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IST, 90) SCM LL a CC) zz al idea Oo Indice Introdugao ... A Crianga Como Protagonista....... A Importancia do Brinquedo... © Liidico Como Fonte de Aprendizagem... © Papel do Professor de Educagao Infantil Espaco Liidico.... A Musicalizagao.... Sugestées de Atividades Ltidicas para Serem Desenvolvidas no Ambito Escolar ..... Consideragdes Finais Bibliografia Recomendada.... Sobre a Autora.... Introdugao Diante de um mundo tecnolégico ¢ com tantas informagées de facil acesso a to- dos, nossas criangas encontram-se inseridas neste contexto e passam a modificar seus habitos e sua infancia passa a ser comprometida. Antes, a infancia era vista como algo que se educava em casa e nao havia escolas especificas para Educagio Infantil, a crianca ingressava diretamente no Ensino Funda- mental I. Com as mudangas industriais e comerciais, as maes vistas como detentoras tinicas da educagao dos filhos passa a dividir esta tarefa com outras pessoas, pois também pre- cisam ingressar no mercado de trabalho. Mesmo com tantos avangos, alguns fatos nao podem ser descartados. Nossas criancas tém as informacées na palma de uma mio e passam a ter menos vivéncia lidi- ca, isto acaba trazendo prejuizos em seu desenvolvimento social e também motor. Diante da evolucao tecnolégica e também da Inteligéncia Artificial, as familias e as escolas passam por uma transformaca4o acompanhada de muitas diividas. Quais ati- vidades sio necessarias para uma crianca tio pequena? A escola deve introduzir aulas Iidicas, mas e o contetido programatico? A apostila ou o livro didatico deve ser cum- prido? A partir destas indagagées, este material tem como objetivo principal nortear o trabalho das escolas e trazer sugestes de como é possivel introduzir 0 ltidico dentro da escola. A Criancga Como Protagonista “As criancas devem aprender a prestar atengdo a propria atencao” (Daniel Goleman) Falar de uma crianga que precisa ser protagonista dentro da escola parece redun- dante em meados do século XXI, porém isto é tao difundido nos cursos de Pedagogia e de formagao de professores, mas pouco acontece realmente dentro do ambito escolar. O professor exerce um papel fundamental nas agées escolares. Ao elaborar seu plano de aula com contetidos estabelecidos deve ter a clareza que a crianca pequena deve ser estimulada a uma amplitude de experiéncias em que possa se desenvolver e que possa ter oportunidades de acdo e autonomia. Muito tem se ouvido que a crianga deve ser protagonista em sua propria aprendi- zagem, mas 0 que isto realmente quer dizer? A crianga ja possui intimeras potencialida- des, e ao ingressar na escola, j4 possui pré-requisitos para que possa desenvolver cada vez mais estas potencialidades. Atividades ltidicas inseridas no dia a dia da crianga favorecem um protagonismo em diferentes reas: Agao Comunicativa Através da Interagao e Relacao com o Outro. A relagao entre a crianca € 0 outro estabelece a construgao de vinculos e apren- dizado como agées comunicativas. Ela comeca a perceber que sua comunicagio (seja por gestos ou pela linguagem oral) passa a ser compreendida ¢ também compreensivel pelas pessoas que a cercam. Através desta interacao, a autonomia da comunicagao se faz presente. Quando é proposta uma atividade lidica, a agao e reagao da crianca durante uma brincadeira, por exemplo, como batata quente (que todos devem passar uma bola em circulo e ao sinal da professora quem estiver com a bola sai da brincadeira), varias ha- bilidades so desenvolvidas desde o agarrar a bola, onde é desenvolvido 0 ato motor de preensao até o freio inibitorio, a capacidade de esperar a vez para pegar a bola. A Valorizacao da Escuta Ativa Aquela escola em que o professor & 0 sujeito da fala como detentor tinico do saber e do transmissor do conhecimento n4o existe mais. A crianga € 0 sujeito de sua apren- dizagem, porém sozinha nao construira o conhecimento. A mediagio do professor é necessaria, principalmente, no ato da escuta. Para que haja uma escuta efetiva é necessario sensibilidade por parte do adulto como educador e mediador do processo ensino e aprendizagem. Nao é apenas pela comunicagao verbal que se faz a escuta, mas é necessdrio ir além do ato de ouvir e perceber a comunicacao nao verbal durante uma brincadeira, um desenho ou a forma de reagao quando tem que dividir um brinquedo com o outro. E neste sentido que a escuta se faz necessdria pelo educador e pelas pessoas que convivem com a crianga. O professor tem de ser um provocador, no sentido mais amplo da palavra, aquele que faz perguntas durante uma atividade, que levanta hipéteses junto com a turma na escolha de um brinquedo ou de uma mudanca na rotina escolar. Questionamentos sao essenciais para que a crianga comece a elaborar seu pensa- mento € suas agdes. Segundo a BNCC, Base Nacional Comum Curricular, publicada em 2017, pelo MEC (Ministério da Educacao e Cultura), sio propostas seis Campos de Experiéncia para serem desenvolvidas na Educagao Infantil, no qual destaco a seguir os objetivos da escuta, fala, pensamento e imaginagao. >Expressar ideias, desejos e sentimentos em distintas situagdes de interagao, por di- ferentes meios. Comunicar-se e fazer-se compreender pelo grupo. —Argumentar e relatar fatos oralmente, em sequéncia temporal ¢ causal, organizan- do ¢ adequando sua fala ao contexto em que é produzida. —Ouvir, compreender, contar, recontar e criar narrativas. —sConhecer diferentes géneros e portadores textuais, demonstrando compreensio da fungao social da escrita e reconhecendo a leitura como fonte de prazer e informagao. Uma acio de protagonismo dentro da escola torna-se imprescindivel para as criangas e os professores. Uma crianga que fala e é ouvida, passa a sentir-se mais segura has stias ages ¢ também passa a interagir de forma mais saudavel, seja no exercicio de dividir um brinquedo ou seja na escolha de suas ages ¢ desejos. A Importancia do Brinquedo. Quando a crianca brinca, ela entra num mundo de faz de conta e passa a interagir com objetos e brinquedos dando vida a eles. A crianga esta inserida num mundo onde os youtubers (pessoas que fazem videos para o canal Youtube) estao tomando conta das familias. Observamos criancas peque- nas assistindo pessoas abrindo brinquedos. A crianga pequena fica horas frente 4 TV olhando outra pessoa abrir pacotes de brinquedos e se alegra em ver isto. Talvez, vocé, leitor, possa estar se questionando quais maleficios isto traz a crian- ca? Entao, refletiremos juntos sobre as consequéncias de uma crianca ter o prazer em apenas ser agente passivo no ato de brincar e interagir. Ao manipular diferentes objetos e usar a imaginacao, criangas pequenas exploram objetos como panelas, colheres ¢ caixas sem a nogao do valor econémico. Crianga nao precisa de brinquedos eletrénicos ou caros, crianga precisa de alguém que a faga explo- rar suas potencialidades e sua imaginacio. A escola é um ambiente muito favoravel a exploragdo deste universo lidico, ao transformar uma garrafa PET num bilboqué ou chocalho estamos desenvolvendo uma flexibilidade neurolégica de observar um determinado objeto além de sua fungao inicial. Através do brinquedo e da sua manipulagao, a crianga passa a transformar rea- lidade e fantasia de forma tinica, sendo que se mistura a esta interacdo dar-se-4 muitas vezes por imitacéo. A crianga passa a experimentar diferentes sensagdes através da manipulacado do brinquedo. Ao explorar uma caixa, por exemplo, ela coloca objetos dentro da caixa, retira-os, joga no chao, chacoalha para ouvir o som destes objetos e até entra dentro da caixa para sentir esta sensacao explorando o espaco. O brinquedo é um suporte para a brincadeira e para aprendizagem, ele trara sen- sages ¢ experiéncias para dar base a brincadeira. Atualmente, percebemos as criancas com brinquedos variados e, devido a grande demanda, acabam nao explorando todas as possibilidades do brincar com este brin- quedo. A crianca pega o brinquedo ¢ em menos de 10 minutos ja desistiu ou cansou de “brincar”. Mas por que isto acontece? Em uma sociedade mais consumista, onde ter € mais importante, as criancas sao submetidas a publicidade infantil entre desenhos animados na TV ow até para adquirir um alimento ou lanche (fast food). Elas sao induzidas a consumir determinado alimento por conta do brinquedo que vem como “ brinde”. Diante desta apelagao publicitéria, a fungao do brinquedo perde sua identidade. é As criancas dao significado e ressignificam os brinquedos o tempo todo, passam a dar fungées, muitas vezes, diferentes do que estavam habituadas. Elas tém liberdade de criar suas brincadeiras. Hi diversos brinquedos que podem ser estimulados e explorados com as criangas pequenas. A seguir, destaco brinquedos que possuem diferentes possibilidades de desen- volver atividades ltidicas. » Bola » Peteca » Bonecas » Brinquedos em miniatura: carrinhos, animais de fazenda, bonequinhos... » Panelinhas e utensilios de cozinha » Caixas de diversos tamanhos. » Garrafas plasticas » Chocalhos » Jogos de encaixe » Massas de modelar Um ponto importante é que a escola sempre dé espaco ao uso dos brinquedos “pedagégicos”, porém outros tipos de brinquedos também devem fazer parte da explo- racdo e vivéncia por parte da crianga. WAJSKOP (1996), em sua tese de doutorado, retrata que: “O brinquedo supde uma relagao com a infancia e uma indeterminagao relativa ao seu uso que equivale a dizer que inexiste uma relacdo direta com um sistema de regras organizador da a Ela ainda faz mengao as citagées de Brougére “...o brinquedo é um objeto distinto ¢ especifico, cuja imagem projetada em trés dimensées, parece vaga.”(1995, p. 13) mas cujo valor simbélico e expressivo se sobrepée ao valor funcional. O brinquedo é um ob- jeto cultural produzido pelos adultos para as criangas e que ganha ou produz significa- dos no processo da brincadeira, pela imagem da realidade que representa e transmite.” (p. 70) O brinquedo exerce a simbologia do pensamento do brincante, o valor simbélico estabelece relagdes perceptivas com o mundo que cerca a crianca, portanto exerce fun- 0 primordial na construgao do pensamento simbélico e no estreitamento de vinculos. Quem brinca gosta de quem brinca com cla. Para que este vinculo seja prazeroso é necessario recriar diferentes situagdes de uso do brinquedo. O uso do brinquedo seja direcionado ou de forma livre traz representagées sim- bélicas e funcionais para a crianga. H4 brinquedos que sio passados por geragoes ¢ estimados com valores emocionais imensurave Nao podemos deixar de destacar também o uso do bringuedo regional. Brinque- dos que séo comercializados no Nordeste apresentam fungées diferentes do Sul, por exemplo. O uso imediatista do brinquedo e seu descarte numa sociedade consumista e leva- da ao apelo publicitario infantil pode acarretar muitas dificuldades na crianga pequena, nao apenas socialmente, sendo que esta crianca deixara de ter oportunidades de desen- volver habilidades essenciais na primeira infancia. O adulto é 0 principal responsavel em mediar e favorecer esta interagdo com a crianga. Outras possibilidades é a construgio do proprio brinquedo, como sugestées des- tacadas. » Montar cidades ou casinbas com caixas de creme dental ou de remédios, por exemplo, trard para a crianga o prazer de criar e dar valor ao que serd construido. » Fazer bolas de meia também é uma boa opgao para desenvolver habilidades motoras e sensitivas. » Instrumentos musicais feitos com materiais recicldveis. » Construir bonecos de fantoches com meia. » Construgao de pipas. » Ha brinquedos também feito pelos proprios pais como o carrinho de rolima. » Brinquedos feitos com garrafas, por exemplo, o Bilboqué. Fonte: O Lidico Como Fonte de Aprendizagem Brincar, brincar e brincar. alegria de aprender Na Educagao Infantil, o brincar deve estar inserido néo apenas em atividades li- vres, mas em atividades que possam desenvolver habilidades necessarias para um pleno desenvolvimento social, cultural, emocional e cognitivo. Ao se referir em atividades lidicas é importante que o professor tenha seus obje- tivos muito claros. Numa sociedade onde os papéis ¢ as convivéncias fisicas estao cada vez mais restritas e o espaco virtual vem ganhando espaco na sociedade, temos que fazer sempre a pergunta: Quem é esta crianca? E que adulto queremos formar? Sera que, as criangas hoje inseridas em creches e escolas de Educagao Infantil estao preocupadas em passar no vestibular ou com a profissdo que querem seguir? As crian- gas, nao! E os pais? A escola ? Ouvimos com frequéncia, tanto por parte da familia quanto dos professores, que a crianga nao sabe mais brincar, mas o que esta sendo feito para quebrar este paradigma? O ser humano é um ser brincante desde a pré-histéria, apesar de ser algo cultural e social, a brincadeira faz parte da infancia desde bebé. Através do contato e a interacao com 0 outro. O inicio da brincadeira infantil se dé por meio do cuidador, por exemplo, a mae que ao trocar a fralda, ja faz brincadeiras com o corpo do bebé, faz cocegas, entrega objetos na mao enquanto conversa, da banho entre outras tarefas no ato de cuidar. A crianga brinca com situagées reais ¢ imaginarias. O adulto ensina a crianga a brincar mesmo que inconsciente, isto se da através do sentido de confianga entre eles, da comunicagao ¢ interagao. O jogo simbélico ou de faz de conta trata-se da imaginagao e até da transformagao da realidade que a crianga esta inserida. Em clinicas de psicologia ou psicopedagogia, 08 especialistas convidam a crianga a brincar e através de ludoterapia € possivel reco- nhecer o ambiente em que a crianga esta inserida e suas aces € reagées frente algumas dificuldades. Neste ambiente, a crianga tem contato com diferentes tipos de brinquedos e brin- cadeiras e sem perceber da sinais do que ela esta sentindo. Quantas vezes, nos depara- mos com criangas depressivas, com sinais de abuso ou violéncia através da brincadeira. Atividades que envolvem a motricidade motora ampla sao essenciais para a me- méria e atengao como balanco, rolamento rapido, devagar, com muisicas, rolar em cima de papeis, de tecidos... 12 A seguir destaco alguns aspectos importantes publicados em livro de prépria au- toria (2019) sobre a importancia do brincar: Para Vygotsky (1984), a crianga ao brincar, é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e justamente esta agdo permite que a crianga possa compreender o que move a acdo. “As criangas, ao brincar de comer, realizam em suas maos, agdes semiconscientes do comer real, sendo impossiveis todas as ages que nao representem o comer ( ...). Uma crianga no se comporta de forma puramente simbolica no brinquedo, ao invés disso ela quer e realiza seus desejos, permitindo que as categorias basicas da realidade passem através de sua experiéncia.” (p.80) Por Que Entao Brincar é Tao Importante? » Ha socializagao e interagao com o outro » Acontece um aprimoramento do desenvolvimento fisico, motor, cognitivo, emocional e social; » Favorece a criatividade; » Estimula a imaginacao; » Desenvolve habilidades ; » Favorece o vinculo e a relagdo de empatia; »Insere valores e aspectos sociemocionais como compartilhar. A BNCC (2017) aborda a importancia dos aspectos socioemocionais que devem estar presentes dentro do ambito escolar ¢ traz os DIREITOS DE APRENDIZAGEM E, DESENVOLVIMENTO NA EDUCAGAO INFANTIL. —>Conviver com outras criangas ¢ adultos, em pequenos ¢ grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de sie do outro, o respeito em relagao a cultura e as diferengas entre as pessoas. —Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espacos e tempos, com diferentes parceiros (criangas ¢ adultos), ampliando ¢ diversificando seu acesso a produ- Ges culturais, seus conhecimentos, sua imaginagao, sua criatividade, suas experiéncias emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. —Participar ativamente, com adultos e outras criancas, tanto do planejamento da gestao da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realizacao das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando. Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emocées, transformagées, relacionamentos, hist6rias, objetos, elementos da natureza, na escola ¢ fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciéncia e a tecnologia. B —Expressar, como sujeito dialdgico, criativo e sensivel, suas necessidades, emogées, sentimentos, dtividas, hipoteses, descobertas, opinides, questionamentos, por meio de diferentes linguagens. —Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiéncias de cuidados, interagées, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituicao escolar e em scu contexto familiar e comunitario. ( BNCC, p. 36) Entao, é necessdrio compreender o quanto o liidico favorece o desenvolvimento de aspectos socioemocionais. Entao, é necessdrio compreender o quanto o ltidico favorece o desenvolvimento de aspectos socioemocionais. Kami (1992) ja retratava em sua obra, de anélise sobre Piaget, objetivos socioe- mocionais com a crianga de que ela se sinta segura em relacdo ao outro; saiba respeitar os sentimentos e direitos do outro, em relagao 4 cooperacao; e, saiba ser independente, curiosa, confiante em suas habilidades. E através da brincadeira que a crianga passa a se inserir na sociedade, aprende a compartilhar, tolerar, compreender e se comportar diante dos outros. Se integrarmos a brincadeira com a rotina escolar, proporcionaremos novas experiéncias, aumentando suas potencialidades, formando conexées neurais que serao importantes para o seu de- senvolvimento mental e corporal no futuro. O Papel do Professor de Educagio Infantil O papel do professor é a0 mesmo tempo tarefa importante ¢ dificil, pois esse edu- cador lida com a crianga em processo inicial de desenvolvimento, em uma etapa basica de formagao de sua personalidade. A experiéncia de muitos educadores permite selecionar algumas recomendacdes que possam favorecer 0 processo de aprendizagem das criangas. O professor podera, claro, enriquecer as sugestées oferecidas a partir da consideragao de sua realidade e da utilizagdo de sua criatividade. Assim, acredita-se que o professor poderd ter ago mais favoravel no processo educativo, se: » Organizar as atividades, partindo do concreto para o abstrato, do préximo para o distante, do simples para o complexo; » Alternar atividades calmas com atividades mais movimentadas; » Utilizar situagées da vida didria das criangas para exemplificar. Lembrar-se de que o ensino ocorre de modo informal, de maneira que convém procurar aproveitar situagoes trazidas pela curiosidade e interesse da crianga, em lugar de utilizar apenas as situacées previstas pelo educador; » Proporcionar o lidico aos contetidos pedagégicos através de jogos que estimu- lem a espontaneidade e a descontragao da crian¢a; » Considerar que as criancas apresentarao diferengas quanto a ritmo de aprendi- zagem, grau de atengao e motivagao, maior ou menor facilidade em cada area; » Compreender que a motivagao provocaré na crianga o esfor¢o necessdrio @ realizagao das tarefas e que, para motivar, serd preciso uma certa dose de novidade e desafio: » Estimular a comunicagao verbal livre, pois a habilidade para falar é funda- mental para o desenvolvimento da capacidade de raciocinar; » Facilitar 0 desenvolvimento de uma autoimagem positiva na crianga, jd que a maneira como ela se sente influird sobre sua capacidade de aprender. Para Que Isso Ocorra, Convém: —sCriar um clima descontraido em sala de aula, de forma que a crianga sinta-se se- gura e capaz de aprender, sem medo de errar; permitir que a crianca possa errar ¢ persistir na atividade para vir a acertar; —>Certificar-se de que os alunos aprenderam e de que sabem que aprenderam; »Procurar elogiar os pequenos progressos que a criancga venha a alcangar, nao esta- belecendo padrées elevados que ela nao consiga atingir. —Encantar as criangas para a aprendizagem. » Estimular habitos de higiene corporal e ambiental, boa postura, boas maneiras e atitudes consideradas como favordveis em sala de aula, tais como: tomada de deci- sao, cooperagao, respeito aos outros e aos objetos, persisténcia diante das dificulda- des, assiduidade, pontualidade, autonomia, expressao de sentimentos e ideias. 6 Todo educador deve avaliar seu proprio desempenho e, que sem medo de perceber seus limites e falhas, possa refletir sobre seu posicionamento em relagio aos colegas de trabalho e a escola como um todo. O professor deve saber 0 momento certo de fazer interferéncias para facilitar a aprendizagem. A crianga precisa ter ao seu redor adultos comprometidos com sua aprendizagem através de um olhar amoroso, atento, capaz de estimular suas habilidades, fazer inter- feréncias adequadas, respeitando a individualidade ¢ favorecendo a comunicacao ¢ a escuta atenta. Aprecio muito o pensamento de Kosinski (1998) que diz: “o fundamental é tra- balhar com alegria. Essa é uma aventura deliciosa que faz de alguém nao apenas um professor melhor, mas também uma pessoa melhor. Afinal, ninguém é feito de compar- timentos estanques. O professor que, na sala de aula, faz as criangas se sentirem bem e, na sala de professores, tem sempre algo interessante a dizer, provavelmente é alguém com quem sempre se tem prazer em bater um papo.” (p.31) Destaco também um resumo do texto original de Vygotsky (in Rego, 1994), pois considero suas ideias fundamentais para a formagao de um educador. “O que a crianca pode fazer hoje com 0 auxilio dos adultos poderd fazé-lo ama- nha por si s6. A drea de desenvolvimento potencial permite- nos, pois, determinar os futuros passos da crianga e a dindmica do seu desenvolvimento e examinar nao sé o que o desenvolvimento ja produziu, mas também o que produzirad no processo de maturagao. (...) Portanto, o estado do desenvolvimento mental da crianca sé pode ser determinado referindo-se pelo menos a dois niveis: o nivel de desenvolvimento efetivo e drea de desenvolvimento potencial. Esse fato que em si pode parecer pouco significativo, tem na realidade enorme importancia e poe em divida todas as teorias sobre a relagao entre processos de aprendizagem e desenvolvimento na crianca. Em especial, altera a tradicional concepgao da orientagaéo pedagodgica desejdvel, uma vez diagnosticado o desenvolvimento. (...)A aprendizagem ndo é, em si mesma, desenvolvimento, mas uma correta organizacdo da aprendizagem da crianca. Conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento, e esta ativacao nao poderia pro- duzir-se sem a aprendizagem. Por isso, a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessdrio e universal para que se desenvolvam na crianga essas caracteristicas humanas ndo-naturais, mas formadas historicamente.” ( p. 126-130) Ja é sabido o quanto a brincadeira pode ajudar no desenvolvimento emocional ¢ intelectual da crianga. Agora, faremos novas abordagens da brincadeira no dia a dia escolar, pois os educadores ainda tém de dar conta do brincar e dos contetidos curricu- lares estabelecidos pela escola. Estabelecer uma relagao entre o ltidico e os contetidos curriculares nao é tarefa facil, mas é possivel sim, para isto daremos algumas sugestées sobre esta aproximacao: brincadeira e contetidos programaticos. O Referencial Curricular da Educagao Infantil, sugere “as novas fungdes para educacdo infantil devem estar associadas a padroes de qualidade. Essa qualidade advém 7 de concepgées de desenvolvimento que consideram as criancas nos seus contextos so- ciais, ambientais, culturais e, mais concretamente, nas interagées € praticas sociais que Ihes fornecem elementos relacionados as mais diversas linguagens e ao contato com os mais variados conhecimentos para a construgdo de uma identidade auténoma.” (volume 1 p.23) Os conteiidos selecionados devem ser aplicados a partir da realidade da crianga. A partir dos trés anos, cla é capaz de reconhecer seu proprio corpo, seu nome ¢ suas ca- racteristicas, além de conseguir estabelecer relagdes com 0 outro, do tipo: “Meu cabelo é curto. Seu cabelo é comprido.” A crianga possui um interesse muito grande em aprender a escrever seu nome € 0 valor que o nome tem para ela é fator imprescindivel para darmos inicio ao trabalho de escrita com a crianga, incluindo-a no mundo das palavras. £ imprescindivel que o educador conhega as caracteristicas de cada faixa etaria antes de iniciar seu planejamento e selecionar as atividades pertinentes a cada turma. Cada crianga tem seu desenvolvimento e, muitas vezes nao é possivel compara-las entre si, mas é importante que o educador saiba o que é esperado para cada faixa etaria para assim, distinguir se a crianca encontra-se em desenvolvimento ou esta aquém do esperado. Destaco a seguir algumas caracteristicas de cada faixa etdria, material de autoria, publicado no livro: Alfabetizacao e Psicomotricidade, 2019. Aos Dois Anos, Aproximadamente: » Usa frequentemente a palavra nao. » Atende pelo préprio nome e identifica membros da familia. » A linguagem tem relagdo com os objetos em si. » Comeca a construir frases curtas e simples. » Descreve objetos em termos de suas fungoes. »E capaz de segurar o lapis com firmeza, porém no tem lateralidade definida. Segura com ambas as maos sem utilizar a posigao correta de pina. » Consegue locomover-se com destreza, andar e correr tornam-se mais seguro. » Sobe escadas lentamente e, algumas vezes, necessita de apoio para subir e des- cer (corrimao, segurar na mao de alguém...) » Apresenta nogao de quantidade pequenas. » Apresenta nocao de lateralidade e percepcao espacial, como em cima, embai- xo, dentro e fora. Aos Trés Anos: »£ muito curiosa. Tenta descobrir para que serve determinados objetos. » Entra na fase dos “porqués;” » Sabe sua idade e tem relagao a pequenas quantidades. » Nao consegue discernir realidade ¢ fantasia. » Fala consigo mesma e¢ com pessoas imaginarias. » Forma frases completas ¢ nomeia com clareza fatos e objetos. eB » Nomeia 0 que constréi. » Sabe dizer seu nome e sobrenome. » Pode passar por fase de gagueira. »Reconhece cores primérias e lembra de objetos e brinquedos que possui em casa. » Apresenta nogao de lateralidade e percepgdo espacial, como em cima, embai- xo, dentro e fora. » Comega a imitar os adultos. » JA comeca a usar a tesoura. » Manipula massa de modelar com mais destreza e firmeza. Aos Quatro Anos: » Aumenta rapidamente seu vocabulario. » Faz muitas perguntas. » Fala sozinha. » Tem muita imaginagao. » Socializa-se muito bem com outras criancas. »Tem agilidade no andar, correr e pular. » Comeca a ter dominancia lateral. » Apresenta curiosidade aumentada, quer saber “como”, “por qué”; » Sabe dizer seu nome, sobrenome ¢ idade quando lhe perguntam; » Canta bem pequenas cangées. Aos Cinco Anos: » Sua linguagem esta mais aprimorada e com amplo repertério. » Define preferéncias entre colegas e j4 impée com mais frequéncia suas vonta- des, pois comeca a compreender a realidade. » A lateralidade ja esta definida. » Tem habilidades motoras mais especificas como recorte, manuseio de tesouras, uso do lapis. »Q movimento de pinga comega a ser usado com maior frequéncia. »E capaz de realizar atividades fisicas como rolamento, chutar bola, andar sob uma linha com mais facilidade. » Faz muitas perguntas; » Se interessa pela leitura. » Escreve seu primeiro nome. Por volta de 5 e 6 anos, a crianga jé é capaz, de construir uma légica para a escri- ta através de imagens, do reconhecimento de seu préprio nome, de quantificar letras e arriscar alguns tracos ¢ sons. Nesta faixa etaria ha uma amplitude de vocabulario signi- ficativa e ela passa a ter nocdo temporal e espacial. Atividades que intensifiquem aspectos espaciais sio importantes para iniciar este processo. Muitas vezes, a familia e a escola enxergam a crianga como um adulto em minia- tura com regras e exigéncias, na qual ela nao é capaz de assumir este papel. 8 O desenvolvimento tecnolégico esta em contraste direto com o desenvolvimento biol6gico da crianga. A crianga, ao brincar, dentro da escola tem uma série de vantagens, pois além de conviver com outras criangas, os professores tém como desenvolver atividades espe- cificos para cada faixa etatia respeitando a individualidade e as habilidades de cada crianga. E através de um plano de aula bem elaborado ¢ com os objetivos estabelecidos possivel desenvolver, na crianga, habilidades de socializagao, interacao, de compreender as diferencas ¢ as repras. A escola tem uma grande possibilidade de desenvolver identidade e autonomia através de brincadeiras. E, na Educagao Infantil, desenvolver estes aspectos na forma- go da crianga trara uma série de beneficios como comunicagao, seguranga, estabelecer vinculos e set capaz de compreender suas potencialidades e dificuldades. JA € sabido que criangas que nao brincam tem de 30 a 40% de prejuizos sociais, emocionais e cognitivos menores do que criancas que tém vivéncia liidica seja na escola ou fora dela e sao mais dependentes dos adultos. Espaco Ludico ‘Ao deparar com os espacos que as criangas possuem para brincar podemos perce- ber dois mundos bem diferentes. Criangas que brincam ao ar livre, pois residem em espagos como 0 campo e tém livre acesso de locomogao e contato com a natureza, mesmo que nao tenha uma varie- dade de brinquedos. Em contrapartida, encontramos criangas que brincam dentro do apartamento, ou dentro do seu préprio quarto, frente a jogos eletrénicos interagindo com outras pessoas através do computador ou da TV. O espago que a crianca tem para brincar deve ser explorado em todos 0s aspectos, principalmente em relagao ao espaco fisico. Observamos, que em algumas escolas, 0 tinico espaco que a crianca possui é a quadra, utilizada especificamente nas aulas de Educagao Fisica ¢ quando estao 14 aca- bam correndo sem diregdo durante minutos. Questione um professor da area e veja quanto tempo ele demora para conseguir dar os comandos de uma atividade. Os parques na escola, no playground do prédio ou parques ao ar livre também sao 6timas opgdes para explorar diversas habilidades. JA encontramos varios programas nas cidades grandes em fechar as ruas, aos do- mingos, para serem destinadas ao lazer. A Importancia de Brincar ao Ar Livre Dentro de intimeras brinquedotecas e parques fechados e climatizados, o brincar ao ar livre torna-se cada vez menos comum entre algumas familias. Se considerarmos criangas que residem em metrépoles, os parques ao ar livre sio cada vez menos utiliza- dos. Brincadeiras de rua tornaram-se cada vez menos frequentes, os quintais perderam espaco para os grandes edificios. Tomar banho de mangueira e correr livremente sio aprendizagens importantes para o universo infantil. Segundo um relatério da ONU, jé alerta que metade da populagao mundial vive em Areas urbanas ¢ que em 2050, mais de 70% da populagéo mundial estara vivendo em cidades. Dados bem preocupantes quando transpomos o fato do espaco ltidico ser cada ver mais restrito e o quanto isto ser prejudicial para a primeira infancia, que pode ser compreendida entre 0 e 7 anos. 22 O contato com 0 ar livre e a natureza traz possibilidades de vivenciar sensacées € percepgées como: Visual: observar o que esta ao redor, correr para pegar um objeto no chao que esta distante, chutar uma bola e perceber que chutou longe demais e agora tera que percor- rer uma distancia maior ou menor do que esperava. A percepcao da luz solar e a inten- sidade também contribui para um aprendizado, principalmente na meméria. —>Olfativa: sentir os diferentes aromas que envolve o local, desde uma fumaga, 0 “cheiro” de uma flor, um perfume ou até o odor desagradavel. —>Tatil: sentir a textura da areia, andar descalco, segurar firme em um balango para equilibrar-se, brincar na lama, sentir o vento. »Auditiva: discriminar diferentes sons seja de animais, passaros, criangas gritando, misicas. Equilibrio ¢ tonus muscular: durante as brincadeiras, pular corda, correr livremen- te, andar sob um banco, empurrar um balango, correr atras do cachorro. Apés, algumas pesquisas, pude constatar que em algumas regides do Brasil, as brincadeiras ao ar livre acontecem com mais frequéncia como nas regides Norte e Nor- deste. A crianga como um ser brincante, interage com o objeto e com outras criangas sempre buscando o brincar, nao importa a classe social nem o local em que esta inse- rida. A brincadeira faz. parte do ser humano, porém o que nos chama a atencao é que brincar fora da escola é muito mais divertido do que na escola, segundo a fala de varias criangas: “No condominio que moro ninguém fala do que devemos brincar, nds mesmos escolhemos 0 que vamos brincar”. (C. 10 anos). “S6 paramos de brincar quando a mae chama ou quando temos vontade muda- mos de brincadeira.” (M. 9 anos) As brincadeiras nas pracinhas ou na ua tornaram-se menos frequentes, devido a inseguranga do pais em que estamos inseridos. O brincar ao ar livre s6 é possivel sob a supervisio de um adulto, ou seja se a familia consegue levar seu filho ao clube, praca ou parque a crianga brinca, caso contrario permanecera dentro de casa. Em contato com algumas familias de outros paises, recebi relatos que as criancas que mais brincam ao ar livre sio aquelas que possuem maior poder econémico e as me- nos favorecidas ficam dentro de casa em aparelhos eletrdnicos. Infelizmente, no Brasil é exatamente ao contrario, criangas com menor poder eco- némico brincam fora de casa e convivem com outras criangas de diferentes faixas eta- rias. Uma bola de meia ja é suficiente para brincar. Possibilitar novos saberes, novas vivéncias e experiéncias é construir a aprendiza- gem. De acordo com este levantamento de dados, brincar na escola passa a ser muito 23 mais importante e também relacionar a brincadeira com os contetidos programaticos trara resultados ¢ aprendizagem que serao arquivadas na memoria ¢ facilitarao apren- dizagens futuras. Criangas que brincam na Educacao Infantil conseguem ter maior desempenho no raciocinio légico matemético e também em 4reas da Linguagem e no¢do espacial, tem- poral e de lateralidade. E necessario quebrar este paradigma que as criancas nao sabem mais brincar, 0 que nao podemos é deixar de estimular e trazer as vivéncias da brincadeira para a escola ¢ para a familia A Importancia de Brincar Dentro da Escola Brincar significa alegrar-se e tornar a escola um espaco de encantamento é 0 maior desafio dos educadores, além da aprendizagem que estara sempre caminhando lado a lado. Alguns principios so essenciais quando se trata de criangas tao pequenas dentro do ambito escolar. » Espago para correr e brincar; » Evitar materiais espalhados ou no chao. Algumas escolas preenchem a sala de aula com intimeros brinquedos, porém causa um actimulo de objetos que trazem uma polui¢ao do local e nao favorece 0 aprendizado. » Objetos pequenos devem ser organizados de forma que a crianca ndo tenha acesso, pois, criancas pequenas levam tudo a boca, incluo atividades que nado devem ser aplicadas para algumas faixas etdrias como colagem de sementes, “ bolinhas de papel crepom”, que sao faceis de serem engolidas ou colocadas no nariz ou ouvido. » Cartazes e imagens sao bem vindos, mas em exagero nao funcionam. Tornar 0 ambiente poluido nao garante aprendizagem. » Dentro da sala de aula uma boa estratégia é ter espagos com livros e brinquedos grandes e de facil acesso e que as criancas possam manusear com liberdade. » Proporcionar aulas livres, onde a crianga possa andar descalca, manusear areia, folhas, sentir diferentes texturas e percorrer espacos livremente. Brincar com areia na escola fayorece intimeras possibilidades de descobertas, mas nada se compara em brincar na areia da praia. Porém, quando o professor da vida aos contetidos programaticos, a escola passa a ter maior significado para a crianga pequena. Escolas que possuem pouco espago fisico ou nao favorecem contetidos hidicos estéo minimizando e dificultando a aprendizagem de habilidades motoras, espaciais, cognitivas e sociais de uma crianga. O professor é fonte de pesquisa constante, é ele quem tem em suas mos a possi- bilidade de planejar, organizar e observar a crianga em pleno desenvolvimento. Quando h4 uma aco pedagégica consistente ¢ que favorega a autonomia da crian- ga haveré mudanga em seu desenvolvimento. Atividades ltidicas pautadas em objetivos claros, 0 professor torna-se também um aprendiz. Tornando-se um aprendiz consegue favorecer a aprendizagem do aluno como alguém pleno de desenvolvimento ¢ de possibilidades. O maior desafio da escola é fazer com que as criancas aprendam com alegria. E tenham a alegria do aprender ¢ da busca pelo conhecimento. Goleman (2000) aborda que um dos lemas da escola é “Nada Sem Alegria”, sendo que as criangas esperam que os adultos tenham a capacidade de proporcionar alegria. “E 0 que exigem de todos e de tudo. Sem irradiar e receber alegria, 0 adulto nao criara uma atmosfera em que a crianga possa inventar e criar.”(p.73) Finalizo este capitulo com uma reflexao ¢ um questionamento: se brincar é ale- grar-se, por que nao brincamos com os contetidos programaticos e passamos a aprender com alegria? A Musicalizacao BRINCAR... BRINCAR... CANTAR...CANTAR.. E, ACIMA DE TUDO... APRENDER! O ser humano tem contato com a mtisica desde o ventre materno e desde a anti- guidade. Ao ouvir determinada musica, nosso cérebro ativa a 4rea da meméria e pode- mos ter recordagées positivas ou negativas. Lembramos de alguém, de um local ou de um momento especifico. Criangas tém contato com a misica e¢ isto gera prazer. Cantar na escola desen- volve uma infinidade de habilidades cognitivas e de linguagem. Percebemos criangas com transtornos ou dificuldades de aprendizagem simplesmente quando nao consegue acompanhar o ritmo ou a letra de uma miisica. Em meu livro, O Liidico na escola (2019), retrato que: “a linguagem musical pode ser um dos meios para se alcancar a qualidade na educagao, e os bons resultados no en- sino da miisica serao alcangados pela adequacao das atividades, pela postura reflexiva e critica do professor, facilitando a aprendizagem, propiciando situagdes enriquecedoras, organizando experiéncias que garantam a expressividade infantil . O educador deve propor para a crianga diferentes situagdes de aprendizagem, entre elas, as que envolvem a misica.” Importancia da Musicalizaco Dentro da Escola Para a Crianga: Ouvir, comparar e reproduzir diferentes tipos de sons; Frases curtas e cangdes pequenas que se repetem sao bem aceitas pelas criangas; Cantar rapido e lento, alto e baixo, grosso e fino; Cantigas de roda; Utilizar diferentes instrumentos que podem ser construidos. Ver sugestées neste capitulo. » Cantar um trecho de uma musica e adivinhar o restante. Sugestées de Atividades 01. O professor deveré pedir as criangas que observem as batidas do coracao e 0 tique— taque de um despertador, entre outros objetos que produzem sons. 02. As criangas deverao fazer diferentes tipos de sons utilizando partes do corpo: ba- tendo palmas, batendo os pés, batendo as m4os nos cotovelos. 03. Cada crianga deverd falar seu nome cantando. 04. A crianga devera repetir a atividade anterior com as palmas. 05. As criangas deverao fazer um eco ritmico: um grupo marca o ritmo com palmas ou batendo sobre a mesa ¢ 0 outro grupo repete. 06. As criancas deverao abrir e fechar os olhos alternadamente, acompanhando cada abrir e fechar de olhos com palmas. 07. Cada crianga devera correr, pular, dar saltos e gritar, acompanhando o ritmo de uma misica. 08. As criangas deverao escutar sons voluntarios e involuntérios do corpo: mastigar, chupar liquido pelo canudinho, bater palmas, estalar os dedos, estalar a lingua, bater os pés, espirrar, tossir, fazer xixi. 09. As criangas deverao escutar sons do meio ambiente: porta batendo, campainha, gua saindo da torneira, tesoura cortando papel. 10. As criangas deverao escutar sons da natureza: chuva, vento, cachoeira, gato mian- do, cachorro latindo. 11. As criangas deverdo escutar sons de diferentes objetos: relégio, bola pulando, cho- calho, sinos. Obs: A cada atividade, o professor pode variar, por exemplo solicitando que a crianga descubra o som e desenhe-o. Podera ser vendado os olhos da crianga e a mesma, através do tato e do som devera descobrir o objeto ou instrumento musical, entre outras variagées. 12. © professor poderé mostrar uma figura e solicitar que a crianga faca 0 som que represente a figura 13. O professor escolhe uma misica e distribuira uma folha de papel para cada crian- ga. Ao som da misica, o professor dara a instrugdo para que as criangas repitam os gestos: amassar ¢ desamassar_o papel conforme a mudanga de ritmo da miisica. 14. As ctiangas devem confeccionar objetos que produzam sons (oferecer papel, graos, latinhas com tampa, tampinhas de garrafa, botdes, pedacos de madeira). 15. Imitar sons de objetos, instrumentos e mAquinas, tais como sino, motorzinho do dentista, motocicleta ou aviao. 28 16. O professor vendara os alunos ¢ estes falarao seu nome. As outras criangas deve- rio dizer se a voz é de menino ou menina, e o nome da crianga que falou. 17. O professor deverd solicitar que as criancas inventem miisicas em momentos ines- perados. Posteriormente as miisicas que elas inventaram poderao ser utilizadas espon- taneamente na sala de aula, no recreio, em passeios e excursdes. 18. Propor que as criangas desenhem enquanto ouvem miisica popular, classica, folclé- rica ou infantil. 19, Lembrar uma melodia conhecida ¢ solicitar que as criangas criem uma letra nova para a cangao . 20. Propor que as criancas conversem cantando, criando didlogos cantados. 21. O professor colocaré uma miiisica conhecida ou desconhecida e apresentaré ape- nas uma estrofe. Ao parar a miisica, os alunos deverao completé-la da forma que quise- rem, Poder variar pedindo que as criancas desenhem a figura que representa 0 término da misica. 22. Pedir que as criangas dramatizem um tema com variagao de andamento como, por exemplo: carro de corrida (rapido), carro comum (normal) ¢ carroga (lento). 23. Separar as criangas em grupos. Cada grupo imagina ¢ dramatiza trés temas em que ocorram os trés andamentos. 24. O professor deixara que os alunos percebam o andamento das miisicas, pedindo que acompanhem a melodia batendo palmas, batendo os pés no chao ou batendo bola. 25. O professor cantaré uma miisica ¢ propord que os alunos cantem-na em diferentes tipos de vozes e entonacées (imitando um lobo, uma velhinha, bem grosso, bem alto). O professor poderd também omitir partes da musica incluindo gestos. 26. Cada grupo deverd escolher um objeto e criar uma mtisica para 0 objeto escolhido. 27. O professor mostrara uma figura e o grupo deverd criar uma mtisica para a figura apresentada. 28. O professor daré a letra de uma miisica desconhecida para cada grupo e o mesmo deverd desenvolver técnicas diferentes para cantar a musica, criando novas melodias. 29. O professor dara uma letra de musica para cada grupo e o grupo deverd desenvol- ver uma histéria sobre a mtisica. 30. O professor deveré criar uma histéria ¢ as criancas fardo a sonoplastia. Exemplo: Certo dia vi um gato (miau) na rua. 31. O professor ira propor que as criancas contem até 10 de diferentes maneiras (can- tando, batendo palmas, de tras para frente, etc. 2B 32. O professor ird colocar uma mnisica para que as criangas ougam e no decorrer da miisica, as criangas deverao desenhar, representando seus sentimentos. 33. O professor iré distribuir diferentes materiais para que as criangas produzam sons com eles (papel celofane, lapis, latas). Como Ensinar a Letra de Musica Para a Crianga: —Explicar a letra da cangao. Podera ser contado uma histria que contenha algum personagem da mtisica; — Cantar a cancao inteira; —>Comecar a ensinar a cangdo por pequenos trechos, cantando quantas vezes for ne- cessdrio. Pedir que as criancas repitam cada trecho, até memorizarem a canco inteira; —sFazer a corre¢ao de uma forma adequada, considerando a capacidade de cada alu- no; Dar espaco para a expressdo da miisica, deixando a crianga cantar livremente e individualmente; —sTrabalhar a cangio associada a outras atividades, como: desenho, pintura, mode- lagem, historia, dramatizagao, jogos, rodas cantadas. Instrumentos Musicais Com Materiais Reciclaveis. Obs. As imagens foram retiradas de uma pesquisa na internet. Agogs Castanhola Chocalho Agitador Ritmico I Sy teat Chocalho ; Chocalho a 3 Pandeiro 32 Cavaquinnoe Tambores Sugestées de Atividades Ludicas para Serem Desenvolvidas no Ambito Escolar Em meu livro, Jogos ¢ brincadeiras (2018), afirmo que quando o professor propoe jogos para ensinar determinados contetidos, os alunos participarao, se envolverao ¢ a aprendizagem ocorrera seja individualmente ou coletivamente. As brincadeiras e os jo- gos fazem com que alunos ¢ professores se encantem pelo contetido. Segundo o manual Brinquedos e Brincadeiras de Creches, publicacao feita pelo MEC (2012) Brincar é repetir e recriar agdes prazerosas, expressar situacdes imagina- rias, criativas, compartilhar brincadeiras com outras pessoas, expressar sua individua- lidade e sua identidade, explorar a natureza, os objetos, comunicar-se, e participar da cultura tidica para compreender seu universo. Ainda que o brincar possa ser conside- rado um ato inerente a crianca, exige um conhecimento, um repertério que ela precisa aprender. Algumas das sugestdes de brincadeiras descritas nesta obra sao coleténeas da mi- nha experiéncia como professora ¢ algumas sao criagées que foram sendo aplicadas ¢ testadas, com éxito, em minha pratica. Algumas também foram selecionadas no meu livro: Jogos e brincadeiras (2018, Edicon) Espera-se que todos possam aproveitar e aplicar cada atividade nao como simples cépia e sim uma aplicagdo envolvida com emogao. E isto que nos faz ter a certeza da profissao: professor! ABNCC (2017), considera a Educac’o Infantil estruturada em cinco campos de experiéncia, onde so definidos objetivos e habilidades de aprendizagem para cada faixa etaria, que sao divididos em grupos: —>Criangas de zero a1 ano e 6 meses —>Criancas de 1 ano e 7 meses a3 anos e 11 meses >Criangas de 4 anos a S anos e 11 meses Os campos de experiéncia em relagdo aos saberes e conhecimentos das criangas através das experiéncias que elas estao inseridas e sao vivenciadas. O eu, 0 outro eo nds: » Respeitar e expressar o que esta sentindo. » Ser ativo em relacao ao grupo e estabelecer relagdes de envolvimento e solidarie- dade. » Conhecer e respeitar regras de convivio social, manifestando respeito pelo outro. Corpo, gestos e movimentos: » Reconhecer a importancia de agdes ¢ situagées do cotidiano que contribuem para o cuidado de sua satide e a manuten¢ao de ambientes saudaveis. » Apresentar autonomia nas praticas de higiene ¢ em situagdes do dia a dia como vestir-se, colocar um calcado... 35 » Utilizar 0 corpo intencionalmente (com criatividade, controle e adequagio) como instrumento de interag4o com 0 outro e com o meio. » Coordenar suas habilidades manuais. Tracos, sons, cores e formas: » Discriminar os diferentes tipos de sons ¢ ritmos ¢ interagir com a miisica. » Expressar-se por meio das artes visuais, utilizando diferentes materiais. » Relacionar-se com 0 outro empregando gestos, palavras, brincadeiras, jogos, imitagdes, observagdes ¢ expresso corporal. Escuta, fala, pensamento e imaginacao: » Expressar ideias, desejos e sentimentos em distintas situagdes de interagao, por diferentes meios. Comunicar-se e fazer-se compreender pelo grupo. > Argumentar e relatar fatos oralmente, em sequéncia temporal e causal, organi- zando e adequando sua fala ao contexto em que é produzida. » Ouvir, compreender, contar, recontar e criar narrativas. » Conhecer diferentes géneros e portadores textuais, demonstrando compreensio da fungao social da escrita e reconhecendo a leitura como fonte de prazer e informagao. Espacos, tempos, quantidades, relacées e transformacées: » Identificar, nomear adequadamente ¢ comparar as propriedades dos objetos, es- tabelecendo relagées entre eles. » Interagir com o meio ambiente e com fendmenos naturais ou artificiais, demons- trando curiosidade e cuidado com relagio a eles. > Utilizar vocabulario relative as nogées de grandeza (maior, menor, igual etc.), espaco (dentro e fora) e medidas (comprido, curto, grosso, fino) como meio de comuni cacao de suas experiéncias. » Utilizar unidades de medida (dia e noite; dias, semanas, meses e ano) e nogées de tempo (presente, passado e futuro; antes, agora e depois), para responder a necessidades ¢ questoes do cotidiano. » Identificar e registrar quantidades por meio de diferentes formas de representa- ¢40 (contagens, desenhos, simbolos, escrita de niimeros, organizacao de graficos basicos etc.). (BNCG, p. 52 e 53). no As sugestdes a seguir trazem os objetivos ¢ habilidades sugeridas na BNCC e os campos de experiéncia que estardo sendo trabalhados em cada uma das atividades des- tacadas. 1. Caixa de Sensagées: O professor encapa uma caixa e deixa uma abertura no centro da caixa. Dentro da caixa, colocar retalhos, algodao, pedacos de lixa, tampinhas ou outros objetos. As criangas deverdo, através da percepcdo tatil descobrir qual é o material que esto perce- bendo através do toque. Campos de Experiéncia: —>Espacos, tempos, quantidades, relagées e transformagoes. >Corpo, gestos e movimentos FONTE: to://ehrstinarul blogspot. com/2010/03/canasurpresaereva.htnl?m 2. Bingo com Fotos: O professor distribui cartelas para a turma, sendo que no lugar dos nameros deve ter a foto de cada aluno com o nome da crianga abaixo da foto. Em cada cartela ter no maximo oito fotos de criangas. O importante é que cada crianca tenha em sua cartela fotos diferentes. A professor prepara as mesmas fotos recortadas em fichas e coloca den- tro de um saquinho. Depois faz 0 sorteio e a crianca assinala a foto do colega que saiu. Campos de Experiéncia: —Oralidade e escrita —>O eu, 0 outro eo nds Gwe ¢) 014 |B S| Q | we S|e PIS 37 fe = oa & 3. Caminho Colorido: O professor espalha pelo espaco folhas de papel Kraft ou cartolina. Com tinta coloridas, as criancas pisam e carimbam os seus pés, com tintas coloridas. Campos de Experiéncia: Corpo, gestos e movimentos 30 eu, 0 outro e 0 nds -»Tragos, sons, cores e forma FONTE: hitp//asdm org /noticias/pitando-omos-pes/ 4. Toca do Coelho Espalhar bambolés no patio da escola de forma que fiquem duas criangas em cada um e que sobre uma fora do bambolé. Ao sinal do professor, as criangas deverao trocar de toca, entrando duas em cada um. Sempre sobrara uma crianga fora da toca. FONTE: tp vlacoraj.com.2r/b0g/S-brincadarasde-pascoa-arer-com-O en, 0 outro eo nds 38 5. Arremesso: O professor faré uma linha no chio, usando fita crepe ¢ as criangas deverio arremessar garrafinhas plasticas cheias de areia, para frente. O professor ira medir as distancias e verificar quem conseguiu arremessar mais longe. Depois, em sala de aula, podera fazer um grafico explicativo. Campos de Experiéncia: ~>Corpo, gestos e movimentos —>O eu, 0 outro e 0 nds —Espagos, tempos, quantidades, relagées e transformagées. 6. Que som é esse? Com faixas de tecido preto, vendar os olhos dos alunos e fazer diferentes ba- rulhos usando instrumentos musicais, latas, brinquedos, etc., a fim de que as criangas identifiquem os mesmos. Campos de Experiéncia: ~»Corpo, gestos ¢ movimentos —>O en, 0 outro eo nds ~>Oralidade e escrita 7. Batata quente numerada: As criangas sentam em roda e entre elas é passado um objeto que representa a batata. Um determinada crianga com os olhos vendados fala no ritmo: BATATA QUEN- TE, QUENTE... ela repetira varias vezes a palavra quente e, em determinado momento grita a palavra QUEIMOU. Accrianga que estiver com o objeto no mesmo instante da palavra queimou deve- r4 retirar uma ficha de dentro de um saquinho e falar qual o algarismo est registrado. ‘A seguir segue um exemplo das fichas. Campos de Experiénci: -»Corpo, gestos e movimentos > Espacos, tempos, quantidades, relagées e transformagées. 39 8. Corre cotia: As criangas sentam em roda, menos uma que estard com um pedago de pano. Esta crianga corre pelo lado de fora da roda no ritmo da cangao: Corre cotia Na casa da tia Corre cipd Na casa da avé Lencinho na mao Caiu no chao Moga(o) bonita(o) do meu coragéo Crianga: Posso jogar? Roda: Pode! Crianga: Ninguém vai olhar? Roda: Nao! No final da can¢do, a crianga joga o lengo atrés de uma outra crianca que devera descobrir que foi a escolhida e sair4 correndo atras do jogador. Se conseguir pegar, a mesma deverd sentar no centro e tera um desafio. O objetivo é que 0 jogador do lengo dé a volta na roda e sente no lugar do pega dor que dara continuidade a brincadeira. Campos de Experiéncia: »>Corpo, gestos e movimentos —>O eu, 0 outro e 0 nds —Espacos, tempos, quantidades, relagées e transformagées. 9. Mimica: Material: Fichas com figuras (sendo que as figuras devem conter pares) Procedimento: preparar fichas com diferentes figuras, sendo que deve conter um par de figuras iguais. O professor distribui as fichas aleatoriamente e solicita que os alu- nos procurem seu par. Apés esta etapa, os alunos, em duplas deverao através de mimicas representar a figura da ficha para os demais alunos, sendo que estes deverao acertar. Como exemplo pode ser feito figuras de animais e suas caracteristicas, ages, culturas regionais... Objetivos: conceituar contetidos programiticos, interagao e percepgao visual. Campos de Experiéncia: Corpo, gestos e movimentos —>O eu, 0 outro eo nds ~»Tragos, sons, cores e forma —Espacos, tempos, quantidades, relacdes e transformacées. 10. Dominé gigante letrado. Material: fichas em tamanho A3 com figuras de animais de um lado e as iniciais da palavra do outro. Cada crianga recebe uma ficha e, coletivamente, iré montar o dominé na sala de aula ou no patio. O tamanho é muito importante para trabalhar com criangas pequenas. Modelo: Campos de Experiéncia: Corpo, gestos e movimentos »Tragos, sons, cores e forma —Oralidade e escrita 11. Tecido letrado: Material: aproximadamente um metro de tecido. Para cada quatro criangas um tecido. | As criangas seguram em cada ponta tecido e caminham com 0 tecido pelo espago. E muito importante que as criancas trabalhem em equipe e nao deixem o tecido cair ou virar. O professor vai colocando fichas no tecido com diferentes letras. Cada letra que o grupo recebe devera falar palavras com a respectiva letra até o momento que o profes- sor troque as letras. Campos de Experiéncia: Corpo, gestos e movimentos 0 eu, 0 outro e o nds ~»Oralidade e escrita —Espacos, tempos, quantidades, relagées e transformacées. 12. Histéria movimentada. O professor escolhe uma histéria curta e de facil compreensio para as criangas. Dentro de um saquinho, coloca imagens dos personagens que aparecem na histéria € distribui uma ficha para cada crianga. Durante a histéria, a crianca que tiver a imagem respectiva ao personagem levan- tara do seu lugar e dara uma volta em torno de si mesma, retornando 4 sua cadeira. E importante que o professor dé continuidade a histéria para que todos possam estar atentos. Exemplo de hist6ria: Numa floresta havia varios animais como o ledo (a crianga que tiver a ficha do ledo levanta e gira), 0 tigre ( ficha) e um passaro ( ficha) muito raro. 4 Campos de Experiéncia: Corpo, gestos e movimentos —»Tragos, sons, cores e forma — > Oralidade e escrita —Espacos, tempos, quantidades, relagées e transformagées. 13. Quebra-Cabeca numerado: Material: fichas com os numerais, sendo que os mesmos estarao divididos em par- tes de acordo com a quantidade indicada. Exemplo: numeral 5 estaré dividido em cinco pegas, numeral 3 em trés pecas, e assim por diante. Uma variagdo é colocar nas fichas figuras que representem esses nu- merais. A ficha do numeral 4 sera dividida em quatro partes. A de 5 em cinco partes. Cada crianga recebe uma ficha, j4 dividida, no qual dever4 montar, apés a monta- gem troca as fichas com os colegas da turma. Campos de Experiénci »Tragos, sons, cores e forma —Espagos, tempos, quantidades, relagées e transformagées. 14. Sopa de formas: O professor contaré uma histéria, na qual fara uma sopa e os numerais e as for- mas serdo os ingredientes. E necessario que o professor confeccione fichas com figuras e formas de diferentes quantidades, respeitando a faixa etaria da crianga. Esta atividade lidica pode ser feita com formas, numerais de papel ou madeira Exemplo: “Joao, pegue 2 triangulos azuis. Ana, pegue 3 circulos laranjas ¢ coloque-os dentro da panela!” Campos de Experiéncia: —Tracos, sons, cores e forma —»Oralidade e escrita —Espagos, tempos, quantidades, relagées e transformagées. 15. Quadrados mdgicos: Desenhar diferentes quadrados no chao ¢, ao sinal, as criangas deverao entrar den- tro do quadrado. Diminuir o mimero de quadrados e no final todos deverao ficar dentro de um tinico quadrado. Campos de Experiénci »Corpo, gestos e movimentos —Tragos, sons, cores e forma —>Espagos, tempos, quantidades, relagées e transformagées. 16. Wathaspp tatil. O professor coloca as criangas em colunas. O iiltimo aluno de cada coluna rece- ber4 uma ficha do professor que conter4 uma letra, numeral ou forma geométrica. Ao sinal, esta crianga dever4 com os dedos reproduzir nas costas do colega da frente que fara o mesmo na sequéncia. O objetivo € que a informagao chegue corretamente no pri- meiro aluno de cada coluna. Campos de Experiénci »Corpo, gestos e movimentos —>O eu, 0 outro e o nds Fonte itps://www hlérenfrst.net/wp-content/uploads/2015/10/lne-in-lssroom-fippedpg, 43 Consideracées Finais A Educagao Infantil precisa ter um novo olhar, adaptar-se aos novos tempos, reinven- tar novas formas de encantar as criangas pequenas. Tornar aulas mais prazerosas é o grande desafio de todos os educadores no mesmo movimento destaca-se os aspectos socioemocionais. Resgatar de forma criteriosa o hidico nas escolas através da musica ¢ da brincadeira com a valorizagao da socializagao e da interac4o com 0 outro, é primordial e necess4- rio. Brincar requer pensar, vivenciar e acima de tudo alegrar-se. Esta alegria precisa ser fortalecida dentro da escola. O aluno tem de ter prazer pelo ato de estudar e acima de tudo aprender. Quando isto for estabelecido como habito dentro do universo escolar a aprendizagem dos contetidos curriculares sera mais eficiente. A aplicacao do hidico no contexto escolar favorece uma interagao entre as criancas, significa transformar o dia a dia em aulas mais motivantes e também mais efetivas. Cabe ao educador, uma busca constante pela formaco e aprimoramento, um papel de aprendiz e de mediador na construgao do conhecimento. Educacao Infantil deve ter espaco, brincadeira, afetividade e interagao. E ao professor ter um... comprometimento apaixonado pela educagao. Bibliografia Recomendada ABREU, M.C.e MASETTO, M.T. 0 Professor Universitario em aula, Sao Paulo, Edi- tores Asociados, 1990. ANTUNES,C. 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