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Depois de mostrar o inferno aos três pastorinhos, N. S.

de Fátima disse que “vão mais almas


para o inferno por causa dos pecados da carne do que por qualquer outra razão”.

Cem anos atrás, três crianças pastoras em Portugal tiveram uma visão do inferno que as
horrorizou tanto a ponto de pensarem que fossem morrer. Viram elas "um grande mar de fogo"
onde iam mergulhados "os demônios e as almas" que, em vida, se tinham oposto a Deus e aos
seus caminhos. Eles eram "como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas", "que
flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam", "caindo para todos os
lados", "entre gritos e gemidos de dor e desespero".

Foi Nossa Senhora de Fátima quem mostrou às crianças a visão aterrorizante do inferno, lugar
"para onde vão as almas dos pobres pecadores". Disse-lhes ainda a Virgem que "vão mais almas
para o inferno por causa dos pecados da carne do que por qualquer outra razão".

Os cristãos sempre entenderam os pecados da carne como aquelas ações que constituem um
mau uso ou um abuso da sexualidade enquanto dom de Deus. As relações sexuais foram criadas
por Ele para serem entre um homem e uma mulher, unidos um ao outro no fiel, exclusivo,
permanente e fecundo relacionamento do Matrimônio. Pecados contra o dom da sexualidade
incluem a contracepção, o adultério, a fornicação, a prostituição, a pornografia, a imodéstia no
vestir, a masturbação e a homossexualidade. Alguns pecados da carne às vezes podem dar
origem a outros pecados sérios, como o aborto, e levar também à infidelidade, ao fracasso
matrimonial e ao divórcio.

O pior de tudo, entretanto, é que os pecados da carne destroem o nosso relacionamento com
Deus, já que o pecador, quando opta por eles, rejeita o plano divino para a sexualidade e dá as
costas, em última instância, ao próprio Deus.

E por que se condenam ao inferno mais almas pelos pecados sexuais que por qualquer outro
pecado? Talvez pela facilidade que há em se cair neles, especialmente na cultura de hoje, em
que o sexo é glorificado como a principal fonte da felicidade humana. "Vão mais almas para o
inferno por causa dos pecados da carne do que por qualquer outra razão."

Como pai de sete crianças, que se preocupa com a salvação dos próprios filhos, assusta-me
observar as mentiras sexuais com que a cultura de hoje tem tentado envenenar meus filhos.
Desde a mais tenra idade, centros educacionais querem expô-los aos pecados da carne em
cursos de educação sexual, ensinando-lhes como aumentar o prazer sexual consigo mesmo
(masturbação) ou com outros (fornicação, homossexualidade), e removendo, ao mesmo tempo,
o propósito reprodutivo da atividade sexual (contracepção e aborto). A indústria do
entretenimento quer iniciá-los nos pecados da carne, especialmente os mais velhos,
bombardeando-os com conteúdo sexual explícito (pornografia, roupas imodestas) — além de
manter os adultos viciados nos pecados da carne, oferecendo-lhes mais do mesmo. Os
governos ao redor do mundo têm se servido até mesmo de sua autoridade política para
resguardarem na lei certos pecados da carne, fazendo com que seja ilegal falar contra eles e
alertar as pessoas sobre os seus perigos (homossexualidade).

Como repórter atuante nas linhas de frente do movimento pró-vida, e que enxerga tudo o que
está acontecendo, todos os dias, na batalha pela vida e pela família, eu às vezes tenho que me
perguntar com quem e por quem realmente estou a lutar. É muito fácil cair na armadilha de
pensar que minha luta é contra provedores de aborto, contra o lobby homossexual ou contra
governos corruptos, os quais, ainda que sejam capazes e responsáveis por fazer muito mal, não
constituem o inimigo verdadeiro. Eles são apenas pessoas, como todos nós, incluindo eu, que
preciso ser salvo do inferno. ..

"O confronto final entre o Senhor e o satanás será sobre a família e sobre o matrimônio."

Apraz-me particularmente quando São Paulo escreve que "a nossa luta não é contra o sangue e
a carne, mas contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, os
espíritos malignos espalhados pelo espaço" (Ef 6, 12). É o diabo e a sua legião de anjos caídos
que encaminham homens e mulheres, pelos pecados da carne, para o fogo do inferno.

A irmã Lúcia dos Santos, uma das videntes de Fátima, que viveu muito mais que os outros dois
pastorinhos, escreveu certa vez uma carta ao Cardeal Carlo Caffarra e nela falou sobre a batalha
final entre Deus e Satanás. "O confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a
família e sobre o matrimônio", ela escreveu. "Não tenha medo, porque qualquer um que
trabalhar pela santidade do matrimônio e da família será sempre combatido e contrariado de
todos os modos, porque este é o ponto decisivo., Nossa Senhora já lhe esmagou a cabeça."

Aqueles que lutam pela vida, pelo Matrimônio e pela família devem lembrar, por ocasião do
centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, que a derradeira batalha consiste em
salvar as almas do inferno. Isso significa salvar tanto os escravos dos pecados sexuais quanto os
que lucram com eles, o aborteiro, o produtor pornográfico, o dono do bordel.

Nossa Senhora de Fátima convidou as crianças a ajudarem as almas por meio da oração e do
sacrifício. A vidente mais nova, Jacinta Marto, ficou tão comovida com a visão do inferno, e com
o fato de que ela podia fazer alguma coisa para impedir as pessoas de irem para lá, que
começou a fazer sacrifícios pela salvação das almas. Ela não bebia água para que pudesse
oferecer a sua sede. Ela doava o seu lanche da tarde para que pudesse oferecer a sua fome. Ela
usava uma corda áspera, amarrada na cintura e roçando contra a sua pele, para que pudesse
oferecer o desconforto.

A mensagem de Nossa Senhora sobre a realidade do inferno, assim como o exemplo que nos
oferecem essas crianças, mostrando o que podemos fazer para impedir as pessoas de irem para
lá, é algo que toda pessoa lutando pela vida e pela família precisa levar a sério. A oração
ensinada às crianças deve estar constantemente em nossos lábios: "Ó meu Jesus, perdoai-nos,
livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, e socorrei principalmente as que
mais precisarem."

I. O problema. — A Igreja foi fundada por Cristo sobre os Apóstolos para continuarem a sua
missão. E esta preposição para indica um fim, uma finalidade a ser cumprida. Ora, depois de
termos estudado a Igreja como sociedade, podemos compreender melhor o fim que lhe
assignou o seu divino Fundador. Agora, pois, é chegada a hora de tratarmos a fundo deste
problema e dele deduzirmos todas as suas consequências.

1. O fim último da Igreja: a glorificação de Deus. — Sendo a Igreja obra de Cristo, perguntar-se
pelo fim da Igreja é o mesmo que perguntar-se para que Jesus Cristo instituiu a Igreja. No nosso
modo habitual de agir, os homens costumamos ter uma série de fins subordinados aos quais
nos dirigimos. Assim, o carpinteiro trabalha a madeira para construir uma porta ou uma janela;
e, em última instância, para ganhar o dinheiro ao sustento e ao de sua família.

Também na Igreja, obra de Jesus Cristo, podemos distinguir um fim imediato e um fim último. O
fim último da Igreja, como o de toda a Criação, é a glória de Deus, fim altíssimo que ela realiza
ao refletir em si mesma os atributos divinos: o poder, a bondade e a misericórdia de Deus. Este
reflexo de Deus na Igreja, que podemos chamar “glória objetiva” de Deus, se manifesta de mil
maneiras e, sobretudo, nos sacramentos da Igreja, os quais produzem tanto a destruição do
pecado (no Batismo e na Penitência) quanto o aumento da vida sobrenatural (nos chamados
“sacramentos dos vivos”, sacramenta vivorum, quer dizer, destinados aos que já estão em
estado de graça).

O fim último da Igreja, como o de toda a Criação, é a glória de Deus.

Em segundo lugar, a Igreja dá glória a Deus — glória que podemos chamar “subjetiva” — ao lhe
oferecer um sacrifício de louvor e, antes de tudo, por meio do santo sacrifício da Missa, e
também em todas as orações e sacrifícios com os quais louvam o nome de Deus os sacerdotes e
fiéis da Igreja e lhe oferecem sacrifícios de expiação pelos pecados dos homens.

Evidentemente, não podemos aqui estudar mais a fundo esta primeira classe de fim da Igreja
sem, com isso, invadir o campo da teologia dogmática, principalmente a sacramental, sem
contar o da ascética e da litúrgica; no entanto, cremos ser necessário fazer ao menos uma
rápida alusão a este respeito, porque sem isso a questão da finalidade da Igreja ficaria
necessariamente incompleta.

2. Fim imediato da Igreja: a salvação dos homens. — De uma maneira breve e precisa nos diz
qual é o fim imediato da Igreja o preâmbulo da constituição dogmática sobre a Igreja do
Concílio Vaticano I: “O eterno Pastor e guardião das nossas almas (cf. 1Pd 2, 25), querendo
perpetuar a salutar obra da redenção, resolveu fundar a Santa Igreja” (DH 3050). Perpetuar a
obra da redenção, ou seja, tornar efetiva a salvação sobrenatural para todos os homens: eis
aqui o fim imediato da Igreja. Esta afirmação não contém nada que já não saibamos: se a Igreja
é a continuação de Cristo na terra e se, além disso, Cristo veio ao mundo para salvar todos os
homens, a obra de Cristo não pode ter uma finalidade distinta do fim do próprio Cristo. Foi para
isto que o divino Fundador constituiu na Igreja o tríplice poder de governar, ensinar e santificar,
e prometeu sua assistência perene aos sucessores dos Apóstolos, para que até o fim do mundo
pudessem eles ajudar as almas a encontrar o caminho da salvação.

“O eterno Pastor e guardião das nossas almas, querendo perpetuar a salutar obra da redenção,
resolveu fundar a Santa Igreja.”

III. Orientação histórica. — 1. Doutrinas errôneas. — Os protestantes, que afirmam que a


justificação do homem se deve somente à fé e à ação imediata do Espírito Santo, que atua na
alma do fiel ao ler este a Palavra de Deus, rejeitam a mediação da Igreja na consecução da
salvação. A Igreja tem, sim, o ministério de tornar mais fácil o contato do homem com a Palavra
de Deus por meio da pregação; mas, uma vez realizada esta função, ela já não tem outra
finalidade. Parece-lhes que a teoria católica “anula” o contato imediato entre Cristo e o homem
e “diminui” o valor da ação redentora de Cristo.

2. Solução católica e doutrina da Igreja. — Mas nós, católicos, distinguimos dois aspectos
essencialmente distintos na obra salvífica de Cristo: de um lado, a Redenção, que apenas Cristo
realizou pelo sacrifício da cruz; e, de outro, a aplicação desta obra redentora a todos os homens.
No primeiro sentido, como há um só Deus, “há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus
Cristo, homem que se entregou como resgate por todos” (1Tm 2, 5s). Mas, no segundo sentido,
Jesus Cristo quis por libérrima vontade (Ele bem poderia, é claro, ter disposto as coisas de outra
maneira) instituir a Igreja, a fim de que nela encontremos a santificação, ou seja, a vida da
graça, que é neste mundo o penhor mais seguro de nossa felicidade perpétua no céu, vida
sobrenatural que, no homem, radica no conhecimento e no amor de Deus pela fé e pela
caridade.

Cristo quis por vontade instituir a Igreja, a fim de que nela encontremos a santificação.

Afirma-o claramente o proêmio do Concílio Vaticano I, que citamos mais acima (cf. DH 3050). E
também o Papa Pio XII, na Encíclica “Mystici Corporis”, escreveu que Jesus Cristo quis fundar a
Igreja “para perdurar na terra a obra salutífera da Redenção” (n. 63). E mais à frente: “O seu fim
é altíssimo: a contínua santificação dos membros do mesmo Corpo para a glória de Deus e do
Cordeiro” onde se expressa o duplo fim, imediato e último, da Igreja.

IV. Valoração teológica. — Já que esta verdade está contida claramente na Sagrada Escritura,
como veremos mais adiante, e por ser objeto de ensinamento do Magistério ordinário como
algo pertencente à fé, podemos dizer que é verdade de fé divina e católica a afirmação de que o
fim da Igreja é a santificação dos homens.
1. Ensinamento bíblico. — Os testemunhos da Sagrada Escritura que demonstram este ponto
são muito numerosos. Em primeiro lugar, não há verdade mais frequentemente repetida no
Novo Testamento: Cristo veio para salvar o mundo, para a santificação dos homens:

“Ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1, 21); “O Filho do Homem veio procurar e salvar
o que estava perdido” (Lc 19, 10); “Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas
para que o mundo seja salvo por Ele” “Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a
tenham em abundância” (Jo 10, 10); “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu
nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4, 12);

“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho
único, para que vivamos por Ele […], para expiar os pecados” (1Jo 4, 9s).

Pois bem, quando Cristo envia solenemente os Apóstolos mundo afora, Ele o faz para que tanto
eles quanto os seus sucessores continuem a mesma missão de Cristo: “Como o Pai me enviou,
assim também eu vos envio a vós” (Jo 20, 21); “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
Ide, pois, e ensinai a todas as nações” (Mt 28, 18s). Ao instituir o sacrifício do Novo Testamento
na Última Ceia, Jesus manda os Apóstolos fazerem em memória sua o que Ele mesmo fez, ou
seja, perpetuarem o sacrifício eucarístico até a segunda vinda do Senhor (cf. Lc 22, 19s; 1Cor 11,
23-36). E os Apóstolos, por sua vez, se consideram ministros de Cristo, dispensadores,
administradores, embaixadores dos mistérios de Deus e de sua Palavra (cf. 1Cor 3, 5; 4, 1; 2Cor

Ao instituir o sacrifício do Novo Testamento na Última Ceia, Jesus manda os Apóstolos fazerem
em memória sua o que Ele mesmo fez.

Por conseguinte, se a finalidade da vinda de Cristo a este mundo foi a santificação de todos os
homens, também o será a finalidade da Igreja, continuadora de sua missão na terra. Terão
também o mesmo fim os que são embaixadores de Cristo e administradores dos seus mistérios.

2. Crítica da solução protestante. — A solução protestante que afirma ter a Igreja como
finalidade única o ministério da Palavra e a pregação do Evangelho contradiz abertamente a
Sagrada Escritura. São Paulo, por exemplo, insiste em suas cartas em falar de um verdadeiro
poder de santificação conferido ao ministro da Igreja: não, obviamente, como causa principal ou
por direito próprio, mas como causa instrumental e por direito recebido de Cristo, na medida
em que o ministro da Igreja é vigário de Cristo na terra. É por isso que ele diz: “Que os homens
nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de
Deus” (1Cor 4,1), “operários com Deus” (1Cor 3, 9).

EspiritualidadeDesânimo,a tentação mais perigosa de Satanás

Perigos e efeitos funestos do desânimo. — O desânimo é a tentação mais perigosa que o


inimigo da salvação dos homens possa pôr em obra. Nas outras tentações, ele só ataca uma
virtude em particular e mostra-se a descoberto; no desânimo, ataca-as todas, e esconde-se.
Nas outras tentações, vê-se facilmente a cilada: na Religião, não raro na própria razão, e numa
educação cristã, achamos sentimentos que as condenam: a vista do mal que não podemos
disfarçar, a consciência, os princípios de Religião que despertam, servem de apoio para nos
sustentarmos. No desânimo não achamos socorro algum; sentimos que a razão não basta para
praticar todo o bem que Deus pede; por outro lado, não esperamos achar junto a Deus a
proteção de que havemos mister para resistirmos às paixões. Achamo-nos, pois, sem coragem,
prontos a tudo abandonar; e é até aí que o demônio quer conduzir a alma desanimada.

No desânimo, não esperamos achar junto a Deus a proteção de que havemos mister para
resistirmos às paixões.

Nas outras tentações, vemos claramente que seria mal aderirmos a elas por um sentimento
refletido: no desânimo, disfarçado sob mil formas, acreditamos ter razões as mais sólidas para
nos deixarmos guiar por esse sentimento, que não consideramos como uma tentação.
Entretanto, esse sentimento faz considerar como impossível a prática constante das virtudes, e
expõe a alma a se deixar vencer por todas as paixões. É, pois, importante evitar essa cilada.

O efeito mais funesto do desânimo é que a alma que nele cai não o considera uma tentação. A
esperança e a confiança em Deus é tão mandada quanto a Fé e as outras virtudes. — O que faz
o grande mal de uma alma desanimada é que, iludida por um temor excessivo que lhe disfarça
os verdadeiros princípios, abatida pela vista das dificuldades contra as quais não acha em si
mesma recurso algum, ela não considera esse estado como uma tentação. Se o encarasse sob
este ponto de vista, desconfiaria das razões que o alimentam: e, assim, sairia dele bem mais
cedo e mais facilmente.

Bem certo é, entretanto, que se trata de uma tentação bem definida; porquanto todo
sentimento que é oposto à lei de Deus, ou em si mesmo ou pelas consequências que pode ter,
evidentemente é uma tentação. É assim que julgamos de todas as que podemos experimentar.
Se nos vem um pensamento contra a Fé, um sentimento contra a Caridade, ou contra alguma
outra virtude, consideramo-lo como uma tentação, desviamo-nos dele, e aplicamo-nos a
produzir atos opostos a esse pensamento, a esse sentimento, que nos põe em perigo de
ofender a Deus.

Ora, a Esperança e a confiança em Deus é tão mandada quanto a Fé e as outras virtudes. O


sentimento que vai contra a Esperança é, pois, tão proibido quanto o que vai contra a Fé, e
contra qualquer outra virtude: é, pois, uma tentação bem caracterizada. A lei prescreve-nos
fazer amiúdes Atos de Fé, de Esperança e de Caridade: proíbe-nos, por isso mesmo, todo ato,
todo sentimento refletido contrário a essas virtudes tão preciosas e tão salutares. Deve-se, pois,
considerar o desânimo como uma tentação, e mesmo como uma tentação das mais perigosas,
visto que expõe a alma cristã a abandonar toda obra de piedade.

O sentimento que vai contra a Esperança é tão proibido quanto o que vai contra qualquer outra
virtude.
Para tornardes sensível a vós mesmos esse perigo, examinai a conduta ordinária dos homens. A
esperança de ser bem sucedido, de se proporcionar um bem, de evitar um mal, numa palavra,
de satisfazer algum desejo ou alguma paixão, é que os faz agir, é que os sustenta nas penas que
eles têm de suportar, é que os anima nos obstáculos que eles têm a vencer. Tirai-lhes toda
esperança, e logo eles cairão na inação. Só um homem no delírio pode dar-se movimentos por
um objeto que ele desespera de poder adquirir. O mesmo efeito o desânimo produz na prática
das virtudes; funda-se no mesmo princípio, a falta dos meios para chegar ao nos propomos.

A alma cristã que não espera vencer-se na prática de alguma virtude, nada ou quase nada
empreende para se fortificar. Os esforços insuficientes que ela faz aumentam-lhe a fraqueza; e,
mais do que meio vencida pelo seu desânimo, ela se deixa facilmente arrastar à paixão que a
domina. A vista da sua fraqueza lança-a primeiramente na irresolução, na perturbação. Neste
estado, todo ocupada da dificuldade que sente em combater, ela já não vê os princípios que
devem guiá-la. O temor de não ser bem sucedida impede-a de enxergar os meios que deve
adotar para vencer, e que Deus lhe apresenta: ela se entrega, pois, ao inimigo sem defesa. É
como uma criança a quem a vista de um gigante que avança contra ela faz tremer, e que não
pensa em que uma pedra basta para derrubá-lo, se ela se servir dessa pedra em nome do
Senhor. Essa alma, assim, desanimada, tem um socorro poderoso na bondade do Pai mais
terno; e que é só reclamar esse socorro, para sair vitoriosa do combate.

Fonte e causa das impressões que o desânimo produz numa alma cristã. — Por que é que o
desânimo produz tão fortes e tão funestas impressões numa alma cristã? Ei-lo aqui. A alma está
bem convencida da sua fraqueza, que amiudadas vezes ela experimenta: sente vivamente a
dificuldade que tem em se vencer, coisa que lhe sucede raramente. Todo ocupada dessas ideias
tristes e desalentadoras, de que tem pouca coragem, de que não faz nada para agradar a Deus,
ela considera como coisa inútil recorrer ao Senhor, que, nesse estado, não deve escutá-la.
Estranho efeito do orgulho do homem, que quereria dever a si mesmo o bem que faz e a
felicidade a que aspira, contra esta palavra do Espírito Santo: Quid autem habes quod non
accepisti? — “Que tendes que não tenhais recebido?” (1Cor 4, 7).

Essa alma, pois, não reflete, nem parece contar senão com as suas obras e com as suas próprias
forças; de sorte que o seu desânimo diminui, cessa, volta ou aumenta, conforme ela age bem
ou mal. Ela não pensa em que só e exclusivamente da misericórdia de Deus é que deve esperar
socorro, e não dos seus próprios méritos; que, quando ela faz o bem, é pela graça de Deus que
o faz, graça que ela não pôde merecer; e que, em qualquer estado, essa misericórdia lhe está
aberta para obter essa graça.

A alma desanimada não parece contar senão com as suas obras e com as suas forças.

Quando fazemos sentir a essas almas desanimadas que, a exemplo dos Santos, devem pôr toda
a sua confiança em Deus, sem hesitar elas respondem não ser surpreendente que os Santos
tivessem confiança em Deus, visto serem Santos, e servirem a Deus com fidelidade; mas que
eles não têm as mesmas razões que os Santos para ter essa confiança perfeita. Não vêem que
esse raciocínio é contra os princípios da Religião.

A Esperança é uma virtude teologal; o motivo dela só em Deus pode achar-se: essas almas
fazem dela uma virtude humana, cujo motivo se acha no homem e nos seus costumes. Não; os
Santos nunca esperaram em Deus porque eram fiéis a Deus; foram fiéis a Deus por haverem
esperado n’Ele. Do contrário, o pecador jamais poderia formular um ato de Esperança; e, no
entanto, é esse ato de esperança que o dispõe a voltar a Deus.

Notai bem que S. Paulo não diz: Obtive misericórdia porque fui fiel; mas diz: Quanquam
misericordiam consecutus a Domino, ut sim fidelis — “Obtive misericórdia a fim de ser fiel”
(1Cor 7, 15). A misericórdia precede sempre o bem que fazemos: é ela que nos dá as graças que
no-lo fazem praticar. Os santos nunca contaram com as suas obras para apoiarem a sua
confiança em Deus: estavam por demais compenetrados desta lição que Jesus Cristo nos dá:
“Quando tiverdes feito tudo o que vos é mandado, dizei: Servi inutiles sumus: quod debuimus
facere, fecimus — Somos servos inúteis” (Lc 17, 10). Quanto mais Santos eles eram, tanto mais
humildes eram. A sua humildade não lhes deixava enxergar senão a perfeição a que ainda não
haviam chegado. Bem distanciados dos sentimentos do Fariseu do Evangelho, eles não achavam
nada em si que pudesse assegurar a sua confiança; mas procuravam e achavam no seio de Deus
os fundamentos inabaláveis dela. Tais são os motivos que os sustentaram; tais devem ser os que
vos animarão e que reanimarão a vossa fraqueza abatida. É importante que sejais instruídos
sobre este ponto, para que não caiais novamente na armadilha que o demônio vos tem tantas
vezes lançado.

Do verdadeiro motivo da esperança cristã. Esse motivo é o mesmo para todos os homens. —
Consoante a Religião, o motivo da Esperança cristã, ou da confiança em Deus, é o mesmo para
todos os homens, santos ou pecadores.

Os Santos nunca esperaram em Deus porque eram fiéis a Deus; foram fiéis a Deus por haverem
esperado n’Ele.

A Esperança, como já dissemos, é uma virtude teologal, como a Fé e a Caridade. O seu motivo
não pode, pois, ser achado senão em Deus, não pode apoiar-se senão nas perfeições divinas.
Assim sendo, excluímos desse motivo os nossos méritos. Não esperamos em Deus por lhe
havermos sido fiéis: esperamos n’Ele para obtermos a graça de lhe sermos fiéis.

Em que é que se funda, pois, a Esperança cristã? e qual é o motivo dela segundo a Religião? O
Papa Bento XIV, no modelo do “Ato de Esperança”, exprimiu as perfeições divinas que formam
esse motivo. Esse ato é assim: “Meu Deus, espero em vós porque sois fiel às vossas promessas,
sois todo-poderoso, e porque infinitas são as vossas misericórdias”. Nesse motivo, não há nada
do homem; tudo é tomado em Deus mesmo. E pode haver motivo mais forte para nos firmar na
Esperança, na confiança em Deus?
Achamos aí a misericórdia de Deus, que é mais solícita em derramar os seus dons sobre os
homens do que estes são em recebê-las; que quer o verdadeiro bem deles, a sua salvação,
muito mais sinceramente do que o querem eles próprios, visto que Ele os previne pela sua
graça, graça que eles não podem merecer; visto que lhes prepara socorros proporcionados às
provações em que os coloca, socorros que eles podem obter por suas preces, e de que podem
fazer uso para resistir ao inimigo da salvação: misericórdia infinita, por conseguinte superior a
toda a malícia dos homens; e que, depois de se haver manifestado de maneira tão evidente e
tão admirável pelo dom que Deus nos fez de seu Filho único para nos remir, não nos recusará os
socorros que Ele tem em vista proporcionar-nos por meio desse benefício extraordinário.

Os efeitos dessa divina misericórdia são-nos assegurados pelas promessas que Deus nos fez de
vir em nosso socorro quando o reclamássemos, para operar a nossa salvação. Essencialmente
verdadeiro, Deus não pode enganar-nos; e Ele é essencialmente fiel às promessas que faz às
suas criaturas. Ora, nos Livros Santos achamos as exortações mais tocantes para recorrermos a
Ele nas nossas necessidades, com promessa de que Ele será o nosso sustentáculo e a nossa
força. Podemos, então, ter a menor desconfiança, o menor temor refletido de que Ele nos
rejeite, de que nos abandone, quando o invocarmos com confiança? Não seria isto acusar Deus
de faltar à sua promessa? Ora, isto seria uma blasfêmia. Os Santos, quanto mais santos eram,
tanto mais humildes eram.

A onipotência de Deus dá o último traço a este motivo de Esperança cristã, fazendo-nos


considerar-nos superiores a todas as nossas necessidades. Muitas vezes, os homens prometem
o que não está no poder deles dar: assim não sucede com Deus onipotente. Ele não pode achar
obstáculo insuperável à sua vontade nos dons que quer fazer-nos. Nos tesouros infinitos das
suas graças Ele tem meios infalíveis para nos conduzir à santidade. Nunca devemos, pois, recear
pedir-lhe ou coisas demasiadas ou coisas demasiadamente difíceis.

Infinitamente rico, Deus possui todos os bens, na ordem da graça, como na ordem da natureza.
Infinitamente poderoso, não há nenhum dos seus bens de que Ele não nos possa dar parte.
Infinitamente bom, Ele está disposto, segundo as suas promessas, a nos conceder tudo o que
nos é necessário para a nossa salvação. É nestes motivos essenciais, hauridos nas perfeições de
Deus, que todos os homens devem fundar a sua esperança. Só eles podem dar à nossa
confiança essa firmeza inabalável que ela deve ter.

Cinco encíclicas sociais quevocê precisa ler do Papa Leão XIII

As intervenções de Leão XIII em matéria política e econômica deram origem a um corpo


completo, consistente e muito bem articulado de doutrina social, com o qual nossa época tem
necessidade urgente de aprender.Evangelize, compartilhando.

Um dos muitos benefícios de estudar história da Igreja é que, em tempos difíceis, isto pode nos
proporcionar modelos inspiradores e motivos para manter viva a esperança.
Antes de Leão XIII (Gioacchino Vincenzo Raffaele Luigi Pecci, 1810-1903, que reinou de 1878 a
1903), a Igreja Católica no séc. XIX estava sitiada e na defensiva. Ela era marginalizada e
desprezada de muitas maneiras; os liberais “ilustrados” que estavam à frente da Europa (tal
como hoje) menosprezavam-lhe as palavras e atitudes “medievais” e previam-lhe o
desaparecimento como coisa mais do que certa. Ao líder supremo da Igreja, aparentemente,
não cabia outra coisa a fazer senão protestar e lançar anátemas contra um mundo que já não
lhe dava ouvidos. Os laicistas de então não podiam sequer imaginar que a Igreja conseguiria
responder corajosamente aos desafios da época, conquistando um grande prestígio moral onde
ela havia perdido territórios e apoio político.

E no entanto foi justamente isso que aconteceu, graças ao surpreendente pontificado de Leão
XIII, que durou 25 anos e meio, um dos mais longos da história, perdendo apenas para o
pontificado de Pio IX (que durou 31 anos e meio) e de João Paulo II (que durou 26 anos e

As principais intervenções de Leão XIII em matéria política e econômica deram origem a um


corpo completo, consistente e muito bem articulado de doutrina social, unindo, em uma ética
social consistente, o que dizem as Escrituras, os Padres e Doutores da Igreja, além das
intervenções anteriores do Magistério. Se levarmos em conta que Leão XIII escreveu quase 100
encíclicas, endereçadas a diferentes públicos e abordando uma variedade enorme de assuntos,
pode ser um pouco intimidador recomendar um número, modesto que seja, de “leituras
obrigatórias”. Mas, felizmente, não se trata de uma tarefa nada difícil, porque ninguém menos
do que o próprio Leão XIII declarou, no fim do seu pontificado, em sua carta retrospectiva
Annum Ingressi Sumus, de 1902, quais de suas tantas encíclicas sociais eram para ele as mais
importantes.

São cinco as encíclicas que, tomadas em conjunto, compõem como que um “minicurso” sobre
os fundamentos da Doutrina Social Católica:

Diuturnum Illud, de 1881, sobre a origem da autoridade civil;

Immortale Dei, de 1885, sobre a constituição cristã dos Estados;

Libertas Praestantissimum, de 1888, sobre a verdadeira e a falsa noção de liberdade;

Sapientiae Christianae, de 1890, sobre os deveres dos cristãos para com os seus Estados; e

Rerum Novarum, de 1891, sobre o trabalho e o capital, isto é, os direitos e deveres de


empresários e trabalhadores.

1) Em Diuturnum Illud, Leão XIII demonstra por que Deus é e deve ser a fonte de toda sociedade
política, assim como de todas as formas de autoridade que os governantes exercem. De fato, os
homens que são eleitos para o governo não são a fonte de seus próprios poderes, nem estão
sujeitos ao povo do mesmo modo como o estão a Deus, que os irá julgar a todos mais
severamente, por causa do peso da responsabilidade que assumiram. Corrigindo incontáveis
erros de origem iluminista sobre a origem e a finalidade do poder político, típicos dos ocidentais
modernos, esta encíclica apresenta também uma excelente explicação sobre o que se costuma
chamar “desobediência civil”, mas que, em verdade, nada mais é do que uma obediência firme
às leis supremas de Deus.

É impossível sustentar que um Estado não tem obrigação alguma para com Deus e a Igreja.

2) Em Immortale Dei, Leão XIII esmiúça em detalhes como seria a constituição cristã ideal para
um Estado e explica por que é impossível sustentar que um Estado não tem obrigação alguma
para com Deus e a Igreja nem o dever de formar seus cidadãos na virtude moral. Como já fizera
antes, Leão XIII argumenta contra “os princípios e fundamentos de uma nova concepção de lei”.
O que ele tem em mente é a teoria do “contrato social”, que, em aberta contradição com a lei
tanto divina como natural, compromete a estabilidade do Estado, que depende em grande
medida da profissão eficaz da religião, quer dizer, do cumprimento dos deveres primários de
cada cidadão para com Deus. Esta encíclica contém ainda uma das melhores explicações já
feitas sobre as semelhanças e diferenças entre a sociedade civil e a sociedade constituída pela
Igreja Católica: ela ilustra com clareza excepcional quais são as esferas de autoridade próprias
de cada uma e como elas podem, ocasionalmente, sobrepor-se ou entrar em conflito.

3) Intimamente relacionada com tudo isso, temos a encíclica Libertas Praestantissimum, que é
até hoje a análise mais compreensiva e aguda sobre o sentido da liberdade humana que já nos
foi presenteada pela cátedra de Pedro. Isso explica por que ela é um dos documentos citados
com mais frequência pelos sucessores de Leão XIII. Esta encíclica fala sobre a dependência da
vontade humana da lei, da verdade e da graça; sobre a escravidão a que conduz a liberdade,
quando usada de forma abusiva; sobre a interconexão entre as leis eterna, natural e humana;
sobre a corrupção universal a que nos leva o liberalismo político, entendendo por esse nome a
doutrina de filósofos do séc. XVIII como John Locke; sobre o evidente absurdo que é a
separação entre Igreja e Estado [1]; e sobre os casos em que pode ser permitido tolerar falsas
religiões, a fim de evitar assim maiores males.

4) Dando um passo a mais, Leão XIII publicou a encíclica Sapientiae Christianae, acerca dos
direitos e responsabilidade dos cristãos como membros das sociedades modernas. Como era de
se esperar, o Papa fala com sabedoria e prudência sobre o mar de dúvidas que tem o cidadão
católico: o que é o verdadeiro patriotismo ou piedade nacional, e como ele se relaciona com a
devoção à Igreja? Qual é a missão dos leigos e da família católica no mundo, quais são as regras
que hão-de guiar as escolhas políticas de um católico e que tipo de comportamento em âmbito
público pode ser considerado uma ofensa a Deus? Como a Providência divina quer que a Igreja
e o Estado trabalhem juntos para que os cidadãos possam alcançar sua perfeição natural e
sobrenatural? Além disso, Leão XIII aborda uma série de outras questões como, por exemplo, a
atitude que deve ter um leigo diante dos erros de um Bispo e por que os cristãos que fracassam
em viver a fé são culpados de um pecado mais grave que o dos judeus que rejeitaram o
Messias.
O Papa também fala, com uma clareza muito maior que a dos líderes dos movimentos dos
direitos civis que surgiram anos depois, sobre os porquês de seguir a própria consciência contra
os ditames imorais de um governo.

As autoridades civis não são a fonte de seus próprios poderes, nem estão sujeitas ao povo do
mesmo modo como o estão a Deus.

5) Rerum Novarum, por fim, é a encíclica mais conhecida de Leão XIII. Infelizmente, muitos
caíram na tentação de buscar nela um sumário completo da Doutrina Social Católica, algo que
ela obviamente não contém nem pretende oferecer. O Papa fez questão de salientar, no próprio
documento, que ele já havia escrito outras encíclicas (como as mencionadas acima) que
deveriam ser lidas antes, a fim de compreender de forma adequada o contexto das
considerações predominantemente econômicas de Rerum Novarum. Tais considerações
incluem, entre outras coisas,

O LADO NEGRO DA REFORMA PROTESTANTE Por: Roseilson Fragoso Vieira

Lutero, Ulrico Zwinglio, Guilherme Farel, João Calvino, John Knox e tantos outros... o que de
fato sabemos sobre essas pessoas? Foram eles grandes homens de Deus que marcaram a
história a partir do século XIII? Foram eles os divisores de água entre a igreja medieval e a igreja
contemporânea? Foram eles os precursores da verdadeira igreja de Cristo?

Indubitavelmente, a grande maioria da classe “evangélica” diria que sim, atribuindo a eles todo
mérito e ascendendo-os ao mais alto posto de heróis do povo de Deus, homens cujas honras
são intocáveis, santos acima de qualquer suspeita, imaculados e irrepreensíveis.
Seria esta a verdadeira face da história? Foi de fato tudo revelado à igreja em suas escolas
bíblicas dominicais, em seus seminários, em seus acampamentos, em seus congressos? Será
que o povo de Deus tem conhecimento de tudo mesmo?
No dia 31 de outubro, é celebrado o dia da reforma protestante, isto porque neste dia Lutero
fixou as suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, Alemanha. Neste dia muitas
igrejas evangélicas se reúnem em praças públicas, para celebrar este pseudo “marco” na
história da "igreja". O que muitos não sabem é que neste mesmo dia, o mundo está também
celebrando algo muito importante para eles, o dia das bruxas, ou dos mortos, ou do inferno.
Nesse dia muitas crianças são raptadas, tiradas de suas famílias, separadas de seus pais e
sacrificadas em rituais macabros, por satanistas. Enquanto mães aflitas choram a perda de seus
filhos, enquanto gritos de desespero chegam ao trono de Deus, das indefesas crianças das quais
Deus tira o perfeito louvor; enquanto isso, cegos, guiados por outros cegos, estão com as mãos
levantadas em grandes concentrações, embalados por alguma banda de rock gospel dizendo
estar "adorando" a Deus.
E Ele está dizendo: "As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me
são pesadas; já estou cansado de as sofrer".
Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que
multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de
sangue.Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai
de fazer mal.”
Acha mesmo que é uma triste coincidência? Ou esqueceis que este mundo jaz no maligno, e
que o mesmo orquestra a maioria das coisas que nele acontece?
Se queriam escolher uma data que fosse marcante para a “reforma”, muitos outros
acontecimentos foram mais significativos do que este, como por exemplo o dia que Lutero
queimou a sua carta de excomunhão. (em 12 de dezembro, da queima da bula, que já tinha
expirado há 120 dias, e o decreto papa de Wittenberg, defendendo-se com seus "Warum des
Papstes und seiner Jünger Bücher verbrannt sind" e "Assertio omnium articulorum". O Papa
Leão X excomungou Lutero a 3 de janeiro de 1521, na bula "Decet Romanum Pontificem".).

REFORMA INQUISIDORA
Quando Jesus, nos deu o “IDE”, ele nos advertiu que o evangelho deveria ser pregado; “ nem
por força e nem por violência”, se assim o fosse, Ele próprio teria poder para convencer e forçar
a toda humanidade, a que cressem e aceitassem o seu nome. Obviamente que não é esta a
metodologia divina. Ele disse aos discípulos, se alguém não vos receber, retirem-se daquela
casa, Ele não disse queimem a casa, matem os moradores. Os “reformadores, ignoraram as leis
mais elementares da santa palavra, “não matarás”, ou “não por força nem por violência”. Estes
homens, cometeram as piores torturas, os piores atos contra o semelhante que se possa
imaginar, é comum ouvirmos da inquisição católica, mas porque os nosso líderes ocultam ao
povo que os reformadores também instituíram suas inquisições, igualmente sangrentas,
igualmente desumanas, igualmente perversas, a intolerância era o que se servia aos resistentes,
a morte era o que se dava aos contrários, a dor e a tortura, era a ordem para os diferentes.
Como imaginar alguém cheio do espírito Santo, agindo desta maneira, como admitir que tal
ação era direção de Deus, teria Ele dois pesos e duas medidas? Estaria Ele agindo diferente, a
medida que os séculos mudavam? Quando Ele restaurou a orelha de Malco, ferida por Pedro, e
mandou que o mesmo guardasse sua espada, estaria agora dizendo que os “malcos deveriam
ter suas orelhas, seus pescoços, suas cabeças decepadas? Claro que não, o Senhor, nunca sofreu
e nem sofrerá nenhuma sombra de variação, Ele é o mesmo sua palavra não mudou e nem
mudará.
Suíça
O descobridor da circulação do sangue foi queimado em Genebra, por ordem de Calvino. No
distrito de Thorgau, um missionário zwingliano liderou um bando protestante que saqueou,
massacrou e destruiu o mosteiro local, inclusive a biblioteca e o acervo artístico-cultural.
Alemanha
Bandos protestantes esfolaram os monges da abadia de São Bernardo, em Bremen, passaram
sal em suas carnes vivas e depois os penduraram no campanário.
Em Augsburgo, em 1528, cerca de 170 anabatistas foram aprisionados por ordem do Poder
Público. Muitos foram queimados vivos; outros foram marcados com ferro em brasa nas
bochechas ou tiveram a língua cortada.
Escócia
Durante um período de seis anos, John Knox, pai do presbiterianismo, mandou queimar na
fogueira cerca de 1.000 mulheres, acusadas de bruxaria.
O saque de Roma
O Saque de Roma foi um dos episódios mais sangrentos da Reforma Protestante.
No dia 6 de maio de 1527, legiões luteranas do exército imperial de Carlos V invadiram a cidade.
Um texto veneziano, daquela época, afirma que: “o inferno não é nada quando comparado com
a visão da Roma atual”. Os soldados luteranos nomearam Lutero “papa de Roma”. Todos os
doentes do Hospital do Espírito Santo foram massacrados em seus leitos.
Os palácios foram destruídos por tiros de canhões, com seus habitantes dentro. Os crânios dos
Apóstolos São João e Santo André serviram para os jogos esportivos das tropas. Centenas de
cadáveres de religiosas, leigas e crianças violentadas – muitas com lanças incrustadas na região
genital – foram atirados no rio Tibre. As igrejas, inclusive a Basílica de São Pedro, foram
convertidas em estábulos e celebraram-se missas profanas.

CALVINO NA INQUISIÇÃO
1- Calvino ao Organizar sua igreja instituiu duas comissões: a "Veneravel Companhia", dos
pastores e doutores encarregada do magistério e o "Consistório", composto de pregadores e 12
senadores leigos que tinham a tarefa de zelar pela disciplina, a semelhança da Inquisição
Medieval, sendo esta mais agressiva em seus julgamentos. Esta comissão visitava as casas e
servia-se de denuncia e espionagem paga, os réus gravemente culpados se persistissem no erro
eram entregue ao tribunal. Este proferiu de 1541 a 1546 58 sentenças de mortes, a tortura era
aplicada com frequência. (PR, n.320/1988,pg19)
2- Calvino declarou guerra aos humanistas, que eram libertinos no plano moral; Luero os
aceitara porque ao menos combatiam o Papado.
3- Calvino chegou a uma ruptura mais radical do que Lutero. O Deus de Lutero era amor e
misericórdia; o de Calvino era juiz supremo, sem apelo. A misericórdia divina da doutrina
luterana foi substituida pela "lei" de Calvino. É a ela que o crente deve adaptar a sua vida.
Calvino não receia deduzir que os "eleitos" são a minoria e os réprobos a maioria;
4- Os calvinistas se tornaram em primeiros tempos inimigos da ciência, da arte e literatura,
convebendo uma verdadeira fobia do prazer.Os adversários do sistema foram reduzidos ao
silêncio mediante duras punições. O medico Jerônimo Bolsec, proveniente de Paris, que ousara
sublevar-se contra a doutrina de Calvino sobre a predestinação, foi exilado em 1551
5- Calvino, pai dos Presbiterianos era intolerante e não tinha piedade para com os mau
pensamentos. Mandou para a fogueira um grande sábio, o humanista e médico Miguel Servet
Grizar, que descobrira a circulação do sangue,por dizer que o descobrimento dele era
antibíblico, por manifestar simpatia pelos Anabatistas e porque negava o dogma da Trindade.
Calvino mandou para a fogueira também muitos outros estudiosos e cientistas.

6- João Calvino governou com mão-de-ferro, transformou Genebra numa oligarquia religiosa,
proibiu os moradores de praticar hábitos como dançar, jogar, ir ao teatro etc. Durante os quatro
primeiros anos de governo houve nada menos, nada mais do que 58 execuções. Segundo Smith,
houve mais casos de vício em Genebra depois da reforma do que antes.

7- No governo de Calvino em Genebra, o adultério era punido com a MORTE; as comunidades


Calvinistas de Paris, Lyon, Orleans, Ruan, Angey num sínodo geral em 1559 decretaram PENA DE
MORTE a todos os hereges.

8- Na reforma protestante, houve intolerância religiosa dos calvinistas com os Católicos, e uma
terrível perseguição à feitiçaria. Em 1560 o Parlamento Escocês decretou PENA DE MORTE a
todos os católicos. Escócia: O poder civil aboliu por lei o catolicismo e obrigou todos a aderir à
igreja “calvinista presbiteriana“. Os padres permaneceram, mas tinham de escolher outra
profissão. Quem era encontrado celebrando Missa era condenado à morte. Católicos
recalcitrantes foram perseguidos e mortos, igrejas e mosteiros arrasados, livros católicos
queimados. Tribunais religiosos (inquisições) foram criados para condenar os católicos
clandestinos. ( Westminster Review, Tomo LIV, p. 453 )

9- O Protestante Teodoro Bessa, em 1554, pediu o uso da força pública contra os católicos.

10- A Reforma Calvinista incentivou os holandeses na sua luta contra a Espanha e os escoceses
na sua luta contra os seus próprios monarcas, os Stuarts, e também contra os ingleses; Holanda:
Aqui foram as câmaras dos Estados Gerais a proibir o catolicismo. Com afã miserável tomaram
posse dos bens da Igreja. Martirizaram inúmeros sacerdotes, religiosos e leigos. Fecharam
igrejas e mosteiros. A fama e a marca destes fanáticos chegou até ao Brasil.

11- Em 1645 nos municípios de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante ambos no atual Rio
Grande do Norte cerca de 100 católicos foram mortos entre dois padres, mulheres, velhos e
crianças simplesmente porque não queriam se “batizar“ na religião dos invasores holandeses.
Foram beatificados como mártires este ano.

12- Em 1570 foram enviados para o Brasil para evangelizar os índios o Pe Inácio de Azevedo e
mais 40 jesuítas. Vinham a bordo da nau “S. Tiago“ quando em alto mar os interceptou o
“piedoso“ calvinista Jacques Sourie. Como prova de seu “EVANGÉLICO" zelo mandou degolar
friamente todos os padres e irmãos e jogar os corpos aos tubarões (Luigi Giovannini e M.
Sgarbossa in Il santo del giorno, 4ª ed. E.P, pg 224, 1978

13- A perseguição contra os Católicos, na Inglaterra e na Irlanda, foi dominada pela mais
escancarada intolerância religiosa. Veja alguns artigos do código inglês para a Irlanda:
- "O Católico que ensinar a um outro católico ou protestante será enforcado"
- "Isolamento Perpétuo a todo sacerdote católico, quem desrespeitar o isolamento seja ele
enforcado imediatamente e logo esquartejado"
- "Se um católico adquirir terras, todo protestante tem o direito de despejá-lo".

14- Os camponeses da Irlanda pegaram em armas para defender o catolicismo. Foram


trucidados impiedosamente pelos exércitos de Cromwell. Ao fim da guerra, as melhores terras
irlandesas foram entregues aos ingleses protestantes e os católicos forçados a migrar para o sul
do continente. Cerca de 1.000.000 de pessoas morreram de fome no primeiro ano do forçado
exílio. Esta guerra criou uma rivalidade entre ingleses protestantes e irlandeses católicos que
dura até hoje.

15- Em 1555 o consistório de Genebra recebe do conselho da cidade o direito de excomungar.


Durante dez anos Calvino reina como senhor supremo, sendo que para ele, há uma necessidade
da igreja pregar a palavra de Deus mas o estado reinar com dureza e ordem.

17- Até as comemorações do Natal e da Páscoa eram rigorosamente proibidas. O calvinismo


expandiu-se pela maior parte da Europa onde o comércio e as finanças eram atividades
preponderantes.
18- Quando morre Calvino, o mapa religioso da Europa parecia um espelho quebrado,
deformando a imagem da Igreja. O Imperador alemão, cansado de guerras, reconhece que os
súditos deveriam acatar a religião de acordo com cada região alemã.

19- Calvino chegou a uma ruptura mais radical do que Lutero. O Deus de Lutero era amor e
misericórdia; o de Calvino era juiz supremo, sem apelo. A misericórdia divina da doutrina
luterana foi substituída pela "lei" de Calvino. É a ela que o crente deve adaptar a sua vida.
Calvino não receia deduzir que os "eleitos" são a minoria e os réprobos a maioria.

20- A Igreja Calvinista benzia a nova ética burguesa; Calvino levou muito mais longe do que
Lutero o individualismo religioso: para ele, cada crente devia aplicar todas as suas forças a fim
de atingir a felicidade pessoal. A sua Igreja era uma Igreja de eleitos e predestinados.

21- O calvinismo "santificava" todas as ignomínias da acumulação capitalista e também o


desprezo e a crueldade para com os pobres "reprovados" por Deus.

LUTERO NA INQUISIÇÃO
1- Enquanto Lutero se conservava em 1534 em Wartburg, a agitação crescia na Alemanha.
Apareceu a corrente dos anabatistas, que interpretavam ousadamente o pensamento de Lutero,
negando o batismo de crianças e batizando de novo os adultos e preconizavam uma "igreja de
santos"; posto a par da situação Lutero voltou a Wittenberg. Conseguiu com o apoio do braço
secular restabelecer a ordem em Wittenberg. Mas teve de enfrentar a revolta dos camponeses
(1524-25) que esmagados por tributos valiam-se da proclamação da liberdade frente aos
senhores civis e eclesiásticos. Tomas Munzer, chefe dos anabatistas, incitava os camponeses à
revolta. Lutero optou pela sufocação violenta dos revoltosos e Tomas Munzer foi decapitado.

2- Lutero em 1525 escreve aos nobres: "Matem quantos camponeses puderem. Tomem,
peguem, degolem quem puder. Felizes serão se morrerem unidos em obediência à Palavra
Divina." Nesta época mais de 100.000 lavradores camponeses pereceram.

3- Na Alemanha de Lutero foram queimadas mais de 100.000 bruxas. Ate crianças de até 7 anos
e anciões moribundos não eram poupados. Um juiz protestante sozinho condenou a morte em
16 anos de 800 bruxas (Uma média de 50 por ano).

4- A oposição de Lutero contra os Anabatistas, causou a morte de milhares de pessoas.

5- Difundiram-se ideias novas entre os Anabatistas: falou-se de "Revolução Pacífica" e isso foi a
espera passiva da segunda vinda de Cristo. Mas, em determinadas seitas, essas ideias
associaram-se a apelos e atos de violência que deveriam purificar o mundo dos "infiéis" antes
da chegada do Messias.
6- Nas fronteiras do Luteranismo e frequentemente, contra ele, desenvolviam-se movimentos
violentos. Exemplo disso foram os Anabatistas, para quem não se tratava apenas de negar o
batismo dado às crianças, mas pretendiam criar uma sociedade comunista, liberta de padres e
príncipes.
7- Em 1534, um grupo de Anabatistas apoderaram-se do governo da cidade episcopal de
Munster, na Vestfália, tornando-a uma "Nova Jerusalém" onde foram postas em prática todas as
fantasias acumuladas do setor lunático do movimento. As propriedades foram confiscadas e
introduziu-se a poligamia.
8- Alemanha: Na época era dividida em Principados. Como havia muitos conflitos entre eles,
chegaram ao acordo em que cada príncipe escolhesse para os seus súditos a religião que mais
lhe conviesse. Princípio administrativo do “cujus regio illius religio“. Os príncipes não se fizeram
rogar. Além da administração mundana, passaram também a formular e inventar doutrinas. A
opressão sangrenta ao catolicismo pela força armada foi a consequência de semelhante
princípio. Cada vez que se trocava um soberano o povo era avisado que também se trocavam as
“doutrinas evangélicas“ (Confessio Helvetica posterior ( 1562 ) artigo XXX ).
9- Relata o famoso historiador Pfanneri: “uma cidade do Palatinado desde a Reforma, já tinha
mudado 10 vezes de religião, conforme seus governantes eram calvinistas ou luteranos“

ZWGLIO NA INQUISIÇÃO
1- Zwínglio caracterizava-se por um humanismo, um radicalismo e também um racionalismo
estranhos ao luteranismo. A piedade para Zwínglio é sobretudo social;
2- As autoridades, interessadas na reforma, viam nela um meio de realizar os seus fins políticos,
sociais e econômicos, para maior bem da oligarquia local. Esta reforma teve um chefe eminente
na pessoa de Ulrich Zwinglio (1484 - 1531). Participou pessoalmente na guerra iniciada por
Zurique contra os cantões florestais;
3- Em 1525 Tomás Munzer pregava uma luta a ferro e fogo contra o clero católico e os
camponeses começaram a saquear e a incendiar mosteiros e castelos, até a assassinar alguns
dos seus adversários mais odiados;
4- Em 1528, na Suíça estourou uma guerra civil, entre Protestantes e Católicos, ao cabo de dois
anos.
5- -Em 1531 os Protestantes concordaram em que a escolha de uma religião para cada zona da
Suíça fosse feita pelos governos cantonais;

R.R.SOARES E EDIR MACEDO

O bispo Roberto Augusto Lopes, hoje com 80 anos completos no dia 21 de maio, filho de João
Augusto Lopes e Herminia da Silva Lopes, casado com a falecida pastora Geyza Maria é oriundo
da Igreja de Nova Vida, onde foi diácono. Segundo o Bispo Walter McAlister, primaz da Igreja
de Nova Vida, ainda era jovem quando deixou a Igreja Nova Vida. Juntamente com Edir
Macedo, R.R. Soares e os irmãos Coutinho, nenhum deles era pastor, deixaram a denominação
para fundar a “Igreja do Caminho Eterno”. Diferentemente da maioria das igrejas evangélicas,
onde por causa de rachas ou discórdias muitos saem para fundar sua própria denominação, nas
palavras do Bispo primaz da Nova Vida, a saída foi amigável: “... realmente saíram
amigavelmente. Isto aconteceu quando eram bem jovens e queriam fundar sua própria igreja.
Foram R.R. Soares, Edir Macedo, Samuel Coutinho e Roberto Augusto que juntos formaram
uma nova igreja: “Igreja do Caminho Eterno” que depois se dividiu. (Bispo Walter McAlister,
via Twitter).

VEJAM A TRAJETÓRIA DE CADA UM

Da Igreja de Nova Vida saíram os principais líderes do neopentecostalismo brasileiro, como Edir
Macedo, hoje líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), R. R. Soares, fundador da
IURD e da Igreja Internacional da Graça de Deus, e Miguel Ângelo, fundador e líder do
ministério Cristo Vive; sendo que os mesmos praticam um pentecostalismo bastante diferente do
fundador da Igreja de Pentecostal de Nova Vida, Bispo Robert McAlister.

Bispo Renato Maduro sendo consagrado a pastor pelo Bispo Macedo e pelo
missionário RR Soares

ROBERTO AUGUSTO, R.R. SOARES E EDIR MACEDO, Roberto saiu da Nova Vida
como Diácono, Edir como um obreiro Auxiliar, porque segundo a doutrina da nova vida ele não
podia ser pastor porque tinha um defeito nas mãos, para resolver esse problema Edir Macedo e
R.R. Soares e Roberto Augusto, foram serem consagrados pastores na Casa da Bênção, pelo
missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Só Macedo não foi ordenado na Casa da Bênção. R.R.
Soares foi quem mais tarde consagrou Macedo pastor. Todo esse acontecimento se dá no Riode
Janeiro.Após dois anos, Edir, R.R Soares e Roberto Augusto Lopes, juntamente com o pastor
Carlos Rodrigues e fundavam em 9 de setembro de 1977, a Igreja da Bênção na Abolição, Rio de
Janeiro. No ano seguinte a denominação muda de nome para Igreja Universal do Reino de Deus
com registro cartorial.

E Nasce Uma Disputa...

Pouca gente sabe, mas o primeiro líder fundador da Igreja Universal do reino de Deus foi o
Missionário R.R. Soares. Porém, numa das viagens do Soares aos EUA, Macedo convenceu
os demais pastores a elegê-lo como novo líder, o que fez com o Soares, ao regressar, deixasse
aquela igreja e fundasse a Igreja Internacional da Graça de Deus.

No ano de1979, R.R. Soares se viu obrigado a sair da IURD, sendo recompensado
financeiramente, em 1980 funda uma nova Igreja, a Igreja da Graça. O estilo autoritário e
centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. E foi assim que
Macedo atropelou o cunhado, e se tornou o principal líder da IURD.

No final da década de 80 o agora Bispo Roberto Augusto voltou para a Nova Vida, onde fundou
algumas igrejas dentre elas a I.N.V. em Copacabana, e pastoreou por muitos anos a I.N.V. de
Cascadura.
Em contato com a I.N.V. de Copacabana, recebemos por e-mail a informação do Pastor Javier,
titular daquela igreja, que o Bispo atualmente está afastado do ministério pastoral devido a
problemas com a saúde.

R.R. Soares, Edir Macedo, Samuel Coutinho e Roberto Augusto.

Anos depois saíram outros bispos e fundaram outras igrejas, como a IGREJA UNIVERSAL
RENOVADA, em são Bernardo do Campo- SP, e IGREJA UNIVERSAL AVIVADA, mas a
maior perca da IURD foi nos de 1998 quando saiu brigado com a Universal o bispo Valdemiro
Santiago.

“Tô falando para a igreja da fogueirinha, da Record, que fica me perseguindo falando um
monte de abobrinha. Tô falando daqueles doentes desenganados que o demônio está
comendo o pâncreas e o fígado deles e não tomam juízo”.

Valdemiro Santiago, referindo-se a Edir Macedo, que levou sua médica à TV para afirmar que
ele não tem câncer.
Valdemiro saiu da Igreja Universal por desobediência ao Bispo Edir Macedo, e abre A
IGREJA MUNDIAL DO PODER DE DEUS, agora por desobediência também o bispo
Roberto Damásio sai da IMPD para “montar” a sua própria igreja. Os dois, tanto o Valdemiro
Santiago como o Roberto Damásio são dissidentes da Universal. Eles querem “trabalhar para
eles” e não para Deus. Veja que, Anunciada a sua saída da Igreja Mundial do Poder de Deus em
abril, o “bispo” Roberto Damásio, braço direito do Valdemiro Santiago, inaugurou dia 29 de
maio sua própria denominação, a Igreja Mundial Renovada. Com o slogan “A glória desta
segunda casa será maior que a primeira” a igreja está localizada no bairro Brás, em São Paulo,
perto da Igreja Mundial.

A mão de "Deus" também está lá... E também tem a toalhinha, o Trízimo e o santo SUOR. Isso é
uma briga pelo PODER e GANÂNCIA. Isso é normal no ser humano, mas não deveria ser
normal entre aqueles que se dizem cristãos. Valdemiro saiu da Igreja Universal por
desobediência ao Bispo Edir Macedo, por desobediência e ganância Macedo golpeou o próprio
cunhado R.R. Soares, agora por desobediência o Roberto Damásio sai da IMPD para “montar” a
sua própria denominação. Os dois, tanto o Valdemiro Santiago como o Roberto Damásio
seguiram os exemplos dos seus discipuladores, Roberto Augusto, Edir Macedo, R.R. Soares,
seguido de Valdomiro Santiago e Roberto Damásio, ambos “são mercadadores do falso
evangelho”. Eles “trabalham para seu próprio império ”e não para Deus.

Observamos o que está acontecendo nessas "igrejas" do R.R. Soares, Edir Macedo e Valdemiro
Santiago, a única conclusão a qual podemos chegar é que a usura deles vai à falência de suas
empresas travestidas de igrejas.

O que começou como uma igreja - empresa de família, sob a direção de R.R. Soares e Edir
Macedo, hoje são três prósperas igrejas - empresas, com uma acirrada disputa pelo primeiro
lugar no mercado da fé. Todo esse movimento neopentecostal com o sustentáculo da teologia da
prosperidade está fazendo e vai fazer mais ainda um estrago tremendo no protestantismo. O
resultado de tudo vai se dá no encontro de comunhão com o ANTICRISTO.

Para tentar entender melhor, alguns fatos históricos:

Romildo Ribeiro Soares nasceu em 6 de Dezembro de 1947, em Muniz Freire, no Estado do


Espírito Santo. De família muito pobre, teve de trabalhar desde a infância para ajudar a família.
Em abril de 1964, Soares chegou ao Rio de Janeiro com sua família e foram residir na casa de
seu tio Aderbal em São Gonçalo. Cunhado do conhecido Bispo Edir Macedo da Igreja Universal
do Reino de Deus, com quem rompeu relações após desentendimentos pelo poder de comendo da
IURD. R.R. Soares não concordava com o caminho que Edir Macedo tomava na direção da
IURD. Houve então a cisão e, em 1980, fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus.

Edir Macedo Bezerra nasceu em Rio das Flores no dia 18 de fevereiro de 1945, é um
empresário e religioso brasileiro, dono da Record, e líder da Igreja Universal do Reino de Deus
(IURD), com mais de 2 milhões de fiéis em mais de cento e setenta países. Promotora e
defensora da Teologia da Prosperidade, a IURD cresceu e tornou-se a quarta maior corrente
religiosa do país, segundo o Censo de 2000.

Em 1992, Macedo foi preso sob acusações de charlatanismo, curandeirismo e


envolvimento com tráfico de drogas. Macedo foi inocentado das acusações e liberado.
Uma foto tirada nesta época, na carceragem da 91° DP (Vila Leopoldina), em São Paulo (tornou-
se um dos símbolos dos fiéis da Igreja Universal) e acabaria por ilustrar a capa de uma biografia
do bispo em 2007. Em 2009, novamente foi alvo de denúncias, desta vez pelo Ministério
Público de São Paulo. A ação criminal foi aberta pelo juiz Gláucio de Araújo, da 9ª vara criminal
de SP, na qual acusa o bispo e mais nove pessoas ligadas a ele. Todos foram acusados pelos
crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Valdomiro Santiago de Oliveira (nascido em Palma no dia 2 de novembro de 1963) é pastor


evangélico, líder e fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus.

Em 1998, então responsável pela IURD de Sorocaba, Valdemiro consagrou um bispo em culto
transmitido na madrugada pela Rede Record. Logo apareceram inúmeras denúncias contra tal
pastor.

Ao saber do caso, Macedo exigiu que Valdemiro desfizesse a consagração e assumisse toda a
responsabilidade do caso. Valdemiro não acatou a ordem de Macedo e foi expulso da Universal.

Após ser expulso da IURD, Valdemiro Santiago, a esposa Franciléia Santiago e outros quatro ex-
membros da IURD, fundaram a Igreja Mundial do Poder de Deus. Valdemiro Santiago, pastor
Marcelo Dantas, bispo Júlio Cezar de Itaquera e pastor Georges de Guaianazes. Saber de fato e
de verdade a realidade de tudo isso é impossível.

Em 2003, Valdemiro foi preso durante uma blitz em Sorocaba. Ele estava levando consigo uma
espingarda, duas carabinas e também 400 caixas de munição. Mais armas e munição foram
apreendidas em sua casa. Valdemiro alegou que as armas são de caça e estavam sendo levadas
para amigo. O cisma entre R.R. Soares e Edir Macedo, resultou no que vemos hoje: Brigas nos
púlpitos eletrônicos, com direitos à denuncismo, onde vale tudo pela disputa de dinheiro e de
fama diabólica.Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de
objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbir à
idolatria, Universal e Internacional, Mundial e outras mediante o pagamento de ofertas
espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de
sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das
Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galileia, água
fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular,
recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante
(MARIANO, pp. 133,134).O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça e
Mundial e outras são altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas
soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. Para tornar o culto mais atraente e menos
enfadonho, algo precisa variar. O que varia são as formas dos rituais, bem como o modo de
participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as
bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece
inesgotável. Daí encontrou corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos,
corrente dos 318 pastores, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha
do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para
socializar e converter clientes e novatos, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel
numa sequência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas, ou seja,
novena, trezena. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se
prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que
começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos
demônios. Esse é o teatro neopentecostal.

Pega um pouco de tudo que e crendice popular, junta com a ganância do “ter” e usa o Sagrado
para vender a “graça”, a bênção e a salvação. Indulgência, sacrifício e salvação pelas obras estão
bem presentes na religião pós-moderna.

A IURD não somente emprega práticas pagãs supersticiosas; usa também a nomenclatura
do baixo espiritismo para se referir às entidades espirituais malignas. Enquanto que as
Escrituras silenciam quanto aos nomes dos demônios, mencionando apenas por nome o líder
deles, Satanás, a IURD se utiliza da nomenclatura afro-brasileira dos deuses da Umbanda para
dirigir-se aos demônios, identificá-los e eventualmente expulsá-los. “Tranca ruas”, “pomba gira”,
“exús”, “caboclos”, “preto velho”, etc., são nomes que normalmente se empregam em terreiros
de umbanda. Estão nos cultos de exorcismos. São verdadeiros misticismos do
neopentecostalismo.

A IURD Não é Uma Igreja Protestante e Nem Evangélica


A Igreja Universal do Reino de Deus não é uma Igreja protestante ou evangélica, por não ter
nenhuma relação teológica, confessional ou ética com qualquer das expressões da Reforma,
mas se constitui em uma seita para-protestante (muito menos protestante do que a
Congregação Cristã no Brasil), porém não uma seita para-cristã como as Testemunhas de Jeová,
a Igreja Adventista do Sétimo Dia, os Mórmons ou a Ciência Cristã.

Não é uma igreja pentecostal, e não deve ser chamada de neo-pentecostal, porque além dos
pentecostais serem protestantes, não há qualquer semelhança entre os dois grupos, antes
posições até antagônicas. Daí o uso da expressão pós-pentecostalismo (Paulo Siepierski), iso-
pentecostalismo (sociólogos argentinos) e pseudo-pentecostalismo (Washington Franco).

O problema é que a Igreja Universal do Reino de Deus se apresenta como “evangélica”


confundindo o já esfacelado e caótico quadro das Igrejas reformadas entre nós, e infiltrando
suas crenças e práticas exóticas entre os nossos membros mais desavisados, afirma Dom
Robinson Cavalcanti, bispo da Igreja Anglicana.

São muito extensas as pesquisas de novas denominações neopentecostais depois da igreja


universal e de outras que surgiram a partir dos cismas dela. Como A Igreja Apostólica Plenitude
do Trono de Deus é uma igreja neopentecostal fundada em São Paulo, em 2006, pelo Apostolo
Agenor Duque e Bispa Ingrid Duque, sua esposa. Agenor Duque iniciou como pastor na Igreja
Universal do Reino de Deus. Teve passagens em igrejas localizadas na Região dos Pimentas em
Guarulhos e Igreja da Rua Clélia na Lapa/SP. Após trabalho religioso na igreja da Rua Clélia se
tornou um pastor notório fazendo programas de rádio e TV. Tempos depois se desligou da
Universal e foi para a Igreja Mundial do Poder de Deus, desta também se desligou para fundar a
sua nova denominação em 7 de setembro de 2006.

Por Que Eu Deixei de Ser Calvinista (Parte 2): O Calvinismo Destrói a Justiça de
Deus O Calvinismo destrói a Justiça de Deus

“Que o Senhor te amaldiçoe e te abandone. Que o Senhor te mantenha nas trevas e te


dê apenas julgamento, sem graça. Que o Senhor vire as costas para você e remova
Sua paz de você para sempre.” Estas palavras, extraídas de um vídeo popular de RC
Sproul, revelam duramente o lado sombrio do conceito de justiça do calvinista, o qual
eu gostaria de explorar neste post.

A maioria dos calvinistas supralapsarianos (e um bom número de não-supralapsarianos


) vai concordar com Herman Hoeksema que “A reprovação existe a fim de que a
eleição possa ser realizada. A reprovação é necessária para trazer os eleitos à glória
que Deus, em Seu infinito amor, designou para eles …” A ideia aqui é que Deus não
poderia ter propriamente salvo os eleitos, e muito menos demonstrado Sua justiça a
eles, sem ter um grupo de pessoas com o qual Ele pudesse ficar irado por toda a
eternidade.

Imagine um oleiro que trabalhou continuamente até criar uma série de belíssimos
vasos moldados com excelência. Mas ele não está satisfeito com isso — ele também
deve construir uma segunda classe de vasos a fim de quebrá-los em uma centena de
pedaços. Isso prova a todos que ele tem força. O Deus do calvinismo é como este
oleiro; ele deve ter duas classes de pessoas: um grupo para o qual demonstrar seu
amor e misericórdia, e outro grupo para o qual mostrar a sua ira e ódio ao pecado.

No fim das contas, isso equivale a dizer que Deus odeia tanto o pecado, que quis que o
mesmo entrasse em Sua criação eternamente para que pudesse puni-lo para todo
sempre. Mas considere cuidadosamente o que isso realmente significa. Por causa de
seu imenso ódio contra o pecado, Ele deve criar o pecado, o qual deve existir
eternamente nas pessoas que Ele está eternamente a punir.

De acordo com essa teoria, se Deus tivesse optado por impedir a existência do mal
prioritariamente, isso seria pior do que a perpetuação interminável do mal em um
inferno eterno, visto que não haveria nenhuma outra maneira de nós sabermos que
Deus é justo (para o calvinista nós não temos como saber que Deus é justo a menos
que Ele tenha algo com o qual possa estar irado). Assim, isso resume-se a dizer que
Deus odeia tanto o mal que deve garantir a sua existência eterna.

O problema é que essa ideia de justiça é derivada da filosofia para o interior da Bíblia.
Ela vem da noção filosófica de que Deus é absolutamente simples na sua divindade.
Depois de aceitar a premissa de que Deus é uma essência absolutamente simples, o
resto do argumento prossegue da seguinte forma (pelo menos da forma que ele foi
representado a mim por amigos calvinistas) :

1- Uma vez que Deus é simples, seus atributos não são divisíveis, como somente
objetos compostos — e não objetos simples — podem ser divididos;
2- Desde que os atributos de Deus não são divisíveis, Ele deve estar sempre
expressando todos os aspectos de Seu caráter em todos os momentos;
3- Justiça e ódio ao pecado são aspectos essenciais do caráter de Deus;
4- Portanto, Deus deve expressar continuamente e eternamente a Sua justiça e ódio
contra o pecado, a fim de ser absolutamente simples e, portanto, ser verdadeiramente
Deus.

A maioria dos calvinistas que defendem essas ideias não percebem que elas têm sua
origem na filosofia grega e não na Bíblia, e assim eles ingenuamente pensam que o
pacote completo pode ser inferido a partir de alguns versos como Romanos 9:22. Eles
não conseguem perceber que a sua filosofia na verdade está criando uma lente pela
qual eles leem Paulo.

O ponto 4 (quatro) só se aplicado em termos de eternidade que se estende em direção


ao futuro, mas se a lógica da argumentação acima for totalmente aceita, seria
necessário que a ira de Deus contra o mal também fosse estendida ao passado, e que,
portanto, o mal sempre tivesse existido a fim de Deus possuir um objeto contra o qual
mostrar a sua ira. Se um calvinista anular a necessidade do mal estar presente ao
longo eternidade passada invocando a noção de que Deus está fora do tempo, então,
logicamente, essa noção também poderia ser invocada para anular a necessidade de o
mal estar presente pela eternidade.

Como já mencionado, esta teoria diz que Deus odeia tanto o mal que deve garantir a
sua perpetuação eterna, pois se em um trilhão de anos, a partir desse momento,
houvesse apenas um milésimo de segundo em que Deus não tenha um grupo de
pecadores contra o qual estar irado, então isso seria trágico a medida que uma parte
integral de Seu caráter (justiça) seria incapaz de ser expressa.

Como Douglas Wilson postou certa vez em seu blog:

Em um mundo sem pecado, dois dos mais gloriosos atributos de Deus — Sua justiça e
Sua misericórdia — não seriam exibidos. Isso, obviamente, seria horrível…Em um
mundo sem pecado e mal, pelo menos dois dos atributos de Deus não seriam
revelados e manifestos, os quais são ira e misericórdia. Uma vez que isso é
obviamente intolerável, Deus determinou controlar nossos interesses da maneira que
Ele fez.

Jonathan Edwards expressou uma ideia semelhante quando escreveu:

É algo apropriado e excelente que a infinita glória de Deus resplandeça; e pela mesma
razão, é apropriado que o brilho da glória de Deus seja completo; isto é, que todas as
partes de sua glória devam resplandecer, que cada beleza deva ser proporcionalmente
fulgurante, a fim de que aquele que olha tenha uma noção adequada de Deus. Não é
apropriado que uma glória deva ser excessivamente manifesta , e outra não…Assim, é
necessário que a aterradora majestade de Deus, sua autoridade e terrível grandeza,
justiça e santidade devam ser manifestas. Mas não poderia ser assim , a menos que o
pecado e a condenação tivessem sido decretados; ou o fulgor da glória de Deus seria
por demais imperfeito, tanto porque essas partes da glória divina não resplandeceriam
tanto quanto as outras, e também porque a glória de sua bondade, amor, e santidade
seria apática sem elas; não, elas ilustrariam de forma pobre seu fulgor. Se não for certo
que Deus deveria decretar e permitir e punir o pecado, não poderia haver nenhuma
manifestação da santidade de Deus pelo ódio ao pecado; ou em, pela sua providência,
preferir a piedade [em lugar do pecado]. Não haveria nenhuma manifestação da graça
de Deus ou verdadeira bondade, se não houvesse pecado a ser perdoado, ou miséria a
ser revertida. Por mais felicidade que ele concedesse, a sua bondade não seria mais
estimada ou admirada…Assim, o mal é necessário, para felicidade maior da criatura, e
a perfeição da manifestação de Deus, para a qual ele fez o mundo; porque a felicidade
da criatura consiste no conhecimento de Deus, e no senso de seu amor. E se o
conhecimento dele é imperfeito, a alegria da criatura deve ser proporcionalmente
imperfeita.

A mesma noção está presente nas obras de Santo Agostinho:

… se tudo tivesse permanecido condenado à punição exigida pela justa condenação,


então a graça misericordiosa de Deus não teria sido vista em ação em ninguém, por
outro lado, se tudo tivesse sido transferido das trevas para a luz, a verdade da
vingança de Deus não se faria evidente. —City of God 21.11

Agostinho defende este ponto de vista comparando-o à beleza da antítese que


encontramos na literatura:

O futuro estado mal [do homem] … enriquece o curso da história do mundo pelo tipo de
antítese que dá beleza a um poema. A ‘antítese’ fornece a mais atraente imagem nas
composições literárias … A contrariedade dos opostos dá uma beleza adicional ao
discurso; e da mesma forma há uma beleza na composição da história do mundo,
decorrente da antítese dos opostos — uma espécie de eloquência nos eventos, em vez
de nas palavras. — City of God 11.17

Curiosamente, Agostinho inconscientemente importou essa ideia para dentro da


teologia cristã a partir de sua base maniqueísta, a qual foi retomada e mais
sistematizada pelos reformadores. Nós percebemos o quão comprometida é a teoria de
Agostinho sobre o mal com sua base maniqueísta na seguinte citação, onde o bem e o
mal criam uma antítese necessária para manter o equilíbrio do universo:

E assim, os males, os quais Deus não ama, não estão separados da ordem.
Entretanto, Ele ama a própria ordem. Ele tem prazer exatamente nisso: amar as coisas
boas, e não amar as coisas más — e isto em si mesmo é algo da magnífica ordem e do
arranjo divino. E porque este arranjo ordenado mantém a harmonia do universo por
este exato contraste, segue-se que as coisas más devem necessariamente existir.
Desta forma, a beleza de todas as coisas é de tal forma configurada, por assim dizer, a
partir de antíteses , ou seja, a partir de opostos: isto é agradável a nós, mesmo no
discurso.

Não é suficientemente bom criticar tais ideias apenas por causa de suas origens pagãs,
embora o fato dessas teorias possuírem suas raízes nos pilares da filosofia e do
Maniqueísmo devesse deixar qualquer Calvinista inquieto.

O problema com essas conjecturas é que elas essencialmente afirmam que Deus exige
um oposto (antítese) para que Ele seja bom, ou pelo menos para que Sua bondade
seja completamente realizada e manifestada. Elas nos obrigam a afirmar (pelo menos
se formos coerentes), que por toda a eternidade a bondade e justiça inerentes à
Santíssima Trindade sempre foram incompletas, porque foi necessário o aparecimento
do mal para que todas as potências não manifestadas na Divindade pudessem
finalmente ser realizadas.

Esta implicação é clara na excelente obra de John Piper Desiring God e também em
sua menos excelente The Pleasures of God. Piper sugere que a dor, o mal e a miséria
de alguns são uma pré-condição necessária para a crescente satisfação dos santos.
Isso parece deixar-nos com uma espécie de dualismo, visto que torna Deus
eternamente dependente do mal. Novamente, se levado à sua conclusão lógica, isso
implicaria que o mal deve ser tão eterno quanto a Santíssima Trindade.

Por outro lado, se os membros da Trindade são completamente auto-suficientes e


poderiam apreciar plenamente a sua própria justiça independente da criação, então,
presumivelmente, também seria possível para os filhos redimidos e glorificados de
Deus apreciar a bondade e a justiça de Deus independente da existência do mal, a
menos que possamos produzir um primeiro argumento a priori contrário (o que, é claro,
nenhum professor de Agostinho a John Piper foi capaz de fazer).

Se o mal é necessário para que a bondade de Deus seja manifestada, e se a


manifestação de tal bondade é uma parte crucial do que significa para Deus ser Senhor
(visto que, de outra forma, o ódio de Deus pelo pecado não poderia encontrar um
escape), então segue-se que a criação é necessária para Deus ser Deus, como a
própria criação é uma pré-condição para o mal. Nesse caso, Deus não seria Deus
antes da criação. Logo, a criação não é um excesso da abundância de Deus, mas algo
que era necessário a realização de um determinado aspecto de Seu caráter. Essas
terras são incomodamente próximas daquilo que alguns Arianos propuseram. Eu sei
que foram os Arianos quem afirmaram que para Deus ser Deus, Ele deve eternamente
ser o Senhor sobre algo; logo, o Filho deve ser eternamente subordinado à autoridade
de Deus o Pai. Uma lógica semelhante está por trás de muita especulação calvinista.

Por causa disso, minha esposa e eu percebemos que é melhor simplesmente dizer que
é um mistério o porquê Deus permitiria o mal, em vez de tentar dar uma explicação
filosófica problemática como a dos Calvinistas. O mal certamente existe, então deve
haver alguma explicação para ele que não comprometa os atributos de Deus, visto que
termos como bondade, justiça e amor não podem ter nenhum significado à parte de
Deus. Sabemos pela Bíblia que Deus permite o mal a fim de extrair o bem dele, mas
isso é tudo que sabemos. Se tentarmos preencher as lacunas de nosso entendimento
com a explicação Agostiniana/Calvinista somos forçados a acreditar que o amor de
Deus, a graça, a bondade, etc., só são inteligíveis em um mundo marcado pelo mal.
Em um nível puramente prático, isso não faz sentido. Eu não preciso ir até o aterro e
contemplar o lixo lá a fim de reconhecer a beleza da natureza. Eu não preciso me
alimentar de frutas em putrefação e pão podre a fim de desfrutar de costeletas de
cordeiro. Da mesma forma, tenho certeza de que as pessoas da Santíssima Trindade
eram plenamente capazes de apreciar o amor uns do outros antes do advento do mal.

Novamente, eu não posso dar uma explicação alternativa sobre o motivo pelo qual um
Deus que é todo-poderoso, onisciente e completamente bom permitiria a existência do
mal. Enquanto sabemos pelas escrituras que o Senhor permite o mal a fim de extrair
bem dele, não sabemos, em última análise, por que Ele escolhe demorar-se enquanto
Seu povo sofre perseguição ou por que Ele permite ao ímpio prosperar. Este é um
mistério para nós, assim como era um mistério para os salmistas ou para o paciente Jó.
Nós simplesmente não sabemos como Deus pode ser o sumo bem, onisciente e todo-
poderoso, e ainda assim o mal possa existir. Esta não é apenas uma questão filosófica
profunda, mas é também questão existencial real — especialmente para os cristãos
que foram vítimas de crueldade e injustiça.
O problema com o Calvinismo é que sua busca pela clareza racionalista acaba com
esse mistério necessário. O Calvinismo afirma que o mal existe porque Deus deseja
que ele esteja lá — fim da história. Como Calvino coloca em suas Institutas da Religião
Cristã, “Eu digo, com Agostinho, que o Senhor criou aqueles que, como certamente
sabia de antemão, iriam para a perdição, e o fez porque assim quis.”, enquanto mais
tarde Calvino estende essa ideia para seu corolário consistente, o qual é que “o
homem, pelo justo impulso de Deus, faz o que é injusto.” Em outras palavras, de
acordo com Calvino, o pecador peca porque Deus impele-o a fazê-lo.

Calvino trouxe este mesmo tema mais tarde, quando escreveu:

o homem cai porque assim o ordenou a providência de Deus … que foi pela vontade de
Deus que todos os filhos de Adão caíram nesta miserável condição em que ora se
acham envolvidos …. Nem deve parecer absurdo o que digo: Deus não só viu de
antemão a queda do primeiro homem e nela a ruína de sua posteridade, mas também
por seu próprio prazer a ordenou.

Deus, por Seu próprio prazer, ordenou o mal?

Estas são palavras difíceis, especialmente porque elas parecem envolver diretamente a
Deus em toda a maldade do mundo. Elas facilmente resolvem o problema do mal, mas
fazem isso às custas de outro ensinamento bíblico. Por exemplo, o Salmo 5:5. Na
Septuaginta — o texto do Antigo Testamento citado por escritores do Novo Testamento
e o texto canônico da antiga Igreja — Salmo 5:4 lê ” Tu não és um Deus que tenha
prazer (Thelon) na injustiça (anomian).”

Para ser justo com Calvino, ele foi capaz de manter certo grau de equilíbrio dialético
que estaria faltando em seus seguidores. É por isso que a minha crítica ao Calvinismo
reconhece que o Calvinismo é maior do que simplesmente os ensinamentos de João
Calvino. Eu me convenci disso quando a nossa antiga igreja realizou um acampamento
para a família e convidou RC Sproul, Jr. para falar. O Sproul mais jovem levou os
ensinamentos de Calvino a tal extremo, indo ainda mais longe do que seu pai —
quanto mais ao próprio Calvino. Por exemplo, Sproul deleitou-se ao descrever em
detalhes o quanto Deus desejou que o pecado acontecesse, e a maneira como Deus
forçou o diabo a pecar semelhante a um homem operando controle remoto. Em seu
livro Almighty Over All, Sproul desenvolve este ponto, escrevendo : “Eu estou sugerindo
que ele [Deus] criou o pecado … Onde, devo perguntar, a lei de Deus proíbe a criação
do mal? Eu sugeriria que essa proibição simplesmente não existe. “

Isto leva ao que eu considero ser uma banalização do mal.

R. C. Sproul Jr. postou um status no Facebook dizendo que uma vez que Deus é
soberano, mesmo aquelas coisas que não são como deveriam ser, são exatamente
como deveriam ser. Ele prosseguiu dizendo que, em última análise, não existem coisas
“más”, uma vez que Deus é completamente soberano. Agora, se isso significa que
mesmo as coisas más cooperam, em última análise, para o bem, então eu não tenho
nenhum problema. Mas há uma grande diferença entre dizer, por um lado, que Deus
extrai o bem do mal, e, por outro lado, dizer que visto que Deus é o autor de todas as
coisas, o mal não é muito ruim (ou tudo que acontece deveria acontecer).
Se, conforme Sproul sustenta, Deus é o autor do mal, então teríamos de dizer que Ele
promove a maldade no coração das pessoas. Mas se assim for, então Deus é pecador
pelas definições bíblicas do pecado e do mal. Considere que, em Provérbios, aqueles
que incitam e seduzem ao mal (como os amigos do tolo ou a prostituta) são tão
moralmente culpados quanto o homem simples que foi vítima dessas tentações. Tiago
diz que Deus não nos tenta, mas se Deus é o autor do mal, então Ele está fazendo
muito mais do que simplesmente nos tentar: Ele está promovendo o mal em nossos
corações e incitando-nos a pecar.

Neste esquema , as palavras “Deus é bom” não são mais inteligíveis, a medida que
Deus está violando Sua própria auto-revelação do significado de “bondade”.
Consequentemente, se Deus realmente é o princípio ativo por trás da semente da
mulher e da semente da serpente, então, teríamos de concluir que as categorias
bíblicas usadas para descrever Deus são, em última análise, não-descritivas. Ademais,
isso faria da antítese que encontramos ao longo dos Salmos de guerra uma zombaria,
se Deus for a força causal por trás de ambos os lados.

Além disso, se Deus é o autor do mal, então teríamos de concluir que, assim como a
bondade, o mal é uma parte intrínseca do caráter de Deus. Mas nesse caso, ficamos
sem um padrão para distinguir entre o bem e o mal. Logo, usar o caráter de Deus como
padrão seria semelhante ao usar uma fita métrica na qual as escalas em polegadas e
centímetros estão todas misturados. Deus só pode ser o padrão para a distinção entre
o bem e o mal se o primeiro, e não o último, for fundamental para o Seu caráter.

Isto tem implicações pastorais quando se lida com pessoas que foram vítimas de
sofrimento ou abuso. Alguns calvinistas extremados vão enfrentar a dor humana com
as palavras do famoso hino de Rodigast: “What ‘er my God ordains is right” (O que meu
Deus ordena está correto). Sua abordagem é: “Isso está acontecendo; portanto, Deus
ordenou isso; portanto, deve estar correto”. Felizmente, a igreja calvinista que
participamos não era tão reducionista, mas o mesmo não pode ser dito de muitos
outros. Por exemplo, o Dr. Morton H. Smith, um dos fundadores do PCA, gostava de
pregar para suas congregações que, quando confrontados com o mal ou o infortúnio, a
única resposta apropriada é: “Eu não teria nenhuma outra maneira.”

É verdade que eu examinei, na maioria dos casos, certas representações


extremas/supralapsarianas do calvinismo. Mas, mesmo na teologia reformada mais
moderada, vemos uma distorção do ensino real da Bíblia sobre o tema da justiça. Tanto
no Antigo como no Novo Testamento, vemos que a justiça realmente não trata sobre
Deus punir o pecado como um fim em si mesmo; a justiça versa mais sobre Deus
endireitar as coisas. Por certo, quando Deus endireita as coisas, isso envolve
julgamento contra o pecado, mas a Bíblia tende a colocar essa justiça dentro do
contexto de sua fidelidade à aliança com o Seu povo, de uma forma que muitas vezes
falta ao pensamento calvinista sistemático.

Objeção #1: Sua crítica sobre conceito Calvinista de justiça desaprova as conclusões
da teologia Calvinista sem na verdade apontar exatamente onde o Calvinismo erra no
processo de argumentação bíblica que o leva a essas conclusões. É insuficiente
meramente julgar as conclusões da teologia reformada censuráveis, se você não
demonstrar pelas escrituras que as premissas que levam a essas conclusões estão
erradas.

Resposta à Objeção #1: Esta objeção é facilmente respondida citando uma questão
feita pelo matemático John Byl em The Divine Challenge. Byl escreve que “se a
falsidade da conclusão é mais plausível do que a veracidade das premissas, então é
racional rejeitar as premissas… A vantagem deste método de refutação é que não é
preciso identificar exatamente onde ocorreu o erro inicial.” Esta é a abordagem que
tenho tomado na minha crítica ao calvinismo. A falsidade das conclusões calvinistas é
tão evidente que não é necessário, na verdade, mostrar onde a argumentação que
conduz a essas conclusões está errada.

Objeção #2: Algumas das implicações que você desenha a partir do conceito calvinista
da justiça, tais como o seu argumento sobre a Trindade, seria repudiada por qualquer
calvinista que se preze. Isto sugere que, mais uma vez, você está desvirtuando o
calvinismo e criando espantalhos.

Resposta à Objeção #2: Se a objeção acima fosse verdadeira, então qualquer


argumento reductio ad absurdum seria uma espécie de representação equivocada. Por
exemplo, considere o seguinte argumento:

1- Michael diz que P é verdadeiro.


2- Mas se P é verdadeiro, então Q segue.
3- Q é claramente um absurdo.
4- Portanto, o que Michael diz sobre P não pode ser verdade.

Suponha que você é Michael no exemplo acima, e que você discorde. Você poderia
disputar a premissa um, e dizer que eu compreendi mal. Ou você poderia disputar a
premissa dois argumentando que Q não decorre P. Ou, você poderia disputar a
premissa três e argumentar que Q não é um absurdo. Em todos esses casos, a
conclusão na premissa quatro deixaria de seguir, mas em apenas um caso (o primeiro)
você poderia afirmar que eu não entendi você; ou seja, somente contestando o meu
argumento e afirmando que a premissa um é falsa, você seria capaz de legitimamente
alegar que eu lhe compreendi equivocadamente. Mesmo se você protestasse
fortemente contra a premissa dois e discordasse veementemente que Q segue de P,
você ainda não poderia legitimamente argumentar que eu distorci sua declaração, a
menos que eu alegasse que você também expôs Q como uma implicação de P.

Seja P a defesa da ideia calvinista de que Deus deve ter um grupo de pessoas com o
qual Ele esteja eternamente irado, a fim de demonstrar a sua justiça; e seja Q a defesa
de algumas das implicações que eu invoquei. Aqui está a falha: mesmo se eu estiver
errado que Q decorre P, isso por si só não é suficiente para provar que eu distorci a
posição calvinista, a menos que eu também alegasse que eles também afirmaram esta
implicação. Mas em nenhum lugar da argumentação acima eu aleguei que os
calvinistas afirmam a implicação que eu expus, e justamente por isso, não pode ser
legitimamente argumentado que eu não compreendi.

————————————–
O QUE É Sola Scriptura? "Eu não creria no Evangelho, se a isto não me
levasse a autoridade da Igreja Católica" (St. Agostinho - Contr. Epist. Manichaei. v, 6)
Nós cremos somente na Bíblia, e a Bíblia inteira é a única regra de fé para o cristão.
Talvez você já tenha ouvido esta frase ou algo parecido de um protestante evangélico.
Ela é, em essência, o significado da doutrina da Sola Scriptura, ou Somente a
Escritura, que alega que a Bíblia - interpretada individualmente pelo crente - é a única
fonte de autoridade religiosa e é a única regra ou o único critério em quê o crente deve
acreditar. Por esta doutrina, que é uma das fundamentais doutrinas do protestantismo,
o protestante nega que exista qualquer outra fonte de autoridade religiosa ou revelação
divina à humanidade. A Igreja Católica, por outro lado, afirma que a regra imediata ou
direta de fé é o ensino da Igreja. Este, por sua vez, tem suas Fontes da Revelação
Divina - A Palavra Escrita, a Sagrada Escritura, e a Palavra não-Escrita, conhecida
como Tradição. A autoridade do Magistério da Igreja Católica (chefiado pelo Papa),
apesar de não ser ela própria uma fonte de revelação divina, possui a missão de
interpretar e ensinar tanto a Escritura como a Tradição. Estas duas formas são as
fontes da doutrina cristã, a regra de fé cristã remota ou indireta. Obviamente, estas
duas visões apresentadas são opostas, e aquele que busca seguir Cristo deve ter a
certeza de que está seguindo a verdadeira. A doutrina da Sola Scriptura se originou
com Martinho Lutero, um monge alemão do século 16 que quebrou sua união com a
Igreja Católica Romana e iniciou a Reforma Protestante [1]. Em resposta a alguns
abusos que ocorriam na Igreja, Lutero tornou-se um grande oponente de certas
práticas. Como tais abusos de fato ocorriam, Lutero estava correto em se revoltar.
Contudo, houve uma série de confrontos entre ele e a hierarquia católica. E à medida
que foram evoluindo, as disputas foram se centrando na questão da autoridade da
Igreja e - pelo ponto de vista de Lutero - se o ensino da Igreja deveria ser considerado
regra de fé legitima para os cristãos. Crescendo as disputas entre Lutero e a hierarquia
da Igreja, ele a acusava de haver corrompido a doutrina cristã e distorcido as verdades
bíblicas, e cada vez, mais e mais, ele acreditava que a Bíblia, interpretada por cada
indivíduo, era a única regra de fé religiosa para o cristão. Rejeitou a Tradição assim
como a autoridade do ensino da Igreja Católica (com o Papa como sua cabeça) como
tendo legítima autoridade religiosa. Um observador honesto poderia perguntar,
portanto, se a doutrina de Lutero sobre a Sola Scriptura seria uma restauração genuína
das verdades bíblicas ou a promulgação de uma visão pessoal acerca da autoridade da
Igreja. Lutero era um apaixonado pelas suas crenças, e foi bem-sucedido em divulgá-
las, mas estes fatos por si só não são garantia alguma de que o que ensinou esteja
correto. Pelo fato de o bem-estar, e mesmo o destino eterno das pessoas, ser uma
aposta de confiança, o fiel cristão precisa estar precisamente seguro neste assunto.
Nos parágrafos seguintes declaramos vinte e uma considerações que ajudarão você,
leitor católico ou protestante, a analisar cuidadosamente a doutrina luterana da Sola
Scriptura de um ponto de vista bíblico, histórico e lógico, e que mostrará que de fato
esta não é uma doutrina bíblica genuína, mas somente uma doutrina de homens.
[Topo] NÃO É ENSINADA EM PARTE ALGUMA DA BÍBLIA Talvez a razão que mais
chame a atenção para rejeitar esta doutrina é que não existe nem mesmo um só
versículo onde esta seja ensinada, e isto, portanto, torna esta doutrina auto-refutada.
Os protestantes comumente citam versículos tais como 2 Tm 3,16-17 ou Ap 22,18-19
em defesa da Sola Scriptura, mas um exame minucioso destas duas passagens
facilmente irá demonstrar que na verdade estas não suportam tal doutrina. Em 2 Tm
3,16-17 lemos: Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, refutar, corrigir,
educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para
qualquer boa obra. Existem aqui cinco considerações que enfraquecem a interpretação
protestante desta passagem: A palavra grega ophelimus utilizado no v.16 significa útil e
não suficiente. Um exemplo desta diferença seria dizer que a água é útil para nossa
existência - mesmo necessária - mas não é suficiente; isto é, ela não é o único
componente que nos manteria vivos. Também precisamos de alimentos,
medicamentos, etc. Da mesma forma, a Escritura é útil na vida do cristão, mas isto
nunca quis dizer que ela é a única fonte de ensino cristão e a única coisa que cada o
necessita. A palavra grega pasa, que geralmente é traduzida como toda, na realidade
significa qualquer, e seu sentido se refere a cada uma ou qualquer uma das classes
denotadas pelo substantivo a que está conectado [2]. Em outras palavras, a forma
grega indica que toda e qualquer Escritura é útil. Se a doutrina da Sola Scriptura fosse
verdadeira, baseada no verso grego 16, todo e qualquer livro da Bíblia poderia,
isoladamente, ser considerado a única regra de fé, uma posição que é obviamente
absurda. A Escritura a que Paulo se refere é o Antigo Testamento, um fato que é
claramente referido pelo fato de as Escrituras serem conhecidas desde a tenra infância
(v.15) por Timóteo. O Novo Testamento como conhecemos ainda nem mesmo existia,
ou na melhor das hipóteses estava incompleto, então não poderia estar incluído no que
Paulo quis dizer com o termo Escritura. Se aceitarmos as palavras de Paulo sem
analisarmos o que realmente significam, a Sola Scriptura, então, significaria que a
única regra de fé do cristão é o Antigo Testamento. Esta é uma conclusão que todos os
cristãos rejeitariam. Os protestantes responderiam a este argumento dizendo que
Paulo não está tratando do cânon da Bíblia (os livros inspirados que constituem a
Bíblia), mas sim da natureza da Escritura. Ainda que haja alguma validade nesta
afirmação, a questão do cânon também é relevante aqui, pelas seguintes razões: antes
que falemos da natureza das Escrituras como sendo theopneustos, ou seja, inspirados
(literalmente "soprados por Deus"), é imperativo que identifiquemos com segurança os
livros que queremos listar como Escritura; de outra forma, livros errados poderia ser
chamados de inspirados. Obviamente, as palavras de São Paulo aqui tomaram uma
nova dimensão quando o Novo Testamento foi completado, e os cristãos
eventualmente as consideravam, também, como sendo Escritura. Deve ser dito, então,
que o cânon bíblico também entra na questão, pois Paulo - escrevendo sob a
inspiração do Espírito Santo - enfatiza o fato de que toda (e não somente alguma)
Escritura é inspirada. A questão que deve ser discutida, entretanto, é esta: como
podemos ter a certeza de que temos todos os livros corretos? Obviamente, somente
poderemos conhecer a resposta se soubermos qual é o cânon da Bíblia. Tal questão
guarda um problema para os protestantes, mas não para os católicos, pois estes
possuem uma autoridade infalível que pode responder. A palavra grega artios, aqui
traduzida como perfeito, à primeira vista pode fazer crer que a Escritura é de fato tudo
o que é necessário. "Logo", alguém poderia perguntar, "se as Escrituras tornam o
homem de Deus perfeito, que mais seria preciso? Por acaso a palavra 'perfeito' não
significa que nada mais é necessário?". Bem, a dificuldade com esta interpretação é
que o texto não diz que somente pelos meios da Escritura o homem de Deus é tornado
perfeito. O texto indica precisamente o oposto, pois é verdadeiro que a Escritura opera
em conjunção com outras coisas. Note que não é qualquer um que se torna perfeito,
mas o homem de Deus - que significa um ministro de Deus (cf. 1 Tm 6,11), um
sacerdote. O fato deste indivíduo ser um ministro de Cristo pressupõe que ele já estava
acompanhando um estudo que o prepararia para exercer tal ofício. Sendo assim, a
Escritura poderia ser mais um instrumento dentro de uma série de outros que tornam o
homem de Deus perfeito. As Escrituras poderiam complementar sua lista de itens
necessários ou poderiam ser o item mais proeminente da lista, mas seguramente não
eram a única ferramenta de sua lista nem pretendia ser tudo o que necessitaria. Por
analogia, considere um médico. Neste contexto, poderíamos dizer algo como "O
Tratado de Medicina Interna do Harrison (livro texto de referência na prática médica
mundial) torna nossa prática médica perfeita, logo estamos aptos a qualquer
procedimento médico". Obviamente tal afirmativa não pode significar que tudo o que o
médico precisa seja o TMIH. Este é um item entre vários outros, ou o mais
proeminente. O médico também necessita de um estetoscópio, um tensiômetro, um
otoscópio, um oftalmoscópio, técnicas cirúrgicas, etc. Estes outros itens são
pressupostos pelo fato de estarmos falando de um médico, e não de um leigo. Logo,
seria incorreto presumir que somente o TMIH torna o médico perfeito, a única
ferramenta necessária. Além disso, considerar que a palavra perfeito significa o único
item necessário resulta em contradição bíblica, pois em Tg 1,4 lemos que a paciência -
sem citar as Escrituras - torna os homens perfeitos e íntegros, livres de todo defeito. É
verdade que aqui uma palavra grega diferente - teleios - é usada para perfeitos, mas
permanece o fato de que o entendimento básico é o mesmo. Então, se alguém
certamente entende que a paciência não é a única ferramenta que o cristão precisa
para ser perfeito, um método interpretativo consistente levaria-nos a reconhecer da
mesma forma que as Escrituras não são a única coisa que o homem de Deus necessita
para ser perfeito. A palavra grega exartio no v.17, traduzida por qualificado (outras
Bíblias trazem algo como equipado ou plenamente qualificado) é tida como uma prova
pelos protestantes da Sola Scriptura pois esta palavra - novamente - implica em dizer
que nada mais é necessário ao homem de Deus. Contudo, ainda que o homem de
Deus seja qualificado ou plenamente equipado, este fato por si mesmo não garante
que este homem saiba interpretar e aplicar corretamente uma passagem bíblica. O
sacerdote deve também aprender como usar corretamente as Escrituras, mesmo que
ele já esteja equipado com elas. Considere de novo a analogia do médico. Pense num
estudante de medicina no início de seu internato. Ele deve dispor de todo seu arsenal
necessário para os procedimentos cirúrgicos, ou seja, ele deve estar qualificado,
plenamente equipado para qualquer procedimento de emergência, mas a menos que
ele passe boa parte do tempo junto a médicos mais experientes, observe suas
técnicas, aprenda suas habilidades, e pratique algum procedimento ele próprio, os
instrumentos cirúrgicos que possui são completamente inúteis. Sem dúvida, se não
aprender a usar tais instrumentos apropriadamente, estes mesmos podem se tornar
armas perigosas em suas mãos. Quem se habilitaria a submeter-se a um cirurgião que
aprendeu cirurgias por cursos de correspondência? Da mesma forma ocorre entre o
homem de Deus e a Escritura. Estas, como os instrumentos cirúrgicos, são preciosos
apenas quando bem manipulados. Do contrário, os resultados são o oposto do
esperado. Mal usados, um pode trazer a dor e a morte física, a outra, a dor e a morte
espiritual. Devido a Escritura nos advertir a mantermos a retidão da palavra da verdade
( cf. 2 Tm 2,15), é óbvio, portanto, que a palavra da verdade pode ser desviada de seu
correto caminho - da mesma forma que um estudante de medicina destreinado que usa
incorretamente seu instrumental. Com relação ao Ap 22,18-19, há duas considerações
que desqualificam a Sola Scriptura. A passagem - quase a última da Bíblia - diz: Eu
atesto a todo o que ouvir as palavras proféticas deste livro: Se alguém lhes fizer
qualquer acréscimo, Deus lhes acrescentará as pragas escritas nesse livro. E se
alguém tirar qualquer coisa das palavras deste livro profético, Deus lhe retirará a sua
parte da árvore da vida e da cidade santa, que estão descritas neste livro. Quando os
versos desta passagem afirmam que nada deve ser acrescentado ou retirado das
palavras deste livro profético, não estão se referindo à Sagrada Tradição sendo
acrescentada à Sagrada Escritura. É óbvio pelo contexto que o livro aqui referido é o
do Apocalipse, e não a Bíblia inteira. Sabemos disso porque São João diz que o que for
culpado por acrescentar a este livro será penalizado com as pragas escritas neste livro,
as pragas que ele mesmo descreveu em seu próprio livro, o Apocalipse. Afirmar algo
diverso disso é atentar contra o texto e distorcer seu claro significado, especialmente
devido a Bíblia que conhecemos ainda não existir quando esta passagem foi escrita,
sendo assim não poderia significar o compêndio cristão [3]. Na defensiva de sua
interpretação, os protestantes trarão o argumento de que Deus vê adiante, vê qual
seria o cânon da Bíblia, sendo o Apocalipse o último livro da Bíblia, e portanto Ele
definiu o cânon com as palavras dos vv.18-19. Mas esta interpretação necessita que
busquemos o significado do texto. Além do mais, se tal afirmação for correta, como o
cristão pode saber inquestionavelmente que Ap 22,18-19 está selando o cânon a
menos que um intérprete infalível lhe confirme que este é, inquestionavelmente, o único
sentido deste verso? Porém, se tal autoridade existe, então a doutrina da Sola
Scriptura - ipso facto - torna-se nula e a ser evitada. A mesma advertência de não
acrescentar ou subtrair palavras é vista em Dt 4,2, que diz: Nada acrescentareis às
palavras dos mandamentos que vos dou, e nada tirareis; assim guardareis os
mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos dou. Se aplicarmos uma
interpretação paralela com este verso, logo tudo o que está na Bíblia além dos decretos
das leis do Antigo Testamento deveria ser considerado apócrifo ou não-canônico -
incluindo o Novo Testamento! Mais uma vez, todos os cristãos rejeitam, imediatamente,
esta conclusão. A proibição de Ap 22,18-19 contra a adição, portanto, não pode
significar que os cristãos estão proibidos de buscar algum guia fora da Bíblia. [Topo] A
BÍBLIA INDICA QUE DEVEMOS ACEITAR A TRADIÇÃO ORAL São Paulo recomenda
e ordena a manutenção da Tradição Oral. Em 1 Cor 11,2, por exemplo, lemos: Eu vos
felicito por vos lembrardes de mim em toda ocasião e conservardes as tradições tais
como eu vo-las transmiti [4]. São Paulo está claramente recomendando que
mantenham a tradição oral, e deve ser notado em particular que ele congratula os fiéis
por fazê-lo (Eu vos felicito...). Também é explícito no texto o fato de que a integridade
desta Tradição oral apostólica era claramente mantida, da mesma forma como Nosso
Senhor havia prometido, sob o auxílio do Espírito Santo (cf. Jo 16,13). Talvez o mais
claro apoio bíblico para a Tradição oral seja 2 Ts 2,15, onde os cristãos são
enfaticamente advertidos: Assim, pois, irmãos, ficai inabaláveis e guardai firmemente
as tradições que vos ensinamos, de viva voz ou por carta. Esta passagem é
significante porque: a) mostra uma tradição oral apostólica vivente, b) diz que os
cristãos estarão firmemente fundamentados na fé se aderirem a estas tradições e c)
claramente afirma que estas tradições eram tanto escritas como orais. A Bíblia
distintamente mostra aqui que as tradições orais - autênticas e apostólicas em sua
origem - deveriam ser seguidas como componente válido do Depósito da Fé, então por
quais razões ou desculpas os protestantes a rejeitam? Com qual autoridade podem
rejeitar uma exortação clara de Paulo? Além do mais, devemos considerar o texto
desta passagem. A palavra grega krateite, traduzida aqui como guardar, significa estar
firme, forte, prevalecer [5]. Esta linguagem é enfática, e demonstra a importância da
manutenção destas tradições. Obviamente, devemos diferenciar o que seja Tradição
(com T maiúsculo), que é parte da revelação divina, das tradições da Igreja (com t
minúsculo) que, mesmo que sejam boas, desenvolveram-se tardiamente na Igreja e
não fazem parte do Depósito da Fé. Um exemplo de algo que seja parte da Tradição
seria o batismo infantil; um exemplo de tradições da Igreja seria o calendário das festas
dos santos. Tudo que venha da Sagrada Tradição é de origem divina e são imutáveis,
enquanto que as tradições da Igreja são cambiáveis pela Igreja. A Sagrada Tradição
serve-nos como regra de fé por mostrar no quê a Igreja tem consistentemente crido
através dos séculos e como ela sempre entendeu uma determinada parte Bíblica. Uma
das principais formas pelo qual a Sagrada Tradição foi transmitida a nós está nas
doutrinas dos textos litúrgicos antigos, o serviço divino da Igreja. Todos já notaram que
os protestantes acusam os católicos de promoverem doutrinas novas e anti-bíblicas
baseadas na Tradição, por afirmarem que tal Tradição contém doutrinas que são
estranhas à Bíblia. Entretanto, esta acusação é profundamente falsa. A Igreja Católica
ensina que a Tradição Oral não contém nada que seja contrário à Tradição Escrita.
Alguns pensadores católicos afirmam, inclusive, que não há nada na Tradição Oral que
não seja encontrado na Bíblia, mesmo que implicitamente ou em formas seminais.
Certamente as duas estão em perfeita harmonia e complementam uma à outra. Para
algumas doutrinas, a Igreja faz uso da Tradição mais que pelas Escrituras para seu
entendimento, mas mesmo estas doutrinas estão incluídas nas Sagradas Escrituras.
Por exemplo, as doutrinas seguintes são preferencialmente baseadas na Sagrada
Tradição: batismo infantil, o cânon das Escrituras, o domingo como Dia do Senhor, a
virgindade perpétua de Maria e a assunção de Maria. A Sagrada Tradição complementa
nossa compreensão da Bíblia ao mesmo tempo que não constitui uma fonte extra-
bíblica de revelação, com doutrinas novas ou estranhas a ela. Muito pelo contrário: a
Sagrada Tradição age como a memória viva da Igreja, relembrando-a constantemente
o que criam os cristãos antigos, como entendiam e interpretavam as passagens
bíblicas [6]. De certa forma, é a Sagrada Tradição que diz ao leitor da Bíblia: Você está
lendo um livro muito importante, que contém a revelação de Deus aos homens. Agora
deixe-me explicá-lo como ela sempre foi entendida e praticada pelos cristãos desde o
início dos tempos. [Topo] A BÍBLIA QUALIFICA A IGREJA COLUNA E FUNDAMENTO
DA VERDADE É muito interessante que em 1 Tm 3,15 vemos não a Bíblia, mas a
Igreja - isto é, a comunidade viva de crentes fundada sob Pedro e os apóstolos e
mantida pelos seus sucessores - sendo chamada de coluna e fundamento da verdade.
Claramente esta passagem de modo algum significa diminuir a importância da Bíblia,
mas sua intenção é de mostrar que Jesus Cristo de fato estabeleceu um magistério
autorizado que foi enviado a ensinar todas as nações (cf. Mt 28,19) Em outro lugar esta
mesma Igreja recebeu de Cristo a promessa de que os portões do inferno não
prevaleceriam contra ela (cf. Mt 16,18), pois Ele sempre estaria presente (cf. Mt 28,20)
e enviaria o Espírito Santo para ensiná-la todas as verdades (cf. Jo 16,13). Ao chefe
visível de sua Igreja, São Pedro, Nosso Senhor disse: Te darei as chaves do Reino dos
Céus. Tudo que ligares na terra será ligado no céu; e tudo que desligares na terra será
desligado no céu (Mt 16,19). É evidente a partir destas passagens que Nosso Senhor
enfatiza a autoridade de Sua Igreja e a norma que deveria seguir para salvaguardar e
definir o Depósito da Fé. Também é evidente destas passagens que esta mesma Igreja
seria infalível, pois se em algum lugar de sua história a Igreja ensinou o erro em
matéria de fé e moral - ainda que temporariamente - cessaria de ser esta coluna e
fundamento da verdade. Pelo fato de todo fundamento existir para ser firme e
permanente, e de que as passagens acima não permitem a possibilidade da Igreja
ensinar algo contrário à reta fé e moral, a única conclusão plausível é que Nosso
Senhor foi muito preciso em estabelecer a sua infalibilidade quando chamou-a de
coluna e fundamento da verdade. O protestante, entretanto, vê aqui um dilema quando
afirma que a Bíblia é a única regra de fé para seus crentes. Qual a capacidade, então,
da Igreja - coluna e fundamento da verdade - se não deve servir para estabelecer
autoridade alguma? Como a Igreja pode ser coluna e fundamento da verdade se não é
palpável, habitualmente prática para servir como autoridade na vida do cristão? O
protestante efetivamente nega que a Igreja seja o fundamento da verdade por negar
que ela possua qualquer autoridade para ensinar. Além disso, os protestantes
entendem o termo Igreja como sendo algo diferente do que entende a Igreja Católica.
Os protestantes vêem a igreja como uma entidade invisível, e para eles ela é a
coletividade de todos os cristãos ao redor do mundo unidos na fé em Cristo, apesar das
grandes variações nas doutrinas e alianças denominacionais. Os católicos, por outro
lado, entendem que não somente os cristãos unidos na fé em Cristo formam seu corpo
místico, mas entendemos simultaneamente que esta seja - e somente uma - a única
organização que possa traçar uma linha ininterrupta até os próprios apóstolos: a Igreja
Católica. É esta Igreja e somente esta Igreja que foi estabelecida por Cristo e que tem
mantido uma consistência absoluta em doutrina através de sua existência, e, portanto,
é somente esta Igreja que pode requerer ser a coluna e fundamento da verdade. O
protestantismo, por comparação, tem conhecido história de fortes vacilos e mudanças
doutrinárias, e nem mesmo duas denominações concordam entre si completamente -
mesmo quanto a doutrinas importantes. Tais mudanças e alterações não permitem que
sejam consideradas fundamento da verdade. Quando os fundamentos de uma
estrutura alteram-se ou são dispostos inapropriadamente, este mesmo fundamento é
fraco e sem suporte firme (Mt 7,26-27). Pelo fato de o protestantismo ter experimentado
mudanças tanto intradenominacional quanto entre as diversas denominações que
surgem continuamente, estas crenças são como uma fundação que muda
constantemente. Tais credos então cessam de prover o suporte necessário para manter
a estrutura que sustentam, e a integridade dessa estrutura fica comprometida. Nosso
Senhor claramente não pretendeu que seus discípulos e seguidores construíssem suas
casas espirituais em tal fundamento instável. [Topo] CRISTO NOS FALA PARA
SUBMETERMO-NOS À AUTORIDADE DA IGREJA Em Mt 18,15-18 vemos Cristo
orientar seus discípulos em como corrigir um companheiro. É dito neste exemplo que
Nosso Senhor identifica melhor a Igreja que as Escrituras como sendo a autoridade
final a se apelar. Ele mesmo diz que se o irmão pecador não ouvir a própria Igreja, seja
para ti como o pagão e o coletor de impostos (v.17) - isto é, como um excluído. Além do
mais, Nosso Senhor re-enfatiza solenemente a autoridade infalível da Igreja no v.18
repetindo Seu pronunciamento anterior sobre o poder de ligar e desligar (Mt 16,18-19),
dirigido desta vez aos apóstolos como um colégio, um grupo, e não somente a Pedro:
Em verdade eu vos declaro: tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que
desligares na terra será desligado no céu (Mt 18,18). Claro que existem exemplos na
Bíblia onde Nosso Senhor apela às Escrituras, mas nestes casos Ele, como aquele que
possui a autoridade, estava ensinando as Escrituras; Ele não estava permitindo que as
Escrituras ensinassem a si mesmas. Por exemplo, Ele preferiu responder aos escribas
e fariseus usando as Escrituras precisamente porque estes tentavam apanhá-lo usando
as mesmas Escrituras. Nestes exemplos, Jesus geralmente demonstra como os
escribas e fariseus tinham más interpretações, então corrigia-os mediante uma melhor
interpretação escriturística. Suas ações não servem de argumento para que a Escritura
seja Sola, ou uma autoridade por si mesma e, de fato, a única autoridade do cristão.
Muito pelo contrário: em todo lugar que Jesus leva seus ouvintes às Escrituras, Ele
também fornece o Seu entendimento infalível, uma interpretação com autoridade,
demonstrando que as Escrituras não podem interpretar a si mesmas. A Igreja Católica
prontamente reconhece a inerrância e autoridade da Escritura. Porém a doutrina
católica diz que a regra imediata de fé dos cristãos é a autoridade do ensino da Igreja -
uma autoridade para ensinar e interpretar a Escritura e a Tradição, como mostra Mt
18,17-18. Também deve-se notar que está implícita (ou talvez até explícita) nesta
passagem de Mateus o fato de que a Igreja deve ser visível, uma entidade palpável
estabelecida sob uma linha hierárquica. De outro modo, como alguém saberia a quem
encaminhar o pecador? Se a definição protestante de igreja fosse correta, então o
pecador deveria escutar todos os cristãos que existem, desejando que haja uma
unanimidade entre eles acerca do objeto da discussão. Transborda aos olhos o
absurdo que esta interpretação causaria. O único modo de tornar a afirmação de Nosso
Senhor plausível é reconhecendo que lá havia uma organização definida, com ofícios
hierárquicos definidos, a quem um apelo poderia ser feito e de onde um julgamento
decisivo poderia ser dado. [Topo] A ESCRITURA AFIRMA QUE É INSUFICIENTE
COMO ORIENTADORA A Bíblia mostra em 2 Tm 3,17 que o homem de Deus é
perfeito, qualificado para qualquer boa obra. Como percebemos acima, este versículo
prova somente que o homem de Deus é plenamente suprido com as Escrituras; isto
não é garantia de que ele automaticamente saiba como interpretá-la da maneira
correta. Este versículo chama a atenção à suficiência material das Escrituras, uma
opinião que alguns pensadores católicos sustentam atualmente. Suficiência material
significaria que a Bíblia de certo modo contém todas as verdades que o cristão precisa
saber; em outras palavras, os materiais estão todos presentes ou no mínimo implícitos.
Suficiência formal, por outro lado, significaria que a Bíblia não somente contém todas
as verdades que são necessárias, mas que ela também apresenta estas mesmas
verdades e um sentido perfeitamente claro e de pronto entendimento. Em outras
palavras, estas verdades estariam em uma forma prática tamanha que não haveria
necessidade de uma Sagrada Tradição para clarificar e complementar o entendimento
da Palavra de Deus com uma interpretação infalível. Devido a Igreja Católica afirmar
que a Bíblia não é suficiente por si mesma, naturalmente ensina que esta necessita de
um intérprete. São duas as razões pelas quais a Igreja ensina tal coisa: primeiro,
porque Cristo estabeleceu uma Igreja viva para ensinar com Sua autoridade. Ele
simplesmente não deu uma Bíblia aos seus discípulos, completa e encadernada, e lhes
disse para ir e fazer cópias para a multidão, para distribuir, e deixar que cada um
interprete-a do seu jeito. Segundo, a própria Bíblia afirma que precisa de um intérprete.
Sobre a segunda assertiva, lemos em 2 Pd 3,16 que São Paulo escreveu passagens
difíceis, cujo sentido pessoas ignorantes e sem formação deturpam, como também
fazem para as demais Escrituras, para a própria condenação. Neste único versículo
podemos ver três pontos muito importantes sobre a Bíblia e sua interpretação: a) A
Bíblia contém passagens que não são facilmente compreendidas ou suficientemente
claras, um fato que demonstra a necessidade de um orientador infalível e com
autoridade suficiente para tornar as passagens claras e compreensíveis [8], b) não é
somente possível que algumas pessoas deturpem o significado da Escritura, mas isto,
de fato, já estava sendo feito desde o começo da era da Igreja, c) distorcer o
significado da Escritura pode resultar na condenação de um indivíduo, realmente um
destino desastroso. É óbvio destas considerações que Pedro não acredita que a Bíblia
deva ser a única regra de fé. Mas há mais. Em At 8,26-40 lemos o encontro do diácono
Felipe com o eunuco etíope. Neste cenário, o Espírito Santo leva Felipe a se aproximar
do etíope. Quando Felipe percebe que o etíope está lendo o profeta Isaías, faz uma
importante pergunta: será que compreendes verdadeiramente o que está lendo? Mais
importante é a resposta dada pelo eunuco: e como poderia eu compreender, respondeu
ele, se não tenho guia? Mesmo que este Felipe (conhecido como o Evangelista) não
seja um dos apóstolos, ele fora comissionado pelos apóstolos (cf. At 6,6) e pregou o
Evangelho com autoridade (cf. At 8,4-8). Conseqüentemente, sua pregação refletiria o
legítimo ensino dos apóstolos. A questão aqui é que as declarações do etíope verificam
o fato de que a Bíblia não é suficiente por si mesma como orientadora de doutrina
cristã, e as pessoas que ouvem a Palavra precisam de uma autoridade que as oriente
corretamente para que possam entender o que a Bíblia quer dizer. Se a Bíblia fosse de
fato suficiente por si mesma, então o eunuco compreenderia claramente a passagem
de Isaías. Também há 2 Pd 1,20, que afirma: nenhuma profecia da Escritura é objeto
de interpretação pessoal. Aqui vemos a própria Bíblia afirmar de forma inequívoca que
suas profecias não são objeto pelos quais o indivíduo deva compreender pelos seus
próprios meios. Também é de grande importância que este verso seja precedido por
uma seção sobre o testemunho apostólico (vv.12-18) e seguido por uma seção sobre
falsos mestres (2,1-10). Pedro está contrastando o ensino apostólico genuíno com os
falsos profetas e falsos mestres, e faz a referência à interpretação pessoal como o pivô
entre os dois. A implicação imediata e clara é que a interpretação pessoal é um
caminho por onde o indivíduo perde-se do autêntico ensino dos apóstolos e passa a
seguir falsos mestres. [Topo] OS PRIMEIROS CRISTÃOS NÃO TINHAM UMA BÍBLIA
COMPLETA Estudiosos bíblicos nos revelam que o último livro da Bíblia não havia sido
escrito até o final do primeiro século, isto é, até meados do ano 100 d.C. [9]. Este fato
demonstra um intervalo inexato de cerca de 65 anos entre a ascensão de Cristo aos
céus e o término da redação da Bíblia como a conhecemos. A pergunta que deve ser
feita é a seguinte: Quem ou o quê serviu como autoridade final e infalível durante este
tempo? Se a doutrina protestante da Sola Scriptura fosse verdade, então houveram
disputas e discussões dentro das comunidades que não tiveram a oportunidade de ser
resolvidas definitivamente, até que os livros do Novo Testamento fossem escritos,
mesmo já existindo uma Igreja antes que a Bíblia estivesse completa. O barco ficou
sem comandante, por assim dizer, pelo menos por um determinado tempo. Porém isto
vai de encontro às afirmações e promessas que Jesus fez à sua Igreja: Eis que estarei
convosco todos os dias, até a consumação dos tempos (Mt 28,20), sem mencionar que
Ele garantiu a seus discípulos: não vos deixarei órfãos (Jo 14,18) Este é um assunto de
particular importância, pois as primeiras décadas da existência da Igreja foram repletos
de tumultos. As perseguições já haviam começado, cristãos estavam sendo
martirizados, a nova fé estava lutando para crescer, e alguns falsos mestres já haviam
aparecido (cf. Gl 1,6-9). Se a Bíblia fosse a única regra de fé dos cristãos, sendo que
ela ainda não havia tomado forma - muito menos definido seu cânon - durante pelo
menos 65 anos depois da ascenção de Jesus, como a Igreja primitiva poderia resolver
questões doutrinárias sem uma autoridade que a conduzisse? Neste momento os
protestantes buscam oferecer duas possíveis respostas: 1) Os apóstolos eram
temporariamente a última autoridade enquanto o Novo Testamento estava sendo
escrito, e 2) que o Espírito Santo foi dado à Igreja e que a sua direta orientação foi o
que preencheu o lacuna entre a ascenção e a definição do Novo Testamento. Sobre a
primeira resposta, é verdadeiro que Jesus revestiu aos apóstolos da Sua autoridade;
contudo, a Bíblia em local algum indica que esta autoridade dentro da Igreja iria cessar
com a morte dos apóstolos. Pelo contrário, a Bíblia é bastante clara quando: 1) em
lugar algum diz que uma vez morto o último apóstolo, a Palavra de Deus escrita
tornaria-se a autoridade final e; 2) os apóstolos claramente escolheram sucessores
que, por sua vez, possuíram a mesma autoridade de ligar e desligar. A substituição de
Judas Iscariotes por Matias (cf. At 1,15-26) e a transmissão da autoridade apostólica de
Paulo a Timóteo e Tito (cf. 2 Tm 1,6; Tt 1,5) são exemplos de sucessão apostólica.
Sobre a segunda resposta - que o auxílio direto do Espírito Santo preencheu a lacuna -
o problema com este entendimento é que o auxílio direto do próprio Espírito Santo é
uma conclusão extra-bíblica. Naturalmente, a Bíblia nos fala da clara presença do
Espírito Santo entre os cristãos e sua missão de ensinar aos apóstolos toda a verdade,
porém se a direção direta do Espírito Santo foi, de fato, a autoridade final durante estes
65 anos, então a história da Igreja conheceu duas autoridades finais sucessivas:
primeiro, o Espírito Santo, sendo que esta autoridade foi substituída pela Escritura, que
então tornaria-se sola, ou a única autoridade final. E se esta situação de uma
autoridade final extra-bíblica é permissiva pelos protestantes, não o é pelos católicos,
que afirma que a autoridade do ensino da Igreja é a autoridade final direta - derivando
sua autoridade de Cristo e seu ensino da Escritura e da Tradição, guiada pelo Espírito
Santo. O Espírito Santo foi dado à Igreja por Jesus Cristo, e é exatamente este mesmo
Espírito que protege o chefe visível da Igreja, o Papa, e a autoridade do ensino da
Igreja jamais permitindo que ele ou ela caiam em erro. O católico acredita que Cristo de
fato enviou seu Espírito Santo à Igreja e que este Espírito esteve sempre presente na
Igreja, ensinando toda a verdade (Jo 16,13) e continuamente protegendo sua
integridade doutrinal, particularmente pelo ofício do Papa. Com isso o Evangelho pode
continuar sendo pregado - com autoridade e infalivelmente - mesmo sem um só
versículo do Novo Testamento. [Topo] A IGREJA PRODUZIU A BÍBLIA, E NÃO O
CONTRÁRIO A doutrina da Sola Scriptura não dá importância - ou pelo menos
grosseiramente desmerece - ao fato de que a Igreja surgiu antes da Bíblia, e não o
contrário. Foi a Igreja, com efeito, que escreveu a Bíblia sob a inspiração do Deus todo-
poderoso: os israelitas como a Igreja do Antigo Testamento (ou pré-católicos) e os
católicos da Igreja do Novo Testamento. Nas passagens do Novo Testamento notamos
que Nosso Senhor dá certa primazia à autoridade do ensino de Sua Igreja e sua
proclamação em Seu nome. Por exemplo, em Mateus 28,20 vemos Jesus ordenando
os apóstolos a ir e ensinar em Seu nome, fazendo discípulos em todas as nações. Em
Marcos 16,15 vemos que os apóstolos são enviados a pregar a todo o mundo. E em
Lucas 10,16 vemos que aquele que escuta os setenta e dois escuta o Senhor. Estes
fatos são muito importantes, pois em lugar algum vemos Nosso Senhor ordenando que
seus apóstolos evangelizem o mundo escrevendo em Seu nome. A ênfase está sempre
na pregação do Evangelho, não na sua impressão e distribuição escrita. Então segue
que o comando e a autoridade do ensino da Igreja são elementos indispensáveis como
meios pelos quais a mensagem do Evangelho deve alcançar os confins do mundo.
Pelo fato de a Igreja ter escrito a Bíblia, é lógico e racional dizer que somente a Igreja
detém a autoridade para interpretá-la e aplicá-la. E sendo assim, por causa de sua
natureza e origem, a Bíblia não pode servir como única regra de fé para os fiéis
cristãos. Em outras palavras, por ter produzido a Escritura, a Igreja não elimina a
necessidade de ela mesma servir como mestre e intérprete destas Escrituras. Além do
mais, não é errado dizer que somente por colocar a autoridade apostólica no papel, a
Igreja de alguma forma faz com que esta mesma autoridade seja superior ao ensino
oral? Semelhantemente à organização que Nosso Senhor estabeleceu, Sua palavra é
autoridade, mas porque esta palavra está posta em uma forma diferente da outra não
significa que uma forma seja superior à outra. Pelo fato de a única Palavra de Deus ser
dimórfica em sua organização, negar a autoridade de uma é negar a autoridade da
outra. As formas da Palavra de Deus são complementares, não excludentes. Portanto,
se há necessidade das Escrituras, também há necessidade da autoridade que a
produziu. [Topo] É COMPLETAMENTE ESTRANHA À IGREJA PRIMITIVA A idéia da
autoridade da Escritura existindo separada da autoridade do ensino da Igreja é
completamente estranha à Igreja Primitiva Se buscarmos os escritos dos Pais da Igreja
Primitiva, encontraremos referências à Sucessão Apostólica [10], aos bispos como
guardiões do Depósito da Fé [11], e ao primado e autoridade de Roma [12]. O precioso
valor destas referências torna claro o fato de que a igreja primitiva entendeu a si própria
como uma hierarquia necessária para proteger a integridade da fé. Em lugar algum
encontramos alguma indicação de que os primeiros fiéis cristãos discordavam da
autoridade da Igreja e a consideravam inválida como regra de fé. Do contrário, vemos
nestes escritos que a Igreja, desde a sua mais longínqua origem, entendeu sua
autoridade para ensinar como uma combinação inseparável entre Escritura e Tradição
Apostólica - sendo ambas ensinados e interpretados com autoridade pelo Magistério da
Igreja, cuja cabeça é o bispo de Roma. Dizer que a Igreja primitiva acreditava na noção
de somente a Bíblia, seria o mesmo que dizer que homens e mulheres poderiam alegar
que as leis civis não necessitam de um Congresso que as legisle, ou de uma corte que
as interprete e de polícia alguma que as execute. Tudo que seria necessário seria o
livro de Direito Civil em todas as casas para que cada cidadão possa determinar por si
mesmo como entender e aplicar as leis. Tal afirmação, claro, é absurda, pois ninguém
esperaria que as leis civis funcionassem bem deste modo. A conseqüência de tal
escândalo inadvertidamente levaria à anarquia total. Quão mais absurdo, então, é
pretender que a Bíblia pode funcionar por si mesma sem a Igreja que a organizou? É
somente esta Igreja - e não somente qualquer cristão - que possui a autoridade
divinamente transmitida para a interpretar corretamente, assim como legislar sobre os
problemas decorrentes da conduta de seus membros. Se este não fosse o caso,
qualquer nível de situação - local, regional ou global - rapidamente desenvolver-se-ia
em anarquia espiritual, onde cada cristão pode formular um sistema teológico e
desenvolver uma moral simplesmente baseadas em sua própria interpretação da Bíblia.
E desde a tão chamada Reforma não é isto que estamos vendo? De fato, um exame do
escândalo na Europa que imediatamente seguiu a gênese da reforma - particularmente
na Alemanha - irá demonstrar que o resultado das doutrinas da reforma são uma
desordem tanto espiritual quanto social [13]. Mesmo Lutero se mostrou desapontado
pelo fato de que infelizmente, é de nossa costumeira observação que agora sob o
Evangelho o povo está mais amargo, invejoso e avarento que antes sob o papado [14].
[Topo] OS HERESIARCAS BASEIAM-SE NA INTERPRETAÇÃO SEM O MAGISTÉRIO
Os heresiarcas e os movimentos heréticos baseiam suas doutrinas na interpretação da
Bíblia separada do Magistério e da Tradição. Ao longo da história da Igreja primitiva,
vemos que ela lutou continuamente contra as heresias e contra quem as promovia.
Vários foram os concílios que responderam aos desafios dos detratores [15] e
recorreram à Roma para dar um fim às disputas doutrinárias e disciplinares. Por
exemplo, o Papa Clemente interveio em uma discussão na comunidade de Corinto no
fim do primeiro século e acabou com um cisma por lá. No segundo século, o Papa Vitor
excomungou uma grande parte da Igreja no Oriente por motivos de divisões sobre
quando a páscoa deveria ser celebrada. No início do século três, o Papa Calixto
condenou a heresia sabeliana. Nestes casos, quando estas heresias ou conflitos
disciplinares ocorrem, as pessoas envolvidas defendem seus erros através de sua
própria interpretação das Escrituras, excluindo a participação da Tradição e do
Magistério da Igreja. Um bom exemplo disto é o caso de Ário, sacerdote do quarto
século que declarou que o Filho de Deus era uma criatura e não co-substancial ao Pai.
Ário e todos os seus seguidores citavam versículos da Bíblia para provar seus
argumentos [15]. Os debates que chegaram por causa desta doutrina tornaram-se tão
volumosos que foi convocado o primeiro Concílio Ecumênico, em Nicéia, em 325 d.C.
O Concílio, sob a autoridade do Papa, declarou serem as doutrinas arianas heréticas e
elaborou declarações definitivas quanto à pessoa de Jesus, e fez isso baseada no que
a Sagrada Tradição tinha a dizer sobre os versículos bíblicos em questão. Aqui vemos
a autoridade da Igreja sendo utilizada como última e extremamente importante palavra
em matéria doutrinária. Caso não existisse autoridade alguma a quem apelar, a heresia
de Ário poderia ter se apossado da Igreja. A maioria dos bispos daquela época foi
seduzida pela heresia ariana [17]. Apesar de Ário ter fundamentado sua doutrina nas
Escrituras - e provavelmente comparou a Escritura pela Escritura - o fato é que chegou
a uma conclusão herética. Foi somente a autoridade do ensino da Igreja -
hierarquicamente constituída - que o freou e declarou que estava errado. A implicação
é óbvia. Se você perguntar a algum protestante se Ário estava ou não correto em sua
doutrina de que o Filho fora criado, ele irá, claro, responder que não. Enfatize, então,
que mesmo que ele tenha utilizado as Escrituras pelas Escrituras, mesmo assim ele
chegou a uma conclusão errada. Se isto foi verdadeiro para Ário, o que garante ao
protestante que este não é o caso acerca de sua interpretação de uma dada passagem
bíblica? O fato de os protestantes reconhecerem que a interpretação de Ário estava
errada implica dizer que de fato houve uma base bíblica para seus argumentos. Este
fato, portanto, transforma-se em um questionamento acerca do que seja uma
verdadeira interpretação bíblica. A única explicação possível é que deve haver, por
necessidade, uma autoridade infalível que no-la diga. Esta autoridade infalível, a Igreja
Católica, declarou Ário um herege. Se a Igreja Católica jamais foi infalível ou possuiu
alguma autoridade em suas declarações, então os cristãos não teriam razão alguma
em rejeitar Ário e aceitar a autoridade da Igreja, e a maioria do cristianismo atual seria
baseado nos ensinamentos de Ário. É evidente, portanto, que usar somente a Bíblia
não é garantia de se chegar a uma doutrina verdadeira. O resultado acima descrito é o
que acontece quando a falsa doutrina da Sola Scriptura é utilizada como princípio guia,
e a história da Igreja e das inúmeras heresias que teve de combater são testemunhas
inegáveis deste fato. [Topo] O CÂNON DA BÍBLIA NÃO ESTAVA FORMADO ATÉ O
SÉCULO 4 Um dos fatos históricos que é um extremo inconveniente aos protestantes é
o fato de que o cânon da Bíblia - a lista sagrada dos livros que fazem parte das
Escrituras inspiradas - não fora definido até o final do século 4. Até esta data, havia
larga discórdia sobre quais seriam os livros considerados inspirados e de origem
apostólica. O cânon bíblico antigo variava de local a local: algumas listas continham
livros que mais tarde foram reconhecidos como apócrifos, enquanto outras listas não
traziam livros que hoje constam entre os livros canônicos. Por exemplo, existiam livros
cristãos que eram considerados por alguns inspirados e apostólicos e que eram lidos
nos cultos públicos, mas que foram mais tarde omitidos do Novo Testamento, entre
eles, O Pastor de Hermas, Epístola de Barnabé, Didaché [18]. Somente nos Concílio
de Roma (382), Hipona (393) e Cartago (397) podemos encontrar uma lista definitiva
dos livros canônicos sendo descrita, e cada um destes concílios reconheceu a mesma
lista do anterior [19]. A partir de então, não houveram mais disputas sobre o cânon
bíblico, a única exceção ficando a cargo dos reformadores protestantes, que entraram
em cena em 1517, inacreditáveis 11 séculos depois. Mais uma vez, mais duas
questões fundamentais porque alguém não deve buscar respostas que sejam
consoantes com a Sola Scriptura: a) Quem ou o quê serviu como autoridade cristão
final durante o tempo em que o Novo Testamento não tomou forma? b) E se havia
alguma autoridade final que os protestantes reconhecem antes da definição do cânon,
com que bases esta autoridade desapareceu uma vez que o cânon bíblico tenha sido
fechado? [Topo] O CÂNON FOI DEFINIDO POR UMA AUTORIDADE "EXTRA-
BÍBLICA" Devido a Bíblia não vir com um índice inspirado, a doutrina da Sola Scriptura
criou um outro dilema: como alguém pode saber quais são os livros que pertencem à
Bíblia - principalmente, ao Novo Testamento? Um fato inquestionável é que ninguém
pode saber disso, a menos que alguma coisa fora da Bíblia mostre a resposta. E sem
dúvida, este detalhe a mais deve ser, por necessidade, infalível, pois a possibilidade
haver erro na definição dos livros inspirados [20] significa que todos os cristãos
estariam correndo o risco de estar lendo livros não-inspirados, uma situação que
tornaria a Sola Scriptura defeituosa. Porém, se houve tal autoridade "extra-bíblica", a
doutrina da Sola Scriptura desaba da mesma forma. Outro fato histórico que dificulta
ainda mais a aceitação desta doutrina é que não houve qualquer outra instituição que
tenha identificado e ratificado o cânon da Bíblia. Os três Concílios mencionados
anteriormente, todos, eram concílios católicos. A Igreja Católica deu a sua definição
final do cânon da Bíblia no Concílio de Trento em 1546 - nomeando os mesmos 73
livros que já haviam sido incluídos desde o século 4. Se a Igreja Católica é capaz,
então, de conceder uma definição autoritária e infalível de tão importante assunto sobre
quais livros deve conter a Bíblia, logo com que bases alguém pode questionar sua
autoridade em outros assuntos acerca de fé e moral? Os protestantes, no mínimo,
devem, assim como o seu fundador, Martinho Lutero, reconhecer que a Igreja Católica
protegeu e organizou a Bíblia: Somos obrigados a reconhecer muitas coisas aos
católicos - (como por exemplo), que eles possuem a Palavra de Deus, que nós
recebemos deles; de outro modo, não saberíamos nada sobre ela [21]. [Topo] CRER
QUE A BÍBLIA É "AUTO-AUTENTICÁVEL" NÃO TEM BASES Procurando uma
resposta satisfatória ao problema de como fora determinado o cânon bíblico, os
protestantes costumeiramente apelam para o fato de que a Bíblia é auto-autenticável,
ou seja, os próprios livros da Bíblia testemunham que eles são inspirados. O grande
problema com esta afirmação é que uma boa excursão pela história da Igreja
demonstra que esta teoria é falha. Por exemplo, vários livros do Novo Testamento -
Tiago, Judas, 2 Pedro, 3 João e Apocalipse - receberam questionamentos acerca de
seu status canônico por algum tempo. Em alguns lugares eram aceitos, enquanto
simultaneamente em outros eram rejeitados. Mesmo grandes pensadores, como Santo
Atanásio (297-373), São Jerônimo (342-420) e Santo Agostinho (354-430)
apresentaram listas de livros do Novo Testamento que refletiam o que era reconhecido
como inspirado em seus tempos e lugares, porém nenhuma destas listas correspondia
ao Novo Testamento que fora identificado pela Igreja Católica no fim do século 4 e que
até hoje corresponde à Bíblia que os católicos possuem [22]. Se a Bíblia é auto-
autenticável, porque, então, havia tamanha discórdia e incerteza sobre tantos livros?
Porque a disputa? Porque o cânon não foi identificado logo do início, já que os livros
são prontamente discerníveis? A única resposta a estes questionamentos é que o
cristão deve aceitar que a Bíblia não seja auto-autenticável. Mais interessante também
é o fato de que alguns livros da Bíblia não identificam seu próprio autor. A idéia de auto-
autenticação - se fosse verdade - seria mais plausível se cada um dos autores bíblicos
identificassem a si mesmos, pois examinaríamos mais facilmente suas credenciais, ou,
no mínimo, quem era que alegava falar em nome de Deus. Mas quanto a isso a Bíblia
nos deixa ignorantes, com poucos exemplos. Tome o Evangelho de Mateus como
exemplo: não há indicação de que fora Mateus, o cobrador de impostos, quem o
escreveu. Há duas possibilidades, então, para conhecermos o autor deste livros: 1)
através da Tradição; 2) por estudiosos bíblicos. Em ambos os casos, a fonte da
conclusão é "extra-bíblica", e, portanto, condena a doutrina da Sola Scriptura à
completa incompetência e fracasso. Mas os protestantes respondem a este argumento
dizendo que não é necessário conhecer se Mateus escreveu ou não este Evangelho,
pois a salvação não depende de conhecer se foi ele ou outro quem o escreveu. Porém,
tal ponto de vista guarda uma dificuldade. O que os protestantes estão dizendo é que,
enquanto um Evangelho autêntico é a Palavra de Deus e é o meio pelo qual o cristão
adquire um conhecimento salvífico de Jesus Cristo, o mesmo cristão não tem como
saber com certeza, no caso do Evangelho de Mateus, se este é de origem apostólica e,
conseqüentemente, não possui meios para saber se este Evangelho é autêntico (ou
seja, a Palavra de Deus) ou não. E se a autenticidade deste Evangelho é questionável,
então porque está incluído na Bíblia? Se sua autenticidade é certa, como se pôde
saber com a ausência do autógrafo de Mateus? A única saída coerente é admitir que a
Bíblia não é auto-autenticável. O protestante então recorrerá à asserção bíblica de
auto-inspiração, citando a passagem de 2 Tm 3,16 - Toda Escritura é inspirada por
Deus, e útil... - Contudo, a alegação de inspiração não é por si só garantia de
inspiração. Considere o fato de que os escritos de Mary Baker Eddy, a fundadora da
seita Ciência Cristã, aleguem ser inspirados. Os escritos de Joseph Smith, o fundador
da seita Mórmon, afirmem ser inspirados. São apenas dois exemplos, entre muitos, que
demonstram que qualquer escrito particular pode reclamar a autoridade sobre qualquer
coisa. Obviamente, para reconhecermos se um escrito é inspirado de verdade ou não
necessitamos mais do que tal afirmação escrita no papel. A garantia de inspiração de
algum escrito deve vir de fora deste escrito, senão será um eterno argumento circular.
No caso da Bíblia, a garantia deve vir de uma fonte fora da Bíblia. Porém a
autenticação extra-bíblica é uma possibilidade excluída pela Sola Scriptura. [Topo]
NENHUM DOS ESCRITOS BÍBLICOS ORIGINAIS EXISTE MAIS Uma importante
consideração - talvez uma das mais fatais à doutrina da Sola Scriptura - é a de que não
possuímos ao menos um manuscrito original de nenhum livro da Bíblia. Claro que
existem milhares de manuscritos que são cópias dos originais - e mais provável é que
sejam cópias das cópias -, e este fato em nada auxilia a Sola Scriptura pela simples
razão de que sem os originais, ninguém pode garantir que possuímos atualmente a
Bíblia real, completa e sem corrupções [23]. Os autógrafos originais são inspirados, as
cópias não... Os protestantes argumentam que não há problema em não ter os escritos
originais, pois Deus protegeu a Bíblia protegendo sua duplicação ao longo dos séculos
[24]. Entretanto, existem dois problemas com esta linha de pensamento. Primeiro, que
afirmar que a providência de Deus manteve a integridade das cópias é afirmar algo que
não encontra nem de longe suporte nas Escrituras, logo não pode ser tomada como
regra de fé, pela própria definição de Sola Scriptura. Em outras palavras, não se
encontra versículo algum que demonstre que Deus protegeria a transmissão dos
manuscritos, logo esta conclusão está excluída. A Bíblia nada diz a respeito. Segundo,
se você afirmar que Deus protegeu a transmissão da Sua Palavra escrita, então
podemos concluir que também protegeu a transmissão de Sua Palavra oralmente
(releia 2 Ts 2,15 e a dimórfica estrutura da Palavra de Deus). Até porque a pregação do
Evangelho começou pela Tradição Oral (cf. Lc 1,1-4 e Rm 10,17). Somente muito
tempo depois uma parte da Tradição oral fora posta na forma Escrita - tornando-se a
Sagrada Escritura - e somente muito tempo após este mesmo evento os escritos foram
reconhecidos e definidos com canônicos. Uma vez que você possa reconhecer que
Deus protegeu a transmissão oral de Sua mensagem, você automaticamente admite as
bases da Sagrada Tradição e já começou a compreender a posição católica. [Topo] OS
MANUSCRITOS BÍBLICOS POSSUEM MILHARES DE VARIAÇÕES Percebeu-se que,
existindo milhares de manuscritos da Bíblia, estes manuscritos continham milhares de
variações textuais; um autor estima que devam existir mais de 200.000 variações [25].
Apesar de muitas destas variações referirem-se a temas menores - tais como escrita,
ordem das palavras e etc. - também existem variações das mais importantes
naturezas: a) os manuscritos demonstram que algumas vezes os escribas modificavam
o texto para harmonizar passagens, acomodá-las a fatos históricos, e para estabelecer
uma correta conduta doutrinária [26]; b) existem partes de versículos (isto é, mais que
simples palavras) que possuem leitura diferente em diferentes manuscritos, como Jo
7,39, At 6,8, Cl 2,2 e 1 Ts 3,2 [27]. Estes fatos levam o protestante a não saber se a
Bíblia que possui é a mesma Bíblia que foi escrita pelo autor inspirado. E se este é o
caso, então como o protestante pode professar a base de sua crença somente na
Bíblia quando ele não consegue determinar com certeza a autenticidade textual desta
mesma Bíblia? [28]. Mais importante, existem muito mais variações entre os
manuscritos do Novo Testamento. Os dois exemplos seguintes ilustrarão este ponto:
Primeiro, de acordo com os manuscritos que possuímos, existem quatro possíveis
finais para o Evangelho de Marcos: o menor, que inclui os vv.1-8 do capítulo 16, o
longo, que inclui os vv.1-8 mais os vv.9-20; o intermediário, que inclui duas ou três
linhas entre o v.8 e o final longo, e o final longo expandido, que inclui vários versículos
após o v.14 do final longo [29]. O melhor que podemos concluir sobre estas diferenças
é que não podemos saber, apenas pela Bíblia, onde termina o Evangelho de Marcos, e,
dependendo de qual final está (ou estão) incluído(s) na Bíblia protestante, o publicador
corre o risco de estar distribuindo Bíblias acrescentando ou omitindo versículos do texto
original - portanto violando a doutrina da Sola Scriptura, que requer que somente a
Bíblia, e a Bíblia inteira seja a única regra de fé. Mesmo se uma Bíblia protestante
incluir todos os quatro finais com notas de rodapé e comentários, mesmo assim não
terão a certeza de qual final é o genuíno. Segundo, há algumas evidências para leituras
alternadas de alguns textos centrais da Bíblia, tal como Jo 1,18, onde ocorrem dois
possíveis significados [30]. Algumas Bíblias (como a King James Version) trazem este
versículo como está na Douay-Rheims: Nenhum homem viu a Deus em qualquer
tempo, o filho único que está no seio do Pai o revelou. Outras acompanham a New
Internacional Version: Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está à direita do
Pai, foi quem o revelou. Ambas as formas estão sustentadas por manuscritos, e você
encontrará exegetas bíblicos debruçarem seus mais preciosos julgamentos à que
crêem seja a "correta". Uma situação similar ocorre em At 20,28, onde os manuscritos
mostram que Paulo poderia estar se referindo tanto à Igreja do Senhor (gr. Kurion) ou à
Igreja de Deus (gr. Theou) [31]. Este assunto pode parecer simplório à primeira vista,
mas suponha que você esteja tentando evangelizar um membro de uma seita que nega
a divindade de Jesus Cristo. Ainda que Jo 1,18 e At 20,28 não sejam as únicas
passagens que possam defender a divindade de Nosso Senhor, você ficará
incapacitado de utilizá-los com esta pessoa, dependendo de qual manuscrito sua Bíblia
foi reproduzida. Isto levaria-o a uma possibilidade reduzida de defender uma doutrina
bíblica fundamental, e este fato tornaria problemática a perspectiva da doutrina da Sola
Scriptura. [Topo] EXISTEM CENTENAS DE VERSÕES BÍBLICAS Como mencionado
no tópico anterior, existem milhares e milhares de variações nos manuscritos bíblicos.
Acrescentado a isto o fato de histórico de que existiram centenas de versões bíblicas,
variando cada uma tanto em tradução quanto em fontes textuais. A questão é: qual é a
versão correta? ou qual é a versão mais fidedigna ao original? A possível resposta
dependerá de qual lado você estiver, ou de católicos ou de protestantes. Outra saída
dependerá de qual especialista bíblico você depositará sua confiança e credibilidade. É
fato que algumas versões são inferiores a outras. Os avanços nos campos
arqueológicos possibilitaram descobertas (como os manuscritos do Mar Morto) que
alteraram nosso conhecimento sobre locais e linguagens bíblicas antigas. Sabemos
mais hoje pelos avanços dos estudos bíblicos que nossos antepassados de 100, 200,
1000 anos atrás. Deste ponto de vista, versões bíblicas contemporâneas
provavelmente possuem certa superioridade em relação às suas versões mais antigas.
Por outro lado, Bíblias transcritas a partir da Vulgata latina de São Jerônimo (quarto
século) - em língua inglesa, a Douay-Rheims - são baseadas em textos originais que
não existem mais, portanto estas versões passaram por dezesseis séculos de
possíveis corrupções. Isto causa um problema considerável aos protestantes, pois
significa que os protestantes modernos possuem, por assim dizer, uma versão bíblica
melhor ou mais acurada que a Bíblia de seus antecessores, que, portanto, possuíram
Bíblias de menor qualidade - que por sua vez leva a concluir que os protestantes
modernos possuem uma bíblia "mais completa" como autoridade final que a bíblia
"menos completa" que dos antigos protestantes. Só que esta discrepância entre
autoridades começa a diminuir a doutrina da Sola Scriptura, pois esta significa que uma
bíblia não é mais ou menos autoritária que outra, e se uma não é autêntica e completa,
a probabilidade de produzir doutrinas erradas é imensa, logo a função particular da
bíblia como autoridade final falha, pois não pode mais ser uma autoridade final. Outro
ponto a considerar é que traduções bíblicas, como produtos humanos, não são
completamente objetivas e imparciais. Um pode se sentir mais à vontade de incluir
notas a uma passagem de uma maneira que corresponda melhor à doutrina que deseja
transmitir. Um exemplo disto é a ocorrência da palavra grega paradoseis nas bíblias
protestantes. Como negam a existência da Sagrada Tradição, algumas traduções
trazem esta palavra como ensinamentos ou costumes e não tradições, sendo que esta
última é a que mais se encaixa na tradução correta e à posição católica. Ainda outra
consideração é que algumas versões são corrupções bíblicas notáveis, como é o caso
da Bíblia dos Testemunhas de Jeová, a New World Translation. Nela os "tradutores"
manusearam passagens bíblicas para propagar doutrinas erradas [32]. Agora, a menos
que haja uma autoridade fora da Bíblia para declarar tais traduções como falsas e
perigosas, com qual autoridade e revelação divina os protestantes podem considerar
esta ou aquela tradução como falsa? Com qual autoridade os protestantes podem
impedir os Testemunhas de usar esta tradução para difundir suas doutrinas? Os
protestantes responderiam que este caso pode ser encontrado na Bíblia, através dos
estudos de pesquisadores bíblicos. Contudo isto ignora o fato dos Testemunhas
também basearem sua tradução em estudos "especialistas". Forma-se um jogo de vai-
e-volta, colocando as conclusões de um especialista contra outro, uma autoridade
humana contra outra. Este problema somente pode ser resolvido pela intervenção de
um magistério infalível e com autoridade de falar por Cristo. O católica sabe que esta
autoridade é a Igreja Católica e a autoridade de seu magistério. No exercício desta
autoridade, os bispos católicos conferem o imprimatur ("Imprima-se") que deve constar
nas primeiras páginas de certas versões bíblicas e outros tipos de literatura religiosa
para alertar os leitores que aquele livro não contém nada contrário ao ensinamento de
Cristo ou dos apóstolos [33]. [Topo] A BÍBLIA NÃO ESTAVA DISPONÍVEL A TODOS
ATÉ O SÉCULO 15 Essencial à doutrina da Sola Scriptura é a idéia de que o Espírito
Santo guia cada crente na interpretação infalível de qualquer passagem bíblica. Esta
idéia, no mínimo, requer que todos possuam Bíblias ou acesso a ela. A dificuldade de
tal pensamento está no fato de que a Bíblia não era um produto de massas disponível
para todo mundo até o advento da imprensa no século 15 [34]. Mesmo depois disso,
custava certo tempo até que um número ideal de Bíblias fosse impressa para suprir a
população. A difícil situação que esta idéia coloca é que milhões e milhões de cristãos
ficaram sem uma autoridade final até o século 15, na total confusão espiritual, a menos
que eles pudessem possuir uma Bíblia manuscrita. Qualquer um consideraria Deus um
tanto cruel por causa disto, pois teria revelado sua mensagem de salvação para a
humanidade por Cristo, mesmo sabendo que esta mensagem não estaria disponível a
esta mesma humanidade por quinze séculos. Porém sabemos que Deus não é cruel,
mas tem um amor infinito por nós. Por esta razão não nos deixaria na escuridão. Nos
enviou Seu único Filho para nos mostrar o Reino de Deus, como deveríamos agir e
crer, e este Filho estabeleceu uma Igreja para promover esses ensinos através da
pregação aos letrados e iletrados: assim a fé vem da pregação, e a pregação é o
anuncio da Palavra de Cristo (Rm 10,17). Cristo também deu à Sua Igreja a garantia de
que Ele sempre estaria com ela, nunca permitindo que ensine o erro. Deus, por essa
razão, não abandonou Seu povo e fez com que antes da invenção da imprensa estes
chegassem ao conhecimento de Seu Filho. De fato, deu-nos um mestre infalível, obra
divina, a Igreja Católica, para nos dar toda a informação necessária sobre a Boa Nova -
e da forma certa. [Topo] A Sola Scriptura NÃO EXISTIA ANTES DO SÉCULO 14 É uma
realidade dura, mas deve ser encarada pelos protestantes, o fato de que esta doutrina
não surgiu antes do século 14 e não se difundiu antes do século 16 - um tempo longo,
muito longo, desde a era dos apóstolos e da fundação da Igreja de Cristo. Este fato,
claro, é simplesmente ignorado pelos protestantes, mas sozinho é razão para refutar a
Sola Scriptura. Esta doutrina não existia antes de John Huss (precursor do
protestantismo) no século 14 e somente ganhou difusão quando Martinho Lutero, no
século 16, veio trazer suas "tradições de homens" para por no lugar da autêntica
doutrina cristã. Esta doutrina, portanto, não somente surgiu do nada, mas também
representa uma mudança abrupta e radical no ensino dos apóstolos. Claro, os
protestantes afirmam que a própria Bíblia ensina a Sola Scriptura e por isso esta
doutrina é tão antiga quanto a Igreja. Contudo, como mostramos nos primeiros tópicos,
a Bíblia não ensina esta doutrina em lugar algum. A insistência nesta afirmação é uma
tentativa de forçar um contexto bíblico que mais se adeque ao que se pretende. Um
exame acurado da história revela se uma crença foi ou não originada por Jesus e pelos
apóstolos ou se apareceu em algum outro lugar no tempo. O fato é que, apesar dos
esforços protestantes, os registros históricos são silenciosos quanto à doutrina da Sola
Scriptura antes do 14º século. [Topo] PRODUZ MAUS FRUTOS, COMO DIVISÕES E
DISPUTAS Se esta doutrina fosse correta e santa, então todos os protestantes
deveriam concordar em todos os pontos doutrinários, pois a Bíblia não pode ensinar
doutrinas contraditórias simultaneamente. Mas a realidade é que existem milhares [35]
de seitas protestantes, cada uma proclamando ser a Bíblia sua única regra de fé, cada
uma garantindo que está pregando a verdade do Evangelho, embora muitas preguem
assuntos totalmente diferentes umas das outras. Os protestantes, mestres da fuga,
dizem que tais doutrinas discordantes não são essenciais, são secundárias, porém é
realidade também que em assuntos, então, centrais, mesmo estes, os protestantes
discordam. A salvação do homem, os sacramentos e a justificação são somente alguns
exemplos. Exemplificando: algumas seitas pregam que Jesus está simbolicamente
presente na Eucaristia. Outros, como os luteranos, crêem o contrário, que Jesus está
realmente presente na Eucaristia. Algumas denominações pregam que uma vez salvo,
o crente não poderá jamais perder a sua salvação, não importa se faça o bem ou o
mal. Outros pregam que o pecado pode causar a condenação do homem, mesmo após
justificado. Algumas seitas afirmam que o ser justificado é apenas declarado justo,
enquanto outras afirmam que o ser justificado é tornado justo. Jesus jamais quis que
seus discípulos estivessem divididos, desunidos, mergulhados num caos doutrinário
como está o protestantismo desde a sua origem [36]. Jesus, pelo contrário, pediu a
união de seus seguidores: para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em
mim e eu em ti, que também eles estejam em nós (Jo 17,21). E São Paulo exorta aos
cristãos a unidade doutrinária com estas palavras: um só corpo e um só Espírito...um
só Senhor, uma só fé, um só batismo (Ef 4,4-5). Como, então, as milhares de seitas
protestantes podem ser denominadas de "Igrejas verdadeiras" quando as suas simples
existências já refutam tal presunção? Como doutrinas tão heterodoxas e contraditórias
podem servir de instrumento divino de união, desejada por Jesus? Sobre isto, o leitor
deve lembrar das palavras de Jesus: pela árvore se conhece os frutos (Mt 12,33). Por
este versículo, vemos que a árvore da história do protestantismo e da Sola Scriptura
está recheada de maus frutos. [Topo] NÃO PERMITE A INTERPRETAÇÃO DEFINITIVA
DA BÍBLIA A doutrina da Sola Scriptura não permite a interpretação definitiva de
nenhuma passagem bíblica Como temos visto, a Sola Scriptura supõe que basta uma
Bíblia como regra de fé para se obter a verdadeira interpretação de qualquer passagem
bíblica simplesmente comparando este verso com o restante da Bíblia. Na prática,
contudo, o remendo saiu pior que a fratura, pois acaba por impedir que o crente possa
chegar a uma certa e definitiva interpretação de qualquer passagem bíblica. O
protestante, na verdade, interpreta a Bíblia mais a partir de uma opinião subjetiva que
de uma verdade objetiva. Por exemplo, digamos que o protestante A estudou a
determinada passagem bíblica e chegou à conclusão X. O protestante B estudou a
mesma passagem, mas concluiu Y. Então, o protestante C estudou a mesma
passagem dos outros dois, mas chegou a uma interpretação Z [37]. As interpretações
X, Y e Z são contraditórias, entretanto cada um acha que chegou à verdadeira
interpretação bíblica porque cada um estudou e comparou a Bíblia pela Bíblia. Existem,
agora, somente duas saídas para estes três protestantes: 1) todos estão errados; 2)
somente um está correto. Três interpretações contraditórias jamais podem estar
simultaneamente corretas [38]. O problema aqui é que, sem haver uma autoridade
infalível que diga qual das três interpretações é a verdadeira (objetivamente
verdadeira), não há meios para se saber qual das três é a correta seguramente. Cada
protestante está, portanto, em meio a uma interpretação pessoal baseada meramente
em opinião pessoal. Estudos e mais estudos são vãos. Cada protestante torna-se, com
isso, sua própria autoridade final, ou seja, seu próprio Papa. Na prática o próprio
protestantismo nos mostra que este raciocínio é verdadeiro. Pelo fato de somente a
Bíblia não ser suficiente como regra de fé (se fosse, todos os protestantes
concordariam em interpretação), cada denominação têm que se render e aderir
fixamente às suas próprias interpretações bíblicas. Logo, se existem várias possíveis
interpretações da Bíblia, nenhuma é de fato definitiva. E se não há interpretação
definitiva da Bíblia o protestante não têm como saber se sua interpretação é verdadeira
ou falsa. Uma boa comparação seria com a lei moral. Se cada um pudesse determinar
por sua própria opinião o que é certo e errado, não restaria nada mais que um
relativismo moral, e cada uma fixaria seus próprio padrões morais. Entretanto, Deus
definiu leis morais absolutas para nós (em adição às que conhecemos pelas leis
naturais), e por isso podemos analisar cada ato e reconhecer se é moralmente bom ou
mal. O mundo seria impraticável sem moral absoluta. Cada denominação protestante
afirma, lógico, que possui a verdadeira interpretação bíblica. Todas fazem isso. Se não
fizessem, perderiam membros. Entretanto, se afirmam que possuem a verdadeira
interpretação bíblica, em detrimento às demais, então está se auto-proclamando
autoridade final. O problema aqui, se os leitores ainda não notaram, é que este detalhe
viola o princípio da Sola Scriptura, que rejeita qualquer autoridade final que não seja a
própria Bíblia. Cheque-mate. Por outro lado, se uma denominação reconhece que sua
interpretação bíblica não é mais correta que a de outra, então voltamos ao eterno
dilema: qual interpretação está correta? existe alguma, então, que está correta? e se
todas são falsas?. Nosso Senhor disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo
14,6). O problema aqui é que cada denominação, na prática, afirma possuir a única
interpretação correta. Conclusão, milhares de interpretações corretas diferentes, que
resultam em uma total impossibilidade de se conhecer a real e definitiva interpretação a
uma passagem bíblica qualquer. Em outras palavras, nenhum seita protestante pode
dizer a autoridade está aqui em relação a uma interpretação bíblica. [Topo] FALTAM
SETE LIVROS NA BÍBLIA PROTESTANTE Para sua decepção, os protestantes são
culpados de violar sua própria doutrina. A Sola Scriptura proíbe que algo seja
acrescentado ou subtraído das Escrituras, porém os protestantes retiraram sete livros
das Escrituras do Antigo Testamento, assim como porões de outros dois. Estes são
erroneamente chamados de Apócrifos (não-autênticos) pelos protestantes, e de
deuterocanônicos (segundo cânon) pelos católicos: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus,
Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, partes de Daniel e Ester. Defendendo seu cânon
incompleto, os protestantes apresentam alguns argumentos, tais como: 1) O cânon
menor, chamado cânon farisaico ou palestinense do Antigo Testamento, foi aceito por
Jesus e seus apóstolos, pois eles nunca citaram nenhuma fonte dos livros
deuterocanônicos; 2) O Antigo Testamento foi fechado no tempo de Jesus, e este era
composto pelo cânon menor; 3) Os próprios judeus aceitaram o cânon menor no
sínodo de Jâmnia (ou Javneh) em 90 d.C.; 4) Os livros deuterocanônicos contém
doutrinas anti-bíblicas. Vejamos cada um destes argumentos: 1) Sobre este, que Jesus
e seus apóstolos aceitaram o cânon menor, um exame das citações neotestamentárias
do Antigo Testamento demonstrará a falácia. O Novo Testamento cita o Antigo cerca de
350 vezes, e em aproximadamente 300 destas (86%!) foram retiradas da septuaginta, a
tradução grega do Antigo Testamento, largamente usada no tempo de Cristo. Esta
versão, a septuaginta, continha os deuterocanônicos. Não há razão para dizer que
Jesus e os seus discípulos aceitaram o cânon menor, quando na maioria das vezes
utilizaram fontes do Antigo Testamento que continham os deuterocanônicos. Tomemos
o exemplo de Paulo, cujas cartas missionárias eram dirigidas a regiões fora da
palestina. Deve-se notar, por exemplo, que seu sermão em Antioquia na Pisídia
presumiu um conhecimento, entre seus ouvintes, da Septuaginta e uma vez que a
comunidade fora formada, o conteúdo de suas cartas a estas era baseado na
Septuaginta [40] Obviamente, Paulo assim não rejeitava, mas se utilizava do cânon
maior, com os livros deuterocanônicos. Além do mais, é errado dizer que estes livros
não foram citados no Novo Testamento [41] e que tal citação deve ser pré-requisito
para a canonicidade de um livro bíblico. Algumas fontes dizem que os
deuterocanônicos são citados no Novo Testamento, no mínimo, 150 vezes [42].
Acrescido a isto, livros do cânon menor, como Eclesiastes, Abdias e Ester não são
citados por Jesus ou seus apóstolos, e nem por isso os protestantes retiraram-nos do
seu cânon. Obviamente este argumento não serve para determinar a canonicidade de
um livro. 2) A evidência histórica mostrará que o argumento protestante de que o cânon
do Antigo Testamento foi fechado no tempo de Jesus é falso. Primeiro que não havia
nenhum cânon palestino oficial, pois existia neste tempo três cânons em circulação
[43], além da Septuaginta. Segundo, as evidências mostram que o judaísmo durante os
últimos dois séculos antes de Cristo e o primeiro século depois de Cristo não era
uniforme em seu entendimento sobre quais livros deveriam ser considerados sagrados.
Existiam muitas opiniões dentro e fora de Israel sobre esta questão [44]. 3) Usar o
sínodo de Jâmnia para justificar o cânon menor é problemático por algumas razões: a)
tal decisão, tomada cerca de 50 anos após a morte de Cristo, não tem relação alguma
com o cânon dos livros cristãos, pois os rituais veterotestamentários (como não comer
carne de porco) não têm relação com o cristianismo; b) é questionável se de fato este
sínodo possuiu uma visão definitiva e autoritária sobre o cânon do Antigo Testamento
das Escrituras, pois a lista continuou a variar dentro judaísmo até o século 4 d.C. [45];
c) o sínodo foi, de certo modo, formado devido a polêmica contra a seita dos cristãos,
portanto em total oposição ao cristianismo. Estes judeus aceitaram o cânon menor
porque os cristãos aceitavam o cânon maior da Septuaginta; d) as decisões deste
sínodo representaram a decisão de apenas um ramo do judaísmo farisaico, o da
palestina, e não do judaísmo como um todo. 4) Por fim, para os protestantes afirmarem
que os deuterocanônicos possuem doutrinas anti-bíblicas é decididamente um caso de
insegurança dogmática. Esta conclusão foi tomada porque os reformadores,
claramente em antagonismo com a Igreja Católica, tomavam a Bíblia a priori como um
livro de doutrinas protestantes. Descartaram os deuterocanônicos porque continham
doutrinas católicas, como 2 Mac 12,42-46, que claramente baseia a oração pelas almas
do purgatório: santo foi e piedoso o seu pensamento, e foi essa a razão por que
mandou que se celebrasse pelos mortos um sacrifício expiatório, para que fossem
absolvidos de seus pecados. Lutero, claramente, quis retirar também do Novo
Testamento livros como Apocalipse, Hebreus e Tiago, este merecendo o nome de
epístola de palha, onde nada de evangélico é encontrado [46], isso devido, sem
dúvidas, o fato de que Tiago afirmava que somos salvos pela fé e pelas boas obras (Tg
2,14-26), refutando a doutrina recém-criada por Lutero de que somos salvos somente
pela fé, sem participação das obras. Lutero foi convencido por seus correligionários a
não retirar mais este livro da Bíblia. Além deste fato acima, existe o testemunho
histórico da continuidade do cânon bíblico. enquanto vimos que existiam disputas em
relação ao cânon bíblico, duas considerações são evidentemente verdadeiras: a) com
certeza os deuterocanônicos eram usados pelos cristãos do primeiro século, a começar
por Jesus e seus apóstolos; b) desde que foi definido o cânon no século 4, não vemos
mudança alguma em relação ao conteúdo da Bíblia. Na prática, a única disputa que
surgiu após este evento veio com a reforma protestante, somente no século 16, que
decidiram que poderiam simplesmente lançar no lixo a continuidade de 11 séculos do
cânon bíblico em sua existência formal, e 15 séculos de existência prática. O fato de
que qualquer pessoa possa vir e simplesmente alterar a continuidade de um tema tão
central como o conteúdo dos livros da Escritura deveria levar o cristão a pensar
seriamente sobre um detalhe. Este cristão deveria se perguntar: com que autoridade
esta pessoa pôde fazer esta alteração? Tanto a história como os próprios escritos de
Lutero mostram que suas ações foram baseadas em nada mais que sua opinião
pessoal. Certamente, tal "autoridade final" falha grosseiramente no que se requer para
que alguma alteração canônica seja feita, especialmente quando se considera que o
processo de identificar o cânon bíblico envolveu um processo guiado pelo Espírito
Santo, levou séculos, e envolveu algumas das maiores mentes do cristianismo assim
como alguns Concílios da Igreja. Mais interessante é o fato de que outros chamados
reformadores - e desde então todos os protestantes - aceitaram a alteração do cânon
de Lutero, mesmo que todos dissessem que eram fiéis à Bíblia e insistiam que nada
deveria ser acrescentado ou retirado de suas páginas [Topo] SE ORIGINOU DOS
PROBLEMAS EMOCIONAIS DE LUTERO Se algo deve ser dito com relação a
Martinho Lutero é o fato de que ele era cronicamente assolado por uma combinação de
dúvidas e inseguranças quanto a sua própria salvação e uma sensação de extrema
impotência em face as tentações do pecado. Ele próprio escreveu: meu espírito está
completamente partido e estou em eterno estado de melancolia; pois, faça o que fizer,
minha retidão e minhas boas obras não me trazem ajuda ou consolação alguma [47]. À
luz desta realidade, pode-se acessar o perfil emocional e psicológico do pensamento
de Lutero e seu impacto na origem de sua Sola Scriptura. Uma pequena análise pode
mostrar que esta doutrina nasceu da necessidade que Lutero tinha de se ver livre de
seus sentimentos de culpa, insegurança e tentação que o "torturavam". Considerando
que o próprio Lutero admite uma tendência obsessiva ao pecado, assim como uma
inabilidade de resistir a ele, fica claro que ele sofreu de "escrupulosidade", e todos os
estudiosos luteranos admitem isso [48]. Escrupulosidade significa que uma pessoa fica
extremamente ansiosa quanto a ter cometido um pecado quando na verdade não há
razão para tal, e uma pessoa escrupulosa é aquela que geralmente supervaloriza seu
pecado, com uma correspondente confiança em Deus. Também é relevante notar que a
escrupulosidade parece ser baseada em alguma disfunção psicológica [49]. Em outras
palavras, Lutero provavelmente nunca desfrutou de paz espiritual e psicológica, pois a
voz de sua "consciência" sempre o alcançava sobre qualquer assunto, real ou
imaginário. É natural que alguém tão atordoado busque refúgio nesta voz, e para
Lutero este refúgio foi encontrado na doutrina da Sola Fide, ou a salvação somente
pela fé. Mas desde que resistir ao pecado e praticar boas obras são componentes
essenciais para nossa salvação, e desde que estes fatos são satisfatoriamente
componentes e defendidos pela Igreja Católica, Lutero se encontrou diametricamente
oposto à doutrina da Igreja. Pelo fato de a Igreja ensinar a necessidade de algo que ele
exatamente não podia fazer, tomou uma decisão drástica - uma que "resolveria" sua
escrupulosidade: rejeitou a autoridade da Igreja, contida no seu Magistério cujo Papa é
o chefe, e afirmou que era algo contrário à Bíblia. Em outras palavras, por dizer que a
Sola Scriptura deveria ser a verdadeira doutrina cristã, Lutero repugnou a autoridade
que o fazia reconhecer que sua própria espiritualidade era disfuncional. [Topo]
CONSIDERAÇÕES FINAIS Por todas estas razões, então, é evidente que a doutrina
protestante da Sola Scriptura é uma extremamente anti-bíblica, humana e errônea
crença que deve ser desacreditada e rejeitada completamente. Todos os que são
genuinamente cristãos e seguem as verdades que Jesus ensinou - mesmo que
contradiga o seu sistema religioso atual - devem reconhecer a falha desta doutrina,
falha esta óbvia pelas Escrituras, pela história e pela lógica. A plenitude da verdade
cristã, sem erro, é encontrada somente na Igreja Católica, a mesma Igreja que o
próprio Cristo estabeleceu sobre a terra. De acordo com esta Igreja, a Sola Scriptura é
uma distorção da autoridade cristã. Na realidade, a verdadeira e direta regra de fé do
cristão é a Igreja, que por sua vez absorve o que ensina da Revelação Divina - a
Tradição Escrita e a Tradição Oral, que juntas formam a regra indireta de fé. A Escritura
e a Tradição são as fontes inspiradas da doutrina cristã, enquanto que a Igreja -
entidade histórica e visível em sucessão ininterrupta desde Pedro e os demais
apóstolos - é a intérprete infalível da doutrina cristã. Somente aceitando completamente
esta regra de fé que os seguidores de Cristo podem aderir a todas as coisas que Ele
ordenou aos seus apóstolos ensinar (Mt 28,20). Somente aceitando completamente
esta regra de fé o cristão pode conhecer a verdadeira doutrina pregada por Cristo, e
nada além da verdade.

Sola Scriptura
Vivemos em um mundo cheio de reivindicações de verdades concorrentes.
Todos os dias, somos bombardeados com declarações de que uma coisa é
verdadeira e a outra, falsa. Dizem-nos no que acreditar e no que não
acreditar. Pedem-nos que nos comportemos de um jeito ao invés de outro.
Em sua coluna mensal “O que eu sei com certeza”, Oprah Winfrey nos diz
sobre como lidar com as nossas vidas e relacionamentos. A página editorial
do New York Times nos diz regularmente qual abordagem devemos usar nas
grandes questões morais, jurídicas ou de políticas públicas de nossos dias.
Richard Dawkins, o ateu e evolucionista britânico, nos diz como pensar a
respeito de nossas origens históricas e nosso lugar no universo.

Como filtraremos todas essas alegações? Como as pessoas sabem o que


pensar sobre relacionamentos, moralidade, Deus, origem do universo e
muitas outras questões importantes? Para responder a essas perguntas, as
pessoas precisam de algum tipo de norma, padrão ou critério ao qual
possam recorrer. Em outras palavras, precisamos de uma autoridade
máxima. É claro que todo mundo tem algum tipo de norma suprema à qual
recorrer, quer estejam cientes ou não do que essa norma venha a ser.
Algumas pessoas recorrem à razão e à lógica para julgar essas alegações de
verdade concorrentes. Outras recorrem ao senso de experiência. Outros
recorrem a si mesmos e ao seu próprio senso subjetivo das coisas. Embora
haja alguma verdade em cada uma dessas abordagens, os cristãos têm
historicamente rejeitado todas elas como o padrão definitivo para o
conhecimento. Em vez disso, o povo de Deus tem afirmado universalmente
que há apenas uma coisa que pode legitimamente funcionar como o padrão
supremo: a Palavra de Deus. Não pode haver nenhuma autoridade maior que
o próprio Deus.

É claro que não somos a primeira geração de pessoas a enfrentar o desafio


das reivindicações de verdades concorrentes. Na verdade, Adão e Eva
enfrentaram um dilema no início. Deus havia dito claramente a eles:
“Certamente morrerás”, se comessem da árvore do conhecimento do bem e
do mal (Gênesis 2:17). Por outro lado, a Serpente disse o oposto a eles: “É
certo que não morrereis!” (3:4). Como Adão e Eva deveriam ter julgado
essas alegações discordantes? Pelo empirismo? Pelo racionalismo? Através
daquilo que parecia certo para eles? Não, havia apenas um padrão ao qual
eles deveriam ter recorrido para tomar essa decisão: a palavra que Deus
havia falado a eles. Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Em vez de
olhar para a revelação de Deus, Eva decidiu investigar ainda mais as coisas
por si mesma: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer,
agradável aos olhos… tomou-lhe do fruto e comeu” (3:6). Não se engane, a
queda não foi apenas uma questão de Adão e Eva terem comido o fruto. Na
sua essência, a queda tratou-se de o povo de Deus ter rejeitado a Palavra de
Deus como o padrão máximo para toda a vida.
Mas se a Palavra de Deus é o padrão máximo para toda a vida, a próxima
pergunta é crucial: aonde iremos para conseguir a Palavra de Deus? Onde
ela pode ser encontrada? Esta questão, é claro, nos leva a um dos debates
centrais da Reforma Protestante. Ao mesmo tempo que as autoridades da
Igreja Católica Romana concordavam que a Palavra de Deus era o padrão
máximo para toda a vida e doutrina, eles acreditavam que essa palavra
podia ser encontrada em locais fora das Escrituras. Roma reivindicou uma
estrutura de autoridade de três partes, que incluía a Escritura, a tradição e o
Magistério. O componente principal desta estrutura de autoridade era o
próprio Magistério, que é o magistério oficial da Igreja Católica Romana,
manifestado principalmente no papa. Porque o papa era considerado o
sucessor do apóstolo Pedro, seus pronunciamentos oficiais (ex cathedra)
eram considerados como as palavras do próprio Deus.

Foi neste ponto que os Reformadores mantiveram-se firmes. Apesar de


reconhecerem que Deus havia entregado sua Palavra ao seu povo de várias
maneiras antes da vinda de Cristo (Hebreus 1:1), eles argumentaram que
não devíamos mais aguardar a revelação contínua, agora que Deus havia
falado finalmente através do seu Filho (v. 2). A Escritura é clara quanto ao
dom apostólico ter sido projetado para executar uma tarefa única e histórico-
redentiva: estabelecer as bases da igreja (Efésios 2:20). A atividade de
estabelecimento da fundação realizada pelos Apóstolos consistia
principalmente em dar à igreja um depósito de ensino autorizado que
testemunhasse a grande obra redentora de Cristo. Assim, os escritos do
Novo Testamento, que são a personificação permanente do ensino
apostólico, devem ser vistos como a última parcela da revelação de Deus
para o seu povo. Esses escritos, juntamente com o Antigo Testamento, são
os únicos que são corretamente considerados a Palavra de Deus.

Esta convicção de sola Scriptura – somente as Escrituras são a Palavra de


Deus e, portanto, a única regra infalível para a vida e doutrina – fornecia o
combustível necessário para inflamar a Reforma. Na verdade, foi
considerada como a “causa formal” da Reforma (considerando que sola fide,
ou “somente a fé”, foi considerada como a “causa material”). Os pontos de
vista desta doutrina são personificados no famoso discurso de Martinho
Lutero na Dieta de Worms (1521), depois que ele foi convidado a retratar os
seus ensinamentos:

A menos que possa ser refutado e convencido pelo testemunho da Escritura


e por claros argumentos (visto que não creio no papa, nem nos concílios; é
evidente que todos eles frequentemente erram e se contradizem); estou
conquistado pela Santa Escritura citada por mim, minha consciência está
cativa à Palavra de Deus. Não posso e não me retratarei, pois é inseguro e
perigoso fazer algo contra a consciência…Que Deus me ajude. Amém!
Para Lutero, as Escrituras, e somente as Escrituras, eram o árbitro máximo
do que devemos acreditar.

Claro que, como muitas convicções cristãs fundamentais, a doutrina da Sola


Scriptura tem sido mal-entendida e mal-aplicada. Infelizmente, alguns têm
usado sola Scriptura como justificativa para um tipo de individualismo “eu,
Deus e a Bíblia”, onde a igreja não tem nenhuma autoridade real, e a história
da igreja não é considerada ao interpretar e aplicar a Escritura. Assim sendo,
muitas igrejas hoje são quase “ahistóricas” – separadas inteiramente das
ricas tradições, credos e confissões da igreja. Eles entendem erroneamente
que sola Scriptura significa que a Bíblia é a única autoridade em vez de
compreender que isso significa que a Bíblia é a única autoridade infalível.
Ironicamente, tal abordagem individualista na verdade enfraquece a própria
doutrina que a sola Scriptura pretende proteger. Ao enfatizar a autonomia do
crente, fica-se apenas com conclusões particulares, subjetivas sobre o que a
Bíblia quer dizer. Não é tanto a autoridade das Escrituras que é valorizada,
mas a autoridade do indivíduo.

Os Reformadores não teriam reconhecido tal distorção como a doutrina da


sola Scriptura em que criam. Pelo contrário, eles estavam bastante dispostos
??a confiar nos pais da igreja, nos conselhos da igreja e nos credos e
confissões da igreja. Tal embasamento histórico foi encarado não apenas
como um meio para manter a ortodoxia, mas também como um meio para
manter a humildade. Ao contrário da percepção popular, os Reformadores
não se viam como se estivessem trazendo algo novo. Em vez disso, eles
entendiam que estavam recuperando algo muito antigo – algo que a igreja
tinha acreditado inicialmente, mas que depois havia se torcido e distorcido.
Os Reformadores não eram inovadores, mas escavadores.

Existem outros extremos contra os quais a doutrina da sola Scriptura nos


protege. Embora queiramos evitar a postura individualista e “ahistórica” de
muitas igrejas hoje, a sola Scriptura também nos protege de elevarmos
credos e confissões ou outros documentos humanos (ou ideias) ao nível das
Escrituras. Devemos estar sempre atentos para não cometermos o mesmo
erro de Roma, que abraçou o que poderíamos chamar de “tradicionalismo”,
que tenta vincular as consciências dos cristãos a áreas que a Bíblia não
vincula. Nesse sentido, a sola Scriptura é uma guardiã da liberdade cristã.
Mas o maior perigo que enfrentamos quando tratamos da sola Scriptura é
entendê-la de forma errada. O maior perigo é esquecê-la. Somos propensos
a pensar nessa doutrina puramente em termos de debates do século XVI –
apenas um vestígio das antigas batalhas entre católicos e protestantes, e
irrelevantes para os dias de hoje. Mas, nos dias de hoje, a igreja protestante
precisa dessa doutrina mais do que nunca. As lições da Reforma têm sido
esquecidas em sua maioria e a igreja, mais uma vez, começou a confiar em
autoridades supremas fora das Escrituras.

A fim de levar a igreja de volta à sola Scriptura, temos de perceber que não
podemos fazer isso apenas através do ensino da doutrina em si (embora
devamos fazer isso). Antes, a principal maneira para levar a igreja de volta é,
de fato, pregando as Escrituras. Somente a Palavra de Deus tem o poder de
transformar e reformar nossas igrejas. Portanto, não devemos apenas falar
sobre a sola Scriptura, mas devemos demonstrá-la. E quando assim o
fizermos, devemos pregar toda a Palavra de Deus – sem escolher as partes
que preferimos ou pensar no que nossas congregações querem ouvir.
Devemos pregar apenas a Palavra (sola Scriptura), e devemos pregar toda a
Palavra (tota Scriptura). As duas doutrinas andam lado a lado. Quando elas
são unidas, no poder do Espírito Santo, podemos ter a esperança de uma
nova reforma.

Martinho Lutero: Os absurdos pregados pelo pai do Protestantismo Evangélico

Martinho Lutero: Prostesto contra o Cristianismo Católico

Martinho Lutero: Um homem celebrado por questionar a autoridade de uma


Igreja supostamente corrupta, por iniciar a liberdade religiosa em uma época
do feudalismo espiritual, etc … Mas quanto Lutero o protestante comum lê
durante sua vida? Ou mesmo a média clériga protestante? Seguramente não
muito, porque se as pessoas realmente soubessem o que Lutero pensava e
ensinava, ficariam horrorizadas.

“Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte,


de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: “Que
fez, então, com ela?”, depois com Madalena, depois com a mulher
adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão
piedoso, também teve de fornicar antes de morrer.” (Martinho Lutero:
Tischreden, nº 1472, ed. Weimer, 11, 107)”.

A fim de evitar possíveis alegações de que os trechos citados abaixo são


tirados do contexto e, portanto, não podem ser confiáveis como
representações precisas do pensamento de Lutero, fornecerei uma referência
indicando onde cada trecho pode ser encontrado. Você verá que nenhuma
dessas passagens dizem nada além do que aparece aqui, pois as intenções
de Lutero são todas muito claras.
Uma outra objeção é que outros escritos de Lutero podem contradizer
algumas das idéias que você encontrará aqui. Gostaríamos de responder que
auto-contradição não torna um indivíduo mais coerente, mas menos.

Lutero disse: “Seja um pecador”

“Seja um pecador, e deixe os que vossos pecados sejam fortes, mas deixe
que vossa confiança em Cristo também seja forte, e nos glorificamos em
Cristo que é a vitória sobre a morte, o pecado e o mundo. Nós cometemos
pecados enquanto estamos aqui, pois esta vida não é um lugar onde resida a
justiça … Nenhum pecado pode nos separar d’Ele, mesmo se estivéssemos a
matar ou cometer adultério milhares de vezes por dia.” (“Que os vossos
pecados sejam fortes, a partir de “O Projeto Wittenberg, ‘O Segmento
Wartburg”, traduzido por Erika Flores, de Saemmtliche Dr. Martinho Lutero
Schriften, Carta n º 99, 1 de agosto de 1521).

O que Lutero está realmente dizendo é que as nossas ações – mesmo as


ações mais pecaminosas que se possam imaginar – não importam! Ele está
dizendo que podemos cometer qualquer pecado que quizermos –
intencionalmente, presunçosamente, propositadamente – e não vamos
ofender a Deus! Afinal, não precisamos de nada mais do que a “fé” para
sermos salvos. O que fazemos é incidental. É claro que qualquer pessoa
familiarizada com as Escrituras salientaria que esta não é uma doutrina
cristã. Por toda a Bíblia lemos que o pecado nos separa de Deus (Isaías 59:1-
2). Nenhum crente tem uma licença para pecar. Os cristãos que
voluntariamente se entregam ao pecado serão julgados no Tribunal do Juízo
de Cristo (Romanos 12:14; 1 Tessalonicenses 4:6).

Lutero disse: Fazer o bem é mais perigoso que pecar

“Estas almas piedosas que fazem o bem para ganhar o Reino dos Céus, não
só nunca terão sucesso, mas devem mesmo ser contadas entre os ímpios, é
mais importante preservá-las contra as boas obras do que contra o pecado.”
(Wittenberg, VI, 160, citado por O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero, TAN
Books, 1987, p. 122.)

Você deve estar pensando: “O quê? Será que eu li direito?” É mais


importante preservá-las contra as boas obras do que contra o pecado?”
Lutero nos adverte contra ações retas e do bem. Ele diz para não
nos preocuparmos com o pecado – Jesus vai se ocupar deles. Sengundo ele,
aquele que faz o bem é melhor ficar atento. Especialmente aqueles que
acham que ser bom e generoso e amoroso irá afectar o seu resultado no
julgamento final.

Em sua arrogância, Lutero ignora versículo após versículo da Escritura –


Antigo e Novo Testamento – onde nos é dito que a forma como vivemos a
nossa fé será o critério em que seremos julgados. Como Paulo deixa
perfeitamente claro em Rom. 2: 5-11 “… o justo juízo de Deus, que retribuirá
a cada um segundo suas obras”. E novamente em 2 Coríntios 5:10: “Porque
todos devemos comparecer ante o tribunal … de modo que cada um receba
a recompensa, de acordo com o que ele fez na carne, seja bem ou mal.”
Lutero estava completamente e monumentalmente errado.

Lutero disse: Não há nenhum livre arbítrio

“… No que diz respeito a Deus, e em tudo o que traz a salvação ou


condenação, (o homem) não tem ‘livre arbítrio’, mas é um prisioneiro, cativo
e escravo, quer da vontade de Deus, ou da vontade de Satanás. ” (Da
redação, “Escravidão da Vontade”, “Martin Luther:.. As seleções de seus
escritos, ed por Dillenberger, Anchor Books, 1962 p. 190)

“… Nós fazemos tudo por necessidade, e nada pelo ‘livre arbítrio’, pois o
poder de ‘livre arbítrio’ é nulo …” (Ibid., p. 188.)

“O homem é como um cavalo. Deus por acaso salta na sela ? O cavalo é


obediente e se acomoda a todos os movimentos do cavaleiro e vai para onde
ele o quer. Será que Deus derruba as rédeas? Assim, Satanás pula no lombo
do animal, que se dobra, anda e se submete à esporas e caprichos do seu
novo piloto … Portanto, necessidade, não o livre arbítrio, é o princípio de
controle do nosso comportamento. Deus é o autor do que é mal, bem como
do que é bom e, assim como Ele dá a felicidade àqueles que não a merecem,
Ele também maldiz aqueles que merecem o seu destino.” (“De Servo
Arbitrio”, 7, 113 seq. Citado por O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero, TAN
Books, 1987, pp 266-267).

Todas estas passagens vêm de um tratado que Lutero redigiu, intitulado “De
Servo Arbitrio”, ou “Cativeiro da Vontade”, no qual o grande reformador
trabalha arduamente para apresentar o caso em que o livre-arbítrio não
existe.

A Escritura, é claro, discorda, em palavras e espírito. Em Eclesiástico 15:11-


20, encontramos: “Não digas:«Foi por feito de Deus que eu caí: pois o que
ele odeia, ele não faz»”. ‘Não digas: ‘Foi ele quem me pôs perdido, pois ele
não tem necessidade de homens ímpios’ … Quando Deus, no início, criou o
homem, ele o fez sujeito de sua própria escolha livre. Se você escolhe, você
pode guardar os mandamentos … Há diante de ti fogo e
água; qualquer um que escolhas, estendas a tua mão. “

A Escritura é muito clara sobre o assunto: “Quando Deus, no início, criou o


homem, ele o fez sujeito à sua livre escolha.”

Mas o Evangélico protesta: Siraque é “apócrifo” – Lutero o descartou,


questionando a sua canonicidade. E não é de se admirar que o tenha feito,
nós respondemos, considerando como este livro refuta diretamente seus
ensinamentos. Mas a fim de evitar polêmicas desnecessárias, também
podemos apontar para Deut. 30:19-20, onde Deus nos diz: “Coloco diante de
ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vida, então, que tu e
teus descendentes possam viver, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo
sua voz, e apegando-te, a ele.” Assim, vemos que o homem tem mais do que
simplesmente a liberdade de escolher, ele é obrigado a escolher.

E antes ainda, em Gênesis 4:7, Deus fala a Caim: “Por que está tão
ressentido e desapontado. Se você faz bem, você pode manter sua cabeça
erguida, mas se não, o pecado é um demônio espreita à porta: seu impulso é
para você, mas você pode ser seu mestre. “

E, finalmente, em João 15:15, o Senhor declara seu amor por nós, seus
seguidores: ” Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu
mestre está fazendo tenho-vos chamado amigos …” Essas palavras
difícilmente soam como as palavras de um cavaleiro ao seu cavalo.

Como muitas vezes acontece, Paulo tem a palavra final: “Pois, se nós, que
aspiramos à justificação em Cristo, retornamos, todavia, ao pecado, seria
porventura Cristo ministro do pecado? Por certo que não!(Gálatas 2:17). Eis
aqui uma contradição mais direta ao pronunciamento de Lutero: “Deus é o
autor do que é mal, bem como do que é bom” … difícil de conceber.
A posição de Lutero não inclui nenhuma responsabilidade. Não há
responsabilidade. Sem sentido de aprendizagem ou de ser aperfeiçoado
através do curso de nossas vidas. Nem mesmo dignidade. Apenas a mais
sombria e opressora coerção, que rouba a vida humana de qualquer sentido.
Ou seja, o que você faz em sua vida – até mesmo o amor que você prova
para com os vizinhos – não significa nada, de acordo com Lutero. Suas lutas,
seus sofrimentos, sua perseverança – nada disso equivale a nada. Sua
vontade não está mesmo em suas próprias mãos.

Lutero disse: “O indivíduo cristão não está sujeito a nenhuma


autoridade

“… Cada cristão é por fé tão exaltado acima de todas as coisas que, por
força de um poder espiritual, ele é o senhor de todas as coisas, sem exceção,
de modo que nada lhe pode fazer mal nenhum. Por uma questão de fato,
todas as coisas são subordinadas a ele e são obrigadas a servi-lo na
obtenção de salvação “. (Da redação, “A liberdade de um cristão”, “Martin
Luther: Seleções de seus escritos, ed por Dillenberger, Anchor Books, 1962 p.
63.).

“A injustiça é feita às palavras ‘padre’, ‘clérigo’, ‘guia espiritual’,


‘eclesiástico’, quando elas são transferidas de todos os cristãos para aqueles
poucos que são agora, por um uso malicioso, chamados ‘eclesiásticos.’
“(Ibid., p 65..)

Lutero ensina que nós não precisamos de ninguém entre nós, a comunidade
dos crentes, e nosso Salvador. Assim, ele se opõe à autoridade eclesiástica –
e a hierarquia que a exerce. Deus está com toda a congregação, ele diz,
então por que devemos se preocupar com um padre?

Parece ótimo. Até você perceber que esta visão retoma a posição da irmã de
Moisés, a profetisa Miriã, que protesta em Números capítulo 12, “É só
através de Moisés que o Senhor fala? Ele não fala através de nós também?”
Por sua rebeldia contra a autoridade estabelecida por Deus, ela contrai lepra.
Graças à oração intercessora de Moisés, ela é curada.

E ela é imitada, apenas alguns capítulos mais adiante, por Corá, que incita o
povo contra Moisés e Aarão com as palavras mais perturbadoras de todas.
Eles dizem, “Basta de vocês! Toda a comunidade, todos eles são santos! O
Senhor está no meio deles. Por que então vocês devem impor-se sobre a
congregação do Senhor?” Ao que Corá e seus seguidores foram consumidos
pelo fogo enviado pelo Senhor. (Números 16).

Lutero disse: Camponeses merecem um tratamento severo

“Assim como as mulas, que não se moverá a menos que você


perpetuamente chicoteá-los com varas, de modo que o poder civil deve
conduzir as pessoas comuns, chicote decapitar, estrangular, enforcar,
queimar, e torturá-los, para que possam aprender a temer os poderes
constituídos. ” (El. ed. 15, 276, citado por O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero,
TAN Books,

“Um camponês é um porco, pois quando um porco é abatido é morto, e da


mesma forma que o camponês não pensa em outra vida, caso contrário ele
iria se comportar de maneira muito diferente.” (‘Schlaginhaufen’,
‘Aufzeichnungen “, p. 118, citado ibid., P. 241)

Talvez a hora mais escura de Lutero foi sua traição dos servos de
longamente abusados durante Camponeses Münzer a Guerra de 1525.
Primeiro, ele ingenuamente fomentou sua inquietação por vias de publicação
de “Sobre a Autoridade”, no qual ele criticou a classe principesca com
insultos, como “As pessoas não podem, as pessoas não vão, aturar sua
tirania e capricho por qualquer período de tempo. ” (Ibid., p. 223.) E, “… o
pobre homem, na emoção e tristeza por conta dos danos que sofreu em seus
bens, seu corpo e sua alma, foi muito tentado e tem sido oprimido por eles
além de qualquer medida, da forma mais pérfida. Doravante, ele pode e não
vai mais tolerar esse estado de coisas, e, além disso, ele tem muitas razões
para irromper com o malho e o clube como Karsthans ameaça fazer “. (Ibid.,
p. 225.)No entanto, quando a rebelião chegou, ele se virou a casaca, na
publicação do folheto, “contra as hordas de assassinos e voraz dos
Camponeses”, incitou os senhores governantes a “apunhalá-los secreta ou
abertamente, como puderem, como seria ao matar um cão raivoso. ” (Ibid.,
p. 235.)

Lutero disse: A poligamia é permitida

“Confesso que não posso proibir uma pessoa de casar com várias esposas,
pois isso não contradiz a Escritura. Se um homem deseja se casar com mais
de uma esposa que ele deveria ser perguntado se ele está satisfeito em sua
consciência de que o faz em conformidade com a palavra de Deus. Nesse
caso, a autoridade civil não tem nada a fazer sobre o assunto. ” (De Wette II,
459, ibid., Pp 329-330).

‘Sola Scriptura’ (Escritura como única autoridade religiosa) tem suas


conseqüências.

Lutero disse: A Bíblia poderia ser melhorada

“A história de Jonas é tão monstruosa que é absolutamente incrível.” (“Os


fatos sobre Lutero,

“O livro de Ester, eu lanço no Elba. Eu sou como um inimigo para o livro de


Ester, que eu gostaria que não existisse, pois Judaíza demais e tem em si
uma grande dose de loucura pagã.”

“É de muito pouco valor é o Livro de Baruque, quem quer que seja o digno
Baruque”. (Ibid.)

“… A epístola de São Tiago é uma epístola cheia de palha, porque não


contém nada evangélico.” (Prefácio ao Novo Testamento, “Dillenberger. Ed,
p. 19.)

“Se disparate é falado em qualquer lugar, este é o lugar. Eu passo por cima
do fato de que muitos afirmaram, com muita probabilidade, que esta carta
não foi escrita pelo apóstolo Tiago, e não é digna do espírito do apóstolo”.
(“Servidão pagã da Igreja, ‘Dillenberger. Ed, p. 352.)

Lendo essas palavras de Lutero, é difícil imaginar que ele seja o mesmo
homem que tantas vezes disse olhar para a Bíblia “como se o próprio Deus
falasse por meio dela.” Como ele poderia ter alegado acreditar na Palavra
inspirada de Deus como a autoridade máxima em matéria religiosa, se ele
mesmo se colocou em julgamento das Escrituras? Ao fazer isso, ele
claramente se colocou como juiz sobre o próprio Deus.Acredite ou não, em
sua arrogância Lutero, presumiu até mesmo classificar os evangelhos:
“João, conta com poucos registros das obras de Cristo, mas uma grande
parte de sua pregação, ao passo que os outros três evangelistas registraram
muitas de suas obras, mas poucos de suas as palavras. Daqui resulta que o
evangelho de João é único na delicadeza, e de uma verdade do evangelho
principal, muito, muito superior aos outros três, e São Paulo e São Pedro
estão muito além dos três evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. ” (Prefácio
aos romanos, “Dillenberger. E queixou-se sobre o livro do Apocalipse: “a
minha mente não percebe nesse livro nenhuma marca de um caráter
apostólico ou profético … Cada um pode formar seu próprio julgamento
deste livro, quanto a mim, sinto uma aversão a ele, e para mim isso é razão
suficiente para rejeitá-lo. ” (Werke Sammtliche, 63, pp 169-170, “Os fatos
sobre Lutero,” O’Hare, TAN Books, E, finalmente, ele admitiu
ter acrescentando a palavra ‘somente’ em Rom. 3:28 de sua própria
vontade: “Se incomoda papista a palavra (“somente”), diga-lhe logo, o Dr.
Martinho Lutero vai tê-la assim mesmo.: papista e burro são uma e a mesma
coisa. Quem não quiser minha tradução, que se dê a ele um ‘vá-se
embora’.. O diabo agradece àqueles que o censuram sem minha vontade e
conhecimento. “Lutero assim o quer, e ele, que é doutor acima de todos
os doutores do papado, assim o terá.” (Amic. Discussões, 1, 127, “Os Fatos
Sobre Lutero, O’Hare, TAN Books, 1987, p. 201.)

Aqui Lutero é condenado por sua própria boca. Para João, em Apocalipse 22:
18-19, declara alguém anátema que pressupõe a mudança, mesmo uma
única palavra da Escritura: “Eu testifico a todo aquele que ouve as palavras
proféticas deste livro: se alguém acrescentar a elas, Deus lhe acrescentará
as pragas descritas neste livro, e se alguém tirar qualquer coisa das palavras
deste livro profético, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e na cidade
santa descrita neste livro “. Lutero, é claro, não apenas acrescentou ou tirou
meras palavras, mas passagens e livros inteiros.

Lutero disse: Persiga o povo judeu

“Os judeus são demônios jovens condenados ao inferno.” (“Obras de Lutero”,


Pelikan, vol. XX,

“Queime suas sinagogas. Proibam- nos todos os que mencionei acima. Force-
os a trabalhar e tratem-nos com todo o tipo de gravidade, como fez Moisés
no deserto e matou três mil … Se isso não adianta, temos de levá-los fora
como cães raivosos, de modo que não podemos ser participantes de sua
blasfêmia abominável e de todos os seus vícios, e tendo em vista que não
pode merecer a ira de Deus e ser condenado com eles. Tenho feito o meu
dever. Vamos todos nos assegurar de que cada um faz o dele. Eu estou
desculpado. ” (“Sobre os Judeus e Suas Mentiras”, citado por O’Hare, em “Os
fatos sobre Lutero, TAN Books, 1987, p. 290.)

É muito perturbador contemplar o possível fruto nascido das sementes de


ódio semeada por esse homem. Se ele foi orientado por um espírito, é óbvio
que não era santo.

Conclusão

Os ensinamentos de Lutero não são os ensinamentos de Cristo. Mas como é


que tantas pessoas seguiram e seguem o autor destes obscuros e sombrios
ensinamentos? Existe apenas uma explicação: Eles não percebem o que
Lutero – o Lutero real – na verdade, ensinou. Se o fizessem, veriam que
muitas das idéias do pai da Reforma contrariam as Escrituras e bom senso.

Pastores protestantes se concentram mais no que eles creem serem erros do


catolicismo do que em fazerem um exame dos escritos de seus próprios
fundadores. Se você duvida dessas passagens, exorto-vos a ir à fonte.
Encontrar os escritos de Lutero não é fácil, mas com diligência, pode ser
feito.

Que Deus abençoe aqueles cuja busca pela verdade os leva a peneirar com
imparcialidade: “Examinai-vos a vós mesmos, se estais na fé. Provai-vos a
vós mesmos. Acaso não reconheceis que Cristo Jesus está em vós? A menos
que a prova vos seja, talvez, desfavorável….” (2 Coríntios 13:5.) E o Deus
que nos criou à sua imagem nos aproximará ainda mais o seu coração, onde
toda a verdade é encontrada.

O lado negro do calvinismo Por Helder Nozima

Em 2009, a revista norte-americana Time listou o novo calvinismo como


uma das dez forças capazes de mudar o mundo. Jovens norte-americanos
redescobriram a força da teologia bíblica como exposta por João Calvino e
levam esse ensino adiante, por meio da música e de uma nova forma de
dialogar com a cultura. Liderados por homens como John Piper, Mark Driscoll
e Albert Mohler, os novos calvinistas encaram de frente o desafio de tentar
mudar o mundo.

Contudo, não é exatamente este o novo calvinismo que parece ganhar força
na blogosfera brasileira. Enquanto nos EUA há um esforço para viver entre
dois mundos, no Brasil o que ganha popularidade
é um outro calvinismo.
Para eles, os cultos devem ignorar a cultura local: bom mesmo são os
Salmos, a produção musical contemporânea não serve para adorar a Deus!
Debater? Sim, eu te indico um livro de teologia e, se você não aceitá-lo e
ainda quiser discutir...bem...é porque você é um ignorante que não merece
atenção. Os demais cristãos? São uns apóstatas, especialmente os
pentecostais (incluindo aí desde aqueles que creem na contemporaneidade
de certos dons do Espírito até o mais extremado neopentecostalismo). Ah
sim...uma teocracia também está nos nossos planos...

E aí, será que essa versão brasileira de calvinismo vai mudar o mundo?
Creio que o próprio Jesus pode dar essa resposta, já que há muitos pontos
de contato entre os apóstolos de Cristo e os calvinistas extremados
tupiniquins:
Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas
Jesus, sabendo o que se lhes passava no coração, tomou uma criança,
colocou-a junto a si e lhes disse: Quem receber esta criança em meu nome
a mim me recebe; e quem receber a mim recebe aquele que me enviou;
porque aquele que entre vós for o menor de todos, esse é que é
grande.
Falou João e disse: Mestre, vimos certo homem que, em teu nome, expelia
demônios e lho proibimos, porque não segue conosco. Mas Jesus lhe disse:
Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós.

E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto


ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para
Jerusalém e enviou mensageiros que o antecedessem. Indo eles, entraram
numa aldeia de samaritanos para lhe preparar pousada. Mas não o
receberam, porque o aspecto dele era de quem, decisivamente, ia para
Jerusalém.
Vendo isto, os discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que
mandemos descer fogo do céu para os consumir?

Jesus, porém, voltando-se os repreendeu e disse: Vós não sabeis de que


espírito sois. Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas
dos homens, mas para salvá-las. E seguiram para outra aldeia. (Lucas
9:46-56)
A ilusão de ser o maior
O texto começa com uma discussão corriqueira entre os Doze: quem é o
maior de nós, o mais santo, o mais importante? Para a maioria de nós, ser
um deles já seria uma honra e um privilégio enormes. Mas os apóstolos não
se contentavam e queriam saber qual deles seria mais honrado no reino de
Jesus.

O mais irônico dessa história é que os discípulos tinham acabado de


fracassar na simples tentativa de expulsar um demônio. Enquanto Jesus
estava sendo transfigurado, um homem pediu a ajuda dos discípulos para
libertar seu filho de uma possessão demoníaca, mas eles não conseguiram.
Por outro lado, no monte Deus ensinara a Pedro, Tiago e João que a glória
deveria ser somente de Cristo, e não de homens como Moisés e Elias.

Mas andar com Jesus não era um atestado de superioridade. O próprio


Senhor mostrou isso quando colocou uma criança no meio de seus
discípulos, como um modelo para mostrar quem é o maior. Aquele que quer
ser grande não deve ser arrogante...mas deve ser como o menor, o que
serve. Enquanto os Doze fossem arrogantes, uma criança seria maior do que
eles.

Da mesma forma, ter a melhor teologia não torna os calvinistas superiores


aos demais seres humanos. Se o conhecimento é acompanhado da
arrogância e da soberba, do sentimento de superioridade, se dizemos aos
outros que somos melhores...então uma criança que nunca leu a Bíblia serve
de exemplo para nós.

Sim, arrogantes...elas são maiores do que vocês. E um doutorado não


muda isso.

A ilusão de saber quem é de Jesus

Só que quando nos consideramos os maiores, não basta apenas discutir com
os outros para provar a nossa superioridade. Os arrogantes chegam ao
ponto de se colocarem no lugar do próprio Jesus e de determinarem que é
ou não discípulo dele.

E a soberba é um pecado que pode atingir a qualquer um, inclusive João, o


apóstolo mais próximo de Jesus. Quando João viu alguém expulsando
demônios em nome de Jesus e que não fazia parte da turma dos
Doze...ah...ele não teve dúvidas! Foi lá e usou sua autoridade apostólica
para proibir aquele absurdo! Ora, quem ele achava que era para fazer
qualquer coisa em nome de Jesus sem o conhecimento dos Doze?

Não satisfeito, João foi todo alegre contar a Jesus o que fez. E aí Jesus, mais
uma vez, surpreende: "Não o proíba. Quem não é contra você, é por você".
Dito de outra maneira...aquele "alguém" não tinha a aprovação dos
apóstolos, mas tinha a de Jesus. Mais do que isso, era alguém que lutava do
lado de João. Não devia ser proibido.Hoje muitos calvinistas se acham no
direito de dizer quem é e quem não é discípulo de Jesus. E ai do pregador se
ele não tiver a chancela reformada! Deve ser proibido, é herege, talvez
apóstata! No entanto, muitos desses pregadores e ministérios têm sido
aceitos por Jesus e fazem a obra d'Ele.
Aqui cabe um parêntese. Não quero dizer aqui que a teologia não conta ou
importa. Quem prega, expulsa demônios ou faz qualquer coisa em nome de
Jesus têm o dever de fazê-lo corretamente, seguindo a doutrina
certa. Mas isso não quer dizer que Jesus não use pessoas com erros
teológicos para levar salvação e libertação ao mundo. Quem escolhe os
obreiros é Jesus, e não os calvinistas.
E o Brasil é um bom exemplo disso. Os assembleianos chegaram ao país em
1910, os presbiterianos em 1859. Mas enquanto os presbiterianos
comemoraram o centenário dizendo que era a primeira vez que um
presidente da República entrava em um templo protestante, os
assembleianos estavam em campanha para atingir o primeiro milhão de
convertidos. Foram pregadores pentecostais (sim, pentecostais) que na sua
humildade captaram o espírito do brasileiro e tornaram os evangélicos uma
força reconhecida na sociedade brasileira.

Foi em igrejas não-calvinistas que a maioria dos evangélicos conheceu a


Cristo, como é o caso do escritor deste artigo.

Sim, os frutos poderiam ser melhores, mas nem quero imaginar em como o
Brasil seria pior sem a pregação e o ministério pentecostal ou arminiano,
com todos os erros teológicos que eu julgo que eles possuem. E se a tarefa
de evangelizar o Brasil fosse apenas de reformados, nem eu estaria aqui. Já
estudei com uma presbiteriana que nunca falou de Jesus comigo, mas
graças a insistência de um assembleiano Cristo me alcançou.

A ilusão de condenar os descrentes

Bom, depois de duas repreensões de Jesus, João deve ter se acalmado,


certo? Errado. Pouco tempo depois, mais uma vez ele mostrou seu lado
negro, desta vez contra incrédulos.

Quando Jesus se dirigia para Jerusalém ele passou por uma aldeia de
samaritanos, um povo que não tinha boas relações com os judeus. Jesus era
um judeu que ia para Jerusalém...não é de se estranhar que os samaritanos
tenham se recusado a hospedá-lo.

Não foi assim que pensaram os irmãos Tiago e João. Cheios de zelo por seu
Mestre, perguntaram se não podiam mandar descer fogo do céu para
consumir logo aqueles pecadores!

Jesus acabou imediatamente com esse pensamento. O Espírito de Cristo não


veio destruir, veio salvar os homens. Se aquela cidade não podia recebê-los,
Jesus podia ir para outra. Embora os samaritanos tivessem rejeitado o Filho
de Deus, o Juízo não seria naquele momento.
Hoje parece ser assim que os calvinistas extremados querem tratar os que
não aceitam a Jesus ou as suas ideias teológicas. Parece que alguns estão
mais preocupados em dizer que Deus odeia os pecadores ao invés de
anunciar que os santos que Deus ama são pessoas que...vejam só...eram
pecadoras! Uma verdade não anula a outra, mas o espírito que deve marcar
os discípulos de Jesus não é o de destruição, e sim o de salvação. Quem diz
isso não sou eu, mas sim o próprio Cristo.

A necessidade de um novo calvinismo

Por todas essas razões, penso que o Brasil precisa sim de um novo
calvinismo, diferente do que apresentei acima. E isso não é só uma
necessidade do Brasil, mas dos próprios calvinistas! Enquanto a teologia
reformada for associada à soberba, ao julgamento e à condenação, os
outros grupos sequer vão querer dialogar conosco. Enquanto os reformados
se isolarem em sua tentativa de voltar ao puritanismo do século XVIII ou à
Genebra de Calvino o mundo não nos dará ouvidos. Mais do que isso:
estaremos traindo o espírito do próprio Calvino, que fez o possível para
aproximar o povo de sua época do Deus vivo.
Enquanto os católicos queriam uma missa em latim, Calvino defendia que a
Palavra devia ser pregada na linguagem do povo. Seus Salmos foram
compostos para tentar aproximar os adoradores da Bíblia e do Senhor.
Enquanto os católicos queriam tirar a Bíblia das pessoas, Calvino e outros
reformadores se esforçaram em popularizá-la e encontrar formas de
aproximá-la do homem comum. As Institutas, mais do que uma obra de
erudição, são uma tentativa de sistematizar melhor os ensinos da Bíblia.
Hoje precisamos de herdeiros de Calvino que não sejam orgulhosos ou
arrogantes, mas sim humildes para reconhecer que Deus é maior que
Genebra, a Nova Inglaterra e a Reforma Protestante. De reformados que
reconheçam que Jesus salva e usa pessoas que não enxergam a Bíblia da
mesma forma que nós. De puritanos que entendam que não são melhores
do que ninguém...e que percebam que só são amados por Deus porque
Cristo morreu por eles...e que queiram, apaixonadamente, levar esse amor
a todos os eleitos. De calvinistas que se esforcem para aproximar a Bíblia
das pessoas, mas acima de tudo, que estejam dispostos a deixarem a Bíblia
mudar a sua própria vida.

1.

Mauro17 de fevereiro de 2019 14:21

Sou cristão, e prefiro não apresentar a placa da qual sou membro. O motivo, é que
tudo que eu escrever aqui, pode entender que sou contrário porque não aprovo outra
denominação. Mas enfim, achei seu comentário muito importante. Mas minha
ressalva é exatamente o que o calvinismo prega. Não me refiro os seguidores desta
doutrina, mas, os reformadores dela. Exemplo, João Calvino era a favor de morte
dos hereges, coisa que é contrário o que a bíblia prega,Miguel Servet foi queimado
vivo por causa de uma denúncia de Calvino, ele considerado herege, porque não
concordava com Calvino. E depois também, justificou essa tragédia, como se fosse
uma aprovação de Deus. Absurdo, ou seja, Deus dando legalidade a um pecado que
ELE condena totalmente. Isso, é historicamente comprovado. Então, um profeta de
uma determinada doutrina diz isso, o que podemos esperar dela? Isso, faz lembrar o
tempo da inquisição da igreja católica, que também é comprovado historicamente.
Lamento meu irmão, em dizer assim, por isso que não identifiquei a placa q
pertenço, porque não foi por essa razão que fiz esse comentário, mas, de tudo que
conheço de alguns reformadores. No meu entendimento, desculpa mais uma vez, é
uma doutrina totalmente contrário á bíblia.

Responder

1.

Pr. Silas Figueira18 de fevereiro de 2019 11:59

Graça e paz Mauro.


Calvino, Lutero e tantos outros reformadores cometeram erros, talvez isso ficou
registrado na história para que ninguém viesse beatifica-los como os católicos fazem
com seus santos.
Quanto a Teologia Reformada eu não tenho dúvida nenhuma de que esta é a que
mais nos revela as verdades das Escrituras, mas a sua má aplicação assim como a
teologia arminiana é que gera toda confusão no meio evangélico.
Fique na Paz!
Pr. Silas Figueira
Pr. Silas, graça e paz.

Não se trata disso, pastor Silas. É óbvio, que reformadores do passado cometeram
erros, assim também como alguns pais da igreja. Vou tentar ilustrar uma situação
bíblica para poder exemplificar o que me referi. O apóstolo Paulo, cometeu algumas
atrocidades no tempo que ele era um fariseu, mas quando ele teve um encontro com
Jesus, ele humildemente reconheceu os erros graves que tinha cometidos, e disse:
MESMO NOUTRO TEMPO SENDO EU BLASFEMADOR, PERSEGUIDOR E INSOLENTE, MAS
OBTIVE MISERICÓRDIA, PORQUE, SEM SABER, FIZ NA INCREDULIDADE. (1 Tim.1:13).
Nitidamente, fica claro que o apóstolo Paulo, fez na ignorância e reconheceu
humildemente,e nunca mais fez parte do caráter e da vida dele, consentir a morte
de qualquer opositor do evangelho, por mais perseguido que fosse. Ao contrário de
Calvino, que já era um cristão, conhecedor profundo da bíblia,teólogo, professor e
etc., não só foi co-autor da morte de Miguel Servet, como também a justificou como
uma permissão de Deus. Me desculpe o que vou dizer, não é minha má aplicação
como o senhor disse, entendo que é o senhor é que está fazendo a má aplicação. É
só ler essa referência que citei, pra entender claramente o que um seguidor de
Cristo faria. Não se trata de erros cometidos, mas sim, de consenti-los, ainda mais
que era "um conhecedor profundo da bíblia", diferente de um outro que de fato era
um incauto no que se refere a Deus. Só mais uma observação, não sou arminiano e
nem calvinista, sou um defensor da palavra de Deus e com muita reverência a DEUS,
pra ELE não me deixar distorcer uma vírgula sequer.A paz, pastor Silas.

Pr. Silas Figueira18 de fevereiro de 2019 22:49

Meu irmão Mauro, eu entendo o que o irmão está falando, mas não é por ele ter
cometido um ou mais erros que o que ele deixou registrado em sua teologia seja
errado.
Se você ler as mensagens e os livros que o Caio Fábio escreveu alguns anos atrás e o
que ele fala hoje é complicado, mas nem por isso tira o crédito dele pelo o que ele
falou no passado.
Outra coisa, há muitas coisas que se falou a respeito de Calvino em relação a esse
episódio, a questão é saber com quem está a verdade. Por exemplo, ele viveu em
uma época que a coisa mais comum era executar as pessoas por causa da heresia,
ainda que não fosse. Era o costume da época, assim como a Ig. Católica fazia. Creio
que havia uma influência cultural muito forte também, embora isso não justifique,
mais havia.
Então o que Calvino deixou escrito eu vejo como bíblico, apesar dos possíveis erros
por ele cometido.
Lutero, por exemplo, que pregava como Calvino cria, odiava os judeus a ponto de
mandar matá-los, e no entanto, Lutero é reconhecido como um excelente teólogo.
Erros são cometidos, e mais uma vez eu falo, para não idolatrarmos tais pessoas.
Mauro20 de fevereiro de 2019 09:22
A paz pastor Silas!
Paro por qui, pois escrevi já por 03 vezes um texto, e na hora de enviá-los, minha
internet, ficou fora do ar, fui tentar conectar por duas vezes e perdi tudo que já
estava enviando. A outra vez, foi por causa de um temporal aqui na minha cidade,
pedir tudo também. Portanto, não responderei, pois, fiquei muito chateado depois
de elaborar um texto com todo o zelo e com referências bíblicas, mas enfim, quem
sabe numa outra oportunidade. Deixei claro no início do texto que escrevi, que seria
minha última resposta sobre o assunto.
Fica na paz pastor!
Mauro Romel

2.

Pr. Silas Figueira20 de fevereiro de 2019 11:07

Graça e paz Mauro.


Isso que ocorreu com você já aconteceu comigo também algumas vezes. Mas, assim
que puder, reescreva o texto para podermos conversarmos e debatermos.
Que Deus o abençoe!
Pr. Silas Figueira

Responder
Olá pastor Silas!
Vamos ver se dessa vez consigo enviar minha mensagem.
Com relação á sua resposta, com todo o respeito,qualquer que fosse a época, a
senteça, era sempre a morte. O que aconteceu na época dos reformadores na idade
média, não foi diferente nos dias de Jesus, dos apóstolos e da igreja primitiva. Em
(João 19: 6 e 7), diz assim, TEMOS UMA LEI, E DE CONFORMIDADE COM ELA, "ELE"
DEVE MORRER. Ou seja, Jesus sendo acusado de herege, e teria que morrer, segundo
a lei e os judeus. Note que, além da lei, havia a pressão dos judeus.
Assim também, foi com todosos apóstolos que foram perseguidos até a morte, seja
qual fosse o motivo. Por essa razão, ainda que o senhor afirme que fazia parte da
cultura naquele tempo, ou havia uma pressão popular com a punição da morte, esses
exemplos que citei, sempre foi assim independente, qual fosse a época.
Além do mais pastor Silas, como eu disse antes, não estou me referindo dos erros e
atrocidades cometidas. Se não, nenhum de nós éramos dígnos de salvação. Estou me
referindo ao CONSENTIMENTO DO ERRO E O NÃO ARREPENDIMENTO. Vi outro dia, um
professor calvinista dizendo que Calvino consentia a morte de hereges sim, mas
defendia Calvino, dizendo que ele não matou Miguel Servet, referindo-se, que ele
consentia, mas que não participou fisicamente, portanto, ele não matou Miguel
Servet.
Ora, então Davi não foi culpado da morte de Urias, não foi ele que colocou Urias na
frente da batalha, onde a guerra estava mais acirrada e perigosa, que acabou
matando Urias. É evidente, que Davi foi culpado da morte de Urias, mas ele se
arrependeu diante de Deus e sofreu grandes consequências ruins na sua vida.
Quando Pilatos lavou as mãos e disse na presença de todos, ESTOU INOCENTE DO
SANGUE DESTE HOMEM, A RESPONSABILIDADE É VOSSA. Pilatos foi inocentado e Jesus
culpado? Claro que não! Essa comparação é de acordo com a justificativa que ouvi do
calvinista a respeito de Calvino.
Fazendo um paralelo da mesma passagem em (João 19:9 e 10), Pilatos faz uma
pergunta pra Jesus, e ELE não responde. Observa agora o versículo 10, ao que Pilatos
disse: NÃO SABES QUE TENHO AUTORIDADE PRA TE SOLTAR E TE CRUCIFICAR? Ou
seja, Pilatos tinha autoridade para livrar Jesus da senteça de morte naquele
momento, ainda que justifiquem, que isso tinha que acontecer. Na verdade, Pilatos
e todos que rejeitaram a Jesus, serão culpados no dia do juízo. Pilatos, temeu aos
homens para ter um sossego momentâneo aqui na terra diante dos homens. É apenas
para ilustrar a justificava do calvinista.
Quanto aos escritos de calvino, ainda que tenha relevância teológica para os
estudiosos, não acrescenta em nada, em temor e obediência a DEUS.
Não conheço nenhum de seus escritos até agora, que Calvino se arrependeu ou se
retratou diante de Deus, de um pecado como esse, que leva a perdição.
Por isso pastor Silas, com todo o respeito, não tem como aprovar um lider, teólogo
de uma doutrina que consentia um pecado grave como este, e não se arrependeu. O
senhor falou muito bem, não vamos idolatrar ao homem. Então, seja Calvino, seja
quem for, NÃO DEFENDAMOS QUEM CONSENTE UM PECADO DESTE, E NÃO SE
ARREPENDE DIANTE DE "DEUS".
Como último exemplo. O caso de Lucifer. A única menção que cita alguma coisa boa
sobre ele, está em Ezequiel (28: 12 a 15), mas com uma ressalva, o tempo do verbo
está no passado...ERA, ou seja, não é mais, tornou-se sem valor algum, o que ele fez
no céu.
Mesmo nesta passagem, já temos a negativa de Deus sobre todos os seus feitos.
Os escritos dele registrados nas escrituras, é: O PAI DA MENTIRA, VEIO PARA MATAR E
DESTRUIR, E POR ÚLTIMO, APARTAI-VOS DE "MIM" MALDITOS PARA O FOGO ETERNO,
PREPARADO PARA O DIABO E SEUS ANJOS.
Trocando em miúdos, qualquer escritos ou feitos, por aqueles que pecaram e não se
arrependeram ou não se retrataram diante de DEUS, entendo não tem valor nenhum
para Deus. Se não tem para Deus, para mim também não.
Graça e paz pastor Silas.

OBS: Se estiver algum erro, me perdoe, não quis tentar visualizar, comedo de perder
o texto como da outra vez.