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INSTITUTO TECNOLÓGICO DE AERONÁUTICA

PROVAS RESOLVIDAS – 2009

- Física
- Português e Inglês
- Química
- Matemática
1. Sabe-se que o momento angular de uma massa pontual é dado pelo produto vetorial do vetor
posição dessa massa pelo seu momento linear. Então, em termos das dimensões de
comprimento (L), de massa (M ) , e de tempo (T ) , um momento angular qualquer tem sua
dimensão dada por
A. ( ) L0 MT −1.
B. ( ) LM 0T −1.
C. ( ) LMT −1.
D. ( ) L2 MT −1.
E. ( ) L2 MT −2 .

Alternativa: D
Temos que:
JG G G G G G
L = r × p ∴  L  =  r   p 
G G G
Mas:  r  = L e  p  = [ m ]  v  = MLT −1
G G
Logo:  L  = LMLT −1 ∴  L  = ML2 T −1

2. Uma partícula carregada negativamente está se movendo a direção + x quando entra em um


campo elétrico uniforme atuando nessa mesma direção e sentido. Considerando que sua
posição em t = 0s é x = 0 m, qual gráfico representa melhor a posição como função do tempo
durante o primeiro segundo?
A. ( ) 0.3 B. ( ) 0.3
0.2 0.2
0.1 0.1
0 0
x

–0.1 –0.1
–0.2 –0.2
–0.3 –0.3
0 0.2 0.4 t 0.6 0.8 1 0 0.2 0.4 t 0.6 0.8 1

C. ( ) 0.3 D. ( ) 0.3
0.2 0.2
0.1 0.1
0 0
x

–0.1 –0.1
–0.2 –0.2
–0.3 –0.3
0 0.2 0.4 t 0.6 0.8 1 0 0.2 0.4 t 0.6 0.8 1

E. ( ) 0.3
0.2
0.1
0
x

–0.1
–0.2
–0.3
0 0.2 0.4 t 0.6 0.8 1

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 1


Alternativa: E
De acordo com o enunciado, a velocidade da partícula ao entrar no campo elétrico é positiva.

A aceleração da partícula vai ser determinada pela força elétrica. Como o campo está no sentido
positivo e a carga é negativa, então a aceleração é negativa.

Dessa forma, adotando a posição inicial como o ponto de entrada no campo e sendo v e a
respectivamente os módulos da velocidade inicial e da aceleração, a expressão da posição em
função do tempo é dada por:
t2
x = 0 + v ⋅ t − a ∴ Parábola com concavidade para baixo.
2

3. Um barco leva 10 horas para subir e 4 horas para descer um mesmo trecho do rio Amazonas,
mantendo constante o módulo de sua velocidade em relação à água. Quanto tempo o barco leva
para descer esse trecho com os motores desligados?
A. ( ) 14 horas e 30 minutos
B. ( ) 13 horas e 20 minutos
C. ( ) 7 horas e 20 minutos
D. ( ) 10 horas
E. ( ) Não é possível resolver porque não foi dada a distância percorrida pelo barco.

Alternativa: B
Podemos escrever a velocidade do barco relativa à margem como:
G G G
v BM = v BA + v AM ; em que B → Barco; A → Água; M → Margem.

Dessa forma, para subir o rio de uma distância x:


x
v BA − v AM = ( I)
10

E para descer o rio da mesma distância x:


x
v BA + v AM = ( II)
4

Fazendo (II) – (I):


x x 3x x 40
2v AM = − = ∴ =
4 10 20 v AM 3

Para descer com o motor desligado, a velocidade do barco é a própria velocidade da água. Logo,
para o mesmo deslocamento:
x 40
∆t = ∴ ∆t = h ∴ ∆t = 13horas e 20 minutos
v AM 3

2 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


4. Na figura, um ciclista percorre o trecho AB com velocidade escalar média de 22,5 km/h e, em
seguida, o trecho BC de 3,00 km de extensão. No retorno, ao passar em B, verifica ser de
20,0 km/h sua velocidade escalar média no percurso então percorrido, ABCB. Finalmente, ele
chega em A perfazendo todo o percurso de ida e volta em 1,00 h, com velocidade escalar média
de 24,0 km/h. Assinale o módulo v do vetor velocidade média referente ao percurso ABCB.
C

0 km
3, 0
A B

A. ( ) v = 12,0 km/h
B. ( ) v = 12,00 km/h
C. ( ) v = 20,0 km/h
D. ( ) v = 20,00 km/h
E. ( ) v = 36,0 km/h

Alternativa: A
Precisamos, em todos os cálculos, considerar a questão de algarismos significativos:

2d AB + 2d BC 2d + 2 ⋅ 3, 00
v ABCBA = ∴ 24, 0 = AB ∴ 24, 0 = 2d AB + 6, 00 ∴ 2d AB = 18, 0
t ABCBA 1, 00

∴ d AB = 9, 00 km

d AB + 2d BC 9, 00 + 2 ⋅ 3, 00 9, 00 + 6, 00 15, 00
t ABCB = = = = = 0, 750 h
v ABCB 20, 0 20, 0 20, 0
G
G r AB 9, 00 km G
v ABCB,m = = ∴ v ABCB,m = 12, 0 km/h
t ABCB 0, 750 h

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 3


5. A partir do repouso, um carrinho de montanha russa desliza de uma altura H = 20 3 m sobre
uma rampa de 60º de inclinação e corre 20 m num trecho horizontal antes de chegar em um
loop circular, de pista sem atrito. Sabendo que o coeficiente de atrito da rampa e do plano
horizontal é 1/2, assinale o valor do raio máximo que pode ter esse loop para que o carrinho
faça todo o percurso sem perder o contato com a sua pista.

H
2R

60°
20 m
A. ( ) R = 8 3 m B. ( ) R = 4( 3 − 1) m
C. ( ) R = 8( 3 − 1) m D. ( ) R = 4(2 3 − 1) m
E. ( ) R = 40( 3 − 1) / 3 m

Alternativa: C
A
B

Entre A e B, temos:

W Fnc = ∆ E M ∴ W fat = E M B − E M A (I)


H
W fat = − fat1 ⋅ d1 − fat 2 ⋅ d 2 = − µmg cos 60º ⋅ − µmgd 2
sen60º
1 1 1
W fat = − ⋅ mg ⋅ ⋅ 20 3 − ⋅ mg ⋅ 20 = − 20mg (II)
2 3 2
1
E MB = E PB + E CB = mg2R + mv B 2 (III)
2
E MA = mgh = 20 3mg (IV)

O raio máximo para que o carrinho faça todo o percurso sem perder o contato com a pista é aquele
v 2
para o qual a normal é nula em B: R cp = ma cp ∴ mg = m B ∴ v B 2 = Rg (V)
R
1 5
(V) em (III): E M B = 2mgR + mRg = mgR (VI)
2 2
5
(II), (IV) e (VI) em (I): −20mg = mgR − 20 3mg ∴
2
5
2
R = 20 3 − 20 ∴ R = 8 3 − 1 m ( )

4 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


6. Desde os idos de 1930, observações astronômicas indicam a existência da chamada matéria
escura. Tal matéria não emite luz, mas a sua presença é inferida pela influência gravitacional
que ela exerce sobre o movimento de estrelas no interior de galáxias. Suponha que, numa
galáxia, possa ser removida sua matéria escura de massa específica ρ > 0, que se encontra
uniformemente distribuída. Suponha também que no centro dessa galáxia haja um buraco negro
de massa M, em volta do qual uma estrela de massa m descreve uma órbita circular.
Considerando órbitas de mesmo raio na presença e na ausência de matéria escura, a respeito da
G
força gravitacional resultante F exercida sobre a estrela e seu efeito sobre o movimento desta,
pode-se afirmar que
G
A. ( ) F é atrativa e a velocidade orbital de m não se altera na presença da matéria escura.
G
B. ( ) F é atrativa e a velocidade orbital de m é menor na presença da matéria escura.
G
C. ( ) F é atrativa e a velocidade orbital de m é maior na presença da matéria escura.
G
D. ( ) F é repulsiva e a velocidade orbital de m é maior na presença da matéria escura.
G
E. ( ) F é repulsiva e a velocidade orbital de m é menor na presença da matéria escura.

Alternativa: C
Com ausência de matéria escura, podemos determinar a velocidade orbital:
m
R
M

GMm v2 GM
R cp = m ⋅ acp ∴ 2
= m ∴ v2 =
R R R

Considerando a presença de matéria escura e supondo a galáxia esférica, por simplicidade, temos:

m I

R II
ρ ρ M

galáxia

A matéria escura distribui-se uniformemente por duas regiões: I e II. A resultante das forças
gravitacionais da região I sobre m é nula.
Para o cálculo da nova velocidade orbital:
G ( M + M me ) m v '2 GM GM me GM me
R cp = m ⋅ acp ∴ 2
= m ∴ v '2 = + = v2 +
R R R R R
Dessa forma, a velocidade orbital (v’) na presença de matéria escura é maior do que a velocidade
orbital (v) na ausência de matéria escura.
Como ρ > 0, a força gravitacional da matéria escura também é atrativa e a força gravitacional
resultante é atrativa por conseqüência.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 5


7. Diagramas causais servem para representar relações qualitativas de causa e efeito entre duas
r +
grandezas de um sistema. Na sua construção, utilizamos figuras como s para
r − s
indicar que o aumento da grandeza r implica aumento da grandeza s e para
indicar que o aumento da grandeza r implica diminuição da grandeza s. Sendo a a aceleração, v
a velocidade e x a posição, qual dos diagramas abaixo melhor representa o modelamento do
oscilador harmônico?

A. ( ) a v x

B. ( ) a v x

C. ( ) a v x

a v x
D. ( )

a v x
E. ( )

6 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Sem alternativa
Analisando o movimento de um oscilador harmônico segundo o modelo proposto na questão e
levando em consideração apenas o módulo das grandezas temos:
|x|
1

T/2 T t
|v|
1

T/2 T t

|a|
1

T/2 T t

Ou seja, para qualquer intervalo de tempo:

+
a − v − x

Se analisarmos algebricamente os vetores durante o tempo temos:


x
1
T/2
T t
−1
v
1

T/2 T t
−1
a
1

T/2 T t
−1

Ou seja, não há relação causal para generalizar o movimento.


De qualquer forma não há alternativa dentre as apresentadas.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 7


8. Uma balsa tem o formato de um prisma reto de comprimento L e seção transversal como vista
na figura. Quando sem carga, ela submerge parcialmente até a uma profundidade h0. Sendo ρ a
massa específica da água e g a aceleração da gravidade, e supondo seja mantido o equilíbrio
hidrostático, assinale a carga P que a balsa suporta quanto submersa a uma profundidade h1.

A. ( ) P = ρ gL(h12 − h 20 ) senθ
B. ( ) P = ρ gL(h12 − h 20 ) tan θ
C. ( ) P = ρ gL(h12 − h 20 ) senθ /2
D. ( ) P = ρ gL(h12 − h 20 ) tan θ /2
E. ( ) P = ρ gL(h12 − h 20 )2 tan θ /2

Alternativa: D

θ
2

Para o equilíbrio dada uma profundidade h e massa total M:


Peso = Empuxo ∴ Mg = E = ρVg ∴ M = ρV
com:
bhL
V = SL =
2
θ b/2 θ
Mas: tg   = ∴ b = 2h tg  
2 h 2
θ
2h tg   h L
2 θ
Assim: M = ρ ⋅ ∴ M = ρ L h 2 tg  
2 2
θ
Sendo m a massa do barco, temos: m = ρ L h 02 tg   (I)
2
P θ
Acrescida da carga de peso P: m + = ρ L h12 tg   (II)
g 2
P θ θ
(II) – (I): = ρ L(h12 − h 02 ) tg   ∴ P = ρ L g(h12 − h 02 ) tg  
g 2 2

8 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


9. Considere hipoteticamente duas bolas lançadas de um mesmo lugar ao mesmo tempo: a bola 1,
com velocidade para cima de 30 m/s, e a bola 2, com velocidade de 50 m/s formando um
ângulo de 30º com a horizontal. Considerando g = 10 m/s 2 , assinale a distância entre as bolas
no instante em que a primeira alcança sua máxima altura.
A. ( ) d = 6250 m
B. ( ) d = 7217 m
C. ( ) d = 17100 m
D. ( ) d = 19375 m
E. ( ) d = 26875 m

Alternativa: C

30 m/s 50 m/s
30º
12
O tempo para que a 1ª bola atinja a altura máxima é dado por:
0 = 30 − 10 t ∴ t = 3 s
Considerando que as bolas partam da origem do sistema de coordenadas, em t = 3 s teremos:
x1 = 0
1
y1 = v1y,0 ⋅ t − ⋅ g ⋅ t 2 = 30 ⋅ 3 − 5 ⋅ 32 = 45 m
2
Para a 2ª bola:
3
x 2 = v 2x ⋅ t = 50 cos 30°⋅ 3 = 50 ⋅ ⋅ 3 = 75 3 m
2
1 1 1 1
y 2 = v 2y,0 ⋅ t − g t 2 = 50sen 30°⋅ 3 − ⋅10 ⋅ 32 = 50 ⋅ ⋅ 3 − ⋅10 ⋅ 32 = 30 m
2 2 2 2
Logo:
d = (x 2 − x1 )2 + (y 2 − y1 ) 2 = (75 3 − 0) 2 + (30 − 45) 2 = 752 ⋅ 3 + 152 = 16875 + 225
∴ d = 17100 m

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 9


10. Considere uma bola de basquete de 600 g a 5 m de altura e, logo acima dela, uma de tênis de
60 g. A seguir, num dado instante, ambas as bolas são deixadas cair. Supondo choques
perfeitamente elásticos e ausência de eventuais resistências, e considerando g = 10 m/s 2 ,
assinale o valor que mais se aproxima da altura máxima alcançada pela bola de tênis em sua
ascensão após o choque.
A. ( )5m
B. ( ) 10 m
C. ( ) 15 m
D. ( ) 25 m
E. ( ) 35 m

Alternativa: E
Como todas as colisões são elásticas, as situações imediatamente antes e imediatamente após o
choque entre as duas bolas são:

m v m u

M v M w

Antes Depois
Conservação da quantidade de movimento:
Mv − mv = Mw + mu

Colisão elástica, e = 1:
v m,F − v M,F u−w
e= ∴ 1= ∴ u − w = 2v
v M,I − v m,I v − ( − v)
Mw + mu = Mv − mv 3M − m
 ∴ (M + m)u = 3Mv − mv ∴ u = v
 − Mw + Mu = 2Mv M+m

30 m − m 29
Como M = 10m : u = v= v
10 m + m 11

Sendo H a altura máxima da bola de tênis após o choque e h a sua altura inicial, da conservação de
energia do sistema temos:
u = 2gH
2 2
H u2  29  292
 2 ∴ = ∴ H =   ⋅ h ∴ H = ⋅ 5 ∴ H = 34, 75 m
 v = 2gh h v2 11 112

10 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


11. Um espelho esférico convexo reflete uma imagem equivalente a 3 4 da altura de um objeto
dele situado a uma distância p1. Então, para que essa imagem seja refletida com apenas 1 4 da
sua altura, o objeto deverá se situar a uma distância p2 do espelho, dada por
A. ( ) p2 = 9p1.
B. ( ) p2 = 9p1/4.
C. ( ) p2 = 9p1/7.
D. ( ) p2 = 15p1/7.
E. ( ) p2 = –15p1/7.

Alternativa: A
1 1 1 − p’ f
De = + , temos: = .
f p p’ p f −p

y’ − p’ y’ f
Como = , então =
y p y f −p

Na 1ª situação, temos:
3 f
= ∴ 4f = 3f − 3p1 ∴ f = −3p1
4 f − p1

Na 2ª situação, temos:
1 f −3p1
= = ∴ − 3p1 − p 2 = −12p1
4 f − p 2 −3p1 − p 2
∴ p 2 = 9p1

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 11


12. Uma lâmina de vidro com índice de refração n em forma de cunha é iluminada perpendicularmente
por uma luz monocromática de comprimento de onda λ . Os raios refletidos pela superfície superior
e pela inferior apresentam uma série de franjas escuras com espaçamento e entre elas, sendo que a
m-ésima encontra-se a uma distância x do vértice. Assinale o ângulo θ , em radianos, que as
superfícies da cunha formam entre si.

e
x

A. ( ) θ = λ / 2ne
B. ( ) θ = λ / 4ne
C. ( ) θ = (m + 1) λ / 2nme
D. ( ) θ = (2m + 1) λ / 4nme
E. ( ) θ = (2m – 1) λ / 4nme

Alternativa: A

ar
θ d vidro
ar
Considerando a espessura d da película da ordem do comprimento de onda, tem-se que ela funciona
como uma película delgada.
Como há uma inversão de fase, para as regiões da lâmina com interferência destrutiva, tem-se que:
λ λ
2d = n p ⋅ n = n p ⋅ , para n p = 0, 2, 4, ...
2 2n

Para np = 0 tem-se o vértice.


λ λ
Para np= 2: 2d = 2 ∴ d=
2n 2n

Assim, como θ é pequeno:


d λ λ
sen θ  = ∴ θ
e 2ne 2ne

12 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


13. Uma carga q distribui-se uniformemente na superfície de uma esfera condutora, isolada, de raio
R. Assinale a opção que apresenta a magnitude do campo elétrico e o potencial elétrico num
ponto situado a uma distância r = R/3 do centro da esfera.
A. ( ) E = 0 V/m e U = 0 V
1 q
B. ( ) E = 0 V/m e U =
4πε 0 R
1 3q
C. ( ) E = 0 V/m e U =
4πε 0 R
1 qr
D. ( ) E = 0 V/m e U =
4πε 0 R 2
1 rq
E. ( ) E = eU=0V
4πε 0 R3

Alternativa: B
Estando a carga uniformemente distribuída na superfície, tem-se que:
 R
E  = 0
 3

 R  R 1 q
V   = V(R) ∴ V   =
 3  3  4πε 0 R

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 13


14. Uma haste metálica com 5,0 kg de massa e resistência de 2,0 Ω desliza sem atrito sobre duas
barras paralelas separadas de 1,0 m, interligadas por um condutor de resistência nula e apoiadas
em um plano JG de 30º com a horizontal, conforme a figura. Tudo encontra-se imerso num campo
magnético B , perpendicular ao plano do movimento, e as barras de apoio têm resistência e
atrito desprezíveis. Considerando que após deslizar durante um certo tempo a velocidade da
haste permanece constante em 2,0 m/s, assinale o valor do campo magnético.
G
B

G
v

30o

A. ( ) 25,0 T
B. ( ) 20,0 T
C. ( ) 15,0 T
D. ( ) 10,0 T
E. ( ) 5,0 T

Alternativa: E
Aplicando-se a Lei de Lenz, verifica-se que, vista por cima, a corrente tem sentido horário. Assim,
isolando a barra e tomando uma vista lateral:
y
G JG
Fm N
JG
B
i

θ x
JG
P
Como a velocidade é constante, Frx = 0 :
Psenθ = FM ∴ mg senθ = BiA
ε BAv
Mas a corrente é dada por i = =
R R

Portanto:
 BAv  mgRsenθ
mgsenθ = B  A ∴ mgRsenθ = B2 A 2 v ∴ B =
 R  A2 v
1
5 ⋅10 ⋅ 2 ⋅
∴ B= 2 ∴ B=5T
12 ⋅ 2

14 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


15. A figura representa o campo magnético de dois fios paralelos que conduzem correntes elétricas.
A respeito da força magnética resultante no fio da esquerda, podemos afirmar que ela

A. ( ) atua para a direita e tem magnitude maior que a da força no fio da direita.
B. ( ) atua para a direita e tem magnitude igual à da força no fio da direita.
C. ( ) atua para a esquerda e tem magnitude maior que a da força no fio da direita.
D. ( ) atua para a esquerda e tem magnitude igual à da força no fio da direita.
E. ( ) atua para a esquerda e tem magnitude menor que a da força no fio da direita.

Alternativa: D
Pela figura, observa-se um adensamento das linhas de força na região entre os fios, indicando que as
correntes que os percorrem têm sentidos opostos.
Logo, a força entre eles é repulsiva e os módulos das forças que agem nos dois fios são iguais.
Assim, a força que age no fio da esquerda é para a esquerda.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 15


16. Na figura, o circuito consiste de uma bateria de tensão V conectada a um capacitor de placas
paralelas, de área S e distância d entre si, dispondo de um dielétrico de permissividade elétrica ε
que preenche completamente o espaço entre elas. Assinale a magnitude da carga q induzida
sobre a superfície do dielétrico.

+++++++
−−−−−− d
V ++++++
−−−−−−−

A. ( ) q = ε Vd
B. ( ) q = ε SV/d
C. ( ) q = ( ε − ε 0 ) Vd
D. ( ) q = ( ε − ε 0 ) SV/d
E. ( ) q = ( ε + ε 0 ) SV/d

Alternativa: D
A carga induzida no dielétrico é exatamente igual à diferença de carga que havia antes e depois da
inserção no dielétrico.

ε0SV
Qantes = CV =
d
εSV
Qdepois = C 'V =
d
(ε − ε 0 )SV
qind = Qdepois − Qantes ∴ q ind =
d

16 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


17. Luz monocromática, com 500 nm de comprimento de onda, incide numa fenda retangular em
uma placa, ocasionando a dada figura de difração sobre um anteparo a 10 cm de distância.
Então, a largura da fenda é

A. ( ) 1, 25 µm.
B. ( ) 2,50 µm.
C. ( ) 5, 00 µm.
D. ( ) 12,50 µm.
E. ( ) 25, 00 µm.

Alternativa: C
Em uma fenda simples, nos pontos do anteparo com interferência destrutiva, tem-se:
a ⋅ senθ = nλ , com n ∈` *
As grandezas envolvidas podem ser vistas na figura a seguir.

θ
y
a

Pela figura do enunciado: y = 1 cm


y 1
Mas: senθ  =
d 10
Logo:
1
a ⋅ = 1⋅ 500 ⋅10−9 ∴ a = 5 ⋅10−6 m
10
∴ a = 5 µm

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 17


18. Dentro de um elevador em queda livre num campo gravitacional g, uma bola é jogada para
baixo com velocidade v de uma altura h. Assinale o tempo previsto para a bola atingir o piso do
elevador.
A. ( ) t = v / g
B. ( ) t = h / v
C. ( ) t = 2h / g

D. ( ) t = ( v + 2gh − v) / g
2

E. ( ) t = ( v − 2 gh − v ) / g
2

Alternativa: B
No referencial do elevador, a bola não possui aceleração. Sendo assim, se v é a velocidade da bola
h
em relação ao elevador, então o tempo para atingir o piso é dado por: t = .
v

18 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


19. Um cubo de 81,0 kg e 1,00 m de lado flutua na água cuja massa específica é ρ = 1000 kg / m3.
O cubo é então calcado ligeiramente para baixo e, quando liberado, oscila em um movimento
harmônico simples com uma certa freqüência angular. Desprezando-se as forças de atrito e
tomando g = 10 m /s2, essa freqüência angular é igual a
A. ( ) 100 / 9 rad /s.
B. ( ) 1000 /81 rad /s.
C. ( ) 1 / 9 rad/s.
D. ( ) 9 /100 rad /s.
E. ( ) 81 / 1000 rad /s.

Alternativa: A
Analisando as forças que atuam sobre o cubo inicialmente em equilíbrio, temos:
JG
JG E 0 h
P

No equilíbrio, temos:
E 0 = P ∴ ρ ⋅ Vimerso ⋅ g = mcubo ⋅ g ∴ ρ ⋅ A ⋅ h = m cubo

Causando uma perturbação x, muito pequena, para baixo, temos solução harmônica. A nova
representação de forças é dada por:
JG
JG E
P h+x

Para a resultante de forças:


FR = E − P = ρ⋅ A ⋅ (h + x) ⋅ g − mcubo ⋅ g = ρ⋅ A ⋅ h ⋅ g + ρ⋅ A ⋅ x ⋅ g − ρ⋅ A ⋅ h ⋅ g
∴ FR = ρ⋅ A ⋅ g ⋅ x
Logo, a constante de rigidez será k = ρ ⋅ A ⋅ g.
A freqüência natural de vibração será dada por:
k ρ⋅ A ⋅ g 103 ⋅12 ⋅10 102
ωN = = = =
mcubo mcubo 81 9
100
∴ ωN = rad/s
9

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 19


20. Considere um pêndulo simples de comprimento L e massa m abandonado da horizontal. Então,
para que não arrebente, o fio do pêndulo deve ter uma resistência à tração pelo menos igual a
A. ( ) mg.
B. ( ) 2mg.
C. ( ) 3mg.
D. ( ) 4mg.
E. ( ) 5mg.

Alternativa: C
m
L
A

A tração é máxima no ponto B, pois é o mais baixo da trajetória.


Considerando o sistema conservativo, temos:
v2
E MA = E M B ∴ mgL = m ∴ v 2 = 2gL
2
Dessa forma, a tração pode ser determinada em B:
v2 v2
R cp = m ∴ T − mg = m ∴ T = m ⋅ 2g + mg ∴ T = 3mg
R L

20 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


As questões dissertativas, numeradas de 21 a 30,
devem ser resolvidas no caderno de soluções

21. Um feixe de laser com energia E incide sobre um espelho de massa m dependurado por um fio.
Sabendo que o momentum do feixe de luz laser é E/c, em que c é a velocidade da luz, calcule a
que altura h o espelho subirá.

Resolução:
Aplicando-se a conservação de quantidade de movimento e sendo a superfície um espelho, tem-se
que:

Pantes = Pdepois
E E' E + E'
= m⋅v − ∴ v=
c c mc

Na equação anterior E ' < E, ou seja, o fóton de recuo tem uma freqüência menor do que o fóton
incidente, pois parte da energia é utilizada para elevar o espelho. Como a massa do espelho é muito
maior do que a massa relacionada à quantidade de movimento do fóton, considera-se o desvio de
freqüência desprezível e E  E '.

2E
Logo: v 
mc

Assim, por conservação de energia, tem-se que:

1 v2 2E 2
mv 2 = mgh ∴ h = ∴ h= 2 2
2 2g m c g

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 21


22. Chapas retangulares rígidas, iguais e homogêneas, são sobrepostas e deslocadas entre si,
formando um conjunto que se apóia parcialmente na borda de uma calçada. A figura ilustra
esse conjunto com n chapas, bem como a distância D alcançada pela sua parte suspensa.
Desenvolva uma fórmula geral da máxima distância D possível de modo que o conjunto ainda
se mantenha em equilíbrio. A seguir, calcule essa distância D em função do comprimento L de
cada chapa, para n = 6 unidades.

Resolução:
Para obter a distância máxima, cada conjunto que se apóia sobre uma chapa qualquer deve ter o seu
ponto de apoio coincidente com seu centro de massa.
Para n chapas sobrepostas sobre a calçada, podemos analisar as n – 1 chapas superiores, cujo centro
de massa dista D n −1 da origem na figura, e a chapa inferior, cujo centro de massa dista D ' da
origem.
Como o centro de massa da chapa inferior dista L/2 do ponto de apoio das n – 1 chapas superiores,
então:
D ' = D n −1 + L 2

Assim, o centro de massa do conjunto, x n é:

Dn =
( n − 1) ⋅ Dn −1 + D ' ∴ Dn =
( n − 1) ⋅ Dn −1 + Dn −1 + L 2 ∴ D n = D n −1 +
L
( n − 1) + 1 n 2n

centro de massa centro de massa


de n chapas de n − 1 chapas
0

L 2 D n −1
D’
Dn
Assim, a distância D n pode ser encontrada por:
L L L L L L L
D n = D n −1 + = D n −2 + + = ... ∴ D n = + + + ... +
2n 2(n − 1) 2n 2 ⋅1 2 ⋅ 2 2 ⋅ 3 2n
L  1 1 1
∴ Dn = ⋅  1 + + + ... + 
2  2 3 n

Para n = 6 unidades:
L  1 1 1 1 1 49 ⋅ L
D6 = ⋅  1 + + + + +  ∴ D6 =
2  2 3 4 5 6 40

22 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


23. Em 1998, a hidrelétrica de Itaipu forneceu aproximadamente 87600 GWh de energia elétrica.
Imagine então um painel fotovoltaico gigante que possa converter em energia elétrica, com
rendimento de 20%, a energia solar incidente na superfície da Terra, aqui considerada com
valor médio diurno (24 h) aproximado de 170 W/m 2 . Calcule:
a) a área horizontal (em km2) ocupada pelos coletores solares para que o painel possa gerar,
durante um ano, energia equivalente àquela de Itaipu, e,
b) o percentual médio com que a usina operou em 1998 em relação à sua potência instalada de
14000 MW.

Resolução:
EU
a) E U = η⋅ E T = η PT ⋅ t = η⋅ I ⋅ S ⋅ t ∴ S =
η⋅ I ⋅ t
87600 ⋅109 W ⋅ h
S= ∴ S  0,294 ⋅109 m 2
W
0, 2 ⋅170 2 ⋅ 365 ⋅ 24 h
m
∴ S  2,94 ⋅102 km 2

PU E U t E U 87600 ⋅109 W ⋅ h
b) η= = = =  0, 71
PT PT PT ⋅ t 14000 ⋅106 W ⋅ 365 ⋅ 24 h
∴ η ≅ 71%

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 23


24. Num filme de ficção, um foguete de massa m segue uma estação espacial, dela aproximando-se
com aceleração relativa a. Para reduzir o impacto do acoplamento, na estação existe uma mola
de comprimento L e constante k. Calcule a deformação máxima sofrida pela mola durante o
acoplamento sabendo-se que o foguete alcançou a mesma velocidade da estação quanto dela se
aproximou de uma certa distância d > L, por hipótese em sua mesma órbita.

Resolução:
Considerando-se um referencial que se move com a mesma velocidade da estação, a partir do
instante em que o foguete atinge a distância d da estação, podemos aplicar a equação de Torricelli,
observando, para o foguete:

v0 = 0
 e ∆s = d − L
 v = v1
v 2 = v02 + 2a∆s ∴ v12 = 2a ( d − L )

Ao começar a interagir com a mola (atracamento), consideraremos que cessa a propulsão do


foguete. Temos então a colisão do foguete (massa m) com a estação (considerada de massa M).

A deformação máxima da mola ocorrerá quando a distância entre o foguete e a estação for mínima,
ou seja, quando a velocidade relativa entre eles for nula, o que implica que ambos terão a mesma
velocidade v2 em relação ao referencial escolhido.

Pela conservação do momento linear, podemos determinar a velocidade do conjunto após a colisão
(v2):
m
mv1 = ( M + m ) v 2 ∴ v 2 = v1
M+m

A força que age durante a colisão é a elástica, que é conservativa. Logo, há conservação da energia
mecânica do sistema:
1 1 1
mv12 = ( M + m ) v 22 + kx 2
2 2 2

Substituindo os valores anteriormente determinados, temos:


m2
m ⋅ 2a ( d − L ) = ( M + m ) 2a ( d − L ) + kx 2
( M + m) 2

 m 
∴ 2am ( d − L ) ⋅ 1 −  = kx 2
 M + m 

2am ( d − L ) 1
∴ x= ⋅
k m
1+
M

2am ( d − L )
Obs.: Se M>>m, a deformação máxima da mola será dada por x = .
k

24 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


25. Lua e Sol são os principais responsáveis pelas forças de maré. Estas são produzidas devido às
diferenças na aceleração gravitacional sofrida por massas distribuídas na Terra em razão das
respectivas diferenças de suas distâncias em relação a esses astros. A figura mostra duas massas
iguais, m1 = m2 = m, dispostas sobre a superfície da Terra em posições diametralmente opostas e
alinhadas em relação à Lua, bem como uma massa m0 = m situada no centro da Terra. Considere
G a constante de gravitação universal, M a massa da Lua, r o raio da Terra e R a distância entre os
centros da Terra e da Lua. Considere, também, f0z, f1z, e f2z as forças produzidas pela Lua
respectivamente sobre as massas m0, m1 e m2. Determine as diferenças (f1z – f0z) e (f2z – f0z)
1
sabendo que deverá usar a aproximação = 1 − αx, quando x << 1.
(1 + x )α

Lua

z
Terra
m2
m0
m1
x

Resolução:
Da gravitação universal, temos:

Gm1m 2
F=
d2

Assim:
GMm
f 0z =
R2
GMm GMm GMm  2r  r
f1z = = = 2 
1 −  , pois << 1
(R + r) 2  r
2
R  R R
R 2 1 + 
 R
GMm GMm GMm  2r  r
f 2z = = = 2 
1 +  , pois << 1
(R − r) 2  r 
2
R  R R
R 2 1 − 
 R
Logo:

GMm  2r  GMm 2GMmr


f1z − f 0z = 2 
1−  − ∴ f1z − f 0z = −
R  R R 2
R3
GMm  2r  GMm 2GMmr
f 2z − f 0z = 2 
1+  − ∴ f 2z − f 0z =
R  R R 2
R3

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 25


26. Para ilustrar os princípios de Arquimedes e de Pascal, Descartes emborcou na água um tubo de
ensaio de massa m, comprimento L e área da seção transversal A. Sendo g a aceleração da
gravidade, ρ a massa específica da água, e desprezando variações de temperatura no processo,
calcule:
a) o comprimento da coluna de ar no tubo, estando o tanque aberto sob pressão atmosférica Pa, e
b) o comprimento da coluna de ar no tubo, de modo que a pressão no interior do tanque
fechado possibilite uma posição de equilíbrio em que o topo do tubo se situe no nível da
água (ver figura).

Pa

Resolução:
a) O ar dentro do tubo sofre uma transformação isotérmica, de tal forma que a pressão interna é
determinada por:
Pi ⋅ Vi = Pf ⋅ Vf ∴ Pa ⋅ A ⋅ L = P ⋅ A ⋅ h, em que h é a altura da coluna de ar e P é a pressão
interna.
A pressão P deve ser suficiente para manter o equilíbrio das pressões:
mg
Pa + Ppeso = P ∴ Pa + =P
A
Dessa forma, a altura h é dada por:
 mg  P ⋅L⋅A
Pa ⋅ A ⋅ L =  Pa +  ⋅A⋅h ∴ h = a
 A Pa ⋅ A + mg

b) Na nova posição de equilíbrio, as pressões são relacionadas por:


, , mg
Pa + Ppeso = P’ ∴ Pa + = P’
A
Pelo Teorema de Stevin:
,
Pa + ρ ⋅ g ⋅ h’ = P’
Assim, a altura h’ é dada por:
, , mg m
Pa + ρ⋅ g ⋅ h’ = Pa + ∴ h’ =
A ρ⋅ A

26 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


27. Três processos compõem o ciclo termodinâmico ABCA mostrado no diagrama P x V da figura.
O processo AB ocorre a temperatura constante. O processo BC ocorre a volume constante com
decréscimo de 40 J de energia interna e, no processo CA, adiabático, um trabalho de 40 J é
efetuado sobre o sistema. Sabendo-se também que em um ciclo completo o trabalho total
realizado pelo sistema é de 30 J, calcule a quantidade de calor trocado durante o processo AB.

A
P

Resolução:
No processo AB, a temperatura é constante ( ∆U AB = 0 )

∆U AB = Q AB − τAB
∴ 0 = Q AB − τ AB ∴ τ AB = Q AB

No processo BC, o volume é constante:

τ BC = 0

No processo CA, realiza-se trabalho sobre o sistema:

τ CA = −40 J

O trabalho total (30 J) é dado pela soma do trabalho de cada processo:

τ T = τ AB + τ BC + τ CA ∴ 30 = Q AB + 0 + (−40)
∴ Q AB = 70 J

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 27


28. Três esferas condutoras, de raio a e carga Q, ocupam os vértices de um triângulo eqüilátero de
lado b >> a, conforme mostra a figura (1). Considere as figuras (2), (3) e (4), em que,
respectivamente, cada uma das esferas se liga e desliga da Terra, uma de cada vez. Determine,
nas situações (2), (3) e (4), a carga das esferas Q1, Q2 e Q3, respectivamente, em função de a, b
e Q.
3

1 1 2 1 2

Fig. (1) Fig. (2) Fig. (3) Fig. (4)

Resolução:
Pode-se considerar que a carga induzida na esfera que está aterrada é aquela para a qual o potencial
elétrico nela é nulo. Sendo b>>a, pode-se considerar que a distribuição continua esférica nas cargas.
Supondo que as situações (2), (3) e (4) são seqüenciais, tem-se que:

Passo 1: aterra-se Q1

2kQ kQ1 −2Qa


V1 = 0 = + ∴ Q1 =
b a b

Passo 2: aterra-se Q2

kQ1 kQ kQ 2
V2 = 0 = + +
b b a
Q
∴ 2 =−
( −2Qa ) − Q = 2Qa − Q = Q ( 2a − b )
a b2 b b2 b b2
Qa ( 2a − b )
∴ Q2 =
b2

Passo 3: aterra-se Q3

kQ1 kQ 2 kQ3
V3 = 0 = + + ∴
b b a
Q3 Q Q −2Qa Qa ( 2a − b ) 2Qa Qa ( b − 2a ) Qa ( 2b + b − 2a )
∴ = − 1 − 2 =− − = 2 + =
a b b b b3 b b3 b3
Qa 2 ( 3b − 2a )
Q3 =
b3

28 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


29. Um longo solenóide de comprimento L, raio a e com n espiras por unidade de comprimento,
possui ao seu redor um anel de resistência R. O solenóide está ligado a uma fonte de corrente I,
de acordo com a figura. Se a fonte variar conforme mostra o gráfico, calcule a expressão da
corrente que flui pelo anel durante esse mesmo intervalo de tempo e apresente esse resultado
em um novo gráfico.

3
I(A)
2

1 I

0
0 1 2 3 4 t(s) 5

Resolução:
Para determinação da corrente no anel, utilizamos a lei da indução de Faraday:

ε dφ 1
i= =−
R dt R

O fluxo no anel, supondo-se que possui a mesma área do solenóide, é dado por:

n
φ = B ⋅ A = Bπa 2 ∴ φ = µ I π a2
L

Portanto, a corrente é dada por:

n πa 2 dI dI
i = −µ , onde o sinal negativo é devido à Lei de Lenz e é igual ao coeficiente angular
L R dt dt
da reta.

Têm-se, pelo gráfico, 3 intervalos de tempo distintos:

a) entre 0 e 1 s:
dI
= 2 A/s
dt
µ n πa 2
∴ i = −2
L R

b) entre 1 s e 2 s:
dI
=0
dt
∴ i= 0

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 29


c) entre 2 s e 4 s:
dI
= − 1A/s
dt
µ n πa 2
∴ i= +
L R

O gráfico é dado por:

i (A)

µn πa 2
L R
1
0 2 4 t (s)

µn πa 2
−2
L R

Obs.: O gráfico feito com os sinais opostos aos colocados acima também é válido, já que não foi
arbitrado o sentido positivo da corrente.

30 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


30. Considere um circuito constituído por um gerador de tensão E = 122,4 V, pelo qual passa uma
corrente I = 12 A, ligado a uma linha de transmissão com condutores de resistência r = 0,1 Ω.
Nessa linha encontram-se um motor e uma carga de 5 lâmpadas idênticas, cada qual com
resistência R = 99 Ω, ligadas em paralelo, de acordo com a figura. Determinar a potência
absorvida pelo motor, PM, pelas lâmpadas, PL, e a dissipada na rede, Pr.

r r
Lâmpadas
E Motor

r r

Resolução:
A potência total é dada por:
Pt = 122, 4 ×12 = 1468,8 W

A ddp sobre o motor, que é a mesma sobre o ramo em que se encontram as lâmpadas, é dada por:
U m = 122, 4 − 2 ⋅ 0,1⋅12 = 120 V

A corrente sobre o ramo das lâmpadas é dada por:


120 120
iL = = = 6A
R eq 0, 2 + 99
5

Para o motor:
PM = U M ⋅ i M = 120 ⋅ (12 − 6) ∴ PM = 720 W

Para as lâmpadas:
99
PL = R L ⋅ i L 2 = ⋅ 62 ∴ PL = 712,8 W
5

Para as linhas de transmissão:


Pr = 0, 2 ⋅122 + 0, 2 ⋅ 62 ∴ Pr = 36 W

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 31


Comentários
A prova de Física do vestibular do ITA 2009 manteve a estrutura básica de anos anteriores, com
incidência maior de questões de mecânica, com baixa incidência de questões de física térmica,
óptica e física moderna.
Dentre outras, destacam-se positivamente as questões 4, 16, 21 e 28 pela sua originalidade. A
questão 7 não tem resposta de acordo com as alternativas apresentadas e o enunciado da questão 24
permite mais de uma interpretação.
Enfim, parabéns à banca examinadora que certamente ajudará a selecionar os candidatos mais
preparados para os cursos de engenharia do ITA em 2009.

32 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Inglês
As questões de 1 a 4 referem-se à seguinte reprodução de uma página da web:

SEARCH
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Improving people’s lives, one MIT recommends steps to slash


MIT School of Engineering device at a time fuel use by 2035
Room 1-206 (MIT News) Using a bicycle wheel
77 Massachusetts Ave. (MIT News) Detailed analyses in
Cambridge, MA 02139-4307 to thresh millet and making a new MIT report published this
tel. 617-253-3291 LEGO-like bricks from dirt were month conclude that over the next
fax 617-253-8549 among the projects designed 25 years, the fuel consumption of
during a month-long summer new vehicles could be reduced by
For larger text , click on your workshop at MIT to help improve 30-50 percent and total U.S. fuel
browser’s View menu and choose a the lives of millions of people ude for vehicles could be cut to
larger text size. living in the world’s developing year 2000 levels.
countries.
Protection built to scale-fish
MIT awarded $3M for training scale, that is
program in quantum information (MIT News) Scientists seeking to
science protect the soldier of the future
(MIT News) MIT has been can learn a lot from a relic of the
awarded a $3 million grant from past, according to an MIT study of
the National Science Foundation a primitive fish that could point to
to establish a pioneering more effective ways of designing
doctoral-study program in the human body armor.
growing field of quantum
information science, which poses MIT Portugal students win
great potential in supercomputing. entrepreneurship competition
(MIT News) Researchers and
MIT researchers offer glimpse students from the MIT Portugal
of rare mutant cells Program hope a new
(MIT News) MIT biological biotechnology they developed will
engineers have developed a new help treat patients with medical
imaging system that allows them complications from abnormal
to see cells that have undergone protein breakdown.
a specific mutation. The work
could help scientists understand
how precancerous mutations
arise.

http://web.mit.edu/engineering, em 19/09/2008 (adapted).

1. Dentre as notícias da página, somente

I. duas são de interesse para a área médica.


II. duas estão relacionadas à área de transporte.
III. uma trata de projetos sociais.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e III.
E. ( ) todas.

Alternativa: D
Apenas as alternativas I e III estão corretas. Na proposição II, é errado afirmar que duas notícias
estão relacionadas à área de transporte, apenas a notícia MIT recommends steps to slash fuel use by
2035 está relacionada ao tema.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 1


2. Indique o link que o leitor deverá escolher para obter informações sobre um determinado
equipamento de segurança.

A. ( ) Improving people´s lives, one device at a time


B. ( ) MIT awarded $3M for training program in quantum information science
C. ( ) MIT researchers offer glimpse of rare mutant cells
D. ( ) MIT recommends steps to slash fuel use by 2035
E. ( ) Protection built to scale-fish scale, that is

Alternativa: E
O link que o leitor deverá escolher para obter informações sobre um determinado equipamento de
segurança é “Protection built to scale-fish scale, that is”, que fala de cientistas que procuram formas
para proteger o corpo do soldado do futuro.

3. De acordo com a página da web:

I. O MIT recebeu recursos para implementar um curso de pós-graduação na área de Ciência


da Informação Quântica.
II. O MIT sediou evento de um mês para atrair pessoas que vivem em países em
desenvolvimento.
III. o brinquedo LEGO foi utilizado como protótipo em um dos projetos do Workshop de verão
realizado no MIT.
IV. dentro de aproximadamente 25 anos, o consumo de combustíveis dos veículos americanos
poderá ser semelhante ao consumo dos veículos no início desta década.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas I e II. B. ( ) apenas I e IV.


C. ( ) apenas II e III. D. ( ) apenas II e IV.
E. ( ) apenas III e IV.

Alternativa: B
Apenas as proposições I e IV estão corretas. Na II, não se pode dizer que o MIT sediou evento de
um mês para atrair pessoas que vivem em países em desenvolvimento. O objetivo, segundo o
texto, é ajudar a melhorar as vidas dessas pessoas. Na III, não é correto afirmar que o brinquedo
LEGO foi utilizado como protótipo em um dos projetos. O texto informa que tijolos parecidos com
peças de LEGO faziam parte de um dos projetos.

4. Indique o link de onde o parágrafo ao lado foi extraído.

A. ( ) Improving people´s lives, one device at a time “There is widespread belief that fundamental ideas from
B. ( ) MIT awarded $3M for training program in (…) will lead to useful new information technology and
provide computing, communication, and control systems
quantum information science beyond the limits of traditional paradigms,” said Shapiro.
C. ( ) MIT researchers offer glimpse of rare mutant cells “These carry with them profound social implications. This
D. ( ) MIT recommends steps to slash fuel use by 2035 is why this training program will incorporate educations in
ethics and social context.”
E. ( ) Protection built to scale-fish scale, that is

2 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Alternativa: B
O parágrafo dado foi extraído do link “MIT awarded $3M for training program in quantum
information science”, como se infere pela leitura do texto como um todo.

As questões de 5 a 11 referem-se ao seguinte texto:

TEXTILES
Smarter Clothes. Europe wants to own the market for fabrics that can monitor you and your environment
SALLY MCGRANE/PAVIA

AT THE EUCENTRE, A RESEARCH SITE cofounded by The world market for smart textiles is still small – about
the Italian Civil Protection Department in Pavia, Italy, a $ 550 million in revenue in 2008 – but that could double by
young engineer dons a firefighter’s uniform that has been in 2010, according to Massachusetts-based venture
testing for six months. The first prototype of the Proetex Development Corp. The challenge is to fit applications to the
1° project the ordinary looking navy blue jacket and pants market, says Lutz Walter, R&D manager at Euratex, a group
contain high-tech fabrics that can keep track of a 4° representing the $ 326 billion European clothing-and-textile
firefighter’s vital signs, warn him if the fire is too hot up industry. “In the medical field, there’s high value added. But
ahead, provide GPS readings of his position and alert the to be approved as devices takes 10 years,” says Walter. “In
command center if he has passed out. (…) other areas, it’s price: How much are consumers going to be
Though the technology was pioneered in the U.S., the willing to pay for a smart jogging shirt or for a baby suit that
Europeans have taken the reins in a bid to revitalize their detects sudden death syndrome?” (…)
traditional-textile industry, which has been hammered by The development of these technologies is currently
Asian competition. “We want to develop state-of-the-art taking place largely in the biomedical and safety fields, but
2° know-how that can’t be found in Asia,” says Andreas Annalisa Bonfiglio, a professor of electrical and electronic
Lymberis, a scientific officer with the European engineering at the University of Cagliari who coordinates the
Commission who has championed smart textiles. “Our 5° Proetex project, thinks sports could be the sector where the
purpose is to create a new market.” most potential lies. “Sportswear is an extremely powerful
Bringing industry partners like Phillips and traditional means for promoting the acceptance of these new
clothing and textile companies together with university technologies by common people,” says Bonfiglio, noting
researchers from across the E.U. and Switzerland, that the technology Proetex develops for rescue workers
Commission-funded teams have already produced could easily be used later for sports applications.
prototypes with limited commercial availability, such as a At the Spaulding Rehabilitation Hospital in Boston,
3° tank top that wirelessly monitors cardiac patients and researchers are testing a glove made by Smartex, an Italian
sports clothes that keep track of breathing. Other projects 6° smart-materials company, that tracks motor functions in
include fabrics that look and feel normal but are poststroke patients.
embedded with microcomputers, solar panels and energy- Smartex founder and University of Pisa biomedical-
harvesting systems, as well as fabrics that measure blood engineering professor Danilo De Rossi says there is no way
oxygen levels and track biochemicals in sweat and of kowing if Europe will maintain its edge. “Right now we
bedsheets that monitor depression. are leading in this field,” he says, since Europe tends to be
7° concerned with medicine, social welfare and the elderly,
whereas the U.S. tends to focus on military technology. That
could change. But in a business driven by technology rather
than price, the Europeans would still have a fighting chance.

Time, July 14, 2008 (adapted).

5. Assinale a opção que melhor indica o tema central do texto.

A. ( ) Levantamento de necessidades do mercado mundial para o desenvolvimento de tecidos


inteligentes.
B. ( ) Descrição de peças de vestuário desenvolvidas por engenheiros europeus e americanos.
C. ( ) Disputa do mercado mundial para detenção da tecnologia para desenvolvimento e
produção de tecidos inteligentes.
D. ( ) Concorrência entre diversas indústrias do setor têxtil.
E. ( ) Disputa entre universidades e indústrias européias para o desenvolvimento de pesquisa
tecnológica na área têxtil.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 3


Alternativa: C
O tema central do texto é a disputa do mercado mundial para detenção da tecnologia para
desenvolvimento e produção de tecidos inteligentes, como se observa no título e subtítulo (Roupas
Inteligentes – A Europa quer deter o mercado de tecidos...), assim como na leitura do texto como
um todo.

6. De acordo com o texto, a indumentária desenvolvida no Projeto Proetex permite, dentre outras
funções, que:

I. os sinais vitais e a localização do usuário sejam monitorados.


II. o usuário seja alertado sobre aumento da temperatura externa.
III. um possível desmaio do usuário seja evitado.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e II.
E. ( ) apenas II e III.

Alternativa: D
Estão corretas apenas as afirmações I e II.
Na I, o trecho “[...] high tech fabrics that can keep of a firefighter’s vital signs [...] provide GPS
readings of his position [...]”
Na II, o trecho “[...] warn him if the fire is too hot up ahead [...]”
Na III, o texto afirma que o tecido pode alertar o centro de comando no caso de um bombeiro
desmaiar e não evitar um possível desmaio.

7. De acordo com o texto:

I. a tecnologia hoje utilizada para o desenvolvimento de tecidos inteligentes para uniformes


de bombeiros poderá ser facilmente adaptada para roupas de esportistas.
II. há consumidores dispostos a pagar qualquer preço por uma peça de roupa infantil que
sinalize a doença morte-súbita.
III. em breve, os asiáticos passarão a dominar o mercado de tecidos inteligentes, hoje nas mãos
dos europeus.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e II.
E. ( ) todas.

Alternativa: A
Apenas a afirmação I está correta, como se verifica no trecho: “Sportswear is an extremely powerful
means for promoting the acceptance of these new technologies by common people [...] could easily
be used later for sports applications”.

4 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


8. Assinale a opção em que o termo da coluna II NÃO pode substituir o termo da coluna I no
texto.
I II
A. ( ) dons (parágrafo 1) wears
B. ( ) the reins (parágrafo 2) control
C. ( ) a bid (parágrafo 2) an attempt
D. ( ) hammered (parágrafo 2) stopped
E. ( ) championed (parágrafo 2) supported

Alternativa: D
A opção em que o termo dado não pode substituir o termo oriundo do texto é a da alternativa D:
“stopped” não pode substituir “hammered”. O verbo “to hammer”, no contexto, significa derrotar
facilmente.

9. Assinale a opção que indica o projeto, ou protótipo, de uso de tecido inteligente que NÃO é
mencionado no texto.

A. ( ) Roupa de cama capaz de monitorar depressão.


B. ( ) Coletes sem fio para monitorar pacientes cardíacos.
C. ( ) Roupas esportivas para monitorar respiração.
D. ( ) Tecidos com painel solar embutido.
E. ( ) Meias para monitorar movimentos de pacientes pós-derrame.

Alternativa: E
O uso do tecido inteligente que não é mencionado no texto é o de “meias” para monitorar
movimentos de pacientes pós-derrame. O texto fala de “luvas” (gloves), e não de “meias”.

10. De acordo com o texto:


I. estima-se que a renda do mercado mundial de tecidos inteligentes poderá atingir 1.1
bilhão de dólares em aproximadamente dois anos.
II. Smartex é uma empresa italiana que foi fundada por um professor universitário.
III. a Comissão Européia subsidiou uma equipe composta pela Philips, por empresas
tradicionais das áreas têxtil e de vestuário e por pesquisadores universitários americanos e
suíços.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e II.
E. ( ) apenas II e III.

Alternativa: D
Estão corretas apenas as afirmações I e II. A afirmação I encontra-se no trecho “The world market
for smart textiles is still small – about $ 550 million in revenue in 2008 – but that could double by
2010 [...]”.
A afirmação II encontra-se no trecho “[...] Smartex, an Italian smart-materials company [...]
Smartex founder and University of Pisa biomedical-engineering professor Danilo De Rossi [...]”.
SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 5
11. Considere as seguintes frases extraídas do texto e as respectivas reescritas.

I. ... a young engineer dons a firefighter’s uniform that has been in testing for six months.
(parágrafo 1)
... a firefighter’s uniform that has been in testing for six months is donned by a young
enginner.
II. ... Commission-funded teams have already produced prototypes with limited commercial
availability... (parágrafo 3)
... prototypes with limited commercial availability have already produced by Commission-
funded teams.
III. ... researchers are testing a glove made by Smartex, an Italian smart-materials company,
... (parágrafo 6)
... a glove made by Smartex, an Italian smart-materials company, has been tested by
researchers.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e II.
E. ( ) apenas II e III.

Alternativa: A
Nessa questão, as frases extraídas do texto foram reescritas com o uso da Voz Passiva. Apenas a
frase I foi estruturada de forma correta.
Na II, o correto seria “[...] prototypes with limited commercial availability have already been
produced by commission – funded teams.”
Na III, o correto seria “[...] a glove made by Smartex, an Italian smart-materials company, is being
tested by researchers.”

A questão 12 refere-se à tira abaixo:

12. Assinale a opção que melhor preenche a fala do balão em branco no primeiro quadrinho.
A. ( ) Yes, hold on a second. B. ( ) The line is busy at the moment.
C. ( ) Indeed, how can I help you? D. ( ) Yes, what would you like to have?
E. ( ) Yes, can I hook you up?

6 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Alternativa: C
De acordo com as falas que antecedem e sucedem o balão em branco, a opção que melhor o
preenche é “Indeed, how can I help you?” (Certamente, como posso ajudá-lo?).

As questões de 13 a 16 e referem-se ao texto abaixo:

Persuading Leonardo
Although both Ben Shneiderman’s Leonardo’s Laptop: Human Needs and the New Computing Technologies and B.J. Fogg’s
Persuasive Technology: Using Computers to Change What We Think and Do are Written by academics, the books transcend academia to
provide a different view of the Internet’s potential. Shneiderman prepares the groundwork for what he calls the “new computing,” while Fogg describes how
to make that computing persuasive.
The idea behind Leonardo’s Laptop is a consideration of what Leonardo da Vinci would demand from a laptop computer and what he would do
with it. To Shneiderman, who is founding director of the Human-Computer Interaction Lab at the University of Maryland, the new computing puts users first.
Shneiderman begins with a brief history of computing and computer applications, declaring that, “These founders of the old computing overcame
technological limitations to build impressive projects and then turned to producing tools for themselves, givin little thought to the needs of other users.”
Although not a founder, I admit to being of the old computing generation. I programmed in dead languages such as IBM’s 1401 Autocoder and 360
Assembler before progressing to Cobol and RPG. I have now learned Visual Basic and C++, and I can report that there is nothing intrinsic to any of these
languages that center a programmer’s focus on those who use their applications. The new computing is not about languages but, as Shneiderman
suggests, about understanding human activities and human relationships.
With Leonardo as both creator and user, his laptop will enable greater creativity and grander goals. This book goads you with ideas for applications in
e-learning, e-business, e-healthcare, and e-government. Each area is built around a framework for technology innovation that Shneiderman calls the “four
circles of relationships” and the “four stages of activities.” (...)
Although the mental picture of Leonardo with a notebook computer excites the imagination, as a literary device, it does not wear well as the book
progresses. Nonetheless, Shneiderman achieves the objective of Leonardo’s Laptop – creating a foundation for the new computing.
With a new computing application in hand, B.J. Fogg’s Persuasive Technology: Using Computers to Change What We Think and Do
gives you advice on its implementation. To Fogg, who launched Stanford’s Persuasive Technology Lab and who holds seven patents in the area of UI*
design, a web site must first be credible to be persuasive. Fogg has coined the term “captology” to describe this branch of the study of computers. From the
book’s “Introduction:”

Captology focuses on the design, research, and analysis of interactive computing products created for the purpose of changing people’s
attitudes of behaviors.
It is the computer’s ability to provide interactivity that gives its applications an advantage over other forms of media.
Persuasive Technology describes three basic roles that computers play: the computer as a tool, as media, and as a social actor. Further, there
are seven types of persuasive tools described by Fogg. Such tools persuade by simplifying, tunneling (guiding), customizing, being there at the right time,
removing tedium, rewarding after observation, and reinforcing proper behavior. As media, computers can modify behavior by simulating new endeavors. As
a social actor, computers persuade through praise. However, no matter the role, to persuade, the application must be credible.
Perhaps the most interesting parts of Fogg’s book are the two chapters that discuss the ways in which computer applications destroy their own
credibility and what an application or web site must do to be considered, by its users, trustworthy. According to Fogg, a computing device or application
is perceived to be credible only if it is first perceived as believable – trustworthiness based on expertise. In brief, an application is trustworthy if it is thought
to be fair and unbiased. It is trustworthy if its author or origin is thought to be skilled and knowledgeable. The crux of the issue is that credibility matters.
Both books are thoroughly documented and both are excellent points of departure for a more detailed inquiry into the available material. If both books
are taken to heart, using computers and their applications will become enjoyable and satisfying.

*U.I. - User Interface

D. Wohlbruck, Dr Dobb’s Journal, January, 2004.

13. Indique o gênero, em inglês, ao qual o texto acima pertence.


A. ( ) summary B. ( ) review
C. ( ) essay D. ( ) abstract
E. ( ) report

Alternativa: B
O texto é uma crítica sobre dois livros que abordam o tema da computação. Em Inglês, “review”.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 7


14. Considere as seguintes afirmações.

I. As duas obras discutidas no texto têm como assunto principal o uso do computador e suas
aplicações atuais e potenciais.
II. Shneiderman e Fogg, autores do texto, mostram a potencial aplicação da internet nos dias
atuais.
III. De acordo com Shneiderman, o computador eficaz deve ser, concomitantemente, uma
ferramenta capaz de persuadir e um agente interativo.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e II.
E. ( ) apenas I e III.

Alternativa: A

Apenas a afirmação I está correta, como se observa no trecho “If both books are taken to heart,
using computers and their applications will become enjoyable and satisfying.”

15. Com relação a Leonardo’s Laptop: Human Needs and the New Computing Technologies, NÃO
se pode dizer que a obra
A. ( ) tem como foco o usuário de computadores, seja ele um iniciante ou especialista no
assunto.
B. ( ) destaca a importância de programas como Autocoder e Assembler, assim como
COBOL, RPG, Visual Basic e C++.
C. ( ) discute o tipo de uso que Leonardo da Vinci faria, caso tivesse um computador portátil.
D. ( ) mostra a importância das relações humanas no uso do computador.
E. ( ) apresenta ao usuário possibilidades de diferentes usos do computador, dentre eles, para
negócios eletrônicos.

Alternativa: B
Com relação ao livro citado, não se pode dizer que a obra destaca a importância de programas como
Autocoder e Assembler, assim como COBOL, RPG, Visual Basic e C++. No texto, o autor faz
referência a esses programas como linguagens mortas de computador.

8 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


16. Com relação a Persuasive Technology: Using Computers to Change What We Think and Do,
analise as afirmações a seguir:

I. O trabalho foi idealizado no Laboratório de Tecnologia Persuasiva da Universidade de


Stanford e consiste na sétima criação intelectual do autor.
II. Ao propor um novo conceito na área computacional, o autor destaca mudanças de atitude
ou de comportamento dos usuários.
III. A obra argumenta que uma página da web deve ser confiável para seduzir o usuário.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e II.
E. ( ) apenas II e III.

Alternativa: E
Apenas as afirmações II e III estão corretas.
Na II, o trecho: “Captology focuses on the design, research, and analysis of interactive computing
products created for the purpose of changing people’s attitudes or behaviors.”
Na III, o trecho: “To Fogg [...] a Web site must first be credible to be persuasive.”

As questões de 17 a 20 referem-se à entrevista abaixo:

Ten Questions Over a Cell Phone


Milton Hatoum is the award winning author of Dois Irmãos (Two Brothers) and Cinzas do Norte (Ashes from
the North). His new novel, Órfãos do Eldorado (Eldorado Orphans), will be released next April.
Which was your best trip ever?
11 -- The trip I took with my father to Lebanon, in July 1992. He had not seen his Lebanese family for over 30 years. Visiting Lebanon and
meeting dozens of relatives was a very emotional experience.
What is your dream trip?
22 -- To go to Kashmir and some parts of India. I also would like to visit several African countries.
In what other country would you like to live?
33 -- Well, I have already lived in three countries na eight different cities. I now just want to stay around here. But when I think of Provence or
Tuscany, I feel like spending some time in France and Italy.
What do you admire most about a person?
44 -- His or her character. What elevates or demeans a human being is not religion, gender, color, ethnicity – none of that. It’s the character.
What do you hate most in a person?
55 -- I think an arrogant person looks ridiculous. I hate meanness, deceit, dishonest people.
Would you be happy without friends?
66 -- I would be unhappier without them.
What animal would you like to be?
77 -- The very same one I was destined to be. Our fate is to be human.
What do you do when you have nothing to do?
88 -- I get bored when I don’t do anything. Right now, after finishing a novel, I feel a bit like I’m hanging in mid-air, aimless. But there’s always
a book to read or re-read.
Who is your favorite film director?
99 -- I Love Rossellini, Visconti and the directors of Italian neo-realism.
What character would you like to be?
1100 -- It’s hard to say... I would be a terrible actor. But all the characters in my novels have a bit of me in them.
Ano nº 2 OceanAir em revista, 2008 (adapted).

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 9


17. Leia as informações abaixo sobre Milton Hatoum:

I. Viveu em diferentes países e cidades e pretende conhecer lugares na Índia e na África.


II. Destaca a viagem ao Líbano, com seu pai, há 30 anos, como uma das mais marcantes de
sua vida.
III. Elegeu Provença ou Toscana para fixar residência.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e II.
E. ( ) nenhuma.

Alternativa: A
De acordo com as informações sobre Milton Hatoum, apenas a afirmação I está correta.
No texto, “I have already lived in three countries and eight different cities.” (pergunta 3).
“I also would like to visit several African countries.” (pergunta 2).

18. De acordo com a entrevista, Milton Hatoum

I. é um renomado escritor, que recebeu premiação recentemente pela novela Dois Irmãos.
II. costuma reler suas obras quando está com tempo livre.
III. reconhece características pessoais nos personagens que cria.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e II.
E. ( ) todas.

Alternativa: C

Apenas a afirmação III está correta. No texto, “But all the characters in my novels have a bit of me
in them.” (pergunta 10).

19. Considere as seguintes traduções das respostas de Milton Hatoum:


I. What elevates or demeans a human being is not religion, gender, color, ethnicity – none of
that.
O que enaltece ou descaracteriza um ser humano não é a religião, o sexo, a cor, a ética –
nada disso.

II. I hate meanness, deceit, dishonest people.


Eu odeio mesquinharia, falsidade, pessoas desonestas.

III. Right now, after finishing a novel, I feel a bit like I’m hanging in mid-air, aimless.”
Agora, depois de terminar uma novela, eu me sinto totalmente no ar, sem rumo.

10 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas a III. D. ( ) apenas I e II.
E. ( ) apenas II e III.

Alternativa: B
A única tradução correta é a da opção II.
Na I, “ethnicity” é etnia, e não ética.
Na III, “novel” é romance, e não novela.

20. Marque a opção incorreta.


A. ( ) Can you describe the trip you took in 1992? pode substituir a pergunta nº 1, sem
comprometer a resposta de Milton Hatoum.
B. ( ) What is the main aspect that attracts your attention in a person? pode substituir a
pergunta nº 4, sem comprometer a resposta de Milton Hatoum.
C. ( ) What is an arrogant person like? pode substituir a pergunta nº 5, sem comprometer a
resposta de Milton Hatoum.
D. ( ) None except a human being pode ser outra resposta de Milton Hatoum à pergunta nº 7.
E. ( ) How do you feel when you have nothing to do? pode substituir a pergunta nº 8, sem
comprometer a resposta de Milton Hatoum.

Alternativa: A
Na alternativa A, a pergunta “Can you describe the trip you took in 1992?” (“Você pode descrever a
viagem que fez em 1992?”) não pode substituir a pergunta número 1 “Which was your best trip
ever?” (“Qual foi sua melhor viagem?”).

Comentário da prova de Inglês

Prova bem elaborada, com clara predominância de questões de interpretação de texto. É o que,
de fato, se espera dos principais exames vestibulares do país.
A ressalva fica por conta da escolha do texto “Persuading Leonardo”, excessivamente longo e,
por vezes, confuso. Esta resenha de dois livros acadêmicos sobre computação mostrou-se uma
leitura enfadonha, cansativa e desinteressante. Certamente roubou um tempo precioso dos
candidatos e não contribuirá em nada para com a verdadeira avaliação da proficiência na língua
inglesa.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 11


Português
As questões de 21 a 28 referem-se ao texto seguinte:

1 Vou direto ao ponto: estive em Paris. Está dito e precisava ser dito, logo verão por quê. Mas é difícil
escapar à impressão de pedantismo ou de exibicionismo, ao dizer isto. Culpa da nossa velha francofilia (já um
tanto fora de moda). Ou do complexo de eternos colonizados diante dos países de primeiro mundo. Alguns
significantes, como Nova Iorque ou Paris, produzem fascínio instantâneo. Se eu disser “fui a Paris”, o
5 interlocutor responderá sempre: “que luxo!”. E se contar: “fui assaltada em Paris”, ou “fui atropelada em Paris”,
é bem provável que escute: “mas que luxo, ser assaltada (atropelada) em Paris!”
O pior é que é verdade. É um verdadeiro luxo, Paris. Não por causa do Louvre, da Place Vêndome ou
dos Champs Élisées. Nem pelas mercadorias todas, lindas, chiques, caras, que nem penso em trazer para
casa. Meu luxo é andar nas ruas, a qualquer hora da noite ou do dia, sozinha ou acompanhada, a pé, de
10 ônibus ou de metrô (nunca de táxi) e não sentir medo de nada. Melhor: de ninguém. Meu luxo é enfrentar sem
medo o corpo a corpo com a cidade, com a multidão.
O artigo de luxo que eu traria de Paris para a vida no Brasil, se eu pudesse – artigo que não se
globalizou, ao contrário, a cada dia fica mais raro e caro – seria este. O luxo de viver sem medo. Sem medo de
quê? De doenças? Da velhice? Da morte, da solidão? Não, estes medos fazem parte da condição humana.
15 Pertencemos a esta espécie desnaturada, a única que sabe de antemão que o coroamento da vida consiste na
decadência física, na perda progressiva dos companheiros de geração e, para coroar tudo, na morte. Do medo
deste previsível grand finale não se escapa.
O luxo de viver sem medo a que me refiro é bem outro. O de circular na cidade sem temer o semelhante,
sem que o fantasma de um encontro violento esteja sempre presente. Não escrevi “viver numa sociedade sem
20 violência”, já que a violência é parte integrante da vida social. Basta que a expectativa da violência não
predomine sobre todas as outras. Que a preocupação com a “segurança” (que no Brasil de hoje se traduz nas
mais variadas formas de isolamento) não seja o critério principal para definir a qualidade da vida urbana. Não
vale dizer que fora do socialismo este problema não tem solução. Há mais conformismo do que parece em
apostar todas as fichas da política na utopia. Enquanto a sociedade ideal não vem, estaremos condenados a
25 viver tão mal como vivemos todos por aqui? Temos que nos conformar com a sociabilidade do medo? Mas eu
conheço, eu vivi numa cidade diferente desta em que vivo hoje. Esta cidade era São Paulo. Já fiz longas
caminhadas a pé pelo centro, de madrugada. Namorando, conversando com amigos, pelo prazer
despreocupado da flânerie*. A passagem do ano de 1981 para 82 está viva na minha lembraça. Uma amiga
pernambucana quis conhecer a “a esquina de Sampa”. Fomos, num grupo de quatro pessoas, até a Ipiranga com
30 a São João. Dali nos empolgamos e seguimos pelo centro velho. Mendigos na rua não causavam medo. Do
Paysandu (o Ponto Chic estava aberto, claro!) seguimos pelo Arouche, República, São Luís, Municipal,
Patriarca, Sé; o dia primeiro nasceu no Largo São Bento.
Não escrevo movida pelo saudosismo, mas pela esperança. Isso faz tão pouco tempo! Sei lá como os
franceses conseguiram preservar seu raro luxo urbano. Talvez o valor do espaço público, entre eles, não tenha
35 sido superado pelo dos privilégios privados. Talvez a lei se proponha, de fato, a valer para todos. Pode ser que
a justiça funcione melhor. E que a sociedade não abra mão da aposta nos direitos. Pode ser que a violência
necessária se exerça, prioritariamente, no campo da política, e não da criminalidade.
Se for assim, acabo de mudar de idéia. Viver sem medo não é, não pode ser um luxo. É básico; é o grau
zero da vida em sociedade. Viver com medo é que é uma grande humilhação. (Maria Rita Kehl. Você tem medo de
40 quê? Em: http://www.mariaritakehl.psc.br, 2007, adaptado.)

*flânerie (substantivo feminino): passeio sem destino.

12 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


21. Considere as afirmações abaixo:
I. Para a autora, o luxo de Paris não se restringe somente ao aspecto físico da cidade.
II. A autora mostra algumas diferenças entre viver em Paris e em uma cidade brasileira como
São Paulo.
III. A autora, tomada pela francofilia, quer mostrar, ao longo do texto, o luxo urbano raro de
paris.

De acordo com o texto, está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas I e II.


C. ( ) apenas I e III. D. ( ) apenas a II.
E. ( ) apenas a III.

Alternativa: B
A afirmação III está incorreta, pois a autora do texto não foi tomada pela francofilia (admiração por
tudo o que é da França). Nas linhas 2 e 3, ela afirma que tal francofilia está um tanto fora de moda.
A autora defende que o luxo urbano de Paris consiste na segurança de andar pelas ruas da cidade
sem que haja medo. Outro ponto de vista defendido por ela consiste nas diferenças entre viver em
Paris e em São Paulo, já que não há segurança para circular livremente pela cidade paulista,
diferentemente da cidade francesa.

22. Da leitura do texto, NÃO se pode inferir que


A. ( ) os brasileiros entendem segurança como forma de isolamento.
B. ( ) a cidade de Paris é desprovida de violência.
C. ( ) em Paris, podem-se usar meios de transporte coletivos a qualquer hora do dia e da noite,
sem medo da violência.
D. ( ) a globalização proporcionou a importação de bens luxuosos da França, mas não a
consciência de coletividade da nação francesa.
E. ( ) a ação de andar livremente pelas ruas de Paris não é acompanhada pela expectativa da
violência.

Alternativa: B

Na linha 20, Maria Rita afirma: “[...] já que a violência é parte integrante da vida social.” Mais
adiante (linhas 36 e 37), fazendo referência aos franceses, a autora conclui: “Pode ser que a
violência necessária se exerça, prioritariamente, no campo da política, e não da criminalidade.”

23. Assinale a opção em que o uso do sinal de pontuação NÃO se justifica pelo mesmo motivo nas
duas ocorrências.

A. ( ) Parênteses em: (já um tanto fora da moda). (linhas 2 e 3)


(que no Brasil de hoje se traduz nas mais variadas formas de
isolamento) (linhas 21 e 22)

B. ( ) Aspas em: “fui a Paris”, (linha 4)


“viver numa sociedade sem violência”, (linhas 19 e 20)

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 13


C. ( ) Interrogação em: Sem medo de quê? (linhas 13 e 14)
Temos que nos conformar com a sociabilidade do medo?
(linha 25)

D. ( ) Exclamação em: (o Ponto Chic estava aberto, claro!) (linha 31)


Isso faz tão pouco tempo! (linha 33)

E. ( ) Vírgula em: É um verdadeiro luxo, Paris. (linha 7)


Não, estes medos fazem parte da condição humana. (linha 14)

Alternativa: E
A vírgula em “É um verdadeiro luxo, Paris.” serve para introduzir uma explicação, um
esclarecimento do termo anterior. Já em “Não, estes medos fazem parte da condição humana.”, ela é
utilizada para introduzir a justificativa, a explicação às perguntas se a morte, a velhice, a solidão
devem ser temidas.

24. O destaque para o luxo urbano de Paris é dado principalmente porque a cidade
A. ( ) proporciona segurança aos que andam pelas ruas.
B. ( ) pertence a um país de primeiro mundo.
C. ( ) é globalizada, com baixo índice de mortalidade.
D. ( ) apresenta passado socialista, sem política utópica e conformista.
E. ( ) limita a violência ao campo da política.

Alternativa: A
Maria Rita Kehl enfatiza em todo o texto o fato de poder andar nas ruas de Paris sem medo, como
ocorria em São Paulo no início da década de 80. No segundo parágrafo, a autora diz: “Meu luxo é
andar nas ruas, a qualquer hora da noite ou do dia, sozinha ou acompanhada, a pé, de ônibus ou de
metrô (nunca de táxi) e não sentir medo de nada.”

25. Da leitura do texto, pode-se inferir que:


A. ( ) os medos inerentes à condição humana – provocados pela consciência da velhice, morte,
solidão e das perdas – são tão humilhantes quanto o medo da violência.
B. ( ) a autora apresenta duas cidades de São Paulo, diferentes não no aspecto geográfico, mas
no aspecto social, considerando o eixo do tempo.
C. ( ) a autora mostra-se incoerente, quando diz, em momentos distintos do texto, que viver
sem medo da violência é e não é um luxo.
D. ( ) quando a autora diz que não anda de táxi em Paris, ela sugere que não usa esse meio de
transporte por motivos econômicos.
E. ( ) a autora sugere que, mesmo fora da utopia, é possível a existência de uma sociedade
sem violência, onde inexista o medo urbano.

Alternativa: B
Maria Rita faz um confronto entre São Paulo atual e São Paulo na década de 80: na visão da autora,
a cidade não causava medo às pessoas, podia-se caminhar sem preocupar-se com a violência (“[...]
vivi numa cidade diferente desta em que vivo [...] Já fiz longas caminhadas a pé [...] Namorando,
conversando [...] Não escrevo movida pelo saudosismo, mas pela esperança [...]”).

14 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


26. Considere as afirmações abaixo:

I. Em São Paulo, até pouco tempo, era possível preservar o luxo urbano de não se preocupar
com a violência nas ruas.
II. No Brasil, geralmente, as pessoas superestimam os produtos de países desenvolvidos e
subestimam produtos nacionais.
III. Diferentemente da França, no Brasil, segurança está prioritariamente relacionada ao
isolamento urbano.

Está(ão) correta(s)
A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas I e II.
C. ( ) apenas I e III. D. ( ) apenas a II.
E. ( ) apenas II e III.

Alternativa: C
A afirmação II está incorreta, pois o texto não traz referências claras ao fato de as pessoas
subestimarem os produtos nacionais. O que se subentende do texto é uma globalização dos produtos
franceses.

27. “Mas é difícil escapar à impressão de pedantismo ou de exibicionismo, ao dizer isto.” (linhas 1 e 2)
Com o pronome isto, a autora refere-se

A. ( ) à sua estada em Paris.


B. ( ) à necessidade de ter estado em Paris.
C. ( ) ao pedantismo ou exibicionismo de dizer que esteve em Paris.
D. ( ) à francofilia que justifica dizer que esteve em Paris.
E. ( ) ao complexo brasileiro de eterno colonizado.

Alternativa: A
No texto, o pronome “isto” foi empregado como anafórico, retomando o trecho “estive em Paris”,
justificando a alternativa a: “à sua estada em Paris”.

28. Assinale a opção que apresenta os significados corretos para os termos numerados:

I. Pertencemos a esta espécie desnaturada, a única que sabe de antemão[1] que o


coroamento[2] da vida consiste na decadência física, na perda progressiva dos
companheiros de geração e, para coroar tudo, na morte. (linhas 15 e 16)
II. Pode ser que a violência necessária se exerça, prioritariamente[3], no campo da política, e
não da criminalidade. (linhas 36 e 37)
A. ( ) [1] previamente [2] encerramento [3] precipuamente
B. ( ) [1] precipuamente [2] auge [3] principalmente
C. ( ) [1] antecipadamente [2] auge [3] permanentemente
D. ( ) [1] precipuamente [2] encerramento [3] principalmente
E. ( ) [1] antecipadamente [2] esplendor [3] permanentemente

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 15


Alternativa: A
A locução adverbial “de antemão” significa previamente, antecipadamente. O substantivo
“coroamento” deve ser interpretado em sentido não literal, ou seja, com o significado de
encerramento, finalização. Já o advérbio “precipuamente”, formado a partir do adjetivo precípuo,
significa principal, prioritário, essencial.

As questões de 29 a 33 referem-se ao texto seguinte:

1 A vegetação do cerrado é influenciada pelas características do solo e do clima, bem como pela
freqüência de incêndios. O excesso de alumínio provoca uma alta acidez no solo, o que diminui a
disponibilidade de nutrientes e o torna tóxico para plantas não adaptadas. A hipótese do escleromorfismo
oligotrófico defende que a elevada toxicidade do solo e a baixa fertilidade das plantas levariam ao nanismo e à
5 tortuosidade da vegetação.
Além disso, a variação do clima nas diferentes estações (sazonalidade) tem efeito sobre a quantidade de
nutrientes e o nível tóxico do solo. Com baixa umidade, a toxicidade se eleva e a disponibilidade de nutrientes
diminui, influenciando o crescimento das plantas.
Já outra hipótese propõe que o formato tortuoso das árvores do cerrado se deve à ocorrência de
10 incêndios. Após a passagem do fogo, as folhas e gemas (aglomerados de células que dão origem a novos
galhos) sofrem necrose e morrem. As gemas que ficam nas extremidades dos galhos são substituídas por
gemas internas, que nascem em outros locais, quebrando a linearidade do crescimento.
Quando a freqüência de incêndios é muito elevada, a parte aérea (galhos e folhas) do vegetal pode não
se desenvolver e ele se torna uma planta anã. Pode-se dizer, então, que a combinação entre sazonalidade,
15 deficiência nutricional dos solos e ocorrência de incêndios determina as características da vegetação do
cerrado. (André Stella e Isabel Figueiredo. Ciência hoje, março/2008, adaptado.)

29. Assinale a opção cuja pergunta delimita o tema do texto:

A. ( ) Por que o solo do cerrado é pobre em nutrientes?


B. ( ) Por que há incêndios no cerrado?
C. ( ) Por que as árvores do cerrado se desenvolvem pouco?
D. ( ) Por que as árvores do cerrado são pequenas e retorcidas?
E. ( ) Por que a vegetação do cerrado tem baixa fertilidade?

Alternativa: D
Ao analisar a vegetação do cerrado, o texto discute os motivos pelos quais as árvores são pequenas
e retorcidas (“ao nanismo e à tortuosidade da vegetação”, linhas 4 e 5). Parágrafo a parágrafo,
destacam-se trechos como “formato tortuoso das àrvores [...] quebrando a linearidade do
crescimento” (parágrafo 3), que indicam tortuosidade; ou “planta anã” (parágrafo 4), que faz
referência a árvores pequenas, comprovando a delimitação do tema.

16 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


30. As relações de causalidade são estabelecidas no texto, entre outros recursos, pelos verbos.
Assinale a opção em que o sujeito e o complemento do verbo NÃO correspondem,
respectivamente, à ordem causa-conseqüência:

A. ( ) O excesso de alumínio provoca uma alta acidez no solo [...]. (linha 2)


B. ( ) [...] a elevada toxicidade do solo e a baixa fertilidade das plantas levariam ao nanismo e
à tortuosidade da vegetação. (linhas 4 e 5)
C. ( ) Com baixa umidade, a toxicidade se eleva e a disponibilidade de nutrientes diminui,
influenciando o crescimento das plantas. (linhas 7 e 8)
D. ( ) [...] o formato tortuoso das árvores do cerrado se deve à ocorrência de incêndios. (linhas
9 e 10)
E. ( ) [...] a combinação entre sazonalidade, deficiência nutricional dos solos e ocorrência de
incêndios determina as características da vegetação do cerrado. (linhas 14 a 16)

Alternativa: D
Em D, ocorre inversão na relação sujeito = causa, predicado = conseqüência. O trecho “o formato
tortuoso das árvores” (sujeito) é a conseqüência da “ocorrência de incêndios” (predicado). O
operador gramatical que estabelece o sentido de conseqüência é a expressão verbal “se deve”.

31. Os parênteses nos trechos abaixo são usados para inserir


I. uma síntese, em “a variação do clima nas diferentes estações (sazonalidade)” (linha 6).
II. uma explicação, em “as folhas e gemas (aglomerados de células que dão origem a novos
galhos)” (linhas 10 e 11).
III. uma explicação, em “a parte aérea (galhos e folhas)” (linha 13).

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas a II.


C. ( ) apenas I e II. D. ( ) apenas I e III.
E. ( ) todas.

Alternativa: E

O vocábulo “sazonalidade” sintetiza a expressão “a variação do clima nas diferentes estações”.


Já as expressões “aglomerados de células que dão origem a novos galhos” e “galhos e folhas”
constituem-se em explicações de “as folhas e gemas” e “a parte aérea”, respectivamente.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 17


32. Abaixo são apresentadas três das acepções da palavra “hipótese”, extraídas do Dicionário
Houaiss eletrônico 5.0, CD-ROM:

Substantivo feminino
I. suposição, conjectura, pela qual a imaginação antecipa o conhecimento, com o fim de
explicar ou prever a possível realização de um fato e deduzir-lhe as conseqüências;
pressuposição, presunção
II. proposição (ou conjunto de proposições) antecipada provisoriamente como explicação de
fatos, fenômenos naturais, e que deve ser ulteriormente verificada pela dedução ou pela
experiência; conjectura
III. aquilo que se toma como dados de um problema (ou como enunciações) a partir do qual se
parte para demonstrar um teorema.

A palavra “hipótese”, usada duas vezes no texto (linhas 3 e 9), corresponde apenas à(s)
acepção(ões)

A. ( ) I. B. ( ) I e II.
C. ( ) II. D. ( ) II e III.
E. ( ) III.

Alternativa: C
Nas linhas 3 e 9, a palavra “hipótese” apresenta as seguintes ocorrências: a) “A hipótese do
escleromorfismo oligotrófico defende [...]” (linhas 3 e 4) e b) “Já outra hipótese propõe [...]” (linha
9). Os verbos “defende” e “propõe” pressupõem um conhecimento prévio (o que invalida a
assertiva I) e justificam a idéia de “proposição” apresentada no item II. Sendo, pois, proposições –
explicações de fatos – também não se configuram como “dados de um problema” (assertiva III).
No texto, o que se propõe como hipótese constitui-se em teorema, uma vez que segundo Euclides,
em Elementos, teorema é a “afirmação que pode ser provada”, o que novamente rechaça a
afirmação III.

33. Considere o trecho abaixo:

“Após a passagem do fogo, as folhas e gemas (aglomerados de células que dão origem a novos
galhos) sofrem necrose e morrem. As gemas que ficam nas extremidades dos galhos são
substituídas por gemas internas, que nascem em outros locais, quebrando a linearidade do
crescimento.” (3º parágrafo)

Nesse trecho, as orações adjetivas permitem afirmar que

I. nem todas as células produzem novos galhos.


II. algumas gemas se localizam nas extremidades dos galhos.
III. todas as gemas internas nascem em outros pontos do galho.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas I e II.


C. ( ) apenas a II. D. ( ) apenas a III.
E. ( ) todas.

18 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Alternativa: E
As orações adjetivas em jogo são a restritiva (sem vírgula, com a função de delimitação) e a
explicativa (com vírgulas, com a função de compartilhar um saber sobre o antecedente).

1- “[...] aglomerados de células que dão origem a novos galhos [...]”

A oração em grifo restringe o antecedente “células”, pressupondo que nem todas as células dão
origem a novos galhos.

2- “As gemas que ficam nas extremidades dos galhos são substituídas por gemas internas [...]”

A oração em grifo delimita o antecedente “gemas”, deixando implícita a idéia de que nem todas
as gemas ficam nas extremidades dos galhos; ou seja, reiterando a afirmação II: “algumas gemas
se localizam nas extremidades dos galhos”.

3- “[...] por gemas internas, que nascem em outros locais, quebrando a linearidade do crescimento.”

A oração em grifo compartilha um saber sobre todas as gemas internas, pois a existência das
vírgulas impõe uma generalização.

34. Assinale a opção em que a ausência da vírgula NÃO altera o sentido da frase.
A. ( ) Não, espere. B. ( ) Não, quero ler.
C. ( ) Aceito, obrigado. D. ( ) Amanhã, pode ser.
E. ( ) Eu quero um, sim.

Alternativa: D
Em todas as alternativas, exceto na D, a alteração na pontuação implica mudança de sentido:
a) Não, espere. — A ausência da vírgula acarreta interpretação oposta à da frase dada. O pedido
seria para não se esperar.
b) Não, quero ler. — Ao se retirar a vírgula, o pedido seria de alguém que não quer fazer a leitura,
ao contrário do que se interpreta com a vírgula.
c) Aceito, obrigado. — Sem vírgula, têm-se duas possibilidades de leitura:
1 – Obrigado seria o modo como alguém estaria aceitando algo (aceitar por obrigado).
2 – De forma irônica, alguém poderia estar sugerindo que aceitaria um agradecimento (obrigado)
pela realização de algum evento, por exemplo.
e) Eu quero um, sim. — Retirando a vírgula, “sim” seria um substantivo e aquilo que se está sendo
querido; por exemplo, uma resposta.

Em D, a vírgula está isolando o advérbio de tempo “amanhã”. Nesse caso, o emprego da vírgula é
facultativo e sua supressão não implica mudança de sentido.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 19


35. Leia o poema abaixo, “O anel de vidro”, de Manuel Bandeira.

Aquele pequenino anel que tu me deste,


Ai de mim – era vidro e logo se quebrou...
Assim também o eterno amor que prometeste,
Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.

Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,


Símbolo da afeição que o tempo aniquilou –
Aquele pequenino anel que tu me deste,
Ai de mim – era vidro e logo se quebrou...

Não me turbou, porém, o despeito que investe


Gritando maldições contra aquilo que amou.
De ti conservo na alma a saudade celeste...
Como também guardei o pó que me ficou
Daquele pequenino anel que tu me deste.

Nesse texto,
A. ( )
percebemos uma ironia típica dos modernistas ao desqualificar o amor romântico.
B. ( )
existe uma revisão crítica da poesia de temática amorosa vinda do Romantismo.
C. ( )
a temática amorosa (o fim do amor) é tratada com frieza e distanciamento.
D. ( )
há lirismo sentimental, presente em boa medida pela retomada da quadrinha popular
“O anel que tu me deste / Era vidro e se quebrou [...]”.
E. ( ) encontra-se um poema tipicamente romântico por retomar a conhecida quadrinha
popular “O anel que tu me deste / Era vidro e se quebrou [...]”.

Alternativa: D
As alternativas A e B são incorretas porque o poema não desqualifica nem critica o amor romântico.
Como mostram os três versos finais, o eu-lírico guardou até o pó do anel de vidro que se quebrou,
símbolo de um amor do qual tem uma “saudade celeste”. A atitude, assim como o vocabulário,
revela uma forte impregnação do sentimentalismo romântico.
A alternativa C é incorreta porque não há frieza nem distanciamento no tratamento do tema do fim
do amor. Nos três versos finais, a atitude do eu-lírico é comovida e saudosa.
A alternativa E é incorreta por duas razões. A primeira é que não se pode qualificar o poema como
tipicamente romântico. Ele é, na verdade, uma releitura do Romantismo feita por um poeta que se
tornou um dos maiores nomes do Modernismo Brasileiro. A segunda é que o fato de retomar a
quadrinha popular não é o principal aspecto que liga o poema ao Romantismo. Os pontos principais
da releitura do Romantismo feita por Bandeira estão na pontuação expressiva, na adjetivação
emocional e no lirismo centrado no padecimento do eu-lírico.

20 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


36. Leia o poema abaixo, “Inscrição na areia”, de Cecília Meireles.

O meu amor não tem


importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?


Para quem se perfuma?

O meu amor não tem


importância nenhuma.

Nesse texto,

A. ( ) há lirismo sentimental, pois, ao contrário do que o texto diz, nota-se que o amor tem
importância para a autora.
B. ( ) percebe-se que a ironia tão comum na poesia modernista desmonta a crença no amor
romântico.
C. ( ) encontra-se a declaração da impossibilidade do amor romântico na poesia moderna.
D. ( ) o sentimentalismo do poema é bastante marcante (veja-se a pontuação), o que faz dele
um texto de filiação romântica.
E. ( ) a expressão do amor é romântica, o que se nota pelas referências aos elementos da
natureza.

Alternativa: A
No poema de Cecília Meireles, o eu-lírico admite que sua vivência e seus gestos amorosos são
insignificantes por falta de um objeto do amor, mas essa admissão não implica a decisão de deixar
de amar. O amor persiste como um bem real, mas imponderável, que só tem valor como experiência
interior do eu-lírico.
A afirmação B é incorreta porque, embora declare ironicamente que seu amor não tem importância,
o eu-lírico admite que se perfuma e se desfaz (“desfolha-se”) por amor, o que revela uma crença no
amor como sentimento romântico.
A afirmação C é incorreta porque o poema não se apresenta como uma declaração de que o amor
romântico é impossível na poesia moderna. O poema intimista e subjetivo que não sustenta o caráter
taxativo e generalizado de uma declaração desse tipo.
A afirmação D é incorreta porque a pontuação sóbria do poema não indica filiação romântica.
A afirmação E é incorreta porque as referências a elementos da natureza (que são escassas no texto)
não são suficientes para concluir que o poema expressa o amor de maneira romântica (ainda mais
porque o eu-lírico nega que o seu amor tenha importância).

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 21


37. Leia o poema abaixo, “Na contramão”, de Chacal.

ela ali tão sem


eu aqui sem chão
nós assim ninguém
cada um na mão

Acerca desse poema, considere as seguintes afirmações:

I. Ele possui uma das marcas mais típicas da poesia contemporânea, que é a brevidade.
II. É notória a informalidade da linguagem, que afasta o poema da tradição culta e erudita.
III. Há um sentimentalismo contemporâneo que filtra os excessos da expressão sentimental.
IV. Existe a persistência do tema do desencontro amoroso (tradicional na literatura).

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas a I. B. ( ) apenas I e II.


C. ( ) apenas I, II e III. D. ( ) apenas III e IV.
E. ( ) todas.

Alternativa: E
O poeta Chacal começou a destacar-se na década de 1970 no panorama do que foi chamado de
“poesia marginal”. Tratava-se de um grupo de poetas jovens, inconformados, que estavam à
margem das grandes instituições culturais, da grande imprensa e das grandes editoras; por isso,
divulgavam suas poesias em saraus, eventos estudantis ou por meio de folhetos de impressão barata.
Os poetas marginais, assim como os modernistas da fase heróica, faziam uma poesia caracterizada
pela brevidade e pela espontaneidade e informalidade. Muitos temas tradicionais da poesia, como o
amor insatisfeito, a solidão e o desencontro amoroso, foram retomados pelos poetas marginais,
numa forma contemporânea.
Observação: Na afirmação III, seria mais adequado falar em “lirismo contemporâneo” do que em
“sentimentalismo contemporâneo”.

38. Quando comparamos a ficção romântica de José de Alencar com as obras realistas de Machado
de Assis, é possível diferenciá-las em muitos pontos, tais como:

I. A ficção romântica, em geral, termina com a união do casal no casamento (como em


Senhora, em que a união do casal só se realiza no fim do livro), ao passo que a narrativa
realista costuma terminar com a dissolução do casamento (como em Dom Casmurro).
II. Na ficção romântica, é visível que tudo gira em torno do sentimento amoroso (como em
Senhora), mas na ficção realista o que se percebe é muito mais erotismo que amor (como
em Memórias póstumas de Brás Cubas, em que há o envolvimento adúltero de Virgília e
Brás Cubas).
III. Os protagonistas das obras românticas são muito virtuosos (como Peri em O Guarani), já
os protagonistas das obras realistas são comuns (como em Dom Casmurro).
IV. As obras românticas são sempre localizadas no passados histórico (como em O Guarani),
enquanto as realistas são invariavelmente localizadas no presente (como em Quincas
Borba).

22 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas I, II e III. B. ( ) apenas I, II e IV.


C. ( ) apenas I e III. D. ( ) apenas II, III e IV.
E. ( ) todas.

Alternativa: A
Embora com ressalvas devido à formulação imprecisa, as afirmações I, II e III podem ser
consideradas corretas.
A principal ressalva é que o enunciado I afirma de maneira demasiado genérica que a ficção
romântica termina com a união no casamento. Seria mais correto dizer que esse momento literário
privilegia o impulso que leva os apaixonados a buscar a união (que pode ocorrer ou não). Para os
românticos, a legitimação da união amorosa pelo casamento não é o ponto mais importante.
O enunciado II, embora demasiado genérico, destaca corretamente a força do impulso amoroso
como mola-mestra dos enredos românticos, especialmente das obras que tinham caráter
folhetinesco. Do mesmo modo, pode-se considerar correto que, à luz da análise psicológica dos
escritores realistas, as motivações amorosas sentimentais se revelam impulsos de desejo sexual.
Portanto, o Realismo destaca o papel do erotismo.
No enunciado III, deve ser feita uma ressalva na caracterização dos protagonistas das obras realistas
como indivíduos “comuns”. Seria mais adequado dizer que, no Realismo, os protagonistas são
indivíduos com defeitos muito salientes e cujas qualidades são poucas e não-idealizadas.
A afirmação IV é claramente incorreta porque nem todas as obras românticas transcorrem no
passado histórico. Os romances urbanos de José de Alencar, como Senhora, apresentam enredos
que transcorrem na época contemporânea do autor (a segunda metade do século XIX). Por outro
lado, tampouco é correto afirmar que as obras realistas invariavelmente se passam no presente.
Machado de Assis escreveu muitos contos que se passam em épocas distantes. O Alienista fala de
acontecimentos supostamente ocorridos no começo do século XIX; O Segredo do Bonzo se
apresenta como um capítulo inédito do navegador Fernão Mendes Pinto, que viveu no século XVI;
o Conto Alexandrino se passa no período helenístico.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 23


39. Os romances de Machado de Assis e os de Graciliano Ramos são exemplos bem acabados da
forte presença do realismo na Literatura Brasileira. Entretanto, há diferenças bem marcantes
entre a ficção realista do século XIX e a ficção de cunho realista da geração de 30. Algumas
delas são:

I. As obras realistas do século XIX (em particular os romances de Machado de Assis)


retratam a burguesia rica, enquanto os romances de Graciliano Ramos retratam apenas os
retirantes vítimas da seca.
II. No século XIX, o realismo tem preferência pela temática do adultério feminino e do
triângulo amoroso, tema este que não é central nas obras da geração de 30, que se
preocupam mais com a desigualdade social.
III. Os romances machadianos são urbanos; as obras de Graciliano Ramos retratam, em geral,
os ambientes rurais do Nordeste.
IV. No realismo do século XIX, as personagens, em geral, são mesquinhas, vis e medíocres. Já
na ficção realista dos anos 30, as personagens são, sobretudo, produtos de um meio social
adverso e injusto.

Está(ão) correta(s)

A. ( ) apenas I, II e III. B. ( ) apenas I, II e IV.


C. ( ) apenas II, III e IV. D. ( ) apenas III e IV.
E. ( ) todas.

Alternativa: C
As afirmações II, III e IV estão corretas.
A afirmação I é incorreta porque a obra de Graciliano Ramos não retratou apenas os retirantes
vítimas da seca. No romance São Bernardo, o protagonista-narrador é Paulo Honório, um
fazendeiro poderoso, ganancioso e possessivo; no romance Angústia, o protagonista-narrador é Luís
da Silva, um funcionário público frustrado e ressentido com as sucessivas humilhações que sofre.

24 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


40. O conto “A terceira margem do rio”, que faz parte do livro Primeiras estórias, de Guimarães
Rosa, é um dos textos mais célebres e complexos do autor. Acerca desse conto, é correto
afirmar que

A. ( ) ele retrata de forma simbólica o luto vivido pelo narrador, depois que seu pai passou a
viver em uma canoa, o que equivale explicitamente à morte.
B. ( ) ele apresenta o drama vivido pelo narrador, que não consegue nunca encerrar a espécie
de luto na qual mergulha após a partida do pai, que nem vai embora nem regressa.
C. ( ) se trata de uma obra cuja singularidade reside unicamente no fato de as personagens não
terem nome e de não haver localização geográfica precisa.
D. ( ) se trata de um texto que mostra de forma alegórica as dificuldades de uma família diante
do drama da loucura, que levou o pai a embarcar na canoa.
E. ( ) é impossível encontrar um sentido para a atitude do homem que embarca na canoa, e
isso ilustra a imprevisibilidade do destino humano.

Alternativa: B
No conto “A terceira margem do rio”, o narrador conta a história de seu pai, que mandou fazer uma
canoa, despediu-se da família e passou a viver nela, no meio do rio, por muitos anos. O narrador
sofre por não entender o porquê da conduta de seu pai e vivencia essa experiência como uma
espécie de luto, sempre observando de longe seu pai, na canoa, sempre no meio do rio.
A alternativa A é incorreta porque o conto não dá elementos para afirmar que o fato de o pai passar
a viver na canoa equivale explicitamente à morte.
A alternativa C é incorreta porque o conto possui muitos aspectos singulares, especialmente na
conduta do pai e dos eventos estranhos e quase sobrenaturais envolvidos na sua permanência na
canoa ao longo de tantos anos.
A alternativa D é incorreta porque o conto não fornece elementos para julgar se o pai era movido
pela loucura; além disso, o foco da narrativa está nos sentimentos do filho-narrador, não no drama
da família.
A alternativa E é incorreta porque a atitude do homem que embarca na canoa pode ser interpretada
de múltiplas maneiras (por exemplo: como sinal de uma missão sobrenatural, como manifestação de
loucura, como opção existencial inconfessável etc.).

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 25


INSTRUÇÕES PARA REDAÇÃO
Considere a tira de Laerte, reproduzida abaixo. Identifique seu tema e, sobre ele, redija uma
dissertação em prosa, na folha a ela destinada, argumentando em favor de um ponto de vista sobre
o tema. A redação deve ser feita com caneta azul ou preta.

Na avaliação de sua redação, serão considerados:

a) clareza e consistência dos argumentos em defesa de um ponto de vista sobre o assunto;


b) coesão e coerência do texto; e
c) domínio do português padrão.

Atenção: A Banca Examinadora aceitará qualquer posicionamento ideológico do candidato.

(Folha de S. Paulo, 18/08/2005.)

Encaminhamento da proposta
A prova de redação deste ano trouxe, novamente, à apreciação uma tira. Como na prova
passada, a tira usada como estímulo é extemporânea, pois Laerte faz menção ao referendo que
decidiu a questão de porte de armas por civis, em 2005. É de se supor que a banca, ao exigir que
o(a) candidato(a) identifique o tema, considere a obsolescência de uma questão já resolvida há três
anos. Afinal, uma charge e uma tira de jornal têm o valor de uma crônica.
Feita a ressalva, ou seja, desconsiderando o valor real da tira de Laerte, o tema proposto
propõe abordagens várias sobre a questão da violência. Delas, a mais evidente é a que versa sobre o
abismo que há entre as classes sociais no Brasil.
O fenômeno dos bolsões sociais (áreas de exclusão e condomínios luxuosos, por exemplo)
têm razões e conseqüências: razões político-econômicas e conseqüências sociais. O apartheid gera
apenas insegurança e mais violência, ou seja, o enfrentamento inevitável entre os segregados e os
integrados. O Estado descumpre o contrato social quando permite que o medo seja o regulador das
relações interpessoais. Quando isso acontece, a camada mais enriquecida abriga-se em condomínios
com seguranças armados ou em apartamentos e casas encasteladas, enquanto a camada mais pobre
ocupa áreas expostas às intempéries sociais. Destaca-se o fato de que grandes corporações obtêm
seus lucros das duas situações: vendem segurança aos ricos simultaneamente ao fato de,
praticamente, distribuírem armas ao garoto que trabalha para o tráfico ou que assalta nos faróis das
avenidas.
Não há cidadania quando a força do Estado é seqüestrada pelas corporações neoliberais.

26 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Comentário da prova de Português
Este ano, a prova do Ita contemplou, no que tange à interpretação, o entendimento de texto
(significados explícitos e implícitos) e as relações lógicas (causa, conseqüência, hipóteses). As
questões apresentaram nível médio de entendimento, exceção feita à questão 32.
No que dia respeito às questões de gramática, embora tenha sido um exame sem incorreções,
lamenta-se que a prova foi pouco criativa e não abordou assuntos importantes do programa.
Para se averiguar as competências de um bom leitor, há outras formas de questionamentos do
que apenas a tradução de sentidos inscritos nos textos e na explicitação de sentidos implícitos. As
questões de gramática não devem ter por fim a mera reprodução de nomenclatura técnica e no
reconhecimento de classificações descontextualizadas e limitadas, mas sim devem abordar os
operadores gramaticais como ferramentas para, entre outras funções: perceber as relações
semânticas estabelecidas pelos elementos de coesão e pelos nexos oracionais; depreender sentidos,
efeitos de sentido, efeitos estilísticos. Por fim, sob risco de os futuros engenheiros egressos do ITA
não conseguirem expressar sua idéias em textos escritos, não se pode desconsiderar que a correta
utilização da escrita padrão é uma necessidade para o bom desempenho de qualquer profissional, o
que também deixou de ser contemplado neste exame.

Comentário geral da prova de Redação


A proposta de redação do ITA manteve-se em sua regularidade, trouxe um tema já
exaustivamente explorado por vestibulares e, principalmente, pela mídia. Isso impede o(a)
bom(boa) aluno(a) de expressar-se em sua plenitude: já que é inevitável um conjunto de jargões
para desenvolver a proposta, dificilmente se avalia o poder argumentativo do(a) candidato(a).

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 27


CONSTANTES

Constante de Avogadro = 6, 02 × 1023 mol−1


= 9,65 × 104 C mol−1 = 9,65 × 10 A s mol
4 –1
Constante de Faraday (F) = 9,65 × 104 J V–1 mol–1
Volume molar de gás ideal = 22, 4 L (CNTP)
Carga elementar = 1, 602 × 10−19 C
Constante dos gases (R) = 8, 21× 10−2 atm L K −1 mol−1 = 8,31 J K −1 mol−1 =
= 62, 4 mmHg L K −1 mol−1 = 1,98 cal K −1 mol−1
Constante gravitacional (g) = 9,81 m s–2

DEFINIÇÕES

Pressão de 1 atm = 760 mmHg = 101325 N m–2 = 760 Torr


1 N = 1 kg m s–2
Condições normais de temperatura e pressão (CNTP): 0 ºC e 760 mmHg.
Condições ambientes: 25 ºC e 1 atm.
Condições-padrão: 25 ºC, 1 atm, concentração das soluções: 1 mol L–1 (rigorosamente:
atividade unitária das espécies), sólido com estrutura cristalina mais estável nas condições de
pressão e temperatura em questão.
(s) ou (c) = sólido cristalino; (l) ou (A) = líquido; (g) = gás; (aq) = aquoso; (graf) = grafite;
(CM) = circuito metálico; (conc) = concentrado; (ua) = unidades arbitrárias; [A] = concentração da
espécie química A em mol L–1.

MASSAS MOLARES

Elemento Número Massa Molar Elemento Número Massa Molar


Químico Atômico (g mol–1) Químico Atômico (g mol–1)
H 1 1,01 Fe 26 55,85
He 2 4,00 Ni 28 58,69
Li 3 6,94 Cu 29 63,55
C 6 12,01 Zn 30 65,40
N 7 14,01 Ge 32 72,64
O 8 16,00 As 33 74,92
Ne 10 20,18 Br 35 79,90
Na 11 22,99 Kr 36 83,80
Mg 12 24,31 Ag 47 107,87
Al 13 26,98 Cd 48 112,41
Si 14 28,09 Sn 50 118,71
S 16 32,07 I 53 126,90
Cl 17 35,45 Xe 54 131,29
Ar 18 39,95 Cs 55 132,91
K 19 39,10 Ba 56 137,33
Ca 20 40,08 Pt 78 195,08
Cr 24 52,00 Pb 82 207,20
Mn 25 54,94 Ra 86 222,00

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 1


1. Uma mistura sólida é composta de carbonato de sódio e bicarbonato de sódio. A dissolução
completa de 2,0 g dessa mistura requer 60,0 mL de uma solução aquosa 0,5 mol L−1 de HCl.
Assinale a opção que apresenta a massa de cada um dos componentes desta mistura sólida.
A. ( ) m Na 2CO3 = 0, 4 g ; m NaHCO3 = 1, 6 g
B. ( ) m Na 2CO3 = 0, 7 g ; m NaHCO3 = 1,3g
C. ( ) m Na 2CO3 = 0,9 g ; m NaHCO3 = 1,1g
D. ( ) m Na 2CO3 = 1,1g ; m NaHCO3 = 0,9 g
E. ( ) m Na 2CO3 = 1,3g ; m NaHCO3 = 0, 7 g

Alternativa: C
Carbonato de sódio e bicarbonato de sódio reagem com ácido clorídrico, segundo as equações:
Na 2 CO3 + 2HCA → 2NaCA + H 2O + CO 2
x mol 2x mol
NaHCO3 + HCA → NaCA + H 2O + CO 2
y mol y mol

Mas n HCA = M HCA V ∴ n HCA = 0,5 ⋅ 60 ⋅10 −3 ∴ n HCA = 3 ⋅10 −2 mol


Portanto: 2x + y = 0, 03 (I)
Como m = nM, temos:
m Na 2CO3 + m NaHCO3 = 2 ∴ 106x + 84y = 2 (II)

De (I) e (II), temos:


106x + 84y = 2
−106x − 53y = −1,59
−2
31y = 0, 41 ∴ y = 1,32 ⋅10 mol
m NaHCO3 m NaHCO3
Temos: n NaHCO3 = ∴ 1,32 ⋅10−2 = ∴ m NaHCO3 = 1,1 g
M NaHCO3 84

Temos: m Na 2CO3 + m NaHCO3 = 2 ∴ m Na 2CO3 = 0,9 g

2. No ciclo de Carnot, que trata do rendimento de uma máquina térmica ideal, estão presentes as
seguintes transformações:
A. ( ) duas adiabáticas e duas isobáricas.
B. ( ) duas adiabáticas e duas isocóricas.
C. ( ) duas adiabáticas e duas isotérmicas.
D. ( ) duas isobáricas e duas isocóricas.
E. ( ) duas isocóricas e duas isotérmicas.

2 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Alternativa: C
O Ciclo de Carnot é constituído por duas transformações isotérmicas e duas transformações
adiabáticas, conforme o diagrama a seguir:

P
T2 > T1
A
B
T2
D T1
C
V
A – B: isotérmica
B – C: adiabática
C – D: isotérmica
D – A: adiabática

3. Suponha que um metal alcalino terroso se desintegre radioativamente emitindo uma partícula
alfa. Após três desintegrações sucessivas, em qual grupo (família) da tabela periódica deve-se
encontrar o elemento resultante deste processo?
A. ( ) 13 (III A) B. ( ) 14 (IV A)
C. ( ) 15 (V A) D. ( ) 16 (VI A)
E. ( ) 17 (VII A)

Alternativa: B
Um metal alcalino terroso pertence ao grupo 2 (II A) da tabela periódica. Representando o metal
alcalino terroso por X, suas três desintegrações sucessivas podem ser representadas pela seguinte
equação:
A 4 A −12
Z X → 32 α + Z − 6Y
Como o número atômico de Y é 6 unidades menor do que o de X, devemos retroceder 6 grupos na
tabela periódica, o que resulta em um elemento do grupo 14 (IV A).

4. Um estudante mergulhou uma placa de um metal puro em água pura isenta de ar, a 25 ºC,
contida em um béquer. Após certo tempo, ele observou a liberação de bolhas de gás e a
formação de um precipitado. Com base nessas informações, assinale a opção que apresenta o
metal constituinte da placa.
A. ( ) Cádmio B. ( ) Chumbo
C. ( ) Ferro D. ( ) Magnésio
E. ( ) Níquel

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 3


Alternativa: D
Na temperatura citada, o único metal entre os relacionados capaz de deslocar hidrogênio da água é o
magnésio. A equação que representa o processo é:
Mg ( s ) + 2H 2O( A ) → Mg ( OH )2( s ) + H 2( g )

5. Qual o gráfico que apresenta a curva que melhor representa o decaimento de uma amostra
contendo 10,0 g de um material radioativo ao longo dos anos?
A. ( ) B. ( ) C. ( )
10, 0 10, 0 10, 0
Massa (g)

Massa (g)

Massa (g)
Tempo (anos) Tempo (anos) Tempo (anos)

D. ( ) E. ( )
10, 0 10, 0
Massa (g)

Massa (g)

Tempo (anos) Tempo (anos)

Alternativa: B
O decaimento radioativo ocorre segundo cinética de 1ª ordem, que pode ser equacionada por:
m = m0 ⋅ e − kt
Como se trata de uma exponencial decrescente, o gráfico que representa essa função é:

4 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


6. Num experimento, um estudante verificou ser a mesma a temperatura de fusão de várias
amostras de um mesmo material no estado sólido e também que esta temperatura se manteve
constante até a fusão completa. Considere que o material sólido tenha sido classificado como:

I. Substância simples pura III. Mistura homogênea eutética


II. Substância composta pura IV. Mistura heterogênea

Então, das classificações acima, está(ão) ERRADA(S)


A. ( ) apenas I e II. B. ( ) apenas II e III.
C. ( ) apenas III. D. ( ) apenas III e IV.
E. ( ) apenas IV.

Alternativa: E
A temperatura constante durante o processo de fusão é uma característica de substâncias puras,
sejam elas simples ou compostas.
Misturas homogêneas eutéticas também apresentam essa propriedade.
Misturas heterogêneas, por sua vez, não apresentam temperatura constante durante o processo de fusão.

7. Assinale a afirmação CORRETA a respeito do ponto de ebulição normal (PE) de algumas


substâncias.
A. ( ) O 1-propanol tem menor PE do que o etanol.
B. ( ) O etanol tem menor PE do que o éter metílico.
C. ( ) O n-heptano tem menor PE do que o n-hexano.
D. ( ) A trimetilamina tem menor PE do que a propilamina.
E. ( ) A dimetilamina tem menor PE do que a trimetilamina.

Alternativa: D
A) Incorreta. O 1-propanol tem ponto de ebulição maior do que o do etanol em decorrência de sua
cadeia carbônica ser maior e, conseqüentemente, as dispersões de London serem mais intensas.
B) Incorreta. O etanol tem ponto de ebulição maior do que o éter etílico, pois pode formar ligações
de hidrogênio.
C) Incorreta. O heptano tem ponto de ebulição maior do que o hexano. Apesar de ambos serem
compostos apolares, o heptano possui cadeia carbônica maior. Conseqüentemente, as
dispersões de London são mais intensas.
D) Correta. A propilamina no estado líquido se associa por meio de ligações de hidrogênio e a
trimetilamina não o faz.
E) Incorreta. A dimetilamina no estado líquido se associa por meio de ligações de hidrogênio e a
trimetilamina não o faz.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 5


8. O diagrama temperatura (T) versus volume (V) representa T 3
hipoteticamente as transformações pelas quais um gás ideal no
estado 1 pode atingir o estado 3. Sendo ∆U a variação de energia
interna e q a quantidade de calor trocado com a vizinhança,
assinale a opção com a afirmação ERRADA em relação às
transformações termodinâmicas representadas no diagrama. 1 2
V
A. ( ) ∆U12 = q12 B. ( ) ∆U13 = ∆U 23
C. ( ) ∆U 23 = q 23 D. ( ) ∆U 23 > ∆U12
E. ( ) q 23 > 0

Alternativa: A
Na transformação 1–2, temos uma expansão isotérmica de gás ideal. Portanto, ∆U12 = 0.
2 2 nRT V
Mas: W = − ∫ PdV = − ∫ dV ∴ W = − nRT An 2 ≠ 0, pois V2 ≠ V1.
1 1 V V1
V
Pela 1ª Lei da Termodinâmica, ∆U = Q + W ∴ Q12 = nRT An 2 ≠ 0.
V1
Logo, ∆U12 ≠ Q12
Como U é função de estado, ∆U13 = ∆U12 + ∆U 23 ∴ ∆U13 = ∆U 23
Na transformação 2–3, como não há variação de volume, W23 = 0.
Como ∆U 23 = Q 23 + W23 ∴ ∆U 23 = Q 23
Como ∆U 23 ≠ 0 ∴ ∆U 23 > ∆U12
Finalmente, Q 23 > 0, pois há absorção de calor para que haja aumento de temperatura.

9. Considere os átomos hipotéticos neutros V, X, Y e Z no estado gasoso. Quando tais átomos


recebem um elétron cada um, as configurações eletrônicas no estado fundamental de seus
respectivos ânions são dadas por:

V − (g) :[gás nobre] ns 2 np6 nd10 (n + 1)s 2 (n + 1)p6


X − (g) :[gás nobre] ns 2 np6
Y − (g) :[gás nobre] ns 2 np6 nd10 (n + 1)s 2 (n + 1)p3
Z− (g) :[gás nobre] ns 2 np3

Nas configurações acima, [gás nobre] representa a configuração eletrônica no diagrama de


Linus Pauling para o mesmo gás nobre, e n é o mesmo número quântico principal para todos os
ânions. Baseado nessas informações, é CORRETO afirmar que
A. ( ) o átomo neutro V deve ter a maior energia de ionização entre eles.
B. ( ) o átomo neutro Y deve ter a maior energia de ionização entre eles.
C. ( ) o átomo neutro V deve ter maior afinidade eletrônica do que o átomo neutro X.
D. ( ) o átomo neutro Z deve ter maior afinidade eletrônica do que o átomo neutro X.
E. ( ) o átomo neutro Z deve ter maior afinidade eletrônica do que o átomo neutro Y.

6 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Alternativa: E
As configurações eletrônicas dos átomos V, X, Y e Z, quando neutras, são:
V(g) :[gás nobre] ns 2 np 6 nd10 (n + 1)s 2 (n + 1)p5 (família 17)
X(g) :[gás nobre] ns 2 np5 (família 17)
Y(g) :[gás nobre] ns 2 np 6 nd10 (n + 1)s 2 (n + 1)p 2 (família 14)
Z(g) :[gás nobre] ns 2 np 2 (família 14)

Considerando o comportamento da propriedade periódica Raio Atômico na Tabela Periódica temos:

Raio Atômico

14 17

Z X Raio
Y V
Atômico

Em geral, temos que quanto maior o raio atômico, menor a energia de ionização e menor a afinidade
eletrônica. Portanto, o átomo neutro Z tem afinidade eletrônica maior do que o átomo neutro Y.

10. Considere a reação de dissociação do N 2O4 (g) representada pela seguinte equação:
N 2O 4 (g) U 2NO 2 (g)
Assinale a opção com a equação CORRETA que relaciona a fração percentual (α) de N 2 O 4 (g)
dissociado com a pressão total do sistema (P) e com a constante de equilíbrio em termos de
pressão (Kp).
Κp 4P + K p
A. ( ) α = B. ( ) α =
4P + K p Κp
Κp 2P + Κ p
C. ( ) α = D. ( ) α =
2P + K p Kp
Κp
E. ( ) α =
2+P

Alternativa: A
Equacionando o equilíbrio, temos:
α
N 2O 4(g) ← → 2NO 2(g)
Início: P0 0
Reagiu: – αP0 +2αP0
Equilíbrio: P0 – αP0 2αP0

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 7


2
PNO 4α 2 P02 4α 2 P0
Mas K p = 2
∴ Kp = ∴ Kp = (I) e
PN 2O4 P0 (1 − α ) 1− α
P
P = P0 − αP0 + 2αP0 ∴ P = P0 (1 + α) ∴ P0 = (II)
1+ α
Substituindo II em I, temos:
4α 2 ⋅ P 4α 2
Kp = ∴ Kp = ⋅ P ∴ K p − K p α 2 = 4α 2 P
1 − α 1+ α 1− α 2

Kp Kp
∴ α2 = ∴ α=
4P + K p 4P + K p

11. Considere a reação química representada pela seguinte equação:


4NO 2 (g) + O 2 (g) → 2N 2O5 (g)
Num determinado instante de tempo t da reação, verifica-se que o oxigênio está sendo
consumido a uma velocidade de 2, 4 × 10−2 mol L−1s −1. Nesse tempo t, a velocidade de
consumo de NO2 será de

A. ( ) 6, 0 ×10−3 mol L−1s −1. B. ( ) 1, 2 ×10−2 mol L−1s −1.


C. ( ) 2, 4 ×10−2 mol L−1s −1. D. ( ) 4,8 × 10−2 mol L−1s −1.
E. ( ) 9, 6 ×10−2 mol L−1s −1.

Alternativa: E
De acordo com a proporção estequiométrica da reação, a velocidade média de consumo do NO2
(V m,NO2 ) é o quádruplo da velocidade média de consumo do O ( V ) . Assim:
2 m,O2

Vm,NO2 = 4Vm,O2 ∴ Vm,NO2 = 4 ⋅ 2, 4 ⋅10−2 ∴ Vm,NO2 = 9, 6 ⋅10−2 mol ⋅ L−1 ⋅ s −1

12. O acidente nuclear ocorrido em Chernobyl (Ucrânia), em abril de 1986, provocou a emissão
radioativa predominantemente de Iodo-131 e Césio-137. Assinale a opção CORRETA que
melhor apresenta os respectivos períodos de tempo para que a radioatividade provocada por
esses dois elementos radioativos decaia para 1% dos seus respectivos valores iniciais.
Considere o tempo de meia-vida do Iodo-131 igual a 8,1 dias e do Césio-137 igual a 30 anos.
Dados: ln 100 = 4,6; ln 2 = 0,69.
A. ( ) 45 dias e 189 anos. B. ( ) 54 dias e 201 anos.
C. ( ) 61 dias e 235 anos. D. ( ) 68 dias e 274 anos.
E. ( ) 74 dias e 296 anos.

8 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Alternativa: B
Cálculo do tempo necessário para que a radioatividade decaia para 1% de seu valor inicial:
A = A 0 ⋅ e − kt .
ln 2 t t
− 1 ⋅t −
t1/2 −
Como kt1/2 = ln 2 ∴ A = A 0 ⋅ e t1/2

A 0 = A 0 ⋅ eln 2 ∴ 100 −1 = 2 t1/2
100
t t 20
∴ − ln100 = − ln 2 ∴ 4, 6 = ⋅ 0, 69 ∴ t = t1/2
t1/2 t1/2 3

20
Para o Iodo-131: t = ⋅ 8,1 ∴ t = 54 dias
3
20
Para o Césio-137: t = ⋅ 30 ∴ t = 200 anos
3

13. Assumindo um comportamento ideal dos gases, assinale a opção com a afirmação CORRETA.
A. ( ) De acordo com a Lei de Charles, o volume de um gás torna-se maior quanto menor for
a sua temperatura.
B. ( ) Numa mistura de gases contendo somente moléculas de oxigênio e nitrogênio, a
velocidade média das moléculas de oxigênio é menor do que as de nitrogênio.
C. ( ) Mantendo-se a pressão constante, ao aquecer um mol de gás nitrogênio sua densidade
irá aumentar.
D. ( ) Volumes iguais dos gases metano e dióxido de carbono, nas mesmas condições de
temperatura e pressão, apresentam as mesmas densidades.
E. ( ) Comprimindo-se um gás a temperatura constante, sua densidade deve diminuir.

Alternativa: B
A. Incorreta. A Lei de Charles afirma que volume e temperatura de uma dada massa de gás variam
linearmente.
B. Correta. Em uma mistura de gases, todos estão em uma mesma temperatura. Então podemos
admitir que suas moléculas têm a mesma energia cinética média. Dessa forma, como a massa
molar do oxigênio é maior, a velocidade média de suas moléculas será menor.
C. Incorreta. A expressão que permite calcular a densidade de um gás ideal, em dada pressão e
temperatura, é: d = P ⋅ M ⋅ R −1 ⋅ T −1. Então, ao aquecer um mol de nitrogênio, sob pressão
constante, sua densidade diminui.
D. Incorreta. Conforme o princípio de Avogadro: “volumes iguais de gases, nas mesmas condições
de pressão e temperatura, encerram o mesmo número de moléculas”. Os gases metano e
dióxido de carbono não apresentariam as mesmas densidades, uma vez que suas massas
molares são diferentes.
E. Incorreta. Usando a mesma expressão da alternativa C, se a pressão aumenta em temperatura
constante, a densidade também aumenta.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 9


14. Um estudante imergiu a extremidade de um fio de níquel-crômio limpo em uma solução aquosa
de ácido clorídrico e, a seguir, colocou esta extremidade em contato com uma amostra de um
sal iônico puro. Em seguida, expôs esta extremidade à chama azulada de um bico de Bunsen,
observando uma coloração amarela na chama. Assinale a opção que contém o elemento
químico responsável pela coloração amarelada observada.
A. ( ) Bário. B. ( ) Cobre.
C. ( ) Lítio. D. ( ) Potássio.
E. ( ) Sódio.

Alternativa: E
A questão faz referência ao “teste de chama” para a identificação de alguns elementos químicos. As
cores observadas para os elementos citados são:
bário: verde
cobre: verde
lítio: magenta
potássio: lilás
sódio: amarelo

15. Considere os seguintes sais:


I. Al ( NO3 )3 II. NaCl III. ZnCl2 IV. CaCl2

Assinale a opção que apresenta o(s) sal(is) que causa(m) a desestabilização de uma suspensão
coloidal estável de sulfeto de arsênio ( As 2S3 ) em água.

A. ( ) Nenhum dos sais relacionados. B. ( ) Apenas o sal I.


C. ( ) Apenas os sais I e II. D. ( ) Apenas os sais II, III e IV.
E. ( ) Todos os sais.

Alternativa: E
A suspensão coloidal de sulfeto de arsênio em água caracteriza um colóide tipo sol negativo, cuja
desestabilização se dá por adição de íons de carga oposta. Uma vez que os quatro eletrólitos
relacionados são solúveis em água, todos irão desestabilizar a suspensão coloidal.

16. Uma solução aquosa de um ácido fraco monoprótico é mantida à temperatura de 25 ºC. Na
condição de equilíbrio, este ácido está 2,0 % dissociado. Assinale a opção CORRETA que
apresenta, respectivamente, os valores numéricos do pH e da concentração molar (expressa
em mol L−1 ) do íon hidroxila nesta solução aquosa. Dados: pKa ( 25 °C ) = 4, 0 ; log 5 = 0, 7.

A. ( ) 0, 7 e 5, 0 ×10−14 B. ( ) 1, 0 e 1, 0 × 10−13
C. ( ) 1, 7 e 5, 0 × 10−13 D. ( ) 2,3 e 2, 0 × 10−12
E. ( ) 4, 0 e 1, 0 ×10−10

10 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Alternativa: D
Pelo enunciado:
H 2O
HA 
← → H+ + A−
Início: M 0 0
Reagiu: −α ⋅ M +α ⋅ M +α ⋅ M
Equilíbrio: M − α⋅M α⋅M α⋅M
H+  ⋅ A −  α2 ⋅ M
Temos: K a =     ∴ Ka =
[ HA ] (1 − α )
Sabemos que: pK a = − log K a ∴ 4 = − log K a ∴ K a = 10 −4
Mas, como HA é ácido fraco: K a = α 2 ⋅ M = (2 ⋅10−2 ) 2 ⋅ M
10 −4
Assim: 10 −4 = (2 ⋅10 −2 ) 2 ⋅ M ∴ M = = 0, 25 mol/L
4 ⋅10 −4
Então:
 +  + −2  + −3
 H  = α ⋅ M ∴  H  = 2 ⋅10 ⋅ 0, 25 ∴  H  = 5 ⋅10 mol/L
pH = − log  H +  ∴ pH = − log 5 ⋅10−3 = −(log 5 + log10−3 ) ∴ pH = 2,3

K w =  H +  ⋅  OH −  ∴ 10 −14 = 5 ⋅10−3 ⋅  OH −  ∴  OH −  = 2 ⋅10−12 mol/L

17. Foi observada a reação entre um composto X e uma solução aquosa de permanganato de
potássio, a quente, ocorrendo o aumento do pH da solução e a formação de um composto Y
sólido. Após a separação do composto Y e a neutralização da solução resultante, verificou-se a
formação de um composto Z pouco solúvel em água. Assinale a opção que melhor representa o
grupo funcional do composto orgânico X.
A. ( ) álcool B. ( ) amida
C. ( ) amina D. ( ) éster
E. ( ) éter

Alternativa: A
Reações de oxidação empregando permanganato de potássio ( KMnO 4 ) em água formam (além do
produto oxidado) hidróxido de potássio (KOH) e bióxido de manganês ( MnO2 ) . KOH é o
responsável pelo aumento de pH e MnO 2 é o composto sólido Y.

2 KMnO 4 + H 2O → 2 MnO 2 + 2 KOH + 3 [O]


Sendo o composto X um álcool primário de cadeia média (5 a 10 carbonos), sua oxidação por
KMnO4(aq) formará um sal de ácido carboxílico solúvel em água.
[O] O
R CH2 OH R C
O
álcool primário sal de ácido
carboxílico
A posterior neutralização da solução resultante levará à formação do ácido carboxílico (composto
Z) pouco solúvel, devido ao tamanho da cadeia carbônica.
SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 11
18. Nos gráficos abaixo, cada eixo representa uma propriedade termodinâmica de um gás que se
comporta idealmente.

I II III

Com relação a estes gráficos, é CORRETO afirmar que

A. ( ) I pode representar a curva de pressão versus volume.


B. ( ) II pode representar a curva de pressão versus inverso do volume.
C. ( ) II pode representar a curva de capacidade calorífica versus temperatura.
D. ( ) III pode representar a curva de energia interna versus temperatura.
E. ( ) III pode representar a curva de entalpia versus o produto da pressão pelo volume.

Alternativas: A B C
Justificando cada uma das alternativas, temos:

a) Correta. Por Clapeyron, PV = nRT. Se considerarmos T = kV 2 , então


PV = knRV 2 ∴ P = knRV, com knR constante. Logo, a pressão pode variar linearmente, de
forma crescente, em função do volume.

1
b) Correta. Sabemos que P = nR ⋅ T ⋅ . Como nR é constante e não há menção sobre a variação T,
V
então II pode ser a curva que representa a pressão versus o inverso do volume.
c) Correta. Para gases, o aumento da temperatura aumenta significativamente a rotação e a
vibração de gases não monoatômicos, o que provoca incremento da capacidade calorífica.

d) Errada. A energia interna é dada por U = knRT. Portanto, U varia linearmente, de forma
crescente, em função de T.

e) Errada. Sabemos que:


H = U + PV ∴ H = knRT + PV = kPV + PV = ( k + 1) PV ∴ H = k 'PV
Com isso, H varia linearmente, de forma crescente, em função do produto PV.

19. A 20 °C, a pressão de vapor da água em equilíbrio com uma solução aquosa de açúcar é igual a
16,34 mmHg. Sabendo que a 20 °C a pressão de vapor da água pura é igual a 17,54 mmHg,
assinale a opção com a concentração CORRETA da solução aquosa de açúcar.
A. ( ) 7% (m/m)
B. ( ) 93% (m/m)
C. ( ) 0,93 mol L–1
D. ( ) A fração molar do açúcar é igual a 0,07
E. ( ) A fração molar do açúcar é igual a 0,93

12 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Alternativa: D
Pela Lei de Raoult, temos:
∆P 17,54 − 16,34
= X1 ∴ = X1 ∴ X1 = 0, 07
Po 17,54

20. Um elemento galvânico é constituído pelos eletrodos abaixo especificados, ligados por uma
ponte salina e conectados a um voltímetro de alta impedância.

Eletrodo I: fio de platina em contato com 500 mL de solução aquosa 0,010 mol L –1 de
hidróxido de potássio;
Eletrodo II: fio de platina em contato com 180 mL de solução aquosa 0,225 mol L–1 de ácido
perclórico adicionado a 320 mL de solução aquosa 0,125 mol L–1 de hidróxido de
sódio.

Admite-se que a temperatura desse sistema eletroquímico é mantida constante e igual a 25 °C e


( )
que a pressão parcial do oxigênio gasoso PO 2 dissolvido é igual a 1 atm. Assinale a opção
CORRETA com o valor calculado na escala do eletrodo padrão de hidrogênio (EPH) da força
eletromotriz, em volt, desse elemento galvânico. Dados: E oO2 / H2O = 1, 23V ( EPH ) ;
E oO − = 0, 40 V ( EPH )
2 / OH

A. ( ) 1,17 B. ( ) 0,89
C. ( ) 0,75 D. ( ) 0,53
E. ( ) 0,46

Alternativas: D
Cálculo dos potenciais de redução na escala do EPH:
1
Eletrodo I: O 2 + H 2O + 2e − → 2OH −
2
( )
2 2
0, 059 OH −  0, 059 10 −2
EI = E −o
log ∴ E I = 0, 40 − log
( )
I 1
n PO2 2 2 1

E I = 0,518 V
1
Eletrodo II: O 2 + 2H + + 2e − → H 2 O
2
0, 059 1
E II = E 0II − log
( )
1
n 2
 H +  PO2 2
Cálculo de  H +  para o eletrodo II:
n H+ = M H+ V = 0, 225 ⋅ 0,18 ∴ n H+ = 4, 05 ⋅10−2 mol
n OH − = M OH − V = 0,125 ⋅ 0,32 ∴ n OH − = 4 ⋅10−2 mol

Portanto,  H +  =
(n )
H + sobra
=
5 ⋅10 −4
= 10−3 mol / L
V 0,5

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 13


0, 059 1
Logo, E II = 1, 23 − log ∴ E II = 1, 053V
(10−3 ) ⋅ (1) 2
2 1
2
Portanto, o eletrodo II é o cátodo e o eletrodo I é o ânodo.
Com isso, ∆E = E II − E I ∴ ∆E = 0,53V

21. Escreva a equação química balanceada da combustão completa do iso-octano com o ar


atmosférico. Considere que o ar é seco e composto por 21% de oxigênio gasoso e 79% de
nitrogênio gasoso.

Resolução:
A equação de reação de combustão completa do iso-octano é dada por:
25
C8 H18 + O 2 → 8CO 2 + 9H 2O
2
Mas o que se pede é a reação com o ar. Portanto:
25
mol O 2 : 21% ar
2 ∴ n ar = 59,5 mol
n ar : 100% ar
Como n ar = n N 2 + n O2 ∴ 59,5 = n N 2 + 12,5 ∴ n N2 = 47 mol
Logo:
C8 H18 + 59,5ar → 8CO 2 + 9H 2 O + 47N 2

22. São fornecidas as seguintes informações relativas aos cinco compostos amínicos: A, B, C, D
e E. Os compostos A e B são muito solúveis em água, enquanto que os compostos C, D e E
são pouco solúveis. Os valores das constantes de basicidade dos compostos A, B, C, D e E
são, respectivamente, 1, 0 × 10−3 ; 4,5 × 10−4 ; 2, 6 × 10−10 ; 3, 0 × 10 −12 e 6, 0 × 10 −15.
Atribua corretamente os dados experimentais apresentados aos seguintes compostos:
2-nitroanilina, 2-metilanilina, 2-bromoanilina, metilamina e dietilamina.
Justifique a sua resposta.

Resolução:
Das aminas apresentadas, apenas a metilamina e a dietilamina são muito solúveis em água, pois os
grupos orgânicos presos ao nitrogênio, em ambos os casos, são pequenos. Já as aminas aromáticas
apresentadas (2-nitroanilina, 2-metilanilina e 2-bromoanilina) são pouco solúveis em água, pois os
grupos orgânicos presos ao nitrogênio são grandes. Sabe-se também que aminas arílicas
(aromáticas) são bases muito mais fracas do que aminas alquílicas. Dessa forma, podemos concluir
que os compostos A e B são, ambos, aminas alquílicas (metilamina e dietilamina) e os compostos
C, D e E são aminas arílicas (2-nitroanilina, 2-metilanilina e 2-bromoanilina).
Comparando as aminas alquílicas, atribuímos o Kb de 1, 0 ×10−3 para a dietilamina e o Kb de
4,5 ×10−4 para a metilamina, pois aminas alquílicas secundárias são mais fortes que aminas
alquílicas primárias.
Entre as aminas arílicas, a força da base é determinada pelo grupo substituinte.

14 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


A 2-metilanilina será a base mais forte, pois possui efeito indutivo positivo, disponibilizando mais
elétrons para o nitrogênio ( K b = 2, 6 × 10−10 ).
A 2-nitroanilina será a base mais fraca, pois o grupo nitro é fortemente retirador de elétrons
( K b = 6, 0 × 10−15 ).
Portanto:
A – dietilamina
B – metilamina
C – 2-metilanilina
D – 2-bromoanilina
E – 2-nitroanilina

23. A 25 ºC, realizam-se estes dois experimentos (Exp I e Exp II) de titulação ácido-base medindo-se
o pH da solução aquosa em função do volume da base adicionada:

Exp I: Titulação de 50 mL de ácido clorídrico 0,10 mol L–1 com hidróxido de sódio 0,10 mol L–1.
Exp II: Titulação de 50 mL de ácido acético 0,10 mol L–1 com hidróxido de sódio 0,10 mol L–1.

a) Esboce em um mesmo gráfico (pH versus volume de hidróxido de sódio) a curva que
representa a titulação do Exp I e a curva que representa a titulação do Exp II. Deixe claro no
gráfico os valores aproximados do pH nos pontos de equivalência.
b) O volume da base correspondente ao ponto de equivalência de uma titulação ácido-base
pode ser determinado experimentalmente observando-se o ponto de viragem de um
indicador. Em laboratório, dispõem-se das soluções aquosas do ácido e da base devidamente
preparados nas concentrações propostas, de indicador, de água destilada e dos seguintes
instrumentos: balão volumétrico, bico de Bunsen, bureta, cronômetro, dessecador,
erlenmeyer, funil, kitassato, pipeta volumétrica, termômetro e tubo de ensaio. Desses
instrumentos, cite os três mais adequados para a realização desse experimento.

Resolução:
a)

pH

Ponto de equivalência (II) pH > 7

Ponto de equivalência (I) pH = 7

curva II
pH > 1

pH = 1 curva I

50 Volume NaOH (mL)

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 15


Em (I), temos uma titulação de ácido forte com base forte, o que justifica pH = 7. Não ocorre
hidrólise do sal.
Em (II), temos uma titulação de ácido fraco com base forte, o que justifica pH > 7, por haver
hidrólise do sal.

b) Dentre os instrumentos citados, os mais usados em uma titulação ácido-base são:


• Pipeta volumétrica
• Bureta graduada
• Erlenmeyer

24. Um elemento galvânico é constituído por uma placa de ferro e por uma placa de estanho, de
mesmas dimensões, imersas em uma solução aquosa 0,10 mol L–1 de ácido cítrico.
Considere que esta solução: contém íons ferrosos e estanosos; é ajustada para pH = 2; é
isenta de oxigênio; e é mantida nas condições ambientes. Sabendo-se que o ânion citrato
reage quimicamente com o cátion Sn2+(aq), diminuindo o valor do potencial de eletrodo do
estanho, determine o valor numérico da relação entre as concentrações dos cátions
( )
Sn 2+ (aq) e Fe 2+ (aq), [Sn 2+ ] [Fe2+ ] , a partir do qual o estanho passa a se comportar como
o anodo do par galvânico.
Dados: Potenciais de eletrodo em relação ao eletrodo padrão de hidrogênio nas condições-padrão:
Eo 2 + = −0, 44V; ESno
2+
/ Sn
= −0,14V
Fe / Fe

Resolução:
Nas condições-padrão, é natural que o ferro seja o ânodo e o estanho, o cátodo. Para que o estanho
se comporte como ânodo, a equação global do processo deve ser:
Sn + Fe 2+ → Sn 2+ + Fe0 , com ∆E > 0
0, 059 Sn 2+  0, 059 Sn 2+ 
Mas ∆E = ∆E − o
log ∴ − 0,30 − log >0
n  Fe 2+  2  Fe 2+ 

0, 059 Sn 2+  Sn 2+  Sn 2+ 


∴ log < − 0,30 ∴ log < − 10,17 ∴ < 10−10,17
2  Fe 
2+
 Fe 
2+
 Fe 
2+

Sn 2+ 
Portanto, para valores de menores do que 10−10,17 , o estanho passa a se comportar como
 Fe 
2+

ânodo.
Observação: o meio é isento de O 2 para evitar oxidação de Fe 2+ a Fe3+ .
O pH = 2 evita a precipitação de Fe ( OH )2 e de Sn ( OH )2 .

16 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


25.
a) Considerando que a pressão osmótica da sacarose (C12 H 22O11 ) a 25 ºC é igual a 15 atm,
calcule a massa de sacarose necessária para preparar 1,0 L de sua solução aquosa a
temperatura ambiente.
b) Calcule a temperatura do ponto de congelamento de uma solução contendo 5,0 g de glicose
(C6 H12O6 ) em 25 g de água. Sabe-se que a constante do ponto de congelamento da água é
igual a 1,86 º C kg mol−1.
c) Determine a fração molar de hidróxido de sódio em uma solução aquosa contendo 50% em
massa desta espécie.

Resolução:
m1
a) π = MRT ∴ π = ⋅ RT
M1 ⋅ V
m1
15 = ⋅ 8, 21⋅10−2 ⋅ 298 ∴ m1 = 209, 68g
342 ⋅1

m1
b) ∆t C = K C ⋅ W ∴ t 0 − t = K C ⋅
M1 ⋅ m 2 (kg)
5, 0
∴ ( 0 − t ) = 1,86 ⋅ ∴ t = −2, 07 ºC
180 ⋅ 0, 025

c) Considerando que a massa total da solução seja “x”, em gramas:


n NaOH =
( 0,5 ⋅ x ) = 0, 0125 ⋅ x
40
n H2O =
( 0,5 ⋅ x ) = 0, 0278 ⋅ x
18
n NaOH 0, 0125 ⋅ x
X NaOH = = ∴ X NaOH = 0,31
(
n NaOH + n H O 2
)
( 0, 0125 + 0, 0278) ⋅ x

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 17


26. São dadas as seguintes informações:
I. O polietileno é estável até aproximadamente 340 °C. Acima de 350 °C ele entra em
combustão.
II. Para reduzir ou retardar a propagação de chama em casos de incêndio, são adicionados
retardantes de chama à formulação dos polímeros.
III. O AA ( OH )3 pode ser usado como retardante de chama. A aproximadamente 220 °C, ele se
decompõe, segundo a reação 2AA ( OH )3 (s) → AA 2O3 (s) + 3H 2O(g), cuja variação de
entalpia ( ∆H ) envolvida é igual a 1170 J g −1 .
IV. Os três requisitos de combustão de um polímero são: calor de combustão, combustível e
oxigênio. Os retardantes de chama interferem no fornecimento de um ou mais desses
requisitos.

Se AA ( OH )3 for adicionado a polietileno, cite um dos requisitos de combustão que será


influenciado por cada um dos parâmetros abaixo quando a temperatura próxima ao polietileno
atingir 350 °C. Justifique resumidamente sua resposta.

a) Formação de AA 2 O3 (s)
b) Formação de H 2 O(g)
c) ∆Η de decomposição do AA ( OH )3

Resolução:
Considerando que a temperatura próxima ao polietileno irá atingir 350 °C pela aproximação de uma
fonte de calor externa e não pelo aquecimento da amostra de polietileno, teremos:
a) diminuição da velocidade da combustão do polietileno, uma vez que a formação de AA 2O3(s)
contamina e, conseqüentemente, diminui a concentração do combustível.
b) diminuição da velocidade da combustão do polietileno, pois o vapor de água formado, ao se
expandir, provoca redução da concentração do oxigênio (comburente) em contato com o
polímero.
c) retardamento do processo de combustão, já que a decomposição do AA ( OH )3 tem ∆H positivo,
isto é, absorve calor das vizinhanças.

18 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


27. Sabendo que a constante de dissociação do hidróxido de amônio e a do ácido cianídrico em
água são, respectivamente, K b = 1, 76 × 10 −5 ( pK b = 4, 75) e K a = 6, 20 × 10−10 ( pK a = 9, 21) ,
determine a constante de hidrólise e o valor do pH de uma solução aquosa 0,1 mol L−1 de
cianeto de amônio.

Resolução:
A hidrólise do cianeto de amônio é dada pela equação:
α
NH +4 + CN − + H 2O ← → HCN + NH 4 OH
Início: 0,1 0,1 0 0
Reagiu: –0,1α –0,1α +0,1α +0,1α
Equilíbrio: 0,1(1– α) 0,1(1– α) 0,1α 0,1α
A constante de hidrólise é dada por:
Kw 10−14
Kh = ∴ Kh = ∴ K h = 0,92
Ka Kb 6, 2 ⋅10−10 ⋅1, 76 ⋅10−5
Para cálculo do pH, temos:
H 2 O R H + + OH − K1 = K w
1 K
HCN + OH − R CN − + H 2O K2 = = a
Kh Kw
Kw
NH +4 + H 2O R NH 4OH + H+ K3 = K h =
Kb
K w Ka
NH +4 + HCN + H 2O R 2H + + CN − + NH 4OH K = K1K 2 K 3 =
Kb

Como [NH +4 ] = [CN − ] e [HCN] = [NH 4OH], temos:


K w ⋅ Ka 10−14 ⋅ 6, 2 ⋅10−10
[H + ]2 = ∴ [H + ] = −5
∴ [H + ] = 5,94 ⋅10−10 mol/L
Kb 1, 76 ⋅10
pH = − log[H + ] ∴ pH = 9, 23

28. Considere duas reações químicas (I e II) envolvendo um reagente X. A primeira (I) é de
primeira ordem em relação a X e tem tempo de meia-vida igual a 50 s. A segunda (II) é de
segunda ordem em relação a X e tem tempo de meia-vida igual à metade da primeira reação.
Considere que a concentração inicial de X nas duas reações é igual a 1,00 mol L−1. Em um
gráfico de concentração de X (mol L−1 ) versus tempo (de 0 até 200 s), em escala, trace as
curvas de consumo de X para as duas reações. Indique com I a curva que representa a reação de
primeira ordem e, com II, a que representa a reação de segunda ordem.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 19


Resolução:
Para reações de 1ª ordem, o período de meia-vida é constante e, segundo os dados, vale 50 s.
Para reações de 2ª ordem, o período de meia-vida ( n + 1) é o dobro do período de meia-vida (n),
sendo n o número de vezes em que a concentração da amostra de X foi reduzida pela metade desde
o instante inicial. Com isso:

1ª ordem: [ X ]0 
50s

[ X ]0 
50s

[ X ]0 
50s

[ X ]0 50s

[ X ]0
2 4 8 16

2ª ordem: [ X ]0 
25s

[ X ]0 
50s

[ X ]0 
100s

[ X ]0
2 4 8
Mas o problema quer o valor de [ X ]200 . Portanto, para a reação de 2ª ordem:
1 1 2 1 1
= + kt ∴ = + k25 ∴ k = L/mol
[X] [ X ]0 [ X ]0 [ X ]0 25 [ X ]0
1 1 1 1 1
= + kt ∴ = + ⋅ 200
[X] [ X ]0 [ X ]200 [ X ]0 25 [ X ]0
[ X ]0
[ X ]200 =
9
Logo:
[x] (mol/L)
1

II

1
2

1
4

1 1
9 8
1
16

t(s)
25 50 75 100 150 175 200

20 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


29. Um tanque de estocagem de produtos químicos foi revestido internamente com níquel puro
para resistir ao efeito corrosivo de uma solução aquosa ácida contida em seu interior. Para
manter o líquido aquecido, foi acoplado junto ao tanque um conjunto de resistores elétricos
alimentados por um gerador de corrente contínua. Entretanto, uma falha no isolamento elétrico
do circuito dos resistores promoveu a eletrificação do tanque, ocasionando um fluxo de
corrente residual de intensidade suficiente para desencadear o processo de corrosão eletrolítica
do revestimento metálico.
Admitindo-se que a superfície do tanque é constituída por uma monocamada de níquel com
densidade atômica igual a 1, 61×1019 átomos m −2 e que a área superficial do tanque exposta à
solução ácida é de 5, 0 m 2 , calcule:

a) a massa, expressa em gramas, de átomos de níquel que constituem a monocamada atômica


do revestimento metálico.
b) o tempo necessário, expresso em segundos, para que a massa de níquel da monocamada
atômica seja consumida no processo de dissolução anódica pela passagem da densidade de
corrente de corrosão de 7, 0 µA cm −2 .

Resolução:
a) número de átomos Ni = 1, 61⋅1019 ⋅ 5, 0 = 8, 05 ⋅1019 átomos
A massa de Ni é calculada por:
58, 69
m Ni = 8, 05 ⋅1019 ⋅ 23
∴ m Ni = 7,85 ⋅10−3 g
6, 02 ⋅10
b) Sendo o níquel bivalente, cada mol de níquel está associado a 2 mols de elétrons (2 Faraday):
58, 69 g ⋅ mol −1 : 2 ⋅ 9, 65 ⋅104 A ⋅ s ⋅ mol −1
7,85 ⋅10−3 g : x
x = 25,8 A ⋅ s

A carga x, necessária no processo de dissolução anódica descrito, está distribuída em uma área
de 5, 0 m 2 . Então, a densidade de carga pode ser calculada por:
2,58 ⋅101
4
= 5,16 ⋅10−4 A ⋅ s ⋅ cm −2
5, 0 ⋅10
Finalmente:
d c arg a 5,16 ⋅10 −4
t= = ∴ t = 74 s
d corrente 7, 0 ⋅10 −6

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 21


30. É descrita uma seqüência de várias etapas experimentais com suas respectivas observações:
I. Dissolução completa de um fio de cobre em água de bromo em excesso com formação de
uma solução azulada A.
II. Evaporação completa da solução A e formação de um sólido marrom B.
III. Aquecimento do sólido B a 500 ºC, com formação de um sólido branco de CuBr e um gás
marrom C.
IV. Dissolução de CuBr em uma solução aquosa concentrada de ácido nítrico, formando uma
nova solução azulada D e liberação de dois gases: C e E.
V. Evaporação da solução azulada D com formação de um sólido preto F e liberação de dois
gases: E e G.
VI. Reação a quente do sólido F com hidrogênio gasoso e na ausência de ar, formando um
sólido avermelhado H e liberando água.

Baseando-se nesta descrição, apresente as fórmulas moleculares das substâncias B, C, E, F, G e H.

Resolução:
As fórmulas serão apresentadas com as respectivas equações:
I. O fio de cobre em água de bromo produzirá brometo de cobre (II), sendo os íons cobre (II) os
responsáveis pela coloração azulada:
Cu (s) + Br2(aq) 
→ CuBr2(aq)
Solução A
Observação:
O que se chama “água de bromo” é uma solução em que existe o equilíbrio:
Br2(aq) + H 2O( A ) U HBr(aq) + HBrO(aq)
O cobre metálico não reage com ácidos do equilíbrio anterior a frio, daí a equação do item I.
II. CuBr2(aq) → CuBr2(s)
Sólido Marrom B

III. 2CuBr2(s) 
→ 2CuBr(s) + Br2(g)
Sólido Gás Marrom C
Branco
IV. Ao ser dissolvido em solução concentrada de ácido nítrico, o brometo de cobre (I) será
transformado em nitrato de cobre (II), daí novamente aparecerá a cor azul na solução:
→ 2Cu ( NO3 ) 2(aq) + Br2(g) + 4NO 2(g) + 4H 2 O( A )
2CuBr(s) + 8HNO3(aq) 
Solução Gás Gás
Azulada D Marrom C Castanho E

V. Ao evaporar a solução D, haverá decomposição do nitrato de cobre (II):


2Cu ( NO3 )2(aq) 
→ 2CuO(s) + 4NO 2(g) + O 2(g)
Sólido Gás E Gás G
Preto F

VI. CuO(s) + H 2(g) 


→ Cu (s) + H 2O(v)
Sólido
Avermelhado H

22 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Comentário:

A banca examinadora do ITA apresentou uma prova de Química bem superior à prova do ano
passado. Com questões bem elaboradas, abrangendo quase todo o conteúdo programático, o aluno
pôde ser adequadamente avaliado.
Lamentamos apenas a imprecisão no enunciado da questão 18, o que não tirou o brilho da
prova.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 23


NOTAÇÕES

= {1, 2, 3, ...} i :unidade imaginária; i 2 = − 1


: conjunto dos números reais z : módulo do número z ∈
: conjunto dos números complexos Re z : parte real do numero z ∈
[ a, b] = { x ∈ ; a ≤ x ≤ b} Im z : parte imaginária de z ∈
( a, +∞ ) =  a, + ∞ = { x ∈ ; a < x < +∞} M m×n ( ) :conjunto das matrizes reais m × n
A \ B = { x ∈ A; x ∉ B} At :transposta da matriz A
AC : complementar do conjunto A det A :determinante da matriz A

P( A) : conjunto de todos os subconjuntos do conjunto A


n( A) : número de elementos do conjunto finito A
AB : segmento de reta unindo os pontos A e B
trA : soma dos elementos da diagonal principal da matriz quadrada A
Observação: Os sistemas de coordenadas considerados são cartesianos retangulares.

1. Sejam A e B subconjuntos do conjunto universo U = {a, b, c, d , e, f , g , h} . Sabendo que


(B )
C
C
∪A = { f , g , h} , BC ∩ A = {a, b} e AC \ B = {d , e} , então, n ( P ( A ∩ B ) ) é igual a

A. ( ) 0. B. ( ) 1. C. ( ) 2. D. ( ) 4. E. ( ) 8.

Alternativa: C

(B ∪ A ) = ( BC ) ∩ A C = B ∩ A C = B \ A
C C C

BC ∩ A = A \ B
AC \ B = ( A ∪ B)
C

U = ( B \ A ) ∪ ( A ∩ B) ∪ ( A \ B) ∪ ( A ∪ B )
C

U = {f , g, h} ∪ ( A ∩ B ) ∪ {a, b} ∪ {d, e}
Como B \ A, A ∩ B, A \ B e ( A ∪ B ) são disjuntos, A ∩ B = { c}
C

Então, n ( P ( A ∩ B) ) = 21 = 2 .

2. Uma empresa possui 1000 carros, sendo uma parte com motor a gasolina e o restante com
motor “flex” (que funciona com álcool e com gasolina). Numa determinada época, neste
conjunto de 1000 carros, 36% dos carros com motor a gasolina e 36% dos carros com motor
“flex” sofrem conversão para também funcionar com gás GNV. Sabendo-se que, após esta
conversão, 556 dos 1000 carros desta empresa são bicombustíveis, pode-se afirmar que o
número de carros tricombustíveis é igual a
A. ( ) 246. B. ( ) 252. C. ( ) 260. D. ( ) 268. E. ( ) 284.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 1


Alternativa: B
Tomemos x como o número de carros com motor a gasolina. Então, antes da conversão para GNV,
teremos:
x : carros a gasolina
1000 − x : carros flex
Após a conversão para GNV, o total de carros biocombustíveis é:
36 64
x+ (1000 − x) = 556 ∴ x = 300
100 100
36
Logo, o número de carros tricombustíveis é dado por: n = ⋅ (1000 − 300) ∴ n = 252 .
100

3. Seja f : → \ {0} uma função satisfazendo às condições:


f ( x + y ) = f ( x ) f ( y ) , para todo x, y ∈ e f ( x ) ≠ 1, para todo x ∈ \ {0} .

Das afirmações:
I. f pode ser ímpar.
II. f ( 0 ) = 1.
III. f é injetiva.
IV. f não é sobrejetiva, pois f ( x ) > 0 para todo x ∈ .

é(são) falsa(s) apenas

A. ( ) I e III. B. ( ) II e III. C. ( ) I e IV. D. ( ) IV. E. ( ) I.

Alternativa: E
Para x = y = 0 temos: f (0 + 0) = f (0) ⋅ f (0) ∴ f 2 (0) − f (0) = 0 ∴ f (0) = 0 ou f (0) = 1.
Como o contra-domínio de f é − {0}, temos que f (0) = 1. (Afirmação II é verdadeira).
Para y = –x ∈ temos: f (0) = f (x) ⋅ f ( − x) ∴ f (x) ⋅ f ( − x) = 1
Supondo f ímpar, temos que f ( − x) = − f (x). Assim, − f 2 (x) = 1 ∴ f 2 (x) = −1, o que é absurdo,
pois f (x) ∈ − {0}. (Afirmação I é falsa).

a  a a  a  a  a
Para x = y = ∈ temos: f  +  = f   ⋅ f   ∴ f (a) = f 2   > 0.
2  2 2  2  2  2
Logo, a função f não é sobrejetora, pois não admite imagens negativas. (Afirmação IV é
verdadeira).
f (a)
Para x = a − b e y = b temos: f[(a − b) + b] = f (a − b) ⋅ f (b) ∴ f (a − b) =
f (b)
Supondo a e b ∈ , com f (a) = f (b), teremos f (a − b) = 1.
Sabendo que f (x) ≠ 1 para x ∈ − {0} e f (0) = 1, concluímos que a − b = 0 ∴ a = b.
Assim, f é injetora. (Afirmação III é verdadeira).

2 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


54
π π π π
4. Se a = cos e b = sen , então, o número complexo  cos + i sen  é igual a
5 5  5 5
A. ( ) a + bi. B. ( ) − a + bi.
C. ( ) (1 − 2a 2b 2 ) + ab(1 + b 2 )i. D. ( ) a − bi.
E. ( ) 1 − 4a 2b 2 + 2ab(1 − b 2 )i.

Alternativa: B
54 54
 π π  π 54π  4π   4π 
 cos + i sen  =  cis  = cis = cis 10π +  = cis  
 5 5  5 5  5   5 
 4π  4π 4π π π
cis   = cos + i sen = − cos + i sen = − a + bi
 5 5 5 5 5

5. O polinômio de grau 4
(a + 2b + c)x 4 +(a + b + c)x 3 – (a – b)x 2 +( 2a – b + c)x + 2(a + c),
com a, b, c ∈ , é uma função par. Então, a soma dos módulos de suas raízes é igual a

A. ( ) 3 + 3. B. ( ) 2 + 3 3. C. ( ) 2 + 2.
D. ( ) 1 + 2 2. E. ( ) 2 + 2 2.

Alternativa: E
Como o polinômio P é par, temos que P ( x ) ≡ P ( − x )
( a + 2b + c) x 4 + ( a + b + c) x 3 − ( a − b) x 2 + ( 2a − b + c) x + 2 ( a + c) ≡
( a + 2b + c) x 4 − ( a + b + c) x 3 − ( a − b) x 2 − ( 2a − b + c) x + 2 ( a + c)
 a +b+c = 0

Logo: 2a − b + c = 0

a + 2b + c ≠ 0
E o polinômio é dado por: P ( x ) = ( a + 2b + c ) x 4 − ( a − b ) x 2 + 2 ( a + c ) .
Temos que: a + 2b + c = b; a − b = b e a + c = − b
( )( )
Assim: P ( x ) = bx 4 − bx 2 − 2b = b ( x 4 − x 2 − 2 ) = b ( x 2 − 2 )( x 2 + 1) = b x + 2 x − 2 ( x + i )( x − i )

Portanto a soma dos módulos das raízes é dada por: S = 2 + − 2 + i + −i ∴ S = 2 2 + 2 .

6. Considere as funções f ( x) = x 4 + 2 x3 − 2 x − 1 e g ( x) = x 2 − 2 x + 1. A multiplicidade das raízes


não reais da função composta f g é igual a
A. ( ) 1. B. ( ) 2. C. ( ) 3. D. ( ) 4. E. ( ) 5.

Alternativa: C
f (x) = x 4 + 2x 3 − 2x − 1 = x 4 − 1 + 2x(x 2 − 1) = (x 2 − 1) ⋅ (x 2 + 1) + 2x(x 2 − 1)
f (x) = (x 2 − 1) ⋅ (x 2 + 2x + 1) = (x − 1) ⋅ (x + 1)3
SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 3
A função composta f g é dada por:
f g(x) = f (g(x)) = (g(x) − 1) ⋅ (g(x) + 1)3 = (x 2 − 2x + 1 − 1) ⋅ (x 2 − 2x + 1 + 1)3
f g(x) = (x 2 − 2x) ⋅ (x 2 − 2x + 2)3 = x ⋅ (x − 2) ⋅ [x − (1 + i)]3 ⋅ [x − (1 − i)]3
A multiplicidade das raízes não reais (1 ± i) é igual a 3.

7. Suponha que os coeficientes reais a e b da equação x 4 + ax3 + bx 2 + ax + 1 = 0 são tais que a


equação admite solução não real r com |r| ≠ 1. Das seguintes afirmações:
I. A equação admite quatro raízes distintas, sendo todas não reais.
II. As raízes podem ser duplas.
III. Das quatro raízes, duas podem ser reais.
é(são) verdadeira(s)
A. ( ) apenas I. B. ( ) apenas II. C. ( ) apenas III.
D. ( ) apenas II e III. E. ( ) nenhuma.

Alternativa: A
Como r é raiz de um polinômio de coeficientes reais, temos que r , o conjugado de r, também é raiz.
1 1
Como se trata de uma equação recíproca, temos que e também são raízes.
r r
Assim, há duas opções para o conjunto solução da equação:
1  1 1
Se r ≠ , então S =  r, r , ,  , que possui quatro raízes não-reais distintas.
r  r r
1
Se r = , então r = 1, o que contraria o enunciado.
r
Portanto, a afirmação I é a única correta.

8. Se as soluções da equação algébrica 2x 3 − ax 2 + bx + 54 = 0, com coeficientes a, b ∈ , b ≠ 0,


a
formam, numa determinada ordem, uma progressão geométrica, então, é igual a
b
1 1
A. ( ) –3. B. ( ) − . C. ( ) . D. ( ) 1. E. ( ) 3.
3 3
Alternativa: B
As raízes da equação formam a PG(x1; x 2 ; x 3 ). Logo, x 22 = x1 ⋅ x 3 .
Da 3ª relação de Girard temos: x1 ⋅ x 2 ⋅ x 3 = −27 ∴ x 32 = −27
Substituindo x 2 na equação:
b
2x 32 − ax 22 + bx 2 + 54 = 0 ∴ − 54 − ax 22 + bx 2 + 54 = 0 ∴ ax 22 − bx 2 = 0 ∴ x 2 =
a
( x 2 ≠ 0)
Como a e b ∈ , temos que x 2 é a raiz real da equação x 32 = −27
b a 1
Portanto, x 2 = = −3 ∴ =− .
a b 3

4 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


9. Dados A ∈ M 3×2 ( ) e b ∈ M 3×1 ( ), dizemos que X 0 ∈ M 2×1 ( ) é a melhor aproximação
quadrática do sistema AX = b quando ( AX 0 − b)t ( AX 0 − b) assume o menor valor possível.
Então, dado o sistema
 −1 0  1
 0 1  x  = 1 ,
   y  
 1 0    1
a sua melhor aproximação quadrática é
 1 1  −2  1  0
A. ( )   . B. ( )   . C. ( )   . D. ( )   . E. ( )   .
 −1 1  0 0 1 

Alternativa: E
 −1 0  1
x
Sendo as matrizes A = 0 1 , X =   e b = 1 , então:
 
   y 
 1 0 1
 − x − 1
( A ⋅ X − b) =  y − 1  ∴ ( A ⋅ X − b) t = [ − x − 1 y − 1 x − 1]
 x − 1 

∴ ( AX − b) t ⋅ ( AX − b) = ( x + 1) 2 + ( y − 1) 2 + ( x − 1) 2 = 2x 2 + 2 + ( y − 1)
2

 0
O menor valor dessa expressão ocorre para x = 0 e y = 1. Logo, X =  
1

10. O sistema
a1 x + b1 y = c1
 , a1 , a2 , b1 , b2 , c1 , c2 ∈ ,
a2 x + b2 y = c2
com (c1 , c2 ) ≠ (0, 0), a1c1 + a2c2 = b1c1 + b2c2 = 0, é
A. ( ) determinado.
B. ( ) determinado somente quando c1 ≠ 0 e c2 ≠ 0.
C. ( ) determinado somente quando c1 ≠ 0 e c2 = 0 ou c1 = 0 e c2 ≠ 0.
D. ( ) impossível.
E. ( ) indeterminado.

Alternativa: D

a1x + b1y = c1 × (c1 ) a1c1x + b1c1y = c12


 ∼  +
a 2 x + b 2 y = c 2 × (c2 ) 2
a 2c 2 x + b 2 c2 y = c2
a1c1x + b1c1y = c12 a1c1x + b1c1y = c12
∼  ∼ 
2 2 2 2
(a1c1 + a 2c 2 )x + (b1c1 + b 2 c2 )y = c1 + c2 0x + 0y = c1 + c 2 ≠ 0
Logo, o sistema é impossível.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 5


11. Seja A ∈ M 2×2 ( ) uma matriz simétrica e não nula, cujos elementos são tais que a11 , a12 e
a22 formam, nesta ordem, uma progressão geométrica de razão q ≠ 1 e trA = 5a11. Sabendo-se
2
que o sistema AX = X admite solução não nula X ∈ M 2×1 ( ), pode-se afirmar que a11 + q2 é
igual a
101 121 49 25
A. ( ) . B. ( ) . C. ( ) 5. D. ( ) . E. ( ) .
25 25 9 4

Alternativa: A
De acordo com enunciado, podemos escrever:
 a aq 
1º) A =  2
, com a11 = a
 aq aq 
(
2º) trA = a + aq 2 = 5a ∴ a ⋅ q 2 − 4 = 0 ∴ ) a=0
( não convém)
ou q 2 = 4

3º) O sistema homogêneo A ⋅ X = X admite solução não-nula, temos:


( A − I ) ⋅ X = O ∴ det ( A − I ) = 0 ∴ ( a − 1) ⋅ ( aq 2 − 1) − a 2q 2 = 0
Como q 2 = 4: ( a − 1) ⋅ ( 4a − 1) − 4a 2 = 0 ∴ 4a 2 − a − 4a + 1 − 4a 2 = 0
1 101
Logo, a = . Portanto, a11
2
+ q2 = .
5 25

12. Uma amostra de estrangeiros, em que 18% são proficientes em inglês, realizou um exame para
classificar a sua proficiência nesta língua. Dos estrangeiros que são proficientes em inglês, 75%
foram classificados como proficientes. Entre os não proficientes em inglês, 7% foram
classificados como proficientes. Um estrangeiro desta amostra, escolhido ao acaso, foi
classificado como proficiente em inglês. A probabilidade deste estrangeiro ser efetivamente
proficiente nesta língua é de aproximadamente
A. ( ) 73%. B. ( ) 70%. C. ( ) 68%. D. ( ) 65%. E. ( ) 64%.

Alternativa: B
A probabilidade condicional buscada é dada por:
P(efetivamente e proficiente) 0, 75 ⋅ 0,18
P(efetivamente / proficiente) = =
P(proficiente) 0, 75 ⋅ 0,18 + 0, 07 ⋅ 0,82
P(efetivamente / proficiente) 70% .

13. Considere o triângulo ABC de lados a = BC , b = AC e c = AB e ângulos internos α = C AB,


β = ABC e γ = BCA. Sabendo-se que a equação x 2 − 2bx cos α + b 2 − a 2 = 0 admite c como
raiz dupla, pode-se afirmar que
A. ( ) α = 90º.
B. ( ) β = 60º.
C. ( ) γ = 90º.
D. ( ) O triângulo é retângulo apenas se α = 45º.
E. ( ) O triângulo é retângulo e b é hipotenusa.

6 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Alternativa: E
Da equação x 2 − 2bx ⋅ cos α + b 2 − a 2 = 0, temos que:
∆ = 0

 2b cos α ∼
4b cos α − 4 ⋅ b − a = 0

2 2 2 2
( ∼ 
)
 b 2 cos 2α = b 2 − a 2

c 2 + a 2 = b 2

c = 2
c = b cos α c = b cos α c = b cos α
Logo, trata-se de um triângulo retângulo de hipotenusa b.

14. No plano, considere S o lugar geométrico dos pontos cuja soma dos quadrados de suas
distâncias à reta t : x = 1 e ao ponto A = (3, 2) é igual a 4. Então, S é

A. ( ) uma circunferência de raio 2 e centro (2, 1).


B. ( ) uma circunferência de raio 1 e centro (1, 2).
C. ( ) uma hipérbole.
D. ( ) uma elipse de eixos de comprimento 2 2 e 2.
E. ( ) uma elipse de eixos de comprimento 2 e 1.

Alternativa: D
S é o lugar geométrico definido pela equação:
( d Pt )2 + ( d PA )2 = 4 ∴
2
x − 1 + (x − 3) 2 + (y − 2) 2 = 4
2(y − 2) 2
(x − 2) + = 1 , que corresponde a uma elipse de semi-eixos 2 e 1.
2
Logo, S é uma elipse de eixos 2 2 e 2.

15. Do triângulo de vértices A, B e C, inscrito em uma circunferência de raio R = 2 cm, sabe-se que
o lado BC mede 2 cm e o ângulo interno ABC mede 30º. Então, o raio da circunferência
inscrita neste triângulo tem o comprimento, em cm, igual a
1 2 1
A. ( ) 2 − 3. B. ( ) . C. ( ) . D. ( ) 2 3 − 3. E. ( ) .
3 4 2
Alternativa: D
Pelo teorema dos senos, temos:
BC
(
sen BAC
= 2R ∴
)
2
sen BAC ( )
1
= 2 ⋅ 2 ∴ sen BAC = ∴ BAC = 30º.
2
( )
Logo, o triângulo ABC é isósceles, tal que BC = AC = 2 cm
C

2 2

30º 30º
B A
3 M 3

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 7


Na figura, temos BM = MA = 2 ⋅ cos 30º = 3 cm. Assim, AB = 2 3 cm.
Podemos escrever de duas maneiras a área do triângulo e igualar os resultados para obter o raio da
circunferência inscrita, r:
 2 + 2 + 2 3
1
2
⋅ 2 ⋅ 2 3 sen30º = 
 2
(
 ⋅ r ∴ r = 2 3 − 3 cm

)

16. A distância entre o vértice e o foco da parábola de equação 2 x 2 − 4 x − 4 y + 3 = 0 é igual a


3 3 1
A. ( ) 2. B. ( ) . C. ( ) 1. D. ( ) . E. ( ) .
2 4 2

Alternativa: E
1 2 3 1 3
2x 2 − 4x − 4y + 3 = 0 ∴ y = x −x+ ∴ a=
, b = −1, c =
2 4 2 4
1 1
A distância entre o vértice e a diretriz desta parábola é dada por: p = = = 1.
2 a 2⋅ 1
2
p 1
Portanto, a distância entre o vértice e o foco da parábola é = .
2 2

17. A expressão
  11   x
2 sen  x + π  + cotg2 x  tg 2
  2  
x
1 + tg 2
2
é equivalente a
A. ( )  cos x − sen 2 x  cotg x . B. ( ) [ senx + cos x ] tg x.
C. ( )  cos 2 x − sen x  cotg 2 x . D. ( ) 1 − cotg 2 x  sen x.
E. ( ) 1 + cotg 2 x  [sen x + cos x ] .

Alternativa: A
  11   x  x
2 sen  x + π  + cotg2 x  ⋅ tg   2tg  
 2    2  . Mas: sen x =  2
Seja S = 
x  x
1 + tg 2   1 + tg 2  
2  2
 π  π  π π 
E: sen  x + 11  = sen  x + 6π −  = sen  x −  = −sen  − x = − cos x
 2  2  2 2 
 cos 2 x   cos 2 x 
Logo: S =  − cos x + cotg 2 x  ⋅ sen x=  − cos x + 2 
⋅ sen x =  − cos x sen x + 
 sen x   sen x 
S = cot g x cos x − sen x 
2

8 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


18. Sejam C uma circunferência de raio R > 4 e centro (0, 0) e AB uma corda de C. Sabendo que
(1, 3) é ponto médio de AB, então uma equação da reta que contém AB é
A. ( ) y + 3x − 6 = 0. B. ( ) 3 y + x − 10 = 0.
C. ( ) 2 y + x − 7 = 0. D. ( ) y + x − 4 = 0.
E. ( ) 2 y + 3x − 9 = 0.

Alternativa: B
Como M é ponto médio da corda AB, o segmento OM é perpendicular a AB.
Os coeficientes angulares de OM e de AB satisfazem a relação: m OM ⋅ m AB = −1.
1
Como m OM = 3, então m AB = − .
3
1
Portanto, uma equação de AB é y − 3 = − (x − 1), que é equivalente a 3 y + x − 10 = 0 .
3

19. Uma esfera é colocada no interior de um cone circular reto de 8 cm de altura e de 60º de ângulo
de vértice. Os pontos de contato da esfera com a superfície lateral do cone definem uma
circunferência e distam 2 3 cm do vértice do cone. O volume do cone não ocupado pela
esfera, em cm3 , é igual a
416 480 500 512 542
A. ( ) π. B. ( ) π. C. ( ) π. D. ( ) π. E. ( ) π.
9 9 9 9 9

Alternativa: A
De acordo com o texto o cone é eqüilátero. Observe a seção meridiana do cone:
A BM 8 3
∆AMB : tg30º = ∴ BM = cm
AM 3
30º 2 3 r 1 r
∆AOT: tg30º = ∴ = ∴ r = 2 cm
2 3 3 2 3

T O volume procurado é dado por:


r 2
O 1 8 3  4
 ⋅ 8 − π ( 2 )
3
V = VCONE − VESFERA = π 
3  3  3
416
8 3 ∴ V= π cm³
9
3
C M B

20. Os pontos A = (3,4) e B = (4,3) são vértices de um cubo, em que AB é uma das arestas. A área
lateral do octaedro cujos vértices são os pontos médios da face do cubo é igual a
A. ( ) 8. B. ( ) 3. C. ( ) 12. D. ( ) 4. E. ( ) 18.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 9


Alternativa: C
Um octaedro possui 6 vértices e uma face de um cubo apresenta apenas 4 pontos médios.
O enunciado diz que os vértices do octaedro são os pontos médios da face (no singular) do cubo.
Assim, supondo que a área lateral pedida seja na verdade a área total do octaedro, uma vez que não
se define base de octaedro, esta área poderá assumir qualquer valor maior que 2.
Logo, acreditamos que a intenção do examinador foi de que os vértices do octaedro fossem os
centros das faces do cubo.
Sendo assim, como AB é lado do cubo, então: = (x A − x B ) 2 + (y A − y B ) 2 = 2
No cubo, temos:
H G

2 P
M

E F 2
A aresta do octaedro vale ’ = 2 = 1.
2
N ( ’) 2 3
∴ Stotal = 8 ⋅ =2 3 ∴ Stotal = 12
4
C
D

A B

AS QUESTÕES DISSERTATIVAS, NUMERADAS DE 21 A 30, DEVEM SER


RESOLVIDAS E RESPONDIDAS NO CADERNO DE SOLUÇÕES.

21. Seja S o conjunto solução da inequação


( x − 9) log x + 4 ( x3 − 26 x) ≤ 0.

Determine o conjunto SC.

Resolução:
(x − 9) log x + 4 (x 3 − 26x) ≤ 0.
Fazendo a condição de existência do logaritmo:
x + 4 > 0  x > −4
 
x + 4 ≠ 1 ∴  x ≠ −3 ∴ x ∈ (−4, −3) ∪ (−3, 0) ∪ ( 26, +∞ ).
 3 
 x − 26x > 0  x ∈ (− 26, 0) ∪ ( 26, +∞)
Resolvendo, temos:
(x − 9) ⋅ log x + 4 (x 3 − 26x) ≤ 0 ∴ x − 9 ≤ 0 ou log x + 4 (x 3 − 26x) = 0 ∴ x ≤ 9 ou x 3 − 26x = 1
Tomemos p(x) = x 3 − 26x − 1.

10 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Vemos que: p(6) = 59, p(0) = −1, p( −1) = 24, p( −6) = −61.
Logo, pelo teorema de Bolzano, x 3 − 26x = 1 tem três raízes reais menores que 9.
Concluímos, então, que x ≤ 9.
Fazendo a interseção com a condição de existência, temos:
S = (−4, −3) ∪ (−3, 0) ∪ ( 26,9]
e, portanto,
SC = ( −∞, 4] ∪ {−3} ∪ [0, 26] ∪ (9, +∞)

22. Sejam x, y ∈ e w = x 2 (1 + 3i ) + y 2 (4 − i) − x(2 + 6i ) + y (−16 + 4i) ∈ . Identifique e esboce o


conjunto
{
Ω = ( x, y ) ∈ 2
}
; Re w ≤ −13 e Im w ≤ 4 .

Resolução:
w = x 2 (1 + 3i) + y 2 (4 − i) − x(2 + 6i) + y(−16 + 4i)
w =  x 2 + 4y 2 − 2x − 16y  + 3x 2 − y 2 − 6x + 4y  i

2 2 (x − 1) 2 (y − 2) 2
Re(w) = −13 ∴ x + 4y − 2x − 16y = −13 ∴ + =1
4 1
Elipse de centro (1, 2), vértices (-1, 2) e (3, 2) e pólos (1, 3) e (1, 1).
Assim, Re(w) ≤ −13 designa o conjunto formado pelos pontos dessa elipse, unido ao conjunto dos
pontos do interior dessa mesma elipse.
(x − 1) 2 (y − 2) 2
Im(w) = 4 ∴ 3x 2 − y 2 − 6x + 4y = 4 ∴ − =1
1 3
Hipérbole de centro (1, 2), vértices (0, 2) e (2, 2) e pólos (1, 2 ± 3) .
Assim, Im(w) ≤ 4 designa o conjunto formado pelos pontos dessa hipérbole, unido ao conjunto
formado pelos pontos da região do plano cartesiano, delimitada pelos ramos dessa hipérbole, região
que contém o centro da hipérbole.
y

2+ 3

2− 3
−1 0 1 2 3 x

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 11


2x + 3
23. Seja f : \ { −1} → definida por f ( x) = .
x +1
a) Mostre que f é injetora.
b) Determine D = { f ( x ) , x ∈ \ { −1}} e f −1 : D → \ { −1} .

Resolução:
2x1 + 3 2x 2 + 3
a) Supondo x1 e x 2 ∈ − {−1} e f (x1 ) = f (x 2 ), temos =
x1 + 1 x2 +1
∴ 2x1x 2 + 2x1 + 3x 2 + 3 = 2x1x 2 + 3x1 + 2x 2 + 3 ∴ x1 = x 2
A função f é injetora.

b) Para determinarmos f −1 , vamos, inicialmente, provar que f também é sobrejetora.


Seja y ∈ D, tal que f (x) = y. Assim:
2x + 3
= y ∴ 2x + 3 = yx + y ∴ 2x − yx = y − 3 ∴ x(2 − y) = y − 3
x +1
y−3
∴ x= .
2−y
Logo, f é sobrejetora desde que D = − {2} .
y−3
A função inversa de f é dada por f −1 : − {2} → − {−1} e f −1 (y) =
2− y

24. Suponha que a equação algébrica


10
x11 + ∑ an x n + a0 = 0
n =1

tenha coeficientes reais a0, a1, …, a10 tais que as suas onze raízes sejam todas simples e da
forma β + iγ n , em que β , γ n ∈ e os γ n , n = 1, 2, ..., 11, formam uma progressão aritmética
de razão real γ ≠ 0. Considere as três afirmações abaixo e responda se cada uma delas é,
respectivamente, verdadeira ou falsa, justificando sua resposta:

I. Se β = 0, então a0 = 0.
II. Se a10 = 0, então β = 0.
III. Se β = 0, então a1 = 0.

Resolução:
De acordo com o enunciado, podemos concluir que as raízes da equação são da forma: β, β ± 1γi,
β ± 2 γi, β ± 3γi, β ± 4γi e β ± 5γi, com β ∈ e γ ∈ *
Analisando as afirmações, temos:

I. β=0 ∴ Uma das raízes sendo β, temos que zero é raiz.


Logo, a 0 = 0 ( Verdadeira )

12 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


II. a10 = 0 ∴ x1 + x 2 + x 3 + ... + x11 = 0 ∴ 11β = 0 ∴ β = 0 (Verdadeira)
III. β = 0 ∴ Apenas um dos produtos da combinação das 11 raízes em um produto de 10
raízes é diferente de zero.
Logo, da relação de Girard temos que a1 ≠ 0 ( Falsa )

25. Um determinado concurso é realizado em duas etapas. Ao longo dos últimos anos, 20% dos
candidatos do concurso têm conseguido na primeira etapa nota superior ou igual à nota mínima
necessária para poder participar da segunda etapa. Se tomarmos 6 candidatos dentre os muitos
inscritos, qual é a probabilidade de no mínimo 4 deles conseguirem nota para participar da
segunda etapa?

Resolução:
A probabilidade pedida corresponde a uma distribuição binominal de Bernoulli. Assim:
6 6
 
P = ∑   ⋅ (0, 2) k ⋅ (0,8)6−k
k =4  k 
Logo, P = 1, 696%

26. Sejam A, B ∈ M 3×3 ( ). Mostre as propriedades abaixo:


a) Se AX é a matriz coluna nula, para todo X ∈ M 3×1 ( ), então A é a matriz nula.
b) Se A e B são não nulas e tais que AB é a matriz nula, então det A = det B = 0.

Resolução:
1  0 0
a) Como A ⋅ X = O, para todo X, tomemos os vetores X1 = 0  , X 2 = 1  e X3 =  0 
0  0  1 
Assim:
A ⋅ X1 = O ∴ a11 = a 21 = a 31 = 0.
A ⋅ X 2 = O ∴ a12 = a 22 = a 32 = 0.
A ⋅ X3 = O ∴ a13 = a 23 = a 33 = 0.
Logo, a matriz A = (a ij )3×3 é nula.

b) Vamos provar por redução ao absurdo.


Supondo que a matriz A é não-singular, isto é, que A admite inversa A −1 , teríamos:
A ⋅ B = O ∴ A −1 ⋅ A ⋅ B = A −1 ⋅ O ∴ I ⋅ B = O ∴ B = O (o que é uma contradição, pois o
enunciado diz que B ≠ O) .
Logo, A é não-inversível e det A = 0 .
Analogamente, provamos que B é não-inversível, isto é, det B = 0.

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 13


27. Sabendo que tg 2  x + π  = , para algum x ∈ 0, π  , determine sen x.
1 1 1
 6  2  2 

Resolução:
Do enunciado, temos:
 π 2  2 π
tg  x +  = ± ∴ x = arc tg  ± − .
 6 2  2  6
 2 π
Tomemos θ = arc tg  ±  , com 0 < θ < .
 2  2
π  π 3 1
Assim, x = θ − e senx = sen  θ −  ∴ senx = senθ ⋅ − ⋅ cos θ (I)
6  6 2 2
2
Mas, sabemos que tgθ = , então:
2
3 2 1
1 + tg 2θ = sec 2 θ ∴ sec2 θ = ∴ cos θ = e senθ = .
2 3 3
Substituindo em (I):
1 3 1 2 1 6
senx = ⋅ − ⋅ ∴ senx = − .
3 2 2 3 2 6

28. Dadas a circunferência C: ( x − 3) 2 + ( y − 1) 2 = 20 e a reta r : 3x − y + 5 = 0, considere a reta t


3 5
que tangencia C, forma um ângulo de 45º com r e cuja distância à origem é . Determine
5
uma equação da reta t.

Resolução:

Se as retas r e t formam ângulo de 45º e possuem coeficientes angulares m r e m t , então estes


mr − mt
coeficientes satisfazem à relação tg45º = .
1 + mr ⋅ mt
Da equação geral de r dada pelo enunciado, temos que m r = 3. Assim:
3 − mt 1
1= ∴ 3 − m t = 1 + 3m t ou − 3 + m t = 1 + 3m t ∴ mt = ou m t = −2.
1 + 3m t 2

Então, podemos afirmar que t é reta do feixe (F1 ) : 2x + y + k = 0 ou do feixe (F2 ) : x − 2y + k = 0,


em que k é parâmetro real.
3 5 k 3 5
Como a reta t dista unidades da origem, temos, de ambos os feixes, que = , ou seja,
5 5 5
que k = ± 3.

14 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO


Temos, então, quatro possibilidades para a reta t:
(t1 ) : x − 2y + 3 = 0
(t 2 ) : x − 2y − 3 = 0
(t 3 ) : 2x + y + 3 = 0
(t 4 ) : 2x + y − 3 = 0

Como a reta t é tangente à circunferência C dada no enunciado, temos que a distância entre t e o
centro (3,1) de C deve ser igual ao raio de C : 2 5.
3− 2+3 4 5
A distância do ponto (3,1) à reta t1 é = .
5 5
3− 2−3 2 5
A distância do ponto (3,1) à reta t 2 é = .
5 5
6 +1+ 3
A distância do ponto (3,1) à reta t 3 é =2 5.
5
6 +1− 3 4 5
A distância do ponto (3,1) à reta t 4 é = .
5 5
Portanto, a equação geral da reta t é 2x + y + 3 = 0 .

29. Considere as n retas


ri : y = mi x + 10, i = 1, 2,..., n; n ≥ 5,
em que os coeficientes mi, em ordem crescente de i, formam uma progressão aritmética de
razão q > 0. Se m1 = 0 e a reta r5 tangencia a circunferência de equação x2 + y2 = 25, determine
o valor de q.

Resolução:
A circunferência x 2 + y 2 = 25 tem centro na origem e raio 5. A reta r5 tangente a essa
circunferência tem equação y = m5 ⋅ x + 10, intercepta o eixo das ordenadas em P = (0,10) e é
crescente, pois m5 = m1 + 4q = 4q > 0 .
y
r5
P
5 1
α No triângulo PTO, temos sen α = = .
10 2
10 Assim, α = 30º e m5 = tg ( 90º − α ) = tg60º = 3.
T 3
5 Logo, q =
4
O x

SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO 15


30. A razão entre a área lateral e a área da base octogonal de uma pirâmide regular é igual a 5.
Exprima o volume desta pirâmide em termos da medida a do apótema da base.

Resolução:

1
Na figura, temos da pirâmide de base octogonal, tal que sua altura é h, apótema da base a,
8
apótema da pirâmide b e aresta da base AB = .
P

b
área lateral = 8 ⋅ = 4b
2
h a
área da base = 8 ⋅ = 4a
2
4b b
b = 5 ∴ = 5
4a a
O
Do ∆PMO, temos:
a b 2 = a 2 + h 2 ∴ (a 5)2 = a 2 + h 2 ∴ h = 2a
A
M B

Para o ∆AOB :
O tg(22,5º ) = ∴ ( 2 − 1) = ∴ = 2( 2 − 1) ⋅ a
2a 2a
22,5º O volume da pirâmide é dado por:
1 1
a V = ⋅ 4a ⋅ h = ⋅ 4a ⋅ 2( 2 − 1)a ⋅ 2a
3 3
16( 2 − 1) 3
∴ V= ⋅a
A M 2 B 3

Comentários
A prova de matemática do ITA não apresentou questões com grandes dificuldades. Os assuntos
foram diversificados e percebemos uma ênfase nas questões de geometria analítica.
As questões dissertativas não foram trabalhosas, mas exigiam uma visão aprimorada dos
assuntos.

16 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO

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