problema, inclusi-
às restrições para exportar pescado favoráveis decisões, o novo Presidente ve, apelando e sensibilizando à SAP e a
para a União Europeia e, vem ocorrendo do STF, Ministro Dias Toffoli, tomou a SDA/MAPA, para em última instancia,
recorrentemente no “assunto importa- seguinte decisão: “Diante desse cenário, diante do fato novo (EMS no Equador),
ções de camarão de países com doenças conclui-se que as alegações quanto aos cumprir o que determina a IN 02/2018,
de alto risco epidemiológico”, que nos riscos inerentes do camarão equatoria- que substituiu a IN 14/2010, suspender
últimos 7 (sete) anos vem aterrorizando no à flora e fauna brasileiras devem vir as autorizações de novas importações,
o setor carcinicultor. acompanhadas de provas robustas o em análise ou em curso. Inclusive, se
Ocorre que até bem pouco tempo, suficiente para afastar a legitimidade essas tratativas fracassarem, o assun-
o setor carcinicultor tinha confiança dos planos de trabalho, das notas to deverá ser levado ao Presidente da
e certeza de contar com o amparo da técnicas, das tratativas internacionais República, de forma que, a exemplo do
Justiça Federal, conforme foi ressaltado bilaterais e do acordo firmado entre o que ocorreu com a “banana que iria ser
e comemorado no Editorial da Edição Brasil e o Equador no âmbito da OMC, importada do Equador, teve a autori-
Especial (Fenacam’2018), da Revista principalmente quando o requerente zação de sua importação revogada pela
da ABCC, claro tendo o amparo da opta pela estreita e excepcional via da Ministra Teresa Cristina (MAPA), por
competência e perspicácia da Advogada suspensão de liminar”. conta de uma doença”.
da ABCC, Dra. Fernanda Mendonça M. Na esteira da intempestiva decisão
S. Figueiredo (Oliveira Freitas Advoga- do Ministro Dias Toffoli, o Juiz Federal 1
Assessor Especial da ABCC; Diretor do
dos), nas dezenas de peças jurídicas, Substituto, Márcio de França Moreira DEAGRO e Conselheiro do COSAG / FIESP
alertando sobre os riscos e defendendo – Seção Judiciária do Distrito Federal e Presidente da MCR Aquacultura.

4 · ABCC · Ano XXI Nº 1 · Junho 2019

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Artigo
Análise das Principais Tentativas de Importações de Camarão
Marinho pelo Brasil: Liminares, Contra Liminares e Decisões
da Justiça Federal, Incluindo do STF
1
Itamar Paiva Rocha, Engº de Pesca, CREA 7226-D/PE

P
r imeira mente, merece unanimidade, dar provimento ao de todos os produtos passíveis de
destaca r-se a Ed ição da agravo de instrumento. Sexta Tur- contaminação, inclusive vetando
IN 39/99 (MAPA), que na ma do TRF da 1ª Região – 28.03.2016. a compra de camarões e biomassa
sequência do surgimento da Desembargador Federal Jirair de Artemia salina originária do
“Mancha Branca – WSSV” no Aram Meguerian, Relator. Brasil, país que só possui 01 (uma)
Equador, suspendeu as importações Numa outra ação, contra a deci- enfermidade que não está presente
de camarões e demais crustáceos, são da SDA/MAPA de autorizar a naquele país, em comparação com 07
sendo substituída pela IN 14/2010, importação de camarões da espécie (sete) doenças/cepas virais presentes
posteriormente substituída pela IN L. vannamei, cultivados no Equador, no Equador que não se encontram no
02/2018. o Juiz Federal Itagiba Catta Preta Brasil. Dentro desse contexto fático
Nesse interim, foram várias as - Seção Judiciária do Distrito Fede- e legal, entendo ser o caso de acolher
tentativas (Vivenda do Camarão, ral 5ª Vara Federal Cível da SJDF: parcialmente a liminar para condi-
Coco Bambu e Abrasel) de importar Concedeu Liminar à Ação Civil cionar o processo de autorização de
camarões cultivados do Equador (L. Pública ajuizada pela ABCC contra a importação de camarão do Equador
vannamei) e selvagens da Argentina União.. Inclusive, fazendo referência à prévia, específica e contemporânea
(P. muelleri), exigindo uma vigilante à Instrução Normativa nº 39/1999, realização de Análise de Risco de Im-
e efetiva atuação da ABCC, com substituída pela IN nº 14/2010, que portação – ARI, conforme disciplina-
vários êxitos, até que, no apagar passou a prever a “Análise de Risco do pela IN nº 14 / 2010 do Ministério
das luzes de 2018 (27/12), o Ministro de Importação – ARI” e a Nota Téc- da Pesca. Ante o exposto, Defiro, o
Toffoli, quebrou o encanto entre a nica nº 11/2016/SAP/GM/MAPA de Pedido de Liminar, determinando
ABCC e a Justiça Federal, suspen- 05/09/2016, que opina contraria- a suspensão do procedimento de
dendo a contra Liminar da Ministra mente à importação de camarões autorização relativo à importação
Carmen Lúcia e autorizando as im- objeto desta ação, destacando, que do camarão marinho da espécie
portações do camarão Equatoriano. a Análise de Risco de Importação Litopenaeus vannamei, originário
Na verdade, tudo começou com o – ARI visa a dar maior segurança da atividade de cultivo no Equador,
Ministério da Pesca e Aquicultura aos produtores do Brasil em caso de que deverá, obrigatoriamente, ser
autorizando a importação de ca- importações de camarões, não se precedido da Análise de Risco de
marões da Argentina, o que ensejou constituindo em restrição indevida Importação – ARI, nos termos de-
na Ação Civil Pública Ajuizada pela à introdução de produto no merca- finidos pela Instrução Normativa
ABCC, alegando Risco de Introdu- do nacional, como dito pela União, nº 14 /2010”. Juiz Federal, Itagiba
ção de Doenças Virais na Carcini- pois simplesmente exige a adoção Catta Preta (SJDF).
cultura Nacional e Vícios Formais das medidas necessárias a evitar No agravo impetrado pela ABRA-
na Elaboração da Análise de Risco a indevida introdução de vírus ou SEL, o Desembargador Federal Kás-
de Importação – ARI. O Agravo vibrios que estejam presentes nos sio Nunes Marques (TRF 1ª Região),
Provido, ressaltou: Nada obstante, produtos a serem importados. suspendeu a Liminar com o “pífio”
há nos autos documentos que de- Com vistas a evitar danos ao meio argumento “Em face do Exposto,
monstram fundada suspeita de que ambiente, notadamente quando se Defiro o Pleito Vindicado para
o ingresso de crustáceos vivos e con- sabe que a espécie de camarão do Suspender os Efeitos de Decisão
gelados no País poderá pôr em risco Equador, convive com dezenas de Agravada e Restabelecer a Impor-
a saúde humana e a fauna brasileira, doenças. Como aliás se extrai da tação dos Camarões Equatorianos,
devendo ser aplicado o princípio da referida Nota Técnica, emitida pela Mediante o Regular Cumprimento
precaução, suspendendo-se o ato Secretaria de Aquicultura e Pesca – dos Requisitos Estabelecidos pela
administrativo respectivo até que, SAP, do MAPA, da qual se transcreve Instrução Normativa 14/2010 e,
após a devida instrução processual trecho relativo às razões de decidir: em Conformidade com os Estudos
e dilação probatória, se conclua “Com o registro de doenças que têm Zoossanitários Periciados pelo
ou não pela existência dos riscos atacado populações de camarões Corpo Técnico do MAPA.
levantados na ação civil pública cultivados e naturais da Ásia, o Equa- Nesse interim, a ABCC conseguiu
proposta pela agravante. A C Ó R dor adotou medidas de proteção sensibilizar e incluir na ação princi-
D Ã O: Decide a Sexta Turma, por sanitária que proíbem importação pal, os Estados do MA, RN, SE e BA,

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de forma a levar o Processo para regras claras nas importações de Carmen Lúcia (STF), o agora Presi-
a análise do STF, cuja Presidente, pescado, em especial de crustáceos, dente Dias Toffoli (STF), tomou uma
Ministra Carmen Lúcia, solicitou o setor carcinicultor foi surpreendi- decisão totalmente contrária. “As
Parecer da Procuradora Geral da do, com uma intempestiva decisão condições a serem cumpridas pelo
República Raquel Dodge, sobre os (27/12/18), da mesma Presidência do Equador são suficientes para afastar
riscos das importações de camarão STF, agora sob a batuta do Ministro os riscos ao meio ambiente e à saúde
cultivado do Equador, o qual se Dias Toffoli, aliás, na contramão da pública, conforme determinado
destaca a seguir: “É notório que a primeira e passando por cima de na Nota Técnica CTQA nº 01/2017/
introdução da fauna indicada (ca- uma Norma Legal, a IN 02/2018, Série – B e pela Instrução Normativa
marão cultivado do Equador), sem bem como, jogando no lixo, o 14/2010. Ante o exposto, reconsidero
adequada e prévia análise dos riscos sagrado “princípio da precaução” a decisão (Ministra Carmen Lúcia –
da importação – bem como, sem e colocando em risco, o precioso STF), indefiro o pedido de suspensão
atentar para o dever de precaver-se patrimônio que os crustáceos de Liminar e julgo prejudicados os
dos danos desconhecidos que a fau- naturais (caranguejos, lagostas e Agravos Regimentais. Ministro Dias
na desse crustáceo poderá trazer camarões) e os camarões marinhos Toffoli – Presidente do STF.
para o território brasileiro, traduz cultivados, representam para uma Ocorre que a IN 14/2010, já havia
grave e irreversível risco para o parcela significativa carciniculto- sido revogada em 29/09/18, pela IN
meio ambiente, à saúde, à ordem e res e pescadores artesanais, que 02/2018, que substituiu a IN 14/2010,
a economia públicas. Sendo portan- tem seu sustento nas explorações a qual foi fruto de uma longa discus-
to, incontroverso que a introdução desses crustáceos. são no âmbito da Câmara Setorial
dos camarões equatorianos no país O que causou bastante estranheza da Carcinicultura do MAPA, tendo
virá acompanhada de importantes foi fato de que enquanto a decisão como destaques: Artº 1º, disciplina
riscos sanitários e biológicos asso- de suspensão das importações, a Análise de Risco de Importação –
ciados às doenças que acometem a do Juízo do Primeiro Grau e da ARI de organismos aquáticos e seus
fauna especificada. Por isso, como Ministra Carmen Lúcia, então Pre- derivados no território nacional;
a demanda de abastecimento do sidente do STF, tiveram como base, Art. 4º, condiciona as importações
mercado nacional não se sobrepõe pareceres de dezenas de Doutores e e as entradas de organismos aquá-
aos riscos potenciais da importação, da Procuradora Geral da República ticos e seus derivados no território
o que sinalizam para a adequação (PGR), Raquel Dodge, que inclusive, nacional à realização de ARI; Art. 5º,
da suspenção dos efeitos da decisão fundamentou-se no posicionamen- estabelece que na elaboração da ARI
tomada no agravo de instrumento to do Ministro Dias Toffoli, Relator serão considerados: IV- a informação
subjacente. Assim, opino pelo de- da ação: RE 627189, Tribunal Pleno, do país exportador junto à OIE sobre
ferimento do pedido de suspensão. DJer 31Mar.2017: “Cuida-se de as suas condições sanitárias relacio-
Brasília, 08/05/2018. Raquel Dodge, aplicação do conteúdo jurídico do nadas com enfermidades de animais
Procuradora-Geral da República” princípio da precaução, critério aquáticos de notificação obrigatória
Diante do exposto, a Presidente do de gestão de risco a ser aplicado de alto risco epidemiológico, ob-
Supremo Tribunal Federal (Carmen sempre que existirem incertezas servada, a condição sanitária igual
Lúcia), suspendeu a autorização científicas sobre a possibilidade ou superior do Brasil, de modo que
do MAPA para as importações de de um produto, evento ou serviço a importação ou a entrada de orga-
camarão cultivado (filé) do Equa- desequilibrar o meio ambiente ou nismos aquáticos e seus derivados
dor, sem ARI, nos termos a seguir: atingir a saúde dos cidadãos, o que em território nacional não possa
Decisão: Suspensão de liminar. exige que o estado analise os riscos, causar prejuízos à fauna aquática
Importação de camarão do equador. avalie os custos das medidas de e a sustentabilidade da cadeia
Necessidade de análise de risco de prevenção e, ao final, execute as produtiva; Art 6°, § 1° define que a
importação: afastamento pelo órgão ações necessárias, as quais serão elaboração de ARI para organismos
técnico competente. Fixação de re- decorrentes de decisões universais, aquáticos e seus derivados, deverá
quisitos zoossanitários. Grave lesão não discriminatórias, motivadas, obedecer: I- a serem importados
à saúde, à ordem e à economia públi- coerentes e proporcionais“. pela primeira vez, procedentes de
cas. Suspensão de liminar deferida No entanto, agora na condição países cujas informações de con-
nos autos da suspensão de liminar de Presidente do STF, no sagrado dições sanitárias dos organismos
n. 1.154/MA. Nada a prover. Provi- recesso, entre Natal e Ano Novo, pas- sejam passiveis de verificação pela
dências processuais. Brasília, 1º de sando por cima de todos os prévios referida Coordenação Geral; § 2°
junho de 2018. Ministra CÁRMEN e fundamentados entendimentos A importação de reprodutores de
LÚCIA - Presidente do STF sobre “princípio da precaução”, organismos aquáticos, ainda que
No entanto, quando tudo parecia bem como dos fundados argumen- certificados como livres de patóge-
ter serenado, notadamente porque tos e comprovações científicas, que nos específicos, ficará condicionada
nesse interim, a SEAP-PR editou motivaram as decisões do Juízo da a realização de ARI.
uma Instrução Normativa (IN Primeira Instancia, da Procuradora De toda forma, a ABCC impetrou
02/2018), disciplinando e colocando Raquel Dodge (PGR) e da Ministra Agravo Interno (14/01/19) e a PGR,

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se manifestou em 28/02/2019, com nais. (excerto extraído da ementa a proibição total da importação do
relação a Suspensão de Liminar do RE 627.189, Relator Min. DIAS camarão selvagem Pleoticus muelleri
concedida pelo Ministro Toffoli – TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado da Argentina, configura medida dis-
“A revisão da decisão recorrida é em 08/06/2016). Ademais, a decisão criminatória disfarçada ao comércio
imperiosa”. O caso dos autos trata recorrida reconhece a existência internacional, com nítida intenção
da importação de camarão equa- de documento oficial (Nota Técnica protecionista injustificada do pro-
toriano e a possibilidade ou não de 11/2016/SAP/GM/MAPA) que conclui duto nacional, em detrimento dos
impor barreiras fitossanitárias para contrariamente ao entendimento princípios da igualdade comercial
a admissão do produto no território estabelecido na Instrução Normativa e do livre comércio entre nações,
nacional: “A decisão prolatada 14/2010 e se manifesta no sentido estabelecidos pela Organização
pela Ministra Carmen Lúcia, que da existência de risco à sociedade Mundial do Comércio – OMC. Por
suspendeu a entrada do produto brasileira à importação de camarão todo o exposto, com base no art.
em solo brasileiro, pautou-se na equatoriano sem a prévia submis- 487, I, do CPC, Oficiem-se ime-
aplicação do princípio da precaução, são do produto à Análise de Risco diatamente à AGU e à Secretaria
que consigna, à vista da incerteza de Importação. E nesse particular, Especial da Aquicultura e da Pesca
científica quanto aos efetivos danos não houve contraprova técnica da da Secretaria-Geral da Presidência
e à possível extensão, que o empre- União, mas apenas questionamentos da República, encaminhando-lhes
endedor de certa medida que resulte acerca da legitimidade da Secretaria cópia da presente sentença. Juiz
na alteração do meio ambiente seja Especial da Aquicultura e da Pesca Federal Substituto Márcio de França
compelido a adotar meios aptos à (SEAP-PR) para se manifestar sobre Moreira, em 28/05/2019, com base na
precaução para elidir ou reduzir os o tema. De todo modo, a aplicação Lei 11.419 de 19/12/2006.
riscos ambientais para a popula- do princípio da precaução, como Na contramão dessas equivocadas
ção”. Ainda que a decisão agravada contenção à introdução de elemen- decisões do Ministro Toffoli (STF) e
conclua pela dispensa da Análise tos desconhecidos na fauna e na Juiz Marcio Moreira (JFDF), a proi-
de Risco de Importação (ARI), a flora brasileiras, deve nortear o bição das importações de camarões
partir da interpretação da Instrução novo pronunciamento do STF sobre marinhos, cultivados ou selvagens,
Normativa MPA 14/2010, é certo que o tema, evitando que novas doenças sempre teve como fundamento
a premissa calcada na plena aplica- se propaguem na carcinicultura e maior o fato de que, além das deze-
bilidade do princípio da precaução debelem os cultivos de crustáceos nas de doenças virais e bacterianas,
ainda vigora, o que inclui, por certo, em território brasileiro. Assim, re- recentemente surgiu uma nova e
a obrigatoriedade dos exames queiro o processamento do recurso devastadora doença vibriótica (iní-
necessários à entrada do camarão e seu consequente provimento para cio em 2009), chamada Síndrome
equatoriano no Brasil. Isso porque, que a importação de camarões do da Mortalidade Precoce (EMS), cujo
como mencionado alhures, o prin- Equador seja precedida da Análise patógeno causador é uma bactéria
cípio da precaução não se baseia em de Risco de Importação, consoante (Vibrio parahaemolyticus), que está
certezas científicas. Ao contrário, a os fundamentos já mencionados afetando drasticamente a indústria
dúvida relacionada com a própria nos pareceres acima referidos. de camarão cultivado da Ásia e mais
introdução de um elemento novo e Brasília, 28 /02/ 2019. Raquel Elias recentemente das Américas, com
potencialmente danoso em determi- Ferreira Dodge Procuradora-Geral destaque para México e Equador.
nado ambiente ecologicamente equi- da República Suspensão de Liminar Assim, quando se compara as
librado e juridicamente protegido já 1.154/MA potencialidades brasileiras com as
constitui, por si só, motivo suficiente Na esteira da decisão do Ministro equatorianas, ou de qualquer outro
para que as autoridades ambientais Toffoli e acionado pela ABRASEL, o país, em termos de oportunidades
busquem evitar a interação preju- Juiz Substituto Márcio de França e perspectivas para a exploração
dicial ou minimizar os seus efeitos. Moreira – Seção Judiciária do Dis- e produção de camarão marinho
Na dicção do STF: 2. - O princípio da trito Federal – em relação a ação de cultivado, toda medida ou ação
precaução é um critério de gestão importação de camarão selvagem da para proteger e promover esse setor
de risco a ser aplicado sempre que Argentina, sentenciou: Resolvo o Mé- deve ser priorizada, especialmente
existirem incertezas científicas so- rito e Rejeito o Pedido, Ressaltando: tendo em vista que 75% dos carci-
bre a possibilidade de um produto, Rejeito a alegação de incapacidade nicultores brasileiros são micros,
evento ou serviço desequilibrar o profissional dos membros que in- pequenos e médios, associado ao
meio ambiente ou atingir a saúde dos tegraram a equipe responsável pela fato de que o valor das importações
cidadãos, o que exige que o Estado elaboração da ARI ora impugnada. mundiais de camarão cultivado já
analise os riscos, avalie os custos Todos os profissionais são médicos é da ordem de US$ 25 bilhões/ano.
das medidas de prevenção e, ao fi- veterinários e biólogos e possuem
nal, execute as ações necessárias, as formação acadêmica suficiente para 1
Assessor Especial da ABCC; Diretor
quais serão decorrentes de decisões cumprir o objetivo da investigação do DEAGRO e Conselheiro do
universais, não discriminatórias, técnica. Em suma, a medida sanitá- COSAG / FIESP e Presidente da MCR
motivadas, coerentes e proporcio- ria proposta pela autora, qual seja, Aquacultura (ipr1150@gmail.com).

ABCC · Ano XXI Nº 1 · Junho 2019 · 7

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NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Associação Brasileira de Criadores de Camarão – ABCC vem esclarecer aos seus associados,
alguns pontos a respeito das úl mas no cias, sobre a abertura das importações de camarão,
oriundos do Equador e Argen na.
Desde 1999, a ABCC visando preservar não só as condições da sanidade do plantel dos camarões
do Brasil, mas como de toda a biodiversidade da fauna aquá ca brasileira (lagosta, caranguejos,
mariscos, etc.), vem encampando uma árdua e intensa defesa cien fica e jurídica, contra a
importação de camarão de países produtores, que tenham doenças transmissíveis não presentes
no nosso país.
Recentemente, houve uma decisão liminar do Presidente do Supremo contra a qual estamos
recorrendo, embasados na Instrução Norma va 002/2018 -SEAP/PR, que determina a realização
de Análise de Risco – ARI, para todo e qualquer país produtor que queira exportar camarões para
o Brasil.
Esta semana o Presidente Cris ano Maia e sua Diretoria esteve em Brasília, em audiência com a
Ministra da Agricultura Tereza Cris na, alertando-a mais uma vez da necessidade da ARI e o grave
risco que a biodiversidade aquá ca do Brasil corre neste momento com a entrada de produtos
originários de países, conhecidamente infectados com doenças não presentes no Brasil.
Nossa demanda foi bem recebida pela Ministra que determinou a contratação de um
epidemiologista e criou um grupo de trabalho para dar subsídios cien ficos as referidas análises
de risco.
É fundamental ra ficar que a batalha da ABCC não é contra as importações e sim contra a entrada
de novas doenças que podem acarretar em prejuízos financeiros incalculáveis aos produtores
(principalmente nordes nos) além da preservação de mais de 100 mil empregos no setor da
carcinocultura.
Por fim, convocamos todos os nossos colegas produtores a se engajarem nesta frente de luta a
favor da defesa sanitária do camarão brasileiro e tenham certeza que a diretoria da ABCC está
envidando todos os esforços necessários para a proteção do nosso meio de cul vo contra o
nocivo interesse econômico de outros envolvidos.
Natal, 6 de junho de 2019.
Associação Brasileira de Criadores de Camarão - ABCC

Rua Alfredo Pegado Cortez, 1858 - Candelária - Natal-RN, CEP 59066-080 - Brasil
Fone/Fax (84) 3231 - 6291 E-mail: abccam@abccam.com.br
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Ações & Notícias ABCC
Mesa Redonda e Visita do MAPA ao Setor de
Carcinicultura do Rio Grande do Norte

R
espostas do Assessor Especial ABCC e dos Professores: Dr. Pedro rio Seif Júnior (SAP-MAPA), como sua
da ABCC, Itamar Rocha, a Martins, PhD (UFERSA); Dr. Daniel comitiva, incluindo Dra. Valéria
três perguntas feitas em Lanza, PhD (UFRN);    Dr Rodrigo Homem e Dr. André Carneiro, partici-
relação à mesa redonda e visitas Carvalho PhD - EAJ-UFRN,  que re- param de uma intensa programação
que  o secretário e representantes trataram com muita competência e de visitas técnicas, organizadas
da Coordenação de Organismos profissionalismo, o status atual da pela ABCC e ANCC: (1) Laboratório
Aquáticos do MAPA realizaram sanidade da carcinicultura mundial de Maturação e Larvicultura
nos empreendimentos de e brasileira, enfatizando a preocupa- do Camarão Marinho  L. vanna-
carcinicultura no estado do  Rio ção (FAO, OIE e Banco Mundial e em mei, da  Empresa Potiporã (Touros), 
Grande do Norte. especial da ABCC e da Justiça Federal
Brasileira), com a disseminação das (2) Fazenda Potiguar  (cultivo
1. Gostaria que o senhor me falasse doenças virais e bacterianas, nos sem i-i ntensivo do ca ma rão
um pouco sobre esses encontros, as países produtores e com potencial marinho  L. vannamei,  com uti-
datas, se o senhor estava presente, de produção do camarão marinho lização  de berçários  primários
como a  ABCC avalia essa visitas?   cultivado. Aliás, ressaltando de forma e secundários cobertos,  com
Respostas: 1.1. Na verdade, por de- profissional e responsável, os riscos captação de água oceânica, com
legação dos Presidentes Cristiano associados as importações de crustá- 3,0 km de canais)  e, (3) Fazenda
Maia (ABCC) e Orígenes Monte ceos, tanto para camarões vivos como Cutia - Cultivo intensivo: berçários
(ANCC), coordenamos tanto a forma- congelado, nas suas diversas formas, primários, berçários secundários
ção da Mesa Redonda (23/04/19) so- inclusive os produtos em forma de e  12 viveiros de engorda do cama-
bre «O Status Atual da Sanidade da filé. A Mesa Redonda contou ainda rão marinho L. vannamei, de 0,4
Carcinicultura Marinha Mundial: com a presença dos Presidentes das hectares, todos com cobertura
Desafios e Preocupações da Associações Estaduais de Carcini- plástico, tipo “Estufa Agrícola” e,
Carcinicultura Brasileira», com a cultura: da Bahia (Aristóteles Vito- captação de água oceânica com 2,6
participação especial  do Senhor rino), da Paraíba (André Jansen), de km de adutoras. 
Secretário Jorge Seif Junior (SAP- Pernambuco (Mauricio Lacerda), de
MAPA), dos Presidentes Cristiano Sergipe (Felix Lee Fei); bem como, de 2. Quais foram as principais de-
Maia (ABCC)  e Orígenes Monte vários produtores de camarão do RN mandas passadas pelo setor?     
(ANCC), do Secretário Guilherme e da Paraíba, culminando com uma Resposta: Em rea l id ade, a s
Saldanha (SAPE-RN), bem como, da frutífera participação e discussão da demandas básicas apresentadas
Dra. Valéria Ferreira Homem (Coor- Dra. Valéria Homem e o MV André pelos  Presidentes Cristiano
denadora de Animais Aquáticos / Carneiro, dialogando com todos os Maia (ABCC) e Orígenes Monte
DSA - SDA - MAPA) e o do MV André produtores presentes, notadamente (ANCC)  foram no sentido de que
Carneiro (CAT - SDA -MAPA), que sobre o tema GTA de produtos fosse mantido os preceitos legais que
tiveram a oportunidade de assistirem aquícolas. regem a atual legislação brasileira,
as apresentações do Engº de Pesca,   no tocante as autorizações para
Enox Maia MSc,  Diretor Técnico da 1.2. No dia 24/04/19, tanto o Secretá- as importações de crustáceos,
constantes na IN 02, 2018 (SEAP-PR),
bem como, a revogação da recente
IN 04/2019 (MAPA), que de forma
equivocada exige a emissão de GTA 
para o transporte de produtos da
pescado, incluído o camarão fresco,
recém despescado.   

3. O senhor está livre para acrescen-


tar maiores informações.      
Resposta: Acreditamos que o
Participantes da Mesa Redonda ponto alto da Mesa Redonda e da

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visita técnica acima mencionada, subsídios ao mesmo tempo. Desta como: universalização do serviço
foi sem dúvida, dar ciência ás forma, a atividade de irrigação no de energia elétrica em todo o
autoridades e agentes públicos horário entre 21h30 e 06h00 da território nacional; concessão de
presentes, primeiro que o tema: manhã passa a ter desconto sobre descontos tarifários a diversos
sanidade da carcinicultura, que a tarifa B1 que é a mesma tarifa usuários do serviço (baixa renda,
passa necessariamente pelo rígido usada para calcular o desconto rural; Irrigante; serviço público de
controle das importações de crus- para os consumidores rurais. água, esgoto e saneamento; geração
táceos,  extrapola a ceara do setor Dos atingidos pela retirada dos e consumo de energia de fonte
produtivo, como bem demonstra- descontos nos próximos 5 anos, a incentivadas, etc.); modicidade
ram o Doutores das Universidades classe rural é a que mais sentirá da tarifa em sistemas elétricos
Federais participantes da referida o impacto, pois o subsídio estava isolados (Conta de Consumo de
Mesa Redonda e, segundo, foi a entre 10% e 30%. O decreto atinge Combustíveis – CCC); competitivi-
demonstração das oportunidades todo o território nacional, milhões dade da geração de energia elétrica
e viabilidade da carcinicultura de agricultores, grandes, médios e a partir da fonte carvão mineral
marinha para o fortalecimento do pequenos deixarão de receber esse nacional; entre outros.
setor pesqueiro brasileiro, como benefício e terão de pagar mais pela De onde vem os recursos?
aliás foi muito bem ressaltado pelo energia consumida. Os recursos da CDE são arreca-
vídeo que o Secretário Seif Junior O presidente da Creral, Alderi dados principalmente das quotas
divulgou nas Redes Sociais. Além do Prado, calcula que antes do anuais pagas por todos os agentes
disso, foram abertos importantes decreto, a classe rural tinha um que comercializam energia elétrica
canais de comunicação e diálogo, desconto aproximado de R$ 150,00 com consumidor fi nal, mediante
os quais certamente contribuirão a cada 1000 kWh consumidos. encargo tarifário incluído nas
para o encaminhamento de outras “Se estimarmos que este seja o tarifas de uso dos sistemas de
reivindicações em defesa e prol do consumo mensal de uma proprie- distribuição e transmissão de ener-
setor carcinicultor brasileiro. dade, em um ano a conta de energia gia, além dos pagamentos anuais
aumentará cerca de R$ 1.800,00 e realizados pelos concessionários e
isso, em nível de Brasil é muito autorizados a título de Uso de Bem
DECRETO FEDERAL RETIRA DES- dinheiro que vai sair do bolso dos Público – UBP, das multas aplicadas
CONTOS NA ENERGIA ELÉTRICA agricultores”, explica. pela ANEEL e da transferência de
PARA OS AGRICULTORES E AQUI- Trazendo para âmbito local, recursos do Orçamento Geral da
CULTORES o presidente dá como exemplo a União. A Câmara de Comerciali-
No dia 28 de dezembro de 2018 um Creral que atua em 37 municípios zação de Energia Elétrica – CCEE
dos últimos atos do ex-presidente das regiões Alto Uruguai, Altos da assumiu a gestão dos fundos
Michel Temer foi assinar o Decreto Serra e Produção. Considerando setoriais a partir de 1º de maio de
9.642 que reduz os subsídios da valores de hoje, os cerca de seis mil 2017. Compete à ANEEL aprovar o
CDE (Conta de Desenvolvimento associados rurais da cooperativa Orçamento Anual da CDE e fi xar a
Energético). O governo alegou que devem pagar juntos R$ 3,5 milhões a quota anual, que deve correspon-
os subsídios estão embutidos na mais por ano após o fim do subsídio. der à diferença entre a necessidade
tarifa e não tem por que o consu- Em todo o Alto Uruguai somando os total de recursos da Conta e a
midor de energia elétrica subsidiar agricultores ligados a distribuidora arrecadação proporcionada pelas
atividades que não lhe tragam o valor pode chegar a R$ 10 milhões demais fontes. (Fonte: Aneel)
nenhum benefício. anualmente. “Mais uma vez quem
O decreto prevê que no prazo de produz está sendo prejudicado”,
cinco anos todos os benefícios rela- conclui Alderi do Prado. VARA FEDERAL DE PARNAÍBA
tivos a setor energético deixarão de Além da classe rural e irrigantes, ANULA MULTA APLICADA PELO
existir. Neste período de tempo os o serviço público de água, esgoto IBAMA
benefícios serão reduzidos à razão e saneamento também perderá A Vara Federal de Parnaíba- Piauí
de 20% ao ano, até sua extinção, o desconto de 15% incluído como anulou multa aplicada pelo IBAMA
começando em janeiro de 2019. subsídio da CDE.  na AQUINOR, no valor de 120 mil
A medida adotada pelo governo O que é a CDE? reais. O Ibama alega que o cultivo
prevê ainda a eliminação de des- A Conta de Desenvolvimento de camarão funciona dentro da
contos tarifários acumulados con- Energético (CDE) é um fundo APA do Delta da Paraíba, unidade
cedidos a irrigação e aquicultura, setorial que tem como objetivo de conservação federal, sem auto-
que permitia que um mesmo con- custear diversas políticas públicas rização do ICMBIO. Porém, o juiz
sumidor tivesse acesso aos dois do setor elétrico brasileiro, tais federal acolheu a tese de que tal

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anuência é desnecessária, porque damente com novas tecnologias e
o empreendimento funciona desde clientes cada dia mais exigentes.
1980 e a APA só foi criada em 1996. Não tenho dúvidas de que juntos
A multa foi anulada e o Ibama teremos um futuro de muito sucesso”
condenado a pagar horários advo- Nossos agradecimentos especiais
catícios. Com esta decisão, a ação aos grupos: Camanor, Maricultura
de execução fiscal, movida pelo Cutia, Faz. Sol Nascente, Aquafarm,
Ibama, também será extinta. Nutrimais Distribuição e demais
O ano de 2019 é bastante impor- criadores, pela confiança e parceria.
tante para a família Polinutri, pois
comemoramos 30 anos de nossa
fundação: uma história de muito RELATÓRIO DO RABOBANK DESTA-
trabalho, sucesso e de contribuição CA A EFICIÊNCIA DA CONVERSÃO
para o mercado de nutrição animal. ALIMENTAR DA AQUICULTURA
“As celebrações chegaram com A aquicultura é a mais jovem, de
tudo: um novo posicionamento vai mais rápido crescimento e mais dinâ-
ganhando vida, guiado pelo desejo mica indústria de produção de prote-
genuíno de sermos sempre mais ína. Tendo crescido numa CAGR (taxa
próximos e parceiros de cada clien- de crescimento anual composta) de
te e do mercado. Com nosso novo mais de 6% na última década (2005-
slogan, afirmamos: juntos vamos 2015), a aquacultura ultrapassou os
mais longe, porque a soma de nossas volumes produzidos pela indústria
capacidades nos levará a voos cada de carne bovina. E, em alguns anos,
vez mais altos”, afirma o Gerente de ultrapassará produtos da pesca e
Marketing Luís Gustavo. ovos, tornando-se a terceira maior
E, pela primeira vez em nossa his- indústria produtora de proteína do
tória, contratamos um presidente de mundo, atrás de aves e suínos.
mercado: o Sr. Paulo Andrade. Esse crescimento é impulsionado
Com mais de 30 anos de expe- por muitos fatores, como avanços
riência em empresas nacionais tecnológicos e a tendência de
e internacionais, a liderança de consumo de proteínas saudáveis
Paulo traz consigo forte histórico ricas em gorduras e ômega-3. O uso
de crescimento e evolução nos mais eficiente da ração é uma vantagem
diversos mercados, em empresas chave da aquicultura em relação a
como: Amanco, Cremer, Atmosfera, outras proteínas, permitindo que
Enova Foods, Pif Paf, dentre outras. o preço do pescado cultivado seja
Segundo Paulo: “Nesses poucos competitivo em comparação com as
POLINUTRI COMEMORA 30 ANOS dias, já tive a oportunidade de visitar proteínas terrestres, embora esta
DE EXISTÊNCIA algumas unidades e conversar com indústria tenha uma menor escala
Fundada em 1989, a Polinutri é muitas lideranças e clientes. Fiquei de produção e maturidade.
uma empresa brasileira comprome- impressionado especialmente com Entre os muitos fatores de mu-
tida com o oferecimento de soluções a bagagem técnica dos nossos pro- dança, O Rabobank identifica três
e produtos nutricionais de alta fissionais e a abertura que tiveram dinâmicas-chave que ocorrem em
tecnologia para criadores de aves, para me trazer oportunidades de diferentes partes da cadeia de valor
suínos, bovinos, peixes, camarões, evolução.” que moldarão a indústria da aquicul-
assim como aos segmentos de ani- Também ouvi de todos os clientes tura na próxima década, a saber:
mais de companhia (pet), equinos que a Polinutri é uma das empresas (1) desenvolvimento de novos
e aquarismo ornamental. Com três mais conceituadas do mercado e ingredientes para rações
unidades fabris, três centros de dis- reconhecida como uma companhia (2) mudanças de tecnologia de
tribuição, um complexo laboratorial séria que entrega para o cliente tudo cultivo e modelos de negócios
de nutrição animal e um escritório aquilo com o que se compromete. (3) A China deixará de ser o maior
internacional, a Polinutri está loca- Nosso grande objetivo é alicer- exportador mundial de pescado
lizada em Osasco (SP), Eusébio (CE), çar a empresa para que sejamos para potencialmente tornar-se o
Maringá (PR), Lajedo (PE), Treze cada vez mais competitivos nesse maior importador de pescado
Tílias (SC) e Lavras (MG). mercado que evolui muito rapi- Com essas dinâmicas, a aqui-

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economias avançadas tenham
acesso a uma grande variedade
de produtos de pescado com va-
lor agregado e não são afetados
por aumentos de preços, seus
níveis de consumo per capita vêm
se aproximando de seu “ponto
de s atu r aç ão” em t er mos de
quantidade. A FAO observa que
o crescimento do consumo de
pescado per capita na UE e nos
Estados Unidos tem desacelerado
nos últimos anos, e também nas
últimas duas décadas no Japão
Eficiência da conversão alimentar de animais aquícolas e terrestres
(embora partindo de um nível
alto), enquanto o consumo per
c u ltu r a p o der á s er u m a d a s para 2016 e 2017 apontam para capita de aves e suínos nestes
pr i ncipa is soluções pa ra a l i- um crescimento adicional para mercados aumentou.
mentar a população global com cerca de 20,3 kg e 20,5 kg, res- O crescimento do consumo de
demanda crescente, com uma pectivamente. Além disso, desde pescado nos pa íses asiáticos,
d iet a m a i s s aud ável , u s a ndo 1961, o aumento médio anual do particularmente no leste (com
menos dos recursos escassos do consumo mundial de peixe como exceção do Japão) e sudeste da
planeta. alimento de 3,2% ultrapassou o Ásia, tem sido impulsionado pela
crescimento da população (1,6%) combinação de uma população
AUMENTO DA RENDA E MAIOR e superou o consumo de carne de crescente cada vez mais urbana,
URBANIZAÇÃO VÃO SUSTENTAR animais terrestres combinados expansão dramática da produ-
O CRESCIMENTO DO CONSUMO DE (2,8%) e indiv idualmente (bo- ção pesqueira (em particular da
PESCADO vinos, ovinos, suínos e outros), aquicultura), aumento da renda e
O considerável crescimento da exceto aves (4,9 %). o crescente comércio internacio-
produção pesqueira e aquícola, Em 2015, o pescado represen- nal de pescado. A China, de longe
acompa n hado por u ma cres- tou aprox imadamente 17% da o país líder mundial em consumo
cente conscientização sobre o proteína animal e 7% de todas de pescado, respondeu por 38%
importante papel que o pescado as proteínas consumidas pela do total global em 2015, com seu
como gr upo de a limentos de- população mundial. Como tal, consumo per capita chegando a
sempenha em dietas saudáveis proporcionou para cerca de 3,2 41 kg.
e diversificadas, tem impulsio- bilhões de pessoas quase 20% de Em ter mos per capita, o
nado o consumo de pescado nas sua ingestão média per capita de consumo mundial de pescado
últimas cinco décadas. Outros proteína animal. deverá atingir 21,5 kg em 2030,
fatores que contribuem para o É claro que o consumo varia comparado com 20,3 kg em 2016.
aumento constante do consumo significativamente entre e den- Mas a taxa de crescimento anual
de pescado incluem um menor tro de regiões devido à inf luência do consumo per capita declinará
desperdício e melhor utilização de fatores culturais, econômicos de 1,7% em 2003-2016 para 0,4%
dos produtos, melhores canais e ge o g r á f ic o s - v a r i a ndo de para 2017-2030. O consumo de
de distribuição e demanda cres- menos de 1 kg a mais de 100 kg. pescado per capita aumentará
cente. Em termos gera is, porém, do em todas as regiões, exceto na
Segundo a Organização das total global de 149 milhões de África (-2%). A América Latina é
Nações Unidas para a Alimen- toneladas consumidas em 2015, a projetada para ter a maior taxa
tação e a Agricultura (FAO), em Ásia respondeu por mais de dois de crescimento com 18%, seguida
termos per capita, o consumo terços (106 milhões de toneladas pela Ásia e Oceania com 8% cada.
global de pescado aumentou de 9 e 24 kg per capita), enquanto Espera-se que as espécies cul-
kg em 1961 para 20,2 kg em 2015, Oceania e África tiveram a me- tivadas contribuam mais para o
representando uma taxa média nor participação. consumo mundial de pescado,
de crescimento de 1,5% ao ano. A FAO também destaca que, representando cerca de 60% do
Suas estimativas preliminares embora consumidores em muitas total em 2030.

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IMPORTAÇÕES DE CAMARÃO DOS toneladas. A Indonésia exportou EXPORTAÇÕES DE CAMARÃO DA
EUA ATINGEM UM NOVE RECORDE 118.057 toneladas de camarão ÍNDIA PARA OS EUA DEVEM AU-
EM 2018 para os EUA em 2017, enquanto o MENTAR APÓS TARIFA CONTRA O
Dados divulgados em março Equador totalizou 71.788 TM. O CAMARÃO DA CHINA IMPOSTA POR
deste ano revelaram que os Esta- seu total mais elevado em 2018 ul- TRUMP
dos Unidos importaram 695.723 trapassou a Tailândia no ranking, É provável que os produtos de pes-
toneladas de camarão em 2018, uma vez que o país do Sudeste cado da Índia tenham uma vantagem
estabelecendo um novo recorde de Asiático registou um declínio nas competitiva no mercado dos EUA,
tonelagem pelo terceiro ano con- exportações de camarão para os graças à imposição de uma tarifa
secutivo. Os números divulgados EUA de 74.523 toneladas em 2017 adicional de 25% sobre as importa-
pelo Setor de Ciência e Tecnologia para 49.703 toneladas em 2018. ções chinesas. “A nova decisão será
da NOAA, mostram que os EUA O Vietnã ta mbém passou a definitivamente problemática para
importaram 4,8% mais camarão Tailândia, com 58.383 toneladas a China. Inicialmente, eles poderiam
em 2018 do que no ano anterior. de exportação de camarão para absorver o imposto de 10%. Mas a
Como esperado, a Índia alcançou os EUA, bom o suficiente para o recente alta tarifária não será muito
o marco de se tornar o primeiro quarto lugar. A China subiu tam- agradável ”, disse um importante
país a atingir 500 milhões de bém, com 40.824 toneladas de exportador de pescado da Índia à
libras de camarão exportado para exportação de camarão para os publicação BusinessLine.
os Estados Unidos em um ano, ex- EUA. Argentina, Guiana e México “Temos uma posição dominante
portando 546,9 milhões de libras, - sétimo, oitavo e décimo, respec- no mercado de camarão nos EUA e
ou 248.127 toneladas, em 2018. tivamente, no ranking - tiveram essa vantagem pode ser totalmente
A Indonésia registrou 132.344 leves quedas em suas exportações explorada para obter uma partici-
t onel ad a s de e x p or t aç ão de em 2018. O Peru, em nono lugar, pação significativa em produtos de
camarão para os EUA em 2018, registrou um pequeno aumento pescado com valor agregado, onde a
ocupando o segundo lugar geral, de 9.950 toneladas em 2017 para China é muito forte devido a fatores
seguida pelo Equador com 75.891 10.532 toneladas em 2018. como competitividade de custos,

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volumes maiores e mão-de-obra Índia devem se atualizar com mais Mesmo com a aquicultura mundial
mais barata etc. “, disse o exporta- espaço de armazenamento para se continuar crescendo mais rapi-
dor. igualarem as unidades chinesas. damente do que outros setores de
“A Índia, no momento, não fez Para enfrentar a China, líder glo- produção de alimentos, o relatório
nenhuma incursão neste segmen- bal na produção de aquicultura, a sugere que já não se vê as taxas de
to, especialmente em produtos Índia deve se concentrar mais na crescimento anuais elevadas das
prontos para comer tipo aquecer e aquicultura sustentável, adotando décadas de 1980 e 1990 (11,3% e
servir. Atualmente, muitas poucas novas tecnologias para as quais o 10,0%, excluindo plantas aquáticas),
empresas domésticas estão envol- apoio do governo é uma obrigação, e conclui que o crescimento médio
vidas na exportação de produtos segundo este exportador. anual diminuiu para 5,8% durante
de pescado com valor agregado. o período de 2000 a 2016.
A situação emergente está pro- Das 80 milhões de toneladas pro-
porcionando às empresas aqui EMPREGOS NA AQUICULTURA PRO- duzidas em 2016; 54,1 milhões cor-
uma oportunidade de entrar no DUZEM MAIS VALOR DO QUE NA respondem a peixes, 17,1 a moluscos
mercado dos EUA de uma maneira PESCA e 7,9 a crustáceos (com 930 mil tone-
forte. Mas vai levar tempo. Temos Cada emprego na pesca produ- ladas de outras espécies). A China é
a matéria-prima para atender a ziu US$ 3.170,00, enquanto cada o maior produtor de aquicultura no
demanda”, disse ele. emprego na aquicultura produziu mundo, produzindo individualmen-
Dados da Autoridade de De- US$ 12.020,00 em 2016. te mais produtos da aquicultura do
senvolvimento de Exportação de O Relatório de Aquicultura da que o resto do mundo desde 1991.
Produtos Marinhos (Mpeda) reve- FAO (FAN, FAO Aquaculture News- Outros produtores importantes em
lam que a Índia exportou 35.000 letter) de outubro de 2018, enfatiza 2016 foram o Vietnã, Bangladesh,
toneladas de produtos de pescado o valor da produção aquícola por Egito e Noruega.
de valor agregado, no valor de US$ itens, esclarecendo que o valor O relatório destaca que 19,3 mi-
350 milhões, para o mercado dos da primeira venda de produtos lhões de pessoas trabalharam na
EUA no ano fiscal 2018, registran- da aquicultura foi reestimado e aquicultura em 2016, 47% do núme-
do um crescimento de 40% em re- o resultado gerou valores mais ro de pessoas que trabalharam na
lação ao ano anterior. Os produtos elevados do que o anteriormente pesca naquele mesmo ano. Seguin-
incluem alimentos preparados e estimado. O relatório esclarece que do esses números, cada emprego
conservados, camarão cozido, os dados disponíveis para calcular na pesca produziu US$ 3.170,00,
caranguejo pasteurizado etc. os volumes de produção da aquicul- enquanto cada emprego na aquicul-
As exportações totais de pes- tura são mais precisos e confiáveis tura produziu US$ 12.020,00.
cado para o mercado dos EUA do que as informações disponíveis Neste contexto, vale a pena con-
durante o período foram da ordem para calcular seu valor. siderar quando se trata de investir
de US$ 2,3 bilhões, com o camarão Assim, o relatório observa que dinheiro do contribuinte para
congelado como o principal item a produção total de produtos da manter ou aumentar a produção de
das exportações. aquicultura em 2016 foi de 80 pescado, através de investimentos
Atualmente, as empresas chine- milhões de toneladas de pescado diretos ou subsídios, se é mais con-
sas estão comprando camarão sem no valor de US$ 231,6 bilhões, 30 veniente investir em uma atividade
cabeça como matéria prima de milhões de toneladas de plantas que é mais eficiente na produção,
países como a Índia e Bangladesh e aquáticas com um valor estimado e seus produtos são vendidos com
reprocessando o camarão em em- de produção US$ 11,7 bilhões e maior valor nos mercados, como a
balagens especiais para consumi- 37.900 toneladas de produtos não aquicultura, do que investir em uma
dores para atender o mercado dos alimentícios no valor de US$ 213,6 cadeia pouco eficiente de produção
EUA. Com as tarifas adicionais, a milhões. cujos produtos nem sempre são
China perderia essa vantagem e os A produção total da aquicultura valorizados por sua sazonalidade e
compradores dos EUA vão preferir destinada ao consumo humano sua gama limitada de apresentação
comprar esses produtos da Índia, direto foi de 80 milhões de tone- e valor agregado como a pesca. Sem
segundo o exportador indiano. ladas, com um valor de USD $ 232 mencionar a falta de uma cadeia de
Os importadores americanos bilhões, o que representou 47% do frio e rastreabilidade que em muitos
não são compradores sazonais volume total e 64% do valor total da casos apresentam estes produtos
e precisam do produto ao longo produção da aquicultura e da pesca da pesca. Seria melhor informar
do ano. Para atender a oportu- produção nesse ano. Os produtos a sociedade sobre isso para que
nidade emergente, as unidades de aquicultura valem mais do que seus representantes decidam onde
de processamento de pescado da os produtos da pesca. devem investir.

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Artigo
Emenda Parlamentar Executada em 2019 –
Convênio ABCC/MAPA
Bruna Fernandes
Bacharel em Aquicultura – ABCC – brunafernandes@abccam.com.br

O
projeto de “Intercâmbios
Técnicos de Experiências
em Boas Práticas de Manejo
e Medidas de Biossegurança”
tem como objetivo promover
o i nt e r c a mbio e a d i f u s ão
de c on he c i ment o s t é c n ic o s
e t e c noló g ic o s c o mp at í ve i s
aos sistemas de produção da
ca rcin icultura, por meio da
realização de oficinas em dias de
campo e visitas técnicas sobre
Boas Práticas de Manejo (BPMs) e
Medidas de Biossegurança, com
vista à sustentabilidade da cadeia
produtiva da carcinicultura, Figura 1 – Instrutor Diego Maia ministrando a parte teórica para os participantes
selecionando como participantes
técnicos, micros, pequenos e médios
produtores de camarão dos Estados
do Rio Grande do Norte e Ceará.
O recurso destinado ao Projeto de
Intercâmbios Técnicos veio através
de uma emenda parlamentar do
Deputado Moses Rodrigues (CE) –
Convênio sob nº 842849/2017 – no
valor de R$ 268.186,00 (Duzentos e
Figura 2 – Instrutor Lindberg Santos na visita Figura 3 – Instrutor Tenysson Bacurau orien-
Sessenta e Oito Mil Cento e Oitenta de campo na Fazenda Ana Lívia tando os participantes na visita de Campo a
e Seis Reais). Fazenda Caribe
O projeto prevê a realização de a turma 03 será formada por pro-
3 cursos de intercâmbios em dois dutores do próprio Estado do Rio via, localizada em São Gonçalo do
tipos de sistemas, a saber o sistema Grande do Norte, compreendendo Amarante, Região Metropolitana
tri-fásico e o sistema intensivo, os municípios de Apodi, Mossoró, de Natal/ RN.
objetivando vivenciar na prática Assú, Pendencias, Macau, Guamaré, Os instrutores desta 1ª turma
os conhecimentos adquiridos e à São Bento do Norte, Extremos, São foram os Biólogos Diego Maia e
reflexão sobre as práticas apre- Gonçalo do Amarante e São Miguel Lindberg Santos, auxiliados pelos
sentadas, buscando alternativas do Gostoso para visitas a fazendas Bacharéis em Aquicultura Tenys-
de adaptação e de uso para essas de engorda em sistema trifásico e son Bacurau, Ricardo Bacurau,
tecnologias, de forma a atender à re- sistema intensivo. Bruna Fernandes e a Engenheira
alidade local, envolvendo 03 (Três) Nos dias 7 a 9 de maio de 2019, de Pesca Sheila Castro. Foram
cursos/capacitação. As turmas 01 e foi realizada a primeira turma: abordados durante o curso, dentre
02 sendo formadas por produtores “Intercâmbio de Experiências em outros, os procedimentos de BPM’S
do Estado do Ceará (Litoral Leste e BPM e Biossegurança entre Produ- e Medidas de Biossegurança em
Oeste), envolvendo aulas teóricas tores do Estado do Ceará (Litoral sistemas de Berçários Intensivos e
e práticas, visitas a fazendas de Leste) no Rio Grande do Norte para Raceways; Procedimentos técnicos
engorda em sistema trifásico e Vivenciar na Prática os Sistemas para aquisição de pós-larvas. Tra-
sistema intensivo localizadas no Trifásico e Intensivo em Fazendas tamento térmico para eliminação/
Estado do Rio Grande do Norte, e de Camarão.” Na Fazenda Ana Lí- convivência com doenças; Cultivos

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ideias envolvendo a apresentação
de técnicas de manejo direcionada
a melhoria dos resultados zootéc-
nicos das fazendas visitadas, onde
as mesmas estão trabalhando com
o sistema trifásico.
A primeira turma teve um total de
41 (Quarenta e um) participantes,
entre, produtores e técnicos, dos
municípios de Aracati, Jaguaruana,
Itaiçaba, Russas e Beberibe locali-
zados na Região Leste do Ceará. O
treinamento das turmas 02 e 03
estão previstos para se realizarem
nos meses de Julho e Agosto de 2019.
Figura 4 – Participantes da turma 1 do intercâmbio na visita técnica a Fazenda Caribe

de pós-larvas em berçários inten- mários e raceways, entre outros.


sivos primários; Cultivo de pós- Além do conteúdo apresentado
-larvas em Raceways. Tratamento de forma teórica, foram realizadas
da água para abastecimento dos 3 (Três) visitas técnicas em unida-
berçários primários e Raceways; des produtivas de camarão (Fa-
Preparação dos tanques berçários zenda Ana Lívia, Fazenda Caribe
intensivos primários e raceways; e Fazenda Regomolero), que muito
Monitoramento dos parâmetros contribuiu para o aprendizado e Figura 5 – Participantes visitando os viveiros do
físico-químicos nos berçários pri- intercambio de conhecimento e sistema intensivo cobertos da Fazenda Caribe

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Artigo
A Associação dos Criadores de Camarão do Piauí em Ação

Santana Júnior
Presidente ACCP

plano de manejo, adequando possíveis

C
om a renovação em maio de nidade do Piauí, órgãos de imprensa,
2019 de mais um mandato à SEMAR, IBAMA e ICMBIO. mudanças que estejam por vir, e asse-
frente da ACCP (Associação Posteriormente, eu e o vice-presi- gurando, que as fazendas existentes,
dos Criadores de Camarão do Piauí), dente da ACCP Roberto Dutra tive- não sofram nenhuma alteração;
em maio de 2021 completaremos mos uma reunião, com o Secretário 3. Assegurar junto a SEMAR-PI as
nosso quarto mandato, portanto, do Meio Ambiente do estado do Piauí liberações das LO de 100% das fazen-
8 anos de gestão à frente da ACCP. Dep. Estadual Ziza Carvalho, na épo- das do Piauí, até dezembro de 2019;
Tempo suficiente para deixarmos as ca, o Superintendente da SEMAR,
coisas nos trilhos, e a ACCP pronta Moura Fé e a Diretora da SEMAR 4. Conclusão do estudo de zoneamento
para que outro produtor assuma Danielle Melo, com o objetivo prin- da área da APA, que é reponsabilidade
a presidência desta importante cipal de destravar as LO das fazendas do estado, mas que está sendo feito pela
entidade. do estado, que na sua grande maioria ACCP, custeado pelos produtores e já
A ACCP tem quase 20 anos de exis- estavam trabalhando sem licenças está sendo realizado pelo Dr. Marcio
tência, tendo funcionado de forma e impedidas de operacionalizar Vaz, Ph.D., com conclusão prevista
fortalecida com ações pontuais nos suas ações junto a outros órgãos para junho 2019.
anos de 2001 a 2005. A partir de 2005 ambientais e instituições bancárias. 5. Avaliar possível PPP (Parceria
a diretoria foi desfeita e a ACCP ficou Público Privado), junto ao governo do
por 10 anos sem nenhuma ação, pe- estado, na criação de um policiamento
ríodo que praticamente não tivemos PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DA rural, com intuito de inibir/banir
nenhuma fazenda com LO (licença ACCP 2019/2020 roubos nas fazendas de camarão;
de operação).
1. Concluir Plano de Manejo da APA 6. Eleição da Diretoria da ACCP,
Numa necessidade de revitalizar
Delta do Parnaíba até dezembro 2019; maio/2019, e continuidade dos tra-
a ACCP e na tentativa de fortalecer
2. ACCP como membro do conselho do balhos para o Biênio 2019/2021.
nosso setor, eu e Roberto Dutra nos
juntamos, arregaçamos as mangas
e fomos cuidar de reativar a ACCP
que estava com algumas contas em
atraso, IR não declarado por 10 anos,
CNPJ caducado, enfim praticamente
reiniciamos do zero, e arcamos com
grande parte dos custos do nosso
próprio bolso, já que não havia re-
ceita. Parte dos custos foram pagos
através da ABCC com os recursos
da CPR (contribuição permanente
de ração), fundo repassado pelos
fabricantes de ração, referente ao
percentual de 1% da ração de cama-
rão vendido.
Nossa primeira ação foi alugar e
mobiliar uma sala e contratar uma
secretária para que pudéssemos
atender a todos os produtores e
algumas demandas do setor, enfim
nos mostrarmos à sociedade/comu- FIGURA 1 – Dados de produção de camarão de cultivo do Piauí em tons. Fonte: ACCP

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AÇÕES DIVERSAS DESENVOLVIDAS embora quem tem o poder de liberar Paulino Neves e Araioses. A área
PELA ACCP as LO seja a SEMAR, mas no passado em questão possui uma população
Reuniões ICMBIO, como membro o ICMBIO multou algumas fazendas, de aproximadamente 360.000
do conselho do Plano de Manejo mesmo licenciadas, por entender que habitantes.
da APA do Delta; Reuniões com o produtor era obrigado a comunicar Foi por ser uma APA, criada por
produtores ACCP;. Participação da a este órgão, que havia recebido a LO. decreto em 28/08/2009 e nunca ter
câmara setorial de carcinicultura Entendemos que este era um dever realizado um plano de manejo, com
em Brasília;. Reuniões com gestor do estado, mas como sempre, o pro- definições claras das diretrizes da
da Eletrobrás;. Participação de Força dutor é alvo destas arbitrariedades, UC (Unidade de Conservação), do
Tarefa junto aos senadores em defe- e é quem arca com o ônus. O estado que é ou não é permitido, do que é de
sa da não importação de camarão do conta com 980 ha de área de cultivo uso restrito, de uso comunitário, uso
Equador. de camarão. Somos 10 fazendas, a moderado ou de uso industrial e zona
de produção, que tivemos este atraso
no desenvolvimento das atividades
da carcinicultura, turismo, eólicas,
hotéis, resorts, etc. Por não ter defini-
do estas regras, ocorreu uma grande
pressão por parte do MPF (Ministério
Público Federal), junto ao ICMBIO,
órgão responsável pela gestão da
APA. Sem os devidos recursos para
realização deste Plano de Manejo, o
ICMBIO teve a oportunidade de reali-
za-lo através de uma contrapartida de
uma empresa eólica instalada em Par-
naíba, a Ômega, que doou quase R$ 1
milhão para a SEMAR, e esta repassou
quase a sua totalidade para o ICMBIO
para poder assim, custear o plano de
manejo, que teve início em 2017, e tem
prazo para estar 100% concluído em
novembro de 2019.
Em março deste ano foi realizado
em Parnaíba, por uma semana segui-
da, a oficina do plano de manejo para
discussão e definições de todos os
pontos de importância. Esta oficina
teria que ser formada por uma equi-
pe multidisciplinar, e que envolvesse
os diversos elos da cadeia: ICMBIO,
SEMAR dos 3 estados (nesta oficina
só estava presente a do Maranhão),
setor produtivo (estava presenta
apenas a ACCP, por mim represen-
FIGURA 2 – Ações diversas da ACCP grande maioria operando há quase tada), e empresa eólica Ômega, e a
40 anos. empresária Ingrid Clark, proprie-
A APA do delta do Parnaíba, tária da Ilha do Caju. Dos quase 40
CARCINICULTURA NO PIAUÍ possui 310.000 ha e está inserida participantes 95% eram ambientalis-
O Estado do Piauí possui o menor li- em 3 estados (Ceará, Piauí e Ma- tas, do próprio ICMBIO, ONGS (aves
toral do Brasil, apenas 60 km de costa ranhão) atingindo 10 municípios. migratórias, peixe boi, tartarugas,
e toda esta área é uma APA (Área de No Ceará: Chaval e Barroquinha. pastoral etc.) e comunidades contra
Proteção Ambiental). Sofremos uma No Piauí: Cajueiro da Praia, Luís o desenvolvimento da região.
justaposição de poderes no licen- Correia, Parnaíba e Ilha Grande. Dentro do contexto e das múl-
ciamento e nas fiscalizações, muito No Maranhão: Água Doce, Tutóia, tiplas atividades empreendidas

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na APA, a Carcinicultura já está
instalada há 40 anos, bem antes da
criação da APA, que só tem 10 anos,
e muito antes do Código Florestal,
e da criação de alguns órgãos am-
bientais, como é o caso do ICMBIO.
Portanto, uma atividade, que além
da geração de emprego e renda tem
assegurado a manutenção de suas
áreas já implantadas, de aproxima-
damente 1.000 ha, após o último
código florestal de junho/2008. Isso
também ficou resguardado junto a
esta oficina do plano de manejo, ou FIGURA 3 – Participantes da Oficina do Plano de Manejo APA Delta Parnaíba. Março/2019.
seja, as fazendas já instaladas não
sofrerão alterações, conforme pre-
gavam alguns membros de órgãos
ambientais. Para os novos projetos/
ampliações dos já existentes, serão
necessárias bacias de decantação,
bem como sistema do reuso de água.
O setor da carcinicultura está
inserido na Zona de Produção, que
é a zona que compreende áreas de
ocupação humana, e é permitido as
FIGURA 4 – Mapa proposto ICMBIO FIGURA 5 – Discussões oficina plano de manejo
atividades de produção de aquicul-
tura, pesca, agricultura, pecuária,
silvicultura, industrial etc.
Acima, em amarelo, os limites da
APA do Delta do Parnaíba, segundo
o pessoal do ICMBIO, com os quais
não concordamos junto com o
Superintendente da SEMAR-PI
Moura Fé, que inclusive já se pro-
nunciou contra esta ampliação da
área, e também enviou parecer da
procuradoria estadual, que afirma,
que conforme artigo 22, inciso 7º. Da
lei 9985/2000 – A desafetação ou
redução dos limites de uma unidade
de conservação só pode ser feita me-
diante uma lei específica, e não da
forma que o ICMBIO está propondo.
Talvez a intenção do ICMBIO seja FIGURA 6 – Limites da APA do Delta do Parnaíba segundo o ICMBIO
a de tentar barrar investimentos
no município de Luís Correia O CAMARÃO DO PIAUÍ COMO OB- tema: EFEITO DA INTENSIFICAÇÃO
(área da expansão), como hotéis, JETO DE ESTUDO DE UMA TESE SOBRE A SUSTENTABILIDADE DO
resorts e projetos de energia eó- DE DOUTORADO CULTIVO SEMI INTENSIVO DO
lica (Barrinha/Macapá, povoado Foi realizado em 2015 um traba- CAMARÃO VANNAMEI.
de Mixiriqueira), impedindo o lho junto a 8 fazendas de camarão, Esta tese evidenciou alguns
desenvolvimento do município que sendo 5 no Ceará e 3 no Piauí como pontos importantes, como a bios-
certamente estes investimentos parte de uma tese de doutorado da segurança e a sustentabilidade. A
trarão benefícios para inúmeras UNESP(Universidade Estadual Pau- Sustentabilidade na aquicultura é
famílias através da geração de lista) e EMBRAPA de Parnaíba, da baseada na utilização racional dos
emprego e renda. Dra. Carolina Mendes Costa com o recursos financeiros, naturais e

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Bacia de Decantação (1,8 ha) a produção lucrativa, conservação
do meio ambiente e o desenvolvi-
mento social. Estes são essenciais e
indissociáveis para que a atividade
seja perene (tese doutorado Dra.
Carolina Mendes).
A tese comprovou que o sistema
de produção adotado na fazenda
ACQUABRASILIS, em Luis Correia-
-PI mostrou o melhor resultado
sócio ambiental, considerando o
sistema de produção, com o reuso
FIGURA 7 – Faz. Acquabrasilis, construída em 2001, portanto 18 anos atrás, e a primeira do Piauí
construída com bacia de decantação, que permite o reuso da água. Densidade de 55 cam/m2. Uso de de água, através de uma bacia de
alimentadores automáticos. Produtividade de até 4.211 kg/ha (março/2019). decantação comprovando a viabili-
dade do sistema; e que atualmente
está no terceiro cultivo utilizando
a mesma água, que foi captada em
setembro de 2018.
A l é m d a A c qu a b r a s i l i s , a
Aquafarm está sendo pioneira na
implantação de estufas e criação
de camarão em sistemas superin-
tensivo.
A Aquafarm iniciou investimen-
tos em sistemas superintensivos,
FIGURA 8 – Faz. Aquafarm Sistemas de Estufas/ FIGURA 9 – Faz. Aquafarm: área em ampliação logo após o aparecimento da Man-
cha Branca, em outubro de 2016.
Em março de 2017 iniciou o cultivo
na primeira estufa, apenas na fase
juvenil (berçários e raceways). Na
fi gura temos os dados iniciais de
produção na fase de engorda, com
15gr, 18 e 17 gr respectivamente.
Os maiores desafios deste siste-
ma são: genética, mão de obra e nu-
trição. Genética, muito pouco tem
sido feito nesta área. Mão de obra,
um caminho difícil a ser seguido,
mas com muitos treinamentos/
capacitações e aprendendo com os
erros, conseguimos ter uma equipe
com bom desempenho. Nutrição:
Há empresas no mercado, com
alto grau de confiabilidade, que
desenvolveram um produto especí-
fico para sistemas superintensivo,
utilizando matéria primas de alto
valor nutricional, como é o caso do
FIGURA 10 – Dados de produção em estufa da Aquafarm
produto Poli camarão 380 PF, com
38% PB, óleos essenciais, betaglu-
humanos no processo de produ- vida das comunidades locais sem cano, e ingredientes de altíssima
ção. Desse modo, é uma atividade degradar os ecossistemas nos quais qualidade, que conferem uma boa
economicamente viável, e que se insere (Arana, 1999; Valenti, digestibilidade, além do tamanho
propicia melhoria na qualidade de 2008). Envolve três componentes: reduzido do pellets, de 1,6 mm.

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Artigo
Múltiplas refeições promove um melhor desempenho
zootécnico em juvenis do Litopenaeus vannamei
Alberto J. P. Nunes, Ph.D.* / Hassan Sabry Neto, Dr. / Francisco Hélio Pires da Silva
LABOMAR Instituto de Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará, Avenida da Abolição, 3207 - Meireles, Fortaleza, Ceará –
60.165-081. *alberto.nunes@ufc.br
Adhemar Rodrigues de Oliveira-Neto, Dr.
Evonik Brasil Ltda, Rua Arquiteto Olavo Redig de Campos, 105. Torre A, andar 13 e 14. São Paulo, São Paulo – 04.711-904
Karthik Masagounder, Ph.D.
Evonik Nutrition & Care GmbH. NC, 10-B531, Postfach 1345, Rodenbacher Chausse 4, 63404. Hanau-Wolfgang, Alemanha

RESUMO Os camarões peneídeos pos- tendem a permanecer em contato


Este estudo avaliou o efeito da ali- suem estômagos pequenos e, com a água por mais tempo, inva-
mentação de juvenis do L. vannamei portanto, precisam consumir riavelmente resultando na perda
múltiplas vezes ao dia utilizando alimento continuamente ao longo de nutrientes essenciais, como os
um alimentador automático versus do dia e da noite. Consequente- aminoácidos (AA). Devido à redução
duas (2x) e quatro (4x) vezes ao dia mente, espera-se que um maior no uso de farinha de peixe, a suple-
de forma manual empregando ban- parcelamento da refeição diária mentação de aminoácidos cristalinos
dejas de alimentação. Os camarões represente uma melhor estraté- (CAAs) tem se tornado uma prática
foram alimentados com uma dieta gia na alimentação de camarões. obrigatória na formulação de rações
prática, porém com baixa inclusão Entretanto, pesquisas realizadas para camarão. Isso requer, por
de farinha de peixe, suplementada no passado concluíram que não parte dos carcinicultores, a adoção
com aminoácidos cristalinos. Os é vantajoso para o desempenho de estratégias de alimentação mais
resultados mostraram que é mais zootécnico de camarões juvenis a avançadas objetivando reduzir a rá-
vantajoso alimentar o L. vannamei alimentação mais de duas ou três pida perda desses nutrientes na água.
várias vezes ao dia. vezes ao dia. Estudos recentes Este artigo resume a publicação
realizados nos EUA e Austrália original (Aquaculture Internatio-
contradizem esses resultados. nal, 2019, 27: 337–347, https://doi.
INTRODUÇÃO Arnold et al. (2016) concluíram org/10.1007/s10499-018-0330-7)
Em fazendas de carcinicultura que a alimentação do camarão de um estudo que comparou a ali-
marinha, as rações são ofertadas tigre, Penaeus monodon, realiza- mentação múltipla (10 refeições
aos camarões de forma manual. A da seis vezes ao dia reduz o FCA ao dia) utilizando um dispositivo
ração pode ser distribuída a voleio e aumenta a taxa de crescimento automático operado durante o
próxima aos taludes do viveiro ou de forma significativa comparado dia e noite versus a alimentação
de caiaques, percorrendo toda com duas vezes. Já Jescovitch et manual realizada duas e quatro
unidade de cultivo. O alimento al. (2018) compararam a alimen- vezes ao dia. Foram investigadas
é lançado uniformemente sobre tação de juven is do ca ma rão se essas estratégias de alimenta-
a água ou depositado, parcial ou branco, Litopenaeus vannamei, ção poderiam afetar o desempe-
exclusivamente, em bandejas de alimentado várias vezes ao dia nho zootécnico do L. vannamei
alimentação. Em viveiros com até e à noite usando alimentadores quando do uso de uma ração
30 camarões/m 2 , a ração é forneci- aut om át icos ver su s m a nu a l , pobre em farinha de peixe, mas
da de duas a quatro vezes ao dia. O duas vezes ao dia. Os autores con- suplementada com aminoácidos
aumento da frequência alimentar cluíram que a alimentação dia e cristalinos.
pode ocorrer em sistemas mais noite resulta em um crescimento
intensivos, mas é evitado por significativamente mais rápido
ser considerado oneroso já que e em um maior peso corporal e DESENHO EXPERIMENTAL
a alimentação mecânica não é produtividade dos camarões. Os camarões foram cultivados
ainda amplamente difundida na Devido ao lento comportamento nas instalações de pesquisa em
indústria. alimentar dos camarões, as rações aquicultura do LABOMAR/UFC,

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FIGURA 1 – Unidade de pesquisa em aquicultura
costeira do LABOMAR/UFC onde o trabalho foi
realizado.

FIGURA 2 – Fabricação da ração experimenta FIGURA 3 – A, alimentador mecânico desenvolvido no LABOMAR/UFC para alimentação dos cama-
rões múltiplas vezes. Ilustração: Dr. Leandro Fonseca Castro. B, alimentador instalado

loca lizada no Eusébio, Cea rá marinhos. A inclusão de farinha correspondente de Met+Cis (cis-
(Figura 1). Foram utilizados 16 de salmão, farinha de lula e óleo teína) de 1,28%. As dietas foram
tanques circulares de 1 m 3 cada de salmão foi fixada e 3,00, 1,08 e fabr icadas com equipa mento
mantidos em área aberta. Um to- 3,00% (% da ração, base natural), laboratorial (Figura 2), conforme
tal de 1.632 juvenis do L. vannamei respectivamente.  descrito em Nunes et al. (2011).
com 1,06 ± 0,16 g (média ± desvio Para maximizar o crescimento Os camarões foram alimentados
padrão, d.p.) foram estocados dos camarões, a ração foi suple- de duas formas: (1) manualmente,
na densidade de 100 animais/m 2 mentada com DL-metionil-DL- duas vezes (2x) ou quatro (4x) vezes
(102 camarões por tanque). Os -metionina (AQUAVI® Met-Met, ao dia, usando uma bandeja de ali-
camarões foram inicialmente Evonik Nutrition & Care GmbH, mentação alocada em cada tanque;
aclimatados por 10 dias com uma Ha nau, A lema n ha), L-Lisi na, (2) mecanicamente, usando um dis-
ração comercial desintegrada e L-Treonina e L-Arginina a 0,36, positivo de alimentação automática
em seguida alimentados por 70 1,29, 0,40 e 0,25%, respectiva- posicionado no topo de cada tanque
dias com uma ração experimen- mente. Isto resultou num teor para fornecer refeições múltiplas
tal. A ração foi formulada com dietético tota l de metionina, (10 no total) durante o dia (D) ou
32% de proteína bruta (% na base lisina, treonina e arginina de durante o dia e noite (D&N) em ho-
seca), contendo uma menor quan- 0,81, 1,89, 1,38 e 2,01% (base seca), rários pré-estabelecidos (Figura 3).
tidade possível de ingredientes respectivamente, com um nível Oito tanques de cultivo foram de-

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signados para cada frequência ali- comparados aqueles alimentados vezes. Porém, não foi possível ob-
mentar. Na alimentação manual, as manualmente, duas (2x) ou quatro servar um aumento significativo no
bandejas mediam 2,5 cm de altura e (4x) ao dia (Tabela 1). Porém, não peso corporal dos camarões quando
29,8 cm de diâmetro (área de 697,5 houve diferença na sobrevivência esses foram alimentados múltiplas
cm 2), uma ampla área para evitar entre 2x e 4x alimentações diárias. vezes, somente durante o dia (11,33
uma possível competição alimentar. Os camarões também cresceram ± 0,67 g) comparado com o D&N
Ambos os métodos de alimentação mais rápido quando a frequência ali- (11,33 ± 0,32 g). Uma resposta pare-
seguiram uma única tabela de ali- mentar foi aumentada de duas para cida foi detectada para o ganho de
mentação para cálculo das refeições quatro vezes ou mais ao dia ou ao dia produtividade. A produtividade foi
diárias. As refeições foram ajustadas e à noite. O crescimento semanal dos incrementada de forma significativa
assumindo uma redução semanal camarões alimentados 2x foi de 0,67 quando se alimentou os camarões
estimada de 1,5% na sobrevivência ± 0,06 g. Um aumento da frequência várias vezes ao dia, muito embora
dos camarões em todos os tanques alimentar para 4x ou mais incre- diferenças não foram aparentes
de cultivo. Foram realizadas bio- mentou o crescimento semanal para entre a alimentação múltipla diurna
metrias quinzenais (dias 14, 28, 42 0,91 ± 0,03 g. independente da forma e D&N. A alimentação manual 4x ao
e 56) pesando-se individualmente de distribuição, i.e., manual ou me- dia resultou em um maior ganho de
cinco camarões de cada tanque. cânica. Não foi percebido benefício biomassa comparado com a alimen-
As refeições diárias aumentavam no crescimento semanal quando a tação 2x ao dia.
assumindo o ganho de peso diário da frequência alimentar foi aumentada O consumo alimentar, i.e., quanti-
população determinado na última para mais de 4x ao dia ou quando a dade de ração ofertada por camarão
biometria. A publicação original ração foi ofertada múltiplas vezes, estocado, foi significativamente
deve ser consultada para obter infor- somente durante dia ou durante o menor na alimentação manual
mações detalhadas sobre os tanques dia e a noite. de 2x ao dia comparado com mais
de cultivo, estocagem dos camarões, O peso corporal dos camarões foi vezes, seja manual ou mecânica.
formulação, alimentação, manejo do incrementado com um aumento da Também foi possível observar um
sistema, cálculos do desempenho frequência alimentar, de 2x para 4x efeito estatístico significativo no
zootécnico dos camarões, análises es- para múltiplas vezes. Portanto, a FCA (fator de conversão alimentar)
tatísticas e referências bibliográficas. alimentação manual dos camarões quando a ração foi distribuída mais
até 4x ao dia resultou em um menor vezes. Houve uma queda significa-
peso corporal na despesca (10,95 ± tiva no FCA, de 2,46 ± 0,31 as 2x ao
RESULTADOS E DISCUSSÃO 1,33 g) comparado com camarões dia para 1,59 ± 0,08 quando a ração
Os resultados demonstraram que alimentados mecanicamente várias foi distribuída mecanicamente
a alimentação do L. vannamei várias
vezes, ao invés de apenas duas ou Tabela 1 – Desempenho zootécnico (média ± d.p.) do L. vannamei alimentado 2x ou 4x ao dia em
bandejas de alimentação e múltiplas vezes ao dia (dia ou D&N) com um alimentador mecânico. Letras
quatro vezes ao dia, aumenta a comuns na mesma linha indicam diferenças não estatisticamente significativas ao nível  = 0,05 de
sobrevivência e o crescimento dos acordo com o teste de Tukey HSD.
camarões e melhora a eficiência
alimentar. Esses resultados estão Horário (Frequência) de Alimentação
de acordo com pesquisas recentes.
Manual/Bandeja Automático/Alimentador
Um maior parcelamento da refeição Desempenho
Alimentar Mecânico ANOVA P
zootécnico
diária leva a uma exposição do ca- Dia Dia Dia Dia & Noite
marão a rações em um estado mais (2 vezes) (4 vezes) (múltiplas) (múltiplas)
fresco, o que resulta em um melhor Sobrevivência 83,46 ± 85,42 ± 94,24 ± 96,81 ± 4,18b 0,008
crescimento e utilização do alimento final (%) 8,01a 11,76a 6,10ab
pelo L. vannamei. Peso corporal 8,74 ± 10,95 ± 11,33 ± 0,67c 11,33 ± 0,32c < 0,0001
Após 11 semanas de cultivo, a final (g) 0,63a 1,33b
sobrevivência, crescimento e efi- Crescimento 0,67 ± 0,89 ± 0,88 ± 0,06b 0,91 ± 0,03b < 0,0001
ciência alimentar do L. vannamei (g/semana) 0,06a 0,12b
foi influenciada pela frequência Produtividade 623 ± 69a 838 ± 56b 942 ± 75c 1,004 ± 48c < 0,0001
alimentar e horário de alimentação (g/m2)
(Tabela 1). Os camarões alimentados Consumo 15,2 ± 0,5a 16,2 ± 0,6b 16,3 ± 0,6b 15,9 ± 0,4b 0,001
múltiplas vezes ao dia, seja somente (g/camarão)*
durante o dia (D) ou durante ou 2,46 ± 1,94 ± 1,74 ± 0,09bc 1,59 ± 0,08c 0,001
dia e a noite (D&N) apresentaram FCA
0,31a 0,15b
uma maior sobrevivência final *quantidade de ração ofertada (g) por camarão estocado.

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múltiplas vezes durante o D&N. de 2 h de agitação em água, caindo sig- o dia. Ao contrário de outros camarões
Houve também uma melhoria no nificativamente às 4 h. Isto sugere que peneídeos, o L. vannamei parece apre-
FCA quando a alimentação de 4x foi a lixiviação dos nutrientes presentes sentar uma maior atividade alimentar
comparada com a de D&N, mas não na ração também aumentou propor- durante o dia. Assim, é provável que a
quando comparada com a alimen- cionalmente aos períodos de imersão alimentação mais frequente durante
tação múltipla realizada somente em água. Embora a lixiviação de CAAs o dia e com menos frequência à noite
durante o dia. na água não tenha sido medida, menos possa permitir um incremento na fre-
Os resultados de estabilidade física refeições ofertadas ao dia aumentam quência alimentar além das 10 vezes
da ração indicaram uma redução a exposição da ração a água. Isso leva ao dia adotado no presente trabalho.
significativa nesse parâmetro com a um risco maior de lixiviação rápida
um maior tempo de imersão em água desses e de outros nutrientes da PERSPECTIVAS
(Figura 4). A menor hidroestabilidade dieta antes que os camarões possam A suplementação dietética de nu-
foi observada após 4 h de imersão consumi-los. Os camarões ingerem a trientes limitantes, especialmente
comparado com os demais períodos. maior parte da refeição dentro das pri- AAs, está se tornando uma prática
A ração utilizada no presente estudo meiras 2 h após a oferta. No entanto, a comum entre os fabricantes de ração
continha apenas 3% de farinha de lixiviação de CAAs pode ocorrer já nos para camarão, impulsionada pela
peixe e suplementação com aminoá- primeiros 30 min. de exposição à água, forte tendência de dietas com um
cidos cristalinos (CAAs), incluindo conforme relatado por vários autores. menor conteúdo de farinha de peixe.
DL-Met-Met, L-Lisina, L-Arginina e Porém, no presente estudo, é incerto Os resultados do nosso estudo de-
L-Treonina, de forma a evitar a defi- afirmar se um melhor desempenho monstraram que a alimentação do L.
ciência desses nutrientes. Outras for- zootécnico dos camarões alimentados vannamei múltiplas vezes ao dia resul-
mas de metionina sintética são mais múltiplas vezes ao dia foi promovido ta em uma melhoria na sobrevivência,
propensas a lixiviação. Xie et al. (2017) por uma menor lixiviação de CAAs. crescimento e eficiência alimentar
mostraram que uma dieta suplemen- Em acordo com o trabalho de ao se utilizar uma ração com pouca
tada com DL-Met tem uma maior taxa Velasco et al. (1999), não se observou farinha de peixe suplementada com
de lixiviação de metionina em água nenhum benefício no desempenho aminoácidos cristalinos.
do que outra dieta suplementada com dos camarões quando se alimentou Apesar dos avanços significativos
DL-Met-Met. Em outro estudo, Niu et múltiplas vezes durante o D&N, em na nutrição dos camarões, a lixi-
al. (2018) concluíram que a DL-Met-Met vez de múltiplas vezes apenas durante viação dos principais nutrientes da
é de 286 a 300% mais disponível que a o dia. No entanto, houve uma melhoria dieta continua a impor desafios. Como
DL-Met, parcialmente relacionando na sobrevivência, FCA e no ganho de nenhuma alternativa viável parece
essas diferenças a lixiviação. Em nosso produtividade quando a alimentação estar disponível hoje, o aumento na
trabalho, houve uma perda progressi- foi realizada várias vezes D&N compa- frequência alimentar em fazendas
va na estabilidade dos pellets a partir rada com apenas quatro vezes durante parecer ser a solução mais óbvia
para esse problema. Enquanto o au-
mento da frequência alimentar por
métodos manuais pode não ser prá-
tico e econômico, várias tecnologias e
equipamentos estão hoje acessíveis à
indústria permitindo a implementa-
ção de múltiplas alimentações diárias.
Essas podem variar de sopradores me-
cânicos a dispositivos de alimentação
controlados por temporizadores e
sondas acústicas que realizam até 250
ofertas de ração ao dia.

AGRADECIMENTOS
O primeiro autor agradece o apoio
de uma bolsa de produtividade em
pesquisa (CNPq/MCTIC, processo No.
FIGURA 4 – Média (± erro padrão) da estabilidade da ração experimental em água com 35 ppt de sa- 303678/2017-8). O Dr. Leandro Fonseca
linidade e 27oC de temperatura. Letras comuns indicam diferenças não estatisticamente significativas
Castro (Zeigler Bros Inc., EUA) gentil-
de acordo com o teste Tukey HSD ao nível de significância de  = 0,05. A estabilidade foi determinada
com um agitador orbital a 100 ± 15 RPM durante 0,5, 1, 2 e 4 h de imersão. Os resíduos foram retidos mente elaborou os desenhos do nosso
em uma peneira com malha Tyler #20 (equivalente a 0,86 mm) para secagem. dispositivo de alimentação.

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Artigo
Ingredientes funcionais impulsionam
a inovação em ração de camarão
SURESH M. MENON, PH.D.
Presidente, Menon Renewable Products, Inc. 500 La Terraza Blvd. Escondido, CA 92025 EUA

O
cultivo de camarão mari- IMPACTO DE DOENÇAS estar presente nas Américas. Há
nho tem se desenvolvido O camarão é uma das  espé- também várias doenças mais re-
tremendamente nas últi- cies  aquícolas  mais valiosas  do centes e menos conhecidas, como
mas quatro décadas. Atualmente, mundo. No entanto, a produção a Síndrome das Fezes Brancas, e
a produção de cultivo de várias es- global de camarão tem sido negati- o recém-descoberto vírus irides-
pécies contribui com mais de 50% vamente afetada por várias doen- cente que causa uma doença grave
da demanda global por camarão ças virais, bacterianas e parasitá- de alta mortalidade em camarões
(quase 4,5 milhões de toneladas, rias há várias décadas, e de forma L. vannamei cultivados na China,
de acordo com a   últimos dados mais acentuada nas últimas duas chamada de  Shrimp Hemocyte
do evento GOAL   por Anderson, décadas. Em primeiro lugar entre Iridescent Virus (SHIV).
et al.). as principais doenças estão as de Estas doenças têm causado
No entanto, a indústria continua origem viral, incluindo o Vírus da perdas econômicas significativas
a ser significativamente afetada Necrose Infecciosa Hipodérmica e para a indústria, totalizando
por  uma série de  importantes Hematopoiética ( IHHNV ), Doença pelo menos      US$ 45 bilhões
doenças, e os preços globa is do Vírus Yellowhead (YHD), Vírus globalmente   na última década,
incertos e inconstantes estão da Síndrome de Taura (  TSV  ), de acordo com o Dr. Andy Shinn,
afetando negativamente muitos Vírus da Síndrome da Mancha diretor do Grupo Fish Vet da
produtores. Consequentemente, Branca ( WSSV ) e o Vírus da Mio- Ásia. Apenas a WSSV tem causado
o desenvolvimento e a expansão necrose Infecciosa ( IMNV ). Estas perdas acumuladas de cerca de
de mercados e a produção cada doenças têm afetado a indústria de US$ 15 bilhões, e o Dr. Shinn tam-
vez mais eficiente são objetivos camarão desde o início dos anos bém estimou que a AHPND causa
importantes para toda a indústria 80 e causaram bilhões de dólares perdas de cerca de US$ 1,7 a US$ 2
que podem ser alcançados por em perdas em áreas de criação de bilhões por ano.
meio da inovação, com  especial camarões na Ásia e nas Américas. As doenças também têm um
atenção as rações. Doenças mais recentes incluem efeit o negat ivo sig n i f ic at ivo
Ineficiências na produção afe- a Doença da Necrose Hepato- sobre os investidores, uma vez
tam muitas indústrias produtoras pancreática Aguda ( AHPND ) ou que a história da indústria é de
de animais.  Os produtores de Síndrome da Mortalidade Precoce surtos periódicos de doenças e
camarão inevitavelmente são afe- (EMS), causada por uma bactéria problemas contínuos de gestão de
tados por doenças e alguns lutam (Vibrio parahaemolyticus)      que saúde que perturbam os mercados
para proporcionar uma melhor causa disfunção do hepatopân- e as cadeias de fornecimento. Na
gestão da saúde dos animais. Além creas e infecções secundárias por recente reunião do GOAL 2018 no
disso, taxas de crescimento redu- Vibrio.  Outra doença recente é Equador, “doenças” foi mais uma
zidas limitam seu potencial e o uso a microsporidiose hepatopancreá- vez identificada pelos entrevista-
de antibióticos pode promover a tica , também chamada   Enteroci- dos da Ásia para a pesquisa anual
resistência do mercado. O cres- tozoon hepatopenaei   ( EHP ), cau- deste evento como o principal
cimento mais rápido, melhores sada por um minúsculo parasita desafio enfrentado pela indús-
taxas de sobrevivência e melhores microsporidiano que afeta o siste- tria.  Muitos investidores veem
características organolépticas ma digestivo do camarão. EHP tem muito potencial na criação de ca-
dos produtos são objetivos funda- afetado a produção de camarão e marão e consideram esta atividade
mentais para todas as indústrias causado sérios problemas nos uma oportunidade muito boa, mas
de produção animal, incluindo a principais produtores de cama- também estão preocupados com o
aquicultura. rão da Ásia e também foi relatado gerenciamento desses riscos.

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INGREDIENTES FUNCIONAIS PRO- digestão e a absorção de nutrien- dutos sob a marca MrFeed® para
MOTORES DA SAÚDE tes, bem como o desempenho uso em aquicultura, avicultura e
Existem muitos ingredientes reprodutivo, incluindo o diâmetro pecuária. Já existem instalações
funcionais ou aditivos que pro- dos ovos, a fecundidade absoluta e de produção comercial na Índia,
movem o crescimento, desen- o período de latência. nos Estados Unidos e no Canadá,
volvimento e saúde do camarão Como os níveis de inclusão de bem como, parceiros estratégicos
de cultivo. Alguns ingredientes farinha de peixe continuam a em 12 países ao redor do mundo e
ou aditivos podem melhorar a serem reduzidos, impulsionados podemos produzir ingredientes
resposta imunológica e outras por pressões econômicas e de sob medida para atender várias es-
respostas fisiológicas e necessida- sustentabilidade, a suplemen- pécies de aquicultura.
des como a reprodução, enquanto tação com novos ingredientes Nos últimos três anos  foram
outros suportam as respostas funcionais provavelmente terá realizados e continuam sendo
dos animais.  contra o estresse uma importância crescente para feitos testes extensivos desses
oxidativo, a suscetibilidade a o desempenho ideal de vários produtos em vários países da Ásia
algumas doenças e estressores parâmetros-chave na produção e da América Latina sob condições
ambientais, como a qualidade da de camarões de cultivo. reais de produção com o apoio de
água, temperatura, f lutuações A Menon Renewable Products, muitos produtores de camarão.
de oxigênio e salinidade. Alguns Inc., está envolvida no desenvol- Recentemente tive a oportuni-
aditivos auxiliam a função do trato vimento e produção de produtos dade de apresentar nossa empresa
gastrointestinal, incluindo o repa- de ração animal sustentáveis, de e produtos no Desafio F3   em San
ro rápido do intestino e a melhoria alta qualidade, ricos em proteínas Francisco, Califórnia, EUA.  Os
da flora. Vários ingredientes fun- e nutrientes. A   linha de produtos, resultados de nossos testes com
cionais são usados atualmente na conhecida como MrFeed ®, propor- nossos ingredientes incorporados
fabricação de rações comerciais de ciona uma alternativa renovável em rações comerciais de camarão
camarão, incluindo substâncias aos ingredientes não sustentáveis em várias fazendas comerciais de
fitogênicas, imunoestimulantes, de ração atualmente no mercado, camarão na Índia, Vietnã, Indo-
enzimas, ligantes de micotoxinas, como a farinha de peixe e outros nésia, Malásia, México, Honduras
ácidos orgânicos, probióticos/ .A tecnologia proprietária, um e Panamá demonstraram uma
prebióticos, nucleotídeos e outros. processo de conversão de biomas- melhora significativa no cresci-
Por exemplo, os nucleotídeos sa chamado CelTherm ®, converte mento, sobrevivência e conversão
desempenham um papel impor- matérias-primas orgânicas em alimentar, mesmo na presença
tante no crescimento dos animais produtos de ração animal de alto de graves doenças como WSSV e
durante as fases iniciais devido ao valor, para que se possa produzir Síndrome de Fezes Brancas.
crescimento rápido e replicação ce- rações de alto desempenho a um Nossos testes de camarão conti-
lular; no aumento da resistência a custo competitivo.    Em realida- nuam à medida que expandimos
doenças e tolerância ao estresse; no de trata-se de um processo de nossa presença comercial nas prin-
apoio e promoção da imunidade bioconversão completo no qual o cipais áreas de cultivo de camarão,
inata e adaptativa; e na biossíntese material orgânico de culturas à e também estamos envolvidos e
de aminoácidos não essenciais. base de plantas é hidrolisado em expandindo nossos esforços de
Os nucleotídeos dietéticos pro- açúcares celulósicos e fermentado, pesquisa para outras espécies co-
movem o crescimento e melhor oligomerizando moléculas para mercialmente importantes como
desempenho do camarão, e os efei- criar formulações personalizadas salmão, truta, tilápia, pangasius,
tos dessa alimentação no camarão para aplicações em rações. O pro- pompano, yellowtail, barramundi
jovem se ref letem em melhores cesso gera proteínas, nucleotídeos entre outras para apoiar com
taxas de crescimento e ganho de e peptídeos que são eficazes para responsabilidade a melhoria dos
peso até a despesca. Melhorias melhorar a saúde geral e a imuni- principais parâmetros de produção
nas taxas de conversão alimentar dade dos animais. e a sustentabilidade e lucratividade
e utilização mais eficiente de lipí- Após vários anos de pesquisa, da indústria aquícola.
dios e proteínas também foram re- testes e desenvolvimento contínuo Artigo publicado original-
latadas. Os nucleotídeos na dieta de produtos e processos, se iniciou mente na edição online de 11 de
também melhoram a eficiência da a produção comercial desses pro- março da revista The Advocate

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Artigo
Revisão e previsão da produção global de camarão:
crescimento estável à frente
JAMES L. ANDERSON, PH.D.
Diretor do Instituto de Sistemas Alimentares Sustentáveis, Professor de Economia de Alimentos e Recursos 
Universidade da Flórida – james.anderson@ufl.edu

DIEGO VALDERRAMA, PH.D.


Professor Assistente do Departamento de Ciência e Política Ambiental – George Mason University
dvalder@gmu.edu

G
lobalmente, a produção de 1,3 para 1,7 milhão de toneladas 2012 (queda de 1,4%) e ainda mais
camarão de cultivo deverá neste período, crescendo ainda para 3,01 MT em 2013 (queda de
aumentar a uma taxa de mais para 2,0 milhões de tonela- 9,0%) devido ao impacto da EMS na
crescimento a nua l composta das (MT) em 2016. China, Tailândia, Vietnã, Malásia
(CAGR) de 5,7% de 2017 a 2020. A produção deverá aumentar a e outros países (Fig. 2). Na China e
A p e s q u i s a G OA L (Gl o b a l uma taxa de crescimento anual no Sudeste Asiático, a recuperação
Outlook for Aquaculture Leader- composta (CAGR) de 5,7% de 2017 a foi mista entre 2014 e 2016. No en-
ship) 2018 da Aliança Global de 2020. Isso resultará em um cresci- tanto, a Índia teve um crescimento
Aquicultura (GAA) sobre tendên- mento de 18% em relação aos níveis muito bom durante esse período.
cias de produção na carcinicul- de 2017 e uma produção global de L ider ado p elo au ment o d a
tura entrevistou participantes camarão de 5.03 MT (aproxima- produção na Índia, Vietnã e Indo-
da indústria na Ásia/Oceania (40 damente 5.4 MT incluindo   M. ro- nésia, os níveis de produção come-
respostas), América Latina (20 res- senbergii ). As previsões da GOAL çaram a se recuperar em 2017. O
postas) e África (duas respostas). baseiam-se no pressuposto de que Sudeste Asiático deverá crescer
A Figura 1 resume as estimativas grandes crises de doenças serão numa CAGR de 6% de 2015-20. Ex-
de produção global de 2010 a 2020, evitadas no futuro próximo . pectativas para a China indicam
combinando dados da FAO (Orga- crescimento CAGR de menos de
nização das Nações Unidas para a 4% de 2018-20. A Tailândia deverá
Alimentação e a Agricultura) e as Ásia crescer a uma CAGR de 8% entre
pesquisas da GOAL de 2011 a 2018. A produção de camarão cresceu 2015-2020; no entanto, essa recu-
Os entrevistados nas pesquisas firmemente na Ásia até 2011, com peração representaria apenas 57%
da GOAL relataram declínios subs- uma taxa de crescimento anual da maior produção da Tailândia
tanciais na produção na China, composta (CAGR) de 5,1% de 2008 a atingida durante os anos anterio-
Tailândia, Indonésia e México em 2011. Segundo a GOAL, a produção res a EMS. Em 2020, a Tailândia,
2013, após despescas declinantes caiu de 3,35 MT para 3,30 MT em como país produtor de camarão,
na China, Tailândia e Vietnã em
2012 relacionadas principalmen-
te aos surtos da Síndrome da
Mortalidade Precoce (EMS) que
surgiram inicialmente na China
em 2009. A subida dos preços do
camarão nos mercados interna-
cionais durante o ano de 2013 foi
consistente com as expectativas
da indústria quanto ao declínio
da produção.
No entanto, os dados da FAO
não revelam nenhum impacto im-
portante de doenças na produção
chinesa durante 2009-2013; pelo
contrário, a FAO reportou que a FIGURA 1 – Produção de camarão de cultivo por região em milhões de toneladas. Fontes: Dados
China aumentou sua produção de da FAO (2018) e da GOAL (2011 a 2017) para 2010 a 2016; Dados GOAL (2018) para 2017 a 2020.

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mil toneladas em 2013. A indústria
conseguiu, no entanto, recuperar
a produção para níveis pré-EMS
até 2015. Espera-se que a produção
atinja 145 mil toneladas em 2020
(CAGR esperada de 7,9% durante
2015-2020), superando a produ-
ção recorde de 130 mil toneladas
alcançada em 2008.
Além do Equador e do México,
Brasil, Venezuela, Peru, Honduras
FIGURA 2 – Produção de camarão de cultivo em MT nos principais países produtores da Ásia. Fon- e Guatemala relataram expectati-
tes: Dados da FAO (2018) e GOAL (2011 a 2017) para 2010 a 2016; Dados GOAL (2018) para 2017 vas positivas de crescimento até
a 2020. 2020, elevando a produção na
região de 676.000 toneladas em
2015 para 1 MT em 2020 (CAGR
de 8,3%). O Brasil, por exemplo,
espera atingir 100 mil toneladas
pela primeira vez em 2020.

Tendências de produtos
A pesquisa GOAL também coleta
informações sobre tendências em
categorias de tamanho e apre-
sentações de produtos. Uma ten-
FIGURA 3 – Produção de camarão de cultivo em ton x 1000 nos principais países produtores da dência recente e notável na Ásia
América Latina. Fontes: Dados da FAO (2018) e GOAL (2011 a 2017) para 2010 a 2016; Dados GOAL é o aumento do camarão cru com
(2018) para 2017 a 2020.
casca em relação a outras formas
de produtos, como camarão cru
deve permanecer atrás da China, América Latina sem casca. Enquanto o camarão
Vietnã, Indonésia e Índia. A pro- A figura 3 apresenta estimativas cru com casca com cabeça e sem
dução na Índia, no entanto, deverá para os principais países produto- cabeça respondeu por apenas
atingir um patamar de cerca de res na América Latina.   O desen- 25% da produção na pesquisa de
600.000 toneladas de 2018 a 2020 volvimento mais importante na 2008, este mesmo camarão foi
Em conclu são, a i ndú st r i a região é o crescimento espetacular responsável por 48% da produção
asiática parece estar no caminho da carcinicultura equatoriana. O na pesquisa mais recente. Essas
da recuperação após as quedas Equador aproveitou plenamente a mudanças podem sinalizar a cres-
substanciais de produção duran- crise generalizada de doenças na cente importância do mercado in-
te 2012-2015 causadas por surtos Ásia para aumentar suas exporta- terno chinês, que tem preferência
genera l izados de doença s.  A ções para os mercados europeu e pelo camarão cru com casca.
produção deve exceder os níveis asiático. Espera-se que a produção A produção na América Latina
pré-EMS em 2018, impulsionada atinja 570.000 toneladas até 2020, continua sendo orientada para
principalmente pelo crescimento com uma CAGR de 9,2% entre 2015 o camarão cru com casca.   O ca-
no Vietnã, Indonésia e Índia.  A e 2020. O Equador continuará marão cru com cabeça tornou-se
China continuará sendo o maior respondendo por mais da metade a forma dominante de produto
produtor, mas seu crescimento da oferta de camarão de cultivo no em relação ao sem cabeça, re-
diminuirá. Espera-se que a pro- Hemisfério Ocidental. presentando 63% da produção
dução regional exceda 3,9 MT Além dos países asiáticos, o em 2017 comparado com 40% em
pela primeira vez em 2020. É claro México foi fortemente afetado 2007. O aumento dos embarques
que esse conjunto de estimativas pela EMS em 2013: os entrevis- de camarão equatoriano para os
pressupõe que nenhuma epidemia tados pela GOAL relataram um mercados europeu e asiático é um
importante ocorrerá na região nos declínio de 44% na produção, de fator importante que impulsiona
próximos anos. 93 mil toneladas em 2012 para 52 essa tendência.

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Os entrevistados da Ásia relata- do, sugerindo que os produtores barreiras comerciais.  Os desa-
ram um movimento em direção à estão cada vez mais preocupados fios de doenças passaram para
produção de tamanhos menores com a concorrência de preços, à o primeiro plano nos anos mais
de camarão (51-60 e menores) medida que a indústria mundial recentes, particularmente na
desde 2011. A participação das se recupera das grandes crises de Ásia. No entanto, à medida que os
classificações menores aumen- doenças. níveis de produção se recuperam,
tou de 27% para 48% entre 2010 e Na A mérica Latina, “Preços os produtores estão mais uma vez
2017.   Despescas precoces causa- do mercado i nter naciona l” identificando preços do mercado
das por EMS e outras doenças são emergiram como o desafio mais internacional e custos de ração
um provável impulsionador dessa importante (terceiro lugar na como questões mais prementes.
tendência. pesquisa de 2017), confirmando A maioria dos entrevistados da
a tendência relatada pelos en- Ásia e da América Latina espera
trevistados asiáticos. “Custos de que as condições econômicas
Desafios ração” e “Doenças” completaram globais melhorem ou permane-
“Doenças” foi novamente identi- o conjunto dos três principais çam estáveis em 2019. A maioria
ficado pelos entrevistados da Ásia desafios da América Latina. dos entrevistados também espera
como o maior desafio enfrentado Per c ep ç õ e s s obr e do enç a s que o mercado global de camarão
pela indústria. “Produtos quími- mud a r a m not avel ment e no s se fortaleça em 2019. Em geral,
cos proibidos/uso de antibióticos” últimos 10 anos.  Na pesquisa eles não são tão otimistas como
foi o segundo. “Preços do mercado de 2007, “Doen ças” não fizeram na pesquisa do ano passado.
internacional” e “custos de ração” parte dos três principais desafios
pratica mente empata ra m em para os produtores asiáticos ou Artigo publicado original-
terceiro.  “Preços do mercado latino-americanos, que estavam ment e n a e d iç ão on l i ne de
internacional” ficou na sétima mais preocupados com os custos outubro 22, 2018 da revista The
posição na pesquisa do ano passa- de ração, preços de mercado e Advocate

AGENDA DE EVENTOS
2019
2019 X XI CONGRESSO BRASILEIRO DE FENACAM’19
WORKSHOP DE TECNOÇOGIA DE ENGENHARIA DE PESCA NOVEMBRO 12-15
CULTIVO INTENSIVO DE CAMARÃO OUTUBRO 21-24 CENTRO DE CONVENÇÕES
PALESTRANTES: DR. NYAN TAW E DR. CENTRO DE CONVENÇÕES DO AMAZO- NATAL, RN
ANDREW RAY NAS VASCO VASQUES www.fenacam.com.br
AGOSTO 9 MANAUS, AM
AUDITÓRIO DO SEBRAE - RN www.conbep.com.br 2020
SEAFOOD EXPO NORTH AMERICA
SEAFOOD EXPO ASIA GAA GOAL MARÇO 15-17
SETEMBRO 3-5 OUTUBRO 21-24 BOSTON, EUA
HONG KONG THE LEELA PALACE CHENNAI www.seafoodexpo.com/north-america
www.seafoodexpo.com/asia CHENNAI, ÍNDIA
www.gaalliance.org SEAFOOD EXPO GLOBAL
INTERNATIONAL FISH CONGRESS & ABRIL 21-23
FISH EXPO BRASIL VENDA SEU PEIXE – WORKSHOP E BRUXELAS, BÉLGICA
SETEMBRO 17-19 RODADAS DE NEGÓCIOS www.seafoodexpo.com/global
FOZ DO IGUAÇU, PR OUTUBRO 24-25
www.internationalfishcongress.com.br NOVOTEL CENTER NORTE, SÃO PAULO
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OUTUBRO 1-3
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www.conxemar.com

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Artigo
Comércio global de pescado deve aumentar,
mas as taxas de crescimento diminuirão
Jason Holland
Editor
jason@jasonhollandcommunications.com

A
dema nda crescente e pescado cresceu 7% em relação ao mercados mais prósperos. Ao mes-
a expansão da ofer ta ano anterior e em 2017 o crescimento mo tempo, espécies de baixo valor,
de produtos da pesca e econômico fortaleceu a demanda como os pequenos pelágicos, tam-
aquicultura levaram estes produtos e elevou os preços, aumentando bém são comercializadas em
a serem uma das categorias de novamente o valor das exportações grandes quantidades e exportadas
alimentos mais comercializados globais de pescado em cerca de 7% principalmente para consumidores
no mundo atualmente.  Graças chegando a um valor estimado de de baixa renda nos países em de-
à globalização, ao aumento da US$ 152 bilhões. Este valor global senvolvimento. No entanto, a FAO
especialização de produtos, às representa agora mais de 9% do total aponta para o aumento das impor-
cadeias de suprimentos mais das exportações agrícolas e 1% do tações de espécies de maior valor
longas e complexas e à ampliação comércio mundial de mercadorias. por regiões em desenvolvimento
do s go s t os , pr e o c upaç õ e s e A China é o principal produtor para consumo doméstico.
expectativas dos consumidores, há de pescado e, desde 2002, o maior Em termos de espécies, o comércio
poucas chances desta tendência ser exportador de pescado e produtos de salmão tem aumentado em média
revertida, mas a probabilidade é de de pescado, embora o rápido cres- 10% ao ano desde 1976 e, desde 2013,
que as taxas de crescimento futuras cimento verificado nas década de tem sido o principal produto de
não reproduzam a escala vista nas 1990 e 2000 tenha desacelerado. As pescado em valor. Esse crescimento
últimas décadas.   exportações chinesas de pescado foi parcialmente impulsionado
Segundo a Organização das atingirem o valor de US$ 20,5 bilhões pelo aumento da renda e da urba-
Nações Unidas para a Alimentação em 2017, um aumento de apenas 2% nização nos mercados emergentes,
e a Agricultura (FAO), aproximada- em relação ao ano anterior. Depois particularmente no leste e sudeste
mente 35% da produção mundial de da China, os principais exportadores da Ásia.  Mas o salmão também
pescado foi direcionada ao comércio de pescado são a Noruega (US$ 11,7 manteve uma grande e crescente
internacional em várias formas bilhões em 2016) e Vietnã (US$ 7,3 base de consumidores em grandes
para consumo humano ou fins não bilhões).   mercados desenvolvidos, incluindo
comestíveis em 2016. As 60 milhões A União Europeia (UE) representa a UE, Estados Unidos e Japão.  A
de toneladas (equivalente peso vivo) o maior mercado importador de pes- maior parte do salmão consumido
de produtos exportados naquele ano cado, seguido pelos Estados Unidos e hoje é proveniente da aquicultura,
representou um aumento de 245% Japão; Em 2016, estes três mercados fornecido por países como a Noruega
em relação a 1976, e esse aumento juntos representaram aproxima- e o Chile, embora várias espécies
foi de mais de 514% se considerado damente 64% do valor total das selvagens de salmão do Pacífico
apenas o comércio de pescado para importações mundiais de pescado também sejam comercializadas
consumo humano. e produtos de pescado. Ao longo de internacionalmente em quantidades
No mesmo período de 40 anos, o 2016 e 2017, as importações de pesca- significativas.
comércio mundial desses produtos do cresceram nestes três mercados O camarão também é uma espécie
também cresceu significativamen- como resultado do fortalecimento altamente comercializado e repre-
te em termos de valor - de US$ 8 dos fundamentos econômicos.   senta o segundo principal grupo de
bilhões para US$ 143 bilhões, ou O comércio internacional de pes- espécies exportadas em termos de
8% ao ano, com a taxa de cresci- cado é caracterizado por uma ampla valor. Os países da América Latina
mento das exportações dos países diversidade de produtos. Espécies e do leste e sudeste da Ásia são de
em desenvolvimento aumentando de alto valor, como camarão, longe os principais produtores mas
significativamente mais rápido salmão, atum, peixes do fundo do grande parte do consumo ocorre nos
do que as exportações dos países mar, peixe chato, robalo e dourada, mercados desenvolvidos.
desenvolvidos. É destacado que em são altamente comercializadas, O segmento de mercado de peixe
2016, o comércio internacional de particularmente em direção a branco, que historicamente tem sido

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dominado por espécies de captura milhões de toneladas (60,6 milhões permanecendo em 20%. Prevê-se
como o bacalhau e o pollock do Alas- de toneladas se o comércio interno que a maior parte do crescimento
ca, é cada vez mais compartilhado da UE estiver incluído). No entanto, das exportações de pescado prove-
com espécies cultivadas de baixo espera-se que a taxa anual de cres- nha de países asiáticos, com a região
preço, como pangasius e tilápia, pro- cimento das exportações diminua respondendo por cerca de 51% das
duzidas principalmente no Vietnã e de um nível de 2,3% no período exportações adicionais até 2030.
na China, respectivamente. Ambas 2003-2016 para 1,5% no período 2017- As economias avançadas devem
as espécies ganharam fortes quotas 2030. Esta redução, prevê a FAO, será permanecer altamente dependentes
de mercado nos Estados Unidos.   em parte devido ao aumento dos das importações para atender sua
Olhando para o futuro, prevê-se preços, ao crescimento mais lento da demanda interna.  Consequente-
que cerca de 31% da produção total produção de pescado e ao aumento mente, a UE, Japão e Estados Unidos
da pesca e da aquicultura será ex- da demanda interna em alguns dos representarão 43% do total de im-
portada em 2030 (38% se o comércio principais países exportadores.   portações de pescado para consumo
interno da UE estiver incluído). Em A China continuará a ser o maior humano, uma pequena queda em
termos de volume, espera-se que o exportador de pescado para consu- relação aos 44% em 2016.
comércio mundial para consumo mo humano, seguida pelo Vietnã e Artigo publicado originalmente
humano cresça 24% no período Noruega, com sua participação no na edição de maio 1, 2019 do boletim
em projeção, atingindo mais de 48 total das exportações de pescado online SeafoodSource

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Artigo
Estratégia unificada de marketing para camarão segue em frente
James Wright
Editorial Manager – Global Aquaculture Alliance – Portsmouth, NH, USA
james.wright@aquaculturealliance.org

A
s práticas e o desempenho da segundo Larkin, a produção global de George Chamberlain, presidente
carcinicultura a nível global camarão deve continuar crescendo, da GAA, disse que um modelo de pa-
deram grandes saltos nos chegando a um ganho de 5,7% entre gamento voluntário tem seus méritos,
últimos anos, em meio à sempre 2017 e 2020.”Em uma indústria menor, mas é improvável que saia do papel
presente ameaça de doenças. Apesar 5,7% pode não parecer muito, mas 5% por causa de todos os que “pegam
deste sucesso, os produtores de em relação a 5 milhões de toneladas, carona”, aqueles que se beneficiam
camarão encontram-se agora isso é muito produto”, disse Larkin, com o programa mas não pagam sua
navegando em um excesso de oferta, que ilustrou como as exportações parte.  Ele favorece um programa
uma rotina de baixos preços de globais mudaram de 2012 para 2017. obrigatório semelhante ao de outros
mercado e uma mudança drástica nos A principal dinâmica tem sido a Chi- setores de proteína animal e agricul-
rumos do mercado internacional. na: Larkin notou uma reviravolta tura, como   abacates. O consumo de
Só recentemente se iniciou uma dis- dramática nos fluxos do comércio de abacate nos Estados Unidos aumentou
cussão para elaborar uma estratégia camarão do país (ver Figuras 1 e 2). 300% de 2000 a 2015, graças em gran-
coletiva para trazer estabilidade ao “Veja a mudança do camarão do de parte aos esforços colaborativos de
setor. Esta discussão teve início na Equador para a China ou para o marketing e publicidade oportuna.
conferência anual GOAL da Global Vietnã - não é um grande segredo que Bill Dresser, presidente da SeaPort
Aquaculture Alliance (Aliança Global este camarão acaba encontrando o Products, um importador de pescado
da Aquicultura - GAA), realizada em caminho para a China. A questão que com sede em Kirkland, Washington,
Guayaquil – Equador, no 2º semestre existe já faz alguns anos é: «Quando EUA, concordou e disse que, embora
do ano passado, e continuou em março a China se tornará um importador haja um apoio crescente entre os
deste ano na Seafood Expo North líquido de camarão?” Bem, eu acho importadores de camarão por um
America em Boston, Massachusetts, que já chegamos nesse ponto e muito modelo de pagamento obrigatório
EUA. além agora ”, disse Larkin. para promover o camarão, o progra-
“Com todo esse camarão, o que Enquanto o mercado de camarão ma deve envolver todos os elos da
vamos fazer para encontrar um na China é aparentemente forte, com cadeia de suprimento, não apenas
mercado saudável para esse produto, a China consumindo cada vez mais importadores.
para que se torne uma oportunidade sua própria produção, a demanda em “Qualquer conversa que tenhamos
saudável para todos?”, Perguntou outros mercados importantes, como tem que resultar num modelo abran-
Travis Larkin, presidente da Seafood Europa e Estados Unidos, se mantém gente que atraia a todos, do produtor
Exchange, empresa importadora de morna em comparação à China. O ao processador, do importador ao dis-
camarão dos EUA, no início do referido camarão tem conseguido manter o tribuidor. Todos nós temos que estar
Fórum Anual de Camarão da GAA. título de pescado mais popular no envolvidos para que tenha sucesso ”,
Com o objetivo de reunir produtores, mercado dos EUA, com 4,4 libras (2 disse Dresser, acrescentando que um
comerciantes e investidores do setor kg) consumidas per capita em 2017, aumento recente no consumo per ca-
de carcinicultura para discutir as mas há razões suficientes para se pita de camarão nos Estados Unidos foi
previsões de produção e as tendências preocupar que o mercado pode ficar motivo tanto de comemoração como
do mercado, o Fórum de Camarão teve estagnado. de preocupação.
boa participação. Os palestrantes dis- Larkin sugeriu que uma estratégia “O consumo per capita de camarão
cutiram com a audiência os números de marketing unificada para o ca- foi de 4 libras (1,8 kg) por muitos
mais recentes da produção baseados marão, que ele descreveu como um anos. Agora chegou a 4,4 ou talvez até
em dados da pesquisa anual da GOAL,- “esforço pré-competitivo” que poderia 4,5 libras, o que é algo que deveríamos
GAA, perspectivas do setor por parte elevar a categoria de uma maneira que estar realmente animados a respeito”,
de líderes globais de mercado e uma os produtores de carne bovina, carne acrescentou. “Mas a única razão pela
previsão de produção exclusiva da suína, leite e ovo fizeram, poderia qual isso aconteceu foi porque os
Índia, hoje um dos principais forne- impulsionar a demanda.  Mas ele preços caíram. Há uma regra prá-
cedores e exportadores de camarão estimou que três quartos de todos os tica para o camarão, que para cada
de cultivo do mundo. importadores de camarão dos EUA aumento percentual da oferta, se a
teriam que aderir ao programa para demanda é estável, você pode esperar
ESTRATÉGIA UNIFICADA DE MARKETING
que desse certo. Como isso seria pago uma redução correspondente no
Lidar com o atual excesso de oferta
continua a ser a questão-chave. preço. Se a oferta vai aumentar, e não
é o ponto crítico, devido ao fato de que,

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geração e quão recentemente eles
vieram da natureza”.
Chamberlain também explicou
como as larviculturas no Equador
conseguiram combater doenças. En-
quanto a maioria dos produtores
globalmente têm historicamente
utilizado reprodutores SPF (Livre de
Patógeno Específico), que são livres
de até 20 agentes patogénicos conhe-
cidos, o Equador amplamente utiliza
reprodutores SPR (Resistente a Pató-
geno Específico), também conhecidos
como APE, ou expostos a todos os
patógenos.
Em vez de estarem livres de qual-
quer patógeno específico ou dos mais
FIGURA 1 – Fluxo global de comércio de camarão em 2012. comuns, os reprodutores de SPR ou
APE são na verdade “sobreviventes” ou
animais que foram expostos a doenças
em fazendas. Este método “tem uma
seleção embutida para resistência a
doenças, que é o que impulsionou uma
melhora tão grande no Equador”, disse
Chamberlain. Como resultado dessa
mudança, o Equador desenvolveu
estoques de camarões resistentes
a doenças como o vírus da Mancha
Branca e a Síndrome daMortalidade
Precoce, ou EMS, disse ele.
Na área de nutrição, os fabricantes
estão encontrando soluções para a de-
pendência por parte das larviculturas
de alimentos vivos, com algas e artê-
mias uma vez que são frequentemente
FIGURA 2 – Fluxo global de comércio de camarão em 2017. vetores de doenças.  Chamberlain
temos a capacidade de impulsionar a “A genética é o maior impulsiona- previu uma “substituição total” de
demanda a uma taxa correspondente, dor” para o crescimento da carcini- alimentos vivos nas larviculturas nos
o crescimento é baseado em um preço cultura, disse ele, acrescentando que próximos anos.
em queda. Isso não é um modelo de os produtores aprenderam muito A engorda é outra área dinâmica
negócio sustentável ”. com o modelo da avicultura, no qual para inovação, disse Chamberlain. Os
Dresser disse que cada grupo de as melhorias genéticas na criação alimentadores automáticos estão
proteína (carne bovina, carne de datam da década de 1940. As taxas de tornando as rações mais eficientes
porco, frango, leite) chegou a uma crescimento de frango melhoraram levando a menos desperdício, e muitas
encruzilhada similar e cada um en- 400% nesse período, disse Chamber- fazendas asiáticas usam reservatórios
frentou o desafio com uma iniciativa lain, graças à reprodução seletiva e à no fundo do centro de seus viveiros,
de marketing.”É hora do camarão genética. que são projetados para coletar ma-
fazer isso”, disse ele. Mas salmão, tilápia e camarão téria orgânica a ser transferida para
estão todos prontos para superar o tanques de decantação longe da água
frango: “É uma melhoria notável na do viveiro. “Eles são chamados de
INOVAÇÃO EM TODA A CADEIA PRO-
toaletes de camarão, o que não é o me-
DUTIVA faixa de 10% por geração. No caso do
lhor marketing”, brincou Chamber-
O presidente da GAA, George Cham- camarão, uma geração é inferior a um
lain. Mas é um dos muitos exemplos
berlain, acha que a carcinicultura ano”. Perguntamos aos geneticistas:
em que a inovação está tornando as
está mostrando sinais de melhora em “Como é possível que essas espécies operações de engorda mais eficientes,
todos os elos da cadeia de produção: de aquicultura estejam acelerando tão produtivas e investíveis.
larviculturas, ração e nutrição, rápido? E eles dizem que é por causa Artigo publicado originalmente
fazendas de engorda e unidades de do número de descendentes que eles na versão online de 01 de abril da
processamento. têm, a duração abreviada do ciclo de revista The Advocate

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Artigo
Consórcios de exportação de camarão

Eng. Patrício Estrada PhD


Universidade de São Paulo, FEA-USP. Doutorado em Administração: Marketing
patricioestrada175@gmail.com

N
este artigo, oferecemos aos gias de métodos para a conquista realizam funções de comércio exte-
produtores e exportadores de mercados estrangeiros, como rior de forma sistemática, circular
brasi leiros de ca ma rão consórcios de exportação. e periódica.
e pescado em geral, uma nova As principais atividades reali-
visão dos conceitos, atividades, zadas por esse tipo de grupos são:
estratégias, e como funcionam os O que é um consórcio de Exportar em nome do consórcio,
consórcios de exportação e sua exportação? def inir preços de exportação,
importância na conquista dos Um consórcio de exportação é cuidar dos canais de distribuição,
mercados internacionais. um acordo voluntário de negócios selecionar e nomear agentes ou
Antigamente, nossas empresas entre empresas, que visa promover distribuidores no exterior, definir
davam pouca importância ao os bens e serviços de seus membros meios de pagamento e cobrança
comércio internacional. Por ser no exterior e facilitar a atividade de internacional etc.
o Brasil o quinto maior país do exportação de seus produtos por O consórcio permite o acesso
mundo, possui mais de duzentos meio de ações conjuntas. conjunto aos mercados existentes,
milhões de habitantes e múltiplas Trata-se de um acordo de colabo- aproveitando as economias de
oportunidades de negócios. Ou seja, ração entre empresas de tamanho escala e realizando grande parte
se pudesse exportar um volume e semelhantes, que fabricam produ- das atividades do departamento
valor adicional de produção, tudo tos similares ou complementares de exportação para parceiros. Este
bem, mas o grande mercado estava e que compartilham um canal de sistema permite uma redução de
em casa. No entanto, o mundo de marketing internacional. custos, ao realizar certas atividades
hoje está se tornando cada vez me- Pode ser uma orga n ização em comum. Por exemplo: é muito
nor e agora temos que confiar em formada por pequenas e médias mais barato investigar um mercado
empresas brasileiras globais. empresas que produzem camarão e passar informações para todos os
As empresas brasileiras que que serve para enfrentar negócios parceiros, em vez de cada produtor
atualmente exportam, não são mais internacionalmente. Os consórcios fazer a mesma pesquisa indepen-
consideradas comerciantes nacio- de exportação de camarão, permiti- dentemente.
nais, mas sim comerciantes inter- rão que as empresas locais se unam
nacionais. A economia brasileira para realizar uma exportação e,
passou por uma fase muito difícil o mais importante, atuam como Quais são as razões para optar por
e, paulatinamente, os empresários uma entidade que realiza atividades um consórcio de exportação?
brasileiros estão procurando clien- promocionais e de exportação para As pequenas e médias empresas
tes do exterior. Embora o desejo seus membros, apresentando uma costumam ter grande dificuldade
atual de exportar ou vender no ex- frente comum no mercado externo. em ingressar no mercado externo
terior seja maior do que no passado, Os consórcios de exportação uma vez que enfrentam sempre res-
os riscos e as dificuldades também permitem, que empresas nacionais trições como: volumes de produção,
são maiores. concorrentes ou com linhas de qualidade do produto, conhecimen-
Por esta razão, hoje vamos dis- produtos complementares, coope- to do mercado, capacidade econô-
cutir um novo tópico, para o qual rem para realizar uma exportação mica, promoção internacional e a
muitos esforços foram dedicados bem-sucedida. Eles possuem uma forma de negociação de pagamento
a disseminar os conceitos, estraté- estrutura legal e organizacional, e recebimento.

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Tipos de consórcios de exportação exterior, tanto em regulamentos  qualidade e preços são uniformes
Os consórcios de exportação di- tarifários, normas técnicas, se- para os membros do consórcio;
ferem em suas funções, operações guro e desembaraço aduaneiro,  as empresas parceiras delegam ao
e serviços que prestam. licitações, missões comerciais e consórcio a autoridade para fazer
Há alguns que oferecem apenas rodadas de negócios. negócios.
funções básicas de informação, Dentro dos consórcios existem
traduções e/ou pesquisa de mer- Características dos consórcios de dois subtipos que são:
cado. Existem outros que operam promoção:
1. Consórcios de Comércio: são
de acordo com sua localização
aqueles que adquirem os produtos
geográf ica. Embora a maioria  explorar mercados estrangeiros
das empresas participantes para
dos consórcios sejam formados (pesquisa para exportar camarão);
revendê-los. O consórcio negocia
por empresas do mesmo setor,  explorar a possibilidade de obter créditos e paga as empresas par-
t a mb ém e x i s t em c on s ór c io s agentes distribuidores interna- ticipantes por seus produtos.
formados por empresas com di- cionais;
ferentes atividades, que utilizam 2. Consórcios de Agentes de
 compartilhar os custos de promo-
os mesmo canais de distribuição. Exportação: as empresas parti-
ção (por exemplo: participação em
Dentro da classificação geral cipantes enviam seus próprios
uma feira internacional) ;
dos consórcios de exportação, recibos e tentam obter o pagamento
temos:  compartilhar os custos de logística de seus clientes.
(economias de escala no transporte) ; Os consórcios de vendas não
 Consórcios de promoção.  geralmente possuem um número permitem que as empresas par-
 Consórcios de vendas. significativo de membros; ticipantes exportem por conta
 Consórcios de origem.  as empresas associadas efetuam própria e exigem que elas usem o
as vendas diretamente; consórcio para exportar.
 Consórcio setorial ou unisetorial. Na Itália, os consórcios de pro-
 os parceiros lidam com atividades
 Consórcios entre concorrentes. moção são muito mais presentes
internacionais de exportação e
 Consórcios de produtos comple- marketing.
do que os consórcios de vendas. Na
mentares. Espanha, no entanto, os consórcios
de vendas tendem a ser a forma
 Consórcios regionais.
Consórcios de vendas predominante de comércio, embo-
Os dois principais tipos de con- Consiste em uma sociedade, ra impliquem num menor grau de
sórcios que podem ser distinguidos encarregada de dirigir e organizar autonomia para as empresas asso-
são os consórcios de promoção e os as exportações dos membros. Esses ciadas. Na Itália, existem mais de
consórcios de vendas. consórcios realizam atividades de 300 consórcios e 80% das empresas
promoção comercial e organizam que participam de um consórcio
Consórcios de promoção as vendas dos produtos das empre- têm menos de 50 funcionários.
Referem-se a uma aliança cria- sas parceiras. Em um consórcio de Por outro lado, temos os consór-
da para pesquisar determinados vendas, o número de empresas par- cios de origem e os consórcios de
mercados de exportação, compar- ticipantes é geralmente limitado. destino.
tilhando os custos de promoção e
logística internacional. Este tipo Características dos consórcios de
de consórcio, limita-se a promo- vendas: Consórcios de origem
ver os produtos de seus membros  as empresas vendem para o consórcio; São criados no mercado de ori-
para entrar em novos mercados  o consórcio recebe as ordens e depois gem, ou seja, no país em que as em-
estrangeiros. Em outras palavras, presas parceiras estão localizadas.
as vende;
é um acordo que é responsável
apenas pela promoção externa  é responsável por todas as operações
dos produtos dos membros do comerciais externas; Consórcios de destino
consórcio. O objetivo é unir capa-  os produtos geralmente são ven- Podem ser criados nos mercados
cidades financeiras, operacionais estrangeiros de destino das expor-
didos com marcas individuais de
e aproveitar as sinergias produ- tações.
parceiros;
zidas por economias de escala no Também pode haver consórcios
transporte internacional. Tam-  os produtos podem ser vendidos suaves e rígidos, de acordo como
bém, dá assistência no comércio com uma única marca;

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o planejamento e o período para o Consórcios de Produtos Devemos olhar para o consórcio
qual foram criados. Os suaves têm Complementares de exportação como uma fórmula
um curto prazo de existência e os Referem-se a bens e serviços não de cooperação, mas não devemos
rígidos um longo prazo, mas sem- concorrentes e sim complementares
confundir um consórcio com uma
pre tem como objetivo exportar e diferentes.
cooperativa, uma vez que uma coo-
os produtos de seus parceiros ou perativa busca unir a força de todos
membros. Consórcios regionais
os seus membros para aumentar sua
Para o setor ao qual as empresas Os consórcios regionais costumam
capacidade de negociação. No caso
pertencem, temos: ter um objetivo local específico como
a promoção de produtos derivados de um consórcio, ao contrário, as
do camarão. Por exemplo, os pro- debilidades comuns dos membros
Consórcio Setorial ou Unisetorial dutores de camarão do Rio Grande constituem a base da união.
Permite que as atividades se con- do Norte podem formar um destes Com a participação no consórcio,
centrem em produtos homogêneos consórcios. Para que exista um con- os membros tornam-se mais cons-
das empresas participantes. Por sórcio nessa região, isso geralmente
exemplo: um consórcio de expor- cientes dos padrões e técnicas de
depende de uma organização comer- qualidade exigidos nos mercados
tação de camarão. Neste caso, as
cial. O escopo geográfico da atividade
empresas tendem a se conhecer de exportação. Embora conservem
do consórcio é outra característica
melhor e passam a adquirir maior sua autonomia, os membros de um
conhecimento dos negócios uns dos que diferencia os consórcios uns dos
outros. Se os mercados para os quais consórcio de exportação podem
outros, isso melhora a cooperação
o consórcio é direcionado estiverem melhorar o desempenho das expor-
entre os membros.
na mesma área geográfica, os custos tações e reduzir os custos. Isso pode
operacionais podem ser reduzidos ser alcançado mais rapidamente e
Consórcios Multissetoriais ao mínimo. com muito menos recursos do que
Um consórcio multissetorial Para termos um consórcio que se as empresas tentassem exportar
pode oferecer uma gama completa reúna parceiros ou empresas por conta própria.
de camarões, peixes, e produtos do produtoras de camarão de vários
mar. A principal vantagem deste estados do Brasil, o ideal seria que a
tipo de consórcio é a oferta de uma iniciativa de estabelecer o consórcio Conclusão
variedade de produtos de todos os venha de uma organização nacional Os consórcios de exportação
seus participantes. As vantagens como a Associação Brasileira de representam uma alternativa
são alcançadas desde que os produ- Criadores de Camarão, ABCC por nova e interessante para entrar
tos sejam suficientemente similares exemplo. Os consórcios nacionais no mercado internacional. Um
para que os mesmos métodos de têm a vantagem de poderem entrar dos benefícios mais importantes
promoção possam ser aplicados. em contato com empresas geografi- dos consórcios de exportação está
camente dispersas. relacionado à transferência de
Os consórcios de exportação re- conhecimento, como entrar nos
Consórcios entre concorrentes
presentam uma forma de promoção mercados internacionais, como se
Quando os consórcios são com-
de exportações, portanto, seria mui- comportar dentro do grupo, gostos
postos por concorrentes, as ativi-
to importante ter uma nova Lei no e modas, preferências de mercado,
dades podem ser orientadas para Brasil, como os Estados Unidos, que como melhorar suas operações,
obter economias de escala. Este em 1982 promulgaram a Lei sobre a como negociar com bancos para o
tipo de consórcio tem vantagens e Exportadora Comercial. Esta nova financiamento e cobrança de suas
desvantagens. Por exemplo: entre lei permitiria formar consórcios exportações, normas técnicas e
as vantagens, projetos de pesquisa para exportação. A ideia básica é como fechar operações, futuros ne-
e desenvolvimento podem ser fornecer ao comprador estrangeiro gócios, cooperação, redes owu futu-
compartilhados. No entanto, como um consórcio ou uma organização ras alianças estratégicas, logística
consequência da falta de confiança abrangente que ofereça produtos e transporte internacional. Se qui-
e da grande possibilidade de con- competitivos. A Itália, por exemplo, sermos exportar, o caminho ideal
é o país com mais experiência em para as empresas brasileiras de
flitos, a maioria das empresas se
consórcios e atualmente conta com produção de camarão é a formação
opõe à criação de alianças com seus
mais de 300 consórcios. de consórcios de exportação.
concorrentes.

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Artigo
Pesquisa sobre o consumo de
pescado nos EUA contém surpresas
Cliff White
Diretor Executivo
cwhite@divcom.com

E
nquanto quase metade dos enlatados e embalados.  E apenas formados sobre como comprar pes-
americanos comem pouco um em cada cinco adultos pode ser cado, e apenas 28% dos entrevistados
ou nenhum pescado, muitos classificado como um consumidor disseram que se sentiam confiantes
americanos adoram pescado - e frequente de pescado, o que significa em como cozinhar, preparar ou con-
estão dispostos a gastar mais tempo que eles consomem pescado duas dimentar pescado. Da mesma forma,
fazendo compras e mais dinheiro vezes por semana ou mais. “Você tem 27% dos clientes de supermercado se
para comprá-lo, para que possam essa enorme parcela da população sentiram bem informados sobre os
comê-lo regularmente. que não está fortemente engajada benefícios nutricionais de pescado
A primeira pesquisa Power of no consumo de pescado”, disse Stein. e apenas 26% disseram que sabiam
Seafood (O Poder do Pescado) do Mas o consumidor médio de julgar a frescura ou a qualidade dos
Food Marketing Institute (FMI - Ins- pescado gasta mais com alimentos produtos.
tituto de Marketing de Alimentos) no supermercado do que o não con- Os clientes estão frustrados por
com mais de 2.000 consumidores sumidor médio de pescado - US$ 129 não saberem o suficiente sobre
americanos sendo entrevistados versus US$ 116 por semana. E consu- pescado, sendo que 48% dos con-
identificou várias razões pelas midores frequentes de pescado gas- sumidores de pescado afirmaram
quais mais americanos não estão tam ainda mais - aproximadamente que não há informações suficientes
comprando pescado e descobriu US$ 143 por semana, de acordo com disponíveis sobre pescado. Essa falta
obstáculos que impedem até mesmo a pesquisa. “Os consumidores fre- de conhecimento junto ao desejo
os fãs mais ardentes de pescado de quentes de pescado representam de aprender mais - se estendeu até
comprar mais. um grupo demográfico pequeno, mesmo aos não consumidores de
O vice-presidente de alimentos mas lucrativo”, disse Stein. pescado, uma vez que 50% dos clien-
frescos do FMI ,Rick Stein, apresen- Frescor e sabor têm um forte tes de supermercados disseram que
tou os resultados iniciais da pesquisa impacto nas compras de pescado, queriam receber mais conhecimen-
na Conferência Global de Mercado de acordo com Stein, mas um des- to sobre diferentes métodos para
de Pescado de 2019, em Coronado, conto ou apenas “estar com vontade cozinhar pescado, e 48% queriam
Califórnia, EUA, em 17 de janeiro.   O de consumir” pode impulsionar saber mais sobre como julgar a quali-
FMI entrevistou 2.096 clientes de as compras por impulso. No lado dade e a frescura dos produtos, bem
supermercados  representantes negativo para as vendas de pescado, como 42% disseram que queriam
da população geral dos EUA em muitos clientes de supermercados mais informações sobre diferentes
relação à geografia, idade e gênero. admitiram que não dão atenção a espécies de pescado.
O FMI também incorporou dados de compra de pescado devido à falta de A pesquisa constatou que os
outras fontes como IRI, Nielson, Te- informações sobre os produtos. Os clientes tinham altas expectativas,
chnomics e Datassentials em seus consumidores de pescado não se sen- mas opiniões mistas em relação ao
resultados. tem muito bem informados sobre os conhecimento sobre os produtos
A pesquisa do FMI descobriu que produtos em geral, embora a maioria por parte dos funcionários do
apenas 56% dos consumidores ame- queira se tornar mais bem informa- setor de pescado ou peixarias dos
ricanos consomem pescado duas da, segundo a pesquisa. Apenas 29% supermercados. Embora a maioria
vezes por mês - e isso inclui produtos dos clientes se sentem muito bem in- dos consumidores tenha dito que

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queriam que esses funcionários “Fazemos um ótimo trabalho com eles compraram pescado antes e
pelo menos soubessem como julgar esse comprador premium. Onde não falharam. Eles precisam saber que
frescor ou qualidade, 45% disseram fazemos um bom trabalho é na cria- podem comprar peixe ou camarão
que estes funcionários eram pouco ção desses compradores premium”, e fazer um jantar bem-sucedido. Eu
informados e, por outro lado, 45% disse ele. “E, para mim, você cria não acho que precisamos educá-los
disseram que pareciam ter muito compradores premium começando sobre o que procurar e todas essas
conhecimento. em algum lugar. Portanto, é o pollock coisas diferentes. Nós só precisamos
Guy Pizzuti , gerente de pescado do Alasca, a tilápia, o pangasius - vender pescado de alta qualidade
da rede de supermercados Publix, qualquer que seja o nível de entrada que eles possam levar para casa e
participou do painel do evento que de consumo de pescado, precisamos disfrutarem de uma boa refeição. ”
analisou a pesquisa. Ele disse que os fazê-los consumir isso duas vezes O Presidente da American Sea-
resultados são extremamente úteis por semana para depois irem para foods, Mikel Durham, concordou
para ele e outros que trabalham espécies de maior valor ”. que os consumidores estão procu-
no setor de varejo da indústria de Pizzuti disse que a indústria pre- rando soluções mais fáceis para as
pescado. Dave Wier , comprador de cisa mudar sua abordagem para esse refeições. “Eles não estão procu-
pescado da cadeia de supermercados tipo de cliente. “Temos conversado rando por algo demorado para fazer
Meijer, concordou que os resultados, sobre ensinar os consumidores a quando chegarem em casa. Quando
embora às vezes dolorosos, pode- preparar pescado desde que eu estou as pessoas estão comprando pes-
riam ser úteis, especialmente os na indústria e, aparentemente, ainda cado, temos que mostrar a elas o
dados sobre a relativa afluência dos não superamos esse desafio. Todos que podemos fazer com o produto,
consumidores de pescado. nós temos receitas, mídias sociais, e temos que fazer com que pareça
“Sou grato por esta pesquisa pontos de venda, mas de alguma fácil.”, disse Durham. 
porque eu e muitos de meus pares forma nosso material não está aten- A indústria precisa  levar em
compradores de pescado para redes dendo a esse consumidor e esse é um conta  os dados reais do que os
de supermercados precisamos desafio que precisamos continuar consumidores querem e tornar
justificar a capacidade de manter os trabalhando para resolver”, disse Pi- isto disponível o mais rápido possí-
setores de pescado fresco em nossas zzuti . “Tentar ajudar o consumidor vel, disse Wier .
lojas que não são as áreas mais lucra- a preparar pescado e ensiná-los a “Aqui eles estão nos perguntando:
tivas da loja, e nós gastamos muito cozinhá-lo é uma coisa, mas conse- ‘Como escolho isso? Como faço para
tempo e esforço defendendo nosso guir chegar até eles uma refeição temperar isso?  Como eu preparo
território”, disse Wier . “À medida que possam apenas colocar no forno isso? Eu quero comprar mais disso,
que espaço na loja se torna cada vez é realmente o que precisamos fazer quero alimentar minha família com
mais valioso em supermercados, para tornar o pescado mais conve- isto, só não sei como. Estamos tão
haverá mais e mais pressão sobre as niente. Se você pode ligar um forno, ocupados contando a eles sobre o bar-
áreas de menor desempenho. Por- você pode cozinhar pescado, e ai que co que capturou o pescado, mas eles
tanto, este item da pesquisa sobre precisamos chegar. ” querem aprender a cozinhá-lo; eles
os clientes premium é realmente o A preocupação dos consumidores não se importam como foi captura-
que nos fortalece.” com a avaliação do frescor é um “fra- do”, disse Wier . “Como indústria,
Wier disse que supermercados e casso da indústria”, acrescentou Pi- tiramos nosso olhar do consumidor
a indústria de pescado precisam se zzuti . Ele disse que treina seus fun- para resolver o que eles realmente
esforçar mais para trazer consu- cionários para retirar de circulação querem.  Somos péssimos nisso e
midores pouco frequentes de pes- os produtos que eles não serviriam precisamos melhorar rapidamente ”.  
cado e aqueles que evitam pescado para suas próprias famílias. “Por Artigo publicado originalmente na
completamente para a categoria de que um cliente precisa saber avaliar edição de janeiro 23, 2019 do Boletim
consumidores premium de pescado. o frescor e a qualidade?  Porque Online SeafoodSource

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FENACAM
FENACAM 2018

A
XV FEIRA NACIONAL DO Rui Costa – Governo da Bahia, Vindas, com o apoio da CAMANOR,
CAMARAO – FENACAM’18 Orígenes Monte, Presidente da regado a frutos do mar (camarão
comemorou sua 15ª edição, ANCC, Amaro Sales de Araújo, marinho e tilápia, cultivados), se-
e foi realizada no período de 13 a 16 Presidente do sistema FIERN. guido de um show dançante com a
de Novembro de 2018, no Centro de José Álvares Vieira, Presidente da participação cultural do cantor Luan
Convenções de Natal – Estado do FAERN, Fabrizzio Leite Feitosa, Estilizado.
Rio Grande do Norte. Superintendente Estadual Banco
do Nordeste (BNB) Rio Grande do PROGRAMAÇÃO E DESENVOLVI-
SOLENIDADE DE ABERTURA DA Norte, Santana Junior, Presidente MENTO DA FENACAM’18
FENACAM’18 da ACCPI, Aristóteles Vitorino, Para a realização da FENACAM’18,
A solenidade de abertura, que Presidente da ACCBA, André Jan- a ABCC contou com a imprescindí-
ocor reu às 19h30m in do d ia sen, Presidente da ACPB, Mauricio vel parceria e o destacado apoio das
13/11/18 contou com a participação Lacerda, Presidente da ACCPE. Associações Estaduais Coligadas,
das seguintes autoridades e convi- Após a Solenidade de Abertura, de forma toda especial, da ANCC -
dados especiais: Cristiano Peixoto foi oferecido a todos os convidados e Associação Norte Rio-grandense de
Maia, Presidente da ABCC, Gover- congressistas, um Coquetel de Boas Criadores de Camarão, na pessoa do
nador Robinson de Faria – Governo
do RN, Itamar Rocha Presidente
da FENACAM’18, Carlos Cesar de
Mello, Diretor do Departamento
de Registro, Monitoramento e
Controle – DRMC, representando
o Secretário Sr. Dayvson Franklin,
da Secretaria Especial de Aqui-
cultura e Pesca da Presidência da
República, Guilherme Moraes Sal-
danha, Secretário da Agricultura,
Pecuária e Pesca do RN, Secretário
em Exercício da Agricultura,
Irrigação e Reforma Agrária,
Eduardo Rodrigues de Souza,
representando o Governador Mesa de Abertura da FENACAM’18

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seu Presidente, Orígenes Monte, estratégicas e importantes ativida- disponibilizar aos congressistas,
da ACCC – Associação Cearense de des (carcinicultura e aquicultura) informações atualizadas sobre
Criadores de Camarão, na pessoa do setor primário do nosso país, os diversos temas relacionados
do seu Presidente Cristiano Maia, oferecendo as suas cadeias produti- à carcinicultura e aquicultura
da ACPB – Associação de Carci- vas, uma excepcional oportunidade brasileira e mundial.
nicultores da Paraíba, na pessoa para atualizar conhecimentos, in- Das 47 palestras apresentadas
do seu Presidente André Jansen, tercambiar experiências e ampliar nos eventos FENACAM’18, um to-
da ACPI – Associação de Carcini- as oportunidades de negócios. tal de 29 foram proferidas por auto-
cultores do Piauí, na pessoa do No total, a FENACAM’18, contou ridades e especialistas brasileiros,
seu Presidente Santana Júnior, da com 1.830 congressistas (XV SIMPÓ- enquanto 18 foram ministradas por
ACCBA – Associação de Criadores SIO INTERNACIONAL DE CARCINI- palestrantes internacionais, repre-
de Camarão da Bahia, na pessoa do CULTURA e XII SIMPÓSIO INTER- sentando ao todo 11 países que se
seu Presidente Aristóteles Vitorino, NACIONAL DE AQUICULTURA), destacam no cultivo, produção, ex-
do SINDPEPIS - Sindicato das Em- entre Carcinicultores, Aquicultores, portação e importação de camarão
presas de Aquicultura e Indústria Engenheiros de Pesca, Biólogos, Pro- marinho e peixes cultivados.
de Beneficiamento de Pescados fessores, Pesquisadores, Empresários No contexto da vasta programação
de PE na pessoa do seu Presidente e Estudantes, afora um público de técnica da FENACAM’18, foram
Mauricio Lacerda, em nome de 5.500 visitantes da XV Feira Interna- apresentadas dezenas de palestras,
quem o comitê organizador agra- cional de Produtos e Serviços para todas com tradução simultânea:
dece a todos os carcinicultores e Aquicultura, perfazendo um total de Inglês/Português e Espanhol/Por-
aquicultores presentes e a todos os 7.330 participantes. tuguês, tendo como destaques, os
demais colaboradores que direta e Na programação do XV Simpósio seguintes eventos, que se realizaram
indiretamente contribuíram para Internacional de Carcinicultura de forma simultânea e independen-
a realização de mais um Evento e do XII Simpósio Internacional tes: (1) XV Simpósio Internacional
FENACAM. de Aquicultura (FENACAM’18), de Carcinicultura; (2) XII Simpósio
Da mesma forma, não teria sido o destaque foi o grande esforço Internacional de Aquicultura; (3)
possível, diante da grave crise que a Comissão Organizadora e, XV Sessões Técnicas e Científicas
política e econômica confrontada naturalmente os Conferencis- (Aquicultura e Carcinicultura),
pelo Brasil naquele momento, re- tas especialmente convidados, envolvendo uma Sessão Especial
alizar um evento do porte da FE- empreenderam, no sentido de da RECARCINA.
NACAM’18, se não tivesse contado
com o decisivo apoio financeiro
dos seguintes parceiros: SEAP-
-PR; Governo do Estado do Rio
Grande do Norte/SAPE, FIERN/
SENA I /SESI, SENA R / FA ER N,
BNB, bem como, das Empresas:
Prilabsa, Guabi, Potiporã, Inve,
Brasil Ozônio, Nutriad, Fazenda
Cutia, Neovia, Nexco, Phibro e
Phileo Lasaffre, patrocinadoras
XV Simpósio Internacional de Carcinicultura XII Simpósio Internacional de Aquicultura
de palestrantes, afora claro, as
empresa s ex positora s da X V
FEIRA DE AQUICULTURA e dos
milhares de congressistas e co-
laboradores.
Em realidade, a FENACAM’18, foi
uma grata surpresa, pois além de
manter o nível técnico e comercial
das edições anteriores, se consti-
tuiu num evento que retratou com
muita propriedade a situação atu-
al, os desafios e as oportunidades
apresentadas por duas das mais Sessões Orais Sessões Pôsteres

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pelo testemunho unânime dos
congressistas, expositores, pales-
trantes e panelistas, a FENACAM’18
foi uma grata surpresa e grande
sucesso, notadamente quando se
leva em conta o momento político
XV Feira Internacional de Produtos e Serviços para a Aquicultura e econômico confrontado pelo
Brasil na ocasião e as dificuldades
por que passam a piscicultura e a
carcinicultura do Nordeste, tendo
de um lado, a mais grave crise hí-
drica de sua história, e de outro, a
disseminação do vírus da Mancha
Branca por toda a Região Nordeste,
afetando sobremaneira os micros e
pequenos produtores.
XV Festival Gastronômico de Frutos do Mar Evidentemente, que o sucesso da
FENACAM’18 só foi possível, graças
No tocante às Sessões Técnicas, da carcinicultura brasileira e às parcerias e ao apoio institucional
foram apresentados 143 trabalhos mundial. Esta foi uma grande e f i n a nc ei r o d i sp en s ado s à
técnico-científicos, sendo 37 na oportunidade para melhorar o ABCC pelos seus colaboradores/
forma oral, precedidos de 2 Pa- aprendizado, promover inter- patrocinadores, com especial
lestras Magnas e, 106 em forma câ mbio de in for mações e de- destaque para: Governo do Estado
de pôsteres. Na Sessão Especial senvolver parcerias e negócios, do RN/SAPE, BNB, FAERN/SENAR;
da REDE DE CARCNICULTURA em toda a cadeia produtiva da F I E R N/SE SI /SE N A I , AC C BA ,
– RECARCINA, realizada no dia aqu icu ltu ra e ca rci n icu ltu ra ACCC, ACCP, ACES, ACPB, ANCC,
14 de Novembro foram apresen- bra si lei ra, especia l mente no SINDPEPIS e, naturalmente, das
tadas 3 Mini Palestras e uma tocante à compra de insumos e REVISTAS: Feed & Food, Seafood
mesa redonda sobre o futuro da equipamentos e comercialização Brasil, Panorama da Aquicultura,
Recarcina. da produção. Aquaculture Brasil e Panorama
Ad iciona lmente, se destaca Além disso, um dos principais Acuicola do México, bem como
ainda, a exitosa realização da XV destaques da FENACAM’18 foi a pela especial cobertura da FISH
Feira Internacional de Serviços realização do XV Festival Gastro- TV, na pessoa do apresentador do
e Produtos para Aquicultura, nômico de Frutos do Mar, através Programa Aqua Negócios, Fabio
que contou com a participação do Buffet Saltnor, um evento que Sussel, do excepcional trabalho
de 7 8 empr e s a s n ac ion a i s e representou um importante fator realizado pela Comissão Organiza-
internacionais e 9 Órgãos Públi- de promoção dos produtos da dora e Científica, representada pelo
cos e Institucionais, ocupando aquicultura/carcinicultura e natu- Dr. Rodrigo Carvalho, aos quais,
177 estandes, com uma área de ralmente, num ponto de encontro reiteramos nossos sinceros e efusi-
4.200m² representando o que e confraternização dos congressis- vos agradecimentos, dedicando, a
existe de mais atual no contexto tas, onde pôde ser encontrado uma todos, o sucesso e os méritos desse
da indústria da aquicultura e boa comida. memorável evento.

Promoção Realização

RAF

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Artigo
Principais leis, Instruções Normativas e Decretos que regem a
aquicultura no Estado do Rio Grande do Norte
Bárbara S. F. G. Bacurau1; Nívia L. C. Siqueira1; Paulo E. A. A. Silva1; Otávio A. L. F. Pimentel1; Géssyca T. M. M. Santos1;
Leonardo C. A. Ferreira1; Eulani M. B. Frutuoso1; Neydsom S. Barbosa1; Mayglanne C. B. C. Lima1; Rayssa D. Lira1; Yolanda M.
Dantas1; Marcos T. T. Júnior1, Janaína S. Santos1 e Ng H. They23.
1. Graduação em Engenharia de Aquicultura, Departamento de Oceanografia e Limnologia (DOL), Centro de Biociências (CB), Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN)
2. Departamento de Oceanografia e Limnologia (DOL), Centro de Biociências (CB), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
3. Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (CECLIMAR), Departamento Interdisciplinar, Campus Litoral Norte (CLN), Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). e-mail: haigthey@ufrgs.br

INTRODUÇÃO tempo (Valenti et al., 2000). Isto está de limites na utilização de recursos
O termo meio ambiente foi utiliza- em conformidade com o conceito de naturais e de sanções em caso de
do pela primeira vez em 1835 pelo desenvolvimento sustentável, que é não cumprimento das leis (Oliveira
naturalista francês Geoffrey de o crescimento econômico aliado à et al., 2006). Estes mecanismos são
Saint-Hilaire, em sua obra Études preservação do meio ambiente e ao o licenciamento ambiental, a fisca-
progressives d´un naturaliste, onde desenvolvimento social, garantindo lização, as resoluções e instruções
meio (milieu) é o lugar onde o ser vivo que futuras gerações possam gozar normativas e as responsabilizações
está ou se move e ambiente (ambiance) dos mesmos serviços ambientais das civis, penais e administrativas em
é tudo aquilo que rodeia o ser (Silva, gerações presentes (ONU, 1987).  caso de dano ambiental, respec-
2009). Várias definições de ambiente Em 1995 a FAO (Organização das tivamente. Norma é o termo geral
têm sido adotadas ao longo do tempo, Nações Unidas para a Alimentação para textos legais (leis, resoluções,
por diversos países e instituições. No e a Agricultura) criou um Código de portarias, instruções normativas
Brasil, a definição legal é: Conduta para a Pesca Responsável, etc.). Portanto, nem todos os textos
“o conjunto de condições, leis, in- que recomenda que os países de- legais são leis. As Resoluções (ex.
fluências de ordem física, química e vem elaborar planos e estratégias CONAMA) são atos administrativos
biológica, que permite, abriga e rege que garantam o desenvolvimento (hierarquicamente inferiores às leis),
a vida em todas as suas formas” sustentável e o uso responsável dos enquanto que Portarias são também
(Art. 3º, §I, Lei 6.938/81 – Política recursos naturais nos empreendi- atos administrativos, mas do Poder
Nacional do Meio Ambiente) mentos de aquicultura. O Estado Executivo (ex. IBAMA, Ministério
O meio ambiente está intrinsica- brasileiro, por meio do Ministério do Meio Ambiente), que apresentam
mente relacionado ao modo de vida do Meio Ambiente e fundamentado ordens/instr uções acerca da
humano e é desta maneira passível nas recomendações da FAO, apontou aplicação de leis ou regulamentos.
de sofrer impactos ambientais, que diretrizes para o setor aquícola des- Instruções Normativas são também
podem ser definidos como “qualquer de 1997. O objetivo destas diretrizes atos administrativos por ordem
alteração da qualidade ambiental que é identificar as responsabilidades, escrita expedida pelo chefe do
resulta da modificação de processos deveres e obrigações do Estado e dos serviço ou Ministro de Estado
naturais ou sociais por ação humana” atores envolvidos com a aquicultura, a seus subordinados dispondo
(Sanchéz, 2013). sendo que o intercambio contínuo normas disciplinares que deverão
Uma dessas atividades é a aquicul- entre estes atores é essencial para ser adotadas no funcionamento do
tura, que é praticada desde tempos garantir a sustentabilidade, a segu- serviço público.
remotos datando de pelo menos rança alimentar e a erradicação da A legislação ambiental obedece
2.000 a.C. Esta constitui-se do culti- pobreza, garantindo o bem-estar das à mesma hierarquia das demais
vo de organismos cujo ciclo de vida gerações futuras. leis, em que, tratando-se da mesma
ocorre de maneira integral ou par- Ao longo do tempo, diversos matéria, as leis estaduais não podem
cial em meio aquático. Atualmente, mecanismos legais surgiram rela- ir de encontro às leis federais, assim
ela está alicerçada em três pilares: cionados a aquicultura, os quais têm como as leis municipais também
produção lucrativa, desenvolvimen- por base a avaliação das condições estão subordinadas às leis estaduais.
to social e preservação do meio am- ambientais prévias à instalação do De forma que, se em uma lei federal
biente. Estes três componentes são empreendimento, o acompanha- for estipulado um limite de tolerân-
essenciais e indissociáveis para que a mento das alterações associadas às cia para descarte de determinado
atividade seja sustentável ao longo do atividades de operação, a imposição produto no efluente, a lei estadual ou

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municipal pode determinar um novo os órgãos e entes da federação res- ou Municípios) ou concorrentes,
limite apenas se ele for mais restri- ponsáveis por fiscalizar e legislar quando é compartilhada por dois
tivo para a emissão deste mesmo em matéria ambiental. A Tabela 1 ou mais entes da federação.
produto, nunca mais permissivo. traz a organização do SISNAMA e As principais normas estaduais
O estado do Rio Grande do Norte respectivas estruturas estadual e relacionadas à aquicultura são
possui grande vocação para a municipal tomando como exemplo enumeradas abaixo:
aquicultura, tendo destaque como o município de Natal.
produtor de camarões, atualmente Os Estados criam leis que regula- 1.1 Lei Complementar 272/2004
o maior do Brasil segundo o censo mentam as atividades que estão na –Política e Sistema Estadual de
“Pesquisa da Pecuária Municipal” esfera de sua competência, visam Meio Ambiente, infrações e sanções
2017 do IBGE (Instituto Brasileiro complementar casos omissos na administrativas ambientais, uni-
de Geografia e Estatística – Tabela legislação federal ou ainda deter- dades estaduais de conservação da
3940: Produção da Aquicultura por minar limites mais restritivos para natureza e medidas compensatórias
tipo de produto. Disponível em: ht- alguns parâmetros ou atividades ambientais
tps://sidra.ibge.gov.br/tabela/3940). determinadas pela legislação fede- Esta lei institui a Política Estadual
Sendo assim, o presente artigo tem ral. Neste sentido, a Constituição de Meio Ambiente, que visa compa-
como objetivo apresentar as princi- do Estado do Rio Grande do Norte, tibilizar o desenvolvimento econô-
pais leis ambientais relacionadas à embasada na Constituição Federa- mico com o meio ambiente, definir
aquicultura no Estado do Rio Gran- tiva do Brasil, ratifica sua função as prioridades do governo para a
de do Norte, cujo conhecimento por em legislar concorrentemente com qualidade ambiental (através de
parte dos produtores potiguares a União sobre pesca, fauna, conser- critérios e padrões), ordenar o uso
pode contribuir para a regulariza- vação da natureza, defesa do solo e manejo de recursos naturais, pro-
ção do desenvolvimento sustentável e dos recursos naturais, proteção mover pesquisas na área ambiental,
deste ramo de atividade. do meio ambiente e controle da divulgar informações ambientais,
poluição, bem como apurar res- determinar a necessidade de pla-
1. LEGISLAÇÃO ESTADUAL DO nejamento e fiscalização, dentre
ponsabilidades por danos ao meio
RIO GRANDE DO NORTE outros pontos. Ela também institui
ambiente. As competências para le-
A legislação ambiental estadual Sistema Estadual do Meio Ambiente
gislar em matéria ambiental podem
segue a hierarquia determinada (vide tabela SISNAMA), descreven-
ser privativas, quando exercidas
pelo Sistema Nacional do Meio Am- do sua composição, competências e
por apenas um ente da federação
biente (SISNAMA), que determina instrumentos, o Sistema Estadual
(União, Estados, Distrito Federal
Tabela 1 – Estrutura organizacional hierárquica do SISNAMA com enfoque no Estado do Rio Grande do Norte (RN) e no município de Natal.
Entes
Federal Estadual Municipal
Órgãos
Superior Conselho de governo - -

COMPLAM (Conselho Municipal


Consultivo e CONAMA Conema (Conselho Estadual de
de Planejamento Urbano e Meio
deliberativo (Conselho Nacional do Meio Ambiente) Meio Ambiente)
Ambiente)

MMA
SEMURB
(Ministério do Meio Ambiente) SEMARH (Secretaria do Meio
Central (Secretaria Municipal de Meio
SEMAM/PR (Secretaria do Meio Ambiente Ambiente e dos Recursos Hídricos)
Ambiente e Urbanismo)
do Presidente da República)

IBAMA
(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
IDEMA
e dos Recursos Naturais Renováveis) Não há órgão especifico previsto no
Executor (Instituto de Desenvolvimento
ICMBIO SISNAMA1
Sustentável e Meio Ambiente)
(Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade)

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de Informações Ambientais (SEIA) m 2) e grande (volume de gaiola ou das instalações, vazão, capacidade
e cria o Cadastro Técnico Estadual tanque-rede > 1.800 m3 e ocupação de armazenamento, quantidade de
de Atividades Relacionadas com o máxima de espelho d’água > 20.000 empregados, investimento, entre
Uso de Recursos Ambientais e Poten- m2). No caso de viveiros ou tanques outros. O potencial poluidor/degra-
cialmente Poluidoras. Também são fora dos corpos d’água, os seguintes dador é classificado como pequeno,
regulamentadas as unidades de portes são considerados: micro médio e grande, considerando
conservação estaduais, nos moldes (< 3 ha), pequeno (entre 3 e 10 ha), o potencial de poluição do solo/
do Sistema Nacional de Unidades médio (entre 10 e 50 ha) e grande subsolo, água e ar. A resolução traz
de Conservação (SNUC, Lei Federal (> 50 ha). No caso de viveiros ou uma tabela com várias atividades
9.985/2000). A lei também estabe- tanques de médio ou grande porte enquadradas de acordo com estes
lece critérios para a compensação fica obrigatório o uso de sistemas de critérios, incluindo atividades de
ambiental, proíbe totalmente a recirculação de água. Fica também aquicultura (carcinicultura, aqui-
liberação de poluentes no ar, solo explícita a necessidade do termo de cultura orgânica, mitilicultura,
e águas e obriga o monitoramento outorga dos direitos de uso da água ostreicultura, ranicultura, maricul-
e auto monitoramento ambiental previamente ao licenciamento e tura, piscicultura em tanque-rede
para empreendimentos considera- estabelecido que a área total dos ou gaiola e piscicultura em viveiro)
dos de alto potencial poluidor. Ou- empreendimentos de piscicultura
1.4 - Lei Complementar 336/2006
tro ponto importante é o processo (área licenciada) num mesmo reser-
- Altera a Lei Complementar
de licenciamento ambiental, que é vatório não pode exceder 1% de sua
272/2004 - Algumas alterações
defi nido nos moldes da legislação área total de espelho d’água. A área
importantes são que empreendi-
federal (LP, LI e LO), além da licença total das gaiolas ou tanques-rede,
mentos e atividades de significativo
simplificada para empreendimentos no entanto, não pode exceder 8% da
impacto ambiental passam a ser
de baixo potencial de impacto am- área licenciada. A lei também deter-
considerados aqueles de grande ou
biental. No que tange à aquicultura, mina que uma vez que seja extinto o
excepcional porte ou grande poten-
são estipulados os valores a serem termo de outorga, o empreendedor
cial poluidor. A lei trata basicamen-
pagos em reais para a licença sim- fica obrigado a realizar a restau-
te das compensações ambientais
plificada e para as licenças prévia, ração ambiental do reservatório,
e de como os recursos advindos
de instalação e operação de acordo seguindo o plano de desativação
destas serão aplicados, como por
com o porte do empreendimento. apresentado no processo de licen-
exemplo 0,5% em relação ao inves-
ciamento. Outro ponto importante
1.2 - Lei 8.769/2005 - Uso de timento para a criação de unidades
é a obrigatoriedade dos alevinos
águas interiores para prática de de conservação. A lei possui tam-
utilizados serem provenientes de
piscicultura - Esta lei regulamenta bém uma tabela de preços para a
empreendimentos licenciados.
o uso das águas interiores (reser- obtenção de licenças ambientais de
vatórios) de domínio do Estado ou 1 . 3 - R e s oluç ão C O N E M A acordo com o potencial poluidor,
delegadas pela União para fins de 04/2006 –Critérios de classi- com o tipo de licença e com o porte
piscicultura. Importantes pontos ficação de porte e potencial de empreendimentos de carcinicul-
incluem a autorização de cultivo poluidor de empreendimentos tura, cujos valores podem variar
somente de espécies de peixes na- - Esta resolução estabelece os de R$ 92,15 a R$ 13.105,92. Para as
tivas ou estabelecidas e o porte dos critérios para classificação dos análises dos estudos ambientais
empreendimentos: micro (volume empreendimentos potencialmente (EIA/RIMA), são estipulados valores
de gaiola ou tanque-rede ≤ 450 m3 poluidores, os quais são listados cobrados variando de R$ 5.000,00 a
e ocupação máxima de espelho na resolução. Excetuando-se as R$ 50.000,00, a depender do porte e
d’água ≤ 5.000 m2), pequeno (volume atividades petrolíferas, todas as do potencial poluidor/degradador.
de gaiola ou tanque-rede > 450 m3 atividades são divididas em micro,
1.5 - Decreto 2.3379/2013–Aqui-
e ≤ 900 m3 e ocupação máxima de pequeno, médio, grande e excep-
cultura no Estado do RN - Este
espelho d’água ≤ 10.000 m2), médio cional porte. Para a carcinicultura,
decreto disciplina regras relacio-
(volume de gaiola ou tanque-rede no entanto, o porte excepcional é
nadas à atividade de aquicultura no
> 900 m 3 e ≤ 1.800 m 3 e ocupação dividido ainda em classe I e II. São
Estado do Rio Grande do Norte, para
máxima de espelho d’água ≤ 20.000 considerados para a classificação
a utilização de espécies nativas ou
a área do projeto, o comprimento

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estabelecidas, em águas continen- Pereira”, está em consonância ou da produção de larvas, sendo o
tais ou interiores, nos termos da Lei com a Política Nacional de Desen- produtor obrigado e comprovar a
Estadual nº 8.769/2005. Fica estabe- volvimento da Carcinicultura e origem certificada das suas larvas.
lecido que o Instituto de Gestão das tem por objetivo fazer com que a A lei permite a produção de espé-
Águas do Estado do Rio Grande do carcinicultura no Rio Grande do cies exóticas, desde que uma série
Norte (IGARN) terá competência Norte explore os recursos naturais de medidas seja adotada, incluindo
para dispensar a outorga do direito de forma sustentável e garanta a a garantia de solidez dos taludes,
de uso dos recursos hídricos para otimização dos benefícios econô- uso de dispositivos de contenção
os projetos de aquicultura nos micos decorridos da atividade sem telas, filtros, redes e tanques de
açudes, lagos ou lagoas, com até 40 deixar de conservar o meio am- peixes nativos predadores) de fuga
ha de bacia hidráulica na cota de biente e a biodiversidade próximos dos camarões e que a qualidade das
sangria. Ficam determinados os ao empreendimento. Ela também águas drenadas tenha qualidade
seguintes critérios de licenciamen- faz a divisão dos empreendimentos igual ou superior às águas do ponto
to: dispensa de licença (área de até 3 em classes de porte de acordo com de captação. A Lei reforça a obriga-
ha),licença simplificada (área > 3 ha a área inundada (excetuando-se toriedade do termo de outorga dos
e <10 ha) e LP, LI e LO (área > 10 ha). canais de abastecimento, reserva- direitos de uso da água doce. Em
Para atividades dentro do corpo hí- tórios e bacias de sedimentação): termos de sanidade, ficam exigidos
drico, os critérios são os seguintes: micro (até 5,0 ha), pequeno (entre a declaração de isenção de enfer-
dispensa de licença (área de gaiolas 5,0 e 10,0 ha), médio (entre 10,0 e midades de notificação obrigatória
ou tanques rede < 0,5 ha e volume 50,0 ha), grande (entre 50 a 200 pela Organização Internacional de
de gaiola ou tanque-rede < 450 m³), hectares) e excepcional porte Epizootias (OIE).
licença simplificada (área de gaiolas (acima de 200,0 ha). As licenças
1.9 - Resolução CONEMA 01/2017
ou tanques rede < 1,0 ha e volume de previstas e obrigatórias de acordo
- Novos critérios de classificação
gaiola ou tanque-rede > 450 m³ e < com a classificação do empre-
de porte e potencial poluidor/
900 m³), LP, LI e LO (área de gaiolas endimento são as simplificadas,
degradador de atividades agro-
ou tanques rede ≤ 2,0 ha e volume ordinárias ou de regularização de
pecuárias, incluindo diversas
de gaiola ou tanque-rede > 900 m³). operação. Os empreendimentos
atividades de aquicultura (altera
1 .6 - Lei Complementar de pequeno porte podem ser li-
a Resolução CONEMA 04/2006) - O
481/2013–Regulamenta dispo- cenciados de forma simplificada,
principal efeito desta resolução foi
sitivos da Lei 8.769/2005 - Esta enquanto os outros necessitam do
a alteração nos critérios de classi-
lei basicamente altera e regula- processo ordinário (LP, LI e LO).
ficação do porte de empreendimen-
menta alguns dispositivos da lei Fica obrigatória a implantação de
tos de aquicultura, com ampliação
8.769/2005. Uma das novidades bacia de sedimentação nos empre-
dos limites. Para a carcinicultura,
é a criação do Fundo Estadual de endimentos a partir de médio por-
por exemplo, o micro porte passa
Recursos Hídricos (FUNERH) te sem levar em conta a densidade
de um limite máximo de 3,0 ha
de povoamento do cultivo; caso não
1.7 - Resolução CONEMA 02/2014 para 5,0 ha e para a piscicultura
haja bacia, fica obrigatório o auto
– Altera critério de enquadra- monitoramento trimestral por em viveiros o micro porte passa
mento de porte de atividades de ocasião da despesca. Sendo o resul- de um limite máximo de 10,0 ha
carcinicultura (altera a Resolução tado fora dos parâmetros previstos para 15,0 ha. Outra importante
CONEMA 04/2006) - Passa a consi- adição foi a determinação de porte
em legislação de três relatórios
derar como micro porte os empre- para atividades de larvicultura na
seguidos, o empreendedor será
endimentos de carcinicultura de até carcinicultura e produção de ale-
obrigado a implantar a bacia de
5,0 ha. vinos, levando em consideração a
sedimentação no estabelecimento.
1.8 - Lei 9. 978/2015 (Lei Cortez A lei prevê ainda a possibilidade área dos laboratórios. A resolução
Pereira) - Desenvolvimento sus- de liberação de carcinicultura em ainda exclui a aquisição de animais
tentável da carcinicultura no RN, APPs em casos específicos. Com da necessidade de licenciamento
licenciamento e regulamentação relação às larviculturas, todas de- ambiental.
de todo o ciclo produtivo - Esta verão ser devidamente licenciadas Referências disponíveis na
Lei, denominada “Lei Cor tez independentemente do tamanho ABCC

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Artigo
Pré-engorda em cercados: histórico, evolução e adaptação
à carcinicultura atual
Diego Maia Rocha
diegomaiarocha@synbiaqua.com.br
Ana Paula G. Teixeira
anapaulagteixeira@synbiaqua.com.br

O
presente artigo visa rever e eficiência de ciclos), permitiam
a história da utilização dos maior flexibilidade e dinâmica, uma
sistemas de pré-engorda vez que agora a pré-engorda não era
na carcinicultura marinha ao mais fixa a apenas um ou dois vivei-
longo dos anos e como a evolução ros. Além disso, tendo pós-larvas
da tecnologia de produtos e nos berçários enquanto os viveiros
equipamentos, e até mesmo do estavam sendo preparados para o
amadurecimento técnico podem povoamento, os produtores ganha-
estar relacionados com uma nova ram ainda a possibilidade de fazer
perspectiva de viabilidade para o um processo de aclimatação mais
uso deles na atualidade. lento, já que na época os laboratórios
só entregavam pós-larvas em salini-
dades mais altas.
PASSADO
No início da carcinicultura, em
meados dos anos 70, a cadeia de
produção limitava-se quase que ex-
clusivamente à engorda dos animais,
não havia laboratórios de larvicultu- FIGURA 1 – Exemplos Viveiros berçário no Peru
ra nem fábricas de rações. A oferta (acima.)¹ e Viveiro berçário no Brasil (abaixo.)²
destes 2 insumos, ração e pós-larvas,
baseava-se em atividades extrativis- DESENVOLVIMENTO
tas ou artesanais, como por exemplo No início da década de 90, a in-
a tentativa de fabricar o balanceado dústria brasileira de carcinicultura
de pescado como alternativa nu- entra em um momento de maior
tricional e a captura de juvenis nos desenvolvimento, quando surgem
estuários com as espécies nativas. os primeiros laboratórios comer-
Com a perspectiva de ter um ciais de produção de pós-larvas. E
maior domínio sobre a produção nessa onda de desenvolvimento, os
dos viveiros em uma época em que sistemas de pré-engorda também
prevaleciam os sistemas extensivos, passaram por mudanças. FIGURA 2 – Exemplo de tanques berçários
surgiram os viveiros de pré-engorda, Com o passar dos anos, a utilização (acima.)³ e cercados (abaixo.)4
uma alternativa que permitia o destes viveiros de pré-engorda, ou
controle e acompanhamento da berçários de terra, foi entrando em Diante dos comprovados benefí-
estocagem da população inicial. Em desuso, e a pré-engorda evolui para cios da fase de pré-engorda, mas na
adição a este controle, os viveiros de os sistemas intensivos, também impossibilidade da implantação de
pré-engorda apresentavam-se como conhecidos como pré-berçários ou tanques pré-berçários intensivos em
ferramenta no aumento da eficiência sistemas primários. Essa era uma algumas fazendas, surgiu então uma
no ciclo produtivo, uma vez que os inovação cujo objetivo era facilitar alternativa: os sistemas de cercados.
mesmos possuem uma independên- na logística interna da fazenda, pois Basicamente, eram cultivos de pré-
cia dos viveiros de engorda e podem além de desempenhar os benefícios -engorda realizados dentro do pró-
ser estocados quando a engorda está já trazidos no sistema anterior prio viveiro, utilizando cercas com
em andamento. (controle da população estocada telas de 1000 micras em uma área

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aproximada de 10% da área total lantes e melhorias técnicas, como a  Aqueles que ainda precisam de
do viveiro. Nos cercados, além do cobertura aérea. Sendo a cobertura maior controle do manejo inicial,
controle inicial da ração e população, aérea um importante diferencial como no controle da oferta de ração
vislumbrava-se acelerar o processo para crescimento e imunidade do no viveiro.
de contato entre os camarões e as camarão durante esse período.
bandejas; e possibilitar o aumento Seguindo nesse processo de mu- Para estes produtores, uma outra
da produtividade primária dança que acompanha a necessidade perspectiva de pré-engorda, em
na indústria, a partir de meados de fase primária, secundária ou até
2010 outro sistema começa a ganhar terciária, é o resgate do “antigo”
ATUALIDADE: MUDANÇA DE CON- bastante visibilidade e se apresenta conceito dos cercados, porém
CEITO, EVOLUÇÃO DOS INSUMOS E como uma extensão dos sistemas numa nova elaboração que pode
COMBATE A ENFERMIDADES primários, são os chamados sis- trazer maior eficiência nos ma-
Numa indústria já bem mais pro- temas secundários. São sistemas nejos de tratamento de água para
fissionalizada e intensificada, um que compõem uma fase do cultivo fins de biossegurança e/ou redução
dos principais desafios enfrentados intermediária entre a pré-engorda e da carga patogênica, assim como
na carcinicultura passou a ser as a engorda, cujo objetivo é atingir um para correções/ enriquecimento
enfermidades e esse cenário trouxe peso de juvenil entre 0,25 e 2 gramas, da água.
um novo olhar sobre a fase da pré- e em geral, realizados em tanques A “evolução dos cercados”, trata-se
-engorda. Além das vantagens já tipo Raceways. da substituição da tela originalmen-
identificadas na adoção de uma te usada para fazer os cercados por
fase de cultivo prévia à engorda, o um material fechado, como lonas,
ganho compensatório verificado nos podendo ser dos mais diversos mate-
sistemas bifásicos, mostrou-se uma riais. Em função da lona ser fechada,
ferramenta de destacada importân- o procedimento de abastecimento é
cia no convívio com doenças como diferente:
a Mancha Branca. Ferramenta esta
1. A estrutura de fixação e a lona
que evoluiu junto com o avanço da
são instaladas no desenho desejado
tecnologia dos insumos utilizados e o
FIGURA 4 – Exemplo de Raceway.6
do cercado e mantida baixa (Fig.5).
conhecimento técnico para máximo
aproveitamento desta característica
Quadro1 – Caracterização dos sistemas de pré-engorda
zootécnica.
Densidade Dias de Peso final Possibilidade Custo
Sistema
pls cultivo médio (g) de aeração implementação

Pré-berçários 10 a 20/ L 10 a 15 0,025 -0,050 soprador intermediário

Raceways 3 A 5/ L 20 a 30 0,8 - 1,0 aerador e soprador alto

Cercados 0,2 -0,5/L 20 a 30 1 -1,5 aerador e soprador baixo

EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE CER-


FIGURA 3 – Exemplo de pré-berçário com CADOS E SEUS BENEFÍCIOS
cobertura aérea5 Enquanto a pré-engorda evoluiu 2. O viveiro é abastecido junto
e atendeu a uma grande parte das com o cercado, e então a lona é
Os sistemas intensivos primários necessidades dos produtores, uma elevada, eliminado qualquer dife-
passaram então a focar em um parcela deles ainda tem soluções a rença de pressão entre o interior
juvenil maior e de melhor qualida- serem atendidas: e exterior do cercado (Fig.6). É
de, mais resistente ao processo da importante que a borda superior
transferência, e melhor preparado  Aqueles sem capital para investir da lona esta acima da linha da
para um alto desempenho na en- num setor de pré-engorda ideal; superfície da água.
gorda. Nesse sentido podemos citar 3. São feitos os manejos neces-
como contribuição o uso de: rações  Aqueles com necessidade de correção sários dentro do cercado, como
especificas, melhor qualidade na da água para o povoamento, além da a correção da alcalinidade, por
aeração, probióticos, imunoestimu- aclimatação para salinidade baixa; exemplo (Fig.7).

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FIGURAS 5 a 8 (sentido horário) – procedimento de instalação e manejo do cercado com lona7.

Cria-se assim um ambiente di- uma área de 10ha. Pela sua ampla resultados no povoamento. As pls
ferenciado no interior do cercado área, a correção da alcalinidade estocadas nesse cercado foram
(Fig.8), melhor preparado para para níveis ideais ao povoamento mantidas nele por 15 dias e então
a recepção dos animais a serem (mínimo de 100mg/L) torna-se in- liberadas para o viveiro todo.
povoados, com grande economia viável. Com a utilização do cercado Podem ser encontradas em fon-
de insumos, maior eficiência de de lona, foi possível corrigir a área tes fora do Brasil, mais referências
manejo e melhor desempenho cercada com fertilizante, elevando e exemplos desse sistema, inclusive
zootécnico. a alcalinidade para 120mgl/L antes com aprimoramentos, como o
No exemplo especí f ico das do povoamento, gerando grande sistema de aeração de fundo com
fi guras 5 a 8, o viveiro tinha uma economia na utilização do ferti- soprador, com exemplificado nas
alcalinidade inicial de 80mg/L e lizante e maior garantia de bons imagens a seguir8.

Imagens do artigo: ¹Imagem de satélite – Google Maps; ²Fazenda Aqual – Guamaré/RN; ³Fazenda Costa Dourada – Sirinhaém/PE;4, 5 Arquivo pessoal; 6

Imagem de Ivan Cereceda; 7 Imagens cedidas por Lorena; 8 Imagens disponibilizadas em www.aquatic.com.vn

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Artigo
Cultivo de Camarão Marinho em Águas de Baixa Salinidade:
Uma Realidade na Carcinicultura com o Camarão Marinho
L. vannamei na Paraíba
André Gustavo Jansen de Oliveira, Eng.º de Pesca, Presidente ACPB;
Roberto Neto, Eng.º de Pesca, Gerente Real Pescados

D
e acordo com os números com águas mesohalinas, cujo de- Pilar, Pitanga na Estrada, Pirpi-
setoriais de 2003, a Paraíba sempenho vem superando todas as rituba, Pombal, Riachão do Poço,
contava com 68 fazendas de expectativas, inclusive, com produ- Salgado de São Félix, São Miguel
cultivo de camarão, englobando tividades expressivas. de Taipu, São Bento, São João do
u m a á rea de 6 30 ha , t endo Na verdade, o grande diferencial Cariri, S. Sebastião do Umbuzeiro,
produzido 3.323 t, contribuindo da carcinicultura paraibana, está Sapé, Serra Branca e Sobrado, cujas
para uma exportação de US$ 12,1 relacionado ao fato de que cultivo fazendas usam águas do Rio Paraíba,
milhões. Já no Censo realizado do camarão marinho vem sendo Rio Mamanguape, Rio Piranhas e
pela ABCC em 2011, o número de praticado obedecendo um eficiente de dezenas de açudes e poços arte-
produtores da Paraíba decresceu protocolo operacional, em termos sianos, já possuindo 180 unidades
para 53, bem como sua produção de boas práticas de manejo e de produtoras de camarão marinho
(1.530 t), com um destaque para o medidas de biossegurança, afora cultivado.
fato de que a produtividade média o fato de que a maioria das águas São, portanto, 230 fazendas de ca-
das fazendas localizadas ao longo do utilizadas apresentam caracterís- marão marinho distribuídas em 48
Rio Paraíba, no referido ano, foi de ticas de baixa salinidade (oligo e municípios paraibanos, cuja expres-
10.200 kg/ha/ano. mesohalinas), nas quais, o camarão siva maioria corresponde a micros e
Nesse mesmo contexto, um estudo L.vannamei, mesmo sendo originado pequenos empreendimentos (0,1 a
realizado pelo SEBRAE/PB em 2016, do Oceano Pacífico, tem se adaptado 10,0 hectares), sendo que a área de
reportou uma produtividade média bem, inclusive, apresentando níveis viveiros de cultivo de camarão em
de 15 ton/ha/ano na carcinicultura de produtividade superiores aos produção no Estado está estimada
praticada em águas do Rio Paraíba, alcançados em águas estuarinas, na em 1.100 hectares, dos quais 600 ha
contra apenas 2,5 ton/ha/ano da Paraíba, no Brasil e no mundo se localizam em áreas estuarinas,
média nacional no referido ano. In- Nesse sentido, a carcinicultura com exploração em baixa densidade
clusive, no ano de 2019, mesmo sem paraibana, segundo dados extra (6 a 8 pós-larvas/m²) e 500 ha, nas
contar ainda com financiamentos oficiais, já conta com 2 importantes águas interiores, com explorações
bancários para investimentos, mui- polos produtores de camarão mari- semi-intensivas e intensivas (30 a
to menos com um mínimo de apoio nho cultivado: 125 pós-larvas/m²).
governamental para o desempenho (1) O Polo Costeiro que inclui 07 No ano de 2018, a produção estima-
desse setor, a carcinicultura parai- municípios: João Pessoa, Caaporã, da de camarão cultivado da Paraíba
bana dos polos interioranos vem Baía da Traição, Lucena, Marcação, foi de 5.000 toneladas, mas para o
se fortalecendo de tal ordem, que Rio Tinto e Santa Rita, onde operam presente ano de 2019, as previsões
vários pequenos empreendimentos 50 fazendas de engorda de camarão apontam para uma produção da or-
estão produzindo entre 17 a 30 tone- marinho e, dem de 6.500 toneladas, cujo destino
ladas de camarão, pequeno e médio, (2) O Polo do Interior, que sur- será exclusivamente para o mercado
por hectare/ano. preendentemente, já contempla 41 interno.
Em realidade, a espécie de cama- municípios: Araçagi, Alagoinha, Ba- Ou seja, toda a comercialização
rão marinho Litopenaeus vannamei, naneiras, Barra de Santana, Belém, do camarão cultivado da Paraíba, se
a mais cultivada no mundo, no caso Boa Vista, Boqueirão, Borborema, realiza por meio de agentes interme-
particular do estado da Paraíba, sua Cabaceiras, Caldas Brandão, Campi- diários, que compram e recolhem o
utilização vem se expandindo do na Grande, Cuité de Mamanguape, camarão resfriado in natura nas
litoral para o sertão, com o aumento Coremas, Cruz do Espirito Santo, fazendas, na condição de camarão
do número de produtores ao longo Cuitegí, Guarabira, Gurinhém, fresco e, distribuem para centros de
das margens do rio Paraíba, cariri Ingá, Itabaiana, Itatuba, Jacaraú, processamentos ou outros pontos de
e mesmo em rincões do alto sertão Juripiranga, Lagoa de Dentro, Mari, comercialização, incluindo diversos
paraibano, notadamente nas áreas Mogeiro, Monteiro, Mulungu, Prata, estabelecimentos de consumo direto

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(restaurantes e bares), bem como, econômica no semiárido paraibano, nos cultivos tradicionais, já que o
para as redes varejistas e centrais um desafio intransponível do ponto parâmetro temperatura é o prin-
de distribuição e abastecimento do de vista de políticas públicas, que cipal gatilho para o aumento da
Nordeste, Sudeste e outras Regiões, adicionalmente gera oportunidades virulência da “mancha branca”, o
com destaque para Recife (PE), Salva- de negócios para micro e pequenos que resulta em pesados prejuízos
dor (BA), Brasília (DF), Rio de Janeiro produtores rurais, além de 4 a 5 mil aos produtores.
(RJ), São Paulo (SP) e Itajaí (SC), onde empregos no campo, sem exigência Evidentemente que, a convivência
são processados e distribuídos para de capacitação profissional. e a produção continuada na presen-
os consumidores finais. Entretanto, a recente ocorrên- ça do “vírus da mancha branca”, já
Considerando o preço do camarão cia do vírus da “mancha branca” é uma realidade, mas que exige do
médio (10 gramas) de R$ 16,00/kg na (WSSV), inclusive na região do produtor investimentos estrutura-
fazenda, as 6.500 toneladas proje- Vale do Paraíba, tem contribuído dores para a plena adoção das indis-
tadas para 2019, gerarão um fatura- para a redução das densidades pensáveis “boas práticas de manejo
mento bruto anual da ordem de R$ de povoamento, notadamente no e medidas de biossegurança”, como
104 milhões de reais. Trata-se de uma litoral, especialmente no período se destaca no exemplo da “Fazenda
receita advinda de uma exploração, em que ocorrem grandes variações Progresso”, localizada na cidade
na sua maioria, até poucos anos ine- de temperatura, cujo estresse causa de Salgado de São Félix no agreste
xistente e que já contribui para uma baixa resistência, permitindo que o paraibano, a 90 km da capital João
significativa distribuição de renda referido agente infeccioso presente Pessoa, que com apenas 2.400 m2,
no meio rural desses municípios, nos sistemas produtivos reduzam representados por 7 (sete) viveiros
se constituindo numa nova ordem as sobrevivências, notadamente, escavados, com área de produção,

TABELA 01 - Dados de Zootécnicos de Produção de 07 Viveiros (2400 m²) de Cultivos Intensivos do Camarão Marinho L. vannamei

Dens.
Sobr. Peso Ganho
ÁREA Dias de População Inicial Biomassa Ração Produtividade
VE Final Final peso/sem F.C.A
(ha) Cultivo Inicial (cam/ Final (Kg) Total (Kg) (Kg/ha) Ciclo
(%) (g) (g)
m²)
1 0,02 99 30.000 125   69% 12,25 0,87 256 498 1,95 10.667
2 0,03 99 40.000 118 84% 10,93 0,77 367 619 1,69 10.794
3 0,03 99 40.000 118 84% 11,45 0,81 385 603 1,57 11.324
4 0,08 80 100.000 125 77% 10,00 0,88 768 1.129 1,47 9.600
5 0,03 76 40.000 118 54% 12,50 1,15 272 431 1,59 8.000
6 0,03 76 40.000 118 47% 14,50 1,34 272 439 1,61 8.000
7 0,04 86 390.000 121 65% 12,02 1,00 2.847 4.453 1,61 9.282
Produtividade Média: 29.000 Kg/ha/ano (03 ciclos de cultivo)

TABELA 02 - Resultados de Cultivos Semi-Intensivos (7 viveiros/13.500 m²) com o Camarão Marinho L. vannamei em Águas Interiores

Dens.
Sobr. Peso F.C.A
ÁREA Dias de População Inicial. Cresc. Biomassa Ração Produtividade
VE Final Final Final
(m²) Cultivo Inicial (cam/ Semanal Final (kg) Total (Kg) (Kg/ha) Ciclo
(%) (g) (:1)
m2)
1 2.000 81 140.000 70,0 89,11 8,00 0,69 998 1.230 1,23 4.990
2 2.000 98 100.000 50,0 96,60 10,00 0,71 966 1.034 1,07 4.830
3 2.000 98 100.000 50,0 99,40 10,00 0,71 994 1.297 1,30 4.970
4 1.900 94 119.000 62,6 100,25 11,40 0,85 1.360 1.573 1,16 7.158
5 2.000 94 126.000 63,0 100,19 10,10 0,75 1.275 1.574 1,23 6.375
6 1.800 92 117.000 63,30 100,37 10,40 0,77 1.190 1.375 1,16 6.611
7 1800 94 114.000 63,33 100,37 10,40 0,77 1.190 1.375 1,16 6.611
MÉDIA 1.928 93 116.571 60,32 98,04 10,04 0,75 1.139 1.351 1,19 5.935
Produtividade: 17.805 Kg/há/ano (3 ciclos)

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variando de 200 a 800 m2, com entre 47% a 84% e uma produtivi- sendo superados, graças ao decisivo
1,8m de profundidade média e dade variando de 8.000 a 11.324 kg/ apoio de SEBRAE-PB, AESA, Assem-
densidades de estocagem de 118 a ha/ciclo, possibilitando a realização bleia Legislativa, SUDEMA e mais
125 camarões/m². de 04 ciclos por ano, podendo obter recentemente do BNB e BB, os riscos
Nesse contexto, embora o método uma produtividade média de 29.000 de contaminação por outras doenças
utilizado para povoamento dos vi- kg/ha/ano (Tabela 01). virais e bacterianas, decorrentes das
veiros de engorda ainda predomine Da mesma forma, resultados recentes autorizações de importa-
o povoamento direto, com ração obtidos de outro micro empreendi- ções de camarão do Equador, sem
inicial triturada, por voleio, numa mento, com viveiros variando de 800 uma prévia e contemporânea ARI,
proporção de 1 kg para cada 100.000 a 2.800 m2, utilizando densidades será sem dúvida, o empecilho que
pós-larvas estocadas, até que seja de estocagem entre 50 a 63,3 pós- precisaremos remover no curtíssi-
atingindo um peso médio que os ca- -larvas/m2, despescando camarões mo prazo, sob pena, desse dinâmico
marões consigam ingerir a ração pe- com peso médio de 10,04 g (8,0 a e promissor setor tenha seu cresci-
letizada ofertada 2 vezes ao dia, tem 11,4 g), com sobrevivência média de mento, mais uma vez, descontinua-
sido possível obter uma conversão 98,04%, obteve conversão alimentar do, prejudicando o fortalecimento da
alimentar média de 1.64:1, produzin- de 1,19 kg :1 e uma produtividade mé- sua cadeia produtiva no Estado, em
do camarões com gramatura entre dia de 17.805 kg/ha/ano (Tabela 02). especial, das indispensáveis iniciati-
10,0 a 14,5g, com densidades de 118 Em realidade, embora os desafios vas de se reiniciar as exportações do
à 125 pós-larvas/m2, sobrevivência da carcinicultura paraibana estejam camarão paraibano.

FIGURA 03 – Despesca

FIGURA 01 – Viveiros de engorda

FIGURA 02 – Berçários Secundários (Race Ways) FIGURA 04 – Biometria

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